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Direitos Reais sobre coisa alheia e suas
garantias
Abordagem conceitual e prática dos direitos reais de garantia (propriedade fiduciária, penhor, anticrese e
hipoteca) e do direito real de servidão.
Gilberto Fachetti Silvestre
1. Itens iniciais
Propósito
Esta é uma das principais matérias das quais resultam demandas discutidas em ações judiciais, sendo,
portanto, um assunto de grande viés prático e de operabilidade para o exercício das profissões jurídicas que o
aluno exercerá no futuro.
Preparação
Para iniciar o estudo deste conteúdo, tenha o Código Civil atualizado em mãos, pois você precisará consultá-
lo para compreender como é a disciplina jurídica.
Objetivos
Distinguir as principais características da servidão.
Identificar a relação entre alienação fiduciária e propriedade fiduciária.
Identificar as modalidades de direito real de garantia.
Introdução
Os direitos reais de garantia são instrumentos importantes para o desenvolvimento econômico, pois
contribuem para a concessão de empréstimos e financiamentos, que, por vezes, são aplicados no patrocínio
de atividades econômicas e empresariais.
Daí, a importância de se compreender em detalhes como se dá a constituição da propriedade fiduciária, do
penhor, da hipoteca e da anticrese, pois as consequências sociais e jurídicas que podem advir dessas
situações servem de campo fértil para o desenvolvimento profissional do aluno que está sendo formado.
Paralelamente a isso, um direito real muito comum e nem sempre conhecido é a servidão, que se destina ao
melhor uso de um imóvel, o que favorece a função social da propriedade e ameniza conflitos entre vizinhos.
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1. Servidão
O direito real de servidão
Neste vídeo, você compreenderá o que é servidão e suas nuances antes de nos aprofundarmos nas regras
peculiares do Código Civil.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Definição e finalidade
A servidão é um tipo de direito real previsto no Código Civil no inciso III do art. 1.225 e dos arts. 1.378 a 1.389.
Integra o rol de direitos reais sobre coisas alheias, ou seja, um poder que alguém tem sobre o imóvel de outra
pessoa.
Atenção
Ao tratar de servidões, o Código Civil refere-se a “imóvel” como “prédio”. Aqui, então, prédio não
significa, necessariamente, uma construção de alguns andares; diz respeito a qualquer tipo de
construção e até mesmo a lotes vazios. Por isso, inclusive, as servidões também são chamadas de
“servidões prediais”. 
Para entender o que é uma servidão, é necessário estabelecer conceitos preliminares.
Na servidão, sempre haverá dois ou mais imóveis (“prédios”) envolvidos:
Prédio serviente
Um (ou mais) deles é chamado de “prédio
serviente”: trata-se do imóvel sobre o qual o
proprietário de outro terá algum poder; este é o
imóvel que caracteriza a “coisa alheia” do
direito real de servidão.
Prédio dominante
O outro imóvel é chamado de “prédio
dominante”: é o imóvel beneficiado pelo
encargo estabelecido sobre o prédio serviente,
ou seja, a servidão é constituída para favorecer
este prédio dominante de alguma maneira.
Observe, então, que o prédio serviente é o imóvel que sofre restrições ou se submete a encargos e o prédio
dominante é aquele que se beneficiará das restrições ou encargos sobre o imóvel serviente.
A seguir, um exemplo simples e preliminar para começar a entender o assunto:
X e Y são proprietários de duas casas contíguas (uma ao lado da outra).
X compra um carro, mas não tem espaço suficiente para passar com ele em seu quintal para chegar à
garagem.
X pede a Y uma autorização para passar em um trecho de um metro no quintal de Y todas as vezes em
que precisar retirar e recolocar o carro na garagem.
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Y permite e ambos procedem à formalização necessária.
Ilustrando:
Ilustração de uma servidão.
Nesse exemplo, observe que a faixa de um metro do quintal de Y permanece sendo dele, mas X passa a ter o
direito de utilizar, de alguma forma, esse trecho para seu benefício e para melhor uso do seu imóvel (que não
tem passagem para carro). X somente poderá utilizar essa faixa do imóvel de Y para a passagem do seu carro,
e para nada mais (a não ser, talvez, praticar obras de conservação). O imóvel de Y é o prédio serviente, pois
passará a servir ao imóvel de X, que é o dominante.
Observe, também, que o imóvel de Y terá seu uso, de certo modo, parcialmente restringido. Embora a faixa do
terreno permaneça sendo de Y e esta possa até utilizar, haverá uma restrição porque ele terá que tolerar o uso
por X. Ou seja, seu uso não mais será pleno, como antes. Essa situação ilustra a servidão predial: trata-se de
um direito real constituído sobre o imóvel de uma pessoa para garantir o exercício mais útil da propriedade de
outro imóvel.
Esta é definição do Código Civil quanto a este direito real:
Art. 1.378. A servidão proporciona utilidade para o prédio dominante, e grava o prédio serviente, que
pertence a diverso dono, e constitui-se mediante declaração expressa dos proprietários, ou por
testamento, e subsequente registro no Cartório de Registro de Imóveis.
(LEI Nº 10.406/2002)
Quando o art. 1.378 diz que a servidão “grava o prédio serviente”, isso significa que a servidão cria uma
obrigação propter rem, ou seja, não recai sobre as pessoas dos proprietários dos imóveis dominante e
serviente. Na verdade, a servidão recai sobre os imóveis. É como se a servidão fosse um direito do prédio
dominante e um dever do prédio serviente, ou seja, são poderes e encargos das coisas, e não dos
proprietários de tais coisas.
Por isso, havendo transmissão da propriedade do prédio serviente, o novo proprietário suportará a servidão,
pois esta não foi constituída sobre o antigo proprietário, mas sobre o imóvel serviente. De igual maneira, se o
• 
proprietário do prédio dominante transferir a propriedade para terceiro, o adquirente recebe o imóvel com a
possibilidade de usufruir da servidão e o proprietário do imóvel serviente deve suportá-lo.
Atenção
Isso não significa dizer que a servidão será, obrigatoriamente, perpétua. Ela pode ser extinta nas
hipóteses dos arts. 1.387 a 1.389, que inclui a extinção por acordo de vontades. 
A servidão predial serve à coisa, e não ao proprietário da coisa, pois o que é gravado com direito real é o
imóvel, e não a pessoa do proprietário. Os exemplos mais comuns são:
Servidão de passagem (de pessoas, de veículos, de cabos, de tubulações etc.).
Servidão de vista (acordo para não edificar acima de determinada altura).
Ventilação (deixar espaço entre construções para aumento da circulação de ar).
Retirada de água (acesso a nascentes e rios em outro imóvel).
Características
Confira agora as principais características da servidão.
Acessoriedade
A servidão é um acessório do direito de propriedade, pois se destina a melhorar e aperfeiçoar o
exercício da propriedade do imóvel dominante, sem prejuízo do imóvel serviente (apesar das
restrições que serão sofridas, não haverá prejuízo substancial).
Sequelado
A servidão adere à coisa e a acompanha, podendo o proprietário dominante tomar medidas para
garantir a posse sobre a coisa em caso de moléstia.
Inalienabilidade
O imóvel dominante pode ser alienado, ou seja, terceiro pode se tornar novo proprietário dominante;
por ser obrigação propter rem, a servidão permanece aderida ao imóvel dominante e o novo
proprietário poderá utilizá-la. O adquirente recebe a servidão porque ela é alienada com a
propriedade. A inalienabilidade da servidão consiste na impossibilidade de transferir exclusiva e
unicamente a servidão para terceiro, ou seja, não é possível alienar ou transferir somente a servidão;
ela pode ser transferida junto com a propriedade do imóvel dominante, mas nunca isoladamente.
Perpetuidade
A servidão é constituída para ser perpétua, ou seja, nunca desfeita. Ocorre que a regra comporta
exceções, que são as previstas dos arts. 1.387 a 1.389 do Código Civil.
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Publicidade
Todo direito real constituído ou transmitido sobre coisas imóveis são adquiridos somentediferenças clássicas entre os tipos de direitos reais de garantia, destacando suas
repercussões práticas para a atuação do profissional.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para ouvir o áudio.
Explore +
Para saber mais sobre os assuntos explorados neste conteúdo, leia os seguintes artigos:
 
CARRASCOSA, G. L. Z.; FERNANDES, A. C.; CORDAZZO, K. As vantagens da alienação fiduciária em
face da hipoteca. Revista Jurídica Direito, Sociedade e Justiça, vol. 6, n. 8, 2019.
 
Esse texto apresenta as principais características dos dois direitos e apresenta elementos para a melhor
escolha da modalidade, a depender da situação.
 
KRIGER FILHO, D. A. Efeitos da hipoteca em face do usucapião. Jurisprudência Catarinense,
Florianópolis, v. 31, n. 108-109, 2005.
 
O artigo faz uma importante relação entre hipoteca e usucapião, dois institutos muito comuns e cuja relação
pode ser problemática.
 
PEREIRA, A. G. D. Servidões prediais e obrigações propter rem. Repositório científico da UC. Coimbra,
2003.
 
Embora seja um texto sobre a servidão no Direito português, o regime jurídico português e brasileiro se
aproximam. Contudo, o mais importante são os conceitos fundamentais que o autor desenvolve.
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SOUZA, A. S. R. Anticrese: direito real de garantia ou forma especial de pagamento? Revista da
Faculdade Mineira de Direito - PUC Minas, v. 12, n. 24, p. 22-30, 2009.
 
Ao discutir a essência da anticrese, o autor aborda vários elementos que demonstram a operabilidade do
instituto.
 
Atenção: A partir do Código Civil de 2002, a flexão de gênero da palavra “usucapião” é no feminino, e não no
masculino.
Referências
DINIZ, M. H. Curso de Direito Civil Brasileiro. Vol. 4 - Direito das Coisas. 34. ed. São Paulo: Saraiva, 2020.
FARIAS, C. C. de; ROSENVALD, N. Curso de Direito Civil. Vol. 5 - Reais. 17. ed. Salvador: Juspodivm, 2021.
GOMES, O. Direitos reais. 21. ed. Rio de Janeiro: Forense, 2012.
GONÇALVES, C. R. Direito Civil Brasileiro. Vol. 5 - Direito das Coisas. 16. ed. São Paulo: Saraiva, 2021.
• 
	Direitos Reais sobre coisa alheia e suas garantias
	1. Itens iniciais
	Propósito
	Preparação
	Objetivos
	Introdução
	1. Servidão
	O direito real de servidão
	Conteúdo interativo
	Definição e finalidade
	Atenção
	Prédio serviente
	Prédio dominante
	Atenção
	Características
	Acessoriedade
	Sequelado
	Inalienabilidade
	Perpetuidade
	Publicidade
	Indivisibilidade
	Impresuntibilidade
	Voluntariedade
	Usucapibilidade
	Tipos
	Servidão real e servidão pessoal
	Servidão e passagem forçada
	Constituição e extinção
	Gratuita
	Dominante
	Renúncia
	Fim da utilidade ou comodidade
	Resgate
	Resilição bilateral
	Resolução
	Confusão
	Supressão das obras
	Desuso
	Desapropriação administrativa ou judicial
	Perecimento do imóvel
	Transcurso de prazo
	Direitos e deveres
	Servidão administrava e servidão civil
	Servidão civil
	Servidão administrativa
	Exemplo
	Tutela processual
	Ação confessória
	Ação negatória
	Verificando o aprendizado
	2. Alienação e propriedade fiduciária
	Propriedade fiduciária
	Conteúdo interativo
	Definição e características
	Atenção
	Para bens móveis
	Para bens imóveis
	Requisitos
	Consequências em caso de inadimplemento da dívida garantida
	Direitos e deveres das partes envolvidas
	Verificando o aprendizado
	3. Direito real de garantia
	Direitos reais de garantia: penhor, hipoteca e anticrese
	Conteúdo interativo
	Os direitos reais sobre coisas alheias
	Coisa alienável
	Capacidade e legitimidade para alienar
	Constituição por negócio jurídico
	Publicidade
	Ambulacrariedade (ou ambulatoriedade)
	Sequela
	Excussão
	Preferência
	Indivisibilidade
	Penhor
	Penhor convencional
	Penhor legal
	Extinção do débito que ensejou o penhor
	Perecimento da coisa
	Renúncia pelo credor
	Confusão
	Adjudicação judicial, remissão ou venda da coisa empenhada
	Hipoteca
	Hipoteca convencional
	Hipoteca legal
	Hipoteca judicial ou judiciária
	Imóveis e acessórios
	Domínio direto
	Domínio útil
	Estradas de ferro
	Recursos naturais a que se refere o art. 1.230
	Navios
	Aeronaves
	Direito de uso especial para fins de moradia
	Direito real de uso
	Propriedade superficiária
	Direitos oriundos da imissão provisória na posse
	Hipótese 1
	Hipótese 2
	Remissão
	Extinção da dívida
	Resilição
	Perecimento da coisa
	Arrematação ou adjucação
	Resolução da propriedade
	Desapropriação do imóvel
	Confusão
	Anticrese
	Devedor/ Proprietário do imóvel
	Credor/ Usufrutuário dos rendimentos
	Exemplo
	Verificando o aprendizado
	4. Conclusão
	Considerações finais
	Podcast
	Conteúdo interativo
	Explore +
	Referênciascom o
registro no Cartório de Registro de Imóveis (arts. 1.245 a 1.247). Essa regra não é diferente no caso da
servidão, conforme art. 1.378 do Código Civil, que diz que a servidão “constitui-se [...] subsequente
registro no Cartório de Registro de Imóveis”. Se existir o título que confere ao dominante o direito à
servidão, mas que não foi registrado, o caput do art. 1.379 do Código Civil permite a aquisição da
servidão pela usucapião, desde que haja posse contínua e aparente por pelo menos 10 anos.
Indivisibilidade
Caso o imóvel serviente ou o imóvel dominante sejam divididos (loteados, p. ex.), a servidão não será
“dividida” em partes tal e qual os imóveis; a servidão se mantém única e as novas partes resultantes
se subordinam à servidão.
Impresuntibilidade
A servidão não é presumida, devendo ser provada de maneira explícita e inequívoca; logo, não se
admitem interpretações extensivas para caracterizar servidão em uma determinada situação.
Voluntariedade
Uma servidão é constituída sempre com base em um negócio jurídico (unilateral, como o testamento,
ou bilateral, como um contrato). É possível que você encontre alguns livros falando em “servidões
legais”, que seriam servidões constituídas compulsoriamente por determinação legal. Na verdade,
esses casos existem, mas não são servidões; são questões de vizinhança ou direito de vizinhança
(arts. 1.282 a 1.313 do Código Civil). Além disso, observe que o art. 1.378 do Código Civil diz que a
servidão “constitui-se mediante declaração expressa dos proprietários, ou por testamento”, ou seja,
por atos jurídicos voluntários.
Usucapibilidade
A servidão pode ser usucapida após 20 anos de posse contínua e aparente, caso o dominante não
tenha título que lhe confere o direito de usar o imóvel serviente.
Tipos
A seguir, você encontra os tipos de servidão.
Quanto ao Tipos
Ao imóvel
serviente
Servidão urbana: o imóvel é urbano, ou seja, localizado em perímetro
urbano.
Servidão rural ou rústica: o imóvel encontra-se em zona rural e se
destina a atividades agrícolas, pecuaristas, extrativistas etc.
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Quanto ao Tipos
Ao direito
concedido
Servidão positiva: quando o proprietário do imóvel dominante pode
praticar algum ato sobre o imóvel serviente (ex.: passagem por um
beco para ter acesso à rua); depende de uma ação do proprietário
dominante.
Servidão negativa: quando o proprietário do imóvel serviente fica
impedido de praticar atos sobre o seu imóvel (ex.: construir acima da
laje); depende de uma omissão do proprietário serviente.
À forma de
exercício
Servidão aparente ou contínua: é o tipo de servidão que necessita de
ação humana reiterada para ser exercida e visualizada (ex.: passagem
de cabos de energia elétrica).
Servidão não aparente ou descontínuas: é aquela que o exercício é
imperceptível, pois não pode se visualizada (ex.: não construir acima
de certa altura para garantir vista para a rua.
Tabela: Classificação das servidões.
Gilberto Fachetti.
Dependendo do livro utilizado para aprofundamento do conteúdo, é possível que você encontre outros nomes
para as classificações da tabela. É possível, também, que você encontre mais classificações, as quais
repetirão conceitos de classificações quanto a outros elementos.
Servidão real e servidão pessoal
As servidões real e pessoal possuem conceitos diferentes. Observe a seguir.
As servidões pessoais estão vinculadas a alguém, embora não sejam transmitidas por herança. Como a
servidão predial é um “direito da coisa”, ela é perpétua e independe de quem sejam os titulares das
propriedades dos prédios envolvidos. 
Apesar do nome, as servidões pessoais não são servidões propriamente ditas, pois estas são somente as
prediais. É um conceito tradicional que precisa ser diferenciado, mas que não se submetem ao regime jurídico
da servidão. 
Servidão e passagem forçada
A servidão é constituída voluntariamente entre os proprietários dos prédios dominante e serviente. 
Contudo, às vezes, o proprietário de um imóvel precisa de acesso à via pública e não consegue constituir a
servidão de passagem com seu vizinho. Isso acontece, geralmente, naqueles loteamentos ou quadras em que
um terreno ou uma construção não tem acesso à rua. 
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Servidão pessoal 
Diz respeito aos direitos reais de usufruto, uso
e habitação. São pessoais porque dizem
respeito ao uso e ao gozo de bens por parte
do usuário, do usufrutuário e do habitante.
Aqui, a relação não é entre prédios, mas entre
um terceiro e a coisa.
Servidão predial (real) 
É identificada quando um prédio utiliza
algo de outro prédio; não há relação
pessoa-coisa, mas coisa-coisa (isto é,
prédio dominante-prédio serviente).
Se há recusa em constituir uma servidão de passagem e se há necessidade em obter acesso à via pública, o
proprietário do prédio encravado poderá, judicialmente, exercer o seu direito de passagem forçada (art. 1.285
do Código Civil).
Contudo, o direito de passagem pode ser
constituído voluntariamente e, à diferença da
servidão, não precisa ser registrado no Cartório
de Registro de Imóveis, pois não é direito real.
O problema é quando nem o direito de
passagem e nem a servidão podem ser
constituídas por desinteresse do proprietário do
prédio serviente.
A passagem forçada não é servidão e não é um
direito real; é um direito de vizinhança, de
caráter pessoal e constituído judicialmente.
Assim, depende de uma ação judicial que determinará que um prédio vizinho ceda uma parte de seu imóvel
para a passagem do proprietário do prédio encravado, que, assim, terá acesso à via pública.
Observe que o direito de passagem forçada tem lugar nos casos de encravamento em que a constituição de
uma servidão de passagem não ocorreu.
A seguir, algumas distinções:
Servidão de passagem Passagem forçada
Voluntária
Direito previsto na lei (art. 1.285 do Código Civil) e que
poderá ser constituído coercitivamente por sentença
judicial.
Gratuito ou oneroso Oneroso.
Natureza real (direito real) Natureza pessoal/obrigacional (direito de vizinhança).
Constituída pelo registro no
Cartório de Registro de Imóveis
Não é registrada e é constituída por sentença judicial.
Usucapíveis (usucapião de uma
servidão)
Não se submete à usucapião (não existe “usucapião de
passagem forçada”, mas pode existir usucapião de
propriedade).
Perpétua Pode ser revogada se o encravamento deixar de existir.
Tabela: Diferenças entre servidão e passagem forçada.
Gilberto Fachetti.
Constituição e extinção
A servidão pode ser gratuita ou onerosa. Observe a seguir.
Gratuita
O imóvel dominante não remunera o imóvel
serviente pela constituição da servidão.
Dominante
O proprietário do imóvel dominante pagará uma
remuneração ao proprietário do imóvel
serviente.
A onerosidade precisa ser fixada no instrumento que constitui a servidão, pois, do contrário, presume-se que
a servidão é gratuita.
Uma servidão pode ser constituída a partir de:
Negócio jurídico (inter vivos ou mortis causa)
Usucapião
Sentença judicial
O art. 1.378 do Código Civil admite que a servidão seja constituída por ato negocial, ou seja, um contrato entre
os proprietários dos prédios serviente e dominante (ato inter vivos) ou um testamento do proprietário do
prédio serviente em favor do proprietário do prédio dominante (ato mortis causa).
Porém, como se trata de direito real sobre coisa imóvel, o
art. 1.227 do Código Civil exige que a constituição desse
direito seja registrada na matrícula do prédio no Cartório de
Registro de Imóveis. Assim, tanto o contrato quanto o
testamento devem ser registrados para que a servidão
exista no mundo do Direito.
Sem o registro, o que existe entre os envolvidos é uma
relação de confiança, uma promessa de constituir a
servidão, mesmo que o prédio serviente já esteja sendo
usado. Haverá, assim, um direito pessoal, e não real. Para
que a situação seja considerada juridicamente uma servidão (direito real) e, consequentemente, possa
produzir seus efeitos perante os envolvidos e os terceiros, dependerá de registro. 
E não apenas: se os imóveis envolvidostiverem valor superior a 30 salários-mínimos, o contrato e o
testamento não podem ser celebrados por instrumento particular; deverão, obrigatoriamente, ser celebrados
em instrumento público (escritura pública feita em Cartório de Notas), conforme o Código Civil:
Art. 108. Não dispondo a lei em contrário, a escritura pública é essencial à validade dos negócios
jurídicos que visem à constituição, transferência, modificação ou renúncia de direitos reais sobre imóveis
de valor superior a trinta vezes o maior salário mínimo vigente no País
(LEI Nº 10.406/2002)
O Código de Processo Civil de 1973, ao tratar do procedimento especial da ação de divisão de terras
particulares (arts. 967 a 981), previa a possibilidade de o juiz instituir servidões necessárias quando fosse
decidir a partilha:
Art. 979. Ouvidas as partes, no prazo comum de 10 (dez) dias, sobre o cálculo e o plano da divisão,
deliberará o juiz a partilha. Em cumprimento desta decisão, procederá o agrimensor, assistido pelos
arbitradores, à demarcação dos quinhões, observando, além do disposto nos arts. 963 e 964, as
seguintes regras: [...]; II - instituir-se-ão as servidões, que forem indispensáveis, em favor de uns
quinhões sobre os outros, incluindo o respectivo valor no orçamento para que, não se tratando de
servidões naturais, seja compensado o condômino aquinhoado com o prédio serviente; [...]
LEI Nº 5.869/1973
• 
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No Código de Processo Civil de 2015, foi mantida a mesma sistemática de instituição de servidões na via
judicial, também no procedimento especial da ação de divisão de terras particulares (arts. 588 a 598):
Art. 596. Ouvidas as partes, no prazo comum de 15 (quinze) dias, sobre o cálculo e o plano da divisão, o
juiz deliberará a partilha. Parágrafo único. Em cumprimento dessa decisão, o perito procederá à
demarcação dos quinhões, observando, além do disposto nos arts. 584 e 585, as seguintes regras: [...];
II - instituir-se-ão as servidões que forem indispensáveis em favor de uns quinhões sobre os outros,
incluindo o respectivo valor no orçamento para que, não se tratando de servidões naturais, seja
compensado o condômino aquinhoado com o prédio serviente; [...]
LEI Nº 13.105/2015
Outra forma de constituição é a que ocorre pela usucapião. Não se trata da usucapião da propriedade de um
imóvel, mas da usucapião específica para o direito real de servidão. Esta previsão se encontra no Código Civil:
Art. 1.379. O exercício incontestado e contínuo de uma servidão aparente, por dez anos, nos termos do
art. 1.242, autoriza o interessado a registrá-la em seu nome no Registro de Imóveis, valendo-lhe como
título a sentença que julgar consumado a usucapião. Parágrafo único. Se o possuidor não tiver título, o
prazo da usucapião será de vinte anos.
LEI Nº 10.406/2002
O caput traz a hipótese de uma usucapião ordinária de servidão; e o parágrafo único traz uma hipótese de
usucapião extraordinária. Como toda e qualquer usucapião, estas dependem de exercício contínuo (sem
interrupção) e inconteste (sem dúvidas) da servidão.
Em ambas as hipóteses (caput e parágrafo único), a servidão é exercida sem registro do título constitutivo no
Cartório de Registro de Imóveis. Esse exercício da servidão é aparente (servidão aparente), ou seja, há
exteriorização da relação de serventia entre os prédios dominante e serviente.
O caput do art. 1.379 remete à usucapião ordinária da propriedade do art. 1.242: “Adquire também a
propriedade do imóvel aquele que, contínua e incontestadamente, com justo título e boa-fé, o possuir por dez
anos. Parágrafo único. Será de cinco anos o prazo previsto neste artigo se o imóvel houver sido adquirido,
onerosamente, com base no registro constante do respectivo cartório, cancelada posteriormente, desde que
os possuidores nele tiverem estabelecido a sua moradia, ou realizado investimentos de interesse social e
econômico”.
Observe a tabela a seguir:
 Usucapião do caput do art. 1.379 Usucapião do parágrafo
único do art. 1.379
Justo
título
Obrigatório. Essa usucapião é para os casos em
que há título (contrato ou testamento) que não
foi registrado ou que foram registrados, porém,
esse registro foi anulado posteriormente (relação
com o art. 1.242).
Não é exigido o título,
bastando a aparência de
servidão ao longo do
tempo.
 Usucapião do caput do art. 1.379 Usucapião do parágrafo
único do art. 1.379
Prazo do
uso 10 anos 20 anos
Sentença
judicial
Obrigatória a declaração de usucapião em
sentença para registro no Cartório de Registro de
Imóveis.
Obrigatória a declaração
de usucapião em sentença
para registro no Cartório
de Registro de Imóveis.
Tabela: Usucapião de servidão.
Gilberto Fachetti.
Os seguintes motivos levam à extinção de uma servidão, conforme previsto nos arts. 1.388 e 1.389 do Código
Civil:
1
Renúncia
Pelo proprietário do prédio dominante, ou seja, o titular beneficiado pela servidão.
2
Fim da utilidade ou comodidade
Que deram causa à constituição da servidão (equivaleria a uma "perda de objeto").
3
Resgate
Da servidão pelo proprietário do prédio serviente, que consiste em uma resilição unilateral (art. 473
do Código Civil) pela qual o proprietário pagará ao proprietário dominante um valor pecuniário para
extinguir a servidão (se houver divergências quanto aos valores, a questão deve ser levada a juízo
para decidir).
4
Resilição bilateral
Distrato, que não é uma hipótese prevista nos incisos dos arts. 1.388 e 1.389, mas que é uma regra
geral de extinção de todo e qualquer contrato (art. 472 do Código Civil).
5
Resolução
Que também não está prevista nos incisos dos arts. 1.388 e 1.389, mas que se aplica aos casos de
inadimplemento da remuneração nas servidões onerosas (art. 475 do Código Civil).
6
Confusão
Que ocorre quando a propriedade dos prédios serviente e dominante passa a pertencer à mesma
pessoa (toda servidão exige que os prédios envolvidos tenham, obrigatoriamente, proprietários
diferentes).
7 Supressão das obras
Nas servidões aparentes, ou seja, das ações que permitem perceber que há servidão constituída
sobre um prédio.
8
Desuso
No período de 10 anos, ou seja, a servidão deixa de ser utilizada durante uma década.
9
Desapropriação administrativa ou judicial
Em que os imóveis ou somente um deles passará a pertencer à Administração Pública para a
realização de ações de interesse público.
10
Perecimento do imóvel
Destruição.
11
Transcurso de prazo
No caso da servidão constituída por tempo indeterminado.
Direitos e deveres
Os direitos e deveres em uma servidão são recíprocos entre proprietários serviente e dominante. Pode-se
fazer a seguinte sistematização:
 Proprietário do imóvel dominante Proprietário do imóvel serviente
Direitos
Usar e usufruir da servidão,
dentro dos limites do fixado no
ato constitutivo e dentro do
necessário para não causar
prejuízos ao proprietário
serviente.
Realizar as obras necessárias e
ampliar a servidão, se
necessário, para a sua melhor
utilidade.
Resilir unilateralmente
(renunciar) a servidão.
Remover a servidão, se
necessário, para outro ponto do
imóvel serviente, desde que não
prejudique o uso deste último.
Abandonar ao proprietário do
prédio dominante, total ou
parcialmente, a propriedade do
imóvel serviente.
Remover a servidão, se
necessário, para outro ponto do
imóvel serviente.
Impedir mudanças no prédio
organizadas pelo proprietário
dominante.
Resilir unilateralmente
(renunciar) a servidão.
Declarar extinta a servidão nas
hipóteses de perda e extinção.
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• 
• 
• 
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• 
• 
• 
• 
 Proprietário do imóvel dominante Proprietário do imóvel serviente
Deveres
Conservar a servidão, para não
causar prejuízos ao imóvel
serviente.
Não agravar as condições de
uso para não forçar a ampliação
da servidão.
Pagar a remuneração devida
nos casos de servidão onerosa.
Pagar pelas obras realizadas.
Pagar as despesas de
conservação da servidão.
Indenizar o dono do serviente
pelo excesso se as
necessidades da cultura, ou da
indústria, do prédio dominante
impuserem à servidão maior
largueza.
Não embaraçaro uso da
servidão pelo proprietário
dominante.
Permitir as obras necessárias.
Se as necessidades da cultura,
ou da indústria, do prédio
dominante impuserem à
servidão maior largueza, o dono
do serviente é obrigado a sofrê-
la.
Pagar despesas com uma
possível remoção por ele
exigida.
Direitos e deveres na servidão.
Gilberto Fachetti.
Servidão administrava e servidão civil
Servidão civil
É constituída voluntariamente entre sujeitos particulares, para uso individual pelo prédio dominante.
Servidão administrativa
Decorre do interesse público representado pela Administração Pública. O ente público constitui forçadamente
uma servidão para uso público.
Exemplo
As ruas, as rodovias e as estradas vicinais. 
Nosso objeto de estudo, aqui, é a servidão civil; a servidão administrativa é matéria tratada no Direito
Administrativo.
Tutela processual
Além das ações possessórias típicas (reintegração, manutenção e interdito proibitório) de uma possível ação
de usucapião na hipótese do art. 1.379 do Código Civil e do embargo de obras prejudiciais, a servidão possui
duas ações específicas quando ela for a causa de pedir próxima e/ou remota de uma ação judicial, quais
sejam:
• 
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• 
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• 
• 
• 
• 
Ação confessória
É proposta tanto pelo proprietário do imóvel dominante quanto do imóvel serviente, com o objetivo de
declarar a existência de uma servidão constituída entre eles; a discussão gira em torna do título da
servidão, se ele é capaz de constituir uma servidão.
Exemplo:
O proprietário dominante propõe a ação para que seja declarada a existência da servidão que
está sendo negada pelo possível proprietário serviente, que está impedindo a prática dos atos
típicos da servidão.
O proprietário do imóvel serviente propõe a ação para ver declarada a existência de uma
servidão, recusada pelo proprietário dominante, e, assim, exercer seu direito de ser indenizado
ou remunerado.
Ação negatória
É proposta, tanto pelo proprietário do imóvel dominante quanto pelo proprietário do imóvel serviente,
com o objetivo de declarar a inexistência de uma servidão constituída entre eles.
Exemplo:
O proprietário serviente propõe a ação para negar a existência de uma servidão e, assim,
impedir o uso de parte de seu imóvel por aquele sedizente proprietário dominante.
Alguém tido por “proprietário dominante” recebe uma notificação de um sedizente proprietário
serviente que cobra por obras ou remuneração da servidão, situação em que esse possível
“proprietário dominante” pode propor a ação para negar que exista a relação de servidão entre
eles.
Essas ações têm diferenças conceituais e, no final das contas, têm a mesma causa de pedir próxima: a
servidão. Mas não têm, porém, um procedimento especial típico, recaindo no procedimento comum do Código
de Processo Civil.
Verificando o aprendizado
Questão 1
Assinale a alternativa que contém uma hipótese de servidão:
A
Locação de imóvel residencial urbano.
B
Cessão de lote rural para plantio de café.
C
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Passagem de cabos de telefone e internet determinada por sentença.
D
Passagem de boiada por um terreno para pastagem.
E
Divisão de cabos de telefone e internet entre imóveis contíguos.
A alternativa D está correta.
É o caso de uma fazenda (dominante) que utiliza trecho ou faixa de uma outra fazenda (serviente) para a
passagem de rebanho. A utilização é uma restrição à fazenda serviente, que deve suportar a passagem dos
animais. Já a fazenda dominante pode utilizar somente para fins de passagem.
Questão 2
Servidão aparente é aquela:
A
Constituída por acordo de vontades entre os proprietários, porém nunca foi utilizada pelo proprietário
dominante.
B
Constituída por ato particular, porém nunca foi registrada no Cartório de Registro de Imóveis.
C
Exercida ininterruptamente pela ação humana.
D
Caracterizada pela descontinuidade do uso pelo proprietário dominante, que interrompe de tempos em
tempos a utilização da servidão.
E
Manifestada por obras exteriores.
A alternativa E está correta.
A servidão aparente é aquela que se manifesta por obras exteriores porque são aquelas visíveis e
permanentes, como a servidão de passagem. A alternativa A é hipótese de desuso, que extingue a
servidão. B não é um tipo de servidão, mas o fator que enseja a usucapião. C é a definição equivocada de
servidão contínua (invertida, pois independente de uma ação humana). A letra D não existe enquanto tipo
de servidão, mas como hipótese de extinção.
2. Alienação e propriedade fiduciária
Propriedade fiduciária
Neste vídeo, você compreenderá os conceitos de propriedade resolúvel e propriedade fiduciária.
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Para entender a propriedade fiduciária, antes, você precisa entender o que é a “propriedade resolúvel” (arts.
1.359 e 1.360 do Código Civil).
O direito real de propriedade é perpétuo, ou seja, é constituído para existir até a morte do proprietário ou até
que este transfira a coisa para outrem. Mas há uma exceção: é a propriedade resolúvel, caracterizada pelo
fato de que o direito de propriedade tem prazo de existência para um determinado proprietário; após certo
tempo, o titular deixa de ser proprietário da coisa.
Na propriedade resolúvel, há uma condição ou um termo resolutivo que retira de seu titular a
propriedade da coisa. Com a resolução da propriedade, outra pessoa a adquire.
Definição e características
A propriedade fiduciária é um tipo de propriedade resolúvel, ela resulta de um contrato ou de uma cláusula de
outro contrato. É uma forma do credor ter garantias de que receberá o valor de uma determinada dívida. 
A seguir, um exemplo para entender o assunto:
Uma determinada coisa é registrada no nome do credor, que permanece seu proprietário até que o
devedor quite a dívida.
 
O devedor, enquanto isso, tem a posse da coisa, mas não a propriedade.
 
Quitando a dívida, a propriedade é transferida do credor para o devedor (é nesse sentido que se trata
de uma propriedade resolúvel).
 
Havendo inadimplemento, o credor toma a coisa do devedor (afinal, é seu proprietário), como forma de
quitar a dívida.
 
A propriedade em nome do credor gera o desdobramento da posse (§ 2º do art. 1.361): o devedor
(fiduciante) terá a posse direta (art. 1.363 do Código Civil); e o credor (fiduciário) terá a posse indireta.
O exemplo mais comum de propriedade fiduciária é a decorrente de uma alienação fiduciária na compra de
veículos, popularmente conhecida como “financiamento”.
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Atenção
A alienação fiduciária não se confunde com a propriedade resolúvel; na alienação existe uma
propriedade fiduciária, mas a alienação é um contrato. 
A alienação fiduciária, por exemplo, pode ser para bens móveis e imóveis. Já a propriedade fiduciária incide
somente sobre coisa móvel (caput do art. 1.361 do Código Civil).
Com a quitação da dívida, o fiduciante (re)adquire a propriedade perpétua da coisa e o fiduciário deixa de ser
proprietário e possuidor indireto. 
Quanto ao regime jurídico da propriedade fiduciária, tem-se:
Para bens móveis
Arts. 1.361 a 1.368-B do Código Civil
Para bens imóveis
Arts. 22 a 33 da Lei nº 9.514/1997
Requisitos
O objeto da propriedade fiduciária deve ser uma coisa móvel. O Código Civil refere-se à propriedade resolúvel
como sendo para coisas móveis; porém, outras leis admitem que exista propriedade resolúvel em contratos
que envolvam imóveis (Lei nº 9.514/1997).
Deve ser coisa infungível. Trata-se de bem insubstituível por outro, pois possui características que o tornam
único, ou seja, não pode ser sub-rogado (trocado) por outro semelhante, pois este semelhante não existe.
A causa da constituição da propriedade fiduciária é a garantia de uma obrigação. O objetivo é
constituir uma garantia de pagamento de dívida; a coisa registrada em nome do credor se torna a
garantia de que, se o devedor não pagar, o credor terá como ser ressarcido dos seus prejuízos.
O contrato ou cláusula que constitui a garantia deve ser formal, ou seja, escrito(instrumento público ou
particular). Para esse contrato, o art. 1.362 traz os elementos obrigatórios:
Valor total ou estimativa da dívida.
 
Prazo do pagamento.
 
Taxa de juros, se pactuados.
 
Descrição da coisa objeto da transferência, com os elementos indispensáveis à sua identificação.
Para ser constituída a propriedade fiduciária, o contrato ou cláusula deve, obrigatoriamente, ser levado a
registro no Cartório de Títulos e Documentos do domicílio do devedor, ou, em se tratando de veículos, na
repartição competente para o licenciamento, fazendo-se a anotação no certificado de registro.
Com a constituição da propriedade fiduciária, o devedor-possuidor direto fica impossibilitado de dispor da
coisa alienada, ou seja, não pode ceder a terceiros.
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Consequências em caso de inadimplemento da dívida
garantida
Se a dívida não for paga, ou seja, em caso de inadimplemento, o credor pode tomar a coisa para vendê-la
judicial ou extrajudicialmente a terceiros (art. 1.364).
O credor é obrigado a vender a coisa, pois é nula a cláusula que autoriza o proprietário fiduciário a ficar com a
coisa alienada em garantia, se a dívida não for paga no vencimento (caput do art. 1.365). Porém, o devedor
pode, com a anuência do credor, dar seu direito eventual à coisa em pagamento da dívida, após o vencimento
desta (parágrafo único do art. 1.365).
Ao alienar a coisa:
O credor deve aplicar o preço no pagamento de seu crédito e das despesas de cobrança.
 
Se houver saldo, deve entregá-lo ao devedor.
 
Se o valor obtido com a venda não for suficiente para quitar a dívida, a cobrança prossegue quanto ao
remanescente.
Conforme art. 1.366: “Quando, vendida a coisa, o produto não bastar para o pagamento da dívida e das
despesas de cobrança, continuará o devedor obrigado pelo restante”.
Direitos e deveres das partes envolvidas
Confira no resumo abaixo quais são os direitos e os deveres das partes envolvidas.
 Fiduciante (devedor) Fiduciário (credor)
Direitos
Ter a posse direta da coisa.
Usar e usufruir a coisa.
Receber o saldo remanescente na
hipótese de venda pelo credor
decorrente de inadimplemento.
Reaver a coisa de terceiro ou do
credor que, injustamente, possua
ou detenha (ação possessória).
Ter a posse indireta da coisa,
constituída por meio do
registro da alienação no
Cartório de Títulos e
Documentos.
Reaver a coisa de terceiro
que, injustamente, possua ou
detenha (ação possessória).
Receber o valor da dívida.
Requerer busca e apreensão
da coisa ou reivindicá-la.
Praticar atos de conservação
da coisa e fiscalizar o uso
pelo credor.
Vender a coisa para quitação
da dívida.
Oferecer embargos de
terceiros.
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 Fiduciante (devedor) Fiduciário (credor)
Deveres
Pagar a dívida garantida.
Conservar a coisa garantida (com
isso, o credor tem a garantia da
coisa em sua integridade para uma
possível venda).
Reaver a coisa de terceiro que,
injustamente, possua ou detenha
(ação possessória) (observe que
este também é um direito do
devedor).
Pagar o débito remanescente se o
valor da venda da coisa não for
suficiente para saldar a dívida no
todo.
Permitir fiscalização do credor
quanto à conservação da coisa.
Respeitar a posse direta do
fiduciante.
Restituir o remanescente do
saldo da venda da coisa, se
houver.
Transferir a propriedade da
coisa para o devedor após a
quitação da dívida.
Direitos e deveres na propriedade fiduciária.
Gilberto Fachetti.
Verificando o aprendizado
Questão 1
Sobre o desdobramento da posse no caso de constituição de uma propriedade fiduciária, assinale a
alternativa correta:
A
Não se admite o desdobramento da posse na propriedade fiduciária, pois o credor tem a propriedade da
coisa, mas não tem a posse.
B
A partir do registro do contrato no Cartório de Títulos e Documentos, o credor torna-se o possuidor direto da
coisa, por ser seu proprietário, e o devedor será possuidor indireto.
C
Não se admite desdobramento da posse porque a propriedade transferida é fictícia e resolúvel.
D
Há desdobramento da posse, pelo qual o fiduciário se torna o possuidor indireto e o fiduciante se torna o
possuidor direto.
E
Não se admite desdobramento da posse porque o fiduciante está impossibilitado de usar a coisa.
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A alternativa D está correta.
Para ter a posse, ninguém precisa ter a coisa consigo; ela é um desdobramento da propriedade. Pelo § 2º
do art. 1.361 do Código Civil, com a constituição da propriedade fiduciária, dá-se o desdobramento da
posse, tornando-se o devedor possuidor direto da coisa.
Questão 2
A propriedade fiduciária é um tipo de propriedade:
A
Resolúvel
B
Fictícia
C
Perene
D
Indireta
E
Pessoal
A alternativa A está correta.
O próprio caput do art. 1.361 do Código Civil define a propriedade fiduciária como resolúvel: "Art. 1.361.
Considera-se fiduciária a propriedade resolúvel de coisa móvel infungível que o devedor, com escopo de
garantia, transfere ao credor". As hipóteses das alternativas B, C, D e E são todas fictícias.
3. Direito real de garantia
Direitos reais de garantia: penhor, hipoteca e anticrese
Neste vídeo, apresentaremos a seguir a definição geral de direito real sobre a coisa alheia e sobre o direito de
garantia, lançando conceitos comuns para aprimorar o nosso entendimento sobre o regime jurídico comum da
hipoteca, da anticrese e do penhor.
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Os direitos reais sobre coisas alheias
Um direito real de garantia é aquele constituído, em favor do credor, sobre uma coisa pertencente ao devedor,
de modo que, se a dívida não for paga, o credor poderá utilizar o bem dado em garantia para a quitação da
dívida. 
A coisa é vendida a terceiros pelo credor (penhor e hipoteca) ou o credor se apropria dos frutos e dos
produtos produzidos pela coisa (anticrese), mas não pode se apropriar da coisa para si. 
O acordo que permitiria ao credor se apropriar da coisa é a chamada “cláusula comissória”, porém ela é nula
de acordo com o art. 1.428 do Código Civil: “É nula a cláusula que autoriza o credor pignoratício, anticrético ou
hipotecário a ficar com o objeto da garantia, se a dívida não for paga no vencimento”.
Para ser constituído, um direito real de garantia deve atender aos seguintes requisitos ou exigências:
Coisa alienável
O direito real de garantia somente pode ser constituído sobre uma coisa que pode ter sua
propriedade transmitida a outrem (alienabilidade) (caput do art. 1.420 do Código Civil).
Capacidade e legitimidade para alienar
O devedor só pode instituir garantia real se tiver capacidade civil e legitimidade para realizar atos de
alienação da coisa alienável (caput do art. 1.420 do Código Civil).
Constituição por negócio jurídico
Em regra, os direitos reais são constituídos voluntariamente entre credor e devedor, via negócio
jurídico, mas há exceções, como no caso do penhor legal, da hipoteca judicial e da hipoteca legal. De
qualquer maneira, no caso de constituição por negócio jurídico, o instrumento contratual deve ser
escrito (instrumento público ou particular) e detalhar a coisa, para, então, ser levado a registro no
cartório competente. O art. 1.424 determina que o negócio constitutivo tenha, obrigatoriamente, os
seguintes elementos:
Valor do crédito (estimação ou valor nominal)
Prazo fixado para pagamento
Taxa dos juros, se fixada pelas partes
Especificações da coisa dada em garantia
Somente com o registro é que a garantia se torna real e passa a produzir os efeitos típicos de um
direito real.
Publicidade
No caso dos direitos reais de garantia constituídos sobre imóveis, o art. 1.227 do Código Civil exige o
registro no Cartório de Registro de Imóveis do ato constitutivo. Além disso, caso o imóvel tenha valor
superior a 30 salários-mínimos, o art. 108 do Código Civil exige que o ato constitutivo seja celebrado
em instrumento particular. Este é o caso da hipoteca, que só terá eficácia se for registrada na
matrícula do imóvel.
Já osdireitos reais de garantia constituídos sobre bens móveis (por exemplo: penhor e propriedade
fiduciária) devem ser registrados em Cartório de Títulos e Documentos. Não precisam ser,
obrigatoriamente, constituídos por escritura pública, mas deverão ser constituídos por instrumento
particular porque só assim é possível proceder ao registro.
Feito o registro do ato constitutivo no cartório competente, tem origem o direito real de garantia. Sendo um
direito real, tem eficácia real, um conjunto de efeitos próprios dos direitos reais que configuram a vantagem de
se constituir uma garantia desse tipo.
Os efeitos reais produzidos por esses direitos reais de garantia podem ser assim sistematizados:
Ambulacrariedade (ou ambulatoriedade)
O direito real adere à coisa e a acompanha onde quer que esteja e com quem quer que esteja.
Sequela
É o poder do titular do direito de tomar a coisa de quem a tenha para exercer seus poderes.
Excussão
É o poder do credor hipotecário e do credor pignoratício de levar a coisa dada em garantia à venda,
judicial ou extrajudicialmente (quando esta for cabível); é a possibilidade de promover a execução
judicial da dívida com a tomada da coisa para ser levada à hasta ou a leilão públicos.
• 
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• 
Preferência
O credor anticrético, pignoratício, fiduciário e hipotecário tem preferência em receber os valores da
sua dívida em relação a outros credores que não constituíram a garantia real, ainda que sua dívida
seja mais recente que a dívida de um credor quirografário ou garantido por fiança.
Além disso, existe uma preferência dentro das próprias garantias reais, que é, na verdade, uma ordem
de prioridade: aquele credor que primeiro registrou seu direito real de garantia tem prioridade no
pagamento da sua dívida em relação a outros credores anticréticos, pignoratícios, fiduciários e
hipotecários que registraram seu direito posteriormente, ainda que sua dívida seja temporalmente
mais recente.
Indivisibilidade
O pagamento de uma ou mais prestações da dívida não importa exoneração correspondente da
garantia, ainda que esta compreenda vários bens, salvo disposição expressa no título ou na quitação
(art. 1.421 do Código Civil). De igual maneira, os herdeiros do devedor não podem remir parcialmente
o penhor ou a hipoteca na proporção dos seus quinhões, mas qualquer um deles pode remir no todo
(art. 1.429).
Penhor
Primeiramente, não confunda “penhor” com “penhora”. Observe as diferenças de cada um a seguir.
O penhor é um direito real que incide sobre uma coisa móvel pertencente a um devedor a fim de que tal coisa
seja utilizada para o pagamento da dívida.
O objeto do penhor é uma coisa móvel, inclusive os semoventes (animais). Podem ser objetos de penhor:
Joias
Veículos
Máquinas
Frutos colhidos
Títulos de crédito
Gado
Eletrodomésticos
Quando se constitui um penhor, diz-se que a coisa objeto do penhor está “empenhada”, ou seja, uma coisa
empenhada é aquela sobre a qual incide um direito real de penhor.
O penhor é criado em um contrato ou em uma cláusula de um contrato e tem como objetivo utilizar o bem
dado em garantia para a quitação da dívida, caso o devedor não a faça. A coisa é vendida e os valores obtidos
Penhor 
É um direito real constituído
voluntariamente para garantir uma dívida.
No penhor, a venda da coisa é feita pelo
próprio credor.
Penhora 
É o ato de constrição judicial de bens na
execução ou no cumprimento de
sentença, ou seja, é um ato processual
de apreensão de bens pertencentes a
um devedor a fim de que sejam
utilizados para o pagamento de uma
dívida. Na penhora, a coisa é vendida
judicialmente.
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são destinados ao pagamento da obrigação. Se houver saldo remanescente, será entregue ao devedor; e, se o
valor da venda não for suficiente para quitar o débito, o devedor continua obrigado a pagar o saldo devedor.
O credor garantido por um penhor é chamado de “credor pignoratício”; o devedor que oferece coisa
sua para o penhor é designado “devedor pignoratício”.
Existem dois tipos de penhor que podem ser assim sistematizados:
Penhor convencional
É constituído por meio de um negócio jurídico celebrado entre o credor e o devedor. Deve ser levado
a registro no Registro de Títulos e Documentos.
Essa modalidade se subdivide em duas subcategorias:
Penhor comum: aquele em que há a transferência da coisa do devedor para o credor.
Penhor especial: são situações específicas nas quais a lei prevê um regime jurídico próprio,
com normas específicas, e nos quais não exige, necessariamente, a entrega da coisa ao
credor; é o caso do penhor de títulos de crédito, rural, industrial, mercantil e de veículos.
Penhor legal
São situações em que a lei considera determinada pessoa como sendo credor pignoratício,
independentemente de contrato entre tal credor e devedor.
Este caso se dá nas seguintes situações do art. 1.467 do Código Civil, em que serão considerados
credores pignoratícios:
Os hospedeiros, ou fornecedores de pousada ou alimento, sobre bagagens, móveis, joias ou
dinheiro que seus consumidores ou fregueses tiverem consigo nas respectivas casas ou
estabelecimentos, pelas despesas ou consumo que aí tiverem feito.
O dono do prédio rústico ou urbano, sobre os bens móveis que o rendeiro ou inquilino tiver
guarnecendo o mesmo prédio, pelos aluguéis ou rendas.
Nesses casos, o credor poderá tomar em garantia um ou mais objetos até o valor da dívida. Porém, o
credor deve tomar a coisa e imediatamente requerer a homologação judicial do penhor.
De acordo com o caput do art. 1.431 do Código Civil, a regra é que a coisa objeto do penhor fique na posse do
credor: “Constitui-se o penhor pela transferência efetiva da posse que, em garantia do débito ao credor ou a
quem o represente, faz o devedor, ou alguém por ele, de uma coisa móvel, suscetível de alienação. [...]”. 
Contudo, o parágrafo único do art. 1.431 estabelece uma exceção a essa regra, ou seja, situações em que a
coisa empenhada permanecerá com o devedor: “No penhor rural, industrial, mercantil e de veículos, as coisas
empenhadas continuam em poder do devedor, que as deve guardar e conservar”.
O credor terá a posse nos casos de penhor comum, de direitos e de título de créditos; já o devedor permanece
na posse da coisa quando o penhor for rural, agrícola, pecuário, veículo, industrial e mercantil.
• 
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• 
• 
Ter a posse não significa dizer que o credor
pignoratício poderá usar e usufruir da coisa; ele
apenas a guarda e a conserva. O objetivo de
dar a posse ao credor é facilitar que este a
tenha em mãos para uma possível venda diante
do inadimplemento do devedor. Uma vez paga
a dívida, o credor deve restituir a coisa ao
devedor.
Embora o penhor seja um direito real
constituído sobre coisa móvel, o que afastaria a
aplicação do art. 1.227, o título que o constitui
deve ser registrado no Cartório de Títulos e Documentos, para fins de publicidade e de salvaguarda de
direitos, conforme o art. 1.432: “O instrumento do penhor deverá ser levado a registro, por qualquer dos
contratantes; o do penhor comum será registrado no Cartório de Títulos e Documentos”.
A seguinte tabela destina-se a sistematizar as características principais dos penhores especiais:
Tipo de
penhor
Código
Civil Características
Rural
Arts.
1.438 a
1.441
É um gênero de penhor que envolve coisas resultantes de matéria
agrícola, pecuária, extrativista e outras, enfim, atividades
tipicamente do campo. Aqui, o penhor tem um prazo limitado de
dois anos, podendo ser prorrogado por igual período. As coisas
penhoradas ficam na posse do devedor.
Agrícola
Arts.
1.442 e
1.443
É uma espécie de penhor rural, com disciplina própria. Envolve
colheitas, madeiras, frutos, máquinas e insumos.
Pecuário
Arts.
1.444 a
1.446
Também é uma espécie de penhor rural, com disciplina própria.
Refere-se a animais de criação de uma propriedade rural (gado de
corte e leiteiro, aves, suínos, outros animais de pastoreio). Caso
ocorra a morte ou o desaparecimento de algum animal no período
de vigência do penhor, deveele ser substituído no instrumento que
foi registrado. Além disso, a venda de qualquer dos animais pelo
devedor deve ser expressamente consentida pelo credor
pignoratício.
Industrial e
mercantil
Arts.
1.447 a
1.450
É aquele que recai sobre equipamentos de atividades industriais ou
comerciais, inclusive abrangendo os produtos dessas atividades.
Para a alienação dos bens e dos produtos, o devedor necessita da
autorização expressa do credor. Vendendo ou perecendo a coisa,
esta deve ser substituída por bens semelhantes.
Direitos e
títulos de
crédito
Arts.
1.451 a
1.460
Títulos de crédito são ordens de pagamento assinadas em
documento escrito em favor de alguém. Os exemplos principais são
o cheque, a duplicata e a nota promissória. É possível que um
desses títulos seja retido pelo credor, o qual poderá compensá-lo
junto ao banco ou ao devedor do título, como forma de receber os
valores devidos pelo devedor pignoratício. Por esta razão, nesta
modalidade de penhor, o título fica na posse do credor pignoratício.
Veículos
Arts.
1.461 a
1.466
Abrange qualquer tipo de veículo automotor, o qual, antes da
constituição do penhor, deve ser segurado contra furto e roubo e
danos praticados envolvendo terceiros.
Direitos e deveres no penhor.
Gilberto Fachetti.
Todas essas modalidades precisam ser registradas no Registro de Títulos e Documentos, pois, do contrário,
não produzem a eficácia real típica dos direitos reais, sendo apenas instrumentos de prova da existência do
débito.
Há, ainda, o “penhor de joias”, que é uma modalidade que somente pode ser praticada pela Caixa Econômica
Federal, que detém seu monopólio (Decreto-Lei nº 759/1969 e Decreto nº 7.973/2013).
Quanto aos direitos e aos deveres recíprocos entre o devedor pignoratício e o credor pignoratício, eles estão
previstos nos arts. 1.433 a 1.435 do Código Civil e podem ser assim sistematizados:
 Devedor pignoratício Credor pignoratício
Direitos
Ter a coisa restituída,
junto dos frutos, em
caso de pagamento
voluntário da dívida.
Defender a posse da
coisa contra moléstia de
terceiro.
Defender a coisa em
caso de má
conservação pelo
credor.
Ter a posse da coisa dada em penhor
(exceto nas hipóteses de penhor rural,
industrial, mercantil e de veículos);
Exercer direito de retenção da coisa até
a quitação total das despesas que teve
para a conservação da coisa;
Vender a coisa ou promover a execução
judicial;
Apropriar-se dos frutos;
Promover a venda antecipada,
mediante prévia autorização judicial,
sempre que haja receio fundado de que
a coisa empenhada se perca ou
deteriore;
Resilir o penhor, ou seja, renunciá-lo,
extingui-lo;
Proceder à proteção possessória da
coisa.
Deveres
Garantir posse pacífica
da coisa pelo credor.
Pagar a dívida.
Ressarcir ao dono da coisa pela perda
ou deterioração de que for culpado.
Dar compensação ou abatimento sobre
o valor da dívida em caso de perda ou
de deterioração da coisa de que for
culpado, se o devedor assim preferir.
Defender a posse da coisa empenhada
e dar ciência, ao dono dela, das
circunstâncias que tornarem necessário
o exercício de ação possessória.
Compensar despesas de guarda e
conservação, juros e capital da
obrigação garantida ao valor dos frutos
de que se apropriar.
Restituir a coisa quando da quitação
voluntária da dívida pelo devedor.
Entregar o saldo remanescente, se
houver, em caso de venda da coisa
empenhada.
Direitos e deveres no penhor.
Gilberto Fachetti.
Os arts. 1.436 e 1.437 do Código Civil tratam da extinção do penhor, enumerando as seguintes hipóteses:
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1 Extinção do débito que ensejou o penhor
Se a dívida do devedor for paga, não se justifica a manutenção do penhor; ele é extinto e a coisa
restituída ao devedor.
2
Perecimento da coisa
Ocorre quando a coisa se deteriora, de modo que deixa de existir ou perde seu valor e sua utilidade.
Se o perecimento ocorreu por culpa do credor, este deverá indenizar o devedor ou, então,
compensar o prejuízo que causou com abatimento do valor da dívida.
3
Renúncia pelo credor
É a resilição unilateral do contrato de penhor pelo credor (art. 474 do Código Civil). A renúncia do
credor é presumida quando ele consentir com a venda da coisa, quando restituir a sua posse ao
devedor ou quando concordar com a substituição do penhor por outra garantia.
4
Confusão
Após a constituição do penhor, por algum motivo, o credor se tornará proprietário da coisa
empenhada (por exemplo: é herdeiro do devedor e, morrendo este, torna-se proprietário dos bens
por ele deixados). Se, porém, essa confusão não for suficiente para saldar a dívida totalmente, então
o penhor não será extinto e seguirá vigente quanto ao resto da dívida que precisa ser quitada.
5
Adjudicação judicial, remissão ou venda da coisa empenhada
Feita pelo credor ou por ele autorizada quando a dívida não for paga.
Mas, de acordo com o art. 1.437, a extinção do penhor somente ocorrerá efetivamente (ou seja, produzirá
efeitos) depois de averbado o cancelamento do registro no Cartório de Títulos e Documentos, devendo-se
apresentar a respectiva prova do fato que enseja a extinção.
Hipoteca
A hipoteca é um direito real de garantia que incide sobre bem imóvel (ou bem equiparado por lei a imóvel).
Caso o devedor não pague sua dívida, o credor hipotecário tem o direito de executar judicialmente o imóvel
hipotecado e utilizar o valor obtido na venda judicial para saldar a dívida.
Já que seu objeto é um imóvel, não há necessidade de a posse da coisa ser entregue ao credor, como ocorre
no penhor e na anticrese (afinal, a coisa sempre estará ali). Evidentemente, essa imobilidade não existe nas
coisas equiparadas a imóveis (por exemplo: aeronaves e embarcações, que podem ser objeto de hipoteca),
mas, mesmo assim, a posse da coisa permanece com o devedor.
A hipoteca tem um prazo máximo de duração,
qual seja, 30 anos, conforme art. 1.485 do
Código Civil: “Mediante simples averbação,
requerida por ambas as partes, poderá
prorrogar-se a hipoteca, até 30 (trinta) anos da
data do contrato. Desde que perfaça esse
prazo, só poderá subsistir o contrato de
hipoteca reconstituindo-se por novo título e
novo registro; e, nesse caso, lhe será mantida a
precedência, que então lhe competir”. Mas o
contrato que cria a hipoteca pode fixar outro
prazo, desde que inferior a 30 anos. Esse prazo
é chamado de perempção.
Transcorridos os 30 anos, a hipoteca é extinta
e, consequentemente, a dívida não estará mais garantida com a coisa anteriormente hipotecada. O credor
hipotecário, então, torna-se um credor quirografário, ou seja, sem garantias e que tem apenas um título
representativo da dívida. Caso o credor e o devedor queiram reestabelecer a hipoteca, deverão iniciar todo o
processo de constituição novamente.
Existem três tipos de hipoteca:
Hipoteca convencional
Instituída voluntariamente entre devedor e credor por meio de negócio jurídico, sendo levada a
registro no Registro Geral de Imóveis (RGI).
Hipoteca legal
São hipóteses em que a lei fixa uma hipoteca de pleno direito. Para produzir efeito, precisa ser
reconhecida judicialmente e registrada mais tarde no RGI. As hipóteses estão previstas no art. 1.489 e
são conferidas:
Às pessoas de direito público interno: sobre os imóveis pertencentes aos encarregados da
cobrança, guarda ou administração dos respectivos fundos e rendas.
Aos filhos: sobre os imóveis do pai ou da mãe que constituírem novo casamento (com outras
pessoas) sem antes fazer o inventário e a partilha do casal.
Ao ofendido ou aos seus herdeiros: sobre os imóveis do ofensor (“delinquente”), para
indenização do dano causado pelo ato ilícito e pelo pagamento das despesas judiciais.
Ao coerdeiro: sobre o imóvel adjudicado ao herdeiro reponente, para garantia do seu quinhão
ou torna da partilha.
Ao credor: sobre o imóvel arrematado, para garantia do pagamento do restante do preço da
arrematação.
Obs. 1: Reponente é o herdeiro que está obrigado a “repor” a herança que recebeu em excesso sobre
aparte disponível do doador ou do testador.
Obs. 2: À époccmóvel do tutor e do curador, respectivamente, enquanto durar a tutela e a curatela
(art. 1.188); o CPC/2015 não repetiu essa modalidade de hipoteca legal.
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Hipoteca judicial ou judiciária
Constituída pelo juiz na execução de uma dívida, como forma de garantia para o exequente. De
acordo com o art. 495 do Código de Processo Civil, a decisão que condenar o réu ao pagamento de
prestação consistente em dinheiro e a que determinar a conversão de prestação de fazer, de não
fazer ou de dar coisa em prestação pecuniária valerão como título constitutivo de hipoteca judiciária.
O art. 1.473 do Código Civil fixa aqueles que podem ser os bens objeto de hipoteca. Antes de sistematizá-los,
porém, é importante que você saiba que direitos também podem ser objeto de hipoteca. Isso se deve ao fato
de que o inciso I do art. 80 do Código Civil considera bens imóveis, para os efeitos legais, os direitos reais
sobre imóveis e as ações que os asseguram. Então, direitos reais sobre coisas imóveis também são bens
hipotecáveis, conforme observamos a seguir.
1
Imóveis e acessórios
É o solo e tudo o que a ele adere, como construções e plantações. A hipoteca abrange todas as
acessões, melhoramentos ou construções do imóvel.
2
Domínio direto
É a propriedade formal do imóvel, em que o titular se mantém proprietário, porém não usufrui da
coisa.
3
Domínio útil
É aquele que permite a fruição de uma coisa; seu titular tem a plena utilização do bem.
4
Estradas de ferro
Está prevista nos arts. 1.502 a 1.505 do Código Civil a hipoteca de via férrea. Será circunscrita à linha
ou às linhas especificadas na escritura e ao respectivo material de exploração. Os credores
hipotecários poderão se opor à venda da via ou de suas linhas e de seus ramais. Na execução das
hipotecas férreas, a União ou o estado serão intimados, para, em até 15 dias, remir a estrada de ferro
hipotecada, pagando o preço da arrematação ou da adjudicação (ou seja, basicamente, pagando a
dívida e adquirindo a via férrea).
5
Recursos naturais a que se refere o art. 1.230
É direito do proprietário do solo explorar os recursos minerais de emprego imediato na construção
civil.
6
Navios
São grandes embarcações para transporte de cargas e passageiros. Não é qualquer embarcação
que pode ser objeto de hipoteca, pois a lei restringe aos navios. Assim, lanchas, barcos de pesca e
outros barcos de pequeno porte não podem ser objeto de hipoteca.
7 Aeronaves
São máquinas de voo. Levantam e mantêm voo por seus próprios meios. O conceito inclui aviões,
aviões de turboélices, jatos, helicópteros, planadores etc.
8
Direito de uso especial para fins de moradia
É a regularização ou a concessão do direito de usar bens públicos para morar. A hipoteca não recai
sobre o bem público, mas sobre o direito de usar um bem público para constituir moradia.
9
Direito real de uso
É o direito que o proprietário de um imóvel dá a outra pessoa para que esta utilize o bem sem dele
usufruir, ou seja, sem dele retirar os frutos e comercializá-los. Pode-se usufruir o necessário para a
subsistência, mas nunca para fins de lucro (por isso, é chamado de “usufruto anão”). Esse direito que
o usuário adquire sobre a coisa de alguém pode ser levado à hipoteca em favor de um terceiro, no
caso, o credor do usuário em alguma dívida.
10
Propriedade superficiária
É o domínio útil do superficiário. A obra ou a plantação realizada pelo superficiário, quando da
constituição de um direito real de superfície constitui a propriedade superficiária, a qual pode ser
levada a hipoteca em favor de um credor do superficiário.
11
Direitos oriundos da imissão provisória na posse
Porém, somente quando concedida à União, aos estados, ao Distrito Federal, aos municípios ou às
suas entidades delegadas e respectiva cessão e promessa de cessão.
Importante destacar que, sendo a hipoteca um direito real (de garantia), ela produz como efeito a sequela. Por
causa disso, caso o devedor aliene o imóvel a um terceiro, o credor hipotecário poderá excutir o bem,
tomando do terceiro e vendendo judicialmente. Não há que se falar em proteção da boa-fé do adquirente, pois
esse terceiro adquirente tem conhecimento da constituição da hipoteca, uma vez que esta está registrada no
Cartório de Registro de Imóveis (eis a importância da publicidade).
Por isso, nada justificaria proibir a alienação do bem hipotecado:
Primeiro, porque a sequela permitirá que o credor hipotecário alcance seus objetivos normalmente.
 
Segundo, porque o terceiro assume o risco de perder a coisa, afinal, consegue prevê-la ao tomar
conhecimento da hipoteca registrada no RGI.
Assim, o caput do art. 1.475 estabelece que é nula a cláusula que proíbe ao proprietário alienar imóvel
hipotecado, embora possam as partes convencionar que vencerá o crédito hipotecário se o imóvel for
alienado (parágrafo único).
Agora, pense nas seguintes hipóteses:
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Hipótese 1
O proprietário de uma casa avaliada em R$50 mil constitui hipoteca por causa de uma dívida R$30 mil
(empréstimo bancário). Observe que, diante do inadimplemento, se o credor hipotecário executar o
imóvel, o valor da venda é suficiente para pagar a dívida, as perdas, os danos e os juros, e ainda
haverá, provavelmente, um remanescente a ser entregue ao devedor. Assim, nada impediria que, por
exemplo, o devedor hipotecário constituísse uma segunda hipoteca com um segundo credor para
uma outra dívida, mesmo que esta tenha valor superior a R$20 mil (diferença entre o valor da casa e o
valor da primeira dívida).
Hipótese 2
O proprietário de uma casa avaliada em R$100 mil constitui hipoteca por causa de uma dívida de
R$100 mil. Havendo inadimplemento, a casa é levada à venda e a dívida será paga. Mesmo que o
valor do imóvel e o valor da dívida sejam equivalentes, nada impede a constituição de uma segunda
hipoteca com um segundo credor para uma segunda dívida, afinal, pode ser que uma dívida seja paga
voluntariamente e a outra fique garantida pela hipoteca.
Essas situações descritas foram apreciadas pelo legislador, uma vez que o art. 1.476 prevê que o dono do
imóvel hipotecado pode constituir outra hipoteca sobre ele, mediante novo título, em seu favor ou de outro
credor. Essa situação é conhecida como pluralidade de hipotecas, que consiste na possibilidade de constituir
duas ou mais hipotecas sobre o mesmo bem imóvel. 
Havendo pluralidade de hipotecas, haverá uma preferência ou prioridade entre elas a depender da ordem de
registro de título no Cartório de Registro de Imóveis.
Observe o exemplo:
X constitui uma primeira hipoteca em favor do credor Y no dia 01/04/2020.
Em 01/06/2020, constitui uma segunda hipoteca com o credor K.
O credor K registra a hipoteca no dia 15/06/2020.
E o credor Y registra no dia 30/06/2020.
Nesse caso, embora constituída em data posterior, a segunda hipoteca terá preferência e prioridade em
relação à primeira. Isso significa dizer que a segunda hipoteca terá o direito de ser executada antes da
primeira hipoteca, se necessário for. 
Uma hipoteca gera efeitos inter pars (entre credor e devedor hipotecários) e erga omnes (perante terceiros).
Confira a sistematização:
 Efeitos da hipoteca
Para o
credor
O principal efeito é a criação do direito de excussão, ou seja, o poder de
executar o imóvel para saldar a dívida (ou parte dela) com o valor auferido em
venda. O credor hipotecário tem preferência no recebimento do valor em relação
aos credores quirografários ou com garantia fidejussória, ainda que sua dívida
tenha sido constituída posteriormente àquelas. E entre credores hipotecários, o
credor que primeiro registrou tem preferência em relação aos credores que
registraram posteriormente.
Para o
devedor
Tem o direito de usufruir da coisa, mas também passa a ter o dever de
conservar o imóvel para garantir a melhor venda possível em caso de execução.
Assim, deve ser mais diligente para evitar perecimento e/ou depreciação do
bem.
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 Efeitos da hipoteca
Para
terceirosNão pode alegar boa-fé quanto ao desconhecimento de uma hipoteca, pois, ao
negociar sobre o imóvel, tem que ter a diligência de obter as certidões negativas
de ônus real no Cartório de Registro de Imóveis. O terceiro que adquire o imóvel
em hasta pública tem direito à adjudicação e à imissão na posse, caso o devedor
se recuse a entregar o imóvel voluntariamente.
Efeitos da hipoteca
Gilberto Fachetti.
A hipoteca será extinta nas seguintes hipóteses (arts. 1.499 a 1.501):
1
Remissão
É o resgate da hipoteca, que ocorre quando há o pagamento da dívida; também é chamada de
"remir a hipoteca".
2
Extinção da dívida
Por motivos que não sejam o pagamento.
3
Resilição
O credor, unilateralemente, extingue a hipoteca.
4
Perecimento da coisa
Ocorre nos casos dos bens corpóreos e consiste na destruição da coisa, ou seja, a perda da
utilidade e de valor.
5
Arrematação ou adjucação
Ocorre na venda em hasta pública.
6
Resolução da propriedade
Para os casos de propriedade resolúvel; ocorre com o implemento da condição resolutiva ou do
termo final que condiciona a existência da propriedade.
7
Desapropriação do imóvel
Feita pela Administração Pública.
8Confusão
O credor hipotecário ou o devedor hipotecário tornam-se credor e devedor de si mesmo; ocorre, por
exemplo, quando o credor é herdeiro do devedor e a herança terá que pagar a dívida ao próprio
herdeiro.
A extinção, porém, só produz efeitos com a averbação no Registro de Imóveis apresentando a prova da
ocorrência do motivo que levou à extinção da hipoteca.
Anticrese
A anticrese é um direito real que autoriza o credor a receber a posse de uma coisa imóvel pertencente ao
devedor para perceber os frutos e os produtos desse imóvel e abater o valor desses frutos e produtos do
valor da dívida. Essa é a definição do caput do art. 1.506 do Código Civil: “Pode o devedor ou outrem por ele,
com a entrega do imóvel ao credor, ceder-lhe o direito de perceber, em compensação da dívida, os frutos e
rendimentos”.
Por isso, a anticrese também é chamada, por vezes, de “consignação de rendimentos”.
Haverá desdobramento da posse quando:
Devedor/ Proprietário do imóvel
Passa a ter a posse indireta.
Credor/ Usufrutuário dos rendimentos
Passa a ter posse direta e, consequentemente,
poderá auferir os benefícios (frutos, produtos e
rendimentos) que o imóvel proporcional.
A anticrese confere ao credor o direito de retenção da coisa até a compensação da dívida (§ 2º do art. 1.507). 
Sendo direito real constituído sobre bem imóvel, requer:
Registro no Cartório de Registro de Imóveis (art. 1.227 do Código Civil).
 
Escritura pública, caso o valor do imóvel seja superior a 30 salários-mínimos (art. 108 do Código Civil).
Na anticrese, o credor anticrético tem direito sobre os frutos e os produtos, e não sobre a coisa principal que
gera os frutos e os produtos. Por isso, nada impede a hipoteca ou a execução da coisa principal, devendo o
credor anticrético se opor à execução.
Pode-se afirmar, então, que a anticrese dá ao credor anticrético o direito de usufruto sobre o imóvel, sendo a
fruição uma forma de pagar a dívida inadimplida.
Exemplo
O devedor cede um imóvel de sua propriedade para o credor e este realiza a locação do imóvel para
terceiro. Os alugueres pagos pelo terceiro são frutos, do tipo civil (rendimentos), e serão apropriados
pelo credor. A cada aluguel recebido o credor desconta o valor do total da dívida. Essa situação não
pode perdurar por mais de 15 anos (art. 1.423). 
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Agora, preste atenção ao art. 1.428: “É nula a cláusula que autoriza o credor pignoratício, anticrético ou
hipotecário a ficar com o objeto da garantia, se a dívida não for paga no vencimento”.
O credor anticrético não pode tomar a propriedade do imóvel para si como forma de pagamento. Porém, isso
não significa dizer que ele não possa se apropriar dos frutos e dos produtos. Ou seja, ele nunca poderá ser
dono do imóvel, mas será dono dos frutos quando os perceber. Até porque não faria sentido o credor ter que
providenciar a venda ou a execução judicial de frutas de uma plantação, pois até se realizar a venda as frutas
pereceriam. Então, o credor se apropria das frutas e pode vendê-las por sua conta.
Mas a anticrese não se destina somente ao pagamento da dívida; é possível que seja constituída para
pagamento de juros, seja só para isto ou também para aquilo (§ 1º do art. 1.506). Os seguintes fatores
extinguem a anticrese:
Perecimento da coisa.
Pagamento da dívida.
Resilição unilateral pelo credor anticrético (renúncia).
Quando o credor anticrético não se opõe que outro credor execute o imóvel principal.
Falência do devedor.
Desapropriação administrativa ou judicial do imóvel.
Transcurso do prazo de 15 anos desde a constituição da anticrese (art. 1.423).
Quanto aos direitos e aos deveres recíprocos entre devedor e credor, eles podem ser assim sistematizados:
 Devedor Credor
Direitos
Ter a coisa restituída
em caso de
pagamento voluntário
da dívida.
Defender a posse da
coisa contra moléstia
de terceiro.
Defender a coisa em
caso de má
conservação pelo
credor.
Ter a posse da coisa dada em anticrese.
Exercer direito de retenção da coisa até a
quitação total da dívida, dos juros e de
outras despesas.
Vender os frutos e os produtos.
Apropriar-se dos frutos.
Resilir a anticrese, ou seja, renunciá-lo,
extingui-lo.
Proceder à proteção possessória da
coisa.
Deveres
Garantir posse pacífica
da coisa pelo credor.
Pagar a dívida.
Ressarcir ao dono da coisa pela perda ou
deterioração de que for culpado.
Dar compensação ou abatimento sobre o
valor da dívida.
Defender a posse da coisa empenhada e
dar ciência, ao dono dela, das
circunstâncias que tornarem necessário o
exercício de ação possessória.
Restituir a coisa quando da quitação da
dívida.
Direitos e deveres na anticrese.
Gilberto Fachetti.
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Verificando o aprendizado
Questão 1
É direito do credor hipotecário:
A
Não autorizar a constituição de uma nova hipoteca sobre a coisa em favor de terceiro.
B
Proibir que o proprietário aliene o imóvel hipotecado.
C
Apropriar-se dos frutos da coisa empenhada e que se encontra em seu poder.
D
Declarar vencido o crédito hipotecário se o imóvel for alienado, caso haja convenção neste sentido no
contrato que constituiu a hipoteca.
E
Prorrogar a hipoteca por no máximo 20 anos da data do contrato.
A alternativa D está correta.
Na hipoteca, o credor não tem a posse da coisa e a garantia não recai sobre os frutos (neste caso, seria
anticrese). Pelo art. 1.476, o dono do imóvel hipotecado pode constituir outra hipoteca sobre ele, mediante
novo título, em favor do mesmo ou de outro credor, independentemente de autorização. O art. 1.475 diz que
é nula a cláusula que proíbe ao proprietário alienar imóvel hipotecado. A alternativa D é verdadeira por
causa do parágrafo único do art. 1.475: "Pode convencionar-se que vencerá o crédito hipotecário, se o
imóvel for alienado". De acordo com o art. 1.485, o prazo de prorrogação é de 30 anos.
Questão 2
Não é uma garantia real:
A
A propriedade fiduciária
B
A anticrese
C
A hipoteca
D
O penhor
E
A penhora
A alternativa E está correta.
A penhora é um ato processual, de execução; não é uma garantia real. A garantia real é um direito real e é
constituído voluntariamente. A penhora é um ato judicial-processual de constrição de bens para quitação
de dívida.
4. Conclusão
Considerações finais
Este conteúdo foi destinado a demonstrar como devem ser constituídos e quais as consequências da
constituição no que se refere aos direitos reais de servidão, propriedade fiduciária, hipoteca, penhor e
anticrese. 
A abordagem realizada teve como objetivo apresentar não somente aspectos teóricos, mas também e,
principalmente, os aspectos práticos. 
É preciso ter em mente que as garantias reais são uma das principais matérias discutidas em ações judiciais.
Logo, é um campo fértil de atuação profissional.
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