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FISIOPATOLOGIA E TERAPIA 
NUTRICIONAL NO SISTEMA 
DIGESTÓRIO 
AULA 2 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Profª Thais Regina Mezzomo 
 
 
 
2 
CONVERSA INICIAL 
Fisiopatologia e Terapia Nutricional nas doenças do trato gastrointestinal: 
esôfago e estômago 
Os distúrbios digestórios estão entre os problemas mais comumente 
encontrados nos serviços de saúde. Hábitos alimentares e certos tipos de 
alimentos podem desempenhar papel importante no início e durante o 
tratamento, e também na minimização do risco de desenvolver doenças 
gastrointestinais. O tratamento nutricional é fundamental na prevenção e no 
tratamento de desnutrição, deficiências e condições que podem se desenvolver 
a partir de doenças do trato gastrointestinal, como a anemia e a osteoporose 
secundária. Além disso, modificações na dieta e no estilo de vida podem 
melhorar o bem-estar nutricional e a qualidade de vida, diminuindo os sintomas, 
a necessidade de consultas e os custos associados. 
Nesta aula, estudaremos a fisiopatologia e a respectiva terapia nutricional 
das diversas doenças do esôfago (disfagia, acalasia do esôfago, doença do 
refluxo gastroesofágico, esofagite, hérnia de hiato) e do estômago (gastrite, 
úlcera e câncer gástrico), com o objetivo de capacitá-lo na conduta nutricional 
dessas patologias. Vamos começar? 
TEMA 1 – FISIOLOGIA DA DEGLUTIÇÃO E DISFAGIA 
A deglutição é o trajeto do bolo alimentar da boca para o esôfago, 
passando pela faringe. O bolo alimentar insalivado é comprimido pela abóbada 
palatina com a língua, passando para a faringe e desta para o esôfago. Os 
movimentos de deglutição são realizados pela contração dos músculos do 
pescoço. Nesse movimento, a epiglote fecha a laringe e o alimento passa para 
o esôfago, com peristaltismo. Quando o bolo alimentar é movimentado 
voluntariamente da boca para a faringe, ocorre relaxamento do esfíncter 
esofágico superior (EES). O alimento desloca-se para dentro do esôfago e o 
esfíncter esofágico inferior (EEI) relaxa para receber o bolo alimentar. As ondas 
peristálticas deslocam o bolo alimentar do esôfago para o estômago. 
 
 
 
3 
1.1 Dificuldade na deglutição: disfagia 
A disfagia é um sintoma que indica qualquer dificuldade na deglutição. 
Nesses casos, o paciente deve ser avaliado por fonoaudiólogo e equipe 
multidisciplinar, incluindo nutricionista. É classificada do grau 1 ao 4. 
A disfagia pode ser identificada pela doença de base (acidente vascular 
encefálico, traumatismo cranioencefálico, Parkinson, por exemplo), 
antecedentes e comorbidades (doença do refluxo gastroesofágico, por exemplo), 
sinais clínicos de aspiração (tosse, engasgo, dispneia), complicações 
pulmonares (pneumonia), funcionalidade da alimentação (consumo de alimentos 
de consistência pastosa e longo tempo de refeição), além de perda de peso 
involuntária. 
1.1.1 Avaliação nutricional na disfagia 
Aplicar ferramentas de triagem nutricional (por ex.: Nutritional Risk 
Screening, NRS-2002) antes ou no início da avaliação nutricional, é importante 
para verificar a presença de risco nutricional e prevenir complicações 
relacionadas à depleção das reservas corpóreas. 
Dentro da avaliação nutricional completa, recomenda-se, em especial, 
avaliar o fracionamento da dieta (ideal de 4 a 6 refeições/dia), o tempo de 
intervalo entre as refeições (ideal de 2 a 3 horas), a consistência da dieta atual 
(ideal: geral), o consumo alimentar em 24h (conforme o gasto energético total), 
a qualidade da dieta (quantidade de porções por grupos de alimentos conforme 
recomendação da pirâmide alimentar), e a ingestão de líquidos (25-30ml/kg ao 
dia) (SBGG, 2011). Resumindo, é preciso avaliar se o paciente consegue 
atender as necessidades hídricas, energéticas e proteicas do corpo por via oral. 
1.1.2 Considerações e terapia nutricional na disfagia 
As complicações da disfagia incluem desidratação, desnutrição, aspiração 
e pneumonia. Portanto, nessa condição, os objetivos da terapia nutricional são: 
estabelecer a via de alimentação nutricional mais segura; adaptar a alimentação 
oral ao grau de disfagia, em quantidades suficientes de energia, macro e 
micronutrientes; evitar engasgos e aspiração de alimentos; manter ou melhorar 
o estado nutricional do paciente. 
 
 
4 
Cada grau de disfagia (definido pelo fonoaudiólogo) tem uma 
recomendação dietética específica, conforme o quadro a seguir. 
Quadro 1 – Graus de disfagia e características da dieta 
Graus de 
disfagia 
Características da dieta 
Disfagia 4 Dieta geral: inclui todos os alimentos e as texturas. 
Disfagia 3 Dieta branda: alimentos macios que requerem certa habilidade de mastigação, 
como carnes cozidas e úmidas, verduras e legumes cozidos, pães e frutas 
macios. Exclui alimentos de difícil mastigação ou que tendem a se dispersar na 
cavidade oral, como os secos (farofa), as verduras e os legumes crus, os grãos 
etc., bem como as misturas de consistências (canja de galinha). 
Disfagia 2 Dieta pastosa: alimentos bem cozidos, em pedaços ou não, que requerem pouca 
habilidade de mastigação, como arroz pastoso, carnes e legumes bem cozidos e 
picados, pães macios e sopas cremosas e/ou com pedaços de legumes bem 
cozidos. 
Disfagia 1 Dieta pastosa homogênea: alimentos cozidos e batidos, coados e peneirados, 
quando necessário, formando uma preparação homogênea e espessa. 
Fonte: SBGG, 2011. 
Recomenda-se ofertar a pacientes disfágicos entre 30 a 35 kcal/kg ao dia 
e de 1 a 1,5g/kg ao dia de proteínas, independentemente da via de alimentação. 
Carboidratos e lipídios devem ser ajustados após adequação proteica, 
preferencialmente entre 50 e 60% de carboidratos e 25 a 30% de lipídios. 
Os líquidos apresentam maior risco de aspiração em pacientes disfágicos, 
pois exigem maior controle fisiológico do paciente. Os líquidos espessados 
permitem melhor controle oral sobre o bolo alimentar, proporcionando maior 
tempo para que o reflexo da deglutição seja desencadeado. Os líquidos são 
classificados de acordo com a viscosidade, conforme o quadro a seguir. 
Quadro 2 – Classificação da viscosidade dos líquidos 
Consistência Descrição da consistência Exemplos 
Rala Líquidos ralos Água, gelatina, café, chás, sucos, 
refrigerante 
Néctar O líquido escorre da colher 
formando um fio 
Suco de manga ou pêssego ou iogurte 
de beber 
Mel O líquido escorre da colher 
formando um V 
Mel 
Creme O líquido se solta da colher, caindo 
em bloco 
Creme de abacate e iogurte cremosos 
Fonte: SBGG, 2011. 
São espessantes caseiros utilizados em pacientes disfágicos: amido de 
milho, creme de arroz, purê de batata em flocos, fubá, goma guar, ágar-ágar. 
Também existem espessantes comerciais, como Nutilis (Danone), Resource 
 
 
5 
Ticken up (Nestlé), Thick & Easy (Fresenius), que não conferem sabor, podendo 
ser utilizados para espessar água e/ou sucos. 
A terapia nutricional é indicada nos seguintes casos: desnutrição ou 
quando há risco de desenvolvê-la, ingestão oral inferior a 75% da oferta 
alimentar, disfagia, doenças catabólicas e/ou perda de peso involuntária superior 
a 5% em 3 meses ou maior que 10% em 6 meses (SBGG, 2011). 
A terapia nutricional oral deve ser utilizada como complemento, 
principalmente nos intervalos das refeições. Pode ser feita de forma caseira ou 
industrializada. Caso o paciente não supra as recomendações nutricionais por 
via oral, a próxima via de escolha é a enteral. 
A terapia nutricional enteral (TNE) deve ser iniciada em pacientes 
hemodinamicamente estáveis, com uso mínimo de 5 a 7 dias. Em caso de uso 
de sonda nasoenteral por mais de 4 semanas, indica-se a realização de 
gastrostomia endoscópica percutânea (GEP). Se há deglutição efetiva e segura, 
e se o paciente atingir ingestão alimentar entre 50 e 75% das necessidades 
nutricionais, pode-se iniciar o desmame da TNE. 
TEMA 2 – DOENÇAS DO ESÔFAGO: ACALASIA DO 
ESÔFAGO/MEGAESÔFAGO 
A acalasia do esôfago (Figura 1) é um distúrbio esofágiconeurogênico, 
de etiologia desconhecida ou infecciosa (doença de Chagas), caracterizado pelo 
número diminuído de células ganglionares no plexo de Auerbach (ou plexo 
mioentérico). Isso acarreta diminuição na inervação colinérgica da musculatura 
esofágica, culminando em falha do esfíncter esofágico inferior (EEI). Portanto, a 
acalasia do esôfago é um distúrbio da motilidade do esôfago inferior, causada 
por falha dos neurônios do esôfago, resultando em dificuldade da passagem de 
alimento do esôfago para o estômago. Pode evoluir com dilatação esofágica. 
 
 
 
6 
Figura 1 – Acalasia do esôfago 
 
Crédito: Timonina/Shutterstock. 
Há piora progressiva com o passar do tempo, pois o EEI acaba se abrindo 
apenas pela pressão da gravidade. Dessa forma, é comum que os alimentos 
consumidos sejam regurgitados e que o estado nutricional piore 
progressivamente, com aparecimento de disfagia e pirose. 
O tratamento médico inclui mudanças de estilo de vida, fármacos, 
procedimentos e cirurgia. 
2.1 Terapia nutricional e recomendações nutricionais 
O objetivo da terapia nutricional na acalasia de esôfago é dar suporte 
nutricional ao paciente e facilitar a sua deglutição. Para definir a melhor via de 
alimentação, deve-se fazer uma avaliação nutricional do paciente, aliada a 
discussões com a equipe multidisciplinar e à escuta do desejo do paciente. 
Sugere-se alimentação via oral (líquida ou pastosa, conforme tolerância), sonda 
nasoenteral, gastrostomia ou mesmo jejunostomia. 
 
 
7 
Recomenda-se alimentação hipercalórica, acima de 30 kcal/kg/dia, e 
hiperproteica (1,2g/kg/dia). Carboidratos são recomendados entre 50-60% e 
lipídios entre 25-30%. 
Caso a alimentação aconteça via oral (na maioria dos casos), deve-se 
evitar temperaturas extremas. Além disso, é importante comer lentamente, 
mastigando bem os alimentos. Se houver inflamação do esôfago, deve-se evitar 
alimentos condimentados e cítricos. Certos alimentos que podem auxiliar no 
relaxamento do EEI, como hortelã-pimenta, gorduras, chocolate (teobromina) e 
café (cafeína e xantinas). O álcool, a nicotina e a ingestão de líquidos sobre os 
alimentos também relaxam o EEI. 
TEMA 3 – DOENÇAS DO ESÔFAGO: DOENÇA DO REFLUXO 
GASTROESOFÁGICO (DRGE), ESOFAGITE, HÉRNIA DE HIATO E CÂNCER DE 
ESÔFAGO 
3.1 Doença do refluxo gastroesofágico e esofagite 
A DRGE (Figura 2) caracteriza-se pela falência do EEI, que conduz a um 
refluxo anormal do conteúdo gástrico (ácido) para o esôfago. Nessa condição, 
ocorre disfunção mecânica, que pode ser causada por um EEI defeituoso, por 
perturbação do esvaziamento gástrico ou por uma alteração da peristalse 
esofágica. 
Figura 2 – Doença do refluxo gastroesofágico e esôfago de Barret 
 
Crédito: Designua/Shutterstock; Ellepigrafic/Shutterstock. 
A mucosa esofageana é constituída por epitélio estratificado, e não se 
adapta ao contato com ácido clorídrico (HCl). Isto acarreta um processo 
A B 
 
 
8 
inflamatório que culmina nos sintomas de pirose (“azia”) em região epigástrica, 
regurgitação, disfagia ou odinofagia, que pioram com posição em decúbito pós-
prandial, e esofagite (inflamação do esôfago) com erosão do revestimento do 
esôfago. O local inflamado pode sangrar ou perfurar, causando uma condição 
chamada de esôfago de Barret (Figura 2). Essa condição é uma metaplasia 
pré-cancerosa. 
A principal causa do refluxo é a diminuição na pressão do EEI, que permite 
o retorno do conteúdo gástrico. Também pode ser oriunda de infecção viral, 
ingestão de substâncias químicas irritantes e uso de sonda nasoenteral. 
Cronicamente, hérnia de hiato, aumento da pressão intra-abdominal, 
esvaziamento gástrico lento e vômitos recorrentes também causam refluxo. A 
condição frequente de refluxo leva ao quadro de esofagite. 
O tratamento para a esofagite e para a DRGE envolve modificação 
comportamental, manejo clínico, eventualmente manejo cirúrgico, além de 
cuidado nutricional. 
As modificações comportamentais envolvem evitar deitar-se após as 
refeições, evitar o uso de roupas apertadas, realizar as refeições até três horas 
antes de dormir e o tabagismo e o consumo de álcool. 
A terapêutica médica envolve o uso de medicamentos antagonistas de 
receptor de histamina-2 (Cimetidina, Ranitidina) e inibidores da bomba de 
prótons (Omeprazol, Pantoprazol), que inibem a secreção ácida no lúmen 
gástrico, antiácidos, agentes procinéticos e, eventualmente, a fundoplicatura, 
que consiste na criação de uma válvula unidirecional, utilizando a superfície 
posterior do fundo gástrico. Ressalta-se que a terapêutica medicamentosa não 
trata a etiologia (causa) mecânica da doença, fazendo com que os sintomas 
reapareçam aproximadamente um ano após a suspensão do tratamento em 
mais de 80% dos casos. 
O uso prolongado de antagonistas de receptor de histamina-2 e de 
inibidores da bomba de prótons pode causar má-absorção de cálcio e ferro, pois 
um ambiente pouco ácido não favorece a absorção intestinal de cálcio e a 
redução (conversão) do ferro, de sua forma férrica (Fe+3) para a forma ferrosa 
(Fe+2). 
3.2 Hérnia de hiato 
 
 
9 
O diafragma tem um orifício por meio do qual passa o esôfago, chamado 
hiato esofagiano. Eventualmente, o hiato esofagiano se alarga, permitindo que 
parte do esôfago escape do orifício em direção ao tórax, causando hérnia hiatal. 
Essa condição favorece o refluxo e pode levar a esofagite e DRGE. 
As causas envolvem incompetência do hiato diafragmático, tecido 
muscular fibroso frouxo, que leva ao deslizamento ou rolamento do estômago 
para a parte superior. Essas causas podem estar ligadas a má formação 
congênita, procedimentos médicos, medicamentos, obesidade, constipação, 
vômitos e gestação. 
As manifestações clínicas variam, desde a ausência de sintomas até dor 
retroesternal alta, pirose, regurgitação, odinofagia, disfagia, soluço, 
hematêmese, melena, dispneia, cianose, tosse, vertigem e taquicardia. O 
tratamento médico é direcionado aos sintomas da DRGE, se presente. 
3.3 Terapia nutricional e recomendações nutricionais para DRGE, 
esofagite e hérnia de hiato 
Após estabelecer o diagnóstico nutricional, deve-se determinar o valor 
energético total a ser prescrito. A via de alimentação recomendada é a oral. A 
consistência da dieta varia de semilíquida a branda, conforme a aceitação do 
paciente. 
A dieta deve ser hiperproteica (acima de 1,2g/kg), normo a hipoglicídica 
(40 a 60%) e hipolipídica (do estômago 
O volume gástrico é de cerca de 50 mL quando vazio, podendo chegar a 
4 L quando expandido. As células parietais gástricas produzem de 1,5 a 2 L de 
ácido diariamente, resultando em um pH entre 1 e 2. 
O estômago tem as seguintes funções: armazenamento de alimentos até 
que possam ser acomodados no duodeno; mistura dos alimentos com as 
secreções gástricas e produção de quimo; esvaziamento do estômago de forma 
lenta para que o quimo possa ser digerido e absorvido adequadamente pelo 
intestino delgado. Essas são conhecidas como as funções motoras do 
estômago. 
A acetilcolina (liberada pelas terminações pós-ganglionares 
parassimpática) e a presença de alimento no estômago desencadeiam a 
secreção gástrica pelas glândulas oxínticas (gástricas) (localizadas no fundo e 
no corpo gástrico) e pilóricas (localizada próxima ao piloro). A Figura 3 mostra 
as secreções gástricas conforme o tipo de células e as glândulas do estômago. 
Figura 3 – Glândulas e células estomacais e suas secreções 
 
 
11 
 
Fonte: Elaborado com base em Hall; Guyton, 2012; Delegge, 2016. 
A mucosa do estômago e do duodeno apresenta proteção contra as ações 
proteolíticas do ácido gástrico e da pepsina, por um revestimento de muco 
secretado pelas glândulas localizadas nas paredes epiteliais, da porção inferior 
do esôfago até a porção superior do duodeno. A mucosa é protegida também 
contra a invasão bacteriana, pelas ações digestivas da pepsina e do ácido 
clorídrico. As prostaglandinas desempenham um papel importante na proteção 
da mucosa gastroduodenal, estimulando a secreção de muco e bicarbonato e 
mantendo o fluxo sanguíneo durante os períodos de possíveis lesões. 
4.2 Dispepsia 
A dispepsia é conhecida popularmente como indigestão, sendo 
caracterizada como perturbação súbita da digestão, evidenciada por sintomas 
como desconforto gástrico (empachamento), dor abdominal inespecífica e 
persistente, gases e eructação, náuseas e vômitos e dores de cabeça. 
A dispepsia é um distúrbio funcional (doença rica em sintomas, mas com 
ausência de doença) psicoemocional. O estresse e a ansiedade pioram os 
sintomas. São critérios diagnósticos da dispepsia: apresentar um ou mais 
sintomas por pelo menos três meses, contínuos ou intermitentes: (1) 
empachamento pós-prandial; (2) saciedade precoce; (3) dor epigástrica; (4) 
queimação epigástrica sem apresentação de doença orgânica. 
O diagnóstico é realizado pelo médico a partir de dados clínicos 
associados à EDA, que não evidencia nenhuma alteração estrutural do 
estômago e do duodeno. 
Secreções 
gástricas
Glândulas 
oxínticas (ou 
gástricas)
Localização: 
corpo e fundo 
gástrico
Células cervicais 
mucosas
Secretam muco e 
algum 
pepsinogênio
Células principais 
(ou pépticas)
Secretam 
pepsinogênio
Células parietais 
(ou oxínticas)
Secretam ácido 
clorídrico e fator 
intrínseco
Glândulas 
pilóricas
Localização: antro 
gástrico
Células mucosas
Secretam muco, 
algum 
pepsinogênio 
Células G Secretam gastrina
 
 
12 
O tratamento envolve alimentação adequada, tratamento do Helicobacter 
pilory (bactéria responsável por causar gastrite e úlceras, que pode estar 
presente na dispepsia funcional sem presença dessas doenças), caso presente, 
controle da acidez estomacal (medicamentos antiácidos e betabloqueadores H2) 
e apoio psicológico (psicólogo, psiquiatra e medicamentos antidepressivos), com 
mudança de estilo de vida, pois o estresse e a ansiedade pioram os sintomas. 
4.2.1 Terapia nutricional e recomendações nutricionais na dispepsia 
Recomenda-se dieta branda com calorias conforme o estado nutricional, 
normocalórica, normoglicídica e normolipídica. 
A alimentação deve ocorrer em local tranquilo. Deve-se mastigar bem os 
alimentos, evitando deitar-se após as refeições. É importante também abolir o 
fumo e evitar o álcool. 
São recomendações gerais para essa condição: incentivar o consumo de 
alimentos bem cozidos (dieta branda), em quantidades adequadas, e nunca 
excessivamente condimentados; investigar alergia/intolerância alimentar não 
tratada; investigar ambiente de vida, de trabalho e local das refeições com 
atmosfera calma; verificar o funcionamento intestinal e adequá-lo; incentivar 
prática de yoga, meditação e outras mudanças no estilo de vida para aliviar o 
estresse. 
TEMA 5 – DOENÇAS DO ESTÔMAGO: GASTRITE, ÚLCERA GÁSTRICA E 
CÂNCER GÁSTRICO 
5.1 Gastrite e úlcera péptica 
A gastrite é caracterizada por mucosa avermelhada, inchada, dolorosa e 
quente (inflamada). A gastrite pode ser aguda ou crônica. A gastrite aguda é 
marcada por inflamação e sintomas de início rápido. A gastrite crônica é oriunda 
da gastrite aguda, com aumento e diminuição de sintomas, podendo evoluir para 
gastrite atrófica e úlcera. Veja as características de cada uma no quadro abaixo. 
Quadro 3 – Diferenças entre gastrite crônica e atrófica 
Gastrite crônica Gastrite atrófica 
Tem relação com abuso da alimentação 
e do álcool. 
Ocorre atrofia e perda das células parietais. 
 
 
13 
Pode ser causada por medicamentos e 
pelo H. pylori. 
Perda da secreção de ácido clorídrico e de fator 
intrínseco. 
Pode evoluir para úlcera. Causa deficiência de vitamina B12 (anemia 
perniciosa), cálcio e ferro. 
Fonte: Elaborado com base em Mahan; Raymond, 2018. 
Nosso organismo apresenta mecanismos de proteção contra diversas 
injúrias. Contudo, as barreiras de proteção podem não suportar os danos. 
O estômago apresenta muco como proteção gástrica. A secreção de 
bicarbonato no muco serve para alcalinizá-lo e proteger a mucosa gástrica, 
mantendo o adequado transporte sanguíneo da membrana da superfície apical, 
bem como a capacidade regenerativa apical. Também produz prostaglandinas, 
que equilibram a produção de acidez gástrica e a produção do bicarbonato. 
Essas barreiras são conhecidas como forças defensivas do estômago. 
Por outro lado, lesões por infecção de H. pylori, por anti-inflamatórios não 
hormonais, aspirina, cigarros, álcool, hiperacidez gástrica e refluxo gastro-
duodenal, podem levar à isquemia (falta de fornecimento sanguíneo), choque 
(síndrome caracterizada por inadequada perfusão sanguínea) e esvaziamento 
gástrico atrasado, culminando em gastrite e úlcera. O H. pylori pode ser 
contraído por alimentos e água contaminada. 
As úlceras pépticas mostram evidências de inflamação crônica e 
processos de reparo em torno da lesão. Elas são chamadas de úlcera gástrica 
quando acometem o estômago e de úlcera duodenal quando acometem o 
duodeno. As úlceras de estresse podem ocorrer como complicação do estresse 
metabólico causado por trauma, queimaduras, cirurgia, choque, insuficiência 
renal ou radioterapia. Muitos pacientes recebem medicação preventiva para 
evitar essa situação. 
A gastrite e as úlceras podem ser assintomáticas em alguns indivíduos ou 
causar dor em região epigástrica, além de náuseas, vômitos, hematêmese, 
ulceração, hemorragia e melena (fezes enegrecidas pela presença de sangue 
em contato com suco gástrico ou secreções duodenais). 
O diagnóstico é feito pela EDA e pesquisa de H. pylori. O tratamento 
médico utiliza medicamentos antiácidos, antagonistas H2, inibidores da bomba 
de prótons e antibióticos na presença de H. pylori. 
5.1.1 Terapia nutricional e recomendações nutricionais na gastrite e na 
úlcera péptica 
 
 
14 
Na crise aguda de gastrite, recomenda-se alimentação via oral, de 
consistência branda e distribuição normal de macronutrientes (CHO: 50-60%, 
PTN 10-15% e LIP: 25-30%). O valor energético total a ser prescrito depende do 
estado nutricional do paciente. 
Na crise aguda de gastrite, deve-se eliminar da alimentação agentes 
irritantes da mucosa, como álcool, cafeína, teobromina e extrato de carne, pois 
são secretagogos gástricos (substâncias que estimulam a secreção gástrica). O 
leite não deve ser consumido nesse momento, pois produz uma sensação de 
alívio imediato, mas é acompanhado de“efeito rebote”, que aumenta a secreção 
gástrica e pode piorar os sintomas. Gorduras devem ter consumo moderado, 
pois reduzem a produção de ácido gástrico e a motilidade do estômago. 
O pH de um alimento tem pouca importância terapêutica, exceto para 
pacientes com lesões da boca e do esôfago. A maioria dos alimentos contêm 
menos acidez do que o pH gástrico normal de 1 a 3. A inclusão de alimentos 
ácidos na dieta deve ser individualizada, conforme a maneira como o paciente 
percebe os efeitos desses alimentos. 
Após a crise aguda, a alimentação pode ser de consistência livre, bem 
como na fase crônica da doença, visando segurança quanto à qualidade dos 
alimentos consumidos. 
Na fase crônica da doença, deve-se observar e evitar condimentos e 
alimentos irritantes. Frutas ácidas devem ser consumidas conforme tolerância. 
Álcool e o fumo devem ser eliminados, além de excessos alimentares, frituras, 
alimentos gordurosos, cafeína e alimentos ricos em enxofre (como cebola, 
repolho, feijão e pimentão). Molho de soja, refrigerantes, carnes processadas 
(presunto, mortadela, salsicha, linguiça, salame) e goma de mascar também 
devem ser evitados. Todos esses alimentos aumentam a secreção gástrica. 
Assim, devem ser consumidos alimentos como chás de frutas e ervas, 
suco de frutas, frutas, mingaus, lácteos desnatados, queijo branco, carnes 
brancas e magras (peixe, frango), purês, batata, mandioquinha, suflês, vegetais 
cozidos, sopas de vegetais com carne. Mel, margarinas e geleias devem ser 
consumidos em quantidade moderada. 
Em especial, as fibras solúveis (aveia, grãos, maçã, linhaça, girassol, pão 
integral) formam um revestimento estomacal e diminuem o tempo de trânsito 
intestinal. Alimentos ricos em vitaminas A, E e C, e minerais como cobre, selênio 
e zinco, apresentam ação antioxidante, favorecem a cicatrização e a resposta 
 
 
15 
imunológica. Curcumina, chá de camomila e gengibre têm ação anti-inflamatória 
e podem ser consumidos em temperatura morna. Linhaça, chia e óleo de peixe 
são fontes de ômega-3 que também conferem ação anti-inflamatória. Os 
probióticos, em associação à antibioticoterapia, podem auxiliar na erradicação 
do H. pylori. 
Recomenda-se também realizar refeições pequenas e frequentes (5 a 
6/dia), mastigar bem os alimentos e adotar um estilo de vida calmo. 
Em indivíduos com gastrite atrófica, deve-se a avaliar o estado da vitamina 
B12, devido à falta de fator intrínseco e ao fato de o ácido gástrico resultar na 
má absorção dessa vitamina. Baixas concentrações de ácido podem influenciar 
a absorção de ferro, cálcio e outros nutrientes, uma vez que o suco gástrico 
aumenta a biodisponibilidade. 
As recomendações nutricionais para a gastrite aguda podem ser usadas 
em crises agudas de úlcera péptica. Da mesma forma, a conduta nutricional na 
gastrite crônica também pode ser seguida na úlcera péptica crônica. No caso de 
hemorragia digestiva alta (HDA), deve-se realizar jejum. 
5.2 Câncer gástrico 
As neoplasias gástricas malignas podem levar à desnutrição, em 
consequência de perdas excessivas de sangue e proteínas – ou, o que é mais 
comum, de obstrução e interferência mecânica com a ingestão alimentar. 
Apresenta causa multifatorial, contudo 80% dos casos são atribuídos à 
infecção por H. pylori. A dieta ocidental, rica em carnes processadas, lipídeos, 
amidos e açúcares simples, está associada a um maior risco de câncer gástrico 
em comparação a uma dieta rica em frutas e vegetais. Outros fatores que podem 
aumentar o risco de câncer de estômago são consumo de álcool, obesidade, 
tabagismo, ingestão de alimentos altamente salgados ou conservados em 
salmoura, ou quantidades inadequadas de micronutrientes. 
Algumas práticas culinárias também são associadas a um maior risco de 
câncer gástrico, como preparo de carnes assadas, grelhadas e fritas em gordura 
profunda em fornos de soleira aberta, secas ao sol, salgadas, curadas e 
conservadas em salmoura, o que aumenta a formação de compostos N-nitrosos 
carcinogênicos. Os hidrocarbonetos aromáticos policíclicos, produzidos pela 
queima de carvão, lenha e gasolina, também são carcinogênicos. 
 
 
16 
A maioria dos cânceres de estômago é tratada por ressecção cirúrgica 
(gastrectomia) e/ou quimioterapia e radioterapia. A gastrectomia pode ser total 
(retirada total do estômago) ou parcial. 
5.2.1 Técnicas cirúrgicas e terapia nutricional 
Na técnica cirúrgica de Billroth I (Figura 4), os pacientes sofrem ressecção 
da cavidade gástrica distal (antro e piloro), o que reduz a secreção ácida em 
80%, reduzindo também a produção de fator intrínseco e a absorção de ferro. 
Causa refluxo duodenogástrico. As recomendações nutricionais dependem do 
estado nutricional do indivíduo. 
Figura 4 – Técnicas cirúrgicas de Billroth I e Billroth II 
 
Crédito: Elias Dahlke. 
Na técnica cirúrgica de Bilroth II (Figura 4), ocorre a retirada do antro e do 
piloro, com anastomose da porção remanescente com o jejuno. Portanto, o bolo 
alimentar não entra em contato com o duodeno, reduzindo o estímulo ao 
pâncreas para a liberação de suco pancreático. Há redução da concentração de 
enzimas pancreáticas, o que pode acarretar esteatorreia, diarreia, má absorção 
e perda de peso. Nesta situação, recomenda-se dieta hipolipídica, suplementada 
com triglicerídeos de cadeia média (TCM), suplementação de cálcio, vitamina D, 
ferro e vitamina B12. Avaliar a tolerância à lactose. A via de alimentação poderá 
ser oral ou enteral, conforme o consumo alimentar do paciente. 
 
 
17 
Essa técnica apresenta inúmeras complicações tardias, como síndromes 
de alça aferente, eferente, dumping, hipoglicemia, aumento da velocidade do 
trânsito intestinal, perda da lipase gástrica, insuficiência pancreática ou biliar, 
gastrite alcalina, úlcera de boca anastomótica e câncer de coto. É indicada em 
casos de urgência, com resseção parcial do estômago. 
Na gastrectomia total, o reservatório gástrico é retirado. Uma bolsa, a 
partir da distensão do jejuno, terá a função de armazenar o bolo alimentar. 
A síndrome de Dumping apresenta três estágios: 
• 1º estágio: dez a vinte minutos após a refeição, ocorre plenitude 
abdominal, náuseas, rubor na face, taquicardia, sensação de desmaio e 
sudorese. 
• 2º estágio (intermediário): entre 20 minutos e 1 hora após a refeição, 
pode haver distensão abdominal, aumento de flatulência e diarreia. 
• 3º estágio (tardio): ocorre 1 a 3 horas após a refeição, com hipoglicemia, 
sensação de fome, sudorese, ansiedade, fraqueza, tremores e dificuldade 
de concentração. 
São orientações nutricionais para a síndrome de Dumping: realizar 
refeições pequenas e frequentes; consumir alimentos mais pastosos; limitar a 
quantidade de líquidos durante as refeições, pois chegam rapidamente ao jejuno 
e precipitam a síndrome; consumir menos açúcares simples (lactose, sacarose 
e dextrose), pois são hidrolisados rapidamente; consumir mais fibras solúveis 
(pectina), pois as fibras reduzem o tempo de trânsito intestinal e a taxa de 
absorção de glicose, reduzindo assim a resposta insulínica (se a quantidade de 
fibra por excessiva, pode causar obstrução no trato gastrointestinal); aumentar o 
consumo de proteína em todas as refeições, pois são mais bem tolerados, por 
serem hidrolisados mais lentamente. No caso de esteatorreia, o nutricionista 
pode suplementar triglicerídeos de cadeia média. 
Suplementos nutricionais hiperproteicos e hipercalóricos podem ser 
necessários para aumentar a oferta de nutrientes aos pacientes. 
NA PRÁTICA 
Casos clínicos: 
 
 
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1. Sr. João, 80 anos teve diagnóstico de acalásia do esôfago. Altura 1,68 
m, peso atual 58 kg, peso usual: 69 kg. Albumina sérica: 3,4 g/dL. Foi 
encaminhado ao serviço de Nutrição. 
2. Sra. Clara foi atendida pelo serviço de Gastroenterologia com diagnóstico 
de DRGE. A paciente é obesa (IMC 32 kg/m2), e foi encaminhada para o 
serviço deNutrição. 
3. Sr Joaquim foi encaminhado para o serviço de Nutrição por diagnóstico 
de gastrite aguda. IMC de 33 kg/m2. 
Todos os três apresentam o mesmo Recordatório de 24h: 
• Café da manhã: café puro; 
• Almoço: Salada de alface com tomate temperada com sal, óleo e vinagre, 
feijão, arroz integral e bife à milanesa; 
• Lanche da tarde: cafezinho; 
• Jantar: sopa de arroz com frango; sorvete de chocolate com calda de 
chocolate. 
Quais sugestões de alterações alimentares você faria para cada 
paciente? Justifique. 
FINALIZANDO 
A disfagia envolve qualquer dificuldade na deglutição, devendo ser 
avaliada e acompanhada por equipe multidisciplinar. Nutricionalmente, devemos 
estabelecer a via alimentar segura e o aporte nutricional adequado, evitando a 
aspiração de alimentos. Os líquidos costumam ser espessados para evitar a 
aspiração. Os alimentos podem sofrer alteração de consistência para melhor 
aceitação. 
A acalásia do esôfago envolve a falha do EEI, que impossibilita a 
adequada ingestão alimentar. Nutricionalmente, devemos facilitar a deglutição, 
seja com alimentação via oral ou enteral. Para recuperar o estado nutricional, a 
dieta deve ser hipercalórica, hiperproteica, sem temperaturas extremas, muitas 
vezes com adição de suplementos alimentares. Pode-se utilizar alimentos que 
tendem a relaxar o EEI, como gorduras, hortelã e cafeína. 
A DRGE, a esofagite e a hérnia de hiato são doenças comuns. Causam 
pirose, regurgitação e disfagia no paciente. Podem evoluir para a doença de 
Esôfago de Barret, uma metaplasia. O tratamento envolve mudança 
 
 
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comportamental, medicamentos e alimentação que minimize os sintomas. 
Recomenda-se dieta branda hipolipídica, normo a hipoglicídica e hiperproteica. 
A dispepsia funcional é uma perturbação súbita da digestão, que provoca 
diversos sintomas no paciente. A conduta nutricional envolve a alimentação 
adequada e saudável, a eliminação de alimentos flatulentos, processados e 
ultraprocessados, além de mudança comportamental. 
A gastrite, como a úlcera péptica, tem como principais causas infecção 
pelo H. pylori, estresse, medicamentos e álcool. A terapia nutricional envolve 
mudança de hábitos comportamentais, com diminuição ou eliminação do 
consumo de álcool, pimenta e cafeína. Alimentos anti-inflamatórios devem ser 
incluídos. Na fase aguda das doenças, indica-se dieta branda. 
No câncer gástrico, os sintomas apresentados requerem adequações de 
alimentos e de sua consistência, com a inserção de suplementos nutricionais 
para melhorar o estado nutricional. 
 
 
 
 
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REFERÊNCIAS 
DELEGGE, M. H. Esôfago e estômago. In: ROSS, A. C. et al. Nutrição Moderna 
de Shils na saúde e na doença. 11. ed. Barueri: Manole, 2016. 
HALL, J. E.; GUYTON, A. C. Fundamentos de Guyton e Hall fisiologia. Rio de 
Janeiro: Elsevier, 2012. 
MAHAN, L. K.; RAYMOND, J. L. Krause: alimentos, nutrição e dietoterapia. 14. 
ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2018. 
SBGG – Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia. I Consenso 
Brasileiro de Nutrição e Disfagia em Idosos Hospitalizados. Barueri: Minha 
Editora, 2011. 
 
	conversa inicial
	Fisiopatologia e Terapia Nutricional nas doenças do trato gastrointestinal: esôfago e estômago
	Na prática

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