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UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESPÍRITO SANTO
CENTRO DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS E ENGENHARIAS – CCAE CURSO DE GRADUAÇÃO EM MEDICINA VETERINÁRIA
LUZINESIO MORAES CRISTINO
ANÁLISE EPIDEMIOLÓGICA E CLÍNICA DAS DERMATOFITOSES: ABORDAGENS DIAGNÓSTICAS E TERAPÊUTICAS - REVISÃO DE LITERATURA
ALEGRE-ES 2023
LUZINESIO MORAES CRISTINO
ANÁLISE EPIDEMIOLÓGICA E CLÍNICA DAS DERMATOFITOSES: ABORDAGENS DIAGNÓSTICAS E TERAPÊUTICAS - REVISÃO DE LITERATURA
Trabalho de conclusão de curso apresentado ao Departamento de Medicina Veterinária do Centro de Ciências Agrárias da Universidade Federal do Espírito Santo, como requisito parcial para obtenção do Título de Bacharel em Medicina Veterinária.
Orientadora: Prof. Dra: Graziela Barioni.
ALEGRE-ES 2023
LUZINESIO MORAES CRISTINO
ANÁLISE EPIDEMIOLÓGICA E CLÍNICA DAS DERMATOFITOSES: ABORDAGENS DIAGNÓSTICAS E TERAPÊUTICAS - REVISÃO DE LITERATURA
Trabalho de conclusão de curso apresentado ao Departamento de Medicina Veterinária do Centro de Ciências Agrárias e Engenharias - CCAE, da Universidade Federal do Espírito Santo, como requisito parcial para obtenção do Título de Bacharel em Medicina Veterinária.
COMISSÃO EXAMINADORA
Prof (a). Dr (a). Graziela Barioni
Universidade Federal do Espírito Santo Orientadora
Prof. Dr.
Universidade Federal do Espírito Santo
Dr.
Instituto Federal do Espírito Santo
AGRADECIMENTOS
Agradeço primeiramente a Deus que em momentos difíceis sempre me ajudou me iluminando, sustentando e me mostrando o caminho certo, sei que tudo que eu consegui até aqui foi por Ele ter me sustentado, não me deixando dúvidas quanto a isso.
Não menos importante, agradeço também a todo apoio que tenho recebido do Sr. Aurimar Bianchi Junior, sem todo esforço e presença dele em todo o meu processo acadêmico não saberia se chegaria até aqui, como também, fico lisonjeado por Geovani Bianchi e Emanuel Bianchi terem entrado em minha vida nesse período acadêmico, é uma honra para mim tê-los como sobrinhos e poder compartilhar com eles os melhores momentos da minha vida, ensinando e aprendendo e isso é muito gratificante para mim.
Aos meus amigos e companheiros que tive durante toda essa jornada acadêmica, que fizeram dessa vivência algo mais prazeroso, tornando a minha rotina mais leve, e também por está sempre ao meu lado nos momentos difíceis. Assim, agradeço ao Luciano de Paulo Moreira, Emerson Alex de oliveira e a Julia Barros Farias.
Agradeço a Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) e aos excelentes professores Médicos(as) Veterinários(as) e aos profissionais do HOVET, que contribuíram em toda a minha jornada. Em especial a minha orientadora Graziela Barioni que sem dúvidas é uma mãe para todos os alunos demonstrando empatia, cuidado, carinho, e sempre aplicando uma ótima didática em sua docência.
RESUMO
CRISTINO, LUZINESIO MORAES. ANÁLISE EPIDEMIOLÓGICA E CLÍNICA DAS DERMATOFITOSES:	ABORDAGENS	DIAGNÓSTICAS	E	TERAPÊUTICAS	-
REVISÃO DE LITERATURA. 2023. 37p. Trabalho de Conclusão de Curso - Departamento de Medicina Veterinária- Centro de Ciências Agrárias e Engenharias - CCAE, Universidade Federal do Espírito Santo, Alegre, ES, 2023.
A convivência estreita entre humanos e seus animais de estimação proporciona benefícios emocionais, mas também traz consigo desafios, como a transmissão de zoonoses, dando ênfase à dermatofitose como uma preocupação relevante para a saúde e bem estar animal, como também comprometendo a saúde pública. Animais infectados por dermatófitos que comumente são fungos dos gêneros Microsporum spp., Trichophyton spp. e Epidermophyton spp. apresentam sinais clínicos semelhantes, o que torna o diagnóstico e o raciocínio clínico desafiadores, exigindo a realização de exames laboratoriais precisos. Essas condições são prevalentes em pequenos animais, com múltiplas causas contribuindo para seu desenvolvimento. Surge também a atenção de algumas outras dermatites, como diagnóstico diferencial, que possuem características semelhantes quanto às manifestações clínicas que são comuns de se encontrar na prática veterinária, o que revela a importância da diferenciação dos agentes patogênicos por meio de uma eficiente técnica de diagnóstico. O reconhecimento e a diferenciação dessas condições são cruciais para um tratamento eficaz. Sendo assim, é de suma importância se ater às características fúngicas de cada espécie, diferenciando-as, e dando ênfase nas principais técnicas de diagnóstico empregadas, como abordado neste trabalho: cultivo fúngico, lâmpada de wood, tricograma, Vet Check e histopatológico que são métodos essenciais para o diagnóstico e, posteriormente direcionando o Médico Veterinário para o devido tratamento que será empregado.
ABSTRACT
CRISTINO, LUZINESIO MORAES EPIDEMIOLOGICAL AND CLINICAL ANALYSIS OF DERMATOPHYTOSES: DIAGNOSTIC AND THERAPEUTIC APPROACHES -
LITERATURE REVIEW 2023. 37p. Trabalho de Conclusão de Curso - Departamento de Medicina Veterinária- Centro de Ciências Agrárias e Engenharias - CCAE, Universidade Federal do Espírito Santo, Alegre, ES, 2023
The close coexistence between humans and their pets provides emotional benefits, but also brings with it challenges, such as the transmission of zoonoses, emphasizing dermatophytosis as a relevant concern for animal health and well-being, as well as compromising public health. Animals infected by dermatophytes, which are commonly fungi of the genera Microsporum spp. Trichophyton spp. and Epidermophyton spp. They present similar clinical signs, which makes diagnosis and clinical reasoning challenging, requiring accurate laboratory tests. These conditions are prevalent in small animals, with multiple causes contributing to their development. The attention also arises of some other dermatitis, as a differential diagnosis, which have similar characteristics in terms of clinical manifestations that are common to be found in veterinary practice, which reveals the importance of differentiating pathogenic agents through an efficient diagnostic technique. Recognizing and differentiating these conditions is crucial for effective treatment. Therefore, it is extremely important to focus on the fungal characteristics of each species, differentiating them, and placing emphasis on the main diagnostic techniques used, as discussed in this work: fungal cultivation, wood lamp, trichogram, Vet Check and histopathology, which are essential methods for diagnosis and, subsequently directing the Veterinarian to the appropriate treatment that will be used.
LISTA DE FIGURAS
Figura 1 - Estruturas da pele	12
Figura 2 - Microsporum canis observado sob microscopia.	15
Figura 3 - Microsporum gypseum observado sob microscopia.	15
Figura 4 - Trichophyton mentagrophytes observado sob microscopia.	15
Figura 7 - Fluorescência pela lâmpada de Wood, M. canis em pelo de gato.	21
Figura 8 - (A) Crescimento das colônias após dez dias de cultivo em meio Ágar Sabouraud e (B) M. canis encontrado na leitura da cultura fúngica, após 10 dias de crescimento das colônias.	22
Figura 9 - Kit Vet Check TECSA Laboratórios	22
Figura 10 - Colônia de dermatófitos evidenciado pe Vet Check	23
Figura 11 – Fotomicrografia de pele; observar a dilatação infundibular com hiperqueratose e	colonização dos folículos pilosos por esporos de dermatófitos (HE; 400x).	25
SUMÁRIO
Página
1 INTRODUÇÃO	9
2 REVISÃO DE LITERATURA	11
2.1 Anatomia da pele em pequenos animais	11
2.2 Agentes causadores da dermatofitose	14
2.3 Epidemiologia em animais de companhia	16
2.4 Manifestações clínicas e patogenia	17
2.5 Interação de dermatófitos com células da pele 18
2.6 Diagnóstico Laboratorial e Clínico	19
2.6.1 Lâmpada de Wood	20
2.6.2 Cultivo fúngico	21
2.6.3 Vet Check - dermatófitos	22
2.5.5 Histopatológico	24
2.6.1 Dermatite bacteriana	25
2.6.2 Dermatite alérgica	25
2.6.3 Infecções por leveduras (Malassezia)	26
2.6.4 Piodermatite	26
2.6.5 Lúpus eritematoso	26
2.6.6 Demodicose	26
2.6.7 Reações adversas a medicamentos	26
2.6.8Neoplasias cutâneas	26
2.7. Tratamentos empregados	27
2.8. Prognóstico	27
3 RELATO DE CASO
4 DISCURSSÃO 
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS 	 30
6 REFERÊNCIAS	31
1 INTRODUÇÃO
A pele é o maior órgão do corpo e tem como uma das suas funções a proteção como forma de barreira anatômica e fisiológica entre o animal e o meio ambiente. Protegendo contra lesões físicas, químicas e microbiológicas, além de proporcionar percepções sensoriais ao animal. Também possui intensa sinergia com outros sistemas orgânicos internos do animal, refletindo processos patológicos primários presentes em outros tecidos (SCOTT et al.,1996). Nesse sentido, para Feitosa et al., (2004), dentre todas as especialidades veterinária, os casos dermatológicos se sobressaem, sendo como queixa principal ou secundária, independentemente da localização ou do desenvolvimento socioeconômico da região, os atendimentos dermatológicos são estimados entre 30 a 75% dos casos atendidos.
De acordo com Scott et al. (1996), a maioria das dermatopatias possuem sinais clínicos muito semelhantes entre si, dificultando o diagnóstico e o raciocínio clínico e a solicitação de exames laboratoriais precisos. Encontramos múltiplas causas de dermatopatias que acometem cães e gatos, e nesses pequenos animais tais doenças ocorrem com significativa prevalência. As dermatites mais diagnosticadas na clínica médica veterinária são as bacterianas, fúngicas e ectoparasitárias, sendo estas causadoras de reações frequentes de hipersensibilidade.
De acordo com o último índice divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2018, as populações de cães e gatos são de 54 e 24 milhões, respectivamente. O que para Sidrim et al., (2004), esses dados são de extrema importância a respeito de saúde pública, quando destacamos e relacionamos as consequência do potencial zoonótico na presença desses animais. Nesse viés, apesar dos aspectos positivos do convívio entre humanos e animais, é crucial considerar cuidados devido a questões como zoonoses, que são doenças transmitidas de animais para humanos, representando potenciais riscos à saúde pública e ao bem-estar de ambos (Guimele & Santos, 2016).
Acerca disso, para Andrade & Rossi (2019), dentre as enfermidades dermatológicas, a dermatofitose destaca-se como uma antropozoonose frequente,
afetando tanto animais de companhia quanto seres humanos. Nesse viés, as dermatofitoses são infecções fúngicas cutâneas superficiais que ocorrem em tecidos queratinizados, como pele, unhas e pêlos, sendo causadas por fungos dos gêneros Microsporum spp., Trichophyton spp. e Epidermophyton spp., que se alimentam de queratina para sobreviver (PATERSON, 2017; ROSSI & ZANETTE, 2018).
Os sinais clínicos da dermatofitose incluem áreas de alopecia, formação de crostas na epiderme e eritema, que podem se manifestar alguns dias após a exposição ao patógeno (AGNETTI et al., 2013). A determinação do agente causal não é possível apenas com base na apresentação clínica. Entretanto, dermatófitos geofílicos costumam desencadear uma resposta mais inflamatória, acompanhada de prurido e infecção bacteriana secundária (BAHR, 2013). Conforme Ceconi et al., (2018), tratamento eficaz da infecção fúngica, é essencial identificar corretamente o agente etiológico, a localização e extensão da lesão no animal, bem como avaliar o estado imunológico do mesmo.
A melhor maneira de se obter um diagnóstico diferencial ou definitivo de uma dermatofitose diferenciando de outra dermatopatia, é definido por meio de uma abordagem dermatológica em que é realizado uma anamnese minuciosa, através de exame físico e clínico detalhado, podendo ser abordado por exames que irão auxiliar o diagnóstico, como por exemplo: tricograma, raspado de pele , exames micológico, cultura bacteriana, fúngica e exames citológicos e, como também lâmpada de wood. Por conseguinte, através desses exames é possível diagnosticar os agentes patogênicos por meio de colheitas de amostras das lesões cutâneas causadas pelos dermatófitos e posteriormente efetuar a conduta terapêutica estabelecida.
2 REVISÃO DE LITERATURA
2.1 Anatomia da pele em pequenos animais
Conforme destacado por Davis (2019), a pele é um órgão multifuncional que desempenha papéis cruciais na termorregulação, proteção contra patógenos e expressão de estados emocionais. O entendimento profundo de sua estrutura e função é imperativo para o diagnóstico preciso de condições dermatológicas e a promoção da saúde integral canina.
De acordo com Feitosa et al., (2004), a pele determina as formas, dá características às raças e mantém o recobrimento piloso, tão nobre em algumas espécies que que por décadas, e ainda hoje queremos usá-las como vestimenta. A pele se insere ou dá continuidade às mucosas em todos os orifícios do organismo (digestivo, respiratório, ocular e urogenital). Tem pelos que variam quantitativamente e qualitativamente entre as diferentes espécies. Existem diferenças anatômicas de um mesmo indivíduo, além daquelas determinadas por identificação sexual e idade. Sendo geralmente, a espessura da pele decresce ventralmente, é mais espessa nas regiões cervical dorsal, torácica dorsal, cefálica e base de cauda, sendo mais delgada nas regiões das orelhas, axilar, inguinal e perineal. Nessas observações se incluem coxins palmo-plantares. De maneira geral as espessuras da pele varia de 0,4 a 2 mm em felinos e de 0,5 a 5mm em caninos.
A pele é constituída, basicamente, de três grandes camadas de tecidos: uma camada superior - a epiderme; uma camada intermediária - a derme; e uma camada profunda - a hipoderme ou tecido celular subcutâneo. Os queratinócitos dessa camada sintetizam grânulos lamelares, que terão importância na barreira de proteção oferecida pela epiderme (FEITOSA et al., 2004).
Figura 1 - Estruturas da pele
Fonte: Feitosa et al., (2004)
A epiderme desenvolve-se a partir do ectoderma e a derme origina-se do mesoderma Kristensen (1975). De acordo com Smith (2020), A epiderme dos cães é um componente vital que atua como barreira protetora contra fatores ambientais, desempenhando um papel fundamental na manutenção da homeostase cutânea.' Segundo as pesquisas de Webb e Calhoun (1954), a epiderme, a camada mais externa da pele, é composta por um epitélio estratificado, pavimentoso e ceratinizado, sendo subdividida em estrato basal (ou estrato germinativo), estrato espinhoso, estrato granuloso, estrato lúcido e estrato córneo (também conhecido como estrato disjunto). Essa estrutura complexa da epiderme é influenciada por fatores como a densidade da pelagem, que afeta a espessura, o tipo de camada córnea e a presença ou ausência do estrato lúcido (MONTAGNA, 1967).
A derme, camada profunda da pele, desempenha um papel essencial na manutenção da integridade estrutural e funcional do tecido cutâneo. A derme é composta por fibras colágenas e elásticas, e apêndices epidérmicos, incluindo folículos pilosos e glândulas anexas células especializadas, e vasos sanguíneos, contribuindo para a elasticidade e resistência da pele (SILVA, 2021). Este tecido é permeado por uma rede complexa de vasos sanguíneos, vasos linfáticos, nervos e músculo liso, como o músculo eretor do pelo (SCOTT et al., 2001). A disposição
intrincada desses componentes é essencial para a integridade estrutural e funcional da pele em cães e gatos (AFFOLTEER & MOORE, 1994).
A hipoderme, também conhecida como tecido subcutâneo, é uma camada de tecido conjuntivo localizada abaixo da derme. Esta camada é composta principalmente por células adiposas, conhecidas como adipócitos, que armazenam energia na forma de gordura. Além de seu papel no armazenamento de energia, a hipoderme desempenha um papel vital na regulação térmica, isolamento e proteção dos órgãos subjacentes. Estudos indicam que o hipoderme é uma parte crucial na manutenção da homeostase e no suporte estrutural da pele (DAVIS, 2019).
Os folículos pilosos, estruturas anatômicas responsáveis pelo crescimento do pelo,desempenham um papel fundamental na pele de cães e gatos. Cada folículo piloso consiste em diversas camadas, incluindo a matriz germinativa e a bainha dérmica, que estão envolvidas na produção do pelo. Essas estruturas fornecem suporte para o crescimento, textura e coloração do pelo. Além disso, os folículos pilosos desempenham um papel importante na regulação térmica e na sensação tátil dos animais (DUNSTAN, 2002).
Nessa continuidade, também encontram-se glândulas na pele que são estruturas importantes que desempenham diversos papéis na homeostase cutânea e na manutenção da saúde da pele. Entre essas glândulas, destacam-se as glândulas sebáceas, que secretam sebo para lubrificar a pele e o pelo, as glândulas sudoríparas, responsáveis pela regulação térmica e eliminação de resíduos, e as glândulas ceruminosas, que produzem cerúmen para proteger os ouvidos. Estudos indicam que o equilíbrio funcional dessas glândulas é crucial para a integridade da barreira cutânea e para prevenir condições (FEITOSA et al., 2004).
Como também, tem como constituinte o sistema vascular cutâneo que em cães e gatos apresenta uma complexidade notável, compreendendo três plexos intercomunicantes de artérias e veias, como destacado por diversos estudos (HARGIS & GINN et al., 2007). Esses plexos incluem o plexo venoso profundo da derme, situado na interface da derme com o tecido subcutâneo; o plexo venoso subpapilar profundo, localizado entre a derme superficial e profunda; e o plexo venoso subpapilar superficial, encontrado entre a derme superficial e a epiderme
(BRAGULLA et al., 2004). Os vasos linfáticos da pele conectam-se ao plexo linfático subcutâneo e se distinguem dos vasos sanguíneos pela amplitude e angularidade de sua luz, células endoteliais achatadas e mais delgadas, e a ausência de sangue (GROSS et al., 2005). Essas características ressaltam a diversidade e especialização dos elementos vasculares na pele de cães e gatos, destacando a complexidade da microcirculação cutânea nestes animais.
2.2 Agentes causadores da dermatofitose
A dermatofitose (ou “tinha”) é uma infecção fúngica causada por microrganismos denominados fungos dermatófitos, que têm esse nome justamente pelo fato de parasitarem as estruturas queratinizadas do corpo, como a pele, pelos e unhas (CHENGAPPA; POHLMAN, 2016). Existem mais de 30 espécies reconhecidas causadoras de dermatofitose (MACEDO; SILVA; CAMARGO JUNIOR, 2021), porém os principais fungos envolvidos na infecção são dos gêneros Microsporum, Trichophyton e Epidermophyton (MORIELLO; DEBOER, 2015), sendo que fungos do gênero Epidermophyton é principalmente relatado quanto a infecções em seres humanos (CHENGAPPA, POHLMAN, 2016), e Microsporum e Trichophyton apresentam maior importância veterinária, com as espécies M. canis,
M. gypseum e T. mentagrophytes sendo os agentes etiológicos mais comuns (CHENGAPPA; POHLMAN, 2016; MORIELLO; DEBOER, 2015).
Os fungos dermatófitos podem ter diversas características que permitem a identificação mais facilitada das diferentes espécies, como por exemplo a presença ou não de macroconídios e microconídios, espessura de parede, aspectos como formato e textura de superfície, e inclusive com relação à existência de uma cepa com formas sexuadas (CHENGAPPA; POHLMAN, 2016), sendo que a maior parte desses fungos se reproduzem assexuadamente (MORIELLO; DEBOER, 2015).
Esses fungos podem estar naturalmente presentes em reservatórios de solo, de animais ou de seres humanos, podendo ser denominados geofílicos, zoofílicos ou antropofílicos, respectivamente. A capacidade zoonótica dos microrganismos dermatófitos envolve muito mais a possibilidade de animais infectarem os humanos, se comparado ao contrário (CHENGAPPA; POHLMAN, 2016). Dentre eles, o principal agente infeccioso que possui mais potencial zoonótico é Microsporum canis
(MORIELLO; DEBOER, 2015).
Figura 2 - Microsporum canis observado sob microscopia.
Fonte: Macedo, Silva e Camargo Junior (2021).
Figura 3 - Microsporum gypseum observado sob microscopia.
Fonte: Spiewak (1998).
Figura 4 - Trichophyton mentagrophytes observado sob microscopia.
Fonte: Albano et al. (2013).
Os fungos dermatófitos podem ter diversas características que permitem a identificação mais facilitada das diferentes espécies, como por exemplo a presença ou não de macroconídios e microconídios, espessura de parede, aspectos como formato e textura de superfície, e inclusive com relação à existência de uma cepa com formas sexuadas (CHENGAPPA; POHLMAN, 2016), sendo que a maior parte desses fungos se reproduzem assexuadamente (MORIELLO; DEBOER, 2015).
Esses fungos podem estar naturalmente presentes em reservatórios de solo, de animais ou de seres humanos, podendo ser denominados geofílicos, zoofílicos ou antropofílicos, respectivamente. A capacidade zoonótica dos microrganismos dermatófitos envolve muito mais a possibilidade de animais infectarem os humanos, se comparado ao contrário (CHENGAPPA; POHLMAN, 2016). Dentre eles, o principal agente infeccioso que possui mais potencial zoonótico é Microsporum canis (MORIELLO; DEBOER, 2015), sendo que a principal forma de transmissão envolve o contato direto entre o animal e as pessoas, além do contato com fômites e ambiente em que o animal convive (CHENGAPPA, POHLMAN, 2016).
2.3 Epidemiologia em animais de companhia
As infecções causadas por M. canis, M. gypseum ou Trichophyton mentagrophytes têm prevalência dependendo da região geográfica, condições climáticas e de abrigo quanto aos animais, sendo que ocorrem mais frequentemente em animais abandonados, em regiões de clima quente (MORIELLO; DEBOER, 2015) e também são mais observadas em gatos do que cães, de acordo com pesquisas (BIER et al., 2013; CAVALCANTE, 2006; NEVES et al., 2011; SILVA et al., 2011; SOUZA et al., 2022).
Além disso, em estudos realizados nos Estados Unidos, Bélgica e Reino Unido, foi feito o isolamento de principalmente M. canis em diversos gatos, e em gatis e abrigos a prevalência da dermatofitose foi maior do que em animais de estimação que se aparentavam clinicamente sadios (MORIELLO; DEBOER, 2015). No entanto, mesmo animais que não apresentam sinais clínicos podem estar infectados e apresentarem o fungo em tecidos queratinizados do corpo, servindo como portadores assintomáticos, mas isso depende de qual fungo está envolvido na infecção, se é uma cepa mais patogênica ou não, da raça e idade do animal, e também o estado imunológico em que ele se encontra (CECONI et al., 2018).
Apesar de ser uma zoonose, a dermatofitose não é uma doença de notificação obrigatória, e pelos seus sinais clínicos similares com outras dermatomicoses – termo utilizado para denominar todas as infecções fúngicas da pele, causadas também por leveduras e fungos saprófitos (CHENGAPPA; POHLMAN, 2016) –, é bastante diagnosticada na rotina clínica (MORIELLO; DEBOER, 2015).
Os fatores que podem predispor os animais à infecção pelos fungos dermatófitos envolvem: temperatura e umidade elevadas, histórico de doenças anteriores (cutâneas ou sistêmicas, causadoras de imunossupressão), idade (filhotes e idosos), comportamento e acesso à rua, a superlotação de animais (tanto em abrigos quanto canis ou gatis), além da presença de pelos longos, principalmente em gatos, que podem ficar emaranhados e esconder os esporos fúngicos, impedindo que sejam removidos com a escovação dos pelos (MORIELLO; DEBOER, 2015).
2.4 Manifestações clínicas e patogenia
O processo de infecção dos fungos dermatófitos nos animais é complexo, mas principalmente envolve a invasão dos fungos na rede de queratina da pele, pelagem ou unhas dos animais, tendo maior facilidade com base na imunossupressão de alguns indivíduos, que têm barreira protetora menor (MORIELLO; DEBOER, 2015). Essa invasão geralmente ocorre por uma abertura já pré-existente no animal, como ferimentos abertos, descamação da pele ou a própria queda natural dos pelos (SOARES; SÉRVIO, 2022).
Os dermatófitos produzem enzimas proteolíticas específicas, denominadas de queratinase, elastase e colagenase (porém emsua maioria queratinase), e em todos os estágios de estabelecimento da doença elas aparecem de alguma forma, mas a quantidade produzida depende da cepa do fungo que está agindo, e isso também pode explicar o fato dos sinais variarem de animal para animal (MORIELLO; DEBOER, 2015). Essas enzimas têm a função de degradar a queratina em oligopeptídeos e aminoácidos que serão assimilados pelo fungo, e assim que agem sobre os queratinócitos, ocorre uma resposta imunológica forte pelo sistema imune inato, mas os mecanismos envolvidos nessa defesa do organismo não são muito
específicos (MACEDO; SILVA; CAMARGO JUNIOR, 2021).
Os fatores predisponentes que afetam a dermatofitose incluem o número de esporos infecciosos, a frequência de transmissão, as condições de saúde e o estresse fisiológico experimentado pelos animais (MORETTI, et al., 2013) Os sinais clínicos apresentados pela infecção geralmente refletem a forma com que os fungos se alimentam de estruturas queratinizadas; logo, os tecidos mais afetados são aqueles que apresentam queratina em sua composição (MACEDO; SILVA; CAMARGO JUNIOR, 2021).
Assim, as características das infecções fúngicas pelos micro-organismos dermatófitos envolvem principalmente fatores como alopecia, descamação, formação de crostas na pele com eritema e pápulas. É possível que essas lesões, com o tempo, formem crostas, devido à inflamação intensa no local, e em felinos especificamente, essas lesões são menores e podem se manifestar em região de cabeça e ouvidos, e no geral em ambas espécies essa infecção geralmente não provoca prurido, mas as manifestações clínicas da doença podem ser diferentes dependendo da situação (AMORIM, 2020). O prurido em diversas situações pode ser mínimo a discreto, e ocasionalmente, se houver, se apresenta de forma intensa (MACEDO; SILVA; CAMARGO JUNIOR, 2021).
Em algumas situações onde a infecção é mais grave, pode ocorrer a presença de micetomas ou pseudomicetomas, em que o fungo acaba invadindo a pele, e ao invés de apresentar manifestações clínicas superficiais, elas acabam sendo profundas e criando nódulos (SOARES; SÉRVIO, 2022).
Foram realizados estudos relatando casos isolados da dermatofitose, e entre eles foi possível perceber que os pacientes apresentavam uma variedade de sinais clínicos, incluindo apatia, perda de peso, pelagem opaca e com áreas alopécicas, presença de nódulos dérmicos friáveis em base de cauda, região cérvico torácica e toracolombar. Como apresentações cutâneas, os sinais encontrados foram alopecia generalizada, úlceras purulentas na região dorsal e cauda, crostas e descamações na pele, áreas circunscritas e pruriginosas com alto relevo central, pouca secreção purulenta e aspecto circular, por mais que alguns dos estudos não tenha apresentado prurido. Por ser uma zoonose, foi possível observar os tutores também apresentando lesões similares (CABANA et al., 2013; CASTRO et al., 2016; TOSTES; GIUFFRIDA, 2003; WALLER et al., 2014).
As lesões circulares são explicadas pelo fato de que o fungo geralmente faz uma lesão inicial, e então as hifas começam a crescer de forma centrífuga em direção ao restante da pele, criando essa característica típica, e geralmente os sinais mais específicos da dermatofitose só aparecem cerca de três semanas após a
exposição do animal ao fungo (MACEDO; SILVA; CAMARGO JUNIOR, 2021).
pele 
2.5 Interação de dermatófitos com células da pele
2.6 Diagnóstico Laboratorial e Clínico 
Em cães, a dermatofitose é comumente diagnosticada pela presença de áreas anulares clássicas de alopecia que se estendem para a periferia, acompanhadas por crosta, caspa, pápulas ou pústulas foliculares. Em felinos, a condição ocorre predominantemente em áreas irregulares ou anulares de alopecia, com ou sem caspa. Os pelos exibem sinais de quebra e desgaste, enquanto a hiperqueratose folicular pode levar à formação de comedões, e a alopecia pode ser severa e difusa (SOUZA et al., 2002).
Após a identificação das lesões, a confirmação da suspeita de dermatofitose requer a realização de vários exames diagnósticos. Entre eles estão o exame direto, a triagem com a lâmpada de Wood, cultivo fúngico, dermatoscopia, tricograma e análise histopatológica. A lâmpada de Wood, ao fluorescer na lesão, pode indicar Microsporum canis, mas a falta de fluorescência não descarta o dermatófito. Para um diagnóstico positivo, é essencial complementar com tricograma e cultivo micológico. É crucial descartar outras doenças que apresentam sintomas semelhantes à dermatofitose, como demodicose, dermatites alérgicas, foliculite bacteriana superficial e quadros de disqueratinização em cães com pouca evidência de inflamação associada (LARSSON et al., 2020).
Figura 5 - Lesões nodulares eritematosas hemorrágicas querion em cão.
Fonte: Vetsmart (2023)
Figura 6 - Alopecia circular com crostas escamas furfuráceas em gato.
Fonte: Vetsmart (2023)
2.6.1 Lâmpada de Wood
O diagnóstico das dermatofitoses envolve métodos variados, tais como a lâmpada de Wood, pesquisa de esporos e hifas por meio do exame direto, cultivo micológico ou exame histopatológico (MATTEI et al., 2014). A lâmpada de Wood é amplamente utilizada na clínica veterinária para triagem e monitoramento do tratamento da dermatofitose causada por M. canis, proporcionando rapidez e simplicidade. Embora a fluorescência sugira a presença de metabólitos fúngicos, como o triptofano, os autores indicam que um resultado positivo é apenas indicativo e não conclusivo (FERREIRO et al., 2016).
O exame direto, conduzido em pelos e escamas com o emprego de substâncias clarificantes como o hidróxido de potássio, revela a invasão fúngica na haste pilosa, juntamente com a presença de hifas e/ou artroconídios. De acordo com Balda (2016), testes em pelos fluorescentes na lâmpada de Wood simplificam a detecção de uma infecção ectotrix, uma vez que M. canis forma esporos na superfície dos pelos
Figura 7 - Fluorescência pela lâmpada de Wood, M. canis em pelo de gato.
Fonte: Vetsmart (2023)
2.6.2 Cultivo fúngico
Conforme Carlotti e Pin (2002) e Brune (2009), o cultivo fúngico é uma técnica crucial para o diagnóstico de dermatofitose. A coleta adequada de amostras, desinfecção da região afetada e escolha de técnicas estéreis, a região afetada deve ser desinfetada com álcool 70 antes da coleta. Os pelos devem ser obtidos das bordas da lesão, onde a infecção por dermatófitos está ativa. Técnicas estéreis, como a do "carpete" ou da "escova de dentes", podem ser empregadas para coleta. As amostras obtidas devem ser conservadas em temperatura ambiente, sem um prazo definido para remessa ao laboratório, desde que estejam separadas e acondicionadas adequadamente (CARLOTTI & PIN, 2002).
Figura 8 - (A) Crescimento das colônias após dez dias de cultivo em meio Ágar Sabouraud e (B) M. canis encontrado na leitura da cultura fúngica, após 10 dias de crescimento das colônias.
Fonte: Vetsmart (2023)
2.6.3 Vet Check - dermatófitos
Trata-se de um kit diagnóstico para uso veterinário composto de um meio de cultura específico (4 placas testes) e folheto de instruções. O meio contém nutrientes específicos que facilitam o crescimento de outros microrganismos não patogênicos. A finalidade do kit abrange o auxílio no diagnóstico das dermatofitoses em cães e gatos. Resultados positivos são caracterizados pela mudança de cor do meio de cultivo (indicando alteração de pH) e as colônias formadas são de cor branca,possuindo aspectos específicos. Demais crescimentos e ausência da mudança de cor do meio caracterizam o crescimento de fungos não dermatófitos ou saprofíticos. Microsporum, Trichophyton e Epidermophyton produzem metabólitos alcalinos, o que determina a mudança de cor do meio (TECSA, 2023)
Figura 9 - Kit Vet Check TECSA Laboratórios
Fonte: TECSA Laboratórios.
Os resultados podem ser obtidos a partir de 48 horas (mudança de cor do meio) até 14 dias (colônias adultas características) . Uma observação complementar em microscopia ótica pode ser necessária, podendo umaamostra da colônia formada ser enviada ao laboratório para a identificação do agente (gênero e espécie) e para a realização de antifungigrama (TECSA, 2023).
Figura 10 - Colônia de dermatófitos evidenciado pe Vet Check
Fonte: TECSA Laboratórios.
2.6.4 Tricograma
O tricograma, também conhecido como tricografia descrito por Méndez (2004) e Miller et al., (2013), envolve a análise microscópica de pelos obtidos por tração da superfície corporal de um animal. Este exame diagnóstico, recomendado por Hill (2002) e Méndez (2004), é valioso, simples, sensível, econômico e rápido, sendo indicado para animais com padrões dermatológicos de alopecia. Além de orientar diagnósticos diferenciais a partir da anamnese e exame clínico, o tricograma é crucial na determinação do mecanismo patogênico da alopecia, contribuindo para reduzir diagnósticos diferenciais e priorizar testes diagnósticos subsequentes. Em alguns casos, conforme Méndez (2004), o tricograma pode conduzir diretamente ao diagnóstico definitivo.
Ao realizar a coleta para tricograma, conforme orientações de Hill (2002), a área desejada deve ser identificada, e os pelos podem ser arrancados
cuidadosamente com os dedos ou com o auxílio de uma pinça hemostática, sendo crucial proteger a extremidade distal da pinça com borracha para minimizar o trauma (Hill, 2002). Não é recomendada a tricotomia ou qualquer preparação adicional da área da amostra (JOYCE, 2010).
Durante a extração, é essencial tracionar o pelo o mais próximo possível da superfície corporal, aplicando uma tração intensa e única no sentido do crescimento do pelo para evitar artefatos traumáticos e garantir a obtenção de raízes e hastes não fraturadas, seguindo as diretrizes de Miller et al., (2013). O procedimento deve ser repetido até obter, no mínimo, 20 a 30 pelos (NESBITT & ACKERMAN, 1989)
Os pêlos coletados são dispostos em uma tira de fita-cola clara, que é fixada diretamente na lâmina do microscópio, ou são fixados à superfície de uma gota de óleo mineral em uma lâmina, sendo posteriormente cobertos por uma lamela, seguindo as práticas descritas por Little (2012). Em ambas as formas, os pelos devem estar alinhados na mesma direção, sem cruzamentos, conforme as recomendações de Miller et al., (2013). Por fim, a amostra é examinada ao microscópio com intensidade média de luz, avaliando a estrutura do pelo, identificando a fase folicular (anagénese ou telogénese) e obtendo informações sobre raiz, haste, extremidade distal do pelo e pigmentação, conforme as orientações de Nesbitt & Ackerman (1989). Sendo uma técnica valiosa para o diagnóstico preciso da dermatofitose em gatos.
O diagnóstico de dermatofitose é possível após adicionar à amostra Hidróxido de Potássio (KOH) a 20%. Após trinta minutos, procede-se ao exame microscópico, podendo visualizar-se desta forma as hifas e esporos (pequenas estruturas esféricas) do fungo no pêlo. Embora simples, este método requer uma certa experiência, uma vez que não é fácil distinguir elementos fúngicos provenientes de dermatófitos de outros, característicos de fungos contaminantes (Mur, 1997).
2.6.5 Histopatológico
Exames histopatológicos de pele podem diagnosticar até 80% dos casos de dermatofitose. A amostra deverá ser retirada do centro da lesão e os achados
geralmente são esporos fúngicos e hifas. A lesão histopatológica pode ser variável. Por vezes podemos observar foliculite discreta a moderada. Esses folículos pilosos parasitados podem romper e consequentemente observamos a queratina dispersa na derme, culminando em tricogranuloma. (MORIELLO, 2004)
Figura 11 – Fotomicrografia de pele; observar a dilatação infundibular com hiperqueratose e colonização dos folículos pilosos por esporos de dermatófitos (HE; 400x).
Fonte: CEVAP
2.6. Diagnóstico diferencial
O diagnóstico diferencial da dermatofitose (ou tiña) em pequenos animais envolve a distinção entre essa infecção fúngica e outras condições dermatológicas que podem apresentar sintomas semelhantes.
2.6.1 Dermatite bacteriana
Infecções bacterianas da pele podem causar lesões semelhantes às dermatofitoses. A diferenciação pode ser feita por meio de cultura de amostras de pele para identificação precisa do agente causador (MORIELLO, 2013).
2.6.2 Dermatite alérgica
As alergias cutâneas, incluindo alergias alimentares e atópicas, podem
resultar em sintomas cutâneos como prurido, vermelhidão e descamação. O histórico alimentar e os testes alérgicos podem ser úteis na diferenciação (NUTTALL & HILL, 2019).
2.6.3 Infecções por leveduras (Malassezia)
Assim como em humanos, infecções por leveduras podem afetar a pele de cães e gatos, causando prurido, vermelhidão e descamação. A microscopia e a cultura podem ajudar a distinguir entre infecções fúngicas e de leveduras (BOND & GUILLOT, 2013).
2.6.4 Piodermatite
Infecções bacterianas profundas da pele, muitas vezes causadas por Staphylococcus, podem resultar em pústulas, crostas e inflamação. A cultura bacteriana pode ser necessária para identificação e tratamento adequados (SCOTT et al., 2013).
2.6.5 Lúpus eritematoso
O lúpus eritematoso sistêmico (LES) pode afetar a pele de cães, resultando em lesões cutâneas. Uma avaliação abrangente, incluindo exames de sangue e análise histopatológica, pode ser necessária para o diagnóstico diferencial (GRIFFIN & KWOCHKA, 2001).
2.6.6 Demodicose
Causada pelo ácaro Demodex, a demodicose pode levar a perda de pelos, vermelhidão e inflamação na pele. A identificação do ácaro por raspagem de pele e exames microscópicos é crucial (MUELLER & BENSIGNOR, 2012).
2.6.7 Reações adversas a medicamentos
Certos medicamentos podem causar reações cutâneas em animais de estimação. Avaliar o histórico de medicamentos e interromper os suspeitos pode ser parte do diagnóstico (TREPANIER, 2005).
2.6.8 Neoplasias cutâneas
Tumores de pele, como carcinomas e mastocitomas, podem mimetizar algumas características das dermatofitoses. A biópsia e a análise histopatológica são frequentemente necessárias (GOLDSCHMIDT, 2018).
2.7. Tratamentos empregados
Para tratar dermatofitoses em animais, a aplicação tópica envolve a remoção de crostas por raspagem ou escovação delicada, seguida da aplicação de medicamentos como solução fraca de iodo, ungüento de mercúrio amoniacal a 10%, ou soluções com compostos quaternários de amônia (1:200 a 1:10000). Um ungüento contendo ácidos propiônico e undecilênico e ésteres é eficaz, não irritando a pele e controlando invasões bacterianas secundárias. Pomadas de iodo-povidona, tiabendazol e captano também mostraram eficácia (Blood, 1991).
Drogas anti fúngicas sistêmicas, como griseofulvina (50 mg/kg via oral uma vez ao dia) ou itraconazol (5-10 mg/kg via oral uma vez ao dia), são eficazes, embora mais caras. Em casos de rebanhos infectados, o itraconazol (5-10 mg/kg via oral uma vez ao dia por 15 dias) é recomendado, com terapia tópica simultânea usando cal sulfurada (Reed & Bayly, 2000). Soluções de sulfato de cobre 1-3%, violeta genciana 1%, e ácido salicílico em álcool a 5% são sugeridas para banho dos animais (Thomassian, 1990).
Casos persistentes podem ser tratados com banho associado a aplicações intramusculares de penicilina procaína (20.000 UI/kg) e dihidroestreptomicina (10 mg/kg), duas vezes ao dia, por 5-7 dias. A profilaxia inclui medidas terapêuticas e auxiliares, como evitar a introdução de animais com doença cutânea em criações saudáveis, isolamento durante o tratamento, separação de utensílios e desinfecção de instalações (Blood, 1991; Corrêa & Corrêa, 1992). Recomenda-se a limpeza e desinfecção dos estábulos com detergente comercial ou solução de 2,5 a 5% de desinfetante fenólico ou hipoclorito de sódio a 0,25%.
2.8. Prognóstico
O prognóstico para dermatofitose em animais geralmente é favorável com o tratamento adequado. De acordo com literatura especializada, de acordo com Greene (2013). a maioria dos casos responde bem a terapias antifúngicas disponíveis. Fatores que podem influenciar o prognóstico incluem a extensão da infecção, o tipo específico dedermatófito envolvido, a presença de condições médicas subjacentes, a conformidade do proprietário com o tratamento e as condições ambientais. Casos mais leves e localizados tendem a ter um prognóstico mais favorável (GREENE, 2013).
3 RELATO DE CASO
3 MATERIAL E MÉTODOS
Este trabalho baseou-se nas colheitas de dados a partir de uma revisão bibliográfica meticulosa sobre o assunto. Foram realizadas buscas de artigos científicos e livros publicados nos idiomas português, inglês e espanhol, nas seguintes plataformas de dados: Biblioteca Virtual de Saúde, Google Acadêmico, Periódicos Capes, Scielo, Science Direct, Pubmed e Web of Science e utilizando as seguintes palavras-chave: “Dermatophytosis”, “Dog”, “Cat”, “small animals”. A revisão bibliográfica englobou os artigos mais relevantes da área, demonstrando desde as principais técnicas para diagnóstico até o tratamento empregado para a dermatofitose, revelando, também, a importância dos cuidados necessários com o potencial zoonótico que esses pequenos animais apresentam.
4 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Em conclusão, a dermatofitose é uma condição fúngica cutânea comum em animais, sendo causada principalmente pelos dermatófitos Microsporum, Trichophyton e Epidermophyton. Essas infecções têm relevância significativa na medicina veterinária devido à sua prevalência em cães, gatos e outros animais de estimação, além da potencial zoonose, podendo afetar também os seres humanos.
O diagnóstico preciso desempenha um papel fundamental no manejo eficaz da dermatofitose. Métodos de diagnóstico incluem exames microscópicos diretos, culturas fúngicas e testes moleculares, sendo essencial a identificação do dermatófito específico para direcionar o tratamento adequado.
No que diz respeito ao tratamento, abordagens tópicas e sistêmicas são comumente empregadas. A remoção de crostas, aplicação de antifúngicos tópicos como iodo e compostos quaternários de amônia, além de terapia sistêmica com antifúngicos como griseofulvina e itraconazol, são medidas comuns. A terapia combinada pode ser necessária em casos mais graves ou persistentes.
Além disso, medidas preventivas desempenham um papel crucial na gestão da dermatofitose. A identificação e isolamento de animais afetados, a desinfecção de instalações e utensílios, juntamente com a prática de não introduzir animais doentes em ambientes saudáveis, são estratégias importantes para prevenir a disseminação da infecção.
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