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<p>Brasília-DF.</p><p>Doenças De origem Fúngica e</p><p>Protozoários</p><p>Elaboração</p><p>Raquel Reis Martins</p><p>Produção</p><p>Equipe Técnica de Avaliação, Revisão Linguística e Editoração</p><p>Sumário</p><p>APRESENTAÇÃO ................................................................................................................................. 5</p><p>ORGANIZAÇÃO DO CADERNO DE ESTUDOS E PESQUISA .................................................................... 6</p><p>INTRODUÇÃO.................................................................................................................................... 8</p><p>UNIDADE I</p><p>INTRODUÇÃO AOS FUNGOS E PROTOZOÁRIOS ...................................................................................... 9</p><p>CAPÍTULO 1</p><p>INTRODUÇÃO AOS FUNGOS ................................................................................................... 9</p><p>CAPÍTULO 2</p><p>INTRODUÇÃO AOS PROTOZOÁRIOS ........................................................................................ 12</p><p>UNIDADE II</p><p>ALGUNS FUNGOS CAUSADORES DE PATOGENIAS EM PEQUENOS ANIMAIS ........................................... 15</p><p>CAPÍTULO 1</p><p>ESPOROTRICOSE .................................................................................................................... 15</p><p>CAPÍTULO 2</p><p>CRIPTOCOCOSE .................................................................................................................... 27</p><p>CAPÍTULO 3</p><p>COCCIDIOIDOMICOSE ......................................................................................................... 32</p><p>UNIDADE III</p><p>ALGUMAS DOENÇAS CAUSADAS POR FUNGOS NEGLIGENCIADOS ...................................................... 38</p><p>CAPÍTULO 1</p><p>ASPERGILOSE ........................................................................................................................ 38</p><p>CAPÍTULO 2</p><p>BLASTOMICOSE ...................................................................................................................... 47</p><p>CAPÍTULO 3</p><p>HISTOPLASMOSE ..................................................................................................................... 53</p><p>UNIDADE IV</p><p>DOENÇAS FUNGICAS DO TECIDO TEGUMENTAR MAIS CONHECIDAS ................................................... 57</p><p>CAPÍTULO 1</p><p>MALASSEZIA ........................................................................................................................... 57</p><p>CAPÍTULO 2</p><p>DERMATOFITOSES ................................................................................................................... 67</p><p>UNIDADE V</p><p>MICOTOXINAS, ZIGOMICETA E CANDIDÍASE ......................................................................................... 81</p><p>CAPÍTULO 1</p><p>MICOTOXINAS ....................................................................................................................... 81</p><p>CAPÍTULO 2</p><p>ZIGOMICETOS NA VETERINÁRIA .............................................................................................. 86</p><p>CAPÍTULO 3</p><p>CANDIDÍASE .......................................................................................................................... 90</p><p>UNIDADE VI</p><p>ALGUNS PROTOZOÁRIOS MAIS CONHECIDOS CAUSADORES DE DOENÇAS EM PEQUENOS ANIMAIS .... 97</p><p>CAPÍTULO 1</p><p>CRIPTOSPORIDIOSE ................................................................................................................ 97</p><p>CAPÍTULO 2</p><p>TOXOPLASMOSE .................................................................................................................. 104</p><p>UNIDADE VII</p><p>DOENÇAS CAUSADAS POR PROTOZOÁRIOS COM DIAGNÓSTICO COPROPARASITOLÓGICO SIMPLES</p><p>REALIZADOS EM PEQUENOS ANIMAIS ................................................................................................. 112</p><p>CAPÍTULO 1</p><p>GIARDÍASE ........................................................................................................................... 112</p><p>CAPÍTULO 2</p><p>CYSTOISOSPOROSE .............................................................................................................. 117</p><p>UNIDADE VIII</p><p>DOENÇAS CAUSADAS POR PROTOZOÁRIOS EM PEQUENOS ANIMAIS COM GRANDE IMPACTO NA SAÚDE</p><p>PÚBLICA ............................................................................................................................................ 123</p><p>CAPÍTULO 1</p><p>LEISHMANIOSE VISCERAL CANINA......................................................................................... 123</p><p>CAPÍTULO 2</p><p>LEISHMANIOSE TEGUMENTAR (LT)........................................................................................... 131</p><p>REFERÊNCIAS ................................................................................................................................ 140</p><p>5</p><p>Apresentação</p><p>Caro aluno</p><p>A proposta editorial deste Caderno de Estudos e Pesquisa reúne elementos que se</p><p>entendem necessários para o desenvolvimento do estudo com segurança e qualidade.</p><p>Caracteriza-se pela atualidade, dinâmica e pertinência de seu conteúdo, bem como pela</p><p>interatividade e modernidade de sua estrutura formal, adequadas à metodologia da</p><p>Educação a Distância – EaD.</p><p>Pretende-se, com este material, levá-lo à reflexão e à compreensão da pluralidade</p><p>dos conhecimentos a serem oferecidos, possibilitando-lhe ampliar conceitos</p><p>específicos da área e atuar de forma competente e conscienciosa, como convém</p><p>ao profissional que busca a formação continuada para vencer os desafios que a</p><p>evolução científico-tecnológica impõe ao mundo contemporâneo.</p><p>Elaborou-se a presente publicação com a intenção de torná-la subsídio valioso, de modo</p><p>a facilitar sua caminhada na trajetória a ser percorrida tanto na vida pessoal quanto na</p><p>profissional. Utilize-a como instrumento para seu sucesso na carreira.</p><p>Conselho Editorial</p><p>6</p><p>Organização do Caderno</p><p>de Estudos e Pesquisa</p><p>Para facilitar seu estudo, os conteúdos são organizados em unidades, subdivididas em</p><p>capítulos, de forma didática, objetiva e coerente. Eles serão abordados por meio de textos</p><p>básicos, com questões para reflexão, entre outros recursos editoriais que visam tornar</p><p>sua leitura mais agradável. Ao final, serão indicadas, também, fontes de consulta para</p><p>aprofundar seus estudos com leituras e pesquisas complementares.</p><p>A seguir, apresentamos uma breve descrição dos ícones utilizados na organização dos</p><p>Cadernos de Estudos e Pesquisa.</p><p>Provocação</p><p>Textos que buscam instigar o aluno a refletir sobre determinado assunto antes</p><p>mesmo de iniciar sua leitura ou após algum trecho pertinente para o autor</p><p>conteudista.</p><p>Para refletir</p><p>Questões inseridas no decorrer do estudo a fim de que o aluno faça uma pausa e reflita</p><p>sobre o conteúdo estudado ou temas que o ajudem em seu raciocínio. É importante</p><p>que ele verifique seus conhecimentos, suas experiências e seus sentimentos. As</p><p>reflexões são o ponto de partida para a construção de suas conclusões.</p><p>Sugestão de estudo complementar</p><p>Sugestões de leituras adicionais, filmes e sites para aprofundamento do estudo,</p><p>discussões em fóruns ou encontros presenciais quando for o caso.</p><p>Atenção</p><p>Chamadas para alertar detalhes/tópicos importantes que contribuam para a</p><p>síntese/conclusão do assunto abordado.</p><p>7</p><p>Saiba mais</p><p>Informações complementares para elucidar a construção das sínteses/conclusões</p><p>sobre o assunto abordado.</p><p>Sintetizando</p><p>Trecho que busca resumir informações relevantes do conteúdo, facilitando o</p><p>entendimento pelo aluno sobre trechos mais complexos.</p><p>Para (não) finalizar</p><p>Texto integrador, ao final do módulo, que motiva o aluno a continuar a aprendizagem</p><p>ou estimula ponderações complementares sobre o módulo estudado.</p><p>8</p><p>Introdução</p><p>Os seres vivos são compostos por inúmeros micro-organismos que vivem em</p><p>simbiose, de relação benéfica que trazem, assim, melhorias ao organismo em que</p><p>habitam; ou podem ser acometidos por micro-organismos patogênicos contidos em</p><p>sua microbiota ou adquiridos no ambiente. Dentro dessas possibilidades, temos</p><p>os fungos e parasitos que podem provocar doenças graves em seus hospedeiros,</p><p>levando até mesmo</p><p>de fiálides cilíndricas ou em</p><p>forma de balões no ápice dos conidióforos (Figura 10). Dentro das inúmeras espécies</p><p>de Aspergillus que podem causar danos aos seres vivos, as principais são o A. flavus,</p><p>A. niger, A. fumigatus, A. nidulans e A. terreus. Destas, a principal causadora de</p><p>aspergilose é o A. fumigatus, sendo a mais abundante comparada a outras espécies e</p><p>a mais encontrada nas causas clínicas. Possui também maior capacidade de adaptação</p><p>aos ambientes e maior resistência ao estresse ambiental.</p><p>Além destes principais agentes, temos outras espécies, algumas consideradas</p><p>semelhantes à A. fumigatus ou ainda “enigmáticas”, que possuem semelhanças às</p><p>mais prevalentes, mas são distintas em pequenos pontos, como virulência e resistência</p><p>antifúngica. São frequentemente menos diagnosticadas e classificadas na pesquisa</p><p>laboratorial clínica. Representam cerca de 10% dos isolados clínicos, variando de acordo</p><p>com a distribuição geográfica ou com a forma de diagnóstico. O grande problema é a</p><p>dificuldade para pesquisa e identificação dessas espécies, e, desta forma, o tratamento</p><p>clínico acaba sendo superficial ou até mesmo precário. Muitas delas são altamente</p><p>resistentes às drogas mais utilizadas, e sua adequada identificação nesse contexto acaba</p><p>sendo fundamental para que haja eficácia no tratamento.</p><p>40</p><p>UNIDADE III │ ALGUMAS DOENÇAS CAUSADAS POR FUNGOS NEGLIGENCIADOS</p><p>Figura 10. Aspergillus niger (2). Aspergillus terreus (3). Aspergillus flavus (4). Aspergillus versicolor (5). Aspergillus</p><p>ochraceus.</p><p>1</p><p>2</p><p>3</p><p>4</p><p>5</p><p>FONTE: Pinterest [201-].</p><p>A ação patogênica dos fungos está ligada a inúmeros fatores produzidos pela sua</p><p>complexidade fisiologia. Como exemplo, temos o A. fumigatus, que pode driblar as</p><p>barreiras através da presença de compostos proteicos RodA hidrofóbicos, ligados</p><p>à sua parede celular, que age tanto para dispersão dos seus conídeos e fixação</p><p>em solo, quanto dentro de um organismo vivo. Esse fator implica mascarar o</p><p>reconhecimento pelo sistema imune do indivíduo, impedindo sua resposta. Outro</p><p>fator é o galactosaminogalactan (GAG), componente também da parede celular</p><p>dos fungos, tem ação anti-inflamatória no organismo, deixando o indivíduo mais</p><p>susceptível.</p><p>As mitoxinas e enzimas fúngicas, que são produzidas pelos agentes, também</p><p>são relatadas como causadores de patogenias. Na família dos A. fumigatus, são</p><p>identificadas inúmeras delas, como as gliotoxinas, fumagilina, ácido helvólico,</p><p>fumitremorgina A e Asp-hemolisina, todas com ação tóxica no organismo, como, por</p><p>exemplo, a modulação da resposta imune do indivíduo interferindo nos neutrófilos</p><p>circulantes inibe a fagocitose de conídeos e impede a produção das espécies reativas</p><p>de oxigênios (ERO) (que ocorre durante estresse oxidativo). Outros Aspergillus</p><p>podem produzir aflotoxina, ocratoxina, patulina e citrinina, sendo cancerígenas ou</p><p>importantes na intoxicação alimentar.</p><p>https://br.pinterest.com/pin/120612096256076480/</p><p>41</p><p>ALGUMAS DOENÇAS CAUSADAS POR FUNGOS NEGLIGENCIADOS │ UNIDADE III</p><p>As enzimas secretadas por eles permitem que possam usar saprotroficamente matéria</p><p>animal e vegetal. Entre elas, temos as proteases serina, metalo e aspártica. A ação delas</p><p>no organismo animal é variada, e uma das ações dessas proteases é a de degradar a</p><p>barreira estrutural do hospedeiro, barreira física, fascilitando sua ação. Por exemplo,</p><p>proteases com ação elastinolítica agem sobre a elastina, que compõe 30% do tecido</p><p>pulmonar, facilitando a atividade patogênica do agente.</p><p>Na grande maioria, os Aspergillus têm ação oportunista, isto é, sua patogenicidade</p><p>está vinculada à imunocompetência do indivíduo, além de uma incidência</p><p>relacionada à suscetibilidade da espécie perante o agente. A defesa dos organismos</p><p>são igualmente relacionadas à capacidade do fungo de atacar; portanto, a</p><p>resposta imunológica inata ou adaptativa do indivíduo tem fundamental ação</p><p>contra este patógeno. Diante disso, as terapias imunossupressoras, bem como as</p><p>doenças, podem ser facilitadoras para estes agentes oportunistas. A imunidade</p><p>inata, onde encontramos as barreiras anatômicas, fatores humorais e células</p><p>fagocitárias, são a primeira linha de defesa do organismo. Quando o indivíduo</p><p>inala o Aspergillus spp, por exemplo, os conídios são expelidos pelos pulmões</p><p>através do muco e cílios das células (depuração mucociliar), juntamente com a</p><p>ação sulfactante, aglutinando e promovendo maior fagocitose por macrófagos</p><p>e neutrófilos. Ações de conversão de oxigênio em ânion superóxido e geração</p><p>de EROs ajudam na atividade antimicrobiana. Outra “estrela” na defesa dos</p><p>organismos estão as células natural killers, com ação efetiva sobre o agente</p><p>patogênico em questão.</p><p>Outro mecanismo está na ativação de células T-helper quando os conídeos são</p><p>levados ao sistema linfático pelas vias aéreas, desencadeando posteriormente</p><p>outras respostas imunes, sendo este ponto o de desencadeamento de respostas</p><p>adaptativas. Neste ponto, quando há falha dos organismos em destruir os</p><p>conídeos, as hifas são produzidas, se desenvolvem e são capazes de destruir</p><p>os tecidos para retirar seus nutrientes, levando por vezes à disseminação pelo</p><p>organismo como um todo.</p><p>A seguir, temos um esquema (Figura 11) representativo da forma de infecção</p><p>por Aspergillus. Seguindo as setas na sequência da imagem, temos os conídios</p><p>transportados pelo ar (que são altamente hidrofóbicos), que acabam sendo</p><p>constantemente inalados pelos seres humanos e pelos animais. Após o paciente</p><p>inalar, quando em situações de imunossupressão principalmente, os conídios</p><p>podem escapar das defesas do hospedeiro e crescer invasivamente. Ocorre então</p><p>o crescimento hifal extenso nos pulmões de um paciente imunocomprometido.</p><p>42</p><p>UNIDADE III │ ALGUMAS DOENÇAS CAUSADAS POR FUNGOS NEGLIGENCIADOS</p><p>Figura 11. Ciclos patogênicos de A. fumigatus.</p><p>Exporulação Inalação de conídios por</p><p>aerossóis</p><p>Cel. Ciliadas</p><p>Membrana Basal</p><p>Germinação dos conídios em</p><p>ausência de defesas</p><p>competentes</p><p>Imunossupressão induzida por corticoides:</p><p>recrutamento dos neutrófilos e dano tissular</p><p>com crescimento hifal</p><p>Neutropenia: crescimento descontrolado das</p><p>hifas e disseminação do agente</p><p>Fonte: Dagenais et al. (2009).</p><p>Características clínicas e diagnóstico</p><p>Os esporos de Aspergillus são encontrados em quase todos os ambientes,</p><p>consequentemente são capazes de infectar os animais, provocando doenças do trato</p><p>respiratório, ocasionados pela relação de deficiência imunológica do indivíduo ou</p><p>pela sua fragilidade anatômica, secundária ou traumática, característica de espécies</p><p>dolicocefálicas. São mais comuns em cães e menos frequentes em felinos.</p><p>As manifestações da aspergilose podem ser relacionadas à hipersenbilidade provocada</p><p>na cavidade nasal secundária pela germinação dos esporos ou somente pela inalação</p><p>destes, e também pela ação provocada pela infiltração e pelo desenvolvimento de hifas</p><p>no sistema respiratório. Dessa forma, percebemos que existe uma gama de relações</p><p>do agente infeccioso com o epitélio das vias respiratórias, que vão de reações alérgicas</p><p>primárias, envolvimento da ação saprófita do agente, a clínicas mais graves, como</p><p>doenças invasivas.</p><p>Ele causa enfermidades nasais em caninos de qualquer idade, mas é corriqueiramente</p><p>encontrado em animais mais jovens. Já em felinos a ocorrência é bem menor.</p><p>A doença pode ser dividida em:</p><p>» Aspergilose nasal: é a forma mais comum encontrada na clínica,</p><p>podendo ser infecção secundária a algum problema pré-existente no animal</p><p>(neoplasias, traumas ou infecções sistêmicas, corpo estranho); devido</p><p>43</p><p>ALGUMAS DOENÇAS CAUSADAS POR FUNGOS NEGLIGENCIADOS │ UNIDADE III</p><p>a tratamento com imunossupressores ou doenças imunossupressoras.</p><p>Animais de conformação cranial dolico e mesocefálicas são os mais</p><p>predispostos a ter a doença.</p><p>Esta enfermidade terá como sintomatologia principal uma secreção</p><p>mucopurulenta com ou sem sinais hemorrágicos, sendo uni ou bilateral. Pode</p><p>ocorrer despigmentação do epitélio na região</p><p>nasal (focinho), característica</p><p>comum à doença; ulceração e inflamação das vias nasais também são observadas</p><p>(Figura 12).</p><p>Figura 12. Narinas de cães infectados com Aspergillus spp.</p><p>Fonte: Ferreira (2008).</p><p>Também são observados espirros, incomodo e dor à palpação. A deformidade facial</p><p>pode ocorrer em casos graves em razão de obstrução do ducto nasolacrimal ou de lesões</p><p>severas no epitélio do focinho. Sistemicamente, é observado diminuição do apetite,</p><p>consequente emagrecimento e letargia, juntamente com dor e incômodo.</p><p>Raramente ocorre invasão através do deslocamento do agente para o sistema nervoso</p><p>central devido à migração através da placa cribriforme, ou ainda invasão à mucosa</p><p>nasal através da penetração ativa e infecção de outros tecidos.</p><p>Nesse caso, o diagnóstico é feito através de um conjunto de técnicas, pois somente</p><p>uma pode não ser conclusiva, por se tratar de um fungo e as lesões serem multifocais.</p><p>Deve ficar atento aos sinais clínicos compatíveis e aos resultados positivos dos exames.</p><p>Quanto à positividade de determinados exames, deve se ter noção de que o agente é</p><p>comumente encontrado na microbiota de alguns animais, sendo, assim, necessária</p><p>atenção redobrada às características dos resultados, como titulação, carga e quantidade</p><p>do agente envolvido.</p><p>44</p><p>UNIDADE III │ ALGUMAS DOENÇAS CAUSADAS POR FUNGOS NEGLIGENCIADOS</p><p>Exames de rotina como a hematologia e a bioquímica normalmente estão dentro</p><p>dos valores de referência e, quando alterados, estão vinculados a uma doença</p><p>primária. Portanto os exames para diagnóstico definitivos são:</p><p>» Cultivo fúngico: o material coletado por swab é semeado em meios de</p><p>cultura próprios e incubados a 35°C. Neste exame, deve-se ter cautela</p><p>quando ocorre positividade. A interpretação do resultado positivo com a</p><p>clínica do animal é imprescindível, já que o agente em questão também</p><p>é encontrado no ar de muitos locais e, consequentemente, na microbiota</p><p>dos animais. Quando o material é colido através de rinoscopia, portando</p><p>biópsia de tecido, onde há visualização de lesões com características</p><p>compatíveis às de infecção por fungo, os resultados acabam sendo</p><p>precisos.</p><p>» Citologia: os cuidados na interpretação dos resultados neste exame são</p><p>iguais aos anteriores. A positividade no material coletado deve casar com</p><p>a sintomatologia do animal. Materiais coletados através de swab não</p><p>são boas fontes para o diagnóstico positivo. Quando é visualizada a lesão</p><p>através de rinoscopia, a precisão para o diagnóstico citológico é muito</p><p>mais alta.</p><p>» Histologia: consiste na retirada de biópsia através da rinoscopia e</p><p>realizadas lâminas neste material coradas com corante de rotina.</p><p>O material deve ser colhido de diferentes pontos, já que se trata de</p><p>uma doença multifocal. Na maioria dos casos, ocorre presença de hifas</p><p>septadas, ramificadas de diâmetro regular, indicando presença de</p><p>Aspergillus.</p><p>» Sorologia: o exame consiste na pesquisa de anticorpos formados após a</p><p>infecção pelo agente fúngico. Por causa disso, o tempo é determinante para</p><p>que isso aconteça, sendo em média de 7 a 14 dias após a infecção. Animais</p><p>imunossuprimidos acabam sendo “prejudicados” quanto à escolha desta</p><p>técnica, já que podem demorar bem mais para terem a formação de sua</p><p>defesa específica, consequentemente, adiando o tratamento. Quanto</p><p>a resultados negativos, não se deve deixar a suspeita de lado, já que</p><p>possuímos animais com Aspergillus na microflora, fazendo com que</p><p>estes, que não são capazes de fazer a soroconversão, ou alguns animais</p><p>mesmo imunocompetentes demorem a apresentar imunidade específica.</p><p>» Técnica moleculares (PCR): não é usualmente utilizada, já que possui</p><p>baixa sensibilidade para este agente em questão devido à variedade</p><p>45</p><p>ALGUMAS DOENÇAS CAUSADAS POR FUNGOS NEGLIGENCIADOS │ UNIDADE III</p><p>genotípica da espécie. Quando utilizada, a pesquisa deve ser realizada no</p><p>material de biópsias, já que no sangue a presença do agente raramente é</p><p>detectada.</p><p>» Radiologia: a posição utilizada é a dorso-ventral, evidenciando</p><p>radioluscência rostral devido a lise dos turbinados e ao padrão de</p><p>densidade mista na parte caudal da cavidade nasal. Levar sempre em</p><p>conta os riscos de anestesia perante o estado clínico do animal quando</p><p>for realizada solicitação do exame.</p><p>» Tomografia computadorizada e ressonância magnética: na tomografia</p><p>computadorizada, a diferenciação de infecção e neoplasia é acurada já</p><p>que o grau de definição das imagens é alto. Quando acometido pelo fungo,</p><p>é visível a perda dos turbinados juntamente com acúmulo de fluídos.</p><p>Presença de granuloma e de tecidos inflamatórios também é observado.</p><p>Como é um exame de melhor acurácia, é recomendado para avaliação da</p><p>placa cribriforme.</p><p>» Rinoscopia: é a técnica de eleição para o diagnóstico segundo a literatura.</p><p>Deve-se ter cuidado com alguns pontos, como a realização dos exames de</p><p>imagens antes da rinoscopia, já que ocorre intenso sangramento nesse</p><p>procedimento. Deve-se ter cuidado com a aspiração de sangue ou de</p><p>fluídos da lavagem. No exame, observa-se corrimento purulento, erosões</p><p>dos ossos turbinados e presença de placas fúngicas verde-amareladas</p><p>ou cinza-negras na mucosa nasal, localizadas geralmente na região de</p><p>maxiloturbinados e seios. A ausência dessas caraterísticas não descarta</p><p>a presença do agente. Como o material de biópsia é coletado em todo</p><p>procedimento, ele é levado para outras técnicas laboratoriais, como</p><p>cultivo, histologia e citologia.</p><p>No caso de tratamento de aspergilose nasal, são utilizados o itraconazol oral, a técnica</p><p>de infusão não cirúrgica e o clotrimazol tópico. Quando nos referimos a tratamentos</p><p>sistêmicos fúngicos, temos alguns entraves, como o período de tratamento muito</p><p>prolongado e a sua eficácia, já que o agente está contido em epitélio nasal, além do</p><p>preço elevado de medicamentos e da hepatotoxicidade causada por eles. A utilização</p><p>de fluconazol e cetoconazol demonstram eficáia na média de 50% dos casos, sendo o</p><p>itraconazol com eficiência maior que 60%, quando administrado a uma dose de 5 mg/</p><p>kg de 12 em 12 horas.</p><p>As medidas tópicas de combate ao agente são bem mais eficientes do que as orais. É</p><p>utilizado principalmete o clotrimazol em infusão por sonda colocada cirurgicamente,</p><p>46</p><p>UNIDADE III │ ALGUMAS DOENÇAS CAUSADAS POR FUNGOS NEGLIGENCIADOS</p><p>por um período de uma hora. Nesta técnica, deve-se ocluir as nasofaringes caudais e</p><p>as narinas externas para preenchimento da cavidade. Deve-se ficar atento quanto à</p><p>integridade da placa cribriforme, já que uma das complicações é o contato do fármaco</p><p>com o cérebro, devido à falha nessa barreira.</p><p>Em casos mais graves, com presença de granuloma em seio frontal, é recomendada a</p><p>rinotomia e, alguns casos, é realizada concomitantemente a administração tópica de</p><p>clotrimazol.</p><p>» Aspergilose sistêmica ou invasiva: a infecção por Aspergillus</p><p>é comumente limitada às vias nasais superiores, mas, em menor</p><p>quantidade, pode ocorrer infecção do sistema, como o pulmonar, e,</p><p>menos frequentemente ainda, a asperlogilose generalizada (encontrada</p><p>infecção por todo o sistema do indivíduo). Quando esta é diagnosticada,</p><p>geralmente já é em necropsia e, em muitos dos casos, não chegaram a</p><p>ocorrer manifestações nasais. A aspergilose sistêmica é mais causada</p><p>pelo A. terreus do que pelo A. fumigatus.</p><p>As infecções ocorrem geralmente pelas vias nasais e raramente por ingestão ou trauma</p><p>tecidual. Quando isso ocorre, ele dissemina-se por via hematógena, aloca-se em um ou</p><p>mais órgãos e causa a doença na sua forma sistêmica. Esta forma sistêmica também pode</p><p>ocorrer pelo carreamento do agente das vias nasais, devido ao seu tamanho diminuto,</p><p>para o final da árvore brônquica. Pode ocorrer também infecção por via descendente,</p><p>ou seja, pela penetração através das vias aéreas após aspiração de conídios.</p><p>Entre os sinais, observamos perda de peso, anorexia, depressão, letargia, astenia,</p><p>hipertermia, claudicação, dores na coluna vertebral e paresia ou paralisia quando sistema</p><p>nervoso</p><p>é afetado. Menos frequentemente encontramos linfadenopatia, tumefações ou</p><p>erosões cutâneas, ulcerações na cavidade oral, dores abdominais (dependendo do local</p><p>da infecção), tumefação escrotal, episódios de vômito e diarreia, incontinência urinária,</p><p>convulsões e arritmias cardíacas.</p><p>No diagnóstico, como nos referimos a uma infecção do sistema, observamos alterações</p><p>hematológicas como leucocitose e neutrofilia, principalmente em aspergilose</p><p>invasiva pulmonar. Os exames radiográficos também são utilizados, observando</p><p>discoespondilite, osteomielite e alterações em parênquima pulmonar com padrão</p><p>intersticial granulomatoso, áreas focais de consolidação e linfadenopatia.</p><p>A histologia pode ser feita quando em locais propícios para sua coleta, ou em momentos</p><p>de necropsia. Nestes casos, as hifas são observadas.</p><p>47</p><p>CAPÍTULO 2</p><p>Blastomicose</p><p>Introdução</p><p>Em 1894, Thomas Caspar Gilchrist foi o primeiro a descrever a doença que hoje</p><p>chamamos de blastomicose, que também pode ser chamada de blastomicose norte-</p><p>americana ou, ainda, doença de Chicago ou doença de Gilchrist, causada pelo</p><p>Blastomyces dermatitidis.</p><p>Sobre o assunto, inúmeras pesquisas foram feitas e concluíram duas formas diferentes</p><p>da doença: a cutânea (dermatite blastomicética) e a blastomicose sistemática ou</p><p>generalizada. Em relação aos casos cutâneos, em sua maioria, foi verificado que</p><p>eram decorrentes de moléstia pulmonar, portanto, considerados secundárias a prima</p><p>infecção. Quanto a sua evolução, pode ser considerada aguda ou crônica, dependendo</p><p>da situação e do hospedeiro em questão.</p><p>Esse agente é considerado um fungo dimórfico, pois apresenta duas formas distintas:</p><p>filamentosa e levedura. No meio ambiente e em culturas de 25°C a 30°C, crescem</p><p>como filamento; quando infectam ou são cultivados a 37°C, crescem como levedura,</p><p>considerada uma forma mais estável.</p><p>É um fungo saprófito cuja faixa geográfica é baseada nos casos clínicos relatados, sendo</p><p>difícil encontrá-lo no ambiente, tornando a delimitação de sua presença dificultosa,</p><p>bem como sua recuperação ambiental e sua caracterização de uniformização. É</p><p>endêmico das regiões centro-norte e sul dos EUA, Canadá e de partes da África.</p><p>Ataca principalmente vertebrados e tem afinidade para colonização em humanos</p><p>e cães. Cães de caça, por estarem diretamente em ambientes em que o agente</p><p>infeccioso se encontra, tendem a ter mais probabilidade de contaminação. Há</p><p>menos incidências em felinos, mas a sintomatologia e a gravidade da doença são</p><p>as mesmas das relatadas em cães.</p><p>As contaminações ocorrem de forma pontual, sendo pouco comuns na rotina</p><p>clínica, mas severas quando infectam o organismo. A severidade irá depender</p><p>da estirpe e da carga contaminantes. O desenvolvimento da doença está ligado</p><p>diretamente à competência imunológica do hospedeiro e à carga contaminante.</p><p>A infecção ocorre pela inalação dos esporos do fungo (conídios), que entram</p><p>pela cavidade nasal e se desenvolvem no pulmão, mas também pode ocorrer</p><p>48</p><p>UNIDADE III │ ALGUMAS DOENÇAS CAUSADAS POR FUNGOS NEGLIGENCIADOS</p><p>contaminação de feridas abertas. Após a infecção primária (pulmão ou feridas), ocorre</p><p>disseminação pelo sangue, indo para outros tecidos, como pele, subcutâneo, coração,</p><p>próstata, glândulas mamárias, vulva e até mesmo para o sistema nervoso.</p><p>Sua apresentação é de forma febril inespecífica, lembrando uma pneumonia viral e</p><p>bacteriana, causando tosse, febre, internação e até morte. A disseminação pelo</p><p>organismo, como relatada anteriormente, é frequentemente vista. Como é uma</p><p>doença negligenciada, seus relatos e seu diagnóstico acabam não sendo feitos,</p><p>consequentemente temos poucos dados sobre o assunto. Já em locais endêmicos,</p><p>com relatos constantes e obrigatórios, por também se tratar de uma doença</p><p>zoonótica, considera-se uma incidência de 1% a 2% ao ano, com uma taxa de</p><p>mortalidade de 41%.</p><p>A variedade genética de Blatomyces dermatitidis é grande, com dois grandes grupos</p><p>genéticos, caracterizando diferenças fenotípicas clínicas em seres humanos. Já na</p><p>veterinária, devido à baixa quantidade de relatos e de material para pesquisa, não</p><p>há estudos significativos sobre o assunto; por isso, na veterinária consideramos</p><p>um único patógeno causador das alterações fenotípicas. Um estudo tentando</p><p>elucidar a biodiversidade genética do agente foi feito com isolados da Marshfield</p><p>Clinic Research Institute, coletados desde 1999, para avaliar a tipagem desses</p><p>agentes e compará-los com os encontrados em humanos. O estudo demonstrou</p><p>que ocorre coinfecção do mesmo agente tanto em humanos quanto em isolados</p><p>veterinários, e a diversidade alélica dos isolados veterinários demonstrou ser</p><p>grande comparada às encontradas em seres humanos.</p><p>Características clínicas e diagnóstico</p><p>Dos animais, os cães são os mais susceptíveis, principalmente devido a sua utilização,</p><p>a de caça, o que proporciona maior contato com o agente. Sintomas como anorexia,</p><p>tosse, intolerância ao esforço, perda de peso, processos patogênicos em região</p><p>ocular, problemas de pele, depressão, claudicação e diarreias levam seus tutores a</p><p>procurarem o consultório. Observamos que são sintomatologias bem amplas e que</p><p>praticamente qualquer doença pode vir a desencadeá-las, por isso, e juntamente</p><p>com a dificuldade no diagnóstico, essa doença é subdiagnosticada.</p><p>A diarreia de intestino grosso é a mais comum, mas podem ser observadas a diarreia</p><p>de intestino delgado, a diarreia de intestino mista e a enteropatia, o que provoca</p><p>perda de proteínas. Ainda sintomas como icterícia, hepatomegalia, esplenomegalia,</p><p>49</p><p>ALGUMAS DOENÇAS CAUSADAS POR FUNGOS NEGLIGENCIADOS │ UNIDADE III</p><p>ascites, podem se apresentar durante a infecção. Nódulos subcutâneos também, e</p><p>por vezes com ulcerações.</p><p>Cerca de 40% dos animais apresentam febre, devido a sua forma quando coloniza</p><p>o pulmão. Decorrente dessa colonização, o curso leva a tosse, na auscultação</p><p>observam-se ruídos crepitantes, secos e a respiração é dispneica. Os animais,</p><p>quando em fase pulmonar, apresentam características de infiltrado alveolar ou</p><p>tipo massa, padrões intersticiais nodulares, miliares ou difusos, e raras vezes</p><p>encontram-se massas isoladas, que podem ser observadas em radiografia (Figura</p><p>13). Uma característica de pneumonia, crônica ou aguda, pode ser apresentada</p><p>radiograficamente. Ainda no diagnóstico por imagem, podemos observar, quase</p><p>que frequentemente, esplenomegalia. Em alguns casos, os pacientes podem não</p><p>apresentar sintomas ou queixas pulmonares, mas são levados ao consultório com</p><p>outras queixas, como alterações cutâneas ou geniturinárias, e, após quadro na</p><p>análise laboratorial do material, ou desconfiança, deve-se pedir sempre exames</p><p>de tórax, a fim de avaliar o quadro.</p><p>Figura 13. Raio X de tórax de cão com observação de um padrão pulmonar misto difuso, mostrando</p><p>consolidação alveolar, cavitação multifocal e aumento de linfonodos traqueobrônquicos (Pneumonia fúngica).</p><p>Fonte: Pavelski (2018).</p><p>Osteopatia hipertrófica ou osteomielite fúngica também podem ser achadas nos</p><p>exames radiográficos com reação perióstica secundária e tumefação de partes</p><p>50</p><p>UNIDADE III │ ALGUMAS DOENÇAS CAUSADAS POR FUNGOS NEGLIGENCIADOS</p><p>brancas. São sintomas mais tardios também, e os animais afetados podem apresentar</p><p>claudicações. Na biópsia óssea, pode ser observado granuloma, supuração ou</p><p>necrose. A efusão pleural ou peritoneal pode ocorrer em alguns dos casos.</p><p>Quando ocorre disseminação pelo organismo, podem ser encontrados linfoadenopatias,</p><p>nódulos cutâneos, abscessos, placas e úlceras. Estes, por sua vez, são considerados</p><p>secundários à primo-infecção, e as manifestações cutâneas são as mais comuns</p><p>depois das pulmonares. Formam-se lesões verrugosas com borda elevada e</p><p>irregular, com crostas, às vezes acompanhadas de abscesso e com fácil sangramento</p><p>à manipulação. A origem das lesões tem início pustular subcutâneo com drenagem</p><p>espontânea. Os abscessos podem ser drenados, e o material levado para diagnóstico</p><p>através de microscopia e cultura</p><p>fúngica.</p><p>As infecções do sistema reprodutor e urinário, como próstata, bexiga, testículos,</p><p>podem ocorrer em alguns casos. Prostatite e orquite são alguns dos sintomas</p><p>encontrados.</p><p>Alterações neurológicas causadas pela invasão do agente, como convulsões e</p><p>depressão, ocorrem em alguns casos. São menos frequentes, mas podem ocorrer.</p><p>A infecção pode levar a meningite ou a abscessos cranianos. Avaliações do</p><p>líquido espinhal não revelam o agente causador, mas a técnica de cultura auxilia</p><p>no diagnóstico. Tomografias podem ser utilizadas para avaliação dos processos</p><p>inflamatórios intracranianos e da presença de massas.</p><p>Inúmeras lesões e alterações podem ser provocadas pelo Blastomyces dermatitidis,</p><p>como abscessos em órbitas, pericárdio, seios nasais, hipófise, fígado entre outros.</p><p>O sistema ocular também é afetado, provocando uveítes, endoftalmite, presença</p><p>de massa e dificuldade ao enxergar. Nos animais, principalmente em cães, as</p><p>lesões oculares pela infecção do fungo são relativamente comuns.</p><p>O diagnóstico tido como padrão ouro está na associação de amostras para</p><p>histopatologia ou citologia, somado a cultura de secreção ou tecidos. Para</p><p>observação mais rápida da presença de esporos, a lâmina com material de swab</p><p>e secreções, com hidróxido de potássio a 10% (Figura 14) e observados em</p><p>microscópio de campo escuro (invertido), ou lâminas coradas com Giemsa ou azul</p><p>de metileno, podem ser feitas. Técnicas de ELISA ou contra-imunoeletroforese são</p><p>as técnicas sorológicas mais utilizadas, mas podem apresentar falsos negativos.</p><p>Reação em cadeia pela polimerase (PCR) para o agente Blastomyces dermatitidis</p><p>pode ser solicitada.</p><p>51</p><p>ALGUMAS DOENÇAS CAUSADAS POR FUNGOS NEGLIGENCIADOS │ UNIDADE III</p><p>Figura 14. Preparação direta de hidróxido de potássio com ampliação de 20x de uma amostra de expectoração.</p><p>Fonte: Wengenack (2019-2020).</p><p>Nas alterações hematológicas, podemos observar anemia normocítica e</p><p>normocrômica arregenerativa; linfopenias ou leucocitoses neutrofílicas com ou sem</p><p>desvio; hipoalbuminemia e hiperglobulinemia. Esses achados são consequências</p><p>do quadro de cronicidade que a infecção pelo agente fúngico pode proporcionar.</p><p>Dentro do sistema hematológico, podemos observar também a trombocitopenia</p><p>pela CID (coagulação intravascular disseminada) ou a destruição microangiopática.</p><p>A pancitopenia é observada nos casos em que há infecção da medula óssea.</p><p>Tratamento</p><p>Muitas drogas utilizadas para o tratamento contra fungos em humanos também</p><p>são utilizadas na veterinária. Por isso, devemos ter cuidado nos tratamentos para</p><p>que sejam eficazes e não promovam resistência pelo agente.</p><p>Para o tratamento antifúngico ao Blastomyces dermatitidis, é utilizada a</p><p>anfotericina B, que pode ser combinada com cetoconazol, considerado eficaz</p><p>quando no início da doença.</p><p>Combinações de cetoconazol, anfotericina B e itraconazol podem ser feitas, e são</p><p>mais empregadas no tratamento de cães. Os animais devem ser colocados em</p><p>fluidoterapia para manter a hidratação, e deve ser administrado o conjunto até a</p><p>quantidade de 50 mg/dl de anfotericina B.</p><p>Para o itraconazol, a dose deve ser de 5 mg/kg/dia e deve ser continuado por</p><p>60 a 90 dias e de 2 a 4 semanas após a resolução do problema, avaliadas com</p><p>radiografia do tórax e avaliação das lesões tegumentares.</p><p>52</p><p>UNIDADE III │ ALGUMAS DOENÇAS CAUSADAS POR FUNGOS NEGLIGENCIADOS</p><p>Nos casos de infecção ocular, geralmente são resolvidos com o tratamento</p><p>de itraconazol, mas quando há comprometimento grave, uveíte anterior e</p><p>endoftalmites, o tratamento consiste na enucleação.</p><p>Desbridamento ósseo pode ajudar na cura das afecções ósseas causadas pelo</p><p>agente, mas, às vezes, somente a terapia antifúngica é suficiente para que ocorra</p><p>a cura do osso afetado.</p><p>53</p><p>CAPÍTULO 3</p><p>Histoplasmose</p><p>Definição da doença</p><p>A histoplasmose é uma infecção fúngica sistêmica, que se apresenta desde uma infecção</p><p>assintomática até a forma de doença disseminada sistêmica com êxito letal. É adquirida</p><p>por inalação de esporos de Histoplasma capsulatum dispersos no ambiente rico em</p><p>fezes de morcego e aves.</p><p>Atividades como paisagismo, limpeza de sótãos ou celeiros, demolições de prédios</p><p>e revolvimento de solos estão associadas à histoplasmose e contribuem para a</p><p>disseminação das partículas infectantes. As correntes de ar carreiam os conídios</p><p>fúngicos por quilômetros de distância, expondo indivíduos que não estavam próximos a</p><p>áreas contaminadas. Muitos mamíferos domésticos como cães, gatos, roedores, cavalos</p><p>e marsupiais são suscetíveis a histoplasmose. O morcego, também propenso à infecção,</p><p>serve como disseminador do fungo na natureza, devido ao intenso parasitismo das</p><p>células da mucosa intestinal.</p><p>Etiologia</p><p>O fungo é encontrado no solo ácido, rico em nitrogênio, e as condições que</p><p>favorecem seu crescimento são a umidade relativa entre 60 e 87 e temperatura</p><p>média de 27°C. É isolado em solo enriquecido com excretas de galinhas, pássaros e</p><p>morcegos, por este motivo é encontrado em cavernas, minas, árvores ocas, sótãos,</p><p>porões de casa, construções abandonadas e galinheiros.</p><p>Na natureza, o Histoplasma capsulatum se apresenta na morfologia filamentosa.</p><p>Nessa forma, as colônias têm crescimento lento, textura algodonosa e coloração</p><p>de branca a creme, tornando-se acastanhada com o passar do tempo. Na fase</p><p>parasitária – ou quando incubados à temperatura de 37°C – as colônias são cremosas,</p><p>brancas, lisas, brilhantes e úmidas.</p><p>Fisiopatogenia e ciclo biológico</p><p>O período de incubação da doença é de 12 a 16 dias. Seres humanos e animais</p><p>adquirem a infecção por meio da inalação de propágulos fúngicos na fase</p><p>54</p><p>UNIDADE III │ ALGUMAS DOENÇAS CAUSADAS POR FUNGOS NEGLIGENCIADOS</p><p>filamentosa. Após a inalação, os microconídios estimulam a resposta inflamatória</p><p>do hospedeiro, compostas por células mononucleadas e macrófagos, que não têm</p><p>capacidade de destruir o patógeno. Devido à temperatura do hospedeiro (37°),</p><p>ocorre a termoconversão da forma micelial para a leveduriforme. O Histoplasma</p><p>capsulatum tem capacidade de se multiplicar no interior das células do sistema</p><p>retículo endotelial e atingir os linfonodos pulmonares, ganhando acesso à</p><p>circulação sanguínea e disseminando-se para vários órgãos. Após a terceira</p><p>semana de infecção, ocorre a resposta imune, com formação de granulomas e</p><p>necrose caseosa com posterior calcificação desses focos. Nesse período, também</p><p>há a produção de anticorpos. Embora a disseminação possa ocorrer para qualquer</p><p>órgão, resultando na resposta inflamatória granulomatosa, os pulmões, o sistema</p><p>gastrointestinal, os linfonodos, o fígado, o baço, a medula óssea, os olhos e as</p><p>glândulas adrenais são os órgãos comumente acometidos nos cães. Nos gatos os</p><p>órgãos mais acometidos são os olhos, o fígado, a medula óssea, os pulmões e os</p><p>linfonodos.</p><p>Características clínicas e diagnóstico</p><p>A gravidade e a evolução da histoplasmose são determinadas pela quantidade</p><p>de partículas inaladas, pelo estado imunológico do hospedeiro bem como pela</p><p>virulência da cepa infectante.</p><p>A histoplasmose assintomática é a forma mais comum da doença. A forma pulmonar</p><p>geralmente é benigna, autolimitante, e os sinais são tosse crônica, dispneia e</p><p>taquipneia. Já os sinais clínicos da histoplasmose disseminada são inespecíficos</p><p>e incluem perda de peso, inapetência, febre e letargia. Os sinais gastrointestinais,</p><p>exceto a anorexia, são raros nos gatos e comum nos cães, estes apresentam tenesmo,</p><p>muco e sangue vivo. Embora incomum, podem ocorrer sinais neurológicos, lesões</p><p>cutâneas, envolvimento ocular e ósseo.</p><p>O histórico do animal é importante devido a forma de apresentação clínica</p><p>inespecífica. Deve-se considerar animais com acesso a locais que tenham presença</p><p>de morcegos e animais provenientes de áreas endêmicas. O cultivo do fungo,</p><p>que necessita da conversão da forma filamentosa para a forma leveduriforme, é</p><p>considerado o método padrão ouro para o diagnóstico.</p><p>Podem ser usados meios como ágar batata, ágar Sabouraud dextrose ou ágar BHI.</p><p>Quando cultivadas em temperatura entre 22°C e 28°C, as culturas são inicialmente</p><p>aveludadas, tornando-se filamentosas, alongadas, de coloração branca e com</p><p>micélio aéreo que tende a escurecer. A conversão para a forma leveduriforme ocorre</p><p>55</p><p>ALGUMAS DOENÇAS CAUSADAS POR FUNGOS NEGLIGENCIADOS │ UNIDADE III</p><p>quando a cultura é incubada a 35-37°, formando colônias de cores branca a marrom,</p><p>textura cremosa, superfície lisa a rugosa. A desvantagem desse método diagnóstico</p><p>é o tempo prolongado para o crescimento e a identificação do agente etiológico.</p><p>No exame histopatológico e citológico, o agente é visualizado parasitando macrófagos,</p><p>porém a sensibilidade desse método é baixa, devido à dificuldade na observação</p><p>das leveduras, que podem ser confundidas com outros patógenos como Leishmania</p><p>donovani e Toxoplasma gondii, além de outros parasitos intracelulares. Para a</p><p>detecção de anticorpo, os exames sorológicos ELISA indireto, imunodifusão dupla</p><p>(ID) e reação de fixação de complemento contribuem para a obtenção mais rápida</p><p>de diagnóstico. Pode haver, porém, resultado falso positivo por causa de reações</p><p>cruzadas com outros patógenos. A utilização de técnicas moleculares possibilita</p><p>resultado precoce e mais acurado, pois tem maior especificidade e sensibilidade.</p><p>O diagnóstico feito mediante PCR detecta o DNA ribossômico do agente em amostras</p><p>clínicas de animais infectados.</p><p>Tratamento</p><p>O Histoplasma capsulatum é sensível a diversos antifúngicos, tais como</p><p>anfotericina B, itraconazol, cetoconazol e fluconazol. Para cães e gatos, o</p><p>tratamento de escolha é feito com o itraconazol na dose de 10 mg/kg, a cada 24</p><p>horas, por via oral durante período mínimo de 4 a 6 meses, até pelo menos 2 meses</p><p>após a cura clínica. O fluconazol é a droga de eleição em pacientes com distúrbios</p><p>neurológicos e oculares, por apresentar melhor penetração nesses tecidos, pode</p><p>ser administrada na dose de 2,5 a 5 mg/kg, por via oral a cada 12 ou 24 horas,</p><p>durante o mesmo período que o itraconazol. O cetoconazol é uma medicação mais</p><p>barata, porém apresenta mais efeitos colaterais. É utilizada na dose de 20 mg/</p><p>kg, durante 6 meses. A utilização de anfotericina B – na dose de 0,25 a 0,5 mg/</p><p>kg, intravenosa, a cada 48 horas, em associação com itraconazol ou cetoconazol –</p><p>fornece controle eficaz das formas mais severas de histoplasmose.</p><p>Em animais com sinais gastrointestinais, deve-se realizar terapia auxiliar junto</p><p>com os antifúngicos. Uma dieta altamente digestível deve ser fornecida a cães</p><p>com envolvimento de intestino delgado; em cães com sinais de colite, pode-se</p><p>usar fibras. A proliferação bacteriana do intestino delgado é comum em caninos</p><p>com histoplasmose e deve ser tratada com antibióticos, tais como metronidazol</p><p>(7,5 a 10 mg/kg, por via oral, 2 vezes ao dia) e amoxicilina (10 a 20 mg/kg, por via</p><p>oral, 2 vezes ao dia). Para cães com pneumonia secundária, a terapia respiratória</p><p>complementar pode incluir oxigênio, broncodilatadores e antibiótico.</p><p>56</p><p>UNIDADE III │ ALGUMAS DOENÇAS CAUSADAS POR FUNGOS NEGLIGENCIADOS</p><p>As reavaliações – que incluem exame físico, ocular e perfil bioquímico de enzimas</p><p>hepáticas – devem ser realizadas mensalmente enquanto o paciente estiver em</p><p>tratamento. E, ainda, a fim de avaliar se há recidiva, os animais devem ser reexaminados</p><p>três e seis meses após a interrupção da terapia.</p><p>Prognóstico</p><p>O prognóstico é bom para cães com sinais pulmonares e reservado para aqueles com</p><p>sinais gastrointestinais ou com disseminação. O prognóstico é reservado, também,</p><p>para gatos gravemente debilitados e varia de razoável a bom para gatos tratados com</p><p>itraconazol – embora necessite de terapia prolongada.</p><p>Impacto na saúde pública</p><p>Pouco se sabe sobre a incidência dessa doença em animais no Brasil, uma vez que</p><p>as infecções fúngicas não são de notificação compulsória e a estimativa de sua</p><p>ocorrência é resultante de relatos de caso e inquéritos epidemiológicos regionais.</p><p>No âmbito da saúde pública, há um grande benefício em utilizar a vigilância</p><p>epidemiológica desta micose em animais, pois estes atuam como sentinelas da</p><p>histoplasmose e podem servir de alerta a humanos.</p><p>57</p><p>UNIDADE IV</p><p>DOENÇAS</p><p>FUNGICAS</p><p>DO TECIDO</p><p>TEGUMENTAR MAIS</p><p>CONHECIDAS</p><p>CAPÍTULO 1</p><p>Malassezia</p><p>História</p><p>Em 1874, Malassez observou a presença de fungos constituídos por células ovoides,</p><p>raramente esféricas, com gemelação, sugerindo sua participação na patogenia da</p><p>seborreia seca; ao que Sabouraud denominou Pityrosporum malassezia, em 1904;</p><p>e que, em 1913, Castellani e Chambers denominaram Pityrosporum ovale. Em 1951,</p><p>quase meio século depois, Gordon cultivou micro-organismos arredondados, colhidos</p><p>de pacientes humanos com pitiríase versicolor. Esses micro-organismos foram</p><p>denominados de Pityrosporum orbiculare e em 1986 os dois gêneros foram unificados</p><p>pelo o Comitê Internacional de Taxonomia dos Fungos, ficando com o nome Malassezia</p><p>furfur. (PRADO, 2007).</p><p>Já a espécie Malassezia pachydermatis foi identificada pela primeira vez em 1925, nas</p><p>escamas de um rinoceronte indiano com dermatite esfoliativa.</p><p>Até á década de 1990, o gênero Malassezia, era constituído por três espécies:</p><p>Malassezia furfur, Malassezia sympodialis e Malassezia pachydermatis. Em 1996, o</p><p>gênero teve a sua taxonomia revista, com base em parâmetros fisiológicos, bioquímicos</p><p>e moleculares, e passou a englobar mais espécies: Malassezia globosa, Malassezia</p><p>obtusa. A partir de 2002, mediante estudos moleculares, quatro novas espécies foram</p><p>incluídas: Malassezia dermatis, Malassezia japonica, Malassezia nana e Malassezia</p><p>yamatoensis. Mais recentemente, foram isoladas duas novas espécies: Malassezia</p><p>caprae e Malassezia equina.</p><p>58</p><p>UNIDADE IV │ DOENÇAS FUNGICAS DO TECIDO TEGUMENTAR MAIS CONHECIDAS</p><p>Essas leveduras são consideradas micro-organismos comensais, habitantes da</p><p>microflora normal dos mamíferos sem apresentar ação queratinolítica. No entanto,</p><p>vivem sobre a pele ou ao redor dos pelos, utilizando restos epiteliais ou produtos</p><p>de excreção como fontes de energia para o seu desenvolvimento. A maioria das</p><p>espécies é lipídeo-dependentes e apresentam defeito na capacidade de sintetizar</p><p>ácidos graxos saturados, manifestando a exigência de fonte exógena desses ácidos</p><p>para o seu desenvolvimento. Ou seja, essas leveduras têm a propriedade fisiológica</p><p>típica de utilização de lipídeos como fonte de carbono, exigindo suplementação com</p><p>ácidos graxos de cadeia longa (C12 a C24), para o crescimento in vitro.</p><p>M. pachydermatis é a única espécie do gênero que não exige substâncias lipídicas</p><p>para o seu desenvolvimento, portanto é uma levedura lipofílica, não lipodependente.</p><p>A Malassezia pachydermatis (anteriormente conhecida por M. canis, Pityrosporum</p><p>pachydermatis, P. canis) é um micro-organismo comensal da microbiota da pele do</p><p>homem e dos animais de sangue quente, encontrada com frequência na pele, conduto</p><p>auditivo externo e algumas áreas mucocutâneas como a mucosa vaginal, oral, nasal,</p><p>perianal e sacos anais de cães e gatos. Acredita-se que estes micro-organismos</p><p>colonizam a pele dos animais de companhia nos primeiros três dias, sugerindo que</p><p>esta precoce transferência maternal seja realizada por meio de lambedura, higiene</p><p>ou pelo contacto direto com a mucosa vaginal durante o parto. Em seres humanos,</p><p>podem ser encontradas particularmente no couro cabeludo, nas costas e no peito.</p><p>Pode transformar-se em agente patogênico, sob influência de diversos fatores. Para</p><p>isso, são necessárias alterações do microambiente cutâneo ou dos mecanismos de</p><p>defesa do hospedeiro.</p><p>Leveduras, não miceliais e saprófitas, do gênero Malassezia pertencem à</p><p>família Cryptococcaceae, ordem Cryptococcales, classe dos Blastomycetes,</p><p>divisão Deuteromycotina. Possuem membrana celular espessa, com múltiplas</p><p>camadas. A reprodução é assexuada por gemularidade unipolar, com produção de</p><p>blastoconidia, formando célula – redonda, cilíndrica ou ovoide quando ela se separa</p><p>da célula-mãe – chamada de forma de amendoim ou também de “boneco de</p><p>neve”</p><p>(Figura 15). É melhor vista na microscopia eletrônica (Figura 16) e é normalmente</p><p>agrupada ou aderente aos queratinócitos (Figura 17).</p><p>59</p><p>DOENÇAS FUNGICAS DO TECIDO TEGUMENTAR MAIS CONHECIDAS │ UNIDADE IV</p><p>Figura 15. Leveduras de Malassezia pachydermatis presentes no esfregaço.</p><p>Fonte: Ferrari (2015).</p><p>Figura 16. Leveduras de Malassezia pachydermatis na mirosopia eletrônica.</p><p>Fonte: Pixnio (2013).</p><p>60</p><p>UNIDADE IV │ DOENÇAS FUNGICAS DO TECIDO TEGUMENTAR MAIS CONHECIDAS</p><p>Figura 17. Exame citológico de uma otite externa.</p><p>Fonte: Blog Bicho Integral (2019).</p><p>Embora M. pachydermatis seja encontrada principalmente em animais, também foi</p><p>relatada como agente causador de infecções nosocomiais em humanos. Além de</p><p>sua importância crescente, por estar na origem de múltiplas infecções oportunistas</p><p>em humanos, como foliculite, dermatite seborreica e, por vezes, diferentes formas</p><p>de dermatite atópica e até infecções sistêmicas, já foi descrita também como</p><p>sendo causadora de sepsis em pacientes imunodeprimidos e neonatos recebendo</p><p>alimentação parentral lipídica.</p><p>Outras espécies, como a Malassezia sympodialis, M. globosa e M. furfur –</p><p>comumente exclusivas da pele de humanos –, foram observadas na pele e mucosas</p><p>de felinos. A Malassezia sympodialis foi encontrada na pele e no canal auditivo de</p><p>cãs e gatos, tanto saudáveis com doentes.</p><p>É uma levedura comumente localizada nos condutos auditivos normais ou anormais,</p><p>porém, maior quantidade de leveduras de Malassezia são vistas em animais com</p><p>otite comparados a animais saudáveis. Trata-se do organismo mais encontrado nas</p><p>amostras colhidas de ouvidos, até mesmo em cães saudáveis, contribuindo para a</p><p>indução e perpetuação da otite.</p><p>Vários estudos têm demonstrado que entre 50 a 100% dos indivíduos sadios são</p><p>portadores destas leveduras lipofílicas, principalmente em regiões do corpo ricas</p><p>em glândulas sebáceas.</p><p>Por ser frequentemente isolada em otites externas em cães e gatos, é a levedura que</p><p>mais comumente contribui como fator perpetuante para otite externa em cães e gatos.</p><p>61</p><p>DOENÇAS FUNGICAS DO TECIDO TEGUMENTAR MAIS CONHECIDAS │ UNIDADE IV</p><p>Esse agente oportunista se prolifera nos ouvidos inflamados, sendo observado em até</p><p>80% das otites externas de cães e em 20% nos gatos. Tem natureza oportunista,</p><p>pois pode tornar-se patogênica quando há alteração no ambiente microbiológico</p><p>da superfície da pele ou na defesa do hospedeiro, produção excessiva de cerúmen</p><p>no ouvido, alteração de pH, após terapia com antibiótico e em casos de alergia,</p><p>levando ao aumento na colonização por M. pachydermatis.</p><p>Trabalhos anteriores demonstraram importante correlação da Otodectes cynotis.</p><p>Essas leveduras são encontradas mais facilmente aderentes a grupos de células</p><p>epiteliais de descamação. O número mínimo de leveduras presentes no canal</p><p>auditivo externo, que poderá estar relacionado com o seu efeito patogênico, ainda</p><p>não é conhecido. Não existe consenso entre os dermatologistas sobre o número</p><p>a partir do qual se pode considerar uma situação patogênica e não comensal.</p><p>Os fatores vinculados à transição das leveduras do gênero Malassezia de um</p><p>organismo comensal para um patogênico também são pouco entendidos, mas se</p><p>supõe que sejam distúrbios nos mecanismos físicos, químicos e imunológicos da</p><p>pele que limitem a colonização microbiana.</p><p>Epidemiologia</p><p>A maioria dos autores defende que parece não existir predisposição sexual ou de</p><p>idade para que os animais contraiam infecções por esse género de levedura. A</p><p>predisposição genética aparenta ser importante, pois certas raças em canídeos</p><p>– como West Highland White Terrier, Basset Hound, Cocker Spaniel, Shih Tzu,</p><p>Caniche, Setter inglês, Dachshund, German Shepherd, Collies, Jack Russel</p><p>Terrier, Springer Spaniel e Shar-Pei –apresentam elevado risco de desenvolverem</p><p>dermatite e/ou otites por Malassezia spp. A população de Malassezia spp na</p><p>superfície mucosa e cutânea é bastante elevada nos Basset Hounds, sugerindo que</p><p>existam fatores que facilitam a colonização dessas leveduras nessa raça. Zonas dos</p><p>espaços interdigitais, o conduto auditivo externo, as pregas das unhas, a boca e as</p><p>virilhas são as regiões anatômicas que apresentam frequência de isolamento mais</p><p>elevado.</p><p>Gatos de raça Devon Rex e Sphynx são aqueles que parecem ter predisposição</p><p>genética para infecções por Malassezia pachydermatis.</p><p>As infecções por Malassezia spp em cães são normalmente secundárias a doenças</p><p>subjacentes, das quais as mais comuns são atopia, pioderma, ectoparasitas (com,</p><p>por exemplo, demodicose), alterações endócrinas, alterações de queratinização e</p><p>62</p><p>UNIDADE IV │ DOENÇAS FUNGICAS DO TECIDO TEGUMENTAR MAIS CONHECIDAS</p><p>corticoterapia ou antibioterapia prolongadas. É possível que todas as dermatites que</p><p>produzam alterações do extrato córneo – tanto mecânicas, em resposta ao prurido, como</p><p>bioquímicas, em resposta a anomalias de queratinização, endócrinas ou imunológicas</p><p>– permitam a exposição do sistema imunitário da derme e da cascata inflamatória aos</p><p>antígenos e produtos da Malassezia spp.</p><p>É frequentemente observada em indivíduos imunodeprimidos assim como em gatos</p><p>positivos a FIV/FeLV, uma vez que qualquer diminuição das defesas pode favorecer</p><p>a proliferação das leveduras. A hipersensibilidade à Malassezia spp. em felinos ainda</p><p>não está definida como doença alérgica da pele, embora a dermatite por Malassezia</p><p>spp. pareça contribuir para o limite prurido de alguns gatos com dermatite atópica.</p><p>O equilíbrio hospedeiro-levedura pode ser medido de três distintas formas:</p><p>» A levedura participa apenas como micro-organismo fúngico comensal,</p><p>em baixa concentração, sem provocar lesão no hospedeiro.</p><p>» As leveduras formam colônias, com aumento da população, mas não</p><p>induzem lesão.</p><p>» Após colonização, os micro-organismos causam danos, provocando uma</p><p>resposta por parte do hospedeiro.</p><p>Autores defendem que alterações microambientais ou no mecanismo de defesa do</p><p>hospedeiro permitem que a Malassezia pachydermatis se multiplique e se torne</p><p>patogênica. Defendem, ainda, que os fatores que podem favorecer e permitir o</p><p>estabelecimento deste sobrecrescimento por parte das leveduras são: o excesso da</p><p>humidade e de nutrientes na superfície cutânea, as pregas e dobras de pele, as alterações</p><p>hormonais, a ruptura da barreira epidérmica, a produção excessiva ou modificação de</p><p>cerúmen e/ou sebo e as anormalidades no sistema imunitário da pele (por exemplo, na</p><p>imunidade mediada por células, na secreção de anticorpos IgA).</p><p>Características clínicas e diagnóstico</p><p>As otites externas associadas à proliferação de Malassezia costumam ser bilaterais e</p><p>apresentam uma forma eritemato-ceruminosa, com produção excessiva de cerúmen</p><p>amarelado ou acastanhado e com cheiro intenso.</p><p>São caracterizadas como otites pruriginosas em razão do prurido ser um dos sinais</p><p>clínicos mais consistentes, o qual é causado pela reação de hipersensibilidade aos</p><p>alérgenos de M. pachydermatis, particularmente quando o número de micro-organismos</p><p>63</p><p>DOENÇAS FUNGICAS DO TECIDO TEGUMENTAR MAIS CONHECIDAS │ UNIDADE IV</p><p>é desproporcional à gravidade do prurido. Acredita-se também que o prurido é gerado</p><p>por causa da modificação do microclima cutâneo, que favorece o sobrecrescimento</p><p>microbiano, aumentando as enzimas produzidas por essa levedura, como a lipase e</p><p>a protease, as quais contribuem para a inflamação cutânea por meio de proteólise,</p><p>lipólise (que altera o filme lipídico cutâneo), alterações do pH cutâneo, libertação</p><p>de eicosanoides e atividade do complemento.</p><p>O aspecto clínico predominante é a presença de exsudato abundante e de consistência</p><p>pastosa, com hiperplasia e hiperemia do epitélio do conduto auditivo. O cerúmen é</p><p>escuro, geralmente em quantidade considerável, espesso e com odor. Observa-se a</p><p>presença de outros organismos, com frequente predominância de bactérias.</p><p>Um dos efeitos secundários dessas otites pruriginosas é a formação de otohematomas,</p><p>resultantes do abanar excessivo das orelhas.</p><p>Em cães,</p><p>o tipo de orelha foi um fator predisponente importante para o crescimento</p><p>da levedura, provavelmente porque orelhas pendulares criam ambiente favorável</p><p>para o crescimento dessa levedura. Isto porque a densidade das glândulas</p><p>apócrinas distribuídas no canal auditivo canino varia de raça para raça, e embora a</p><p>incidência de otite externa em cães se relacione com o formato da pina, ela depende</p><p>preferencialmente da quantidade de lipídeo secretado por essas glândulas. Apesar</p><p>de a M. pachydermatis ser classificada como não dependente de lipídeo, ela prefere</p><p>ácidos graxos para se multiplicar. Portanto, orelhas pendulares – que favorecem o</p><p>excesso de umidade – e a preferência por lipídeos podem ser as razões pelas quais</p><p>há maior ocorrência de otite em alguns animais.</p><p>O diagnóstico pode ser por Citologia. Cultura e histiopatologia podem ser usadas</p><p>para detectar a presença de Malassezia spp. Normalmente as dermatites e otites</p><p>externas causas por Malassezia spp. são diagnosticadas com base no aumento de</p><p>micro-organismos presentes no exame citológico.</p><p>A técnica citológica é uma das ferramentas mais úteis disponíveis para confirmar</p><p>a presunção da presença de Malassezia spp, por ser fácil, rápida, barata e nada</p><p>invasiva. Por isso, deve ser realizada rotineiramente em qualquer paciente que</p><p>apresente sinais clínicos compatíveis com otite externa. A avaliação citológica</p><p>– aliada a sinais clínicos, otoscopia e testes diagnósticos para a doença de base</p><p>primária – aumenta a chance do diagnóstico de infecções secundárias, bem como</p><p>possibilita a monitoração da progressão da doença e da resposta à terapia.</p><p>A citologia é aceitável para diagnóstico de rotina e controle das dermatites e otites</p><p>causadas por Malassezia em cães, embora seja reconhecida como menos sensível que</p><p>64</p><p>UNIDADE IV │ DOENÇAS FUNGICAS DO TECIDO TEGUMENTAR MAIS CONHECIDAS</p><p>a cultura fúngica. A citologia, associada a cultura fúngica e testes de sensibilidade,</p><p>representa o melhor método para a identificação de infecções. No entanto, se somente</p><p>um teste puder ser realizado, deve-se sempre escolher a citologia. O sítio anatômico, a</p><p>raça e a técnica de coleta devem ser considerados na interpretação dos resultados.</p><p>A coleta pode ser realizada com um swab da região auricular ou cutânea. Em</p><p>cães, um número de leveduras excedendo 5-8/campo em objetiva de imersão</p><p>é considerado significante. Entretanto, deve-se considerar que não há padrão</p><p>nacional citológico da contagem de células de levedura/campo estabelecido para</p><p>casos de otite canina, o que pode representar possível falha diagnóstica.</p><p>Nos casos das otites externas, as amostras das secreções otológicas da região</p><p>auricular devem ser colhidas com auxílio de cotonete, zaragatoa ou mecha de</p><p>algodão esterilizados, pressionando-os contra a região auditiva, rodando em sentido</p><p>horário. São para retirada de células de descamação, além de gordura e cerúmen.</p><p>Para transposição do material para uma lâmina limpa e desengordurada de vidro,</p><p>então, deve-se encostar o algodão com material colhido na lâmina e girar em sentido</p><p>anti-horário. Em seguida, corar com corante modificado de Wrights (por exemplo,</p><p>Diff-Quick). Ao microscópio, devem ser procuradas leveduras características de</p><p>Malassezia.</p><p>A M. pachydermatis caracteriza-se por germinação monopolar das células-filhas</p><p>desde um sítio da parede celular, pela formação de cicatriz ou gola levantada no</p><p>local de desenvolvimento da célula-filha, em forma de amendoim de 2 a 2,5µm</p><p>X 4 a 5µm. Essas leveduras normalmente estão agrupadas ou aderentes aos</p><p>queratinócitos.</p><p>Também pode ser realizada coloração pelo método de Gram e feita observação</p><p>em microscopia óptica (1000X), na busca por células leveduriformes com</p><p>morfologia compatível a M. pachydermatis (Figura 18).</p><p>Para culturas fúngicas, as amostras de cerúmen de meato acústico externo devem</p><p>ser semeadas em placa de Petri contendo ágar Sabouraud dextrose, acrescidas</p><p>de cloranfenicol e cicloheximida, bem como incubadas em estufa bacteriológica</p><p>à temperatura de 32°C por até 10 dias. Esse meio de cultivo não permite o</p><p>crescimento de outras espécies do gênero. Então as placas devem ser observadas</p><p>diariamente quanto às características macromorfológicas das colônias,</p><p>visualizando-se a morfologia celular por meio de esfregaço dos cultivos, corados</p><p>pela técnica de Gram. As características bioquímicas são avaliadas mediante</p><p>testes de produção de urease e catalase.</p><p>65</p><p>DOENÇAS FUNGICAS DO TECIDO TEGUMENTAR MAIS CONHECIDAS │ UNIDADE IV</p><p>Figura 18. Resultado do exame direto de amostras de cerume de cães acometidos por otite externa, mostrando</p><p>células compatíveis com Malassezia pachydermatis por meio da coloração de Gram (A) e as colônias da</p><p>levedura em ágar Sabouraud dextrose (B).</p><p>A B</p><p>Fonte: Nascente (2010).</p><p>O número mínimo de leveduras indicativo da possibilidade de uma dermatite e/ou otite</p><p>por Malassezia spp., contudo, ainda é uma controvérsia entre autores.</p><p>Tratamento</p><p>As leveduras do gênero Malassezia são componentes da microbiota normal da pele.</p><p>Dessa forma, mais importante do que qualquer medicação é a orientação ao paciente</p><p>para que este procure evitar hábitos e condições que possam transformar o fungo de</p><p>sapróbio em parasita.</p><p>A limpeza do ouvido constitui um dos pilares mais importantes no tratamento de</p><p>uma otite externa, podendo esta ser realizada com o auxílio de um otoscópico ou</p><p>vídeo-otoscópio. Em casos leves de otite externa, a limpeza normalmente poderá</p><p>ser feita com o animal consciente. Entretanto, na maioria dos casos, os animais têm</p><p>bastante dor, o que requer forte sedação. Em situações mais graves, nas quais os</p><p>canais estão extremamente inflamados, edemaciados, estenóticos e dolorosos, deve-</p><p>se iniciar uma terapêutica tópica e/ou sistêmica com corticoides (em doses anti-</p><p>inflamatórias) de 3 a 14 dias antes de se realizar limpeza rigorosa. Quando os canais</p><p>se encontrarem “abertos”, consegue-se limpeza mais eficaz da orelha. Em casos</p><p>mais graves de otite externa e na maioria dos casos de otite média, normalmente, é</p><p>necessário recorrer a anestesia geral.</p><p>A higiene completa dos condutos auditivos e a manutenção deles secos são muito</p><p>importantes no controle eficaz de otite externa, uma vez que a acumulação de</p><p>secreções oleosas e de detritos pode ser irritante para a orelha ou conter material</p><p>66</p><p>UNIDADE IV │ DOENÇAS FUNGICAS DO TECIDO TEGUMENTAR MAIS CONHECIDAS</p><p>estranho microscopicamente favorável à proliferação de micro-organismos, o que</p><p>pode impedir que a medicação entre em contato com o revestimento da orelha e,</p><p>assim, inativar os constituintes da medicação.</p><p>Elevada quantidade de detritos poderá acumular-se ao longo do canal auditivo, de</p><p>modo a prejudicar significativamente a audição, exacerbar a inflamação, impedir a</p><p>visualização da membrana timpânica e, ainda, inativar a medicação tópica.</p><p>Uma vez que a maioria das infecções de ouvido por Malassezia envolve uma reação</p><p>de hipersensibilidade de base, esta deve ser identificada e tratada. Em cães jovens, a</p><p>otite por Malassezia pode ser resultado de alergia alimentar ou sequela de otocaríase.</p><p>Em animais de meia idade, deve-se considerar atopia ou endocrinopatias bem como</p><p>alergias alimentares. Com as dietas alimentares, terapias de hipossensibilização e uso</p><p>de corticosteroides, o sucesso da terapia em longo prazo da otite por Malassezia pode</p><p>ser esperado.</p><p>O tratamento tópico deve ser a opção para os pacientes que apresentem poucas lesões e</p><p>deve ser utilizado na profilaxia das recidivas. No tratamento tópico, podem-se empregar</p><p>agentes ceratolíticos na forma de loções, xampus ou sabonetes. Hipossulfito de sódio,</p><p>sulfeto de selênio e ácido salicílico são os mais utilizados.</p><p>Tratamento sistêmico é indicado nas formas clínicas extensas, nas infecções recorrentes</p><p>ou na falha da terapêutica tópica. O tratamento sistêmico é possível com drogas de</p><p>amplo espectro de ação, como derivados azólicos – cetoconazol, durante 10 dias ou</p><p>mais; derivados triazólicos – itraconazol, durante</p><p>5 dias; e fluconazol 400mg, dose</p><p>única.</p><p>A conduta terapêutica padrão para as infecções sistêmicas por Malassezia ainda</p><p>não está bem definida, uma vez que a fungemia causada por este micro-organismo é</p><p>relativamente incomum. Entretanto, alguns autores preconizam o uso de anfotericina</p><p>B, anfotericina B lipossomal ou fluconazol para a terapia dessas infecções.</p><p>O fator mais importante para o sucesso terapêutico da infecção sistêmica é a remoção</p><p>do cateter infectado e a interrupção da infusão de lipídeos, com a administração ou não</p><p>de antifúngico.</p><p>67</p><p>CAPÍTULO 2</p><p>Dermatofitoses</p><p>Introdução</p><p>Os fungos são ubíquos na natureza, podem subsistir no solo, na água e na vegetação,</p><p>além disso, possuem grande versatilidade em se adaptar e, consequentemente, alta</p><p>capacidade de contaminação/infecção. Mais de 300 espécies de fungos são relatadas</p><p>como patógenos de animais, causando micoses, hipersensibilidades, micotoxicoses e</p><p>micetismos.</p><p>Dermatofitose é a doença fúngica considerada mais comum na clínica veterinária de</p><p>pequenos animais. Apresenta uma predileção ecológica, no que diz respeito à adaptação</p><p>ao meio ambiente. Os dermatófitos podem ser divididos em três grandes grupos, no que</p><p>se refere ao habitat: antropofílicos, zoofílicos e geofílicos.</p><p>Espécies antropofíilicas infectam pessoas e, menos comumente, animais. Espécies</p><p>zoofílicas são geralmente patogênicas para animais, mas também são capazes de</p><p>infectar pessoas. Espécies geofílicas habitam no solo, fonte de infecção para animais</p><p>e pessoas. O conhecimento da origem do dermatófito pode permitir a instalação de</p><p>variadas medidas profiláticas, tais como tratamento de animais cujos donos podem</p><p>desenvolver doença de pele, identificação de solo contaminado etc..</p><p>Atualmente, três gêneros de dermatófitos são considerados importantes: Trichophyton,</p><p>Epidermophyton e Microsporum. As espécies Microsporum canis, Trichophyton</p><p>mentagrophytes, Trichophyton equinum, Trichophyton verrucosum spp. e</p><p>Microsporum gypseum são responsáveis pela maioria das dermatofitoses em animais.</p><p>Em pequenos animais, as espécies M. canis e M. gypseum representam a maioria das</p><p>ocorrências e são responsáveis pela maior parte das infecções dermatofíticas zoofílicas</p><p>em seres humanos.</p><p>Como os dermatófitos são um grupo peculiar de fungos descritos como agentes</p><p>etiológicos de lesões dermatológicas no homem e nos animais, a dermatofitose é</p><p>caracterizada como uma antropozoonose que possuem grande e fácil disseminação, daí</p><p>a sua importância em saúde pública.</p><p>Nas últimas décadas, houve aumento expressivo nos casos de infecções fúngicas.</p><p>A utilização crescente de terapias imunossupressivas e o surgimento de infecções</p><p>68</p><p>UNIDADE IV │ DOENÇAS FUNGICAS DO TECIDO TEGUMENTAR MAIS CONHECIDAS</p><p>retrovirais, tanto em humanos como em animais, foram decisivas para a atenção</p><p>emergencial às doenças oportunistas, em grande parte fúngicas. Provavelmente, devido</p><p>ao sistema imune não estar totalmente ativo, essas doenças acometem principalmente</p><p>animais com menos de um ano de idade. O crescimento de diagnósticos fúngicos pode,</p><p>ainda, ser explicado pelo contexto social, no qual animais de companhia são tratados</p><p>atualmente como membros da família e têm, tendo, portanto, maior assistência</p><p>veterinária, a qual que evoluiu junto com a medicina humana e dispõe de grande</p><p>capacidade diagnóstica, o que resulta em uma equação propícia à detecção de maiores</p><p>casuísticas.</p><p>De modo geral, a infecção ocorre tanto pelo contato direto entre animais quanto entre</p><p>animal e ser humano ou entre seres humanos. Cães – e especialmente gatos – exercem</p><p>importante papel como reservatório do fungo, podendo atuar como portadores</p><p>assintomáticos.</p><p>Por serem doenças de natureza infectocontagiosa, elas ocorrerão mediante contato</p><p>direto com pelos e caspas de animais infectados, fômites contaminados (caixas de</p><p>transporte, pentes, escovas, toalhas, tesouras, camas etc.), ambientes infectados, contato</p><p>entre animal e ser humano ou, até mesmo, entre seres humanos. Os pelos infectados</p><p>contêm artroconídeos que podem ter um tempo longo de vida após meses no ambiente.</p><p>Cães – e especialmente gatos – exercem importante papel como reservatório do fungo</p><p>e podem atuar como portadores assintomáticos.</p><p>Os esporos do M. canis se espalham facilmente no ambiente e podem permanecer</p><p>viáveis por até 24 meses, sendo este o principal agente da dermatofitose em cães e</p><p>gatos. A doença é comum na clínica de pequenos animais e é responsável, segundo</p><p>alguns autores, respectivamente, por 92,6% e 100% das infecções dermatofíticas de cães</p><p>e gatos. Além disso, estima-se que 15% das dermatofitoses humanas são causadas por</p><p>fungos zoofílicos, sendo o Microsporum canis o segundo (ou terceiro) agente etiológico</p><p>mais frequente em humanos.</p><p>Dermatofitoses são infecções fúngicas (micose superficial) de tecidos queratinizados,</p><p>incluindo unhas, garras, pelos e estrato córneo da pele. Isso porque eles são caracterizados</p><p>por apresentarem elevada afinidade por substratos queratinizados presentes na pele</p><p>e seus anexos. Mais raramente, são capazes de desencadear micoses subcutâneas</p><p>denominadas de pseudomicetomas dermatofíticos.</p><p>69</p><p>DOENÇAS FUNGICAS DO TECIDO TEGUMENTAR MAIS CONHECIDAS │ UNIDADE IV</p><p>Características fúngicas</p><p>Dermatófitos são eumicetos pertencentes à classe ascomicetos e com reprodução</p><p>assexuada quando em laboratório. Os esporos dos fungos são formados via segmentação</p><p>e fragmentação da hifa fúngica. Esporos infectantes são depositados na superfície</p><p>da pele ou pelame do hospedeiro após contato com outro animal infectado, ou com</p><p>ambiente contaminado, ou com fômites.</p><p>Uma vez localizados no pelame, os esporos devem atingir a pele e os folículos pilosos</p><p>anagênicos para, então, estabelecer a infecção. O pelo é invadido tanto nas infecções</p><p>ectotrix, como nas endotrix. O fungo ectotrix produz massas de artrosporos na</p><p>superfície das hastes do pelo, e o endotrix se multiplica no interior da medula dos</p><p>pelos.</p><p>Os esporos devem competir com a microbiota normal, com efeitos fungicidas</p><p>do material sebáceo da pele e na remoção da umidade do pelame. Eles também</p><p>podem se soltar ou ser removidos pela lambedura higiênica do pelame. Em</p><p>condições ótimas, os esporos infectantes germinam após seis horas da aderência</p><p>aos queratinócitos. Os artrósporos aderem fortemente na queratina e, na presença</p><p>de queratinócitos, produzem condições favoráveis para a germinação.</p><p>As hifas fúngicas invadem o óstio dos folículos pilosos, proliferam na superfície</p><p>dos pelos e migram para baixo – próximo ao bulbo do pelo –, tempo em que o fungo</p><p>produz suas próprias enzimas, as queratinazes, as quais permitem a penetração</p><p>da cutícula do pelo e crescem no interior da haste do pelo até a zona queratógena</p><p>ser atingida.</p><p>A resolução espontânea ocorre quando os pelos infectados entram na fase telogênica,</p><p>uma vez que, nessa etapa, cessa-se a produção de queratina, que é essencial para</p><p>a sobrevivência e multiplicação do fungo. Os esporos dos dermatófitos não podem</p><p>penetrar em pele saudável, algum tipo de micro trauma é necessário para facilitar a</p><p>infecção. Infecções experimentais têm sido estabelecidas com trauma equivalente</p><p>ao da lambedura higiênica. No entanto, a lambedura higiênica dos gatos constitui</p><p>também em um modo de defesa importante contra a infecção; de fato é difícil</p><p>provocar infecção experimental nos gatos que se lambem no local da inoculação.</p><p>Prevalência</p><p>Varia de acordo com clima, temperatura, umidade relativa do ar e precipitação</p><p>pluviométrica de chuva em diferentes regiões geográficas, bem como reservatórios</p><p>70</p><p>UNIDADE IV │ DOENÇAS FUNGICAS DO TECIDO TEGUMENTAR MAIS CONHECIDAS</p><p>naturais. A dermatofitose é mais comum em climas tropical, subtropical e temperado,</p><p>nos meses quentes.</p><p>A incidência real em pequenos animais costuma ser baixa. No entanto, a doença é</p><p>bastante diagnosticada nos consultórios veterinários e, geralmente, confundida com</p><p>doenças foliculares, como foliculite bacteriana por Staphylococcus intermedius, ou</p><p>parasitária, por demodicidose.</p><p>A prevalência da dematofitose em animais com lesões de pele, geralmente, é mais</p><p>elevada em gatos do que em cães, e o Microsporum canis é responsável por mais de</p><p>85% das lesões dermatofíticas dos felinos e 75% dos caninos, segundo Cafarchia et</p><p>al. (2006). Humanos podem ser infectados e Microsporum canis é o dermatófito de</p><p>caráter zoonótico mais frequente em áreas urbanas. Cerca de 11% de todos os casos</p><p>de dermatofitose em humanos são causados por Microsporum canis, de forma que</p><p>a maioria é adquirida com o contato direto ou indireto dos gatos.</p><p>Os animais na faixa etária de até doze meses parecem ter maior predisposição quanto</p><p>à infecção por dermatófitos. Alguns autores evidenciaram maior acometimento de</p><p>machos da espécie felina. Já outros afirmam inexistir predisposição sexual. Com</p><p>relação à raça, ressalta-se a maior susceptibilidade dos felinos Persas.</p><p>Quanto aos cães, há predisposição relacionada àqueles de raça definida,</p><p>principalmente a Yorkshire.</p><p>A sazonalidade não exerce influência na incidência da infecção dermatofítica.</p><p>Transmissão e epidemiologia</p><p>A transmissão de Microsporum canis ocorre via artrósporos infectados presentes no</p><p>pelame de cães e gatos ou no meio ambiente. Esses esporos se espalham facilmente</p><p>no ambiente e podem permanecer viáveis por até 24 meses.</p><p>Dermatofitose é a zoonose, apesar da prevalência baixa, provavelmente mais</p><p>comum de pequenos animais. Mais de 20 espécies diferentes de dermatófitos têm</p><p>sido isolados em cães e gatos, mas alguns estudos mostram que os dermatófitos</p><p>patogênicos não são isolados da microbiota normal do pelame dos animais.</p><p>Os artrosporos aderem-se fortemente na queratina, e, na presença de queratinócitos,</p><p>produzem condições favoráveis para germinação. As hifas fúngicas invadem o óstio</p><p>dos folículos pilosos, proliferam na superfície dos pelos e migram em direção ao</p><p>bulbo do pelo; tempo em que o fungo produz suas próprias enzimas, as ceratinazes,</p><p>71</p><p>DOENÇAS FUNGICAS DO TECIDO TEGUMENTAR MAIS CONHECIDAS │ UNIDADE IV</p><p>que permitem a penetração da cutícula do pelo e crescem dentro da haste do pelo</p><p>até a zona ceratógena ser atingida. A resolução espontânea ocorre quando os pelos</p><p>infectados entram na fase telogênica, visto que os pelos em fase telogênica cessam a</p><p>produção de ceratina, que é essencial para a sobrevivência e multiplicação do fungo.</p><p>A infecção ocorre por meio da transmissão direta dos esporos infectantes para um</p><p>hospedeiro susceptível. Os reservatórios da infecção tanto para os seres humanos</p><p>como para os animais incluem o ambiente, objeto, animais com infecções subclínicas</p><p>ou clínicas e os animais que são carreadores mecânicos de esporos, que levam o</p><p>micro-organismo em seu pelame.</p><p>Este meio de condução do agente infecioso é eficaz e altamente contagioso, facilitando</p><p>a transmissao ao homem. O gato assintomático é reconhecido como carreador dos</p><p>esporos fúngicos e como maior fonte de infecção para outros animais e para os</p><p>proprietários, pois 50% de humanos expostos a animais infectados sintomáticos e</p><p>assintomáticos, especialmente gatos, podem tornar-se infectados.</p><p>Fatores que favorecem a infecção incluem qualquer doença pré-existente que promova</p><p>aumento da umidade da superfície epidérmica. Em seguida, um microtrauma na</p><p>pele rompe sua imunidade as espécies fúngicas utilizam a queratina do pelo e da</p><p>pele e estabelecem a infecção.</p><p>A mera exposição a esporos de dermatófitos não garante que aconteça a infecção.</p><p>A ocorrência desta depende de que uma quantidade ‘crítica de massa’ de esporos</p><p>entre em contato com hospedeiro susceptível e escape dos mecanismos de defesa,</p><p>os quais incluem remoção mecânica, competição com a microbiota bacteriana e</p><p>fúngica natural, exposição aos lipídeos da epiderme superficial que têm propriedades</p><p>fungistáticas e, ainda, a imunidade adquirida pelo hospedeiro.</p><p>A recuperação da infecção é dependente de uma resposta imune competente</p><p>mediada por células.</p><p>Características clínicas e diagnóstico</p><p>O aspecto clínico das dermatofitoses é muito variável e é resultante da combinação</p><p>de destruição de queratina e da resposta inflamatória do hospedeiro.</p><p>Na maioria das vezes, a infecção se restringe às camadas mais superficiais da pele</p><p>(Figura 19). As diferenças de sinais clínicos se devem a fatores como espécie fúngica</p><p>e imunidade do hospedeiro. A lesão clássica inicialmente é descrita como pequenas</p><p>crostas na base de tufos de pelos, que posteriormente caem formando uma área</p><p>72</p><p>UNIDADE IV │ DOENÇAS FUNGICAS DO TECIDO TEGUMENTAR MAIS CONHECIDAS</p><p>alopécica focal ou disseminada, descamativa, com ligeiro eritema e de evolução</p><p>centrífuga lenta, com diâmetro variando de 1 a 8cm, e que pode apresentar prurido.</p><p>No entanto, vários graus de inflamação podem ocorrer e modificar esse típico aspecto.</p><p>Figura 19. Lesão superficial por dermatofitose em cão.</p><p>Fonte: arquivo pessoal</p><p>A dermatofitose não deve ser considerada uma dermatose localizada porque, embora as</p><p>lesões possam ser focais ou multifocais, os esporos estão presentes em toda a parte dos</p><p>pelos do corpo do animal, tanto pela lambedura higiênica no gato, como pelo contato</p><p>normal dos animais com os esporos já disseminados no ambiente.</p><p>De forma geral, as lesões se localizam principalmente na face, ao redor dos olhos,</p><p>lábios, orelhas, pescoço, extremidades e plano nasal, porém sem alterações sobre o</p><p>nariz. O quadro clínico mais comum é o da alopecia. Esta, geralmente, localizada e em</p><p>forma anular; com descamação furfurácea e/ou farinácea, crostas melicéricas, pápulas</p><p>e pústulas foliculares.</p><p>Nos cães, as lesões (Figura 20) podem consistir em qualquer combinação de pápulas,</p><p>pústulas, com ampla difusão de áreas focais de alopecia, graus variados de discromia,</p><p>descamação e crostas.</p><p>73</p><p>DOENÇAS FUNGICAS DO TECIDO TEGUMENTAR MAIS CONHECIDAS │ UNIDADE IV</p><p>Figura 20. Lesão por dermatofitose em cão.</p><p>Fonte: Acervo particular da Médica Veterinária Priscila Pereira.</p><p>Já nos felinos, as lesões dermatofíticas são mais pleomórficas e podem ocorrer</p><p>dermatite miliar – na região dorsal, na cabeça e no pescoço –, frequentemente</p><p>observada em gatos com dermatite alérgica à saliva de ectoparasitas (Dase) ou</p><p>atopia. Os gatos podem, ainda, apresentar eritrodermia, crostas nas regiões muco</p><p>cutâneas (lábios, orelhas e focinhos), seborreia localizada na cauda, acne na região</p><p>mentoniana e complexo granuloma eosinofílico</p><p>Os animais podem apresentar, também, prurido de grau variável, queda de pelos,</p><p>eritema, alopecia simétrica ou assimétrica, distúrbio de queratinização, seborreia,</p><p>hiperpigmentação e comedos. Em filhotes, a apresentação clínica mais comum é a</p><p>descamação e a alopecia na face, no focinho, nas orelhas e na extremidade distal dos</p><p>membros.</p><p>Lesões extensivas são associadas com dermatofitose crônica em animal debilitado,</p><p>ou sofrendo uso inadequado de medicações. A dermatofitose é uma das poucas</p><p>doenças em gatos em que se pode observar a hiperpigmentação.</p><p>O pseudomicetoma, também chamado de granuloma dermatofítico, é uma forma</p><p>atípica de dermatofitose de ocorrência rara e característica de gatos, principalmente</p><p>da raça persa. Apresenta-se como nódulos firmes, irregulares e/ou ulcerados</p><p>formando tratos drenantes de difícil tratamento bem como prognóstico desfavorável,</p><p>74</p><p>UNIDADE IV │ DOENÇAS FUNGICAS DO TECIDO TEGUMENTAR MAIS CONHECIDAS</p><p>uma vez que, mesmo após a remoção cirúrgica, há recidivas frequentes e pouca resposta</p><p>aos antifúngicos.</p><p>A dermatofitose em lesões nodulares, tumefatas, vésico-bolhosas (quérion) é outra</p><p>forma não convencional de dermatofitose, quase exclusivamente de ocorrência em</p><p>cães. Caracteriza-se como nódulo edematoso, circunscrito e alopécico, podendo ser</p><p>exsudativo, doloroso e pruriginoso. A maioria dos casos tem localização na cabeça,</p><p>na face e no pescoço, assim como nos membros distais, tendo nódulos solitários ou</p><p>múltiplos. Pode mimetizar áreas de piodermite profunda ou furunculose, ou mesmo</p><p>doenças autoimunes. Ao contrário do quadro geral</p><p>das dermatofitoses, o quérion é</p><p>mais frequente em cães adultos.</p><p>Onicomicose e perionicomicose são incomuns em gatos e mais presentes em</p><p>cães. Podem apresentar regiões de alopecia nas bordas das unhas e manchas</p><p>esbranquiçadas, quebradiças e com deformações, sendo difíceis de detectar e de</p><p>tratar.</p><p>Em pessoas, costuma-se denominar a dermatofitose conforme a localização das</p><p>lesões que segue: infecções da pele glabra (Tinea corporis, Tinea cruris, Tinea</p><p>faciei), pele altamente queratinizada (palma das mãos, sola dos pés), pele rica em</p><p>folículos pilosos (Tinea capitis, Tinea barbae) e infecções das unhas.</p><p>O diagnóstico da dermatofitose pode ocorrer de forma desmedida devido a fatores</p><p>como falta de veterinários especializados para realizarem consulta dermatológica,</p><p>pouco conhecimento sobre a dermatopatia e escassez de laboratórios que ofereçam</p><p>resultados confiáveis para a detecção e o isolamento fúngico.</p><p>Ao avaliar apenas as características clínicas, incorre-se no diagnóstico excessivo</p><p>e errôneo dessa micose. A dermatofitose tem apresentação clínica variável e, ao</p><p>mesmo tempo, similar a outras doenças de pele, como foliculite bacteriana e sarna</p><p>demodécica etc.</p><p>Dessa forma, preconiza-se que o diagnóstico seja baseado no histórico, no exame</p><p>clínico, no exame microscópico de pelos e escamas e, principalmente, na cultura</p><p>fúngica (único teste capaz de identificar a espécie fúngica) para detectar portadores</p><p>e avaliar a eficácia do tratamento. A realização de exames complementares é</p><p>necessária para confirmar o diagnóstico e instituir a terapia adequada para o</p><p>indivíduo enfermo, diminuindo gastos desnecessários com tratamentos errôneos,</p><p>sofrimento do animal, transmissibilidade e contaminação ambiental.</p><p>75</p><p>DOENÇAS FUNGICAS DO TECIDO TEGUMENTAR MAIS CONHECIDAS │ UNIDADE IV</p><p>Nos casos em que se julgar necessário, a histopatologia pode ser utilizada. Os</p><p>exames com a Lâmpada de Wood e o exame direto nos pelos constituem avaliações</p><p>complementares importantes na triagem dos animais afetados pela doençae</p><p>deevem ser feitos cuidadosa e rotineiramente para que haja aperfeiçoamento do</p><p>clínico na interpretação de resultados, uma vez que há muitas variáveis envolvidas</p><p>na interpretação destes.</p><p>A Lâmpada de Wood é dotada de luz ultravioleta – com filtro de cobalto ou níquel</p><p>– e tem um comprimento de onda de 3650Å. O filtro é opaco para todas as luzes,</p><p>exceto para uma faixa de 320 e 400nm, em que ocorre a fluorescência. Ela é usada</p><p>para observar a presença de triptofano, que são metabólitos dos fungos presente</p><p>nas lesões, que fluorescem em uma cor verde maçã quando expostas nesta luz dita</p><p>negra (Figura 21).</p><p>Figura 21. Detecção de fungo utilizando a Lâmpada de Wood.</p><p>Fonte: Lisacat (2008).</p><p>Deve ser usada apenas como um teste de triagem, por gerar falsos negativos, uma vez</p><p>que o único dermatófito que produz triptofano é M. canis, dos quais apenas cerca de 50%</p><p>apresentam fluorescência. Assim, o teste apresenta baixo índice de positividade. A</p><p>fluorescência apenas indica a presença de metabólitos ou de substâncias alteradas</p><p>no pelo, sem provar a presença dos artrósporos.</p><p>A ocorrência de falsos positivos também é possível quando a fluorescência encontra</p><p>resquícios de substâncias como álcool, éter e xampus que contenham derivados</p><p>de iodo e mercúrio, entre outros. A administração de alguns antibióticos (como a</p><p>doxiciclina, oxitetraciclina, tetraciclina) também pode levar a falsos positivos, e,</p><p>76</p><p>UNIDADE IV │ DOENÇAS FUNGICAS DO TECIDO TEGUMENTAR MAIS CONHECIDAS</p><p>no exame direto de pelos e escamas, muitos artefatos podem mimetizar os esporos</p><p>fúngicos.</p><p>Deve-se tomar o cuidado de realizar o exame em sala escura e aguardar alguns minutos</p><p>para aquecer a lâmpada, diminuindo, assim, possíveis erros na leitura e interpretação.</p><p>A lâmpada negra à pilha deve ser evitada, pois seu potencial elétrico é muitas vezes</p><p>insuficiente para alcançar o comprimento de onda necessário para promover a</p><p>fluorescência.</p><p>Para outros exames, deve-se ter cuidado com a colheita de amostras. O diagnóstico</p><p>de dermatofitose exige amostras colhidas de maneira adequada e em quantidade</p><p>suficiente, retiradas a partir da borda da zona infectada – o que corresponde à zona</p><p>ativa da lesão. Além disso, é necessário lembrar que as amostras devem ser colhidas</p><p>pelo próprio profissional ou por pessoal experiente. Para melhorar a eficiência</p><p>do exame micológico, amostras devem ser obtidas antes de qualquer tratamento</p><p>antifúngico, local ou sistêmico. Ressalte-se que a qualidade das amostras clínicas é</p><p>essencial para um diagnóstico acurado.</p><p>O exame citológico dos pelos corados até poderia identificar precocemente os</p><p>animais infectados por dermatofitose, entretanto há escassez de informações sobre</p><p>a padronização de técnica de citologia para essa doença, bem como inexistem</p><p>informações sobre a correlação entre os exames clássicos e a citologia dos pelos</p><p>infectados corados. É preciso realizar coleta adequada, devendo-se desinfetar a</p><p>região com álcool 70 GL. Os pelos devem ser coletados das bordas da lesão, onde se</p><p>encontra a infecção ativa por dermatófitos e as técnicas de coleta, como do “carpete”</p><p>ou da “escova de dentes” estéreis podem ser utilizadas.</p><p>Caso não haja prazo para envio ao laboratório, o material obtido deve ser conservado</p><p>em temperatura ambiente, desde que as amostras sejam separadas e acondicionadas</p><p>adequadamente. A identificação de dermatófitos deve ser feita por micologistas</p><p>experientes, tomando sempre muito cuidado ao realizar o exame direto, pois muitos</p><p>artefatos podem induzir a um resultado falso positivo. O treinamento com pelos</p><p>com artrósporos deve ser realizado até que o clínico domine a técnica.</p><p>Inicialmente, sempre deve ser realizado o exame direto da amostra clínica, na qual</p><p>se busca pela presença ou ausência de formas fúngicas e, para isso, utiliza-se o</p><p>hidróxido de potássio (KOH) a 10 ou 30% como clarificante da amostra. O óleo</p><p>mineral pode ser utilizado na maioria dos casos, e nessa técnica a experiência é</p><p>fundamental. O uso do KOH tem por função clarear os pelos para melhor visualizar</p><p>os esporos. Nesta técnica, recomenda-se aquecer o material suavemente por 15 a</p><p>20 segundos já com algumas gotas do KOH ou esperar de 20 a 30 minutos para,</p><p>77</p><p>DOENÇAS FUNGICAS DO TECIDO TEGUMENTAR MAIS CONHECIDAS │ UNIDADE IV</p><p>então, examinar o material ao microscópio de luz. A amostra é posta entre lâmina e</p><p>lamínula e observada em microscopia óptica, objetivas de 10X ou de 40X.</p><p>O corante azul algodão e a tinta da China evidenciam os esporos fúngicos,</p><p>destacando-os do restante do material examinado. O exame direto dos pelos é</p><p>essencial, visto que ele permite iniciar o tratamento, enquanto se espera o resultado</p><p>da cultura. Embora resultados falsos negativos tenham sido relatados numa faixa de</p><p>5 a 15% dos casos, na prática rotineira, a depender, essencialmente, da habilidade</p><p>do observador e da qualidade das amostras, essa é uma técnica seletiva altamente</p><p>eficiente.</p><p>Em amostras de pele e unhas, a presença de hifas artroconidiadas firma o diagnóstico.</p><p>Em amostras de pelo, o tamanho do artroconído e sua posição fora ou dentro do</p><p>pelo são utilizados para identificação da espécie, caracterizando em parasitismo</p><p>endotrix (dentro) ou ectotrix (fora).</p><p>A cultura fúngica é reconhecida como o método mais confiável e definitivo para</p><p>confirmar o diagnóstico da dermatofitose, pois permite a identificação do gênero e</p><p>da espécie do dermatófito. O isolamento destes é feito mediante meios de cultura</p><p>ricos em peptona e glicose, por isso, comumente, utiliza-se ágar Sabouraud dextrose</p><p>com cloranfenicol bem como ágar Sabouraud com cloranfenicol e ciclohexemida.</p><p>O antibiótico é seletivo para suprimir o crescimento da maior parte de fungos e</p><p>bactérias contaminantes.</p><p>Quando uma espécie de dermatófito é cultivado no ágar seletivo para dermatófitos,</p><p>a espécie utiliza primeiramente os componentes proteicos que irão alcalinizar o pH.</p><p>A cor muda do amarelo para o vermelho quando o meio é alcalinizado</p><p>à morte. Parasitos como Toxoplasma e Babesia, fungos como</p><p>Aspergillus e Cryptococcus são velhos conhecidos da medicina veterinária. Dentro</p><p>desta disciplina, estudaremos eles e as doenças provocadas por fungos e protozoários</p><p>que acometem os pequenos animais domésticos.</p><p>Os assuntos abordados estão apresentados segundo uma sequência pedagógica</p><p>que envolve uma pequena introdução, uma breve contextualização sobre eles</p><p>e o objetivo principal dentro desta apostila, abordando sobre as patogenias</p><p>provocadas nos pequenos animais, todos dentro dos temas propostos. Também</p><p>serão abordados aspectos clínicos, diagnósticos e tratamentos das principais</p><p>doenças na rotina clínica, bem como uma breve chamada para outras doenças</p><p>negligenciadas rotineiramente. Os textos abordam breves explicações quanto à</p><p>fisiopatologia de cada doença. Para melhor entendimento e compreensão, serão</p><p>apresentados esquemas, quadros e figuras, que servem para melhor entendimento</p><p>e visualização do contexto abordado.</p><p>Objetivos</p><p>» Ser o conteúdo programático da apostila como texto base para os estudos</p><p>na disciplina exigida pelo curso, com abordagem das doenças causadas</p><p>por agentes parasitários e fúngicos quanto a sua clínica, com foco em</p><p>fisiologia, sinais, diagnóstico e tratamento.</p><p>» Compreender a interação destes com os hospedeiros, focando as</p><p>principais complicações na rotina clínica dos animais domésticos (cães e</p><p>gatos) e salientando as doenças negligenciadas no cotidiano</p><p>» Aumentar o conhecimento do aluno e seu leque de possibilidades para</p><p>diagnóstico diferencial.</p><p>» Compreender a importância do profissional médico veterinário na</p><p>atuação clínica perante os problemas que os animais enfrentam quanto a</p><p>contaminação por fungos e parasitos.</p><p>9</p><p>UNIDADE I</p><p>INTRODUÇÃO</p><p>AOS FUNGOS E</p><p>PROTOZOÁRIOS</p><p>CAPÍTULO 1</p><p>Introdução aos fungos</p><p>O fungo vem tomando seu lugar cada vez mais frequentemente nos quadros</p><p>de patologia em nossos pacientes. Infecções secundárias dentro de clínicas</p><p>veterinárias em animais internados, infecções de pacientes que são utilizados</p><p>para algum tipo de esporte, como a caça, e até mesmo na rotina clínica de animais</p><p>de companhia modernos, os animais de cidade, por assim dizer, vêm ocupando</p><p>espaço importante das afecções que acometem os animais.</p><p>Existem mais de 250 mil espécies de fungos registradas, mas menos de 150 são</p><p>consideradas patogênicas para animais e humanos. Por causa disso, o estudo desta</p><p>espécie, chamada de micologia, examina suas estruturas e as identifica, além de</p><p>avaliar as características patogênicas destes agentes e como detê-los diante das</p><p>inúmeras formas infectantes que possuem.</p><p>São pertencentes ao grupo dos eucariontes, heterotróficos não fotossintéticos que</p><p>produzem exoenzimas e obtêm nutrientes por absorção. Possuem dois tipos de</p><p>estrutura básica: os fungos filamentosos e carnosos, representados por um corpo</p><p>filamentoso constituído por células interligadas e enfileiradas – no microscópio</p><p>observamos as famosas hifas, que podem ser septadas ou parecerem uma única</p><p>célula com vários núcleos, e as pseudohifas, que são produzidas por alguns fungos</p><p>decorrentes de sua multiplicação por brotamento –; a outra, também conhecida, é</p><p>a forma leveduriforme (leveduras), que, por sua vez, são organismos unicelulares</p><p>com forma esférica ou oval. Existem ainda os fungos dimórficos – como o próprio</p><p>nome diz, possuem duas formas, de acordo com sua vida de reprodução e meio</p><p>de crescimento – e os fungos polimórficos, que apresentam-se das duas formas,</p><p>sendo essa característica necessária principalmente para provocarem as infecções.</p><p>Elucidando o que foi dito, na figura seguinte, são mostrados os fungos como são</p><p>observados no microscópio (Figura 1).</p><p>10</p><p>UNIDADE I │ INTRODUÇÃO AOS FUNGOS E PROTOZOÁRIOS</p><p>Figura 1. Formas dos fungos mais encontrados no diagnóstico clínico.</p><p>Pseudo-hifas Hifa verdadeira Levedura</p><p>Fonte: Câmara (2016).</p><p>Espécies patogênicas geralmente são dimórficas, no entanto há espécies com</p><p>representação de outras formas que podem ocasionar patogenicidade.</p><p>Quanto às formas de ciclo de vida, podem ser classificadas em: saprofíticas, parasitas</p><p>ou mutualistas. Esta última não é considerada patogênica. Fungos saprófitos são</p><p>organismos que se alimentam de matéria orgânica originária de processos de</p><p>decomposição. Eles são heterotróficos, pois obtêm energia a partir de matéria orgânica</p><p>de outros seres vivos. Já os fungos parasitários são aqueles que infectam e desenvolve-</p><p>se apenas em organismos vivos, incluindo os animais, fazendo seu ciclo principalmente</p><p>nos organismos vertebrados.</p><p>Como sabemos, os fungos podem provocar doenças. Isso se deve a cada mecanismo que</p><p>desenvolveram para infectar e, dessa forma, nutrir-se de componentes dos sistemas</p><p>do organismo de vertebrados, invertebrados e plantas. Damos o nome a essas doenças</p><p>de micoses, que são resultado de uma invasão dos fungos em tecidos e podem ser</p><p>classificadas em invasão de pele dermatofitoses e dermatomicoses.</p><p>Dermatofitoses são doenças fúngicas consideradas com grande potencial de infecção,</p><p>até mesmo zoonótica,e sua infecção atinge as estruturas queratinizadas, destruindo-</p><p>as. Já as dermatomicoses são infecções oportunistas que invadem pele ou junções</p><p>subcutâneas. Pode ocorrer infecção do subcutâneo e da derme, geralmente através</p><p>de material de continuidade. Há também as lesões granulomatosas, com aspecto de</p><p>tumores, que são denominadas micetomas (quando o fungo em específico é o micetoma)</p><p>11</p><p>INTRODUÇÃO AOS FUNGOS E PROTOZOÁRIOS │ UNIDADE I</p><p>e pseudomicetomas (quando o agente é um dermatófito). Já as formas mais graves,</p><p>consideradas circulantes, são denominadas micoses sistêmicas, originadas através de</p><p>infecções respiratórias ou digestivas.</p><p>Além das infecções diretas causadas pelos fungos, há ainda as patologias ocasionadas</p><p>pelas micotoxinas, que podem ser ingeridas por si só ou produzidas dentro do organismo.</p><p>Muito raro de acontecer, são reações de hipersensibilidade decorrentes do processo de</p><p>desenvolvimento do agente sobre o tecido infectante.</p><p>De forma geral, as infecções fúngicas são oportunistas, menos frequentemente são</p><p>associadas a feridas de continuidade ou a ingestão. Existem inúmeros fatores que</p><p>contribuem para essas infecções, como, por exemplo, as imunossupressões, tanto</p><p>patogênicas como medicamentosas; terapias por antibióticos com tempo prolongado;</p><p>defeitos imunológicos congênitos ou adquiridos; imaturidade ou envelhecimento;</p><p>destruição da homeostase fisiológica; exposição a uma carga contaminante exacerbada</p><p>dos esporos fúngicos; traumatismo em tecidos; umidade persistente na pele; e algumas</p><p>doenças neoplásicas.</p><p>Para confirmação das doenças, há inúmeras formas de diagnóstico, que podem</p><p>ser históricos e clínicos, sendo este um diagnóstico presuntivo. Para diagnósticos</p><p>laboratoriais, utiliza-se espécimes de pelos e raspas cutâneas, biópsias ou espécimes</p><p>post mortem de micoses subcutâneas e sistêmicas, sendo estes materiais levados</p><p>para exames microscópicos ou isolados para cultura; e outros realizados por análise</p><p>histopatológica.</p><p>Como tratamento, são utilizados medicamentos que atuem principalmente na</p><p>composição de ergosterol presente na camada da membrana celular, que, por sua vez,</p><p>se difere das dos animais, compostas por colesterol. Temos, portanto, os medicamentos</p><p>antifúngicos poliênicos, como a nistatina e a anfotericina B; e os medicamentos</p><p>azoles antifúngicos (cetoconazol). Respectivamente, um destrói o agente diretamente</p><p>e o outro atua na biossíntese de ergosterol. No tratamento de dermatófitos, é usada</p><p>a griseofulvina, que se acumula no tecido queratinizado e é absorvida pelo invasor,</p><p>atuando na ruptura dos fusos mitóticos e inibindo o crescimento.</p><p>12</p><p>CAPÍTULO 2</p><p>Introdução aos protozoários</p><p>Os protozoários são habitantes das águas e do solo, definidos como organismos</p><p>eucarióticos quimio-heterotróficos, unicelulares. Há mais de 20 mil espécies de</p><p>protozoários e, deste montante, somente alguns podem provocar</p><p>(a partir de</p><p>pH 6,6), em média, de 3 a 5 dias, a uma temperatura de 24 a 27°C, e de 6 a 10 dias,</p><p>a uma temperatura de 18 a 21°C, ocorrendo simultaneamente com o aparecimento</p><p>de crescimento de colônia. Fungos saprobióticos preferem usar carboidratos e não</p><p>produzem pH alcalino antes do crescimento da colônia estar bem estabelecido.</p><p>O crescimento de isolados de dermatófitos leva em torno de 7 a 14 dias, à temperatura</p><p>de 25 a 28°C. A análise das características macromorfológicas é feita com base em</p><p>relevo, textura, presença ou ausência de pigmento. A análise micromorfológica é</p><p>feita a partir do exame de alíquota da colônia retirada do ágar e montada entre</p><p>lâmina e lamínula com corante lactofenol azul algodão. Utiliza-se microscopia</p><p>ótica em objetiva de 40X. Visualizam-se estruturas de reprodução, macroconídios</p><p>e microconídios, e também estruturas de ornamentação – representadas por</p><p>estruturas de hifas, basicamente.</p><p>78</p><p>UNIDADE IV │ DOENÇAS FUNGICAS DO TECIDO TEGUMENTAR MAIS CONHECIDAS</p><p>Também podem ser utilizadas técnicas moleculares na identificação dos dermatófitos,</p><p>porém, comparadas a outros fungos, ainda são pouco utilizadas para diagnóstico,</p><p>sendo mais empregadas em pesquisas envolvendo manipulação genética, incluindo</p><p>sistemas de inativação e silenciamento de genes. A reação em cadeia de polimerase</p><p>(PCR) foi altamente eficiente e vantajosa quando comparada às técnicas de microscopia</p><p>direta e cultura fúngica, entretanto, considera-se que o uso de técnicas moleculares</p><p>ainda se restringe, grandemente, ao propósito da pesquisa acadêmica, constituindo</p><p>fatores impeditivos a disponibilidade e o custo do exame para seu amplo uso na prática</p><p>clínica.</p><p>Tratamento</p><p>É recomendado realizar o tratamento – que varia a depender do gênero e da espécie do</p><p>fungo isolado – o mais rápido possível para cessar a infecção, limitar a disseminação</p><p>para demais animais e pessoas suscetíveis, bem como minimizar a contaminação do</p><p>meio ambiente.</p><p>Aconselham-se tratamentos tópicos como adjuvantes à terapia sistêmica, mas seu</p><p>uso isolado deve ser evitado. Contudo, em fêmeas prenhes, as quais os antifúngicos</p><p>sistêmicos são normalmente contraindicados pela teratogenicidade, o tratamento</p><p>tópico deve ser a opção escolhida.</p><p>A tosa pode ser realizada em animais de pelo longo com dermatofitose com</p><p>infecções generalizadas, mas nenhum estudo controlado provou que cortar os pelos</p><p>diminui o tempo de tratamento dos animais infectados. Os pelos cortados devem</p><p>ser incinerados.</p><p>Para tratamento tópico, geralmente são utilizados xampus a base de miconazol e de</p><p>clorexidine. O enilconazol e “Lime Sulfur” ainda não são comercializados no Brasil.</p><p>Estudos sugerem a melhor eficácia da atividade esporocida quando feita a associação</p><p>de miconazol 2% e clorexidine 2%.</p><p>As principais drogas antifúngicas de ação sistêmica – utilizadas em dermatofitose de</p><p>pequenos animais – são a griseofulvina, o itraconazol, o cetoconazol e a terbinafina.</p><p>A griseofulvina é um agente antifúngico que inibe a síntese de ácidos nucleicos e</p><p>a metáfase da mitose celular, interferindo na função do eixo dos microtúbulos. A</p><p>dose preconizada é de 50 mg/kg de peso ao dia, por 40 a 70 dias, e propicia 100% de</p><p>cura dos animais tratados. Há também a griseofulvina ultramicronizada, que pode</p><p>ser administrada em menor dosagem – de 5 a 30 mg/kg ao dia. É recomendada a</p><p>79</p><p>DOENÇAS FUNGICAS DO TECIDO TEGUMENTAR MAIS CONHECIDAS │ UNIDADE IV</p><p>administração de griseofulvina junto com refeição que contenha gordura para melhor</p><p>absorção da droga, cujos efeitos colaterais sobre os sistemas digestório, hepático,</p><p>neurológico, sanguíneo (neutropenia) e sobre a pele são conhecidos. Além disso,</p><p>essa medicação deve ser evitada em gestação, em razão da alta teratogenicidade.</p><p>Itraconazol é um derivado triazólico que age alterando a permeabilidade da</p><p>membrana celular fúngica por meio da inibição da síntese do ergosterol. Em baixa</p><p>dose, é fungiostático e, em alta, fungicida. A dose recomendada é de 10 mg/kg por</p><p>56 dias. Pode ser empregada em pulsoterapia com eficiência semelhante, em que</p><p>os animais são tratados por 28 dias consecutivos, e após uma semana de descanso,</p><p>retoma-se a terapia na semana seguinte, até 56 dias de tratamento. Efeitos colaterais</p><p>como náusea, anorexia e hepatotoxidade foram observados em gatos nas dosagens</p><p>de 50 a 100 mg/kg por dia, mas que desapareceram após a interrupção da medicação.</p><p>Cetoconazol na dose de 10 mg/kg de peso ao dia tem eficiência em 66 a 97% dos</p><p>casos tratados. Essa droga é também teratogênica, e em felinos foram relatados</p><p>vários efeitos colaterais, tais como: anorexia, febre, depressão, êmese, diarreia,</p><p>elevação das enzimas hepáticas, icterícia e sinais neurológicos.</p><p>Terbinafina é um antifúngico – derivado da alilamina – que suprime a biossíntese</p><p>de ergosterol por meio da inibição da enzima fúngica esqualeno-epoxidase. A droga</p><p>é considerada fungicida para M. canis. Duas dosagens de terbinafina são sugeridas:</p><p>8,5 mg/kg ao dia, por 21 dias; e 30 mg/kg ao dia, por 14 dias. Ambas resultaram em</p><p>culturas negativas após 60 dias do início do tratamento. A droga é bem tolerada,</p><p>observando-se apenas vômito como efeito colateral. A terbinafina liga-se às</p><p>proteínas plasmáticas queratinofílico e lipofílico, e persiste no estrato córneo, até</p><p>três semanas após o tratamento. Estudos que testaram a concentração residual de</p><p>terbinafina nos pelos de gatos concluíram que, nos animais tratados por 14 dias na</p><p>dose de 34-45,7 mg/kg, houve concentração da droga nos pelos até 8 semanas após</p><p>a interrupção da medicação.</p><p>Juntamente com o tratamento, a descontaminação ambiental é fundamental,</p><p>uma vez que os esporos do M. canis se espalham facilmente no ambiente e podem</p><p>permanecer viáveis por até 24 meses. A contaminação pode estar em qualquer</p><p>superfície (móveis, plantas, vestuário etc.). Além disso, estudos mostram que, em</p><p>uma casa habitada por um gato com dermatofitose, podem ter até 1000 esporos M.</p><p>canis por 1 m³ de ar.</p><p>80</p><p>UNIDADE IV │ DOENÇAS FUNGICAS DO TECIDO TEGUMENTAR MAIS CONHECIDAS</p><p>Os proprietários devem, então, ser orientados a higienizar a residência, duas vezes</p><p>por semana, utilizando a técnica de limpeza tripla:</p><p>» Limpeza mecânica para remover esporos e pelos com aspirador de pó.</p><p>» Lavar e enxaguar três vezes com detergente.</p><p>» Desinfetar, com alvejante doméstico (diluição 1:10) a base de hipoclorito</p><p>de sódio, as áreas nas quais o animal tem acesso.</p><p>Não levar – nem aceitar – animais sabidamente infectados em locais onde há alta</p><p>rotatividade diária de animais, que é o caso, por exemplo, de estabelecimentos de</p><p>banho e tosa.</p><p>Clorexidine e iodo povidine têm se mostrado consistentemente ineficientes quando</p><p>usados sozinhos na desinfecção de ambiente. Hipoclorito de sódio, na diluição 1:10,</p><p>tem resultados efetivos nos testes in vitro, porém o seu uso é recomendado apaneas</p><p>como desinfetante, e não para tratamento de animais.</p><p>81</p><p>UNIDADE V</p><p>MICOTOXINAS,</p><p>ZIGOMICETA E</p><p>CANDIDÍASE</p><p>CAPÍTULO 1</p><p>Micotoxinas</p><p>Introdução</p><p>Micotoxinas são substâncias sintetizadas durante a multiplicação dos fungos, que</p><p>dependem de condições adequadas de temperatura e umidade. Fungos de um</p><p>mesmo gênero podem produzir mais de um tipo de micotoxina de acordo com o</p><p>tipo de substrato disponível. Climas tropicais e subtropicais, como há no Brasil,</p><p>favorecem o desenvolvimento de fungos produtores de micotoxinas, de modo que</p><p>existem inúmeros alimentos passíveis de contaminação – principalmente grãos</p><p>– amplamente utilizados na fabricação de rações para diversas espécies animais,</p><p>incluindo cães e gatos.</p><p>Existem mais de 500 tipos de micotoxinas conhecidas na atualidade, dentre as quais</p><p>se destacam as aflatoxinas, ocratoxinas e fusariotoxinas, por apresentarem grande</p><p>potencial de toxicidade. Os principais fungos produtores dessas micotoxinas são do</p><p>gênero Aspergillus, como A. flavus e A. parasiticus, para as aflatoxinas; do gênero</p><p>Penicillium e Aspergillus aluteceus como principais produtores da ocratoxina</p><p>A; e do</p><p>gênero Fusarium, devido a produção das fusariotoxinas, em especial</p><p>tricoteceno, zearalenona e fumonisinas. Dentre as micotoxinas, as aflatoxinas são</p><p>as que podem causar maiores danos aos seres humanos e aos animais, em razão</p><p>da alta toxicidade e ampla ocorrência. Em cães e gatos, por exemplo, os efeitos são</p><p>considerados severos e podem, até mesmo, ocasionar a morte.</p><p>Nos animais, as micotoxinas atingem diferentes órgãos-alvo, como fígado, trato</p><p>digestório, rins, sistemas reprodutor e nervoso central, bem como exercem efeitos</p><p>sobre a imunidade e coagulação sanguínea. Além disso, elas são mutagênicas,</p><p>carcinogênicas e teratogênicas para grande número de animais. A sensibilidade é</p><p>altamente variável entre espécies e depende de fatores como idade, sexo, condições</p><p>82</p><p>UNIDADE V │ MICOTOXINAS, ZIGOMICETA E CANDIDÍASE</p><p>nutricionais do animal, nível de dosagem, frequência e composição da dieta. Os cães</p><p>são animais particularmente sensíveis a efeitos hepatotóxicos agudos, entretanto, a</p><p>exposição regular às aflatoxinas pode ocasionar lesões hepáticas crônicas. Apesar das</p><p>micotoxicoses serem descritas há muito tempo, casos de intoxicação alimentares em</p><p>cães têm sido negligenciados e, muitas vezes, confundidos com outras enfermidades.</p><p>As dificuldades vão desde a suspeita clínica até a efetiva detecção das micotoxinas</p><p>e seus níveis presentes no alimento, uma vez que, para se obter o diagnóstico de</p><p>certeza, somente a presença dos fungos produtores das toxinas não é suficiente para</p><p>a confirmação de que a doença foi estabelecida.</p><p>Os fungos micotoxigênicos envolvidos na cadeia alimentar de humanos e animais</p><p>pertencem principalmente a três principais gêneros: Aspergillus, Penicillium e</p><p>Fusarium. Os dois primeiros são normalmente encontrados como contaminantes</p><p>em alimentos durante a secagem e estocagem, enquanto que o último é patógeno de</p><p>plantas e este produz micotoxinas antes ou imediatamente após a colheita.</p><p>A contaminação, por aflatoxinas, ocorre de forma direta e natural em praticamente</p><p>todas as fases que envolvem a obtenção do alimento, isto é, começa na produção</p><p>– com a contaminação das culturas no campo –, passa pela a colheita e pelo</p><p>armazenamento e vai até o consumo. A ingestão, por mamíferos, de alimentos e</p><p>rações contaminadas com aflatoxinas pode ocasionar o aparecimento, no leite deste</p><p>animal, de produtos de biotransformação das aflatoxinas.</p><p>Os primeiros órgãos afetados pelas aflatoxinas são o fígado e o rim, causando</p><p>cirrose e câncer. Elas podem entrar na cadeia alimentar por uma das duas principais</p><p>rotas: contaminação direta, resultante da ingestão de alimentos contaminados com</p><p>micotoxinas, ou contaminação indireta, resultante da ingestão de produtos como</p><p>leite, ovos e carnes, provenientes de animais que consumiram rações contaminadas.</p><p>Existe atualmente um consenso, entre grande número de especialistas, de que a AFB1</p><p>é, na realidade, um prócarcinógeno que requer ativação metabólica para manifestar</p><p>seus efeitos tóxicos. As aflatoxinas são absorvidas no trato gastrointestinal e</p><p>biotransformadas, primariamente, no fígado, por enzimas microssômicas do</p><p>sistema de funções oxidases mistas.</p><p>A natureza dos efeitos tóxicos varia dependendo da estrutura química da toxina. O</p><p>grau desses efeitos adversos não é somente determinado pela concentração da toxina</p><p>presente em alimentos e rações, mas também depende do tempo de exposição, da</p><p>espécie animal, da quantidade consumida, da dieta, do estado nutricional e do sexo.</p><p>83</p><p>MICOTOXINAS, ZIGOMICETA E CANDIDÍASE │ UNIDADE IV</p><p>Animais com deficiência de proteínas na dieta são mais sensíveis às aflatoxinas do</p><p>que os que consomem ração balanceada. As aflatoxinas são letais quando consumidas</p><p>em altas doses, entretanto, exposições subletais podem induzir a toxicidade crônica</p><p>e resultar em neoplasia em muitas espécies animais. A carcinogênese hepática</p><p>representa o mais importante efeito de toxicidade crônica dessas substâncias.</p><p>Embora considerada, inicialmente, como problema pós-colheita (integridade</p><p>e armazenamento inadequados do alimento), a contaminação por aflatoxinas</p><p>em safras importantes – tais como amendoim, trigo e sementes de algodão –</p><p>pode e deve ocorrer durante o crescimento da planta no campo. A infestação por</p><p>insetos e roedores facilita a invasão dos fungos em alguns alimentos estocados. A</p><p>contaminação de alimentos no campo por aflatoxinas é mais difícil de controlar,</p><p>pois é influenciada, primariamente, pelas condições climáticas, como umidade e</p><p>temperatura.</p><p>No Brasil, o limite máximo tolerado para aflatoxinas totais, em qualquer matéria</p><p>prima a ser utilizada diretamente ou como ingrediente para rações destinadas ao</p><p>consumo animal, é de 50µg/kg. A ocorrência natural de aflatoxinas é maior em</p><p>alimentos como milho, amendoim e sementes de algodão. Grãos de menor tamanho,</p><p>como sorgo, cevada, aveia, trigo, centeio e arroz parecem ser menos suscetíveis a</p><p>essa contaminação.</p><p>Características clínicas e diagnóstico</p><p>Em cães, aflatoxicose aguda e subaguda são</p><p>as mais frequentes formas observadas. Elas</p><p>são usualmente fatais e caracterizadas por</p><p>hepatite.</p><p>Os efeitos agudos são, primeiramente, observados como danos estruturais e</p><p>funcionais no fígado, incluindo necrose celular, hemorragias, lesões, fibrose e</p><p>cirrose. Adicionalmente, encefalopatia hepática, imunossupressão, infecções</p><p>respiratórias, hemorragia gastrintestinal, anorexia e febre.</p><p>Intoxicação crônica pode ocorrer em cães quando baixos níveis de aflatoxina B1</p><p>(100-300 ppb) são consumidos em um período de 90 a 120 dias. Os sintomas clínicos</p><p>raramente são observados pelo proprietário do animal, e, geralmente, o cão se torna</p><p>muito doente ou morre repentinamente. Os sintomas clínicos incluem anorexia,</p><p>depressão, icterícia, melena, morte súbita, vômitos, diarreia e coagulopatia.</p><p>84</p><p>UNIDADE IV │ DOENÇAS FUNGICAS DO TECIDO TEGUMENTAR MAIS CONHECIDAS</p><p>Nesse tipo de intoxicação, foram verificados, nos exames químicos, altos níveis</p><p>de alanina aminotransferase (ALT), leve aumento na gama glutamil transferase</p><p>(GGT) e bilirrubina total com variações na aspartato aminotransferase (AST) e nas</p><p>atividades da creatina fosfoquinase (CK).</p><p>A densidade da urina aumenta de 1010 para 1025, de 12 a 24 horas após a intoxicação.</p><p>O pH urinário, com valores iniciais de 7,2 a 8,5, passando para 6, 24 horas após</p><p>a ingestão, e chegando a 5 nas 12 horas terminais. Em cromaografia de camada</p><p>delgada (CCD) da urina, foi encontrada aflatoxina M1 3 horas após a ingestão de</p><p>aflatoxina B1. A urina pode ter aspecto turvo, coloração amarelada, odor fétido,</p><p>reação ácida e densidade de 1050 com presença de albumina e pigmentos biliares.</p><p>Os métodos de diagnóstico para as aflatoxinas podem ser divididos em três categorias</p><p>principais: bioavaliação, quimioavaliação e imunodiagnóstico.</p><p>Na bioavaliação, têm sido usados, preferencialmente, ovos embrionados, larvas</p><p>de camarão e alevinos de truta devido à grande sensibilidade que apresentam às</p><p>aflatoxinas. É uma técnica que não se presta ao exame rotineiro e seus níveis de</p><p>detecção não são suficientemente baixos.</p><p>As técnicas de quimioavaliação são constítuidas por identificação e quantificação</p><p>por cromatografia em camada delgada (CCD) bem como cromatografia líquida</p><p>de alta resolução (HPLC). Estes métodos apresentam alta eficiência e segurança</p><p>diagnostica, sendo, portanto, os mais recomendados.</p><p>O imunodiagnóstico para aflatoxinas é técnica recente que apresenta como principal</p><p>vantagem a rapidez com que é realizada, sendo montados em kits de diagnóstico. Para</p><p>o imunodiagnóstico, utilizam-se anticorpos monoclonais ou policlonais produzidos</p><p>por linfócitos previamente sensibilizados e hibridados com células provenientes</p><p>de linfomas em animais previamente sensibilizados com conjugados de proteína</p><p>(haptenos)-Aflatoxinas. Existem testes do tipo fluorométrico (anticorpo específico)</p><p>e testes usando métodos colorimétricos (ELISA). (MALLMANN; SANTURIO;</p><p>WENTZ, 1994).</p><p>O diagnóstico da intoxicação é baseado tanto em exames</p><p>anatomopatológicos do</p><p>fígado como na análise de aflatoxinas no alimento.</p><p>As lesões histológicas incluem hiperplasia biliar, colestase, lipidose e necrose.</p><p>Quando animais são alimentados com rações contaminadas com aflatoxinas, alguns</p><p>resíduos dessa toxina ou seus metabólitos provavelmente serão encontrados no</p><p>fígado (Figura 22).</p><p>85</p><p>MICOTOXINAS, ZIGOMICETA E CANDIDÍASE │ UNIDADE IV</p><p>Figura 22. No material de necropsia (A), há nodulações de diferentes tamanhos na superfície capsular hepática.</p><p>(B) Lesão histológica subaguda com proliferação de ductos biliares acentuada (PD) e vacuolização fina dos</p><p>hepatócitos.</p><p>A</p><p>B</p><p>Fonte: Gomes (2014).</p><p>86</p><p>CAPÍTULO 2</p><p>Zigomicetos na veterinária</p><p>Introdução</p><p>Estes fungos possuem hifas asseptadas largas em comparação à maioria das espécies</p><p>e replicam-se assexuada e sexuadamente, que, por sua vez, produzirá um zigósporo.</p><p>Por serem asseptadas, o crescimento das hifas acaba sendo mais rápido, decorrente do</p><p>deslocamento dos nutrientes serem mais fáceis.</p><p>Dentro do filo, duas ordens são de importância mais relevante: os Mucorales e os</p><p>Entomophthorales. Ambos são saprófitas encontrados em várias localizações geográficas</p><p>e causm infecções oportunistas, como a zigomicose ou ficomicose. Ficomicose é devido</p><p>ao micro-organismo semelhante ao fungo Pythium insidiosum, que também produz</p><p>infecções nos seres vivos.</p><p>Mucorales</p><p>Dentro da ordem Mucorales, temos Absidia, Mucor, Rhizomucor e Rhizopus, que, por</p><p>sua vez, podem produzir filamentos rizoides que permitem ancoragem a superfície. A</p><p>infecção por estes agentes provoca a doença denominada de mucormicose, encontrada</p><p>no mundo todo.</p><p>Seu principal local de infecção é o trato gastro intestinal, respiratório e os linfonodos.</p><p>Eventualmente podem se alojar em outros órgãos.</p><p>Estes fungos são encontrados geralmente em solo e vegetação, e seus esporos são</p><p>aerotransportados. Sua forma física lembra espículas com a extremidade que parecem</p><p>uma cabeça de alfinete, como mostra a Figura 23. Seu desenvolvimento em meios</p><p>laboratoriais é eficaz.</p><p>87</p><p>MICOTOXINAS, ZIGOMICETA E CANDIDÍASE │ UNIDADE IV</p><p>Figura 23. Fungo da ordem Mucorales, com crecimento em forma de “alfinete acizentado”, dando aspecto de</p><p>“colônias felpudas”.</p><p>Fonte: Mucolares (2010).</p><p>Características clínicas e diagnóstico</p><p>É raro encontrarmos infecções por este fungo na rotina clínica de grandes centros. Mas</p><p>fatores predisponentes como imunodeficiência, terapia com alguns fármacos, algumas</p><p>doenças virais que provoquem imunossupressão, são fatores que ajudam sua instalação.</p><p>Ele infecta o organismo vivo por meio de aerossóis ou ingestão. Após a penetração, as</p><p>hifas invadem a mucosa, o subcutâneo e a parede de vasos sanguíneos, causando vasculite</p><p>trombótica necrosante aguda. Nos felinos, o fungo causa pneumonia necrosante focal e</p><p>enterite necrótica. Em cães, causa enterite.</p><p>Em alguns casos, pode causar arterite trombótica, necrose e hemorragia, são</p><p>características das lesões formadas pela sua infecção.</p><p>Clinicamente, animais infectados por Mucorales são difíceis de ser diagnosticados, já</p><p>que não provocam doenças características pela infecção.</p><p>Materiais para histopatologia podem ser enviados, bem como testes para pesquisa</p><p>de anticorpos em técnicas de imuno-histoquímica de alguns patógenos desta ordem.</p><p>A melhor técnica é a de cultura, pois a partir dela se consegue isolar o agente causador.</p><p>Como técnica de avaliação, até mesmo clínica, por se tratar de fungo sistêmico, a</p><p>endoscopia, para retirada de material de biópsia, é válida. Na técnica, conseguimos</p><p>observar as lesões, por exemplo, no estômago, apresentando áreas multifocais úlceras e</p><p>recobertas por fibrina. No trato respiratório, observa-se mais estruturas esbranquiçadas,</p><p>88</p><p>UNIDADE V │ MICOTOXINAS, ZIGOMICETA E CANDIDÍASE</p><p>verrugosas e penugentas, com presença de exsudato esverdeado, em locais como</p><p>traqueias e brônquios. No sistema intestinal, pode-se observar lesões com perfurações</p><p>e espessamento de paredes. Pode-se avaliar a necessidade de realização de cirurgias</p><p>para retiradas das alterações na mucosa.</p><p>Exames de imagem podem ser utilizados para avaliar as dimensões do problema bem</p><p>como para observar as alterações em paredes de órgãos.</p><p>Tratamento</p><p>Os mais utilizados são os tratamentos de quimioterapia antifúngica, como cetoconazol</p><p>e intraconazol. Novas técnicas, como oxigenoterapia hiperbárica, também fazem efeito</p><p>contra o agente em questão.</p><p>Entomophthorales</p><p>Os Entomophthorales são outra ordem do filo Zigomiceta e que possuem dois gêneros:</p><p>os Basidiobolus e Conidiobolus, os quais, por sua vez, são saprófitos.</p><p>Respectivamente, os Basidiobolus são encontrados em solo, frutas, material vegetal</p><p>em decomposição e, ainda, podem ser encontrados nas fezes de alguns animais, como</p><p>anfíbios e morcegos. Quanto aos Conidiobolus, também são encontrados em solo e</p><p>vegetação em putrefação, muito comum nas florestas tropicais.</p><p>Sinais</p><p>Esses fungos, diferentemente da maioria, têm uma via de entrada diferente, qual</p><p>seja, por meio de pequenas lesões de pele e pela membrana da mucosa nasal. Nessas</p><p>infecções, é comum ver a invasão dos vasos pelas hifas. Estas infecções irão provocar</p><p>lesões granulomatosas e presença de complexos imunológicos ao redor das hifas.</p><p>Chamamos de entomoftoromicoses as micoses provocadas por esses fungos. Podem</p><p>provocar lesões cutâneas e piogranulomatosas. Em cães, pode ocorrer granulomas</p><p>pulmonares e gastrointestinais causados por Basidiobolus; e, quando infectados por</p><p>Conidiobolus, pode ocorrer granulomas subcutâneos. Em felinos, temos os granulomas</p><p>nasais causados pelos Conidiobolus (Figura 24).</p><p>89</p><p>MICOTOXINAS, ZIGOMICETA E CANDIDÍASE │ UNIDADE IV</p><p>Figura 24. Granuloma nasal em felino.</p><p>Fonte: Lima (2018).</p><p>O diagnóstico e o tratamento dessas doenças são feitos nos mesmos padrões como para</p><p>fungos Mucorales.</p><p>90</p><p>CAPÍTULO 3</p><p>Candidíase</p><p>Introdução</p><p>Os fungos são seres eucariontes heterotróficos, tradicionalmente classificados, quanto à</p><p>morfologia, em leveduras e filamentosos. A maioria dos fungos é ubíqua no ambiente,</p><p>podendo interagir com plantas, animais ou seres humanos, estabelecendo relação</p><p>simbiótica, comensal ou patogênica. As infecções fúngicas podem ser causadas por</p><p>dois grupos de micro-organismos: patógenos primários e patógenos oportunistas.</p><p>Patógenos primários são capazes de estabelecer infecções em pessoas saudáveis;</p><p>patógenos oportunistas, entre eles micro-organismos comensais na população</p><p>saudável, são capazes de causar infecções quando o hospedeiro se encontra</p><p>imunocomprometido.</p><p>O gênero Candida, pertencente ao filo Ascomycota, classe Hemiascomycetes,</p><p>ordem Saccharomycetales, engloba leveduras de importância clínica e científica,</p><p>de modo que, atualmente, são mais de 300 espécies de Candida descritas. A</p><p>Candida spp é considerada micro-organismo comensal que coloniza cerca de 50%</p><p>dos indivíduos de uma população em determinado momento de suas vidas. Espécies</p><p>desse gênero são componentes da microbiota da pele, do trato gastrointestinal e</p><p>do trato geniturinário, podendo, ainda, serem encontradas no trato respiratório</p><p>superior. Entretanto, em condições que levam ao enfraquecimento das defesas do</p><p>hospedeiro, esses micro-organismos podem converter-se em patógeno oportunista,</p><p>causando infecções nas mucosas ou infecções invasivas.</p><p>A microbiota de algumas espécies de mamíferos terrestres e aquáticos, aves, répteis</p><p>e crustáceos apresenta determinadas espécies de leveduras. Dentre elas, destaca-</p><p>se a Candida. Existem espécies de cândidas que têm vida saprobias, com potencial</p><p>patogênico quando há desequilíbrio desta microflora, provocando alterações no</p><p>hospedeiro.</p><p>O gênero Candida é constituído por leveduras que, em cultura e tecidos, têm</p><p>reprodução assexuada, mediante formação de blastoconídios, pseudo-hifas e,</p><p>ocasionalmente, hifas verdadeiras. Diversas espécies de Candida podem causar</p><p>fungemia, dentre elas temos: Candida glabrata (Torulopsis glabrata), Candida</p><p>tropicalis; Candida parapsilosis,</p><p>Candida krusei, Candida guilliermondii,</p><p>91</p><p>MICOTOXINAS, ZIGOMICETA E CANDIDÍASE │ UNIDADE IV</p><p>Candida lusitaniae, Candida lipolytica, Candida kefyr, Candida inconspicua,</p><p>Candida norvegensis e Candida catenulata.</p><p>A espécie mais comum de Candida é a albicans, responsável por 85% das infecções. A C.</p><p>glabrata e a C. tropicalis correspondem de 10 a 15%. Outras espécies menos comuns</p><p>são a C. krusei e a C. lusitaniae.</p><p>Podemos classificar a Candida albicans como dimórfica, com forma leveduriforme</p><p>(blastoconídios) quando em seu estado saprofítico, sendo sua colonixação de forma</p><p>assintomática, ou em formas filamentosas (pseudo-hifas e hifas verdadeiras) quando</p><p>já ocorrem manifestações em processos patológicos sob algumas condições de</p><p>crescimento subótimas. Uma de suas características é a formação de clamidósporos</p><p>(esporos arredondados que possuem espessa parede celular), ganhando capacidade de</p><p>adaptação em diferentes nichos biológicos. Dessa forma, às vezes, pode ser considerado</p><p>organismo pleomórfico (Figura 25).</p><p>Figura 25. Exame direto do fungo Candida albicans.</p><p>Fonte: Tecsoma ([2015]).</p><p>A infecção por Candida spp. em animais silvestres e domésticos ainda é pouco</p><p>relatada no Brasil, embora, nos últimos anos, vem aumentando consideravelmente. As</p><p>infecções por essas leveduras provocam diferentes manifestações clínicas e acomete</p><p>várias espécies animais, pouco comum em animais domésticos.</p><p>Dentre as principais Candidas, a C. albicans é frequentemente relacionada a</p><p>patogenias nos animais. Contudo, outras espécies, como, por exemplo, C. tropicalis,</p><p>C. parapsilosis podem ser observadas provocando alterações nos animais de</p><p>companhia. As leveduras podem ser encontradas na cavidade oral, comissura do</p><p>bico, no esôfago, nos olhos e no sistema reprodutivo. Também pode ser adquirida</p><p>92</p><p>UNIDADE V │ MICOTOXINAS, ZIGOMICETA E CANDIDÍASE</p><p>pela ingestão de água e alimentos contaminados, acarretando problemas no trato</p><p>digestório, ou, ainda, menos comumente, pela inalação do agente, determinando</p><p>desordens respiratórias. A espécie Candida albicans é considerada como patógeno</p><p>oportunista em lesões de regiões mucocutâneas, trato genital e digestório em</p><p>humanos, mamíferos e aves. Em alguns casos, podem-se gerar lesões cutâneas, em</p><p>unhas e trato respiratório, onde, a partir daí, podem ser geradas infecções sistêmicas.</p><p>As infecções mais comuns nos animais são: urinária, peritonite, ceratoconjuntivite</p><p>e dermatite seborreica, podendo afetar membranas mucosas e junções mucocutâneas</p><p>ou locais com umidade persistente. Causa dermatite papular, pustular ou ulcerativa e</p><p>exsudativa e também otite externa.</p><p>Na medicina veterinária, são fatores predisponentes a infecções por Candida: idade,</p><p>presença de doenças autoimunes como a diabetes mellitus, uso de corticosteroide,</p><p>antibioticoterapia, cateterismo venoso e urinário e administração de nutrição parenteral.</p><p>Os sítios anatômicos mais acometidos são: pele, unhas, ouvido, trato urinário, sistema</p><p>gastrintestinal e reprodutor.</p><p>Enfermidades provocadas por Candidas geralmente acometem apenas animais</p><p>imunocomprometidos, mas é muito raro casos em cães e gatos. Nas infecções cutâneas,</p><p>esse fato se justifica porque as lesões, na maioria das vezes, não são atribuídas a leveduras</p><p>e, sim, a fungos filamentosos, bactérias e parasitas, o que demonstra a dificuldade do</p><p>diagnóstico desta enfermidade, razão pela qual, é necessária a realização de diagnóstico</p><p>diferencial, associando o diagnóstico clínico ao laboratorial.</p><p>O conhecimento da composição da flora microbiana de animais e seres humanos é</p><p>fundamental, tanto para o diagnóstico como para entender as possíveis doenças que os</p><p>acometem e, consequentemente, identificar a origem do agente causador, facilitando o</p><p>tratamento e a resolução do problema.</p><p>Estudos para avaliar as espécies de Candida a partir da microbiota de animais saudáveis,</p><p>em especial os cães, é pouco relatado, mas sabe-se que algumas espécies vivem nesses</p><p>animais também, habitando sítios como tubo digestivo, mucosas e pele de variados</p><p>animais, incluindo muitos pássaros. Dentre todas as Candida spp, a C. albicans é a</p><p>mais presente, podendo ser isolada principalmente dos sistemas gastrintestinal,</p><p>respiratório e genital, tendo predileção pela superfície de mucosas e pelas áreas de</p><p>junções mucocutâneas de animais de sangue quente.</p><p>93</p><p>MICOTOXINAS, ZIGOMICETA E CANDIDÍASE │ UNIDADE IV</p><p>Características clínicas e diagnóstico</p><p>O aspecto clínico das candidoses em pequenos animais – em cães e gatos – é variável de</p><p>acordo com o sistema acometido. Nos casos de infecção urinária causadas por Candida</p><p>spp. ocorre disúria, hematúria, os animais urinam com frequência anormal, perdem o</p><p>apetite, provocando anorexia e depressão, bem como pode ocorrer pirexia, sendo este</p><p>último o principal sintoma.</p><p>Dermatomicoses provocadas por Candida spp possuem contorno irregular e são</p><p>suavemente edemaciadas, com vesículas principalmente em áreas com dobras</p><p>cutâneas, como: espaços interdigitais, prepúcio, vulva (Figura 26) e região perianal.</p><p>Pode haver, no entanto, a ocorrência de lesões com alopecia, crostas, úlceras</p><p>e edema. Nos pequenos animais, podemos ter ainda as otites provocadas por</p><p>Candida que se manifesta da mesma forma das outras otites provocadas por outros</p><p>micro-organismos (sarna e bactérias, por exemplo), Observa-se a existência de</p><p>inflamação, prurido, dor, descamação e edema.</p><p>Figura 26. Vulva de cadela com candidíase por C. albicans.</p><p>Fonte: 7 Sinais... (2019).</p><p>Outra região que pode ser acometida pelo agente em questão é a região ocular, provocando</p><p>endoftalmite causada por C. albicans. Esses casos são raramente relatados em animais</p><p>domésticos, podendo ocorrer devido à disseminação hematogênica do agente ou ainda</p><p>por vias secundárias decorrentes de uma inflamação primária da córnea pela levedura</p><p>(diretamente inoculada).</p><p>94</p><p>UNIDADE V │ MICOTOXINAS, ZIGOMICETA E CANDIDÍASE</p><p>Diagnóstico</p><p>O isolamento de Candida spp pode ser feito mediante coleta de amostras clínicas</p><p>de exsudato e crostas da pele por meio de rapas o cutâneo e swab estéril. O material</p><p>coletado para isolamento deve ser submetido imediatamente ao laboratório para exame</p><p>direto por microscopia e cultivo fúngico. Amostras para isolamento de Candida spp</p><p>não podem ser refrigeradas, uma vez que a espécie não sobrevive a essas condições.</p><p>O diagnóstico laboratorial das espécies do gênero Candida consiste, inicialmente, da</p><p>confecção de lâminas com base na amostra clínica, exame direto, que permite melhor</p><p>visualização de estruturas fúngicas. Avalia-se, nesses exames, a presença de estruturas</p><p>arredondadas eosinofílicas, compatíveis com leveduras.</p><p>Para o diagnóstico definitivo, o isolamento de Candida spp pode ser realizado por meio</p><p>da coleta das amostras clínicas de crostas da pele por intermédio de raspado cutâneo,</p><p>carpete ou swab estéril. O cultivo é realizado em meios de cultura clássicos, como ágar</p><p>Sabouraud, acrescido de cloranfenicol; e ágar Sabouraud, acrescido de cloranfenicol e</p><p>cicloheximida. No cultivo fúngico, a colônia apresenta mascroscopicamente coloração</p><p>branca a creme, aspecto podendo ser brilhoso ou opaco, textura cremosa com bordas</p><p>regulares ou irregulares e odor de levedo (Figura 27).</p><p>A avaliação microbiológica começa com o crescimento do agente no meio de cultura em</p><p>específico, e, para sua classificação, são realizadas as provas bioquímicas, nutricionais</p><p>e morfológicas. Seu crescimento é lento, em temperaturas adequadas, ele começa a</p><p>aparecer após 48 horas, entre temperaturas de 25 e 37°C. Com relação à microscopia,</p><p>se as lâminas forem preparadas diretamente com um fragmento da colônia ou amostras</p><p>clínicas positivas, apenas os blastoconídios serão visualizados. Microcultivos em placa</p><p>de Petri com CornMeal, acrescidos de Tween 80, são realizados com o intuito de permitir</p><p>melhor visualização da disposição das estruturas fúngicas típicas de cada espécie,</p><p>sendo estes, na maioria das vezes, suficientes para identificar o micro-organismo;</p><p>por</p><p>exemplo, cepas da espécie C. albicans apresentam, no microcultivo, pseudo-hifas, hifas</p><p>verdadeiras e blastoconídios formando cachos.</p><p>95</p><p>MICOTOXINAS, ZIGOMICETA E CANDIDÍASE │ UNIDADE IV</p><p>Figura 27. Crescimento de Candida albicanis em ágar sabouraud dextrose + cloranfenicol.</p><p>Fonte: Tecsoma ([2015]).</p><p>Como diagnóstico primário, podem ser feitas confecção de lâminas com o material</p><p>clínico colhido, de forma direta, observando as estruturas fúngicas, observando presença</p><p>de estruturas arredondadas eosinofílicas, compatíveis com levedura ou a presença de</p><p>estruturas arredondadas compatíveis com leveduras em amostras úmidas.</p><p>A biologia molecular pode ser outro teste disponível para o diagnóstico, mas as opiniões</p><p>quanto ao seu uso nestes casos divergem. Amostras de sangue, soro, plasma, frascos de</p><p>cultura de sangue, líquidos corporais e amostras de tecido são utilizados para o método.</p><p>Esta técnica é extremamente sensível e, por isso mesmo, pode haver positividade em</p><p>razão de contaminação e não pela presença do agente como infecção, resultando nos</p><p>famosos falsos positivos.</p><p>Quando nos referimos a infecções sistêmicas, o aparecimento do agente em quantidades</p><p>adequadas para determinados testes é um grande fator limitante, já que temos, no</p><p>período de infecção, uma baixa presença do mesmo, dificultando o diagnóstico.</p><p>A dificuldade também decorre da presença dos mesmos como participantes da</p><p>microflora do animal em questão, e dependendo do caso, essa microflora pode ser</p><p>mais abundante em determinadas regiões anatômicas, mas não ser necessariamente o</p><p>causador da doença que aflinge o paciente.</p><p>Fatores de padronização das ténicas para seleção e manipulação de amostras clínicas,</p><p>extração de DNA e detecção do DNA-alvo, conduzem a resultados divergentes. Como</p><p>consequência, os resultados moleculares não são reconhecidos e não há consenso no</p><p>que diz respeito aos critérios para diagnóstico.</p><p>96</p><p>UNIDADE V │ MICOTOXINAS, ZIGOMICETA E CANDIDÍASE</p><p>Tratamento</p><p>O tratamento para as leveduras é feito por meio da utilização de drogas antifúngicas. A</p><p>ação destes dependerá da sensibilidade do agente ao medicamento antifúngico usado.</p><p>Na literatura, encontramos relatos de pouca eficácia dos medicamentos ou até de forma</p><p>nula sobre os microrganismos .</p><p>A terapêutica é padronizada com o objetivo de melhorar o aporte de resistência do</p><p>paciente, e a utilização dos medicamentos não exatamente possui uma regra. Como</p><p>principais indicações pela literatura atual, temos os triazólicos, como o fluconazol e</p><p>itraconazol, com largo espectro de ação e toxicidade bem reduzida.</p><p>No que concerne à aplicação dos derivados azólicos, em casos de candidíase superficial,</p><p>o uso de cetoconazol – aplicado duas vezes ao dia e associado ao uso de xampu contendo</p><p>clorexidina e miconazol – é considerado eficiente e é utilizado pelo período de até seis</p><p>semanas.</p><p>O clotrimazol, que é um derivado imidazólico, já é mais indicado para casos de infecções</p><p>nos pavilhões auditivos, com otites externas agudas e crônicas, com indicação de uma</p><p>solução tópica a 1%.</p><p>Já para casos de infecção sistêmica causada por leveduras do gênero e acometendo</p><p>diferentes espécies animais, a anfotericina B demonstra ser bastante eficiente.</p><p>Cuidados com o ambiente também são necessários para evitar possíveis infecções.</p><p>Desinfetantes a base de iodo, fenol, formaldeído, entre outros, são indicados para o</p><p>processo de sanitização do ambiente.</p><p>97</p><p>UNIDADE VI</p><p>ALGUNS</p><p>PROTOZOÁRIOS</p><p>MAIS CONHECIDOS</p><p>CAUSADORES DE</p><p>DOENÇAS EM</p><p>PEQUENOS ANIMAIS</p><p>CAPÍTULO 1</p><p>Criptosporidiose</p><p>Introdução</p><p>O gênero Cryptosporidium spp. compreende protozoários pertencentes ao filo</p><p>Apicomplexa, são considerados parasitas intracelular obrigatórios, que passam por</p><p>desenvolvimento em um vacúolo parasitóforo e evoluem para encistamento, com</p><p>especificidade para parasitismo do epitélio do trato gastrointestinal de qualquer animal</p><p>e do trato respiratório. Ademais, eles são cosmopolitas e infectam cerca de 170 espécies</p><p>de animais. O espectro de hospedeiros de Cryptosporidium é considerado amplo,</p><p>tendo já sido demonstrado o potencial de infecção em aves, anfíbios, répteis, peixes e</p><p>mamíferos.</p><p>É relatado em qualquer parte do mundo, registrados desde 1976. Portanto o</p><p>Cryptosporidium spp. – zoonóticos e não zoonóticos – é onipresente em todo o</p><p>globo. Os estudos com protozoário foram feitos, pela primeira vez, em 1907, no</p><p>epitélio gástrico de um comundongo por Ernest Edward Tyzzer, estudioso formado em</p><p>medicina e especialista em parasitologia, atuando em Havard e em Boston. Este autor</p><p>é responsável pelas três primeiras publicações feitas da doença.</p><p>Esse protozoário tornou-se foco de estudos e foi considerado um patógeno quando,</p><p>após sua descoberta, ocorreu um surto em animais em 1955, mais especificamente em</p><p>perus, provocando diarreia. Em 1970, foi também relatado como causador de surtos de</p><p>diarreia em bovinos, tornando-se de grande importância para a medicina veterinária.</p><p>98</p><p>UNIDADE VI │ ALGUNS PROTOZOÁRIOS MAIS CONHECIDOS CAUSADORES DE DOENÇAS EM PEQUENOS ANIMAIS</p><p>A contaminação ocorre com maior frequência em animais jovens, uma vez que a</p><p>imunidade deles não está completamente formada e a curiosidade os leva a mexer,</p><p>ingerir e lamber tudo ao seu redor.</p><p>Após os primeiros relatos, surtos de criptosporidiose ainda são continuamente</p><p>identificados em vários países e registrados ao longo dos tempos. Os surtos de</p><p>criptosporidiose nos EUA foram associados a piscinas, playgrounds aquáticos</p><p>e outros locais de natação; bebidas não pasteurizadas, suco e leite; contato com</p><p>animais contaminados; e em comportamentos como puericultura; acampamentos; e</p><p>manipuladores de alimentos doentes. Um fato curioso e preocupante foi o de maior</p><p>relato da contaminação pelo agente, ocorrido em 1993, na cidade de Milwaukee</p><p>(Wisconsin), nos Estados Unidos, onde o micro-organismo atingiu cerca de 400 mil</p><p>pessoas. É encontrado principalmente em regiões de desenvlvimento, devido à falta</p><p>de saneamento básico, que leva a manutenção do agente no ambiente, contaminando</p><p>seres humanos e animais</p><p>Em 1976, ocorreu o primeiro relato de dois casos de criptosporidiose em humanos,</p><p>porém seis anos mais tarde é que houve interesse significativo em entender a</p><p>cripitoporidiose humana após relatório do Centro de Controle de Doenças da União</p><p>Européia, no qual 21 homens, em 6 cidades, todos com Síndrome da Imunodeficiencia,</p><p>apresentaram criptosporidiose simultaneamente. Em seres humanos, diversos, surtos</p><p>de criptosporidiose já foram descritos, geralmente associados à ingestão de água</p><p>contaminada ou contato direto com animais, como os bovinos.</p><p>Na espécie canina, a primeira evidência de Cryptosporidium spp foi registrada em</p><p>1981 por Tzipori e Campbell, e a associação do agente com o processo da doença foi</p><p>descrito por Wilson e Holscher em 1983. A partir daí, formas clínicas e subclínicas</p><p>foram relatadas em diversos países.</p><p>Nos felinos, esta enfermidade foi verificada, pela primeira vez, no Japão, em 1979.</p><p>Para a confirmação do potencial zoonótico entre humanos e gatos, realizou-se infecção</p><p>experimental, na qual um inóculo de oocistos de Criptosporidium de origem humana</p><p>foi administrado a um felino de seis anos de idade. A transmissão também se confirmou</p><p>mais tarde no Brasil, quando o agente foi encontrado em uma criança de oito anos de</p><p>idade que teve contato com um gato portador da enfermidade.</p><p>A maioria das espécies de Cryptosporidium spp parece ter alguma especificidade</p><p>com relação ao hospedeiro, mas não são estritamente hospedeiro específico. Possui</p><p>inúmeros representantes e, atualmente, têm registradas 29 espécies válidas e cerca de</p><p>50 genótipos. Para a infecção de pequenos animais, como cães e gatos, destacam-se os</p><p>Cryptosporidium canis e felis.</p><p>99</p><p>ALGUNS PROTOZOÁRIOS MAIS CONHECIDOS CAUSADORES DE DOENÇAS EM PEQUENOS ANIMAIS │ UNIDADE VI</p><p>Cryptosporidium parvum já foi identificado em ratos, bovinos, cavalos e seres humanos.</p><p>Outros, incluindo Cryptosporidium baileyi,</p><p>Cryptosporidium canis, Cryptosporidium</p><p>felis, Cryptosporidium meleagridis e Cryptosporidium muris, uma vez considerados</p><p>específicos de frangos, cães, gatos, perus e ratos, respectivamente, todos já foram</p><p>encontrados infectando pessoas e, portanto, devem ser considerados zoonóticos.</p><p>Com o maior potencial zoonótico, temos o Cryptosporidium parvum, que infecta</p><p>diversas espécies de mamíferos. Os estudos de frequência do Cryptosporidium em cães</p><p>são muito escassos e, dessa forma, acredita-se que a maioria dos cães infectados possam</p><p>ser assintomáticos, mas portadores em algum momento, da doença. O surgimento da</p><p>síndrome da deficiência imunológica adquirida (AIDS) no mundo e o aparecimento de</p><p>casos de infecções por este coccídio tomaram grandes proporções, sendo frequentemente</p><p>encontrados nos pacientes imunosuprimidos. Para essa doença,o contato com os</p><p>animais diretamente é considerado um fator de risco. Os animais aqui em estudo (cães</p><p>e gatos) são alvo de especulação para a transmissão do agente.</p><p>A classificação do C. parvum tem sido modificada, em razão de novas pesquisas com</p><p>análise filogenética do gene codificador do RNA ribossômico 18S. Esses estudos apontam</p><p>diferenciação em 11 genótipos (humano, macaco, bovino, canino, camundongo, suíno,</p><p>furão, equino, cervídeo, leporino e marsupial) e que seres humanos podem ser infectados</p><p>pelos genótipos humano, bovino e canino.</p><p>Pela transmissão dos caninos, encontramos os genótipos canino e bovino, sendo</p><p>o genótipo canino ainda de patogenicidade não estabelecida para os próprios cães</p><p>e para seres humanos. Baseado nas mesmas análises filogenéticas, pesquisadores</p><p>propuseram a classificação do genótipo canino de C. parvum como uma nova espécie, o</p><p>Cryptosporidium canis. Estudos em cães têm mostrado que esses animais parecem ser</p><p>quase que exclusivamente infectados pelo C. canis.</p><p>Os anticorpos monoclonais, pelos estudos realizados, são vistos como ineficientes</p><p>com a diferenciação entre os genótipos de C. parvum. Assim. Os testes de ELISA para</p><p>diagnóstico laboratorial da infecção, podem ser inviáveis.</p><p>Estudos com felinos mostraram que o C. felis acomete mais comumente os gatos,</p><p>podendo ser encontrado em outras espécies de animais e em seres humanos. Os gatos</p><p>são hospedeiros de C. felis e podem rotineiramente compartilhar suas infecções com</p><p>pessoas saudáveis.</p><p>Em humanos, mais de 90% das espécies foram isolados de pacientes HIV – positivos.</p><p>Inquéritos sorológicos realizados no Brasil mostraram a presença de anticorpos contra</p><p>Cryptosporidium em grande número de crianças que vivem em comunidades ou em</p><p>100</p><p>UNIDADE VI │ ALGUNS PROTOZOÁRIOS MAIS CONHECIDOS CAUSADORES DE DOENÇAS EM PEQUENOS ANIMAIS</p><p>locais com pouca condição de higiene e saneamento básico. A frequência de anticorpos</p><p>para este coccídio variou em um estudo de 10% a 80%, de acordo com a idade do grupo</p><p>pesquisado.</p><p>A população infantil corresponde ao grupo mais exposto, devido ao hábito de brincar</p><p>em contato com o solo e aos distúrbios de perversão do apetite, como a geofagia.</p><p>A transmissão desse parasito ocorre de forma direta, por via fecal-oral, sendo a infecção</p><p>associada a quadros agudos e acentuados de gastrenterite, principalmente em seres</p><p>humanos. A contaminação, portanto, é por ingestão, de modo que a água é uma das</p><p>principais vias de propagação. Temos também a propagação por alimentos, solo, e</p><p>superfícies – todos contaminados com o agente.</p><p>O ciclo do agente é monóxeno, isto é, tem sua parasitemia, multiplicação e eliminação</p><p>para novos contágios, ocorrendo dentro de um único hospedeiro. Todo o processo</p><p>acontece no trato gastro intestinal, e seu desenvolvimento passa pelas fases de</p><p>merogonia, gametogonia e esporogonia, entre outras. Seu ciclo biológico, mostrado na</p><p>Figura 28, segundo a professora Lucia Cangussu, segue o seguinte caminho:</p><p>» Na passagem pelo trato gastrointestinal, a parede dos oocistos é</p><p>rompida liberando 4 esporozoítos infectantes (a).</p><p>» Estes aderem à membrana das células do revestimento intestinal e</p><p>induzem a formação do vacúolo parasitóforo (a membrana da</p><p>célula hospedeira reveste o parasito).</p><p>» Nesta localização, os esporozoítos se convertem</p><p>em trofozoítos ficando os mesmos na porção apical da célula,</p><p>revestido por membrana, mas não dentro de seu citoplasma (b e c).</p><p>» Os trofozoítos passam por merogonia (reprodução assexuada)</p><p>gerando os merontes do tipo I com vários merozoítos.</p><p>» Os merozoítos do tipo I são liberados e podem infectar novas</p><p>células do revestimento intestinal, repetindo as etapas da reprodução</p><p>assexuada, aumentando a produção de merozoítos do tipo I no</p><p>indivíduo infectado.</p><p>» Opcionalmente, os merozoítos podem se converter em merontes</p><p>do tipo II que liberarão os merozoítos do tipo II, os quais</p><p>iniciarão as etapas da reprodução sexuada do parasito.</p><p>» Os merozoítos do tipo II se transformam em micro ou</p><p>macrogamontes com micro e macrogametas em seu interior.</p><p>101</p><p>ALGUNS PROTOZOÁRIOS MAIS CONHECIDOS CAUSADORES DE DOENÇAS EM PEQUENOS ANIMAIS │ UNIDADE VI</p><p>» Um microgametócito fecunda um macrogametócitos gerando</p><p>o zigoto. Este sofrerá meiose gerando 4 esporozoítos.</p><p>» A maioria dos zigotos (80%) são convertidos em oocistos de</p><p>paredes espessas que contêm 4 esporozoítos.</p><p>» Apenas 20% dos zigotos se convertem em oocistos de paredes</p><p>finas com quatro esporozoítos. Estes tendem a se romper e a</p><p>liberar os 4 esporozoítos ainda no intestino do indivíduo parasitado</p><p>contribuindo para sua autoinfecção e manutenção de uma infecção</p><p>crônica.</p><p>» Os oocistos podem excistar no lúmen intestinal ou mesmo no</p><p>ambiente externo iniciando um ciclo de vida livre do hospedeiro</p><p>ou podem ser liberados nas fezes contaminando o solo, a água, os</p><p>alimentos e os objetos. Até pouco tempo não se conhecia este ciclo</p><p>de vida livre deste parasito. (PROF.ª..., 2014).</p><p>Figura 28. Ciclo do Cryptosporidium no epitélio intestinal.</p><p>Esporozoíto Meronte</p><p>Tipo I</p><p>Merozoíto S</p><p>Meronte Tipo II</p><p>Merozoíto S</p><p>Microgametócito</p><p>Macrogametócito</p><p>Zigoto</p><p>Oocistos de</p><p>parede fina</p><p>Autoinfecção</p><p>Oocistos de</p><p>parede espessa</p><p>Liberado nas</p><p>fezes</p><p>Ingestão /</p><p>inalação</p><p>Fonte: Bouzid; Hunter; Chalmers; Tyler (2013 apud PROFª…, 2014).</p><p>102</p><p>UNIDADE VI │ ALGUNS PROTOZOÁRIOS MAIS CONHECIDOS CAUSADORES DE DOENÇAS EM PEQUENOS ANIMAIS</p><p>Características clínicas e diagnóstico</p><p>O curso clínico e a gravidade da infecção podem variar consideravelmente de</p><p>indivíduo para indivíduo dependendo, em grande parte, do estado imunológico</p><p>do hospedeiro, no entanto, infecções assintomáticas já foram relatadas.</p><p>O sintoma mais notável em pessoas imunologicamente saudáveis é a diarreia,</p><p>geralmente volumosa e aquosa, podendo ocorrer formação de muco, porém a</p><p>presença de sangue é rara. Desconforto abdominal, anorexia, náusea, vômito,</p><p>perda de peso, febre, fadiga e problemas respiratórios podem acompanhar a</p><p>diarreia. Infecções assintomáticas já foram relatadas.</p><p>Embora a infecção por Cryptospordium seja comum, a maioria dos cães e gatos</p><p>permanecem assintomáticos e a manifestação clínica da doença geralmente ocorre</p><p>em animais jovens nos quais, os efeitos da superlotação em canis, desmame</p><p>precoce, deficiências nutricionais, podem causar estresse e exacerbar os efeitos</p><p>da infecção como diarreia aguda e problemas no intestino delgado.</p><p>Nos cães, as manifestações clínicas da infecção por Criptosporidium spp são</p><p>diarreia líquida, acompanhadas de cólicas abdominais, anorexia, perda de</p><p>peso, vômitos, desidratação, náuseas, hipertermia e irritabilidade. Em animais</p><p>imunocomprometidos a diarreia pode ser fatal.</p><p>Já foi relatado, em felinos assintomáticos ou com sinais clínicos, sintomas como</p><p>diarreia persistente, anorexia, perda de peso e desidratação.</p><p>Pode ocorrer infecção do trato respiratório, pois uma das vias de infecção pode ser</p><p>por inalação, provocando tosse e febre, acompanhadas de severa diarreia líquida.</p><p>Esses quadros iniciam-se de 2 a 10 dias após a infecção, persistindo de 1 a 2</p><p>semanas. Toda a</p><p>sintomatologia pode aparecer em ciclos, intercalando entre fases</p><p>de melhora e piora.</p><p>O método predominante para a detecção de Cryptosporidium tanto em amostras</p><p>fecais de humanos como de animais sempre foi baseado na microscopia e coloração</p><p>por Ziehl-Neelsen, porém técnicas como o método de ELISA vêm sendo usada</p><p>para a detecção desse coccídio.</p><p>Em estudos realizados com felinos, o ELISA mostrou-se o método mais eficaz para</p><p>diagnóstico epidemiológico desse protozoário.</p><p>103</p><p>ALGUNS PROTOZOÁRIOS MAIS CONHECIDOS CAUSADORES DE DOENÇAS EM PEQUENOS ANIMAIS │ UNIDADE VI</p><p>Amostras analisadas, por meio da PCR, provaram ser esta a técnica de eleição</p><p>para o diagnóstico e epidemiologia molecular. Comparando-se às técnicas de</p><p>microscopia de luz com coloração de lâmina e PCR a fim de verificar a prevalência</p><p>de Cryptosporidium em amostras fecais de cães, concluíram em suas observações</p><p>que a técnica de PCR foi mais eficaz que a coloração.</p><p>O diagnóstico e a caracterização genética das diferentes espécies e variantes da</p><p>população de Cryptosporidium é fundamental para a prevenção, vigilância e</p><p>controle da criptosporidiose.</p><p>Embora o PCR seja altamente sensível e preciso, esta técnica possui algumas</p><p>limitações; para a aceitação deste método como ferramenta de diagnóstico de</p><p>rotina, além do preco muitas vezes pouco acessível.</p><p>Tratamento</p><p>Em humanos, a nitazoxanida foi licenciada nos Estados Unidos para o tratamento</p><p>da criptosporidiose em crianças imunocompetentes e adultos, tornando-se o</p><p>primeiro medicamento aprovado para tratar esta doença. O uso da nitaxozanida,</p><p>tem se mostrado relativamente eficaz, incluindo os pacientes HIV positivos,</p><p>obtendo, assim, a cura parasitológica. Paromomicina e pamoato pirvínio são</p><p>medicamentos potencialmente promissores no tratamento da criptosporidiose.</p><p>Em cães, as drogas existentes têm demonstrado limitada ou nenhuma eficácia</p><p>no tratamento contra criptosporidiose. O pamoato pirvínio tem sido usado</p><p>como tratamento antiprotozoário por quatro décadas é seguro e é bem tolerado</p><p>quando usado em doses únicas por longos períodos, como é exigido para o</p><p>tratamento da criptosporidiose em imunocomprometidos. Algumas drogas,</p><p>incluindo sulfadoxina-pirimetamina, quinacrina, bleomicina, trimetropim-</p><p>sulfametoxazole, pentamidina e elliptinium, já foram testadas em animais e</p><p>não mostraram eficácia quanto à diminuição da carga parasitaria.</p><p>Assim como nos cães ainda não existe uma medicação curativa especifica para</p><p>felinos, porém o tratamento da cripitosporidiose nessa espécie animal tem</p><p>demonstrado resultados promissores com a utilização de tilosina, paromomicina</p><p>e azitromicina.</p><p>104</p><p>CAPÍTULO 2</p><p>Toxoplasmose</p><p>Introdução</p><p>A toxoplasmose é causada pelo Toxoplasma gondii, parasito pertencente ao reino</p><p>protista, filo Apicomplexa, ordem Eucoccidiida e família Sarcocystidae. Esse parasito</p><p>é um coccídio intracelular obrigatório, que infecta naturalmente o homem, os animais</p><p>selvagens e domésticos, e também os pássaros. Os hospedeiros definitivos são os</p><p>felídeos, pois só neles ocorre o ciclo sexuado do parasito, com a eliminação de oocistos</p><p>que no ambiente esporulam e se tornam infectantes.</p><p>Na toxoplasmose, basicamente, existem três formas evolutivas: oocistos nas fezes de</p><p>hospedeiros definitivos, liberados em determinados períodos; taquizoítos, presentes</p><p>nos líquidos orgânicos durante a fase aguda da doença e os bradizoítos, contidos no</p><p>interior dos cistos, no sistema nervoso e nos músculos na fase crônica da enfermidade.</p><p>No ciclo do T. gondii , ele se apresenta sob duas formas evolutivas: os taquizoítos,</p><p>estruturas de rápida multiplicação, que são observados no período de infecção aguda;</p><p>e os bradizoítos, encontrados confinados nos cistos teciduais (quando são formados) e</p><p>presentes na infecção no animal quando ela é crônica. Os oocistos são o produto final da</p><p>reprodução sexuada, formados somente no trato digestivo dos felídeos, seus hospedeiros</p><p>definitivos que os eliminam juntamente com as fezes, onde por meio da esporogonia,</p><p>tornam-se infectantes, sendo extremamente resistentes as condições ambientais.</p><p>A ingestão de cistos teciduais em produtos cárneos, o consumo de alimentos e água</p><p>contaminados com oocistos esporulados e a infecção congênita por taquizoítos</p><p>representam as três formas principais de transmissão de T. gondii. Cães podem atuar</p><p>como veiculadores de oocistos de T. gondii se ingerirem material fecal contaminado ou</p><p>rolarem em fezes de gatos, carreando eventualmente oocistos em sua pelagem. Gatos</p><p>também podem ser hospedeiros intermediários e abrigar estágios extraintestinais, no</p><p>ciclo assexuado, assim como outros mamíferos (incluindo o homem), aves, répteis,</p><p>anfíbios e peixes.</p><p>Em relação aos aspectos biológicos, felídeos são os únicos hospedeiros definitivos,</p><p>com ciclo enteroepitelial, no qual ocorre esquizogonia, merogonia, gametogonia e</p><p>formação de oocistos. Estes últimos, formas evolutivas são eliminadas nas fezes de</p><p>105</p><p>ALGUNS PROTOZOÁRIOS MAIS CONHECIDOS CAUSADORES DE DOENÇAS EM PEQUENOS ANIMAIS │ UNIDADE VI</p><p>felinos domésticos e silvestres, por esporogonia, tornam-se infectantes, sendo muito</p><p>resistentes às condições ambientais.</p><p>Existe uma elevada soroprevalência de T. gondii nos gatos, mas a doença clínica é rara,</p><p>pois o ciclo enteroepitelial não costuma produzir sinais clínicos. Devido ao elevado</p><p>índice de animais naturalmente infectados por T. gondi, agente reconhecidamente</p><p>oportunista, e sua correlação com doenças imunossupressivas, como a cinomose, deve-</p><p>se atentar para a ocorrência dessa enfermidade na espécie canina. O cão, apesar de não</p><p>ser hospedeiro definitivo, contribui para a disseminação mecânica dessa protozoose.</p><p>Importante mencionar que felídeos infectados jovens, podem eliminar oocistos nas fezes</p><p>aproximadamente por uma a duas semanas. Esses oocistos, em condições ambientais</p><p>favoráveis, podem se manter infectantes por aproximadamente de 12 a 24 meses.</p><p>Adultos imunocompetentes, geralmente, não excretam essas formas evolutivas, mas,</p><p>quando imunosuprimidos, podem eliminar alguns oocistos, porém em quantidades</p><p>inferiores às encontradas na infecção primária.</p><p>Os gatos defecam e enterram suas fezes em terra fofa ou areia, estas são consistentes</p><p>e podem permanecer no local por meses. A menos que o gato esteja doente, pouco ou</p><p>nenhum resíduo fecal fica aderido à região perianal e em geral, não apresentam diarreia</p><p>durante o período de excreção dos oocistos. Por causa de seus cuidadosos hábitos de</p><p>limpeza, matéria fecal não é encontrada na pelagem de animais clinicamente normais</p><p>(portanto a possibilidade de transmissão para seres humanos pelo ato de tocar ou</p><p>acariciar um gato é mínima ou inexistente). Também é importante enfatizar, que os</p><p>oocistos são eliminados por estes hospedeiros definitivos, mas necessitam permanecer</p><p>no ambiente, pelo menos um dia, sob determinadas condições de temperatura e</p><p>umidade e esporular para se tornarem infectantes.</p><p>Características clínicas e diagnóstico</p><p>Em animais de companhia, as manifestações clínicas da toxoplasmose são muito</p><p>variadas e similares a outras enfermidades. O tipo e a magnitude da sintomatologia</p><p>clínica dependem da localização e do grau de lesão tecidual, que se deve à ocorrência de</p><p>necrose determinada pelo caráter intracelular do parasito. O sistema nervoso, pulmões,</p><p>fígado, tecido muscular esquelético e os olhos são sítios de replicação do protozoário</p><p>durante a infecção. Embora grande quantidade dos animais de companhia sejam</p><p>sorologicamente positivos para toxoplasmose, poucos animais desenvolvem sinais</p><p>clínicos da doença.</p><p>106</p><p>UNIDADE VI │ ALGUNS PROTOZOÁRIOS MAIS CONHECIDOS CAUSADORES DE DOENÇAS EM PEQUENOS ANIMAIS</p><p>Felídeos, muitas vezes, estão subclinicamente infectados no momento em que estão</p><p>liberando os oocistos de T. gondii. Em razão do rápido desenvolvimento de imunidade,</p><p>a disseminação do oocisto ocorre somente de 7 a 14 dias, no caso da ocorrência de</p><p>diarreia, a mesma é de curta duração (dias) e envolve o intestino delgado. Quanto</p><p>à</p><p>liberação de oocistos nas fezes, gatos com toxoplasmose e com co-infecções, como a</p><p>do FIV ou FeLV, eliminam oocistos na quantidade e no período similar aos gatos com</p><p>toxoplasmose sem esses tipos de co-infecção. A manifestação clínica da toxoplasmose,</p><p>em felinos, é geralmente polissistêmica, sendo a uveíte e a febre os achados mais</p><p>comuns. Além disso, gatos positivos para FeLV apresentam maior risco de co-infecção</p><p>com T. gondii, manifestando anemia e prostação.</p><p>Os sinais oftalmológicos da toxoplasmose podem incluir além da uveíte, a neurite</p><p>óptica e a retinocoroidite com deslocamento retiniano exsudativo. Das causas de uveíte</p><p>endógena sistêmica em gatos, o T. gondii, é um dos agentes de maior importância,</p><p>podendo resultar em uveíte anterior ou posterior podendo ser unilateral ou bilateral.</p><p>A uveíte pode ser induzida diretamente por citólise, via replicação intra-ocular de</p><p>taquizoítos (Figura 29) ou através de fenômenos imunogênicos indiretos resultantes</p><p>de antígenos ou de complexos antígeno-anticorpo que são depositados ou formados no</p><p>olho. A toxoplasmose ocular pode ocorrer sem acometimento sistêmico.</p><p>Figura 29. Lesão em retina causada pela replicação de taquizoítos.</p><p>Fonte: Centro Especializado da Visão ([201-]).</p><p>No sistema reprodutor da fêmea, o T. gondii ocasionalmente causa aborto em gatas e</p><p>em cadelas. A maioria das fêmeas infectadas pelo agente é carreadora assintomática,</p><p>entretanto, em condições de sistema imune debilitado, podem apresentar aborto no</p><p>início da gestação, devido a placentite e a má formação fetal.</p><p>107</p><p>ALGUNS PROTOZOÁRIOS MAIS CONHECIDOS CAUSADORES DE DOENÇAS EM PEQUENOS ANIMAIS │ UNIDADE VI</p><p>Gatos filhotes que foram infectados por via transplacentária ou durante a lactação</p><p>podem apresentar processos inflamatórios que acometem o fígado, os pulmões e o</p><p>sistema nervoso central, o que reflete clinicamente como uveíte, letargia, depressão,</p><p>ascite, encefalite, hipotermia e morte súbita. Em adultos com a infecção primária ou</p><p>recorrente, são descritos anorexia, letargia, dispneia, pneumonia, febre intermitente,</p><p>emaciação, vômito, diarreia, hiperestesia, marcha rígida, claudicação, déficit</p><p>neurológico, dermatite e morte.</p><p>Em cães, a manifestação da doença pode ser subclínica ou clínica, demonstrada por</p><p>febre, linfadenopatia (Figura 30). É necessário a inclusão do diagnóstico diferencial da</p><p>toxoplasmose em cães com sintomas do sistema respiratório e/ou nervoso, em relação</p><p>a outras enfermidades que acometem esses sistemas, como a cinomose. Sinais clínicos,</p><p>como pneumonia, e manifestações neurológicas são comuns em cães com toxoplasmose.</p><p>Figura 30. Cão com linfadenopatia.</p><p>Fonte: Tudo sobre Cachorros (2014).</p><p>Os sinais clínicos generalizados em cães são observados com maior frequência em</p><p>filhotes, ou seja, em animais com menos de um ano de idade. No entanto, nessa faixa</p><p>etária os principais sinais clínicos são neuromusculares. Em infecções decorrentes da</p><p>ingestão de cistos teciduais ou oocistos, ocorre inapetência, dispneia, tosse, diarreia,</p><p>vômito, hematoemese, esplenomegalia e ocasionalmente hepatomegalia, estas</p><p>manifestações são decorrentes da ação dos taquizoítos, principalmente no sistema</p><p>digestório, sistema respiratório e nos órgãos linfoides associados. O envolvimento</p><p>linfático provoca linfadenopatia, referida como a manifestação clínica mais frequente</p><p>na toxoplasmose adquirida nos cães.</p><p>O T. gondii induz necrose pulmonar, levando à pneumonia e à dispneia, embora, em</p><p>muitos casos, a pneumonia seja decorrente da co-infecção com outros agentes, como</p><p>108</p><p>UNIDADE VI │ ALGUNS PROTOZOÁRIOS MAIS CONHECIDOS CAUSADORES DE DOENÇAS EM PEQUENOS ANIMAIS</p><p>já citado o vírus da cinomose. As lesões pulmonares promovidas pelo T. gondii são</p><p>variadas, multifocais, com necrose intersticial e proliferação de pneumócitos do tipo II e</p><p>infiltrado de macrófagos e neutrófilos. As lesões musculares determinam hiperestesia à</p><p>palpação, marcha rígida e claudicação. No cão, em razão de envolvimento do miocárdio,</p><p>podem ser desenvolvidas arritmias e insuficiência.</p><p>Os sinais nervosos da toxoplasmose dependem da localização do parasito no</p><p>cérebro, cerebelo e medula espinhal. A multiplicação do agente nesses locais leva</p><p>a episódios convulsivos, déficits de nervos cranianos, ataxia, tremores, paresias</p><p>e paralisias. No sistema nervoso, a capacidade de manutenção do protozoário</p><p>está relacionada à impermeabilidade da barreira hematoencefálica aos anticorpos</p><p>circulantes, por meio intracelular, infectando as células endoteliais do sistema</p><p>nervoso central, principalmente os capilares, promovendo assim, a vasculite e</p><p>o edema, em evolução da lesão tecidual pode ocasionar hemorragia e necrose.</p><p>Desse modo, a sintomatologia de comprometimento do sistema nervoso pode ser</p><p>variada, pois depende da idade do animal, espécie e áreas afetadas no sistema</p><p>nervoso central pelo agente.</p><p>O diagnóstico na toxoplasmose aguda, em cães e gatos, pode ser evidenciada</p><p>anemia não regenerativa no perfil eritrocitário, no perfil leucocitário, a leucocitose</p><p>com neutrofilia, leucopenia ou linfocitose podem estar presentes, bem como</p><p>monocitose e eosinofila são achados comuns.</p><p>No perfil hepático, a toxoplasmose pode promover hipoproteinemia,</p><p>hipoglobulinemia, aumento das atividades enzimáticas séricas de alanina amino</p><p>transferase (ALT), fosfatase alcalina (FA) e aumento nos níveis séricos de</p><p>bilirrubina.</p><p>A pesquisa de oocistos pode ser realizada nas fezes de felídeos, por método de</p><p>centrifugoflutuação com solução de Sheather, no período de eliminação ativa do</p><p>ciclo enteroepitelial, que dura de uma a duas semanas. Mas, como a maioria dos</p><p>gatos são assintomáticos, durante esse estágio, normalmente o exame fecal não é</p><p>um bom método de diagnóstico.</p><p>O diagnóstico poder ser realizado por meio de citologia, pesquisando os taquizoítos</p><p>(Figura 31) durante o desenvolvimento da enfermidade, utilizando amostras</p><p>de tecidos e fluidos corporais, como sangue, no líquido cefalorraquidiano, no</p><p>peritônio, e de amostras de lavados broncoalevolar. Os taquizoítos também</p><p>podem ser isolados a partir de amostras do líquido ascítico ou de efusão pleural.</p><p>Em manifestação neurológica, podem ser evidenciados na análise do líquido</p><p>109</p><p>ALGUNS PROTOZOÁRIOS MAIS CONHECIDOS CAUSADORES DE DOENÇAS EM PEQUENOS ANIMAIS │ UNIDADE VI</p><p>cefalorraquidiano, o aumento da concentração de proteína, e/ou a presença de</p><p>eosinófilos, que sugerem a migração do parasito para o sistema nervoso.</p><p>Figura 31. Taquizoítos (coloração de Giemsa).</p><p>Fonte: Crédito a Tais R. Bonatti. Tripanossoma Cruzi (2016).</p><p>O diagnóstico imunológico é feito observando a presença de anticorpos específicos,</p><p>por meio de sorologia. Diversas provas imunológicas têm sido utilizadas na avaliação</p><p>da infecção toxoplásmica como reações de hemaglutinação (HAI) (Figura 32),</p><p>imunofluorescência indireta, aglutinação por imunoabsorção (ISAGA), ensaio</p><p>imunoenzimático (ELISA). O diagnóstico sorológico da toxoplasmose deve ser</p><p>corretamente interpretado para diferenciar infecção de doença. Se a intenção é avaliar</p><p>a imunidade do paciente, os testes sorológicos que detectam anticorpos da classe IgG</p><p>são suficientes. Mas, para o diagnóstico da doença, é preciso associar sintomas clínicos</p><p>com a presença de variação de títulos de IgG (elevação ou redução), num período de</p><p>duas a três semanas, ou a presença de anticorpos IgM.</p><p>Figura 32. Imunofluorecência indireta para anticorpos de Toxoplasma gondii.</p><p>Fonte: Labmedica Internacional (2017).</p><p>110</p><p>UNIDADE VI │ ALGUNS PROTOZOÁRIOS MAIS CONHECIDOS CAUSADORES DE DOENÇAS EM PEQUENOS ANIMAIS</p><p>Considerando-se a sorologia como método diagnóstico simples e economicamente</p><p>viável, deve-se ressaltar que a Reação de Imunoflorescência Indireta (RIFI) é o método</p><p>mais comumente utilizado. Porém, devido aos felinos usualmente não desenvolverem</p><p>anticorpos durante o período de eliminação dos oocistos, o exame sorológico não nos</p><p>concede informação útil sobre a transmissibilidade da toxoplasmose nessa espécie. Um</p><p>gato</p><p>sorologicamente positivo (imune) apenas indica que ele provavelmente eliminou</p><p>oocistos e, então, oferece menos perigo na transmissão do que um gato negativo,</p><p>embora gatos imunes possam vir, mesmo que raramente, a eliminar oocistos numa</p><p>nova infecção, sendo necessária medidas preventivas ao lidar com fezes de felinos.</p><p>O exame histopatológico associado à técnica de imuno-histoquímica, e ambos em</p><p>associação com a PCR, têm sido amplamente utilizados no diagnóstico da infecção.</p><p>Tratamento</p><p>Nos casos de toxoplasmose em animais de companhia, o cloridrato de clindamicina</p><p>administrado via oral ou por via parenteral, é eficaz para o tratamento da doença</p><p>polissistêmica e pode encurtar o período de eliminação dos oocistos no caso dos gatos</p><p>(LAPPIN, 2004; SWINGER; SHMIDT; DUBIELZIG, 2009). O cloridrato de clindamicina</p><p>possui boa absorção intestinal, é efetivo e demonstra melhora clínica do paciente entre</p><p>24 e 48 horas após o início da administração do fármaco. Nesse período, é verificado o</p><p>retorno ao apetite, o desaparecimento da hiperestesia e febre. À medida que as semanas</p><p>seguem, é relatado que o tratamento reestabelece o funcionamento de nervos cranianos</p><p>e nervos espinhais, quando comprometidos, bem como a há a resolução da polimiosite,</p><p>nos casos de alterações oftalmológicas são descritos a melhora clínica após uma semana</p><p>de uso do fármaco.</p><p>O cloridrato de clindamicina possui ação satisfatória na barreira hematoencefálica e na</p><p>vascularização de órgãos e tecidos, o que confere a melhora clínica do paciente, sendo</p><p>comumente empregada para o controle da toxoplasmose em animais e em humanos,</p><p>com indicação para o tratamento de fêmeas gestantes. Esse medicamento pode ser</p><p>utilizado na dosagem de 3 a 20 mg/kg e, também, na posologia de 12,5 a 25 mg/kg,</p><p>por via oral, a cada 12 horas durante uma a duas semanas, para encurtar o tempo de</p><p>eliminação do oocisto. Os sinais clínicos da toxoplasmose se resolvem dentro de dois a</p><p>quatro dias com a administração desse medicamento.</p><p>O tratamento pode ser realizado com sulfonamidas, inibidores do dihidrofosfato redutase</p><p>e timodilato sintetase e antibióticos ionóforos (lasolocida, narasina e salinomicina),</p><p>macrolídeos, tetraciclinas e lisonaminas tem ação sobre taquizoítos e drogas como</p><p>metronidazol, paramomicina e roxarsona exercem pouca ou nenhuma atividade sobre</p><p>111</p><p>ALGUNS PROTOZOÁRIOS MAIS CONHECIDOS CAUSADORES DE DOENÇAS EM PEQUENOS ANIMAIS │ UNIDADE VI</p><p>estas formas evolutivas de multiplicação rápida. Outros fármacos (Quadro 1) como</p><p>pirimetamina, trimetropin + sulfonamida e doxiciclina, doxiciclina, azitromicina,</p><p>minociclina e claritromicina podem ser empregados. Quando há comprometimento de</p><p>medula óssea é recomendada a suplementação com ácido fólico.</p><p>Quadro 1. Drogas e doses recomendadas na terapêutica da toxoplasmose canina e felina.</p><p>Drogas Doses (mg\kg) Intervalo (Horas) Período (Dias) Via Espécie</p><p>Animal</p><p>Sulfadiazina 60* 12 10 a 14 O Ambas</p><p>Perimetamina ** 1 24 7 a 10 O Cães</p><p>Perimetamina ** 0,5 24 7 a 10 O Gatos</p><p>Clindamicina *** 40 12 10 a 14 O Ambas</p><p>Fosfato de Clindamicina 12,5-25 12 28 IM Gatos</p><p>Cloreto de Clindamicina 10-12 12 28 O Gatos</p><p>Ácido Fólico # 5 24 DT O ## Gatos</p><p>Àcido Folínico # 1 24 DT O ## Gatos</p><p>SulfaTrimetropim (A) 15 12 28 O Gatos</p><p>Fonte: Adaptado de Farmacologiavetusp ([201-]).</p><p>*Associada a Sulfadiazina a dosagem pode ser reduzida para 30 mg/kg;</p><p>** Dosagem utilizada quando associada a sulfadiazina</p><p>*** Efeito para T. gondii, droga de escolha para fêmeas gestantes</p><p># Deve-se escolher um destes componentes para minorar os efeitos tóxicos da pirimetamina</p><p>## Suplementada a ração do gato</p><p>Usada alternativamente para tratamento da toxoplasmose felina</p><p>DT – Durante o tratamento</p><p>O – Oral</p><p>IM – Intramuscular</p><p>112</p><p>UNIDADE VII</p><p>DOENÇAS CAUSADAS</p><p>POR PROTOZOÁRIOS</p><p>COM DIAGNÓSTICO</p><p>COPROPARASITOLÓGICO</p><p>SIMPLES REALIZADOS EM</p><p>PEQUENOS ANIMAIS</p><p>CAPÍTULO 1</p><p>Giardíase</p><p>Introdução</p><p>Embora esteja presente no mundo todo, apresenta incidência em regiões,</p><p>preferencialmente, tropicais e subtropicais, sendo conhecidas cinco espécies que</p><p>parasitam o trato intestinal de todos os vertebrados. Nos países em desenvolvimento,</p><p>a infecção em humanos por G. duodenalis possui elevada prevalência. Conforme</p><p>informação da Organização Mundial de Saúde (OMS), estima-se que a giardíase</p><p>acometa cerca de 200 milhões de pessoas na Ásia, África e América Latina. Os cães</p><p>são hospedeiros de protozoários gastrointestinais, favorecendo a contaminação</p><p>do ambiente e a disseminação de doenças, por meio do contato direto, veiculação</p><p>hídrica, alimentos e fômites contaminados com fezes. A Giárdia é um protozoário</p><p>que tem maior incidência em animais jovens e com hábitos de viver em grupos.</p><p>Há maior sensibilidade em animais menores de um ano de idade do que há em</p><p>adultos, o que sugere o desenvolvimento de certo grau de resistência com o aumento</p><p>da idade. Os animais de rua – ou aqueles densamente abrigados – estão mais</p><p>expostos, devido ao maior contato com água, alimentos e fezes de animais ou de</p><p>pessoas contaminadas. Não existe migração extra-intestinal e nem ocorre infecções</p><p>transplacentárias e transmamárias. Uma vez ingeridos, os cistos de Giárdia podem</p><p>ser eliminados nas fezes 5 a 16 dias mais tarde, podendo permanecer subsistentes</p><p>na água de rios ou de lagos por até 84 dias.</p><p>113</p><p>DOENÇAS CAUSADAS POR PROTOZOÁRIOS COM DIAGNÓSTICO COPROPARASITOLÓGICO SIMPLES REALIZADOS│UNIDADE VII</p><p>REALIZADOS EM PEQUENOS ANIMAIS</p><p>Giardia intestinalis (G. lamblia e G. duodenalis) é um parasito cosmopolita e um dos</p><p>principais agentes envolvidos em distúrbios gastrointestinais em humanos, animais</p><p>domésticos e selvagens. De acordo com a nova sistemática, G. intestinalis pentence ao</p><p>filo Metamonada, subfilo Trichozoa, superclasse Eopharyngia, classe Trepomonadea,</p><p>subclasse Diplozoa, ordem Giardiida e família Giardiidae. A identificação desse</p><p>enteroparasito em várias espécies animais sugere transmissão zoonótica. A taxonomia</p><p>de Giardia é complicada devido a diferenças morfológicas limitadas. G. intestinalis</p><p>apresenta duas formas evolutivas que são o trofozoíto e o cisto Figura 33. A primeira</p><p>é a forma vegetativa que habita o intestino delgado do hospedeiro e causa a giardíase;</p><p>já o cisto é a forma de resistência no ambiente externo e transmissível aos hospedeiros</p><p>suscetíveis. G. intestinalis apresenta um ciclo biológico monoxênico direto, ou seja, não</p><p>necessita de hospedeiros intermediários ou vetores. Não ocorrem estágios intracelulares</p><p>no trato digestivo ou em outros tecidos. Possui período de incubação de 7 a 14 dias,</p><p>após ingestão dos cistos que em contato com ácido clorídrico e enzimas pancreáticas se</p><p>rompem liberando dois trofozoítos.</p><p>Figura 33. Cistos e trofozoítos de Giardia, respectivamente.</p><p>Fonte: Royal Canin (2016) e Castanheira (2017).</p><p>Excreção</p><p>114</p><p>UNIDADE VII │ DOENÇAS CAUSADAS POR PROTOZOÁRIOS COM DIAGNÓSTICO COPROPARASITOLÓGICO SIMPLES REALIZADOS</p><p>REALIZADOS EM PEQUENOS ANIMAIS</p><p>O cisto é intermitentemente liberado pelas fezes, tornando-se imediatamente</p><p>infeccioso e permanecendo, assim, por meses em condições adequadas de temperatura</p><p>e umidade relativa do ar. No solo, a infectividade é reduzida quando a temperatura</p><p>ambiente está próxima de 4°C, tornando-se não infeccioso após 7 dias a 25°C.</p><p>Quando ingerido pelo hospedeiro, ocorre o desencistamento no duodeno, liberando</p><p>os trofozoítos, que colonizam o duodeno, multiplicam-se e, posteriormente, iniciam</p><p>migração para as porções terminais do intestino onde sofrem o encistamento. Os</p><p>cistos então formados são eliminados juntamente com as fezes.</p><p>Os trofozoítos são as formas ativas no hospedeiro, sendo que a forma infectante são</p><p>os cistos, multiplicando-se no intestino. Os trofozoítos têm proteínas de adesão às</p><p>células da mucosa e geralmente não são arrastados com as fezes. Alguns trofozoítos</p><p>transformam-se em cistos, que são formas resistentes, mas inativas, que são</p><p>arrastadas e excretadas com as fezes. No exterior, os cistos resistem</p><p>por semanas a</p><p>meses. Se forem ingeridos por algum animal, são ativados durante a passagem pelo</p><p>seu estômago e transformam-se em trofozoítos.</p><p>Características clínicas e diagnóstico</p><p>Varia conforme estado imunológico, condição nutricional e virulência da cepa. Os</p><p>animais vão apresentar diferentes manifestações clínicas, indo de casos assintomáticos</p><p>para sintomáticos e que podem ser persistentes, intermitentes ou autolimitantes.</p><p>Em cães, os sintomas observados são: fezes pastosas a aquosas, fétidas, em grandes</p><p>volumes, com esteatorreia e flatulência, geralmente sem muco ou sangue, caracterizando</p><p>uma síndrome mal absortiva por enteropatia de intestino delgado; dor abdominal,</p><p>desidratação e perda de peso também são observados.</p><p>A giardíase tem como sinal clínico a diarreia (Figura 34) e a má absorção intestinal. Os</p><p>trofozoítos se aderem entre as vilosidades intestinais na superfície da borda em cílios nas</p><p>células epiteliais, impedindo a absorção de gorduras. Em casos raros, ocorre infecção de</p><p>forma grave, com desidratação, letargia e anorexia. A doença pode ser assintomática em</p><p>alguns casos, como também ocorrer juntamente com outras enfermidades intestinais,</p><p>refletindo sinais clínicos de infecção subjacente.</p><p>115</p><p>DOENÇAS CAUSADAS POR PROTOZOÁRIOS COM DIAGNÓSTICO COPROPARASITOLÓGICO SIMPLES REALIZADOS│UNIDADE VII</p><p>REALIZADOS EM PEQUENOS ANIMAIS</p><p>Figura 34. Diarreia causada por Giardíase.</p><p>Fonte: Prevet... ([201-]).</p><p>Por não apresentar sinais patognomônicos, pode ser facilmente confundida com</p><p>outras enfermidades intestinais e tratada de maneira incorreta. Por isso, é de suma</p><p>importância realização de exames laboratoriais para a confirmação do diagnóstico.</p><p>O diagnóstico da giardíase pode ser clínico – em que se avalia os sinais nos</p><p>pacientes – ou laboratorial, realizado por coprocultura para pesquisa de cistos</p><p>ou trofozoítos nas fezes. Pode ser utilizado também o Método Direto (exame a</p><p>fresco) das fezes e, nas necropsias, será observado mucosa estomacal e intestinal</p><p>intumescidas, podendo ter presença de petéquias. Além desses exames, podemos</p><p>solicitar também, como complementares ao diagnóstcio clínico, o ELISA e o</p><p>aspirado duodenal.</p><p>Existe também a opção de solicitar o exame parasitológico de fezes, no qual são</p><p>preservados cistos de protozoários, ovos e larvas de helmintos, podendo ser</p><p>coletadas um total de três amostras em dias alternados, uma vez que a eliminação</p><p>de cistos é intermitente.</p><p>O teste ELISA de captura possui a vantagem de ser rápido e bastante preciso,</p><p>consistindo na detecção qualitativa in vitro de antígenos (GSA-65) nas fezes,</p><p>detectando tanto trofozoítos quanto cistos, mesmo que o animal não esteja</p><p>eliminando o agente no momento da realização do exame. É considerado</p><p>método sensível para a pesquisa de giárdia. Já o método pelo PCR (Polymerase</p><p>chain reaction) consiste na análise biomolecular para detecção e replicação de</p><p>fragmentos do material genético do agente, permitindo diagnóstico definitivo, por</p><p>se tratar de exame de alta especificidade.</p><p>Tratamento</p><p>O tratamento da giardíase, em animais, consiste na administração de medicamentos</p><p>anti-helmínticos, como Benzimidazólicos (Albendazol e Febendazol) e compostos a</p><p>116</p><p>UNIDADE VII │ DOENÇAS CAUSADAS POR PROTOZOÁRIOS COM DIAGNÓSTICO COPROPARASITOLÓGICO SIMPLES REALIZADOS</p><p>REALIZADOS EM PEQUENOS ANIMAIS</p><p>base de nitroimidazol (Metronidazol e Tinidazol). Além disso, são necessárias práticas</p><p>de boa higiene e prevenção de contaminação fecal em água e alimentos, tendo em</p><p>vista que a transmissão da giárdia é pela via oral-fecal. O controle da giárdia deve ser</p><p>realizado em canis pelos criadores e tutores de animais, possuindo quatro pilares:</p><p>1. Limpeza do ambiente: realizada de forma periódica, utilizando</p><p>desinfetante à base de amônia quaternária e alcatrão de pinho. Os</p><p>animais devem ser retirados do local e só retornarem após a secagem</p><p>total do ambiente.</p><p>2. Vermifugação dos animais: deverá ser feita a vermifugação dos animais e</p><p>somente levá-los ao local em que os mesmos irão residir após o término</p><p>do tratamento.</p><p>3. Higienização na pelagem dos animais: os animais devem ser higienizados</p><p>com shampoo comum para animais de estimação com intuito de remover</p><p>todo material fecal do pelo, sendo posteriormente enxaguado.</p><p>4. Prevenção e reinfecção: a reinfecção de giárdia em uma área limpa ocorre</p><p>apenas por meio de um animal infectado ou por transmissão através de</p><p>fômites.</p><p>117</p><p>CAPÍTULO 2</p><p>Cystoisosporose</p><p>Introdução</p><p>Antigamente, os membros desse gênero eram pertencentes ao gênero que é</p><p>corriqueiramente conhecido como Isospora. Hoje, com os estudos filogenênicos,</p><p>podemos classificar melhor os agentes, e, dessa forma, foi observado que as espécies de</p><p>isospora que infectavam os mamíferos, são mais parecidos com a família Sarcocystidae</p><p>e não com a família Eimeriidae, ao qual pertence o Isospora spp.</p><p>Assim, a classificação sugerida coloca os agentes que provocam a “isosporose” nos</p><p>mamíferos na nova família e com uma nova nomenclatura, na qual são chamados de</p><p>Cystoisosporas da família Sarcocystidae. Ficaram então separados dos Isosporas spp,</p><p>pertencentes a família Eimeriidae, que provocam patogenias nas aves e repteis.</p><p>Ambos possuem distribuição cosmopolita, isto é, encontrados em todos os continetes e</p><p>infectando quase todas as espécies de seres vivos, desde mamíferos e aves. Comumente</p><p>encontrados no intestino de mamíferos, ela provoca lesões na parede intestinal,</p><p>destruindo o epitélio, e são eliminados nas fezes na forma de oocistos que iram</p><p>contaminar o solo ou a água. Contaminando estes ambientes, podem contaminar os</p><p>alimentos ingeridos pelos animais e água que bebem.</p><p>Quando é eliminado, em sua forma de oocisto, não esporulado, sendo esta a forma</p><p>resistente no micro-organismo ao ambiente que irá ficar. Quando este mesmo ambiente</p><p>promove adequada condição (temperatura, umidade e oxigenação), este oocisto não</p><p>esporulado irá esporular, tornando-se infectante, assim, ficando apto a colonizar novos</p><p>hospedeiros</p><p>Após ingerido, o Cystoisospora faz um ciclo denominanodo heteróxeno facultativo,</p><p>com ciclos intestinais e extra intestinais. Podemos ter dois tipos de hospedeiros nesse</p><p>caso: animais que serão definitivos, daí o agente infeccioso irá realizar tanto o ciclo</p><p>intestinal e extraintestinal (formação de cisto monozoico). Quando infectam os possíveis</p><p>hospedeiros paratênicos, ocorre o ciclo extraintestinal somente. O ciclo fica da seguinte</p><p>forma como mostra a Figura 35.</p><p>118</p><p>UNIDADE VII │ DOENÇAS CAUSADAS POR PROTOZOÁRIOS COM DIAGNÓSTICO COPROPARASITOLÓGICO SIMPLES REALIZADOS</p><p>REALIZADOS EM PEQUENOS ANIMAIS</p><p>Figura 35. Ciclo representativo e processo de infecção e contaminação dos</p><p>hospedeiros de Cystoisospora spp.</p><p>Excreção</p><p>Fertilização</p><p>Gametogonia</p><p>Merogonia</p><p>Endodiogenia</p><p>Hospedeiro</p><p>definitivo</p><p>(predador)</p><p>Excistação</p><p>Digestão do Cisto</p><p>Cisto Monozoico no tecido</p><p>extraintestinal</p><p>Ingestão</p><p>Esporozoítos</p><p>deixam o</p><p>intestino</p><p>Excitação</p><p>Ingestão por</p><p>hospedeiros</p><p>paratênicos</p><p>Opcional para</p><p>Cystoisospora</p><p>apenas</p><p>Infeccioso</p><p>Ooscisto</p><p>esporulado</p><p>Oocisto não</p><p>esporulado</p><p>Fonte: Madeira ([2018]).</p><p>O ciclo fica da seguinte forma, segundo Alda Maria B.N. Madeiro da ICB USP (MADEIRA,</p><p>[2018], n. p.):</p><p>1. O ciclo de vida se inicia pela ingestão de um oocisto esporulado pelo</p><p>suscetível.</p><p>2. As paredes do oocisto são rompidas no trato digestivo e os esporozoítos</p><p>aderem e penetram as células do epitélio intestinal.</p><p>3. Divisão celular por uma série de endodiogenias (reprodução</p><p>assexuada) e geração de merozoítos.</p><p>4. Formação de esquizogonia e replicação por esquizogonia.</p><p>Rompimento das células intestinais com liberação de merozoítos.</p><p>Isospora/Cystoisospora – ciclo monoxeno com liberação de merozoítos.</p><p>5. Penetração de merozoítos em células intestinais e diferenciação em</p><p>macro- e microgametócitos.</p><p>119</p><p>DOENÇAS CAUSADAS POR PROTOZOÁRIOS COM DIAGNÓSTICO COPROPARASITOLÓGICO SIMPLES</p><p>patologias nos animais</p><p>e nos humanos. Em contrapartida, é um dos agentes que mais provocam doenças nesses</p><p>seres, principalmente em regiões geográficas tropicais e subtropicais.</p><p>Protozoário significa “primeiro animal”. Eles têm capacidade de se reproduzir, se</p><p>alimentar e, quando parasitas, se locomover. Se multiplicam assexuadamente por</p><p>fissão, brotamento ou esquizogonia e também sexuadamente, por conjugação, por</p><p>exemplo, porém esta prática é mais restrita a algumas espécies.</p><p>Outra característica dos protozoários é o potencial de produzirem uma cápsula protetora</p><p>contra as adversidades, denominada cisto (Figura 2). O encistamento pode até mesmo</p><p>proporcionar a estabilidade do micro-organismo fora de seus hospedeiros naturais,</p><p>principalmente para infectarem novos hospedeiros ou perante ausência de alimentos e</p><p>condições climáticas desfavoráveis.</p><p>Figura 2. Imagem demonstrando cistos de Isospora spp.</p><p>Fonte: Próprio autor (arquivo pessoal).</p><p>13</p><p>INTRODUÇÃO AOS FUNGOS E PROTOZOÁRIOS │ UNIDADE I</p><p>Temos alguns filos de protozoários de importância clínica, como os Archezoa,</p><p>que são eucariotos que não possuem mitocôndria, possuindo forma de fuso com</p><p>flagelos na extremidade frontal – muitas destas espécies vivem em simbiose</p><p>no trato digestivo de animais. Um dos seus representantes é a Giardia lamblia/</p><p>duodenalis. Outro filo é a Microspora, que também não possui mitocôndrias e</p><p>são obrigatoriamente parasitos intracelulares. Temos também o filo Amoebozoa,</p><p>representado pelas famosas amebas, com movimentos de extensão de projeções</p><p>citoplasmáticas (pseudópodes), e a Acanthamoebas spp.</p><p>O filo Apicomplexa, é um dos mais famosos, com representantes como Plasmodium</p><p>(malária), Babesia spp, Toxoplasma gondii e Cryptosporidium. São protozoários</p><p>que não se locomovem quando adultos e são obrigatoriamente intracelulares,</p><p>mas possuem um complexo de enzimas em seus ápices que serve para penetrar os</p><p>tecidos. O Plasmodium, por exemplo, é inoculado nos seres humanos na forma de</p><p>esporozoítos, vão para as células do fígado, onde sofrem divisão (esquizogonia),</p><p>produzindo os merozoítos, que caem na circulação e infectam as hemácias,</p><p>perpetuando seu ciclo assexuado ou desenvolvendo o ciclo sexuado.</p><p>O Ciliophora é outro representante dos protozoários, apresentando cílios em fileiras</p><p>milimetradas. Há também o filo Euglenozoa, que inclui o grupo das células flageladas,</p><p>com mitocôndria em forma de disco e ausência de reprodução sexuada. Como seu</p><p>representante temos os Trypanossomas. Podemos ver alguns dos protozoários na</p><p>Figura 3.</p><p>Figura 3. Alguns dos protozoários encontrados no sangue e nas fezes.</p><p>Plasmodium falciparum Trypanossoma brucei gambiense</p><p>Entamoeba</p><p>histolytica</p><p>Fonte: Thpanorama ([201-]).</p><p>Os protozoários, na medicina veterinária, são bem conhecidos e causam inúmeras</p><p>doenças que, no cotidiano da clínica médica, são muito frequentes. Dessa forma, são</p><p>listados a seguir os principais agentes e as doenças causadas por eles:</p><p>14</p><p>UNIDADE I │ INTRODUÇÃO AOS FUNGOS E PROTOZOÁRIOS</p><p>» Entamoeba histolytica – conhecida como Amebíase, a</p><p>doença provoca diarreia ou disenteria intermitente e acomete</p><p>principalmente cães e gatos;</p><p>» Babesia canis – conhecida como Babesiose canina, a doença</p><p>provoca uma anemia severa, pois ataca diretamente as</p><p>hemáceas, causando também hemoglobinúria, mucosas</p><p>amareladas e fadiga. Esta é transmitida pela picada do carrapato</p><p>infectado.</p><p>» Babesia caballi – conhecida como Nutaliose, a doença acomete</p><p>equinos tem os mesmos sinais e sintomas da babesiose canina e</p><p>também é transmitida pela picada de carrapatos;</p><p>» Giárdia lambria – conhecida como Giardíase, a doença</p><p>provoca diarreia com coloração esbranquiçada e forte odor,</p><p>além de dores abdominais. Acomete principalmente animais</p><p>de pequeno porte jovens e é transmitida pela ingestão de água</p><p>contaminada;</p><p>» Toxoplasma Gondii – conhecida como Toxoplasmose, a doença</p><p>tem como seu principal reservatório os gatos, causando-lhes</p><p>sintomas nos sistemas pulmonar, hepático, nervoso, ocular e</p><p>pancreático. Pode acometer também cães causando distúrbios</p><p>neuromusculares, gastrointestinais e respiratórios;</p><p>» Trypanossoma evansi – conhecida como Mal das cadeiras,</p><p>a doença é quase que excluviva de equinos, porém já foram</p><p>relatados casos em cães, lobos e raposas e apresenta anemia</p><p>progressiva, aumento de linfonodos, baço e em alguns casos</p><p>fígado;</p><p>» Leishmania – conhecida como Leishmaniose, é uma perigosa</p><p>zoonose que acomete cães, transmitida pela picada de um</p><p>mosquito infectado. Esta apresenta sintomas específicos com</p><p>suas duas formas, a Visceral e Calazar;</p><p>» Elimeria – conhecida como Eimeriose ou Diarreia vermelha, a</p><p>doença acomete o epitélio digestivo de aves e ruminantes;</p><p>» Crytosporidium parvum – conhecida como Criptosporidiose,</p><p>a doença apresenta diarreia severa em cães, podendo levar</p><p>à morte e acomete também gatos, geralmente de forma</p><p>assintomática [sic]. (DIAS, 2012, n. p.)</p><p>15</p><p>UNIDADE II</p><p>ALGUNS FUNGOS</p><p>CAUSADORES</p><p>DE PATOGENIAS</p><p>EM PEQUENOS</p><p>ANIMAIS</p><p>CAPÍTULO 1</p><p>Esporotricose</p><p>Histórico</p><p>A esporotricose foi descrita pela primeira vez por Benjamin Schenck, em um</p><p>humano, com isolamento do fungo em 1898, no Johns Hopkins Hospital em</p><p>Baltimore, nos Estados Unidos. Schenck descreveu o fungo como relacionado</p><p>a Sporotricha, uma vez que a amostra enviada ao micologista Erwin F. Smith</p><p>havia sido identificada como pertencente ao gênero Sporotrichum. O segundo</p><p>caso humano só foi descrito em 1900, por Hektoen e Perkins, causando abscesso</p><p>subcutâneo, posterior desenvolvimento de lesão ulcerada e nódulos, além de</p><p>linfangite secundária a um ferimento causado por uma martelada no dedo</p><p>indicador. Nesse caso, o agente foi isolado e denominado pelos autores de</p><p>Sporothrix schenckii.</p><p>Quando isolado na França, em 1903, o fungo foi chamado de Sporotrichum</p><p>beurmanni. Até que, em 1921, Matruchot reconheceu que cepas originárias da França</p><p>e dos Estados Unidos eram idênticas e que o agente etiológico da esporotricose</p><p>pertencia a uma espécie única, denominada Sporothrix schenckii. No Brasil, em</p><p>1907, Lutz e Splendore descreveram a primeira infecção natural de esporotricose</p><p>em ratos, além do relato de cinco casos da doença em seres humanos. Em 1912, foi</p><p>descrito o primeiro caso de esporotricose humana no Rio de Janeiro e após quatro</p><p>anos novos casos foram registrados em outros estados brasileiros (ROCHA, 2014).</p><p>Na medicina veterinária, essa doença começou a ganhar destaque quando a</p><p>primeira citação da doença naturalmente adquirida em gatos foi realizada nos</p><p>16</p><p>UNIDADE II │ ALGUNS FUNGOS CAUSADORES DE PATOGENIAS EM PEQUENOS ANIMAIS</p><p>Estados Unidos por Singer e Muncie em 1952. Tais autores descreveram um caso</p><p>humano possivelmente relacionado ao manuseio de um gato com esporotricose.</p><p>Aqui no Brasil, o primeiro animal a adoecer pela doença foi no ano de 1956 e, na</p><p>sequência, os mesmos autores publicaram oito casos em felinos e 12 casos em caninos,</p><p>correspondendo à maior casuística durante anos.</p><p>Aspectos epimiológicos</p><p>Na esporotricose, o agente etiológico é o fungo Sporothrix schenckii, S. brasiliensis,</p><p>S. globosa, S. mexicana e S. luriei, dos quais o S. brasiliensis é o mais prevalente no</p><p>Brasil. Pertence à família Ophiostomataceae, ordem Ophiostomatales, subclasse</p><p>Euascomycetes, divisão Ascomycota. Tem como características a monoespecificidade</p><p>e o dimorfismo, ou seja, possui aspectos micro e macromorfológico distintos, em</p><p>função do substrato e da temperatura.</p><p>Esse micro-organismo existe como saprófito no solo e debris orgânicos. Quando em</p><p>vida parasitária, em temperatura corpórea de 37°C, que é a temperatura corporal</p><p>de humanos e felinos, ou em cultivo fúngico, em meios ricos (ágar-Infusão cérebro-</p><p>coração/BHI) também a 37°C, cresce como levedura (forma “Y”, de “Yeast”),</p><p>assumindo forma “em charuto”, “ovaloide” ou arredondado (Figura 4). Quando</p><p>cultivado em ágar Sabouraud, a temperatura ambiental (25 a 30°C), tem crescimento</p><p>micelial (forma</p><p>REALIZADOS│UNIDADE VII</p><p>REALIZADOS EM PEQUENOS ANIMAIS</p><p>6. Fertilização dos macrogametas pelos microgametas biflagelados</p><p>(gametogonia).</p><p>7. Formação do oocisto, rompimento da célula intestinal e liberação do</p><p>oocisto maduro nas fezes.</p><p>8. Esporulação no meio ambiente, sob condições de aeração, umidade e</p><p>temperatura adequadas.</p><p>Somente para Cystoisospora – ciclo heteroxeno facultativo:</p><p>1. Os oocistos são ingeridos pelo hospedeiro definitivo ou pelo hospedeiro</p><p>paratênico (ex. rato).</p><p>2. Excistação e invasão de células com a formação de um cisto monozoico,</p><p>um único hipnozoíto não replicativo circundado por uma cápsula.</p><p>3. Ingestão do hospedeiro paratênico pelo hospedeiro definitivo.</p><p>4. Digestão do tecido e liberação de esporozoítos.</p><p>Nos cães, temos como espécies mais comuns os C. canis e o C. ohioensis, parasitando</p><p>os intestinos delgado e grosso. Os oocistos de C. canis são levemente ovalados com a</p><p>membrana externa lisa e de coloração esverdeada, com um pequeno lóbulo.</p><p>Já nos gatos, as espécies mais comuns são os C. felis e C. rivolta, que podem ser</p><p>encontrados no intestino delgado, ceco e cólon. Os ovos de C. felis tem aparência</p><p>ovalada com uma coloração mais amarelada.</p><p>Em ambos os casos, é mais comum a contaminação de animais mais jovens, em</p><p>decorrência tanto da pouca imunidade e fragilidade intestinal para proliferação do</p><p>micro-organismo quanto pela forma de vida dos animais mais jovens (descoberta</p><p>dos objetos, inquietude, e curiosidade, que os levam a explorarem em ambientes</p><p>possivelmente contaminados.</p><p>Características clínicas e diagnóstico</p><p>Geralmente as infecções pelo agente permanecem subclínicas, mas nas infecções de</p><p>animais jovens, a sintomatologia é mais evidente. Como são parasitas, aderem-se no</p><p>epitélio intestinal, cada qual em seu local de predileção (de acordo com a espécie de</p><p>isospora em questão) e ali vão provocar alterações no muco intestinal.</p><p>A gravidade da infecção é relacionada à carga parasitária e ao local onde se aderem,</p><p>de modo que, dependendo da espécie de esquizontes que se aderem e colonizam o</p><p>120</p><p>UNIDADE VII │ DOENÇAS CAUSADAS POR PROTOZOÁRIOS COM DIAGNÓSTICO COPROPARASITOLÓGICO SIMPLES REALIZADOS</p><p>REALIZADOS EM PEQUENOS ANIMAIS</p><p>intestinal do animal, as lesões podem provocar até hemorragias e quando mais é</p><p>mais branda, com espécies de esquizontes menos invasivos, podem somente alterar a</p><p>absorção local decorrente das alterações inflamatórias provocadas bem como o espaço</p><p>que ocupa torna-se inerte a mesma.</p><p>Presença de úlceras na mucosa intestinal é recorrente na infecção pelo parasito em</p><p>questão e a partir desse ponto podem ocorrer infecções secundárias bacterianas</p><p>oportunistas. A partir daqui, ocorre uma evolução que pode levar a enterite grave,</p><p>provocando inflamação catarral com presença de sangue e pus. Septicemia de peritônio</p><p>podem ocorrer quando a ulcera evolui.</p><p>Em ambas as espécies, o conceito de baixa patogenicidade é discutido e sua expressão</p><p>clínica nos animais é mais ligada a fatores de infecção secundária que agrava o quadro,</p><p>como a presença de infecções virais ou processos imunossupressores. Dessa forma,</p><p>o organismo não consegue controlar a parasitemia, ou, a sintomatologia é referida a</p><p>ingestão de uma carga parasitária muito alta, tendo assim uma primo infecção com</p><p>ataque multifocais e números micro-organismos ao mesmo tempo e consequente perca</p><p>do controle imune.</p><p>Tanto felinos como caninos podem apresentar quadro diarreico, às vezes com presença</p><p>de muco e sangue, vômito, desidratação (comum em quadros clínicos agudos intensos)</p><p>e a morte de alguns animais em quadro graves. Vômitos e anorexia também são relatos,</p><p>consequentemente perda de peso. Dependendo do qudro do animal hospedeiro, a</p><p>doença pode leva-lo a morte.</p><p>O principal diagnóstico é realizado por meio de exames coproparasitológicos e sinais</p><p>clínicos apresentados. Os sinais, por serem mais inespecíficos, não direcionam tanto</p><p>para o diagnóstico de cystoisospora, mas, sim, para a infecção parasitária, que dá o</p><p>indício e a suspeita para o clínico, o qual solicitará exames coproparasitológicos para</p><p>identificação da espécie em questão. A técnica de flotação em solução salina (Tecnica</p><p>de Willis Mollay) permite a separação da maioria dos parasitoss dos detritos fecais, pois</p><p>promove flutuação dos oocistos, portanto a análise é feita como filme da superfície da</p><p>solução. Nas fezes, observamos os oocistos (Figura 36), mas isto para isospora é mais</p><p>complicado já que a fase diarreica ocorre quase sempre antes da formação dos oocistos</p><p>que são eliminados, por isso, esses exames são pedidos em pareado, frente ao ciclo do</p><p>parasita e aumentando a chances para o diagnóstico.</p><p>121</p><p>DOENÇAS CAUSADAS POR PROTOZOÁRIOS COM DIAGNÓSTICO COPROPARASITOLÓGICO SIMPLES REALIZADOS│UNIDADE VII</p><p>REALIZADOS EM PEQUENOS ANIMAIS</p><p>Figura 36. Oocisto de cystoisospora sp. Encontrados em fezes de um filhote de cão da raça Poodle.</p><p>Fonte: Arquivo pessoal do autor.</p><p>Menos rotineira, mas que pode ser utilizada como método de diagnóstico, é a</p><p>colonoscopia, exame no qual é possível observar as lesões no intestino bem como retirar</p><p>fragmentos em biópsias, os quais serão enviados para exames histopatológicos em que</p><p>serão observadas as formas endógenas do parasita.</p><p>Existem exames moleculares para o diagnóstico de cystoisosporose, mas não são muito</p><p>utilizados comercialmente, bem como exames sorológicos.</p><p>Tratamento</p><p>Podemos começar por um tratamento de suporte de acordo com a sintomatologia que</p><p>o animal está apresentando. Fluidoterapia, anti-inflmatórios, anti-diarréicos e até</p><p>mesmo antibióticos (quando ocorre infecção secundária) devem ser administrados.</p><p>Medicamentos como sulfas e sulfa-trimetropim são recomendados na literatua, em</p><p>um tratamento de 10 a 20 dias e podem ser administrados juntos, probióticos. Esses</p><p>medicamentos não têm ação de matar diretamente os micro-organismos, mas possuem</p><p>ação que inibe o desenvolvimento deles e permite que as defesas dos animais eliminem</p><p>o agente. Sulfadimetoxina oral a 50 mg/kg por dia durante 5 a 20 dias consecutivos ou</p><p>trimetoprim-sulfonamida oral a 15-30 mg/kg para animais com menos de 4 kg e 30-</p><p>60 mg/kg para animais pesando mais de 4 kg, por no mínimo 6 dias. Uma alternativa,</p><p>122</p><p>UNIDADE VII │ DOENÇAS CAUSADAS POR PROTOZOÁRIOS COM DIAGNÓSTICO COPROPARASITOLÓGICO SIMPLES REALIZADOS</p><p>REALIZADOS EM PEQUENOS ANIMAIS</p><p>pensando em dose única, é o toltrazuril oral a 10 mg/kg ou o ponazuril oral a 50 mg/kg</p><p>por dia durante 3 dias.</p><p>Como tratamento, o controle e a profilaxia são o melhor “remédio”. Isolamento dos</p><p>animais doentes, para que não contaminem o ambiente onde outros animais vivem,</p><p>é eficaz, juntamente com a desinfecção do ambiente com hipoclorito a 10% ou outro</p><p>desinfetante próprio, diariamente, além de manter o controle de vetores, como moscas,</p><p>ratos e baratas.</p><p>123</p><p>UNIDADE VIII</p><p>DOENÇAS</p><p>CAUSADAS POR</p><p>PROTOZOÁRIOS</p><p>EM PEQUENOS</p><p>ANIMAIS COM</p><p>GRANDE IMPACTO</p><p>NA SAÚDE PÚBLICA</p><p>CAPÍTULO 1</p><p>Leishmaniose visceral canina</p><p>Introdução</p><p>As leishmanioses são antropozoonoses que representam um grande problema para</p><p>a saúde pública devido à sua incidência e alta taxa de letalidade. Atualmente</p><p>encontra-se entre as seis endemias consideradas prioritárias no mundo, tornando-a</p><p>uma das doenças mais importantes mundialmente. A leishmaniose visceral canina</p><p>(LVC) apresenta ampla distribuição mundial e nacional, havendo referência da</p><p>ocorrência de infecção (casos autóctones) em cerca de 90 países. Nas Américas,</p><p>aproximadamente 90% dos casos humanos de LV têm sido registrados no Brasil.</p><p>A LVC é uma afecção causada por um protozoário do gênero Leishmania, que</p><p>acomete os cães, que são considerados, no ciclo urbano de transmissão, os</p><p>principais reservatórios para o homem. Porém, animais silvestres como lobos,</p><p>coiotes e raposas, também podem funcionar como fonte de infecção. No Brasil,</p><p>a LVC é transmitida através da picada do mosquito pertencente à família dos</p><p>flebotomídeos,</p><p>sendo a espécie Lutzomyia longipalpis, conhecido popularmente</p><p>por mosquito-palha, birigui ou tatuquiras, o principal vetor. A leishmaniose visceral</p><p>(LV), ou Calazar (Kala – azar), é uma doença sistêmica grave que atinge as células</p><p>do sistema mononuclear fagocitário, afetando principalmente órgãos como o baço,</p><p>fígado, linfonodos, medula óssea e pele.</p><p>124</p><p>UNIDADE VIII │ DOENÇAS CAUSADAS POR PROTOZOÁRIOS EM PEQUENOS ANIMAIS COM GRANDE IMPACTO NA SAÚDE PÚBLICA</p><p>Os cães são de grande importância na manutenção do ciclo da doença. Esta importância</p><p>advém de o fato da leishmaniose ser mais prevalente na população canina que na</p><p>humana, uma vez que os casos humanos normalmente são precedidos por casos</p><p>caninos, e porque os cães apresentam uma maior quantidade de parasitas na pele do que</p><p>o homem, o que favorece a contaminação por vetores. Os reservatórios são infectados a</p><p>partir da picada das fêmeas dos flebotomídeos.</p><p>Características clínicas e diagnóstico</p><p>È uma doença que acomete vários locais, desta forma o início dos sinais está vinculado</p><p>com a migração do agente no organismo do animal, bem como no local de inoculação. A</p><p>primeira instância, os sinais parecem na pele, onde ocorre a picada do inseto, e a partir</p><p>deste ponto o mesmo discemina pelo organismo.</p><p>Esta característica sistêmica que a doença apresenta, faz com que ela tenha uma</p><p>diversidade de sinais, dependendo do órgão que irá afetar.</p><p>Nos exames de sangue, o animal pode apresentar trombocitopenia, anemia normocítica</p><p>normocrômica, linfopenia, leucocitose com desvio a esquerda. Já na série bioquímica,</p><p>observa-se aumento de ureia e ALT, creatinina normal ou aumentada e baixa</p><p>concentração de albumina. Pode ser observado ainda a hiperproteinemia, leucopenia</p><p>vinculada a linfopenia ou leucocitose.</p><p>No ultrassom ou no raio X, podemos observar alterações no tamanho dos orgâo e</p><p>na sua localização devido a deslocamentos. Hepatoesplenomegalia, esplenomegalia,</p><p>linfodenomegalia e hiperqueratose, são comuns. Estes são afetados pela deposição de</p><p>imunocomplexos.</p><p>Na técnica de histologia, já foi relatada a presença de deposições de fibras de colágenos</p><p>(fibrose) associada ao parasitismo tecidual e a processos degenerativos e inflamatórios.</p><p>Praticamente todos os cães (90%) desenvolvem também algum envolvimento</p><p>cutâneo (Figura 37). As alterações sistêmicas mais comumente observadas</p><p>são linfadenopatia, emaciação, sinais compatíveis com doença renal (poliúria,</p><p>polidipsia, vômito), neuralgia, poliartrite, poliomiosite. Aproximadamente um</p><p>terço dos pacientes apresenta febre e esplenomegalia. Dentre os sinais cutâneos,</p><p>podemos citar hiperqueratose, pelagem seca e quebradiça, perda de pelos e unhas</p><p>anormalmente longas ou quebradiças (onicogrifose) (Figura 38), o que constitui</p><p>em um achado específico em alguns pacientes. Alguns autores, observaram nos</p><p>cães naturalmente infectados por Leishmania, principalmente, linfoadenomegalia,</p><p>125</p><p>DOENÇAS CAUSADAS POR PROTOZOÁRIOS EM PEQUENOS ANIMAIS COM GRANDE IMPACTO NA SAÚDE PÚBLICA│UNIDADE VIII</p><p>alterações dermatológicas, hiporexia, onicogrifose, emaciação, mucosas pálidas,</p><p>sinais oculares, hipertermia, êmese e diarreia.</p><p>Figura 37. Lesões cutâneas em animal com Leishmaniose.</p><p>Fonte: UFMG ([201-]).</p><p>Figura 38. Animal com ornicogrifose e lesão típica para leishmaniose.</p><p>Fonte: Marcondes; Vasconcellos ([201-]).</p><p>O diagnóstico clínico da LV é difícil de ser realizado devido à diversidade de apresentação</p><p>clínica da doença. Além disso, homens e animais, podem permanecer assintomáticos por</p><p>toda a vida ou desenvolver sinais clínicos após períodos que variam de três meses a um</p><p>ano. No Brasil, a forma assintomática é encontrada com índices variados, geralmente</p><p>representa de 40 a 60% da população canina soropositiva.</p><p>A confirmação do diagnóstico da LVC baseia-se em métodos parasitológicos, sorológicos</p><p>e moleculares. Como não há nenhum método diagnóstico considerado 100% sensível e</p><p>específico, cada um deles apresenta vantagens e desvantagens e são indicados conforme</p><p>126</p><p>UNIDADE VIII │ DOENÇAS CAUSADAS POR PROTOZOÁRIOS EM PEQUENOS ANIMAIS COM GRANDE IMPACTO NA SAÚDE PÚBLICA</p><p>aspectos clínicos e laboratoriais apresentados pelo animal bem como o momento de</p><p>sua infecção.</p><p>O diagnóstico parasitológico (Figura 39) é considerado, por alguns autores, exame</p><p>essencial, no qual se observam as formas amastigotas da Leishmania em esfregaços de</p><p>linfonodos, medula óssea, aspirado esplênico, biópsia hepática e esfregaços sanguíneos.</p><p>A especificidade desse método é de 100%, mas a sensibilidade depende do grau do</p><p>parasitismo, do tipo de material biológico coletado, do seu processamento e coloração,</p><p>além do observador. Em situações de parasitismo intenso, o diagnóstico é rápido e</p><p>seguro, porém, em muitos casos, especialmente em animais assintomáticos, a pouca</p><p>quantidade de parasitas nos tecidos torna esse método diagnóstico difícil e duvidoso.</p><p>Figura 39. Formas amastigota intracelular de Leishmania infantum em macrófago na citologia de medula óssea.</p><p>Fonte: Krämer (2011).</p><p>Quanto aos exames sorológicos, em geral, apresentam alta sensibilidade e especificidade,</p><p>porém, não são indicados nos primeiros 3 a 5 meses de infecção particularmente em</p><p>animais assintomáticos (janela imunológica ou de soroconversão, que é o tempo</p><p>decorrido entre a infecção e a formação de anticorpos anti-Leishmania spp passíveis</p><p>de serem detectados por esses métodos).</p><p>Existem, rotineiramente disponíveis no mercado nacional, tanto métodos sorológicos</p><p>qualitativos quanto aqueles considerados quantitativos. Em relação aos primeiros</p><p>(testes rápidos comerciais – imunocromatográficos, ELISA), apresentam a vantagem de</p><p>fornecerem resultados rápidos, porém, são indicados como métodos de triagem, sendo</p><p>recomendado, nos casos positivos, que se proceda a confirmação do diagnóstico por</p><p>outros métodos (sorológico quantitativo, parasitológico e/ou molecular, entre outros).</p><p>As técnicas sorológicas recomendadas pelo Ministério da Saúde para o inquérito canino</p><p>são a imunofluorescência indireta (RIFI) e o ensaio imunoenzimático (ELISA), das quais</p><p>a RIFI é considerado o teste de eleição para ser utilizado em inquéritos epidemiológicos.</p><p>127</p><p>DOENÇAS CAUSADAS POR PROTOZOÁRIOS EM PEQUENOS ANIMAIS COM GRANDE IMPACTO NA SAÚDE PÚBLICA│UNIDADE VIII</p><p>Estudos demonstram que a RIFI apresenta títulos sorológicos mais elevados em</p><p>animais sintomáticos quando comparados aos oligossintomáticos, que, por sua vez,</p><p>apresentam títulos sorológicos superiores aos cães assintomáticos. Entretanto, esta</p><p>correlação nem sempre é constatada, pois é dependente de inúmeros fatores tais como:</p><p>parasitismo, estágio clínico, resposta imune, entre outros. Alguns cães assintomáticos</p><p>podem apresentar altos títulos e cães sintomáticos podem apresentar baixos títulos</p><p>(REIS, 2006). Dependendo do antígeno utilizado e das condições da RIFI (validade</p><p>do kit, forma de acondicionamento), sua sensibilidade pode variar entre 90% e 100%</p><p>e a especificidade de 80% a 100%, valores semelhantes aos obtidos utilizando o teste</p><p>de ELISA, que pode apresentar uma sensibilidade que varia de 80% a 99,5% e uma</p><p>especificidade entre 81% e 100%.</p><p>Dentre os métodos moleculares, a reação em cadeia da polimerase (PCR) permite</p><p>identificar e ampliar seletivamente sequências de DNA do parasita. Quanto à</p><p>técnica de PCR empregada, aquelas em tempo real apresentam maior sensibilidade</p><p>comparativamente às convencionais, uma vez que, nas primeiras, o risco de</p><p>contaminação da amostra é menor tendo em vista se tratar de uma técnica fechada.</p><p>Além disso, por meio dela, pode-se quantificar a carga parasitária pela possibilidade</p><p>de se determinar o número de cópias de DNA presentes na amostra biológica, o que</p><p>se considera ser importante quando do monitoramento do paciente sob terapia ou pós</p><p>tratamento de LVC. Abaixo (Figura 40) segue o fluxograma sugerido para o diagnóstico</p><p>de leishimaniose.</p><p>Figura 40. Fluxograma para diagnóstico de leishimaniose em cães.</p><p>Cão sintomático ou</p><p>assintomático</p><p>Exame sorológico de</p><p>ELISA e RIFI diluição total</p><p>Não Reagente Reagente em pelo</p><p>menos 1 teste</p><p>Reagente com RIFI ></p><p>ou igual a 1:640</p><p>Assintomático Sintomático</p><p>Métodos</p><p>preventivos</p><p>Exames parasitológicos de medula óssea ou</p><p>linfonodo e/ou imunohistoquímica</p><p>Negativo Positivo</p><p>Repetir exame</p><p>em 1 mês</p><p>Diagnóstico</p><p>de infecção</p><p>Reconsiderar</p><p>diagnósticos</p><p>diferenciais</p><p>Métodos</p><p>Preventivos</p><p>Fonte: Patologia... (2018).</p><p>128</p><p>UNIDADE VIII │ DOENÇAS CAUSADAS POR PROTOZOÁRIOS EM PEQUENOS ANIMAIS COM GRANDE IMPACTO NA SAÚDE PÚBLICA</p><p>Tratamento</p><p>O tratamento é indicado de forma multimodal, associando fármacos leishmanicidas e</p><p>leishmaniostáticos, imunoestimulantes e imunomoduladores.</p><p>A miltefosina, um dos medicamentos utilizados para tratamento da leishimaniose, foi</p><p>por, muito tempo, proído de ser usado em animais, mas muitos veterinários faziam</p><p>este tratamento de forma ilegal. Muito tempo depois, esse medicamento foi aprovado</p><p>pela Nota Técnica nº 11/2016 MAPA. A composição da miltefosina tem como base a</p><p>hexadecilfosfocolina. O medicamento atua através da modificação dos ácidos graxos e</p><p>do esterol, bem como induz a ativação de mecanismo idêntico à apoptose e a disfunção</p><p>mitocondrial. É considerado um quimioterápico, sendo assim necessários os devidos</p><p>cuidados de manipulação e armazenamento para manter a eficácia.</p><p>Todo medicamento tem que ser usado de acordo com a dose indicada pelo fabricante,</p><p>sendo, nesse caso, de 2 mg/kg via oral, por 28 dias, continuando em concentrações</p><p>plasmáticas por até 28 dias após o termino do tratamento.</p><p>Tratando-se de um quimioterápico, não deve ser administrado em gestantes. Possui</p><p>efeitos colaterais gastrointestinais, como vômitos, diarreia e falta de apetite. O foco do</p><p>medicamento não é a eliminação do parasita, sendo assim cabível a utilização de outros</p><p>medicamentos, como os protocolos a seguir citados por Danielle Marques de Oliveira e</p><p>Mirna Ribeiro Porto (2017):</p><p>I. Leishmaniostáticos (Alopurinol); Imonumoduladores (Marbofloxacina);</p><p>Leishmanicida (Miltefosina) (NISHIDA, 2017).</p><p>II. Antifúngicos como cetoconazol associados ao antiprotozoário; metronidazol e ao</p><p>leishmaniostático - alopurinol (NERY, 2017).</p><p>III. Antifúngicos: anfotericina B e anfotericina B lipossomal (PINHÂO, 2009).</p><p>IV. Leishmanicida: miltefosina com leishmaniostático: alopurinol (PINHÃO, 2009)</p><p>V. Leishmanicida: antimoniato de N-metilglucamina com Leishmaniostático</p><p>(Alopurinol) (PINHÃO, 2009).</p><p>VI. Leishmanicidas: miltefosine em associação com Antimoniato de Meglumine e</p><p>Alopurinol (SILVA, 2016).</p><p>Logo abaixo (Quadro 2) segue estadiamento e tratamento da LVC segundo Brasileish</p><p>(2018):</p><p>129</p><p>DOENÇAS CAUSADAS POR PROTOZOÁRIOS EM PEQUENOS ANIMAIS COM GRANDE IMPACTO NA SAÚDE PÚBLICA│UNIDADE VIII</p><p>Quadro 2. Estadiamento e Tratamento para LVC.</p><p>Estádios</p><p>clínicos</p><p>Sorologia Sinais clínicos Resultados laboratoriais Terapia Prognóstico</p><p>ESTÁDIO</p><p>1</p><p>Sem doença</p><p>Positiva com níveis de</p><p>anticorpos de baixos a</p><p>médios; parasitológico</p><p>negativo.</p><p>Ausentes Sem alterações</p><p>Imunoterapia</p><p>+</p><p>Imunomodulação Bom</p><p>ESTÁDIO</p><p>2</p><p>Sem Doença/</p><p>Doença leve</p><p>Negativa ou positiva</p><p>com níves de anticorpos</p><p>de baixos a médios;</p><p>parasitológico positivo.</p><p>Sinais clínicos ausentes</p><p>a leves, como</p><p>linfadenopatia periférica</p><p>dermatite papular</p><p>emagrecimento discreto. Geralmente sem Alterações, Peril</p><p>renal normal.</p><p>Imunoterapia</p><p>+</p><p>imunomodulação</p><p>+alopurinal</p><p>+miltefosina</p><p>Bom</p><p>ESTÁDIO</p><p>3</p><p>Doença</p><p>moderada</p><p>Positiva com nìves de</p><p>anticorpos baixos a altos</p><p>parasitológico positivo</p><p>Sinais do estádio 2 além</p><p>de outros com lesões</p><p>cutâneas difusas ou</p><p>simétricas, anicogrifose,</p><p>ulcerações, anorexia e</p><p>emagrecimento</p><p>Anemia não regenerativa leve,</p><p>hipergamaglobulinemia,</p><p>hipoalbuminemia,</p><p>síndrome da hiperviscisidade do</p><p>soro (proteínas totais >12 g\</p><p>dl) oriundos da formação de</p><p>imunocomplexos, tais como uveite</p><p>e glomerulonefrite.</p><p>Subestádios</p><p>» Perfil renal normal (Creatinina <</p><p>1,4mg\dl; RPC < 0,5</p><p>» Creatinina <1,4mg\dl; RPC =</p><p>0,5 -1</p><p>Imunoterapia</p><p>+</p><p>imunomodulação+</p><p>alopurinol+</p><p>miltefosina</p><p>Seguir as</p><p>diretrizes da IRIS</p><p>para o manejo</p><p>da nefropatia e</p><p>controle PSS. Bom a reservado</p><p>ESTÁDIO</p><p>4</p><p>Doença grave</p><p>Positiva com níves de</p><p>anticorpos médios a altos</p><p>parasitológico positivo.</p><p>Sinais do estádio</p><p>4, além de</p><p>tromboembolismo</p><p>pulmonar ou síndrome</p><p>nefrótica e doença renal</p><p>em estádio final.</p><p>Alterações do estádio 3, Além de</p><p>DRC no estádio 1 (RPC >1) ou 2</p><p>(creatinina 1,4 -2 mg\dl) da íris</p><p>Imunoterapia +</p><p>imunomudulação</p><p>+ alopurinol</p><p>+miltefosina</p><p>Seguir as diretrizes</p><p>da IRIS para o</p><p>manejo da DRC e</p><p>controle PSS.</p><p>Reservado a pobre</p><p>ESTÁDIO 5</p><p>Doença muito</p><p>grave</p><p>Positiva com níves de</p><p>anticorpos médios a altos</p><p>parasitológico positivo.</p><p>Sinais do estádio</p><p>4, além de</p><p>tromboembolismo</p><p>pulmonar ou síndrome</p><p>nefrótica e doença renal</p><p>em estádio final.</p><p>Alterações do estádio 4, Além</p><p>de DRC no estádio 3 (creatinina</p><p>2,1-5mg\dl) e 4 (creatinina ></p><p>5 mg\dl) da IRIS, ou síndrome</p><p>nefrótica (marcada proteinúria com</p><p>RPC > 5 )</p><p>Imunoterapia +</p><p>imunomudulação</p><p>+alopurinol</p><p>+miltefosina</p><p>Seguir as diretrizes</p><p>da IRIS para o</p><p>manejo da DRC e</p><p>controle PSS.</p><p>Pobre</p><p>Fonte: Brasileish (2018).</p><p>Prevenção</p><p>Em virtude das características epidemiológicas e do conhecimento ainda insuficiente</p><p>quanto aos vários elementos que compõem a cadeia de transmissão da LVC, as</p><p>130</p><p>UNIDADE VIII │ DOENÇAS CAUSADAS POR PROTOZOÁRIOS EM PEQUENOS ANIMAIS COM GRANDE IMPACTO NA SAÚDE PÚBLICA</p><p>estratégias de controle indicadas pela Fundação Nacional de Saúde (Funasa) estão</p><p>voltadas para a eliminação do reservatório, o combate do vetor por meio de borrifação</p><p>de repelentes e inseticidas e o manejo ambiental para redução da proliferação do vetor.</p><p>Para os cães, é indicado o uso de produtos repelentes a base de piretroides, associados</p><p>com a vacinação anual conta LVC.</p><p>131</p><p>CAPÍTULO 2</p><p>Leishmaniose Tegumentar (LT)</p><p>Introdução</p><p>Protozoários do gênero Leishmania são parasitos intracelulares obrigatórios nos</p><p>hospedeiros vertebrados e nos vetores que estão no intestino, portanto são dimórficos</p><p>e heteróxenos.</p><p>Apresentam duas formas:</p><p>» Promastigota (flagelada): encontrada no tubo digestivo do inseto vetor</p><p>ou em meios de cultura (Figura 41A),</p><p>» Amastigota (aflagelada): presente nas células do sistema monocítico</p><p>fagocitário (SMF) dos hospedeiros vertebrados (Figura 41B)</p><p>Existem aproximadamente 20 espécies que são responsáveis pelas infecções em</p><p>humanos e 10 apresentam grande importância para a saúde pública, sendo que sete</p><p>podem afetar o homem e animais (L. (V.) braziliensis, L. (L.) amazonensis, L. (V.)</p><p>guyanensis, L. (V.) lainsoni, L. (V.) shawi, L. (V.) naiffi, L. (L.) infantum) e três, apenas</p><p>animais (L. enriettii, L. deanei, L. forattini).</p><p>Figura 41. Microscopia Eletrônica de Varredura. Forma promastigota (A) e amastigota (B) de Leishmania spp.</p><p>A B</p><p>Fonte: Holanda et al. (2018).</p><p>Os agentes etiológicos pertencem à família Trypanossomatidae, gênero Leishmania</p><p>Ross, 1903.</p><p>132</p><p>UNIDADE VIII │ DOENÇAS CAUSADAS POR PROTOZOÁRIOS EM PEQUENOS ANIMAIS COM GRANDE IMPACTO NA SAÚDE PÚBLICA</p><p>Causada por parasitos do gênero Leishmania – pertencentes ao subgênero Leihsmania</p><p>(Leishmania) e Leishmania (Viannia) – e considerada uma zoonose, a leishmaniose é</p><p>uma doença infecto-parasitária que acomete tanto os seres humanos quanto os animais.</p><p>Os parasitos causadores da leishmaniose vivem, alternadamente, em hospedeiros</p><p>vertebrados e flebotomíneos (subfamília Phlebotominae), sendo estes últimos os</p><p>responsáveis pela transmissão da doença.</p><p>A infecção por Leishmania ocorre comumente em áreas tropicais e fatores como</p><p>mudanças climáticas, desmatamento, urbanização, imigração de países endêmicos,</p><p>viagens, entre outros, têm contribuído para a sua disseminação em diversos locais.</p><p>A leishmaniose tegumentar constitui problema de saúde pública em mais de 85 países,</p><p>distribuídos em 4 continentes (Américas, Europa, África e Ásia), com registro anual de</p><p>0,7 a 1,3 milhões de casos novos.</p><p>É considerada pela Organização Mundial da Saúde</p><p>(OMS) como uma das seis mais importantes doenças infecciosas pelo seu alto coeficiente</p><p>de detecção e a capacidade de produzir deformidades físicas, metabólicas e funcionais.</p><p>Nas Américas, peças de cerâmica – denominadas huaco e datadas de 400 a 900 anos</p><p>d.C. – retratam nativos com deformações faciais compatíveis com o que é observado na</p><p>leishmaniose mucocutânea (LMC), confirmando indícios de que a infecção em humanos</p><p>é antiga. Foi descrita pela primeira vez no Velho Mundo pelos pesquisadores Lewis e</p><p>Cunningham, em 1876.</p><p>No Brasil, existem as três formas clínicas da doença, sendo a leishmaniose tegumentar</p><p>(LT) registrada em todas as regiões do país. A doença É comumente ocasionada por</p><p>infecção com as espécies L. guyanensis, L. braziliensis e L. amazonenses.</p><p>A ampla distribuição do vetor – associada a diversidade de espécies de Leishmanias</p><p>patogênicas ao homem – contribui com o grande número de casos e com a pluralidade</p><p>de formas clínicas encontradas no país.</p><p>Outro fator que está diretamente ligado à incidência de leishmaniose é a existência de</p><p>reservatórios urbanos, como no caso de cães e roedores. Esses aspectos têm se tornado</p><p>desafios no combate a essas parasitoses, sobretudo em países em desenvolvimento.</p><p>Devido à falta de vacinas disponíveis para humanos, o controle da doença é feito por</p><p>meio de medidas sanitárias e, principalmente, com tratamento eficaz.</p><p>Transmissão</p><p>Os vetores são fêmeas de Lutzomyia spp., pertencentes à família Psychodidae,</p><p>subfamília Flebotominae.</p><p>133</p><p>DOENÇAS CAUSADAS POR PROTOZOÁRIOS EM PEQUENOS ANIMAIS COM GRANDE IMPACTO NA SAÚDE PÚBLICA│UNIDADE VIII</p><p>Todas as espécies conhecidas são transmitidas por meio de repasto sanguíneo de</p><p>fêmeas infectadas de flebotomíneos que, ao realizarem o repasto no animal parasitado,</p><p>podem sugar formas amastigotas. Estas, por sua vez, no interior do tubo digestório,</p><p>diferenciam-se em formas promastigotas, multiplicando-se.</p><p>Todo processo acontece dessa maneira:</p><p>As formas promastigotas migram para as partes anteriores do tubo digestório dos</p><p>flebotomíneos e são inoculadas em um novo animal. Durante a picada, o inseto injeta a</p><p>saliva que contém elementos que evitam a coagulação, importante para o processo de</p><p>alimentação sanguínea do vetor.</p><p>As Leishmanias atingem a pele do hospedeiro mamífero e, inicialmente, invadem os</p><p>neutrófilos, macrófagos e outros tipos de células, como fibroblastos, também podem ser</p><p>infectados. À medida que se multiplicam, rompem os macrófagos e liberam parasitos que</p><p>são fagocitados por outros macrófagos. Nas células do sistema fagocítico mononuclear,</p><p>existe o reconhecimento por adesão, seguido por sinalização e invasão. Essas células</p><p>se tornam espécies de “cavalos de Tróia”, ao ficarem repletas de parasitos, sendo o</p><p>macrófago a principal célula relacionada ao estabelecimento final e amplificação da</p><p>infecção.</p><p>O parasita se liga à célula do hospedeiro por intermédio do flagelo ou corpo celular. A</p><p>adesão envolve estruturas importantes já descritas na ultraestrutura da Leishmania,</p><p>tais como lipofosfoglicanos (LPGs) e a glicoproteína Gp63, que se ligam a receptores do</p><p>complemento, receptores de manose e receptores de fibronectina. O macrófago realiza</p><p>a fagocitose por meio da formação de pseudópodes, permitindo que o parasita se ligue</p><p>à superfície celular e então, é internalizado num vacúolo, denominado parasitóforo.</p><p>No vacúolo parasitóforo, o promastigota se diferencia em amastigota, seguido pela fusão</p><p>de lisossomos da célula hospedeira com o vacúolo parasitóforo. Alguns amastigotas se</p><p>aderem à membrana do vacúolo, enquanto outros permanecem livres e se proliferam,</p><p>se dividindo rapidamente. Há estudos que mostram que, durante a infecção por L.</p><p>amazonensis, os amastigotas se multiplicam dentro de um vacúolo parasitóforo</p><p>muito grande, que contém muitos parasitos ligados à membrana Já nas espécies do</p><p>subgênero Viannia, os amastigotas permanecem segregados dentro de pequeno vacúolo</p><p>parasitóforo.</p><p>Após intenso processo de multiplicação, ocorre a ruptura da membrana do macrófago</p><p>liberando os amastigotas no tecido. Esses amastigotas podem invadir outros macrófagos,</p><p>retomando a multiplicação ou serem ingeridos por outro flebotomíneo durante o</p><p>repasto sanguíneo, dando continuidade ao ciclo. A ocorrência de flebotomíneos em</p><p>134</p><p>UNIDADE VIII │ DOENÇAS CAUSADAS POR PROTOZOÁRIOS EM PEQUENOS ANIMAIS COM GRANDE IMPACTO NA SAÚDE PÚBLICA</p><p>países tropicais está relacionada ao aumento no número de casos de leishmaniose</p><p>nesses locais, além de outros fatores associados, tais como perfil subclínico da doença e</p><p>concentração de casos nas áreas pobres do mundo.</p><p>Formas</p><p>O espectro das formas clínicas pode variar em leishmaniose visceral, muco-cutânea e</p><p>cutânea.</p><p>A forma cutânea da leishmaniose em cães – denominada leishmaniose cutânea</p><p>canina (LCC) ou leishmaniose tegumentar americana (LTA) – é considerada grave</p><p>problema de saúde pública no Brasil e está disseminada em todo o país. O Brasil possui</p><p>as mais elevadas taxas de notificação da LCC dentre os países da América do Sul.</p><p>Foram também relacionadas à doença diferentes espécies de parasitos, dos quais se</p><p>destacam: Leishmania (Viannia) braziliensis, Leishmania (Leishmania) amazonensis</p><p>e Leishmania (Viannia) guyanensis.</p><p>A LCC, assim como as demais formas de leishmaniose, é considerada uma doença</p><p>negligenciada, principalmente, porque a maioria dos casos ocorre longe dos</p><p>serviços veterinários e, em decorrência da escassez de fármacos e de novas formas</p><p>farmacêuticas para uso exclusivo na farmacoterapia veterinária, uma vez que estes são</p><p>considerados de baixo retorno financeiro para os laboratórios farmacêuticos. No Brasil,</p><p>a farmacoterapia da leishmaniose tegumentar canina é insatisfatória e muitos desafios</p><p>precisam ser superados, incluindo o desenvolvimento de novas formas farmacêuticas e</p><p>a disponibilização de medicamentos com baixo custo para distribuição por programas</p><p>de saúde pública.</p><p>Sinais clínicos</p><p>Na leishmaniose cutânea canina, há o aparecimento de pequena lesão eritemato-</p><p>papulosa no local da picada do vetor, onde ocorre a multiplicação do protozoário no</p><p>interior dos macrófagos. Posteriormente, forma-se um nódulo que dá origem à úlcera.</p><p>A lesão possui formato arredondado, com bordas elevadas e infiltradas, podendo ser</p><p>única ou múltipla, a depender do número de picadas.</p><p>Alguns animais podem apresentar nódulos com aspecto tumoral na pele ou mucosas.</p><p>As lesões geralmente são de difícil cicatrização, não são pruriginosas nem doloridas, e,</p><p>em cães, apresentam-se principalmente em regiões como saco escrotal, focinho, boca,</p><p>135</p><p>DOENÇAS CAUSADAS POR PROTOZOÁRIOS EM PEQUENOS ANIMAIS COM GRANDE IMPACTO NA SAÚDE PÚBLICA│UNIDADE VIII</p><p>prepúcio, e demais áreas rarefeitas ou ausentes de pelos, cuja exposição da pele ao vetor</p><p>é maior.</p><p>Diagnóstico</p><p>Dentro das possibilidades do diagnóstico para leishimaniose, podemos fazê-lo de forma</p><p>clínica e laboratorial. O diagnóstico clíico é baseado nos sinais que são subjetivos, já o</p><p>laboratorial pode ser confirmatório, dependendo de qual exame seja solicitado.</p><p>Diagnóstico clínico</p><p>Avaliar:</p><p>» Características das lesões de pele (localizada, única, múltipla).</p><p>» Úlceras com bordas elevadas em moldura.</p><p>» Fundo granuloso com ou sem exsudação.</p><p>» Úlceras indolores.</p><p>» No cordão linfático podem se desenvolver nódulos que ulceram,</p><p>lembrando esporotricoses.</p><p>» Pápulas na periferia das lesões.</p><p>Diagnóstico epidemiológico</p><p>Avaliar se:</p><p>» o animal é proveniente de área endêmica;</p><p>» o animal visitou áreas endêmicas;</p><p>» o caso é autóctone.</p><p>Outras ferramentas disponíveis para diagnóstico das leishmanioses são os testes</p><p>imunológicos, que recebem destaque pela praticidade e precisão e tem sido observado</p><p>que, em alguns casos, tais métodos são a única forma de diagnóstico antes do início da</p><p>terapia com medicamentos antileishmania.</p><p>136</p><p>UNIDADE VIII │ DOENÇAS CAUSADAS POR PROTOZOÁRIOS EM PEQUENOS ANIMAIS COM GRANDE IMPACTO</p><p>NA SAÚDE PÚBLICA</p><p>Dentre os testes imunológicos, destacam-se: ensaio imunoadsorvente ligado a enzimas</p><p>(ELISA), que é um teste com baixo custo, alta sensibilidade e especificidade; e a</p><p>Imunofluorescência, também com alta sensibilidade e especificidade.</p><p>O ELISA é o teste recomendado para triagem no diagnóstico. Para confirmação do</p><p>diagnóstico sorológico, deve ser feito um segundo exame. Além disso, sorologia negativa</p><p>não descarta a infecção.</p><p>A associação de ferramentas imunológicas e de biologia molecular facilita o</p><p>estabelecimento de análise mais rápida e precisa, além de se mostrar útil na diferenciação</p><p>dos casos de infecção por Leishmania spp.</p><p>Molecular A pesquisa de DNA do parasito Leishmania pela técnica de PCR (Reação em</p><p>Cadeia da Polimerase) é amplamente utilizada para verificar a presença ou a ausência</p><p>do DNA do parasito, tendo a vantagem de diferenciar as espécies de Leishmania. Para</p><p>isso é necessário usar primers marcadores específicos para cada espécie.</p><p>No entanto, o exame parasitológico é o padrão ouro. O exame parasitológico direto</p><p>é o procedimento de primeira escolha, por ser mais rápido, ter menor custo, fácil</p><p>execução e ser o exame de certeza. Para a pesquisa direta, são utilizados os seguintes</p><p>procedimentos:</p><p>Antes da colheita de material na escarificação, deve-se fazer antissepsia com água e</p><p>sabão. A colheita de material pode ser realiza após anestesia local, na borda interna</p><p>da lesão ulcerada recente, sem secreção purulenta, ou na superfície da lesão não</p><p>ulcerada, utilizando estilete descartável, lâmina de bisturi ou palito de madeira, com</p><p>extremidade em bisel, previamente esterilizados. Após a colheita, realiza-se a distensão</p><p>do material em lâmina (higienizada previamente com álcool). Na medida do possível,</p><p>deve-se colher material abundante para aumentar a probabilidade de confirmação de</p><p>diagnóstico. Após a confecção da lâmina, ela deverá ser fixada em metanol por cinco</p><p>minutos e posteriormente encaminhada para laboratório de referência para coloração</p><p>da lâmina e pesquisa do parasito.</p><p>Impressão por aposição (imprint). O fragmento de tecido obtido em biópsia deve ser</p><p>comprimido sobre uma lâmina de vidro. Após isso, são feitas a fixação e coloração com</p><p>corante específico para protozoários. A lâmina será observada à microscopia óptica</p><p>(400x). Biópsia para exame histopatológico, cultura do parasito ou PCR (Reação em</p><p>Cadeia Polimerase) A biópsia pode ser realizada com punch de 4mm de diâmetro</p><p>ou em cunha, com o uso de bisturi. A histopatologia mostra que o sítio principal</p><p>de reação é a derme. Os parasitos, quando presentes, são encontrados em vacúolos</p><p>intracitoplasmáticos dos macrófagos ou nos espaços intercelulares, ou isolados.</p><p>137</p><p>DOENÇAS CAUSADAS POR PROTOZOÁRIOS EM PEQUENOS ANIMAIS COM GRANDE IMPACTO NA SAÚDE PÚBLICA│UNIDADE VIII</p><p>O material obtido por biópsia poderá também ser colocado em meio de cultura para</p><p>multiplicação dos parasitos e, assim, facilitar a leitura ou ainda ser macerado e inoculado</p><p>em animais de laboratório. Punção aspirativa pode ser realizada na borda interna da</p><p>lesão, utilizando seringa de 5mL e agulha 25x8mm, com 3mL de solução salina estéril</p><p>com antibiótico (Penicilina G potássica 25.000 U + estreptomicina 100 µg/mL). O</p><p>material colhido por punção poderá ser utilizado para esfregaço, inoculação em meio</p><p>de cultivo ou em animais de laboratório. As lâminas devem ser fixadas em metanol para</p><p>envio ao laboratório de referência, onde será corada e avaliada a microscopia óptica</p><p>para pesquisa do parasito.</p><p>Diagnóstico diferencial</p><p>Vários sinais clínicos da LTA podem estar presentes em outras enfermidades, sendo</p><p>necessário o diagnóstico diferencial. As principais patologias que podem ser confundidas</p><p>com LTA são: linfoma, leucemia, doenças infecciosas, dermatite, pulicose, escabiose,</p><p>foliculite, dermatite alérgica, pododermatites, não desgaste das unhas, desnutrição,</p><p>erlichiose, endoparasitos, ectoparasitos, doenças cardíacas e intestinais crônicas,</p><p>trauma.</p><p>Controle</p><p>Uma das principais formas recomendadas para controle da doença é, além do uso de</p><p>inseticidas para afastar o vetor, evitar que os flebotomíneos realizem o repasto sanguíneo</p><p>nos cães, mediante a utilização de coleiras contendo inseticidas, uso de xampus ou o</p><p>emprego de produtos contendo agentes químicos eficazes.</p><p>A manutenção da limpeza do habitat do animal, com a retirada de material orgânico,</p><p>como folhas, fezes e lixo, onde o flebotomíneo possa se reproduzir, também é de</p><p>fundamental importância. Porém, cabe ressaltar que o vetor nem sempre é restrito às</p><p>áreas domiciliares.</p><p>Tratamento</p><p>Apesar de o tratamento da leishmaniose ser realizado desde o início do século 20, ainda</p><p>existem poucas drogas disponíveis. Segundo o manual técnico do Conselho Regional de</p><p>Medicina Veterinária (CRMV) (2015), não há, até o momento, nenhum tratamento eficaz</p><p>para LCC em cães, visto que o animal permanece como reservatório do parasito. Além</p><p>138</p><p>UNIDADE VIII │ DOENÇAS CAUSADAS POR PROTOZOÁRIOS EM PEQUENOS ANIMAIS COM GRANDE IMPACTO NA SAÚDE PÚBLICA</p><p>disso, quando o animal for diagnosticado com leishmaniose, o caso deve ser notificado</p><p>aos órgãos públicos citados, por se tratar de doença de notificação compulsória.</p><p>Do ponto de vista farmacológico, não existem medicamentos indicados para o tratamento</p><p>da LCC no Brasil, uma vez que, segundo a legislação brasileira, medicamentos contendo</p><p>fármacos destinados ao tratamento das leishmanioses em humanos não podem ser</p><p>administrados nos animais, tendo em vista a possibilidade de causar resistência e</p><p>inefetividade. A mesma Portaria Interministerial proibiu, em todo o território nacional,</p><p>o tratamento da leishmaniose em cães infectados ou doentes, com produtos não-</p><p>registrados no MAPA (Brasil, 2008).</p><p>Além disso, os medicamentos disponíveis provocam uma variedade de efeitos adversos:</p><p>mialgias e artralgias, cefaleia, náuseas, vômitos, dor abdominal, dor e edema no local</p><p>de aplicação do medicamento. A ocorrência de doença cardíaca, como a arritmia, tem</p><p>sido relacionada ao uso de medicamentos à base de antimônio, drogas de primeira linha</p><p>para o tratamento leishmaniose, sendo este um dos diversos efeitos coletareis inerentes</p><p>ao tratamento.</p><p>Tendo em vista a importância da LCC e das dificuldades envolvidas com o tratamento</p><p>dos animais, a busca contínua por fármacos e formas farmacêuticas alternativas, faz-se</p><p>muito necessária.</p><p>A furazolidona é um derivado sintético de um grupo de compostos denominados</p><p>nitrofuranos, caracterizada pela presença do anel furânico em sua estrutura química, na</p><p>qual existe grupo nitro ligado e caracteriza-se como um pó amarelo, cristalino, inodoro</p><p>e com sabor amargo.</p><p>Sua solubilidade em água é limitada, sendo considerado muito pouco solúvel em água</p><p>(40mg/L) e álcool, ligeiramente solúvel em dimetilsulfóxido e clorofórmio, 23 insolúvel</p><p>em éter e, solúvel em ácido fórmico. O pH varia entre 4,5 a 7 em solução e o ponto de</p><p>fusão é de 275°C. O fármaco é fotossensível, ou seja, pode sofrer degradação sob ação</p><p>da luz, devendo ser armazenado ao abrigo desta.</p><p>Na terapêutica veterinária, é indicada como endoparasiticida para uso no tratamento</p><p>da giardíase, tricomoníase e histomoníase, em cães e gatos, na dose usual de 4 mg/</p><p>kg não sendo, contudo, o fármaco de primeira escolha. Apesar do mecanismo da FZD</p><p>não ter sido totalmente elucidado, a ação do fármaco sobre os parasitos parece estar</p><p>relacionada à inibição de reações oxidativas, incluindo a descarboxilação do piruvato à</p><p>acetil coenzima A, com redução do fornecimento de energia para as células. A redução</p><p>do grupo nitro com formação de 3-amino-2-oxazolidinona e βhidroxietilhidrazina,</p><p>principalmente, e dióxido de carbono e etileno também parecem estar associados à</p><p>139</p><p>DOENÇAS CAUSADAS POR PROTOZOÁRIOS EM PEQUENOS ANIMAIS COM GRANDE IMPACTO NA SAÚDE PÚBLICA│UNIDADE VIII</p><p>ação da FZD, uma vez que estes metabólitos reativos se ligam ao DNA dos parasitos,</p><p>danificando-os e bloqueando a replicação e transcrição gênica.</p><p>Inúmeros</p><p>estudos evidenciam que a FZD também possui ação leishmanicida e é capaz</p><p>de eliminar 92% dos parasitos quando testado na concentração de 1,0 µg/mL. O</p><p>uso da furazolidona, no tratamento da leishmaniose, é descrito por diversos autores</p><p>que testaram a atividade leishmanicida do fármaco puro, associado ou incorporado</p><p>em lipossomas, sobre formas promastigotas e amastigotas de diferentes cepas de</p><p>Leishmania, tais como L. tropica, L. donovani, L. infantum, L. 84 braziliensis, L. major</p><p>e L. amazonenses.</p><p>O fármaco é amplamente distribuído e extensivamente metabolizado, com excreção</p><p>predominante na urina, sendo o principal problema associado ao seu uso em animais</p><p>as toxicidades (dosedependente) renal, cardíaca e hepática relatadas, acompanhadas</p><p>ou não de irritação, de perda de peso e de fadiga. Pode ser observado também a</p><p>Carcinotoxicidade e genotoxicidade, muitas vezes relatadas na literatura.</p><p>Além disso, há relatos de reações adversas nos animais, como anorexia, perda de peso,</p><p>fadiga e perda da coordenação motora, que podem estar relacionadas à dose elevada do</p><p>fármaco.</p><p>No Brasil, desde 1998, com publicação da Portaria nº 448 do Ministério da Agricultura,</p><p>Pecuária e Abastecimento (Brasil, 1998), é proibido o uso da furazolidona em animais</p><p>destinados ao consumo humano.</p><p>Ciclodextrinas são oligossacarídeos cíclicos capazes de formar complexos de inclusão</p><p>com inúmeros fármacos, com objetivos diversos, entre eles, aumentar a solubilidade,</p><p>melhorar a biodisponibilidade, incrementar a estabilidade, além da possibilidade de</p><p>mascarar o sabor desagradável e o odor do fármaco. Uma diversidade de métodos</p><p>pode ser empregada no preparo de complexos de inclusão, devendo os mesmos serem</p><p>escolhidos de acordo com as características físico-químicas do fármaco e o tipo de</p><p>ciclodextrina escolhida. Dentre estes, cabe destacar a malaxagem e a liofilização.</p><p>Portanto, complexos de inclusão com ciclodextrinas são uma estratégia farmacotécnica</p><p>que pode aumentar a taxa de dissolução e incrementar sua biodisponibilidade,</p><p>reduzindo a toxicidade do fármaco, mediante a possibilidade de administração de doses</p><p>menores. Carvalho (2019) conclui, em seus estudos, que a formação de complexos</p><p>e agregados entre a furazolidona e ciclodextrinas de interesse farmacêutico é uma</p><p>estratégia promissora para o desenvolvimento de medicamentos antileishmania para</p><p>uso veterinário.</p><p>140</p><p>Referências</p><p>7 SINAIS Comuns da Candidíase Peniana (no Falo). 6 mar. 2019. 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Assume a forma de</p><p>levedura (Figura 5), que pode afetar a pele e o sistema linfático e ainda pode causar</p><p>doença sistêmica. O fungo não tem predileção sexual, racial ou de faixa etária.</p><p>Figura 4. Sporothrix schenckii na forma de levedura a 37°C.</p><p>Fonte: The University... (2008).</p><p>17</p><p>ALGUNS FUNGOS CAUSADORES DE PATOGENIAS EM PEQUENOS ANIMAIS │ UNIDADE II</p><p>Figura 5. Sporothrix schenckii na forma de micélio a 27°C.</p><p>Fonte: Mycology Online (2008).</p><p>Epidemiologicamente, a infecção, subaguda ou crônica, tem distribuição ubiquitária,</p><p>cosmopolita, hoje evidenciada, principalmente, no meio urbano, suplantando a</p><p>ocorrência rural de outrora. Embora os fungos do complexo Sporothrix schenckii</p><p>apresentem distribuição mundial, eles são mais frequentes em áreas tropicais e</p><p>subtropicais úmidas, com temperatura de 15°C a 25°C e umidade em torno de 90%.</p><p>É uma doença endêmica em diversas regiões da América Latina, Índia, África do</p><p>Sul, Japão e China. Entre as micoses subcutâneas, é a mais prevalente na América</p><p>Latina, com grande incidência no Brasil.</p><p>Epidemias de esporotricose atingindo um elevado número de casos são raras e</p><p>geralmente estão relacionadas a uma fonte de infecção comum. Foi o que ocorreu</p><p>em 1940, na África do Sul; e na década de 1980, nos Estados Unidos. No Brasil, o</p><p>primeiro surto ocorreu em 1998, no Rio de Janeiro.</p><p>O fungo tem distribuição cosmopolita, e seu crescimento costuma ocorrer em solo</p><p>quente e úmido, por isso acredita-se que o solo é o reservatório natural do fungo.</p><p>Sendo assim, as infecções pelo Sporothrix schenckii podem ocorrer através de</p><p>ferimentos ou arranhões com espinhos ou farpas de vegetais contaminados. Por ser</p><p>a principal forma de contaminação, a implantação traumática do fungo Sporothrix</p><p>schenckii na pele, costumava acometer, com mais frequência, jardineiros e outros</p><p>profissionais que lidam com a terra, sendo considerada uma doença profissional.</p><p>A esporotricose em humanos, até a década de 1990, foi relacionada a arranhadura</p><p>ou mordedura de animais como ratos, tatus, esquilos, cães e gatos, porém os felinos</p><p>domésticos são os principais animais envolvidos na transmissão desse fungo ao ser</p><p>humano.</p><p>18</p><p>UNIDADE II │ ALGUNS FUNGOS CAUSADORES DE PATOGENIAS EM PEQUENOS ANIMAIS</p><p>Hoje em dia, sabemos que os felinos domésticos têm papel determinante no ciclo</p><p>de transmissão da esporotricose, fazendo papel de vetor, sendo sua contaminação</p><p>principal através da terra e de plantas que possuem o fungo, o transmitindo para</p><p>outros felinos ou para os humanos. A infecção mais comum é a chamada transmissão</p><p>dita geofílicardedura, que ocorre quando o animal cava ou pisa na terra contaminada</p><p>ou se arranha em gravetos e folhas. Isto porque o Sporothrix spp não é capaz de</p><p>penetrar a pele intacta. Sendo assim, a infecção se dá, geralmente, por inoculação do</p><p>agente e quando o fungo penetra camadas mais profundas do tecido, se convertendo</p><p>para a forma de levedura.</p><p>Alguns autores acreditam que gatos são os únicos animais que apresentam potencial</p><p>zoonótico. A importância zoonótica da esporotricose reside no fato de que humanos</p><p>e animais convivem estritamente no ambiente familiar, o que facilita a infecção</p><p>interespécies.</p><p>Foram isoladas grandes quantidades de leveduras de S. schenckii em lesões cutâneas</p><p>e outros tecidos, como cavidades nasal e oral e fragmentos de unhas. Devido ao seu</p><p>comportamento, felinos machos não castrados são mais predispostos do que as</p><p>fêmeas ao desenvolvimento da doença. Gatos machos têm comportamento territorial</p><p>muito forte, participando de disputas ao ar livre, o que facilita a remoção do fungo de</p><p>seu habitat natural e sua instalação no espaço subungueal dos animais, facilitando a</p><p>disseminação desse micro-organismo.</p><p>Assim, a forma usual de transmissão entre animais e humanos se dá por meio da</p><p>arranhadura ou mordedura durante brigas ou lambeduras, por felinos enfermos ou</p><p>portadores assintomáticos.</p><p>A inalação, aspiração ou ingestão do fungo pode também produzir a doença; no</p><p>entanto, apesar desses casos de infecções sem trauma prévio já terem sido relatados,</p><p>eles são raros.</p><p>Os cães parecem não desempenhar um papel relevante na cadeia epidemiológica da</p><p>doença.</p><p>Atualmente houve um grande aumento no número de felinos doentes, e esse</p><p>crescimento mostrou-se proporcional ao aumento da população felina no Brasil.</p><p>Pelos cálculos da Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de</p><p>Estimação (ABINPET), em 2022, para cada cachorro que for visto passeando na rua</p><p>de coleira haverá um gato dentro de uma casa.</p><p>Na espécie humana, a infecção pode ocorrer pelo contato de feridas cutâneas</p><p>contaminadas com exsudatos de gatos infectados.</p><p>19</p><p>ALGUNS FUNGOS CAUSADORES DE PATOGENIAS EM PEQUENOS ANIMAIS │ UNIDADE II</p><p>Características clínicas e diagnóstico</p><p>Em humanos, o período de incubação pode variar de três dias até seis meses, com média</p><p>de três semanas, e pode ser classificada em três formas clínicas: cutânea (localizada ou</p><p>disseminada), cutânea-linfática e extracutânea. A apresentação clínica mais frequente</p><p>nessa espécie é a forma linfocutânea, seguida da cutânea localizada, principalmente</p><p>nos membros superiores, devido a brigas que levam a arranhaduras e mordeduras de</p><p>animais infectados.</p><p>As feridas podem chegar a ulcerar, com presença de secreção mucopurulenta,</p><p>sendo geralmente restritas à pele, ao subcutâneo e aos vasos linfáticos adjacentes. A</p><p>disseminação sistêmica é muito rara ou, ainda, primariamente sistêmica, em vez de</p><p>começar pela pele.</p><p>Fatores inerentes à quantidade do inóculo, à profundidade do trauma, à tolerância</p><p>térmica da cepa e à competência imunológica do indivíduo interferem na forma clínica</p><p>como pode se desenvolver a doença no indivíduo. A presença de moléstias fúngicas</p><p>em pacientes imunodeprimidos é cada vez maior, e estes pacientes consequentemente</p><p>possuem mais chances de terem recidivas.</p><p>Essa classificação é difícil de ser aplicada em cães e gatos, pois eles frequentemente têm</p><p>mais de uma forma simultaneamente. Em cães, a forma cutânea é a mais comumente</p><p>relatada, caracterizada por nódulos firmes e múltiplos, placas ulceradas com bordas</p><p>elevadas ou áreas anulares crostosas e alopécicas.</p><p>Nos felinos, assim como nas outras espécies, a principal rota de transmissão é a pele. Isso</p><p>se deve à maior parte dos animais adquirirem a doença através de ferimento penetrante</p><p>por corpo estranho ou lutando com outros gatos e, após a inoculação na pele, o fungo</p><p>penetra nas camadas mais profundas do tecido. O processo pode durar em torno de</p><p>13 dias. O fungo transforma-se em levedura e pode então permanecer na derme e</p><p>no subcutâneo do local da inoculação ou se espalhar pelos vasos linfáticos regionais,</p><p>produzindo linfangite e linfadenite.</p><p>Na espécie felina, o processo de incubação da doença varia e pode levar até 3 meses ou</p><p>ocorrer uma evolução súbita decorrente do estado imunológico do individuo. A micose</p><p>pode se apresentar como três síndromes clínicas:</p><p>» cutânea fixa ou localizada;</p><p>» linfocutânea ou cutâneo-linfática;</p><p>» cutânea disseminada;</p><p>20</p><p>UNIDADE II │ ALGUNS FUNGOS CAUSADORES DE PATOGENIAS EM PEQUENOS ANIMAIS</p><p>» mucosa e extracutânea;</p><p>» sistêmica.</p><p>As formas mais comuns são a cutânea localizada, a cutânea linfática e a cutânea</p><p>disseminada. Dentre elas, destaca-se a forma de apresentação de múltiplas lesões de pele</p><p>e mucosa (conjuntival, nasal, oral e genital). As formas cutâneas iniciam-se pela formação</p><p>de nódulos subcutâneos firmes, que lentamente tornam-se macios a maleáveis. Esses</p><p>nódulos ulceram centralmente, progredindo para úlceras marcadamente exsudativas e</p><p>passam a drenar conteúdo seroso ou purulento castanho-escuro. As úlceras podem ser</p><p>recobertas ou não por crostas.</p><p>Essas lesões têm bordas ligeiramente definidas e aparecem principalmente em</p><p>e tópico. Rev. Port. Estomatol.</p><p>Med. Dent. Cir. Maxilofac. 52(2):83-88, 2011. Disponível em: https://www.</p><p>elsevier.es/en-revista-revista-portuguesa-estomatologia-medicina-dentaria-330-</p><p>pdf-S1646289011700164. Acesso em: 5 jun. 2020.</p><p>TROCCAP. Diretrizes para o diagnóstico, tratamento e controle de</p><p>endoparasitos caninos nos trópicos. Primeira edição maio de 2017. Disponível</p><p>em: http://www.troccap.com/2017press/wp-content/uploads/2018/08/TroCCAP-</p><p>Canine-Endo-Guidelines-Portugese.pdf. Acesso em: 5 jun. 2020.</p><p>TRYPANOSOMA CRUZI. 27 jun. 2016 Disponível em: https://estudeparasitologia.</p><p>wordpress.com/2016/05/28/19/t-gondii-taquizoito-2/. Acesso em: 5 jun. 2020.</p><p>TUDO SOBRE CACHORROS. Linfoma em Cães, 28 mar. 2014. Disponível em:</p><p>https://tudosobrecachorros.com.br/linfoma-em-caes/. Acesso em: 5 jun. 2020.</p><p>UFMG. [Lesões cutâneas em animal com Leishmaniose]. 1 imagem. [201-].</p><p>Disponível em: https://vet.ufmg.br/ARQUIVOS/FCK/image/unnamed.jpg. Acesso</p><p>em: 19 jun. 2020.</p><p>VASCONCELLOS, M.; BARROS, J.; OLIVEIRA, C. Parasitas gastrointestinais em cães</p><p>institucionalizados no Rio de Janeiro, RJ. Rev Saúde Pública 40(2):321-3, 2006.</p><p>Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/rsp/v40n2/28539.pdf. Acesso em: 5 jun.</p><p>2020.</p><p>VASCONCELOS, Mirelle Guiomar da Costa; TALON, Douglas Daniel Balerio; SILVA</p><p>JR., Carlos Alberto da; NEVES, Maria Francisca; SACCO, Soraya Regina. Isosporose nos</p><p>Animais Domésticos. Revista Científica Eletrônica de Medicina Veterinária,</p><p>ano VI, n. 10, jan. 2008. ISSN: 1679-7353. Disponível em: em: http://faef.revista.inf.</p><p>http://www.tecsoma.br/biomedicina/tcc%27s/2015/cintia.pdf</p><p>https://pt.thpanorama.com/blog/ciencia/reino-protista-caractersticas-clasificacin-ejemplos.html</p><p>https://pt.thpanorama.com/blog/ciencia/reino-protista-caractersticas-clasificacin-ejemplos.html</p><p>https://www.elsevier.es/en-revista-revista-portuguesa-estomatologia-medicina-dentaria-330-pdf-S1646289011700164</p><p>https://www.elsevier.es/en-revista-revista-portuguesa-estomatologia-medicina-dentaria-330-pdf-S1646289011700164</p><p>https://www.elsevier.es/en-revista-revista-portuguesa-estomatologia-medicina-dentaria-330-pdf-S1646289011700164</p><p>http://www.troccap.com/2017press/wp-content/uploads/2018/08/TroCCAP-Canine-Endo-Guidelines-Portugese.pdf</p><p>http://www.troccap.com/2017press/wp-content/uploads/2018/08/TroCCAP-Canine-Endo-Guidelines-Portugese.pdf</p><p>https://estudeparasitologia.wordpress.com/2016/05/28/19/t-gondii-taquizoito-2/</p><p>https://estudeparasitologia.wordpress.com/2016/05/28/19/t-gondii-taquizoito-2/</p><p>https://tudosobrecachorros.com.br/linfoma-em-caes/</p><p>https://vet.ufmg.br/ARQUIVOS/FCK/image/unnamed.jpg</p><p>http://www.scielo.br/pdf/rsp/v40n2/28539.pdf</p><p>http://faef.revista.inf.br/imagens_arquivos/arquivos_destaque/dbmPi79pA11iGiH_2013-5-29-10-11-20.pdf</p><p>153</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>br/imagens_arquivos/arquivos_destaque/dbmPi79pA11iGiH_2013-5-29-10-11-20.</p><p>pdf. Acesso em: 5 jun. 2020.</p><p>WENGENACK, Nancy. Blastomicose. BMJ Best Practice. 2019/2020. Disponível</p><p>em: https://bestpractice.bmj.com/topics/pt-br/1095. Acesso em: 5 jun. 2020.</p><p>Pereira P. , Imagem do arquivo pessoal da Médica Veterinária Priscila Pereira.</p><p>http://faef.revista.inf.br/imagens_arquivos/arquivos_destaque/dbmPi79pA11iGiH_2013-5-29-10-11-20.pdf</p><p>http://faef.revista.inf.br/imagens_arquivos/arquivos_destaque/dbmPi79pA11iGiH_2013-5-29-10-11-20.pdf</p><p>https://bestpractice.bmj.com/topics/pt-br/1095</p><p>_Hlk42823811</p><p>_Hlk42824688</p><p>_Hlk42823882</p><p>_Hlk42824747</p><p>_Hlk42824871</p><p>_Hlk42824909</p><p>_Hlk42824203</p><p>_Hlk42826442</p><p>_Hlk42826152</p><p>_Hlk42981365</p><p>_Hlk42910984</p><p>_Hlk42910292</p><p>_Hlk42910224</p><p>_Hlk42911100</p><p>_Hlk42910506</p><p>_Hlk42961692</p><p>_Hlk42961728</p><p>_Hlk42963287</p><p>_Hlk42963149</p><p>_Hlk42961762</p><p>_Hlk42962914</p><p>_Hlk42981276</p><p>_Hlk42979904</p><p>_Hlk42980434</p><p>_Hlk42983532</p><p>_Hlk42983482</p><p>_Hlk42990161</p><p>_Hlk42989917</p><p>_Hlk42990018</p><p>_Hlk42990054</p><p>_Hlk42990264</p><p>_Hlk42990121</p><p>_Hlk42990692</p><p>Apresentação</p><p>Organização do Caderno de Estudos e Pesquisa</p><p>Introdução</p><p>Unidade I</p><p>Introdução aos fungos e protozoários</p><p>Capítulo 1</p><p>Introdução aos fungos</p><p>Capítulo 2</p><p>Introdução aos protozoários</p><p>Unidade II</p><p>Alguns fungos causadores de patogenias em pequenos animais</p><p>Capítulo 1</p><p>Esporotricose</p><p>Capítulo 2</p><p>Criptococose</p><p>Capítulo 3</p><p>Coccidioidomicose</p><p>Unidade III</p><p>Algumas doenças causadas por fungos negligenciados</p><p>Capítulo 1</p><p>Aspergilose</p><p>Capítulo 2</p><p>Blastomicose</p><p>Capítulo 3</p><p>Histoplasmose</p><p>Unidade IV</p><p>Doenças fungicas do tecido tegumentar mais conhecidas</p><p>Capítulo 1</p><p>Malassezia</p><p>Capítulo 2</p><p>Dermatofitoses</p><p>Unidade V</p><p>Micotoxinas, zigomiceta e candidíase</p><p>Capítulo 1</p><p>Micotoxinas</p><p>Capítulo 2</p><p>Zigomicetos na veterinária</p><p>Capítulo 3</p><p>Candidíase</p><p>Unidade VI</p><p>Alguns protozoários mais conhecidos causadores de doenças em pequenos animais</p><p>Capítulo 1</p><p>Criptosporidiose</p><p>Capítulo 2</p><p>Toxoplasmose</p><p>Unidade VII</p><p>Doenças causadas por protozoários com diagnóstico coproparasitológico simples realizados em pequenos animais</p><p>Capítulo 1</p><p>Giardíase</p><p>Capítulo 2</p><p>Cystoisosporose</p><p>Unidade VIII</p><p>Doenças causadas por protozoários em pequenos animais com grande impacto na saúde pública</p><p>Capítulo 1</p><p>Leishmaniose visceral canina</p><p>Capítulo 2</p><p>Leishmaniose Tegumentar (LT)</p><p>Referências</p><p>regiões da cabeça (especialmente no focinho e ao redor dos olhos), região lombar</p><p>e porção distal dos membros. Esses locais são descritos como os mais afetados</p><p>durante as brigas.</p><p>Extensas áreas de necrose podem se desenvolver, ocorrendo até mesmo a exposição</p><p>de ossos e músculos</p><p>Raramente a doença pode evoluir para a forma extracutânea, sendo seus principais</p><p>sinais clínicos os respiratórios, tais como espirros, descarga nasal e dispneia,</p><p>seguidos por linfadenomegalia.</p><p>A doença tem curso muitas vezes longo, disseminado por via hematógena por todo</p><p>o organismo, levando a um acometimento sistêmico. Na forma disseminada, os</p><p>sinais sistêmicos são anorexia, vômito, perda de peso, febre e desidratação, sendo,</p><p>neste caso, de difícil tratamento e comum evolução para o óbito.</p><p>Portanto, a infecção pode ser subaguda ou crônica. Os sinais variam de uma infecção</p><p>subclínica, apresentando uma única lesão em pele com regressão espontânea, para</p><p>até uma forma fatal de manifestação sistêmica.</p><p>Quando o fungo penetra camadas mais profundas do tecido e se converte para a</p><p>forma de levedura, a partir desse ponto, o agente pode permanecer no local da</p><p>inoculação e desenvolver lesões nodulares que ulceram centralmente e drenam</p><p>exsudato castanho-avermelhado ou purulento, ou pode se disseminar pela via</p><p>hematógena ou linfática e se estabelecer nos olhos, no trato gastrointestinal, no</p><p>sistema nervoso central e em outros órgãos.</p><p>A doença se dá, pois, após a entrada do agente no tegumento, e se estabelece</p><p>um período pré-patente, que pode oscilar de três a 84 dias, sendo a média de</p><p>21</p><p>ALGUNS FUNGOS CAUSADORES DE PATOGENIAS EM PEQUENOS ANIMAIS │ UNIDADE II</p><p>21 dias. Como são doenças oportunistas, dependendo do estado imunitário do</p><p>hospedeiro, a lesão inicial pode permanecer localizada no ponto de inoculação</p><p>traumática (esporotricoma ou cancro esporotricótico) e até involuir espontaneamente,</p><p>remanescendo apenas a “cicatriz” imunológica.</p><p>Parece que há muitas infecções frustradas nas espécies canina e humana; porém, em</p><p>casos de imunocomprometimento por iatrogenia (esteroides, citostáticos), por infecções</p><p>virais (cino e parvovirose), protozoóticas (leishmaniose), bacterianas (erliquiose) etc., a</p><p>infecção pode disseminar-se tegumentar ou sistemicamente.</p><p>O diagnóstico da esporotricose pode ser realizado por meio de exames clínicos e por</p><p>histórico do animal, por exame citopatológico de secreções ou do aspirado do exsudato</p><p>de lesões (Figura 6) e por exame histopatológico de pele acometida e cultura fúngica.</p><p>A confirmação é obtida com o isolamento do Sporothrix schenckii nas secreções.</p><p>Figura 6. Esfregaço de lesão ulcerada de gato evidenciando a presença do fungo em sua forma leveduriforme,</p><p>com a coloração panótica em aumento de 100x.</p><p>Fonte: Greene (2012).</p><p>No exame histopatológico, podem ser avaliados fragmentos de lesões cutâneas ou</p><p>de mucosas obtidos através de biópsia. Histologicamente, o diagnóstico é realizado</p><p>pela observação das características morfológicas do fungo. As leveduras medem de 2</p><p>a 8 µm, nas formas oval, redonda e alongada semelhante a um charuto. Também já</p><p>foram descritos brotamentos de base estreita ou em tubo. Para facilitar a visualização</p><p>e a caracterização do agente, devem ser usadas colorações especiais, como a</p><p>impregnação pela prata de Grocott (GMS), em que evidenciam-se leveduras escuras,</p><p>22</p><p>UNIDADE II │ ALGUNS FUNGOS CAUSADORES DE PATOGENIAS EM PEQUENOS ANIMAIS</p><p>e ácido periódico de Schiff (PAS), em que as leveduras coram-se em rosa. Entre os</p><p>dois corantes, alguns autores descrevem que o GMS apresenta maior sensibilidade</p><p>que o PAS.</p><p>Os grânulos de melanina são considerados fator de virulência importante de Sporothrix</p><p>spp, por isso utilizar a coloração de Fontana-Masson pode ser importante.</p><p>Dentro do exame histopatológico, pode-se observar epiderme acantótica e ulcerada,</p><p>com crosta e exsudativas que variam de pouco a muita exsudação. Na derme, geralmente</p><p>há inflamação piogranulomatosa intensa, podendo se estender ao subcutâneo e aos</p><p>músculos esqueléticos subjacentes. Observa-se infiltrado inflamatório, composto</p><p>por células mononucleares e polimorfonucleares, com predomínio de macrófagos e</p><p>neutrófilos. Nessas lesões, geralmente é observada grande quantidade de leveduras,</p><p>que podem ser vistas dentro de macrófagos ou neutrófilos e extracelularmente. Já</p><p>nos cães, costuma-se observar inflamação com predomínio de células epitelioides e</p><p>poucos exemplares de leveduras.</p><p>Pode-se realizar também a citologia aspirativa ou imprints direto das lesões cutâneas;</p><p>e, em seguida, o material deve ser corado com Gram, Wright, Giemsa ou Rosenfeld,</p><p>evidenciando as leveduras arredondadas, ovaloides ou em forma de “charuto”. Isso</p><p>porque as leveduras são numerosas na maioria das lesões cutâneas de felinos, ao</p><p>contrário das outras espécies de animais. Devido a essa riqueza parasitária, a avaliação</p><p>citopatológica conduz a um diagnóstico fácil, de baixo custo e rápido, podendo ser</p><p>usado rotineiramente na clínica veterinária. Geralmente, observam-se inúmeras</p><p>estruturas leveduriformes arredondadas, ovais ou em forma de charuto, que medem</p><p>3 a 5 µm de diâmetro e 5 a 9 µm de comprimento, circundadas por um halo claro, no</p><p>interior de macrófagos, neutrófilos ou no meio extracelular.</p><p>O método de diagnóstico definitivo de esporotricose, porém, é o isolamento e a</p><p>identificação do agente em cultura, que é realizada em ágar Sabouraud dextrose ou</p><p>ágar Micosel a 25°C. Após o crescimento na forma filamentosa, o fungo é semeado</p><p>em ágar de Infusão de Cérebro-Coração (BHI) acrescido ou não de nutrientes,</p><p>antibacterianos ou de antifúngicos, 37°C. Os cultivos são mantidos durante 10 a 15</p><p>dias, para caracterização do dimorfismo e avaliação macro e micromorfológicas das</p><p>colônias. Para isso, o material não pode ter sido fixado em formol.</p><p>Exames complementares são realizados para o conhecimento do estado geral do animal.</p><p>Exames laboratoriais como hemograma e bioquímicos só irão revelar alterações caso</p><p>haja comprometimento sistêmico. Nesse caso, poderá haverá presença de anemia,</p><p>leucocitose por neutrofilia com ou sem desvio à esquerda. No fracionamento das</p><p>proteínas, pode-se observar aumento das gamaglobulinas e hipoalbuminemia. Pode</p><p>23</p><p>ALGUNS FUNGOS CAUSADORES DE PATOGENIAS EM PEQUENOS ANIMAIS │ UNIDADE II</p><p>ocorrer aumento dos níveis séricos de creatinina, ureia, alanino-aminotransferase</p><p>(ALT) e aspartato-transaminase (AST).</p><p>Diagnóstico diferencial</p><p>Por serem sinais inespecíficos, deve-se ter em mente os possíveis diagnósticos</p><p>diferenciais. Por isso, pode ser facilmente confundido com doenças como pioderma,</p><p>micobacteriose (síndrome leproide felina), nocardiose, actinomicose, candidíase,</p><p>histoplasmose, criptococose, complexo granuloma eosinofílico, neoplasia como</p><p>carcinoma de células escamosas, lúpus, pênfigo vulgar, parasitas e lesões induzidas por</p><p>fármacos, ou ainda leishmaniose tegumentar.</p><p>Tratamento</p><p>As opções terapêuticas disponíveis para o tratamento da esporotricose felina são os</p><p>azólicos (cetoconazol e itraconazol), os triazólicos (posaconazol e fluconazol), os iodetos</p><p>de sódio e potássio, a terbinafina, a anfotericina B, a remoção cirúrgica das lesões e a</p><p>termoterapia local. Os protocolos terapêuticos atualmente preconizados apresentam</p><p>baixa efetividade e permanecem limitados pela dificuldade de administração dos</p><p>fármacos por via oral e manejo do animal.</p><p>Longo período de tratamento e aquisição da doença por um membro da família</p><p>humana são fatores que levam ao frequente abandono e à solicitação de eutanásia pelo</p><p>responsável. Num outro cenário, o responsável pelo animal observa melhora das lesões</p><p>cutâneas e/ou dos sinais clínicos e, geralmente, acaba abandonando o tratamento e não</p><p>retornando para o acompanhamento clínico-terapêutico.</p><p>Estudos realizados no Rio de Janeiro sobre terapêutica da esporotricose felina</p><p>mostraram alto número de abandonos de animais e mortes por diferentes causas,</p><p>somando 69,7%. Esse fato demonstra que a baixa adesão ao</p><p>tratamento não permite a</p><p>mensuração da eficácia de cada esquema terapêutico utilizado.</p><p>Os compostos azólicos inibem a incorporação do acetato de ergosterol, inibindo a</p><p>enzima lanosterol-14-demetilase por interferência no citocromo P-450 da levedura,</p><p>ocasionando alterações na fluidez e na permeabilidade da membrana citoplasmática</p><p>do fungo, o que se traduz por inibição do crescimento fúngico, originando alterações</p><p>morfológicas que resultam em necrose celular.</p><p>O cetoconazol para tratamento da esporotricose felina é usado na dose terapêutica que</p><p>varia de 5 a 27 mg/kg a cada 12 ou 24 horas via oral. Um dos efeitos adversos mais</p><p>24</p><p>UNIDADE II │ ALGUNS FUNGOS CAUSADORES DE PATOGENIAS EM PEQUENOS ANIMAIS</p><p>comumente observados nos gatos em uso deste fármaco é a elevada toxicidade hepática,</p><p>sendo recomendado o monitoramento periódico das enzimas hepáticas. Por isso, seu</p><p>uso tem sido substituído pelo itraconazol.</p><p>O itraconazol é o fármaco de escolha para felinos com esporotricose, devido a sua</p><p>efetividade e segurança quando comparado aos demais agentes antifúngicos. O</p><p>fármaco é primariamente fungistático, podendo ser fungicida em doses elevadas;</p><p>por este motivo, se não for administrada a dose fungistática por tempo suficiente,</p><p>podem ocorrer recidivas.</p><p>Seu sucesso no tratamento de muitas micoses em seres humanos e animais se dá</p><p>devido a sua ampla distribuição na maioria dos tecidos, em concentrações superiores</p><p>às encontradas no plasma, explicando assim a sua efetividade. Os níveis do fármaco</p><p>podem ser três a dez vezes maiores na pele que no plasma, com forte ligação à</p><p>queratina, resultando em concentrações na pele que podem ser detectadas duas a</p><p>quatro semanas após a suspensão da terapia.</p><p>A dose a ser utilizada no tratamento da esporotricose, porém, é bem controversa.</p><p>Vários autores obtiveram êxito na resposta terapêutica da esporotricose felina</p><p>utilizando itraconazol na dose de 5 a 10 mg/kg/dia. Alguns autores referenciam que</p><p>a cura clínica de gatos tratados com itraconazol só se dá com a utilização de doses</p><p>que variam de 30 a 100 mg a cada 12 ou 24 horas.</p><p>O tempo de tratamento é prolongado e a administração do fármaco deve ser mantida</p><p>por, no mínimo, um mês após a cura clínica em gatos.</p><p>Micoses localizadas na região nasal nos felinos são de difícil cura. Em gatos que</p><p>apresentam persistência de lesões mesmo com o uso do itraconazol, a associação</p><p>de anfotericina B em desoxicolato por via subcutânea (SC) ou intralesional foi uma</p><p>alternativa terapêutica viável, com poucos efeitos adversos.</p><p>Os efeitos adversos mais comum em gatos são: hiporexia, além de vômitos, perda de</p><p>peso e apatia. No entanto, os efeitos são bem mais brandos que em animais tratados</p><p>com cetoconazol.</p><p>O iodeto de potássio pertence ao grupo químico dos iodetos inorgânicos. É um</p><p>composto constituído de 76% de halogênio-iodo e 23% de metal alcalino potássio.</p><p>O mecanismo de ação dos iodetos ainda é desconhecido, mas acredita-se que o</p><p>iodeto de potássio atue através da modulação da resposta inflamatória e do aumento</p><p>da resposta imune. Existem poucos casos descritos com a utilização dos iodetos</p><p>no tratamento da esporotricose felina, e os resultados obtidos são controversos de</p><p>25</p><p>ALGUNS FUNGOS CAUSADORES DE PATOGENIAS EM PEQUENOS ANIMAIS │ UNIDADE II</p><p>acordo com alguns autores. Adicionalmente, foi sugerido que a associação de iodeto</p><p>de potássio aos azólicos e à terbinafina no tratamento da esporotricose humana</p><p>e felina possa apresentar melhores resultados quando comparados à monoterapia</p><p>com os fármacos.</p><p>Em 1930, o uso de iodeto foi proposto para o tratamento de esporotricose em</p><p>humanos e, durante muitos anos, esses compostos foram considerados a terapia de</p><p>eleição para esporotricose cutânea, até surgir a síntese de antifúngicos mais efetivos</p><p>e seguros como os azólicos, sendo o itraconazol o fármaco de escolha. A utilização</p><p>de iodeto de potássio torna-se viável financeiramente. Em áreas endêmicas e</p><p>economicamente desfavorecidas, o iodeto de potássio é uma alternativa para o</p><p>tratamento da esporotricose humana.</p><p>Na espécie felina, a resposta ao tratamento de esporotricose muitas vezes foi</p><p>considerada insatisfatória. Porém, para outros autores, felinos são sensíveis às</p><p>preparações de iodetos e devem ser cuidadosamente monitorados em busca de</p><p>evidências de iodismo, como depressão, anorexia, vômito ou diarreia. Em caso de</p><p>intolerância, o fármaco pode ser suspenso temporariamente e reinstituído em doses</p><p>mais baixas.</p><p>A anfotericina B é um antibiótico macrolídeo poliênico obtido do actinomiceto</p><p>Streptomyces nodosus e tem sido indicada para o tratamento de micoses sistêmicas</p><p>e esporotricose disseminada em seres humanos e animais, apesar de haver poucos</p><p>relatos sobre a utilização da anfotericina B, via intravenosa na esporotricose</p><p>felina. Em casos de esporotricose felina com falência terapêutica ao itraconazol,</p><p>a associação do triazólico à anfotericina B, SC ou intralesional, pode ser utilizada</p><p>como uma opção de tratamento.</p><p>O uso da criocirurgia associada ao itraconazol atuaria como terapia adjuvante</p><p>em lesões localizadas e persistentes. Uma limitação desse procedimento seria a</p><p>localização da lesão em um sítio anatômico que não permita a intervenção cirúrgica.</p><p>O crescimento de S. schenckii é inibido quando a temperatura é igual ou superior</p><p>a 40°C, por isso, a hipertermia local é usada como tratamento alternativo na</p><p>esporotricose humana nas formas cutânea e cutâneo-linfática. Esse tipo de terapia</p><p>é recomendada em grávidas e pacientes com intolerância aos efeitos adversos dos</p><p>iodetos, azólicos e terbinafina.</p><p>26</p><p>UNIDADE II │ ALGUNS FUNGOS CAUSADORES DE PATOGENIAS EM PEQUENOS ANIMAIS</p><p>Prevenção</p><p>No intuito de evitar um surto em animais e humanos, saúde humana e saúde pública</p><p>devem caminhar juntas informando aos proprietários e a toda a população sobre o</p><p>correto manejo dos animais, a prevenção da doença e seu tratamento. É importante que</p><p>as pessoas que lidam com gatos acometidos pela doença sigam uma série de regras de</p><p>biossegurança, que incluem: separação dos animais adoentados e saudáveis, precaução</p><p>ao manipular os animais acometidos, cuidado para a não ocorrência de mordidas ou</p><p>arranhaduras desses animais e descontaminação das caixas de transporte dos animais</p><p>com hipoclorito a 1%. Em consultórios, o médico veterinário deve manipular o animal</p><p>com cuidado e, se for necessário, utilizar sedativos para a realização do exame clínico.</p><p>Depois do exame, a mesa deve ser limpa com hipoclorito de sódio a 1% e álcool a 70%</p><p>por 10 minutos.</p><p>É necessário que os donos de gatos estejam conscientes da posse responsável e</p><p>castração dos animais, bem como do adequado confinamento de felinos em casa,</p><p>da limpeza do ambiente e do limite de gatos, evitando a criação de colônias em</p><p>espaço pequeno e, principalmente, assegurando aos animais cuidados de saúde</p><p>sempre que for necessário.</p><p>O médico veterinário é uma peça fundamental no controle da esporotricose,</p><p>atuando na clínica, prescrevendo tratamento adequado aos animais adoentados e</p><p>fornecendo informações aos proprietários, tanto dos aspectos relativos à melhor</p><p>forma de se criar um gato, para que ele não adquira a infeção, como do melhor</p><p>manejo dos animais acometidos, para evitar que a doença acometa outros felinos</p><p>e seres humanos.</p><p>27</p><p>CAPÍTULO 2</p><p>Criptococose</p><p>Introdução</p><p>As micoses, como abrangentemente conhecidas, são doenças fúngicas resultadas da</p><p>invasão por fungos nos tecidos. Podem ser classificadas de acordo com o local</p><p>(tecido) invadido.</p><p>Este patógeno oportunista ocorre em frutas, mucosa oronasal, pele de animais e</p><p>pessoas saudáveis e, principalmente, no solo rico em excreta de aves, onde pode</p><p>permanecer por mais de dois anos. O agente causador da criptococose é um fungo</p><p>da classe Bastomycetes, família Cryptococcaceae, gênero Cryptococcus, espécie</p><p>Cryptococcus neoformans.</p><p>A espécie Cryptococcus neoformans é uma levedura com aspecto arredondado,</p><p>ou ovalado ou elipsoide, sendo presente ou não o envolto por cápsula</p><p>de</p><p>mucopolissacarídeo. Na literatura, encontramos sua divisão de 3 a 5 tipos de</p><p>sorovares, sendo elas a C. neoformans var. grubii (sorotipo A), C. neoformans var.</p><p>neoformans (sorotipos D e AD) e C. neoformans var. gattii (sorotipos B e C). Por sua</p><p>vez, também diferem na apresentação clínica, habitat e na epidemiologia. As duas</p><p>principais espécies que causam doença no homem e nos animais são a Cryptococcus</p><p>neoformans e a Cryptococcus gattii. Porém, o C. gattii é mais virulento e tem maior</p><p>predileção pela infecção do sistema nervoso central.</p><p>Os sorotipos neoformans e grubii são considerados cosmopolitas, localizados</p><p>principalmente no solo, nas frutas e podem estar presentes na mucosa oronasal e na</p><p>pele de indivíduos sadios. Os dejetos de pássaros contêm grande carga dos agentes</p><p>e, portanto, são considerados fontes de infecção. Dessa forma, os pombos assumem</p><p>papel importante como reservatório do agente no ambiente urbano. Fezes secas</p><p>desses animais tornam-se fonte para matéria orgânica, favorecendo o crescimento</p><p>desses fungos, e, por possuírem menor colonização por bactérias, a competição é</p><p>menor e, consequentemente, a proliferação dos fungos é maior. Essas variedades</p><p>são mais comuns em indivíduos imunocomprometidos.</p><p>A espécie de C. neoformans var. gattii ocupa um habitat muito específico. No</p><p>Brasil, foi encontrada em árvores típicas das matas das regiões Norte e Nordeste,</p><p>tendo como suspeita que, em ambiente antrópico, poderia ter se adaptado para</p><p>28</p><p>UNIDADE II │ ALGUNS FUNGOS CAUSADORES DE PATOGENIAS EM PEQUENOS ANIMAIS</p><p>crescimento em pedaços de madeira. Sua patogenia está vinculada a indivíduos</p><p>que contaminam-se quando imunocomprometidos.</p><p>A criptococose pode ocorrer em diversas espécies, inclusive no homem.</p><p>Acomete principalmente gatos e está relacionada à imunidade do hospedeiro,</p><p>representando a micose sistêmica mais comum na espécie felina. É influenciada</p><p>por doenças imunossupressoras concomitantes, como as causadas pelos vírus</p><p>da imunodeficiência felina (FIV) e leucemia felina (FeLV), assim como por má</p><p>nutrição ou por corticoterapia. No Brasil, animais mais jovens são os principais</p><p>pacientes com a criptococose, com a média de idade de 4 anos (62%), machos (75%)</p><p>e animais da raça Siamesa (60%). Já nos caninos, a doença é mais observada em</p><p>animais de 1 a 7 anos de idade. Não há nenhuma predisposição relacionada com o</p><p>sexo, mas algumas raças parecem ser mais suscetíveis, como pinscher, doberman,</p><p>dog alemão e o cocker spaniel.</p><p>Por se manter no próprio ambiente, e não necessariamente em um indivíduo</p><p>como hospedeiro vertebrado, ela acaba não apresentando uma fonte de infecção</p><p>específica, sendo assim o próprio ambiente contaminado o local para possíveis</p><p>propagações.</p><p>A criptococose não é uma antropozoonose considerada clássica, sendo não</p><p>zoonótica. Isso porque ela não assume a fase de aerolização, o que facilita muito</p><p>a disseminação de um patógeno, que acaba, assim, tendo mais dificuldade para</p><p>ser espalhado; portanto, entrar em contato com animais doentes não é suficiente</p><p>para sua disseminação. A alta quantidade de leveduras encontradas nas fontes de</p><p>infecção ambientais e a rara transmissão homem-homem ou animal-animal nos</p><p>levam à conclusão de que a doença em questão é adquirida através da inalação do</p><p>fungo, devido a sua multiplicação pelo ambiente e não em hospedeiros vertebrados.</p><p>A principal forma de instalação é por via inalatória, tanto em seres humanos como</p><p>em animais. As leveduras e/ou basidiósporos do fungo são inalados e atingem</p><p>preferencialmente o trato respiratório superior, onde as grandes partículas são</p><p>aprisionadas e as menores podem atingir os alvéolos pulmonares, podendo produzir</p><p>infecção pulmonar. O micro-organismo se dissemina para sítios extrapulmonares</p><p>por via hematógena. O sistema nervoso central também pode estar infectado por</p><p>extensão direta através da placa cribriforme da cavidade nasal.</p><p>A cápsula de C. neoformans é um importante fator de virulência, em que seus</p><p>componentes capsulares são associados à diminuição da migração de leucócitos</p><p>aos sítios de lesão, contribuindo para a disseminação hematógena.</p><p>29</p><p>ALGUNS FUNGOS CAUSADORES DE PATOGENIAS EM PEQUENOS ANIMAIS │ UNIDADE II</p><p>Características clínicas e diagnóstico</p><p>A doença pode afetar o trato respiratório (principalmente a cavidade nasal), o</p><p>sistema nervoso central, os olhos e a pele. Os sinais clínicos são variáveis conforme</p><p>os órgãos acometidos e as lesões causadas. O estabelecimento de um quadro clínico</p><p>e a disseminação da infecção têm estreita relação com a imunidade do hospedeiro.</p><p>A síndrome respiratória, mais frequente no gato, caracteriza-se por respiração</p><p>estertorosa, corrimento nasal mucopurulento, seroso ou sanguinolento, dispneia</p><p>inspiratória e espirros. No tecido subcutâneo, formação de massas firmes ou</p><p>pólipos, mais observadas sobre a cartilagem do plano nasal, proporcionam uma</p><p>característica denomina de “nariz de palhaço”. Em cães é prevalente a presença de</p><p>tosse. A síndrome ocular manifesta-se com uveíte, coriorretinite, neurite óptica,</p><p>opacidade de córnea, edema de íris e hifema.</p><p>A forma cutânea ocorre principalmente no pescoço e na cabeça e consiste de</p><p>nódulos múltiplos, firmes, indolores, de crescimento rápido, que tendem a ulcerar</p><p>e a drenar exsudato serosanguinolento. A infecção da pele e do tecido subcutâneo</p><p>é considerada como uma manifestação de doença disseminada.</p><p>A síndrome neurológica, mais comum em cães, pode apresentar-se como uma</p><p>meningoencefalomielite, estando os locais neurológicos relacionados com</p><p>o local da lesão. O envolvimento do sistema nervoso central é descrito em</p><p>aproximadamente 25% dos gatos afetados e comumente resultam de disseminação</p><p>hematógena. Já foram observadas lesões no cérebro e na medula espinhal, levando</p><p>a meningoencefalite ou mielite granulomatosa respectivamente. A cronicidade</p><p>pode provocar a infecção do sistema nervoso central, levando a convulsões,</p><p>cegueira e alterações comportamentais.</p><p>Os pássaros raramente desenvolvem criptococose clínica, pois sua alta temperatura</p><p>corporal inibe a replicação do fungo.</p><p>Diagnóstico</p><p>O método mais indicado para o diagnóstico é a pesquisa do antígeno polissacarídeo</p><p>circulante no soro ou líquor, através da prova do latex. Essa prova possui alta</p><p>sensibilidade e especificidade. A detecção de antígenos específicos dessa levedura</p><p>também pode ser obtida pela técnica imunoenzimática ELISA.</p><p>Os achados hematológicos e bioquímicos normalmente não são sugestivos.</p><p>O diagnóstico definitivo é baseado na identificação do agente por citologia e cultura</p><p>30</p><p>UNIDADE II │ ALGUNS FUNGOS CAUSADORES DE PATOGENIAS EM PEQUENOS ANIMAIS</p><p>de exudato nasal, líquor e tecidos como pele. Através das técnicas de coloração</p><p>com os corantes de Wright modificado ou novo azul de metileno, são observadas</p><p>pequenas leveduras de aproximadamente 3,5 a 7 μm com uma cor azul clara ou</p><p>escura e presença de cápsulas claras e espessas. Com o corante de Gram, a coloração</p><p>dessas estruturas é violeta e com uma cápsula vermelho clara. No histopatológio,</p><p>o Cryptococcus neoformans é facilmente evidenciado pelo halo claro, vazio, que</p><p>aparece em torno dos elementos fúngicos representados pela cápsula, que não é</p><p>corada. O mucicarmim de Mayer especial para fungos é o único corante que tem</p><p>afinidade com a cápsula, tornando-a róseo avermelhada.</p><p>O exame histopatológico é realizado baseando-se na morfologia específica do agente</p><p>e em suas características histoquímicas típicas, principalmente naqueles casos em</p><p>que a cultura micológica não está disponível. Para isso, é necessário o conhecimento</p><p>do padrão morfológico e histoquímico da infecção por Cryptococcus spp, assim</p><p>como suas variações nos tecidos afetados.</p><p>O Cryptoccoccus pode ser cultivado em ágar Sabouraund dextrose. No microscópio,</p><p>observamos características como um corpo leveduriforme de paredes espessas,</p><p>podendo ser ovoide ou esférico, às vezes com brotamento solitário, e todos são</p><p>circundados por uma larga cápsula gelatinosa.</p><p>Existem patologias com as mesmas manifestações clínicas, sejam estas doenças</p><p>infecciosas ou inflamatórias, como a encefalite viral (cinomose) a encefalite</p><p>bacteriana, a meningoencefalite protozoária (toxoplasmose, neosporose), a</p><p>meningoencefalite granulomatosa, a rickettsia e as neoplasias.</p><p>Tratamento</p><p>O itraconazol é o medicamento de escolha para o tratamento da criptococose em</p><p>cães e gatos, quando não há risco iminente de morte e há sinais neurológicos. O</p><p>fluconazol é a droga de eleição para pacientes que apresentem alterações no sistema</p><p>nervoso central, pois atravessa a barreira hematoencefálica. O cetoconazol é eficiente</p><p>em alguns felinos, mas comumente leva a inapetência, vômito, diarreia, perda de</p><p>peso e aumento nas atividades das enzimas hepáticas em alguns felinos e cães.</p><p>A anfotericina B é um potente medicamento antifúngico de amplo espectro e</p><p>início de ação rápido. Como medicação única, ele é moderadamente efetivo contra</p><p>criptococose. Por isso, geralmente não é indicado, exceto nos casos de doença</p><p>disseminada com risco à vida.</p><p>31</p><p>ALGUNS FUNGOS CAUSADORES DE PATOGENIAS EM PEQUENOS ANIMAIS │ UNIDADE II</p><p>O tratamento para criptococose consiste no uso de antifúngicos sistêmicos, os quais</p><p>devem ser administrados por um longo período para garantir que a infecção seja</p><p>eliminada. Isso pode exigir até dois anos de tratamento e se estender a terapia por</p><p>um a dois meses após a resolução dos sinais clínicos.</p><p>32</p><p>CAPÍTULO 3</p><p>Coccidioidomicose</p><p>Introdução</p><p>Sua primeira identificação foi feita por um estagiário médico de nome Alejandro</p><p>Posadas em Buenos Aires, em 1892, que observou em um paciente, um soldado</p><p>argentino, lesões cutâneas com características fungoides. Ao avaliar a amostra,</p><p>observou estruturas esferulares, e entendeu equivocadamente como um</p><p>protozoário Coccidia. Alguns anos depois, outro trabalhador foi observado</p><p>com as mesmas lesões e sua avaliação laboratorial demonstrava a presença dos</p><p>mesmos “protozoários”, como foi registrado na época, através da conclusão do</p><p>médico patologista Emmet Rixford. Mais alguns anos depois, William Ophüls</p><p>e Herbert C. Moffitt fizeram uma classificação com precisão e o identificaram</p><p>como fungo, através de inoculação em cobaias e avaliando o desenvolvimento</p><p>fúngico em seus órgãos.</p><p>É uma doença de caráter zoonótico que acomete seres humanos e animais, como</p><p>cães, gatos e até aves. É causada pelo fungo dimórfico geofílico (que habita o</p><p>solo) Coccidioides immitis, com crescimento em solo de forma saprofítica e com a</p><p>forma filamentosa. Seu crescimento em solo e em meios de cultura, a temperatura</p><p>ambiente, crescem como micélio vegetativo hialino, com características</p><p>esbranquiçadas e aspecto felpudo, devido a sua forma filamentosa. A evolução</p><p>do seu desenvolvimento no decorrer dos dias segue aumentando o número</p><p>da colônia, formando hifas hialinas septadas e ramificadas, seguindo para</p><p>formação de artroconídios em abundância. Quando em parasitismo em animais,</p><p>a sua forma se modifica: é esferular endosporulante. Na Figura 7, observamos o</p><p>esquema do ciclo de desenvolvimento em vida livre e infectante:</p><p>33</p><p>ALGUNS FUNGOS CAUSADORES DE PATOGENIAS EM PEQUENOS ANIMAIS │ UNIDADE II</p><p>Figura 7. Representação esquemática do ciclo de Coccidioides spp tanto em sua fase saprofítica quanto no</p><p>ciclo parasitário.</p><p>Ruptura da Esférula</p><p>Esférula</p><p>madura</p><p>Endosporos</p><p>livres</p><p>Esférula</p><p>imatura</p><p>Ciclo Parasita Ciclo Saprófita</p><p>Formação da</p><p>Artrosfera</p><p>Micélio</p><p>Septado</p><p>Artrosfera livre</p><p>Fonte: Research Gate (2009), com adaptações.</p><p>A doença é adquirida pela inalação dos artroconídios produzidos pelos filamentos. A</p><p>infecção inicial, portanto, é pulmonar, podendo atingir outros órgãos através de vias</p><p>hematogênicas, causando uma doença progressiva, mas que pode chegar a ser fatal se</p><p>não tratada. Normalmente o acometimento é benigno e de resolução espontânea.</p><p>O fungo tem prevalência em solos de regiões áridas e semiáridas, com exigência de</p><p>maiores concentrações de sais solúveis (sódio, cálcio, magnésio, sulfatos e cloretos),</p><p>encontrados no continente americano, com extensões que vão do sudoeste dos Estados</p><p>Unidos ao norte do México. Também é encontrado na América central e na do Sul,</p><p>sendo o Brasil uma das áreas endêmicas do agente.</p><p>As infecções no Brasil foram relatadas em 1978 e 1979, mas o país foi incluído como</p><p>nação endêmica do agente somente em 1998, exatamente logo após relatos dos</p><p>primeiros surtos da forma pulmonar aguda na localidade. Essa consideração foi dada</p><p>devido à descoberta de um novo tipo (variação) de coccidiomicose, o C. posadasii,</p><p>presente na América. Com a descoberta dessa variante, e a presença dela no Brasil,</p><p>hoje é considerado que a região semiárida do Nordeste brasileiro é endêmica ao agente.</p><p>Assim, na América do Norte, temos o C. immitis e, na América do Sul (e incluindo</p><p>34</p><p>UNIDADE II │ ALGUNS FUNGOS CAUSADORES DE PATOGENIAS EM PEQUENOS ANIMAIS</p><p>sul dos EUA), temos o C. posadasii. Os agentes C. immitis são isolados na Califórnia,</p><p>sobreduto no Vale do São Joaquim, nos Estados Unidos; e a variante C. posadasii, em</p><p>todas as outras áreas endêmicas, do Sul dos EUA até a Argentina.</p><p>Pode ser conhecida também como doença de Wernicke, reumatismo do deserto, febre</p><p>do Vale de São Joaquim e granuloma coccidioide. Mesmo com tantos nomes, temos</p><p>pouca informação sobre este agente, principalmente aqui no Brasil, e dessa forma, a</p><p>grande maioria dos casos devem ser diagnosticados de forma errada, confundidos com</p><p>pneumonias inespecíficas, por exemplo. No Nordeste brasileiro, temos como regiões</p><p>endêmicas: Piauí, Ceará, Maranhão e Bahia.</p><p>Características clínicas e diagnóstico</p><p>A principal forma de contaminação é através da inalação, mas pode haver contaminação</p><p>pelos artrósporos em feridas abertas. A principal época de contaminação ocorre após o</p><p>período de chuvas, com sua dispersão pela chegada dos ventos.</p><p>Após a entrada no hospedeiro invertebrado, os artrósporos provocam inflamação com</p><p>aumento de neutrófilos e infiltração em monócitos, linfócitos e células plasmáticas. Quando</p><p>essa resposta celular é bem-sucedida, o agente infeccioso é combatido e eliminado do</p><p>organismo. Isso implica que, na grande maioria dos casos de contaminação por Coccídios,</p><p>a infecção é subclínica. Quando o agente se dissemina pelo sistema do hospedeiro, ele passa</p><p>pelos gânglios linfáticos mediastínicos e traqueobronquiais, ossos e articulações, órgãos</p><p>viscerais, coração e pericárdio, testículos, olhos, encéfalo e medula espinhal às vezes. Nesses</p><p>locais, os endósporos formam as esférulas, que se multiplicam nos órgãos e produzem</p><p>novas esférulas. Para que ocorra a sintomatologia, há período de 1 a 3 semanas até gerar a</p><p>infecção pulmonar aguda, e de até 4 meses para a infecção sistêmica.</p><p>Essa afecção fúngica é bem mais comum em cães, machos, principalmente jovens, já que</p><p>possuem o costume de farejar e caçar. A infecção sistêmica nestes animais causa tumefações</p><p>e dores ósseas, devido à infecção de ossos e articulações em 90% dos casos. De forma geral,</p><p>sintomas como a claudicação, tosse, perda de massa corporal, inflamação ocular, prostração</p><p>e debilidade nos movimentos decorrentes da dor e diarreias são algumas das causas que</p><p>levam os proprietários a levarem seus animais ao veterinário. Essas sintomatologias são</p><p>inespecíficas e, desta forma, muitas vezes não são ou são pouco relacionadas com a infeção</p><p>por Coccidioides immitis/posadasii.</p><p>A sintomatologia mais específica acompanha o percurso feito pelo agente até</p><p>sua disseminação pelo organismo. Assim, podemos dividir as manifestações da</p><p>coccidioidomicose em três principais formas:</p><p>35</p><p>ALGUNS FUNGOS CAUSADORES DE PATOGENIAS EM PEQUENOS ANIMAIS │ UNIDADE II</p><p>1. Manifestação pulmonar primária</p><p>Devido à forma de entrada dos artroconídeos ser pelas vias aéreas, a grande maiorias</p><p>dos hospedeiros vertebrados tende a apresentar a forma pulmonar primária, ocorrendo</p><p>em torno de 1 a 3 semanas após a exposição. A também grande maioria nestes</p><p>casos</p><p>tende a não apresentar sintomatologia e nem alterações radiográficas, sendo os</p><p>agentes eliminados do organismo – isso dependerá do potencial imune do animal,</p><p>da carga infectante e do estado fisiológico do hospedeiro. Quando ocorre instalação</p><p>do fungo, os sintomas são relacionados com a infecção da via respiratória aguda,</p><p>portanto, febre, tosse seca ou com secreção, dor torácica, dificuldade ao respirar e</p><p>etc. Podem ocorrer manifestações alérgicas subcutâneas.</p><p>Nesses casos, pode haver remissão da doença devido à competência imunológica</p><p>do animal ou aos tratamentos inespecíficos realizados de forma paliativa. Formas</p><p>residuais podem acontecer mesmo com a remissão da doença, como formação de</p><p>nódulos pulmonares geralmente, podendo ocorrer remissões destes ou retirada</p><p>cirúrgica devido a outras suspeitas de tumores.</p><p>Quando há alteração na imunocompetência do indivíduo, o problema pode evoluir</p><p>para uma pneumonia crônica, com grande infecção pulmonar, observando-se</p><p>múltiplos focos pulmonares e formação de hifas no pulmão. Casos de letalidade são</p><p>raros, mas podem acontecer, principalmente em pacientes com algum agravante.</p><p>2. Manifestações pulmonares progressivas</p><p>Ocorre devido a não eliminação do agente em seu primeiro contato com o hospedeiro.</p><p>Caracteriza-se pela presença de alterações físicas como a presença de nódulos ou lesões</p><p>cavitárias, observadas pelos exames radiográficos. Disseminação miliar pulmonar, com</p><p>manifestações clínicas.</p><p>3. Manifestações disseminadas</p><p>É a manifestação mais rara, ocorrendo em um percentual ínfimo dos animais</p><p>acometidos, quando a doença evolui. Os fungos se desenvolvem na pele, no</p><p>sistema nervoso central e no osteoarticular. Pode ser caracterizada por períodos</p><p>intermitentes de remissão e reinfecção. Na pele, apresentam característica de</p><p>pápulas ou verrugas, com formação de placas, abscessos superficiais, pústulas e</p><p>lesões granulomatosas.</p><p>O diagnóstico está ligado a manifestações clínicas e histórico do paciente com viagens</p><p>ou residência em locais endêmicos. Mas o grande problema, nestes casos, é a falta de</p><p>36</p><p>UNIDADE II │ ALGUNS FUNGOS CAUSADORES DE PATOGENIAS EM PEQUENOS ANIMAIS</p><p>conhecimento dos médicos veterinários quanto à existência da doença, sua prevalência</p><p>e incidência nas várias regiões.</p><p>Como exames, temos os diretos, que devem ser feitos com material que possa ser</p><p>submetido a técnica, como secreções nasais, líquidos cefalorraquidiano, lesões</p><p>tegumentares, pus de abscessos, lavados brônquicos, aspirados, urina e etc. No exame</p><p>direto, é utilizado o material coletado mais a adição de hidróxido de potássio a 10%.</p><p>Observam-se então esférulas imaturas/maduras (Figura 8), mas que são presuntivas</p><p>por possuírem características similares às de outros fungos.</p><p>Figura 8. Preparo de escarro com hidróxido de potássio a 10% observado em microscópio observando esférula.</p><p>Fonte: Deus Filho (2009).</p><p>Os exames histológicos também são outra opção com boa visualização do agente (Figura</p><p>9), realizados principalmente com material de biópsia (animal vivo) ou com material</p><p>coletado a partir de necrópsias.</p><p>Figura 9. Esférula madura com vários endósporos de Coccidioides spp. Observado através de corte histológico.</p><p>Fonte: Moraes et al. (1998).</p><p>37</p><p>ALGUNS FUNGOS CAUSADORES DE PATOGENIAS EM PEQUENOS ANIMAIS │ UNIDADE II</p><p>A cultura ajuda na identificação do agente em específico e na melhor confirmação da</p><p>espécie de fungo com que se está lidando. Mas um grande agravante é o risco biológico,</p><p>pelo alto potencial de contaminação em razão da fácil disseminação dos artroconídios</p><p>em cobinação com os aerossóis. Devido a esse fato, a manipulação deve ser realizada</p><p>em laboratórios com alta segurança biológica e com os devidos equipamentos de nível</p><p>II B2 no mínimo.</p><p>Exames moleculares também são possíveis, mas não é uma rotina clínica, bem como</p><p>exames rápidos para exoantígenos. Em vias de pesquisa celular, as técnicas sorológicas</p><p>podem ser uma boa pedida, identificando anticorpos, utilizando os exames de</p><p>precipitação em tubo, fixação de complemento e imunodifusão em gel de ágar (IDGA).</p><p>Os dois últimos testes procuram anticorpos mais tardios, tipo IgG.</p><p>As alterações fisiológicas nos exames de rotina clínica são anemia normocítica</p><p>normocrômica arregenerativa, lecocitose ou leucopenia e monocitose. Presença de</p><p>hiperglobulinemia, azotemia renal e proteinúria podem ser observadas.</p><p>Tratamento</p><p>O tratamento é de, no mínimo, 60 a 90 dias. O cetoconazol é a droga de eleição</p><p>para o tratamento da coccidioidomicose. Anfotericina B pode ser utilizada como</p><p>complemento quando o primeiro não faz efeito. Outro antifúngico é o itraconazol,</p><p>utilizado quando os animais apresentam toxicidade ao cetoconazol.</p><p>Nas infecções do sistema nervoso, o fluconazol é a escolha pela sua maior</p><p>concentração, encontrada a difusão tecidual neste local. Já quando o sistema</p><p>esquelético é afetado, o tratamento é para o resto da vida, na tentativa de controle</p><p>da proliferação do agente fúngico.</p><p>Em qualquer das circunstâncias, os casos devem ser acompanhados durante</p><p>períodos de tempo até dois anos, ou em intervalos de 2, 3 ou 6 meses, dependo do</p><p>caso, a fim de avaliar o quadro do animal, pois o agente em questão tem dificuldade</p><p>para ser eliminado por completo dos organismos.</p><p>38</p><p>UNIDADE III</p><p>ALGUMAS</p><p>DOENÇAS</p><p>CAUSADAS</p><p>POR FUNGOS</p><p>NEGLIGENCIADOS</p><p>CAPÍTULO 1</p><p>Aspergilose</p><p>Introdução</p><p>Já foram relatadas 344 espécies, divididas em 18 grandes grupos (famílias) de</p><p>Aspergillus, classificados de acordo com filamento, forma, cor, parede celular das</p><p>vesículas, conidióforos e conídios. Vivem em inúmeros locais, com distribuição mundial,</p><p>em especial em países de clima quente e subtropical, localizados preferencialmente no</p><p>meio ambiente, em solo, plantas, ar e bioaerossóis, água doce e marinha, decomposição</p><p>de matéria orgânica, principalmente em locais úmidos, além do sistema fisiológico de</p><p>humanos e animais. Já foram encontrados em quase todos os animais, desde insetos</p><p>até corais. As aves são as mais acometidas, principalmente papagaios, pinguins e de</p><p>rapina em cativeiro. Grandes animais também podem ser atacados, mas é considerado</p><p>extremamente raro. Em cães e gatos também é incomum de ocorrer, mas há registros</p><p>principalmente em dolicocefálicos e mesocefálicos, com infecção nasal ou disseminada</p><p>(menos comum).</p><p>Possui representatividade de 1% a 7%, dependendo do local, dos fungos encontrados</p><p>no ambiente. Tem notória capacidade de adaptação aos ambientes, podendo ser</p><p>encontrados até em poeiras. Essa grande capacidade de “onipresença” está ligada à</p><p>capacidade de produzir conídios assexuais, que são levados pelo vento, podendo se</p><p>adaptar a vários tipos de matéria orgânica para fixação. São altamente resistentes e</p><p>capazes de suportar o stress do deslocamento e da fixação, onde posteriormente</p><p>produzem ascórporos sexuais. Sua biologia é altamente adaptada para quase todo</p><p>39</p><p>ALGUMAS DOENÇAS CAUSADAS POR FUNGOS NEGLIGENCIADOS │ UNIDADE III</p><p>tipo de ambiente e condição de ataque das defesas dos seres vivos que eles infectam,</p><p>colonizando-os através da “quebra das barreiras” imunes.</p><p>A reprodução pode ser assexuada ou sexuada, ocorrendo de duas formas a sexuada:</p><p>espécies homotálicas, como Aspergillus nidulans, com a presença dos dois locais para</p><p>fecundação em um mesmo agente, enquanto que a forma heterotálica, A. fumigatus e A.</p><p>flavus, requer dois indivíduos, cada qual com seus respectivos locais para fecundação,</p><p>portanto de “sexo” oposto. Produzem, assim, os ascósporos, esporos sexuais formados</p><p>por meiose, fechados. Ao se fixarem ou entrarem no indivíduo, seus corpos de frutificação</p><p>(proteção), denominados cleistotecia, liberam os ascósporos para seu desenvolvimento.</p><p>Sabe-se ainda que alguns desses fungos podem ter um ciclo parassexual, permitindo</p><p>recombinação genética durante o processo de mitose após fecundação.</p><p>Conseguimos vê-los através de microscópios, e são caracterizados por possuírem um</p><p>micélio filamentoso, hialino e septado, com presença</p>