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Nutrição, Depressão e Doença Renal Crônica no Contexto da COVID-19 Rio de Janeiro Junho de 2020 Centro de Pesquisa e Extensão de Nutrição em Nefrologia (CEPENUNE/UFRJ) AUTORAS Profª Dra. Claudia Teresa Bento Prof. Adjunta do Instituto de Nutrição Josué de Castro (INJC/UFRJ) Doutora em Ciências Nutricionais (UFRJ) Profª Sofia Kim Uehara Professora Adjunta do Departamento de Nutrição Aplicada (UERJ) Doutora em Ciências Nutricionais (UFRJ) Mestrandas em Nutrição Clínica (INJC/UFRJ) Ana Luiza de Souza Azevedo Desiane Guimarães Nunes Maria Beatriz Cabral Coutinho Fernandes Vivian Westerfalem Santos de Lima Especialista em Nutrição Clínica – CENC-UFRJ Sabrina Dias Campos COLABORAÇÃO Psicóloga Anna Carolina Pinto Machado Pós-graduada em Terapia Cognitivo Comportamental - Universidade Celso Lisboa Residência Multiprofissional em Clínica Médica - UFRJ Rio de Janeiro Junho de 2020 Apresentação Este material educativo sobre a doença renal crônica (DRC), cuidados nutricionais e os impactos na saúde mental durante a pandemia da Covid-19 tem como objetivo principal a promoção do autocuidado, por meio da educação nutricional com destaque aos conhecimentos sobre alimentação segura, saudável e protetora para os doentes com DRC. Com amor, equipe do CEPENUNE Sumário O que é doença renal crônica (DRC)? A doença renal crônica é a perda lenta e gradual das funções dos rins por um período de 3 meses ou mais, o que causa acúmulo de substâncias tóxicas no organismo, pois os rins não conseguem mais eliminá-las. Estágios da DRC Estágio 1 Estágio 2 Estágio 3 Estágio 4 Estágio 5 Complicações da DRC Doenças cardiovasculares Anemia Ácido úrico aumentado Doença óssea Deficiência de vitamina D Cansaço intenso Insônia Problemas de memória Depressão No último estágio da DRC é necessário iniciar uma Terapia Renal Substitutiva, sendo elas: Hemodiálise Diálise Peritoneal Transplante Renal Diminuição na produção de um hormônio produzido nos rins chamado eritropoetina responsável pela produção de glóbulos vermelhos (na medula óssea) que carregam o oxigênio pelo sangue, causando anemia Inflamação crônica Geralmente, pacientes com DRC têm pressão alta e diabetes, que são condições que agravam a infecção pelo coronavírus Uso de medicamentos que tornam a imunidade mais baixa, no caso de pacientes transplantados Pessoas com DRC fazem parte do grupo de risco para a Covid-19, uma vez que são mais suscetíveis ao agravamento do quadro provocado pelo coronavírus por possuírem imunidade mais baixa. Dentre os fatores que contribuem para a vulnerabilidade desses pacientes podem ser destacados: DRC e Covid-19 Agência Nacional de Vigilância Sanitária Quais são os cuidados necessários para preparar os alimentos? Até o momento, não existem comprovações científicas de que o vírus da Covid-19 seja transmitido pelos alimentos. Entanto, os alimentos ou embalagens podem ser veículos de transmissão. Isso pode acontecer quando o alimento tem contato com uma superfície contaminada pelo vírus ou tenha sido manipulado por uma pessoa com a doença. Alimentos, embalagens e as superfícies em que os alimentos serão preparados devem ser higienizados adequadamente. Saiba como fazer nas próximas páginas. Selecione e retire as folhas e partes deterioradas; Lave em água corrente os vegetais folhosos (alface, agrião, couve etc.), folha a folha; frutas e legumes um a um; Coloque de molho durante 15 minutos em água com hipoclorito de sódio (água sanitária), use 1 colher de sopa para 1 litro de água; Enxague-os em água corrente; Armazene os vegetais adequadamente sob refrigeração. Frutas e hortaliças: 1. 2. 3. 4. 5. Higienização dos alimentos Alimentos embalados Embalagens mais resistentes: lave-os com água e detergente Embalagens menos resistentes: higienização externa com álcool 70% ou solução clorada Higienização dos alimentos Não esqueça! Higienize sempre as bancadas. Utilize 50 mL (1 copinho de café) de hipoclorito de sódio (água sanitária) em 1 litro de água.imagem: https://www.tribunapr.com.br/viva/vai- ao-mercado-veja-dicas-para-se-manter-seguro- contra-o-coronavirus/ APRENDENDO A CONSERVAR MELHOR OS ALIMENTOS Existe uma técnica que ajuda na conservação dos alimentos por um maior período de tempo o nome dela é branqueamento. Confira o passo-a-passo desse processo: Alimentos e tempo de branqueamento Embrapa, 2000 A manutenção de uma alimentação saudável é imprescindível para a prevenção e o combate à infecções virais. Isto acontece porque uma alimentação adequada e rica em nutrientes é capaz de fortalecer o sistema imunológico, responsável por defender o nosso organismo contra microrganismos. É fundamental que pacientes DRC sejam acompanhados por um (a) nutricionista, que deverá elaborar um plano alimentar individualizado, com o objetivo de estabelecer uma alimentação adequada e saudável, de acordo com a sua doença e os seus exames laboratoriais. Alimentação, DRC e Covid-19 Neste período em que vivemos uma pandemia devido ao coronavírus, a preocupação com a alimentação torna-se ainda mais necessária. Por ser um vírus novo, não existem evidências de nutrientes que desempenhem papel específico na prevenção ou combate à Covid-19. No entanto, o consumo de alimentos variados e fontes de nutrientes envolvidos na imunidade fortalece o sistema imunológico, aumentando assim as defesas do organismo. Vitamina A Vitaminas do complexo B Vitamina C Vitamina D Vitamina E Zinco Cobre Selênio Ômega-3 Nutrientes e sistema imunológico Aqui iremos abordar as principais vitaminas e minerais envolvidos na imunidade. São eles: Atua na saúde visual, no sistema imunológico e pele, auxilia na cicatrização, na formação de colágeno e também possui ação antioxidante. Alimentos fontes de vitamina A: abóbora, cenoura, batata-doce, leite integral, fígado, ovos, couve, espinafre, mamão e manga. Atenção à ingestão em excesso dessa vitamina por meio de polivitamínicos, pois em doses elevadas, a vitamina A se acumula no paciente renal e se torna prejudicial ao rim. Vitamina A Vitamina do complexo B As vitaminas do complexo B são fundamentais para o sistema nervoso, músculos, ossos, pele, olhos e cabelos. As vitaminas do complexo B estão também envolvidas com a produção de energia, glóbulos vermelhos e atuam na prevenção da depressão e doenças neurológicas. B6 - Piridoxina Participa do metabolismo de energia e de proteínas, regula a ação de diferentes hormônios, desempenha papel importante na produção de neurotransmissores e glóbulos vermelhos, também atua na prevenção de doenças cardiovasculares juntamente com a vitamina B12 e ácido fólico. O uso de antidepressivos e contraceptivos orais podem aumentaras necessidades desta vitamina. Fontes de vitamina B6: alimentos de origem animal (carnes, frango, peixe, ovos, leite), cereais integrais, semente de girassol, soja, tomate, abacate, espinafre, banana e aveia. B9- Ácido Fólico Participa da manutenção do sistema imunológico, nervoso e circulatório, previne anemia, também é importante na formação do material genético e diminui o risco de arteriosclerose (formação de placas de gorduras nas artérias). Fontes de vitamina B9: vegetais folhosos verde- escuros como o espinafre e brócolis,feijões, carnes, fígadoe cereais integrais Vitamina B12 Essencial na formação, integridade e maturação das dos glóbulos vermelhos. Fundamental para o cérebro. A sua deficiência está envolvida com: anemias, demência, doença de Alzheimer, e psiquiátricas. As necessidades nutricionais de vitamina B12 são maiores na DRC sendo importante a avaliação e se necessário a suplementação pelo seunutricionista ou pelo médico. A deficiência desta vitamina pode ser o baixo consumo dos alimentos ricos em B12, que são alimentos de origem animal e proteicos, fontes de fósforo, justamente os que precisam ser controlados. Principais fontes alimentares de vitamina 12: ovos, leites, queijos, iogurtes, fígado de boi, fígado de galinha. A vitamina C é conhecida pela sua ação antioxidante (previne o envelhecimento precoce das células), no fortalecimento do sistema imunológico e é importante para absorção de ferro no intestino. Ela também atua na formação de colágeno, uma proteína que dá sustentação à pele e cartilagens. As principais fontes de vitamina C são as frutas cítricas como laranja, acerola, limão, abacaxi, kiwi, tangerina; outras frutas como manga, graviola, goiaba e caju. Tomate, pimentão, rúcula, alho, cebola, repolho, espinafre, agrião, cheiro-verde e salsinha. também possuem boa quantidade dessa vitamina. Vitamina C Claudia Bento Sublinhado Claudia Bento Realce A vitamina D, também conhecida como calcitriol ou colecalciferol, tem diversos efeitos no organismo, inclusive na imunidade. Os rins participam de maneira essencial nos processos da vitamina D no organismo, logo, é comum que indivíduos que apresentam DRC tenham deficiência desta vitamina. Porém, a reposição ou suplementação desta vitamina deve ser feita de acordo com os resultados dos seus exames. Sendo assim, converse com sua nutricionista ou médico a respeito da necessidade ou possíveis benefícios da suplementação. Principais fontes alimentares: leite, ovos, peixes gordurosos (atum, sardinha, salmão), bife de fígado e cogumelos. Vitamina D A vitamina E funciona como um antioxidante combate os radicais livres e reduz os riscos de doenças cardiovasculares e cerebrais. Estudos demonstram sua atuação na redução do desenvolvimento de câncer de próstata, doença de Parkinson, doença de Alzheimer e catarata. Alimentos fontes de vitamina E são: óleos vegetais gérmen de trigo, girassol e cártamo; nozes, amendoim, avelãs, amêndoas e sementes de girassol; vegetais de folhas verdes: espinafre e brócolis; azeite de oliva e óleos de soja; . Vitamina E Claudia Bento Realce Este micronutriente está envolvido em diferentes funções no nosso corpo, como na cicatrização, na reprodução, além do seu importante papel no sistema imunológico. A deficiência de zinco pode ser frequente em pacientes com doença renal e por isso é recomendado manter a ingestão adequada desse mineral. Alimentos fontes de zinco: carnes, peixes, frango, grãos integrais, feijões, nozes, castanhas e semente de abóbora. Zinco Claudia Bento Realce O selênio tem ação antioxidante importante, ou seja, ajuda o organismo a combater os radicais livres, diminui a inflamação, retarda o envelhecimento das células, regula os hormônios da tireoide e auxilia na prevenção de doenças cardiovasculares. Também possui ação benéfica no sistema imunológico. Ele pode ser encontrado principalmente na castanha- do-Pará. Apenas 1 unidade é capaz de suprir as recomendações diárias desse micronutriente. Principais fontes de: Castanha do Brasil, filé de linguado, atum, frango, frutos do mar, ovos, cereais integrais, semente de girassol e farinha de trigo integral. Selênio Entre suas inúmeras funções ele auxilia na formação dos ossos, glóbulos vermelhos, na maturação de células de defesa, tem ação antioxidante e também é importante para bom funcionamento do sistema nervoso. Fontes de Cobre: abacate, aveia, feijões, beterraba, brócolis, alho, lentilha, fígado, cogumelos, chocolate amargo, nozes, aveia, laranja, rabanete, passas, salmão, soja e verduras. Cobre O ômega-3 é um ácido graxo essencial, ou seja, não é produzido pelo nosso organismo devendo ser ingerido pela alimentação. Tem efeito anti-inflamatório, reduz dores articulares, atua na diminuição dos níveis de “colesterol ruim” (LDL) e triglicerídeos, e melhora os níveis do “bom colesterol” (HDL). Diferentes estudos relacionam a ingestão de ômega-3 com a melhora dos sintomas de depressão, doença de Alzheimer e distúrbios de comportamento, como hiperatividade e déficit de atenção. É encontrado nos peixes marinhos de águas frias e profundas como sardinha, salmão, atum, anchova, arenque, também podem ser encontrados em alimentos vegetais como na linhaça, chia, óleo de canola e de soja. Ômega-3 O sal ou cloreto de sódio como também é conhecido quando utilizado em excesso aumenta a pressão arterial e retêm líquidos sendo muito prejudicial ao paciente renal tanto no tratamento conservador quanto no tratamento dialítico. Por isso é importante controlar a quantidade de sal ingerida, optando por alimentos in natura e reduzindo o consumo de alimentos processados e ultraprocessados. Cuidado com o excesso de sal!! Temperos industrializados: Sazon®, Arisco®, Aji-no-moto®, caldos em cubos de carne e outros; sopas em pó, tempero de macarrão instantâneo, molho shoyo, molho inglês, molho tomate industrializado, catchup, mostarda; Frios, defumados e carnes secas: presunto, mortadela, peito de peru, salame, salsicha, linguiça, bacon, carne seca, bacalhau, charque; Alimentos em conserva: milho, ervilha, picles, azeitona, palmito e outros. Alimentos congelados como: pizza, lasanha, hambúrguer e outros. Salgadinhos de pacote (ex Fandangos®), amendoim; biscoitos cream cracker, biscoitos recheados; suco em pó. Alimentos ricos em sódio e que devem ser evitados Cuidado no uso do sal light, pois na sua composição o sódio é substituído pelo potássio. Peça orientação ao seu nutricionista sobre qual tipo de sal utilizar. Use temperos naturais como: alho, açafrão, cebola, alecrim, cebolinha, coentro, gengibre, louro, manjericão, manjerona, mostarda (folha), orégano, curry, salsinha. Receita de sal de ervas Ingredientes: 1 colher de sopa de alecrim 1 colher de sopa de salsinha seca 1 colher de sopa de manjericão 1 colher de sopa de orégano 1/2 xícara de sal Modo de preparo: Adicione todos os ingredientes no liquidificador ou mixer e bata até que fiquem misturados e mais finos.Conserve em um recipiente de vidro tampado. Validade: 3 semanas O fósforo é um mineral que em conjunto com o cálcio é responsável em manter a saúde dos ossos e dos dentes, porém tende a se acumular no sangue do paciente renal crônico, principalmente em quem faz diálise, porque os rins não conseguem mais eliminá-lo. Sintomas de fósforo alto no sangue Coceiras pelo corpo, olhos vermelhos e caso esse problema persista você poderá sentir dores nos ossos (os ossos ficam frágeis). Outra situação grave do excesso de fósforo no sangue é que ele se liga ao cálcio e causa enrijecimento na parede das veias e artérias podendo ocasionar infarto ou derrame. Como controlar o fósforo no sangue? Se você é um paciente que faz diálise deverá realizar a quantidade de horas que foi prescrita adequadamente, além disso, é muito importante controlar a ingestão de fósforo através da alimentação e utilizar o quelante de fósforo corretamente (de acordo com a orientação do médico e nutricionista). Cuidado com o fósforo alto no sangue! O que é quelante de fósforo? É um medicamento que se ‘’liga’’ ao fósforo ingerido nas refeições e impede que ele seja absorvido no intestino, assim, o fósforo dos alimentos e o quelante são eliminados nas fezes. Observe como ele funciona: Os quelantes de fósforo mais comumente usados são: carbonato de cálcio e cloridrato de sevelamer. Fonte: Instituto Cristina Martins Uso do quelante Para que esse medicamento seja eficaz é importante ter atenção nos horários em que ele deve ser ingerido. O uso deve ser feito junto ou no máximo 15 minutos antes ou depois das refeições que tenham alimentos ricos em fósforo. Se for comer fora, não se esqueça de levá-lo com você. Atenção: às vezes o médico pode ter orientado que você utilize carbonato de cálcioem horários longe das refeições. Neste caso, o objetivo é aumentar o cálcio do seu sangue que pode estar baixo. Leite e derivados (queijo, iogurtes, leite em pó, creme de leite, leite condensado); Carne (vermelha, peixe e frango), vísceras e miúdos (fígado, coração, moela), frutos do mar, gema de ovo; Leguminosas (feijão, ervilhas, grão de bico, soja, lentilhas); Oleaginosas (nozes, amêndoas, castanhas); Frutas secas, coco; Alimentos enlatados (sardinha, atum, patês) e embutidos (salsicha, linguiça, salame); Cereais integrais (arroz integral, pão integral, biscoito integral, centeio, cevada); sementes (abóbora, gergelim); Chocolate e achocolatado; Refrigerantes à base de cola (Coca-cola®, Pepsi®) Quais alimentos são ricos em fósforo? Produtos industrializados em geral Muito desses alimentos levam na sua composição conservantes à base de fósforo. Às vezes isto não está claro nos rótulos, pois a indústria utiliza nomes como: pirofosfato de sódio, ácido fosfórico, fosfato de sódio, como também não há a quantidade de fósforo presente. Como por exemplo, nos seguintes produtos: requeijão cremoso, empanados de frango, carne ou peixe; produtos congelados (lasanha, pizza, etc...), então, tenha muita atenção! Alguns alimentos dessa lista como carnes, leguminosas e leite são boas fontes de proteína também, por isso não faça restrição desses alimentos sem a orientação de um nutricionista. O potássio é um mineral que desempenha funções muito importantes no organismo, como a regulação das contrações musculares. Entretanto, na doença renal, as concentrações de potássio no sangue podem subir de forma rápida, pois não ocorre a eliminação pelos rins. Quais são os sintomas do potássio alto no sangue? O excesso de potássio no sangue impede a contração muscular adequada e os sintomas causados são fraqueza, fadiga, cansaço, podendo causar até parada cardíaca. Potássio Diferentes causas podem estar envolvidas no aumento do potássio e precisam ser avaliadas: - Uso de alguns medicamentos diuréticos - Presença de infecção, febre, desnutrição - Prisão de ventre - Ingestão de alimentos ricos em potássio Lave, descasque e depois corte os vegetais em cubos ou em partes pequenas; Coloque-os na panela SEM tampa e com bastante água e deixe ferver até ficarem cozidos; Depois jogue fora a água do cozimento, aproveitando somente os alimentos e prepare-os da forma que desejar (refogado, purê, salada) Vegetais Estratégias para diminuir a quantidade de potássio Deixar os grãos de remolho de 8 -12h antes de iniciar o preparo; Cozinhar as leguminosas por 10 minutos com bastante água; Escorrer e desprezar a água adicionando nova água para terminar o preparo. Leguinosas (feijões, ervilha seca, lentilha, grão-de- bico) Outros alimentos com alto teor de potássio e que o consumo em excesso deve ser evitado açaí, frutas secas (coco, uvas passas, ameixa seca) sal, dietético ou light, chocolate, café solúvel Teor de potássio das frutas Frutas ricas em potássio Laranja pera Mamão Tangerina Abacate Banana nanica, prata Uva Goiaba Melão Kiwi Água de coco Frutas com pouco potássio Laranja lima Maçã Pera Abacaxi Banana maçã Caqui Morango Melancia O consumo de carambola pelo paciente renal em qualquer estágio é PROIBIDO!! Pessoas com DRC NÃO PODEM CONSUMIR CARAMBOLA, pois esta fruta possui uma toxina que provoca alterações neurológicas diversas desde confusão mental, agitação, insônia, fraqueza muscular, alteração da sensibilidade dos membros, convulsões, coma e até morte. O excesso de açúcar, as frituras, os enlatados e embutidos devem ser evitados, pois estimulam vias inflamatórias, são pobres em fibras, possuem excesso de sal, causam constipação, contribuem para o aumento de peso levando ao aumento da gordura no sangue (dislipidemias), aumento da glicose no sangue (hiperglicemia) contribuindo para resultados ruins no tratamento da DRC Excesso de industrializados, frituras, doces Evitar bebidas açucaradas: refrigerantes, sucos de caixinha, sucos em pó; Evitar bebidas light: refrigerantes zero, sucos de caixinha zero, sucos light. Evitar dissacarídeos (doces): pudins, leite condensados, balas, bolos açucarados tradicionais, guloseimas, pavês, bombons. Evitar alimentos fontes de gordura saturada: carnes gordurosas,carnes vermelhas, frituras, leite integral dando prioridade ao desnatado, queijos amarelos. Evitar alimentos fontes de ácidos graxos trans: margarinas, sorvetes, biscoitos recheados, chocolates tradicionais, bolos e salgadinhos industrializados, molhos para saladas industrializados e maionese. Evitar os produtos fontes de sódio: hambúrguer, nugget de frango, croquete, salsicha, linguiça, salame, presunto, mortadela, alimentos em conserva, molhos e sopas prontos ricos em sódio. Evitar alimentos enlatados: milho verde, azeitona, ervilha, salsicha, atum, sardinha, compota de doces. A depressão é a doença psiquiátrica que mais acomete pessoas mundialmente, afetando cerca de 350 milhões de pessoas em todo o mundo, de acordo com a OMS. Na população com DRC, isso se torna ainda mais preocupante, pois já existem uma maior frequência de sintomas depressivos e de ansiedade, com uma prevalência de até 40%. Durante a pandemia do coronavírus, esse número tem se tornado ainda maior, assim como os sintomas de ansiedade, pela quarentena como forma de prevenção. O isolamento social, o medo de se contaminar, os problemas financeiros, as incertezas quanto ao futuro são alguns dos motivos que vêm fazendo o número de pessoas que relatam sintomas depressivos ou de ansiedade aumentarem cada dia mais. Depressão, DRC e Covid-19 Por isso, medidas para minimizar esses sintomas, são essenciais, principalmente no momento que estamos vivendo. Uma alimentação variada, rica em vegetais, alimentos integrais, boas gorduras, leguminosas, oleaginosas e frutas fornece os nutrientes necessários para correta funcionalidade do sistema nervoso e do nosso corpo como um todo, porém pacientes renais que podem ter suas necessidades aumentadas, seja pela inflamação crônica, pela hemodiálise ou pelo estágio da doença que se encontram. Sendo assim, é essencial saber os principais alimentos fontes de cada um desses nutrientes, para que eles possam ser priorizados na rotina alimentar. Lembrando que em alguns casos, a suplementação pode ser necessária, mas só deve ser realizada a partir da prescrição do seu nutricionista, que irá avaliar as necessidades de forma individual. Existem neurotransmissores como Serotonina e GABA, por exemplo, responsáveis pela sensação de bem- estar, relaxamento, a regulação do humor, apetite, diminui a irritabilidade, contribui para a libido e a diminuição desses neurotransmissores está diretamente ligada com a depressão. Para que os sintomas de depressão e ansiedade não apareçam, alguns nutrientes são essenciais para a formação desses neurotransmissores como: zinco, vitaminas do complexo B, vitamina C, cobre, selênio e ômega 3. Muito desses nutrientes também estão envolvidos na melhora da imunidade, como vimos nas páginas anteriores. Você acorda cansado? Quantas horas você dorme por noite? Você tem hora certa pra dormir e pra acordar? Outro ponto importante é a qualidade do sono. Perguntas importantes que você deve fazer a você mesmo: Quando falamos de qualidade do sono, falamos de um hormônio chamado melatonina, que é formado a partir da serotonina, chamada substância da felicidade que utiliza o triptofano. O triptofano é um aminoácido essencial à vida, sendo obtido pela alimentação, veja na figura 1. Existem alimentos fontes de triptofano como: kiwi, chocolate amargo, suco de uva integral, aveia, espinafre, abacaxi, arroz, morango, cebola, repolho chinês, gengibre e capim limão. Higiene do SonoExiste ainda uma técnica conhecida como higiene do sono, que inclui medidas simples que ajudam a estimular a produção dos hormônios envolvidos na regulação do sono, como por exemplo: 1) Evite o uso de aparelhos eletrônicos, como celular, computador e televisão 30 minutos antes de dormir. 2) Evite o consumo de alimentos estimulantes depois das 18:00 horas, como chá verde e preto, café, mate, etc. 3) Tente dormir em ambientes escuros, calmos, silenciosos e longe de qualquer luminosidade. Sabemos que além da alimentação a nossa mente e pensamentos são essenciais para manter a saúde mental em dia, então não podemos deixar de falar deles. Primeiramente, sempre deve ser avaliado o custo-benefício de manter determinado pensamento ou comportamento. Se não for algo que você possa resolver no momento, evite pensar excessivamente. Para acalmar a nossa mente, algumas técnicas podem ser utilizadas, como a respiração diafragmática e a meditação. Coloque as mãos sobre a região do abdômen, pois torna possível visualizar o movimento abdominal e assim apontar a respiração correta. Envie o ar inspirado para a região baixa do abdômen, abaixo das costelas. Observe na figura abaixo: A respiração tem um papel muito importante no processo da ansiedade, uma vez que a hiperventilação (respiração rápida e curta) pode intensificar os sintomas ansiosos. Sendo assim, vamos fazer o inverso: respirar profundamente, devagar e, de preferência, pelo diafragma. Respiração Diafragmática A meditação é uma prática muito eficiente para relaxamento, desde que seja feita com regularidade. Não estamos falando aqui de nada místico ou religioso. E sim de uma prática que a neurociência estuda e demostra diversos resultados positivos na busca do bem estar. Se você nunca meditou ou acredita ser muito difícil "não pensar em nada", comece com ajuda de aplicativos ou vídeos no YouTube. Há diversas tecnologias atualmente que possuem meditações guiadas, com temas, músicas e propostas diversas. Acredite, é mais fácil do que parece e pode ser só uma questão de hábito. Tente! Meditação De forma mais específica em relação à depressão, também existem técnicas que podem ser aplicadas no dia a dia, sendo algumas delas a Programação Gradual de Tarefas e o Quadro de Pequenas Vitórias. A depressão é conceituada como um círculo vicioso de retraimento gradual do paciente diante as atividades positivas. O que acaba reforçando o quadro clínico. Programação Gradual de Tarefas Para atingir um objetivo, geralmente é necessário executar vários passos durante essa caminhada. A pessoa tende a ficar apreensiva quando foca no quanto está distante de um objetivo, em vez de focar no seu passo atual. Assim, divida o objetivo final em tarefas menores, e foque em cada tarefa de uma vez. E não deixe de se sentir bem por cada tarefa concluída, por menor que ela seja. Cada etapa é importante! Então, cada vez que você começar a pensar no objetivo final, que tal lembrar de uma escada e especialmente do degrau em que você está nesse momento? Quadro de Pequenas Vitórias Já no quadro de pequenas vitórias, pegue uma folha e anote diariamente 3 pequenas vitórias suas, pode ser qualquer coisa, como, acordar no horário programado, realizar uma atividade no trabalho, conseguir ler um livro que você queria. A ideia acaba sendo a mesma da Programação Gradual de Tarefas, valorizar pequenas vitórias que fazemos diariamente e que muitas vezes não damos o valor devido. Cada dia é uma vitória e ela deve ser valorizada sempre! Vale a pena ressaltar que depressão é uma doença e portanto precisa de tratamento medicamentoso e acompanhamento psiquiátrico. Como vimos nessa cartilha, não existe nenhum alimento que sozinho seja eficaz na prevenção ou tratamento da infecção pelo Covid-19. Os impactos sociais, físicos e mentais que a pandemia de Covid-19 trouxe para sociedade também precisam ser ressaltados, uma vez que sintomas depressivos e de ansiedade estão sendo cada vez mais relatados. Diferentes nutrientes atuam em conjunto para melhorar a imunidade do nosso organismo, como também para o funcionamento adequado do sistema nervoso. O primeiro passo é entender a importância da alimentação nesse papel e realizar melhores escolhas alimentares na nossa rotina. Portanto, é aconselhado priorizar aos alimentos que são fontes desses nutrientes, com consciência dos riscos dos excessos e deficiências, além das particularidades que existem no caso de pacientes com DRC. Por isso, o acompanhamento com um profissional da nutrição é importante e no caso de sintomas de depressão e ansiedade, procure também um psicólogo. Considerações Finais Referências ANVISA - Agência Nacional de Vigilância Sanitária - Cartilha sobre Boas Práticas para Serviços de Alimentação. 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