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Diabetes na gestação Saúde da gestante -PR2 A Diabetes vai ser caracterizada pela deficiência na produção de insulina, ou na liberação ou até mesmo resistência da mesma, que vai levar a uma hiperglicemia. DM1- Deficiência na produção de Insulina DM2- Resistência à Insulina DMG – Diabetes diagnosticada na Gestação · Fisiologia: Em uma pessoa saudável, a insulina se liga a receptores na membrana das células, o que ativa a translocação do transportador de glicose GLUT4. Esse transportador permite que a glicose presente no sangue entre nas células, especialmente nos músculos e no tecido adiposo, por meio de difusão facilitada. No diabetes tipo 1 (DM1), o corpo não produz insulina, então o GLUT4 não é ativado e a glicose não entra nas células, resultando em hiperglicemia (aumento da glicose no sangue). No diabetes tipo 2 (DM2), há produção de insulina, mas ela tem dificuldade para se ligar aos receptores devido à resistência à insulina. Isso também impede a ativação do GLUT4, levando à hiperglicemia · Fatores de risco para o desenvolvimento de DMG · Obesidade. · Sedentarismo. · DMG prévio. · Idade >=35 anos. · Antecedentes familiares · Mal formação fetal · Óbito fetal · Polidrâmnio · Síndrome hipertensiva · História clínica. · Fisiopatologia da diabetes gestacional: Durante a gestação, a placenta produz hormônios que têm efeito contra a ação da insulina, chamados hormônios contra-insulínicos. Entre eles estão o HLP (lactogênio placentário humano), o cortisol, a prolactina e o hormônio do crescimento. Esses hormônios provocam aumento da resistência à insulina, o que dificulta a entrada da glicose nas células e leva à elevação da glicose no sangue (hiperglicemia). · À medida que a gestação avança, especialmente no segundo e terceiro trimestres, a placenta se desenvolve e passa a produzir ainda mais desses hormônios, intensificando a resistência insulínica. Esse mecanismo é fisiológico, mas em algumas gestantes, o pâncreas não consegue compensar produzindo mais insulina, e então ocorre o diabetes gestacional. · Como a placenta está completamente formada por volta de 24 a 28 semanas, esse é o período ideal para fazer o rastreamento do diabetes gestacional, geralmente com o teste oral de tolerância à glicose (TOTG). · Com a ação dos hormônios placentários aumentando a resistência insulínica, nas gestantes que não desenvolvem diabetes, o pâncreas aumenta a produção de insulina para compensar essa resistência, evitando o desenvolvimento do diabetes mellitus gestacional (DMG). · Porém, quando a gestação atinge cerca de 40 semanas, pode ocorrer uma falência ou insuficiência placentária, levando à diminuição na produção desses hormônios. Como resultado, há uma redução da resistência insulínica, e a glicemia pode cair. Isso representa um risco importante para gestantes com DMG que estão em uso de insulina, pois pode ocorrer hipoglicemia súbita e até mesmo óbito fetal no final da gestação. · Dessa forma, em gestantes com DMG que usam insulina, a ocorrência de hipoglicemia no final da gravidez deve levantar a suspeita de insuficiência placentária. · Diagnóstico/ Rastreio: - 1º semestre Exame de rotina e dosagem de glicemia de jejum. 126 – Diabetes Mellitus tipo2 - 2º semestre Com 24 a 28 semanas de gestação fazer o teste de Intolerância Oral a Glicemia (TOTG) com Dextrosol 75g São medidas as glicemias: · Em jejum · Após 1 hora · Após 2 horas Critérios diagnósticos para DMG: · Jejum ≥ 92 mg/dL · 1 hora após ingestão ≥ 180 mg/dL · 2 horas após ingestão ≥ 153 mg/dL Se qualquer um desses valores for igual ou superior aos limites, fecha-se o diagnóstico de diabetes gestacional. · Risco fetal e neonatal relacionado ao diagnóstico de Diabetes. Macrossomia Fetal · Aumento do risco de parto difícil (distócia de ombro), cesárea e traumatismos ao nascer. Óbito Fetal · Pode ocorrer intraútero devido à descompensação metabólica, má perfusão placentária ou hipoxemia. Hipóxia Fetal · Redução do oxigênio no feto, relacionada a alterações na placenta e excesso de insulina fetal, que aumenta a demanda de oxigênio. Desconforto Respiratório (síndrome do desconforto respiratório neonatal) · Mesmo em recém-nascidos a termo, filhos de mães diabéticas podem ter imaturidade pulmonar por interferência da insulina na produção de surfactante. Alterações metabólicas no recém-nascido: · Hipoglicemia Neonatal: Excesso de insulina fetal leva a queda da glicose após o nascimento. · Hipocalcemia: Baixo cálcio, comum em bebês de mães diabéticas. · Hipomagnesemia: Baixo magnésio. · Policitemia: Aumento anormal de glóbulos vermelhos como resposta à hipóxia crônica intrauterina · Riscos do diabetes gestacional para a mãe. Infecções · A hiperglicemia materna favorece infecções urinárias, vaginais e até infecções intrauterinas. Polidrâmnio · Excesso de líquido amniótico. Pré-eclâmpsia · Complicação grave caracterizada por hipertensão e proteinúria. Trabalho de Parto Prematuro RPMO (Ruptura Prematura das Membranas Ovulares) Atonia Uterina · Uterina pós-parto sem contração adequada, levando a risco de hemorragia. Associada à macrossomia e polidrâmnio. · Manejo - 1ª orientação: Dieta (diminuição de ingestão de carboidratos) e atividade física (aumento da ingestão de glicose pela célula) - Caso a gestante não conseguir controlar somente com dieta e atividade física, indicar insulinoterapia - Avaliação do IMC pré-gestacional e acompanhamento do ganho é extremamente necessário. Pacientes com DMG tem que ter o mínimo de ganho de peso possível. · Manejo glicêmico: - Fazer dextro 4 dosagens: · jejum · 1 hora pós café da manhã · 1h pós-almoço · 1h pós-jantar Meta glicêmica: jejum 70 e pós-prandial >100 Caso mais de 30% das medidas estejam alteradas– Fazer insulinoterapia · Início da Insulinoterapia com NPH · Insulina de escolha inicial: NPH (ação intermediária/liberação lenta) · Horários de aplicação: 14h e 22h (em jejum) · Dose inicial: · Peso da paciente × 0,5, dividida em 3 partes: · ½ da dose total · ¼ · ¼ · Monitoramento: Medir glicemia capilar (Dextro) 6 vezes ao dia: · Em jejum · Pós-café · Antes do almoço · Pós-almoço · Antes do jantar · Pós-jantar · Acompanhamento conjunto com endocrinologista é fundamental. · Ajuste de Insulina conforme glicemias · Se glicemias pré-prandiais (antes das refeições) alteradas: · Reajustar doses de NPH conforme trimestre: · 1º trimestre: 0,5 UI/kg · 2º trimestre: 0,7 UI/kg · 3º trimestre: 0,9 UI/kg · Se glicemias pós-prandiais (após refeições) alteradas: · Iniciar Insulina Regular (ação rápida). · Cálculo: 0,5 x peso · 2/3 da dose: NPH · 1/3 da dose: Regular (dividida em 3 aplicações = café, almoço, jantar) · Aplicação conjunta (na mesma seringa): · Primeiro aspirar a Regular (transparente) · Depois a NPH (leitosa) · Recomendação geral para gestantes em insulinoterapia: · Sempre carregar uma barra de proteína ou bala em caso de hipoglicemia. · Metformina na gestação: · Uso restrito e com termo de consentimento assinado. · Indicada apenas se: · Paciente já usa 100 UI/dia de insulina · Intolerância ou dificuldade de uso de insulina · Categoria B (FDA) – considerado seguro, mas exige cautela · Dose: 500 a 2500 mg/dia · Parto 1. Via de parto e momento ideal: · A via de parto é obstétrica (decidida conforme a condição clínica e obstétrica, não pela diabetes em si). · Parto com 40 semanas, se o controle glicêmico estiver adequado. · Se houver: · Macrossomia fetal (peso fetal ≥ 4 kg): parto imediato · Descontrole glicêmico ou nefropatia: interromper gestação com 37 semanas 2. Manejo durante o trabalho de parto (intraparto): · Realizar dextro a cada 4 horas. · Se a paciente estiver usando insulina: administrar insulina conforme a necessidade a cada hora. 3. Conduta em caso de cesárea: · Manter jejum. · Aplicar 1/3 da dose de NPH pela manhã. · Suspender a Insulina Regular. 4. Pós-parto imediato: · Suspender dieta, insulina ou qualquerhipoglicemiante. · Interromper a monitorização da glicemia capilar (dextro) em pacientes com DMG (não para DM2). · Puerpério 1. Avaliação pós-parto: · Realizar TOTG (Teste Oral de Tolerância à Glicose) com 75g de glicose 6 semanas após o parto para reavaliar a tolerância à glicose em pacientes com DMG. 2. Para pacientes com DM2: · Reavaliar e ajustar a dose de hipoglicemiantes. · Se o diabetes foi diagnosticado durante a gestação, retomar a dose de controle prévio, se ela já existia. 3. Orientações para puérperas que continuam em uso de insulina: · Realizar um lanche leve antes da amamentação para prevenir hipoglicemia durante a lactação. image1.png image2.png image3.jpeg