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2024| SETEC-MEC | LANTEC/PROSA-UFSC. Todos os direitos reservados. CAPÍTULO 1 O trabalho na Educação Pro�ssional e Tecnológica A Educação Pro�ssional e Tecnológica no Brasil precisa dialogar com o trabalho e com os processos de pro�ssionalização; entretanto, foi constituída para subordinar a formação dos trabalhadores ao mercado de trabalho. Mas como todo processo educativo, o escolar, em especial, é um campo em disputa, sobretudo entre dois grandes projetos: um que busca submeter suas �nalidades aos interesses do mercado e outro que se apresenta em uma perspectiva de emancipação da classe trabalhadora. Para entendermos esse processo de disputa de projetos educativos na EPT, é importante demarcar em nosso horizonte de que trabalho falamos, pois o trabalho se apresenta em duas grandes dimensões: uma dimensão constitutiva do ser humano, o trabalho em sua dimensão ontológica, ou seja, o trabalho que de�ne a essência humana, e o trabalho nas formas históricas que ele assume, na atualidade como trabalho assalariado, na forma capital. Para Marx (1875), Engels (1877) e Saviani (2010), o trabalho é a atividade produtiva fundamental da existência humana. Pelo trabalho, o ser humano transforma a natureza e cria a si mesmo: é pelo trabalho que se constitui o ser social, prático, criador, trabalhador e histórico. A relação do ser humano com a natureza, transformando-a para atender às suas necessidades, é o que chamamos de trabalho. Para Saviani (2007, p. 154), [...] o homem não nasce homem. Ele forma-se homem. Ele não nasce sabendo produzir-se como homem. Ele necessita aprender a ser homem, precisa aprender a produzir sua própria existência. Assim, nos tornamos homens e mulheres pelo trabalho, nos humanizamos pelo trabalho. Quando separamos a força do trabalho do processo de produção e do produto do trabalho e a vendemos, chamamos o trabalho de emprego ou de trabalho assalariado; quando o trabalhador não se reconhece mais no produto do seu trabalho, chamamos essa situação de alienação. É assim que se apresenta o trabalho nas sociedades modernas dentro da estrutura capitalista. Para o capitalismo, quanto mais o trabalhador se separa do produto de seu trabalho, distancia-se e não se reconhece nele, mais ainda é possível controlar sua força de trabalho e gerar lucros – que serão usufruídos por poucos. Voltar Avançar Leitura Página 2 de 22 SU M Á R IO Ir para conteúdo 1 Ir para o menu 2 Ir para o topo 3 Ir para o rodapé 4 Acessibilidade Formação de Pro�ssionais para a EPT Núcleo Comum - Trabalho-Educação: Fundamentos teóricos e didáticos I http://www.acessoainformacao.gov.br/ http://www.brasil.gov.br/ https://ead.ifgoiano.edu.br/docenciaept/modulo1/trabalho-educacao-1/index.html https://ead.ifgoiano.edu.br/docenciaept/modulo1/trabalho-educacao-1/pagina3.html https://ead.ifgoiano.edu.br/docenciaept/modulo1/trabalho-educacao-1/acessibilidade.html https://ead.ifgoiano.edu.br/docenciaept/modulo1/trabalho-educacao-1/index.html 2024| SETEC-MEC | LANTEC/PROSA-UFSC. Todos os direitos reservados. Martins (2021) explica que, na perspectiva marxista, o trabalho não se reduz a emprego. Para ele, [...] houve, há e poderá haver sociedade sem emprego, como, por exemplo, as formações sociais tradicionais, nas quais a existência é garantida pelo trabalho, mas nelas não há emprego. De outro modo, diz-se que não houve, não há e não haverá sociedade sem trabalho, pois este é, justamente, o conjunto de ações pelas quais a humanidade garante a existência. Caso deixe de existir o trabalho, inexistirá a própria humanidade. (Martins, 2021, p. 10). A dupla dimensão do trabalho também foi cantada pela banda Legião Urbana em sua "Música de trabalho", no álbum “A tempestade”, de 1996: “Sem trabalho eu não sou nada Não tenho dignidade Não sinto o meu valor Não tenho identidade Mas o que eu tenho É só um emprego E um salário miserável Eu tenho o meu ofício Que me cansa de verdade Tem gente que não tem nada E outros que tem mais do que precisam [...] Na música, podemos observar a dimensão do trabalho que humaniza, cria identidade e dignidade ao homem e à mulher, e o trabalho na forma de emprego, ofício, que, em grande parte, é penoso e nada imaginativo. Como a�rma Kosik (1976, p. 110), [...] o capitalismo rompe esse vínculo direto, separa o trabalho da criação, os produtos dos produtores e transforma o trabalho numa fadiga incriativa e extenuante. Título: Trabalhador Fonte: William Kitzinger (2009). Marx (2015, p. 352) denunciou, nos Manuscritos Econômicos Filosó�cos de 1844, que [...] o homem necessitado, cheio de preocupações, não tem nenhum sentido para o espetáculo mais belo. Podemos observar na letra da música que o trabalhador vive o dilema entre necessitar do trabalho que lhe dá valor e identidade e possuir apenas um emprego, que lhe cansa e que, em grande parte, lhe confere um salário que não atende às suas necessidades mais básicas de sobrevivência. Na atualidade, o emprego também tem sofrido mudanças com as transformações no mundo do trabalho. Assim, outras formas de exploração do trabalhador têm sido inseridas nos processos de produção com a �exibilização do trabalho e dos direitos já assegurados e com o mito do empreendedorismo. Para re�etir: dimensões do trabalho Você chegou ao primeiro momento de re�exão desta unidade temática! Lembre-se de registrar suas re�exões no Memorial e/ou seguir as orientações dos seus tutores sobre essa atividade. Você reconhece as dimensões ontológica e histórica do trabalho acima analisadas? Identi�que essas duas dimensões em sua instituição, em sua comunidade, em seu território, e dialogue com seus colegas de turma. Como essas dimensões se manifestam em seu contexto? Se possível, adicione no seu Memorial letras de músicas, poesias, fotogra�as ou outras manifestações artísticas que revelem essas dimensões contraditórias do trabalho. Um exemplo interessante de manifestação artística sobre o trabalho é o �lme “Tempos Modernos”, um �lme clássico, dirigido e estrelado por Charlie Chaplin, lançado em 1936. O �lme aborda de maneira satírica e crítica as condições de trabalho da época. Chaplin interpreta um operário que trabalha em uma linha de montagem em uma fábrica. Nesse papel, por exemplo, o personagem retrata a monotonia, a repetição exaustiva das tarefas e a falta de dignidade dos trabalhadores. Título: Cartaz do �lme Tempos Modernos Fonte: United Artists (1936). Elaboração: Prosa (2024). Ora, o trabalho constitui o ser humano, como a�rma Saviani. É pelo trabalho que nos fazemos gente, transformamos e criamos nosso meio de vida. No trecho da música da Legião Urbana, podemos observar o trabalho na sua forma de capital, já separado do ser humano e se tornando controle do próprio indivíduo. Também é possível identi�car na letra da música que existe uma divisão social entre os que vivem do trabalho, a classe trabalhadora – “[...] tem gente que não tem nada”, e os que vivem do trabalho dos outros, os donos dos meios de produção, a classe dos proprietários – “[...] outros que tem mais do que precisam [...]”. São as classes sociais com interesses antagônicos e inconciliáveis. Então, podemos constatar que o trabalho possui uma centralidade para compreendermos a sociedade e a constituição do ser humano, bem como a educação. Logo, quem possui os meios de produção e os produtos do trabalho controla a força do trabalho e busca comandar também a educação, a �m de internalizar valores e consensos, enquanto cada vez mais o trabalhador não tem acesso ao que produz, embrutece-se e se desumaniza. Para re�etir: a formação dos trabalhadores Como trabalhador da educação e formador de trabalhadores, como você se vê nesse contexto contraditório do trabalho e como pensa que deve ser a formação dos trabalhadores? Não se esqueça de registrar sua re�exão no seu Memorial ou de seguir as orientações do tutor do curso. Voltar Avançar Leitura Página 3 de 22torno das �nalidades da EP no Brasil. Na LDB de 1996, garantiu-se a articulação da EP à Educação Geral que, na velha institucionalidade, era separada. A EP passou, então, a compor a educação básica no Brasil: “Art. 39. A educação pro�ssional e tecnológica, no cumprimento dos objetivos da educação nacional, integra-se aos diferentes níveis e modalidades de educação e às dimensões do trabalho, da ciência e da tecnologia.” (Brasil, 1996) Mas o Decreto 2.208/97, ao regulamentar o §2º do art. 36 e os artigos 39 a 42 da referida lei, organizou a EP em três segmentos: básico, técnico e tecnológico. Esse decreto fragmentou e separou essa modalidade educacional da educação básica geral, instituiu um Sistema Nacional de EP em paralelo ao Sistema Nacional de Educação, negando, assim, a construção da integração entre Educação Geral e Educação Pro�ssional. Acácia Kuenzer chama esse decreto de “ajuste conservador”. A velha institucionalidade foi marcada por uma forma de organização baseada nos critérios do Sistema “S” de formação e fortemente orientada pela Pedagogia das Competências. Para Ramos (2003, p. 98), “nessa lógica das competências, os conhecimentos tendem a se limitar ao recorte estritamente instrumental, desagregando a formação pelo atrelamento a tarefas e desempenhos especí�cos, prescritos e observáveis”. Voltar Avançar Leitura Página 17 de 22 SU M Á R IO Ir para conteúdo 1 Ir para o menu 2 Ir para o topo 3 Ir para o rodapé 4 Acessibilidade Formação de Pro�ssionais para a EPT Núcleo Comum - Trabalho-Educação: Fundamentos teóricos e didáticos I http://www.acessoainformacao.gov.br/ http://www.brasil.gov.br/ https://gestrado.net.br/verbetes/plano-nacional-de-qualificacao-do-trabalhador-planfor/ https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9394.htm https://ead.ifgoiano.edu.br/docenciaept/modulo1/trabalho-educacao-1/pagina16.html https://ead.ifgoiano.edu.br/docenciaept/modulo1/trabalho-educacao-1/pagina18.html https://ead.ifgoiano.edu.br/docenciaept/modulo1/trabalho-educacao-1/acessibilidade.html https://ead.ifgoiano.edu.br/docenciaept/modulo1/trabalho-educacao-1/index.html 2024| SETEC-MEC | LANTEC/PROSA-UFSC. Todos os direitos reservados. Uma nova institucionalidade da EPT no Brasil O avanço da integração entre a EP e a Educação Geral ocorre com a ascensão ao poder do governo democrático-popular do presidente Luís Inácio Lula da Silva (2003 a 2010), que, ao adotar uma visão progressista de uma EP integral, teve como uma de suas primeiras medidas derrubar o Decreto 2.208/97 e instituir o Decreto 5154/2004, reabilitando a integração entre EP e Educação Geral que havia sido inserida na LDB de 1996. É o período que marca o início de uma nova institucionalidade para a EP no Brasil. O Decreto 5154/2004 traz possibilidades para a incorporação da politecnia e do currículo integrado na EP por meio da articulação dos eixos trabalho, ciência, cultura e tecnologia. Mas é com a Lei 11.741/2008 que se insere de forma explícita a concepção de formação humana integral na política pública da EPT. Essa lei alterou dispositivos da Lei nº 9.394 de 20 de dezembro de 1996, com o objetivo de redimensionar, institucionalizar e integrar as ações da educação pro�ssional técnica de nível médio, da educação de jovens e adultos e da educação pro�ssional e tecnológica. É também pela primeira vez que ocorre a inserção do termo EPT, ampliando as perspectivas de formação nesse âmbito institucional e também consolidando o ensino integrado como pilar da formação para o trabalho. Com a Lei 11.892/2008, instituiu-se a Rede Federal de Educação Pro�ssional, Cientí�ca e Tecnológica e se criaram os Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia. Com essa política de instituição, criação e expansão dos IF, criou-se a base para uma nova institucionalidade da EPT no Brasil e se acirraram, também, os embates entre a pedagogia das competências e a formação humana integral. Seguiu-se, de 2004 a 2016, um esforço político e pedagógico para a implementação do ensino integrado, na forma e no conteúdo, espraiando-se pelo país inúmeras experiências que buscam materializar uma pedagogia do trabalho, como, por exemplo, o PROEJA, o ensino médio integrado, dentre outros. Título: Institutos Federais do Brasil Fonte: Ministério da Educação (2024b; 2024c; 2024d; 2024e). Elaboração: Prosa (2024) No entanto, os avanços na EPT sofreram profundos ataques a partir de 2016. Lucas Pelissari, em seu texto “A reforma da educação pro�ssional e tecnológica no Brasil: 2016 a 2021”, defende a tese de que está em desenvolvimento, desde 2016, uma reforma da EPT brasileira. De acordo com o autor, essa revisão se construiu até aqui em três etapas, compreendidas cronologicamente entre os anos de 2016- 2018, 2018-2021 e 2021 em diante. A ênfase dada a esse movimento tem como objetivo caracterizá-lo como um dos setores das contrarreformas neoliberais no Brasil atual, não estando, portanto, a EPT isenta de alterações mais profundas no conteúdo de suas políticas (Pelissari, 2021, p. 1). Pelissari (2023), em seu texto, analisa como a reforma do Ensino Médio, parte de um conjunto de contrarreformas iniciadas em 2016, impacta diretamente a EPT. Nesse sentido, analisa um conjunto de normativas jurídico-políticas para sustentar que essas medidas foram alterando e recon�gurando as �nalidades da EPT e suas bases, até então orientadas, com muito esforço, por uma perspectiva de formação humana integral, de orientação politécnica. O ataque à EPT é um ataque à formação dos trabalhadores e carece de um acompanhamento atento e sistemático no esforço de combater os retrocessos às conquistas já alcançadas no campo da formação da classe trabalhadora. Voltar Avançar Leitura Página 18 de 22 SU M Á R IO Ir para conteúdo 1 Ir para o menu 2 Ir para o topo 3 Ir para o rodapé 4 Acessibilidade Formação de Pro�ssionais para a EPT Núcleo Comum - Trabalho-Educação: Fundamentos teóricos e didáticos I http://www.acessoainformacao.gov.br/ http://www.brasil.gov.br/ https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2008/lei/l11741.htm https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2008/lei/l11892.htm http://dx.doi.org/10.1590/0102-469837056 https://ead.ifgoiano.edu.br/docenciaept/modulo1/trabalho-educacao-1/pagina17.html https://ead.ifgoiano.edu.br/docenciaept/modulo1/trabalho-educacao-1/pagina19.html https://ead.ifgoiano.edu.br/docenciaept/modulo1/trabalho-educacao-1/acessibilidade.html https://ead.ifgoiano.edu.br/docenciaept/modulo1/trabalho-educacao-1/index.html 2024| SETEC-MEC | LANTEC/PROSA-UFSC. Todos os direitos reservados. A formação humana integral: para onde vai a formação do trabalhador? No enfrentamento dessas perspectivas de subordinação da educação pro�ssional e tecnológica aos ditames do mercado, propõe-se uma formação humana integral na direção de uma escola unitária com a perspectiva de formação politécnica e omnilateral, com vistas à emancipação do trabalhador. O aprofundamento dos conceitos de politecnia, escola unitária e formação humana integral você verá na unidade temática Trabalho e Educação II. Gaudêncio Frigotto, por meio de análise densa e crítica no texto “Educação e Trabalho: bases para debater a Educação Pro�ssional Emancipadora” (2001, p. 72) acerca das novas formas utilizadas pelo sistema do capital, em sua crise sistêmica para reorganizar-se e rede�nir o mundo do trabalho, alerta para a geração de uma “dupla dimensão – de perigo, risco, violência, mas também de possibilidade alternativa”. Pautado nessa contradição, Frigotto (2001) chama a atenção para a necessidade de termos a capacidade coletiva de distinguirmos o projeto de Educação Pro�ssional e Tecnológica orientado pelos organismos internacionais e governos conservadores (porta-vozes do mercado), do projeto que se busca construir em diferentes espaços de nossa sociedade, numa perspectiva de emancipação da classe trabalhadora. Nessa perspectiva, Frigotto (2001, p. 82-83) consideracinco aspectos centrais que caracterizam um projeto de Educação Pro�ssional e Tecnológica centrado numa perspectiva emancipadora: Título: 5 aspectos centrais que caracterizam um projeto de Educação Pro�ssional e Tecnológica Fonte: Frigotto (2001, p. 82-83); Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (2021); Agência Senado (2019); Dan4th (s.d.). Elaboração: Prosa (2024). Ramos (2003) é enfática em apontar a pedagogia histórico-crítica como contraposição necessária às tendências pedagógicas contemporâneas baseadas no pragmatismo, resgatando o trabalho como o concreto princípio educativo. Caminha-se, nessa perspectiva, na direção de uma formação humana integral que potencialize todas as dimensões humanas e colabore para a emancipação do trabalhador. Chegamos ao �nal da unidade temática! Ao longo desse percurso, discutimos sobre a concepção de trabalho, adentramos ao mundo do trabalho e encerramos dialogando sobre as concepções e projetos em disputa no âmbito da EPT e da formação de trabalhadores e trabalhadoras. A partir de agora, é muito importante reconhecer-se nessa caminhada e identi�car qual lugar ocupamos, o que podemos fazer para avançar e quais horizontes nos movem. Re�ita sobre essas questões e anote suas re�exões em seu Memorial. Mas, antes de �nalizarmos, gostaríamos que você assistisse ao vídeo �nal. Título: Encerramento com professora Alcidema Fonte: Prosa (2024). Assim, �nalizamos essa etapa com as palavras do grande artista Raul Seixas: “sonho que se sonha só, é só um sonho que se sonha só. Mas sonho que se sonha junto é realidade”. Então, para avançar, precisamos sonhar e agir em mutirão! Voltar Avançar Leitura Página 19 de 22 Watch on Encerramento com professora AlcidemaEncerramento com professora Alcidema Copy linkCopy link SU M Á R IO Ir para conteúdo 1 Ir para o menu 2 Ir para o topo 3 Ir para o rodapé 4 Acessibilidade Formação de Pro�ssionais para a EPT Núcleo Comum - Trabalho-Educação: Fundamentos teóricos e didáticos I http://www.acessoainformacao.gov.br/ http://www.brasil.gov.br/ https://periodicos.ufsc.br/index.php/perspectiva/article/view/8463 https://ead.ifgoiano.edu.br/docenciaept/modulo1/trabalho-educacao-1/pagina18.html https://ead.ifgoiano.edu.br/docenciaept/modulo1/trabalho-educacao-1/pagina20.html https://www.youtube.com/watch?v=m3CKwAkqVwY&embeds_referring_euri=https%3A%2F%2Fead.ifgoiano.edu.br%2F https://www.youtube.com/watch?v=m3CKwAkqVwY https://ead.ifgoiano.edu.br/docenciaept/modulo1/trabalho-educacao-1/acessibilidade.html https://ead.ifgoiano.edu.br/docenciaept/modulo1/trabalho-educacao-1/index.html Referências bibliográ�cas Agência Senado. 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É possível uma pedagogia das competências contra- hegemônica?: relações entre pedagogia das competências, construtivismo e neopragmatismo. Trab. educ. saúde [Internet], v. 1, n. 1, p. 93–114, mar. 2003. Disponível em: https://doi.org/10.1590/S1981-77462003000100008. Acesso em: 21 jan. 2024. SU M Á R IO Ir para conteúdo 1 Ir para o menu 2 Ir para o topo 3 Ir para o rodapé 4 Acessibilidade Formação de Pro�ssionais para a EPT Núcleo Comum - Trabalho-Educação: Fundamentos teóricos e didáticos I https://flickr.com/photos/49143546@N06/47476946962 https://www.bts.senac.br/bts/article/view/218https://openverse.org/image/acf8ef28-cf14-428f-a72e-e16b599e1064?q=justice https://periodicos.ufsc.br/index.php/perspectiva/article/view/8463 https://bts.senac.br/bts/article/view/596 https://www2.ifrn.edu.br/ojs/index.php/HOLOS/article/view/11 https://flickr.com/photos/129765943@N04/51128324923 https://www.flickr.com/photos/mineducacao/53472418956/in/album-72177720312317891/ https://www.flickr.com/photos/mineducacao/53397796833/in/album-72177720312317891 https://www.flickr.com/photos/mineducacao/53471504427/in/album-72177720312317891 https://www.flickr.com/photos/mineducacao/53472413981/in/album-72177720312317891 https://www.flickr.com/photos/mineducacao/53297908723/in/album-72177720312317891 https://www.flickr.com/photos/mineducacao/53472415566/in/album-72177720312317891 https://www.flickr.com/photos/mineducacao/53472414586/in/album-72177720312317891 https://www.flickr.com/photos/mineducacao/53472414756/in/album-72177720312317891 https://www.bts.senac.br/bts/article/view/560 https://www.scielo.br/j/edur/a/tNfT7jkd4WfXGDtYQWrFghf/?lang=pt https://commons.wikimedia.org/wiki/File:As_exig%C3%AAncias_do_trabalhador.png https://www.youtube.com/watch?v=m3CKwAkqVwY https://doi.org/10.1590/S1981-77462003000100008 https://ead.ifgoiano.edu.br/docenciaept/modulo1/trabalho-educacao-1/acessibilidade.html https://ead.ifgoiano.edu.br/docenciaept/modulo1/trabalho-educacao-1/index.htmlSU M Á R IO Ir para conteúdo 1 Ir para o menu 2 Ir para o topo 3 Ir para o rodapé 4 Acessibilidade Formação de Pro�ssionais para a EPT Núcleo Comum - Trabalho-Educação: Fundamentos teóricos e didáticos I http://www.acessoainformacao.gov.br/ http://www.brasil.gov.br/ https://ead.ifgoiano.edu.br/docenciaept/modulo1/trabalho-educacao-1/pagina2.html https://ead.ifgoiano.edu.br/docenciaept/modulo1/trabalho-educacao-1/pagina4.html https://ead.ifgoiano.edu.br/docenciaept/modulo1/trabalho-educacao-1/acessibilidade.html https://ead.ifgoiano.edu.br/docenciaept/modulo1/trabalho-educacao-1/index.html 2024| SETEC-MEC | LANTEC/PROSA-UFSC. Todos os direitos reservados. As dimensões do trabalho na EPT brasileira Se o trabalho é fundamento constitutivo do ser humano, real, social, criativo e histórico – o ser da prática –, porque ele também o desumaniza? Essa problemática também é levantada por Machado (2023, p. 7) quando discute sobre o trabalho como referência para a formação humana e a democracia. A autora apresenta a seguinte questão: [...] se o trabalho pode ser alienante e embrutecedor, como ser formador, humanizador e de conquista democrática? Saviani (2007) nos fala que o trabalho e a educação são especi�cidades humanas e são indissociáveis, pois, à medida que o ser humano trabalha e cria, ele se educa e educa. Ele aprende o fazer e tem capacidade de transmitir esse saber. Com o modo de produção capitalista, centrado no consumo e na troca de mercadorias com a intenção de gerar valor, veri�ca-se a separação entre trabalho e educação, bem como entre o trabalho intelectual e o trabalho manual, constituindo, assim, dois tipos de escola: [...] a proposta dualista de escolas pro�ssionais para os trabalhadores e “escolas de ciências e humanidades” para os futuros dirigentes; e a proposta de escola única diferenciada, que efetuava internamente a distribuição dos educandos segundo as funções sociais para as quais se os destinavam em consonância com as características que geralmente decorriam de sua origem social. (Saviani, 2007, p. 159, grifos nossos). A EPT no Brasil nasce marcada por essa dualidade: uma escola destinada às classes abastadas e outra destinada aos trabalhadores para o desenvolvimento do trabalho manual e funcionamento da estrutura de (re)produção do capital, bem como a manutenção de privilégios de classe. Mészáros (2008), em seu livro Educação Para Além do Capital, faz a seguinte re�exão: “Diga-me onde está o trabalho em uma determina sociedade, e eu te direi onde está a educação”. Ou seja, a organização do trabalho e como ele se con�gura em uma determinada sociedade implica diretamente o modelo de educação e os processos educativos daquela sociedade. Título: A in�uência do trabalho na educação e da educação no trabalho Fonte: Prosa (2024a). Para re�etir: contrastando o trabalho e a educação Observemos em nossa sociedade, comunidade e no território em que vivemos: onde está o trabalho? Quais são esses tipos de trabalho? Quem vende a força de trabalho e quem controla o trabalho? Como é a organização do trabalho? É um trabalho hierarquizado e regulamentado? Que tipo de gente esse trabalho produz? Esse trabalho humaniza ou desumaniza? A partir daí podemos olhar para a escola, para a educação. Título: Onde está a educação Fonte: Ministério da Educação (2024). Elaboração: Prosa (2024). Podemos fazer esse exercício de observação e de anotação e dialogar com os colegas, construindo um panorama do trabalho e da educação. Não se esqueça de registrar sua re�exão no seu Memorial ou de seguir as orientações do tutor do curso. Voltar Avançar Leitura Página 4 de 22 SU M Á R IO Ir para conteúdo 1 Ir para o menu 2 Ir para o topo 3 Ir para o rodapé 4 Acessibilidade Formação de Pro�ssionais para a EPT Núcleo Comum - Trabalho-Educação: Fundamentos teóricos e didáticos I http://www.acessoainformacao.gov.br/ http://www.brasil.gov.br/ https://ead.ifgoiano.edu.br/docenciaept/modulo1/trabalho-educacao-1/pagina3.html https://ead.ifgoiano.edu.br/docenciaept/modulo1/trabalho-educacao-1/pagina5.html https://ead.ifgoiano.edu.br/docenciaept/modulo1/trabalho-educacao-1/acessibilidade.html https://ead.ifgoiano.edu.br/docenciaept/modulo1/trabalho-educacao-1/index.html 2024| SETEC-MEC | LANTEC/PROSA-UFSC. Todos os direitos reservados. A EPT no Brasil constituiu-se assentada em uma sociedade com uma mentalidade escravocrata e fragmentada em classes sociais. O pensamento escravocrata tem menosprezo pelo trabalho manual e prático, o qual é destinado, segundo ele, à classe trabalhadora. Esse entendimento sustenta um discurso e uma política de que, para desenvolver determinada atividade prática ou determinado ofício, não é necessário um arcabouço cientí�co e humanístico, hierarquizando, assim, saberes e fazeres, colocando uns como mais importantes do que outros. Essa sociedade que separa o trabalho manual do trabalho intelectual, do fazer e do pensar, e estabelece trabalhos próprios da classe trabalhadora e outros próprios para os que controlam a força de trabalho e os meios de produção, assim o faz para a manutenção de seus privilégios e lucros. O Brasil Colônia foi marcado pelas relações de trabalho escravistas. Nesse cenário, e ao longo de quatro séculos de colonização, o trabalho era uma atividade que indicava desquali�cação, estava nas mãos de quem era percebido em condição sub-humana. Essa visão se perpetua na sociedade brasileira a partir da manutenção das desigualdades sociais profundas, de um racismo estrutural, das manifestações recorrentes de violência de gênero etc. A educação pro�ssional passa a ter atenção, sem a perspectiva assistencialista que marca a sua origem, com o processo de consolidação republicana. Nessa esteira, as orientações que subsidiaram historicamente as políticas educacionais brasileiras resultaram/resultam das alterações das formas de organizar a produção capitalista ao longo do tempo. Isso evidencia que as várias mudanças conjunturais apresentaram e apresentam tensões e con�itos. Frigotto (2001) alerta que é preciso ter a capacidade coletiva de distinguir o projeto de educação pro�ssional que subordina suas �nalidades aos interesses do mercado do projeto que se apresenta numa perspectiva de emancipação da classe trabalhadora. O papel central da educação pro�ssional passa a ser um projeto educativo em meados do século passado. Esse projeto é para desenvolver conhecimentos que serão apropriados socialmente para a transformação das condições de vida, de ampliação das potencialidades e sentidos humanos na perspectiva do trabalho como princípio educativo. Essa mudança do papel da educação pro�ssional ocorreu a partir dos movimentos sociais, em especial de operários. Com isso, queremos problematizar as condições históricas do trabalho con�guradas pelo modo de produção e as relações sociais que se estabelecem por meio das condições de exploração do trabalho humano, bem como compreender a indissociabilidade entre trabalho e educação, considerando as implicações de uma educação como uma totalidade social que comporta mediações históricas, políticas, econômicas e culturais, em que os processos educativos se tornam efetivos. Por sua vez, a especi�cidade da educação pro�ssional agrega a dimensão intelectual ao trabalho produtivo, com vistas à formação humanizadora de trabalhadores. Os conhecimentos humanísticos e cientí�co-tecnológicos sustentam a adoção de uma posição crítica às contradições do mundo social e se tornam instrumentos de transformação, como também propiciam trabalhadores capazes de atuar como dirigentes e cidadãos. A proposta aqui apresentada é re�etir sobre a EPT na sua historicidade, desde as legislações que a con�guram e que têm na sua origem o assistencialismo; a seguir, a formação estritamente prática e em uma perspectiva de uma educação “inferior” que reitera a dualidade estrutural entre educação propedêutica direcionada ao trabalho intelectual (dirigentes)e a educação pro�ssional direcionada ao trabalho manual (trabalhadores), estabelecida desde a sua origem. Durante o período ditatorial no Brasil (1964-1985), a rede federal se consolidou qualitativamente como um espaço estratégico de discussão progressista, aberta à re�exão materialista e dialética, voltada à educação tecnológica, na busca de uma formação humana integral e emancipatória. No entanto, ao retorno da democracia e sob a gestão neoliberal dos governos de Fernando Henrique Cardoso (1994-1997, 1998-2002), o que se assistiu foi o retrocesso. A educação pro�ssional �cou reduzida a cursos rápidos, instrumentais, voltados a mercados de trabalho que demandavam uma formação técnica destinada exclusivamente às atividades laborais de menor quali�cação. Por �m, nos governos conduzidos pela frente capitaneada pelo Partido dos Trabalhadores (2003-2016), o campo da educação pro�ssional foi novamente mobilizado para discutir a retomada de um projeto de formação integral que superasse a dicotomia entre ensino geral propedêutico e o ensino técnico pro�ssionalizante. Era a oportunidade da retomada do ensino médio integrado à educação pro�ssional e todos os princípios que orbitam na sua concepção: Título: Princípios da EPT Fonte: Ministério da Educação (2024). Elaboração: Prosa (2024). Então, chegamos ao equilíbrio entre o trabalho manual e o trabalho intelectual? Na sua instituição de ensino, você reconhece no currículo, nas práticas pedagógicas e de gestão a separação entre esses saberes e fazeres? Após o golpe que levou ao impeachment da Presidenta Dilma em 2016, a EPT teve o seu processo de consolidação estagnado e confrontado pela promulgação da Lei nº 13.415/2017, que alterou a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) e introduziu uma mudança na estrutura do ensino médio. Essa mudança se apoia na Base Nacional Comum Curricular (BNCC), que estabelece um ensino com diferenças signi�cativas que tornariam ainda mais aprofundada a dualidade do ensino. Um novo projeto que ameniza aspectos frágeis da educação básica está atualmente em trâmite, após educadores e estudantes �rmarem ações de resistência. Voltar Avançar Leitura Página 5 de 22 SU M Á R IO Ir para conteúdo 1 Ir para o menu 2 Ir para o topo 3 Ir para o rodapé 4 Acessibilidade Formação de Pro�ssionais para a EPT Núcleo Comum - Trabalho-Educação: Fundamentos teóricos e didáticos I http://www.acessoainformacao.gov.br/ http://www.brasil.gov.br/ https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2017/Lei/L13415.htm?msclkid=99fb7879d0c211ec91a329a85274182b https://www.gov.br/mec/pt-br/escola-em-tempo-integral/BNCC_EI_EF_110518_versaofinal.pdf https://ead.ifgoiano.edu.br/docenciaept/modulo1/trabalho-educacao-1/pagina4.html https://ead.ifgoiano.edu.br/docenciaept/modulo1/trabalho-educacao-1/pagina6.html https://ead.ifgoiano.edu.br/docenciaept/modulo1/trabalho-educacao-1/acessibilidade.html https://ead.ifgoiano.edu.br/docenciaept/modulo1/trabalho-educacao-1/index.html 2024| SETEC-MEC | LANTEC/PROSA-UFSC. Todos os direitos reservados. A formação dos trabalhadores em disputa na EPT A EPT é campo de disputa entre os que defendem uma formação cujo trabalho seja fundamento orientador das práticas educativas e os que defendem o trabalho como empregabilidade. Martins (2021, p. 10) distingue trabalho de emprego e é enfático ao a�rmar que essa distinção é basilar para a educação, [...] porquanto assumido como princípio educativo o trabalho, o processo educacional terá um per�l, ou outro, caso se adote o emprego. A escola é o lócus privilegiado da educação; colocar o trabalho como princípio educativo tendo como referência a formação humana omnilateral signi�ca apontar caminhos de emancipação humana. Então, se o trabalho e a educação são especi�cidades humanas, como a�rma Saviani (2007), é preciso ensinar esse trabalho e torná-lo educativo para que nos humanizemos cada vez mais. A isso, nós chamamos de trabalho como princípio educativo ou trabalho como princípio pedagógico. Uma forma de uni�car aquilo que é indissociável: o trabalho e a educação, a teoria e a prática e o trabalho intelectual e o trabalho manual, como defendeu Gramsci. O trabalho como princípio educativo orienta um tipo de formação e um tipo de sujeito emancipado, criativo e livre. O trabalho como princípio educativo busca superar a separação entre fazer e pensar. Entre saber intelectual e saber manual. Porque o trabalho como princípio educativo é a unidade dialética desses saberes e fazeres. Ele também é orientado por uma formação humana na perspectiva omnilateral, ou seja, por uma [...] concepção de educação ou de formação humana que busca levar em conta todas as dimensões que constituem a especi�cidade do ser humano e as condições objetivas e subjetivas reais para seu pleno desenvolvimento histórico. (Frigotto, 2012 p. 265). Logo, uma educação omnilateral se preocupa com a formação integral do ser humano, em todas as suas dimensões, potencializando-as. Colocar o trabalho como princípio educativo no centro do processo educacional signi�ca recuperar o papel do trabalho e da educação na constituição de uma outra sociedade, uma sociedade sem classes, na qual o trabalho não será instrumento de controle e de dominação, mas de emancipação humana. Assim, a EPT é um campo de contradições e disputas na formação do trabalhador. É preciso reconhecer essas contradições e identi�car as possibilidades de insubordinação ao processo de sociabilidade capitalista conformada pela educação. Para re�etir: o trabalho como orientador das práticas educativas Chegamos à última re�exão deste capítulo: de que maneira podemos colocar o trabalho como orientador das práticas educativas, dos currículos e das gestões no atual modelo capitalista? Como isso vem se constituindo na EPT? Não se esqueça de registrar sua re�exão no seu Memorial ou de seguir as orientações do tutor do curso. Voltar Avançar Leitura Página 6 de 22 SU M Á R IO Ir para conteúdo 1 Ir para o menu 2 Ir para o topo 3 Ir para o rodapé 4 Acessibilidade Formação de Pro�ssionais para a EPT Núcleo Comum - Trabalho-Educação: Fundamentos teóricos e didáticos I http://www.acessoainformacao.gov.br/ http://www.brasil.gov.br/ https://ead.ifgoiano.edu.br/docenciaept/modulo1/trabalho-educacao-1/pagina5.html https://ead.ifgoiano.edu.br/docenciaept/modulo1/trabalho-educacao-1/pagina7.html https://ead.ifgoiano.edu.br/docenciaept/modulo1/trabalho-educacao-1/acessibilidade.html https://ead.ifgoiano.edu.br/docenciaept/modulo1/trabalho-educacao-1/index.html Referências bibliográ�cas Autor desconhecido. Retrato de Antonio Gramsci. [191-?]. 1 fotogra�a. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Antonio_Gramsci#/media/Ficheiro:Gramsci.png. Acesso em: 23 jun. 2024. ENGELS, Friedrich. Transformação do macaco em homem. Disponível http://www.marxists.org/portugues/index.htm. Acesso em: 15 de jan. 2024. FIÚZA, Elza. 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Acesso em: 20 SU M Á R IO Ir para conteúdo 1 Ir para o menu 2 Ir para o topo 3 Ir para o rodapé 4 Acessibilidade Formação de Pro�ssionais para a EPT Núcleo Comum - Trabalho-Educação: Fundamentos teóricos e didáticos I https://pt.wikipedia.org/wiki/Antonio_Gramsci#/media/Ficheiro:Gramsci.png http://www.marxists.org/portugues/index.htm https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Demerval_saviani.JPG https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Friedrich_Engels_portrait_(cropped).jpg https://www.flickr.com/photos/willkit/3219144396/ https://www2.ifrn.edu.br/ojs/index.php/RBEPT/article/view/15167 https://doi.org/10.1590/S1678-4634202147226099 http://www.marxists.org/portugues/marx/index.htm https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Karl_Marx_001.jpg https://www.flickr.com/photos/mineducacao/53472553328/in/album-72177720312317891 https://www.flickr.com/photos/mineducacao/53472559813/in/album-72177720312317891 https://www.youtube.com/watch?v=8fzAE9Bgg6c https://commons.wikimedia.org/wiki/File:A_influ%C3%AAncia_do_trabalho_na_educa%C3%A7%C3%A3o_e_da_educa%C3%A7%C3%A3o_no_trabalho.png https://www.youtube.com/watch?v=0UJVrvZtL8c https://www.scielo.br/j/rbedu/a/wBnPGNkvstzMTLYkmXdrkWP/?lang=pt https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Modern_Times_poster.jpg https://ead.ifgoiano.edu.br/docenciaept/modulo1/trabalho-educacao-1/acessibilidade.html https://ead.ifgoiano.edu.br/docenciaept/modulo1/trabalho-educacao-1/index.html 2024| SETEC-MEC | LANTEC/PROSA-UFSC. Todos os direitos reservados. CAPÍTULO 2 Trabalho, EPT e lutas sociais: trabalho de quem e para quê? No tópico I do primeiro capítulo, discutimos o conceito ontológico e histórico do trabalho e apontamos a indissociabilidade entre trabalho e educação, fazer e pensar, teoria e prática. Vimos que o trabalho como princípio educativo é elemento fundamental no processo de formação humana, concepção que está em disputa na EPT. Neste segundo capítulo, continuaremos este caminho em construção e analisaremos de forma contextualizada como o trabalho se concretiza na EPT considerando os seus sujeitos, a diversidade, as lutas, as reivindicações e os direitos, abordando as implicações relativas ao gênero, à geração, às necessidades especí�cas, às etnias, às comunidades tradicionais e aos migrantes. Para isso, é preciso compreender o mundo do trabalho na atualidade. O mundo do trabalho O mundo do trabalho se transformou e uma nova forma de acumulação do capital, com um modelo de produção �exível, instalou- se. Com isso, a formação do trabalhador passou a ser orientada por novas pedagogias e novas intencionalidades, visando conformá-lo às relações de produção, capitalistas na sua essência e conteúdo, mas diferentes em aspectos de forma. Como apontou o sociólogo Octávio Ianni no texto "O mundo do trabalho", o modelo de acumulação �exível se apoia na �exibilização de padrões de consumo, dos mercados de trabalho e, principalmente, dos processos de trabalho (1994). Segundo ele, algumas das principais características do mundo do trabalho orientado pela acumulação �exível do capital são: Título: Características do mundo do trabalho orientado pela acumulação �exível do capital Fonte: Prosa (2024b). Ainda, de forma sintética, Otávio Ianni explica como se caracteriza o mundo do trabalho e a classe trabalhadora hoje, na seguinte formulação: Ainda que incipiente, esse mundo do trabalho e o consequente movimento operário apresentam características mundiais: são desiguais, dispersos pelo mundo, atravessando nações e nacionalidades, implicando diversidades e desigualdades sociais, econômicas, políticas, religiosas, culturais, linguísticas, raciais e outras. Inclusive, apresentam as peculiaridades de cada lugar, país ou região, de acordo com as características históricas, geográ�cas e outras. Entretanto, há relações, processos e estruturas de alcance global que constituem o mundo do trabalho e estabelecem as condições do movimento operário. (Ianni, 1994, p. 3, grifos nossos). No atual modelo de acumulação do capital, os processos formativos de trabalhadores se estabelecem por meio de práticas pedagógicas e de gestão orientadas pelo mercado, organizadas com base nas pedagogias do capital. Essas práticas pedagógicas, próprias da pedagogia do capital, são aquelas organizadas a partir das noções de “saber, saber fazer e saber ser”, que orientam a aprendizagens signi�cativas por si mesmas, sem contextualização com a realidade objetiva. Tem-se, por �nalidade, fazer com que o trabalhador adquira competências, habilidades e valores considerados úteis ao seu ajuste a um mundo do trabalho movido pelas instabilidades, incertezas e inseguranças. Dica de �lme Para você compreender melhor o mundo do trabalho hoje, assista ao �lme de Ken Loach, Você não estava aqui, disponível em plataformas de streaming, ou o �lme do mesmo diretor Eu, Daniel Blake, também disponível em plataformas de streaming. Título: Cartazes dos �lmes “Você não estava aqui” e “Eu, Daniel Blake” Fonte: Entertainment One (2016; 2019) Elaboração: Prosa (2024). Voltar Avançar Leitura Página 8 de 22 SU M Á R IO Ir para conteúdo 1 Ir para o menu 2 Ir para o topo 3 Ir para o rodapé 4 Acessibilidade Formação de Pro�ssionais para a EPT Núcleo Comum - Trabalho-Educação: Fundamentos teóricos e didáticos I http://www.acessoainformacao.gov.br/ http://www.brasil.gov.br/ https://ead.ifgoiano.edu.br/docenciaept/modulo1/trabalho-educacao-1/pagina7.html https://ead.ifgoiano.edu.br/docenciaept/modulo1/trabalho-educacao-1/pagina9.html https://ead.ifgoiano.edu.br/docenciaept/modulo1/trabalho-educacao-1/acessibilidade.htmlhttps://ead.ifgoiano.edu.br/docenciaept/modulo1/trabalho-educacao-1/index.html 2024| SETEC-MEC | LANTEC/PROSA-UFSC. Todos os direitos reservados. O mundo do trabalho no Brasil No texto “Tendências estruturais do mundo do trabalho no Brasil” de Pochmann (2020), vê-se que o mundo do trabalho no Brasil, nos últimos duzentos anos, percorreu três temporalidades completamente distintas, porém complementares e articuladas entre si. A primeira temporalidade, e mais duradoura, correspondeu à sociedade agrária, que, por sua vez, demarcou a especi�cidade do país em relação a outros, na divisão internacional do trabalho, como produtor e fornecedor de matérias primas. A sociedade agrária se apoiava na organização do trabalho baseada na transição do trabalho escravo ao trabalho livre, com regulação de contratos de trabalho aos estrangeiros. Três componentes sociais constituíam esse mundo do trabalho: ex-escravizados (pessoas negras africanas submetidas à escravidão no Brasil) tiveram uma inserção postergada e precária no mercado de trabalho brasileiro; imigrantes brancos estrangeiros, incentivados pelas elites agrárias e sua política de branqueamento, tinham papel importante no mercado de trabalho; e segmentos livres, remanescentes de mestiços pobres e negros libertos e fugidos, com ingresso restrito às ocupações. De acordo com Pochmann (2020, p. 90), [...] com o predomínio da sociedade agrária, as condições de usos e remuneração da força de trabalho, imediatamente após a abolição da escravidão, seguiram próximas do regime de quase servidão. Com o �m da escravidão e a transição para o trabalho livre, as elites agrárias mantiveram relações de trabalho precárias e mal remuneradas, análogas à escravidão, submetendo os segmentos livres a situações degradantes de trabalho. Título: Principais de�nidores da primeira temporalidade Fonte: Arquivo Nacional (1910). Elaboração: Prosa (2024). A segunda temporalidade corresponde à sociedade urbana e industrial, caracterizada pelo rápido e intenso processo capitalista de modernização conservadora, em vigor entre as décadas de 1930 e 1980. Essa etapa foi marcada pelo [...] desenvolvimento urbano e industrial, compreendeu cerca de cinco décadas de estruturação do mercado de trabalho assentado na centralidade do emprego assalariado, especialmente com carteira assinada. (Pochmann, 2020, p. 92). Título: Principais de�nidores da segunda temporalidade Fonte: Arquivo Nacional (1942). Elaboração: Prosa (2024). A terceira temporalidade, atualmente em curso neste início do século XXI, dá-se com a antecipada passagem da incompleta sociedade urbana e industrial para a sociedade de serviços. Essa temporalidade é marcada pela desestruturação do funcionamento do mercado de trabalho brasileiro e a ascensão do sistema privado de relações entre o capital e o trabalho (o que chamamos de contratualismo individual). Com isso, cresce a �exibilização da regulação do trabalho e novas formas de contratos “uberizados”, pejotizados, intermitentes, �exíveis, empreendedores etc. Ricardo Antunes (2020, p. 39, grifos nossos) a sintetiza da seguinte forma: [...] nas últimas décadas, os capitais vêm impondo sua trípode destrutiva em relação ao trabalho: a terceirização, a informalidade e a �exibilidade se tornaram partes inseparáveis do léxico da empresa corporativa. Título: Principais de�nidores da terceira temporalidade Fonte: Arquivo Nacional (1966). Elaboração: Prosa (2024). Para re�etir: o trabalho no Brasil em suas diferentes temporalidades Você chegou ao primeiro momento de re�exão deste capítulo. Lembre-se de registrar suas re�exões no Memorial ou de seguir as orientações dos seus tutores sobre essa atividade. Nesta re�exão, sugerimos a leitura do texto completo de Pochmann (2020) e, a partir dele, pedimos que você caracterize e relacione as três temporalidades com foco na seguinte questão: quem é o trabalhador e como as relações de trabalho se con�guram em cada uma delas? Além disso, observe a ilustração abaixo e re�ita como as relações de trabalho têm se alterado nos últimos anos. Título: A “uberização” do trabalho Fonte: Prosa (2024c). É importante destacar que, apesar das transformações no mundo do trabalho, resquícios das velhas relações permanecem travestidas em novas roupagens, que, por sua vez, intensi�cam a exploração do trabalho e dos trabalhadores e aumentam os lucros daqueles que detêm os meios de produção. Nessa realidade, o trabalho, mesmo trazendo a alienação e o sofrimento à classe trabalhadora, carrega em si contradições e o seu potencial ontológico. Ou seja, traz a capacidade de despertar nos homens e nas mulheres a resistência às mais diversas formas de opressão-exploração e enseja a luta pelo trabalho que gere prazer e dignidade, rumo à emancipação humana. Voltar Avançar Leitura Página 9 de 22 SU M Á R IO Ir para conteúdo 1 Ir para o menu 2 Ir para o topo 3 Ir para o rodapé 4 Acessibilidade Formação de Pro�ssionais para a EPT Núcleo Comum - Trabalho-Educação: Fundamentos teóricos e didáticos I http://www.acessoainformacao.gov.br/ http://www.brasil.gov.br/ https://www.scielosp.org/article/csc/2020.v25n1/89-99/ https://ead.ifgoiano.edu.br/docenciaept/modulo1/trabalho-educacao-1/pagina8.html https://ead.ifgoiano.edu.br/docenciaept/modulo1/trabalho-educacao-1/pagina10.html https://ead.ifgoiano.edu.br/docenciaept/modulo1/trabalho-educacao-1/acessibilidade.html https://ead.ifgoiano.edu.br/docenciaept/modulo1/trabalho-educacao-1/index.html 2024| SETEC-MEC | LANTEC/PROSA-UFSC. Todos os direitos reservados. O trabalho e a formação do trabalhador na EPT A multidão de trabalhadores inseridos de forma precária no mundo do trabalho cada vez mais dinâmico, �exível, técnico-informacional e movido de incertezas busca na formação e na quali�cação pro�ssional um caminho viável para sua sobrevivência e dignidade. A EPT é um espaço privilegiado de formação desses jovens e adultos trabalhadores e trabalhadoras. No Brasil, os dados do Censo Escolar de 2023 mostram que a oferta da EPT no país aumentou 12,1% entre 2022 e 2023. No que diz respeito à dependência administrativa e à localização das instituições que oferecem educação pro�ssional, a maior parte das matrículas ocorre na rede privada (44,4%). As redes estadual e federal vêm a seguir, com 38,2% e 13,7%, respectivamente. Dentre todas as modalidades de ensino, a educação pro�ssional tem o maior número de matrículas na rede federal, totalizando 331.037 em 2023. Esta mesma rede também apresenta o maior número de matrículas em educação pro�ssional técnica (EPT) na zona rural, com 49.467 registros (Brasil, 2024). No Brasil, a Rede Federal de Educação Pro�ssional, Cientí�ca e Tecnológica é composta por 682 unidades atualmente, envolvendo Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia e seus campi, Universidade Tecnológica Federal do Paraná, Centros Federais de Educação Tecnológica, Escolas Técnicas Vinculadas e o Colégio Pedro II, abarcando cerca de um milhão de matrículas anuais. Constitui-se na mais importante e fundamental rede pública de formação de trabalhadores do país no âmbito da Educação Pro�ssional e Tecnológica. Título: Mapa da rede federal de EPT Fonte: Ministério da Educação (2024a). Elaboração: Prosa (2024). Para re�etir: a importância e os impactos da rede federal de EPT na sua vida Você chegou ao segundo momento de re�exão desta unidade. Para ajudá-lo nesse processo, assista ao vídeo abaixo, em que compartilho a importância e os impactos que a rede federal de EPT possui para a formação de trabalhadores em nossas comunidades. Título: De que maneira a rede federal tem impactado a formação dos trabalhadores? Fonte: Ministério da Educação (2024a). Elaboração: Prosa (2024). Na sequência, responda às seguintes perguntas: 1. De que maneira a rede federal de EPT impacta a vida e a formação dos trabalhadores na sua cidade e/ou comunidade? 2. Qual a especi�cidade do trabalho e da formação de trabalhadoresna EPT? Lembre-se de registrar suas re�exões no Memorial ou de seguir as orientações dos seus tutores sobre essa atividade. Voltar Avançar Leitura Página 10 de 22 Watch on De que maneira a rede federal tem impactado a forDe que maneira a rede federal tem impactado a for…… Copy linkCopy link SU M Á R IO Ir para conteúdo 1 Ir para o menu 2 Ir para o topo 3 Ir para o rodapé 4 Acessibilidade Formação de Pro�ssionais para a EPT Núcleo Comum - Trabalho-Educação: Fundamentos teóricos e didáticos I http://www.acessoainformacao.gov.br/ http://www.brasil.gov.br/ https://ead.ifgoiano.edu.br/docenciaept/modulo1/trabalho-educacao-1/pagina9.html https://ead.ifgoiano.edu.br/docenciaept/modulo1/trabalho-educacao-1/pagina11.html https://www.youtube.com/watch?v=RQB7_3xMNXg&embeds_referring_euri=https%3A%2F%2Fead.ifgoiano.edu.br%2F https://www.youtube.com/watch?v=RQB7_3xMNXg https://ead.ifgoiano.edu.br/docenciaept/modulo1/trabalho-educacao-1/acessibilidade.html https://ead.ifgoiano.edu.br/docenciaept/modulo1/trabalho-educacao-1/index.html 2024| SETEC-MEC | LANTEC/PROSA-UFSC. Todos os direitos reservados. O texto escrito por Gaudêncio Frigotto (1983), intitulado “Fazendo pelas mãos a cabeça do trabalhador”, trata das especi�cidades da relação trabalho-educação na formação pro�ssional, tomando como referência a prática pedagógica do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI). No texto, Frigotto se refere ao tipo de formação desenvolvida no âmbito desse setor privado, a pedagogia que a orienta e o mundo do trabalho em que visa inserir o trabalhador. Frigotto (1983, p. 38) destaca, ainda, que [...] o trabalho assalariado de�nido pelas relações capitalistas de produção constitui a base da relação educação e trabalho na educação pro�ssional. Em grande parte, é o trabalho assalariado que direciona as escolhas dos institutos, campi, escolas técnicas e tecnológicas acerca do tipo de formação que será ofertada para os trabalhadores, nas mais diferentes áreas e suas pro�ssões. Nesse sentido, é importante que você sempre se pergunte para quais áreas e pro�ssões a sua unidade está formando trabalhadores. Ainda, é importante indagar-se sempre o porquê de essas escolhas terem sido feitas. É certo que essa orientação, direcionada pelo mercado, utiliza-se de uma pedagogia própria, que busca ajustar e conformar o trabalhador às relações de produção do capital. No entanto, Frigotto (1983) alerta sobre a nossa potencialidade e capacidade de reorientar essa formação para atender aos interesses dos trabalhadores, a partir do trabalho como princípio educativo. Para re�etir: fazer pelas mãos a cabeça do trabalhador Você chegou a outro momento de re�exão desta unidade temática. Para esta re�exão, é necessário que você faça a leitura do texto “Fazendo pelas mãos a cabeça do trabalhador”, escrito por Gaudêncio Frigotto (1983). Com base nessa leitura e nas suas experiências na EPT, re�ita sobre as questões abaixo: 1. O que signi�ca para você fazer pelas mãos a cabeça do trabalhador? 2. Que trabalho estamos ensinando e para qual mundo do trabalho? 3. Qual pedagogia tem orientado a nossa prática pedagógica? 4. A quem estamos ensinando? Quem são esses sujeitos, trabalhadores-estudantes da EPT? 5. Você percebe a potencialidade da educação pro�ssional como uma ferramenta de transformação orientada pelos interesses dos trabalhadores? 6. Como se dá essa formação? Lembre-se de registrar suas re�exões no Memorial ou de seguir as orientações dos seus tutores sobre essa atividade. Voltar Avançar Leitura Página 11 de 22 SU M Á R IO Ir para conteúdo 1 Ir para o menu 2 Ir para o topo 3 Ir para o rodapé 4 Acessibilidade Formação de Pro�ssionais para a EPT Núcleo Comum - Trabalho-Educação: Fundamentos teóricos e didáticos I http://www.acessoainformacao.gov.br/ http://www.brasil.gov.br/ http://educa.fcc.org.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-15741983000400004&lng=pt&nrm=iso http://educa.fcc.org.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-15741983000400004&lng=pt&nrm=iso https://ead.ifgoiano.edu.br/docenciaept/modulo1/trabalho-educacao-1/pagina10.html https://ead.ifgoiano.edu.br/docenciaept/modulo1/trabalho-educacao-1/pagina12.html https://ead.ifgoiano.edu.br/docenciaept/modulo1/trabalho-educacao-1/acessibilidade.html https://ead.ifgoiano.edu.br/docenciaept/modulo1/trabalho-educacao-1/index.html 2024| SETEC-MEC | LANTEC/PROSA-UFSC. Todos os direitos reservados. Quem são os trabalhadores - estudantes da EPT? A�rmada a potencialidade da nossa atividade educacional a favor da formação ampla dos trabalhadores, precisamos identi�car e reconhecer quem são os estudantes matriculados na EPT que buscam a formação pro�ssional. É importante destacar, também, como bem alertam Maria Clara Fischer e Naira Franzoi (2009), no texto sobre “Formação Humana e Educação Pro�ssional: diálogos possíveis”, que o estudante trabalhador – quando reconhecido pela escola como tal – é �gura central para contribuir na superação da dicotomia entre educação geral e educação pro�ssional, trabalho intelectual e trabalho manual, teoria e prática. Isso porque eles são detentores de saberes do trabalho e de práticas cotidianas e culturais, que, devidamente articuladas com os saberes escolares, potencializam a produção e o enriquecimento dos conhecimentos. É preciso reconhecê-los como produtores de conhecimentos, detentores de saberes e, sobretudo, sujeitos construtores da sociedade em que vivemos. Para isso, é importante saber: quem são eles? O estudante trabalhador é aquele [...] portador de uma cultura e de um patrimônio de experiências e de saberes desenvolvidos pelo corpo-si em situação de trabalho, na qual se fundem e, ao mesmo tempo, se separam trabalho intelectual e manual, criação e destruição. (Muniz, Santorum e França 2018, p. 36). São jovens e adultos, trabalhadores e trabalhadoras, que, em grande parte, necessitam combinar o turno de trabalho com o horário de estudo, muitos possuem trajetórias pro�ssionais diversi�cadas, mas não certi�cadas e carregam em si sua condição de classe. No que diz respeito à raça, o Censo aponta que, de 1,8 milhão de estudantes da EPT que declararam cor, 55,6% são pretos e pardos, 42,5% são brancos e 1,9% são amarelos e indígenas. Os estudantes negros e pardos são maioria nas modalidades educacionais de EJA de nível básico, representando 79,4% dos matriculados, e em cursos de Formação Inicial e Continuada (FIC) ou de Quali�cação Pro�ssional, com 76,7%. Observa-se a predominância de pessoas de cor preta e do gênero feminino. Mas, para além dos dados gerais, há uma diversidade de sujeitos: mulheres e homens, indígenas, quilombolas, imigrantes, pessoas com de�ciência e privadas de liberdade, oriundos dos centros urbanos, do campo, das comunidades tradicionais e outros rincões do nosso imenso país. É necessário o reconhecimento das especi�cidades desses estudantes trabalhadores, para que então sejam desenvolvidas abordagens pedagógicas e curriculares apropriadas e pertinentes, como a�rmaram Fischer e Franzoi (2009). Para re�etir: o per�l dos estudantes-trabalhadores da rede federal de EPT Título: Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia (IFs) Fonte: Ministério da Educação (2024b). Neste momento de re�exão, você terá a oportunidade de pensar sobre quem são os estudantes trabalhadores da sua unidade escolar. São homens, mulheres, imigrantes, indígenas, quilombolas, PcDs, pessoas privadas de liberdade ou egressas do sistema prisional, LGBTQIAP+s etc.? De onde vêm? Que sonhos carregam? Nossas práticas pedagógicas presenciais, ou em EaD, e nossa visão e modelo de Gestão abarcam as especi�cidades e as diversidades presentes no ambiente da EPT? Lembre-se de registrar suas re�exões no Memorial ou de seguir as orientações dos seus tutores sobre essa atividade. Voltar Avançar Leitura Página 12 de 22 Segundo os dados do Censo Escolar 2023, divulgados pelo Instituto Nacional de Estudos e PesquisasEducacionais Anísio Teixeira (Brasil, 2024), o per�l do estudante da EPT é composto por 75,1% de estudantes com menos de 30 anos. Em relação a gênero, há predominância de mulheres em todas as faixas etárias, sendo a faixa entre 40 e 49 a mais expressiva, na qual 62,9% dos estudantes são do sexo feminino. Acesse os dados da Agência Gov sobre o per�l do estudante da EPT. SU M Á R IO Ir para conteúdo 1 Ir para o menu 2 Ir para o topo 3 Ir para o rodapé 4 Acessibilidade Formação de Pro�ssionais para a EPT Núcleo Comum - Trabalho-Educação: Fundamentos teóricos e didáticos I http://www.acessoainformacao.gov.br/ http://www.brasil.gov.br/ https://www.academia.edu/8117111/FORMA%C3%87%C3%83O_HUMANA_E_EDUCA%C3%87%C3%83O_PROFISSIONAL_Di%C3%A1logos_poss%C3%ADveis?hb-sb-sw=5881698 https://sgmdnute.sites.ufsc.br/setec-materiais/trabalho-educacao-1/pagina11.html https://sgmdnute.sites.ufsc.br/setec-materiais/trabalho-educacao-1/pagina13.html https://agenciagov.ebc.com.br/noticias/202402/matriculas-na-educacao-profissional-aumentaram-12-1 https://sgmdnute.sites.ufsc.br/setec-materiais/trabalho-educacao-1/acessibilidade.html https://sgmdnute.sites.ufsc.br/setec-materiais/trabalho-educacao-1/index.html 2024| SETEC-MEC | LANTEC/PROSA-UFSC. Todos os direitos reservados. Prática social: lutas, reivindicações e direitos em busca de uma formação humana integral As lutas e práticas sociais, os saberes do trabalho e da cultura são pontos de partida no processo de formação do estudante trabalhador. A integração desses saberes e elementos culturais ao currículo escolar se constitui no desa�o mais importante das práticas pedagógicas, educativas e de gestão no âmbito da EPT. Fazer a cabeça do trabalhador com as mãos, como a�rma Frigotto (1983), é uma perspectiva pedagógica do capital. Você separa o fazer do pensar. Aqui parafraseamos Frigotto para dizer que é preciso fazer a cabeça do trabalhador com o corpo todo. Isto é, os pro�ssionais da EPT precisam se colocar na construção de uma formação humana integral que tenha o trabalho como princípio educativo, a indissociabilidade entre fazer e pensar e entre teoria e prática. Portanto, fazer a cabeça do trabalhador com o corpo todo é um desa�o pedagógico e uma exigência ético-política. Mas só é possível fazê-lo a partir da prática social do povo e com o povo. É importante destacar que, no mundo do trabalho, o capital se utiliza de mecanismos de precarização do trabalho e de miserabilização do ser humano para dispersar cada vez mais os trabalhadores que, muitas vezes, deixam de reconhecer-se como classe e lutar coletivamente. É um mecanismo de controle e dominação. A formação pro�ssional está no centro da disputa entre capital e trabalho porque se refere à construção da identidade do trabalhador e à possibilidade de potencializar a força de trabalho, na sua capacidade de produzir e de se transformar. Por isso, a luta pelo trabalho e pela educação, entendendo-os como direitos, compõe a pauta das muitas organizações sindicais, movimentos sociais e outras organizações defensoras da democracia. Muitas dessas lutas se transformaram em políticas públicas que continuam sendo construídas e disputadas. Como exemplo dessas lutas, temos o ensino integrado, o PROEJA e outras políticas públicas educacionais que buscam colocar o trabalho como princípio educativo e o ser humano no centro do processo formativo. Além disso, com vistas à educação coletiva que permita o reconhecimento e o fortalecimento da identidade de classe, essas ações se contrapõem às práticas educativas fragmentadoras e subordinadas ao mercado. Uma educação que parta da prática social dos trabalhadores e que busque a integração de saberes precisa estabelecer canais permanentes de diálogo com as organizações populares e com os movimentos sociais, fortalecendo uma troca permanente de experiências, de práticas e de saberes produzidos socialmente. Para re�etir: as ações na minha comunidade Chegamos à última re�exão deste capítulo. Na sua unidade escolar e/ou na sua comunidade, vocês desenvolvem (ou já desenvolveram) alguma ação, projeto, programa ou política de fortalecimento da formação integral dos trabalhadores? Que práticas pedagógicas e de gestão potencializam as lutas pelo direito à educação e ao trabalho? A sua unidade escolar possui aproximação e ou parceria com alguma organização social de trabalhadores? Registre a sua experiência em seu Memorial, destacando em que sentido ela contribui ou contribuiu para a formação integral desses trabalhadores. Voltar Avançar Leitura Página 13 de 22 SU M Á R IO Ir para conteúdo 1 Ir para o menu 2 Ir para o topo 3 Ir para o rodapé 4 Acessibilidade Formação de Pro�ssionais para a EPT Núcleo Comum - Trabalho-Educação: Fundamentos teóricos e didáticos I http://www.acessoainformacao.gov.br/ http://www.brasil.gov.br/ https://ead.ifgoiano.edu.br/docenciaept/modulo1/trabalho-educacao-1/pagina12.html https://ead.ifgoiano.edu.br/docenciaept/modulo1/trabalho-educacao-1/pagina14.html https://ead.ifgoiano.edu.br/docenciaept/modulo1/trabalho-educacao-1/acessibilidade.html https://ead.ifgoiano.edu.br/docenciaept/modulo1/trabalho-educacao-1/index.html Referências bibliográ�cas Arquivo Nacional. Plantação de trigo na colônia Vera Guarani, estado do Paraná. 1910. 1 fotogra�a. Disponível em: https://www.�ickr.com/photos/arquivonacionalbrasil/37448595706/in/photolist- Z4cQPd. Acesso em: 05 maio 2024. Arquivo Nacional. Funcionários trabalhando nas o�cinas ferroviárias do Engenho de Dentro. 1942. 1 fotogra�a. Disponível em: https://www.�ickr.com/photos/arquivonacionalbrasil/40613377432/in/album- 72157687008921716. Acesso em: 05 maio 2024. Arquivo Nacional. Estudantes da Escola de Telegra�sta. 1966. 1 fotogra�a. Disponível em: https://www.�ickr.com/photos/arquivonacionalbrasil/26955326818/in/album- 72157687648321755. Acesso em: 05 maio 2024. ANTUNES, Ricardo. O privilégio da servidão: o novo proletariado de serviços na era digital. 2ª ed. São Paulo: Boitempo, 2020. Entertainment One. Cartaz do �lme Eu, Daniel Blake. 2016. 1 cartaz. Entertainment One. Cartaz do �lme Você Não Estava Aqui. 2019. 1 cartaz. FISCHER, Maria Clara Bueno; FRANZOI, Naira Lisboa. Formação humana e educação pro�ssional: diálogos possíveis. Educação, Sociedade & Cultura, Portugal, v. 29, n. 1, p. 35-51, 2009. Disponível em: https://www.academia.edu/8117111/FORMA%C3%87%C3%83O_HUMANA_E_EDUC A%C3%87%C3%83O_PROFISSIONAL_Di%C3%A1logos_poss%C3%ADveis?hb-sb- sw=5881698. Acesso em: 21 jan. 2024. FRIGOTTO, Gaudêncio. Fazendo pelas mãos a cabeça do trabalhador: o trabalho como elemento pedagógico na formação pro�ssional. Cad. Pesqui., São Paulo, n. 47, p. 38-45, 1983. Disponível em: http://educa.fcc.org.br/scielo.php? script=sci_arttext&pid=S0100-15741983000400004&lng=pt&nrm=iso. Acesso em: 19 jan. 2024. IANNI, Octávio. O mundo do trabalho. São Paulo em Perspectiva, v.8, n.1, p.2-12, jan.-mar. 1994. Disponível em: http://produtos.seade.gov.br/produtos/spp/v08n01/v08n01_01.pdf. Acesso em: 21 jan. 2024. Ministério da Educação. Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia (IFs). 2023. 1 fotogra�a. Disponível em: https://www.�ickr.com/photos/mineducacao/53396673897/in/album- 72177720312317891. Acesso em: 13 maio 2024. Ministério da Educação. Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia (IFs). 2024. 1 fotogra�a. Disponível em: https://www.�ickr.com/photos/mineducacao/53472724269/in/album- 72177720312317891. Acesso em: 13 maio 2024. Ministério da Educação. Matrículas na educação pro�ssional aumentaram 12,1%. Agência Gov, 2024. Disponível em: https://agenciagov.ebc.com.br/noticias/202402/matriculas-na-educacao- pro�ssional-aumentaram-12-1. Acesso em: 26 set. 2024. MUNIZ, Hélder Pordeus; SANTORUM, Kátia Maria Teixeira; FRANÇA, Maristela Botelho. Corpo-si: a construção do conceito na obra de Yves Schwartz. Fractal: Revista De Psicologia, v. 30, n. 2, p. 69–77, 2018. Disponível em: https://doi.org/10.22409/1984-0292/v30i2/5877.Acesso em: 29 ago. 2024. PROSA. A “uberização” do trabalho. 1 ilustração. 2024c. Disponível em: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:A_%E2%80%9Cuberiza%C3%A7%C3%A3o %E2%80%9D_do_trabalho.png. Acesso em: 27 set. 2024. PROSA. Características do mundo do trabalho orientado pela acumulação �exível do capital. 1 infográ�co. 2024b. Disponível em: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Caracter%C3%ADsticas_do_mundo_do_tr abalho_orientado_pela_acumula%C3%A7%C3%A3o_�ex%C3%ADvel_do_capital.pn g. Acesso em: 27 set. 2024. PROSA. De que maneira a rede federal tem impactado a formação dos trabalhadores?. (1 vídeo). Youtube, 16 ago. 2024. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=RQB7_3xMNXg. Acesso em: 13 set. 2024. POCHMANN, Márcio. Tendências estruturais do mundo do trabalho no Brasil. Ciência e coletiva, v. 25, n.1, dez. 2019-jan. 2020. Disponível em: https://www.scielosp.org/article/csc/2020.v25n1/89-99/. Acesso em: 21 jan. 2024. Voltar Avançar Leitura SU M Á R IO Ir para conteúdo 1 Ir para o menu 2 Ir para o topo 3 Ir para o rodapé 4 Acessibilidade Formação de Pro�ssionais para a EPT Núcleo Comum - Trabalho-Educação: Fundamentos teóricos e didáticos I https://www.flickr.com/photos/arquivonacionalbrasil/37448595706/in/photolist-Z4cQPd https://www.flickr.com/photos/arquivonacionalbrasil/40613377432/in/album-72157687008921716 https://www.flickr.com/photos/arquivonacionalbrasil/26955326818/in/album-72157687648321755 https://www.academia.edu/8117111/FORMA%C3%87%C3%83O_HUMANA_E_EDUCA%C3%87%C3%83O_PROFISSIONAL_Di%C3%A1logos_poss%C3%ADveis?hb-sb-sw=5881698 http://educa.fcc.org.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-15741983000400004&lng=pt&nrm=iso http://produtos.seade.gov.br/produtos/spp/v08n01/v08n01_01.pdf https://www.flickr.com/photos/mineducacao/53396673897/in/album-72177720312317891 https://www.flickr.com/photos/mineducacao/53472724269/in/album-72177720312317891 https://agenciagov.ebc.com.br/noticias/202402/matriculas-na-educacao-profissional-aumentaram-12-1 https://doi.org/10.22409/1984-0292/v30i2/5877 https://commons.wikimedia.org/wiki/File:A_%E2%80%9Cuberiza%C3%A7%C3%A3o%E2%80%9D_do_trabalho.png https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Caracter%C3%ADsticas_do_mundo_do_trabalho_orientado_pela_acumula%C3%A7%C3%A3o_flex%C3%ADvel_do_capital.png https://www.youtube.com/watch?v=RQB7_3xMNXg https://www.scielosp.org/article/csc/2020.v25n1/89-99/ https://ead.ifgoiano.edu.br/docenciaept/modulo1/trabalho-educacao-1/pagina13.html https://ead.ifgoiano.edu.br/docenciaept/modulo1/trabalho-educacao-1/pagina15-2.html https://ead.ifgoiano.edu.br/docenciaept/modulo1/trabalho-educacao-1/acessibilidade.html https://ead.ifgoiano.edu.br/docenciaept/modulo1/trabalho-educacao-1/index.html 2024| SETEC-MEC | LANTEC/PROSA-UFSC. Todos os direitos reservados. CAPÍTULO 3 Formação Humana Integral versus Pragmatismo: a EPT em movimento e em disputa [...] Os novos projetos pedagógicos não nascem das ideias dos intelectuais; ao contrário, eles são determinados pelas mudanças ocorridas no mundo do trabalho, que apresentam diferentes demandas a cada etapa de desenvolvimento das forças produtivas, em função das características que assume a divisão social e técnica do trabalho. (Kuenzer, 1999, p. 18). Com esta re�exão feita por Acácia Kuenzer, iniciamos este terceiro e último capítulo da Unidade Temática Trabalho e Educação I, cuja proposta é discutir as concepções de formação humana em disputa no interior da EPT e sua materialidade nos currículos e na respectiva legislação brasileira. Dessa forma, podemos avançar em nossa caminhada enquanto pro�ssionais da EPT. Acácia Kuenzer em seu texto “Educação pro�ssional: categorias para uma nova pedagogia do trabalho” (1999) traz re�exões muito importantes sobre como as mudanças no mundo do trabalho afetaram e afetam diretamente a relação entre seres humanos e trabalho e, consequentemente, a relação no meio de trabalho e no meio da educação e do trabalho, constituindo-se a base dessa nova pedagogia. Kuenzer apresenta, ainda, algumas características que o atual modelo de acumulação �exível do capital exige do trabalhador. Diferentemente de aprendizagens de base rígidas e repetitivas de processos de trabalho para a execução de determinadas tarefas ao longo de sua vida produtiva, próprias do modelo de produção taylorista-fordista, o paradigma vigente exige do trabalhador aprendizagens �exíveis, que signi�cam demonstrar “capacidade de adaptação a novas situações” (1999, p. 19). Destacamos, aqui, de acordo com Kuenzer (1999, p. 19), algumas características e exigências do paradigma vigente colocadas ao trabalhador, o qual deve desenvolver capacidades cognitivas superiores e de relacionamento, tais como: Título: As exigências do trabalhador Fonte: Prosa (2024d). Essas exigências impostas ao trabalhador – ajustável à atual fase de acumulação �exível do capital – aliadas às situações de desemprego estrutural, precarização do trabalho, exclusão e aprofundamento das desigualdades sociais, in�uenciam e modelam o tipo de formação pro�ssional que se espera desse “novo” trabalhador que, para acrescentar, tem sua condição de cidadania negada. A cidadania negada se relacionada ao fato de que o trabalhador produz riqueza com o seu trabalho, mas não usufrui dela, sendo-lhe subtraído o direito ao trabalho digno, à assistência à saúde com qualidade, à moradia, à educação e ao lazer. Como dissemos no capítulo 2, quando tratamos do mundo do trabalho, a formação pro�ssional está, inelutavelmente, no centro da disputa entre capital e trabalho por dispor a construção da identidade do trabalhador e, também, as formas de potencializar sua força de trabalho, sua capacidade de produzir e transformar. Daí que a formação humana do trabalhador no âmbito da EPT se desenvolve em constante movimento contraditório e em permanente disputa, essa que é revelada por duas abordagens educacionais/pedagógicas e dois tipos de projetos societários antagônicos, como destacam Araujo e Rodrigues (2011, p. 7): Título: Abordagens educacionais e projetos societários antagônicos Fonte: Araújo e Rodrigues (2011). Elaboração: Prosa (2024). Para compreender melhor como essas pedagogias e perspectivas de formação humana se revelam e se materializam no interior da EPT, apresentaremos os embates no âmbito da política pública educacional e do currículo e seus interlocutores principais. Voltar Avançar Leitura Página 15 de 22 SU M Á R IO Ir para conteúdo 1 Ir para o menu 2 Ir para o topo 3 Ir para o rodapé 4 Acessibilidade Formação de Pro�ssionais para a EPT Núcleo Comum - Trabalho-Educação: Fundamentos teóricos e didáticos I http://www.acessoainformacao.gov.br/ http://www.brasil.gov.br/ https://www.bts.senac.br/bts/article/view/596 https://www.bts.senac.br/bts/article/view/218 https://ead.ifgoiano.edu.br/docenciaept/modulo1/trabalho-educacao-1/pagina14.html https://ead.ifgoiano.edu.br/docenciaept/modulo1/trabalho-educacao-1/pagina16.html https://ead.ifgoiano.edu.br/docenciaept/modulo1/trabalho-educacao-1/acessibilidade.html https://ead.ifgoiano.edu.br/docenciaept/modulo1/trabalho-educacao-1/index.html 2024| SETEC-MEC | LANTEC/PROSA-UFSC. Todos os direitos reservados. A Política de Educação Pro�ssional e Tecnológica: confrontos ideológicos, políticos e pedagógicos Para reconstituir a trajetória da EPT no Brasil e os confrontos ideológicos, políticos e pedagógicos que a permeiam, convidamos para dialogar conosco neste texto um conjunto de pesquisadores e pesquisadoras de todos os cantos do Brasil. Ao longo desse processo, eles têm contribuído para analisar, problematizar, compreender essas trajetórias, propor e defender uma educação pro�ssional assentada no trabalho como princípio educativo, numa perspectiva da formação humana integral, em contraposição a uma pedagogia do capital. Para re�etir: memória e resistência Neste momento, iniciaremos mais uma re�exão. Convidamos você a trazer à cena a memória da EPT como um ato de resistência. Quememórias vocês têm da história da Educação Pro�ssional e Tecnológica no Brasil? Depois de questionar-se, pense em recortes da história, da memória e das suas experiências na EPT. Posteriormente, construa, em seu Memorial, as suas conexões causais, as suas mediações econômicas, políticas, culturais, pedagógicas e ideológicas sobre este tema. Para ajudar nesse exercício e para retomar algumas questões essenciais da história da EPT e seus confrontos ideológicos, políticos e pedagógicos no âmbito da política pública e do currículo, sugerimos que assista ao documentário A origem de uma nova institucionalidade em EPT: narrativas e memórias sobre os Institutos Federais. Com base no documentário, podemos estabelecer um diálogo orientado pelas questões a seguir: Qual o lugar da EPT na sociedade brasileira? Quais as concepções de formação humana em disputa, expostas nas falas dos entrevistados? Quem são os sujeitos destas disputas? Como os tensionamentos em torno das concepções de formação humana em disputa foram se materializando na política pública e no currículo? Como você vê a sua unidade educacional nessas memórias da EPT? De que maneira esses tensionamentos ideológicos, políticos e pedagógicos se revelaram e se revelam nas práticas pedagógicas e de gestão da sua unidade ou campus? Você conhece ou reconhece os entrevistados desse documentário? Qual a importância deles para a história da EPT no Brasil? Lembre-se de registrar suas re�exões no Memorial e/ou seguir as orientações dos seus tutores sobre essa atividade. Voltar Avançar Leitura Página 16 de 22 SU M Á R IO Ir para conteúdo 1 Ir para o menu 2 Ir para o topo 3 Ir para o rodapé 4 Acessibilidade Formação de Pro�ssionais para a EPT Núcleo Comum - Trabalho-Educação: Fundamentos teóricos e didáticos I http://www.acessoainformacao.gov.br/ http://www.brasil.gov.br/ https://educapes.capes.gov.br/handle/capes/433129 https://ead.ifgoiano.edu.br/docenciaept/modulo1/trabalho-educacao-1/pagina15-2.html https://ead.ifgoiano.edu.br/docenciaept/modulo1/trabalho-educacao-1/pagina17.html https://ead.ifgoiano.edu.br/docenciaept/modulo1/trabalho-educacao-1/acessibilidade.html https://ead.ifgoiano.edu.br/docenciaept/modulo1/trabalho-educacao-1/index.html 2024| SETEC-MEC | LANTEC/PROSA-UFSC. Todos os direitos reservados. Após assistir ao documentário e debater essas questões, trazemos alguns elementos da história da EPT no Brasil e seus tensionamentos em torno de suas �nalidades, sua concepção de formação humana e seus projetos de sociedade, para contribuir com o estabelecimento das conexões necessárias de modo a buscar compreendê-la em sua totalidade. Iniciamos por retomar alguns aspectos históricos que marcaram a chamada velha institucionalidade da educação pro�ssional. Araujo e Rodrigues (2011), ao situar historicamente a educação pro�ssional no Brasil, dão conta de que sua institucionalização acontece entre 1930-1940 com a �nalidade de orientar a formação do trabalhador para o mercado de trabalho, tendo também um caráter assistencial direcionado para “o atendimento das pessoas pobres e desvalidas da sorte”. Essa institucionalização ocorre articulada ao processo de industrialização brasileira, “marcado também pelo nascimento do SENAI e das leis orgânicas do ensino em 1942” para atender a uma nova demanda de formação de trabalhadores (Araujo; Rodrigues, 2011, p. 12). De acordo com esses mesmos autores, esse modelo de Educação Pro�ssional (EP) foi caracterizado pelo nascimento e consolidação do Sistema S - Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) e Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (SENAC) e, posteriormente, do Sistema Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR), Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte (SENAT), Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE) e Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo (SESCOOP). Nesse modelo de EP, prioriza-se a reprodução de conhecimentos e o disciplinamento do trabalhador, cabendo ao estudante a assimilação e a reprodução dos conhecimentos transmitidos. As práticas pedagógicas desse período foram predominantemente marcadas pelas “séries metódicas”, que envolviam: a) a individualidade do estudante; b) o estudo do assunto; c) a comprovação do conhecimento e d) a aplicação ou transferência do conhecimento. Nesse sentido, o trabalhador não aprende o todo, mas a parte, de acordo com a sua capacidade. Esse modelo de ensino visava o disciplinamento subjetivo às condições de trabalho encontradas na empresa (Araujo; Rodrigues, 2011). Esse ideário pedagógico do capital objetivava, como bem sintetizou Gaudêncio Frigotto (1983), “fazer pelas mãos, a cabeça do trabalhador”, como re�etimos no capítulo 2. Araujo e Rodrigues (2011, p. 15) destacam algumas expressões que re�etiam essa “velha institucionalidade”, a saber: Título: A Velha Institucionalidade Fonte: Araújo e Rodrigues (2011). Elaboração: Prosa (2024). Assim, destacam Araujo e Rodrigues (2011, p. 14), a institucionalização da educação pro�ssional no Brasil foi pautada numa pedagogia tecnicista, de base pragmática, e organizada sob forte hierarquização das funções técnicas (e docentes) em conformidade com o modelo de acumulação taylorista-fordista. A EP funcionava completamente apartada da educação geral, era obrigatória no ensino de 2º grau e acabou aprofundando o modelo dual de educação no Brasil, tendo, de um lado, uma escola para formar trabalhadores e, de outro, uma destinada a formar elites. A escola pública ofertava os cursos pro�ssionalizantes, e as escolas privadas seguiam seu percurso de oferta de formação propedêutica (dando conta dos conteúdos das ciências, das artes etc.). Ou seja: pro�ssionalização para a classe trabalhadora e ensino propedêutico para as elites (Moura, 2008). A tentativa de renovação da EP no Brasil, sob a égide do capital, tem na Pedagogia das Competências e na Teoria do Capital Humano as bases para a sua proposta “inovadora”, a partir das décadas de 1980 e 1990. Com a advento do governo Fernando Henrique Cardoso (1995 a 2002), houve uma tentativa de sua “renovação”, visando atender às transformações no mundo do trabalho, orientada pelo modelo de acumulação �exível do capital. Ramon de Oliveira (2001, p. 2) explica que a Teoria do Capital Humano, revisitada pela política educacional da década de 1990 no Brasil, busca fazer crer que quanto maior for o investimento do indivíduo em sua escolarização, maior será a sua possibilidade e capacidade competitiva no mercado de trabalho. Explica o autor: Título: A Teoria do Capital Humano e a Política Educacional brasileira da década de 1990 Fonte: Oliveira (2001). Elaboração: Prosa (2024). Oliveira (2001) alerta que os propagadores dessa teoria "esquecem" que o próprio acesso à produção cultural é re�exo das desigualdades geradas por este modelo de produção. Consequentemente, não poderia a educação corrigir aquilo que se edi�ca na própria estrutura econômica existente. É importante destacar que, para essa teoria, a busca por melhoria de quali�cação é individual e, portanto, o sucesso ou o fracasso depende do esforço e do mérito de cada um, consolidando, assim, no campo educacional, um discurso de meritocracia que mascara as desigualdades em que está assentada a sociedade. Para Frigotto (2001), a partir da década de 1990, há um rejuvenescimento da Teoria do Capital Humano como uma resposta à crise do capitalismo e às novas exigências de quali�cação de trabalhadores ajustadas aos interesses do mercado. O Plano Nacional de Educação Pro�ssional (PLANFOR) é um exemplo de política pública que marcou esse período, orientada por uma lógica neoliberal, cuja principal referência era o mercado. As disputas em torno da EP se dão também no âmbito da formulação e aprovação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) de 20 de dezembro de 1996. Nessa, setores empresariais e aqueles que defendiam a educação pública se confrontaram em