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2024| SETEC-MEC | LANTEC/PROSA-UFSC. Todos os direitos reservados.
CAPÍTULO 1
O trabalho na Educação
Pro�ssional e Tecnológica
 
A Educação Pro�ssional e Tecnológica no Brasil precisa dialogar
com o trabalho e com os processos de pro�ssionalização; entretanto,
foi constituída para subordinar a formação dos trabalhadores ao
mercado de trabalho. Mas como todo processo educativo, o escolar,
em especial, é um campo em disputa, sobretudo entre dois grandes
projetos: um que busca submeter suas �nalidades aos interesses do
mercado e outro que se apresenta em uma perspectiva de
emancipação da classe trabalhadora.  
Para entendermos esse processo de disputa de projetos educativos
na EPT, é importante demarcar em nosso horizonte de que trabalho
falamos, pois o trabalho se apresenta em duas grandes dimensões: 
uma dimensão constitutiva do ser humano, o trabalho em sua
dimensão ontológica, ou seja, o trabalho que de�ne a essência
humana, e o trabalho nas formas históricas que ele assume, na
atualidade como trabalho assalariado, na forma capital.
Para  Marx (1875),  Engels (1877) e  Saviani (2010),  o trabalho é a
atividade produtiva fundamental da existência humana. Pelo
trabalho, o ser humano transforma a natureza e cria a si mesmo: é
pelo trabalho que se constitui o ser social, prático, criador,
trabalhador e histórico.
A relação do ser humano com a natureza, transformando-a para
atender às suas necessidades, é o que chamamos de trabalho. 
Para Saviani (2007, p. 154),
[...] o homem não nasce homem. Ele forma-se homem. Ele não
nasce sabendo produzir-se como homem. Ele necessita aprender
a ser homem, precisa aprender a produzir sua própria existência.
Assim, nos tornamos homens e mulheres pelo trabalho, nos
humanizamos pelo trabalho. 
Quando separamos a força do trabalho do processo de produção e do
produto do trabalho e a vendemos, chamamos o trabalho de emprego
ou de trabalho assalariado; quando o trabalhador não se reconhece
mais no produto do seu trabalho, chamamos essa situação de
alienação. É assim que se apresenta o trabalho nas sociedades
modernas dentro da estrutura capitalista. 
Para o capitalismo, quanto mais o trabalhador se separa do produto
de seu trabalho, distancia-se e não se reconhece nele, mais ainda é
possível controlar sua força de trabalho e gerar lucros – que serão
usufruídos por poucos.
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Formação de Pro�ssionais
para a EPT Núcleo Comum - Trabalho-Educação: Fundamentos teóricos e didáticos I
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http://www.brasil.gov.br/
https://ead.ifgoiano.edu.br/docenciaept/modulo1/trabalho-educacao-1/index.html
https://ead.ifgoiano.edu.br/docenciaept/modulo1/trabalho-educacao-1/pagina3.html
https://ead.ifgoiano.edu.br/docenciaept/modulo1/trabalho-educacao-1/acessibilidade.html
https://ead.ifgoiano.edu.br/docenciaept/modulo1/trabalho-educacao-1/index.html
2024| SETEC-MEC | LANTEC/PROSA-UFSC. Todos os direitos reservados.
 
Martins (2021) explica que, na perspectiva marxista, o trabalho não se
reduz a emprego. Para ele, 
[...] houve, há e poderá haver sociedade sem emprego, como, por
exemplo, as formações sociais tradicionais, nas quais a
existência é garantida pelo trabalho, mas nelas não há emprego.
De outro modo, diz-se que não houve, não há e não haverá
sociedade sem trabalho, pois este é, justamente, o conjunto de
ações pelas quais a humanidade garante a existência. Caso deixe
de existir o trabalho, inexistirá a própria humanidade.
(Martins, 2021, p. 10).
A dupla dimensão do trabalho também foi cantada pela banda Legião
Urbana em sua "Música de trabalho", no álbum “A tempestade”, de
1996:
“Sem trabalho eu não sou nada
Não tenho dignidade
Não sinto o meu valor 
Não tenho identidade 
Mas o que eu tenho
É só um emprego
E um salário miserável
Eu tenho o meu ofício 
Que me cansa de verdade
Tem gente que não tem nada
E outros que tem mais do que precisam [...]
Na música, podemos observar a dimensão do trabalho que
humaniza, cria identidade e dignidade ao homem e à mulher, e o
trabalho na forma de emprego, ofício, que, em grande parte, é
penoso e nada imaginativo. Como a�rma Kosik (1976, p. 110),
[...] o capitalismo rompe esse vínculo direto, separa o trabalho da
criação, os produtos dos produtores e transforma o trabalho
numa fadiga incriativa e extenuante.
Título: Trabalhador 
Fonte: William Kitzinger (2009).
Marx (2015, p. 352) denunciou, nos Manuscritos Econômicos
Filosó�cos de 1844, que
[...] o homem necessitado, cheio de preocupações, não tem
nenhum sentido para o espetáculo mais belo.
Podemos observar na letra da música que o trabalhador vive o dilema
entre necessitar do trabalho que lhe dá valor e identidade e possuir
apenas um emprego, que lhe cansa e que, em grande parte, lhe
confere um salário que não atende às suas necessidades mais básicas
de sobrevivência. 
Na atualidade, o emprego também tem sofrido mudanças com as
transformações no mundo do trabalho. Assim, outras formas de
exploração do trabalhador têm sido inseridas nos processos de
produção com a �exibilização do trabalho e dos direitos já
assegurados e com o mito do empreendedorismo.
Para re�etir: dimensões do trabalho
Você chegou ao primeiro momento de re�exão desta unidade
temática! Lembre-se de registrar suas re�exões no Memorial
e/ou seguir as orientações dos seus tutores sobre essa
atividade. 
 
Você reconhece as dimensões ontológica e histórica do
trabalho acima analisadas? 
Identi�que essas duas dimensões em sua instituição, em
sua comunidade, em seu território, e dialogue com seus
colegas de turma. 
Como essas dimensões se manifestam em seu contexto?
Se possível, adicione no seu Memorial letras de músicas,
poesias, fotogra�as ou outras manifestações artísticas
que revelem essas dimensões contraditórias do trabalho.
Um exemplo interessante de manifestação artística sobre o
trabalho é o �lme “Tempos Modernos”, um �lme clássico,
dirigido e estrelado por Charlie Chaplin, lançado em 1936. O
�lme aborda de maneira satírica e crítica as condições de
trabalho da época. Chaplin interpreta um operário que
trabalha em uma linha de montagem em uma fábrica. Nesse
papel, por exemplo, o personagem retrata a monotonia, a
repetição exaustiva das tarefas e a falta de dignidade dos
trabalhadores.
Título: Cartaz do �lme Tempos Modernos 
Fonte: United Artists (1936). 
Elaboração: Prosa (2024).
Ora, o trabalho constitui o ser humano, como a�rma Saviani.  É pelo
trabalho que nos fazemos gente, transformamos e criamos nosso
meio de vida. No trecho da música da Legião Urbana, podemos
observar o trabalho na sua forma de capital, já separado do ser
humano e se tornando controle do próprio indivíduo. 
Também é possível identi�car na letra da música que existe uma
divisão social entre os que vivem do trabalho, a classe trabalhadora –
“[...] tem gente que não tem nada”, e os que vivem do trabalho dos
outros, os donos dos meios de produção, a classe dos proprietários –
“[...] outros que tem mais do que precisam [...]”. São as classes sociais
com interesses antagônicos e inconciliáveis.
Então, podemos constatar que o trabalho possui uma centralidade
para compreendermos a sociedade e a constituição do ser
humano, bem como a educação. Logo, quem possui os meios de
produção e os produtos do trabalho controla a força do trabalho e
busca comandar também a educação, a �m de internalizar valores e
consensos, enquanto cada vez mais o trabalhador não tem acesso ao
que produz, embrutece-se e se desumaniza.
Para re�etir: a formação dos trabalhadores
Como trabalhador da educação e formador de trabalhadores,
como você se vê nesse contexto contraditório do trabalho e
como pensa que deve ser a formação dos trabalhadores? 
Não se esqueça de registrar sua re�exão no seu Memorial ou
de seguir as orientações do tutor do curso.
Voltar Avançar Leitura
Página 3 de 22torno das �nalidades da EP no
Brasil. 
Na LDB de 1996, garantiu-se a articulação da EP à Educação Geral que,
na velha institucionalidade, era separada. A EP passou, então, a
compor a educação básica no Brasil: “Art. 39. A educação pro�ssional
e tecnológica, no cumprimento dos objetivos da educação nacional,
integra-se aos diferentes níveis e modalidades de educação e às
dimensões do trabalho, da ciência e da tecnologia.” (Brasil, 1996)
Mas o Decreto 2.208/97, ao regulamentar o §2º do art. 36 e os artigos
39 a 42 da referida lei, organizou a EP em três segmentos: básico,
técnico e tecnológico. Esse decreto fragmentou e separou essa
modalidade educacional da educação básica geral, instituiu um
Sistema Nacional de EP em paralelo ao Sistema Nacional de Educação,
negando, assim, a construção da integração entre Educação Geral e
Educação Pro�ssional. Acácia Kuenzer chama esse decreto de “ajuste
conservador”.
A velha institucionalidade foi marcada por uma forma de organização
baseada nos critérios do Sistema “S” de formação e fortemente
orientada pela Pedagogia das Competências. Para Ramos (2003, p. 98),
“nessa lógica das competências, os conhecimentos tendem a se
limitar ao recorte estritamente instrumental, desagregando a
formação pelo atrelamento a tarefas e desempenhos especí�cos,
prescritos e observáveis”.
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https://ead.ifgoiano.edu.br/docenciaept/modulo1/trabalho-educacao-1/pagina16.html
https://ead.ifgoiano.edu.br/docenciaept/modulo1/trabalho-educacao-1/pagina18.html
https://ead.ifgoiano.edu.br/docenciaept/modulo1/trabalho-educacao-1/acessibilidade.html
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Uma nova institucionalidade
da EPT no Brasil
O avanço da integração entre a EP e a Educação Geral ocorre com a
ascensão ao poder do governo democrático-popular do presidente
Luís Inácio Lula da Silva (2003 a 2010), que, ao adotar uma visão
progressista de uma EP integral, teve como uma de suas primeiras
medidas derrubar o Decreto 2.208/97 e instituir o Decreto 5154/2004,
reabilitando a integração entre EP e Educação Geral que havia sido
inserida na LDB de 1996.
É o período que marca o início de uma nova institucionalidade para a
EP no Brasil. O Decreto 5154/2004 traz possibilidades para a
incorporação da politecnia e do currículo integrado na EP por meio
da articulação dos eixos trabalho, ciência, cultura e tecnologia. 
Mas é com a Lei 11.741/2008 que se insere de forma explícita a
concepção de formação humana integral na política pública da EPT.
Essa lei alterou dispositivos da Lei nº 9.394 de 20 de dezembro de
1996, com o objetivo de redimensionar, institucionalizar e integrar as
ações da educação pro�ssional técnica de nível médio, da educação
de jovens e adultos e da educação pro�ssional e tecnológica. É
também pela primeira vez que ocorre a inserção do termo EPT,
ampliando as perspectivas de formação nesse âmbito institucional e
também consolidando o ensino integrado como pilar da formação
para o trabalho.
Com a Lei 11.892/2008, instituiu-se a Rede Federal de Educação
Pro�ssional, Cientí�ca e Tecnológica e se criaram os Institutos
Federais de Educação, Ciência e Tecnologia. Com essa política de
instituição, criação e expansão dos IF, criou-se a base para uma nova
institucionalidade da EPT no Brasil e se acirraram, também, os
embates entre a pedagogia das competências e a formação humana
integral. Seguiu-se, de 2004 a 2016, um esforço político e pedagógico
para a implementação do ensino integrado, na forma e no conteúdo,
espraiando-se pelo país inúmeras experiências que buscam
materializar uma pedagogia do trabalho, como, por exemplo, o
PROEJA, o ensino médio integrado, dentre outros.
Título: Institutos Federais do Brasil 
Fonte: Ministério da Educação (2024b; 2024c; 2024d; 2024e). 
Elaboração: Prosa (2024)
No entanto, os avanços na EPT sofreram profundos ataques a partir
de 2016. Lucas Pelissari, em seu texto  “A reforma da educação
pro�ssional e tecnológica no Brasil: 2016 a 2021”, defende a tese de
que está em desenvolvimento, desde 2016, uma reforma da EPT
brasileira. 
De acordo com o autor, essa revisão se construiu até aqui em três
etapas, compreendidas cronologicamente entre os anos de 2016-
2018, 2018-2021 e 2021 em diante. A ênfase dada a esse movimento
tem como objetivo caracterizá-lo como um dos setores das
contrarreformas neoliberais no Brasil atual, não estando, portanto, a
EPT isenta de alterações mais profundas no conteúdo de suas
políticas (Pelissari, 2021, p. 1).
Pelissari (2023), em seu texto, analisa como a reforma do Ensino
Médio, parte de um conjunto de contrarreformas iniciadas em 2016,
impacta diretamente a EPT. Nesse sentido, analisa um conjunto de
normativas jurídico-políticas para sustentar que essas medidas
foram alterando e recon�gurando as �nalidades da EPT e suas
bases, até então orientadas, com muito esforço, por uma perspectiva
de formação humana integral, de orientação politécnica. 
O ataque à EPT é um ataque à formação dos trabalhadores e carece
de um acompanhamento atento e sistemático no esforço de
combater os retrocessos às conquistas já alcançadas no campo da
formação da classe trabalhadora.
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para a EPT Núcleo Comum - Trabalho-Educação: Fundamentos teóricos e didáticos I
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https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2008/lei/l11741.htm
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2008/lei/l11892.htm
http://dx.doi.org/10.1590/0102-469837056
https://ead.ifgoiano.edu.br/docenciaept/modulo1/trabalho-educacao-1/pagina17.html
https://ead.ifgoiano.edu.br/docenciaept/modulo1/trabalho-educacao-1/pagina19.html
https://ead.ifgoiano.edu.br/docenciaept/modulo1/trabalho-educacao-1/acessibilidade.html
https://ead.ifgoiano.edu.br/docenciaept/modulo1/trabalho-educacao-1/index.html
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A formação humana integral:
para onde vai a formação do
trabalhador?
No enfrentamento dessas perspectivas de subordinação da educação
pro�ssional e tecnológica aos ditames do mercado, propõe-se uma
formação humana integral na direção de uma escola unitária com
a perspectiva de formação politécnica e omnilateral, com vistas à
emancipação do trabalhador. O aprofundamento dos conceitos de
politecnia, escola unitária e formação humana integral você verá na
unidade temática Trabalho e Educação II.
Gaudêncio Frigotto, por meio de análise densa e crítica no texto
“Educação e Trabalho: bases para debater a Educação Pro�ssional
Emancipadora” (2001, p. 72) acerca das novas formas utilizadas pelo
sistema do capital, em sua crise sistêmica para reorganizar-se e
rede�nir o mundo do trabalho, alerta para a geração de uma “dupla
dimensão – de perigo, risco, violência, mas também de possibilidade
alternativa”. 
Pautado nessa contradição, Frigotto (2001) chama a atenção para a
necessidade de termos a capacidade coletiva de distinguirmos o
projeto de Educação Pro�ssional e Tecnológica orientado pelos
organismos internacionais e governos conservadores (porta-vozes do
mercado), do projeto que se busca construir em diferentes espaços
de nossa sociedade, numa perspectiva de emancipação da classe
trabalhadora.
Nessa perspectiva, Frigotto (2001, p. 82-83) consideracinco aspectos
centrais que caracterizam um projeto de Educação Pro�ssional e
Tecnológica centrado numa perspectiva emancipadora:
Título: 5 aspectos centrais que caracterizam um projeto de Educação Pro�ssional e
Tecnológica 
Fonte: Frigotto (2001, p. 82-83); Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (2021);
Agência Senado (2019); Dan4th (s.d.). 
Elaboração: Prosa (2024).
Ramos (2003) é enfática em apontar a pedagogia histórico-crítica
como contraposição necessária às tendências pedagógicas
contemporâneas baseadas no pragmatismo, resgatando o trabalho
como o concreto princípio educativo. Caminha-se, nessa perspectiva,
na direção de uma formação humana integral que potencialize todas
as dimensões humanas e colabore para a emancipação do
trabalhador.
Chegamos ao �nal da unidade temática! 
 
Ao longo desse percurso, discutimos sobre a concepção de trabalho,
adentramos ao mundo do trabalho e encerramos dialogando sobre as
concepções e projetos em disputa no âmbito da EPT e da formação de
trabalhadores e trabalhadoras. 
 
A partir de agora, é muito importante reconhecer-se nessa caminhada
e identi�car qual lugar ocupamos, o que podemos fazer para avançar
e quais horizontes nos movem. Re�ita sobre essas questões e anote
suas re�exões em seu Memorial. Mas, antes de �nalizarmos,
gostaríamos que você assistisse ao vídeo �nal. 
 
 
Título: Encerramento com professora Alcidema 
Fonte: Prosa (2024).
Assim, �nalizamos essa etapa com as palavras do grande artista Raul
Seixas: “sonho que se sonha só, é só um sonho que se sonha só. Mas
sonho que se sonha junto é realidade”. 
 Então, para avançar, precisamos sonhar e agir em mutirão! 
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Encerramento com professora AlcidemaEncerramento com professora Alcidema
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https://periodicos.ufsc.br/index.php/perspectiva/article/view/8463
https://ead.ifgoiano.edu.br/docenciaept/modulo1/trabalho-educacao-1/pagina18.html
https://ead.ifgoiano.edu.br/docenciaept/modulo1/trabalho-educacao-1/pagina20.html
https://www.youtube.com/watch?v=m3CKwAkqVwY&embeds_referring_euri=https%3A%2F%2Fead.ifgoiano.edu.br%2F
https://www.youtube.com/watch?v=m3CKwAkqVwY
https://ead.ifgoiano.edu.br/docenciaept/modulo1/trabalho-educacao-1/acessibilidade.html
https://ead.ifgoiano.edu.br/docenciaept/modulo1/trabalho-educacao-1/index.html
Referências
bibliográ�cas
Agência Senado. Constituição Federal. 2019. 1 fotogra�a. Disponível em:
https://�ickr.com/photos/49143546@N06/47476946962. Acesso em: 13 jul. 2024.
ARAUJO, Ronaldo Marcos de Lima; RODRIGUES, Doriedson do Socorro. Referências
sobre práticas formativas em educação pro�ssional: o velho travestido de novo
frente ao efetivamente novo. Boletim Técnico do Senac, v. 36, n. 2, p. 51-63, 2010.
Disponível em: https://www.bts.senac.br/bts/article/view/218. Acesso em: 21 jan.
2024.
BRASIL. Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e bases
da educação nacional. Brasília: Presidência da República, Casa Civil, Subche�a
para Assuntos Jurídicos. 
CATTANI, Antonio David. Taylorismo. In: CATTANI, Antonio David (Org.). Trabalho e
Tecnologia: dicionário crítico. Petrópolis: Vozes, 1997.
CBAI - COMISSÃO BRASILEIRO-AMERICANA DE EDUCAÇÃO INDUSTRIAL. Curso de
Encadernação: guia do professor.Biblioteca do Ensino Industrial, série D. Brasília:
MES; MEC; CBAI, 1950.
Dan4th. Justice sends mixed messages. s.d. 1 fotogra�a. Disponível em:
https://openverse.org/image/acf8ef28-cf14-428f-a72e-e16b599e1064?q=justice.
Acesso em: 13 jul. 2024.
FRIGOTTO, Gaudêncio. Educação e trabalho: bases para debater a educação
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KUENZER, Acácia Zeneida. Educação pro�ssional: categorias para uma nova
pedagogia do trabalho. Boletim Técnico do Senac, v. 25, n. 2, p. 18-29, maio-ago.
1999. Disponível em: https://bts.senac.br/bts/article/view/596. Acesso em: 18 jan.
2024.
MOURA, Dante Henrique. Educação Básica e EPT: dualidade histórica e
perspectivas de integração. Holos, [s.l.], v. 2, p. 4-30, 2008. Disponível em:
https://www2.ifrn.edu.br/ojs/index.php/HOLOS/article/view/11.  Acesso em: 16 jan.
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Ministério da Educação. Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia
(IFs). 2024a. 1 fotogra�a. Disponível em:
https://www.�ickr.com/photos/mineducacao/53472418956/in/album-
72177720312317891/. Acesso em: 13 jul. 2024.
Ministério da Educação. Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia
(IFs). 2024b. 1 fotogra�a. Disponível em:
https://www.�ickr.com/photos/mineducacao/53397796833/in/album-
72177720312317891. Acesso em: 17 jul. 2024.
Ministério da Educação. Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia
(IFs). 2024c. 1 fotogra�a. Disponível em:
https://www.�ickr.com/photos/mineducacao/53471504427/in/album-
72177720312317891. Acesso em: 17 jul. 2024.
Ministério da Educação. Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia
(IFs). 2024d. 1 fotogra�a. Disponível em:
https://www.�ickr.com/photos/mineducacao/53472413981/in/album-
72177720312317891. Acesso em:17 jul. 2024.
Ministério da Educação. Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia
(IFs). 2024e. 1 fotogra�a. Disponível em:
https://www.�ickr.com/photos/mineducacao/53297908723/in/album-
72177720312317891. Acesso em: 17 jul. 2024.
Ministério da Educação. Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia
(IFs). 2024f. 1 fotogra�a. Disponível em:
https://www.�ickr.com/photos/mineducacao/53472415566/in/album-
72177720312317891. Acesso em: 17 jul. 2024.
Ministério da Educação. Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia
(IFs). 2024g. 1 fotogra�a. Disponível em:
https://www.�ickr.com/photos/mineducacao/53472414586/in/album-
72177720312317891. Acesso em: 17 jul. 2024.
Ministério da Educação. Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia
(IFs). 2024h. 1 fotogra�a. Disponível em:
https://www.�ickr.com/photos/mineducacao/53472414756/in/album-
72177720312317891. Acesso em: 17 jul. 2024.
OLIVEIRA, Ramon de. A Teoria do Capital Humano e a Educação Pro�ssional
Brasileira. Boletim Técnico do Senac, v. 27, n. 1, p. 26-37, 2001. Disponível em:
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As dimensões do trabalho na
EPT brasileira
Se o trabalho é fundamento constitutivo do ser humano, real, social,
criativo e histórico – o ser da prática –, porque ele também o
desumaniza? Essa problemática também é levantada por Machado
(2023, p. 7) quando discute sobre o trabalho como referência para a
formação humana e a democracia. A autora apresenta a seguinte
questão:
[...] se o trabalho pode ser alienante e embrutecedor, como ser
formador, humanizador e de conquista democrática?
Saviani (2007) nos fala que o trabalho e a educação são
especi�cidades humanas e são indissociáveis, pois, à medida que o
ser humano trabalha e cria, ele se educa e educa. Ele aprende o fazer
e tem capacidade de transmitir esse saber.
Com o modo de produção capitalista, centrado no consumo e na
troca de mercadorias com a intenção de gerar valor, veri�ca-se a
separação entre trabalho e educação, bem como entre o trabalho
intelectual e o trabalho manual, constituindo, assim, dois tipos de
escola: 
[...] a proposta dualista de escolas pro�ssionais para os
trabalhadores e “escolas de ciências e humanidades” para os
futuros dirigentes; e a proposta de escola única diferenciada,
que efetuava internamente a distribuição dos educandos
segundo as funções sociais para as quais se os destinavam em
consonância com as características que geralmente decorriam de
sua origem social.
(Saviani, 2007, p. 159, grifos nossos).
A EPT no Brasil nasce marcada por essa dualidade: uma escola
destinada às classes abastadas e outra destinada aos
trabalhadores para o desenvolvimento do trabalho manual e
funcionamento da estrutura de (re)produção do capital, bem como a
manutenção de privilégios de classe.
Mészáros (2008), em seu livro Educação Para Além do Capital, faz a
seguinte re�exão: “Diga-me onde está o trabalho em uma determina
sociedade, e eu te direi onde está a educação”. Ou seja, a organização
do trabalho e como ele se con�gura em uma determinada
sociedade implica diretamente o modelo de educação e os
processos educativos daquela sociedade.
Título: A in�uência do trabalho na educação e da educação no trabalho 
Fonte: Prosa (2024a).
Para re�etir: contrastando o trabalho e a educação
Observemos em nossa sociedade, comunidade e no território
em que vivemos: onde está o trabalho? Quais são esses tipos
de trabalho? Quem vende a força de trabalho e quem controla
o trabalho? Como é a organização do trabalho? É um trabalho
hierarquizado e regulamentado? Que tipo de gente esse
trabalho produz? Esse trabalho humaniza ou desumaniza? 
A partir daí podemos olhar para a escola, para a educação.
Título: Onde está a educação 
Fonte: Ministério da Educação (2024). 
Elaboração: Prosa (2024).
Podemos fazer esse exercício de observação e de anotação e
dialogar com os colegas, construindo um panorama do
trabalho e da educação. Não se esqueça de registrar sua
re�exão no seu Memorial ou de seguir as orientações do tutor
do curso.
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A EPT no Brasil constituiu-se assentada em uma sociedade com uma
mentalidade escravocrata e fragmentada em classes sociais. O
pensamento escravocrata tem menosprezo pelo trabalho manual e
prático, o qual é destinado, segundo ele, à classe trabalhadora. Esse
entendimento sustenta um discurso e uma política de que, para
desenvolver determinada atividade prática ou determinado ofício, não
é necessário um arcabouço cientí�co e humanístico, hierarquizando,
assim, saberes e fazeres, colocando uns como mais importantes do
que outros.
Essa sociedade que separa o trabalho manual do trabalho intelectual,
do fazer e do pensar, e estabelece trabalhos próprios da classe
trabalhadora e outros próprios para os que controlam a força de
trabalho e os meios de produção, assim o faz para a manutenção de
seus privilégios e lucros.
O Brasil Colônia foi marcado pelas relações de trabalho escravistas.
Nesse cenário, e ao longo de quatro séculos de colonização, o
trabalho era uma atividade que indicava desquali�cação, estava nas
mãos de quem era percebido em condição sub-humana.
Essa visão se perpetua na sociedade brasileira a partir da
manutenção das desigualdades sociais profundas, de um racismo
estrutural, das manifestações recorrentes de violência de gênero etc.
A educação pro�ssional passa a ter atenção, sem a perspectiva
assistencialista que marca a sua origem, com o processo de
consolidação republicana. 
Nessa esteira, as orientações que subsidiaram historicamente as
políticas educacionais brasileiras resultaram/resultam das alterações
das formas de organizar a produção capitalista ao longo do tempo.
Isso evidencia que as várias mudanças conjunturais apresentaram e
apresentam tensões e con�itos. 
Frigotto (2001) alerta que é preciso ter a capacidade coletiva de
distinguir o projeto de educação pro�ssional que subordina suas
�nalidades aos interesses do mercado do projeto que se apresenta
numa perspectiva de emancipação da classe trabalhadora.
O papel central da educação pro�ssional passa a ser um projeto
educativo em meados do século passado. Esse projeto é para
desenvolver conhecimentos que serão apropriados socialmente
para a transformação das condições de vida, de ampliação das
potencialidades e sentidos humanos na perspectiva do trabalho como
princípio educativo. Essa mudança do papel da educação pro�ssional
ocorreu a partir dos movimentos sociais, em especial de operários.
Com isso, queremos problematizar as condições históricas do
trabalho con�guradas pelo modo de produção e as relações sociais
que se estabelecem por meio das condições de exploração do
trabalho humano, bem como compreender a indissociabilidade entre
trabalho e educação, considerando as implicações de uma educação
como uma totalidade social que comporta mediações históricas,
políticas, econômicas e culturais, em que os processos educativos se
tornam efetivos.
Por sua vez, a especi�cidade da educação pro�ssional agrega a
dimensão intelectual ao trabalho produtivo, com vistas à formação
humanizadora de trabalhadores. Os conhecimentos humanísticos e
cientí�co-tecnológicos sustentam a adoção de uma posição crítica às
contradições do mundo social e se tornam instrumentos de
transformação, como também propiciam trabalhadores capazes de
atuar como dirigentes e cidadãos.  
A proposta aqui apresentada é re�etir sobre a EPT na sua
historicidade, desde as legislações que a con�guram e que têm na sua
origem o assistencialismo; a seguir, a formação estritamente prática e
em uma perspectiva de uma educação “inferior” que reitera
a dualidade estrutural entre educação propedêutica    
direcionada ao trabalho intelectual (dirigentes)e a educação
pro�ssional direcionada ao trabalho manual (trabalhadores),
estabelecida desde a sua origem. 
Durante o período ditatorial no Brasil (1964-1985), a rede federal se
consolidou qualitativamente como um espaço estratégico de
discussão progressista, aberta à re�exão materialista e dialética,
voltada à educação tecnológica, na busca de uma formação humana
integral e emancipatória. 
No entanto, ao retorno da democracia e sob a gestão neoliberal dos
governos de Fernando Henrique Cardoso (1994-1997, 1998-2002), o
que se assistiu foi o retrocesso. A educação pro�ssional �cou
reduzida a cursos rápidos, instrumentais, voltados a mercados de
trabalho que demandavam uma formação técnica destinada
exclusivamente às atividades laborais de menor quali�cação. 
Por �m, nos governos conduzidos pela frente capitaneada pelo
Partido dos Trabalhadores (2003-2016), o campo da educação
pro�ssional foi novamente mobilizado para discutir a retomada de
um projeto de formação integral que superasse a dicotomia entre
ensino geral propedêutico e o ensino técnico pro�ssionalizante. Era a
oportunidade da retomada do ensino médio integrado à educação
pro�ssional e todos os princípios que orbitam na sua concepção:
Título: Princípios da EPT 
Fonte: Ministério da Educação (2024).
Elaboração: Prosa (2024).
Então, chegamos ao equilíbrio entre o trabalho manual e o
trabalho intelectual? Na sua instituição de ensino, você
reconhece no currículo, nas práticas pedagógicas e de gestão a
separação entre esses saberes e fazeres?
Após o golpe que levou ao impeachment da Presidenta Dilma em 2016,
a EPT teve o seu processo de consolidação estagnado e confrontado
pela promulgação da Lei nº 13.415/2017, que alterou a Lei de Diretrizes
e Bases da Educação Nacional (LDB) e introduziu uma mudança na
estrutura do ensino médio. Essa mudança se apoia na Base Nacional
Comum Curricular (BNCC), que estabelece um ensino com diferenças
signi�cativas que tornariam ainda mais aprofundada a dualidade do
ensino. Um novo projeto que ameniza aspectos frágeis da educação
básica está atualmente em trâmite, após educadores e estudantes
�rmarem ações de resistência.
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A formação dos trabalhadores
em disputa na EPT
A EPT é campo de disputa entre os que defendem uma formação cujo
trabalho seja fundamento orientador das práticas educativas e os
que defendem o trabalho como empregabilidade.
Martins (2021, p. 10) distingue trabalho de emprego e é enfático ao
a�rmar que essa distinção é basilar para a educação,
[...] porquanto assumido como princípio
educativo o trabalho, o processo
educacional terá um per�l, ou outro, caso
se adote o emprego.
A escola é o lócus privilegiado da educação; colocar o trabalho como
princípio educativo tendo como referência a formação humana
omnilateral signi�ca apontar caminhos de emancipação humana.
Então, se o trabalho e a educação são especi�cidades humanas, como
a�rma Saviani (2007), é preciso ensinar esse trabalho e torná-lo
educativo para que nos humanizemos cada vez mais.
A isso, nós chamamos de trabalho como princípio educativo ou
trabalho como princípio pedagógico. Uma forma de uni�car aquilo
que é indissociável: o trabalho e a educação, a teoria e a prática e o
trabalho intelectual e o trabalho manual, como defendeu Gramsci.
O trabalho como princípio educativo orienta um tipo de formação e
um tipo de sujeito emancipado, criativo e livre. O trabalho como
princípio educativo busca superar a separação entre fazer e pensar.
Entre saber intelectual e saber manual. Porque o trabalho como
princípio educativo é a unidade dialética   desses saberes e fazeres.
Ele também é orientado por uma formação humana na perspectiva
omnilateral, ou seja, por uma
[...] concepção de educação ou de formação humana que busca
levar em conta todas as dimensões que constituem a
especi�cidade do ser humano e as condições objetivas e
subjetivas reais para seu pleno desenvolvimento histórico.
(Frigotto, 2012 p. 265).
Logo, uma educação omnilateral se preocupa com a formação
integral do ser humano, em todas as suas dimensões,
potencializando-as.
Colocar o trabalho como princípio educativo no centro do processo
educacional signi�ca recuperar o papel do trabalho e da educação na
constituição de uma outra sociedade, uma sociedade sem classes, na
qual o trabalho não será instrumento de controle e de dominação,
mas de emancipação humana. 
Assim, a EPT é um campo de contradições e disputas na formação do
trabalhador. É preciso reconhecer essas contradições e identi�car as
possibilidades de insubordinação ao processo de sociabilidade
capitalista conformada pela educação. 
Para re�etir: o trabalho como orientador das
práticas educativas
Chegamos à última re�exão deste capítulo: de que maneira
podemos colocar o trabalho como orientador das práticas
educativas, dos currículos e das gestões no atual modelo
capitalista? Como isso vem se constituindo na EPT?
Não se esqueça de registrar sua re�exão no seu Memorial ou
de seguir as orientações do tutor do curso.
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CAPÍTULO 2
Trabalho, EPT e lutas sociais:
trabalho de quem e para quê?
No tópico I do primeiro capítulo, discutimos o conceito ontológico e
histórico do trabalho e apontamos a indissociabilidade entre trabalho
e educação, fazer e pensar, teoria e prática. Vimos que o trabalho
como princípio educativo é elemento fundamental no processo de
formação humana, concepção que está em disputa na EPT.
Neste segundo capítulo, continuaremos este caminho em construção
e analisaremos de forma contextualizada como o trabalho se
concretiza na EPT considerando os seus sujeitos, a diversidade, as
lutas, as reivindicações e os direitos, abordando as implicações
relativas ao gênero, à geração, às necessidades especí�cas, às etnias,
às comunidades tradicionais e aos migrantes. Para isso, é preciso
compreender o mundo do trabalho na atualidade.
O mundo do trabalho
O mundo do trabalho se transformou e uma nova forma de
acumulação do capital, com um modelo de produção �exível, instalou-
se. Com isso, a formação do trabalhador passou a ser orientada por
novas pedagogias e novas intencionalidades, visando conformá-lo às
relações de produção, capitalistas na sua essência e conteúdo, mas
diferentes em aspectos de forma.
Como apontou o sociólogo Octávio Ianni no texto "O mundo do
trabalho", o modelo de acumulação �exível se apoia na �exibilização
de padrões de consumo, dos mercados de trabalho e, principalmente,
dos processos de trabalho (1994). Segundo ele, algumas das principais
características do mundo do trabalho orientado pela acumulação
�exível do capital são:
Título: Características do mundo do trabalho orientado pela acumulação �exível do
capital 
Fonte: Prosa (2024b).
Ainda, de forma sintética, Otávio Ianni explica como se caracteriza o
mundo do trabalho e a classe trabalhadora hoje, na seguinte
formulação:
Ainda que incipiente, esse mundo do trabalho e o consequente
movimento operário apresentam características mundiais: são
desiguais, dispersos pelo mundo, atravessando nações e
nacionalidades, implicando diversidades e desigualdades sociais,
econômicas, políticas, religiosas, culturais, linguísticas, raciais e
outras. Inclusive, apresentam as peculiaridades de cada lugar,
país ou região, de acordo com as características históricas,
geográ�cas e outras. Entretanto, há relações, processos e
estruturas de alcance global que constituem o mundo do
trabalho e estabelecem as condições do movimento operário.
(Ianni, 1994, p. 3, grifos nossos).
No atual modelo de acumulação do capital, os processos formativos
de trabalhadores se estabelecem por meio de práticas pedagógicas e
de gestão orientadas pelo mercado, organizadas com base nas
pedagogias do capital. Essas práticas pedagógicas, próprias da
pedagogia do capital, são aquelas organizadas a partir das noções de
“saber, saber fazer e saber ser”, que orientam a aprendizagens
signi�cativas por si mesmas, sem contextualização com a realidade
objetiva. Tem-se, por �nalidade, fazer com que o trabalhador adquira
competências, habilidades e valores considerados úteis ao seu ajuste
a um mundo do trabalho movido pelas instabilidades, incertezas e
inseguranças. 
Dica de �lme
Para você compreender melhor o mundo do trabalho hoje,
assista ao �lme de Ken Loach, Você não estava aqui, disponível
em plataformas de streaming, ou o �lme do mesmo diretor Eu,
Daniel Blake, também disponível em plataformas de streaming.
 
Título: Cartazes dos �lmes “Você não estava aqui” e “Eu, Daniel Blake”
Fonte: Entertainment One (2016; 2019) 
Elaboração: Prosa (2024).
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O mundo do trabalho no Brasil
No texto “Tendências estruturais do mundo do trabalho no Brasil” de
Pochmann (2020), vê-se que o mundo do trabalho no Brasil, nos
últimos duzentos anos, percorreu três temporalidades
completamente distintas, porém complementares e articuladas entre
si. 
A primeira temporalidade, e mais duradoura, correspondeu à
sociedade agrária, que, por sua vez, demarcou a especi�cidade do
país em relação a outros, na divisão internacional do trabalho, como
produtor e fornecedor de matérias primas.
A sociedade agrária se apoiava na organização do trabalho baseada
na transição do trabalho escravo ao trabalho livre, com regulação de
contratos de trabalho aos estrangeiros. Três componentes sociais
constituíam esse mundo do trabalho: ex-escravizados (pessoas
negras africanas submetidas à escravidão no Brasil) tiveram uma
inserção postergada e precária no mercado de trabalho
brasileiro; imigrantes brancos estrangeiros, incentivados pelas
elites agrárias e sua política de branqueamento, tinham papel
importante no mercado de trabalho; e segmentos livres,
remanescentes de mestiços pobres e negros libertos e fugidos, com
ingresso restrito às ocupações.
De acordo com Pochmann (2020, p. 90),
[...] com o predomínio da sociedade agrária, as condições de
usos e remuneração da força de trabalho, imediatamente após a
abolição da escravidão, seguiram próximas do regime de quase
servidão.
Com o �m da escravidão e a transição para o trabalho livre, as elites
agrárias mantiveram relações de trabalho precárias e mal
remuneradas, análogas à escravidão, submetendo os segmentos
livres a situações degradantes de trabalho.
Título: Principais de�nidores da primeira temporalidade 
Fonte: Arquivo  Nacional (1910). 
Elaboração: Prosa (2024).
A segunda temporalidade corresponde à sociedade urbana e
industrial, caracterizada pelo rápido e intenso processo capitalista de
modernização conservadora, em vigor entre as décadas de 1930 e
1980. 
Essa etapa foi marcada pelo
[...] desenvolvimento urbano e industrial, compreendeu cerca de
cinco décadas de estruturação do mercado de trabalho
assentado na centralidade do emprego assalariado,
especialmente com carteira assinada.
(Pochmann, 2020, p. 92).
Título: Principais de�nidores da segunda temporalidade 
Fonte: Arquivo Nacional (1942). 
Elaboração: Prosa (2024).
A terceira temporalidade, atualmente em curso neste início do século
XXI, dá-se com a antecipada passagem da incompleta sociedade
urbana e industrial para a sociedade de serviços.
Essa temporalidade é marcada pela desestruturação do
funcionamento do mercado de trabalho brasileiro e a ascensão do
sistema privado de relações entre o capital e o trabalho (o que
chamamos de contratualismo individual). Com isso, cresce a
�exibilização da regulação do trabalho e novas formas de contratos
“uberizados”, pejotizados, intermitentes, �exíveis, empreendedores
etc.
Ricardo Antunes (2020, p. 39, grifos nossos) a sintetiza da seguinte
forma:
[...] nas últimas décadas, os capitais vêm impondo sua trípode
destrutiva em relação ao trabalho: a terceirização, a
informalidade e a �exibilidade se tornaram partes inseparáveis
do léxico da empresa corporativa.
Título: Principais de�nidores da terceira temporalidade 
Fonte: Arquivo Nacional (1966). 
Elaboração: Prosa (2024).
Para re�etir: o trabalho no Brasil em suas diferentes
temporalidades
Você chegou ao primeiro momento de re�exão deste capítulo.
Lembre-se de registrar suas re�exões no Memorial ou de
seguir as orientações dos seus tutores sobre essa atividade.
Nesta re�exão, sugerimos a leitura do texto completo de
Pochmann (2020) e, a partir dele, pedimos que você caracterize
e relacione as três temporalidades com foco na seguinte
questão: quem é o trabalhador e como as relações de trabalho
se con�guram em cada uma delas? Além disso, observe a
ilustração abaixo e re�ita como as relações de trabalho têm se
alterado nos últimos anos.
Título: A “uberização” do trabalho
Fonte: Prosa (2024c).
É importante destacar que, apesar das transformações no mundo do
trabalho, resquícios das velhas relações permanecem travestidas em
novas roupagens, que, por sua vez, intensi�cam a exploração do
trabalho e dos trabalhadores e aumentam os lucros daqueles que
detêm os meios de produção. 
Nessa realidade, o trabalho, mesmo trazendo a alienação e o
sofrimento à classe trabalhadora, carrega em si contradições e o seu
potencial ontológico. Ou seja, traz a capacidade de despertar nos
homens e nas mulheres a resistência às mais diversas formas de
opressão-exploração e enseja a luta pelo trabalho que gere prazer e
dignidade, rumo à emancipação humana.
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O trabalho e a formação do
trabalhador na EPT
A multidão de trabalhadores inseridos de forma precária no mundo
do trabalho cada vez mais dinâmico, �exível, técnico-informacional e
movido de incertezas busca na formação e na quali�cação
pro�ssional um caminho viável para sua sobrevivência e dignidade.
A EPT é um espaço privilegiado de formação desses jovens e adultos
trabalhadores e trabalhadoras. No Brasil, os dados do Censo Escolar
de 2023 mostram que a oferta da EPT no país aumentou 12,1% entre
2022 e 2023. No que diz respeito à dependência administrativa e à
localização das instituições que oferecem educação pro�ssional, a
maior parte das matrículas ocorre na rede privada (44,4%). As redes
estadual e federal vêm a seguir, com 38,2% e 13,7%, respectivamente.
Dentre todas as modalidades de ensino, a educação pro�ssional tem
o maior número de matrículas na rede federal, totalizando 331.037 em
2023. Esta mesma rede também apresenta o maior número de
matrículas em educação pro�ssional técnica (EPT) na zona rural, com
49.467 registros (Brasil, 2024).
No Brasil, a Rede Federal de Educação Pro�ssional, Cientí�ca e
Tecnológica é composta por 682 unidades atualmente, envolvendo
Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia e seus campi,
Universidade Tecnológica Federal do Paraná, Centros Federais de
Educação Tecnológica, Escolas Técnicas Vinculadas e o Colégio Pedro
II, abarcando cerca de um milhão de matrículas anuais. Constitui-se
na mais importante e fundamental rede pública de formação de
trabalhadores do país no âmbito da Educação Pro�ssional e
Tecnológica.
Título: Mapa da rede federal de EPT 
Fonte: Ministério da Educação (2024a). 
Elaboração: Prosa (2024).
Para re�etir: a importância e os impactos da rede
federal de EPT na sua vida
Você chegou ao segundo momento de re�exão desta unidade.
Para ajudá-lo nesse processo, assista ao vídeo abaixo, em que
compartilho a importância e os impactos que a rede federal de
EPT possui para a formação de trabalhadores em nossas
comunidades.
Título: De que maneira a rede federal tem impactado a formação dos
trabalhadores?
Fonte: Ministério da Educação (2024a). 
Elaboração: Prosa (2024).
Na sequência, responda às seguintes perguntas:
1. De que maneira a rede federal de EPT impacta a vida e a
formação dos trabalhadores na sua cidade e/ou
comunidade?
2. Qual a especi�cidade do trabalho e da formação de
trabalhadoresna EPT? 
Lembre-se de registrar suas re�exões no Memorial ou de
seguir as orientações dos seus tutores sobre essa atividade.
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O texto escrito por Gaudêncio Frigotto (1983), intitulado “Fazendo
pelas mãos a cabeça do trabalhador”, trata das especi�cidades da
relação trabalho-educação na formação pro�ssional, tomando como
referência a prática pedagógica do Serviço Nacional de Aprendizagem
Industrial (SENAI). No texto, Frigotto se refere ao tipo de formação
desenvolvida no âmbito desse setor privado, a pedagogia que a
orienta e o mundo do trabalho em que visa inserir o trabalhador.
Frigotto (1983, p. 38) destaca, ainda, que
[...] o trabalho assalariado de�nido pelas
relações capitalistas de produção constitui
a base da relação educação e trabalho na
educação pro�ssional.
Em grande parte, é o trabalho assalariado que direciona as escolhas
dos institutos, campi, escolas técnicas e tecnológicas acerca do tipo de
formação que será ofertada para os trabalhadores, nas mais
diferentes áreas e suas pro�ssões. Nesse sentido, é importante que
você sempre se pergunte para quais áreas e pro�ssões a sua unidade
está formando trabalhadores. Ainda, é importante indagar-se sempre
o porquê de essas escolhas terem sido feitas. 
É certo que essa orientação, direcionada pelo mercado, utiliza-se de
uma pedagogia própria, que busca ajustar e conformar o trabalhador
às relações de produção do capital. No entanto, Frigotto (1983) alerta
sobre a nossa potencialidade e capacidade de reorientar essa
formação para atender aos interesses dos trabalhadores, a partir do
trabalho como princípio educativo.
Para re�etir: fazer pelas mãos a cabeça do
trabalhador
Você chegou a outro momento de re�exão desta unidade
temática. Para esta re�exão, é necessário que você faça a
leitura do texto “Fazendo pelas mãos a cabeça do trabalhador”,
escrito por Gaudêncio Frigotto (1983). Com base nessa leitura
e nas suas experiências na EPT, re�ita sobre as questões
abaixo:
1. O que signi�ca para você fazer pelas mãos a cabeça do
trabalhador?
2.  Que trabalho estamos ensinando e para qual mundo do
trabalho?
3. Qual pedagogia tem orientado a nossa prática
pedagógica?
4. A quem estamos ensinando? Quem são esses sujeitos,
trabalhadores-estudantes da EPT?
5. Você percebe a potencialidade da educação pro�ssional
como uma ferramenta de transformação orientada pelos
interesses dos trabalhadores? 
6. Como se dá essa formação?
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Quem são os trabalhadores -
estudantes da EPT?
A�rmada a potencialidade da nossa atividade educacional a favor da
formação ampla dos trabalhadores, precisamos identi�car e
reconhecer quem são os estudantes matriculados na EPT que
buscam a formação pro�ssional.
É importante destacar, também, como bem alertam Maria Clara
Fischer e Naira Franzoi (2009), no texto sobre “Formação Humana e
Educação Pro�ssional: diálogos possíveis”, que o estudante
trabalhador – quando reconhecido pela escola como tal – é �gura
central para contribuir na superação da dicotomia entre educação
geral e educação pro�ssional, trabalho intelectual e trabalho manual,
teoria e prática. 
Isso porque eles são detentores de saberes do trabalho e de práticas
cotidianas e culturais, que, devidamente articuladas com os saberes
escolares, potencializam a produção e o enriquecimento dos
conhecimentos.
É preciso reconhecê-los como produtores de conhecimentos,
detentores de saberes e, sobretudo, sujeitos construtores da
sociedade em que vivemos. Para isso, é importante saber: quem são
eles?
O estudante trabalhador é aquele
[...] portador de uma cultura e de um patrimônio de experiências
e de saberes desenvolvidos pelo corpo-si em situação de
trabalho, na qual se fundem e, ao mesmo tempo, se separam
trabalho intelectual e manual, criação e destruição.
(Muniz, Santorum e França 2018, p. 36). 
São jovens e adultos, trabalhadores e trabalhadoras, que, em grande
parte, necessitam combinar o turno de trabalho com o horário de
estudo, muitos possuem trajetórias pro�ssionais diversi�cadas, mas
não certi�cadas e carregam em si sua condição de classe.
No que diz respeito à raça, o Censo aponta que, de 1,8 milhão de
estudantes da EPT que declararam cor, 55,6% são pretos e pardos,
42,5% são brancos e 1,9% são amarelos e indígenas. Os estudantes
negros e pardos são maioria nas modalidades educacionais de EJA de
nível básico, representando 79,4% dos matriculados, e em cursos de
Formação Inicial e Continuada (FIC) ou de Quali�cação Pro�ssional,
com 76,7%.
Observa-se a predominância de pessoas de cor preta e do gênero
feminino. Mas, para além dos dados gerais, há uma diversidade de
sujeitos: mulheres e homens, indígenas, quilombolas, imigrantes,
pessoas com de�ciência e privadas de liberdade, oriundos dos
centros urbanos, do campo, das comunidades tradicionais e outros
rincões do nosso imenso país.
É necessário o reconhecimento das especi�cidades desses estudantes
trabalhadores, para que então sejam desenvolvidas abordagens
pedagógicas e curriculares apropriadas e pertinentes, como
a�rmaram Fischer e Franzoi (2009).
Para re�etir: o per�l dos estudantes-trabalhadores
da rede federal de EPT
Título: Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia (IFs) 
Fonte: Ministério da Educação (2024b).
Neste momento de re�exão, você terá a oportunidade de
pensar sobre quem são os estudantes trabalhadores da sua
unidade escolar. São homens, mulheres, imigrantes, indígenas,
quilombolas, PcDs, pessoas privadas de liberdade ou egressas
do sistema prisional, LGBTQIAP+s     etc.? De onde vêm? Que
sonhos carregam? Nossas práticas pedagógicas presenciais,
ou em EaD, e nossa visão e modelo de Gestão abarcam as
especi�cidades e as diversidades presentes no ambiente da
EPT? 
Lembre-se de registrar suas re�exões no Memorial ou de
seguir as orientações dos seus tutores sobre essa atividade.
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Segundo os dados do Censo Escolar
2023, divulgados pelo Instituto Nacional
de Estudos e PesquisasEducacionais
Anísio Teixeira (Brasil, 2024), o per�l do
estudante da EPT é composto por
75,1% de estudantes com menos de 30
anos. Em relação a gênero, há
predominância de mulheres em todas
as faixas etárias, sendo a faixa entre 40
e 49 a mais expressiva, na qual 62,9%
dos estudantes são do sexo feminino.
Acesse os dados da
Agência Gov sobre o
per�l do estudante da
EPT.
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https://sgmdnute.sites.ufsc.br/setec-materiais/trabalho-educacao-1/pagina13.html
https://agenciagov.ebc.com.br/noticias/202402/matriculas-na-educacao-profissional-aumentaram-12-1
https://sgmdnute.sites.ufsc.br/setec-materiais/trabalho-educacao-1/acessibilidade.html
https://sgmdnute.sites.ufsc.br/setec-materiais/trabalho-educacao-1/index.html
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Prática social: lutas,
reivindicações e direitos em
busca de uma formação
humana integral
As lutas e práticas sociais, os saberes do trabalho e da cultura são
pontos de partida no processo de formação do estudante trabalhador.
A integração desses saberes e elementos culturais ao currículo
escolar se constitui no desa�o mais importante das práticas
pedagógicas, educativas e de gestão no âmbito da EPT.
Fazer a cabeça do trabalhador com as mãos, como a�rma Frigotto
(1983), é uma perspectiva pedagógica do capital. Você separa o fazer
do pensar. Aqui parafraseamos Frigotto para dizer que é preciso
fazer a cabeça do trabalhador com o corpo todo. Isto é, os
pro�ssionais da EPT precisam se colocar na construção de uma
formação humana integral que tenha o trabalho como princípio
educativo, a indissociabilidade entre fazer e pensar e entre teoria e
prática. Portanto, fazer a cabeça do trabalhador com o corpo todo é
um desa�o pedagógico e uma exigência ético-política. Mas só é
possível fazê-lo a partir da prática social do povo e com o povo.
É importante destacar que, no mundo do trabalho, o capital se utiliza
de mecanismos de precarização do trabalho e de miserabilização
do ser humano para dispersar cada vez mais os trabalhadores que,
muitas vezes, deixam de reconhecer-se como classe e lutar
coletivamente. É um mecanismo de controle e dominação.
A formação pro�ssional está no centro da disputa entre capital e
trabalho porque se refere à construção da identidade do trabalhador e
à possibilidade de potencializar a força de trabalho, na sua capacidade
de produzir e de se transformar. Por isso, a luta pelo trabalho e pela
educação, entendendo-os como direitos, compõe a pauta das muitas
organizações sindicais, movimentos sociais e outras organizações
defensoras da democracia. Muitas dessas lutas se transformaram em
políticas públicas que continuam sendo construídas e disputadas.
Como exemplo dessas lutas, temos o ensino integrado, o PROEJA e
outras políticas públicas educacionais que buscam colocar o trabalho
como princípio educativo e o ser humano no centro do processo
formativo. Além disso, com vistas à educação coletiva que permita o
reconhecimento e o fortalecimento da identidade de classe, essas
ações se contrapõem às práticas educativas fragmentadoras e
subordinadas ao mercado.
Uma educação que parta da prática social dos trabalhadores e que
busque a integração de saberes precisa estabelecer canais
permanentes de diálogo com as organizações populares e com os
movimentos sociais, fortalecendo uma troca permanente de
experiências, de práticas e de saberes produzidos socialmente.
Para re�etir: as ações na minha comunidade
Chegamos à última re�exão deste capítulo. 
 
Na sua unidade escolar e/ou na sua comunidade, vocês
desenvolvem (ou já desenvolveram) alguma ação, projeto,
programa ou política de fortalecimento da formação integral
dos trabalhadores? Que práticas pedagógicas e de gestão
potencializam as lutas pelo direito à educação e ao trabalho? A
sua unidade escolar possui aproximação e ou parceria com
alguma organização social de trabalhadores?
Registre a sua experiência em seu Memorial, destacando em
que sentido ela contribui ou contribuiu para a formação
integral desses trabalhadores.
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Referências
bibliográ�cas
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Paraná. 1910. 1 fotogra�a. Disponível em:
https://www.�ickr.com/photos/arquivonacionalbrasil/37448595706/in/photolist-
Z4cQPd. Acesso em: 05 maio 2024.
Arquivo Nacional. Funcionários trabalhando nas o�cinas ferroviárias do
Engenho de Dentro. 1942. 1 fotogra�a. Disponível em:
https://www.�ickr.com/photos/arquivonacionalbrasil/40613377432/in/album-
72157687008921716. Acesso em: 05 maio 2024.
Arquivo Nacional. Estudantes da Escola de Telegra�sta. 1966. 1 fotogra�a.
Disponível em:
https://www.�ickr.com/photos/arquivonacionalbrasil/26955326818/in/album-
72157687648321755. Acesso em: 05 maio 2024.
ANTUNES, Ricardo. O privilégio da servidão: o novo proletariado de serviços na
era digital. 2ª ed. São Paulo: Boitempo, 2020.
Entertainment One. Cartaz do �lme Eu, Daniel Blake. 2016. 1 cartaz.
Entertainment One. Cartaz do �lme Você Não Estava Aqui. 2019. 1 cartaz.
FISCHER, Maria Clara Bueno; FRANZOI, Naira Lisboa. Formação humana e
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Portugal, v. 29, n. 1, p. 35-51, 2009. Disponível em:
https://www.academia.edu/8117111/FORMA%C3%87%C3%83O_HUMANA_E_EDUC
A%C3%87%C3%83O_PROFISSIONAL_Di%C3%A1logos_poss%C3%ADveis?hb-sb-
sw=5881698. Acesso em: 21 jan. 2024.
FRIGOTTO, Gaudêncio. Fazendo pelas mãos a cabeça do trabalhador: o trabalho
como elemento pedagógico na formação pro�ssional. Cad. Pesqui.,  São Paulo,  n.
47, p. 38-45, 1983. Disponível em: http://educa.fcc.org.br/scielo.php?
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Formação de Pro�ssionais
para a EPT Núcleo Comum - Trabalho-Educação: Fundamentos teóricos e didáticos I
https://www.flickr.com/photos/arquivonacionalbrasil/37448595706/in/photolist-Z4cQPd
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https://www.youtube.com/watch?v=RQB7_3xMNXg
https://www.scielosp.org/article/csc/2020.v25n1/89-99/
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https://ead.ifgoiano.edu.br/docenciaept/modulo1/trabalho-educacao-1/acessibilidade.html
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CAPÍTULO 3
Formação Humana
Integral versus Pragmatismo: a
EPT em movimento e em disputa
[...] Os novos projetos pedagógicos não nascem das ideias dos
intelectuais; ao contrário, eles são determinados pelas mudanças
ocorridas no mundo do trabalho, que apresentam diferentes
demandas a cada etapa de desenvolvimento das forças
produtivas, em função das características que assume a divisão
social e técnica do trabalho.
(Kuenzer, 1999, p. 18).
Com esta re�exão feita por Acácia Kuenzer, iniciamos este terceiro e
último capítulo da Unidade Temática Trabalho e Educação I, cuja
proposta é discutir as concepções de formação humana em disputa
no interior da EPT e sua materialidade nos currículos e na respectiva
legislação brasileira. Dessa forma, podemos avançar em nossa
caminhada enquanto pro�ssionais da EPT.
Acácia Kuenzer em seu texto “Educação pro�ssional: categorias para
uma nova pedagogia do trabalho” (1999) traz re�exões muito
importantes sobre como as mudanças no mundo do trabalho
afetaram e afetam diretamente a relação entre seres humanos e
trabalho e, consequentemente, a relação no meio de trabalho e no
meio da educação e do trabalho, constituindo-se a base dessa nova
pedagogia.
Kuenzer apresenta, ainda, algumas características que o atual modelo
de acumulação �exível do capital exige do trabalhador.
Diferentemente de aprendizagens de base rígidas e repetitivas de
processos de trabalho para a execução de determinadas tarefas ao
longo de sua vida produtiva, próprias do modelo de produção
taylorista-fordista, o paradigma vigente exige do trabalhador
aprendizagens �exíveis, que signi�cam demonstrar “capacidade de
adaptação a novas situações” (1999, p. 19). 
Destacamos, aqui, de acordo com Kuenzer (1999, p. 19), algumas
características e exigências do paradigma vigente colocadas ao
trabalhador, o qual deve desenvolver capacidades cognitivas
superiores e de relacionamento, tais como: 
Título: As exigências do trabalhador
Fonte: Prosa (2024d).
Essas exigências impostas ao trabalhador – ajustável à atual fase de
acumulação �exível do capital – aliadas às situações de desemprego
estrutural, precarização do trabalho, exclusão e aprofundamento das
desigualdades sociais, in�uenciam e modelam o tipo de formação
pro�ssional que se espera desse “novo” trabalhador que, para
acrescentar, tem sua condição de cidadania negada.
A cidadania negada se relacionada ao fato de que o trabalhador
produz riqueza com o seu trabalho, mas não usufrui dela, sendo-lhe
subtraído o direito ao trabalho digno, à assistência à saúde com
qualidade, à moradia, à educação e ao lazer.
Como dissemos no capítulo 2, quando tratamos do mundo do
trabalho, a formação pro�ssional está, inelutavelmente, no centro da
disputa entre capital e trabalho por dispor a construção da identidade
do trabalhador e, também, as formas de potencializar sua força de
trabalho, sua capacidade de produzir e transformar.
Daí que a formação humana do trabalhador no âmbito da EPT se
desenvolve em constante movimento contraditório e em permanente
disputa, essa que é revelada por duas abordagens
educacionais/pedagógicas e dois tipos de projetos societários
antagônicos, como destacam Araujo e Rodrigues (2011, p. 7):
Título: Abordagens educacionais e projetos societários antagônicos
Fonte: Araújo e Rodrigues (2011).  
Elaboração: Prosa (2024).
Para compreender melhor como essas pedagogias e perspectivas de
formação humana se revelam e se materializam no interior da EPT,
apresentaremos os embates no âmbito da política pública
educacional e do currículo e seus interlocutores principais.
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Formação de Pro�ssionais
para a EPT Núcleo Comum - Trabalho-Educação: Fundamentos teóricos e didáticos I
http://www.acessoainformacao.gov.br/
http://www.brasil.gov.br/
https://www.bts.senac.br/bts/article/view/596
https://www.bts.senac.br/bts/article/view/218
https://ead.ifgoiano.edu.br/docenciaept/modulo1/trabalho-educacao-1/pagina14.html
https://ead.ifgoiano.edu.br/docenciaept/modulo1/trabalho-educacao-1/pagina16.html
https://ead.ifgoiano.edu.br/docenciaept/modulo1/trabalho-educacao-1/acessibilidade.html
https://ead.ifgoiano.edu.br/docenciaept/modulo1/trabalho-educacao-1/index.html
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A Política de Educação
Pro�ssional e Tecnológica:
confrontos ideológicos,
políticos e pedagógicos
Para reconstituir a trajetória da EPT no Brasil e os confrontos
ideológicos, políticos e pedagógicos que a permeiam, convidamos
para dialogar conosco neste texto um conjunto de pesquisadores e
pesquisadoras de todos os cantos do Brasil. Ao longo desse processo,
eles têm contribuído para analisar, problematizar, compreender essas
trajetórias, propor e defender uma educação pro�ssional assentada
no trabalho como princípio educativo, numa perspectiva da
formação humana integral, em contraposição a uma pedagogia do
capital.
Para re�etir: memória e resistência
Neste momento, iniciaremos mais uma re�exão. Convidamos
você a trazer à cena a memória da EPT como um ato de
resistência. Quememórias vocês têm da história da Educação
Pro�ssional e Tecnológica no Brasil? 
Depois de questionar-se, pense em recortes da história, da
memória e das suas experiências na EPT. Posteriormente,
construa, em seu Memorial, as suas conexões causais, as
suas mediações econômicas, políticas, culturais, pedagógicas
e ideológicas sobre este tema. 
Para ajudar nesse exercício e para retomar algumas questões
essenciais da história da EPT e seus confrontos ideológicos,
políticos e pedagógicos no âmbito da política pública e do
currículo, sugerimos que assista ao documentário A origem de
uma nova institucionalidade em EPT: narrativas e memórias
sobre os Institutos Federais. 
Com base no documentário, podemos estabelecer um diálogo
orientado pelas questões a seguir:
Qual o lugar da EPT na sociedade brasileira?
Quais as concepções de formação humana em disputa,
expostas nas falas dos entrevistados?
Quem são os sujeitos destas disputas? Como os
tensionamentos em torno das concepções de formação
humana em disputa foram se materializando na política
pública e no currículo? 
Como você vê a sua unidade educacional nessas
memórias da EPT? De que maneira esses tensionamentos
ideológicos, políticos e pedagógicos se revelaram e se
revelam nas práticas pedagógicas e de gestão da sua
unidade ou campus?
Você conhece ou reconhece os entrevistados desse
documentário? Qual a importância deles para a história da
EPT no Brasil? 
Lembre-se de registrar suas re�exões no Memorial e/ou seguir
as orientações dos seus tutores sobre essa atividade.
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Formação de Pro�ssionais
para a EPT Núcleo Comum - Trabalho-Educação: Fundamentos teóricos e didáticos I
http://www.acessoainformacao.gov.br/
http://www.brasil.gov.br/
https://educapes.capes.gov.br/handle/capes/433129
https://ead.ifgoiano.edu.br/docenciaept/modulo1/trabalho-educacao-1/pagina15-2.html
https://ead.ifgoiano.edu.br/docenciaept/modulo1/trabalho-educacao-1/pagina17.html
https://ead.ifgoiano.edu.br/docenciaept/modulo1/trabalho-educacao-1/acessibilidade.html
https://ead.ifgoiano.edu.br/docenciaept/modulo1/trabalho-educacao-1/index.html
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Após assistir ao documentário e debater essas questões,
trazemos alguns elementos da história da EPT no Brasil e seus
tensionamentos em torno de suas �nalidades, sua concepção de
formação humana e seus projetos de sociedade, para contribuir com
o estabelecimento das conexões necessárias de modo a buscar
compreendê-la em sua totalidade.
Iniciamos por retomar alguns aspectos históricos que marcaram a
chamada velha institucionalidade da educação pro�ssional.
Araujo e Rodrigues (2011), ao situar historicamente a educação
pro�ssional no Brasil, dão conta de que sua institucionalização
acontece entre 1930-1940 com a �nalidade de orientar a formação do
trabalhador para o mercado de trabalho, tendo também um caráter
assistencial direcionado para “o atendimento das pessoas pobres e
desvalidas da sorte”.
Essa institucionalização ocorre articulada ao processo de
industrialização brasileira, “marcado também pelo nascimento do
SENAI e das leis orgânicas do ensino em 1942” para atender a uma
nova demanda de formação de trabalhadores (Araujo; Rodrigues,
2011, p. 12).
De acordo com esses mesmos autores, esse modelo de Educação
Pro�ssional (EP) foi caracterizado pelo nascimento e consolidação do
Sistema S - Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) e
Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (SENAC) e,
posteriormente, do Sistema Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR),
Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte (SENAT), Serviço
Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE) e Serviço
Nacional de Aprendizagem do  Cooperativismo (SESCOOP).
Nesse modelo de EP, prioriza-se a reprodução de conhecimentos e o
disciplinamento do trabalhador, cabendo ao estudante a assimilação
e a reprodução dos conhecimentos transmitidos. As práticas
pedagógicas desse período foram predominantemente marcadas
pelas “séries metódicas”, que envolviam: a) a individualidade do
estudante; b) o estudo do assunto; c) a comprovação do
conhecimento e d) a aplicação ou transferência do conhecimento.
Nesse sentido, o trabalhador não aprende o todo, mas a parte, de
acordo com a sua capacidade. Esse modelo de ensino visava o
disciplinamento subjetivo às condições de trabalho encontradas na
empresa (Araujo; Rodrigues, 2011).
Esse ideário pedagógico do capital objetivava, como bem sintetizou
Gaudêncio Frigotto (1983), “fazer pelas mãos, a cabeça do
trabalhador”, como re�etimos no capítulo 2.
Araujo e Rodrigues (2011, p. 15) destacam algumas expressões que
re�etiam essa “velha institucionalidade”, a saber:
Título: A Velha Institucionalidade
Fonte: Araújo e Rodrigues (2011). 
Elaboração: Prosa (2024).
Assim, destacam Araujo e Rodrigues (2011, p. 14),
a institucionalização da educação pro�ssional no Brasil foi
pautada numa pedagogia tecnicista, de base pragmática, e
organizada sob forte hierarquização das funções técnicas (e
docentes) em conformidade com o modelo de acumulação
taylorista-fordista. 
A EP funcionava completamente apartada da educação geral, era
obrigatória no ensino de 2º grau e acabou aprofundando o modelo
dual de educação no Brasil, tendo, de um lado, uma escola para
formar trabalhadores e, de outro, uma destinada a formar elites. A
escola pública ofertava os cursos pro�ssionalizantes, e as escolas
privadas seguiam seu percurso de oferta de formação propedêutica
(dando conta dos conteúdos das ciências, das artes etc.). Ou seja:
pro�ssionalização para a classe trabalhadora e ensino propedêutico
para as elites (Moura, 2008).
A tentativa de renovação da EP no Brasil, sob a égide do capital, tem
na Pedagogia das Competências e na Teoria do Capital Humano as
bases para a sua proposta “inovadora”, a partir das décadas de 1980 e
1990. Com a advento do governo Fernando Henrique Cardoso (1995 a
2002), houve uma tentativa de sua “renovação”, visando atender às
transformações no mundo do trabalho, orientada pelo modelo de
acumulação �exível do capital.
Ramon de Oliveira (2001, p. 2) explica que a Teoria do Capital Humano,
revisitada pela política educacional da década de 1990 no Brasil, busca
fazer crer que quanto maior for o investimento do indivíduo em sua
escolarização, maior será a sua possibilidade e capacidade
competitiva no mercado de trabalho. Explica o autor:
Título: A Teoria do Capital Humano e a Política Educacional brasileira da década de
1990 
Fonte: Oliveira (2001).  
Elaboração: Prosa (2024).
Oliveira (2001) alerta que os propagadores dessa teoria "esquecem"
que o próprio acesso à produção cultural é re�exo das desigualdades
geradas por este modelo de produção. Consequentemente, não
poderia a educação corrigir aquilo que se edi�ca na própria estrutura
econômica existente. 
É importante destacar que, para essa teoria, a busca por melhoria de
quali�cação é individual e, portanto, o sucesso ou o fracasso depende
do esforço e do mérito de cada um, consolidando, assim, no campo
educacional, um discurso de meritocracia que mascara as
desigualdades em que está assentada a sociedade.
Para Frigotto (2001), a partir da década de 1990, há um
rejuvenescimento da Teoria do Capital Humano como uma resposta à
crise do capitalismo e às novas exigências de quali�cação de
trabalhadores ajustadas aos interesses do mercado.
O Plano Nacional de Educação Pro�ssional (PLANFOR) é um exemplo
de política pública que marcou esse período, orientada por uma lógica
neoliberal, cuja principal referência era o mercado. As disputas em
torno da EP se dão também no âmbito da formulação e aprovação
da Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) de 20 de dezembro de
1996. Nessa, setores empresariais e aqueles  que defendiam a
educação pública se confrontaram em