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APG 1
Objetivos:
- Morfofisiologia da coluna vertebral
- Estudar a fisiopatologia, etiologia, epidemiologia, manifestações clínicas, diagnóstico e tratamento da cervicalgia
- Relacionar o uso de tecnologias com a cervicalgia
- Uso de exames de imagem nos diagnósticos diferenciais de cervicalgia
- Escala de dor
Conduta Clínica no Tratamento da Cervicalgia
O tratamento da cervicalgia pode ser conservador ou cirúrgico, dependendo da gravidade da condição e da resposta do paciente aos tratamentos iniciais. A conduta deve ser sempre personalizada, levando em conta o tipo e a intensidade da dor, as comorbidades do paciente e o tempo de evolução da dor.
1. Conduta Conservadora
A maioria dos casos de cervicalgia pode ser tratada de forma conservadora, com abordagens não invasivas. A conduta inicial geralmente inclui:
· Repouso relativo: Evitar movimentos que possam piorar a dor, mas não ficar em repouso absoluto por muito tempo, já que a inatividade prolongada pode causar rigidez muscular e piorar a dor.
· Fisioterapia: Exercícios de fortalecimento e alongamento, técnicas de manipulação, terapia postural, e modalidades de alívio da dor, como o uso de calor ou frio.
· Medicamentos: A base do tratamento para dor aguda e crônica é farmacológica, com uso de medicamentos analgésicos, anti-inflamatórios e relaxantes musculares.
· Mudanças posturais e ergonomia: Adequar o ambiente de trabalho e os hábitos posturais do paciente, especialmente no contexto do uso de tecnologias.
2. Tratamento Farmacológico
O tratamento farmacológico visa aliviar a dor, reduzir a inflamação e melhorar a função do paciente. Aqui estão os medicamentos comuns e como eles atuam:
Medicamentos para o Tratamento da Cervicalgia
1. Anti-inflamatórios não esteroides (AINEs)
· Exemplos: Ibuprofeno, Diclofenaco, Naproxeno, Cetoprofeno, Meloxicam, entre outros.
· Como agem: Os AINEs atuam inibindo as enzimas ciclooxigenase (COX-1 e COX-2), responsáveis pela produção de prostaglandinas. As prostaglandinas são mediadoras da inflamação, dor e febre, e sua redução leva à diminuição da dor e da inflamação.
· Efeitos: São eficazes no alívio da dor e da inflamação. No entanto, devem ser usados com cautela, pois podem causar efeitos adversos gastrointestinais (úlcera, sangramentos) e renais, principalmente quando usados por longos períodos.
2. Analgésicos Simples
· Exemplos: Paracetamol (acetaminofeno).
· Como agem: O paracetamol tem uma ação analgésica central, atuando no sistema nervoso central para aumentar o limiar da dor, embora sua exata mecânica de ação não seja completamente entendida. Ao contrário dos AINEs, o paracetamol tem uma ação anti-inflamatória mínima.
· Efeitos: Usado para alívio da dor leve a moderada. O paracetamol é geralmente bem tolerado e apresenta menos efeitos colaterais comparado aos AINEs, mas pode ser tóxico para o fígado em doses elevadas.
3. Relaxantes Musculares
· Exemplos: Ciclobenzaprina, Carisoprodol, Baclofeno.
· Como agem: Esses medicamentos agem no sistema nervoso central, inibindo a atividade dos neurônios motores e promovendo a relaxação muscular. Eles são úteis quando a cervicalgia é acompanhada de espasmos musculares dolorosos.
· Efeitos: Embora eficazes para relaxamento muscular, podem causar sedação, sonolência, tontura e fraqueza muscular, por isso são frequentemente usados em doses baixas e por períodos curtos.
4. Corticosteroides (se necessário)
· Exemplos: Prednisona, Dexametasona, Metilprednisolona.
· Como agem: Os corticosteroides têm um potente efeito anti-inflamatório, agindo diretamente sobre a resposta inflamatória ao suprimir a produção de citocinas e mediadores inflamatórios. São usados em casos de inflamação grave ou radiculopatia associada à compressão de nervos.
· Efeitos: O uso de corticosteroides pode ser eficaz para reduzir inflamações e melhorar a dor a curto prazo, mas seu uso prolongado pode levar a efeitos adversos, como aumento da pressão arterial, osteoporose e aumento do risco de infecções.
5. Opióides (em casos refratários)
· Exemplos: Tramadol, Codeína, Oxicodona.
· Como agem: Os opióides atuam nos receptores de dor no sistema nervoso central, bloqueando a percepção da dor. Eles são eficazes para o alívio da dor severa, mas devem ser usados com extrema cautela devido ao risco de dependência e efeitos colaterais graves (como constipação, náusea, sedação excessiva).
· Efeitos: Usados apenas quando outros medicamentos não são eficazes, e por um curto período.
6. Antidepressivos tricíclicos (para dor crônica)
· Exemplos: Amitriptilina, Nortriptilina.
· Como agem: Embora sejam tradicionalmente usados para tratar depressão, os antidepressivos tricíclicos são eficazes na dor neuropática (como a que pode ocorrer em radiculopatias). Eles aumentam os níveis de neurotransmissores (como serotonina e noradrenalina) no sistema nervoso central, o que ajuda a aliviar a dor crônica.
· Efeitos: Têm efeitos sedativos e podem ser úteis no tratamento de dor crônica. No entanto, podem ter efeitos colaterais, como boca seca, sonolência, constipação e ganho de peso.
7. Analgésicos adjuvantes (para dor neuropática)
· Exemplos: Gabapentina, Pregabalina.
· Como agem: Gabapentina e pregabalina são anticonvulsivantes que também têm propriedades analgésicas. Elas atuam sobre os canais de cálcio no sistema nervoso, ajudando a reduzir a liberação de neurotransmissores que transmitem sinais de dor. São indicadas em casos de dor neuropática (como a associada a compressões nervosas).
· Efeitos: São úteis para alívio da dor associada à compressão dos nervos, com menos efeitos colaterais em comparação aos opióides, mas podem causar sonolência e tontura.
8. Infiltrações (para casos graves)
· Exemplos: Infiltrações de corticosteroides ou anestésicos locais.
· Como agem: As infiltrações são aplicadas diretamente nas articulações da coluna ou nas raízes nervosas para reduzir a inflamação local e proporcionar alívio imediato da dor.
· Efeitos: Podem proporcionar alívio significativo e temporário, sendo usadas principalmente em casos de dor intensa, onde o tratamento conservador não trouxe resultados.
Outras Condutas Não Farmacológicas
Além da medicação, outras abordagens não farmacológicas são fundamentais:
· Fisioterapia: Técnicas como manipulação, terapia postural, alongamentos e exercícios de fortalecimento podem melhorar a mobilidade e reduzir a dor.
· Uso de calor ou frio: Aplicação de compressas quentes ou frias pode ajudar a reduzir a inflamação e aliviar a dor.
· Terapias alternativas: Acupuntura, quiropraxia e outras abordagens podem ser úteis como tratamentos complementares.
Tratamento Cirúrgico
Em casos em que o tratamento conservador falha, ou quando há sinais de comprometimento neurológico (como fraqueza muscular, perda de reflexos ou controle motor), a cirurgia pode ser necessária. Procedimentos cirúrgicos incluem a descompressão cervical (remoção de discos ou partes da vértebra) ou a artrodese cervical (fusão de vértebras).
Conclusão
O manejo da cervicalgia é multifacetado e depende do tipo, da intensidade da dor e das causas subjacentes. A combinação de medicamentos, fisioterapia, mudanças no estilo de vida e, em casos mais graves, intervenção cirúrgica, formam a base de um tratamento eficaz. O uso de medicamentos deve ser cuidadosamente monitorado para evitar efeitos colaterais, e as estratégias de manejo devem ser ajustadas conforme a resposta do paciente ao tratamento.
1. Morfofisiologia da Coluna Vertebral
A coluna vertebral é uma estrutura essencial do sistema esquelético humano, composta por vértebras empilhadas que protegem a medula espinhal e permitem a mobilidade do corpo. A coluna é composta por 33 vértebras, divididas em cinco regiões, que desempenham funções de suporte e mobilidade.
· Região cervical: Composta por 7 vértebras (C1 a C7), a região cervical suporta a cabeça e permite movimento significativo, como flexão, extensão e rotação.
· Região torácica: Composta por 12 vértebras (T1 a T12), é fixada à caixa torácica e tem uma mobilidade limitada, sendo responsável por dar estabilidade à coluna.· Região lombar: Composta por 5 vértebras (L1 a L5), é a parte da coluna com maior amplitude de movimento, principalmente na flexão e extensão, e suportando grande parte do peso corporal.
· Região sacral: Composta por 5 vértebras fundidas (S1 a S5), esta região é crucial para a fixação da pelve e sustentação do peso superior.
· Região coccígea: Composta por 4 vértebras fundidas, é uma estrutura vestigial que serve como ponto de ancoragem para alguns músculos.
Entre as vértebras, os discos intervertebrais (compostos por um núcleo pulposo gelatinoso e um anel fibroso resistente) funcionam como amortecedores. A coluna também possui curvaturas fisiológicas (cervical, torácica e lombar), que ajudam a distribuir as cargas de maneira eficiente.
2. Cervicalgia – Fisiopatologia, Etiologia, Epidemiologia, Manifestações Clínicas, Diagnóstico e Tratamento
Fisiopatologia
A cervicalgia é caracterizada por dor na região do pescoço e pode envolver diversas estruturas da coluna cervical: músculos, ligamentos, articulações intervertebrais e discos intervertebrais. A dor pode ser provocada por:
· Lesões musculares: Como tensões, distensões e espasmos musculares.
· Alterações nas articulações: Como artrite, espondilose ou espondiloartrose.
· Hérnia de disco cervical: Pode comprimir as raízes nervosas, causando radiculopatia (dor irradiada).
· Compressão da medula espinhal: Como na estenose espinhal.
· Doenças inflamatórias: Como a espondilite anquilosante, que causa rigidez e dor devido à inflamação crônica.
Etiologia
A cervicalgia pode ser causada por uma ampla gama de fatores:
· Traumas: Acidentes de trânsito (como o famoso “golpe de chicote”), quedas, esportes de contato.
· Posturas inadequadas: Uso excessivo de dispositivos móveis e computadores, levando a posturas de flexão e rotação do pescoço.
· Doenças degenerativas: Como a osteoartrite e espondilose cervical, que causam desgaste das articulações e discos.
· Hérnia de disco cervical: Deslocamento do núcleo pulposo do disco intervertebral, pressionando as raízes nervosas.
· Espasmos musculares: Devido a sobrecarga ou tensão repetitiva.
· Doenças inflamatórias: Como a espondilite anquilosante e artrite reumatoide.
· Infecções: Embora menos comuns, infecções como a meningite podem se manifestar com dor cervical.
Epidemiologia
A cervicalgia afeta uma grande parte da população, com prevalência de 30% a 50% das pessoas experienciando algum episódio de dor cervical ao longo da vida. A condição é mais comum em adultos entre 30 e 50 anos, e fatores de risco incluem sedentarismo, obesidade, uso excessivo de tecnologia, e trabalho repetitivo.
Manifestações Clínicas
A dor cervical pode ser de caráter agudo ou crônico:
· Dor localizada no pescoço: Pode irradiar para os ombros, braços ou cabeça.
· Radiculopatia: Dor irradiada que pode se estender para os membros superiores, com sintomas de formigamento, dormência e fraqueza muscular.
· Rigidez cervical: Dificuldade de movimento devido à dor e espasmos musculares.
· Parestesia: Sensações anormais de formigamento ou dormência.
· Dor no pescoço associada a cefaleia (dor de cabeça), especialmente em casos de disfunção das articulações cervicais.
Diagnóstico
O diagnóstico da cervicalgia é clínico, baseado no histórico do paciente e exame físico, mas pode ser complementado por exames de imagem para excluir condições mais graves:
· Radiografia (Raio-X): Pode detectar alterações ósseas, como espondilose, fraturas ou desalinhamentos.
· Ressonância Magnética (RM): Ideal para visualizar tecidos moles (discos intervertebrais, nervos), útil na avaliação de hérnias de disco e compressões nervosas.
· Tomografia Computadorizada (TC): Avalia com mais precisão lesões ósseas complexas.
· Eletromiografia (EMG): Pode ser usada para avaliar a função nervosa e determinar a presença de compressões radiculares.
Tratamento
O tratamento pode ser dividido em conservador e intervencionista:
· Tratamento Conservador:
· Medicamentos:
· Anti-inflamatórios (como ibuprofeno) para controle da dor e inflamação.
· Analgésicos simples (paracetamol) para dor leve.
· Relaxantes musculares (ciclobenzaprina, baclofeno) para espasmos musculares.
· Fisioterapia: Técnicas de fortalecimento muscular, alongamento, manipulação cervical e educação postural.
· Mudança de hábitos: Uso de tecnologias de maneira ergonômica, evitando posturas inadequadas por longos períodos.
· Tratamento Intervencionista:
· Infiltrações de corticosteroides: Para reduzir a inflamação em áreas de compressão nervosa.
· Bloqueios nervosos: Injeção de anestésicos locais para alívio rápido da dor.
· Tratamento Cirúrgico: Em casos mais graves, como hérnias de disco volumosas ou estenose espinhal, pode ser indicada a descompressão ou fusão vertebral.
3. Uso de Tecnologias e Cervicalgia
O uso excessivo de tecnologias como smartphones, tablets e computadores tem se mostrado um fator importante na epidemia de cervicalgia. A postura inadequada ao utilizar esses dispositivos pode gerar sobrecarga na região cervical, aumentando o risco de lesões. O termo “Text Neck” descreve a dor no pescoço associada ao uso excessivo de dispositivos móveis, especialmente devido à postura de flexão da cabeça por longos períodos.
O sedentarismo, frequentemente associado ao uso prolongado dessas tecnologias, também pode contribuir para a debilidade muscular, comprometendo ainda mais a estabilidade da coluna e predispondo ao desenvolvimento de problemas cervicais.
4. Exames de Imagem no Diagnóstico Diferencial
Os exames de imagem são fundamentais para diagnóstico diferencial da cervicalgia. Eles ajudam a distinguir entre diferentes causas de dor, como problemas musculares, nervosos ou ósseos.
· Radiografia: Avalia o alinhamento da coluna e possíveis fraturas ou deformidades ósseas.
· Ressonância Magnética (RM): Excelente para visualização de discos intervertebrais, lesões de tecidos moles e compressão de nervos.
· Tomografia Computadorizada (TC): Usada para avaliar fraturas ósseas ou deformidades estruturais mais complexas.
· Eletromiografia (EMG): Pode identificar compressões nervosas ou problemas musculares.
5. Escalas de Dor
As escalas de dor são ferramentas utilizadas para quantificar a dor e monitorar a evolução do tratamento:
· Escala Visual Analógica (EVA): Paciente classifica sua dor em uma linha contínua de 0 (sem dor) a 10 (dor insuportável).
· Escala Numérica: O paciente avalia a dor em uma escala de 0 a 10, sendo uma das mais comuns em ambientes clínicos.
· Escala de Faces: Útil em pacientes com dificuldades de comunicação, representando a intensidade da dor por meio de imagens de rostos expressando dor crescente.
· Escala de McGill: Permite que o paciente descreva qualitativamente diferentes aspectos da dor (ex: tipo, intensidade, frequência).
Essas escalas auxiliam na avaliação da dor e no monitoramento da resposta ao tratamento, sendo essenciais para o planejamento terapêutico.

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