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A Escola Eleata: Imutabilidade e Essência na Filosofia Pré-Socrática Uma jornada pela filosofia da imutabilidade e a busca pelas essências imutáveis além das aparências materiais. por Rodrigo FaresinRF Origens Geográficas 1 Fundação Surgiu na cidade grega de Eleia, colónia no sul da atual Itália. 2 Período Desenvolveu-se durante o século V a.C. 3 Contexto Emergiu num período de intenso debate filosófico sobre a natureza da realidade. Principais Filósofos Parmênides de Eleia (530-460 a.C.) Fundador da escola eleática. Em seu poema "Sobre a Natureza", dividido em "Caminho da Verdade" e "Caminho da Opinião", desenvolveu a teoria do Ser imutável, eterno e uno. Afirmava que "o ser é, o não- ser não é" e que a realidade verdadeira está além das aparências sensoriais. Zenão de Eleia (490- 430 a.C.) Principal discípulo de Parmênides. Criou famosos paradoxos lógicos, como o de Aquiles e a tartaruga, para defender a impossibilidade do movimento e a unidade do Ser. Utilizava o método da redução ao absurdo para refutar os críticos das ideias de seu mestre. Melisso de Samos (século V a.C.) Almirante e filósofo que expandiu as ideias eleatas para além de Eleia. Modificou alguns aspectos da doutrina de Parmênides, argumentando que o Ser é espacialmente infinito, além de eterno. Escreveu "Sobre a Natureza ou Sobre o Ser", onde sistematizou a filosofia eleática. O Poema de Parmênides Caminho da Verdade (Aletheia) Nesta seção, Parmênides argumenta que "o ser é, o não-ser não é" (�ÃÄ» ³³�à µ?À³», ¿·´µ�À ´'¿_¼ �ÃÄ»À), estabelecendo o princípio fundamental da metafísica ocidental. Defende que o Ser possui características específicas: é ingênito (nunca nasceu), imperecível (não pode morrer), completo, imóvel, contínuo e indivisível. A deusa que narra o poema revela que a razão (logos) é o único instrumento capaz de apreender a verdadeira natureza da realidade, rejeitando completamente o devir e a multiplicidade. Caminho da Opinião (Doxa) Apresenta uma cosmologia dualista baseada em princípios opostos: luz/fogo (princípio ativo, associado ao ser) e noite/escuridão (princípio passivo, associado ao não-ser). Descreve como os mortais nomeiam erroneamente fenômenos como nascimento, morte, movimento e mudança, que são impossíveis na verdadeira realidade. Embora Parmênides considere esta visão ilusória, ele a apresenta como uma concessão à experiência humana comum, explicando como os sentidos nos levam a acreditar em um mundo de multiplicidade e transformação. Conceito do Ser Unidade O Ser é uno e indivisível. Não pode ser fragmentado em partes. Imutabilidade O Ser não pode mudar. O movimento é apenas aparente. Eternidade O Ser é eterno. Não tem início nem fim. Plenitude O Ser é completo em si mesmo. Não há vazio nem não-ser. Os Paradoxos de Zenão Zenão de Eleia (c. 490-430 a.C.) criou paradoxos engenhosos para defender a tese parmenidiana da imutabilidade do Ser, demonstrando logicamente a impossibilidade do movimento. 1 Aquiles e a Tartaruga Mesmo sendo mais veloz, Aquiles nunca alcançaria uma tartaruga com vantagem inicial, pois ao chegar onde a tartaruga estava, ela já teria avançado. Esta regressão infinita demonstra a impossibilidade lógica do movimento no espaço contínuo, reforçando a unidade imutável do Ser eleático. A Flecha Imóvel Uma flecha em voo ocupa exatamente um espaço definido a cada instante indivisível do tempo. Se está sempre em um único lugar a cada momento, então nunca se move. Este paradoxo confronta nossa percepção sensorial com a razão lógica, alinhando-se ao "Caminho da Verdade" (Aletheia) de Parmênides. 3 O Paradoxo do Estádio Três fileiras idênticas de corpos, uma imóvel e duas movendo-se em direções opostas, produzem medições contraditórias do mesmo espaço e tempo. Esta contradição lógica revela que o movimento percebido pelos sentidos pertence ao ilusório "Caminho da Opinião" (Doxa), e não à realidade imutável do Ser. Estes paradoxos, embora aparentemente simples, constituem argumentos sofisticados que sustentam a ontologia eleática: a realidade fundamental é una, imutável e eterna, enquanto o movimento e a multiplicidade são apenas ilusões dos sentidos. Oposição a Heráclito Heráclito "Tudo flui". Defendia que a realidade é mudança constante e fluxo perpétuo. Escola Eleata "O Ser é". Argumentava que a mudança é ilusória e a realidade é imutável. Conflito Filosófico Este debate definiu um problema central na ontologia filosófica grega. Legado A tensão entre permanência e mudança permanece na filosofia ocidental. Influência no Pensamento Posterior A concepção eleata de uma realidade imutável e una transcendeu seu tempo, moldando fundamentos filosóficos por milênios: Física Moderna Os paradoxos de Zenão anteciparam questões quânticas sobre a divisibilidade infinita da matéria e a natureza do espaço-tempo, influenciando debates sobre partículas elementares e continuidade. Metafísica Medieval O Ser imutável de Parmênides inspirou Tomás de Aquino e escolásticos na distinção entre essência e existência, fundamentando argumentos sobre a natureza eterna e imutável de Deus. Platão e Aristóteles A teoria das Formas platônicas deriva diretamente do Ser eleático - realidades eternas e imutáveis além dos sentidos - enquanto Aristóteles desenvolveu sua concepção de Substância em resposta aos desafios lógicos de Parmênides. Esta tensão entre a permanência eleática e o fluxo heraclitiano estabeleceu um dos debates fundamentais que continua reverberando na epistemologia e ontologia contemporâneas. Legado da Escola Eleata Método Lógico Introduziu o raciocínio dedutivo rigoroso na filosofia ocidental. Debate Ontológico Estabeleceu questões fundamentais sobre a natureza da realidade. Crítica Sensorial Questionou a confiabilidade dos sentidos para conhecer a verdade. Contribuição Atual Continua a inspirar debates sobre permanência, mudança e a natureza do tempo. 07:47 YouTube Os paradoxos de Zenão Certamente você já ouviu falar sobre a corrida entre Aquiles e a tartaruga. Nesse vídeo apresento Zenão de Eléia, o autor desse e de outros paradoxos que contestam a nossa& https://www.youtube.com/watch?v=_781L8bFPjA A ESCOLA ELEATA: representada por PARMÊNIDES e ZENÃO, afirmava que a verdadeira realidade é imutável, eterna e una. Parmênides negava a mudança e o movimento, dizendo que tudo que é real não pode deixar de ser. Zenão defendia essa ideia com paradoxos, como o de Aquiles e a tartaruga.