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BIBLIOLOGIA
Doutrina da
Palavra de Deus
Professor
Pr. Leandro Silva
INTRODUÇÃO
“A PALAVRA DE DEUS” COMO 
PESSOA: JESUS CRISTO
Às vezes a Bíblia refere-se ao Filho de Deus como
“a Palavra de Deus”. Em Apocalipse 19.13, João vê
o Senhor Jesus ressurreto no céu e diz: “Está
vestido com um manto tingido de sangue, e o seu
nome é a Palavra de Deus” (NVI). De modo
semelhante, no começo do Evangelho de João
lemos: “No princípio era a Palavra, e a Palavra
estava com Deus, e a Palavra era Deus” (Jo 1.1,
NVI). É claro que João está falando aqui do Filho de
Deus, porque no versículo 14 diz: “A Palavra tornou-
se carne e viveu entre nós”.
“A PALAVRA DE DEUS” COMO 
COMUNICAÇÃO VERBAL DE 
DEUS
1. Os decretos de Deus.
Às vezes as palavras de Deus tomam a forma de
decretos poderosos que causam eventos ou até
mesmo trazem coisas à existência. “Disse Deus: Haja
luz; e houve luz” (Gn 1.3). Deus criou ainda o mundo
animal proferindo sua poderosa palavra: “Produza a
terra seres viventes, conforme a sua espécie: animais
domésticos, répteis e animais selváticos, segundo a
sua espécie. E assim se fez” (Gn 1.24). Por isso, o
salmista pode dizer: “Os céus por sua palavra se
fizeram, e, pelo sopro de sua boca, o exército deles” (Sl
33.6).
“A PALAVRA DE DEUS” 
COMO COMUNICAÇÃO 
VERBAL DE DEUS
2. Palavras de Deus de aplicação pessoal.
Deus às vezes se comunica com pessoas sobre a terra
falando diretamente a elas. Esses casos são exemplos
de Palavra de Deus de aplicação pessoal e encontram-
se através das Escrituras. Bem no início da criação,
Deus diz a Adão: “E o SENHOR Deus lhe deu essa
ordem: De toda árvore do jardim comerás livremente,
mas da árvore do conhecimento do bem e do mal não
comerás; porque, no dia em que dela comeres,
certamente morrerás” (Gn 2.16-17).
“A PALAVRA DE DEUS” COMO 
COMUNICAÇÃO VERBAL DE 
DEUS
3. Palavras de Deus comunicadas por lábios humanos.
Com freqüência nas Escrituras Deus levanta profetas
para falar por meio deles. De novo, é evidente que
embora sejam palavras humanas, faladas em
linguagem humana comum por seres humanos
comuns, sua autoridade e veracidade não sofrem
nenhuma redução; ainda são inteiramente palavras de
Deus.
“A PALAVRA DE DEUS” COMO 
COMUNICAÇÃO VERBAL DE 
DEUS
4. Palavras de Deus em forma escrita (a Bíblia). 
Além das palavras de Deus em forma de decreto, das 
palavras de Deus de aplicação pessoal e das palavras 
de Deus comunicadas por lábios humanos, também 
encontramos nas Escrituras várias situações em que as 
palavras de Deus são colocadas em forma escrita. 
PARTE 1:
A FORMAÇÃO DO CÂNON 
DAS ESCRITURAS
Estes textos foram copiados e recopiados de
geração para geração em diversos idiomas, tais
como: Hebraico, Aramaico e grego; ate chegar a nós.
Escribas, Sacerdotes, Reis, Profetas 
e Poetas, homens das mais diversas 
culturas escreveram, num período 
aproximado de 1.500 anos. 
Foram mais de 40 pessoas a 
escreverem as paginas da Bíblia e 
notadamente vê-se a mão de Deus 
na sua unidade. 
Para facilitar sua leitura e localização de
"citações a divisão da Bíblia em capítulos foi
feita em 1250, pelo cardeal Hugo de Saint
Cher, abade dominicano e estudioso das
escrituras. Apenas mais tarde foi dividido em
versículos. Em 1445 o A.T. foi dividido em
versículos pelo Rabino Nathan. O N.T. foi em
1551 por Robert Stevens, um impressor de
Paris.
Divisão da Bíblia
A Bíblia é composta de 66 livros, 1.189 
capítulos, 31.173 versículos, mais de 773.000 
palavras e aproximadamente 3.600.000 letras. 
Encontra-se traduzida em mais de 1000 línguas 
e dialetos, o equivalente a 50% das línguas 
faladas no mundo. 
Divisão da Bíblia
O vocábulo ― Bíblia vem do grego, língua 
original do Novo testamento. Deriva do 
vocábulo grego ― “Biblos”. Um rolo de 
papiro de tamanho pequeno era chamado 
“Biblion”, e vários destes eram uma ―Ta
Bíblia. Portanto, literalmente, a palavra 
Bíblia quer dizer ―coleção de livros 
pequenos
O vocábulo “Bíblia” 
Há para o termo Cânon um duplo significado, o 
primeiro e fundamental quer dizer:
metro, norma, regra. A palavra cânon tem raiz na 
palavra "cana", "junco" (do hebraico geneh, 
através do grego kanon). O "junco" era usado 
como uma vara para medir e, por fim, veio a 
significar "padrão". 
O que é Cânon? 
No começo do século IV, ao uso geral foi 
acrescentado outro complementar, precisamente o 
de elenco normativo dos livros inspirados. Desde 
então, os escritos sob a inspiração do Espírito 
Santo são chamados de livros canônicos, porque 
são reconhecidos como tais pela Igreja e proposto 
aos crentes como norma de fé e de vida.
O que é Cânon? 
O CÂNON DO ANTIGO 
TESTAMENTO
O CÂNON DO ANTIGO 
TESTAMENTO
Fatores determinantes da necessidade do Cânon do 
Antigo Testamento 
A destruição de Jerusalém e do templo, em 70 A.D., 
acabou com o sistema sacrificial judaico. Muito embora 
o cânon do Antigo Testamento estivesse fixado na 
mente judaica bem antes de 70 A.D., era necessário 
algo mais definitivo. Os judeus encontravam-se 
espalhados e precisavam definir que livros tinham a 
Palavra oficial de Deus devido a existência de muitos 
textos extra-escrituristicos e a descentralização
Com 39 livros, foi originalmente escrito em 
hebraico, com algumas pequenas partes em 
aramaico. O aramaico foi a língua que Israel 
trouxe do cativeiro babilônico. Era também 
conhecida como siríaco e caldaico e tinha 
praticamente a mesma estrutura do hebraico. 
Há também na Bíblia, algumas palavras 
persas. 
O CÂNON DO ANTIGO 
TESTAMENTO
O CÂNON DO ANTIGO 
TESTAMENTO
A classificação dos livros do A.T. como 
conhecemos, por assunto, não levando em 
conta a ordem cronológica dos livros, vem da 
Septuaginta. Calcula-se, por exemplo, que 
Jó seja o mais antigo dos livros da Bíblia. Na 
Bíblia em hebraico (chamada Tanach) a 
divisão dos livros e bem diferente: Leis, 
escritos e profetas. 
Divisão dos livros do Antigo 
Testamento na Tanach: 
Lei (Em hebraico Torah), que compreende os cinco primeiros 
livros da Bíblia: Genesis, Êxodo, Levítico, Números, 
Deuteronômio. 
Profetas (Em hebraico Nebiim), agrupados em: Profetas 
anteriores: Josué, Juízes, 1 e II Samuel, I e II Reis; Profetas 
posteriores: Isaias, Jeremias, Ezequiel, Oseías, Joel, Amos, 
Obadias, Jonas, Miquéias, Naum, Habacuque, Sofonias, Ageu, 
Zacarias, Malaquias 
Escritos (Em hebraico Ketubim): Jó, Salmos, Provérbios, Rute, 
Cântico dos Cânticos, Eclesiastes, Lamentações, Ester, Daniel, 
Esdras, Neemias, I e II Crônicas. O titulo referido, Lei, Profetas 
e Escritos, aparece reduzido em ocasiões como a Lei e os 
Profetas ( Mt 5.17) ou, de modo mais singelo, a Lei ( Jo 10.34). 
A Literatura Apócrifa do 
Antigo Testamento 
A palavra apócrifo vem do grego 
apokruphos e significa "oculto" ou 
"escondido". Jerônimo, que viveu no quarto 
século, foi o primeiro a chamar de apócrifo 
esse grupo de livros. Os apócrifos são os 
livros acrescentados ao Antigo Testamento 
pela Igreja Católica, os quais os 
protestantes afirmam não serem 
canônicos. 
Quais são os livros
Apócrifos do AT?
Os Livros que não foram aceitos pelos judeus 
como Sagrados:
1 e 2 Macabeus
1 e 2 Esdras
Oração de Manassés
Baruc
Eclesiástico
Judite
Tobias
Bel e o Dragão
Por que não canônicos? 
O Unger's Bible Dictionary (Dicionario Biblico de 
Unger) apresenta as seguintes razões para a 
exclusão: "Estão repletos de discrepâncias e 
anacronismo históricos e geográficos". "Ensinam 
doutrinas falsas que incentivam praticas divergentes 
das ensinadas pelas Escrituras inspiradas". "Apelam 
para estilos literários e apresentam uma artificialidade 
no trato do assunto, com um estilo que destoa das 
Escrituras inspiradas". "Faltam-lhes os elementos 
distintivos que conferem caráter divino as autenticas 
Escrituras, como, por exemplo, a autoridade profética 
e o sentimento poético e religioso”. 
O CÂNON DO NOVO 
TESTAMENTO
O CÂNON DO NOVO 
TESTAMENTOO desenvolvimento do cânon do Novo 
Testamento começa com os escritos dos 
apóstolos. 
Foi no concílio de Cartago em 397 d.C. 
Nessa ocasião foi definitivamente 
reconhecido e fixado o Canon do N.T. 
O CÂNON DO NOVO 
TESTAMENTO
Tem 27 livros. Foi escrito em grego, mas não no 
grego clássico. Foi escrito em grego Koiné, 
(pronuncia-se Koinê) o grego coloquial falado 
pelo povo. Seus 27 livros estão classificados em: 
Biográficos
Histórico
Epístolas
Profético 
Biográficos 
São os quatro evangelhos: Mateus, Marcos, 
Lucas e João. Os primeiros três também são 
conhecidos como sinópticos, devido ao seu 
paralelismo. 
Histórico 
É o livro de Atos dos apóstolos. Registra a 
historia da igreja primitiva, sua vida e a 
propagação do evangelho. 
O CÂNON DO NOVO 
TESTAMENTO
Epístolas 
São 21 as epistolas ou cartas. Contem a doutrina da igreja. 
* Nove, são dirigidas as igrejas: Romanos, I e II Coríntios, 
Gálatas. Efésios, Filipenses, Colossenses, I e II 
Tessalonicenses. 
* Quatro, são dirigidas a indivíduos: I e II Timóteo, Tito, 
Filemom. 
* Uma e dirigida aos hebreus cristãos: Hebreus. 
* Sete, são dirigidas a cristãos indistintamente: Tiago, I e II 
Pedro, I, II e III João e Judas. 
* As ultimas sete também são chamadas universais, 
católicas ou gerais. 
Profético 
E o livro de Apocalipse. 
O CÂNON DO NOVO 
TESTAMENTO
3 razões que mostraram a 
necessidade de se definir o 
cânon do Novo Testamento: 
1-) Um herege, Marcião (cerca de 140 
A.D.), desenvolveu seu próprio cânon 
e começou a divulgá-lo. A igreja 
precisava contrabalançar essa 
influência decidindo qual era o 
verdadeiro cânon das Escrituras do 
Novo Testamento. 
2-) Muitas igrejas orientais 
estavam empregando nos cultos 
livros que eram claramente 
espúrios. Isso requeria uma 
decisão concernente ao cânon. 
3 razões que mostraram a 
necessidade de se definir o 
cânon do Novo Testamento: 
3 razões que mostraram a 
necessidade de se definir o 
cânon do Novo Testamento: 
3-) O edito de Diocleciano (303 A. D.) 
determinou a destruição dos livros 
sagrados dos cristãos. Quem 
desejava morrer por um simples livro 
religioso? Eles precisavam saber 
quais eram os verdadeiros livros. 
Atanásio de Alexandria (367 A.D.) nos 
apresenta a mais antiga lista de livros do 
Novo Testamento que e exatamente igual a 
nossa atual. A lista faz parte do texto de uma 
carta comemorativa escrita as igrejas.
Logo apos Atanásio, dois escritores, 
Jerônimo e Agostinho, definiram o cânon de 
27 livros. Policarpo (115 A.D.), Clemente e 
outros referem-se aos livros do Antigo e do 
Novo Testamento com a expressão como 
“está escrito nas Escrituras”
Justino Martir (100-165 A.D.), referindo-se 
a Eucaristia, escreve em Primeira 
Apologia 1.67:
"E no domingo todos aqueles que vivem
nas cidades ou no campo se reúnem num
só local, e, durante o tempo que for
possível, leem-se as memórias dos
apóstolos ou escritos dos profetas. Então,
quando o leitor termina a leitura, o
presidente faz uma admoestação e um
convite a que todos imitem essas boas
coisas".
A Literatura Apócrifa do 
Novo Testamento 
Os apócrifos do Novo Testamento não constituem 
nenhum problema, porque são rejeitados por todas as 
igrejas cristãs. Não podíamos esperar algo diferente 
diante da fragilidade de seus escritos. Basta citar um 
exemplo do Evangelho de São Tomas: 
"Jesus atravessava uma aldeia e um menino que 
passava correndo, esbarra-lhe no ombro. Jesus irritado, 
disse: não continuarás tua carreira. Imediatamente, o 
menino caiu morto. Seus pais correram a falar a José; 
este repreende a Jesus que castiga os reclamantes com 
terrível cegueira."
Evangelho segundo os Hebreus;
Evangelho dos Egípcios, Evangelho de
Gamaliel, Evangelho de Tome, Evangelho
dos Ebionitas, Atos de Paulo, Atos de
André, Apocalipse de Pedro, Apocalipse
de Tomé, Apocalipse de Paulo e vários
outros.
A Literatura Apócrifa do 
Novo Testamento 
A TRADUÇÃO DE JOÃO 
FERREIRA DE ALMEIDA
Nascido em 1628, em Torre de Tavares, nas proximidades 
de Lisboa, João Ferreira de Almeida, quando tinha doze 
anos de idade, mudou-se para o sudeste da Ásia. Após 
viver dois anos na Batávia (atual Jacarta), na ilha de Java, 
Indonésia, Almeida partiu para Malaca, na Malásia, e lá, 
pela leitura de um folheto em espanhol acerca das 
diferenças da cristandade, converteu-se do catolicismo a 
fe evangélica. No ano seguinte começou a pregar o 
evangelho no Ceilão (hoje Sri Lanka) e em muitos pontos 
da costa de Malabar. Não tinha ele ainda dezessete anos 
de idade quando iniciou o trabalho de tradução da Bíblia 
para o português.
JOÃO FERREIRA DE ALMEIDA
Lamentavelmente perdeu o seu manuscrito e teve de 
reiniciar a tradução em 1648. Por conhecer o hebraico 
e o grego, Almeida pode utilizar-se dos manuscritos 
dessas línguas, calcando sua tradução no chamado 
Textus receptus
Em 1676, João Ferreira de Almeida concluiu a tradução do Novo 
Testamento, e naquele mesmo ano remeteu o manuscrito para ser 
impresso na Batávia; todavia, o lento trabalho de revisão a que a 
tradução foi submetida levou Almeida a retomá-la e enviá-la para ser 
impressa em Amsterdama, na Holanda. Finalmente, em 1681 surgiu o 
primeiro Novo Testamento em português 
JOÃO FERREIRA DE ALMEIDA
Logo apos a publicação do Novo Testamento, Almeida iniciou a 
tradução do Antigo, e, ao falecer, em 6 de agosto de 1691, havia 
traduzido ate Ezequiel 41.21. Em 1748, o pastor Jacobus op den
Akker, de Batávia, reiniciou o trabalho interrompido por Almeida, e 
cinco anos depois, em 1753, foi impressa a primeira Bíblia 
completa em português, em dois volumes.

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