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12. RECURSOS CONSTITUCIONAIS (AÇÕES DE IMPUGNAÇÃO)
12.1. HABEAS CORPUS
12.1.1. Conceito
	Remédio judicial que tem por finalidade evitar ou fazer cessar a violência ou a coação à liberdade de locomoção decorrente de ilegalidade ou abuso de poder.
12.1.2. Natureza jurídica
	Trata-se de ação autônoma de impugnação constitucional, voltada à tutela da liberdade ambulatória, sempre que ocorrer qualquer dos casos elencados no art. 648 do CPP.
	A expressão habeas corpus quer dizer: “que tomes o corpo e o apresentes”. A ordem concedida pelo Tribunal era do seguinte teor: “Tomai o corpo desse detido e vinde submeter ao tribunal o homem e o caso”.
12.1.4. Espécies
a) Liberatório ou repressivo: destina-se a afastar constrangimento ilegal já efetivado à liberdade de locomoção;
b) Preventivo: destina-se a afastar uma ameaça à liberdade de locomoção. Nesta hipótese, expede-se salvo-conduto.
12.1.5. Legitimidade ativa
· Pode ser impetrado por qualquer pessoa, independentemente de habilitação legal ou representação de advogado (dispensada a formalidade da procuração).
· O analfabeto pode impetrar, desde que alguém assine a seu rogo (art. 654, § 1º, c). 
· O promotor de justiça também pode, nos termos do art. 32, I, da Lei Orgânica Nacional do Ministério Público (Lei n. 8.625, de 12-2-1993).
· O habeas corpus pode ser impetrado por pessoa jurídica, em favor de pessoa física. 
· O juiz de direito não pode impetrar, em face da inércia da jurisdição. 
· O delegado de polícia pode: não como autoridade, mas como cidadão.
12.1.6. Legitimidade passiva
· Cabe contra o juiz de direito, o promotor de justiça e o delegado de polícia. 
· Quanto à pessoa jurídica, há duas posições: a que admite e a que não.
· Prevalece o entendimento de que pode ser impetrado habeas corpus contra ato de particular, pois a Constituição fala não só em coação por abuso de poder, mas também por ilegalidade. 
Por exemplo: filho que interna pais em clínicas psiquiátricas, para deles se ver livreAdmissibilidade
	É inadmissível habeas corpus se não há atentado contra a liberdade de locomoção. 
Súmula 395 do STF: Não cabe HC para eximir o paciente do pagamento de custas processuais. 
Súmula 695 do STF: Não cabe HC quando já extinta a pena privativa de liberdade.
12.1.7. Cabimento
	As hipóteses de cabimento encontram-se enumeradas no art. 648 do CPP:
Art. 648.  A coação considerar-se-á ilegal:
I - Quando não houver justa causa;
II - Quando alguém estiver preso por mais tempo do que determina a lei;
III - Quando quem ordenar a coação não tiver competência para fazê-lo;
IV - Quando houver cessado o motivo que autorizou a coação;
V - Quando não for alguém admitido a prestar fiança, nos casos em que a lei a autoriza;
VI - Quando o processo for manifestamente nulo;
VII - Quando extinta a punibilidade.
· Art. 648, I, do CPP - Quando não houver justa causa: Só há justa causa para a prisão no caso de flagrante delito ou de ordem escrita e fundamentada da autoridade judiciária competente, salvo nos casos de transgressão ou crime militar (CF, art. 5º, LXI). 
· Art. 648, II, do CPP - Quando alguém estiver preso por mais tempo do que a lei determina: O dispositivo refere-se ao excesso de prazo da prisão cautelar, bem como à manutenção do sentenciado na prisão por prazo superior ao da pena imposta.
· Art. 648, III, do CPP - Quando quem ordenar a coação não tiver competência para fazê-lo: Só pode determinar a prisão a autoridade judiciária dotada de competência material e territorial, salvo caso de prisão em flagrante. A incompetência absoluta do juízo também pode ser reconhecida em sede de habeas corpus.
· Art. 648, IV, do CPP - Quando houver cessado o motivo que autorizou a coação: Por exemplo, sentenciado que já cumpriu sua pena, mas continua preso.
· Art. 648, V, do CPP - Quando não se admitir a fiança, nos casos em que a lei a prevê: As hipóteses em que a lei prevê a fiança encontram-se no art. 322 do CPP. A CF, em seu art. 5º, LXVI, estabelece que ninguém pode ser preso quando a lei admitir a prestação de fiança.
· Art. 648, VI, do CPP - Quando o processo for manifestamente nulo: O dispositivo refere-se à nulidade manifesta, isto é, aquela sobre cuja existência não há dúvida, possibilitando a invalidação, por meio do habeas corpus, dos atos praticados em desconformidade com o modelo legal que, de algum modo, causem prejuízo ao acusado. 
· Art. 648, VII, do CPP - Quando já estiver extinta a punibilidade do agente: Provada a ocorrência de causa extintiva da punibilidade, não há razão para instauração ou prosseguimento do processo, o que enseja a possibilidade de utilização do habeas corpus para obter o trancamento de ação quando tal situação for verificada.
12.1.8. Competência
· Do juiz de direito de primeira instância: para trancar inquérito policial. Porém, se o inquérito tiver sido requisitado por autoridade judiciária, a competência será do tribunal de segundo grau competente, de acordo com a sua competência recursal. 
· Do Tribunal de Justiça: quando a autoridade coatora for representante do Ministério Público Estadual, conforme entendimento pacífico do STF. 
Por exemplo: se o promotor de justiça requisita a instauração de inquérito policial, sem lastro para tanto, o habeas corpus deve ser impetrado perante o Tribunal de Justiça. 
· Do Tribunal Regional Federal: se a autoridade coatora for juiz federal (CF, art. 108, I, d).
· Do Superior Tribunal de Justiça: quando o coator ou paciente for,
a) governador de Estado ou do Distrito Federal, 
b) membros dos tribunais de contas do Estado e do Distrito Federal, 
c) desembargadores dos tribunais de justiça do Estado e do Distrito Federal, 
d) membros dos tribunais regionais federais, dos tribunais regionais eleitorais e do trabalho,
e) membros dos conselhos ou tribunais de contas dos municípios, e membros do Ministério Público da União, que oficiem perante tribunais, quando o coator for tribunal sujeito à sua jurisdição, ou ministro de Estado e comandante das Forças Armadas, ressalvada a competência da Justiça Eleitoral (CF, art. 105, I, a e c).
· Do Supremo Tribunal Federal: quando o coator for Tribunal Superior ou o coator ou paciente for autoridade ou funcionário cujos atos estejam sujeitos diretamente à jurisdição do STF, ou se trate de crime sujeito à mesma jurisdição em uma única instância (CF, art. 102, I, i). A competência para julgar habeas corpus impetrado contra ato da Turma Recursal do Juizado Criminal é dos tribunais de justiça estaduais.
12.1.9. Processamento
a) Recebida a petição, se o réu estiver preso, o juiz poderá determinar que seja imediatamente apresentado, em dia e hora que designar;
b) o paciente preso só não será apresentado no caso de grave enfermidade ou de não estar sob a guarda do pretenso coator (CPP, art. 657, caput);
c) o juiz poderá ir ao local em que o paciente estiver, se este não puder ser apresentado por motivo de doença;
d) em seguida, o juiz poderá determinar a realização de alguma outra diligência que entender necessária e interrogará o paciente, decidindo dentro do prazo de vinte e quatro horas;
e) na prática, recebida a petição, o juiz requisita informações da autoridade coatora, dentro do prazo que fixar, e, em seguida, decide. Contudo, convém lembrar que a lei só fala em informações, quando a impetração se der perante tribunal (CPP, art. 662);
f) o Ministério Público não se manifesta no procedimento de habeas corpus, quando impetrado perante juiz de direito, somente quando a impetração for perante tribunal.
12.1.10. Julgamento e efeitos
a) concessão de habeas corpus liberatório implica seja o paciente posto em liberdade, salvo se por outro motivo deva ser mantido na prisão (art. 660, § 1º);
b) se a ordem de habeas corpus for concedida para evitar ameaça de violência ou coação ilegal, será expedido ordem de salvo-conduto em favor do paciente;
c) se a ordem for concedida para anular o processo, este será renovado a partir do momento em que se verificou a eiva (CPP, art. 652);
d) quando a ordem for concedida para trancar inquérito policial ou ação penal, esta impedirá seucurso normal;
e) a decisão favorável do habeas corpus pode ser estendida a outros interessados que se encontrem na situação idêntica à do paciente beneficiado (art. 580 do CPP, aplicável por analogia).
12.1.11. Recursos
a) Cabe recurso em sentido estrito da decisão do juiz que conceder ou negar a ordem de habeas corpus (CPP, art. 581, X);
b) Cabe recurso oficial da concessão (CPP, art. 574, I);
Cabe recurso ordinário constitucional ao STF da decisão dos Tribunais Superiores.
12.2. REVISÃO CRIMINAL
12.2.1. Conceito: A revisão criminal é instrumento processual que visa rescindir sentença penal condenatória transitada em julgado. 
12.2.2. Natureza jurídica
· A revisão criminal é uma ação autônoma de impugnação, que se destina a desconstituir sentença ou acórdão transitado em julgado naquilo que se revelar desfavorável ao acusado. 
· A revisão criminal dá ensejo a uma nova relação jurídica processual.
12.2.3. Legitimidade
	A revisão criminal só é admitida em prol do acusado.
Art. 623.  A revisão poderá ser pedida pelo próprio réu ou por procurador legalmente habilitado ou, no caso de morte do réu, pelo cônjuge (companheiro), ascendente, descendente ou irmão.
	O sentenciado pode promover direta e pessoalmente a revisão criminal, sem assistência de advogado. Entretanto, somente o próprio condenado pode fazê-lo. 
12.2.5. Tempestividade
	Uma vez transitada em julgado a decisão condenatória ou absolutória imprópria, a revisão pode ser ajuizada a qualquer tempo, mesmo depois do falecimento do sentenciado e de eventual extinção da pena (art. 622, caput, do CPP).
Súmula 393 do STF: para requerer revisão criminal o condenado não é obrigado a recolher-se à prisão.
12.2.5. Hipóteses de cabimento
	As hipóteses de cabimento da revisão criminal relacionam-se à existência de casos excepcionais em que há evidente erro judiciário.
	Não pode servir como novo recurso destinado a rediscutir matérias exaustivamente decididas antes do trânsito em julgado.
Art. 5º, XXXVI da CF: A lei não prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada.
É cabível a revisão:
Art. 621, I, do CPP: Quando a sentença condenatória for contrária ao texto expresso da lei penal ou à evidência dos autos.
	Compreende-se como sentença contrária ao texto expresso de lei aquela que condena o réu por prática de conduta atípica ou que impõe pena acima do limite máximo cominado.
Atenção: 
· É incabível a revisão, porém, com fundamento em modificação do entendimento jurisprudencial dominante que ensejou a condenação.
· Não se admite, a revisão para aplicação de lei nova mais benéfica (lex mitior), já que a questão deve ser objeto de mero requerimento e apreciação pelo juízo da execução.
	A segunda parte do dispositivo refere-se à decisão que ostenta erro evidente do juiz na apreciação da prova. 
Art. 621, II, do CPP: Quando a sentença condenatória se fundar em depoimentos, exames ou documentos comprovadamente falsos.
	Se houver prova de que elemento de convicção no qual se fundou a sentença é falso, será cabível a revisão criminal. 
Atenção: É necessário que haja nexo de causalidade entre a prova falsa e a decisão do juiz.
Art. 621, III, do CPP: Quando, após a sentença, se descobrirem novas provas de inocência do condenado ou de circunstância que determine ou autorize diminuição da pena. 
	Esse dispositivo não se refere à reapreciação de provas já existentes, mas à hipótese em que se descobre, após a sentença, haver provas ainda não anexadas aos autos.
12.2.6. Competência
· Os tribunais são competentes para o julgamento da revisão criminal do processo que transiou em julgado no juízo de primeira instância, observadas as regras de definição da competência recursal.
· Ao STF compete rever, em benefício dos condenados, as decisões criminais em processos findos, quando a condenação tiver sido por ele proferida ou mantida (CF, art. 102, I, j). 
· Ao STJ, quando dele tiver emanado a decisão condenatória (CF, art. 105, I, e).
· Se a decisão condenatória for proferida pelo TRF em única ou última instância, caber-lhe-á julgar a revisão (CF, art. 108, I, b). 
· Nos demais casos, ressalvados os casos de jurisdição especializada, competirá ao tribunal de justiça estadual.
12.2.7. Processamento
1) O interessado dirigirá requerimento ao presidente do tribunal competente;
2) O pedido será distribuído a um relator que não tenha proferido decisão em qualquer fase do processo (art. 625, caput, do CPP);
3) O relator poderá indeferir liminarmente o pedido, se o julgar insuficientemente instruído e entender inconveniente para o interesse da justiça o apensamento aos autos principais, cabendo recurso nos termos do que preceituar o regimento interno (art. 625, § 3º, do CPP);
4) Se não houver indeferimento liminar, os autos irão ao órgão de segunda instância do Ministério Público, que ofertará parecer em 10 dias (art. 625, § 5º, do CPP);
5) Em seguida, os autos retornarão ao relator, que apresentará relatório em 10 dias, e, após, ao revisor, que terá prazo idêntico para análise; pedirá, por fim, designação de data para julgamento;
6) A decisão será tomada, então, pelo órgão competente.
12.2.8. Efeitos da revisão criminal
	O art. 626, caput, do CPP dispõe que a revisão, se julgada procedente, poderá acarretar:
· a alteração da classificação da infração, 
· a absolvição do réu, 
· a redução ou modificação da pena ou, ainda, 
· a anulação do processo 
Art. 630 do CPP: O tribunal poderá, desde que haja requerimento do interessado, reconhecer o direito a uma justa indenização pelos prejuízos sofridos em decorrência de erro que vier a ser reconhecido quando do julgamento da revisão. 
	Essa indenização será liquidada no juízo cível, e incumbirá à União, se a sentença foi prolatada pela Justiça Federal, e aos Estados, se prolatada pela respectiva Justiça. 
12.2.9. A indenização, porém, não será devida 
· se o erro ou injustiça da condenação proceder de ato ou falta imputável ao próprio réu, como a confissão ou a ocultação de prova que estava em seu poder; 
· se a ação penal tiver sido privada. 
· se o juízo tiver sido induzido em erro pelo querelante, deste deverá ser pleiteada a indenização.
Atenção: Julgada improcedente a revisão, só poderá ser repetida se fundada em novos motivos (art. 622, parágrafo único, do CPP).
12.2.10. Revisão de decisão do júri
	Durante muito tempo se discutiu o cabimento da revisão criminal em relação às decisões proferidas pelo Tribunal do Júri, diante da soberania desta decisão, mas atualmente a questão corretamente se pacificou no sentido da
plena possibilidade da revisão criminal.
Art. 5º, XXXVII da CFI - é reconhecida a instituição do júri, com a organização que lhe der a lei, assegurados: (...) c) a soberania dos veredictos;
12.3. MANDADO DE SEGURANÇA
12.3.1. Conceito 
	O mandado de segurança é uma ação de natureza constitucional, de rito sumaríssimo, e fundamento constitucional. 
Art. 5º, LXIX, da Constituição Federal: “Conceder-se-á mandado de segurança para proteger direito líquido e certo, não amparado por habeas corpus ou habeas data, quando o responsável pela ilegalidade ou abuso de poder for autoridade pública ou agente de pessoa jurídica no exercício de atribuições do Poder Público”.
12.3.2. Cabimento
	A Lei do Mandado de Segurança (Lei n. 12.016/2009), por sua vez, disciplina as hipóteses de cabimento e o procedimento do remédio constitucional em estudo.
O objeto do mandado de segurança é definido por exclusão: sua impetração só é cabível quando o direito não for amparado por habeas corpus ou habeas data.
	Assim, será utilizável quando não se destinar a proteger: 
· direito tutelado por habeas corpus: de locomoção
· direito tutelados por habeas data: conhecimento de informações relativas à pessoa, constantes de registros ou bancos de entidades governamentais ou de caráter público, bem como à retificação desses dados.
12.3.3. Admissibilidade
	O mandado de segurança só pode ser concedido diante de direito líquido e certo, isto é, direito apto a ser comprovado de plano, mediante prova documental.
	A violação do direitopode decorrer de ilegalidade ou abuso de poder.
· ilegalidade: é a desconformidade de atuação ou omissão do agente público ou delegado, em relação à lei;
· abuso de poder: ocorre quando a autoridade, tendo competência para praticar o ato, realiza-o com: 1) finalidade diversa daquela prevista em lei (desvio de poder) ou; 2) quando a autoridade ultrapassa os limites que lhe eram permitidos por lei (excesso de poder).
12.3.4. Legitimidade ativa
· O legitimado ativo para impetrar mandado de segurança é o titular do direito líquido e certo violado ou ameaçado.
· Ao contrário do que ocorre em relação ao habeas corpus, há necessidade de o impetrante fazer-se representar por advogado habilitado.
· O promotor de justiça é parte legítima para impetrar mandado de segurança contra ato jurisdicional, inclusive perante os tribunais.
12.3.5. Legitimidade passiva
· Autoridade pública ou agente de pessoa jurídica no exercício de atribuições do Poder Público (art. 1º, caput e § 1º, da Lei n. 12.016/2009), mostrando-se defeso utilizar o remédio para atacar ato emanado de particular.
· juízo ou tribunal: Contra ato jurisdicional.
Súmula n. 701 do STF: No mandado de segurança impetrado pelo Ministério Público contra decisão proferida em processo penal, é obrigatória a citação do réu como litisconsorte passivo.
12.3.6. Competência
· A competência para o julgamento do mandado de segurança é definida de acordo com a categoria da autoridade coatora, bem assim em razão de sua sede funcional. 
· No caso de o mandado de segurança voltar-se contra decisão judicial, competente será o tribunal incumbido de julgar os recursos relativos à causa. 
· O mandado de segurança impetrado contra ato de promotor de justiça é julgado pelo juízo de primeiro grau.
Súmula n. 376 do Superior Tribunal de Justiça: “Compete à turma recursal processar e julgar o mandado de segurança contra ato de juizado especial”.
12.3.7. Tempestividade
· O prazo para impetração é de 120 dias, contados da ciência acerca do teor do ato a ser impugnado (art. 23 da Lei n. 12.016/2009). 
· A contagem obedece à regra processual, excluindo- se, pois, o dia inicial e incluindo o final. 
12.3.8. Procedimento
1) Em caso de urgência, é permitido, observados os requisitos legais, impetrar mandado de segurança por telegrama, radiograma, e-mail ou outro meio eletrônico de autenticidade comprovada (art. 4º da Lei). 
2) De igual modo, poderá o magistrado, notificar a autoridade por telegrama, radiograma ou outro meio que assegure a autenticidade do documento e a imediata ciência pela autoridade (§ 1º). 
3) O texto original da petição deverá ser apresentado nos cinco dias úteis seguintes (§ 2º). 
4) Em se tratando de documento eletrônico, serão observadas as regras da Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira – ICP-Brasil (§ 3º).
5) Ao receber a petição o juiz ou tribunal, se não a indeferir liminarmente (art. 10 da Lei n. 12.016/2009), notificará o coator, para que, em 10 dias, preste informações, podendo, ainda, suspender liminarmente os efeitos do ato quando houver fundado receio de que da demora possa resultar a ineficácia da medida (art. 7º da Lei n. 12.016/2009). 
6) Idêntico prazo será conferido ao litisconsorte necessário, que deverá ser citado.
7) Findo o prazo para o envio das informações, será ouvido o Ministério Público, que se manifestará em 10 dias (art. 12 da Lei n. 12.016/2009).
8) O juiz, então, decidirá no prazo de 30 dias.
9) O rito do mandado de segurança não admite dilação probatória, subordinando-se o acolhimento da pretensão do impetrante à existência de prova pré-constituída.
12.3.9. Recursos
· Da sentença, concedendo ou denegando o mandado, cabe apelação (art. 14, caput, da Lei n. 12.016/2009), que poderá ser interposta inclusive pela autoridade coatora.
· A sentença concessiva de mandado de segurança está sujeita ao duplo grau de jurisdição obrigatório (art. 14, § 1º, da Lei n. 12.016/2009).
12. RECURSOS CONSTITUCIONAIS (AÇÕES DE 
IMPUGNAÇÃO) 
12.1. HABEAS CORPUS 
12.1.1. Conceito 
 Remédio judicial que tem por finalidade evitar ou fazer cessar a violência 
ou a coação à liberdade de locomoção decorrente de ilegalidade ou abuso de 
poder. 
12.1.2. Natureza jurídica 
 Trata-se de ação autônoma de impugnação constitucional, voltada à tutela 
da liberdade ambulatória, sempre que ocorrer qualquer dos casos elencados no 
art. 648 do CPP. 
 A expressão habeas corpus quer dizer: “que tomes o corpo e o 
apresentes”. A ordem concedida pelo Tribunal era do seguinte teor: “Tomai o 
corpo desse detido e vinde submeter ao tribunal o homem e o caso”. 
 
12.1.4. Espécies 
a) Liberatório ou repressivo: destina-se a afastar constrangimento ilegal já 
efetivado à liberdade de locomoção; 
b) Preventivo: destina-se a afastar uma ameaça à liberdade de locomoção. 
Nesta hipótese, expede-se salvo-conduto. 
12.1.5. Legitimidade ativa 
 Pode ser impetrado por qualquer pessoa, independentemente de habilitação 
legal ou representação de advogado (dispensada a formalidade da 
procuração). 
 O analfabeto pode impetrar, desde que alguém assine a seu rogo (art. 654, § 
1º, c).

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