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COMUNICAÇÃO E GESTÃO 
FINANCEIRA DA SECRETARIA 
ESCOLAR
COMUNICAÇÃO 
E GESTÃO 
FINANCEIRA 
DA 
SECRETARIA 
ESCOLAR 
INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO 
COMUNICAÇÃO E GESTÃO FINANCEIRA DA 
SECRETARIA ESCOLAR 
 
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WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 
 
Sumário 
INTRODUÇÃO AOS ESTUDOS ACERCA DA GESTÃO DEMOCRÁTICA DA 
COMUNICAÇÃO E DE POLÍTICAS PÚBLICAS NAS SECRETARIAS 
ESCOLARES ....................................................................................................... 5 
A COMUNICAÇÃO ADMINISTRATIVA VERBAL E NÃO VERBAL ..................... 9 
A COMUNICAÇÃO EFETIVADA NA REDAÇÃO OFICIAL ................................ 12 
COMUNICAÇÃO ................... EM REDES SOCIAIS NA INTERNET: ESPAÇO DE 
INTERCÂMBIO 13 
COMUNICAÇÃO ORGANIZACIONAL NA ERA DIGITAL: CONTEXTOS, 
PERCURSOS E POSSIBILIDADES ................................................................... 19 
SOCIEDADE DIGITAL E SOCIEDADE MIDIÁTICA ........................................... 19 
AS ORGANIZAÇÕES NA ERA DIGITAL ........................................................... 23 
DOS FLUXOS INFORMATIVOS AOS PROCESSOS INTERATIVOS E 
ESTRATÉGICOS ............................................................................................... 24 
A COMUNICAÇÃO DIGITAL E SEUS IMPACTOS NAS ORGANIZAÇÕES ...... 26 
COMUNIDADES VIRTUAIS COMO PÚBLICO ESTRATÉGICO ........................ 27 
COMUNICAÇÃO DIGITAL NAS ORGANIZAÇÕES E A FILOSOFIA DA 
COMUNICAÇÃO INTEGRADA .......................................................................... 31 
A COMUNICAÇÃO EFICAZ ............................................................................... 37 
EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA COMUNICAÇÃO ................................................. 38 
O PROCESSO, O OBJETIVO E OS ESTÁGIOS DA COMUNICAÇÃO ............. 39 
OS CANAIS DE COMUNICAÇÃO ...................................................................... 42 
OBJETIVOS DA COMUNICAÇÃO ..................................................................... 46 
OS SISTEMAS REPRESENTACIONAIS ........................................................... 47 
APOSTAR EM COMUNICAÇÃO É ESTRATÉGICO? ........................................ 50 
INTRODUÇÃO ................................................................................................... 51 
A COMUNICAÇÃO ORGANIZACIONAL - CONCEITOS, DEFINIÇÕES E 
TRAJETÓRIA ..................................................................................................... 51 
PANORAMA DA COMUNICAÇÃO ORGANIZACIONAL (ONTEM/HOJE) ......... 54 
INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO 
COMUNICAÇÃO E GESTÃO FINANCEIRA DA 
SECRETARIA ESCOLAR 
 
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Comunicação Organizacional (ontem) ............................................................... 54 
Comunicação Organizacional (hoje) .................................................................. 54 
DESAFIOS DA COMUNICAÇÃO ORGANIZACIONAL NA ATUALIDADE ......... 55 
GESTÃO DA REDAÇÃO OFICIAL: CONCEITOS, DEFINIÇÕES, 
CARACTERÍSTICAS E FINALIDADE ................................................................ 57 
ORIENTAÇÕES BÁSICAS SOBRE O ATO DE ESCREVER ............................ 63 
PROBLEMAS NA CONSTRUÇÃO DE FRASES ............................................... 64 
a) Uso indevido do sujeito como complemento: ............................................... 64 
b) Ambiguidade: ............................................................................................... 64 
c) Erros de paralelismo: ................................................................................... 65 
d) Erros de comparação: .................................................................................. 66 
EMPREGO DOS PRONOMES .......................................................................... 67 
CORRESPONDÊNCIAS OFICIAIS .................................................................... 68 
b) Fechos para as comunicações oficiais: ....................................................... 69 
c) Identificação do signatário: .......................................................................... 70 
d) Endereçamento: .......................................................................................... 70 
FORMAS, ESTRUTURAS E OBJETIVOS DAS COMUNICAÇÕES 
ADMINISTRATIVAS ........................................................................................... 71 
GESTÃO DEMOCRÁTICA E FINANCEIRA DA SECRETARIA ESCOLAR ....... 76 
A EDUCAÇÃO, AS POLÍTICAS PÚBLICAS E OS PROGRAMAS 
GOVERNAMENTAIS ......................................................................................... 80 
POLÍTICAS PÚBLICAS NO ESTADO DE BEM-ESTAR SOCIAL ...................... 82 
POLÍTICAS PÚBLICAS PARA AS MINORIAS ................................................... 85 
O CICLO DAS POLÍTICAS PÚBLICAS .............................................................. 87 
O PROGRAMA NO PLANEJAMENTO GOVERNAMENTAL ............................. 91 
AVALIAÇÃO DE POLÍTICAS E PROGRAMAS GOVERNAMENTAIS ............... 93 
POLÍTICAS PÚBLICAS PARA EDUCAÇÃO NO BRASIL .................................. 97 
DIMENSÕES DE UMA EDUCAÇÃO DE QUALIDADE PELA UNESCO E 
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BANCO MUNDIAL – BREVES COMENTÁRIOS ............................................... 98 
A GESTÃO DEMOCRÁTICA DA EDUCAÇÃO BÁSICA .................................. 103 
A GESTÃO FINANCEIRA E O FINANCIAMENTO DA EDUCAÇÃO BRASILEIRA
 ......................................................................................................................... 111 
FONTES DE RECURSOS................................................................................ 112 
FUNDEF/FUNDEB ........................................................................................... 114 
GESTÃO FINANCEIRA DA ESCOLA .............................................................. 117 
O PLANEJAMENTO E O PROJETO POLÍTICO- PEDAGÓGICO (PPP) ......... 120 
PLANO DE DESENVOLVIMENTO DA ESCOLA (PDE) E O FUNDO DE 
FORTALECIMENTO DA ESCOLA (FUNDESCOLA) ....................................... 121 
PROGRAMA DINHEIRO DIRETO NA ESCOLA (PDDE) ................................. 124 
PROGRAMA DE FORTALECIMENTOS DOS CONSELHOS ESCOLARES ... 127 
PROGRAMA NACIONAL DO LIVRO DIDÁTICO (PNLD) ................................ 129 
PROGRAMA NACIONAL DE ALIMENTAÇÃO ESCOLAR (PNAE) ................. 129 
PROGRAMA NACIONAL DE ACESSO AO ENSINO TÉCNICO E EMPREGO 
(PRONATEC) ................................................................................................... 131 
a) Expansão da Rede Federal: ...................................................................... 131 
b) Programa Brasil Profissionalizado: ............................................................ 131 
c) Rede e-TecBrasil: ...................................................................................... 132 
d) Acordo de Gratuidade com os Serviços Nacionais de Aprendizagem: ....... 132 
e) FIES Técnico e Empresa: .......................................................................... 132 
f) Bolsa-Formação: ....................................................................................... 132 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ................................................................. 134 
 
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INTRODUÇÃO AOS ESTUDOS ACERCA DA GESTÃO DEMOCRÁTICA DA 
COMUNICAÇÃO E DE POLÍTICAS PÚBLICAS NAS SECRETARIAS 
ESCOLARES 
 
A comunicação humana sofre, de forma intensa, as transformações 
radicais que, desde as décadas finais do século passado afetam a sociedade 
contemporânea, por conta, sobretudo, da evolução das tecnologias de 
informação e de comunicação, com suas potencialidades quase infinitasde 
caráter informativo e, quiçá, educativo e formativo. Essas transmutações 
atingem a vida individual e profissional dos cidadãos por toda parte, na América 
Latina ou fora dela. Há profissões que morrem ou agonizam. Há profissões que 
nascem e se fortalecem. Há profissões que tendem a se modificar. 
Como decorrência, percebemos profunda alteração na geografia das 
disciplinas científicas, mediante fusão de umas, como telemática, e ramificação 
de outras, como comunicação social. 
No entanto, nem avanços em ciência e tecnologia nem as 
transmutações daí advindas conseguem eliminar a correlação entre a 
comunicação e o modo de produção capitalista, na dita sociedade de 
informação ou sociedade do conhecimento ou sociedade da aprendizagem. Na 
perspectiva teórica de Williams (1989, 1992), as inovações tecnológicas 
constituem relevante fator de mutações sociais e culturais, com destaque para 
o aspecto econômico. 
Assim, em que pese a decantada democratização da informação via 
redes eletrônicas de informação e de comunicação, vivemos, hoje, um 
processo acelerado de mercantilização e de concentração midiática. Temos um 
Brasil das comunicações. A imprensa escrita, falada, televisiva e eletrônica, 
sob a responsabilidade direta de poderosos conglomerados comunicacionais, 
avança em busca de tecnologias sofisticadas e compatíveis com a realidade do 
século XXI, perfazendo o que se chama de jornalismo de referência. 
Há espaços para coberturas nacionais e internacionais. Há interesse 
permanente para inovações em termos de produção, em qualquer instância, 
inclusive no espaço virtual, abrindo campo para o jornalismo digital, e, 
sobretudo, para o webjornalismo - jornalismo contemporâneo presente no 
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espaço cibernético, dando origem ao jornalismo contemplado em portais, sites, 
blogs jornalísticos gerais e/ou especializados etc. 
É evidente, pois, que a imprensa brasileira se desvia, mais e mais, de 
sua função precípua de serviço público e espaço cultural e literário. 
Impregnados por mercantilismo progressivo, os veículos de comunicação se 
deparam com pressão crescente para noticiar o "noticiável" (leia-se, vendável, 
em termos econômicos e políticos) em detrimento dos interesses genuínos das 
coletividades, gerando clima de descrédito em relação à prática ética do 
jornalismo. 
É a confirmação do Informe McBride, que completa mais de 30 anos. À 
época, sua versão original intitulada Many voices, one world, elaborada durante 
conferência promovida pela Organização das Nações Unidas para a Educação, 
a Ciência e a Cultura (UNESCO), em 1980, já alerta para a existência de um 
sistema de controle de informação ostensivamente utilizado como instrumento 
de dominação pelos países primeiro-mundistas. Hoje, não obstante as 82 
recomendações daquele momento, Mattelart (2009) e outros estudiosos negam 
grandes mudanças, tal como o faz Paraná (2010), em palavras textuais que 
dizem: 
A concentração do controle da informação consolida-se 
na mão de grandes conglomerados, que organizados em 
torno das agências de notícias monopolizam visões e 
versões, empobrecendo o jornalismo e a democracia. 
A internet, que se imaginou revolucionar as relações 
comunicacionais, contribui consideravelmente para 
grandes transformações, mas, por si só, não é capaz de 
derrubar de vez os muros levantados pelas desigualdades 
sociais, políticas, econômicas [...] 
 
Portanto, em diferentes contextos, é evidente o gap entre o poder de 
comunicação dos grupos empresariais e o que emana dos segmentos sociais. 
Por isso, a mídia de referência, mantida por meios de comunicação 
consolidados, enfrenta a propagação da comunicação para mudança social, 
que vem rodeada de questionamentos, sintetizados por Barranquero (2007, 
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p.2, tradução nossa): "Que é exatamente comunicação para mudança social?; 
A que fazemos referência quando vinculamos estes dois termos?; Que 
significado assume a comunicação nos processos de desenvolvimento? Há 
mudança social sempre que comunicamos?" 
São questões sem respostas unívocas. Isto é, o conceito de 
comunicação para mudança social / comunicação alternativa (CA) é em si 
mesmo polêmico. Em primeiro lugar, é possível argumentar que a 
comunicação, em termos ideais, deve favorecer, sempre, mutações a favor da 
coletividade. Em segundo lugar, subsiste em outros campos. Exemplificando: 
em terapia ocupacional, CA define outras formas de comunicação, que 
englobam desde o uso de gestos e sinais, expressões faciais, emprego de 
pranchas de alfabeto ou de símbolos pictográficos até sistemas sofisticados, 
como o computador com voz sintetizada. 
Diante do aparente impasse, adotamos a linha de pensamento de 
Morris (2004), que concebe CA como qualquer forma de expressão 
comunicativa que prioriza o bem-estar social e a qualidade de vida da 
população. Lembrando que os termos - convencional, tradicional e similares - 
são aqui utilizados em oposição à mídia alternativa, esse autor arrola quatro 
categorias de comunicação alternativa: (1) meios de comunicação alternativos; 
(2) movimentos sociais; (3) meios de comunicação locais ou regionais; (4) 
meios de comunicação alternativos com participação direta dos cidadãos. De 
forma sucinta, o primeiro grupo diz respeito à emergência, manutenção e 
expansão de variados meios de comunicação não tradicionais. 
Noutrossim, a comunicação administrativa consiste no processo de 
transmissão de mensagem/informação entre um emissor e um receptor, direta 
ou indiretamente, envolvendo a organização de serviço, seja ela no plano 
teórico-filosófico ou prático, mas que implica no desenvolvimento deste serviço. 
Também pode ser entendida como comunicação gerencial ou organizacional. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Nesse sentido, Stoner afirma que, 
 
 
a comunicação eficaz é importante para os 
administradores por dois motivos. Primeiro, a 
comunicação eficaz é o processo através do qual os 
administradores realizam as funções de planejamento, 
organização, liderança e controle. Segundo, a 
comunicação é uma atividade a qual os administradores 
dedicam uma enorme proporção de seu tempo. 
Raramente os administradores estão sozinhos em suas 
salas, pensando, planejando ou contemplando 
alternativas. (1995, p. 23). 
 
Noutrossim, Silva (1991) destaca que as "comunicações 
administrativas são os processos comunicativos relacionados com as funções 
administrativas da organização." (p. 30). 
Já na ótica de Thayer (1979) essa é "a comunicação que altera (ou 
poderia fazê-lo), explora, cria ou mantém as relações situacionais entre as 
funções – tarefas pelas quais é responsável, ou entre sua subseção e qualquer 
das outras da organização global". E, em sendo, o mesmo autor ainda diz que 
"nas organizações é necessário que se determine o sistema de comunicação 
que, ao mesmo tempo, capacite a entidade a lidar com o meio ambiente, a 
manter seu funcionamento interno e a estar bem informada e apta a executar 
as modificações necessárias ou oportunas." (THAYER, 1979, p. 122). 
Nesse sentido, diversos autores afirmam, pacificamente, que a 
comunicação administrativa não deve se preocupar com meios externos 
(comunicação unilateral) e sim com seu fluxo interno de informações 
(comunicação bilateral). Ela deve ser feita entre e para os membros da 
organização, o que não impede que algumas informações transmitidas 
internamente sejam difundidas além dos limites da organização. Ela precisa ser 
vista como uma forma de comunicaçãosocial e humana, constituída por cinco 
elementos básicos; um comunicador que transmite uma mensagem para um 
receptor visando obter um feedback do mesmo. “Segundo o conhecido modelo 
de Lassell, ‘trata-se de saber quem diz o quê, por que meio a quem e para 
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quê?’”. (REDFIELD, 1980, p. 6). 
Em sendo, podemos definir a comunicação administrativa como sendo 
aquela que está envolvida com o público interno, dedicando-se aos aspectos 
administrativos do pessoal e ao disciplinamento de seu comportamento na 
empresa, estando sempre fundamentada na hierarquia estabelecida pelas 
normas e procedimentos da empresa e pela legislação trabalhista, 
caracterizando-se por ser formal, legalista e impositiva. 
Podemos, também, afirmar que seu principal objetivo é unir a situação 
de todos os setores, e todos os assuntos, interagir entre os membros e garantir 
a funcionalidade da empresa. Denominada de comunicação funcional, parte-se 
do pressuposto de que cada cargo de uma organização precisa comunicar algo 
a alguém ou algum setor, de modo a transmitir as informações necessárias em 
busca de um trabalho sinérgico, respeitando as individualidades de cada cargo, 
setor e também as pessoais. Nesse sentido, conforme afirmam Nogueira de 
Faria e Ney Suassuna, no livro A Comunicação na Administração, “a 
cooperação só se torna possível quando as pessoas e as instituições se 
entendem e percebem que, somando suas forças, poderão produzir mais”. 
(1982, p. 11). 
 
A COMUNICAÇÃO ADMINISTRATIVA VERBAL E NÃO VERBAL 
 
Com a crescente importância da internet nas últimas décadas, a 
análise sobre os modos de utilização coletiva e apropriação social de 
dispositivos digitais se tornou um direcionamento importante para se 
compreender os atuais processos da Comunicação Social contemporâneos. 
Qualquer estudo que siga este caminho precisa levar em conta um contexto 
com três aspectos fundamentais. Primeiramente, há um expressivo número de 
usuários online que aumenta a cada ano1e que vem repercutindo na dinâmica 
de diversos setores da vida social, cultural, política e econômica. Segundo, a 
popularização do ambiente digital em convergência com o que vem sendo 
chamado de Web 2.0 tem gerado um grande volume de dados e informações 
produzidas, compartilhadas ou replicadas socialmente através da utilização 
coletiva de bases de dados. Algo que é simultaneamente acompanhado por um 
complexo sistema de registros e protocolos digitais. Terceiro, o uso cotidiano 
de dispositivos móveis e miniaturizados (como celulares, câmeras, tablets, 
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netbooks etc.) capazes de captar, processar e inserir conteúdo digital na rede a 
qualquer hora e de (quase) todo lugar, vem driblando as barreiras do espaço e 
possibilitando uma nova forma de ubiquidade midiática ainda em pleno 
processo de expansão e cujos efeitos necessitam ser devidamente estudados. 
Diferentes variáveis passaram a compor esse jogo. O percurso que 
usuários fazem na internet, por exemplo, têm sido examinado por 
pesquisadores ou por empresas como Google, Apple, Microsoft e Amazon 
visando identificar padrões, traçar perfis de comportamento, compreender 
processos de Comunicação Social, aferir tendências ou testar hipóteses a partir 
de métodos estatísticos aliados a análises qualitativas. 
Se tomarmos como base fatos ou eventos de grande repercussão 
pública, o que caracteriza os aportes de informação online quando os próprios 
usuários são ao mesmo tempo produtores, propagadores e consumidores de 
dados? De que forma os indivíduos se apropriam de ferramentas e aplicativos 
digitais e como essa apropriação se relaciona com o sistema midiático 
tradicional? 
Assim, a comunicação administrativa verbal, utilizada, pode ocorrer 
através da informação oral que é transmitida, a todos os elementos do grupo, 
no mesmo momento, individualmente ou ainda de um para o outro. Talvez este 
meio não seja eficaz, pois, não se pode garantir, necessariamente, que a ideia 
central se mantenha. Deve-se atentar para as estratégias utilizadas, para evitar 
falsa interpretação, boatos ou fofocas (ETIZIONI, 1974). 
A comunicação administrativa não verbal apontada por Silva (1991) em 
sua investigação acerca da "comunicação administrativa escrita na 
enfermagem" foi a escrita representada por: memorando, circular, portaria, 
relatório, convocação. A autora afirma que "as comunicações escritas são 
importantes não só pelas informações que transmitem, bem como, por servirem 
para referências futuras, para a pesquisa, ensino e informação legal. Por isso, 
recomenda-se a clareza e a concisão, haja vista que, precisam ser 
compreendidas por aqueles que a recebem, sem a ajuda de quem as emite." 
(p. 34). Neste caso, garante-se a essência da informação, mas pode-se correr 
o risco da equipe não ler, quer seja por excesso de trabalho, desmotivação, 
dificuldade para entender alguns termos técnicos, pelo não hábito de leitura ou 
mesmo desinteresse. 
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Como já dissemos, um novo meio de comunicação que vem sendo 
muito utilizado, contemporaneamente, é a informação disseminada pela rede 
de computadores, seja ela interna, através de programas, ou via online, por 
meio da Internet. Este advento em alguns setores ou serviços vem ocorrendo 
de forma lenta e gradual e em outros, mais abruptamente, porém é uma 
realidade inevitável. É um sistema prático, dinâmico, que traz economia de 
tempo, podendo ser acessado a qualquer momento e por toda a equipe 
multidisciplinar. 
Em sendo, a comunicação deve ser vista, pelo administrador/gestor, 
como instrumento descentralizador e de elevação da capacidade operacional 
da organização ou da escola, através da delegação de autoridades e 
atribuições, contudo sem que o administrador perca o controle e a autoridade 
perante seus subordinados. A descentralização administrativa exige, acima de 
tudo, um sistema eficaz de comunicação e controle. Nesse sentido, é a 
comunicação horizontal que permitirá ao administrador/gestor, alcançar 
sinergia e controle dos mais variados setores que compõe o corpo da 
empresa/escola. 
Nesse aspecto, fica explícito que conforme o tamanho da 
organização/escola, as trocas de informação podem sofrer mais ou menos 
empecilhos, contudo, é nesses casos que a comunicação torna-se mais 
necessária. Sem um plano comunicacional eficaz o trabalho torna-se mais 
demorado e desperdiçam-se esforços, já que fica clara a dificuldade de 
interação entre os mais variados setores da organização. Noutrossim, onde se 
faz necessário o trabalho em grupo há, consequentemente, a necessidade de 
se realizar uma competente comunicação horizontal. 
Isto porque, a comunicação é necessidade básica da pessoa humana, 
do homem social, posto que, constitui o canal pelo qual os padrões de sua 
cultura lhe são transmitidos e, mediante o qual, aprende-se a ser membro de 
uma sociedade. A vida em sociedade supõe intercâmbio e comunicação, que 
se realizam, fundamentalmente, pela língua, cujo papel é cada vez mais 
importante nas relações humanas. 
Dentre essas relações, as de trabalho demandam atenção especial 
com a forma escrita da língua e seu registro adequado, para que se estabeleça 
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o entendimento comum. E comunicação é isso: participação, transmissão, troca 
de ideias, conhecimentos e experiências. 
Nesse sentido, os textos constituem aexpressão materializada da 
comunicação humana, posto que, com eles, os homens se tornam 
contemporâneos do passado e do futuro a um só tempo. O próprio conceito de 
História vem da noção de escrita: quem deixa documentos escritos está num 
período de História; quem não escreve, está na Pré-história. Logo, a 
responsabilidade de cada cidadão é muito grande, seja com sua história 
pessoal, da comunidade e, até, da própria humanidade. 
Sendo assim, os funcionários públicos não expedem mensagens para 
exibir conhecimentos; escreve-nas para trocar informações, reconhecer direitos 
e vantagens, estabelecer obrigações, comunicar intenções, realizar negócios 
etc. 
Assim, um texto oficial de boa qualidade, especialmente aqueles que 
podem criar direitos, obrigações e compromissos, depende de certos pré- 
requisitos, aqui chamados fundamentos. Esses fundamentos são de ordem 
ética, legal, linguística e estética. 
 
A COMUNICAÇÃO EFETIVADA NA REDAÇÃO OFICIAL 
 
No Manual de Redação de Correspondência e Atos Oficiais (BRASIL, 
2006), Redação oficial é o meio utilizado para o estabelecimento de relações 
de serviço na administração pública e corresponde ao modo uniforme de redigir 
atos normativos e comunicações oficiais. Para que se alcance a efetividade 
dessas relações, são traçadas normas de linguagem e padronização no uso de 
fórmulas e estética para as comunicações escritas, as quais são revestidas de 
certas peculiaridades restritas ao meio. 
As comunicações oficiais devem primar pela objetividade, 
transparência, clareza, simplicidade e impessoalidade. 
Nesse sentido, a redação oficial, da qual se deve extrair uma única 
interpretação, há de procurar ser compreensível por todo e qualquer cidadão 
brasileiro. 
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Com esses cuidados, é possível aprimorar um item fundamental na 
profissionalização do servidor, na racionalização do trabalho e na redução dos 
custos. 
 
COMUNICAÇÃO EM REDES SOCIAIS NA INTERNET: ESPAÇO DE 
INTERCÂMBIO 
 
A noção de rede, atualmente, define sistemas de relações, como redes 
sociais e de poder, circundando diversas áreas de conhecimento com fins 
variados. Seu relato inicial na literatura data do século XII na França, 
designando fios entrelaçados para os tecidos usados em cestas, cordeis, 
malhas etc. (MUSSO, 2010). 
O termo rede passou por uma série de adaptações ao longo dos 
séculos, mas sua ruptura conceitual próxima do que é hoje ocorreu entre os 
séculos XVIII e XIX, quando passou de um estado natural para um estado 
artificial, ou seja, o conceito de rede começou a ser construído, uma vez que 
passou a ser pensado a partir de sua relação com o espaço (MUSSO, 2010). 
Nesse contexto de relação com o espaço, com a sociedade, pode-se 
entender que as redes são como fios isolados que se ligam uns aos outros. 
Assim, é impossível compreender a rede a partir da análise de fios isolados, 
cabendo levar em consideração o modo como esses fios se conectam e como 
mantêm reciprocidade em suas relações, embora em sua individualidade 
possam se alterar a partir de tensões ou da estrutura interna da própria rede 
(ELIAS, 1994). 
Embora, como destaca Elias (1994, p.35), essa possa ser uma imagem 
inadequada e rígida de um modelo de rede, ela mostra de maneira clara que 
uma ordem oriunda de diversas unidades não pode ser estudada de maneira 
individual, uma vez que está "Em constante movimento, como um tecer e 
destecer ininterrupto das ligações". 
Dessa forma, Musso (2010, p.31) propõe uma definição de rede, que é 
utilizada para este trabalho: "Rede é uma estrutura de interconexão instável, 
composta por elementos em interação, e cuja variabilidade obedece a alguma 
regra de funcionamento". Os elementos de interação são os nós, os indivíduos 
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interconectados, instáveis a partir do dinamismo próprio da rede e que 
obedecem a regras próprias para o seu funcionamento. 
Em relação às redes sociais, pensar como as pessoas interagem, 
principalmente em um ambiente digital, visualizando o contexto em que isto é 
posto, pode ser realizado através de redes sociais na Internet. 
Uma rede social é composta por dois elementos: atores, que são 
pessoas e/ou grupos, e conexões, ou seja, seus laços sociais, sendo estes 
provedores da comunicação existente entre os atores e, portanto, do emergir 
de grupos sociais (RECUERO, 2009). 
Quando uma rede de computadores conecta pessoas ou organizações, 
isto é uma rede social. Da mesma forma que uma rede de computadores é um 
conjunto de máquinas conectadas por um conjunto de cabos, uma rede social é 
um conjunto de pessoas (ou organizações ou outras entidades sociais) 
conectadas por um conjunto de relacionamentos sociais, como amizade, 
trabalho cooperativo ou intercâmbio de informações (GARTON et al., 2007). 
A importância das redes sociais na Internet reside na conexão dos 
usuários que a utilizam, e não das máquinas, sendo estas um meio de 
interação entre os atores. Ou seja, é, conforme Primo (2007), um processo que 
reside nas interações entre os envolvidos - não somente pelas mensagens 
trocadas e pelos interagentes -, não sendo permitido o isolamento das partes 
que compõem esse sistema. Sua construção é coletiva e não é 
predeterminada. Trata-se de um processo emergente que mantém sua 
existência através de interações entre os envolvidos. Essa interação é 
desenvolvida a partir da participação dos indivíduos e "entre" (interação = ação 
entre) eles. 
As redes sociais na Internet permitem que, a partir da análise dessas 
interações, seja analisado: "[...] o problema de como as estruturas sociais 
surgem, de que tipo são, como são compostas através da comunicação 
mediada por computador e como essas interações mediadas são capazes de 
gerar fluxos de informações e trocas sociais que impactam essas estruturas 
(RECUERO, 2009, p.24). 
É nesse contexto que surge um público que se comunica e interage de 
forma ativa, participativa, mantendo características de auto-organização. Isto 
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faz com que as redes não sejam "Apenas um conceito, mas um operador para 
a ação", sendo "Um trabalho de interesse público" (MUSSO, 2010, p.26), 
permitindo compreender as relações entre suas ações e suas estruturas. 
“Onipresentes no meio da computação social, as redes sociais, que 
eram chamadas de comunidades virtuais, há alguns anos conhecem um 
desenvolvimento fulminante" (LÉVY, 2010, p.11). São indivíduos participantes 
das redes sociais que mantêm as atividades de colaboração e interação na 
rede, sendo os "Nós principais, os cruzamentos, os comutadores da 
computação social, recolhendo, filtrando, redistribuindo, fazendo circular a 
informação, a influência, a opinião, a atenção e a reputação” (LÉVY, 2010, 
p.12). 
Embora Habermas não tivesse proposto uma teoria ajustada 
particularmente às novas mídias e sim às conversações públicas a partir da 
classe burguesa, pode-se constatar que sua teoria da esfera pública é um 
suporte disseminado para trabalhar o papel da mídia como guardiã da 
democracia e do direito do público de ser informado (MORTENSEN; WALKER, 
2002). 
Quando discute a ideia de esfera pública, Habermas (2003) destaca o 
papel da imprensa no processo de debate público e opinião pública. Com isso, 
pode-se compreender que os meios de comunicação exercem um fator 
primordial na constituição da esfera pública: a possibilidade dos fluxos 
informacionais e comunicacionais alcançarem cidadãos que, em outras 
situações, jamais poderiam criar opinião sobre determinada demandaou tema. 
Em consequência, atualmente, os variados meios de comunicação, em 
especial Internet, estão "Incluindo em nossas preocupações certos temas que, 
de outro modo, não chegariam a nosso conhecimento e, muito menos, tornar- 
se-iam temas de nossa agenda" (HOHLFELDT, 2010, p.193). Por isso os 
meios de comunicação como a Internet são capaz de fornecer informações de 
forma rápida, gerando uma igualmente rápida mobilização. 
De fato, entendendo que a relação das pessoas com a realidade não é 
dada de forma direta, é mediada, a percepção que se tem da realidade é dada 
por "Imagens que formamos em nossa mente. Desta forma, percebemos a 
realidade não enquanto tal, mas sim enquanto a imaginamos" (HOHLFELDT, 
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2010, p.192), trazendo ao imaginário a concepção de espaços de opinião 
pública, mobilização e participação. 
É nesse espaço que, de acordo com Scherer-Warren (2006), existe um 
caráter cognitivo que busca compreender as transformações sociais, 
reconhecendo a necessidade de um espaço de deliberação pública, como um 
processo de discussão e reflexão "Para uma troca de razões em público" 
(MAIA, 2006, p.153), ou seja, 'É uma forma de governo na qual cidadãos livres 
e iguais (e seus representantes) justificam suas decisões, isto é oferecem 
razões uns aos outros que sejam mutuamente aceitáveis e acessíveis a todos, 
com o propósito de chegar a uma conclusão que produza vínculos entre todos 
no presente, mas aberta ao desafio no futuro' (MAIA, 2006, p.154). 
Enquanto a Internet, até alguns anos atrás, provia espaços de debates 
através de e-mails e listas de discussão, novas possibilidades de comunicação 
e informação surgem como forma de aquisição de informações e debates 
(MAIA, 2006). Como destaca Gomes (2005a), a Internet como possibilidade de 
expressão permite aos cidadãos alcançar outros cidadãos, possibilitando aos 
interessados participar do jogo democrático através de informação política 
atualizada e oportunidade de interação. Essa esfera virtual pode ser uma 
extensão da esfera tradicional, atuando como um espaço de extensão da 
expressão política. 
Lévy (2007), em seu livro "A inteligência coletiva: por uma antropologia 
do ciberespaço", avigora a questão da utilização de um espaço virtual, 
chamado ciberespaço, o qual é ampliado pelas redes digitais de informação e 
comunicação a partir do contato virtual com todos e com cada indivíduo. Nas 
palavras de Lévy (2007, p.11) "O atual curso dos acontecimentos converge 
para a constituição de um novo meio de comunicação, de pensamento e de 
trabalho para as sociedades humanas". Pensando dessa maneira, existe a 
possibilidade de raciocinar, como propõe Lévy, o que está sendo executado 
atualmente não apenas no âmbito da observação dos impactos na rede, mas 
também na possibilidade de contribuição com projetos que possibilitem 
compreender e, por que não, incentivar a criação de uma esfera pública virtual. 
Este parece ser o momento. Mas é um momento contínuo. Um momento, ainda 
em congruência com o pensamento de Lévy, representado pela coletividade, 
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visando o pensar, criticar e reivindicar juntos, coletivamente. Isto ocorre a partir 
do momento em que há compartilhamento de conhecimento e pontos de vista, 
caracterizando uma inteligência coletiva que permita a transformação radical 
"Dos dados fundamentais da vida em sociedade" (LÉVY, 2007, p.18). 
É importante observar, como ressalva, que, se por um lado, há o que 
defende Castells (2003), uma extrapolação de tempo e espaço, sendo 
fundamental estar presente na rede e vivenciar o fluxo informacional não 
controlado por qualquer ator, seja uma pessoa ou instituição, por outro lado, 
Lessig (1999) argumenta que a ideia do ciberespaço como um lugar livre e não 
monitorado é completamente questionável, uma vez que o código fornecedor 
da arquitetura do ambiente pode ser alterado por quem o domina. Assim, a 
mineração de dados realizada por empresas e por governos, por exemplo, 
pode ser utilizada como fator de regulação, requerendo envolvimento das 
massas sobre a possibilidade e requerimento de expressão livre. 
As esferas públicas, tanto a existente em uma sociedade física quanto 
virtual, atuam em caráter complementar, como compreende Moraes (2011) em 
seu trabalho "O ativismo digital", situando a Internet como um dos meios vitais 
para comunicação e informação. Como ressalta Moraes (2011), ela é um dos 
meios, uma vez que não está "Dissociada dos embates sociais concretos", 
sendo esta uma "Relação de confluência, de acréscimo e de sinergia entre o 
concreto e o virtual, resultante, de um lado, da progressiva hibridação 
tecnológica e, de outro, do somatório de possibilidades que nenhuma das 
partes, isoladamente, alcançaria". 
Com essa observação, pode-se notar que a ideia do projeto proposto 
por Lévy é relevante, uma vez que o caminho para essa deliberação é um 
construto contínuo. Isso é alertado por Bruxel (2014, p.34), ao tratar sobre o 
percurso que ainda há de se percorrer para atingir uma sociedade democrática, 
afirmando que parte desses desafios estão pautados na "Configuração de um 
novo espaço, de uma esfera pública mundial, como pela garantia de que todos 
os cidadãos possam ter acesso a informações confiáveis, de forma que 
estejam em condições de participar do debate", ou seja, com a possibilidade de 
criação de uma rede de interessados no debate. 
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Essas redes potencializam a construção de esferas públicas, onde 
"Coletivos em redes e as redes de movimentos sociais também têm 
desempenhado um papel relevante enquanto atores de resistência e 
propositores de políticas sociais cidadãs" (SCHERER-WARREN, 2006, p.222). 
As redes, menos centralizadas e mais democráticas, potencializam os 
movimentos sociais, permitindo difusão de informação de maneira rápida e 
ampla, conectando iniciativas globais e locais. Essas possibilidades podem 
dessa maneira ser consideradas como as formas mais expressivas de 
articulações políticas na atualidade (SCHERER-WARREN, 2006). 
Lévy (2010) ressalta que em relação a esse novo quadro 
proporcionado pelas redes sociais na Internet, a transformação ocorrida na 
esfera pública parece ser positiva, uma vez que afeta domínios essenciais ao 
cidadão e suas ações perante o Estado: capacidade de aquisição de 
informações, de expressão, de associação e de deliberação. Estas questões 
aumentam a possibilidade de "Potência do povo", como ressalta Lévy (2010, 
p.14), adquirindo capacidade de pressionar governos "para mais transparência, 
abertura e diálogo". 
Pode-se, por consequência, sumarizar as vantagens democráticas 
proporcionadas pela Internet e suas redes sociais, baseando-nos no trabalho 
de Gomes (2005b), "Internet e participação política em sociedades 
democráticas": 1) superação dos limites de tempo e espaço para a participação 
política; 2) extensão e qualidade do estoque de informações online; 3) 
comodidade, conforto, conveniência e custo; 4) facilidade e extensão de 
acesso; 5) sem filtros nem controles; 6) interatividade e interação; e 7) 
oportunidade para vozes minoritárias ou excluídas. 
Percebe-se, como contraponto, que a literatura ao referir-se à Internet 
como um dispositivo da participação da esfera civil nos encaminhamentos das 
atividades públicas, fora a opinião de entusiastas e utópicos, entende que os 
atos ocorridos em espaços de interação e participação na Internet necessitam 
se aliar a validadores, ou seja, a veículos de comunicação que legitimemum 
processo de reivindicação política para proporcionar visibilidade e alcance. 
Dessa forma, mesmo que a visibilidade e alcance da plataforma de 
redes sociais necessite de validadores, é interessante notar que os 
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movimentos reivindicatórios e democráticos são emergentes, partindo de 
cidadãos que constroem uma opinião pública e buscam sua participação 
deliberativa na esfera política do Estado. 
 
COMUNICAÇÃO ORGANIZACIONAL NA ERA DIGITAL: CONTEXTOS, 
PERCURSOS E POSSIBILIDADES 
 
Muito já se comentou sobre a complexidade da sociedade 
contemporânea e os desafios constantes a que estão sujeitas as organizações 
e todos os atores que dela fazem parte. Situar a sociedade onde estamos 
inseridos constitui condição sine qua non para análises de cenários e 
contextos, cujas leituras são objeto de interpretações para construção de 
diagnósticos situacionais e constituem subsídios indispensáveis no processo 
do planejamento e da gestão estratégica da comunicação corporativa. Neste 
sentido, não adianta as organizações utilizarem simplesmente as poderosas 
armas das novas tecnologias da informação e da comunicação, por modismos, 
sem antes terem consciência das bases que irão justificar a escolha de 
determinadas mídias digitais. São reflexões que pretendemos tratar neste 
artigo1. 
 
SOCIEDADE DIGITAL E SOCIEDADE MIDIÁTICA 
 
São inúmeros os autores que vêm trabalhando a sociedade da 
informação, do conhecimento ou digital e que analisam a sociedade midiática, 
mediatizada, transparente e da comunicação. Vamos fazer referência a alguns 
que consideramos importantes para fundamentar este estudo. As contribuições 
de Don Tapscott e Art Cston (1995-2000), Pierre Lévy (1996-2004-2010) e 
Manuel Castells são ilustrativos. Castells, com seus três volumes sobre a 
Sociedade-rede (1997, 1998, 1999, 2006, 2012) e a Galáxia da Internet (2003) 
 
 
1 
Texto publicado pela revista: Signo y Pensamiento. Print version. ISSN 0120-4823. Signo pensam. 
no.51 Bogotá July/Dec. 2007. Disponível em: <http://www.scielo.org.co/scielo.php?pid=S0120- 
48232007000200005&script=sci _arttext>. Aceso em 3 jul. 2015. 
Autora: Margarida M. Kröhling Kunsch. Professora-titular e pesquisadora da Escola de Comunicações e 
Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP). Tem mestrado e doutorado em Ciências da 
Comunicação e livre-docência em Teoria da Comunicação Institucional: Políticas e Processos, pela ECA- 
USP. 
http://www.scielo.org.co/scielo.php?pid=S0120-
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chama a atenção para a força da revolução tecnológica da informação, que 
está modificando a base material da sociedade em ritmo acelerado, e analisa o 
poder da internet como meio de comunicação para organizar a sociedade. 
Em Enigmas da modernidade-mundo, Octávio Ianni (2000, p. 155), 
reflete sobre o poder da mídia na sociedade contemporânea, usando a 
metáfora do “príncipe eletrônico”. Ele estabelece uma relação entre o príncipe 
de Maquiavel e o moderno príncipe de Gramsci. Gianni Vattimo, em A 
sociedade transparente (1991), fala do advento da sociedade da comunicação 
e do papel preponderante que exercem os mass media, fazendo com que 
tenhamos uma sociedade transparente e complexa ao mesmo tempo. Em La 
utopía de la comunicación (2000, p. 63), Philipe Breton destaca a sociedade da 
comunicação, totalmente constituída por redes de informação e autorreguladas 
politicamente. 
Todas essas novas configurações do ambiente social global vão exigir 
das organizações novas posturas, necessitando elas de um planejamento mais 
apurado da sua comunicação para se relacionar com os públicos, a opinião 
pública e a sociedade em geral. 
Dentro do processo de globalização, as organizações privadas 
exercem um papel preponderante. Segundo Armand Mattelart (1994, p. 246- 
247), 
... não somente a empresa se converteu em um ator 
social de pleno direito, exprimindo-se cada vez mais em 
público e agindo politicamente sobre o conjunto dos 
problemas da sociedade, mas, também, suas regras de 
funcionamento, sua escala de valores e suas maneiras de 
comunicar foram, progressivamente, impregnando todo o 
corpo social. 
 
O processo de globalização mundial delineia um novo perfil de agência 
de publicidade e propaganda e de uma empresa de comunicação corporativa 
do presente e do futuro. Todos esses fatores estão provocando novas formas 
de sociabilidade e novas posturas dos agentes responsáveis pelas 
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comunicações, dos setores públicos e privados e de segmentos da sociedade 
civil, com fortes consequências sobre todas as organizações em geral. 
Como Manuel Castells (1998, p. 27), acima mencionado, também 
Milton Santos (1996), ao abordar o sistema técnico atual no contexto da 
sociedade e do espaço geográfico, enfatiza que a era da informação é a 
matéria-prima da revolução tecnológica. 
O avanço tecnológico por que passam telecomunicações, imprensa, 
rádio, televisão, computadores, internet e transmissões via satélite impele a 
sociedade a um novo comportamento e, consequentemente, a um novo 
processo comunicativo social, com inúmeras implicações técnicas, éticas e 
morais. 
As tecnologias apontadas pela telemática estão definitivamente 
revolucionando as comunicações. Os exemplos são evidentes nas indústrias 
culturais, na multimídia, na televisão (interativa, digital, por cabo e de alta 
definição), nos aparelhos celulares e em todas as interações das mídias 
disponíveis. Toda essa convergência midiática é uma realidade presente nos 
dias de hoje e acontece, também, nos processos comunicativos das 
organizações. Uma das forças dessa sociedade midiática é a web - rede 
mundial de computadores. Para Manuel Castells (2003, p. 287), estamos 
vivendo numa sociedade em rede e dominada pelo poder da internet: 
Esta sociedade em rede é a sociedade que eu analiso como uma 
sociedade cuja estrutura social foi construída em torno de redes de informação 
microeletrônica estruturada na internet. Nesse sentido, a internet não é 
simplesmente uma tecnologia; é um meio de comunicação que constitui a 
forma organizativa de nossas sociedades; é o equivalente ao que foi a fábrica 
ou a grande corporação na era industrial. A internet é o coração de um novo 
paradigma sociotécnico, que constitui na realidade a base material de nossas 
vidas e de nossas formas de relação, de trabalho e de comunicação. O que a 
internet faz é processar a virtualidade e transformá-la em nossa realidade, 
constituindo a sociedade em rede, que é a sociedade em que vivemos. 
É exatamente no âmbito dessa nova sociedade e de cenários mutantes 
e complexos que as organizações operam, lutam para se manter e para 
cumprir sua missão e visão e para cultivar seus valores. A comunicação neste 
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contexto tem um importante papel a exercer e passa a ser considerada de 
forma muito mais estratégica do que no passado. Portanto, ela ocorre em 
ambientes complexos onde o que predomina é a incerteza global, conforme 
Anthony Giddens (2003). 
Neste sentido, a comunicação precisa ser considerada não meramente 
como instrumento ou transmissão de informações, mas como processo social 
básico e como um fenômeno nas organizações. O poder que ela e a mídia 
exercem na sociedade contemporânea é uma realidade incontestável. 
Dominique Wolton, no livro Pensar a comunicação(2004, p. 27) enaltece este 
poder: “A comunicação é um dos mais brilhantes símbolos do século XX; seu 
ideal de aproximar os homens, os valores e as culturas compensa os horrores 
e as barbaridades de nossa época.” E, na sua mais recente obra, É preciso 
salvar a comunicação (2006, p. 9), o autor reafirma ser a comunicação uma 
das maiores questões do século XXI: 
 
Em menos de cem anos foram inventados e 
democratizados o telefone, o rádio, a imprensa de grande 
público, o cinema, a televisão, o computador, as redes, 
transformando definitivamente as condições de troca e de 
relação, reduzindo as distâncias e realizando a tão 
desejada aldeia global. 
 
Esta valorização da comunicação que ocorre na sociedade também 
acontece nas organizações. 
Toda a convergência midiática presente no dia-a-dia do cidadão 
percorre o fazer comunicacional das organizações com igual intensidade, pois 
estas são partes integrantes da sociedade e formadas por pessoas que se 
intercomunicam e se inter-relacionam, por meio da comunicação interpessoal, 
grupal e de todas as suas mídias tradicionais e inovadoras como as digitais. 
 
 
 
 
 
 
 
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AS ORGANIZAÇÕES NA ERA DIGITAL 
 
Como partes integrantes da sociedade, como um todo, as 
organizações estão sujeitas a todas as suas mudanças e a novas 
incorporações. Uma organização nessa perspectiva pode ser considerada uma 
micro sociedade que opera nas mais diferentes dimensões sociais, 
econômicas, políticas e simbólicas. 
Para Robert Srour (1998, p. 27), “as organizações não mais ocupam 
lugares específicos e tendem a tornarem-se virtuais, porque é mais fácil e mais 
barato transportar a informação do que as pessoas, através das tecnologias do 
teleprocessamento e da computação”. A comunicação on-line, por meio das 
redes de computadores e de satélites, passa a fazer parte do cotidiano das 
pessoas e da vida das organizações. 
As organizações, mais do que nunca, não poderão prescindir de uma 
comunicação viva e permanente, sob a ótica de uma política de relações 
públicas. Uma filosofia empresarial restrita ao marketing certamente não dará 
conta do enfrentamento dos grandes desafios da atualidade. Elas terão que se 
valer de serviços integrados nessa área, pautando-se por políticas que 
privilegiem o estabelecimento de canais efetivos de diálogos com os 
segmentos a elas vinculados e, principalmente, a abertura das fontes e à 
transparência de suas ações. 
Ser transparente passou a ser um imperativo para as organizações 
contemporâneas. Don Tapscott e David Ticoll, em A empresa transparente 
(2005, p. 23), chamam a atenção para essa força que é a transparência. Trata- 
se de disponibilizar “a acessibilidade, para os stakeholders2, às informações 
institucionais referentes a assuntos que afetem seus interesses”. A 
transparência, portanto, vai muito além da obrigação de fornecer informações 
financeiras em balanços contábeis. Tudo isto implicará a necessidade de se 
planejar, pensar e administrar estrategicamente a comunicação organizacional 
com todos os públicos e a opinião pública. A questão ética e a 
responsabilidade social das organizações no mundo contemporâneo passam a 
ser algo que precisa ser considerado como uma filosofia de gestão. 
2 
É uma pessoa ou grupo que possui participação, investimento ou ações e que possui interesse em uma 
determinada empresa ou negócio. O inglês stake significa interesse, participação, risco. Enquanto holder 
significa aquele que possui. 
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DOS FLUXOS INFORMATIVOS AOS PROCESSOS INTERATIVOS E 
ESTRATÉGICOS 
 
A comunicação organizacional, na forma em que se acha configurada 
hoje em dia, é fruto de sementes lançadas no período da Revolução Industrial, 
que ensejaria grandes e rápidas transformações em todo o mundo. Esta, com a 
consequente expansão das empresas a partir do século XIX, propiciou o 
surgimento de mudanças radicais nas relações de trabalho, nas maneiras de 
produzir e nos processos de comercialização. Nesse contexto é que se devem 
buscar as causas do surgimento da propaganda, do jornalismo empresarial, 
das relações públicas e da própria comunicação organizacional como um todo. 
As mudanças provocadas com o processo de industrialização 
obrigaram as empresas a buscar novas formas de comunicação com o público 
interno, por meio de publicações dirigidas especialmente aos empregados, e 
com o público externo, por meio de publicações centradas nos produtos, para 
fazer frente à concorrência e a um novo processo de comercialização. Assim, a 
propaganda foi pioneira em buscar formas de comunicação mercadológica com 
o mundo exterior, especialmente com o consumidor. 
A comunicação com o público interno inicia-se com um formato muito 
mais de ordem administrativa e de informações. Foram as primeiras iniciativas 
da existência de comunicação nas organizações - a comunicação 
administrativa ou gerencial. É uma comunicação que assume um caráter 
funcional e instrumental. Este formato se estendeu também por muito tempo ao 
relacionamento com os públicos externos, enfatizando a divulgação dos 
produtos e da organização, sem uma preocupação com o retorno das 
percepções e dos interesses dos públicos, isto é, com a comunicação 
simétrica. 
Com a evolução do seu uso e com a importância cada vez mais 
crescente nos processos de gestão e na divulgação institucional propriamente 
dita, a comunicação foi assumindo novas características, sendo mais 
produzida, tecnicamente, e baseando-se em pesquisas de opinião junto aos 
diferentes públicos, até chegar ao estágio em que se encontra hoje em muitas 
organizações top e/ou modernas, onde atinge um grau de sofisticação na sua 
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elaboração e, também, um caráter estratégico, tanto no âmbito dos negócios 
quanto no conjunto dos objetivos corporativos. 
As mudanças ocorridas, mundialmente, com o fim da guerra-fria, em 
1989, e com a nova geopolítica fomentada, sobretudo, pelo fenômeno da 
globalização e da revolução tecnológica da informação e da comunicação, as 
organizações tiveram que enfrentar um novo cenário mundial, dominado pelos 
mercados globais e por uma economia marcada por uma competição sem 
precedentes na história da humanidade. 
Todas essas transformações alteraram por completo o comportamento 
institucional das organizações e a comunicação passou a ser considerada de 
outra maneira. Assim como a propaganda teve um papel fundamental após a 
revolução industrial, a comunicação organizacional no sentido corporativo 
começou a ser encarada como algo fundamental e como uma área estratégica 
na contemporaneidade. As ações isoladas de comunicação de marketing são 
insuficientes para fazer frente aos novos mercados competitivos e para se 
relacionar com os públicos estratégicos. Estes são cada vez mais exigentes e 
cobram das organizações responsabilidade social, atitudes transparentes, 
comportamentos éticos, graças a uma sociedade mais consciente e uma 
opinião pública sempre mais vigilante. E, neste contexto, a comunicação passa 
a ser estratégica e a sua gestão tem que ser profissionalizada e dirigida com 
competência. 
Qual a importância e as principais características dessa comunicação 
na atualidade? Como esta área se configura no mercado profissional? As 
organizações em geral valorizam a comunicação? Quais são as realidades 
mais presentes? Infelizmente, nem todas as organizações atribuem à 
comunicação a relevância que ela deveria merecer neste início do século XXI. 
Muitas só descobrem anecessidade de investir nesta área em momentos de 
crises, usando estratégias de relações públicas e técnicas de gerenciamento 
da comunicação com os públicos e a opinião pública só para apagar incêndios. 
Por outro lado, percebe-se que, em geral, está ocorrendo uma valorização da 
comunicação organizacional em termos mundiais, tanto no mercado 
profissional como no meio acadêmico. 
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A COMUNICAÇÃO DIGITAL E SEUS IMPACTOS NAS ORGANIZAÇÕES 
 
As profundas mudanças nas esferas econômicas, sociais, políticas, no 
mundo do emprego e, principalmente, relacionais, trazidas com a mudança de 
paradigma de um mundo analógico para o digital, com a aproximação cada vez 
mais veloz das tecnologias e, entre elas, as de informação e comunicação no 
nosso dia-a-dia são uma realidade incontestável. A comunicação nas 
organizações, assim como a sociedade, sofre todos os impactos provocados 
pela revolução digital. Consequentemente, o modo de produzir e de veicular as 
mensagens organizacionais também passam por profundas transformações. 
O ambiente organizacional, principalmente a partir dos anos 1990, vem 
sendo afetado por esta nova dinâmica de processamento imposta por essas 
novas tecnologias da informação e da comunicação. 
Os atores e produtores das indústrias das comunicações, bem como os 
agentes responsáveis pela comunicação corporativa/organizacional se 
deparam com novos instrumentos ou suportes, jargões e novas palavras, siglas 
etc. do mundo digital, como: email, internet, blogs, fotologs, blogosfera, wiki´s, 
wikipedia, sala de imprensa, chats, banco de dados, conectividade, 
interatividade, conexão, links, redes sociais, entre tantos outros meios e 
instrumentos disponíveis. Todos estes novos suportes podem e estão sendo 
utilizados por organizações e públicos. Tudo vai depender das realidades 
sociais e da acessibilidade no contexto onde vivemos. 
Segundo Manuel Castells (2006, p. 233 e 225), se hoje a complexidade 
da tecnologia é imprescindível para as empresas, elas mesmas também foram 
motor, em certo sentido, da revolução digital. Além de ajudar a popularizar o 
microcomputador, a empresa em rede é a forma fundamental de concorrência 
na nova economia global. “A empresa em rede concretiza a cultura da 
economia informacional/global: transforma sinais em commodities, 
processando conhecimentos” Para o autor, “as redes são e serão os 
componentes fundamentais das organizações”. Neste sentido, a comunicação 
nas organizações opera sob novos paradigmas e a comunicação digital ocupa 
um espaço de destaque na convergência midiática pelo poder de interatividade 
que possui nos relacionamentos institucionais e mercadológicos com os 
públicos e a opinião pública. 
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COMUNIDADES VIRTUAIS COMO PÚBLICO ESTRATÉGICO 
 
Muitos autores já escreveram sobre públicos em relações públicas. 
Numa visão contemporânea, temos que considerar as tipologias dos públicos 
dentro da dinâmica da história, levando em conta as forças sociais do 
microambiente e os comportamentos dos grupos de interesses que podem vir a 
formar um novo público. Um público que praticamente nunca foi pensado como 
prioritário ou que não tem nenhum vínculo com a organização, dependendo 
dos acontecimentos, isto é, de como o comportamento institucional o afeta, 
pode vir a ser um público estratégico. 
Mencione-se, a propósito, o conceito de stakeholders, que hoje muitos 
simplesmente usam no lugar de “públicos”. Mas ele só não pode ser usado 
para qualquer tipo de públicos. Diríamos que ele se refere somente a públicos 
“realmente estratégicos”. .No livro Relações públicas e modernidade (Kunsch, 
1997, p. 119), mostramos “a diferença que Hunt e Grunig fazem entre “público” 
(genericamente) e stakeholders (uma espécie de acionistas, sem o serem de 
forma financeira). Para eles, a distinção é sutil, mas ajuda a entender o 
planejamento estratégico de relações públicas. Stakeholders são pessoas ou 
grupos que estão lincadas (linked, mais do que apenas ligados) a uma 
organização porque entre as duas partes há interesses recíprocos. Quem tem 
um link com uma organização tem um stake com ela, faz uma aposta nela, o 
que se pode entender como uma quota nela aplicada. Um stakeholder, 
portanto, é “qualquer indivíduo ou grupo que pode afetar a organização ou é 
afetado por suas ações, decisões, políticas, práticas ou resultados”, resumem 
Hunt e Grunig, citando Archie B. Carrol. Enfim, trata-se, para nós, dos públicos- 
alvos ou, numa linguagem mais moderna, “públicos estratégicos”. E, ainda com 
base em Grunig e Hunt (1994), acrescentávamos (Kunsch, 1997, p. 120): 
O primeiro passo, no gerenciamento estratégico de 
relações públicas, está em mapear os públicos que estão 
lincados a uma organização, plugados nela, poderíamos 
dizer. Nessa lista típica acabarão sendo arrolados: 
proprietários, advogados do consumidor, clientes, 
concorrentes, meios de comunicação, empregados, 
grupos de interesse especial, ambientalistas, 
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fornecedores, governos e organizações da comunidade 
local. Uma comunicação permanente com esses públicos 
estratégicos ajuda a construir um relacionamento estável 
e de longo prazo, que facilitará a administração de 
conflitos que possam ocorrer. 
 
Na era digital o conceito tradicional de públicos dimensionados por 
espaço geográfico, nas categorias de interno, misto e externo não dá conta de 
acompanhar a dinâmica dos dias de hoje. Os públicos se formam dependendo 
de como são afetados pelas instituições e organizações. Com a internet a 
formação de públicos virtuais é uma constante e incontrolável. Nesse contexto 
vale como recorte discorrer sobre as comunidades virtuais e as redes sociais 
como um público fundamental que não pode ser ignorado pelos setores de 
comunicação das organizações. 
Gilles Deleuze e Felix Guattari, no livro Mil platôs: capitalismo e 
esquizofrenia (1995) apropriam-se do paradigma do rizoma (elemento da 
botânica) para nomear a “sociedade rizomática”, que atua como uma rede 
descentralizada, desterritorializada e como uma forma democrática e 
construtiva das relações sociais, sem se prender às hierarquias e as 
convenções tradicionais da visão de sociedade e comunidade. 
As ações comunicativas de uma empresa, por exemplo, direcionadas 
para atingir a sociedade ou mesmo uma comunidade precisam considerar 
novos fundamentos e conceitos. Entender sociedade como uma população que 
habita determinado território, cumprindo leis e normas, se articulando em torno 
de direitos e deveres etc. é uma visão limitada para compreender a 
complexidade da sociedade global na qual vivemos. O mesmo se diga do 
conceito de comunidade, que hoje tem denotações e conotações bem mais 
amplas do que as que vigiam até pouco tempo atrás, com a criação, por 
exemplo, das chamadas “comunidades virtuais”. Diz, a propósito, Manuel 
Castells (2003, p. 105): 
 
 
 
 
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A noção de “comunidades virtuais”, proposta pelos 
pioneiros da interação social na internet, tinha uma 
grande virtude: chamava atenção para o surgimento de 
novos suportes tecnológicos para a sociabilidade, 
diferentes de formas anteriores de interação, mas não 
necessariamente inferiores a elas. Mas induziu também a 
um grande equívoco: o termo “comunidade”, com todas as 
suas fortes conotações, confundiu formas diferentes de 
relaçãosocial e estimulou discussão ideológica, entre 
aqueles nostálgicos da antiga comunidade, especialmente 
limitada, e os defensores entusiásticos da comunidade de 
escolha possibilitada pela internet. 
 
Na contemporaneidade, no contexto da comunicação corporativa, 
quando se trata de relações públicas comunitárias e com as comunidades 
como públicos estratégicos relevantes, há que se considerar novas 
configurações e novos conceitos, tais como “capital social”, “comunidade 
virtual”, “redes sociais”, “redes digitais” etc. Rogério da Costa (2005, p. 5), no 
artigo “Por um novo conceito de comunidade: redes sociais, comunidades 
pessoais, inteligência coletiva”1, traz interessantes reflexões nesta direção. 
Com base em importantes autores, ele analisa as transformações por que 
passa o conceito de comunidade em razão da explosão das comunidades 
virtuais no ciberespaço e do dinamismo existente das redes de comunicação. 
Esse fato, segundo o autor, 
... nos remete a uma transmutação do conceito de 
“comunidade” em “rede social”. Se solidariedade, 
vizinhança e parentesco eram aspectos predominantes 
quando se procurava definir uma comunidade, hoje eles 
são apenas alguns dentre os muitos padrões possíveis 
das redes sociais. Atualmente, o que os analistas 
estruturais procuram avaliar são as formas nas quais 
padrões estruturais alternativos afetam o fluxo de 
recursos entre os membros de uma rede social. 
 
http://www.scielo.org.co/scielo.php?pid=S0120-48232007000200005&amp;script=sci_arttext&amp;1
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Assim, ao se pensar em falar em relacionamento com os públicos, há 
que se levar em conta as comunidades virtuais e as diversas redes sociais que 
vêm sendo construídas em torno das redes digitais na internet. Os chats, os 
blogs, o face book etc. são exemplos das inúmeras possibilidades de 
determinados grupos constituírem comunidades em torno de interesses 
específicos. Foi o jornalista norte-americano Howard Rheingold quem, em 
Comunidade virtual (1996), formulou o conceito que é título de sua obra. Para 
ele, não se trata apenas de mediar contatos pelo computador. Uma verdadeira 
comunidade virtual supõe a existência de um grupo que participa 
interativamente em torno de ideias compartilhadas para atingir diversos fins. 
Costa (2005, p. 77 e 82) analisa a contribuição do autor, dizendo que, 
 
Rheingold (1996) não só constatou a emergência das 
comunidades virtuais, como também viu nelas uma 
relação mais profunda, motivado em especial pela 
questão do excesso de informação que já caracterizava a 
jovem web. Com efeito, um dos problemas da rede era o 
da “oferta demasiada de informação e poucos filtros 
efetivos passíveis de reterem os dados essenciais, úteis e 
do interesse de cada um”. [...] Mas, enquanto os 
programadores se esforçavam para desenvolver agentes 
inteligentes que realizassem a busca e filtragem de 
toneladas de informações que se acumulavam na rede, 
Rheingold já detectava a existência de “contratos sociais 
entre grupos humanos - imensamente mais sofisticados, 
embora informais - que nos permitem agir como agentes 
inteligentes uns para os outros”. 
 
Em relação ao uso do termo “comunidade virtual’, vale registrar aqui 
uma observação do autor Juliano Spyer (2007, p. 26), que chama a atenção 
para o uso genérico como ferramenta para comunicação em grupo e que 
“acabou associado à noção romântica e ingênua de um ciberespaço 
politicamente independente”. Para ele, a “internet está longe de ser um 
ambiente protegido e que a rede mundial de computadores muitas vezes 
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potencializa os conflitos ao ampliar as possibilidades de contato entre pessoas 
desconhecidas entre si e com valores diferentes”. 
Assim, o tema das relações com comunidades e/ou de relacionamento 
com públicos estratégicos ultrapassa fronteiras geográficas, envolvendo as 
redes sociais criadas no ciberespaço, que também têm o poder de provocar 
mudanças comportamentais, implicando novas formas de atuação para as 
relações públicas e a comunicação das organizações. Nesse trabalho o gestor 
ou profissional de comunicação deve verificar como se processa a dinâmica 
social integrativa dos seus membros, seja no entorno fisicamente delimitado ou 
no ciberespaço. Em qualquer um dos casos, ela não pode mais encarar a 
comunidade de forma estanque, como um simples aglomerado de pessoas, 
sem o mínimo de participação ativa de seus componentes na construção de 
ideais comuns. 
 
COMUNICAÇÃO DIGITAL NAS ORGANIZAÇÕES E A FILOSOFIA DA 
COMUNICAÇÃO INTEGRADA 
 
O conceito de “comunicação organizacional integrada” tem sido 
trabalhado por esta autora há quase trinta anos, talvez de forma pioneira no 
Brasil. Comunicação organizacional integrada precisa ser entendida de forma 
ampla e abrangente. Primeiro como uma disciplina que estuda como se 
processa o fenômeno comunicacional dentro das organizações no âmbito da 
sociedade global e como fenômeno inerente à natureza das organizações e 
aos agrupamentos de pessoas que a integram. A comunicação organizacional 
configura, também as diferentes modalidades comunicacionais que permeiam 
sua atividade. Compreende, dessa forma, a comunicação institucional, a 
comunicação mercadológica, a comunicação interna e a comunicação 
administrativa (KUNSCH, 2003, p. 149). 
Esta concepção procura contemplar uma visão abrangente da 
comunicação nas e das organizações, levando em conta todos aqueles 
aspectos relacionados com a complexidade do fenômeno comunicacional 
inerente à natureza das organizações, bem como os relacionamentos 
interpessoais, além da função estratégica e instrumental. Trata-se de um 
estudo a que estamos nos dedicando desde os anos 1980 e que continua em 
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curso, pois buscamos sempre fundamentar e aperfeiçoar os pontos mais 
relevantes para construção de uma teoria numa perspectiva do pensamento 
comunicacional brasileiro dessa área do conhecimento. 
Na verdade, o que defendemos é a adoção, por parte das 
organizações, de uma filosofia da comunicação integrada e a não 
fragmentação dessa comunicação. Quando procuramos esboçar nossa 
proposta, não queremos dar a entender que tudo deva ocorrer de maneira 
tranquila, sem conflitos e em compartimentos separados, conforme os 
diagramas. 
Como se pode notar, a comunicação organizacional, nessa perspectiva 
abrangente, é por si só complexa. Neste sentido a área da comunicação deixa 
de ter uma função meramente tática e passa a ser considerada estratégica. Isto 
é, ela precisa agregar valor às organizações. Ressalte-se, ainda, que as ações 
comunicativas precisam ser guiadas por uma filosofia e uma política de 
comunicação integrada que levem em conta as demandas, os interesses e as 
exigências dos públicos estratégicos e da sociedade. Isto é, deve haver total 
integração entre a comunicação interna, a comunicação institucional e a 
comunicação de negócios para a busca e o alcance da eficácia, da eficiência e 
da efetividade organizacional, em benefício dos públicos e da sociedade como 
um todo e não só da empresa isoladamente. Estudar, compreender e praticar a 
comunicação organizacional, portanto, é muito mais complexo do que se 
imagina. 
Paulo Nassar (2006, p. 149-161), ao falar da “comunicação integrada 
virtual”, apresenta um interessante quadro, onde descrevem as modalidades 
comunicacionais, frentes de atuação e aplicações possíveis: 
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Elisabeth Saad (2005, p. 102), em artigo publicado na revista 
Organicom sob o título “Comunicação digital: uma questão de estratégia e 
relacionamento com públicos”, ao sistematizar os conceitos fundadores e 
norteadores das estratégias de comunicação digital e sua relação com as 
organizações, defende a importância de essa modalidade comunicacional estar 
inserida no composto da comunicação integrada e como fruto de um 
planejamento mais abrangente para poder chegar a um plano e de 
comunicação digital integrada. Para ela a comunicação digital pode ser 
conceituada como “o uso das Tecnologias digitais de Informação e 
Comunicação (TIC) e de todas as ferramentas delas decorrentes, para facilitar 
e dinamizar a construção de qualquer processo de comunicação integrada nas 
organizações”. 
Conforme já destacamos no item quatro, sobre o impacto da 
comunicação digital nas organizações, são inúmeros os suportes digitais 
possíveis que poderão ser utilizados pelas empresas e organizações em geral. 
Juliano Spyer (2007), ao discorrer sobre projetos colaborativos e suas múltiplas 
possibilidades de aplicação, destaca o uso das relações públicas em ambientes 
colaborativos, mostrando como empresas e os profissionais desta área “podem 
oferecer aos seus clientes o posicionamento da marca em ambientes 
colaborativos como a Wikipedia” (p.118). Outros destaques estão relacionados 
com a Web 2.0, como site colaborativo (p. 27-28) e o branding em mundos 
virtuais, sobretudo por meio do Second Life, que as empresas estabelecidas 
vêm utilizando “para fazer campanhas e promoções aos residentes e que, 
dependendo da originalidade, se tornam notícia fora do site” (p.160). 
Os blogs corporativos3 constituem um meio hoje bastante utilizado 
pelas empresas e requerem certos cuidados não só ao se implantá-los, mas 
também no seu monitoramento contínuo. 
Para Fábio Cipriani (2006, p. 91 e 90), “a blogosfera é livre para que 
você possa expressar a sua opinião, mas isso deve ser feito com cuidados 
especiais quando a credibilidade de sua empresa está em jogo”. O autor 
ressalta ainda que os blogs “devem ser vistos como complemento para 
ferramentas como e-mail, mensagens instantâneas, mensagens de voz, serviço 
de atendimento ao consumidor (SACs), entre outras. Para ele “os blogs são 
http://www.scielo.org.co/scielo.php?pid=S0120-48232007000200005&amp;script=sci_arttext&amp;3
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agentes criadores de comunidade, e não de direcionamento de mensagens 
pessoais, as quais muitas vezes são privadas e confidenciais”. 
A eficácia e a efetividade do uso das mídias digitais dependem de um 
diagnóstico situacional correto da realidade comunicacional de uma 
determinada organização com a qual vamos trabalhar, bem como de um 
planejamento bem elaborado. Isto é, não adianta simplesmente ir implantando, 
por exemplo, intranet, blogs corporativos, Second Life, meios colaborativos em 
curso, Web2.0 etc., sem avaliar se há condições de viabilidade concreta. Ou se 
de fato é a melhor opção para aquela realidade. Em outras palavras, a 
incorporação e instalação de meios digitais nas organizações têm que levar em 
conta as diferentes situações, condições tecnológicas, pessoal técnico, 
formulador de conteúdos, facilidades de acesso dos públicos e serem definidas 
com base sólida em pesquisa, diagnósticos e, consequentemente, um 
processo de planejamento correto e não simplesmente por modismo. 
Ressaltamos, finalmente, que o poder da comunicação digital na 
sociedade contemporânea é uma realidade que as organizações e os agentes 
responsáveis pela gestão e produção da comunicação corporativa não podem 
ignorar. Isto faz com que o ato de pensar, planejar estrategicamente e executar 
esta comunicação no dia-a-dia das organizações mudem radicalmente. Além 
de todos os cuidados já mencionados, há que se fazer um monitoramento 
contínuo na rede mundial de computadores para acompanhar o que os 
públicos estão articulando, por meio dos mais diversos suportes e/ou 
ferramentas e como suas falas poderão atingir a imagem e a reputação das 
organizações. Fazer comunicação nas organizações na era digital é muito mais 
complexo do que se possa imaginar. 
 
1. Sugerimos consultar o artigo na íntegra (Costa, 2005). Disponível também na 
Base Scielo Brasil, na Internet. 
2. Para maiores detalhes sobre os conceitos dessas modalidades 
comunicacionais, consultar Kunsch (2003, p. 152-178). 
3. Sobre blog corporativo consultar Cipriani (2006). 
 
http://www.scielo.org.co/scielo.php?pid=S0120-48232007000200005&amp;script=sci_arttext&amp;s1
http://www.scielo.org.co/scielo.php?pid=S0120-48232007000200005&amp;script=sci_arttext&amp;s2
http://www.scielo.org.co/scielo.php?pid=S0120-48232007000200005&amp;script=sci_arttext&amp;s3
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A COMUNICAÇÃO EFICAZ 
 
 
 
A comunicação é o processo de transmissão e recuperação de 
informação. Neste processo existem dois estágios distintos que apresentam 
uma interação cíclica. O estágio da transmissão envolve dois mecanismos: a 
transposição da informação para um sistema de códigos, tomando assim a 
forma de mensagem, e a utilização de um canal, capaz de permitir a recepção 
da mensagem pelo destinatário (codificação e difusão). O estágio de 
recuperação compreende o reaproveitamento de uma informação transmitida, 
seja em sua forma original, seja em outra forma, que, por sua vez, vai atuar 
como fonte para a transmissão de novas informações. Sobretudo, no caso da 
comunicação interpessoal, em que o instrumento de recuperação é, 
geralmente, a própria memória. 
O receptor pode colaborar com o recuperador na tarefa de reaver a 
mensagem. 
Segundo Warat (2001), somos, por excelência, exímios interpretadores 
de tudo o que acontece. Faz parte da natureza humana, tanto que avaliamos, 
ponderamos, julgamos, comparamos com a nossa escala de valores tudo o 
que percebemos, vemos e ouvimos. 
Por essa razão, se desejamos, de fato, nos comunicar com outras 
pessoas, precisamos, constantemente, exercitar a arte da empatia, que é a 
capacidade de nos colocarmos no lugar da outra pessoa, entendermos o seu 
estado de espírito, seu momento psicológico, seu nível cultural, suas crenças, 
seus apelos emocionais. Além disso, precisamos resolver os nossos problemas 
de comunicação. 
Da profissão de uma pessoa, do seu credo ou cultura, dependerá 
também o nível de definição ou conceito de comunicação, portanto, não é 
tarefa fácil definir comunicação. De todo modo, temos várias acepções 
simplistas, tais como a comunicação seria a transmissão de uma mensagem 
com o fim de evocar uma resposta específica e; também se entende a 
comunicação como o intercâmbio de informação entre sujeitos e objetos. 
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Como campo de estudo acadêmico, a comunicação estuda os 
processos de comunicação humana. Entre as subdisciplinas da comunicação, 
inclui-se a teoria da informação, comunicação intrapessoal, comunicação 
interpessoal. 
Nesse sentido, falamos inicialmente em emissor e receptor, pois bem, 
comunicação não significa apenas falar às pessoas, mas também ouvi-las. Na 
verdade, se não ouvirmos eficazmente, não poderemos também falar de modo 
eficaz (OLIVEIRA, 2013). 
Numa situação meramente social, podemos conversar sem a finalidade 
específica de nos informarmos. Comunicação não significa apenas a 
transmissão deuma mensagem, sem o desejo de originar o tipo de resposta 
que se procura. 
No entanto, nos negócios, falamos porque temos uma razão para 
assim o fazer. É particularmente neste caso que somos obrigados a trazer a 
linguagem do nível instintivo e intuitivo para o nível racional. 
Se falarmos racionalmente, falamos, em primeiro lugar, porque 
desejamos despertar interesse pelo que dizemos. Em segundo lugar, falamos 
porque desejamos que compreendam aquilo que dizemos. Então as palavras 
tornam-se definidas. Isto significa que, em certos casos, temos de definir o 
sentido das nossas palavras. Assim, para que nos entendam claramente, vem 
a ser necessária a definição prévia (OLIVEIRA, 2013). 
 
EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA COMUNICAÇÃO 
 
A História nos conta que nos primórdios da civilização, a comunicação 
verbal entre os homens era inexistente, eles praticamente imitavam os sons 
dos animais e da natureza, bem como gestos e posturas. A evolução nos levou 
à necessidade de aprender a relacionar objetos, seu uso, criar utensílio para 
caça e proteção e adquirirmos a capacidade de emitir e receber mensagens 
num código comum, partilharmos conhecimentos na agricultura, passando pela 
Matemática até a Arte. 
É verdade que por longo tempo esses conhecimentos ficaram restritos 
a algumas classes da sociedade, mas felizmente nos tempos atuais é 
extremamente fácil ter acesso aos mais diversos meios de comunicação, pois 
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dispomos de inúmeras formas de comunicação, tais como (televisão, Rádio, 
Jornais, Revistas, Livros, telefone, Internet, redes sociais) entre muitos outros. 
Hoje em dia, é possível receber e emitir informação dos pontos mais remotos 
do planeta Terra em tempo real podemos estar no conforto da nossa casa e 
aceder a todo o tipo de informação através da internet, podemos transportar 
muita informação num pequeno espaço como um cartão de memória. 
Na Grécia Antiga, o estudo da Retórica, a arte de discursar e persuadir, 
era um assunto vital para estudantes. Passamos por grandes invenções, como 
o jornal, cujo primeiro exemplar data de 59 a.C. em Roma, por Júlio César, com 
o intuito desejado de informar o público sobre os mais importantes 
acontecimentos sociais e políticos, e que, até hoje, tem, praticamente, a 
mesma função. No início do século XX, vários especialistas começaram a 
estudar a comunicação como uma parte específica de suas disciplinas 
acadêmicas. 
A Comunicação começou a emergir como um campo acadêmico 
distinto em meados do século XX. Pensadores e pesquisadores das disciplinas 
de ciências humanas, como Filosofia, Sociologia, Psicologia e Linguística, têm 
dado contribuições em hipóteses e análises para o que se denomina “Teoria da 
Comunicação”. Assim, surgiu o esquema “emissor, mensagem, meio, receptor”, 
que de maneira simples resume todas as iniciativas de comunicar algo. 
Em síntese, temos um processo crescente no qual o homem 
desenvolveu a pré-escrita, a escrita, o papel, as impressões manuais e as 
mecânicas, sendo assim possível a informação cruzar grandes distâncias 
geográficas, culturais e cronológicas. Passamos pelos meios de comunicação 
como jornais e revistas, rádio e televisão, tendo atingido a nossa época, que 
podemos chamar de Era da Tecnologia e da Informação (OLIVEIRA, 2013). 
 
O PROCESSO, O OBJETIVO E OS ESTÁGIOS DA COMUNICAÇÃO 
 
É com base na fonte que se inicia a comunicação, que codifica um 
significado intencional numa mensagem, a qual é enviada por um canal. O 
receptor decodifica a mensagem no significado percebido e transmite um 
feedback à fonte. Entretanto, nem sempre acontece assim: existe o chamado 
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ruído, isto é, perturbações neste processo, as quais distorcem e interferem na 
transmissão da mensagem. 
A fonte da informação é a pessoa que tenta comunicar com outra 
pessoa, ou seja, a mensagem que o emissor pretende enviar ao receptor. Esta 
fonte tem a intenção de dar a informação ou de modificar comportamento e 
atitudes da pessoa a quem dirige a sua mensagem. Esta vontade é 
transformada num conjunto de símbolos com significado, que permite a 
codificação da mensagem (OLIVEIRA, 2013). 
Vargas (2005) lembra que um processo de comunicação eletivo é 
necessário para garantir que todas as informações desejadas cheguem às 
pessoas corretas no tempo certo e de uma maneira economicamente viável. 
A linguagem permite ao homem estruturar seu pensamento, traduzir o 
que sente, registrar o que conhece e comunicar-se com outros homens. Ela 
marca o ingresso do homem na cultura, construindo-o como sujeito capaz de 
produzir transformações nunca antes imaginadas. 
Apesar da evidente importância do raciocínio lógico-matemático e dos 
sistemas de símbolos, a linguagem, tanto na forma verbal como em outras 
maneiras de comunicação, permanece como meio ideal para transmitir 
conceitos e sentimentos, além de fornecer elementos para expandir o 
conhecimento (BRASIL, 1997). 
Cleland (1999 apud Vargas, 2005) define a comunicação como um 
processo pelo qual a informação é transferida entre os indivíduos através de 
símbolos, sinais e outros. Além disso, a comunicação é um processo de duas 
vias, onde participam ativamente o emissor e o receptor da informação, com os 
envolvidos atuando, na maioria das vezes, como emissores e receptores 
simultaneamente. 
As responsabilidades entre o emissor e o receptor podem ser assim 
distribuídas em emissor – responsável por produzir uma informação clara, de 
modo que o recebedor possa entendê-la com facilidade e; receptor – 
responsável por tornar claro que a informação foi recebida e completamente 
compreendida. 
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Além disso, é importante que também sejam avaliadas as barreiras no 
processo de comunicação, devido à percepção individual de cada um, bem 
como sua personalidade, atitudes, emoções, entre outros. 
Com base nos trabalhos de Mintzberg sobre as estruturas das 
organizações, podem ser estabelecidos alguns fluxos no processo de trabalho 
provocados por diferentes mecanismos de comunicação entre as pessoas 
dentro de uma organização. São eles o fluxo da Autoridade Formal – onde a 
informação flui segundo uma hierarquia instituída dentro da organização ou 
projeto, realçando o fluxo do poder formal; o fluxo da Atividade Regulamentada 
– onde a informação flui segundo um mecanismo padronizado de informação 
independente da hierarquia dos envolvidos. O foco desse fluxo é a 
padronização do processo de comunicação; o fluxo das Comunicações 
Informais – onde o processo de comunicação se dá sem a presença de 
nenhuma estrutura reguladora. As pessoas se agregam em grupos sociais ou 
de relacionamento e neles não existe hierarquia ou padronização. É o mais 
veloz e o mais arriscado mecanismo de comunicação; o conjunto das 
Constelações de Trabalho – onde o processo de comunicação se dá através de 
objetivos claros e adequados a cada nível hierárquico da estrutura. 
Normalmente, as constelações de trabalho são os melhores modelos para o 
desenvolvimento do processo de comunicação em projetos; o fluxo do 
Processo Decisório Específico – onde o processo de comunicação é 
necessário para decisões específicas, partindo da geração do problema até 
chegar à decisão específica a ser tomada (VARGAS, 2005). 
Por meio dos processos de comunicação que toda e qualquer 
organização funciona, ou seja, a dinâmica organizacional depende de cada 
membro estar conectado e integrado. 
Mas qual é mesmo o conceito de comunicação? De maneira 
simplificada, poderíamosdizer que é a capacidade dos sujeitos em transferir e 
compreender uma mensagem. De maneira mais formal, comunicação seria 
descrita como um fluxo de mensagens entre um emissor para um destinatário 
final utilizando um canal. O destinatário pode ou não responder com uma 
mensagem e em algum ponto do processo, o ruído ou algo que afeta o 
processo pode ocorrer e limitar a eficácia da comunicação. 
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Lembremos que nem sempre o processo de comunicação funciona 
bem, existindo barreiras que podem ser pessoais, físicas, semânticas à 
comunicação humana, bem como barreiras organizacionais, interpessoais e 
individuais. 
A percepção seletiva, por exemplo, acontece quando emissor e/ou 
receptor veem e escutam seletivamente, com base em suas próprias 
necessidades, motivações, experiências e características. Essa situação pode 
levar a não decodificar a mensagem como realmente deveria, prejudicando, 
talvez, um prosseguimento na comunicação. 
Pode ainda ocorrer manipulação da informação, omissão de aspectos 
importantes que ao final podem prejudicar sobremaneira todo o processo, 
principalmente se pensarmos em termos organizacionais, pois a comunicação 
tem todo um alcance que pode ferir o comportamento das pessoas. 
São passos, ações importantes que as comunicações cheguem claras 
aos seus destinos, acompanhar a mensagem; manter sempre aberto um canal 
para respostas; tratar a mensagem e o destinatário com empatia; repetir a 
mensagem quando necessário; simplificá-la; saber igualmente escutar; e, criar 
oportunidades para que todas as pessoas troquem mensagens. 
A mensagem transmitida pela fonte pode ser verbal, escrita e não 
verbal. Entende-se por comunicação não verbal qualquer comunicação que 
não inclua a língua falada ou escrita (OLIVEIRA, 2013). 
Quanto aos seus objetivos, a comunicação existe com a finalidade de 
atingir diferentes objetivos. Comunicamos para informar, chocar, convencer, 
resolver problemas, tomar decisões e entreter as pessoas. De qualquer 
maneira, envolve uma relação entre duas ou mais pessoas e ainda mais um 
estilo que pode ser efetivo ou dúbio na sua forma de fazer com o que outro 
entenda sua mensagem. 
 
OS CANAIS DE COMUNICAÇÃO 
 
Comunicação não verbal são todos os contatos visuais, são nossos 
gestos, a postura corporal, nossa expressão facial e os aspectos 
paralinguísticos, como a entonação da voz, a fluência verbal, latência da 
resposta e a precisão do vocabulário (DEL PRETTE; DEL PRETTE, 2001). 
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A comunicação não verbal opõe-se à comunicação verbal, a qual 
durante muito tempo foi concebida como a linguagem do sentido escrito. Nessa 
concepção, todas as outras formas de comunicação, mesmo a escrita, são 
consideradas secundárias: derivada ou substitutiva. As teorias da comunicação 
contemporâneas influenciadas por disciplinas tão diversas, como a linguística 
da enunciação, a psicologia, a sociologia, a antropologia, concedem hoje um 
largo espaço à comunicação não verbal (CASTILHO, 2002). 
Canais de comunicação são meios pessoais – e não pessoais – 
através dos quais a mensagem navega. A mensagem pode ser enviada 
mediante diversificados canais. A escolha do canal tem um forte impacto no 
processo de comunicação, porque diferentes pessoas podem ter diferentes 
competências na utilização de diferentes canais, e diferentes mensagens têm 
adequações distintas a diferentes canais. Os canais pessoais envolvem duas 
ou mais pessoas comunicando-se diretamente uma com a outra. Os canais não 
pessoais utilizam comunicação direcionada para mais de uma pessoa, e isso 
inclui a mídia, constituída pelos meios de comunicação, escrita (jornais e 
revistas), transmitida (rádio, televisão), em rede (telefone, cabo, satélite, sem 
fio), eletrônica (fitas de áudio e vídeo, CD-ROM, página Web) e expositiva 
(painéis, outdoors, cartazes) (KOTLER, 2005). 
Para mensagens mais complexas, devemos utilizar os canais mais 
precisos, nomeadamente os encontros face a face, porque, ao permitirem uma 
resposta imediata do receptor, são indispensáveis para que a comunicação se 
efetue. Este canal tem a vantagem de permitir o contato pessoal, a resposta 
imediata do receptor e aumentar a hipótese de surgirem novas ideias, questões 
e soluções para eventuais problemas. 
Para mensagens que implicam diversas pessoas, em que desejamos 
registro da comunicação, fazemos por meio da utilização das cartas, boletins 
informativos, e hoje em dia, novas dimensões de alcance, uma vez que as 
pessoas possuem novos canais para interagir e opinar sobre os mais variados 
assuntos. 
Contamos com a facilidade de acesso à informação, 
independentemente de localizações geográficas, a tecnologia para expressar 
nossa comunicação através dos meios eletrônicos e comunicação de mídia, e- 
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mails, mensagens de texto via internet, redes sociais, entre outros; possuindo a 
vantagem da velocidade, seja ela formal ou informal, podendo ser difundida 
facilmente, economizando tempo (OLIVEIRA, 2013). 
Alguns elementos importantes que estão envolvidos no processo da 
comunicação são: 
 
DECODIFICAÇÃO 
É um dos elementos do processo de comunicação ao qual se permite 
que a mensagem recebida seja interpretada pelo receptor, através da 
atribuição de um significado a essa mensagem. Esta interpretação pode fazer 
com que o significado dado à mensagem pelo receptor seja diferente daquela 
que o emissor tinha intenção de transmitir. 
 
FEEDBACK 
É a última ligação do processo de comunicação, em que se verifica se 
o que foi recebido corresponde ao que foi transmitido. Permite ao emissor a 
percepção da diferença entre a mensagem interpretada pelo receptor e a que 
tinha intenção de transmitir. Consiste, basicamente, na devolução de uma 
mensagem pelo receptor ao comunicador; ainda no fluxo da transmissão, ou 
imediatamente após, com possibilidade de modificar o conteúdo da mensagem 
inicial. Tem um sujeito ativo, o receptor, tornando possível melhorar a 
comunicação, porque eleva a certeza e a compreensão das mensagens 
transmitidas. Aumenta a confiança dos emissores e dos receptores no 
processo de comunicação, o que facilita relações futuras, intensificando a 
motivação. 
 
INTERPESSOALIDADE DA COMUNICAÇÃO 
A comunicação ocupa exatamente o centro da nossa vida social. 
Estamos sempre nos comunicando. A eficácia da comunicação depende da 
concordância entre a mensagem que o emissor quer transmitir e a mensagem 
interpretada pelo receptor. Mas, como existem diferentes fatores de ruído, 
estes podem prejudicar o processo através de problemas semânticos, ausência 
de feedback, distrações e a percepção do outro. 
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Inclui desde questões como barulhos, manchas (no caso da 
comunicação impressa) e problemas na linguagem utilizada até questões 
subjetivas, como a interpretação, de modo que essa interpretação que o 
receptor realiza escapa ao controle do emissor e pode ser diferente daquilo que 
o emissor de fato pretendia comunicar. Aliás, aí está um dos fatos mais 
importantes em qualquer ação comunicadora: o resultado da comunicação não 
é a mensagem que emitimos, mas a mensagem que foi recebida, e elas nunca 
coincidem completamente. Temos também a representação da realimentação, 
ou seja, o efeito da interpretação feita pelo receptor, que retoma e incide sobre 
o emissor (OLIVEIRA, 2013). 
Sobreos canais e as ferramentas de comunicação, é fundamental 
haver uma perfeita integração entre todas as ferramentas que estiverem sendo 
empregadas, de modo a evitar que se oponham. O que importa é aproveitar o 
efeito sinergético que uma ação de comunicação exerce sobre a outra. Dentre 
os meios pessoais, alguns exemplos de ferramenta que podemos considerar 
são: a fala, a mímica, a escrita, o idioma. O homem traz dentro de si não só 
sua individualidade, mas o compromisso de desenvolver a participação social, 
pois compartilhamos um destino comum. 
Embora falando a mesma língua, os problemas de comunicação 
existem. A habilidade de dialogar com pessoas, de estar focado no mundo, 
percebendo o que acontece à sua volta, tornando-se responsável pela 
administração de seus relacionamentos, é importante como forma de evitar 
mal-entendidos. Reaprender a conversar é utilizar nossos espaços de criação e 
reorganização de nossas emoções, tornar-se um indivíduo melhor sem se 
deixar alienar (OLIVEIRA, 2013). 
Se uma conversa pressupõe um estado anímico para determinada 
ação, a fala e a escuta denotam um estado de ânimo preciso: se positivo, abre 
possibilidades múltiplas; se negativo, reduz a visão do mundo. De igual 
relevância é a escolha das palavras que podem mudar o rumo das coisas. 
As pessoas envolvidas numa conversa sem sombra de dúvida são 
responsáveis pela qualidade da comunicação estabelecida. 
Curiosamente, a expressão corporal assume até mais importância do 
que a voz e, em alguns casos, do que o próprio conteúdo. 
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Vejamos situações suficientes para tirar o brilho de um processo de 
comunicação, como, o medo de olhar nos olhos; a expressão facial 
incongruente com o conteúdo; a aparência mal cuidada; a ausência de gestos 
ou excessiva gesticulação; as posturas inadequadas. 
Ao contar uma história, poderá a sua voz, movimentos e gestos 
estarem contando outra. E quando a linguagem do corpo não está de acordo 
com a linguagem verbal, temos a percepção da mentira. 
A linguagem silenciosa do corpo, que muitas vezes contradiz as 
palavras, é a expressão do inconsciente e reflete algo importante sobre nós 
mesmos. A linguagem do corpo é o reflexo do estado emocional da pessoa. 
Cada gesto ou movimento pode ser uma valiosa fonte de informação sobre a 
emoção sentida num dado momento. 
Ao aprimorar sua capacidade de expressão verbal e corporal, a pessoa 
pode transmitir com maior clareza seu pensamento ao outro. 
A metáfora também oferece sua contribuição: é uma forma de ver uma 
coisa como se ela fosse outra, e opera em níveis múltiplos da análise, a fim de 
proporcionar formas de aprender a vida. 
Pois bem, na comunicação, com o conhecimento metafórico, pois, 
através das metáforas, facilita-se a criação e a interpretação da realidade 
social, modela-se a forma de ver e sentir o mundo, orientam-se nossas 
percepções, concepções e a compreensão de algumas coisas a partir de 
outras. 
 
OBJETIVOS DA COMUNICAÇÃO 
 
O objetivo número um da comunicação é a partilha, a comunicação 
está ligada ao amor, é uma negociação constante. Afeto, intimidade emocional, 
partilha de interesses e experiências são comuns nas amizades e amores de 
todos os seres humanos. O amor interpessoal se refere ao amor entre os seres 
humanos. Assumir as emoções e aprender a compartilhá-las de maneira 
adequada é condição para uma relação madura e responsável, representa 
reconhecer as mágoas e as conclusões precipitadas, dar também ao outro a 
chance de desabafar, deixá-lo se expressar livremente sem reagir aos ataques 
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ou maquinar para rebater, apenas escutar em silêncio identificando as 
necessidades que estão por trás dos sentimentos. 
A comunicação interpessoal é um método de comunicação que 
promove a troca de informações entre duas ou mais pessoas. Cada pessoa, 
que passamos a considerar interlocutor, troca informações baseadas em seu 
repertório cultural, sua formação educacional, vivências, emoções, toda a 
“bagagem” que traz consigo. A comunicação interpessoal também exige ampla 
habilidade social em saber se relacionar com as pessoas de forma simpática e 
cordial. Sobretudo, saber equilibrar razão e emoção. A socialização do homem 
se inicia e se fortalece por meio de ferramentas comunicacionais de um 
indivíduo a uma correspondência maior para os outros. A qualidade das 
relações interpessoais é outro agravante quase invisível que funciona como 
sabotador da convivência, do intercâmbio de informação e conhecimento. 
 
OS SISTEMAS REPRESENTACIONAIS 
 
A linguagem que usamos dá pistas para a nossa maneira de pensar. 
Segundo Mancilha (2008), quando pensamos, representamos a informação 
para nós mesmos, internamente e essa situação/condição podemos chamar de 
Sistemas Representacionais. 
Na escola, desde pequenos aprendemos e vivenciamos nossos cinco 
sentidos: visão, audição, olfato, tato e paladar, canais por onde captamos as 
informações, os quais fazem parte do sistema representacional. 
Usamos nossos Sistemas Representacionais o tempo todo, mas 
tendemos a usar alguns mais do que outros. Por exemplo, muitas pessoas 
usam o sistema auditivo para conversar consigo mesmas, essa é uma maneira 
de pensar. Outros preferem os canais visuais, outros são mais sinestésicos 
(que envolve olfato, tato e paladar). Enfim, cada canal tem suas 
particularidades como veremos. O sistema visual é usado para nossas imagens 
internas, visualização, “sonhar acordado” e imaginação. 
Os “Visuais” tem um ritmo da fala rápido, parecem estar lendo o que 
falam quando conversam, por isso tendem a moverem os olhos para cima, seu 
tom de voz é alto e claro. Pessoas visuais ficam em pé ou sentadas com a sua 
cabeça e/ou corpo eretos. Tem a respiração na parte alta dos pulmões. Em 
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geral são organizadas, bem vestidas e com frequência são pessoas magras. 
Valorizam as aparências. Memorizam mais facilmente vendo imagens e figuras, 
e tendem a ter dificuldade em lembrar instruções verbais. Interessam-se em ver 
as ideias e propostas e como eles se mostram ou aparentam. Grande parte dos 
visuais tem gestos corporais rápidos e acima do tórax (OLIVEIRA, 2010). 
Em uma conversa com uma pessoa que está mais visual, podemos 
facilmente perceber que estas utilizam palavras que parecem ilustrarem sua 
fala. O vocabulário é composto, com predominância de palavras como as 
seguintes: ver, imagem, cor, nítido, olha, observa, claro, escuro, imagina, entre 
outros. 
As pessoas visuais são as que apreciam muito a estética, combinam 
cor em suas roupas, são organizadas, gostam de tudo em seus devidos 
lugares. Detestam desordens, tumultos e gente mal vestida (OLIVEIRA, 2013). 
Os “Auditivos” têm um ritmo de fala médio, parecem selecionar as 
palavras antes de se expressarem, seu tom de voz é ressoante e melodioso, 
com frequência tem uma fala elaborada e clara. Tendem a mover os olhos para 
os lados e respiram mais com a parte mediana dos pulmões. Tipicamente 
podem repetir com facilidade o que ouvem, aprendem ouvindo e gostam de 
música e de conversar. Memorizam procedimentos por etapas. Compreendem 
melhor quando as pessoas dizem como as coisas estão indo e ficam bem 
quando as coisas soam bem. Grande parte das pessoas auditivas têm gestos 
corporais rítmicos e na linha do tórax (OLIVEIRA, 2010). 
Em uma conversa com uma pessoa que está mais auditiva, podemos 
facilmente perceber que elas selecionam as palavras para construírem suas 
frases, se preocupam em apresentar umafala bem elaborada. O vocabulário 
dos auditivos é composto, com predominância de palavras como as seguintes: 
ouvir, som, ecoar, sintonia, ouve, escuta, afina, silêncio, anunciar, boato, 
barulho, chamar, comentário, conversa fiada, declarar, dizer, descrever, entre 
outros. 
Ervilha (2002) explica que quando o interlocutor movimenta os olhos 
horizontalmente, ele revela que o seu canal preferido é o auditivo e o seu 
mundo é construído através dos sons. Ausculta o mundo, ouve sons que 
aqueles que não dão prioridade a esse canal, não conseguem ouvir, é sensível 
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a sons e projeta-se através de sons. Da mesma forma, os movimentos à direita 
significam que não tem ainda os registros em seu cérebro e está construindo 
imagens e à esquerda, relembrando os registros já ocorridos, pela experiência 
vivida. 
A pessoa que tem preferência pelo canal auditivo tem outro movimento 
peculiar que é o da esquerda para baixo, significando que está em diálogo 
interno. Conversando consigo mesma, ouvindo suas vozes interiores. 
Aqueles que têm o canal auditivo mais desenvolvido, incomodam-se 
com ruídos que outras pessoas deixam passar despercebidos, como o ranger 
de uma porta. Qualquer ruído desconcentra a pessoa auditiva. Quando lê tem 
que ler em voz alta para compreender um texto, ou ainda, não fala em voz alta, 
mas lê como se estivesse ouvindo a si mesma, para conseguir se concentrar 
na leitura. 
Pessoas que ouvem uma música e imediatamente gravam na mente a 
letra e a melodia, são auditivas. São pessoas que gostam de ouvir rádio, que 
conversam muito e se divertem com música e outros sons. 
Essas pessoas entendem melhor quando a comunicação ocorre na 
modalidade da sua representação. Devem, então, utilizar elementos e palavras 
que tenham essa semiótica – que ilustrem de forma sonora, aquilo que estiver 
apresentando (ERVILHA, 2002). 
Os “Sinestésicos” têm um ritmo de fala lento e macio, parecem não 
estarem preocupados com nada, seu tom de voz é baixo e pausado. Possuem 
uma respiração profunda e na linha do abdômen. Tendem a mover os olhos 
para a direita e para baixo. Diferente dos visuais, os sinestésicos reagem bem 
ao toque e com frequência tocam o próprio corpo e as outras pessoas 
enquanto falam. Memorizam facilmente aquilo que mexem ou quando fazem 
algo. Gostam de atividades que envolvem sensações e movimento. Gostam de 
sentir o mundo e as pessoas. Sinestésicos precisam sentir-se bem a respeito 
de ideias e projetos para aprová-los. Grande parte dos sinestésicos possuem 
gestos corporais lentos e na linha do abdômen (OLIVEIRA, 2010). 
Em uma conversa com uma pessoa que está mais sinestésica, 
podemos facilmente perceber que, em grande parte do tempo, estará tocando 
o seu interlocutor, sempre falando lenta e pausadamente, como falado acima: 
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“sem preocupação”. O vocabulário dos sinestésicos é composto, com 
predominância de palavras como as seguintes: sentir, pegar, suar, áspero, 
concretizar, segurar, apertar, sofrer, sólido, entre outros. 
Ervilha (2002) resume assim as características do sinestésico: se o 
movimento for único para a direita e para baixo, significa que a pessoa é 
sinestésica, ou seja, busca seu próprio quadro de sentimentos e sensações de 
representação do mundo. Nos numerosos casos, trata-se de pessoas sinceras 
e que dificilmente projetam um pensamento. Vivem de acordo com seu próprio 
sistema de vida. O acesso às mentes dessas pessoas se dá através do tato, 
paladar, olfato e das próprias sensações e sentimentos. 
Geralmente gostam de sentir-se bem, confortáveis. Preferem roupas 
largas, se importam pouco com a estética. São pessoas desprendidas e que 
estão sempre buscando o bem-estar. Adoram o toque de outras pessoas. 
Aquilo que mais lhes apetece é o cheiro da comida, seguido do paladar. 
Para comunicar-se com essas pessoas, é preciso utilizar formas que 
envolvam aspectos de tocar, sentir, cheirar e degustar. Se estiver mostrando 
algo, deixe-as pegar no objeto. Para entender, elas vão tocar o objeto, e se for 
o caso, cheirá-lo. Seu processo mental é sentir através do sinestésico as 
sensações registradas em seu cérebro. 
 
APOSTAR EM COMUNICAÇÃO É ESTRATÉGICO? 
 
 
 
O artigo3 propõe discutir a comunicação organizacional na atualidade. 
Para tanto, analisamos as origens e trajetória, definições, perspectivas e 
desafios postos à comunicação organizacional. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
3 
Autor: Tiago Mainieri de Oliveira. Bacharel em Relações Públicas e Mestre em Engenharia de Produção 
pela UFSM. Professor do Curso de Comunicação Social/UNIJUÍ. Atualmente é coord. do Curso de Pós- 
Graduação em Gestão de Processos em Comunicação da Universidade Regional do Noroeste do Estado 
do RS – UNIJUÍ. 
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INTRODUÇÃO 
 
A comunicação passa a exercer, no atual cenário, um importante papel 
no estabelecimento de canais efetivos de ligação com os diversos segmentos 
relacionados a uma organização. 
Nesse sentido, questionar o contexto empresarial (ambiente 
empresarial e suas transformações) no qual estão inseridas as organizações é 
fundamental para entendermos a comunicação organizacional. Além disso, é 
pertinente analisarmos os desafios lançados à comunicação organizacional na 
atualidade. As perspectivas e desafios da comunicação organizacional. 
A partir da discussão desses pontos centrais, pretendemos aprofundar 
a temática proposta. 
 
A COMUNICAÇÃO ORGANIZACIONAL - CONCEITOS, DEFINIÇÕES E 
TRAJETÓRIA 
 
A comunicação organizacional, segundo Torquato do Rego (2002), 
passou por alguns momentos, ou fases, que caracterizaram seu crescimento 
no Brasil. Para refletirmos a comunicação organizacional em seu estágio atual, 
é necessário buscarmos elementos de sua trajetória. 
O autor situa em três fases o desenvolvimento da comunicação 
organizacional, destacando que esse crescimento coincide com a 
industrialização e o próprio crescimento econômico do país. Nas décadas de 
60 e 70, ele destaca o caráter e a preocupação da comunicação organizacional 
com uma ênfase no produto. A partir da década de 80 a comunicação 
organizacional tem sua ênfase na preocupação com a imagem das 
organizações. Já a partir da década de 90, até a atualidade, a comunicação 
organizacional adquire um caráter estratégico. 
Ao apresentar a trajetória da comunicação empresarial no Brasil, 
Bueno destaca 5 grandes momentos decisivos: antes da década de 70, durante 
a década de 70, a década de 80, fins da década de 80 e década de 90. 
Antes da década de 70, as atividades de Comunicação desenvolvidas 
pelas empresas ou entidades eram absolutamente fragmentadas e pouco 
profissionalizadas. 
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A década de 70 aponta para algumas mudanças importantes em 
direção à implantação de uma cultura de comunicação nas empresas. Os 
profissionais de comunicação pouco a pouco chegam nas empresas e, começa 
a ficar visível a importância do mercado de Comunicação Empresarial. 
A década de 80 deu o impulso que faltava à Comunicação Empresarial, 
que passa, efetivamente, a se constituir em um campo de trabalho promissor, 
atraindo profissionais de todas as áreas. 
Na segunda metade da década de 80, uma experiência marca 
profundamente a Comunicação Empresarial brasileira: a empresa Rhodia, com 
a elaboração de sua Política de Comunicação Social. 
Nos anos 90, o conceito de Comunicação Empresarialse aprimora: ela 
passa a ser estratégica para as organizações. 
Várias definições de comunicação organizacional foram apresentadas 
por autores como Bueno, Nassar, Torquato e Kunsch. Os próprios conceitos 
apresentados por esses autores refletem o caráter dinâmico da comunicação 
organizacional. 
Podemos definir comunicação organizacional enquanto um composto 
de comunicação nas organizações, compreendendo as várias "frentes de 
batalha" (expressão utilizada por Paulo Nassar, em sua obra O que é 
comunicação empresarial?) da comunicação no âmbito das organizações. 
Essas frentes de batalha envolvem a comunicação institucional, a comunicação 
interna, a comunicação mercadológica, a comunicação administrativa, etc. Na 
medida em que o sistema organizacional transaciona com o ambiente externo, 
por meio de constantes trocas, relações são estabelecidas. O ingrediente 
dessas relações é a comunicação entre as organizações e seus públicos 
estratégicos (stakeholders). Neste processo é que se estabelece a 
comunicação organizacional. 
Bueno (2003) não distingue a comunicação empresarial, organizacional 
ou corporativa, utilizando os termos como sinônimos. "A Comunicação 
Empresarial (Organizacional, Corporativa ou Institucional) compreende um 
conjunto complexo de atividades, ações, estratégias, produtos e processos 
desenvolvidos para criar e manter a imagem de uma empresa ou entidade 
(sindicato, órgãos governamentais, ONGs, associações, universidades etc) 
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junto aos seus públicos de interesse (consumidores, empregados, formadores 
de opinião, classe política ou empresarial, acionistas, comunidade acadêmica 
ou financeira, jornalistas etc) ou junto à opinião pública." (BUENO, 2003, 
Disponível em: http://www.comtexto.com.br). 
Já Kunsch (2003) coloca que o termo comunicação organizacional, 
além de abranger todo o espectro das atividades comunicacionais, apresenta 
maior amplitude, aplicando-se a qualquer tipo de organização social (empresa 
pública ou privada, instituições, entidades sem fins lucrativos, etc.) não se 
restringindo ao âmbito das empresas. "a comunicação organizacional 
compreenderia o conceito amplo do conjunto das diferentes modalidades 
comunicacionais que ocorrem dentro das organizações, a saber: a 
comunicação institucional, a comunicação mercadológica ou comunicação de 
marketing, a comunicação interna e a comunicação administrativa." Kunsch 
(1999, p.75) Dentro dessa perspectiva, a comunicação organizacional surge 
para dar conta da complexidade da comunicação não só das empresas, mas 
das administrações públicas, instituições sem fins lucrativos, entre outros. 
A comunicação organizacional está presente em todas as 
organizações, sejam públicas ou privadas. Alguns autores têm estudado, por 
exemplo, a comunicação no contexto das administrações públicas, revelando 
seu importante papel na conscientização dos cidadãos para com as ações 
públicas. Além disso, o conceito de comunicação na administração pública 
reforça a necessidade de esclarecimento e comprometimento dos servidores 
públicos para a plena eficácia da gestão pública. Soma-se a isso a 
preocupação com a transparência no processo de comunicação na 
administração pública. Outro aspecto a ser analisado refere-se a implantação 
de estruturas de ouvidoria. 
O termo comunicação organizacional vem sendo utilizado, em 
substituição ao termo comunicação empresarial, pelo seu caráter mais amplo, 
permitindo abarcar a comunicação no contexto não apenas de empresas mas 
de instituições, ONGs, sindicatos, etc. 
As constantes transformações nos cenários político, econômico, 
cultural e tecnológico representam um grande desafio à comunicação 
organizacional. Podemos apresentar alguns elementos que caracterizam esse 
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ambiente em processo de mudança. O despertar da consciência ecológica, a 
preocupação com o meio ambiente, a concorrência acirrada, o consumidor 
consciente de seus direitos, o advento das novas tecnologias de comunicação, 
são alguns desses elementos. 
Com certeza o contexto atual das organizações tem levado 
empresários a investir na área da comunicação. Para garantir a sobrevivência e 
crescimento no mercado, as empresas necessitam estabelecer relações éticas 
e transparentes com seus públicos. 
Os autores que discutem a gestão das organizações, entre eles Peter 
Drucker, destacam o caráter mutante do ambiente organizacional. No contexto 
das organizações contemporâneas, segundo Drucker, a única constante são as 
mudanças. Esse contexto nos remete a complexidade e a necessidade de 
adaptação, alguns dos ingredientes essenciais na moderna gestão empresarial. 
Para analisarmos as transformações no ambiente organizacional e o impacto 
na comunicação organizacional apresento o quadro que segue, estabelecendo 
um comparativo entre a comunicação organizacional ontem e a 
comunicação organizacional hoje. 
 
PANORAMA DA COMUNICAÇÃO ORGANIZACIONAL (ONTEM/HOJE) 
 
Comunicação Organizacional (ontem) 
 Foco nos instrumentos de comunicação; 
 Poucos investimentos na área - comunicação vista como despesa; 
 Nenhuma ou pouca concorrência; 
 Consumidor dispondo de poucos instrumentos para defesa de seus 
interesses; 
 Comunicação fragmentada, isolada; 
 Valorização da comunicação com o público externo. 
 
Comunicação Organizacional (hoje) 
 Visão mais ampla, estratégica; 
 Perspectivas de ampliação nos investimentos na medida em que a 
comunicação é percebida como essencial; 
 Mercado altamente competitivo; 
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 Consumidor pleno de seus direitos; 
 Comunicação integrada; 
 Comunicação com todos os públicos estratégicos (stakeholders). 
 
 
Com o quadro acima, apresentamos um breve panorama da 
comunicação organizacional no contexto das organizações tradicionais e das 
organizações modernas. Para fazer frente a esse cenário de mudanças, a 
comunicação organizacional adquire um caráter estratégico nas organizações. 
Podemos afirmar que todo potencial da comunicação organizacional só se 
revela quando efetivamente a utilizamos de forma estratégica e não apenas 
instrumental. Fica como desafio ampliar e discutir o panorama da comunicação 
organizacional. 
 
DESAFIOS DA COMUNICAÇÃO ORGANIZACIONAL NA ATUALIDADE 
 
Frente ao cenário de transformação das organizações, é relevante 
refletirmos acerca dos desafios postos à comunicação organizacional. Fossá 
(1997) propõe alguns "postulados" da moderna comunicação nas 
organizações. 
Vejamos alguns deles: a comunicação organizacional deve estar 
calcada numa sólida visão estratégica da organização. A comunicação 
organizacional não pode resumir-se a uma visão fragmentada, isolada, 
instrumental. Ela deve refletir a missão e a visão da organização. Concebendo 
a comunicação organizacional com todo seu papel estratégico, estaremos 
lançando as bases para uma comunicação eficaz; a comunicação 
organizacional deve articular e integrar as várias linguagens que compõem a 
comunicação de uma organização. A publicidade, a assessoria de imprensa, as 
relações públicas, etc. deve estar em sintonia e integradas de maneira a 
estabelecer uma linguagem única, permitindo à organização construir uma 
comunicação eficaz e eficiente com seus vários públicos; a comunicação 
organizacional deve participar das transformações políticas, sociais, 
tecnológicas, culturais, econômicas. As organizações não são meras 
produtoras de bens e serviços, mas interagentes em um sistema mais amplo, 
onde desempenham um relevantepapel nas transformações desse sistema; a 
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comunicação organizacional deve estabelecer uma comunicação ética e 
transparente estimulando a responsabilidade social da empresa. Despertar o 
papel cidadão das organizações é estar em sintonia com o ambiente de 
transformações da atualidade. Somente uma comunicação ética e transparente 
irá garantir um bom relacionamento da organização com seus públicos; a 
comunicação organizacional deve desvendar e cultura organizacional e estar 
fundamentada nessa cultura. A cultura organizacional revela os valores e a 
postura de uma organização. Toda comunicação, no âmbito de uma 
organização, deve ser única, ou seja, não pode seguir um modelo ou 
receituário pronto. Cada organização tem suas características próprias, por 
isso devemos entender a cultura de uma organização; a comunicação 
organizacional deve permitir uma comunicação transparente e participativa. A 
organização deve estimular os públicos, analisar seus anseios, a partir de uma 
comunicação que estabeleça um diálogo permanente e transparente. 
Esses são alguns dos desafios da moderna comunicação 
organizacional, atenta às transformações impostas pelo ambiente. Logicamente 
não esgotamos o tema, apenas lançamos alguns questionamentos e reflexões. 
Principalmente, apontamos algumas perspectivas que irão pautar nossa 
atuação na área. 
Resumindo, o papel da comunicação organizacional vai ao sentido de 
promover a coesão interna em torno dos valores e da missão da empresa, 
aumentar a visibilidade pública da organização e divulgar de seus produtos e 
serviços. Num cenário globalizado, a informação revela-se uma arma poderosa 
de gestão empresarial. Isso, se aplica tanto à comunicação interna, como às 
ações de fortalecimento da imagem institucional, relações com a imprensa, 
governo, propaganda etc. 
O segredo não é mais a alma do negócio, afinal os consumidores 
querem saber o que acontece lá no chão da fábrica, querem ver o que a 
empresa proporciona aos seus funcionários e à comunidade de seu entorno. 
Para finalizar esse breve artigo, citamos Nassar, que sintetiza o 
"espírito" da comunicação organizacional deste e dos próximos milênios. "A 
sociedade e o mercado consumidor tornaram-se bastante hostis às 'empresas 
analfabetas', que não aprendem a escrever, ouvir, falar, se expressar e, 
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principalmente, dialogar no ambiente em que atuam". (1995, p. 12) E, deixamos 
um questionamento: será que apostar em comunicação organizacional já é 
uma realidade? Ou nossas empresas ainda são "analfabetas"? 
GESTÃO DA REDAÇÃO OFICIAL: CONCEITOS, DEFINIÇÕES, 
CARACTERÍSTICAS E FINALIDADE 
 
A eficácia da comunicação oficial depende basicamente do uso de 
linguagem simples e direta, chegando ao assunto que se deseja expor sem 
passar, por exemplo, pelos atalhos das fórmulas de refinada cortesia usuais no 
século passado. Ontem, o estilo tendia ao rebuscamento, aos rodeios ou aos 
circunlóquios; hoje, a vida moderna obriga a uma redação mais objetiva e 
concisa (BRASIL, 1990). 
Redação oficial é a maneira de redigir própria da Administração 
Pública. Sua finalidade básica é possibilitar a elaboração de comunicações e 
normativos oficiais claros e impessoais, pois o objetivo é transmitir a 
mensagem com eficácia, permitindo entendimento imediato (BRASIL, 2002). 
Considere-se, entretanto, que não há uma forma específica de 
linguagem administrativa, mas sim qualidades comuns a qualquer bom texto, 
seja ele oficial ou literário, aplicáveis à redação oficial: clareza, coesão, 
concisão, correção gramatical. Além disso, merecem destaque algumas 
características peculiares identificáveis na forma oficial de redigir: formalidade, 
uniformidade e impessoalidade. 
De todo modo, a redação oficial deve caracterizar-se pela 
impessoalidade, uso do padrão culto de linguagem, clareza, concisão, 
formalidade e uniformidade. Fundamentalmente, esses atributos decorrem da 
Constituição Federal (1988), que dispõe, no artigo 37: “A administração pública 
direta, indireta ou fundacional, de qualquer dos Poderes da União, dos 
Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de 
legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência (...)”. 
Sendo a publicidade e a impessoalidade princípios fundamentais de 
toda administração pública, claro está que devem igualmente nortear a 
elaboração dos atos e comunicações oficiais (BRASIL, 2002). 
Vamos ver cada uma dessas qualidades e características: 
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IMPESSOALIDADE 
A finalidade da língua é comunicar, quer pela fala, quer pela escrita. 
Para que haja comunicação, são necessários: alguém que comunique; algo a 
ser comunicado; alguém que receba essa comunicação. 
No caso da redação oficial, quem comunica é sempre o Serviço Público 
(este ou aquele Ministério, Secretaria, Departamento, Divisão, Serviço, Seção); 
o que se comunica é sempre algum assunto relativo às atribuições do órgão 
que comunica; o destinatário dessa comunicação ou é o público, o conjunto 
dos cidadãos, ou outro órgão público, do Executivo ou dos outros Poderes da 
União. 
Percebe-se, assim, que o tratamento impessoal que deve ser dado aos 
assuntos que constam das comunicações oficiais decorre: da ausência de 
impressões individuais de quem comunica: embora se trate, por exemplo, de 
um expediente assinado por Chefe de determinada Seção, é sempre em nome 
do Serviço Público que é feita a comunicação. Obtém-se, assim, uma desejável 
padronização, que permite que comunicações elaboradas em diferentes 
setores da Administração guardem entre si certa uniformidade; da 
impessoalidade de quem recebe a comunicação, com duas possibilidades: ela 
pode ser dirigida a um cidadão, sempre concebido como público, ou a outro 
órgão público. Nos dois casos, temos um destinatário concebido de forma 
homogênea e impessoal; do caráter impessoal do próprio assunto tratado: se o 
universo temático das comunicações oficiais se restringe a questões que dizem 
respeito ao interesse público, é natural que não cabe qualquer tom particular ou 
pessoal. 
Dessa forma, não há lugar na redação oficial para impressões 
pessoais, como as que, por exemplo, constam de uma carta a um amigo, ou de 
um artigo assinado de jornal, ou mesmo de um texto literário. A redação oficial 
deve ser isenta da interferência da individualidade que a elabora. 
A concisão, a clareza, a objetividade e a formalidade de que nos 
valemos para elaborar os expedientes oficiais contribuem, ainda, para que seja 
alcançada a necessária impessoalidade (BRASIL, 2002).
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CLAREZA 
Clareza é a qualidade do que é inteligível, facilmente compreensível. Já 
que se busca, então, com a clareza, fazer-se facilmente entendido, é preciso 
que o pensamento de quem comunica também seja claro, com as ideias 
ordenadas; a pontuação correta; as palavras, bem dispostas na frase; as 
intercalações reduzidas a um mínimo; a precisão vocabular, uma constante. 
Da mesma forma, a indispensável releitura do texto contribui para 
obtenção da clareza. A ocorrência de trechos obscuros e de erros gramaticais 
em textos oficiais provém principalmente da falta da releitura, que torna 
possível sua correção. 
Além disso, a falsa ideia de que “escreve bem quem escreve difícil” 
também contribui para a obscuridade do texto. Ora, quem escrevedifícil 
dificilmente é compreendido. Cada palavra dessa natureza é um tropeço para a 
leitura e só pode desvalorizar o que se escreve. 
Assim, para a redação de textos claros devemos utilizar 
preferencialmente a ordem direta ou lógica (sujeito, verbo, complementos); às 
vezes essa ordem precisa ser alterada em benefício da própria clareza; usar as 
palavras e as expressões em seu sentido mais comum; evitar períodos com 
negativas múltiplas; transformar as orações negativas em positivas, sempre 
que possível; buscar a uniformidade do tempo verbal em todo o texto; escolher 
com cuidado o vocabulário, evitando o jargão técnico; evitar neologismos 
(palavras, frases ou expressões novas, ou palavras antigas com sentidos 
novos), preciosismos (delicadeza ou sutileza excessiva no escrever) e 
regionalismos; utilizar palavras ou expressões de língua estrangeira somente 
quando indispensável. 
 
COESÃO 
O termo coesão pode ser conceituado como a união íntima das partes 
de um todo. Assim, o texto coeso é aquele em que as palavras, as orações, os 
períodos e os parágrafos estão interligados e coerentemente dispostos. 
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Às vezes, o cuidado com a estrutura do parágrafo pode induzir ao 
equívoco de encará-lo como redação autônoma, bastante em si mesmo. 
Apesar de ser uma unidade lógica completa (começo, meio e fim), não pode 
estar solto do restante do texto. 
Para que esse desligamento não ocorra, temos de trabalhar com 
mecanismos de ligação entre os parágrafos. A utilização desses mecanismos 
chama-se transição ou coesão. 
A transição não é necessariamente feita por partículas ou expressões. 
Ela pode ocorrer, por exemplo, com a utilização do mesmo sujeito da oração 
precedente. O importante nos mecanismos de transição é manter a fluência do 
texto. 
Exemplos de algumas partículas e expressões de transição: da mesma 
forma, aliás, também, mas, por fim, pouco depois, pelo contrário, assim, 
enquanto isso, além disso, a propósito, em primeiro lugar, no entanto, 
finalmente, em resumo, portanto, por isso, em seguida, então, já que, ora, daí, 
dessa forma, além do mais. 
 
CONCISÃO 
A concisão consiste em expressar com um mínimo de palavras um 
máximo de informações, desde que não se abuse da síntese a tal ponto que a 
ideia se torne incompreensível. Afinal, o tempo é precioso, e quanto menos se 
rechear a frase com adjetivos, imagens, pormenores desnecessários ou 
perífrases (rodeios de palavras), mais o leitor se sentirá respeitado. 
Para que se redija um texto conciso, é fundamental que se tenha, além 
de conhecimento do assunto sobre o qual se escreve o tempo necessário para 
revisá-lo depois de pronto. É nessa revisão que muitas vezes se percebem 
eventuais redundâncias ou repetições desnecessárias de ideias. Veja-se, por 
exemplo, o seguinte texto: 
A partir desta década, o número cada vez maior e, por isso mesmo, 
mais alarmante de desempregados, problema que aflige principalmente os 
países em desenvolvimento, tem alarmado as autoridades governamentais, 
guardiãs perenes do bem-estar social, principalmente pelas consequências 
adversas que tal fato gera na sociedade, desde o aumento da mortalidade 
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infantil por desnutrição aguda até o crescimento da violência urbana que 
aterroriza a família, esteio e célula-mater da sociedade. 
Se esse mesmo trecho for reescrito sem a carga informativa 
desnecessária, obtém-se um texto conciso e não prolixo: 
O número cada vez maior de desempregados tem alarmado as 
autoridades governamentais, pelas consequências adversas que tal fato gera 
na sociedade, desde o aumento da mortalidade infantil por desnutrição aguda 
até o crescimento da violência urbana. 
Vê-se, assim, como é importante o texto enxuto. Economizar palavras 
traz benefícios ao texto: o primeiro é errar menos; o segundo, poupar tempo; o 
terceiro, respeitar a paciência do leitor. 
Pode-se adotar como regra não dizer mais nem menos do que precisa 
ser dito. Isso não significa fazer breves todas as frases, nem evitar todo o 
detalhe, nem tratar os temas apenas na superfície; significa, apenas que cada 
palavra é importante. 
A concisão é antes uma qualidade do que uma característica do texto 
oficial. Conciso é o texto que consegue transmitir um máximo de informações 
com um mínimo de palavras. Para que se redija com essa qualidade, é 
fundamental que se tenha, além de conhecimento do assunto sobre o qual se 
escreve o necessário tempo para revisar o texto depois de pronto. É nessa 
releitura que muitas vezes se percebem eventuais redundâncias ou repetições 
desnecessárias de ideias. 
O esforço de sermos concisos atende basicamente ao princípio de 
economia linguística, à mencionada fórmula de empregar o mínimo de palavras 
para informar o máximo. Não se deve de forma alguma entendê-la como 
economia de pensamento, isto é, não se devem eliminar passagens 
substanciais do texto no afã de reduzi-lo em tamanho. Trata-se exclusivamente 
de cortar palavras inúteis, redundâncias, passagens que nada acrescentem ao 
que já foi dito (BRASIL, 2002). 
Procure perceber certa hierarquia de ideias que existe em todo texto de 
alguma complexidade: ideias fundamentais e ideias secundárias. Estas últimas 
podem esclarecer o sentido daquelas, detalhá-las, exemplificá-las; mas existem 
também ideias secundárias que não acrescentam informação alguma ao texto, 
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nem têm maior relação com as fundamentais, podendo, por isso, ser 
dispensadas (BRASIL, 2002). 
 
CORREÇÃO GRAMATICAL 
Correção gramatical é a utilização do padrão culto de linguagem, ou 
seja, é escrever sem desrespeitar os fatos particulares da língua e as regras 
apropriadas para o seu perfeito uso. As incorreções gramaticais desmerecem o 
redator e põem em dúvida sua autoridade para falar sobre qualquer assunto. 
Além disso, conhecer a própria língua não é privilégio de gramáticos, 
senão dever de todos aqueles que dela se utilizam. É erro de consequências 
imprevisíveis acreditar que só os escritores profissionais têm a obrigação de 
saber escrever. Saber escrever a própria língua faz parte dos deveres cívicos. 
A língua é a mais viva expressão da nacionalidade. 
 
FORMALIDADE E UNIFORMIDADE 
A formalidade consiste na observância das normas de tratamento 
usuais na correspondência oficial. Não se trata somente da eterna dúvida 
quanto ao correto emprego deste ou daquele pronome de tratamento para uma 
autoridade de certo nível; mais do que isso, a formalidade diz respeito à 
polidez, à civilidade no tratamento do assunto do qual cuida a comunicação. 
É importante salientar que a formalidade de tratamento vincula-se, 
também, à necessária uniformidade das comunicações. Ora, se a 
Administração Pública (municipal, estadual, distrital ou federal) é una, é natural 
que suas comunicações sigam um mesmo padrão. O estabelecimento desse 
padrão exige atenção a todas as características da redação oficial e cuidado 
com a apresentação dos textos. O uso de papéis uniformes e a correta 
diagramação do texto são indispensáveis para a padronização das 
comunicações oficiais. 
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ORIENTAÇÕES BÁSICAS SOBRE O ATO DE ESCREVER 
 
 
A) ESTILO 
Tudo que o ser humano faz tem a marca de sua individualidade. Essa 
maneira pessoal de as pessoas expressarem-se, dentro de uma determinada 
época, por meio da música, da literatura, da pintura, daescultura é o que se 
chama estilo. Em relação ao ato de redigir, estilo é, portanto, a maneira 
peculiar de cada escritor expressar os seus pensamentos. 
Também nos textos oficiais pode-se identificar o estilo de cada pessoa. 
Convém respeitá-lo, apenas requerendo do redator a observância das 
qualidades e características fundamentais da redação oficial, já explicitadas 
nos tópicos anteriores. 
 
B) HARMONIA 
Uma mensagem é harmoniosa quando é elegante, ou seja, quando soa 
bem aos nossos ouvidos. Muitos fatores prejudicam a harmonia na redação 
oficial, tais como, a aliteração (repetição do mesmo fonema): na certeza de que 
seria bem sucedido, o sucessor fez a seguinte asserção: ... (aliteração do 
fonema); a emenda de vogais (ou hiatismo): obedeça à autoridade; a cacofonia 
(encontro de sílabas em que a malícia descobre um novo termo com sentido 
torpe ou ridículo): Dê-me já aquela garrafa; a rima: o diretor chamou, com muita 
dor, o assessor, dizendo-lhe que, embora reconhecendo ser o mesmo 
trabalhador, não lhe poderia fazer esse favor; a repetição excessiva de 
palavras: o presidente da nossa empresa é primo do presidente daquela 
transportadora, sendo um presidente muito ativo; o excesso de que: solicitei-lhe 
que me remetesse o parecer que me prometera a fim de que eu pudesse 
concluir a análise que me fora solicitada. 
 
C) POLIDEZ 
O texto polido revela civilidade, cortesia. A finalidade, especialmente 
nas correspondências oficiais, é impressionar o destinatário de forma favorável, 
evitando frases grosseiras ou insultuosas, expressando respeito sem 
rebaixamento próprio. Expressar consideração pelo outro, sem ao mesmo 
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tempo rebaixar-se, por vezes até compensa falhas nas outras qualidades 
fundamentais do texto antes examinadas. Correspondência é contato humano 
e, como tal, deve ser pautada pelos mesmos princípios de convivência pacífica 
da vida social. 
 
PROBLEMAS NA CONSTRUÇÃO DE FRASES 
A clareza e a concisão na forma escrita são alcançadas principalmente 
pela construção adequada da frase. Alguns problemas mais frequentemente 
encontrados na construção de frases dizem respeito à utilização do sujeito da 
oração como complemento, à ambiguidade da ideia expressa, à elaboração de 
falsos paralelismos e aos erros de comparação, conforme exemplificado a 
seguir. 
a) Uso indevido do sujeito como complemento: 
Sujeito é o ser de quem se fala ou que executa a ação enunciada na 
oração. Ele pode ter complemento, mas não ser complemento. Devem ser 
evitadas, portanto, construções como: 
 Errado: É tempo dos parlamentares votarem o projeto. 
 Certo: É tempo de os parlamentares votarem o projeto. 
 Errado: Antes desses requisitos serem cumpridos... 
 Certo: Antes de esses requisitos serem cumpridos... 
 Errado: Apesar da Assessoria ter informado em tempo... 
 Certo: Apesar de a Assessoria ter informado em tempo... 
 
 
b) Ambiguidade: 
Ambígua é a frase ou oração que pode ser tomada em mais de um 
sentido. Como a clareza é requisito básico de todo texto oficial, deve-se atentar 
para as construções que possam gerar equívocos de compreensão. A 
ambiguidade decorre, em geral, da dificuldade de identificar-se a que palavra 
se refere um pronome que possui mais de um antecedente na terceira pessoa. 
Outro tipo de ambiguidade decorre da dúvida sobre a que se refere a oração 
reduzida. 
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Exemplos: 
 Ambíguo: O Chefe de Gabinete comunicou ao Diretor que ele seria 
exonerado. (Quem seria exonerado? O Chefe de Gabinete? O Diretor?) 
 Claro: O Chefe de Gabinete comunicou a exoneração dele ao Diretor. (O 
Chefe de Gabinete foi exonerado.) 
 Claro: O Chefe de Gabinete comunicou ao Diretor a exoneração deste. 
(O Diretor foi exonerado.) intervenção no seu Estado, mas isso não o 
surpreendeu. (Discurso de quem? Estado de quem? Quem não se 
surpreendeu?) 
 Claro: Em seu discurso, o Deputado saudou o Presidente da República. 
No pronunciamento, solicitou a intervenção federal em seu Estado, o 
que não surpreendeu o Presidente. (Discurso do Deputado. Estado do 
Deputado. O Presidente não se surpreendeu.) 
 Ambíguo: Sendo indisciplinado, o Chefe admoestou o funcionário. 
(Quem é indisciplinado?) 
 Claro: O Chefe admoestou o funcionário por ser este indisciplinado. 
 
 
c) Erros de paralelismo: 
Uma das convenções estabelecidas na língua escrita consiste em 
apresentar ideias similares numa forma gramatical idêntica, o que se chama de 
paralelismo. Assim, incorre-se em erro ao conferir forma não paralela a 
elementos paralelos. Exemplos: 
 Errado: Pelo aviso circular recomendou-se às unidades economizar 
energia e que elaborassem planos de redução de despesas. 
 Certo: Pelo aviso circular, recomendou-se às unidades que 
economizassem energia e (que) elaborassem planos para redução de 
despesas. 
 Certo: Pelo aviso circular, recomendou-se às unidades economizar 
energia e elaborar planos para redução de despesas. 
 Errado: No discurso de posse, mostrou determinação, não ser inseguro, 
inteligência e ter ambição. 
 Certo: No discurso de posse, mostrou determinação, segurança, 
inteligência e ambição. 
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 Certo: No discurso de posse, mostrou ser determinado e seguro, ter 
inteligência e ambição. 
 Errado: O novo procurador é jurista renomado, e que tem sólida 
formação acadêmica. 
 Certo: O novo procurador é jurista renomado e tem sólida formação 
acadêmica. 
 Certo: O novo procurador é jurista renomado, que tem sólida formação 
acadêmica. 
 
d) Erros de comparação: 
A omissão de certos termos ao se fazer uma comparação deve ser 
evitada ao redigir, pois compromete a clareza do texto: nem sempre é possível 
identificar, pelo contexto, qual o termo omitido. A ausência indevida de um 
termo pode impossibilitar o entendimento do sentido que se quer dar a uma 
frase: 
 Errado: O salário de um professor é mais baixo do que um médico. 
 Certo: O salário de um professor é mais baixo do que o salário de um 
médico. 
 Certo: O salário de um professor é mais baixo do que o de um médico. 
 Errado: O alcance da Resolução é diferente da Portaria. 
 Certo: O alcance da Resolução é diferente do alcance da Portaria. 
 Certo: O alcance da Resolução é diferente do da Portaria. 
 Errado: A Secretaria de Educação dispõe de mais verbas do que as 
Secretarias do Governo. 
 Certo: A Secretaria de Educação dispõe de mais verbas do que as 
outras Secretarias do Governo. 
 Certo: A Secretaria de Educação dispõe de mais verbas do que as 
demais Secretarias do Governo. 
 
Por fim, temos os pleonasmos que indicam redundância de expressão, 
ou seja, repetição de uma mesma ideia, mediante palavras diferentes. Quando 
a repetição de ideia não traz nenhuma energia à expressão, o pleonasmo 
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passa a ser vício, devendo, nesse caso, ser evitado. Exemplos de 
pleonasmos indesejáveis: 
 
acabamento final expressamente proibido 
a razão é porque fato real 
a seu critério pessoal há anos atrás 
certeza absoluta meu amigo particular 
comer com a boca multidão de pessoas 
conviver junto planejar antecipadamente 
relações bilaterais entre dois países descer para baixo 
sintomas indicativos 
 
EMPREGO DOS PRONOMES 
O uso de pronomes e locuções pronominais de tratamento tem larga 
tradição na língua portuguesa. De acordo com Said Ali (1964), após serem 
incorporadosao português, os pronomes latinos tu e vos, “como tratamento 
direto da pessoa ou pessoas a quem se dirigia a palavra”, passou-se a 
empregar, como expediente linguístico de distinção e de respeito, a segunda 
pessoa do plural no tratamento de pessoas de hierarquia superior. Prossegue o 
autor: 
Outro modo de tratamento indireto consistiu em fingir que 
se dirigia a palavra a um atributo ou qualidade eminente 
da pessoa de categoria superior, e não a ela própria. 
Assim aproximavam-se os vassalos de seu rei com o 
tratamento de vossa mercê, vossa senhoria (...); assim 
usou-se o tratamento ducal de vossa excelência e 
adotaram-se na hierarquia eclesiástica vossa reverência, 
vossa paternidade, vossa eminência, vossa santidade. 
A partir do final do século XVI, esse modo de tratamento indireto já 
estava em voga também para os ocupantes de certos cargos públicos. Vossa 
mercê evoluiu para vosmecê, e depois para o coloquial você. E o pronome vós, 
com o tempo, caiu em desuso. É dessa tradição que provém o atual emprego 
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de pronomes de tratamento indireto como forma de dirigirmo-nos às 
autoridades civis, militares e eclesiásticas. 
Os pronomes de tratamento (ou de segunda pessoa indireta) 
apresentam certas peculiaridades quanto à concordância verbal, nominal e 
pronominal. Embora se refiram à segunda pessoa gramatical (à pessoa com 
quem se fala, ou a quem se dirige a comunicação), levam a concordância para 
a terceira pessoa. É que o verbo concorda com o substantivo que integra a 
locução como seu núcleo sintático: “Vossa Senhoria nomeará o substituto”; 
“Vossa Excelência conhece o assunto”. 
Da mesma forma, os pronomes possessivos referidos a pronomes de 
tratamento são sempre os da terceira pessoa: “Vossa Senhoria nomeará seu 
substituto” (e não “Vossa ... vosso...”). 
Já quanto aos adjetivos referidos a esses pronomes, o gênero 
gramatical deve coincidir com o sexo da pessoa a que se refere, e não com o 
substantivo que compõe a locução. Assim, se nosso interlocutor for homem, o 
correto é “Vossa Excelência está atarefado”, “Vossa Senhoria deve estar 
satisfeito”; se for mulher, “Vossa Excelência está atarefada”, “Vossa Senhoria 
deve estar satisfeita” (BRASIL, 2002). 
Os pronomes oblíquos (me, lhe, nos) substituem muito elegantemente 
os possessivos (minha, sua) em frases como as seguintes: O barulho perturba- 
me as ideias (em vez de: O barulho perturba as minhas ideias); Ninguém lhe 
ouvia as propostas (em vez de: Ninguém ouvia as suas propostas); A solução 
do problema nos tomou o dia (em vez de: A solução do problema tomou o 
nosso dia). 
 
CORRESPONDÊNCIAS OFICIAIS 
 
a) Pronomes: 
Abre-se uma correspondência oficial com o destinatário, correto? 
(Ainda não estamos falando de toda estrutura). 
Os pronomes de tratamento representam a forma de tratar as pessoas 
com quem se fala ou a quem se dirige a comunicação e podem apresentar três 
formas diferentes: a) Quando constitui um chamado à pessoa: Excelência, aqui 
venho, cumprindo a sua ordem. b) Quando estabelece o diálogo com a pessoa: 
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Vim falar a Vossa Excelência. c) Quando indica a pessoa de quem se fala: 
Estou chegando de uma conversa com Sua Excelência. 
Os pronomes de tratamento são sempre os da terceira pessoa: “Vossa 
Senhoria nomeará seu substituto”; “Vossa Excelência conhece o assunto”. 
Quando se refere à terceira pessoa, o pronome de tratamento é 
precedido de Sua: “Sua Excelência, o Presidente da República houve por bem 
vetar...”. 
Quanto aos adjetivos referidos a esses pronomes, o gênero gramatical 
deve coincidir com o sexo da pessoa a que se refere, e não com o substantivo 
que compõe a locução. Assim, se o interlocutor for homem, o correto é “Vossa 
Excelência está atarefado”; se for mulher, “Vossa Excelência está atarefada”. 
A boa norma evita abreviar os pronomes de tratamento em 
correspondências dirigidas às principais autoridades: Presidente e Vice- 
Presidente da República, Ministros de Estado, Ministros do Supremo Tribunal 
Federal e Superior Tribunal de Justiça, Governadores de Estado, Prefeitos 
Municipais e autoridades eclesiásticas de maior hierarquia. Nesses casos, 
aconselha-se o uso por extenso dos pronomes de tratamento. 
Foi abolido o uso do tratamento Digníssimo e Ilustríssimo, sendo 
suficiente o uso do tratamento Senhor, para as autoridades que recebem 
tratamento de Vossa Senhoria; 
Os títulos Doutor e Professor são sempre relativos à pessoa e, por 
isso, não devem se referir a um cargo ou uma função; e, 
Doutor, que é um título adquirido mediante cursos de doutorado, não 
deve ser utilizado como forma de tratamento (BRASIL, 2002). 
 
b) Fechos para as comunicações oficiais: 
O fecho para as comunicações oficiais possui a finalidade de marcar o 
fim do texto e de saudar o destinatário. 
Com o intuito de simplificar e padronizar os fechos de comunicações 
oficiais foi estabelecido o emprego de somente dois fechos para todas as 
modalidades: a) para autoridades superiores, inclusive o Presidente da 
República: Respeitosamente. b) para autoridades de mesma hierarquia ou de 
hierarquia inferior: Atenciosamente. Ficam excluídas dessas fórmulas as 
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comunicações dirigidas às autoridades estrangeiras, que atendem a rito e 
tradição próprios. 
 
c) Identificação do signatário: 
Toda comunicação oficial deve apresentar: a) em caixa alta e baixa o 
nome da autoridade que a expede; b) em caixa alta e baixa o cargo (por 
extenso, sem o uso de abreviaturas), logo abaixo do local reservado para 
assinatura, exceto as assinadas pelo Presidente da República. 
Havendo necessidade de duas assinaturas, fica à esquerda a da 
autoridade responsável (no uso das atribuições) e à direita a do corresponsável 
(que fornece apoio técnico e logístico). 
A autoridade responsável é aquela que responde diretamente pelas 
competências e pelas atribuições da unidade e o corresponsável é a autoridade 
da unidade que fornecerá o apoio técnico e/ou logístico para o desempenho da 
atividade. 
Na maioria dos casos, o próprio documento define quem é o 
responsável direto e o responsável indireto. Recomenda-se não deixar a 
assinatura em página isolada do documento. Sugere-se transferir para a última 
página ao menos o último parágrafo do documento. 
 
d) Endereçamento: 
O endereçamento é feito com a transcrição do nome completo do 
destinatário e seu endereço (rua, número, Código de Endereçamento Postal 
(CEP), cidade e sigla do estado, (UF), iniciando-se a partir da metade inferior 
do anverso do envelope, à esquerda, a fim de deixar espaço suficiente para 
selagem na metade superior direita. No verso do envelope deve constar o 
nome completo do remetente e seu endereço. 
Quando se tratar de destinatários residentes fora do Brasil, devem ser 
obedecidas as normas de endereçamento do país de destino, incluindo-se, 
após o código da cidade, o nome do país, em português. O restante do 
endereço é escrito na língua estrangeira correspondente (BRASIL, 2002). 
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FORMAS, ESTRUTURAS E OBJETIVOS DAS COMUNICAÇÕES 
ADMINISTRATIVAS 
 
 
Dentro da comunicação organizacional, temos a comunicação 
administrativa. É o cotidiano da administração. Envolve áreas centrais de 
planejamento e estruturas técnico-normativas. Orienta, atualiza, ordena e 
reordena o fluxo de atividades funcionais por meio de normas,portarias, 
memorandos, instruções, portarias, cartas técnicas, índices etc. 
Certamente, as funções comunicativas têm sua maior força na 
perspectiva da teoria geral dos sistemas, devido aos inter-relacionamentos 
entre subsistemas, ou seja, a necessidade de se avaliar a organização como 
um todo e não somente em departamentos ou setores. 
As organizações são, por definição, sistemas abertos, pois não podem 
ser adequadamente compreendidas de forma isolada, mas sim pelo inter- 
relacionamento entre diversas variáveis internas e externas, que afetam seu 
comportamento. A comunicação, neste contexto, assume papel estratégico. 
São inúmeras as formas, as estruturas e os objetivos de cada tipo de 
comunicação. Veremos as mais comuns, exemplificando algumas que circulam 
com mais frequência no meio escolar, retiradas de manuais diversos, 
começando pela ATA que é o documento de valor jurídico, que consiste no 
resumo fiel dos fatos, ocorrências e decisões de sessões, reuniões ou 
assembleias, realizadas por comissões, conselhos, congregações, ou outras 
entidades semelhantes, de acordo com uma pauta, ou ordem-do-dia, 
previamente divulgada. É geralmente lavrada em livro próprio, autenticada, 
com as páginas rubricadas pela mesma autoridade que redige os termos de 
abertura e de encerramento. O texto apresenta-se seguidamente, sem 
parágrafos, ocupando cada linha inteira, sem espaços em branco ou rasuras, 
para evitar fraudes. A fim de ressalvar os erros, durante a redação, usar-se-á a 
palavra digo; se for constatado erro ou omissão, depois de escrito o texto, usar- 
se-á a expressão em tempo. Quem redige a ata é o secretário (efetivo do 
órgão, ou designado ad hoc para a reunião). A ata vai assinada por todos os 
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presentes, ou somente pelo presidente e pelo secretário, quando houver 
registro específico de frequência. 
Com o advento do computador, as atas têm sido elaboradas e 
digitadas, para posterior encadernação em livros de ata. Se isto ocorrer, deve 
ser indicado nos termos de abertura e fechamento, rubricando-se as páginas e 
mantendo-se os mesmos cuidados referentes às atas manuscritas. Dispensam- 
se as correções do texto, como indicado anteriormente. 
No caso de se identificar, posteriormente, algum erro ou imprecisão 
numa ata, faz-se a ressalva, apresentando nova redação para o trecho. Assim, 
submetida novamente à aprovação dos presentes, ficará consagrada. O novo 
texto será exarado na ata do dia em que foi aprovado, mencionando-se a ata e 
o trecho original. Assim, são partes que compõem uma ATA: O Cabeçalho, 
onde aparece o número (ordinal) da ata e o nome do órgão que a subscreve. O 
Texto sem delimitação de parágrafos, que se inicia pela enunciação da data, 
horário e local de realização da reunião, por extenso, objeto da lavratura da 
Ata. O Fecho, seguido da assinatura de presidente e secretário, e dos 
presentes, se for o caso. 
Em seguida veremos o DESPACHO que é uma modalidade de 
comunicação que dá andamento a um pedido, de âmbito interno, para prestar 
informações a respeito de qualquer matéria e para encaminhamento de 
documento ou informação que tenha finalidade de cumprimento de alguma 
tarefa ou atividade. 
Apesar de pouco usual, atualmente, o FAX é uma modalidade de 
comunicação que, pela velocidade e baixo custo, passou a ser adotada no 
serviço público, devendo ser utilizado na transmissão e recebimento de 
assuntos oficiais de urgência e para o envio antecipado de documentos, de 
cujo conhecimento há premência. Os originais dos documentos oficiais 
transmitidos por fax devem ser encaminhados posteriormente com o tempo. 
Outro tipo de documento é o MEMORANDO que é uma modalidade de 
comunicação eminentemente interna, entre unidades administrativas, podendo 
ser emitido de acordo com os seguintes critérios: entre unidades de mesma 
hierarquia; para a chefia imediata; e, para unidades diretamente subordinadas. 
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O memorando tem como principal característica a agilidade. A 
tramitação do memorando em qualquer órgão/unidade deve pautar-se pela 
simplicidade e rapidez dos procedimentos burocráticos. A numeração 
sequencial de controle terá início coincidente com o início do exercício. Cada 
órgão/unidade emitente fará o próprio controle da numeração. 
O memorando é a modalidade de comunicação entre unidades 
administrativas de um mesmo órgão, que podem estar hierarquicamente em 
mesmo nível ou em nível diferente. Trata-se, portanto, de uma forma de 
comunicação eminentemente interna. Pode ter caráter meramente 
administrativo, ou ser empregado para a exposição de projetos, ideias, 
diretrizes, entre outros, a serem adotados por determinado setor do serviço 
público. Quanto a sua forma, o memorando segue o modelo do padrão ofício, 
com a diferença de que o seu destinatário deve ser mencionado pelo cargo que 
ocupa. 
Outra forma de comunicado é a PAUTA DE UMA REUNIÃO que é a 
relação dos assuntos a serem tratados em reunião. Deve ser dada a público 
com antecedência, quando se tratar de assuntos de interesse de terceiros, para 
que esses possam se manifestar. Dela constarão, também, data, horário e 
endereço do local em que se realizará a reunião, além do quorum necessário, 
se for o caso. 
Noutrossim, temos a PORTARIA que é o ato pelo qual as autoridades 
competentes (titulares de órgãos) determinam providências de caráter 
administrativo, visando a estabelecer normas de serviço e procedimentos para 
o(s) órgão(s), bem como definir situações funcionais e medidas de ordem 
disciplinar. 
Mais simples é o RELATO DE REUNIÃO, forma simplificada do relato 
de fatos e decisões de reuniões para assuntos rotineiros, de procedimento 
padronizado. 
Muito utilizado é o OFÍCIO, modalidade de comunicação oficial cuja 
finalidade é o tratamento de assuntos oficiais entre autoridades de órgãos da 
Administração Pública, ou entre estas e particulares. 
Correspondência pela qual se mantém intercâmbio de informações a 
respeito de assunto técnico ou administrativo, cujo teor tenha caráter 
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exclusivamente institucional. São objetos de ofícios as comunicações 
realizadas entre dirigentes de entidades públicas, podendo ser também 
dirigidos a entidade particular, composto por Título abreviado - Of.-, 
acompanhado da sigla do órgão expedidor, sua esfera administrativa e 
numeração, à esquerda da página; Local e data, por extenso, à direita da 
página, na mesma linha do título; Endereçamento (alinhado à esquerda): nome 
do destinatário, precedido da forma de tratamento, e o endereço; Vocativo: a 
palavra Senhor(a), seguida do cargo do destinatário e de vírgula; Texto 
paragrafado, com a exposição do(s) assunto(s) e o objetivo do Ofício; Fecho de 
cortesia, expresso por advérbios: Atenciosamente, Cordialmente ou 
Respeitosamente; Assinatura, nome e cargo do emitente do Ofício. 
Em seguida temos o RELATÓRIO que é um documento em que se 
expõem ou se relatam atos e fatos sobre determinado assunto para a descrição 
de atividades concernentes a serviços específicos ou inerentes ao exercício do 
cargo. Deve ser conciso, claro e objetivo e com descrição das medidas 
adotadas. 
Outro tipo de documento é o ATESTADO, firmado por servidor em 
razão do cargo que ocupa, ou função que exerce, declarando um fato 
existente, do qual tem conhecimento, a favor de uma pessoa, é composto de: 
Título (a palavra ATESTADO), em letras maiúsculas e centralizado sobre o 
texto; Texto constante de um parágrafo, indicando a quem se refere,o número 
de matrícula e a lotação, caso seja servidor, e a matéria do Atestado; Local e 
data, por extenso; Assinatura, nome e cargo da chefia que expede o Atestado. 
Já a AUTORIZAÇÃO é o ato administrativo ou particular que permite 
ao pretendente realizar atividades ou utilizar determinado bem fora das rotinas 
estabelecidas. 
Forma de comunicação externa dirigida a pessoa (física ou jurídica) 
estranha à administração pública, a CARTA é utilizada para fazer solicitações, 
convites, externar agradecimentos, ou transmitir informações, devendo conter 
as seguintes partes: Local e data, por extenso, à esquerda da página. 
Endereçamento (alinhado à esquerda): nome do destinatário, precedido da 
forma de tratamento, e o endereço. Vocativo: a palavra Senhor (a), seguida do 
cargo do destinatário, e de vírgula. Texto paragrafado, com a exposição do(s) 
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assunto(s) e o objetivo da carta. Fecho de cortesia, seguido de advérbio 
adequado: Cordialmente, Atenciosamente, ou Respeitosamente. Assinatura, 
nome e cargo do emitente da carta. 
Já a CERTIDÃO é uma declaração feita por escrito, objetivando 
comprovar ato ou assentamento constante de processo, livro ou documento 
que se encontre em repartições públicas. Podem ser de inteiro teor – 
transcrição integral, também chamada traslado – ou resumidas, desde que 
exprimam fielmente o conteúdo do original. Certidões autenticadas têm o 
mesmo valor probatório do original e seu fornecimento, gratuito por parte da 
repartição pública, é obrigação constitucional (Const. Fed. 1988, art. 5º, XXXIV, 
b). 
Temos também o CONTRATO que é o acordo de vontades firmado 
pelas partes objetivando criar direitos e obrigações recíprocas. Tratando-se de 
negócio jurídico bilateral ou plurilateral, pressupõe o consenso, capacidade das 
partes (contratantes), objetivo lícito e vontade sem vício. 
Já o acordo firmado por entidades públicas de qualquer espécie, ou 
entre estas e entidades particulares, para realização de objetivos de interesse 
comum dos partícipes é o CONVÊNIO, que é um acordo, mas não é um 
contrato. No convênio, a posição jurídica dos signatários é uma só, idêntica 
para todos, podendo haver apenas diversidade na forma de cooperação de 
cada um, segundo suas possibilidades, para a consecução do objetivo comum. 
No Convênio, os signatários são chamados de partícipes, pois 
manifestam pretensões comuns (união de esforços e recursos). 
Já o DECRETO é um Ato administrativo destinado a prover situações 
gerais e individuais, abstratamente previstas de modo expresso, ou implícito na 
lei. São da competência exclusiva dos chefes do Executivo. O Decreto pode 
ser: - regulamentar, visando a explicar a lei e a facilitar a sua execução; - 
individual ou coletivo, relacionando-se a situações funcionais. 
Com relação à DELIBERAÇÃO, esta é uma espécie do gênero ato 
administrativo normativo ou decisório praticado pelo órgão colegiado, composta 
por: Título (a palavra DELIBERAÇÃO), com a sigla do órgão emitente e o 
número (à esquerda), e a data por extenso (à direita) em letras maiúsculas, na 
mesma linha. Ementa da matéria da Deliberação, em letras maiúsculas, à 
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direita da página. Preâmbulo, seguido da fundamentação e da palavra 
DELIBERA, alinhada à esquerda, seguida de dois pontos. Texto: exposição do 
conteúdo da Deliberação, distribuído em artigos, parágrafos e alíneas. Local e 
data, por extenso. Assinatura, nome e cargo da autoridade que expede a 
Deliberação. 
Outro instrumento muito utilizado é o EDITAL, pelo qual a 
Administração dá conhecimento ao público sobre: licitações, concursos 
públicos, atos deliberativos, entre outros. Um edital é composto de: Título (a 
palavra EDITAL, em letras maiúsculas, em negrito e centralizada sobre o 
texto). CITAÇÃO DO OBJETO DO EDITAL em letras maiúsculas, em negrito 
alinhado à esquerda. Preâmbulo: parte introdutória, apresentando o assunto e 
a identificação do órgão responsável. Texto: parte fundamental do edital que 
define o objeto e estabelece as condições de participação. Fecho: 
encerramento do edital, com as determinações finais sobre sua divulgação. 
Local e data por extenso. Assinatura e cargo da autoridade responsável. 
Também pertencentes à Redação Técnica, o REQUERIMENTO é um 
instrumento utilizado para os mais diferentes tipos de solicitações às 
autoridades ou órgãos públicos. 
 
 
GESTÃO DEMOCRÁTICA E FINANCEIRA DA SECRETARIA ESCOLAR 
 
 
No cenário educacional contemporâneo a questão da gestão 
democrática tem sido alvo de grandes debates, principalmente, na escola 
pública que muitas vezes interioriza uma gestão pautada no conservadorismo e 
tradicionalismo. A escola vista como uma organização social, cultural e humana 
requer que cada sujeito envolvido tenha o seu papel definido num processo de 
participação efetiva para o desenvolvimento das propostas a serem 
executadas. Neste contexto, o gestor é um dos principais responsáveis pela 
execução de uma política que promova o atendimento às necessidades e 
anseios dos que fazem a comunidade escolar. 
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Partindo desse princípio, a escola precisa rever o papel do gestor 
escolar no sentido de promover a gestão democrática como prática mediadora 
do trabalho pedagógico. 
A gestão democrática pressupõe a participação efetiva dos vários 
segmentos da comunidade escolar – pais, professores, estudantes e 
funcionários – em todos os aspectos da organização da escola. Esta 
participação incide diretamente nas mais diferentes etapas da gestão escolar 
(planejamento, implementação e avaliação) seja no que diz respeito à 
construção do projeto e processos pedagógicos quanto às questões de 
natureza burocrática. 
Esta perspectiva de gestão está amplamente amparada pela legislação 
brasileira. A Constituição Federal de 1988 aponta a gestão democrática como 
um dos princípios para a educação brasileira e ela é regulamentada por leis 
complementares como a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional 
(LDB) e o Plano Nacional da Educação, em seu artigo 22. 
Nesse sentido, é fundamental compreender a questão da gestão 
democrática para além do seu aspecto conceitual. Não se trata apenas de uma 
concepção de sociedade que prima pela democracia como princípio 
fundamental, mas do entendimento de que a democratização da gestão é 
condição estruturante para a qualidade e efetividade da educação, na medida 
em que possibilita que a escola crie vínculos com a comunidade onde está 
inserida, paute seu currículo na realidade local – conferindo sentido a proposta 
pedagógica – e envolva os diferentes agentes em uma proposta 
corresponsabilidade pela aprendizagem e desenvolvimentos dos estudantes. 
Este processo implica inclusive no envolvimento dos próprios 
estudantes, tendo a experiência e o direito à participação como elemento 
fundamental para o seu pleno desenvolvimento. 
Em sendo, para que a gestão democrática aconteça é fundamental 
criar processos e instâncias deliberativas que a viabilizem. Nessa perspectiva, 
o modelo tradicional de organização da escola ainda é um grande obstáculo, 
conferindo ao diretor ou equipe diretiva as prerrogativas de decisão sobre a 
escola, e sua comunidade. Mesmo com a existência de legislações que 
amparem a construção de uma gestão descentralizada, é preciso que a própria 
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instituição escolar transformesua cultura na perspectiva do diálogo igualitário, 
da horizontalidade e do equilíbrio entre as forças que compõem a comunidade 
escolar. 
Isto porque, a gestão democrática constitui-se, por meio do Conselho 
Escolar, de participação de todos, setor pedagógico e setor administrativo, 
alunos e comunidade. Foi garantida na Constituição Federal de 1988, 
promulgada em 1989 e regulamentada em 1992. 
Noutrossim, a gestão democrática e participativa tem como finalidade 
oferecer vantagens para a escola em todos os seus aspectos (pedagógicos, 
administrativos, financeiros) e para a comunidade que participa da gestão, e 
sendo uma política, iniciaremos nossos estudos justamente por apresentar e 
discutir, mesmo que em linhas gerais, as origens da política pública e o 
caminho percorrido até chegarmos aos programas no planejamento 
governamental, bem como a avaliação das políticas e programas. 
Em sendo, revisitaremos alguns elementos que nos farão crescer no 
entendimento acerca da importância da participação dos secretários no 
processo de gestão democrática da escola que são justamente a 
democratização da educação básica. Os elementos, os instrumentos e as 
estratégias da gestão democrática, como funciona o financiamento da 
educação e a gestão financeira da escola que perpassa necessariamente pelas 
fontes de recursos e o FUNDEB, aí sim, estaremos aptos para entendermos a 
prática social da educação, como se planeja, como construir o conhecimento 
na escola e o instrumento que permite tudo isso: o Projeto Político-Pedagógico 
(PPP). 
Para tanto, veremos os diversos programas do governo federal como, 
por exemplo, Programa Dinheiro Direto na Escola (PDDE); Programa Nacional 
do Livro Didático (PNLD); Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE); 
que vieram contribuir para o caminhamento da gestão democrática. 
Não nos esquecemos dos Conselhos de Classe, Conselho Escolar, 
Grêmio Estudantil, Associação de Pais e Mestres, Conselho Tutelar, uma vez 
que temos a participação bem ativa e direta dos secretários(as) escolares nas 
reuniões, seja organizando, participando ou direcionando as decisões das 
mesmas. 
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Gracindo (2007) ao apresentar o módulo 11 do Curso Técnico de 
Formação para os funcionários da Educação “Gestão Democrática nos 
sistemas e na escola” reforça que todos nós, enquanto participantes do 
processo educativo, devemos compreender que a ação de cada um dos 
funcionários na escola (seja do corpo pedagógico ou administrativo) é, 
sobretudo, uma ação educativa e que devemos nos envolver na prática social 
da educação. Quanto mais conscientes estivermos de nosso papel, maiores 
serão as possibilidades de construirmos uma escola inclusiva, democrática e 
de qualidade para todos os brasileiros. 
Imprimir uma nova filosofia de gestão implica na ruptura de paradigmas 
tradicionais e automaticamente nos leva a questionar sobre os aspectos 
relacionados à gestão democrática que supostamente vem sendo adotada em 
algumas escolas da rede pública de ensino no Brasil. 
 
Há pessoas trabalhando na escola, especialmente em 
postos de direção, que se dizem democratas apenas 
porque são “liberais” com alunos, professores, 
funcionários ou pais, porque lhes “dão abertura” ou 
“permitem” que tomem parte desta ou daquela decisão. 
Mas o que esse discurso parece não conseguir encobrir 
totalmente é que, se a participação depende de alguém 
que dá abertura ou permite sua manifestação, então a 
prática em que tem lugar essa participação não pode ser 
considerada democrática, pois democracia não se 
concede, se realiza: não pode existir “ditador 
democrático”. (PARO, 2001, pp. 18-19). 
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A EDUCAÇÃO, AS POLÍTICAS PÚBLICAS E OS PROGRAMAS 
GOVERNAMENTAIS 
 
 
As políticas públicas, enquanto área de conhecimento e disciplina 
acadêmica nasceu nos EUA, rompendo ou pulando as etapas seguidas pela 
tradição europeia de estudos e pesquisas nessa área, que se concentravam, 
então, mais na análise sobre o Estado e suas instituições do que na produção 
dos governos. Assim, na Europa, a área de política pública vai surgir como um 
desdobramento dos trabalhos baseados em teorias explicativas sobre o papel 
do Estado e de uma das mais importantes instituições do Estado – o governo –, 
produtor, por excelência, de políticas públicas. 
Nos EUA, ao contrário, a área surgiu no mundo acadêmico sem 
estabelecer relações com as bases teóricas sobre o papel do Estado, 
passando direto para a ênfase nos estudos sobre a ação dos governos. 
O pressuposto analítico que regeu a constituição e a consolidação dos 
estudos sobre políticas públicas é o de que, em democracias estáveis, aquilo 
que o governo faz ou deixa de fazer é passível de ser (a) formulado 
cientificamente e (b) analisado por pesquisadores independentes. A trajetória 
da disciplina, que nasce como subárea da ciência política, abre o terceiro 
grande caminho trilhado pela ciência política norte-americana no que se refere 
ao estudo do mundo público. 
O primeiro, seguindo a tradição de Madison, cético da natureza 
humana, focalizava o estudo das instituições, consideradas fundamentais para 
limitar a tirania e as paixões inerentes à natureza humana. 
O segundo caminho seguiu a tradição de Paine e Tocqueville, que 
viam, nas organizações locais, a virtude cívica para promover o “bom” governo. 
O terceiro caminho foi o das políticas públicas como um ramo da 
ciência política para entender como e por que os governos optam por 
determinadas ações. 
Na área do governo propriamente dito, a introdução da política pública 
como ferramenta das decisões do governo é produto da Guerra Fria e da 
valorização da tecnocracia como forma de enfrentar suas consequências. 
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Seu introdutor no governo dos EUA foi Robert McNamara que 
estimulou a criação, em 1948, da RAND Corporation, organização não- 
governamental financiada por recursos públicos e considerada a precursora 
dos think tanks. (O conceito de think tank faz referência a uma instituição 
dedicada a produzir e difundir conhecimentos e estratégias sobre assuntos 
vitais – sejam eles políticos, econômicos ou científicos. Assuntos sobre os 
quais, nas suas instâncias habituais de elaboração (estados, associações de 
classe, empresas ou universidades), os cidadãos não encontram facilmente 
insumos para pensar a realidade de forma inovadora. Os think tanks, portanto, 
não fazem o menor sentido em sociedades tradicionais, onde os problemas e 
as soluções são sempre os mesmos por definição. Nas sociedades modernas e 
cada vez mais complexas, porém, há a necessidade de espaços que reúnam 
pessoas de destaque, com autonomia suficiente para se atreverem a contestar 
criativamente as tendências dominantes, especialmente quando elas se tornam 
anacrônicas). 
O trabalho do grupo de matemáticos, cientistas políticos, analistas de 
sistema, engenheiros, sociólogos, entre outros, influenciados pela teoria dos 
jogos4 de Neuman, buscava mostrar como uma guerra poderia ser conduzida 
como um jogo racional. A proposta de aplicação de métodos científicos às 
formulações e às decisões do governo sobre problemas públicos se expande 
depois para outras áreas da produção governamental, inclusive para a política 
social (SOUZA, 2006). 
Ainda falando um pouco mais sobre essa origem americana, a mesma 
autora acima cita quatro grandes fundadores do conceito. 
Nos idos de 1930, H. Laswell introduz a expressão policy analysis 
(análise de política pública), como forma deconciliar conhecimento científico/ 
acadêmico com a produção empírica dos governos e também como forma de 
estabelecer o diálogo entre cientistas sociais, grupos de interesse e governo. 
 
 
 
4 A teoria dos jogos é uma teoria matemática criada para se modelar fenômenos que podem ser 
observados quando dois ou mais “agentes de decisão” interagem entre si. Ela fornece a linguagem para a 
descrição de processos de decisão conscientes e objetivos envolvendo mais do que um indivíduo. 
A teoria dos jogos é usada para se estudar assuntos tais como eleições, leilões, balança de poder, evolução 
genética, entre outros. Ela é também uma teoria matemática pura, que pode e tem sido estudada como tal, 
sem a necessidade de relacioná-la com problemas comportamentais ou jogos per se. 
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H.Simon (1957) introduziu o conceito de racionalidade limitada dos 
decisores públicos (policy makers), argumentando, todavia, que a limitação da 
racionalidade poderia ser minimizada pelo conhecimento racional. Para Simon, 
a racionalidade dos decisores públicos é sempre limitada por problemas, tais 
como informação incompleta ou imperfeita, tempo para a tomada de decisão, 
autointeresse dos decisores, entre outros, mas a racionalidade, segundo 
Simon, pode ser maximizada até um ponto satisfatório pela criação de 
estruturas (conjunto de regras e incentivos) que enquadre o comportamento 
dos atores e modele esse comportamento na direção de resultados desejados, 
impedindo, inclusive, a busca de maximização de interesses próprios. 
Lindblom (1959; 1979) questionou a ênfase no racionalismo de Laswell 
e Simon e propôs a incorporação de outras variáveis à formulação e à análise 
de políticas públicas, tais como as relações de poder e a integração entre as 
diferentes fases do processo decisório, o que não teria necessariamente um 
fim ou um princípio. Daí por que as políticas públicas precisariam incorporar 
outros elementos à sua formulação e à sua análise além das questões de 
racionalidade, tais como o papel das eleições, das burocracias, dos partidos e 
dos grupos de interesse. 
Easton (1965) contribuiu para a área ao definir a política pública como 
um sistema, ou seja, como uma relação entre formulação, resultados e o 
ambiente. Segundo Easton, políticas públicas recebem inputs dos partidos, da 
mídia e dos grupos de interesse, que influenciam seus resultados e efeitos. 
 
POLÍTICAS PÚBLICAS NO ESTADO DE BEM-ESTAR SOCIAL 
 
Em linhas gerais, se analisarmos ao “pé da letra”, bem-estar social 
seria exatamente ter qualidade de vida, ou seja, um estado que reúne um 
conjunto de fatores que levam o sujeito a ter uma existência tranquila e viver 
com satisfação. 
O bem-estar social engloba, portanto, as coisas que incidem de forma 
positiva na qualidade de vida: um emprego digno, recursos econômicos para 
satisfazer as necessidades, um lar para viver, acesso à educação e a saúde, 
tempo para o lazer, entre outros. Apesar de a noção de bem-estar ser subjetiva 
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(aquilo que é bom/favorável para uma pessoa pode não sê-lo para outra), o 
bem-estar social está associado a fatores econômicos objetivos. 
O Estado do Bem-Estar Social surgiu em resposta à Grande 
Depressão, iniciada em 1929 quando aconteceu o “Crash” da Bolsa de Valores 
de Nova York, crise esta, que se estendeu por quase toda a década de 1930, 
afetando vários países além dos Estados Unidos. As principais consequências 
dessa crise foram altos índices de desemprego e uma queda acentuada no 
Produto. 
Em resposta à depressão, os Estados Unidos buscou estabilizar o nível 
da atividade econômica e aprovou uma legislação destinada a atenuar vários 
dos problemas específicos: seguro-desemprego, seguridade social, seguro 
federal para os depositantes, programas federais destinados a suportar preços 
da agricultura e um conjunto de outros programas visando diversos objetivos 
econômicos e sociais. O conjunto destes programas ficou conhecido como 
“New Deal”. 
Nesta época, o Estado passou a intervir intensa e diretamente na 
economia por meio das suas empresas estatais. 
No Estado de Bem-Estar, também chamado de Estado-providência 
(Welfare State) ou ainda Estado Social, o Estado é forte: presta muitos serviços 
públicos, atua combatendo a pobreza, e também subsidiando empresas 
(subsídios incluem construir hidrelétricas, telecomunicações e petroleiras para 
melhorar o sistema). Nesta orientação, o Estado de Bem-Estar intervém na 
economia e na Sociedade com o fim de estimular o desenvolvimento e 
proporcionar, com mecanismos reguladores e de Seguridade Social, condições 
de vida mínimas à grande maioria da população (CRUZ, 2001). 
O surgimento do Estado de bem-estar social pressupôs a garantia de 
materializar direitos como a vida, a saúde e a alimentação. A partir deste 
momento, o caráter assistencial e de caridade começa a desaparecer e os 
benefícios começam a serem percebidos como direitos da cidadania. Mas, 
neste período, estes direitos ainda eram considerados como dádivas 
provenientes de um Estado bom (FREIRE Jr, 2005). 
Como o Estado de bem-estar não se manteve e o sistema capitalista 
não sustenta a possibilidade do provimento de todos os direitos sociais, 
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fortaleceu-se o estado mínimo aos direitos da população. Neste meio em que 
promessas não são cumpridas, surge o Estado Democrático de Direito, que 
busca a efetivação da Constituição, num caráter mais dinâmico e aberto, 
visando o pleno desenvolvimento humano (FREIRE Jr, 2005). 
Como afirma Batista et al. (2008, p. 11), as políticas promovidas pelos 
Estados de Bem-Estar Social no pós-guerra levaram a uma melhoria 
considerável das condições de vida e de trabalho, contribuindo para o aumento 
progressivo da expectativa de vida de suas populações. 
Segundo Oliveira, Scortegagna e Oliveira (2010), como neste contexto 
globalizado atual, o sistema capitalista encontra novas formas de excluir, surge 
então, a necessidade de políticas que garantam direitos elementares. 
Entretanto, as políticas não se formulam aquém da globalização, assim, cabe 
pensar se realmente as políticas estão incluindo os excluídos. Garantir, por 
exemplo, o direito ao voto representa realmente um real Estado Democrático 
de Direito ou a obrigatoriedade sobrepõe a consciência e camufla os interesses 
do Estado? 
Sendo assim, torna-se imprescindível pensar o que atualmente 
representam as políticas públicas, pois estas são permeadas pelas 
contradições entre a reprodução do capital e as demandas sociais. 
Para Bucci (2002, p. 241), as políticas públicas são “programas de 
ação governamental visando a coordenar os meios à disposição do estado e as 
atividades privadas, para a realização de objetivos relevantes e politicamente 
determinados”. 
Freire Jr (2005, p. 48) complementa e afirma que “as políticas públicas 
são os meios necessários para a efetivação dos direitos fundamentais, uma 
vez que pouco vale o mero reconhecimento formal de direitos se ele não vem 
acompanhado de instrumentos para efetivá-los”. 
Pois bem, quando pensamos em efetivação dos direitos para uma 
parcela da população que está marginalizada podemos pensar em idosos e 
negros. Frise-se que esses são somente dois núcleos que lembramos de 
pronto, mas existem muitos outros segmentos na nossa sociedade que estão 
excluídos. 
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POLÍTICASPÚBLICAS PARA AS MINORIAS 
 
Se tomarmos as minorias como referência e/ou exemplo, a explicação 
de Oliveira (2012) cai como uma luva para iniciarmos as reflexões sobre 
políticas públicas com foco neste segmento. 
Política pública é uma expressão que visa definir uma situação 
específica da política. A melhor forma de compreendermos essa definição é 
partirmos do que cada palavra, separadamente, significa. Política é uma 
palavra de origem grega, politikó, que exprime a condição de participação da 
pessoa que é livre nas decisões sobre os rumos da cidade, a pólis. Já a 
palavra pública é de origem latina, publica, e significa povo, do povo. 
Assim, política pública, do ponto de vista etimológico, refere-se à 
participação do povo nas decisões da cidade, do território. Porém, 
historicamente, essa participação assumiu feições distintas, no tempo e no 
lugar, podendo ter acontecido de forma direta ou indireta (por representação). 
De todo modo, um agente sempre foi fundamental no acontecimento da política 
pública: o Estado. 
Souza (2006, p. 24) cita o conceito segundo alguns estudiosos 
estrangeiros que valem ser reproduzidos: Política pública é a soma das 
atividades dos governos, que agem diretamente ou através de delegação, e 
que influenciam a vida dos cidadãos (PETERS, 1986). Política pública é o que 
o governo escolhe fazer ou não fazer (DYE, 1984). Para Laswell, decisões e 
análises sobre política pública implicam responder às seguintes questões: 
quem ganha o quê, por quê e que diferença faz. 
Embasando teoricamente em várias outras definições, Souza (2006, p. 
26; 2013, p. 13) define política pública como campo do conhecimento que 
busca, ao mesmo tempo, “colocar o governo em ação” e/ou analisar essa ação 
(variável independente) e, quando necessário, propor mudanças no rumo ou 
curso dessas ações e/ou entender por que e como as ações tomaram certo 
rumo em lugar de outro (variável dependente). 
Em outras palavras, o processo de formulação de política pública é 
aquele através do qual os governos traduzem seus propósitos em programas e 
ações, que produzirão resultados ou as mudanças desejadas no mundo real. 
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Concordamos com Oliveira (2012), que apesar da contribuição de 
Souza para a definição de políticas públicas, entende-se que o melhor termo 
que o define, por conta de seu caráter didático, é o desenvolvido por Azevedo 
(2003, p. 38): “política pública é tudo o que um governo faz e deixa de fazer, 
com todos os impactos de suas ações e de suas omissões”. 
O primeiro destaque a se fazer com relação a essa definição dada por 
Azevedo é de que política pública é coisa para o governo. A sua definição é 
clara nesse sentido. 
Isso quer dizer que a sociedade civil, ou melhor, o povo, não é 
responsável direto e nem agente implementador de políticas públicas. No 
entanto, a sociedade civil, o povo, faz política, como bem afirmou Foucault 
(1979): todas as pessoas fazem política, todos os dias, e até consigo mesmas! 
Isso seria possível na medida em que, diante de conflitos, as pessoas precisam 
decidir, sejam esses conflitos de caráter social ou pessoal, subjetivo. 
Socialmente, a política, ou seja, a decisão mediante o choque de 
interesses desenha as formas de organização dos grupos, sejam eles 
econômicos, étnicos, de gênero, culturais, religiosos, entre outros. A 
organização social é fundamental para que decisões coletivas sejam favoráveis 
aos interesses do grupo. 
Sobre a construção do conceito de políticas públicas, cabe ressaltar a 
importância dos grupos de interesse, organizados socialmente, os quais traçam 
estratégias políticas para pressionaram o governo a fim de que políticas 
públicas sejam tomadas em seu favor. 
As políticas públicas têm sua importância, entretanto não podem ser 
consideradas como a solidariedade ou dádivas de um estado bom em prol do 
bem-estar de toda população, por meio de um discurso caridoso e evasivo. 
Estas políticas não podem ser estruturadas apenas como meios de promoção 
política e discurso eleitoreiro. Devem ser formuladas e implementadas segundo 
as necessidades reais da população. 
Não cabe dizer que as políticas públicas são boas ou ruins, mas é 
preciso apontar limitações e que estas irão se efetivar garantindo direitos para 
toda população a partir do momento em que haja movimentos sociais em prol 
da garantia da cidadania, além de melhores condições de vida e sobrevivência. 
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Em sendo, “a cidadania se constrói com a universalidade de direitos. Direito ao 
trabalho, direito à saúde, direito à assistência social, direito à educação, direito 
à aposentadoria e à pensão” (COBAP, 2007, p. 8). 
 
O CICLO DAS POLÍTICAS PÚBLICAS 
 
O ciclo de uma política pública ou também conhecido como elaboração 
da política pública, na verdade é um esquema de visualização e intepretação 
que organiza a vida de uma política pública em fases sequenciais e 
independentes. 
O ciclo é constituído dos seguintes estágios (alguns autores incluem 
outras fases, mas estas são as básicas e essenciais): identificação do 
problema; formação da agenda; formulação de alternativas; tomada de 
decisão; implementação; avaliação e extinção (SARAIVA; FERARREZI, 2006; 
SOUZA, 2006). 
Um problema é a discrepância entre o status quo e uma situação ideal 
possível. Um problema público é a diferença entre o que é e aquilo que se 
gostaria que fosse a realidade pública. Um problema público pode aparecer 
subitamente, por exemplo, uma catástrofe natural que afete a vida de pessoas 
de determinada região. Um problema público também pode ganhar importância 
aos poucos, como o congestionamento nas cidades ou a progressiva 
burocratização de procedimentos e serviços públicos. Um problema público 
pode estar presente por muito tempo, mas não receber suficiente atenção 
porque a coletividade aprendeu a conviver com ele, como o caso da 
favelização das periferias das grandes cidades. 
Um problema nem sempre é reflexo da deterioração de uma situação 
de determinado contexto, mas sim de melhora da situação em outro contexto. 
Por exemplo, a falta de acesso pavimentado de um pequeno município à malha 
viária estadual passa a ser percebida como um problema relevante a partir do 
momento em que o município vizinho é contemplado com esse tipo de obra. Às 
vezes, se meu vizinho compra um carro novo, eu começo a perceber meu carro 
como velho. 
A incorporação de problemas na agenda dos governos, ponto de 
partida para a elaboração de propostas de políticas públicas e de ação 
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governamental, envolve uma série de etapas que têm início com o 
“acatamento” de um assunto pelo governo, podendo-se identificar, assim, a 
forma como ele chega ao debate público (COSTA; MELO, 1998) e como 
captura a atenção dos elaboradores da política (definição da agenda), daí 
gerando opções de política pública. 
Em seguida, torna-se necessária a legitimação da decisão, momento 
no qual se busca apoio político dos atores envolvidos com a política pública, 
para a obtenção da sua aprovação. Finalmente, implementa-se a política 
formulada, através da operacionalização em programas e projetos pelas áreas 
competentes (PINTO, 2008). 
De acordo com Souza (2006), esta abordagem enfatiza sobremodo a 
definição de agenda (agenda setting) e pergunta por que algumas questões 
entram na agenda política, enquanto outras são ignoradas. Algumas vertentes 
do ciclo da política pública focalizam mais os participantes do processo 
decisório, e outras, o processode formulação da política pública. Cada 
participante e cada processo pode atuar como um incentivo ou como um ponto 
de veto. À pergunta de como os governos definem suas agendas, são dados 
três tipos de respostas. A primeira focaliza os problemas, isto é, problemas 
entram na agenda quando assumimos que devemos fazer algo sobre eles. O 
reconhecimento e a definição dos problemas afeta os resultados da agenda. A 
segunda resposta focaliza a política propriamente dita, ou seja, como se 
constrói a consciência coletiva sobre a necessidade de se enfrentar um dado 
problema. 
Essa construção se daria via processo eleitoral; via mudanças nos 
partidos que governam ou via mudanças nas ideologias (ou na forma de ver o 
mundo), aliados à força ou à fraqueza dos grupos de interesse. Segundo esta 
visão, a construção de uma consciência coletiva sobre determinado problema é 
fator poderoso e determinante na definição da agenda. Quando o ponto de 
partida da política pública é dado pela política, o consenso é construído mais 
por barganha do que por persuasão, ao passo que, quando o ponto de partida 
da política pública encontra-se no problema a ser enfrentado, dá-se o processo 
contrário, ou seja, a persuasão é a forma para a construção do consenso. 
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A terceira resposta focaliza os participantes, que são classificados 
como visíveis, ou seja, políticos, mídia, partidos, grupos de pressão, entre 
outros, e invisíveis, tais como acadêmicos e burocracia. Segundo esta 
perspectiva, os participantes visíveis definem a agenda e os invisíveis, as 
alternativas. 
A literatura do ciclo de política tem adquirido progressiva importância 
nos estudos sobre a elaboração da política pública. Vários trabalhos 
mencionados por Vianna (1996) indicam a evolução dos estágios de 
desenvolvimento dessas políticas. 
Ainda sobre as fases ou etapas que compõem o processo, Kingdon 
(1994) e Kelly e Palumbo (1992) citados por Pinto (2008) explicam melhor 
essas fases: Determinação da agenda, onde a dinâmica da definição do 
problema é questão essencial para a compreensão da política pública. 
Formulação e legitimação da política (seleção de proposta, construção de 
apoio político, formalização em lei). Implementação de políticas 
(operacionalização da política em planos, programas e projetos no âmbito da 
burocracia pública e sua execução). Avaliação de políticas (relato dos 
resultados alcançados com a implementação das propostas e programas de 
governo, avaliação dos impactos dos programas e sugestão de mudanças). 
De acordo com a teoria do ciclo da política pública, o caminho seguido 
começa com a elaboração de uma agenda, onde interesses e propostas são 
colocados na “mesa” de negociações, definindo-se preferências que são 
adaptadas ao projeto político governamental, seguido das etapas de 
formulação de propostas, escolha de alternativas e implementação das 
políticas públicas. 
As explicações acerca da incorporação de determinado item, na 
agenda do governo, estão baseadas nas perspectivas pluralista ou elitista. Na 
primeira perspectiva, pluralista, os itens da agenda provêm de fora do governo 
e de uma série de grupos de interesse, sendo que as questões podem alcançar 
a agenda, através da mobilização de grupos relevantes. Na segunda, elitista, a 
explicação privilegia o entendimento de que há um tipo de estabelecimento 
fechado dentro da determinação da agenda pelo governo, que opera através 
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da difusão de ideias nos círculos profissionais e entre as elites que decidem ou 
influenciam a política pública (LUKES, 1976 apud PINTO, 2008). 
Os partidos políticos, os agentes políticos e as organizações não 
governamentais são alguns dos atores que se preocupam constantemente em 
identificar problemas públicos. Do ponto de vista racional, esses atores 
encaram o problema público como matéria-prima de trabalho. Um político 
encontra nos problemas públicos uma oportunidade para demonstrar seu 
trabalho ou, ainda, uma justificativa para a sua existência. A partir do momento 
em que uma espécie da fauna entra em extinção, e isso vem a conhecimento 
público, surge a oportunidade de criação de uma entidade de defesa daquela 
espécie. A partir do momento em que um produto importado começa a 
atrapalhar um setor industrial, surge a oportunidade política de defender os 
interesses desse setor industrial. 
Se um problema é identificado por algum ator político, e esse ator tem 
interesse na resolução de tal problema, este poderá então lutar para que tal 
problema entre na lista de prioridades de atuação. Essa lista de prioridades é 
conhecida como agenda. 
Segundo Pinto (2008), no âmbito dos atores governamentais, pode-se 
distinguir o grupo da chamada Administração Central, que envolve uma 
combinação de três atores: o próprio chefe do Executivo, isto é, a autoridade 
máxima do nível de governo que se esteja considerando; o staff do gabinete 
executivo do governo e, por último, os dirigentes e assessores nomeados, em 
função de sua vinculação política ao governante. Esse grupo estabelece as 
prioridades do processo de construção da agenda, determinam os itens da 
agenda, decidindo acerca das questões fundamentais no desenvolvimento do 
processo de formulação das políticas públicas. Os burocratas, isto é, os 
servidores públicos de carreira, por sua vez, não são considerados por Kingdon 
tão influentes na determinação da agenda, tendo, no entanto, um impacto 
maior na especificação de alternativas de solução aos problemas incluídos no 
debate político. Seu poder, geralmente, manifesta-se no momento da 
implementação das políticas. 
As críticas em relação à abordagem da política pública como um ciclo 
baseiam-se no fato de que a descrição do processo é sequencial e ordenada, 
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pressupondo-se que todas as alternativas são cuidadosamente discutidas para 
o alcance dos objetivos (modelo racional-abrangente), quando, na prática, a 
elaboração da política é complexa e interativa. 
Kingdon (1994 apud PINTO, 2008) acrescenta às limitações da 
perspectiva incrementalista que pressupõe que as mudanças se dão de forma 
gradual, a partir da incorporação de pequenas alterações, nas políticas e nos 
programas, uma crítica do caráter incremental do processo. Nesse sentido, 
ressalta que a determinação das agendas tem mostrado uma grande 
quantidade de mudança não incremental. 
Enfim, Souza (2013) explica vários modelos teóricos para o ciclo das 
políticas públicas. Aqui apresentaremos os principais modelos de política 
pública: a política pública permite distinguir entre o que o governo pretende 
fazer e o que, de fato, faz; a política pública envolve vários atores e níveis de 
decisão, embora seja materializada através dos governos, e não 
necessariamente se restringe a participantes formais, já que os informais são 
também importantes; a política pública é abrangente e não se limita a leis e 
regras; a política pública é uma ação intencional, com objetivos a serem 
alcançados; a política pública, embora tenha impactos no curto prazo, é uma 
política de longo prazo; a política pública envolve processos subsequentes 
após sua decisão e proposição, ou seja, implica também implementação, 
execução e avaliação. 
 
O PROGRAMA NO PLANEJAMENTO GOVERNAMENTAL 
 
De acordo com o sítio na internet do Governo do Distrito Federal 
(GDF), programas de governo são políticas públicas, principal instrumento que 
os governos utilizam para promover a integração entre governo e os setores 
paraotimizar seus recursos, sejam eles financeiros, humanos, logísticos ou 
materiais. 
Programa de Governo também pode ser entendido como o conjunto de 
Compromissos estabelecidos com a sociedade, sob os quais a candidatura 
será avaliada e que estabelece o patamar inicial sobre o qual é estabelecida a 
relação com o cidadão (ã) tanto para o exercício da Participação direta quanto 
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do Controle Social, na perspectiva de fazer com que as políticas de Governo 
sejam consolidadas como Políticas Públicas, de fato. 
Se pensarmos em planejamento governamental, o qual é desenvolvido 
em níveis que se integram e sincronizam os planos, o programa será um dos 
seus níveis, a saber: diretriz – conjunto de critérios de ação e de decisão que 
deve disciplinar e orientar os diversos aspectos envolvidos no processo de 
planejamento. Trata-se de um nível mais abstrato onde ocorre a formulação 
geral do objetivo; objetivo – indica os resultados que a administração pretende 
alcançar com a realização das ações governamentais; metas – é a 
especificação e a quantificação física dos objetivos estabelecidos; programa – 
corresponde às ações que resultam em serviços prestados à comunidade, 
passíveis de quantificação. 
Elevando o pensamento para a área de planejamento e orçamento 
público, o Orçamento-Programa é entendido como uma etapa do planejamento 
e compreende os seguintes aspectos: instrumento de ação administrativa para 
execução dos planos de longo, médio e curtos prazos; previsão das receitas e 
fixação das despesas com o objetivo de atender às necessidades coletivas 
definidas no programa de Ação do Governo; instrumento de aferição e controle 
da autoridade e da responsabilidade dos órgãos e agentes da administração 
orçamentária e financeira, permitindo, igualmente, avaliar a execução dos 
programas de trabalho do Governo. 
 
Nesse sentido, de componente de um sistema integrado de gerência, o 
orçamento-programa é entendido como uma das etapas do planejamento e foi 
adotado na esfera federal pela Lei nº 4.320/64. 
Segundo Silva (2002), identificam-se na elaboração de um orçamento- 
programa, algumas fases nítidas e necessárias, quais sejam: Determinação da 
situação – identificação dos problemas existentes. Diagnóstico da situação – 
identificação das causas que concorrem para o aparecimento dos problemas. 
Apresentação das soluções – identificação das alternativas viáveis para 
solucionar os problemas. Estabelecimento das prioridades – ordenamento das 
soluções encontradas. Definição dos objetivos – estabelecimento do que se 
pretende fazer e o que se conseguirá com isso. Determinação das tarefas – 
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identificação das ações necessárias para atingir os objetivos. Determinação 
dos recursos – arrolamento dos meios: recursos humanos, materiais, técnicos, 
institucionais e serviços de terceiros necessários. Determinação dos meios 
financeiros – expressão monetária dos recursos alocados. 
O orçamento-programa contribui para o planejamento governamental, 
pois é capaz de expressar com maior veracidade as responsabilidades do 
Governo para com a sociedade, visto que o orçamento deve indicar com 
clareza os objetivos perseguidos pela nação da qual o governo é intérprete. 
Assim, podemos constatar que é princípio fundamental do Estado 
moderno que os Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário devem organizar e 
exercer suas atividades com planejamento permanente, atendendo às 
peculiaridades locais e aos princípios técnicos convenientes ao 
desenvolvimento econômico e social. 
 
AVALIAÇÃO DE POLÍTICAS E PROGRAMAS GOVERNAMENTAIS 
 
Implementação, execução e avaliação de uma política, um programa, 
um projeto que seja, são ações que caminham sempre juntas, porque 
evidentemente é pela avaliação que saberemos se estamos no caminho certo, 
onde precisa mudar, aprimorar, corrigir. 
Segundo Rua (2004), a avaliação de políticas públicas, programas e 
projetos governamentais têm finalidades bastante precisas: 
1. Accountability, significando estabelecer elementos para julgar e aprovar 
decisões, ações e seus resultados. 
2. Desenvolver e melhorar estratégias de intervenção na realidade, ou 
seja, a avaliação tem que ser capaz de propor algo a respeito da política 
que está sendo avaliada. 
3. Empoderamento, promoção social e desenvolvimento institucional, 
significando que a avaliação deve ser capaz de abrir espaço para a 
democratização da atividade pública, para a incorporação de grupos 
sociais excluídos e para o aprendizado institucional e fortalecimento das 
instituições envolvidas. 
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Para Höfling (2001), na análise e avaliação de políticas implementadas 
por um governo, fatores de diferentes natureza e determinação são 
importantes. 
Especialmente quando se focaliza as políticas sociais (usualmente 
entendidas como as de educação, saúde, previdência, habitação, saneamento 
entre outras) os fatores envolvidos para a aferição de seu “sucesso” ou 
“fracasso” são complexos, variados, e exigem grande esforço de análise. 
Estes diferentes aspectos devem estar sempre referidos a um contorno 
de Estado no interior do qual eles se movimentam. Torna-se importante aqui 
ressaltar a diferenciação entre Estado e governo. Estado pode ser entendido 
como o conjunto de instituições permanentes – como órgãos legislativos, 
tribunais, exército e outras que não formam um bloco monolítico 
necessariamente – que possibilitam a ação do governo; e, Governo, como o 
conjunto de programas e projetos que parte da sociedade (políticos, técnicos, 
organismos da sociedade civil e outros) propõe para a sociedade como um 
todo, configurando-se a orientação política de um determinado governo que 
assume e desempenha as funções de Estado por um determinado período. 
Políticas públicas, vimos que seria o Estado em ação, ou seja, é o 
Estado implantando um projeto de governo, através de programas, de ações 
voltadas para setores específicos da sociedade. 
Estado não pode ser reduzido à burocracia pública, aos organismos 
estatais que conceberiam e implementariam as políticas públicas. As políticas 
públicas são aqui compreendidas como as de responsabilidade do Estado – 
quanto à implementação e manutenção a partir de um processo de tomada de 
decisões que envolvem órgãos públicos e diferentes organismos e agentes da 
sociedade relacionados à política implementada. Neste sentido, políticas 
públicas não podem ser reduzidas a políticas estatais (HÖFLING, 2001). 
E políticas sociais se referem a ações que determinam o padrão de 
proteção social implementado pelo Estado, voltadas, em princípio, para a 
redistribuição dos benefícios sociais visando a diminuição das desigualdades 
estruturais produzidas pelo desenvolvimento socioeconômico. 
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As políticas sociais têm suas raízes nos movimentos populares do 
século XIX, voltadas aos conflitos surgidos entre capital e trabalho, no 
desenvolvimento das primeiras revoluções industriais. 
Nestes termos, concordamos com Höfling (2001), que educação é uma 
política pública social, uma política pública de corte social, de responsabilidade 
do Estado – mas não pensada somente por seus organismos. 
As políticas sociais – e a educação – se situam no interior de um tipo 
particular de Estado. São formas de interferência do Estado, visando a 
manutenção das relações sociais de determinadaformação social. 
Mas voltemos para a avaliação, que de acordo com Rua (2004), 
sustenta que quando esta é formal, se entende como um julgamento, porque 
envolve valores; sistemático, porque se baseia em critérios e procedimentos 
previamente reconhecidos dos processos ou dos produtos de uma política, 
programa ou projeto, tendo como referência critérios explícitos, a fim de 
contribuir para o seu aperfeiçoamento, a melhoria do processo decisório, o 
aprendizado institucional e/ou o aumento da accountability. 
Assim sendo, é possível reconhecer que a avaliação contém duas 
dimensões. A primeira é técnica, e caracteriza-se por produzir ou coletar, 
segundo procedimentos reconhecidos, informações que poderão ser utilizadas 
nas decisões relativas a qualquer política, programa ou projeto. A segunda é 
valorativa, consistindo na ponderação das informações obtidas com a 
finalidade de extrair conclusões acerca do valor da política, programa ou 
projeto. Ainda assim, a finalidade da avaliação não é necessariamente 
distinguir as intervenções de qualquer natureza segundo sejam “boas” ou 
“más”, “exitosas” ou “fracassadas”. 
Muito mais importante e proveitoso é apropriar-se da avaliação como 
um processo de apoio a um aprendizado contínuo, de busca de melhores 
decisões e de amadurecimento da gestão. 
A avaliação formal permite julgar processos e produtos de vários 
modos. Primeiro, levantando questões básicas, tais como os motivos de certos 
fenômenos (por exemplo: o que causa os elevados índices de morte violenta 
entre os jovens brasileiros?). Este tipo de avaliação pode focalizar relações de 
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causa e efeito com a finalidade de recomendar medidas para lidar com o 
problema. 
Em segundo lugar, a avaliação formal pode ser usada como 
instrumento de acompanhamento de políticas ou programas de longo prazo. 
Nesses casos são realizadas várias avaliações em estágios-chave da política 
ou programa, a fim de prover dados confiáveis sobre os seus impactos e sobre 
como podem ser estes mitigados ou melhorados. 
Em terceiro lugar, ao final de um programa ou projeto a avaliação pode 
indicar o seu sucesso na consecução dos seus objetivos e permitir avaliar a 
sua sustentabilidade, ou seja, a possibilidade da sua continuidade através do 
tempo. 
A avaliação formal pode contribuir para aperfeiçoar a formulação de 
políticas e projetos especialmente tornando mais responsável a formulação de 
metas, e apontar em que medida os governos se mostram responsivos frente 
às necessidades dos cidadãos. Pode mostrar se as políticas e programas estão 
sendo concebidos de modo coordenado ou articulado; e em que medida estão 
sendo adotadas abordagens inovadoras na resolução de problemas que antes 
pareciam intratáveis. 
Pode indicar como vão sendo construídas as parcerias entre governo 
central e local, entre os setores público, privado e terceiro setor, identificar as 
condições de sucesso ou fracasso dessas parcerias e apontar como podem ser 
aperfeiçoadas a fim de ganharem abrangência e se tornarem estratégias 
nacionais das políticas de desenvolvimento (RUA, 2004). 
Os modelos contemporâneos de formulação de políticas enfatizam a 
importância dos objetivos compartilhados em lugar das estruturas 
organizacionais ou das funções existentes. Mas a articulação de 
políticas/programas não se resume a abordagens compartilhadas de questões 
comuns. A articulação horizontal entre agências ou organizações requer melhor 
coordenação entre os gestores e melhor articulação vertical entre os que 
tomam as decisões e os que as implementam. Isto não é um fim em si mesmo, 
mas deve estar presente onde agrega valor, e é especialmente importante 
quando as políticas ou programas se dirigem às questões socialmente 
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perversas. Nesses casos, a avaliação formal permite aprender e incorporar 
lições à implementação de novas políticas/programas (RUA, 2004). 
Após estas considerações, que não podemos dizer que foram breves, 
esperamos que entendam a importância da elaboração de uma política pública, 
da responsabilidade daqueles que a elaboram e porque sua avaliação faz a 
diferença. 
 
POLÍTICAS PÚBLICAS PARA EDUCAÇÃO NO BRASIL 
 
As políticas educacionais são de grande importância para entender 
como se apresenta o contexto em que elas são elaboradas e para entender as 
concepções e manifestações da educação em dado período, podendo 
contribuir bastante para a História da Educação e vice-versa. 
O movimento de descentralização também vale para a educação, 
transferindo para os municípios uma série de responsabilidades e expectativas, 
cuja maioria das localidades por falta de infraestrutura física e financeira, tem 
encontrado sérias dificuldades em atender, mesmo com o repasse de recursos 
financeiros. 
Enfim, o surgimento de uma série de políticas públicas em educação 
implementadas pelo Estado, a exemplo do Fundo de Manutenção e 
Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério 
(FUNDEF), Plano de Desenvolvimento da Escola (PDE), Programa de Dinheiro 
Direto na Escola (PDDE), Programa Bolsa Escola, entre outros, vêm em 
resposta a anseios da sociedade de universalização do ensino fundamental e 
que vislumbra no horizonte uma possibilidade de emancipação social, que além 
de históricos são legítimos. No entanto, surge a preocupação dos critérios 
exigidos para sua implementação, se esta implementação e forma é necessária 
e/ou desejada pela sociedade, como forma de oferecer contribuições efetivas 
que venham propiciar uma educação emancipadora política, social e 
economicamente. Logo, também alvo de debate é descobrir até que ponto 
estas podem propiciar melhorias no meio social em que o educando se insere. 
A realidade educacional de nosso país faz com que seja necessário 
buscar uma análise mais apurada das políticas públicas em educação, pois, a 
crítica, estimula o progresso do conhecimento, e com o rigor da análise e a 
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constante preocupação de enriquecê-la com novas investigações podemos 
contribuir em direção a sua solução. 
No que se refere à educação, seu financiamento e gestão, muitas se 
fazem presentes, mas devemos lembrar que como pano de fundo maior 
encontra-se a necessidade de busca de alternativas que viabilizem uma 
sociedade menos excludente, em que se faz necessário também redefinir a 
própria concepção de Estado e os interesses a que se presta, pois, “não se 
erradica a pobreza sem redistribuir custos sociais” (ABRANCHES, 1989 p. 29 
apud SOUZA NETO, 2010), em que “política social é toda política que ordene 
escolhas trágicas segundo um princípio de justiça consistente e coerente” 
(SANTOS, 1989 p. 37 apud SOUZA NETO, 2010). 
Enfim, numa sociedade extremamente desigual e heterogênea como a 
brasileira, a política educacional deve desempenhar importante papel ao 
mesmo tempo em relação à democratização da estrutura ocupacional que se 
estabeleceu e à formação do cidadão, do sujeito em termos mais significativos 
do que tomá-lo “competitivo frente à ordem mundial globalizada” (HOLFLING, 
2001). 
 
DIMENSÕES DE UMA EDUCAÇÃO DE QUALIDADE PELA UNESCO E 
BANCO MUNDIAL – BREVES COMENTÁRIOS 
 
A atual configuração da educação básica brasileira reflete, em grande 
medida, as mudanças desencadeadas pelas reformas dos anos de 1990. A 
partir da aprovação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, LDB nº 
9.394/96 (BRASIL, 1996), uma série de alterações aconteceu. Novas propostas 
de gestão da educação, de financiamento,de programas de avaliação 
educacional, de políticas de formação de professores, dentre outras medidas, 
foram implementadas com o objetivo de melhorar a qualidade da educação. 
Com a promulgação da LDB, observou-se a ampliação da 
obrigatoriedade da educação básica, composta pela Educação Infantil, Ensino 
Fundamental e Ensino Médio, e a maior responsabilização do Estado pela 
educação pública. Após quase duas décadas da aprovação desta Lei, verifica- 
se a quase universalização deste nível de ensino. 
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Todavia, este aumento quantitativo em termos de acesso não implicaria 
em uma melhora automática na qualidade do sistema. 
Assim, a temática da qualidade da educação tem suscitado um intenso 
debate entre os pesquisadores e gestores políticos acerca das dimensões 
definidoras de uma educação de qualidade. Entretanto, como aponta Enguita 
(1997), deve-se considerar que se trata de um tema polissêmico, dinâmico e 
mobilizador de diferentes interesses. 
Em nível internacional, verifica-se, que na década de 1990, a educação 
básica ganhou destaque por ocasião da Conferência Mundial de Educação 
para Todos (EPT), em Jomtiem. Esta enfatizou a importância da temática da 
qualidade na educação enquanto elemento central nas políticas educacionais 
de diversos países. 
O quadro elaborado neste relatório aborda diferentes parâmetros 
internos e externos às escolas que permitiriam atingir a qualidade na educação, 
dentre eles, fatores relacionados às características dos alunos, aos elementos 
facilitadores da aprendizagem, aos elementos do contexto nacional e aos 
resultados do processo. 
Quanto ao Banco Mundial, este articula conceitos de viés economicista 
– como produtividade, qualidade empresarial, competitividade, eficiência, 
eficácia – com outros de cunho sócio humanitário, como equidade, inclusão 
social e coesão social, intervindo, de modo particular, no ajuste estrutural dos 
países de capitalismo dependente, de acordo com o rearranjo da economia 
mundial e com a reconfigurada divisão internacional do trabalho (SILVEIRA, 
2012). 
Portanto, sua atuação/intervenção difere de país para país, de acordo 
com a carteira e o desempenho econômico de cada Estado-nação, 
 
Assumindo um caráter de influência mais programática, 
mais ideológica, no caso dos países centrais da Europa, e 
de influência fortíssima, chegando à imposição de 
políticas, por meio de Programas de Ajustamento 
Estrutural, no caso dos países semiperiféricos e 
periféricos (ANTUNES, 2005 apud SILVEIRA, 2012). 
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Com um amplo leque de ação em temas como política 
macroeconômica reforma política de setores da microeconomia, redução da 
pobreza, saúde, meio ambiente e, mais recentemente, corrupção, as diretrizes 
do Banco Mundial no campo educacional são: focalização do gasto público no 
primeiro segmento de ensino da educação básica; formação profissional 
aligeirada e instrumental; ênfase na diferenciação entre instituições e cursos no 
nível superior de ensino; introdução do sistema “de custo compartilhado”, 
particularmente no ensino superior; privatização e mercantilização da educação 
em todos os níveis e modalidades. 
Voltando à questão da educação de qualidade, estudo realizado por 
Oliveira, Dourado e Santos (2007) buscou identificar as condições, dimensões 
e fatores fundamentais de uma educação de qualidade. Analisando relatórios e 
documentos elaborados por países membros da Cúpula das Américas e de 
organismos internacionais (UNESCO e Banco Mundial), os autores buscaram 
evidenciar a concepção destes sobre as dimensões definidoras de uma 
educação de qualidade. O estudo mostrou que a qualidade da educação 
envolve dimensões extra e intraescolares. 
As dimensões extraescolares que afetariam os processos educativos e 
os resultados escolares envolvem dois níveis: A dimensão socioeconômica e 
cultural dos entes envolvidos – concerne à influência do acúmulo de capital 
econômico, social e cultural das famílias e dos estudantes no processo de 
ensino-aprendizagem e, ainda, a necessidade do estabelecimento de políticas 
públicas e projetos escolares para o enfrentamento de questões como fome, 
drogas, violência, entre outras. A dimensão dos direitos dos cidadãos e das 
obrigações do Estado – que faz referência à ampliação da obrigatoriedade da 
educação básica; à definição e garantia de padrões de qualidade, incluindo a 
igualdade de condições para o acesso e permanência na escola; à definição e 
efetivação de diretrizes nacionais para os diferentes níveis, entre outros. 
No que se refere às dimensões intraescolares, sua importância se deve 
à sua influência direta nos processos de organização e gestão, nas práticas 
curriculares, nos processos formativos, dentre outros. Estas dimensões são 
apresentadas em quatro níveis: do sistema, da escola, do professor e do aluno. 
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Nível do sistema: condições de oferta de ensino. Refere-se, dentre outros 
aspectos, à garantia de instalações gerais adequadas aos padrões de 
qualidade definidos pelo sistema nacional de educação em consonância com a 
avaliação positiva dos usuários. Nível da escola: gestão e organização do 
trabalho escolar. Trata da estrutura organizacional compatível com a finalidade 
do trabalho pedagógico. Nível do professor: formação, profissionalização e 
ação pedagógica. Relaciona-se ao perfil docente (titulação/qualificação 
adequada ao exercício profissional), às formas de ingresso e condições de 
trabalho adequadas e às políticas de formação e valorização do pessoal 
docente. Nível do aluno: acesso, permanência e desempenho escolar. Refere- 
se ao acesso e às condições de permanência adequadas à diversidade 
socioeconômica e cultural, e à garantia de desempenho satisfatório dos 
estudantes. Considera a visão de qualidade entre pais e estudantes e as 
práticas de processos avaliativos centrados na melhoria das condições de 
aprendizagem que permitam a definição de padrões adequados de qualidade 
educativa. 
Segundo Oliveira, Dourado e Santos (2007), as dimensões intra e 
extraescolares afetariam de forma significativa a aprendizagem dos alunos, o 
que exigiria a consideração dessas dimensões, de forma articulada, para o 
estabelecimento de políticas educativas, programas de formação e gestão 
pedagógica. Conforme os autores, tais medidas seriam imprescindíveis para a 
garantia do sucesso dos estudantes e de uma educação de qualidade para 
todos. 
Para Costa, Akkari e Silva (2011), os quadros apresentados são 
convergentes ao evidenciarem a necessidade de se analisar a qualidade da 
educação baseando-se na articulação de parâmetros intrínsecos e extrínsecos 
à escola e elaboraram um artigo com objetivo de contribuir para o debate sobre 
a qualidade da educação, optando por analisar alguns desses parâmetros (a 
conjuntura política, as metodologias de ensino, a gestão da escola, o 
reconhecimento e valorização docente, a relação escola-família), tomando por 
base a concepção dos professores. 
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A GESTÃO DEMOCRÁTICA DA EDUCAÇÃO BÁSICA 
 
A luta pela democratização da educação, de forma geral, e da 
educação básica, em particular, tem sido uma bandeira dos movimentos 
sociais no Brasil, de longa data. Podem-se identificar em nossa história 
inúmeros movimentos, gerados na sociedade civil, que exigiam (e exigem) a 
ampliação do atendimento educacional a parcelas cada vez mais amplas da 
sociedade. 
Segundo Gracindo (2007), o Estado, de sua parte, vem atendendo a 
essas reivindicações de forma muito tímida, longeda universalização 
esperada, mas pode-se perceber nas diversas instâncias do Poder Público – 
União, Estados, Distrito Federal e Municípios – um esforço no sentido do 
atendimento às demandas sociais por educação básica, primeiramente e mais 
recentemente, educação tecnológica, por meio do PRONATEC, lançado em 
2011. 
Importante destacar que a democratização da educação não se limita 
ao acesso à escola. O acesso é, certamente, a porta inicial para o processo de 
democratização, mas torna-se necessário também garantir que todos que 
ingressam na escola tenham condições para nela permanecerem com sucesso. 
Assim, a democratização da educação faz-se com acesso e 
permanência de todos no processo educativo, dentro do qual o sucesso escolar 
é reflexo de sua qualidade. Mas somente essas três características não 
completam totalmente o sentido amplo da democratização da educação. 
Essa última faceta da democratização da educação indica a 
necessidade que o processo educativo tem de ser um espaço para o exercício 
da democracia. E para que isso aconteça, é que seja concebida uma nova 
forma de conceber a gestão da educação: a gestão democrática. 
Como elementos constitutivos dessa forma de gestão podem ser 
apontados: participação, autonomia, transparência e pluralidade (ARAÚJO, 
2000). E como instrumentos de sua ação, surgem as instâncias diretas e 
indiretas de deliberação, tais como conselhos e similares, que propiciam 
espaços de participação e de criação da identidade do sistema de ensino e da 
escola. Assim, a gestão democrática da educação “trabalha com atores sociais 
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e suas relações com o ambiente, como sujeitos da construção da história 
humana, gerando participação, corresponsabilidade e compromisso” 
(BORDIGNON; GRACINDO, 2001, p. 12). 
Gracindo (2007) nos lembra de que princípio da gestão democrática 
está inscrito na Constituição Federal e na LDB, sendo assim, ele deve ser 
desenvolvido em todos os sistemas de ensino e escolas públicas do país. 
Ocorre, contudo, que como não houve a normatização necessária 
dessa forma de gestão nos sistemas de ensino, ela vem sendo desenvolvida 
de diversas formas e a partir de diferentes denominações: gestão participativa, 
gestão compartilhada, cogestão, entre outras. E é certo que sob cada uma 
dessas denominações, comportamentos, atitudes e concepções diversas são 
colocados em prática. 
A gestão democrática na escola e nos sistemas de ensino torna-se um 
processo de construção da cidadania emancipada, envolvendo, como já 
falamos acima, a participação, o pluralismo, a autonomia e a transparência. 
A realidade mostra uma série de formas e significados dados ao 
sentido de participação na escola. Alguns exemplos identificam participação 
como simples processo de colaboração, de adesão e de obediência às 
decisões da direção da escola. Nesses casos, as decisões são tomadas 
previamente e os objetivos da participação também são delimitados antes dela 
ocorrer, segundo Bordignon e Gracindo (2000). 
Perdem-se, dessa forma, duas condições básicas para uma efetiva 
participação: O sentido público de um projeto que pertence a todos. O sentido 
coletivo da sua construção, que oferece iguais oportunidades a todos, nas suas 
definições. Assim, a participação adquire caráter democrático e torna-se 
propiciadora da ação comprometida dos sujeitos sociais. Dessa forma, a 
participação requer a posição de governantes, não de meros coadjuvantes, ou 
seja, requer espaços de poder. Portanto, ela só é possível em clima 
democrático. 
Uma das questões a serem enfrentadas na gestão democrática é o 
respeito e a abertura de espaço para o “pensar diferente”. É o pluralismo que 
se consolida como postura de “reconhecimento da existência de diferenças de 
identidade e de interesses que convivem no interior da escola e que sustentam, 
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através do debate e do conflito de ideias, o próprio processo democrático” 
(ARAÚJO, 2000 p. 134). 
Nota-se, que a maior resistência encontrada a essa postura pluralista 
está, em grande parte, na consequente distribuição de poder que ela enseja. 
Nesse sentido, ratificando a ideia da necessidade de desconcentração do 
poder, Bobbio (1994 p.15 apud GRACINDO, 2012) esclarece que “uma 
sociedade é tanto melhor governada, quanto mais repartido for o poder e mais 
numerosos forem os centros de poder que controlam os órgãos do poder 
central”. 
Quanto à autonomia, vale considerar que “o conceito de autonomia 
está etimologicamente ligado à ideia de autogoverno, isto é, à faculdade que os 
indivíduos (ou as organizações) têm de se regerem por regras próprias” 
(BARROSO, 1998). 
Escola autônoma é, portanto, aquela que constrói o seu Projeto 
Político- Pedagógico (PPP) de forma coletiva, como estratégia fundamental 
para sua emancipação (dimensão micro) e para a transformação social 
(dimensão macro). Assim, a autonomia precisa ser conquistada a partir da 
democratização interna e externa da escola, politizando o espaço escolar e 
propiciando o desenvolvimento de duas facetas importantes da autonomia 
escolar: a autonomia da escola e a autonomia dos sujeitos sociais (ARAÚJO, 
2000). 
Como outro elemento fundamental da gestão democrática, a 
transparência está intrinsecamente ligada à ideia de escola como espaço 
público. Face ao predomínio da lógica econômica em todos os setores sociais, 
em especial na educação, garantir a visibilidade da escola frente à sociedade, 
torna-se uma questão ética. Quase como um amálgama dos elementos 
constitutivos da gestão democrática, a transparência afirma a dimensão política 
da escola. Sua existência pressupõe a construção de um espaço público 
vigoroso e aberto às diversidades de opiniões e concepções de mundo, 
contemplando a participação de todos que estão envolvidos com a escola 
(ARAÚJO, 2000, p.155). 
Na descrição dos elementos constitutivos da gestão democrática, fica 
evidente um conceito transversal a todos eles: o de democratização da 
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educação (GRACINDO, 2004). E ele se torna o fio condutor e a base de 
reflexão/ação da gestão democrática, isto é, participação, pluralismo, 
autonomia e transparência não se instauram sem a cultura democrática. 
Agregado à postura de democratização da educação, outro conceito 
permeia todas as reflexões desenvolvidas: a ideia de escola como espaço 
público. Isto é, sem o sentido público, a escola não viabilizará participação, 
pluralismo, autonomia e transparência. 
Ocorre que todos esses elementos e alicerces da gestão democrática 
necessitam de uma base concreta para sua viabilização: os espaços de 
encontro, discussão e trocas. Dentre esses múltiplos espaços destacam-se: os 
conselhos deliberativos e consultivos, os grêmios estudantis, as reuniões, as 
assembleias e as associações. A partir desses espaços de prática democrática 
são deliberados e construídos os caminhos que a escola deve percorrer. E o 
retrato dessa caminhada será revelado no Projeto Político-pedagógico (PPP) 
da escola (GRACINDO, 2007). 
O Brasil ainda possui profundas desigualdades econômicas, culturais e 
políticas que geraram (e continuam gerando) segregação de grupos sociais e a 
negação da cidadania a um enorme contingente de brasileiros. Essa realidade, 
no entanto, não pode ser aceita passivamente por seus cidadãos e requer, do 
Estado, o estabelecimento de políticas públicas voltadas para a redução 
dessas enormes diferenças e para a inclusão social (GRACINDO, 2007). 
Com a redemocratização do país, em meados de 1980, o Brasil 
começa a se organizar, utilizando-se de mecanismos democráticos que já 
havia experimentado em épocas anteriorese de novos mecanismos, 
construídos nesse momento de reconquista democrática. 
Nesse movimento de redemocratização do país, a sociedade exige 
também a democratização da educação. E esta se faz não somente com a 
garantia de acesso e permanência dos estudantes na escola, mas também, 
com a delimitação de espaços para o exercício democrático, como vimos em 
item anterior. 
Lembremos que a gestão democrática é uma prática prevista na 
Constituição Federal, na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) 
e no Plano Nacional de Educação (PNE). É uma forma de exercitar a 
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democracia participativa, podendo contribuir para a própria democratização da 
sociedade. 
Dentre esses instrumentos temos os Conselhos Escolares e as 
Associações de Pais e Mestres. 
 
O CONSELHO ESCOLAR 
O Conselho Escolar é o órgão colegiado responsável pela gestão da 
escola, em conjunto com a direção, representado pelos segmentos da 
comunidade escolar, pais, alunos, professores e funcionários. 
Tem como funções: consultiva – quando é consultado sobre questões 
importantes da escola; deliberativa – quando aprova, decide e vota sobre 
assuntos pertinentes às ações da escola nos âmbitos administrativo, 
pedagógico e financeiro; normativa – quando elabora seu regimento, avalia e 
define diretrizes e metas de ações pertinentes à dinâmica do processo 
educativo, para um bom funcionamento da escola; fiscalizadora / avaliativa – 
quando exerce o papel de controle, ficando subordinado apenas à 
ASSEMBLEIA GERAL, fórum máximo de decisão da comunidade escolar. 
O Conselho Escolar, entre outros mecanismos, tem papel decisivo na 
gestão democrática da escola, se for utilizado como instrumento comprometido 
com a construção de uma escola cidadã. 
Assim, constitui-se como um órgão colegiado que representa a 
comunidade escolar e local, atuando em sintonia com a administração da 
escola e definindo caminhos para tomar decisões administrativas, financeiras e 
político-pedagógicas condizentes com as necessidades e potencialidades da 
escola. 
Desta forma, a gestão deixa de ser prerrogativa de uma só pessoa e 
passa a ser um trabalho coletivo, onde os segmentos escolares e a 
comunidade local se congregam para construírem uma educação de qualidade 
e socialmente relevante. Com isso, divide-se o poder e as consequentes 
responsabilidades (GRACINDO, 2007). 
A composição, funções, responsabilidades e funcionamento dos 
Conselhos Escolares devem ser estabelecidos pela própria escola, a partir de 
sua realidade concreta e garantindo a natureza essencialmente político- 
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educativa do Conselho Escolar, que se expressa no “olhar” comprometido que 
desenvolve durante todo o processo educacional, com uma focalização 
privilegiada na aprendizagem. Sua atuação, desta forma, se volta para: o 
planejamento, a aplicação e a avaliação das ações da escola. 
Com o objetivo de desenvolver um acompanhamento responsável, 
ético e propositivo do processo educativo na escola, e visando uma educação 
emancipadora, o Conselho Escolar deve estar atento a alguns aspectos 
extremamente relevantes desse processo, compreendendo que: O projeto de 
educação que a escola vai desenvolver, dando sentido às suas ações, deve ser 
discutido, deliberado e seguido por todos. O sentido de pluralidade nas 
relações sociais da escola, com respeito às diferenças existentes entre os 
sujeitos sociais, deve ser a marca do processo educativo. A unidade do 
trabalho escolar deve ser garantida utilizando-se o Projeto Político-pedagógico 
da escola como instrumento para impedir a fragmentação das ações. O sentido 
de qualidade na educação não pode ser uma simples transposição deste 
conceito do mundo empresarial para a escola, isto é, na educação, esse 
sentido necessita estar referenciado no social e não no mercado. A escola 
como um todo é responsável pelo sucesso ou pelo fracasso do estudante, 
partilhando a responsabilidade pelo desenvolvimento da prática educativa. A 
aprendizagem é decorrente da construção coletiva do conhecimento e não se 
basta à transmissão de informações. Na avaliação da aprendizagem do 
estudante, cabe verificar mais do que o produto da aprendizagem, cabe 
analisar todo o processo no qual ele se desenvolveu. Assim, devem ser 
considerados: o contexto social; a gestão democrática; a ação docente; e as 
condições físicas, materiais e pedagógicas da escola. O tempo pedagógico 
precisa ser utilizado da melhor forma possível, organizando-o de acordo com 
as peculiaridades e necessidades da escola. A escola, como equipamento 
social público, deve ser transparente nas suas ações. Os espaços de 
participação nas decisões da escola devem ser ampliados cada vez mais, seja 
no processo de escolha de dirigentes, seja nas deliberações acerca das 
questões financeiras, pedagógicas e administrativas. A solidariedade e a 
inclusão social são princípios fundamentais da escola. 
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Com esses cuidados e tendo a dimensão da importância da gestão 
democrática da educação, na democratização mais ampla da sociedade, o 
Conselho Escolar dá uma contribuição altamente relevante para que a 
educação desenvolvida pela escola possa ser instrumento para a emancipação 
dos sujeitos sociais e para o cumprimento de seu papel social, que, em última 
instância, visa à construção de uma sociedade justa, solidária e igualitária. 
Gracindo (2007) ressalta que o Conselho Escolar, como órgão 
consultivo, deliberativo e de mobilização mais importante do processo de 
gestão democrática, não deve configurar-se como instrumento de controle 
externo, mas como um parceiro de todas as atividades que se desenvolvem no 
interior da escola. E, nessa linha de raciocínio, a função principal do Conselho 
Escolar está ligada à essência do trabalho escolar, isto é, está voltada para o 
desenvolvimento da prática educativa. 
Nessa prática, o processo de ensino-aprendizagem deve ser o foco 
principal. A ação do Conselho Escolar torna-se político-pedagógica, pois se 
expressa numa ação sistemática e planejada, com o intuito de interferir sobre a 
realidade, transformando-a. 
 
A ASSOCIAÇÃO DE PAIS E MESTRES (APM) 
A Associação de Pais e Mestres (APM) é um órgão de representação 
dos pais e profissionais da escola, que, em uma ação conjunta, objetivam 
desenvolver medidas de interesse comum, com espírito de liderança, 
responsabilidade, respeitando a coletividade educacional e a legislação 
vigente. 
Constitui-se pessoa jurídica de direito privado, não tem caráter político- 
partidário, religioso, racial e nem fins lucrativos; é representada, oficialmente, 
pelo presidente, e responde pelas obrigações sociais da comunidade escolar. 
Efetua movimentação financeira em bancos como recebimento e aplicação das 
verbas públicas, de convênios da mantenedora (municipal, estadual ou 
federal), advindas do Programa Dinheiro Direto na Escola (PDDE), como 
Unidade Executora (UEx) de cunho social. 
A APM pode exercer várias finalidades como: colaborar com a direção 
da escola para atingir os objetivos educacionais propostos no projeto 
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110 
 
 
pedagógico; representar as aspirações da comunidade e dos pais de alunos 
perante a escola; mobilizar os recursos humanos, materiais e financeiros da 
comunidade para auxiliar a escola e prover condições que permitam esse fim, 
como, por exemplo, o estabelecimento de parcerias; trabalhar para a melhoria 
do ensino e da aprendizagem; desenvolver atividades de assistência ao escolar 
nas áreas socioeconômica e de saúde; conservar e mantera infraestrutura 
escolar, os equipamentos e as instalações; promover programação de 
atividades culturais e de lazer que envolva a participação conjunta de pais, 
professores, alunos e comunidade; acompanhar a execução de pequenas 
obras de construção ou reforma no prédio escolar, verificando os recursos 
aplicados para posterior prestação de contas, se for o caso; colaborar na 
programação do uso do prédio da escola pela comunidade, inclusive nos 
períodos ociosos, ampliando-se o conceito de escola como um centro de 
atividades comunitárias; favorecer o entrosamento entre pais e professores 
possibilitando informações relativas aos objetivos educacionais e as condições 
financeiras da escola, dentre outros fins que a escola assim entender 
necessários. 
A APM possui uma organização administrativa, registrada em Estatuto 
próprio, constituída de pessoas eleitas em assembleia geral, com mandato de 
dois anos, com o pleito realizado por voto secreto, em caso de mais de uma 
chapa inscrita, ou direto, na ocorrência de chapa única. 
O Grêmio Estudantil é outra forma de organização colegiada na escola. 
Esse colegiado, organizado e composto pelos alunos, pode ser considerado 
como uma das primeiras oportunidades que os jovens têm em participar de 
maneira organizada das decisões de uma instituição, agindo em uma 
perspectiva política em benefício, no caso da escola, da qualidade de ensino e 
de aprendizagem. 
Deve firmar parcerias com a direção escolar, equipe pedagógica, 
professores, funcionários administrativos, Conselho Escolar e Associação de 
Pais e Mestres, assim o Grêmio terá uma atuação em prol dos alunos, da 
escola e da comunidade. 
Um Grêmio que estabelece uma boa rede de relações com os sujeitos 
da comunidade escolar terá mais pessoas comprometidas com as ações que 
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111 
 
 
pretende realizar (Fonte: Portal Educação, 2014; GOVERNO DO ESTADO DE 
SÃO PAULO, 2006). 
 
A GESTÃO FINANCEIRA E O FINANCIAMENTO DA EDUCAÇÃO 
BRASILEIRA 
A Constituição Federal brasileira organiza as bases para o 
financiamento da educação, ao estabelecer no artigo 212 que “a União 
aplicará, anualmente, nunca menos de 18%, e os Estados, o Distrito Federal e 
os Municípios 25%, no mínimo, da receita resultante de impostos, 
compreendida a proveniente de transferências, na manutenção e 
desenvolvimento do ensino”, dando prioridade ao atendimento do ensino 
obrigatório (ensino fundamental). 
Além desses recursos, vale destacar que especialmente “O ensino 
fundamental público terá como fonte adicional de financiamento a contribuição 
social do salário-educação, recolhida pelas empresas, na forma da lei (Art. 212 
§ 5º)”. 
O Art. 213 da Constituição Federal, mesmo assegurando que os 
recursos públicos, serão destinados às escolas públicas, possibilita que eles 
sejam dirigidos às escolas particulares, desde que elas sejam confessionais, 
comunitárias ou filantrópicas. 
Esses recursos podem ser aplicados em bolsas de estudo para o 
ensino fundamental e médio, “para os que demonstrarem insuficiência de 
recursos, quando houver falta de vagas e cursos regulares da rede pública na 
localidade da residência do educando, ficando o Poder Público obrigado a 
investir prioritariamente na expansão de sua rede na localidade” (§ 1º) e para 
atividades universitárias de pesquisa e extensão. 
Conforme nos mostra Gracindo (2007), a questão da vinculação 
constitucional dos recursos para financiamento da educação no Brasil 
demonstra a inconstância dos dirigentes governamentais. Ela surge pela 
primeira vez, na Constituição Federal de 1934, por meio das receitas advindas 
de impostos. 
Nessa ocasião, o percentual era de: 10% para a União, 20% para os 
Estados e Distrito Federal e 10 % para os Municípios. Na ditadura de Getúlio 
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112 
 
 
Vargas, a Constituição Federal de 1937, retira a vinculação de recursos para a 
educação. Já a Constituição Federal de 1946, novamente determina a 
vinculação, ampliando de 10% para 20%, os recursos vinculados pelo 
Município. Novamente, os percentuais são ampliados, desta vez na esfera da 
União, de 10% para 12%, como iniciativa da Lei de Diretrizes e Bases de 1961. 
Por força da nova ditadura que se implanta no Brasil, novamente é retirada, na 
Constituição Federal de 1967, a vinculação dos recursos para a educação. 
Porém, a emenda constitucional de 1969 faz a vinculação apenas dos recursos 
do Município (20%). 
Nova emenda constitucional, denominada “João Calmon” (em 
homenagem ao senador que se dedicou a essa causa por muitos anos), em 
1983, a vinculação volta à Constituição Federal, desta feita, com percentuais 
ampliados em todas as esferas do Poder Público: União (13%), Estados, 
Distrito Federal e Municípios (25%). 
Por último, a Constituição Federal de 1988 mantém a vinculação, com 
um aumento do percentual relativo à União (18%). 
 
FONTES DE RECURSOS 
 
Como foi visto no item anterior, a União deve aplicar 18% e os Estados, 
Distrito Federal e Municípios 25% de sua receita de impostos e transferências. 
Vale complementar que estes percentuais incidem sobre a receita líquida, isto 
é, a União e os Estados devem deduzir da receita tudo que é transferido para 
os Estados e municípios. No caso do DF e dos municípios, o percentual de 
25% incide sobre toda a receita de impostos (próprios e transferidos). 
Todos esses recursos devem ser utilizados para “manutenção e 
desenvolvimento do ensino” (MDE). E para que não houvesse dúvidas sobre 
que tipo de despesa, isso pode ser compreendido como MDE, nos artigos 70 e 
71 da LDB, respectivamente. E podem ser considerados como despesas de 
MDE: Remuneração e aperfeiçoamento do pessoal docente e demais 
profissionais da educação. Aquisição, manutenção, construção e conservação 
de instalações e equipamentos necessários ao ensino. Uso e manutenção de 
bens e serviços vinculados ao ensino. Levantamentos estatísticos, estudos e 
pesquisas visando precipuamente ao aprimoramento da qualidade e à 
expansão do ensino. Realização de atividades-meio necessárias ao 
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113 
 
 
funcionamento dos sistemas de ensino. Concessão de bolsas de estudos a 
alunos de escolas públicas e privadas. Amortização e custeio de operações de 
créditos destinadas a atender ao disposto nos incisos deste artigo. Aquisição 
de material didático-escolar e manutenção de programas de transporte escolar. 
Não podem ser considerados despesas com MDE: Pesquisa, quando 
não vinculadas às instituições de ensino, ou, quando efetivada fora dos 
sistemas de ensino, que não vise, principalmente, ao aprimoramento de sua 
qualidade ou à sua expansão. Subvenção a instituições públicas ou privadas 
de caráter assistencial, desportivo ou cultural. Formação de quadros especiais 
para a Administração Pública sejam militares ou civis, inclusive diplomáticos. 
Programas suplementares de alimentação, assistência médico- odontológica, 
farmacêutica e psicológica, e outras formas de assistência social. Obras de 
infraestrutura, ainda que realizadas para beneficiar direta ou indiretamente a 
rede escolar. Corpo docente e demais trabalhadores da educação, quando em 
desvio de função ou em atividades alheias à manutenção e ao 
desenvolvimento do ensino. 
Além desses recursos, que são vinculados à educação pela 
Constituição Federal, existem outros recursos que financiam o ensino 
fundamental público. Dentre eles citamos: Fundo de Participação dos Estados 
e do Distrito Federal (FPE) – uma das modalidades de transferências de 
recursos financeiros, aonde 21,5% do Imposto de Renda (IR) e do imposto 
sobre produtos industrializados (IPI) recolhidos pela União, vão para os 
Estados epara o DF. Fundo de Participação dos Municípios (FPM) – consiste 
na transferência de 22,5% da arrecadação do Imposto de Renda (IR) e do 
imposto sobre produtos industrializados (IPI) da União para os Municípios. 
Salário-Educação – contribuição social que decorre do recolhimento da 
contribuição de 2,5% sobre o total de remunerações pagas aos empregados 
segurados no INSS. O total dos recursos arrecadados é dividido em duas 
partes: dois terços retornam para o Estado arrecadador (Quota Estadual do 
Salário Educação); e um terço, a Quota Federal, vai para o Fundo Nacional de 
Desenvolvimento da Educação (FNDE). 
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114 
 
 
FUNDEF/FUNDEB 
 
Desde 1998 até o ano de 2006, teve vigência, no Brasil, um fundo para 
financiar o ensino fundamental, denominado: Fundo de Manutenção e 
Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério, o 
FUNDEF. Em sua substituição, dado que seu prazo de vigência expirou, 
recentemente aprovado no Congresso Nacional, um novo fundo, o FUNDEB, 
que terá 14 anos de vigência, a partir do ano seguinte à promulgação da 
Emenda Constitucional. 
A primeira diferença entre o FUNDEF e o FUNDEB é que o primeiro 
era destinado apenas para o ensino fundamental e, o segundo abrange o 
financiamento de toda a educação básica, isto é: a educação infantil, o ensino 
fundamental e o ensino médio. 
Nesse contexto, também ocorre uma mudança na destinação do 
salário-educação que se amplia para toda a educação básica. 
Segundo dados do MEC (2006), o FUNDEB pretende alcançar um total 
de 47,2 milhões de alunos, a partir do 4º ano de sua vigência. 
As fontes de recursos que compõem o Fundo têm origem: Na 
contribuição de Estados, DF e Municípios. Na complementação da União. 
A cesta de impostos dos estados, do Distrito Federal e dos municípios 
que vão compor o FUNDEB envolve vários tributos: Fundo de Participação dos 
Estados (FPE), Fundo de Participação dos Municípios (FPM), Imposto sobre 
Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), Imposto sobre Produtos 
Industrializados, proporcional as exportações (IPIexp), Imposto sobre 
Transmissão Causa Mortis (ITCMD), Imposto sobre Propriedade de Veículos 
Automotores (IPVA), Imposto sobre Renda e Proventos incidentes sobre 
rendimentos pagos pelos municípios, Imposto sobre Renda e Proventos 
incidentes sobre rendimentos pagos pelos estados, cota-parte de 50% do 
Imposto Territorial Rural (ITR) devida aos municípios (BRASIL, 2006). 
Quanto à utilização dos recursos, no FUNDEB, mínimo de 60% para 
remuneração dos profissionais do magistério da educação básica, o restante 
dos recursos em outras despesas de manutenção e desenvolvimento da 
Educação Básica e Piso salarial nacional para os profissionais da educação 
básica. 
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115 
 
 
Quanto ao valor mínimo nacional por aluno/ano, no FUNDEB, ele foi 
fixado anualmente com diferenciações previstas para: 
 
 Educação Infantil (0 a 3 anos); 
 Educação Infantil (Pré-Escola); 
 Séries Iniciais Urbanas; 
 Séries Iniciais Rurais; 
 Quatro Séries Finais Urbanas; 
 Quatro Séries Finais Rurais; 
 Ensino Médio Urbano; 
 Ensino Médio Rural; 
 Ensino Médio; 
 Profissionalizante; 
 Educação de Jovens e Adultos; 
 Educação de Jovens e Adultos integrada à educação profissional; 
 Educação Especial; 
 Educação Indígena e de Quilombola. 
 
 
Segundo o Manual de orientação do FUNDEB (BRASIL, 2013), os 
indicadores educacionais do país revelam que muito se avançou desde 1988, 
quando a Constituição Federal enfatizou o dever do Estado nas garantias dos 
direitos do cidadão. Mas o Brasil ainda convive com enormes diferenças. Em 
relação à educação, as diferenças mostram-se mais evidentes entre 
municípios, estados e regiões do país e, no interior destes, entre etapas, 
modalidades e demais segmentos que compõem o nível básico de ensino. O 
FUNDEB contribui para a redução das variadas formas de desigualdades 
educacionais existentes, estabelecendo, para a educação básica pública, 
equidade na distribuição dos recursos disponíveis no âmbito dos estados, 
Distrito Federal e municípios e maior participação federal no aporte de recursos 
financeiros, contribuindo para elevação do patamar de investimentos no setor. 
O FUNDEB foi criado pela Emenda Constitucional nº 53/2006 e 
regulamentado pela Lei nº 11.494/2007 e pelo Decreto nº 6.253/20075, em 
 
5 
Com as alterações do Dec. nº 6.278, de 29/11/2007 e Dec. 6.571, de 17/09/2008. 
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116 
 
 
substituição ao Fundef, que vigorou de 1998 a 2006. Trata-se de fundo 
especial, de natureza contábil e de âmbito estadual (um fundo por Estado e 
Distrito Federal, num total de vinte e sete fundos), formado por parcela 
financeira de recursos federais e por recursos provenientes dos impostos e 
transferências dos estados, Distrito Federal e municípios, vinculados à 
educação por força do disposto no art. 212 da Constituição Federal. 
Independentemente da origem, todo o recurso gerado é redistribuído para 
aplicação exclusiva na educação básica. 
Com vigência estabelecida para o período 2007-2020, a implantação 
do FUNDEB teve início em 1º de janeiro de 2007, sendo plenamente concluída 
no terceiro ano de sua vigência, quando o total de alunos matriculados na rede 
pública foi considerado na distribuição dos recursos e o percentual de 
contribuição dos estados, Distrito Federal e municípios para a formação do 
Fundo atingiu o patamar de 20%, calculado sobre as seguintes fontes de 
impostos e transferências constitucionais: 
 
 Fundo de Participação dos Estados (FPE); 
 Fundo de Participação dos Municípios (FPM); 
 Imposto sobre Circulação de Mercadorias e sobre prestação de Serviços 
(ICMS); 
 Imposto sobre Produtos Industrializados, proporcional às exportações 
(IPIexp); 
 Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e doações de quaisquer bens 
ou direitos (ITCMD); 
 Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA); 
 Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (cota-parte dos 
municípios) (ITRm); 
 Recursos relativos à desoneração de exportações de que trata a LC nº 
87/96; 
 Arrecadação de imposto que a União eventualmente instituir no 
exercício de sua competência (cotas-partes dos estados, Distrito Federal 
e municípios); 
 
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117 
 
 
 Receita da dívida ativa tributária, juros e multas relativas aos impostos 
acima relacionados. 
 
Além desses recursos, originários dos entes estaduais e municipais, 
recursos federais também integram a composição do FUNDEB, a título de 
complementação financeira, com o objetivo de assegurar o valor mínimo 
nacional por aluno/ano a cada Estado, ou o Distrito Federal, em que este limite 
mínimo não for alcançado com os recursos dos próprios governos. 
 
GESTÃO FINANCEIRA DA ESCOLA 
 
Com a progressiva autonomia (financeira, pedagógica e administrativa) 
das escolas, estabelecida pela LDB, elas começam a tarefa de administrar 
recursos financeiros que lhes são diretamente encaminhados e acompanhar os 
que chegam de forma indireta, para as respectivas Secretarias de Educação 
(GRACINDO, 2007). 
Atualmente, muitas escolas públicas vêm recebendo recursos 
financeiros repassados pelas respectivas Secretarias de Educação estaduais e 
municipais. Além disso, existem programas de apoio às Secretarias Estaduais 
e Municipais, com repasse de recursos da União. São várias as possibilidades 
de aplicação desses recursos e, de maneira geral, eles fazem parte de 
programas que possuem destinação específica, isto é, são recursos destinados 
a uma ação específica: alimentação escolar;transporte escolar; livro didático; 
biblioteca escolar; saúde escolar e manutenção da escola, que veremos na 
última unidade do módulo. 
Todos estes programas para sua efetivação com transparência e 
sucesso dependem de organização da escola, de planejamento para a boa 
utilização dos recursos. 
Este processo de planejamento precisa ser desenvolvido de forma 
coletiva, com a participação de todos os segmentos envolvidos com a escola. 
Como os recursos, de modo geral, não são os necessários para todas as 
necessidades da escola, é fundamental que sejam eleitas prioridades. Vários 
olhares sobre as necessidades mais prementes da escola certamente poderão 
identificar as despesas mais importantes. 
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118 
 
 
Segundo Dourado (2006, p. 61), uma das possibilidades de aplicação 
do planejamento participativo na escola é a existência do Conselho Escolar e 
seu funcionamento efetivo, tendo em vista que este deve ser um órgão 
colegiado e, como tal, deve contar com a participação de representantes de 
todos os segmentos da comunidade local e escolar, possibilitando assim, uma 
melhor aplicação dos recursos financeiros da escola, como também uma 
gestão mais transparente e democrática. 
Assim, o Conselho Escolar poderia ser o local mais adequado para 
administrar os recursos financeiros da escola. Para tanto, em primeiro lugar, 
seria necessário fazer um diagnóstico da realidade escolar: suas necessidades 
e suas potencialidades. 
A partir de então, estabelecer as prioridades de ação. Com isso feito, 
será possível identificar a melhor alocação dos recursos disponíveis. 
Feito esse planejamento inicial, o Conselho Escolar estabeleceria 
sistemática de acompanhamento do uso dos recursos financeiros. Este 
acompanhamento poderia ter frequência mensal ou bimestral, de acordo com 
as possibilidades da escola e a sistemática dos projetos e programas em 
desenvolvimento. 
Durante esse acompanhamento, seria feita avaliação da aplicação dos 
recursos, na qual poderiam ser dimensionadas novas ações e/ou novos 
direcionamentos. 
Ao final do ano letivo, é importante divulgar os atos praticados pela 
escola, no que concerne à aplicação desses recursos. 
Vale ressaltar a importância de a escola pública ser transparente em 
todas as suas ações, inclusive as voltadas para o gerenciamento dos recursos 
financeiros (GRACINDO, 2007). 
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120 
 
 
O PLANEJAMENTO E O PROJETO POLÍTICO- PEDAGÓGICO (PPP) 
 
 
 
Uma forma de organização e de planejamento da educação escolar 
dos sistemas educacionais se concretiza nos Planos Educacionais do Estado e 
do Município. No âmbito da escola, é o Projeto Político-pedagógico (PPP) que 
viabiliza e concretiza ações educacionais. Isto é, ele é a forma de planejamento 
pedagógico, político e administrativo, que estabelece os objetivos da escola e 
os mecanismos e estratégias mais adequados para alcançar esses objetivos. 
Sendo o PPP um eixo da gestão democrática na escola, ele é local e 
momento privilegiado de participação, lugar de explicitação do pluralismo, 
espaço de conquista de autonomia da escola e dos sujeitos sociais e 
instrumento de transparência. 
O PPP é uma forma de planejamento escolar; que pode resgatar o 
espaço importante que a unidade escolar deveria ter na sociedade! 
Como um planejamento histórico e contextualizado de todas as ações 
da escola, o PPP “envolve etapas que se complementam e que são 
interligadas, realimentando todo o processo. Essas etapas são: elaboração, 
acompanhamento e avaliação” (BORDIGNON; GRACINDO, 2000). 
Num trajeto cíclico, a elaboração, o acompanhamento e a avaliação se 
entrelaçam e dão sentido a cada uma das partes: a elaboração considera dois 
eixos: a finalidade da escola e seu ambiente interno e externo. Como 
expectativa de futuro, a finalidade orienta a definição da filosofia, das políticas e 
objetivos institucionais. A análise do ambiente dá a dimensão situacional, seus 
limites e possibilidades. Da análise situacional decorrem estratégias de ação e 
definição de responsabilidades. O acompanhamento desvela a ação – o PPP 
na prática – organizando as condições para sua efetivação. A avaliação tem 
uma função diagnóstica, oferecendo informações fundamentais para a tomada 
de decisão, tanto na elaboração, quanto durante todo o acompanhamento do 
PPP, permitindo assim, a permanente correção de rumos na direção da 
finalidade da educação. É a avaliação que revela os objetivos reais, a 
coerência entre o discurso e a prática, entre as demandas da sociedade e a 
ação educacional. 
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121 
 
 
Assim, o PPP não deve ser visto como um instrumento “neutro”, 
estanque das demais ações administrativas. Nem mesmo precisa ser (como 
tem sido) um instrumento tecnicista e meramente formal. Ele é um instrumento 
eficaz na construção da educação que se deseja. E aqui parece estar o seu 
“segredo”, que é o ponto de sustentação do PPP: a escolha consciente do tipo 
de educação e de escola que se quer construir (GRACINDO, 2007). 
O Projeto Político-pedagógico, como instrumento de planejamento 
coletivo, pode resgatar a unidade do trabalho escolar e garantir que não haja 
uma divisão entre os que planejam e os que simplesmente executam. 
Elaborado, executado e avaliado de forma conjunta, cria uma nova lógica. 
Nesse processo, todos os segmentos planejam, garantindo a visão do todo, e 
todos executam, mesmo que apenas parte desse todo. Com isso, de posse do 
conhecimento de todo o trabalho escolar, os diversos profissionais e 
segmentos envolvidos (gestores, funcionários, docentes, discentes, pais e 
comunidade local) cumprem seus papéis específicos, sem torná-los estanques 
e fragmentados. 
A garantia da unidade do trabalho escolar é, dessa forma, condição 
para uma educação emancipadora que é, por origem, democrática e de 
qualidade. 
 
 
PLANO DE DESENVOLVIMENTO DA ESCOLA (PDE) E O FUNDO DE 
FORTALECIMENTO DA ESCOLA (FUNDESCOLA) 
 
O FUNDESCOLA é um dos espaços de desenvolvimento de 
programas do Ministério da Educação, por meio de parcerias com as 
secretarias estaduais e municipais de educação das regiões Norte, Nordeste e 
Centro-Oeste, e tem por objetivo promover um conjunto de ações voltadas para 
as escolas do ensino fundamental (DOURADO, 2007). 
O FUNDESCOLA, por meio de processos formativos e de apoio à 
gestão educacional, tem como meta a busca da eficácia, eficiência e equidade 
no ensino fundamental público, ao focalizar o ensino-aprendizagem e as 
práticas de gestão das escolas e secretarias de educação. As estratégias 
descritas no PDE enfatizam o desenvolvimento de ações para aperfeiçoar o 
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122 
 
 
trabalho, elevar o grau de conhecimento e o compromisso de diretores, 
professores e outros funcionários da escola com os resultados educacionais. 
Na área de gestão, o PDE é um dos programas centrais do 
FUNDESCOLA, dada a sua abrangência e inserção nas três regiões. A esse 
respeito, Fonseca Toschi e Oliveira (2004, p. 29) afirmam que, 
 
(...) a proposta concebida no âmbito do FUNDESCOLA 
enfatiza a ‘gestão democrática’ centrada numa concepção 
gerencialista e eficientista, como instrumento legal para 
organização do trabalho escolar. A autonomia escolar é 
garantida por um fundo repassado à escola, com vistas a 
estimular o quadro administrativo a tomar decisões que 
afetem materialmente a escola e a responsabilizar-se 
pelos resultados de suas decisões. 
 
Nesse cenário, os autores acima afirmam que o PDE é entendido como 
o carro-chefe do FUNDESCOLA, uma vez que assinala uma ênfase na “escola 
com foco no aluno”.Nesse processo, a escola é considerada a responsável 
pela melhoria da qualidade de ensino, e o projeto visa modernizar a gestão e 
fortalecer a autonomia da escola, segundo um processo de planejamento 
estratégico coordenado pela liderança da escola e elaborado de maneira 
participativa. 
Com relação ao PDE, Freitas et al. (2004, p. 71) afirmam que este 
plano estrutura-se por meio de “uma nova cultura organizacional firmada sobre 
princípios de gestão estratégica e do controle da qualidade total, orientada pela 
e para a racionalização, a eficiência e a eficácia”. 
Desse modo, ideologicamente, o PDE, desde a sua concepção, busca 
criar o consenso em torno da ideia de que a melhoria da educação estaria na 
adoção dos parâmetros de mercado, com a aplicação de estratégias da 
empresa privada na gestão da escola pública. Tal concepção alicerça-se numa 
ressignificação da gestão democrática e da participação, entendidas a partir da 
criação de canais de efetiva participação e decisão coletivas, tendo por norte a 
educação como um bem público. 
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123 
 
 
Outro ponto fundamental a ser destacado articula-se à concepção 
restrita de autonomia (restrita à dimensão financeira) e ao caráter diretivo e 
centralizador do PDE, num cenário em que os profissionais da educação e 
alguns sistemas de ensino envidavam esforços no sentido de implementar, 
com base na legislação em vigor, projetos políticos-pedagógicos cujo norte se 
contrapunha à concepção gerencialista presente no PDE. 
Fonseca e Toschi e Oliveira (2004, p. 198), ao avaliarem o PDE e a 
gestão pedagógica, físico-financeira e de materiais da escola, adjetivaram a 
proposição e materialização desse plano por meio da diretividade, 
burocratização e controle do trabalho escolar e destacaram, ainda, que o PDE 
favoreceu a proliferação de empresas de consultoria e de capacitação docente 
por meio de cursos previamente montados por elas. Essas empresas fazem, 
portanto, o trabalho de agenciamento e de planejamento, cabendo à escola a 
prerrogativa de escolher os cursos com base na oferta das empresas. 
Essas pesquisas ressaltam a lógica do plano e seu distanciamento dos 
marcos legais que preconizam o princípio da gestão democrática e dos 
processos de participação subjacentes a esta, bem como a importância da 
efetivação de projeto pedagógico pelas unidades escolares, com base na 
regulamentação da gestão democrática pelos sistemas de ensino. 
Apesar do distanciamento inicial da Secretaria de Ensino Fundamental 
(cuja denominação atual é Secretaria de Educação Básica – SEB) do MEC, o 
PDE, por meio do FUNDESCOLA, buscou, a partir de 2003, vincular-se a esta 
Secretaria, dada a singularidade das ações desenvolvidas. A esse respeito, 
são importantes os movimentos direcionados a uma articulação orgânica entre 
a Secretaria e o FUNDESCOLA. Por outro lado, em 2004, foi materializada a 
transferência da gestão integral do FUNDESCOLA para o FNDE (DOURADO, 
2004, p. 10). 
Tal mudança contribui, sobremaneira, para o crescente divórcio entre 
as ações do Fundo, entre elas o PDE, e as ações e programas da SEB, 
resultando, em muitos casos, na sobreposição de ações e em planos e 
programas com concepções político-pedagógicas distintas no âmbito do 
governo federal. 
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Assim, é fundamental registrar que o FUNDESCOLA desenvolve 
ações, em especial na área de gestão, sem clara interlocução com as demais 
políticas das Secretarias do MEC. O PDE, nesse cenário, tem foco e ação 
político-pedagógica baseados em concepção gerencial, cujo processo ignora o 
esforço desenvolvido pelo MEC no apoio técnico e financeiro para a 
democratização da gestão escolar. 
 
PROGRAMA DINHEIRO DIRETO NA ESCOLA (PDDE) 
 
O PDDE consiste no repasse anual de recursos por meio do FNDE às 
escolas públicas do ensino fundamental estaduais, municipais e do Distrito 
Federal e às do ensino especial, mantidas por organizações não 
governamentais (ONGs), desde que registradas no Conselho Nacional de 
Assistência Social (CNAS). 
Os recursos, oriundos predominantemente do “salário-educação”, são 
destinados à aquisição de material permanente e de consumo necessários ao 
funcionamento da escola; à manutenção, conservação e pequenos reparos da 
unidade escolar; à capacitação e ao aperfeiçoamento de profissionais da 
educação; à avaliação de aprendizagem; à implementação de projeto 
pedagógico; e ao desenvolvimento de atividades educacionais. Um dos limites 
interpostos ao Programa refere-se à estruturação de unidades executoras nas 
unidades escolares, o que, em muitos casos, tem resultado na instituição de 
entes privados como gestores de recursos das escolas públicas, em detrimento 
de outros atores, como conselhos escolares, fortemente referendados por outro 
programa da SEB/MEC. 
Em pesquisa realizada em cinco estados (São Paulo, Rio Grande do 
Sul, Mato Grosso do Sul, Pará e Piauí), buscando inventariar e analisar o 
processo de implementação do PDDE e suas consequências para a gestão dos 
sistemas, Adrião e Peroni (2007, p. 254-267) destacam as concepções 
norteadoras desse Programa e o seu papel na redefinição da regulação estatal, 
por meio da criação de unidades executoras. As autoras afirmam que, 
 
 
 
 
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125 
 
 
Declaradamente, o Programa opta pela criação de 
Unidades Executoras (UEX) de natureza privada como 
mecanismo para assegurar maior flexibilidade na gestão 
dos recursos repassados e ampliar a participação da 
comunidade escolar nessa mesma gestão (ADRIÃO e 
PERONI, 2007, p.258). 
Ressaltam, ainda, a abrangência do Programa, ao mesmo tempo em 
que destacam que, 
a generalização das UEX para as diferentes redes e 
sistemas de ensino, de certa maneira, padronizou um 
formato institucional que delega a responsabilidade sobre 
a gestão dos recursos públicos descentralizados para 
uma instituição de natureza privada (ADRIÃO e PERONI, 
2007, p.259). 
 
Nesse cenário, o referido Programa vai ocupando papel estratégico nas 
escolas, na medida em que, em muitos casos, acaba por redirecionar espaços 
de participação e deliberação, como os conselhos escolares, em unidade 
executora. A esse respeito, Adrião e Peroni, ao analisarem os casos da rede 
municipal de Porto Alegre e das redes estaduais de Rio Grande do Sul e Mato 
Grosso do Sul, afirmam que, 
(...) a proposta de transformação dos Conselhos 
Escolares em unidades executoras assumiu um caráter 
de disputa política entre diferentes segmentos da 
educação. O dilema vivido pelos sistemas relacionava-se 
à opção em alterar a natureza jurídica dos Conselhos 
Escolares, transformando-os em uma unidade executora, 
cuja consequência seria a instalação de uma instituição 
de direito privado na esfera da gestão da escola ou, de 
outro modo, o fortalecimento do Círculo de Pais e Mestres 
(CPM), estrutura análoga às Associações de Pais e 
Mestres (APM), tradicionalmente menos democrática e, 
em muitos casos, não subordinada ao controle do 
colegiado gestor (ADRIÃO E PERONI, 2007, p. 260). 
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126 
 
 
 
 
As autoras alertam, ainda, para o fato de que essa indução de políticas 
de gestão, cuja ênfase recai sobre a dimensão técnico-operacional, possa, 
 
(...) redundar em limites para a própria democratização da 
gestão. No caso em que os Conselhos, recém-criados, 
nascem já crivados pela lógica da UEX, erigida a partir da 
ambiguidade que a caracteriza (entidade de natureza 
privada articulada ao setor público) e da função que lhe é 
prioritária – captar recursos privados e gerir recursos 
públicosdescentralizados –, no funcionamento desses 
colegiados há uma tendência de secundarizar o exercício 
das práticas democráticas nas decisões (ADRIÃO & 
PERONI, 2007, p. 260). 
 
Sem descurar da importância do referido Programa no que concerne à 
descentralização de recursos financeiros para a escola, em cenário de nítida 
escassez de recursos, a análise do PDDE demonstra que sua implementação 
tem resultado no desrespeito ao pacto federativo, na medida em que o 
Programa atropela os sistemas de ensino ao redefinir novos formatos de 
gestão para as escolas públicas, por meio do “estabelecimento de relações 
diretas entre as escolas beneficiadas e o FNDE, sem a intervenção de 
instâncias governamentais locais na definição e execução dos gastos” 
(ADRIÃO e PERONI, 2007, p. 264). 
Outro aspecto ressaltado pelas autoras refere-se à pequena 
participação da comunidade escolar, pois, 
 
o fato do Programa não pressupor para a sua realização a 
efetiva democratização da gestão da esfera pública fez 
com que, em muitos casos, fosse pequena a desejada 
participação da comunidade na operação de recursos 
repassados (ADRIÃO e PERONI, 2007, p. 265). 
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127 
 
 
Todos esses indicadores demonstram que as bases político- 
pedagógicas do PDDE, a despeito de possibilitar às unidades escolares a 
gestão de pequenos recursos, por meio de entidade privada, não contribuíram 
efetivamente para a democratização dos processos de deliberação coletiva e, 
ainda, restringiram a autonomia à gestão financeira da escola. Vale refletir e 
levar as discussões para a sua escola! 
 
PROGRAMA DE FORTALECIMENTOS DOS CONSELHOS ESCOLARES 
 
Esse Programa tem por objetivo contribuir com a discussão sobre a 
importância de conselhos escolares nas instituições e visa, ainda, ao 
fortalecimento dos conselhos existentes. Os conselhos escolares configuram- 
se, historicamente, como espaços de participação de professores, funcionários, 
pais, alunos, diretores e comunidade nas unidades escolares. Em alguns 
casos, constituem-se em espaços coletivos de deliberação, assumindo, desse 
modo, o papel de órgão corresponsável pela gestão administrativa e 
pedagógica das escolas e, em outros, em razão de sua atuação restrita à 
aprovação da prestação de contas e medidas disciplinares, em determinadas 
situações, foram transformados em unidades executoras em razão do PDDE. 
O Programa foi criado pela Secretaria de Educação Básica do 
Ministério da Educação, mediante a Portaria Ministerial nº 2.896/2004. Visa à 
implantação e ao fortalecimento de conselhos escolares nas escolas públicas 
de educação básica nas cinco regiões do país, envolvendo os sistemas de 
ensino públicos estaduais e municipais, por meio de sua adesão à sistemática 
de apoio técnico, pedagógico e financeiro do Ministério da Educação. 
De acordo com a mesma Portaria Ministerial, tem por objetivos: Ampliar 
a participação das comunidades escolar e local na gestão administrativa, 
financeira e pedagógica das escolas públicas; Apoiar a implantação e o 
fortalecimento de conselhos escolares; Instituir políticas de indução para 
implantação de conselhos escolares; Promover, em parceria com os sistemas 
de ensino, a capacitação de conselheiros escolares, utilizando inclusive 
metodologias de educação a distância; Estimular a integração entre os 
conselhos escolares; Apoiar os conselhos escolares na construção coletiva de 
um projeto educacional no âmbito da escola, em consonância com o processo 
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de democratização da sociedade; e Promover a cultura do monitoramento e 
avaliação no âmbito das escolas para a garantia da qualidade da educação. 
A referida Portaria define, ainda, que a execução do Programa será de 
responsabilidade da SEB e que esta deverá contar com a participação de 
órgãos e organismos nacionais e internacionais em um trabalho integrado de 
parcerias para a consecução dos objetivos. Nesse sentido, vale ressaltar que a 
efetivação dos objetivos preconizados envolve, fundamentalmente, a adesão 
ao Programa pelos estados e municípios. 
O Programa estruturou-se a partir de processos de formação 
continuada dos diversos segmentos que compõem a unidade escolar, por meio 
de duas frentes articuladas – de um lado, pela realização de seminários 
estaduais de formação, seminário internacional de gestão, seminários 
municipais e, de outro, pela oferta de curso de formação pela modalidade de 
educação a distancia. 
Apresenta-se organizado a partir de cinco eixos iniciais – conselhos 
escolares, democratização da escola e construção da cidadania; conselho 
escolar e o respeito e valorização do saber e da cultura do estudante e da 
comunidade; conselho escolar e o aproveitamento significativo do tempo 
pedagógico; conselho escolar e a aprendizagem na escola; conselho escolar, 
gestão democrática da educação e escolha do diretor. Em seguida, o Programa 
ampliou tais eixos com as seguintes temáticas: conselho escolar como espaço 
de formação humana; conselho escolar e o financiamento da educação; 
conselho escolar e a educação no campo; conselho escolar e a relação entre a 
escola e o desenvolvimento com igualdade social. 
Além desses núcleos temáticos, contemplou-se a discussão sobre os 
indicadores de qualidade da educação e os conselhos escolares como 
estratégia de gestão democrática da educação pública. Como é possível 
evidenciar, tais temáticas abrangem importantes questões em debate nas 
unidades escolares. 
Em que pese à centralidade conferida a esse Programa, é fundamental 
destacar que o eixo da gestão democrática e da efetiva participação, bem 
como a centralidade conferida a órgãos de deliberação coletiva como os 
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conselhos escolares, encontra limites em outros programas do próprio governo 
federal, já analisados. 
 
PROGRAMA NACIONAL DO LIVRO DIDÁTICO (PNLD) 
 
O Programa Nacional do Livro Didático (PNLD) tem como principal 
objetivo subsidiar o trabalho pedagógico dos professores por meio da 
distribuição de coleções de livros didáticos aos alunos da educação básica. 
Após a avaliação das obras, o Ministério da Educação (MEC) publica o Guia de 
Livros Didáticos com resenhas das coleções consideradas aprovadas. O guia é 
encaminhado às escolas, que escolhem, entre os títulos disponíveis, aqueles 
que melhor atendem ao seu projeto político-pedagógico. 
O programa é executado em ciclos trienais alternados. Assim, a cada 
ano o MEC adquire e distribui livros para todos os alunos de um segmento, que 
pode ser: anos iniciais do ensino fundamental, anos finais do ensino 
fundamental ou ensino médio. À exceção dos livros consumíveis, os livros 
distribuídos deverão ser conservados e devolvidos para utilização por outros 
alunos nos anos subsequentes. 
O PNLD também atende aos alunos que são público-alvo da educação 
especial. São distribuídas obras didáticas em Braille de língua portuguesa, 
matemática, ciências, história, geografia e dicionários6. 
 
PROGRAMA NACIONAL DE ALIMENTAÇÃO ESCOLAR (PNAE) 
 
Encontramos na RESOLUÇÃO/CD/FNDE Nº 38, DE 16 DE JULHO DE 
2009 disposições sobre o atendimento da alimentação escolar aos alunos da 
educação básica no Programa Nacional de Alimentação Escolar – PNAE, bem 
como na RESOLUÇÃO/CD/FNDE N º 67, DE 28 DE DEZEMBRO DE 2009, 
está alteração do valor per capita para oferta da alimentação escolar do 
Programa Nacional de Alimentação Escolar - PNAE. 
O PNAE foi implantado em 1955, contribuindo para o crescimento, o 
desenvolvimento, a aprendizagem, o rendimento escolar dos estudantes e a 
 
 
6 
http://mecsrv125.mec.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=12391:pnld&catid=318http://mecsrv125.mec.gov.br/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=12391%3Apnld&amp;catid=318
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formação de hábitos alimentares saudáveis, por meio da oferta da alimentação 
escolar e de ações de educação alimentar e nutricional. 
São atendidos pelo Programa os alunos de toda a educação básica 
(educação infantil, ensino fundamental, ensino médio e educação de jovens e 
adultos) matriculados em escolas públicas, filantrópicas e em entidades 
comunitárias (conveniadas com o poder público), por meio da transferência de 
recursos financeiros. 
O PNAE tem caráter suplementar, como prevê o artigo 208, incisos IV 
e VII, da Constituição Federal, quando determina que o dever do Estado (ou 
seja, das três esferas governamentais: União, estados e municípios) com a 
educação é efetivado mediante a garantia de “educação infantil, em creche e 
pré-escola, às crianças até cinco anos de idade” (inciso IV) e “atendimento ao 
educando, em todas as etapas da educação básica, por meio de programas 
suplementares de material didático-escolar, transporte, alimentação e 
assistência à saúde” (inciso VII). 
Atualmente, segundo consta no sítio do MEC, o valor repassado pela 
União a estados e municípios por dia letivo para cada aluno é definido de 
acordo com a etapa e modalidade de ensino: Creches: R$ 1,00 - Pré-escola: 
R$ 0,50 - Escolas indígenas e quilombolas: R$ 0,60 - Ensino fundamental, 
médio e educação de jovens e adultos: R$ 0,30 - Ensino integral: R$ 1,00 - 
Alunos do Programa Mais Educação: R$ 0,90 - Alunos que frequentam o 
Atendimento Educacional Especializado no contra turno: R$ 0,50 
O repasse é feito diretamente aos estados e municípios, com base no 
Censo Escolar realizado no ano anterior ao do atendimento. O Programa é 
acompanhado e fiscalizado diretamente pela sociedade, por meio dos 
Conselhos de Alimentação Escolar (CAE), pelo FNDE, pelo Tribunal de Contas 
da União (TCU), pela Controladoria Geral da União (CGU) e pelo Ministério 
Público. 
O orçamento do Programa para 2014 foi de R$ 3,5 bilhões, para 
beneficiar 43 milhões de estudantes da educação básica e de jovens e adultos. 
Com a Lei nº 11.947, de 16/6/2009, 30% desse valor – ou seja, R$ 1,05 bilhão 
– deve ser investido na compra direta de produtos da agricultura familiar, 
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medida que estimula o desenvolvimento econômico e sustentável das 
comunidades7. 
 
PROGRAMA NACIONAL DE ACESSO AO ENSINO TÉCNICO E EMPREGO 
(PRONATEC) 
 
O Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego 
(PRONATEC) foi criado pelo Governo Federal, em 2011, com o objetivo de 
ampliar a oferta de cursos de educação profissional e tecnológica e tem como 
objetivos: expandir, interiorizar e democratizar a oferta de cursos de educação 
profissional técnica de nível médio e de cursos de formação inicial e continuada 
ou qualificação profissional presencial e a distância; construir, reformar e 
ampliar as escolas que ofertam educação profissional e tecnológica nas redes 
estaduais; aumentar as oportunidades educacionais aos trabalhadores por 
meio de cursos de formação inicial e continuada ou qualificação profissional; 
aumentar a quantidade de recursos pedagógicos para apoiar a oferta de 
educação profissional e tecnológica; melhorar a qualidade do ensino médio. 
O Pronatec envolve um conjunto de iniciativas: 
 
 
a) Expansão da Rede Federal: 
A Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica 
está presente em todos os estados brasileiros, com mais de 350 unidades em 
funcionamento, oferecendo cursos de formação inicial e continuada, técnicos, 
superiores de tecnologia, licenciaturas e programas de pós-graduação. 
 
b) Programa Brasil Profissionalizado: 
O Programa Brasil Profissionalizado destina-se à ampliação da oferta e 
ao fortalecimento da educação profissional e tecnológica integrada ao ensino 
médio nas redes estaduais, em parceria com o Governo Federal. 
 
 
 
 
 
 
7 
http://www.fnde.gov.br/index.php/programas/alimentacao-escolar/alimentacao-escolar-apresentacao 
http://www.fnde.gov.br/index.php/programas/alimentacao-escolar/alimentacao-escolar-apresentacao
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c) Rede e-TecBrasil: 
Na Rede e-Tec Brasil são oferecidos gratuitamente cursos técnicos e 
de formação inicial e continuada ou de qualificação profissional, na modalidade 
a distância. Poderão oferecer cursos a distância as instituições da Rede 
Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica; as unidades de 
ensino dos serviços nacionais de aprendizagem (SENAI, SENAC, SENAR e 
SENAT); e instituições de educação profissional vinculadas aos sistemas 
estaduais de ensino. 
 
d) Acordo de Gratuidade com os Serviços Nacionais de 
Aprendizagem: 
O Acordo de Gratuidade tem por objetivo ampliar, progressivamente, a 
aplicação dos recursos do SENAI, do SENAC, do SESC e do SESI, recebidos 
da contribuição compulsória, em cursos técnicos e de formação inicial e 
continuada ou de qualificação profissional, em vagas gratuitas destinadas a 
pessoas de baixa renda, com prioridade para estudantes e trabalhadores. 
 
e) FIES Técnico e Empresa: 
O FIES Técnico tem como objetivo financiar cursos técnicos e cursos 
de formação inicial e continuada ou de qualificação profissional para 
estudantes e trabalhadores em escolas técnicas privadas e nos serviços 
nacionais de aprendizagem – SENAI, SENAC, SENAT e SENAR. No FIES 
Empresa serão financiados cursos de formação inicial e continuada para 
trabalhadores, inclusive no local de trabalho. 
 
f) Bolsa-Formação: 
Além das iniciativas voltadas ao fortalecimento do trabalho das redes 
de educação profissional e tecnológica existentes no país, o Pronatec criou a 
Bolsa-Formação, por meio da qual serão oferecidos, gratuitamente, cursos 
técnicos para quem concluiu o Ensino Médio e para estudantes matriculados 
no Ensino Médio e cursos de formação inicial e continuada ou qualificação 
profissional (BRASIL, 2012). 
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Existem muitos outros programas desenvolvimentos pelo governo 
federal e sugerimos que pesquisem na página do Ministério da Educação para 
aprofundamento. 
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134 
 
 
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