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COMUNICAÇÃO E GESTÃO FINANCEIRA DA SECRETARIA ESCOLAR COMUNICAÇÃO E GESTÃO FINANCEIRA DA SECRETARIA ESCOLAR INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO COMUNICAÇÃO E GESTÃO FINANCEIRA DA SECRETARIA ESCOLAR 2 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 Sumário INTRODUÇÃO AOS ESTUDOS ACERCA DA GESTÃO DEMOCRÁTICA DA COMUNICAÇÃO E DE POLÍTICAS PÚBLICAS NAS SECRETARIAS ESCOLARES ....................................................................................................... 5 A COMUNICAÇÃO ADMINISTRATIVA VERBAL E NÃO VERBAL ..................... 9 A COMUNICAÇÃO EFETIVADA NA REDAÇÃO OFICIAL ................................ 12 COMUNICAÇÃO ................... EM REDES SOCIAIS NA INTERNET: ESPAÇO DE INTERCÂMBIO 13 COMUNICAÇÃO ORGANIZACIONAL NA ERA DIGITAL: CONTEXTOS, PERCURSOS E POSSIBILIDADES ................................................................... 19 SOCIEDADE DIGITAL E SOCIEDADE MIDIÁTICA ........................................... 19 AS ORGANIZAÇÕES NA ERA DIGITAL ........................................................... 23 DOS FLUXOS INFORMATIVOS AOS PROCESSOS INTERATIVOS E ESTRATÉGICOS ............................................................................................... 24 A COMUNICAÇÃO DIGITAL E SEUS IMPACTOS NAS ORGANIZAÇÕES ...... 26 COMUNIDADES VIRTUAIS COMO PÚBLICO ESTRATÉGICO ........................ 27 COMUNICAÇÃO DIGITAL NAS ORGANIZAÇÕES E A FILOSOFIA DA COMUNICAÇÃO INTEGRADA .......................................................................... 31 A COMUNICAÇÃO EFICAZ ............................................................................... 37 EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA COMUNICAÇÃO ................................................. 38 O PROCESSO, O OBJETIVO E OS ESTÁGIOS DA COMUNICAÇÃO ............. 39 OS CANAIS DE COMUNICAÇÃO ...................................................................... 42 OBJETIVOS DA COMUNICAÇÃO ..................................................................... 46 OS SISTEMAS REPRESENTACIONAIS ........................................................... 47 APOSTAR EM COMUNICAÇÃO É ESTRATÉGICO? ........................................ 50 INTRODUÇÃO ................................................................................................... 51 A COMUNICAÇÃO ORGANIZACIONAL - CONCEITOS, DEFINIÇÕES E TRAJETÓRIA ..................................................................................................... 51 PANORAMA DA COMUNICAÇÃO ORGANIZACIONAL (ONTEM/HOJE) ......... 54 INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO COMUNICAÇÃO E GESTÃO FINANCEIRA DA SECRETARIA ESCOLAR 3 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 Comunicação Organizacional (ontem) ............................................................... 54 Comunicação Organizacional (hoje) .................................................................. 54 DESAFIOS DA COMUNICAÇÃO ORGANIZACIONAL NA ATUALIDADE ......... 55 GESTÃO DA REDAÇÃO OFICIAL: CONCEITOS, DEFINIÇÕES, CARACTERÍSTICAS E FINALIDADE ................................................................ 57 ORIENTAÇÕES BÁSICAS SOBRE O ATO DE ESCREVER ............................ 63 PROBLEMAS NA CONSTRUÇÃO DE FRASES ............................................... 64 a) Uso indevido do sujeito como complemento: ............................................... 64 b) Ambiguidade: ............................................................................................... 64 c) Erros de paralelismo: ................................................................................... 65 d) Erros de comparação: .................................................................................. 66 EMPREGO DOS PRONOMES .......................................................................... 67 CORRESPONDÊNCIAS OFICIAIS .................................................................... 68 b) Fechos para as comunicações oficiais: ....................................................... 69 c) Identificação do signatário: .......................................................................... 70 d) Endereçamento: .......................................................................................... 70 FORMAS, ESTRUTURAS E OBJETIVOS DAS COMUNICAÇÕES ADMINISTRATIVAS ........................................................................................... 71 GESTÃO DEMOCRÁTICA E FINANCEIRA DA SECRETARIA ESCOLAR ....... 76 A EDUCAÇÃO, AS POLÍTICAS PÚBLICAS E OS PROGRAMAS GOVERNAMENTAIS ......................................................................................... 80 POLÍTICAS PÚBLICAS NO ESTADO DE BEM-ESTAR SOCIAL ...................... 82 POLÍTICAS PÚBLICAS PARA AS MINORIAS ................................................... 85 O CICLO DAS POLÍTICAS PÚBLICAS .............................................................. 87 O PROGRAMA NO PLANEJAMENTO GOVERNAMENTAL ............................. 91 AVALIAÇÃO DE POLÍTICAS E PROGRAMAS GOVERNAMENTAIS ............... 93 POLÍTICAS PÚBLICAS PARA EDUCAÇÃO NO BRASIL .................................. 97 DIMENSÕES DE UMA EDUCAÇÃO DE QUALIDADE PELA UNESCO E INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO COMUNICAÇÃO E GESTÃO FINANCEIRA DA SECRETARIA ESCOLAR 4 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 BANCO MUNDIAL – BREVES COMENTÁRIOS ............................................... 98 A GESTÃO DEMOCRÁTICA DA EDUCAÇÃO BÁSICA .................................. 103 A GESTÃO FINANCEIRA E O FINANCIAMENTO DA EDUCAÇÃO BRASILEIRA ......................................................................................................................... 111 FONTES DE RECURSOS................................................................................ 112 FUNDEF/FUNDEB ........................................................................................... 114 GESTÃO FINANCEIRA DA ESCOLA .............................................................. 117 O PLANEJAMENTO E O PROJETO POLÍTICO- PEDAGÓGICO (PPP) ......... 120 PLANO DE DESENVOLVIMENTO DA ESCOLA (PDE) E O FUNDO DE FORTALECIMENTO DA ESCOLA (FUNDESCOLA) ....................................... 121 PROGRAMA DINHEIRO DIRETO NA ESCOLA (PDDE) ................................. 124 PROGRAMA DE FORTALECIMENTOS DOS CONSELHOS ESCOLARES ... 127 PROGRAMA NACIONAL DO LIVRO DIDÁTICO (PNLD) ................................ 129 PROGRAMA NACIONAL DE ALIMENTAÇÃO ESCOLAR (PNAE) ................. 129 PROGRAMA NACIONAL DE ACESSO AO ENSINO TÉCNICO E EMPREGO (PRONATEC) ................................................................................................... 131 a) Expansão da Rede Federal: ...................................................................... 131 b) Programa Brasil Profissionalizado: ............................................................ 131 c) Rede e-TecBrasil: ...................................................................................... 132 d) Acordo de Gratuidade com os Serviços Nacionais de Aprendizagem: ....... 132 e) FIES Técnico e Empresa: .......................................................................... 132 f) Bolsa-Formação: ....................................................................................... 132 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ................................................................. 134 INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO COMUNICAÇÃO E GESTÃO FINANCEIRA DA SECRETARIA ESCOLAR 5 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 INTRODUÇÃO AOS ESTUDOS ACERCA DA GESTÃO DEMOCRÁTICA DA COMUNICAÇÃO E DE POLÍTICAS PÚBLICAS NAS SECRETARIAS ESCOLARES A comunicação humana sofre, de forma intensa, as transformações radicais que, desde as décadas finais do século passado afetam a sociedade contemporânea, por conta, sobretudo, da evolução das tecnologias de informação e de comunicação, com suas potencialidades quase infinitasde caráter informativo e, quiçá, educativo e formativo. Essas transmutações atingem a vida individual e profissional dos cidadãos por toda parte, na América Latina ou fora dela. Há profissões que morrem ou agonizam. Há profissões que nascem e se fortalecem. Há profissões que tendem a se modificar. Como decorrência, percebemos profunda alteração na geografia das disciplinas científicas, mediante fusão de umas, como telemática, e ramificação de outras, como comunicação social. No entanto, nem avanços em ciência e tecnologia nem as transmutações daí advindas conseguem eliminar a correlação entre a comunicação e o modo de produção capitalista, na dita sociedade de informação ou sociedade do conhecimento ou sociedade da aprendizagem. Na perspectiva teórica de Williams (1989, 1992), as inovações tecnológicas constituem relevante fator de mutações sociais e culturais, com destaque para o aspecto econômico. Assim, em que pese a decantada democratização da informação via redes eletrônicas de informação e de comunicação, vivemos, hoje, um processo acelerado de mercantilização e de concentração midiática. Temos um Brasil das comunicações. A imprensa escrita, falada, televisiva e eletrônica, sob a responsabilidade direta de poderosos conglomerados comunicacionais, avança em busca de tecnologias sofisticadas e compatíveis com a realidade do século XXI, perfazendo o que se chama de jornalismo de referência. Há espaços para coberturas nacionais e internacionais. Há interesse permanente para inovações em termos de produção, em qualquer instância, inclusive no espaço virtual, abrindo campo para o jornalismo digital, e, sobretudo, para o webjornalismo - jornalismo contemporâneo presente no INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO COMUNICAÇÃO E GESTÃO FINANCEIRA DA SECRETARIA ESCOLAR 6 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 espaço cibernético, dando origem ao jornalismo contemplado em portais, sites, blogs jornalísticos gerais e/ou especializados etc. É evidente, pois, que a imprensa brasileira se desvia, mais e mais, de sua função precípua de serviço público e espaço cultural e literário. Impregnados por mercantilismo progressivo, os veículos de comunicação se deparam com pressão crescente para noticiar o "noticiável" (leia-se, vendável, em termos econômicos e políticos) em detrimento dos interesses genuínos das coletividades, gerando clima de descrédito em relação à prática ética do jornalismo. É a confirmação do Informe McBride, que completa mais de 30 anos. À época, sua versão original intitulada Many voices, one world, elaborada durante conferência promovida pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), em 1980, já alerta para a existência de um sistema de controle de informação ostensivamente utilizado como instrumento de dominação pelos países primeiro-mundistas. Hoje, não obstante as 82 recomendações daquele momento, Mattelart (2009) e outros estudiosos negam grandes mudanças, tal como o faz Paraná (2010), em palavras textuais que dizem: A concentração do controle da informação consolida-se na mão de grandes conglomerados, que organizados em torno das agências de notícias monopolizam visões e versões, empobrecendo o jornalismo e a democracia. A internet, que se imaginou revolucionar as relações comunicacionais, contribui consideravelmente para grandes transformações, mas, por si só, não é capaz de derrubar de vez os muros levantados pelas desigualdades sociais, políticas, econômicas [...] Portanto, em diferentes contextos, é evidente o gap entre o poder de comunicação dos grupos empresariais e o que emana dos segmentos sociais. Por isso, a mídia de referência, mantida por meios de comunicação consolidados, enfrenta a propagação da comunicação para mudança social, que vem rodeada de questionamentos, sintetizados por Barranquero (2007, INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO COMUNICAÇÃO E GESTÃO FINANCEIRA DA SECRETARIA ESCOLAR 7 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 p.2, tradução nossa): "Que é exatamente comunicação para mudança social?; A que fazemos referência quando vinculamos estes dois termos?; Que significado assume a comunicação nos processos de desenvolvimento? Há mudança social sempre que comunicamos?" São questões sem respostas unívocas. Isto é, o conceito de comunicação para mudança social / comunicação alternativa (CA) é em si mesmo polêmico. Em primeiro lugar, é possível argumentar que a comunicação, em termos ideais, deve favorecer, sempre, mutações a favor da coletividade. Em segundo lugar, subsiste em outros campos. Exemplificando: em terapia ocupacional, CA define outras formas de comunicação, que englobam desde o uso de gestos e sinais, expressões faciais, emprego de pranchas de alfabeto ou de símbolos pictográficos até sistemas sofisticados, como o computador com voz sintetizada. Diante do aparente impasse, adotamos a linha de pensamento de Morris (2004), que concebe CA como qualquer forma de expressão comunicativa que prioriza o bem-estar social e a qualidade de vida da população. Lembrando que os termos - convencional, tradicional e similares - são aqui utilizados em oposição à mídia alternativa, esse autor arrola quatro categorias de comunicação alternativa: (1) meios de comunicação alternativos; (2) movimentos sociais; (3) meios de comunicação locais ou regionais; (4) meios de comunicação alternativos com participação direta dos cidadãos. De forma sucinta, o primeiro grupo diz respeito à emergência, manutenção e expansão de variados meios de comunicação não tradicionais. Noutrossim, a comunicação administrativa consiste no processo de transmissão de mensagem/informação entre um emissor e um receptor, direta ou indiretamente, envolvendo a organização de serviço, seja ela no plano teórico-filosófico ou prático, mas que implica no desenvolvimento deste serviço. Também pode ser entendida como comunicação gerencial ou organizacional. INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO COMUNICAÇÃO E GESTÃO FINANCEIRA DA SECRETARIA ESCOLAR 8 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 Nesse sentido, Stoner afirma que, a comunicação eficaz é importante para os administradores por dois motivos. Primeiro, a comunicação eficaz é o processo através do qual os administradores realizam as funções de planejamento, organização, liderança e controle. Segundo, a comunicação é uma atividade a qual os administradores dedicam uma enorme proporção de seu tempo. Raramente os administradores estão sozinhos em suas salas, pensando, planejando ou contemplando alternativas. (1995, p. 23). Noutrossim, Silva (1991) destaca que as "comunicações administrativas são os processos comunicativos relacionados com as funções administrativas da organização." (p. 30). Já na ótica de Thayer (1979) essa é "a comunicação que altera (ou poderia fazê-lo), explora, cria ou mantém as relações situacionais entre as funções – tarefas pelas quais é responsável, ou entre sua subseção e qualquer das outras da organização global". E, em sendo, o mesmo autor ainda diz que "nas organizações é necessário que se determine o sistema de comunicação que, ao mesmo tempo, capacite a entidade a lidar com o meio ambiente, a manter seu funcionamento interno e a estar bem informada e apta a executar as modificações necessárias ou oportunas." (THAYER, 1979, p. 122). Nesse sentido, diversos autores afirmam, pacificamente, que a comunicação administrativa não deve se preocupar com meios externos (comunicação unilateral) e sim com seu fluxo interno de informações (comunicação bilateral). Ela deve ser feita entre e para os membros da organização, o que não impede que algumas informações transmitidas internamente sejam difundidas além dos limites da organização. Ela precisa ser vista como uma forma de comunicaçãosocial e humana, constituída por cinco elementos básicos; um comunicador que transmite uma mensagem para um receptor visando obter um feedback do mesmo. “Segundo o conhecido modelo de Lassell, ‘trata-se de saber quem diz o quê, por que meio a quem e para INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO COMUNICAÇÃO E GESTÃO FINANCEIRA DA SECRETARIA ESCOLAR 9 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 quê?’”. (REDFIELD, 1980, p. 6). Em sendo, podemos definir a comunicação administrativa como sendo aquela que está envolvida com o público interno, dedicando-se aos aspectos administrativos do pessoal e ao disciplinamento de seu comportamento na empresa, estando sempre fundamentada na hierarquia estabelecida pelas normas e procedimentos da empresa e pela legislação trabalhista, caracterizando-se por ser formal, legalista e impositiva. Podemos, também, afirmar que seu principal objetivo é unir a situação de todos os setores, e todos os assuntos, interagir entre os membros e garantir a funcionalidade da empresa. Denominada de comunicação funcional, parte-se do pressuposto de que cada cargo de uma organização precisa comunicar algo a alguém ou algum setor, de modo a transmitir as informações necessárias em busca de um trabalho sinérgico, respeitando as individualidades de cada cargo, setor e também as pessoais. Nesse sentido, conforme afirmam Nogueira de Faria e Ney Suassuna, no livro A Comunicação na Administração, “a cooperação só se torna possível quando as pessoas e as instituições se entendem e percebem que, somando suas forças, poderão produzir mais”. (1982, p. 11). A COMUNICAÇÃO ADMINISTRATIVA VERBAL E NÃO VERBAL Com a crescente importância da internet nas últimas décadas, a análise sobre os modos de utilização coletiva e apropriação social de dispositivos digitais se tornou um direcionamento importante para se compreender os atuais processos da Comunicação Social contemporâneos. Qualquer estudo que siga este caminho precisa levar em conta um contexto com três aspectos fundamentais. Primeiramente, há um expressivo número de usuários online que aumenta a cada ano1e que vem repercutindo na dinâmica de diversos setores da vida social, cultural, política e econômica. Segundo, a popularização do ambiente digital em convergência com o que vem sendo chamado de Web 2.0 tem gerado um grande volume de dados e informações produzidas, compartilhadas ou replicadas socialmente através da utilização coletiva de bases de dados. Algo que é simultaneamente acompanhado por um complexo sistema de registros e protocolos digitais. Terceiro, o uso cotidiano de dispositivos móveis e miniaturizados (como celulares, câmeras, tablets, INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO COMUNICAÇÃO E GESTÃO FINANCEIRA DA SECRETARIA ESCOLAR 10 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 netbooks etc.) capazes de captar, processar e inserir conteúdo digital na rede a qualquer hora e de (quase) todo lugar, vem driblando as barreiras do espaço e possibilitando uma nova forma de ubiquidade midiática ainda em pleno processo de expansão e cujos efeitos necessitam ser devidamente estudados. Diferentes variáveis passaram a compor esse jogo. O percurso que usuários fazem na internet, por exemplo, têm sido examinado por pesquisadores ou por empresas como Google, Apple, Microsoft e Amazon visando identificar padrões, traçar perfis de comportamento, compreender processos de Comunicação Social, aferir tendências ou testar hipóteses a partir de métodos estatísticos aliados a análises qualitativas. Se tomarmos como base fatos ou eventos de grande repercussão pública, o que caracteriza os aportes de informação online quando os próprios usuários são ao mesmo tempo produtores, propagadores e consumidores de dados? De que forma os indivíduos se apropriam de ferramentas e aplicativos digitais e como essa apropriação se relaciona com o sistema midiático tradicional? Assim, a comunicação administrativa verbal, utilizada, pode ocorrer através da informação oral que é transmitida, a todos os elementos do grupo, no mesmo momento, individualmente ou ainda de um para o outro. Talvez este meio não seja eficaz, pois, não se pode garantir, necessariamente, que a ideia central se mantenha. Deve-se atentar para as estratégias utilizadas, para evitar falsa interpretação, boatos ou fofocas (ETIZIONI, 1974). A comunicação administrativa não verbal apontada por Silva (1991) em sua investigação acerca da "comunicação administrativa escrita na enfermagem" foi a escrita representada por: memorando, circular, portaria, relatório, convocação. A autora afirma que "as comunicações escritas são importantes não só pelas informações que transmitem, bem como, por servirem para referências futuras, para a pesquisa, ensino e informação legal. Por isso, recomenda-se a clareza e a concisão, haja vista que, precisam ser compreendidas por aqueles que a recebem, sem a ajuda de quem as emite." (p. 34). Neste caso, garante-se a essência da informação, mas pode-se correr o risco da equipe não ler, quer seja por excesso de trabalho, desmotivação, dificuldade para entender alguns termos técnicos, pelo não hábito de leitura ou mesmo desinteresse. INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO COMUNICAÇÃO E GESTÃO FINANCEIRA DA SECRETARIA ESCOLAR 11 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 Como já dissemos, um novo meio de comunicação que vem sendo muito utilizado, contemporaneamente, é a informação disseminada pela rede de computadores, seja ela interna, através de programas, ou via online, por meio da Internet. Este advento em alguns setores ou serviços vem ocorrendo de forma lenta e gradual e em outros, mais abruptamente, porém é uma realidade inevitável. É um sistema prático, dinâmico, que traz economia de tempo, podendo ser acessado a qualquer momento e por toda a equipe multidisciplinar. Em sendo, a comunicação deve ser vista, pelo administrador/gestor, como instrumento descentralizador e de elevação da capacidade operacional da organização ou da escola, através da delegação de autoridades e atribuições, contudo sem que o administrador perca o controle e a autoridade perante seus subordinados. A descentralização administrativa exige, acima de tudo, um sistema eficaz de comunicação e controle. Nesse sentido, é a comunicação horizontal que permitirá ao administrador/gestor, alcançar sinergia e controle dos mais variados setores que compõe o corpo da empresa/escola. Nesse aspecto, fica explícito que conforme o tamanho da organização/escola, as trocas de informação podem sofrer mais ou menos empecilhos, contudo, é nesses casos que a comunicação torna-se mais necessária. Sem um plano comunicacional eficaz o trabalho torna-se mais demorado e desperdiçam-se esforços, já que fica clara a dificuldade de interação entre os mais variados setores da organização. Noutrossim, onde se faz necessário o trabalho em grupo há, consequentemente, a necessidade de se realizar uma competente comunicação horizontal. Isto porque, a comunicação é necessidade básica da pessoa humana, do homem social, posto que, constitui o canal pelo qual os padrões de sua cultura lhe são transmitidos e, mediante o qual, aprende-se a ser membro de uma sociedade. A vida em sociedade supõe intercâmbio e comunicação, que se realizam, fundamentalmente, pela língua, cujo papel é cada vez mais importante nas relações humanas. Dentre essas relações, as de trabalho demandam atenção especial com a forma escrita da língua e seu registro adequado, para que se estabeleça INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO COMUNICAÇÃO E GESTÃO FINANCEIRA DA SECRETARIA ESCOLAR 12 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 o entendimento comum. E comunicação é isso: participação, transmissão, troca de ideias, conhecimentos e experiências. Nesse sentido, os textos constituem aexpressão materializada da comunicação humana, posto que, com eles, os homens se tornam contemporâneos do passado e do futuro a um só tempo. O próprio conceito de História vem da noção de escrita: quem deixa documentos escritos está num período de História; quem não escreve, está na Pré-história. Logo, a responsabilidade de cada cidadão é muito grande, seja com sua história pessoal, da comunidade e, até, da própria humanidade. Sendo assim, os funcionários públicos não expedem mensagens para exibir conhecimentos; escreve-nas para trocar informações, reconhecer direitos e vantagens, estabelecer obrigações, comunicar intenções, realizar negócios etc. Assim, um texto oficial de boa qualidade, especialmente aqueles que podem criar direitos, obrigações e compromissos, depende de certos pré- requisitos, aqui chamados fundamentos. Esses fundamentos são de ordem ética, legal, linguística e estética. A COMUNICAÇÃO EFETIVADA NA REDAÇÃO OFICIAL No Manual de Redação de Correspondência e Atos Oficiais (BRASIL, 2006), Redação oficial é o meio utilizado para o estabelecimento de relações de serviço na administração pública e corresponde ao modo uniforme de redigir atos normativos e comunicações oficiais. Para que se alcance a efetividade dessas relações, são traçadas normas de linguagem e padronização no uso de fórmulas e estética para as comunicações escritas, as quais são revestidas de certas peculiaridades restritas ao meio. As comunicações oficiais devem primar pela objetividade, transparência, clareza, simplicidade e impessoalidade. Nesse sentido, a redação oficial, da qual se deve extrair uma única interpretação, há de procurar ser compreensível por todo e qualquer cidadão brasileiro. INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO COMUNICAÇÃO E GESTÃO FINANCEIRA DA SECRETARIA ESCOLAR 13 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 Com esses cuidados, é possível aprimorar um item fundamental na profissionalização do servidor, na racionalização do trabalho e na redução dos custos. COMUNICAÇÃO EM REDES SOCIAIS NA INTERNET: ESPAÇO DE INTERCÂMBIO A noção de rede, atualmente, define sistemas de relações, como redes sociais e de poder, circundando diversas áreas de conhecimento com fins variados. Seu relato inicial na literatura data do século XII na França, designando fios entrelaçados para os tecidos usados em cestas, cordeis, malhas etc. (MUSSO, 2010). O termo rede passou por uma série de adaptações ao longo dos séculos, mas sua ruptura conceitual próxima do que é hoje ocorreu entre os séculos XVIII e XIX, quando passou de um estado natural para um estado artificial, ou seja, o conceito de rede começou a ser construído, uma vez que passou a ser pensado a partir de sua relação com o espaço (MUSSO, 2010). Nesse contexto de relação com o espaço, com a sociedade, pode-se entender que as redes são como fios isolados que se ligam uns aos outros. Assim, é impossível compreender a rede a partir da análise de fios isolados, cabendo levar em consideração o modo como esses fios se conectam e como mantêm reciprocidade em suas relações, embora em sua individualidade possam se alterar a partir de tensões ou da estrutura interna da própria rede (ELIAS, 1994). Embora, como destaca Elias (1994, p.35), essa possa ser uma imagem inadequada e rígida de um modelo de rede, ela mostra de maneira clara que uma ordem oriunda de diversas unidades não pode ser estudada de maneira individual, uma vez que está "Em constante movimento, como um tecer e destecer ininterrupto das ligações". Dessa forma, Musso (2010, p.31) propõe uma definição de rede, que é utilizada para este trabalho: "Rede é uma estrutura de interconexão instável, composta por elementos em interação, e cuja variabilidade obedece a alguma regra de funcionamento". Os elementos de interação são os nós, os indivíduos INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO COMUNICAÇÃO E GESTÃO FINANCEIRA DA SECRETARIA ESCOLAR 14 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 interconectados, instáveis a partir do dinamismo próprio da rede e que obedecem a regras próprias para o seu funcionamento. Em relação às redes sociais, pensar como as pessoas interagem, principalmente em um ambiente digital, visualizando o contexto em que isto é posto, pode ser realizado através de redes sociais na Internet. Uma rede social é composta por dois elementos: atores, que são pessoas e/ou grupos, e conexões, ou seja, seus laços sociais, sendo estes provedores da comunicação existente entre os atores e, portanto, do emergir de grupos sociais (RECUERO, 2009). Quando uma rede de computadores conecta pessoas ou organizações, isto é uma rede social. Da mesma forma que uma rede de computadores é um conjunto de máquinas conectadas por um conjunto de cabos, uma rede social é um conjunto de pessoas (ou organizações ou outras entidades sociais) conectadas por um conjunto de relacionamentos sociais, como amizade, trabalho cooperativo ou intercâmbio de informações (GARTON et al., 2007). A importância das redes sociais na Internet reside na conexão dos usuários que a utilizam, e não das máquinas, sendo estas um meio de interação entre os atores. Ou seja, é, conforme Primo (2007), um processo que reside nas interações entre os envolvidos - não somente pelas mensagens trocadas e pelos interagentes -, não sendo permitido o isolamento das partes que compõem esse sistema. Sua construção é coletiva e não é predeterminada. Trata-se de um processo emergente que mantém sua existência através de interações entre os envolvidos. Essa interação é desenvolvida a partir da participação dos indivíduos e "entre" (interação = ação entre) eles. As redes sociais na Internet permitem que, a partir da análise dessas interações, seja analisado: "[...] o problema de como as estruturas sociais surgem, de que tipo são, como são compostas através da comunicação mediada por computador e como essas interações mediadas são capazes de gerar fluxos de informações e trocas sociais que impactam essas estruturas (RECUERO, 2009, p.24). É nesse contexto que surge um público que se comunica e interage de forma ativa, participativa, mantendo características de auto-organização. Isto INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO COMUNICAÇÃO E GESTÃO FINANCEIRA DA SECRETARIA ESCOLAR 15 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 faz com que as redes não sejam "Apenas um conceito, mas um operador para a ação", sendo "Um trabalho de interesse público" (MUSSO, 2010, p.26), permitindo compreender as relações entre suas ações e suas estruturas. “Onipresentes no meio da computação social, as redes sociais, que eram chamadas de comunidades virtuais, há alguns anos conhecem um desenvolvimento fulminante" (LÉVY, 2010, p.11). São indivíduos participantes das redes sociais que mantêm as atividades de colaboração e interação na rede, sendo os "Nós principais, os cruzamentos, os comutadores da computação social, recolhendo, filtrando, redistribuindo, fazendo circular a informação, a influência, a opinião, a atenção e a reputação” (LÉVY, 2010, p.12). Embora Habermas não tivesse proposto uma teoria ajustada particularmente às novas mídias e sim às conversações públicas a partir da classe burguesa, pode-se constatar que sua teoria da esfera pública é um suporte disseminado para trabalhar o papel da mídia como guardiã da democracia e do direito do público de ser informado (MORTENSEN; WALKER, 2002). Quando discute a ideia de esfera pública, Habermas (2003) destaca o papel da imprensa no processo de debate público e opinião pública. Com isso, pode-se compreender que os meios de comunicação exercem um fator primordial na constituição da esfera pública: a possibilidade dos fluxos informacionais e comunicacionais alcançarem cidadãos que, em outras situações, jamais poderiam criar opinião sobre determinada demandaou tema. Em consequência, atualmente, os variados meios de comunicação, em especial Internet, estão "Incluindo em nossas preocupações certos temas que, de outro modo, não chegariam a nosso conhecimento e, muito menos, tornar- se-iam temas de nossa agenda" (HOHLFELDT, 2010, p.193). Por isso os meios de comunicação como a Internet são capaz de fornecer informações de forma rápida, gerando uma igualmente rápida mobilização. De fato, entendendo que a relação das pessoas com a realidade não é dada de forma direta, é mediada, a percepção que se tem da realidade é dada por "Imagens que formamos em nossa mente. Desta forma, percebemos a realidade não enquanto tal, mas sim enquanto a imaginamos" (HOHLFELDT, INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO COMUNICAÇÃO E GESTÃO FINANCEIRA DA SECRETARIA ESCOLAR 16 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 2010, p.192), trazendo ao imaginário a concepção de espaços de opinião pública, mobilização e participação. É nesse espaço que, de acordo com Scherer-Warren (2006), existe um caráter cognitivo que busca compreender as transformações sociais, reconhecendo a necessidade de um espaço de deliberação pública, como um processo de discussão e reflexão "Para uma troca de razões em público" (MAIA, 2006, p.153), ou seja, 'É uma forma de governo na qual cidadãos livres e iguais (e seus representantes) justificam suas decisões, isto é oferecem razões uns aos outros que sejam mutuamente aceitáveis e acessíveis a todos, com o propósito de chegar a uma conclusão que produza vínculos entre todos no presente, mas aberta ao desafio no futuro' (MAIA, 2006, p.154). Enquanto a Internet, até alguns anos atrás, provia espaços de debates através de e-mails e listas de discussão, novas possibilidades de comunicação e informação surgem como forma de aquisição de informações e debates (MAIA, 2006). Como destaca Gomes (2005a), a Internet como possibilidade de expressão permite aos cidadãos alcançar outros cidadãos, possibilitando aos interessados participar do jogo democrático através de informação política atualizada e oportunidade de interação. Essa esfera virtual pode ser uma extensão da esfera tradicional, atuando como um espaço de extensão da expressão política. Lévy (2007), em seu livro "A inteligência coletiva: por uma antropologia do ciberespaço", avigora a questão da utilização de um espaço virtual, chamado ciberespaço, o qual é ampliado pelas redes digitais de informação e comunicação a partir do contato virtual com todos e com cada indivíduo. Nas palavras de Lévy (2007, p.11) "O atual curso dos acontecimentos converge para a constituição de um novo meio de comunicação, de pensamento e de trabalho para as sociedades humanas". Pensando dessa maneira, existe a possibilidade de raciocinar, como propõe Lévy, o que está sendo executado atualmente não apenas no âmbito da observação dos impactos na rede, mas também na possibilidade de contribuição com projetos que possibilitem compreender e, por que não, incentivar a criação de uma esfera pública virtual. Este parece ser o momento. Mas é um momento contínuo. Um momento, ainda em congruência com o pensamento de Lévy, representado pela coletividade, INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO COMUNICAÇÃO E GESTÃO FINANCEIRA DA SECRETARIA ESCOLAR 17 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 visando o pensar, criticar e reivindicar juntos, coletivamente. Isto ocorre a partir do momento em que há compartilhamento de conhecimento e pontos de vista, caracterizando uma inteligência coletiva que permita a transformação radical "Dos dados fundamentais da vida em sociedade" (LÉVY, 2007, p.18). É importante observar, como ressalva, que, se por um lado, há o que defende Castells (2003), uma extrapolação de tempo e espaço, sendo fundamental estar presente na rede e vivenciar o fluxo informacional não controlado por qualquer ator, seja uma pessoa ou instituição, por outro lado, Lessig (1999) argumenta que a ideia do ciberespaço como um lugar livre e não monitorado é completamente questionável, uma vez que o código fornecedor da arquitetura do ambiente pode ser alterado por quem o domina. Assim, a mineração de dados realizada por empresas e por governos, por exemplo, pode ser utilizada como fator de regulação, requerendo envolvimento das massas sobre a possibilidade e requerimento de expressão livre. As esferas públicas, tanto a existente em uma sociedade física quanto virtual, atuam em caráter complementar, como compreende Moraes (2011) em seu trabalho "O ativismo digital", situando a Internet como um dos meios vitais para comunicação e informação. Como ressalta Moraes (2011), ela é um dos meios, uma vez que não está "Dissociada dos embates sociais concretos", sendo esta uma "Relação de confluência, de acréscimo e de sinergia entre o concreto e o virtual, resultante, de um lado, da progressiva hibridação tecnológica e, de outro, do somatório de possibilidades que nenhuma das partes, isoladamente, alcançaria". Com essa observação, pode-se notar que a ideia do projeto proposto por Lévy é relevante, uma vez que o caminho para essa deliberação é um construto contínuo. Isso é alertado por Bruxel (2014, p.34), ao tratar sobre o percurso que ainda há de se percorrer para atingir uma sociedade democrática, afirmando que parte desses desafios estão pautados na "Configuração de um novo espaço, de uma esfera pública mundial, como pela garantia de que todos os cidadãos possam ter acesso a informações confiáveis, de forma que estejam em condições de participar do debate", ou seja, com a possibilidade de criação de uma rede de interessados no debate. INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO COMUNICAÇÃO E GESTÃO FINANCEIRA DA SECRETARIA ESCOLAR 18 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 Essas redes potencializam a construção de esferas públicas, onde "Coletivos em redes e as redes de movimentos sociais também têm desempenhado um papel relevante enquanto atores de resistência e propositores de políticas sociais cidadãs" (SCHERER-WARREN, 2006, p.222). As redes, menos centralizadas e mais democráticas, potencializam os movimentos sociais, permitindo difusão de informação de maneira rápida e ampla, conectando iniciativas globais e locais. Essas possibilidades podem dessa maneira ser consideradas como as formas mais expressivas de articulações políticas na atualidade (SCHERER-WARREN, 2006). Lévy (2010) ressalta que em relação a esse novo quadro proporcionado pelas redes sociais na Internet, a transformação ocorrida na esfera pública parece ser positiva, uma vez que afeta domínios essenciais ao cidadão e suas ações perante o Estado: capacidade de aquisição de informações, de expressão, de associação e de deliberação. Estas questões aumentam a possibilidade de "Potência do povo", como ressalta Lévy (2010, p.14), adquirindo capacidade de pressionar governos "para mais transparência, abertura e diálogo". Pode-se, por consequência, sumarizar as vantagens democráticas proporcionadas pela Internet e suas redes sociais, baseando-nos no trabalho de Gomes (2005b), "Internet e participação política em sociedades democráticas": 1) superação dos limites de tempo e espaço para a participação política; 2) extensão e qualidade do estoque de informações online; 3) comodidade, conforto, conveniência e custo; 4) facilidade e extensão de acesso; 5) sem filtros nem controles; 6) interatividade e interação; e 7) oportunidade para vozes minoritárias ou excluídas. Percebe-se, como contraponto, que a literatura ao referir-se à Internet como um dispositivo da participação da esfera civil nos encaminhamentos das atividades públicas, fora a opinião de entusiastas e utópicos, entende que os atos ocorridos em espaços de interação e participação na Internet necessitam se aliar a validadores, ou seja, a veículos de comunicação que legitimemum processo de reivindicação política para proporcionar visibilidade e alcance. Dessa forma, mesmo que a visibilidade e alcance da plataforma de redes sociais necessite de validadores, é interessante notar que os INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO COMUNICAÇÃO E GESTÃO FINANCEIRA DA SECRETARIA ESCOLAR 19 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 movimentos reivindicatórios e democráticos são emergentes, partindo de cidadãos que constroem uma opinião pública e buscam sua participação deliberativa na esfera política do Estado. COMUNICAÇÃO ORGANIZACIONAL NA ERA DIGITAL: CONTEXTOS, PERCURSOS E POSSIBILIDADES Muito já se comentou sobre a complexidade da sociedade contemporânea e os desafios constantes a que estão sujeitas as organizações e todos os atores que dela fazem parte. Situar a sociedade onde estamos inseridos constitui condição sine qua non para análises de cenários e contextos, cujas leituras são objeto de interpretações para construção de diagnósticos situacionais e constituem subsídios indispensáveis no processo do planejamento e da gestão estratégica da comunicação corporativa. Neste sentido, não adianta as organizações utilizarem simplesmente as poderosas armas das novas tecnologias da informação e da comunicação, por modismos, sem antes terem consciência das bases que irão justificar a escolha de determinadas mídias digitais. São reflexões que pretendemos tratar neste artigo1. SOCIEDADE DIGITAL E SOCIEDADE MIDIÁTICA São inúmeros os autores que vêm trabalhando a sociedade da informação, do conhecimento ou digital e que analisam a sociedade midiática, mediatizada, transparente e da comunicação. Vamos fazer referência a alguns que consideramos importantes para fundamentar este estudo. As contribuições de Don Tapscott e Art Cston (1995-2000), Pierre Lévy (1996-2004-2010) e Manuel Castells são ilustrativos. Castells, com seus três volumes sobre a Sociedade-rede (1997, 1998, 1999, 2006, 2012) e a Galáxia da Internet (2003) 1 Texto publicado pela revista: Signo y Pensamiento. Print version. ISSN 0120-4823. Signo pensam. no.51 Bogotá July/Dec. 2007. Disponível em: <http://www.scielo.org.co/scielo.php?pid=S0120- 48232007000200005&script=sci _arttext>. Aceso em 3 jul. 2015. Autora: Margarida M. Kröhling Kunsch. Professora-titular e pesquisadora da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP). Tem mestrado e doutorado em Ciências da Comunicação e livre-docência em Teoria da Comunicação Institucional: Políticas e Processos, pela ECA- USP. http://www.scielo.org.co/scielo.php?pid=S0120- http://www.scielo.org.co/scielo.php?pid=S0120- INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO COMUNICAÇÃO E GESTÃO FINANCEIRA DA SECRETARIA ESCOLAR 20 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 chama a atenção para a força da revolução tecnológica da informação, que está modificando a base material da sociedade em ritmo acelerado, e analisa o poder da internet como meio de comunicação para organizar a sociedade. Em Enigmas da modernidade-mundo, Octávio Ianni (2000, p. 155), reflete sobre o poder da mídia na sociedade contemporânea, usando a metáfora do “príncipe eletrônico”. Ele estabelece uma relação entre o príncipe de Maquiavel e o moderno príncipe de Gramsci. Gianni Vattimo, em A sociedade transparente (1991), fala do advento da sociedade da comunicação e do papel preponderante que exercem os mass media, fazendo com que tenhamos uma sociedade transparente e complexa ao mesmo tempo. Em La utopía de la comunicación (2000, p. 63), Philipe Breton destaca a sociedade da comunicação, totalmente constituída por redes de informação e autorreguladas politicamente. Todas essas novas configurações do ambiente social global vão exigir das organizações novas posturas, necessitando elas de um planejamento mais apurado da sua comunicação para se relacionar com os públicos, a opinião pública e a sociedade em geral. Dentro do processo de globalização, as organizações privadas exercem um papel preponderante. Segundo Armand Mattelart (1994, p. 246- 247), ... não somente a empresa se converteu em um ator social de pleno direito, exprimindo-se cada vez mais em público e agindo politicamente sobre o conjunto dos problemas da sociedade, mas, também, suas regras de funcionamento, sua escala de valores e suas maneiras de comunicar foram, progressivamente, impregnando todo o corpo social. O processo de globalização mundial delineia um novo perfil de agência de publicidade e propaganda e de uma empresa de comunicação corporativa do presente e do futuro. Todos esses fatores estão provocando novas formas de sociabilidade e novas posturas dos agentes responsáveis pelas INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO COMUNICAÇÃO E GESTÃO FINANCEIRA DA SECRETARIA ESCOLAR 21 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 comunicações, dos setores públicos e privados e de segmentos da sociedade civil, com fortes consequências sobre todas as organizações em geral. Como Manuel Castells (1998, p. 27), acima mencionado, também Milton Santos (1996), ao abordar o sistema técnico atual no contexto da sociedade e do espaço geográfico, enfatiza que a era da informação é a matéria-prima da revolução tecnológica. O avanço tecnológico por que passam telecomunicações, imprensa, rádio, televisão, computadores, internet e transmissões via satélite impele a sociedade a um novo comportamento e, consequentemente, a um novo processo comunicativo social, com inúmeras implicações técnicas, éticas e morais. As tecnologias apontadas pela telemática estão definitivamente revolucionando as comunicações. Os exemplos são evidentes nas indústrias culturais, na multimídia, na televisão (interativa, digital, por cabo e de alta definição), nos aparelhos celulares e em todas as interações das mídias disponíveis. Toda essa convergência midiática é uma realidade presente nos dias de hoje e acontece, também, nos processos comunicativos das organizações. Uma das forças dessa sociedade midiática é a web - rede mundial de computadores. Para Manuel Castells (2003, p. 287), estamos vivendo numa sociedade em rede e dominada pelo poder da internet: Esta sociedade em rede é a sociedade que eu analiso como uma sociedade cuja estrutura social foi construída em torno de redes de informação microeletrônica estruturada na internet. Nesse sentido, a internet não é simplesmente uma tecnologia; é um meio de comunicação que constitui a forma organizativa de nossas sociedades; é o equivalente ao que foi a fábrica ou a grande corporação na era industrial. A internet é o coração de um novo paradigma sociotécnico, que constitui na realidade a base material de nossas vidas e de nossas formas de relação, de trabalho e de comunicação. O que a internet faz é processar a virtualidade e transformá-la em nossa realidade, constituindo a sociedade em rede, que é a sociedade em que vivemos. É exatamente no âmbito dessa nova sociedade e de cenários mutantes e complexos que as organizações operam, lutam para se manter e para cumprir sua missão e visão e para cultivar seus valores. A comunicação neste INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO COMUNICAÇÃO E GESTÃO FINANCEIRA DA SECRETARIA ESCOLAR 22 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 contexto tem um importante papel a exercer e passa a ser considerada de forma muito mais estratégica do que no passado. Portanto, ela ocorre em ambientes complexos onde o que predomina é a incerteza global, conforme Anthony Giddens (2003). Neste sentido, a comunicação precisa ser considerada não meramente como instrumento ou transmissão de informações, mas como processo social básico e como um fenômeno nas organizações. O poder que ela e a mídia exercem na sociedade contemporânea é uma realidade incontestável. Dominique Wolton, no livro Pensar a comunicação(2004, p. 27) enaltece este poder: “A comunicação é um dos mais brilhantes símbolos do século XX; seu ideal de aproximar os homens, os valores e as culturas compensa os horrores e as barbaridades de nossa época.” E, na sua mais recente obra, É preciso salvar a comunicação (2006, p. 9), o autor reafirma ser a comunicação uma das maiores questões do século XXI: Em menos de cem anos foram inventados e democratizados o telefone, o rádio, a imprensa de grande público, o cinema, a televisão, o computador, as redes, transformando definitivamente as condições de troca e de relação, reduzindo as distâncias e realizando a tão desejada aldeia global. Esta valorização da comunicação que ocorre na sociedade também acontece nas organizações. Toda a convergência midiática presente no dia-a-dia do cidadão percorre o fazer comunicacional das organizações com igual intensidade, pois estas são partes integrantes da sociedade e formadas por pessoas que se intercomunicam e se inter-relacionam, por meio da comunicação interpessoal, grupal e de todas as suas mídias tradicionais e inovadoras como as digitais. INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO COMUNICAÇÃO E GESTÃO FINANCEIRA DA SECRETARIA ESCOLAR 23 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 AS ORGANIZAÇÕES NA ERA DIGITAL Como partes integrantes da sociedade, como um todo, as organizações estão sujeitas a todas as suas mudanças e a novas incorporações. Uma organização nessa perspectiva pode ser considerada uma micro sociedade que opera nas mais diferentes dimensões sociais, econômicas, políticas e simbólicas. Para Robert Srour (1998, p. 27), “as organizações não mais ocupam lugares específicos e tendem a tornarem-se virtuais, porque é mais fácil e mais barato transportar a informação do que as pessoas, através das tecnologias do teleprocessamento e da computação”. A comunicação on-line, por meio das redes de computadores e de satélites, passa a fazer parte do cotidiano das pessoas e da vida das organizações. As organizações, mais do que nunca, não poderão prescindir de uma comunicação viva e permanente, sob a ótica de uma política de relações públicas. Uma filosofia empresarial restrita ao marketing certamente não dará conta do enfrentamento dos grandes desafios da atualidade. Elas terão que se valer de serviços integrados nessa área, pautando-se por políticas que privilegiem o estabelecimento de canais efetivos de diálogos com os segmentos a elas vinculados e, principalmente, a abertura das fontes e à transparência de suas ações. Ser transparente passou a ser um imperativo para as organizações contemporâneas. Don Tapscott e David Ticoll, em A empresa transparente (2005, p. 23), chamam a atenção para essa força que é a transparência. Trata- se de disponibilizar “a acessibilidade, para os stakeholders2, às informações institucionais referentes a assuntos que afetem seus interesses”. A transparência, portanto, vai muito além da obrigação de fornecer informações financeiras em balanços contábeis. Tudo isto implicará a necessidade de se planejar, pensar e administrar estrategicamente a comunicação organizacional com todos os públicos e a opinião pública. A questão ética e a responsabilidade social das organizações no mundo contemporâneo passam a ser algo que precisa ser considerado como uma filosofia de gestão. 2 É uma pessoa ou grupo que possui participação, investimento ou ações e que possui interesse em uma determinada empresa ou negócio. O inglês stake significa interesse, participação, risco. Enquanto holder significa aquele que possui. INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO COMUNICAÇÃO E GESTÃO FINANCEIRA DA SECRETARIA ESCOLAR 24 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 DOS FLUXOS INFORMATIVOS AOS PROCESSOS INTERATIVOS E ESTRATÉGICOS A comunicação organizacional, na forma em que se acha configurada hoje em dia, é fruto de sementes lançadas no período da Revolução Industrial, que ensejaria grandes e rápidas transformações em todo o mundo. Esta, com a consequente expansão das empresas a partir do século XIX, propiciou o surgimento de mudanças radicais nas relações de trabalho, nas maneiras de produzir e nos processos de comercialização. Nesse contexto é que se devem buscar as causas do surgimento da propaganda, do jornalismo empresarial, das relações públicas e da própria comunicação organizacional como um todo. As mudanças provocadas com o processo de industrialização obrigaram as empresas a buscar novas formas de comunicação com o público interno, por meio de publicações dirigidas especialmente aos empregados, e com o público externo, por meio de publicações centradas nos produtos, para fazer frente à concorrência e a um novo processo de comercialização. Assim, a propaganda foi pioneira em buscar formas de comunicação mercadológica com o mundo exterior, especialmente com o consumidor. A comunicação com o público interno inicia-se com um formato muito mais de ordem administrativa e de informações. Foram as primeiras iniciativas da existência de comunicação nas organizações - a comunicação administrativa ou gerencial. É uma comunicação que assume um caráter funcional e instrumental. Este formato se estendeu também por muito tempo ao relacionamento com os públicos externos, enfatizando a divulgação dos produtos e da organização, sem uma preocupação com o retorno das percepções e dos interesses dos públicos, isto é, com a comunicação simétrica. Com a evolução do seu uso e com a importância cada vez mais crescente nos processos de gestão e na divulgação institucional propriamente dita, a comunicação foi assumindo novas características, sendo mais produzida, tecnicamente, e baseando-se em pesquisas de opinião junto aos diferentes públicos, até chegar ao estágio em que se encontra hoje em muitas organizações top e/ou modernas, onde atinge um grau de sofisticação na sua INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO COMUNICAÇÃO E GESTÃO FINANCEIRA DA SECRETARIA ESCOLAR 25 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 elaboração e, também, um caráter estratégico, tanto no âmbito dos negócios quanto no conjunto dos objetivos corporativos. As mudanças ocorridas, mundialmente, com o fim da guerra-fria, em 1989, e com a nova geopolítica fomentada, sobretudo, pelo fenômeno da globalização e da revolução tecnológica da informação e da comunicação, as organizações tiveram que enfrentar um novo cenário mundial, dominado pelos mercados globais e por uma economia marcada por uma competição sem precedentes na história da humanidade. Todas essas transformações alteraram por completo o comportamento institucional das organizações e a comunicação passou a ser considerada de outra maneira. Assim como a propaganda teve um papel fundamental após a revolução industrial, a comunicação organizacional no sentido corporativo começou a ser encarada como algo fundamental e como uma área estratégica na contemporaneidade. As ações isoladas de comunicação de marketing são insuficientes para fazer frente aos novos mercados competitivos e para se relacionar com os públicos estratégicos. Estes são cada vez mais exigentes e cobram das organizações responsabilidade social, atitudes transparentes, comportamentos éticos, graças a uma sociedade mais consciente e uma opinião pública sempre mais vigilante. E, neste contexto, a comunicação passa a ser estratégica e a sua gestão tem que ser profissionalizada e dirigida com competência. Qual a importância e as principais características dessa comunicação na atualidade? Como esta área se configura no mercado profissional? As organizações em geral valorizam a comunicação? Quais são as realidades mais presentes? Infelizmente, nem todas as organizações atribuem à comunicação a relevância que ela deveria merecer neste início do século XXI. Muitas só descobrem anecessidade de investir nesta área em momentos de crises, usando estratégias de relações públicas e técnicas de gerenciamento da comunicação com os públicos e a opinião pública só para apagar incêndios. Por outro lado, percebe-se que, em geral, está ocorrendo uma valorização da comunicação organizacional em termos mundiais, tanto no mercado profissional como no meio acadêmico. INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO COMUNICAÇÃO E GESTÃO FINANCEIRA DA SECRETARIA ESCOLAR 26 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 A COMUNICAÇÃO DIGITAL E SEUS IMPACTOS NAS ORGANIZAÇÕES As profundas mudanças nas esferas econômicas, sociais, políticas, no mundo do emprego e, principalmente, relacionais, trazidas com a mudança de paradigma de um mundo analógico para o digital, com a aproximação cada vez mais veloz das tecnologias e, entre elas, as de informação e comunicação no nosso dia-a-dia são uma realidade incontestável. A comunicação nas organizações, assim como a sociedade, sofre todos os impactos provocados pela revolução digital. Consequentemente, o modo de produzir e de veicular as mensagens organizacionais também passam por profundas transformações. O ambiente organizacional, principalmente a partir dos anos 1990, vem sendo afetado por esta nova dinâmica de processamento imposta por essas novas tecnologias da informação e da comunicação. Os atores e produtores das indústrias das comunicações, bem como os agentes responsáveis pela comunicação corporativa/organizacional se deparam com novos instrumentos ou suportes, jargões e novas palavras, siglas etc. do mundo digital, como: email, internet, blogs, fotologs, blogosfera, wiki´s, wikipedia, sala de imprensa, chats, banco de dados, conectividade, interatividade, conexão, links, redes sociais, entre tantos outros meios e instrumentos disponíveis. Todos estes novos suportes podem e estão sendo utilizados por organizações e públicos. Tudo vai depender das realidades sociais e da acessibilidade no contexto onde vivemos. Segundo Manuel Castells (2006, p. 233 e 225), se hoje a complexidade da tecnologia é imprescindível para as empresas, elas mesmas também foram motor, em certo sentido, da revolução digital. Além de ajudar a popularizar o microcomputador, a empresa em rede é a forma fundamental de concorrência na nova economia global. “A empresa em rede concretiza a cultura da economia informacional/global: transforma sinais em commodities, processando conhecimentos” Para o autor, “as redes são e serão os componentes fundamentais das organizações”. Neste sentido, a comunicação nas organizações opera sob novos paradigmas e a comunicação digital ocupa um espaço de destaque na convergência midiática pelo poder de interatividade que possui nos relacionamentos institucionais e mercadológicos com os públicos e a opinião pública. INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO COMUNICAÇÃO E GESTÃO FINANCEIRA DA SECRETARIA ESCOLAR 27 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 COMUNIDADES VIRTUAIS COMO PÚBLICO ESTRATÉGICO Muitos autores já escreveram sobre públicos em relações públicas. Numa visão contemporânea, temos que considerar as tipologias dos públicos dentro da dinâmica da história, levando em conta as forças sociais do microambiente e os comportamentos dos grupos de interesses que podem vir a formar um novo público. Um público que praticamente nunca foi pensado como prioritário ou que não tem nenhum vínculo com a organização, dependendo dos acontecimentos, isto é, de como o comportamento institucional o afeta, pode vir a ser um público estratégico. Mencione-se, a propósito, o conceito de stakeholders, que hoje muitos simplesmente usam no lugar de “públicos”. Mas ele só não pode ser usado para qualquer tipo de públicos. Diríamos que ele se refere somente a públicos “realmente estratégicos”. .No livro Relações públicas e modernidade (Kunsch, 1997, p. 119), mostramos “a diferença que Hunt e Grunig fazem entre “público” (genericamente) e stakeholders (uma espécie de acionistas, sem o serem de forma financeira). Para eles, a distinção é sutil, mas ajuda a entender o planejamento estratégico de relações públicas. Stakeholders são pessoas ou grupos que estão lincadas (linked, mais do que apenas ligados) a uma organização porque entre as duas partes há interesses recíprocos. Quem tem um link com uma organização tem um stake com ela, faz uma aposta nela, o que se pode entender como uma quota nela aplicada. Um stakeholder, portanto, é “qualquer indivíduo ou grupo que pode afetar a organização ou é afetado por suas ações, decisões, políticas, práticas ou resultados”, resumem Hunt e Grunig, citando Archie B. Carrol. Enfim, trata-se, para nós, dos públicos- alvos ou, numa linguagem mais moderna, “públicos estratégicos”. E, ainda com base em Grunig e Hunt (1994), acrescentávamos (Kunsch, 1997, p. 120): O primeiro passo, no gerenciamento estratégico de relações públicas, está em mapear os públicos que estão lincados a uma organização, plugados nela, poderíamos dizer. Nessa lista típica acabarão sendo arrolados: proprietários, advogados do consumidor, clientes, concorrentes, meios de comunicação, empregados, grupos de interesse especial, ambientalistas, INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO COMUNICAÇÃO E GESTÃO FINANCEIRA DA SECRETARIA ESCOLAR 28 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 fornecedores, governos e organizações da comunidade local. Uma comunicação permanente com esses públicos estratégicos ajuda a construir um relacionamento estável e de longo prazo, que facilitará a administração de conflitos que possam ocorrer. Na era digital o conceito tradicional de públicos dimensionados por espaço geográfico, nas categorias de interno, misto e externo não dá conta de acompanhar a dinâmica dos dias de hoje. Os públicos se formam dependendo de como são afetados pelas instituições e organizações. Com a internet a formação de públicos virtuais é uma constante e incontrolável. Nesse contexto vale como recorte discorrer sobre as comunidades virtuais e as redes sociais como um público fundamental que não pode ser ignorado pelos setores de comunicação das organizações. Gilles Deleuze e Felix Guattari, no livro Mil platôs: capitalismo e esquizofrenia (1995) apropriam-se do paradigma do rizoma (elemento da botânica) para nomear a “sociedade rizomática”, que atua como uma rede descentralizada, desterritorializada e como uma forma democrática e construtiva das relações sociais, sem se prender às hierarquias e as convenções tradicionais da visão de sociedade e comunidade. As ações comunicativas de uma empresa, por exemplo, direcionadas para atingir a sociedade ou mesmo uma comunidade precisam considerar novos fundamentos e conceitos. Entender sociedade como uma população que habita determinado território, cumprindo leis e normas, se articulando em torno de direitos e deveres etc. é uma visão limitada para compreender a complexidade da sociedade global na qual vivemos. O mesmo se diga do conceito de comunidade, que hoje tem denotações e conotações bem mais amplas do que as que vigiam até pouco tempo atrás, com a criação, por exemplo, das chamadas “comunidades virtuais”. Diz, a propósito, Manuel Castells (2003, p. 105): INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO COMUNICAÇÃO E GESTÃO FINANCEIRA DA SECRETARIA ESCOLAR 29 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 A noção de “comunidades virtuais”, proposta pelos pioneiros da interação social na internet, tinha uma grande virtude: chamava atenção para o surgimento de novos suportes tecnológicos para a sociabilidade, diferentes de formas anteriores de interação, mas não necessariamente inferiores a elas. Mas induziu também a um grande equívoco: o termo “comunidade”, com todas as suas fortes conotações, confundiu formas diferentes de relaçãosocial e estimulou discussão ideológica, entre aqueles nostálgicos da antiga comunidade, especialmente limitada, e os defensores entusiásticos da comunidade de escolha possibilitada pela internet. Na contemporaneidade, no contexto da comunicação corporativa, quando se trata de relações públicas comunitárias e com as comunidades como públicos estratégicos relevantes, há que se considerar novas configurações e novos conceitos, tais como “capital social”, “comunidade virtual”, “redes sociais”, “redes digitais” etc. Rogério da Costa (2005, p. 5), no artigo “Por um novo conceito de comunidade: redes sociais, comunidades pessoais, inteligência coletiva”1, traz interessantes reflexões nesta direção. Com base em importantes autores, ele analisa as transformações por que passa o conceito de comunidade em razão da explosão das comunidades virtuais no ciberespaço e do dinamismo existente das redes de comunicação. Esse fato, segundo o autor, ... nos remete a uma transmutação do conceito de “comunidade” em “rede social”. Se solidariedade, vizinhança e parentesco eram aspectos predominantes quando se procurava definir uma comunidade, hoje eles são apenas alguns dentre os muitos padrões possíveis das redes sociais. Atualmente, o que os analistas estruturais procuram avaliar são as formas nas quais padrões estruturais alternativos afetam o fluxo de recursos entre os membros de uma rede social. http://www.scielo.org.co/scielo.php?pid=S0120-48232007000200005&script=sci_arttext&1 INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO COMUNICAÇÃO E GESTÃO FINANCEIRA DA SECRETARIA ESCOLAR 30 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 Assim, ao se pensar em falar em relacionamento com os públicos, há que se levar em conta as comunidades virtuais e as diversas redes sociais que vêm sendo construídas em torno das redes digitais na internet. Os chats, os blogs, o face book etc. são exemplos das inúmeras possibilidades de determinados grupos constituírem comunidades em torno de interesses específicos. Foi o jornalista norte-americano Howard Rheingold quem, em Comunidade virtual (1996), formulou o conceito que é título de sua obra. Para ele, não se trata apenas de mediar contatos pelo computador. Uma verdadeira comunidade virtual supõe a existência de um grupo que participa interativamente em torno de ideias compartilhadas para atingir diversos fins. Costa (2005, p. 77 e 82) analisa a contribuição do autor, dizendo que, Rheingold (1996) não só constatou a emergência das comunidades virtuais, como também viu nelas uma relação mais profunda, motivado em especial pela questão do excesso de informação que já caracterizava a jovem web. Com efeito, um dos problemas da rede era o da “oferta demasiada de informação e poucos filtros efetivos passíveis de reterem os dados essenciais, úteis e do interesse de cada um”. [...] Mas, enquanto os programadores se esforçavam para desenvolver agentes inteligentes que realizassem a busca e filtragem de toneladas de informações que se acumulavam na rede, Rheingold já detectava a existência de “contratos sociais entre grupos humanos - imensamente mais sofisticados, embora informais - que nos permitem agir como agentes inteligentes uns para os outros”. Em relação ao uso do termo “comunidade virtual’, vale registrar aqui uma observação do autor Juliano Spyer (2007, p. 26), que chama a atenção para o uso genérico como ferramenta para comunicação em grupo e que “acabou associado à noção romântica e ingênua de um ciberespaço politicamente independente”. Para ele, a “internet está longe de ser um ambiente protegido e que a rede mundial de computadores muitas vezes INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO COMUNICAÇÃO E GESTÃO FINANCEIRA DA SECRETARIA ESCOLAR 31 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 potencializa os conflitos ao ampliar as possibilidades de contato entre pessoas desconhecidas entre si e com valores diferentes”. Assim, o tema das relações com comunidades e/ou de relacionamento com públicos estratégicos ultrapassa fronteiras geográficas, envolvendo as redes sociais criadas no ciberespaço, que também têm o poder de provocar mudanças comportamentais, implicando novas formas de atuação para as relações públicas e a comunicação das organizações. Nesse trabalho o gestor ou profissional de comunicação deve verificar como se processa a dinâmica social integrativa dos seus membros, seja no entorno fisicamente delimitado ou no ciberespaço. Em qualquer um dos casos, ela não pode mais encarar a comunidade de forma estanque, como um simples aglomerado de pessoas, sem o mínimo de participação ativa de seus componentes na construção de ideais comuns. COMUNICAÇÃO DIGITAL NAS ORGANIZAÇÕES E A FILOSOFIA DA COMUNICAÇÃO INTEGRADA O conceito de “comunicação organizacional integrada” tem sido trabalhado por esta autora há quase trinta anos, talvez de forma pioneira no Brasil. Comunicação organizacional integrada precisa ser entendida de forma ampla e abrangente. Primeiro como uma disciplina que estuda como se processa o fenômeno comunicacional dentro das organizações no âmbito da sociedade global e como fenômeno inerente à natureza das organizações e aos agrupamentos de pessoas que a integram. A comunicação organizacional configura, também as diferentes modalidades comunicacionais que permeiam sua atividade. Compreende, dessa forma, a comunicação institucional, a comunicação mercadológica, a comunicação interna e a comunicação administrativa (KUNSCH, 2003, p. 149). Esta concepção procura contemplar uma visão abrangente da comunicação nas e das organizações, levando em conta todos aqueles aspectos relacionados com a complexidade do fenômeno comunicacional inerente à natureza das organizações, bem como os relacionamentos interpessoais, além da função estratégica e instrumental. Trata-se de um estudo a que estamos nos dedicando desde os anos 1980 e que continua em INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO COMUNICAÇÃO E GESTÃO FINANCEIRA DA SECRETARIA ESCOLAR 32 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 curso, pois buscamos sempre fundamentar e aperfeiçoar os pontos mais relevantes para construção de uma teoria numa perspectiva do pensamento comunicacional brasileiro dessa área do conhecimento. Na verdade, o que defendemos é a adoção, por parte das organizações, de uma filosofia da comunicação integrada e a não fragmentação dessa comunicação. Quando procuramos esboçar nossa proposta, não queremos dar a entender que tudo deva ocorrer de maneira tranquila, sem conflitos e em compartimentos separados, conforme os diagramas. Como se pode notar, a comunicação organizacional, nessa perspectiva abrangente, é por si só complexa. Neste sentido a área da comunicação deixa de ter uma função meramente tática e passa a ser considerada estratégica. Isto é, ela precisa agregar valor às organizações. Ressalte-se, ainda, que as ações comunicativas precisam ser guiadas por uma filosofia e uma política de comunicação integrada que levem em conta as demandas, os interesses e as exigências dos públicos estratégicos e da sociedade. Isto é, deve haver total integração entre a comunicação interna, a comunicação institucional e a comunicação de negócios para a busca e o alcance da eficácia, da eficiência e da efetividade organizacional, em benefício dos públicos e da sociedade como um todo e não só da empresa isoladamente. Estudar, compreender e praticar a comunicação organizacional, portanto, é muito mais complexo do que se imagina. Paulo Nassar (2006, p. 149-161), ao falar da “comunicação integrada virtual”, apresenta um interessante quadro, onde descrevem as modalidades comunicacionais, frentes de atuação e aplicações possíveis: INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO COMUNICAÇÃO E GESTÃO FINANCEIRA DA SECRETARIA ESCOLAR34 INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO COMUNICAÇÃO E GESTÃO FINANCEIRA DA SECRETARIA ESCOLAR 35 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 Elisabeth Saad (2005, p. 102), em artigo publicado na revista Organicom sob o título “Comunicação digital: uma questão de estratégia e relacionamento com públicos”, ao sistematizar os conceitos fundadores e norteadores das estratégias de comunicação digital e sua relação com as organizações, defende a importância de essa modalidade comunicacional estar inserida no composto da comunicação integrada e como fruto de um planejamento mais abrangente para poder chegar a um plano e de comunicação digital integrada. Para ela a comunicação digital pode ser conceituada como “o uso das Tecnologias digitais de Informação e Comunicação (TIC) e de todas as ferramentas delas decorrentes, para facilitar e dinamizar a construção de qualquer processo de comunicação integrada nas organizações”. Conforme já destacamos no item quatro, sobre o impacto da comunicação digital nas organizações, são inúmeros os suportes digitais possíveis que poderão ser utilizados pelas empresas e organizações em geral. Juliano Spyer (2007), ao discorrer sobre projetos colaborativos e suas múltiplas possibilidades de aplicação, destaca o uso das relações públicas em ambientes colaborativos, mostrando como empresas e os profissionais desta área “podem oferecer aos seus clientes o posicionamento da marca em ambientes colaborativos como a Wikipedia” (p.118). Outros destaques estão relacionados com a Web 2.0, como site colaborativo (p. 27-28) e o branding em mundos virtuais, sobretudo por meio do Second Life, que as empresas estabelecidas vêm utilizando “para fazer campanhas e promoções aos residentes e que, dependendo da originalidade, se tornam notícia fora do site” (p.160). Os blogs corporativos3 constituem um meio hoje bastante utilizado pelas empresas e requerem certos cuidados não só ao se implantá-los, mas também no seu monitoramento contínuo. Para Fábio Cipriani (2006, p. 91 e 90), “a blogosfera é livre para que você possa expressar a sua opinião, mas isso deve ser feito com cuidados especiais quando a credibilidade de sua empresa está em jogo”. O autor ressalta ainda que os blogs “devem ser vistos como complemento para ferramentas como e-mail, mensagens instantâneas, mensagens de voz, serviço de atendimento ao consumidor (SACs), entre outras. Para ele “os blogs são http://www.scielo.org.co/scielo.php?pid=S0120-48232007000200005&script=sci_arttext&3 INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO COMUNICAÇÃO E GESTÃO FINANCEIRA DA SECRETARIA ESCOLAR 36 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 agentes criadores de comunidade, e não de direcionamento de mensagens pessoais, as quais muitas vezes são privadas e confidenciais”. A eficácia e a efetividade do uso das mídias digitais dependem de um diagnóstico situacional correto da realidade comunicacional de uma determinada organização com a qual vamos trabalhar, bem como de um planejamento bem elaborado. Isto é, não adianta simplesmente ir implantando, por exemplo, intranet, blogs corporativos, Second Life, meios colaborativos em curso, Web2.0 etc., sem avaliar se há condições de viabilidade concreta. Ou se de fato é a melhor opção para aquela realidade. Em outras palavras, a incorporação e instalação de meios digitais nas organizações têm que levar em conta as diferentes situações, condições tecnológicas, pessoal técnico, formulador de conteúdos, facilidades de acesso dos públicos e serem definidas com base sólida em pesquisa, diagnósticos e, consequentemente, um processo de planejamento correto e não simplesmente por modismo. Ressaltamos, finalmente, que o poder da comunicação digital na sociedade contemporânea é uma realidade que as organizações e os agentes responsáveis pela gestão e produção da comunicação corporativa não podem ignorar. Isto faz com que o ato de pensar, planejar estrategicamente e executar esta comunicação no dia-a-dia das organizações mudem radicalmente. Além de todos os cuidados já mencionados, há que se fazer um monitoramento contínuo na rede mundial de computadores para acompanhar o que os públicos estão articulando, por meio dos mais diversos suportes e/ou ferramentas e como suas falas poderão atingir a imagem e a reputação das organizações. Fazer comunicação nas organizações na era digital é muito mais complexo do que se possa imaginar. 1. Sugerimos consultar o artigo na íntegra (Costa, 2005). Disponível também na Base Scielo Brasil, na Internet. 2. Para maiores detalhes sobre os conceitos dessas modalidades comunicacionais, consultar Kunsch (2003, p. 152-178). 3. Sobre blog corporativo consultar Cipriani (2006). http://www.scielo.org.co/scielo.php?pid=S0120-48232007000200005&script=sci_arttext&s1 http://www.scielo.org.co/scielo.php?pid=S0120-48232007000200005&script=sci_arttext&s2 http://www.scielo.org.co/scielo.php?pid=S0120-48232007000200005&script=sci_arttext&s3 INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO COMUNICAÇÃO E GESTÃO FINANCEIRA DA SECRETARIA ESCOLAR 37 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 A COMUNICAÇÃO EFICAZ A comunicação é o processo de transmissão e recuperação de informação. Neste processo existem dois estágios distintos que apresentam uma interação cíclica. O estágio da transmissão envolve dois mecanismos: a transposição da informação para um sistema de códigos, tomando assim a forma de mensagem, e a utilização de um canal, capaz de permitir a recepção da mensagem pelo destinatário (codificação e difusão). O estágio de recuperação compreende o reaproveitamento de uma informação transmitida, seja em sua forma original, seja em outra forma, que, por sua vez, vai atuar como fonte para a transmissão de novas informações. Sobretudo, no caso da comunicação interpessoal, em que o instrumento de recuperação é, geralmente, a própria memória. O receptor pode colaborar com o recuperador na tarefa de reaver a mensagem. Segundo Warat (2001), somos, por excelência, exímios interpretadores de tudo o que acontece. Faz parte da natureza humana, tanto que avaliamos, ponderamos, julgamos, comparamos com a nossa escala de valores tudo o que percebemos, vemos e ouvimos. Por essa razão, se desejamos, de fato, nos comunicar com outras pessoas, precisamos, constantemente, exercitar a arte da empatia, que é a capacidade de nos colocarmos no lugar da outra pessoa, entendermos o seu estado de espírito, seu momento psicológico, seu nível cultural, suas crenças, seus apelos emocionais. Além disso, precisamos resolver os nossos problemas de comunicação. Da profissão de uma pessoa, do seu credo ou cultura, dependerá também o nível de definição ou conceito de comunicação, portanto, não é tarefa fácil definir comunicação. De todo modo, temos várias acepções simplistas, tais como a comunicação seria a transmissão de uma mensagem com o fim de evocar uma resposta específica e; também se entende a comunicação como o intercâmbio de informação entre sujeitos e objetos. INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO COMUNICAÇÃO E GESTÃO FINANCEIRA DA SECRETARIA ESCOLAR 38 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 Como campo de estudo acadêmico, a comunicação estuda os processos de comunicação humana. Entre as subdisciplinas da comunicação, inclui-se a teoria da informação, comunicação intrapessoal, comunicação interpessoal. Nesse sentido, falamos inicialmente em emissor e receptor, pois bem, comunicação não significa apenas falar às pessoas, mas também ouvi-las. Na verdade, se não ouvirmos eficazmente, não poderemos também falar de modo eficaz (OLIVEIRA, 2013). Numa situação meramente social, podemos conversar sem a finalidade específica de nos informarmos. Comunicação não significa apenas a transmissão deuma mensagem, sem o desejo de originar o tipo de resposta que se procura. No entanto, nos negócios, falamos porque temos uma razão para assim o fazer. É particularmente neste caso que somos obrigados a trazer a linguagem do nível instintivo e intuitivo para o nível racional. Se falarmos racionalmente, falamos, em primeiro lugar, porque desejamos despertar interesse pelo que dizemos. Em segundo lugar, falamos porque desejamos que compreendam aquilo que dizemos. Então as palavras tornam-se definidas. Isto significa que, em certos casos, temos de definir o sentido das nossas palavras. Assim, para que nos entendam claramente, vem a ser necessária a definição prévia (OLIVEIRA, 2013). EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA COMUNICAÇÃO A História nos conta que nos primórdios da civilização, a comunicação verbal entre os homens era inexistente, eles praticamente imitavam os sons dos animais e da natureza, bem como gestos e posturas. A evolução nos levou à necessidade de aprender a relacionar objetos, seu uso, criar utensílio para caça e proteção e adquirirmos a capacidade de emitir e receber mensagens num código comum, partilharmos conhecimentos na agricultura, passando pela Matemática até a Arte. É verdade que por longo tempo esses conhecimentos ficaram restritos a algumas classes da sociedade, mas felizmente nos tempos atuais é extremamente fácil ter acesso aos mais diversos meios de comunicação, pois INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO COMUNICAÇÃO E GESTÃO FINANCEIRA DA SECRETARIA ESCOLAR 39 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 dispomos de inúmeras formas de comunicação, tais como (televisão, Rádio, Jornais, Revistas, Livros, telefone, Internet, redes sociais) entre muitos outros. Hoje em dia, é possível receber e emitir informação dos pontos mais remotos do planeta Terra em tempo real podemos estar no conforto da nossa casa e aceder a todo o tipo de informação através da internet, podemos transportar muita informação num pequeno espaço como um cartão de memória. Na Grécia Antiga, o estudo da Retórica, a arte de discursar e persuadir, era um assunto vital para estudantes. Passamos por grandes invenções, como o jornal, cujo primeiro exemplar data de 59 a.C. em Roma, por Júlio César, com o intuito desejado de informar o público sobre os mais importantes acontecimentos sociais e políticos, e que, até hoje, tem, praticamente, a mesma função. No início do século XX, vários especialistas começaram a estudar a comunicação como uma parte específica de suas disciplinas acadêmicas. A Comunicação começou a emergir como um campo acadêmico distinto em meados do século XX. Pensadores e pesquisadores das disciplinas de ciências humanas, como Filosofia, Sociologia, Psicologia e Linguística, têm dado contribuições em hipóteses e análises para o que se denomina “Teoria da Comunicação”. Assim, surgiu o esquema “emissor, mensagem, meio, receptor”, que de maneira simples resume todas as iniciativas de comunicar algo. Em síntese, temos um processo crescente no qual o homem desenvolveu a pré-escrita, a escrita, o papel, as impressões manuais e as mecânicas, sendo assim possível a informação cruzar grandes distâncias geográficas, culturais e cronológicas. Passamos pelos meios de comunicação como jornais e revistas, rádio e televisão, tendo atingido a nossa época, que podemos chamar de Era da Tecnologia e da Informação (OLIVEIRA, 2013). O PROCESSO, O OBJETIVO E OS ESTÁGIOS DA COMUNICAÇÃO É com base na fonte que se inicia a comunicação, que codifica um significado intencional numa mensagem, a qual é enviada por um canal. O receptor decodifica a mensagem no significado percebido e transmite um feedback à fonte. Entretanto, nem sempre acontece assim: existe o chamado INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO COMUNICAÇÃO E GESTÃO FINANCEIRA DA SECRETARIA ESCOLAR 40 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 ruído, isto é, perturbações neste processo, as quais distorcem e interferem na transmissão da mensagem. A fonte da informação é a pessoa que tenta comunicar com outra pessoa, ou seja, a mensagem que o emissor pretende enviar ao receptor. Esta fonte tem a intenção de dar a informação ou de modificar comportamento e atitudes da pessoa a quem dirige a sua mensagem. Esta vontade é transformada num conjunto de símbolos com significado, que permite a codificação da mensagem (OLIVEIRA, 2013). Vargas (2005) lembra que um processo de comunicação eletivo é necessário para garantir que todas as informações desejadas cheguem às pessoas corretas no tempo certo e de uma maneira economicamente viável. A linguagem permite ao homem estruturar seu pensamento, traduzir o que sente, registrar o que conhece e comunicar-se com outros homens. Ela marca o ingresso do homem na cultura, construindo-o como sujeito capaz de produzir transformações nunca antes imaginadas. Apesar da evidente importância do raciocínio lógico-matemático e dos sistemas de símbolos, a linguagem, tanto na forma verbal como em outras maneiras de comunicação, permanece como meio ideal para transmitir conceitos e sentimentos, além de fornecer elementos para expandir o conhecimento (BRASIL, 1997). Cleland (1999 apud Vargas, 2005) define a comunicação como um processo pelo qual a informação é transferida entre os indivíduos através de símbolos, sinais e outros. Além disso, a comunicação é um processo de duas vias, onde participam ativamente o emissor e o receptor da informação, com os envolvidos atuando, na maioria das vezes, como emissores e receptores simultaneamente. As responsabilidades entre o emissor e o receptor podem ser assim distribuídas em emissor – responsável por produzir uma informação clara, de modo que o recebedor possa entendê-la com facilidade e; receptor – responsável por tornar claro que a informação foi recebida e completamente compreendida. INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO COMUNICAÇÃO E GESTÃO FINANCEIRA DA SECRETARIA ESCOLAR 41 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 Além disso, é importante que também sejam avaliadas as barreiras no processo de comunicação, devido à percepção individual de cada um, bem como sua personalidade, atitudes, emoções, entre outros. Com base nos trabalhos de Mintzberg sobre as estruturas das organizações, podem ser estabelecidos alguns fluxos no processo de trabalho provocados por diferentes mecanismos de comunicação entre as pessoas dentro de uma organização. São eles o fluxo da Autoridade Formal – onde a informação flui segundo uma hierarquia instituída dentro da organização ou projeto, realçando o fluxo do poder formal; o fluxo da Atividade Regulamentada – onde a informação flui segundo um mecanismo padronizado de informação independente da hierarquia dos envolvidos. O foco desse fluxo é a padronização do processo de comunicação; o fluxo das Comunicações Informais – onde o processo de comunicação se dá sem a presença de nenhuma estrutura reguladora. As pessoas se agregam em grupos sociais ou de relacionamento e neles não existe hierarquia ou padronização. É o mais veloz e o mais arriscado mecanismo de comunicação; o conjunto das Constelações de Trabalho – onde o processo de comunicação se dá através de objetivos claros e adequados a cada nível hierárquico da estrutura. Normalmente, as constelações de trabalho são os melhores modelos para o desenvolvimento do processo de comunicação em projetos; o fluxo do Processo Decisório Específico – onde o processo de comunicação é necessário para decisões específicas, partindo da geração do problema até chegar à decisão específica a ser tomada (VARGAS, 2005). Por meio dos processos de comunicação que toda e qualquer organização funciona, ou seja, a dinâmica organizacional depende de cada membro estar conectado e integrado. Mas qual é mesmo o conceito de comunicação? De maneira simplificada, poderíamosdizer que é a capacidade dos sujeitos em transferir e compreender uma mensagem. De maneira mais formal, comunicação seria descrita como um fluxo de mensagens entre um emissor para um destinatário final utilizando um canal. O destinatário pode ou não responder com uma mensagem e em algum ponto do processo, o ruído ou algo que afeta o processo pode ocorrer e limitar a eficácia da comunicação. INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO COMUNICAÇÃO E GESTÃO FINANCEIRA DA SECRETARIA ESCOLAR 42 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 Lembremos que nem sempre o processo de comunicação funciona bem, existindo barreiras que podem ser pessoais, físicas, semânticas à comunicação humana, bem como barreiras organizacionais, interpessoais e individuais. A percepção seletiva, por exemplo, acontece quando emissor e/ou receptor veem e escutam seletivamente, com base em suas próprias necessidades, motivações, experiências e características. Essa situação pode levar a não decodificar a mensagem como realmente deveria, prejudicando, talvez, um prosseguimento na comunicação. Pode ainda ocorrer manipulação da informação, omissão de aspectos importantes que ao final podem prejudicar sobremaneira todo o processo, principalmente se pensarmos em termos organizacionais, pois a comunicação tem todo um alcance que pode ferir o comportamento das pessoas. São passos, ações importantes que as comunicações cheguem claras aos seus destinos, acompanhar a mensagem; manter sempre aberto um canal para respostas; tratar a mensagem e o destinatário com empatia; repetir a mensagem quando necessário; simplificá-la; saber igualmente escutar; e, criar oportunidades para que todas as pessoas troquem mensagens. A mensagem transmitida pela fonte pode ser verbal, escrita e não verbal. Entende-se por comunicação não verbal qualquer comunicação que não inclua a língua falada ou escrita (OLIVEIRA, 2013). Quanto aos seus objetivos, a comunicação existe com a finalidade de atingir diferentes objetivos. Comunicamos para informar, chocar, convencer, resolver problemas, tomar decisões e entreter as pessoas. De qualquer maneira, envolve uma relação entre duas ou mais pessoas e ainda mais um estilo que pode ser efetivo ou dúbio na sua forma de fazer com o que outro entenda sua mensagem. OS CANAIS DE COMUNICAÇÃO Comunicação não verbal são todos os contatos visuais, são nossos gestos, a postura corporal, nossa expressão facial e os aspectos paralinguísticos, como a entonação da voz, a fluência verbal, latência da resposta e a precisão do vocabulário (DEL PRETTE; DEL PRETTE, 2001). INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO COMUNICAÇÃO E GESTÃO FINANCEIRA DA SECRETARIA ESCOLAR 43 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 A comunicação não verbal opõe-se à comunicação verbal, a qual durante muito tempo foi concebida como a linguagem do sentido escrito. Nessa concepção, todas as outras formas de comunicação, mesmo a escrita, são consideradas secundárias: derivada ou substitutiva. As teorias da comunicação contemporâneas influenciadas por disciplinas tão diversas, como a linguística da enunciação, a psicologia, a sociologia, a antropologia, concedem hoje um largo espaço à comunicação não verbal (CASTILHO, 2002). Canais de comunicação são meios pessoais – e não pessoais – através dos quais a mensagem navega. A mensagem pode ser enviada mediante diversificados canais. A escolha do canal tem um forte impacto no processo de comunicação, porque diferentes pessoas podem ter diferentes competências na utilização de diferentes canais, e diferentes mensagens têm adequações distintas a diferentes canais. Os canais pessoais envolvem duas ou mais pessoas comunicando-se diretamente uma com a outra. Os canais não pessoais utilizam comunicação direcionada para mais de uma pessoa, e isso inclui a mídia, constituída pelos meios de comunicação, escrita (jornais e revistas), transmitida (rádio, televisão), em rede (telefone, cabo, satélite, sem fio), eletrônica (fitas de áudio e vídeo, CD-ROM, página Web) e expositiva (painéis, outdoors, cartazes) (KOTLER, 2005). Para mensagens mais complexas, devemos utilizar os canais mais precisos, nomeadamente os encontros face a face, porque, ao permitirem uma resposta imediata do receptor, são indispensáveis para que a comunicação se efetue. Este canal tem a vantagem de permitir o contato pessoal, a resposta imediata do receptor e aumentar a hipótese de surgirem novas ideias, questões e soluções para eventuais problemas. Para mensagens que implicam diversas pessoas, em que desejamos registro da comunicação, fazemos por meio da utilização das cartas, boletins informativos, e hoje em dia, novas dimensões de alcance, uma vez que as pessoas possuem novos canais para interagir e opinar sobre os mais variados assuntos. Contamos com a facilidade de acesso à informação, independentemente de localizações geográficas, a tecnologia para expressar nossa comunicação através dos meios eletrônicos e comunicação de mídia, e- INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO COMUNICAÇÃO E GESTÃO FINANCEIRA DA SECRETARIA ESCOLAR 44 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 mails, mensagens de texto via internet, redes sociais, entre outros; possuindo a vantagem da velocidade, seja ela formal ou informal, podendo ser difundida facilmente, economizando tempo (OLIVEIRA, 2013). Alguns elementos importantes que estão envolvidos no processo da comunicação são: DECODIFICAÇÃO É um dos elementos do processo de comunicação ao qual se permite que a mensagem recebida seja interpretada pelo receptor, através da atribuição de um significado a essa mensagem. Esta interpretação pode fazer com que o significado dado à mensagem pelo receptor seja diferente daquela que o emissor tinha intenção de transmitir. FEEDBACK É a última ligação do processo de comunicação, em que se verifica se o que foi recebido corresponde ao que foi transmitido. Permite ao emissor a percepção da diferença entre a mensagem interpretada pelo receptor e a que tinha intenção de transmitir. Consiste, basicamente, na devolução de uma mensagem pelo receptor ao comunicador; ainda no fluxo da transmissão, ou imediatamente após, com possibilidade de modificar o conteúdo da mensagem inicial. Tem um sujeito ativo, o receptor, tornando possível melhorar a comunicação, porque eleva a certeza e a compreensão das mensagens transmitidas. Aumenta a confiança dos emissores e dos receptores no processo de comunicação, o que facilita relações futuras, intensificando a motivação. INTERPESSOALIDADE DA COMUNICAÇÃO A comunicação ocupa exatamente o centro da nossa vida social. Estamos sempre nos comunicando. A eficácia da comunicação depende da concordância entre a mensagem que o emissor quer transmitir e a mensagem interpretada pelo receptor. Mas, como existem diferentes fatores de ruído, estes podem prejudicar o processo através de problemas semânticos, ausência de feedback, distrações e a percepção do outro. INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO COMUNICAÇÃO E GESTÃO FINANCEIRA DA SECRETARIA ESCOLAR 45 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 Inclui desde questões como barulhos, manchas (no caso da comunicação impressa) e problemas na linguagem utilizada até questões subjetivas, como a interpretação, de modo que essa interpretação que o receptor realiza escapa ao controle do emissor e pode ser diferente daquilo que o emissor de fato pretendia comunicar. Aliás, aí está um dos fatos mais importantes em qualquer ação comunicadora: o resultado da comunicação não é a mensagem que emitimos, mas a mensagem que foi recebida, e elas nunca coincidem completamente. Temos também a representação da realimentação, ou seja, o efeito da interpretação feita pelo receptor, que retoma e incide sobre o emissor (OLIVEIRA, 2013). Sobreos canais e as ferramentas de comunicação, é fundamental haver uma perfeita integração entre todas as ferramentas que estiverem sendo empregadas, de modo a evitar que se oponham. O que importa é aproveitar o efeito sinergético que uma ação de comunicação exerce sobre a outra. Dentre os meios pessoais, alguns exemplos de ferramenta que podemos considerar são: a fala, a mímica, a escrita, o idioma. O homem traz dentro de si não só sua individualidade, mas o compromisso de desenvolver a participação social, pois compartilhamos um destino comum. Embora falando a mesma língua, os problemas de comunicação existem. A habilidade de dialogar com pessoas, de estar focado no mundo, percebendo o que acontece à sua volta, tornando-se responsável pela administração de seus relacionamentos, é importante como forma de evitar mal-entendidos. Reaprender a conversar é utilizar nossos espaços de criação e reorganização de nossas emoções, tornar-se um indivíduo melhor sem se deixar alienar (OLIVEIRA, 2013). Se uma conversa pressupõe um estado anímico para determinada ação, a fala e a escuta denotam um estado de ânimo preciso: se positivo, abre possibilidades múltiplas; se negativo, reduz a visão do mundo. De igual relevância é a escolha das palavras que podem mudar o rumo das coisas. As pessoas envolvidas numa conversa sem sombra de dúvida são responsáveis pela qualidade da comunicação estabelecida. Curiosamente, a expressão corporal assume até mais importância do que a voz e, em alguns casos, do que o próprio conteúdo. INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO COMUNICAÇÃO E GESTÃO FINANCEIRA DA SECRETARIA ESCOLAR 46 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 Vejamos situações suficientes para tirar o brilho de um processo de comunicação, como, o medo de olhar nos olhos; a expressão facial incongruente com o conteúdo; a aparência mal cuidada; a ausência de gestos ou excessiva gesticulação; as posturas inadequadas. Ao contar uma história, poderá a sua voz, movimentos e gestos estarem contando outra. E quando a linguagem do corpo não está de acordo com a linguagem verbal, temos a percepção da mentira. A linguagem silenciosa do corpo, que muitas vezes contradiz as palavras, é a expressão do inconsciente e reflete algo importante sobre nós mesmos. A linguagem do corpo é o reflexo do estado emocional da pessoa. Cada gesto ou movimento pode ser uma valiosa fonte de informação sobre a emoção sentida num dado momento. Ao aprimorar sua capacidade de expressão verbal e corporal, a pessoa pode transmitir com maior clareza seu pensamento ao outro. A metáfora também oferece sua contribuição: é uma forma de ver uma coisa como se ela fosse outra, e opera em níveis múltiplos da análise, a fim de proporcionar formas de aprender a vida. Pois bem, na comunicação, com o conhecimento metafórico, pois, através das metáforas, facilita-se a criação e a interpretação da realidade social, modela-se a forma de ver e sentir o mundo, orientam-se nossas percepções, concepções e a compreensão de algumas coisas a partir de outras. OBJETIVOS DA COMUNICAÇÃO O objetivo número um da comunicação é a partilha, a comunicação está ligada ao amor, é uma negociação constante. Afeto, intimidade emocional, partilha de interesses e experiências são comuns nas amizades e amores de todos os seres humanos. O amor interpessoal se refere ao amor entre os seres humanos. Assumir as emoções e aprender a compartilhá-las de maneira adequada é condição para uma relação madura e responsável, representa reconhecer as mágoas e as conclusões precipitadas, dar também ao outro a chance de desabafar, deixá-lo se expressar livremente sem reagir aos ataques INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO COMUNICAÇÃO E GESTÃO FINANCEIRA DA SECRETARIA ESCOLAR 47 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 ou maquinar para rebater, apenas escutar em silêncio identificando as necessidades que estão por trás dos sentimentos. A comunicação interpessoal é um método de comunicação que promove a troca de informações entre duas ou mais pessoas. Cada pessoa, que passamos a considerar interlocutor, troca informações baseadas em seu repertório cultural, sua formação educacional, vivências, emoções, toda a “bagagem” que traz consigo. A comunicação interpessoal também exige ampla habilidade social em saber se relacionar com as pessoas de forma simpática e cordial. Sobretudo, saber equilibrar razão e emoção. A socialização do homem se inicia e se fortalece por meio de ferramentas comunicacionais de um indivíduo a uma correspondência maior para os outros. A qualidade das relações interpessoais é outro agravante quase invisível que funciona como sabotador da convivência, do intercâmbio de informação e conhecimento. OS SISTEMAS REPRESENTACIONAIS A linguagem que usamos dá pistas para a nossa maneira de pensar. Segundo Mancilha (2008), quando pensamos, representamos a informação para nós mesmos, internamente e essa situação/condição podemos chamar de Sistemas Representacionais. Na escola, desde pequenos aprendemos e vivenciamos nossos cinco sentidos: visão, audição, olfato, tato e paladar, canais por onde captamos as informações, os quais fazem parte do sistema representacional. Usamos nossos Sistemas Representacionais o tempo todo, mas tendemos a usar alguns mais do que outros. Por exemplo, muitas pessoas usam o sistema auditivo para conversar consigo mesmas, essa é uma maneira de pensar. Outros preferem os canais visuais, outros são mais sinestésicos (que envolve olfato, tato e paladar). Enfim, cada canal tem suas particularidades como veremos. O sistema visual é usado para nossas imagens internas, visualização, “sonhar acordado” e imaginação. Os “Visuais” tem um ritmo da fala rápido, parecem estar lendo o que falam quando conversam, por isso tendem a moverem os olhos para cima, seu tom de voz é alto e claro. Pessoas visuais ficam em pé ou sentadas com a sua cabeça e/ou corpo eretos. Tem a respiração na parte alta dos pulmões. Em INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO COMUNICAÇÃO E GESTÃO FINANCEIRA DA SECRETARIA ESCOLAR 48 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 geral são organizadas, bem vestidas e com frequência são pessoas magras. Valorizam as aparências. Memorizam mais facilmente vendo imagens e figuras, e tendem a ter dificuldade em lembrar instruções verbais. Interessam-se em ver as ideias e propostas e como eles se mostram ou aparentam. Grande parte dos visuais tem gestos corporais rápidos e acima do tórax (OLIVEIRA, 2010). Em uma conversa com uma pessoa que está mais visual, podemos facilmente perceber que estas utilizam palavras que parecem ilustrarem sua fala. O vocabulário é composto, com predominância de palavras como as seguintes: ver, imagem, cor, nítido, olha, observa, claro, escuro, imagina, entre outros. As pessoas visuais são as que apreciam muito a estética, combinam cor em suas roupas, são organizadas, gostam de tudo em seus devidos lugares. Detestam desordens, tumultos e gente mal vestida (OLIVEIRA, 2013). Os “Auditivos” têm um ritmo de fala médio, parecem selecionar as palavras antes de se expressarem, seu tom de voz é ressoante e melodioso, com frequência tem uma fala elaborada e clara. Tendem a mover os olhos para os lados e respiram mais com a parte mediana dos pulmões. Tipicamente podem repetir com facilidade o que ouvem, aprendem ouvindo e gostam de música e de conversar. Memorizam procedimentos por etapas. Compreendem melhor quando as pessoas dizem como as coisas estão indo e ficam bem quando as coisas soam bem. Grande parte das pessoas auditivas têm gestos corporais rítmicos e na linha do tórax (OLIVEIRA, 2010). Em uma conversa com uma pessoa que está mais auditiva, podemos facilmente perceber que elas selecionam as palavras para construírem suas frases, se preocupam em apresentar umafala bem elaborada. O vocabulário dos auditivos é composto, com predominância de palavras como as seguintes: ouvir, som, ecoar, sintonia, ouve, escuta, afina, silêncio, anunciar, boato, barulho, chamar, comentário, conversa fiada, declarar, dizer, descrever, entre outros. Ervilha (2002) explica que quando o interlocutor movimenta os olhos horizontalmente, ele revela que o seu canal preferido é o auditivo e o seu mundo é construído através dos sons. Ausculta o mundo, ouve sons que aqueles que não dão prioridade a esse canal, não conseguem ouvir, é sensível INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO COMUNICAÇÃO E GESTÃO FINANCEIRA DA SECRETARIA ESCOLAR 49 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 a sons e projeta-se através de sons. Da mesma forma, os movimentos à direita significam que não tem ainda os registros em seu cérebro e está construindo imagens e à esquerda, relembrando os registros já ocorridos, pela experiência vivida. A pessoa que tem preferência pelo canal auditivo tem outro movimento peculiar que é o da esquerda para baixo, significando que está em diálogo interno. Conversando consigo mesma, ouvindo suas vozes interiores. Aqueles que têm o canal auditivo mais desenvolvido, incomodam-se com ruídos que outras pessoas deixam passar despercebidos, como o ranger de uma porta. Qualquer ruído desconcentra a pessoa auditiva. Quando lê tem que ler em voz alta para compreender um texto, ou ainda, não fala em voz alta, mas lê como se estivesse ouvindo a si mesma, para conseguir se concentrar na leitura. Pessoas que ouvem uma música e imediatamente gravam na mente a letra e a melodia, são auditivas. São pessoas que gostam de ouvir rádio, que conversam muito e se divertem com música e outros sons. Essas pessoas entendem melhor quando a comunicação ocorre na modalidade da sua representação. Devem, então, utilizar elementos e palavras que tenham essa semiótica – que ilustrem de forma sonora, aquilo que estiver apresentando (ERVILHA, 2002). Os “Sinestésicos” têm um ritmo de fala lento e macio, parecem não estarem preocupados com nada, seu tom de voz é baixo e pausado. Possuem uma respiração profunda e na linha do abdômen. Tendem a mover os olhos para a direita e para baixo. Diferente dos visuais, os sinestésicos reagem bem ao toque e com frequência tocam o próprio corpo e as outras pessoas enquanto falam. Memorizam facilmente aquilo que mexem ou quando fazem algo. Gostam de atividades que envolvem sensações e movimento. Gostam de sentir o mundo e as pessoas. Sinestésicos precisam sentir-se bem a respeito de ideias e projetos para aprová-los. Grande parte dos sinestésicos possuem gestos corporais lentos e na linha do abdômen (OLIVEIRA, 2010). Em uma conversa com uma pessoa que está mais sinestésica, podemos facilmente perceber que, em grande parte do tempo, estará tocando o seu interlocutor, sempre falando lenta e pausadamente, como falado acima: INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO COMUNICAÇÃO E GESTÃO FINANCEIRA DA SECRETARIA ESCOLAR 50 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 “sem preocupação”. O vocabulário dos sinestésicos é composto, com predominância de palavras como as seguintes: sentir, pegar, suar, áspero, concretizar, segurar, apertar, sofrer, sólido, entre outros. Ervilha (2002) resume assim as características do sinestésico: se o movimento for único para a direita e para baixo, significa que a pessoa é sinestésica, ou seja, busca seu próprio quadro de sentimentos e sensações de representação do mundo. Nos numerosos casos, trata-se de pessoas sinceras e que dificilmente projetam um pensamento. Vivem de acordo com seu próprio sistema de vida. O acesso às mentes dessas pessoas se dá através do tato, paladar, olfato e das próprias sensações e sentimentos. Geralmente gostam de sentir-se bem, confortáveis. Preferem roupas largas, se importam pouco com a estética. São pessoas desprendidas e que estão sempre buscando o bem-estar. Adoram o toque de outras pessoas. Aquilo que mais lhes apetece é o cheiro da comida, seguido do paladar. Para comunicar-se com essas pessoas, é preciso utilizar formas que envolvam aspectos de tocar, sentir, cheirar e degustar. Se estiver mostrando algo, deixe-as pegar no objeto. Para entender, elas vão tocar o objeto, e se for o caso, cheirá-lo. Seu processo mental é sentir através do sinestésico as sensações registradas em seu cérebro. APOSTAR EM COMUNICAÇÃO É ESTRATÉGICO? O artigo3 propõe discutir a comunicação organizacional na atualidade. Para tanto, analisamos as origens e trajetória, definições, perspectivas e desafios postos à comunicação organizacional. 3 Autor: Tiago Mainieri de Oliveira. Bacharel em Relações Públicas e Mestre em Engenharia de Produção pela UFSM. Professor do Curso de Comunicação Social/UNIJUÍ. Atualmente é coord. do Curso de Pós- Graduação em Gestão de Processos em Comunicação da Universidade Regional do Noroeste do Estado do RS – UNIJUÍ. INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO COMUNICAÇÃO E GESTÃO FINANCEIRA DA SECRETARIA ESCOLAR 51 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 INTRODUÇÃO A comunicação passa a exercer, no atual cenário, um importante papel no estabelecimento de canais efetivos de ligação com os diversos segmentos relacionados a uma organização. Nesse sentido, questionar o contexto empresarial (ambiente empresarial e suas transformações) no qual estão inseridas as organizações é fundamental para entendermos a comunicação organizacional. Além disso, é pertinente analisarmos os desafios lançados à comunicação organizacional na atualidade. As perspectivas e desafios da comunicação organizacional. A partir da discussão desses pontos centrais, pretendemos aprofundar a temática proposta. A COMUNICAÇÃO ORGANIZACIONAL - CONCEITOS, DEFINIÇÕES E TRAJETÓRIA A comunicação organizacional, segundo Torquato do Rego (2002), passou por alguns momentos, ou fases, que caracterizaram seu crescimento no Brasil. Para refletirmos a comunicação organizacional em seu estágio atual, é necessário buscarmos elementos de sua trajetória. O autor situa em três fases o desenvolvimento da comunicação organizacional, destacando que esse crescimento coincide com a industrialização e o próprio crescimento econômico do país. Nas décadas de 60 e 70, ele destaca o caráter e a preocupação da comunicação organizacional com uma ênfase no produto. A partir da década de 80 a comunicação organizacional tem sua ênfase na preocupação com a imagem das organizações. Já a partir da década de 90, até a atualidade, a comunicação organizacional adquire um caráter estratégico. Ao apresentar a trajetória da comunicação empresarial no Brasil, Bueno destaca 5 grandes momentos decisivos: antes da década de 70, durante a década de 70, a década de 80, fins da década de 80 e década de 90. Antes da década de 70, as atividades de Comunicação desenvolvidas pelas empresas ou entidades eram absolutamente fragmentadas e pouco profissionalizadas. INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO COMUNICAÇÃO E GESTÃO FINANCEIRA DA SECRETARIA ESCOLAR 52 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 A década de 70 aponta para algumas mudanças importantes em direção à implantação de uma cultura de comunicação nas empresas. Os profissionais de comunicação pouco a pouco chegam nas empresas e, começa a ficar visível a importância do mercado de Comunicação Empresarial. A década de 80 deu o impulso que faltava à Comunicação Empresarial, que passa, efetivamente, a se constituir em um campo de trabalho promissor, atraindo profissionais de todas as áreas. Na segunda metade da década de 80, uma experiência marca profundamente a Comunicação Empresarial brasileira: a empresa Rhodia, com a elaboração de sua Política de Comunicação Social. Nos anos 90, o conceito de Comunicação Empresarialse aprimora: ela passa a ser estratégica para as organizações. Várias definições de comunicação organizacional foram apresentadas por autores como Bueno, Nassar, Torquato e Kunsch. Os próprios conceitos apresentados por esses autores refletem o caráter dinâmico da comunicação organizacional. Podemos definir comunicação organizacional enquanto um composto de comunicação nas organizações, compreendendo as várias "frentes de batalha" (expressão utilizada por Paulo Nassar, em sua obra O que é comunicação empresarial?) da comunicação no âmbito das organizações. Essas frentes de batalha envolvem a comunicação institucional, a comunicação interna, a comunicação mercadológica, a comunicação administrativa, etc. Na medida em que o sistema organizacional transaciona com o ambiente externo, por meio de constantes trocas, relações são estabelecidas. O ingrediente dessas relações é a comunicação entre as organizações e seus públicos estratégicos (stakeholders). Neste processo é que se estabelece a comunicação organizacional. Bueno (2003) não distingue a comunicação empresarial, organizacional ou corporativa, utilizando os termos como sinônimos. "A Comunicação Empresarial (Organizacional, Corporativa ou Institucional) compreende um conjunto complexo de atividades, ações, estratégias, produtos e processos desenvolvidos para criar e manter a imagem de uma empresa ou entidade (sindicato, órgãos governamentais, ONGs, associações, universidades etc) INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO COMUNICAÇÃO E GESTÃO FINANCEIRA DA SECRETARIA ESCOLAR 53 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 junto aos seus públicos de interesse (consumidores, empregados, formadores de opinião, classe política ou empresarial, acionistas, comunidade acadêmica ou financeira, jornalistas etc) ou junto à opinião pública." (BUENO, 2003, Disponível em: http://www.comtexto.com.br). Já Kunsch (2003) coloca que o termo comunicação organizacional, além de abranger todo o espectro das atividades comunicacionais, apresenta maior amplitude, aplicando-se a qualquer tipo de organização social (empresa pública ou privada, instituições, entidades sem fins lucrativos, etc.) não se restringindo ao âmbito das empresas. "a comunicação organizacional compreenderia o conceito amplo do conjunto das diferentes modalidades comunicacionais que ocorrem dentro das organizações, a saber: a comunicação institucional, a comunicação mercadológica ou comunicação de marketing, a comunicação interna e a comunicação administrativa." Kunsch (1999, p.75) Dentro dessa perspectiva, a comunicação organizacional surge para dar conta da complexidade da comunicação não só das empresas, mas das administrações públicas, instituições sem fins lucrativos, entre outros. A comunicação organizacional está presente em todas as organizações, sejam públicas ou privadas. Alguns autores têm estudado, por exemplo, a comunicação no contexto das administrações públicas, revelando seu importante papel na conscientização dos cidadãos para com as ações públicas. Além disso, o conceito de comunicação na administração pública reforça a necessidade de esclarecimento e comprometimento dos servidores públicos para a plena eficácia da gestão pública. Soma-se a isso a preocupação com a transparência no processo de comunicação na administração pública. Outro aspecto a ser analisado refere-se a implantação de estruturas de ouvidoria. O termo comunicação organizacional vem sendo utilizado, em substituição ao termo comunicação empresarial, pelo seu caráter mais amplo, permitindo abarcar a comunicação no contexto não apenas de empresas mas de instituições, ONGs, sindicatos, etc. As constantes transformações nos cenários político, econômico, cultural e tecnológico representam um grande desafio à comunicação organizacional. Podemos apresentar alguns elementos que caracterizam esse INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO COMUNICAÇÃO E GESTÃO FINANCEIRA DA SECRETARIA ESCOLAR 54 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 ambiente em processo de mudança. O despertar da consciência ecológica, a preocupação com o meio ambiente, a concorrência acirrada, o consumidor consciente de seus direitos, o advento das novas tecnologias de comunicação, são alguns desses elementos. Com certeza o contexto atual das organizações tem levado empresários a investir na área da comunicação. Para garantir a sobrevivência e crescimento no mercado, as empresas necessitam estabelecer relações éticas e transparentes com seus públicos. Os autores que discutem a gestão das organizações, entre eles Peter Drucker, destacam o caráter mutante do ambiente organizacional. No contexto das organizações contemporâneas, segundo Drucker, a única constante são as mudanças. Esse contexto nos remete a complexidade e a necessidade de adaptação, alguns dos ingredientes essenciais na moderna gestão empresarial. Para analisarmos as transformações no ambiente organizacional e o impacto na comunicação organizacional apresento o quadro que segue, estabelecendo um comparativo entre a comunicação organizacional ontem e a comunicação organizacional hoje. PANORAMA DA COMUNICAÇÃO ORGANIZACIONAL (ONTEM/HOJE) Comunicação Organizacional (ontem) Foco nos instrumentos de comunicação; Poucos investimentos na área - comunicação vista como despesa; Nenhuma ou pouca concorrência; Consumidor dispondo de poucos instrumentos para defesa de seus interesses; Comunicação fragmentada, isolada; Valorização da comunicação com o público externo. Comunicação Organizacional (hoje) Visão mais ampla, estratégica; Perspectivas de ampliação nos investimentos na medida em que a comunicação é percebida como essencial; Mercado altamente competitivo; INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO COMUNICAÇÃO E GESTÃO FINANCEIRA DA SECRETARIA ESCOLAR 55 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 Consumidor pleno de seus direitos; Comunicação integrada; Comunicação com todos os públicos estratégicos (stakeholders). Com o quadro acima, apresentamos um breve panorama da comunicação organizacional no contexto das organizações tradicionais e das organizações modernas. Para fazer frente a esse cenário de mudanças, a comunicação organizacional adquire um caráter estratégico nas organizações. Podemos afirmar que todo potencial da comunicação organizacional só se revela quando efetivamente a utilizamos de forma estratégica e não apenas instrumental. Fica como desafio ampliar e discutir o panorama da comunicação organizacional. DESAFIOS DA COMUNICAÇÃO ORGANIZACIONAL NA ATUALIDADE Frente ao cenário de transformação das organizações, é relevante refletirmos acerca dos desafios postos à comunicação organizacional. Fossá (1997) propõe alguns "postulados" da moderna comunicação nas organizações. Vejamos alguns deles: a comunicação organizacional deve estar calcada numa sólida visão estratégica da organização. A comunicação organizacional não pode resumir-se a uma visão fragmentada, isolada, instrumental. Ela deve refletir a missão e a visão da organização. Concebendo a comunicação organizacional com todo seu papel estratégico, estaremos lançando as bases para uma comunicação eficaz; a comunicação organizacional deve articular e integrar as várias linguagens que compõem a comunicação de uma organização. A publicidade, a assessoria de imprensa, as relações públicas, etc. deve estar em sintonia e integradas de maneira a estabelecer uma linguagem única, permitindo à organização construir uma comunicação eficaz e eficiente com seus vários públicos; a comunicação organizacional deve participar das transformações políticas, sociais, tecnológicas, culturais, econômicas. As organizações não são meras produtoras de bens e serviços, mas interagentes em um sistema mais amplo, onde desempenham um relevantepapel nas transformações desse sistema; a INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO COMUNICAÇÃO E GESTÃO FINANCEIRA DA SECRETARIA ESCOLAR 56 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 comunicação organizacional deve estabelecer uma comunicação ética e transparente estimulando a responsabilidade social da empresa. Despertar o papel cidadão das organizações é estar em sintonia com o ambiente de transformações da atualidade. Somente uma comunicação ética e transparente irá garantir um bom relacionamento da organização com seus públicos; a comunicação organizacional deve desvendar e cultura organizacional e estar fundamentada nessa cultura. A cultura organizacional revela os valores e a postura de uma organização. Toda comunicação, no âmbito de uma organização, deve ser única, ou seja, não pode seguir um modelo ou receituário pronto. Cada organização tem suas características próprias, por isso devemos entender a cultura de uma organização; a comunicação organizacional deve permitir uma comunicação transparente e participativa. A organização deve estimular os públicos, analisar seus anseios, a partir de uma comunicação que estabeleça um diálogo permanente e transparente. Esses são alguns dos desafios da moderna comunicação organizacional, atenta às transformações impostas pelo ambiente. Logicamente não esgotamos o tema, apenas lançamos alguns questionamentos e reflexões. Principalmente, apontamos algumas perspectivas que irão pautar nossa atuação na área. Resumindo, o papel da comunicação organizacional vai ao sentido de promover a coesão interna em torno dos valores e da missão da empresa, aumentar a visibilidade pública da organização e divulgar de seus produtos e serviços. Num cenário globalizado, a informação revela-se uma arma poderosa de gestão empresarial. Isso, se aplica tanto à comunicação interna, como às ações de fortalecimento da imagem institucional, relações com a imprensa, governo, propaganda etc. O segredo não é mais a alma do negócio, afinal os consumidores querem saber o que acontece lá no chão da fábrica, querem ver o que a empresa proporciona aos seus funcionários e à comunidade de seu entorno. Para finalizar esse breve artigo, citamos Nassar, que sintetiza o "espírito" da comunicação organizacional deste e dos próximos milênios. "A sociedade e o mercado consumidor tornaram-se bastante hostis às 'empresas analfabetas', que não aprendem a escrever, ouvir, falar, se expressar e, INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO COMUNICAÇÃO E GESTÃO FINANCEIRA DA SECRETARIA ESCOLAR 57 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 principalmente, dialogar no ambiente em que atuam". (1995, p. 12) E, deixamos um questionamento: será que apostar em comunicação organizacional já é uma realidade? Ou nossas empresas ainda são "analfabetas"? GESTÃO DA REDAÇÃO OFICIAL: CONCEITOS, DEFINIÇÕES, CARACTERÍSTICAS E FINALIDADE A eficácia da comunicação oficial depende basicamente do uso de linguagem simples e direta, chegando ao assunto que se deseja expor sem passar, por exemplo, pelos atalhos das fórmulas de refinada cortesia usuais no século passado. Ontem, o estilo tendia ao rebuscamento, aos rodeios ou aos circunlóquios; hoje, a vida moderna obriga a uma redação mais objetiva e concisa (BRASIL, 1990). Redação oficial é a maneira de redigir própria da Administração Pública. Sua finalidade básica é possibilitar a elaboração de comunicações e normativos oficiais claros e impessoais, pois o objetivo é transmitir a mensagem com eficácia, permitindo entendimento imediato (BRASIL, 2002). Considere-se, entretanto, que não há uma forma específica de linguagem administrativa, mas sim qualidades comuns a qualquer bom texto, seja ele oficial ou literário, aplicáveis à redação oficial: clareza, coesão, concisão, correção gramatical. Além disso, merecem destaque algumas características peculiares identificáveis na forma oficial de redigir: formalidade, uniformidade e impessoalidade. De todo modo, a redação oficial deve caracterizar-se pela impessoalidade, uso do padrão culto de linguagem, clareza, concisão, formalidade e uniformidade. Fundamentalmente, esses atributos decorrem da Constituição Federal (1988), que dispõe, no artigo 37: “A administração pública direta, indireta ou fundacional, de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência (...)”. Sendo a publicidade e a impessoalidade princípios fundamentais de toda administração pública, claro está que devem igualmente nortear a elaboração dos atos e comunicações oficiais (BRASIL, 2002). Vamos ver cada uma dessas qualidades e características: INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO COMUNICAÇÃO E GESTÃO FINANCEIRA DA SECRETARIA ESCOLAR 58 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 IMPESSOALIDADE A finalidade da língua é comunicar, quer pela fala, quer pela escrita. Para que haja comunicação, são necessários: alguém que comunique; algo a ser comunicado; alguém que receba essa comunicação. No caso da redação oficial, quem comunica é sempre o Serviço Público (este ou aquele Ministério, Secretaria, Departamento, Divisão, Serviço, Seção); o que se comunica é sempre algum assunto relativo às atribuições do órgão que comunica; o destinatário dessa comunicação ou é o público, o conjunto dos cidadãos, ou outro órgão público, do Executivo ou dos outros Poderes da União. Percebe-se, assim, que o tratamento impessoal que deve ser dado aos assuntos que constam das comunicações oficiais decorre: da ausência de impressões individuais de quem comunica: embora se trate, por exemplo, de um expediente assinado por Chefe de determinada Seção, é sempre em nome do Serviço Público que é feita a comunicação. Obtém-se, assim, uma desejável padronização, que permite que comunicações elaboradas em diferentes setores da Administração guardem entre si certa uniformidade; da impessoalidade de quem recebe a comunicação, com duas possibilidades: ela pode ser dirigida a um cidadão, sempre concebido como público, ou a outro órgão público. Nos dois casos, temos um destinatário concebido de forma homogênea e impessoal; do caráter impessoal do próprio assunto tratado: se o universo temático das comunicações oficiais se restringe a questões que dizem respeito ao interesse público, é natural que não cabe qualquer tom particular ou pessoal. Dessa forma, não há lugar na redação oficial para impressões pessoais, como as que, por exemplo, constam de uma carta a um amigo, ou de um artigo assinado de jornal, ou mesmo de um texto literário. A redação oficial deve ser isenta da interferência da individualidade que a elabora. A concisão, a clareza, a objetividade e a formalidade de que nos valemos para elaborar os expedientes oficiais contribuem, ainda, para que seja alcançada a necessária impessoalidade (BRASIL, 2002). INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO COMUNICAÇÃO E GESTÃO FINANCEIRA DA SECRETARIA ESCOLAR 59 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 CLAREZA Clareza é a qualidade do que é inteligível, facilmente compreensível. Já que se busca, então, com a clareza, fazer-se facilmente entendido, é preciso que o pensamento de quem comunica também seja claro, com as ideias ordenadas; a pontuação correta; as palavras, bem dispostas na frase; as intercalações reduzidas a um mínimo; a precisão vocabular, uma constante. Da mesma forma, a indispensável releitura do texto contribui para obtenção da clareza. A ocorrência de trechos obscuros e de erros gramaticais em textos oficiais provém principalmente da falta da releitura, que torna possível sua correção. Além disso, a falsa ideia de que “escreve bem quem escreve difícil” também contribui para a obscuridade do texto. Ora, quem escrevedifícil dificilmente é compreendido. Cada palavra dessa natureza é um tropeço para a leitura e só pode desvalorizar o que se escreve. Assim, para a redação de textos claros devemos utilizar preferencialmente a ordem direta ou lógica (sujeito, verbo, complementos); às vezes essa ordem precisa ser alterada em benefício da própria clareza; usar as palavras e as expressões em seu sentido mais comum; evitar períodos com negativas múltiplas; transformar as orações negativas em positivas, sempre que possível; buscar a uniformidade do tempo verbal em todo o texto; escolher com cuidado o vocabulário, evitando o jargão técnico; evitar neologismos (palavras, frases ou expressões novas, ou palavras antigas com sentidos novos), preciosismos (delicadeza ou sutileza excessiva no escrever) e regionalismos; utilizar palavras ou expressões de língua estrangeira somente quando indispensável. COESÃO O termo coesão pode ser conceituado como a união íntima das partes de um todo. Assim, o texto coeso é aquele em que as palavras, as orações, os períodos e os parágrafos estão interligados e coerentemente dispostos. INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO COMUNICAÇÃO E GESTÃO FINANCEIRA DA SECRETARIA ESCOLAR 60 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 Às vezes, o cuidado com a estrutura do parágrafo pode induzir ao equívoco de encará-lo como redação autônoma, bastante em si mesmo. Apesar de ser uma unidade lógica completa (começo, meio e fim), não pode estar solto do restante do texto. Para que esse desligamento não ocorra, temos de trabalhar com mecanismos de ligação entre os parágrafos. A utilização desses mecanismos chama-se transição ou coesão. A transição não é necessariamente feita por partículas ou expressões. Ela pode ocorrer, por exemplo, com a utilização do mesmo sujeito da oração precedente. O importante nos mecanismos de transição é manter a fluência do texto. Exemplos de algumas partículas e expressões de transição: da mesma forma, aliás, também, mas, por fim, pouco depois, pelo contrário, assim, enquanto isso, além disso, a propósito, em primeiro lugar, no entanto, finalmente, em resumo, portanto, por isso, em seguida, então, já que, ora, daí, dessa forma, além do mais. CONCISÃO A concisão consiste em expressar com um mínimo de palavras um máximo de informações, desde que não se abuse da síntese a tal ponto que a ideia se torne incompreensível. Afinal, o tempo é precioso, e quanto menos se rechear a frase com adjetivos, imagens, pormenores desnecessários ou perífrases (rodeios de palavras), mais o leitor se sentirá respeitado. Para que se redija um texto conciso, é fundamental que se tenha, além de conhecimento do assunto sobre o qual se escreve o tempo necessário para revisá-lo depois de pronto. É nessa revisão que muitas vezes se percebem eventuais redundâncias ou repetições desnecessárias de ideias. Veja-se, por exemplo, o seguinte texto: A partir desta década, o número cada vez maior e, por isso mesmo, mais alarmante de desempregados, problema que aflige principalmente os países em desenvolvimento, tem alarmado as autoridades governamentais, guardiãs perenes do bem-estar social, principalmente pelas consequências adversas que tal fato gera na sociedade, desde o aumento da mortalidade INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO COMUNICAÇÃO E GESTÃO FINANCEIRA DA SECRETARIA ESCOLAR 61 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 infantil por desnutrição aguda até o crescimento da violência urbana que aterroriza a família, esteio e célula-mater da sociedade. Se esse mesmo trecho for reescrito sem a carga informativa desnecessária, obtém-se um texto conciso e não prolixo: O número cada vez maior de desempregados tem alarmado as autoridades governamentais, pelas consequências adversas que tal fato gera na sociedade, desde o aumento da mortalidade infantil por desnutrição aguda até o crescimento da violência urbana. Vê-se, assim, como é importante o texto enxuto. Economizar palavras traz benefícios ao texto: o primeiro é errar menos; o segundo, poupar tempo; o terceiro, respeitar a paciência do leitor. Pode-se adotar como regra não dizer mais nem menos do que precisa ser dito. Isso não significa fazer breves todas as frases, nem evitar todo o detalhe, nem tratar os temas apenas na superfície; significa, apenas que cada palavra é importante. A concisão é antes uma qualidade do que uma característica do texto oficial. Conciso é o texto que consegue transmitir um máximo de informações com um mínimo de palavras. Para que se redija com essa qualidade, é fundamental que se tenha, além de conhecimento do assunto sobre o qual se escreve o necessário tempo para revisar o texto depois de pronto. É nessa releitura que muitas vezes se percebem eventuais redundâncias ou repetições desnecessárias de ideias. O esforço de sermos concisos atende basicamente ao princípio de economia linguística, à mencionada fórmula de empregar o mínimo de palavras para informar o máximo. Não se deve de forma alguma entendê-la como economia de pensamento, isto é, não se devem eliminar passagens substanciais do texto no afã de reduzi-lo em tamanho. Trata-se exclusivamente de cortar palavras inúteis, redundâncias, passagens que nada acrescentem ao que já foi dito (BRASIL, 2002). Procure perceber certa hierarquia de ideias que existe em todo texto de alguma complexidade: ideias fundamentais e ideias secundárias. Estas últimas podem esclarecer o sentido daquelas, detalhá-las, exemplificá-las; mas existem também ideias secundárias que não acrescentam informação alguma ao texto, INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO COMUNICAÇÃO E GESTÃO FINANCEIRA DA SECRETARIA ESCOLAR 62 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 nem têm maior relação com as fundamentais, podendo, por isso, ser dispensadas (BRASIL, 2002). CORREÇÃO GRAMATICAL Correção gramatical é a utilização do padrão culto de linguagem, ou seja, é escrever sem desrespeitar os fatos particulares da língua e as regras apropriadas para o seu perfeito uso. As incorreções gramaticais desmerecem o redator e põem em dúvida sua autoridade para falar sobre qualquer assunto. Além disso, conhecer a própria língua não é privilégio de gramáticos, senão dever de todos aqueles que dela se utilizam. É erro de consequências imprevisíveis acreditar que só os escritores profissionais têm a obrigação de saber escrever. Saber escrever a própria língua faz parte dos deveres cívicos. A língua é a mais viva expressão da nacionalidade. FORMALIDADE E UNIFORMIDADE A formalidade consiste na observância das normas de tratamento usuais na correspondência oficial. Não se trata somente da eterna dúvida quanto ao correto emprego deste ou daquele pronome de tratamento para uma autoridade de certo nível; mais do que isso, a formalidade diz respeito à polidez, à civilidade no tratamento do assunto do qual cuida a comunicação. É importante salientar que a formalidade de tratamento vincula-se, também, à necessária uniformidade das comunicações. Ora, se a Administração Pública (municipal, estadual, distrital ou federal) é una, é natural que suas comunicações sigam um mesmo padrão. O estabelecimento desse padrão exige atenção a todas as características da redação oficial e cuidado com a apresentação dos textos. O uso de papéis uniformes e a correta diagramação do texto são indispensáveis para a padronização das comunicações oficiais. INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO COMUNICAÇÃO E GESTÃO FINANCEIRA DA SECRETARIA ESCOLAR 63 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 ORIENTAÇÕES BÁSICAS SOBRE O ATO DE ESCREVER A) ESTILO Tudo que o ser humano faz tem a marca de sua individualidade. Essa maneira pessoal de as pessoas expressarem-se, dentro de uma determinada época, por meio da música, da literatura, da pintura, daescultura é o que se chama estilo. Em relação ao ato de redigir, estilo é, portanto, a maneira peculiar de cada escritor expressar os seus pensamentos. Também nos textos oficiais pode-se identificar o estilo de cada pessoa. Convém respeitá-lo, apenas requerendo do redator a observância das qualidades e características fundamentais da redação oficial, já explicitadas nos tópicos anteriores. B) HARMONIA Uma mensagem é harmoniosa quando é elegante, ou seja, quando soa bem aos nossos ouvidos. Muitos fatores prejudicam a harmonia na redação oficial, tais como, a aliteração (repetição do mesmo fonema): na certeza de que seria bem sucedido, o sucessor fez a seguinte asserção: ... (aliteração do fonema); a emenda de vogais (ou hiatismo): obedeça à autoridade; a cacofonia (encontro de sílabas em que a malícia descobre um novo termo com sentido torpe ou ridículo): Dê-me já aquela garrafa; a rima: o diretor chamou, com muita dor, o assessor, dizendo-lhe que, embora reconhecendo ser o mesmo trabalhador, não lhe poderia fazer esse favor; a repetição excessiva de palavras: o presidente da nossa empresa é primo do presidente daquela transportadora, sendo um presidente muito ativo; o excesso de que: solicitei-lhe que me remetesse o parecer que me prometera a fim de que eu pudesse concluir a análise que me fora solicitada. C) POLIDEZ O texto polido revela civilidade, cortesia. A finalidade, especialmente nas correspondências oficiais, é impressionar o destinatário de forma favorável, evitando frases grosseiras ou insultuosas, expressando respeito sem rebaixamento próprio. Expressar consideração pelo outro, sem ao mesmo INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO COMUNICAÇÃO E GESTÃO FINANCEIRA DA SECRETARIA ESCOLAR 64 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 tempo rebaixar-se, por vezes até compensa falhas nas outras qualidades fundamentais do texto antes examinadas. Correspondência é contato humano e, como tal, deve ser pautada pelos mesmos princípios de convivência pacífica da vida social. PROBLEMAS NA CONSTRUÇÃO DE FRASES A clareza e a concisão na forma escrita são alcançadas principalmente pela construção adequada da frase. Alguns problemas mais frequentemente encontrados na construção de frases dizem respeito à utilização do sujeito da oração como complemento, à ambiguidade da ideia expressa, à elaboração de falsos paralelismos e aos erros de comparação, conforme exemplificado a seguir. a) Uso indevido do sujeito como complemento: Sujeito é o ser de quem se fala ou que executa a ação enunciada na oração. Ele pode ter complemento, mas não ser complemento. Devem ser evitadas, portanto, construções como: Errado: É tempo dos parlamentares votarem o projeto. Certo: É tempo de os parlamentares votarem o projeto. Errado: Antes desses requisitos serem cumpridos... Certo: Antes de esses requisitos serem cumpridos... Errado: Apesar da Assessoria ter informado em tempo... Certo: Apesar de a Assessoria ter informado em tempo... b) Ambiguidade: Ambígua é a frase ou oração que pode ser tomada em mais de um sentido. Como a clareza é requisito básico de todo texto oficial, deve-se atentar para as construções que possam gerar equívocos de compreensão. A ambiguidade decorre, em geral, da dificuldade de identificar-se a que palavra se refere um pronome que possui mais de um antecedente na terceira pessoa. Outro tipo de ambiguidade decorre da dúvida sobre a que se refere a oração reduzida. INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO COMUNICAÇÃO E GESTÃO FINANCEIRA DA SECRETARIA ESCOLAR 65 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 Exemplos: Ambíguo: O Chefe de Gabinete comunicou ao Diretor que ele seria exonerado. (Quem seria exonerado? O Chefe de Gabinete? O Diretor?) Claro: O Chefe de Gabinete comunicou a exoneração dele ao Diretor. (O Chefe de Gabinete foi exonerado.) Claro: O Chefe de Gabinete comunicou ao Diretor a exoneração deste. (O Diretor foi exonerado.) intervenção no seu Estado, mas isso não o surpreendeu. (Discurso de quem? Estado de quem? Quem não se surpreendeu?) Claro: Em seu discurso, o Deputado saudou o Presidente da República. No pronunciamento, solicitou a intervenção federal em seu Estado, o que não surpreendeu o Presidente. (Discurso do Deputado. Estado do Deputado. O Presidente não se surpreendeu.) Ambíguo: Sendo indisciplinado, o Chefe admoestou o funcionário. (Quem é indisciplinado?) Claro: O Chefe admoestou o funcionário por ser este indisciplinado. c) Erros de paralelismo: Uma das convenções estabelecidas na língua escrita consiste em apresentar ideias similares numa forma gramatical idêntica, o que se chama de paralelismo. Assim, incorre-se em erro ao conferir forma não paralela a elementos paralelos. Exemplos: Errado: Pelo aviso circular recomendou-se às unidades economizar energia e que elaborassem planos de redução de despesas. Certo: Pelo aviso circular, recomendou-se às unidades que economizassem energia e (que) elaborassem planos para redução de despesas. Certo: Pelo aviso circular, recomendou-se às unidades economizar energia e elaborar planos para redução de despesas. Errado: No discurso de posse, mostrou determinação, não ser inseguro, inteligência e ter ambição. Certo: No discurso de posse, mostrou determinação, segurança, inteligência e ambição. INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO COMUNICAÇÃO E GESTÃO FINANCEIRA DA SECRETARIA ESCOLAR 66 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 Certo: No discurso de posse, mostrou ser determinado e seguro, ter inteligência e ambição. Errado: O novo procurador é jurista renomado, e que tem sólida formação acadêmica. Certo: O novo procurador é jurista renomado e tem sólida formação acadêmica. Certo: O novo procurador é jurista renomado, que tem sólida formação acadêmica. d) Erros de comparação: A omissão de certos termos ao se fazer uma comparação deve ser evitada ao redigir, pois compromete a clareza do texto: nem sempre é possível identificar, pelo contexto, qual o termo omitido. A ausência indevida de um termo pode impossibilitar o entendimento do sentido que se quer dar a uma frase: Errado: O salário de um professor é mais baixo do que um médico. Certo: O salário de um professor é mais baixo do que o salário de um médico. Certo: O salário de um professor é mais baixo do que o de um médico. Errado: O alcance da Resolução é diferente da Portaria. Certo: O alcance da Resolução é diferente do alcance da Portaria. Certo: O alcance da Resolução é diferente do da Portaria. Errado: A Secretaria de Educação dispõe de mais verbas do que as Secretarias do Governo. Certo: A Secretaria de Educação dispõe de mais verbas do que as outras Secretarias do Governo. Certo: A Secretaria de Educação dispõe de mais verbas do que as demais Secretarias do Governo. Por fim, temos os pleonasmos que indicam redundância de expressão, ou seja, repetição de uma mesma ideia, mediante palavras diferentes. Quando a repetição de ideia não traz nenhuma energia à expressão, o pleonasmo INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO COMUNICAÇÃO E GESTÃO FINANCEIRA DA SECRETARIA ESCOLAR 67 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 passa a ser vício, devendo, nesse caso, ser evitado. Exemplos de pleonasmos indesejáveis: acabamento final expressamente proibido a razão é porque fato real a seu critério pessoal há anos atrás certeza absoluta meu amigo particular comer com a boca multidão de pessoas conviver junto planejar antecipadamente relações bilaterais entre dois países descer para baixo sintomas indicativos EMPREGO DOS PRONOMES O uso de pronomes e locuções pronominais de tratamento tem larga tradição na língua portuguesa. De acordo com Said Ali (1964), após serem incorporadosao português, os pronomes latinos tu e vos, “como tratamento direto da pessoa ou pessoas a quem se dirigia a palavra”, passou-se a empregar, como expediente linguístico de distinção e de respeito, a segunda pessoa do plural no tratamento de pessoas de hierarquia superior. Prossegue o autor: Outro modo de tratamento indireto consistiu em fingir que se dirigia a palavra a um atributo ou qualidade eminente da pessoa de categoria superior, e não a ela própria. Assim aproximavam-se os vassalos de seu rei com o tratamento de vossa mercê, vossa senhoria (...); assim usou-se o tratamento ducal de vossa excelência e adotaram-se na hierarquia eclesiástica vossa reverência, vossa paternidade, vossa eminência, vossa santidade. A partir do final do século XVI, esse modo de tratamento indireto já estava em voga também para os ocupantes de certos cargos públicos. Vossa mercê evoluiu para vosmecê, e depois para o coloquial você. E o pronome vós, com o tempo, caiu em desuso. É dessa tradição que provém o atual emprego INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO COMUNICAÇÃO E GESTÃO FINANCEIRA DA SECRETARIA ESCOLAR 68 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 de pronomes de tratamento indireto como forma de dirigirmo-nos às autoridades civis, militares e eclesiásticas. Os pronomes de tratamento (ou de segunda pessoa indireta) apresentam certas peculiaridades quanto à concordância verbal, nominal e pronominal. Embora se refiram à segunda pessoa gramatical (à pessoa com quem se fala, ou a quem se dirige a comunicação), levam a concordância para a terceira pessoa. É que o verbo concorda com o substantivo que integra a locução como seu núcleo sintático: “Vossa Senhoria nomeará o substituto”; “Vossa Excelência conhece o assunto”. Da mesma forma, os pronomes possessivos referidos a pronomes de tratamento são sempre os da terceira pessoa: “Vossa Senhoria nomeará seu substituto” (e não “Vossa ... vosso...”). Já quanto aos adjetivos referidos a esses pronomes, o gênero gramatical deve coincidir com o sexo da pessoa a que se refere, e não com o substantivo que compõe a locução. Assim, se nosso interlocutor for homem, o correto é “Vossa Excelência está atarefado”, “Vossa Senhoria deve estar satisfeito”; se for mulher, “Vossa Excelência está atarefada”, “Vossa Senhoria deve estar satisfeita” (BRASIL, 2002). Os pronomes oblíquos (me, lhe, nos) substituem muito elegantemente os possessivos (minha, sua) em frases como as seguintes: O barulho perturba- me as ideias (em vez de: O barulho perturba as minhas ideias); Ninguém lhe ouvia as propostas (em vez de: Ninguém ouvia as suas propostas); A solução do problema nos tomou o dia (em vez de: A solução do problema tomou o nosso dia). CORRESPONDÊNCIAS OFICIAIS a) Pronomes: Abre-se uma correspondência oficial com o destinatário, correto? (Ainda não estamos falando de toda estrutura). Os pronomes de tratamento representam a forma de tratar as pessoas com quem se fala ou a quem se dirige a comunicação e podem apresentar três formas diferentes: a) Quando constitui um chamado à pessoa: Excelência, aqui venho, cumprindo a sua ordem. b) Quando estabelece o diálogo com a pessoa: INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO COMUNICAÇÃO E GESTÃO FINANCEIRA DA SECRETARIA ESCOLAR 69 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 Vim falar a Vossa Excelência. c) Quando indica a pessoa de quem se fala: Estou chegando de uma conversa com Sua Excelência. Os pronomes de tratamento são sempre os da terceira pessoa: “Vossa Senhoria nomeará seu substituto”; “Vossa Excelência conhece o assunto”. Quando se refere à terceira pessoa, o pronome de tratamento é precedido de Sua: “Sua Excelência, o Presidente da República houve por bem vetar...”. Quanto aos adjetivos referidos a esses pronomes, o gênero gramatical deve coincidir com o sexo da pessoa a que se refere, e não com o substantivo que compõe a locução. Assim, se o interlocutor for homem, o correto é “Vossa Excelência está atarefado”; se for mulher, “Vossa Excelência está atarefada”. A boa norma evita abreviar os pronomes de tratamento em correspondências dirigidas às principais autoridades: Presidente e Vice- Presidente da República, Ministros de Estado, Ministros do Supremo Tribunal Federal e Superior Tribunal de Justiça, Governadores de Estado, Prefeitos Municipais e autoridades eclesiásticas de maior hierarquia. Nesses casos, aconselha-se o uso por extenso dos pronomes de tratamento. Foi abolido o uso do tratamento Digníssimo e Ilustríssimo, sendo suficiente o uso do tratamento Senhor, para as autoridades que recebem tratamento de Vossa Senhoria; Os títulos Doutor e Professor são sempre relativos à pessoa e, por isso, não devem se referir a um cargo ou uma função; e, Doutor, que é um título adquirido mediante cursos de doutorado, não deve ser utilizado como forma de tratamento (BRASIL, 2002). b) Fechos para as comunicações oficiais: O fecho para as comunicações oficiais possui a finalidade de marcar o fim do texto e de saudar o destinatário. Com o intuito de simplificar e padronizar os fechos de comunicações oficiais foi estabelecido o emprego de somente dois fechos para todas as modalidades: a) para autoridades superiores, inclusive o Presidente da República: Respeitosamente. b) para autoridades de mesma hierarquia ou de hierarquia inferior: Atenciosamente. Ficam excluídas dessas fórmulas as INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO COMUNICAÇÃO E GESTÃO FINANCEIRA DA SECRETARIA ESCOLAR 70 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 comunicações dirigidas às autoridades estrangeiras, que atendem a rito e tradição próprios. c) Identificação do signatário: Toda comunicação oficial deve apresentar: a) em caixa alta e baixa o nome da autoridade que a expede; b) em caixa alta e baixa o cargo (por extenso, sem o uso de abreviaturas), logo abaixo do local reservado para assinatura, exceto as assinadas pelo Presidente da República. Havendo necessidade de duas assinaturas, fica à esquerda a da autoridade responsável (no uso das atribuições) e à direita a do corresponsável (que fornece apoio técnico e logístico). A autoridade responsável é aquela que responde diretamente pelas competências e pelas atribuições da unidade e o corresponsável é a autoridade da unidade que fornecerá o apoio técnico e/ou logístico para o desempenho da atividade. Na maioria dos casos, o próprio documento define quem é o responsável direto e o responsável indireto. Recomenda-se não deixar a assinatura em página isolada do documento. Sugere-se transferir para a última página ao menos o último parágrafo do documento. d) Endereçamento: O endereçamento é feito com a transcrição do nome completo do destinatário e seu endereço (rua, número, Código de Endereçamento Postal (CEP), cidade e sigla do estado, (UF), iniciando-se a partir da metade inferior do anverso do envelope, à esquerda, a fim de deixar espaço suficiente para selagem na metade superior direita. No verso do envelope deve constar o nome completo do remetente e seu endereço. Quando se tratar de destinatários residentes fora do Brasil, devem ser obedecidas as normas de endereçamento do país de destino, incluindo-se, após o código da cidade, o nome do país, em português. O restante do endereço é escrito na língua estrangeira correspondente (BRASIL, 2002). INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO COMUNICAÇÃO E GESTÃO FINANCEIRA DA SECRETARIA ESCOLAR 71 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 FORMAS, ESTRUTURAS E OBJETIVOS DAS COMUNICAÇÕES ADMINISTRATIVAS Dentro da comunicação organizacional, temos a comunicação administrativa. É o cotidiano da administração. Envolve áreas centrais de planejamento e estruturas técnico-normativas. Orienta, atualiza, ordena e reordena o fluxo de atividades funcionais por meio de normas,portarias, memorandos, instruções, portarias, cartas técnicas, índices etc. Certamente, as funções comunicativas têm sua maior força na perspectiva da teoria geral dos sistemas, devido aos inter-relacionamentos entre subsistemas, ou seja, a necessidade de se avaliar a organização como um todo e não somente em departamentos ou setores. As organizações são, por definição, sistemas abertos, pois não podem ser adequadamente compreendidas de forma isolada, mas sim pelo inter- relacionamento entre diversas variáveis internas e externas, que afetam seu comportamento. A comunicação, neste contexto, assume papel estratégico. São inúmeras as formas, as estruturas e os objetivos de cada tipo de comunicação. Veremos as mais comuns, exemplificando algumas que circulam com mais frequência no meio escolar, retiradas de manuais diversos, começando pela ATA que é o documento de valor jurídico, que consiste no resumo fiel dos fatos, ocorrências e decisões de sessões, reuniões ou assembleias, realizadas por comissões, conselhos, congregações, ou outras entidades semelhantes, de acordo com uma pauta, ou ordem-do-dia, previamente divulgada. É geralmente lavrada em livro próprio, autenticada, com as páginas rubricadas pela mesma autoridade que redige os termos de abertura e de encerramento. O texto apresenta-se seguidamente, sem parágrafos, ocupando cada linha inteira, sem espaços em branco ou rasuras, para evitar fraudes. A fim de ressalvar os erros, durante a redação, usar-se-á a palavra digo; se for constatado erro ou omissão, depois de escrito o texto, usar- se-á a expressão em tempo. Quem redige a ata é o secretário (efetivo do órgão, ou designado ad hoc para a reunião). A ata vai assinada por todos os INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO COMUNICAÇÃO E GESTÃO FINANCEIRA DA SECRETARIA ESCOLAR 72 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 presentes, ou somente pelo presidente e pelo secretário, quando houver registro específico de frequência. Com o advento do computador, as atas têm sido elaboradas e digitadas, para posterior encadernação em livros de ata. Se isto ocorrer, deve ser indicado nos termos de abertura e fechamento, rubricando-se as páginas e mantendo-se os mesmos cuidados referentes às atas manuscritas. Dispensam- se as correções do texto, como indicado anteriormente. No caso de se identificar, posteriormente, algum erro ou imprecisão numa ata, faz-se a ressalva, apresentando nova redação para o trecho. Assim, submetida novamente à aprovação dos presentes, ficará consagrada. O novo texto será exarado na ata do dia em que foi aprovado, mencionando-se a ata e o trecho original. Assim, são partes que compõem uma ATA: O Cabeçalho, onde aparece o número (ordinal) da ata e o nome do órgão que a subscreve. O Texto sem delimitação de parágrafos, que se inicia pela enunciação da data, horário e local de realização da reunião, por extenso, objeto da lavratura da Ata. O Fecho, seguido da assinatura de presidente e secretário, e dos presentes, se for o caso. Em seguida veremos o DESPACHO que é uma modalidade de comunicação que dá andamento a um pedido, de âmbito interno, para prestar informações a respeito de qualquer matéria e para encaminhamento de documento ou informação que tenha finalidade de cumprimento de alguma tarefa ou atividade. Apesar de pouco usual, atualmente, o FAX é uma modalidade de comunicação que, pela velocidade e baixo custo, passou a ser adotada no serviço público, devendo ser utilizado na transmissão e recebimento de assuntos oficiais de urgência e para o envio antecipado de documentos, de cujo conhecimento há premência. Os originais dos documentos oficiais transmitidos por fax devem ser encaminhados posteriormente com o tempo. Outro tipo de documento é o MEMORANDO que é uma modalidade de comunicação eminentemente interna, entre unidades administrativas, podendo ser emitido de acordo com os seguintes critérios: entre unidades de mesma hierarquia; para a chefia imediata; e, para unidades diretamente subordinadas. INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO COMUNICAÇÃO E GESTÃO FINANCEIRA DA SECRETARIA ESCOLAR 73 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 O memorando tem como principal característica a agilidade. A tramitação do memorando em qualquer órgão/unidade deve pautar-se pela simplicidade e rapidez dos procedimentos burocráticos. A numeração sequencial de controle terá início coincidente com o início do exercício. Cada órgão/unidade emitente fará o próprio controle da numeração. O memorando é a modalidade de comunicação entre unidades administrativas de um mesmo órgão, que podem estar hierarquicamente em mesmo nível ou em nível diferente. Trata-se, portanto, de uma forma de comunicação eminentemente interna. Pode ter caráter meramente administrativo, ou ser empregado para a exposição de projetos, ideias, diretrizes, entre outros, a serem adotados por determinado setor do serviço público. Quanto a sua forma, o memorando segue o modelo do padrão ofício, com a diferença de que o seu destinatário deve ser mencionado pelo cargo que ocupa. Outra forma de comunicado é a PAUTA DE UMA REUNIÃO que é a relação dos assuntos a serem tratados em reunião. Deve ser dada a público com antecedência, quando se tratar de assuntos de interesse de terceiros, para que esses possam se manifestar. Dela constarão, também, data, horário e endereço do local em que se realizará a reunião, além do quorum necessário, se for o caso. Noutrossim, temos a PORTARIA que é o ato pelo qual as autoridades competentes (titulares de órgãos) determinam providências de caráter administrativo, visando a estabelecer normas de serviço e procedimentos para o(s) órgão(s), bem como definir situações funcionais e medidas de ordem disciplinar. Mais simples é o RELATO DE REUNIÃO, forma simplificada do relato de fatos e decisões de reuniões para assuntos rotineiros, de procedimento padronizado. Muito utilizado é o OFÍCIO, modalidade de comunicação oficial cuja finalidade é o tratamento de assuntos oficiais entre autoridades de órgãos da Administração Pública, ou entre estas e particulares. Correspondência pela qual se mantém intercâmbio de informações a respeito de assunto técnico ou administrativo, cujo teor tenha caráter INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO COMUNICAÇÃO E GESTÃO FINANCEIRA DA SECRETARIA ESCOLAR 74 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 exclusivamente institucional. São objetos de ofícios as comunicações realizadas entre dirigentes de entidades públicas, podendo ser também dirigidos a entidade particular, composto por Título abreviado - Of.-, acompanhado da sigla do órgão expedidor, sua esfera administrativa e numeração, à esquerda da página; Local e data, por extenso, à direita da página, na mesma linha do título; Endereçamento (alinhado à esquerda): nome do destinatário, precedido da forma de tratamento, e o endereço; Vocativo: a palavra Senhor(a), seguida do cargo do destinatário e de vírgula; Texto paragrafado, com a exposição do(s) assunto(s) e o objetivo do Ofício; Fecho de cortesia, expresso por advérbios: Atenciosamente, Cordialmente ou Respeitosamente; Assinatura, nome e cargo do emitente do Ofício. Em seguida temos o RELATÓRIO que é um documento em que se expõem ou se relatam atos e fatos sobre determinado assunto para a descrição de atividades concernentes a serviços específicos ou inerentes ao exercício do cargo. Deve ser conciso, claro e objetivo e com descrição das medidas adotadas. Outro tipo de documento é o ATESTADO, firmado por servidor em razão do cargo que ocupa, ou função que exerce, declarando um fato existente, do qual tem conhecimento, a favor de uma pessoa, é composto de: Título (a palavra ATESTADO), em letras maiúsculas e centralizado sobre o texto; Texto constante de um parágrafo, indicando a quem se refere,o número de matrícula e a lotação, caso seja servidor, e a matéria do Atestado; Local e data, por extenso; Assinatura, nome e cargo da chefia que expede o Atestado. Já a AUTORIZAÇÃO é o ato administrativo ou particular que permite ao pretendente realizar atividades ou utilizar determinado bem fora das rotinas estabelecidas. Forma de comunicação externa dirigida a pessoa (física ou jurídica) estranha à administração pública, a CARTA é utilizada para fazer solicitações, convites, externar agradecimentos, ou transmitir informações, devendo conter as seguintes partes: Local e data, por extenso, à esquerda da página. Endereçamento (alinhado à esquerda): nome do destinatário, precedido da forma de tratamento, e o endereço. Vocativo: a palavra Senhor (a), seguida do cargo do destinatário, e de vírgula. Texto paragrafado, com a exposição do(s) INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO COMUNICAÇÃO E GESTÃO FINANCEIRA DA SECRETARIA ESCOLAR 75 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 assunto(s) e o objetivo da carta. Fecho de cortesia, seguido de advérbio adequado: Cordialmente, Atenciosamente, ou Respeitosamente. Assinatura, nome e cargo do emitente da carta. Já a CERTIDÃO é uma declaração feita por escrito, objetivando comprovar ato ou assentamento constante de processo, livro ou documento que se encontre em repartições públicas. Podem ser de inteiro teor – transcrição integral, também chamada traslado – ou resumidas, desde que exprimam fielmente o conteúdo do original. Certidões autenticadas têm o mesmo valor probatório do original e seu fornecimento, gratuito por parte da repartição pública, é obrigação constitucional (Const. Fed. 1988, art. 5º, XXXIV, b). Temos também o CONTRATO que é o acordo de vontades firmado pelas partes objetivando criar direitos e obrigações recíprocas. Tratando-se de negócio jurídico bilateral ou plurilateral, pressupõe o consenso, capacidade das partes (contratantes), objetivo lícito e vontade sem vício. Já o acordo firmado por entidades públicas de qualquer espécie, ou entre estas e entidades particulares, para realização de objetivos de interesse comum dos partícipes é o CONVÊNIO, que é um acordo, mas não é um contrato. No convênio, a posição jurídica dos signatários é uma só, idêntica para todos, podendo haver apenas diversidade na forma de cooperação de cada um, segundo suas possibilidades, para a consecução do objetivo comum. No Convênio, os signatários são chamados de partícipes, pois manifestam pretensões comuns (união de esforços e recursos). Já o DECRETO é um Ato administrativo destinado a prover situações gerais e individuais, abstratamente previstas de modo expresso, ou implícito na lei. São da competência exclusiva dos chefes do Executivo. O Decreto pode ser: - regulamentar, visando a explicar a lei e a facilitar a sua execução; - individual ou coletivo, relacionando-se a situações funcionais. Com relação à DELIBERAÇÃO, esta é uma espécie do gênero ato administrativo normativo ou decisório praticado pelo órgão colegiado, composta por: Título (a palavra DELIBERAÇÃO), com a sigla do órgão emitente e o número (à esquerda), e a data por extenso (à direita) em letras maiúsculas, na mesma linha. Ementa da matéria da Deliberação, em letras maiúsculas, à INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO COMUNICAÇÃO E GESTÃO FINANCEIRA DA SECRETARIA ESCOLAR 76 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 direita da página. Preâmbulo, seguido da fundamentação e da palavra DELIBERA, alinhada à esquerda, seguida de dois pontos. Texto: exposição do conteúdo da Deliberação, distribuído em artigos, parágrafos e alíneas. Local e data, por extenso. Assinatura, nome e cargo da autoridade que expede a Deliberação. Outro instrumento muito utilizado é o EDITAL, pelo qual a Administração dá conhecimento ao público sobre: licitações, concursos públicos, atos deliberativos, entre outros. Um edital é composto de: Título (a palavra EDITAL, em letras maiúsculas, em negrito e centralizada sobre o texto). CITAÇÃO DO OBJETO DO EDITAL em letras maiúsculas, em negrito alinhado à esquerda. Preâmbulo: parte introdutória, apresentando o assunto e a identificação do órgão responsável. Texto: parte fundamental do edital que define o objeto e estabelece as condições de participação. Fecho: encerramento do edital, com as determinações finais sobre sua divulgação. Local e data por extenso. Assinatura e cargo da autoridade responsável. Também pertencentes à Redação Técnica, o REQUERIMENTO é um instrumento utilizado para os mais diferentes tipos de solicitações às autoridades ou órgãos públicos. GESTÃO DEMOCRÁTICA E FINANCEIRA DA SECRETARIA ESCOLAR No cenário educacional contemporâneo a questão da gestão democrática tem sido alvo de grandes debates, principalmente, na escola pública que muitas vezes interioriza uma gestão pautada no conservadorismo e tradicionalismo. A escola vista como uma organização social, cultural e humana requer que cada sujeito envolvido tenha o seu papel definido num processo de participação efetiva para o desenvolvimento das propostas a serem executadas. Neste contexto, o gestor é um dos principais responsáveis pela execução de uma política que promova o atendimento às necessidades e anseios dos que fazem a comunidade escolar. INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO COMUNICAÇÃO E GESTÃO FINANCEIRA DA SECRETARIA ESCOLAR 77 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 Partindo desse princípio, a escola precisa rever o papel do gestor escolar no sentido de promover a gestão democrática como prática mediadora do trabalho pedagógico. A gestão democrática pressupõe a participação efetiva dos vários segmentos da comunidade escolar – pais, professores, estudantes e funcionários – em todos os aspectos da organização da escola. Esta participação incide diretamente nas mais diferentes etapas da gestão escolar (planejamento, implementação e avaliação) seja no que diz respeito à construção do projeto e processos pedagógicos quanto às questões de natureza burocrática. Esta perspectiva de gestão está amplamente amparada pela legislação brasileira. A Constituição Federal de 1988 aponta a gestão democrática como um dos princípios para a educação brasileira e ela é regulamentada por leis complementares como a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) e o Plano Nacional da Educação, em seu artigo 22. Nesse sentido, é fundamental compreender a questão da gestão democrática para além do seu aspecto conceitual. Não se trata apenas de uma concepção de sociedade que prima pela democracia como princípio fundamental, mas do entendimento de que a democratização da gestão é condição estruturante para a qualidade e efetividade da educação, na medida em que possibilita que a escola crie vínculos com a comunidade onde está inserida, paute seu currículo na realidade local – conferindo sentido a proposta pedagógica – e envolva os diferentes agentes em uma proposta corresponsabilidade pela aprendizagem e desenvolvimentos dos estudantes. Este processo implica inclusive no envolvimento dos próprios estudantes, tendo a experiência e o direito à participação como elemento fundamental para o seu pleno desenvolvimento. Em sendo, para que a gestão democrática aconteça é fundamental criar processos e instâncias deliberativas que a viabilizem. Nessa perspectiva, o modelo tradicional de organização da escola ainda é um grande obstáculo, conferindo ao diretor ou equipe diretiva as prerrogativas de decisão sobre a escola, e sua comunidade. Mesmo com a existência de legislações que amparem a construção de uma gestão descentralizada, é preciso que a própria INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO COMUNICAÇÃO E GESTÃO FINANCEIRA DA SECRETARIA ESCOLAR 78 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 instituição escolar transformesua cultura na perspectiva do diálogo igualitário, da horizontalidade e do equilíbrio entre as forças que compõem a comunidade escolar. Isto porque, a gestão democrática constitui-se, por meio do Conselho Escolar, de participação de todos, setor pedagógico e setor administrativo, alunos e comunidade. Foi garantida na Constituição Federal de 1988, promulgada em 1989 e regulamentada em 1992. Noutrossim, a gestão democrática e participativa tem como finalidade oferecer vantagens para a escola em todos os seus aspectos (pedagógicos, administrativos, financeiros) e para a comunidade que participa da gestão, e sendo uma política, iniciaremos nossos estudos justamente por apresentar e discutir, mesmo que em linhas gerais, as origens da política pública e o caminho percorrido até chegarmos aos programas no planejamento governamental, bem como a avaliação das políticas e programas. Em sendo, revisitaremos alguns elementos que nos farão crescer no entendimento acerca da importância da participação dos secretários no processo de gestão democrática da escola que são justamente a democratização da educação básica. Os elementos, os instrumentos e as estratégias da gestão democrática, como funciona o financiamento da educação e a gestão financeira da escola que perpassa necessariamente pelas fontes de recursos e o FUNDEB, aí sim, estaremos aptos para entendermos a prática social da educação, como se planeja, como construir o conhecimento na escola e o instrumento que permite tudo isso: o Projeto Político-Pedagógico (PPP). Para tanto, veremos os diversos programas do governo federal como, por exemplo, Programa Dinheiro Direto na Escola (PDDE); Programa Nacional do Livro Didático (PNLD); Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE); que vieram contribuir para o caminhamento da gestão democrática. Não nos esquecemos dos Conselhos de Classe, Conselho Escolar, Grêmio Estudantil, Associação de Pais e Mestres, Conselho Tutelar, uma vez que temos a participação bem ativa e direta dos secretários(as) escolares nas reuniões, seja organizando, participando ou direcionando as decisões das mesmas. INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO COMUNICAÇÃO E GESTÃO FINANCEIRA DA SECRETARIA ESCOLAR 79 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 Gracindo (2007) ao apresentar o módulo 11 do Curso Técnico de Formação para os funcionários da Educação “Gestão Democrática nos sistemas e na escola” reforça que todos nós, enquanto participantes do processo educativo, devemos compreender que a ação de cada um dos funcionários na escola (seja do corpo pedagógico ou administrativo) é, sobretudo, uma ação educativa e que devemos nos envolver na prática social da educação. Quanto mais conscientes estivermos de nosso papel, maiores serão as possibilidades de construirmos uma escola inclusiva, democrática e de qualidade para todos os brasileiros. Imprimir uma nova filosofia de gestão implica na ruptura de paradigmas tradicionais e automaticamente nos leva a questionar sobre os aspectos relacionados à gestão democrática que supostamente vem sendo adotada em algumas escolas da rede pública de ensino no Brasil. Há pessoas trabalhando na escola, especialmente em postos de direção, que se dizem democratas apenas porque são “liberais” com alunos, professores, funcionários ou pais, porque lhes “dão abertura” ou “permitem” que tomem parte desta ou daquela decisão. Mas o que esse discurso parece não conseguir encobrir totalmente é que, se a participação depende de alguém que dá abertura ou permite sua manifestação, então a prática em que tem lugar essa participação não pode ser considerada democrática, pois democracia não se concede, se realiza: não pode existir “ditador democrático”. (PARO, 2001, pp. 18-19). INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO COMUNICAÇÃO E GESTÃO FINANCEIRA DA SECRETARIA ESCOLAR 80 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 A EDUCAÇÃO, AS POLÍTICAS PÚBLICAS E OS PROGRAMAS GOVERNAMENTAIS As políticas públicas, enquanto área de conhecimento e disciplina acadêmica nasceu nos EUA, rompendo ou pulando as etapas seguidas pela tradição europeia de estudos e pesquisas nessa área, que se concentravam, então, mais na análise sobre o Estado e suas instituições do que na produção dos governos. Assim, na Europa, a área de política pública vai surgir como um desdobramento dos trabalhos baseados em teorias explicativas sobre o papel do Estado e de uma das mais importantes instituições do Estado – o governo –, produtor, por excelência, de políticas públicas. Nos EUA, ao contrário, a área surgiu no mundo acadêmico sem estabelecer relações com as bases teóricas sobre o papel do Estado, passando direto para a ênfase nos estudos sobre a ação dos governos. O pressuposto analítico que regeu a constituição e a consolidação dos estudos sobre políticas públicas é o de que, em democracias estáveis, aquilo que o governo faz ou deixa de fazer é passível de ser (a) formulado cientificamente e (b) analisado por pesquisadores independentes. A trajetória da disciplina, que nasce como subárea da ciência política, abre o terceiro grande caminho trilhado pela ciência política norte-americana no que se refere ao estudo do mundo público. O primeiro, seguindo a tradição de Madison, cético da natureza humana, focalizava o estudo das instituições, consideradas fundamentais para limitar a tirania e as paixões inerentes à natureza humana. O segundo caminho seguiu a tradição de Paine e Tocqueville, que viam, nas organizações locais, a virtude cívica para promover o “bom” governo. O terceiro caminho foi o das políticas públicas como um ramo da ciência política para entender como e por que os governos optam por determinadas ações. Na área do governo propriamente dito, a introdução da política pública como ferramenta das decisões do governo é produto da Guerra Fria e da valorização da tecnocracia como forma de enfrentar suas consequências. INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO COMUNICAÇÃO E GESTÃO FINANCEIRA DA SECRETARIA ESCOLAR 81 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 Seu introdutor no governo dos EUA foi Robert McNamara que estimulou a criação, em 1948, da RAND Corporation, organização não- governamental financiada por recursos públicos e considerada a precursora dos think tanks. (O conceito de think tank faz referência a uma instituição dedicada a produzir e difundir conhecimentos e estratégias sobre assuntos vitais – sejam eles políticos, econômicos ou científicos. Assuntos sobre os quais, nas suas instâncias habituais de elaboração (estados, associações de classe, empresas ou universidades), os cidadãos não encontram facilmente insumos para pensar a realidade de forma inovadora. Os think tanks, portanto, não fazem o menor sentido em sociedades tradicionais, onde os problemas e as soluções são sempre os mesmos por definição. Nas sociedades modernas e cada vez mais complexas, porém, há a necessidade de espaços que reúnam pessoas de destaque, com autonomia suficiente para se atreverem a contestar criativamente as tendências dominantes, especialmente quando elas se tornam anacrônicas). O trabalho do grupo de matemáticos, cientistas políticos, analistas de sistema, engenheiros, sociólogos, entre outros, influenciados pela teoria dos jogos4 de Neuman, buscava mostrar como uma guerra poderia ser conduzida como um jogo racional. A proposta de aplicação de métodos científicos às formulações e às decisões do governo sobre problemas públicos se expande depois para outras áreas da produção governamental, inclusive para a política social (SOUZA, 2006). Ainda falando um pouco mais sobre essa origem americana, a mesma autora acima cita quatro grandes fundadores do conceito. Nos idos de 1930, H. Laswell introduz a expressão policy analysis (análise de política pública), como forma deconciliar conhecimento científico/ acadêmico com a produção empírica dos governos e também como forma de estabelecer o diálogo entre cientistas sociais, grupos de interesse e governo. 4 A teoria dos jogos é uma teoria matemática criada para se modelar fenômenos que podem ser observados quando dois ou mais “agentes de decisão” interagem entre si. Ela fornece a linguagem para a descrição de processos de decisão conscientes e objetivos envolvendo mais do que um indivíduo. A teoria dos jogos é usada para se estudar assuntos tais como eleições, leilões, balança de poder, evolução genética, entre outros. Ela é também uma teoria matemática pura, que pode e tem sido estudada como tal, sem a necessidade de relacioná-la com problemas comportamentais ou jogos per se. INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO COMUNICAÇÃO E GESTÃO FINANCEIRA DA SECRETARIA ESCOLAR 82 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 H.Simon (1957) introduziu o conceito de racionalidade limitada dos decisores públicos (policy makers), argumentando, todavia, que a limitação da racionalidade poderia ser minimizada pelo conhecimento racional. Para Simon, a racionalidade dos decisores públicos é sempre limitada por problemas, tais como informação incompleta ou imperfeita, tempo para a tomada de decisão, autointeresse dos decisores, entre outros, mas a racionalidade, segundo Simon, pode ser maximizada até um ponto satisfatório pela criação de estruturas (conjunto de regras e incentivos) que enquadre o comportamento dos atores e modele esse comportamento na direção de resultados desejados, impedindo, inclusive, a busca de maximização de interesses próprios. Lindblom (1959; 1979) questionou a ênfase no racionalismo de Laswell e Simon e propôs a incorporação de outras variáveis à formulação e à análise de políticas públicas, tais como as relações de poder e a integração entre as diferentes fases do processo decisório, o que não teria necessariamente um fim ou um princípio. Daí por que as políticas públicas precisariam incorporar outros elementos à sua formulação e à sua análise além das questões de racionalidade, tais como o papel das eleições, das burocracias, dos partidos e dos grupos de interesse. Easton (1965) contribuiu para a área ao definir a política pública como um sistema, ou seja, como uma relação entre formulação, resultados e o ambiente. Segundo Easton, políticas públicas recebem inputs dos partidos, da mídia e dos grupos de interesse, que influenciam seus resultados e efeitos. POLÍTICAS PÚBLICAS NO ESTADO DE BEM-ESTAR SOCIAL Em linhas gerais, se analisarmos ao “pé da letra”, bem-estar social seria exatamente ter qualidade de vida, ou seja, um estado que reúne um conjunto de fatores que levam o sujeito a ter uma existência tranquila e viver com satisfação. O bem-estar social engloba, portanto, as coisas que incidem de forma positiva na qualidade de vida: um emprego digno, recursos econômicos para satisfazer as necessidades, um lar para viver, acesso à educação e a saúde, tempo para o lazer, entre outros. Apesar de a noção de bem-estar ser subjetiva INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO COMUNICAÇÃO E GESTÃO FINANCEIRA DA SECRETARIA ESCOLAR 83 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 (aquilo que é bom/favorável para uma pessoa pode não sê-lo para outra), o bem-estar social está associado a fatores econômicos objetivos. O Estado do Bem-Estar Social surgiu em resposta à Grande Depressão, iniciada em 1929 quando aconteceu o “Crash” da Bolsa de Valores de Nova York, crise esta, que se estendeu por quase toda a década de 1930, afetando vários países além dos Estados Unidos. As principais consequências dessa crise foram altos índices de desemprego e uma queda acentuada no Produto. Em resposta à depressão, os Estados Unidos buscou estabilizar o nível da atividade econômica e aprovou uma legislação destinada a atenuar vários dos problemas específicos: seguro-desemprego, seguridade social, seguro federal para os depositantes, programas federais destinados a suportar preços da agricultura e um conjunto de outros programas visando diversos objetivos econômicos e sociais. O conjunto destes programas ficou conhecido como “New Deal”. Nesta época, o Estado passou a intervir intensa e diretamente na economia por meio das suas empresas estatais. No Estado de Bem-Estar, também chamado de Estado-providência (Welfare State) ou ainda Estado Social, o Estado é forte: presta muitos serviços públicos, atua combatendo a pobreza, e também subsidiando empresas (subsídios incluem construir hidrelétricas, telecomunicações e petroleiras para melhorar o sistema). Nesta orientação, o Estado de Bem-Estar intervém na economia e na Sociedade com o fim de estimular o desenvolvimento e proporcionar, com mecanismos reguladores e de Seguridade Social, condições de vida mínimas à grande maioria da população (CRUZ, 2001). O surgimento do Estado de bem-estar social pressupôs a garantia de materializar direitos como a vida, a saúde e a alimentação. A partir deste momento, o caráter assistencial e de caridade começa a desaparecer e os benefícios começam a serem percebidos como direitos da cidadania. Mas, neste período, estes direitos ainda eram considerados como dádivas provenientes de um Estado bom (FREIRE Jr, 2005). Como o Estado de bem-estar não se manteve e o sistema capitalista não sustenta a possibilidade do provimento de todos os direitos sociais, INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO COMUNICAÇÃO E GESTÃO FINANCEIRA DA SECRETARIA ESCOLAR 84 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 fortaleceu-se o estado mínimo aos direitos da população. Neste meio em que promessas não são cumpridas, surge o Estado Democrático de Direito, que busca a efetivação da Constituição, num caráter mais dinâmico e aberto, visando o pleno desenvolvimento humano (FREIRE Jr, 2005). Como afirma Batista et al. (2008, p. 11), as políticas promovidas pelos Estados de Bem-Estar Social no pós-guerra levaram a uma melhoria considerável das condições de vida e de trabalho, contribuindo para o aumento progressivo da expectativa de vida de suas populações. Segundo Oliveira, Scortegagna e Oliveira (2010), como neste contexto globalizado atual, o sistema capitalista encontra novas formas de excluir, surge então, a necessidade de políticas que garantam direitos elementares. Entretanto, as políticas não se formulam aquém da globalização, assim, cabe pensar se realmente as políticas estão incluindo os excluídos. Garantir, por exemplo, o direito ao voto representa realmente um real Estado Democrático de Direito ou a obrigatoriedade sobrepõe a consciência e camufla os interesses do Estado? Sendo assim, torna-se imprescindível pensar o que atualmente representam as políticas públicas, pois estas são permeadas pelas contradições entre a reprodução do capital e as demandas sociais. Para Bucci (2002, p. 241), as políticas públicas são “programas de ação governamental visando a coordenar os meios à disposição do estado e as atividades privadas, para a realização de objetivos relevantes e politicamente determinados”. Freire Jr (2005, p. 48) complementa e afirma que “as políticas públicas são os meios necessários para a efetivação dos direitos fundamentais, uma vez que pouco vale o mero reconhecimento formal de direitos se ele não vem acompanhado de instrumentos para efetivá-los”. Pois bem, quando pensamos em efetivação dos direitos para uma parcela da população que está marginalizada podemos pensar em idosos e negros. Frise-se que esses são somente dois núcleos que lembramos de pronto, mas existem muitos outros segmentos na nossa sociedade que estão excluídos. INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO COMUNICAÇÃO E GESTÃO FINANCEIRA DA SECRETARIA ESCOLAR 85 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 POLÍTICASPÚBLICAS PARA AS MINORIAS Se tomarmos as minorias como referência e/ou exemplo, a explicação de Oliveira (2012) cai como uma luva para iniciarmos as reflexões sobre políticas públicas com foco neste segmento. Política pública é uma expressão que visa definir uma situação específica da política. A melhor forma de compreendermos essa definição é partirmos do que cada palavra, separadamente, significa. Política é uma palavra de origem grega, politikó, que exprime a condição de participação da pessoa que é livre nas decisões sobre os rumos da cidade, a pólis. Já a palavra pública é de origem latina, publica, e significa povo, do povo. Assim, política pública, do ponto de vista etimológico, refere-se à participação do povo nas decisões da cidade, do território. Porém, historicamente, essa participação assumiu feições distintas, no tempo e no lugar, podendo ter acontecido de forma direta ou indireta (por representação). De todo modo, um agente sempre foi fundamental no acontecimento da política pública: o Estado. Souza (2006, p. 24) cita o conceito segundo alguns estudiosos estrangeiros que valem ser reproduzidos: Política pública é a soma das atividades dos governos, que agem diretamente ou através de delegação, e que influenciam a vida dos cidadãos (PETERS, 1986). Política pública é o que o governo escolhe fazer ou não fazer (DYE, 1984). Para Laswell, decisões e análises sobre política pública implicam responder às seguintes questões: quem ganha o quê, por quê e que diferença faz. Embasando teoricamente em várias outras definições, Souza (2006, p. 26; 2013, p. 13) define política pública como campo do conhecimento que busca, ao mesmo tempo, “colocar o governo em ação” e/ou analisar essa ação (variável independente) e, quando necessário, propor mudanças no rumo ou curso dessas ações e/ou entender por que e como as ações tomaram certo rumo em lugar de outro (variável dependente). Em outras palavras, o processo de formulação de política pública é aquele através do qual os governos traduzem seus propósitos em programas e ações, que produzirão resultados ou as mudanças desejadas no mundo real. INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO COMUNICAÇÃO E GESTÃO FINANCEIRA DA SECRETARIA ESCOLAR 86 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 Concordamos com Oliveira (2012), que apesar da contribuição de Souza para a definição de políticas públicas, entende-se que o melhor termo que o define, por conta de seu caráter didático, é o desenvolvido por Azevedo (2003, p. 38): “política pública é tudo o que um governo faz e deixa de fazer, com todos os impactos de suas ações e de suas omissões”. O primeiro destaque a se fazer com relação a essa definição dada por Azevedo é de que política pública é coisa para o governo. A sua definição é clara nesse sentido. Isso quer dizer que a sociedade civil, ou melhor, o povo, não é responsável direto e nem agente implementador de políticas públicas. No entanto, a sociedade civil, o povo, faz política, como bem afirmou Foucault (1979): todas as pessoas fazem política, todos os dias, e até consigo mesmas! Isso seria possível na medida em que, diante de conflitos, as pessoas precisam decidir, sejam esses conflitos de caráter social ou pessoal, subjetivo. Socialmente, a política, ou seja, a decisão mediante o choque de interesses desenha as formas de organização dos grupos, sejam eles econômicos, étnicos, de gênero, culturais, religiosos, entre outros. A organização social é fundamental para que decisões coletivas sejam favoráveis aos interesses do grupo. Sobre a construção do conceito de políticas públicas, cabe ressaltar a importância dos grupos de interesse, organizados socialmente, os quais traçam estratégias políticas para pressionaram o governo a fim de que políticas públicas sejam tomadas em seu favor. As políticas públicas têm sua importância, entretanto não podem ser consideradas como a solidariedade ou dádivas de um estado bom em prol do bem-estar de toda população, por meio de um discurso caridoso e evasivo. Estas políticas não podem ser estruturadas apenas como meios de promoção política e discurso eleitoreiro. Devem ser formuladas e implementadas segundo as necessidades reais da população. Não cabe dizer que as políticas públicas são boas ou ruins, mas é preciso apontar limitações e que estas irão se efetivar garantindo direitos para toda população a partir do momento em que haja movimentos sociais em prol da garantia da cidadania, além de melhores condições de vida e sobrevivência. INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO COMUNICAÇÃO E GESTÃO FINANCEIRA DA SECRETARIA ESCOLAR 87 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 Em sendo, “a cidadania se constrói com a universalidade de direitos. Direito ao trabalho, direito à saúde, direito à assistência social, direito à educação, direito à aposentadoria e à pensão” (COBAP, 2007, p. 8). O CICLO DAS POLÍTICAS PÚBLICAS O ciclo de uma política pública ou também conhecido como elaboração da política pública, na verdade é um esquema de visualização e intepretação que organiza a vida de uma política pública em fases sequenciais e independentes. O ciclo é constituído dos seguintes estágios (alguns autores incluem outras fases, mas estas são as básicas e essenciais): identificação do problema; formação da agenda; formulação de alternativas; tomada de decisão; implementação; avaliação e extinção (SARAIVA; FERARREZI, 2006; SOUZA, 2006). Um problema é a discrepância entre o status quo e uma situação ideal possível. Um problema público é a diferença entre o que é e aquilo que se gostaria que fosse a realidade pública. Um problema público pode aparecer subitamente, por exemplo, uma catástrofe natural que afete a vida de pessoas de determinada região. Um problema público também pode ganhar importância aos poucos, como o congestionamento nas cidades ou a progressiva burocratização de procedimentos e serviços públicos. Um problema público pode estar presente por muito tempo, mas não receber suficiente atenção porque a coletividade aprendeu a conviver com ele, como o caso da favelização das periferias das grandes cidades. Um problema nem sempre é reflexo da deterioração de uma situação de determinado contexto, mas sim de melhora da situação em outro contexto. Por exemplo, a falta de acesso pavimentado de um pequeno município à malha viária estadual passa a ser percebida como um problema relevante a partir do momento em que o município vizinho é contemplado com esse tipo de obra. Às vezes, se meu vizinho compra um carro novo, eu começo a perceber meu carro como velho. A incorporação de problemas na agenda dos governos, ponto de partida para a elaboração de propostas de políticas públicas e de ação INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO COMUNICAÇÃO E GESTÃO FINANCEIRA DA SECRETARIA ESCOLAR 88 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 governamental, envolve uma série de etapas que têm início com o “acatamento” de um assunto pelo governo, podendo-se identificar, assim, a forma como ele chega ao debate público (COSTA; MELO, 1998) e como captura a atenção dos elaboradores da política (definição da agenda), daí gerando opções de política pública. Em seguida, torna-se necessária a legitimação da decisão, momento no qual se busca apoio político dos atores envolvidos com a política pública, para a obtenção da sua aprovação. Finalmente, implementa-se a política formulada, através da operacionalização em programas e projetos pelas áreas competentes (PINTO, 2008). De acordo com Souza (2006), esta abordagem enfatiza sobremodo a definição de agenda (agenda setting) e pergunta por que algumas questões entram na agenda política, enquanto outras são ignoradas. Algumas vertentes do ciclo da política pública focalizam mais os participantes do processo decisório, e outras, o processode formulação da política pública. Cada participante e cada processo pode atuar como um incentivo ou como um ponto de veto. À pergunta de como os governos definem suas agendas, são dados três tipos de respostas. A primeira focaliza os problemas, isto é, problemas entram na agenda quando assumimos que devemos fazer algo sobre eles. O reconhecimento e a definição dos problemas afeta os resultados da agenda. A segunda resposta focaliza a política propriamente dita, ou seja, como se constrói a consciência coletiva sobre a necessidade de se enfrentar um dado problema. Essa construção se daria via processo eleitoral; via mudanças nos partidos que governam ou via mudanças nas ideologias (ou na forma de ver o mundo), aliados à força ou à fraqueza dos grupos de interesse. Segundo esta visão, a construção de uma consciência coletiva sobre determinado problema é fator poderoso e determinante na definição da agenda. Quando o ponto de partida da política pública é dado pela política, o consenso é construído mais por barganha do que por persuasão, ao passo que, quando o ponto de partida da política pública encontra-se no problema a ser enfrentado, dá-se o processo contrário, ou seja, a persuasão é a forma para a construção do consenso. INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO COMUNICAÇÃO E GESTÃO FINANCEIRA DA SECRETARIA ESCOLAR 89 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 A terceira resposta focaliza os participantes, que são classificados como visíveis, ou seja, políticos, mídia, partidos, grupos de pressão, entre outros, e invisíveis, tais como acadêmicos e burocracia. Segundo esta perspectiva, os participantes visíveis definem a agenda e os invisíveis, as alternativas. A literatura do ciclo de política tem adquirido progressiva importância nos estudos sobre a elaboração da política pública. Vários trabalhos mencionados por Vianna (1996) indicam a evolução dos estágios de desenvolvimento dessas políticas. Ainda sobre as fases ou etapas que compõem o processo, Kingdon (1994) e Kelly e Palumbo (1992) citados por Pinto (2008) explicam melhor essas fases: Determinação da agenda, onde a dinâmica da definição do problema é questão essencial para a compreensão da política pública. Formulação e legitimação da política (seleção de proposta, construção de apoio político, formalização em lei). Implementação de políticas (operacionalização da política em planos, programas e projetos no âmbito da burocracia pública e sua execução). Avaliação de políticas (relato dos resultados alcançados com a implementação das propostas e programas de governo, avaliação dos impactos dos programas e sugestão de mudanças). De acordo com a teoria do ciclo da política pública, o caminho seguido começa com a elaboração de uma agenda, onde interesses e propostas são colocados na “mesa” de negociações, definindo-se preferências que são adaptadas ao projeto político governamental, seguido das etapas de formulação de propostas, escolha de alternativas e implementação das políticas públicas. As explicações acerca da incorporação de determinado item, na agenda do governo, estão baseadas nas perspectivas pluralista ou elitista. Na primeira perspectiva, pluralista, os itens da agenda provêm de fora do governo e de uma série de grupos de interesse, sendo que as questões podem alcançar a agenda, através da mobilização de grupos relevantes. Na segunda, elitista, a explicação privilegia o entendimento de que há um tipo de estabelecimento fechado dentro da determinação da agenda pelo governo, que opera através INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO COMUNICAÇÃO E GESTÃO FINANCEIRA DA SECRETARIA ESCOLAR 90 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 da difusão de ideias nos círculos profissionais e entre as elites que decidem ou influenciam a política pública (LUKES, 1976 apud PINTO, 2008). Os partidos políticos, os agentes políticos e as organizações não governamentais são alguns dos atores que se preocupam constantemente em identificar problemas públicos. Do ponto de vista racional, esses atores encaram o problema público como matéria-prima de trabalho. Um político encontra nos problemas públicos uma oportunidade para demonstrar seu trabalho ou, ainda, uma justificativa para a sua existência. A partir do momento em que uma espécie da fauna entra em extinção, e isso vem a conhecimento público, surge a oportunidade de criação de uma entidade de defesa daquela espécie. A partir do momento em que um produto importado começa a atrapalhar um setor industrial, surge a oportunidade política de defender os interesses desse setor industrial. Se um problema é identificado por algum ator político, e esse ator tem interesse na resolução de tal problema, este poderá então lutar para que tal problema entre na lista de prioridades de atuação. Essa lista de prioridades é conhecida como agenda. Segundo Pinto (2008), no âmbito dos atores governamentais, pode-se distinguir o grupo da chamada Administração Central, que envolve uma combinação de três atores: o próprio chefe do Executivo, isto é, a autoridade máxima do nível de governo que se esteja considerando; o staff do gabinete executivo do governo e, por último, os dirigentes e assessores nomeados, em função de sua vinculação política ao governante. Esse grupo estabelece as prioridades do processo de construção da agenda, determinam os itens da agenda, decidindo acerca das questões fundamentais no desenvolvimento do processo de formulação das políticas públicas. Os burocratas, isto é, os servidores públicos de carreira, por sua vez, não são considerados por Kingdon tão influentes na determinação da agenda, tendo, no entanto, um impacto maior na especificação de alternativas de solução aos problemas incluídos no debate político. Seu poder, geralmente, manifesta-se no momento da implementação das políticas. As críticas em relação à abordagem da política pública como um ciclo baseiam-se no fato de que a descrição do processo é sequencial e ordenada, INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO COMUNICAÇÃO E GESTÃO FINANCEIRA DA SECRETARIA ESCOLAR 91 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 pressupondo-se que todas as alternativas são cuidadosamente discutidas para o alcance dos objetivos (modelo racional-abrangente), quando, na prática, a elaboração da política é complexa e interativa. Kingdon (1994 apud PINTO, 2008) acrescenta às limitações da perspectiva incrementalista que pressupõe que as mudanças se dão de forma gradual, a partir da incorporação de pequenas alterações, nas políticas e nos programas, uma crítica do caráter incremental do processo. Nesse sentido, ressalta que a determinação das agendas tem mostrado uma grande quantidade de mudança não incremental. Enfim, Souza (2013) explica vários modelos teóricos para o ciclo das políticas públicas. Aqui apresentaremos os principais modelos de política pública: a política pública permite distinguir entre o que o governo pretende fazer e o que, de fato, faz; a política pública envolve vários atores e níveis de decisão, embora seja materializada através dos governos, e não necessariamente se restringe a participantes formais, já que os informais são também importantes; a política pública é abrangente e não se limita a leis e regras; a política pública é uma ação intencional, com objetivos a serem alcançados; a política pública, embora tenha impactos no curto prazo, é uma política de longo prazo; a política pública envolve processos subsequentes após sua decisão e proposição, ou seja, implica também implementação, execução e avaliação. O PROGRAMA NO PLANEJAMENTO GOVERNAMENTAL De acordo com o sítio na internet do Governo do Distrito Federal (GDF), programas de governo são políticas públicas, principal instrumento que os governos utilizam para promover a integração entre governo e os setores paraotimizar seus recursos, sejam eles financeiros, humanos, logísticos ou materiais. Programa de Governo também pode ser entendido como o conjunto de Compromissos estabelecidos com a sociedade, sob os quais a candidatura será avaliada e que estabelece o patamar inicial sobre o qual é estabelecida a relação com o cidadão (ã) tanto para o exercício da Participação direta quanto INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO COMUNICAÇÃO E GESTÃO FINANCEIRA DA SECRETARIA ESCOLAR 92 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 do Controle Social, na perspectiva de fazer com que as políticas de Governo sejam consolidadas como Políticas Públicas, de fato. Se pensarmos em planejamento governamental, o qual é desenvolvido em níveis que se integram e sincronizam os planos, o programa será um dos seus níveis, a saber: diretriz – conjunto de critérios de ação e de decisão que deve disciplinar e orientar os diversos aspectos envolvidos no processo de planejamento. Trata-se de um nível mais abstrato onde ocorre a formulação geral do objetivo; objetivo – indica os resultados que a administração pretende alcançar com a realização das ações governamentais; metas – é a especificação e a quantificação física dos objetivos estabelecidos; programa – corresponde às ações que resultam em serviços prestados à comunidade, passíveis de quantificação. Elevando o pensamento para a área de planejamento e orçamento público, o Orçamento-Programa é entendido como uma etapa do planejamento e compreende os seguintes aspectos: instrumento de ação administrativa para execução dos planos de longo, médio e curtos prazos; previsão das receitas e fixação das despesas com o objetivo de atender às necessidades coletivas definidas no programa de Ação do Governo; instrumento de aferição e controle da autoridade e da responsabilidade dos órgãos e agentes da administração orçamentária e financeira, permitindo, igualmente, avaliar a execução dos programas de trabalho do Governo. Nesse sentido, de componente de um sistema integrado de gerência, o orçamento-programa é entendido como uma das etapas do planejamento e foi adotado na esfera federal pela Lei nº 4.320/64. Segundo Silva (2002), identificam-se na elaboração de um orçamento- programa, algumas fases nítidas e necessárias, quais sejam: Determinação da situação – identificação dos problemas existentes. Diagnóstico da situação – identificação das causas que concorrem para o aparecimento dos problemas. Apresentação das soluções – identificação das alternativas viáveis para solucionar os problemas. Estabelecimento das prioridades – ordenamento das soluções encontradas. Definição dos objetivos – estabelecimento do que se pretende fazer e o que se conseguirá com isso. Determinação das tarefas – INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO COMUNICAÇÃO E GESTÃO FINANCEIRA DA SECRETARIA ESCOLAR 93 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 identificação das ações necessárias para atingir os objetivos. Determinação dos recursos – arrolamento dos meios: recursos humanos, materiais, técnicos, institucionais e serviços de terceiros necessários. Determinação dos meios financeiros – expressão monetária dos recursos alocados. O orçamento-programa contribui para o planejamento governamental, pois é capaz de expressar com maior veracidade as responsabilidades do Governo para com a sociedade, visto que o orçamento deve indicar com clareza os objetivos perseguidos pela nação da qual o governo é intérprete. Assim, podemos constatar que é princípio fundamental do Estado moderno que os Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário devem organizar e exercer suas atividades com planejamento permanente, atendendo às peculiaridades locais e aos princípios técnicos convenientes ao desenvolvimento econômico e social. AVALIAÇÃO DE POLÍTICAS E PROGRAMAS GOVERNAMENTAIS Implementação, execução e avaliação de uma política, um programa, um projeto que seja, são ações que caminham sempre juntas, porque evidentemente é pela avaliação que saberemos se estamos no caminho certo, onde precisa mudar, aprimorar, corrigir. Segundo Rua (2004), a avaliação de políticas públicas, programas e projetos governamentais têm finalidades bastante precisas: 1. Accountability, significando estabelecer elementos para julgar e aprovar decisões, ações e seus resultados. 2. Desenvolver e melhorar estratégias de intervenção na realidade, ou seja, a avaliação tem que ser capaz de propor algo a respeito da política que está sendo avaliada. 3. Empoderamento, promoção social e desenvolvimento institucional, significando que a avaliação deve ser capaz de abrir espaço para a democratização da atividade pública, para a incorporação de grupos sociais excluídos e para o aprendizado institucional e fortalecimento das instituições envolvidas. INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO COMUNICAÇÃO E GESTÃO FINANCEIRA DA SECRETARIA ESCOLAR 94 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 Para Höfling (2001), na análise e avaliação de políticas implementadas por um governo, fatores de diferentes natureza e determinação são importantes. Especialmente quando se focaliza as políticas sociais (usualmente entendidas como as de educação, saúde, previdência, habitação, saneamento entre outras) os fatores envolvidos para a aferição de seu “sucesso” ou “fracasso” são complexos, variados, e exigem grande esforço de análise. Estes diferentes aspectos devem estar sempre referidos a um contorno de Estado no interior do qual eles se movimentam. Torna-se importante aqui ressaltar a diferenciação entre Estado e governo. Estado pode ser entendido como o conjunto de instituições permanentes – como órgãos legislativos, tribunais, exército e outras que não formam um bloco monolítico necessariamente – que possibilitam a ação do governo; e, Governo, como o conjunto de programas e projetos que parte da sociedade (políticos, técnicos, organismos da sociedade civil e outros) propõe para a sociedade como um todo, configurando-se a orientação política de um determinado governo que assume e desempenha as funções de Estado por um determinado período. Políticas públicas, vimos que seria o Estado em ação, ou seja, é o Estado implantando um projeto de governo, através de programas, de ações voltadas para setores específicos da sociedade. Estado não pode ser reduzido à burocracia pública, aos organismos estatais que conceberiam e implementariam as políticas públicas. As políticas públicas são aqui compreendidas como as de responsabilidade do Estado – quanto à implementação e manutenção a partir de um processo de tomada de decisões que envolvem órgãos públicos e diferentes organismos e agentes da sociedade relacionados à política implementada. Neste sentido, políticas públicas não podem ser reduzidas a políticas estatais (HÖFLING, 2001). E políticas sociais se referem a ações que determinam o padrão de proteção social implementado pelo Estado, voltadas, em princípio, para a redistribuição dos benefícios sociais visando a diminuição das desigualdades estruturais produzidas pelo desenvolvimento socioeconômico. INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO COMUNICAÇÃO E GESTÃO FINANCEIRA DA SECRETARIA ESCOLAR 95 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 As políticas sociais têm suas raízes nos movimentos populares do século XIX, voltadas aos conflitos surgidos entre capital e trabalho, no desenvolvimento das primeiras revoluções industriais. Nestes termos, concordamos com Höfling (2001), que educação é uma política pública social, uma política pública de corte social, de responsabilidade do Estado – mas não pensada somente por seus organismos. As políticas sociais – e a educação – se situam no interior de um tipo particular de Estado. São formas de interferência do Estado, visando a manutenção das relações sociais de determinadaformação social. Mas voltemos para a avaliação, que de acordo com Rua (2004), sustenta que quando esta é formal, se entende como um julgamento, porque envolve valores; sistemático, porque se baseia em critérios e procedimentos previamente reconhecidos dos processos ou dos produtos de uma política, programa ou projeto, tendo como referência critérios explícitos, a fim de contribuir para o seu aperfeiçoamento, a melhoria do processo decisório, o aprendizado institucional e/ou o aumento da accountability. Assim sendo, é possível reconhecer que a avaliação contém duas dimensões. A primeira é técnica, e caracteriza-se por produzir ou coletar, segundo procedimentos reconhecidos, informações que poderão ser utilizadas nas decisões relativas a qualquer política, programa ou projeto. A segunda é valorativa, consistindo na ponderação das informações obtidas com a finalidade de extrair conclusões acerca do valor da política, programa ou projeto. Ainda assim, a finalidade da avaliação não é necessariamente distinguir as intervenções de qualquer natureza segundo sejam “boas” ou “más”, “exitosas” ou “fracassadas”. Muito mais importante e proveitoso é apropriar-se da avaliação como um processo de apoio a um aprendizado contínuo, de busca de melhores decisões e de amadurecimento da gestão. A avaliação formal permite julgar processos e produtos de vários modos. Primeiro, levantando questões básicas, tais como os motivos de certos fenômenos (por exemplo: o que causa os elevados índices de morte violenta entre os jovens brasileiros?). Este tipo de avaliação pode focalizar relações de INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO COMUNICAÇÃO E GESTÃO FINANCEIRA DA SECRETARIA ESCOLAR 96 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 causa e efeito com a finalidade de recomendar medidas para lidar com o problema. Em segundo lugar, a avaliação formal pode ser usada como instrumento de acompanhamento de políticas ou programas de longo prazo. Nesses casos são realizadas várias avaliações em estágios-chave da política ou programa, a fim de prover dados confiáveis sobre os seus impactos e sobre como podem ser estes mitigados ou melhorados. Em terceiro lugar, ao final de um programa ou projeto a avaliação pode indicar o seu sucesso na consecução dos seus objetivos e permitir avaliar a sua sustentabilidade, ou seja, a possibilidade da sua continuidade através do tempo. A avaliação formal pode contribuir para aperfeiçoar a formulação de políticas e projetos especialmente tornando mais responsável a formulação de metas, e apontar em que medida os governos se mostram responsivos frente às necessidades dos cidadãos. Pode mostrar se as políticas e programas estão sendo concebidos de modo coordenado ou articulado; e em que medida estão sendo adotadas abordagens inovadoras na resolução de problemas que antes pareciam intratáveis. Pode indicar como vão sendo construídas as parcerias entre governo central e local, entre os setores público, privado e terceiro setor, identificar as condições de sucesso ou fracasso dessas parcerias e apontar como podem ser aperfeiçoadas a fim de ganharem abrangência e se tornarem estratégias nacionais das políticas de desenvolvimento (RUA, 2004). Os modelos contemporâneos de formulação de políticas enfatizam a importância dos objetivos compartilhados em lugar das estruturas organizacionais ou das funções existentes. Mas a articulação de políticas/programas não se resume a abordagens compartilhadas de questões comuns. A articulação horizontal entre agências ou organizações requer melhor coordenação entre os gestores e melhor articulação vertical entre os que tomam as decisões e os que as implementam. Isto não é um fim em si mesmo, mas deve estar presente onde agrega valor, e é especialmente importante quando as políticas ou programas se dirigem às questões socialmente INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO COMUNICAÇÃO E GESTÃO FINANCEIRA DA SECRETARIA ESCOLAR 97 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 perversas. Nesses casos, a avaliação formal permite aprender e incorporar lições à implementação de novas políticas/programas (RUA, 2004). Após estas considerações, que não podemos dizer que foram breves, esperamos que entendam a importância da elaboração de uma política pública, da responsabilidade daqueles que a elaboram e porque sua avaliação faz a diferença. POLÍTICAS PÚBLICAS PARA EDUCAÇÃO NO BRASIL As políticas educacionais são de grande importância para entender como se apresenta o contexto em que elas são elaboradas e para entender as concepções e manifestações da educação em dado período, podendo contribuir bastante para a História da Educação e vice-versa. O movimento de descentralização também vale para a educação, transferindo para os municípios uma série de responsabilidades e expectativas, cuja maioria das localidades por falta de infraestrutura física e financeira, tem encontrado sérias dificuldades em atender, mesmo com o repasse de recursos financeiros. Enfim, o surgimento de uma série de políticas públicas em educação implementadas pelo Estado, a exemplo do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério (FUNDEF), Plano de Desenvolvimento da Escola (PDE), Programa de Dinheiro Direto na Escola (PDDE), Programa Bolsa Escola, entre outros, vêm em resposta a anseios da sociedade de universalização do ensino fundamental e que vislumbra no horizonte uma possibilidade de emancipação social, que além de históricos são legítimos. No entanto, surge a preocupação dos critérios exigidos para sua implementação, se esta implementação e forma é necessária e/ou desejada pela sociedade, como forma de oferecer contribuições efetivas que venham propiciar uma educação emancipadora política, social e economicamente. Logo, também alvo de debate é descobrir até que ponto estas podem propiciar melhorias no meio social em que o educando se insere. A realidade educacional de nosso país faz com que seja necessário buscar uma análise mais apurada das políticas públicas em educação, pois, a crítica, estimula o progresso do conhecimento, e com o rigor da análise e a INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO COMUNICAÇÃO E GESTÃO FINANCEIRA DA SECRETARIA ESCOLAR 98 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 constante preocupação de enriquecê-la com novas investigações podemos contribuir em direção a sua solução. No que se refere à educação, seu financiamento e gestão, muitas se fazem presentes, mas devemos lembrar que como pano de fundo maior encontra-se a necessidade de busca de alternativas que viabilizem uma sociedade menos excludente, em que se faz necessário também redefinir a própria concepção de Estado e os interesses a que se presta, pois, “não se erradica a pobreza sem redistribuir custos sociais” (ABRANCHES, 1989 p. 29 apud SOUZA NETO, 2010), em que “política social é toda política que ordene escolhas trágicas segundo um princípio de justiça consistente e coerente” (SANTOS, 1989 p. 37 apud SOUZA NETO, 2010). Enfim, numa sociedade extremamente desigual e heterogênea como a brasileira, a política educacional deve desempenhar importante papel ao mesmo tempo em relação à democratização da estrutura ocupacional que se estabeleceu e à formação do cidadão, do sujeito em termos mais significativos do que tomá-lo “competitivo frente à ordem mundial globalizada” (HOLFLING, 2001). DIMENSÕES DE UMA EDUCAÇÃO DE QUALIDADE PELA UNESCO E BANCO MUNDIAL – BREVES COMENTÁRIOS A atual configuração da educação básica brasileira reflete, em grande medida, as mudanças desencadeadas pelas reformas dos anos de 1990. A partir da aprovação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, LDB nº 9.394/96 (BRASIL, 1996), uma série de alterações aconteceu. Novas propostas de gestão da educação, de financiamento,de programas de avaliação educacional, de políticas de formação de professores, dentre outras medidas, foram implementadas com o objetivo de melhorar a qualidade da educação. Com a promulgação da LDB, observou-se a ampliação da obrigatoriedade da educação básica, composta pela Educação Infantil, Ensino Fundamental e Ensino Médio, e a maior responsabilização do Estado pela educação pública. Após quase duas décadas da aprovação desta Lei, verifica- se a quase universalização deste nível de ensino. INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO COMUNICAÇÃO E GESTÃO FINANCEIRA DA SECRETARIA ESCOLAR 100 Todavia, este aumento quantitativo em termos de acesso não implicaria em uma melhora automática na qualidade do sistema. Assim, a temática da qualidade da educação tem suscitado um intenso debate entre os pesquisadores e gestores políticos acerca das dimensões definidoras de uma educação de qualidade. Entretanto, como aponta Enguita (1997), deve-se considerar que se trata de um tema polissêmico, dinâmico e mobilizador de diferentes interesses. Em nível internacional, verifica-se, que na década de 1990, a educação básica ganhou destaque por ocasião da Conferência Mundial de Educação para Todos (EPT), em Jomtiem. Esta enfatizou a importância da temática da qualidade na educação enquanto elemento central nas políticas educacionais de diversos países. O quadro elaborado neste relatório aborda diferentes parâmetros internos e externos às escolas que permitiriam atingir a qualidade na educação, dentre eles, fatores relacionados às características dos alunos, aos elementos facilitadores da aprendizagem, aos elementos do contexto nacional e aos resultados do processo. Quanto ao Banco Mundial, este articula conceitos de viés economicista – como produtividade, qualidade empresarial, competitividade, eficiência, eficácia – com outros de cunho sócio humanitário, como equidade, inclusão social e coesão social, intervindo, de modo particular, no ajuste estrutural dos países de capitalismo dependente, de acordo com o rearranjo da economia mundial e com a reconfigurada divisão internacional do trabalho (SILVEIRA, 2012). Portanto, sua atuação/intervenção difere de país para país, de acordo com a carteira e o desempenho econômico de cada Estado-nação, Assumindo um caráter de influência mais programática, mais ideológica, no caso dos países centrais da Europa, e de influência fortíssima, chegando à imposição de políticas, por meio de Programas de Ajustamento Estrutural, no caso dos países semiperiféricos e periféricos (ANTUNES, 2005 apud SILVEIRA, 2012). INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO COMUNICAÇÃO E GESTÃO FINANCEIRA DA SECRETARIA ESCOLAR 101 Com um amplo leque de ação em temas como política macroeconômica reforma política de setores da microeconomia, redução da pobreza, saúde, meio ambiente e, mais recentemente, corrupção, as diretrizes do Banco Mundial no campo educacional são: focalização do gasto público no primeiro segmento de ensino da educação básica; formação profissional aligeirada e instrumental; ênfase na diferenciação entre instituições e cursos no nível superior de ensino; introdução do sistema “de custo compartilhado”, particularmente no ensino superior; privatização e mercantilização da educação em todos os níveis e modalidades. Voltando à questão da educação de qualidade, estudo realizado por Oliveira, Dourado e Santos (2007) buscou identificar as condições, dimensões e fatores fundamentais de uma educação de qualidade. Analisando relatórios e documentos elaborados por países membros da Cúpula das Américas e de organismos internacionais (UNESCO e Banco Mundial), os autores buscaram evidenciar a concepção destes sobre as dimensões definidoras de uma educação de qualidade. O estudo mostrou que a qualidade da educação envolve dimensões extra e intraescolares. As dimensões extraescolares que afetariam os processos educativos e os resultados escolares envolvem dois níveis: A dimensão socioeconômica e cultural dos entes envolvidos – concerne à influência do acúmulo de capital econômico, social e cultural das famílias e dos estudantes no processo de ensino-aprendizagem e, ainda, a necessidade do estabelecimento de políticas públicas e projetos escolares para o enfrentamento de questões como fome, drogas, violência, entre outras. A dimensão dos direitos dos cidadãos e das obrigações do Estado – que faz referência à ampliação da obrigatoriedade da educação básica; à definição e garantia de padrões de qualidade, incluindo a igualdade de condições para o acesso e permanência na escola; à definição e efetivação de diretrizes nacionais para os diferentes níveis, entre outros. No que se refere às dimensões intraescolares, sua importância se deve à sua influência direta nos processos de organização e gestão, nas práticas curriculares, nos processos formativos, dentre outros. Estas dimensões são apresentadas em quatro níveis: do sistema, da escola, do professor e do aluno. INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO COMUNICAÇÃO E GESTÃO FINANCEIRA DA SECRETARIA ESCOLAR 102 Nível do sistema: condições de oferta de ensino. Refere-se, dentre outros aspectos, à garantia de instalações gerais adequadas aos padrões de qualidade definidos pelo sistema nacional de educação em consonância com a avaliação positiva dos usuários. Nível da escola: gestão e organização do trabalho escolar. Trata da estrutura organizacional compatível com a finalidade do trabalho pedagógico. Nível do professor: formação, profissionalização e ação pedagógica. Relaciona-se ao perfil docente (titulação/qualificação adequada ao exercício profissional), às formas de ingresso e condições de trabalho adequadas e às políticas de formação e valorização do pessoal docente. Nível do aluno: acesso, permanência e desempenho escolar. Refere- se ao acesso e às condições de permanência adequadas à diversidade socioeconômica e cultural, e à garantia de desempenho satisfatório dos estudantes. Considera a visão de qualidade entre pais e estudantes e as práticas de processos avaliativos centrados na melhoria das condições de aprendizagem que permitam a definição de padrões adequados de qualidade educativa. Segundo Oliveira, Dourado e Santos (2007), as dimensões intra e extraescolares afetariam de forma significativa a aprendizagem dos alunos, o que exigiria a consideração dessas dimensões, de forma articulada, para o estabelecimento de políticas educativas, programas de formação e gestão pedagógica. Conforme os autores, tais medidas seriam imprescindíveis para a garantia do sucesso dos estudantes e de uma educação de qualidade para todos. Para Costa, Akkari e Silva (2011), os quadros apresentados são convergentes ao evidenciarem a necessidade de se analisar a qualidade da educação baseando-se na articulação de parâmetros intrínsecos e extrínsecos à escola e elaboraram um artigo com objetivo de contribuir para o debate sobre a qualidade da educação, optando por analisar alguns desses parâmetros (a conjuntura política, as metodologias de ensino, a gestão da escola, o reconhecimento e valorização docente, a relação escola-família), tomando por base a concepção dos professores. INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO COMUNICAÇÃO E GESTÃO FINANCEIRA DA SECRETARIA ESCOLAR 103 A GESTÃO DEMOCRÁTICA DA EDUCAÇÃO BÁSICA A luta pela democratização da educação, de forma geral, e da educação básica, em particular, tem sido uma bandeira dos movimentos sociais no Brasil, de longa data. Podem-se identificar em nossa história inúmeros movimentos, gerados na sociedade civil, que exigiam (e exigem) a ampliação do atendimento educacional a parcelas cada vez mais amplas da sociedade. Segundo Gracindo (2007), o Estado, de sua parte, vem atendendo a essas reivindicações de forma muito tímida, longeda universalização esperada, mas pode-se perceber nas diversas instâncias do Poder Público – União, Estados, Distrito Federal e Municípios – um esforço no sentido do atendimento às demandas sociais por educação básica, primeiramente e mais recentemente, educação tecnológica, por meio do PRONATEC, lançado em 2011. Importante destacar que a democratização da educação não se limita ao acesso à escola. O acesso é, certamente, a porta inicial para o processo de democratização, mas torna-se necessário também garantir que todos que ingressam na escola tenham condições para nela permanecerem com sucesso. Assim, a democratização da educação faz-se com acesso e permanência de todos no processo educativo, dentro do qual o sucesso escolar é reflexo de sua qualidade. Mas somente essas três características não completam totalmente o sentido amplo da democratização da educação. Essa última faceta da democratização da educação indica a necessidade que o processo educativo tem de ser um espaço para o exercício da democracia. E para que isso aconteça, é que seja concebida uma nova forma de conceber a gestão da educação: a gestão democrática. Como elementos constitutivos dessa forma de gestão podem ser apontados: participação, autonomia, transparência e pluralidade (ARAÚJO, 2000). E como instrumentos de sua ação, surgem as instâncias diretas e indiretas de deliberação, tais como conselhos e similares, que propiciam espaços de participação e de criação da identidade do sistema de ensino e da escola. Assim, a gestão democrática da educação “trabalha com atores sociais INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO COMUNICAÇÃO E GESTÃO FINANCEIRA DA SECRETARIA ESCOLAR 104 e suas relações com o ambiente, como sujeitos da construção da história humana, gerando participação, corresponsabilidade e compromisso” (BORDIGNON; GRACINDO, 2001, p. 12). Gracindo (2007) nos lembra de que princípio da gestão democrática está inscrito na Constituição Federal e na LDB, sendo assim, ele deve ser desenvolvido em todos os sistemas de ensino e escolas públicas do país. Ocorre, contudo, que como não houve a normatização necessária dessa forma de gestão nos sistemas de ensino, ela vem sendo desenvolvida de diversas formas e a partir de diferentes denominações: gestão participativa, gestão compartilhada, cogestão, entre outras. E é certo que sob cada uma dessas denominações, comportamentos, atitudes e concepções diversas são colocados em prática. A gestão democrática na escola e nos sistemas de ensino torna-se um processo de construção da cidadania emancipada, envolvendo, como já falamos acima, a participação, o pluralismo, a autonomia e a transparência. A realidade mostra uma série de formas e significados dados ao sentido de participação na escola. Alguns exemplos identificam participação como simples processo de colaboração, de adesão e de obediência às decisões da direção da escola. Nesses casos, as decisões são tomadas previamente e os objetivos da participação também são delimitados antes dela ocorrer, segundo Bordignon e Gracindo (2000). Perdem-se, dessa forma, duas condições básicas para uma efetiva participação: O sentido público de um projeto que pertence a todos. O sentido coletivo da sua construção, que oferece iguais oportunidades a todos, nas suas definições. Assim, a participação adquire caráter democrático e torna-se propiciadora da ação comprometida dos sujeitos sociais. Dessa forma, a participação requer a posição de governantes, não de meros coadjuvantes, ou seja, requer espaços de poder. Portanto, ela só é possível em clima democrático. Uma das questões a serem enfrentadas na gestão democrática é o respeito e a abertura de espaço para o “pensar diferente”. É o pluralismo que se consolida como postura de “reconhecimento da existência de diferenças de identidade e de interesses que convivem no interior da escola e que sustentam, INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO COMUNICAÇÃO E GESTÃO FINANCEIRA DA SECRETARIA ESCOLAR 105 através do debate e do conflito de ideias, o próprio processo democrático” (ARAÚJO, 2000 p. 134). Nota-se, que a maior resistência encontrada a essa postura pluralista está, em grande parte, na consequente distribuição de poder que ela enseja. Nesse sentido, ratificando a ideia da necessidade de desconcentração do poder, Bobbio (1994 p.15 apud GRACINDO, 2012) esclarece que “uma sociedade é tanto melhor governada, quanto mais repartido for o poder e mais numerosos forem os centros de poder que controlam os órgãos do poder central”. Quanto à autonomia, vale considerar que “o conceito de autonomia está etimologicamente ligado à ideia de autogoverno, isto é, à faculdade que os indivíduos (ou as organizações) têm de se regerem por regras próprias” (BARROSO, 1998). Escola autônoma é, portanto, aquela que constrói o seu Projeto Político- Pedagógico (PPP) de forma coletiva, como estratégia fundamental para sua emancipação (dimensão micro) e para a transformação social (dimensão macro). Assim, a autonomia precisa ser conquistada a partir da democratização interna e externa da escola, politizando o espaço escolar e propiciando o desenvolvimento de duas facetas importantes da autonomia escolar: a autonomia da escola e a autonomia dos sujeitos sociais (ARAÚJO, 2000). Como outro elemento fundamental da gestão democrática, a transparência está intrinsecamente ligada à ideia de escola como espaço público. Face ao predomínio da lógica econômica em todos os setores sociais, em especial na educação, garantir a visibilidade da escola frente à sociedade, torna-se uma questão ética. Quase como um amálgama dos elementos constitutivos da gestão democrática, a transparência afirma a dimensão política da escola. Sua existência pressupõe a construção de um espaço público vigoroso e aberto às diversidades de opiniões e concepções de mundo, contemplando a participação de todos que estão envolvidos com a escola (ARAÚJO, 2000, p.155). Na descrição dos elementos constitutivos da gestão democrática, fica evidente um conceito transversal a todos eles: o de democratização da INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO COMUNICAÇÃO E GESTÃO FINANCEIRA DA SECRETARIA ESCOLAR 106 educação (GRACINDO, 2004). E ele se torna o fio condutor e a base de reflexão/ação da gestão democrática, isto é, participação, pluralismo, autonomia e transparência não se instauram sem a cultura democrática. Agregado à postura de democratização da educação, outro conceito permeia todas as reflexões desenvolvidas: a ideia de escola como espaço público. Isto é, sem o sentido público, a escola não viabilizará participação, pluralismo, autonomia e transparência. Ocorre que todos esses elementos e alicerces da gestão democrática necessitam de uma base concreta para sua viabilização: os espaços de encontro, discussão e trocas. Dentre esses múltiplos espaços destacam-se: os conselhos deliberativos e consultivos, os grêmios estudantis, as reuniões, as assembleias e as associações. A partir desses espaços de prática democrática são deliberados e construídos os caminhos que a escola deve percorrer. E o retrato dessa caminhada será revelado no Projeto Político-pedagógico (PPP) da escola (GRACINDO, 2007). O Brasil ainda possui profundas desigualdades econômicas, culturais e políticas que geraram (e continuam gerando) segregação de grupos sociais e a negação da cidadania a um enorme contingente de brasileiros. Essa realidade, no entanto, não pode ser aceita passivamente por seus cidadãos e requer, do Estado, o estabelecimento de políticas públicas voltadas para a redução dessas enormes diferenças e para a inclusão social (GRACINDO, 2007). Com a redemocratização do país, em meados de 1980, o Brasil começa a se organizar, utilizando-se de mecanismos democráticos que já havia experimentado em épocas anteriorese de novos mecanismos, construídos nesse momento de reconquista democrática. Nesse movimento de redemocratização do país, a sociedade exige também a democratização da educação. E esta se faz não somente com a garantia de acesso e permanência dos estudantes na escola, mas também, com a delimitação de espaços para o exercício democrático, como vimos em item anterior. Lembremos que a gestão democrática é uma prática prevista na Constituição Federal, na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) e no Plano Nacional de Educação (PNE). É uma forma de exercitar a INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO COMUNICAÇÃO E GESTÃO FINANCEIRA DA SECRETARIA ESCOLAR 107 democracia participativa, podendo contribuir para a própria democratização da sociedade. Dentre esses instrumentos temos os Conselhos Escolares e as Associações de Pais e Mestres. O CONSELHO ESCOLAR O Conselho Escolar é o órgão colegiado responsável pela gestão da escola, em conjunto com a direção, representado pelos segmentos da comunidade escolar, pais, alunos, professores e funcionários. Tem como funções: consultiva – quando é consultado sobre questões importantes da escola; deliberativa – quando aprova, decide e vota sobre assuntos pertinentes às ações da escola nos âmbitos administrativo, pedagógico e financeiro; normativa – quando elabora seu regimento, avalia e define diretrizes e metas de ações pertinentes à dinâmica do processo educativo, para um bom funcionamento da escola; fiscalizadora / avaliativa – quando exerce o papel de controle, ficando subordinado apenas à ASSEMBLEIA GERAL, fórum máximo de decisão da comunidade escolar. O Conselho Escolar, entre outros mecanismos, tem papel decisivo na gestão democrática da escola, se for utilizado como instrumento comprometido com a construção de uma escola cidadã. Assim, constitui-se como um órgão colegiado que representa a comunidade escolar e local, atuando em sintonia com a administração da escola e definindo caminhos para tomar decisões administrativas, financeiras e político-pedagógicas condizentes com as necessidades e potencialidades da escola. Desta forma, a gestão deixa de ser prerrogativa de uma só pessoa e passa a ser um trabalho coletivo, onde os segmentos escolares e a comunidade local se congregam para construírem uma educação de qualidade e socialmente relevante. Com isso, divide-se o poder e as consequentes responsabilidades (GRACINDO, 2007). A composição, funções, responsabilidades e funcionamento dos Conselhos Escolares devem ser estabelecidos pela própria escola, a partir de sua realidade concreta e garantindo a natureza essencialmente político- INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO COMUNICAÇÃO E GESTÃO FINANCEIRA DA SECRETARIA ESCOLAR 108 educativa do Conselho Escolar, que se expressa no “olhar” comprometido que desenvolve durante todo o processo educacional, com uma focalização privilegiada na aprendizagem. Sua atuação, desta forma, se volta para: o planejamento, a aplicação e a avaliação das ações da escola. Com o objetivo de desenvolver um acompanhamento responsável, ético e propositivo do processo educativo na escola, e visando uma educação emancipadora, o Conselho Escolar deve estar atento a alguns aspectos extremamente relevantes desse processo, compreendendo que: O projeto de educação que a escola vai desenvolver, dando sentido às suas ações, deve ser discutido, deliberado e seguido por todos. O sentido de pluralidade nas relações sociais da escola, com respeito às diferenças existentes entre os sujeitos sociais, deve ser a marca do processo educativo. A unidade do trabalho escolar deve ser garantida utilizando-se o Projeto Político-pedagógico da escola como instrumento para impedir a fragmentação das ações. O sentido de qualidade na educação não pode ser uma simples transposição deste conceito do mundo empresarial para a escola, isto é, na educação, esse sentido necessita estar referenciado no social e não no mercado. A escola como um todo é responsável pelo sucesso ou pelo fracasso do estudante, partilhando a responsabilidade pelo desenvolvimento da prática educativa. A aprendizagem é decorrente da construção coletiva do conhecimento e não se basta à transmissão de informações. Na avaliação da aprendizagem do estudante, cabe verificar mais do que o produto da aprendizagem, cabe analisar todo o processo no qual ele se desenvolveu. Assim, devem ser considerados: o contexto social; a gestão democrática; a ação docente; e as condições físicas, materiais e pedagógicas da escola. O tempo pedagógico precisa ser utilizado da melhor forma possível, organizando-o de acordo com as peculiaridades e necessidades da escola. A escola, como equipamento social público, deve ser transparente nas suas ações. Os espaços de participação nas decisões da escola devem ser ampliados cada vez mais, seja no processo de escolha de dirigentes, seja nas deliberações acerca das questões financeiras, pedagógicas e administrativas. A solidariedade e a inclusão social são princípios fundamentais da escola. INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO COMUNICAÇÃO E GESTÃO FINANCEIRA DA SECRETARIA ESCOLAR 109 Com esses cuidados e tendo a dimensão da importância da gestão democrática da educação, na democratização mais ampla da sociedade, o Conselho Escolar dá uma contribuição altamente relevante para que a educação desenvolvida pela escola possa ser instrumento para a emancipação dos sujeitos sociais e para o cumprimento de seu papel social, que, em última instância, visa à construção de uma sociedade justa, solidária e igualitária. Gracindo (2007) ressalta que o Conselho Escolar, como órgão consultivo, deliberativo e de mobilização mais importante do processo de gestão democrática, não deve configurar-se como instrumento de controle externo, mas como um parceiro de todas as atividades que se desenvolvem no interior da escola. E, nessa linha de raciocínio, a função principal do Conselho Escolar está ligada à essência do trabalho escolar, isto é, está voltada para o desenvolvimento da prática educativa. Nessa prática, o processo de ensino-aprendizagem deve ser o foco principal. A ação do Conselho Escolar torna-se político-pedagógica, pois se expressa numa ação sistemática e planejada, com o intuito de interferir sobre a realidade, transformando-a. A ASSOCIAÇÃO DE PAIS E MESTRES (APM) A Associação de Pais e Mestres (APM) é um órgão de representação dos pais e profissionais da escola, que, em uma ação conjunta, objetivam desenvolver medidas de interesse comum, com espírito de liderança, responsabilidade, respeitando a coletividade educacional e a legislação vigente. Constitui-se pessoa jurídica de direito privado, não tem caráter político- partidário, religioso, racial e nem fins lucrativos; é representada, oficialmente, pelo presidente, e responde pelas obrigações sociais da comunidade escolar. Efetua movimentação financeira em bancos como recebimento e aplicação das verbas públicas, de convênios da mantenedora (municipal, estadual ou federal), advindas do Programa Dinheiro Direto na Escola (PDDE), como Unidade Executora (UEx) de cunho social. A APM pode exercer várias finalidades como: colaborar com a direção da escola para atingir os objetivos educacionais propostos no projeto INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO COMUNICAÇÃO E GESTÃO FINANCEIRA DA SECRETARIA ESCOLAR 110 pedagógico; representar as aspirações da comunidade e dos pais de alunos perante a escola; mobilizar os recursos humanos, materiais e financeiros da comunidade para auxiliar a escola e prover condições que permitam esse fim, como, por exemplo, o estabelecimento de parcerias; trabalhar para a melhoria do ensino e da aprendizagem; desenvolver atividades de assistência ao escolar nas áreas socioeconômica e de saúde; conservar e mantera infraestrutura escolar, os equipamentos e as instalações; promover programação de atividades culturais e de lazer que envolva a participação conjunta de pais, professores, alunos e comunidade; acompanhar a execução de pequenas obras de construção ou reforma no prédio escolar, verificando os recursos aplicados para posterior prestação de contas, se for o caso; colaborar na programação do uso do prédio da escola pela comunidade, inclusive nos períodos ociosos, ampliando-se o conceito de escola como um centro de atividades comunitárias; favorecer o entrosamento entre pais e professores possibilitando informações relativas aos objetivos educacionais e as condições financeiras da escola, dentre outros fins que a escola assim entender necessários. A APM possui uma organização administrativa, registrada em Estatuto próprio, constituída de pessoas eleitas em assembleia geral, com mandato de dois anos, com o pleito realizado por voto secreto, em caso de mais de uma chapa inscrita, ou direto, na ocorrência de chapa única. O Grêmio Estudantil é outra forma de organização colegiada na escola. Esse colegiado, organizado e composto pelos alunos, pode ser considerado como uma das primeiras oportunidades que os jovens têm em participar de maneira organizada das decisões de uma instituição, agindo em uma perspectiva política em benefício, no caso da escola, da qualidade de ensino e de aprendizagem. Deve firmar parcerias com a direção escolar, equipe pedagógica, professores, funcionários administrativos, Conselho Escolar e Associação de Pais e Mestres, assim o Grêmio terá uma atuação em prol dos alunos, da escola e da comunidade. Um Grêmio que estabelece uma boa rede de relações com os sujeitos da comunidade escolar terá mais pessoas comprometidas com as ações que INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO COMUNICAÇÃO E GESTÃO FINANCEIRA DA SECRETARIA ESCOLAR 111 pretende realizar (Fonte: Portal Educação, 2014; GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO, 2006). A GESTÃO FINANCEIRA E O FINANCIAMENTO DA EDUCAÇÃO BRASILEIRA A Constituição Federal brasileira organiza as bases para o financiamento da educação, ao estabelecer no artigo 212 que “a União aplicará, anualmente, nunca menos de 18%, e os Estados, o Distrito Federal e os Municípios 25%, no mínimo, da receita resultante de impostos, compreendida a proveniente de transferências, na manutenção e desenvolvimento do ensino”, dando prioridade ao atendimento do ensino obrigatório (ensino fundamental). Além desses recursos, vale destacar que especialmente “O ensino fundamental público terá como fonte adicional de financiamento a contribuição social do salário-educação, recolhida pelas empresas, na forma da lei (Art. 212 § 5º)”. O Art. 213 da Constituição Federal, mesmo assegurando que os recursos públicos, serão destinados às escolas públicas, possibilita que eles sejam dirigidos às escolas particulares, desde que elas sejam confessionais, comunitárias ou filantrópicas. Esses recursos podem ser aplicados em bolsas de estudo para o ensino fundamental e médio, “para os que demonstrarem insuficiência de recursos, quando houver falta de vagas e cursos regulares da rede pública na localidade da residência do educando, ficando o Poder Público obrigado a investir prioritariamente na expansão de sua rede na localidade” (§ 1º) e para atividades universitárias de pesquisa e extensão. Conforme nos mostra Gracindo (2007), a questão da vinculação constitucional dos recursos para financiamento da educação no Brasil demonstra a inconstância dos dirigentes governamentais. Ela surge pela primeira vez, na Constituição Federal de 1934, por meio das receitas advindas de impostos. Nessa ocasião, o percentual era de: 10% para a União, 20% para os Estados e Distrito Federal e 10 % para os Municípios. Na ditadura de Getúlio INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO COMUNICAÇÃO E GESTÃO FINANCEIRA DA SECRETARIA ESCOLAR 112 Vargas, a Constituição Federal de 1937, retira a vinculação de recursos para a educação. Já a Constituição Federal de 1946, novamente determina a vinculação, ampliando de 10% para 20%, os recursos vinculados pelo Município. Novamente, os percentuais são ampliados, desta vez na esfera da União, de 10% para 12%, como iniciativa da Lei de Diretrizes e Bases de 1961. Por força da nova ditadura que se implanta no Brasil, novamente é retirada, na Constituição Federal de 1967, a vinculação dos recursos para a educação. Porém, a emenda constitucional de 1969 faz a vinculação apenas dos recursos do Município (20%). Nova emenda constitucional, denominada “João Calmon” (em homenagem ao senador que se dedicou a essa causa por muitos anos), em 1983, a vinculação volta à Constituição Federal, desta feita, com percentuais ampliados em todas as esferas do Poder Público: União (13%), Estados, Distrito Federal e Municípios (25%). Por último, a Constituição Federal de 1988 mantém a vinculação, com um aumento do percentual relativo à União (18%). FONTES DE RECURSOS Como foi visto no item anterior, a União deve aplicar 18% e os Estados, Distrito Federal e Municípios 25% de sua receita de impostos e transferências. Vale complementar que estes percentuais incidem sobre a receita líquida, isto é, a União e os Estados devem deduzir da receita tudo que é transferido para os Estados e municípios. No caso do DF e dos municípios, o percentual de 25% incide sobre toda a receita de impostos (próprios e transferidos). Todos esses recursos devem ser utilizados para “manutenção e desenvolvimento do ensino” (MDE). E para que não houvesse dúvidas sobre que tipo de despesa, isso pode ser compreendido como MDE, nos artigos 70 e 71 da LDB, respectivamente. E podem ser considerados como despesas de MDE: Remuneração e aperfeiçoamento do pessoal docente e demais profissionais da educação. Aquisição, manutenção, construção e conservação de instalações e equipamentos necessários ao ensino. Uso e manutenção de bens e serviços vinculados ao ensino. Levantamentos estatísticos, estudos e pesquisas visando precipuamente ao aprimoramento da qualidade e à expansão do ensino. Realização de atividades-meio necessárias ao INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO COMUNICAÇÃO E GESTÃO FINANCEIRA DA SECRETARIA ESCOLAR 113 funcionamento dos sistemas de ensino. Concessão de bolsas de estudos a alunos de escolas públicas e privadas. Amortização e custeio de operações de créditos destinadas a atender ao disposto nos incisos deste artigo. Aquisição de material didático-escolar e manutenção de programas de transporte escolar. Não podem ser considerados despesas com MDE: Pesquisa, quando não vinculadas às instituições de ensino, ou, quando efetivada fora dos sistemas de ensino, que não vise, principalmente, ao aprimoramento de sua qualidade ou à sua expansão. Subvenção a instituições públicas ou privadas de caráter assistencial, desportivo ou cultural. Formação de quadros especiais para a Administração Pública sejam militares ou civis, inclusive diplomáticos. Programas suplementares de alimentação, assistência médico- odontológica, farmacêutica e psicológica, e outras formas de assistência social. Obras de infraestrutura, ainda que realizadas para beneficiar direta ou indiretamente a rede escolar. Corpo docente e demais trabalhadores da educação, quando em desvio de função ou em atividades alheias à manutenção e ao desenvolvimento do ensino. Além desses recursos, que são vinculados à educação pela Constituição Federal, existem outros recursos que financiam o ensino fundamental público. Dentre eles citamos: Fundo de Participação dos Estados e do Distrito Federal (FPE) – uma das modalidades de transferências de recursos financeiros, aonde 21,5% do Imposto de Renda (IR) e do imposto sobre produtos industrializados (IPI) recolhidos pela União, vão para os Estados epara o DF. Fundo de Participação dos Municípios (FPM) – consiste na transferência de 22,5% da arrecadação do Imposto de Renda (IR) e do imposto sobre produtos industrializados (IPI) da União para os Municípios. Salário-Educação – contribuição social que decorre do recolhimento da contribuição de 2,5% sobre o total de remunerações pagas aos empregados segurados no INSS. O total dos recursos arrecadados é dividido em duas partes: dois terços retornam para o Estado arrecadador (Quota Estadual do Salário Educação); e um terço, a Quota Federal, vai para o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE). INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO COMUNICAÇÃO E GESTÃO FINANCEIRA DA SECRETARIA ESCOLAR 114 FUNDEF/FUNDEB Desde 1998 até o ano de 2006, teve vigência, no Brasil, um fundo para financiar o ensino fundamental, denominado: Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério, o FUNDEF. Em sua substituição, dado que seu prazo de vigência expirou, recentemente aprovado no Congresso Nacional, um novo fundo, o FUNDEB, que terá 14 anos de vigência, a partir do ano seguinte à promulgação da Emenda Constitucional. A primeira diferença entre o FUNDEF e o FUNDEB é que o primeiro era destinado apenas para o ensino fundamental e, o segundo abrange o financiamento de toda a educação básica, isto é: a educação infantil, o ensino fundamental e o ensino médio. Nesse contexto, também ocorre uma mudança na destinação do salário-educação que se amplia para toda a educação básica. Segundo dados do MEC (2006), o FUNDEB pretende alcançar um total de 47,2 milhões de alunos, a partir do 4º ano de sua vigência. As fontes de recursos que compõem o Fundo têm origem: Na contribuição de Estados, DF e Municípios. Na complementação da União. A cesta de impostos dos estados, do Distrito Federal e dos municípios que vão compor o FUNDEB envolve vários tributos: Fundo de Participação dos Estados (FPE), Fundo de Participação dos Municípios (FPM), Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), Imposto sobre Produtos Industrializados, proporcional as exportações (IPIexp), Imposto sobre Transmissão Causa Mortis (ITCMD), Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores (IPVA), Imposto sobre Renda e Proventos incidentes sobre rendimentos pagos pelos municípios, Imposto sobre Renda e Proventos incidentes sobre rendimentos pagos pelos estados, cota-parte de 50% do Imposto Territorial Rural (ITR) devida aos municípios (BRASIL, 2006). Quanto à utilização dos recursos, no FUNDEB, mínimo de 60% para remuneração dos profissionais do magistério da educação básica, o restante dos recursos em outras despesas de manutenção e desenvolvimento da Educação Básica e Piso salarial nacional para os profissionais da educação básica. INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO COMUNICAÇÃO E GESTÃO FINANCEIRA DA SECRETARIA ESCOLAR 115 Quanto ao valor mínimo nacional por aluno/ano, no FUNDEB, ele foi fixado anualmente com diferenciações previstas para: Educação Infantil (0 a 3 anos); Educação Infantil (Pré-Escola); Séries Iniciais Urbanas; Séries Iniciais Rurais; Quatro Séries Finais Urbanas; Quatro Séries Finais Rurais; Ensino Médio Urbano; Ensino Médio Rural; Ensino Médio; Profissionalizante; Educação de Jovens e Adultos; Educação de Jovens e Adultos integrada à educação profissional; Educação Especial; Educação Indígena e de Quilombola. Segundo o Manual de orientação do FUNDEB (BRASIL, 2013), os indicadores educacionais do país revelam que muito se avançou desde 1988, quando a Constituição Federal enfatizou o dever do Estado nas garantias dos direitos do cidadão. Mas o Brasil ainda convive com enormes diferenças. Em relação à educação, as diferenças mostram-se mais evidentes entre municípios, estados e regiões do país e, no interior destes, entre etapas, modalidades e demais segmentos que compõem o nível básico de ensino. O FUNDEB contribui para a redução das variadas formas de desigualdades educacionais existentes, estabelecendo, para a educação básica pública, equidade na distribuição dos recursos disponíveis no âmbito dos estados, Distrito Federal e municípios e maior participação federal no aporte de recursos financeiros, contribuindo para elevação do patamar de investimentos no setor. O FUNDEB foi criado pela Emenda Constitucional nº 53/2006 e regulamentado pela Lei nº 11.494/2007 e pelo Decreto nº 6.253/20075, em 5 Com as alterações do Dec. nº 6.278, de 29/11/2007 e Dec. 6.571, de 17/09/2008. INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO COMUNICAÇÃO E GESTÃO FINANCEIRA DA SECRETARIA ESCOLAR 116 substituição ao Fundef, que vigorou de 1998 a 2006. Trata-se de fundo especial, de natureza contábil e de âmbito estadual (um fundo por Estado e Distrito Federal, num total de vinte e sete fundos), formado por parcela financeira de recursos federais e por recursos provenientes dos impostos e transferências dos estados, Distrito Federal e municípios, vinculados à educação por força do disposto no art. 212 da Constituição Federal. Independentemente da origem, todo o recurso gerado é redistribuído para aplicação exclusiva na educação básica. Com vigência estabelecida para o período 2007-2020, a implantação do FUNDEB teve início em 1º de janeiro de 2007, sendo plenamente concluída no terceiro ano de sua vigência, quando o total de alunos matriculados na rede pública foi considerado na distribuição dos recursos e o percentual de contribuição dos estados, Distrito Federal e municípios para a formação do Fundo atingiu o patamar de 20%, calculado sobre as seguintes fontes de impostos e transferências constitucionais: Fundo de Participação dos Estados (FPE); Fundo de Participação dos Municípios (FPM); Imposto sobre Circulação de Mercadorias e sobre prestação de Serviços (ICMS); Imposto sobre Produtos Industrializados, proporcional às exportações (IPIexp); Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e doações de quaisquer bens ou direitos (ITCMD); Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA); Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (cota-parte dos municípios) (ITRm); Recursos relativos à desoneração de exportações de que trata a LC nº 87/96; Arrecadação de imposto que a União eventualmente instituir no exercício de sua competência (cotas-partes dos estados, Distrito Federal e municípios); INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO COMUNICAÇÃO E GESTÃO FINANCEIRA DA SECRETARIA ESCOLAR 117 Receita da dívida ativa tributária, juros e multas relativas aos impostos acima relacionados. Além desses recursos, originários dos entes estaduais e municipais, recursos federais também integram a composição do FUNDEB, a título de complementação financeira, com o objetivo de assegurar o valor mínimo nacional por aluno/ano a cada Estado, ou o Distrito Federal, em que este limite mínimo não for alcançado com os recursos dos próprios governos. GESTÃO FINANCEIRA DA ESCOLA Com a progressiva autonomia (financeira, pedagógica e administrativa) das escolas, estabelecida pela LDB, elas começam a tarefa de administrar recursos financeiros que lhes são diretamente encaminhados e acompanhar os que chegam de forma indireta, para as respectivas Secretarias de Educação (GRACINDO, 2007). Atualmente, muitas escolas públicas vêm recebendo recursos financeiros repassados pelas respectivas Secretarias de Educação estaduais e municipais. Além disso, existem programas de apoio às Secretarias Estaduais e Municipais, com repasse de recursos da União. São várias as possibilidades de aplicação desses recursos e, de maneira geral, eles fazem parte de programas que possuem destinação específica, isto é, são recursos destinados a uma ação específica: alimentação escolar;transporte escolar; livro didático; biblioteca escolar; saúde escolar e manutenção da escola, que veremos na última unidade do módulo. Todos estes programas para sua efetivação com transparência e sucesso dependem de organização da escola, de planejamento para a boa utilização dos recursos. Este processo de planejamento precisa ser desenvolvido de forma coletiva, com a participação de todos os segmentos envolvidos com a escola. Como os recursos, de modo geral, não são os necessários para todas as necessidades da escola, é fundamental que sejam eleitas prioridades. Vários olhares sobre as necessidades mais prementes da escola certamente poderão identificar as despesas mais importantes. INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO COMUNICAÇÃO E GESTÃO FINANCEIRA DA SECRETARIA ESCOLAR 118 Segundo Dourado (2006, p. 61), uma das possibilidades de aplicação do planejamento participativo na escola é a existência do Conselho Escolar e seu funcionamento efetivo, tendo em vista que este deve ser um órgão colegiado e, como tal, deve contar com a participação de representantes de todos os segmentos da comunidade local e escolar, possibilitando assim, uma melhor aplicação dos recursos financeiros da escola, como também uma gestão mais transparente e democrática. Assim, o Conselho Escolar poderia ser o local mais adequado para administrar os recursos financeiros da escola. Para tanto, em primeiro lugar, seria necessário fazer um diagnóstico da realidade escolar: suas necessidades e suas potencialidades. A partir de então, estabelecer as prioridades de ação. Com isso feito, será possível identificar a melhor alocação dos recursos disponíveis. Feito esse planejamento inicial, o Conselho Escolar estabeleceria sistemática de acompanhamento do uso dos recursos financeiros. Este acompanhamento poderia ter frequência mensal ou bimestral, de acordo com as possibilidades da escola e a sistemática dos projetos e programas em desenvolvimento. Durante esse acompanhamento, seria feita avaliação da aplicação dos recursos, na qual poderiam ser dimensionadas novas ações e/ou novos direcionamentos. Ao final do ano letivo, é importante divulgar os atos praticados pela escola, no que concerne à aplicação desses recursos. Vale ressaltar a importância de a escola pública ser transparente em todas as suas ações, inclusive as voltadas para o gerenciamento dos recursos financeiros (GRACINDO, 2007). INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO COMUNICAÇÃO E GESTÃO FINANCEIRA DA SECRETARIA ESCOLAR 120 O PLANEJAMENTO E O PROJETO POLÍTICO- PEDAGÓGICO (PPP) Uma forma de organização e de planejamento da educação escolar dos sistemas educacionais se concretiza nos Planos Educacionais do Estado e do Município. No âmbito da escola, é o Projeto Político-pedagógico (PPP) que viabiliza e concretiza ações educacionais. Isto é, ele é a forma de planejamento pedagógico, político e administrativo, que estabelece os objetivos da escola e os mecanismos e estratégias mais adequados para alcançar esses objetivos. Sendo o PPP um eixo da gestão democrática na escola, ele é local e momento privilegiado de participação, lugar de explicitação do pluralismo, espaço de conquista de autonomia da escola e dos sujeitos sociais e instrumento de transparência. O PPP é uma forma de planejamento escolar; que pode resgatar o espaço importante que a unidade escolar deveria ter na sociedade! Como um planejamento histórico e contextualizado de todas as ações da escola, o PPP “envolve etapas que se complementam e que são interligadas, realimentando todo o processo. Essas etapas são: elaboração, acompanhamento e avaliação” (BORDIGNON; GRACINDO, 2000). Num trajeto cíclico, a elaboração, o acompanhamento e a avaliação se entrelaçam e dão sentido a cada uma das partes: a elaboração considera dois eixos: a finalidade da escola e seu ambiente interno e externo. Como expectativa de futuro, a finalidade orienta a definição da filosofia, das políticas e objetivos institucionais. A análise do ambiente dá a dimensão situacional, seus limites e possibilidades. Da análise situacional decorrem estratégias de ação e definição de responsabilidades. O acompanhamento desvela a ação – o PPP na prática – organizando as condições para sua efetivação. A avaliação tem uma função diagnóstica, oferecendo informações fundamentais para a tomada de decisão, tanto na elaboração, quanto durante todo o acompanhamento do PPP, permitindo assim, a permanente correção de rumos na direção da finalidade da educação. É a avaliação que revela os objetivos reais, a coerência entre o discurso e a prática, entre as demandas da sociedade e a ação educacional. INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO COMUNICAÇÃO E GESTÃO FINANCEIRA DA SECRETARIA ESCOLAR 121 Assim, o PPP não deve ser visto como um instrumento “neutro”, estanque das demais ações administrativas. Nem mesmo precisa ser (como tem sido) um instrumento tecnicista e meramente formal. Ele é um instrumento eficaz na construção da educação que se deseja. E aqui parece estar o seu “segredo”, que é o ponto de sustentação do PPP: a escolha consciente do tipo de educação e de escola que se quer construir (GRACINDO, 2007). O Projeto Político-pedagógico, como instrumento de planejamento coletivo, pode resgatar a unidade do trabalho escolar e garantir que não haja uma divisão entre os que planejam e os que simplesmente executam. Elaborado, executado e avaliado de forma conjunta, cria uma nova lógica. Nesse processo, todos os segmentos planejam, garantindo a visão do todo, e todos executam, mesmo que apenas parte desse todo. Com isso, de posse do conhecimento de todo o trabalho escolar, os diversos profissionais e segmentos envolvidos (gestores, funcionários, docentes, discentes, pais e comunidade local) cumprem seus papéis específicos, sem torná-los estanques e fragmentados. A garantia da unidade do trabalho escolar é, dessa forma, condição para uma educação emancipadora que é, por origem, democrática e de qualidade. PLANO DE DESENVOLVIMENTO DA ESCOLA (PDE) E O FUNDO DE FORTALECIMENTO DA ESCOLA (FUNDESCOLA) O FUNDESCOLA é um dos espaços de desenvolvimento de programas do Ministério da Educação, por meio de parcerias com as secretarias estaduais e municipais de educação das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, e tem por objetivo promover um conjunto de ações voltadas para as escolas do ensino fundamental (DOURADO, 2007). O FUNDESCOLA, por meio de processos formativos e de apoio à gestão educacional, tem como meta a busca da eficácia, eficiência e equidade no ensino fundamental público, ao focalizar o ensino-aprendizagem e as práticas de gestão das escolas e secretarias de educação. As estratégias descritas no PDE enfatizam o desenvolvimento de ações para aperfeiçoar o INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO COMUNICAÇÃO E GESTÃO FINANCEIRA DA SECRETARIA ESCOLAR 122 trabalho, elevar o grau de conhecimento e o compromisso de diretores, professores e outros funcionários da escola com os resultados educacionais. Na área de gestão, o PDE é um dos programas centrais do FUNDESCOLA, dada a sua abrangência e inserção nas três regiões. A esse respeito, Fonseca Toschi e Oliveira (2004, p. 29) afirmam que, (...) a proposta concebida no âmbito do FUNDESCOLA enfatiza a ‘gestão democrática’ centrada numa concepção gerencialista e eficientista, como instrumento legal para organização do trabalho escolar. A autonomia escolar é garantida por um fundo repassado à escola, com vistas a estimular o quadro administrativo a tomar decisões que afetem materialmente a escola e a responsabilizar-se pelos resultados de suas decisões. Nesse cenário, os autores acima afirmam que o PDE é entendido como o carro-chefe do FUNDESCOLA, uma vez que assinala uma ênfase na “escola com foco no aluno”.Nesse processo, a escola é considerada a responsável pela melhoria da qualidade de ensino, e o projeto visa modernizar a gestão e fortalecer a autonomia da escola, segundo um processo de planejamento estratégico coordenado pela liderança da escola e elaborado de maneira participativa. Com relação ao PDE, Freitas et al. (2004, p. 71) afirmam que este plano estrutura-se por meio de “uma nova cultura organizacional firmada sobre princípios de gestão estratégica e do controle da qualidade total, orientada pela e para a racionalização, a eficiência e a eficácia”. Desse modo, ideologicamente, o PDE, desde a sua concepção, busca criar o consenso em torno da ideia de que a melhoria da educação estaria na adoção dos parâmetros de mercado, com a aplicação de estratégias da empresa privada na gestão da escola pública. Tal concepção alicerça-se numa ressignificação da gestão democrática e da participação, entendidas a partir da criação de canais de efetiva participação e decisão coletivas, tendo por norte a educação como um bem público. INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO COMUNICAÇÃO E GESTÃO FINANCEIRA DA SECRETARIA ESCOLAR 123 Outro ponto fundamental a ser destacado articula-se à concepção restrita de autonomia (restrita à dimensão financeira) e ao caráter diretivo e centralizador do PDE, num cenário em que os profissionais da educação e alguns sistemas de ensino envidavam esforços no sentido de implementar, com base na legislação em vigor, projetos políticos-pedagógicos cujo norte se contrapunha à concepção gerencialista presente no PDE. Fonseca e Toschi e Oliveira (2004, p. 198), ao avaliarem o PDE e a gestão pedagógica, físico-financeira e de materiais da escola, adjetivaram a proposição e materialização desse plano por meio da diretividade, burocratização e controle do trabalho escolar e destacaram, ainda, que o PDE favoreceu a proliferação de empresas de consultoria e de capacitação docente por meio de cursos previamente montados por elas. Essas empresas fazem, portanto, o trabalho de agenciamento e de planejamento, cabendo à escola a prerrogativa de escolher os cursos com base na oferta das empresas. Essas pesquisas ressaltam a lógica do plano e seu distanciamento dos marcos legais que preconizam o princípio da gestão democrática e dos processos de participação subjacentes a esta, bem como a importância da efetivação de projeto pedagógico pelas unidades escolares, com base na regulamentação da gestão democrática pelos sistemas de ensino. Apesar do distanciamento inicial da Secretaria de Ensino Fundamental (cuja denominação atual é Secretaria de Educação Básica – SEB) do MEC, o PDE, por meio do FUNDESCOLA, buscou, a partir de 2003, vincular-se a esta Secretaria, dada a singularidade das ações desenvolvidas. A esse respeito, são importantes os movimentos direcionados a uma articulação orgânica entre a Secretaria e o FUNDESCOLA. Por outro lado, em 2004, foi materializada a transferência da gestão integral do FUNDESCOLA para o FNDE (DOURADO, 2004, p. 10). Tal mudança contribui, sobremaneira, para o crescente divórcio entre as ações do Fundo, entre elas o PDE, e as ações e programas da SEB, resultando, em muitos casos, na sobreposição de ações e em planos e programas com concepções político-pedagógicas distintas no âmbito do governo federal. INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO COMUNICAÇÃO E GESTÃO FINANCEIRA DA SECRETARIA ESCOLAR 124 Assim, é fundamental registrar que o FUNDESCOLA desenvolve ações, em especial na área de gestão, sem clara interlocução com as demais políticas das Secretarias do MEC. O PDE, nesse cenário, tem foco e ação político-pedagógica baseados em concepção gerencial, cujo processo ignora o esforço desenvolvido pelo MEC no apoio técnico e financeiro para a democratização da gestão escolar. PROGRAMA DINHEIRO DIRETO NA ESCOLA (PDDE) O PDDE consiste no repasse anual de recursos por meio do FNDE às escolas públicas do ensino fundamental estaduais, municipais e do Distrito Federal e às do ensino especial, mantidas por organizações não governamentais (ONGs), desde que registradas no Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS). Os recursos, oriundos predominantemente do “salário-educação”, são destinados à aquisição de material permanente e de consumo necessários ao funcionamento da escola; à manutenção, conservação e pequenos reparos da unidade escolar; à capacitação e ao aperfeiçoamento de profissionais da educação; à avaliação de aprendizagem; à implementação de projeto pedagógico; e ao desenvolvimento de atividades educacionais. Um dos limites interpostos ao Programa refere-se à estruturação de unidades executoras nas unidades escolares, o que, em muitos casos, tem resultado na instituição de entes privados como gestores de recursos das escolas públicas, em detrimento de outros atores, como conselhos escolares, fortemente referendados por outro programa da SEB/MEC. Em pesquisa realizada em cinco estados (São Paulo, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul, Pará e Piauí), buscando inventariar e analisar o processo de implementação do PDDE e suas consequências para a gestão dos sistemas, Adrião e Peroni (2007, p. 254-267) destacam as concepções norteadoras desse Programa e o seu papel na redefinição da regulação estatal, por meio da criação de unidades executoras. As autoras afirmam que, INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO COMUNICAÇÃO E GESTÃO FINANCEIRA DA SECRETARIA ESCOLAR 125 Declaradamente, o Programa opta pela criação de Unidades Executoras (UEX) de natureza privada como mecanismo para assegurar maior flexibilidade na gestão dos recursos repassados e ampliar a participação da comunidade escolar nessa mesma gestão (ADRIÃO e PERONI, 2007, p.258). Ressaltam, ainda, a abrangência do Programa, ao mesmo tempo em que destacam que, a generalização das UEX para as diferentes redes e sistemas de ensino, de certa maneira, padronizou um formato institucional que delega a responsabilidade sobre a gestão dos recursos públicos descentralizados para uma instituição de natureza privada (ADRIÃO e PERONI, 2007, p.259). Nesse cenário, o referido Programa vai ocupando papel estratégico nas escolas, na medida em que, em muitos casos, acaba por redirecionar espaços de participação e deliberação, como os conselhos escolares, em unidade executora. A esse respeito, Adrião e Peroni, ao analisarem os casos da rede municipal de Porto Alegre e das redes estaduais de Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul, afirmam que, (...) a proposta de transformação dos Conselhos Escolares em unidades executoras assumiu um caráter de disputa política entre diferentes segmentos da educação. O dilema vivido pelos sistemas relacionava-se à opção em alterar a natureza jurídica dos Conselhos Escolares, transformando-os em uma unidade executora, cuja consequência seria a instalação de uma instituição de direito privado na esfera da gestão da escola ou, de outro modo, o fortalecimento do Círculo de Pais e Mestres (CPM), estrutura análoga às Associações de Pais e Mestres (APM), tradicionalmente menos democrática e, em muitos casos, não subordinada ao controle do colegiado gestor (ADRIÃO E PERONI, 2007, p. 260). INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO COMUNICAÇÃO E GESTÃO FINANCEIRA DA SECRETARIA ESCOLAR 126 As autoras alertam, ainda, para o fato de que essa indução de políticas de gestão, cuja ênfase recai sobre a dimensão técnico-operacional, possa, (...) redundar em limites para a própria democratização da gestão. No caso em que os Conselhos, recém-criados, nascem já crivados pela lógica da UEX, erigida a partir da ambiguidade que a caracteriza (entidade de natureza privada articulada ao setor público) e da função que lhe é prioritária – captar recursos privados e gerir recursos públicosdescentralizados –, no funcionamento desses colegiados há uma tendência de secundarizar o exercício das práticas democráticas nas decisões (ADRIÃO & PERONI, 2007, p. 260). Sem descurar da importância do referido Programa no que concerne à descentralização de recursos financeiros para a escola, em cenário de nítida escassez de recursos, a análise do PDDE demonstra que sua implementação tem resultado no desrespeito ao pacto federativo, na medida em que o Programa atropela os sistemas de ensino ao redefinir novos formatos de gestão para as escolas públicas, por meio do “estabelecimento de relações diretas entre as escolas beneficiadas e o FNDE, sem a intervenção de instâncias governamentais locais na definição e execução dos gastos” (ADRIÃO e PERONI, 2007, p. 264). Outro aspecto ressaltado pelas autoras refere-se à pequena participação da comunidade escolar, pois, o fato do Programa não pressupor para a sua realização a efetiva democratização da gestão da esfera pública fez com que, em muitos casos, fosse pequena a desejada participação da comunidade na operação de recursos repassados (ADRIÃO e PERONI, 2007, p. 265). INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO COMUNICAÇÃO E GESTÃO FINANCEIRA DA SECRETARIA ESCOLAR 127 Todos esses indicadores demonstram que as bases político- pedagógicas do PDDE, a despeito de possibilitar às unidades escolares a gestão de pequenos recursos, por meio de entidade privada, não contribuíram efetivamente para a democratização dos processos de deliberação coletiva e, ainda, restringiram a autonomia à gestão financeira da escola. Vale refletir e levar as discussões para a sua escola! PROGRAMA DE FORTALECIMENTOS DOS CONSELHOS ESCOLARES Esse Programa tem por objetivo contribuir com a discussão sobre a importância de conselhos escolares nas instituições e visa, ainda, ao fortalecimento dos conselhos existentes. Os conselhos escolares configuram- se, historicamente, como espaços de participação de professores, funcionários, pais, alunos, diretores e comunidade nas unidades escolares. Em alguns casos, constituem-se em espaços coletivos de deliberação, assumindo, desse modo, o papel de órgão corresponsável pela gestão administrativa e pedagógica das escolas e, em outros, em razão de sua atuação restrita à aprovação da prestação de contas e medidas disciplinares, em determinadas situações, foram transformados em unidades executoras em razão do PDDE. O Programa foi criado pela Secretaria de Educação Básica do Ministério da Educação, mediante a Portaria Ministerial nº 2.896/2004. Visa à implantação e ao fortalecimento de conselhos escolares nas escolas públicas de educação básica nas cinco regiões do país, envolvendo os sistemas de ensino públicos estaduais e municipais, por meio de sua adesão à sistemática de apoio técnico, pedagógico e financeiro do Ministério da Educação. De acordo com a mesma Portaria Ministerial, tem por objetivos: Ampliar a participação das comunidades escolar e local na gestão administrativa, financeira e pedagógica das escolas públicas; Apoiar a implantação e o fortalecimento de conselhos escolares; Instituir políticas de indução para implantação de conselhos escolares; Promover, em parceria com os sistemas de ensino, a capacitação de conselheiros escolares, utilizando inclusive metodologias de educação a distância; Estimular a integração entre os conselhos escolares; Apoiar os conselhos escolares na construção coletiva de um projeto educacional no âmbito da escola, em consonância com o processo INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO COMUNICAÇÃO E GESTÃO FINANCEIRA DA SECRETARIA ESCOLAR 128 de democratização da sociedade; e Promover a cultura do monitoramento e avaliação no âmbito das escolas para a garantia da qualidade da educação. A referida Portaria define, ainda, que a execução do Programa será de responsabilidade da SEB e que esta deverá contar com a participação de órgãos e organismos nacionais e internacionais em um trabalho integrado de parcerias para a consecução dos objetivos. Nesse sentido, vale ressaltar que a efetivação dos objetivos preconizados envolve, fundamentalmente, a adesão ao Programa pelos estados e municípios. O Programa estruturou-se a partir de processos de formação continuada dos diversos segmentos que compõem a unidade escolar, por meio de duas frentes articuladas – de um lado, pela realização de seminários estaduais de formação, seminário internacional de gestão, seminários municipais e, de outro, pela oferta de curso de formação pela modalidade de educação a distancia. Apresenta-se organizado a partir de cinco eixos iniciais – conselhos escolares, democratização da escola e construção da cidadania; conselho escolar e o respeito e valorização do saber e da cultura do estudante e da comunidade; conselho escolar e o aproveitamento significativo do tempo pedagógico; conselho escolar e a aprendizagem na escola; conselho escolar, gestão democrática da educação e escolha do diretor. Em seguida, o Programa ampliou tais eixos com as seguintes temáticas: conselho escolar como espaço de formação humana; conselho escolar e o financiamento da educação; conselho escolar e a educação no campo; conselho escolar e a relação entre a escola e o desenvolvimento com igualdade social. Além desses núcleos temáticos, contemplou-se a discussão sobre os indicadores de qualidade da educação e os conselhos escolares como estratégia de gestão democrática da educação pública. Como é possível evidenciar, tais temáticas abrangem importantes questões em debate nas unidades escolares. Em que pese à centralidade conferida a esse Programa, é fundamental destacar que o eixo da gestão democrática e da efetiva participação, bem como a centralidade conferida a órgãos de deliberação coletiva como os INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO COMUNICAÇÃO E GESTÃO FINANCEIRA DA SECRETARIA ESCOLAR 129 conselhos escolares, encontra limites em outros programas do próprio governo federal, já analisados. PROGRAMA NACIONAL DO LIVRO DIDÁTICO (PNLD) O Programa Nacional do Livro Didático (PNLD) tem como principal objetivo subsidiar o trabalho pedagógico dos professores por meio da distribuição de coleções de livros didáticos aos alunos da educação básica. Após a avaliação das obras, o Ministério da Educação (MEC) publica o Guia de Livros Didáticos com resenhas das coleções consideradas aprovadas. O guia é encaminhado às escolas, que escolhem, entre os títulos disponíveis, aqueles que melhor atendem ao seu projeto político-pedagógico. O programa é executado em ciclos trienais alternados. Assim, a cada ano o MEC adquire e distribui livros para todos os alunos de um segmento, que pode ser: anos iniciais do ensino fundamental, anos finais do ensino fundamental ou ensino médio. À exceção dos livros consumíveis, os livros distribuídos deverão ser conservados e devolvidos para utilização por outros alunos nos anos subsequentes. O PNLD também atende aos alunos que são público-alvo da educação especial. São distribuídas obras didáticas em Braille de língua portuguesa, matemática, ciências, história, geografia e dicionários6. PROGRAMA NACIONAL DE ALIMENTAÇÃO ESCOLAR (PNAE) Encontramos na RESOLUÇÃO/CD/FNDE Nº 38, DE 16 DE JULHO DE 2009 disposições sobre o atendimento da alimentação escolar aos alunos da educação básica no Programa Nacional de Alimentação Escolar – PNAE, bem como na RESOLUÇÃO/CD/FNDE N º 67, DE 28 DE DEZEMBRO DE 2009, está alteração do valor per capita para oferta da alimentação escolar do Programa Nacional de Alimentação Escolar - PNAE. O PNAE foi implantado em 1955, contribuindo para o crescimento, o desenvolvimento, a aprendizagem, o rendimento escolar dos estudantes e a 6 http://mecsrv125.mec.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=12391:pnld&catid=318http://mecsrv125.mec.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=12391%3Apnld&catid=318 INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO COMUNICAÇÃO E GESTÃO FINANCEIRA DA SECRETARIA ESCOLAR 130 formação de hábitos alimentares saudáveis, por meio da oferta da alimentação escolar e de ações de educação alimentar e nutricional. São atendidos pelo Programa os alunos de toda a educação básica (educação infantil, ensino fundamental, ensino médio e educação de jovens e adultos) matriculados em escolas públicas, filantrópicas e em entidades comunitárias (conveniadas com o poder público), por meio da transferência de recursos financeiros. O PNAE tem caráter suplementar, como prevê o artigo 208, incisos IV e VII, da Constituição Federal, quando determina que o dever do Estado (ou seja, das três esferas governamentais: União, estados e municípios) com a educação é efetivado mediante a garantia de “educação infantil, em creche e pré-escola, às crianças até cinco anos de idade” (inciso IV) e “atendimento ao educando, em todas as etapas da educação básica, por meio de programas suplementares de material didático-escolar, transporte, alimentação e assistência à saúde” (inciso VII). Atualmente, segundo consta no sítio do MEC, o valor repassado pela União a estados e municípios por dia letivo para cada aluno é definido de acordo com a etapa e modalidade de ensino: Creches: R$ 1,00 - Pré-escola: R$ 0,50 - Escolas indígenas e quilombolas: R$ 0,60 - Ensino fundamental, médio e educação de jovens e adultos: R$ 0,30 - Ensino integral: R$ 1,00 - Alunos do Programa Mais Educação: R$ 0,90 - Alunos que frequentam o Atendimento Educacional Especializado no contra turno: R$ 0,50 O repasse é feito diretamente aos estados e municípios, com base no Censo Escolar realizado no ano anterior ao do atendimento. O Programa é acompanhado e fiscalizado diretamente pela sociedade, por meio dos Conselhos de Alimentação Escolar (CAE), pelo FNDE, pelo Tribunal de Contas da União (TCU), pela Controladoria Geral da União (CGU) e pelo Ministério Público. O orçamento do Programa para 2014 foi de R$ 3,5 bilhões, para beneficiar 43 milhões de estudantes da educação básica e de jovens e adultos. Com a Lei nº 11.947, de 16/6/2009, 30% desse valor – ou seja, R$ 1,05 bilhão – deve ser investido na compra direta de produtos da agricultura familiar, INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO COMUNICAÇÃO E GESTÃO FINANCEIRA DA SECRETARIA ESCOLAR 131 medida que estimula o desenvolvimento econômico e sustentável das comunidades7. PROGRAMA NACIONAL DE ACESSO AO ENSINO TÉCNICO E EMPREGO (PRONATEC) O Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (PRONATEC) foi criado pelo Governo Federal, em 2011, com o objetivo de ampliar a oferta de cursos de educação profissional e tecnológica e tem como objetivos: expandir, interiorizar e democratizar a oferta de cursos de educação profissional técnica de nível médio e de cursos de formação inicial e continuada ou qualificação profissional presencial e a distância; construir, reformar e ampliar as escolas que ofertam educação profissional e tecnológica nas redes estaduais; aumentar as oportunidades educacionais aos trabalhadores por meio de cursos de formação inicial e continuada ou qualificação profissional; aumentar a quantidade de recursos pedagógicos para apoiar a oferta de educação profissional e tecnológica; melhorar a qualidade do ensino médio. O Pronatec envolve um conjunto de iniciativas: a) Expansão da Rede Federal: A Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica está presente em todos os estados brasileiros, com mais de 350 unidades em funcionamento, oferecendo cursos de formação inicial e continuada, técnicos, superiores de tecnologia, licenciaturas e programas de pós-graduação. b) Programa Brasil Profissionalizado: O Programa Brasil Profissionalizado destina-se à ampliação da oferta e ao fortalecimento da educação profissional e tecnológica integrada ao ensino médio nas redes estaduais, em parceria com o Governo Federal. 7 http://www.fnde.gov.br/index.php/programas/alimentacao-escolar/alimentacao-escolar-apresentacao http://www.fnde.gov.br/index.php/programas/alimentacao-escolar/alimentacao-escolar-apresentacao INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO COMUNICAÇÃO E GESTÃO FINANCEIRA DA SECRETARIA ESCOLAR 132 c) Rede e-TecBrasil: Na Rede e-Tec Brasil são oferecidos gratuitamente cursos técnicos e de formação inicial e continuada ou de qualificação profissional, na modalidade a distância. Poderão oferecer cursos a distância as instituições da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica; as unidades de ensino dos serviços nacionais de aprendizagem (SENAI, SENAC, SENAR e SENAT); e instituições de educação profissional vinculadas aos sistemas estaduais de ensino. d) Acordo de Gratuidade com os Serviços Nacionais de Aprendizagem: O Acordo de Gratuidade tem por objetivo ampliar, progressivamente, a aplicação dos recursos do SENAI, do SENAC, do SESC e do SESI, recebidos da contribuição compulsória, em cursos técnicos e de formação inicial e continuada ou de qualificação profissional, em vagas gratuitas destinadas a pessoas de baixa renda, com prioridade para estudantes e trabalhadores. e) FIES Técnico e Empresa: O FIES Técnico tem como objetivo financiar cursos técnicos e cursos de formação inicial e continuada ou de qualificação profissional para estudantes e trabalhadores em escolas técnicas privadas e nos serviços nacionais de aprendizagem – SENAI, SENAC, SENAT e SENAR. No FIES Empresa serão financiados cursos de formação inicial e continuada para trabalhadores, inclusive no local de trabalho. f) Bolsa-Formação: Além das iniciativas voltadas ao fortalecimento do trabalho das redes de educação profissional e tecnológica existentes no país, o Pronatec criou a Bolsa-Formação, por meio da qual serão oferecidos, gratuitamente, cursos técnicos para quem concluiu o Ensino Médio e para estudantes matriculados no Ensino Médio e cursos de formação inicial e continuada ou qualificação profissional (BRASIL, 2012). INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO COMUNICAÇÃO E GESTÃO FINANCEIRA DA SECRETARIA ESCOLAR 133 Existem muitos outros programas desenvolvimentos pelo governo federal e sugerimos que pesquisem na página do Ministério da Educação para aprofundamento. INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO COMUNICAÇÃO E GESTÃO FINANCEIRA DA SECRETARIA ESCOLAR 134 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ADRIÃO, T.; PERONI, V. 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