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BÁSICA PROTEÍNAS Prof. Dra. Andreia Teixeira Oliveira ESTRUTURA DAS BIOMOLÉCULAS Cerca de 70% do volume celular é composto por água, e o restante inclui biomoléculas essenciais, como: Carboidratos (energia e estrutura), Lipídios (armazenamento de energia) Proteínas (funções estruturais e enzimáticas), Ácidos nucleicos (DNA e RNA, responsáveis pela informação genética) carboidratos ESTRUTURA DAS BIOMOLÉCULAS Essas biomoléculas são grandes polímeros orgânicos, constituídos por subunidades repetíveis chamadas monômeros. Monômero ESTRUTURA DAS BIOMOLÉCULAS A maioria das biomoléculas é derivada de hidrocarbonetos, pois a química do organismo vivo está organizada ao redor do elemento carbono, que representa mais da metade do peso seco das células. O que diferencia as biomoléculas, estrutural e funcionalmente, são os pequenos grupos funcionais aos quais estão ligados EM UMA CADEIA CARBONADA. Grupos Funcionais • Os grupos funcionais são sequências químicas, ou padrões de átomos, que exibem uma "função" consistente (propriedades e reatividade) independentemente da molécula em que são encontrados. • As moléculas biológicas podem conter muitos tipos diferentes e combinações de grupos funcionais, e um conjunto particular de grupos em uma biomolécula afeta muitas das suas propriedades, incluindo sua estrutura, solubilidade e reatividade. Grupos funcionais: Grupos funcionais Ácido carboxílico Os ácidos carboxílicos constituem compostos polares e formam ligações de hidrogênio. Os ácidos carboxílicos com mais de dez carbonos são sólidos, com textura de cera e insolúveis em água (ácidos graxos) (— COOH) Aminas As aminas são compostos que podem ser considerados derivados do amoníaco, NH3, pela substituição de um ou mais átomos de hidrogênio: NH3 Metilamina Classificação: Aminas alifáticas (R-NH2) Aminas aromáticas (Ar-NH2) Aminas O aminoácidos? Aminoácidos são moléculas orgânicas que possuem um átomo de carbono ao qual se ligam um grupo carboxila, um grupo amino, um hidrogênio e um grupo variável. A grande quantidade de proteínas resulta da combinação dos aminoácidos de diferentes maneiras. Fórmula geral de um aminoácido • Cada aminoácido apresenta em sua estrutura um grupo amina e um grupo carboxila (ácido carboxílico), ambos ligados a um mesmo carbono, o qual é denominado carbono alfa (carbono α). • Cada tipo de proteína possui uma sequência específica de aminoácidos, que determina sua estrutura e função dentro do ser vivo. • A sequência e a natureza dos aminoácidos são determinadas pelo código genético, que está armazenado no DNA. Codificação genética Quando dizemos que algo está "codificado nas proteínas", estamos dizendo que a informação do DNA (nos genes) foi usada para construir uma proteína específica. Esse processo segue uma espécie de código (o código genético). 1. DNA (gene) → guarda as instruções. 2. Essa informação é transcrita para o RNA mensageiro (mRNA). 3. O mRNA é lido por ribossomos, que "traduzem" a sequência de letras (bases nitrogenadas) em aminoácidos. 4. A sequência de aminoácidos forma uma proteína. Proteínas – Síntese Cada trinca de bases nitrogenadas no RNA (chamada códon) corresponde a um aminoácido específico. Por isso a gente diz que os aminoácidos estão "codificados" no gene. Exemplo: O códon AUG no RNA codifica o aminoácido metionina, que geralmente é o primeiro em toda proteína nova. Aminoácidos Não Codificados – Componentes de antibióticos Existem centenas de aminoácidos não codificados geneticamente, chamados não proteicos, que participam de outras funções biológicas, como intermediários metabólicos ou componentes de antibióticos. Aminoácidos Não Codificados – Vias metabólicas Existem 20 aminoácidos considerados como padrões e que são os responsáveis por formar todas as proteínas existentes. De acordo com as propriedades da cadeia lateral, os aminoácidos podem ser agrupados em apolares, polares e com cadeias laterais eletricamente carregadas. Aminoácidos canônicos ou padrão APOLARES alanina (Ala) – A isoleucina (Ile) - I metionina (Met) – M prolina (Pro) - P triptofano (Trp) - W valina (Val) – V fenilalanina (Phe) – F glicina (Gly) – G leucina (Leu) - L POLARES serina (Ser) – S cisteína (Cys) – C tirosina (Tyr) - Y treonina (Thr) – T arginina (Arg) – R glutamina (Gln) - Q ELETRICAMENTE CARREGADOS lisina (Lys) - K ácido aspártico (Asp) - D ácido glutâmico (Glu) – E asparagina (Asn) - N histidina (His) – H Aminoácidos essenciais e não essenciais O que são Proteínas? Proteínas são polímeros, de alto peso molecular, formados pela união de aminoácidos. Proteínas são constituídas por α-aminoácidos. Cada tipo de proteína possui uma sequência específica de aminoácidos, que determina sua estrutura e função dentro do ser vivo. A sequência e a natureza dos aminoácidos na cadeia polipeptídica são determinadas pelo código genético, que está armazenado no DNA. Proteínas – Ligação Peptídica Ligação peptídica – Ligação amida formada covalentemente Ligações peptídicas Em uma proteína, muitos aminoácidos, normalmente acima de cem, são ligados por ligações peptídicas, dando origem a um polímero, ou seja, a uma cadeia polipeptídica. Muitos peptídeos apresentam atividade biológica, podendo, por exemplo, atuar como hormônios. A estrutura primária A estrutura primária é o nível mais simples na organização estrutural de uma proteína, onde os aminoácidos se ligam de forma linear. A estrutura primária Alterações na sequência de aminoácidos podem resultar em proteínas que não funcionam corretamente, levando a diversas doenças. Exemplo: Na anemia falciforme, uma única mudança na sequência de aminoácidos da hemoglobina causa a deformação das hemácias. Essa deformação afeta a capacidade do sangue de transportar oxigênio, demonstrando como a estrutura primária é crucial para a funcionalidade das proteínas. Nesta etapa formam-se padrões de dobramento local na cadeia polipeptídica, onde os componentes desse grupo dobram-se sobre si mesmas e formam pontes de hidrogênio, provocando uma estrutura helicoidal. A estrutura secundária Os dois tipos principais de estrutura secundária são: α-hélice - hélice espiral formada pela ligação de hidrogênio entre aminoácidos ao longo da cadeia polipeptídica. Folha-β ou (β-preguiada) - estruturas planares em forma de folha, formadas pela ligação de hidrogênio entre segmentos adjacentes da cadeia polipeptídica. A estrutura secundária α-hélice - A cadeia polipeptídica forma uma espiral, estabilizada por ligações de hidrogênio entre os grupos –C=O e –NH das ligações peptídicas. As cadeias lateais dos resíduos de aminoácidos se dispõem-se no exterior da hélice. •Beta-folha: o arranjo da cadeia se organiza em zig-zag e as duas partes podem ficar dispostas ao lado uma da outra. A estrutura terciária A estrutura geral tridimensional de um polipeptídeo é chamada de sua estrutura terciária. Estrutura obtida pelo enovelamento da cadeia polipeptídica. A estrutura terciária A estrutura terciária é principalmente resultante das interações entre os grupos R dos aminoácidos que compõem a proteína. Interações de grupo R que contribuem para a estrutura terciária incluem ligações de hidrogênio, ligações iônicas, interações dipolo-dipolo, ligação iônica e forças de dispersão London São formadas de mais de uma unidade estrutural (subunidades). Cada unidade estrutural pode conter, por sua vez, um ou mais polipeptídios. As subunidades estruturais ligam-se umas nas outras por ligações não covalentes, como ligação de hidrogênio e eletrostática. ESTRUTURA QUATERNÁRIA Proteínas - Estrutura Proteínas - Classificação De acordo com a estrutura: Fibrosas: colágeno, queratina, Globulares: albumina, hemoglobina, Proteínas mistas: Contêmtanto regiões fibrosas como globulares - actina/miosina Proteína Fibrosa Proteína Globular Proteínas - Fibrosas Colágeno - é a proteína mais abundante no corpo humano, formando fibras resistentes em pele, ossos, tendões e vasos sanguíneos. Sua estrutura tripla-hélice depende de: Hidroxiprolina (OH-prolina): Estabiliza a hélice do colágeno por formar pontes de hidrogênio. Hidroxilisina (OH-lisina): Permite ligações cruzadas entre fibras de colágeno, conferindo resistência mecânica. Esses aminoácidos são responsáveis pela estabilidade e coesão da proteína. Proteínas - Fibrosas Estes aminoácidos hidroxilados (OH-lisina e OH-prolina ) não são obtidos pela alimentação, devendo ser obtidos durante a síntese proteica, a partir da ação das enzimas lisil e prolil– hidroxilases. Na falta de vitamina C, não ocorre a formação de OH-lisina e OH-prolina, resltando em fibras de colágeno frágeis e desorganizadas, causando sangramento de gengivas, mucosas – (ESCORBUTO). Proteínas - Fibrosas Queratina - Proteína Fibrosa e alongada encontrada principalmente em estruturas derivadas do ectoderma (pele). Se dividem em 2 tipos: α- Queratina – estruturas com maior força de coesão. Ligação de hidrogênio intracadeia e pontes dissulfeto (dão resistência e elasticidade). ● ligação de dissulfeto : estrutura mais dura (chifres, unhas, cascos). ● ligações de dissulfeto: mole e flexíveis, porém, resistente: cabelo, lã β - Queratina – estruturas com ligação de hidrogênio mais dura mais rígida e mais resistente que a alfa-queratina. Tem menor elasticidade. ex: penas, escamas, garras, bico.. Proteínas - Globulares Hemeproteínas - As hemoproteínas são uma classe importante de proteínas conjugadas que contêm um grupo hemo (ou "heme") como parte de sua estrutura. O grupo hemo é um complexo orgânico que possui um átomo de ferro (Fe) no centro, geralmente no estado ferroso (Fe²⁺), essencial para suas funções biológicas. Proteínas - Globulares Funções das Hemoproteínas: Transporte de oxigênio: Hemoglobina (no sangue) Mioglobina (nos músculos). Catálise de reações: Enzimas como citocromos (na cadeia respiratória mitocondrial) e peroxidases (na detoxificação). Armazenamento de oxigênio: Mioglobina em tecidos musculares. Proteínas - Globulares Metahemoglobina - é uma forma alterada da hemoglobina em que o ferro do grupo hemo está no estado férrico (Fe³⁺) em vez do estado ferroso (Fe²⁺). Essa modificação impede a ligação com o oxigênio (O₂), comprometendo o transporte de O₂ no sangue. O Fe³⁺ não se liga ao O₂, tornando a hemoglobina ineficaz. Causas: Congênita: Deficiência da enzima citocromo b5 redutase (responsável por reduzir Fe³⁺ de volta para Fe²⁺). Adquirida: Exposição a oxidantes químicos (nitritos, anilinas, benzocaína). ◦ Uso de fármacos como dapsona ou sulfonamidas. ◦ Ingestão de água contaminada (ex.: nitratos em poços). Proteínas – Classificação -Proteínas Simples - Formadas somente por aminoácidos (Albumina, Queratina, Colágeno). -Proteínas Conjugadas - Formadas por aminoácidos + um grupo não proteico (chamado de grupo prostético). Esse grupo prostético pode ser um metal, um carboidrato, um lipídio, uma vitamina, etc. Classificação das Proteínas – Quanto ao valor nutritivo -Proteínas de alto valor biológico - Completas - Contêm todos os aminoácidos essenciais nas proporções ideais para humanos (ovo, Quinoa) - Parcialmente completas - Contêm todos os aminoácidos essenciais, mas em proporções desbalanceadas (alguns em quantidade insuficiente). -Proteínas de baixo valor biológico (Incompletas) - Vegetais: Gelatina (falta triptofano), milho (falta lisina), trigo (falta lisina). - Alimentos processados: Proteínas isoladas de baixa qualidade. Proteínas do leite: As proteínas do leite são muito conhecidas por sua alta qualidade nutricional — ou seja, são ricas em aminoácidos essenciais . A caseína forma o "coalho" do leite (base da fabricação de queijos). Elas são divididas em dois grandes grupos: 1. Caseínas (≈ 80% das proteínas do leite) · Forma de agrupamento: micelas (complexos que mantêm as caseínas solúveis no leite). · Função nutricional: liberam aminoácidos de forma lenta e contínua no organismo, o que é útil na manutenção da massa muscular. · Tipos de caseína: (αs1-caseína, αs2-caseína, β-caseína, κ-caseína, 2. Proteínas do soro do leite (≈ 20%) Proteínas do leite: 2. Proteínas do soro do leite (≈ 20%) São as proteínas mais solúveis e rapidamente absorvidas: Beta-lactoglobulina (principal proteína do soro) Alfa-lactoalbumina Albumina do soro bovino (BSA) Imunoglobulinas (atuam no sistema imunológico) Lactoferrina (tem ação antimicrobiana e imunológica) Proteínas do leite desnatado (%) Quantidade no leite (g/L) Caseínas (total) 80 27 -Caseína 40 14 -Caseína 24 8 -Caseína 12 4 -Caseína 4 1 Proteínas do soro (total) 20 7,0 Lactoalbumina 12 4,2 Lactoglobulina 5 1,8 Imunoglobulinas 2 0,7 Outras 1 0,3 A intolerância à lactose é um problema com o açúcar do leite (lactose), não com as proteínas. Aminoácido limitante Alimento Aminoácido limitante Trigo Lisina Arroz Lisina Legumes Triptofano Milho, cereais Lisina, Triptofano Feijão Metionina ou Cisteína Ovos, frango Nenhum (proteína de MAIOR valor biológico – alta digestibilidade) Desnaturação proteica Mudança na conformação estrutural (estrutura tridimensional funcional) da proteína, causada pela ruptura das interação não covalentes, sem que ocorra hidrólise das ligações peptídicas – Proteínas Desnaturadas Agentes Desnaturantes aquecimento, agitação, radiação UV, raios X Ácidos e bases fortes, solventes orgânicos, detergentes Soluções concentradas de ureia Elevadas pressões Renaturação proteica Proteína retoma sua estrutura original, pela retirada do agente desnaturante e reestabelecimento de condições ideais. FUNÇÕES DAS PROTEÍNAS Atividade Catalítica Transporte Contráteis / Motilidade Proteínas - Funções Proteínas Estruturais - Fornecem suporte mecânico, resistência e forma para células, tecidos e órgãos (Queratina, colágeno, elastina, actina, miosina) Proteínas de Defesa - Defendem o organismo contra agentes estranhos (vírus, bactérias, toxinas). – Anticorpos (imunoglobulinas), Interleucinas (proteínas sinalizadoras do S.I.) Proteínas Reguladoras - Regulam processos celulares, especialmente a expressão gênica e o metabolismo. (Fatores de transcrição, Hormônios) Nutrição - Servem como fonte de aminoácidos essenciais durante o crescimento, jejum ou desenvolvimento embrionário. (Caseína, Ovalbumina) Coagulação - Participam da hemostasia, ou seja, da formação do coágulo para estancar sangramentos. (Trombina, Fibrinogênio)