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Jaíne Tamila - Odontologia FATEC - @chamego_odonto Infecções Bacterianas Patologia Bucal IMPETIGO ♥ Impetigo é uma infecção superficial da pele que é causada pelo Staphylococcus aureus, sozinho ou em combinação com o Streptococcus pyogenes (grupo A, β- hemolítico). Dois padrões principais são observados. ♥ O epitélio íntegro geralmente atua como uma proteção contra a infecção; por esse motivo, a maioria dos casos se origina em áreas da pele previamente lesadas, como em dermatite preexistente, cortes, abrasões ou picadas de insetos. ♥ Uma prevalência aumentada está associada a condições sistêmicas debilitantes, como a infecção pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV), diabetes melito tipo 2 ou diálise. Características cl inicas O impetigo não bolhoso ♥ Conhecido também como impetigo contagioso, é o tipo mais comum, ocorrendo preferencialmente nas pernas e, menos comumente, no tronco, couro cabeludo e face. As lesões faciais em geral aparecem ao redor do nariz e da boca. Muitas vezes, as lesões faciais têm um padrão linear que corresponde à arranhadura prévia por unhas. ♥ A infecção é mais comum em crianças na idade escolar. ♥ O pico de acometimento é observado durante o verão ou no começo do outono em zonas quentes e úmidas. O impetigo é contagioso e se espalha facilmente em condições de superpopulação ou em áreas com deficiência de saneamento básico. ♥ Aparece inicialmente como máculas ou pápulas vermelhas, com o posterior desenvolvimento de vesículas frágeis. Essas vesículas se rompem rapidamente e são cobertas por uma crosta âmbar Impetigo bolhoso Impetigo não bolhoso Jaíne Tamila - Odontologia FATEC - @chamego_odonto espessa. As crostas são aderentes e têm sido descritas como “flocos de milho grudados à superfície”. ♥ O prurido é comum e o ato de coçar as lesões pode favorecer a disseminação da infecção. ♥ Linfangite, celulite, febre, anorexia e mal-estar são incomuns, embora ocorra leucocitose em aproximadamente metade dos pacientes acometidos. Impetigo- Crostas de coloração âmbar na pele e no vermelhão dos lábios. Impetigo- Crostas de coloração âmbar e recobertas por escamas na pele perioral. ♥ Em um padrão infrequente chamado de ectima, a área central das crostas se torna necrótica e forma uma induração ulcerada profunda. Essa lesão cicatriza lentamente e frequentemente é associada a cicatriz permanente. O impetigo bolhoso ♥ Pode também ser chamado de impetigo estafilocócico. Assim como a forma não bolhosa, acomete preferencialmente as extremidades, o tronco e a face. ♥ Recém-nascidos e bebês são afetados mais frequentemente, mas também pode ocorrer em crianças e adultos. As lesões se manifestam clinicamente por vesículas superficiais que coalescem e formam grandes bolhas flácidas. ♥ Inicialmente, as bolhas são preenchidas por um líquido claro seroso, porém o conteúdo das bolhas rapidamente se torna turvo e, por fim, purulento. ♥ Embora as bolhas possam permanecer intactas, elas em geral se rompem e desenvolvem uma fina crosta castanha, descrita por alguns autores como “laca”. Fraqueza, febre e diarreia podem ser observadas. ♥ Linfadenopatia e a celulite são complicações incomuns. Meningite e pneumonia são muito raras, mas podem Jaíne Tamila - Odontologia FATEC - @chamego_odonto causar complicações sérias, incluindo a morte. Diagnóstico Normalmente, o diagnóstico presuntivo pode ser feito facilmente pela avaliação clínica. Quando o diagnóstico clínico não é evidente ou a infecção não responde ao tratamento padrão dentro de sete dias, o diagnóstico definitivo requer o isolamento de S. aureus ou S. pyogenes por cultura da pele envolvida. Tratamento e prognóstico Para pacientes com impetigo não bolhoso ♥ Envolvendo apenas uma pequena área com poucas lesões, mupirocina tópica ou ácido fusídico tem se mostrado eficaz. Embora incomuns, têm sido cada vez mais relatados episódios de resistência a esses medicamentos, especialmente em infecções associadas a S. aureus meticilina-resistentes. Nesses casos, a utilização de retapamulina tópica tem provado ser eficaz em muitos pacientes. ♥ A remoção das crostas com uma toalha limpa molhada com água morna e sabão é recomendada antes da aplicação do medicamento tópico, ao invés de realizar a aplicação do medicamento na pele inerte, seca e esfoliada. Para as lesões bolhosas ou mais extensas ♥ Os antibióticos tópicos geralmente são insuficientes. O tratamento de eleição consiste em antibiótico sistêmico via oral por uma semana. O melhor antibiótico é aquele eficaz tanto contra o S. pyogenes quanto contra S. aureus penicilina- resistente. ♥ Cefalexina, dicloxacilina, flucloxacilina e amoxicilina-ácido clavulânico representam boas opções atuais. Em comunidades frequentadas por S. aureus meticilina- resistentes, as terapias com agentes como trimetoprima/sulfametoxazol, clindamicina, tetraciclina ou fluoroquinolonas são recomendadas. ♥ Se não forem tratadas, as lesões muitas vezes crescem lentamente e vão se espalhando. ♥ O diagnóstico incorreto e o tratamento com corticosteroides tópicos pode levar à resolução das crostas superficiais, porém as lesões infecciosas, vermelhas e inflamadas permanecem. Jaíne Tamila - Odontologia FATEC - @chamego_odonto ERISIPELA ♥ A erisipela é uma infecção superficial da pele, mais comumente associada aos estreptococos β-hemolíticos (geralmente do grupo A, como S. pyogenes, mas ocasionalmente de outros grupos, como C, B ou G). ♥ A infecção se dissemina rapidamente pelos vasos linfáticos, os quais se tornam preenchidos por fibrina, leucócitos e estreptococos. ♥ O termo fogo de Santo Antônio tem sido utilizado para descrever a erisipela. Como a Casa Francesa de Santo Antônio, um hospital do século XI, tinha paredes vermelhas cor de fogo semelhante à cor da erisipela, o termo fogo de Santo Antônio foi utilizado para descrever essa doença. ♥ Atualmente, a erisipela facial clássica é um diagnóstico raro e muitas vezes esquecido. Ocasionalmente, o diagnóstico apropriado não é alcançado precocemente devido à confusão com a celulite facial originada de uma infecção odontogênica. Características clínicas ♥ A erisipela tende a ocorrer principalmente em pacientes adultos jovens e idosos, ou naqueles que estão debilitados, diabéticos, imunossuprimidos, obesos ou alcoólatras. ♥ Os pacientes que apresentam áreas de edema linfático crônico ou cicatrizes cirúrgicas extensas também são suscetíveis à doença. A infecção pode ocorrer em qualquer parte da pele, especialmente nas áreas de trauma prévio. ♥ Os locais mais afetados são as pernas nas áreas acometidas pela tinea pedis (pé de atleta). A face, os braços e a parte superior da coxa também são frequentemente acometidos. Nota-se um aumento da prevalência da erisipela facial no inverno e na primavera, enquanto o pico de prevalência da erisipela que envolve as extremidades inferiores ocorre no verão. ♥ Quando as lesões ocorrem na face, elas em geral acometem as bochechas, pálpebras e o dorso do nariz, algumas vezes produzindo o aspecto de lesão em forma de borboleta, que pode lembrar o Jaíne Tamila - Odontologia FATEC - @chamego_odonto lúpus eritematoso. Quando as pálpebras estão envolvidas, elas podem se tornar edemaciadas e fechadas, lembrando o angioedema. ♥ A área afetada é dolorida, vermelho- brilhante, bem-delimitada, aumentada, endurecida e quente ao toque. Muitas vezes, a pele afetada demonstra uma textura superficial que lembra casca de laranja. ♥ Febre alta e linfadenopatia estão frequentemente presentes, náusea e vômitos ocorrem mais raramente. A confirmaçãodo diagnóstico é difícil porque a cultura do microrganismo não é útil. Erisipela. Área de tumefação avermelhada na bochecha do lado esquerdo. Tratamento e prognóstico ♥ O tratamento de eleição é a penicilina. Antibióticos alternativos incluem a eritromicina, cefalexina; e ciprofloxacina. No início do tratamento, a área da pele acometida costuma aumentar, provavelmente em resposta à liberação de toxinas dos estreptococos que estão morrendo. Uma resolução rápida é observada dentro de 48 horas. ♥ Sem o tratamento adequado, possíveis complicações incluem a formação de abscessos, gangrena, fasciíte necrosante, síndrome do choque tóxico com possível falência de múltiplos órgãos, tromboflebite, glomerulonefrite aguda, septicemia, endocardite e morte. ♥ Recidivas podem ocorrer na mesma área. As recidivas repetidas podem ocasionar aumentos desfigurantes e permanentes. Nos casos com múltiplas recorrências, a profilaxia com a penicilina via oral tem sido usada. FARINGITE E TONSILITE ESTREPTOCÓCICA ♥ A tonsilite e a faringite são muito comuns e podem ser causadas por estreptococos β-hemolíticos do grupo A, adenovírus, enterovírus, influenza, parainfluenza e vírus Epstein-Barr (EBV). A disseminação se dá caracteristicamente pelo contato de pessoa para pessoa por Jaíne Tamila - Odontologia FATEC - @chamego_odonto meio de gotículas respiratórias ou secreções orais, com pequeno período de incubação de dois a cinco dias. Características clínicas ♥ Maior prevalência é observada em crianças entre cinco e quinze anos, com a maioria dos casos nos locais com clima temperado surgindo no inverno ou no começo da primavera. ♥ Os sinais e sintomas da faringite e da tonsilite variam de leves a intensos. Os achados comuns incluem aparecimento repentino de dor de garganta, temperatura entre 38° e 40°C, disfagia, hiperplasia tonsilar, vermelhidão da orofaringe e amígdalas, petéquias palatinas, linfadenopatia cervical e um exsudato tonsilar amarelado, que pode ser irregular ou confluente. ♥ Outros achados ocasionais incluem aumento consistente, edematoso e avermelhado da úvula, narinas escoriadas e um exantema semelhante ao da escalatina. ♥ Sintomas sistêmicos, como cefaleia, mal-estar, anorexia, dor abdominal e vômitos podem ser observados especialmente nas crianças mais novas. Conjuntivite, coriza (rinorreia), tosse, rouquidão, pequenas lesões ulceradas, estomatite anterior, ausência de febre, um exantema viral e diarreia estão tipicamente associados a infecções virais e normalmente não estão presentes na faringotonsilite estreptocócica. Tonsilite. A- Amígdalas faringianas hiperplásicas, com exsudato amarelado nas criptas. B- O mesmo paciente após sucesso na terapia com amoxicilina/ácido clavulânico Febre Escarlate. Superfície dorsal da língua exibindo uma cobertura branca em associação com numerosas papilas fungiformes aumentadas e eritematosas Diagnóstico Jaíne Tamila - Odontologia FATEC - @chamego_odonto ♥ O teste diagnóstico é recomendado apenas para aqueles pacientes com achados clínicos e epidemiológicos que sugiram uma infecção estreptocócica ou para aqueles em contato direto com um caso bem documentado. ♥ Testes de detecção rápida de antígenos, embora sejam menos sensíveis que culturas de garganta, fornecem resultados rápidos e apresentam boa sensibilidade e especificidade. Quando resultados negativos são obtidos em crianças, a cultura confirmatória de garganta deve ser realizada. Tratamento e prognóstico ♥ A faringite estreptocócica é geralmente autolimitante e se resolve espontaneamente dentro de três a quatro dias após o aparecimento dos sintomas. ♥ Além da redução da morbidade localizada da infecção, o principal objetivo do tratamento é a prevenção do desenvolvimento de complicações sistêmicas, como febre reumática aguda e glomerulonefrite aguda. ♥ O início do tratamento apropriado dentro dos primeiros nove dias após o desenvolvimento da faringite previne a febre reumática. Os pacientes são considerados não contagiosos 24 horas após o início do tratamento apropriado com antibióticos. ♥ O antibiótico de escolha para o grupo de estreptococo do grupo A via oral é a penicilina V ou amoxicilina. Outras escolhas para pacientes alérgicos à penicilina incluem azitromicina, clindamicina, cefalosporinas (como cefadroxil ou cefalexina) e macrolídeos (como eritromicina ou claritromicina). FEBRE ESCARLATE (ESCARLATINA) ♥ A doença começa como uma tonsilite estreptocócica com faringite, na qual os microrganismos elaboram uma toxina eritrogênica que ataca os vasos sanguíneos e produz o exantema cutâneo característico. ♥ Essa condição ocorre em pacientes suscetíveis que não têm anticorpos antitoxina. O período de incubação varia de um a sete dias e os achados clínicos significantes incluem febre, enantema e exantema. Jaíne Tamila - Odontologia FATEC - @chamego_odonto Características clínicas ♥ A febre escarlate é mais comum em crianças entre os três e doze anos. O enantema da mucosa oral envolve as amígdalas, faringe, palato mole e língua. As amígdalas, o palato mole e a faringe se tornam eritematosos e edemaciados e as criptas amigdalianas podem ser preenchidas por um exsudato amarelado. ♥ Nos casos graves, os exsudatos podem se confluir se assemelhando à difteria. Petéquias dispersas podem ser encontradas no palato mole em até 10% dos pacientes afetados. ♥ Durante os dois primeiros dias, o dorso da língua apresenta uma cobertura branca na qual apenas as papilas fungiformes podem ser visualizadas, isso tem sido chamado de língua em morango branca. ♥ Por volta do quarto ou quinto dia, ocorre descamação da cobertura branca revelando uma superfície dorsal eritematosa com papilas fungiformes hiperplásicas, a língua em morango vermelha. ♥ Classicamente, nos casos não tratados, a febre surge de forma abrupta por volta do segundo dia. A temperatura do paciente atinge picos de 39,5ºC, retornando ao normal dentro de seis dias. Dor abdominal, dor de cabeça, mal-estar, náusea e vômito são sintomas frequentemente presentes. ♥ O exantema clássico da febre escarlate é peculiar e frequentemente é descrito como “uma queimadura de sol com arrepios”. Geralmente, o exantema desaparece em uma semana, seguido de um período de descamação da pele. Essa descamação se inicia na face ao final da primeira semana e se dissemina para o resto da pele por volta da terceira semana, sendo as extremidades as últimas áreas afetadas. Este período de descamação pode durar de três a oito semanas. Diagnóstico ♥ A cultura de secreções de garganta é o exame padrão para confirmar faringite estreptocócica e febre escarlate. Entretanto, embora menos sensíveis do que os exames de cultura de garganta, testes de detecção rápida de antígenos fornecem resultados mais rápidos e demonstram boa sensibilidade e Jaíne Tamila - Odontologia FATEC - @chamego_odonto especificidade. Se resultados negativos são obtidos em crianças, o teste de cultura da garganta deve ser realizado para confirmação. Tratamento e Prognóstico ♥ O tratamento da febre escarlate é necessário para prevenir possíveis complicações, como abscessos peritonsilares ou retrofaringianos, sinusite ou pneumonia. ♥ Os antibióticos orais de escolha são a penicilina V ou a amoxicilina. Outras escolhas para pacientes alérgicos à penicilina incluem azitromicina, clindamicina, cefalosporinas (como cefadroxil ou cefalexina) e macrolídeos (como eritromicina ou claritromicina). ♥ O ibuprofeno pode ser usado para reduzir a febre e aliviar o desconforto associado. A febre e os sintomas mostram melhora acentuada48 horas após o início do tratamento. Com a terapia apropriada, o prognóstico é excelente. CONCREÇÕES AMIGDALIANAS E TONSILOLITÍASE ♥ Anatomicamente, as amígdalas faringianas exibem numerosas invaginações profundas, curvas e revestidas por epitélio. A função dessas criptas amigdalianas é aumentar a superfície de contato para interação das células imunes do tecido linfoide com o ambiente oral. Essas criptas retorcidas costumam ser preenchidas por queratina descamada e materiais estranhos com colonização bacteriana secundária. Muitas vezes, o conteúdo dessas invaginações se torna compacto e forma uma massa com cheiro desagradável conhecida como concreção amigdaliana. Características Clínicas e Radiográficas ♥ A amígdala afetada demonstra uma ou mais criptas aumentadas preenchidas com detritos de coloração amarelada, cuja consistência pode se apresentar mole, friável ou densamente calcificada. Ao contrário da tonsilite aguda, o tecido amigdaliano ao redor não apresenta dor aguda, nem inflamação intensa ou edema significante. ♥ Os tonsilólitos podem se desenvolver em uma grande faixa etária, desde crianças a idosos, com média de idade por volta do início dos 40 anos. Os homens Jaíne Tamila - Odontologia FATEC - @chamego_odonto são duas vezes mais afetados do que as mulheres. Essas calcificações podem variar de lesões pequenas, clinicamente insignificantes, a calcificações volumosas maiores que 14 cm de comprimento. ♥ Os tonsilólitos podem ser únicos ou múltiplos e casos bilaterais têm sido relatados. Embora muitas concreções amigdalianas e tonsilólitos sejam assintomáticos, essas calcificações podem promover infecções amigdalianas recorrentes e podem levar à dor, formação de abscesso, ulceração, disfagia, dor de garganta crônica, tosse irritável ou otalgia. ♥ Halitose é uma queixa comum e não surpreendente, visto que diversas bactérias presentes no biofilme associado são conhecidas por produzir sulfito de hidrogênio e metilmercaptana, ambos associados a mau odor intenso. ♥ Ocasionalmente os pacientes relatam uma dor surda ou a sensação de um corpo estranho na garganta que é aliviada com a remoção do tampão tonsilar. Nos pacientes com tonsilólitos grandes, o exame clínico costuma revelar uma massa submucosa, amarela e dura na amígdala afetada. Nos pacientes mais idosos, os tonsilólitos grandes podem ser aspirados, produzindo complicações pulmonares secundárias. Mais frequentemente, os tonsilólitos são identificados em radiografias panorâmicas como massas radiopacas superpostas à porção mediana do ramo mandibular Tonsilólitos. Grupos de radiopacidades observados bilateralmente na porção central dos ramos ascendentes. Diagnóstico ♥ Um diagnóstico sugestivo pode ser levantado pela combinação dos aspectos clínicos e radiográficos. Após a observação da imagem na radiografia panorâmica, se a confirmação diagnóstica dos tonsilólitos ainda for necessária, a sua presença pode ser observada pela Jaíne Tamila - Odontologia FATEC - @chamego_odonto tomografia computadorizada, imagem por ressonância magnética ou demonstração do cálculo na remoção da amígdala afetada. Tratamento e Prognóstico ♥ Os tonsilólitos identificados incidentalmente em radiografias panorâmicas, geralmente não são tratados, exceto quando estão associados à hiperplasia amigdaliana ou a sintomas clínicos. ♥ Ocasionalmente, os indivíduos acometidos tentam remover as concreções amigdalianas com instrumentos, como canudos, palitos de dentes ou instrumentais odontológicos. Estas tentativas podem causar dano no tecido tonsilar adjacente e devem ser desencorajadas. ♥ Os pacientes devem ser orientados a tentar a remoção com gargarejos com água morna e sal ou jatos de água. A recidiva das concreções removidas é comum. Criptólise a laser ou por coblação tem sido utilizada com sucesso a fim de reduzir a extensão das invaginações amigdalianas e acabar com a recidiva das concreções. Quando existem evidências de tonsilite crônica associada, a tonsilectomia é o tratamento definitivo. DIFTERIA ♥ A difteria é uma infecção que ameaça a vida, mais comumente causada por Corynebacterium diphtheriae. C. ulcerans e C. pseudotuberculosis são causas menos comuns e usualmente descobertas em indivíduos que tiveram contato com animais de fazenda ou produtos derivados do leite. ♥ Os humanos são os únicos hospedeiros e a infecção é adquirida por meio do contato com uma pessoa infectada ou portadora. ♥ A bactéria produz uma exotoxina letal, que causa a necrose tecidual. Características Clínicas ♥ Surgem de um a cinco dias após o contato com o microrganismo; ♥ Febre baixa, cefaleia, mal-estar, anorexia, dor de garganta e vômitos surgem gradualmente e podem ser brandos. Podendo produzir exsudato nasal, amigdaliano, faringiano, laringotraqueal, conjuntival e genital. Jaíne Tamila - Odontologia FATEC - @chamego_odonto ♥ O envolvimento da cavidade nasal é frequentemente acompanhado por secreção mucoide ou hemorrágica prolongada. O exsudato orofaringiano se inicia em uma ou em ambas as amígdalas como uma mancha branco-amarelada fina que se espessa para formar uma cobertura aderente acinzentada. ♥ A gravidade da infecção está correlacionada com a disseminação da membrana diftérica. A obstrução local das vias aéreas pode ser fatal. O envolvimento das amígdalas leva à linfadenopatia cervical significante, que é frequentemente associada a um aumento edematoso do pescoço conhecido como pescoço de touro. A paralisia relacionada com a toxina pode afetar os músculos oculomotores, faciais, faringianos, diafragmáticos e intercostais. A paralisia do palato mole pode levar à regurgitação nasal durante a deglutição. Diagnóstico A confirmação laboratorial deve ser obtida em todos os casos. Tratamento e Prognóstico ♥ O tratamento do paciente com difteria deve ser iniciado no momento do diagnóstico clínico, não devendo ser adiado até que o resultado da cultura esteja pronto. ♥ Deve-se administrar a antitoxina em combinação com antibióticos para evitar a produção adicional de toxinas, objetivando interromper a infecção local, e para prevenir a transmissão. Podem ser usadas a eritromicina, penicilina procaína ou penicilina intravenosa. SÍFILIS (LUES) ♥ A sífilis é uma infecção crônica mundial causada pelo Treponema pallidum. ♥ Principais vias de transmissão são o contato sexual e da mãe para o feto. Os humanos são os únicos hospedeiros naturais comprovados para sífilis. ♥ Em pacientes com sífilis, a infecção sofre uma evolução característica que se desenvolve classicamente em três estágios. Jaíne Tamila - Odontologia FATEC - @chamego_odonto Sífilis Primária Sífilis Secundária Sífilis Terciária Sífilis primária ♥ É caracterizada pelo cancro, que se desenvolve na área de inoculação, tornando-se clinicamente evidente de 3 a 90 dias após a exposição inicial. ♥ A lesão oral apresentase como uma úlcera de base clara e indolor ou, raramente, como uma proliferação vascular semelhante a um granuloma piogênico. A linfadenopatia regional, que pode ser bilateral, é vista na maior parte dos pacientes. Cancro da Sífilis Primária. Massa eritematosa e ulcerada na mucosa jugal anterior direita. Sífilis Secundária ♥ A fase seguinte é conhecida como sífilis secundária (disseminada), sendo identificada clinicamente de quatro a dez semanas após a infecção inicial. ♥ Os sintomas mais comuns são linfadenopatia indolor, dor de garganta, mal-estar, cefaleia, perda de peso, febre e dor musculoesquelética. Um sinal consistente é uma erupção cutânea maculopapular difusa e indolor,disseminada por todo o corpo e que pode acometer inclusive a região palmo-plantar. ♥ Além disso, cerca de 30% dos pacientes apresentam áreas focais de exocitose e espongiose intensa da mucosa oral, levando à formação de zonas de mucosa sensível e esbranquiçada, conhecidas como placas mucosas. ♥ Placas mucosas elevadas também podem estar centradas sobre a dobra da comissura labial e foram chamadas de pápulas fendidas. ♥ Ocasionalmente, lesões papilares que podem lembrar papilomas virais surgem durante esse momento e são chamadas de condilomalata. Embora essas lesões ocorram classicamente na região genital ou anal, casos raros podem ocorrer na boca Jaíne Tamila - Odontologia FATEC - @chamego_odonto Condiloma Lata. Múltiplos nódulos endurecidos e levemente papilares no dorso da língua ♥ Ao contrário do cancro isolado encontrado na sífilis primária, lesões múltiplas são típicas da sífilis secundária. A resolução espontânea em geral ocorre dentro de três a doze semanas, entretanto, recidivas podem ocorrer no ano seguinte. Placa Mucosa da Sífilis Secundária. Placa branca circunscrita na mucosa labial inferior. Placa Mucosa da Sífilis Secundária. Placa branca espessa e irregular do lado direito do palato mole. Sífilis Terciária ♥ Após a sífilis secundária, os pacientes entram em uma fase livre de lesões e sintomas, conhecida como sífilis latente. Este período de latência pode durar de um a trinta anos. ♥ O sistema vascular pode ser afetado significativamente pelos efeitos da arterite prévia. Pode ocorrer aneurisma da aorta ascendente, hipertrofia ventricular esquerda, regurgitação aórtica e insuficiência cardíaca congestiva. O envolvimento do sistema nervoso central (SNC) pode levar a tabes dorsalis, paralisia generalizada, psicose, demência, paresia e morte. Lesões oculares como irite, coroidorretinite e pupilas de Argyll Robertson podem ocorrer. As pupilas de Argyll Robertson se contraem durante o foco, mas não respondem à luz brilhante (apelidadas de “pupilas de prostitutas”, porque acomodam-se, mas não reagem). ♥ Menos significativos, porém mais característicos, são os focos dispersos de inflamação granulomatosa. Esse sítio ativo de inflamação granulomatosa, conhecido como goma, apresenta-se como uma lesão endurecida, nodular ou ulcerada, que pode causar extensa destruição tecidual. A língua pode ser difusamente envolvida pelas gomas e apresenta-se aumentada, lobulada e com formato Jaíne Tamila - Odontologia FATEC - @chamego_odonto irregular. Esse padrão lobular é chamado de glossite intersticial e se acredita que seja resultado da contratura da musculatura lingual após a cicatrização das gomas. A atrofia difusa e a perda das papilas do dorso lingual produzem uma condição chamada de glossite luética. Sífilis Terciária. Perfuração do palato duro Sífil is congênita . As alterações clínicas decorrentes da infecção fetal são conhecidas como sífilis congênita. Em 1858, Sir Jonathan Hutchinson descreveu as alterações encontradas na sífilis congênita e definiu três achados diagnósticos: ♥ Dentes de Hutchinson; ♥ Ceratite ocular intersticial; ♥ Surdez associada ao comprometimento do oitavo par de nervos cranianos. GONORREIA A gonorreia é uma doença sexualmente transmissível causada pela Neisseria gonorrhoeae. Características clínicas ♥ As áreas frequentemente afetadas exibem significativa secreção purulenta, mas perto de 10% dos homens e até 80% das mulheres que contraem gonorreia são assintomáticos. ♥ O sítio mais envolvido em mulheres é o colo uterino e as queixas principais incluem aumento da secreção vaginal, sangramento entre as menstruações, ardência genital e disúria. Os microrganismos podem ascender para o útero e os tubas ovarianas, levando à complicação da gonorreia mais importante nas mulheres – a doença inflamatória pélvica (DIP) com complicações a longo prazo que incluem gravidez ectópica ou infertilidade devido à obstrução tubária. ♥ A maioria dos casos de gonorreia oral parece ser resultado da felação, embora a gonorreia orofaringiana possa ocorrer pela septicemia gonocócica, pelo beijo ou cunilíngua. A maioria dos casos são relatados em mulheres ou homens Jaíne Tamila - Odontologia FATEC - @chamego_odonto homossexuais, sendo os sítios mais comuns de envolvimento a faringe, amígdalas e úvula. Embora a gonorreia faringiana seja em geral assintomática, uma dor de garganta que varia de leve a moderada pode ocorrer e pode ser acompanhada por eritema orofaríngeo difuso e inespecífico. As amígdalas, quando acometidas, exibem edema e eritema, muitas vezes com pústulas puntiformes pequenas esparsas. ♥ Ocasionalmente, a infecção pode simular a gengivite ulcerativa necrotizante (GUN), porém alguns clínicos relatam que o odor oral típico da GUN está ausente, fornecendo um indício importante para a verdadeira causa. Gonorreia. Necrose, supuração e hemorragia da gengiva inferior anterior. Diagnóstico Em homens com secreção uretral, uma coloração de Gram do material purulento pode ser usada para demonstrar diplococos gram-negativos dentro dos neutrófilos, testes adicionais geralmente não são indicados. Embora a coloração de Gram seja benéfica para mulheres, recomenda-se a confirmação do diagnóstico por meio de cultura de esfregaços endocervicais, se as condições forem adequadas para manter a viabilidade dos microrganismos. Tratamento e Prognóstico O regime atualmente recomendado é a ceftriaxona intramuscular combinada com azitromicina oral ou doxicilina. TUBERCULOSE Tuberculose primária ♥ Ocorre em indivíduos não expostos previamente ao microrganismo, envolvendo quase sempre o pulmão. ♥ Disseminação direta de pessoa para pessoa por meio de gotículas respiratórias de um paciente com a doença ativa. ♥ Na maioria dos indivíduos, a infecção primária resulta apenas na formação de um nódulo localizado fibrocalcificado no sítio inicial do envolvimento. ♥ Em raras situações, a TB ativa pode decorrer diretamente de uma infecção primária. Entretanto, a doença ativa Jaíne Tamila - Odontologia FATEC - @chamego_odonto costuma se desenvolver em uma fase mais tardia da vida, com a reativação do microrganismo em uma pessoa previamente infectada. Tuberculose secundária ♥ Tal reativação é associada ao comprometimento da defesa do hospedeiro, sendo chamada de tuberculose secundária. ♥ Pode ocorrer a disseminação difusa através do sistema sanguíneo, produzindo muitas vezes pequenos focos múltiplos de infecção que lembram macroscópica e radiograficamente, sementes de milho, resultando no apelido tuberculose miliar. ♥ A tuberculose secundária está associada a medicamentos imunossupressores, diabetes, idade avançada, pobreza e condições de vida superpovoadas. A AIDS representa um dos fatores de risco mais fortemente associados à progressão da infecção para a doença. Características clínicas e radiográficas Tuberculose primária ♥ A TB primária é em geral assintomática. ♥ Ocasionalmente, podem ocorrer febre e efusão pleural. Tuberculose secundária ♥ Os pacientes apresentam febre baixa, mal-estar, anorexia, perda de peso e sudorese noturna. ♥ Com a progressão pulmonar da doença, desenvolve-se tosse produtiva, usualmente acompanhada de hemoptise ou dor torácica. A tuberculose progressiva pode levar a uma síndrome debilitante. ♥ Em pacientes com AIDS, mais de 50% apresentarão lesões extrapulmonares. ♥ O envolvimento da pele pode ocorrer, sendo chamado de lúpus vulgar. Os sítios extrapulmonares mais envolvidos na cabeça e pescoço são os linfonodos cervicais, seguidos pela laringe e pelo ouvidomédio. Regiões menos envolvidas incluem a cavidade nasal, nasofaringe, cavidade oral, glândula parótida, esôfago e espinha dorsal. Jaíne Tamila - Odontologia FATEC - @chamego_odonto ATENÇÃO Aumento de numerosos linfonodos cervicais. Tuberculose. Ulceração mucosa crônica da superfície ventral da língua no lado direito. Tuberculose. Área de granulação e ulceração do rebordo alveolar inferior e soalho bucal. O consumo de leite contaminado pode resultar em uma forma de infecção micobateriana conhecida como escrófula, caracteriza-se pelo aumento dos tecidos linfoides orofaringianos e dos linfonodos cervicais. Além disso, as áreas de envolvimento nodal podem se apresentar radiograficamente como linfonodos calcificados que podem ser confundidos com sialólitos. Tuberculose. Múltiplos linfonodos cervicais calcificados. Características histopatológicas ♥ O núcleo das células gigantes frequentemente está arranjado ao longo da periferia das células em uma aparência de ferradura ou em anel. ♥ Em um indivíduo com tuberculose, esse granuloma é denominado tubérculo. Tuberculose. Lençóis de histiócitos misturados com células gigantes multinucleadas e áreas de necrose. Diagnóstico O diagnóstico da doença ativa deve ser confirmado pelas colorações especiais para o microrganismo e pela cultura de tecido infectado ou do escarro. Tendo em vista que são necessárias quatro a seis semanas para a identificação do microrganismo em cultura, a terapia Jaíne Tamila - Odontologia FATEC - @chamego_odonto antituberculose é frequentemente iniciada antes da identificação definitiva. Tratamento e Prognóstico ♥ Um protocolo frequentemente utilizado consiste em oito semanas de pirazinamida, isoniazida, rifampicina e etambutol, seguidas por 16 semanas de isoniazida e rifampicina. Com alterações de dosagem e de esquema de administração terapêutica, a resposta à terapia em pacientes com AIDS tem sido satisfatória, embora recidivas e progressão da doença possam acontecer. ♥ Um protocolo diferente chamado de quimioprofilaxia é usado para pacientes que têm um teste cutâneo PPD positivo, mas que não apresentam sinais e sintomas de doença ativa. Embora essa situação não indique a necessidade obrigatória de tratamento. HANSENÍASE ♥ A hanseníase é uma doença infecciosa crônica causada pelo Mycobacterium leprae. ♥ Aproximadamente 80% de todos os casos relatados atualmente são observados em sete países: Brasil, Índia, Indonésia, Madagáscar, Myanmar, Nepal e Nigéria. ♥ Embora a forma de transmissão exata não seja conhecida, o alto número de microrganismos nas secreções nasais sugere que, em alguns casos, o sítio inicial de infecção possa ser a mucosa nasal ou a orofaringiana. Embora os humanos sejam considerados os hospedeiros principais, outros animais (p.ex., tatu, chimpanzé, macaco mangabey) podem ser possíveis reservatórios adicionais da infecção. Lepra tuberculoide Aparece em pacientes com resposta imune alta. Lepra lepromatosa Observada em pacientes com resposta imune mediada por células reduzida. Características Clínicas Lepra tuberculoide Exibe um pequeno número de lesões de pele hipopigmentadas e bem circunscritas. O envolvimento neural usualmente resulta em anestesia da pele afetada, frequentemente acompanhada pela perda da sudorese. Lesões orais são raras nessa variante. Jaíne Tamila - Odontologia FATEC - @chamego_odonto Hanseníase Tuberculoide. Inflamação granulomatosa bem formada. Hanseníase Lepromatosa. Lençóis de linfócitos e histiócitos exibindo células da lepra vacuoladas esparsas. Lepra lepromatosa ♥ Inicia-se lentamente com numerosas máculas ou pápulas hipopigmentadas mal definidas na pele, as quais, com o tempo, começam a ficar mais espessas. ♥ A face é um local comum de acometimento e os aumentos de volume cutâneo podem levar a uma aparência facial deformante (fácies leonina). ♥ O cabelo, incluindo as sobrancelhas e os cílios, é frequentemente perdido. ♥ O envolvimento neural leva à perda da sudorese e à diminuição das sensações de toque suave, dor e temperatura. Essa perda sensorial se inicia nas extremidades e se dissemina por quase todo o corpo. ♥ O envolvimento nasal resulta em sangramento nasal, entupimento e perda do olfato. Os tecidos duros do assoalho, do septo e da ponte nasal podem ser afetados. Hanseníase Multibacilar (Lepromatosa). Numerosos nódulos faciais espessados. Hanseníase Multibacilar (Lepromatosa). Perda das sobrancelhas e dos cílios. Características Histopatológicas Não demonstra granulomas bem- formados, o achado típico inclui lençóis de linfócitos misturados com histiócitos vacuolados conhecidos como células da lepra. Diferentemente da hanseníase tuberculoide, na hanseníase lepromatosa uma grande quantidade de microrganismos pode ser demonstrada com colorações acidorresistentes Diagnóstico ♥ É baseado no aspecto clínico, sendo fundamentado pela demonstração de microrganismos aci‐dorresistentes em um esfregaço ou no tecido. Jaíne Tamila - Odontologia FATEC - @chamego_odonto ♥ Não existe um teste confiável disponível para determinar se um indivíduo foi exposto a M. leprae e não desenvolveu a doença, o que cria dificuldades no estabelecimento do diagnóstico e na determinação da prevalência da infecção. Tratamento e prognóstico ♥ Baseado no índice bacteriano observado na biopsia. Aqueles com índice menor que 2+ são classificados como paucibacilares, enquanto aqueles com índice acima de 2+ são diagnosticados como multibacilares. ♥ Pacientes com a lepra multibacilar recebem uma combinação de rifampicina, clofazimina e dapsona, enquanto aqueles que apresentam a forma paucibacilar recebem rifampicina e dapsona. NOMA Os fatores predisponentes relatados incluem: ♥ Pobreza Subnutrição ou desidratação; ♥ Higiene bucal precária; ♥ Condições sanitárias insatisfatórias; ♥ Ingestão de água não tratada; ♥ Proximidade com criações animais sem tratamento; ♥ Doença recente; ♥ Neoplasias malignas; ♥ Imunodeficiências, incluindo AIDS. Características Clínicas ♥ Classicamente, o noma afeta crianças entre um e dez anos, embora possa ocorrer também em adultos com doenças debilitantes relevantes (p.ex., diabetes melito, leucemia, linfoma, infecção pelo HIV). ♥ A infecção geralmente começa na gengiva como uma GUN, a qual pode se estender para a vestibular ou lingual, envolvendo os tecidos moles adjacentes e formando áreas chamadas de mucosite ulcerativa necrosante. ♥ Muitas vezes, a zona necrótica tem formato cônico. ♥ Essas zonas de pigmentação entram em colapso, dando origem a áreas de necrose amarelada que frequentemente se disseminam para o osso adjacente, podendo dar origem a grandes áreas de osteomielite. Jaíne Tamila - Odontologia FATEC - @chamego_odonto ♥ odor fétido, dor, febre, mal-estar, taquicardia, aumento da frequência respiratória, anemia, leucocitose e linfadenopatia regional são achados típicos. ♥ Lesões adicionais podem ocorrer em locais distantes, como o couro cabeludo, pescoço, orelha, ombros, tórax, períneo e vulva. Mucosite Ulcerativa Necrosante. Grande área de necrose dos tecidos moles do palato mole posterior, no lado esquerdo. Ao lado direito, cicatrização do sítio da mucosite necrosante seis dias após o início do tratamento com tetraciclina. Noma. Necrose orofacial extensa enegrecida na bochecha do lado direito em um paciente imunocomprometido. Tratamento e Prognóstico ♥ Além do uso de antibióticos apropriados para o tratamento de noma, o clínico deve direcionar atenção terapêutica nãosó ao tratamento das feridas locais, mas também no sentido de corrigir a nutrição inadequada, a hidratação e o dese‐ quilíbrio eletrolítico. Os antibióticos de primeira escolha para a estomatite necrosante são a penicilina e o metronidazol. ♥ É recomendado o debridamento conservador das áreas de necrose, porém a remoção agressiva é contraindicada, já que não interrompe a extensão do processo e compromete a reconstrução. ♥ Sem tratamento, apenas 10% a 20% dos pacientes afetados sobrevivem. Com intervenção apropriada, a sobrevida é maior que 90%. As causas comuns de morte incluem complicações infecciosas, como pneumonia, diarreia e septicemia. ACTINOMICOSE ♥ Embora o termo actinomicose pareça estar relacionado à infecção fúngica, essa é uma infecção causada por bactérias anaeróbias gram-positivas, filamentosas e ramificadas. Características Clínicas ♥ Quase 55% dos casos de actinomicose são diagnosticados na região cervicofacial, com 25% ocorrendo na região abdominal Jaíne Tamila - Odontologia FATEC - @chamego_odonto e pélvica e 15% no sistema pulmonar. Os 5% restantes apresentam uma variedade de padrões, tais como infecções superficiais da pele ou infecções na região urogenital. ♥ A reação supurativa da infecção pode liberar grandes partículas amareladas, que representam colônias da bactéria, chamadas de grânulos sulfúricos. Além disso, uma outra infecção que também pode produzir grânulos sulfúricos e simular a actinomicose é a botriomicose. ♥ A descrição clássica é de uma área endurecida de fibrose, com aspecto “lenhoso”, que ao final forma uma área central mais macia de abscesso. A dor geralmente é mínima. Actinomicose. Fístula drenando na área submandibular direita. Características Histopatológicas As colônias consistem em filamentos em forma de clava que formam um padrão de roseta radiada. Actinomicose. Colônia actinomicótica exibindo filamentos em forma de clava dispostos em um padrão de roseta radiada. Diagnóstico O diagnóstico da actinomicose é alcançado idealmente pela cultura. Tratamento e Prognóstico ♥ O tratamento de escolha para a actinomicose em casos de fibrose crônica é o uso de altas doses de antibiótico por tempo prolongado, associado à drenagem do abscesso e excisão da fístula. ♥ Nos casos de osteomielite causada pelos actinomicetos, o tratamento apenas com antibióticos muitas vezes está associado à persistência da doença. Quando combinado com cirurgia apropriada, o uso de penicilina por três meses costuma ser curativo. Nos casos de resistência, o debridamento cirúrgico repetido deve ser combinado com culturas para direcionar o tratamento antibiótico futuro. Cuidado deve ser Jaíne Tamila - Odontologia FATEC - @chamego_odonto tomado para garantir que a colonização do sequestro ósseo pelas colônias actinomicóticas não seja confundida com osteomielite actinomicótica invasiva. DOENÇA POR ARRANHADURA DE GATO ♥ A doença por arranhadura de gato é uma doença infecciosa que começa na pele, mas que, em geral, se dissemina para os linfonodos adjacentes. ♥ Quase todos os casos surgem após contato com um gato. A disseminação da infecção entre os gatos parece ocorrer através das pulgas. O organismo se torna um parasita intraeritrocítico e pode ser transmitido a humanos pela saliva ou por um arranhão. ♥ A transmissão de pessoa para pessoa não foi documentada. Características Clínicas ♥ A doença por arranhadura de gato começa como uma pápula ou pústula, que se desenvolve em três a quatorze dias, ao longo da linha da arranhadura inicial. ♥ A lesão usualmente progride por estágios eritematoso, vesicular e papular com crostas com resolução usualmente ocorrendo dentro de uma a três semanas. ♥ No momento da cura das lesões de pele, aparecem alterações nos linfonodos e podem estar acompanhadas por febre ou mal-estar. Doença por Arranhadura de Gato. Linfadenopatia submandibular que se desenvolveu após lesão inicial insignificante na pele. ♥ Embora granulomas necrotizantes usualmente sejam observados em pacientes imunocomprometidos, doenças vasoproliferativas, como a angiomatose bacilar ou a peliose hepática bacilar (uma forma específica de doença hepatoesplênica por Bartonella) podem ser vistas em pacientes imunocomprometidos. Características Histopatológicas Os linfonodos envolvidos estão aumentados como um resultado de significativa hiperplasia cortical, a qual contém classicamente áreas de necrose Jaíne Tamila - Odontologia FATEC - @chamego_odonto supurativa radiada circundadas por uma faixa de histiócitos e neutrófilos. Doença por Arranhadura de Gato. Área intranodal de necrose circundada por uma faixa de histiócitos epitelioides e linfócitos. Diagnóstico Atualmente o diagnóstico da doença por arranhadura de gato usualmente é estabelecido pela combinação de critérios clínicos e sorológicos. A histopatologia pode confirmar o diagnóstico clínico, porém envolve um procedimento invasivo. O teste mais utilizado (ELISA). Tratamento e Prognóstico A doença por arranhadura de gato é uma condição autolimitante e normalmente se resolve dentro de quatro meses. O uso de calor local, analgésicos e aspiração do linfonodo em supuração são os métodos tradicionais de tratamento. Quando o desconforto for persistente, há a necessidade da aspiração do linfonodo, a drenagem deve ser realizada com uma agulha que é introduzida lateralmente no nódulo através da pele sadia, distante 1 a 2 cm da lesão. A incisão direta no linfonodo pode resultar em uma fístula crônica. SINUSITE ♥ Os adultos possuem bilateralmente os seios maxilar, frontal, esfenoidal, etmoidal e mastoide. Com exceção dos seios mastoides, essas cavidades drenam para o interior do nariz através de aberturas chamadas de óstios. Os seios frontais, esfenoidais e maxilares devem drenar através do meato médio. Além deles, os etmoides estão localizados bilateralmente nesta área do nariz e se apresentam como um labirinto de três a quinze pequenos seios, os quais drenam através de óstios menores. Este complexo ostiomeatal, com suas numerosas aberturas estreitas, é a chave para a doença sinusal, uma vez que representa a principal região do nariz para a deposição de material estranho oriundo do ar inspirado. Jaíne Tamila - Odontologia FATEC - @chamego_odonto Seios Paranasais. Ilustração demonstrando o complexo ostiomeatal e sua importância para a drenagem sinusal apropriada. O lado esquerdo mostra o típico meato médio estreito através do qual toda a drenagem sinusal deve passar. O lado direito revela o aumento do meato médio, tal como obtido por cirurgia endoscópica corretiva. ♥ A maioria das doenças sinusais começa a partir de um bloqueio do complexo ostiomeatal que compromete a drenagem normal, diminui a ventilação e precipita a doença. Infecções sinusais localizadas menos comuns podem ocorrer a partir de áreas de inflamação dentro de um único seio, como uma infecção dentária afetando o seio maxilar. ♥ Raramente, no ambiente de uma sinusite crônica, uma área de calcificação distrófica (antrólito) pode se desenvolver e ser detectada radiograficamente. A origem para tal calcificação pode ser endógena de materiais como muco com componente inflamatório, pus ou coágulos. Características clínicas e radiográficas ♥ Nos adultos, a sinusite aguda se manifesta com sintomas que incluem cefaleia, febre e dor facial sobre o seio afetado. ♥ As crianças, com seus seios menos complexos, apresentam caracteristicamente apenas tosse persistente, febre e rinorreia purulenta. ♥ A sinusite crônica apresenta pouca sintomatologia e a imagem radiográfica torna-se importante.Queixas frequentes incluem pressão facial, dor ou uma sensação de obstrução. Em alguns casos, sintomas inespecíficos, tais como cefaleia, dor de garganta, síncope/tontura transitória e fadiga generalizada também podem estar presentes, ou até serem dominantes. Radiograficamente, o seio envolvido apresenta-se turvo e com densidade aumentada. Sinusite. Opacificação do seio maxilar direito. Tratamento e Prognóstico ♥ As opções de tratamento da sinusite aguda incluem sprays hidratantes, descongestionantes, mucolíticos, corticosteroides, antibióticos ou intervenção mecânica, como punção ou lavagem sinusal. Embora a sinusite aguda Jaíne Tamila - Odontologia FATEC - @chamego_odonto seja usualmente uma doença autolimitante, antibióticos frequentemente são prescritos. A maioria dos casos é de origem viral e tem resolução em duas semanas, com ou sem antibioticoterapia. ♥ Quando do uso de antibióticos, a terapia de primeira escolha para sinusite aguda em pacientes saudáveis é a amoxicilina. ♥ Em pacientes adultos saudáveis, a sinusite crônica que não responde ao manejo medicamentoso típico frequentemente é tratada por cirurgia.