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Isabela G. Campos
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TUTORIA (UC XV)
SP-11
ADENDO SOBRE IVAS...
As infecções das vias aéreas superiores (IVAS) são um dos agravos mais corriqueiros em
atendimento médico, principalmente no meio pediátrico, mas também com grande importância na
população adulta, tanto na atenção primária, como na emergência.
Dentre as IVAS, as mais comuns são rinofaringite aguda, sinusite aguda, faringotonsilite e
laringite.
1.1 SOBRE IVAS BACTERIANA E VIRAIS -
OTITES, ENTENDA:
As otites podem afetar 3 regiões distintas da
orelha, sendo mais superficial ou não. Ou seja,
pode ser externa, média ou interna.
As inflamações do ouvido — otite média,
aguda ou crônica — ocorrem mais
frequentemente em lactentes e crianças. Essas
lesões são, normalmente, de natureza viral e
levam à produção de um exsudato seroso, mas
que pode se tornar supurativo por infecções
bacterianas associadas. As bactérias mais
comuns em infecções agudas são o
Streptococcus pneumoniae, o H. influenzae
não tipável e a Moraxella catarrhalis.
OTITE EXTERNA é o termo que designa os
quadros inflamatórios da orelha externa (ou
seja, é inflamação aguda da pele que recobre
o conduto auditivo externo). Essas condicõ̧es
têm causa predominantemente infecciosa e
podem comprometer qualquer um dos tecidos
que compõem a estrutura da orelha externa:
pele e anexos, tecido subcutâneo, pericôndrio, cartilagem e osso.
Na sua etiopatogênese, são importantes fatores predisponentes locais, como traumatismo por
manipulação do conduto, umidade e calor, tanto que essa inflamação é mais frequente em
nadadores, no verão, nos países tropicais e nas otorreias crônicas. O agente etiológico mais isolado
é Pseudomonas aeruginosa.
O estágio clińico inicial é denominado pré-inflamatório e caracteriza-se por prurido, edema e
sensacã̧o de plenitude. A otalgia é o sintoma mais caracteriśtico do estágio inflamatório agudo,
poden- do refletir-se em toda a região periauricular. Pode ocorrer otorreia, que geralmente é clara
e inodora.
Obs. A otite externa difusa (ou “orelha de nadador”) é uma celulite da pele e do tecido subcutâneo
do CAE ocasionada por uma quebra na barreira protetora natural do conduto e facilitada pela
presenca̧ de umidade no seu interior.
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A limpeza meticulosa e frequente do CAE (conduto auditivo externo) é a medida isolada mais
importante no manejo terapêutico da otite externa.
OTITE INTERNA: A otite interna é uma infecção na região mais profunda do ouvido, onde fica o
labirinto, uma estrutura responsável pelo equilíbrio do corpo e audição.
Este tipo de inflamação geralmente é provocada por vírus ou bactérias, podendo causar sintomas
como tontura, dor no ouvido, problemas de equilíbrio, zumbido ou perda da audição.
SOBRE A OTITE MÉDIA, ENTENDA:
Define-se otite média aguda (OMA) como o surgimento rápido de sinais e sintomas de
inflamação do mucoperiósteo da orelha média de etiologia viral ou bacteriana.
Um conceito mais amplo engloba no espectro da OMA o processo inflamatório da fenda
auditiva (orelha média, porcã̧o cranial da tuba auditiva e células mastóideas), com base na
contiguidade ou comunicacã̧o direta desses espaco̧s aéreos dentro do osso temporal.
O osso temporal apresenta espaços pneumatizados contíguos e, portanto, a inflamação da
orelha média pode envolver também a mastóide, o ápice petroso e as células perilabirínticas. Assim,
toda OMA é, em última análise, uma otomastoidite aguda em potencial – com maior ou menor grau
de comprometimento das células mastóideas.
▶ DEFINIÇÕES:
Otite média aguda (OMA): é presença de secreção na orelha média associada à instalação rápida de
sinais e sintomas (como otalgia, febre e irritabilidade) de infecção aguda da orelha média.
Otite média aguda recorrente (OMR): é a ocorrência de três episódios de OMA em um período de 6
meses, ou a ocorrência de quatro episódios de OMA em 12 meses.
Otite média com efusão (OME): é uma inflamação crônica da orelha média em que uma coleção de
líquido está presente na cavidade timpânica, porém há ausência de sinais e sintomas de infecção
aguda.
Otite médica crônica (OMC): A definição histopatológica é de um processo inflamatório da orelha
média, associado a alterações teciduais irreversíveis.
A. EPIDEMIOLOGIA
É uma das patologias infecciosas mais prevalentes na prática pediátrica e continua
representando um desafio tanto pela necessidade de certeza no seu diagnóstico, quanto pela decisão
do tratamento mais adequado.
Obs. A condicã̧o afeta adultos e adolescentes também, mas a incidência e ́muito maior na
infância.
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Estima-se que aproximadamente 2/3 de todas as crianças apresentarão pelo menos 1
episódio de otite média aguda (OMA) com 1 ano de vida, e aproximadamente 90% até os 7 anos;
75% terão apresentado 3 ou mais episódios em 7 anos.
Sabe-se ainda que a incidência de otite média durante o ano acompanha a de infecção viral
das vias aéreas superiores (IVAS), ou seja, é maior nos meses de inverno.
O principal pico de incidência de OMA é entre 6 e 11 meses de idade; com um segundo pico
entre 4 e 5 anos de idade.
Até 2 anos de idade, tanto OMA quanto otite média secretora (OMS) são bilaterais em sua
maioria. Após os 2 anos, a maioria dos episódios de OMA e OMS é unilateral.
Fatores de Risco:
Estes fatores, quando presentes,
provavelmente influenciam mecanismos da
fisiopatogenia da OMA, aumentando o risco da
doença.
Didaticamente, são classificados em
fatores relacionados ao hospedeiro e fatores
relacionados ao ambiente.
Fatores Ambientais
■ Infecções de vias aéreas superiores (IVAS):
OMA é frequentemente consequência de
IVAS, ambas com pico de incidência nos meses
frios.
■ Creche/escola: aumentam o risco de OMA
pela maior exposição a IVAS.
■ Tabagismo passivo: quando os pais são
fumantes, o risco relativo de crianças expostas
ao tabaco apresentarem OMAR é de 1,48,
quando comparadas a crianças não expostas.
Devem-se orientar os pais a parar de fumar e,
quando não for possível, devem fumar longe
da criança e em ambientes bem ventilados.
■ Uso de chupeta: o uso de chupeta na
escola/creche aumenta o risco de OMA e
OMAR. Sua interrupção a partir dos 6 meses
pode reduzir a incidência de OMA.
■ Aleitamento materno: aleitamento materno
exclusivo durante os 6 primeiros meses de vida
está associado a 43% na redução de OMA nos
primeiros 2 anos de vida.
■ Outros fatores: ordem de nascimento,
tamanho da família e condição
socioeconômica podem apresentar algum
risco para OMA.
Fatores do Hospedeiro
■ Idade: primeiro episódio de OMA antes dos
6 meses de idade é um poderoso preditor de
OMAR.
■ Anormalidades craniofaciais: fenda palatina
não corrigida, síndrome de Down ou com
malformações craniofaciais apresentam maior
risco para otite média devido à disfunção
tubária.
■ Predisposição genética: vem sendo estudada
e evidências mostram uma possível associação
com a OMAR.
■ Outros fatores: alergia, refluxo
gastroesofágico, raça e sexo apresentam
dados discordantes quanto ao seu real risco.
Sendo a alergia um problema frequente em
crianças em um período em que as infecções
virais e OMA são prevalentes, é razoável
pensar que o uso de tratamentos para alergia
tenha um efeito benéfico na diminuição dos
episódios nessas crianças. Estudos recentes
mostram um mecanismo de refluxo para a
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rinofaringe e otite média. Apesar do impacto
desta forma de refluxo estar em estudo, é
prudente fazer recomendações quanto à
posição de amamentação em crianças
propensas à OMAR (evitar mamar deitado e
inclinar a cabeça).
Obs. Dentre os fatores de proteção encontramos o aleitamento materno, rico em
imunoglobulinas, diminuindo do risco de OMA no primeiro ano de vida.
B. ETIOLOGIA
A microbiologia da OMA apresenta grande relacã̧o com a microbiologia das vias aéreas
superiores comoum todo.
Obs. E ́preciso lembrar que a fenda auditiva, especialmente a orelha média, e ́uma extensão
anatômica e funcional da faringe.
Os principais patógenos bacterianos envolvidos na OMA são o Streptococcus pneumoniae
(pneumococo), o Haemophilus influenzae (hemófilo) e a Moraxella catarrhallis (moraxela).
Outras bactérias, como o Streptococcus pyogenes e o Staphylococcus aureus, são bem menos
frequentes e pouco considerada na prática clińica de escolha de antimicrobianos para o tratamento
da OMA.
Tanto o pneumococo quando o hemófilo e a mora- xela são patógenos comumente
encontrados nas vias aéreas superiores, inclusive como contaminates (portadores assintomáticos)
ou como causa de infeccõ̧es bacterianas nasossinusais.
O pneumococo está em primeiro lugar em frequência, seguido do hemófilo e da moraxela.
Em crianças menores que 6 semanas de idade, S. aureus e bacilos Gram-negativos têm
importância notável, causando 20% dos casos de OMA. Mesmo assim, os germes mais freqüentes
são os mesmos que em outras faixas etárias.
Vale ressaltar que bacteremia na vigência de OMA está freqüentemente associada a
estreptococos do grupo B.
C. FISIOPATOLOGIA
Para a melhor compreensão do desenvolvimento das otites médias, é importante o
conhecimento anatômico e funcional da tuba auditiva. A tuba auditiva (TA) é um ducto
osteocartilaginoso que comunica a orelha média e a rinofaringe. Apresenta três funções principais
em relação à orelha média:
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Uma tuba auditiva fisiologicamente ideal deve apresentar abertura ativa e intermitente
devido apenas à contração do músculo tensor do véu palatino durante a deglutição e bocejo,
mantendo a pressão da orelha média próxima à do ambiente.
A TA apresenta-se de diferentes maneiras na criança e no adulto, o que facilita a infecção da
orelha média nas crianças (quadro 3).
O desenvolvimento do tecido glandular diminui acentuadamente com o crescimento da TA,
enquanto o desenvolvimento da musculatura palatina aumenta com a idade, otimizando o
mecanismo de abertura tubária no adulto. Outro fator importante é a posição supina adotada pela
criança para alimentação, que aumenta a possibilidade de refluxo e dessa forma a incidência de otite
média.
Além do funcionamento adequado da TA, outros fatores podem interferir na fisiopatologia
das otites médias agudas (quadro 4).
A OMA inicia-se com edema, engurgitamento capilar e infiltrado polimorfonuclear na lâmina
própria da mucosa da orelha média formando um exsudato purulento. Ulceração epitelial pode
ocorrer, resultando em proliferação de tecido de granulação, que pode manter a infecção, obstruir a
drenagem e a ventilação da orelha média e levar à destruição óssea através da ação de enzimas. Com
a evolução da inflamação, o edema é substituído por fibrose e as células inflamatórias inicialmente
polimorfonucleares serão suplantadas pelos linfócitos.
Na evolução de uma OMA, podemos encontrar a OMS (otite média secretora) e, se houver
perfuração crônica da membrana timpânica, a apresentação será de uma otite média crônica (OMC).
Entendendo melhor...
A OMA é mais prevalente no lactente e na criança pequena. Supõe-se que esta predisposição
seja decorrente de fatores anatômicos e imunológicos característicos nesta faixa etária.
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A tuba auditiva (TA) é o órgão responsável pela ventilação da orelha média. Durante o
repouso, encontra-se fechada. Sua luz é virtual e abre-se de forma intermitente pela contração do
músculo tensor do véu palatino durante a deglutição ou bocejo. Existem diferenças importantes
entre a TA da criança e do adulto. As diferenças mais relevantes são a TE mais curta e mais
horizontalizada na criança, o que facilitaria a progressão de vírus e bactérias da rinofaringe para a
orelha média.
Ao nascimento, o sistema imunológico da criança é imaturo. O recém-nascido apresenta altos
níveis de imunoglobulina G (IgG) materna, que vão progressivamente diminuindo, tornando-se pouco
efetivos por volta dos 5-6 meses de idade. Por outro lado, a criança vai gradualmente produzindo
mais IgG, IgA e IgM próprias, atingindo um platô quando a criança está maior. É interessante que
estas fases coincidem com a época de início e de desaparecimento dos episódios de OMA na maioria
das crianças.
A OMA geralmente é desencadeada por um processo infeccioso, associado a um determinado
grau de disfunção da TA e do sistema imunológico. Frequentemente é precedida em 3-4 dias por
IVAS. Os vírus agiriam como copatógenos, predispondo à infecção bacteriana.
Obs. É cada vez mais evidente que a OMA bacteriana seja precedida por IVAS de etiologia
viral. Os vírus mais encontrados na OMA são o vírus sincicial respiratório (15%), influenza A e B (5%)
e adenovírus (5%).
D. QUADRO CLÍNICO
Não há um sintoma que seja patognomônico da OMA.
Otalgia é um sintoma frequente e específico, embora as crianças comecem a referir dor de
ouvido por volta dos 2 anos, sendo difícil de avaliar antes desta idade, fase em que ocorre a maioria
dos quadros. Sabe-se que 50% a 75% das crianças apresentarão otalgia na presença de OMA, mas
sua ausência não exclui a doença.
A febre, que pode estar presente em metade dos casos, não é um bom indicador de OMA
bacteriana.
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Irritabilidade, diminuição do apetite, vômitos, diarreia e fadiga são descritos na literatura
associados à OMA. Entretanto, como a maioria dos casos são precedidos por IVAS, estes sintomas
podem ser atribuídos ao quadro viral e não devem ser considerados como critério diagnóstico.
PORTANTO,
Comumente, o paciente relata história de otalgia súbita após estado gripal. A otalgia piora
com a deglutição ou o assoar do nariz, podendo ocorrer também hipoacusia, sensação de
plenitude auricular e ruídos subjetivos e, ainda, pulsações auriculares sincrônicas com os
batimentos cardíacos (sinal de Scheibe) e equivale a um empiema da caixa do tímpano.
Algumas vezes acompanha-se de microperfuração pulsátil e a dor diminui à medida que se
diminui a pressão na orelha média após perfuração da membrana timpânica.
E. DIAGNÓSTICO
O diagnóstico de OMA é eminentemente clińico.
O exame fiśico é, sem dúvida, o ponto alto no correto diagnóstico da OMA.
A OMA é sempre diagnosticada através da otoscopia. São sinais de alteração da membrana
timpânica (MT) encontrados na OMA as mudanças de translucidez, forma, cor, vascularização e
integridade. O achado de maior poder prognóstico para OMA é o abaulamento da membrana
timpânica, que apresenta uma sensibilidade de 67% e uma especificidade de 97%.
Para uma adequada visualizacã̧o da MT, além da boa iluminacã̧o fornecida por um otoscópio
de qualidade e do treinamento do examinador, a au- sência de obstáculos no CAE, como cerúmen, e
a limpeza de eventuais secrecõ̧es são fundamentais.
Os sinais tiṕicos de OMA à otoscopia são:
1. Presenca̧ de liq́uido ou efusão na orelha média;
2. Hipervascularizacã̧o da MT com hiperemia. {O tiḿpano normal tem cor perolada e é
semitransparente. Durante os episódios de infeccã̧o viral das vias aéreas superiores, a MT pode
parecer hipervascularizada e opacificada, até mesmo apresentando efusões};
3.Abaulamento da MT, demonstrando o aumento de volume da orelha média devido à
presenca̧ de secrecã̧o inflamatória sob pressão; e
4. Presenca̧ de otorreia de inićio recente não causada por otite externa. {As caracteriśticas da
otorreia proveniente da orelha média são visualmente diferentes daquela proveniente da orelha
externa. A secrecã̧o de uma OMA supurada é tipicamente mucopurulenta, eventualmente
sanguinolenta. A presenca̧ do componente mucoide diferencia com boa precisão otite externa de
otite média, visto que as células produtoras de muco não estão presentes na orelha externa}.
Acrescentando...
Em uma fase inicial da OMA, o abaulamento pode ser provocadopela produção de gases das
bactérias na orelha média. Com a progressão do quadro, ocorre acúmulo de secreção purulenta,
levando à distensão da MT e mantendo o abaulamento.
A presença de nível hidroaéreo sugere reabsorção da secreção e pode representar a resolução
do quadro.
A coloração avermelhada da MT pode ser consequência do reflexo da hiperemia da mucosa
do promontório, visualizada através de uma MT normal que pode gerar confusão durante o exame e
acentuar-se quando a criança estiver chorando. A cor vermelha em uma MT pode indicar a fase inicial
e viral da OMA. Uma MT com alteração de cor (esbranquiçada ou amarelada) pela presença de
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secreção purulenta na orelha média é mais sugestiva de OMA bacteriana. É preciso ter em mente
que em cada otoscopia o médico está observando apenas uma fase de um processo em evolução que
pode se modificar continuamente.
A perda da translucidez da MT é um sinal importante, mas deve-se tomar cuidado para
diferenciar de otite externa.
Na MT normal, podem-se observar vasos sanguíneos no cabo do martelo. Isto não deve ser
confundido com a vascularização radial da MT sugestiva de um processo inflamatório.
A presença de otorreia no conduto auditivo significa a drenagem espontânea do processo da
orelha média. Na OMA geralmente é um exsudato pulsátil, associado a uma perfuração puntiforme
da MT raramente visualizada, sendo característica a consistência mucoide da secreção. É importante
lembrar que a otorreia pode ocorrer também em casos de otite externa.
F. COMPLICAÇÃO
A definição de uma complicação de otite média é a extensão do processo inflamatório ou de
produtos da inflamação além dos espaços pneumatizados do osso temporal e da sua mucosa.
Complicações de otites médias agudas ou crônicas ocorrem quando barreiras anatômicas da
orelha média são rompidas por algum processo infeccioso, permitindo o acometimento de estruturas
adjacentes, ou seja, ocorre uma extensão desta infecção para outras regiões do osso temporal
(mastóide, região petrosa) e para o crânio (meninges, espaços meníngeos e parênquima cerebral)
por continuidade e, menos frequentemente, por via hematogênica.
São subdivididas em intratemporais e intracranianas.
● Intratemporais:
- mastoidite com destruição óssea;
- abscessos mastoideos;
- petrosite com destruição óssea;
- paralisia facial;
- labirintite.
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● Intracranianas:
- abscesso extradural;
- abscesso subdural;
- abscesso cerebral;
- abscesso cerebelar;
- meningite;
- trombose de seio sigmóide (lateral);
- hidrocefalia otítica.
G. TRATAMENTO
O tratamento da OMA envolve o uso de analgési- cos, o acompanhamento da evolucã̧o da
doenca̧ e, principalmente, a decisão criteriosa do uso ou não de antibióticos. Essa decisão leva em
consideracã̧o a certeza diagnóstica de OMA, a gravidade dos sintomas e sinais e a idade do paciente.
A analgesia é de fundamental importância, pois a dor é o principal fator incapacitante. Muitas
vezes, com a preocupacã̧o da decisão sobre o uso de antibióticos e sua selecã̧o, o médico coloca a
analgesia em segundo plano ou mesmo não orienta tal terapia. O paracetamol, o ibuprofeno e a
dipirona são alternativas amplamente disponiv́eis e podem ser utilizadas em associacã̧o se for
necessário.
Acrescentando...
Sintomáticos: Sempre devem ser utilizados (analgésicos, antitérmicos e antiinflamatórios não-
hormonais).
Antibioticoterapia: A primeira opção é a amoxicilina via oral por 10 dias. Espera-se melhora clínica e
remissão da febre após 48 a 72 horas do uso da medicação. Se não houver, pode-se utilizar outros
antibióticos como amoxicilina-ácido clavulânico, cloranfenicol, cefaclor e outras cefalosporinas de
segunda geração.
Atualmente, segundo a “American Academy of Pediatrics and American Academy of Family
Physicians” pode-se optar por uma conduta expectante em alguns casos (em pacientes sem critérios
de gravidade), contanto que seja feito um seguimento e que a terapia antibiótica possa ser iniciada
prontamente se os sintomas persistirem ou piorarem, de acordo com o quadro 7. Os critérios de não-
severidade são otalgia discreta com febre < 39°C nas últimas 24 h e os de severidade incluem uma
otalgia moderada a severa com febre ≥ 39°C.
Timpanocentese e/ou Meringotomia: A perfuração da membrana timpânica, quando realizada, deve
ser sempre no quadrante ânteroinferior da MT para evitar lesão da cadeia ossicular ou da janela
redonda. Sempre que possível, enviar a amostra da efusão para exame bacterioscópico e cultura. As
indicações de timpanocentese podem ser visualizadas no quadro 8.
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Obs. Muitos pacientes com OMA tratada adequadamente persistem com efusão na orelha média que
vai se resolver espontaneamente em até 3 meses (tempo médio é de 40 dias).
Na tentativa de abreviar este período pode-se usar: novo tratamento com antibiótico diferente, novo
tratamento com o mesmo antibiótico por mais tempo, descongestionantes sistêmicos ou tópicos,
corticóide sistêmico e observação. Não há comprovação experimental de que o tratamento
medicamentoso é melhor que a observação. Caso a secreção se torne crônica, o paciente deve ser
encarado como portador de OMS.
ACRESCENTANDO:
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1.2 SOBRE IVAS BACTERIANA E VIRAIS – LARINGITE,
ENTENDA:
Laringites são todos os processos inflamatórios que
acometem a mucosa laríngea, aos quais se associam congestão e
edema, ocasionando uma sintomatologia variável em decorrência
da agressão ao aparelho laríngeo e de perturbações nas suas
funções.
A presença de vasodilatação, edema e infiltrado leucocitário
manifesta-se, clinicamente, por exsudato e eritema do epitélio em resposta à agressão aguda da
laringe.
No aspecto clínico, podem ser classificadas em agudas e crônicas, dependendo do tempo de
duração. Se o paciente apresentar os sintomas há mais de 3 meses, será classificada como laringite
crônica.
As formas agudas e benignas duram em média oito dias, são autolimitadas e, na maioria das
vezes, de etiologia viral. Às vezes, podem ser graves, especialmente nas crianças, em que são
urgências pediátricas frequentes e mesmo letais, em decorrência da dispneia grave.
Considerações Anatômicas:
A laringe do adulto é localizada nas porções anterior e média do pescoço, estando, no homem, ao nível do corpo
de C6.
Sua localização é ligeiramente mais alta na mulher e no recém-nascido. Neste, é próxima da nasofaringe (no
nível de C3 e C4), o que explica a respiração puramente nasal nessa idade.
Atinge o nível de C6 por volta dos cinco anos de idade e continua descendo gradualmente até atingir o nível de
C7 entre 15 e 20 anos. A laringe continua descendo através dos anos de maneira lenta e
igualmente em ambos os sexos. Isso faz que o pitch vocal tenda a diminuir com o passar
dos anos.
Na criança, a porção membranosa ou glote anterior (vibratória) e a porção cartilaginosa
ou glote posterior (respiratória) têm o mesmo tamanho; no adulto, a proporção da
dimensão anteroposterior entre glote anterior e posterior é de aproximadamente 3:2.
Todas essas desproporções anatômicas entre a laringe da criança e a do adulto explicam,
em parte, por que pequenas alterações inflamatórias associadas a edema da mucosa
laríngea de qualquer etiologia têm repercussão clínica importante na criança, ou seja,
em virtude da exiguidade de sua laringe.
A. EPIDEMIOLOGIA
Estima-se que um adulto tenha cerca de 2 a 5 IVAS por ano, enquanto que na criança esses
dados aumentem para 6 a 9 episódios por ano.
Acomete com maior frequência lactentes e pré-escolares, com um pico de incidência aos dois
anos de idade.
As infecções agudas geralmente ocorrem durante um período de até sete dias, com febre e
comprometimento das vias aéreas, sendo mais prevalente na infância. A infecção bacteriana aguda
ocorre geralmentepor invasão direta ou por contiguidade de processos infecciosos da faringe, sendo
raro o acometimento laríngeo isolado.
As laringites crônicas persistem durante semanas, sendo a dor e a rouquidão os sintomas
predominantes. São mais freqüentes em adultos e a presença de doenças sistêmicas deve ser
rotineiramente investigada.
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B. ETIOLOGIA
LARINGITE AGUDA:
Laringite Viral
A incidência precisa da laringite viral é desconhecida, refletindo a sua familiaridade e
associação com a onipresente infecção viral do trato respiratório superior (IVAS). Quando ela ocorre,
pode ser uma consequência de vírus típicos do “resfriado comum”, como o rinovírus.
Muitos outros vírus foram implicados nos casos de laringite viral aguda, incluindo o herpes-
zóster e o coronavírus, bem como agentes menos conhecidos.
Uma forma particular de laringite aguda infecciosa é a laringite estridulosa ou subglótica
(crupe viral), que acomete crianças e é causada sobretudo pelo vírus parainfluenza do tipo I.
Laringite Bacteriana
Obs. Entre as laringites agudas, a mais temida pela maior agressividade é a epiglotite, porém,
nos anos que se seguiram à introdução da vacina conjugada contra Haemophilus influenzae tipo B,
por volta de 1989, sua incidência caiu drasticamente entres as crianças, sendo mais frequente nos
adultos.
Grande parte dessa discussão reside merecidamente na seção pediátrica. No entanto, a
epiglotite, ou mais adequadamente a supraglotite, continua a ser uma infecção das vias aéreas
superiores potencialmente fatal também nos adultos. Apesar do grande sucesso da vacina contra o
Haemophilus influenzae B, limitando a ocorrência dessa bactéria, a obstrução aguda das vias aéreas
superiores em consequência de infecção bacteriana da laringe continua a ocorrer. Frequentemente
a apresentação clínica dessa infecção é bem dramática, com um telefonema urgente para o
departamento de emergência sobre um paciente babando, febril e em desconforto respiratório.
A infecção laríngea com Klebsiella rhinoscleromatis¸ que faz parte de uma afecção conhecida
como rinoscleroma, é outra entidade clínica que pode afetar a laringe. A doença pode progredir para
obstrução das vias aéreas com envolvimento traqueal, mas também pode se limitar ao envolvimento
nasal e das pregas vocais. A doença é diagnosticada a partir da identificação do organismo causador,
um cocobacilo Gram-negativo, dentro dos macrófagos obtidos nas amostras de biópsia da mucosa.
Essas são as células de Mikulicz, características do rinoscleroma.
LARINGITE CRÔNICA:
Laringite Bacteriana
Embora a maioria dos otorrinolaringologistas associe a infecção bacteriana da laringe com um
processo agudo, a doença crônica e até mesmo potencialmente fatal pode surgir nessa situação.
A superinfecção da laringe pode complicar as lesões por entubação ou as laringes já
danificadas pela recidiva de policondrite, por exemplo. Em dois dos três casos, o patógeno era o
Staphylococcus aureus. Os lipopolissacarídeos de origem bacteriana induzem a expressão da citocina
(IL-8) pró-inflamatória e alteram a expressão do gene de mucina nas células caliciformes da laringe.
Os clínicos devem suspeitar de infecção bacteriana, independentemente de sua relativa
raridade, nos pacientes que tenham inflamação crônica persistente da laringe.
C- FISIOPATOLOGIA
O termo laringite é sinônimo de inflamação laríngea, o que implica uma resposta local a dano
tecidual, caracterizado por dilatação capilar e infiltração leucocitária.
Pode ser de origem infecciona ou não infecciosa.
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As infecções agudas da laringe ocorrem como uma evolução de uma infecção das vias aéreas
superiores (IVAS), levando a inflamação da mucosa das pregas vocais e consequente aumento da
produção de muco.
Dentre as causas não infecciosas incluem tensão vocal excessiva, refluxo gastroesofágico e
inalação de irritativos.
Em geral, não há infecção direta.
O traumatismo desencadeado pela tosse ou fonação sob alta pressão comprime a mucosa
entre as cartilagens aritenóideas.
O refluxo das secreções ácidas danifica os tecidos interaritenóideos.
Essa lesão provoca edema dos tecidos interaritenóideos, o que limita o fechamento dos
processos vocais.
O edema posterior aumenta o esforço necessário à fonação e agrava ainda mais a lesão.
D. QUADRO CLÍNICO
As manifestações clínicas incluem rouquidão e incapacidade de se comunicar por meio da fala
(afonia). A laringite pode ser acompanhada ou precedida por uma infecção do trato respiratório
superior.
Os sintomas costumam se iniciar com um quadro de infecção das vias aéreas superiores,
classicamente descrito por rinorreia, tosse leve, faringite e febre baixa que duram cerca de 1 a 3 dias
e evoluem com sinais de obstrução das vias aéreas inferiores. Surgem então rouquidão, tosse
ladrante, estridor inspiratório, elevação da temperatura da febre, taquipneia e uso de musculatura
acessória. Se houver acometimento brônquico, podem ocorrer sibilos. Os sintomas costumam ser
piores a noite e duram cerca de 3 a 7 dias.
Os sintomas são causados por edema subglótico e traqueal, levando à obstrução laríngea na
via aérea já estreitada da criança. Conforme a criança cresce e o orifício subglótico aumenta de
tamanho, o edema gerado pela infecção gera menores complicações nas vias aéreas. Caso o paciente
seja maior de 3 anos, outras causas de obstrução devem ser investigadas.
ADENDO: SOBRE AS LARINGITES INFECCIOSAS AGUDAS
Nos quadros agudos é fundamental diferenciar a laringite viral decorrente de um processo
gripal simples da epiglotite e crupe.
o Epiglotite:
A epiglotite consiste em uma inflamação das estruturas da supraglote, de instalação aguda, que
acomete mais frequentemente a face lingual da epiglote, pregas ariepiglóticas, e por isso também
denominada supraglotite.
Epidemiologicamente, acomete crianças entre 2 a 6 anos de idade, com predominância do sexo
masculino e maior frequência no final do inverno e inicio da primavera, tendo o Haemophilus
influenza do tipo B como agente mais importante.
Obs. Devido a presença da vacina, contra este agente, no calendário vacinal do programa de saúde
pública a incidência de epiglotite no grupo pediátrico vem diminuindo e evidenciando outros agentes
causais como: Streptococcus pneumonie, Staphylococcus aureus, Pseudomonas, Neisseria
meningitidis, Klebsiella pneumoniae, Candida albicans; aumentando a incidência nos adultos,
principalmente nos imunodeprimidos.
Isabela G. Campos
14
Fisiopatologia: Trata-se de uma celulite bacteriana acometendo todas as estruturas da supraglote
(não apenas a epiglote) que pode obstruir completamente a via aérea superior (VAS). Com o aumento
do edema supraglótico, a epiglote se curva póstero-inferiormente como resultado da infiltração
inflamatória difusa da face lingual da epiglote. Com a VA parcialmente ocluída, o muco e secreções
podem facilmente obstruir completamente a VA.
O quadro clínico é derivado de uma celulite da supraglote cursando com hiperemia e edema e
levando a obstrução da via aérea de evolução rápida.
Os três sinais mais comuns de epiglotite são febre, dispnéia e irritabilidade. O pródromo dura
poucas horas (2 a 6 horas) e logo a criança apresenta-se toxemiada, com evidências clínicas de
obstrução respiratória alta. Respiração lenta, estridor inspiratório, carnagem e salivação. Apresenta
dor de garganta severa e disfagia. A linguagem é limitada devido à dor, e a voz pode estar “abafada”.
Tosse ou rouquidão geralmente não estão presentes. Estridor inspiratório ocorre mais tardiamente
quando a obstrução é quase completa. A movimentação é mínima, e geralmente o paciente se
mantém sentado com o corpo tendendo para frente, apoiado sobre os braços, com a boca aberta,
protrusão de mandíbula, com salivação e cabeça estendida para maximizar a entrada de ar. A
odinofagia que ocorre devido ao processo inflamatóriosupraglótico ajuda no diferencial com a crupe,
que geralmente ocorre após um período de pródromo de vários dias, estridor progressivo e tosse
seca característica.
No adulto, apresenta-se com dor em região anterior do pescoço, adenopatia, febre, odinofagia e
disfagia. A dispneia com estridor inspiratório é rara nesta faixa etária, exceto em quadros mais
severos da doença.
O diagnóstico é realizado após anamnese, exame físico e visibilização das estruturas laríngeas por
meio da laringoscopia, ou nasofibrolaringoscopia flexível, com o paciente sentado onde serão
observados a hiperemia (vermelho cereja), edema da epiglote e das outras estruturas da supraglote.
Nas crianças, às vezes, a condição clínica não permite a realização da laringoscopia indireta, sendo
necessária a realização da laringoscopia direta em ambiente de centro cirúrgico com toda estrutura
para respiração mecânica.
Se não existir no centro de saúde equipamentos para a laringoscopia indireta, a radiografia simples
lateral do pescoço mostrará o espessamento da epiglote com o “sinal do polegar = epiglote
edemaciada”.
A investigação laboratorial complementar é inespecífica. É importante salientar que qualquer
manobra diagnóstica que possa aumentar a agitação do paciente deve ser evitada, pois pode
desencadear a obstrução respiratória.
O tratamento deve ser realizado com prioridade na manutenção da via aérea, monitoramento da
saturação de oxigênio por meio do oxímetro e utilização de medidas clínicas como: nebulização com
epinefrina (repetida a cada 30 minutos) que leva a vasoconstrição com diminuição do edema e
dilatação brônquica (relaxamento da musculatura lisa), hidratação com solução hipotônica. O uso de
corticosteroides combinado com as medidas gerais é de grande importância devido ao rápido efeito
anti-inflamatório, sendo a dexametasona a eleita devido a meia vida mais longa e efeito anti-
inflamatório mais potente que a hidrocortisona. A inalação de corticoide (budesonida) pode ser
utilizada.
A antibioticoterapia deve ser iniciada assim que o diagnóstico é estabelecido. A existência de vários
esquemas terapêuticos facilita o tratamento. A cefalosporina de segunda geração (cefuroxima) é hoje
o esquema mais utilizado, podendo-se, também, fazer uso da cefalosporina de terceira geração
(ceftriaxona 50 mg/kg/dia) e da combinação de ampicilina com cloranfenicol (50 a 100 mg/kg/ dia a
Isabela G. Campos
15
cada 6 horas), assim o sucesso na terapêutica da epiglotite está no rápido diagnóstico e na instalação
do suporte clínico e tratamento adequado.
o Crupe Espasmódico ou Laringite Estridulosa ou Falso Crupe:
A laringotraqueíte aguda (crupe) pode ser definida como uma infecção viral subaguda de vias aéreas
altas. É considerada a causa mais comum de estridor agudo na criança.
É uma das formas mais frequentes de laringite acompanhada de dispneia que acomete as crianças,
de evolução benigna e que se manifesta por um quadro de dispneia de instalação súbita, geralmente
à noite, com graus variáveis de intensidade. Em geral, a criança acorda, durante a noite, com um
quadro de sufocação, tiragem supraesternal, respiração ruidosa com estridor, tosse rouca, sudorese
intensa, agitação e ausência de febre. Essa sintomatologia dura apenas alguns minutos ou poucas
horas e declina de maneira progressiva até a normalidade, deixando apenas uma tosse rouca por
alguns dias. A recidiva pode ocorrer no mesmo dia ou em dias subsequentes.
Ocorre mais freqüentemente no outono e inverno, com crianças de 1 a 3 anos, e duração média de
3 a 7 dias. Pode ser chamada atípica quando ocorre em menores de 1 ano, duração maior que 7 dias,
ou quando não responde ao tratamento.
Acredita-se que a etiologia dessa afecção é multifatorial, podendo ser atribuída à origem infecciosa
viral ou bacteriana, alérgica, refluxo faringolaríngeo, ou obstrutiva. Os agentes mais comuns são os
vírus parainfluenza 1 e 2, e influenza tipo A.
Quadro clínico: A manifestação clínica inicial costuma ser tosse tipo “latido de cachorro”, febre e
estridor, congestão nasal, rinorréia, angina (quadro de IVAS) e alguns dias depois disfonia e tosse não
produtiva, em “latido”, pior à noite, sendo geralmente autolimitada.
Diagnóstico: É clínico, porém a radiografia cervical pode mostrar o sinal clássico da “torre de igreja”,
causado pelo estreitamento subglótico. A radiografia é importante no diagnóstico diferencial com
corpo estranho e em casos de crupe recorrente deve-se pensar em estenose subglótica como fator
predisponente associado.
Tratamento: Consiste em umidificação das vias aéreas, hidratação para facilitar a expectoração de
secreção e repouso vocal. Se a dispnéia for severa, pode-se aplicar adrenalina inalatória ou
Isabela G. Campos
16
corticosteróide (dexametasona) parenteral para regressão do edema. É importante observar
alterações do estado neurológico, diminuição da freqüência respiratória, aumento nos níveis CO2,
para eventual necessidade de intubação ou traqueostomia. Antibióticos são indicados apenas no
caso de infecções bacterianas secundárias.
E. DIAGNÓSTICO
O diagnóstico da laringite é principalmente clínico, porém a radiografia cervical pode mostrar
o sinal clássico da “torre de igreja”, causado pelo estreitamento subglótico. A radiografia é
importante no diagnóstico diferencial com corpo estranho e em casos de crupe recorrente deve-se
pensar em estenose subglótica como fator predisponente associado.
O diagnóstico da laringite é feito pelo médico otorrinolaringologista (especialista em
otorrinolaringologia), devendo o doente recorrer a esta especialidade sempre que os sintomas se
agravam na fase aguda ou quando se prolongam por mais de de 2 a 3 semanas.
É comum o especialista examinar o fundo da garganta com um abaixador de língua e espelho
ou tubo de visualização fino e flexível que permite observar se há vermelhidão no revestimento da
laringe.
O médico Otorrinolaringologista irá proceder a exames a fim de efetuar o diagnóstico, sendo
os mais comuns:
Laringoscopia indireta;
Laringoscopia com óptica rígida ou com fibrocópio flexível;
Videoestroboscopia laríngea;
Biópsia;
F. COMPLICAÇÃO
Isabela G. Campos
17
Nos casos mais graves, a laringite pode causar uma grave obstrução da via respiratória alta
com dispneia (falta de ar), que se não for tratada de forma eficaz e atempada poderá ser fatal (risco
de morte).
G. TRATAMENTO
O primeiro passo no tratamento do paciente é obtenção de via aérea segura, através de
intubação orotraqueal. Em seguida, o paciente deve ser encaminhado para unidade de terapia
intensiva.
Nenhum conhecimento específico sustenta a ideia de que os tratamentos antivirais tenham
qualquer impacto previsível no curso clínico da laringite viral. O tratamento de suporte que inclui
ingesta hídrica e repouso vocal geralmente é recomendado. Em um estudo duplo-cego controlado
por placebo, o flurbiprofeno (anti-inflamatório) se mostrou capaz de reduzir o desconforto em
pacientes com laringite viral.
O tratamento antimicrobiano deve ser iniciado precocemente e diminui o edema em epiglote
em cerca de 12 a 72 horas.
Pacientes não imunizados para Hib iniciam tratamento intravenoso com cefalosporinas de
segunda ou terceira geração, como cefuroxime 150mg/kg/dia por 10 dias ou ceftriaxone
100mg/kg/dia por 10 dias. Após melhora dos sintomas, pode-se utilizar manutenção do esquema
antibiótico por via oral ou intramuscular.
Em pacientes não imunizados ou com imunização incompleta menores de 4 anos, está
indicado profilaxia de contatos domiciliares com rifampicina.
Os contatos escolares devem receber profilaxia se o paciente for menor de 2 anos não
imunizado ou com imunização incompleta.
Referências:
1. Tratado de otorrinolaringologia / organização Shirley Shizue Nagata Pignatari, Wilma Terezinha Anselmo-Lima. - 3.
ed. - Rio de Janeiro: Grupo Editorial Nacional, 2020.
2. GuidelineIVAS. Infecções das Vias Aéreas Superiores. Sociedade Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-
Facial. Disponível em: https://www.aborlccf.org.br/imageBank/guidelines_completo_07.pdf.
3. Infectologia: Bases clínicas e tratamento / Reinaldo Salomão - 1. ed. - Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2017.
4. Cummings otorrinolaringologia: cirurgia de cabeça e pescoço / Paul W. Flint ... [et. al.]; 6. ed tradução Cristiana
Caldas Osorio, Karina Penedo Carvalho, Luiz Cláudio de Queiroz Faria. - 6. ed. - Rio de Janeiro: Elsevier
5. Bogliolo, patologia/Geraldo Brasileiro Filho. – 9. ed. – Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2016.
1.3 SOBRE IVAS BACTERIANA E VIRAIS – RINOSSINUSITE,
ENTENDA:
Sinusite é todo processo inflamatório da mucosa de
revestimento da cavidade paranasal.
Atualmente, o termo rinossinusite tem sido mais aceito, pois
rinite (sintomas originários na cavidade nasal) e sinusite (sintomas
originários dos seios paranasais) são doenças em continuidade.
Obs. A rinite existe isoladamente, mas a sinusite sem rinite é de
ocorrência rara.
A rinossinusite é classificada principalmente de acordo com sua
duração. É controversa a estipulação de limites precisos, sendo
qualquer classificação arbitrária. Desta forma, as classificações devem
Isabela G. Campos
18
ser consideradas apenas como dado complementar para nortear a conduta. A tabela 1 resume a
classificação das rinossinusites segundo Bailey
Outra maneira de se classificar as rinossinusites é em relação à gravidade dos sintomas.
Recomenda-se a utilização de uma Escala Analógico-Visual (EVA) que consiste em uma linha de 10
cm. O início é a ausência de incômodo e o final o maior incômodo possível. Pede-se ao paciente que
marque na linha em que ponto está sua queixa em relação aos sintomas da rinossinusite. É realizada
a medição através de uma régua e considera-se:
■ Leve: 0-3 cm.
■ Moderado: > 3-7 cm.
■ Grave: > 7-10 cm.
■ A partir de 5 cm considera-se que há impacto na qualidade de vida.
A. EPIDEMIOLOGIA
A rinossinusite ocorre geralmente após uma infecção das vias aéreas superiores (IVAS) viral
(causa predisponente de 80% das rinossinusites bacterianas) ou após uma inflamação alérgica (causa
predisponente de 20% das rinossinusites bacterianas). Estima-se que 0,5 a 2% das IVAS apresentam
evolução para rinossinusite bacteriana.
Sendo doença de alta prevalência, gera impacto direta e indiretamente na economia global.
Sua prevalência na população geral é de 15% com maior predisposição em crianças com
anomalias nasais e problemas imunoalérgicos.
B. ETIOLOGIA
A etiologia da rinossinusite aguda adquirida na comunidade, é na sua maioria decorrente do
rinovírus em 15%, vírus da influenza em 5%, vírus parainfluenza em 3% e adenovírus em 2%.
Com relação a rinossinusite bacteriana, os agentes mais comumente relacionados com
rinossinusite bacteriana aguda adquirida na comunidade em adultos são: Streptococcus pneumoniae
e Haemophilus influenzae, isolados em cerca de 75% dos casos.
C- FISIOPATOLOGIA
Os seios frontal, etmoidal, esfeoidal e maxilar são cavidades situadas ao redor das fossas
nasais, com as quais se comunicam através de canais e óstio. Embora a infecção dos seios paranasais
envolva vários fatores locais, regionais ou sistêmicos, o fator predisponente mais comum da
rinossinusite aguda é a infecção viral das vias respiratórias superiores. A inflamação e o edema do
Isabela G. Campos
19
complexo ostiomeatal podem levar à obstrução dos óstios de drenagem dos seios paranasais,
acarretando diminuição da oxigenação do seio, do movimento dos cílios e, consequentemente, do
clearance mucociliar, estase de secreção e infecção.
Alguns dos fatores locais causadores de obstrução do complexo ostiomeatal incluem:
anormalidade anatômicas (desvio de septo, concha média bolhosa), pólipos nasais, rinite alérgica e
corpos estranhos. Fatores regionais incluem as infecções dentárias. Os fatores sistêmicos mais
importantes são: desnutrição, diabetes, imunodepressão, hipogamaglobulinemia e uso prolongado
de quimioterápicos e corticosteroides.
Uma depuração mucociliar ineficiente, resultado de uma infecção viral ou rinite alérgica, pode
obstruir o orifício do seio. Dessa forma, o muco se acumula na cavidade do seio. A estase pode levar
ao crescimento bacteriano excessivo e a uma superinfecção. A sinusite frequentemente envolve o
seio maxilar, uma vez que o óstio do seio se encontra localizado em uma porção superior e a
drenagem do muco necessariamente precisa ocorrer na direção oposta à gravidade.
A patogênese da rinossinusite é multifatorial e envolve uma complexa interação entre
mecanismo de defesa do hospedeiro e o organismo infectante. Existem três fatores fundamentais
para a fisiologia normal dos seios paranasais: a patência dos óstios, a função ciliar e a qualidade das
secreções nasais.
Enquanto a obstrução do óstio do seio na rinossinusite aguda é mais frequente devido ao
edema de mucosa, na rinossinusite crônica alguma anormalidade anatômica que interfere na
drenagem através do óstio está frequentemente presente.
Obstrução do óstio sinusal, parcial ou completa, resulta em estagnação de secreções, queda
do pH e da tensão de oxigênio dentro do seio. Estas alterações favorecem o crescimento bacteriano.
A tensão de oxigênio dentro do seio pode chegar a zero, promovendo crescimento anaeróbio e de
bactérias facultativas, que têm importante implicação na rinossinusite crônica.
Isabela G. Campos
20
A interrupção do transporte mucociliar nos seios paranasais é outro fator importante na
patogênese da rinossinusite. O batimento ciliar normal frequente é maior que 700 batimentos por
minuto. Entretanto, durante rinossinusite, o batimento ciliar decai para menos que 300.
A qualidade e o caráter da secreção sinusal também mudam durante a rinossinusite. O muco
espesso, que não pode ser efetivamente removido do seio, torna-se um meio de cultura para
crescimento bacteriano. Tal secreção espessa obstrui o óstio sinusal podendo perpetuar o problema,
causando o ciclo nasal. Este é um particular problema em pacientes com fibrose cística, onde há falha
da função das glândulas exócrinas.
Resumindo, a completa compreensão dos mecanismos que levam à rinossinusite requer
identificação de diversos fatores predisponentes de origem local e sistêmica.
Isabela G. Campos
21
O padrão de infecção de vias aéreas superiores, incluindo rinossinusites, envolve várias fases.
Geralmente, o primeiro estágio é uma rinossinusite viral, que em geral dura até 10 dias, havendo
recuperação completa na maioria dos indivíduos sem antibioticoterapia. Rinovírus, influenza,
adenovírus e parainfluenza são os vírus mais comumente encontrados. Em uma pequena parcela de
indivíduos com rinossinusite viral (estimativa de 0,5% a 2%), uma infecção bacteriana secundária
pode acontecer. Tal infecção geralmente é causada por bactérias aeróbias facultativas (Streptococus
pneumoniae, Haemophilus influenzae e Moraxella catarrhalis). Se não houver resolução do
processo, bactérias anaeróbias da flora oral podem predominar com o decorrer do tempo.
D. QUADRO CLÍNICO
A rinossinusite aguda raramente é limitada a um só seio, pois a doença envolve
primariamente o Complexo Ostiomeatal (90%).
Os aspectos clínicos da rinossinusite aguda em adultos são difíceis de distinguir de um
resfriado comum ou ainda de rinite alérgica. Em ordem de importância, os sintoma mais freqüentes
são:
• Dor: Pode ser nasal, facial ou ainda manifestar-se como cefaléia. Em geral, a intensidade é pior pela
manhã, diminuindo ao longo do dia, aparecendo geralmente na região do seio acometido.
A rinossinusite do seio etmoidal apresenta-se com dor na parte medial do nariz e na área
retrorbitária.
A rinossinusite esfenoidal pode se manifestar por dor no vértex, bitemporal, retrorbitária e pode ser
irradiada para pescoçoe ombros.
Na rinossinusite maxilar aguda pode haver queixa de odontalgia.
• Febre: Está presente em 50% dos adultos com rinossinusite aguda.
• Obstrução nasal e rinorréia: A secreção é geralmente verde-amarelada, podendo ser uni ou
bilateral. O significado da cor e aspecto da secreção é controverso, pois secreção amarelada ou
esverdeada não necessariamente implica infecção bacteriana.
• Outros: halitose, anosmia e rinorréia posterior com tosse
Havendo história prévia de IVAS, o quadro é mais comumente bilateral e associado a sintomas
sistêmicos (febre, astenia, letargia).
DE MANEIRA GERAL, as manifestações clínicas incluem secreção nasal purulenta (verde-
amarelada), congestão nasal, dor facial ou sinusal, diminuição do olfato e febre. Cefaleia e
uma respiração malcheirosa também podem estar presentes.
E. DIAGNÓSTICO
Isabela G. Campos
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A sinusite é, em geral, diagnosticada com base em um conjunto típico de sintomas e achados
clínicos.
Os achados do exame físico incluem:
• Secreção purulenta: Na região do meato médio, que pode ser secundária a rinossinusite
maxilar, etmoidal ou frontal. Pus na região do meato superior implica rinossinusite etmoidal
posterior ou esfenoidal. Além disso, a mucosa está difusamente congesta.
• Dor à palpação: Os seios paranasais podem ser sensíveis à palpação. Em caso de infecção
dentária envolvendo secundariamente o seio maxilar, os dentes acometidos são usualmente
sensíveis à percussão.
Acrescentando...
A rinossinusite é a inflamação do nariz e dos seios paranasais. O diagnóstico é clínico e deve
ser considerado quando o paciente apresenta dois ou mais dos seguintes sintomas obrigatoriamente:
■ Bloqueio/obstrução/congestão nasal.
■ Descarga nasal (gotejamento nasal anterior/posterior).
■ Pressão/dor facial.
■ Redução ou perda do olfato.
Também podemos confirmar o diagnóstico com alterações endoscópicas: presença de pólipos
e/ou rinorreia mucopurulenta, principalmente no meato médio e/ou edema/obstrução de mucosa,
também no meato médio.
Finalmente, a rinossinusite também pode ser diagnosticada por alterações de tomografia
computadorizada dentro do complexo ostiomeatal e/ou seios paranasais. O diagnóstico de
rinossinusite aguda portanto deve ser feito quando temos os critérios anteriores por um período
inferior a 3 meses. A rinossinusite viral aguda/resfriado comum normalmente apresenta sintomas
por tempo inferior a 7 a 10 dias. A rinossinusite aguda pós-viral é definida como persistência dos
sintomas após 10 dias.
Devido à falta de precisão e praticidade dos métodos de diagnóstico atuais, os profissionais
médicos devem se basear nas manifestações clínicas para distinguir uma rinossinusite bacteriana de
uma viral. As diretrizes correntes sugerem que uma infecção sinusal seja bacteriana, seguindo os
seguintes critérios temporais:
■ Início com sintomas persistentes ou sinais compatíveis com rinossinusite aguda com
duração de ≥ 10 dias sem qualquer evidência de melhora clínica; ou
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■ Início com sintomas graves ou sinais de febre alta (≥ 39oC) e secreção nasal purulenta ou
dor facial com duração de pelo menos 3-4 dias consecutivos no início da doença; ou
■ Recaída (dupla piora) de sintomas ou sinais caracterizados por novo aparecimento de febre,
cefaleia ou aumento da secreção nasal após uma infecção viral respiratória superior típica com
duração de cerca de 5-6 dias e que já havia melhorado inicialmente.
Associados a pelo menos 3 dos critérios a seguir:
■ Qualquer tipo de secreção com predominância unilateral ou francamente purulenta no
cavum.
■ Dor intensa localizada/unilateral.
■ Febre > 38oC.
■ Elevação de VHS ou PCR.
Classificações:
Em 1997, a Rhinosinusitis Task Force da American Academy of Otolaryngology–Head and Neck
Surgery3 desenvolveu uma classificação de rinossinusite atualmente bem aceita e que foi descrita
por Lanza e Kennedy. Esta classificação baseia-se na identificação de sintomas para se estabelecer
um diagnóstico.
Os sintomas são divididos em sintomas maiores – drenagem purulenta nasal, congestão nasal,
pressão ou dor facial, diminuição do olfato e drenagem purulenta posterior – e vários sintomas
menores. Quando um paciente descreve dois dos sintomas maiores ou um maior e dois sintomas
menores, a rinossinusite pode ser diagnosticada (Tabela 21-1).
-> Para o diagnóstico da rinossinusite são necessários dois sintomas principais ou um principal
e dois sintomas secundários.
É difícil distinguir as rinossinusites virais de rinussinusites bacterianas através da apresentação
clínica. De modo geral, quanto mais prolongados forem os sintomas, maior a chance de se tratar de
uma rinossinusite bacteriana.
No curso de uma infecção viral de vias aéreas superiores, devemos suspeitar de uma infecção
bacteriana sinusal quando a sintomatologia de um resfriado comum persistir por mais de sete a dez
dias sem evidência de melhora, ou quando houver piora dos sintomas após o quinto dia,
caracterizada por rinorréia purulenta abundante e obstrução nasal de início súbito, podendo haver
associação com edema periorbitário ou dor facial.
A tabela 3 lista os principais fatores preditivos de sinusite bacteriana.
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Os exames complementares são indicados quando o processo não se resolve com o
tratamento clinico adequado.
Endoscopia Nasal – permite ampliação dos dados obtidos com a rinoscopia, embora não seja
necessário em casos não complicados.
Radiografia dos seios da face – espessamento da mucosa, nível liquido ou opacificação
completa, porém é de baixa sensibilidade e especificidade.
Tomografia computadorizada - dos seios da face é uma modalidade diagnóstica muito
sensível para indicar processos inflamatórios do seio. No entanto, na ausência de destruição óssea,
esses achados são inespecíficos, no que diz respeito ao diagnóstico da sinusite clinicamente
significativa, requerendo a instituição de uma terapia antibiótica.
F. COMPLICAÇÃO
Tais complicações podem ser orbitárias, intracranianas ou ósseas.
As sinusites agudas parecem são causa mais freqüente de infecções orbitárias, assim como
50-75% dos abscessos intracranianos. As complicações orbitárias apresentavam taxa de mortalidade
de até 17% na era pré-antibiótica, além de amaurose em outros 20%.
As complicações intracranianas, mesmo atualmente, mantêm uma alta taxa de mortalidade
(cerca de 11%)
G. TRATAMENTO
Se os sintomas são graves, os antibióticos são administrados em conjunto com
corticosteroides intranasais, assim como com descongestionantes nasais. O fármaco de escolha para
o tratamento é a amoxicilina, no entanto, caso a resistência a antibióticos seja uma preocupação, é
utilizada a associação amoxicilina-clavulanato.
Nos casos brandos, os antibióticos não são normalmente utilizados, a menos que os sintomas
sejam persistentes por um período superior a 10 a 14 dias.
Preconiza tanto desobstruir o seio e restabelecer a drenagem quanto erradicar o agente
etiológico. Algumas medidas que podem ser úteis na desobstrução do seio são hidratação adequada,
umidificação do ambiente e evitar exposição a agentes que causem alergia.
Além da lavagem nasal com solução salina, que é importante para todos os pacientes, que
pode ser usada solução salina fisiológica ou hipertônica. Para fazer uma lavagem efetiva é necessário
Isabela G. Campos
25
colocar a solução na mão e aspirar pela narina até a solução atingir a cavidade oral, uma narina de
cada vez e repetir o procedimento várias vezes ao dia.
Os descongestionantes podem ser tópicos ou orais, os tópicos devem ser usados por um curto
período de tempo, no máximo 3 dias, por causa do efeito rebote e desenvolvimento de rinite
medicamentosa com o uso crônico. Exemplos de descongestionantes tópicos incluem: cloridrato de
oximetazolina e nitrato de nafazolina.
Os descongestionantes orais,como cloridrato de fenilefrina também podem ser utilizados,
sendo geralmente disponíveis em apresentações que associam anti-histamínicos orais, pois estes
ajudam a diminuir a tosse associada ao quadro gripal. Os fitoterápicos também pode ser
extremamente útil em rinossinusites virais. Um fitoterápico que vem tendo grande destaque para o
tratamento de rinossinusites virais e demais infecções virais de vias aéreas superiores e o
Pelargonium sidoides Extrato EPs 7630. Em geral, o medicamento e utilizado durante um total de 5
a 7 dias.
Com relação aos sprays nasais com corticosteroides, segundo o FDA, a partir dos 2 anos de
idade a mometasona já pode ser administrada, desde que de forma cautelosa.
Feito o diagnóstico de rinossinusite bacteriana aguda, a escolha do antibiótico deve refletir a
prevalência de organismos produtores de B-lactamase. Amoxicilina é adequada onde a presença
destes microrganismos é baixa, que é o caso do Brasil. Se não houver melhora do quadro clínico em
4 a 5 dias, recomenda-se o uso de outros antibióticos de segunda opção, como amoxicilina com
clavulanato de potássio, cefuroximaaxetil ou cefprozil.
É recomendado o uso de antibióticos por 10 a 15 dias, porém se a resposta clínica for baixa,
a continuação da terapia por uma semana depois da resolução dos sintomas pode ser a melhor
escolha.
A cirurgia endoscópica funcional dos seios é indicada em pacientes com rinossinusite crônica
recorrente que não responderam ao tratamento clínico maximizado, em pacientes com complicações
Isabela G. Campos
26
de rinossinusites agu das ou crônicas e em alguns casos selecionados de pacientes com rinosinusite
aguda recorrente.
Referências:
1. Tratado de otorrinolaringologia / organização Shirley Shizue Nagata Pignatari, Wilma Terezinha Anselmo-Lima. - 3.
ed. - Rio de Janeiro: Grupo Editorial Nacional, 2020.
2. Guideline IVAS. Infecções das Vias Aéreas Superiores. Sociedade Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-
Facial. Disponível em: https://www.aborlccf.org.br/imageBank/guidelines_completo_07.pdf.
3. Infectologia: Bases clínicas e tratamento / Reinaldo Salomão - 1. ed. - Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2017.
4. Cummings otorrinolaringologia: cirurgia de cabeça e pescoço / Paul W. Flint ... [et. al.]; 6. ed tradução Cristiana
Caldas Osorio, Karina Penedo Carvalho, Luiz Cláudio de Queiroz Faria. - 6. ed. - Rio de Janeiro: Elsevier.
1.4 SOBRE IVAS BACTERIANA E VIRAIS –
FARINGOAMIGDALITE, ENTENDA:
O anel linfático de Waldeyer é
constituído por tonsilas palatinas, tonsila
faríngea, tecido linfático peritubário, tonsilas
linguais e grânulos linfoides laterais ou
parafaríngeos.
A tonsilas palatinas são massas de tecido
linfóide localizadas lateralmente na orofaringe,
e representam o maior acúmulo de tecido linfóide do anel de Waldeyer. As tonsilas palatinas
(também conhecidas como amígdalas) representam o maior grupamento de tecido linfoide da
orofaringe. Normalmente estão confinadas à orofaringe. Se excessivamente grandes, podem
alcançar a nasofaringe, gerando insuficiência velofaríngea e obstrução nasal.
As principais funcõ̧es das tonsilas são: atuar como tecido imunocompetente local,
secretando imunoglobulinas nas criptas (são capazes de produzir as cinco classes de
Isabela G. Campos
27
imunoglobulinas – IgA, IgG, IgM, IgD e IgE) e, com isso, impedindo a replicacã̧o bacteriana e viral no
trato respiratório superior, o que representa a primeira linha de defesa contra doenca̧s infecciosas
na região; e produzir cadeias J, que completarão a estrutura molecular das imunoglobulinas A e que,
posteriormente migram para outras áreas do trato respiratório superior.
Obs. Cabe ressaltar que estas denominações (amigdalites e adenoidites) são consagradas
pelo uso, mas, baseando-se na nômina anatômica atual, deveriam ser chamadas tonsilites, uma
vez que se referem às tonsilas palatinas (amígdalas) e à tonsila faríngea (adenoide).
As infeccõ̧es das vias aéreas superiores (IVAS) têm prevalência elevada e são causas comuns
de consultas médicas. Dor de garganta é a terceira principal queixa entre pacientes que procuram
ser- vico̧s de emergência, e as faringotonsilites agudas são responsav́eis por aproximadamente 5%
das consultas médicas. As faringotonsilites são IVAS de ocorrência frequente e autolimitadas. Na
maio- ria das vezes, as crianca̧s e os adultos se recuperam rapidamente (3 a 4 dias) de uma infeccã̧o
faringotonsilar, mas, ocasionalmente, podem desenvolver complicacõ̧es.
Faringotonsilites (FT) são infecções autolimitadas que se desenvolvem nas tonsilas, faringe
posterior, palato mole, órgãos linfoides, e representam uma das infecções mais frequentes de vias
aéreas superiores, principalmente na população infantil.
Obs. Elas podem ser popularmente conhecidas como “amigdalites” ou “dor de garganta”.
● Amigdalite, portanto, é a inflamação do tecido linfoide entre os arcos
glossopalatino e faringopalatino.
● Amigdalite aguda: pode ser viral ou bacteriana; a infecção tem duração de 3 meses;
● Amigdalite crônica: também pode ser viral ou bacteriana; a infecção dura mais de 3 meses
A. EPIDEMIOLOGIA
Usualmente afeta crianças a partir dos 3 anos, com pico de incidência entre 5 e 10 anos,
podendo acometer qualquer idade.
Em crianca̧s e adolescentes, em especial naqueles em que o contato é muito próximo, como
nas escolas, a transmissão ocorre por meio de gotićulas de saliva, com periódo de incubacã̧o de 1 a
4 dias.
As infeccõ̧es de origem viral correspondem a 75% dos casos em crianca̧s menores de 3 anos
e diminuem após a puberdade, tanto nos casos agudos quanto nos de recorrência. Já as ss
faringoamigdalites bacterianas correspondem a 20 a 40% dos casos.
No Brasil, o EBHGA (estreptococo β-hemolit́ico do grupo A) está presente em 24% das
faringotonsilites em crianca̧s entre 2 e 12 anos de idade.
Mais frequente no Inverno e Primavera.
B. ETIOLOGIA
A amigdalite pode ser de etiologia viral ou bacteriana.
Os agentes infecciosos mais frequentes nas amigdalites ou faringotonsilites agudas são os
vírus (70 a 80% dos casos), sendo os adenovírus os principais causadores. Os vírus da influenza A e B,
da parainfluenza 1, 2 e 3, Epstein-Barr, enterovírus e herpes simples também podem causar
faringoamigdalites.
Isabela G. Campos
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Quando a etiologia é bacteriana, considerada em crianças > 2 anos, o Streptococcus beta-
hemolítico do grupo de A de Lancefield (S. pyogenes) representa o principal patógeno. Sua
importância em Saúde Pública decorre não apenas da sua alta frequência, mas também das suas
complicações, como febre reumática e glomerulonefrite difusa aguda
C- FISIOPATOLOGIA
As tonsilas palatinas, como se encontram na entrada dos aparelhos respiratório e digestivo,
se constituem nos primeiros tecidos imunocompetentes a entrarem em contato com microrganismos
exógenos e outros antígenos presentes no fluxo aéreo-digestivo.
Devido a essas características e à função desse segmento dos aparelhos respiratório e
digestivo, os processos inflamatórios os acometem com frequência.
A patogênese da doença inflamatória/infecciosa das tonsilas palatina e faríngea
provavelmente envolve sua localização anatômica e função de processamento de material infeccioso
(através da qual, paradoxalmente, tornam-se focos de infecção).
Não há certeza em relação ao que determina o início da infecção crônica. Infecção viral com
infecção bacteriana associada pode ser um dos mecanismos de desencadeamento da infecção
crônica, mas os efeitos do ambiente, fatores próprios do indivíduo, dieta, entre outros, podem
também estar envolvidos.
Estudos recentes demonstram que inflamação e perda da integridade do epitélio da cripta
resulta em criptite crônica e obstrução das criptas, levando a estase de resíduos e persistência de
antígenos. A partir daí, mesmo bactérias infrequentes nas criptas poderiamse multiplicar e causar
infecção crônica.
Isabela G. Campos
29
D. QUADRO CLÍNICO
O quadro clínico das faringoamigdalites se caracteriza por odinofagia, febre alta, calafrios,
comprometimento do estado geral, astenia, mialgia, cefaleia e artralgia, podendo haver otalgia
reflexa e aumento de linfonodos cervicais.
Apresentam-se sob variadas formas clínicas:
Nas amigdalites eritematosas, observam-se hiperemia difusa e aspecto congesto de toda a
mucosa faríngea, principalmente das tonsilas palatinas. O exsudato pode estar esbranquiçado; se
não estiver, é de provável etiologia viral (influenza, adenovírus, parainfluenza). A duração é de 3 a 7
dias e, na maioria dos casos, evolui sem complicações.
As amigdalites agudas eritematopultáceas apresentam exsudato esbranquiçado ou
purulento localizado nas criptas e na superfície das tonsilas palatinas. Os agentes etiológicos mais
frequentemente encontrados são S. pyogenes, H. influenzae, S. aureus e M. catarrhalis. A
mononucleose, causada pelo vírus Epstein-Barr, pode se manifestar como forma eritematosa ou
eritematopultácea, e às vezes também como estomatite e enantema no palato, acompanhada de
adenomegalia cervical bilateral e hepatoesplenomegaila; as tonsilas palatinas podem aumentar
extremamente de tamanho.
Nas amigdalites agudas pseudomembranosas, há formação de placas mais ou menos
aderentes às tonsilas, que frequentemente invadem o palato mole e a úvula. Pseudomembranas
brancas brilhantes recobrem inteiramente as tonsilas palatinas, atingindo também os pilares, o
palato mole e a úvula; aderem à mucosa e são sangrantes quando se tenta removê-las.
As amigdalites agudas ulcerosas subdividem-se de acordo com a profundidade da úlcera:
superficiais, quando ocorre erupção vesicular, ou profundas, quando há necrose do tecido.
A angina herpética (causada pelo herpes-vírus tipo I) e a herpangina (vírus coxsackie A) são
semelhantes, podendo surgir do mesmo modo que na forma eritematosa (início abrupto e aspecto
congesto de toda a mucosa faríngea), acometendo crianças de 1 a 5 anos de idade. O tratamento é
sintomático e tem duração de 7 a 10 dias.
Isabela G. Campos
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Dentre as amigdalites ulcerosas profundas, destacam-se a angina de Plaut-Vincent e os
quadro associados a hematopatias (neutropenia, leucemias agudas, síndromes imunoproliferativas
e agranulocitose), além de tuberculose e sífilis. A angina de Plaut-Vincent é causada pela associação
de bacilos saprófitas da cavidade oral, que se inicia após lesão da mucosa ou mau estado dentário,
apresentando febre baixa, intensa odinofagia, halitose fétida (importante) e amigdalite
ulceronecrótica com adenopatia ipsolateral à lesão.
As faringotonsilites clinicamente podem ser classificadas em inespecíficas, quando não há
especificidade entre o agente etiológico e o quadro clínico; e as específicas, quando há correlação
entre a clínica e o agente etiológico.
o Faringotonsilites Virais: Pacientes apresentam febre, exsudato na faringe e
tonsilas, mialgia, coriza e obstrução nasal. Geralmente têm evolução benigna.
Exame físico: hiperemia e edema da mucosa faríngea e das amígdalas, com
presença de exsudato (raramente). Ausência de adenopatia
Atenção: MONONUCLEOSE INFECCIOSA
Pode ser causada por Epstein-Barr vírus (EBV), Citomegalovírus (CMV), toxoplasma, adenovírus ou
vírus da hepatite. O principal é o EBV vírus, da família Herpesviriadae, que pode causar tonsilite
aguda, recorrente ou hipertrofia tonsilar. Nos países desenvolvidos, a infecção primária por EBV
ocorre na segunda ou terceira décadas de vida – nos países pobres ou em desenvolvimento, em
crianças menores. Quanto mais jovem a aquisição do vírus, menos severos são os sintomas. A
transmissão dos vírus ocorre por meio de troca de saliva durante o beijo ou contato próximo.
O EBV infecta preferencialmente linfócitos B humanos. Após a contaminação, há um período de
replicação e incubação de duas a sete semanas, com proliferação de células B infectadas. Esse
processo é contido por uma consistente resposta celular imune, com aparecimento de linfócitos T
citotóxicos “atípicos” no sangue. Em hospedeiro imunossuprimido, essa resposta pelos linfócitos T é
limitada, e resulta em proliferação incontrolada de células B.
A mononucleose infecciosa é caracterizada por um pródromo de mal-estar e fadiga, seguido de
febre e dor de garganta. O exame físico revela tonsilas aumentadas, eritematosas, em muitos casos
com exsudato branco-amarelado, edema de úvula e palato. Há adenopatia cervical envolvendo
nódulos cervicais posteriores, o que ajuda a diferenciar de outras infecções. Entre a segunda e quarta
semanas, cerca de 50% dos pacientes apresenta esplenomegalia, e 30% a 50%, hepatomegalia, rash,
petéquias palatais e dor abdominal. A febre e a faringite costumam durar até duas semanas,
enquanto adenopatia, hepatoesplenomegalia e mal-estar podem se prolongar por até seis semanas.
Isabela G. Campos
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A infecção por EBV pode ser preditora de futuros episódios de tonsilites recorrentes e abscesso
peritonsilar. O vírus pode persistir na faringe por meses ou anos como uma fonte potencial de
reinfecções ou transmissão.
o Bacterianas Inespecíficas: A FT bacteriana inespecífica pode desencadear sintomatologia com
duração de 3 a 6 dias no adulto, e 6 a 10 dias nas crianças e não teria relevância, se não fossem
as complicações, que podem advir quando o agente etiológico é o Streptococcus pyogenes do
grupo A (GAS), também denominado Streptococcus beta-hemolítico do grupo A (GABHS).
O quadro clínico consiste em dor de garganta, disfagia, febre, gânglios submandibulares
aumentados de volume e dolorosos à palpação, achados mais frequentes, além de
eventualmente, náuseas e vômitos, dor abdominal e cefaleia.
O exame físico mostra toda a orofaringe hiperemiada, mucosa edemaciada, tonsilas palatinas
com exsudato e criptas com pontos purulentos ou recobertos por secreções.
o Faringotonsilites streptocócica: exame físico mostra hiperemia acentuada da
faringe, congestão da mucosa, muitas vezes exsudato nas tonsilas, nódulos
linfáticos cervicais anteriores dolorosos à palpação, ausência de sinais de
infecções virais (coriza, rouquidão, tosse, diarreia). Os sinais e sintomas
preditivos são mais confiáveis na criança menor de 15 anos, do que em
adultos jovens.
E. DIAGNÓSTICO
O nível de obstrução causado pelas tonsilas é avaliado
pela classificação de Brodsky, variando entre os graus 0 e 4.
A classificação de Brodsky avalia o tamanho das
tonsilas de acordo com a sua extensão lateral a partir do pilar
anterior até sua linha média. É graduado de 0 a 4:
Grau 0: Tonsilas não perceptíveis na oroscopia.
Grau 1: Tonsilas dentro da loja tonsilar, com obstrução de até
25% da orofaringe.
Grau 2: Tonsilas saindo do limite dos pilares, com obstrução
entre 25 e 50% da orofaringe.
Grau 3: Tonsilas ultrapassam os pilares, com obstrução entre
50 e 75%, ocupando três quartos da luz da orofaringe.
Grau 4: Tonsilas atingem a linha média, com obstrução maior
que 75%.
O diagnóstico da faringotonsilite é basicamente clínico, baseado na história clínica e nos
achados de exame físico. No entanto, os achados na doença estreptocócica e na não- estreptocócica
são parecidos, dificultando a identificação clara da etiologia. Quando de há dúvida da etiologia,
alguns testes podem ser realizados.
O hemograma na fase aguda pode sinalizar se a infecção é viral ou bacteriana. Nas infecções
bacterianas haverá leucocitose, com desvio à esquerda e neutrofilia. Na infecção pelo Epstein-Barr
vírus (Mononucleose infecciosa) se destacam os linfócitos atípicos.
O diagnóstico clínico de FT estreptocócica pode ser muito difícil, quando limitado a critérios
clínicos. O mesmo é feito com bases clínicas, epidemiológica e confirmado por exames laboratoriais,
seja por meio de cultura (padrão ouro) ou por meio de detecção antigênica (teste rápido).
Diagnósticoetiologia bacteriana:
Isabela G. Campos
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Apesar do diagnóstico da faringoamigdalite aguda bacteriana ser basicamente clínico, é
possível a utilização de métodos diagnósticos para a confirmação da etiologia estreptocócica. A
cultura de orofaringe é considerada o padrão ouro, mas apresenta como desvantagem o tempo
prolongado (18 a 48 horas) para obtenção do resultado do exame e com isso a espera para a
introdução da medicação adequada.
Outros testes para detecção do estreptococo, como ELISA, imunoensaios ópticos ou sondas
de DNA, apresentam a vantagem do diagnóstico rápido, cerca de 15 minutos. Essas provas se
apresentam na forma de kits e podem ser realizadas no consultório. Quando comparados à cultura
de orofaringe, apresentam sensibilidade de 30 a 90% e especificidade de 95%, tendo, portanto, um
valor elevado de falsos-negativos.
Na prática clínica, a solicitação da dosagem dos anticorpos antiestreptolisina O, anti-
hialuronidase, anti-DNAse e a antiestreptoquinase é de pouca utilidade, pois seus títulos só se elevam
2 ou 3 semanas após a fase aguda.
F. COMPLICAÇÃO
• Febre reumática: os sinais e sintomas aparecem de 2 a 3 semanas após a faringoamigdalite
estreptocócica, acometem crianças entre os 5 e 15 anos. Para o diagnóstico utilizamos o critério de
Jones modificado, sendo confirmado na presença de 2 critérios maiores ou 1 critério maior e 2
menores, associados à evidência de infecção estreptocócica recente.
• Escarlatina: decorrente da ação de endotoxinas, apresenta-se com rash cutaneopapular e
eritematoso, deixando a pele áspera, linfonodomegalia, vômitos, febre e eritema de orofaringe. Pode
manifestar os sinais de Filatov (palidez perioral) e Pastia (presença de petéquias e hiperpigmentação
em linhas de flexão.
• Glomerulonefrite: ocorre após infecção faríngea ou de pele. Acomete 24% dos pacientes expostos
a cepas nefritogênicas (correspondem a 1% do total). O paciente evolui com síndrome nefrítica de 1
ou 2 semanas após a infecção
• Síndrome do choque tóxico: pode ocorrer após infecção ou colonização estreptocócica de qualquer
sítio (faringe, pele). O paciente apresenta hipotensão associada a pelo menos dois dos seguintes
fatores: insuficiência renal, coagulopatia, alterações na função hepática, síndrome da angústia
respiratória do adulto, necrose tecidual e rash eritematomacular.
• Complicações supurativas:
a) abscesso periamigdaliano: a teoria mais aceita para explicar sua formação seria a extensão
da infecção localizada na amígdala para estruturas do espaço periamigdaliano, inicialmente
como celulite evoluindo para a formação do abscesso. Geralmente causado por flora mista
composta por germes aeróbios e anaeróbios, sendo o Streptococcus pyogenes o mais
comumente isolado. O paciente no curso da amigdalite aguda apresenta alteração no quadro,
evoluindo com odinofagia acentuada e unilateral, piora da disfagia e da halitose, salivação,
Isabela G. Campos
33
alteração no timbre da voz e trismo. Ao exame observa-se edema dos tecidos localizados
superiormente e lateralmente à amígdala envolvida e deslocamento da úvula. Tratamento
com antibioticoterapia (penicilina cristalina + metronidazol; amoxicilina + clavulanato,
clindamicina) associada a antiinflamatórios e punção para coleta de material para cultura e
drenagem. Não é recomendada a realização de amigdalectomia (“a quente”) durante o
processo infeccioso.
b) abscesso parafaríngeo: o acometimento desse espaço ocorre por meio da disseminação
bacteriana a partir das infecções amigdalianas e faríngeas. Apresenta-se com edema no
ângulo da mandíbula, disfagia e dor de garganta.
c) infecções do espaço retrofaríngeo.
G. TRATAMENTO
Para melhor orientar o tratamento, os Critérios Centor modificado podem ser de grande valor.
O tratamento clínico das faringoamigdalites virais agudas é realizado de acordo com a
sintomatologia: utiliza-se associação de analgésicos, antipiréticos, hidratação, anestésicos tópicos
(antes da alimentação) e gargarejos com antissépticos, de acordo com a intensidade do quadro.
Além do tratamento sintomático, com analgésico, antitérmico, hidratação, alimentação
adequada, o tratamento com antimicrobiano, nos casos de FT estreptocócica, é indicado com o
objetivo de melhorar os sintomas da infecção aguda, diminuir o período de contágio e prevenir
complicações supurativas, invasivas e não supurativas, principalmente a febre reumática (FR) e a
glomerulonefrite.
Caso evolua para infecção bacteriana, trata-se com antimicrobianos, de acordo com o agente
envolvido. O tratamento empírico com antibiótico deve ser direcionado para o principal patógeno, o
SbGA. Estudos mostram que vários antibióticos podem ser utilizados com índices de sucesso
semelhantes. A penicilina V oral pode ser uma boa opção de tratamento, podendo também ser
utilizada a penicilina benzatina intramuscular em dose única. A amoxicilina e a amoxicilina associada
ao ácido clavulânico, tomadas durante 10 dias, demonstram ser tão eficazes quanto as
cefalosporinas, utilizadas por 5 dias; porém, estas têm apresentado índice de erradicação do SbGA
ligeiramente superior. Em pacientes alérgicos às penicilinas, outras opções são os macrolídeos.
Para o tratamento da FT estreptocócica (GAS), a Penicilina é o antibiótico de escolha.
Também podem ser utilizados Amoxicilina, Ampicilina, Macrolídeos e até cefalosporinas. Os
Isabela G. Campos
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Macrolídeos têm sido tradicionalmente os fármacos de escolha para os pacientes com alergia à
Penicilina.
Nas faringoamigdalites agudas com abscesso periamigdaliano, o ideal é realizar a punção e,
se houver saída de secreção purulenta, a drenagem do abscesso.
Nas faringoamigdalites de repetição, pode ocorrer falha terapêutica com a utilização de
penicilinas, em caso de estreptococo resistente, de copatogenicidade de bactérias produtoras de
betalactamase, como os estreptococcos alfa-hemolíticos do grupo viridans, e de uso constante de
antibióticos. O tratamento tem o objetivo de atingir principalmente as bactérias produtoras de
betalactamase; portanto, nas fases de agudização, preferem-se as cefalosporinas de segunda
geração, a associação amoxicilina-ácido clavulânico por 10 dias ou, eventualmente, cefalosporinas
de terceira geração.
Amigdalectomia:
A amigdalectomia, conhecida também como cirurgia de retirada das amígdalas, ainda é muito
comum, apesar da queda expressiva nos últimos anos e da existência de medicações. Segundo uma
pesquisa inglesa, cerca de 90% das cirurgias de amigdalite são desnecessárias, e dentre elas apenas
11% apresentavam os sintomas necessários para a sua realização.
Por esta razão, faz-se necessário reconhecer em quais situações elas devem ser realmente
removidas:
Em casos de amigdalites bacterianas recorrentes;
Quando o tratamento com antibióticos não apresenta resultados positivos;
Quando as amígdalas aumentam muito de tamanho e acabam obstruindo as vias aéreas, o que
resulta em ronco, sono agitado, pausas respiratórias durante o sono e alterações na voz ou na
deglutição.
Referências:
6. Tratado de otorrinolaringologia / organização Shirley Shizue Nagata Pignatari, Wilma Terezinha Anselmo-Lima. - 3.
ed. - Rio de Janeiro: Grupo Editorial Nacional, 2020.
7. Guideline IVAS. Infecções das Vias Aéreas Superiores. Sociedade Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-
Facial. Disponível em: https://www.aborlccf.org.br/imageBank/guidelines_completo_07.pdf.
8. Rotinas em ortorrinolaringologia [recurso eletrônico] / Organizadores, Otávio B. Piltcher, et al. – Dados eletrônicos.
– Porto Alegre : Artmed, 2015.
9. Infectologia: Bases clínicas e tratamento / Reinaldo Salomão - 1. ed. - Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2017.
10. Infectologia pediátrica / editoras Katia Telles Nogueira, Isabel Rey Madeira ; organizadores da série Joel Bressa da
Cunha, Adriana Rocha Brito, Anna Tereza Miranda Soares de Moura ; organizadoresdo volume Tânia Cristina de
Mattos Barros Petraglia, Denise Cardoso das Neves Sztajnbok. - 2. ed. - Barueri [SP] : Manole, 2020.
11. Doenças respiratórias / coordenação Joaquim Carlos Rodrigues ... [et al.]. - 3. ed. - Barueri [SP] : Manole, 2019.
12. Clínica médica : consulta rápida / Organizadores, Stephen Doral Stefani, Elvino Barros. – 5. ed. – Porto Alegre :
Artmed, 2020.
13. Manual de orientação sobre amigdalite em crianças. [Recurso Eletrônico]. /Amanda Sabrina da Silva Jinkings et al. –
São Luís: UNICEUMA, 2019.
Isabela G. Campos
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2. DIFERENCIE GRIPE DE RESFRIADO COMUM.
As doenças respiratórias conhecidas como gripes e resfriados são infecções virais
caracterizadas por padrões de ocorrência que variam de acordo com aspectos sazonais,
demográficos e fatores de risco do hospedeiro (p. ex., estado imune e presença de comorbidades).
Nas últimas décadas, muitos agentes foram descritos, e mutações ou disseminação em
espécies diferentes contribuíram para aumentar o número de agentes etiológicos a serem
pesquisados em pacientes com sintomatologia respiratória aguda de provável etiologia viral, como a
síndrome respiratória aguda grave (SRAG ou SARS, do inglês Severe Acute Respiratory Syndrome), a
pandemia por H1N1 (em 2009) e a recente epidemia de coronavírus associado à síndrome
respiratória do Oriente Médio (MERS-CoV, de Middle East Respiratory Syndrome). Algumas dessas
viroses apresentam evolução mais patogênica, principalmente em pacientes imunocomprometidos.
O resfriado comum e a gripe são infecções virais agudas do trato respiratório superior que
podem ser agrupadas numa síndrome com sinais e sintomas semelhantes, e duração menor que 10
dias.
De modo geral a gripe e o resfriado são doenças distintas, como os sintomas são muito
semelhantes as pessoas tendem a achar que são a mesma doença. Ambos são causados por vírus,
porém de tipos diferentes, a GRIPE é causada pelos vírus da família Influenza, já o RESFRIADO, é
causado por vírus diferentes, sendo o Rinovírus o principal agente etiológico do resfriado comum.
▶ Gripe:
A infecção pelo vírus influenza causa inflamação da mucosa de sítios do trato respiratório
superior, como nariz e faringe, e do trato respiratório inferior, como laringe, traqueia e brônquios.
Pneumonia com envolvimento dos alvéolos também pode ocorrer.
Após o vírus ter sido inalado, a neuraminidase degrada a camada protetora de muco,
permitindo ao vírus acesso às células dos tratos respiratórios superior e inferior. A infecção é limitada
principalmente a essa região, uma vez que as proteases que clivam a hemaglutinina localizam-se no
trato respiratório.
Após um período de incubação de 24 a 48 horas, febre, mialgias, cefaleia, dor de garganta
e tosse se desenvolvem subitamente.
Obs. Mialgias graves (dores musculares) associadas a sintomas do trato respiratório são
características da gripe.
Vômito e diarreia são raros. Em geral, os sintomas se solucionam espontaneamente em 4 a
7 dias, mas a ocorrência de pneumonia gripal ou bacteriana pode complicar o curso. Uma das
complicações bem conhecidas da gripe é a pneumonia causada por Staphylococcus aureus ou
Streptococcus pneumoniae.
Apesar da clássica associação do termo gripe ao vírus influenza, vários outros agentes virais
podem causar a síndrome gripal. A influenza, doença respiratória causada pelos ortomixovírus
influenza A, B e C, que acomete as populações sob a forma de epidemias de gripe, com maior
morbidade em idosos e outros grupos de risco, com exceção do tipo C que causa apenas infecções
respiratórias brandas e não possui impacto na saúde pública. Esses vírus sofrem intensa variação
genética, particularmente em duas de suas glicoproteínas de superfície (H e N). As pequenas
mutações (drift antigênico) nessas cepas são responsáveis por epidemias anuais, que ocorrem
Isabela G. Campos
36
durante os períodos interpandêmicos, tornando necessária a reformulação anual da vacina. O vírus
tipo A é patogênico para o ser humano e outros animais (cavalos, suínos, animais marinhos).
Os vírus do tipo H1, H3 e H2 são adaptados aos receptores humanos e responsáveis pelas
epidemias anuais, embora vírus H2 não circulem desde 1968. De tempos em tempos, um novo vírus
do tipo A surge na natureza, e a população é acometida de nova pandemia. Em geral, isto ocorre por
combinação de genes de diferentes espécies de hospedeiros (aves, suínos ou humanos) em um
hospedeiro intermediário (frequentemente suínos), sendo esse fenômeno chamado de shift
antigênico. Quando encontra contingente populacional não imune, esse “vírus emergente” se
espalha com rapidez, aumentando drasticamente a mortalidade por influenza, independentemente
da faixa etária, constituindo nova pandemia.
Após curto período de incubação (1 a 4 dias), pode-se observar início súbito, febre elevada (> 38°C),
tosse seca e sintomas gerais, incluindo mialgia, calafrios, dor de garganta e cefaleia, que persistem
por 3 a 4 dias.
A tosse e a fadiga podem persistir até 2 semanas após o término da febre.
No entanto, nos períodos de outono e inverno os quadros podem se confundir com a rinite e a
faringite dos resfriados comuns, ou serem assintomáticos.
Crianças podem apresentar dor abdominal, vômitos, diarreia e complicações, como crupe,
bronquiolite e otite média aguda. Em idosos, é comum evolução mais insidiosa, com febre baixa ou
ausente, confusão mental e fraqueza.
Adendo... Diagnóstico laboratorial
É importante comentarmos que os casos de síndrome gripal podem ser causados por outras etiologias
virais, principalmente o rinovírus, o vírus parainfluenza, o vírus sincicial respiratório e, em menor
proporção, o adenovírus.
Caso o diagnóstico laboratorial seja indicado (consultar recomendações oficiais), ou nos casos graves
hospitalizados com suspeita do vírus H1N1, deve-se recorrer à reação em cadeia da polimerase (PCR)
em tempo real, técnica realizada em laboratórios especiais ou de referência nacional que permite
identificar o vírus influenza A sazonal e o pandêmico. Testes rápidos comerciais (point of care)
apresentam baixa sensibilidade para o vírus pandêmico, não sendo rotina indicá-los.
Diante de caso suspeito, deve-se coletar swabs da nasofaringe ou da garganta, enviando esse material
para o laboratório – até 2 h, em solução salina, ou no dia seguinte, mantendo-o em geladeira. Também
se pode coletar lavado ou aspirado traqueal/brônquico de pacientes sob ventilação mecânica. O
momento ideal de coleta é até o quinto dia da sintomatologia, mas, havendo suspeita de caso grave,
deve-se obter a amostra mesmo após esse período. Os exames devem ser encaminhados ao laboratório
de referência regional.
▶ Resfriado:
Vários agentes virais podem causar o resfriado. Durante o ano todo, o rinovírus é o principal
agente etiológico do resfriado comum, sendo uma infecção viral do trato respiratório superior,
incluindo algumas ou todas as seguintes estruturas: nariz, garganta, seios nasais, trompas de
Eustáquio, traqueia e laringe.
O resfriado comum é, em geral, diagnosticado clinicamente. Uma mucosa nasal eritematosa
e edematosa é observada ao exame físico. Uma injeção conjuntival e faríngea também pode ser
observada. (Injeção neste contexto refere-se à hiperemia dos pequenos vasos sanguíneos.)
Isabela G. Campos
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As manifestações clínicas incluem congestão nasal, diminuição do olfato, rinorreia (secreção
nasal aquosa sem purulência) e espirros. Os pacientes também apresentam queixas de mal-estar
geral e dor de garganta. Em alguns casos, quadros de cefaleia também podem ser relatados.
A infecção por rinovírus é o principal fator desencadeador de asma em crianças maiores de 2
anos, e até 20% das infectadas desenvolvem otite média em 2 a 5 dias após o início do resfriado.
Outros enterovírus, como o Echovirus e o vírus Coxsackie, além de agentes de outras famílias de vírus,
como adenovírus, vírus respiratóriosincicial vírus, parainfluenza e coronavírus, também são isolados
de pacientes com secreção nasofaríngea.
O vírus costuma ser transmitido por contato manual direto ou indireto de indivíduos
infectados, atingindo, assim, o sítio de entrada (nariz, olhos). A infecção inicia na nasofaringe
posterior (adenoides), e a eliminação de vírus persiste por até 3 semanas. Os sintomas de obstrução
nasal, rinorreia e dor de garganta ocorrem de 8 a 10 h após a infecção, com intensidade máxima em
1 a 3 dias.
Resumindo....
O diagnóstico das IVAS é clínico, baseado em sinais e sintomas.
Na síndrome do resfriado comum, geralmente a sintomatologia é mais discreta, com sintomas
iniciais de cefaléia, espirros, calafrios e dor de garganta e sintomas tardios de coriza, obstrução nasal,
tosse e mal-estar. Geralmente a severidade dos sintomas aumenta rapidamente em 2-3 dias após a
infecção, com uma duração média de 7-10 dias. Alguns sintomas, no entanto, podem persistir por
mais de 3 semanas.
Na síndrome da gripe, tipicamente o início dos sintomas é súbito, caracterizado por febre alta,
cefaléia intensa, tosse, dor de garganta, mialgia, congestão nasal, cansaço, fraqueza e falta de
apetite, apresentando, de uma forma geral, sintomas mais intensos do que no resfriado comum.
Obs. A associação da tosse e da febre no mesmo paciente apresenta um valor preditivo positivo de
cerca de 80% em diferenciar a infecção pelo vírus influenza dos outros quadros de infecção viral.
Referências:
Isabela G. Campos
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1. Guideline IVAS. Infecções das Vias Aéreas Superiores. Sociedade Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-
Facial. Disponível em: https://www.aborlccf.org.br/imageBank/guidelines_completo_07.pdf.
2. Infectologia: Bases clínicas e tratamento / Reinaldo Salomão - 1. ed. - Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2017.
3. DIFERENCIE ANTIBIOTERAPIA EMPÍRICA, PROFILÁTICA E DIRIGIDA.
Antibioticoterapia é o tratamento de pacientes com sinais e sintomas clínicos de infecção pela
administração de antimicrobianos, ou seja, drogas com a capacidade de inibir o crescimento de
microorganismos.
Ademais, tem a finalidade de curar uma doença infecciosa (cura clínica) ou de combater um
agente infeccioso situado em um determinado foco de infecção (cura microbiológica).
Pode ser utilizada de forma terapêutica - que implica na utilização de antimicrobianos a partir
de um diagnóstico preciso, ou presuntivo da etiologia do processo infeccioso, fundamentado na
anamnese, nos exames clínicos e laboratoriais.
As aplicações dos antimicrobianos são definidas, essencialmente, com base no conhecimento
do microrganismo infectante e no tipo de atividade pretendida, se curativa ou profilática.
O uso profilático é aceito quando se deseja prevenir uma infecção em situações onde há risco
elevado, obedecendo a critérios bem definidos de análise de benefício para sua instalação.
A terapia antimicrobiana pode ser específica ou empírica: a específica é executada mediante
identificação do microrganismo por meio de teste laboratorial ou quando a manifestação clínica é
característica deste microrganismo; a presuntiva, ou empírica, é guiada pelo possível agente
infeccioso que é prevalente naquele tipo de manifestação clínica. Terapia específica é o
procedimento preferencial.
Em casos graves, admite-se a terapia empírica, sobretudo se o prazo requerido para a
realização dos testes laboratoriais representar risco significativo ao paciente.
Contudo, devido às dificuldades de isolamento do microrganismo e descrição de sua
sensibilidade, a terapia empírica é usualmente empregada, por vezes, de forma excessiva. A terapia
empírica deve ser baseada em dados epidemiológicos, potencial patogênico e padrão de
suscetibilidade microbiana. Essa conduta pode ser exemplificada pela abordagem sindrômica no
tratamento das doenças sexualmente transmissíveis.
TERAPIA EMPÍRICA:
Uso inicial de antimicrobianos baseado nos agentes mais prováveis da infecção, ou seja, são
guiadas pelo possível agente infeccioso que é prevalente naquele tipo de manifestação clínica.
O tratamento empírico não prescinde, contudo, da coleta de amostras para cultura antes do
início da antibioticoterapia empírica. A coleta deve ser feita em todos os casos para, posteriormente,
confirmar ou redirecionar o tratamento antimicrobiano.
Sugestão de tratamento empírico: O tratamento empírico de infecções graves e sepse
adquiridas na comunidade, pacientes que necessitam de internação e infecções relacionadas à
assistência à saúde para pacientes adultos com peso de 60 kg deve ser ajustado de acordo com os
resultados de culturas, a função renal e o peso do paciente.
TERAPIA PROFILÁTICA:
O uso profilático é aceito quando se deseja prevenir uma infecção em situações onde há risco
elevado.
Isabela G. Campos
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A profilaxia clínica é indicada para prevenir o desenvolvimento de infecção sintomática ou a
propagação da doença. A prevenção é feita pela administração de um antimicrobiano antes, durante
ou imediatamente após a exposição a um agente infeccioso. Utiliza-se a profilaxia antimicrobiana
dependendo de:
• eficácia da droga na prevenção da infecção;
• duração da exposição e probabilidade de re-
exposição ao agente infeccioso;
• defesas do paciente;
• probabilidade de o paciente desenvolver
infecção sintomática;
• gravidade da doença a ser prevenida;
• aceitabilidade da droga baseada em suas
potenciais reações adversas;
• probabilidade e conseqüências da promoção
de resistência à(s) droga(s);
• custo e disponibilidade do regime profilático.
TERAPIA DIRIGIDA:
Relacionada ao uso racional dos antibióticos, com espectro de ação dirigido ao agente
etiológico causal.
Dessa forma, tem-se a utilização de exames bacterioscópicos que são realizados rapidamente
e resultam em informações úteis para direcionar a terapêutica.
Referências:
1. Infectologia: Bases clínicas e tratamento / Reinaldo Salomão - 1. ed. - Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2017.
2. Consenso sobre o uso racional de antimicrobianos/ Ministério da Saúde, Agência Nacional de Vigilância Sanitária. –
Brasilia: 2001. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/cd08_03.pdf.
3. Ações que estimulam o uso racional de antimicrobianos. Rogério Hoefler, Carlos C. F. Vidotti, Elisa Silveira de
Menezes e Suzan Pinheiro. Disponível em:
https://www.cff.org.br/sistemas/geral/revista/pdf/13/farmacoterapeutica.pdf.
4. Revisão do uso de Antibióticos nas Unidades de cuidados Intensivos. Disponível em: https://repositorio.hff.min-
saude.pt/bitstream/10400.10/1276/1/Filipe%20Vilao-%20Revisao%20do%20uso%20de%20antibioticosf.pdf.
4. CONCEITUE PERÍODO DE INCUBAÇÃO, TRANSMISSÃO, LATÊNCIA...
PERÍODO DE INCUBAÇÃO: É o espaço de tempo que um vírus ou bactéria leva para se proliferar no
organismo após invadi-lo, até surgirem os primeiros sintomas da doença.
OU SEJA, é o intervalo de tempo que transcorre entre a exposição a um agente infeccioso e o
surgimento do primeiro sinal ou sintoma da doença.
Esse período varia de acordo com o agente infeccioso, podendo ser muito curto (como no caso da
gripe e da meningite meningocócica) ou muito longo (como no caso das hepatites A e B).
Durante o período de incubação, a pessoa não apresenta sintomas, portanto, não sabe que já foi
infectada.
A chance de adoecer mesmo se vacinada após a infecção é inversamente proporcional, ou seja:
quanto menor for o período de incubação, maior será a chance de a doença se manifestar, apesar da
vacinação.
PERÍODO DE INCIDÊNCIA: É o período em que a doença atinge o seu pico.
PERÍODO DE LATÊNCIA: é o intervalo de tempo que transcorre desde que se produz a infecção até
que a pessoa se torne infecciosa.
Nas doenças transmissíveis, o período de latência é o tempo que transcorre desde a infecção até que
a pessoa se torne infectada.
No caso das doenças não transmissíveis, a terminologia difereum pouco e se considera que o período
de latência corresponde ao período que transcorre entre o desenvolvimento da doença subclínica
até a apresentação de sintomas
Isabela G. Campos
40
Obs. O início do período de transmissibilidade ou infeccioso marca o final do período de latência.
PERÍODO DE TRANSMISSIBILIDADE: é o intervalo de tempo durante o qual o agente infeccioso pode
ser transferido direta ou indiretamente de uma pessoa infectada a outra pessoa, de um animal
infectado ao ser humano ou de um ser humano infectado a um animal, inclusive artrópodes.
Referências:
1. Módulos de Princípios de Epidemiologia para o Controle de Enfermidades. Módulo 2: Saúde e doença na população
/ Organização Pan-Americana da Saúde. Brasília : Organização Pan-Americana da Saúde ; Ministério da Saúde, 2010.
2. http://www.abpbrasil.org.br/departamentos/coordenadores/coordenador/noticias/imagens/glossario_de_epidem
iologia.pdf
http://www.abpbrasil.org.br/departamentos/coordenadores/coordenador/noticias/imagens/glossario_de_epidemiologia.pdf
http://www.abpbrasil.org.br/departamentos/coordenadores/coordenador/noticias/imagens/glossario_de_epidemiologia.pdf
Tutoria (UC XV)
ADENDO SOBRE IVAS...
1.1 Sobre IVAS bacteriana e virais - otites, entenda:
SOBRE A OTITE MÉDIA, ENTENDA:
a. Epidemiologia
b. Etiologia
c. Fisiopatologia
d. Quadro clínico
e. Diagnóstico
f. Complicação
g. Tratamento
ACRESCENTANDO:
1.2 Sobre IVAS bacteriana e virais – laringite, entenda:
a. Epidemiologia
b. Etiologia
c- Fisiopatologia
d. Quadro clínico
adendo: sobre as laringites infecciosas agudas
e. Diagnóstico
f. Complicação
g. Tratamento
1.3 Sobre IVAS bacteriana e virais – rinossinusite, entenda:
a. Epidemiologia
b. Etiologia
c- Fisiopatologia
d. Quadro clínico
e. Diagnóstico
f. Complicação
g. Tratamento
1.4 Sobre IVAS bacteriana e virais – faringoamigdalite, entenda:
a. Epidemiologia
b. Etiologia
c- Fisiopatologia
d. Quadro clínico
e. Diagnóstico
f. Complicação
g. Tratamento
2. Diferencie gripe de resfriado comum.
3. Diferencie antibioterapia empírica, profilática e dirigida.
4. Conceitue período de incubação, transmissão, latência...