Prévia do material em texto
Pediatria Sepse, Choque Séptico e Outros Tipos de Choque Pediatria PEDIATRIA SEPSE, CHOQUE SÉPTICO E OUTROS TIPOS DE CHOQUE PED Pediatria Sepse, Choque Séptico e Outros Tipos de Choque ÍNDICE 3 3 14 19 25 26 29 34 40 51 52 INTRODUÇÃO CHOQUE EM PEDIATRIA - CHOQUE HIPOVOLÊMICO - CHOQUE CARDIOGÊNICO - CHOQUE DISTRIBUTIVO SEPSE / CHOQUE SÉPTICO - FATORES DE RISCO - TRATAMENTO SUPORTE HÍDRICO EM PEDIATRIA CONCLUSÃO Bibliografia PED 2 Pediatria Sepse, Choque Séptico e Outros Tipos de Choque INTRODUÇÃO Vocês já conhecem todos os conceitos sobre os quais vamos falar nesta apostila, mas nem por isso ele é menos importante que os demais. Antes de começar a leitura, queremos deixar um recado que vai acompanhar vocês durante todo o estudo de pediatria: lembrem-se de que as crianças não são pequenos adultos e, portanto, o seu cuidado tem diversas peculiaridades que, com frequência, caem nas provas de residência. Por esse motivo, nas próximas páginas, vamos juntos revisar e reforçar os principais temas de terapia intensiva pediátrica. Preparados? Então bora! CHOQUE EM PEDIATRIA Choque é uma condição clínica grave e dinâmica, caracterizada pela incapacidade do organismo em fornecer oxigênio aos tecidos de modo a suprir as suas demandas metabólicas. Resulta em uma redução da produção celular de ATP, secundária à redução da oferta de O2 aos tecidos, o que gera disfunção celular com a interrupção de processos bioquímicos fundamentais ao funcionamento adequado do organismo, e consequente mudança do metabolismo aeróbio para anaeróbio, com produção excessiva de ácido lático. Em linhas gerais, sua fisiopatologia é secundária a um desequilíbrio, de etiologias variadas, entre a oferta, o transporte e a demanda de oxigênio pelos tecidos. PED 3 Pediatria Sepse, Choque Séptico e Outros Tipos de Choque Dentre os fatores determinantes para esse equilíbrio entre oferta e demanda de O2 no organismo, destacam-se: o nível de hemoglobina, a saturação de oxigênio, a pressão arterial de oxigênio, o débito cardíaco (que é produto da frequência cardíaca e do volume sistólico - ou seja, da volemia!) e a situação metabólica do paciente (se está no seu estado basal, ou se há aumento do metabolismo por outras condições, como febre). PED 4 Pediatria Sepse, Choque Séptico e Outros Tipos de Choque Legenda: Fatores implicados na fisiopatologia do choque. Diversos fatores podem estar implicados na sua patogênese e, conforme a etiologia, o choque pode ser classificado em um dos seguintes grupos: Choque hipovolêmico (ex.: diarreia, sangramentos); Choque distributivo (ex.: anafilaxia, sepse); Choque cardiogênico (ex.: arritmias, cardiopatia congênita); Choque obstrutivo (ex.: pneumotórax, tamponamento cardíaco). É importante observar que, a depender da situação clínica, pode haver sobreposição entre as classificações e, na vida real, é possível que seja complicado identificar, precocemente, qual o mecanismo inicial implicado no choque. Vamos dar um exemplo: em um quadro séptico (choque distributivo) pode haver hipovolemia (por baixa ingesta ou perdas gastrointestinais, por exemplo), além de depressão miocárdica, secundária à resposta inflamatória exacerbada. Na sua prova, no entanto, em geral, as questões tendem a fornecer boas dicas para a determinação etiológica do quadro, como veremos adiante neste capítulo. O fluxograma a seguir exemplifica, de forma objetiva, quais são os principais dados de exame físico e anamnese que vão nos ajudar a determinar a etiologia do choque: • • • • PED 5 Pediatria Sepse, Choque Séptico e Outros Tipos de Choque Fonte: Adaptado de Fioretto UTI Pediátrica (2ª edição), página 213. Diante da potencial gravidade dos quadros de choque, o seu reconhecimento precoce, assim como a pronta instituição de medidas terapêuticas, são fundamentais na determinação do prognóstico do paciente. Desta forma, a identificação dos pacientes em risco e identificação das manifestações clínicas mais clássicas são muito importantes, e um grande desafio na prática clínica do pediatra. PED 6 Pediatria Sepse, Choque Séptico e Outros Tipos de Choque Em linhas gerais, a avaliação inicial do paciente sob risco de choque inclui: Reconhecimento das situações clínicas que imponham risco de morte; Reconhecimento precoce do comprometimento circulatório; Implementação de medidas iniciais para restabelecimento da volemia e oferta de O2; Classificação do tipo de choque e determinação da possível etiologia. Com relação às manifestações clínicas, não vai comer bola: existem algumas que estão presentes em todos os tipos de choque e estão bem evidentes no enunciado da sua questão: taquicardia, alteração de pulso e perfusão periférica, alteração de cor e temperatura das extremidades, alteração do nível de consciência, hipotensão e oligúria. O quadro clínico tende a evoluir conforme esta sequência, mas é importante lembrar que o choque é um quadro dinâmico e pode progredir de forma rápida e caótica entre as fases! O aumento da frequência cardíaca costuma ser o evento mais precoce e é secundário à resposta compensatória do organismo à queda do volume sistólico, de modo a tentar manter um débito cardíaco adequado. Mas atenção! Outras situações como febre, anemia e dor podem levar à taquicardia e devem fazer parte do diagnóstico diferencial na avaliação de taquicardia no paciente pediátrico. Além disso, conforme demonstrado na Tabela 1, os valores de normalidade para os sinais vitais na infância são variáveis conforme a faixa etária! • • • • PED 7 Pediatria Sepse, Choque Séptico e Outros Tipos de Choque Com a evolução do quadro, um outro mecanismo é acionado para tentar manter o débito cardíaco adequado: a vasoconstrição periférica, que se manifesta clinicamente com alteração de pulso, cor e temperatura das extremidades. Esse fenômeno objetiva o aumento da resistência vascular periférica, na tentativa de manter a pressão arterial em níveis adequados e garantir uma oferta metabólica mínima para os tecidos mais nobres, como cérebro, rins e coração. A queda da pressão arterial abaixo do percentil 5 para a faixa etária é um fenômeno tardio nos quadros de choque pediátrico, e representa a falência dos mecanismos compensatórios em manter esses níveis dentro do adequado. A queda da pressão arterial representa uma descompensação do quadro de choque, indicando um quadro mais grave. Nos casos de choque séptico, por exemplo, a hipotensão é um evento mais tardio, não sendo imprescindível para o seu diagnóstico! PED 8 Pediatria Sepse, Choque Séptico e Outros Tipos de Choque *De acordo com o PALS 2020, a idade de referência é de 10 anos. Outras referências citam 12 anos. Fonte: Adaptado de Fioretto UTI Pediátrica (2a edição), página 214. PED 9 Pediatria Sepse, Choque Séptico e Outros Tipos de Choque A deficiência de oferta de oxigênio cerebral se manifesta com alteração do nível de consciência, o que pode variar para menos (torpor) ou para mais (agitação). Este é um fenômeno tardio, secundário à queda da pressão de perfusão cerebral. Lembrem-se de que, nas crianças pequenas, a irritabilidade inconsolável é um sinal clínico que não deve ser ignorado! A má perfusão renal manifesta-se com oligúria que é definida como diuresepresença de acidose metabólica com ânion-gap aumentado por aumento do lactato, devido ao desvio do metabolismo celular para a fase PED 10 Pediatria Sepse, Choque Séptico e Outros Tipos de Choque anaeróbia - com acúmulo de ácido láctico, além da depuração lentificada deste metabólito pelos rins, fígado e musculatura esquelética. O diagnóstico diferencial da causa do choque é determinado principalmente pelos dados da história clínica e exame físico, além de exames complementares - laboratoriais e de imagem, que devem ser solicitados de forma individualizada, conforme a suspeita clínica e evolução do paciente. Como já conversamos, na vida real, frequentemente a determinação do diagnóstico causal não é assim tão evidente, no entanto a ausência de um diagnóstico etiológico definitivo não deve postergar o estabelecimento de medidas iniciais de suporte, já que a maioria dos pacientes chocados beneficiam-se de terapias como oxigenioterapia e expansão volêmica. Outras medidas, no entanto, são específicas para cada etiologia, motivo pelo qual se faz necessário prosseguir na investigação após estabilização inicial do paciente. PED 11 Pediatria Sepse, Choque Séptico e Outros Tipos de Choque Se liguem nesse algoritmo para as medidas iniciais de tratamento do choque na infância, independentemente da etiologia: PED 12 Pediatria Sepse, Choque Séptico e Outros Tipos de Choque Fonte: Fioretto UTI Pediátrica (2a edição), página 215. PED 13 Pediatria Sepse, Choque Séptico e Outros Tipos de Choque Agora que já entendemos os aspectos gerais do choque em pediatria, vamos falar das particularidades de cada um dos principais tipos. Beleza? CHOQUE HIPOVOLÊMICO Choque hipovolêmico é o tipo mais comum de choque em pediatria, caracterizado por redução do volume intravascular por depleção deste compartimento. Dentre as etiologias, destaca-se a gastrointestinal: diarreias líquidas e profusas e vômitos são causas importantes de morbimortalidade, em especial nos países em desenvolvimento e naqueles lactentes jovens, desnutridos e não amamentados. Após o estabelecimento da terapia de reidratação oral e medidas de saneamento básico, tornou-se menos comum encontrar crianças chocadas por perdas PED 14 Pediatria Sepse, Choque Séptico e Outros Tipos de Choque oriundas do TGI, no entanto, é importante ficar atento para essa etiologia de choque hipovolêmico. Outro mecanismo capaz de gerar choque hipovolêmico são as hemorragias, especialmente secundárias a trauma grave, como acidente automobilístico, atropelamento ou queda. Além disso, em pediatria é sempre importante lembrar de maus tratos como causa de sangramento oculto em crianças com choque de etiologia indeterminada! Outras etiologias - menos frequentes - de choque hipovolêmico são as perdas pelo trato urinário ou pela pele (como no caso das queimaduras extensas). A história clínica é fundamental na determinação da etiologia deste tipo de choque: politrauma, com fraturas múltiplas, ou trauma abdominal fechado são indicadores de perda sanguínea volumosa que pode justificar os achados clássicos de exame físico. História de diarreia líquida profusa ou múltiplos vômitos, com dificuldade de reidratação por via oral, também é uma boa dica! 1. Manifestações Clínicas: Sinais clínicos de desidratação: choro sem lágrimas; turgor pastoso; olhos encovados; • ◦ ◦ ◦ PED 15 Pediatria Sepse, Choque Séptico e Outros Tipos de Choque fontanela deprimida; saliva escassa. Sinais clínicos de choque: taquicardia; pulsos periféricos finos; extremidades frias; oligúria; alteração do nível de consciência; hipotensão → vale relembrar: sinal incomum e tardio devido aos mecanismos compensatórios, indicativo de maior gravidade! 2. Tratamento: aqui não tem mistério - o tratamento envolve a estabilização do paciente e o restabelecimento da volemia, de forma racional e criteriosa, mantendo o paciente monitorizado e avaliando-o clinicamente após cada fase de expansão volêmica. O manejo inicial do paciente chocado, como já comentamos, passa pela estabilização da via aérea, oferta de O2, monitorização e acesso vascular. ◦ ◦ • ◦ ◦ ◦ ◦ ◦ ◦ PED 16 Pediatria Sepse, Choque Séptico e Outros Tipos de Choque A meta terapêutica é o restabelecimento das funções vitais, ou seja: nível de consciência, pulso, temperatura, tempo de enchimento capilar de até 2s e diurese > 1 mL/kg/h. Confira no quadro abaixo as principais recomendações para o manejo do choque do tipo hipovolêmico: Em um paciente com choque compensado, é preconizado o acesso venoso periférico. No choque descompensado, o acesso recomendado é aquele que estiver disponível - em geral, periférico ou intraósseo. Após estabilização inicial, a punção de um acesso central deve ser considerada, para infusão de drogas vasoativas e monitorização invasiva. O restabelecimento da volemia deve ser realizado em alíquotas de 20 mL/ kg de solução salina em até 20 min, com avaliação dos sinais vitais após cada etapa, que deve ser repetida enquanto persistirem os sinais de PED 17 Pediatria Sepse, Choque Séptico e Outros Tipos de Choque hipovolemia. Para pacientes com antecedente de cardiopatia ou sinais de disfunção miocárdica, o volume infundido deve ser de 10 mL/kg. Nos casos de choque hemorrágico descompensado, ou naqueles em que haja necessidade de 60 mL/kg de solução salina sem recuperação do status de choque, a transfusão de 10/15mL/kg de concentrado de hemácias deve ser considerada. O uso de concentrado de hemácias deve ser considerado, ainda, nos pacientes com anemia associada ao choque, visando valores de 10 g/dL de modo a favorecer a oferta de oxigênio tecidual. Não há evidências que suportem o uso de coloides como solução inicial para a reposição volêmica em pediatria, de modo que a sua indicação deve ser individualizada. No caso de manutenção do choque a despeito da correção da hipovolemia, ou com o surgimento de sinais de hipervolemia, está indicada a suspensão da reposição volêmica e administração de droga vasoativa. Além disso, o estabelecimento de medidas de prevenção de perdas contínuas também é importante, em especial nos casos de vômitos ou perdas pela pele, como nos casos de grandes queimados. PED 18 Pediatria Sepse, Choque Séptico e Outros Tipos de Choque CHOQUE CARDIOGÊNICO O choque cardiogênico é resultado de uma variedade de condições que prejudicam diretamente o débito cardíaco. É uma causa incomum de choque em pediatria quando comparado à população adulta, em que a miocardiopatia isquêmica é frequente. Em pediatria, destacam-se como causas as cardiopatias congênitas, cardiomiopatias/miocardites e as arritmias cardíacas. Com frequência, esses achados vão estar no enunciado da sua questão quando a banca quiser que você pense nesse tipo de choque! PED 19 Pediatria Sepse, Choque Séptico e Outros Tipos de Choque 1. Manifestações Clínicas: definidas, em linhas gerais, por 2 características: a presença ou não de congestão venosa (secundária ao aumento das pressões de enchimento capilar) e a situação da perfusão periférica (por comprometimento do débito cardíaco ou contratilidade miocárdica). Clinicamente, as crianças podem apresentar-se com propedêutica cardiovascular alterada (presença de ritmo de galope, sopro cardíaco, alteração dos pulsos periféricos, estase jugular), hepatomegalia, taquicardia, taquipneia e desconforto respiratório (ATENÇÃO: estertoração é sugestiva de edema agudo de pulmão!). Didaticamente, a clínica do choque cardiogênico pode ser classificada da seguinte maneira: Quente e seco: perfusão normal, sem congestão venosa Compensado (PA normal), pode estarassociado à disfunção cardíaca significativa. Frio e seco: má perfusão periférica, sem congestão venosa; Descompensado, com aparência de doente; Resistência vascular periférica aumentada; Oligúria; Alteração do nível de consciência. • ◦ • ◦ ◦ ◦ ◦ PED 20 Pediatria Sepse, Choque Séptico e Outros Tipos de Choque Quente e úmido: perfusão periférica normal, com congestão venosa; Parcialmente compensado. Frio e úmido: má perfusão periférica com congestão venosa. Grupo mais comprometido clinicamente. • ◦ • ◦ PED 21 Pediatria Sepse, Choque Séptico e Outros Tipos de Choque 2. Diagnóstico: além da avaliação clínica e de dados de história (como antecedente de cardiopatia congênita, arritmia ou quadro viral prévio - que poderia justificar uma miocardite), o ecocardiograma funcional, quando feito por avaliador treinado, oferece dados valiosos a respeito da anatomia cardíaca, função e medida do débito cardíaco. O uso de marcadores de lesão miocárdica (troponinas, CK, CKMB) pode ser utilizado na suspeita de miocardites. 3. Tratamento: além das medidas iniciais (ABCDE, monitorização), o estabelecimento da volemia deve ser feito de forma criteriosa, com bolus de 5-10 mL/kg de solução cristaloide e reavaliação clínica após. O uso de diuréticos, vasodilatadores e suporte inotrópico (com Dobutamina ou Milrinone) deve ser considerado conforme a evolução clínica do paciente. Observe no quadro abaixo as recomendações acerca do manejo do paciente portador de choque tipo cardiogênico PED 22 Pediatria Sepse, Choque Séptico e Outros Tipos de Choque PED 23 Pediatria Sepse, Choque Séptico e Outros Tipos de Choque PED 24 Pediatria Sepse, Choque Séptico e Outros Tipos de Choque CHOQUE DISTRIBUTIVO Caracterizado por relaxamento inadequado do tônus vascular periférico, gerando vasodilatação e, consequentemente, hipovolemia relativa, com alteração da microcirculação e hipoperfusão tecidual. Geralmente tem função cardíaca normal ou aumentada! PED 25 Pediatria Sepse, Choque Séptico e Outros Tipos de Choque Diversas situações podem gerar tal quadro: Resposta inflamatória sistêmica, com liberação de NO e citocinas na vasculatura periférica, como no caso da sepse; Degranulação de mastócitos e liberação de citocinas, com consequente vasodilatação nos casos de anafilaxia; Lesão da porção cranial da medula, com alteração da via simpática do SNA e consequente vasodilatação parassimpática, secundária ao choque medular. Vamos focar, neste capítulo, no tema mais comum das provas de residência médica: o choque séptico. Apertem o cinto e bora! SEPSE / CHOQUE SÉPTICO Sepse é uma síndrome clínica que representa a complicação de um quadro infeccioso grave, caracterizada pela presença de Síndrome da Resposta Inflamatória Sistêmica (SIRS), com desregulação imunológica, dano à microcirculação e disfunção orgânica. É uma das principais causas de morbimortalidade entre as crianças em todo o mundo. Cerca de 5% de todos os pacientes pediátricos internados no mundo buscam atendimento hospitalar por conta de sepse. Embora as políticas de vacinação tenham tido impacto positivo sobre a mortalidade infantil por causa infecciosa nos últimos anos, esta é altamente variável na população pediátrica, oscilando entre 4-50% e • • • PED 26 Pediatria Sepse, Choque Séptico e Outros Tipos de Choque ocorrendo, frequentemente, nas primeiras 72h do estabelecimento do diagnóstico. Por estes motivos, a identificação precoce e a instituição das medidas terapêuticas adequadas são essenciais para melhorar o prognóstico destes pacientes. DEFINIÇÕES: Por muito tempo, os critérios diagnósticos de sepse se basearam em publicações datadas de 2005, como exibimos abaixo: PED 27 Pediatria Sepse, Choque Séptico e Outros Tipos de Choque Recentemente, os estudos revisados para a população adulta, publicados no Third International Consensus Conference for Sepsis and Septic Shock (Sepsis-3), em 2016, serviram de base para a revisão dos critérios também para a população pediátrica, buscando simplificar o seu diagnóstico. Em 2020, foram lançadas as recomendações do Surviving Sepsis Campaign, que conceituaram choque séptico em crianças como infecção grave levando a disfunção cardiovascular (isto é, hipotensão, necessidade de tratamento com drogas vasoativas ou perfusão prejudicada - prolongamento do tempo de enchimento capilar, pulsos finos, alteração do nível de consciência, oligúria…). Porém, eis a grande novidade! Em 2024, foi publicado um estudo no JAMA (Journal of the American Medical Association) reconciliando as definições de sepse pediátrica buscando uma uniformidade entre as diferentes definições e eliminando conceitos antigos, como o de SIRS e de sepse grave (afinal, toda sepse é grave!). Dessa forma, o Phoenix Sepsis Score (PSS) é construído através da análise de acometimento multissistêmico respiratório, cardiovascular, hematológico (coagulação) e neurológico. Para fins práticos: SEPSE = PSS ≥ 2 em vigência de infecção suspeita ou documentada; CHOQUE SÉPTICO = sepse com ≥ 1 ponto no escore cardiovascular. • • PED 28 Pediatria Sepse, Choque Séptico e Outros Tipos de Choque PaO2: pressão parcial arterial de oxigênio; FiO2: fração inspirada de oxigênio; SpO2: saturação de pulso de oxigênio; VMI: ventilação mecânica invasiva; DVA: drogas vasoativas; RNI: razão normalizada internacional (tempo de atividade de protrombina do paciente/controle; ECGlasgow: escala de coma de Glasgow). Para o cálculo da PAM, pode-se utilizar a pressão arterial invasiva ou utilizar o cálculo através da medida não invasiva: 1/3 x sistólica + 2/3 x diastólica FATORES DE RISCO PED 29 Pediatria Sepse, Choque Séptico e Outros Tipos de Choque Idade 4-7 dias); Uso recente de ATB de amplo espectro. MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS: sinais clínicos sugestivos de um quadro infeccioso vigente, como febre, prostração, adinamia podem estar presentes; sinais localizatórios do sítio de infecção, como, por exemplo, diarreia (sugerindo etiologia gastrointestinal), ou irritabilidade/alteração do nível de consciência (SNC) podem ou não aparecer na história clínica, mas frequentemente o foco é indeterminado no momento da avaliação inicial. A SIRS se manifesta através da alteração dos sinais vitais, com taquicardia ou bradicardia, desconforto respiratório. Na evolução para choque, sinais clínicos de má perfusão são mais evidentes, sendo que, nas crianças pequenas, a taquicardia é um sinal bastante sensível (embora pouco específico) de evolução desfavorável. O choque séptico pode ser didaticamente classificadoem quente ou frio, conforme descrito na tabela abaixo. • ◦ ◦ ◦ ◦ PED 31 Pediatria Sepse, Choque Séptico e Outros Tipos de Choque Devido aos mecanismos compensatórios peculiares do sistema circulatório na infância, com o desenvolvimento mais tardio de hipotensão e o acometimento precoce da função miocárdica, é mais comum que as crianças se apresentem com um choque séptico do tipo frio: extremidades frias, pulsos finos e enchimento capilar lentificado! PED 32 Pediatria Sepse, Choque Séptico e Outros Tipos de Choque EXAMES COMPLEMENTARES: diante da suspeita diagnóstica de sepse, a coleta de exames laboratoriais não deve tardar. Dentre o pacote inicial, destacam-se: Hemograma completo: para avaliação da série branca geral e diferencial (leucopenia/leucocitose são critérios para SIRS). Trombocitopenia, neutrofilia e neutropenia podem ser indicativos de infecção aguda; Gasometria arterial: para avaliação da perfusão tecidual e status de oxigenação; Lactato: no último SSC 2020, não foi elaborada recomendação referente ao uso dos níveis séricos de lactato para estratificar as crianças com suspeita de choque séptico, porém - na prática - ele pode ser útil. Alguns estudos têm relacionado a elevação do lactato (entre 2 e 4 mmoL/L) com o aumento da mortalidade. glicemia capilar; eletrólitos (Na, K, Ca); Ureia, creatinina; urina tipo 1; hemocultura, urocultura e outras, conforme suspeita (LCR se suspeita de meningite/encefalite, secreção traqueal, etc). A coleta de culturas antes do início dos antibióticos está associada a melhores resultados finais. Contudo, não podemos atrasar o início dos antibióticos, ok?! • • • • • • • • PED 33 Pediatria Sepse, Choque Séptico e Outros Tipos de Choque coagulograma; enzimas hepáticas e bilirrubinas; RX de tórax. DIAGNÓSTICO: essencialmente clínico, através da associação de infecção (presumida ou confirmada), associada a 2 ou mais critérios de SIRS. DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL: a depender da apresentação clínica inicial e da faixa etária do paciente, uma infinidade de hipóteses diagnósticas podem ser aventadas, destacam-se: hipoglicemia, miocardite, cardiopatia congênita, gastroenterite com desidratação, hiperplasia adrenal congênita, epilepsia, erros inatos do metabolismo, doença de Kawasaki, síndrome serotoninérgica, etc. TRATAMENTO O estabelecimento de terapia antimicrobiana empírica, de amplo espectro, deve ser realizado em até 1 hora do reconhecimento do • • • PED 34 Pediatria Sepse, Choque Séptico e Outros Tipos de Choque choque séptico e em até 3 horas do reconhecimento da sepse. Conforme a avaliação das culturas coletadas na avaliação inicial, esta terapia deve ser titulada, readequada ou suspensa durante o tratamento do paciente. No SSC 2020, recomenda-se, ainda, na ressuscitação inicial de crianças com choque séptico ou disfunção orgânica relacionada à sepse o uso de cristaloides balanceados e tamponados (ringer lactato e o Plasma-Lyte) ao invés de coloides (albumina). Embora não haja estudos controlados e randomizados na faixa etária pediátrica comparando cristaloides balanceados/tamponados com solução salina 0,9%, existem estudos observacionais que demonstraram que o uso dessas soluções está associado a menor taxa de mortalidade. Em relação às drogas vasoativas, o SSC 2020 recomenda o uso de EPINEFRINA e NOREPINEFRINA como drogas de escolha para o manejo do choque séptico na infância, a depender do perfil clínico do paciente, PED 35 Pediatria Sepse, Choque Séptico e Outros Tipos de Choque em detrimento do uso de Dopamina, recomendada em edições anteriores. A decisão entre EPINEFRINA e NOREPINEFRINA deve ser baseada nas características das drogas e do choque do paciente. Ambas as drogas agem sobre o sistema nervoso autônomo, nos receptores alfa e beta, gerando vasoconstrição periférica e aumento do inotropismo. A noradrenalina é uma droga com efeito notadamente mais evidente sobre os receptores tipo alfa, da vasculatura, gerando vasoconstrição como efeito principal. Já a adrenalina age principalmente sobre os receptores tipo beta1, tendo como principais efeitos o aumento do inotropismo e taquicardia. Os efeitos de ambas as drogas sobre cada receptor são variáveis conforme a dose administrada. Desta forma, um paciente que apresente-se com choque do tipo quente, vasodilatado, deve receber, como primeira droga, a NORADRENALINA que vai promover, como efeito inicial, vasoconstrição periférica, com aumento da resistência vascular e consequente efeito sobre o débito cardíaco. Já naqueles que se apresentem com choque do tipo frio, é mais importante agir sobre a musculatura cardíaca, de modo que o uso de ADRENALINA é preferencial. Lembrem-se de que essa é a apresentação mais comum de choque séptico na infância! PED 36 Pediatria Sepse, Choque Séptico e Outros Tipos de Choque Resumindo o atendimento inicial (primeiros 60 minutos) da criança com choque séptico: PED 37 Pediatria Sepse, Choque Séptico e Outros Tipos de Choque PED 38 Pediatria Sepse, Choque Séptico e Outros Tipos de Choque PED 39 Pediatria Sepse, Choque Séptico e Outros Tipos de Choque SUPORTE HÍDRICO EM PEDIATRIA O uso de terapia de manutenção hídrica é corriqueiro nas unidades de internação pediátrica, para pacientes que não podem se alimentar, e visa a reposição das perdas hídricas fisiológicas que ocorrem através de sudorese, diurese, evacuação e reações metabólicas, de modo a preservar a volemia e homeostase hidroeletrolítica. Durante os anos 50, foi proposto por Holliday-Segar o uso de um soro de manutenção que levasse em consideração as demandas hídricas e PED 40 Pediatria Sepse, Choque Séptico e Outros Tipos de Choque metabólicas de um paciente pediátrico previamente hígido, que não pudesse se alimentar. O soro proposto envolvia a oferta de 100 mL de líquidos para cada 100 Kcal/dia, com proporção calórica segundo o peso, conforme a tabela abaixo: Tabela 3. Fórmula de reposição hídrica segundo fórmula de Holliday e Segar (cada 100 calorias necessária demanda 100 mL de líquidos). Fonte: RECOMENDAÇÕES: atualizações de condutas em pediatria (SPSP) n. 78: Recomendações para fluidoterapia isotônica (Set/ 2016). PED 41 Pediatria Sepse, Choque Séptico e Outros Tipos de Choque A recomendação proposta pela dupla a respeito da oferta de eletrólitos foi baseada em uma média estimada do que é ofertado pelo leite de vaca e leite materno, da seguinte maneira: Sódio: 3 mEq Na / 100 Kcal/dia;• PED 42 Pediatria Sepse, Choque Séptico e Outros Tipos de Choque Potássio: 2 mEq K / 100 Kcal/dia; Cloreto: 100 mEq Cl / 100 Kcal/dia. A oferta de volume e eletrólitos sugerida por Holliday-Segar é próxima àquela estimada para uma criança ou adulto saudável, no entanto, o seu uso, mesmo que por um breve período, pode ter efeitos indesejados sobre o paciente crítico - em especial, hiponatremia. Por este motivo, a prescrição de soroterapia de manutenção deve ser feita de forma individualizada, levando em consideração o status clínico, balanço hídrico e condição eletrolítica de cada paciente. Diante da observação clínica e da realização de diversos ensaios clínicos ao longo das últimas décadas, a recomendação mais atual da literatura sugere o uso de uma solução isotônica (com cerca de 136 mEq/L de Na), além de restrição da oferta hídrica para os pacientes criticamente enfermos, para cerca de 50-80% da oferta proposta por Holliday-Segar. Por esses motivos, as recomendações mais atuais acerca da prescrição de fluidoterapia de manutenção para pacientes pediátricos são as seguintes: Preferir a prescrição de solução isotônica (135-145 mEq/L de Na) para os pacientesinternados; Oferta de potássio em 25 mEq/L; Dosar eletrólitos após 24h da instalação do soro de manutenção, e recalcular eletrólitos conforme necessidade; • • • ◦ ◦ PED 43 Pediatria Sepse, Choque Séptico e Outros Tipos de Choque Manter oferta de glicose basal e realizar controle com glicosímetro; Não prescrever NaCl 0.9% + Glicose 50% pelo risco de acidose hiperclorêmica; Prescrever oferta hídrica de forma individualizada, levando em considerações patologias prévias e a condição atual do paciente; Para pacientes previamente hígidos e que não estejam em ambiente de terapia intensiva, oferta de 100 mL/Kcal/dia é adequada; Para pacientes em ambiente de UTI, sob risco de retenção hídrica, manter oferta entre 50-80% do preconizado por Holliday-Segar. Dentre as contraindicações para a soroterapia isotônica, destacam- se: Hipernatremia (Na > 150 mEq/L) ou outros distúrbios hidroeletrolíticos; Acidose metabólica; Neonatos; • ◦ • ◦ ◦ ◦ • • • PED 44 Pediatria Sepse, Choque Séptico e Outros Tipos de Choque Doença com perda de água livre (diabetes insipidus); HAS; Doença renal que demande restrição de sódio. Desta forma, concluímos que a terapia de manutenção hídrica em pediatria deve ser feita de forma individualizada, levando em consideração as condições prévias da criança, além do seu status clínico e laboratorial atual. De maneira geral, o uso de solução isotônica parece ter menos efeitos deletérios, em especial sobre os pacientes criticamente enfermos. • • • PED 45 Pediatria Sepse, Choque Séptico e Outros Tipos de Choque Vamos esquematizar tudo isso? Confiram, no quadro abaixo, o resumo das recomendações de terapia de manutenção hidroeletrolítica explanados até agora: PED 46 Pediatria Sepse, Choque Séptico e Outros Tipos de Choque E A TERAPIA DE REPOSIÇÃO? Não iremos focar em detalhes deste conteúdo nessa apostila, já que ele será abordado em detalhes em outro momento. PED 47 Pediatria Sepse, Choque Séptico e Outros Tipos de Choque PED 48 Pediatria Sepse, Choque Séptico e Outros Tipos de Choque PED 49 Pediatria Sepse, Choque Séptico e Outros Tipos de Choque PED 50 Pediatria Sepse, Choque Séptico e Outros Tipos de Choque CONCLUSÃO O reconhecimento precoce e manejo adequado de um paciente pediátrico portador de choque tem impacto positivo sobre o seu prognóstico. Além disso, o conhecimento acerca do manejo inicial correto de um caso clínico, dentro das peculiaridades do paciente pediátrico, é fundamental para garantir pontos imprescindíveis na sua prova de residência! PED 51 Pediatria Sepse, Choque Séptico e Outros Tipos de Choque Bibliografia REFERÊNCIAS 1. Tratado de Pediatria SBP 4a edição Seção 4, capítulos 8, 14, 15, 17 Seção 23, capítulos 6, 7, 12 2. UTI Pediátrica (FMB UNESP) 2a edição 3. Pronto Socorro - PEDIATRIA (USP) - 3a edição 4. RECOMENDAÇÕES: atualizações de condutas em pediatria (SPSP) n. 78: Recomendações para fluidoterapia isotônica (Set/2016) 5. Consenso Brasileiro de Monitorização e Suporte Hemodinâmico. Parte V: suporte hemodinâmico. RBTI 2006, 18:2 161-176 6. Expansores do Plasma. José Otávio C. A. Júnior; Luiz Guilherme V. Costa. Medicina Peroperatória, cap. 43 7. Surviving Sepsis Campaign 2020 (https://www.sccm.org/getattachment/ Research/Guidelines/Guidelines/Surviving-Sepsis-Campaign- International-Guidelines/Portuguese-Pediatric-SSC-Management-of- Septic-Shock.pdf?lang=en-US ) 8. https://sites.usp.br/rpp/wp-content/uploads/sites/415/2018/09/ Choque_2018.pdf 9. UpToDate https://www.uptodate.com/contents/pathophysiology-and- classification-of-shock-in-children? search=choque&source=search_result&selectedTitle=3~150&usage_type=default&display_rank=3 • • • PED 52 https://www.sccm.org/getattachment/Research/Guidelines/Guidelines/Surviving-Sepsis-Campaign-International-Guidelines/Portuguese-Pediatric-SSC-Management-of-Septic-Shock.pdf?lang=en-US https://www.sccm.org/getattachment/Research/Guidelines/Guidelines/Surviving-Sepsis-Campaign-International-Guidelines/Portuguese-Pediatric-SSC-Management-of-Septic-Shock.pdf?lang=en-US https://www.sccm.org/getattachment/Research/Guidelines/Guidelines/Surviving-Sepsis-Campaign-International-Guidelines/Portuguese-Pediatric-SSC-Management-of-Septic-Shock.pdf?lang=en-US https://www.sccm.org/getattachment/Research/Guidelines/Guidelines/Surviving-Sepsis-Campaign-International-Guidelines/Portuguese-Pediatric-SSC-Management-of-Septic-Shock.pdf?lang=en-US https://www.sccm.org/getattachment/Research/Guidelines/Guidelines/Surviving-Sepsis-Campaign-International-Guidelines/Portuguese-Pediatric-SSC-Management-of-Septic-Shock.pdf?lang=en-US https://www.sccm.org/getattachment/Research/Guidelines/Guidelines/Surviving-Sepsis-Campaign-International-Guidelines/Portuguese-Pediatric-SSC-Management-of-Septic-Shock.pdf?lang=en-US https://www.sccm.org/getattachment/Research/Guidelines/Guidelines/Surviving-Sepsis-Campaign-International-Guidelines/Portuguese-Pediatric-SSC-Management-of-Septic-Shock.pdf?lang=en-US https://www.sccm.org/getattachment/Research/Guidelines/Guidelines/Surviving-Sepsis-Campaign-International-Guidelines/Portuguese-Pediatric-SSC-Management-of-Septic-Shock.pdf?lang=en-US https://sites.usp.br/rpp/wp-content/uploads/sites/415/2018/09/Choque_2018.pdf https://sites.usp.br/rpp/wp-content/uploads/sites/415/2018/09/Choque_2018.pdf https://sites.usp.br/rpp/wp-content/uploads/sites/415/2018/09/Choque_2018.pdf https://sites.usp.br/rpp/wp-content/uploads/sites/415/2018/09/Choque_2018.pdf https://www.uptodate.com/contents/pathophysiology-and-classification-of-shock-in-children?search=choque&source=search_result&selectedTitle=3~150&usage_type=default&display_rank=3 https://www.uptodate.com/contents/pathophysiology-and-classification-of-shock-in-children?search=choque&source=search_result&selectedTitle=3~150&usage_type=default&display_rank=3 https://www.uptodate.com/contents/pathophysiology-and-classification-of-shock-in-children?search=choque&source=search_result&selectedTitle=3~150&usage_type=default&display_rank=3 https://www.uptodate.com/contents/pathophysiology-and-classification-of-shock-in-children?search=choque&source=search_result&selectedTitle=3~150&usage_type=default&display_rank=3 https://www.uptodate.com/contents/pathophysiology-and-classification-of-shock-in-children?search=choque&source=search_result&selectedTitle=3~150&usage_type=default&display_rank=3 https://www.uptodate.com/contents/pathophysiology-and-classification-of-shock-in-children?search=choque&source=search_result&selectedTitle=3~150&usage_type=default&display_rank=3 Pediatria Sepse, Choque Séptico e Outros Tipos de Choque https://www.uptodate.com/contents/initial-evaluation-of-shock-in- children? search=choque%20cardiogenico&source=search_result&selectedTitle=4~150&usage_type=default&display_rank=4 https://www.uptodate.com/contents/initial-management-of-shock- in-children? search=choque%20cardiogenico&source=search_result&selectedTitle=2~150&usage_type=default&display_rank=2 https://www.uptodate.com/contents/neonatal-shock-etiology- clinical-manifestations-and-evaluation? search=choque%20cardiogenico&source=search_result&selectedTitle=5~150&usage_type=default&display_rank=5 https://www.uptodate.com/contents/suspected-heart-disease-in- infants-and-children-criteria-for-referral? search=choque%20cardiogenico&source=search_result&selectedTitle=6~150&usage_type=default&display_rank=6 https://www.uptodate.com/contents/scorpion-envenomation- causing-autonomic-dysfunction-north-africa-middle-east-asia- south-america-and-the-republic-of-trinidad-and-tobago? search=choque%20cardiogenico&source=search_result&selectedTitle=7~150&usage_type=default&display_rank=7 https://www.uptodate.com/contents/systemic-inflammatory- response-syndrome-sirs-and-sepsis-in-children-definitions- epidemiology-clinical-manifestations-and-diagnosis?search=choque&topicRef=6388&source=see_link#H1374240 • • • • • • PED 53 https://www.uptodate.com/contents/initial-evaluation-of-shock-in-children?search=choque%20cardiogenico&source=search_result&selectedTitle=4~150&usage_type=default&display_rank=4 https://www.uptodate.com/contents/initial-evaluation-of-shock-in-children?search=choque%20cardiogenico&source=search_result&selectedTitle=4~150&usage_type=default&display_rank=4 https://www.uptodate.com/contents/initial-evaluation-of-shock-in-children?search=choque%20cardiogenico&source=search_result&selectedTitle=4~150&usage_type=default&display_rank=4 https://www.uptodate.com/contents/initial-evaluation-of-shock-in-children?search=choque%20cardiogenico&source=search_result&selectedTitle=4~150&usage_type=default&display_rank=4 https://www.uptodate.com/contents/initial-evaluation-of-shock-in-children?search=choque%20cardiogenico&source=search_result&selectedTitle=4~150&usage_type=default&display_rank=4 https://www.uptodate.com/contents/initial-evaluation-of-shock-in-children?search=choque%20cardiogenico&source=search_result&selectedTitle=4~150&usage_type=default&display_rank=4 https://www.uptodate.com/contents/initial-management-of-shock-in-children?search=choque%20cardiogenico&source=search_result&selectedTitle=2~150&usage_type=default&display_rank=2 https://www.uptodate.com/contents/initial-management-of-shock-in-children?search=choque%20cardiogenico&source=search_result&selectedTitle=2~150&usage_type=default&display_rank=2 https://www.uptodate.com/contents/initial-management-of-shock-in-children?search=choque%20cardiogenico&source=search_result&selectedTitle=2~150&usage_type=default&display_rank=2 https://www.uptodate.com/contents/initial-management-of-shock-in-children?search=choque%20cardiogenico&source=search_result&selectedTitle=2~150&usage_type=default&display_rank=2 https://www.uptodate.com/contents/initial-management-of-shock-in-children?search=choque%20cardiogenico&source=search_result&selectedTitle=2~150&usage_type=default&display_rank=2 https://www.uptodate.com/contents/initial-management-of-shock-in-children?search=choque%20cardiogenico&source=search_result&selectedTitle=2~150&usage_type=default&display_rank=2 https://www.uptodate.com/contents/neonatal-shock-etiology-clinical-manifestations-and-evaluation?search=choque%20cardiogenico&source=search_result&selectedTitle=5~150&usage_type=default&display_rank=5 https://www.uptodate.com/contents/neonatal-shock-etiology-clinical-manifestations-and-evaluation?search=choque%20cardiogenico&source=search_result&selectedTitle=5~150&usage_type=default&display_rank=5 https://www.uptodate.com/contents/neonatal-shock-etiology-clinical-manifestations-and-evaluation?search=choque%20cardiogenico&source=search_result&selectedTitle=5~150&usage_type=default&display_rank=5 https://www.uptodate.com/contents/neonatal-shock-etiology-clinical-manifestations-and-evaluation?search=choque%20cardiogenico&source=search_result&selectedTitle=5~150&usage_type=default&display_rank=5 https://www.uptodate.com/contents/neonatal-shock-etiology-clinical-manifestations-and-evaluation?search=choque%20cardiogenico&source=search_result&selectedTitle=5~150&usage_type=default&display_rank=5 https://www.uptodate.com/contents/neonatal-shock-etiology-clinical-manifestations-and-evaluation?search=choque%20cardiogenico&source=search_result&selectedTitle=5~150&usage_type=default&display_rank=5 https://www.uptodate.com/contents/suspected-heart-disease-in-infants-and-children-criteria-for-referral?search=choque%20cardiogenico&source=search_result&selectedTitle=6~150&usage_type=default&display_rank=6 https://www.uptodate.com/contents/suspected-heart-disease-in-infants-and-children-criteria-for-referral?search=choque%20cardiogenico&source=search_result&selectedTitle=6~150&usage_type=default&display_rank=6 https://www.uptodate.com/contents/suspected-heart-disease-in-infants-and-children-criteria-for-referral?search=choque%20cardiogenico&source=search_result&selectedTitle=6~150&usage_type=default&display_rank=6 https://www.uptodate.com/contents/suspected-heart-disease-in-infants-and-children-criteria-for-referral?search=choque%20cardiogenico&source=search_result&selectedTitle=6~150&usage_type=default&display_rank=6 https://www.uptodate.com/contents/suspected-heart-disease-in-infants-and-children-criteria-for-referral?search=choque%20cardiogenico&source=search_result&selectedTitle=6~150&usage_type=default&display_rank=6 https://www.uptodate.com/contents/suspected-heart-disease-in-infants-and-children-criteria-for-referral?search=choque%20cardiogenico&source=search_result&selectedTitle=6~150&usage_type=default&display_rank=6 https://www.uptodate.com/contents/scorpion-envenomation-causing-autonomic-dysfunction-north-africa-middle-east-asia-south-america-and-the-republic-of-trinidad-and-tobago?search=choque%20cardiogenico&source=search_result&selectedTitle=7~150&usage_type=default&display_rank=7 https://www.uptodate.com/contents/scorpion-envenomation-causing-autonomic-dysfunction-north-africa-middle-east-asia-south-america-and-the-republic-of-trinidad-and-tobago?search=choque%20cardiogenico&source=search_result&selectedTitle=7~150&usage_type=default&display_rank=7 https://www.uptodate.com/contents/scorpion-envenomation-causing-autonomic-dysfunction-north-africa-middle-east-asia-south-america-and-the-republic-of-trinidad-and-tobago?search=choque%20cardiogenico&source=search_result&selectedTitle=7~150&usage_type=default&display_rank=7 https://www.uptodate.com/contents/scorpion-envenomation-causing-autonomic-dysfunction-north-africa-middle-east-asia-south-america-and-the-republic-of-trinidad-and-tobago?search=choque%20cardiogenico&source=search_result&selectedTitle=7~150&usage_type=default&display_rank=7 https://www.uptodate.com/contents/scorpion-envenomation-causing-autonomic-dysfunction-north-africa-middle-east-asia-south-america-and-the-republic-of-trinidad-and-tobago?search=choque%20cardiogenico&source=search_result&selectedTitle=7~150&usage_type=default&display_rank=7 https://www.uptodate.com/contents/scorpion-envenomation-causing-autonomic-dysfunction-north-africa-middle-east-asia-south-america-and-the-republic-of-trinidad-and-tobago?search=choque%20cardiogenico&source=search_result&selectedTitle=7~150&usage_type=default&display_rank=7 https://www.uptodate.com/contents/scorpion-envenomation-causing-autonomic-dysfunction-north-africa-middle-east-asia-south-america-and-the-republic-of-trinidad-and-tobago?search=choque%20cardiogenico&source=search_result&selectedTitle=7~150&usage_type=default&display_rank=7 https://www.uptodate.com/contents/scorpion-envenomation-causing-autonomic-dysfunction-north-africa-middle-east-asia-south-america-and-the-republic-of-trinidad-and-tobago?search=choque%20cardiogenico&source=search_result&selectedTitle=7~150&usage_type=default&display_rank=7 https://www.uptodate.com/contents/systemic-inflammatory-response-syndrome-sirs-and-sepsis-in-children-definitions-epidemiology-clinical-manifestations-and-diagnosis?search=choque&topicRef=6388&source=see_link#H1374240 https://www.uptodate.com/contents/systemic-inflammatory-response-syndrome-sirs-and-sepsis-in-children-definitions-epidemiology-clinical-manifestations-and-diagnosis?search=choque&topicRef=6388&source=see_link#H1374240 https://www.uptodate.com/contents/systemic-inflammatory-response-syndrome-sirs-and-sepsis-in-children-definitions-epidemiology-clinical-manifestations-and-diagnosis?search=choque&topicRef=6388&source=see_link#H1374240 https://www.uptodate.com/contents/systemic-inflammatory-response-syndrome-sirs-and-sepsis-in-children-definitions-epidemiology-clinical-manifestations-and-diagnosis?search=choque&topicRef=6388&source=see_link#H1374240 https://www.uptodate.com/contents/systemic-inflammatory-response-syndrome-sirs-and-sepsis-in-children-definitions-epidemiology-clinical-manifestations-and-diagnosis?search=choque&topicRef=6388&source=see_link#H1374240 https://www.uptodate.com/contents/systemic-inflammatory-response-syndrome-sirs-and-sepsis-in-children-definitions-epidemiology-clinical-manifestations-and-diagnosis?search=choque&topicRef=6388&source=see_link#H1374240https://www.uptodate.com/contents/systemic-inflammatory-response-syndrome-sirs-and-sepsis-in-children-definitions-epidemiology-clinical-manifestations-and-diagnosis?search=choque&topicRef=6388&source=see_link#H1374240 https://www.uptodate.com/contents/systemic-inflammatory-response-syndrome-sirs-and-sepsis-in-children-definitions-epidemiology-clinical-manifestations-and-diagnosis?search=choque&topicRef=6388&source=see_link#H1374240 REFERÊNCIAS