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UNIVERSIDADE PAULISTA 
 
JOAO VICTOR MESQUITA DE LIMA 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
VIOLÊNCIA NAS ESCOLAS 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
RIO BRANCO 
2024 
 
 
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JOAO VICTOR MESQUITA DE LIMA 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
VIOLÊNCIA NAS ESCOLAS 
 
 
 
 
PIM para obtenção do título de 
graduação em Gestão de Segurança 
Privada apresentado à Universidade 
Paulista – UNIP. 
 
Orientador Prof.: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
RIO BRANCO 
2024 
 
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INTRODUÇÃO 
 
A Organização Mundial da Saúde(OMS) nos define a violência como "o 
uso de força física ou poder, em ameaça, prática ou contra si próprio, outra 
pessoa, ou contra grupo ou comunidade que resulte ou possa resultar em 
sofrimento morte, dano psicológico, desenvolvimento prejudicado ou 
privação(OMS,2002). 
 Tal definição nos possibilita o entendimento da violência sem barreiras, 
tendo ampla existência, segundo CAMACHO(2001, p.125) " O crescimento das 
práticas da violência entre os jovens de classes médias e de segmentos 
privilegiados da sociedade, nos seus diferentes espaços de atuação: na família, 
na escola ou na rua”. 
Sendo assim propõe-se apresentar aa perspectivas acerca da violência 
nas escolas e as medidas de segurança pública e privada implantadas para 
melhoria e até anulação da violência dentro das mesmas. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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REVISAO BIBLIOGRÁFICA 
 
Segundo CAMACHO(2001,p 125) nos afirma que " é equivocado pensar 
que a violência se vincula apenas e diretamente à pobreza, aos grandes 
centros urbanos, aos adultos e aos dias de hoje". Para o mesmo a violência 
está presente em toda a sociedade, apresentando-se em várias formas e não 
está nas classes sociais, faixas etárias ou momentos. 
Por mais que o ensino privado possua uma estrutura física melhor e 
apresentando também um quadro funcional bem remunerado, que os ensinos 
públicos, é estimulado o crescimento e a construção da autonomia dos alunos. 
As ameaças e desqualificações dos alunos também fazem parte do 
cotidiano das escolas privadas, devido a regras e normas que regem a escola e 
o seu funcionamento severo, com isso as atitudes de rebeldia são emergentes 
a forma de discordar das regras impostas 
A violência sendo dentro ou fora das escolas, é necessário uma 
investigação, com o intuito de obter dados especificamente do problema, 
justificando os autores envolvidos e assim prevenindo ou minimizando os 
efeitos por meio de ações educativas, contribuindo com as políticas públicas 
governamentais que envolvam a educação. 
Sendo assim as instituições superiores desempenham papel 
fundamental investigativo e também no desenvolvimento dos programas de 
políticas eficazes para prevenir a violência interpessoal(OMS, 2006) 
A palavra violência vem do termo latim violentia, vis que significa força. 
Para Veronese e Costa(2006), usar a violência contra alguém ou fazê-lo agir 
contra a vontade é o abuso da força,, sendo assim o ato de violência. 
Contudo por estar sempre relacionada ao uso de força o conceito tem 
várias abrangências, e ainda não conseguiram conceituar e definir, para tanto 
usamos a definição descrita por ABRAMOVAY: 
 A intervenção física de um indivíduo ou grupo contra a integridade de 
outro(s) grupo(s) e também contra si mesmo. Abrangendo desde os suicídios, 
 
5 
 
espancamentos de vários tipos, roubos, assaltos e homicídios até a violência 
no trânsito, disfarçada sob a denominação de acidentes, além das diversas 
formas de violência verbal, simbólica e institucional. (ABRAMOVAY, 2005, p. 
27) 
A Organização Mundial da Saúde (OMS) define a violência como: o uso 
de força física ou poder, em ameaça ou na prática, contra si próprio, outra 
pessoa ou contra um grupo ou comunidade que resulte ou possa resultar em 
sofrimento, morte, dano psicológico, desenvolvimento prejudicado ou privação” 
(OMS, 2002). 
Com isso DAHLBERG e KRUG(2006, p. 1165) a definição ampara uma 
gama de resultados da violência, incluindo injúria psicológica, privação e 
desenvolvimento precário, refletindo um crescente reconhecimento entre 
pesquisadores da necessidade de incluir a violência que não produza 
necessariamente sofrimento e até a morte. 
Compreender os atos violentos pelo simples fato de ter consequências 
de ferimentos e morte, é limitar o entendimento e deixar de ser fato de mais 
ampla complexidade. As formas de violência contra mulheres, crianças e 
idosos, resultam em problemas psicológicos severos, físicos e sociais, que não 
representam ferimentos ou morte (DAHLBERG; KRUG, 2006, p. 1165). 
Também podendo ser entendida na visão do teórico MICHAUD (1989) e 
citado por PORTO(2002) definindo que: numa situação de interação de um ou 
vários atores, agindo direta e indiretamente, maciça e espaçadamente, 
causando danos, em graus variáveis, seja física ou moralmente, em suas 
participações sociais, culturais e simbólicas (PORTO, 2002, p. 252) 
Para Adorno (1988), a violência refere-se à “coisificação”, afirmando que 
a violência é uma maneira de relação social se propaga na sociedade por meio 
de suas condutas e procedimentos, rejeitando alguns valores e fazendo que o 
sujeito se torne objeto. 
Com VALLE e MATOS(2011), a questão de violência no Brasil, não é 
somente uma dimensão explícita do cotidiano e sim uma abrangência dos 
aspectos sociais, históricos e econômicos da sociedade. 
 
6 
 
Para LONGO (2005) a história do país mostra que os castigos corporais 
em crianças com intuito de educá-las, que foram introduzidas pelos padres 
jesuítas na época em que o brasil ainda era colônia e principalmente nos 
indígenas. 
CHARLOT (2002), nos explica que a violência escolar no âmbito mundial 
não é um fenômeno recente, por professores e a opinião pública sugerem 
dados desde o século XIX, sendo o reflexo da violência da sociedade. 
Segundo dados dos estudos de homicídios e juventudes, apresentado 
no mapa da violência entre jovens de 15 a 29 anos, no período de 1980 a 
2010, houve um crescimento de mortes por disparos de algum tipo de arma de 
fogo, vindo de 414%, enquanto que no mesmo período o crescimento 
populacional foi somente de 60,3% (WAISELFISZ, 2013), evidenciando que o 
crescimento da violência entre jovens é um dado alarmante. 
Tais dados são uma das principais razões da realização da campanha 
contra a violência "conte até 10" que foi direcionada à sociedade escolar e que 
se destina à educação do adolescente e do jovem para uma cultura de paz, 
lançada no dia 7 de novembro de 2014 pelo Conselho Nacional do Ministério 
Público (CNMP) e pela Estratégia Nacional Justiça e Segurança Pública 
(ENASP). 
De encontro com essas considerações: casos de tráfico e consumo de 
drogas dentro da escola, ameaças a professores, agressões verbais e físicas, 
depredação do patrimônio público, e portes de armas tem sido constantemente 
noticiados nos jornais mostrando a realidade das escolas brasileiras. Porém as 
escolas que geralmente tem as dificuldades são da rede pública de ensino, e 
poucas são as escolas particulares(LOUREIRO; QUEIROZ, 2005, p. 547). 
Nesse pressuposto, considera-se que mesmo apresentando uma 
realidade diferente, a escola particular, também são prováveis geradoras de 
violência, conforme nos argumenta LOUREIRA e QUEIROZ (2005, p, 547): 
O fato de o ensino privado possui, geralmente, uma estrutura física 
melhor [...] que o da rede pública não significa que o modo como a 
 
7 
 
aprendizagem é encaminhada em seu espaço esteja voltado para a construção 
da autonomia dos alunos. (LOUREIRO; QUEIROZ, 2005, p. 547). 
Podemos também utilizar a análise de FERNANDEZ (1991) para 
ressaltar outro aspecto que deve ser observado nos dias atuais, para o autor: 
A função da educação pode ser alienante ou libertadora, dependendo de 
como for usada, quer dizer, a educação como tal não é culpada de uma coisa 
ou de outra, mas a forma como se instrumente esta educação pode terum 
efeito alienante ou libertador. (FERNANDEZ, 1991, p. 82) 
Numa pesquisa realizada sobre a violência por alunos e professores em 
6 (seis) escolas da rede municipal de São Paulo, SILVA (1997) observou que a 
convivência com a violência era constante em 90% das pessoas e que estas já 
sofrem por casos de violência. Ficando evidente que as formas de violência 
como a discriminação masculina em relação a mulher, a agressão física e 
moral entre os alunos, o desrespeito ao professor e ao aluno, a falta de 
conversa entre a escola e o professor. 
Também apontou uma diferença significativa diferença na visão da 
violência entre professores, coordenadores e diretores que a percebem como 
fruto da relação entre os alunos e a maneira que os alunos se identificam; para 
os coordenadores e professores a violência se evidencia de forma mais clara 
entre os alunos, estes sendo os violentos e geralmente não percebem que 
estão promovendo atitudes nos alunos. 
“é como se professores, diretores e coordenadores pedagógicos fossem 
isentos de práticas violentas. (SILVA, 1997, p. 262) 
De acordo com os professores a direção das escolas é a promotora de 
violência que se manifesta sob a forma de comportamentos autoritários de 
poder de e superioridade. É a dominância da cultura da privatização do espaço 
público, onde os mesmos sente-se os donos das instituições de ensino (SILVA, 
1997, p. 262). 
 
CONHECENDO A VIOLÊNCIA 
 
8 
 
 
Como a violência faz parte rotineira tanto das escolas públicas quanto 
privadas, iniciamos uma abordagem teórica sobre os conceitos de violência e o 
seu desenrolar a nível escolar. 
 No dicionário HOUAISS (2009), a violência é a qualidade do que é 
violento; ação ou efeito de empregar força física ou intimidação moral contra; 
ato violento; força súbita que se faz sentir com intensidade; fúria; veemência; 
tirania”. 
No âmbito jurisdicional, define violência como o constrangimento físico 
ou moral exercido sobre alguém, para obrigá-lo a submeter-se à vontade de 
outrem; coação. Porém apesar de sempre estar relacionado ao uso da força, o 
conceito de violência tem várias vertentes de definição. 
DA MATTA (1982) faz uma análise sobre duas vertentes: os de direita 
que encaram ela como um caso virtual de polícia e os de esquerda que 
associam o poder e consumo a violência. 
Ao analisar o senso comum o mesmo autor apresenta outras 
características, que a violência surge como um mecanismo e não como um 
estado na sociedade: 
“Uma fórmula pelo qual se pode fazer aquilo que se deseja mesmo 
destruindo os espaços morais dos outros” (DA MATTA, 1982, p.23). 
Fazendo uma análise pelo enfoque das diferenciadas manifestações de 
violência o autor ainda destaca a complexidade do tema: Noto novamente que 
os discursos são diferenciados e complementares, mas não são mutuamente 
exclusivos. Antes, são complementares e até simétricos. Porquanto aquilo que 
o discurso erudito não diz, o falar do senso comum acentua... e como se pode 
realmente penetrar nas razões dos miseráveis que espancam seus filhos e 
mulheres? Mas o fato é que tal discurso exclui essas modalidades de agressão 
e de violência deixando de lado o exame de suas características (MATTA, 
1982, p. 26,27). 
Sendo difundida pelo senso comum a ideia de que a violência é o fruto 
das desigualdades sociais é concordar- ainda que em partes- com aqueles 
 
9 
 
pobres que são associados aos mais violentos, é neste enfoque discriminar 
alguém que pela exclusão social já é deixado de lado pelos poderes. essa é a 
forma de pensar que trazem na herança o período escravista do Brasil. 
Contudo na sociedade contemporânea o entendimento sobre violência 
passa a ter novos rumos, acompanhando a modernidade da sociedade 
consumista, para PORTO (2002, pág. 195) esse novo momento vincula-se: [...] 
“à questão dos valores, fragmentação sociocultural, ausência de uma 
representação unificada do social, ausência de pontos fixos de referência 
norteadores de conduta, que são expressões de uma fragmentação valorativa”. 
[...] “ao modo como a violência, enquanto manifestação das mudanças do 
mundo contemporâneo estaria relacionada à questão da legitimidade, das 
formas como ela é percebida e do conteúdo mesmo da noção de legitimidade”. 
Essa nova visão está aliada a sociedade globalizada e interligada aos 
fluxos de comunicação, levando assim a maior participação da sociedade como 
autor e interferindo assim na busca de respostas aos problemas, questões que 
estavam restritas às negociações e ações advindas das esferas de poderes 
públicos. 
SANTOS (2000) usou o termo “violência estrutural” para definir as 
manifestações de violência na atualidade, que resulta da presença e das 
manifestações conjuntas, na era de globalização, do dinheiro, da competição 
em estado puro e da potência em seu estado puro. 
 Segundo o Relatório Mundial sobre Violência e Saúde (OMS, 2002), foi 
exposto três tipos de violência: Violência dirigida contra si mesmo 
(auto-infligida), Violência interpessoal e Violência coletiva, usando como base 
as formas e circunstâncias dos atos violentos. 
A violência auto-infligida, é aquela em que o agressor e a vítima são a 
mesma pessoa, sendo por pensamentos suicidas, tentativas de suicídio e 
suicídios propriamente ditos e agressão auto-infligida, como a automutilação; A 
violência interpessoal (entre as pessoas) se divide em duas categorias: 
violência entre membros da família ou entre parceiros íntimos (Inclui formas de 
violência tais como abuso infantil, violência entre parceiros íntimos e maus 
tratos de idosos) e a violência na comunidade (violência da juventude, atos 
 
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variados de violência, estupro ou ataque sexual por desconhecidos e violência 
em instituições como escolas, locais de trabalho, prisões e asilos). A Violência 
coletiva possui também fora dividida em: A violência coletiva social como 
crimes carregados ódio; a violência política inclui a guerra e conflitos violentos 
a ela relacionados; a violência econômica que inclui ataques de grandes 
grupos motivados pelo lucro econômico. 
 Compreender os atos violentos simplesmente por ter como 
consequências ferimentos ou mortes é restringir o entendimento e deixar de 
ater-se de um fato de mais ampla complexidade. 
“Muitas formas de violência contra mulheres, crianças e idosos, por 
exemplo, podem resultar em problemas físicos, psicológicos e sociais que não 
representam necessariamente ferimentos, incapacidade ou morte” 
(DAHLBERG; KRUG, 2006, p. 1165). 
Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (2014, p. 2) mais de 
1,3 milhões de pessoas no mundo morrem a cada ano como princípio de 
violência em todas as suas formas (auto-infligida, interpessoal e coletiva), 
representando 2,5% da mortalidade mundial. E é a quarta principal causa de 
morte de pessoas com idade de 15 a 44 anos. 
Segundo as recomendações da OMS (2014) é essencial responder de 
forma sustentada e multisetoriais no controle da violência interpessoal, 
afirmando assim 7 (sete) estratégias que podem ser usadas ao combate da 
violência, onde seis delas focam na prevenção e uma foca em esforços de 
resposta. As estratégias são: 
1. Desenvolvimento de seguro, estável e nutrir relacionamentos entre 
crianças e seus pais e cuidadores; 2. O desenvolvimento de habilidades de 
vida em crianças e adolescentes; 3. Reduzindo a disponibilidade e uso nocivo 
do álcool; 4. Reduzindo o acesso a armas e facas; 5. A promoção da igualdade 
de gênero para prevenir a violência contra mulheres; 6. Mudança de normas 
culturais e sociais que apoiam a violência; 7. Identificação das vítimas, 
cuidados e apoio programas. (OMS, 2014, p. 8). 
 
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Tais estratégias podem reduzir vários tipos de violência e ajudar a 
diminuir as probabilidades dos indivíduos serem instigados por violência ou se 
tornar vítimas, porém existe a necessidade que as ações estejam em conjunto 
com as políticasde segurança pública. 
No Brasil, a violência está de um modo tão banal que os índices de 
criminalidade não param de crescer fazendo que o medo esteja sempre 
presente na sociedade. 
 
VIOLÊNCIA ESCOLAR 
 
Para Bourdieu e Passeron (1975, p. 22) “a ação pedagógica produz uma 
autoridade pedagógica”. Nos mostrando que por meio de ações pedagógicas é 
possível impedir a reprodução da violência. 
Segundo Charlot (1997), a problemática da violência escolar soa como 
uma angústia social, imprevisível e cada vez mais comumente praticada contra 
os professores, aumentando mais ainda os níveis da angústia social. 
Para DEBARBIEUX (1999), apresenta três dimensões que devem ser 
analisadas sobre a violência na escola: 
1. A grande dificuldade de gestão nas escolas resultando em estruturas 
deficientes; 2. Ao contexto, ou seja, uma violência que se origina de fora para 
dentro das escolas, que as torna sitiadas e que se manifesta por meio da 
penetração das gangues, do tráfico de drogas e da visibilidade crescente da 
exclusão social na comunidade escolar; 3. As componentes internas das 
escolas específicas de cada estabelecimento. É possível observar escolas 
seguras em bairros reconhecidamente violentos e vice-versa. (DEBARBIEUX, 
1999). 
Entretanto na visão de CHARLOT (2002), devemos ampliar os conceitos 
de violência a três níveis: 
a) Violência: golpes, ferimentos, violência sexual, roubos, crimes, 
vandalismos; 
 
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b) Incivilidades: humilhações, palavras grosseiras, falta de respeito; 
c)Violência simbólica ou institucional: compreendida como a falta de 
sentido de permanecer na escola por tantos anos; o ensino como um 
desprazer, que obriga o jovem a aprender matérias e conteúdos alheios aos 
seus interesses; as imposições de uma sociedade que não sabe acolher os 
seus jovens no mercado de trabalho; a violência das relações de poder entre 
professores e alunos. Também o é a negação da identidade e da satisfação 
profissional aos professores, a obrigação de suportar o absenteísmo e a 
indiferença dos alunos (CHARLOT, 2002, p. 67). 
Encontrando com o conceito de CHARLOT (2002) estão as 
considerações de DEBARBIEUX (2002) que segundo o autor diz que quando 
estudamos a violência escolar devemos considerar: 
1. Os crimes e delitos tais como furtos, roubos, assaltos, extorsões, 
tráfico e consumo de drogas etc., conforme qualificados pelo Código Penal; 2. 
As incivilidades, sobretudo, conforme definidas pelos atores sociais; 3. 
Sentimento de insegurança ou, sobretudo, o que aqui denominamos 
“sentimento de violência” resultante dos dois componentes precedentes, mas, 
também, oriundo de um sentimento mais geral nos diversos meios sociais de 
referência (DEBARBIEUX, 1999, p. 42). 
Entendendo que os autores compartilham praticamente os mesmo 
pensamentos sobre os tipos de violência nas escolas, diferindo somente no 
que diz a respeito da violência simbólica, defendida por CHARLOT (2002) e a 
sensação de insegurança citada por DEBARBIEUX (2002). 
 Destacando as incivilidades da Escola Francesa que segundo 
DEBARBIEUX (2002) diz que: As incivilidades são de início, essa pequena 
delinquência e, enquanto tal, são muitas vezes penalizados, qualificáveis. Ora, 
perto de 80% dos eventos de pequena delinquência não resultam em 
elucidação, não por negligência policial, mas porque a delinquência mudou 
estruturalmente. As vítimas de tais pequenos delitos ou infrações retêm desses 
eventos a impressão global de desordem, de violência num mundo mal 
regulado (...) A incivilidade que se revela na escola não deve ser pensada sob 
a forma do conflito “bárbaros” OU “civilizados”: a incivilidade não é a 
 
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não-civilização, nem simplesmente a “má educação”. Ela é conflito de 
civilidades, mas não um conflito de civilidades estranhas umas às outras e para 
sempre irredutíveis e relativas. Há, antes, troca e oposição de valores, de 
sentimentos de pertinências diversas. A incivilidade poderia mesmo ser apenas 
a forma de base das relações de classe, exprimindo o amor frustrado por uma 
escola que não pode manter as promessas igualitárias de inserção 
(DEBARBIEUX, 2002, p.178-179). 
Nesta visão a incivilidade são as pequenas violências do dia-a-dia, 
gerando o maior número de casos no ambiente escolar, que segundo o autor 
de pequenos delitos faz com que o indivíduo sofra uma crise de identidade 
social tanto entre alunos quanto a professores. 
Assim precisamos entender os tipos de violência citados por eles, 
percebendo o contexto estrutural e social da escola que ela está inserida. 
Abramovay (2002) relata que:“... nas escolas, a violência física é 
caracterizada por brigas, agressões, invasões, depredações, ferimentos, e até 
mortes, e os conflitos se registram entre vários atores: alunos e 
professores, alunos e funcionários. E destaca que a violência simbólica 
é mais difícil de ser percebida” (ABRAMOVAY, 2002, p. 23). 
ABRAMOWAY (2002 p. 30) destaca que é necessário uma visão ampla 
das situações de violência nas diversas escolas, buscando uma análise 
reflexiva e estrategista para superar a violências nas escolas, identificando as 
percepções dos autores, do corpo pedagógico e dos pais destes agentes, 
sobre a violência na escola e suas causas. 
Para CHARLOT(2002) a violência é um fato histórico que fora 
modificando sua forma ao longo do tempo. Apresentando a violência em outro 
olhar: a violência na escola- sendo a violência praticada dentro do ambiente 
escolar; a violência à escola Em seu estudo Charlot (2002), apresenta sob 
outra ótica os vários tipos de violência que estão presentes na escola, são elas: 
a violência na escola- onde a escola é somente o local de violência; a violência 
à escola está ligada à natureza e às atividades da instituição escolar: quando 
os alunos diretamente afetam o corpo docente da instituição; a violência contra 
a escola deve ser analisada junto com a violência da escola: uma violência 
 
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institucional simbólica, que os próprios alunos suportam através da maneira 
como a instituição os trata(CHARLOT, 2002). 
Afirmando que ao falar de violência escolar tem-se a impressão que não 
tem existem limites e que tudo pode acontecer no ambiente escolar, 
apresentando mais violência. 
De tal maneira que hoje em dia vemos que jovens que não são do 
âmbito escolar adentram as escolas para tomar suas satisfações, num sentido 
de disputa de bairros, que a escola deveria apresentar-se como um lugar 
protegido e isso não acontece. 
Forma de violência essa que tem sua percepção somente por quem a 
sofre, como o relato da UNESCO (2003) que diz: Quando a vítima não se dá 
conta de sua impotência frente a poderes, nem exerce sua capacidade de 
crítica em tal dinâmica, como por exemplo, à violência sofrida por 
professores quando agredidos em seu trabalho e em e em sua identidade 
profissional, pelo desinteresse e indiferença dos alunos. (UNESCO, 2003, p. 
79). 
Sendo a violência o resultado das histórias vividas por todos seus 
agentes que por conviver entre si estabeleceram uma visão de coletividade, 
levam para o ambiente escolar as situações que vivenciam ligadas a roubos, 
ameaças, assalto, discriminação, vandalismo, atitudes autoritárias, brigas, 
entre outras situações. Para dar fim a essa situação é necessário que 
identifiquemos medidas que as escolas ofereçam espaço seguro para todos. 
Existindo também uma violência que reflete na escola, como o tráfico de 
drogas ou brigas entre gangues rivais, porém as principais são a homofobia, o 
racismo e a aversão aos pobres. 
Para ABRAMOWAY e RUA (2005), afirmam o seguinte: Afirmar que as 
violências nas escolas representam um estado e não uma característica de 
uma ou de outra, ou do sistema escolar, significa assumir que essa condição 
muda de acordo com os processos pelos quais cada estabelecimento de 
ensino passa, em especial asmudanças na administração e das relações com 
diretores e professores. 
 
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Os dados apontam que alterações feitas pela administração produziram 
mudanças no perfil da escola em relação à violência: o estreitamento da 
tolerância em relação às regras, a democratização do ambiente escolar; e 
melhoria e conservação da estrutura física (ABRAMOVAY; RUA, 2005, p.72). 
Praticando assim uma transdisciplinaridade que aborda num todo a 
sociologia, a ciência política, a psicologia, as ciências da educação e a justiça 
criminal. Na visão de ABRAMOVAY e RUA (2005): 
O fenômeno da violência não é estudado apenas como uma modalidade 
de violência praticadas pelos jovens, pois sua origem recebe influência de três 
conjuntos de variáveis, a institucional, a social e a comportamental. 
(ABRAMOVAY; RUA, 2005 p. 12) 
Assim a violência sofre com a influência das variáveis externas, como a 
raça, gênero, condições sociais e econômicas; e também internas como: idade, 
nível escolar e comportamento. Defendendo a ótica transdisciplinar, 
multidimensional e pluricausal para este fenômeno. 
Embasando as suas ideias sobre a violência escolar nas questões de 
exclusão social, mercado de trabalho, educação, participação social, familiar, 
compreendendo que a violência não está somente no sentido da força e sim 
emaranhado nas vertentes socioculturais dos indivíduos. 
 
MEDIDAS DE PREVENÇÃO À VIOLÊNCIA 
 
A violência na escola tem sido algo tão complexo, que por vezes é difícil 
individualizar para solucionar o problema, na primeira ação perceptível de 
violência já precisamos fazer uma reunião com o apoio pedagógico, com o 
intuito de propor estratégias e soluções. 
Para a prevenção da violência escolar são necessários alguns passos: 
Agir em conjunto 
Respeitar o direito de todos 
 
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Possibilitar diferentes espaços de expressão 
Lutar contra qualquer tipo de discriminação (seja ela por cor de pele, 
religião, etc.). 
Agir respeitosamente 
Ter um exemplo a seguir(diretor, coordenador, professor 
 Sendo necessário que a equipe pedagógica intervenha de na 
disseminação da violência em conjunto para fins de prevalecer o respeito e a 
liberdade de expressar-se. 
Outra medida que tem auxiliado na prevenção da violência é o 
monitoramento por câmeras, que tem sido algo constante nos espaços públicos 
e privados, sempre precedidos da famosa plaquinha “Sorria, você está sendo 
filmado”. 
Medida essa que veio ajudar os docentes tanto a se prevenir da 
violência, quanto auxiliar nas ações de repressão a drogas nas escolas, grupos 
de racismo e a violência entre alunos propriamente dita, deixando que os 
alunos tenham seu desenvolvimento social preservado da violência. 
No Brasil, o monitoramento eletrônico tem sido um debate constante, há 
escolas que instalaram os sistemas em sala de aula e em todas dependências 
da escolas e há escolas que priorizam apenas os espaços públicos como os 
corredores, pátios, locais próximos ao portão, ambientes estes onde se notam 
as maiores manifestações de violência escolar. 
Ao prevenirmos desta forma, faz necessário também refletir sobre os 
controles sociais formais e informais, agentes estes que são: 
“conjunto de instituições, estratégias e sanções sociais que pretendem 
promover e garantir referido submetimento do indivíduo aos modelos e normas 
comunitárias”(MOLINA, p.120). 
Os agentes de controles sociais formais são : a polícia, a justiça, a 
administração penitenciária, etc. e os agentes de controles sociais informais 
são: a família, a escola, a profissão, a opinião pública, etc. 
 
17 
 
Com isso podemos ter em mãos órgãos, que com sua devida autoridade 
podem tomar medidas quando a escola com suas ações administrativas não 
conseguiu obter êxito na diminuição ou até mesmo erradicação da violência. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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CONCLUSÃO 
 
Com estes descritos sobre a violência, podemos compreender que as 
causas da violência vêm desde os primórdios da civilização, de maneira que a 
sociedade interfere no modo que sempre terá uma causa, um efeito e 
principalmente uma reação. 
Cabendo a equipe gestora a solucionar de maneira efetiva manter o 
ambiente escolar um ambiente “sagrado”, como no princípio da educação 
escolar, por meio de uma aproximação com a sociedade em que está inserida. 
Oportunizando momentos de reflexão da escola como um todo, no processo de 
formação do caráter dos indivíduos por meio de palestras, peças e filmes sobre 
a violência na escola. 
De maneira que nada teria efeito se a escola não conhecer o local onde 
está, promovendo reuniões com pais, conhecendo a realidade que os alunos 
vivem, promovendo as ações solucionadoras de conflitos por meio da 
interdisciplinaridade. 
Conhecendo as medidas de monitoramento por câmeras, é notável que 
os casos de violência tendem a cair, visto que a vigilância gera uma maior 
segurança e atuando como ferramenta de aprimoramento da relação aluno e 
professor 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
 
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