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1 UNIVERSIDADE PAULISTA JOAO VICTOR MESQUITA DE LIMA VIOLÊNCIA NAS ESCOLAS RIO BRANCO 2024 2 JOAO VICTOR MESQUITA DE LIMA VIOLÊNCIA NAS ESCOLAS PIM para obtenção do título de graduação em Gestão de Segurança Privada apresentado à Universidade Paulista – UNIP. Orientador Prof.: RIO BRANCO 2024 3 INTRODUÇÃO A Organização Mundial da Saúde(OMS) nos define a violência como "o uso de força física ou poder, em ameaça, prática ou contra si próprio, outra pessoa, ou contra grupo ou comunidade que resulte ou possa resultar em sofrimento morte, dano psicológico, desenvolvimento prejudicado ou privação(OMS,2002). Tal definição nos possibilita o entendimento da violência sem barreiras, tendo ampla existência, segundo CAMACHO(2001, p.125) " O crescimento das práticas da violência entre os jovens de classes médias e de segmentos privilegiados da sociedade, nos seus diferentes espaços de atuação: na família, na escola ou na rua”. Sendo assim propõe-se apresentar aa perspectivas acerca da violência nas escolas e as medidas de segurança pública e privada implantadas para melhoria e até anulação da violência dentro das mesmas. 4 REVISAO BIBLIOGRÁFICA Segundo CAMACHO(2001,p 125) nos afirma que " é equivocado pensar que a violência se vincula apenas e diretamente à pobreza, aos grandes centros urbanos, aos adultos e aos dias de hoje". Para o mesmo a violência está presente em toda a sociedade, apresentando-se em várias formas e não está nas classes sociais, faixas etárias ou momentos. Por mais que o ensino privado possua uma estrutura física melhor e apresentando também um quadro funcional bem remunerado, que os ensinos públicos, é estimulado o crescimento e a construção da autonomia dos alunos. As ameaças e desqualificações dos alunos também fazem parte do cotidiano das escolas privadas, devido a regras e normas que regem a escola e o seu funcionamento severo, com isso as atitudes de rebeldia são emergentes a forma de discordar das regras impostas A violência sendo dentro ou fora das escolas, é necessário uma investigação, com o intuito de obter dados especificamente do problema, justificando os autores envolvidos e assim prevenindo ou minimizando os efeitos por meio de ações educativas, contribuindo com as políticas públicas governamentais que envolvam a educação. Sendo assim as instituições superiores desempenham papel fundamental investigativo e também no desenvolvimento dos programas de políticas eficazes para prevenir a violência interpessoal(OMS, 2006) A palavra violência vem do termo latim violentia, vis que significa força. Para Veronese e Costa(2006), usar a violência contra alguém ou fazê-lo agir contra a vontade é o abuso da força,, sendo assim o ato de violência. Contudo por estar sempre relacionada ao uso de força o conceito tem várias abrangências, e ainda não conseguiram conceituar e definir, para tanto usamos a definição descrita por ABRAMOVAY: A intervenção física de um indivíduo ou grupo contra a integridade de outro(s) grupo(s) e também contra si mesmo. Abrangendo desde os suicídios, 5 espancamentos de vários tipos, roubos, assaltos e homicídios até a violência no trânsito, disfarçada sob a denominação de acidentes, além das diversas formas de violência verbal, simbólica e institucional. (ABRAMOVAY, 2005, p. 27) A Organização Mundial da Saúde (OMS) define a violência como: o uso de força física ou poder, em ameaça ou na prática, contra si próprio, outra pessoa ou contra um grupo ou comunidade que resulte ou possa resultar em sofrimento, morte, dano psicológico, desenvolvimento prejudicado ou privação” (OMS, 2002). Com isso DAHLBERG e KRUG(2006, p. 1165) a definição ampara uma gama de resultados da violência, incluindo injúria psicológica, privação e desenvolvimento precário, refletindo um crescente reconhecimento entre pesquisadores da necessidade de incluir a violência que não produza necessariamente sofrimento e até a morte. Compreender os atos violentos pelo simples fato de ter consequências de ferimentos e morte, é limitar o entendimento e deixar de ser fato de mais ampla complexidade. As formas de violência contra mulheres, crianças e idosos, resultam em problemas psicológicos severos, físicos e sociais, que não representam ferimentos ou morte (DAHLBERG; KRUG, 2006, p. 1165). Também podendo ser entendida na visão do teórico MICHAUD (1989) e citado por PORTO(2002) definindo que: numa situação de interação de um ou vários atores, agindo direta e indiretamente, maciça e espaçadamente, causando danos, em graus variáveis, seja física ou moralmente, em suas participações sociais, culturais e simbólicas (PORTO, 2002, p. 252) Para Adorno (1988), a violência refere-se à “coisificação”, afirmando que a violência é uma maneira de relação social se propaga na sociedade por meio de suas condutas e procedimentos, rejeitando alguns valores e fazendo que o sujeito se torne objeto. Com VALLE e MATOS(2011), a questão de violência no Brasil, não é somente uma dimensão explícita do cotidiano e sim uma abrangência dos aspectos sociais, históricos e econômicos da sociedade. 6 Para LONGO (2005) a história do país mostra que os castigos corporais em crianças com intuito de educá-las, que foram introduzidas pelos padres jesuítas na época em que o brasil ainda era colônia e principalmente nos indígenas. CHARLOT (2002), nos explica que a violência escolar no âmbito mundial não é um fenômeno recente, por professores e a opinião pública sugerem dados desde o século XIX, sendo o reflexo da violência da sociedade. Segundo dados dos estudos de homicídios e juventudes, apresentado no mapa da violência entre jovens de 15 a 29 anos, no período de 1980 a 2010, houve um crescimento de mortes por disparos de algum tipo de arma de fogo, vindo de 414%, enquanto que no mesmo período o crescimento populacional foi somente de 60,3% (WAISELFISZ, 2013), evidenciando que o crescimento da violência entre jovens é um dado alarmante. Tais dados são uma das principais razões da realização da campanha contra a violência "conte até 10" que foi direcionada à sociedade escolar e que se destina à educação do adolescente e do jovem para uma cultura de paz, lançada no dia 7 de novembro de 2014 pelo Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) e pela Estratégia Nacional Justiça e Segurança Pública (ENASP). De encontro com essas considerações: casos de tráfico e consumo de drogas dentro da escola, ameaças a professores, agressões verbais e físicas, depredação do patrimônio público, e portes de armas tem sido constantemente noticiados nos jornais mostrando a realidade das escolas brasileiras. Porém as escolas que geralmente tem as dificuldades são da rede pública de ensino, e poucas são as escolas particulares(LOUREIRO; QUEIROZ, 2005, p. 547). Nesse pressuposto, considera-se que mesmo apresentando uma realidade diferente, a escola particular, também são prováveis geradoras de violência, conforme nos argumenta LOUREIRA e QUEIROZ (2005, p, 547): O fato de o ensino privado possui, geralmente, uma estrutura física melhor [...] que o da rede pública não significa que o modo como a 7 aprendizagem é encaminhada em seu espaço esteja voltado para a construção da autonomia dos alunos. (LOUREIRO; QUEIROZ, 2005, p. 547). Podemos também utilizar a análise de FERNANDEZ (1991) para ressaltar outro aspecto que deve ser observado nos dias atuais, para o autor: A função da educação pode ser alienante ou libertadora, dependendo de como for usada, quer dizer, a educação como tal não é culpada de uma coisa ou de outra, mas a forma como se instrumente esta educação pode terum efeito alienante ou libertador. (FERNANDEZ, 1991, p. 82) Numa pesquisa realizada sobre a violência por alunos e professores em 6 (seis) escolas da rede municipal de São Paulo, SILVA (1997) observou que a convivência com a violência era constante em 90% das pessoas e que estas já sofrem por casos de violência. Ficando evidente que as formas de violência como a discriminação masculina em relação a mulher, a agressão física e moral entre os alunos, o desrespeito ao professor e ao aluno, a falta de conversa entre a escola e o professor. Também apontou uma diferença significativa diferença na visão da violência entre professores, coordenadores e diretores que a percebem como fruto da relação entre os alunos e a maneira que os alunos se identificam; para os coordenadores e professores a violência se evidencia de forma mais clara entre os alunos, estes sendo os violentos e geralmente não percebem que estão promovendo atitudes nos alunos. “é como se professores, diretores e coordenadores pedagógicos fossem isentos de práticas violentas. (SILVA, 1997, p. 262) De acordo com os professores a direção das escolas é a promotora de violência que se manifesta sob a forma de comportamentos autoritários de poder de e superioridade. É a dominância da cultura da privatização do espaço público, onde os mesmos sente-se os donos das instituições de ensino (SILVA, 1997, p. 262). CONHECENDO A VIOLÊNCIA 8 Como a violência faz parte rotineira tanto das escolas públicas quanto privadas, iniciamos uma abordagem teórica sobre os conceitos de violência e o seu desenrolar a nível escolar. No dicionário HOUAISS (2009), a violência é a qualidade do que é violento; ação ou efeito de empregar força física ou intimidação moral contra; ato violento; força súbita que se faz sentir com intensidade; fúria; veemência; tirania”. No âmbito jurisdicional, define violência como o constrangimento físico ou moral exercido sobre alguém, para obrigá-lo a submeter-se à vontade de outrem; coação. Porém apesar de sempre estar relacionado ao uso da força, o conceito de violência tem várias vertentes de definição. DA MATTA (1982) faz uma análise sobre duas vertentes: os de direita que encaram ela como um caso virtual de polícia e os de esquerda que associam o poder e consumo a violência. Ao analisar o senso comum o mesmo autor apresenta outras características, que a violência surge como um mecanismo e não como um estado na sociedade: “Uma fórmula pelo qual se pode fazer aquilo que se deseja mesmo destruindo os espaços morais dos outros” (DA MATTA, 1982, p.23). Fazendo uma análise pelo enfoque das diferenciadas manifestações de violência o autor ainda destaca a complexidade do tema: Noto novamente que os discursos são diferenciados e complementares, mas não são mutuamente exclusivos. Antes, são complementares e até simétricos. Porquanto aquilo que o discurso erudito não diz, o falar do senso comum acentua... e como se pode realmente penetrar nas razões dos miseráveis que espancam seus filhos e mulheres? Mas o fato é que tal discurso exclui essas modalidades de agressão e de violência deixando de lado o exame de suas características (MATTA, 1982, p. 26,27). Sendo difundida pelo senso comum a ideia de que a violência é o fruto das desigualdades sociais é concordar- ainda que em partes- com aqueles 9 pobres que são associados aos mais violentos, é neste enfoque discriminar alguém que pela exclusão social já é deixado de lado pelos poderes. essa é a forma de pensar que trazem na herança o período escravista do Brasil. Contudo na sociedade contemporânea o entendimento sobre violência passa a ter novos rumos, acompanhando a modernidade da sociedade consumista, para PORTO (2002, pág. 195) esse novo momento vincula-se: [...] “à questão dos valores, fragmentação sociocultural, ausência de uma representação unificada do social, ausência de pontos fixos de referência norteadores de conduta, que são expressões de uma fragmentação valorativa”. [...] “ao modo como a violência, enquanto manifestação das mudanças do mundo contemporâneo estaria relacionada à questão da legitimidade, das formas como ela é percebida e do conteúdo mesmo da noção de legitimidade”. Essa nova visão está aliada a sociedade globalizada e interligada aos fluxos de comunicação, levando assim a maior participação da sociedade como autor e interferindo assim na busca de respostas aos problemas, questões que estavam restritas às negociações e ações advindas das esferas de poderes públicos. SANTOS (2000) usou o termo “violência estrutural” para definir as manifestações de violência na atualidade, que resulta da presença e das manifestações conjuntas, na era de globalização, do dinheiro, da competição em estado puro e da potência em seu estado puro. Segundo o Relatório Mundial sobre Violência e Saúde (OMS, 2002), foi exposto três tipos de violência: Violência dirigida contra si mesmo (auto-infligida), Violência interpessoal e Violência coletiva, usando como base as formas e circunstâncias dos atos violentos. A violência auto-infligida, é aquela em que o agressor e a vítima são a mesma pessoa, sendo por pensamentos suicidas, tentativas de suicídio e suicídios propriamente ditos e agressão auto-infligida, como a automutilação; A violência interpessoal (entre as pessoas) se divide em duas categorias: violência entre membros da família ou entre parceiros íntimos (Inclui formas de violência tais como abuso infantil, violência entre parceiros íntimos e maus tratos de idosos) e a violência na comunidade (violência da juventude, atos 10 variados de violência, estupro ou ataque sexual por desconhecidos e violência em instituições como escolas, locais de trabalho, prisões e asilos). A Violência coletiva possui também fora dividida em: A violência coletiva social como crimes carregados ódio; a violência política inclui a guerra e conflitos violentos a ela relacionados; a violência econômica que inclui ataques de grandes grupos motivados pelo lucro econômico. Compreender os atos violentos simplesmente por ter como consequências ferimentos ou mortes é restringir o entendimento e deixar de ater-se de um fato de mais ampla complexidade. “Muitas formas de violência contra mulheres, crianças e idosos, por exemplo, podem resultar em problemas físicos, psicológicos e sociais que não representam necessariamente ferimentos, incapacidade ou morte” (DAHLBERG; KRUG, 2006, p. 1165). Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (2014, p. 2) mais de 1,3 milhões de pessoas no mundo morrem a cada ano como princípio de violência em todas as suas formas (auto-infligida, interpessoal e coletiva), representando 2,5% da mortalidade mundial. E é a quarta principal causa de morte de pessoas com idade de 15 a 44 anos. Segundo as recomendações da OMS (2014) é essencial responder de forma sustentada e multisetoriais no controle da violência interpessoal, afirmando assim 7 (sete) estratégias que podem ser usadas ao combate da violência, onde seis delas focam na prevenção e uma foca em esforços de resposta. As estratégias são: 1. Desenvolvimento de seguro, estável e nutrir relacionamentos entre crianças e seus pais e cuidadores; 2. O desenvolvimento de habilidades de vida em crianças e adolescentes; 3. Reduzindo a disponibilidade e uso nocivo do álcool; 4. Reduzindo o acesso a armas e facas; 5. A promoção da igualdade de gênero para prevenir a violência contra mulheres; 6. Mudança de normas culturais e sociais que apoiam a violência; 7. Identificação das vítimas, cuidados e apoio programas. (OMS, 2014, p. 8). 11 Tais estratégias podem reduzir vários tipos de violência e ajudar a diminuir as probabilidades dos indivíduos serem instigados por violência ou se tornar vítimas, porém existe a necessidade que as ações estejam em conjunto com as políticasde segurança pública. No Brasil, a violência está de um modo tão banal que os índices de criminalidade não param de crescer fazendo que o medo esteja sempre presente na sociedade. VIOLÊNCIA ESCOLAR Para Bourdieu e Passeron (1975, p. 22) “a ação pedagógica produz uma autoridade pedagógica”. Nos mostrando que por meio de ações pedagógicas é possível impedir a reprodução da violência. Segundo Charlot (1997), a problemática da violência escolar soa como uma angústia social, imprevisível e cada vez mais comumente praticada contra os professores, aumentando mais ainda os níveis da angústia social. Para DEBARBIEUX (1999), apresenta três dimensões que devem ser analisadas sobre a violência na escola: 1. A grande dificuldade de gestão nas escolas resultando em estruturas deficientes; 2. Ao contexto, ou seja, uma violência que se origina de fora para dentro das escolas, que as torna sitiadas e que se manifesta por meio da penetração das gangues, do tráfico de drogas e da visibilidade crescente da exclusão social na comunidade escolar; 3. As componentes internas das escolas específicas de cada estabelecimento. É possível observar escolas seguras em bairros reconhecidamente violentos e vice-versa. (DEBARBIEUX, 1999). Entretanto na visão de CHARLOT (2002), devemos ampliar os conceitos de violência a três níveis: a) Violência: golpes, ferimentos, violência sexual, roubos, crimes, vandalismos; 12 b) Incivilidades: humilhações, palavras grosseiras, falta de respeito; c)Violência simbólica ou institucional: compreendida como a falta de sentido de permanecer na escola por tantos anos; o ensino como um desprazer, que obriga o jovem a aprender matérias e conteúdos alheios aos seus interesses; as imposições de uma sociedade que não sabe acolher os seus jovens no mercado de trabalho; a violência das relações de poder entre professores e alunos. Também o é a negação da identidade e da satisfação profissional aos professores, a obrigação de suportar o absenteísmo e a indiferença dos alunos (CHARLOT, 2002, p. 67). Encontrando com o conceito de CHARLOT (2002) estão as considerações de DEBARBIEUX (2002) que segundo o autor diz que quando estudamos a violência escolar devemos considerar: 1. Os crimes e delitos tais como furtos, roubos, assaltos, extorsões, tráfico e consumo de drogas etc., conforme qualificados pelo Código Penal; 2. As incivilidades, sobretudo, conforme definidas pelos atores sociais; 3. Sentimento de insegurança ou, sobretudo, o que aqui denominamos “sentimento de violência” resultante dos dois componentes precedentes, mas, também, oriundo de um sentimento mais geral nos diversos meios sociais de referência (DEBARBIEUX, 1999, p. 42). Entendendo que os autores compartilham praticamente os mesmo pensamentos sobre os tipos de violência nas escolas, diferindo somente no que diz a respeito da violência simbólica, defendida por CHARLOT (2002) e a sensação de insegurança citada por DEBARBIEUX (2002). Destacando as incivilidades da Escola Francesa que segundo DEBARBIEUX (2002) diz que: As incivilidades são de início, essa pequena delinquência e, enquanto tal, são muitas vezes penalizados, qualificáveis. Ora, perto de 80% dos eventos de pequena delinquência não resultam em elucidação, não por negligência policial, mas porque a delinquência mudou estruturalmente. As vítimas de tais pequenos delitos ou infrações retêm desses eventos a impressão global de desordem, de violência num mundo mal regulado (...) A incivilidade que se revela na escola não deve ser pensada sob a forma do conflito “bárbaros” OU “civilizados”: a incivilidade não é a 13 não-civilização, nem simplesmente a “má educação”. Ela é conflito de civilidades, mas não um conflito de civilidades estranhas umas às outras e para sempre irredutíveis e relativas. Há, antes, troca e oposição de valores, de sentimentos de pertinências diversas. A incivilidade poderia mesmo ser apenas a forma de base das relações de classe, exprimindo o amor frustrado por uma escola que não pode manter as promessas igualitárias de inserção (DEBARBIEUX, 2002, p.178-179). Nesta visão a incivilidade são as pequenas violências do dia-a-dia, gerando o maior número de casos no ambiente escolar, que segundo o autor de pequenos delitos faz com que o indivíduo sofra uma crise de identidade social tanto entre alunos quanto a professores. Assim precisamos entender os tipos de violência citados por eles, percebendo o contexto estrutural e social da escola que ela está inserida. Abramovay (2002) relata que:“... nas escolas, a violência física é caracterizada por brigas, agressões, invasões, depredações, ferimentos, e até mortes, e os conflitos se registram entre vários atores: alunos e professores, alunos e funcionários. E destaca que a violência simbólica é mais difícil de ser percebida” (ABRAMOVAY, 2002, p. 23). ABRAMOWAY (2002 p. 30) destaca que é necessário uma visão ampla das situações de violência nas diversas escolas, buscando uma análise reflexiva e estrategista para superar a violências nas escolas, identificando as percepções dos autores, do corpo pedagógico e dos pais destes agentes, sobre a violência na escola e suas causas. Para CHARLOT(2002) a violência é um fato histórico que fora modificando sua forma ao longo do tempo. Apresentando a violência em outro olhar: a violência na escola- sendo a violência praticada dentro do ambiente escolar; a violência à escola Em seu estudo Charlot (2002), apresenta sob outra ótica os vários tipos de violência que estão presentes na escola, são elas: a violência na escola- onde a escola é somente o local de violência; a violência à escola está ligada à natureza e às atividades da instituição escolar: quando os alunos diretamente afetam o corpo docente da instituição; a violência contra a escola deve ser analisada junto com a violência da escola: uma violência 14 institucional simbólica, que os próprios alunos suportam através da maneira como a instituição os trata(CHARLOT, 2002). Afirmando que ao falar de violência escolar tem-se a impressão que não tem existem limites e que tudo pode acontecer no ambiente escolar, apresentando mais violência. De tal maneira que hoje em dia vemos que jovens que não são do âmbito escolar adentram as escolas para tomar suas satisfações, num sentido de disputa de bairros, que a escola deveria apresentar-se como um lugar protegido e isso não acontece. Forma de violência essa que tem sua percepção somente por quem a sofre, como o relato da UNESCO (2003) que diz: Quando a vítima não se dá conta de sua impotência frente a poderes, nem exerce sua capacidade de crítica em tal dinâmica, como por exemplo, à violência sofrida por professores quando agredidos em seu trabalho e em e em sua identidade profissional, pelo desinteresse e indiferença dos alunos. (UNESCO, 2003, p. 79). Sendo a violência o resultado das histórias vividas por todos seus agentes que por conviver entre si estabeleceram uma visão de coletividade, levam para o ambiente escolar as situações que vivenciam ligadas a roubos, ameaças, assalto, discriminação, vandalismo, atitudes autoritárias, brigas, entre outras situações. Para dar fim a essa situação é necessário que identifiquemos medidas que as escolas ofereçam espaço seguro para todos. Existindo também uma violência que reflete na escola, como o tráfico de drogas ou brigas entre gangues rivais, porém as principais são a homofobia, o racismo e a aversão aos pobres. Para ABRAMOWAY e RUA (2005), afirmam o seguinte: Afirmar que as violências nas escolas representam um estado e não uma característica de uma ou de outra, ou do sistema escolar, significa assumir que essa condição muda de acordo com os processos pelos quais cada estabelecimento de ensino passa, em especial asmudanças na administração e das relações com diretores e professores. 15 Os dados apontam que alterações feitas pela administração produziram mudanças no perfil da escola em relação à violência: o estreitamento da tolerância em relação às regras, a democratização do ambiente escolar; e melhoria e conservação da estrutura física (ABRAMOVAY; RUA, 2005, p.72). Praticando assim uma transdisciplinaridade que aborda num todo a sociologia, a ciência política, a psicologia, as ciências da educação e a justiça criminal. Na visão de ABRAMOVAY e RUA (2005): O fenômeno da violência não é estudado apenas como uma modalidade de violência praticadas pelos jovens, pois sua origem recebe influência de três conjuntos de variáveis, a institucional, a social e a comportamental. (ABRAMOVAY; RUA, 2005 p. 12) Assim a violência sofre com a influência das variáveis externas, como a raça, gênero, condições sociais e econômicas; e também internas como: idade, nível escolar e comportamento. Defendendo a ótica transdisciplinar, multidimensional e pluricausal para este fenômeno. Embasando as suas ideias sobre a violência escolar nas questões de exclusão social, mercado de trabalho, educação, participação social, familiar, compreendendo que a violência não está somente no sentido da força e sim emaranhado nas vertentes socioculturais dos indivíduos. MEDIDAS DE PREVENÇÃO À VIOLÊNCIA A violência na escola tem sido algo tão complexo, que por vezes é difícil individualizar para solucionar o problema, na primeira ação perceptível de violência já precisamos fazer uma reunião com o apoio pedagógico, com o intuito de propor estratégias e soluções. Para a prevenção da violência escolar são necessários alguns passos: Agir em conjunto Respeitar o direito de todos 16 Possibilitar diferentes espaços de expressão Lutar contra qualquer tipo de discriminação (seja ela por cor de pele, religião, etc.). Agir respeitosamente Ter um exemplo a seguir(diretor, coordenador, professor Sendo necessário que a equipe pedagógica intervenha de na disseminação da violência em conjunto para fins de prevalecer o respeito e a liberdade de expressar-se. Outra medida que tem auxiliado na prevenção da violência é o monitoramento por câmeras, que tem sido algo constante nos espaços públicos e privados, sempre precedidos da famosa plaquinha “Sorria, você está sendo filmado”. Medida essa que veio ajudar os docentes tanto a se prevenir da violência, quanto auxiliar nas ações de repressão a drogas nas escolas, grupos de racismo e a violência entre alunos propriamente dita, deixando que os alunos tenham seu desenvolvimento social preservado da violência. No Brasil, o monitoramento eletrônico tem sido um debate constante, há escolas que instalaram os sistemas em sala de aula e em todas dependências da escolas e há escolas que priorizam apenas os espaços públicos como os corredores, pátios, locais próximos ao portão, ambientes estes onde se notam as maiores manifestações de violência escolar. Ao prevenirmos desta forma, faz necessário também refletir sobre os controles sociais formais e informais, agentes estes que são: “conjunto de instituições, estratégias e sanções sociais que pretendem promover e garantir referido submetimento do indivíduo aos modelos e normas comunitárias”(MOLINA, p.120). Os agentes de controles sociais formais são : a polícia, a justiça, a administração penitenciária, etc. e os agentes de controles sociais informais são: a família, a escola, a profissão, a opinião pública, etc. 17 Com isso podemos ter em mãos órgãos, que com sua devida autoridade podem tomar medidas quando a escola com suas ações administrativas não conseguiu obter êxito na diminuição ou até mesmo erradicação da violência. 18 CONCLUSÃO Com estes descritos sobre a violência, podemos compreender que as causas da violência vêm desde os primórdios da civilização, de maneira que a sociedade interfere no modo que sempre terá uma causa, um efeito e principalmente uma reação. Cabendo a equipe gestora a solucionar de maneira efetiva manter o ambiente escolar um ambiente “sagrado”, como no princípio da educação escolar, por meio de uma aproximação com a sociedade em que está inserida. Oportunizando momentos de reflexão da escola como um todo, no processo de formação do caráter dos indivíduos por meio de palestras, peças e filmes sobre a violência na escola. De maneira que nada teria efeito se a escola não conhecer o local onde está, promovendo reuniões com pais, conhecendo a realidade que os alunos vivem, promovendo as ações solucionadoras de conflitos por meio da interdisciplinaridade. Conhecendo as medidas de monitoramento por câmeras, é notável que os casos de violência tendem a cair, visto que a vigilância gera uma maior segurança e atuando como ferramenta de aprimoramento da relação aluno e professor 19 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ABRAMOVAY, Miriam (org.). O bê-á-bá da intolerância e da discriminação. Brasília, DF: Unicef, 2002. _________________________ Violência nas escolas: situação e perspectiva. Boletim 21, Brasília/DF, 2005. BRASIL. Lei Nº 13.185 de 6 de novembro de 2015. Institui o Programa de Combate à Intimidação Sistemática (Bullying). 2015. BOURDIEU, Pierre; PASSERON, Claude. A reprodução: elementos para uma teoria do sistema de ensino. 3. ed. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1992. CARVALHO, Maria do Socorro Figueiredo Machado. Violência escolar: a percepção dos alunos e professores diante da violência na escola. Lisboa, 2014. FALEIROS, Vicente de Paula; FALEIROS, Eva Silveira. Escola que protege: enfrentando a violência contra crianças e adolescentes. Brasília: 2008. FERREIRA, Naura Syria Carapeto. Gestão democrática da educação: atuais tendências, novos desafios. 6.ed., São Paulo: Cortez, 2008. FERREIRA, Aurélio B. de Hollanda. Novo Dicionário da Língua Portuguesa. 2.ed., Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1986. 1838 p. MARRA, Célia Auxiliadora dos Santos. 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