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P1. Diferencie intoxicação aguda e crônica. 
● 1. Intoxicação Aguda: 
 A intoxicação aguda ocorre devido à 
exposição única ou repetida em um curto 
intervalo de tempo a uma substância tóxica, 
resultando em sintomas rapidamente após a 
exposição. Geralmente, está associada a altas 
concentrações da substância no organismo e 
manifesta sintomas intensos e imediatos. 
● Exemplo: Maria Gabriela Ferreira, (do caso 
Césio 137), foi uma das vítimas fatais e teve 
contato direto com o pó radioativo e 
apresentou sintomas rapidamente, como 
vômitos intensos e queimaduras. Ela faleceu 
poucos dias após a exposição devido à 
falência múltipla de órgãos causada pela 
intensa radiação. 
● 2. Intoxicação Crônica: 
 Já a intoxicação crônica resulta da exposição 
prolongada a doses menores da substância, 
que se acumulam no organismo ao longo do 
tempo, causando danos progressivos e menos 
agudos. Está associada a efeitos a longo prazo 
e pode se manifestar com sintomas mais leves 
e intermitentes que se intensificam 
gradualmente. 
● Exemplo: O caso dos familiares que viviam na 
casa onde o césio foi levado: ao não saberem 
da contaminação, continuaram morando no 
local e manuseando objetos contaminados. 
Anos depois, alguns desenvolveram leucemia e 
outros problemas de saúde crônicos. 
P2. Caracterize as fases da intoxicação aguda. 
1. Fase Inicial (ou Colinérgica): 
Duração: minutos a horas após a exposição. 
A toxicidade colinérgica é causada por medicamentos, 
drogas e substâncias que estimulam, potencializam ou 
mimetizam o neurotransmissor acetilcolina. A 
acetilcolina é o principal neurotransmissor do sistema 
nervoso parassimpático. A acetilcolina estimula os 
receptores muscarínicos e nicotínicos, causando 
contração muscular e secreção glandular. A toxicidade 
colinérgica ocorre quando há excesso de acetilcolina 
na sinapse do receptor, levando a efeitos 
parassimpáticos excessivos. 
 
O mecanismo subjacente à toxicidade colinérgica é a 
estimulação excessiva dos receptores colinérgicos, que 
pode ser causada por substâncias que imitam, 
estimulam ou potencializam a acetilcolina. O complexo 
de sintomas produzido pelo agente depende do tipo 
de receptor ou combinação de receptores ativados. 
Existem três tipos de receptores colinérgicos: centrais, 
muscarínicos e nicotínicos. O excesso de acetilcolina 
nos receptores muscarínicos resultará em sintomas de 
aumento de secreções, broncoconstrição, bradicardia, 
vômitos e cólicas abdominais. O excesso de 
acetilcolina nos receptores nicotínicos causa 
fasciculações musculares ou paralisia devido à 
ativação da junção neuromuscular. O excesso de 
acetilcolina no sistema nervoso central pode causar 
confusão, dor de cabeça ou sonolência. 
 
2. Síndrome Intermediária: 
Duração: ocorre 24 a 96 horas após a exposição. 
Síndrome Intermediária (paralisia tipo II), que ocorre 
em 20 a 50 % das intoxicações com organofosforados, 
cerca de 24 a 96 horas após a crise colinérgica aguda,. 
A chamada "Síndrome Intermediária" ocorre devido à 
recuperação parcial da acetilcolinesterase e da 
função neuromuscular, mas com falha na transmissão 
nos músculos proximais. Resulta em fraqueza muscular 
proximal, especialmente da cintura escapular e 
pélvica. 
Insuficiência respiratória devido à paralisia dos 
músculos intercostais e do diafragma. 
Importante: Não há correlação direta entre os 
sintomas da fase intermediária e a atividade 
colinesterásica no sangue. 
- Requer suporte ventilatório e tratamento sintomático 
rigoroso para evitar desfechos fatais . 
3. Neuropatia Tardia (ou Síndrome Neuropática 
Tardia): 
Duração: Semanas a meses após a exposição. 
Mecanismo: Decorre de lesão axonal secundária ao 
acúmulo crônico de pesticidas no organismo. 
 
Os organofosforados causam inibição prolongada da 
colinesterase, levando a alterações degenerativas nos 
axônios periféricos e motores. 
Características Clínicas: Fraqueza muscular distal, 
comprometimento motor progressivo e neuropatia 
sensorial. Os sintomas neurológicos podem se 
manifestar como parestesias, dor nos membros 
inferiores e dificuldade para caminhar. 
Em casos graves, pode haver paralisia flácida 
irreversível e comprometimento respiratório. 
Observação: A recuperação pode ser parcial ou total, 
dependendo da extensão do dano neurológico e do 
tempo de exposição ao agente tóxico . 
P3. Conceitue pesticidas (organofosforados e 
carbamatos). 
Organofosforados: São compostos químicos derivados 
do ácido fosfórico, usados amplamente na agricultura 
como inseticidas. Atuam inibindo irreversivelmente a 
enzima acetilcolinesterase, acumulando acetilcolina 
na fenda sináptica e causando hiperatividade 
colinérgica. 
 
Carbamatos: Derivados do ácido carbâmico, também 
usados como inseticidas. Diferentemente dos 
organofosforados, inibem a acetilcolinesterase de 
maneira reversível, resultando em sintomas 
semelhantes, mas de curta duração. 
 
P4. Toxicocinética e Toxicodinâmica dos pesticidas. 
● Toxicocinética: 
Absorção: Os organofosforados podem ser absorvidos 
pelo organismo através de diferentes vias: respiratória, 
oral e cutânea. A toxicidade desses compostos pode 
ocorrer por inalação, ingestão ou contato com a pele. 
As intoxicações ocupacionais frequentemente 
acontecem por inalação durante a pulverização, sendo 
a via cutânea uma importante porta de entrada 
nesses casos. Menos comumente, ocorre ingestão 
acidental de pequenas doses no local de trabalho. No 
entanto, um número significativo de casos está 
relacionado à ingestão deliberada com intenção 
suicida, que geralmente resulta em intoxicação grave. 
Quando a absorção ocorre por inalação dos vapores 
no ambiente, os primeiros sintomas surgem em 
poucos minutos. Já pela ingestão oral ou exposição 
dérmica, os sintomas podem ter início tardio. Se a 
exposição cutânea for localizada, os efeitos tendem a 
se restringir à área afetada, especialmente se houver 
lesão ou dermatite, o que potencializa a reação. 
Exemplos clínicos incluem sudorese intensa e 
miofasciculações no membro exposto, visão borrada e 
miose no olho afetado, ou sibilância e tosse quando há 
exposição pulmonar a pequenas quantidades do 
agente tóxico. 
Em resumo, os organofosforados são absorvidos 
principalmente pelas vias respiratória (com sintomas 
imediatos), oral e cutânea (com sintomas tardios). 
Distribuição 
Após a absorção, a distribuição dos organofosforados 
pelo organismo depende de sua solubilidade nos 
tecidos. Os compostos mais lipofílicos tendem a se 
concentrar em tecidos ricos em lipídios, como o tecido 
nervoso. Essa característica permite que os 
organofosforados rapidamente se espalhem por todo 
o corpo após a absorção. 
Biotransformação 
A toxicidade dos organofosforados está diretamente 
relacionada ao processo de biotransformação, que 
pode tanto ativar quanto inativar os compostos. Após 
serem absorvidos, os organofosforados e seus 
metabólitos distribuem-se rapidamente pelos tecidos. 
As principais reações de biotransformação incluem: 
1. Oxidações Bioquímicas: 
 
Dessulfuração: Uma das vias principais, em que a 
conversão da ligação P=S para P=O gera a forma 
“OXON” do inseticida, aumentando significativamente 
sua toxicidade. Exemplos incluem Parathion 
transformando-se em Paraoxon e Malathion em 
Maloxon. 
○ Oxidação do Grupo Tioéter: Gera 
compostos mais ativos, embora em 
menor grau que a dessulfuração. 
 
○ Oxidação dos Substitutos Alifáticos: 
Aumenta a toxicidade, como no caso 
do Diazinon. 
 
○ O-Desalquilação: Também pode 
elevar a toxicidade. 
 
2. Clivagem Hidrolítica: Pode inativar compostos, 
reduzindo sua toxicidade. 
 
3. Redução: Pode modificar a estrutura química, 
influenciando sua atividade tóxica. 
 
Portanto, os organofosforados podem ser ativados 
(como na transformação de P=S para P=O) ou 
inativados, dependendo da modificação bioquímica 
ocorrida. A inativação também pode se dar pela 
ligação a sítios moleculares sem significado 
toxicológico. 
Eliminação 
A eliminação dos organofosforadosocorre 
principalmente pelas vias urinária e fecal. No caso da 
eliminação biliar, há recirculação entero-hepática, o 
que pode prolongar os sintomas. Um exemplo é o 
Aldicarb, em que cerca de 30% é excretado na forma 
conjugada pela bile, prolongando o quadro clínico. 
A compreensão detalhada desses processos é 
fundamental para estabelecer estratégias 
terapêuticas adequadas, visando reduzir a toxicidade e 
facilitar a eliminação dos compostos do organismo. 
 
● Toxicodinâmica: 
Mecanismo: inibição da acetilcolinesterase, 
provocando acúmulo de acetilcolina. 
Efeito: hiperestimulação dos receptores muscarínicos e 
nicotínicos, resultando em sintomas colinérgicos, 
incluindo miose, broncorreia, bradicardia e 
fasciculações. 
 
Carbamatos: Os carbamatos são pesticidas que 
podem ser absorvidos pelo organismo através de três 
principais vias: oral, respiratória e cutânea. A absorção 
oral pode ocorrer pela ingestão acidental ou 
deliberada, enquanto a via respiratória geralmente 
está associada à inalação de vapores durante a 
aplicação de produtos. A via cutânea ocorre pelo 
contato direto com a pele, especialmente durante a 
manipulação e aplicação dos inseticidas. 
Após serem absorvidos, os carbamatos distribuem-se 
pelo trato gastrointestinal e por diversos tecidos do 
organismo. Essa distribuição ampla favorece o rápido 
aparecimento dos sintomas quando há exposição 
significativa. 
Biotransformação dos Carbamatos 
Os carbamatos passam por processos de 
biotransformação no organismo, envolvendo vias 
metabólicas específicas, principalmente 
monoxigenases FAD-dependentes. Essas enzimas 
rapidamente degradam os compostos originais em 
metabólitos como oximas, sulfóxidos, sulfo, 
acetonitrilas e dióxido de carbono (CO₂). Entre os 
metabólitos gerados, a acetonitrila, quando presente 
em concentrações elevadas, pode causar um quadro 
clínico de cianometahemoglobinemia, que é 
caracterizado pela presença de hemoglobina alterada, 
dificultando o transporte adequado de oxigênio. 
As principais reações de biotransformação dos 
carbamatos incluem: 
● Hidrólise: Desintegra os compostos em 
moléculas menores e menos tóxicas. 
 
● Hidroxilação do Grupamento Metil: Ocorre 
quando o grupo metil está ligado ao nitrogênio, 
formando compostos de toxicidade reduzida. 
 
● Hidroxilação do Anel Aromático: A 
transformação desse anel pode produzir tanto 
metabólitos menos tóxicos quanto mais 
tóxicos, como observado no caso do Carbalil. 
 
● N-Demetilação: Essa reação, embora de 
importância secundária, também contribui 
para a biotransformação dos inseticidas 
carbamatos. 
 
● Conjugação com UDPGA e PAPS: 
Especialmente para compostos que passaram 
pela hidroxilação, formando conjugados mais 
hidrossolúveis para eliminação. 
 
Dessa forma, enquanto algumas reações levam à 
formação de compostos menos tóxicos, outras podem 
gerar metabólitos mais perigosos, destacando a 
importância de conhecer o perfil metabólico específico 
de cada carbamato. 
Eliminação 
A eliminação dos carbamatos ocorre principalmente 
pelas vias urinária e fecal. Entretanto, em alguns casos, 
especialmente quando há eliminação biliar, ocorre 
uma recirculação entero-hepática que prolonga a 
presença da substância no organismo. Isso é 
particularmente relevante no caso do Aldicarb, que 
possui aproximadamente 30% de sua excreção na 
forma conjugada pela bile. Esse processo pode 
prolongar a sintomatologia clínica e requer atenção 
especial no manejo de casos de intoxicação. 
Assim, entender a toxicocinética dos carbamatos é 
crucial para o planejamento terapêutico, pois 
influencia diretamente na escolha das estratégias de 
desintoxicação e suporte clínico.: 
P5. Sintomatologia e tratamento da intoxicação 
aguda. 
● Sintomatologia: 
 
Muscarínicos: miose, sudorese, diarreia, vômitos, 
broncorreia, salivação. 
Nicotínicos: fasciculações, fraqueza muscular, 
paralisia respiratória. 
Centrais: ansiedade, convulsões, coma. 
 
● Tratamento: 
 
○ Descontaminação: lavagem gástrica e 
remoção de roupas contaminadas. 
 
○ Antídoto: 
 
■ Atropina: bloqueia receptores 
muscarínicos. 
 
■ Pralidoxima: reativa a 
acetilcolinesterase em 
intoxicações recentes. 
 
○ Suporte: ventilação mecânica se 
houver insuficiência respiratória. 
 
● Exames Complementares: 
 
○ Dosagem de colinesterase 
plasmática: para confirmar o 
diagnóstico. 
 
○ Gasometria arterial: para avaliar a 
função respiratória. 
 
○ Hemograma e eletrólitos: para 
monitorar complicações. 
 
 
H2. Centro de Controle de Intoxicações (CCI) 
 
P1. O que é CCI? Sua importância e funções. 
● CCI (Centro de Controle de Intoxicações): 
Instituição especializada no atendimento de 
casos de intoxicação. 
 
● Funções: 
 
○ Orientação e atendimento em casos 
de intoxicação. 
○ Apoio aos profissionais de saúde no 
diagnóstico e tratamento. 
○ Educação e prevenção de 
intoxicações. 
○ Classificação de toxicidade dos 
agentes, como a DL50 (dose letal 50%). 
○ Regulamentação do descarte seguro 
de pesticidas e embalagens. 
 
P2. Classificação da DL50 e sua importância. 
● DL50 (Dose Letal 50%): Quantidade de 
substância necessária para matar 50% de uma 
população animal em estudo. 
 
● Importância: 
 
○ Define o nível de periculosidade dos 
pesticidas. 
○ Ajuda a regulamentar o uso seguro e o 
manuseio adequado. 
○ Orienta a rotulagem dos produtos e as 
medidas de segurança. 
 
 
P3. Descarte de embalagens e destruição de 
pesticidas. 
● Descarte: 
 
○ Lavar as embalagens três vezes 
(tríplice lavagem). 
○ Perfurar para evitar reutilização. 
 
○ Encaminhar para pontos de coleta 
autorizados. 
 
● Destruição: 
 
○ Incineração controlada em locais 
licenciados. 
○ Tratamento químico para 
neutralização de resíduos. 
 
 
Dados Epidemiológicos (CCI) 
● Número de casos anuais: Milhares por ano, 
com tendência de aumento. 
● Grupos etários mais afetados: Adultos jovens 
(20 a 29 anos) e crianças (1 a 4 anos). 
 
● Principais formas de exposição: 
 
○ Acidental (55% dos casos). 
○ Tentativas de suicídio (42% dos casos). 
○ Ocupacional (34% dos casos). 
 
● Taxas de mortalidade: Cerca de 2% a 3% dos 
casos resultam em óbito, especialmente 
quando há ingestão intencional. 
 
● Taxas de morbidade: A maioria se recupera 
sem sequelas, mas alguns casos evoluem com 
complicações neurológicas ou insuficiência 
orgânica. 
 
 
	P1. Diferencie intoxicação aguda e crônica. 
	P2. Caracterize as fases da intoxicação aguda. 
	P3. Conceitue pesticidas (organofosforados e carbamatos). 
	P4. Toxicocinética e Toxicodinâmica dos pesticidas. 
	Distribuição 
	Biotransformação 
	Eliminação 
	Biotransformação dos Carbamatos 
	Eliminação 
	P5. Sintomatologia e tratamento da intoxicação aguda. 
	H2. Centro de Controle de Intoxicações (CCI) 
	P1. O que é CCI? Sua importância e funções. 
	P2. Classificação da DL50 e sua importância. 
	P3. Descarte de embalagens e destruição de pesticidas. 
	Dados Epidemiológicos (CCI)

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