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Introduçã� à T�icologi�: históric� � conceit� importante�
Históric�
Antigamente (até o séc XIX), a toxocologia era considerada
a ciência dos venenos e quem a praticava ou tinha
conhecimento sobre era considerado feiticeiro, mago, bruxo
ou alquimista.
Atualmente = “Ciência que estuda os efeitos nocivos
decorrentes das interações de substâncias químicas com o
organismo
● Idade antiga → Aspecto médico legal e criminal
(Grécia e Roma)
● Idade Média → Aspecto criminal (ex:
envenenamento)
● Idade Moderna e contemporânea → aspecto
científico
Relato mais antigo a respeito da toxicologia → Tratado
médico escrito no Egito antigo
● Cerca de 110 páginas em rolo de 20m
● Ali, já tinham descrito a respeito de algumas
substâncias venenosas, como ópio, chumbo, venenos
animais e plantas tóxicas
● 700 fórmulas mágicas e remédios
OBS: Mitridático→ tolerância adquirida
Paracelsus: “Todas as coisas são veneno e nada há que não
seja um veneno. A dose correta diferencia um remédio de um
veneno”
Atualmente a toxicologia é uma disciplina que está envolvida
em vários aspectos da vida moderna, e é essencial para
avaliar a segurança de novas substâncias e registro de novos
fármacos.
A intoxicação como fenômeno biológico está fundamentada
em três elementos básicos: agente tóxico, toxicidade e
intoxicação.
Conceit�
Agentes Tóxicos ou Toxicantes: são substâncias químicas que
rompem o equilíbrio orgânico, ou seja, substâncias que
provocam alterações na homeostase normal do organismo
Toxicidade é a propriedade potencial que as substâncias
químicas possuem, em maior ou menor grau, de instalar um
estado patológico em consequência de sua introdução e
interação com o organismo.
Intoxicação é a manifestação (clínica e/ou laboratorial) de
efeitos adversos que se revelam num estado patológico
ocasionado pela interação de um intoxicante com o
organismo.
Toxicologia: estuda a intoxicação sobre todos os seus
aspectos
Camp� � Área� d� T�icologi�
Campos da toxicologia:
● Toxicologia Analítica: baseada em identificar,
quantificar ou separar substâncias
● Toxicologia Clínica: baseada nas medidas a serem
tomadas para desintoxicar o paciente
● Toxicologia Experimental: permeia análises de
alimentos, pós graduação, IC.
Áreas da Toxicologia:
● Ambiental: ar, água, terra
○ resíduos industriais, derivados do petróleo,
praguicidas, substâncias radioativas, etc.
● Ocupacional: trabalhadores em geral, pintores,
mineiros, químicos, agricultores, farmacêuticos
○ corantes sintéticos, carvão, silicatos,
produtos de laboratórios, etc
● Alimentos: alimentos naturalmente tóxicos
(cogumelos), vasilhame ou embalagem que deixam
resíduo, toxinfecção, aditivos químicos, etc
● Medicamentos e Cosméticos: erro de produto,
frasco, fórmula, componente, hiperdosagem,
interação, intolerância
● Social: de grande impacto para a sociedade; Drogas
Contat� d� agente� int�icante� co� � organism�
Fonte poluidora
● Principais áreas de contato:
○ aparelho respiratório
○ aparelho digestivo
○ pele e mucosas externas
Fase� d� Int�icaçã�
01. Exposição
Relacionada às vias de introdução e com o intoxicante
(disponibilidade química)
02. Toxicocinética
Envolve os processos de absorção, biotransformação,
distribuição e eliminação do agente tóxico. Diretamente
relacionada com a toxicodinâmica
O que o organismo faz com a substância tóxica
03. Toxicodinâmica
É a natureza da ação; O que a substância tóxica faz com o
organismo.
Juntamente com a toxicocinética, vão ditar a toxicidade da
substância (potencial de causar um efeito fisiológico)
04. Clínica
Sinais e sintomas clínicos resultante da interação entre a
substância tóxica com o organismo→ intoxicação
Int�icaçã� quant� a� efeit�:
01. Intoxicação aguda
Estado normal de saúde → contato com a substância tóxica
apenas uma vez→ queda gradual da saúde e surgimento dos
sintomas patológicos → fim do contato com a substância →
recuperação progressiva da saúde → estado normal de saúde
ou surgimento de alguma sequela.
Efeito agudo do Etanol: impacto no TGI
02. Intoxicação crônica
Estado normal de saúde → contato progressivo com a
substância tóxica → progressivos “déficits” de saúde por
continuação do contato com a substância tóxica →
surgimento dos sintomas patológicos → fim do contato com a
substância → recuperação progressiva da saúde → estado
normal de saúde ou surgimento de alguma sequela.
Efeito crônico do Etanol: hepatite → os efeitos em relação a
intoxicação aguda são diferentes!!!
03. Intoxicação recidivante
Diversas intoxicações agudas sequencialmente. Gera
recuperação com sequelas. O estado de saúde vai diminuindo
com o passar do tempo devido às diversas intoxicações.
T�icocinétic�
Introduçã�
É o estudo da relação entre a quantidade de um agente
tóxico que atua sobre o organismo e a concentração dele no
plasma, relacionando os processos de absorção, distribuição
e eliminação do agente, em função do tempo
Inclui todos os processos envolvidos na relação entre a
disponibilidade química e a concentração do agente tóxico
que foi absorvido, alcançando os diversos compartimentos do
organismo, desde o central até o mais periférico.
Estuda a relação entre a quantidade de um agente tóxico que
atua sobre um organismo e a concentração dele no plasma,
envolvendo absorção, distribuição, biotransformação e
excreção
ELement� básic� d� int�icaçã�
Um agente tóxico tem várias portas de entrada no organismo
e vários caminhos que vai percorrer dentro dele.
Portas de entrada:
● Via gástrica (entrando pela via oral)
● Via pulmonar (entrando pelo nariz)
● Via dérmica (entrando pela pele)
● Inserção direta do agente tóxico no sangue
O sangue é o compartimento principal onde as substâncias
vão chegar e, a partir dele, o agente tóxico é distribuído para
outros locais. Ele pode ir para:
● depósitos, como o tecido adiposo
● rins, sendo excretado na urina
● voltar para os pulmões
Se o agente tóxico circular o suficiente para atingir um sítio de
ação, vai ocorrer a intoxicação, gerando sinais e sintomas. Se
ele for para um sítio de armazenamento, ainda se tem a
chance de ser intoxicado. Se ele for excretado, não tem essa
chance.
A dose vai indicar se é um agente tóxico ou não
Transport� atravé� d� membrana�
As membranas têm uma característica hidrofílica em ambos
os lados da membrana e uma característica lipofílica no
interior da membrana, além de proteínas incrustadas entre ela
e demais componentes. Elas funcionam como barreira para a
passagem de substâncias através dos compartimentos do
corpo.
FATORES RELACIONADOS COM O AGENTE TÓXICO
Existem alguns fatores relacionados com o Agente tóxico que
ditam a capacidade desse agente de atravessar as
membranas:
01. Hidrossolubilidade e Lipossolubilidade:
Conferida por grupamentos que permitem a formação de
pontes de hidrogênio com a molécula de água quando em
solução
Grupos funcionais que:
● Aumentam as propriedades hidrofílicas: -OH, -COOH,
-NH2, -SO2H, SO2,NH2
● Diminuem as propriedades hidrofílicas: -COOCH3,
-CONH2, -OCH3
Ex.: Morfina (hidrofílica) e heroína (lipofílica) são semelhantes,
porém se diferem em relação ao grupamento hidroxila e um
grupamento éster. A Heroína é absorvida mais rápida que a
morfina por conter um grupamento éster, sendo assim,
apresenta um efeito mais rápido que a morfina, da mesma
forma que também acaba mais rápido, dando início ao vício.
02. Coeficiente de partição óleo/água
= Quantidade dissolvida em óleo/ quantidade dissolvida em
água do mesmo fármaco
Quando maior o coeficiente, mais fácil o transporte da
substância através da membrana
• Filtração: moléculas polares, hidrossolúveis pelo poro aquoso
da membrana.
• Difusão lipídica: moléculas hidrofóbicas
03. Grau de Ionização:
Bases e ácidos fracos (agentes tóxicos) podem estar
presentes nas soluções sob a forma ionizada ou não ionizada
(geralmente lipossolúvel)
O grau de ionização ou de dissociação de um eletrófilo fraco
depende de seu pKa (coeficiente de dissociação ácida) e do
pH do meio
- ionizados: pouca afinidade por lipídios
- não-ionizados: maior afinidadedepressão da transmissão e finaliza
com a paralisia nas terminações motoras.
→Sinais e sintomas da intoxicação aguda:
1. Síndrome colinérgica aguda: manifestações
muscarínicas (parassimpáticas)
● Miose, lacrimejamento, fotofobia, visão turva
● Náuseas, vômitos, cólicas abdominais, diarréia,
incontinência fecal, incontinência urinária.
● Broncoespasmo, dificuldade respiratória, aumento
da secreção brônquica, rinorreia, cianose, edema
pulmonar, tosse e dor torácica
● Salivação e sudorese
● bradicardia, hipotensão e raramente fibrilação atrial
2. Manifestações nicotínicas (ganglionares,
simpáticas e somatomotoras)
● Fasciculações musculares, tremores, câimbras,
fraqueza, ausência de reflexos e paralisia muscular
● Hipertensão, taquicardia, palidez e hiperglicemia.
3. Manifestação no SNC
● Inquietação, instabilidade emocional, cefaléia,
tremores, sonolência, confusão mental, marcha
incoordenada, fraqueza generalizada, depressão do
centro respiratório, hipotonia, hiporreflexia,
convulsões e coma.
OBS.: Revisar receptores nicotínicos e muscarínicos
→Diagnóstico e tratamento
● Medidas gerais: manter a função cardiorrespiratória
por meio da manutenção da ventilação adequada
através da desobstrução das vias aéreas, aspiração
de secreções se necessário
● Exposição dérmica: realizar descontaminação local
com água fria e sabão neutro por 20-30 min
● Exposição ocular: lavar com Água e solução salina
morna durante 15-20 min
● Ingestão: lavagem gástrica até 4-6h após,
entubando o paciente, não provocar vômito, uso de
carvão ativado, laxantes com sulfato de sódio ou
hidróxido de magnésio´. Administra-se Diazepam EV
para controle de convulsões, bicarbonato EV,
controle hidroeletrolítico e avaliar as funções renais e
hepáticas e, enfim, o socorrista deve se proteger
com luvas e avental de borracha durante a
descontaminação do paciente, feita em local
ventilado
→Antagonistas/Antídotos
● Sulfato de atropina: bloqueia os efeitos da Ach nos
receptores muscarínicos
● Pralidoxima (contrathion): reativa a AchE (24-48h)
e não deve ser usado na intoxicação por carbamatos
(já que é uma inibição reversível).
● Esses 2 fármacos associados produzem efeitos
sinérgicos
● Prognóstico: morte usualmente por insuficiência
respiratória devido à fraqueza muscular e depressão
respiratória do SNC
→Diagnóstico laboratorial
● Medida da atividade da colinesterase plasmática
(pseudocolinesterase) e eritrocitária
● Eletromiografia
● Hemograma, eletrólitos, gasometria arterial, ureia,
creatinina
Organoclorados
Uso progressivamente reprimido ou proibido devido à sua
lenta degradação, gerando acúmulo no meio ambiente.
Podem persistir até 30 anos no solo, contaminando o homem
pela cadeia alimentar.
São insolúveis em água, o que facilita sua absorção pela pele.
Por se acumular rapidamente (lipossolubilidade) e ter lenta
degradação, apresenta perigo por se acumular na cadeia
alimentar e no tecido adiposo humano.
O homem demora 8 anos para eliminar a metade da
concentração do DDT absorvido.
1. Diclorodifeniltricloroetano (DDT e análogos)
2. Hexaclorociclohexano (lindano
3. Ciclodienos (aldrin, dieldrin, endrin, endossulfano,
etc)
4. Toxafeno e compostos relacionados.
→Toxicocinética: altamente lipossolúveis, são absorvidos pela
pele, inalação ou ingestão. Após absorvido, os organoclorados
e seus produtos de biotransformação são distribuídos por
todos os tecidos e depositados no tecido adiposo.
A biotransformação ocorre principalmente no fígado, são
fortes indutores das enzimas hepáticas e a eliminação ocorre
principalmente pela bile, urina e fezes.
→Toxicodinâmica
Mecanismo de ação: são estimulantes do SNC, promovendo a
hiperexcitabilidade; atuam nas membranas dos axônios
(neurônios) nas enzimas Na-K-ATPases, prolongando a
abertura dos canais de sódio e alterando o fluxo de íons
(atuam na membrana plasmática e proteína).
→Manifestações clínicas:
A sintomatologia pode iniciar de 30min a várias horas após a
exposição. A intensidade do quadro clínico dependerá da
natureza do composto, da via e do grau de exposição e do
tipo de diluente utilizado na formulação. Sendo assim, podem
causar:
● Náuseas, vômitos, diarreia
● Fraqueza e entorpecimento de extremidades
● Apreensão, excitabilidade, desorientação
● Contrações palpebrais, tremores musculares,
convulsões generalizadas, coma, depressão
respiratória, acidose, arritmias, morte
● Pneumonite química causada pelos diluente do
organoclorado (solventes)
→Tratamento
Não há antídoto específico. Assim, deve-se fazer assistência
respiratória, administrar DIazepam para convulsões,
monitorização cardíaca. Para descontaminação, pode-se fazer
uma lavagem cutânea e gástrica, avaliação hepática, renal e
hematológica.
Piretróides
São irritantes para os olhos e mucosas, além de
hipersensibilizantes que podem corroborar para o
desenvolvimento de alergia e asma crônica.
Estimulam o SNC pelo canal de sódio, ocasionam lesões no
SNP - por desorganizar a bainha de mielina e romperem
axônios - e são utilizados na agricultura, na pecuária, no
domicílio.
→Toxicocinética: são altamente lipossolúveis, o que
corrobora para sua distribuição para todos os tecidos Sua
metabolização ocorre no plasma e fígado e sua eliminação é
feita pelos rins
→Toxicodinâmica: é um tóxico seletivo de canais de sódio
(prolonga abertura), além de causar paralisia temporária em
insetos voadores
→Manifestações clínicas
● Dermatite de contato
● Urticária
● Secreção nasal aumentada
● Broncoespasmo
● Irritação ocular, lesão de córnea,
● Intoxicação grave: manifestações neurológicas como
hiperexcitabilidade, parestesia e convulsões
→Tratamento
● Medidas de descontaminação (pele, gástrica)
● corticóides, broncodialtadores, anti-histamínicos,
anticonvulsivantes
Fungicida�
Utilizados amplamente na indústria, na agricultura, na
jardinagem e no ambiente doméstico com vários propósitos:
● Proteção de sementes durante a armazenagem,
transporte e germinação
● Proteção de culturas maduras, de mudas, de frutos,
de flores, de culturas em geral e de pastagens.
● Proteção de paredes, carpetes e móveis
Exemplos:
● Etileno-bis-ditiocarbamatos (Maneb, mancozeb,
Dithane, Zineb, Thiran)
● Trifenil estânico (Duter, Brestan, Mertin)
● Captan (Orthocide e Merpan)
● Hexaclorobenzeno
Intoxicação por via oral, respiratória e absorção cutânea
Efeitos carcinogênicos e mutagênicos
Pode determinar parkinsonismo, devido à sua ação do SNC
Herbicida�
Substitui mão-de-obra na capina, diminuindo o nível de
emprego na zona rural
Lesões hepáticas, renais e fibrose pulmonar irreversível
(gerando insuficiência respiratória e morte)
Exemplos:
● Dipiridilos: Paraquat (Gramoxone, Gramocil)
● Glifosato (Round-up, Glifosato, Nortox)
● Pentaclorofenol
● Derivados do ácido Fenoxiacético
○ 2,3 diclorofenoxiacético (Tordon 2,4D) e
2,4,5 triclorofenoxiacético (2,4,5T). Mistura é
o agente laranja
● Dinitrofenóis (Dinoseb e DNOC)
PARAQUAT (GRAMOXONE)
● Sal de amônia quaternário - Altamente hidrossolúvel
(ultrapassa com menos facilidade as membranas)
● Extremamente tóxico se ingerido (ação rápida)
● Ingestão de 10-15ml de solução 20% é fatal
● Adição de odores desagradáveis e substâncias
eméticas potentes
● Paraquat é reduzido e interage com o oxigênio dos
tecidos, formando os superóxidos que geram
radicais livres e danos teciduais
→ Manifestações clínicas:
● Lesão inicial: irritação grave nas mucosas -
desconforto gastrointestinal
● Lesão tardia: o início dos sintomas respiratórios e
morte pode ocorrer após vários dias
→ Tratamento:
● Lavagem gástrica, CA, hemodiálise ou hemoperfusão
● Assistência respiratória
● Não existe antídoto
Raticida�
Substâncias químicas utilizadas para exterminar ratos e
outros tipos de roedores
Várias formulações no mercado:
● Inorgânicos: arsênico, tálio, fósforo carbonato de
bário, fosfeto de alumínio e Zinco
● Orgânicos: Fluoroacetato de sódio, alfanaftiluréia
● Anticoagulantes
● Estricnina
aldicarb (temik) = CHUMBINHO
● Carbamoiloxímicos
● Mecanismo tóxico parecido com os carbamatos:
inibereversivelmente a AchE.
● Gera sulfóxidos e sulfonas (produtos de
biotransformação) que também inibem a AchE
RATICIDAS ANTICOAGULANTES
● Warfarin e análogos: warfarin
● Mais utilizados e envolvidos em intoxicações
● Inibem a síntese da vitamina K no fígado e
consequentemente a síntese dos fatores de
coagulação dependentes de vitamina K (II, VII, IX,
X)
→ Manifestações clínicas:
● Início é assintomático
● Sintomas poderão aparecer após dias: sangramento
de diversos órgãos. Caso de inton severa: choque e
coma
→ Tratamento:
● Esvaziamento gástrico
● Antídoto: vitamina K (kanaion)
Prevençã� da� int�icaçõe�
● Guardar inseticidas em armários com chaves,
● Usar equipamentos de proteção ao manipular
substâncias tóxicas
● Seguir sempre a orientação de um técnico. Ler o
rótulo com atenção, seguindo rigorosamente as
instruções do fabricante.
● Abrir as embalagens com cuidado, para evitar
respingos, derramamento do produto, ou
levantamento de pó.
● Ao preparar e aplicar produtos químicos, utilizar
macacão ou camisa de manga comprida, chapéu de
abas largas e botas impermeáveis, utilizando
também luvas, óculos e máscaras adequadas, de
acordo com a recomendação do rótulo
● Não efetuar misturas de produtos
● Não retirar os defensivos de suas embalagens
originais. Não aplicar defensivos quando houver
ventos fortes.
Primeir� socorr�
● Retirar a vítima de intoxicação do local de trabalho.
● Banhar a vítima com água fria e sabão, trocar sua
roupa, procurar imediatamente assistência médica,
juntamente com o rótulo.
● Em caso de ingestão acidental só provocar vômito
com recomendação e instruções constantes no rótulo
do produto.
● Em caso de contato com os olhos, lavar em água
corrente por 15 minutos.
● Para casos de inalação do produto, levar a pessoa
para um local arejado, se houver sinais de
intoxicação procurar um médico.
● Em contatos com a pele, lavar as partes atingidas
imediatamente com água e sabão em abundância.
● Não dar leite, pois em muitos casos ele agrava o
quadro de intoxicação. Os organoclorados
absorvem-se com facilidade em presença de leite.
Gase� t�ic�
Mon�id� d� carbon�
● Gás incolor e inodoro
● Pouco solúvel em água
● Poluente lançado em grandes quantidades a
atmosfera urbana
● Peso específico em relação ao ar é 0,967. O CO é
pouco menos denso que o ar, alcança elevadas
altitudes e se dispersa; o que diminui o seu risco para
a população. A taxa de dispersão depende de fatores
meteorológicos (direção, velocidade do vento)
● É o produto da queima incompleta de material
carbonato
● Fontes naturais (1,95)
○ Atividade vulcânica
○ Oxidação do metano
● Fontes antropogênicas
○ Principal causa de contaminação ambiental
pelo CO é a queima de gasolina por
veículos automotores (63,8%)
○ Indústrias (9,6%)
○ Cigarro (tabaco e maconha)
○ Queimadas agrícolas (8,3%)
○ Incêndios florestais
Combustão ser completa ou incompleta depende da
quantidade de oxigênio
● Na completa, precisamos de mais oxigênio (sofrida
pela maior parte do combustível)
○ chama azul
● Na incompleta, acontece com menos oxigênio →
monóxido de carbono
○ chama amarela
● CO2 pode reagir com o carbono originando CO
○ baixa concentração de O2, como nos altos
fornos
○ temperatura elevada (1250 ºC)
● Dissociação do CO2
○ temperatura acima de 1300 ºC
→ Causa de intoxicação acidental
● Motores de carro em funcionamento em ambientes
fechados
● Queima de gás natural em aquecedores ineficientes
● Causa frequente de intoxicações ocupacionais e
domésticas
→ Disposição no organismo
● Rapidamente absorvido na mucosa respiratória
● Liga-se fortemente à hemoglobina (cerca de 80% do
CO absorvido)
● Afinidade pela hemoglobina 200 a 270 vezes maior
que o oxigênio
→ Formação da carboxiemoglobina (COHb)
● Leva a anóxia→ principal efeito tóxico
● CO se liga à forma reduzida do ferro na hemoglobina
● Impede o sangue de transportar oxigênio pelo
corpo, impedindo a respiração nos tecidos
● Quanto mais a parte da hemoglobina existente é
bloqueada pelo monóxido de carbono, o resultado
pode ser a morte
● Entretanto, níveis mais baixos de CO ligado à
hemoglobina poderão causar cefaleia, dificuldade
visual e alterações cardiovasculares
→ Biomarcadores de exposição
● CO no ar exalado
● CO no sangue
● Carboxiemoglobina (% de COHb) no sangue
○ mais utilizado
○ prevenção de intoxicações (monitorização
biológica)
○ diagnóstico de intoxicações agudas ou
fatais
→ Carboxiemoglobina (% de COHb)
● Não fumantes
○ Valor de referência de até 1%
○ IBMP para exposição ocupacional é 3,5%
(índice biológico máximo permitido)
→ Redução, prevenção e tratamento
● Controle da poluição
○ Fontes móveis: regulagem do carburador
para que a combustão seja completa;
reatores (catalisadores) na saída dos
escapamentos; troca de combustível (gás
natural, álcool)
○ Fontes fixas: utilizar reatores catalíticos
● Tratamento
○ Retirar a vítima do local de exposição
○ Transfusão sanguínea, na qual se obtém
uma substituição das hemácias
comprometidas com o CO
○ Respiração artificial com oxigênio a 100%
até a recuperação das condições normais.
As condições respiratórias do paciente
devem ser cuidadosamente controladas. Se
necessário, realizar traqueostomia,
aspiração das secreções e administração
de antibióticos
Be�en�
● Líquido incolor, volátil, inflamável, ponto de ebulição
de 80,1ºC, elevada lipossolubilidade, praticamente
insolúvel em água
→ Utilização
● Tem vasta utilização na indústria química como
matéria prima para inúmeros compostos
(etilbenzeno, estireno, poliestireno, polipropileno,
náilon, etc)
● É um subproduto na indústria siderúrgica
● Pode estar presente em solventes e em diversos
produtos acabados
● A legislação aceita até 0,1% como contaminante em
produto acabado (exceto quando se trata da
gasolina)
● É um hidrocarboneto aromático presente no petróleo
e no carvão
○ principal preocupação → exposição
ocupacional
● Está presente em combustíveis derivados do petróleo
○ a mesma portaria permite até 1% de
benzeno na gasolina
○ Em gasolinas adulteradas, há achados de
quantidades bem maiores (até 8%)
→ Toxicocinética
● Absorvido pela via pulmonar e cutânea
● Pela via pulmonar:
○ É rapidamente absorvido, em cerca de
50-90% do benzeno inalado
○ Cerca de 12% do benzeno absorvido é
exalado inalterado pelo ar
○ 0,1-0,2 % é excretado pela urina inalterado
○ A maior fração absorvida é metabolizada
no fígado, gerando fenol (30%) e outros
compostos (4%)
● Como dito, seus metabólitos são eliminados
predominantemente na urina. Os principais
metabólitos excretados na urina em exposições
ocupacionais ao benzeno são:
○ Fenol, ácido trans,trans-mucônico,
hidroquinona, catecol, ácido
fenilmercaptúrico (5 principais
biomarcadores de intoxicação pelo
benzeno)
→ Efeitos agudos
● Sua principal ação tóxica, em exposição aguda, é a
depressão do SNC
● SNC: efeitos tóxicos para o SNC causando de acordo
com a quantidade absorvida, narcose e excitação,
sonolência, tonturas, cefaléia, náuseas, vômitos,
taquicardia, arritmias, dificuldade respiratória,
tremores, convulsões, perda de consciência e morte
● O benzeno é um irritante moderado das mucosas
● Sua aspiração em altas concentrações pode
provocar edema pulmonar
● Os vapores são, também irritantes para as mucosas
oculares e respiratórias
→ Efeitos crônicos
● Ação mielotóxica: resulta em lesões graves, como a
progressiva degeneração da medula óssea e aplasia
medular
○ Trombocitopenia → queda do nº de
plaquetas
■ Traduzida em hemorragias
diversas, como a gengival
○ Leucopenia → queda do nº de glóbulos
brancos
■ aumenta a frequência de
infecções bacterianas e lesões
necróticas das mucosas
○ Anemia → queda no nº de glóbulos
vermelhos
○ Juntas, essas 3 reduções configuram
anemia plásica
→ Classificação IARC (é uma substância carcinogênica)
● Grupo A1: substâncias com carcinogenicidade
definida para a espécie humana
● Exposições crônicas a concentrações elevadas de
benzeno podem levara episódios de leucemia
○ leucemia mielóide aguda, é a mais
frequente
→ Limite de tolerância e monitorização biológica
Um estudo concluiu que a exposição a 1 ppm por 40 anos não
mostrou aumento significativo da ocorrência de leucemia
Contudo, como o benzeno é carcinogênico, a OMS recomenda
que a exposição deve ser limitada ao menor nível de
exposição tecnicamente possível
Deveria ser zero, pois não existe limite seguro para
carcinogênicos
Indicadores biológicos de exposição mais estudados:
● Ácido trans,trans-mucônico (ATTM)
● Ácido fenil mercaptúrico urinários
● Benzeno inalterado no ar exalado
● Benzeno inalterado na urina
● Benzeno inalterado no sangue
→ ATTM
Vantagens:
● Sensibilidade e simplicidade analítica de sua
determinação urinária
● Boa correlação com os níveis do solvente no ar
Desvantagens
● O ATTM pode estar presente na urina de indivíduos
não expostos
● Fumantes expostos ao benzeno excretam maior
quantidade de ATTM
● O sorbitol, utilizado como aditivos em alimentos
como umectante e edulcorante, também produz
ATTM em sua metabolização
Metano�
● É um líquido claro, inflamável, volátil e com leve odor
a álcool
● Cerca de 70% do metanol produzido o mundo é
usado na síntese química, como matéria prima na
fabricação de ácido acético, formaldeído e
etilenglicol
● Está presente em vários produtos comerciais e de
consumo, como tintas, vernizes, anticongelante para
radiadores, soluções de limpeza, colas e adesivos
● Usado como antidetonante em combustíveis de
aviação
● É um constituinte naturalmente presente em bebidas
alcoólicas, em pequenas quantidades em relação aos
demais componentes, como produto secundário do
processo de fermentação
→ Principais fontes de exposição
● Decorrentes da ingestão inadvertida ou provocada
do solvente
● No uso fraudulento em bebidas alcoólicas
● Exposição ocupacional
→ Absorção
O metanol é rapidamente absorvido pelo organismo por meio
da inalação, ingestão ou contato cutâneo, porém, a ingestão
é a principal forma de contaminação.
A ingestão do composto pode causar cefaléia, cegueira,
vertigem, vômito, náusea, dor abdominal e diarreia
O metanol pode levar a morte em doses acima de 30 mL
→ Biotransformação
As principais reações de biotransformação ocorre no fígado,
onde cerca de 90% da concentração absorvida é
biotransformada
No homem, a biotransformação ocorre pela ação do sistema
álcool desidrogenase
Mesmo sistema enzimático que participa da biotransformação
do etanol
O mais perigoso é o ácido fórmico, que pode causar a
cegueira
→ Ação
● Depressor do SNC
● A intoxicação aguda se manifesta por meio de
acidose metabólica
● Exposições a longo prazo podem causar cegueira
→ Limite de tolerância e monitorização biológica
METANOL URINÁRIO
● A legislação brasileira cita a determinação do
metanol urinário como biomarcador a ser utilizado.
● Evitar a perda de metanol por volatilização
preenchendo o frasco totalmente com urina.
● Valor de referência: até 5mg/L IBMP: 15 mg/L
→ Tratamento Intoxicação:
● lavagem gástrica até 2h após a ingestão
(bicarbonato);
● hiperventilação;
● solução glicose salina, com 5% de etanol;
○ etanol compete com a álcool desidrogenase
no fígado, reduzindo a concentração do
ácido fórmico
● administração de 4-metilpirazol (inibidor da ADH);
● hemodiálise
T�icologi� Socia�
Fármac� � Drog�
● Fármaco: substância química definida capaz de
produzir um resposta em um sistema biológico
○ Etanol, THC, cocaína, ecstasy
● Droga: matéria prima de origem mineral, vegetal ou
animais que contenha um ou mais fármacos
○ Maconha, folha de coca
Introduçã�
A toxicologia social é a área da toxicologia que estuda os
efeitos nocivos decorrentes do uso não médico de fármacos
ou drogas, causando danos não somente ao indivíduo, mas
também a sociedade.
Na toxicologia social são estudados os fármacos e drogas que
possuem potencial para induzir dependência
Oito classes principais:
● Opiáceos: morfina e heroína
● Psicoestimulantes: cocaína, anfetaminas
● Depressores do SNC: barbitúricos
● Etanol
● Inalantes: éter e clorofórmio
● Tabaco
● Cannabis
● Psicodélicos: LSD e plantas alucinógenas
Conceit�
FARMACODEPENDÊNCIA
● Farmacodependência é o estado em que o indivíduo
se encontra dependente de uma droga ou fármaco
● Apresenta comportamento ativo de busca do
fármaco ou droga em que ele se encontra
dependente
● Dependência física: o organismo se ajusta à
presença da droga que passa a ser necessária para
que ele funcione normalmente (transtornos de ordem
fisiológica)
SÍNDROME DE ABSTINÊNCIA
● Distúrbio evidenciado por um conjunto de sinais e
sintomas característicos de cada fármaco que se
verifica após a interrupção brusca do uso do
fármaco
● Tabaco (nicotina)
● Pode ou não haver síndrome de abstinência
TOLERÂNCIA
● Estado em que o organismo apresenta resposta
diminuída a uma ou mais ações da droga ou
fármaco
● Como consequência são necessárias doses cada vez
maiores para se obter os mesmos efeitos que se
obtinha antes do desenvolvimento da tolerância
TOLERÂNCIA METABÓLICA
● Resultante do aumento da capacidade da
metabolização do fármaco pelo organismo
● Realizada principalmente pelo sistema citocromo
P-450
● Como consequência concentração reduzidas do
fármaco vão chegar aos locais de ação
● Indivíduo utiliza fármaco ou droga se obter prazer,
apenas para não sentir os efeitos da falta do
fármaco no organismo
SISTEMA DE RECOMPENSA
● A busca constante por estímulos prazerosos, está
associada a um “sistema cerebral de recompensa”
● É uma recompensa sempre que fazemos
determinadas atividades, levando-nos a repetir
aqueles atos
● Biologicamente, ele tem uma função essencial:
garantir a sobrevivência do indivíduo e da espécie,
ao dar motivação para comportamentos como
comer, beber e reproduzir-se
● Quase todas as drogas/ fármacos de abuso, vão
aumentar a liberação de dopamina no sistema
mesolímbico (sistema de recompensa)
POTENCIAL DE REFORÇO
● Capacidade do fármaco produzir efeitos
gratificantes (Estímulo no sistema de recompensa)
● Capacidade do fármaco motivar e gerar auto
administração repetida, sem a necessidade de
outros mecanismos de indução
● Quanto maior a velocidade e intensidade do efeito
reforçadores (de recompensa), maior será o
potencial de reforço da substância, ou seja, maior o
potencial de induzir a farmacodependência
Reforçadores naturais promovem menor liberação de DA que
os fármacos/ drogas
● Reforçadores naturais (comida e sexo): aumentam
45% os níveis de DA no no Nucleo accumbens
● Anfetaminas e cocaína: aumentam 500% os níveis de
DA no Núcleo accumbens
Potenciais de reforço em ordem crescente: Canabinóides →
benzodiazepínicos → anfetamina, etanol, solventes e
barbitúricos→ cocaína heroína, morfina e nicotina.
USUÁRIO DEPENDENTE
→ Critérios de diagnóstico
● Forte desejo ou compulsão para o consumo do
fármaco/ droga
● Dificuldade para controlar o comportamento de
consumo (início e térmico)
● Abandono progressivo de prazeres ou interesses
alternativos em favor do uso
● Persistência do uso a despeito de clara evidência de
consequências nocivas
● Evidência de tolerância
● Estado de abstinência ou consumo de droga/
fármaco para alívio dos sintomas
3 ou mais critérios ocorrendo a qualquer momento no período
de 12 meses→ dependente
Su�tância� Psicoativa�
São aquelas que atuam no SNC, e alteram comportamento,
humor e cognição. Conhecidas também como Psicotrópicas
CLASSIFICAÇÃO
01. Quanto aos efeitos farmacológicos
● Depressoras→ psicolépticos
● Estimulantes→ Psicoanalépticos
● Alucinógenas→ psicodislépticos
02. Quanto ao potencial de uso nocivo
● Muito baixo, Baixo, Moderado, Alto
● Refletem no potencial de abuso e dependência
Depressoras: vão deprimir o SNC Ex: boa noite cinderela
03. Quanto à utilidade clínica
● Nenhuma, baixa, alguma e grande utilidade clínica
04. Quanto ao status legal das substâncias
● Lícitas ou ilícitas
05. Quanto a origem das substâncias● Naturais, semi-sintéticas, sintéticas
Opióide�
● 1803: isolamento do primeiro alcalóide→morfina
● 1874: heroína produto semi-sintético derivado da
morfina
○ A heroína foi criada a fim de contornar a
questão do vício que a morfina. A heroína
vai ter um grupo acetil nas suas
extremidades (isso facilitou uma maior
ligação com os receptores do SNC,
causando maior vício). Já a morfina tem
hidroxila.
● Produzem analgesia (diminuem a dor) e hipnose
(aumentam o sono)
● Em função disso, também chamadas de drogas
hipnoanalgésicas
● Como substâncias entorpecentes podem ser:
○ Opiáceos naturais: opio, morfina, codeína
○ Opiáceos Semi-sintéticos: heroína
○ Opiáceos Sintéticos: zipeprol, metadona,
meperidina
FARMACOCINÉTICA
Principais locais de absorção: via subcutânea, transdérmica,
intramuscular, mucosa do nariz, boca e TGI
A biodisponibilidade dos opióides utilizados por via oral sofre
redução devido ao metabolismo de primeira passagem
Metabolização:
● Conjugação com ácido glicurônico (morfina)
● Os ésteres (meperidina e heroína) são hidrolizados
por esterases hepáticas
Excreção:
● Podem ser excretados em forma inalterada ou em
compostos polares pela urina
○ 80% da morfina é excretada em 6hrs
● Os glicuronídeos são excretados na bile
TOXICODINÂMICA (mecanismo de ação)
● Exercem atividade sobre os receptores opióides
(mesmos R onde as encefalinas e endorfinas
endógenas atuam
● Esses receptores estão distribuídos em várias regiões
do SNC
Região Efeito
Medula espinhal, subst
cinzenta e amígdalas
Analgesia
Núcleo coeruleus e
amígdalas
Sintomas: síndrome de
abstinência
Área tegmental ventral e
núcleo accumbens
Dependência
USO TERAPÊUTICO
● Analgesia sem perda de consciência: morfina,
codeína (tylex), pentazocina, fentanil
● Antitussígeno (codeína)
● Antidiarreico
INTOXICAÇÃO
● Dose tóxica varia de acordo com o composto, via de
administração e tolerância
○ Euforia seguida de sedação, depressão
respiratória, náuseas e vômitos, risco de
coma, hipotermia, convulsões e hipotensão
● Causam tolerância: receptores (primeiramente
20-30mg para gerar um efeito → posteriormente já
seria necessário 200 mg —> 4000mg)
● Dependência física
● Síndrome de abstinência: aumento do ritmo
cardíaco, irritabilidade, suores intensos, piloereção,
espasmos musculares e dores intensas (6-8 horas
após a última dose e podem durar até 10 dias)
TRATAMENTO
● Intoxicações agudas por morfina:
○ Naloxona: antagonista que reverte
dramaticamente o efeito da morfina e
regulariza a respiração em poucos minutos
● Dependência de opióides:
○ Metadona: evita o surgimento da síndrome
de abstinência
HEROÍNA
● Atua sobre o SNC
○ Aumenta o sono
○ Diminui a dor
○ Provoca o estado de torpor e calmaria
○ Realidade e fantasia se misturam
→ Efeitos
● Contração das pupilas (miose), paralisia eventual do
estômago e vômitos
● Depressão respiratória e cardíaca, levando o usuário
ao estado de coma
● Uso se dá através de injeção, fumada e cheirada
Psicoestimulante�
COCAÍNA
→ Histórico:
● Entre 1844 e 1853 → isolado a cocaína (Wohler e
Niemann)
● Inicialmente→ medicamento para astenia e diarreia
● Comercializada em grande escala (“Vin Mariani” e a
Coca-Cola)
● Entre 1885 e 1890 → 400 relatos de perturbações
físicas e psíquicas
● Para os incas, a coca era uma planta medicinal e
sagrada. Inicialmente foi usada como medicamento
para astenia e diarreia.
→ Características
● C17H21NO4
● Alcalóides extraído da folha do arbusto da coca
(Erythroxylon Coca)
● 0,5% a 1% de cocaína na planta
● Produtividade por períodos de 30 ou 40 anos, com
cerca de 4 a 5 colheitas por ano
● Comercializada sob a forma de um pó branco
cristalino, inodoro, de sabor amargo e insolúvel em
água
● Adjetivos: coca, branca, branquinha, gulosa, júlia,
neve ou snow
Folhas de coca:
● Mascaradas junto com substância alcalinizante ou
sob a forma de chá (forma tradicional nos países
Andinos)
● Concentração: 0,5 a 1,5%
Folhas de coca:
● Pó fino e branco; pode ser utilizado por via venosa
ou aspirado (via nasal).
● Concentração: 15 a 75%
Crack
● Em forma de pedra, volatiliza quando aquecida
● Fumada em cachimbos rudimentares contendo de 50
a 150 mg da droga.
● Concentração média de cocaína: 35%
Merla
● Pasta de cocaína; fumada
● Pasta de fases de extração da cocaína
● 3kg de merla produzem 1kg de cocaína
Bazuko (Paco)
● Pasta obtida das primeiras fases de separação da
cocaína das folhas da planta quando estas são
tratadas com álcalis, solventes orgânicos (querosene
ou gasolina) e ácido sulfúrico;
● Contém muitas impurezas tóxicas e é fumada em
cigarros (basukos)
● Lixo da cocaína
→ Toxicocinética
● A transformação se dá no fígado e pelas
colinesterases
● A excreção é renal
→ Mecanismo de ação complexo:
● Inibição da recaptura e aumento da liberação de
catecolaminas no SNC e periférico
● Acúmulo de catecolaminas (dopamina, norepinefrina,
epinefrina e serotonina) nas terminações sinápticas
pós-ganglionares
→ Efeitos: euforia, redução do cansaço, sensação de maior
acuidade mental, tremores, agitação, irritabilidade, paranóia,
hipertensão, taquicardia, hipertermia, depressão respiratória,
derrames, perfuração do septo nasal ou sinusite croîica
(aspirada), abscesso e doenças infecciosas (injetadas),
hemorragia ou edema pulmonar, desnutrição, perda de peso,
induz tolerância.
● Efeitos nasais e na face: inlfamação e atrfia da
mucosa nasal, sinusite crônica, necrose e perfuração
do septo nasal, e do palato mole; ulceração de
gengiva devido a aplicação de cocaína oral
ANFETAMINAS
→ Histórico:
● 1927: síntese da anfetamina
● Metanfetamina
● MDA(metilenodioxianfetamina)
● MDMA (metilenodioximetanfetamina)
● 1932-1949: descongestionante nasal
→ Características
● Nas ruas, a anfetamina recebe o nome de speed. É
um pó esbranquiçado, do qual pode ser feito pílulas
ou comprimidos
● Nos EUA, a metanfetamina tem sido muito
consumida na forma fumada em cachimbos,
recebendo o nome de ICA (gelo)
● Em estado puro, as anfetaminas têm a forma de
cristais amarelados com sabor intragavelmente
amargo
● O organismo desenvolve tolerância à anfetamina
● A perda de apetite gerada pelo seu uso constante
pode transformar-se em anorexia
ECSTASY
→ Histórico:
● É o MDMA: muito potente, consumida em forma de
comprimidos
● Conhecida como droga do amor porque causa
super-excitação ao leve toque da pele
● Estimula a comunicação e a intimidade e melhora o
humor dos usuárias
→ Características
● O que é vendido como ecstasy é geralmente uma
mistura de coisas
● Ecstasy = MDMA = “Balas”
● Ecstasy e LSD são coisas diferentes. O ecstasy é um
psicoestimulante. Já o LSD é um alucinógeno
→ Efeitos Colaterais: taquicardia, hipertensão, convulsões,
trombose, hemorragia cerebral, hipertermia (elevação da
temperatura corporal acima de 40ºC), boca seca, muita sede
(o usuário pode vir a ingerir até mais de 10 litros de água de
uma só vez), diminuição de apetite, atenção dispersa,
espisódio de pânico, irritabilidade, ansiedade, morte súbita
REBITE BOLINHAS
São chamadas de “rebite”, principalmente entre os motoristas
que precisam dirigir durante várias horas seguidas sem
descanso
Conhecida como “bola” por estudantes que passam noites
inteiras estudando, ou por pessoas que costumam fazer
regimes de emagrecimento sem acompanhamento médico
METANFETAMINA
→ Indicações Terapêuticas
● Déficit de atenção hiperativa em crianças
● Ritalina→ cloridrato de metilfenidato
● Narcolepsia (sonolência diurna excessiva)
● Obesidade mórbida
● Descongestionante nasal
* Retirado do mercado brasileiros , mas encontrado no Brasil
por meio da importação ilegal de outros países
sul-americanos.
As anfetaminas são drogas sintéticas
XANTINAS
● Chá: China - 2700 aC
● Café: mundo árabe - 1000 DC
● Chocolate: astecas, espanhóis (séc XIV), suíça (séc
XIX)
● Bebidas de cola
● Cafeína, teofilina, teobromina
● Café, colas, chá, guaraná, bebidas energizantes
Causam: insônia, ansiedade,taquicardia, úlceras, aumento da
PA
CAFEÍNA
A cafeína é um dos fármacos mais consumidos em todo o
mundo. Presente em diversas espécies de planta, é
encontrada em chás, no café, cacau, guaraná, chocolate e nos
refrigerantes. A cafeína é um alcaloide, pertencente ao grupo
das drogas classificadas como metilxantinas
(1,3,7-trimetilxantina), é uma substância lipossolúvel, que é
rapidamente absorvida pelo TGI atingindo seus níveis de pico
no plasma em minutos
A cafeína afeta quase todos os sistemas do organismo, sendo
que sues efeitos mais óbvios ocorrem no sistema nervoso
central (SNC)
Baixas dosagens (2-10 mg/kg) provoca: aumento do estado
de vigília, diminuição da sonolência, alívio da fadiga, aumento
da respiração, aumento da liberação de catecolaminas,
aumento da frequência cardíaca, aumento no metabolismo e
diurese
Altas dosagens (15mg/kg) causa: nervosismo, insônia,
tremores e desidratação
Depressore� d� SNC
BARBITÚRICOS
● Drogas de longa duração (8 a 16 horas) - tratamento
de epilepsia, sedativos e anticonvulsivantes
● Drogas de média duração (4 a 6 horas) - pílulas para
dormir
● Drogas de curta duração (breve) - anestésicos ou
sedativos
● Classe medicamentosa mais antiga dos depressoras
do SNC
● Utilizados como anticonvulsivantes, sedativos e
pré-anestésicos
● Interagem com o receptor barbitúrico exacerbando
a atividade inibitória do GABA, resultando na
inibição das sinapses.
→ Mecanismo de ação:
→ Toxicidade
Efeitos: vasodilatação periférica, hipotensão, bradicardia,
choque, hipotermia, coma, midríase, convulsões
Consequencias:
● Ventilação lenta e superficial - desenvolver hipóxia e
acidose respiratória grave
● Morte: parada respiratória ou cardiorespiratória
● Prognóstico dependente da profundidade do coma,
da importância da depressão respiratória e da
depressão respiratória e do tipo e dosagem do
barbitúrico
→ Características
Os barbitúricos levam à dependência, desenvolvimento de
tolerância, síndrome de abstinência, com sintomas que vão
desde insônia, irritação, agressividade, delírios, ansiedade,
angústia e até convulsões generalizadas.
A síndrome de abstinência requer obrigatoriamente
tratamento médico e hospitalização, pois há risco de morte
→ Diagnóstico
Dosagem sérica de barbitúricos: com exceção do
fenobarbital, os níveis séricos dos barbitúricos apresentam
pouca correlação com o quadro clínico, não sendo capaz de
predizer a gravidade ou duração do quadro
Fenobarbital:
● Dosagem sérica é útil para confirmar a intoxicação e
auxilia na classificação da gravidade do caso
● Deve ser repetida a cada 24 horas ou em caso de
alteração do quadro clínico do paciente
→ Tratamento
● Não existe antídoto
● Tratamento é de suporte
● Barbitúricos de ação prolongada
○ Descontaminação do TGI
○ Restabelecimento cardiopulmonar
○ Hemodiálise e hemoperfusão com carvão
● Barbitúricos de ação curta e intermediária: os
procedimentos acima não conseguem ser efetivos
devido a ligação extensiva às proteínas plasmáticas
e maior distribuição nos tecidos.
BENZODIAZEPÍNICOS
● 1960 - Estão entre os fármacos mais prescritos e
utilizados em todo mundo
→ Mecanismo de ação
Os benzodiazepínicos, diferente dos barbitúricos, não
consegue fazer a abertura do canal de cloreto se não houver a
presença do GABA. O benzodiazepínico é dependente do
GABA.
*Fazer o desmame desses medicamentos bem devagar e de
forma acompanhada.
→ Vantagens sobre barbitúricos:
● São mais seguros, produzindo menor depressão
respiratória e efeitos cardíacos mínimos
● Morte por superdosagem é extremamente rara
● Risco de morte ocorre quando são combinados com
álcool ou em intoxicações múltiplas
● Ingestão de até 2000mg de diazepam geralmente
leva a intoxicação leve ou moderada
→ Indicação: ansiolíticos, sedativos, hipnóticos,
anticonvulsivantes, relaxantes musculares, adjuvantes em
anestesia
→ Intoxicação: os sinais e sintomas de intoxicação são
inespecíficos:
● Depressão do SNC que varia entre tontura,
sonolência, confusão mental e coma (agressividade
e prejuízos à memória)
● Quando usados por alguns meses, podem levar a
pessoa a um estado de dependência
● Há figuração de síndrome de abstinência e também
desenvolvimento de tolerância, embora esta última
não seja muito acentuada.
→ Tratamento: Flumazenil é antagonista competitivo dos BZD
e pode reverter a depressão do SNC em minutos
→ Diagnóstico: a dosagem de BZD pode ser feita em sangue
ou urina; possui pouca utilidade na conduta do caso, sendo
importante para confirmar o diagnóstico
→ Flunitrazepam
● “date-rape drug”
● BDZ de rápido início de ação. Início de ação de
30min, pico em 2 horas, duração de 8 a 12 horas
● Potencialização por álcool e outros depressores do
SNC
● Quadro clínico: em doses elevadas→ amnésia, perda
do controle muscular, perda de consciência
● Diagnóstico laboratorial: toxicológico
● Tratamento: sintomático e suporte; antidotagem com
flumazenil EV (antagonista BZD)
● Droga utilizada no boa noite cinderela (pode ser
mistura das substâncias:
○ Flunitrazepam (FNZ)
○ Ácido gama hidroxibutírico (GHB)
○ Ketamina
Etano�
Substância tóxica que vem sendo consumida de forma
excessiva pelos jovens
● Fácil acesso
● Alto potencial de gerar dependência
● É o maior problema médico - social por uso de
drogas
● Poderoso depressor do SNC
● Como consequência, haverá mudanças psíquicas,
com distúrbios sensoriais e motores
● Se ingerido em quantidade elevada, podem ocorrer
convulsões, coma e morte por parada cardíaca ou
respiratória
ALCOOLISMO AGUDO
A embriaguez é caracterizada fundamentalmente pelos
sintomas e sinais clínicos
A clássica exteriorização do alcoolismo agudo é a ebriedade,
sendo suas principais manifestações:
01. Alterações digestivas: dor epigástrica e secura na
boca, sendo acompanhadas de náuseas, vômitos e
às vezes diarréia
02. Alterações nervosas ou psíquicas - são
caracterizadas por três períodos distintos:
a. Fase eufórica - 1º período de euforia com
extroversão exagerada
b. Fase agitada - 2º período médico-legal
(perturbações psicosensoriais profundas),
com diminuição das faculdades mentais e
falta de auto-controle
c. Período comatoso
ALCOOLISMO CRÔNICO
Na intoxicação crônica por etanol podem ocorrer as seguintes
alterações no organismo:
● transtornos digestivos
● transtornos hepáticos (cirrose)
● transtornos cardiovasculares
● transtornos sanguíneos (anemia)
● transtornos endócrinos (impotência)
● transtornos psíquicos; (alucinações, demência)
ABSTINÊNCIA
● Tremor distal matutino
● Sudorese, congestão facial, hipertensão, insônia -
3-15 dias. Aumento da atividade adrenérgica
● Alucinações
● Convulsões
● Delirium tremens: estado psicopático, caracterizado
por confusão mental, delírio (zoopsias, com visão de
animais geralmente minúsculos), tremor, sudorese,
debilidade dos membros inferiores.
Inalante�
São um vasto grupo de produtos diferentes, usados
licitamente em várias das atividades industriais, comerciais e
domésticas. São substâncias aspiradas com o objetivo de
produzir alterações mentais e ou efeitos de conduta
Solventes ou inalantes: cola de sapato, Esmalte,
Lança-perfume e acetona
Todo solvente é uma substância altamente volátil
Muitos (mas não todos) são inflamáveis
Produtos comerciais: esmaltes, colas, tintas, thinners,
propelentes, gasolina, removedores, vernizes, etc
→ Toxicidade:
● Neurotoxicidade
● Hepatotoxicidade
● Nefrotoxicidade
● Cardiotoxicidade
● Duração, frequência, intensidade de exposição e
propriedades físico-químicas da substância inalada
● Tolerância e dependência
→ Efeitos no cérebro
Início dos efeitos, após a aspiração, é bastante rápido - de
segundos a minutos no máximo - e em 15 a 40 minutos já
desaparecem → usuário repete as aspirações várias vezes
para que as sensações durem mais tempo
→ Tratamento
● Inalação: afastar da fonte, oxigenação e ventilação
mecânica, se necessárias
● Contato com pele e mucosas: lavar com água e
sabão
● Ingestão:não induzir vômitos → risco de depressão
súbita e bronco-aspiração; lavagem gástrica, só
quando há ingestão de grandes quantidades; carvão
ativado não é indicado
● Tratamento sintomático
● Controlar os sintomas da intoxicação - Normalmente
esse controle é hospitalar
Tabac�
Planta originária do continente americano, o tabaco já era
fumado pelos índios desde antes da chegada dos
colonizadores europeus
Este hábito, como os demais de mascará-lo ou aspirá-lo, foi
sendo adquirido também pelos viajantes europeus que
vinham à América
1560 que o uso do tabaco veio a tomar grande impulso na
Europa, a partir da propaganda de Jean Nicot - diplomata
francês cujo nome originou a palavra nicotina - de que ela
possuía “maravilhosos poderes curativos”
Século XVII, já era um vício generalizado em toda Europa,
alcançando também a África e Ásia.
Mas a grande “democratização” do consumo de tabaco veio a
acontecer no século XX, com a expansão do hábito de fumar
cigarro
Somente na década de 60, com a revelação dos cientistas de
que o cigarro provoca câncer no pulmão e outros males, é que
se deu início a uma campanha contra seu uso
Além da Nicotina, contém diversas outras substâncias:
→ Nicotina:
● Consumida por via oral ou nasal, a nicotina,
componente do tabaco, é considerada uma droga
estimulante
● Não possui nenhum efeito terapêutico, mas provoca
dependência física e psíquica
● Provoca tolerância e síndromes de abstinência nos
indivíduos que param de fumar de uma maneira
brusca
Toxicocinética da Nicotina:
● É rapidamente absorvida pelo pulmão, sendo pouco
absorvida pela boca e nasofaringe
● 90% da nicotina é metabolizada no fígado, sendo
também metabolizada nos pulmões e rins
● O metabolismo da nicotina pode ser perigoso para o
corpo humano, podendo aumentar as chances de
câncer devido à formação de um grupo
metilnitrosamina que, em meio ácido, reage com o
DNA, formando uma ligação irreversível, o que
impede o desenvolvimento normal da célula,
aumentando o risco para o desenvolvimento de
câncer
● Excreção é renal
Mecanismo da Nicotina:
● Os receptores nicotínicos são divididos em duas
classes: musculares e neuronais:
○ Musculares: encontrados na junção
neuromuscular esquelética
○ Neuronais: encontrados em gânglios
autônomos, assim como no cérebro (SNC),
além da terminação nervosa sensorial
Efeitos periféricos da nicotina:
● São derivados principalmente em decorrência da
estimulação ganglionar
● Taquicardia, aumento do débito cardíaco
● Aumento da pressão arterial
● Redução da motilidade gastrointestinal
● Sudorese
Efeitos SNC da nicotina:
● Aumento da liberação de dopamina e adrenalina
● Diminuição da secreção de serotonina
● Ocorre uma melhora no desempenho motor e
sensorial após a administração de nicotina, seguido
de depressão
● Na medula espinal, a nicotina produz um
relaxamento da musculatura estriada esquelética e
diminuição dos reflexos medulares
Características da Nicotina
● Entre as 4 mil substâncias existentes na fumaça do
tabaco, a nicotina é a responsável pela:
○ Dependência física, caracterizada por
sintomas de irritabilidade, palpitação,
tontura, ansiedade e fadiga
○ Aumento da pressão arterial
○ Diminuição do fluxo sanguíneo para a pele,
diminuindo a temperatura
○ Faringites, bronquites, falta de apetite
○ Perturbações da visão
○ Diversos tipos de câncer; Doenças
cardiovasculares, angina, infarto
Cannabi�
● Erva cujo nome científico é Cannabis sativa L.
(cânhamo)
● O fármaco Psicoativo é o delta-9-tetrahidrocanabinol
(THC) - causa dependência
● O Canabidiol não produz intoxicação - propriedade
terapêutica
● É a droga ilícita mais consumida por estudantes
● Traz a sensação de bem-estar, relaxamento e
vontade de rir, mas pode causar angústia
● Perda da capacidade de calcular tempo e espaço e
prejuízo da memória e da atenção
● Os olhos do usuário ficam avermelhados
● A boca fica seca e o coração dispara
ADMINISTRAÇÃO
● Fininho, baseado: cigarros de maconha - misturas de
partes da planta - 0,5 a 5% de THC
● Haxixe: material seco das inflorescências da planta,
usado nas formas de cachimbos ou ingerido - 2 a
20% de THC
● Skunk: maconha cultivada em condições especiais,
apresenta 7 a 10 vezes maior concentração de THC
EFEITOS
● Período inicial de euforia
● Alteração da percepção
● Psicose
● Hiperemia da conjuntivas
● Dilatação das pupilas
● Aumento do apetite
● Taquicardia
● Diminuição da imunidade
● Prejuízo da memória recente
● Falhas das funções intelectuais
● Diminuição da capacidade de percepção sensorial
MECANISMO
● Receptores canabinóides: CB1 e CB2
● Ligante endógeno: Anandamina
Distribuição no cérebro está localizada principalmente nas
regiões da córtex cerebral, hipocampo, cerebelo e gânglios
basais
As funções neurológicas destas áreas com maior
concentração de receptores canabinóides correspondem a
alguns dos efeitos específicos da droga como por exemplo:
pensamento desorganizado (córtex cerebral), dificuldade de
memória (hipocampo), descoordenação motora (cerebelo). Os
efeitos euforizantes agudos parecem estar relacionados com
a ação dos receptores canabinóides no sistema
dopaminérgico mesolímbico cerebral.
TOXICOCINÉTICA
● Absorção: sistema respiratório
● Distribuição para outros órgãos através da corrente
sanguínea
● Quando associada ao álcool, ela tem uma
potencialização de ação
● Seus efeitos podem ser sentidos poucos minutos
após o uso e pode durar, dependendo do organismo,
até 6 horas
● Excreção:
○ 1% inalterado na urina
○ Delta-9-COOH-THC- 27% eliminado na urina
EFEITOS CRÔNICOS
Células e sistema imunológicos:
● Comprometimento da imunidade, aumento de
infecções bacterianas e virais, carcinogênese,
mutação celular
Sistema cardiovascular:
● Pacientes com história de angina podem evoluir com
precordialgia devido ao aumento da demanda do
miocárdio e pela taquicardia
● Maior risco de hipertensão arterial, doença cérebro
vascular ou coronariana como consequência da
taquicardia e aumento da pressão arterial
Sistema reprodutor:
● Diminuição da testosterona e da produção de
esperma, desorganização do ciclo ovulatório
● Uso na gravidez: hipóxia fetal, comprometimento do
desenvolvimento fetal, baixo peso ao nascimento
Sistema respiratório:
● Fenômenos irritativos dos epitélios dos brônquios e
nasofaringe
● Bronquite crônica, câncer pulmonar, faringite,
sinusite
* É metabolizada pelos rins
Psicodélic�
LSD-25
● LSD-25: Dietilamida do ácido lisérgico, substância
alucinógena sintetizada em laboratório (a partir da
substância produzida pelo fungo conhecido como
"esporão do centeio”)
● Causa distorções perceptivas nas cores, formas e
contornos
● Provoca fusão dos sentidos (sinestesia) na qual os
sons parecem adquirir formas que ficam coloridas
● Provoca perda da noção de tempo e espaço
● Tem poucos efeitos no corpo: o pulso pode ficar mais
rápido, as pupilas dilatam e a pessoa sentir
excitação
● Pode causar “flashback” - efeito da droga que é
sentido semanas ou meses ou mesmo anos após ela
ter sido consumida
● Dose necessária para efeito é de microgramas
Ácido - Doce = LSC
“Balas” = Ecstasy = MDMA
● Consumidos em pontos ou selo (papel seco
geralmente estampado que foi embebido pela
droga) que são dissolvidos na boca
● Efeitos duram até 12 horas
● Formas de apresentação: cartelas picotadas, selos
COGUMELOS
● Psilocybe, Amanita muscai
● Alucinógenos naturais que consumidos em forma de
chá induzem a alucinações e delírios
● Sob seus efeitos, os sons incomuns são percebidos e
as cores ficam mais brilhantes
● Dilatação das pupilas, suor excessivo, taquicardia,
náuseas e vômitos
Metai� Pesad�: Arsênic� � Mercúri�, Chumb� � Crom�
● São grupo de elementos com pesos atômicos entre
63,546 e 200,590 e densidade superior a 4 g/cm^3
Incluem metais que possuem:
● Forte atração por estruturas de tecidos biológicos
● Frequentemente eliminação lenta → acúmulo na
cadeia alimentar
● Alta reatividade químicaEssencialidad�
● A substância é requerida na dieta para crescimento,
saúde e sobrevivência
● A substância não é sintetizada no corpo, sendo
então, requerida para alguma função biológica
específica
Ex: Mn→ Co-fator de enzimas
Fe→ hemoglobina
Em relação a esses metais essenciais:
● Abaixo do necessário→ deficiência
● Acima→ toxicidade
ELEMENTOS ESSENCIAIS
● Macroelementos: necessários na ordem de gramas
(sódio, potássio, magnésio e cálcio)
● Elementos em traço: necessários em ordem de
miligramas (ferro, zinco, cobre e manganês)
● Elementos em ultratraço: necessários na ordem de
micrograma ou nanograma (vanádio, cromo,
molibdênio, cobalto, níquel, silício, arsênio, selênio e
boro)
○ Risco grande: superdosagem passa da faixa
ideal e gera o efeito tóxico
○ Quando mais baixa a concentração
necessária, maior o risco de ultrapassar a
dose ideal e atingir a toxicidade
● Faixas: Deficiência → concentração ótima →
toxicidade→ letal
ELEMENTOS NÃO ESSENCIAIS
● Organismo vai tolerar a presença da substância, só
que a partir de uma certa concentração, começa o
efeito tóxico, podendo levar até a morte
● Faixa: Tolerância→ toxicidade→ letal
Generalidade�
● Agentes típicos mais conhecidos do homem
● Manifestação dos efeitos está relacionada à dose
● Compostos organo-metálicos são lipossolúveis,
atravessam facilmente as membranas biológicas
● Processos de biotransformação são lentos e a
excreção é mais demorada nos orgânicos do que nos
precursores inorgânicos
● A maioria é distribuída por todo organismo, afetando
vários órgãos em sítios alvo que vão desde processos
bioquímicos (enzimas) a´te organelas e membranas
celulares
Prova: precisa saber os efeitos agudos e crônicos e os
mecanismos de cada um. Precisa saber diferenciar também
pelas inibições e o pq de cada uma no chumbo gera os
respectivos indicativos (ALA-U etc)
Arsênic�/ Arsêni�
● Elemento metalóide, de ocorrência natural, cor
cinza-prateada, forma sólida
● São usados como agentes de fusão para metais
pesados, em processos de soldagens, produção de
cristais de silício e germânio, na fabricação de
placas de chumbo de baterias elétricas, na
fabricação de munições e ligas. Os arsenitos são
herbicidas, os arsenatos são inseticidas. A arsina é
empregada em sínteses orgânicas
● Ainda ocorrem envenenamentos acidentais ou
suicidas em decorrência da utilização de, por
exemplo, raticidas que possuem como constituinte
ativo algum arsênico (As2O3 = anidrido arsenioso),
inseticidas minerais combinados e fungicidas
- Verde paris (acetoarsenito de cobre) → anidrido
arsenioso - 58%
- Arseniato de cálcio
TOXICOCINÉTICA
● Bem absorvido pelas vias respiratória, e GI
● Baixa ligação às proteínas plasmáticas
● Elevada ligação aos eritrócitos (3x mais na fração
eritrocitária que na plasmática)
● Excreção fezes e urina: 10% na forma inalterada e 60
a 90% na forma de ácido dimetilarsínico
○ 66% eliminada em 2 dias
○ 30% em 10 dias
○ 3,7% em 38%
● Depósito nos cabelos e nas unhas (em razão dos
elevados teores de queratina, rica em grupos
sulfidrilas (SH) acumula principalmente o arsênico
inorgânico)
MECANISMO DE AÇÃO - IMPORTANTE
● Reage com os grupos sulfidrilas de moléculas
orgânicas, especialmente as proteínas → interferem
na respiração celular a nível mitocondrial
● Inibe a respiração celular, diminuindo a fosforilação
oxidativa
O ácido pirúvico, na presença de difosfato de tiamina, é
reduzido, resultando na inserção do ácido pirúvico. Depois
tem-se essa substância em contato com o ácido lipóico
(apresenta ligação dissulfídica), que se rompe e expõe os
grupos SH e um deles recebe o ácido pirúvico.
A coenzima A também tem SH, então o ácido pirúvico se junta
formando a acetil coA, que alimenta o ciclo de Krebs. Libera o
ácido lipóico na forma reduzida, liberando um H e formando
FADH2.
Ácido pirúvico + CoA + NAD → NADH + H + CoA + CO2 O
arsênico também tem afinidade pelo grupo SH e se liga na
forma reduzida do ácido lipóico que foi liberado, nos dois SH
(grupos sulfidrilas) que ele apresenta. Ele bloqueia oprocesso
de descarboxilação oxidativa do ácido pirúvico - oxidação do
ácido lipóico -, impedindo a formação do da CoA que
alimenta o ciclo de Krebs, não tendo sequência da respiração
celular.
SÍNDROME TÓXICA
● Após ingestão aparecem náuseas e vômitos (30 min
ate 12 hr)→ persistentes em “projetil”, semelhantes a
“água de arroz”, tornando-se posteriormente,
mucosos, biliosos e sanguinolentos
● O intoxicado sente calor na garganta, sede violenta
e insaciável sensação de queimadura no esôfago e
estômago, com dores na região epigástrica
● Ocorrem diarréias → evacuações líquidas comuns→
fezes em “água de arroz”, tornando-se mucosas e
sanguinolentas
● Após absorção: prostração extrema, pulso irregular,
resfriamento do corpo, resto torna-se azulado,
aparecem câimbras nos músculos, urinas raras e
albuminosas→ anúria
● Morte em algumas horas ou ao final de um/dois dias
segundo a dose
EFEITOS AGUDOS - IMPORTANTE
● Transtornos gastrintestinais e diarreia (mais comuns)
● Efeitos sobre mucosa do trato respiratório e pele
● Erupção e pigmentação cutânea - pontinhos pretos
nas mãos e nos pés (alguns dias após)
EFEITOS CRÔNICOS - IMPORTANTE
● Neurotoxicidade
○ SN periférico
○ SN centra: alterações sensoriais
● Lesão hepática (cirrose)
● Relação com doenças cardiovasculares
● Hiperceratose (8-10 anos) - palmo-plantar
○ produção de queratina em excesso pelo
acúmulo de arsênio
● Ulcerações cutâneas (10-15 anos)
● Alteração vascular localizada - “gangrena de pele
negra” - acúmulo do metal
DIAGNÓSTICO
Indicadores biológicos da exposição
● Sangue: avalia exposição recente (intoxicação
aguda)
● Urina: avalia exposição recente e nos casos de
intoxicação aguda e crônica
● Cabelo: avalia exposição passada
● Unhas: avalia exposição passada
Mercúri� (H�)
É um metal líquido à temperatura ambiente, de elevada
tensão superficial, inodoro, de coloração cinza-prateada.
Seus sais podem apresentar grande variedade de cores e os
organo-mercuriais são importantes.
● Mercúrio metálico é um líquido extremamente volátil
● Pode ser absorvido tanto pela via respiratória
quanto através da pele íntegra - pode ocorrer
intoxicação a partir da quebra do termômetro em
casa
É uma das doenças ocupacionais mais antigas conhecidas
pelo homem - o chapeleiro maluco retrata um trabalhador
com doença ocupacional devido a esse metal inalado.
FONTES DE EXPOSIÇÃO
● Lâmpadas fluorescentes
● Indústrias de cloro-soda
● Amálgamas dentários (dentistas)
● Pesticidas
● Preservação De vacinas (timerosal, que apresenta
mercúrio e hoje em dia não é mais usado)
● Petroquímica
● Queima de carvão e combustíveis fósseis
● Amalgamação com ouro
● Peixe - é como intermediário pois come do
fitoplâncton que absorve o mercúrio da água
A produção mundial de mercúrio é estimada em 10 mil
toneladas por ano, sendo Canadá, Rússia e Espanha os
principais produtores.
A emissão natural de mercúrio é devida à gaseificação da
crosta terrestre, emissões vulcânicas e à evaporação natural
de corpos d’água.
A mineração de ouro e prata, a extração de mercúrio, a
queima de combustíveis fósseis e a fabricação de cimento são
exemplos de fontes antropogênicas de mercúrio.
FORMAS DE MERCÚRIO
Formas inorgânicas -Ino-Hg
● Valência zero - Hg (0)
● Valência dois - Hg (II)
Formas orgânicas
● Met-Hg (metilmercúrio)
● Et-Hg (etilmercúrio)
● De 10 a 1000 vezes mais tóxica, sendo mais fácil de
atravessar membranas. Leva à biocacumulação
direta ou indireta nos peixes
BIOTRANSFORMAÇÃO DO MERCÚRIO
Quando o inorgânico cai no leito do rio (se sedimenta), o
ecossistema o biotransforma em formas orgânicas, se
transformando em metilmercúrio pela metilação do mercúrio.
Essa metilação pode ser:
● Biometilação (degradação biótica): transferência de
um ou dois metilcarbânions (CH3-) ao Hg inorgânico
pela ação de bactérias metanogênicas. Processo
realizado pelas metil-transferases (presentes nas
bactérias,por exemplo)
● Metilação abiótica: química ou fotoquímica.
Velocidade muito inferior à via enzimática
TOXICOCINÉTICA
→ Absorção
● Elementar: pouco absorvido pelo TGI (0,01%) e 80%
absorvido pelos pulmões
● Inorgânico: cerca de 15% é absorvido pelo TGI e 15%
pela pele
● Orgânico: cerca de 90% absorvido pelo TGI e 50%
absorção cutânea - é muito mais lipofílico, atravessa
as barreiras mais facilmente
→ Distribuição
● Órgãos de depósito
○ Inorgânico e elementar - seguem para os
rins, principalmente
● Orgânico - SNC (6 x a concentração sanguínea)
○ Cabelos
○ Hemácias (20x maior do que no plasma)
● O metilmercúrio e o mercúrio elementar atravessam
bem a barreira hemato-encefálica e placentária,
fazendo com que a concentração no feto seja maior
do que no organismo materno, atrapalhando seu
desenvolvimento
→ Biotransformação
● No organismo de mamíferos o metilmercúrio e o
mercúrio elementar são convertidos em Hg
inorgânico (Hg ++)
→ Excreção
● Inorgânico: principalmente renal
● Orgânico e elementar: tem excreção biliar e sofre
circulação êntero-hepática
○ 90% da excreção é via fezes na forma de
Hg orgânico elementar
● Meia vida do Hg-Ch3 (metilmercúrio): média de 70
dias
● Meia vida do Hg ++ : 35-90 dias
MECANISMO DE AÇÃO TÓXICA
Mecanismo de ação tóxica Grande afinidade pelos grupos
sulfidrilas (-SH), pelo fosfato (-PO3H2), carboxila (-COOH),
amino (-NH2) → inibição da síntese proteica das células
nervosas.
Assim, possui uma ação neurotóxica, reage com DNA e RNA in
vitro, provoca inibição da síntese proteica, aumento da
liberação pré-sináptica de acetilcolina e aumento da liberação
de dopamina no cérebro de ratos.
A nefrotoxicidade ocorre a partir do depósito de mercúrio
inorgânico
● Lesão glomerular, nefrite glomerular, proteinúria e
síndrome nefrótica
● Danos aos túbulos renais → perda de enzimas
tubulares renais (albuminúria)
DESASTRES
O desastre de minamata, província de Kumamoto, sul do
Japão. Ocorreu pelo descarte de resíduos da empresa Chisso
Corporation (1908), que passou a produti acetaldeído
(1932-1968), sendo o mercúrio sendo um catalisador dessa
síntese, recebendo a metilação, tendo a formação direta de
metilmercúrio como subproduto.
Ele era descartado na baía de Minamata, sendo os primeiros
sintomas observados em animais como gatos - perda de
coordenação motora - e peixes - principal fonte de alimento
dos japoneses.
Em 1954 apareceu a primeira criança com sintomas, uma
criança de 5 anos de idade - perda de coordenação motora
devido aos neurônios degenerados em ação do metilmercúrio.
Como ocorre acúmulo no feto, todos os nascidos nessa época
apresentavam problemas de membros inferiores e superiores
devido à ação neurotóxica.
Morreram 1435 pessoas e mais de 20.000 contaminados que
ainda recebem indenizações.
Um grande número de crianças com deformidades causadas
pela doença foi registrado nos anos que se seguiram à
catástrofe japonesa.
Ficou conhecido como “Doença de Minamata”.
SINTOMAS
Intoxicações a curto prazo: febre, calafrios, dispnéia e
cefaléia. Diarréia, cãibras abdominais, diminuição da visão.
Complicações como pneumotórax, enfisema, podem levar à
morte
Intoxicações a longo prazo: tríade clássica (gengivite,
salivação e estomatite). Tremor e alterações psicológicas. É
característico o eretismo (insônia, perda de apetite, perda de
memória, timidez excessiva e instabilidade emocional)
Os trabalhadores podem apresentam neuropatia sensorial
motora.
DIAGNÓSTICO
● Laboratorial - avaliação da exposição
● Mercúrio inorgânico
○ Urina: informação da exposição em
andamento
■ Válida em exposição contínua, por
no mínimo 12 meses
■ VR: 3,5 mg/g creatinina
■ o orgânico é transformado em
inorgânico e excretado pela urina,
sendo a principal forma de
identificação ○
○ Sangue: influenciada pelo consumo de
alimentos
■ VR USA: 15 mg/ L
● Mercúrio orgânico
○ Sangue: VR USA: 10 mg/L
○ Cabelo (avaliação da exposição ambiental):
VR: 1mg/ g
Chumb� - Pb
Metal maleável de cor prateada ou cinza-azulada, resistente à
corrosão.
Há várias formas lipossolúveis, como:
● tetra-etila
● tetra-metila
O principal minério que contém chumbo é a galena (PbS).
Principal uso está relacionado à indústria: extrativa,
petrolífera, de baterias, tintas e corantes metálicos, cerâmica,
cabos, tubulações, munições
Não é necessário ao organismo, mas traz conforto à vida
moderna.
EXPOSIÇÃO
População geral: a principal fonte de contaminação são os
alimentos, seguida da ambiental (tinta, água, ar, por
combustível contendo chumbo etc)
Ocupacional: metalurgia, siderurgia, fábrica de baterias -
tintas e fumos
TOXICOCINÉTICA
● Via respiratória,via digestiva e via dérmica
● Liga-se aos eritrócitos (90-95% )
● Compartimentos de escolha (Chumbo corpóreo)
○ Sangue: meia vida de 35 dias
○ tecidos moles: meia vida de 40 dias
○ Ossos: meia vida de 20 anos
○ Outros
● Eliminação
○ 76% urina
○ 16% trato gastrointestinal
○corrente sanguínea (FEP).
Assim, ele estimula a ALA-S, inibe a ALA-D, a
CPG-descarboxilase e a Heme-sintetase, sendo as substâncias
que se acumulam podendo ser usadas como biomarcadores
urinários. Ele atrapalha o transporte de oxigênio em todo o
organismo.
O ferro fica no exterior da mitocôndria pois não tem grupo
heme, então há acúmulo, caracterizando a anemia
sideroblástica.
● ALA-D e heme-sintetase: inibições perfeitamente
caracterizadas
● ALA-S: tem seu nível aumentado
● Aumento de ALA-S + inibição da ALA -D: aumento
dos níveis de ALA no sangue e urina
● Aumento de COPRO-U
● Inibição de heme-sintetase: anemia sideroblástica e
aumento da síntese de protoporfirina
● Ação : eritroblastos da medula óssea
● Fe da protoporfirina IX é substituído pelo zinco dos
reticulócitos, formando a protoporfirina zinco, que
liga-se à globina: indicador
EFEITOS CLÍNICOS
A intoxicação pelo chumbo é denominada de saturnismo
● Aguda: náuseas, vômitos (às vezes com aspecto
leitoso), dores abdominais, gosto metálico na boca,
fezes escuras
● Crônica:
○ precoces: anorexia, perda de peso,
constipação, apatia e irritabilidade,
vômitos ocasionais, gosto metálico, anemia
e linha plúmbica nas gengivas (rola de
Burton)
○ avançado: vômitos intermitentes,
irritabilidade, incoordenação, dores vagas
nos ombros, articulações e abdômen,
distúrbios sensitivos nas extremidade,
distúrbios do ciclo menstrual
○ Graves: vômitos persistentes, ataxias,
períodos de torpor ou letargia,
encefalopatia, delírios, convulsões, coma
Quanto mais se aumenta a concentração de chumbo no
sangue, há efeitos diferentes em crianças e em adultos. Em
baixa concentração de chumbo tem efeito muito claro, como a
queda do QI em crianças - não desenvolve a inteligência -,
queda da audição e do crescimento (10 microgramas por
decilitro de sangue).
É a principal característica que diferencia a intoxicação em
crianças de chumbo dos outros mentais - queda do QI.
MONITORAMENTO BIOLÓGICO - TOXICOVIGILÂNCIA
● Chumbo tetraetila
○ Dosagem de chumbo na urina
● Chumbo inorgânico
○ Dosagem e chumbo no sangue
○ Dosagem e ácido delta aminolevulínico na
urina ALA-U (utilizado como marcador
devido a biotransformação já que estimula
o ALA-S e inibição do ALA-D, aumentando o
ALA-U)
■ Coproporfirina urinária -CPRO-U
ou CPU
■ Zincoprotoporfirina (ZPP) no
sangue
Crom� - Cr
É obtido em ligas metálicas ácido resistentes, tintas
anticorrosivas, cromagem e impregnação de madeiras.
É um metal essencial, precisando de ultratraço do cromo para
o organismo funcionar, sendo obtido a partir de levedo de
cerveja, fígado etc.
TOXICOCINÉTICA
● As principais vias de exposição ocupacional são
inalatória e cutâneas.
● A absorção depende do estado de oxidação:
gástrica: 1-6% na forma VI e 1% na forma de cromo
III
● Apresenta alta ligação a proteínas plasmáticas
(86-90%).
● Armazenado nos pulmões, tecido adiposo, pele e
músculos.
● Excreção principalmente pela via urinária. Excreção
fecal apenas não absorvidos.
TOXICIDADE
Compostos de cromo III têm baixa toxicidade e não há
indicações de efeitos adversos a ele atribuídos
(provavelmente pela baixa absorção
Os efeitos tóxicos do Cr são relacionados à exposição à forma
hexavalente.
Casos letais com doses de 1,5g de dicromato de potássio e 3
gramas de ácido crômico.
● Picolinato de cromo: apresenta cromo na forma
trivalente, que tem toxicidade mais baixa e é usada
para suplementação
EFEITOS CLÍNICOS
Exposição cutânea
● irritação na pele
● lesão cutânea clássica do Cr: úlcera do Cr
(relativamente indolor, embora seja profunda,
podendo até mesmo chegar à cartilagem ou ao
ossos
● ocorrem em sítios de maior exposição
● é comum ocorrer infecção secundária
● pode levar meses até formar cicatriz
Mucosa - indústria galvânica
● irritação
● eritema
● irritação conjuntival
● coriza ○ sinusite
● polipose nasal
● ulceração e perfuração do septo nasal
Inalação
● broncoconstrição, por irritação
● asma alérgica
Efeitos imunológicos
● potente sensibilizador cutâneo
● dermatite de contato alérgica
● a sensibilização por Cr tende a persistir por anos,
mesmo após cessada a exposição
Lesão renal
● Disfunção tubular proximal, manifestada por um
aumento da excreção da beta-2 microglobulina
● Lesão reversível após cessada a exposição
● Pode ocorrer necrose tubular aguda e insuficiência
renal aguda
Tratament� d� Int�icaçõe� Por Comp�t� Metálic�
● Banho de água e sabão e troca de roupas em casos
de absorção dérmica
● Provocar vômitos e fazer a lavagem gástrica ,
quando da ingestão - melhor do que ser absorvido e
tentar excretar
● Administrar substâncias laxativas (sulfato de sódio
ou sulfato de magnésio) - para evitar a absorção
● Administrar os antídotos clássicos: dimercaprol
(BAL), penicilamina, EDTA, conforme o caso
● O BAL apresenta grupos sulfidrila, que interage
muito com os metais, então se tiver algum metal
circulando, tem a capacidade de se ligar - a
substância se liga ao exógeno ao invés de se ligar ao
antígeno, como o ácido lipóico como no arsênio
● O EDTA é um quelante que se liga aos metais em
forma iônica, que pode interagir com o chumbo
(libera o cálcio e captura o chumbo)
● Penicilamina apresenta cadeia de carbono, um
grupo SH e uma amina. O metal se liga ao grupo SH,
capturando para depois ser excretado
● Muitas vezes não funciona porque se o metal estiver
depositado nos tecidos moles ou no osso não
consegue alcançar. Serve apenas para a corrente
sanguínea então eles têm atividade limitadapor lipídios →
transposição de membranas
● ácidos: passam pela membrana em meio ácido (alta
concentração de próton)
● bases: passam pela membrana em meio alcalino
(baixa concentração de próton)
OBS: quando coloca uma substância ácida em um meio
básico, ela vai desprotonar; quando coloca uma substância
ácida em um meio ácido, ela vai permanecer igual; quando
coloca uma substância básica em um meio básico, ela vai
permanecer igual; quando coloca uma substância básica em
um meio ácido, ela vai protonar. Dessa forma, as substâncias
não ionizadas atravessam mais facilmente as barreiras.
FATORES RELACIONADOS COM O HOSPEDEIRO
Existem outros processos importantes para que substâncias
tóxicas passem pela membrana plasmática.
Mecanismos utilizados pelos agentes tóxicos para
passarem através das membranas/absorção → significa a
passagem do tóxico do meio externo para o interior do
organismo e, para tanto, é necessário vencer barreiras
biológicas representadas pelas membranas celulares. Além
dos já relacionados “fatores relacionados com o agente
tóxico”, temos a considerar as características das membranas
e as formas de transporte através delas:
● Transporte Passivo
○ sem gasto de energia
○ difusão simples ou passiva: agente tóxico
atravessa a membrana devido suas
características lipofílicas; quanto maior o
coef de partição, mais fácil ele atravessa
○ filtração: quando existem poros na
membrana
● Transporte Ativo
○ com gasto de energia pelo uso de enzimas
○ agente tóxico necessita de um carreador de
membrana juntamente com uma enzima
para transportá-lo de fora para dentro da
célula
● Pinocitose: forma de transporte ativo
○ células vão criar várias tubulinas que vão
abraçar a gota de água
A�orçã�
Vai depender da via de entrada e da disponibilidade química
do agente tóxico no ambiente
Vias de introdução do agente tóxico:
● Enteral: oral, digestiva ou gastrintestinal, sublingual,
retal
● Parenteral: intramuscular, intravenosa ou
endovenosa, subcutânea
● Dérmica ou cutânea
● Respiratória, pulmonar ou inalatória
● outras: ocular, nasal, intracardíaca vaginal, etc
ORAL, DIGESTIVA OU GASTRINTESTINAL
A absorção nessa via depende de vários fatores, como:
● A lipossolubilidade vai determinar a absorção.
SUbstâncias lipossolúveis são absorvidas mais
rapidamente
● Grau de dissociação também é importante
● Facilidade com que sofre transformação pelas
enzimas digestivas
● Estado de plenitude ou vacuidade gastrintestinal
(alimentos no estômago retarda o esvaziamento
gástrico) → retarda a passagem do fármaco e,
quando mais ela fica no ambiente ácido do
estômago, mais chance ela tem de se degradar ou
ionizar naquele local
● Capacidade de produzir irritação da mucosa e
induzir vômitos → substâncias eméticas provocam o
vômito, de maneira que não se absorveria a
substância
DÉRMICA OU CUTÂNEA
A pele apresenta uma camada grossa de células mortas
queratinizadas, sendo essa uma barreira efetiva contra a
entrada de agentes tóxicos, mas por ela também passam
algumas substâncias
Se a substância tiver a característica de irritação primária, já
vai causar um dano/ irritação local diretamente.
Se a substância tiver característica bem lipofílica e conseguir
atravessar a barreira inicial, pode ser absorvida de forma
sistêmica ao chegar na circulação sanguínea.
A absorção nessa via depende de vários fatores, como:
● Fatores ligados ao agente tóxico: lipossolubilidade,
grau de ionização, peso molecular, volatilidade e
viscosidade (este último faz com que o agente tóxico
fique mais tempo em contato com a pele).
● Fatores ligados ao indivíduo: região da pele, seu
estado de integridade, vascularização ( mulher > homem
○ altera absorção
● motilidade intestinal: absorção
● esvaziamento gástrico: prolongado nas mulheres
○ nas gestantes
○ > absorção
● área dérmica: > na superfície corpórea do homem
○ > absorção
● espessura dérmica: > homem
○ nas gestantes
○ > absorção
Absorção pulmonar
● função pulmonar: > nas gestantes
○ > exposição pulmonar
● rendimento cardíaco: > nas gestantes
○ > absorção nos alvéolos
Distribuiçã�
Processo onde o toxicante se distribui pelo organismo
Após sofrer absorção, o agente tóxico - agora na corrente
sanguínea - vai ser distribuído pelo organismo. Esta
distribuição depende da sua capacidade em atravessar as
membranas celulares, assim como da sua afinidade pelos
diversos compartimentos orgânicos
Sangue e a linfa são os principais veículos, sendo que tecidos
com maior perfusão possuem maior distribuição.
O estadomolecular do toxicante facilita a distribuição.
Distribuição ampla ou restrita do agente tóxico depende de
vários fatores:
● ligados à substância: lipossolubilidade, grau de
ionização, afinidade química do agente tóxico
● ligados ao organismo: irritação do órgão, conteúdo
de água ou lípides de órgãos e tecidos,
biotransformação do agente tóxico, integridade do
órgão.
O meio do sangue é um meio aquoso (hidrofílico) e sabe-se
que as substâncias lipofílicas são as que atravessam mais
facilmente as membranas. A substância hidrofílica vai chegar
no sangue, se misturar no soro e seguir seu caminho; mas
aquelas substâncias que são lipofílicas, vão necessitar de um
carreador para realizar seu transporte. As partículas que
transportam substâncias lipofílicas através do sangue são as
proteínas, HDL, LDL, apoproteínas, lipoproteínas, etc. Elas
carreiam até um local onde o pH, temperatura ou algum outro
fator vai liberar a substância naquela região.
São considerados sítios de armazenamento importantes:
● Proteínas plasmáticas: depósito extracelular →
albumina, lipoproteínas e glicoproteínas
● Fígado e rins: são depósitos celulares, com grande
capacidade de armazenamento
● Lipídios: dissolução física na gordura, neutra, de
compostos lipossolúveis
● Ossos: podem armazenar agentes como, metais,
substâncias inorgânicas, etc.
Além do sangue transportar essas substâncias para o sítio de
ação, ele podem transportar para sítios de armazenamento e,
dependendo do estímulo sofrido, pode ocorrer a
redistribuição, de forma que a substância cai de novo na
corrente sanguínea e será redistribuída
BARREIRAS HEMATOENCEFÁLICA E HEMATOPLACENTÁRIA
Hematoencefálica: seguem, em geral, os mesmos princípios
que orientam a passagem em outras áreas do organismo,
porém, com menor permeabilidade como forma de proteção
ao SNC
Hematoplacentária: ocorre difusão simples, difusão facilitada,
transporte ativo, pinocitose e fendas na membrana da
barreira para facilitar a transferência de nutrientes da mãe
para o feto.
Biotransformaçã�/ metabol�açã�
Existe para transformar o toxicante lipossolúvel em
hidrossolúvel, para ser excretado via urina mais facilmente.
É toda alteração que ocorre na estrutura química da
substância no organismo
Ocorre em 2 fases:
● fase 1: oxidação, redução, hidrólise
● fase 2: conjugação
FASE I - PRÉ SINTÉTICA
Ocorre com a ajuda de enzimas inespecíficas do citocromo
P450→ oxidação, redução, hidrólise
● reações hepáticas
● Citocromo P450 (Hemoproteína com ferro dentro) →
sistema de enzimas localizadas na membrana do
retículo endoplasmático responsáveis pelas reações
da FASE I
● Grupamento Heme + ferro → muito elétron →
ambiente favorável para que ocorra essasreações.
Complexação do agente tóxico com o grupamento
Heme → cadeia de transferência de elétrons
auxiliada por diversos outros fatores para oxidar o
agente tóxico.
Conferem polaridade aos xenobióticos por expor (ou inserir)
grupamentos sulfidrila, hidroxila, amina ou carboxila, que
resultam no aumento da hidrofilicidade
Ex: oxidação do anel aromático, redução do nitrobenzeno a
anilina, hidrólise do paraoxon metílico sendo quebrado pela
água e formando p-nitrofenol e ácido dimetilfosfórico.
FASE II - SINTÉTICAS
Ocorre com a ajuda de enzimas específicas (sintetases e
transferases) para incorporar algum tipo de grupamento na
molécula
Conjugação com ácido glicurônico, com a glutationa, com
aminoácidos, além de sulfatação, acetilação, metilação.
Caracterizadas pela incorporação de cofatores endógenos às
moléculas vindas da Fase I.
Também são reações hepáticas, sendo auxiliadas por:
● Glicuroniltransferases
● Sulfotransferases
● Metiltransferases
● Acetiltransferases
● Conjugação com a glutationa (ác. glutâmico,
cisteína, glicina)
Reações mais específicas, na presença de várias enzimas.
Juntamente com a fase I, existe para ajudar na excreção.
Como exemplo de uma biotransformação, tem-se uma reação
de Fase I que transforma o ácido acetilsalicílico em ácido
salicílico e uma reação de fase II transformando o ácido
salicílico em outros compostos.
TIPOS DE REAÇÕES DE BIOTRANSFORMAÇÃO
A) Ativação e posterior inativação
B) Inativação e posterior ativação→
C) Inativação (excreção assim mesmo)
Essa ativação de substâncias que estavam inativas é
perigoso!!
FATORES QUE MODIFICAM A BIOTRANSFORMAÇÃO
→ Fatores internos constitucionais: espécie e raça, fatores
genéticos, sexo, idade
→ Fatores internos condicionais: estado nutricional e estado
patológico.
→ Fatores externos: a atividade do sistema enzimático pode
ser alterada por numerosas substâncias, acelerando ou
retardando a biotransformação, ou seja, aumentando ou
diminuindo o efeito dos agentes tóxicos
● Indução enzimática - resultado → aumento da
velocidade de excreção de produtos
biotransformados ou de compostos inativos, menos
ativos, mais ativos farmacologicamente ou
toxicologicamente. Ex: DDT reduz ação hipnótica do
pentobarbital
● Inibição enzimática - resultado → diminuição dos
processos de biotransformação. Podem também ser
originadas por situações funcionais orgânicas. Ex:
imipramina inibe biotransformação do pentobarbital
e do meprobamato.
Eliminaçã�
Os metabólitos encontrados na urina e nas fezes geralmente
são polares e hidrossolúveis
Toda aquela biotransformação visa transformar o agente
tóxico lipossolúvel em hidrossolúvel para ser eliminado mais
rapidamente
Excreção é o processo pelo qual a substância é expulsa do
organismo. As substâncias absorvida são eliminadas na forma
inalterada ou na forma de seus produtos de biotransformação
EXCREÇÃO RENAL
A excreção renal é a mais importante na eliminação de
substâncias. Ocorre por processos de filtração glomerular
passiva, difusão tubular passiva e secreção tubular ativa.
Condicionada à polaridade das substâncias, limitada
especialmente pela solubilidade e pK do composto, além do
pH do meio. Logo,
● Compostos com elevado coeficiente de partição
óleo/água são reabsorvidos passivamente. Os
polares, incapazes de se difundir, serão excretados.
● Compostos de caráter básico são excretados em
maior quantidade em urina ácida e os de caráter
ácido, se a urina for alcalina.
Ex: Grupo amida (grupamento básico) presente na urina com
pH tá 7.8 (levemente básico - tem-se pouca concentração de
prótons) não sofrerá nenhuma transformação (não vai sofrer
ionização), de forma que ela atravessará a membrana e será
reabsorvida para o plasma. Se essa mesma molécula estiver
em um pH ácido, ela será ionizada (receberá um próton), de
forma que não atravessará a membrana (baixa afinidade com
lipídios), sendo excretada.
Ex 2: Substância com presença de ácido carboxílico (ácido)
em um meio ácido (muito próton), não sofrerá nenhuma
transformação (não vai sofrer ionização - não perderá próton
para o meio), de forma que atravessará a membrana, sendo
reabsorvido para o plasma. Se essa mesma molécula estiver
na urina com pH básico, ela sofrerá ionização, perdendo
próton para o meio, de forma que não atravessará a
membrana e será excretado.
EXCREÇÃO PULMONAR
Partículas, gases, vapores e alguns produtos de
biotransformação são excretados por esta via. Depende de,
entre outras:
● intensidade da ventilação pulmonar
● solubilidade da substância no sangue ( excreção)
● pressão parcial do agente no ar alveolar (respiratório, placenta).
Depois de entrar no organismo, o toxicante pode seguir duas
vias:
● Pode ser absorvido, distribuído para o alvo, ser
reabsorvido e depois sofrer ativação
● Pode sofrer eliminação pré-sistêmica, ser distribuído
para longe do alvo, ser excretado e depois ocorrer a
detoxificação
Pela primeira via tem-se o toxicante final chegando até a
molécula-alvo ou ao sítio-alvo de ação, causando a
intoxicação.
O toxicante alcança o órgão alvo, tem interação com a
molécula-alvo específica ou vai alterar o ambiente biológico,
resultando em disfunção celular ou injúria, causando dano em
resultado da toxicidade da substância chegando ao órgão.
Mecanism� Gerai�
Os mecanismos variam muito, de acordo com a estrutura
química e as propriedades físico-químicas dos toxicantes.
5 mecanismos gerais de interação dos fármacos/ agente
tóxicos com as células:
INTERAÇÃO DE AGENTES TÓXICOS COM RECEPTORES
Os receptores são elementos sensoriais no sistemas de
comunicações químicas que coordena a função de todas as
células no organismo.
Eles podem apresentar resposta rápida ou lenta dependendo
dos mecanismos envolvidos:
● receptores ligados a canais
● receptores acoplados à proteína G
● receptores ligados à quinase
● receptores ligados à transcrição de genes
A ligação entre receptor e ligante é normalmente reversível:
Assim, quando tem-se um receptor, tem-se uma substância
endógena que se liga a ele e, uma vez que ela se liga, tem-se
uma atividade celular em resposta. Alguns receptores já
estarão ocupados por essas substâncias endógenas, assim,
quando se toma um fármaco, por exemplo, ele vai competir
localmente nesse lugar.
Caso seja um fármaco agonista, tem-se o incremento da
atividade celular que a substância endógena está associada,
mas no caso de um antagonista, tem-se a inibição dessa
atividade pois essa bloqueia a ligação da substância
endógena a ele por competição.
Essa lógica dos fármacos também se aplica às substâncias
tóxicas, pois elas também podem ser agonistas ou
antagonistas de efeitos fisiológicos desencadeados pelos
receptores.
TIPOS DE RECEPTORES
Ionotrópicos
O efetor geralmente é um canal iônico, tendo-se o
acoplamento direto da substância no receptor que pode
estar ligado a um canal ou ser o próprio canal.
Essa ligação resulta em uma hiperpolarização ou
despolarização a partir do influxo de íons, causando efeito
celular rápido (milissegundos).
Metabotrópicos
A interação com o receptor é mediada pela proteína G, que
muda sua conformação e se move pela membrana até o
canal iônico ou uma enzima específica.
A mudança no canal iônico segue a lógica dos receptores
ionotrópicos, que resultam por fim na mudança de
polaridade da membrana. Se for através de enzima, ela vai
ter os mensageiros secundários que vão fosforilar proteínas
e liberar o cálcio intracelular, por exemplo.
Assim, o efetor da atividade no receptor metabotrópico é
um canal iônico ou uma enzima, o acoplamento é pela
proteína G e o tempo é de segundos (maior que
ionotrópicos).
Ligados a quinases
O próprio receptor é uma proteína quinase que vai
fosforilar outra proteína que vai causar a transcrição de um
gene que causa a síntese de proteína e o efeito celular.
Assim, o efetor é a proteína, o acoplamento é feito
diretamente e o tempo de ação é de horas.
Nucleares
Tem a substância entrando no núcleo, onde terá um
receptor para ela que gera transcrição de genes, a síntese
de proteína e o efeito celular.
Assim, tem-se que o efeito é a transcrição gênica, o
acoplamento é via DNA e o tempo é de horas.
→ Ligação fármaco-alvo
● Forças de Van der Waals (hidrofóbicas): 0,5-1 Kcal/
mol (facilmente quebrada)
● Pontes de hidrogênio: 2-5 Kcal/ mol
● Forças eletrostáticas: 5 - 10 Kcal/mol
○ interações iônicas, íon dipolo e
dipolo-dipolo
● Ligações covalentes: 50 - 150 Kcal/mol -> ligação de
forma permanente (para desfazê-la, necessitaria de
muita energia)
INTERAÇÃO DE AGENTES TÓXICOS COM AS MEMBRANAS
Quebrar a membrana/ formação de poros → interferindo
nas funções e nas membranas excitáveis.
Substâncias químicas podem perturbar a função de
membranas por vários meios.
Exemplos:
- O fluxo de íons através do axônio neuronal pode ser
bloqueado pelas substâncias que agem como bloqueadores
do canal de íons, como a Tetrodotoxina (TTX), que bloqueia
os canais de sódio situados nas membranas axônicas
impedindo as trocas iônica.
- A Batracotoxina (BTX) aumenta a permeabilidade das
membranas em repouso aos íons sódio. Afeta também as
células do miocárdio, produzindo extra-sístoles e outras
arritmias, culminando em fibrilação.
- As Toxinas Botulínicas complexam-se irreversivelmente com
o axônio terminal colinérgico e bloqueiam a liberação de
acetilcolina gerando paralisia parassimpática e motora
progressiva com turvação de visão, dificuldade de deglutição
seguida por paralisia respiratória.
- Solvente orgânicos produzem efeitos depressores do SNC
por alterarem a fluidez de membranas, face à sua
propriedade lipofílica.
INTERAÇÃO DE AGENTES TÓXICOS COM MITOCÔNDRIA
A substância atua causando a inibição da fosforilação
oxidativa, um mecanismo muito importante por atuar nas
organelas das células, como a mitocôndria.
A fosforilação oxidativa é um dos eventos mais importantes
na produção de energia celular e ocorre na mitocôndria das
células.
A interferência na oxidação de carboidratos na síntese de ATP
tem consequências como alteração da integridade da
membrana, funcionamento de bombas iônicas e síntese
proteica.
A diminuição significante de energia levará à perda de
funções celulares.
Agentes químicos interferentes na síntese do ATP mitocondrial:
● Grupo I: substâncias que interferem na liberação de
hidrogênio para a cadeia de transporte de elétrons
○ monofluoroacetato inibe o ciclo do ácido
cítrico e a produção dos co-fatores
produzidos
● Grupo II: rotenona e cianeto, que inibem o
transporte de elétrons pela cadeia de transporte até
serem receptados pelo oxigênio
● Grupo III: substâncias que interferem na liberação
de oxigênio no transportador final de elétrons, a
citocromo oxidase
○ monóxido de carbono e agentes
metemoglobinizantes
● Grupo IV: substâncias que inibem atividade da ATP
sintase
○ Inibição direta: oligomicina
○ Interferência na liberação de ADP: DDT
○ Interferência na liberação de fosfato
inorgânico: para-benzoquinona
○ Substâncias desacopladoras da
fosforilação oxidativa: pentaclorofenol
INTERAÇÃO DE AGENTES TÓXICOS COM RESERVATÓRIOS DE
CÁLCIO
Interagem com os reservatórios de cálcio das células - sendo
o íon o principal mensageiro (junto com ferro) intracelular -
perturbando a homeostase cálcica
O aumento de cálcio intracelular causa anormalidade
funcional, resultando na morte celular.
Algumas substâncias que vão perturbar a homeostase cálcica
são:
- quinonas
- aldeídos
- dioxinas
COMPLEXAÇÃO COM BIOMOLÉCULAS
Podendo o agente tóxico interagir com:
● componentes enzimáticos: organofosforados,
chumbo (interfere nas enzimas da biossíntese do
heme, alterando o transporte do oxigênio do
organismo) e mercúrio
● proteínas: monóxido de carbono (se liga
irreversivelmente no ferro da hemoglobina),
nitrobenzeno
● lipídios: tetracloreto de carbono (substância que
interage com os lipídeos, formando radicais livres
que vão gerar peroxidação lipídica e injúria ou morte
celular)
● ácidos nucleicos (DNA e RNA): causam lesão
diretamente podendo levar à morte celular ou a
processos de reparo (podendo levar à mutação e
câncer)
Mecanism� Especiai�
CARCINOGÊNESE
O processo de carcinogênese envolve interações complexas
entre vários fatores, tanto exógenos (ambientais) quanto
endógenos (genéticos e hormonais).
A maioria dos tumores têm origem unicelular e a expansão
clonal dessa célula inicial dá origem a uma população que
apresenta vantagens quanto a sua capacidade proliferativa
em relação às demais.
A progressão tumoral envolve ciclos sucessivos de mutação e
seleção. Durante a progressão tumoral, o tumor pode sofrer
modificações em suas características fenotípicas, adquirindo
comportamento cada vezmais agressivo. Além da expansão
da massa tumoral, há invasão de tecidos adjacentes e,
posteriormente, estabelecimento de metástase distante.
Fatores relacionados ao aparecimento de tumores:
● agentes físicos (radiações ionizantes e raios
ultravioletas)
● biológicos (vírus)
● químicos
Há uma fase de iniciação, em que a célula está com seu
metabolismo normal e, de repente, ocorre um dano a uma
célula. O corpo tem mecanismos para evitar/ inibir a fase
inicial:
● inibição de parte do metabolismo
● detoxificação de moléculas reativas
● reparo do dano
Caso a célula progrida, ela entra na fase de promoção,
quando ocorre dano genético (mutação, levando a produção
de proteínas diferentes, com efeito genotóxico) e ele continua
no local, sendo que o organismo segue tentando inibir/
estabilizar ele.
Depois da fase de promoção tem a fase de progressão,
quando a célula que se estabilizou no local com estrutura
modificada vai ter proliferação descontrolada, causando
crescimento do tumor e, eventualmente, metástase.
Exemplos de carcinógenos:
● Agentes iniciadores: radicais livres e epóxidos,
materiais radioativos
● Agentes promotores: sacarina,
tetraclorodibenzo-p-dioxina (TCDD)
● Agentes estimuladores da fase progressiva do tumor:
podem atuar como inibidores da apoptose e
diferenciação celular (arsênico, fibras de asbestos)
TERATOGÊNESE
É um dos ramos da teratologia que avalia as causas que
determinam o aparecimento e má formação fetal. Há vários
mecanismos associados, dentre eles:
● capacidade do agente causar alterações no DNA
● capacidade de provocar hipóxia embrionária
● capacidade de provocar inibição enzimática
Caso mais relevante: Talidomida
Interaçã� entr� � agente� t�ic�
Deve-se, na exposição a mais de dois agentes intoxicantes,
considerar a possibilidade de um composto interferir na ação
do outro.
→ Efeito aditivo: as duas substâncias apresentam efeito
tóxico, obtendo-se efeito de soma da sua toxicidade. Ex.:
exposição a chumbo e arsênico na inibição da biossíntese do
heme gera aumento aditivo de coproporfirinogênio urinário (1
+ 1 = 2);
→ Efeito sinérgico: exposição ao tetracloreto de carbono e a
compostos clorados aromáticos promovem hepatotoxicidade
sinérgica ( 1 + 1 > 2)
→ Potenciação: quando uma substância não é tóxica mas a
outra é, gerando aumento da toxicidade daquela que já é
tóxica. Ex.: propranolol não é hepatotóxico, entretanto, junto
com tetracloreto de carbono, este tem sua hepatotoxicidade
elevada ( 0 + 1 > 1)
→ Antagonismo: um intoxicante vai reduzir o efeito de outro
● Competitivo: as duas substâncias vão competir pela
ligação em um receptor específico
○ atropina bloqueia receptores de acetilcolina
no tratamento da intoxicação por
organofosforados
● Químico: uma substância vai agregar na outra e vai
atrapalha-la a se ligar no seu receptor ou causar
algum dano
○ EDTA forma complexos insolúveis com
chumbo
● Funcional: uma substância vai agir em receptore
diferente de outra, mas mesmo assimm, uma reduz a
atividade da outra por mecanismos intracelulares
○ efeitos opostos em receptores diferentes
Animai� Peçonhent�
Animai� Venen�� � Animai� Peçonhent�
Animais venenosos são aqueles que produzem veneno, mas
não possuem um aparelho inoculador (dentes, ferrões),
provocando envenenamento passivo por contato (lonomia ou
taturana), por compressão (sapo) ou por ingestão (peixe
baiacu).
Animais peçonhentos são aqueles que possuem glândulas de
veneno que se comunicam com dentes ocos, ou ferrões, ou
aguilhões, por onde o veneno passa ativamente. Portanto,
peçonhentos são os animais que injetam o veneno de maneira
ativa.
- Ex: serpentes, aranhas, escorpiões, lacraias, abelhas,
vespas, marimbondos e arraias.
Peçonha�
São as secreções formadas por um fluido misto de diferentes
enzimas, toxinas e outras substâncias. São produzidas em
glândulas especializadas e secretadas através de sistemas
dispensadores (nematocistos, espinhos, dente inoculador, etc)
a fim de incapacitar a presa ou o predador. Cada uma tem
efeito diferente, mudando de indivíduo para individuo
Animai� qu� causa� envenenament� n� Brasi�
● Ofídios
● Aracnídeos
● Insetos
● Animais aquáticos
Ofidism�
É o estudo dos venenos de serpentes (ofídeos). Na medicina, é
o envenenamento por picadas de cobra/serpente
O diagnóstico clínico (sintomas que os pacientes apresentam
que permitem relacionar com o tipo de veneno) é o método
mais simples e racional para a abordagem do paciente pela
equipe de saúde, uma vez que, geralmente, não se pode
contar com informações corretas/ confiáveis sobre o animal.
Cerca de 2400 espécies de serpentes em todo o mundo, sendo
que dessas, apenas 200 são perigosas para o homem. No
Brasil, existem 300 espécies conhecidas, sendo que 70 são
peçonhentas.
As serpentes brasileiras de interesse toxicológico se
distribuem em 4 gêneros:
● Bothrops (jararaca, jararacuçu, urutu)
○ cauda lisa
● Crotalus (cascavel)
○ cauda com chocalho
● Lachesis (surucucu-pico-de-jaca)
○ cauda com escamas arrepiadas
● Micrurus (coral-verdadeira)
Como diferenciar peçonhentas de não-peçonhentas?
→ Fosseta loreal
A presença de fosseta loreal, órgão termorregulador
localizado entre o olho e a narina, caracteriza o grupo de
serpentes peçonhentas de interesse médico no Brasil, onde se
incluem os gêneros: Bothrops, Crotalus e Lachesis. A exceção
são as serpentes peçonhentas do gênero Micrurus (coral
verdadeira), que não apresentam fosseta loreal
Ela tem como função a captação de calor, que permite às
serpentes perceberem as diferenças de temperatura do
ambiente - então conseguem se guiar, mesmo no escuro, em
direção aos animais.
→ Outras características:
Características Peçonhentas Não
Peçonhentas
Fosseta Loreal Presente (exceto
o gênero
Micrurus)
Ausente
Escamas no
corpo
Presente (flechas) Ausente
Escamas na
cabeça
Pequenas Grandes
Pupila Fenda Circular
BOTHROPS
Mais de 60 variedades encontradas em todo o território
nacional. Responsável por mais de 90% dos acidentes.
Veneno de efeito coagulante e necrosante (ação mais local do
que sistêmica)
Mais de 90% do peso do veneno: proteínas, com grande
variedade de enzimas, toxinas não enzimáticas e proteínas
não tóxicas. As frações não proteicas são constituídas por
carboidratos, lipídeos, metais, enzimas biogênicas, etc.
Alguns peptídeos: FPB (Fator potencializador de bradicinina) -
Após estudos de modificação baseado em QSAR, chegou-se
na molécula de captopril.
Bothropstoxina 1: Miotoxina de ação pós sináptica semelhante
à Fosfolipase A2
Exemplos são as jararacas, urutu, caiçara entre outros.
→ Aspectos clínicos:
● As manifestações incluem edema local firme, dor
local moderada;
● Na evolução do quadro, podem aparecer púrpuras,
vesículas, bolhas e necrose de partes moles
● Em casos graves, pode ocorrer choque (bradicinina e
histamina)
● Frequentemente há aumento do tempo de
coagulação e tempo de tromboplastina parcial, e
insuficiência renal aguda (necrose cortical)
CROTALUS
Existem 6 variedades, se tratando de serpentes que ocupam
terras secas e ligeiramente elevadas (campos), não sendo
comuns no litoral. Distribuem-se amplamente pelo território
nacional.
São identificadas pela presença de guizo ou chocalho na
extremidade caudal
Os acidentes são de menor frequência que os botrópicos (9%
dos acidentes)
Veneno de efeito neurotóxico e miotóxico (efeito sistêmico). A
peçonha crotálica é um complexo tóxico-enzimático cujos
efeitos biológicos variam nas diferentes espécies animais
(peptídeos, enzimas e toxinas).
Ação miotóxica sistêmica, com lise e necrose de fibras
musculares com liberação de enzimas e detecção de
mioglobina livre na urina (mioglobinúria), o que pode causar
insuficiência renal aguda. Esta insuficiência renal gera em
acúmulo de uréia que tem efeito sistêmico alterando a
consciência do indivíduo.
Ação neurotóxica por agirem na membrana pré-sináptica da
junção neuro-muscular, impedindo a liberação da acetilcolina.
→ Aspectos clínicos gerais:
● Mal-estar, náuseas, sudorese, prostração, sonolência
● Local da picada podetrazer marcas das presas ou
escoriações, edema discreto, sem dor ou de pequena
intensidade, geralmente com sensação parestésica
(local ou regional, persistente por dias ou semanas)
● Sintomas:
○ dificuldade em abrir os olhos
○ visão dupla e pálpebras caldas
○ dor muscular generalizada
○ urina escura/avermelhada
LACHESIS
Existem 2 variedades no território nacional presentes na Mata
Atlântica e na Floresta Amazônica (habita florestas densas).
Veneno de efeito semelhante ao do gênero Bothrops
(coagulante e necrosante - local), com provável acréscimo de
fração neurotóxica
Como exemplo, tem-se a surucucu, uma cobra muito grande e
mais agressiva que as outras (persegue a presa; não foge do
predador)
São acidentes raros (2,1% dos casos no Acre, em 2002)
→ Aspectos clínicos
● Local: dor e edema na região da picada, vesículas e
bolhas de conteúdo seroso ou soro-hemorrágico,
complicações locais semelhantes ao acidente
botrópico
● Hematológico: consumo de protrombina e
fibrinogênio → incoagulabilidade, manifestações
limitam-se, em geral, ao local da picada
● Neurotóxico: distingue o acidente laquético do
botrópico, com fenômenos compatíveis com
distúrbios do SN autônomo parassimpático →
hipotensão arterial grave (poucos minutos após),
tonturas, escurecimento de visão, além de
bradicardia, cólicas abdominais, diarréia → choque,
bradicardia grave, óbito
Local, necrosante e anticoagulante e pequena fração
neurotóxica
MICRURUS
Existem 31 variedades em todo o país. Provocam acidentes
mais graves, embora raros (0,5% dos casos)
Veneno de efeito curariforme (paralisia). A peçonha é
constituída por neurotoxinas que atuam nas junções
neuromusculares, com ação tanto pré como pós-sináptica,
dependendo da espécie considerada.
A neurotoxicidade é periférica, produzindo bloqueio na
transmissão neuromuscular→ paralisia
Exemplo é a coral-verdadeira. A diferença entre uma coral
verdadeira e a falsa é a presa, que difere em posição. Na
verdadeira, está na frente, e na falsa está para trás (não
alcança a presa).
→ Aspectos clínicos
● Geralmente sem sintomas locais (leve formigamento,
às vezes)
● O efeito neurotóxico manifesta-se por sensação de
constrição da laringe, dificuldade para engolir e fala,
salivação abundante e perturbações visuais (ptose
palpebral e diplopia)
● A paralisia dos músculos respiratórios leva à asfixia e
óbito.
CUIDADOS NOS ACIDENTES OFÍDICOS
● Lave o local da picada de preferência com água e
sabão
● Mantenha a vítima deitada. Evite que ela se
movimente para não favorecer a distribuição do
veneno
● Se a picada for na perna ou no braço, mantenha-os
em posição mais elevada
● Não faça torniquete. Impedindo a circulação do
sangue, você pode causar gangrena ou necrose
● Não fure, não corte, não queima, não esprema, não
faça sucção no local da ferida e nem aplique folhas,
pó de café ou terra sobre ela para não provocar
infecção
● Não dê à vítima pinga, querosene ou fumo, como é
costume em algumas regiões do país
● Leve a vítima imediatamente ao serviço de saúde
mais próximo, para que possa receber o soro em
tempo
● Leve, se possível, o animal agressor, mesmo morto,
para facilitar o diagnóstico.
● Lembre-se: nenhum remédio caseiro substitui o soro
anti-peçonhento.
● Se houver dúvidas, a vítima deve permanecer
hospitalizada por pelo menos 24 horas
● Controlar sinais vitais e volume urinário
● Coletar material biológico para exames laboratoriais
antes da soroterapia, desde que não signifique o
retardo da mesma.
SOROS ANTI-OFÍDICOS
● Antibotrópico, usado em casos de envenenamento
por jararacas (gênero Bothrops)
● Anticrotálico, usado em casos de envenenamento
por cascavel (Gênero Crotalus)
● Antilaquético, usado em casos de envenenamento
por surucucu (Gênero Lachesis)
● Antielapídico, usado em casos de envenenamento
por corais (Gênero Micrurus) do grupo dos Elapídeos
● Antibotrópico/ Crotálico (antigo antiofídico), para os
casos de picadas por jararacas ou cascavéis
● Antibotrópico/Laquético, para as picadas por
jararacas e surucucus.
Araneísm�
São 3 gêneros de importância médica no Brasil:
● Phoneutria
● Loxosceles
● Latrodectus
Alimentam-se principalmente de insetos e apenas 20 a 30
espécies têm importância médica por serem peçonhentas
PHONEUTRIA
Foneutrismo→ acidente com phoneutria
Os acidentes causados pela Phoneutria sp (aranha armadeira)
representam a forma de araneísmo mais comumente
observada no país.
→ Aspectos clínicos
● A picada resulta em dor local intensa,
frequentemente imediata, edema discreto, eritema e
sudorese local, parestesia e fasciculação muscular
● Pode ocorrer óbito em acidentes graves (raros), após
hipotensão arterial, insuficiência cardíaca, choque,
graus variáveis de depressão neurológica, inclusive
coma.
LOXOSCELES
Loxoscelismo (aranha marrom)
Conhecida como aranha marrom, é encontrada com facilidade
nas residências, atrás de quadros, armários, no meio de livros,
caixas de papelão e outros objetos pouco remexidos.
→ Aspectos clínicos
● Forma cutânea: é a mais comum, caracterizando-se
pelo aparecimento de lesão inflamatória no ponto da
picada, que evolui para necrose e ulceração
● Forma cutâneo-visceral: além de lesão cutânea, os
pacientes evoluem com anemia, icterícia
cutâneo-mucosa, hemoglobinúria
● A insuficiência renal aguda é a complicação mais
temida (maior causa de óbito)
LATRODECTUS
Lactrodectismo: viúva negra
→ Aspectos clínicos
Quadro clínico caracterizado por dor local intensa,
eventualmente irradiada. Alterações sistêmicas como
sudorese, mialgia (evolui para cãibras), contraturas
musculares, agitação psicomotora de intensidade variável,
hipertensão arterial e choque são registradas
A caranguejeira, apesar de seu aspecto assustador, não
possui veneno. Sua picada causa alguma dor e pode ser
complicada por reações alérgicas - em geral,
desencadeadas pelo contato com seus pelos.
A aranha de jardim (Lycosa) possui pouco veneno e sua
picada ocasiona apenas dor local, que cede com
analgésicos comuns
SOROS
O soro Antiaracnídico é utilizado nos acidentes causados por
aranhas dos gêneros Loxosceles e Phoneutria
O soro Antiloxoscélico é utilizado nos acidentes causados por
aranhas dos gêneros Loxosceles
O Soro antilatrodéctico (importado da argentina) é utilizado
nos acidentes causados por aranhas dos gêneros Latrodectus
Os acidentes por Phoneutria aumentam significativamente no
início da estação fria (abril/maio), enquanto os casos de
loxoscelismo sofrem incremento nos meses quentes do ano
(outubro/ março)
Escorpionism�
Os escorpiões possuem uma quantidade muito pequena de
veneno na glândula, mas de grande atividade tóxica. A maior
parte dos acidentes em adultos é benigna, mas em crianças e
idosos é quase sempre fatal, se não forem tomadas as
devidas providências em curto espaço de tempo.
O veneno é rapidamente absorvido pela pele e músculos,
deslocando-se para o sangue, rins, pulmão e sistema nervoso.
A maior ação ocorre no sistema nervoso, com efeitos locais e
sistêmicos.
→ Aspectos clínicos:
O envenenamento por estes animais causa dor local intensa,
que se irradia por todo o corpo, podendo ainda ocorrer
inchaço e vermelhidão leves no local da picada. A dor causada
se torna tão intensa que o paciente entra em choque
neurogênico, o que pode levá-lo à morte.
No mundo todo, existem aproximadamente 1400 espécies de
escorpiões até hoje descritas. No Brasil, há cerca de 75
espécies amplamente distribuídas por todo o país, sendo que
o gênero Tityus é o mais rico em espécies, representando
cerca de 60% da fauna escorpiônica neotropical
TITYUS SERRULATUS
Também chamado escorpião amarelo, pode atingir até 7cm
de comprimento. Apresenta o tronco escuro, patas, pedipalpos
e causa amarelos, sendo esta serrilhada no lado dorsal.
Considerado o mais venenoso da América do Sul, é o
escorpião causador de acidentes graves, principalmente em
Minas Gerais.
TITYUS BAHIENSIS
Apresenta colorido geral marrom-escuro, às vezes
marrom-avermelhado, pernas amarelas com manchas
escuras.
Possui fêmures e tíbias do pedipalmes com manchasescuras
TITYUS STIGMURUS
Apresenta colorido geralmente amarelo-claro com um
triangulo negro na cabeça e uma faixa longitudinal mediana.
ASPECTOS CLÍNICOS
Manifestações locais: caracterizam-se fundamentalmente por
dor no local da picada, às vezes irradiada, sem alterações do
estado geral
Manifestações sistêmicas: menos frequentes. Além da dor
local, alterações sistêmicas como hiper ou hipotensão arterial,
arritmias cardíacas, tremores, agitação psicomotora,
arritmias respiratórias, vômitos e diarréia. O edema pulmonar
agudo é a complicação mais temida.
A gravidade no escorpionismo depende de fatores como a
espécie e tamanho do escorpião causador do acidente, da
massa corporal do acidentado, da sensibilidade do paciente
ao veneno, da quantidade de veneno inoculado e do retardo
no atendimento
SORO ANTIESCORPIÔNICO
O uso do soro antiescorpiônico (SAEs) deve seguir as mesmas
orientações do uso de outros soros heterólogos
Acidentes leves: dor local, às vezes com parestesia; não
administrar soro antiescorpiônico (SAEs). Observar o paciente
por 6 a 12 horas
Acidentes moderados: dor local intensa, manifestações
sistêmicas como sudorese discreta, náuseas, vômitos
ocasionais, taquicardia, taquipnéia e hipertensão leve;
administrar 2 a 3 ampolas de SAEs IV.
Acidentes graves: além dos sinais e sintomas já mencionados,
apresentam uma ou mais manifestações como sudorese
profusa, vômitos incoercíveis, salivação excessiva, alternância
entre agitação e prostração, bradicardia, insuficiência
cardíaca, edema pulmonar, choque, convulsões coma, vômitos
profusos incoercíveis preconizam gravidade; administrat 4 a 6
ampolas de SAEs IV.
Planta� T�ica�
Introduçã�
Conceito: são plantas que pela inalação, ingestão ou contato
podem causar efeitos lesivos ou distúrbios no organismo dos
homens e dos animais, podendo levar a morte (raro)
60% dos casos de intoxicação por plantas são em crianças
Interesse em diversas áreas:
● Intoxicação aguda → ingestão acidental por
crianças e animais
● Intoxicação crônica, acidental ou proposital →
distúrbios mais graves
● Uso como alucinógeno ou entorpecentes
● Intoxicação ocupacional
Dificuldades no atendimento médico:
● Grande número de espécies
● Profissionais da saúde sem conhecimento de
botânica
● Proximidade entre os efeito medicinais e tóxicos;
● Nomes populares→ variações regionais
Plant� � Efeit� T�ic�
LESÃO DA MUCOSA
01. Ráfides de Oxalato de cálcio
● Maiores causas de acidentes
● Toxicidade em todas as suas partes, particularmente
no caule, folhas e látex contendo oxalato de cálcio
● Ação/ Lesão mecânica: liberação de enzimas e
ácido oxálico
● Em algumas plantas, as ráfides são envoltas por uma
cápsula, mas estas podem se romper.
● Ex: copo de leite, lírio da paz, azedinha, trevo
comigo-ninguém-pode, costela de adão
● Manifestações clínicas:
○ Ingestão: salivação, dor em queimação,
edema de cavidade oral, faringe e glote,
disfagia, náuseas e vômitos. Grande edema
pode provocar impossibilidade de fala
○ Cutâneo: Dermatite de contato
○ Ocular: Edema, fotofobia e lacrimejamento
02. Látex tóxico ou irritante
● Ação direta de substâncias químicas da planta,
principalmente enzimas
● Início dos sintomas logo após o contato com a
planta
● Ex: coroa-de-cristo, espirradeira, avelós, bico de
papagaio, chapéu de Napoleão
● Manifestações clínicas:
○ Ingestão: secreção abundante de saliva,
dificuldade de deglutição, dor e queimação
da mucosa oral, língua e lábios, edema da
cavidade oral, faringe e glote
○ Cutâneo: dermatite de contato
○ Ocular: edema, fotofobia e lacrimejamento.
Pode haver ulceração de córnea
● Tratamento
○ Ingestão: esvaziamento gástrico; usar
demulcente
○ Cutâneo: lavar com água corrente
○ Ocular: lavar com água corrente ou solução
fisiológica; encaminhar ao oftalmologista
se necessário
IRRITAÇÃO CUTÂNEA
01. Trauma mecânico
● Espinhos, pelos, espículas, ráfides de oxalato de
cálcio
● Tratamento: retirar fragmentos, limpeza local,
compressas frias
02. Sensibilização alérgica
● Síntomas: dermatite alérgica, prurido, eritema,
edema, vesículas, bolhas
● Tratamento: anti histamínicos e corticoides
03. Fitofotodermatose
● Sensibilização da pele pela planta associada à
radiação ultravioleta
● Sintomas: dermatite aguda (eritema, vesículas e
bolhas) surge horas após exposição solar
● Bergapteno - A substância absorve grande
quantidade de radiação solar, o que provoca
inflamações na pele: manchas
● Furano-cumarina
DISTÚRBIOS GASTROINTESTINAIS
01. Toxoalbuminas
a. Ricina
● Presente namamona
● Mecanismo de ação: inibidora de ribossomos do tipo
II, bloqueando a síntese de proteínas pelo organismo
● Ação: mastigação e à quantidade ingerida
● Absorção rápida
● Dose letal: 0,06 - 0,18 g→ morte: 1-2 sementes
● Sintomas da intoxicação por mamona: depende da
dose e via de introdução
○ distúrbios hidroeletrolíticos
○ morte agonizante e longa
● Não existe antídoto para a mamona. Tratamento é
realizado com auxílio médico: manter a respiração,
administração de líquidos por via intravenosa e
medicamentos para tratar o inchaço
b. Abrina
● Presente no Jequiriti, junto com ácido ábrico
● Sintomas: gastroenterite severas (vômitos e diarreias
intensas), distúrbios hidroeletrolíticos, alucinações
● Mecanismo de ação: irritação da mucosa TGI e
hemaglutinante
● Potencialmente fatal → ½ - 2 sementes podem levar
à morte (poucos mg)
DISTÚRBIOS NEUROLÓGICOS
Alcalóides
● Princípio ativo: alcalóides beladonadas
● Presentes em quase toda a planta, sendo a
concentração maior nas sementes
● Ex: Saia Branca e Saia Roxa
● Mecanismo de ação: inibição da acetilcolina nos
receptores do sistema nervoso autônomo
(propriedades anticolinérgicas)
● Manifestações clínicas: pele quente e seca, mucosa
secas, rubor da face, pupilas dilatadas, taquicardia,
retenção urinária, distúrbios do comportamento,
agitação psicomotora, confusão mental e
alucinações
● Essas propriedades tóxicas dos vegetais
beladonados são decorrentes da presença de vários
alcalóides, entre os quais a daturina, uma mistura de
hiosciamina e escopolamina e atropina
DISTÚRBIOS CARDÍACOS
● Princípio ativo: glicosídeos cardiotônicos
○ Qualquer parte da planta é tóxica, desde as
flores até a raiz
● Mecanismo de ação: inibição da bomba
Na-K-ATPase. Aumenta cálcio intracelular - aumenta
a força de contração do miocárdio
● Manifestações clínicas:
○ Distúrbios gastrointestinais, como náuseas,
vômitos, cólicas abdominais e diarréia
muco-sanguinolenta.
○ Posteriormente aparecem manifestações
cardíacas, semelhantes às observadas na
intoxicação digitálica
○ Distúrbios do ritmo são comuns: bloqueios,
extra-sístoles, taquicardia, fibrilação atrial
ou ventricular = parada cardíaca
○ Ex: Espirradeira, Dedal de dama
PLANTAS ABORTIVAS
01. Canela
● Doses excessivas produsem irritação das mucosas e
hematúria podendo, também, levar ao aborto nos
períodos iniciais da gravidez
02. Alecrim
● Apesar de pouco tóxico, a ingestão de grandes
quantidades das folhas podem provocar sono,
gastrenterite, hematuria, irritabilidade. Uso interno
em altas doses pode ser abortivo
03. Arruda
● Irritante e narcótico. Ação direta e rápida sobre
estômago, duodeno e útero. Tanto por via oral
quanto por via tópica podem provocar hemorragia
uterina
Animai� doméstic�
● O problema ameaça principalmente cães e gatos,
que podem ingerir plantas tóxicas por disfunções
digestivas, deficiências alimentares, distúrbios
comportamentais ou simplesmente por puro tédio
● Sintomas observados: agitação, sonolência,
salivação intensa, vômitos, náuseas, dor abdominal,
hemorragias, tremores, falta de apetite, dificuldades
respiratórias, alteração do ritmo cardíaco
● De acordo com a planta ingerida, os sintomas podem
se agravar em caso de indução de vômitos do
animal, devido a irritação que algumas plantas
podem causar à mucosa oral e esôfago.
● Medidas adotadas:
○ Não permita que comam plantas ou
qualquer tipo de grama durante passeios
○ Cuidado ao podar as plantas que eliminam
látex e evite deixar galhos em local onde o
animaltenha acesso
○ Em caso de suspeita de intoxicação:
verifique se há plantas arrancadas ou
destruídas no ambiente.
Prevençã�
● Mantenha as plantas venenosas fora do alcance das
crianças
● Conheça as plantas venenosas existentes em sua
casa e arredores
● Ensine as crianças a não colocar plantas na boca e
não utilizá-las como brinquedos
● Não prepare remédios ou chás caseiros com plantas
sem orientação médica
● Não coma folhas, frutos e raízes desconhecidas
● Tome cuidado ao podar as plantas que liberam látex
provocando irritação na pele e principalmente nos
olhos
● Quando realizar serviços de jardinagem, use luvas,
óculos, chapéu, camisa de manga longa, tesoura de
poda e pazinha
● Não confiar em pequenos animais ou pássaros para
saber se a planta é tóxica
● Em caso de acidente, procure imediatamente
orientação médica e guarde a planta para
identificação
● Em caso de dúvida, ligue para o Centro de
Intoxicação de sua região
Tratament� gerai�
● Diminuição da exposição do organismo ao t´xico
● Aumento da eliminação do tóxico já absorvido
● Administração de antídotos
● Tratamento geral e sintomático
Ecot�icologi�
Introduçã�
O último lugar que o agente tóxico chega é sempre a água
Após a Segunda Guerra Mundial, houve uma crescente
preocupação sobre os impactos do descarte de materiais
tóxicos no meio ambiente. Essa preocupação levou cientistas
a expandir a toxicologia do estudo de impactos no homem
para o estudo de impactos no meio ambiente. Esse campo de
estudos se tornou conhecido como Toxicologia Ambiental.
● Toxicologia ambiental: Estudos dos efeitos adversos
dos poluentes no meio ambiente e em organismos
individuais
● Ecotoxicologia: área especializada da Toxicologia
Ambiental que estuda os impactos das substâncias
químicas na dinâmica de populações em um
ecossistema (conjunto dos relacionamentos que os
organismos vivos e o ambiente mantêm entre si, em
harmonia).
○ Biosfera, Ecossistema, comunidades,
populações, organismos
(Na disciplina) Toxicologia ambiental = Ecotoxicologia
PARÂMETROS
● A saúde da população depende da saúde do
indivíduo e da saúde de outros organismos da
comunidade
○ De forma que a contaminação vai sendo
passada adiante, de espécie para espécie,
ambiente para ambiente, etc
Objetivos da Ecotoxicologia: caracterização, entendimento e
prognóstico dos efeitos deletérios de produtos químicos,
isolados ou em misturas, produzidos pelo ser humano no meio
ambiente.
Entrada no meio ambiente (da mesma forma que acontece no
nosso corpo, acontece com o meio ambiente) → Emissão de
contaminantes através de fontes pontuais (indústrias) e não
pontuais
Destino e comportamento dos químicos → Movimentação
naquele local, sendo degradada ou não. O contaminante pode
ir para a atmosfera, hidrosfera ou litosfera, sendo que em
cada um destes, vai ocorrer processos físicos, químicos e
biológicos (biotransformação que ocorre no nosso corpo).
Efeitos sobre a biosfera → organismos, populações,
comunidades e ecossistemas vão sofrer com a presença
daquele contaminante
Contaminante�
Agentes tóxicos são classificados como:
● De origem antropogênica;
○ Decorrentes da atividade humana,
industriais , de exploração..
○ São os que mais impactam na natureza:
● De origem natural.
○ Atividade vulcânica, incêndios florestais…
Movimentaçã� d� Agent� T�ic�
Distribuição, bioacumulação (bioconcentração e
biomagnificação)
01. Distribuição:
Local onde se encontra determinado poluente (organismo,
água, ar, solo); localização final de uma SQ em um organismo
após sua dispersão no meio
02. Bioacumulação: Mais geral, está relacionado ao
acúmulo (Ex: DDT em tecidos gordurosos). Ou seja,
forma como vai se acumular
Apresenta relação com a absorção (via e velocidade) e com
a eliminação, hidrofobicidade, fatores ambientais, físicos e
biológicos.
● Taxa de absorção e eliminação rápida → ideal. Mas
se a taxa de absorção e eliminação são diferentes,
de forma que se absorve muito rápido e não
consegue eliminar, tem-se a bioacumulação do
agente tóxico dentro do organismos→ problema
Bioacumulação pode ser:
● Bioconcentração (forma direta): Bioacumulada no
meio ambiente e entra no organismo (ex: AG tóxico
presente na água entrando nos peixes)
○ Fator de concentração = Concentração da
SQ em um organismo/ Concentração da SQ
no ambiente que o circunda
● Biomagnificação (forma indireta): substância
química entra no organismo do animal pequeno via
bioconcentração e, posteriormente, algum predador
come esse peixe. Em seguida, o homem vai ao
mercado comprar o peixe maior, de forma que o
agente tóxico se acumula no ser humano.
○ Vai aumentando a concentração à medida
que vai aumentando o nível trófico da
cadeia alimentar. Isso porque, a taxa de
absorção será diferente da taxa de
eliminação. Dessa forma, como tem um
prazo prolongado para eliminação e
come-se animais contaminados diversas
vezes, vai se acumulando agentes tóxicos
no organismo.
○ DDT (taxa de eliminação muito longa)
Transportes através do meio ambiente
01. Transporte no meio aquoso
Nas águas superficiais: contaminantes na forma de solução
(hidrofílico - transporte mais eficiente na água) ou suspensão
(hidrofóbico)
Distância percorrida pelo contaminante depende: estabilidade
química, estado físico e fluxo do corpo d’água, densidades
(contaminação com petróleo: fração mais leve atinge ou
permanece na superfície e a fração mais pesada se
sedimenta).
Substâncias hidrofílicas se distribuem ao longo da superfície
configurando as soluções; e substâncias lipofílicas se
associam ao material particulado, formando a suspensão, a
qual pode precipitar, se acumulando no sedimento de rios,
lagos e mares: geralmente formado por compostos orgânicos
adsorvidos em partículas
02. Transporte na atmosfera
Depende:
● do estado físico
● da movimentação das massas de ar.
Processos de remoção do ar:
● deposição seca
● deposição úmida (quando se tem a presença de
chuva)
● reações químicas (ex: fotólise)
03. Transporte no solo
● Compartimento de porosidade variada (preenchido
por gases e líquidos).
● Movimentação por difusão por intermédio dos
fluidos.
● Velocidade de difusão depende:
○ peso molecular;
○ concentração da SQ;
○ pH e constituintes do solo
Degradaçã� d� Agent� T�ic�
Degradação das substâncias químicas nos diversos
compartimentos ambientais
Decomposição de moléculas orgânicas em moléculas
menores. Tem influência direta na toxicidade (aumentando ou
diminuindo).
01. Degradação abiótica
● Químicas (hidrólise e reações de oxi-redução).
● Fotólise: direta; indireta.
● Adsorção/complexação com constituintes orgânicos
02. Degradação biótica (biodegradação)
Necessita de um organismo para realizar a degradação.
Mecanismo mais importante para orgânicos. Resulta em CO2,
H2O e biomassa microbiana. Pode ser aeróbia ou anaeróbia.
Variáveis influentes:
● Temperatura.
● pH.
● Concentração do contaminante.
● Concentração de microorganismos viáveis.
● Tempo de adaptação (entre a exposição e o início da
degradação).
● Presença de nutrientes para o crescimento
microbiano.
● Teor de água.
Mecanismos de Degradação Molecular
● Monoxigenases = principal sistema (Ex: hidroxilação,
desaminação, formação de epóxido, desalquilação
● Metilação = dimunição da solubilidade dos poluentes
em água
● Conjugação com glutationa = indução
(hidrocarbonetos policíclicos) pode modular a
toxicidade de poluentes
Efeit� sobr� organism� �p�t�
Qua estratégia dos organismos (resistência) frente às
adversidades do ambiente? Percepção, Sinalização e
Resposta (proteção)
● Mudança no balanço entre as espécies coexistentes
(alteração na biodiversidade)
○ Efeitos visíveis dessas mudanças-
possibilidade de reversão?
● Efeitos agudos
● Efeitos crônicos
○ Fatores intrínsecos (característica da
espécie), extrínsecos (fatores ambientais,
alteração da disponibilidade do poluente e
tolerância dos organismos)
Avaliaçã� d� risc�
Geralmente baseia-se em um modelo experimental
O aceptor final do agente tóxico é sempre a água, de forma
que os animais marinhos são os mais afetados- zooplâncton,
bactérias, crustáceos (artêmia) peixes pequenos, peixes
grandes, etc (utilizados para modelos experimentais por essa
razão)
EXEMPLOS DE TESTES
● Monitoramento da água: deposição de chumbo em
peixes (alterações morfológicas no fígado)
● Monitoramento da qualidade do ar: efeito do fluoreto
em plantas de Dracena
● Monitoramento da qualidade do solo: plantas de
girassol em solo com diferentes concentrações de
chumbo
Praguicida� � Agrot�ic�
Definiçã�
O termo agrotóxico passou a ser utilizado no Brasil, ao invés
de defensivo agrícola, para denominar os venenos agrícolas,
colocando em evidência a toxicidade desses produtos ao meio
ambiente e à saúde humana.
Os agrotóxicos podem ser definidos como quaisquer produtos
de natureza biológica, física ou química que tem a finalidade
de exterminar pragas ou doenças que ataquem as culturas
agrícolas.
�nalidad�
Principais objetivos da utilização de praguicida:
● Aumento da produção agrícola
● Melhoria da saúde pública
Classificaçã�
Os praguicidas são classificados em:
● Inseticidas: combatem insetos em geral
● Fungicidas: atingem os fungos
● Herbicidas: matam as plantas invasoras ou daninhas
● Raticidas
QUANTO À FINALIDADE
● Ovicidas: atingem os ovos dos insetos
● Larvicidas: atacam as larvas
● Acaricidas: específicos para ácaros
● Formicidas: atacam formigas
QUANTO À MANEIRA DE AGIR
● Através da ingestão: a praga deve ingerir a planta
com o produto
● Microbiano: o produto contém microrganismo que
atacarão a praga ou o agente causador da doença
● Por contato: ao tocar o corpo da praga o produto já
faz efeito.
QUANTO À ORIGEM
● Orgânico: natural
● Inorgânicos: sintéticos
Aspect� Históric�
● Avanço agrícola X produtividade: necessidade de
produzir mais alimento com o aumento da população
● Liberação do uso de pesticidas sem o prévio estudo
dos impactos ambientais
● Séc XVII: extratos aquosos de folhas de tabaco
(nicotina) como inseticidae semento da nóz vómica
(estricnina) como rodenticida
● Séc XVIII: compostos de cobre como fungicida
● Séc XIX: utilização do trióxido de arsênio (herbicida),
ácido sulfúrico para destruir plantas dicotiledôneas.
● 1941: DDT, barato e fácil de fazer, aclamado como o
pesticida universal
● Efeitos demoram até 15 anos para se manifestarem
● Guerra do Vietnã (1954 - 1975): uso do “Agente
Laranja” (um herbicida que mata dicotiledônea)
como arma para matar as plantas e facilitar a visão
dos aviões sob as plantas do país.
Int�icaçõe� n� Brasi�
O Brasil é o maior consumidor de agrotóxicos no mundo, de
modo que herbicidas e inseticidas são responsáveis por 60%
dos produtos comercializados no país.
Existe um uso indiscriminado no campo: intoxicação dos
trabalhadores rurais com diferentes graus de severidade, se
posicionando como um grave problema de saúde pública,
principalmente nos países em desenvolvimento.
A OMS estima que ocorram anualmente no mundo cerca de 3
milhões de intoxicações agudas provocadas pela exposição
aos agrotóxicos, causando aproximadamente 220 mil mortes
por ano.
Esses dados refletem apenas parcialmente a realidade do
país, já que, segundo estimativas do Ministério da Saúde, para
cada evento de intoxicação por agrotóxico notificado, existem
outros 50 não identificados.
T�icidad�
Classe 1A: Extremamente tóxico, de modo que algumas gotas
podem matar uma pessoa (vermelho).
Classe 1B: Altamente tóxico, de modo que de uma pitada a
uma colher podem matar uma pessoa (vermelho).
Classe 2: Regularmente tóxico, de modo que uma colher de
chá a duas colheres de sopa podem matar uma pessoa
(amarelo)
Classe 3: Levemente tóxico, de modo que 2 colheres de sopa a
2 copos podem matar uma pessoa (azul).
Classe 4: pouco tóxico, de modo que de 2 copos a 1L podem
matar uma pessoa (verde, geralmente de uso doméstico).
Desde 1985 já estão proibidas a venda e utilização de
agrotóxicos mais nocivos, que ficaram conhecidos
mundialmente como os doze sujos. São eles:
1. DDT
2. os “Drins”: Endrin, Aldrin, Dieldrin
3. Clordano (mistura de heptacloros)
4. Heptacloro
5. Lindano (gama-BHC, hecaclorocicloecano)
6. Paration
7. Os monocrotofós: Azodrin, Nuvacron
8. Aldicarb (Temik), o chumbinho (raticida)
9. Clordimeform: Gelecron, Fundal.
10. O 2-4-3T: O “Agente Laranja”, EDB, DBCP
11. Paraquat
12. Fungicidas à base de mercúrio (metal pesado)
*Em negrito, tem se os organoclorados.
Legislaçã� Brasileir�
Segundo a Lei 7802/89, art 3°, parágrafo 6°, no Brasil, é
proibido o registro de agrotóxicos:
● Para os quais o Brasil não disponha de métodos para
a desativação de seus componentes, de modo a
impedir que os seus resíduos remanescentes
provoquem riscos ao meio ambiente e à saúde
pública
● Para os quais não haja antídoto ou tratamento eficaz
no Brasil
● Que revelem características teratogênicas,
carcinogênicas ou mutagênicas
● Que provoquem distúrbios hormonais e danos ao
aparelho reprodutor
● Que se revelem mais perigosos para o homem do
que os testes de laboratório com animais tenham
podido demonstrar
● Cujas características causem danos ao meio
ambiente.
Na prática, quem fiscaliza o possível uso desses doze sujos é a
ANVISA. Esses produtos tiveram suas monografias excluídas
no Brasil, porém 3 deles - Paraquate, mistura 2-4D e 2,3,5T
(Agente Laranja, EDB e DCB) e o Aldicarb (chumbinho) - ainda
são utilizados e alcançam a população.
Inseticida�
Organofosforados e Carbamatos
São amplamente utilizados no controle e combate de pragas
como inseticidas (agrícola, doméstico e veterinário),
acaricidas), nematicidas, fungicidas e herbicidas na
fruticultura, herbicidas na floricultura, horticultura, cultura de
algodão, cereais, sementes e plantas ornamentais.
Atualmente existem cerca de 200 organofosforados 25
carbamatos no mercado.
→Organofosforados: São ésteres amido derivados de ácido
fosfórico (vermelho - Diclorvós, Fosfamidon), ácido fosfônico
(preto - Triclorfon), Tiofosfato (amarelo - Paration, Malation,
Diazinon e Fenitrotion)
O Gás Sarin é um exemplo de organofosforado, sendo
considerado pela ONU como arma química de destruição em
massa. Ele se degrada depois de um período de várias
semanas a vários meses.
→Carbamatos: Derivados do ácido N-metil-carmbãmico ou
derivados dos ácidos tiocarbamatos e ditiocarbamatos. Como
derivados do ácido N-metil-carbâmico, tem-se o
metil-carbamato (Carbaril), carbamatos fenil substituídos
(propoxur) e os carbamatos cíclicos (carbofuran).
● Toxicocinética
Altamente lipossolúveis, são absorvidas pela pele, inalação ou
ingestão.
Após absorvidos, os organofosforados e seus produtos de
biotransformação e carbamatos são distribuídos por todos os
tecidos.
A biotransformação ocorre principalmente no fígado,
formando produtos menos tóxicos e mais polares.
A eliminação ocorre principalmente pela urina e fezes (80-90%
da dose é eliminada em 48h).
● Toxicodinâmica
Mecanismo de ação: inibição enzimática das esterases,
principalmente a acetilcolinesterase (AchE) - encontrada no
tecido nervoso, na junção neuromuscular e glóbulos
vermelhos), - que hidrolisa a acetilcolina, produzindo colina e
ácido acético. A inibição da AchE leva ao acúmulo de
acetilcolina nas terminações nervosas.
Existe, porém, uma diferença no mecanismo de ação.
→Organofosforados: inibição irreversível da AchE por meio
de uma fosforilação da enzima (ligação covalente que
necessita de uma energia muito grande para quebrá-la, a qual
o corpo não possui)
→Carbamatos: Inibição reversível rápida e espontânea da
AChE e, depois disso, o corpo realiza a hidrólise de
carbamatos, liberando essa enzima.
No corpo, a AchE está presente na via motora somática, via
autônoma parassimpática e simpática e na via simpática da
adrenal. Assim, se essa enzima foi inibida, essas vias se
encontram em problema.
Manifestações clínicas: ocorre em poucos minutos ou até 12h
depois da exposição. A intensidade depende da toxicidade, da
quantidade, da taxa de absorção, da taxa de
biotransformação e de exposições prévias aos inibidores de
AChE.
Inicialmente ocorre uma estimulação da transmissão
colinérgica, seguida da

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