Prévia do material em texto
Introduçã� à T�icologi�: históric� � conceit� importante� Históric� Antigamente (até o séc XIX), a toxocologia era considerada a ciência dos venenos e quem a praticava ou tinha conhecimento sobre era considerado feiticeiro, mago, bruxo ou alquimista. Atualmente = “Ciência que estuda os efeitos nocivos decorrentes das interações de substâncias químicas com o organismo ● Idade antiga → Aspecto médico legal e criminal (Grécia e Roma) ● Idade Média → Aspecto criminal (ex: envenenamento) ● Idade Moderna e contemporânea → aspecto científico Relato mais antigo a respeito da toxicologia → Tratado médico escrito no Egito antigo ● Cerca de 110 páginas em rolo de 20m ● Ali, já tinham descrito a respeito de algumas substâncias venenosas, como ópio, chumbo, venenos animais e plantas tóxicas ● 700 fórmulas mágicas e remédios OBS: Mitridático→ tolerância adquirida Paracelsus: “Todas as coisas são veneno e nada há que não seja um veneno. A dose correta diferencia um remédio de um veneno” Atualmente a toxicologia é uma disciplina que está envolvida em vários aspectos da vida moderna, e é essencial para avaliar a segurança de novas substâncias e registro de novos fármacos. A intoxicação como fenômeno biológico está fundamentada em três elementos básicos: agente tóxico, toxicidade e intoxicação. Conceit� Agentes Tóxicos ou Toxicantes: são substâncias químicas que rompem o equilíbrio orgânico, ou seja, substâncias que provocam alterações na homeostase normal do organismo Toxicidade é a propriedade potencial que as substâncias químicas possuem, em maior ou menor grau, de instalar um estado patológico em consequência de sua introdução e interação com o organismo. Intoxicação é a manifestação (clínica e/ou laboratorial) de efeitos adversos que se revelam num estado patológico ocasionado pela interação de um intoxicante com o organismo. Toxicologia: estuda a intoxicação sobre todos os seus aspectos Camp� � Área� d� T�icologi� Campos da toxicologia: ● Toxicologia Analítica: baseada em identificar, quantificar ou separar substâncias ● Toxicologia Clínica: baseada nas medidas a serem tomadas para desintoxicar o paciente ● Toxicologia Experimental: permeia análises de alimentos, pós graduação, IC. Áreas da Toxicologia: ● Ambiental: ar, água, terra ○ resíduos industriais, derivados do petróleo, praguicidas, substâncias radioativas, etc. ● Ocupacional: trabalhadores em geral, pintores, mineiros, químicos, agricultores, farmacêuticos ○ corantes sintéticos, carvão, silicatos, produtos de laboratórios, etc ● Alimentos: alimentos naturalmente tóxicos (cogumelos), vasilhame ou embalagem que deixam resíduo, toxinfecção, aditivos químicos, etc ● Medicamentos e Cosméticos: erro de produto, frasco, fórmula, componente, hiperdosagem, interação, intolerância ● Social: de grande impacto para a sociedade; Drogas Contat� d� agente� int�icante� co� � organism� Fonte poluidora ● Principais áreas de contato: ○ aparelho respiratório ○ aparelho digestivo ○ pele e mucosas externas Fase� d� Int�icaçã� 01. Exposição Relacionada às vias de introdução e com o intoxicante (disponibilidade química) 02. Toxicocinética Envolve os processos de absorção, biotransformação, distribuição e eliminação do agente tóxico. Diretamente relacionada com a toxicodinâmica O que o organismo faz com a substância tóxica 03. Toxicodinâmica É a natureza da ação; O que a substância tóxica faz com o organismo. Juntamente com a toxicocinética, vão ditar a toxicidade da substância (potencial de causar um efeito fisiológico) 04. Clínica Sinais e sintomas clínicos resultante da interação entre a substância tóxica com o organismo→ intoxicação Int�icaçã� quant� a� efeit�: 01. Intoxicação aguda Estado normal de saúde → contato com a substância tóxica apenas uma vez→ queda gradual da saúde e surgimento dos sintomas patológicos → fim do contato com a substância → recuperação progressiva da saúde → estado normal de saúde ou surgimento de alguma sequela. Efeito agudo do Etanol: impacto no TGI 02. Intoxicação crônica Estado normal de saúde → contato progressivo com a substância tóxica → progressivos “déficits” de saúde por continuação do contato com a substância tóxica → surgimento dos sintomas patológicos → fim do contato com a substância → recuperação progressiva da saúde → estado normal de saúde ou surgimento de alguma sequela. Efeito crônico do Etanol: hepatite → os efeitos em relação a intoxicação aguda são diferentes!!! 03. Intoxicação recidivante Diversas intoxicações agudas sequencialmente. Gera recuperação com sequelas. O estado de saúde vai diminuindo com o passar do tempo devido às diversas intoxicações. T�icocinétic� Introduçã� É o estudo da relação entre a quantidade de um agente tóxico que atua sobre o organismo e a concentração dele no plasma, relacionando os processos de absorção, distribuição e eliminação do agente, em função do tempo Inclui todos os processos envolvidos na relação entre a disponibilidade química e a concentração do agente tóxico que foi absorvido, alcançando os diversos compartimentos do organismo, desde o central até o mais periférico. Estuda a relação entre a quantidade de um agente tóxico que atua sobre um organismo e a concentração dele no plasma, envolvendo absorção, distribuição, biotransformação e excreção ELement� básic� d� int�icaçã� Um agente tóxico tem várias portas de entrada no organismo e vários caminhos que vai percorrer dentro dele. Portas de entrada: ● Via gástrica (entrando pela via oral) ● Via pulmonar (entrando pelo nariz) ● Via dérmica (entrando pela pele) ● Inserção direta do agente tóxico no sangue O sangue é o compartimento principal onde as substâncias vão chegar e, a partir dele, o agente tóxico é distribuído para outros locais. Ele pode ir para: ● depósitos, como o tecido adiposo ● rins, sendo excretado na urina ● voltar para os pulmões Se o agente tóxico circular o suficiente para atingir um sítio de ação, vai ocorrer a intoxicação, gerando sinais e sintomas. Se ele for para um sítio de armazenamento, ainda se tem a chance de ser intoxicado. Se ele for excretado, não tem essa chance. A dose vai indicar se é um agente tóxico ou não Transport� atravé� d� membrana� As membranas têm uma característica hidrofílica em ambos os lados da membrana e uma característica lipofílica no interior da membrana, além de proteínas incrustadas entre ela e demais componentes. Elas funcionam como barreira para a passagem de substâncias através dos compartimentos do corpo. FATORES RELACIONADOS COM O AGENTE TÓXICO Existem alguns fatores relacionados com o Agente tóxico que ditam a capacidade desse agente de atravessar as membranas: 01. Hidrossolubilidade e Lipossolubilidade: Conferida por grupamentos que permitem a formação de pontes de hidrogênio com a molécula de água quando em solução Grupos funcionais que: ● Aumentam as propriedades hidrofílicas: -OH, -COOH, -NH2, -SO2H, SO2,NH2 ● Diminuem as propriedades hidrofílicas: -COOCH3, -CONH2, -OCH3 Ex.: Morfina (hidrofílica) e heroína (lipofílica) são semelhantes, porém se diferem em relação ao grupamento hidroxila e um grupamento éster. A Heroína é absorvida mais rápida que a morfina por conter um grupamento éster, sendo assim, apresenta um efeito mais rápido que a morfina, da mesma forma que também acaba mais rápido, dando início ao vício. 02. Coeficiente de partição óleo/água = Quantidade dissolvida em óleo/ quantidade dissolvida em água do mesmo fármaco Quando maior o coeficiente, mais fácil o transporte da substância através da membrana • Filtração: moléculas polares, hidrossolúveis pelo poro aquoso da membrana. • Difusão lipídica: moléculas hidrofóbicas 03. Grau de Ionização: Bases e ácidos fracos (agentes tóxicos) podem estar presentes nas soluções sob a forma ionizada ou não ionizada (geralmente lipossolúvel) O grau de ionização ou de dissociação de um eletrófilo fraco depende de seu pKa (coeficiente de dissociação ácida) e do pH do meio - ionizados: pouca afinidade por lipídios - não-ionizados: maior afinidadedepressão da transmissão e finaliza com a paralisia nas terminações motoras. →Sinais e sintomas da intoxicação aguda: 1. Síndrome colinérgica aguda: manifestações muscarínicas (parassimpáticas) ● Miose, lacrimejamento, fotofobia, visão turva ● Náuseas, vômitos, cólicas abdominais, diarréia, incontinência fecal, incontinência urinária. ● Broncoespasmo, dificuldade respiratória, aumento da secreção brônquica, rinorreia, cianose, edema pulmonar, tosse e dor torácica ● Salivação e sudorese ● bradicardia, hipotensão e raramente fibrilação atrial 2. Manifestações nicotínicas (ganglionares, simpáticas e somatomotoras) ● Fasciculações musculares, tremores, câimbras, fraqueza, ausência de reflexos e paralisia muscular ● Hipertensão, taquicardia, palidez e hiperglicemia. 3. Manifestação no SNC ● Inquietação, instabilidade emocional, cefaléia, tremores, sonolência, confusão mental, marcha incoordenada, fraqueza generalizada, depressão do centro respiratório, hipotonia, hiporreflexia, convulsões e coma. OBS.: Revisar receptores nicotínicos e muscarínicos →Diagnóstico e tratamento ● Medidas gerais: manter a função cardiorrespiratória por meio da manutenção da ventilação adequada através da desobstrução das vias aéreas, aspiração de secreções se necessário ● Exposição dérmica: realizar descontaminação local com água fria e sabão neutro por 20-30 min ● Exposição ocular: lavar com Água e solução salina morna durante 15-20 min ● Ingestão: lavagem gástrica até 4-6h após, entubando o paciente, não provocar vômito, uso de carvão ativado, laxantes com sulfato de sódio ou hidróxido de magnésio´. Administra-se Diazepam EV para controle de convulsões, bicarbonato EV, controle hidroeletrolítico e avaliar as funções renais e hepáticas e, enfim, o socorrista deve se proteger com luvas e avental de borracha durante a descontaminação do paciente, feita em local ventilado →Antagonistas/Antídotos ● Sulfato de atropina: bloqueia os efeitos da Ach nos receptores muscarínicos ● Pralidoxima (contrathion): reativa a AchE (24-48h) e não deve ser usado na intoxicação por carbamatos (já que é uma inibição reversível). ● Esses 2 fármacos associados produzem efeitos sinérgicos ● Prognóstico: morte usualmente por insuficiência respiratória devido à fraqueza muscular e depressão respiratória do SNC →Diagnóstico laboratorial ● Medida da atividade da colinesterase plasmática (pseudocolinesterase) e eritrocitária ● Eletromiografia ● Hemograma, eletrólitos, gasometria arterial, ureia, creatinina Organoclorados Uso progressivamente reprimido ou proibido devido à sua lenta degradação, gerando acúmulo no meio ambiente. Podem persistir até 30 anos no solo, contaminando o homem pela cadeia alimentar. São insolúveis em água, o que facilita sua absorção pela pele. Por se acumular rapidamente (lipossolubilidade) e ter lenta degradação, apresenta perigo por se acumular na cadeia alimentar e no tecido adiposo humano. O homem demora 8 anos para eliminar a metade da concentração do DDT absorvido. 1. Diclorodifeniltricloroetano (DDT e análogos) 2. Hexaclorociclohexano (lindano 3. Ciclodienos (aldrin, dieldrin, endrin, endossulfano, etc) 4. Toxafeno e compostos relacionados. →Toxicocinética: altamente lipossolúveis, são absorvidos pela pele, inalação ou ingestão. Após absorvido, os organoclorados e seus produtos de biotransformação são distribuídos por todos os tecidos e depositados no tecido adiposo. A biotransformação ocorre principalmente no fígado, são fortes indutores das enzimas hepáticas e a eliminação ocorre principalmente pela bile, urina e fezes. →Toxicodinâmica Mecanismo de ação: são estimulantes do SNC, promovendo a hiperexcitabilidade; atuam nas membranas dos axônios (neurônios) nas enzimas Na-K-ATPases, prolongando a abertura dos canais de sódio e alterando o fluxo de íons (atuam na membrana plasmática e proteína). →Manifestações clínicas: A sintomatologia pode iniciar de 30min a várias horas após a exposição. A intensidade do quadro clínico dependerá da natureza do composto, da via e do grau de exposição e do tipo de diluente utilizado na formulação. Sendo assim, podem causar: ● Náuseas, vômitos, diarreia ● Fraqueza e entorpecimento de extremidades ● Apreensão, excitabilidade, desorientação ● Contrações palpebrais, tremores musculares, convulsões generalizadas, coma, depressão respiratória, acidose, arritmias, morte ● Pneumonite química causada pelos diluente do organoclorado (solventes) →Tratamento Não há antídoto específico. Assim, deve-se fazer assistência respiratória, administrar DIazepam para convulsões, monitorização cardíaca. Para descontaminação, pode-se fazer uma lavagem cutânea e gástrica, avaliação hepática, renal e hematológica. Piretróides São irritantes para os olhos e mucosas, além de hipersensibilizantes que podem corroborar para o desenvolvimento de alergia e asma crônica. Estimulam o SNC pelo canal de sódio, ocasionam lesões no SNP - por desorganizar a bainha de mielina e romperem axônios - e são utilizados na agricultura, na pecuária, no domicílio. →Toxicocinética: são altamente lipossolúveis, o que corrobora para sua distribuição para todos os tecidos Sua metabolização ocorre no plasma e fígado e sua eliminação é feita pelos rins →Toxicodinâmica: é um tóxico seletivo de canais de sódio (prolonga abertura), além de causar paralisia temporária em insetos voadores →Manifestações clínicas ● Dermatite de contato ● Urticária ● Secreção nasal aumentada ● Broncoespasmo ● Irritação ocular, lesão de córnea, ● Intoxicação grave: manifestações neurológicas como hiperexcitabilidade, parestesia e convulsões →Tratamento ● Medidas de descontaminação (pele, gástrica) ● corticóides, broncodialtadores, anti-histamínicos, anticonvulsivantes Fungicida� Utilizados amplamente na indústria, na agricultura, na jardinagem e no ambiente doméstico com vários propósitos: ● Proteção de sementes durante a armazenagem, transporte e germinação ● Proteção de culturas maduras, de mudas, de frutos, de flores, de culturas em geral e de pastagens. ● Proteção de paredes, carpetes e móveis Exemplos: ● Etileno-bis-ditiocarbamatos (Maneb, mancozeb, Dithane, Zineb, Thiran) ● Trifenil estânico (Duter, Brestan, Mertin) ● Captan (Orthocide e Merpan) ● Hexaclorobenzeno Intoxicação por via oral, respiratória e absorção cutânea Efeitos carcinogênicos e mutagênicos Pode determinar parkinsonismo, devido à sua ação do SNC Herbicida� Substitui mão-de-obra na capina, diminuindo o nível de emprego na zona rural Lesões hepáticas, renais e fibrose pulmonar irreversível (gerando insuficiência respiratória e morte) Exemplos: ● Dipiridilos: Paraquat (Gramoxone, Gramocil) ● Glifosato (Round-up, Glifosato, Nortox) ● Pentaclorofenol ● Derivados do ácido Fenoxiacético ○ 2,3 diclorofenoxiacético (Tordon 2,4D) e 2,4,5 triclorofenoxiacético (2,4,5T). Mistura é o agente laranja ● Dinitrofenóis (Dinoseb e DNOC) PARAQUAT (GRAMOXONE) ● Sal de amônia quaternário - Altamente hidrossolúvel (ultrapassa com menos facilidade as membranas) ● Extremamente tóxico se ingerido (ação rápida) ● Ingestão de 10-15ml de solução 20% é fatal ● Adição de odores desagradáveis e substâncias eméticas potentes ● Paraquat é reduzido e interage com o oxigênio dos tecidos, formando os superóxidos que geram radicais livres e danos teciduais → Manifestações clínicas: ● Lesão inicial: irritação grave nas mucosas - desconforto gastrointestinal ● Lesão tardia: o início dos sintomas respiratórios e morte pode ocorrer após vários dias → Tratamento: ● Lavagem gástrica, CA, hemodiálise ou hemoperfusão ● Assistência respiratória ● Não existe antídoto Raticida� Substâncias químicas utilizadas para exterminar ratos e outros tipos de roedores Várias formulações no mercado: ● Inorgânicos: arsênico, tálio, fósforo carbonato de bário, fosfeto de alumínio e Zinco ● Orgânicos: Fluoroacetato de sódio, alfanaftiluréia ● Anticoagulantes ● Estricnina aldicarb (temik) = CHUMBINHO ● Carbamoiloxímicos ● Mecanismo tóxico parecido com os carbamatos: inibereversivelmente a AchE. ● Gera sulfóxidos e sulfonas (produtos de biotransformação) que também inibem a AchE RATICIDAS ANTICOAGULANTES ● Warfarin e análogos: warfarin ● Mais utilizados e envolvidos em intoxicações ● Inibem a síntese da vitamina K no fígado e consequentemente a síntese dos fatores de coagulação dependentes de vitamina K (II, VII, IX, X) → Manifestações clínicas: ● Início é assintomático ● Sintomas poderão aparecer após dias: sangramento de diversos órgãos. Caso de inton severa: choque e coma → Tratamento: ● Esvaziamento gástrico ● Antídoto: vitamina K (kanaion) Prevençã� da� int�icaçõe� ● Guardar inseticidas em armários com chaves, ● Usar equipamentos de proteção ao manipular substâncias tóxicas ● Seguir sempre a orientação de um técnico. Ler o rótulo com atenção, seguindo rigorosamente as instruções do fabricante. ● Abrir as embalagens com cuidado, para evitar respingos, derramamento do produto, ou levantamento de pó. ● Ao preparar e aplicar produtos químicos, utilizar macacão ou camisa de manga comprida, chapéu de abas largas e botas impermeáveis, utilizando também luvas, óculos e máscaras adequadas, de acordo com a recomendação do rótulo ● Não efetuar misturas de produtos ● Não retirar os defensivos de suas embalagens originais. Não aplicar defensivos quando houver ventos fortes. Primeir� socorr� ● Retirar a vítima de intoxicação do local de trabalho. ● Banhar a vítima com água fria e sabão, trocar sua roupa, procurar imediatamente assistência médica, juntamente com o rótulo. ● Em caso de ingestão acidental só provocar vômito com recomendação e instruções constantes no rótulo do produto. ● Em caso de contato com os olhos, lavar em água corrente por 15 minutos. ● Para casos de inalação do produto, levar a pessoa para um local arejado, se houver sinais de intoxicação procurar um médico. ● Em contatos com a pele, lavar as partes atingidas imediatamente com água e sabão em abundância. ● Não dar leite, pois em muitos casos ele agrava o quadro de intoxicação. Os organoclorados absorvem-se com facilidade em presença de leite. Gase� t�ic� Mon�id� d� carbon� ● Gás incolor e inodoro ● Pouco solúvel em água ● Poluente lançado em grandes quantidades a atmosfera urbana ● Peso específico em relação ao ar é 0,967. O CO é pouco menos denso que o ar, alcança elevadas altitudes e se dispersa; o que diminui o seu risco para a população. A taxa de dispersão depende de fatores meteorológicos (direção, velocidade do vento) ● É o produto da queima incompleta de material carbonato ● Fontes naturais (1,95) ○ Atividade vulcânica ○ Oxidação do metano ● Fontes antropogênicas ○ Principal causa de contaminação ambiental pelo CO é a queima de gasolina por veículos automotores (63,8%) ○ Indústrias (9,6%) ○ Cigarro (tabaco e maconha) ○ Queimadas agrícolas (8,3%) ○ Incêndios florestais Combustão ser completa ou incompleta depende da quantidade de oxigênio ● Na completa, precisamos de mais oxigênio (sofrida pela maior parte do combustível) ○ chama azul ● Na incompleta, acontece com menos oxigênio → monóxido de carbono ○ chama amarela ● CO2 pode reagir com o carbono originando CO ○ baixa concentração de O2, como nos altos fornos ○ temperatura elevada (1250 ºC) ● Dissociação do CO2 ○ temperatura acima de 1300 ºC → Causa de intoxicação acidental ● Motores de carro em funcionamento em ambientes fechados ● Queima de gás natural em aquecedores ineficientes ● Causa frequente de intoxicações ocupacionais e domésticas → Disposição no organismo ● Rapidamente absorvido na mucosa respiratória ● Liga-se fortemente à hemoglobina (cerca de 80% do CO absorvido) ● Afinidade pela hemoglobina 200 a 270 vezes maior que o oxigênio → Formação da carboxiemoglobina (COHb) ● Leva a anóxia→ principal efeito tóxico ● CO se liga à forma reduzida do ferro na hemoglobina ● Impede o sangue de transportar oxigênio pelo corpo, impedindo a respiração nos tecidos ● Quanto mais a parte da hemoglobina existente é bloqueada pelo monóxido de carbono, o resultado pode ser a morte ● Entretanto, níveis mais baixos de CO ligado à hemoglobina poderão causar cefaleia, dificuldade visual e alterações cardiovasculares → Biomarcadores de exposição ● CO no ar exalado ● CO no sangue ● Carboxiemoglobina (% de COHb) no sangue ○ mais utilizado ○ prevenção de intoxicações (monitorização biológica) ○ diagnóstico de intoxicações agudas ou fatais → Carboxiemoglobina (% de COHb) ● Não fumantes ○ Valor de referência de até 1% ○ IBMP para exposição ocupacional é 3,5% (índice biológico máximo permitido) → Redução, prevenção e tratamento ● Controle da poluição ○ Fontes móveis: regulagem do carburador para que a combustão seja completa; reatores (catalisadores) na saída dos escapamentos; troca de combustível (gás natural, álcool) ○ Fontes fixas: utilizar reatores catalíticos ● Tratamento ○ Retirar a vítima do local de exposição ○ Transfusão sanguínea, na qual se obtém uma substituição das hemácias comprometidas com o CO ○ Respiração artificial com oxigênio a 100% até a recuperação das condições normais. As condições respiratórias do paciente devem ser cuidadosamente controladas. Se necessário, realizar traqueostomia, aspiração das secreções e administração de antibióticos Be�en� ● Líquido incolor, volátil, inflamável, ponto de ebulição de 80,1ºC, elevada lipossolubilidade, praticamente insolúvel em água → Utilização ● Tem vasta utilização na indústria química como matéria prima para inúmeros compostos (etilbenzeno, estireno, poliestireno, polipropileno, náilon, etc) ● É um subproduto na indústria siderúrgica ● Pode estar presente em solventes e em diversos produtos acabados ● A legislação aceita até 0,1% como contaminante em produto acabado (exceto quando se trata da gasolina) ● É um hidrocarboneto aromático presente no petróleo e no carvão ○ principal preocupação → exposição ocupacional ● Está presente em combustíveis derivados do petróleo ○ a mesma portaria permite até 1% de benzeno na gasolina ○ Em gasolinas adulteradas, há achados de quantidades bem maiores (até 8%) → Toxicocinética ● Absorvido pela via pulmonar e cutânea ● Pela via pulmonar: ○ É rapidamente absorvido, em cerca de 50-90% do benzeno inalado ○ Cerca de 12% do benzeno absorvido é exalado inalterado pelo ar ○ 0,1-0,2 % é excretado pela urina inalterado ○ A maior fração absorvida é metabolizada no fígado, gerando fenol (30%) e outros compostos (4%) ● Como dito, seus metabólitos são eliminados predominantemente na urina. Os principais metabólitos excretados na urina em exposições ocupacionais ao benzeno são: ○ Fenol, ácido trans,trans-mucônico, hidroquinona, catecol, ácido fenilmercaptúrico (5 principais biomarcadores de intoxicação pelo benzeno) → Efeitos agudos ● Sua principal ação tóxica, em exposição aguda, é a depressão do SNC ● SNC: efeitos tóxicos para o SNC causando de acordo com a quantidade absorvida, narcose e excitação, sonolência, tonturas, cefaléia, náuseas, vômitos, taquicardia, arritmias, dificuldade respiratória, tremores, convulsões, perda de consciência e morte ● O benzeno é um irritante moderado das mucosas ● Sua aspiração em altas concentrações pode provocar edema pulmonar ● Os vapores são, também irritantes para as mucosas oculares e respiratórias → Efeitos crônicos ● Ação mielotóxica: resulta em lesões graves, como a progressiva degeneração da medula óssea e aplasia medular ○ Trombocitopenia → queda do nº de plaquetas ■ Traduzida em hemorragias diversas, como a gengival ○ Leucopenia → queda do nº de glóbulos brancos ■ aumenta a frequência de infecções bacterianas e lesões necróticas das mucosas ○ Anemia → queda no nº de glóbulos vermelhos ○ Juntas, essas 3 reduções configuram anemia plásica → Classificação IARC (é uma substância carcinogênica) ● Grupo A1: substâncias com carcinogenicidade definida para a espécie humana ● Exposições crônicas a concentrações elevadas de benzeno podem levara episódios de leucemia ○ leucemia mielóide aguda, é a mais frequente → Limite de tolerância e monitorização biológica Um estudo concluiu que a exposição a 1 ppm por 40 anos não mostrou aumento significativo da ocorrência de leucemia Contudo, como o benzeno é carcinogênico, a OMS recomenda que a exposição deve ser limitada ao menor nível de exposição tecnicamente possível Deveria ser zero, pois não existe limite seguro para carcinogênicos Indicadores biológicos de exposição mais estudados: ● Ácido trans,trans-mucônico (ATTM) ● Ácido fenil mercaptúrico urinários ● Benzeno inalterado no ar exalado ● Benzeno inalterado na urina ● Benzeno inalterado no sangue → ATTM Vantagens: ● Sensibilidade e simplicidade analítica de sua determinação urinária ● Boa correlação com os níveis do solvente no ar Desvantagens ● O ATTM pode estar presente na urina de indivíduos não expostos ● Fumantes expostos ao benzeno excretam maior quantidade de ATTM ● O sorbitol, utilizado como aditivos em alimentos como umectante e edulcorante, também produz ATTM em sua metabolização Metano� ● É um líquido claro, inflamável, volátil e com leve odor a álcool ● Cerca de 70% do metanol produzido o mundo é usado na síntese química, como matéria prima na fabricação de ácido acético, formaldeído e etilenglicol ● Está presente em vários produtos comerciais e de consumo, como tintas, vernizes, anticongelante para radiadores, soluções de limpeza, colas e adesivos ● Usado como antidetonante em combustíveis de aviação ● É um constituinte naturalmente presente em bebidas alcoólicas, em pequenas quantidades em relação aos demais componentes, como produto secundário do processo de fermentação → Principais fontes de exposição ● Decorrentes da ingestão inadvertida ou provocada do solvente ● No uso fraudulento em bebidas alcoólicas ● Exposição ocupacional → Absorção O metanol é rapidamente absorvido pelo organismo por meio da inalação, ingestão ou contato cutâneo, porém, a ingestão é a principal forma de contaminação. A ingestão do composto pode causar cefaléia, cegueira, vertigem, vômito, náusea, dor abdominal e diarreia O metanol pode levar a morte em doses acima de 30 mL → Biotransformação As principais reações de biotransformação ocorre no fígado, onde cerca de 90% da concentração absorvida é biotransformada No homem, a biotransformação ocorre pela ação do sistema álcool desidrogenase Mesmo sistema enzimático que participa da biotransformação do etanol O mais perigoso é o ácido fórmico, que pode causar a cegueira → Ação ● Depressor do SNC ● A intoxicação aguda se manifesta por meio de acidose metabólica ● Exposições a longo prazo podem causar cegueira → Limite de tolerância e monitorização biológica METANOL URINÁRIO ● A legislação brasileira cita a determinação do metanol urinário como biomarcador a ser utilizado. ● Evitar a perda de metanol por volatilização preenchendo o frasco totalmente com urina. ● Valor de referência: até 5mg/L IBMP: 15 mg/L → Tratamento Intoxicação: ● lavagem gástrica até 2h após a ingestão (bicarbonato); ● hiperventilação; ● solução glicose salina, com 5% de etanol; ○ etanol compete com a álcool desidrogenase no fígado, reduzindo a concentração do ácido fórmico ● administração de 4-metilpirazol (inibidor da ADH); ● hemodiálise T�icologi� Socia� Fármac� � Drog� ● Fármaco: substância química definida capaz de produzir um resposta em um sistema biológico ○ Etanol, THC, cocaína, ecstasy ● Droga: matéria prima de origem mineral, vegetal ou animais que contenha um ou mais fármacos ○ Maconha, folha de coca Introduçã� A toxicologia social é a área da toxicologia que estuda os efeitos nocivos decorrentes do uso não médico de fármacos ou drogas, causando danos não somente ao indivíduo, mas também a sociedade. Na toxicologia social são estudados os fármacos e drogas que possuem potencial para induzir dependência Oito classes principais: ● Opiáceos: morfina e heroína ● Psicoestimulantes: cocaína, anfetaminas ● Depressores do SNC: barbitúricos ● Etanol ● Inalantes: éter e clorofórmio ● Tabaco ● Cannabis ● Psicodélicos: LSD e plantas alucinógenas Conceit� FARMACODEPENDÊNCIA ● Farmacodependência é o estado em que o indivíduo se encontra dependente de uma droga ou fármaco ● Apresenta comportamento ativo de busca do fármaco ou droga em que ele se encontra dependente ● Dependência física: o organismo se ajusta à presença da droga que passa a ser necessária para que ele funcione normalmente (transtornos de ordem fisiológica) SÍNDROME DE ABSTINÊNCIA ● Distúrbio evidenciado por um conjunto de sinais e sintomas característicos de cada fármaco que se verifica após a interrupção brusca do uso do fármaco ● Tabaco (nicotina) ● Pode ou não haver síndrome de abstinência TOLERÂNCIA ● Estado em que o organismo apresenta resposta diminuída a uma ou mais ações da droga ou fármaco ● Como consequência são necessárias doses cada vez maiores para se obter os mesmos efeitos que se obtinha antes do desenvolvimento da tolerância TOLERÂNCIA METABÓLICA ● Resultante do aumento da capacidade da metabolização do fármaco pelo organismo ● Realizada principalmente pelo sistema citocromo P-450 ● Como consequência concentração reduzidas do fármaco vão chegar aos locais de ação ● Indivíduo utiliza fármaco ou droga se obter prazer, apenas para não sentir os efeitos da falta do fármaco no organismo SISTEMA DE RECOMPENSA ● A busca constante por estímulos prazerosos, está associada a um “sistema cerebral de recompensa” ● É uma recompensa sempre que fazemos determinadas atividades, levando-nos a repetir aqueles atos ● Biologicamente, ele tem uma função essencial: garantir a sobrevivência do indivíduo e da espécie, ao dar motivação para comportamentos como comer, beber e reproduzir-se ● Quase todas as drogas/ fármacos de abuso, vão aumentar a liberação de dopamina no sistema mesolímbico (sistema de recompensa) POTENCIAL DE REFORÇO ● Capacidade do fármaco produzir efeitos gratificantes (Estímulo no sistema de recompensa) ● Capacidade do fármaco motivar e gerar auto administração repetida, sem a necessidade de outros mecanismos de indução ● Quanto maior a velocidade e intensidade do efeito reforçadores (de recompensa), maior será o potencial de reforço da substância, ou seja, maior o potencial de induzir a farmacodependência Reforçadores naturais promovem menor liberação de DA que os fármacos/ drogas ● Reforçadores naturais (comida e sexo): aumentam 45% os níveis de DA no no Nucleo accumbens ● Anfetaminas e cocaína: aumentam 500% os níveis de DA no Núcleo accumbens Potenciais de reforço em ordem crescente: Canabinóides → benzodiazepínicos → anfetamina, etanol, solventes e barbitúricos→ cocaína heroína, morfina e nicotina. USUÁRIO DEPENDENTE → Critérios de diagnóstico ● Forte desejo ou compulsão para o consumo do fármaco/ droga ● Dificuldade para controlar o comportamento de consumo (início e térmico) ● Abandono progressivo de prazeres ou interesses alternativos em favor do uso ● Persistência do uso a despeito de clara evidência de consequências nocivas ● Evidência de tolerância ● Estado de abstinência ou consumo de droga/ fármaco para alívio dos sintomas 3 ou mais critérios ocorrendo a qualquer momento no período de 12 meses→ dependente Su�tância� Psicoativa� São aquelas que atuam no SNC, e alteram comportamento, humor e cognição. Conhecidas também como Psicotrópicas CLASSIFICAÇÃO 01. Quanto aos efeitos farmacológicos ● Depressoras→ psicolépticos ● Estimulantes→ Psicoanalépticos ● Alucinógenas→ psicodislépticos 02. Quanto ao potencial de uso nocivo ● Muito baixo, Baixo, Moderado, Alto ● Refletem no potencial de abuso e dependência Depressoras: vão deprimir o SNC Ex: boa noite cinderela 03. Quanto à utilidade clínica ● Nenhuma, baixa, alguma e grande utilidade clínica 04. Quanto ao status legal das substâncias ● Lícitas ou ilícitas 05. Quanto a origem das substâncias● Naturais, semi-sintéticas, sintéticas Opióide� ● 1803: isolamento do primeiro alcalóide→morfina ● 1874: heroína produto semi-sintético derivado da morfina ○ A heroína foi criada a fim de contornar a questão do vício que a morfina. A heroína vai ter um grupo acetil nas suas extremidades (isso facilitou uma maior ligação com os receptores do SNC, causando maior vício). Já a morfina tem hidroxila. ● Produzem analgesia (diminuem a dor) e hipnose (aumentam o sono) ● Em função disso, também chamadas de drogas hipnoanalgésicas ● Como substâncias entorpecentes podem ser: ○ Opiáceos naturais: opio, morfina, codeína ○ Opiáceos Semi-sintéticos: heroína ○ Opiáceos Sintéticos: zipeprol, metadona, meperidina FARMACOCINÉTICA Principais locais de absorção: via subcutânea, transdérmica, intramuscular, mucosa do nariz, boca e TGI A biodisponibilidade dos opióides utilizados por via oral sofre redução devido ao metabolismo de primeira passagem Metabolização: ● Conjugação com ácido glicurônico (morfina) ● Os ésteres (meperidina e heroína) são hidrolizados por esterases hepáticas Excreção: ● Podem ser excretados em forma inalterada ou em compostos polares pela urina ○ 80% da morfina é excretada em 6hrs ● Os glicuronídeos são excretados na bile TOXICODINÂMICA (mecanismo de ação) ● Exercem atividade sobre os receptores opióides (mesmos R onde as encefalinas e endorfinas endógenas atuam ● Esses receptores estão distribuídos em várias regiões do SNC Região Efeito Medula espinhal, subst cinzenta e amígdalas Analgesia Núcleo coeruleus e amígdalas Sintomas: síndrome de abstinência Área tegmental ventral e núcleo accumbens Dependência USO TERAPÊUTICO ● Analgesia sem perda de consciência: morfina, codeína (tylex), pentazocina, fentanil ● Antitussígeno (codeína) ● Antidiarreico INTOXICAÇÃO ● Dose tóxica varia de acordo com o composto, via de administração e tolerância ○ Euforia seguida de sedação, depressão respiratória, náuseas e vômitos, risco de coma, hipotermia, convulsões e hipotensão ● Causam tolerância: receptores (primeiramente 20-30mg para gerar um efeito → posteriormente já seria necessário 200 mg —> 4000mg) ● Dependência física ● Síndrome de abstinência: aumento do ritmo cardíaco, irritabilidade, suores intensos, piloereção, espasmos musculares e dores intensas (6-8 horas após a última dose e podem durar até 10 dias) TRATAMENTO ● Intoxicações agudas por morfina: ○ Naloxona: antagonista que reverte dramaticamente o efeito da morfina e regulariza a respiração em poucos minutos ● Dependência de opióides: ○ Metadona: evita o surgimento da síndrome de abstinência HEROÍNA ● Atua sobre o SNC ○ Aumenta o sono ○ Diminui a dor ○ Provoca o estado de torpor e calmaria ○ Realidade e fantasia se misturam → Efeitos ● Contração das pupilas (miose), paralisia eventual do estômago e vômitos ● Depressão respiratória e cardíaca, levando o usuário ao estado de coma ● Uso se dá através de injeção, fumada e cheirada Psicoestimulante� COCAÍNA → Histórico: ● Entre 1844 e 1853 → isolado a cocaína (Wohler e Niemann) ● Inicialmente→ medicamento para astenia e diarreia ● Comercializada em grande escala (“Vin Mariani” e a Coca-Cola) ● Entre 1885 e 1890 → 400 relatos de perturbações físicas e psíquicas ● Para os incas, a coca era uma planta medicinal e sagrada. Inicialmente foi usada como medicamento para astenia e diarreia. → Características ● C17H21NO4 ● Alcalóides extraído da folha do arbusto da coca (Erythroxylon Coca) ● 0,5% a 1% de cocaína na planta ● Produtividade por períodos de 30 ou 40 anos, com cerca de 4 a 5 colheitas por ano ● Comercializada sob a forma de um pó branco cristalino, inodoro, de sabor amargo e insolúvel em água ● Adjetivos: coca, branca, branquinha, gulosa, júlia, neve ou snow Folhas de coca: ● Mascaradas junto com substância alcalinizante ou sob a forma de chá (forma tradicional nos países Andinos) ● Concentração: 0,5 a 1,5% Folhas de coca: ● Pó fino e branco; pode ser utilizado por via venosa ou aspirado (via nasal). ● Concentração: 15 a 75% Crack ● Em forma de pedra, volatiliza quando aquecida ● Fumada em cachimbos rudimentares contendo de 50 a 150 mg da droga. ● Concentração média de cocaína: 35% Merla ● Pasta de cocaína; fumada ● Pasta de fases de extração da cocaína ● 3kg de merla produzem 1kg de cocaína Bazuko (Paco) ● Pasta obtida das primeiras fases de separação da cocaína das folhas da planta quando estas são tratadas com álcalis, solventes orgânicos (querosene ou gasolina) e ácido sulfúrico; ● Contém muitas impurezas tóxicas e é fumada em cigarros (basukos) ● Lixo da cocaína → Toxicocinética ● A transformação se dá no fígado e pelas colinesterases ● A excreção é renal → Mecanismo de ação complexo: ● Inibição da recaptura e aumento da liberação de catecolaminas no SNC e periférico ● Acúmulo de catecolaminas (dopamina, norepinefrina, epinefrina e serotonina) nas terminações sinápticas pós-ganglionares → Efeitos: euforia, redução do cansaço, sensação de maior acuidade mental, tremores, agitação, irritabilidade, paranóia, hipertensão, taquicardia, hipertermia, depressão respiratória, derrames, perfuração do septo nasal ou sinusite croîica (aspirada), abscesso e doenças infecciosas (injetadas), hemorragia ou edema pulmonar, desnutrição, perda de peso, induz tolerância. ● Efeitos nasais e na face: inlfamação e atrfia da mucosa nasal, sinusite crônica, necrose e perfuração do septo nasal, e do palato mole; ulceração de gengiva devido a aplicação de cocaína oral ANFETAMINAS → Histórico: ● 1927: síntese da anfetamina ● Metanfetamina ● MDA(metilenodioxianfetamina) ● MDMA (metilenodioximetanfetamina) ● 1932-1949: descongestionante nasal → Características ● Nas ruas, a anfetamina recebe o nome de speed. É um pó esbranquiçado, do qual pode ser feito pílulas ou comprimidos ● Nos EUA, a metanfetamina tem sido muito consumida na forma fumada em cachimbos, recebendo o nome de ICA (gelo) ● Em estado puro, as anfetaminas têm a forma de cristais amarelados com sabor intragavelmente amargo ● O organismo desenvolve tolerância à anfetamina ● A perda de apetite gerada pelo seu uso constante pode transformar-se em anorexia ECSTASY → Histórico: ● É o MDMA: muito potente, consumida em forma de comprimidos ● Conhecida como droga do amor porque causa super-excitação ao leve toque da pele ● Estimula a comunicação e a intimidade e melhora o humor dos usuárias → Características ● O que é vendido como ecstasy é geralmente uma mistura de coisas ● Ecstasy = MDMA = “Balas” ● Ecstasy e LSD são coisas diferentes. O ecstasy é um psicoestimulante. Já o LSD é um alucinógeno → Efeitos Colaterais: taquicardia, hipertensão, convulsões, trombose, hemorragia cerebral, hipertermia (elevação da temperatura corporal acima de 40ºC), boca seca, muita sede (o usuário pode vir a ingerir até mais de 10 litros de água de uma só vez), diminuição de apetite, atenção dispersa, espisódio de pânico, irritabilidade, ansiedade, morte súbita REBITE BOLINHAS São chamadas de “rebite”, principalmente entre os motoristas que precisam dirigir durante várias horas seguidas sem descanso Conhecida como “bola” por estudantes que passam noites inteiras estudando, ou por pessoas que costumam fazer regimes de emagrecimento sem acompanhamento médico METANFETAMINA → Indicações Terapêuticas ● Déficit de atenção hiperativa em crianças ● Ritalina→ cloridrato de metilfenidato ● Narcolepsia (sonolência diurna excessiva) ● Obesidade mórbida ● Descongestionante nasal * Retirado do mercado brasileiros , mas encontrado no Brasil por meio da importação ilegal de outros países sul-americanos. As anfetaminas são drogas sintéticas XANTINAS ● Chá: China - 2700 aC ● Café: mundo árabe - 1000 DC ● Chocolate: astecas, espanhóis (séc XIV), suíça (séc XIX) ● Bebidas de cola ● Cafeína, teofilina, teobromina ● Café, colas, chá, guaraná, bebidas energizantes Causam: insônia, ansiedade,taquicardia, úlceras, aumento da PA CAFEÍNA A cafeína é um dos fármacos mais consumidos em todo o mundo. Presente em diversas espécies de planta, é encontrada em chás, no café, cacau, guaraná, chocolate e nos refrigerantes. A cafeína é um alcaloide, pertencente ao grupo das drogas classificadas como metilxantinas (1,3,7-trimetilxantina), é uma substância lipossolúvel, que é rapidamente absorvida pelo TGI atingindo seus níveis de pico no plasma em minutos A cafeína afeta quase todos os sistemas do organismo, sendo que sues efeitos mais óbvios ocorrem no sistema nervoso central (SNC) Baixas dosagens (2-10 mg/kg) provoca: aumento do estado de vigília, diminuição da sonolência, alívio da fadiga, aumento da respiração, aumento da liberação de catecolaminas, aumento da frequência cardíaca, aumento no metabolismo e diurese Altas dosagens (15mg/kg) causa: nervosismo, insônia, tremores e desidratação Depressore� d� SNC BARBITÚRICOS ● Drogas de longa duração (8 a 16 horas) - tratamento de epilepsia, sedativos e anticonvulsivantes ● Drogas de média duração (4 a 6 horas) - pílulas para dormir ● Drogas de curta duração (breve) - anestésicos ou sedativos ● Classe medicamentosa mais antiga dos depressoras do SNC ● Utilizados como anticonvulsivantes, sedativos e pré-anestésicos ● Interagem com o receptor barbitúrico exacerbando a atividade inibitória do GABA, resultando na inibição das sinapses. → Mecanismo de ação: → Toxicidade Efeitos: vasodilatação periférica, hipotensão, bradicardia, choque, hipotermia, coma, midríase, convulsões Consequencias: ● Ventilação lenta e superficial - desenvolver hipóxia e acidose respiratória grave ● Morte: parada respiratória ou cardiorespiratória ● Prognóstico dependente da profundidade do coma, da importância da depressão respiratória e da depressão respiratória e do tipo e dosagem do barbitúrico → Características Os barbitúricos levam à dependência, desenvolvimento de tolerância, síndrome de abstinência, com sintomas que vão desde insônia, irritação, agressividade, delírios, ansiedade, angústia e até convulsões generalizadas. A síndrome de abstinência requer obrigatoriamente tratamento médico e hospitalização, pois há risco de morte → Diagnóstico Dosagem sérica de barbitúricos: com exceção do fenobarbital, os níveis séricos dos barbitúricos apresentam pouca correlação com o quadro clínico, não sendo capaz de predizer a gravidade ou duração do quadro Fenobarbital: ● Dosagem sérica é útil para confirmar a intoxicação e auxilia na classificação da gravidade do caso ● Deve ser repetida a cada 24 horas ou em caso de alteração do quadro clínico do paciente → Tratamento ● Não existe antídoto ● Tratamento é de suporte ● Barbitúricos de ação prolongada ○ Descontaminação do TGI ○ Restabelecimento cardiopulmonar ○ Hemodiálise e hemoperfusão com carvão ● Barbitúricos de ação curta e intermediária: os procedimentos acima não conseguem ser efetivos devido a ligação extensiva às proteínas plasmáticas e maior distribuição nos tecidos. BENZODIAZEPÍNICOS ● 1960 - Estão entre os fármacos mais prescritos e utilizados em todo mundo → Mecanismo de ação Os benzodiazepínicos, diferente dos barbitúricos, não consegue fazer a abertura do canal de cloreto se não houver a presença do GABA. O benzodiazepínico é dependente do GABA. *Fazer o desmame desses medicamentos bem devagar e de forma acompanhada. → Vantagens sobre barbitúricos: ● São mais seguros, produzindo menor depressão respiratória e efeitos cardíacos mínimos ● Morte por superdosagem é extremamente rara ● Risco de morte ocorre quando são combinados com álcool ou em intoxicações múltiplas ● Ingestão de até 2000mg de diazepam geralmente leva a intoxicação leve ou moderada → Indicação: ansiolíticos, sedativos, hipnóticos, anticonvulsivantes, relaxantes musculares, adjuvantes em anestesia → Intoxicação: os sinais e sintomas de intoxicação são inespecíficos: ● Depressão do SNC que varia entre tontura, sonolência, confusão mental e coma (agressividade e prejuízos à memória) ● Quando usados por alguns meses, podem levar a pessoa a um estado de dependência ● Há figuração de síndrome de abstinência e também desenvolvimento de tolerância, embora esta última não seja muito acentuada. → Tratamento: Flumazenil é antagonista competitivo dos BZD e pode reverter a depressão do SNC em minutos → Diagnóstico: a dosagem de BZD pode ser feita em sangue ou urina; possui pouca utilidade na conduta do caso, sendo importante para confirmar o diagnóstico → Flunitrazepam ● “date-rape drug” ● BDZ de rápido início de ação. Início de ação de 30min, pico em 2 horas, duração de 8 a 12 horas ● Potencialização por álcool e outros depressores do SNC ● Quadro clínico: em doses elevadas→ amnésia, perda do controle muscular, perda de consciência ● Diagnóstico laboratorial: toxicológico ● Tratamento: sintomático e suporte; antidotagem com flumazenil EV (antagonista BZD) ● Droga utilizada no boa noite cinderela (pode ser mistura das substâncias: ○ Flunitrazepam (FNZ) ○ Ácido gama hidroxibutírico (GHB) ○ Ketamina Etano� Substância tóxica que vem sendo consumida de forma excessiva pelos jovens ● Fácil acesso ● Alto potencial de gerar dependência ● É o maior problema médico - social por uso de drogas ● Poderoso depressor do SNC ● Como consequência, haverá mudanças psíquicas, com distúrbios sensoriais e motores ● Se ingerido em quantidade elevada, podem ocorrer convulsões, coma e morte por parada cardíaca ou respiratória ALCOOLISMO AGUDO A embriaguez é caracterizada fundamentalmente pelos sintomas e sinais clínicos A clássica exteriorização do alcoolismo agudo é a ebriedade, sendo suas principais manifestações: 01. Alterações digestivas: dor epigástrica e secura na boca, sendo acompanhadas de náuseas, vômitos e às vezes diarréia 02. Alterações nervosas ou psíquicas - são caracterizadas por três períodos distintos: a. Fase eufórica - 1º período de euforia com extroversão exagerada b. Fase agitada - 2º período médico-legal (perturbações psicosensoriais profundas), com diminuição das faculdades mentais e falta de auto-controle c. Período comatoso ALCOOLISMO CRÔNICO Na intoxicação crônica por etanol podem ocorrer as seguintes alterações no organismo: ● transtornos digestivos ● transtornos hepáticos (cirrose) ● transtornos cardiovasculares ● transtornos sanguíneos (anemia) ● transtornos endócrinos (impotência) ● transtornos psíquicos; (alucinações, demência) ABSTINÊNCIA ● Tremor distal matutino ● Sudorese, congestão facial, hipertensão, insônia - 3-15 dias. Aumento da atividade adrenérgica ● Alucinações ● Convulsões ● Delirium tremens: estado psicopático, caracterizado por confusão mental, delírio (zoopsias, com visão de animais geralmente minúsculos), tremor, sudorese, debilidade dos membros inferiores. Inalante� São um vasto grupo de produtos diferentes, usados licitamente em várias das atividades industriais, comerciais e domésticas. São substâncias aspiradas com o objetivo de produzir alterações mentais e ou efeitos de conduta Solventes ou inalantes: cola de sapato, Esmalte, Lança-perfume e acetona Todo solvente é uma substância altamente volátil Muitos (mas não todos) são inflamáveis Produtos comerciais: esmaltes, colas, tintas, thinners, propelentes, gasolina, removedores, vernizes, etc → Toxicidade: ● Neurotoxicidade ● Hepatotoxicidade ● Nefrotoxicidade ● Cardiotoxicidade ● Duração, frequência, intensidade de exposição e propriedades físico-químicas da substância inalada ● Tolerância e dependência → Efeitos no cérebro Início dos efeitos, após a aspiração, é bastante rápido - de segundos a minutos no máximo - e em 15 a 40 minutos já desaparecem → usuário repete as aspirações várias vezes para que as sensações durem mais tempo → Tratamento ● Inalação: afastar da fonte, oxigenação e ventilação mecânica, se necessárias ● Contato com pele e mucosas: lavar com água e sabão ● Ingestão:não induzir vômitos → risco de depressão súbita e bronco-aspiração; lavagem gástrica, só quando há ingestão de grandes quantidades; carvão ativado não é indicado ● Tratamento sintomático ● Controlar os sintomas da intoxicação - Normalmente esse controle é hospitalar Tabac� Planta originária do continente americano, o tabaco já era fumado pelos índios desde antes da chegada dos colonizadores europeus Este hábito, como os demais de mascará-lo ou aspirá-lo, foi sendo adquirido também pelos viajantes europeus que vinham à América 1560 que o uso do tabaco veio a tomar grande impulso na Europa, a partir da propaganda de Jean Nicot - diplomata francês cujo nome originou a palavra nicotina - de que ela possuía “maravilhosos poderes curativos” Século XVII, já era um vício generalizado em toda Europa, alcançando também a África e Ásia. Mas a grande “democratização” do consumo de tabaco veio a acontecer no século XX, com a expansão do hábito de fumar cigarro Somente na década de 60, com a revelação dos cientistas de que o cigarro provoca câncer no pulmão e outros males, é que se deu início a uma campanha contra seu uso Além da Nicotina, contém diversas outras substâncias: → Nicotina: ● Consumida por via oral ou nasal, a nicotina, componente do tabaco, é considerada uma droga estimulante ● Não possui nenhum efeito terapêutico, mas provoca dependência física e psíquica ● Provoca tolerância e síndromes de abstinência nos indivíduos que param de fumar de uma maneira brusca Toxicocinética da Nicotina: ● É rapidamente absorvida pelo pulmão, sendo pouco absorvida pela boca e nasofaringe ● 90% da nicotina é metabolizada no fígado, sendo também metabolizada nos pulmões e rins ● O metabolismo da nicotina pode ser perigoso para o corpo humano, podendo aumentar as chances de câncer devido à formação de um grupo metilnitrosamina que, em meio ácido, reage com o DNA, formando uma ligação irreversível, o que impede o desenvolvimento normal da célula, aumentando o risco para o desenvolvimento de câncer ● Excreção é renal Mecanismo da Nicotina: ● Os receptores nicotínicos são divididos em duas classes: musculares e neuronais: ○ Musculares: encontrados na junção neuromuscular esquelética ○ Neuronais: encontrados em gânglios autônomos, assim como no cérebro (SNC), além da terminação nervosa sensorial Efeitos periféricos da nicotina: ● São derivados principalmente em decorrência da estimulação ganglionar ● Taquicardia, aumento do débito cardíaco ● Aumento da pressão arterial ● Redução da motilidade gastrointestinal ● Sudorese Efeitos SNC da nicotina: ● Aumento da liberação de dopamina e adrenalina ● Diminuição da secreção de serotonina ● Ocorre uma melhora no desempenho motor e sensorial após a administração de nicotina, seguido de depressão ● Na medula espinal, a nicotina produz um relaxamento da musculatura estriada esquelética e diminuição dos reflexos medulares Características da Nicotina ● Entre as 4 mil substâncias existentes na fumaça do tabaco, a nicotina é a responsável pela: ○ Dependência física, caracterizada por sintomas de irritabilidade, palpitação, tontura, ansiedade e fadiga ○ Aumento da pressão arterial ○ Diminuição do fluxo sanguíneo para a pele, diminuindo a temperatura ○ Faringites, bronquites, falta de apetite ○ Perturbações da visão ○ Diversos tipos de câncer; Doenças cardiovasculares, angina, infarto Cannabi� ● Erva cujo nome científico é Cannabis sativa L. (cânhamo) ● O fármaco Psicoativo é o delta-9-tetrahidrocanabinol (THC) - causa dependência ● O Canabidiol não produz intoxicação - propriedade terapêutica ● É a droga ilícita mais consumida por estudantes ● Traz a sensação de bem-estar, relaxamento e vontade de rir, mas pode causar angústia ● Perda da capacidade de calcular tempo e espaço e prejuízo da memória e da atenção ● Os olhos do usuário ficam avermelhados ● A boca fica seca e o coração dispara ADMINISTRAÇÃO ● Fininho, baseado: cigarros de maconha - misturas de partes da planta - 0,5 a 5% de THC ● Haxixe: material seco das inflorescências da planta, usado nas formas de cachimbos ou ingerido - 2 a 20% de THC ● Skunk: maconha cultivada em condições especiais, apresenta 7 a 10 vezes maior concentração de THC EFEITOS ● Período inicial de euforia ● Alteração da percepção ● Psicose ● Hiperemia da conjuntivas ● Dilatação das pupilas ● Aumento do apetite ● Taquicardia ● Diminuição da imunidade ● Prejuízo da memória recente ● Falhas das funções intelectuais ● Diminuição da capacidade de percepção sensorial MECANISMO ● Receptores canabinóides: CB1 e CB2 ● Ligante endógeno: Anandamina Distribuição no cérebro está localizada principalmente nas regiões da córtex cerebral, hipocampo, cerebelo e gânglios basais As funções neurológicas destas áreas com maior concentração de receptores canabinóides correspondem a alguns dos efeitos específicos da droga como por exemplo: pensamento desorganizado (córtex cerebral), dificuldade de memória (hipocampo), descoordenação motora (cerebelo). Os efeitos euforizantes agudos parecem estar relacionados com a ação dos receptores canabinóides no sistema dopaminérgico mesolímbico cerebral. TOXICOCINÉTICA ● Absorção: sistema respiratório ● Distribuição para outros órgãos através da corrente sanguínea ● Quando associada ao álcool, ela tem uma potencialização de ação ● Seus efeitos podem ser sentidos poucos minutos após o uso e pode durar, dependendo do organismo, até 6 horas ● Excreção: ○ 1% inalterado na urina ○ Delta-9-COOH-THC- 27% eliminado na urina EFEITOS CRÔNICOS Células e sistema imunológicos: ● Comprometimento da imunidade, aumento de infecções bacterianas e virais, carcinogênese, mutação celular Sistema cardiovascular: ● Pacientes com história de angina podem evoluir com precordialgia devido ao aumento da demanda do miocárdio e pela taquicardia ● Maior risco de hipertensão arterial, doença cérebro vascular ou coronariana como consequência da taquicardia e aumento da pressão arterial Sistema reprodutor: ● Diminuição da testosterona e da produção de esperma, desorganização do ciclo ovulatório ● Uso na gravidez: hipóxia fetal, comprometimento do desenvolvimento fetal, baixo peso ao nascimento Sistema respiratório: ● Fenômenos irritativos dos epitélios dos brônquios e nasofaringe ● Bronquite crônica, câncer pulmonar, faringite, sinusite * É metabolizada pelos rins Psicodélic� LSD-25 ● LSD-25: Dietilamida do ácido lisérgico, substância alucinógena sintetizada em laboratório (a partir da substância produzida pelo fungo conhecido como "esporão do centeio”) ● Causa distorções perceptivas nas cores, formas e contornos ● Provoca fusão dos sentidos (sinestesia) na qual os sons parecem adquirir formas que ficam coloridas ● Provoca perda da noção de tempo e espaço ● Tem poucos efeitos no corpo: o pulso pode ficar mais rápido, as pupilas dilatam e a pessoa sentir excitação ● Pode causar “flashback” - efeito da droga que é sentido semanas ou meses ou mesmo anos após ela ter sido consumida ● Dose necessária para efeito é de microgramas Ácido - Doce = LSC “Balas” = Ecstasy = MDMA ● Consumidos em pontos ou selo (papel seco geralmente estampado que foi embebido pela droga) que são dissolvidos na boca ● Efeitos duram até 12 horas ● Formas de apresentação: cartelas picotadas, selos COGUMELOS ● Psilocybe, Amanita muscai ● Alucinógenos naturais que consumidos em forma de chá induzem a alucinações e delírios ● Sob seus efeitos, os sons incomuns são percebidos e as cores ficam mais brilhantes ● Dilatação das pupilas, suor excessivo, taquicardia, náuseas e vômitos Metai� Pesad�: Arsênic� � Mercúri�, Chumb� � Crom� ● São grupo de elementos com pesos atômicos entre 63,546 e 200,590 e densidade superior a 4 g/cm^3 Incluem metais que possuem: ● Forte atração por estruturas de tecidos biológicos ● Frequentemente eliminação lenta → acúmulo na cadeia alimentar ● Alta reatividade químicaEssencialidad� ● A substância é requerida na dieta para crescimento, saúde e sobrevivência ● A substância não é sintetizada no corpo, sendo então, requerida para alguma função biológica específica Ex: Mn→ Co-fator de enzimas Fe→ hemoglobina Em relação a esses metais essenciais: ● Abaixo do necessário→ deficiência ● Acima→ toxicidade ELEMENTOS ESSENCIAIS ● Macroelementos: necessários na ordem de gramas (sódio, potássio, magnésio e cálcio) ● Elementos em traço: necessários em ordem de miligramas (ferro, zinco, cobre e manganês) ● Elementos em ultratraço: necessários na ordem de micrograma ou nanograma (vanádio, cromo, molibdênio, cobalto, níquel, silício, arsênio, selênio e boro) ○ Risco grande: superdosagem passa da faixa ideal e gera o efeito tóxico ○ Quando mais baixa a concentração necessária, maior o risco de ultrapassar a dose ideal e atingir a toxicidade ● Faixas: Deficiência → concentração ótima → toxicidade→ letal ELEMENTOS NÃO ESSENCIAIS ● Organismo vai tolerar a presença da substância, só que a partir de uma certa concentração, começa o efeito tóxico, podendo levar até a morte ● Faixa: Tolerância→ toxicidade→ letal Generalidade� ● Agentes típicos mais conhecidos do homem ● Manifestação dos efeitos está relacionada à dose ● Compostos organo-metálicos são lipossolúveis, atravessam facilmente as membranas biológicas ● Processos de biotransformação são lentos e a excreção é mais demorada nos orgânicos do que nos precursores inorgânicos ● A maioria é distribuída por todo organismo, afetando vários órgãos em sítios alvo que vão desde processos bioquímicos (enzimas) a´te organelas e membranas celulares Prova: precisa saber os efeitos agudos e crônicos e os mecanismos de cada um. Precisa saber diferenciar também pelas inibições e o pq de cada uma no chumbo gera os respectivos indicativos (ALA-U etc) Arsênic�/ Arsêni� ● Elemento metalóide, de ocorrência natural, cor cinza-prateada, forma sólida ● São usados como agentes de fusão para metais pesados, em processos de soldagens, produção de cristais de silício e germânio, na fabricação de placas de chumbo de baterias elétricas, na fabricação de munições e ligas. Os arsenitos são herbicidas, os arsenatos são inseticidas. A arsina é empregada em sínteses orgânicas ● Ainda ocorrem envenenamentos acidentais ou suicidas em decorrência da utilização de, por exemplo, raticidas que possuem como constituinte ativo algum arsênico (As2O3 = anidrido arsenioso), inseticidas minerais combinados e fungicidas - Verde paris (acetoarsenito de cobre) → anidrido arsenioso - 58% - Arseniato de cálcio TOXICOCINÉTICA ● Bem absorvido pelas vias respiratória, e GI ● Baixa ligação às proteínas plasmáticas ● Elevada ligação aos eritrócitos (3x mais na fração eritrocitária que na plasmática) ● Excreção fezes e urina: 10% na forma inalterada e 60 a 90% na forma de ácido dimetilarsínico ○ 66% eliminada em 2 dias ○ 30% em 10 dias ○ 3,7% em 38% ● Depósito nos cabelos e nas unhas (em razão dos elevados teores de queratina, rica em grupos sulfidrilas (SH) acumula principalmente o arsênico inorgânico) MECANISMO DE AÇÃO - IMPORTANTE ● Reage com os grupos sulfidrilas de moléculas orgânicas, especialmente as proteínas → interferem na respiração celular a nível mitocondrial ● Inibe a respiração celular, diminuindo a fosforilação oxidativa O ácido pirúvico, na presença de difosfato de tiamina, é reduzido, resultando na inserção do ácido pirúvico. Depois tem-se essa substância em contato com o ácido lipóico (apresenta ligação dissulfídica), que se rompe e expõe os grupos SH e um deles recebe o ácido pirúvico. A coenzima A também tem SH, então o ácido pirúvico se junta formando a acetil coA, que alimenta o ciclo de Krebs. Libera o ácido lipóico na forma reduzida, liberando um H e formando FADH2. Ácido pirúvico + CoA + NAD → NADH + H + CoA + CO2 O arsênico também tem afinidade pelo grupo SH e se liga na forma reduzida do ácido lipóico que foi liberado, nos dois SH (grupos sulfidrilas) que ele apresenta. Ele bloqueia oprocesso de descarboxilação oxidativa do ácido pirúvico - oxidação do ácido lipóico -, impedindo a formação do da CoA que alimenta o ciclo de Krebs, não tendo sequência da respiração celular. SÍNDROME TÓXICA ● Após ingestão aparecem náuseas e vômitos (30 min ate 12 hr)→ persistentes em “projetil”, semelhantes a “água de arroz”, tornando-se posteriormente, mucosos, biliosos e sanguinolentos ● O intoxicado sente calor na garganta, sede violenta e insaciável sensação de queimadura no esôfago e estômago, com dores na região epigástrica ● Ocorrem diarréias → evacuações líquidas comuns→ fezes em “água de arroz”, tornando-se mucosas e sanguinolentas ● Após absorção: prostração extrema, pulso irregular, resfriamento do corpo, resto torna-se azulado, aparecem câimbras nos músculos, urinas raras e albuminosas→ anúria ● Morte em algumas horas ou ao final de um/dois dias segundo a dose EFEITOS AGUDOS - IMPORTANTE ● Transtornos gastrintestinais e diarreia (mais comuns) ● Efeitos sobre mucosa do trato respiratório e pele ● Erupção e pigmentação cutânea - pontinhos pretos nas mãos e nos pés (alguns dias após) EFEITOS CRÔNICOS - IMPORTANTE ● Neurotoxicidade ○ SN periférico ○ SN centra: alterações sensoriais ● Lesão hepática (cirrose) ● Relação com doenças cardiovasculares ● Hiperceratose (8-10 anos) - palmo-plantar ○ produção de queratina em excesso pelo acúmulo de arsênio ● Ulcerações cutâneas (10-15 anos) ● Alteração vascular localizada - “gangrena de pele negra” - acúmulo do metal DIAGNÓSTICO Indicadores biológicos da exposição ● Sangue: avalia exposição recente (intoxicação aguda) ● Urina: avalia exposição recente e nos casos de intoxicação aguda e crônica ● Cabelo: avalia exposição passada ● Unhas: avalia exposição passada Mercúri� (H�) É um metal líquido à temperatura ambiente, de elevada tensão superficial, inodoro, de coloração cinza-prateada. Seus sais podem apresentar grande variedade de cores e os organo-mercuriais são importantes. ● Mercúrio metálico é um líquido extremamente volátil ● Pode ser absorvido tanto pela via respiratória quanto através da pele íntegra - pode ocorrer intoxicação a partir da quebra do termômetro em casa É uma das doenças ocupacionais mais antigas conhecidas pelo homem - o chapeleiro maluco retrata um trabalhador com doença ocupacional devido a esse metal inalado. FONTES DE EXPOSIÇÃO ● Lâmpadas fluorescentes ● Indústrias de cloro-soda ● Amálgamas dentários (dentistas) ● Pesticidas ● Preservação De vacinas (timerosal, que apresenta mercúrio e hoje em dia não é mais usado) ● Petroquímica ● Queima de carvão e combustíveis fósseis ● Amalgamação com ouro ● Peixe - é como intermediário pois come do fitoplâncton que absorve o mercúrio da água A produção mundial de mercúrio é estimada em 10 mil toneladas por ano, sendo Canadá, Rússia e Espanha os principais produtores. A emissão natural de mercúrio é devida à gaseificação da crosta terrestre, emissões vulcânicas e à evaporação natural de corpos d’água. A mineração de ouro e prata, a extração de mercúrio, a queima de combustíveis fósseis e a fabricação de cimento são exemplos de fontes antropogênicas de mercúrio. FORMAS DE MERCÚRIO Formas inorgânicas -Ino-Hg ● Valência zero - Hg (0) ● Valência dois - Hg (II) Formas orgânicas ● Met-Hg (metilmercúrio) ● Et-Hg (etilmercúrio) ● De 10 a 1000 vezes mais tóxica, sendo mais fácil de atravessar membranas. Leva à biocacumulação direta ou indireta nos peixes BIOTRANSFORMAÇÃO DO MERCÚRIO Quando o inorgânico cai no leito do rio (se sedimenta), o ecossistema o biotransforma em formas orgânicas, se transformando em metilmercúrio pela metilação do mercúrio. Essa metilação pode ser: ● Biometilação (degradação biótica): transferência de um ou dois metilcarbânions (CH3-) ao Hg inorgânico pela ação de bactérias metanogênicas. Processo realizado pelas metil-transferases (presentes nas bactérias,por exemplo) ● Metilação abiótica: química ou fotoquímica. Velocidade muito inferior à via enzimática TOXICOCINÉTICA → Absorção ● Elementar: pouco absorvido pelo TGI (0,01%) e 80% absorvido pelos pulmões ● Inorgânico: cerca de 15% é absorvido pelo TGI e 15% pela pele ● Orgânico: cerca de 90% absorvido pelo TGI e 50% absorção cutânea - é muito mais lipofílico, atravessa as barreiras mais facilmente → Distribuição ● Órgãos de depósito ○ Inorgânico e elementar - seguem para os rins, principalmente ● Orgânico - SNC (6 x a concentração sanguínea) ○ Cabelos ○ Hemácias (20x maior do que no plasma) ● O metilmercúrio e o mercúrio elementar atravessam bem a barreira hemato-encefálica e placentária, fazendo com que a concentração no feto seja maior do que no organismo materno, atrapalhando seu desenvolvimento → Biotransformação ● No organismo de mamíferos o metilmercúrio e o mercúrio elementar são convertidos em Hg inorgânico (Hg ++) → Excreção ● Inorgânico: principalmente renal ● Orgânico e elementar: tem excreção biliar e sofre circulação êntero-hepática ○ 90% da excreção é via fezes na forma de Hg orgânico elementar ● Meia vida do Hg-Ch3 (metilmercúrio): média de 70 dias ● Meia vida do Hg ++ : 35-90 dias MECANISMO DE AÇÃO TÓXICA Mecanismo de ação tóxica Grande afinidade pelos grupos sulfidrilas (-SH), pelo fosfato (-PO3H2), carboxila (-COOH), amino (-NH2) → inibição da síntese proteica das células nervosas. Assim, possui uma ação neurotóxica, reage com DNA e RNA in vitro, provoca inibição da síntese proteica, aumento da liberação pré-sináptica de acetilcolina e aumento da liberação de dopamina no cérebro de ratos. A nefrotoxicidade ocorre a partir do depósito de mercúrio inorgânico ● Lesão glomerular, nefrite glomerular, proteinúria e síndrome nefrótica ● Danos aos túbulos renais → perda de enzimas tubulares renais (albuminúria) DESASTRES O desastre de minamata, província de Kumamoto, sul do Japão. Ocorreu pelo descarte de resíduos da empresa Chisso Corporation (1908), que passou a produti acetaldeído (1932-1968), sendo o mercúrio sendo um catalisador dessa síntese, recebendo a metilação, tendo a formação direta de metilmercúrio como subproduto. Ele era descartado na baía de Minamata, sendo os primeiros sintomas observados em animais como gatos - perda de coordenação motora - e peixes - principal fonte de alimento dos japoneses. Em 1954 apareceu a primeira criança com sintomas, uma criança de 5 anos de idade - perda de coordenação motora devido aos neurônios degenerados em ação do metilmercúrio. Como ocorre acúmulo no feto, todos os nascidos nessa época apresentavam problemas de membros inferiores e superiores devido à ação neurotóxica. Morreram 1435 pessoas e mais de 20.000 contaminados que ainda recebem indenizações. Um grande número de crianças com deformidades causadas pela doença foi registrado nos anos que se seguiram à catástrofe japonesa. Ficou conhecido como “Doença de Minamata”. SINTOMAS Intoxicações a curto prazo: febre, calafrios, dispnéia e cefaléia. Diarréia, cãibras abdominais, diminuição da visão. Complicações como pneumotórax, enfisema, podem levar à morte Intoxicações a longo prazo: tríade clássica (gengivite, salivação e estomatite). Tremor e alterações psicológicas. É característico o eretismo (insônia, perda de apetite, perda de memória, timidez excessiva e instabilidade emocional) Os trabalhadores podem apresentam neuropatia sensorial motora. DIAGNÓSTICO ● Laboratorial - avaliação da exposição ● Mercúrio inorgânico ○ Urina: informação da exposição em andamento ■ Válida em exposição contínua, por no mínimo 12 meses ■ VR: 3,5 mg/g creatinina ■ o orgânico é transformado em inorgânico e excretado pela urina, sendo a principal forma de identificação ○ ○ Sangue: influenciada pelo consumo de alimentos ■ VR USA: 15 mg/ L ● Mercúrio orgânico ○ Sangue: VR USA: 10 mg/L ○ Cabelo (avaliação da exposição ambiental): VR: 1mg/ g Chumb� - Pb Metal maleável de cor prateada ou cinza-azulada, resistente à corrosão. Há várias formas lipossolúveis, como: ● tetra-etila ● tetra-metila O principal minério que contém chumbo é a galena (PbS). Principal uso está relacionado à indústria: extrativa, petrolífera, de baterias, tintas e corantes metálicos, cerâmica, cabos, tubulações, munições Não é necessário ao organismo, mas traz conforto à vida moderna. EXPOSIÇÃO População geral: a principal fonte de contaminação são os alimentos, seguida da ambiental (tinta, água, ar, por combustível contendo chumbo etc) Ocupacional: metalurgia, siderurgia, fábrica de baterias - tintas e fumos TOXICOCINÉTICA ● Via respiratória,via digestiva e via dérmica ● Liga-se aos eritrócitos (90-95% ) ● Compartimentos de escolha (Chumbo corpóreo) ○ Sangue: meia vida de 35 dias ○ tecidos moles: meia vida de 40 dias ○ Ossos: meia vida de 20 anos ○ Outros ● Eliminação ○ 76% urina ○ 16% trato gastrointestinal ○corrente sanguínea (FEP). Assim, ele estimula a ALA-S, inibe a ALA-D, a CPG-descarboxilase e a Heme-sintetase, sendo as substâncias que se acumulam podendo ser usadas como biomarcadores urinários. Ele atrapalha o transporte de oxigênio em todo o organismo. O ferro fica no exterior da mitocôndria pois não tem grupo heme, então há acúmulo, caracterizando a anemia sideroblástica. ● ALA-D e heme-sintetase: inibições perfeitamente caracterizadas ● ALA-S: tem seu nível aumentado ● Aumento de ALA-S + inibição da ALA -D: aumento dos níveis de ALA no sangue e urina ● Aumento de COPRO-U ● Inibição de heme-sintetase: anemia sideroblástica e aumento da síntese de protoporfirina ● Ação : eritroblastos da medula óssea ● Fe da protoporfirina IX é substituído pelo zinco dos reticulócitos, formando a protoporfirina zinco, que liga-se à globina: indicador EFEITOS CLÍNICOS A intoxicação pelo chumbo é denominada de saturnismo ● Aguda: náuseas, vômitos (às vezes com aspecto leitoso), dores abdominais, gosto metálico na boca, fezes escuras ● Crônica: ○ precoces: anorexia, perda de peso, constipação, apatia e irritabilidade, vômitos ocasionais, gosto metálico, anemia e linha plúmbica nas gengivas (rola de Burton) ○ avançado: vômitos intermitentes, irritabilidade, incoordenação, dores vagas nos ombros, articulações e abdômen, distúrbios sensitivos nas extremidade, distúrbios do ciclo menstrual ○ Graves: vômitos persistentes, ataxias, períodos de torpor ou letargia, encefalopatia, delírios, convulsões, coma Quanto mais se aumenta a concentração de chumbo no sangue, há efeitos diferentes em crianças e em adultos. Em baixa concentração de chumbo tem efeito muito claro, como a queda do QI em crianças - não desenvolve a inteligência -, queda da audição e do crescimento (10 microgramas por decilitro de sangue). É a principal característica que diferencia a intoxicação em crianças de chumbo dos outros mentais - queda do QI. MONITORAMENTO BIOLÓGICO - TOXICOVIGILÂNCIA ● Chumbo tetraetila ○ Dosagem de chumbo na urina ● Chumbo inorgânico ○ Dosagem e chumbo no sangue ○ Dosagem e ácido delta aminolevulínico na urina ALA-U (utilizado como marcador devido a biotransformação já que estimula o ALA-S e inibição do ALA-D, aumentando o ALA-U) ■ Coproporfirina urinária -CPRO-U ou CPU ■ Zincoprotoporfirina (ZPP) no sangue Crom� - Cr É obtido em ligas metálicas ácido resistentes, tintas anticorrosivas, cromagem e impregnação de madeiras. É um metal essencial, precisando de ultratraço do cromo para o organismo funcionar, sendo obtido a partir de levedo de cerveja, fígado etc. TOXICOCINÉTICA ● As principais vias de exposição ocupacional são inalatória e cutâneas. ● A absorção depende do estado de oxidação: gástrica: 1-6% na forma VI e 1% na forma de cromo III ● Apresenta alta ligação a proteínas plasmáticas (86-90%). ● Armazenado nos pulmões, tecido adiposo, pele e músculos. ● Excreção principalmente pela via urinária. Excreção fecal apenas não absorvidos. TOXICIDADE Compostos de cromo III têm baixa toxicidade e não há indicações de efeitos adversos a ele atribuídos (provavelmente pela baixa absorção Os efeitos tóxicos do Cr são relacionados à exposição à forma hexavalente. Casos letais com doses de 1,5g de dicromato de potássio e 3 gramas de ácido crômico. ● Picolinato de cromo: apresenta cromo na forma trivalente, que tem toxicidade mais baixa e é usada para suplementação EFEITOS CLÍNICOS Exposição cutânea ● irritação na pele ● lesão cutânea clássica do Cr: úlcera do Cr (relativamente indolor, embora seja profunda, podendo até mesmo chegar à cartilagem ou ao ossos ● ocorrem em sítios de maior exposição ● é comum ocorrer infecção secundária ● pode levar meses até formar cicatriz Mucosa - indústria galvânica ● irritação ● eritema ● irritação conjuntival ● coriza ○ sinusite ● polipose nasal ● ulceração e perfuração do septo nasal Inalação ● broncoconstrição, por irritação ● asma alérgica Efeitos imunológicos ● potente sensibilizador cutâneo ● dermatite de contato alérgica ● a sensibilização por Cr tende a persistir por anos, mesmo após cessada a exposição Lesão renal ● Disfunção tubular proximal, manifestada por um aumento da excreção da beta-2 microglobulina ● Lesão reversível após cessada a exposição ● Pode ocorrer necrose tubular aguda e insuficiência renal aguda Tratament� d� Int�icaçõe� Por Comp�t� Metálic� ● Banho de água e sabão e troca de roupas em casos de absorção dérmica ● Provocar vômitos e fazer a lavagem gástrica , quando da ingestão - melhor do que ser absorvido e tentar excretar ● Administrar substâncias laxativas (sulfato de sódio ou sulfato de magnésio) - para evitar a absorção ● Administrar os antídotos clássicos: dimercaprol (BAL), penicilamina, EDTA, conforme o caso ● O BAL apresenta grupos sulfidrila, que interage muito com os metais, então se tiver algum metal circulando, tem a capacidade de se ligar - a substância se liga ao exógeno ao invés de se ligar ao antígeno, como o ácido lipóico como no arsênio ● O EDTA é um quelante que se liga aos metais em forma iônica, que pode interagir com o chumbo (libera o cálcio e captura o chumbo) ● Penicilamina apresenta cadeia de carbono, um grupo SH e uma amina. O metal se liga ao grupo SH, capturando para depois ser excretado ● Muitas vezes não funciona porque se o metal estiver depositado nos tecidos moles ou no osso não consegue alcançar. Serve apenas para a corrente sanguínea então eles têm atividade limitadapor lipídios → transposição de membranas ● ácidos: passam pela membrana em meio ácido (alta concentração de próton) ● bases: passam pela membrana em meio alcalino (baixa concentração de próton) OBS: quando coloca uma substância ácida em um meio básico, ela vai desprotonar; quando coloca uma substância ácida em um meio ácido, ela vai permanecer igual; quando coloca uma substância básica em um meio básico, ela vai permanecer igual; quando coloca uma substância básica em um meio ácido, ela vai protonar. Dessa forma, as substâncias não ionizadas atravessam mais facilmente as barreiras. FATORES RELACIONADOS COM O HOSPEDEIRO Existem outros processos importantes para que substâncias tóxicas passem pela membrana plasmática. Mecanismos utilizados pelos agentes tóxicos para passarem através das membranas/absorção → significa a passagem do tóxico do meio externo para o interior do organismo e, para tanto, é necessário vencer barreiras biológicas representadas pelas membranas celulares. Além dos já relacionados “fatores relacionados com o agente tóxico”, temos a considerar as características das membranas e as formas de transporte através delas: ● Transporte Passivo ○ sem gasto de energia ○ difusão simples ou passiva: agente tóxico atravessa a membrana devido suas características lipofílicas; quanto maior o coef de partição, mais fácil ele atravessa ○ filtração: quando existem poros na membrana ● Transporte Ativo ○ com gasto de energia pelo uso de enzimas ○ agente tóxico necessita de um carreador de membrana juntamente com uma enzima para transportá-lo de fora para dentro da célula ● Pinocitose: forma de transporte ativo ○ células vão criar várias tubulinas que vão abraçar a gota de água A�orçã� Vai depender da via de entrada e da disponibilidade química do agente tóxico no ambiente Vias de introdução do agente tóxico: ● Enteral: oral, digestiva ou gastrintestinal, sublingual, retal ● Parenteral: intramuscular, intravenosa ou endovenosa, subcutânea ● Dérmica ou cutânea ● Respiratória, pulmonar ou inalatória ● outras: ocular, nasal, intracardíaca vaginal, etc ORAL, DIGESTIVA OU GASTRINTESTINAL A absorção nessa via depende de vários fatores, como: ● A lipossolubilidade vai determinar a absorção. SUbstâncias lipossolúveis são absorvidas mais rapidamente ● Grau de dissociação também é importante ● Facilidade com que sofre transformação pelas enzimas digestivas ● Estado de plenitude ou vacuidade gastrintestinal (alimentos no estômago retarda o esvaziamento gástrico) → retarda a passagem do fármaco e, quando mais ela fica no ambiente ácido do estômago, mais chance ela tem de se degradar ou ionizar naquele local ● Capacidade de produzir irritação da mucosa e induzir vômitos → substâncias eméticas provocam o vômito, de maneira que não se absorveria a substância DÉRMICA OU CUTÂNEA A pele apresenta uma camada grossa de células mortas queratinizadas, sendo essa uma barreira efetiva contra a entrada de agentes tóxicos, mas por ela também passam algumas substâncias Se a substância tiver a característica de irritação primária, já vai causar um dano/ irritação local diretamente. Se a substância tiver característica bem lipofílica e conseguir atravessar a barreira inicial, pode ser absorvida de forma sistêmica ao chegar na circulação sanguínea. A absorção nessa via depende de vários fatores, como: ● Fatores ligados ao agente tóxico: lipossolubilidade, grau de ionização, peso molecular, volatilidade e viscosidade (este último faz com que o agente tóxico fique mais tempo em contato com a pele). ● Fatores ligados ao indivíduo: região da pele, seu estado de integridade, vascularização ( mulher > homem ○ altera absorção ● motilidade intestinal: absorção ● esvaziamento gástrico: prolongado nas mulheres ○ nas gestantes ○ > absorção ● área dérmica: > na superfície corpórea do homem ○ > absorção ● espessura dérmica: > homem ○ nas gestantes ○ > absorção Absorção pulmonar ● função pulmonar: > nas gestantes ○ > exposição pulmonar ● rendimento cardíaco: > nas gestantes ○ > absorção nos alvéolos Distribuiçã� Processo onde o toxicante se distribui pelo organismo Após sofrer absorção, o agente tóxico - agora na corrente sanguínea - vai ser distribuído pelo organismo. Esta distribuição depende da sua capacidade em atravessar as membranas celulares, assim como da sua afinidade pelos diversos compartimentos orgânicos Sangue e a linfa são os principais veículos, sendo que tecidos com maior perfusão possuem maior distribuição. O estadomolecular do toxicante facilita a distribuição. Distribuição ampla ou restrita do agente tóxico depende de vários fatores: ● ligados à substância: lipossolubilidade, grau de ionização, afinidade química do agente tóxico ● ligados ao organismo: irritação do órgão, conteúdo de água ou lípides de órgãos e tecidos, biotransformação do agente tóxico, integridade do órgão. O meio do sangue é um meio aquoso (hidrofílico) e sabe-se que as substâncias lipofílicas são as que atravessam mais facilmente as membranas. A substância hidrofílica vai chegar no sangue, se misturar no soro e seguir seu caminho; mas aquelas substâncias que são lipofílicas, vão necessitar de um carreador para realizar seu transporte. As partículas que transportam substâncias lipofílicas através do sangue são as proteínas, HDL, LDL, apoproteínas, lipoproteínas, etc. Elas carreiam até um local onde o pH, temperatura ou algum outro fator vai liberar a substância naquela região. São considerados sítios de armazenamento importantes: ● Proteínas plasmáticas: depósito extracelular → albumina, lipoproteínas e glicoproteínas ● Fígado e rins: são depósitos celulares, com grande capacidade de armazenamento ● Lipídios: dissolução física na gordura, neutra, de compostos lipossolúveis ● Ossos: podem armazenar agentes como, metais, substâncias inorgânicas, etc. Além do sangue transportar essas substâncias para o sítio de ação, ele podem transportar para sítios de armazenamento e, dependendo do estímulo sofrido, pode ocorrer a redistribuição, de forma que a substância cai de novo na corrente sanguínea e será redistribuída BARREIRAS HEMATOENCEFÁLICA E HEMATOPLACENTÁRIA Hematoencefálica: seguem, em geral, os mesmos princípios que orientam a passagem em outras áreas do organismo, porém, com menor permeabilidade como forma de proteção ao SNC Hematoplacentária: ocorre difusão simples, difusão facilitada, transporte ativo, pinocitose e fendas na membrana da barreira para facilitar a transferência de nutrientes da mãe para o feto. Biotransformaçã�/ metabol�açã� Existe para transformar o toxicante lipossolúvel em hidrossolúvel, para ser excretado via urina mais facilmente. É toda alteração que ocorre na estrutura química da substância no organismo Ocorre em 2 fases: ● fase 1: oxidação, redução, hidrólise ● fase 2: conjugação FASE I - PRÉ SINTÉTICA Ocorre com a ajuda de enzimas inespecíficas do citocromo P450→ oxidação, redução, hidrólise ● reações hepáticas ● Citocromo P450 (Hemoproteína com ferro dentro) → sistema de enzimas localizadas na membrana do retículo endoplasmático responsáveis pelas reações da FASE I ● Grupamento Heme + ferro → muito elétron → ambiente favorável para que ocorra essasreações. Complexação do agente tóxico com o grupamento Heme → cadeia de transferência de elétrons auxiliada por diversos outros fatores para oxidar o agente tóxico. Conferem polaridade aos xenobióticos por expor (ou inserir) grupamentos sulfidrila, hidroxila, amina ou carboxila, que resultam no aumento da hidrofilicidade Ex: oxidação do anel aromático, redução do nitrobenzeno a anilina, hidrólise do paraoxon metílico sendo quebrado pela água e formando p-nitrofenol e ácido dimetilfosfórico. FASE II - SINTÉTICAS Ocorre com a ajuda de enzimas específicas (sintetases e transferases) para incorporar algum tipo de grupamento na molécula Conjugação com ácido glicurônico, com a glutationa, com aminoácidos, além de sulfatação, acetilação, metilação. Caracterizadas pela incorporação de cofatores endógenos às moléculas vindas da Fase I. Também são reações hepáticas, sendo auxiliadas por: ● Glicuroniltransferases ● Sulfotransferases ● Metiltransferases ● Acetiltransferases ● Conjugação com a glutationa (ác. glutâmico, cisteína, glicina) Reações mais específicas, na presença de várias enzimas. Juntamente com a fase I, existe para ajudar na excreção. Como exemplo de uma biotransformação, tem-se uma reação de Fase I que transforma o ácido acetilsalicílico em ácido salicílico e uma reação de fase II transformando o ácido salicílico em outros compostos. TIPOS DE REAÇÕES DE BIOTRANSFORMAÇÃO A) Ativação e posterior inativação B) Inativação e posterior ativação→ C) Inativação (excreção assim mesmo) Essa ativação de substâncias que estavam inativas é perigoso!! FATORES QUE MODIFICAM A BIOTRANSFORMAÇÃO → Fatores internos constitucionais: espécie e raça, fatores genéticos, sexo, idade → Fatores internos condicionais: estado nutricional e estado patológico. → Fatores externos: a atividade do sistema enzimático pode ser alterada por numerosas substâncias, acelerando ou retardando a biotransformação, ou seja, aumentando ou diminuindo o efeito dos agentes tóxicos ● Indução enzimática - resultado → aumento da velocidade de excreção de produtos biotransformados ou de compostos inativos, menos ativos, mais ativos farmacologicamente ou toxicologicamente. Ex: DDT reduz ação hipnótica do pentobarbital ● Inibição enzimática - resultado → diminuição dos processos de biotransformação. Podem também ser originadas por situações funcionais orgânicas. Ex: imipramina inibe biotransformação do pentobarbital e do meprobamato. Eliminaçã� Os metabólitos encontrados na urina e nas fezes geralmente são polares e hidrossolúveis Toda aquela biotransformação visa transformar o agente tóxico lipossolúvel em hidrossolúvel para ser eliminado mais rapidamente Excreção é o processo pelo qual a substância é expulsa do organismo. As substâncias absorvida são eliminadas na forma inalterada ou na forma de seus produtos de biotransformação EXCREÇÃO RENAL A excreção renal é a mais importante na eliminação de substâncias. Ocorre por processos de filtração glomerular passiva, difusão tubular passiva e secreção tubular ativa. Condicionada à polaridade das substâncias, limitada especialmente pela solubilidade e pK do composto, além do pH do meio. Logo, ● Compostos com elevado coeficiente de partição óleo/água são reabsorvidos passivamente. Os polares, incapazes de se difundir, serão excretados. ● Compostos de caráter básico são excretados em maior quantidade em urina ácida e os de caráter ácido, se a urina for alcalina. Ex: Grupo amida (grupamento básico) presente na urina com pH tá 7.8 (levemente básico - tem-se pouca concentração de prótons) não sofrerá nenhuma transformação (não vai sofrer ionização), de forma que ela atravessará a membrana e será reabsorvida para o plasma. Se essa mesma molécula estiver em um pH ácido, ela será ionizada (receberá um próton), de forma que não atravessará a membrana (baixa afinidade com lipídios), sendo excretada. Ex 2: Substância com presença de ácido carboxílico (ácido) em um meio ácido (muito próton), não sofrerá nenhuma transformação (não vai sofrer ionização - não perderá próton para o meio), de forma que atravessará a membrana, sendo reabsorvido para o plasma. Se essa mesma molécula estiver na urina com pH básico, ela sofrerá ionização, perdendo próton para o meio, de forma que não atravessará a membrana e será excretado. EXCREÇÃO PULMONAR Partículas, gases, vapores e alguns produtos de biotransformação são excretados por esta via. Depende de, entre outras: ● intensidade da ventilação pulmonar ● solubilidade da substância no sangue ( excreção) ● pressão parcial do agente no ar alveolar (respiratório, placenta). Depois de entrar no organismo, o toxicante pode seguir duas vias: ● Pode ser absorvido, distribuído para o alvo, ser reabsorvido e depois sofrer ativação ● Pode sofrer eliminação pré-sistêmica, ser distribuído para longe do alvo, ser excretado e depois ocorrer a detoxificação Pela primeira via tem-se o toxicante final chegando até a molécula-alvo ou ao sítio-alvo de ação, causando a intoxicação. O toxicante alcança o órgão alvo, tem interação com a molécula-alvo específica ou vai alterar o ambiente biológico, resultando em disfunção celular ou injúria, causando dano em resultado da toxicidade da substância chegando ao órgão. Mecanism� Gerai� Os mecanismos variam muito, de acordo com a estrutura química e as propriedades físico-químicas dos toxicantes. 5 mecanismos gerais de interação dos fármacos/ agente tóxicos com as células: INTERAÇÃO DE AGENTES TÓXICOS COM RECEPTORES Os receptores são elementos sensoriais no sistemas de comunicações químicas que coordena a função de todas as células no organismo. Eles podem apresentar resposta rápida ou lenta dependendo dos mecanismos envolvidos: ● receptores ligados a canais ● receptores acoplados à proteína G ● receptores ligados à quinase ● receptores ligados à transcrição de genes A ligação entre receptor e ligante é normalmente reversível: Assim, quando tem-se um receptor, tem-se uma substância endógena que se liga a ele e, uma vez que ela se liga, tem-se uma atividade celular em resposta. Alguns receptores já estarão ocupados por essas substâncias endógenas, assim, quando se toma um fármaco, por exemplo, ele vai competir localmente nesse lugar. Caso seja um fármaco agonista, tem-se o incremento da atividade celular que a substância endógena está associada, mas no caso de um antagonista, tem-se a inibição dessa atividade pois essa bloqueia a ligação da substância endógena a ele por competição. Essa lógica dos fármacos também se aplica às substâncias tóxicas, pois elas também podem ser agonistas ou antagonistas de efeitos fisiológicos desencadeados pelos receptores. TIPOS DE RECEPTORES Ionotrópicos O efetor geralmente é um canal iônico, tendo-se o acoplamento direto da substância no receptor que pode estar ligado a um canal ou ser o próprio canal. Essa ligação resulta em uma hiperpolarização ou despolarização a partir do influxo de íons, causando efeito celular rápido (milissegundos). Metabotrópicos A interação com o receptor é mediada pela proteína G, que muda sua conformação e se move pela membrana até o canal iônico ou uma enzima específica. A mudança no canal iônico segue a lógica dos receptores ionotrópicos, que resultam por fim na mudança de polaridade da membrana. Se for através de enzima, ela vai ter os mensageiros secundários que vão fosforilar proteínas e liberar o cálcio intracelular, por exemplo. Assim, o efetor da atividade no receptor metabotrópico é um canal iônico ou uma enzima, o acoplamento é pela proteína G e o tempo é de segundos (maior que ionotrópicos). Ligados a quinases O próprio receptor é uma proteína quinase que vai fosforilar outra proteína que vai causar a transcrição de um gene que causa a síntese de proteína e o efeito celular. Assim, o efetor é a proteína, o acoplamento é feito diretamente e o tempo de ação é de horas. Nucleares Tem a substância entrando no núcleo, onde terá um receptor para ela que gera transcrição de genes, a síntese de proteína e o efeito celular. Assim, tem-se que o efeito é a transcrição gênica, o acoplamento é via DNA e o tempo é de horas. → Ligação fármaco-alvo ● Forças de Van der Waals (hidrofóbicas): 0,5-1 Kcal/ mol (facilmente quebrada) ● Pontes de hidrogênio: 2-5 Kcal/ mol ● Forças eletrostáticas: 5 - 10 Kcal/mol ○ interações iônicas, íon dipolo e dipolo-dipolo ● Ligações covalentes: 50 - 150 Kcal/mol -> ligação de forma permanente (para desfazê-la, necessitaria de muita energia) INTERAÇÃO DE AGENTES TÓXICOS COM AS MEMBRANAS Quebrar a membrana/ formação de poros → interferindo nas funções e nas membranas excitáveis. Substâncias químicas podem perturbar a função de membranas por vários meios. Exemplos: - O fluxo de íons através do axônio neuronal pode ser bloqueado pelas substâncias que agem como bloqueadores do canal de íons, como a Tetrodotoxina (TTX), que bloqueia os canais de sódio situados nas membranas axônicas impedindo as trocas iônica. - A Batracotoxina (BTX) aumenta a permeabilidade das membranas em repouso aos íons sódio. Afeta também as células do miocárdio, produzindo extra-sístoles e outras arritmias, culminando em fibrilação. - As Toxinas Botulínicas complexam-se irreversivelmente com o axônio terminal colinérgico e bloqueiam a liberação de acetilcolina gerando paralisia parassimpática e motora progressiva com turvação de visão, dificuldade de deglutição seguida por paralisia respiratória. - Solvente orgânicos produzem efeitos depressores do SNC por alterarem a fluidez de membranas, face à sua propriedade lipofílica. INTERAÇÃO DE AGENTES TÓXICOS COM MITOCÔNDRIA A substância atua causando a inibição da fosforilação oxidativa, um mecanismo muito importante por atuar nas organelas das células, como a mitocôndria. A fosforilação oxidativa é um dos eventos mais importantes na produção de energia celular e ocorre na mitocôndria das células. A interferência na oxidação de carboidratos na síntese de ATP tem consequências como alteração da integridade da membrana, funcionamento de bombas iônicas e síntese proteica. A diminuição significante de energia levará à perda de funções celulares. Agentes químicos interferentes na síntese do ATP mitocondrial: ● Grupo I: substâncias que interferem na liberação de hidrogênio para a cadeia de transporte de elétrons ○ monofluoroacetato inibe o ciclo do ácido cítrico e a produção dos co-fatores produzidos ● Grupo II: rotenona e cianeto, que inibem o transporte de elétrons pela cadeia de transporte até serem receptados pelo oxigênio ● Grupo III: substâncias que interferem na liberação de oxigênio no transportador final de elétrons, a citocromo oxidase ○ monóxido de carbono e agentes metemoglobinizantes ● Grupo IV: substâncias que inibem atividade da ATP sintase ○ Inibição direta: oligomicina ○ Interferência na liberação de ADP: DDT ○ Interferência na liberação de fosfato inorgânico: para-benzoquinona ○ Substâncias desacopladoras da fosforilação oxidativa: pentaclorofenol INTERAÇÃO DE AGENTES TÓXICOS COM RESERVATÓRIOS DE CÁLCIO Interagem com os reservatórios de cálcio das células - sendo o íon o principal mensageiro (junto com ferro) intracelular - perturbando a homeostase cálcica O aumento de cálcio intracelular causa anormalidade funcional, resultando na morte celular. Algumas substâncias que vão perturbar a homeostase cálcica são: - quinonas - aldeídos - dioxinas COMPLEXAÇÃO COM BIOMOLÉCULAS Podendo o agente tóxico interagir com: ● componentes enzimáticos: organofosforados, chumbo (interfere nas enzimas da biossíntese do heme, alterando o transporte do oxigênio do organismo) e mercúrio ● proteínas: monóxido de carbono (se liga irreversivelmente no ferro da hemoglobina), nitrobenzeno ● lipídios: tetracloreto de carbono (substância que interage com os lipídeos, formando radicais livres que vão gerar peroxidação lipídica e injúria ou morte celular) ● ácidos nucleicos (DNA e RNA): causam lesão diretamente podendo levar à morte celular ou a processos de reparo (podendo levar à mutação e câncer) Mecanism� Especiai� CARCINOGÊNESE O processo de carcinogênese envolve interações complexas entre vários fatores, tanto exógenos (ambientais) quanto endógenos (genéticos e hormonais). A maioria dos tumores têm origem unicelular e a expansão clonal dessa célula inicial dá origem a uma população que apresenta vantagens quanto a sua capacidade proliferativa em relação às demais. A progressão tumoral envolve ciclos sucessivos de mutação e seleção. Durante a progressão tumoral, o tumor pode sofrer modificações em suas características fenotípicas, adquirindo comportamento cada vezmais agressivo. Além da expansão da massa tumoral, há invasão de tecidos adjacentes e, posteriormente, estabelecimento de metástase distante. Fatores relacionados ao aparecimento de tumores: ● agentes físicos (radiações ionizantes e raios ultravioletas) ● biológicos (vírus) ● químicos Há uma fase de iniciação, em que a célula está com seu metabolismo normal e, de repente, ocorre um dano a uma célula. O corpo tem mecanismos para evitar/ inibir a fase inicial: ● inibição de parte do metabolismo ● detoxificação de moléculas reativas ● reparo do dano Caso a célula progrida, ela entra na fase de promoção, quando ocorre dano genético (mutação, levando a produção de proteínas diferentes, com efeito genotóxico) e ele continua no local, sendo que o organismo segue tentando inibir/ estabilizar ele. Depois da fase de promoção tem a fase de progressão, quando a célula que se estabilizou no local com estrutura modificada vai ter proliferação descontrolada, causando crescimento do tumor e, eventualmente, metástase. Exemplos de carcinógenos: ● Agentes iniciadores: radicais livres e epóxidos, materiais radioativos ● Agentes promotores: sacarina, tetraclorodibenzo-p-dioxina (TCDD) ● Agentes estimuladores da fase progressiva do tumor: podem atuar como inibidores da apoptose e diferenciação celular (arsênico, fibras de asbestos) TERATOGÊNESE É um dos ramos da teratologia que avalia as causas que determinam o aparecimento e má formação fetal. Há vários mecanismos associados, dentre eles: ● capacidade do agente causar alterações no DNA ● capacidade de provocar hipóxia embrionária ● capacidade de provocar inibição enzimática Caso mais relevante: Talidomida Interaçã� entr� � agente� t�ic� Deve-se, na exposição a mais de dois agentes intoxicantes, considerar a possibilidade de um composto interferir na ação do outro. → Efeito aditivo: as duas substâncias apresentam efeito tóxico, obtendo-se efeito de soma da sua toxicidade. Ex.: exposição a chumbo e arsênico na inibição da biossíntese do heme gera aumento aditivo de coproporfirinogênio urinário (1 + 1 = 2); → Efeito sinérgico: exposição ao tetracloreto de carbono e a compostos clorados aromáticos promovem hepatotoxicidade sinérgica ( 1 + 1 > 2) → Potenciação: quando uma substância não é tóxica mas a outra é, gerando aumento da toxicidade daquela que já é tóxica. Ex.: propranolol não é hepatotóxico, entretanto, junto com tetracloreto de carbono, este tem sua hepatotoxicidade elevada ( 0 + 1 > 1) → Antagonismo: um intoxicante vai reduzir o efeito de outro ● Competitivo: as duas substâncias vão competir pela ligação em um receptor específico ○ atropina bloqueia receptores de acetilcolina no tratamento da intoxicação por organofosforados ● Químico: uma substância vai agregar na outra e vai atrapalha-la a se ligar no seu receptor ou causar algum dano ○ EDTA forma complexos insolúveis com chumbo ● Funcional: uma substância vai agir em receptore diferente de outra, mas mesmo assimm, uma reduz a atividade da outra por mecanismos intracelulares ○ efeitos opostos em receptores diferentes Animai� Peçonhent� Animai� Venen�� � Animai� Peçonhent� Animais venenosos são aqueles que produzem veneno, mas não possuem um aparelho inoculador (dentes, ferrões), provocando envenenamento passivo por contato (lonomia ou taturana), por compressão (sapo) ou por ingestão (peixe baiacu). Animais peçonhentos são aqueles que possuem glândulas de veneno que se comunicam com dentes ocos, ou ferrões, ou aguilhões, por onde o veneno passa ativamente. Portanto, peçonhentos são os animais que injetam o veneno de maneira ativa. - Ex: serpentes, aranhas, escorpiões, lacraias, abelhas, vespas, marimbondos e arraias. Peçonha� São as secreções formadas por um fluido misto de diferentes enzimas, toxinas e outras substâncias. São produzidas em glândulas especializadas e secretadas através de sistemas dispensadores (nematocistos, espinhos, dente inoculador, etc) a fim de incapacitar a presa ou o predador. Cada uma tem efeito diferente, mudando de indivíduo para individuo Animai� qu� causa� envenenament� n� Brasi� ● Ofídios ● Aracnídeos ● Insetos ● Animais aquáticos Ofidism� É o estudo dos venenos de serpentes (ofídeos). Na medicina, é o envenenamento por picadas de cobra/serpente O diagnóstico clínico (sintomas que os pacientes apresentam que permitem relacionar com o tipo de veneno) é o método mais simples e racional para a abordagem do paciente pela equipe de saúde, uma vez que, geralmente, não se pode contar com informações corretas/ confiáveis sobre o animal. Cerca de 2400 espécies de serpentes em todo o mundo, sendo que dessas, apenas 200 são perigosas para o homem. No Brasil, existem 300 espécies conhecidas, sendo que 70 são peçonhentas. As serpentes brasileiras de interesse toxicológico se distribuem em 4 gêneros: ● Bothrops (jararaca, jararacuçu, urutu) ○ cauda lisa ● Crotalus (cascavel) ○ cauda com chocalho ● Lachesis (surucucu-pico-de-jaca) ○ cauda com escamas arrepiadas ● Micrurus (coral-verdadeira) Como diferenciar peçonhentas de não-peçonhentas? → Fosseta loreal A presença de fosseta loreal, órgão termorregulador localizado entre o olho e a narina, caracteriza o grupo de serpentes peçonhentas de interesse médico no Brasil, onde se incluem os gêneros: Bothrops, Crotalus e Lachesis. A exceção são as serpentes peçonhentas do gênero Micrurus (coral verdadeira), que não apresentam fosseta loreal Ela tem como função a captação de calor, que permite às serpentes perceberem as diferenças de temperatura do ambiente - então conseguem se guiar, mesmo no escuro, em direção aos animais. → Outras características: Características Peçonhentas Não Peçonhentas Fosseta Loreal Presente (exceto o gênero Micrurus) Ausente Escamas no corpo Presente (flechas) Ausente Escamas na cabeça Pequenas Grandes Pupila Fenda Circular BOTHROPS Mais de 60 variedades encontradas em todo o território nacional. Responsável por mais de 90% dos acidentes. Veneno de efeito coagulante e necrosante (ação mais local do que sistêmica) Mais de 90% do peso do veneno: proteínas, com grande variedade de enzimas, toxinas não enzimáticas e proteínas não tóxicas. As frações não proteicas são constituídas por carboidratos, lipídeos, metais, enzimas biogênicas, etc. Alguns peptídeos: FPB (Fator potencializador de bradicinina) - Após estudos de modificação baseado em QSAR, chegou-se na molécula de captopril. Bothropstoxina 1: Miotoxina de ação pós sináptica semelhante à Fosfolipase A2 Exemplos são as jararacas, urutu, caiçara entre outros. → Aspectos clínicos: ● As manifestações incluem edema local firme, dor local moderada; ● Na evolução do quadro, podem aparecer púrpuras, vesículas, bolhas e necrose de partes moles ● Em casos graves, pode ocorrer choque (bradicinina e histamina) ● Frequentemente há aumento do tempo de coagulação e tempo de tromboplastina parcial, e insuficiência renal aguda (necrose cortical) CROTALUS Existem 6 variedades, se tratando de serpentes que ocupam terras secas e ligeiramente elevadas (campos), não sendo comuns no litoral. Distribuem-se amplamente pelo território nacional. São identificadas pela presença de guizo ou chocalho na extremidade caudal Os acidentes são de menor frequência que os botrópicos (9% dos acidentes) Veneno de efeito neurotóxico e miotóxico (efeito sistêmico). A peçonha crotálica é um complexo tóxico-enzimático cujos efeitos biológicos variam nas diferentes espécies animais (peptídeos, enzimas e toxinas). Ação miotóxica sistêmica, com lise e necrose de fibras musculares com liberação de enzimas e detecção de mioglobina livre na urina (mioglobinúria), o que pode causar insuficiência renal aguda. Esta insuficiência renal gera em acúmulo de uréia que tem efeito sistêmico alterando a consciência do indivíduo. Ação neurotóxica por agirem na membrana pré-sináptica da junção neuro-muscular, impedindo a liberação da acetilcolina. → Aspectos clínicos gerais: ● Mal-estar, náuseas, sudorese, prostração, sonolência ● Local da picada podetrazer marcas das presas ou escoriações, edema discreto, sem dor ou de pequena intensidade, geralmente com sensação parestésica (local ou regional, persistente por dias ou semanas) ● Sintomas: ○ dificuldade em abrir os olhos ○ visão dupla e pálpebras caldas ○ dor muscular generalizada ○ urina escura/avermelhada LACHESIS Existem 2 variedades no território nacional presentes na Mata Atlântica e na Floresta Amazônica (habita florestas densas). Veneno de efeito semelhante ao do gênero Bothrops (coagulante e necrosante - local), com provável acréscimo de fração neurotóxica Como exemplo, tem-se a surucucu, uma cobra muito grande e mais agressiva que as outras (persegue a presa; não foge do predador) São acidentes raros (2,1% dos casos no Acre, em 2002) → Aspectos clínicos ● Local: dor e edema na região da picada, vesículas e bolhas de conteúdo seroso ou soro-hemorrágico, complicações locais semelhantes ao acidente botrópico ● Hematológico: consumo de protrombina e fibrinogênio → incoagulabilidade, manifestações limitam-se, em geral, ao local da picada ● Neurotóxico: distingue o acidente laquético do botrópico, com fenômenos compatíveis com distúrbios do SN autônomo parassimpático → hipotensão arterial grave (poucos minutos após), tonturas, escurecimento de visão, além de bradicardia, cólicas abdominais, diarréia → choque, bradicardia grave, óbito Local, necrosante e anticoagulante e pequena fração neurotóxica MICRURUS Existem 31 variedades em todo o país. Provocam acidentes mais graves, embora raros (0,5% dos casos) Veneno de efeito curariforme (paralisia). A peçonha é constituída por neurotoxinas que atuam nas junções neuromusculares, com ação tanto pré como pós-sináptica, dependendo da espécie considerada. A neurotoxicidade é periférica, produzindo bloqueio na transmissão neuromuscular→ paralisia Exemplo é a coral-verdadeira. A diferença entre uma coral verdadeira e a falsa é a presa, que difere em posição. Na verdadeira, está na frente, e na falsa está para trás (não alcança a presa). → Aspectos clínicos ● Geralmente sem sintomas locais (leve formigamento, às vezes) ● O efeito neurotóxico manifesta-se por sensação de constrição da laringe, dificuldade para engolir e fala, salivação abundante e perturbações visuais (ptose palpebral e diplopia) ● A paralisia dos músculos respiratórios leva à asfixia e óbito. CUIDADOS NOS ACIDENTES OFÍDICOS ● Lave o local da picada de preferência com água e sabão ● Mantenha a vítima deitada. Evite que ela se movimente para não favorecer a distribuição do veneno ● Se a picada for na perna ou no braço, mantenha-os em posição mais elevada ● Não faça torniquete. Impedindo a circulação do sangue, você pode causar gangrena ou necrose ● Não fure, não corte, não queima, não esprema, não faça sucção no local da ferida e nem aplique folhas, pó de café ou terra sobre ela para não provocar infecção ● Não dê à vítima pinga, querosene ou fumo, como é costume em algumas regiões do país ● Leve a vítima imediatamente ao serviço de saúde mais próximo, para que possa receber o soro em tempo ● Leve, se possível, o animal agressor, mesmo morto, para facilitar o diagnóstico. ● Lembre-se: nenhum remédio caseiro substitui o soro anti-peçonhento. ● Se houver dúvidas, a vítima deve permanecer hospitalizada por pelo menos 24 horas ● Controlar sinais vitais e volume urinário ● Coletar material biológico para exames laboratoriais antes da soroterapia, desde que não signifique o retardo da mesma. SOROS ANTI-OFÍDICOS ● Antibotrópico, usado em casos de envenenamento por jararacas (gênero Bothrops) ● Anticrotálico, usado em casos de envenenamento por cascavel (Gênero Crotalus) ● Antilaquético, usado em casos de envenenamento por surucucu (Gênero Lachesis) ● Antielapídico, usado em casos de envenenamento por corais (Gênero Micrurus) do grupo dos Elapídeos ● Antibotrópico/ Crotálico (antigo antiofídico), para os casos de picadas por jararacas ou cascavéis ● Antibotrópico/Laquético, para as picadas por jararacas e surucucus. Araneísm� São 3 gêneros de importância médica no Brasil: ● Phoneutria ● Loxosceles ● Latrodectus Alimentam-se principalmente de insetos e apenas 20 a 30 espécies têm importância médica por serem peçonhentas PHONEUTRIA Foneutrismo→ acidente com phoneutria Os acidentes causados pela Phoneutria sp (aranha armadeira) representam a forma de araneísmo mais comumente observada no país. → Aspectos clínicos ● A picada resulta em dor local intensa, frequentemente imediata, edema discreto, eritema e sudorese local, parestesia e fasciculação muscular ● Pode ocorrer óbito em acidentes graves (raros), após hipotensão arterial, insuficiência cardíaca, choque, graus variáveis de depressão neurológica, inclusive coma. LOXOSCELES Loxoscelismo (aranha marrom) Conhecida como aranha marrom, é encontrada com facilidade nas residências, atrás de quadros, armários, no meio de livros, caixas de papelão e outros objetos pouco remexidos. → Aspectos clínicos ● Forma cutânea: é a mais comum, caracterizando-se pelo aparecimento de lesão inflamatória no ponto da picada, que evolui para necrose e ulceração ● Forma cutâneo-visceral: além de lesão cutânea, os pacientes evoluem com anemia, icterícia cutâneo-mucosa, hemoglobinúria ● A insuficiência renal aguda é a complicação mais temida (maior causa de óbito) LATRODECTUS Lactrodectismo: viúva negra → Aspectos clínicos Quadro clínico caracterizado por dor local intensa, eventualmente irradiada. Alterações sistêmicas como sudorese, mialgia (evolui para cãibras), contraturas musculares, agitação psicomotora de intensidade variável, hipertensão arterial e choque são registradas A caranguejeira, apesar de seu aspecto assustador, não possui veneno. Sua picada causa alguma dor e pode ser complicada por reações alérgicas - em geral, desencadeadas pelo contato com seus pelos. A aranha de jardim (Lycosa) possui pouco veneno e sua picada ocasiona apenas dor local, que cede com analgésicos comuns SOROS O soro Antiaracnídico é utilizado nos acidentes causados por aranhas dos gêneros Loxosceles e Phoneutria O soro Antiloxoscélico é utilizado nos acidentes causados por aranhas dos gêneros Loxosceles O Soro antilatrodéctico (importado da argentina) é utilizado nos acidentes causados por aranhas dos gêneros Latrodectus Os acidentes por Phoneutria aumentam significativamente no início da estação fria (abril/maio), enquanto os casos de loxoscelismo sofrem incremento nos meses quentes do ano (outubro/ março) Escorpionism� Os escorpiões possuem uma quantidade muito pequena de veneno na glândula, mas de grande atividade tóxica. A maior parte dos acidentes em adultos é benigna, mas em crianças e idosos é quase sempre fatal, se não forem tomadas as devidas providências em curto espaço de tempo. O veneno é rapidamente absorvido pela pele e músculos, deslocando-se para o sangue, rins, pulmão e sistema nervoso. A maior ação ocorre no sistema nervoso, com efeitos locais e sistêmicos. → Aspectos clínicos: O envenenamento por estes animais causa dor local intensa, que se irradia por todo o corpo, podendo ainda ocorrer inchaço e vermelhidão leves no local da picada. A dor causada se torna tão intensa que o paciente entra em choque neurogênico, o que pode levá-lo à morte. No mundo todo, existem aproximadamente 1400 espécies de escorpiões até hoje descritas. No Brasil, há cerca de 75 espécies amplamente distribuídas por todo o país, sendo que o gênero Tityus é o mais rico em espécies, representando cerca de 60% da fauna escorpiônica neotropical TITYUS SERRULATUS Também chamado escorpião amarelo, pode atingir até 7cm de comprimento. Apresenta o tronco escuro, patas, pedipalpos e causa amarelos, sendo esta serrilhada no lado dorsal. Considerado o mais venenoso da América do Sul, é o escorpião causador de acidentes graves, principalmente em Minas Gerais. TITYUS BAHIENSIS Apresenta colorido geral marrom-escuro, às vezes marrom-avermelhado, pernas amarelas com manchas escuras. Possui fêmures e tíbias do pedipalmes com manchasescuras TITYUS STIGMURUS Apresenta colorido geralmente amarelo-claro com um triangulo negro na cabeça e uma faixa longitudinal mediana. ASPECTOS CLÍNICOS Manifestações locais: caracterizam-se fundamentalmente por dor no local da picada, às vezes irradiada, sem alterações do estado geral Manifestações sistêmicas: menos frequentes. Além da dor local, alterações sistêmicas como hiper ou hipotensão arterial, arritmias cardíacas, tremores, agitação psicomotora, arritmias respiratórias, vômitos e diarréia. O edema pulmonar agudo é a complicação mais temida. A gravidade no escorpionismo depende de fatores como a espécie e tamanho do escorpião causador do acidente, da massa corporal do acidentado, da sensibilidade do paciente ao veneno, da quantidade de veneno inoculado e do retardo no atendimento SORO ANTIESCORPIÔNICO O uso do soro antiescorpiônico (SAEs) deve seguir as mesmas orientações do uso de outros soros heterólogos Acidentes leves: dor local, às vezes com parestesia; não administrar soro antiescorpiônico (SAEs). Observar o paciente por 6 a 12 horas Acidentes moderados: dor local intensa, manifestações sistêmicas como sudorese discreta, náuseas, vômitos ocasionais, taquicardia, taquipnéia e hipertensão leve; administrar 2 a 3 ampolas de SAEs IV. Acidentes graves: além dos sinais e sintomas já mencionados, apresentam uma ou mais manifestações como sudorese profusa, vômitos incoercíveis, salivação excessiva, alternância entre agitação e prostração, bradicardia, insuficiência cardíaca, edema pulmonar, choque, convulsões coma, vômitos profusos incoercíveis preconizam gravidade; administrat 4 a 6 ampolas de SAEs IV. Planta� T�ica� Introduçã� Conceito: são plantas que pela inalação, ingestão ou contato podem causar efeitos lesivos ou distúrbios no organismo dos homens e dos animais, podendo levar a morte (raro) 60% dos casos de intoxicação por plantas são em crianças Interesse em diversas áreas: ● Intoxicação aguda → ingestão acidental por crianças e animais ● Intoxicação crônica, acidental ou proposital → distúrbios mais graves ● Uso como alucinógeno ou entorpecentes ● Intoxicação ocupacional Dificuldades no atendimento médico: ● Grande número de espécies ● Profissionais da saúde sem conhecimento de botânica ● Proximidade entre os efeito medicinais e tóxicos; ● Nomes populares→ variações regionais Plant� � Efeit� T�ic� LESÃO DA MUCOSA 01. Ráfides de Oxalato de cálcio ● Maiores causas de acidentes ● Toxicidade em todas as suas partes, particularmente no caule, folhas e látex contendo oxalato de cálcio ● Ação/ Lesão mecânica: liberação de enzimas e ácido oxálico ● Em algumas plantas, as ráfides são envoltas por uma cápsula, mas estas podem se romper. ● Ex: copo de leite, lírio da paz, azedinha, trevo comigo-ninguém-pode, costela de adão ● Manifestações clínicas: ○ Ingestão: salivação, dor em queimação, edema de cavidade oral, faringe e glote, disfagia, náuseas e vômitos. Grande edema pode provocar impossibilidade de fala ○ Cutâneo: Dermatite de contato ○ Ocular: Edema, fotofobia e lacrimejamento 02. Látex tóxico ou irritante ● Ação direta de substâncias químicas da planta, principalmente enzimas ● Início dos sintomas logo após o contato com a planta ● Ex: coroa-de-cristo, espirradeira, avelós, bico de papagaio, chapéu de Napoleão ● Manifestações clínicas: ○ Ingestão: secreção abundante de saliva, dificuldade de deglutição, dor e queimação da mucosa oral, língua e lábios, edema da cavidade oral, faringe e glote ○ Cutâneo: dermatite de contato ○ Ocular: edema, fotofobia e lacrimejamento. Pode haver ulceração de córnea ● Tratamento ○ Ingestão: esvaziamento gástrico; usar demulcente ○ Cutâneo: lavar com água corrente ○ Ocular: lavar com água corrente ou solução fisiológica; encaminhar ao oftalmologista se necessário IRRITAÇÃO CUTÂNEA 01. Trauma mecânico ● Espinhos, pelos, espículas, ráfides de oxalato de cálcio ● Tratamento: retirar fragmentos, limpeza local, compressas frias 02. Sensibilização alérgica ● Síntomas: dermatite alérgica, prurido, eritema, edema, vesículas, bolhas ● Tratamento: anti histamínicos e corticoides 03. Fitofotodermatose ● Sensibilização da pele pela planta associada à radiação ultravioleta ● Sintomas: dermatite aguda (eritema, vesículas e bolhas) surge horas após exposição solar ● Bergapteno - A substância absorve grande quantidade de radiação solar, o que provoca inflamações na pele: manchas ● Furano-cumarina DISTÚRBIOS GASTROINTESTINAIS 01. Toxoalbuminas a. Ricina ● Presente namamona ● Mecanismo de ação: inibidora de ribossomos do tipo II, bloqueando a síntese de proteínas pelo organismo ● Ação: mastigação e à quantidade ingerida ● Absorção rápida ● Dose letal: 0,06 - 0,18 g→ morte: 1-2 sementes ● Sintomas da intoxicação por mamona: depende da dose e via de introdução ○ distúrbios hidroeletrolíticos ○ morte agonizante e longa ● Não existe antídoto para a mamona. Tratamento é realizado com auxílio médico: manter a respiração, administração de líquidos por via intravenosa e medicamentos para tratar o inchaço b. Abrina ● Presente no Jequiriti, junto com ácido ábrico ● Sintomas: gastroenterite severas (vômitos e diarreias intensas), distúrbios hidroeletrolíticos, alucinações ● Mecanismo de ação: irritação da mucosa TGI e hemaglutinante ● Potencialmente fatal → ½ - 2 sementes podem levar à morte (poucos mg) DISTÚRBIOS NEUROLÓGICOS Alcalóides ● Princípio ativo: alcalóides beladonadas ● Presentes em quase toda a planta, sendo a concentração maior nas sementes ● Ex: Saia Branca e Saia Roxa ● Mecanismo de ação: inibição da acetilcolina nos receptores do sistema nervoso autônomo (propriedades anticolinérgicas) ● Manifestações clínicas: pele quente e seca, mucosa secas, rubor da face, pupilas dilatadas, taquicardia, retenção urinária, distúrbios do comportamento, agitação psicomotora, confusão mental e alucinações ● Essas propriedades tóxicas dos vegetais beladonados são decorrentes da presença de vários alcalóides, entre os quais a daturina, uma mistura de hiosciamina e escopolamina e atropina DISTÚRBIOS CARDÍACOS ● Princípio ativo: glicosídeos cardiotônicos ○ Qualquer parte da planta é tóxica, desde as flores até a raiz ● Mecanismo de ação: inibição da bomba Na-K-ATPase. Aumenta cálcio intracelular - aumenta a força de contração do miocárdio ● Manifestações clínicas: ○ Distúrbios gastrointestinais, como náuseas, vômitos, cólicas abdominais e diarréia muco-sanguinolenta. ○ Posteriormente aparecem manifestações cardíacas, semelhantes às observadas na intoxicação digitálica ○ Distúrbios do ritmo são comuns: bloqueios, extra-sístoles, taquicardia, fibrilação atrial ou ventricular = parada cardíaca ○ Ex: Espirradeira, Dedal de dama PLANTAS ABORTIVAS 01. Canela ● Doses excessivas produsem irritação das mucosas e hematúria podendo, também, levar ao aborto nos períodos iniciais da gravidez 02. Alecrim ● Apesar de pouco tóxico, a ingestão de grandes quantidades das folhas podem provocar sono, gastrenterite, hematuria, irritabilidade. Uso interno em altas doses pode ser abortivo 03. Arruda ● Irritante e narcótico. Ação direta e rápida sobre estômago, duodeno e útero. Tanto por via oral quanto por via tópica podem provocar hemorragia uterina Animai� doméstic� ● O problema ameaça principalmente cães e gatos, que podem ingerir plantas tóxicas por disfunções digestivas, deficiências alimentares, distúrbios comportamentais ou simplesmente por puro tédio ● Sintomas observados: agitação, sonolência, salivação intensa, vômitos, náuseas, dor abdominal, hemorragias, tremores, falta de apetite, dificuldades respiratórias, alteração do ritmo cardíaco ● De acordo com a planta ingerida, os sintomas podem se agravar em caso de indução de vômitos do animal, devido a irritação que algumas plantas podem causar à mucosa oral e esôfago. ● Medidas adotadas: ○ Não permita que comam plantas ou qualquer tipo de grama durante passeios ○ Cuidado ao podar as plantas que eliminam látex e evite deixar galhos em local onde o animaltenha acesso ○ Em caso de suspeita de intoxicação: verifique se há plantas arrancadas ou destruídas no ambiente. Prevençã� ● Mantenha as plantas venenosas fora do alcance das crianças ● Conheça as plantas venenosas existentes em sua casa e arredores ● Ensine as crianças a não colocar plantas na boca e não utilizá-las como brinquedos ● Não prepare remédios ou chás caseiros com plantas sem orientação médica ● Não coma folhas, frutos e raízes desconhecidas ● Tome cuidado ao podar as plantas que liberam látex provocando irritação na pele e principalmente nos olhos ● Quando realizar serviços de jardinagem, use luvas, óculos, chapéu, camisa de manga longa, tesoura de poda e pazinha ● Não confiar em pequenos animais ou pássaros para saber se a planta é tóxica ● Em caso de acidente, procure imediatamente orientação médica e guarde a planta para identificação ● Em caso de dúvida, ligue para o Centro de Intoxicação de sua região Tratament� gerai� ● Diminuição da exposição do organismo ao t´xico ● Aumento da eliminação do tóxico já absorvido ● Administração de antídotos ● Tratamento geral e sintomático Ecot�icologi� Introduçã� O último lugar que o agente tóxico chega é sempre a água Após a Segunda Guerra Mundial, houve uma crescente preocupação sobre os impactos do descarte de materiais tóxicos no meio ambiente. Essa preocupação levou cientistas a expandir a toxicologia do estudo de impactos no homem para o estudo de impactos no meio ambiente. Esse campo de estudos se tornou conhecido como Toxicologia Ambiental. ● Toxicologia ambiental: Estudos dos efeitos adversos dos poluentes no meio ambiente e em organismos individuais ● Ecotoxicologia: área especializada da Toxicologia Ambiental que estuda os impactos das substâncias químicas na dinâmica de populações em um ecossistema (conjunto dos relacionamentos que os organismos vivos e o ambiente mantêm entre si, em harmonia). ○ Biosfera, Ecossistema, comunidades, populações, organismos (Na disciplina) Toxicologia ambiental = Ecotoxicologia PARÂMETROS ● A saúde da população depende da saúde do indivíduo e da saúde de outros organismos da comunidade ○ De forma que a contaminação vai sendo passada adiante, de espécie para espécie, ambiente para ambiente, etc Objetivos da Ecotoxicologia: caracterização, entendimento e prognóstico dos efeitos deletérios de produtos químicos, isolados ou em misturas, produzidos pelo ser humano no meio ambiente. Entrada no meio ambiente (da mesma forma que acontece no nosso corpo, acontece com o meio ambiente) → Emissão de contaminantes através de fontes pontuais (indústrias) e não pontuais Destino e comportamento dos químicos → Movimentação naquele local, sendo degradada ou não. O contaminante pode ir para a atmosfera, hidrosfera ou litosfera, sendo que em cada um destes, vai ocorrer processos físicos, químicos e biológicos (biotransformação que ocorre no nosso corpo). Efeitos sobre a biosfera → organismos, populações, comunidades e ecossistemas vão sofrer com a presença daquele contaminante Contaminante� Agentes tóxicos são classificados como: ● De origem antropogênica; ○ Decorrentes da atividade humana, industriais , de exploração.. ○ São os que mais impactam na natureza: ● De origem natural. ○ Atividade vulcânica, incêndios florestais… Movimentaçã� d� Agent� T�ic� Distribuição, bioacumulação (bioconcentração e biomagnificação) 01. Distribuição: Local onde se encontra determinado poluente (organismo, água, ar, solo); localização final de uma SQ em um organismo após sua dispersão no meio 02. Bioacumulação: Mais geral, está relacionado ao acúmulo (Ex: DDT em tecidos gordurosos). Ou seja, forma como vai se acumular Apresenta relação com a absorção (via e velocidade) e com a eliminação, hidrofobicidade, fatores ambientais, físicos e biológicos. ● Taxa de absorção e eliminação rápida → ideal. Mas se a taxa de absorção e eliminação são diferentes, de forma que se absorve muito rápido e não consegue eliminar, tem-se a bioacumulação do agente tóxico dentro do organismos→ problema Bioacumulação pode ser: ● Bioconcentração (forma direta): Bioacumulada no meio ambiente e entra no organismo (ex: AG tóxico presente na água entrando nos peixes) ○ Fator de concentração = Concentração da SQ em um organismo/ Concentração da SQ no ambiente que o circunda ● Biomagnificação (forma indireta): substância química entra no organismo do animal pequeno via bioconcentração e, posteriormente, algum predador come esse peixe. Em seguida, o homem vai ao mercado comprar o peixe maior, de forma que o agente tóxico se acumula no ser humano. ○ Vai aumentando a concentração à medida que vai aumentando o nível trófico da cadeia alimentar. Isso porque, a taxa de absorção será diferente da taxa de eliminação. Dessa forma, como tem um prazo prolongado para eliminação e come-se animais contaminados diversas vezes, vai se acumulando agentes tóxicos no organismo. ○ DDT (taxa de eliminação muito longa) Transportes através do meio ambiente 01. Transporte no meio aquoso Nas águas superficiais: contaminantes na forma de solução (hidrofílico - transporte mais eficiente na água) ou suspensão (hidrofóbico) Distância percorrida pelo contaminante depende: estabilidade química, estado físico e fluxo do corpo d’água, densidades (contaminação com petróleo: fração mais leve atinge ou permanece na superfície e a fração mais pesada se sedimenta). Substâncias hidrofílicas se distribuem ao longo da superfície configurando as soluções; e substâncias lipofílicas se associam ao material particulado, formando a suspensão, a qual pode precipitar, se acumulando no sedimento de rios, lagos e mares: geralmente formado por compostos orgânicos adsorvidos em partículas 02. Transporte na atmosfera Depende: ● do estado físico ● da movimentação das massas de ar. Processos de remoção do ar: ● deposição seca ● deposição úmida (quando se tem a presença de chuva) ● reações químicas (ex: fotólise) 03. Transporte no solo ● Compartimento de porosidade variada (preenchido por gases e líquidos). ● Movimentação por difusão por intermédio dos fluidos. ● Velocidade de difusão depende: ○ peso molecular; ○ concentração da SQ; ○ pH e constituintes do solo Degradaçã� d� Agent� T�ic� Degradação das substâncias químicas nos diversos compartimentos ambientais Decomposição de moléculas orgânicas em moléculas menores. Tem influência direta na toxicidade (aumentando ou diminuindo). 01. Degradação abiótica ● Químicas (hidrólise e reações de oxi-redução). ● Fotólise: direta; indireta. ● Adsorção/complexação com constituintes orgânicos 02. Degradação biótica (biodegradação) Necessita de um organismo para realizar a degradação. Mecanismo mais importante para orgânicos. Resulta em CO2, H2O e biomassa microbiana. Pode ser aeróbia ou anaeróbia. Variáveis influentes: ● Temperatura. ● pH. ● Concentração do contaminante. ● Concentração de microorganismos viáveis. ● Tempo de adaptação (entre a exposição e o início da degradação). ● Presença de nutrientes para o crescimento microbiano. ● Teor de água. Mecanismos de Degradação Molecular ● Monoxigenases = principal sistema (Ex: hidroxilação, desaminação, formação de epóxido, desalquilação ● Metilação = dimunição da solubilidade dos poluentes em água ● Conjugação com glutationa = indução (hidrocarbonetos policíclicos) pode modular a toxicidade de poluentes Efeit� sobr� organism� �p�t� Qua estratégia dos organismos (resistência) frente às adversidades do ambiente? Percepção, Sinalização e Resposta (proteção) ● Mudança no balanço entre as espécies coexistentes (alteração na biodiversidade) ○ Efeitos visíveis dessas mudanças- possibilidade de reversão? ● Efeitos agudos ● Efeitos crônicos ○ Fatores intrínsecos (característica da espécie), extrínsecos (fatores ambientais, alteração da disponibilidade do poluente e tolerância dos organismos) Avaliaçã� d� risc� Geralmente baseia-se em um modelo experimental O aceptor final do agente tóxico é sempre a água, de forma que os animais marinhos são os mais afetados- zooplâncton, bactérias, crustáceos (artêmia) peixes pequenos, peixes grandes, etc (utilizados para modelos experimentais por essa razão) EXEMPLOS DE TESTES ● Monitoramento da água: deposição de chumbo em peixes (alterações morfológicas no fígado) ● Monitoramento da qualidade do ar: efeito do fluoreto em plantas de Dracena ● Monitoramento da qualidade do solo: plantas de girassol em solo com diferentes concentrações de chumbo Praguicida� � Agrot�ic� Definiçã� O termo agrotóxico passou a ser utilizado no Brasil, ao invés de defensivo agrícola, para denominar os venenos agrícolas, colocando em evidência a toxicidade desses produtos ao meio ambiente e à saúde humana. Os agrotóxicos podem ser definidos como quaisquer produtos de natureza biológica, física ou química que tem a finalidade de exterminar pragas ou doenças que ataquem as culturas agrícolas. �nalidad� Principais objetivos da utilização de praguicida: ● Aumento da produção agrícola ● Melhoria da saúde pública Classificaçã� Os praguicidas são classificados em: ● Inseticidas: combatem insetos em geral ● Fungicidas: atingem os fungos ● Herbicidas: matam as plantas invasoras ou daninhas ● Raticidas QUANTO À FINALIDADE ● Ovicidas: atingem os ovos dos insetos ● Larvicidas: atacam as larvas ● Acaricidas: específicos para ácaros ● Formicidas: atacam formigas QUANTO À MANEIRA DE AGIR ● Através da ingestão: a praga deve ingerir a planta com o produto ● Microbiano: o produto contém microrganismo que atacarão a praga ou o agente causador da doença ● Por contato: ao tocar o corpo da praga o produto já faz efeito. QUANTO À ORIGEM ● Orgânico: natural ● Inorgânicos: sintéticos Aspect� Históric� ● Avanço agrícola X produtividade: necessidade de produzir mais alimento com o aumento da população ● Liberação do uso de pesticidas sem o prévio estudo dos impactos ambientais ● Séc XVII: extratos aquosos de folhas de tabaco (nicotina) como inseticidae semento da nóz vómica (estricnina) como rodenticida ● Séc XVIII: compostos de cobre como fungicida ● Séc XIX: utilização do trióxido de arsênio (herbicida), ácido sulfúrico para destruir plantas dicotiledôneas. ● 1941: DDT, barato e fácil de fazer, aclamado como o pesticida universal ● Efeitos demoram até 15 anos para se manifestarem ● Guerra do Vietnã (1954 - 1975): uso do “Agente Laranja” (um herbicida que mata dicotiledônea) como arma para matar as plantas e facilitar a visão dos aviões sob as plantas do país. Int�icaçõe� n� Brasi� O Brasil é o maior consumidor de agrotóxicos no mundo, de modo que herbicidas e inseticidas são responsáveis por 60% dos produtos comercializados no país. Existe um uso indiscriminado no campo: intoxicação dos trabalhadores rurais com diferentes graus de severidade, se posicionando como um grave problema de saúde pública, principalmente nos países em desenvolvimento. A OMS estima que ocorram anualmente no mundo cerca de 3 milhões de intoxicações agudas provocadas pela exposição aos agrotóxicos, causando aproximadamente 220 mil mortes por ano. Esses dados refletem apenas parcialmente a realidade do país, já que, segundo estimativas do Ministério da Saúde, para cada evento de intoxicação por agrotóxico notificado, existem outros 50 não identificados. T�icidad� Classe 1A: Extremamente tóxico, de modo que algumas gotas podem matar uma pessoa (vermelho). Classe 1B: Altamente tóxico, de modo que de uma pitada a uma colher podem matar uma pessoa (vermelho). Classe 2: Regularmente tóxico, de modo que uma colher de chá a duas colheres de sopa podem matar uma pessoa (amarelo) Classe 3: Levemente tóxico, de modo que 2 colheres de sopa a 2 copos podem matar uma pessoa (azul). Classe 4: pouco tóxico, de modo que de 2 copos a 1L podem matar uma pessoa (verde, geralmente de uso doméstico). Desde 1985 já estão proibidas a venda e utilização de agrotóxicos mais nocivos, que ficaram conhecidos mundialmente como os doze sujos. São eles: 1. DDT 2. os “Drins”: Endrin, Aldrin, Dieldrin 3. Clordano (mistura de heptacloros) 4. Heptacloro 5. Lindano (gama-BHC, hecaclorocicloecano) 6. Paration 7. Os monocrotofós: Azodrin, Nuvacron 8. Aldicarb (Temik), o chumbinho (raticida) 9. Clordimeform: Gelecron, Fundal. 10. O 2-4-3T: O “Agente Laranja”, EDB, DBCP 11. Paraquat 12. Fungicidas à base de mercúrio (metal pesado) *Em negrito, tem se os organoclorados. Legislaçã� Brasileir� Segundo a Lei 7802/89, art 3°, parágrafo 6°, no Brasil, é proibido o registro de agrotóxicos: ● Para os quais o Brasil não disponha de métodos para a desativação de seus componentes, de modo a impedir que os seus resíduos remanescentes provoquem riscos ao meio ambiente e à saúde pública ● Para os quais não haja antídoto ou tratamento eficaz no Brasil ● Que revelem características teratogênicas, carcinogênicas ou mutagênicas ● Que provoquem distúrbios hormonais e danos ao aparelho reprodutor ● Que se revelem mais perigosos para o homem do que os testes de laboratório com animais tenham podido demonstrar ● Cujas características causem danos ao meio ambiente. Na prática, quem fiscaliza o possível uso desses doze sujos é a ANVISA. Esses produtos tiveram suas monografias excluídas no Brasil, porém 3 deles - Paraquate, mistura 2-4D e 2,3,5T (Agente Laranja, EDB e DCB) e o Aldicarb (chumbinho) - ainda são utilizados e alcançam a população. Inseticida� Organofosforados e Carbamatos São amplamente utilizados no controle e combate de pragas como inseticidas (agrícola, doméstico e veterinário), acaricidas), nematicidas, fungicidas e herbicidas na fruticultura, herbicidas na floricultura, horticultura, cultura de algodão, cereais, sementes e plantas ornamentais. Atualmente existem cerca de 200 organofosforados 25 carbamatos no mercado. →Organofosforados: São ésteres amido derivados de ácido fosfórico (vermelho - Diclorvós, Fosfamidon), ácido fosfônico (preto - Triclorfon), Tiofosfato (amarelo - Paration, Malation, Diazinon e Fenitrotion) O Gás Sarin é um exemplo de organofosforado, sendo considerado pela ONU como arma química de destruição em massa. Ele se degrada depois de um período de várias semanas a vários meses. →Carbamatos: Derivados do ácido N-metil-carmbãmico ou derivados dos ácidos tiocarbamatos e ditiocarbamatos. Como derivados do ácido N-metil-carbâmico, tem-se o metil-carbamato (Carbaril), carbamatos fenil substituídos (propoxur) e os carbamatos cíclicos (carbofuran). ● Toxicocinética Altamente lipossolúveis, são absorvidas pela pele, inalação ou ingestão. Após absorvidos, os organofosforados e seus produtos de biotransformação e carbamatos são distribuídos por todos os tecidos. A biotransformação ocorre principalmente no fígado, formando produtos menos tóxicos e mais polares. A eliminação ocorre principalmente pela urina e fezes (80-90% da dose é eliminada em 48h). ● Toxicodinâmica Mecanismo de ação: inibição enzimática das esterases, principalmente a acetilcolinesterase (AchE) - encontrada no tecido nervoso, na junção neuromuscular e glóbulos vermelhos), - que hidrolisa a acetilcolina, produzindo colina e ácido acético. A inibição da AchE leva ao acúmulo de acetilcolina nas terminações nervosas. Existe, porém, uma diferença no mecanismo de ação. →Organofosforados: inibição irreversível da AchE por meio de uma fosforilação da enzima (ligação covalente que necessita de uma energia muito grande para quebrá-la, a qual o corpo não possui) →Carbamatos: Inibição reversível rápida e espontânea da AChE e, depois disso, o corpo realiza a hidrólise de carbamatos, liberando essa enzima. No corpo, a AchE está presente na via motora somática, via autônoma parassimpática e simpática e na via simpática da adrenal. Assim, se essa enzima foi inibida, essas vias se encontram em problema. Manifestações clínicas: ocorre em poucos minutos ou até 12h depois da exposição. A intensidade depende da toxicidade, da quantidade, da taxa de absorção, da taxa de biotransformação e de exposições prévias aos inibidores de AChE. Inicialmente ocorre uma estimulação da transmissão colinérgica, seguida da