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1 Revista Contemporânea, vol. 4, n°. 9, 2024. ISSN: 2447-0961 Contemporânea Contemporary Journal Vol. 4 N°. 9: p. 01-21, 2024 ISSN: 2447-0961 Artigo ROTAÇÃO POR ESTAÇÕES NAS AULAS DE HISTÓRIA: UM ESTUDO DE CASO EM TURMAS DOS ANOS FINAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL II ROTATION BY STATIONS IN HISTORY CLASSES: A CASE STUDY IN FINAL YEAR CLASSES OF ELEMENTARY SCHOOL II ROTACIÓN POR ESTACIONES EN LAS CLASES DE HISTORIA: UN ESTUDIO DE CASO EN GRUPOS DE LOS AÑOS FINALES DE LA EDUCACIÓN PRIMARIA II DOI: 10.56083/RCV4N9-083 Receipt of originals: 08/05/2024 Acceptance for publication: 08/26/2024 Luciana Corrêa Bombardelli Mestranda Profissional em Ensino de História Instituição: Universidade Federal de Roraima (UFRR) Endereço: Boa Vista, Roraima, Brasil E-mail: lucianabombardelli@gmail.com Ana Caroline Vieira Correia Doutoranda em Educação Instituição: Universidade de São Paulo (USP) Endereço: São Paulo, São Paulo, Brasil E-mail: anacarolinevieiracorreia@gmail.com Milady Renata Apolinário Silva Doutora em Química Instituição: Universidade Federal de Itajubá (UNIFEI) Endereço: Itajubá, Minas Gerais, Brasil E-mail: milady@unifei.edu.br RESUMO: O presente artigo tem por objetivo demonstrar a aplicabilidade das metodologias ativas, mais especificamente a rotação por estações, e a receptividade dos discentes com tal abordagem pedagógica no componente curricular de História. Para isso, a rotação por estações foi experienciada em 5 turmas de 9º ano do Ensino Fundamental - anos finais – no componente história de uma escola estadual do município de Boa Vista/RR. A pesquisa 2 Revista Contemporânea, vol. 4, n°. 9, 2024. ISSN: 2447-0961 pautou-se em uma abordagem qualitativa, realizada por meio de um estudo de caso. Para que a rotação por estações fosse aplicada fez-se necessário uma aula expositiva como introdução e duas aulas com 3 estações cada, sendo que em duas estações foram utilizados recursos tecnológicos. Como resultado observou-se a participação intensa dos alunos, êxito ao trabalhar em grupos, interesse pelo assunto, e o desejo que a experiência se repetisse ao longo do ano letivo. Desta forma, demonstra-se que existe a possibilidade de aplicação da estratégia Rotação por Estações em quaisquer disciplinas e etapas de ensino, incluindo a experimentação realizada no componente História. PALAVRAS-CHAVE: metodologias ativas, tecnologias digitais da informação e comunicação, ensino fundamental, gamificação. ABSTRACT: This article aims to demonstrate the applicability of active methodologies, specifically station rotation, and the students' receptiveness to such pedagogical approach in the History curriculum. To achieve this, station rotation was implemented in 5 classes of 9th grade in the final years of Elementary School – in the History subject at a state school of Boa Vista/RR. The research was based on a qualitative approach, conducted through a case study. To implement station rotation, it was necessary to have an introductory lecture and two classes with 3 stations each, where two stations used technological resources. The result showed intense student participation, success in group work, interest in the subject, and a desire for the experience to be repeated throughout the school year. Thus, it is demonstrated that the station rotation strategy can be applied in any subject and educational stage, including the experiment conducted in the History component. KEYWORDS: active methodologies, digital information and communication technologies, elementary school, gamification. RESUMEN: El presente artículo tiene como objetivo demostrar la aplicabilidad de las metodologías activas, más específicamente la rotación por estaciones, y la receptividad de los estudiantes hacia esta aproximación pedagógica en el componente curricular de Historia. Para ello, la rotación por estaciones fue implementada en cinco grupos de 9º año de la Educación Básica - años finales - en el componente de historia de una escuela estatal de la periferia del municipio de Boa Vista/RR. La investigación se basó en un enfoque cualitativo, llevado a cabo a través de un estudio de caso. Para que la rotación por estaciones fuera aplicada, fue necesaria una clase expositiva como introducción y dos clases con tres estaciones cada una, en las cuales se utilizaron recursos tecnológicos en dos de las estaciones. Como resultado, se observó una intensa participación de los alumnos, éxito en el trabajo en 3 Revista Contemporânea, vol. 4, n°. 9, 2024. ISSN: 2447-0961 grupo, interés por el tema y el deseo de que la experiencia se repitiera a lo largo del año escolar. De esta manera, se demuestra que existe la posibilidad de aplicar la estrategia de Rotación por Estaciones en cualquier disciplina y etapa de enseñanza, incluyendo la experiencia realizada en el componente de Historia. PALABRAS CLAVE: metodologías activas, tecnologías digitales de la información y la comunicación, educación primaria, gamificación. 1. Introdução Quando nos deparamos com a palavra ATIVA, nesta proposta metodológica, nos questionamos: quem é o “ser” ativo neste processo? No ensino dito tradicional ativo é o professor que fala, explica, ensina, escreve, corrige trabalhos e provas, enquanto o aluno é passivo (Botelho; Silva, 2023). Freire (1987) classifica esse modelo como educação bancária, em que o aluno apenas recebe algo pronto e decora, enquanto, o professor deposita todo o conhecimento adquirido ao longo dos anos, sendo este o protagonista da educação. As Metodologias Ativas desejam romper com esta perspectiva, mudando o foco do processo de ensino-aprendizagem para o aluno. Segundo Valente, Almeida e Geraldini (2017, p.464) metodologias ativas são “estratégias pedagógicas para criar oportunidades de ensino nas quais os alunos passam a ter um comportamento mais ativo...”. Nesse sentido, visando um ensino que possibilite outras abordagens que não seja apenas a tradicional, os docentes devem ter em mente que, é essencial compreender que pessoas, aprendem das mais variadas formas, ao que chamamos estilo de aprendizagem (Ikeshoji; Terçariol, 2020). 4 Revista Contemporânea, vol. 4, n°. 9, 2024. ISSN: 2447-0961 Entre as metodologias ativas está a Rotação por Estações, conforme nos explicam Christensen, Horn e Staker (2013, p.27) “o modelo de Rotação por Estações - ou o que alguns chamam de Rotação de Turmas ou Rotação em Classe - é aquele no qual os alunos revezam dentro do ambiente de uma sala de aula. De acordo com Bacich, Tanzi Neto e Trevisani (2015), a rotação por estações consiste em organizar os alunos em grupos, que circulam por estações de acordo com o tempo estipulado pelo professor, de forma que uma das estações disponha de um recurso tecnológico, trabalhando de forma colaborativa. Para utilização da rotação por estação, faz-se necessário repensar que a aprendizagem não ocorre somente em sala de aula, com o professor como o centro do processo. Além de também levar em consideração as dificuldades, como a precarização escolar, desmotivação e falta de diálogo entre os professores e alunos (Schneider, 2015; Botelho; Silva, 2023). Dessa forma, este trabalho tem como objetivo a aplicabilidade da metodologia ativa a Rotação por Estações no componente curricular História do 9° ano com foco no conteúdo sobre o império brasileiro. 2. Metodologia Este artigo faz parte do trabalho final de conclusão do curso de especialização lato sensu em Metodologias Ativas para a Docência na Educação Básica, oferecido pela Universidade Federal de Itajubá- MG. Esta pesquisa é de cunho qualitativo (Santos, 2022), em que a observação da pesquisadora é sistemática (Lakatos; Marconi, 2003). Isto se dá em razão da pesquisadora, Bombardelli, L. C.,ser docente das turmas do 9° ano do componente curricular História e, enquanto, os alunos participavam da estratégia metodológica, a mesma os auxiliava e observava a dinâmica em aula. 5 Revista Contemporânea, vol. 4, n°. 9, 2024. ISSN: 2447-0961 Todas as ações e percepções descritas neste trabalho são fruto, ainda, de um estudo de caso, uma vez que a metodologia de rotação por estações foi posta em prática em uma escola do estado de Roraima. O estudo de caso, de acordo com Sátyro e D’Albuquerque (2020), é quando o pesquisador observa um caso e a partir de então gera inferências, por meio da descrição de fenômenos sociais. Para a realização da ferramenta pedagógica Rotação por Estação foi realizada uma pesquisa bibliográfica no Google Acadêmico com as palavras- chave “metodologias ativas”, “rotação por estações” e, posteriormente, com as palavras-chave “metodologias ativas na educação básica” e “rotação por estações na educação básica”. Foram selecionados apenas artigos publicados entre os anos de 2019 a 2023, e foram separados 6 artigos de diferentes componentes curriculares da educação básica que utilizaram a Rotação por Estações como opção de metodologia ativa. 2.1 Desenvolvimento da Sequência Didática no Componente História Utilizando-se a Ferramenta Rotação por Estações As aulas do componente história empregando a ferramenta Rotação por Estações, ocorreram em uma escola estadual de ensino fundamental da periferia do município de Boa Vista, capital do Estado de Roraima. Para aplicação da metodologia ativa foi definido, primeiramente, o conteúdo histórico a partir da problemática: queda do império brasileiro. Esse tema foi utilizado com as turmas do 9º ano, com o objetivo de revisar tal conteúdo para compreender a Proclamação da República (1889) e, assim, trabalhar posteriormente com os discentes, o período histórico brasileiro denominado Primeira República. Geralmente as turmas são organizadas com uma média de 35 alunos. Contudo, quando a rotação por estações foi aplicada, alguns alunos ainda não haviam comparecido às aulas, pois ainda era início do ano letivo. 6 Revista Contemporânea, vol. 4, n°. 9, 2024. ISSN: 2447-0961 Portanto, participaram da pesquisa 156 alunos. Nesse processo houve uma aula expositiva para recordar a dinâmica social e política do Segundo Reinado (1840 – 1889) e duas aulas com a Rotação por Estações com uma breve explicação de como se desenvolveria a metodologia. Após estas duas aulas houve ainda um questionário, pelo Google Forms, respondido pelos alunos com o objetivo de compartilhar as impressões da participação na aplicação da sequência didática aqui desenvolvida. Ressalta-se que foram disponibilizados pela escola 10 tablets, comprados recentemente, entretanto, a escola não disponibiliza de internet, ficando a cargo da professora rotear internet do seu smartphone quando necessário. O Quadro 1 resume a sequência didática aplicada. As aulas foram aplicadas no primeiro semestre de 2024. Quadro 1. Sequência didática - Rotação por estações: queda do Império brasileiro. Aula Assunto Material utilizado Tempo Aula expositiva II Reinado brasileiro Quadro branco, pincel para quadro branco, caderno canta e lápis 60 minutos Rotação por estações – aula I Orientações iniciais Quadro branco, pincel, indicações das estações impressas, fita crepe 15 minutos 1ª estação: texto gerador – A Guerra Sangrenta Texto fotocopiado, papel, lápis, caneta 15 minutos 2ª estação: texto gerador - Voluntários da Pátria Texto fotocopiado, papel, lápis, caneta 15 minutos 3ª estação: vídeo aulas Tablets e fones de ouvido com e sem fio 15 minutos Rotação por estações – aula II Orientações iniciais Quadro branco, pincel, indicações das estações impressas, fita crepe 15 minutos 4ª estação: texto gerador – A Questão Religiosa Livro didático, papel, lápis, caneta 10 minutos 5ª estação: texto gerador – Elites agrárias e a abolição da escravatura Texto fotocopiado, papel, lápis, caneta 10 minutos 6ª estação: jogo da memória, jogo de “complete a frase” Tablets, internet 10 minutos Questionário Questionário Tablets, internet 60 minutos Fonte: Elaborado pelas autoras. 7 Revista Contemporânea, vol. 4, n°. 9, 2024. ISSN: 2447-0961 A maioria dos textos geradores, e suas respectivas perguntas, que foram utilizados na sequência didática do Quadro 1 estão disponíveis no site Nova Escola1. Um texto do livro didático utilizado neste ano (Boulos Júnior, 2022, p. 12-13), além de dois vídeos do Youtube2 e um jogo da memória desenvolvido pela docente também fizeram parte da proposta didática. Para o desenvolvimento das aulas, optou-se pela organização em 6 estações divididas em duas aulas: Aula 1: Em um primeiro momento, nas estações 1 e 2, estavam os textos geradores e na estação 3, com a utilização dos tablets disponibilizados pela escola, os alunos assistiram 2 vídeos. Aula 2: A estação 4 utilizou o livro didático, na estação 5 havia um texto gerador e, por fim na estação 6 os alunos utilizaram os tablets para se aplicarem em dois jogos desenvolvidos pela docente na plataforma online denominada “Wordwall”3: um jogo da memória e outro de completar a frase. 3. Apresentação e Discussão dos Resultados 3.1 Artigos Selecionados para a Pesquisa Bibliográfica Como base para a compreensão e desenvolvimento da sequência didática (SD) apresentada no Quadro 1, foram selecionados alguns artigos que serão resumidamente descritos abaixo. Silva e Araújo (2023) optaram por realizar uma alfabetização cartográfica, no componente curricular Geografia, através da Rotação por 1 JESUS, M. C. Plano de aula: A crise do império brasileiro. Disponível em: https://novaescola.org.br/planos-de-aula/fundamental/9ano/historia/a-crise-do-imperio- brasileiro/5489. Acesso em 19 de jan de 2023. 2 Estratégia ENEM e Vestibulares. História do Brasil – a crise do 2° Reinado. YouTube, 05 mar. de 2021. 4mim45s. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=cYEwzeslEW8. Acesso em: 29 jan. 2024. Conceito Ilustrado. Segundo Reinado (resumo). YouTube, 24 set. de 2018. 7min55s. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=Fef_bNUdieA. Acesso em: 29 jan. 2024. 3 https://wordwall.net/myactivities/folder/4689260/esta%C3%A7%C3%A3o-6. https://wordwall.net/myactivities/folder/4689260/esta%C3%A7%C3%A3o-6 8 Revista Contemporânea, vol. 4, n°. 9, 2024. ISSN: 2447-0961 Estações com 16 estações em 3 semanas. A flexibilidade na quantidade de aulas e estações incentiva o professor a utilizar tal metodologia, pois lhe permite adaptar à sua realidade escolar. Paula e Fortuna (2019) realizaram a rotação dos materiais e não dos grupos nas aulas de Geografia, pois as salas estavam lotadas e eram muito pequenas. A superlotação das salas é um agravante para o processo de ensino e aprendizagem, entretanto, apesar das dificuldades, os professores conseguiram desenvolver a proposta. A superlotação também é realidade no contexto da pesquisadora, então, avaliou-se utilizar um espaço maior da escola para realizar a dinâmica. Steinert e Hardoim (2019) desenvolveram as atividades no componente curricular Biologia com turmas do Ensino Médio. Foram propostas 6 estações sendo que 5 utilizaram o livro didático e em uma houve o uso de internet por meio de smartphone. As autoras ressaltam que os alunos reclamaram da leitura nos livros didáticos e as mesmas analisaram como uma evidência da falta da prática de leitura por parte dos discentes. Com base neste relato, resolveu-se trabalhar com 6 estações, com apenas 2 textos geradores. Santos et al. (2020) discorreram sobre o experimento desenvolvido em Ciências/Biologia ressaltando aimportância de uma aula expositiva antes da Rotação e que os alunos responderam bem ao trabalho em grupo, mesmo que isto não fizesse parte do seu cotidiano. Assim, na SD do Quadro 1 adicionou-se uma aula expositiva para explicar a dinâmica aos alunos. No trabalho desenvolvido por Silva e Oliveira (2020), nas aulas de matemática, também houve a escuta dos alunos por meio de questionário, na qual os autores salientaram as dificuldades dos estudantes em focar a atenção nas aulas expositivas, realidade corriqueira em nossos dias. Dessa forma, adicionou-se um questionário do Google Forms para os alunos adicionarem suas percepções e fez-se uma aula expositiva de curta duração. Através da leitura dos relatos de experiência citados nos artigos acima, 9 Revista Contemporânea, vol. 4, n°. 9, 2024. ISSN: 2447-0961 para além de basear a SD, pode-se perceber que as dificuldades nas escolas, nas salas e com os alunos se assemelham. Dificuldades desde a quantidade excessiva de alunos por turma, salas de aulas pequenas, falta de interesse dos alunos em ler textos em livros didáticos ou textos, intercorrências variadas nas escolas que causam repentina mudança de planos. Assim, é de suma importância para o docente pesquisar outras experiências e adequar a metodologia a sua realidade escolar, não perdendo de vista as potencialidades dos discente. Atenta às observações e relatos nos artigos da literatura foi que a resolveu-se mesclar diferentes instrumentos de aprendizagem nas rotações, visando alcançar o maior número de estilos de aprendizagem (Schmitt; Domingues, 2016) 3.2 Aplicação do Plano de Aula Utilizando a Rotação por Estações No primeiro momento foram disponibilizadas 3 estações: duas com textos geradores com uma pergunta para o grupo discutir e na terceira estação havia no tablet dois vídeos de aulas curtas, que foram baixados e passados para os aparelhos previamente pela pesquisadora. Como foi a primeira vez que os alunos e a professora colocavam em prática esta metodologia houve contratempos: a professora desenhou no quadro branco da sala de aula, Figura 1, como os grupos se movimentariam e as estações estavam identificadas, porém os grupos se atrapalharam na hora da troca das estações; em algumas turmas os alunos demoraram para formar os grupos, demonstraram certa apatia, falta de interesse em até levantar da cadeira. Esta postura dos alunos nos revela como ainda está arraigada na educação o modelo tradicional onde o professor explica e os alunos copiam do quadro e respondem exercícios no caderno, inclusive eles pedem para que o professor atue desta forma. 10 Revista Contemporânea, vol. 4, n°. 9, 2024. ISSN: 2447-0961 A postura apática e desmotivada de alguns alunos desta geração vem se mostrando um desafio para os professores. Bueno (2013) corrobora com esta reflexão ao passo que nos mostra que o principal problema de aprendizagem está justamente na motivação, ou melhor, na falta desta, gerando, por consequência “[...] falta às aulas, deveres escolares não realizados, conversas paralelas em sala de aula, indisciplina, falta de concentração; gerando um ciclo vicioso, notas baixas, reprovação e mais desmotivação” (Bueno, 2013, p. 9). Figura 1. Quadro demonstrativo da movimentação dos grupos em sala durante a aula com rotações por estações. Fonte: Elaboradas pelos próprios autores. Para o planejamento prévio da trajetória das movimentações dos grupos durante a aplicação da metodologia rotação por estações, utilizou-se por base a experiência relatada por Guerra Júnior (2020), no qual expõe em seu artigo um quadro com uma estratégia de organização dos grupos ao longo de duas aulas. Na segunda aula foram disponibilizadas mais três estações: na quarta estação foi realizada leitura e interpretação de um texto do livro didático que eles utilizam no cotidiano escolar; na quinta estação mais um texto gerador; na sexta estação um jogo online desenvolvido pela professora na plataforma “Wordwall”, ao qual os alunos deveriam jogar em dupla. 11 Revista Contemporânea, vol. 4, n°. 9, 2024. ISSN: 2447-0961 Na segunda aula pode-se perceber que os alunos haviam compreendido melhor a dinâmica da proposta e participaram mais das atividades disponibilizadas. A organização e seleção dos membros dos grupos foram feitas pelos próprios alunos e poderiam ser os mesmos da aula anterior ou não. Na sexta estação o objetivo foi reforçar a temática das aulas: no jogo da memória os alunos deveriam relacionar a imagem com palavras, Figura 2, e no jogo de completar, os alunos colocariam palavras-chave nas frases, Figura 3. Figura 2. Jogo da memória sobre queda do Império brasileiro. Fonte: própria autora. Figura 3. Jogo “complete a frase” sobre à crise do Império brasileiro. Fonte: própria autora. Nas estações com os textos geradores e o livro didático, os alunos deveriam ler o texto em grupo e responder a uma pergunta. Percebeu-se que os alunos liam os textos, todos curtos, e não sabiam o significado das palavras e, portanto, não compreendiam totalmente o texto. Observou-se 12 Revista Contemporânea, vol. 4, n°. 9, 2024. ISSN: 2447-0961 ainda, que eles buscavam responder com trechos do texto, mas este não era o objetivo. Em vista disso, nestas estações houve um desdobramento da professora em buscar atender todos os grupos - quatro por aula. Neste atendimento a professora lia o texto por partes e perguntava se eles haviam compreendido o significado das palavras, e diante da negativa, havia a explicação do texto e, por fim, a pergunta era lida para os alunos sem oferecer a resposta. Após a leitura da pergunta, a professora saía para atender outros grupos e depois de um tempo retornava e fazia a mesma pergunta, até eles responderem corretamente, com suas próprias palavras, ou até o tempo acabar. Estas observações relacionadas às dificuldades com a leitura corroboram com os relatos de Steinert e Hardoim (2019). Como o ensino tradicional ainda é muito arraigado, os alunos acreditam que somente o professor pode explicar corretamente. Portanto, observou-se que os alunos mesmo sentados em grupo ainda queriam que o professor explicasse e oferecesse a resposta. Quando a professora explicava o texto, lia a pergunta e pedia para eles conversarem entre si para encontrar uma resposta que representasse a opinião do grupo havia um estranhamento, uma vez que esta prática está longe da realidade deles. Essa postura dos alunos demonstra como há a necessidade de cada vez mais os professores serem formados para utilizarem diferentes ferramentas no processo de ensino-aprendizagem. Santos et al. (2020) e Lima e Moura (2015) observaram a importância do trabalho em grupo para a construção de conhecimento, além de que, identificados os alunos com maior rendimento, estes passam a ter o papel de tutores. Ao analisar o experimento aqui relatado pode-se afirmar que, de fato, o trabalho em grupo é de grande valia no processo de ensino- aprendizagem, já que os alunos têm mais facilidade em aprender com seus pares, entretanto, ainda falta essa conscientização por parte dos alunos. 13 Revista Contemporânea, vol. 4, n°. 9, 2024. ISSN: 2447-0961 Os alunos com deficiência (PCD) também participaram das aulas circulando em todas as estações. Houve um único caso de uma aluna que não conseguiu permanecer no grupo, apesar de tentar. Esta aluna é autista e tem muita sensibilidade auditiva, a turma dela é composta de alunos que no ano anterior estavam em outras turmas e isso, num primeiro momento, causou desconforto à discente. Entretanto, um mês após o experimento ter sido realizado, a aluna participou de um teatro no componente curricular Artes e sua professora auxiliar expressou muita satisfação em afirmarque a experiência da Rotação por Estações foi o primeiro passo para a socialização da aluna e sua conquista em participar do teatro. Após as duas aulas aplicando a ferramenta Rotação por Estações os alunos foram convidados a responderem um questionário no Google Forms, com a intenção de perceber o entendimento, participação e aceitação do experimento, portanto, não haviam questões sobre o conteúdo, mas sobre a dinâmica das aulas. Das 5 turmas onde foram aplicadas as aulas utilizando-se Rotações, 112 alunos responderam de forma voluntária ao questionário, por meio da plataforma digital Google Forms. A Figura 4 apresenta a participação dos alunos das duas aulas em que o experimento foi realizado. Figura 4. Participação dos alunos nas aulas que utilizaram a rotação por estações. Fonte: Elaborado pelos autores O objetivo com esta pergunta foi perceber o engajamento dos alunos 14 Revista Contemporânea, vol. 4, n°. 9, 2024. ISSN: 2447-0961 em relação à proposta da aula, uma vez que é comum os alunos faltarem, principalmente na sexta-feira, dia em que aulas do componente curricular história são lecionadas. Participaram das duas aulas 90% dos alunos, isto mostra que eles se interessam por aulas mais dinâmicas e, ao se sentirem participantes do seu processo de ensino e aprendizagem e de seus pares, e serem ouvidos pela professora, os discentes desejaram permanecer na escola. Com o questionamento apresentado na Figura 5 o objetivo foi observar a percepção dos alunos com trabalhos em grupos. De acordo com as instruções de Bacich, Tanzi Neto e Trevisani (2015), é essencial para o desenvolvimento da rotação por estações a organização dos alunos em grupos. Figura 5. Percepções dos alunos sobre atividades em grupo. Fonte: Elaborado pelos autores Destaca-se que grande parte dos alunos não têm o hábito de trabalhar efetivamente em grupos, sendo que um faz a atividade e outros ficam conversando assuntos que não fazem parte da aula, e isto é muito cômodo para eles, mas que não constrói conhecimento. Por este motivo, para 20,5% tanto faz estar em grupos ou não. Steinert e Hardoim (2019) também perceberam, em um processo de escuta com seus alunos, que a falta de interesse, colaboração e inércia de alguns alunos influencia negativamente no desenvolvimento de propostas em grupos. Na indagação apresentada na Figura 6 objetivou-se verificar a abertura 15 Revista Contemporânea, vol. 4, n°. 9, 2024. ISSN: 2447-0961 dos discentes em relação às novas propostas/ferramentas metodológicas. Todas as perguntas foram produzidas de forma simples e clara para que o aluno não encontrasse dificuldade em respondê-las. Figura 6. Receptividade dos alunos à novas propostas/ferramentas metodológicas de ensino-aprendizagem. Fonte: Elaborado pelos autores Aqui percebe-se a avaliação positiva do experimento, o que pode motivar os docentes a não terem medo de propor algo novo para suas turmas, pois é, no exercício de fazer, refazer e avaliar os métodos, com a contribuição dos alunos, que se pode afetá-los, pois eles se sentem participantes do seu processo de ensino aprendizagem. No gráfico apresentado na Figura 7 o objetivo foi perceber qual estação os alunos mais gostaram. Figura 7. Avaliação das estações pelos discentes Fonte: Elaborado pelos autores Observando a Figura 7 percebe-se que os alunos gostaram mais da sexta estação que continha os jogos online. É relevante dizer que na estação 16 Revista Contemporânea, vol. 4, n°. 9, 2024. ISSN: 2447-0961 6 o jogo online necessitava de internet. A professora precisou rotear a internet do seu smartphone. O uso de jogos como recurso pedagógico é chamado de gamificação e, de acordo com Busarello (2016) este recurso motiva os alunos, pois além de contribuir para a construção do conhecimento, afeta a área emocional e cognitiva dos alunos. Observa-se que no âmbito do conhecimento os dois jogos desenvolvidos reforçaram os temas das demais estações, já o campo emocional foi percebido quando os alunos alcançavam êxito nos jogos e se alegravam e se sentiam motivados. A área social foi desenvolvida uma vez que os alunos, em sua grande maioria, estavam em duplas, com o objetivo de a atividade ser colaborativa e que os alunos pudessem se ajudar. O próximo ponto abordado no questionário, demonstrado pela Figura 8, foi com relação ao tempo para cada estação. Esta preocupação esteve presente desde o planejamento das aulas, tendo em vista que, em alguns artigos, os professores pesquisadores relataram contratempos com relação ao tempo distribuído para as estações. Figura 8. Avaliação do tempo para realizar as atividades contidas nas estações. Fonte: Elaborado pelos autores. Com relação ao tempo em cada estação, ficou decidido 15 minutos na primeira aula e 10 minutos na segunda. A escolha do tempo em cada estação foi feita baseada em leituras de livros e, principalmente, de artigos publicados nos quais autores-professores compartilharam suas experiências. Portanto, faz-se necessário destacar quão importante é que os docentes da 17 Revista Contemporânea, vol. 4, n°. 9, 2024. ISSN: 2447-0961 educação básica publiquem suas experiências. Muitas ações são realizadas pelos professores que, por estarem estressados ou com sobrecarga de trabalho, não se percebem como pesquisadores. Por este motivo é essencial os programas de pós-graduação desenvolvidos pelas universidades que se dedicam à pesquisa dos processos de ensino-aprendizagem. Analisando a Figura 8, verifica-se se em sua maioria os alunos julgaram que o tempo disponível para a realização das atividades em cada estação foi suficiente. No entanto, em relação à observação da pesquisadora, destaca- se ainda que alguns alunos, de fato, necessitam de mais tempo para desenvolver a interpretação dos textos, porém, como uma primeira experiência desenvolvida na instituição de ensino o resultado foi além das expectativas da professora. Na Figura 9, observa-se as respostas da última pergunta dirigida aos alunos, que teve como intuito avaliar, além da aceitação da metodologia, se eles gostariam que houvesse mais atividades que utilizassem como recurso metodológico a rotação por estações. Figura 9. Interesse por mais aulas com Rotação por Estações Fonte: Elaborado pelos autores Por meio desta pergunta, pode-se inferir que os discentes gostaram da atividade e desejam que ela seja utilizada novamente nas aulas. Ressalta-se mais uma vez, que esta foi a primeira oportunidade de aplicação desta metodologia na instituição. 18 Revista Contemporânea, vol. 4, n°. 9, 2024. ISSN: 2447-0961 4. Considerações Finais Neste trabalho compartilhou-se a experiência de se aplicar uma sequência didática visando a revisão da componente história utilizando-se a metodologia ativa tendo como ferramenta a Rotação por Estações em turmas de 9º ano, em uma escola pública do extremo Norte do Brasil. A Rotação por estação foi planejada dentro da realidade escolar, em duas aulas com três estações cada. As estações buscavam abordar a crise do império brasileiro de formas variadas: livro didático, vídeos do YouTube, textos geradores e dois jogos desenvolvidos pela docente. Este plano de aula foi utilizado como uma revisão de conteúdo para o primeiro bimestre do 9º ano do Ensino Fundamental. Ao final os alunos responderam, de forma voluntária, a um questionário no qual avaliaram a metodologia utilizada. Como resultado observou-se a participação intensa dos alunos, êxito ao trabalhar em grupos, interesse pelo assunto, e desejo que a experiência se repetisse ao longo do ano letivo. Este experimento teve sua relevância para a escola por ser o primeiro a ser desenvolvido e foi uma atividade diferente da realidadedos discentes no cotidiano escolar. Por este motivo, apesar de um pouco confusos no início da atividade, eles participaram ativamente em todas as estações. Salienta-se ainda que, as Metodologias Ativas de ensino-aprendizagem são possíveis de serem trabalhadas nas escolas, mesmo as mais carentes, mas é preciso investir em uma boa formação continuada para o professor poder abrir sua mente para uma realidade cuja educação é colaborativa. Não estamos aqui deixando de lado a problemática da falta de investimento na estrutura escolar, esta também é de suma importância para o processo de ensino aprendizagem, porém, o investimento em recurso humano é crucial para a mudança na perspectiva educacional. 19 Revista Contemporânea, vol. 4, n°. 9, 2024. ISSN: 2447-0961 Agradecimentos Agradeço à escola e, em especial, aos meus queridos alunos do 9° ano, vocês têm uma força transformadora dentro do coração e da mente. Vamos acordá- la! Gratidão aos professores e professoras auxiliares que sempre me ajudam, incentivam e seguram minha mão quando o stress é grande demais. Agradeço à Deus e à minha família que sempre me ajudou, me incentivou e me escuta. Agradeço a cada professor que me ensinou e me ensina esse caminho difícil, porém gratificante que é a docência. 20 Revista Contemporânea, vol. 4, n°. 9, 2024. ISSN: 2447-0961 Referências BACICH, L; TANZI, A. N; TREVISANI, F. M (Orgs.). 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