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Anestesiologia Veterinária Maria Simões 
 
Dor e Analgesia 
Tópico importante, mas infelizmente ainda é negligenciado. 
Dor: “Experiência sensorial e emocional desagradável associada ou semelhante àquela associada 
a dano tecidual real ou potencial.” IASP (International Association for the Study of Pain), 
2020 
Individual: cada animal é um indivíduo diferente e possui um histórico diferente. 
Dor x Nocicepção: quando ocorre a dor com nocicepção, os nociceptores são estimulados. Essa é 
a dor real, por exemplo, uma dor física; mas um animal pode sentir dor sem ter nenhum 
machucado físico, ou seja, sem estimular os nociceptores. 
Experiência de vida: cada animal é mais ou menos sensível a cada dor, pois a experiência de vida 
individual é relevante. 
Efeitos adversos funcionais, sociais e psicológicos: não se sabe a história de cada animal, 
seus traumas; tudo isso interfere na dor. 
Comunicação verbal e não verbal: não é porque um animal não expressa um ruído que ele não 
está com dor. O animal, ao sentir dor, pode ou não verbalizar; às vezes, ele só não sabe 
comunicar que está com dor. 
Por que existe a dor? 
• Proteção; 
• Minimizar dano; 
• Aprendizado: para o animal aprender que algo machuca e que ele deve ficar longe daquilo. 
Fisiologia da Dor 
• Quando se tem um estímulo nocivo, seja ele mecânico, químico ou térmico, ele é transduzido 
em estímulo elétrico, transmitido até a medula, onde é modulado (exacerbado ou inibido, 
dependendo do tipo de estímulo que aconteceu) e projetado até o SNC pelas fibras 
nervosas periféricas, onde ocorre a percepção no tálamo (resposta física) e sistema límbico 
(resposta emocional). As informações são carreadas pelas fibras nociceptivas. 
• A fibra A beta transmite informação mecânica (inócua), é um mecanorreceptor (contato, 
pressão). As fibras A delta e C são nociceptoras e transmitem a informação dolorosa, mas 
de forma mais lenta, por possuírem menos bainha de mielina. 
• Quando se tem uma lesão na pele, na membrana fosfolipídica, forma-se o ácido aracdônico, 
através da fosfolipase A2, que por meio da COX-1 (constitutiva) e COX-2 (constitutiva e 
induzida – causa mais danos de inflamação e menos efeitos colaterais) forma os 
eicosanoides. 
• Os mastócitos que estão na periferia começam a liberar histamina para fazer vasodilatação 
e facilitar a diapedese. Os neutrófilos são acionados, fazem a diapedese e os macrófagos 
liberam mais citocinas, que ajudam a trazer mais células e causam os sinais cardinais da 
inflamação (dor, calor, rubor, edema e perda de função). 
• Os moduladores da inflamação, quando liberados, estimulam ainda mais a região. Se não são 
controlados, eles diminuem o limiar da dor (fibras A delta ou C), logo, o paciente sentirá 
mais dor com um estímulo menor, gerando hiperalgesia (dor mais intensa em estímulo 
constante), e as fibras que eram inócuas e mecanorreceptores passam a levar informação de 
dor (fibras A beta); esse processo se chama alodinia (o que não era para doer, agora dói 
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muito). 
• A chave para tratar a dor e não deixar isso acontecer é tratar a dor nas primeiras 24 a 36 
horas, para não deixar que a hiperalgesia e a alodinia aconteçam. Quando a dor é 
neglicenciada no começo, é mais difícil de ser tratada no pós-operatório, e o animal pode 
desenvolver a doença da dor crônica. 
Caracterização da Dor 
Tempo: 
• Aguda: dor intensa, incisiva, pouco tempo acontecendo e em local definido; 
• Crônica: quando se ultrapassa o tempo de cura da alteração, mas ainda assim o local está 
doendo. Por exemplo, quando o osso já cicatrizou, mas o animal ainda sente dor após a 
cirurgia. Esse tipo de dor é mais difuso e aumenta. Pode durar ou não 3 meses. Ex.: 
osteoartrite, artrose. 
Localização: 
• Somática: é a que ocorre, por exemplo, na mastectomia e no enxerto de pele. Envolve pele, 
musculatura e osso. Dor localizada, consegue expressar exatamente onde está doendo, pois 
existe uma grande quantidade de nociceptores na pele; 
• Visceral: pode ser abdominal, torácica ou pélvica. Não se consegue expressar exatamente 
onde está doendo, porque a dor é difusa e a inervação sensitiva, e os nociceptores viscerais 
são poucos e inervam uma área muito grande; 
• Neuropática: é a pior de todas, porque nela a inervação não foi adequadamente sepultada 
ou debridada, logo, continua passando a informação dolorosa como se, por exemplo, o 
membro que foi amputado ainda estivesse ali. 
Intensidade: 
• Leve: orquiectomia, dermorrafia; 
• Moderada: laparotomia, OVH, enterotomia; 
• Intensa: mastectomia, osteoartrite, toracotomia. 
Devemos Tratar? 
• Efeitos orgânicos da dor: aumento do tônus simpático; diminuição do tônus 
gastrointestinal e vesical (constipação e anúria); diminuição da ingestão de alimento e 
água; aumento do cortisol, corticotrofina, ADH, SRAA (atrapalha cicatrização e 
recuperação); diminuição da insulina; hiperalgesia e alodinia. 
• É comum ocorrer a dor em animais de produção, pois o proprietário não quer gastar 
dinheiro para tratá-la, mas não entende a diminuição da produção que virá com a falta de 
gasto com medicação. 
• Código de Ética Profissional do Médico Veterinário – Capítulo I – Princípios Fundamentais – 
Artigo 4º: no exercício profissional, usar procedimentos humanitários preservando o bem-
estar animal, evitando sofrimento e dor. 
Quem devemos tratar? todos os animais do filo Chordata. 
Quando tratar? 
• Antes da dor chegar: MPA (opioides) em cirurgia eletiva; 
• Durante a dor: analgésicos (Fentanil ou Remifentanil em infusão contínua, ou Morfina + 
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Cetamina + Lidocaína em infusão contínua) quando o animal chega acidentado ou quando o 
animal demonstra dor no trans-operatório; 
• Depois da dor (pós-operatório): analgésico e adjuvante, dependendo da dor do paciente. 
Isso é feito para evitar a dor crônica, já que a dor aguda vai ocorrer. 
Avaliação da Dor 
• Analogia: se dói em mim, dói no animal. O problema disso é que algumas coisas não são 
claras, logo, a analogia só vai ser útil se conversar com o tutor. Esse meio não é fidedigno, é 
subjetivo. 
• Escala analógica visual: linha de 10 cm, também é subjetiva. Pede para o tutor marcar na 
linha, e se marcar acima de 3 cm, é considerado dor. 
 
 
Sem dor Pior dor 
• Escala numérica: define sem dor (0) e com dor (10), mas também é subjetiva. 
 
0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 
 
• Alterações das variáveis clínicas: hipotensão, hiperventilação, hipotermia. Por exemplo, se 
um paciente anestesiado e estável de repente aumenta a frequência cardíaca, ele pode estar 
com dor. Avaliado somente no trans-anestésico. 
• Palpação local: palpa a região e vê como o animal vai reagir. Não é usada sozinha, sempre 
associada. 
• Sinais comportamentais: olhar para o animal e presumir se ele está com dor ou não. Por 
exemplo: os gatos têm o comportamento de se lamber; logo, se há um gato que não se 
lambe, provavelmente há algum problema acontecendo. O bovino quando está mal tende a se 
afastar do grupo, pois ele tem sentimento de presa e tende a querer deixar o grupo 
sozinho, e também pode se deitar (não é normal um bovino se encontrar deitado no pasto). 
Os equinos com dor escoiceiam o abdômen e se atiram no chão. 
• Expressão facial: dilatação da narina, midríase, orelha do cavalo voltada para trás, etc. 
• Escalas: para tornar essas alterações mais fidedignas, utilizam-se as escalas 
unidimensionais ou multidimensionais, pois elas dão parâmetros para avaliar e estabelecer 
como o paciente está. Quando o animal está com dor é feito o resgate anestésico, aplicando 
uma dose maior de analgésico nesse animal para que a dor passe. 
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Quais Medicamentos? 
• Opioides atuam no SNC, agonistas de receptores alfa-2 adrenérgicos atuam no SNC e nas 
fibras nervosas periféricas, inibidores de NMDA (Cetamina) atuam no SNC, anestésicoslocais (Lidocaína via IV) atuam nas fibras nervisas periféricas e AINEs atuam nos 
muduladores. 
• Corticoides não são indicados, a menos que seja para redução de edema no SNC. 
• A analgesia multimodal ocorre quando se faz uma analgesia que interfere no SNC, moduladores 
e fibra nervosa periférica. 
O Que Usar? 
Preemptiva: opioide + anestesia local; 
Trans-anestésico: opioides (fentanil, remifentanil, morfina ou metadona) + adjuvantes – 
agonistas alfa-2 adrenérgicos, lidocaína sem vasoconstritor ou cetamina (bolus, infusão 
contínua na bomba de infusão ou gotejamento); 
Pós-anestésico: de acordo com a intensidade: 
• Leve: AINE + adjuvante (dipirona ou paracetamol – a administração de paracetamol não 
pode ser feita no gato); 
• Moderada: opioides parciais (tramadol – não funciona bem em cães, pode causar náusea e 
síndrome serotoninérgica) + AINE + adjuvante (dipirona ou paracetamol); 
• Intensa: opioides totais (morfina, metadona) + AINE + adjuvantes* (dipirona e o que for 
necessário – cetamina, agonista alfa-2 adrenérgico, lidocaína, anticonvulsivantes, 
antidepressivos). 
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Quando o animal tem dor intensa, deve ficar internado até a recuperação total da dor. 
* Não se pode prescrever morfina e metadona para casa, pois causam dependência química nos 
seres humanos. 
AINEs 
Não seletivo (COX-1 e COX-2): 
• Flunixina meglumina: usada para tratar a dor visceral em grandes animais, 
principalmente em equinos com cólica. Nesse caso, também dá para usar Meloxicam, que é 
mais caro, mas causa menos efeitos colaterais. Não usar em pequenos (gastrite, úlcera 
gástrica, perfuração, insuficiência renal); 
• Fenilbutazona: usada em casos de dor osteomuscular. Não usar em pequenos; 
• Cetoprofeno: usada em casos de dor osteomuscular, porém é menos seletivo, por isso tem 
maior chance de causar danos ao paciente e, por isso, não deve ser usado em grandes 
períodos. Usar em pequenos animais apenas em último caso. 
Preferenciais COX-2: 
• Meloxicam: dor aguda; 
• Carprofeno: dor aguda. Evitar uso crônico em felinos pois pode dar lesão, 
principalmente pela VO. 
Seletivos COX-2: menor efeito colateral, podendo ser usados por períodos mais longos. 
• Firocoxibe: potencial embriotóxico (não usar em gestantes); 
• Robenacoxibe: só ele pode ser usado em felinos; 
• Mavacoxibe: longa duração (15 dias a 1 mês). Se o paciente tiver sensibilidade maior ao 
medicamento, não tem como tirar o medicamento do animal e isso pode gerar uma ulceração 
gástrica ou afetar o rim. 
Opioides 
Podem ser utilizados em todos os animais; o problema é utilizar em animais sem dor e na dose 
errada. 
Agonista total: 
• Morfina: causa náusea, anúria e o animal pode ter sialorreia no pós-operatório imediato; 
• Metadona: não causa náusea como a morfina e melhora a dor; 
• Fentanilas (Fentanil e Remifentanil): se for usado na bomba de infusão, antes de dar o 
stop na máquina, precisa-se fazer a administração de metadona antes. Cuidado com grandes 
animais, principalmente bovinos, pois serão excitados. Não se usa fentanil em grandes em 
infusão contínua, principalmente em ruminantes. 
Agonista parcial*: 
• Tramadol: ação mista, metabólito que funciona e pode dar síndrome serotoninérgica no cão 
(boca seca, taquicardia, aumento de pressão). 
Agonista/antagonista: 
• Butorfanol: ele também causa analgesia visceral, mas é menor o efeito. Usado 
principalmente em grandes. 
Adjuvantes 
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• Dipirona: mais utilizado. Atua na COX-3. Ação antipirética (não usar no pós-operatório 
imediato). 
• Anestésicos locais: lidocaína sem vasoconstritor pela via IV em infusão contínua. 
Causam analgesia somática e visceral. 
• Antagonistas NMDA: a Cetamina causa analgesia somática (pele, músculos e ossos). Pode 
ser feita infusão contínua ou bolus. A Amantadina é um outro exemplar feito por VO mas 
demora a agir, logo, precisa ser planejada a sua utilização para fazer a medicação antes. 
• Agonistas de receptores alfa-2 adrenérgicos: causam analgesia, principalmente visceral, 
pela via IV ou IM, e perto da inervação podem fazer analgesia somática. Utilizados em 
infusão contínua e associados aos bloqueios locorregionais. Cuidado ao usar em equinos 
com cólica para não mascarar a dor com o efeito do analgésico. 
• Anticonvulsivantes: Gabapentina, que inibe canais de sódio e cálcio na medula, mas 
demora a fazer o efeito. Também causa sedação, xerostomia (boca seca) e ataxia. Causa 
analgesia de forma discreta. 
• Antidepressivos: Amitriptilina tem efeito analgésico, pois inibe a recaptação de 
serotonina e canais de sódio (não associar com tramadol). É um antagonista NMDA e 
também demora a fazer efeito. Pode ser receitada para casa. 
Outras opções: 
• Infusões contínuas; 
• Terapias alternativas: acupuntura, laserterapia, fisioterapia, entre outras. Auxiliam o 
tratamento da dor, mas deve-se associá-las a outros tratamentos. 
Cuidado 
• Excessos fazem mal, não só pelos efeitos colaterais causados pelo excesso de medicação 
(anúria), mas também por deixar o animal sedado em casa. 
• A dor aguda é mais fácil de ser controlada, e a dor crônica é mais difícil de chegar na 
dose ideal do medicamento para tratar. 
Anestesia em Pacientes Especiais 
Quem São? 
• Neonatos e pediátricos; 
• Idosos; 
• Gestantes; 
• Cardiopatas; 
• Hepatopatas; 
• Nefropatas. 
Particularidades 
Neonatos: 4-6 semanas (45 dias de vida); bovinos ou equinos, até 30 dias são considerados 
neonatos. Em grandes, ou é neonato ou é adulto, não divide entre neonato e pediátrico. 
Pediátricos: 6-12 semanas (3 meses de vida). 
 
* Imaturidade dos sistemas: sistemas não estão funcionais ainda, estão amadurecendo, e isso 
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precisa ser levado em consideração pois interfere na função dos medicamentos e do organismo. 
Neonatos e Pediátricos 
• Hipoalbuminemia: a dose nesses animais será sempre menor. 
• Permeabilidade hematoencefálica: mais permeável, efeitos mais intensos no SNC, pois os 
medicamentos passam facilmente pela BHE. Benzodiazepínicos sedam sozinhos por isso. 
• >% água corporal: termorregulação: temperatura mais baixa, aproximadamente 37ºC, pela 
imaturidade do sistema termorregulador. Perdem temperatura com mais facilidade ainda. Os 
medicamentos hidrossolúveis se distribuem mais facilmente, e os lipossolúveis têm efeito 
perdurado, pois não têm onde se armazenar. 
•(pré-oxigenar, tomar cuidado com apneia); 
o Quimiorreceptores menos sensíveis: dificuldade pra reconhecer acúmulo de gás carbônico 
e ativar o sistema respiratório; não pode deixar entrar em apneia, faltar oxigênio; 
o Colabamento alveolar: não tem líquido surfactante suficiente para impedir o colabamento 
dos alvéolos, por isso o procedimento não pode ser demorado. 
* É comum fazer peridural e inalatória com máscara para atresia anal, pois não tem tubo 
endotraqueal que caiba no neonato. O risco de anestesiar neonatos é muito maior do que 
pediátricos, porque o desenvolvimento dos sistemas vai avançando com o passar dos dias. 
• Sistema nervoso central: 
o Maior sensibilidade: maior permeabilidade da BHE, mesmo de moléculas maiores. 
o Progesterona e endorfinas em grande quantidade circulantes: mas isso não quer dizer que 
o paciente não sente dor, ele sente. 
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• Sistema termorregulador: 
o Susceptíveis a hipotermia; 
o Tremores musculares ausentes: tremor muscular para gerar calor, não tem resposta de 
que está havendo uma hipotermia; 
o Isolamento térmico deficiente: menos gordura corporal, sendo muito mais fácil perder calor. 
Pode segurar o animal na mão para mantê-lo aquecido, usar bolsas térmicas ou luvas com 
água morna (de modo que a água não queime nossa mão), pois o organismo não consegue 
fazer compensações para aumentar a temperatura. O colchão térmico só funciona onde tem 
peso, por isso não funciona nesses casos. 
• Jejum: 
o Neonato: 2-3 horas (aleitamento); geralmente não se faz mais jejum, pois se utiliza o 
tempo de deslocamento e até entrar com o paciente no centro cirúrgico para o 
esvaziamento gástrico; aferir a glicemia para ver se não abaixou. O ideal é levar a mãe 
junto, para que ele possa mamar caso a glicemia abaixe. 
o Pediátrico: 6 horas de jejum alimentar, pois já come ração e tem maior conteúdo gástrico, 
podendo haver regurgitação e falsa via. 
o Hipoglicemia: o animal demora ainda mais para se recuperar da cirurgia. 
• Fluidoterapia: 
o Reposição de glicose: salina 0,9% + glicose 50% (3:1) = glicose 12,5%: 4 mL/kg/h; 
o Intraóssea: 1mL/25g a cada 4-6h. Geralmente asa do ílio, fêmur ou úmero (ossos longos). 
Pode-se fazer a fluidoterapia por via subcutânea se for só o soro; a fluidoterapia glicosada 
não pode ser feita pela via subcutânea, pois pode irritar e causar abcesso. A via oral também 
pode ser utilizada. Não pode ser feita por gotejamento, mas sim por bomba de infusão, pois 
a taxa é muito baixa. 
 
* Não tem como avaliar o plano anestésico nesses animais, pois não abriram o olho ainda. 
Idosos 
• Um animal é considerado idoso quando ultrapassa 75% de sua expectativa de vida. Quanto 
menor o porte do animal, maior é a sua expectativa de vida. Na clínica, normalmente em 6 
anos, pede-se exames complementares para avaliar a situação do animal, independente se é 
idoso ou não. 
• Ocorre degeneração dos sistemas. 
• Equinos geralmente vivem 20 anos e ruminantes raramente serão anestesiados idosos, pois 
sua expectativa de vida é menor, por serem animais de produção. 
• Massa corpórea: 
o % gordura corporal: troca de massa magra (músculo) por massa gorda (gordura). Não 
conseguem manter a temperatura, pois o sistema homeotérmico está se degenerando. A 
distribuição da medicação vai variar: uma medicação lipossolúvel tem mais lugar pra se 
acumular, uma hidrossolúvel não. 
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• Sistema cardiovascular: 
o Barorreceptores menos sensíveis: estão degenerando; 
o Menor resposta aos estímulos beta-adrenérgicos: não consegue dar resposta adequada a 
compensação de batimento cardíaco, por exemplo; 
o Diminuição do cronotropismo (frequência) e inotropismo (força): não adianta usar 
vasopressor ou inotrópico, pois a resposta vai ser ineficiente; o coração não consegue 
compensar; 
o Deposição de colágeno no nodo atrioventricular: o estímulo elétrico não consegue passar 
da maneira correta, por isso quanto mais idosos, mais comumente aparecem arritmias. 
Precisa do eletrocardiograma. 
o Doenças valvulares; 
o Maior trabalho cardíaco: o coração precisa trabalhar mais para mandar o mesmo volume de 
sangue para o corpo e, assim, manter o débito cardíaco; por isso, ele consome mais oxigênio, 
e isso pode culminar em infarto do miocárdio. Maior ocorrência de sopros. 
• Sistema respiratório: 
o Aumento do diâmetro traqueal e laríngeo: sonda maior. O Yorkshire tem mais chance de 
ter colapso de traqueia, por isso deve-se pesquisar antes de anestesiar; 
o Menor elasticidade pulmonar: dificuldade em compensar uma hipóxia, hipercapnia; 
o Menor complacência pulmonar: capacidade residual funcional comprometida (em casos de 
hipóxia, os animais saudáveis têm uma reserva de oxigênio ainda; se faltar oxigênio no 
idoso, vai faltar); suscetível a hipóxia (pré-oxigenar antes para que se ele entrar em 
hipóxia ou apneia transitória, tenha oxigênio 100% disponível para compensar); 
o Calcificação intrapleural e costocondral: limita a ampliação do tórax na respiração; 
o Doenças prévias: tutores fumantes - animais são fumantes passivos. 
• Sistema nervoso central: 
o Atrofia neuronal: demência, esquecimento; pode dificultar o manejo do paciente, mas 
não altera a anestesia em si; 
o Diminuição de neurotransmissores: interfere na anestesia; 
o Audição e visão comprometidas: se aproximar desses animais de uma forma calma e 
paciente. 
• Sistema termorregulador: 
o Susceptível a hipotermia: sistema termorregulador em degeneração. Pode-se aquecer o 
soro para entrar a solução quente no animal e, dessa forma, ajudar a manter a temperatura 
corporal sem hipotermia. Cobrir o animal para não diminuir a temperatura. 
• Sistema renal: 
o Diminuição do fluxo sanguíneo e filtração: não é bom usar Cetamina para anestesiar, mas 
pra controle da dor pode, pois a dose é menor; 
o Diminuição da concentração urinária; 
o Doenças prévias. 
• Sistema hepático: 
o Diminuição da função dos hepatócitos: verificar função renal e hepática; 
o Acúmulo de gordura: anestésicos dissociativos que precisam de metabolização 
hepática precisam de cuidado: não dá para fazer anestesia dissociativa, pois vai se 
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sobrecarregar demais o organismo do paciente. 
• Outras alterações: 
o Diabetes; 
o Obesidade. 
* Compensa mais pensar em medicamentos que vão causar menos hipotensão do que mandar 
tirá-los do uso contínuo, pois o fato de tirar a medicação pode descompensar de forma grave o 
coração, e essa descompensação seria pior do que a hipotensão causada pelos medicamentos. 
• Jejum: 
o Alimentar: 8 horas; 
o Hídrico: 0 horas. 
Gestantes 
• A anestesia atinge diferentes pacientes: mãe e filhotes. 
• Barreira hematoencefálica/placentária: placenta endoteliocorial nos carnívoros - o 
medicamento vai chegar aos fetos; em ruminantes, a placenta é epiteliocorial, e por isso a 
passagem é menor; roedores e primatas têm placenta hemocorial, por isso a anestesia vai 
passar ainda mais para os fetos. 
• Demanda metabólica muito maior, pois existem fetos crescendo dentro da fêmea gestante. 
• O volume plasmático também será maior, devido a falsa anemia pela redução da 
concentração das hemácias, pois o volume plasmático aumentou. 
• Sistema cardiovascular: 
o Redução do VG: aumento do volume sanguíneo e plasma para compensar o débito cardíaco, 
mas isso não aumenta o VG, pois ele está diluído e por isso acontece essa redução. Não é 
anemia, mas sim aumento de plasma pra suprir o útero gravídico. 
o Redução da reserva cardíaca: o coração já está bombeando mais para suprir o útero 
gravídico, então a reserva é menor. 
Síndrome Supina: pode acontecer durante a cirurgia, quando o animal é colocado em decúbito 
dorsal e o peso do abdômen cai sobre as vísceras e os grandes vasos (aorta), obstruindo e 
dificultandoa passagem de sangue para os membros pélvicos. Quando se tira o útero gravídico 
de uma vez só, o sangue corre rápido para os membros pélvicos, e aí a pressão de cima cai 
(hipotensão). Coloca-se então a fêmea em decúbito dorsal, levemente lateralizada na mesa 
(para deslocar o peso, não ficando muito sobre os grandes vasos), e faz a exteriorização do 
útero devagar, para não haver essa queda de pressão abrupta e o sangue consiga fluir com 
facilidade. O problema maior dessa síndrome é nos fetos, pois se diminui a pressão, chega 
menos sangue na placenta, menos oxigênio e nutrientes, podendo culminar em sofrimento fetal. 
Se o animal for muito grande, quando o cirurgião começar a retirar, pode-se aumentar a 
fluidoterapia para compensar a queda de pressão. 
• Sistema respiratório: 
o Maior sensibilidade à PaCO2; 
o Aumento do consumo de O2; 
o Redução da capacidade residual funcional: devido à compressão do tórax pelo abdômen, 
não conseguindo armazenar o oxigênio extra, pois o volume no abdomen é muito grande. 
Pré-oxigenar antes, para que se acontecer alguma coisa, tenha reserva de oxigênio na 
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paciente. 
• Rins e fígado: 
o Proteína plasmática aumentada: mesmo assim não aumenta a dose, para não afetar os 
filhotes; 
o Redução das enzimas renais; 
o Inalteração hepática. 
• Gastrointestinal: 
o Atraso do esvaziamento gástrico, mesmo em jejum; 
o Aumento das secreções gástricas: por isso ocorre azia; 
o Redução do tônus do esfíncter esofágico: facilita a regurgitação; 
o Risco de regurgitação (azia fisiológica): quando a paciente regurgita, se pega o 
aspirador cirúrgico e aspira todo o conteúdo próximo a traqueia e tira o cuff 
levemente inflado, para retirar da traqueia tudo aquilo que porventura tiver ficado 
para trás. Para evitar isso, colocar a paciente em decúbito esternal e entubar rápido, 
inflando o cuff, mas tomando cuidado para não descer com nada para a traqueia da 
paciente. 
 
* Sofrimento fetal = frequência cardíaca menor que 100, estão morrendo, podem estar 
soltando mecônio dentro da mãe. 
Hepatopatas 
• Metabolização diminuída: reduzir dose de medicamento; 
• Hipoproteinemia: maior risco de hemorragia, reduzir a dose do anestésico; 
• Distúrbios de coagulação: mais fácil sangrar, e caso isso aconteça, aumentar a fluidoterapia 
ou fazer bolsa de sangue; 
• Encefalopatia hepática: tomar cuidado com medicamentos que possuem metabolização 
hepática, pois vão durar muito mais, principalmente se o animal estiver ictérico, e com 
isso deprimem mais o SNC; 
• Ascite: mais hipoproteinemia ainda. 
 
Nefropatas 
• Anemia; 
• Azotemia: altera barreira hematoencefálica, deixando mais permeável e sendo 
mais fácil da medicação fazer efeito, e um efeito intenso. Fazer bloqueio local, 
para diminuir a dose do anestésico; 
• Acidemia: altera dissociação dos fármacos – redução da dose. Diagnóstico com 
hemogasometria; 
• Acidose metabólica: consequência da azotemia e comprometimento da perfusão tecidual, 
por isso esse paciente vai ter mais alterações de parâmetros respiratórios, com valores 
mais baixos de oxigênio e mais altos de gás carbônico; 
• Hipercalemia em paciente obstruído: aumento da quantidade de potássio na corrente 
sanguínea, alterando o ritmo cardíaco. Redução da frequência cardíaca: alteração da 
repolarização celular –> aumento de onda T (repolarização ventricular) e intervalo PR 
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(intervalo de tempo entre o início da despolarização atrial e o início da despolarização 
ventricular) -> onda P (despolarização atrial) diminui. O ideal é tratar previamente, ou 
entrar com o paciente estabilizando, com glicose e insulina. Verificar o aumento da onde T 
no eletro, pois é um grande indicativo da hipercalemia. Na avaliação pré-anestésica de 
pacientes com essas alterações, deve-se pedir a hemogasometria e o eletrocardiograma. 
Cardiopatas 
• Doenças específicas: 
o Gatos: cardiomiopatia hipertrófica; 
o Cães: cardiomiopatia dilatada (mais comum em Boxer). 
• Degeneração de mitral: sopros. Nesses casos, o sangue não sai com facilidade do coração, 
precisando de mais força (pós-carga maior); 
• Insuficiência cardíaca congestiva (ICC): a bomba falha e sobrecarrega, e isso gera 
complicações e exige mais da bomba. O paciente geralmente desenvolve insuficiência renal; 
• Pré-carga (é quanto o ventrículo foi alongado para encher até ao final da diástole, antes da 
sístole acontecer) x Pós-carga (pressão na aorta que a contração ventricular deve superar 
para abrir a válvula aórtica e ejetar o sangue na aorta, para fazer a sístole): força que o 
coração precisa fazer para ejetar o sangue. É o mais importante de ser considerado. Se 
fizer uso de medicação que faz vasodilatação, isso vai facilitar o fluxo de sangue. 
Fenotiazínicos 
Acepromazina, Clorpromazina, Levomepromazina, Brometazina (ação anti-histamínica) – 
Tranquilização, hipotensão, taquicardia reflexa 
• Neonatos, pediátricos: hipotensão (pela redução da resistência vascular periférica) e 
hipotermia (Acepromazina interfere no centro termorregulador). Pode fazer, mas diminui 
a dose. Usar apenas se não conseguir conter o animal. 
• Idosos: redução do estresse, mas um estresse em níveis controlados, para conseguir 
conter. Pode usar, mas deve diminuir a dose. 
• Gestantes: dispensáveis (depressão fetal); se usar na gestante estaria tudo bem, mas 
o problema é que para os neonatos, faz com que demorem muito mais para começar a 
mamar; faz hipotensão na mãe e não irriga o útero gravídico de forma adequada. Em 
geral, não usa. 
• Cardiopatas*: hipotensão, taquicardia; dependendo da cardiopatia, o medicamento pode 
ajudar por causa da diminuição da resistência vascular periférica, mas tomar cuidado com a 
taquicardia. 
• Hepatopatas: hipotensão e metabolização. Avaliar se realmente precisa no 
animal, e se não existem outras alternativas. 
• Nefropatas: hipotensão (pode causar mais morte de néfrons), mas doses baixas podem 
melhorar a TFG. Problemas renais ocorrem por hipotensão ou hipertensão. 
Benzodiazepínicos 
Diazepam, Midazolam, Zolazepam, Flumazenil - Sedação em neonatos, idosos e 
debilitados. Efeito paradoxal – excita hígidos. Relaxamento muscular e estabilidade 
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cardiovascular. Ansiolíticos. 
• Neonatos, pediátricos: sedação* e mínimos efeitos (metabolização); 
• Idosos: estabilidade cardiovascular (diminui a dose). Tomar cuidado com a 
metabolização, conferir se as enzimas hepáticas estão boas; 
• Gestantes: muito contraindicado (sedação dos fetos); 
• Cardiopatas: mínima alteração; 
• Hepatopatas: fígado não funciona bem, o que vai interferir na metabolização, podendo 
durar mais o efeito, não é indicado. SNC mais sensível, por isso a sedação pode ser muito 
mais intensa (encefalopatia hepática); 
• Nefropatas: mínimo efeito (Diazepam – propilenoglicol – eliminação renal - paciente pode 
ter dificuldade para eliminar). 
Opioides 
Morfina, Metadona, Butorfanol, Fentanil, Remifentanil, Naloxona. Analgesia e sedação. 
Bradicardia, hipotensão, depressão respiratória, dose dependente. 
• Neonatos, pediátricos: pode usar, mas lembrar da bradicardia e hipotensão, diminuindo a 
dose e o intervalo de administração; 
• Idosos: redução de receptores, por isso reduzir a dose, pois tem menos lugares pro 
medicamento se ligar e por isso ele tem mais tempo de duração de efeito na corrente 
sanguínea; 
• Gestantes: a morfina não é indicada, porque ela vai regurgitar; só vai fazer 
administração de opioide na gestante quando não tiver mais nenhum feto dentro 
dela, sendo usado somente na analgesia pós-operatória; 
• Cardiopatas: pode usar em doses menores, mas tomar cuidado com a dose para não causar 
hipotensão variável e descompensar o paciente; 
• Hepatopatas: diminuição do fluxo hepático, vai demorar mais para eliminar 
(metabolização hepática) e por isso deve aumentar o intervaloda dose. 
• Nefropatas: não interfere na TFG. 
Agonistas Alfa-2 Adrenérgicos 
Xilazina, Detomidina, Dexmedetomidina. 
• Neonatos, pediátricos: bradicardia e metabolização (risco); 
• Idosos: hipotensão* e risco de arritmias (BAV); 
• Gestantes: pode usar se for cirurgia de parto em ruminante, pois vamos tirar o feto e 
devido a barreira placentária desses animais, não vai sedar o feto em doses 
adequadas; hipotensão; 
• Cardiopatas: reduz débito cardíaco, aumenta a resistência vascular, arritmias e 
hipotensão; 
• Hepatopatas: hipotensão* e metabolização*; 
• Nefropatas: diminuição da liberação de ADH e reduz TFG. 
Dissociativos 
Analgesia somática. Hipertensão, taquicardia, aumento da secreção respiratória. 
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Metabolização hepática. 
• Neonatos, pediátricos: metabolização hepática, eliminação renal e alteração 
cardiovascular; 
• Idosos: metabolização hepática, eliminação renal e alteração cardiovascular 
(hipóxia); 
• Gestantes: metabolização e eliminação (cautela com os fetos, usar apenas em situações de 
emergência, deixando o tutor com ciência de que os fetos podem nascer prejudicados); 
• Cardiopatas: hipertensão e taquicardia; 
• Hepatopatas: metabolização; 
• Nefropatas: excreção renal. 
 
* Usar subdose para analgesia em animais que não se consegue conter. Nessa dose baixa, não vão 
haver efeitos deletérios. Só em situações emergenciais. 
Barbitúricos 
• Neonatos, pediátricos: metabolização hepática e maior tempo de ação; 
• Idosos: metabolização hepática, alterações cardiovasculares e maior tempo de 
ação; 
• Gestantes: depressão fetal prolongada; 
• Cardiopatas: hipotensão e taquicardia; 
• Hepatopatas: maior efeito; 
• Nefropatas: maior efeito. 
Não Barbitúricos (Propofol, Etomidato e Alfaxalona) 
• Neonatos, pediátricos e idosos: poucos efeitos; o mais indicado para idosos seria o 
etomidato, por causa da estabilidade cardiovascular; 
• Gestantes: mínima/discreta depressão cardiovascular; 
• Cardiopatas: hipotensão (Propofol) / mínimos efeitos (Etomidato – mais indicado - e 
Alfaxalona); 
• Hepatopatas: poucos efeitos (Propofol e Alfaxalona) / metabolização hepática 
(Etomidato – maior problema por causa da metabolização); 
• Nefropatas: poucos efeitos (Etomidato – propilenoglicol). 
Inalatórios 
• Neonatos, pediátricos e idosos: rápida indução e recuperação (vantagens); 
• Gestantes: eliminação rápida (vantagem); 
• Cardiopatas: sensibiliza coração, reduz RVP (resistência vascular pulmonar)*; 
• Hepatopatas e nefropatas: hipotensão/bradicardia dose dependente. 
 
* O problema seria o halotano, pois sensibiliza o coração às catecolaminas e demora mais a ser 
eliminado. O Sevofluorano ou Desfluorano seriam ideais, pois induzem e recuperam rápido esses 
animais. 
Anestesia Local 
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Metabolização hepática. 
É a chave para reduzir os efeitos negativos nesses pacientes. 
• Neonatos, pediátricos e idosos: efeito prolongado, não usar Bupivacaína; 
• Gestantes: depressão fetal (?), por isso deve-se reduzir a dose, pois o peso está 
hiperestimado (vasos dilatados e filhotes); o problema não é o anestésico em si, mas sim 
porque o bloqueio sobe mais cranialmente e causa hipotensão com mais facilidade; 
• Cardiopatas: anestesia balanceada (Bupivacaína é cardiotóxica, é um problema). Indica-
se a levobupivacaína ou a ropivacaína; 
• Hepatopatas: amida – efeito prolongado; 
• Nefropatas: hipotensão. 
Recuperação 
• Deve ser mais cuidadosa e atenta nesses animais; 
• Deve ser rápida e tranquila, principalmente na gestante, pois ela deve acordar o mais rápido 
possível para começar a cuidar dos filhotes; 
• Temperatura: principalmente neonatos, pediátricos e idosos. A gestante, no trabalho de parto, 
altera sua temperatura (sobe e desce); 
• Glicemia: neonatos, pediátricos, idosos e diabéticos; 
• Débito urinário: tomar cuidado com a hipotensão, alteração renal. No nefropata, a chance de 
ter alteração urinária é muito maior. 
Emergências em Anestesiologia 
Introdução 
• O que é? São situações que colocam o paciente em risco de morte. 
• Avaliação: 
o Avaliação pré-anestésica, classificação de risco e preparo para o que pode acontecer no pós- 
anestésico. 
o No paciente com hipotensão, a primeira coisa a se fazer é avaliar o plano anestésico, pois o 
primeiro a causar hipotensão é o anestésico que está sendo utilizado. 
• Gravidade: prever o que vai acontecer para saber como tratar. 
 
* Em geral, é tediosa a anestesia. Mas quando situações anormais acontecem, deve-se ter 
toda a atenção, para não perder o paciente. 
Risco Anestésico 
• Relativa segurança: 
o Desatenção; 
o Erro: tomar cuidado para não gerar danos iatrogênicos no animal. Errar, todo mundo erra; 
mas existem erros que não podem ser cometidos por falta de atenção. 
o Dificuldades na técnica: principalmente. 
• Estatística: 
o O índice de mortes na Medicina Veterinária é maior que na medicina humana. 
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o Cavalos possuem os maiores índices de morte, principalmente por cólica. 
• Classificação ASA. 
• Quando o risco é maior? no trans-anestésico, pois depende do anestesista e do cirurgião. 
Período Pré-Anestésico 
• Particularidades: 
o Espécies; 
o Raças: algumas raças podem ter colapso respiratório por estresse ou dificuldade 
respiratória, até mesmo na MPA; 
o Idade: os extremos são mais vulneráveis; 
o Condição corporal: caquéticos e obesos possuem maiores riscos. 
• Equipamento: pode ocorrer danos no equipamento, levando a uma situação de emergência 
o Fonte de oxigênio: acaba o oxigênio; sempre deve-se haver um cilindro de oxigênio de 
emergência de reserva; 
o Balão reservatório: se atentar a posição do balão reservatório, principalmente no baraka; 
o Vias: olhar viabilidade do balão respiratório; 
o Válvulas: verificar se não estão travadas ou colabadas; 
o Vaporizador: verificar se o oxigênio está saindo normalmente; 
o Filtros: sempre manter a cal sodada trocada para evitar confundir quando ela está toda 
roxa por causa de um procedimento anterior, ou se isso realmente aconteceu durante o 
procedimento atual; 
o Sonda: verificar se não está obstruída. Colocar uma sonda de tamanho adequado e na 
técnica correta; 
o Balonete: inflar com cuidado, sem excesso; 
o Cal sodada: verificar se a cal sodada está em um estado adequado para anestesia; 
Período Trans-Anestésico 
• Complicações respiratórias: 
o Hipoventilação: sobredose anestésica, intubação seletiva do brônquio, cirurgião apoiar no 
tórax do animal, sonda obstruida por secreção, etc.; 
o Cianose: por dispneia ou apneia, obstrução da sonda, oxigênio que acabou, alergia a medicações 
ou edema de glote que impede a respiração, etc.; 
o Hiperventilação: hipertermia, plano anestésico leve ou acabando, acúmulo de gás carbônico, 
cirurgião apoiar no tórax do animal, etc.; 
o Obstrução respiratória: edema de glote, sonda obstruída, animla reggurgitar e aspirar pelo 
cuff não estar vedando a traqueia, obstrução física pelo cirurgião; 
o Espasmo laríngeo e bronquial:acontece mais frequentemente em gatos e animais asmáticos, alergia a medicação, 
o animal pode parar de respirar. 
• Complicações cardiovasculares: 
o Arritmias: medicações feitas no paciente (alfa-2, metadona, halotano...), podem ser 
inerentes do paciente, por procedimento oftálmico inadequado, esplenectomia, etc.; 
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o Hipotensão: sobredose anestésica, hemorragia, cirurgião perde um vaso, por exemplo; 
o Hipertensão: não é comum, mas pode ocorrer por dor ou de forma medicamentosa, por 
estimulação simpática. Causa danos, principalmente em retina do gato. 
• Temperatura: 
o Hipertermia: iatrogênica ou por fármacos (os anestésicos inalatórios causam hipertermia 
maligna); 
o Hipotermia: iatrogênica ou por fármacos; mais comum de se ver. Ocorre pelo ar 
condicionado, cirurgia de abdome aberto, mastectomia,etc. Seu problema é que isso 
retarda a recuperação anestésica. Além disso, medicações de emergência não fazem 
efeito em temperaturas abaixo de 35,5ºC. 
• Outras: 
o Regurgitação: o problema é a pneumonia aspirativa por falsa via. Minimiza-se esse problema 
entubando o animal, inflando o cuff e perguntando ao tutor se o animal fez jejum. Entubar 
com a cabeça do animal levantada, para minimizar o problema de haver falsa via; 
o Laceração traqueal: utilização de sonda endotraqueal grande em um animal que não 
comporta tal tamanho de sonda; 
o Sobredose anestésica: avaliar o plano anestésico todo o período anestésico; 
o Intoxicação por anestésico local: só se descobre se o animal já tiver sido anestesiado 
antes. Nota-se uma hipotensão sem causa prévia e o animal não consegue respirar, pois a 
glote se fecha pelo edema causado pela alergia. Importância em calcular a dose tóxica dos 
anestésicos locais. 
Parada Cardiopulmonar 
• Bloqueio da circulação. 
• Sinais: 
o Pulso: verifica-se pelo oxímetro de pulso - ou estará sem, ou estará fraco (pulso filiforme); 
o PA: abaixa; 
o Arritmia; 
o Cianose: pode já estar hipoventilando e parada respiratória. 
 
* Um animal com parada respiratória pode estar em parada cardíaca ou não estar ainda, mas 
um animal com parada cardíaca sempre vai estar em parada respiratória. 
* Deve-se parar a anestesia na hora e usar o reversor, se tiver, pois a anestesia deprime 
mais ainda o SNC. 
Ressuscitação Cardiopulmonar 
• RECOVER (Campanha de Atualização das Práticas de Reanimação em Veterinária): feita 
para estabelecer os procedimentos. 
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Diretrizes: 
o Preparo e prevenção; 
o Suporte básico à vida (SBV); 
o Suporte avançado à vida (SAV); 
o Monitoração; 
o Cuidados pós-parada cardíaca, pois podem haver recidivas (normalmente ocorrem). 
Preparo e Prevenção 
• Treinamento da equipe: equipe treinada, para no momento de emergência saber o que 
fazer. Precisa-se de 3 pessoas no mínimo, mas o ideal é haver 5 pessoas. Deveria haver um 
treinamento a cada 6 meses. Todos devem estar aptos a realizar todos os passos. 
• Local adequado: o ideal é ter um ambulatório preparado para emergência, com móveis 
abertos, à facilidade das mãos, de fácil acesso e com tudo claramente identificado. O ideal 
é que a mesa seja elétrica. Quando necessário, pode-se subir na mesa e, quando não for 
possível, o paciente vai para o chão. Ter o desfribilador. Quando terminada a emergência, 
alguém vai lá, faz a contagem e repõe os materiais e medicamentos, para que nunca faltem. 
Suporte Básico à Vida 
• ABC da RCP (Ressuscitação Cardiopulmonar): 
o Ciclos de 2 minutos: por 2 minutos, não parar de fazer a massagem. Executando por 2 
minutos, é o tempo necessário para gerar o débito cardíaco. 
Em equipe = CAB; 
Sozinho = ACB: 
A – via aérea (10 a 15’’); 
C - circulação; 
B – ventilação. 
Começa pela via aérea quando se esta sozinho, checando se a via aérea está patente e 
entuba o animal e começa a ventilar. Quando outra pessoa chegar ao local, começar a 
massagem cardíaca. 
o C = circulação: sempre se começa por ela, pois quando se faz a massagem cardíaca, se faz 
com que haja variação na pressão dentro do tórax. Precisa-se de ter circulação antes de 
ter oxigênio, para que ele possa circular no organismo. 
o 2 compressões / segundo = 120 movimentos por minuto. 
o Comprimir 1/3 a ½ do tórax, para aqueles que que se posicionam em decúbito lateral. Se 
atentar a deixar o tórax voltar ao normal, para usar a bomba torácica em favor. Fazer essa 
pressão no tórax vai permitir com que o sangue circule. 
o Comprimir ¼ do tórax, para aqueles que se posicionam em decúbito dorsal. 
o Fazer mais rápido não é a solução. 
o Posicionamento das mãos: uma por cima da outra ou uma mão trançada com a outra, vai do 
conforto de cada um. 
o Decúbito, tanto faz qual escolher. Em geral, coloca-se o animal em decúbito lateral direito. 
Se o animal já estiver em decúbito lateral esquerdo, mantê-lo desse lado, para não perder 
tempo trocando o animal de decúbito. Se o animal for grande e estiver no chão, realizar a 
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massagem no chão, com o animal entre as suas pernas. Da mesma forma se a mesa for grande, 
subir encima da mesa e realizar a manobra. 
o Manter os braços distendidos e usar o tronco para fazer força. Não dobrar o braço ou fazer 
movimento de ombros. 
o Usar as músicas Staying Alive ou Baby Shark para contar o ritmo. Para trocar a pessoa que 
está fazendo a massagem, verificar se o animal se estabilizou. Uma pessoa monitora o animal 
enquanto se faz o rodízio da massagem, pois só uma pessoa não dá conta de reanimar o 
animal ou fazer a massagem sozinha. 
o O dorso do animal deve sempre estar virado para o anestesista. 
o Em filhotes, gatos ou animais pequenos, usar o dedão (contém mais força) do lado 
esquerdo do paciente e os outros dedos do outro lado, em movimento de pinça e em decúbito 
lateral ou dorsal. Pode ser realizada com a mão no dorso do animal ou no ventre, sendo que o 
ideal que seja feito de forma ventral. Chama-se bomba cardíaca, pois a massagem é feita 
literalmente em cima do coração. É considerada uma massagem digital. É feita com a mão 
dominante. 
o Apoiar o animal com a outra mão no dorso do animal estabilizando o animal na mesa e realiza 
a massagem com a outra mão. 
o Coloca-se na região mais alta do tórax do animal quando ele apresentar tórax comum. 
o Em galgos, dobermann e boxer, todos com tórax profundo, o coração está deslocado mais 
para baixo, logo, será feita uma bomba cardíaca em cima do coração, por isso as mãos 
devem se posicionar no 7 espaço intercostal na porção mais para baixo também. 
o Em buldogues, com tórax “barril”, o decúbito é dorsal, pois o decúbito lateral não vai 
adiantar para alcançar o coração. Mãos devem ser posicionadas acima do xifoide no meio 
da cavidade torácica. A massagem é parecida com a massagem feita em humanos. Nesses 
animais coloca em decúbito lateral para entubar e depois muda a posição para dorsal para 
realizar a massagem. Comprimir ¼ do tórax, para não realizar uma compressão excessiva. 
o Efetividade: pulso. Sabe se está funcionando se a massagem está gerando pulso; se não 
gera pulso, o animal está morto. Pode-se olhar a artéria femoral ou usar o doppler com gel 
no olho do paciente, pois se a massagem estiver sendo efetiva, o sangue vai passar pela 
artéria oftálmica, indicando que está chegando sangue no cérebro do paciente. 
o O desfibrilador é usado para reverter a fibrilação. O animal com parada cardiorrespiratória 
não tem nada a ver com desfibrilador. Não é comum acontecer fibrilação na veterinária, 
mas quando ocorre, utiliza-se o desfibrilador, geralmente em casos de fibrilação 
ventricular. Ele “limpa” o coração, para que o nodo sinoatrial inicie novamente a geração do 
ritmo cardíaco. 
o Faz-se de 3 a 5 ciclos (totalizando 10 minutos de massagem). 
o Em animais de grande porte, é pouco provável fazer a ressuscitação, porque provavelmente o 
animal vai morrer sozinho ou ser eutanasiado. Nos casos possíveis, pula-se em cima do animal, 
mas em geral, se forem animais mais pesados, o peso do anestesista não será suficiente para 
que a massagem seja efetiva. 
o Existe a possibilidade de realizar uma massagem abdominal no contratempo da massagem 
torácica, mas ela é difícil de ser realizada devido a falta de coordenação. 
o Como uma alternativa, pode-se fazer uma bandagem de Smartch, desde o pé ao abdômen, 
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para drenar o sangue do pé para onde interessa nesses casos. Esse processo demanda mais 
pessoas, para não se perder o tempo fazendo a bandagem. 
o O animal, por ficar muito tempo parado, forma trombos, que podem se deslocar e fazer a 
compressão dos membros, e isso pode fazer com que ele não ande mais (sequela). 
o A massagem cardíaca interna só é realizada em uma situação: tamponamentocardíaco (o 
tamponamento cardíaco é a pressão exercida no coração pelo sangue ou líquido que se 
acumula na membrana de duas camadas que circunda o coração [pericárdio]). Nele, o 
pericárdio está cheio de efusão, que não permite que o coração bombeie sangue. Não é 
aconselhável fazer a massagem se o tórax estiver aberto, pois não há mais pressão negativa 
no tórax, então não adiantaria fazer a massagem por fora, teria que ser no coração mesmo, 
mas essa prática é ainda mais complicada. 
• A (via aérea: entubação) + B (breathing, ventilação ou respiração): checar a 
cavidade oral para ver se não há nada obstruindo a passagem para a traqueia, ou faz-se a 
traqueotomia para acesso. Limpar o sistema de anestesia inalatória. 
o 1 movimento / 6 segundos. 
o Ambu ou aparelho reanimador manual: contém oxigênio 100% (ar da respiração: contém 21% 
de oxigênio). Escolhe-se o ambu de acordo com o porte do paciente (o ambu pode ser de 200 
mL, 2 litros, etc.). Esses aparelhos possuem uma válvula de alívio, que faz um barulho 
alertando quando há excesso de ar ou de pressão no paciente. No ambu, realiza-se a 
compressão, e depois fecha com dedo a válvula de alívio e conta 6 segundos. 
o Tempo inspiratório 1’’. 
o Volume corrente de 10 ml/kg. 
o Traqueotomia. 
o Quando feito no balão reservatótio do aparelho de anestesia se deve fechar a válvula de 
alívio no momento da compressão do bação, após a compressão do balão abre a válvula de 
alívio e conta 6 segundos. 
o Não adianta fazer muitos movimentos, pois se há hiperventilação, acumula-se CO2, e por isso 
o centro respiratório não manda o animal respirar. Compressão deve ser feita de forma 
delicada. 
o Se começar a voltar sangue ou líquido pela sonda, deve-se trocá-la por uma nova. 
Suporte Avançado à Vida 
• D = fármacos. 
• Vias: intravenosa (padrão ouro) ou intraóssea (alternativa). 
• Venoso central > venoso periférico > intraósseo > intratraqueal. 
o Reversores: utilizar sempre que disponível; 
o Adrenalina: 0,01 mg/kg (1 mg/ml). Faz vasoconstrição periférica, garantindo sangue 
onde interessa. Andar com uma casa para a esquerda do peso do animal se não tiver a 
dose, para saber quanto do medicamento utilizar. 
o Atropina: 0,04 a 0,054 mg/kg. Usa-se somente para tratar a bradicardia. Não adianta 
usar no animal com parada cardiorrespiratória. 
o Vasopressina: 0,8 UI/kg*. É cara. 
o Amiodarona: 5 mg/kg. É um antiarrítmico, como a lidocaína. Cada 2 a 4 minutos - 
preferencial em gatos. 
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o Lidocaína: 1-2 mg/kg + 25-50 ug/kg/min. Sem vasoconstritor. Usada em arritmias, 
pode ser feita em infusão contínua. Preferencial em cães. Em gatos a lidocaína IV é 
mais tóxica. 
• Não deixar o animal abaixar de 35,5ºC, pois se abaixar, os fármacos não vão adiantar. 
• Desfibrilação: 2,5 J/kg no bifásico externo e 4 a 6 J/kg no monofásico externo. Pás 
externas ou internas, no coração. 
• Seguido de ciclo 
• Ritmos chocáveis: taquicardia ventricular e fibrilação ventricular. 
• Afastar-se da mesa, para não sentir o choque também. Manter a mesa isolada. Não 
encostar um eletrodo no outro, senão vai pegar fogo. Na segunda vez, dobra a dose. Há um 
limite, de acordo com o porte do paciente. O eletro deve ser usado com gel, pois se conter 
álcool, vai colocar fogo no animal. Utilizar só em rítimos chocáveis – taquicardia 
ventricular e fibrilação ventricular. Acompanhar se o animal voltou por meio da presença 
de pulso, capnógrafo e eletrocardiograma. 
Monitoração 
• Deve-se monitorar o animal por 72 horas na internação, pois esse é o tempo em que podem 
ocorrer mais paradas cardiopulmonares. 
• O ECG não funciona de maneira adequada enquanto estiver havendo a massagem, pois 
haverão valores alterados e superestimados pelo estímulo e movimento da massagem. 
Avaliar assim que acontecer a troca de massagem. 
• Utilizar o doppler no globo ocular (artéria oftálmica) ou na artéria femoral (medial 
à coxa). 
• Capnógrafo (EtCO₂): capta a quantidade de CO2 na expiração. Quando o animal 
está parado, os valores se mantêm baixos; quando o animal volta com a respiração, 
o valor aumenta. Esse equipamento faz- se muito útil nesses casos, quando os 
valores aumentam rapidamente, que é quando o animal volta a ventilar e a respirar. 
O capnógrafo nos conta sobre a circulação e não sobre a respiração nessa situação, 
com aumento subito após o restabelecimento a circulação do animal. Quando a 
circulação é baixa o animal não consegue retirar o CO2 dos tecidos por meio da 
respiração. Ideal que nessa situação seja acima de 18 mmHg. 
• Hemogasometria: quando o paciente ressuscita, ela terá mais aplicabilidade. Usa-
se para corrigir distúrbios eletrolíticos, ácido-base, acompanhar pressão arterial, 
etc. Usada para corrigir esses distúrbios, que por ventura podem ter ocorrido no 
processo. As sequelas dependem da oxigenação cerebral e variam de animal para 
animal. 
• Doppler. 
 
Cuidados Pós-Parada 
• Acompanhamento: 
o Síndrome Pós-Parada: acompanhar o paciente para avaliar, começar a tratar e, aí então, se 
estiver tudo bem, liberar o paciente. 
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* Ficar cego é o mais comum (devido à falta de suprimentos na retina), mas podem ocorrer 
problemas renais, entre outros. 
 
 
Podemos salvar vidas, não só de animais! 
Deve-se preferir um animal vivo infectado, do 
que um animal morto e estéril.