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Impresso por Zé Ulisses Garcia, E-mail zeulissesbrittes@gmail.com para uso pessoal e privado. Este material pode ser protegido por
direitos autorais e não pode ser reproduzido ou repassado para terceiros. 07/04/2025, 09:57:36
 
UCSAL Universidade Católica do Salvador –
Curso de Graduação em Direito Civil - Reais V 
Turno: Noturno - Terça-feira - 19:00 as 21:40 horas - Pituaçu 
P ro fesso ra: Teila Rocha 
Discente: Cláudia Aguiar Giacomo 
 
Estudo dirigido 
 
Posse 
Conceito: 
É o domínio fático estabelecido pela pessoa sobre a coisa, ressalvados os 
casos de detenção. A posse é uma relação de fato transitória, enquanto a propriedade é 
uma relação de direito permanente. A sua natureza jurídica é direito especial. 
Teorias: 
Teoria Subjetiva - idealizada por Friedrich Carl Von Savigny. Esta teoria 
defende a ideia que para ser considerada posse é necessário ter a junção de dois 
elementos: do poder sobre a coisa (corpus) e a intenção de ser dono (animus), ou seja, o 
elemento objetivo e o elemento subjetivo respectivamente aliados. 
De acordo com esta teoria, na falta de algum desses elementos, não seria 
posse e sim detenção. Assim, o locatário, o usufrutuário, o comodatário não teriam 
posse, pois sabem que não são donos e podem não ter a intenção de querer ser 
proprietário. 
Esta teoria foi sendo enfraquecida pela super valorização do corpus e pela 
subjetividade do termo “intenção”. Entretanto, até hoje é usada para determinar o 
usucapião, onde um dos requisitos é a intenção. 
Teoria Objetiva b a ótica de Rudolf Von Ihering, esta teoria denominada – so
por ele mesmo de objetiva porque não empresta à ideia de intenção como acontece na 
subjetiva. A posse é um mero exercício da propriedade. Porém, o proprietário pode 
transferir sua posse a terceiros para um melhor uso econômico. Exemplo: Se um médico 
herda uma fazenda, mas não sabe administrá- la, é mais conveniente alugar ou arrendar a 
alguém que entenda do ramo. 
 
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Classificação: 
Posse direta e indireta: Decorre de uma relação necessária. Uma depende da 
outra para existir. A posse direta é exercida por quem recebe a autorização do possuidor 
indireto. Este mesmo exemplo dado acima, o médico tem a posse indireta da fazenda e o 
arrendatário ou inquilino tem a posse direta. 
Posse justa e injusta: 
É justa quando a posse não tiver violência, clandestinidade ou precariedade, 
ou seja, houver qualquer tipo de vício. 
É injusta quando existir vícios: violência, clandestinidade ou precariedade. 
Entretanto, muitos doutrinadores entendem que a partir do momento que houver 
qualquer tipo de vício é considerado detenção e não posse. 
Posse Ad interdicta: 
É a posse apta para o ingresso de ações possessórias. É dado esta 
nomenclatura, pois, as ações possessórias também são chamadas de Interdicta 
Possessória. Esta posse quando afetada, não conduz a usucapião. Para que o possuidor 
seja protegido pelos interditos basta que a posse seja justa, sem vícios da violência, da 
clandestinidade ou da precariedade. 
OB S : Entende-se por posse violenta: aquela obtida por meio de esbulho, 
por força física ou violência, moral (vis compulsiva) contra a pessoa do possuidor 
anterior. Exemplo: movimento popular invade violentamente, expulsando a tapas o 
caseiro. 
A posse obtida com tranquilidade é chamada de mansa e pacífica. 
A violência é dirigida contra pessoas, e não contra a própria coisa. Ex: 
invasor que arromba porta de imóvel vazio. Neste caso não há posse violenta. Havendo 
posse violenta, ela o será desde sua aquisição. 
Já Posse clandestina é aquela obtida as escondidas, de forma oculta, na a 
surdina, na calada da noite. Exemplo: o invasor que se apossa do terreno na calada da 
noite, escondido do dono. 
E a Posse precária é a posse injusta mais odiosa, porque nasce do abuso de 
confiança. Exemplo: o comodatário que findou o empréstimo não devolve o bem. 
Assemelha ao estelionato ou apropriação indébita. 
Portanto, é a posse daquele que recebeu a coisa do proprietário com a 
obrigação de devolvê- la, mas não o faz. 
 
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Posse Adusucapionem: 
Esta posse está apta a aquisição da propriedade por usucapião, pois, não é 
qualquer posse que gera usucapião. È necessário ser uma posse com as seguintes 
qualificações: 
Ao fim de um período de dez anos, aliado a outros requisitos como o ânimo 
de dono, o exercício contínuo e de forma mansa e pacífica, além do justo título e boa-fé, 
dá origem à usucapir ordinária. CC, art 1242). 
Posse de Boa fé e Posse de Má Fé: 
A posse de boa fé é aquela que a parte desconhece o vício ou o obstáculo 
que impede a aquisição da coisa. Decorre da consciência de ter adquirido a posse por 
meios legítimos. 
 Posse de má fé é a situação em que alguém sabe do vício que acomete a 
coisa, mas mesmo assim pretende exercer o domínio fático sobre esta, isto é, possuidor 
que possui na consciência da ilegitimidade de seu direito. A posse de má-fé goza de 
defesa, se não for nem violenta, nem clandestina, nem precária. Para a defesa da posse 
não é essencial à boa-fé. 
OB S : A posse de má-fé gera consequências em relação aos frutos e as 
benfeitorias. Não altera as proteções possessórias (nessa seara, o que interessa é a posse 
justa e injusta). 
Posse Nova e Posse Velha: 
Posse nova é aquela que conta com menos de um ano e um dia. 
Posse velha é aquela que conta com pelo menos um ano e um dia. 
Composse: 
É a posse conjunta, com mais de um possuidor. É a situação pela qual duas 
ou mais pessoas exercem, simultaneamente, poderes possessórios sobre a mesma coisa 
(condomínio de posses), o que pode ter origem inter vivos ou mortis causa. Por 
exemplo, a hipótese de doação conjuntiva, para dois donatários, que terão a posse de um 
imóvel. 
Na composse pode ser Pro Diviso quando as partes optam estabelecer –
critérios de divisão ou distribuição da posse. E Pro Indiviso não há essa divisão, todos 
utilizam a coisa em conjunto. De acordo com Carlos Roberto Gonçalves, pro indiviso é 
quando os compossuidores têm posse somente de partes ideais da coisa. E no Pro diviso 
é quando cada compossuidor se localiza em partes determinadas do imóvel, 
estabelecendo uma divisão de fato, é a posse localizada dentro da composse. 
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Jus Possidendi e Jus Possessioni 
 Jus Possidendi é a posse com propriedade, por exemplo, o dono do imóvel. 
E o Jus Possessioni é a posse sem propriedade. Exemplo: o inquilino. 
Efeitos da Posse 
a) o direito ao uso de interditos possessórios (ou defesa da posse em geral, 
em que se inclui a autodefesa ); 
c) a percepção dos frutos (são os bens acessórios que derivam do bem 
principal sem diminuir o valor. Exemplos: frutos das árvores, rendimento de aluguel ou 
de poupança etc.); 
d)o direito de retenção por benfeitorias; 
e)a responsabilidade do possuidor por perdas ou deteriorações; 
f)a usucapião. 
OBS: O possuidor de boa fé, até cessar a boa fé, percebe os frutos. E o 
possuidor de má-fé, deve ressarcir os frutos. Entretanto, as despesas de produção e 
custeio, são ressarcidos em ambos os casos. 
Posse e Benfeitorias 
Como foi dito na observação acima, tanto o possuidor de boa fé como o 
possuidor de má-fé são ressarcidos, entretanto: 
- O possuidor de boa fé é indenizado por benfeitorias úteis (aquelas que 
valorizama coisa, mas não é necessário) e as necessárias (aquelas que são essências 
para a conservação e evita a deterioração do bem), mas é facultativo ressarcir as 
benfeitorias voluptuárias (aquelas desnecessárias, que são mero deleite). Neste caso, 
pode até reter o bem até a indenização acontecer. Retenção é a modalidade de garantia 
no cumprimento de obrigação. Art.744 do CPC. 
- Já o possuidor de má fé só é indenizado pelas benfeitorias necessárias e 
não há retenção do bem e nem levanta benfeitorias voluptuárias. 
Posse e o dever de reparar 
Para o possuidor de boa fé ter o dever de reparar é necessário que o autor da 
ação prove a sua culpa subjetiva, ou seja, terá que provar que o possuidor agiu com 
negligencia, imprudência ou imperícia. Exemplo: O locador ao receber de volta a sua 
casa, percebe que tem um muro caído e o locatário não consertou. Para o locatário 
reparar é necessário que o locador prove a negligencia, imprudência ou a imperícia. 
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No caso do possuidor de má-fé a culpa é presumida. A única forma que o 
possuidor poderia deixar de reparar seria a possibilidade de ele provar que foi algo 
natural e que aconteceria com qualquer pessoa, inclusive com o uso do proprietário. 
Proteção Possessória 
Existem ações que protegem a posse ou restabelecem a posse do possuidor. 
Podendo ser de dois modos: ou através da autotutela ou através de ações possessórias. 
São três situações que dá ensejo as ações possessórias: 
- No caso de ameaça a posse (risco de atentado a posse) = caberá ação de 
interdito possessório proteção face a perigo iminente. O requerente precisa provar na –
justiça o que está ameaçando a sua posse. Esta ação evita um futuro esbulho. Exemplo: 
quando o homem em processo de separação da esposa resolve trocar a fechadura da 
porta da casa, deixando a esposa do lado de fora com todos os seus pertences dentro de 
casa. Se ainda é uma ameaça a ação é um interdito. 
- No caso de turbação - caberá ação de manutenção de posse visa a –
preservação da posse. Neste momento o possuidor ainda está na posse, porém, está 
passando por interferências que não consegue usufruir normalmente do bem. Exemplo: 
Um locatário que tem problemas de saúde e chega no seu imóvel e se depara com 
entulhos no meio da sua sala. Ele ainda está no imóvel, porém, passava com 
conturbação. 
- No caso de esbulho (atentado consolidado a posse) = caberá ação de 
reintegração de posse visa à devolução da posse. –
OB S : Não podemos olvidar do tempo da posse, pois isso influencia 
diretamente nas ações possessórias. 
A ação pode ser força nova e força velha, sendo a posse nova caracterizada 
por um lapso temporal menor de um ano e um dia e a posse velha por um lapso 
temporal maior que um ano e um dia. 
Nos casos de posse velha, não há possibilidade que seja concedida a Tutela 
Antecipada de Reintegração de Posse. Segue o rito ordinário (o juiz não vai tirar o 
possuidor arbitrariamente, sem ouvir, sem esperar audiência) e não cabe liminar, mas 
pode, se for o caso, caber tutela antecipada. 
Princípio da Fungibilidade das ações possessórias, Art. 920, CC. 
Se a ação cabível for a de manutenção de posse e o autor ingressar com a 
ação de reintegração, ou vice-versa, o juiz conhecerá do pedido da mesma forma e 
determinará a expedição do mandado adequado aos requisitos provados. Então, caso o 
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pedido da ação for equivocada, por erro ou por mutação de ações o juiz poderá 
substituir a nomenclatura e determinar a ação correta. 
Posse e Usucapião 
Um dos principais efeitos de ser possuidor é existir a possibilidade de 
usucapir. Até o possuidor de má fé pode usucapir, basta ele preencher os requis itos 
previstos em lei. Iremos aprofundar os estudos de usucapião no principal instituto de 
direitos reais propriedade. Mas é importante entender que tudo começa na posse. –
Hipóteses de aquisição e perda da posse 
A principal análise será: Como a pessoa se tornou possuidora e como ela 
deixou ser possuidora. 
Aquisição 
1º Critério a ser analisado: 
- Quanto à manifestação da vontade : 
Ad unilateral refere-se a aquela pessoa obtem a posse por vontade dela 
mesma. É o indivíduo que ocupa um bem sem a autorização. Tecnicamente o termo 
“oc upaç ão ” pressupõe que foi um ato unilateral. 
 Já o ato bilateral são duas pessoas manifestando a vontade: uma de ceder o 
bem e a outra de possuir. Neste ato pressupõe que existe a tradição (o ato de entrega). 
2º Critério a ser analisado: 
- Quanto a origem da posse: 
Neste momento se estuda quem foi o antecessor e quem é o sucessor. E a 
pergunta que se faz é: existe uma relação necessária entre antecessor e sucessor? 
Posse originária Não existe uma relação essencial, necessária entre o –
antecessor e o sucessor do bem, ou seja, o sucessor começa uma posse originária, sem 
vínculos, sem relação com o antecessor. Não há uma relação de causalidade entre a 
posse atual e a anterior e caso tenha vícios, eles são livrados. O usucapião é uma posse 
originária por determinação de lei. Mas tem casos em que o novo dono pode escolher se 
a posse é originária ou derivada. 
Posse derivada - Existe uma relação essencial, necessária entre o antecessor 
e o sucessor do bem, ou seja derivou de condição anterior, inclusive os vícios- caso 
tenha. A derivada existe a anuência, o consentimento do anterior possuidor. Ex: posse 
por herança. 
 
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Obs: Título singular e vício universal. Uma pessoa que recebe um bem 
como herança sem testamento é considerado sucessor a título universa l porque ele tem 
só uma cota de patrimônio que só no final o juiz vai dizer qual o patrimônio. A sucessão 
a título singular é quando o sucessor terá direito a um bem específico que foi 
determinado em testamento e não uma cota. Segundo o art. 1.207 o sucessor universal 
continua de direito a posse do seu antecessor; e ao sucessor singular é facultado unir sua 
posse a do antecessor, para os efeitos legais. (essa sucessão pode ser por ato inter vivos 
ou causa mortis) 
Perda da Posse 
Quais são as causas da perda da posse: 
- Pelo abandono da coisa ou derrelicção É quando perde a posse por –
vontade própria, de maneira espontânea. 
- Pela perda em sentido estrito Deixei em algum lugar e não lembra. Neste –
caso, não é voluntariamente. Se alguém achar pode usucapir, pois também existe 
usucapião de bens móveis. 
- Pela destruição da coisa uma vez perecendo o objeto, extingue-se o –
direito. Isto pode se dar por três situações: 
a) Ato do possuidor - que pode acontecer pelo próprio possuidor que não 
deu a manutenção devida, que não cuidou da coisa. 
b) Ato de terceiro Uma terceira pessoa que destruiu o bem. –
c) Ato natural- Por força maior. 
- Pela colocação da coisa fora do comércio Se tornou inaproveitável ou –
inalienável. Ex: Um fiscalização onde retira-se remédios vencidos. O titular deixar de 
exercer posse sobre aqueles medicamentos. O Poder Público pode intervir porque o 
imóvel não está em condições de moradia e então o titular perde a sua posse. 
-Pelo esbulho Quando alguém invade o seu imóvel. –
- Pela tradição Real Quando envolve a intenção definitiva de transferi- la a –
outrem. É a entrega propriamente dita do bem para outro possuidor. Não há perda da 
posse na entrega da coisa a umrepresentante, para que administre. 
- Pela tradição simbólica a entrega decorre de um ato representativo que –
celebra a tradição. Ex. entrega das chaves. 
- Tradição ficta - TRADITIO BREVI MANU - é aquela que se dá por 
presunção. O possuidor possuía em nome alheio e passa a possuir em nome próprio. Ex. 
taxista que compra o taxi em que trabalhava para outro. Pode ocorrer também esse tipo 
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de tradição através da CLAUSULA CONSTITUTI (constituo possessório) - em que o 
possuidor possuía em nome próprio e passa ' a possuir em nome alheio (o caso do 
proprietário que vende o imóvel e nele permanece como locatário). 
 
 
BIBLIOGRAFIA: 
CHAVES, Cristiano de Farias e ROSENVALD, Nelson. Curso de Direito 
Civil- Reais. 13º Edição. Ano 2017. Editora JusPodium. 
GONÇALVES, Carlos Roberto. Direito Civil Brasileiro. 9ª Edição. Ano 
2014. Editora Saraiva. 
Site: file:///C:/Users/claudia/Downloads/wfd_145860300356f083fbdf312--
apostila_de_direitos_reais_-_posse.pdf 
Informações retiradas das aulas presenciais com a professora Teila Rocha.

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