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Teoria Geral Professora Karina Pinheiro – 01/03/2021 CONTEÚDO PROGRAMÁTICO Ética, moral e Direito. O conceito de Direito: definição etimológica e definição etnológica. Direito como ciência. Direito e Moral. Direito e Justiça. Antropologia e Direito. Diversidade cultural e multiculturalismo na sociedade. A contribuição da filosofia para o Direito. Filosofia Jurídica. Divergências sobre o conteúdo do conceito de Direito. Direito e a sua função: regulação social, limitação do poder político. Evolução da sociedade e a evolução do Direito. Teoria das fontes do Direito: direitos humanos, direitos fundamentais, lei, princípios de direito, jurisprudência, equidade. Jusnaturalismo, juspositivismo e pós-positivismo. Teoria da norma e do ordenamento jurídico: norma e ordenamento, hierarquia e as lacunas do ordenamento e as antinomias. Análises críticas do Direito. Direitos Humanos e sociedade: história, importância e proibição do retrocesso. Teoria da decisão judicial. A hermenêutica jurídica. A superação dos métodos de interpretação mediante puro raciocínio lógico-dedutivo. O método de interpretação pela lógica do razoável. Teoria da Justiça: o sentido "lato" de justiça como valor universal Teorias da argumentação jurídica.; sentido estrito da justiça como valor jurídico-político. Hermenêutica de "hard cases". 2. Princípios, regras, valores. Diversidade cultural e multiculturalismo na sociedade. BIBLIOGRAFIA BÁSICA ASSIS DE ALMEIDA, G.; BITTAR, E. C. B. Curso de filosofia do direito. 14. ed. São Paulo: Atlas, 2019. E-book. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/books/9788597018684/ NADER, Paulo. Filosofia do direito. 27. ed. Rio de Janeiro: Forense, 2020. Ebook. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/books/9788530990237/ MASCARO, Alysson Leandro. Introdução ao estudo do direito. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2019. E-book. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/books/9788597018660/ BIBLIOGRAFIA COMPLEMENTAR FREIRE SOARES, Ricardo Mauricio. Teoria geral do direito. 5. ed. São Paulo: Saraiva, 2019. E-book. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/books/9788553611201/ LOPES, José Reinaldo de Lima. O direito na história. 6. ed. São Paulo: GenAtlas, 2018. E-book. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/books/9788597019247/ MASCARO, Alysson Leandro. Filosofia do direito. 7. ed. São Paulo: Atlas, 2019. E-book. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/books/9788597022353/ SAMPAIO FERRAZ JR., T. Introdução ao estudo do direito. 11. ed. São Paulo: Atlas, 2019. E-book. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/books/9788597021417/ MARMELSTEIN, George. Curso de direitos fundamentais. 8. ed. São Paulo: Atlas, 2019. E-book. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/books/9788597021080/ 01. INTRODUÇÃO NOÇÕES GERAIS E TERMINOLOGIAS IMPORTANTES I. DIREITO E ESTADO Estado em sentido amplo é composto pelos três Poderes (Poder Executivo, Poder Legislativo e Poder Judiciário). Cada poder estatal exerce várias funções típicas e atípicas. O Direito está presente em cada um dos poderes, mas para nosso estudo, podemos destacar a função típica do Poder Judiciário de julgar e a função típica do Poder Legislativo de fazer as leis. O Estado tem um sentido amplo, quando falamos dele, usamos o conceito para referirmos a um país – a república federativa do Brasil. Ou seja, o direito vem de várias fontes e ele está presente nos três poderes que compõe o Estado. Este Estado federativo do Brasil é composto pelos três poderes, onde podermos extrair Todos os poderes têm várias funções que são típicas. O poder judiciário é composto por vários órgãos, onde possui a função típica de julgar os litígios que são postos. Caso não haja solução pela conciliação, procura-se a Justiça. As ferramentas usadas para resolver estes litígios são as leis - por sinal, são elaboradas pelo Poder Legislativo - os princípios, as analogias etc. por sinal. II. DIREITO PÚBLICO X DIREITO PRIVADO Há no Direito oriundo do Direito Romano, uma clássica e tradicional divisão: Direito Público e Direito Privado. Essa divisão se refere aos mais variados ramos do Direito. O Direito Privado regulamenta, em regra, as relações privadas, particulares. O Direito Público, em regra, regulamenta as relações jurídicas entre Estado e particulares. Os particulares são pessoas físicas ou Pessoa Jurídicas de Direito Privado. O direito como ciência jurídica, eles têm várias divisões e existe uma divisão muito antiga e clássica onde se separa o Direito em Público e Privado. O direito público regulamenta as relações jurídicas do poder público e particulares., onde possui normas que interessam a toda a coletividade. Já o Direito Privado possui ramos que regulamentam as relações jurídicas particulares de direito privado. Ou seja, ordens e comandos que visam resguardas direitos particulares, de pessoas e pessoas jurídicas. A nossa vida só é regida por normas e por regras, sendo de direito público ou privado. Precisamos de um padrão de conduto que devemos seguir para evitar conflitos e viver em harmonia. O Direito vem para tentar solucionar estes conflitos que estão para acontecer. O direito como a ciência ramificada em várias disciplinas e ramos, onde cada um tem a seu código próprio. Podemos exemplificar aqui alguns e na aula vamos discutir e exemplificar: DIREITO PRIVADO DIREITO PÚBLICO Direito Civil Direito Constitucional Direito Empresarial Direito Administrativo Direito do Consumidor Direito Penal Estatuto da Criança e do Adolescente Direito Tributário Direito Eleitoral Direito Ambiental Obs. Direito Processual Civil e Penal/ Direito do Trabalho Codificação: Reunião das regras compiladas pertencentes à um ramo para facilitar a compreensão. 2. DIREITO OBJETIVO X DIREITO SUBJETIVO DIREITO OBJETIVO é a norma ou o conjunto de normas de conduta. O direito objetivo surge da norma, ela é pressuposto lógico do direito objetivo. A norma jurídica gera e garante direitos. O DIREITO OBJETIVO é, portanto, o CONJUNTO DE NORMAS EM VIGOR e que constituem o ORDENAMENTO JURÍDICO. O Direito Romano, base e inspiração de todo o ordenamento jurídico brasileiro, denomina o DIREITO OBJETIVO com uma expressão em latim: “norma agendi”. Ele se dirige a todos os homens, a toda a coletividade e sociedade. Ou seja, são nomenclaturas e conceitos muito importantes. O direito objetivo na verdade são as próprias regras e normas jurídicas. Ele está na leis e regras previstas no ordenamento, é objetivo pois não tem nenhum aspecto de subjetividade pois é objetivo para todo mundo. DIREITO SUBJETIVO, por sua vez, ocorre em relação ao sujeito, ao indivíduo. O direito subjetivo decorre do direito objetivo e se caracteriza pelo poder de cada sujeito atuar em conformidade com o ordenamento jurídico. É a faculdade de agir conforme a norma jurídica. É uma faculdade jurídica porque possibilita ao seu titular exigir o cumprimento de um dever, mãos não o obriga que assim proceda. Ele exerce se quiser. O direito subjetivo é denominado pelos romanos como “facultas agendi”. É um pode conferido pelo direito para a realização das pretensões e interesses humanos. Nas palavras do filósofo Flósculo da Nóbrega, tem direito subjetivo “todo aquele que pode utilizar a garantia do direito objetivo para a realização de um interesse próprio. ” Só pode haver direito subjetivo se a pretensão a ser exercida pelo seu titular estiver amparada, prevista pelo direito objetivo. O direito subjetivo ele garante um direito, porém se você quer exercer o direito previsto no ordenamento, você quem decide. Você é um sujeito titular de um direito, porém você tem a faculdade de exercer este direito ou não. Para que haja o direito subjetivo, tem de haver previsão no ordenamento jurídico – que no caso é o direito objetivo. O direito objetivo é concreto, e o subjetivo é abstrato. Ex: locação de imóvel. 3. HOMEM, SOCIEDADE E DIREITO TEXTO: INTRODUÇÃO AO ESTUDODO DIREITO AUTOR: ANTÔNIOBENTO BETIOLI. Onde quer que se observe o ser humano, seja qual for a época e por mais rude e selvagem que possa ser na sua origem, ele sempre é encontrado em estado de convivência com os outros. De fato, desde o seu aparecimento sobre a Terra, surge em grupos sociais, inicialmente pequenos (família, clã, tribo) e depois maiores (aldeia, cidade, Estado). São aspectos correlatos de um único fenômeno. O ser humano é sociável e por isso tende a entrar em contato com seus semelhantes e a formar certas associações estáveis. Começando a fazer parte de grupos organizados, torna-se um ser político, ou seja, membro de uma polis, de uma cidade, de um Estado, e, como membro de tal organismo, adquire direitos e assume determinados deveres. Mas todo relacionamento, todo agrupamento, por menor que seja, gera conflitos, disputas e necessitam, portanto, de mecanismos de controle, o controle social. 4. A SOCIEDADE, INTERAÇÃO E CONTROLE SOCIAL O termo sociedade é sinônimo de grupo social e significa qualquer agrupamento de pessoas em processo de interação. Formas de interação social: cooperação, competição e conflito A interação se dá pela cooperação – as pessoas estão movidas por um mesmo objetivo e valor; na competição há uma disputa, uma concorrência em que as partes procuram obter o que almejam, uma visando a exclusão da outra; conflito, se faz presente a partir do impasse, quando os interesses não se resolvem pelo diálogo e as partes recorrem à agressão moral ou física ou buscam mediação da Justiça. Os conflitos são fenômenos naturais de qualquer sociedade e quanto mais desenvolvida a sociedade mais se desenvolvem os conflitos. Instrumentos de controle social: Nenhuma sociedade poderia subsistir se ela se omitisse diante do choque de forças sociais e do conflito de interesses que se verificam constantemente. Daí surgiram os instrumentos de controle social visando à regulamentação da conduta em sociedade, como, por exemplo, a religião, a moral, as regras de trato social e, consequentemente, o Direito. Comment by Danielle: A nossa própria moral e consciência que vai reger a nossa vida, não necessitando do Estado para interferir. Temos como por exemplo a religião – que não é emanada do direito, que é uma forma de controle social. 5. SOCIEDADE E DIREITO O Direito como instrumento de controle social tem sua faixa e maneira própria de operar. a. O direito como instrumento de controle social O Direito não é o único instrumento de controle social responsável pela harmonia em sociedade, uma vez que a religião, a moral, as regras de trato social contribuem também para o sucesso das relações sociais. O Direito não é o único instrumento de controle social, mas é, contudo, a garantia precípua da vida em sociedade. O Direito tem como função regrar a conduta social, com vistas à ordem e à justiça e somente os fatos sociais mais importantes para o convívio social é que são juridicamente disciplinados). O Direito não visa o aperfeiçoamento interior do Homem, essa meta pertence à Moral. Não pretende preparar o ser humano para uma vida supra terrena ligada a Deus, finalidade buscada pela religião. Nem se preocupa em incentivar a cortesia ou as normas de etiqueta, campo específico das regras de trato social. Comment by Danielle: Teoria do fato jurídico, o direito vai colher aqueles fatos que são mais relevantes e vai regulamentar. Caso não se cumpra a regra, haverá uma penalização. Em relação ao conflito, a ação do Direito opera-se em duplo sentido: A) Age preventivamente, ao evitar desinteligência quanto aos direitos de que cada parte julga ser portadora, definindo-os com clareza em suas normas; (TUTELA PREVENTIVA) Comment by Danielle: Tutela significa proteção, garantia. São regras que visam evitar o conflito, evitar um mal maior. Age preventivamente. Dado exemplo B) Diante do conflito do caso concreto, o Direito apresenta solução de acordo com a natureza do caso, seja para definir o titular do direito, determinar a restauração da situação anterior ou aplicar penalidades de diferentes tipos. (TUTELA REPRESSIVA) Comment by Danielle: Se o conflito vier a acontecer, existem as regras para solucionar. Existem regras para solucionar o conflito. O Direito procura assim responder às necessidades de ordem e justiça da convivência em sociedade. Não há direito sem sociedade. O direito não tem existência em si próprio, ele existe na sociedade e em função da sociedade. Se isolarmos um indivíduo numa ilha deserta, a ele não importarão regras de conduta. Segundo Miguel Reale, podemos definir o Direito como sendo “a ordenação das relações de convivência”.