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República Federativa do Brasil
Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos
Secretaria Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente 
Presidente da República Jair Messias Bolsonaro
Ministra de Estado da 
Mulher, da Família e dos 
Direitos Humanos
Cristiane 
Rodrigues Britto
Ministro de Estado 
da Cidadania
Ronaldo Vieira 
Bento
Secretário Nacional dos 
Direitos da Criança e do 
Adolescente
Maurício José 
Silva Cunha
Secretária Nacional 
de Atenção a 
Primeira Infância
Luciana Siqueira 
Lira de Miranda
Diretora de Promoção 
e Fortalecimento dos 
Direitos da Criança e do 
Adolescente 
Luciana Dantas da 
Costa Oliveira
Diretor do 
Departamento de 
Atenção a Primeira 
Infância
Leonardo 
Milhomem
Coordenadora Geral 
de Fortalecimento de 
Garantias de Direitos
Alinne Duarte de 
Andrade Santana
Diretor Nacional do 
Projeto BRA PNUD 
10/007
Coordenador do Projeto 
BRA PNUD 10/007
Carlos Said Calill 
Pires
Honório de Lima 
Côrtes Neto
Coordenadora Geral 
de Formação do 
Departamento de 
Atenção a Primeira 
Infância
Cleidionice 
Gonçalves Ferreira
Produção do conteúdo, projeto gráfico e diagramação: Avante Brasil Informática e Treinamento Ltda.
Editorial
Projeto: Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento BRA/10/007 - 
“Boas práticas na implantação e implementação dos sistemas de informação para a 
infância e a adolescência - SIPIA, Conselhos tutelares e SIPIA, SINASE WEB”.
Contrato nº: BRA10-38945
Produto 5: Curso 2
CURSO: FERRAMENTAS PARA A PREVENÇÃO E O ENFRENTAMENTO À VIOLÊNCIA 
CONTRA CRIANÇAS NA PRIMEIRA INFÂNCIA
Objetivo geral: Identificar estratégias, compreender os equipamentos e órgãos públicos 
de prevenção, identificar e conhecer o fluxo para encaminhamentos de crianças vítimas de 
violência na primeira infância.
Objetivos específicos: 
• Compreender o papel do equipamento Centro de Referência de Assistência Social 
(CRAS) na prevenção de violências contra crianças na primeira infância, a inter-
relação com o Programa Criança Feliz e o papel dos visitadores e supervisores 
neste processo;
• Entender o papel do Centro de Referência Especializado de Assistência Social 
(CREAS) na orientação de casos de crianças vítimas de violência e suas famílias e a 
inter-relação desses Centros de Referência com o Programa Criança Feliz;
• Compreender o órgão Conselho Tutelar com suas atribuições e competências;
• Identificar como é o processo de escolha dos conselheiros tutelares e quem pode 
se candidatar;
• Buscar estratégias de enfrentamento das violências de acordo com o território de 
atuação e suas peculiaridades;
• Buscar no território de trabalho as possíveis parcerias nos programas de proteção 
existentes;
• Compreender a ética no serviço público;
• Conhecer o papel do Ministério Público, do Poder Judiciário e da Segurança 
Pública nos casos de violência contra crianças na primeira infância;
• Entender qual serviço oferecido pela Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos 
(ONDH), através dos canais de denúncias via internet, Whatshapp, Telegram, 
Disque 100 ou Disque Direitos Humanos, referência em canais de denúncias de 
violação de direitos das crianças na primeira infância.
Público-alvo: supervisores e visitadores do Programa Criança Feliz.
Carga horária total: 20 horas.
4 FERRAMENTAS PARA A PREVENÇÃO E ENFRENTAMENTO À VIOLÊNCIA CONTRA CRIANÇAS NA PRIMEIRA INFÂNCIA
SUMÁRIO
Módulo 1 .....................................................6
Aula 1 – Breve apresentação sobre o papel do Centro de Referência de Assistência 
Social (CRAS) e do Centro de Referência Especializado de Assistência Social 
(CREAS) como equipamentos/ferramentas na prevenção e orientação diante de 
casos de violências contra crianças na primeira infância .........................................7
1.1 – O Papel do CRAS na prevenção de violências contra crianças na primeira 
infância .................................................................................................................13
1.1.1 – A inter-relação do CRAS com o Programa Criança Feliz .............................14
1.2 – O Papel do CREAS no enfrentamento e encaminhamento das violências contra 
crianças na primeira infância ................................................................................17
1.2.1 – A inter-relação do CREAS com o Programa Criança Feliz ...........................19
Aula 2 – Conselho Tutelar: atribuições e competências .........................................21
Aula 3 – Processo de escolha dos conselheiros tutelares ......................................25
Encerramento do Módulo 1 ....................................................................................27
Módulo 2 ...................................................28
AULA 1 – Escuta especializada e depoimento especial na Rede do Sistema de 
Garantia de Direitos de acordo com a Lei nº. 13.431/2017 .....................................29
AULA 2 – Fluxo de atendimento de crianças e adolescentes vítimas de violência ..35
AULA 3 – Canais de denúncias de violências contra crianças na primeira infância .40
Encerramento do Módulo 2 ....................................................................................45
Módulo 3 ....................................................46
AULA 1 – O papel dos supervisores e visitadores do Programa Criança Feliz na 
prevenção e orientação diante de casos de crianças vítimas de violência na primeira 
infância .................................................................................................................47
AULA 2 – Ética e sigilo no exercício da função de visitadores ................................56
5FERRAMENTAS PARA A PREVENÇÃO E ENFRENTAMENTO À VIOLÊNCIA CONTRA CRIANÇAS NA PRIMEIRA INFÂNCIA
AULA 3 – Estratégias de identificação e enfrentamento das violências contra 
crianças na primeira infância .................................................................................60
AULA 4 – Programa de proteção a vítimas de violência e testemunhas ..................65
Encerramento do Módulo 3 ....................................................................................67
Módulo 4 ....................................................68
AULA 1 – O papel do Ministério Público, Poder Judiciário e da Segurança Pública 
nos casos de violência contra crianças na primeira infância ..................................69
AULA 2 – Mecanismos de denúncia de violência contra crianças na rede de garantia 
de direitos e seus fluxos ........................................................................................74
Encerramento do Módulo 4 ....................................................................................82
Referências bibliográficas .....................................................................................83
Ícones Organizadores
Módulo 1 
O módulo 1 está dividido em 3 aulas: 
Aula 1 - Breve apresentação sobre o papel do Centro de 
Referência de Assistência Social (CRAS) e do Centro de 
Referência Especializado de Assistência Social (CREAS) como 
equipamentos/ferramentas na prevenção e orientação diante 
de casos de violências contra crianças na primeira infância - 3 
horas
Aula 2 - Conselho Tutelar: atribuições e competências - 1 hora
Aula 3 - Processo de escolha dos conselheiros tutelares - 1 
hora
Ao final deste módulo, esperamos que você seja capaz de:
• compreender o papel dos equipamentos Centro de 
Referência de Assistência Social (CRAS) e Centro 
de Referência Especializado de Assistência Social 
(CREAS) na prevenção de violências contra crianças 
na primeira infância, a inter-relação desses Centros 
de Referência com o Programa Criança Feliz e o 
papel dos visitadores e supervisores neste processo;
• compreender o órgão Conselho Tutelar com suas 
atribuições e competências;
• identificar como é o processo de escolha dos 
conselheiros tutelares e quem pode se candidatar.
7FERRAMENTAS PARA A PREVENÇÃO E ENFRENTAMENTO À VIOLÊNCIA CONTRA CRIANÇAS NA PRIMEIRA INFÂNCIAna prática, até os(as) benefi ciários(as) do programa em seu município. 
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https://cmas.jundiai.sp.gov.br/wp-content/uploads/2015/01/Resolu��o-CNAS-n�-06-2015.pdf
49FERRAMENTAS PARA A PREVENÇÃO E ENFRENTAMENTO À VIOLÊNCIA CONTRA CRIANÇAS NA PRIMEIRA INFÂNCIA
Essa ação ajuda, também, a promover a saúde física e psicológica dessa família, em especial 
das grávidas, uma vez que favorece o acompanhamento da gestação, além, é claro, de facilitar 
a identifi cação de violações de direitos das crianças na primeira infância, promovendo os 
encaminhamentos necessários. 
Reforçamos que, em relação à busca ativa das famílias, os visitadores são 
profi ssionais importantes na possível identifi cação de violações e de direitos 
das crianças na primeira infância. Uma vez realizada a identifi cação das 
violações, é necessário fazer os encaminhamentos devidos para garantir os 
direitos constitucionais. 
Caso seja identifi cado um caso de violação de direitos da criança na primeira infância, como, 
por exemplo, deixar a criança em casa sozinha; não alimentá-la adequadamente, não realizar 
os cuidados de saúde e higiene como dar banho, vacinar ou levar ao médico, o visitador deverá 
encaminhar a situação observada a seu supervisor que, como já vimos em aulas anteriores, 
encaminha a situação à equipe técnica do CRAS.
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50 FERRAMENTAS PARA A PREVENÇÃO E ENFRENTAMENTO À VIOLÊNCIA CONTRA CRIANÇAS NA PRIMEIRA INFÂNCIA
Diante de alguns casos, os órgãos de garantia de direitos precisaram contar com alguns programas 
de garantias de vida estaduais, como o PPCAM, que promovem a garantia de segurança de crianças 
na primeira infância e de sua família, que por algum motivo estejam ameaçadas de morte.
Chamamos aqui a atenção para o PPCAAM – Programa de Proteção a Crianças e Adolescentes 
Ameaçados de Morte, cujo objetivo é ampliar ainda mais a proteção e potencializar o processo 
de reinserção segura da criança e do adolescente que sofrem esta grave ameaça:
O Programa de Proteção a Crianças e Adolescentes Ameaçados de Morte, criado 
em 2003, e instituído inicialmente pelo Decreto nº 6.231/2007, substituído pelo 
Decreto nº 9.579, de 22 de novembro de 2018, art. 109 a 125, consiste em uma 
política de proteção de crianças e adolescentes ameaçados de morte, com 
metodologia que busca prevenir a letalidade de crianças e adolescentes em todo 
o Brasil, bem como de protegê-las e reinseri-las na sociedade com segurança.
O Programa está presente no Distrito 
Federal e em 16 estados, sendo 
eles: Amazonas, Acre, Pará, Ceará, 
Pernambuco, Alagoas, Paraíba, Bahia, 
Maranhão, Rio de Janeiro, São Paulo, 
Espírito Santo, Minas Gerais, Paraná, 
Rio Grande do Norte e Rio Grande do 
Sul. Nos estados onde o PPCAAM 
não está implementado, os casos 
fi cam sob responsabilidade do Núcleo 
Técnico Federal, que também presta 
assessoria à Coordenação Nacional 
do Programa. Im
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51FERRAMENTAS PARA A PREVENÇÃO E ENFRENTAMENTO À VIOLÊNCIA CONTRA CRIANÇAS NA PRIMEIRA INFÂNCIA
Desde a sua criação, o PPCAAM já incluiu e protegeu mais de 4.500 crianças e 
adolescentes, e quase de 7.700 familiares.
Para ampliar ainda mais a proteção e potencializar o processo de reinserção segura da criança 
e ou do adolescente ameaçado de morte, a Secretaria Nacional dos Direitos da Criança e do 
Adolescente criou o projeto Família Solidária, que busca assegurar o direito à convivência familiar 
e comunitária, à saúde e à educação do adolescente e da criança que ingressam no PPCAAM sem 
o acompanhamento dos pais ou responsáveis legais; busca, também, evitar a institucionalização 
dessas crianças e adolescentes nos estados de Alagoas, Ceará, Espírito Santo, Acre, Pará, Rio de 
Janeiro, Pernambuco, Paraíba e no Distrito Federal. 
Como uma das estratégias do Governo Federal para o enfrentamento da 
letalidade infanto-juvenil, no endereço abaixo você encontrará um Guia Público 
de Procedimentos sobre o Programa de Proteção a Crianças e Adolescentes 
Ameaçados de Morte (PPCAAM), que tem por objetivo preservar a vida das 
crianças e dos adolescentes ameaçados de morte, com ênfase na proteção 
integral e na convivência familiar.
Para saber mais sobre o PPCAM, acesse: https://www.gov.br/mdh/pt-br/
navegue-por-temas/programas-de-protecao/ppcaam-1/ppcaam
As famílias deverão ser identificadas como tendo crianças na primeira infância, 
se for o caso, através dos registros nos CRAS, que estão inseridos no CadÚnico. 
Os dados dessas crianças também devem constar na rede de apoio das 
organizações da Sociedade Civil e organizações de bairros.
https://www.gov.br/mdh/pt-br/navegue-por-temas/programas-de-protecao/ppcaam-1/ppcaam
52 FERRAMENTAS PARA A PREVENÇÃO E ENFRENTAMENTO À VIOLÊNCIA CONTRA CRIANÇAS NA PRIMEIRA INFÂNCIA
Imagine que, sendo um visitador do PCF, você chega a uma residência e nota que uma criança de 3 
anos de idade apresenta condições de higiene e asseio inaceitáveis, aparenta fome e desnutrição, 
e que tal condição pode sinalizar um caso de negligência. Reflita:
a)
b)
c)
d)
e)
O que você faria durante e após a visita domiciliar?
Como você abordaria a questão com os responsáveis 
pela criança?
E, se você notasse que sequer a casa e os responsáveis 
pela criança apresentam sinais de asseio adequado? 
Como você lidaria com a questão?
Que outros agentes da Rede acessíveis naquele 
território você poderia indicar para que aquela família 
se informe um pouco melhor e melhore suas práticas 
de higiene?
Como você valorizaria o esforço do pouco que aqueles 
pais conseguem fazer pela higiene da criança e deles 
próprios? E como você os orientaria a aprimorar essas 
práticas de higiene para que elas se tornem melhores, 
constantes e efetivas para o bem-estar e saúde deles 
e da criança? 
53FERRAMENTAS PARA A PREVENÇÃO E ENFRENTAMENTO À VIOLÊNCIA CONTRA CRIANÇAS NA PRIMEIRA INFÂNCIA
Vamos, agora, a mais uma rodada de perguntas. Desta vez, você terá acesso a uma “resposta 
ideal”, mas, antes de seguir e ver essa resposta, refl ita, responda para si mesmo, anote sua resposta 
num caderno e, só depois, confi ra a resposta e compare com a sua.
• Na visita domiciliar, é importante evidenciar o 
papel do pai nos primeiros meses de vida da 
criança? Por quê?
Resposta: Sim, porque, nesta fase, se dá o 
desenvolvimento sensório motor das crianças e 
a afetividade é de suma importância para esse 
desenvolvimento; assim, o contato do pai no 
banho, através de carinho e da convivência 
fortalece os vínculos e proporciona condições 
favoráveis ao desenvolvimento da criança.
• Os visitadores devem orientar sobre as 
vacinas que devem ser dadas às crianças 
na primeira infância como prevenção de 
doenças?
Resposta: Sim, pois as vacinas são 
obrigatórias segundo o Estatuto da Criança 
e do Adolescente. O olhar específi co para as 
vacinas é da equipe de saúde, entretanto, ao 
identifi car crianças que não receberam vacina, 
o visitador pode ajudar e incentivar as famílias 
a vacinarem as crianças. A equipe de saúde 
deve ser acionada para apoiar esses casos 
específi cos. Im
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54 FERRAMENTAS PARA A PREVENÇÃO E ENFRENTAMENTO À VIOLÊNCIA CONTRA CRIANÇAS NA PRIMEIRA INFÂNCIA
Perceba que os visitadores devem orientar e incentivar as pessoas que compõem o núcleo familiar 
a observar os sinais de bem-estar e desconforto dessas crianças, reafi rmando e consolidando 
os laços afetivos, promovendo os vínculos sociais, e ao voltar ao CRAS ou à equipe de referência, 
após o trabalho realizado, o visitador deve relatar e registrar as ocorrências observadas junto ao 
seu supervisor, a saber:
questões 
relacionadas à 
saude.
questões 
relativas como 
habitabilidade;
difi culdades 
e avanços 
encontrados;
necessidades 
encontradas no 
núcleo familiar;
mudanças;
As discussões em grupo são 
necessárias para partilhar as 
dificuldades e avanços e se 
chegar a soluções, respeitandoas peculiaridades de cada área.
Vamos considerar a Lei nº. 13.431/17, que 
trata das violências física, psicológica, 
sexual e institucional, as portas de entrada 
dessas violações e as denúncias devem ser 
direcionadas ao Conselho Tutelar e/ou à 
autoridade policial através da Polícia Civil 
para fazer uma refl exão sobre a proteção das 
crianças, lembrando que, se verifi cada a situação 
de violação de direitos, o caso é comunicado 
aos órgãos de defesa e garantia de direitos 
para providências cabíveis, tais como Polícia 
Civil (para abertura de inquéritos), Ministério 
Público (para que faça a denúncia), Poder 
Judiciário (para que se garantam os direitos de 
defesa, contraditório, devido processo legal), 
Conselho Tutelar (para o amparo e garantia 
da segurança da criança) e demais órgãos do 
sistema de garantia de direitos.
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55FERRAMENTAS PARA A PREVENÇÃO E ENFRENTAMENTO À VIOLÊNCIA CONTRA CRIANÇAS NA PRIMEIRA INFÂNCIA
Lembre-se que esta lei normatiza e organiza o sistema de garantia de 
direitos da criança e do adolescente vítima ou testemunha de violência, 
cria mecanismos para prevenir e coibir a violência, nos termos do art. 227 
da Constituição Federal , da Convenção sobre os Direitos da Criança e seus 
protocolos adicionais, da Resolução nº 20/2005 do Conselho Econômico e 
Social das Nações Unidas e de outros diplomas internacionais, e estabelece 
medidas de assistência e proteção à criança e ao adolescente em situação 
de violência.
A Lei nº. 13.431/17 estabelece o Sistema de garantia de direitos da criança e 
do adolescente vítima ou testemunha de violência e altera a Lei nº 8.069, de 
13 de julho de 1990 (Estatuto da Criança e do Adolescente).
Acesse a Lei nº. 13.431/17 na íntegra por meio do endereço: 
L13431 (planalto.gov.br).
Chegamos ao fim desta primeira aula, que tratou do papel dos supervisores 
e visitadores do Programa Criança Feliz na prevenção e orientação diante 
de casos de crianças vítimas de violência na primeira infância. A seguir, 
abordaremos a ética e sigilo na atuação destes profissionais. 
planalto.gov.br
56 FERRAMENTAS PARA A PREVENÇÃO E ENFRENTAMENTO À VIOLÊNCIA CONTRA CRIANÇAS NA PRIMEIRA INFÂNCIA
AULA 2 – Ética e sigilo no exercício 
da função de visitadores
Ética vem do grego ethos, que quer dizer “o modo de ser, o caráter”. Os romanos 
traduziram do grego para o latim mos ou mores, no plural, que quer dizer 
“costumes”, de onde vem a palavra “moral”. 
Aristóteles (1997) afirma que a ética está relacionada com a busca da construção 
pessoal de um ser virtuoso. Logo, o fim das ações humanas é a virtude. Virtude 
é praticar Justiça, entendida como preceito de “justa medida”.
Aristóteles foi um filósofo grego durante o período clássico na Grécia 
antiga. E para ele, filósofo estagirita, devem-se evitar extremos e seguir o 
justo, pois tudo possui uma finalidade: ser feliz.
Qual a importância da ética no exercício da função dos visitadores?
https://www.gov.br/pt-br/noticias/assistencia-social/2021/02/mais-de-25-mil-visitadores-contribuem-com-o-crianca-feliz
https://www.gov.br/pt-br/noticias/assistencia-social/2021/02/mais-de-25-mil-visitadores-contribuem-com-o-crianca-feliz
57FERRAMENTAS PARA A PREVENÇÃO E ENFRENTAMENTO À VIOLÊNCIA CONTRA CRIANÇAS NA PRIMEIRA INFÂNCIA
A ética é necessária ao bom andamento do exercício da função dos visitadores. 
É preciso que cada visitador fi que atento ao fl uxo dos encaminhamentos de sua 
prática profi ssional, buscando cada vez mais a perfeição nas ações executadas 
para o melhor atendimento dos usuários/benefi ciários com efi ciência.
A ética profi ssional traz atrelada a si o sigilo profi ssional. Sigilo é uma questão 
constitucional, sendo inviolável a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem 
do indivíduo. 
Segundo a Portaria MC n°. 664/2021, do Ministério da Cidadania, o visitador do Programa Criança 
Feliz deve ter:
• postura de respeito;
• demonstrar apoio às iniciativas de 
desenvolvimento familiar;
• reconhecer e valorizar as boas práticas de 
tratamento com as gestantes e as crianças;
• identifi car as difi culdades;
• estimular a família a realizar atividades 
propostas e encaminhamentos sugeridos 
pelo próprio visitador;
• ouvir atentamente sem censuras ou pré-
julgamentos;
• ouvir eticamente para fazer os 
encaminhamentos necessários.
Fonte: BRASIL. Portaria nº. 664/2021. Disponível em: 
https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/portaria-mc-n-664-de-2-de-setembro-de-2021-343007090 Acesso em: 26 fev 2022
https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/portaria-mc-n-664-de-2-de-setembro-de-2021-343007090
58 FERRAMENTAS PARA A PREVENÇÃO E ENFRENTAMENTO À VIOLÊNCIA CONTRA CRIANÇAS NA PRIMEIRA INFÂNCIA
O sigilo profi ssional é, assim, um tema de profunda relevância devido à necessidade de se preservar 
a imagem da família, da criança e a integridade do visitador. A falta de sigilo profi ssional pode 
acarretar problemas irreversíveis à família e colocar em risco o próprio visitador. Diante disso, a 
necessidade de se conhecer a Lei e de haver boas práticas no desempenho do trabalho, praticando 
a ética e o sigilo profi ssional, é algo imprescindível.
Crianças e adolescentes têm o sigilo assegurado por Lei, sendo garantido, 
assim, o direito à proteção da privacidade, como expressam os artigos 45, 
70 e 100 do Estatuto da Criança e do Adolescente (BRASIL,1990). Também 
a Lei nº. 13.431/2017 traz o sigilo como parte integrante do sistema de 
garantias de direitos de crianças e adolescentes nos inquéritos e no curso 
dos processos. Esta lei traz expressamente, em seu artigo 5º, inciso III, que 
a criança e o adolescente devem ter a intimidade e as condições pessoais 
protegidas quando vítimas ou testemunhas de violência. O mesmo artigo 
prevê ainda que a vítima deve ter as informações por ela prestadas tratadas 
confi dencialmente (BRASIL, 2017).
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59FERRAMENTAS PARA A PREVENÇÃO E ENFRENTAMENTO À VIOLÊNCIA CONTRA CRIANÇAS NA PRIMEIRA INFÂNCIA
Os visitadores do Programa Criança Feliz devem utilizar-se da ética, buscando manter em sigilo 
os casos, só se referindo a eles no ambiente de trabalho e exclusivamente com os profi ssionais 
que darão os devidos encaminhamentos. Os profi ssionais, ao suspeitarem ou constatarem da 
violência contra crianças na primeira infância, deverão encaminhar o caso ao Conselho Tutelar 
para que este seja averiguado.
Os visitadores devem, por isso, organizar estratégias de 
identifi cação desses casos: além da conversa com a 
família, devem fi car atentos aos sinais e marcas 
de possíveis agressões; conhecer e saber como 
acionar a rede de atendimento são estratégias 
possíveis e até necessárias para que sejam dados 
os devidos encaminhamentos.
O papel do Programa Criança Feliz, 
neste contexto, é de articular a rede de 
atendimento para fortalecer os vínculos 
familiares, e, nos casos de possíveis 
violações de direitos, promover os 
encaminhamentos necessários ao 
enfrentamento dessas violências.
Os visitadores devem, por isso, organizar estratégias de 
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60 FERRAMENTAS PARA A PREVENÇÃO E ENFRENTAMENTO À VIOLÊNCIA CONTRA CRIANÇAS NA PRIMEIRA INFÂNCIA
AULA 3 – Estratégias de identifi cação 
e enfrentamento das violências 
contra crianças na primeira infância
Qual seria a melhor estratégia para que os visitadores desenvolvam 
suas atividades?
Deve-se ressaltar a importância do planejamento e desenvolvimento de atividades pelos visitadores, 
que devem ser estimulados tanto para as gestantes quanto para as crianças. A fi m de que as 
famílias atendidas façam, durante a semana, as atividades, é importante que utilizem materiais do 
dia a dia, tanto com as gestantes como com as crianças, respeitando as fases de desenvolvimento 
de cada um, de acordo com cada faixa etária e o tempo de que disponham para esse fi m.
É preciso considerar que durante as visitas e as atividades propostas, no diálogo diante da dinâmica 
da família ou naobservação visual e analítica do visitador, podem ser identifi cadas violências contra 
as crianças na primeira infância ou aquelas cometidas contra qualquer pessoa que componha 
esse núcleo familiar, como idosos, defi cientes, gestantes etc.
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Os visitadores desenvolvem 
atividades por meio do 
diálogo e do brincar.
61FERRAMENTAS PARA A PREVENÇÃO E ENFRENTAMENTO À VIOLÊNCIA CONTRA CRIANÇAS NA PRIMEIRA INFÂNCIA
A Portaria nº. 664, de 2 de setembro de 2021, do MMFDH, que regulamenta o PCF; 
e a Resolução nº. 19, de 24 de novembro de 2016 do CNAS (art. 5º) determinam 
que as visitas domiciliares do Programa Criança Feliz devem:
• Ser planejadas e sistemáticas; 
• Ter periodicidade determinada conforme o 
público a ser atendido; 
• Ser realizadas por visitadores(as), 
contratados(as) e capacitados(as); 
• Ser realizada no domicílio da família 
benefi ciada; 
• Ser realizada com indivíduos inseridos no 
CadÚnico, e benefi ciários(as) de Benefício 
de Prestação Continuada (BPC); 
• Ser referenciada ao CRAS. (BRASIL, 2021).
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62 FERRAMENTAS PARA A PREVENÇÃO E ENFRENTAMENTO À VIOLÊNCIA CONTRA CRIANÇAS NA PRIMEIRA INFÂNCIA
O Manual do Visitador destaca que a visita domiciliar é uma estratégia integral 
e integrada no PCF de atuação com as gestantes e crianças de 0 a 72 meses.
Integral porque procura 
atender as necessidades 
básicas das gestantes 
e crianças na primeira 
infância.
Visita Domiciliar
Integrada porque é 
necessário que as 
demais políticas públicas, 
programas e secretarias 
municipais participem 
de uma articulação para 
a resolução de casos (o 
comitê gestor é um desses 
espaços de articulação) 
(BRASIL, 2021).
Em caso de constatação de violência, o visitador pode, por qualquer motivo, 
deixar de informar oficialmente ao seu supervisor?
Reforçamos mais uma vez que, quando o visitador do Programa Criança Feliz observa ou identifica 
que uma criança pode estar sofrendo lesão ou privação de algum direito humano fundamental, 
ele comunica a situação ao Supervisor da equipe que, por sua vez, encaminha a situação à equipe 
técnica do CRAS.
63FERRAMENTAS PARA A PREVENÇÃO E ENFRENTAMENTO À VIOLÊNCIA CONTRA CRIANÇAS NA PRIMEIRA INFÂNCIA
No planejamento da visita domiciliar, com o intuito de 
identifi car violações contra crianças na primeira infância, 
deve-se observar os passos orientados pela metodologia 
dos Cuidados do Desenvolvimento da Criança (CDC) do 
Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). Por 
exemplo: Imagine que, como visitador, você chega a 
uma residência e encontra crianças na faixa etária 
da primeira infância mal nutridas, em condições 
de extrema pobreza, na qual as pessoas se 
tratam de maneira rude e grosseira e cuja 
família claramente deverá ser encaminhada 
aos Programas do Governo Federal. Neste 
caso, você pode e deve incentivar a 
comunicação não violenta, a conversa 
em família sem gritos ou agressão 
física nem verbal para as situações de 
confl ito na família se resolvam sem 
prejuízos ou danos de ordem física, 
psicológica e emocional sobretudo 
para as crianças. Ademais, você deverá 
relatar os detalhes da situação para 
o seu supervisor, a fim de que aquela 
família seja assistida no que necessita para a 
transformação daquela realidade.
deve-se observar os passos orientados pela metodologia 
Cuidados do Desenvolvimento da Criança (CDC) do 
. Por 
da primeira infância mal nutridas, em condições 
O método de Cuidados para o Desenvolvimento da Criança (CDC) foi desenvolvido 
pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância, sendo utilizado em famílias de perfi s 
diferentes, incluindo aquelas em situação de pobreza e extrema pobreza, com crianças 
mal nutrida, abaixo do peso, com defi ciência e/ou em situação de risco.
As autoras do CDC, Patrice Engle e Jane E. Lucas (2012), buscam referenciar o 
desenvolvimento infantil em pesquisas em nutrição, saúde e desenvolvimento da 
criança na primeira infância que possam contribuir com as estratégias de colaboração 
ao desenvolvimento biopsicossocial.
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64 FERRAMENTAS PARA A PREVENÇÃO E ENFRENTAMENTO À VIOLÊNCIA CONTRA CRIANÇAS NA PRIMEIRA INFÂNCIA
Agora que você chegou a esse ponto de seus estudos, faça uma breve 
revisão do que estudou até aqui para se preparar para a próxima aula, na qual 
trataremos dos programas de proteção a vítimas de violência e testemunhas. 
Até lá e bons estudos! 
65FERRAMENTAS PARA A PREVENÇÃO E ENFRENTAMENTO À VIOLÊNCIA CONTRA CRIANÇAS NA PRIMEIRA INFÂNCIA
AULA 4 – Programa de proteção a 
vítimas de violência e testemunhas
O Programa de proteção a vítimas de violência e testemunhas foi criado por meio da Lei nº. 
9.807/99, diante do risco que as testemunhas de ameaças à segurança e à integridade física de 
vítimas de violência correm ao se expor em juízo contra os potenciais agressores.
Essa Lei traz um protocolo de entrada dessas vítimas de violência, tendo o Governo Federal, os 
governos estaduais e os governos municipais competência na implementação do programa. 
Este programa deve acolher a vítima de 
violência mesmo antes de procedimentos 
formais, como depoimento ou julgamento.
É primordial o acesso imediato e sigiloso 
para que se garanta o bem constitucional 
maior que é a vida. Deverão ser tomadas as 
medidas de acolhimento e os procedimentos 
administrativos cabíveis para a inclusão da 
pessoa, sua família e suas testemunhas.
As testemunhas/vítimas 
têm garantida a proteção, 
mas qual é o período dessa 
proteção?
O período de proteção é de até 02 (dois) 
anos, com possibilidade de ser aumentado 
de acordo com as circunstâncias do caso, 
podendo ter a vítima, a família e suas 
testemunhas a necessidade de mudança de 
identidade, mudanças físicas e na aparência 
por meio de solicitação judicial em face das 
especifi cidades do caso concreto.Im
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66 FERRAMENTAS PARA A PREVENÇÃO E ENFRENTAMENTO À VIOLÊNCIA CONTRA CRIANÇAS NA PRIMEIRA INFÂNCIA
A mudança de endereço também é possível, se observada essa necessidade para garantir a vida 
e a integridade tanto da vítima como de seu núcleo familiar e de suas testemunhas. Caso os 
protegidos, comprovadamente, não tenham condições de prover tais mudanças, estas poderão 
ser custeadas pelo programa, visando o bem-estar e a proteção da vida.
As pessoas inseridas no programa são assistidas para terem acesso a direitos fundamentais 
como saúde (apoio médico e psicológico) e educação. As medidas necessárias serão avaliadas 
por equipe técnica multidisciplinar competente ligada ao projeto. Cada estado poderá ter projetos 
com outras nomenclaturas, os quais deverão ser acessados pela Secretaria de Assistência Social 
ou de Direitos Humanos do município juntamente com as secretarias estaduais.
67FERRAMENTAS PARA A PREVENÇÃO E ENFRENTAMENTO À VIOLÊNCIA CONTRA CRIANÇAS NA PRIMEIRA INFÂNCIA
Encerramento do Módulo 3
Esperamos que, até aqui, você tenha ampliado sua noção da grande 
importância que os profissionais do PCF têm na prevenção de violações de 
direitos da criança na primeira infância. Neste Módulo 3, vimos importantes 
temas para que você, como profissional do PCF, possa realizar seu trabalho: 
estudamos o papel dos supervisores e visitadores do Programa Criança Feliz 
na prevenção e orientação diante de casos de crianças vítimas de violência na 
primeira infância; estudamos sobre ética e sigilo profissional no exercício da 
função de visitadores; identificamos e esboçamos estratégias de percepção e 
enfrentamento das violências contra crianças na primeira infância e, por fim, 
conhecemos o programa de proteção a vítimas de violência e testemunhas. 
Se necessário, revise esses conteúdos para o Módulo 4, no qual trataremos 
do papel do Ministério Público, Poder Judiciário e da Segurança Pública 
nos casos de violência contra crianças na primeira infância e também dos 
Mecanismos de denúncias de violência contra criançase adolescentes na 
rede de garantia de direitos e seus fluxos. Até lá!
68 FERRAMENTAS PARA A PREVENÇÃO E ENFRENTAMENTO À VIOLÊNCIA CONTRA CRIANÇAS NA PRIMEIRA INFÂNCIA
Módulo 4
O módulo 4 tem carga horária de cinco horas e está dividido em duas 
aulas: 
Aula 1 – O papel do Ministério Público, Poder Judiciário e da Segurança Pública 
nos casos de violência contra crianças na primeira infância - 2 horas
Aula 2 – Mecanismos de denúncias de violência contra crianças e adolescentes 
na rede de garantia de direitos e seus fluxos - 3 horas
Ao final deste módulo, esperamos que você seja capaz de:
• Conhecer o papel do Ministério Público, do Poder 
Judiciário e da Segurança Pública nos casos de 
violência contra crianças na primeira infância;
• Entender os mecanismos de denúncias e o serviço 
oferecido pela Ouvidoria Nacional de Direitos 
Humanos (ONDH), através dos canais de denúncias 
via internet, Whatshapp, Telegram, Disque 100 ou 
Disque Direitos Humanos, referência em canais de 
denúncias de violação de direitos das crianças na 
primeira infância.
69FERRAMENTAS PARA A PREVENÇÃO E ENFRENTAMENTO À VIOLÊNCIA CONTRA CRIANÇAS NA PRIMEIRA INFÂNCIA
AULA 1 – O papel do Ministério Público, 
Poder Judiciário e da Segurança 
Pública nos casos de violência contra 
crianças na primeira infância
Olá! Seja bem-vindo ao Módulo 4 do Curso Ferramentas para a Prevenção e o Enfrentamento à 
Violência contra Crianças na Primeira Infância. Durante nossas aulas anteriores, várias vezes 
mencionamos o Ministério Público (MP) como um organismo de apoio à Justiça, pois é ele que 
faz ao Poder Judiciário a denúncia formal das violações apuradas pela Polícia na fase inquérito, 
que só foi aberto um dia porque alguém acionou a Rede de Proteção, incluindo Conselho Tutelar, 
CREAS, Disque 100 etc. Nesta primeira aula, conheceremos um pouco mais sobre o papel do 
MP, do Judiciário e dos órgãos de segurança pública nos casos de violência contra crianças na 
primeira infância.
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70 FERRAMENTAS PARA A PREVENÇÃO E ENFRENTAMENTO À VIOLÊNCIA CONTRA CRIANÇAS NA PRIMEIRA INFÂNCIA
 ♦ O QUE É O MP?
O Ministério Público (MP) é um órgão importante do Sistema de Garantia de Direitos na prevenção 
e enfrentamento à violência contra crianças e adolescentes em especial na primeira infância. 
Trata-se de um órgão fiscalizador e o artigo 201, VIII, do Estatuto da Criança 
e do Adolescente, o encarrega de suas atribuições, na defesa dos Direitos da 
Criança e do Adolescente.
Através dos Promotores de Justiça, em cada comarca, o MP desempenha um papel necessário 
ao cumprimento das leis voltadas à garantia de direitos da infância.
O Ministério Público é órgão fiscalizador da aplicação das leis, e de instituições de atendimento 
de crianças e adolescentes, sendo assim um órgão importante de garantia de direitos na primeira 
infância. É acionado, quando necessário, pelo Conselho Tutelar e atua na área criminal quando 
há crimes ou na área civil, por exemplo, em pensões alimentícias ou regulamentação de visitas.
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71FERRAMENTAS PARA A PREVENÇÃO E ENFRENTAMENTO À VIOLÊNCIA CONTRA CRIANÇAS NA PRIMEIRA INFÂNCIA
• Instaurar o inquérito civil e a ação civil pública com intuito de resguardar direitos 
individuais, difusos ou coletivos relativos à criança ou ao adolescente;
• Estabelecer procedimentos administrativos;
• Expedir notifi cações;
• Colher depoimentos ou esclarecimentos;
• Requisitar serviços e documentos à rede de garantia de direitos pública e privada, 
tais como: exames, perícias e documentos de autoridades municipais, estaduais 
e federais;
• Fiscalizar organizações da Sociedade Civil, projetos e programas que 
desenvolvem trabalhos voltados para a criança e para o adolescente em todas 
as linhas de atendimento;
• Fiscalizar a atuação dos Conselhos Tutelares, incluindo a fi scalização do 
Processo de Escolha dos Conselheiros Tutelares;
• Promover medidas socioeducativas de 
ressocialização, concedendo remissão 
aos adolescentes e fi scalizando as 
unidades socioeducativas, buscando 
o cumprimento da Teoria da Proteção 
integral;
• Promover representações 
socioeducativas em favor dos 
adolescentes que praticam atos 
infracionais;
• Conceder remissão aos adolescentes;
• Atuar nas ações de alimento e visita em 
que houver criança ou adolescente, e nos 
procedimentos de destituição de poder 
familiar, nomeando tutores, curadores, 
guardiães, bem como atuar em todos os 
procedimentos que envolvam matéria da 
infância na Justiça.
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São algumas atribuições do MP:
72 FERRAMENTAS PARA A PREVENÇÃO E ENFRENTAMENTO À VIOLÊNCIA CONTRA CRIANÇAS NA PRIMEIRA INFÂNCIA
Nos estados e no Distrito Federal, poderá criar 
varas especializadas voltadas exclusivamente 
para crianças e adolescentes, cabendo a esse 
Poder estabelecer sua proporcionalidade 
por número de habitantes, organizar a 
infraestrutura e deliberar acerca da forma de 
atendimento.
Vale lembrar que, dentre as atribuições do juiz 
da infância, além a de julgar os processos 
(a última instância do processo), está a de 
tomar o depoimento especial, seguindo o que 
determina a Lei nº. 13.431/17.
Como a Segurança Pública deve ser vista na Defesa de Direitos Humanos 
de Crianças e Adolescentes?
A Segurança Pública traz, em seu âmbito, a Polícia Militar, que é uma polícia 
ostensiva. A polícia militar é o Estado impondo a ordem através de nosso 
ordenamento jurídico. É o poder coercitivo do Estado garantindo direitos coletivos 
e individuais, porém a sua atuação deve se pautar nos princípios norteados pelos 
Direitos Humanos, os quais constam expressamente ou intrinsecamente na nossa 
normatização, esta, deve ser vista como parceira na Defesa de Direitos Humanos 
de Crianças e Adolescentes.
O Poder Judiciário tem papel de grande relevância não só por julgar as causas relativas às crianças 
na primeira infância como também a atribuição, conforme o Estatuto da Criança e do Adolescente, 
de fi scalizar as instituições de acolhimento de crianças e adolescentes para que tenham um 
atendimento digno e humanizado, garantindo os direitos fundamentais.
73FERRAMENTAS PARA A PREVENÇÃO E ENFRENTAMENTO À VIOLÊNCIA CONTRA CRIANÇAS NA PRIMEIRA INFÂNCIA
Para complementar a reflexão, leia o texto: Em um sistema de Justiça 
humanizado, as crianças são protagonistas, Disponível em: 
https://www.cnj.jus.br/em-um-sistema-de-justica-humanizado-as-criancas-
sao-protagonistas/
O delegado de Polícia também tem a atribuição de fazer a escuta especializada 
conforme determina a Lei nº. 13.431/2017.
A polícia investigativa é a Polícia Civil, responsável por:
apurar os 
fatos;
instaurar o 
inquérito policial;
encaminhar ao 
MP e ao Poder 
Judiciário. 
É impossível falar da priorização prevista na Constituição, no ECA e na Convenção dos Direitos 
da Criança sem que olhemos para o sistema de justiça criminal em que as delegacias de polícia 
geralmente são estruturas que não são amigas das crianças, não respeitam as necessidades 
da primeira infância e muitas vezes impingem não uma sensação de segurança, acolhimento e 
pertencimento, mas de pavor, temor e muitas vezes de medo. (Dr. Wilkinson Fabiano Oliveira de 
Arruda – Delegacia Amiga da Criança).
Agora que já conhecemos um pouco mais sobre o papel do MP, do Poder 
Judiciário e das Polícias, podemos partir para uma breve análise dos 
mecanismos de denúncia de violência contra a criança na rede de garantia 
de direitos e conhecer mais como se dá o fluxo de trabalho dos organismos 
envolvidos, mas esse é um assunto para nossa próxima aula. 
https://www.cnj.jus.br/em-um-sistema-de-justica-humanizado-as-criancas-sao-protagonistas/
74 FERRAMENTAS PARA A PREVENÇÃO E ENFRENTAMENTO À VIOLÊNCIA CONTRA CRIANÇAS NA PRIMEIRA INFÂNCIA
AULA 2 – Mecanismos de denúncia 
de violência contra crianças na rede 
de garantia de direitos e seus fl uxos
Olá!
Sejabem-vindo(a) à aula de encerramento do curso.
Na aula passada, conhecemos um pouco mais sobre 
o papel do MP, do Poder Judiciário e dos órgãos 
de Segurança Pública no combate e prevenção 
dos casos de violação de direitos da criança 
na primeira infância – conhecimento 
importante para que o profi ssional 
do PCF tenha um pleno domínio 
de tudo o que ocorre após um 
visitador informar uma possível 
lesão de direitos ao seu 
supervisor.
Agora, podemos partir para 
uma breve análise dos 
mecanismos de denúncia de 
violência contra a criança na 
rede de garantia de direitos 
e conhecer mais como se 
dá o fl uxo de trabalho dos 
organismos envolvidos. Bons 
Estudos!
dos casos de violação de direitos da criança 
Imagem: pexels.com, unsplash.com, pixabay.com
As denúncias de violências cometidas contra crianças e adolescentes podem ser encaminhadas 
aos canais de denúncias que apresentamos no Módulo II, mas o fl uxo é o encaminhamento pelo 
Ministério responsável ao Conselho Tutelar e ao Ministério Público.
Em situação de violência, o caso será encaminhado à Polícia Civil para instaurar inquérito 
investigativo, sem prejuízo de outros encaminhamentos, por exemplo, o Conselho Tutelar requisitar 
serviços nas áreas da saúde, educação, assistência social etc.
75FERRAMENTAS PARA A PREVENÇÃO E ENFRENTAMENTO À VIOLÊNCIA CONTRA CRIANÇAS NA PRIMEIRA INFÂNCIA
Fonte: 
https://www.cnj.jus.br/campanha-em-sergipe-incentiva-
denuncia-de-violencia-contra-criancas-e-adolescentes/ 
Vamos relembrar os meios e como denunciar?
QUADRO 1
O Disque 100 – Disque Direitos Humanos Nacional – funciona 24 horas por dia, 7 dias por 
semana, inclusive nos fi ns de semana e feriados. As denúncias recebidas são anônimas, 
analisadas e encaminhadas aos órgãos de proteção, defesa e responsabilização, de acordo 
com a competência e as atribuições específi cas, priorizando o Conselho Tutelar.
Além do número de telefone, é possível fazer a denúncia por meio dos seguintes canais: 
envio de mensagem para o e-mail disquedireitoshumanos@mdh.gov.br, do portal 
www.disque100.gov.br, da Ouvidoria on-line http://www.humanizaredes.gov.br/ouvidoria-
online/ .gov.br/ouvidoria-online/ e ligação internacional 
conforme instruções disponíveis no guia.
Já o Disque 181 – Denúncia Polícia Civil – 
funciona com uma central de atendimento 
unifi cada, formada por profi ssionais 
treinados e capacitados que trabalham 
em regime de 24 horas para atender à 
população. Toda denúncia registrada 
é encaminhada para uma equipe 
de analistas composta por um 
integrante da Polícia Civil, da Polícia 
Militar e do Corpo de Bombeiros.
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Disque 100
Ligue 180
Ligue 181
(61) 99656-5008 Informações sobre o 
aplicativo no link: https://
www.gov.br/mdh/pt-br/
direitoshumanosparatodos/
telegram
Aplicativo “Direitos 
Humanos Brasil” - 
informações no link: https://
www.gov.br/mdh/pt-br/
apps
Para identifi car possíveis casos de violência, é necessário fi car atento e escutar a criança, 
prestar atenção aos detalhes, observar mudanças de comportamento e não se omitir.
Se você testemunhar, souber ou suspeitar de alguma criança ou adolescente vítima de 
negligência, violência, exploração ou abuso, você deve denunciar.
https://www.gov.br/mdh/pt-br/apps
https://www.gov.br/mdh/pt-br/direitoshumanosparatodos/telegram
https://www.gov.br/pt-br/servicos/denunciar-violacao-de-direitos-humanos
https://www.cnj.jus.br/campanha-em-sergipe-incentiva-denuncia-de-violencia-contra-criancas-e-adolescentes/
www.disque100.gov.br
http://www.humanizaredes.gov.br/ouvidoria-online/ .gov.br/ouvidoria-online/
http://www.humanizaredes.gov.br/ouvidoria-online/ .gov.br/ouvidoria-online/
https://www.gov.br/mdh/pt-br/ondh/centrais-de-conteudo/banners/banner_disque-100_ligue-180.pdf
76 FERRAMENTAS PARA A PREVENÇÃO E ENFRENTAMENTO À VIOLÊNCIA CONTRA CRIANÇAS NA PRIMEIRA INFÂNCIA
A seguir, apresentamos alguns exemplos de fluxos de atenção à criança em determinadas 
condições de vulnerabilidade e/ou de violação de direitos. A fonte das informações a seguir é o 
Ministério Público do Rio Grande do Sul.
Fluxo 1 – Geral
CT DA REGIÃO 
DA VIOLAÇÃO DO 
DIREITO
DP DA REGIÃO 
DA VIOLAÇÃO DO 
DIREITO
VERIFICAR A 
SITUAÇÃO E 
APLICAR MEDIDA 
DE PROTEÇÃO
INSTAURAR 
INQUÉRITO 
POLICIAL E 
INVESTIGAR
COMUNICAR O 
MP DA EXECUÇÃO
REMETER 
INQUÉRITO 
POLICIAL AO 
CRIME
COMUNICAR 
MP DA 
EXECUÇÃO / 
PROTEÇÃO
MMFDH
DISQUE 100
INFÂNCIA E JUVENTUDE
VIA FAX / E-MAIL VIA SIMEC / TERMO DISQUE 100
CAOs INFÂNCIA E JUVENTUDE
VIA E-MAIL INSTITUCIONAL 
PROMOTORIA EXECUÇÃO
INSTAURAR PA E SOLICITA 
VIA E-MAIL / OFÍCIO OUTRAS 
INFORMAÇOES AOS CTs E DPs 
COM A RESPOSTA, O MP DA 
EXECUÇÃO ALIMENTA O SIMEC, 
OU INFORMA, VIA OFÍCIO OU 
E-MAIL, AO CAO
O CAO, COM RESPOSTA DO 
PROMOTOR DE EXECUÇÃO, 
ALIMENTA SIMEC
 Fonte: www.encurtador.com.br/jpB78 
http://www.encurtador.com.br/jpB78
77FERRAMENTAS PARA A PREVENÇÃO E ENFRENTAMENTO À VIOLÊNCIA CONTRA CRIANÇAS NA PRIMEIRA INFÂNCIA
FLUXO DE ATENÇÃO À CRIANÇA E AO ADOLESCENTE EM SITUAÇÃO DE 
NEGLIGÊNCIA E MAUS TRATOS
CONSELHO TUTELAR DEVERÁ 
ACOMPANHAR A FAMÍLIA E APLICAR 
MEDIDA DE PROTEÇÃO PARA:
COMUNICAR À DPCAV
PERÍCIAS
MINISTÉRIO PÚBLICO (CRIME)
JUSTIÇA (CRIME)
Fluxo 2 – Atenção à criança e ao adolescente em situação de 
negligência e maus tratos
SAÚDE - TRATAMENTO DA VÍTIMA:
- UBS/EFS
- CAPSi/CAPS AD
 - EESCA
ASSISTÊNCIA SOCIAL:
- CRAS/CREAS
- SAF/SCFV/SASE
EDUCAÇÃO:
- EDUCAÇÃO INFANTIL
- ENSINO FUNDAMENTAL
- ENSINO MÉDIO
JUIZADO DA INFÂNCIA E JUVENTUDE:
- ACOLHIMENTO INSTITUCIONAL
MINISTÉRIO PÚBLICO:
- PROTEÇÃO
Fonte: www.encurtador.com.br/jpB78 
Telefone
E-mail
Whatsapp
Telegram
Serviço de Saúde 
(se necessário)
Conselho Tutelar
Delegacia de Polícia
CREAS
Ministério Público
Ouvidorias
DISQUE 100
http://www.encurtador.com.br/jpB78
78 FERRAMENTAS PARA A PREVENÇÃO E ENFRENTAMENTO À VIOLÊNCIA CONTRA CRIANÇAS NA PRIMEIRA INFÂNCIA
FLUXO DE ATENÇÃO À CRIANÇA E AO ADOLESCENTE EM SITUAÇÃO DE VIOLÊNCIA SEXUAL
PORTAS DE ENTRADA:
DISQUE 100
CONSELHO TUTELAR
CENTRO DE REFERÊNCIA ÀS 
VÍTIMAS DE VIOLÊNCIA - CRVV
FASC
JUIZADO DE INFÂNCIA E 
JUVENTUDE (JIJ)
POLÍCIA CIVIL
BRIGADA MILITAR
SAÚDE
EDUCAÇÃO
NOTIFICAÇÃO COMPULSÓRIA
MINISTÉRIO PÚBLICO 
DEFENSORIA PÚBLICA
OUTROS
CONSELHO TUTELAR DEVERÁ 
ACOMPANHAR A FAMÍLIA E APLICAR 
MEDIDA PROTETIVA PARA:
ACOLHIDA no CRAI-HMIPV:
- Avaliação Social - HMIPV;
- Boletim de Ocorrência - DPCAV;
- Perícias Físicas e Psíquica - DML.
O CRAI encaminhará para Saúde, Assistência 
Social e MP Proteção
Fluxo 3 – Atenção à criança e ao adolescente em situação de violência sexual
Fonte: www.encurtador.com.br/jpB78 
SAÚDE Atendimentos 
Psicológico e Clínico
Ministério Público 
Proteção 
Ministério Público 
Criminal
Assistência Social CRAS 
e CREAS Inserção em 
Programas Sociais e 
Avaliação Social
SAÚDE PARA TRATAMENTO 
DA VÍTIMA:
- SPC 
- UBS/EFS
- CAPSi/CAPS AD
- EESCA
EDUCAÇÃO 
- ENSINOS DE EDUCAÇÃO 
INFANTIL, FUNDAMENTAL 
E MÉDIO
MINISTÉRIO PÚBLICO
PROTEÇÃO
ASSISTÊNCIA SOCIAL 
FASC
- CRAS
- CREAS
- SAF/SCFV/SASE
JUIZADO DA INFÂNCIA 
E JUVENTUDE 
ACOLHIMENTO 
INSTITUCIONAL
http://www.encurtador.com.br/jpB78
79FERRAMENTAS PARA A PREVENÇÃO E ENFRENTAMENTO À VIOLÊNCIA CONTRA CRIANÇAS NA PRIMEIRA INFÂNCIA
CRIMES CIBERNÉTICOS CONTRA CRIANÇAS E ADOLESCENTES
PROVIDÊNCIAS NA ESFERA CRIMINAL 
OCORRÊNCIA NA DPCAV
PARA MP CRIME P/ARQUIVAR IP OU DAR 
CONTINUIDADE INSTAURANDO PC
- INSTAURA IP: ARTIGO 241 DO ECA, OUTROS;
- OITIVA DOS RESPONSÁVEIS
- REQUISITOS PERÍCIA PSÍQUICA
- RETIRAR DO AR O SITE
- SE DP NÃO RETIROU DO AR, REQUER QUE SEJA 
RETIRADO JUDICIALMENTE;
- NOTIFICAR OS PAIS PARA AUDIÊNCIA E/OU 
COMPROVAÇÃO DE ATENDIMENTOS PSICOLÓGICO.
PROVIDÊNCIAS NA ESFERA PROTETIVA 
COMUNICAÇÃO DE VIOLAÇÃO NO MP PROTEÇÃO
Fluxo 4 – Crimes cibernéticos contra crianças e adolescentes
NÃO COMPROVOU COMPROVOU
ARQUIVARENCAMINHAR PARA O CT 
APLICAR MEDIDAS
Fonte: www.encurtador.com.br/jpB78 
http://www.encurtador.com.br/jpB78
80 FERRAMENTASPARA A PREVENÇÃO E ENFRENTAMENTO À VIOLÊNCIA CONTRA CRIANÇAS NA PRIMEIRA INFÂNCIA
VISITADOR
SUPERVISOR
CONSELHO TUTELAR E CREAS
POLICIAIS
MP
JUDICIÁRIO
FLUXO 5 – Profissional do PCF
• Observa indícios de violação de direitos
• Faz a escuta especializada (podendo recorrer, 
sempre com muita ética, a escuta de vizinhos 
e testemunhas) e orienta a família, reforçando 
vínculos e elos familiares 
• Orienta a família acerca de a quais equipamentos 
e órgãos da rede de proteção ela pode recorrer 
• Faz relatório informativo ao supervisor
• Conselho Tutelar e CREAS 
• Envia equipe técnica multidisciplinar para apurar 
a possível violação 
• Constata a possível violação 
• Encaminha o caso ao órgão de segurança pública 
(polícia) competente por meio de queixa-crime 
(B.O.), se for o caso
• Encaminha relatório do visitador ao Conselho 
Tutelar, CREAS e outros agentes
• Formaliza a denúncia ao Poder Judiciário 
• Processa e julga 
• Apuram os fatos
• Abrem inquérito policial 
• Encaminham ao MP
81FERRAMENTAS PARA A PREVENÇÃO E ENFRENTAMENTO À VIOLÊNCIA CONTRA CRIANÇAS NA PRIMEIRA INFÂNCIA
Para aprofundar, leia: DIGIÁCOMO, Murillo J.; DIGIÁCOMO, Eduardo. 
Comentários à Lei 13.431/2017. ed. Eletrônica, Curitiba 2018.
Assim, chegamos ao fim desta aula e do nosso curso. Esperamos, 
sinceramente, que esses conhecimentos façam a diferença na sua prática 
como profissional do PCF. Boa jornada! 
http://www.mpes.mp.br/Arquivos/Anexos/3564e574-ee8d-4fe4-8ca8-ac43e0ab1c91.pdf#page=62
82 FERRAMENTAS PARA A PREVENÇÃO E ENFRENTAMENTO À VIOLÊNCIA CONTRA CRIANÇAS NA PRIMEIRA INFÂNCIA
Encerramos o Módulo 4, no qual você aprendeu sobre o papel do Ministério 
Público, do Poder Judiciário e da Segurança Pública nos casos de violência 
contra crianças na primeira infância; e Mecanismos de denúncias de violência 
contra crianças e adolescentes na rede de garantia de direitos e seus fluxos.
Encerramento do Módulo 4
83FERRAMENTAS PARA A PREVENÇÃO E ENFRENTAMENTO À VIOLÊNCIA CONTRA CRIANÇAS NA PRIMEIRA INFÂNCIA
Referências bibliográficas
Módulo 1
BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil - 1988. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/
ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm Acesso em: 16 de dez. 2021.
_____. Ministério da Cidadania. Manual do Visitador: cartilha. 1. ed. Brasília: Ministério da Cidadania, 2021.
_____. Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. Secretaria Nacional de Assistência Social. 
Orientações Técnicas: Centro de Referência Especializado de Assistência Social – CREAS. Brasília: Gráfica 
e Editora Brasil LTDA, 2011.
_____. Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. Secretaria Nacional de Assistência Social. 
Norma Operacional Básica NOB-Suas. Brasília: Gráfica e Editora Brasil LTDA, 2012.
_____. Ministério dos Direitos Humanos. Secretaria Nacional de Proteção dos Direitos da Criança e 
Adolescente. Ações de Proteção a Crianças e Adolescentes contra violências: levantamentos nas áreas 
de saúde, assistência social, turismo e direitos humanos. Brasília: Ministério dos Direitos Humanos, 2018.
CONANDA. Resolução nº. 170, de 10 de dezembro de 2014. Disponível em: https://www.in.gov.br/materia/-/
asset_publisher/Kujrw0TZC2Mb/content/id/32131032/do1-2015-01-27-resolucao-n-170-de-10-de-dezembro-
de-2014-32130908 Acesso em: 09 out 2021.
CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA. Serviço de Proteção Social a Crianças e Adolescentes Vítimas de 
Violência, Abuso e Exploração Sexual e suas Famílias: referências para a atuação do psicólogo. Brasília: 
CFP, 2009. Disponível em: Acesso em: 15 jun. 2010.
FARAJ, Suane Pastorija; SIQUEIRA, Aline Cardoso. O atendimento e a rede de proteção da criança e do 
adolescente vítima de violência sexual na perspectiva dos profissionais do CREAS. In: Barbarói, Santa Cruz 
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84 FERRAMENTAS PARA A PREVENÇÃO E ENFRENTAMENTO À VIOLÊNCIA CONTRA CRIANÇAS NA PRIMEIRA INFÂNCIA
LORENCINI, B. D. B.; FERRARI, D. C.; GARCIA, M. R. C. Conceito de redes. In: FERRARI, D.C.; VECINA, T.C. 
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85FERRAMENTAS PARA A PREVENÇÃO E ENFRENTAMENTO À VIOLÊNCIA CONTRA CRIANÇAS NA PRIMEIRA INFÂNCIA
Módulo 2
ANDREUCCI, Ricardo Antônio. A valorização da vítima no processo penal brasileiro. Disponível em: . Acesso em: 
16 set. 2021.
ARIÈS, Philippe. História social da criança e da família. 1º.ed. Rio de Janeiro: LTC- Livros Técnicos e 
Científicos Editora S.A. 1975. 
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BRASIL. Ministério da Saúde. Violência contra a criança e o adolescente: proposta preliminar de prevenção 
e assistência à violência doméstica. – 2ª ed. Brasília, 1997. Disponível em: . Acesso em: 26 jun. 2021
BRASIL. Lei nº. 8.069, de 13 de julho de 1990. Brasília, DF, 13 de jul. de 1990. Disponível em: . Acesso em: 08 set. 2021.
_____. Lei nº. 13. 431, de 4 de abril de 2017. Brasília, DF, 04 de abril. 2017. Disponível em:. Acesso em: 08 de out. 2021.
_____. Ministério dos Direitos Humanos, Secretaria Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente. 
Parâmetros de escuta de Crianças e Adolescentes em Situação de Violência. Brasília, 2017.
DIGIÁCOMO, Murillo J.; DIGIÁCOMO, Eduardo. Comentários à Lei 13.431/2017. ed. Eletrônica, Curitiba 2018.
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https://emporiododireito.com.br/leitura/a-valorizacao-da-vitima-no-processo-penal-brasileiro-por-ricardo-antonio-andreucci#:~:text=A%20valoriza%C3%A7%C3%A3o%20da%20v%C3%ADtima%20no%20processo%20penal%20brasileiro%20%E2%80%93%20Por%20Ricardo%20Antonio%20Andreucci,-Ricardo%20Antonio%20Andreucci&text=Como%20%C3%A9%20cedi%C3%A7o%2C%20vitimiza%C3%A7%C3%A3o%20secund%C3%A1ria,as%20consequ%C3%AAncias%20suportadas%20pela%20v%C3%ADtima.https://crianca.mppr.mp.br/modules/conteudo/conteudo.php?conteudo=1528
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86 FERRAMENTAS PARA A PREVENÇÃO E ENFRENTAMENTO À VIOLÊNCIA CONTRA CRIANÇAS NA PRIMEIRA INFÂNCIA
Módulo 3
ATISTÓTELES. Ética a Nicômaco. Tradução, introdução e comentários de Mário da Gama Kury. Brasília. Ed. 
Universidade de Brasília, 1997
ARIÈS, Philippe. História social da criança e da família. 1º.ed. Rio de Janeiro: LTC- Livros Técnicos e 
Científicos Editora S.A. 1975.
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BRASIL. Ministério dos Direitos Humanos, Secretaria Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente. 
Parâmetros de escuta de Crianças e Adolescentes em Situação de Violência. Brasília, 2017.
BRASIL. Lei nº. 9.807/1999. Disponível em: 
Acesso em 09 out. 2021.
BRASIL. Portaria Ministerial nº. 956, de 22 de março de 2018. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 26 mar. 
2018, ed. 58, seção: 1, p. 183.
BRASIL. Portaria Ministerial nº. 2.496, de 17 de setembro de 2018. Dispõe sobre o financiamento federal 
das ações do Programa Criança Feliz/Primeira Infância no SUAS, no âmbito do Sistema Único de Assistência 
Social, e dá outras providências. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 18 set. 2018, ed.180, seção: 1, pp. 60-62. 
BRASIL. Violência contra a criança e o adolescente: proposta preliminar de prevenção e assistência à 
violência doméstica. 2. ed. Brasília, 1997. 26p. Disponível em: . 
Acesso em: 26 set. 2021
https://www.gesuas.com.br/blog/busca-ativa/. Busca Ativa. Acesso em 16 de dez. 2021.
https://cmas.jundiai.sp.gov.br/wp-content/uploads/2015/01/Resolução-CNAS-nº-06-2015.pdf. Acesso 
em 16 de dez. 2021.
Portaria MDS n.º 956, de 22 de março de 2018. https://www.gov.br/cidadania/pt-br/acesso-a-informacao/
legislacao/portaria-no-956-de-22-de-marco-de-2018. Acesso em 16 de dez. 2021.
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http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L8069.htm
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https://www.gov.br/mdh/pt-br/assuntos/noticias/2020-2/fevereiro/conheca-mais-sobre-o-programa-federal-de-assistencia-e-protecao-a-vitimas-e-testemunhas
http://bibliotecadigital.puc-campinas.edu.br/services/e-books/Cartilha%20Violencia%20contra%20a%20crianca%20e%20o%20adolescente....pdf
87FERRAMENTAS PARA A PREVENÇÃO E ENFRENTAMENTO À VIOLÊNCIA CONTRA CRIANÇAS NA PRIMEIRA INFÂNCIA
Módulo 4
BRASILIA. Ministério da Saúde. Violência contra a criança e o adolescente: proposta preliminar de prevenção 
e assistência á violência doméstica. 2. ed. Brasília, 1997. 26p. Disponível em: . Acesso em: 26 jun. 2021
BRASIL. Lei nº. 8.069, de 13 de julho de 1990. Disponível em: . Acesso em: 08 set. 2021.
BRASIL. Lei nº. 13. 431, de 4 de abril de 2017. Disponível em:. Acesso em: 08 out. 2021.
BRASIL. Ministério dos Direitos Humanos, Secretaria Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente. 
Parâmetros de escuta de Crianças e Adolescentes em Situação de Violência. Brasília, 2017. 48p.
MORESCHI, Marcia Teresinha. Violência contra Crianças e Adolescentes: Análise de Cenários e Propostas 
de Políticas Públicas. Brasília: Ministério dos Direitos Humanos, 2018, 494 p.
http://bibliotecadigital.puc-campinas.edu.br/services/e-books/Cartilha%20Violencia%20contra%20a%20crianca%20e%20o%20adolescente....pdf
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2017/Lei/L13431.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2017/Lei/L13431.htm
88 FERRAMENTAS PARA A PREVENÇÃO E ENFRENTAMENTO À VIOLÊNCIA CONTRA CRIANÇAS NA PRIMEIRA INFÂNCIAAula 1 – Breve apresentação sobre 
o papel do Centro de Referência 
de Assistência Social (CRAS) e do 
Centro de Referência Especializado 
de Assistência Social (CREAS) como 
equipamentos/ferramentas na 
prevenção e orientação diante de 
casos de violências contra crianças 
na primeira infância
Olá!
Seja Bem-vindo(a) à primeira aula do Curso Ferramentas para a Prevenção e o Enfrentamento à 
Violência contra Crianças na Primeira Infância. Observe a imagem a seguir. Imagine um ambiente 
seguro e saudável onde os pais e suas crianças podem ser ouvidos por profi ssionais qualifi cados, 
capazes de assegurar que, dali para frente, os direitos das crianças serão garantidos. É sobre essa 
segurança socioassistencial que vamos tratar nesta aula.
Foto: Espaço Escuta – Prefeitura de Londrina/PR – https://blog.londrina.pr.gov.br/?p=106999
https://blog.londrina.pr.gov.br/?p=106999
8 FERRAMENTAS PARA A PREVENÇÃO E ENFRENTAMENTO À VIOLÊNCIA CONTRA CRIANÇAS NA PRIMEIRA INFÂNCIA
As ações de proteção social objetivam 
garantir os direitos e o desenvolvimento 
humano, através da segurança 
socioassistencial aos usuários, expressas:
Pela 
segurança de 
sobrevivência 
e/ou 
rendimento
Segurança da 
acolhida
Segurança 
de convívio 
e vivência 
familiar
Essas seguranças visam ao protagonismo, à autonomia, à participação e à 
capacidade de proteção das famílias, indivíduos e comunidades, bem como ao 
fortalecimento de vínculos.
Segundo dados oficiais do Ministério da Cidadania, a partir do adequado 
conhecimento do território, podemos defi nir o Centro de Referência de Assistência 
Social (CRAS) como:
• porta de entrada da Assistência Social;
• local público, localizado prioritariamente em áreas de maior 
vulnerabilidade social;
• oferece serviços de Assistência Social, com o objetivo de 
fortalecer a convivência com a família e com a comunidade;
• promove a organização e a articulação das unidades da rede 
socioassistencial e de outras políticas;
• possibilita o acesso da população aos serviços, benefícios 
e projetos de assistência social;
• referência para a população local e para os serviços setoriais;
• apoia ações comunitárias, por meio de palestras, campanhas 
e eventos;
• atua junto à comunidade na construção de soluções para 
o enfrentamento de problemas comuns, como falta de 
acessibilidade, violência no bairro, trabalho infantil, falta de 
transporte, baixa qualidade na oferta de serviços, ausência 
de espaços de lazer, cultural, entre outros.
http://www.rondonopolis.mt.gov.br/noticias/bairro-alfredo-de-castro-passa-a-contar-com-unidade-de-cras/
http://www.rondonopolis.mt.gov.br/noticias/bairro-alfredo-de-castro-passa-a-contar-com-unidade-de-cras/
9FERRAMENTAS PARA A PREVENÇÃO E ENFRENTAMENTO À VIOLÊNCIA CONTRA CRIANÇAS NA PRIMEIRA INFÂNCIA
As funções do CRAS não devem ser confundidas com as do órgão gestor da política 
de assistência social municipal ou do DF: os CRAS são unidades locais que têm 
por atribuições a organização da rede socioassistencial e oferta de serviços da 
proteção social básica em determinado território, enquanto o órgão gestor municipal 
ou do DF tem por funções a organização e a gestão do SUAS (Sistema Único de 
Assistência Social) em todo o município. (BRASIL, 2018, p. 84)
O CRAS é uma unidade diferenciada de 
proteção básica porque é a única que realiza 
funções de gestão da proteção básica no seu 
território e também de oferta do Programa de 
Atenção Integral à Família - PAIF. Além deste, 
que é de oferta obrigatória e exclusiva do CRAS, 
outros serviços socioassistenciais de proteção 
social básica podem vir a ser ofertados desde 
que haja os recursos necessários para isso.
A função de gestão territorial do CRAS compreende:
• a articulação da rede socioassistencial de proteção social básica 
referenciada ao CRAS;
• a promoção da articulação intersetorial; e
• a busca ativa, todas realizadas no território de abrangência dos CRAS.
• unidade pública da política de Assistência Social onde são atendidas famílias e pessoas que 
estão em situação de risco social ou tiveram seus direitos violados;
• ofertar, obrigatoriamente, o Serviço de Proteção e Atendimento 
Especializado a Famílias e Indivíduos (PAEFI), podendo 
oferecer outros serviços, como Abordagem Social e Serviço 
para Pessoas com Deficiência, Idosas e suas famílias;
• disponibilizar serviço de Medidas Socioeducativas em Meio 
Aberto;
• orientar e encaminhar os cidadãos para os serviços da 
assistência social ou demais serviços públicos existentes no 
município; e
• oferece informações, orientação jurídica, apoio à família, apoio 
no acesso à documentação pessoal e estimula a mobilização.
E o CREAS (Centro de Referência Especializado de Assistência Social), como 
pode ser compreendido?
O PAEFI - Serviço inserido 
no âmbito da Proteção 
Social Especial de Média 
Complexidade - presta 
ações de apoio, orientação 
e acompanhamento a 
famílias com um ou mais 
de seus membros em 
situação de ameaça ou 
violação de direitos.
10 FERRAMENTAS PARA A PREVENÇÃO E ENFRENTAMENTO À VIOLÊNCIA CONTRA CRIANÇAS NA PRIMEIRA INFÂNCIA
Para saber mais sobre o PAEFI, acesse: https://www.gesuas.com.br/blog/paefi /
• Dentre as principais ações a serem 
realizadas por profi ssionais do CREAS, 
podem-se citar:
• acolhida; 
• escuta;
• estudo social;
• diagnóstico socioeconômico;
• monitoramento e avaliação do serviço;
• orientação;
• encaminhamento para a rede de serviços 
locais;
• construção de plano individual e/ou 
familiar de atendimento;
• orientação sociofamiliar;
• atendimento psicossocial;
• orientação jurídico-social;
• referência e contrarreferência;
• informação, comunicação e defesa de 
direitos;
• apoio à família na sua função protetiva;
• acesso à documentação pessoal;
• mobilização, identificação da família 
extensa ou ampliada;
• articulação da rede de serviços 
socioassistenciais;
• articulação com os serviços de outras 
políticas públicas setoriais;
• articulação interinstitucional com os 
demais órgãos do Sistema de Garantia 
de Direitos;
• mobilização para o exercício da 
cidadania;
• trabalho interdisciplinar;
• elaboração de relatórios e/ou prontuários;
• estímulo ao convívio familiar, grupal e 
social;
• mobilização e fortalecimento do convívio 
e de redes sociais de apoio; dentre outros.
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Neste link você encontrará as diretrizes que norteiam o Serviço de Proteção e 
Atendimento Especializado a Famílias e Indivíduos. Este serviço presta ações 
de apoio, orientação e acompanhamento a famílias com um ou mais de seus 
membros em situação de ameaça ou violação de direitos.
https://www.gesuas.com.br/blog/paefi
11FERRAMENTAS PARA A PREVENÇÃO E ENFRENTAMENTO À VIOLÊNCIA CONTRA CRIANÇAS NA PRIMEIRA INFÂNCIA
Para compreender melhor o papel de cada um desses Centros de Referência 
e suas respectivas inter-relações com o Programa Criança Feliz, observe o 
que leciona o Portal GSUAS (2021b), “o CRAS é responsável pela prevenção
de situações de vulnerabilidade social e risco nos territórios. Já o CREAS trata 
das consequências e acompanha as famílias e indivíduos que já tiveram seus 
direitos violados”.
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O Programa Criança Feliz (PCF), lançado no ano de 2016 através do Decreto nº. 8.869/2016 e 
consolidado pelo Decreto nº. 9.579/2018, busca o desenvolvimento integral da primeira infância 
através da articulação das diversas políticas públicas. Tem como público prioritário gestantes 
e crianças de até setenta e dois meses e suas famílias. O PCF é um programa da Política de 
assistência e está alocado dentro do CRAS. 
O visitador do PCF deverá ser profi ssional de nível médio ou superior, coordenado por um supervisor 
referenciado ao CRAS, sendo responsável pela realização e registro das visitas domiciliares de 
acordo com o art. 9º da Portaria nº 956/2018. Este supervisor tem a responsabilidade de levar 
as demandas ao CRAS e ao CREAS no caso das violações de direitos.
Por exemplo: imagine uma criança que foi violentadapelo pai; imagine agora que você, como 
visitador(a), atento(a) aos sinais de violência, notou indícios de violência sexual, por ter observado 
sangue na fralda da criança e uma grande mancha roxa (hematoma) no braço da 
mãe da criança, que, por sua vez, alegava ter escorregado e caído. Você, então, 
ao identifi car esses sinais, comunica a situação ao Supervisor da equipe que, 
por sua vez, encaminha a situação à equipe técnica do CRAS.
Se verifi cada a situação de violação de direitos, o caso é comunicado 
aos órgãos de defesa e garantia de direitos para providências cabíveis, 
tais como Polícia Civil (para abertura de inquéritos), Ministério Público 
(para que faça a denúncia), Poder Judiciário (para que se garantam 
os direitos de defesa, contraditório, devido processo legal), Conselho 
Tutelar (para o amparo e garantia da segurança da criança) e demais 
órgãos do sistema de garantia de direitos.
Percebeu o quão importante é o seu papel, enquanto visitador do 
Programa Criança Feliz, na identifi cação dos casos?
Sabemos que o papel do visitador(a) é fundamental neste processo, 
por isso, esteja atento(a) aos sinais e aja de forma responsável. 
Lembre-se que a confi ança da família não deve ser quebrada por 
ações precipitadas. Mantenha uma comunicação constante e clara com 
os supervisores do Programa.
12 FERRAMENTAS PARA A PREVENÇÃO E ENFRENTAMENTO À VIOLÊNCIA CONTRA CRIANÇAS NA PRIMEIRA INFÂNCIA
No link abaixo você conhecerá as principais diferenças de duas estruturas 
fundamentais para a execução dos serviços e programas de proteção: o 
Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) e o Centro de Referência 
Especializado de Assistência Social (CREAS). O CRAS e o CREAS compõem a 
rede de proteção social e são as principais unidades da Política de Assistência 
Social (PNAS), porém cada um possui suas competências e especificidades.
Saiba mais sobre as diferenças do CRAS e do CREAS acessando o PORTAL 
GSUAS. Qual a diferença entre CRAS e CREAS? Disponível em: https://www.
gesuas.com.br/blog/diferenca-cras-creas/
Reforçada a relevância do visitador no processo de prevenção e identificação para posterior 
tratamento de casos de violência contra crianças na primeira infância, vamos compreender agora 
os papéis do CRAS e do CREAS na prevenção de violências e a inter-relação desses Centros de 
Referência com o Programa Criança Feliz. Vamos prosseguir?
https://www.gesuas.com.br/blog/diferenca-cras-creas
13FERRAMENTAS PARA A PREVENÇÃO E ENFRENTAMENTO À VIOLÊNCIA CONTRA CRIANÇAS NA PRIMEIRA INFÂNCIA
1.1 – O Papel do CRAS na prevenção de violências 
contra crianças na primeira infância
A Tipifi cação Nacional de Serviços Socioassistenciais, o CRAS, equipamento da Proteção Social 
Básica, visa a prevenção da ocorrência de situações de vulnerabilidade social e risco nos 
territórios. Ou seja, o CRAS previne situações de vulnerabilidade social e risco.
A Tipifi cação Nacional de Serviços Socioassistenciais, aprovada pelo Conselho Nacional de 
Assistência Social (CNAS), em 11 de novembro de 2009, por meio da Resolução n.º 109, se tornou 
um marco na história da Assistência Social ao estabelecer padrão os serviços de proteção em 
todo o país. Defi niu conteúdos, público, formas de acesso, abrangência, objetivos e resultados 
esperados com os atendimentos, ressignifi cando a oferta e representando uma importante 
conquista para a garantia do direito socioassistencial a todos os cidadãos que dela precisar.
É atribuição do CRAS fornecer informações sobre o território para:
• Elaborar o Plano Municipal de 
Assistência Social;
• Planejar, monitorar e avaliar os serviços 
ofertados no CRAS;
• Alimentar os Sistemas de Informação do 
SUAS;
• Subsidiar os processos de formação e 
qualifi cação da equipe de referência;
• Ofertar o PAIF e outros serviços 
socioassistenciais da Proteção Social 
Básica; e
• Controlar a gestão territorial da rede 
socioassistencial da PSB.
O CRAS efetiva a referência e a contrarreferência aos usuários, tendo como eixos estruturantes 
a matricialidade sociofamiliar e a territorialização.
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14 FERRAMENTAS PARA A PREVENÇÃO E ENFRENTAMENTO À VIOLÊNCIA CONTRA CRIANÇAS NA PRIMEIRA INFÂNCIA
1.1.1 – A inter-relação do CRAS com o Programa 
Criança Feliz
A Política Nacional de Assistência Social traz, em seu contexto, o Centro de Referência de 
Assistência Social (CRAS), que é muito importante na prevenção das violências contra a criança, 
sobretudo na primeira infância. O CRAS busca trazer uma melhor qualidade de vida para os usuários 
através de formações e de encaminhamento dos usuários para os Programas do Governo Federal.
São passíveis de atendimento no CRAS situações nas quais as famílias possuam pessoas 
que necessitam de cuidado, com foco na troca de informações acerca da primeira infância, 
adolescência, juventude, e também envelhecimento e defi ciências.
Este serviço é de extrema importância para os visitadores e supervisores do Programa Criança 
Feliz no que diz respeito à prevenção das violações de direitos, através dos encaminhamentos 
dos usuários aos serviços ofertados pela Rede Socioassistencial.
O CRAS promove:
Espaços 
para troca de 
experiências
Expressão de 
difi culdades
Reconhecimento
de possiblidades
Imagem: unsplash.com
15FERRAMENTAS PARA A PREVENÇÃO E ENFRENTAMENTO À VIOLÊNCIA CONTRA CRIANÇAS NA PRIMEIRA INFÂNCIA
Acerca da identificação de situações de vulnerabilidade, vale ressaltar a 
importância da “busca ativa” de acordo com o PORTAL GSUAS, 2021a:
A Norma Operacional Básica do Sistema Único de Assistência Social (NOB-SUAS/2012), no seu 
artigo 91, trata das responsabilidades comuns à União, ao Estados, aos Municípios e ao Distrito 
Federal acerca da Vigilância Socioassistencial. 
• objetiva a identifi cação de situações de vulnerabilidade 
e risco social, de forma a ampliar o conhecimento e a 
compreensão da realidade social;
• é considerada um elemento essencial para o 
funcionamento do PAIF;
• identifi car e analisar os casos de famílias que estão 
em descumprimento com as condicionalidades do 
Auxílio Brasil¹;
• identifi car e analisar as potencialidades e recursos 
culturais, econômicos, sociais, políticos;
• conhecer as redes de apoio às famílias;
• identifi car as articulações que precisam ser 
realizadas para a efetividade da proteção social;
• possibilita o conhecimento do território e das famílias;
• disponibilizar informações sistematizadas, que 
constituem um diagnóstico social que contribui para 
a ação preventiva e para o planejamento de serviços 
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 Como a busca ativa pode ser utilizada no contexto do PCF?
A busca ativa, no âmbito do Programa Criança Feliz, se dá através dos visitadores 
do PCF, que procuram, em seus territórios, visitar as famílias, mapeando esse 
território e identifi cando suas vulnerabilidades. 
Saiba mais sobre Busca Ativa em: https://www.gesuas.com.br/blog/busca-ativa/
Por meio deste conteúdo, você vai compreender que realizar Busca Ativa signifi ca levar o 
Estado ao indivíduo que não usufrui de determinados serviços públicos e/ou vive fora de 
qualquer rede de proteção e promoção social, entender as reais necessidades e interesses 
dos sujeitos sociais e também conhecer estratégias para que essa busca aconteça.
¹ O Auxílio Brasil substituiu o antigo Programa Bolsa Família, conforme a Medida Provisória nº 1.061, de 09 de agosto de 2021. 
https://www.gesuas.com.br/blog/busca-ativa/
16 FERRAMENTAS PARA A PREVENÇÃO E ENFRENTAMENTO À VIOLÊNCIA CONTRA CRIANÇAS NA PRIMEIRA INFÂNCIA
É importante que a equipe de visitação encaminhe ao CRAS crianças 
com potencial privação de direitos?
Quando o visitador do Programa Criança Feliz observa ou identifi ca que uma criança pode estar 
sofrendo lesão ou privação de algum direito humano fundamental, ele comunica a situação ao 
Supervisor da equipe que, por sua vez, encaminha a situação à equipe técnica do CRAS.
O CRAS, na busca pela prevenção de violações,poderá inserir o usuário nos programas 
socioassistenciais e promover cursos de formação para as famílias. Para isso, é fundamental a ação 
do Visitador do PCF, reportando ao seu Supervisor os sinais de perigo de violações que observar.
A seguir, mostraremos como o Visitador do PCF deve proceder.
O visitador do PCF, quando retornar ao CRAS ou ao lugar de trabalho da equipe de 
referência do PCF, após as visitas domiciliares realizadas (BRASIL, 2021), deve:
• registrar em seu plano de visita os avanços, mudanças ou dificuldades 
encontradas pela gestante, o(a) cuidador(a) ou a criança na visita domiciliar;
• conversar com o(a) supervisor(a) sobre os problemas 
e necessidades encontradas no domicílio, seja 
no aspecto nutricional, habitacional, de saúde, 
emocional, ou qualquer outro que perceba ser 
relevante para que a família tenha seu bem-
estar e direitos garantidos e efetivados.
• O supervisor planeja a visita a partir dos 
pontos observados pelo visitador em 
momento anterior. Compartilhe com a 
equipe as difi culdades encontradas: às 
vezes a difi culdade de um é a mesma 
de todos(as), as respostas e saídas 
das difi culdades do trabalho em campo 
podem ser solucionadas coletivamente.
e necessidades encontradas no domicílio, seja 
no aspecto nutricional, habitacional, de saúde, 
emocional, ou qualquer outro que perceba ser 
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Saiba mais sobre Busca Ativa em: 
https://www.gesuas.com.br/blog/busca-ativa/.
https://www.gesuas.com.br/blog/busca-ativa/
17FERRAMENTAS PARA A PREVENÇÃO E ENFRENTAMENTO À VIOLÊNCIA CONTRA CRIANÇAS NA PRIMEIRA INFÂNCIA
Considerando os objetivos da atenção ofertada pelos serviços do CREAS, 
confi guram seu papel as seguintes atribuições:
• Apoiar o exercício do protagonismo e da 
participação social;
• Contribuir para a superação de situações 
vivenciadas e a reconstrução de relacionamentos 
familiares e comunitários, dentro do contexto 
social, ou na construção de novas referências;
• Facilitar o acesso das famílias e indivíduos a direitos 
socioassistenciais e à rede de proteção social;
• Interromper padrões de relacionamentos familiares 
e comunitários com violência de direitos;
• Prevenir os agravamentos e a institucionalização;
• Propiciar uma acolhida e escuta qualifi cada;
• Promover o fortalecimento da função protetiva da 
família.
1.2 – O Papel do CREAS no enfrentamento e 
encaminhamento das violências contra crianças 
na primeira infância
Conforme dispõe a Tipifi cação Nacional de Serviços Socioassistenciais, o CREAS, equipamento 
da Proteção Social Especial de Média Complexidade, visa o trabalho social com as famílias e 
indivíduos em situação de risco pessoal e social por violação de direitos. Ou seja, o CREAS trata 
das consequências ocasionadas pela vulnerabilidade e risco social.
Os serviços de Proteção Social Especial devem atuar de forma contínua e compartilhada 
com outras políticas setoriais que compõem o Sistema de Garantia de Direitos. 
Asseguram, assim, a efetividade da reinserção social, a qualidade na atenção protetiva e 
o monitoramento dos encaminhamentos realizados.
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18 FERRAMENTAS PARA A PREVENÇÃO E ENFRENTAMENTO À VIOLÊNCIA CONTRA CRIANÇAS NA PRIMEIRA INFÂNCIA
Nos serviços ofertados pelo CREAS, podem ser atendidas famílias e indivíduos em situação de risco pessoal 
e social, com violação de direitos, tais como:
• Abandono;
• Adolescentes que estejam em cumprimento 
de medidas socioeducativas em meio aberto 
de Liberdade Assistida (LA) e de Prestação de 
Serviços à Comunidade (PSC);
• Afastamento do convívio familiar devido à 
aplicação de medida de proteção;
• Violência física, psicológica e negligência;
• Violência sexual: abuso e/ou exploração sexual;
• Situação de rua;
• Discriminação em decorrência da orientação 
sexual ou raça/etnia;
• Descumprimento de condicionalidades do 
Programa Auxílio Brasil e do PETI em decorrência 
de situações de risco pessoal e social, por violação 
de direitos;
• Tráfi co de pessoas;
• Vivência de trabalho infantil.
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Fique atento e leia sobre o papel da Proteção Social Básica e a Proteção Social 
Especial, acessando: https://wwow.gesuas.com.br/blog/protecao-social-basica-
especial
Os estados brasileiros executam avaliações constantes com o objetivo de aprimorar as políticas 
públicas de assistência social, no sentido de ofertar serviços de acordo com a demanda da 
população e de suas realidades.
https://wwow.gesuas.com.br/blog/protecao-social-basica-especial
19FERRAMENTAS PARA A PREVENÇÃO E ENFRENTAMENTO À VIOLÊNCIA CONTRA CRIANÇAS NA PRIMEIRA INFÂNCIA
1.2.1 – A inter-relação do CREAS com o Programa 
Criança Feliz
 Você já refletiu sobre como o trabalho em rede é importante no enfrentamento 
às violações dos direitos das crianças?
Uma das coisas mais importantes no enfrentamento às violações dos direitos de crianças, 
sobretudo na primeira infância, é o trabalho em rede, e é nesse sentido que o Programa Criança 
Feliz deve atuar no encaminhamento ao CREAS dos casos de violação aos direitos das crianças.
A literatura aponta que o trabalho em rede é o mais indicado nos casos de 
violência, pois “a rede potencializa a atuação mais abrangente e multidisciplinar 
de um conjunto de atores de diversas instituições, que têm o mesmo foco temático 
na consecução da política de atendimento aos direitos da criança e do adolescente” 
(IPPOLITO, 2004, p. 84). 
A rede, através da integração das instituições envolvidas na problemática, permite compartilhar 
conhecimentos, informações, experiências, possibilitando aumentar a amplitude das ações. 
(IPPOLITO, 2004; LORENCINI et al., 2002). Ippolito (2004) destaca que 
ações isoladas não são suficientes na prevenção da violência, na 
responsabilização do agressor, no atendimento da criança ou 
adolescente e sua família, sendo necessária a articulação em rede 
dos serviços existentes no atendimento à criança (e também do 
adolescente). Dessa forma, serviços especializados, continuados 
e articulados devem ser ofertados para crianças, adolescentes e 
famílias em situação de violência […] (CONSELHO FEDERAL DE 
PSICOLOGIA, 2009). 
Considera-se que a efetivação da proteção e garantia dos direitos 
da criança e do adolescente, assim como a superação das situações 
que violam seus direitos, requerem o conhecimento e a reflexão na 
forma como os municípios estão se articulando diante dos casos 
de violência […]. (FARAJ & SIQUEIRA, 2012, p. 72-3)
Naturalmente, o visitador do Programa Criança Feliz deve 
procurar não fazer julgamentos sobre as situações encontradas 
no domicílio ou no território que acompanha, mas compartilhar 
as impressões com o(a) supervisor(a) e procurar estudar e 
analisar as situações a partir dos materiais produzidos 
pela Política Nacional de Assistência Social (PNAS) e 
áreas de conhecimento. Imagem: pixabay.com
20 FERRAMENTAS PARA A PREVENÇÃO E ENFRENTAMENTO À VIOLÊNCIA CONTRA CRIANÇAS NA PRIMEIRA INFÂNCIA
Imagine que o visitador já conheça uma determinada família e que este 
identifique certas violações de direitos a crianças neste contexto familiar. Ele 
poderia resolver essas questões diretamente com a família, em uma conversa 
informal, sem encaminhar para seu supervisor e, consequentemente, sem 
acionar outros órgãos de proteção?
O visitador não pode perder de vista que a visita domiciliar é uma estratégia de atuação do 
Programa Criança Feliz. Por mais que ele já conheça a família (até mesmo antes de trabalhar no 
Programa), ele passa a ser um agente público, e por isso todas as informações obtidas antes e 
durante a visita domiciliar são sigilosas. 
Quando identificar uma violação de direitos contra crianças na primeira infância, o Visitador do 
PCF, como já mencionamos, irá passar o caso ao seu Supervisor. Este, por sua vez, irá encaminhar 
CRAS que, através da equipe técnica composta por pedagogos, psicólogos, assistentes sociais 
e advogados, irá tomar ciência e verificar o caso. 
Se verificada asituação de violação de direitos, o caso é comunicado aos órgãos de defesa e 
garantia de direitos para providências cabíveis, tais como a Polícia Civil (para abertura de inquéritos), 
Ministério Público (para que faça a denúncia), Poder Judiciário (para que se garantam os direitos 
de defesa, contraditório, devido processo legal etc.), Conselho Tutelar (para o amparo e garantia 
da segurança da criança) e demais órgãos do sistema de garantia de direitos.
Para aprofundar os conhecimentos, a dica de leitura é O atendimento e a 
rede de proteção da criança e do adolescente vítima de violência sexual na 
perspectiva dos profissionais do CREAS. FARAJ, Suane Pastorija; SIQUEIRA, 
Aline Cardoso. In: Barbarói, Santa Cruz do Sul, 2012.
Baixe gratuitamente o Livro em formato PDF no link https://online.unisc.br/
seer/index.php/barbaroi/article/view/2097
Até aqui, foi possível compreender o papel do Centro de Referência de 
Assistência Social (CRAS) e do Centro de Referência Especializado de 
Assistência Social (CREAS) como equipamentos/ferramentas na prevenção 
e orientação diante de casos de violências contra crianças na primeira infância. 
Na próxima aula, serão apresentadas as atribuições e competências do 
Conselho Tutelar.
https://online.unisc.br/seer/index.php/barbaroi/article/view/2097
21FERRAMENTAS PARA A PREVENÇÃO E ENFRENTAMENTO À VIOLÊNCIA CONTRA CRIANÇAS NA PRIMEIRA INFÂNCIA
Aula 2 – Conselho Tutelar: atribuições 
e competências
O Conselho Tutelar é um órgão cuja criação se deu por meio da Lei n.º 8.069/90, 
o Estatuto da Criança e do Adolescente ECA. Em seu contexto, traz a Teoria da 
Proteção Integral, segundo a qual a criança é considerada e tratada como sujeito 
de direitos.
A doutrina da proteção integral estabeleceu-se como necessário pressuposto 
para a compreensão do Direito da Criança e do Adolescente no Brasil 
contemporâneo, incluindo, na legislação nacional, três princípios:
• Criança e adolescente como sujeitos de direito;
• Destinatários de absoluta prioridade;
• Respeitando a condição peculiar de pessoa em desenvolvimento e o 
seu melhor interesse. 
https://www.boletimjuridico.com.br/artigos/direito-da-infancia-e-
juventude/2317/a-teoria-protecao-integral-crianca-ao-adolescente-segundo-
conceito-material-historico-desenvolvimento-humano
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https://www.boletimjuridico.com.br/artigos/direito-da-infancia-e-juventude/2317/a-teoria-protecao-integral-crianca-ao-adolescente-segundo-conceito-material-historico-desenvolvimento-humano
22 FERRAMENTAS PARA A PREVENÇÃO E ENFRENTAMENTO À VIOLÊNCIA CONTRA CRIANÇAS NA PRIMEIRA INFÂNCIA
O Conselho Tutelar é definido em Lei como:
Não 
jurisdicional
Permanente
Autônomo
• um órgão permanente, porque é 
criado por lei;
• autônomo em suas decisões;
• não jurisdicional, pois as funções 
exercidas são de natureza executiva, 
sem a atribuição (que é exclusiva do 
Poder Judiciário) de compor as lides 
(conflitos de interesses). É vinculado 
administrativamente ao poder 
executivo municipal.
A lógica do Conselho tutelar é a de eleger pessoas da sociedade 
para zelar pelos direitos das crianças e dos adolescentes, após os 
candidatos passarem por processo de escolha, o órgão é composto 
por cinco conselheiros titulares e cinco conselheiros suplentes. 
Uma lei municipal trará local e horário de funcionamento, bem como 
a remuneração dos Conselheiros. 
As atribuições do Conselho Tutelar estão previstas no artigo 136 do 
ECA, mas ainda há muitos mitos acerca dessas atribuições perante 
a sociedade. Esta parece entender que o Conselho executa serviços, 
mas, na verdade, ele os requisita. 
Saiba mais sobre as Atribuições do Conselho Tutelar acessando o Estatuto da 
Criança e do Adolescente (ECA) em: http://www.planalto.gov.br/.
Além do Conselho Tutelar ser a porta de entrada de denúncias de violações contra direitos de 
crianças e adolescentes, é um órgão de grande importância para a Rede de Enfrentamento de 
Violências contra Crianças e Adolescentes, em especial na primeira infância, sendo, assim, de 
fundamental relevância para o Programa Criança Feliz.
Como já reforçado, ao suspeitar ou identificar violações de direitos, os visitadores do Programa 
Criança Feliz podem, através de seus supervisores, acionar o Conselho Tutelar, por isso você 
deve conhecer a rede e identificar o Conselho Tutelar mais próximo do seu território de atuação 
no Município. 
http://www.planalto.gov.br/
23FERRAMENTAS PARA A PREVENÇÃO E ENFRENTAMENTO À VIOLÊNCIA CONTRA CRIANÇAS NA PRIMEIRA INFÂNCIA
Para conhecer na íntegra o artigo 220 da CRFB de 88, acesse: 
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm.
Os visitadores e supervisores do Programa Criança Feliz têm com parceiros o Conselho Tutelar, 
que tem como atribuições previstas recepcionar as denúncias de violações contra crianças na 
primeira infância e fazer os encaminhamentos necessários. Cabe lembrar que o artigo 227 da 
Constituição federal diz que zelar pelos direitos da Criança e do Adolescente é dever de todos.
Podemos elencar algumas atribuições do Conselho Tutelar que se encontram no Estatuto da 
Criança e do Adolescente, tais como:
• Aplicar medidas de proteção a Crianças e 
Adolescentes de acordo com os artigos 98 e 
101 do ECA;
• Solicitar atendimento para as crianças e 
adolescentes nas áreas da saúde, educação, 
serviço social, previdência social, segurança 
pública e trabalho;
• Expedir notifi cações;
• Solicitar aos cartórios certidões de 
nascimento e de óbito;
• Assessorar o poder executivo na construção 
das propostas orçamentárias, objetivando 
que o orçamento esteja voltado a garantir a 
execução de programas e projetos relativos 
aos Direitos da Criança e do Adolescente;
• Notifi car o Ministério Público nas ações de 
perda do poder familiar quando se esgotam 
todas as possibilidades de convivência 
familiar da criança;
• Incentivar, propagar e divulgar, nas 
comunidades, ações de enfrentamento aos 
maus tratos contra crianças e adolescentes;
• Representar as pessoas da família contra 
violações de direitos previstos no artigo 220 
da CRFB-88. Atender e aconselhar pais ou 
responsáveis.
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https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm
24 FERRAMENTAS PARA A PREVENÇÃO E ENFRENTAMENTO À VIOLÊNCIA CONTRA CRIANÇAS NA PRIMEIRA INFÂNCIA
De acordo com o ECA, a resposta é não! Se, no exercício de suas atribuições, o Conselho Tutelar 
entender necessário o afastamento do convívio familiar, comunicará o fato ao Ministério Público, 
prestando-lhe informações sobre os motivos de tal entendimento e as providências tomadas 
para a orientação, o apoio e a promoção social da família. 
O Conselho Nacional de Direitos da Criança e do Adolescente traz, em sua Resolução n.º 170, a 
regulamentação do funcionamento e demais regras acerca do Conselho Tutelar, onde define que: 
é vedado ao Conselho Tutelar executar serviços e programas de atendimento, os quais devem 
ser requisitados aos órgãos encarregados da execução de políticas públicas (CONANDA, 2014).
Saiba mais sobre a Resolução n.º 170 do CONANDA acessando: 
https://www.in.gov.br/materia/-/asset_publisher/Kujrw0TZC2Mb/content/
id/32131032/do1-2015-01-27-resolucao-n-170-de-10-de-dezembro-de-2014-32130908
Esta Resolução dispõe sobre a importância do Conselho Tutelar enquanto órgão 
essencial do Sistema de Garantia dos Direitos da Criança e do Adolescente, sua 
criação, manutenção, funcionamento, escolha de conselheiros, funções, deveres, 
entre outros.
Nesta aula, vimos brevemente a conceituação, atribuições e competências do 
Conselho Tutelar. A seguir, vamos entender como se dá o processo de escolha 
neste órgão.
Mas você pode estar se perguntando:
O Conselho Tutelar, se entender necessário, poderá, por conta própria, afastar 
a criança ou adolescente do convívio familiar, sem comunicar, por exemplo, 
ao Ministério Público?
https://www.in.gov.br/materia/-/asset_publisher/Kujrw0TZC2Mb/content/id/32131032/do1-2015-01-27-resolucao-n-170-de-10-de-dezembro-de-2014-3213090825FERRAMENTAS PARA A PREVENÇÃO E ENFRENTAMENTO À VIOLÊNCIA CONTRA CRIANÇAS NA PRIMEIRA INFÂNCIA
Aula 3 – Processo de escolha dos 
conselheiros tutelares
De maneira direta e objetiva, podemos questionar: quem pode se candidatar 
ao conselho tutelar? Objetivas e diretas também serão as respostas. 
O candidato deve:
• Comprovar residir no município onde pretende se candidatar;
• Ter mais de 21 anos de idade;
• Ter idoneidade moral comprovada.
Quem realiza o processo de escolha dos membros do Conselho Tutelar 
é o Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente, 
com fi scalização do Ministério Público. O processo de escolha 
acontece a cada 04 (quatro) anos para um mandato de igual 
período. Em cada município do Brasil e na região administrativa 
do Distrito Federal haverá pelo menos um Conselho Tutelar. As 
eleições ocorrem no ano seguinte às eleições presidenciais, 
no primeiro domingo do mês de outubro, em data unifi cada 
em todo o país. Em alguns Municípios há o processo seletivo 
anterior às eleições, mas essa atividade não é regra absoluta 
no país; depende de cada edital, que é de responsabilidade 
do poder executivo local.
O candidato a Conselheiro Tutelar não pode oferecer nenhum 
tipo de vantagem durante o processo de escolha. Segundo 
a Resolução nº. 170 do CONANDA, o edital do processo de 
escolha para o Conselho Tutelar não poderá estabelecer outros 
requisitos além daqueles exigidos dos candidatos pela Lei nº. 8.069, 
de 1990, e pela legislação local correlata.
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26 FERRAMENTAS PARA A PREVENÇÃO E ENFRENTAMENTO À VIOLÊNCIA CONTRA CRIANÇAS NA PRIMEIRA INFÂNCIA
 Para o Conselho Tutelar, pode-se montar um grupo de pessoas da mesma 
família, mesmo tendo conduta ilibada¹?
¹Conduta ilibada: Significa que uma pessoa tem comportamento correto e que não comete atos contra a lei, nem atos que, em 
sociedade, sejam julgados como reprováveis.
Não podem exercer o mandato de conselheiro tutelar, no mesmo pleito:
marido e mulher;
ascendente e 
descendente;
sogro e genro ou nora;
irmãos;
cunhados;
tio e sobrinho;
padrasto ou madrasta;
enteado ou enteada;
juiz ou representante 
do Ministério Público 
Estadual.
A posse aos Conselheiros Tutelares ocorre no dia 10 de janeiro do ano posterior à realização do 
processo de escolha do Conselho Tutelar. O Conselho Tutelar é um serviço de relevância pública, 
sendo considerada pela sociedade a presunção da idoneidade moral dos conselheiros. Este órgão 
tem papel de grande relevância na garantia de direitos das crianças, sendo determinante para 
recepção das possíveis violações identificadas pelos visitadores e coordenadores do Programa 
Criança Feliz.
Qualquer pessoa com a idoneidade e moral incontestável pode exercer a função 
de Conselheiro Tutelar, por exemplo, um professor efetivo da rede de ensino 
pública ou privada?
O exercício da função de Conselheiro Tutelar é de dedicação exclusiva, não podendo o conselheiro 
eleito exercer qualquer outra atividade concomitantemente, quer seja de ordem privada quer seja 
de ordem pública.
27FERRAMENTAS PARA A PREVENÇÃO E ENFRENTAMENTO À VIOLÊNCIA CONTRA CRIANÇAS NA PRIMEIRA INFÂNCIA
Encerramento do Módulo 1
Encerramos aqui o Módulo 1, no qual você aprendeu sobre o papel do Centro de 
Referência de Assistência Social (CRAS) e do Centro de Referência Especializado 
de Assistência Social (CREAS) como equipamentos/ferramentas na prevenção 
e orientação diante de casos de violências contra crianças na primeira infância; 
Conselho Tutelar: atribuições e competências e Processo de escolha. Se 
necessário, revise esses conteúdos, pois eles são importantes para nosso 
próximo passo.
Agora que você já internalizou o conteúdo do Módulo 1, podemos seguir para o 
Módulo 2, quando trataremos da escuta especializada, do fluxo de atendimento 
e dos canais para denunciar violações de direitos. Bons estudos e até lá!
28 FERRAMENTAS PARA A PREVENÇÃO E ENFRENTAMENTO À VIOLÊNCIA CONTRA CRIANÇAS NA PRIMEIRA INFÂNCIA
Módulo 2 
O módulo 2 tem carga horária de cinco horas e está dividido em três 
aulas: 
Aula 1 – Escuta especializada e depoimento especial na Rede do 
Sistema de Garantia de Direitos de acordo com a Lei nº. 13.431/2017 
- 2 horas
Aula 2 – Fluxo de atendimento de crianças e adolescentes vítimas 
de violência - 1 hora
Aula 3 – Canais de denúncias de violências contra crianças na 
primeira infância - 2 horas
Ao final deste módulo, esperamos que você seja capaz de:
• compreender o que é a escuta especializada e 
depoimento especial na Rede do Sistema de Garantia 
de Direitos;
• entender o fluxo de atendimento de crianças e 
adolescentes vítimas de violência;
• usar os canais de denúncias de violências contra 
crianças na primeira infância.
29FERRAMENTAS PARA A PREVENÇÃO E ENFRENTAMENTO À VIOLÊNCIA CONTRA CRIANÇAS NA PRIMEIRA INFÂNCIA
AULA 1 – Escuta especializada e 
depoimento especial na Rede do 
Sistema de Garantia de Direitos de 
acordo com a Lei nº. 13.431/2017
Olá!
Seja bem-vindo(a) a mais um Módulo do curso Ferramentas para a Prevenção e o Enfrentamento 
à Violência contra Crianças na Primeira Infância. Observe a imagem a seguir. Nela, temos um 
Visitador do PCF em plena ação de uma de suas mais importantes atribuições. Sabemos que o 
visitador poderá ouvir relatos espontâneos de casos, seja das famílias ou das crianças, porém, 
quando ouvir as crianças, e suspeitar ou constatar a ocorrência de violências ou violações de 
direitos, deve comunicar ao seu supervisor, que por sua vez, deve compartilhar com a equipe 
do CRAS e, se necessário, notifi car os órgãos da rede de proteção, especialmente o Conselho 
Tutelar mais próximo. Nesta e nas próximas aulas, trataremos da escuta especializada, do fl uxo 
de atendimento e dos canais de denúncia de violações de direitos. Bons estudos!
Foto: https://www.capistrano.ce.gov.br/informa.php?id=152
https://www.capistrano.ce.gov.br/informa.php?id=152
30 FERRAMENTAS PARA A PREVENÇÃO E ENFRENTAMENTO À VIOLÊNCIA CONTRA CRIANÇAS NA PRIMEIRA INFÂNCIA
O artigo 5º do Estatuto da 
Criança e do Adolescente traz, 
em seu texto, que nenhuma 
criança ou adolescente será 
objeto de qualquer forma de:
Cueldade ou 
opressão
ExploraçãoViolência
Negligência
Discriminação
Para conhecer na íntegra o artigo 227 da CRFB de 88, acesse: 
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm.
A Lei nº. 13.431/2017 estabelece, normatiza e organiza o sistema de garantia de direitos da 
criança e do adolescente vítima ou testemunha de violência, cria mecanismos para prevenir e 
coibir a violência, nos termos do art. 227 da Constituição Federal. Surge da necessidade da não 
revitimização¹ de crianças e adolescentes em casos de violência, ou seja, com intuito de identificar 
os tipos de violências (física, psicológica, sexual, institucional) e de definir um fluxo de atendimento, 
bem como os procedimentos a serem adotados para garantir os direitos desse público.
¹Revitimização: Esse fenômeno pode se dar de duas formas: (a) quando não se tomam as devidas providências e a vítima volta a ser 
vitimada pelo mesmo ou outro agressor; e (b) quando a primeira escuta não é bem feita nem bem registrada e comunicada, forçando a 
vítima a relatar outra vez e até mesmo várias vezes a violência sofrida, o que a obriga a “reviver” desnecessariamente as dores que sofreu.
Diante das violências sofridas pelas crianças e adolescentes no Brasil, há várias normas no 
ordenamento jurídico que trazem os direitos das crianças e a responsabilização para quem viola 
tais direitos, os mecanismos para promover o que estabelece a Constituição Federal de 1988, em 
seu artigo 227.
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L8069.htm
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm
31FERRAMENTAS PARA A PREVENÇÃO E ENFRENTAMENTO À VIOLÊNCIA CONTRA CRIANÇAS NA PRIMEIRA INFÂNCIA
A Convenção sobre os Direitos da Criança 
foi adotada pela Assembleia Geral da ONU 
em 20 de novembro de 1989. Entrou em 
vigor em 2 desetembro de 1990.
É o instrumento de direitos humanos mais 
aceito na história universal.
A escuta especializada e o depoimento 
especial vêm com o intuito de 
minimizar as revitimizações e violências 
institucionais sofridas pelas crianças e 
pelos adolescentes.
Com base em várias normatizações legais, dentre as quais está a Convenção 
dos Direitos da Criança, de 1989, que traz em seu artigo 12, uma das referências 
legais, que já determinavam a escuta das crianças: 
Qualquer órgão ou instituição pode atender, escutar e encaminhar 
indiscriminadamente as crianças vítimas de violências?
Vários órgãos do Sistema de Garantia de Direitos se uniam no enfrentamento dessas violências 
e faziam a escuta dessas violências sem nenhum protocolo, e, eventualmente, acabavam 
revitimizando essas crianças e adolescentes, ao submetê-los repetidamente a relatos da violência 
sofrida ou testemunhada, fato que provoca marcas desnecessárias nas vidas dessas pessoas.
• Os Estados-partes assegurarão à criança que estiver capacitada a formular 
seus próprios juízos o direito de expressar suas opiniões livremente sobre 
todos os assuntos relacionados consigo mesma, levando-se devidamente em 
consideração essas opiniões, em função da idade e maturidade da criança;
• Com tal propósito, será proporcionada à criança, em particular, a oportunidade 
de ser ouvida em todo processo judicial ou administrativo que a afete, seja 
diretamente ou por intermédio de um representante ou órgão apropriado, em 
conformidade com as regras processuais da legislação.
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32 FERRAMENTAS PARA A PREVENÇÃO E ENFRENTAMENTO À VIOLÊNCIA CONTRA CRIANÇAS NA PRIMEIRA INFÂNCIA
O ECA leciona somente sobre a proteção integral à criança e ao adolescente?
O Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA também traz em seu texto a formação continuada 
e a capacitação dos profi ssionais de saúde, educação, assistência social e dos demais agentes 
que fazem parte do sistema de garantia de direitos, com o objetivo de melhorar o desenvolvimento 
dos trabalhos e atendimentos dos usuários na prevenção, identifi cação de evidências, diagnóstico 
e enfrentamento de todas as formas de violência contra a criança e o adolescente (BRASIL, 1990).
Também o ECA, em seu artigo 100, estabelece que devem ser levadas em conta as necessidades 
pedagógicas, preferindo-se aquelas que visem ao fortalecimento dos vínculos familiares e 
comunitários; estabelece como um de seus princípios a oitiva (escuta profi ssional e qualifi cada) 
obrigatória e a participação da criança e do adolescente, tendo estes o direito de serem ouvidos 
e a participarem nos atos e na defi nição das medidas de promoção dos seus direitos e de sua 
proteção, situação em que as suas opiniões devem ser escutadas e consideradas pela autoridade 
judiciária competente (BRASIL, 1990).
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Saiba mais sobre o Artigo 100, do ECA, acessando: 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L8069.htm 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L8069.htm
33FERRAMENTAS PARA A PREVENÇÃO E ENFRENTAMENTO À VIOLÊNCIA CONTRA CRIANÇAS NA PRIMEIRA INFÂNCIA
O Conselho Nacional de Justiça – CNJ, por meio da Recomendação nº. 33, de 23 de novembro de 
2010, já sugeria aos Tribunais de Justiça a criação de serviços especializados para a escuta de 
crianças e adolescentes vítimas ou testemunhas de violência nos processos judiciais, oportunizando 
espaço e pessoal técnico do judiciário adequados, denominando este procedimento de depoimento 
especial (CNJ, 2010), lembrando que todo esse processo segue em segredo de justiça.
Fonte: https://www.tjdft.jus.br/institucional/imprensa/campanhas-e-produtos/direito-facil/edicao-semanal/escuta-especializada-x-
depoimento-especial
https://www.tjdft.jus.br/institucional/imprensa/campanhas-e-produtos/direito-facil/edicao-semanal/escuta-especializada-x-depoimento-especial
34 FERRAMENTAS PARA A PREVENÇÃO E ENFRENTAMENTO À VIOLÊNCIA CONTRA CRIANÇAS NA PRIMEIRA INFÂNCIA
Acesse a Recomendação nº. 33, de 23 de novembro de 2010, do Conselho
Nacional de Justiça – CNJ, relativa à criação de serviços especializados para 
escuta de crianças e adolescentes vítimas ou testemunhas de violência nos 
processos judiciais - Depoimento Especial. Link: https://atos.cnj.jus.br/files/
recomendacao/recomendacao_33_23112010_22102012173311.pdf
Chegamos ao fim desta primeira aula do Módulo 2. Se necessário, revise os 
conteúdos e hiperlinks e prepare-se para nos encontrarmos na Aula 2, quando 
trataremos do fluxo de atendimento à criança vítima de violência. Até lá!
Link: https://crianca.mppr.mp.br/modules/conteudo/conteudo.php?conteudo=1528
35FERRAMENTAS PARA A PREVENÇÃO E ENFRENTAMENTO À VIOLÊNCIA CONTRA CRIANÇAS NA PRIMEIRA INFÂNCIA
AULA 2 – Fluxo de atendimento de 
crianças e adolescentes vítimas de 
violência
Os visitadores do Programa Criança Feliz e seus Supervisores deverão conhecer os equipamentos 
e órgãos do seu território por meio de uma identifi cação prévia.
Ao perceber violação de direitos, em especial de crianças na primeira infância, o visitador deverá 
relatar a questão ao seu supervisor, que irá encaminhar ao Conselho Tutelar e fazer a devida 
comunicação ao CREAS, o que não impede que este supervisor tome outras medidas necessárias 
dentro de sua esfera de competência.
Todo este fl uxo de atendimento e atenção aos casos é o que veremos agora!
Qualquer cidadão que tenha conhecimento ou tenha sido testemunha de violência sofrida por 
crianças e adolescentes deverá comunicar de imediato ao serviço de monitoramento de denúncias 
promovidos pelo Governo Federal, fazer denúncia ao Conselho Tutelar do fato ou à Autoridade 
Policial competente, que, por sua vez, irão prontamente dar ciência ao Ministério Público.
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36 FERRAMENTAS PARA A PREVENÇÃO E ENFRENTAMENTO À VIOLÊNCIA CONTRA CRIANÇAS NA PRIMEIRA INFÂNCIA
Mediante a denúncia, o Conselho Tutelar 
irá aplicar a medida de proteção, fazendo os 
encaminhamentos necessários, dentro das 
suas competências, se utilizando das políticas 
públicas existentes para promover a proteção 
integral dessas crianças, desde os serviços de 
assistência social até os serviços de saúde e 
educação.
É responsabilidade do Estado prover 
a proteção dos indivíduos e famílias 
que passam por violações de direito, 
em especial violências contra crianças 
e adolescentes, reparando danos e 
promovendo o enfrentamento dessas 
violações, buscando orientar e promover 
a dignidade humana.
Como já vimos, o CREAS é a principal porta de entrada de denúncias das violações 
nos municípios, até porque este é um dos órgãos mais conhecidos pela população 
em geral.
Neste cenário, surge a problemática do acesso da população à Justiça. Na maioria 
dos casos, a vítima comparece sozinha às repartições policiais, ao Ministério Público 
ou às audiências nos fóruns do Poder Judiciário, gastando do próprio bolso com 
transporte e alimentação, enfrentando todo tipo de dificuldades, não tendo geralmente 
um advogado para acompanhá-la, aconselhá-la ou instruí-la (ANDREUCCI, 2016, s.p). 
Esse quadro, em vez de facilitar o acesso da vítima à Justiça, acaba dificultando, ou 
pior, acaba gerando mais injustiças. 
Para que a escuta seja efetiva, ela pode ser feita por qualquer cidadão que 
tenha boa disposição em escutá-la?
37FERRAMENTAS PARA A PREVENÇÃO E ENFRENTAMENTO À VIOLÊNCIA CONTRA CRIANÇAS NA PRIMEIRA INFÂNCIA
O depoimento especial será colhido 
da seguinte forma: os profissionais 
especializados irão esclarecer e orientar 
as crianças e adolescentes, informando 
os direitos e deveres e como se dará o 
depoimento, bem como o planejamento 
de sua participação.
A escuta especializada será realizada por 
profi ssional da rede de garantia de direitos, 
profissional este integrante do órgão de 
proteção, que se reportará à criança para 
escutar o estritamente necessário ao alcance 
de sua finalidade, e para que se façam os 
encaminhamentos necessários à rede de 
proteção em ambiente acolhedore propício com 
profi ssionais qualifi cados.
Já o depoimento especial é o procedimento 
de oitiva (escuta profi ssional e qualifi cada) de 
criança ou adolescente que tenha sido vítima de 
violência ou testemunha de violência em sede 
de Justiça, na presença da autoridade judiciária; 
e, no caso de sede de polícia investigativa (a 
delegacia), na presença da autoridade policial.
resguardada a 
ampla defesa 
do acusado
seguindo seus 
protocolos 
próprios
produção de 
provas no 
processo
preferencialmente 
sendo realizado 
só uma vez
O depoimento especial tem o objetivo de:
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38 FERRAMENTAS PARA A PREVENÇÃO E ENFRENTAMENTO À VIOLÊNCIA CONTRA CRIANÇAS NA PRIMEIRA INFÂNCIA
A criança tem garantido por Lei o direito de não ter nenhum contato com o autor da violência, 
sobretudo se isso provocar qualquer tipo de constrangimento ou risco à criança, devendo ser 
comunicada ao juiz pelos profi ssionais técnicos qualquer presença que possa comprometer o 
depoimento especial e integridade da vítima.
O depoimento especial será tomado em:
ambiente acolhedor;
com espaço físico e estrutura adequados;
que proporcione comodidade e privacidade 
à criança e ao adolescente, bem como a 
suas testemunhas. 
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É terminantemente proibida a leitura de denúncia. 
(BRASIL, 2017). A criança deve ter direito à livre 
narrativa dos fatos, podendo serem promovidas 
perguntas feitas pelos profi ssionais técnicos, a fi m de 
colaborar com o procedimento. 
Será respeitado, no depoimento especial, o desenvolvimento humano da criança por meio do uso 
de linguagem e metodologia técnica adequadas. Este depoimento será gravado em áudio e vídeo, 
sempre preservado o sigilo. Ressaltamos, aqui, uma importante diferenciação para o visitador do PCF.
• Uma coisa é a ‘revelação espontânea’ que será ouvida pelo visitador do Programa Criança 
Feliz. Esta não se confunde com a ‘escuta especializada’, que é procedimento próprio dos 
órgãos da rede de proteção. A revelação espontânea é o relato imotivado da criança ou 
adolescente a um profi ssional, de que foi ou está sendo vítima de violência ou presenciou 
algum ato de violência. Pode acontecer em qualquer local, inclusive, quando da visita do 
profi ssional do PCF. 
• Outra coisa é o encaminhamento da denúncia e o Depoimento Especial.
O Depoimento Especial é realizado apenas pelo Delegado de Polícia e pelo Juiz de Direito através 
da equipe técnica. Mais uma vez, o papel dos visitadores e supervisores do Programa Criança 
Feliz para a identifi cação destes casos é importantíssimo.
39FERRAMENTAS PARA A PREVENÇÃO E ENFRENTAMENTO À VIOLÊNCIA CONTRA CRIANÇAS NA PRIMEIRA INFÂNCIA
Para aprofundar a temática sobre a Escuta, leia os Parâmetros de escuta de 
Crianças e Adolescentes em Situação de Violência. Brasília, 2017. Ministério 
dos Direitos Humanos, Secretaria Nacional dos Direitos da Criança e do 
Adolescente.
Agora que compreendemos o fluxo de atendimento às crianças vítimas de 
violência, vamos, em nossa próxima aula, conhecer os principais canais de 
denúncias. Até lá!
No link a seguir, você vai compreender que os Parâmetros de Escuta buscam dar conta de um 
imenso desafio: a promoção de um atendimento que seja adequado para um indivíduo que ainda 
não atingiu a maturidade plena em seu desenvolvimento, e realizado num contexto de grande 
fragilidade emocional e física.
https://www.gov.br/mdh/pt-br/centrais-de-conteudo/crianca-e-adolescente/parametros-de-escuta-de-criancas-e-adolescentes-em-situacao-de-violencia.pdf/view
40 FERRAMENTAS PARA A PREVENÇÃO E ENFRENTAMENTO À VIOLÊNCIA CONTRA CRIANÇAS NA PRIMEIRA INFÂNCIA
AULA 3 – Canais de denúncias 
de violências contra crianças na 
primeira infância
Nas aulas anteriores, tratamos da escuta especializada, da revelação espontânea e do depoimento 
especial, além do fluxo de atendimento às crianças vítimas de violência. Agora veremos, 
especifi camente, os canais de denúncias de violências contra crianças na primeira infância.
Para iniciar, leia e observe atentamente o fl uxo a seguir.
Múltiplas Denúncias
Único 
atendimento
Múltiplas 
vítimas 
(crianças, 
mãe, pai, 
avós)
Múltiplas 
violações 
(físicas, 
psicológicas 
ou sexuais)
Múltiplas 
suspeitos 
(familiares, 
vizinhos ou 
outros)
Múltiplas 
Instituições
Múltiplos 
encaminhamen-
tos (CRAS, CREAS, 
Conselho Tutelar, 
Polícia Civil)
FLUXO DA DENÚNCIA
Disque 100
Ligue 180
(61) 99656-5008 Informações sobre o aplicativo 
no link: https://www.gov.br/mdh/
pt-br/direitoshumanosparatodos/
telegram
Aplicativo “Direitos Humanos 
Brasil” - informações no link:
https://www.gov.br/mdh/pt-br/
apps
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https://www.gov.br/mdh/pt-br/apps
https://www.gov.br/mdh/pt-br/direitoshumanosparatodos/telegram
https://www.gov.br/pt-br/servicos/denunciar-violacao-de-direitos-humanos
41FERRAMENTAS PARA A PREVENÇÃO E ENFRENTAMENTO À VIOLÊNCIA CONTRA CRIANÇAS NA PRIMEIRA INFÂNCIA
• DISQUE 100 – DISQUE DIREITOS HUMANOS
Número do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos que recebe 
denúncias de forma rápida e anônima e encaminha o assunto aos órgãos competentes 
no município de origem da criança ou do adolescente. Disque 100 de qualquer parte 
do Brasil. A ligação é gratuita, anônima e com atendimento 24 horas, todos os dias 
da semana. Além do Disque 100, as denúncias podem ser feitas pelo Whatsapp, por 
videochamadas em libras, pelo Telegram, pelo aplicativo DH Brasil e outros canais. 
Para mais informações sobre essas e outras formas de denunciar, acesse: 
https://www.gov.br/mdh/pt-br/ondh/
• MINISTÉRIO PÚBLICO
Os Promotores de Justiça têm sido fortes aliados do movimento de defesa dos direitos 
da criança e do adolescente. Todos os estados e o Distrito Federal 
contam com um Centro de Apoio Operacional (CAO), que 
pode e deve ser acessado em cada localidade por meio 
dos sites dos Ministérios Públicos Estaduais, onde 
se encontram os contatos telefônicos e endereços.
• PORTAL DO MINISTÉRIO DA MULHER, DA 
FAMÍLIA E DOS DIREITOS HUMANOS
Na aba ‘DISQUE 100’, você escolhe o 
assunto e escreve a denúncia, que pode 
ser anônima. 
contam com um Centro de Apoio Operacional (CAO), que 
acessado em cada localidade por meio 
dos sites dos Ministérios Públicos Estaduais, onde 
se encontram os contatos telefônicos e endereços.
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Tão importante quanto a prevenção é o enfrentamento das violências cometidas contra 
crianças na primeira infância, e, para isso, nossos fortes aliados são os canais de denúncias 
de fácil acesso disponíveis para toda a população.
A Constituição Federal, art. 227, estabelece que é dever da família, da sociedade e do 
Estado assegurar à criança e ao adolescente direitos fundamentais, além de colocá-los a 
salvo de toda forma de exploração e violência.
Confi ra os canais e como denunciar casos de maus-tratos e negligência a crianças e 
adolescentes:
 O acesso ao portal pode ser feito em:
https://mdh.metasix.solutions/portal/
servicos/informacao?t=50&servico=233
https://www.gov.br/mdh/pt-br/ondh/
https://mdh.metasix.solutions/portal/servicos/informacao?t=50&servico=233
42 FERRAMENTAS PARA A PREVENÇÃO E ENFRENTAMENTO À VIOLÊNCIA CONTRA CRIANÇAS NA PRIMEIRA INFÂNCIA
POLÍCIA MILITAR
O número 190 é o telefone da Polícia Militar que deve ser acionado em casos de 
necessidade imediata ou socorro rápido. O 190 recebe ligações de forma gratuita 
em todo o território nacional.
 
POLÍCIA RODOVIÁRIA FEDERAL, POLÍCIA FEDERAL E DELEGACIAS ESPECIALIZADAS 
OU COMUNS
Para contactar esses serviços, é possível ligar para o número 191 da Polícia 
Rodoviária Federal (PRF) ou se dirigir presencialmente a um posto desse órgão. 
A Polícia Federal (PF), em cada Estado, poderá ser acionada via internet, através dos 
números telefônicos de suas delegacias ou ainda é possível dirigir-se presencialmente 
a suas unidades.
Delegacias comuns ou especializadas poderão ser acessadas presencialmente em 
suas unidades ou ainda através dos númerosde telefones facilmente encontrados 
na internet de acordo com cada Estado.
As denúncias são anônimas e não oferecem risco à imagem e segurança do 
denunciante.
CONSELHO TUTELAR
O Conselho Tutelar é um dos órgãos de proteção e que também recebe denúncias 
de violações dos direitos das crianças e adolescentes. Cada Conselho Tutelar tem 
um número para contato. É importante que o visitador e supervisor do PCF tenham 
sempre à mão o contato do Conselho Tutelar mais próximo.
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43FERRAMENTAS PARA A PREVENÇÃO E ENFRENTAMENTO À VIOLÊNCIA CONTRA CRIANÇAS NA PRIMEIRA INFÂNCIA
DISQUE DIREITOS HUMANOS (DISQUE 100, DISQUE-DENÚNCIA NACIONAL) 
O Disque Denúncia atua no combate à violência contra o idoso, a mulher, as 
pessoas com defi ciência e a criança e ao adolescente, através do núcleo de 
violência doméstica. Este núcleo foi desenvolvido para monitorar as denúncias 
cadastradas com o objetivo de priorizar e qualifi car o atendimento. O serviço 
possui parceria com as delegacias especializadas (Delegacia Especializada no 
atendimento de crianças e adolescentes vítimas – DCAV e Delegacia Especializada 
na Proteção da Criança e do Adolescente – DPCA) e com os conselhos tutelares, 
enviando as denúncias e solicitando maiores e melhores providências.
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 O Disque 100 funciona 24 horas por dia, 7 dias por semana, inclusive aos sábados, 
domingos e feriados. As denúncias recebidas são analisadas e encaminhadas aos 
órgãos de proteção, defesa e responsabilização, de acordo com a competência e 
as atribuições específi cas, priorizando o Conselho Tutelar como porta de entrada 
(nas situações de crianças e adolescentes), mantendo em sigilo a identidade da 
pessoa denunciante.
É fato que temos diversos canais de denúncias de fácil acesso disponíveis para 
toda a população. Então, não podemos, em hipótese alguma, sermos coniventes 
ou fi carmos passivos diante de violações de direitos das crianças na primeira 
infância.
Pode ser acessado por meio dos seguintes 
canais:
• discagem direta e gratuita do número 100 - 
Disque 100
• envio de mensagem para o e-mail: 
disquedireitoshumanos@mdh.gov.br 
• crimes na internet através do portal 
www.disque100.gov.br 
• Ouvidoria Online Clique 100: 
http://www.humanizaredes.gov.br/
ouvidoria-online/
• Ligação internacional (de Fora do Brasil) 
através do número: +55 61 3535.8333 
disquedireitoshumanos@mdh.gov.br
https://www.gov.br/mdh/pt-br/ondh/centrais-de-conteudo/banners/banner_disque-100_ligue-180.pdf
www.disque100.gov.br
http://www.humanizaredes.gov.br/ouvidoria-online/
45FERRAMENTAS PARA A PREVENÇÃO E ENFRENTAMENTO À VIOLÊNCIA CONTRA CRIANÇAS NA PRIMEIRA INFÂNCIA
Encerramos o Módulo 2, que tratou sobre Escuta especializada, da revelação 
espontânea e do depoimento especial na Rede do Sistema de Garantia de 
Direitos de acordo com a Lei nº. 13.431/2017, Fluxo de atendimento de crianças 
vítimas de violência e Canais de denúncias de violências contra crianças na 
primeira infância.
Se necessário, revise os conteúdos abordados em nossas aulas e realize a 
Atividade do Módulo 2. Na sequência, partiremos para o Módulo 3, quando 
trataremos do papel dos supervisores e visitadores do Programa Criança Feliz 
na prevenção e orientação diante de casos de crianças vítimas de violência na 
primeira infância; da ética e do sigilo no exercício da função de visitadores do 
Programa Criança Feliz; das estratégias de identificação e enfrentamento das 
violências contra crianças na primeira infância e dos Programas de proteção a 
vítimas de violência e testemunhas. Até lá!
Encerramento do Módulo 2
46 FERRAMENTAS PARA A PREVENÇÃO E ENFRENTAMENTO À VIOLÊNCIA CONTRA CRIANÇAS NA PRIMEIRA INFÂNCIA
Módulo 3
O módulo 3 tem carga horária de cinco horas e está dividido em quatro aulas: 
AULA 1 – O papel dos supervisores e visitadores do Programa Criança Feliz na prevenção 
e orientação diante de casos de crianças vítimas de violência na primeira infância - 2 horas
AULA 2 – Ética e sigilo no exercício da função de visitadores - 1 hora
AULA 3 – Estratégias de identificação e enfrentamento das violências contra crianças na 
primeira infância - 1 hora
AULA 4 – Programas de proteção a vítimas de violência e testemunhas - 1 hora
Ao final deste módulo, esperamos que você seja capaz de:
• identificar o papel dos supervisores e visitadores do 
Programa Criança Feliz na prevenção e orientação diante de 
casos de crianças vítimas de violência na primeira infância;
• aplicar a ética e sigilo no exercício da função de visitadores;
• entender o processo de identificação e enfrentamento das 
violências contra crianças na primeira infância;
• conhecer os programas de proteção a vítimas de violência e 
testemunhas.
47FERRAMENTAS PARA A PREVENÇÃO E ENFRENTAMENTO À VIOLÊNCIA CONTRA CRIANÇAS NA PRIMEIRA INFÂNCIA
AULA 1 – O papel dos supervisores e 
visitadores do Programa Criança Feliz 
na prevenção e orientação diante de 
casos de crianças vítimas de violência 
na primeira infância
Que o Programa Criança Feliz é um importante mecanismo para a proteção integral das crianças 
já sabemos, mas você sabe quais são seus objetivos?
Conforme a Portaria MC n°. 664/2021, do Ministério da Cidadania. art. 3º, o Programa Criança 
Feliz tem como objetivos:
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I. promover o desenvolvimento humano a partir do apoio e do acompanhamento 
do desenvolvimento infantil integral na primeira infância;
II. apoiar a gestante e a família na preparação para o nascimento e nos cuidados 
perinatais;
III. colaborar no exercício da parentalidade, fortalecendo os vínculos e o papel 
das famílias para o desempenho da função de cuidado, proteção e educação 
de crianças na primeira infância;
IV. mediar o acesso da gestante, das crianças na primeira infância e das suas 
famílias a políticas e serviços públicos de que necessitem; e
V. integrar, ampliar e fortalecer ações de políticas públicas voltadas para as 
gestantes, crianças na primeira infância e suas famílias.
Acesse a íntegra da Portaria 
MC nº 664, de 02 de setembro 
de 2021, que consolida os atos 
normativos que regulamentam o 
Programa Criança Feliz/Primeira 
Infância no Sistema Único de 
Assistência Social - SUAS.
https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/portaria-mc-n-664-de-2-de-setembro-de-2021-343007090
48 FERRAMENTAS PARA A PREVENÇÃO E ENFRENTAMENTO À VIOLÊNCIA CONTRA CRIANÇAS NA PRIMEIRA INFÂNCIA
O papel do supervisor do Programa Criança Feliz é determinado pela Resolução nº. 17/2011 do 
Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS).
O Supervisor é um profi ssional de nível superior encarregado do apoio técnico aos 
visitadores, atuando no planejamento, organização e apoio à execução das visitas aos 
usuários, é responsável pelo elo entre as ações e o CRAS no levantamento das famílias, 
estando pronto sempre a apoiar os visitadores.
Para saber mais sobre a Resolução nº. 17/2011 do Conselho Nacional de 
Assistência Social (CNAS), acesse: https://cmas.jundiai.sp.gov.br/wp-content/
uploads/2015/01/Resolução-CNAS-nº-06-2015.pdf
Você encontrará o reconhecimento às categorias profi ssionais de nível superior 
para atender as especifi cidades dos serviços socioassistenciais e das funções 
essenciais de gestão do Sistema Único de Assistência Social (SUAS).
Os visitadores do Criança Feliz têm sua atuação delimitada pelas Resoluções nº. 
09/2014 e nº. 17/2011, do Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS), bem 
como a Portaria MC n°. 664/2021, do Ministério da Cidadania, que consolida o 
Programa Criança Feliz, e tem uma importante atuação.
Ao realizar as visitas domiciliares, os visitadores buscam fortalecer os vínculos 
familiares entre as crianças na primeira infância e suas famílias, gerando um elo 
entre a família e os serviços socioassistenciais existentes, para que eles cheguem,

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