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DESAFIOS DA PRÁTICA PEDAGÓGICA NUMA PERSPECTIVA HISTÓRICA CRÍTICA. 
MOZART CIRINO DE MELO
1. INTRODUÇÃO 
Este projeto foi elaborado a partir das dificuldades encontradas pelos docentes frente aos diversos desafios impostos pelas mudanças das novas diretrizes curriculares para a viabilização da proposta pedagógica, na perspectiva histórico crítica. Percebemos que os diversos recursos pedagógicos de que a escola dispõe muitas vezes não são contemplados nos planejamentos dos professores, diante deste quadro verificamos a necessidade de propor um projeto de intervenção, abordando questões para a formação, reflexão e sugerindo práticas pedagógicas a esses profissionais, que são os mediadores do processo de ensino e aprendizagem. 
 O papel do professor passou por inúmeras mudanças no decorrer da história, a depender das diferentes mudanças sociais que interferem diretamente no cenário escolar. A cada novo ano letivo, os professores deparam-se com uma realidade que não estava presente nos conteúdos estudados durante sua formação. Isto o deixa inseguro sobrecarregado diante do apelo por mudanças em sua prática pedagógica. As pedagogias e tendências que anteriormente baseavam sua prática hoje não propiciam a aprendizagem que se espera para o educando. 
O que se busca nas novas diretrizes curriculares estaduais é formar o aluno tendo como caminho pedagógico a perspectiva histórica crítica, a qual visa uma formação consciente e emancipadora. Na concepção de Saviani (1989) essa tendência tem como ponto fundamental, o ensino pautado no acesso ao conhecimento sistematizado pelos homens ao longo da história de forma problematizada a este ensino não visa à adaptação do sujeito, mas sim a possibilidade de olhar e analisar as relações sociais de maneira critica. Assim, o educador, que deve ser um eterno aprendiz, precisa estudar refletir, atualizar-se e colocar em prática esta perspectiva, utilizando os mais diversos recursos disponíveis na escola e fora dela, aproximando-se do cotidiano de seus educandos e realizando a mediação no processo de ensino e aprendizagem. É função da escola, socializar o conhecimento que é produzido historicamente, tornando alunos e professores sujeitos capazes de transformar a história. 
2. DESENVOLVIMENTO
As práticas pedagógicas são fundamentadas nas diferentes tendências pedagógicas que orientam a partir de uma determinada concepção de sociedade, homem e educação, os enfoques teóricos que subsidiam o ensinar e aprender. 
Esta pesquisa de caráter intervencionista visa primeiramente um estudo bibliográfico sobre a Pedagogia Histórico Critica e seus reflexos nas Diretrizes Curriculares do Estado do Paraná e a sua efetivação no cenário escolar. 
De posse desse estudo esperamos contribuir para o conhecimento das orientações curriculares da Rede Estadual por parte dos professores, por meio de grupos de estudos para formação e reflexão de suas práticas, bem como a elaboração de material de apoio, elucidando os recursos pedagógicos existentes na escola.
 Essa pesquisa busca aprofundar os estudos sobre a perspectiva histórico crítica especialmente sua forma de planejar, demonstração de utilização de alguns dos recursos que possibilitem aulas atrativas sem perder o foco: aprendizagem do conhecimento científico. Resultados e Discussões A educação é uma prática social que possibilita a humanização dos homens numa determinada cultura. 
O fenômeno educacional pode ser compreendido a partir de sua dupla dimensão, a primeira no sentido de apropriação dos bens culturais produzidos ao longo da história e a segunda pela possibilidade de criar e recriar novos conhecimentos, valores e princípios. 
Em outras palavras a educação é permanência e transformação no seu sentido dialético. O processo educacional ocorre nas diversas instâncias sociais de forma informal, no entanto é no espaço escolar de modo particular que se dá o processo de aprendizagem formal do indivíduo. A instituição escola é uma criação dos homens e ao longo de sua trajetória tomou diferentes feições e características. Uma ciência de grande destaque para o conhecimento das questões inerentes a escola, é a Pedagogia entendida como ciência da educação. Saviani (1989) na obra Escola e Democracia caracteriza e analisa as tendências pedagógicas, classificando-as em críticas, crítico-reprodutivíssimas e não críticas. Sobre este critério de classificação, Saviani explica que:	
	{...} denominarei as teorias do primeiro grupo de teorias “não críticas” já quer encaram a educação como autônoma e buscam compreendê-la a partir dela mesma. Inversamente, aquelas do segundo grupo são críticas uma vez que se empenham em compreender a educação remetendo-a sempre a seus condicionantes objetivos, isto é, aos determinantes sociais, vale dizer, a estrutura socioeconômica que condiciona a forma de manifestação do fenômeno educativo. Como, porém, entendem que a função básica da educação é a reprodução da sociedade, serão por mim denominadas de “teorias crítico-reprodutivistas”. (SAVIANI, 1989, p.17) 
Sobre a perspectiva histórico crítica, Saviani (1989) considera que o papel desta teoria segundo o autor é dar substância concreta a essa bandeira de luta de modo a evitar que ela seja apropriada e articulada com os interesses dominantes. Ao apontar a escola como necessária Saviani ressalta a responsabilidade que esta tem para com a transmissão-assimilação do saber sistematizado e que para isso é preciso preocupar-se com o currículo a ser seguido, o qual é segundo este autor a organização do conjunto das atividades nucleares distribuídas no espaço e no tempo escolar. Um currículo é, pois, uma escola funcionando, quer dizer, uma escola desempenhando a função que lhe é própria. No entanto, Saviani (1989), alerta que, uma escola deve sim se preocupar com o saber sistematizado, mas também deve preocupar-se com a qualidade deste saber, ou seja, como está sendo dividido, qual a ordem que se trabalha os conteúdos, tendo em vista saber se a criança está acompanhando, se está se apropriando dos mesmos. É o que nos transmiti Saviani, através desta colocação:
[...] para existir a escola não basta à existência do saber sistematizado. É necessário viabilizar condições de sua transmissão e assimilação. Isso implica dosá-lo e sequenciá-lo de modo que a criança passe gradativamente do seu não domínio ao seu domínio. Ora, o saber dosado e sequenciado para efeitos de sua transmissão-assimilação no espaço escolar, ao longo de um tempo determinado, é o que nós convencionamos chamar de “saber escolar”. (Saviani, 1989, p.18). 
Esta teoria crítica é denominada de Pedagogia Histórico Critica, que tem como centro do processo didático a prática social historicamente situada. O processo ocorre da síncrese a síntese, ou seja, do saber assistemático ao saber sistemático. Na pedagogia histórica critica entende-se que o conhecimento é fruto da interação do sujeito e do objeto, a aprendizagem leva ao desenvolvimento. O conteúdo seria o conhecimento a ser apropriado e reelaborado por cada novo membro da nossa espécie.
Como a Rede Estadual de Educação do Paraná fundamenta as orientações curriculares nessa tendência, é necessário que os professores tenham clareza dos seus princípios norteadores e as diferentes possibilidades de efetivação no contexto escolar, por meio dos recursos da escola dispõe. Esse é o desafio dessa pesquisa em processo inicial de elaboração.
 CONCLUSÃO 
Como se trata de uma pesquisa em andamento, as conclusões ainda serão delineadas, no entanto é possível afirmar que a proposta de pesquisar os desafios da docência na Rede de Educação Estadual de	Guarulhos, tendo como caminho o conhecimento e a efetivação da Pedagogia Histórico Critica é uma necessidade para os diferentes problemas que a escola enfrenta no seu cotidiano. 
REFERÊNCIAS 
SAVIANI, Dermeval. Escola e Democracia. São Paulo: Cortez: Autores Associados, 1989. 21ª edição
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