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FARMACOLOGIA E TERAPÊUTICA VETERINÁRIA DO SISTEMA NERVOSO CENTRAL Faculdade de Minas Faculdade de Mina s 2 Sumário NOSSA HISTÓRIA ..................................................................................................... 3 INTRODUÇÃO ................................................................................................. 4 NEURÔNIOS ................................................................................................... 5 CÉLULAS GLIAIS ............................................................................................ 7 NEUROTRANSMISSÃO E NEUROTRANSMISSORES ............................... 10 Aminoácidos............................................................................................... 12 Aminoácidos inibitórios ........................................................................... 12 Aminoácidos excitatórios ........................................................................... 14 Glutamato ............................................................................................... 14 Aspartato ................................................................................................ 16 Aminas.................................................................................................... 16 Peptídios opioides e outros peptídios ..................................................... 22 CLASSIFICAÇÃO DAS SUBSTÂNCIAS QUE ATUAM NO SISTEMA NERVOSO CENTRAL .............................................................................................. 23 Depressores gerais (não seletivos) ............................................................ 25 Estimulantes gerais (não seletivos) ............................................................ 25 CARACTERÍSTICAS DOS EFEITOS DE MEDICAMENTO NO SISTEMA NERVOSO CENTRAL .............................................................................................. 27 Analgésicos ............................................................................................ 28 Analgésicos opióides .............................................................................. 28 Antibióticos ............................................................................................. 31 NEOPLASIAS INTRACRANIANAS ............................................................ 35 REFÊRENCIAS ............................................................................................. 41 Faculdade de Minas Faculdade de Mina s 3 NOSSA HISTÓRIA A nossa história inicia-se com a ideia visionária e da realização do sonho de um grupo de empresários na busca de atender à crescente demanda de cursos de Graduação e Pós-Graduação. E assim foi criado o Instituto, como uma entidade capaz de oferecer serviços educacionais em nível superior. O Instituto tem como objetivo formar cidadão nas diferentes áreas de conhecimento, aptos para a inserção em diversos setores profissionais e para a participação no desenvolvimento da sociedade brasileira, e assim, colaborar na sua formação continuada. Também promover a divulgação de conhecimentos científicos, técnicos e culturais, que constituem patrimônio da humanidade, transmitindo e propagando os saberes através do ensino, utilizando-se de publicações e/ou outras normas de comunicação. Tem como missão oferecer qualidade de ensino, conhecimento e cultura, de forma confiável e eficiente, para que o aluno tenha oportunidade de construir uma base profissional e ética, primando sempre pela inovação tecnológica, excelência no atendimento e valor do serviço oferecido. E dessa forma, conquistar o espaço de uma das instituições modelo no país na oferta de cursos de qualidade. Faculdade de Minas Faculdade de Mina s 4 INTRODUÇÃO Didaticamente o sistema nervoso é divido em central (SNC) e periférico. Este último é subdividido em sistema nervoso somático, responsável pela relação entre o organismo e o meio ambiente, e sistema nervoso autônomo (simpático e parassimpático), que apresenta uma ação integradora na homeostase. O SNC é constituído pelo encéfalo (envolto pela caixa craniana) e pela medula espinal. O encéfalo, por sua vez, pode ser subdividido em três grandes áreas: cérebro (constituído pelo telencéfalo e diencéfalo), tronco encefálico (mesencéfalo, ponte e bulbo) e cerebelo. Esse sistema é considerado o mais complexo sob o ponto de vista funcional; é responsável pela relação com o ambiente externo por intermédio do sistema nervoso somático e pelo controle do ambiente interno do organismo, exercendo essa atividade por meio do sistema nervoso autônomo simpático e parassimpático (Figura 9.2). O sistema nervoso somático é formado por neurônios sensoriais e motores, os quais estão sujeitos ao controle consciente para gerar ações motoras voluntárias, resultantes da contração de músculos esqueléticos. O SNC detecta estímulos externos e internos,tanto físicos quanto químicos, e desencadeia as respostas musculares e glandulares. Assim, é responsável pela integração do organismo com o meio ambiente interno e externo, exercendo caráter de organização e controle das funções do organismo. As substâncias químicas com ação no SNC são conhecidas desde os tempos primitivos, tanto por seus efeitos benéficos quanto pelos maléficos, e representam um grupo de agentes farmacológicos de muita utilidade em Medicina Veterinária. Estes agentes são recursos valiosos sem os quais, por exemplo, os procedimentos Faculdade de Minas Faculdade de Mina s 5 cirúrgicos e a abordagem clínica segura em animais selvagens não poderiam ser realizados. São empregados tanto na contenção química de animais selvagens como de domésticos, para o tratamento de convulsões, de processos dolorosos, na redução da febre e da êmese e em transtornos do comportamento animal e do movimento. Na atualidade muito se conhece sobre os mecanismos pelos quais estas substâncias químicas agem no SNC, dado o avanço da Ciência nas áreas de Farmacologia, Fisiologia, Bioquímica e outras, com contribuição de novas técnicas como aquelas da biologia molecular. No entanto, ainda há muitos aspectos a serem conhecidos sobre os mecanismos fundamentais que regulam a atividade do SNC e seus mecanismos nas diversas espécies animais. O SNC é constituído por neurônios, células da glia (ou neuróglia) e vasos sanguíneos. As substâncias químicas com ação no SNC agem fundamentalmente em neurônios, considerados a unidade anatomofuncional do SNC, modificando seu estado fisiológico e a comunicação entre eles. Participam desta comunicação outras células, como as células gliais, e diversas substâncias químicas produzidas no próprio SNC, bem como de origem periférica que atingem este local. NEURÔNIOS Os neurônios se interconectam de modo específico e preciso, formando os chamados circuitos neurais. Através desses circuitos, o organismo é capaz de produzir respostas estereotipadas que constituem os comportamentos fixos e invariáveis, como, por exemplo, os reflexos, ou então, produzir comportamentos variáveis em maior ou menor grau. Existem diversos tipos de neurônios, com diferentes funções, dependendo da sua localização e estrutura morfológica, mas em geral são constituídos pelos mesmos componentes básicos. Faculdade de Minas Faculdade de Mina s 6 Faculdade de Minas Faculdade de Mina s 7 CÉLULAS GLIAIS As células gliais (ou neuróglia, glia, gliócitos) são menores e em maior número que os neurônios. Elas apresentam diferentes formas e funções; são responsáveis pela sustentação, proteção e nutrição dos neurônios, e atuam isolando os neurônios uns dos outros, evitando interferências na condução do impulso nervoso. As células gliais ainda regulama composição química dos líquidos intercelulares, removem excretas e fagocitam restos celulares do sistema nervoso. Há dois tipos distintos morfológica e funcionalmente de células gliais, de acordo com sua origem embriológica: a micróglia, de origem mesodérmica, e a macróglia, de origem ectodérmica. A micróglia consiste em macrófagos especializados que agem como a primeira e a principal forma de defesa imune ativa no SNC. Quando ocorre uma infecção ou Faculdade de Minas Faculdade de Mina s 8 lesão no SNC ou em caso de doenças neurodegenerativas, a micróglia sofre algumas alterações, tornandose capaz de proliferar e realizar fagocitose. São células pequenas da glia, que apresentam corpo celular alongado e prolongamentos com espículas e correspondem a 10 a 15% de todas as células do tecido nervoso. A micróglia é bastante sensível a pequenas mudanças patológicas no SNC e esta sensibilidade é conseguida, em parte, pela presença de canais de potássio que respondem a pequenas mudanças deste íon no meio extracelular. Os tipos de células principais que compõem a macróglia são os oligodendrócitos, os astrócitos e os ependimócitos (ou células ependimárias). Os oligodendrócitos são responsáveis pela mielinização dos axônios no SNC, e as células de Schwann têm essa função no sistema nervoso periférico. Os astrócitos apresentam várias funções: dão sustentação mecânica ao tecido nervoso; recobrem a superfície externa dos vasos sanguíneos e essa interação dos astrócitos com as células endoteliais dos capilares constitui a barreira hematencefálica; mantêm um microambiente adequado às funções metabólicas dos neurônios; captam neurotransmissores liberados e facilitam o retorno dos precursores aos neurônios para sua reutilização. Os ependimócitos são responsáveis pelo revestimento dos ventrículos e do canal central da medula espinal, constituindo os plexos coroidais, que são responsáveis pela formação do líquido cefalorraquidiano. Vale destacar que a barreira hematencefálica tem a função de proteger o SNC de substâncias potencialmente neurotóxicas, que, presentes no sangue, poderiam prejudicar o funcionamento dos neurônios. Por outro lado, essa barreira impede que diversos medicamentos cheguem ao SNC e produzam seus efeitos. As substâncias químicas que atravessam essa barreira e atingem o encéfalo são: (1) as lipossolúveis, que se difundem através das membranas celulares; (2) aquelas transportadas através das membranas celulares por meio de canais iônicos (aminoácidos, como o ácido gamaaminobutírico GABA); e Faculdade de Minas Faculdade de Mina s 9 (3) as que penetram no SNC por endocitose (invaginação da membrana), e assim são liberadas dentro do neurônio. . Doenças do sistema nervoso central de cães. Cortes transversais de encéfalos após fixação. (A) Amebíase cerebral primária, observam‑se ventrículos laterais preenchidos por conteúdo vermelho-enegrecido (setas). (B) Criptococose, espessamento das leptomeninges (setas) e pequenas cavitações irregulares estendendo-se ao tálamo preenchidas por material translúcido e gelatinoso (cabeças de setas). (C) Ependimoma, observa-se massa tumoral esbranquiçada entremeada por áreas avermelhadas estendendo-se do ventrículo lateral esquerdo ao núcleo caudado. (D) Metástase de tumor venéreo transmissível metastático, observa-se assimetria dos hemisférios cerebrais, com presença de massa tumoral esbranquiçada na região de tálamo. (E) Infarto hemorrágico, área focal vermelho-enegrecida na substância cinzenta cortical em córtex Faculdade de Minas Faculdade de Mina s 10 temporal (seta). (F) Granuloma de colesterol, observa-se no hemisfério esquerdo área focal alaranjada no sulco do cíngulo de córtex parietal (seta). NEUROTRANSMISSÃO E NEUROTRANSMISSORES A membrana celular do neurônio tem importante papel na neurotransmissão, conduzindo a informação de um neurônio para outro, sempre no sentido dos dendritos para os terminais nervosos, passando pelo corpo celular e pelo axônio. A geração do impulso elétrico na membrana neuronal se dá pelo fato de encontrarse permanentemente polarizada, com cargas elétricas negativas predominando no meio interior do neurônio em relação ao meio exterior. O deslocamento seletivo de íons sódio (Na+), potássio (K+), cloro (Cl–) e cálcio (Ca2+) para dentro ou para fora do neurônio é responsável pela propagação do impulso nervoso. Inicialmente, íons Na+,em maior quantidade no exterior da célula, adentram o neurônio, invertendo a polaridade da membrana; a seguir, os canais de Na+ são inativados e a membrana é repolarizada pela saída de quantidade equivalente de íons K+. Quando o estímulo elétrico chega ao terminal nervoso há ativação de canais de Ca2+ voltagemdependentes,que promovem a entrada desse íon no interior do neurônio; isso faz com que as vesículas contendo o neurotransmissor fundam-se à membrana plasmática do neurônio e liberem o neurotransmissor. Uma vez liberado, o neurotransmissor irá atuar em receptores específicos presentes tanto na membrana présináptica quanto na póssináptica;a função desses receptores está ligada à transmissão de uma mensagem, quer de forma direta via canal iônico, quer indireta via um segundo mensageiro. Faculdade de Minas Faculdade de Mina s 11 Posteriormente, o neurotransmissor pode ser degradado por enzimas presentes na fenda sináptica e seus metabólitos serem recapturados pelo próprio neurônio ou por células da glia, as quais podem também recapturar o neurotransmissor para ser reutilizado. Em geral, a ligação do neurotransmissor com o receptor présináptico modula a síntese e/ou liberação do neurotransmissor e a ligação com o receptor póssináptico desencadeia a ativação de proteínas e segundos mensageiros ou a abertura de canais iônicos; no caso da abertura de canais de Cl–, há a hiperpolarização da membrana do neurônio póssináptico, impedindo a transmissão da informação. Os neurotransmissores são moléculas quimicamente diversas sintetizadas nos neurônios, geralmente no terminal do axônio, a partir de precursores ali presentes. As enzimas de síntese destes neurotransmissores são produzidas no corpo celular do neurônio e transportadas até o terminal neuronal onde estes são sintetizados. Após a síntese, os neurotransmissores são armazenados em vesículas sinápticas, cujo conteúdo é liberado por exocitose pelo impulso nervoso. A membrana vesicular, em seguida, é recuperada por endocitose, e a vesícula reciclada é preenchida com neurotransmissores. Os neurotransmissores podem ser excitatórios (quando permitem a propagação da informação de um neurônio para outro) ou inibitórios (quando promovem a hiperpolarização da membrana póssináptica) ; a função normal do SNC depende do equilíbrio da liberação de neurotransmissores excitatórios e inibitórios. As substâncias químicas que agem no SNC produzem seus efeitos por interferir em alguma etapa desde a síntese do neurotransmissor até sua liberação, degradação, armazenamento ou recaptura na fenda sináptica. Os principais neurotransmissores encontrados no SNC são: Aminoácidos: os inibitórios são o GABA e a glicina, e os aminoácidos excitatórios são o glutamato e aspartato Faculdade de Minas Faculdade de Mina s 12 Aminas: acetilcolina, histamina, catecolaminas (dopamina e norepinefrina) e serotonina Peptídios: opioides (encefalinas, endorfinas e dinorfinas), substância P. Aminoácidos Há aminoácidos inibitórios que bloqueiam a transmissão do impulso nervoso e aminoácidos que favorecem a transmissão da informação. Aminoácidos inibitórios Ácido gama-aminobutírico O ácido gamaaminobutírico (GABA) é o principal neurotransmissor inibidor do SNC e é sintetizado porinterneurônios. Foram descritos três tipos de receptores:GABAA, GABAB (subtipos GB1 e GB2) e GABAC. Os receptores GABAA são ionotrópicos e estão localizados na póssinapse. Os principais agonistas desse receptor são: barbitúricos, etanol, benzodiazepínicos, muscimol e gaboxadol (ou THIP – 4,5,6,7tetrahidroisoxazolo[5,4c] piridino3ol) ; os antagonistas são: picrotoxina, bicuculina, cicutoxina, oenantotoxina e flumazenil. Os receptores GABAB são metabotrópicos; os agonistas desses receptores são: baclofeno e gamahidroxibutirato (GHB); os antagonistas são: saclofeno e faclofeno. Faculdade de Minas Faculdade de Mina s 13 Os receptores GABAC são ionotrópicos e são expressos principalmente na retina; seletivamente ativados por CAMP [ácido (+)cis2aminometilciclopropanocarboxílico] e bloqueados pelo TPMPA [ácido(1,2,5,6tetrahidropiridin4il) metilfosfínico]. Glicina A glicina é um neurotransmissor inibitório no SNC, especialmente encontrado na medula espinal, no tronco encefálico e na retina. A glicina pode também promover efeito excitatório ao se ligar ao receptor NmetilDaspartato (NMDA) e, assim, aumentar a sensibilidade do mesmo ao glutamato. A glicina, diferentemente dos outros neurotransmissores aminoácidos, não é sintetizada no organismo, sendo obtida a partir da dieta. Foram identificadas cinco isoformas do receptor da glicina, dentre as quais se destacam as subunidades alfa 1GlyRs,que regula as funções sensoriais, e a alfa 3GlyRs que inibe a propagação do estímulo nociceptivo para regiões superiores do SNC e serve como substrato molecular para a sensibilização à dor pelo mediador inflamatório prostaglandina E2, que resulta em inibição da glicina no corno dorsal da medula. Propõe se que o efeito analgésico dos canabinoides em modelos animais de dor neuropática e inflamatória seja devido à ativação desta isoforma. Na medula espinal, a glicina é liberada por interneurônios inibitórios chamados células de Renshaw, que limitam a ativação de neurônios motores e possibilitam o relaxamento muscular. A estricnina é um antagonista da glicina, ligandose a seu receptor sem que o canal de cálcio seja aberto, gerando um estado de hiperexcitabilidade no neurônio; a ação tóxica da estricnina é caracterizada pela rigidez muscular seguida de convulsões, sendo que a morte ocorre por parada respiratória ou exaustão. A toxina tetânica bloqueia a exocitose de glicina, o que leva também a rigidez muscular. Como agonistas da glicina têm se taurina e Balanina,e como antagonista a estricnina. Faculdade de Minas Faculdade de Mina s 14 Aminoácidos excitatórios Glutamato O glutamato é o principal neurotransmissor excitatório do SNC; é sintetizado a partir de glutamina, por ação da enzima glutaminase, ou também a partir do alfacetoglutarato, um intermediário do ciclo de Krebs, por ação da enzima GABA transaminase, que o converte em glutamato. Após sua atividade no receptor, o glutamato é retirado da fenda sináptica por proteínas transportadoras, localizadas na membrana de células gliais e no neurônio présináptico. Então, dentro da célula glial, o glutamato é convertido em glutamina (pela enzima glutamina sintetase) e esta é transportada para o interior do neurônio présináptico, sendo novamente convertida em glutamato pela enzima glutaminase e estocada novamente em vesículas. Os receptores do glutamato podem ser ionotrópicos ou metabotrópicos. Dentre os receptores ionotrópicos têm se: ácido αamino3hidroxi5metil4isoxazol propiônico (AMPA), cainato e NmetilDaspartato (NMDA). Os receptores cainato e AMPA medeiam a despolarização rápida na maioria das sinapses no cérebro e na medula espinal, associados a canais de influxo de íons Na+. Os receptores NMDA estão relacionados à entrada de íons Ca2+ na célula. Dentre todos os grupos de receptores de glutamato, o mais estudado é o NMDA, devido ao seu envolvimento com a neurotoxicidade. O estudo que sugeriu que o glutamato também poderia atuar como uma neurotoxina baseouse na observação de que injeções de glutamato destruíram as camadas mais internas da retina de camundongos. Essa constatação foi posteriormente replicada e expandida e propôsse o termo “excitotoxicidade”, referindose à neurodegeneração causada por aminoácidos excitatórios. Faculdade de Minas Faculdade de Mina s 15 Os receptores metabotrópicos (acoplados à proteína G) do glutamato são subdivididos em três grupos, mGlu I, II e III, os quais possuem atividade mais expressiva na présinapse, regulando, por mecanismo de retroalimentação, a liberação do neurotransmissor. Experimentos com antagonistas de receptores glutamatérgicos foram pioneiros em demonstrar que o bloqueio da excitotoxicidade exerce efeito neuroprotetor, tanto in vitro quanto in vivo. Dentre os antagonistas de NMDA estão o MK801,a memantina e a gaciclidina (GK11). O MK801 é um antagonista não competitivo seletivo dos receptores de NMDA e tem efeito anticonvulsivante quatro vezes mais potente que os benzodiazepínicos, mas promove lesões em regiões corticolímbicas, provavelmente devido à superestimulação da via colinérgica, uma consequência da desinibição de múltiplos caminhos excitatórios convergentes. A memantina é um antagonista não competitivo de NMDA e seu efeito neuroprotetor é amplamente aceito por ser um medicamento aprovado pela Food and Drug Adminstration (FDA– agência reguladora de medicamentos dos EUA) desde 2003. É utilizada na tentativa de reduzir a deterioração cognitiva e a perda das funções diárias em pacientes com doença de Alzheimer em estágios moderado a grave, porém ainda não existem relatos de seu emprego em Medicina Veterinária. O GK11 é um antagonista não seletivo dos receptores de NMDA que, por ter menor afinidade por esses receptores, é um dos candidatos mais promissores à neuroproteção contra a excitotoxicidade. Alguns anestésicos, incluindo os voláteis (como halotano, sevoflurano e isoflurano), os barbitúricos (como tiopental e pentobarbital) e o propofol apresentam efeito neuroprotetor em modelos de lesão isquêmica aguda, porém não são capazes de manter esse efeito após muitas horas ou dias. Este efeito é atribuído à potencialização da neurotransmissão GABAérgica, à mediação dos receptores do tipo NMDA e AMPA e consequente redução do influxo de íons Ca2+. Faculdade de Minas Faculdade de Mina s 16 Existem diferentes vias glutamatérgicas. Uma delas se inicia no córtex e seus axônios ramificam-se para a ponte e o núcleo rubro no tronco encefálico, cuja função é excitar os neurônios motores responsáveis por uma ampla variedade de músculos. Ainda no controle motor, os axônios glutamatérgicos nascem no córtex e vão para o neoestriado. Existe ainda uma alça excitatória entre o córtex e o tálamo, que fica ativa durante a atividade motora. As vias glutamatérgicas fazem conexões com o sistema límbico, explicando seu papel na fisiopatologia da psicose, da esquizofrenia e do uso abusivo de drogas. Relatase também sua participação em outros processos, em particular, naqueles relacionados à aprendizagem e à memória. Esta ação é relacionada à participação do receptor NMDA na plasticidade sináptica e na indução da potencialização a longo prazo (LTP) nos processos de memória, que se refere ao aumento prolongado (horas a dias) na magnitude de uma resposta Póssináptica a um estímulo présináptico. Aspartato Esse aminoácido pertence ao grupo dos aminoácidos não essenciais para os mamíferos. Os receptores do NmetilDaspartato (NMDA) pertencem à grande família de receptores ionotópicos do glutamato, estando envolvidos com funções básicas do SNC e com diversas doenças e transtornos neurológicos, como mencionado anteriormente. Sua localização preferencial é na medula espinal, formando um par excitatório/inibitório, respectivamente, caracterizado por aspartato/glicina, assimcomo o fazem glutamato/GABA no encéfalo. É rapidamente recapturado pela membrana présináptica após sua atividade excitatória sobre a célula póssináptica. Aminas Acetilcolina Faculdade de Minas Faculdade de Mina s 17 As funções da acetilcolina no sistema nervoso autônomo, sua síntese, liberação e degradação, bem como deseus receptores, agonistas e antagonistas são descritos em detalhes no Capítulo 6; sua atuação nas junções neuromusculares é apresentada no Capítulo 8. No SNC estão presentes receptores colinérgicos muscarínicos e nicotínicos. Os receptores muscarínicos centrais predominantes são do subtipo M1 localizado póssinapticamente no córtex, hipocampo e corpo estriado. Quanto ao subtipo M2, observasse sua presença nas terminações pré-sinápticas do mesencéfalo e tálamo, ocorrendo em menor densidade no córtex, hipocampo e corpo estriado; a sua função é controlar a liberação da acetilcolina. Os receptores M3 e M5 ocorrem no SNC em níveis bem menores que aqueles dos tipos M1 e M2; os receptores M3 são encontrados no córtex e hipocampo, enquanto os M5 são expressos no corpo estriado. Os receptores do tipo M4 ocorrem no córtex e hipocampo, sendo sua maior densidade no corpo estriado, onde controlam a liberação de dopamina que modula a atividade motora. Além disto, os receptores muscarínicos estão envolvidos com os processos de atenção e cognição. Os receptores nicotínicos são ionotrópicos e estão localizados no encéfalo em áreas similares às dos receptores muscarínicos, estando envolvidos em processos de cogniçãoe dor e no controle da liberação de dopamina estriatal. Há evidências de que os receptores nicotínicos centrais participem de transtornos mentais,como esquizofrenia, depressão, dependência a drogas e doença de Alzheimer. Histamina A histamina é bastante conhecida por sua atuação nos processos alérgicos, proliferação celular, angiogênese, permeabilidade vascular, anafilaxia e secreção gástrica (para detalhes, ver Capítulos 18 e 32). No SNC, a histamina é encontrada principalmente no hipotálamo, e está envolvida com várias funções, como sonovigília, apetite, secreção hormonal, controle do sistema cardiovascular, termorregulação, memóriaaprendizado,entre outras. Há três tipos de receptores para histamina no Faculdade de Minas Faculdade de Mina s 18 SNC: H1, H2 e H3. O bloqueio dos receptores H1 no SNC explica os efeitos colaterais sedativos de muitos antihistamínicos clássicos, citados no estasedação é consequência de sua alta lipossolubilidade, que possibilita travessia da barreira hematencefálica e interfere no controle sonovigília. Este efeito colateral dos antihistamínicos clássicos faz com que sejam empregados como indutores de sono. Os antihistamínicos mais modernos não conseguem atravessar essa barreira, não produzindo sedação. Quanto aos receptores H2 presentes no SNC, suas funções ainda não são bem conhecidas. Os receptores histaminérgicos H3 agem como autorreceptores présinápticos inibindo a síntese e liberação de histamina; têm também função de heterorreceptores, modulando a liberação de vários neurotransmissores, como, por exemplo, serotonina, dopamina, acetilcolina, norepinefrina e GABA. Estudos em animais de laboratório mostraram que os antagonistas dos receptores H3 induzem um estado de vigília e melhoram a atenção, e acreditase que esses efeitos sejam mediados pela hiperestimulação de receptores H1 corticais. Alguns antagonistas dos receptores H3 de uso ainda experimental são a tioperamida, o ciproxifam e o proxifam. Norepinefrina A norepinefrina é uma catecolamina , incluindo os tipos de receptores,agonistas e antagonistas. A maioria dos neurônios da via noradrenérgica está presente no locus cerúleo, na ponte e na área tegmental lateral da formação reticular, desempenhando papel crucial nas reações de fugaluta, bem como no estresse e na vigília. A hiperatividade deste sistema induz a um estado de arousal acompanhado por insônia, ansiedade, irritabilidade, instabilidade emocional, paranoia e excitação. A hipoatividade deste sistema leva a hipersonia, respostas embotadas ou apatia. Sua disfunção desempenha papel importante em vários transtornos Faculdade de Minas Faculdade de Mina s 19 psíquicos, tais como transtorno de ansiedade, pânico e do humor, bem como na esquizofrenia e na demência. Dopamina A dopamina é uma catecolamina envolvida no controle da atividade motora, nos mecanismos de recompensa, nas emoções e ainda em funções cognitivas e endócrinas. As principais vias dopaminérgicas são: Via nigroestriatal, com origem na substância negra mesencefálica, controla as zonas motoras involuntárias dos núcleos da base; deterioração das células desta zona dá origem à doença de Parkinson no ser humano. Via mesolímbica, que conecta a área tegmental ventral ao córtex préfrontal e ao sistema límbico através das amígdalas, do hipocampo e do núcleo accumbens. Essa via é responsável por modular respostas comportamentais e o sistema de recompensa. A ação da dopamina gera euforia, estimulando a busca por experiências semelhantes. Um aumento nos níveis de dopamina nessa via se associa às bases fisiopatogênicas da esquizofrenia no ser humano Via mesocortical, que liga a área tegmental ventral aos lobos frontais do córtex cerebral. Está relacionada ao desenvolvimento normal das funções cognitivas, memória, atenção, recompensa e aprendizagem. Também está envolvida na fisiopatogenia da esquizofrenia no ser humano, porém devido à diminuição de dopamina nessa via cerebral Via tuberoinfundibular, que tem funções na liberação de hormônios hipofisários, estando em íntima correlação com a atividade da prolactina e o controle do comportamento materno. Faculdade de Minas Faculdade de Mina s 20 Os receptores dopaminérgicos são encontrados no SNC e no sistema nervoso periférico, bem como em diversos tecidos não neuronais. Inicialmente, foram reconhecidos dois tipos de receptores para a dopamina, o D1 e o D2. Atualmente, há pelo menos cinco subtipos de receptores de dopamina: D1, D2, D3, D4 e D5. Os receptores D1 e D5 são membros da família tipo D1 de receptores de dopamina, enquanto os receptores D2, D3 e D4 são membros da família tipo D2. Há também alguma evidência que sugere a existência de possíveis receptores de dopamina D6 e D7. Serotonina A serotonina (ou 5hidrotriptamina,5HT) é uma indolamina; sua síntese, liberação e degradação, bem como os vários tipos de receptores serotoninérgicos, agonistas e antagonistas são descritos no Capítulo 18. A grande maioria dos neurônios serotoninérgicos originase dos núcleos da rafe e regiões superiores do tronco encefálico; no núcleo supraquiasmático do hipotálamo é fundamental para o controle do ciclo sonovigília e em outras regiões do hipotálamo regula o comportamento alimentar e outras funções vegetativas. No comportamento adaptativo, a serotonina desempenha papel na modulação do prazer. Seus neurônios fazem sinapses com neurônios motores, controlando os movimentos e o estabelecimento da força dos reflexos. Além disto, a serotonina controla a liberação de alguns hormônios, regula o ritmo circadiano, o sono e o apetite, a imunidade entre outras funções. Medicamentos que modulam a ação da serotonina são atualmente utilizados, ou estão sendo testados, em transtornos do humor e bipolar, pânico, ansiedade, depressão, esquizofrenia, obesidade, enxaqueca e processos dolorosos. “Drogas de abuso” como o ecstasy e o LSD (dietilamida do ácido lisérgico) “mimetizam” alguns dos efeitos da serotonina em algumas célulasalvo. Faculdade de Minas Faculdade de Mina s 21 Atualmente, os receptores de 5HT estão subdivididos em sete classes (5HT1a 5HT7), sendo identificados 14 subtipos, com açõescentrais e periféricas. Dentro da classe 5HT1 há os subtipos 5HT1A, 5HT1B, 5HT1D, 5HT1E e 5HT1F. Na classe 5HT2 há três subtipos, dois subtipos de 5HT5 e apenas um subtipo de 5HT3, 5HT4, 5HT6 5HT7. A maioria desses receptores está acoplada a proteínas G que atuam sobre a adenilatociclase ou da fosfolipase Cg. Os da classe dos receptores 5HT3 são canais iônicos.neste capítulo são enfocados os receptores da serotonina relacionados a ações centrais, em particular, aqueles ligados a transtornos depressivos e a alterações comportamentais. Assim, o receptor 5HT1A, que possui localização présináptica (autorreceptor) e póssináptica, controla a temperatura e sua ativação reduz ansiedade, estando disponível no comércio para uso clínico o agonista parcial buspirona. O receptor 5HT1B é um autorreceptor e também heterorreceptor, sendo, atualmente, objeto de investigação,pois os triptanos, agonistas mistos de receptores 5HT1B/5HT2A,são clinicamente úteis no tratamento das cefaleias. O receptor 5HT2 e seus subtipos têm papel no comportamento alimentar, no tratamento da ansiedade (ansiolítico) e da esquizofrenia. Os receptores 5HT2A e 5HT2C têm distribuição e função amplas no SNC. Os antagonistas dos receptores 5HT2A e 5HT2C são empregados clinicamente como medicamentos antidepressivos e antipsicóticos. Os receptores 5HT2B têm papel importante na embriogênese e na periferia. Os receptores 5HT3 estão presentes no SNC e na periferia; os antagonistas desses receptores são empregados como antieméticos (ver Capítulo 32) potentes e também já foi relatada ação ansiolítica. Quanto aos receptores 5HT6, relata-se seu envolvimento com a cognição e o receptor 5HT7 com o sono. Faculdade de Minas Faculdade de Mina s 22 Peptídios opioides e outros peptídios Os neurotransmissores peptídios estão presentes na maioria das áreas cerebrais e desempenham papel modulador no SNC; também estão presentes em outras partes do organismo, onde exercem ações específicas. Os peptídios opioides endógenos são as encefalinas (os pentapeptídios encefalina metionina, encefalina leucina etc.), as endorfinas (alfa, beta e gama) e as dinorfinas (A e B). Esses peptídios atuam em receptores opioides, pertencem à superfamília dos receptores acoplados à proteína G, e estão descritos em detalhes no Capítulo 15. A ligação de agonistas a esses receptores acarreta inibição da atividade neuronal. Os receptores e os peptídios opioides são fortemente expressos no SNC. Além de seu envolvimento nas vias de dor, o sistema opioide está largamente representado em áreas cerebrais envolvidas na resposta às substâncias psicoativas, como a área tegmental ventral e núcleo accumbens. Os peptídios opioides estão envolvidos em uma grande variedade de funções, regulando funções de respostas ao estresse, de alimentação, de humor, de aprendizado, de memória e imunes. Os demais peptídios, presentes em concentrações muito baixas no SNC, são hormônios da hipófise (corticotropina, vasopressina), hormônios circulantes (angiotensina, insulina etc.), os hormônios intestinais (colicistocinina, substância P etc.), hormônios hipotalâmicos e vários outros, como, por exemplo, a bradicinina. A substância P, em particular, favorece a sensação da dor relacionada aos seus aspectos emocionais, enquanto os opioides endógenos inibem a sensação da dor. A ocitocina desencadeia a lactação e promove as contrações uterinas em fêmeas prenhes; em termos comportamentais, influencia a formação de casais e o orgasmo no comportamento sexual. Relata-se que os neurotransmissores peptídios estão também ligados a fatores de crescimento, tendo importância no início do Faculdade de Minas Faculdade de Mina s 23 desenvolvimento para divisão e crescimento hormonal e na prevenção da morte neuronal. Vale ressaltar que um mesmo neurônio pode conter vários mediadores químicos, podendo ser liberados conjuntamente com o advento da despolarização do neurônio; estas substâncias são denominadas cotransmissores. Como exemplo de um cotransmissor tem-se a substância P em relação à acetilcolina; ambas substâncias químicas são estocadas em vesículas sinápticas diferentes dentro de uma mesma terminação neuronal. O estímulo nervoso libera ambos neurotransmissores na fenda sináptica de forma independente, mas embora este neurônio libere preferencialmente acetilcolina, quando em baixa atividade a substância P também é liberada. CLASSIFICAÇÃO DAS SUBSTÂNCIAS QUE ATUAM NO SISTEMA NERVOSO CENTRAL Há vários critérios empregados para classificar as substâncias químicas que atuam no SNC. Um desses critérios considera as substâncias químicas de ação central empregadas com finalidade terapêutica (os medicamentos), contudo algumas delas podem induzir ao uso abusivo e causar toxicidade, além das chamadas “drogas psicoativas” de uso recreativo pelo ser humano. Essas drogas psicoativas são também chamadas de “drogas psicotrópicas”, por alterarem o funcionamento cerebral, causando modificações no estado mental, no psiquismo. Assim, por exemplo, na lista de substâncias contidas na 10a edição da Classificação Internacional de Doenças –CID10,publicação da Organização Mundial da Saúde (OMS), em seu capítulo V (Transtornos Mentais e de Comportamento), inclui: álcool, opioides (morfina, heroína, codeína, diversas substâncias sintéticas), canabinoides (maconha), sedativos ou hipnóticos (barbitúricos, benzodiazepínicos), Faculdade de Minas Faculdade de Mina s 24 cocaína, outros estimulantes (como anfetaminas e substâncias relacionadas à cafeína), alucinógenos, tabaco, solventes voláteis etc. Em Medicina Veterinária opta-se por classificar as substâncias químicas que atuam no SNC pelo seu uso terapêutico mais proeminente. Assim, os medicamentos que atuam no SNC são classificados em depressores e estimulantes gerais ou não seletivos do SNC e aqueles que modificam seletivamente as funções cerebrais. Não são aqui abordadas as drogas psicoativas, embora nas estatísticas do Sistema Nacional de Informações TóxicoFarmacológicas (SINITOX) apontem casos de intoxicação animal causados por “drogas de abuso”. Deve ser salientado que quando se faz menção a medicamentos de ação geral ou não seletiva no SNC se refere àqueles que atuam em todo o encéfalo, porém não de forma homogênea, uma vez que as primeiras regiões a serem atingidas são as corticais e as últimas são os centros ligados ao controle cardiovascular e respiratório; se isso não ocorresse, essas substâncias não teriam uso terapêutico, pois afetariam todas as regiões de maneira similar, comprometendo o funcionamento de centros vitais do encéfalo. A Figura 9.4 ilustra a classificação dos medicamentos que atuam no SNC de interesse em Medicina Veterinária, bem como mostra alguns exemplos de drogas psicoativas. Deve ser salientado que quando se emprega um medicamento visando sua atuação no SNC, não se exclui a possibilidade da ocorrência de efeitos periféricos. Faculdade de Minas Faculdade de Mina s 25 Figura 9.4 Classificação dos medicamentos que atuam no sistema nervoso central (SNC) de interesse em Medicina Veterinária e alguns exemplos de “drogas psicoativas”. Depressores gerais (não seletivos) Os medicamentos deste grupo de maior interesse em Medicina Veterinária são os anestésicos inalatórios e os anestésicos intravenosos e outros parenterais, como, por exemplo, os barbitúricos, cetamina, tiletamina e propofol. Estimulantes gerais (não seletivos) Os estimulantes gerais (não seletivos) promovem a ativação de todo o SNC, podendo causar convulsões; são classificados em corticais, bulbares e medulares porque promovem a estimulação dessas áreas preferencialmente, mas à medida que se aumenta a dose perdem a sua especificidade, levando ao aparecimento dasconvulsões. Faculdade de Minas Faculdade de Mina s 26 Dentre os estimulantes corticais têm-se as anfetaminas e as metilxantinas; ambas não têm indicação de uso em Medicina Veterinária, visando a seus efeitos no SNC. As anfetaminas em seres humanos foram indicadas como anorexígenos e o metilfenidato é indicado atualmente para o tratamento do transtorno do déficit de atenção e hiperatividade (TDAH). As metilxantinas são alcaloides encontrados no chá (teofilina), café (cafeína) e cacau (teobromina). Como a solubilidade das metilxantinas é baixa, tornase necessário formar complexos com outras substâncias para tornálas mais solúveis; é o caso da teofilina e da etilenodiamina que dá origem à aminofilina. As metilxantinas além de estimularem o SNC, são capazes de relaxar a musculatura lisa, principalmente a brônquica, e promover diurese. Os estimulantes bulbares, também chamados de analépticos respiratórios, estimulam especialmente o centro respiratório e, em um segundo momento, o centro vasomotor; em doses maiores causam convulsões.agem sobre o centro respiratório, elevando a ventilação pulmonar, sendo esse efeito maior quando ocorre depressão deste centro pelo uso de barbitúricos, hidrato de cloral, entre outros. Fazem parte desse grupo a picrotoxina, o pentilenotetrazol, a niquetamida, o amifenazol, o etamivam e o doxapram; apenas este último está disponível no comércio para uso terapêutico. Os estimulantes medulares estimulam de forma preponderante a medula espinal. O principal representante desta categoria é a estricnina, um alcaloide oriundo da planta Strychnus nuxvomica, que não tem indicação terapêutica devido a sua estreita margem de segurança. A estricnina age indiretamente, inibindo seletivamente a neurotransmissão inibitória (inibição da inibição), o que leva ao aumento da atividade neuronal e aumento exagerado da atividade sensorial de todo o SNC. É um bloqueador de receptores da glicina, mediador dos neurônios medulares, causando hiperpolarização dos motoneurônios e inibindo as células de Renshaw,responsáveis pela condução seletiva de impulsos excitatórios alternados para músculos antagônicos. Além disso, em doses elevadas, a estricnina é também um inibidor da liberação do GABA, que é um dos principais neurotransmissores inibitórios do SNC. Faculdade de Minas Faculdade de Mina s 27 CARACTERÍSTICAS DOS EFEITOS DE MEDICAMENTO NO SISTEMA NERVOSO CENTRAL Existe uma linha contínua entre os diferentes graus de excitabilidade do SNC que variam da “normalidade” para sedação, hipnose, anestesia geral e coma, de um lado, e para o outro, de excitação leve, moderada e intensa até a convulsão. Quando há necessidade da administração de um medicamento de ação no SNC é preciso considerar esse grau de excitabilidade para melhor ajustar a dose para não causar toxicidade. Outro aspecto importante é considerar a potência e a eficácia (ou efeito máximo) para um medicamento de ação central. Na maioria das vezes, não existe uma correlação entre potência e eficácia, mas por exemplo, em relação ao efeito analgésico este fato é relevante. Há diferenças de potência entre os analgésicos opioides, porém isso tem pouca importância ao se considerar o ajuste da dose terapêutica. Por outro lado, a eficácia considerando a analgesia produzida pelos opioides é muito superior àquela conseguida com os analgésicos antiinflamatórios não esteroidais (AINEs). Deve ser considerado também o efeito aditivo entre o estado fisiológico do animal e o efeito de medicamentos. Assim, se o animal já apresenta uma certa depressão do SNC, será necessária dose menor do depressor geral para se obter, por exemplo, a anestesia geral. O mesmo ocorre quando são empregados tranquilizantes como medicação préanestésica, visando reduzir a atividade do SNC e, consequentemente a dose de anestésico para obtenção da anestesia, o que, por sua vez, diminui a ocorrência de efeitos colaterais e/ou tóxicos produzidos por esses Faculdade de Minas Faculdade de Mina s 28 agentes. Este efeito aditivo pode também ser a causa de efeitos indesejáveis quando da associação de agentes estimulantes. O antagonismo farmacológico (competição pelo mesmo receptor) para os medicamentos que atuam no SNC apresenta menor possibilidade de uso em situações clínicas. Assim, observa-se antagonismo farmacológico no receptor GABAérgico entre os benzodiazepínicos e o flumazenil; no receptor α2adrnérgico entre a xilazina e a ioimbina. O antagonismo fisiológico é mais frequentemente encontrado; neste caso os medicamentos não agem no mesmo receptor, mas agem em sistemas diferentes, cujos efeitos são antagônicos. Finalmente, quando se emprega um medicamento de ação no SNC ou associação desses agentes deve-se atentar às suas características farmacocinéticas, em particular, a meia vida, para não ser surpreendido por efeitos colaterais ou indesejáveis desses medicamentos, inclusive na suspensão gradativa de medicamentos administrados por períodos prolongados. Fármacos utilizados no tratamento das afecções neurológicas de cães e gatos. Analgésicos A dor em pacientes neurológicos traz consequências metabólicas e fisiológicas indesejáveis. Frequentemente observa-se dor espinhal ou neuropática como resultado do envolvimento das meninges, raízes nervosas e os nervos periféricos. Analgésicos opióides Faculdade de Minas Faculdade de Mina s 29 Os analgésicos opióides são os fármacos mais utilizados e mais efetivos no controle da dor em animais. Eles funcionam ativando o sistema antinociceptivo, inibindo a projeção da dor (BAGLEY, 2005). Os analgésicos opióides afetam o processamento e a transmissão dos impulsos em níveis múltiplos do encéfalo e da medula espinhal interagindo com receptores específicos para inibir a transmissão de sinais dolorosos da zona radicular dorsal para os centros superiores. O tálamo e o córtex cerebral parecem ter alta densidade de receptores opióides. Além dos efeitos moduladores ao nível da medula espinhal, a ativação de receptores centrais inibe a transmissão de sinais dolorosos para centros superiores e, consequentemente, bloqueiam a percepção de estímulos dolorosos. A morfina em cães e em gatos (baixas doses) é utilizada no tratamento da dor aguda e profunda e na medicação pré e pós-operatória. O efeito adverso da morfina em gatos é a hiperexcitabilidade que pode ser minimizada com o uso de tranqüilizantes ou baixas doses. Já os efeitos adversos relacionados aos cães e gatos são: euforia, hipotensão, prurido, depressão respiratória, edema, hemorragia cerebral, dificuldade de urinar, e redução da formação de urina. A dose recomendada para cães é 0,5-1 mg/kg, via intramuscular (IM) ou subcutânea (SC); 0,05- 0,4 mg/kg, q1-4h, IV; ou 0,2-1 mg/kg, q2-6h, IM ou SC; 0,3-3 mg/kg q4-8h, por via oral (VO) e em gatos 0,05- 0,2 mg/kg, IM, SC (com cautela) . Administrada pela via epidural apresenta a vantagem de que a ação analgésica terá duração de, aproximadamente, 24 horas (INTELIZANO, et al. 2002) A hidromorfona é indistinguível da morfina em efeito e duração, embora não tenha sido relatada liberação de histamina em seu uso (CARROLL, 2005). A dosagem utilizada em pacientes com doença da medula espinhal é de 0,05-0,2 mg/kg em cães e 0,01 mg/kg em gatos q6h, IM ou SC (BAGLEY, 2005). A oximorfona também não causa liberação de histamina e é apropriada contra dor moderada a intensa. Embora a oximorfona em cães e gatos cause sedação, taquipnéia e, às vezes, hipotermia parece que causa menos vômito do que a morfina ou a hidromorfona (CARROLL, 2005). Faculdade de Minas Faculdade de Mina s 30 O fentanil possui ação mais rápida e potente (75-125 vezes) do que a morfina, porém é de curta duração (30-45 minutos). Tem sidoutilizado em anestesiologia, como parte de protocolo de indução anestésica, em infusão contínua controlada ou em patch (adesivo) para promoção de analgesia por até 72 h. O uso do adesivo de fentanil propicia excelente analgesia pós-operatória para pacientes que sofreram procedimentos neurocirúrgicos da coluna vertebral. Tem como efeitos adversos em cães à promoção de respiração ofegante, defecação e flatulências, além de através de estímulos sonoros poderem provocar respostas motoras. No caso de infusão em velocidade constante uma dose inicial de 2µg/ kg, IV em cães e 1-2 µg/kg, em gatos seguida por infusão (1-6 µg/kg/h em cães e 1-4 µg/kg/h, sendo que a duração da analgesia corresponde à duração da infusão mais 30 minutos . A codeína vem sendo utilizada no controle da dor para animais com transtornos neurológicos sendo segura e efetiva em dor severa (1 mg/kg, VO, q6h) em cães saudáveis recomenda 1-2 mg/kg de codeína, VO, q8h, associado a acetaminofen (paracetamol), porém isso não deve ser utilizado em cães com hepatopatias ou propensos a anemia com corpúsculo de Heinz e também é estritamente contra-indicada essa associação em gatos. Pode-se administrar codeína sem acetaminofen (1-4 mg/kg VO, q1-6h), conforme necessário. O butorfanol tem a vantagem de oferecer analgesia com depressão ventilatória mínima e doses subseqüentes não produzem depressão adicional,em cães e gatos geralmente é administrado em casos de dor leve a moderada, a dose recomendada é 0,4 –1 mg/kg, VO, q8h por 2-3 dias . Buprenorfina é 30 vezes mais potente do que a morfina, sendo utilizado como potente analgésico, sendo a dose recomendada para cães 0,05-0,02 mg/kg, q4-8h, IM ou IV, sua ação tem início em aproximadamente 30 minutos com duração de 4- 8h. Faculdade de Minas Faculdade de Mina s 31 Foi constatado experimentalmente que a utilização da naloxona também apresenta outros efeitos potencialmente importantes em Neurologia. Sendo demonstrado que em altas doses atuará melhorando o fluxo sanguíneo após o trauma medular e aumentando a recuperação da função neurológica, também podendo ser administrados logo após o trauma com finalidade de proteger o paciente, durante o transporte. Antibióticos O sistema nervoso central (SNC) deve ser considerado como compartimento à parte em nosso organismo, isolado da circulação sistêmica, cujo acesso é altamente restrito, já que é completamente envolvido por uma camada celular firmemente conectada entre si por junções oclusivas. Essa camada age como uma verdadeira membrana lipídica, formando duas barreiras: a barreira hematoencefálica (BHE) e a barreira hematoliquórica (BHL) responsáveis pela manutenção da homeostasia do SNC (VRIES et al., 1997). O endotélio da BHE não é fenestrado, mas possui junções oclusivas conectando os espaços intercelulares, restringindo a passagem de substâncias maiores que 10-15 A° e tem ausência quase que total de vesículas pinocitóticas intracitoplasmáticas, impedindo o transporte transcelular. A atividade bactericida de um fármaco antimicrobiano no líquido cerebroespinhal (LCE) depende basicamente de sua concentração local e de sua atividade intrínseca no fluido infectado. A penetração dos agentes antimicrobianos no espaço liquórico ocorre predominantemente via difusão passiva, através de um gradiente de concentração. O transporte desses antibióticos através das barreiras que cercam o SNC depende de vários fatores, dos quais se destacam características dos fármacos como: lipossolubilidade, peso molecular, ligação a proteínas plasmáticas, capacidade de ionização e carga elétrica Faculdade de Minas Faculdade de Mina s 32 É importante ressaltar que, mesmo dentro do espaço liquórico, não há uma distribuição homogênea. Por exemplo, após a administração endovenosa de qualquer antibiótico capaz de penetrar no SNC, podemos encontrar concentrações máximas no LCE da região lombar, concentrações intermediárias na cisterna cerebelo medular, enquanto as concentrações ventriculares são provavelmente menores daquelas atingidas no LCE. Ao escolher um agente antibiótico específico, devemos selecionar o agente bactericida que seja isoladamente menos tóxico e mais efetivo. A terapia deve ser direcionada basicamente para o agente causal, caso este possa ser identificado. Esta terapia deve ser mais prolongada que o tratamento para infecção similar em qualquer outra parte do corpo. É desejável que o antibiótico a ser utilizado atravesse a BHE em concentrações terapêuticas para que essas concentrações medicamentosas possam ser mantidas depois que a fase aguda da inflamação foi encerrada .Os antibióticos podem ser administrados aos animais sob suspeita de meningite bacteriana antes da obtenção dos resultados da cultura e dos testes de sensibilidade. Alguns autores sugerem que deve ser administrada uma única injeção intravenosa de corticosteróides, antes da antibioticoterapia nos casos de meningite bacteriana. Segundo Lin e Sá (2002), não é recomendável utilizar concomitantemente fármacos bactericidas e bacteriostáticos, uma vez que os últimos podem antagonizar a ação dos primeiros. Alguns medicamentos são tóxicos quando introduzidos diretamente no SNC (ex. administração intratecal), podendo causar convulsões como é o caso da penicilina, e os agentes podem não se difundir livremente através do LCE, especialmente se existe bloqueio ao fluxo deste líquido . Os antibióticos que atravessam a barreira hematoencefálica com ótima penetração são o trimetoprim, o metronidazol, o cloranfenicol e as sulfonamidas; com intermediária penetração são as penicilinas, as ampicilinas, a oxacilina, a carbenecilina, o ceftriaxone, o moxalactam e as tetraciclinas, e os com baixa penetração são as cefalosporinas de primeira geração, os aminoglicosídeos e a clindamicina. Várias cefalosporinas de terceira geração atingem concentrações Faculdade de Minas Faculdade de Mina s 33 efetivas no SNC, sendo consideradas os agentes mais adequados para tratamento da meningite por bactérias grampositivas. Os antibióticos de eleição para as afecções neurológicas bacterianas são: ampicilina, cefalosporinas de 3° geração, metronidazol, cloranfenicol e sulfa com trimetoprim. Em geral, as tetraciclinas, agentes bacteriostáticos de amplo espectro, atingem apenas concentrações efetivas no SNC quando as meninges estão inflamadas. Entretanto as tetraciclinas mais modernas (doxiciclina e minociclina) penetram no SNC melhor do que outras tetraciclinas, tendo melhor atividade contra microorganismos anaeróbios e alguns aeróbios. A minociclina apresenta também efeitos neuroprotetores antiapoptóticos para o SNC descobertos recentemente. Nos casos de meningoencefalite riquetsial os antimicrobianos a serem empregados são a doxiciclina, as tetraciclinas ou o cloranfenicol (animais jovens antes da erupção dos dentes permanentes). Diversas afecções riquetsiais como febre maculosa das montanhas rochosas e erliquiose, podem produzir meningoencefalite em cães e que o tratamento com tetraciclinas parece ser efetivo, em termos da resolução dos sinais sistêmicos e neurológicos. O metronidazol tem utilidade no tratamento da maioria das infecções anaeróbicas, é bactericida, e difunde-se bem por todos os tecidos, inclusive o SNC,este agente terapêutico é utilizado em combinação com doses elevadas de penicilina, quando estão presentes microorganismos aeróbios. Quase todas as sulfonamidas penetram efetivamente no LCE. A sulfadiazina, ao se ligar menos às proteínas, em comparação com as outras sulfonamidas penetra no LCE e tecidos nervosos melhor que sulfametoxazol, sendo eficaz quando administrado VO. Não existem dados relacionados à concentração de trimetoprim no LCE de cães, porém geralmente a combinação de sulfadiazina com trimetoprim tem ação bactericida,e são efetivos no tratamento de algumas infecções bacterianas. O cloranfenicol atinge concentrações mais elevadas no LCE do que a maioria dos outros antibióticos; entretanto, este agente é bacteriostático, e foi demonstrado que muitos Staphylococcus são resistentes. O cloranfenicol pode ser administrado na dose de 40 Faculdade de Minas Faculdade de Mina s 34 mg/kg, IV, q6h, ou 50 mg/kg, VO, q8h em cães e 1-2 mg/kg, q12h em gatos, sendo seus efeitos adversos a gastrenterites em cães e gatos e a depressão da medula óssea em gatos. O tratamento da discoespondilite em animais sem deficiência neurológica, ou com deficiência neurológica leve, consiste no uso de antibiótico que seja efetivo contra o microorganismo, determinado por hemocultura, urocultura ou punção aspirativa. Os antibióticos que geralmente são efetivos para esta finalidade são as cefalosporinas, ou as penicilinas resistentes a beta-lactamase, como a oxacilina e a cloxacilina. A combinação de trimetoprim com sulfonamidas, ou cloranfenicol, é meios menos efetivos, mas menos dispendiosos, e podem ser efetivos em certos casos. A antibioticoterapia é selecionada com base nos resultados de cultura e antibiograma. Se não houver resultados desses exames pode-se usar combinações de trimetoprim com sulfadiazina (15- 30 mg/kg, q12h) ou cefalexina (30 mg/kg, q8h). Outros antibióticos que podem ser considerados em casos específicos são a enrofloxacina (5 mg/kg, VO, q12h) e ciprofloxacina (5,5-11 mg/kg, VO, q12h), devendo-se continuar a antibioticoterapia por 6-8 semanas. Nos casos de penetração do encéfalo no trauma craniano deve-se instituir imediatamente a antibioticoterapia de amplo espectro com o cloranfenicol ou sulfadiazina em associação com trimetoprim. Os antibióticos são a base para o tratamento dos abscessos cerebrais Nos casos de toxoplasmose pode-se usar a clindamicina (10 mg/kg, VO, q8h) ou sulfa associada ao trimetoprim (15 mg/kg, VO, q12h) com duração de 2-4 semanas, porém a associação de sulfonamidas (30 mg/kg, VO, q12h) e a pirimetamina (0,25- 0,5 mg/kg, VO, q12h) durante 2 semanas é mais efetivo do que o trimetoprim . Nos casos de polirradiculoneurite ou miosite causadas por infecções de Toxoplasma gondii e Neospora caninum, recomenda-se o tratamento precoce com sulfadiazina associado à trimetoprim na dose de 15-30 mg/kg, VO, q12h ou ormetoprim associado à sulfadiometoxina na dose de 15 mg/kg VO, q12h e clindamicina 5-0 mg/kg, VO, q12h. Também pode ser utilizada a pirimetamina 0,5-1 mg/kg, q24h por 3 dias e depois 0,25 mg/kg q24h, por mais 14 Faculdade de Minas Faculdade de Mina s 35 dias em cães e gatos, porém tem sido relatado supressão de medula óssea com o uso desse fármaco em pequenos animais. O tratamento descrito para neosporose consiste na combinação de trimetoprim, pirimetamina, sulfonamidas e clindamicina. Contudo o grau de sucesso desses tratamentos é normalmente baixo, embora existam relatos de resolução completa dos sinais de neosporose em cão adulto com administração combinada de 1 mg/kg, q24h de pirimetamina e 20 mg/kg de sulfadoxina durante 30 dias. A neosporose neonatal canina deve ser tratada com clindamicina (12,5-18,5 mg/kg, VO, q12h) ou com a associação de sulfadiazina (30 mg/kg) combinada com pirimetamina (0,25-0,5 mg/kg q24h ou q12h) por duas a quatro semanas, esta última sendo mais efetiva. NEOPLASIAS INTRACRANIANAS Faculdade de Minas Faculdade de Mina s 36 Faculdade de Minas Faculdade de Mina s 37 Faculdade de Minas Faculdade de Mina s 38 Faculdade de Minas Faculdade de Mina s 39 Faculdade de Minas Faculdade de Mina s 40 Faculdade de Minas Faculdade de Mina s 41 REFÊRENCIAS Farmacologia Aplicada Medicina Veterinária 6° Edição Fundamentos da terapêutica veterinária vetarq. GAROSI, L.S. Neurological examination. In: PLATT, S.R; OLBY, N.J. BSAVA Manual of canine and feline neurology. 3rd edition. Quedgeley (United Kingdom), 2012, p.1- 23. Estudos complementares https://www.youtube.com/watch?v=nIFbtbA-lzw https://www.youtube.com/watch?v=e9fYHNEnSzU https://www.youtube.com/watch?v=IcsC2NsjpQE https://www.youtube.com/watch?v=nIFbtbA-lzw https://www.youtube.com/watch?v=e9fYHNEnSzU https://www.youtube.com/watch?v=IcsC2NsjpQE