Logo Passei Direto
Buscar
Material
left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

FARMACOLOGIA APLICADA À
ESTÉTICA E COSMÉTICA FARMACOLOGIA
APLICADA À ESTÉTICA
E COSMÉTICA
ORGANIZADORES SUZANA GONÇALVES CARVALHO ; CRISTIANE MEZAROBA
ORGANIZADORES SUZANA GONÇALVES CARVALHO ; CRISTIANE MEZAROBA
Farm
acologia aplicada à estética e cosm
ética
GRUPO SER EDUCACIONAL
Farmacologia aplicada à estética e cosmética é um livro direcionado para estu-
dantes dos cursos das áreas de farmácia, estética, cosmética e correlatos.
Além de abordar assuntos gerais, o livro enfatiza as bases da farmacologia, os 
princípios de neurofarmacologia, os mediadores químicos e anti-in�amatórios, os 
fármacos que afetam os grandes sistemas, as interações medicamentosas e os 
conceitos básicos de toxicologia.
Após a leitura da obra, o leitor vai compreender as vias de administração e suas 
diferenças em ação dos fármacos; analisar o mecanismo de ação dos fármacos, 
englobando excitação, contração e secreção de cálcio, proliferação e regeneração 
celular e mecanismos de defesa do hospedeiro; identi�car os componentes 
anatômicos e as funções do sistema nervoso central e periférico; relacionar os 
aspectos morfofuncionais do sistema central, periférico e autônomo com aspectos 
clínicos; saber a importância farmacológica da 5- Hidroxitriptamina, histaminas, 
peptídeos e proteínas; considerar as limitações relacionadas aos efeitos gástricos 
dos anti-in�amatórios não esteroidais; entender sobre os fármacos que atuam no 
coração, no sistema vascular e na circulação sanguínea, como os anti-hiperten-
sivos, diuréticos, digitálicos, antiarrítmicos, antianêmicos, disli- pidêmicos e anti-
coagulantes; dominar as doenças que afetam o sistema nervoso central e quais 
suas alternativas terapêuticas disponíveis, e muito mais.
Aproveite a leitura do livro. 
Bons estudos!
gente criando futuro
C
M
Y
CM
MY
CY
CMY
K
FARMACOLOGIA 
APLICADA À 
ESTÉTICA E 
COSMÉTICA
Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida ou 
transmitida de qualquer modo ou por qualquer outro meio, eletrônico ou mecânico, incluindo 
fotocópia, gravação ou qualquer outro tipo de sistema de armazenamento e transmissão de 
informação, sem prévia autorização, por escrito, do Grupo Ser Educacional. 
Diretor de EAD: Enzo Moreira
Gerente de design instrucional: Paulo Kazuo Kato 
Coordenadora de projetos EAD: Manuela Martins Alves Gomes
Coordenadora educacional: Pamela Marques
Equipe de apoio educacional: Caroline Guglielmi, Danise Grimm, Jaqueline Morais, Laís Pessoa
Designers gráficos: Kamilla Moreira, Mário Gomes, Sérgio Ramos,Tiago da Rocha
Ilustradores: Anderson Eloy, Luiz Meneghel, Vinícius Manzi 
 
Carvalho, Suzana Gonçalves.
 Farmacologia aplicada à estética e cosmética / Suzana Gonçalves Carvalho; Cristiane 
Mezaroba. – São Paulo: Cengage – 2020.
 Bibliografia.
 ISBN 9786555581683
1. Farmácia 2. Estética 3. Cosmética 4. Mezaroba, Cristiane.
Grupo Ser Educacional
 Rua Treze de Maio, 254 - Santo Amaro 
CEP: 50100-160, Recife - PE 
PABX: (81) 3413-4611 
E-mail: sereducacional@sereducacional.com
“É através da educação que a igualdade de oportunidades surge, e, com 
isso, há um maior desenvolvimento econômico e social para a nação. Há alguns 
anos, o Brasil vive um período de mudanças, e, assim, a educação também 
passa por tais transformações. A demanda por mão de obra qualificada, o 
aumento da competitividade e a produtividade fizeram com que o Ensino 
Superior ganhasse força e fosse tratado como prioridade para o Brasil.
O Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego – Pronatec, 
tem como objetivo atender a essa demanda e ajudar o País a qualificar 
seus cidadãos em suas formações, contribuindo para o desenvolvimento 
da economia, da crescente globalização, além de garantir o exercício da 
democracia com a ampliação da escolaridade.
Dessa forma, as instituições do Grupo Ser Educacional buscam ampliar 
as competências básicas da educação de seus estudantes, além de oferecer-
lhes uma sólida formação técnica, sempre pensando nas ações dos alunos no 
contexto da sociedade.”
Janguiê Diniz
PALAVRA DO GRUPO SER EDUCACIONAL
Autoria
Suzana Gonçalves Carvalho
Graduado em farmácia e mestre em Ciências Veterinárias pela Universidade Federal do Espírito Santo, 
doutoranda em Ciências Farmacêuticas pela Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita 
Filho". Possui experiência em farmacotécnica, tecnologia farmacêutica, nanotecnologia e 
desenvolvimento de produtos veterinários.
Cristiane Mezaroba
Mestre em Ciência e Engenharia de Materiais (2017) pela Universidade Estadual de Santa Catarina 
- UDESC sendo pesquisadora bolsista Produtividade em Pesquisa pela CAPPES, Pós-graduada em 
Ciências Farmacêuticas - Microbiologia Aplicada (2009) pela Universidade Federal do Paraná - UFPR 
e Graduada em Tecnologia em Química Ambiental (2004) pela Universidade Tecnológica Federal do 
Paraná - UTFPR. Atualmente cursando segunda graduação em Licenciatura em Química na modalidade 
EAD pela Universidade Cruzeiro do Sul. Atua em Joinville-SC como Professora de Ensino Superior na 
instituição CENSUPEG e também com Assessoria Técnica Química nas áreas química, farmacêutica, 
polímeros/elastômeros e gestão ambiental. Possui experiência industrial nas áreas de P&D, Sistema 
de Qualidade, Gestão Ambiental, Laboratório de Análises Químicas no segmento Médico-Hospitalar, 
Alimentício e de Química ambiental. Possui interesse nas áreas microbiológicas de esterilização, termo 
desinfecção e resistência microbiana.
SUMÁRIO
Prefácio .................................................................................................................................................8
UNIDADE 1 - Bases da farmacologia ..............................................................................................9
Introdução.............................................................................................................................................10
1 Farmacologia: conceitos básicos ........................................................................................................ 11
2 Farmacocinética ................................................................................................................................. 15
3 Farmacodinâmica ............................................................................................................................... 19
4 Farmacogenômica .............................................................................................................................. 22
PARA RESUMIR ..............................................................................................................................27
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ......................................................................................................28
UNIDADE 2 - Princípios de neurofarmacologia ...............................................................................29
Introdução.............................................................................................................................................30
1 Introdução à anatomia do sistema nervoso ...................................................................................... 31
2 Panorama geral da farmacologia colinérgica e adrenérgica ..............................................................42
3 Agonistas e antagonistas colinérgicos ............................................................................................... 44
4 Bloqueadores neuromusculares ........................................................................................................ 53
5 Agonista e antagonista adrenérgicos ................................................................................................ 58
PARA RESUMIR ..............................................................................................................................67
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ......................................................................................................68UNIDADE 3 - Mediadores químicos e anti-inflamatórios ................................................................69
Introdução.............................................................................................................................................70
1 Mediadores químicos ......................................................................................................................... 71
2 Mediadores: purinas .......................................................................................................................... 75
3 Mediadores: histaminas e lipídeos ativos .......................................................................................... 76
4 Eicosanoides ...................................................................................................................................... 77
5 Leucotrienos ...................................................................................................................................... 78
6 Mediadores: peptídeos e proteínas ................................................................................................... 78
7 Anti-inflamatórios e imunossupressores ........................................................................................... 80
8 AINEs e coxibes importantes .............................................................................................................. 83
PARA RESUMIR ..............................................................................................................................88
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ......................................................................................................89
UNIDADE 4 - Fármacos que afetam os grandes sistemas, interações medicamentosas e conceitos 
básicos de toxicologia ....................................................................................................................91
Introdução.............................................................................................................................................92
1 Sistema cardiovascular e a circulação sanguínea ............................................................................... 93
2 Sistema respiratório ........................................................................................................................... 101
3 Drogas que afetam o sistema nervoso central ................................................................................... 102
4 Interações medicamentosas .............................................................................................................. 112
5 Noções gerais de toxicologia ............................................................................................................. 113
PARA RESUMIR ..............................................................................................................................115
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ......................................................................................................116
O livro Farmacologia aplicada à estética e cosmética traz ao leitor, além de 
informações básicas da área, o conteúdo parcialmente descrito a seguir em suas 
quatro unidades.
Para começar, a primeira unidade, Bases da farmacologia, apresenta os conceitos 
básicos da farmacologia, farmacocinética e farmacodinâmica de fármacos, as vias de 
administração, fatores envolvidos com a ação dos fármacos e seu mecanismo de ação.
A segunda unidade, Princípios de neurofarmacologia, trata do estudo do sistema 
nervoso e suas funções, as quais exercem grande importância na farmacologia. Os 
leitores tomarão conhecimento das divisões anatômicas do sistema nervoso, dos 
mecanismos dos neurotransmissores e receptores, e da interação pelos quais os 
agonistas e antagonistas atuam neste sistema neurológico. 
A terceira unidade, Mediadores químicos e anti-inflamatórios, explica a definição 
de mediadores e anti-inflamatórios, quais são os tipos existentes, como atuam, qual 
mecanismo de ação, efeitos adversos, farmacocinética, como são classificados e seus 
usos clínicos.
Concluindo a obra, a quarta e última unidade, Fármacos que afetam os grandes 
sistemas, interações medicamentosas e conceitos básicos de toxicologia, aborda as 
drogas que afetam o coração, o sistema vascular, a circulação sanguínea, o sistema 
respiratório e o sistema nervoso central. 
Esta é apenas uma pequena amostra do que o leitor aprenderá após a leitura do 
livro. 
Agora é com você! Sorte em seus estudos!
PREFÁCIO
UNIDADE 1
Bases da farmacologia
Olá,
Você está na unidade Bases da farmacologia. Conheça aqui conceitos básicos relacionados 
com a farmacologia, farmacocinética e farmacodinâmica de fármacos, as vias de 
administração, fatores envolvidos com a ação dos fármacos e como ocorre o mecanismo 
de ação dos mesmos.
Aprenda como atuam os fármacos e a importância da farmacologia para a estética e 
cosmética.
Bons estudos!
Introdução
11
1 FARMACOLOGIA: CONCEITOS BÁSICOS
A farmacologia é a ciência que estuda o efeito dos fármacos em organismos vivos, possui 
como principais ramos a farmacocinética e a farmacodinâmica. A farmacologia atual é subdividida 
em diversas áreas principais, sendo elas: psicofarmacologia, farmacologia clínica, farmacologia 
veterinária, ciências farmacêuticas, biofármacos, toxicologia, química médica, farmacogenética, 
farmacogenômica, farmacoepidemiologia, farmacoeconomia e farmacologia aplicada a estética 
(RANG e DALE, 2012).
Utilize o QR Code para assistir ao vídeo:
Mas, afinal, o que é um fármaco? Fármaco pode ser definido como uma substância química que 
contenha propriedades farmacológicas com finalidade benéfica e medicamentosa, produzindo 
efeito biológico (RANG e DALE, 2012). Um medicamento, por sua vez, se trata de uma preparação 
elaborada que pode conter um ou mais fármacos (princípio ativo) visando ao uso terapêutico. 
Os medicamentos, além de conter o fármaco em sua composição, contêm substâncias químicas 
denominadas excipientes, como conservantes e antioxidantes, por exemplo.
FIQUE DE OLHO
Farmacoeconomia é um ramo da economia voltado para os custos e benefício dos 
fármacos. A farmacoeconomia se aplica aos demais ramos da farmacologia como a estética 
e cosmética.
12
1.1 Alvos para ação de fármacos
Os fármacos atuam sobre proteínas/alvo desenvolvendo efeito farmacológico (RANG e DALE, 
2012). Os quatro principais tipos de proteínas responsáveis pela regulação são:
• enzimas;
• receptores;
• canais iônicos;
• carregadores. 
As enzimas são alvos de vários fármacos. Os fármacos que possuem as enzimas como 
alvo podem atuar pelos seguintes mecanismos: inibição competitiva com as enzimas, inibição 
irreversível e não competitiva, falso substrato e degradação enzimática transformando assim em 
pró-droga. São exemplos de fármacos que possuem enzimas como alvos biológicos o captopril, a 
aspirina, fluoruracila e o enalapril (RANG e DALE, 2012). 
Os receptores são responsáveis por comandar o sistema de comunicações químicas em todas 
as células. Muitos agonistas e antagonistas farmacêuticos atuam em receptores de mediadores 
endógenos. 
Os canais iônicos encontram-se presentes em membranas celulares, responsáveis pela 
passagem de compostos químicos como íons através de permeabilidade seletiva. Os principais 
mecanismos envolvidos com ação dos fármacos tendo os canais iônicos como alvos são: ligação 
do fármaco no canal, podendo ser ortostérica (no local de ligação) ou alostérica (em outros 
locais), exemplos de fármacos que atuam por esse mecanismo estão os benzodiazepínicos, di-
hidropiridinas e sulfoniluréias; por ação intermediária envolvendo intermediários e a proteína 
G; e por meio de modificação nos níveis de expressão dos canais iônicos, como por exemplo a 
gabapentina (RANG e DALE, 2012; BRUNTON, 2012). 
Os carreadores, também denominados transportadores, possuem grande importância 
farmacológica como transporte deNa+ e Ca2+, captação de neurotransmissores, como por 
exemplo, as aminas e aminoácidos.
FIQUE DE OLHO
Farmacoeconomia é um ramo da economia voltado para os custos e benefício dos 
fármacos. A farmacoeconomia se aplica aos demais ramos da farmacologia como a estética 
e cosmética.
13
Utilize o QR Code para assistir ao vídeo:
1.2 Dessensibilização e tolerância
O termo dessensibilização, ou também denominado taquifilaxia, diz respeito à redução de efeito 
de determinado fármaco quando sua administração ocorre de forma repetida ou contínua. Esse 
fenômeno ocorre geralmente minutos após a administração. Tolerância, por sua vez, refere-se quando 
há uma redução na responsividade de determinado fármaco, ocorre geralmente de horas a semanas. 
O termo refratabilidade também é usual quando está relacionado à perda da eficácia terapêutica. Além 
desses termos, o termo resistência também é bastante empregado em farmacologia, principalmente as 
classes dos antineoplásicos e antimicrobianos, podendo ser ocasionado pelos seguintes mecanismos: 
• redução de mediadores;
• modificação em receptores;
• adequação fisiológica;
• elevação da degradação metabólica do fármaco;
• translocação de receptores;
• retirada do fármaco das células (ocorre principalmente em tratamento de neoplasias 
durante tratamento do câncer) (RANG e DALE, 2012).
1.3 Qual a importância da farmacologia para a aplicação estética e 
cosmética?
Entender farmacologia vai além das grandes áreas de farmácia e medicina, sendo de grande 
importância também na estética e cosmética. Quando pensamos em estética e cosmética, 
pensamos em cuidados e recuperação, em que muitas vezes necessitam de tratamento 
farmacológico para serem alcançados. A aplicação farmacológica na estética e cosmética se 
14
encontra principalmente nas seguintes finalidades:
• Recuperação estética
Nessas situações, são utilizados principalmente agentes cicatrizantes, calmantes e de 
regeneração celular. Como, por exemplo, a alantoína e o depantenol.
• Controle da oleosidade
Também denominado seborregulador. Como, por exemplo, a espirolactona.
• Hidratação
Princípios ativos que atuam no processo de hidratação da pele. Como, por exemplo, o algasan 
e o ácido hialurônico.
• Adstringentes
Utilizados para reduzir a secreção nas mucosas. Como, por exemplo, o sulfato de zinco.
• Antibióticos
Utilizados para tratamento de infecções bacterianas como, por exemplo, acne (causada 
por Propionium bacterium) e foliculite. O irgasan, eritromicina e clindamicina são exemplos de 
fármacos utilizados no tratamento de infecções bacterianas.
• Anti-inflamatórios
Utilizados em processos inflamatórios relacionados a estética e pós procedimentos que 
desencadeiam processos inflamatórios.
Figura 1 - Cremes hidratantes 
Fonte: New Africa, Shutterstock, 2020
15
#ParaCegoVer: Na imagem, vemos uma mão de mulher segurando um frasco de creme sobre 
uma mesa, sobre a qual se vê um ramo de folhas, três flores brancas e produtos cosméticos.
Além de fármacos utilizados nessas finalidades, existem também fármacos utilizados 
para tratamento medicinal que possuem uso off-label para finalidades estéticas e cosméticas. 
Exemplos incluem o uso do minoxidil, anti-hipertensor utilizado como uso off-label para tratar 
alopecia e a toxina botulínica, que é utilizada medicinalmente para alívio do espasmo muscular e 
é utilizada amplamente em alterações cosméticas.
2 FARMACOCINÉTICA
A farmacocinética pode ser entendida como responsável por analisar o trajeto do fármaco, 
alterações nas concentrações durante sua absorção, distribuição, metabolismo até sua eliminação. 
Enquanto a farmacocinética está relacionada aos efeitos que o organismo faz ao fármaco, a 
farmacodinâmica está relacionada aos efeitos que o organismo faz ao fármaco (KATZUNG, 2010; 
RANG e DALE, 2012; SILVA, MENEZES, SÁ, 2016).
2.1 Vias de administração de fármacos
As vias de administração são planejadas de forma que o fármaco atravesse pelas barreiras 
impostas pelo organismo. As principais vias de administração são: oral, sublingual, retal, vaginal, 
tópica, inalação e pelas vias parenterais (intramuscular, intravenosa, subcutânea, intravítrea e 
intratecal) (RANG e DALE, 2012; SILVA, MENEZES, SÁ, 2016).
FIQUE DE OLHO
O termo celulite é utilizado de forma errônea, uma vez que o sufixo ITE está relacionado a 
processo inflamatório na patologia. Em celulite, não existe um processo inflamatório.
FIQUE DE OLHO
O termo de uso off-label se refere ao uso de fármacos que não seguem indicações, estudos, 
efeitos adversos, contraindicações para o uso no qual está sendo utilizado e, sim, para outra 
função farmacológica, como por exemplo, utilização de propranolol como ansiolítico.
16
A administração pela via oral é simples, indolor, possui baixo custo, segura e pode ser 
autoadministrada. Porém, possui como desvantagens o metabolismo de primeira passagem, a 
biodisponibilidade e pode causar irritação nas mucosas (SILVA, MENEZES, SÁ, 2016).
A administração sublingual é ideal para efeito rápido, principalmente quando o fármaco 
é metabolizado muito rápido pelo fígado ou instável no pH ácido do estômago. Os fármacos 
absorvidos pela via sublingual não passam pelo metabolismo de primeira passagem. Exemplos de 
fármacos usualmente utilizados pela via sublingual são a buprenorfina e o trinitrato de glicerila 
(RANG e DALE, 2012).
A via retal pode ser utilizada tanto para ação local quanto para ação sistêmica. Ação local 
geralmente conta com formas farmacêuticas em supositórios para tratamento de colite ulcerativas 
(RANG e DALE, 2012).
A administração tópica cutânea é utilizada para tratamentos de fármacos com ação local na 
pele. Podem ser incorporados em diversas formas farmacêuticas, como por exemplo: cremes, 
loções, géis e adesivos transdérmicos (RANG e DALE, 2012).
Na inalação, os pulmões são utilizados tanto quanto via de administração como de eliminação 
de fármacos. São vias usuais para anestésicos voláteis, glicocorticoides e broncodilatadores. Por 
realizarem efeitos locais de forma direta no pulmão, reduzem os efeitos adversos causados pela 
via sistêmica (RANG e DALE, 2012).
Entre as vias parenterais de administração de fármacos estão a via intravenosa, intramuscular, 
subcutânea, intravítrea e intratecal. A via intravenosa apresenta como principais vantagens 
efeitos imediatos, pois não possui efeito de primeira passagem, alta biodisponibilidade (100%), 
pode ser utilizada em grandes volumes e muito utilizada em casos de urgência. Como principais 
desvantagens podem apresentar administração lenta, é irreversível, muitos efeitos adversos e a 
via não é apropriada para formulações oleosas (SILVA, MENEZES, SÁ, 2016).
A administração intramuscular pode ser realizada tanto para formulações aquosas quanto 
oleosas, porém aquosas apresentam efeitos rápidos, enquanto as oleosas apresentam efeito 
lento. A via subcutânea também pode ser realizada para formulações aquosas e oleosas, são 
adequadas para suspensões parenterais, como por exemplo, a insulina, e são passíveis de serem 
autoadministradas. Possui como principais desvantagens a administração de pequenos volumes, 
pode causar dor e necrose (SILVA, MENEZES, SÁ, 2016).
A injeção intravítrea trata-se da aplicação do fármaco diretamente no olho, necessita de 
anestesia e procedimento cirúrgico. O ranibizumabe é um exemplo de fármaco administrado 
por via intravítrea, utilizado no tratamento de degeneração macular, e a injeção intratecal 
é administrada no espaço subaracnoide na lombar, é utilizada em casos especiais. Um bom 
17
exemplo de fármaco administrado por injeção intratecal é o metotrexato, utilizado no tratamento 
de leucemias (RANG e DALE, 2012).
2.2 Absorção
A absorção de fármaco pode ser entendida como a passagem de determinado fármaco da via de 
administração até a corrente sanguínea, levando em consideração as barreiras biológicas até chegar 
ao destino. Vários fatores podem influenciar diretamente na absorção de drogas, desde característicasdo próprio fármaco como solubilidade, pKa, natureza química, coeficiente de partição e massa molar, 
até características do meio biológico como pH, grau de vascularização, transportadores de membrana, 
integridade e a espessura da barreira mucosa (SILVA, MENEZES, SÁ, 2016). 
O processo de absorção também envolve o transporte do fármaco através do meio biológico, 
sendo as formas de transporte através das membranas denominadas: difusão facilitada, difusão 
passiva e transporte ativo. 
A difusão facilitada é o transporte de determinado fármaco do meio mais concentrado para o 
meio menos concentrado em que ocorre reserva energética com o objetivo de manter o sistema. 
A difusão é facilitada por transportadores de natureza desconhecida e pode haver inibição 
competitiva (SILVA, MENEZES, SÁ, 2016). 
Na difusão passiva, o fármaco se desloca do meio mais concentrado para o meio menos 
concentrado a favor do gradiente de concentração, porém esse transporte não é facilitado por 
transportadores, não envolve inibição competitiva e não há gasto de energia (SILVA, MENEZES, 
SÁ, 2016). 
Ao contrário da difusão passiva, no transporte ativo o fármaco desloca do meio mais 
concentrado para o meio menos concentrado, contra o gradiente de concentração. Há gasto de 
energia, presença de transportadores, inibição competitiva e utiliza transportadores específicos.
2.3 Distribuição
Após a absorção do fármaco, ocorre a distribuição do fármaco pelo organismo, para isso 
deve ser levado em conta o percentual do fármaco que após administração chega à corrente 
sanguínea, esse percentual é denominado biodisponibilidade (SILVA, MENEZES, SÁ, 2016). Para 
que determinado fármaco seja distribuído por todo organismo através da corrente sanguínea, é 
importante conhecer o volume de distribuição (Vd) do fármaco (Equação 1):
Equação 1 Vd = Dose/ [Fármaco] Plasma 
Os fatores que podem influenciar na distribuição dos fármacos são: características físico-
químicas do fármaco, como por exemplo, a hidrossolubilidade e lipossolubilidade; fixação 
18
proteica do fármaco, como por exemplo, fármacos que se ligam fortemente à albumina; afinidade 
pelos tecidos e irrigação dos órgãos, como por exemplo, órgãos com maior irrigação como fígado, 
coração e pulmões permitem maior distribuição de perfusão (SILVA, MENEZES, SÁ, 2016). 
2.4 Metabolismo
O metabolismo ocorre em duas fases conhecidas, a fase I e a fase II. A fase I torna o fármaco mais 
solúvel através de reações de oxidação, redução e hidrólise. A fase II conta com reações de adição.
O metabolismo de determinado fármaco tem início na mucosa intestinal, posteriormente 
no fígado e finaliza nos pulmões. O efeito de primeira passagem ocorre no fígado e está 
diretamente ligado à posologia de determinado fármaco. As reações enzimáticas hepáticas 
ocorrem no retículo endoplasmático nas reações de fase I e no citoplasma nas reações de fase 
II, no citocromo P450. Cada enzima do citocromo P450 é chamada de CYP, seguida por uma letra 
e um conjunto de números. Exemplos de fármacos que são substratos de isoenzimas P450 são: 
CYP1A2 (Cafeína, teofilina e tacrina); CYP2B6 (Metadona e ciclofosfamida); CYP2C8 (Paclitaxel 
e repaglinida); CYP2C19 (Fenitoína e omeprazol); CYP2C9 (Varfarina e ibuprofeno); CYP2D6 
(Codeína e S-metoprolol) e CYP3A4,5, 7 (Sinvastatina, indinavir e ciclosporina) (RANG e DALE, 
2012; SILVA, MENEZES, SÁ, 2016).
2.5 Eliminação
A eliminação é a etapa farmacocinética em que o fármaco é eliminado do organismo. A 
eliminação pode ocorrer através de eliminação biliar ou renal ou transformando o fármaco em 
metabólitos. Os mecanismos de eliminação são quantificados por uma ferramenta denominada 
clearance (CL), na qual a eliminação total de todas as vias é descrita pelo clearance total (CLtot). 
Na eliminação biliar, alguns fármacos ficam armazenados na bile e são enviados para o intestino 
onde o fármaco é regenerado em um processo denominado circulação êntero-hepática (RANG e 
DALE, 2012; SILVA, MENEZES, SÁ, 2016).
 A eliminação renal de um fármaco envolve três processos fundamentais: 
• filtração glomerular;
• secreção tubular ativa;
• reabsorção passiva. 
Outro importante parâmetro é o tempo de meia-vida de um fármaco, que diz respeito ao 
tempo ao qual a concentração plasmática de um fármaco é reduzida pela metade (Equação 2):
 Equação 2 t1/2 = 0,693.Vd / CL
19
Em que t1/2 se refere ao tempo de meia-vida do fármaco, Vd ao volume de distribuição e CL ao 
clearance total sanguíneo.
Tabela 1 - Quadro resumo das etapas envolvidas na farmacocinética de um fármaco 
Fonte: Elaborada pela autora, 2020.
#ParaCegoVer: A imagem apresenta uma tabela de duas colunas e cinco linhas apresentando 
as etapas da farmacocinética e suas funções.
3 FARMACODINÂMICA
A farmacodinâmica é a área da farmacologia que tem como principal objetivo entender os 
mecanismos e efeitos do fármaco sob determinado organismo. A interação entre um fármaco e um 
receptor (alvo farmacológico) é o conceito básico para que ocorra resposta farmacológica. Receptores 
são alvos em que o fármaco se liga estabelecendo uma resposta, existem quatro tipos principais de 
receptores: canais iônicos controlados por ligantes, receptores acoplados à proteína G, receptores 
ligados por quinases e receptores nucleares (SILVA, MENEZES, SÁ, 2016; BRUNTON, 2012).
Os receptores acoplados à proteína G são os receptores mais encontrados no organismo. São 
compostos por proteínas com sete hélices transmembranares na qual a função é a ativação de 
proteínas G. A proteína G é composta por três subunidades, sendo essas denominadas α, β e γ 
que possui a função de regular a transdução de sinais (SILVA, MENEZES, SÁ, 2016).
Fármacos que interagem com receptores e possuem comportamento próximo aos 
componentes endógenos são denominados agonistas totais. Porém, existem em alguns casos 
fármacos que interagem com receptores impedindo os efeitos desses componentes endógenos, 
e ao contrário dos agonistas totais, não possuem eficácia intrínseca, esses fármacos são 
denominados antagonistas. Entre esses fármacos, existem fármacos que atuam como os agonistas 
totais, porém não apresentam efeito máximo, esses fármacos são conhecidos como agonistas 
parciais (SILVA, MENEZES, SÁ, 2016).
3.1 Fatores que alteram a ação dos fármacos
Uma terapia farmacológica seria de mais fácil entendimento se um mesmo fármaco produzisse 
20
sempre uma mesma resposta farmacológica em todos os indivíduos, porém isso não ocorre e 
fontes de variação são fatores que devem ser levados em consideração na terapêutica. Essas 
variações podem ser de origem farmacocinética ou farmacodinâmica. Variações interindividuais, 
se não forem levadas em consideração, podem causar desde a falta de eficácia na terapêutica 
até mesmo efeitos adversos severos. As principais causas de variabilidade são: fatores genéticos, 
idade, fatores imunológicos, doença e interações entre os fármacos (RANG e DALE, 2012).
3.2 Fatores epidemiológicos e variação na resposta de fármacos
Vejamos agora alguns fatores epidemiológicos e variação na resposta de fármacos.
Etnia
Diversos estudos já apontam a raça como um fator epidemiológico importante a ser levado 
em consideração na resposta de fármacos. Um bom exemplo disso pode ser comparando chineses 
e europeus na metabolização de etanol, os chineses produzem mais concentração de acetaldeído 
causando palpitação e rubor. Além disso, chineses também são mais sensíveis aos efeitos do 
propranolol que os europeus (RANG e DALE, 2012).
Idade
A idade é fator que influencia diretamente na ação dos fármacos. A eliminação de fármacos 
é diferente em recém-nascidos e idosos, dessa forma, fármacos são mais eficientes em adultos. 
Além disso, a composição corporal é diferente de acordo com a idade, principalmente em gordura 
e líquidos.
A excreção renal de fármacos e, em consonância, a meia-vida de eliminação plasmática 
também é influenciada com a idade. Um exemplo disso pode ser dado com a gentamicina(antibiótico), em recém-nascidos apresentam tempo de meia-vida > 18 horas, aproximadamente 
10 horas para bebês e entre 1 a 4 horas para adultos (RANG e DALE, 2012; ATKINSON et al., 2006).
Diversas enzimas envolvidas na metabolização de fármacos possuem baixa atividade em 
recém-nascidos, entre elas acetiltransferases, esterases e glicuroniltransferases.
21
Figura 2 - Cuidados e tratamento antienvelhecimento das mãos 
Fonte: FamStudio, Shutterstock, 2020.
#ParaCegoVer: Na imagem, vemos as mãos de mulher idosa passando um creme de cuidados 
e tratamento antienvelhecimento sobre a pele.
Gravidez
Na gravidez, a distribuição de fármacos pode ser comprometida por modificações fisiológicas 
no feto e na mãe. A ligação de fármacos a proteínas plasmáticas pode ser influenciada devido à 
redução da concentração de albumina. As enzimas responsáveis pela metabolização de fármacos 
possuem atividade muito reduzida em fetos, em adicional a isso, o rim do feto não é uma via 
eficiente para eliminação de fármacos (RANG e DALE, 2012).
Doença
A ação terapêutica de fármacos pode ser comprometida por doenças, principalmente por 
doenças que comprometem os órgãos responsáveis pela metabolização e eliminação de fármacos, 
como por exemplo, o fígado e os rins. A síndrome nefrótica altera a absorção de fármacos, além de 
causar modificações na albumina plasmática e, consequentemente, na distribuição de fármacos 
pelo organismo causando insensibilidade em alguns diuréticos, como a furosemida, por exemplo. 
Algumas doenças que podem afetar a sensibilidade de fármacos são: Miastenia gravis (doença 
autoimune); diabetes insípido nefrogênico associado ao cromossomo X; hipercolesterolemia 
familiar (doença hereditária dos receptores de lipoproteínas) e hipertireoidismo (RANG e DALE, 
2012; ATKINSON et al., 2006).
3.3 Interações entre fármacos
Muitas pessoas, principalmente idosos, fazem tratamento contínuo com mais de um 
medicamento para o cuidado de doenças crônicas. Em casos de tratamentos agudos ou 
22
oportunistas (como por exemplo, infecções), são tratados com medicamentos adicionais, isso 
faz com que aumente o potencial para interações medicamentosas entre esses fármacos. Essas 
interações podem desencadear desde perda da eficácia do tratamento (como é o exemplo de 
alguns antibióticos que reduzem efeito de alguns anticoncepcionais) até reações adversas graves 
(RANG e DALE, 2012). 
4 FARMACOGENÔMICA
O termo farmacogenômica é utilizado para descrever o uso de dados genéticos com 
finalidade de personalizar um tratamento medicamentoso partindo do princípio que diferenças 
genéticas podem ser previstas e contribuem diretamente na ação dos fármacos. Modificações 
farmacogenéticas mostram que respostas a ações de fármacos podem ser definidas geneticamente 
nos indivíduos (RANG e DALE, 2012). 
Diversos distúrbios hereditários podem influenciar na ação dos fármacos: 
• A deficiência de colinesterase plasmática, confere sensibilidade aos bloqueadores autos-
sômicos;
• A falta de glicose-6-fosfato desidrogenase, distúrbio ligado a homens (raramente em 
mulheres) pode gerar hemólise quando expostos a alguns químicos, como por exemplo, 
a primaquina (antimalárico).
4.1 Mecanismo de ação dos fármacos
A interação entre um fármaco, seu alvo farmacológico e os efeitos que provocam em um 
organismo são denominados mecanismo de ação. Qual seja a função fisiológica, as células 
compartilham dos mesmos métodos de sinalização (RANG e DALE, 2012).
A regulação da atividade celular é mediada principalmente pelos mecanismos e componentes 
que regulam a concentração de Ca2+ ou são regulados pela mesma:
• acúmulo e liberação de Ca2+ por organelas no interior das células;
• canais iônicos e transportadores;
• regulação de cálcio.
O cálcio é responsável por fazer as atividades celulares funcionarem. Grande parte dos efeitos 
dos fármacos resulta na interferência desses mecanismos. Grande parte do cálcio encontrado 
nas células está disponível em organelas, tais como retículo endoplasmático, lisossomo e nas 
mitocôndrias. O líquido extracelular tem uma concentração de cálcio de cerca de 2,4 nmol/l, 
favorecendo a entrada de cálcio para o meio intracelular (RANG e DALE, 2012). A regulação de 
23
cálcio envolve mecanismos tais como:
• monitoramento da entrada de cálcio;
• controle da exclusão de cálcio;
• mobilidade de cálcio entre o citoplasma e as organelas de armazenamento.
Existem quatro vias principais nas quais o cálcio atravessa a membrana plasmática para o 
meio intracelular (RANG e DALE, 2012):
• pelos canais de cálcio direcionados por voltagem;
• pelos denominados SOC (do inglês store-operated calcium channels);
• pelos canais de cálcio direcionados por ligantes;
• troca de Na+/Ca2+
 O controle de liberação de cálcio das reservas é mediado por dois canais de cálcio principais 
que se encontram na membrana, são eles:
• receptor de rianodina (RyR), denominado assim pois sua identificação ocorreu através do 
bloqueio causado por um alcaloide denominado rianodina.
• receptor de trifosfato de inositol (IP3R), ativado pelo trifosfato de inositol que é um men-
sageiro produzido por ligantes em receptores acoplados à proteína G c.
4.2 Excitação 
O termo excitação vem da capacidade de determinada célula apresentar uma resposta elétrica 
ao ato de despolarização de sua membrana, também denominada potencial de ação. É uma 
característica peculiar de muitas células, como neurônios e células musculares. A propagação de 
um potencial de ação desencadeia uma comunicação em uma longa distância e alta velocidade, 
sendo um importante mecanismo do corpo para comandos rápidos (RANG e DALE, 2012).
Em condições normais, as células possuem um potencial negativo de aproximadamente 
-30 mV a -80 mV. A membrana celular quando se encontra no estado de repouso é considerada 
permeável ao potássio, porém impermeável ao cálcio e sódio. Fármacos que atuam mediando 
os canais de potássio levam à redução na excitabilidade de membrana. Fármacos inibidores dos 
canais de cálcio e sódio apresentam o mesmo efeito. Ocorre excitação quando ocorre bloqueio 
dos canais de potássio ou quando os canais de sódio e cálcio são ativos (RANG e DALE, 2012).
4.3 Contração muscular
Muito fármacos apresentam seu mecanismo de ação atuando no músculo liso, por se tratar 
24
de um componente primordial nos sistemas biológicos, incluindo o trato gastrointestinal, vasos 
sanguíneos, sistema respiratório e urinário. São alvos importantes na ação dos fármacos o 
músculo esquelético, músculo liso e músculo cardíaco (RANG e DALE, 2012).
O músculo esquelético apresenta um arranjo de túbulos T que se estendem para o interior 
da célula. O potencial de ação de células do músculo esquelético é dependente de canais de 
sódio direcionados por voltagem, da mesma forma que ocorre em células nervosas em sua 
grande maioria. A liberação de cálcio no músculo esquelético é rápida, assim como a resposta 
do músculo, sendo um mecanismo rápido quando comparado com o músculo liso e o músculo 
cardíaco e, consequentemente, menos propenso à ação farmacológica (RANG e DALE, 2012).
No músculo liso, as propriedades variam de órgão para órgão. O potencial de ação no músculo 
liso ocorre de forma lenta e vaga, ao contrário do que acontece nos demais músculos. O potencial 
de ação é gerado pelos canais de cálcio do tipo L e não pelos canais de sódio mediados por 
voltagem, além disso, células do músculo liso armazenam cálcio no retículo endoplasmático e são 
ativadas a partir de IP3R, que são ativados através de receptores acoplados a proteína G, dessa 
forma, diferentemente do músculo esquelético e cardíaco, o músculo liso pode ter liberação 
de cálcio sem que ocorra despolarização de membrana, mas também quando os receptores 
acoplados à proteína G são ativados (RANG e DALE, 2012).
O músculo cardíaco se difere do músculo esquelético principalmente devido ao potencial de 
ação do músculo cardíaco apresentar um comportamento denominado “platô”, que tem duraçãode milissegundos após a despolarização. O músculo cardíaco também contém canais de cálcio do 
tipo L, que são abertos durante o platô, permitindo a entrada de cálcio para o meio intracelular 
(RANG e DALE, 2012).
4.4 Secreção
Grande parte do mecanismo de ação dos fármacos atua por meio dos mediadores do próprio 
organismo, como por exemplo, mediadores inflamatórios, hormônios e neurotransmissores. O 
cálcio está envolvido diretamente com os mecanismos de liberação desses mediadores, tendo um 
importante papel na ação de diversos fármacos (RANG e DALE, 2012). Os mediadores químicos 
liberados são pertencentes a dois grupos:
• mediadores pré-formados e armazenados em grânulos de armazenamento (vesículas), 
liberados por exocitose;
• mediadores produzidos de acordo com a demanda, liberados por difusão ou transportadores.
4.5 Proliferação e regeneração celular
Muitos processos biológicos estão envolvidos com a proliferação celular, entre eles o reparo, 
25
crescimento, cura, hiperplasia, hipertrofia e produção de tumores. Geralmente, esses processos, 
por envolverem o desenvolvimento de novas células que necessitam de oxigênio para se manter, 
novos vasos sanguíneos são desenvolvidos em um processo denominado angiogênese (RANG e 
DALE, 2012; KATZUNG, 2010).
O processo de proliferação celular é mediado por um conjunto de interações entre células, 
fatores de crescimento, matriz extracelular e metaloproteinases. A matriz extracelular é secretada 
por células e fornece sustentação. Uma parte importante desses processos é a atuação dos 
fatores de crescimento atuando por interferência em receptores de tirosina quinase, como por 
exemplo, fator de crescimento endotelial vascular (VEGF), fator de crescimento epidérmico (EGF), 
fator de crescimento de fibroblastos (FGF) e fator transformador de crescimento (TGF-β) (RANG 
e DALE, 2012; KATZUNG, 2010). 
A matriz extracelular é um alvo importante no desenvolvimento de novos fármacos. Também 
é importante na busca por medicamentos que visem regular a reparação dos tecidos. Receptores 
transmembrana associados a quinases são denominados integrinas, alguns anticorpos 
monoclonais são transportados para as integrinas, como por exemplo, o natalizumabe, utilizado 
para o tratamento da esclerose múltipla e abciximabe, antitrombótico (RANG e DALE, 2012).
Sem o processo de angiogênese que acompanha o processo de proliferação celular há o 
impedimento de que o crescimento celular se desenvolva, incluindo tumores. A angiogênese 
inclui citocinas e fatores de crescimento nos quais se destaca o VEGF. O bevacizumabe, anticorpo 
monoclonal, utilizado no tratamento do câncer, atua neutralizando o VEGF, dessa forma, inibindo 
a angiogênese e impedindo a proliferação de tumor por falta de oxigenação (RANG e DALE, 2012).
Outro processo envolvido com mecanismo de ação é o processo de apoptose celular, 
conhecido como morte celular decorrido de efeitos bioquímicos. Muitas patologias estão 
envolvidas com processo de apoptose celular, entre elas:
• lesões teciduais, como por exemplo, lesão da medula espinhal e infarto do miocárdio;
• doenças degenerativas, como doença de Parkinson e doença de Alzheimer;
• doenças hematológicas, como anemia megaloblástica;
• HIV;
• doenças autoimunes/inflamatórias como artrite reumatoide e miastenia grave;
• algumas infecções virais (RANG e DALE, 2012).
• A proliferação celular ainda está envolvida com um mecanismo muito importante quando 
pensamos em estética e cosmética, que é o processo de reparo e cura após lesão e/ou 
inflamação. Em alguns casos, uma lesão pode levar a um mecanismo de regeneração, que é 
26
um mecanismo diferente de cicatrização. Esses processos incluem eventos como migração 
celular, angiogênese, proliferação celular, síntese de matriz e remodelação. O fator de cres-
cimento TGF-β é fundamental em muito desses processos (RANG e DALE, 2012).
4.6 Mecanismos de defesa do hospedeiro
Além dos processos já listados anteriormente envolvidos com mecanismo de ação dos 
fármacos, muitos medicamentos atuam ainda nos mecanismos de defesa do hospedeiro. 
Esse mecanismo envolve principalmente mediadores inflamatórios, gerados por um processo 
inflamatório resultando em características tais como: dor, rubor, calor, entumescimento e perda 
da função (RANG e DALE, 2012). 
Respostas inflamatórias ocorrem principalmente após exposição a algum microrganismo, 
substância nociva ou após alguma lesão. O sistema imune geralmente atua com uma resposta 
inata não adaptativa e uma resposta imunológica adaptativa. O resultado é a cura sem o 
aparecimento de cicatrizes. Grande parte dos tratamentos farmacológicos disponíveis envolvem 
processo inflamatório (RANG e DALE, 2012).
Como o organismo consegue identificar se determinada célula é um patógeno invasor ou 
elemento idôneo? O organismo conta com uma gama de receptores de reconhecimento padrão 
PRR (do inglês, pattern recognition receptors). Esses receptores possuem como função reconhecer 
PAMP (do inglês, pathogen-associated molecular patterns), produtos esses provenientes de vírus, 
fungos, bactérias, entre outros (RANG e DALE, 2012). 
O processo inflamatório conta com células presentes normalmente nos tecidos e outras móveis 
e conseguem acesso através da corrente sanguínea. São células do sistema imunológico: leucócitos 
polimorfonucleares (neutrófilos), mastócitos, monócitos/macrófagos, células desdríticas, eosinófilos, 
basófilos, células endoteliais vasculares, plaquetas e células natual killer (RANG e DALE, 2012). 
Utilize o QR Code para assistir ao vídeo:
27
Nesta unidade, você teve a oportunidade de:
• entender os conceitos básicos da farmacologia;
• conhecer os alvos para ação de fármacos;
• aprender sobre farmacocinética (absorção, distribuição, metabolismo e eliminação 
de fármacos) e farmacodinâmica;
• compreender sobre as vias de administração de fármacos e suas diferenças em ação 
dos fármacos;
• analisar os fatores que influenciam na ação dos fármacos;
• estudar o mecanismo de ação dos fármacos, englobando excitação, contração e 
secreção de cálcio, proliferação e regeneração celular e mecanismos de defesa do 
hospedeiro.
PARA RESUMIR
ATKINSON, A. J.; DANIELS, C. E.; DEDRICK, R. L. et al. Principles of clinical pharmacology. 
2. ed. San Diego: Academic Press, 2006.
BRUNTON, L. L. Goodman & Gilman: as bases farmacológicas da terapêutica. 12. ed. Rio 
de Janeiro: McGraw-Hill, 2012.
KATZUNG, B. G. Farmacologia básica e clínica. 10. ed. Rio de Janeiro: Artmed/McGraw-
-Hill, 2010.
RANG, H. P.; DALE, M. M.; RITTER, J. M.; FLOWER, R. J.; HENDERSON, G. Rang & Dale: 
farmacologia. 7.ed. Rio de Janeiro, Elsevier, 2012.
SILVA, F. S.; MENEZES, P. M. N.; SÁ, M. S. Coleção manuais da farmácia: farmacologia. 1. 
ed. Salvador: Sanar, 2016.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
UNIDADE 2
Princípios de neurofarmacologia
Você está na unidade Princípios de neurofarmacologia. Conheça aqui o estudo do sistema 
nervoso e suas funções que exercem grande importância na farmacologia, pois nele 
atuam fármacos de uso específico neurológico, além de outros utilizados para tratar uma 
ampla variedade de condições específicas do organismo.
Entenda ainda as divisões anatômicas do sistema nervoso e os mecanismos dos 
neurotransmissores e receptores, assim como a interação pela qual os agonistas e 
antagonistas atuam nesse sistema neurológico. 
Bons estudos!
Introdução
31
1 INTRODUÇÃO À ANATOMIA DO SISTEMA 
NERVOSO 
Esta unidade denominada Princípios de neurofarmacologia demonstra como a farmacologia 
atua na função fisiológica do sistema nervoso. Para compreender este mecanismo, é importante 
primeiramente o conhecimento das estruturas anatômicas e particularidades funcionais de todo 
o sistema neurológico. A apresentação desses conceitos está de forma didática simplificada 
para facilitar o entendimento de todo o funcionamento do sistema nervoso e suas funções 
fisiológicas para posterior contextualização da interação farmacológica. Este estudo também 
busca identificare explicar as funções neurotransmissoras e receptoras, assim como os principais 
padrões de conectividade das células neuronais. Para melhor compreensão dos mecanismos 
pelos quais os fármacos atuam no sistema nervoso, será demonstrada a bioquímica e fisiologia 
da neurotransmissão colinérgica e da função adrenérgica, bem como também os mecanismos de 
ação dos bloqueadores dajunção neuromuscular.
1.1 Função e divisão anatômica do sistema nervoso 
A divisão anatômica funcional do sistema nervoso está dividida em duas seções anatômicas: 
o sistema nervoso central (SNC), que é constituído pelo encéfalo e medula espinal, e o sistema 
nervoso periférico (SNP), que inclui todos os nervos que conectam o SNC aos locais somáticos e 
viscerais, ou seja, compreende os neurônios que ficam fora do cérebro e da medula espinal. Este 
é subdividido funcionalmente como eferente (divisão motora), onde os neurônios transportam os 
sinais oriundos do cérebro e da medula espinal para os tecidos periféricos, ou seja, transmitindo 
informações do SNC para a musculatura esquelética e órgãos viscerais, e aferente (divisão 
sensorial), onde os neurônios trazem as informações da periferia para o SNC e transmitem 
impulsos sensoriais que modulam a função da divisão eferente por meio de arcos reflexos ou vias 
neurais que intermediam a ação reflexa.
A divisão motora (eferente) é dividida em duas principais subdivisões funcionais: sistema 
nervoso somático (SNS), componente voluntário, e o sistema nervoso autônomo (SNA), também 
denominado sistema nervoso visceral, vegetativo ou involuntário. Por fim, o SNA é composto por 
três divisões anatômicas: os sistemas nervosos simpático, parassimpático e entérico (WHALEN et 
al., 2016). Para ilustrar essa divisão anatômica do sistema nervoso, observe a seguir como fica o 
diagrama “Organização da anatomia funcional do sistema nervoso”.
32
Figura 1 - Organização da anatomia funcional do sistema nervoso 
Fonte: Elaborado pela autora, 2020.
#ParaCegoVer: Na imagem, temos o diagrama com a organização da anatomia funcional do 
sistema nervoso, que está dividido em duas seções anatômicas: o sistema nervoso central (SNC) 
e o sistema nervoso periférico (SNP), que é subdividido como divisão motora (eferente) e divisão 
sensorial (aferente). A divisão motora (eferente) é dividida em duas principais subdivisões: 
sistema nervoso somático (SNS) e sistema nervoso autônomo (SNA), que é agora composto por 
três divisões anatômicas: os sistemas nervosos simpático, parassimpático e entérico.
1.2 Anatomia e função do sistema nervoso central 
O sistema nervoso central (SNC) tem seus órgãos e estruturas localizados dentro do esqueleto 
axial e são protegidos pela caixa craniana e pelo canal vertebral. O encéfalo e a medula espinal 
são seus constituintes principais e são responsáveis por transmitir e processar sinais, que são 
recebidos do sistema nervoso periférico e através de processamento resulta em respostas 
formuladas e retransmitidas à região periférica. O encéfalo localiza-se no interior da calota 
craniana e é dividido, anatomicamente, em regiões denominadas cérebro, diencéfalo, cerebelo, 
tronco encefálico (mesencéfalo, ponte e bulbo) e medula espinal. 
O cérebro ocupa quase toda a caixa craniana e é dividido em dois hemisférios cerebrais, o 
direito e o esquerdo, e cada hemisfério controla funções corticais contralaterais do corpo, ou seja, 
por exemplo, o hemisfério esquerdo controla a função do lado direito do corpo. Sua anatomia 
está conectada por um feixe de filamento nervoso, o corpo caloso, que permite a comunicação 
entre os dois hemisférios.
Apresenta um córtex, camada externa que abriga a substância cinzenta contendo os corpos 
neuronais e internamente, a substância branca que é formada basicamente por feixes de axônios 
mielinizados que transmitem sinais entre de uma área do córtex para outra e também do córtex 
33
para outras áreas do SNC. Assim como outras áreas do cérebro, possui rede vascular associada 
de pequenas artérias, veias e capilares, e é ao redor desses pequenos vasos que as células 
inflamatórias se acumulam em doenças como esclerose múltipla, e nas pequenas arteríolas são 
acometidas a hipertensão sistêmica (GOLAN et al., 2018). 
O córtex é responsável por funções importantes como percepção sensorial, planejamento, 
memória, ordenação das funções motoras e cognitivas, comunicação, raciocínio e início de 
movimentos voluntários. Possui áreas corticais de associação motoras e sensitivas. As áreas motoras 
localizam-se em regiões posteriores do lobo frontal, próximas ao sulco central, e são compostas de 
córtex motor primário, córtex pré-motor, área de broca e campo ocular frontal, que juntamente 
controlam os movimentos voluntários. As áreas sensoriais são localizadas nos lobos temporal, 
parietal, insular e occipital (BEAR et al., 2017) e estão relacionadas a estas funções específicas: 
• Lobo frontal: está relacionado com o planejamento motor e com o córtex motor, que controla 
e coordena a função motora voluntária e com córtex pré-frontal na aprendizagem motora. 
Controla o planejamento dos movimentos e comportamentos complexos como fluência do 
pensamento abstrato e criativo, tomadas de decisão, julgamentos e personalidade.
• Lobo parietal: contém o córtex somatossensorial, cuja função é receber os estímulos 
sensoriais internos e externos do corpo. Está relacionado com três principais áreas: giro 
pós-central, lobo parietal superior e lobo parietal inferior. Atua na interpretação das 
sensações como dor, temperatura, tato, gustação e na consciência corporal.
• Lobo temporal: está envolvido com o córtex auditivo e contém em sua superfície o giro 
temporal superior, o giro temporal médio e o giro temporal inferior. Tem como função o 
processamento de estímulos auditivos. É uma área de centro da comunicação, das me-
mórias de curto prazo e da audição.
• Lobo occipital: também conhecido como córtex visual. É responsável pela visão, processa 
e interpreta os estímulos visuais (como cor, movimentos, profundidade e distância). Atua 
no reconhecimento de faces e de detalhes de espaços ou locais.
• Lobo insular: não visível na superfície, é um lobo profundo e portador de cinco giros 
curtos e longos. Faz parte do sistema límbico (também é considerado lobo límbico) e está 
relacionado com o controle de diversas emoções (sons, cheiros, sabores e sentimentos) 
também é responsável pelo paladar. 
No aspecto farmacológico, o córtex cerebral constitui um sítio de ação de numerosos 
fármacos, seja como parte de seu mecanismo de ação ou como efeito adverso. Exemplo disso, 
os barbitúricos e os benzodiazepínicos, comumente prescritos, são hipnóticos e sedativos que 
potencializam a ação dos neurotransmissores inibitórios no córtex. Também se acredita que os 
anestésicos gerais têm efeitos sobre o córtex cerebral (GOLAN et al., 2018). 
O cerebelo está localizado na fossa posterior do encéfalo, e dorsalmente ao tronco encefálico 
na região do bulbo e ponte. É conectado ao tronco encefálico pelos pedúnculos cerebelares, que 
34
fazem as conexões com as outras regiões como o cérebro (a partir do diencéfalo), e as estruturas 
do tronco encefálico (mesencéfalo, ponte e bulbo). Possui dois hemisférios cerebelares laterais, 
e três lobos, denominados anterior, posterior e flóculo-nodular, com uma estrutura central 
denominada verme (ou vermis). O cerebelo coordena o movimento voluntário, monitora as 
contrações musculares, é o responsável pelo equilíbrio do corpo e pela orientação espacial, e 
também, conforme Golan et al. (2018, p. 101), “desempenha um papel em aprendizagem motora 
(p. ex., na coordenação mão-olho) e certas funções cognitivas, como o controle temporal de 
eventos repetitivos e a linguagem”. 
Poucos fármacos são capazes de afetar primariamente o cerebelo, mas alguns fármacos 
antiepilépticos e outras substâncias, como o álcool, são tóxicos, pois atingem o verme cerebelar 
que controla o equilíbrio (GOLAN et al., 2018). 
O diencéfaloestá localizado entre o tronco encefálico e o cérebro e é constituído pelas 
seguintes regiões:
• Tálamo
Possui núcleos que ligam as vias sensoriais (todas, exceto as olfativas) da medula espinal e 
do tronco encefálico para o córtex cerebral. Além disso, filtra, modula e transmite a informação 
sensorial, determinando, em parte, quais sinais alcançarão a percepção consciente. Também é 
responsável pela transmissão de impulsos nervosos do cerebelo e núcleos da base para as áreas 
motoras do córtex cerebral. O tálamo tem papel importante na manutenção da consciência e 
distribuição de informações nervosas entre áreas do telencéfalo.
• Subtálamo
Corresponde a uma pequena área que fica na zona de transição entre o diencéfalo e o mesencéfalo, 
logo abaixo do tálamo. Sua principal estrutura apresenta formações de substância cinzenta e substância 
branca e é denominada núcleo subtalâmico que se relaciona com funções motoras.
• Epitálamo
Está localizado superior e posterior ao tálamo e está ligado ao sistema límbico e aos núcleos 
da base. Atua como conexão do sistema límbico a outras áreas do cérebro. Algumas de suas 
funções são a secreção do hormônio melatonina pela glândula pineal (envolvida na regulação do 
ciclo sono-vigília, por induzir o sono), a regulação de vias motoras e a regulação emocional.
• Hipotálamo
Está localizado abaixo do tálamo e acima da hipófise, também conhecida como pituitária, 
uma glândula endócrina produtora de hormônios que é responsável pelo funcionamento de 
35
outras glândulas do organismo. Controla o sistema nervoso autônomo, a hipófise e produção 
de hormônios e comportamentos vitais do organismo como, por exemplo: ajudar a regular a 
frequência cardíaca, o movimento do alimento dentro do trato gastrintestinal e a contração da 
bexiga urinária; regular os padrões emocionais e comportamentais, como raiva, dor, alegria, 
tristeza, prazer e excitação sexual; regular a ingestão de alimentos e líquidos (centro da sede); 
controlar a temperatura corporal, entre outros (TORTORA; DERRICKSON, 2016).
De maneira geral, há indicativos de que o efeito anti-hipertensivo da clonidina seja mediado 
por sua ação sobre os receptores presentes em neurônios do tronco encefálico e controlados pelo 
hipotálamo (GOLAN et al., 2018).
O tronco encefálico é composto, em conjunto, pelo mesencéfalo, ponte e bulbo. Faz parte 
do tronco encefálico o bulbo, a ponte e o mesencéfalo, e é a partir do bulbo que se inicia a 
medula espinal e conduz a conexão da medula espinal ao tálamo e ao córtex cerebral. Apresenta 
também substância branca que possui estruturas que recebem e enviam informações motoras 
e sensitivas para o cérebro. Além disso, o tronco encefálico dá origem à maioria dos nervos 
cranianos e alguns desses nervos conduzem as sensações de cabeça e face, incluindo integração 
dos reflexos auditivos e visuais. Controlam também a resposta motora dos músculos esqueléticos 
de expressão facial, mastigação, deglutição e movimento ocular. Exerce regulação da pressão 
arterial, na vasoconstrição dos vasos sanguíneos e nos batimentos cardíacos.
A medula espinal é o alongamento do SNC, tem formato cilíndrico e está dentro do canal 
vertebral, nos canais vertebrais, ao longo do eixo crânio caudal. Tem seu início no forame magno 
do osso occipital do crânio e segue até aproximadamente a primeira e a segunda vértebra lombar, 
nas vertebras L1/L2, sendo mais encurtada do que a coluna vertebral. É constituída de tecido 
nervoso e formada por substância branca e internamente pela cinzenta. Ao cortar a medula 
espinal transversalmente, a substância cinzenta está em um formato que parece a letra H, 
encoberta em uma matriz de substância branca. Os neurônios da medula espinal são classificados 
FIQUE DE OLHO
Existem grupos de neurônios que são difundidos através do tronco encefálico, do 
hipotálamo e da base circundante do cérebro, como o locus ceruleus e o núcleo da rafe, 
que compreendem o sistema ativador reticular, responsável por consciência e regulação 
do sono. Cada núcleo utiliza um sistema diferente de neurotransmissores, portanto várias 
classes de medicamentos podem exercer efeitos nesse sistema. Por exemplo, é por meio 
desses núcleos que os anti-histamínicos provocam sedação e os estimulantes, como a 
cafeína, aumentam o estado de vigília (GOLAN et al., 2018).
36
como sensoriais, localizados nos cornos dorsais do “H”, ou motores, que estão situados nos cornos 
ventrais do “H” e interneurônios espinais. 
A medula tem como principais funções a inervação sensorial e motora do corpo a partir da 
cabeça, por intermédio dos nervos espinais; a transmissão de sinais entre o encéfalo e o corpo, e 
vice-versa, pelos tratos ascendentes e descendentes da substância branca e responsável pelos atos 
reflexos por meio da integração sensorial e motora da substância cinzenta, como por exemplo, o 
reflexo medular. Como a medula espinal transmite sinais sensoriais (incluindo sensação de dor) 
para o sistema nervoso central, é considerada importante alvo para fármacos analgésicos, como 
os opioides (GOLAN et al., 2018).
1.3 Anatomia e função do sistema nervoso periférico 
O sistema nervoso periférico (SNP) é representado pelos tecidos nervosos que estão fora do 
SNC e incluem em sua constituição os nervos (12 pares cranianos e 31 pares espinais), gânglios, 
plexos entéricos e receptores sensoriais (com formato de terminações nervosas), que têm a 
função de fazer a ligação do SNC com o corpo por meio da transmissão de impulsos nervosos. 
Os nervos são estruturas de cordões esbranquiçados formados por feixes de fibras nervosas 
que possuem em seu interior milhares de axônios de neurônios, reforçados por tecido conjuntivo 
que, juntamente com os vasos sanguíneos, inervam os receptores sensoriais, as terminações 
nervosas motoras na musculatura e glândulas. Os nervos espinais são essencialmente sensitivos e 
motores ao mesmo tempo, já os nervos cranianos são compostos por nervos motores, sensitivos 
ou mistos, que conduzem informações sensoriais e também propagam os impulsos nervosos de 
comandos motores. Os nervos mistos possuem uma parte sensorial, com origem nas raízes dorsais 
da medula espinal ou em gânglios próximos dos nervos cranianos; e uma parte motora, composta 
dos neurônios motores que inervam os órgãos viscerais (SNA) e músculos esqueléticos (SNS) de 
controle da musculatura lisa, glândulas e tecido muscular cardíaco (TORTORA; DERRICKSON, 2017; 
SILVERTHORN, 2017). Há também nervos com funções sensitivas especiais que são relacionados 
aos sentidos de visão, olfato, audição e gustação. 
Os nervos cranianos e os nervos espinais transmitem impulsos nervosos sensitivos da periferia 
do encéfalo e do corpo, incluindo sensações internas e externas, para áreas ou regiões específicas 
encefálicas (SNC), para então processá-los e gerar uma resposta motora a esses estímulos. Quando 
as informações transmitidas do corpo são levadas por nervos espinais por meio da medula espinal 
até o encéfalo, esses mesmos nervos cranianos e espinais também conduzem impulsos nervosos 
que partem de áreas motoras encefálicas para a contração da musculatura lisa e esquelética da 
cabeça e do corpo (MARTIN, 2014). 
Já os gânglios são aglomerados celulares de neurônios (encontrados fora do SNC e medula) 
que formam uma pequena massa de tecido nervoso, ou simplesmente são pequenas dilatações 
37
em certos nervos. Ficam localizados junto aos nervos e possuem a função de estações de 
interligação entre neurônios e demais estruturas corporais. (SCHUNKE, 2007). 
Ramificações de extensas redes de neurônios (fora do SNC) e seus axônios formam uma 
organização de interconexões nervosas, que são ramificações de extensas redes axonais nervosas, 
unindo-se umas às outras para formar um plexo. Estes plexos podem ser divididos em nervos 
espinais, que inervam o tronco e se ligam à medula espinhal, e em nervos cranianos (que são 12 
pares) que se conectam ao encéfalo. A partir desses plexos, emergem nervos que supremregiões 
específicas com nomes que são frequentemente relacionados às regiões que eles inervam ou 
à direção que eles seguem. Por exemplo: nervo radial, referente à região do antebraço; nervo 
subclávio, referente à região abaixo da clavícula; e nervo axilar, que inerva a região da axila 
(TORTORA; DERRICKSON, 2016). 
Os principais plexos nervosos do corpo são: plexo cervical, que realiza o suprimento nervoso 
da pele e da musculatura da parte posterior da cabeça até o diafragma; plexo braquial, composto 
por inervação para membros superiores e músculos do pescoço e ombros; plexo lombar, que faz 
o suprimento nervoso genital, da parede abdominal e membros inferiores; e plexo sacral, perfaz 
os nervos de membros inferiores, região glútea e perineal. Os plexos e os receptores sensoriais 
também podem ser chamados de terminações nervosas. 
As terminações nervosas ficam localizadas na extremidade periférica das radículas nervosas e 
são classificadas como sensitivas e motoras. Nas terminações nervosas sensitivas, os receptores 
estão na extremidade distal dos nervos e quando estimulados adequadamente, esses receptores 
captam os estímulos e os transformam em impulso nervoso que percorre o organismo até o 
SNC. Quando chega ao SNC, esse estímulo é processado e cria uma percepção de sensibilidade 
geral ou específica, gerando uma resposta motora a esses estímulos. As terminações nervosas 
motoras, por sua vez, são responsáveis por conectar o sistema nervoso aos órgãos efetores, que 
são músculos, glândulas, vísceras, entre outros (SNELL, 2011; MOORE et al., 2014). 
Do ponto de vista funcional, o SNP, conforme já comentado, é subdivido por divisão sensorial 
(aferente) e divisão motora (eferente). Esta divisão motora é delimitada em um componente 
voluntário, denominado de sistema nervoso somático (SNS), que inerva músculos esqueléticos 
por meio de sinapses, as junções neuromusculares do SNS, e está em grande parte envolvido com 
as funções de controle consciente, como o movimento e a postura; e outro involuntário, sem a 
necessidade de um pensamento consciente para tal, nomeado de sistema nervoso autônomo (SNA). 
Atualmente, há estudos que indicam outra divisão do SNP, o sistema nervoso entérico, 
que realiza reflexos locais para o controle de estímulos digestórios intestinais, com autonomia 
do SNC. Entretanto, suas funções são também realizadas ou podem ser substituídas pelo SNA 
(SILVERTHORN, 2017).
38
1.4 Anatomia e função do sistema nervoso somático 
O sistema nervoso somático (SNS) ou voluntário constitui-se por nervos aferentes, que 
transmitem impulsos sensoriais da periferia para o SNC; e nervos motores (eferentes), que 
transportam sinais do SNC para a musculatura estriada esquelética, ou seja, esses sinais regulam 
o movimento voluntário. Suas funções, segundo Fuchs e Wannmacher (2017, p. 126), abrangem 
a percepção do ambiente externo (sensibilidade, sentidos especiais) e respostas ao ambiente 
(execução e coordenação da motricidade), assim como está diretamente relacionado com as 
funções cognitivas para interpretação de estímulos e planejamento de ações. 
As fibras musculares do SNS inervam diretamente seus alvos pelo fato de um único neurônio 
motor mielinizado, originado no SNC, ir diretamente ao músculo estriado, sem a intermediação 
de gânglios (WHALEN et al., 2016). Os neurônios motores que contêm seus corpos celulares no 
corno ventral da medula espinal estendem seus axônios, saem pelas raízes ventrais e conectam-se 
com as raízes dorsais, que carreiam as fibras nervosas sensoriais para formar os nervos espinais. 
Estes saem da coluna vertebral através dos forames intervertebrais e, em seguida, separam-se 
em nervos periféricos e inervam diretamente o músculo estriado esquelético específico (por 
exemplo, o músculo flexor do antebraço) (GOLAN et al., 2018). 
Os neurônios motores se ramificam em diversos conjuntos de terminal axonal alargado, 
dispostos na superfície da fibra muscular esquelética e, assim, essa estrutura ramificada controla 
várias fibras ao mesmo tempo. Essa comunicação entre o neurônio motor e a fibra muscular é 
denominada junção neuromuscular e é realizada por sinapse química, e seu mecanismo pode ser 
visualizado na imagem de comunicação neural abaixo. Inúmeras fibras musculares podem ser 
inervadas por apenas um único neurônio motor; gerando assim esse conjunto que representa 
uma unidade motora. A partir da estimulação do neurônio motor na junção neuromuscular, os 
receptores de membrana da fibra muscular desencadeiam disparos de potenciais de ação pela 
célula neuronal. Dessa maneira, gera a liberação do neurotransmissor acetilcolina (ACh) na 
fenda sináptica (pequeno espaço preenchido com líquido intersticial), que tem como resultado 
o movimento de força entre actina e miosina, caracterizando o processo de contração muscular 
(BEAR et al.,2017).
39
Figura 2 - Comunicação neural 
Fonte: Designua, Shutterstock, 2020.
#ParaCegoVer:Na imagem, temos uma comunicação neural demonstrando sinapse química. 
Vemos o neurônio estendido com seu axônio de transmissão neural e demonstrando os locais do 
receptor neural e da sinapse. Tem uma parte aproximada demonstrando a sinapse química, onde 
mostra a vesícula sináptica, neurotransmissor, fenda sináptica e receptor.
FIQUE DE OLHO
A sinapse pode ser elétrica ou química. É responsável pela transmissão unidirecional dos 
impulsos nervosos de um neurônio para outro ou para uma célula efetora. Na elétrica, 
impulsos nervosos são conduzidos entre as membranas plasmáticas dos neurônios 
adjacentes pelas junções comunicantes (músculo liso visceral e cardíaco, e no encéfalo), de 
modo a permitir condução e coordenação rápida. As sinapses químicas são a maioria no 
organismo. Nelas, um impulso nervoso provoca liberação de neurotransmissores na fenda 
sináptica (TORTORA; DERRICKSON, 2016).
40
1.5 Anatomia e função do sistema nervoso autônomo 
O sistema nervoso autônomo (SNA), também denominado sistema nervoso visceral, 
vegetativo ou involuntário, é o principal componente do sistema nervoso e responsável pela 
homeostase, mantendo sob controle funções fisiológicas involuntárias, tais como sistema 
respiratório, renal, digestório, metabolismo, sudorese, controle da temperatura corporal e 
secreção de determinadas glândulas endócrinas. Na região periférica, é constituído por nervos, 
gânglios e plexos que inervam vasos sanguíneos, coração, glândulas e outras vísceras, e músculos 
lisos em vários tecidos (BRUNTON et al., 2019). O SNA possui duas divisões anatômicas: o sistema 
nervoso simpático e o sistema nervoso parassimpático, e também possui funções com o sistema 
nervoso entérico (localizado no interior do trato gastrintestinal). 
As fibras nervosas do SNA inervam, por impulsos nervosos do SNC, seus órgãos-alvo efetores 
por meio de dois neurônios eferentes. O primeiro neurônio, originário do tronco encefálico 
ou da medula espinal, faz sinapse em um gânglio autônomo, então é denominando neurônio 
pré-ganglionar. Em seguida, este neurônio faz outra sinapse (fora da medula espinal) com um 
neurônio pós-ganglionar, que contém seus corpos celulares originados no gânglio, e inerva o 
órgão-alvo, que são efetores como músculos lisos das vísceras, e glândulas exócrinas (GOLAN et 
al., 2018; WHALEN et al., 2016). 
A localização anatômica dessas conexões difere para os neurônios das divisões simpática 
e parassimpática do SNA. De forma geral, esses dois sistemas realizam funções contrárias ou 
antagônicas, por exemplo, a inervação parassimpática diminui a frequência cardíaca, e a inervação 
simpática a aumenta.
1.6 Anatomia e funções do sistema nervoso autônomo simpático e 
parassimpático
A maioria dos órgãos do organismo é inervada por ambas as divisões do SNA, simpático e 
parassimpático, ou seja, uma inervação dupla.
No sistema nervoso autônomo simpático, a sua inervação promove ações com maior 
componente excitatório, estimula ações que possibilita ao organismo responder a situações de 
exercíciofísico e de situações estressantes como hipoglicemia, frio, trauma e medo, também 
conhecido como “luta ou fuga”. Dessa forma, nesse sistema, há reações de aumento da frequência 
e da contratilidade cardíaca, elevação da pressão arterial, elevação do gasto energético corporal, 
dilatação da pupila e brônquios, aumento do fluxo sanguíneo para os músculos esqueléticos, entre 
outros. De acordo com Whalen et al. (2016, p. 41), essas reações iniciam-se tanto por ativação 
simpática direta dos órgãos efetores quanto por estimulação da medula suprarrenal.
No sistema nervoso autônomo parassimpático, em contrapartida, a energia corporal se 
41
mantém baixa com predomínio de ações em repouso e digestão, promovendo a motilidade 
gastrointestinal, a diminuição da frequência cardíaca e da pressão arterial. Está envolvido com 
a manutenção da homeostasia do organismo (SILVERTHORN, 2017). Ao contrário do sistema 
simpático, as fibras parassimpáticas que inervam órgãos específicos, tais como olhos, intestinos e 
coração, são ativadas separadamente, e o sistema funciona atingindo cada órgão individualmente 
(WHALEN et al., 2016).
Os sistemas simpático e parassimpático exibem algumas diferenças anatômicas em relação 
às suas vias que ocorre por inervação dupla dos órgãos. O sistema simpático apresenta neurônios 
pré-ganglionares originados nas regiões torácica e lombar da medula espinal (T1 a L2), por isso 
são curtos, e se projetam em neurônios pós-ganglionares que fazem sinapse em gânglios situados 
próximo à medula espinal, por isso são longos, mais provável em gânglios paravertebrais e pré-
vertebrais localizados próximo à aorta. Seus axônios se estendem desses gânglios até os tecidos 
dos órgãos que eles inervam e regulam.
 Já nos gânglios parassimpáticos, os neurônios pré-ganglionares são surgem em núcleos do 
tronco encefálico e os segmentos sacrais da medula espinal são longos, pois podem percorrer 
longa distância antes de fazer sinapse com seus alvos pós-ganglionares curtos que se situam 
próximo ou dentro dos órgãos que inervam (GOLAN et al., 2018; WHALEN et al., 2016). E 
conforme Whalen et al. (2016, p.40), na maioria dos casos, as terminações nervosas do tipo pré-
ganglionares do sistema nervoso simpático ramificam-se muito, permitindo que um neurônio 
destes interaja com vários neurônios pós-ganglionares, ou seja, isso permite a esta divisão do SNA 
ativar numerosos órgãos efetores ao mesmo tempo.
A diferença na organização anatômica dos neurônios resulta em variações nas funções 
dos sistemas simpáticos e parassimpáticos. O neurotransmissor liberado pelos neurônios 
pós-ganglionares do sistema nervoso parassimpático e em alguns neurônios simpáticos 
pós-ganglionares, é a acetilcolina (ACh), razão pela qual esses neurônios são chamados de 
colinérgicos. Os neurônios pós-ganglionares do sistema nervoso simpático são denominados 
adrenérgicos. Suas fibras adrenérgicas ligam o SNC à medula suprarrenal, que em resposta à 
estimulação pelo neurotransmissor ganglionar acetilcolina, secreta epinefrina (adrenalina) e, em 
menor quantidade, norepinefrina, diretamente no sangue.
Apresenta-se, a seguir, uma tabela com as principais diferenças entre os sistemas nervosos 
autônomos simpático e parassimpático. 
42
Tabela 1 - Principais diferenças entre os sistemas nervosos simpático e parassimpático 
Fonte: WHALEN et al., 2016, p. 44 (Adaptada).
#ParaCegoVer: Na imagem, temos uma tabela com três colunas e sete linhas, com as principais 
diferenças entre os sistemas nervosos simpático e parassimpático. 
2 PANORAMA GERAL DA FARMACOLOGIA 
COLINÉRGICA E ADRENÉRGICA 
Os fármacos com efeito sobre o sistema nervoso autônomo parassimpático (SNAP) estão 
divididos em dois grupos, os colinérgicos e adrenérgicos, de acordo com os neurônios que atuam 
em seus mecanismos de ação (WHALEN et al., 2016). Os fármacos colinérgicos e adrenérgicos 
interagem estimulando ou bloqueando receptores do SNAP, atuando como agonistas ou 
antagonistas. 
Os fármacos agonistas colinérgicos podem estimular a atividade do SNAP quando se ligam aos 
receptores que são ativados pela acetilcolina (ACh), sendo denominados agentes colinomiméticos 
ou fármacos parassimpatomiméticos. É possível também a esses fármacos a execução de seus 
mecanismos de ação através da ação direta (colinesterásicos), nos receptores muscarínicos e 
nicotínicos. Também realizam por ação indireta através da inibição da enzima acetilcolinesterase, 
43
nesse caso, eles são chamados de fármacos anticolinesterásicos (AChE). A enzima AChE é 
responsável pela hidrólise da ACh endógena. Assim, com a inibição da inativação enzimática 
da acetilcolina, promove-se o aumento do tempo de permanência da acetilcolina endógena na 
sinapse neuroefetora e sua ligação aos receptores. 
Nos fármacos agonistas adrenérgicos, a atuação é em receptores que são estimulados 
pela norepinefrina ou pela epinefrina. Esses fármacos podem atuar simulando ou modulando 
a função do sistema nervoso autônomo simpático (SNAS), sendo denominados fármacos 
simpaticomiméticos ou adrenomiméticos. Os fármacos simpaticomiméticos podem ativar 
de forma direta seus receptores adrenérgicos ou atuar de maneira indireta, aumentando a 
concentração do transmissor catecolamina na sinapse. 
Os fármacos antagonistas colinérgicos e adrenérgicos se diferem pela ação de atuação, 
seja estimulando ou bloqueando os respectivos receptores. Quanto aos fármacos antagonistas 
anticolinérgicos (parassimpaticolíticos), estes interferem na ação da ACh e são classificados de 
acordo com o mecanismo de ação como fármacos anticolinérgicos antimuscarínicos, bloqueadores 
neuromusculares e bloqueadores ganglionares. 
Os fármacos anticolinérgicos antimuscarínicos bloqueiam os receptores muscarínicos nas 
sinapses neuroefetoras (como atropina e escopolamina) e são importantes na oftalmologia 
(em razão de seus efeitos cicloplégicos e midriáticos), na cinetose e no tratamento de mal de 
Parkinson, bexiga urinária hiperativa, asma e intoxicação por organofosforados. Os fármacos 
anticolinérgicos bloqueadores neuromusculares atuam nos receptores nicotínicos, na junção 
neuromuscular (como succinilcolina) e também interferem na transmissão dos impulsos eferentes 
da transmissão colinérgica aos músculos esqueléticos, resultando no relaxamento da musculatura 
esquelética. São úteis como adjuvantes na anestesia e cirurgia, na intubação e nos vários 
procedimentos ortopédicos. Por fim, os fármacos anticolinérgicos bloqueadores ganglionares 
atuam nos receptores nicotínicos dos gânglios autônomos parassimpático e simpático (como 
trimetafano, hexametônio e mecamilamina) e interferem nos impulsos nervosos do SNA (nos 
receptores nicotínicos) causando inúmeros efeitos adversos, o que limita a utilização clínica, 
mas têm utilidade terapêutica em casos de emergência de crise hipertensiva e para produzir 
hipotensão controlada durante procedimentos cirúrgicos (BRUNTON et al., 2019). 
Quanto aos fármacos antagonistas adrenérgicos, são chamados também de fármacos 
simpatolíticos, por “quebrarem” os efeitos do SN simpático. Temos a seguinte divisão: fármacos 
antagonistas de receptores α, fármacos antagonistas de receptores β e fármacos que afetam a 
concentração de monoaminas. 
44
3 AGONISTAS E ANTAGONISTAS COLINÉRGICOS 
Os agonistas colinérgicos, ou colinesterásicos, são classificados conforme o tipo de receptor 
colinérgico, muscarínico ou nicotínico. Estes receptores são diferenciados com base em suas 
diferentes afinidades nestes fármacos que mimetizam ação da ACh. 
A ACh atua como neurotransmissor colinérgico na fibra pré-ganglionar, que termina na 
suprarrenal, no gânglio autônomo (no parassimpático e simpático) e nas fibras pós-ganglionares 
da divisão parassimpática (WHALEN et al., 2016). A neurotransmissão da ACh envolve seis etapas 
que estão simplificadas abaixo: 
Síntese de acetilcolina: a colina acetiltransferase catalisa a síntese de acetilcolina a partir da 
colina e Acetil-CoA.
Captação nas vesículasde armazenamento: a acetilcolina está protegida da degradação no 
interior da vesícula.
Liberação do neurotransmissor: a liberação da ACh ocorre quando um potencial de ação 
chega ao terminal nervoso, promovendo a abertura dos canais de cálcio.
Ligação da ACh ao receptor: liberada, a ACh vai interagir com os receptores. O receptor pós-
sináptico colinérgico (muscarínico ou nicotínico) é ativado pela ligação com a ACh.
Degradação da ACh: excessos de ACh na fenda sináptica são rapidamente hidrolisados pela 
acetilcolinesterase (AChE), formando colina e acetato.
Reciclagem de colina e acetato: a colina é captada pelo neurônio. Ali, ela é acetilada em ACh, 
que é armazenada até a liberação por um potencial de ação subsequente. 
3.1 Receptores colinérgicos 
A transmissão colinérgica ocorre em função da ação da acetilcolina aos receptores 
muscarínicos ou nicotínicos. Como já visto anteriormente, a ACh é o neurotransmissor em todas 
as sinapses ganglionares do sistema simpático e parassimpático e nas sinapses neuroefetoras 
do sistema parassimpático. É nessas sinapses neuroefetoras, que a ACh atua nos receptores 
muscarínicos. Saiba mais sobre esses receptores muscarínicos assistindo a este vídeo 1.
45
Utilize o QR Code para assistir ao vídeo:
Os receptores colinérgicos específicos à ação muscarínica são denominados receptores 
de ACh muscarínicos (mAChR) e os receptores colinérgicos específicos à ação nicotínica são 
denominados receptores nicotínicos de ACh (nAChR). Esses receptores, mAChR e nAChR, são 
naturalmente alvos da ACh endógena, ou seja, ACh sintetizada, armazenada e liberada dos 
neurônios colinérgicos, bem como também de numerosos fármacos administrados para fins de 
obtenção de efeitos farmacológicos, tanto agonistas quanto antagonistas, incluindo os alcaloides 
muscarina e nicotina (BRUNTON et al., 2019).
Utilize o QR Code para assistir ao vídeo:
Conforme visto, os receptores muscarínicos são metabotrópicos acoplados às proteínas G, 
apresentam sete domínios transmembrana e atuam como transdutores de sinal. Esses receptores 
se apresentam em cinco subtipos, do M1 ao M5. Regulam vias de sinalização intracelular por 
meio da produção de segundos mensageiros e da indução de canais iônicos, pelas suas proteínas 
G. Por outro lado, os receptores nicotínicos são formados por canal iônico regulado por ligante 
46
e são compostos de cinco subunidades homólogas reunidas ao redor de um poro central. 
Esses receptores produzem a abertura de um canal seletivo para o sódio e o potássio, o que 
gera despolarização celular. Confira uma síntese dos subtipos dos receptores muscarínicos e 
nicotínicos na tabela “Subtipos e características dos receptores colinérgicos”.
Tabela 2 - Subtipos e características dos receptores colinérgicos 
Fonte: PANUS et al., 2011, p. 51 (Adaptada).
#ParaCegoVer: Na imagem, temos uma tabela com quatro colunas e 10 linhas, apresentando 
os subtipos e características dos receptores colinérgicos. Os subtipos muscarínicos são 
denominados de M1 a M5. Os subtipos nicotínicos são denominados Nm e Nn. 
Os subtipos M2 e M4 estão ligados às proteínas G inibitórias (Gi) e, quando ativados, sofrem 
uma mudança conformacional, estimulando a proteína Gi. Essa proteína tem ação inibitória sobre 
a adenililciclase e aumenta a entrada do íon K+ nas células. Já os subtipos M1, M3 e M5 são 
47
acoplados às proteínas G excitatórias (Gq). Quando ativados, esses receptores sofrem mudança 
conformacional e estimulam a proteína Gq, que ativa a enzima fosfolipase C, ocasionando a 
produção de segundos mensageiros, como o trifosfato (1,4,5) de inositol (IP3) e o diacilglicerol, 
e de terceiros mensageiros, como o cálcio e a proteinocinase C. O aumento de Ca2+ intracelular 
pode causar uma variedade de efeitos, tais como a contração, a hiperpolarização ou a secreção 
celular (BRUNTON et al., 2019). 
De maneira geral, a acetilcolina vai interagir com os receptores muscarínicos ou nicotínicos 
e produzir efeitos excitatórios ou inibitórios, que está diretamente relacionado com o tecido 
e receptor no qual vai se ligar. A interação com esses receptores está ilustrada na imagem 
“Receptores acetilcolina”.
Figura 3 - Receptores acetilcolina 
Fonte: Ellepigrafica, Shutterstock, 2020.
#ParaCegoVer: Na imagem, temos receptores de acetilcolina que são os muscarínicos e 
nicotínicos. Na parte superior, está ilustrado o mecanismo transmissão de sinal por canal iônico 
disparado por ligante do receptor nicotínico e, na parte inferior, o receptor muscarínico.
3.2 Agonistas colinérgicos 
Os agonistas colinérgicos de ação direta são conhecidos por “copiarem” as ações do SN 
parassimpático. São ligados diretamente a receptores colinérgicos muscarínicos ou nicotínicos 
48
e de acordo com sua estrutura química, são divididos em dois grandes grupos: os ésteres de 
colina (quando inclui a acetilcolina e outros fármacos sintéticos) e os alcaloides naturais. Alguns 
exemplos do grupo ésteres de colina são: a acetilcolina, a metacolina, o carbacol e o betanecol. Já 
como exemplos de fármacos alcaloides naturais, podemos citar a pilocarpina e a lobelina. 
Por outro lado, os agonistas colinérgicos de ação indireta, anticolinesterásicos (AChE), 
agem inibindo a acetilcolinesterase, e assim amplificam as ações da acetilcolina endógena nas 
sinapses muscarínicas e nicotínicas, ou seja, acúmulo de ACh na fenda sináptica e a continuação 
ou o aumento das suas vias de sinalização. Podem, portanto, aumentar as funções simpáticas 
ou parassimpáticas nos tecidos periféricos e, de acordo com sua estrutura química e duração 
dos seus efeitos, é dividido em três classes: edrofônio, neostigmina e ecotiofato. Observe esses 
principais agonistas colinérgicos de ação direta e indireta no quadro “Agonistas colinomiméticos: 
características clínicas e farmacocinéticas”.
Com relação ao uso terapêutico dos fármacos colinérgicos, são usados principalmente 
no tratamento da xerostomia, de doenças dos olhos (glaucoma e esotropia de acomodação), 
distúrbios dos órgãos gastrointestinal e urinário (atonia pós-operatória e bexiga neurogênica) e 
da junção neuromuscular (myasthenia gravis e paralisia neuromuscular induzida por curare) e 
doença de Alzheimer. As contraindicações são para os pacientes que apresentam asma, doença 
pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), doença cardiovascular, úlcera péptica, hipotensão, obstrução 
dos tratos geniturinário ou gastrintestinal e aos pacientes com hipertireoidismo (podem induzir 
quadro de fibrilação atrial).
O uso terapêutico dos fármacos anticolinesterásicos é indicado para tratamento de patologias, 
como miastenia grave, Alzheimer e glaucoma de ângulo aberto. São usados, às vezes, no 
tratamento da dosagem excessiva de atropina e, muito raramente, na terapia de certas arritmias 
atriais. Além disso, como a transmissão colinérgica está presente em todas as espécies animais, 
alguns agentes anticolinesterásicos são tóxicos, atuando como pesticidas e inseticidas. 
49
Tabela 3 - Agonistas colinomiméticos: características clínicas e farmacocinéticas 
Fonte: PANUS et al., 2011, p. 52 (Adaptada).
#ParaCegoVer: Na imagem, temos uma tabela com cinco colunas e 11 linhas com os agonistas 
colinomiméticos e suas características clínicas e farmacocinéticas.
50
 A estimulação dos receptores muscarínicos ou nicotínicos causa efeitos adversos variáveis, 
nos diferentes tecidos e órgãos.
Geralmente, todos os fármacos muscarínicos são similares clinicamente nos diversos efeitos 
farmacológicos, e entre eles estão: ação direta sobre o SNC, que pode envolver estimulação 
generalizada, e causar alucinações ou convulsões; nos olhos, pode provocar a contração do 
músculo esfíncter da pupila, que resulta em miose, e, também, a contração do músculo ciliar, 
causando a acomodação da visão e, na estimulação desses receptores também causa o aumento 
das secreções lacrimais. 
No sistema respiratório, estes fármacos agonistas muscarínicos ocasionam a constrição 
brônquica e o aumento dassecreções traqueobrônquicas; no sistema cardiovascular, ocasionam 
alterações do ritmo cardíaco; nos órgãos do trato gastrintestinal, causa o aumento do seu tônus, 
ampliam a sua motilidade e a sua atividade secretora, e a maioria dos esfíncteres também é 
relaxada por ação desses fármacos. As doses mais altas geram o risco de respostas periféricas 
generalizadas à estimulação parassimpaticomimética excessiva, resultando em broncoconstrição 
e produção excessiva de muco, desconforto gastrintestinal, hiperatividade do músculo detrusor 
da bexiga (com aumento da frequência de micção) e hipotensão. Bradicardia também pode estar 
presente, mas a hipotensão costuma produzir taquicardia reflexa. 
Já com relação aos efeitos adversos dos agonistas nicotínicos de ação direta, os atuantes no 
SNC causam perigo de convulsões, de coma e da depressão respiratória. Nos tecidos periféricos, 
a estimulação dos receptores nicotínicos ganglionares autônomos resulta em hipertensão 
e arritmias cardíacas, e a estimulação prolongada dos receptores neuromusculares na junção 
neuromuscular causa paralisia muscular. 
Com relação aos efeitos adversos dos agonistas de ação indireta (anticolinesterásicos), 
são similares a dos agonistas de ação direta. Os efeitos tóxicos agudos dos inibidores da AChE, 
assim como nos agonistas de ação direta, são extensões de suas ações farmacológicas, como 
salivação, rubor, redução da pressão arterial, náusea, dor abdominal, diarreia e broncoespasmo. 
As manifestações no SNC são comuns após superdosagens, tais reações se manifestam na forma 
de convulsões e, em seguida, depressão respiratória e cardiovascular. 
3.3 Antagonistas colinérgicos (anticolinérgicos) 
Os fármacos antagonistas colinérgicos atuam sobre diferentes sistemas do organismo 
e são denominados anticolinérgicos (um termo impróprio, pois antagonizam apenas os 
receptores muscarínicos) sendo então também denominados como antimuscarínicos ou como 
parassimpaticolíticos. Os fármacos parassimpatomiméticos mimetizam as ações da acetilcolina, 
estimulando as ações mediadas pelo sistema parassimpático. Então, com isso, os fármacos 
parassimpatocolíticos têm ação contrária e as ações de estimulação simpática ficam sem oposição. 
51
O mecanismo de ação desses fármacos antimuscarínicos se dá pela sua ação antagonista 
sobre os receptores colinérgicos muscarínicos, ou seja, evitam que o neurotransmissor ACh 
se ligue a esses receptores e exerça suas ações. Dessa forma, as ações mediadas pelo sistema 
parassimpático são inibidas ou reduzidas. Os fármacos antimuscarínicos podem apresentar 
ações sobre diferentes sistemas e, dessa forma, têm sido utilizados no tratamento de diferentes 
quadros clínicos. Pela similaridade, são divididos em três classes:
• Alcaloides naturais
Atropina e escopolamina.
• Derivados semissintéticos dos alcaloides naturais
Homatropina.
• Derivados sintéticos
Ipratrópio, tiotrópio, oxitrópio, benztropina, propantelina.
Observe a aplicação desses fármacos na tabela “Principais usos terapêuticos de fármacos 
antimuscarínicos”. 
As indicações terapêuticas e as aplicações clinicamente úteis dos fármacos antimuscarínicos 
incluem minimizar os efeitos da inervação parassimpática do trato gastrintestinal, geniturinário, 
respiratório, coração e olhos. Nas indicações de tratamento da doença de Parkinson, reversão 
do broncoespasmo e a aplicação ocular direta desses fármacos inibem a acomodação do olho 
e provocam dilatação das pupilas (PANUS et al., 2011). Eles também são empregados para o 
tratamento de alguns distúrbios do sistema nervoso central e no envenenamento/intoxicação 
por agentes colinérgicos.
52
Tabela 4 - Principais usos terapêuticos de fármacos antimuscarínicos 
Fonte: PANUS et al. 2011, p. 56 (Adaptada).
#ParaCegoVer: Na imagem, temos uma tabela com três colunas e 10 linhas com os principais 
usos terapêuticos de fármacos antimuscarínicos. 
A maioria dos fármacos antimuscarínicos disponíveis clinicamente não é seletiva em relação 
aos subtipos de receptores muscarínicos (M1 a M5), ou seja, a eficácia da maioria desses fármacos 
necessita de um equilíbrio de ações antagônicas sobre dois ou mais subtipos desses receptores. 
Em função disso, o uso desses fármacos no tratamento direcionado a algum órgão ou tecido do 
organismo pode acarretar efeitos indesejados em outros sistemas (BRUNTON et al., 2019). 
É comum aos fármacos antimuscarínicos apresentarem clinicamente os seguintes efeitos 
farmacológicos: relacionados ao SNC incluem sonolência, tonturas e confusão e são particularmente 
problemáticos em idosos; no sistema cardiovascular, podem alterar a frequência incluindo 
53
taquicardia, e também geralmente causam bradicardia transitória; no sistema respiratório, causam 
alguma broncodilatação e diminuição nas secreções traqueobrônquicas; no trato urinário, diminuem 
o tônus normal e a amplitude das contrações dos ureteres e da bexiga; no trato gastrointestinal 
(TGI), atuam como fármacos antiespasmódicos para distúrbios gastrointestinais e para diminuir a 
secreção gástrica no tratamento da úlcera péptica. A secreção salivar é particularmente sensível à 
inibição pelos antagonistas do receptor muscarínico, que podem abolir completamente a secreção 
aquosa abundante induzida pela estimulação parassimpática. 
As contraindicações e efeitos adversos dos fármacos antimuscarínicos são para indivíduos 
que apresentam algum tipo de obstrução do trato geniturinário ou do TGI, assim como glaucoma 
(ou suscetibilidade), e estes devem evitar o uso desses fármacos. Também devem ser utilizados 
com cuidado em homens de idade mais avançada e evitado naqueles que apresentarem 
histórico de hiperplasia prostática, pois o relaxamento da musculatura lisa do trato geniturinário 
pode ocasionar o aumento da pressão sobre a próstata (BRAGHIROLLI et al., 2018). Outras 
contraindicações importantes incluem asma crônica, doença pulmonar obstrutiva, obstrução 
urinária ou do TGI, doença ácido-péptica, doença cardiovascular acompanhada de bradicardia, 
hipotensão e hipertireoidismo. Essas contraindicações e esses efeitos adversos em geral têm 
pouca importância na administração tópica para uso oftálmico.
4 BLOQUEADORES NEUROMUSCULARES
Os fármacos bloqueadores neuromusculares (BNMs) atuam na comunicação entre o neurônio 
motor e as fibras musculares, a chamada junção neuromuscular (JNM). Estes fármacos bloqueiam 
a transmissão colinérgica entre o terminal nervoso motor e o receptor nicotínico pós-sináptico 
no músculo esquelético.
Os fármacos BNMs agem na junção neuromuscular, prejudicando a transmissão sináptica 
e, consequentemente, provocando o relaxamento da musculatura. Estes fármacos atuam por 
meio de dois mecanismos diferentes, como agonistas despolarizantes ou antagonistas não 
despolarizantes, nos receptores da placa motora da JNM para impedir a contração muscular, 
promovendo o relaxamento do músculo. Esses fármacos são clinicamente úteis para produzir 
relaxamento muscular como auxiliares nas cirurgias de grande porte.
É importante lembrar, primeiramente, que a junção neuromuscular é um processo no qual 
ocorre a sinapse entre o neurônio motor e a fibra muscular. E a unidade motora é o conjunto 
formado pelo neurônio motor e as fibras musculares que esse neurônio inerva, e a placa motora 
é a porção do sarcolema (membrana da fibra muscular) que participa da sinapse com o neurônio 
motor (BRAGHIROLLI et al.,2018). Observe a imagem “junção neuromuscular”, que demonstra a 
representação da unidade motora, formada pelo neurônio motor e as fibras musculares com as 
quais se comunica, e como ocorre a sinapse neuromuscular ou junção neuromuscular.
54
Figura 4 - Junção neuromuscular 
Fonte: VectorMine, Shutterstock, 2020.
#ParaCegoVer: Na imagem, temos a junção neuromuscular, apresenta-se a representação da 
unidade motora, formada pelo neurônio motor, célula muscular e as fibras musculares com as 
quais se comunica. Mostra o neurônio e seu axônio e a sinapse neuromuscular.
Então, é porsinalização mediada por receptores nicotínicos pós-sinápticos na placa motora 
que a contração do músculo esquelético é produzida. A ativação do receptor nicotínico determina 
a abertura dos canais, com influxo subsequente de Na+ e efluxo de K+ (potencial da placa motora). 
Esse potencial da placa motora resulta em despolarização muscular adjacente e propagação ao 
longo de toda a fibra muscular (BRUNTON et al.,2019)
55
4.1 Fármacos bloqueadores despolarizantes
O fármaco bloqueador despolarizante atua por despolarização da junção neuromuscular na 
membrana plasmática da fibra muscular, agindo similar à ação da acetilcolina. Age como agonista 
que bloqueia competitivamente a ACh nos receptores nicotínicos, isto é, eles competem com a 
ACh pelo receptor e, assim, esses fármacos impedem a despolarização da membrana da célula 
muscular e inibem a contração muscular. 
Porém, diferentemente da ACh, que é destruída instantaneamente pela acetilcolinesterase 
(AChE), o fármaco despolarizante é mais resistentente à degradação e persiste em concentração 
elevada na fenda sináptica, permanecendo fixado ao receptor por um tempo maior e causando 
uma estimulação constante do receptor (WHALEN et al.,2016). 
O mecanismo de ação do fármaco despolarizante é composto por duas fases, sendo que na 
fase I, após a contração, o agonista despolarizante se liga ao receptor nicotínico, o que resulta na 
despolarização do receptor e, assim, permanece ligado mantendo o canal iônico para entrada de 
sódio aberto, o que impede a repolarização da membrana. A despolarização continuada torna o 
receptor incapaz de transmitir impulsos adicionais, então ocorre uma descarga de potenciais de 
ação na placa motora, resultando em um período transitório de excitação repetitiva do músculo 
(fasciculações). Com o tempo, esta despolarização contínua dá origem a uma repolarização 
gradual da membrana, ou seja, quando o canal de sódio se fecha ou é bloqueado, causando assim 
uma resistência à despolarização e paralisia flácida do músculo. Esse tipo de bloqueio não pode 
ser antagonizado e pode ser acentuado pela AChE. Portanto, (fase II) a membrana repolariza, mas 
o receptor é dessensibilizado aos efeitos da acetilcolina. 
Atualmente, o único fármaco BNM despolarizante relaxante muscular disponível clinicamente 
é a succinilcolina (ou suxametônio), que é agonista de ação direta que se liga ao receptor 
nicotínico pós-sináptico. Quando administrada inicialmente em dose única intravenosa (10 a 
30 mg), apresenta efeito adverso de breves fasciculações musculares, causando dor muscular, 
principalmente sobre o tórax e o abdome. Isso pode ser evitado com administração prévia (antes 
da administração de succinilcolina) de pequena dose de BNM não despolarizante. A duração 
da ação da succinilcolina é extremamente curta, em razão da rápida hidrólise pela colinesterase 
plasmática (pseudocolinesterase), porém, a succinilcolina que atinge a JNM não é biotransformada 
pela acetilcolinesterase, o que permite ao fármaco se ligue aos receptores nicotínicos. A sua 
redistribuição ao plasma é necessária para a biotransformação. 
Quanto aos efeitos farmacocinéticos da succinilcolina, a administração intravenosa 
tem rápido início (60 segundos). Tem a vantagem de durar poucos minutos, apresentando 
reversão espontânea do bloqueio após, aproximadamente, 10 minutos. Para produzir bloqueio 
neuromuscular prolongado, pode ser administrada por infusão contínua, mas não é habitual e 
56
requer pré-tratamento com atropina. Quando administrada por via intramuscular, o início da 
ação é muito mais lento, então, geralmente é utilizada apenas em crianças, ou outros pacientes 
nas quais o acesso venoso não foi possível. 
Quanto ao uso terapêutico, o fármaco succinilcolina, por ter início rápido, tem indicação para 
uso quando for necessária intubação endotraqueal rápida durante a indução da anestesia ou 
durante tratamento com choque eletroconvulsivo. 
Os efeitos adversos e contraindicações incluem hiperpotassemia induzida pela succinilcolina, 
pois pode ser fatal em pacientes que tenham condições clínicas de distrofias musculares, 
queimaduras, problemas cardíacos e paraplegia, sendo seu uso contraindicado nestes casos 
(BRAGHIROLLI et al.,2018). Também pode induzir a hipertermia maligna em pacientes suscetíveis e a 
apneia prolongada ocorre se houver algum problema na reversão do bloqueio. Quando há bloqueio 
prolongado devido à atividade reduzida da colinesterase plasmática, que pode ser atribuída a 
causas congênitas ou adquiridas, sendo que as causas hereditárias ocorrem devido à produção de 
colinesterase plasmática atípica, e nas causas adquiridas que incluem síntese enzimática diminuída, 
quando houver doença hepática, carcinomatose, gestação ou jejum prolongado (hipoproteinemia), 
insuficiência cardíaca, insuficiência renal e queimaduras, sendo contraindicado o uso de 
succinilcolina. Assim como também deve ser usado com cautela quando administrados juntamente 
com os fármacos etomidato, anestésicos locais, do tipo éster, metotrexate, remifentanil e esmolol, 
pois pode resultar na redução da atividade da colinesterase plasmática.
4.2 Fármacos bloqueadores não despolarizantes (competitivos)
Os fármacos bloqueadores não despolarizantes são antagonistas competitivos dos receptores 
nicotínicos, ou seja, bloqueiam competitivamente a ACh na ligação com o receptor, competindo 
pelo receptor sem estimulá-lo. Em doses baixas, impedem a despolarização da membrana da célula 
muscular (da placa motora) e inibem a contração muscular, assim o músculo permanece relaxado. 
A diminuição dos efeitos dos BNMs não despolarizantes é alcançada através da administração 
de inibidores da colinesterase (anticolinesterásicos), que aumentam a concentração de ACh 
na fenda sináptica na JNM, ou seja, isso ocorre devido à inibição da acetilcolinesterase. Isso é 
geralmente utilizado como estratégia em aplicações de anestesia, ou seja, a diminuição da duração 
do bloqueio neuromuscular. Além disso, em doses baixas, com um estimulador periférico, os 
músculos respondem em graus variados à estimulação elétrica direta, sendo possível monitorar 
a extensão do bloqueio neuromuscular. Porém, em doses elevadas, podem bloquear os canais 
iônicos na placa motora, levando a um enfraquecimento adicional na transmissão neuromuscular, 
ocasionando redução de possibilidade dos anticolinesterásicos reverterem a ação destes 
agonistas não despolarizantes. Assim, com o bloqueio completo, os músculos não respondem à 
estimulação elétrica direta (WHALEN et al.,2016). 
57
A ação dos bloqueadores competitivos BNMs apresentam diferentes sensibilidades nos 
variados músculos. Assim, os músculos pequenos, os quais produzem movimentos rápidos, são 
relaxados primeiramente como, por exemplo, os músculos dos olhos, da mandíbula e da laringe e, 
posteriormente, os músculos do tronco e dos membros, sendo por último relaxados os músculos 
intercostais e o diafragma, ocasionando a parada da respiração. Os músculos são recuperados 
na ordem inversa, sendo que, normalmente, o primeiro a recuperar sua função é o diafragma 
(BRAGHIROLLI et al.,2018). 
Os principais fármacos bloqueadores competitivos (não despolarizantes) entre os BNMs, são: 
cisatracúrio, pancurônio, rocurônio e o vecurônio. A tubocurarina também, mas atualmente foi 
substituída por estes outros fármacos com menos efeitos adversos. O atracúrio também é outro 
fármaco que foi substituído, neste caso pelo seu isômero, cisatracúrio. 
Quanto aos efeitos farmacocinéticos destes BNMs competitivos, o tempo de início e a duração 
de ação variam de acordo com cada fármaco. Estes fármacos possuem estrutura que previnem 
absorção no intestino, ou seja, têm baixa absorção pelo trato gastrintestinal (TGI), penetram 
pouco nas membranas, não entram nas células e nem atravessam a barreira hematencefálica. Por 
isso, não são administrados por via oral, e absorção é adequada por via intramuscular (IM), mas 
tem início de ação mais rápido por viaintravenosa (IV). Quando administrado via intravenoso, a 
fraqueza motora evolui para paralisia flácida total. 
Muitos desses fármacos não são biotransformados e suas ações terminam por redistribuição, 
como no caso do pancúrio, que é excretado inalterado na urina; o cisatracúrio, que não 
causa liberação de histamina (diferente do seu isômero atracúrio que libera), é metabolizado 
por degradação (por rearranjo de Hoffmann) e não se acumula na insuficiência renal; já nos 
aminoesteroides (rocurônio e vecurônio), são metabolizados em um órgão-alvo antes da 
excreção, como por exemplo, serem desacetilados no fígado, e também podem ser excretados 
inalterados na bile. 
Quanto ao uso terapêutico desses BNMs competitivos não polarizantes, são utilizados 
frequentemente em cirurgias de grande porte, pois induzem relaxamento durante o procedimento. 
Também são utilizados em unidades de terapia intensiva (UTIs) em pacientes que estão com 
ventilação mecânica, para evitar complicações ventilatórias. 
Com relação aos efeitos adversos e contraindicações, no geral, esses BNMs competitivos 
são seguros, apresentando efeitos adversos mínimos. Mas alguns casos e fármacos específicos 
podem apresentar efeitos cardiovasculares e podem manifestar bradicardia e taquicardia, sendo 
contraindicados para pacientes com problemas cardíacos, sendo que o vecurônio, o cisatracúrio 
e o rocurônio exercem efeitos cardiovasculares mínimos ou nenhum efeito, já o pancurônio 
provoca aumento moderado da frequência cardíaca e aumento menor do débito cardíaco, com 
pouca ou nenhuma alteração na resistência vascular sistêmica, e também taquicardia induzida; 
58
já com relação à liberação de histamina, o pancurônio tem liberação de histamina reduzida, mas 
bloqueia receptores muscarínicos, o que é perigoso para pacientes com problemas cardíacos. 
5 AGONISTA E ANTAGONISTA ADRENÉRGICOS 
A subdivisão simpática do sistema nervoso autônomo é um regulador de praticamente quase 
todos os sistemas fisiológicos no organismo humano, e está relacionada, principalmente, em 
preparar o organismo para situações de estresse, pânico, fuga, frio e com atividades físicas. Os 
efeitos decorrentes da estimulação simpática ocorrem por meio da liberação do neurotransmissor 
norepinefrina (ou noradrenalina), que ativa α-adrenorreceptores ou β-adrenorreceptores. 
Os fármacos que ativam diretamente os receptores adrenérgicos são denominados fármacos 
simpatomiméticos (ou adrenérgicos), enquanto que outros fármacos que indiretamente 
atuam aumentando a liberação ou bloqueando a captação de norepinefrina (antagonistas) são 
denominados simpaticolíticos (ou antiadrenérgicos) (BRUNTON et al., 2019). 
Os neurônios adrenérgicos são encontrados no sistema nervoso central (SNC) e também 
no sistema nervoso simpático, onde servem de ligação entre os gânglios e os órgãos efetores e 
liberam a norepinefrina como neurotransmissor primário. 
A neurotransmissão nos neurônios adrenérgicos é muito similar à dos neurônios colinérgicos, 
mas nesse caso o neurotransmissor é a norepinefrina, em vez da acetilcolina (WHALEN et al., 
2016). A neurotransmissão envolve as seguintes seis etapas que estão simplificadas abaixo: 
• Síntese da norepinefrina (NE): a tirosina é transportada para dentro do neurônio adre-
nérgico por um carregador, onde é hidroxilada em di-hidroxifenilalanina (Dopa) pela 
tirosina hidroxilase. Esta, com a ação da enzima descarboxilase de aminoácidos aromáti-
cos, vai tornar a L-DOPA em dopamina, sendo formada uma catecolamina (catecolamina 
é uma monoamina, um composto orgânico que tem grupo catecol e cadeia lateral de 
amina. Adrenérgico é um grupo de moléculas chamadas catecolaminas, e a epinefrina e a 
norepinefrina são representantes importantes).
• Armazenamento da norepinefrina em vesículas : a dopamina é internalizada em vesículas 
sinápticas. Uma vesícula agrupa diversas dopaminas dentro, e ali a enzima dopamina 
ꞵ-hidroxilase a transforma em norepinefrina (NE).
• Liberação de norepinefrina: o influxo de cálcio (Ca+2) causa fusão da vesícula com a 
membrana celular, induzindo processo de exocitose das vesículas, liberando NE na fenda 
sináptica.
• Ligação ao receptor: liberada, a norepinefrina vai interagir com os receptores adrenérgi-
cos (α-adrenorreceptores ou β-adrenorreceptores) na fenda sináptica. O receptor pós-si-
náptico é ativado pela ligação do neurotransmissor (norepinefrina).
• Remoção da norepinefrina: o excesso de norepinefrina na fenda sináptica pode 1) difun-
59
dir para fora do espaço sináptico e entrar na circulação sistêmica; 2) ser metabolizada a 
metabólitos inativos pela catecol-O-metil- transferase (COMT) no espaço sináptico; ou 3) 
sofrer captação de volta para o neurônio.
• Metabolismo: logo que a norepinefrina entra no citoplasma do neurônio adrenérgico, 
pode ser metilada pela COMT (catecol-O-metil- transferase) ou oxidada pela monoami-
noxidase (MAO).
5.1 Receptores adrenérgicos (adrenoreceptores)
Os adrenoceptores são receptores do tipo metabotrópicos, isto é, estão transmembrana 
acoplados à proteína G, sendo que esta apresenta três subunidades: α, β e γ. Quando a 
noradrenalina ou a adrenalina interage com o domínio extracelular dos adrenoceptores, eles 
sofrem uma mudança de sua conformação, ocasionando a alteração estrutural da proteína 
G, que ocasiona a dissociação da sua subunidade α das subunidades β e γ. A subunidade α 
dissociada interage com seu efetor e modula sua atividade, ocasionando uma cascata de eventos 
de sinalização intracelular. Os seus efetores incluem a adenililciclase (AC), a fosfolipase C, canais 
iônicos e a GMPc fosfodiesterase. Conforme esta ação/efetor da subunidade α, as proteínas G 
são classificadas em estimuladoras da adenililciclase (Gs) ou inibidoras da adenililciclase (Gi), ou 
à fosfolipase C (Gq ) (BRAGHIROLLI et al.,2018). 
No sistema nervoso simpático há várias classes de adrenoceptores, que são designados por 
α e β. Essa classificação foi baseada na resposta desses receptores à ligação com norepinefrina 
(noradrenalina), epinefrina (adrenalina) e com o fármaco agonista isoproterenol. As duas 
classificações, α e β, de adrenoceptores são também divididas em subtipos. Os α-adrenoceptores 
são subdivididos em α1 e α2. Enquanto que os β-adrenoceptores são subdivididos em β1 , β2 e 
β3 (WHALEN et al., 2016). 
Os receptores simpáticos mais comuns são os α- adrenorreceptores, que respondem de forma 
intensa à norepinefrina e fracamente à epinefrina. Por outro lado, os subtipos β-adrenorreceptores 
diferem em suas afinidades pelas catecolaminas. Os receptores β1 respondem de forma igual 
à norepinefrina e à epinefrina, os receptores β2 são mais sensíveis à epinefrina do que à 
norepinefrina e os receptores β3, encontrados principalmente no tecido adiposo, são inervados e 
mais sensíveis à norepinefrina do que à epinefrina. 
Os α1-adrenorreceptores estão acoplados à proteína Gq estimulatória e está presente em 
geral no músculo liso e no coração, e os α2-adrenorreceptores, acoplado à proteína Gi inibitória, 
estão localizados no sistema nervoso central (SNC), nas células das ilhotas pancreáticas e nos 
terminais nervosos. Já os subtipos β estão todos acoplados à proteína Gs estimulatória, e β1-
adrenorreceptores se localizam no coração e nas células renais justaglomerulares, os β2-
adrenorreceptores estão localizados no músculo liso dos brônquios e no músculo esquelético, e 
os β3-adrenorreceptores estão localizados no tecido adiposo (BRAGHIROLLI et al.,2018). 
60
Na tabela “Características dos receptores adrenérgicos”, constam outras informações 
complementares das localizações e ações dos subtipos de adrenoceptores.
Tabela 5 - Características dos receptores adrenérgicos 
Fonte: BRAGHIROLLI et al., 2018, p. 154 (Adaptada)
#ParaCegoVer: Na imagem, temos uma tabela com seis colunas e seis linhas com as 
características dos receptores adrenérgicos. 
5.2 Agonista adrenérgicos
Diferentes fármacos atuam sobre os receptores adrenérgicos e modulam a atividadedo 
sistema nervoso autônomo simpático. Os simpatomiméticos são agrupados pelo modo de ação e 
pelo espectro de receptores que ativam. Estes fármacos mimetizam as ações da noradrenalina e/
ou adrenalina, portanto, podem exercer suas ações de maneira direta ou indireta, que, baseado 
no mecanismo de ação, são classificados em três grupos: 
Agonistas de ação direta: se ligam diretamente aos adrenoceptores α ou β, causando sua 
ativação. Eles podem exibir seletividade a um subtipo específico de adrenoceptor, como também 
podem não apresentar seletividade, atuando sobre diferentes subtipos de adrenoceptores. 
Exemplos desses agonistas de ação direta são a epinefrina, norepinefrina, isoproterenol e 
fenilefrina.
61
Agonistas de ação indireta: estimulam as ações simpáticas por aumentar a disponibilidade de 
adrenalina ou noradrenalina endógenas. Podem ocasionar esse aumento por meio de diferentes 
mecanismos: (a) estimulação da liberação da noradrenalina presente nas vesículas neuronais 
pré-sinápticas (anfetaminas, por exemplo); (b) inibição da recaptação das catecolaminas pelas 
terminações nervosas pré-sinápticas que as liberam e, portanto, aumentam a atividade sináptica 
do transmissor liberado (como exemplo a amitriptilina, da classe dos antidepressivos tricíclicos); 
(c) bloqueio do metabolismo, ou seja, bloqueio da catecol-O-metiltransferase (COMT) e da 
monoaminoxidase (MAO). Entretanto, a inibição da MAO aumenta as reservas de catecolaminas 
nas vesículas sinápticas adrenérgicas, podendo potencializar a ação de outros simpaticomiméticos 
de ação indireta (exemplos de fármacos inibidores da MAO são os antidepressivos IMAO, isto é, 
fenelzina e tranilcipromina).
Agonistas de ação mista: estimulam diretamente os adrenoceptores, e a liberação de 
noradrenalina endógena. A efedrina e seu estereoisômero, pseudoefedrina, estimulam os 
adrenoceptores diretamente e liberam norepinefrina (NE) do neurônio adrenérgico. 
Na tabela “Farmacocinética e aplicações clínicas dos simpaticomiméticos”, observe outras 
características clínicas desses fármacos agonistas adrenérgicos.
62
Tabela 6 - Farmacocinética e aplicações clínicas dos simpaticomiméticos 
Fonte: PANUS et al., 2011, p. 67 (Adaptada).
#ParaCegoVer: Na imagem, temos uma tabela com cinco colunas e 20 linhas, apresentando a 
farmacocinética e aplicações clínicas dos simpaticomiméticos.
Os agonistas endógenos dos receptores adrenérgicos, as catecolaminas (epinefrina, 
norepinefrina e dopamina), são rapidamente metabolizados pela COMT e pela MAO. Como 
consequência, esses agonistas dos receptores adrenérgicos são quase inativos quando 
administrados por via oral. Apresentam ação de curta duração e, quando ministrados por via 
parenteral, não penetram no SNC em quantidades significativas. 
Os fármacos agonistas adrenérgicos apresentam diferentes efeitos sobre os sistemas do 
nosso organismo. No sistema cardiovascular, os agonistas adrenérgicos apresentam efeitos 
cardíacos e vasculares. Os receptores α1 estão presentes na musculatura lisa de praticamente 
todo o leito vascular. Quando os receptores α1 são estimulados pelos agonistas adrenérgicos, 
levam à contração muscular, o que resulta na vasoconstrição arterial e venosa; no sistema 
respiratório, a ativação dos receptores β2 ocasiona a dilatação brônquica, facilitando as trocas 
gasosas; no trato genitourinário, a ação é sobre os receptores α1 presentes na base da bexiga e 
esfíncter uretral que causam a contração da musculatura, evitando a saída da urina (a continência 
urinária); nos olhos, podem ativar os receptores adrenérgicos do tipo α, ocasionando dilatação 
da pupila; no metabolismo, os agonistas adrenérgicos podem exibir ações bastante importantes 
sobre o metabolismo intermediário e ainda reduzem a atividade das glândulas salivares. 
A epinefrina e a norepinefrina apresentam riscos de provocarem efeitos adversos no SNC, tais 
como ansiedade, medo, tensão, cefaleia e tremores. Os outros efeitos adversos observados na 
periferia são extensões de suas ações nos receptores α ou β-farmacológicos, ou seja, causando 
vasoconstrição excessiva, arritmias cardíacas, infarto do miocárdio e edema ou hemorragia 
63
pulmonares. Doses pequenas de simpaticomiméticos causam nervosismo, anorexia e insônia. 
Doses mais altas provocam ansiedade, agressividade ou comportamento paranoide. A hipertensão 
ocorre em função do uso de agonistas α1 enquanto a taquicardia sinusal e as arritmias graves 
são causadas pelos agonistas β1. Os agonistas β2 provocam tremor do músculo esquelético e, 
em doses mais altas, arritmias cardíacas. E, por fim, a estimulação dos receptores β1 e β2 pode 
aumentar os níveis de glicemia. 
As contraindicações dos fármacos agonistas adrenérgicos é para pacientes que utilizam 
medicamentos que causam a inibição da enzima monoaminoxidase (por exemplo, alguns 
antidepressivos) principalmente, adrenalina, noradrenalina e dopamina. E, para pacientes que 
usam fármacos inibidores dos receptores β, também é contraindicada a adrenalina (BRAGHIROLLI 
et al., 2018). 
5.3 Antagonista adrenérgicos (antiadrenérgicos)
Os fármacos simpaticolíticos, também chamados bloqueadores adrenérgicos ou 
antiadrenérgicos. Esses fármacos têm como mecanismo de ação o antagonismo às ações da 
epinefrina (ou adrenalina) e da norepinefrina (ou noradrenalina) por meio do bloqueio dos 
receptores adrenérgicos. São classificados em bloqueadores α-adrenérgicos, bloqueadores 
β-adrenérgicos e fármacos que afetam a concentração de monoaminas. 
Os efeitos desse antagonismo estão diretamente relacionados com a ação dos fármacos 
antiadrenérgicos em relação ao tipo de adrenoceptor em que atuam: α e/ou β e os seus 
subtipos. Antagonistas com ações mediadas pelos adrenoceptores α são chamados de 
fármacos α-bloqueadores e, por outro lado, aqueles que antagonizam as ações mediadas pelos 
adrenoceptores β são chamados de fármacos β-bloqueadores. 
Os antagonistas adrenérgicos possuem diferentes classes de especificidades ao receptor que 
são clinicamente relevantes, são elas: duas classes de receptores α: os antagonistas α não seletivos 
e antagonistas seletivos α1. Com relação aos bloqueadores β-adrenérgicos, são: antagonistas não 
seletivos dos receptores β e antagonistas seletivos dos receptores β1. Há também os antagonistas 
dos receptores α e β, e ainda antagonistas com atividade agonista parcial. Veja os fármacos e 
a aplicação clínica dessas classes na tabela “Uso terapêutico dos principais antagonistas 
adrenérgicos”.
64
Tabela 7 - Uso terapêutico dos principais antagonistas adrenérgicos 
Fonte: BRAGHIROLLI et al., 2018, p. 132 (Adaptada).
#ParaCegoVer: Na imagem, temos uma tabela com três colunas e 16 linhas, que apresenta os 
usos terapêuticos dos principais antagonistas adrenérgicos. 
Além dos fármacos citados na tabela, há também outros importantes fármacos que afetam 
a concentração de monoaminas: fármacos que afetam a síntese de catecolaminas, fármacos que 
afetam o armazenamento de norepinefrina (NE) e fármacos que afetam a liberação de NE. 
Nos fármacos que afetam a síntese de catecolaminas, há inibição em qualquer esfera da 
produção de catecolaminas endógenas. Ou seja, podendo agir desde a transformação da timina 
até mesmo na conversão da L-DOPA em dopamina. Neste caso, o fármaco alfa-metiltirosina 
vai inibir a enzima TH (tirosina hidroxilase), que transforma tirosina em L-DOPA e o fármaco 
carbidopa vai inibir a enzima que converte L-DOPA em dopamina. Uso terapêutico: tratamento 
65
do feocromocitoma. 
No caso de fármaco que afeta o armazenamento de NE, tem a reserpina. Ela é uma inibidora 
da TVMA, e isso faz com que tenha uma diminuição na liberação de NE na fenda. Uso terapêutico: 
anti-hipertensivo. Reações adversas: hipotensão, depressão e nervosismo. 
Como fármaco que afeta a liberação de NE, tem a guanetidina (G). Ela é um substrato para 
VMAT. Assim, ao invés da NE ser internalizada na vesícula, a guanetidina será em seu lugar. A NE 
não interage com os receptoresadrenérgicos. A guanetinina pode ter ação aguda, que aumenta a 
quantidade de NE na fenda sináptica, aumentando os efeitos adrenérgicos, ou ação crônica com 
exposição crônica à G, aumento de G na vesícula, cada vez menos NE é liberada na fenda, e baixa 
sinalização adrenérgica. Uso terapêutico: anti-hipertensivo. Efeitos adversos: náuseas, vômitos e 
bradicardia. 
Quanto aos outros efeitos farmacológicos devido ao antagonismo sobre os adrenoceptores 
α, o sistema cardiovascular é o mais importante, pois o efeito ocasiona aumento da frequência 
cardíaca; nos olhos, ocasiona a contração da pupila (miose); no trato geniturinário, ocasiona 
a redução da pressão na bexiga, enquanto na próstata pode aliviar alguns dos sintomas da 
hiperplasia prostática benigna. Nos efeitos farmacológicos devido ao antagonismo sobre os 
adrenoceptores β, o sistema cardiovascular tem redução da frequência e da contratilidade 
cardíaca; no trato respiratório, causam broncoconstrição. Nas células justaglomerulares renais, 
contribuem para redução da pressão arterial; nos olhos, há redução da produção do humor 
aquoso; no metabolismo, causam o aumento das proteínas de muito baixa densidade (VLDL) 
e das proteínas de baixa densidade (LDL), ao mesmo tempo em que reduzem as concentrações 
séricas das proteínas de alta densidade (HDL). 
Os efeitos adversos do uso dos fármacos antiadrenérgicos dependem dos adrenoceptores 
em que eles estão atuando. Com relação aos fármacos bloqueadores dos adrenoceptores α, 
podem ocasionar a hipotensão postural e vertigens em função da dilatação dos vasos sanguíneos 
e, com isso, podendo também ocasionar a congestão nasal e, nos dutos ejaculatórios, a inibição 
da ejaculação. No início, podem provocar taquicardia e arritmias, que são reduzidas ao longo 
do tempo. A contraindicação é para pacientes que apresentam algum tipo de cardiopatia, que 
devem utilizar esses medicamentos com cautela. 
Nos fármacos antagonistas dos adrenoceptores β, os efeitos adversos são a broncoconstrição, 
bradicardia, hipotensão e bloqueio atrioventricular. Essas ações são graves e podem ocasionar 
o infarto agudo do miocárdio ou a cardiomegalia. Também há aumento da relação LDL/HDL, 
sensação de extremidades frias, e ainda ocasionar a hipoglicemia de jejum e, consequentemente, 
tremores, taquicardia e ansiedade. Há contraindicação para pacientes com bradicardia sinusal ou 
choque cardiogênico, e devem ser evitados em pacientes com asma brônquica ou com doença 
pulmonar obstrutiva crônica. Além disso, deve ser usado com cautela por indivíduos diabéticos.
66
Utilize o QR Code para assistir ao vídeo:
Enfim, você aprendeu nesta unidade informações sobre os conceitos básicos farmacológicos 
dos principais fármacos colinérgicos e adrenérgicos, e também os bloqueadores neuromusculares 
que atuam nos diversos órgãos-alvo do organismo. Conheceram e interpretaram de forma geral 
e específica os mecanismos de ação, os efeitos farmacológicos, os usos terapêuticos, os efeitos 
adversos e as contraindicações desses fármacos. É sempre recomendável que o profissional 
farmacêutico tenha como escopo esses conhecimentos e esteja atento às atualizações 
farmacológicas.
67
Nesta unidade, você teve a oportunidade de:
• identificar os componentes anatômicos e as funções do sistema nervoso central e 
periférico;
• relacionar os aspectos morfofuncionais do sistema central, periférico e autônomo 
com aspectos clínicos;
• caracterizar as funções do sistema nervoso simpático e parassimpático;
• diferenciar receptores adrenérgicos de receptores colinérgicos;
• identificar o mecanismo de ação de fármacos que atuam na junção neuromuscular;
• descrever os mecanismos pelos quais os fármacos podem atuar para alterar a fun-
ção fisiológica do sistema nervoso autônomo.
PARA RESUMIR
BEAR, M. F.; CONNORS, B. W.; PARADISO, M. A. Neurociências: desvendando o sistema 
nervoso. 4. ed. Porto Alegre: Artmed, 2017.
BRAGHIROLLI, D. I.; ROCKENBACH, L.; OLIVEIRA, L. F.; BRUM, L. F. S. Farmacologia 
aplicada. Porto Alegre: SAGAH, 2018.
BRUNTON, L. L.; CHABNER, B. A.; KNOLLMANN, B. C. As bases farmacológicas da 
terapêutica de Goodman & Gilman. 13. ed. Porto Alegre: AMGH, 2019.
FUCHS, F. D.; WANNMACHER, L. Farmacologia clínica e terapêutica. 5. ed. Rio de Janeiro: 
Guanabara Koogan, 2017.
GOLAN, D. E.; TASHJIAN JR, A. H.; ARMSTRONG, E.; ARMSTRONG, A. Princípios de 
farmacologia: a base fisiopatológica da farmacoterapia. 3. ed. Rio de Janeiro: Guanabara 
Koogan, 2018.
MARTIN, J. H. Neuroanatomia: texto e atlas. 4. ed. Porto Alegre: AMGH, 2014.
MOORE, K. L.; DALLEY, A. F.; AGUR, A. M. R. Anatomia orientada para a clínica. 7. ed. Rio 
de Janeiro: Guanabara Koogan, 2014.
PANUS, P. C.; TINSLEY, S. L.; MASTERS, S. B.; TREVOR, A. J.; KATZUNG, B. G. Farmacologia 
para fisioterapeutas. 1. ed. Porto Alegre: AMGH, 2011.
TORTORA, G. J.; DERRICKSON, B. Corpo humano: fundamentos de anatomia e fisiologia. 
10. ed. Porto Alegre: Artmed, 2016.
______. Anatomia e fisiologia. 10. ed. Porto Alegre: Artmed, 2017.
SCHUNKE, M. Prometheus: atlas de anatomia cabeça e neuroanatomia. Rio de Janeiro: 
Guanabara Koogan, 2007.
SILVERTHORN, D. U. Fisiologia humana: uma abordagem integrada. 7.ed. Porto Alegre: 
Artmed, 2017.
SNELL, R. S. Neuroanatomia clínica. 7.ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2011.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
UNIDADE 3
Mediadores químicos e anti-
inflamatórios
Introdução
Você está na unidade Mediadores químicos e anti-inflamatórios. Conheça aqui a 
definição de mediadores e anti-inflamatórios, quais são os tipos existentes, como atuam, 
qual mecanismo de ação, efeitos adversos, farmacocinética, como são classificados e seus 
usos clínicos.
Aprenda a compreender a farmacologia dos mediadores químicos e dos fármacos 
anti-inflamatórios, bem como entender a teoria para aplicação na prática.
Bons estudos!
71
1 MEDIADORES QUÍMICOS
Mediadores químicos são compostos responsáveis por produzir um efeito biológico. Critérios 
adotados que definem substâncias como mediadores são:
• que a mediação com a ação, síntese ou liberação module ou neutralize a resposta bioló-
gica desenvolvida pelo organismo;
• que possa ser liberada de células em quantia suficiente para que produza efeito biológico 
nas células-alvo por um período aceitável;
• que a inserção de amostra autêntica do mediador exiba efeito idêntico ao efeito biológi-
co do organismo (RANG e DALE, 2012).
1.1 Mediadores: 5- Hidroxitriptamina
A 5-hidroxitriptamina (5-HT) é um neurotransmissor importante em todo organismo tanto do 
sistema nervoso central (SNC) como no sistema vascular periférico. Possui um baixo peso molecular, 
detectado como enteramina no intestino e serotonina no soro sanguíneo. Os termos 5-HT e 
serotonina são usuais atualmente para descrever essa substância. As maiores concentrações de 
5-HT se encontram em três órgãos principais, sendo eles o intestino (cerca de 90% do conteúdo 
total), no sangue e no sistema nervoso central. Embora seja possível obter 5-HT através de dietas, 
boa parte da serotonina ingerida é metabolizada antes de cair na corrente sanguínea. Possuem sete 
famílias (5-HT1-7) e subtipos de 5-HT2 (A-C) e 5-HT1 (A-F) (RANG e DALE, 2012).
Figura 1 - Estrutura da pele e anexos 
Fonte: KenshiDesign, Shutterstock, 2020.
#ParaCegoVer: imagem mostra a estrutura química da serotonina (5-hidroxitriptamina).
Os principais efeitos envolvidos com a 5-HT são:
• agregação plaquetária;
• evolução da motilidade gastrointestinal;
72
• vasoconstrição e vasodilatação;
• excitação de terminações nervosas nociceptivas periféricas;
• excitação/inibição de neurônios do SNC (RANG e DALE, 2012). 
Fármacos que atuam nos receptores 5-HT
Muitos agonistas e antagonistas importantes atuam nos receptores 5-HT. São exemplos 
desses fármacos:
• Triptanos (agonistas de receptores 5-HT1)
São utilizados no tratamento da enxaqueca.
• Dolasetrona, ondansetrona, tropisetrona, entre outros (antagonistas de receptores 
5-HT3)
Empregados como antieméticos paravômitos e náuseas. Utilizados principalmente para 
combater os efeitos adversos de quimioterapia.
• Metisergida e ketanserina (antagonistas de receptores 5-HT2)
São empregados no bloqueio de receptores 5-HT. Além disso, possuem mais antagonistas 
5-HT 2, que são utilizados no tratamento de sintomas causados por tumores carcinoides.
• Metoclopramida, cisaprida e tegaserode (agonistas de receptor 5-HT)
Utilizados para tratamento de distúrbios gastrointestinais (RANG e DALE, 2012).
Além disso, o 5-HT é um neurotransmissor importante atuando no sistema nervoso central 
(SNC), onde atuam fármacos importantes antidepressivos e antipsicóticos. Alucinógenos como o 
LSD também atuam nos receptores 5-HT em receptores não seletivos (RANG e DALE, 2012).
1.2 Alcaloides do ergot
Alcaloides da ergotamina (ergot) são um grupo não classificável na farmacologia. A sua 
grande maioria atua em receptores 5-HT, porém não são seletivos desses receptores (RANG e 
DALE, 2012).
73
Os alcaloides do ergot mais conhecidos são:
• Ergometrina
Utilizada na obstetrícia para evitar hemorragia pós-parto.
• Erotamina
Empregada no tratamento da enxaqueca.
• Bromocriptina
Utilizada em distúrbios endócrinos e no tratamento da doença de Parkinson.
• Metisergida
Empregada em algumas ocasiões para o tratamento da enxaqueca e na síndrome carcinoide 
(RANG e DALE, 2012).
Efeitos adversos desses fármacos englobam vasoconstrição, náuseas e vômitos. 
1.3 Enxaqueca
A enxaqueca é uma condição que afeta de 10 a 15% da população, suas causas não são de 
fato muito conhecidas, porém estão envolvidos com fatores ambientais e genéticos. Afeta mais 
mulheres do que homens e tem início geralmente na puberdade (RANG e DALE, 2012).
FIQUE DE OLHO
A ergotamina se trata de um extrato obtido do fungo Claviceps purpúrea. Seu estudo 
desencadeou muitas pesquisas que foram responsáveis pela descoberta de histamina, 
catecolaminas e acetilcolina.
74
Utilize o QR Code para assistir ao vídeo:
Quando tratamos de fármacos utilizados no tratamento da enxaqueca, é preciso separar 
em fármacos utilizados para crises agudas, os quais aliviam a dor momentaneamente e aqueles 
fármacos utilizados na profilaxia da doença (RANG e DALE, 2012). Os principais fármacos utilizados 
para crises agudas e profilaxia encontram-se listados na tabela abaixo:
Tabela 1 - Fármacos utilizados no tratamento da enxaqueca 
Fonte: RANG; DALE, 2012 (Adaptado).
#ParaCegoVer: Na tabela, temos fármacos utilizados em crises agudas de enxaqueca, sendo 
eles o paracetamol, aspirina, ergotamina, sumatriptano, eletriptano, almotriptano, frovatriptano, 
rizitriptano, eletriptano e zolmitriptano. Além disso, apresenta os fármacos utilizados na profilaxia 
da enxaqueca como propranolol, metoprolol, pizotifeno, ciproeptadina e metisergida.
75
2 MEDIADORES: PURINAS
Nucleotídeos (principalmente ATP e ADP) e nucleosídeos (principalmente a adenosina) 
possuem importância conhecida na produção de energia e na síntese de material genético (ácido 
ribonucleico e ácido desoxirribonucleico) e, além disso, apresentam papéis farmacológicos 
fundamentais (RANG e DALE, 2012; BRUNTON, 2012). A farmacologia das purinas ainda é algo 
muito novo e que não tem muitas bases consolidadas, porém é um estudo em constante expansão 
e que pode ser promissor para a farmacologia.
As principais famílias de purinas são:
• Receptores de adenosina (A1 , A 2A, A2B e A3).
• Receptores metabotrópicos P2Y (P2Y 1-14).
• Receptores ionotrópicos P2X (P2X1-7).
2.1 Adenosina
Uma purina simples e encontrada em praticamente todo organismo está presente no 
citoplasma de todas células. Pode ser também inativada ela enzima adenosina deaminase, 
obtendo inosina que atua como outro alvo farmacológico. A adenosina é responsável por efeitos 
farmacológicos tanto no sistema nervoso central como na periferia. Os principais potenciais 
farmacológicos da adenosina são no sistema cardiovascular, na asma e no sistema nervoso 
central (RANG e DALE, 2012).
No sistema cardiovascular, a adenosina atua inibindo a condução cardíaca. Essa ação favorece 
a aplicação terapêutica de injeções intravenosas in bolus com finalidade de parar a taquicardia 
supraventricular. Porém, apresenta como desvantagens a curta duração, sendo assim substituída 
por agentes terapêuticos considerados mais seguros como o verapamil e β-adrenérgicos (RANG 
e DALE, 2012).
Na asma, a farmacologia da adenosina ainda é considerada complexa. Alguns estudos 
evidenciam receptores de adenosina como potenciais estratégias terapêuticas para o tratamento 
FIQUE DE OLHO
O termo in bolus na farmacologia se refere em adotar métodos para aumentar a 
concentração de determinado fármaco na corrente sanguínea. Pode ocorrer por via 
intramuscular, intravenosa, entre outras.
76
da asma (GUMBER et al., 2020; LAGARIAS et al., 2019).
2.2 Adenosina difosfato (ADP)
Armazenado nas células em vesículas, exerce efeitos biológicos principalmente através da 
família P2Y, porém ectonucleotidases podem converter em adenosina. Atua principalmente 
na agregação plaquetária. O clopidogrel, ticagrelor e prasugrel atuam como antagonistas 
de receptores P2Y12 e são importantes agentes terapêuticos para prevenir distúrbios 
tromboembólicos nas artérias (RANG e DALE, 2012).
2.3 Adenosina trifosfato (ATP)
O ATP atua principalmente em receptores P2X. A suramina (utilizada no tratamento de 
tripanossomas) é um exemplo de fármaco que antagoniza o ATP apresentando efeito inibitório na 
grande maioria dos receptores P2X. O ATP tem ação como neurotransmissor, na nocicepção e na 
inflamação (RANG e DALE, 2012).
3 MEDIADORES: HISTAMINAS E LIPÍDEOS ATIVOS
A histamina é uma amina básica que, por ação da enzima histidina-decarboxilase, origina 
a histidina. Está presente na maioria dos tecidos, porém nos tecidos expostos são mais 
predominantes, tais como pele, pulmões e no trato intestinal. Presente principalmente em 
basófilos e mastócitos em grânulos intracelulares (RANG e DALE, 2012).
Os mastócitos são responsáveis por liberar histamina através de mecanismo de exocitose 
durante reações inflamatórias ou alérgicas. Alguns fármacos atuam no mecanismo de liberação 
de histamina, como por exemplo, os ativos que atuam aumentando a formação de AMPc inibem 
a secreção de histamina, como agonistas β-adrenérgicos (RANG e DALE, 2012).
A histamina desenvolve ação atuando nos receptores H1, H2, H3 E H4. Os principais efeitos são: 
• contração do músculo liso (H1);
• vasodilatação (H1);
• estímulo de secreção gástrica (H2);
• estímulo cardíaco (H2);
• permeabilidade vascular aumentada (H1) (RANG e DALE, 2012).
A ingestão intradérmica de histamina causa o surgimento de edema, rubor e halo devido à 
permeabilidade das vénulas aumentadas, vasodilatação e reflexo axonal liberando mediadores 
77
peptídicos, respectivamente (RANG e DALE, 2012).
4 EICOSANOIDES
São mediadores obtidos a partir de ácidos graxos. Possuem função importante em muitos 
mecanismos fisiológicos e são considerados os moduladores e mediadores de maior importância 
em uma reação inflamatória (RANG e DALE, 2012).
O ácido araquidônico (ácido 5,8,11,14- cis eicosatetraenoico) é o principal precursor 
de eicosanoides. As prostaglandinas, tromboxanos e leucotrienos são os eicosanoides mais 
importantes. O ácido araquidônico ainda pode ser metabolizado por outros sistemas tais como:
• Ciclo-oxigenases (COX)
São representados principalmente pela COX-1 e COX-2.
• Lipo-oxigenases
Responsáveis por sintetizar lipoxinas, leucotrienos e outros compostos.
• Prostanoides
São um grupo que englobam tromboxanos e prostaglandinas. As COXs atuam oxidando o 
ácido araquidônico e produzindo intermediários como PGG 2 E PGH 2.
Os prostanoides mais importantes são:
• Tromboxanos (TXA2)
Atuam causando vasoconstrição e agregação plaquetária.
• Prostaciclina (PGI2)
Inibem a agregação plaquetária e causando vasodilatação.
• PGE2
Possuem destaque principal em reações inflamatórias atuando como mediador na dor e febre 
(RANG eDALE, 2012).
Entre as áreas com aplicações clínicas dos prostanoides estão a oftalmologia (glaucoma), 
sistema cardiovascular (estabilizar canal arterial, inibição de agregação plaquetária e hipertensão 
pulmonar), sistema gastrointestinal (prevenção de úlceras) e na ginecologia e obstetrícia (indução 
do trabalho de parto, hemorragia pós-parto e interrupção da gravidez (RANG e DALE, 2012).
78
5 LEUCOTRIENOS
Leucotrienos são sintetizados a partir do ácido araquidônico. São encontrados principalmente 
em plaquetas, mastócitos, pulmões e glóbulos brancos. A principal enzima do grupo dos 
leucotrienos é a 5-lipooxigenase, sendo responsável por formar o ácido 5-hidroperoxitetraenoico. 
São produzidos principalmente pelos mastócitos, macrófagos, basófilos e eosinófilos. É 
considerado importante na asma (RANG e DALE, 2012).
Possuem importantes efeitos no sistema cardiovascular e respiratório. Antagonistas dos 
receptores CisLT como o zafirlukast e o montelukast são utilizados para o tratamento da asma. 
Os leucotrienos cisteínicos podem atuar em modificações cardiovasculares e os inibidores da 
5-lipooxigenase atuam como agentes anti-asmáticos (RANG e DALE, 2012).
6 MEDIADORES: PEPTÍDEOS E PROTEÍNAS
Os mediadores de peptídeos e proteínas geralmente variam de 3 a 200 resíduos de 
aminoácidos. Uma das diferenças entre ambos é que as proteínas necessitam de uma estrutura 
complexa para que possa realizar efeito e os peptídeos, na maioria dos casos, são mais flexíveis. 
Ambos sofrem frequentemente modificações de carboxilação, glicosilação, amidação, sulfatação 
ou fosforilação (RANG e DALE, 2012).
Mediadores peptídicos e proteicos atuam em receptores de superfície e são divididos em 
quatro grupos principais:
• hormônios com fontes não neurais, como a angiotensina, bradicinina, endotelina, insuli-
na, leptina e peptídeo natriurético atrial;
• mediadores envolvidos com o sistema imunológico, como as citocinas, por exemplo;
• neurotransmissores e mediadores neuroendócrinos;
• fatores de crescimento responsáveis por controlar a diferenciação e crescimento celular.
O denominado splicing gênico é responsável pela diversidade dos peptídeos. Os genes 
possuem, por sua vez, regiões codificadores que são denominadas exons e não codificadoras 
denominadas introns (RANG e DALE, 2012).
6.1 Bradicinina
A bradicinina é um peptídeo obtido a partir de uma α-globulina plasmática denominada 
cininogênio. Convertida em cininase I em BK1-8 (receptor) e inativada por cininase II no pulmão. 
Seus principais efeitos farmacológicos são: 
79
• aumento da permeabilidade celular;
• responsável por estimular o transporte epitelial de íons;
• contração na musculatura lisa uterina e intestinal;
• vasodilatação;
• responsável por estimular terminações nervosas (RANG e DALE, 2012). 
Os dois principais subtipos de receptores são o B1 e o B2.
6.2 Citocinas
Citocinas são polipeptídeos que são liberados durante processos inflamatórios. São 
responsáveis por regular o efeito do sistema imunológico e das células inflamatórias. Os 
interferons, quimiocinas, interleucinas e fatores de estimulação de colônias são exemplos de 
citocinas. Quimiocinas, como por exemplo a IL-8, estão associadas ao controle do tráfego de 
células. Citocinas inflamatórias como a TNF-α e a IL-8 estão envolvidas na indução de formação 
de outras citocinas (RANG e DALE, 2012). 
Alguns exemplos de citocinas com ações importantes são (RANG e DALE, 2012): 
• IL-1: Responsáveis pela regulação da migração celular para o local de infecção.
• IL-2: Responsáveis pela estimulação da maturação, proliferação e ativação de células 
natural killer, T e B.
• IL-4: Atuam estimulando a maturação e proliferação de células B e T e promovem a sínte-
se de IgE e IgG.
• IL-5: São fundamentais para a ativação de eosinófilos. Estimulam a maturação e prolifera-
ção de células B.
• IL-6: Possuem ações pró-inflamatórias como a febre.
• IL-8: Envolvidos com fagocitose, angiogênese e quimiotaxia dos neutrófilos.
• IL-10: Responsáveis por inibir a produção de citocinas e regular o processo inflamatório.
• IL-17: Estimulam células Th17 que são células envolvidas na autoimunidade e resposta 
alérgica.
• GM-CSF: Responsáveis pelo aumento no número de leucócitos e por estimularem o cres-
cimento de células que originam leucócitos.
• MIP-1: Responsáveis por ativar neutrófilos e outras células além de promoverem a libera-
ção de citocinas.
80
• TFG-β: Atuam regulando o crescimento celular e induzindo a apoptose.
• TNF-α: Responsáveis pela estimulação de expressão de citocinas e por eliminar células 
tumorais.
• TNF-β: Dão início a atividades imuno-estimulantes e pró-inflamatórias no sistema de 
defesa.
• Eotaxina: Atuam na ativação de eosinófilos.
• MCP-1: Recrutam células T e monócitos para processos inflamatórios.
• RANTES: Responsáveis pela quimiotaxia de leucócitos e células T.
• IFN-α: Atua inibindo a replicação viral, possui atividades antitumorais e ativa macrófagos 
e células natural killer.
• IFN-γ: Responsáveis por estimular células Th1 e impedir que células Th2 se proliferem. 
Ativam macrófagos e células natural killer.
7 ANTI-INFLAMATÓRIOS E IMUNOSSUPRESSORES
Uma inflamação pode ser dita como uma condição fisiológica desencadeada em resposta 
a agentes exógenos. É caracterizada principalmente pelos cinco sintomas característicos: dor, 
calor, rubor, edema e perda da função. Anti-inflamatórios atuam em mediadores inflamatórios 
responsáveis por promoverem esses quadros (SILVA, MENEZES, SÁ, 2016). 
Os principais grupos de fármacos que atuam como anti-inflamatórios são:
- anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs);
- fármacos que atuam inibindo a enzima ciclo-oxigenase (COX);
- coxibes;
- fármacos antirreumáticos;
- glicocorticoides (RANG e DALE, 2012).
7.1 Inibidores da ciclo-oxigenase
Nesse grupo de fármacos estão englobados os coxibes e os AINEs. Esses fármacos estão entre 
os fármacos mais usados na população. Existem mais de diferentes inibidores da COX disponíveis 
hoje no mercado, entre eles estão o aceclofenaco, acemetacina, ácido mefenâmico, ácido 
tiaprofênico, ácido tolfenâmico, aspirina, celecoxibe, cetoprofeno, cetorolaco, dexcetoprofeno, 
81
dexibruprofeno, diclofenaco, etodolaco, etoricoxibe, fenoprofeno, flurbiprofeno, ibuprofeno, 
indometacina, meloxicam, nabumetona, naproxeno, parecoxibe, piroxicam, sulindaco e tenoxicam 
(RANG e DALE, 2012; KATZUNG, 2010). 
Os inibidores da COX proporcionam alívio de edema, dor e febre. Também são eficientes 
no tratamento de dores odontológicas, pós-operatórias, menstruais e para aliviar enxaquecas 
e cefaleias. Muitos AINEs encontram-se disponíveis para venda livre. Além disso, podem ser 
encontrados em várias formas farmacêuticas como soluções, comprimidos, cápsulas, géis, 
injeções, entre outros (RANG e DALE, 2012). 
Por mais que o mecanismo de ação dos AINEs varie de forma individual, entre os fármacos, a ação 
principal está em inibir a COX de ácidos graxos, inibindo tromboxanos e prostaglandinas. Existem 
duas isoformas da COX, sendo elas COX-1 e COX-2. A COX-1 trata-se de uma enzima constitutiva 
presente na maioria dos tecidos, realizando funções de “manutenção” em todo organismo, atuando 
principalmente na homeostase e responsável por produzir prostaglandinas (RANG e DALE, 2012). 
A COX-2, por outro lado, é induzida em células inflamatórias quando ativadas. A COX-2, no 
entanto, é responsável por produzir mediadores inflamatórios, existindo pequenas exceções 
(RANG e DALE, 2012). 
Os AINEs, em sua grande maioria, inibem tanto a COX-1 quanto a COX-2. A ação anti-
inflamatória dos AINEs estão envolvidas a inibição da isoforma COX-2 e os efeitos adversos 
relacionados ao trato gastrointestinal relacionados à inibição de COX-1 (RANG e DALE, 2012). 
Fármacos modernos possuem inibição mais seletiva para COX-2, reduzindo assim efeitos adversos 
gastrointestinais, são exemplos desses fármacos o celecoxibe e etoricoxibe.
7.2 Efeitos
Os AINEs apresentam diversos efeitos terapêuticos,entre eles atuam como anti-inflamatórios, 
antipiréticos e analgésicos. 
Efeitos anti-inflamatórios: Levando em consideração os efeitos anti-inflamatórios, muitos 
mediadores inflamatórios comandam reações alérgicas e inflamatórias. Os AINEs atuam então 
FIQUE DE OLHO
Quando comparados, os AINEs apresentam diferenças relacionadas à sua toxicidade, 
tolerância e grau de aceitação. Porém, no que diz respeito ao efeito, são em sua grande 
maioria similares, com pequenas exceções.
82
reduzindo prostaglandinas (PGE2 e PGI2) estando envolvidas com menor vasodilatação e, 
consequentemente, menos edema. Não estabelece uma redução de células inflamatórias, 
mas atuam impedindo a saída de exsudato. O paracetamol é um exemplo de fármaco que não 
apresenta ação anti-inflamatória considerável (RANG e DALE, 2012; KATZUNG, 2010).
Efeitos antipiréticos: No hipotálamo, são controlados os mecanismos de temperatura 
corporal. A febre é desencadeada por desequilíbrio nos mecanismos de temperatura corporal, os 
AINEs atuam ajustando tais mecanismos. Organismos com temperatura normal não são afetados 
pela ação dos AINEs (RANG e DALE, 2012; SILVA, MENEZES, SÁ, 2016).
Efeitos analgésicos: Os AINEs apresentam também ação satisfatória em tratamentos para 
dores leves ou moderadas. Atuam reduzindo produção de prostaglandinas responsáveis por 
causarem sensibilidade nos nociceptores em mediadores inflamatórios como bradicinina. 
As prostaglandinas diminuem o limiar de excitação de nociceptores de fibras C e Ag, que são 
responsáveis pela sensação de dor (RANG e DALE, 2012; SILVA, MENEZES, SÁ, 2016). 
7.3 Reações adversas
Os efeitos adversos, principalmente aqueles provenientes da inibição da COX-1, são comuns. 
Os principais efeitos adversos são:
- náuseas, vômitos, dispepsia, entre outros efeitos gastrointestinais;
- insuficiência renal;
- reações cutâneas;
- reações cardiovasculares;
- problemas hepáticos;
- broncoespasmos;
- nefropatia.
FIQUE DE OLHO
Mesmo eliminando os sintomas ocasionados pela inflamação, os AINEs não apresentam 
efeito em enfermidades crônicas, pois atuam diretamente em aspectos inflamatórios, tais 
como migração de leucócitos, liberação de quimiocinas e citocinas, entre outros.
83
Utilize o QR Code para assistir ao vídeo:
8 AINES E COXIBES IMPORTANTES
Estudaremos, agora, os AINEs e coxibes importantes.
8.1 Aspirina
O ácido acetilsalicílico - AAS (aspirina) é um dos fármacos mais antigos e está entre os mais 
consumidos do mundo. É insolúvel, o que requer estratégias farmacotécnicas para preparo da 
formulação, porém contém sais de cálcio e sódio que auxiliam na dispersão em soluções aquosas. 
É um fármaco de venda livre, o que favorece sua ampla utilização (RANG e DALE, 2012). 
Atualmente, a utilização da aspirina é principalmente como fármaco cardiovascular, uma vez 
que pode prolongar a inibição da COX-1 plaquetária e, consequentemente, reduzindo a agregação 
(RANG e DALE, 2012). 
A aspirina é um ácido fraco e se encontra protonada no estômago, por ser um ambiente ácido, 
o que favorece sua passagem. A absorção ocorre em sua grande maioria no íleo, sendo favorecido 
pelas microvilosidades. Nos tecidos e plasma, principalmente no fígado, a aspirina é hidrolisada e 
dá origem ao salicilato, sendo este composto um anti-inflamatório. O salicilato por via oral não é 
utilizado atualmente no tratamento de inflamação devido limitações farmacocinéticas, tais como 
absorção e eliminação (RANG e DALE, 2012). 
A aspirina possui muitos efeitos adversos clássicos dos AINEs, porém produz efeitos adversos 
sistêmicos e locais. Existem sintomas que são clássicos e específicos da aspirina, como a síndrome 
de Reye, que se trata de um distúrbio raro que acomete crianças causando encefalopatia hepática 
e causa mortalidade em cerca de 20 a 40%. A retirada de aspirina infantil do mercado reduziu 
muito a incidência dessa doença, além disso, outro efeito adverso específico pode ser causado 
84
pela dosagem em excesso de salicilato, causando o salicilismo (RANG e DALE, 2012). 
A aspirina pode potencializar o efeito da varfarina, quando realizado tratamento 
consecutivamente, ocorrendo assim uma interação medicamentosa. Além disso, a aspirina atua 
antagonizando a ação de alguns agentes hipertensivos (RANG e DALE, 2012).
8.2 Paracetamol
O paracetamol é uma preparação patenteada de uso livre, considerado um dos analgésicos-
antipiréticos não narcóticos mais utilizados no mundo. Algumas literaturas não consideram o 
paracetamol como um AINE, pelo fato de a atividade anti-inflamatória desses fármacos serem 
fracas e não apresentarem os efeitos adversos plaquetários e gástricos clássicos de AINEs (RANG 
e DALE, 2012).
A metabolização do paracetamol ocorre no fígado e ele apresenta uma meia-vida entre duas e 
quatro horas. Doses em excesso de paracetamol podem ocasionar efeitos adversos tais como vômitos 
e náuseas, podendo ocorrer também lesão hepática podendo ser fatal (RANG e DALE, 2012).
8.3 Coxibes
Os coxibes são escolhas para pacientes nos quais os AINEs seriam prejudiciais devido aos 
efeitos gastrointestinais. Muitos coxibes já foram retirados do mercado devido aos efeitos adversos 
cardiovasculares. Dessa forma, efeitos cardiovasculares devem ser levados em consideração 
antes de tratamento com coxibes. São exemplos de coxibes o celecoxibe, etoricoxibe, parecoxibe 
e caldecoxibe (RANG e DALE, 2012).
8.4 Fármacos antirreumáticos
A artrite reumatoide é caracterizada como uma inflamação crônica que acomete muitas 
pessoas no mundo todo. Apresenta como sintomas as articulações doloridas e com edemas, 
podendo levar o paciente à incapacitação. Algumas citocinas como IL-1 e TNF-α desempenham 
papel importante na artrite reumatoide. Os fármacos mais utilizados no tratamento são os AINEs 
e antirreumáticos modificadores da doença (ARMD), como por exemplo, o metotrexato. Alguns 
FIQUE DE OLHO
A descoberta da COX-3 no SNC propôs uma alternativa para o paracetamol não partilhar 
dos efeitos gástricos causados pelos AINEs, sendo um indício de que ele e outros fármacos 
similares como a dipirona atuassem inibindo seletivamente a COX-3.
85
glococorticoides e imunossupressores também são utilizados, como por exemplo, a ciclosporina 
(RANG e DALE, 2012).
ARMD se trata de uma denominação utilizada para designar um grupo de compostos com 
estruturas que não possuem uma relação. Fazem parte do grupo dos ARMD o metotrexato, a 
penicilamina, cloroquina e a sulfassalazina (RANG e DALE, 2012).
Os ARMDs são fármacos de segunda linha e são utilizados somente quando terapias de 
primeira escolha demostram insucesso, como por exemplo os AINEs. Alguns exemplos de 
fármacos utilizados no tratamento de artrites estão listados na tabela abaixo:
Tabela 2 - Fármacos utilizados no tratamento de artrites 
Fonte: Elaborada pela autora, 2020.
#ParaCegoVer: Na tabela, temos fármacos utilizados no tratamento de artrites e seus 
determinados tipos como por exemplo os complexos do ouro, imunomodeladores, antimaláricos, 
metabólitos da penicilina e os AINEs.
Utilize o QR Code para assistir ao vídeo:
86
8.5 Glicocorticoides
O precursor dos corticoides é o colesterol. São exemplos de fármacos glicocorticoides 
a hidrocortisona, cortisona, deflazacorte, prednisolona, prednisona, metilprednisolona, 
triancinolona, dexametasona, betametasona, fludrocortisona e a aldesterona, sendo os mais 
comumente utilizados a hidrocortisona, a prednisolona e a dexametasona (RANG e DALE, 2012). 
Possuem como principais efeitos: 
• Efeitos sistêmicos e metabólicos
Os glicocorticoides apresentam efeitos metabólicos nos carboidratos, proteínas e lipídeos. 
Nos carboidratos, realizam a redução do uso de glicose e um aumento considerável na 
gliconeogênese, causando tendência à hiperglicemia. Nas proteínas, ocorre um decréscimo do 
anabolismo e aumento do catabolismo e nos lipídeos são responsáveis pela desorganização na 
redistribuição da gordura, como é observado na síndrome de Cushing (RANG e DALE, 2012).
• Efeitosde retroalimentação negativa no hipotálamo e na adeno-hipófise
Ações anti-inflamatórias e imunossupressoras: Atuam reduzindo o desenvolvimento e ação 
de muitas citocinas, redução na produção de IgG, redução na produção de eicosanoides, liberação 
aumentada de fatores anti-inflamatórios, entre outros (RANG e DALE, 2012).
• Efeitos adversos
O tratamento com os glicocorticoides deve ser extremamente racional e deve ser levado 
bastante em consideração o tempo de uso e a dose. Doses baixas desse fármaco geralmente não 
manifestam efeitos adversos graves, ao contrário do que ocorre em administrações prolongadas 
e doses elevadas (RANG e DALE, 2012). São efeitos adversos dos glicocorticoides: 
• hiperglicemia;
• osteoporose;
• efeitos sobre o SNC tais como depressão, euforia e psicose;
• inibição do crescimento em crianças;
• supressão de resposta em lesões e infecções;
• desgaste muscular;
• glaucoma;
• síndrome de Cushing.
87
Figura 2 - Síndrome de Cushing 
Fonte: Designua, Shutterstock, 2020.
#ParaCegoVer: A imagem mostra os efeitos adversos característicos da Síndrome de Cushing, 
sendo eles: distúrbios emocionais, face de lua cheia com bochechas rosadas, hipertensão, 
hipertrofia cardíaca, depósito de gordura abdominal, obesidade, tendência a hiperplasias, 
aparecimento de estrias, osteoporose, úlceras na pele e perda de massa muscular.
A indústria farmacêutica vem desenvolvendo pesquisas e traçando estratégias para resolver 
problemas circunstanciais relacionados aos glicocorticoides, pois os mesmos são bastante 
eficazes como anti-inflamatórios, porém, por outro lado, apresentam diversos efeitos adversos 
que limitam seu uso. 
Mecanismo de ação
Os glicocorticoides atuam se ligando em receptores intracelulares que sofrem dimerização, 
interagem com o DNA no núcleo modificando a transcrição gênica, inibindo a síntese de algumas 
proteínas e induzindo outras (RANG e DALE, 2012).
88
Nesta unidade, você teve a oportunidade de:
• entender os conceitos básicos de mediadores químicos e os tipos existentes;
• compreender a importância farmacológica da 5- Hidroxitriptamina, histaminas, 
peptídeos e proteínas;
• conhecer as teorias existentes para o mecanismo da enxaqueca;
• aprender os conceitos básicos dos anti-inflamatórios;
• estudar os efeitos, farmacocinética, reações adversas dos anti-inflamatórios;
• analisar as limitações relacionadas aos efeitos gástricos dos anti-inflamatórios não 
esteroidais;
• compreender os conceitos básicos dos glicocorticoides;
• identificar os efeitos adversos causados pela Síndrome de Cushing.
PARA RESUMIR
GUMBER, D.; YADAV, D.; YADAV, R.; KACHLER, S.; KLOTZ, K. N. Bronchospasmolytic activity 
and adenosine receptor binding of some newer 1,3-dipropyl-8-phenyl substituted 
xanthine derivatives. Chemical Biology & Drug Design, 2020.
KATZUNG, B. G. Farmacologia básica e clínica. 10. ed. Rio de Janeiro: Artmed/McGraw-
Hill, 2010.
LAGARIAS, P.; BARKAN, K.; TZORTZINI, E.; STAMPELOU, M.; VRONTAKI, E.; LADDS, G.; 
KOLOCOURIS, A. Insights to the binding of a selective adenosine A 3 receptor antagonist 
using molecular dynamic simulations, MM-PBSA and MM-GBSA free energy calculations, 
and mutagenesis. Journal of Chemical Information and modeling, 2019.
RANG, H. P.; DALE, M. M.; RITTER, J. M.; FLOWER, R. J.; HENDERSON, G. Rang & Dale: 
Farmacologia. 7. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2012.
SILVA, F. S.; MENEZES, P. M. N.; SÁ, M. S. Coleção manuais da farmácia: Farmacologia. 1. 
ed. Salvador: Sanar, 2016.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
UNIDADE 4
Fármacos que afetam os grandes sis-
temas, interações medicamentosas 
e conceitos básicos de toxicologia
Você está na unidade Fármacos que afetam os grandes sistemas, interações 
medicamentosas e conceitos básicos de toxicologia. Conheça aqui as drogas que afetam 
o coração, o sistema vascular, a circulação sanguínea, o sistema respiratório e o sistema 
nervoso central. Possíveis interações medicamentosas e conceitos básicos da toxicologia.
Bons estudos!
Introdução
93
1 SISTEMA CARDIOVASCULAR E A CIRCULAÇÃO 
SANGUÍNEA
Doenças cardiovasculares são responsáveis pelo maior índice de mortalidade e morbidade 
mundial. E entre os fatores de risco estão quadros prevalentes em toda população, como 
tabagismo, dislipidemia, hipertensão, entre outros (SILVA et al., 2016). 
A principal função do sistema cardiovascular é manter a circulação sanguínea e garantir que 
os demais tecidos sejam nutridos. Para que isso ocorra, o coração atua como bomba de sangue e 
os vasos sanguíneos como transportadores (SILVA et al., 2016).
1.1 Anti-hipertensivos
A hipertensão arterial é a doença com maior índice de prevalência no mundo. Possui como 
principal característica valores de pressão arterial acima de 140 mmHg (sistólica) e/ou 90 mmHg 
(diastólica). As principais causas de hipertensão arterial incluem a funcionalidade do sistema 
nervoso autônomo, raça, alimentação, herança genética e estresse (SILVA et al., 2016). Podemos 
mencionar como importantes classes de anti-hipertensivos os fármacos que alteram a função do 
sistema nervoso simpático, vasodilatadores, bloqueadores dos canais de cálcio e fármacos que 
agem no sistema renina-angiotensina.
1.2 Fármacos simpaticolíticos
Os fármacos simpaticolíticos são os indicados para pacientes que apresentam hipertensão 
moderada a grave, classificam-se conforme seu mecanismo de ação. Podem ser inibidores do 
sistema simpático central, drogas bloqueadoras dos neurônios adrenérgicos, alfa-1-bloqueadores 
e bloqueadores β-adrenérgicos.
Inibidores do sistema simpático central 
Também denominados agonistas α2-adrenérgicos atuam estimulando esses receptores 
no sistema nervoso central, diminuindo assim a descarga simpática e, como consequência, 
diminuem liberação de noradrenalina. Os principais fármacos dessa classificação são a metildopa 
e a clonidina. São medicamentos utilizados usualmente em associação com diuréticos (SILVA et 
al., 2016).
94
Drogas bloqueadoras dos neurônios adrenérgicos
 São medicamentos pouco utilizados para aplicação clínica. Atuam impedindo a liberação 
de noradrenalina nos neurônios simpáticos pós-ganglionares. Os principais medicamentos que 
atuam por esse mecanismo de ação são a guanetidina e a reserpina. Possuem diversos efeitos 
adversos como diarreia, hipotensão postural, ejaculação tardia, sedação, pesadelos, entre outros.
Alfa-1-bloqueadores 
Atuam bloqueando os receptores α1 em vênulas e arteríolas, determinando assim a 
vasodilatação. Os principais fármacos utilizados nessa classe são a prazosina, doxazosina, 
terazosina e a tansulosina. Esses fármacos podem apresentar como reações adversas taquicardia 
reflexa, hipotensão, náuseas e vômitos, congestão nasal, edema, tonturas, cefaleias e inibição da 
ejaculação (RANG et al., 2012; SILVA et al., 2016).
Bloqueadores β-adrenérgicos 
São responsáveis por promover efeito inotrópico e cronotrópico positivos, elevando o débito 
cardíaco e inibindo o estímulo da produção de renina pelas catecolaminas. Os principais fármacos 
dessa classe são o propranolol e nadolol (não seletivos β1 e β2) e o atenolol e metoprolol (β1 
seletivos) (RANG et al., 2012; SILVA et al., 2016). São úteis em monoterapia, seus principais efeitos 
adversos são: bradicardia, broncoconstrição, hipersensibilidade, dislipidemia e hiperglicemia.
Vasodilatadores diretos 
São fármacos que atuam no músculo liso induzindo o relaxamento e, dessa forma, 
promovendo a vasodilatação. São fármacos pertencentes dessa classe a hidralazina, o minoxidil 
e o nitroprussiato de sódio. Geralmente, são usados juntamente com outros fármacos para 
aumentar a resposta de outros agentes anti-hipertensivos. As principais reações adversas são 
palpitações, náuseas, cefaleias, hipotensão, rubor e sudorese (SILVA et al., 2016).
Bloqueadores dos canais de cálcio 
Atuam bloqueando canais de cálcio que estão envolvidos com várias funções relevantes no 
sistema cardiovascular, como regulação do potencial de ação e contração/excitação do músculoliso. O verapamil, anlodipino, nifedipino, felodipino, nicardipino e o diltiazem são alguns fármacos 
que agem bloqueando os canais de cálcio (SILVA et al., 2016).
FIQUE DE OLHO
Para o período gestacional, em caso de hipertensão, indica-se a utilização do fármaco 
metildopa.
95
Drogas que atuam no sistema renina-angiotensina 
Vejamos, agora, as drogas que agem no sistema renina-angiotensina.
Inibidores da enzima conversora de angiotensina (ECA) 
A função da ECA no corpo humano é remover o dipetídeo carboxiterminal da angiotensina I, 
produzindo a angiotensina II, que possui vários efeitos na pressão arterial. Os inibidores da ECA 
atuam inibindo essa enzima e, dessa maneira, reduzindo a pressão arterial. O captopril, enalapril, 
lisinopril, ramipril, fosinopril, moexipril e o quinapril são alguns fármacos que agem por esse 
mecanismo. Possuem como principais efeitos adversos a insuficiência renal aguda, hipotensão, 
hipercalemia, neutropenia, erupções cutâneas, tonturas, efeitos teratogênicos e febre. Seu uso é 
contraindicado na gravidez, por causar feto-toxicidade (SILVA et al., 2016).
Inibidores de receptores de angiotensina (AT1) 
Os fármacos pertencentes a essa classe como losartan, valsartan, candesartan, irbesartan, 
eprosartan e o olmesartan atuam bloqueando a via final do receptor AT1, antagonizando respostas 
endógenas na angiotensina II. Também não são indicados na gravidez e os efeitos adversos são os 
mesmos dos inibidores da ECA, porém, ao contrário dos inibidores da ECA, eles não promovem 
aumento de bradicinina, não causando tosse seca (SILVA et al., 2016).
1.3 Diuréticos
São fármacos responsáveis pela indução do aumento no fluxo urinário, reduzindo a reabsorção 
de sódio no néfron. Os diuréticos são utilizados no tratamento clínico das seguintes condições: 
insuficiência cardíaca, cirrose hepática, síndrome nefrótica, edema e hipertensão arterial (SILVA 
et al., 2016). Considerando seu mecanismo de ação, a principal classificação desses fármacos são: 
inibidores da anidrase carbônica, inibidores do simporte NA+K+-Cl- (diuréticos de alça), inibidores 
do simporte NA+K+-Cl- (diuréticos tiazídicos), diuréticos poupadores de potássio e os diuréticos 
osmóticos.
Inibidores da anidrase carbônica
Usados sobretudo no tratamento de glaucoma, os inibidores da anidrase carbônica são pouco 
indicados como diuréticos. Diminuem a reabsorção de sódio e bicarbonato. Podemos mencionar 
como importantes reações adversas desses fármacos a sonolência, perda do apetite e parestesias 
das extremidades (RANG et al., 2012). 
 
96
Diuréticos de alça 
Inibem a reabsorção de cloreto de sódio na alça de Henle, ao inibirem o transporte de 
sódio, potássio e cloro. Atuam bloqueando a reabsorção de potássio, aumentando dessa 
forma a excreção de magnésio e cálcio, impedindo a hipocalemia. São utilizados clinicamente 
principalmente na insuficiência cardíaca, edema pulmonar, cirrose e hipertensão. Os principais 
fármacos dessa classe são a furosemida, bumetanida, torsemida, ácido etacrínico e a piretanida 
(SILVA et al., 2016). Os principais efeitos adversos relacionados a esses fármacos é hiperglicemia, 
hipotensão, ototoxicidade, aumento do ácido úrico, aumento de lipoproteínas plasmáticas e 
depleção de potássio.
Diuréticos tiazídicos
Possuem efeito no túbulo distal inibindo co-transportador de Na+/Cl- reduzindo assim a 
reabsorção de sódio. Os principais fármacos desse grupo são: hidroclorotiazida, clortalidona, 
indapamida, xipamida e a metolazona. Utilizados na insuficiência renal, insuficiência cardíaca, 
calciúria e principalmente na hipertensão. Observa-se como importantes efeitos adversos desses 
fármacos a hipotensão, hiperuricemia, hiperglicemia, hiperglicemia e hipopotassemia (SILVA et 
al., 2016).
Diuréticos poupadores de potássio 
Agem no túbulo coletor inibindo a reabsorção de sódio e a eliminação de potássio ao 
bloquearem receptores de aldosterona. Os principais fármacos dessa classe de diuréticos são 
a espirolactona e a eplerenona. Os efeitos adversos incluem diarreia, gastrite, hiperpotassemia, 
irregularidade menstrual, sangramento gástrico, acidose metabólica e acidose metabólica (SILVA 
et al., 2016).
1.4 Angina pectoris
A angina, também denominada doença coronária, é caracterizada por uma doença com 
episódios de dor torácica intensa que ocorre principalmente pela insuficiência de sangue para 
nutrir o miocárdio, provocando isquemia. Entre os fatores que desencadeiam angina estão o frio, 
esforço físico, anemia e estresse. Para o tratamento da angina, os fármacos utilizados são os 
nitratos orgânicos, antagonistas dos canais de cálcio e β-adrenérgicos (SILVA et al., 2016).
97
Figura 1 - Angina 
Fonte: Emily Frost, Shutterstock, 2020
#ParaCegoVer: A imagem mostra uma mulher com as mãos sobre o coração, como se 
estivesse sentindo uma forte dor. Sobre suas mãos, há um desenho de um coração, o órgão real, 
com suas partes delimitadas em branco.
Nitratos orgânicos 
Os nitratos atuam como doadores de NO, provocando vasodilatação do músculo liso. Nesse 
grupo, podemos destacar os seguintes fármacos: a nitroglicerina, o mononitrato de isossorbida 
e o dinitrato de isossorbida. Os principais efeitos são rubor facial, cefaleia pulsátil e taquicardia 
reflexa (SILVA et al., 2016).
β-bloqueadores 
Promovem o bloqueio dos receptores de beta no coração, gerando efeito cronotrópico 
e inotrópico negativos, reduzindo assim o trabalho cardíaco por redução da pressão arterial, 
diminuindo assim o consumo de oxigênio. Fármacos utilizados: propranolol, atenolol, nadolol, 
bisoprolol, timolol e carvedilol (SILVA et al., 2016). 
Bloqueadores dos canais de cálcio 
Responsáveis por inibir os canais de cálcio do tipo L, na musculatura lisa no miocárdio e nos 
vasos coronários promovendo assim vasodilatação, diminuição da velocidade de condução do 
estímulo e efeito inotrópico negativo. Podemos mencionar como fármacos mais importantes o 
diltiazem, verapamil e a nifedipina (SILVA et al., 2016).
98
Cardiotônicos 
A insuficiência cardíaca trata-se de uma condição em que o coração é incapaz de bombear 
sangue para todo corpo, acarretando em nutrição insuficiente. Os principais fatores que acarretam 
em insuficiência cardíaca são hipertensão, diabetes, doença arterial coronária e tabagismo; e os 
sintomas incluem taquicardia, cansaço, tosse, anorexia, dispneia, edema, problemas digestivos e 
cardiomegalia. Os principais fármacos envolvidos no tratamento da insuficiência cardíaca são os 
digitálicos ou glicosídeos (SILVA et al., 2016). 
Os digitálicos ou glicosídeos cardíacos são derivados de extratos de plantas, o principal 
medicamento utilizado é a digoxina, derivada da Digitalis ianata. Atuam inibindo a bomba de 
K+/Na+ nos miócitos cardíacos, aumentando a força de contração através de efeito inotrópico 
positivo. Podemos citar como importantes efeitos adversos associados aos digitálicos as náuseas, 
diarreias, vômitos, confusão, também os efeitos cardíacos que compreendem ainda a diminuição 
da frequência cardíaca e distúrbios de ritmo. A digoxina apresenta como desvantagem sua curta 
janela terapêutica, com uma margem estreita entre o efeito e a toxicidade (RANG et al., 2012).
Antiarrítmicos
Os fármacos antiarrítmicos atuam reduzindo a velocidade da condução pelos canais de 
sódio, dessa forma são responsáveis por prolongar a repolarização. Os antiarrítmicos, conforme 
a classificação de Vaughan Williams, dividem-se em quatro grupos: Classe I (subdivididos em Ia, 
Ib e Ic), Classe II, Classe III e Classe IV (RANG et al., 2012).
Classe I
Atuam bloqueando canais de sódio. Divididos em Ia, Ib e Ic, diferenciando em dissociação 
intermediária, dissociação rápida e dissociação lenta, respectivamente. São exemplos de fármacos 
da classe Ia a disopiramida, b>quinidina e procainamida, fármacos mais antigos. Os fármacos de 
classe Ib desassociam-se e associam-se rapidamente, um exemplo dessa classe é a lidocaína. Ao 
contrário das classesIb ou fármacos de classe Ic, dissociam-se lentamente, são exemplo desses 
fármacos a encainida e a flecainida.
Classe II
São antagonistas de receptores β-adrenérgicos, são exemplos o propranolol e o metoprolol.
Classe III
São fármacos que atrasam a capacidade de ação cardíaca através do bloqueio dos canais de 
potássio. São exemplos de fármacos de classe III a amiodarona e o sotalol.
99
Classe IV
Atuam de modo a bloquear os canais de cálcio. Observa-se como um importante exemplo de 
fármaco dessa classe o verapamil (RANG et al., 2012).
1.5 Antianêmicos
A anemia é causada principalmente pelo déficit de vitamina B12, ferro e ácido fólico. Trata-se 
de uma condição caracterizada pelo déficit de hemoglobina no sangue em que, normalmente, 
em muitos dos casos, é assintomática. As causas mais frequentes de anemia são tratamento 
com medicamentos (como a aspirina, por exemplo), patologias e perda sanguínea (como 
menstruação). As anemias são classificadas em: anemia hipocrômica microcítica, anemia 
normocrômica normocítica e anemia macrocítica. O tratamento das anemias geralmente se 
dá com a utilização dos agentes hematínicos, além do déficit, mas também como auxiliares no 
tratamento de doenças (RANG et al., 2012).
Ferro 
O ferro pode ser administrado, via oral, na forma de sulfato ferroso, gluconato, fumarato e 
ferrosos succinato. Efeitos adversos da administração de ferro são cólicas, diarreia e náuseas. A 
administração excessiva de ferro pode causar toxicidade aguda, provocando gastrite, vômitos, 
hemorragia e diarreia (RANG et al., 2012).
Ácido fólico
O ácido fólico é indicado no tratamento de anemia megaloblástica, consequência 
principalmente de uma dieta pobre, fármacos (como a fenitoína) e má absorção. Pode ser 
administrado via oral e é absorvido pelo íleo. Além disso, não provocam efeitos adversos (RANG 
et al., 2012).
Vitamina B12
Também conhecida como cobalamina, é usada para tratar a anemia perniciosa. Na terapêutica, 
é realizada a utilização da hidroxocobalamina. As principais fontes estão presentes em fígados, 
ovos e laticínios (RANG et al., 2012).
100
Figura 2 - Vitamina B12 
Fonte: Victor Josan, Shutterstock, 2020.
#ParaCegoVer: A ilustração em 3D mostra uma cápsula de vitamina B12 se dissolvendo na veia.
Utilize o QR Code para assistir ao vídeo:
Utilize o QR Code para assistir ao vídeo:
101
2 SISTEMA RESPIRATÓRIO
Doenças respiratórias são aquelas que acometem principalmente as vias aéreas e os pulmões. 
São caracterizadas por gerar sintomas tais como: falta de ar, produção de secreção, dor no peito, 
tosse e sibilos. O pulmão é alvo de muitas doenças que incluem sintomas similares, entre elas 
infecções (bacterianas e virais), fibrose pulmonar, doenças ocupacionais, edema pulmonar, asma 
e doença pulmonar obstrutiva crônica (RANG et al., 2012).
Figura 3 - Sistema respiratório 
Fonte: Magic Mine, Shutterstock, 2020.
#ParaCegoVer: A imagem em 3D mostra o sistema respiratório.
A asma é uma enfermidade que provoca obstrução reversível das vias aéreas, caracterizada 
principalmente por crises de falta de ar. A inflamação das vias aéreas provocam hiper-
responsividade brônquica que possui como consequência o bloqueio dessas vias. Os principais 
fármacos antiasmáticos utilizados são os agentes anti-inflamatórios e os broncodilatadores (RANG 
et al., 2012). 
Os agonistas β-adrenérgicos são os fármacos mais usados para tratar a asma, o salbut, por 
exemplo, é administrado por meio de inalação, possui efeito imediato e dura aproximadamente 
três a cinco horas. Podemos mencionar como efeitos adversos o tremor, arritmia e taquicardia.
102
3 DROGAS QUE AFETAM O SISTEMA NERVOSO 
CENTRAL
As drogas com ação no Sistema Nervoso Central (SNC) são muito importantes para tratar de 
diversos distúrbios psiquiátricos, como a depressão, a ansiedade, a esquizofrenia, entre outros. 
O entendimento do funcionamento do SNC está diretamente relacionado à neurotransmissão 
química, sendo que os distúrbios podem afetar uma ou várias vias e regiões cerebrais. Assim, vários 
fármacos podem agir em locais distintos no SNC, apresentando efeitos sinérgicos ou antagônicos 
(RANG et al., 2012). 
Por definição, os neurotransmissores são moléculas químicas produtoras de sinais, sintetizadas 
nos neurônios e que são usadas para emitir uma informação fisiológica a outro neurônio, glândula 
ou músculo. Essas pequenas moléculas podem atuar promovendo ou reduzindo uma transmissão 
nervosa, depois de ativar um receptor específico em outro neurônio. O efeito dos fármacos que 
atuam no SNC está associado a alterações nessas neurotransmissões (RANG et al., 2012). 
Pode acontecer a assimilação e deterioração por uma célula glial adjacente. Qualquer um 
dos neurotransmissores promovem seus efeitos devido à liberação local, por não atravessarem a 
barreira hematoencefálica. 
Vejamos alguns dos neurotransmissores do SNC mais importantes:
• Acetilcolina
Responsável pela manutenção do alerta e vigília, permite a excitabilidade do córtex cerebral 
e favorece o processamento sensorial, além de contribuir para os mecanismos de memória e 
aprendizagem.
• Noradrenalina
Atua também no sistema de alerta e vigília, colabora nas respostas emocionais aversivas, 
como a raiva e a agressão; e gratificantes, como o afeto; e no controle de fome e saciedade.
• Glutamato
Importante neurotransmissor excitatório do SNC, presente no processo de ativação mínima 
para a manutenção da abertura de uma via de transmissão até a excitação constante que termina 
em um processo patológico.
103
• Dopamina
Primordial para controlar o motor voluntário, colaborando em processos em que a motivação 
forma parte importante do comportamento, também favorecendo a manutenção da atenção 
adequada da realidade, além de controlar o pensamento.
• Ácido ɣ-aminobutírico
Principal neurotransmissor inibitório do SNC, podendo atuar em qualquer nível das sinapses. 
Participa do controle do movimento, evitando ou reprimindo a hiperatividade focal.
• Serotonina
Participa da manutenção da tonalidade afetiva interna, tanto que alterações na 
neurotransmissão serotoninérgica podem ser responsáveis por transtorno depressivos, certas 
formas de ansiedade, quadros obsessivos-compulsivos e ideação suicida. Também participa da 
regulação do vômito, transmissão nociceptiva e controle da fome e saciedade (RANG et al., 2012).
3.1 Antipisicóticos 
As doenças psicopáticas incluem vários distúrbios, mas o termo “fármacos antipsicóticos” 
– previamente conhecidos como fármacos neurolépticos, fármacos antiesquizofrênicos ou 
tranquilizantes maiores – refere-se convencionalmente aos usados para tratar esquizofrenia, uma 
das formas mais comuns e debilitantes de doença mental (SILVA et al., 2016). 
Podemos destacar como tipos principais de psicose: 
• a esquizofrenia;
• distúrbios afetivos, tais como a depressão e mania;
• psicoses orgânicas, muitas causadas por traumatismo, álcool ou outras doenças.
Hoje em dia, relaciona-se a patogenia da esquizofrenia a uma combinação de hiperfunção 
dos neurotransmissores dopamina e dos glutamatos no sistema neuronal, além de uma ligação 
dos receptores da serotonina (5HT2) e uma oscilação entre esses receptores com os receptores 
dopamínicos (D2) (SILVA et al., 2016). 
Em geral, classificam-se os fármacos disponíveis como antipsicóticos típicos e atípicos. 
Independente do distúrbio, o objetivo primordial do tratamento é a redução dos sintomas agudos 
responsáveis pela agitação e hostilidade do paciente, o que pode representar risco para o mesmo 
e para outras pessoas. 
104
Os antipsicóticos típicos ou de primeira geração induzem o efeito farmacológico pelo 
antagonismo dos receptores D2 pós-sinápticos. O tratamento crônico com esses fármacos requer 
cuidado devido à extensão dos efeitos colaterais observados. Os antipsicóticos típicos mais 
usados clinicamente são: 
Clorpromazina: É o fármaco protótipo da classe, selecionado como referência pelo efeito mais 
sedativo, útil no surto psicótico,sua dose usual é 75 - 400mg/dia e tem sua metabolização pela 
CYP2D6, ele induz seu próprio metabolismo.
Haloperidol: É indicado para o tratamento de manutenção, sua dose usual é 4 – 12mg/
dia e tem sua metabolização pela CYP2D6, CYP3A4, CYP1A2. Seu metabolismo é induzido por 
carbamazepina e fenitoina (SILVA et al., 2016). 
Uma importante característica dos antipsicóticos típicos é a possibilidade de induzir sintomas 
extrapiramidais, ligados ao bloqueio dapaminérgico, e é mais relevante com o haloperidol. 
Produzem síndrome Parksoniptica, acatisia (inquietação incontrolável) e reações distônicas 
agudas, que se extinguem com a diminuição da dose (SILVA et al., 2016). 
Os antipsicóticos típicos são absorvidos por via oral de maneira variada, lentamente, como a 
clorpromazina ou, rapidamente, como o haloperidol. 
Os antipsicóticos atípicos ou de segunda geração são os agentes mais eficazes e estão 
relacionados aos riscos consideravelmente menores de efeitos extrapiramidais, promovem o 
antagonismo D2 com menor potência e outras monoaminas, como os de 5HT2. São representantes 
desse grupo: 
• Clozapina: tem sua dose usual de 300 – 450mg/dia, é metabolizada principalmente pela 
CYP1A2. Possui metabólito ativo N-desmetilclozapina. Seu metabolismo pode ser induzi-
do com tabagismo.
• Olanzapina: tem dose usual de 10 – 20 mg/dia, sua metabolização é feita pela CPY1A2 e 
glicuronidação direta. Seu metabolismo pode ser induzido com tabagismo.
• Quetiapina: tem dose usual de 300 – 600mg/dia, é metabolizada pela CYP3A4. Possui 
metabólito ativo norquetiapina. Tem metabolismo induzido por fenitoína.
• Risperidona: tem sua dose usual de 2 – 6mg/dia, é metabolizada pela CYP2D6. Possui 
metabólito ativo 9-hidroxi-risperidona. E seu metabolismo é inibido pela fluoxetina e 
induzida por carbamazepina (RANG et al., 2012; SILVA et al., 2016). 
A principal característica farmacológica dos antipsicóticos atípicos é uma menor propensão 
em desenvolver sintomas extrapiramidais, isso se deve ao fato de possuírem maior potência em 
antagonizar os receptores 5-HT2 do que os D2. As reações adversas mais frequentes entre os 
fármacos antipsicóticos atípicos são ganho de peso, hiperlipidemia, hiperglicemia e indução de 
105
diabetes mellitus tipo 2 e moderada hiperprolactinemia (RANG et al., 2012; SILVA et al., 2016). 
Os antipsicóticos atípicos compartilham características semelhantes farmacocinéticas que os de 
primeira geração, possuindo alta lipossolubilidade, alta taxa de ligação a proteínas plasmáticas e 
acumulação em tecidos com intensa irrigação sanguínea como pulmões e cérebro. 
3.2 Ansiolíticos e sedativos hipnóticos 
Os fármacos da classe dos ansiolíticos são usados para tratar os sintomas da ansiedade e os 
hipnóticos para tratar a insônia. Por definição, a ansiedade é um estado emocional que resulta 
de experiências vivenciadas e que passa a um grau patológico quando não há proporcionalidade 
ou não há um objetivo específico direcionado. A sedação é uma diminuição do nível de atividade 
do paciente, referindo-se a um estado mínimo, quando o paciente ainda atende a um comando 
verbal e estimulação tátil leve. A utilização da hipnose ou indução do sono pode ser de ajuda em 
indivíduos que têm dificuldade em iniciar e/ou manter o sono quando este seja insuficiente para 
garantir uma boa qualidade de vida (RANG et al., 2012; SILVA et al., 2016). 
Mesmo apresentando objetivos clínicos distintos, essas drogas são normalmente usadas para 
ambas as finalidades, tendo variação neste caso apenas a dosagem para cada fim, levando em 
conta o fato de que as drogas que amenizam a ansiedade normalmente provocam sedação e 
sonolência, alguns dos inconvenientes dos usos clínicos dos ansiolíticos (RANG et al., 2012; SILVA 
et al., 2016). 
Os ansiolíticos e hipnóticos têm como grupos de fármacos mais importantes os 
benzodiazepínicos, os agonistas dos receptores de 5-HT, compostos “Z”, os barbitúricos 
(desusados) e os antagonistas dos receptores beta-adrenérgicos (propranolol – off label). 
Os benzodiazepínicos têm seu dispositivo de ação por sua associação a um sítio regulador 
específico sobre o receptor GABAa que potencializa, dessa forma, o efeito inibitório do GABA, 
intensificando a convergência de Cl- para os neurônios. 
Todos os representantes dessa classe são lipossolúveis e completamente absorvidos no TGI, 
com exceção do clorazepato, que é metabolizado, e a nordazepam, por ação do ácido estomacal. 
O metabolismo dos benzodiazepínicos ocorre principalmente por oxidação via CYP450 (sobretudo 
CYP3A4 e CYP2C19), gerando formação de metabolito ativo, seguido de conjugação com ácido 
glicurônico (RANG et al., 2012; SILVA et al., 2016). 
Conforme a duração do efeito, os benzodiazepínicos mais importantes podem ser classificados 
como ultrarrápidos, ação curta (meia-vida menor que 6 horas), ação intermediária (meia-vida 
menor entre 6 e 24 horas) e longa ação (meia-vida maior que 24 horas). 
São os principais benzodiazepínicos, segundo sua classificação de ação: 
106
Ultrarrápidos (hipnótico): 
• Midazolan: tem sua dose usual 7,5 – 15mg/dia, com meia- vida de 2 - 4h. Ação curta 
(ansiolítico, hipnótico).
• Lorazepan: tem sua dose usual 2 - 4mg/dia, com meia-vida de 8 - 12h. Ação intermediá-
ria (ansiolítico, antidepressivo). 
• Alprazolan: tem sua dose usual 0,25 - 4mg/dia, com meia-vida 6 - 12h. Ação longa (ansio-
lítico, relaxante muscular, anticonvulsivante, sedativo).
• Clonazepam: tem sua dose usual 0,25 – 2,5mg/dia, com meia-vida 23 - 28h. 
• Diazepam: tem sua dose usual 5 - 10mg/dia, com meia-vida de 20 – 40h.
Os benzodiazepínicos apresentam como efeitos adversos mais comuns a fraqueza, visão 
turva, vertigem, desconfortos intestinais, sonolência, danos às habilidades psicomotoras, 
comprometimento cognitivos e hipotonia (RANG et al., 2012; SILVA et al., 2016). 
Os barbitúricos como fármacos sedativos e hipnóticos foram substituídos após a chegada dos 
benzodiazepínicos ao mercado, passando a ter sua principal indicação como anticonvulsivantes e 
anestésicos. A substituição se deu principalmente por desenvolverem ligeira tolerância e ao baixo 
índice terapêutico, sendo possível causar intoxicação grave em casos de overdose, com risco de 
morte por depressão respiratória (RANG et al., 2012; SILVA et al., 2016). 
Os fármacos barbitúricos acentuam a ligação do GABA aos receptores GABAa, ampliando os 
intervalos de tempo durante os quais esse canal permanece aberto. O resultado é a depressão 
em todos os graus do SNC, variando desde sedação leve até anestesia, mas sem eficácia sobre a 
ansiedade. O principal barbitúrico ainda usado na clínica fora do meio hospitalar é o:
• Fenobarbital: usado principalmente como anticonvulsivo, com dose usual de 30 – 
300mg/dia, com meia-vida de 80 – 120h.
Sabendo que a subunidade α do receptor GABAa apresenta especificidade de ação pelos 
fármacos depressores do SNC, a produção de fármacos hipnóticos seletivos foi possibilitada. Os 
chamados compostos “Z” são representados pelos zolpidem, zaleplona e zopiclona, que atuam 
acentuando a corrente de Cl- pelo receptor GABAa, com maior seletividade, sendo o mecanismo 
de ação diferente dos fármacos benzodiazepínicos. Dessa maneira, esses fármacos agem como 
hipnóticos de ação curta, tendo efeitos residuais menores, sem atividade sedativa e ansiolítica 
(RANG et al., 2012; SILVA et al., 2016). 
O zolpidem é o composto “Z” mais utilizado na clínica, possui dose usual de 5 – 10mg/dia para 
tratamento de insônia crônica. Tem rápida absorção após administrado por via oral, possuindo 
meia-vida de 2h. Observa-se como efeitos adversos mais frequentes alterações gastrointestinais, 
107
dores de cabeça, desinibição e efeitos potenciais sobre grande parte das funções do SNC.
3.3 Antidepressivos e estabilizantes de humor
Os distúrbios afetivos são caracterizados por modificações do humor e por distúrbios 
do pensamento. A depressão maior ou unipolar é uma condição clínica incapacitante 
consideravelmente comum,de caráter crônico e presente em aproximadamente 80% dos casos. 
Os dados demonstram uma maior ocorrência da depressão em mulheres do que em homens, no 
entanto permanece sendo uma enfermidade subdiagnosticada e subtratada. Os sintomas mais 
comuns da depressão englobam alguns componentes emocionais: aflição, apatia, pessimismo, 
baixa autoestima, sentimento de culpa, inadequação e feiura, indecisão e perda da motivação. E 
também sintomas biológicos: atraso do pensamento e da ação, ausência da libido, distúrbios do 
sono e falta de apetite (RANG et al., 2012; SILVA et al., 2016). 
O uso de fármacos antidepressivos tende a amenizar ou acabar com os sintomas da depressão 
moderada a grave. Porém, antes de iniciar o tratamento, é necessário desprezar o diagnóstico de 
transtorno bipolar, visto que os antidepressivos são capazes de propiciar o surgimento da mania. 
Esta, normalmente, é o oposto, caracterizando-se por entusiasmo, autoconfiança, exuberância 
excessiva associados a ações impulsivas. 
Para explicar a depressão, a teoria bioquímica mais relevante é a teoria das monoaminas, 
segundo a qual a depressão é ocasionada por um déficit funcional dos transmissores das 
monoaminas (noradrenalina e/ou 5-HT), em algumas partes do cérebro, enquanto que a mania é 
resultado de um excesso funcional. Apesar de a teoria das monoaminas, em sua definição simples, 
não ser mais sustentada como explicação da depressão, a modificação farmacológica permanece 
como abordagem terapêutica mais bem-sucedida (RANG et al., 2012; SILVA et al., 2016). 
As classes de fármacos antidepressivos mais importantes são os inibidores da monoamino-
oxidade (IMAO), antidepressivos tricíclicos (ADT) e inibidores seletivos da recaptação de 
serotonina (ISRS). Independentemente do tipo do fármaco, todos melhoram a neurotransmissão 
serotoninérgica ou noradrenérgica, sendo que os efeitos a longo prazo induzem mecanismos 
adaptativos que melhoram o êxito do tratamento. 
Antidepressivos tricíclicos consistem em obstruir a recaptação de aminas (noradrenalina e/ou 
5-HT) pelas terminações nervosas dos neurônios pré-sinapticos, aumentando a concentração nas 
fendas sinápticas do SNC. Atuam também como antagonistas de receptores pós-sinápticos H1, 
5-HT2A, α1-adrenergico e muscarínicos, essas ações podem ser associadas com outros efeitos 
sejam eles favoráveis ou não. 
São representantes da classe, mais usados na clínica:
• Imipramina: tem dose usual de 50 – 300mg/dia, metabolizada pela CYP1A2 e CYP2C19.
108
• Amitriptilina: tem dose usual de 25 – 300mg/dia, metabolizada pela CYP1A2 e CYP2C19.
• Nortriptilina: tem dose usual de 30 – 200mg/dia, metabolizada pela CYP2D6, possui me-
tabolito ativo da amitriptilina.
• Clomipramina: tem dose usual de 50 – 260mg/dia, metabolizada pela CYP1A2 e 
CYP2C19.
• Doxepina: tem dose usual de 50 – 300mg/dia, metabolizada pela CYP1A2 CYP2C19. E 
pode ser utilizada como sedativo. 
Podemos mencionar como efeitos adversos mais relevantes: sedação (bloqueio H1), 
hipotensão postural (por causa da obstrução dos receptores α-adrenérgicos), boca seca, visão 
borrada, constipação (bloqueio muscarínico). Não se recomenda a administração juntamente 
com IMAO. 
Os fármacos inibidores seletivos da recaptação de serotonina estão entre os mais usados em 
psiquiatria. Costumam ser a primeira escolha para o tratamento da depressão maior, principalmente 
pela melhora na margem de segurança quando se compara com os fármacos ATC e IMAO. Os ISRS 
possuem outras indicações clínicas, incluindo o tratamento da ansiedade generalizada, síndrome do 
pânico e TOC e desordens alimentares (RANG et al., 2012; SILVA et al., 2016). 
Todos os ISRS agem inibindo a recaptação de 5-HT nos neurônios pré-sinápticos, o que 
resulta no aumento da quantidade desse neurotransmissor na fenda sináptica e resulta na 
neurotransmissão serotoninérgica potencializada e prolongada. 
Os fármacos ISRS mais utilizados são: 
• Fluoxetina: tem dose usual 20 – 80mg/dia, é metabolizada pela CYP2C9 e CYP2D6, e pos-
sui metabólito ativo norfluoxetina, que possui meia-vida de cerca de 7 a 15 dias.
• Escitalopram: tem dose usual 10 – 20mg/dia, é metabolizado pela CYP2C19 e CYP3A4 e 
corresponde ao S-enantiômero do citalopram.
• Paroxetina: tem dose usual 20 – 50mg/dia, é metabolizada pela CYP2D6, possui efeitos 
colinérgicos idênticos aos ADT.
• Sertralina: tem dose usual 25 – 150mg/dia, é metabolizada pela CYP3A4.
• Citalopram: tem dose usual de 10 – 60mg/dia, é metabolizada pela CYP2C19, possui 
maior seletividade pelo transportador de 5-HT dentre os demais ISRS (RANG et al., 2012; 
SILVA et al., 2016). 
Podemos destacar entre efeitos adversos mais frequentes os distúrbios gastrointestinais, 
ansiedade, disfunção sexual, prejuízo da cognição.
109
 As enzimas monoamina oxidase (MAO) e catecol-O-metil transferase são as enzimas 
de degradação das catecolaminas mais importantes. A MAO comanda o conteúdo dos 
neurotransmissores dopamina e noradrenalina no interior dos neurônios, e a reserva de 
noradrenalina tem um aumento quando a enzima é inibida. 
Um dos principais efeitos dos IMAOs é o aumento das concentrações citoplasmáticas das 
monoaminas nas terminações nervosas. São fármacos da classe: fenelzina, trancilcipromina, 
pragilina, selegilina. 
O efeito desses fármacos tem longa duração (semanas), devido à inibição irreversível da MAO. 
Os efeitos colaterais mais importantes são a hipotensão postural, aumento do peso corporal, 
estimulação do SNC, causando inquietação e insônia (RANG et al., 2012; SILVA et al., 2016).
Vários fármacos são usados para controlar oscilações de humor características da doença 
maníaco-depressiva (bipolar). Vejamos os fármacos mais importantes:
• vários antipsicóticos, como carbamazepina, valproato, lamotrigina;
• alguns antipsicóticos, como olanzapina, risperidona, quetiapina.
Lítio: é o mais eficaz na profilaxia de crises maníaco-depressivas e redução do risco de suicídio, 
mas devido ao seu baixo índice terapêutico, o uso desse medicamento deve ser cauteloso. Os 
efeitos colaterais surgem principalmente no tratamento crônico e são apresentados como tremor, 
ganho de peso, edema, poliúria e náuseas e intestino solto (RANG et al., 2012; SILVA et al., 2016).
3.4 Antiepiléticos 
A convulsão é o principal evento que caracteriza a epilepsia, a qual está relacionada à descarga 
episódica de alta frequência de impulsos por um grupo de neurônios no cérebro. A epilepsia 
possui classificação clínica em duas categorias: as crises convulsivas parciais e as convulsões 
generalizadas, ainda que tenha alguma superposição e muitas variantes em cada uma (RANG et 
al., 2012; SILVA et al., 2016). 
O tratamento das epilepsias tem como princípio a diminuição da despolarização neuronal anômala 
através da ação do GABA ou inibição da função dos canais para Na+ ou Ca+ (MENEZES; SÁ, 2016). 
FIQUE DE OLHO
A ingestão de alimentos ricos em tiramina (queijo, vinhos, laticínios) por indivíduos 
fazendo uso de IMAO provoca um quadro conhecido como “reação do queijo”. A tiramina é 
degradada pela MAO no intestino e no fígado, quando a atividade desta enzima encontra-se 
inibida, os níveis de tiramina aumentam, causando efeitos simpatomiméticos, com elevação 
acentuada da pressão arterial, cefaleia pulsátil severa e hemorragia intracraniana.
110
Os medicamentos anticonvulsivantes podem provocar diversos efeitos indesejados, assim 
que é aconselhado o tratamento dos pacientes com um fármaco apenas. Caso não seja possível 
controlar as convulsões, a troca por outro fármaco é mais indicada que adicionar um novo. Alguns 
fármacos benzodiazepínicos, como clonazepam e diazepam e o barbitúrico fenoberbital são 
usados para tratar todos os tipos de epilepsias (RANG et al., 2012; SILVA et al., 2016). 
A carbamazepina e oxicarbamazepina são utilizadas principalmente em convulsões tônico-
clônicas e crises parciais. Atuam no bloqueio dos canais para Na+ sensíveis à voltagem e inibindo 
as descargas de alta frequência. Alguns dosefeitos indesejáveis são sonolência, vertigem, ataxia, 
visão borrada. 
A fenitoina apresenta efeito anticonvulsivante sem provocar depressão do SNC, atuando 
na ampliação do tempo de inativação dos canais para Na+ sensíveis à voltagem e com maior 
potência em membranas despolarizadas sendo indicadas para crises parciais e convulsões tônico-
clônicas, mas não nas crises de ausência. Podemos mencionar como efeitos adversos as arritmias 
cardíacas e hipotensão em idosos; alterações comportamentais, aumento da frequência das 
crises convulsivas, hiperplasia gengival, osteomalácia e anemia megaloblástica em pacientes 
jovens (RANG et al., 2012; SILVA et al., 2016). 
O ácido valproico é o fármaco anticonvulsivante mais indicado por apresentar um amplo 
espectro de ação em todos os tipos de convulsões. O mecanismo de ação desse fármaco é 
resultado da acentuada inativação dos canais para Na+ sensíveis à voltagem, redução das 
correntes de Ca+ tipo T e mudança do metabolismo do GABA, diminuindo a degradação pelo 
GABA transaminase e semialteído succínico desidrogenase (RANG et al., 2012; SILVA et al., 2016) 
Os fármacos mais novos foram desenvolvidos no intuito específico de alterar a 
neurotransmissão do SNC, por acentuação GABAérgica e inibição glutamatérgicas: gabapentina e 
pregabalina são análogos do GABA; lamotrigina inibe a recaptação do GABA e prolonga sua ação; 
topiramato reduz correntes de Na+ dos canais regulados por voltagem. 
3.5 Fármacos usados em doenças neurodegenerativas
Doenças degenerativas do Sistema Nervoso Central podem se caracterizar pela perda 
irreversível de neurônios localizados em determinadas regiões cerebrais, em que a fisiopatologia 
está associada à neurotransmissão química (MENEZES; SÁ, 2016). A doença de Parkinson e a 
doença de Alzheimer são as mais frequentes, as quais o objetivo da farmacoterapia é atenuar os 
sintomas da doença, já que o processo neurodegenerativo continua a evoluir (RANG et al., 2012; 
SILVA et al., 2016). 
Os principais sintomas do Parkinson surgem quando há uma diminuição da ativação dos 
receptores pós-sinápticos para dopamina D1 e D2. Perante isso, temos a primeira linha da 
111
farmacoterapia do Parkinson, abrangendo a recuperação da atividade dopaminérgica. Um dos 
precursores metabólicos da dopamina é a levodopa. Seus efeitos adversos mais conhecidos são a 
anorexia, náuseas, vômitos e arritmias cardíacas (RANG et al., 2012; SILVA et al., 2016). 
O Alzheimer é caracterizado como uma desordem neurodegenerativa multifatorial que 
promove uma perda progressiva da capacidade mental, comportamental funcional e da 
capacidade de aprendizado. A neuropatologia está associada com o acúmulo extracelular do 
peptídeo β-amiloide, formando oligâmeros solúveis que aglutinam em fibras insolúveis, levando 
à morte celular (RANG et al., 2012; SILVA et al., 2016). 
Assim, o aumento da neurotransmissão colinérgica remanescente, com a diminuição das 
colinesterases nas fendas sinápticas e crescimento da concentração da acetilcolina extracelular, 
equivale ao tratamento de primeira linha (SILVA et al., 2016). 
Todos os anticolinesterásicos usados favorecem a cognição, comportamento e funcionalidade. 
A memantina e donepezila são os mais utilizados em pacientes com Alzheimer leve a moderada. 
Esse fármaco é um antagonista não competitivo dos receptores para glutamato do tipo NMDA. 
Observa-se como efeitos colaterais mais comuns o desconforto gastrointestinal, cãibras 
musculares e bradicardia (RANG et al., 2012; SILVA et al., 2016).
3.6 Analgésicos opioides e antagonistas
A dor pode ser entendida como uma sensação de resposta protetora (fisiológica) que também 
aparece como desordem física e emocional desagradável, com origem em receptores de dor 
(nociceptores) que dão respostas a muitos estímulos e ameaças (RANG et al., 2012; SILVA et al., 2016). 
Em relação ao processamento central das informações, ele engloba: a) a propagação do tálamo 
ao córtex somatossensorial, no qual as informações de dor são percebidas e interpretadas; b) ao 
sistema límbico, cujos componentes emocionais da dor são experimentados; e c) propagação 
aos centros do tronco cerebral, em que as respostas do sistema nervoso autônomo são alistadas 
(SILVA et al., 2016). 
Os analgésicos centrais, em especial os opioides, são um grupo de substâncias narcóticas que 
produzem analgesia atuando sobre os receptores (µ, k e δ), em nível de Sistema Nervoso Central 
(SNC) e medula espinhal. Todos os receptores opioides são fixados à proteína G, que provoca a 
inativação da adenililciclase e mudanças nas concentrações intracelulares de AMPc e PKA (RANG 
et al., 2012; SILVA et al., 2016). 
Podemos classificar os opioides como agonistas: morfina e seus derivados (diacetilmorfina, heroína, 
codeína e dihidrocodeína), fenilpiperidinas (fentanila e sufentanila), metadona, dextropopoxifeno e 
benzomorfanos (fenazocina); antagonistas/agonista: pentazocina, nalbufina e meptazinol; e agonistas 
112
parciais: buprenorfina. Os efeitos adversos que podem ocorrer são constipação intestinal, depressão 
respiratória, náuseas e vômitos (RANG et al., 2012; SILVA et al., 2016). 
Os fármacos produzem, na maioria das vezes, além da analgesia, sonolência, alterações do 
humor (euforia) e confusão mental. 
É importante observar que a tolerância aos opioides, ou seja, o aumento da dose necessária 
para provocar um efeito farmacológico, ocorre de modo mais rápido quando se tem a 
administração prolongada. Esse processo gera também uma dependência, por um processo de 
síndrome de abstinência.
4 INTERAÇÕES MEDICAMENTOSAS
Podemos definir a interação medicamentosa (IM) como a combinação de dois ou mais 
medicamentos de modo que a segurança ou eficácia de um fármaco é modificada pela atuação 
de outro fármaco, fitoterápico, alimento, bebida ou algum agente químico ambiental (CEDRAZ; 
SANTOS JUNOR, 2014). 
Existem interações medicamentosas favoráveis e úteis em tratamentos, como na prescrição 
concomitante de anti-hipertensivos e diuréticos, na qual temos o aumento dos efeitos anti-
hipertensivos por reduzirem a pseudotolerância a esses fármacos com a utilização dos diuréticos 
(OLIVEIRA, 2009). 
Vejamos as classificações das interações: 
• Interações farmacocinéticas: ocorrem quando o fármaco modifica a velocidade ou exten-
são de absorção, distribuição, biotransformação ou excreção de outro fármaco.
• Interações farmacodinâmicas: acontecem nos sítios de ação, abrangendo os mecanismos 
pelos quais os efeitos esperados se processam.
• Interação de efeito: ocorre quando dois ou mais fármacos em uso concomitante têm 
ações farmacológicas parecidas ou divergentes. É possível gerar sinergias ou antagonis-
mos sem alterar farmacocinética ou mecanismo de ação dos fármacos.
• Interações físico-químicas: também conhecidas como incompatibilidades, acontecem in 
vitro, isto é, antes da administração dos fármacos no organismo, quando se misturam 
dois ou mais deles numa mesma seringa, equipo de soro ou outro recipiente. 
Essas interações são classificadas conforme a gravidade em: 
• Contraindicado: ocorre quando os fármacos não podem ser administrados de maneira 
concomitante.
113
• Grave: acontece quando a interação coloca em risco a vida do paciente, exigindo ou não 
intervenção médica para diminuir ou prevenir os efeitos indesejados.
• Moderado: ocorre quando a interação pode gerar uma exacerbação da condição do pa-
ciente exigindo ou não uma mudança na terapia.
• Mínimo: acontece quando a interação pode prejudicar o efeito clínico limitando-o, po-
rém, normalmente, não exige muita modificação na terapia (RANG et al., 2012). 
5 NOÇÕES GERAIS DE TOXICOLOGIA 
A toxicologia pode ser definida como a ciência cujo objetivo de estudo é o efeito adverso de 
substâncias químicas sobre os organismos vivos, com a finalidade de prevenir o surgimento deste 
efeito, isto é, determinar o uso seguro e adequado dessas substâncias químicas (HERNANDEZ et 
al., 2017; KLAASSEN; WATKINS III, 2012).
Podemosdestacar no campo da toxicologia diversas áreas, conforme a natureza do agente ou 
a maneira como este atinge o organismo. Destacam-se:
• Toxicologia ambiental
Estuda os efeitos prejudiciais ocorridos pela interação dos contaminantes químicos ambientais 
com o organismo humano.
• Toxicologia ocupacional
Estuda os efeitos prejudiciais produzidos pela interação dos contaminantes do ambiente de 
trabalho, com o indivíduo desprotegido e o efeito sobre sua saúde.
• Toxicologia de alimentos
Estuda os impactos adversos produzidos por agentes químicos encontrados nos alimentos, 
sejam estes contaminantes ou de origem natural. É a área da toxicologia que determina as 
condições nas quais os alimentos podem ser consumidos sem causar prejuízos à saúde.
• Toxicologia de medicamentos
Estuda os efeitos adversos resultados da interação dos medicamentos com o organismo, 
consequência da utilização equivocada ou da predisposição de cada indivíduo (RANG et al., 2012).
114
Utilize o QR Code para assistir ao vídeo:
115
Nesta unidade, você teve a oportunidade de:
• entender sobre fármacos que atuam no coração, sistema vascular e circulação 
sanguínea, como por exemplo, os anti-hipertensivos, diuréticos, digitálicos, 
antiarrítmicos, antianêmicos, dislipidêmicos e anticoagulantes;
• conhecer sobre o sistema respiratório;
• aprender sobre as doenças que afetam o sistema nervoso central e quais as 
alternativas terapêuticas disponíveis;
• compreender um pouco sobre interações medicamentosas;
• estudar a toxicologia.
PARA RESUMIR
CEDRAZ, K. N.; SANTOS JUNIOR, M. C. Identification and characterization of drug 
interactions in prescriptions of the intensive care unit of a public hospital in the city of 
Feira de Santana, BA. Revista Sociedade Brasileira de Clínica Médica , Feira de Santana, 
v. 12, n. 2, p. 1-7, abr. 2014.
HERNANDEZ, E. M. M.; RODRIGUES, R. M. R.; TORRES, T. M. Manual de toxicologia 
clínica: orientações para assistência e vigilância das intoxicações agudas. São Paulo: 
Secretaria Municipal da Saúde, 2017.
KLAASSEN, C. D.; WATKINS III, J. B. Fundamentos em toxicologia de Casarett e Doull 
(Lange) . AMGH, 2012.
OLIVEIRA, H. C. Guia prático das interações medicamentosas dos principais antibióticos 
e antifúngicos utilizados no hospital universitário Júlio Muller. Cuiabá: CIM/MT- HUJM/
SES, 2009.
RANG, H. P.; DALE, M. M.; RITTER, J. M.; FLOWER, R. J.; HENDERSON, G. Rang & Dale: 
farmacologia. 7.ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2012.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Farmacologia aplicada à estética e cosmética é um livro 
direcionado para estudantes dos cursos das áreas de farmácia, 
estética, cosmética e correlatos.
Além de abordar assuntos gerais, o livro enfatiza as bases da 
farmacologia, os princípios de neurofarmacologia, os mediadores químicos 
e anti-inflamatórios, os fármacos que afetam os grandes sistemas, as 
interações medicamentosas e os conceitos básicos de toxicologia.
Após a leitura da obra, o leitor vai compreender as vias de 
administração e suas diferenças em ação dos fármacos; analisar o 
mecanismo de ação dos fármacos, englobando excitação, contração e 
secreção de cálcio, proliferação e regeneração celular e mecanismos 
de defesa do hospedeiro; identificar os componentes anatômicos 
e as funções do sistema nervoso central e periférico; relacionar os 
aspectos morfofuncionais do sistema central, periférico e autônomo 
com aspectos clínicos; saber a importância farmacológica da 5- 
Hidroxitriptamina, histaminas, peptídeos e proteínas; considerar as 
limitações relacionadas aos efeitos gástricos dos anti-inflamatórios 
não esteroidais; entender sobre os fármacos que atuam no coração, 
no sistema vascular e na circulação sanguínea, como os anti-
hipertensivos, diuréticos, digitálicos, antiarrítmicos, antianêmicos, 
dislipidêmicos e anticoagulantes; dominar as doenças que afetam 
o sistema nervoso central e quais suas alternativas terapêuticas 
disponíveis, e muito mais.
Aproveite a leitura do livro. 
Bons estudos!
	Capa E-Book_Farmacologia Aplicada à Estética e Cosmética_CENGAGE_V2
	E-Book Completo_Farmacologia Aplicada à Estética e Cosmética_CENGAGE_V2

Mais conteúdos dessa disciplina