Prévia do material em texto
AVALIAÇÃO NUTRICIONAL (AN) Conceito: · Instrumento diagnóstico. · Avalia as condições nutricionais do organismo por meio de vários parâmetros. · É comum que as pessoas confundam a avaliação nutricional com a antropometria; contudo, vale lembrar que a antropometria é apenas um dos vários parâmetros de uma avaliação nutricional. Objetivo: · Identificar os distúrbios nutricionais, possibilitando uma intervenção adequada de forma a auxiliar na recuperação e/ou manutenção do estado de saúde do indivíduo. · A avaliação nutricional ocorre antes da conduta nutricional. · É por meio dela que se chega a um diagnóstico ou uma hipótese diagnóstica para formar a conduta nutricional. A avaliação nutricional é ampla e, dentro do contexto da alimentação, irá abranger os seguintes pontos: · Ingestão; · Absorção; · Utilização; · Excreção de nutrientes. ESTADO NUTRICIONAL (EN) Conceito: · O balanço entre a ingestão e a perda de nutrientes. MÉTODOS OBJETIVOS Os métodos objetivos de avaliação nutricional são: · Antropometria (peso, estatura, dobras cutâneas, circunferências etc.); · Composição corporal (% gordura corporal/Kg, % massa muscular/Kg etc.); · Parâmetros laboratoriais; · Consumo alimentar. MÉTODOS SUBJETIVOS · Exame físico; · Avaliação Subjetiva Global (AGS) e outras triagens. PARÂMETROS AN · Dados pessoais (sexo, idade etc.); · Condições socioeconômicas (renda, atividade, grau de instrução etc.); · História clínica (patologias pessoais e familiares etc.); · Avaliação do consumo alimentar (O que come? Quantas vezes come? Onde come? Por que come?); · Avaliação antropométrica; · Exame físico (estado da pele, do cabelo, das unhas, coloração, mucosas etc.); · Investigação dos exames laboratoriais (hipótese diagnóstica pode se tornar um diagnóstico). ANTROPOMETRIA O termo antropometria tem o seguinte significado: · Antropo (anthropos = ser humano); · Metria (metrein = medição). · Ou seja, antropometria nada mais é do que uma medição do corpo humano. Hoje, a antropometria é muito importante na avaliação nutricional, pois gera resultados relativos ao estado nutricional do paciente e desempenho esportivo. Vantagens da antropometria: · Equipamentos de baixo custo e fácil aquisição; · Técnicas não invasivas; · Obtenção rápida de resultados. Limitações: · Incapacidade de detectar alterações recentes no estado nutricional; · Não permite identificar deficiências específicas de nutrientes. Composição Corporal: Composição corporal = massa gorda + massa corporal magra Entende-se por massa gorda tudo aquilo que for gordura. Já massa magra é tudo aquilo que não é gordura (pele, ossos, cabelo, órgãos, músculos etc.). Não confundir a massa magracom a massa muscular. Métodos de avaliação da composição corporal · Método direto: dissecação de cadáveres ou extração lipídica; · Métodos indiretos: · Pesagem hidrostática; · DEXA; · Interactância de raio infravermelho; · Ultrassonografia; · Tomografia computadorizada; · Ressonância magnética; · Pletismografia; · Métodos duplamente indiretos: · Bioimpedância elétrica (BIA) · Antropometria. ANTROPOMETRIA · Peso; · Altura; · IMC (Índice de Massa Corporal) · Circunferências; · Pregas cutâneas; · Bioimpedância elétrica. Peso: É a soma de todos os componentes corporais (massa gorda e massa magra), que reflete o equilíbrio proteico-energético. O peso é subdividido em: · Peso atual (aquele mostrado na balança); · Peso usual ou habitual; · Peso ideal ou desejável; · Peso estimado (quando não é possível pesar o paciente). Estimativa de peso atual em pacientes com edema (acúmulo indesejável de líquido): Edema Localização Excesso de peso hídrico + Tornozelo 1kg ++ Joelho 3 a 4kg +++ Base da coxa 5 a 6kg ++++ Anasarca 10 a 12kg · Anasarca é um edema generalizado, mais comum dentro do contexto hospitalar. Peso estimado: - Homem: Peso (kg) = [(0,98 x CP) + (1,16 x AJ) + (1,73 x CB) + (0,37 x PCSE) – 81,69] - Mulher: Peso (kg) = [(1,27 x CP) + (0,87 x AJ) + (0,98 x CB) + (0,4 x PCSE) – 62,35] Fonte: CHUMLEA e cols, 1985. - Homem = (0,5759 x CB) + (0,5263 x CA) + (1,2452 x CP) – (4,8689 x 1) – 32,9241 - Mulher = (0,5759 x CB) + (0,5263 x CA) + (1,2452 x CP) – (4,8689 x 2) – 32,9241 RABITO e cols, 2006. Mudança de peso Tempo Perda de peso significativa (%) Perda de peso grave (%) 1 semana 1 a 2 >2 1 mês 5 >5 3 meses 7,5 >7,5 6 meses 10 >10 Estatura Dimensão longitudinal ou linear do corpo humano. Pode ser aferida por: · Aferição convencional; · Estatura estimada através dos parâmetros: · AJ (Chumlea e cols, 1985); · Extensão dos braços; · Meia envergadura · Estatura recumbente. • Aferição convencional: · Paciente em pé e descalço; · Nuca, escápula, nádegas e calcanhares em uma barra (ou parede) vertical fixa; · Peso distribuído igualmente entre os pés; · Cabeça ereta, olhar fixo à frente. Há casos em que o paciente pode alegar ser um pouco mais alto após a aferição da estatura. Isso acontece, pois, ao longo do dia ocorre uma compressão nas vértebras que pode gerar uma redução de até 2 cm na estatura do paciente. É por isso que o mais indicado é fazer essa aferição da estatura logo pela manhã. Estatura estimada: · Masculino= [64,19 – (0,04 x idade em anos) + (2,02 x AJ)] · Feminino= [84,88 – (0,24 x idade em anos) + (1,83 x AJ)] Chumlea e cols. (1985) Classificação do estado nutricional segundo IMC para adultos: IMC Classificação Abaixo de 18,5 Baixo peso ou Desnutrição 18,5 a 24,99 Normal/Eutrofia 25,0 a 29,99 Sobrepeso 30,0 a 34,99 Obesidade I 35 a 39,99 Obesidade II > 40 Obesidade III IMC Classificação < 22 Magreza 22 a 27 Eutrofia > 27 Excesso de peso Classificação da distribuição da gordura corporal: Visceral ou central ou androide: · Lembra formato de maçã, tronco mais arredondado, acúmulo de gordura acima da região da cintura. · Gordura abdominal → obesidade superior. • Gordura distribuída preferencialmente na região do tronco. · Mais comum em homens. · > relação com DCNT (doenças cardiovasculares, esteatose hepática, dislipidemia, síndrome metabólica, dentre outras). Gluteofemural ou periférica ou ginecóide ou ginóide: · Lembra formato de pera. · Gordura subcutânea → Obesidade inferior (o acúmulo de gordura é do tronco para baixo – quadris, pernas, coxas. Do tronco para cima, o acúmulo costuma ser menor). · Mais comum em mulheres. Circunferência da cintura (cc) · Parâmetro como fator de risco para doenças cardiovasculares e diabetes mellitus; · Aferida na parte mais estreita do tronco, ponto médio entre as costelas e a crista ilíaca através de uma fita métrica inextensível após expiração. Circunferência do quadril (cq) · Aferida através de uma fita inextensível, que deve ser posicionada horizontalmente à extensão posterior máxima dos glúteos. COMPOSIÇÃO CORPORAL Peso, estatura e IMC isolados. Não distinção do peso associado à gordura e ao musculo Necessidade de analise da composição corporal Avaliação mais precisa do EN Dobras Cutâneas = Espessura da pele + Espessura da gordura Dobra cutânea não tem relação com musculatura, seu objetivo é verificar gordura. As dobras cutâneas devem sempre ser medidas do lado direito do corpo do paciente: · Dobra cutânea biciptal; · Dobra cutânea triciptal; · Dobra cutânea subescapular; · Dobra cutânea abdominal; · Dobra cutânea supra-ilíaca; · Dobra cutânea axilar média; · Dobra cutânea do tórax; · Dobra cutânea da coxa; · Dobra cutânea da panturrilha O lado não dominante risco de desnutrição, porque teoricamente esse lado tem percentual maior de massa gorda e menor de massa muscular. Predição de gordura corporal Dobras cutâneas Densidade corporal Percentual de gordura corporal Bioimpedância Elétrica (Bia) · Método rápido e não invasivo para avaliar a composição corporal. · Baseado no princípio da condutividade elétrica. · Resultado da resistência oferecida pelos tecidos corporais à passagem de uma corrente elétrica. · Utilizada para determinar a água corporal total e posteriormente estimar o percentual de gordura.· Método tetrapolar que utiliza quatro pequenos eletrodos aplicados na mão e punho direitos e no tornozelo e pé direitos. · Obs.: a literatura valida somente o método da bioimpedância como tetrapolar. · O aparelho é conectado aos eletrodos, em que uma corrente de baixa voltagem é passada pelo corpo. · Os valores obtidos combinados com altura, peso e sexo possibilitam o cálculo de compartimentos corporais. · Massa Magra ossos, pele e músculos · Massa Muscular somente aos músculos. · Limitações: fatores que alteram a hidratação do indivíduo como alimentação, bebidas, uso de determinados medicamentos, desidratação e exercícios físicos. RECOMENDAÇÕES PARA ANÁLISE DE BIA · Não comer ou beber a menos de 4 horas do teste. · Não fazer exercícios a menos de 12 horas do teste. · Urinar a menos de 30 min. do teste. · Não consumir álcool a menos de 48 horas do teste. · Não consumir café nem fumar cigarro antes do exame. · Não tomar medicamentos diuréticos a menos de 7 dias do teste. · Não avaliar indivíduos com marca-passo. · Não avaliar gestantes. INQUÉRITOS ALIMENTARES “São métodos utilizados para avaliação de consumo alimentar de indivíduos e populações em um determinado período de tempo estabelecido previamente” (DUARTE, 2007). Objetivos: Fornecer informações quanti e/ou qualitativas referentes à ingestão alimentar Relaciona dieta ao estado nutricional Surgimento de doenças crônicas Escolha do método Diferenças entre os métodos · Participação do entrevistado; · Necessidade de ser alfabetizado; · Dependência de memória; · Número de aplicações do instrumento; · Estimativa da ingestão habitual. Retrospectivos · Recordatório 24h · Questionário de frequência alimentar · Histórico alimentar Prospectivos · Registro ou diário alimentar · Registro dietético pesado ou resto-ingestão. Recordatório de 24 horas · Anotação e quantificação de tudo que o indivíduo comeu e bebeu nas últimas 24 horas anteriores à entrevista. · Método mais utilizado. · Utilização de instrumentos de auxílio visual (ex.: kit utensílios e álbum fotográfico). Vantagens: · Barato, simples e rápido · Menos desgastante · Quantitativo e qualitativo · Avalia dieta atual · Paciente participa ativamente · Pode ser aplicado em pessoas analfabetas e qualquer faixa etária. Limitações · Não representa ingesta usual · Depende da memória · Pode subestimar alguns nutrientes · Dificuldade de estimar porções · Ingesta de líquidos, petiscos e doces é omitida. Questionário de frequência alimentar (FQ) · Possui o objetivo de conhecer e identificar o consumo habitual de alimentos ou grupos alimentares. · Consiste na utilização de uma lista de alimentos, em que o entrevistado aponta a frequência que consome esses alimentos (ex.: diário, semanal, raro). Vantagens: · Não requer entrevistador treinado · Rápido · Útil para estimar nutrientes específicos · Analisa padrão alimentar · Permite associação entre nutrientes e doenças · Fácil padronizar · Avalia ingesta usual · Baixo custo Limitações: · Não estima quantidades e horários · Requer tempo e paciência · Melhor para grupos do que para indivíduos · Analise requer computadores. Histórico alimentar · Avalia os hábitos de consumo alimentar minuciosamente a fim de determinar o histórico alimentar pregresso e/ou atual. · Pode ser quantitativo ou qualitativo. · Agrega métodos como recordatório de 24 horase questionário de frequência alimentar. Também descreve aversões, preferências, intolerâncias, número de tipo de refeições, horário e local das refeições, hábitos de vida, dificuldades de mastigação, deglutição, modificação na consistência das refeições, horário e local das refeições, mudanças recentes na prática alimentar e atividade física. Vantagens: · Aborda maior número de informações · Quantitativo e qualitativo · Historia atual e pregressa. Limitações: · Extensa · Viés de memória · Entrevistador deve dominar as questões. Registro ou diário alimentar · Registro no momento do consumo: varia de um dia a uma semana · Quantidades estimadas em medidas caseiras pelo indivíduo: posteriormente as quantidades são transformadas em gramaturas. Vantagens: · Registro feito no momento de consumo Elimina viés de memória · Paciente pode ser instruído para evitar erros Limitações · Alteração na ingesta durante a avaliação · Exige tempo e paciência · Paciente pode não registrar dias atípicos · Dificuldade de estimar porções · Requer alfabetização Pesagem ou Resto-ingestão Trata-se de um método já ultrapassado. Consiste na: · Pesagem dos alimentos e bebidas antes do consumo; · Posterior pesagem das possíveis sobras. Vantagem: dados precisos e não sujeitos a viés de memória; Desvantagem: requer tempo, predisposição e paciência de quem for realizar a pesagem, além da necessidade de balança apropriada (e confiável). Principais fontes de erro Entrevistado: · Incompreensão quanto ao que está sendo questionado (pode acontecer, por exemplo, pelo uso de linguagens técnicas); · Sub ou superestimação do consumo; · Erro na estimativa do tamanho da porção (o paciente costuma ter uma falta de conhecimento em relação às medidas caseiras, principalmente no que tange à gramatura dos alimentos); · Omissão do uso de suplementos (além de balas e pequenos doces); · Falha de memória (pode omitir o consumo de alimentos com alto teor de calorias); · Respondem o que eles acham que o investigador quer que eles comam. Entrevistador: · Registro incorreto das respostas; · Indivíduos sem motivação ou desinteressados; · Descrição incompleta de alimentos (pode acabar fazendo com que uma pessoa ingira alimentos diferentes daqueles que foram recomendados); · Ambiente da entrevista (não deve conter distrações); · Empatia pelo indivíduo entrevistado; · Erro na conversão em gramas da medida caseira. Tabelas ou softwares de composição de alimentos A (TACO) é utilizada como base, contudo, há uma série de softwares utilizados para cálculo de dieta e montagem de cardápio. O grande problema é que alguns desses softwares têm por base a TACO e outros têm por base tabelas mistas, que incluem tabelas internacionais. Ou seja, não há uma padronização entre softwares e tabelas de composição. Assim, os principais erros são: · Fontes desatualizadas, incompletas (sobretudo de micronutrientes); · Tabelas com fontes de dados internacionais; · Tabelas não fornecem dados sobre receitas dos alimentos comerciais. EXAME FÍSICO NUTRICIONAL Verifica sinais físicos de deficiência nutricional com base nos sintomas relatados pelo paciente. É uma das áreas da avaliação nutricional em que ocorre o maior número de erros. A semiologia nutricional complementa o diagnóstico na área clínica, principalmente no caso de pacientes que já possuem ou estão desenvolvendo alguma patologia e já possuem sintomas específicos. Aspectos relevantes: · Emagrecimento: depleção de massa magra e depleção de tecido adiposo; · Sinais característicos de alterações patológicas: observação detalhada de regiões como: pele, face, tórax e membros; · Domínio das técnicas requer experiência; · Inclui parâmetros subjetivos e de difícil padronização; · Acrescenta informações aos achados da história nutricional e alimentar; · O aparecimento de sinais e sintomas ocorre com mais frequência em estágios avançados de depleção nutricional; · Parâmetro que não deve ser analisado isoladamente. ANEMIA A anemia é uma patologia muito comum na população brasileira, principalmente na gestação e os primeiros anos de vida da criança; Geralmente ocasionada por: · Doenças hematológicas; · Deficiência de ferro, vitamina B12 ou ácido fólico; · Hemorragia; · Insuficiência renal crônica · Desnutrição. Além da pele, o nutricionista precisa avaliar a coloração das mucosas do seu paciente. ICTERÍCIA Doença que tem como característica a coloração amarelada da pele e das mucosas, causada por impregnação de pigmentos biliares nos tecidos. Ela se divide em: · Hemolítica: causada por bilirrubina não conjugada ou indireta, geralmente secundária a doenças hemolíticas; · Colestática: causada por bilirrubinaconjugada ou direta; intra-hepática: ocasionadas por hepatite e cirrose; extrahepática: obstrução das vias biliares por cálculos. Obs.: também existe a possibilidade de que essa icterícia seja causada em função de problemas biliares, principalmente por obstrução dos canais biliares. A icterícia também serve para auxiliar no diagnóstico de outras patologias, tais como a hepatite. Vale lembrar que a hepatite gerará a icterícia. DESIDRATAÇÃO Decorre do consumo de líquidos menor que a necessidade. Em regra, a recomendação é que as pessoas consumam 30 ml/kg. A desidratação também pode ocorrer a partir da perda excessiva de líquidos (ex.: sudorese intensa, diarreia ou outro problema). Também pode ocorrer em pacientes com queimaduras extensas. Diagnosticada através de: · Salivação deficiente; · Brilho nos olhos reduzido; · Elasticidade da pele diminuída; · Umidade da mucosa também diminuída; · Sede intensa; · Fraqueza e sonolência. EDEMA Inchaço corporal ocasionado pela passagem de líquido através das paredes dos vasos sanguíneos ou linfáticos para os tecidos. Importante para diagnóstico de desnutrição proteico-energética. Relacionado com a presença de hipoalbuminemia. Pesquisa de edema deve levar em consideração o decúbito preferencial do paciente, observando-se a presença do Sinal de Cacifo: · Maleolar: pacientes que estão deambulando; · Sacral: pacientes acamados. FACE É de extrema importância para verificação de problemas correlacionados à desnutrição. Nesse caso, observa-se a perda da bola gordurosa de Bichat por conta da redução prolongada de reserva calórica. Além disso, outra característica é o sinal da “asa quebrada”, provocada pela restrição proteico-calórica prolongada. CAVIDADE ORAL, PESCOÇO, PELE E CABELO · Língua saburrosa ou branca: decorre falta de mastigação/deglutição e por deficiência de vitaminas específicas, principalmente as do complexo B. · Queilite angular: causada pela hipovitaminose C. Em casos extremos, pode chegar ao escorbuto. · Língua despapilada: causada pela carência de vitaminas do complexo B. · Presença de Bócio: causada pela deficiência de Iodo. · Alterações de cabelo: causada pela carência de proteínas e zinco. · Petéquias: causada pela deficiência de vitamina C. Pode ocorrer em membros inferiores e em membros superiores. TRONCO O exame físico do tronco está bastante relacionado ao processo de desnutrição. Assim, é de extrema importância avaliar: · Fúrcula external – indicativo de desnutrição crônica, com consequente capacidade diminuída na produção de anticorpos; · Atrofia da musculatura paravertebral – incapacidade do paciente em sustentar o próprio corpo com favorecimento de complicações infecciosas devido ao longo período de decúbito dorsal (é mais comum em pacientes hospitalizados). ABDOMEN · Distendido: provavelmente causado pelo acúmulo de líquido na região abdominal (conhecido como ascite); · Ascite: acúmulo de líquido no abdômen barriga d’água · Escavado: causado por uma desnutrição proteico-energética em estágio avançado. ESTADO NUTRICIONAL A desnutrição está ligada a uma série de fatores, tais como: · Instabilidade clínica; · Aumento do custo · Imunocompetência; · Má cicatrização; · Alta permanência hospitalar e mortalidade; · Perda de peso e massa magra. A perda de peso e massa magra é o ponto inicial da geração dos mais diversos quadros relacionados ao processo de desnutrição, o que pode acabar com a piora do quadro do paciente. Dentro da avaliação nutricional, relação entre perda de peso e tempo está diretamente ligada a maior possibilidade de morbimortalidade do paciente, principalmente em ambiente hospitalar. Ainda nesse ambiente hospitalar ocorre um aumento do catabolismo do paciente e a diminuição da capacidade de digestão. Isso pode levar a uma menor absorção intestinal, que pode gerar um estado de jejum nesse paciente. Assim, na maioria das vezes, a ingestão energética estimulada pode provocar náuseas nesse paciente e a possibilidade de disfagia. Tudo isso pode levar a inapetência ou saciedade precoce. Pacientes que perderam mais de 20% do peso habitual apresentaram risco de óbito de 33,3%, comparado com um risco de apenas 3,5% para aqueles que perdem menos de 20%. Obs.: perda de peso pelo intervalo de tempo pode demonstrar um perigo de morte para o paciente, principalmente quando é superior a 20% do peso habitual. A desnutrição se divide em duas vertentes: · Primária · Secundária (causada por alguma patologia). Principais tipos de desnutrição Marasmo · Estágio final do processo de caquexia · Quase todo estoque de gordura de esgota · Albumina > 2,8g/dl; Normal 3,5 a 5,5g/dl · Terapia nutricional agressiva Kwashiorkor · Concomitante ao aparecimento do estresse orgânico (UTI) · Estágio inicial: aparência pode indicar normalidade ou até obesidade · Albumina <2,8g/dl · Prevenção/Intervenção precoce Marasmo Kwashiorkor Etiologia Ingestão energética Ingestão energética e proteica Tempo de instalação Meses ou anos Semanas ou dias Exame clínico Aparência de assolação Peso < 80% Aparência de bem nutrido, cabelo quebradiço Exames laboratoriais Índice creatina altura < 60% Albumina sérica < 2,8g/dl CTFL < 200ug Linfócito < 1500mm³ Evolução clínica Responde razoavelmente bem Infecções, cicatrização, escaras Mortalidade Baixa Alta Hipometabolismo Hipermetabolismo Sem estresse orgânico Com estresse orgânico Catabolismo leve a moderado Catabolismo intenso Evolui com MARASMO Culmina no KWASHIORKOR image1.png image2.png