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A doença de Parkinson é um distúrbio neurológico progressivo do movimento muscular, caracterizado por tremores, rigidez muscular, bradicinesia (lentidão ao iniciar e executar movimentos voluntários), transtornos do humor, disfunção do sono e da fala, comprometimento cognitivo e anormalidades de postura e de marcha. A maioria dos casos envolve pessoas com mais de 65 anos, entre as quais a incidência é de 1 em 100 indivíduos. A doença está relacionada com a degeneração de neurônios dopaminérgicos na substância negra com consequente redução das ações da dopamina no corpo estriado - parte do sistema de gânglios basais que estão envolvidos no controle motor. ANTIPARKINSONIANOS Julyana Maria Doença de Parkinson Vários dos sintomas da doença de Parkinson refletem um desequilíbrio entre os neurônios colinérgicos excitatórios e o número muito diminuído de neurônios dopaminérgicos inibitórios. O tratamento é direcionado ao restabelecimento da dopamina nos gânglios basais e à antagonização do efeito excitatório dos neurônios colinérgicos, restabelecendo, assim, o equilíbrio normal entre dopamina e ACh. Os fármacos não alteram a evolução do processo neurodegeneratico, apenas atenuam os sintomas. ANTIPARKINSONIANOS Sintomas Julyana Maria Aumentar dopamina SNC (melhora s intomas DP). Aumento dopamina peri férica → não atravessa BHE e causa efeitos indesejáveis. Otimizar biodisponibi l idade da dopamina no SNC → melhorar ação e minimizar efeitos indesejáveis (uso da levodopa). Agonistas dopaminérgicos. Anticol inérgicos. Otimização das ações da dopamina. ANTIPARKINSONIANOS Estratégias terapêuticas Julyana Maria Levodopa atravessa a BHE e em nível de SNC, se transforma em dopamina. No SNP, a levodopa sofre a ação de duas enzimas: Catecol O-Metiltransferase (COMT) e aminoácido aromatico descarboxilase (DCAA). No SNC, é metabolizada pela COMT e pela MAO B. L-dopa deve ser utilizada em associação para evitar sua degradação. Vários dos fármacos disponíveis atualmente visam manter constantes os níveis de dopamina no SNC. Esses fármacos oferecem alívio temporário dos sintomas, mas não interrompem nem revertem a degeneração neuronal causada pela doença. ANTIPARKINSONIANOS Fármacos Levodopa (+ carbidopa) Pramipexol (Agonistas dopaminérgicos D2) Pergolida (Agonistas dopaminérgicos D2) Ropinirol (Agonistas dopaminérgicos D2) Rasagilina Selegilina (deprenila) Tolcapona Triexifenedil (Antagonistas muscarínicos) Benzatropina (Antagonistas muscarínicos) Biperideno (Antagonistas muscarínicos) Julyana Maria A levodopa é um precursor metabólico da dopamina. Ela restabelece a neurotransmissão dopaminérgica, aumentando a síntese de dopamina nos neurônios ainda ativos da substância negra. No início da doença, o número de neurônios dopaminérgicos residual na substância negra (geralmente cerca de 20% do normal) é adequado para a conversão da levodopa à dopamina. Assim, nesses pacientes, a resposta à Ievodopa é consistente, e o paciente raramente se queixa de que os efeitos do fármaco desvanecem. Infelizmente, com o tempo, o número de neurônios diminui, e poucas células são capazes de converter a levodopa exógena à dopamina. Em consequência, desenvolvem-se flutuações no controle motor. O alívio oferecido pela levodopa é meramente sintomático e dura somente o tempo que o fármaco fica presente no organismo. Os efeitos da levodopa no SNC podem ser potencializados pela coadministração de carbidopa, um inibidor da dopamina-descarboxilase que não atravessa a barreira hematencefálica. ANTIPARKINSONIANOS Levodopa Julyana Maria Isoladamente é o fármaco mais eficaz para o tratamento da doença de Parkinson. Beneficia as manifestações motoras, prolonga a independência e capacidade de trabalho do paciente, melhora qualidade de vida, aumenta o tempo de sobrevida. Fatores que comprometem as ações da levodopa: Dietas hiperproteicas (aminoácidos da dieta compromete a absorção) e a interação com proteínas da dieta (transporte para o SNC mediada por transportador de aminoácidos). Administrada por VO → cerca de 99% é metabolizada e não alcança SNC. Maior parte da levodopa é convertida perifericamente pela aminoácidos L-aromáticos descarboxilase (DCAA) em DA (que causa náuseas e hipotensão) ANTIPARKINSONIANOS Levodopa Julyana Maria Complicações motoras da levodopa (uso prolongado sintomatologia da doença reaparece) Hipotensão ortostática (ativação de receptores dopaminérgicos vasculares) Náuseas Alucinações Confusão mental principalmente nos idosos Síndrome neuroléptica maligna → pode surgir com a interrupção súbita de levodopa (confusão, rigidez, hipertermia, potencialmente fatal) ANTIPARKINSONIANOS Levodopa - Efeitos indesejáveis Julyana Maria Como reduzir as aluc inações e delírios? • Uso de antipsicóticos atípicos → clozapina e quetiapina • Antipsicóticos típicos → podem agravar a doença de Parkinson Mecanismo de ação: 1. Levodopa: A dopamina não atravessa a barreira hematencefálica, mas seu precursor imediato, a levodopa, é transportado ativamente para o SNC e transformado em dopamina A levodopa precisa ser administrada com a carbidopa. Sem carbidopa, muito do fármaco é descarboxilado a dopamina na periferia, resultando em náusea, êmese, arritmias cardíacas e hipotensão. 2. Carbidopa: A carbidopa, um inibidor da dopamina- descarboxilase, diminui a biotransformação da levodopa na periferia, aumentando, assim, a disponibilidade de levodopa no SNC. Além disso, a carbidopa diminui a dose de levodopa necessária em 4 a 5 vezes e, consequentemente, diminui a gravidade dos efeitos adversos resultantes da dopamina formada na periferia. ANTIPARKINSONIANOS Levodopa + Carb idopa ou Benzerazida Julyana Maria Características I-COMT: Normalmente, a metilação da levodopa pela COMT, resultando em 3-O- metildopa, é uma via menor na sua biotransformação. Contudo, quando a atividade periférica da dopamina descarboxilase é inibida pela carbidopa, forma-se uma quantidade significativa de 3-O-metildopa que compete com a levodopa pelo transporte ativo para o SNC. Entacapona e tolcapona inibem a COMT seletiva e reversivelmente. Essa inibição reduz a concentração de 3-O-metildopa no plasma, aumenta a captação central de levodopa e eleva as concentrações cerebrais de dopamina. Os dois fármacos diminuem os sintomas de desvanecimento vistos em pacientes que recebem levodopa + carbidopa e diferem primariamente nos perfis farmacocinéticos e nos efeitos adversos. ANTIPARKINSONIANOS Levodopa + entacapona ou tolcapona Julyana Maria Efeitos adversos são mais vistos com o uso da tolcapona: diarreia, hipotensão postural, náusea, anorexia, discinesias, alucinações e distúrbios do sono. O uso de tolcapona está associado com necrose hepática fulminante. Monoaminoxidase (MAO): Selegilina, também denominada deprenila, inibe seletivamente a monoaminoxidase (MAO) tipo B (metaboliza a dopamina) em dose baixa ou moderada. Ela não inibe a MAO tipo A (metaboliza a norepinefrina e a serotonina), exceto em dosagem acima da recomendada, quando perde a seletividade. A selegilina aumenta os níveis de dopamina no cérebro, diminuindo o metabolismo da dopamina. Se a selegilina é administrada com levodopa, ela aumenta as ações da levodopa e reduz substancialmente a dose necessária. Diferente dos IMAOs não eletivos, a selegilina, nas doses recomendadas, tem baixo potencial de causar crises hipertensivas. Contudo, o fármaco perde sua seletividade em dosagens altas, quando há risco de hipertensão grave. A selegilina é biotransformada em metanfetamina e anfetamina, cujas propriedades estimulantes podem causar insônia se o fármaco for administrado depois do meio da tarde. Rasagilina é um inibidor irreversível e seletivo da MAO cerebral tipo B. Outros fármacos usados na doença de Parkinson têm cinco vezes a potência da selegilina. ANTIPARKINSONIANOS Levodopa + selegilina ou rasagilina Julyana Maria ANTIPARKINSONIANOS Características da MAO Julyana Maria Local ização → Cérebro, TGI, f ígado, r ins. MAO → Pr incipalvia de degradação da serotonina (5-HT) MAO-A → Degradação de 5-HT, NA, adrenal ina, DA, t iramina MAO-B → degradação de DA, 5-HT, NA, adrenal ina, t iramina I-MAO-A x I-MAO-B I -MAO inespecí f icos (MAOA e MAOB) → fenelzina e trani lc ipromina → cr ises hipertensivas potencialmente fatais I-MAO especí f icos (MAOA) → moclobenida Interrupção do uso de I-MAO (não selet ivos ou MAOA) → 14 dias antes de inic iar a terapia com levodopa I-MAOB → se legi l ina e rasagi l ina (associados à levodopa sem riscos) I-MAO-B não causam reação do quei jo (al imentos r icos em tiramina → carnes processadas, peixes, quei jos (chedar, muçarela, requei jão e outros), sals ichas, salame, mortadela) ANTIPARKINSONIANOS Agonistas dopaminérgicos D2 Julyana Maria Antagonistas muscarínicos • Pergolida foi retirada do mercado americano em 2007 porque causava fibrose das valvas cardíacas • Pramipexol e ropinirol podem causar alucinações, confusão mental, náuseas, fadiga, sonolência e hipotensão ortostática semelhante às observadas com a levodopa. • Bases biológicas das ações terapêuticas dos anticolinérgicos não estão totalmente esclarecidas. • Foram amplamente utilizados no tratamento da doença de Parkinson antes da descoberta da levodopa. • Utilizados em estágio inicial ou como coadjuvantes ao tratamento dopamimético. • Efeitos adversos → sedação, confusão mental, constipação, retenção urinária e borramento visual. • Usados com cautela nos pacientes com glaucoma.Pramipexol Pergolida Ropinirol Benzatropina Biperideno Triexifenidil (aranha)