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REVISÃO SOBRE O DESENVOLVIMENTO DA ENERGIA SOLAR FOTOVOLTAICA NO ESTADO DA BAHIA Kaic Chalegre, Malena Brandão, Maira Pinto ¹ Pedro Rocha Barbosa ² INTRODUÇÃO O mundo possui uma matriz energética que é composta, principalmente, por fontes não renováveis, como carvão, petróleo e gás natural. No entanto, o grande crescimento populacional e desenvolvimento tecnológico/industrial, exige uma enorme demanda por energia, o que provoca uma preocupação em relação ao meio ambiente, uma vez que este acaba sendo degradado em detrimento de suprir as necessidades do mercado energético, então, vê-se a imprescindibilidade da busca por fontes energéticas renováveis. No contexto atual, é necessário aliar a busca por novas formas de geração de energia, que causem menos danos ao meio ambiente, a um preço acessível ao mercado. As formas atuais de geração de energia necessitam da soma de altos recursos, que por sua vez causam impactos financeiros na economia, pois muitas dessas fontes energéticas apresentam um elevado custo de implantação. Como os países não desfrutam de elevadas taxas de poupança, são obrigados a recorrerem a fontes de financiamento internacionais. Nesse sentido, as estratégias de desenvolvimento vêm sendo dirigidas para o uso de energias renováveis, que além de reduzirem emissões estão se tornando viáveis economicamente. No Brasil, a energia solar vem ganhando cada vez mais força na matriz elétrica. Além de possuir mais vantagens que outras fontes tradicionais de energia, como carvão e gás. A redução dos custos de implantação em projetos solares faz com que a energia solar torna-se a forma menos custosa na produção de eletricidade. Esse modelo de geração de energia, produzida através do uso do sol, é considerada inesgotável do ponto de vista humano, trazendo um potencial extraordinário comparado com outras fontes de energia. OBJETIVO GERAL ¹ Discentes do Bacharelado Interdisciplinar em Energia e Sustentabilidade - CETENS/UFRB ² Docentes do Bacharelado Interdisciplinar em Energia e Sustentabilidade - CETENS/UFRB Realizar uma análise panorâmica do nível de desenvolvimento da energia solar no estado da Bahia. OBJETIVOS ESPECÍFICOS: ● Estudar o histórico de desenvolvimento da energia solar fotovoltaica; ● Identificar o potencial de crescimento desta fonte; ● Analisar suas oportunidades e desafios no seu desenvolvimento; FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 1. Histórico da energia solar fotovoltaica Em 1839 foi explorada pela primeira vez a transformação de energia solar para energia elétrica por Becquerel , no qual observou uma discrepância na capacidade dos extremos de um material semicondutor quando exposto à luz. Em 1876 foi montado o primeiro aparato fotovoltaico resultado de estudos das estruturas no estado sólido, e apenas em 1956 iniciou-se a produção industrial seguindo o desenvolvimento da microeletrônica. (CRESESB,2021). Com o decorrer do tempo, essas tecnologias foram se aprimorando e tornando-as mais possíveis serem utilizadas para fins domésticos, tornando-se, desta forma, mundialmente mais popular. A busca pela inserção da energia solar na matriz energética mundial ocasionou um aumento de 395% da produção primária de energia solar entre 2003 e 2013. Houve um crescimento de 17% na produção total de energia no mesmo período, enquanto que as fontes renováveis tiveram um crescimento de 56%. A energia solar só foi superada pela energia eólica (SILVA, 2015, apud ROSA e GASPARIN, 2016). O setor energético proveniente da energia solar vem crescendo nos últimos anos no Brasil, de acordo com o Balanço Energético Nacional (BEN), e com ele surgem novos desafios como, na previsão de incidência de irradiação solar e na avaliação de seu desempenho. (EPE,2021). A energia solar no Brasil é uma das mais promissoras opções energéticas, devido a sua localização geográfica privilegiada, na faixa intertropical,recebendo elevada radiação solar durante todo ano (INPE,2020). Nessa perspectiva, o estado da Bahia desfruta também de tais privilégios geográficos, já que é o maior estado do nordeste, região de maior incidência luminosa, a qual é matéria prima para a energia fotovoltaica. A energia solar foi o destaque em 2020, com aumento de 61,5%.A Bahia também é o Estado com maior oferta de projetos movidos à energia solar fotovoltaica. Do total credenciado, 61 empreendimentos estão na Bahia, somando 1.593MW (MME,2021). 2. Energia fotovoltaica e a geração distribuída De acordo com Torres (2012), apud Gomes et. al. (2019), o aumento de consumo de energia elétrica, fruto do crescimento demográfico e do aumento da atividade econômica, vem ocasionando o surgimento de debates acerca do atual modelo de geração de energia. (TORRES, 2012 apud GOMES et. al. 2019). Como uma das fontes alternativas de maior acessibilidade no contexto da geração distribuída, a energia fotovoltaica possui uma relação direta e de dependência com a legislação relacionada à normatização deste setor de geração. Como aponta o Balanço Energético Nacional (BEN), “a micro e mini geração distribuída de energia elétrica teve seu crescimento incentivado por ações regulatórias, tais como a que estabelece a possibilidade de compensação da energia excedente produzida por sistemas de menor porte”. (EPE, 2021) No ano de 2012 houve a publicação de um documento que abriu as portas para o princípio do estabelecimento do que denominamos geração distribuída. A publicação da Resolução Normativa (REN) 482/2012, a ANEEL estabeleceu “as condições gerais para o acesso de microgeração e minigeração distribuída aos sistemas de distribuição de energia elétrica, o sistema de compensação de energia elétrica, e dá outras providências.” (ANEEL, 2012) Em seguida, no ano de 2015, por meio da publicação da REN 687, a ANEEL introduziu aspectos visando incrementar o sistema, alterando valores de potência e também padronizando procedimentos de acesso. Em 2019, houve uma movimentação em torno da necessidade de haver uma legislação mais completa, que conferisse segurança ao sistema. Assim foi elaborada a PL 5829/19, propondo o denominado Marco Legal da Geração Distribuída. Em 6 de janeiro de 2022, foi sancionada a lei nº 14.300/22, instituindo o marco legal da microgeração e minigeração distribuída, e com isso o “Sistema de Compensação de Energia Elétrica (SCEE) e o Programa de Energia Renovável Social (PERS); altera as Leis nºs 10.848, de 15 de março de 2004, e 9.427, de 26 de dezembro de 1996; e dá outras providências.” (BRASIL, 2022) 3. O potencial solar e seu impacto na economia baiana Segundo o boletim trimestral de consumo de eletricidade (EPE), assim como já vinha ocorrendo nos dois trimestres anteriores. Todos os estados da região nordeste anotaram alta no consumo de eletricidade, sendo que a Bahia obteve a maior expansão de dois dígitos. Frente a essa perspectiva na demanda pelo consumo de energia elétrica existente no estado e levando em consideração o seu alto nível de irradiação solar e o grande potencial de exploração desta fonte, empresas renomadas têm investido cada vez mais no setor fotovoltaico no Estado. “Nesse cenário, por se tratar de recurso energético gerado a partir da intensidade de radiação solar incidente, variável de acordo com o posicionamento geográfico, o potencial de geração do território brasileiro é superior em quase o dobro ao de países europeus como a Alemanha”. (TORRES, 2012 apud GOMES et. al. 2019). Devido ao estado da Bahia deter uma alta incidência solar conveniente à sua latitude, o clima tropical é majoritário, com temperaturas elevadas, ultrapassando os 30 °C em sua média anual. Logo, a Bahia oferece o maior número de dias ensolarados durante o ano, tornando os níveis de radiação solar maiores em relação a outros estados. Mais de 3 bilhões já foram investidos na Bahia, tornando-se líder nacional em geração de energia solar no Brasil, com 25% dos parques solares instalados, segundo informações da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel)e da Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Estado (SDE). Dos 25 parques solares do Estado, 24 já estão em operação, com capacidade de 636 MWh. METODOLOGIA http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2004/lei/L10.848compilado.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9427compilada.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9427compilada.htm Objetivando a compreensão do desenvolvimento da energia solar no estado da Bahia, se fez necessário o estudo ampliado da literatura mais atual no que tange o incentivo à energia solar no estado, o potencial de crescimento dessa fonte, suas oportunidades e desafios,a ferramentas legais em vigência, e por fim, o levantamento de dados da região. O presente trabalho utilizou como metodologia a pesquisa exploratória que se fundamenta no levantamento de dados bibliográficos, a fim de identificar e delimitar o tema em questão. Segundo Gil (2007) esse é o primeiro passo para entender o problema. Através da pesquisa exploratória é possível formular hipóteses e validar instrumentos por meio do levantamento bibliográfico e de entrevistas. Inicialmente, buscou-se construir um conhecimento sólido a respeito da problemática por meio da literatura disponível em trabalhos acadêmicos (artigos, monografias e dissertações); documentos legais; livros técnicos; sites de órgãos especializados, a citar, o EPE (Empresa de Pesquisa Energética ), BEN (Balanço Energético Nacional), e CRESESB (Centro de Referência para Energia Solar e Eólica), entre outros. A partir das informações obtidas tornou-se possível analisar o cenário do espaço que a energia solar está ocupando no território baiano. A Bahia é um estado brasileiro localizado na região nordeste do país. Possui uma população de aproximadamente 14.016.906 pessoas [IBGE, 2010]. RESULTADOS E DISCUSSÕES Na perspectiva da geração distribuída, segundo a ABSOLAR, temos um número de 859.951 sistemas instalados, o equivalente a uma potência instalada de 9.288,2 MW, da qual 44,7% é produzida no contexto residencial; 13,7% no ambiente rural; 32,8% nos comércios e serviços; 7,6% no meio industrial; e os últimos 1,22% subdivididos entre o poder público, o serviço público e iluminação pública, sendo 1,1%, 0,1% e 0,02%, respectivamente. No campo da geração centralizada, o Brasil conta com um total de 39,7 GW de potência outorgada, onde a Bahia corresponde em segundo lugar no ranking de geração com uma produção de 6.472,8 MW de tv energia. Em contrapartida, na perspectiva da geração distribuída, a Bahia se encontra em 10º lugar no ranking, com uma geração de 306,3 MW. Ainda segundo a ABSOLAR, 99,9% dos consumidores geradores na geração distribuída nacional utilizam a modalidade fotovoltaica. Como aponta Lima, 2015, mesmo diante das diferentes características climáticas no Brasil, pode-se observar que a média anual de irradiação global apresenta boa uniformidade, com médias anuais relativamente altas em todo o país. Na perspectiva baiana, temos que o norte do estado apresenta o maior valor de irradiação global, 6,5 kWh/m², próximo à fronteira com o estado do Piauí. É possível observar a distribuição da irradiação pelo território nacional no mapa abaixo. Imagem 1 - Média anual da radiação solar global. Fonte: Atlas Brasileiro de Energia Solar (PEREIRA et al. 2006, apud LIMA, 2015) CONCLUSÃO É possível observar diante dos dados coletados e analisados o grau de desenvolvimento da energia solar fotovoltaica no Brasil e seu potencial para o estado da Bahia. Apesar de que, ainda que em nível introdutório, o presente trabalho reúne informações que nos permitem entender a importância da relação entre governo e desenvolvimento tecnológico, a fim de possibilitar um desenvolvimento equitativo e sustentável da sociedade. Investimentos no estado, no ramo das energias renováveis, com destaque para a energia fotovoltaica, impulsionam a economia. O estado da Bahia possui características em abundância que favorecem o desenvolvimento desta fonte, a exemplo dos seus valores altos no que se refere à irradiância. Além deste aspecto que é de fundamental importância para este tipo de geração, a Bahia favorece também a dinâmica de complementaridade entre fontes, combinando fontes diferentes, como solar e eólica, por exemplo, a fim de se ter uma melhor eficiência na geração. A abertura de mercado nacional para o desenvolvimento tecnológico no setor também é um aspecto que deve ser levado em consideração, uma vez que atualmente apenas o mercado internacional produz os componentes necessários para a utilização desta fonte. Promover a produção interna no país poderá baratear os custos de aquisição e implementação, além de desenvolver a economia por meio da geração de empregos. É elementar que o governo esteja atento às oportunidades de investimento dentro do estado, pois para alavancar o desenvolvimento desta fonte é de extrema importância a participação do poder público. REFERÊNCIAS BRASIL. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Disponível em: Acesso em: 18 mar. 2022 BRASIL. Centro de Referência para as Energias Solar e Eólica Sérgio de S. Brito. Disponível em: Acesso em: 18 mar. 2022 BRASIL. Empresa de pesquisa energética (EPE). Balanço Energético Nacional 2021. Disponível em: Acesso em: 18 mar. 2022 https://cidades.ibge.gov.br/brasil/ba/panorama http://www.cresesb.cepel.br/index.php?section=com_content&lang=pt&cid=321 ROSA, A. R. O. GASPARIN, F. P. Panorama da Energia Fotovoltaica no Brasil. Revista Brasileira de Energia Solar n7. Volume VII Número 2 Dezembro de 2016 p. 140 - 147. Portal Solar. Energia Solar no Brasil. Disponível em: Acesso em: 18 mar. 2022 GIL, Antônio Carlos. Métodos e técnicas de pesquisa social. 5. ed. São Paulo: Atlas, 1999. BRASIL. Lei nº 14.300, de 06 de janeiro de 2022. Institui o marco legal da microgeração e minigeração distribuída, o Sistema de Compensação de Energia Elétrica (SCEE) e o Programa de Energia Renovável Social (PERS); altera as Leis nºs 10.848, de 15 de março de 2004, e 9.427, de 26 de dezembro de 1996; e dá outras providências. Brasília, DF, 2022. Disponível em: . Acesso em: 18 mar. 2022. Agência Nacional de Energia Elétrica - ANEEL. Resolução Normativa nº 482, de 17 de abril de 2012. Estabelece as condições gerais para o acesso de microgeração e minigeração distribuída aos sistemas de distribuição de energia elétrica, o sistema de compensação de energia elétrica, e dá outras providências. Disponível em: . Acesso em: 18 mar. 2022 BRASIL. Ministério de Minas e Energia. Dados energéticos de 2020 já estão disponíveis no Sistema de Informações Energéticas (SIE Brasil). Disponível em :Acesso em: 18 mar. 2022 PORTAL SOLAR. Marco legal da GD: Confira a linha do tempo da regulação e legislação do mercado no Brasil. Disponível em: Acesso em: 18 mar. 2022 https://www.portalsolar.com.br/energia-solar-no-brasil.html http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2004/lei/L10.848compilado.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9427compilada.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9427compilada.htm https://in.gov.br/en/web/dou/-/lei-n-14.300-de-6-de-janeiro-de-2022-372467821#conteudo https://in.gov.br/en/web/dou/-/lei-n-14.300-de-6-de-janeiro-de-2022-372467821#conteudohttp://www2.aneel.gov.br/cedoc/ren2012482.pdf https://www.gov.br/mme/pt-br/assuntos/noticias/dados-do-sistema-de-informacoes-energeticas-sie-brasil-ja-estao-disponiveis https://www.gov.br/mme/pt-br/assuntos/noticias/dados-do-sistema-de-informacoes-energeticas-sie-brasil-ja-estao-disponiveis https://www.portalsolar.com.br/noticias/mercado/geracao-distribuida/marco-legal-da-gd-confira-a-linha-do-tempo-da-regulacao-e-legislacao-do-mercado-no-brasil https://www.portalsolar.com.br/noticias/mercado/geracao-distribuida/marco-legal-da-gd-confira-a-linha-do-tempo-da-regulacao-e-legislacao-do-mercado-no-brasil LIMA, F. J. L. Previsão de Irradiação Solar no Nordeste do Brasil Empregando o Modelo WRF Ajustado por Redes Neurais Artificiais (RNAS). Tese (doutorado). INPE - São José dos Campos, 2015. Disponível em: Acesso em: 18 mar. 2022. GOMES, R. L., et. al. Mapeamento do potencial solar para microgeração de energia elétrica: O caso da cidade de Ilhéus. Sociedade e Natureza. Uberlândia - MG. vol. 31, p. 1-22. ABSOLAR. Panorama da Solar Fotovoltaica no Brasil e no Mundo. Infográfico. nº 41. Disponível em: Acesso em: 18 mar. 2022 http://mtc-m16c.sid.inpe.br/col/sid.inpe.br/mtc-m18/2015/05.21.19.32/doc/publicacao.pdf http://mtc-m16c.sid.inpe.br/col/sid.inpe.br/mtc-m18/2015/05.21.19.32/doc/publicacao.pdf https://www.absolar.org.br/mercado/infografico/