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ECONOMIA BRASILEIRA 
AULA 6 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Profª Walcir Soares da Silva Junior 
 
 
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CONVERSA INICIAL 
O Brasil é um país marcado por profundas desigualdades sociais, onde a 
educação desempenha um papel fundamental na tentativa de superar essas 
disparidades e promover a mobilidade social. No entanto, o acesso igualitário à 
educação de qualidade ainda é um desafio a ser enfrentado, especialmente para 
as camadas mais marginalizadas da população. Neste material, iremos explorar 
as interseções entre desenvolvimento econômico, desigualdade e a importância 
da educação e das políticas sociais na mobilidade social brasileira. 
Iremos examinar a mobilidade social no Brasil, revelando as barreiras 
estruturais que dificultam a ascensão social por meio da educação. Estudos 
sobre a mobilidade intergeracional mostram que as desigualdades regionais, 
socioeconômicas e étnicas reproduzem ainda mais desigualdades no acesso à 
educação de qualidade. Isso quer dizer que, além das limitações enfrentadas 
pelos estudantes de baixa renda na busca por oportunidades de ensino superior, 
a escolaridade de seus pais representa um fator preponderante na dificuldade 
de mobilidade social. 
Em seguida, iremos abordar as políticas sociais implementadas e a 
preocupação com a pobreza e o desenvolvimento educacional no país nos 
últimos anos. Discutiremos o papel do endividamento e seu impacto no 
financiamento do desenvolvimento, o que pode desencadear restrições 
orçamentárias e consequências negativas para os investimentos em 
infraestrutura, educação e redução da pobreza. 
Exploraremos os conceitos de crescimento e desenvolvimento, em 
especial no contexto da economia brasileira, trazendo as diferentes abordagens 
que contrapõem o entendimento do que pode ser feito para o desenvolvimento 
do país. Por fim, alguns apontamentos futuros sugerirão os caminhos para que 
o Brasil entre na rota do desenvolvimento sustentável e equitativo. 
TEMA 1 – EDUCAÇÃO E DESIGUALDADE: MOBILIDADE SOCIAL NO BRASIL 
A desigualdade educacional é um fator determinante na perpetuação das 
desigualdades sociais. Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios 
Contínua (PNAD Contínua, 2022) revelam que 5,6% da população com 15 anos 
não eram capazes de ler e escrever. Essa taxa, que pode parecer diminuta, 
 
 
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soma 9,6 milhões de brasileiros. Além disso, a taxa média esconde uma 
desigualdade regional ainda mais alarmante: na Região Nordeste do país, por 
exemplo, ela atinge quase 12%. Essa disparidade reflete a dificuldade 
enfrentada pelos jovens de origem humilde em acessar uma educação de 
qualidade e, consequentemente, em buscar mobilidade social. 
Segundo o SEN (2000), a educação está entre os principais 
determinantes do desenvolvimento de um país. Por meio da educação, é 
possível atingir um desenvolvimento social, econômico e cultural. No entanto, no 
Brasil, foi apenas a partir da Constituição de 1988 que a educação básica, que 
inclui o ensino infantil, fundamental e médio, se tornou obrigatória (Cury, 2006). 
Segundo a Constituição, o objetivo da educação é desenvolver o indivíduo para 
que ele possa contribuir para a sociedade de forma que ambos sejam 
beneficiados. Portanto, cabe ao Estado o dever de garantir esse direito (Oliveira, 
1997). 
Estudos sobre mobilidade intergeracional, que analisam a capacidade de 
uma pessoa superar a condição socioeconômica de seus pais, apontam para 
uma situação preocupante no Brasil. Segundo o estudo de mobilidade sócio-
ocupacional, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2016), a 
educação média dos alunos tende a ser maior quanto maior for o nível de 
instrução do pai ou da mãe. A chance de um pai com ensino superior completo 
ver seu filho se formar em uma universidade é aproximadamente 1,67 vezes 
maior do que a de um pai que completou apenas o ensino médio. Quando 
comparamos os alunos de pais sem instrução aos alunos de pais com nível 
superior completo, a relação é ainda mais forte: a tendência de sucesso 
acadêmico dos alunos com pais graduados é aproximadamente 17,2 vezes 
maior. 
O enfrentamento da desigualdade e a busca pela mobilidade social 
requerem investimentos maciços na educação, garantindo o acesso igualitário a 
oportunidades educacionais de qualidade. É preciso superar as desigualdades 
de acesso, infraestrutura, formação de professores e currículo, proporcionando 
uma educação que vá além da mera transmissão de conhecimentos, mas que 
estimule o pensamento crítico, a criatividade e a capacidade de resolver 
problemas. 
 
 
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Para promover a mobilidade social, é necessário garantir que todas as 
crianças e jovens tenham acesso a uma educação de qualidade, 
independentemente de sua origem socioeconômica. Isso requer investimentos 
significativos em infraestrutura educacional, formação de professores e políticas 
inclusivas que superem as desigualdades existentes. No entanto, os desafios 
educacionais do Brasil ainda são imensos. Os resultados do Progress in 
International Reading Literacy Study (Pirls, 2021) apontam o Brasil na 39ª 
posição, entre 43 países avaliados, no que diz respeito às habilidades de leitura 
e escrita. 
Essa desigualdade educacional é ainda pior no que diz respeito aos 
recortes sociais regionais, socioeconômicos e étnicos. De acordo com Ferreira 
e Veloso (2003), a probabilidade de um filho negro de um pai sem escolaridade 
permanecer na mesma categoria de educação do pai é cerca de 24%. Para 
brancos, a mesma probabilidade é um pouco acima de 11%. O mesmo vale para 
a manutenção de uma alta escolaridade: para negros, a chance de um filho com 
pai com ensino superior completo também completar seus estudos universitários 
é de 61%. Para indivíduos brancos, essa probabilidade é de 73%. 
É importante ressaltar que a educação por si só não é a solução mágica 
para todos os problemas sociais. Ela é apenas um dos elementos fundamentais 
para romper o ciclo da desigualdade. É necessário abordar também outras 
questões estruturais, como a distribuição de renda, a falta de acesso a serviços 
básicos e as barreiras discriminatórias que afetam determinados grupos sociais. 
Em suma, a busca pela mobilidade social no Brasil é um caminho tortuoso, 
permeado por desigualdades profundas. A educação surge como uma poderosa 
ferramenta de transformação, capaz de abrir portas e romper barreiras. No 
entanto, é preciso enfrentar os desafios estruturais que perpetuam a 
desigualdade e investir de forma consistente e significativa na construção de um 
sistema educacional mais inclusivo e igualitário. 
Somente por meio de um comprometimento coletivo, aliando políticas 
públicas efetivas, investimentos adequados e a conscientização da sociedade, 
poderemos criar um ambiente propício para que cada indivíduo tenha a 
oportunidade de alcançar seu pleno potencial, independentemente de sua 
origem social. Essa é a verdadeira busca pela mobilidade social, um caminho 
 
 
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que exige esforços persistentes, mas que nos conduzirá a uma sociedade mais 
justa e igualitária. 
TEMA 2 – POLÍTICAS SOCIAIS E PREOCUPAÇÃO COM A POBREZA 
Políticas públicas são um conjunto de ações desenvolvidas direta ou 
indiretamente pelo Estado com o objetivo de garantir direitos de cidadania e 
solucionar problemas da sociedade, especialmente aqueles assegurados pela 
Constituição (Souza, 2006). Diversas evidências corroboram que programas de 
proteção social podem ser capazes de melhorar o acesso à educação, o 
aproveitamento escolar e a qualidade da alimentação e nutrição das famílias 
beneficiadas, interferindo no planejamento das famílias e melhorando sua 
qualidade de vida (Fiszbein, 2009; Bloom et al., 2009; Aber; Rawlings, 2011). 
A capacidade do Estado de intervir na sociedade compreende variadas 
abordagens, as quais se dividem em quatro grandes grupos: as políticas públicas 
distributivas e redistributivas,que visam equilibrar os indivíduos; as políticas 
regulatórias, que determinam o funcionamento da sociedade; e as políticas 
constitutivas, que tratam das operações do Estado (Souza, 2006). Nesse 
contexto, inclui-se a implementação de ações e programas que visam à proteção 
social. 
Essa implementação, por sua vez, consiste na promoção do acesso a 
trabalho decente, formação de capital humano, redução da pobreza e 
vulnerabilidade socioeconômica, e capacitação dos indivíduos para que tenham 
condições de se protegerem de ameaças econômicas e ambientais por conta 
própria no futuro. Dessa maneira, as ações governamentais para a proteção 
social envolvem inclusão no sistema educacional, qualificação, 
acompanhamento e tratamento de saúde, atenção infantil, entre outras áreas 
(Fiszbein, 2009; Bloom et al., 2009). 
Esses programas já foram vistos de forma pejorativa e prejudicial à 
economia, mas hoje, embasados em evidências empíricas, os programas de 
proteção social conquistaram amplo reconhecimento por seu papel em estimular 
o consumo, melhorar indicadores socioeconômicos e promover o 
desenvolvimento nacional. Experiências internacionais sugerem que programas 
de inclusão e proteção social e/ou transferência de renda, entre outras medidas, 
melhoram o acesso à educação, o desempenho escolar e a qualidade da 
 
 
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alimentação e nutrição das famílias beneficiadas, principalmente as mais 
necessitadas (Bloom et al., 2009; Aber; Rawlings, 2011). 
Tão importante quanto a inclusão e a proteção social das famílias em 
situação de vulnerabilidade é também garantir a oferta de serviços de educação, 
moradia e saúde de qualidade por parte do Estado, promover o desenvolvimento 
da economia interna e gerar empregos formais com direitos e remuneração 
adequada, a fim de alcançar melhorias significativas e sustentáveis a longo prazo 
(Aber; Rawlings, 2011). 
No entanto, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística 
(IBGE, 2022), o Brasil tinha cerca de 62,5 milhões de pessoas (29,4% da 
população brasileira) abaixo da linha da pobreza em 2021. Entre essas pessoas, 
17,9 milhões (8,4% da população) estavam em situação de extrema pobreza. De 
acordo com o Banco Mundial, estão abaixo da linha da pobreza as famílias com 
rendimento per capita inferior a US$ 5,50 PPC por dia, o equivalente a R$ 486 
mensais per capita. Já a linha da extrema pobreza é demarcada pelos valores 
de US$ 1,90 PPC por dia, ou R$ 168 mensais per capita. Esses números 
alarmantes nos obrigam a questionar as políticas sociais adotadas e sua 
efetividade na redução dessa desigualdade estrutural que assola o país. 
As políticas sociais desempenham um papel fundamental na promoção 
da igualdade e no combate à pobreza. No Brasil, embora tenham tido uma 
importância relativa em momentos específicos da história, foi apenas a partir da 
Constituição de 1988 que as políticas sociais se tornaram, pelo menos em teoria, 
um eixo na agenda governamental. A promulgação da Lei de Diretrizes e Bases 
(LDB), a criação do Bolsa Escola, do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 
e do Fundo de Financiamento Estudantil são exemplos de políticas sociais 
educacionais criadas nos anos 1990. 
Apenas no âmbito educacional, a partir dos anos 2000 foram criados o 
Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE) (2007), o Fundo de Manutenção 
e Desenvolvimento da Educação Básica e Valorização dos Profissionais da 
Educação (Fundeb) (2007), o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica 
(Ideb) (2007), o Programa Universidade Para Todos (Prouni) (2004), o Sistema 
de Seleção Unificada (Sisu) (2010), o Programa Nacional de Acesso ao Ensino 
Técnico e Emprego (Pronatec) (2011), o Programa Ciência Sem Fronteiras 
(CSF) (2011) entre outros. 
 
 
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No âmbito da redução da extrema pobreza e da desigualdade, temos 
programas como o Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (Peti) (1996), 
o Programa Bolsa Família (2003), o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) 
(2003) e o Programa Minha Casa, Minha Vida (2009). Ainda assim, a pobreza 
no Brasil apresenta características persistentes e estruturais, o que indica a 
necessidade e continuidade de políticas que vão além da simples transferência 
de renda e abordem as raízes do problema, como acesso à educação, saúde, 
emprego e moradia digna. Ao refletirmos sobre as políticas sociais e a 
preocupação com a pobreza no Brasil, é imprescindível reconhecer tanto os 
avanços conquistados quanto os desafios que ainda persistem. 
É inegável que programas como o Bolsa Família têm um impacto positivo 
na redução da pobreza, trazendo alívio imediato para milhões de famílias. 
Segundo Carvalho (2018), mesmo representando uma pequena parcela da 
renda total das famílias brasileiras, estudos econométricos sugerem que entre 
10% a 31% da redução na desigualdade medida pelo Índice de Gini no período 
se deveu ao programa. No entanto, é necessário ir além e adotar uma 
abordagem mais abrangente, que aborde as causas estruturais da pobreza. 
Investir em educação de qualidade, garantir acesso a serviços de saúde, 
estimular a criação de empregos dignos e promover políticas de inclusão social 
são medidas essenciais para romper o ciclo da pobreza e construir uma 
sociedade mais justa. A luta contra a pobreza exige um esforço conjunto da 
sociedade e do Estado, com políticas públicas consistentes, transparentes e 
fiscalizadas. 
TEMA 3 – ENDIVIDAMENTO E O FINANCIAMENTO DO DESENVOLVIMENTO 
No atual cenário global, o endividamento e o financiamento do 
desenvolvimento econômico têm se tornado temas recorrentes de discussão. 
Segundo dados do Institute of International Finance (IIF), a dívida global atingiu 
a marca de US$ 300 trilhões em 2022, o que representa 349% do Produto Interno 
Bruto mundial ou US$ 37,5 mil por pessoa. Esses números alarmantes revelam 
um quadro de crescente endividamento dos países, que se veem obrigados a 
buscar recursos externos para financiar seus projetos e estimular o 
desenvolvimento econômico. 
 
 
8 
Ao longo das últimas décadas, muitas nações têm recorrido a 
empréstimos estrangeiros na tentativa de impulsionar seu crescimento 
econômico. No entanto, estudos indicam que esse modelo tem se mostrado 
insustentável a longo prazo. Países com altos níveis de endividamento externo 
tendem a enfrentar desafios significativos na busca por desenvolvimento 
sustentável, com riscos de crises financeiras e dificuldades para honrar suas 
obrigações. 
Dados da Secretaria do Tesouro Nacional do Ministério da Economia de 
2022 mostram que a dívida pública federal, que inclui endividamento interno e 
externo, fechou o ano em R$ 5,9 trilhões. Esse número, que representou um 
aumento de 6,02% em relação a 2021, é ainda mais preocupante quando se 
considera a taxa real de juros brasileira, que em junho de 2023 estava no topo 
da lista do ranking global de juros reais (Infinity Asset Management, 2023). 
Um dos principais problemas associados ao endividamento externo é a 
armadilha da dependência financeira. Muitos países, ao acumularem dívidas 
consideráveis, tornam-se reféns das instituições financeiras internacionais e de 
seus credores, o que limita sua autonomia política e econômica. Isso resulta em 
medidas de austeridade e políticas de ajuste estrutural impostas pelos credores 
como condição para a renegociação dos empréstimos, prejudicando a 
capacidade dos países de investirem em áreas essenciais, como saúde, 
educação e infraestrutura. 
Desse modo, o endividamento externo pode ser um fardo pesado para o 
desenvolvimento econômico do Brasil. A busca incessante por recursos 
financeiros pode levar a um ciclo vicioso de dependência, sacrificando a 
soberania nacional e impondo restrições que dificultam o progresso social. É 
fundamental que as nações busquem alternativas viáveis e sustentáveis para 
financiar seu desenvolvimento, como o estímulo à produção interna, o 
fortalecimento da basetributária e o fomento ao empreendedorismo. Somente 
assim poderemos vislumbrar uma realidade econômica mais equilibrada, em que 
o desenvolvimento seja alcançado de forma autônoma e sustentável. 
A questão que se coloca é: quem realmente se beneficia desse 
endividamento desenfreado? Certamente não são os cidadãos comuns, que 
enfrentam o peso das políticas de ajuste e a deterioração dos serviços públicos. 
São os grandes players do mercado financeiro internacional, que lucram com 
 
 
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juros exorbitantes e perpetuam a dependência dos países em desenvolvimento. 
Segundo dados da Secretaria do Tesouro Nacional do Ministério da Economia 
de 2022, 29,12% dos detentores da dívida pública são instituições financeiras. 
No entanto, é importante salientar que nem todo endividamento é ruim. 
Duas pessoas diferentes podem contrair uma dívida de R$ 100 mil e utilizar 
esses recursos de maneira completamente distinta. O mesmo pode ser 
observado com os países. Diversas nações hoje consideradas ricas financiaram 
seu desenvolvimento por meio de dívidas. Portanto, o importante é a 
administração planejada desse endividamento, para que o país não ceda às 
armadilhas da dependência e do pagamento de juros excessivos. 
TEMA 4 – CRESCIMENTO E DESENVOLVIMENTO DA ECONOMIA 
BRASILEIRA 
A discussão sobre as diferenças entre crescimento e desenvolvimento 
tem sido objeto de debates acalorados nos campos da economia, sociologia e 
política. Enquanto ambos os termos estão intrinsecamente ligados ao progresso 
de uma sociedade, é fundamental compreender suas nuances distintas. 
Principalmente porque, tratando-se de um país em desenvolvimento, como o 
Brasil, há diferenças teóricas que influenciam no modo como reconhecemos o 
desenvolvimento econômico e suas causas. 
O desenvolvimento pode ser entendido como um processo 
multidimensional que engloba não apenas o crescimento econômico, mas 
também aspectos sociais, culturais, políticos e ambientais. Autores como 
Amartya Sen enfatizam a importância de uma abordagem mais abrangente, 
considerando a qualidade de vida das pessoas e a expansão das capacidades 
humanas como medidas essenciais de desenvolvimento. Sen (1988) propõe que 
o desenvolvimento seja avaliado não apenas em termos de renda per capita, 
mas também por meio de indicadores como educação, saúde, liberdades civis e 
acesso a oportunidades. 
Por outro lado, o crescimento está relacionado ao aumento quantitativo 
da produção econômica de um país. É frequentemente medido pelo Produto 
Interno Bruto (PIB) ou outros indicadores econômicos. Teóricos do crescimento 
econômico, como Solow (1956) e Romer (1990), concentram-se na análise de 
 
 
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fatores como investimentos, produtividade e acumulação de capital para 
impulsionar o crescimento a longo prazo. 
No Brasil, a distinção entre crescimento e desenvolvimento é 
especialmente relevante. O país experimentou períodos de crescimento 
econômico notável, impulsionados pela exportação de commodities, como 
petróleo, minério de ferro e produtos agrícolas. Contudo, esse crescimento nem 
sempre foi acompanhado de melhorias significativas nos indicadores sociais e 
na distribuição de renda. Portanto, autores que encabeçaram os estudos da 
Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), como Prebisch 
(1950) e Furtado (1961), argumentam que o crescimento econômico é uma 
condição necessária, mas não suficiente para o desenvolvimento. 
Essa diferença de abordagem demarca uma grande diferença entre as 
teorias neoclássicas e os estudos da Cepal e sua teoria estruturalista. Para 
estes, ao invés de seguir a teoria das vantagens comparativas — em que um 
país deveria se especializar naquilo em que tem maior produtividade —, para se 
desenvolver, um país deveria focar em diversificar sua produção, principalmente 
pela substituição de importações. 
Portanto, o crescimento é uma mudança quantitativa, mera expansão da 
produção de um país. Já o desenvolvimento é uma mudança qualitativa, em que 
o crescimento é acompanhado de uma mudança estrutural, com progresso 
tecnológico e distribuição. Para tanto, o crescimento econômico deve vir 
acompanhado de melhorias em indicadores econômicos e sociais como o 
desenvolvimento humano (IDH), saúde e educação. 
Embora o Brasil tenha avançado em várias áreas, ainda enfrenta desafios 
persistentes. A desigualdade social é um dos problemas mais gritantes, com uma 
distribuição de renda extremamente desigual e uma enorme disparidade entre 
regiões. Essa desigualdade de renda reflete ainda outros tipos de desigualdade, 
como a desigualdade de oportunidades, que, por sua vez, também afeta a 
desigualdade de resultados. Além disso, questões como pobreza, educação 
precária, falta de acesso a serviços básicos de saúde e altos índices de 
criminalidade continuam a afetar muitos brasileiros. 
Para alcançar um verdadeiro desenvolvimento, é essencial superar essas 
desigualdades e investir na produção e exportação de bens com alto valor 
agregado. Além disso, investimentos em áreas como educação de qualidade, 
 
 
11 
infraestrutura, saúde e programas sociais inclusivos podem promover um 
crescimento sustentável, equitativo e inclusivo, que não apenas impulsione a 
economia, mas também melhore a qualidade de vida da população em geral. O 
desenvolvimento verdadeiro requer a consideração de aspectos sociais, 
culturais, políticos e ambientais, buscando aprimorar a qualidade de vida das 
pessoas e promover a igualdade de oportunidades. 
Para alcançar um desenvolvimento sustentável, é fundamental investir em 
áreas-chave, como educação de qualidade para todos os cidadãos. Um sistema 
educacional forte e inclusivo é essencial para capacitar as pessoas, 
proporcionando-lhes as habilidades necessárias para enfrentar os desafios do 
mercado de trabalho e contribuir ativamente para o desenvolvimento social e 
econômico do país. 
Além disso, a infraestrutura desempenha um papel crucial no 
desenvolvimento. Investimentos em transporte, energia, saneamento básico e 
tecnologia são fundamentais para impulsionar a produtividade, facilitar o 
comércio e melhorar a qualidade de vida das comunidades. No Brasil, ainda há 
uma grande defasagem em termos de infraestrutura, especialmente em regiões 
mais remotas e desfavorecidas. 
Por fim, é preciso abordar os desafios ambientais. O desenvolvimento 
sustentável implica em preservar os recursos naturais e mitigar os impactos 
negativos das atividades econômicas no meio ambiente. O Brasil possui uma 
riqueza incrível em termos de biodiversidade e recursos naturais, mas também 
enfrenta ameaças, como o desmatamento na Amazônia e a poluição dos rios. É 
crucial adotar políticas de conservação ambiental e promover o uso responsável 
dos recursos naturais. 
TEMA 5 – APONTAMENTOS FUTUROS 
Enquanto nos voltamos para o futuro do Brasil, é essencial reconhecer os 
desafios emergentes e buscar soluções inovadoras para promover uma 
sociedade mais justa, inclusiva e sustentável. Em um mundo cada vez mais 
conectado e digital, é fundamental que o Brasil invista na capacitação 
tecnológica e na transformação digital de seus setores produtivos. Promover a 
inclusão digital, desenvolver habilidades para a economia digital e fomentar a 
 
 
12 
inovação tecnológica são passos essenciais para impulsionar a competitividade 
e promover a igualdade de oportunidades. 
O futuro do Brasil também depende de seu compromisso com a 
sustentabilidade ambiental. É necessário repensar nosso modelo de 
desenvolvimento, adotando práticas sustentáveis em diversos setores, como 
energia, transporte, agricultura e indústria. Investir em energias renováveis, 
conservação de recursos naturais e mitigação das mudanças climáticas são 
medidas urgentes para preservar o meio ambiente e garantir um futuro saudável 
para as gerações vindouras. 
Promover a diversidade e a equidade em todas as esferas da sociedade 
éum desafio essencial para o futuro do Brasil. Devemos combater a 
discriminação e o preconceito, garantir a igualdade de oportunidades para todos, 
independentemente de sua origem étnica, gênero, orientação sexual ou 
condição socioeconômica. Isso requer a implementação de políticas inclusivas, 
a promoção da representatividade e o combate às desigualdades estruturais que 
ainda persistem. 
Por fim, estimular a inovação e o empreendedorismo é fundamental para 
impulsionar o crescimento econômico e a geração de empregos de qualidade. É 
preciso criar um ambiente favorável aos negócios, simplificar a burocracia, 
incentivar o investimento em pesquisa e desenvolvimento e apoiar startups e 
pequenas empresas. Ao promover a cultura empreendedora e a criatividade, 
estaremos criando um ambiente propício para o surgimento de soluções 
inovadoras e a construção de uma economia dinâmica. 
NA PRÁTICA 
Responda: 
1. Discuta o papel da mobilidade intergeracional na mobilidade social de um 
país e qual a sua relação com o desenvolvimento econômico, 
especialmente no contexto brasileiro. 
2. Dentre as políticas sociais implementadas no Brasil nos últimos anos, 
quais você considera mais importantes para a promoção do 
desenvolvimento? Por quê? 
 
 
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3. O endividamento é por si só um problema econômico? Discorra sobre as 
vantagens e desvantagens do endividamento interno e externo de um país 
para o desenvolvimento econômico. 
4. Qual a diferença teórica entre crescimento e desenvolvimento? Dentre as 
abordagens estudadas, na sua opinião, qual se aplica mais ao contexto 
brasileiro? 
FINALIZANDO 
Ao abordarmos educação, desigualdade, mobilidade social, políticas 
sociais, preocupação com a pobreza, endividamento e financiamento do 
desenvolvimento no Brasil, fica evidente a complexidade e os desafios que 
permeiam a realidade do país. 
A educação é uma ferramenta indispensável para promover igualdade de 
oportunidades e buscar mobilidade social. No entanto, é necessário reconhecer 
que a desigualdade estrutural e a falta de investimentos adequados representam 
obstáculos significativos a serem superados. Isso fica claro nos estudos sobre 
mobilidade intergeracional, que mostram que os desafios da mobilidade social 
encontram obstáculos na desigualdade regional, socioeconômica e étnica no 
Brasil. 
As políticas sociais desempenham um papel fundamental na mitigação da 
pobreza e na busca por uma sociedade mais justa. Contudo, é preciso uma 
constante avaliação e aprimoramento dessas políticas, visando sua efetividade 
e o atendimento das necessidades mais urgentes da população. O 
desenvolvimento econômico deve ser sustentado com investimentos em 
infraestrutura, educação e saúde, e o crescimento econômico deve ter sempre 
como premissa a distribuição equitativa na sociedade. 
No que diz respeito ao endividamento, é importante considerar uma 
gestão responsável e estratégica dos recursos financeiros. O problema não está 
tanto no tamanho da dívida, mas no uso que se faz dela. A busca por alternativas 
de financiamento sustentável e o estímulo à produtividade e inovação são 
cruciais para o crescimento econômico e o progresso social. É necessário um 
planejamento estratégico que promova a diversificação produtiva, o 
fortalecimento do mercado interno e a capacitação da mão de obra. É 
fundamental buscar um modelo econômico que concilie o crescimento 
 
 
14 
sustentável com a inclusão social, reduzindo as desigualdades e promovendo 
um desenvolvimento equitativo. 
A busca pela transformação e pelo desenvolvimento requer o 
engajamento de todos os setores da sociedade: governantes, academia, setor 
privado, organizações não governamentais e cidadãos. Somente por meio de 
uma colaboração sinérgica entre esses atores será possível enfrentar os 
desafios do futuro e aproveitar as oportunidades de um país em desenvolvimento 
com grande potencial, como o Brasil. 
 
 
 
 
 
 
 
15 
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