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ECONOMIA BRASILEIRA AULA 6 Profª Walcir Soares da Silva Junior 2 CONVERSA INICIAL O Brasil é um país marcado por profundas desigualdades sociais, onde a educação desempenha um papel fundamental na tentativa de superar essas disparidades e promover a mobilidade social. No entanto, o acesso igualitário à educação de qualidade ainda é um desafio a ser enfrentado, especialmente para as camadas mais marginalizadas da população. Neste material, iremos explorar as interseções entre desenvolvimento econômico, desigualdade e a importância da educação e das políticas sociais na mobilidade social brasileira. Iremos examinar a mobilidade social no Brasil, revelando as barreiras estruturais que dificultam a ascensão social por meio da educação. Estudos sobre a mobilidade intergeracional mostram que as desigualdades regionais, socioeconômicas e étnicas reproduzem ainda mais desigualdades no acesso à educação de qualidade. Isso quer dizer que, além das limitações enfrentadas pelos estudantes de baixa renda na busca por oportunidades de ensino superior, a escolaridade de seus pais representa um fator preponderante na dificuldade de mobilidade social. Em seguida, iremos abordar as políticas sociais implementadas e a preocupação com a pobreza e o desenvolvimento educacional no país nos últimos anos. Discutiremos o papel do endividamento e seu impacto no financiamento do desenvolvimento, o que pode desencadear restrições orçamentárias e consequências negativas para os investimentos em infraestrutura, educação e redução da pobreza. Exploraremos os conceitos de crescimento e desenvolvimento, em especial no contexto da economia brasileira, trazendo as diferentes abordagens que contrapõem o entendimento do que pode ser feito para o desenvolvimento do país. Por fim, alguns apontamentos futuros sugerirão os caminhos para que o Brasil entre na rota do desenvolvimento sustentável e equitativo. TEMA 1 – EDUCAÇÃO E DESIGUALDADE: MOBILIDADE SOCIAL NO BRASIL A desigualdade educacional é um fator determinante na perpetuação das desigualdades sociais. Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua, 2022) revelam que 5,6% da população com 15 anos não eram capazes de ler e escrever. Essa taxa, que pode parecer diminuta, 3 soma 9,6 milhões de brasileiros. Além disso, a taxa média esconde uma desigualdade regional ainda mais alarmante: na Região Nordeste do país, por exemplo, ela atinge quase 12%. Essa disparidade reflete a dificuldade enfrentada pelos jovens de origem humilde em acessar uma educação de qualidade e, consequentemente, em buscar mobilidade social. Segundo o SEN (2000), a educação está entre os principais determinantes do desenvolvimento de um país. Por meio da educação, é possível atingir um desenvolvimento social, econômico e cultural. No entanto, no Brasil, foi apenas a partir da Constituição de 1988 que a educação básica, que inclui o ensino infantil, fundamental e médio, se tornou obrigatória (Cury, 2006). Segundo a Constituição, o objetivo da educação é desenvolver o indivíduo para que ele possa contribuir para a sociedade de forma que ambos sejam beneficiados. Portanto, cabe ao Estado o dever de garantir esse direito (Oliveira, 1997). Estudos sobre mobilidade intergeracional, que analisam a capacidade de uma pessoa superar a condição socioeconômica de seus pais, apontam para uma situação preocupante no Brasil. Segundo o estudo de mobilidade sócio- ocupacional, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2016), a educação média dos alunos tende a ser maior quanto maior for o nível de instrução do pai ou da mãe. A chance de um pai com ensino superior completo ver seu filho se formar em uma universidade é aproximadamente 1,67 vezes maior do que a de um pai que completou apenas o ensino médio. Quando comparamos os alunos de pais sem instrução aos alunos de pais com nível superior completo, a relação é ainda mais forte: a tendência de sucesso acadêmico dos alunos com pais graduados é aproximadamente 17,2 vezes maior. O enfrentamento da desigualdade e a busca pela mobilidade social requerem investimentos maciços na educação, garantindo o acesso igualitário a oportunidades educacionais de qualidade. É preciso superar as desigualdades de acesso, infraestrutura, formação de professores e currículo, proporcionando uma educação que vá além da mera transmissão de conhecimentos, mas que estimule o pensamento crítico, a criatividade e a capacidade de resolver problemas. 4 Para promover a mobilidade social, é necessário garantir que todas as crianças e jovens tenham acesso a uma educação de qualidade, independentemente de sua origem socioeconômica. Isso requer investimentos significativos em infraestrutura educacional, formação de professores e políticas inclusivas que superem as desigualdades existentes. No entanto, os desafios educacionais do Brasil ainda são imensos. Os resultados do Progress in International Reading Literacy Study (Pirls, 2021) apontam o Brasil na 39ª posição, entre 43 países avaliados, no que diz respeito às habilidades de leitura e escrita. Essa desigualdade educacional é ainda pior no que diz respeito aos recortes sociais regionais, socioeconômicos e étnicos. De acordo com Ferreira e Veloso (2003), a probabilidade de um filho negro de um pai sem escolaridade permanecer na mesma categoria de educação do pai é cerca de 24%. Para brancos, a mesma probabilidade é um pouco acima de 11%. O mesmo vale para a manutenção de uma alta escolaridade: para negros, a chance de um filho com pai com ensino superior completo também completar seus estudos universitários é de 61%. Para indivíduos brancos, essa probabilidade é de 73%. É importante ressaltar que a educação por si só não é a solução mágica para todos os problemas sociais. Ela é apenas um dos elementos fundamentais para romper o ciclo da desigualdade. É necessário abordar também outras questões estruturais, como a distribuição de renda, a falta de acesso a serviços básicos e as barreiras discriminatórias que afetam determinados grupos sociais. Em suma, a busca pela mobilidade social no Brasil é um caminho tortuoso, permeado por desigualdades profundas. A educação surge como uma poderosa ferramenta de transformação, capaz de abrir portas e romper barreiras. No entanto, é preciso enfrentar os desafios estruturais que perpetuam a desigualdade e investir de forma consistente e significativa na construção de um sistema educacional mais inclusivo e igualitário. Somente por meio de um comprometimento coletivo, aliando políticas públicas efetivas, investimentos adequados e a conscientização da sociedade, poderemos criar um ambiente propício para que cada indivíduo tenha a oportunidade de alcançar seu pleno potencial, independentemente de sua origem social. Essa é a verdadeira busca pela mobilidade social, um caminho 5 que exige esforços persistentes, mas que nos conduzirá a uma sociedade mais justa e igualitária. TEMA 2 – POLÍTICAS SOCIAIS E PREOCUPAÇÃO COM A POBREZA Políticas públicas são um conjunto de ações desenvolvidas direta ou indiretamente pelo Estado com o objetivo de garantir direitos de cidadania e solucionar problemas da sociedade, especialmente aqueles assegurados pela Constituição (Souza, 2006). Diversas evidências corroboram que programas de proteção social podem ser capazes de melhorar o acesso à educação, o aproveitamento escolar e a qualidade da alimentação e nutrição das famílias beneficiadas, interferindo no planejamento das famílias e melhorando sua qualidade de vida (Fiszbein, 2009; Bloom et al., 2009; Aber; Rawlings, 2011). A capacidade do Estado de intervir na sociedade compreende variadas abordagens, as quais se dividem em quatro grandes grupos: as políticas públicas distributivas e redistributivas,que visam equilibrar os indivíduos; as políticas regulatórias, que determinam o funcionamento da sociedade; e as políticas constitutivas, que tratam das operações do Estado (Souza, 2006). Nesse contexto, inclui-se a implementação de ações e programas que visam à proteção social. Essa implementação, por sua vez, consiste na promoção do acesso a trabalho decente, formação de capital humano, redução da pobreza e vulnerabilidade socioeconômica, e capacitação dos indivíduos para que tenham condições de se protegerem de ameaças econômicas e ambientais por conta própria no futuro. Dessa maneira, as ações governamentais para a proteção social envolvem inclusão no sistema educacional, qualificação, acompanhamento e tratamento de saúde, atenção infantil, entre outras áreas (Fiszbein, 2009; Bloom et al., 2009). Esses programas já foram vistos de forma pejorativa e prejudicial à economia, mas hoje, embasados em evidências empíricas, os programas de proteção social conquistaram amplo reconhecimento por seu papel em estimular o consumo, melhorar indicadores socioeconômicos e promover o desenvolvimento nacional. Experiências internacionais sugerem que programas de inclusão e proteção social e/ou transferência de renda, entre outras medidas, melhoram o acesso à educação, o desempenho escolar e a qualidade da 6 alimentação e nutrição das famílias beneficiadas, principalmente as mais necessitadas (Bloom et al., 2009; Aber; Rawlings, 2011). Tão importante quanto a inclusão e a proteção social das famílias em situação de vulnerabilidade é também garantir a oferta de serviços de educação, moradia e saúde de qualidade por parte do Estado, promover o desenvolvimento da economia interna e gerar empregos formais com direitos e remuneração adequada, a fim de alcançar melhorias significativas e sustentáveis a longo prazo (Aber; Rawlings, 2011). No entanto, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2022), o Brasil tinha cerca de 62,5 milhões de pessoas (29,4% da população brasileira) abaixo da linha da pobreza em 2021. Entre essas pessoas, 17,9 milhões (8,4% da população) estavam em situação de extrema pobreza. De acordo com o Banco Mundial, estão abaixo da linha da pobreza as famílias com rendimento per capita inferior a US$ 5,50 PPC por dia, o equivalente a R$ 486 mensais per capita. Já a linha da extrema pobreza é demarcada pelos valores de US$ 1,90 PPC por dia, ou R$ 168 mensais per capita. Esses números alarmantes nos obrigam a questionar as políticas sociais adotadas e sua efetividade na redução dessa desigualdade estrutural que assola o país. As políticas sociais desempenham um papel fundamental na promoção da igualdade e no combate à pobreza. No Brasil, embora tenham tido uma importância relativa em momentos específicos da história, foi apenas a partir da Constituição de 1988 que as políticas sociais se tornaram, pelo menos em teoria, um eixo na agenda governamental. A promulgação da Lei de Diretrizes e Bases (LDB), a criação do Bolsa Escola, do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e do Fundo de Financiamento Estudantil são exemplos de políticas sociais educacionais criadas nos anos 1990. Apenas no âmbito educacional, a partir dos anos 2000 foram criados o Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE) (2007), o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb) (2007), o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) (2007), o Programa Universidade Para Todos (Prouni) (2004), o Sistema de Seleção Unificada (Sisu) (2010), o Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec) (2011), o Programa Ciência Sem Fronteiras (CSF) (2011) entre outros. 7 No âmbito da redução da extrema pobreza e da desigualdade, temos programas como o Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (Peti) (1996), o Programa Bolsa Família (2003), o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) (2003) e o Programa Minha Casa, Minha Vida (2009). Ainda assim, a pobreza no Brasil apresenta características persistentes e estruturais, o que indica a necessidade e continuidade de políticas que vão além da simples transferência de renda e abordem as raízes do problema, como acesso à educação, saúde, emprego e moradia digna. Ao refletirmos sobre as políticas sociais e a preocupação com a pobreza no Brasil, é imprescindível reconhecer tanto os avanços conquistados quanto os desafios que ainda persistem. É inegável que programas como o Bolsa Família têm um impacto positivo na redução da pobreza, trazendo alívio imediato para milhões de famílias. Segundo Carvalho (2018), mesmo representando uma pequena parcela da renda total das famílias brasileiras, estudos econométricos sugerem que entre 10% a 31% da redução na desigualdade medida pelo Índice de Gini no período se deveu ao programa. No entanto, é necessário ir além e adotar uma abordagem mais abrangente, que aborde as causas estruturais da pobreza. Investir em educação de qualidade, garantir acesso a serviços de saúde, estimular a criação de empregos dignos e promover políticas de inclusão social são medidas essenciais para romper o ciclo da pobreza e construir uma sociedade mais justa. A luta contra a pobreza exige um esforço conjunto da sociedade e do Estado, com políticas públicas consistentes, transparentes e fiscalizadas. TEMA 3 – ENDIVIDAMENTO E O FINANCIAMENTO DO DESENVOLVIMENTO No atual cenário global, o endividamento e o financiamento do desenvolvimento econômico têm se tornado temas recorrentes de discussão. Segundo dados do Institute of International Finance (IIF), a dívida global atingiu a marca de US$ 300 trilhões em 2022, o que representa 349% do Produto Interno Bruto mundial ou US$ 37,5 mil por pessoa. Esses números alarmantes revelam um quadro de crescente endividamento dos países, que se veem obrigados a buscar recursos externos para financiar seus projetos e estimular o desenvolvimento econômico. 8 Ao longo das últimas décadas, muitas nações têm recorrido a empréstimos estrangeiros na tentativa de impulsionar seu crescimento econômico. No entanto, estudos indicam que esse modelo tem se mostrado insustentável a longo prazo. Países com altos níveis de endividamento externo tendem a enfrentar desafios significativos na busca por desenvolvimento sustentável, com riscos de crises financeiras e dificuldades para honrar suas obrigações. Dados da Secretaria do Tesouro Nacional do Ministério da Economia de 2022 mostram que a dívida pública federal, que inclui endividamento interno e externo, fechou o ano em R$ 5,9 trilhões. Esse número, que representou um aumento de 6,02% em relação a 2021, é ainda mais preocupante quando se considera a taxa real de juros brasileira, que em junho de 2023 estava no topo da lista do ranking global de juros reais (Infinity Asset Management, 2023). Um dos principais problemas associados ao endividamento externo é a armadilha da dependência financeira. Muitos países, ao acumularem dívidas consideráveis, tornam-se reféns das instituições financeiras internacionais e de seus credores, o que limita sua autonomia política e econômica. Isso resulta em medidas de austeridade e políticas de ajuste estrutural impostas pelos credores como condição para a renegociação dos empréstimos, prejudicando a capacidade dos países de investirem em áreas essenciais, como saúde, educação e infraestrutura. Desse modo, o endividamento externo pode ser um fardo pesado para o desenvolvimento econômico do Brasil. A busca incessante por recursos financeiros pode levar a um ciclo vicioso de dependência, sacrificando a soberania nacional e impondo restrições que dificultam o progresso social. É fundamental que as nações busquem alternativas viáveis e sustentáveis para financiar seu desenvolvimento, como o estímulo à produção interna, o fortalecimento da basetributária e o fomento ao empreendedorismo. Somente assim poderemos vislumbrar uma realidade econômica mais equilibrada, em que o desenvolvimento seja alcançado de forma autônoma e sustentável. A questão que se coloca é: quem realmente se beneficia desse endividamento desenfreado? Certamente não são os cidadãos comuns, que enfrentam o peso das políticas de ajuste e a deterioração dos serviços públicos. São os grandes players do mercado financeiro internacional, que lucram com 9 juros exorbitantes e perpetuam a dependência dos países em desenvolvimento. Segundo dados da Secretaria do Tesouro Nacional do Ministério da Economia de 2022, 29,12% dos detentores da dívida pública são instituições financeiras. No entanto, é importante salientar que nem todo endividamento é ruim. Duas pessoas diferentes podem contrair uma dívida de R$ 100 mil e utilizar esses recursos de maneira completamente distinta. O mesmo pode ser observado com os países. Diversas nações hoje consideradas ricas financiaram seu desenvolvimento por meio de dívidas. Portanto, o importante é a administração planejada desse endividamento, para que o país não ceda às armadilhas da dependência e do pagamento de juros excessivos. TEMA 4 – CRESCIMENTO E DESENVOLVIMENTO DA ECONOMIA BRASILEIRA A discussão sobre as diferenças entre crescimento e desenvolvimento tem sido objeto de debates acalorados nos campos da economia, sociologia e política. Enquanto ambos os termos estão intrinsecamente ligados ao progresso de uma sociedade, é fundamental compreender suas nuances distintas. Principalmente porque, tratando-se de um país em desenvolvimento, como o Brasil, há diferenças teóricas que influenciam no modo como reconhecemos o desenvolvimento econômico e suas causas. O desenvolvimento pode ser entendido como um processo multidimensional que engloba não apenas o crescimento econômico, mas também aspectos sociais, culturais, políticos e ambientais. Autores como Amartya Sen enfatizam a importância de uma abordagem mais abrangente, considerando a qualidade de vida das pessoas e a expansão das capacidades humanas como medidas essenciais de desenvolvimento. Sen (1988) propõe que o desenvolvimento seja avaliado não apenas em termos de renda per capita, mas também por meio de indicadores como educação, saúde, liberdades civis e acesso a oportunidades. Por outro lado, o crescimento está relacionado ao aumento quantitativo da produção econômica de um país. É frequentemente medido pelo Produto Interno Bruto (PIB) ou outros indicadores econômicos. Teóricos do crescimento econômico, como Solow (1956) e Romer (1990), concentram-se na análise de 10 fatores como investimentos, produtividade e acumulação de capital para impulsionar o crescimento a longo prazo. No Brasil, a distinção entre crescimento e desenvolvimento é especialmente relevante. O país experimentou períodos de crescimento econômico notável, impulsionados pela exportação de commodities, como petróleo, minério de ferro e produtos agrícolas. Contudo, esse crescimento nem sempre foi acompanhado de melhorias significativas nos indicadores sociais e na distribuição de renda. Portanto, autores que encabeçaram os estudos da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), como Prebisch (1950) e Furtado (1961), argumentam que o crescimento econômico é uma condição necessária, mas não suficiente para o desenvolvimento. Essa diferença de abordagem demarca uma grande diferença entre as teorias neoclássicas e os estudos da Cepal e sua teoria estruturalista. Para estes, ao invés de seguir a teoria das vantagens comparativas — em que um país deveria se especializar naquilo em que tem maior produtividade —, para se desenvolver, um país deveria focar em diversificar sua produção, principalmente pela substituição de importações. Portanto, o crescimento é uma mudança quantitativa, mera expansão da produção de um país. Já o desenvolvimento é uma mudança qualitativa, em que o crescimento é acompanhado de uma mudança estrutural, com progresso tecnológico e distribuição. Para tanto, o crescimento econômico deve vir acompanhado de melhorias em indicadores econômicos e sociais como o desenvolvimento humano (IDH), saúde e educação. Embora o Brasil tenha avançado em várias áreas, ainda enfrenta desafios persistentes. A desigualdade social é um dos problemas mais gritantes, com uma distribuição de renda extremamente desigual e uma enorme disparidade entre regiões. Essa desigualdade de renda reflete ainda outros tipos de desigualdade, como a desigualdade de oportunidades, que, por sua vez, também afeta a desigualdade de resultados. Além disso, questões como pobreza, educação precária, falta de acesso a serviços básicos de saúde e altos índices de criminalidade continuam a afetar muitos brasileiros. Para alcançar um verdadeiro desenvolvimento, é essencial superar essas desigualdades e investir na produção e exportação de bens com alto valor agregado. Além disso, investimentos em áreas como educação de qualidade, 11 infraestrutura, saúde e programas sociais inclusivos podem promover um crescimento sustentável, equitativo e inclusivo, que não apenas impulsione a economia, mas também melhore a qualidade de vida da população em geral. O desenvolvimento verdadeiro requer a consideração de aspectos sociais, culturais, políticos e ambientais, buscando aprimorar a qualidade de vida das pessoas e promover a igualdade de oportunidades. Para alcançar um desenvolvimento sustentável, é fundamental investir em áreas-chave, como educação de qualidade para todos os cidadãos. Um sistema educacional forte e inclusivo é essencial para capacitar as pessoas, proporcionando-lhes as habilidades necessárias para enfrentar os desafios do mercado de trabalho e contribuir ativamente para o desenvolvimento social e econômico do país. Além disso, a infraestrutura desempenha um papel crucial no desenvolvimento. Investimentos em transporte, energia, saneamento básico e tecnologia são fundamentais para impulsionar a produtividade, facilitar o comércio e melhorar a qualidade de vida das comunidades. No Brasil, ainda há uma grande defasagem em termos de infraestrutura, especialmente em regiões mais remotas e desfavorecidas. Por fim, é preciso abordar os desafios ambientais. O desenvolvimento sustentável implica em preservar os recursos naturais e mitigar os impactos negativos das atividades econômicas no meio ambiente. O Brasil possui uma riqueza incrível em termos de biodiversidade e recursos naturais, mas também enfrenta ameaças, como o desmatamento na Amazônia e a poluição dos rios. É crucial adotar políticas de conservação ambiental e promover o uso responsável dos recursos naturais. TEMA 5 – APONTAMENTOS FUTUROS Enquanto nos voltamos para o futuro do Brasil, é essencial reconhecer os desafios emergentes e buscar soluções inovadoras para promover uma sociedade mais justa, inclusiva e sustentável. Em um mundo cada vez mais conectado e digital, é fundamental que o Brasil invista na capacitação tecnológica e na transformação digital de seus setores produtivos. Promover a inclusão digital, desenvolver habilidades para a economia digital e fomentar a 12 inovação tecnológica são passos essenciais para impulsionar a competitividade e promover a igualdade de oportunidades. O futuro do Brasil também depende de seu compromisso com a sustentabilidade ambiental. É necessário repensar nosso modelo de desenvolvimento, adotando práticas sustentáveis em diversos setores, como energia, transporte, agricultura e indústria. Investir em energias renováveis, conservação de recursos naturais e mitigação das mudanças climáticas são medidas urgentes para preservar o meio ambiente e garantir um futuro saudável para as gerações vindouras. Promover a diversidade e a equidade em todas as esferas da sociedade éum desafio essencial para o futuro do Brasil. Devemos combater a discriminação e o preconceito, garantir a igualdade de oportunidades para todos, independentemente de sua origem étnica, gênero, orientação sexual ou condição socioeconômica. Isso requer a implementação de políticas inclusivas, a promoção da representatividade e o combate às desigualdades estruturais que ainda persistem. Por fim, estimular a inovação e o empreendedorismo é fundamental para impulsionar o crescimento econômico e a geração de empregos de qualidade. É preciso criar um ambiente favorável aos negócios, simplificar a burocracia, incentivar o investimento em pesquisa e desenvolvimento e apoiar startups e pequenas empresas. Ao promover a cultura empreendedora e a criatividade, estaremos criando um ambiente propício para o surgimento de soluções inovadoras e a construção de uma economia dinâmica. NA PRÁTICA Responda: 1. Discuta o papel da mobilidade intergeracional na mobilidade social de um país e qual a sua relação com o desenvolvimento econômico, especialmente no contexto brasileiro. 2. Dentre as políticas sociais implementadas no Brasil nos últimos anos, quais você considera mais importantes para a promoção do desenvolvimento? Por quê? 13 3. O endividamento é por si só um problema econômico? Discorra sobre as vantagens e desvantagens do endividamento interno e externo de um país para o desenvolvimento econômico. 4. Qual a diferença teórica entre crescimento e desenvolvimento? Dentre as abordagens estudadas, na sua opinião, qual se aplica mais ao contexto brasileiro? FINALIZANDO Ao abordarmos educação, desigualdade, mobilidade social, políticas sociais, preocupação com a pobreza, endividamento e financiamento do desenvolvimento no Brasil, fica evidente a complexidade e os desafios que permeiam a realidade do país. A educação é uma ferramenta indispensável para promover igualdade de oportunidades e buscar mobilidade social. No entanto, é necessário reconhecer que a desigualdade estrutural e a falta de investimentos adequados representam obstáculos significativos a serem superados. Isso fica claro nos estudos sobre mobilidade intergeracional, que mostram que os desafios da mobilidade social encontram obstáculos na desigualdade regional, socioeconômica e étnica no Brasil. As políticas sociais desempenham um papel fundamental na mitigação da pobreza e na busca por uma sociedade mais justa. Contudo, é preciso uma constante avaliação e aprimoramento dessas políticas, visando sua efetividade e o atendimento das necessidades mais urgentes da população. O desenvolvimento econômico deve ser sustentado com investimentos em infraestrutura, educação e saúde, e o crescimento econômico deve ter sempre como premissa a distribuição equitativa na sociedade. No que diz respeito ao endividamento, é importante considerar uma gestão responsável e estratégica dos recursos financeiros. O problema não está tanto no tamanho da dívida, mas no uso que se faz dela. A busca por alternativas de financiamento sustentável e o estímulo à produtividade e inovação são cruciais para o crescimento econômico e o progresso social. É necessário um planejamento estratégico que promova a diversificação produtiva, o fortalecimento do mercado interno e a capacitação da mão de obra. É fundamental buscar um modelo econômico que concilie o crescimento 14 sustentável com a inclusão social, reduzindo as desigualdades e promovendo um desenvolvimento equitativo. A busca pela transformação e pelo desenvolvimento requer o engajamento de todos os setores da sociedade: governantes, academia, setor privado, organizações não governamentais e cidadãos. Somente por meio de uma colaboração sinérgica entre esses atores será possível enfrentar os desafios do futuro e aproveitar as oportunidades de um país em desenvolvimento com grande potencial, como o Brasil. 15 REFERÊNCIAS ABER, L.; RAWLINGS, L. B. North-South Knowledge Sharing on Incentive- Based Conditional Cash Transfer Programs. SP Discussion Paper, n. 1101, 2011. BLOOM, D. E. et al. Social protection and conditional cash transfers. Asian Development Bank: Social Assistance and Conditional Cash Transfers, 2009. CARVALHO, L. Valsa brasileira: do boom ao caos econômico. São Paulo: Todavia. 1. ed. 2018. CURY, C. R. J. 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