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Imprimir INTRODUÇÃO Olá, estudante! Você está pronto para mais uma aula? Nessa aula, convido você a entender os indicadores sociais, que são medidas quantitativas que refletem diversas facetas da qualidade de vida e do bem-estar de uma sociedade. Eles abrangem áreas como educação, saúde, emprego, renda, moradia e igualdade, permitindo avaliar o progresso social ao longo do tempo. A democracia, como sistema de governo centrado na participação do povo, busca melhorar os indicadores sociais de uma nação. Por meio do processo democrático, os cidadãos têm a oportunidade de influenciar políticas públicas que afetam diretamente esses indicadores. Por meio da escolha de representantes e da participação em decisões governamentais, a população pode pressionar por investimentos em educação acessível, sistemas de saúde robustos, igualdade de oportunidades e políticas de inclusão social. E, então, vamos aprender mais sobre isso juntos? Aula 1 O PROCESSO DE REDEMOCRATIZAÇÃO DO BRASIL Olá, estudante! Você está pronto para mais uma aula? Nessa aula, convido você a entender os indicadores sociais, que são medidas quantitativas que refletem diversas facetas da qualidade de vida e do bem-estar de uma sociedade. INDICADORES SOCIAIS, POBREZA E EXCLUSÃO SOCIAL Aula 1 - O processo de redemocratização do brasil Aula 2 - Questão social, contrarreforma do estado e terceiro setor Aula 3 - Exclusão social e direito à cidade Aula 4 - Políticas de combate à pobreza e controle social Aula 5 - Revisão da unidade Referências 16/04/2025, 13:45 wlldd_241_u3_que_soc_ser_soc https://www.colaboraread.com.br/integracaoAlgetec/index?usuarioEmail=junio2023oliveira%40gmail.com&usuarioNome=JUNIO+CESAR+DE+OLIVEIRA&disciplinaDescricao=&atividadeId=4379734&atividadeDesc… 1/24 INDICADORES SOCIAIS E DEMOCRACIA Estudante, durante o período da ditadura militar, que se estendeu por cerca de duas décadas no Brasil, a ampliação da desigualdade social foi uma característica marcante. Esse regime autoritário não apenas restringiu as liberdades civis e políticas, mas também promoveu políticas econômicas que resultaram em um aumento da disparidade entre as classes sociais. Uma das consequências diretas dessa desigualdade foi o arrocho salarial imposto aos trabalhadores, o que teve um impacto profundo na classe operária e contribuiu para a luta pela democratização. Lara e Silva (2015) apontam que o arrocho salarial foi uma política econômica adotada pelo regime militar com o objetivo de controlar a inflação e estabilizar as finanças públicas. No entanto, essa medida teve efeitos prejudiciais sobre os trabalhadores e suas condições de vida. Os salários foram mantidos em níveis baixos, muitas vezes abaixo da inflação, o que resultou em perda de poder de compra e deterioração das condições de vida da classe trabalhadora. Esse cenário agravou a desigualdade social, pois os custos do ajuste econômico recaíram de forma desproporcional sobre os ombros dos mais vulneráveis. A ampliação da desigualdade social e o arrocho salarial não apenas geraram insatisfação, mas também impulsionaram a classe operária a se mobilizar e lutar por mudanças. O contexto de dificuldades econômicas, combinado com a repressão política, levou os trabalhadores a reconhecerem que seus direitos estavam sendo negligenciados e que a falta de participação nas decisões políticas estava agravando sua situação. Nesse contexto, a luta pela democratização tornou-se uma demanda central (LARA; SILVA, 2015). Os indicadores sociais desempenharam um papel crucial nesse cenário. Enquanto os indicadores de qualidade de vida, como renda, emprego, acesso à educação e saúde, pioravam devido ao arrocho salarial e à falta de investimentos públicos adequados, os indicadores de desigualdade social dispararam. A disparidade entre os estratos sociais tornou-se visível e tangível para a população, exacerbando a sensação de injustiça e incentivando ainda mais a mobilização em prol da democratização (LARA; SILVA, 2015). A democracia, vista como um sistema de governo que assegura a participação dos cidadãos nas decisões políticas e promove direitos e liberdades fundamentais, passou a ser percebida como a solução para reverter os impactos negativos do período ditatorial. A luta pela democratização não se limitava apenas à busca por eleições livres, mas também à melhoria dos indicadores sociais que haviam sido negligenciados. Os trabalhadores e a sociedade civil uniram forças para pressionar por políticas econômicas mais justas, investimentos em serviços públicos de qualidade e o respeito aos direitos trabalhistas (LARA; SILVA, 2015). Estudante, lembre-se que a ampliação da desigualdade social na ditadura militar, associada ao arrocho salarial imposto à classe operária, criou um ambiente propício para a mobilização e luta pela democratização. Os indicadores sociais desfavoráveis evidenciaram as consequências prejudiciais dessas políticas, impulsionando os trabalhadores a demandar mudanças estruturais que só poderiam ser alcançadas por meio de um sistema democrático. A história demonstra como a interseção entre desigualdade, indicadores sociais e participação política pode moldar o curso de um país em direção a um futuro mais equitativo e inclusivo. 16/04/2025, 13:45 wlldd_241_u3_que_soc_ser_soc https://www.colaboraread.com.br/integracaoAlgetec/index?usuarioEmail=junio2023oliveira%40gmail.com&usuarioNome=JUNIO+CESAR+DE+OLIVEIRA&disciplinaDescricao=&atividadeId=4379734&atividadeDesc… 2/24 INDICADORES SOCIAIS E DEMOCRACIA Estudante, indicadores sociais são medidas quantitativas que fornecem informações sobre diversas dimensões da vida das pessoas em uma sociedade. Eles refletem o nível de desenvolvimento, bem-estar e qualidade de vida de uma população. Esses indicadores podem abranger áreas como educação, saúde, renda, habitação, emprego, desigualdade e outros aspectos relevantes para entender as condições sociais de um país ou uma região (ARREGUI, 2012). Indicadores de democracia, por outro lado, são ferramentas que avaliam a extensão em que um sistema político permite a participação cidadã, a proteção dos direitos humanos, a existência de eleições justas e transparentes, a liberdade de expressão e outros elementos que caracterizam a democracia como forma de governo. Contudo, esses conceitos estão imbricados, porque democracias são regimes baseados na igualdade e cujos governos devem trabalhar no sentido de constituir políticas sociais que melhorem os indicadores. Para entender a pobreza no Brasil, pode-se utilizar uma abordagem que combina esses dois tipos de indicadores. Primeiramente, os indicadores sociais podem fornecer uma visão detalhada das condições que levam à pobreza e das consequências dela. Por exemplo: indicadores como taxa de desemprego, percentagem de pessoas vivendo abaixo da linha de pobreza, acesso à educação de qualidade e cobertura de saúde pública são informações cruciais para entender os fatores que contribuem para a pobreza (ARREGUI, 2012). Por sua vez, os indicadores de democracia podem ser usados para analisar como o sistema político e a tomada de decisões afetam a pobreza. Uma democracia saudável deve permitir que os cidadãos influenciem as políticas públicas e tenham voz ativa na determinação das estratégias de combate à pobreza. Indicadores de participação eleitoral, liberdade de imprensa, independência do judiciário e nível de transparência do governo podem fornecer insights sobre a capacidade da população de influenciar as políticas públicas e garantir que os recursos sejam direcionados de maneira eficaz para reduzir a pobreza (ARREGUI, 2012). Além disso, os indicadores sociais e de democracia também podem ser usados em conjunto para analisar como as políticas públicas impactam a pobreza. Por exemplo: se houver uma correlação entre baixos níveis de participação democrática e altas taxas de pobreza em determinada região, isso pode indicar a necessidade de reformas políticas que promovamem: https://www.scielo.br/j/sssoc/a/s5hCHJNz73c6cvJLZ7yNFDH/abstract/?lang=pt&format=html#ModalHowcite. Acesso em: 16 ago. 2023. Aula 5 MONTAÑO, C. Pobreza, "questão social" e seu enfrentamento. Serviço Social & Sociedade, n. 110, p. 270-287, jun. 2012. Disponível em: https://www.scielo.br/j/sssoc/a/MXPc4rLkBSzfxQGv5DQgWsH/#ModalHowcite. Acesso em: 26 ago. 2023. 16/04/2025, 13:45 wlldd_241_u3_que_soc_ser_soc https://www.colaboraread.com.br/integracaoAlgetec/index?usuarioEmail=junio2023oliveira%40gmail.com&usuarioNome=JUNIO+CESAR+DE+OLIVEIRA&disciplinaDescricao=&atividadeId=4379734&atividadeDes… 24/24 https://storyset.com/ https://www.shutterstock.com/pt/ https://doi.org/10.22296/2317-1529.2019v21n1p137 https://www.scielo.br/j/csc/a/k9LtzBmFfsBYZ6LJn3qBSmF/#ModalHowcite https://www.scielo.br/j/ln/a/8CWq6rS9tTqfFk9x4m7Hz3z/#ModalHowcite https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm https://www.scielo.br/j/rap/a/mFj8HXxTXyW9hKvhxbhcKwm/#ModalHowcite https://www.scielo.br/j/sssoc/a/s5hCHJNz73c6cvJLZ7yNFDH/abstract/?lang=pt&format=html#ModalHowcite https://www.scielo.br/j/sssoc/a/MXPc4rLkBSzfxQGv5DQgWsH/#ModalHowcitea inclusão e participação dos cidadãos (ARREGUI, 2012). Os indicadores sociais e de democracia são ferramentas valiosas para entender a pobreza no Brasil e em qualquer país. Eles fornecem informações abrangentes sobre as condições sociais, econômicas e políticas que contribuem para a pobreza, permitindo uma análise mais profunda das causas subjacentes e das possíveis soluções. Integrar esses indicadores oferece uma perspectiva holística sobre o problema da pobreza e ajuda a moldar políticas mais eficazes e inclusivas (ARREGUI, 2012). Contudo, estudante, mesmo com a redemocratização e com o fim da ditadura militar, o Brasil permanece com altos índices de pobreza. Isso precisa ser compreendido a partir da lógica da democracia neoliberal que se instalou no Brasil na década de 1990 do século XX e que causa o desmonte das políticas sociais. 16/04/2025, 13:45 wlldd_241_u3_que_soc_ser_soc https://www.colaboraread.com.br/integracaoAlgetec/index?usuarioEmail=junio2023oliveira%40gmail.com&usuarioNome=JUNIO+CESAR+DE+OLIVEIRA&disciplinaDescricao=&atividadeId=4379734&atividadeDesc… 3/24 COMO USAR INDICADORES SOCIAIS? Estudante, há muitos mitos sobre a ditadura militar no Brasil, que ocorreu entre 1964 e 1985. Ainda, o período ficou conhecido como o período do "milagre econômico" devido ao crescimento econômico expressivo registrado durante parte desse período. No entanto, por trás do aparente crescimento, havia uma realidade complexa que contradizia essa narrativa. Embora tenha havido um aumento temporário do Produto Interno Bruto (PIB), a ditadura militar empobreceu a população de várias maneiras e resultou em amplo endividamento externo. O crescimento econômico do "milagre" baseou-se principalmente em políticas econômicas de curto prazo, incluindo investimentos em setores industriais e infraestrutura, incentivados por empréstimos estrangeiros. Isso levou ao crescimento do PIB, mas as consequências a longo prazo foram problemáticas. A desigualdade social aumentou e a melhoria das condições de vida não foi igualmente distribuída. Muitas vezes, os benefícios econômicos não chegavam às camadas mais pobres da população. Além disso, o "milagre econômico" resultou em amplo endividamento externo, uma vez que o governo tomou empréstimos substanciais para financiar os projetos de desenvolvimento. Essa dívida crescente tornou o país altamente dependente de fluxos de capital externo, colocando-o em uma situação vulnerável. Quando a crise econômica global na década de 1970 afetou os preços das commodities e as taxas de juros subiram, o Brasil se encontrou em dificuldades financeiras, tendo que gastar uma parte significativa de sua receita em pagamento de dívidas. Com isso, temos a ampliação da pobreza, do desemprego e da fome. Para avaliar a pobreza e a fome, um indicador social amplamente utilizado é o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), criado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). O IDH combina três dimensões principais: expectativa de vida, educação e renda per capita. Ele oferece uma visão abrangente do desenvolvimento humano de uma população, indo além de medidas puramente econômicas (SCARPIN; SLOMSKI, 2007). Outro indicador específico para avaliar a fome é a Prevalência de Subalimentação, que mede a porcentagem da população que não consome calorias suficientes para atender às necessidades diárias mínimas de energia alimentar. Esse indicador fornece insights diretos sobre a falta de acesso a alimentos suficientes e é uma medida importante para entender a insegurança alimentar em uma determinada área (SANTOS, 2021). Para utilizar o IDH como indicador de pobreza e fome no Brasil, você pode acessar os dados oficiais do PNUD, que fornecem o IDH do país ao longo dos anos. Além disso, para a Prevalência de Subalimentação, você pode buscar informações junto a organizações como a FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura), que coleta e divulga dados relacionados à segurança alimentar em diferentes países. Outro indicador social importante é a Taxa de Analfabetismo. Esse indicador mede a porcentagem da população com idade apropriada para frequentar a escola que não é capaz de ler e escrever com compreensão em uma língua qualquer. A Taxa de Analfabetismo é um indicador crucial para avaliar a qualidade da educação em uma sociedade e sua capacidade de proporcionar oportunidades de aprendizado para todos os seus cidadãos (GIL, 2022). 16/04/2025, 13:45 wlldd_241_u3_que_soc_ser_soc https://www.colaboraread.com.br/integracaoAlgetec/index?usuarioEmail=junio2023oliveira%40gmail.com&usuarioNome=JUNIO+CESAR+DE+OLIVEIRA&disciplinaDescricao=&atividadeId=4379734&atividadeDesc… 4/24 Por meio da Taxa de Analfabetismo, é possível avaliar o acesso à educação básica e entender o impacto das políticas educacionais em diferentes grupos populacionais. Além disso, esse indicador também pode ajudar a identificar disparidades regionais, de gênero e socioeconômicas no acesso à educação (GIL, 2022). Para calcular a Taxa de Analfabetismo, divide-se o número de analfabetos em uma determinada faixa etária (geralmente acima de 15 anos) pelo total de pessoas nessa faixa etária e multiplica-se o resultado por 100 para obter a porcentagem. Juntos, esses indicadores nos revelam os avanços em direitos que o Brasil ainda precisa percorrer (GIL, 2022). VIDEO RESUMO Estudante, os indicadores sociais são métricas quantitativas que permitem avaliar diferentes aspectos da qualidade de vida e do bem-estar em uma sociedade. O cálculo de indicadores sociais envolve a coleta de dados relevantes por meio de pesquisas, levantamentos ou registros governamentais, seguido do processamento e análise desses dados para produzir valores numéricos que representam a situação em estudo. Esses valores permitem comparações ao longo do tempo, entre diferentes regiões ou grupos populacionais, contribuindo para uma compreensão mais profunda dos desafios e das oportunidades enfrentados pela sociedade. Veja mais sobre isso nessa videoaula. Saiba mais Vamos conhecer mais sobre o indicador social de Prevalência de Subalimentação? Então leia o texto SOFI 2021: Relatório da ONU destaca os impactos da pandemia no aumento da fome no mundo, que discute o aumento da fome durante a Pandemia de Covid-19. INTRODUÇÃO Olá, estudante! Vamos para mais uma aula? Aula 2 QUESTÃO SOCIAL, CONTRARREFORMA DO ESTADO E TERCEIRO SETOR Olá, estudante! Vamos para mais uma aula? Nessa aula, convido você a pensar sobre a questão social a partir da ótica do neoliberalismo. 16/04/2025, 13:45 wlldd_241_u3_que_soc_ser_soc https://www.colaboraread.com.br/integracaoAlgetec/index?usuarioEmail=junio2023oliveira%40gmail.com&usuarioNome=JUNIO+CESAR+DE+OLIVEIRA&disciplinaDescricao=&atividadeId=4379734&atividadeDesc… 5/24 https://www.paho.org/pt/noticias/12-7-2021-sofi-2021-relatorio-da-onu-destaca-os-impactos-da-pandemia-no-aumento-da-fome-no https://www.paho.org/pt/noticias/12-7-2021-sofi-2021-relatorio-da-onu-destaca-os-impactos-da-pandemia-no-aumento-da-fome-no Nessa aula, convido você a pensar sobre a questão social a partir da ótica do neoliberalismo. A questão social é reflexo do capitalismo e permite compreender a desigualdade, a exclusão e a precariedade e emerge como um desafio crucial que demanda abordagens multifacetadas. Nesse contexto, a contrarreforma do estado, caracterizada pela reavaliação do papel estatal na provisão de serviços públicos, tem implicações profundas. À medida que o estado se retrai em certas áreas, o terceiro setor – composto por organizações não governamentais, fundações e voluntariado – assume um papel ampliado na mitigação das lacunas deixadas, buscando promover inclusão e bem-estar social. Essa dinâmica complexa evidencia a necessidade de colaboração sinérgica entre esses elementos, a fim de forjar soluções eficazes para os desafios sociais prementes e construir uma sociedade mais justa e equitativa. E, então, vamos aprender mais sobre isso juntos?O BRASIL NEOLIBERAL Estudante, o avanço do neoliberalismo ao longo das últimas décadas trouxe consigo transformações profundas na estrutura socioeconômica do Brasil, reconfigurando as dinâmicas da questão social, da criminalização da pobreza, do familismo e da contrarreforma do Estado. Nesse bloco, vamos explorar esses temas sob a ótica do neoliberalismo, examinando como suas políticas moldaram a sociedade brasileira contemporânea. A questão social, compreendendo desigualdades, exclusão e privações, foi impactada diretamente pelas políticas neoliberais. A redução do papel do Estado na oferta de serviços públicos essenciais, resultante da contrarreforma do Estado, provocou a erosão das redes de proteção social, deixando os estratos mais vulneráveis da população à margem da sociedade. Esse cenário exacerbou a criminalização da pobreza, fenômeno no qual a falta de recursos é tratada como indicativo de criminalidade, resultando em detenções e perseguições injustas, principalmente nas camadas sociais menos favorecidas. A criminalização da pobreza é um reflexo do paradigma neoliberal, que enfatiza a responsabilidade individual e subestima os fatores estruturais que contribuem para as disparidades sociais (MENCHISE; FERREIRA; ALVAREZ, 2023). O familismo, por sua vez, também sofreu influências das políticas neoliberais. O familismo se refere à tendência de confiar predominantemente na família como provedora de apoio e segurança social, em detrimento das estruturas governamentais. O encolhimento do Estado na esfera social incentivou esse fenômeno, fazendo com que as famílias se tornassem ainda mais centrais na sustentação das necessidades básicas. No entanto, essa abordagem pode aprofundar as desigualdades de gênero, uma vez que as mulheres muitas vezes carregam o fardo maior de cuidados e responsabilidades, limitando suas oportunidades de participação econômica e social (MENCHISE; FERREIRA; ALVAREZ, 2023). A contrarreforma do Estado e a ascensão do neoliberalismo também abriram espaço para o crescimento do terceiro setor e a privatização de serviços. Com a diminuição do investimento público em áreas como educação, saúde e assistência social, organizações do terceiro setor e empresas privadas passaram a preencher essas lacunas. Embora possam fornecer eficiência em certos casos, essa mudança também levanta preocupações. A privatização muitas vezes privilegia aqueles que podem pagar por serviços de qualidade, exacerbando a segregação socioeconômica. Além disso, a dependência crescente do terceiro setor para suprir 16/04/2025, 13:45 wlldd_241_u3_que_soc_ser_soc https://www.colaboraread.com.br/integracaoAlgetec/index?usuarioEmail=junio2023oliveira%40gmail.com&usuarioNome=JUNIO+CESAR+DE+OLIVEIRA&disciplinaDescricao=&atividadeId=4379734&atividadeDesc… 6/24 necessidades públicas pode resultar em uma sociedade fragmentada, na qual as políticas sociais não são mais baseadas em direitos universais, mas sim em assistência caritativa, perpetuando a desigualdade (MENCHISE; FERREIRA; ALVAREZ, 2023). Dessa forma, estudante, é importante lembrar que a ótica do neoliberalismo teceu uma rede complexa de transformações na sociedade brasileira, refletindo-se na questão social, na criminalização da pobreza, no familismo e na contrarreforma do Estado. O encolhimento do Estado na provisão de serviços sociais, aliado à ênfase no individualismo e à transferência de responsabilidades para a esfera privada, reconfigurou as dinâmicas sociais e econômicas do país. Enquanto o terceiro setor pode trazer soluções em alguns casos, é fundamental considerar os impactos mais amplos dessas mudanças, buscando um equilíbrio entre a eficiência econômica e a justiça social. Para enfrentar os desafios resultantes desse contexto, deve haver um diálogo amplo e políticas que promovam a inclusão, a igualdade e a dignidade para todos os cidadãos brasileiros (MENCHISE; FERREIRA; ALVAREZ, 2023). POBREZA E SISTEMA PENITENCIÁRIO O neoliberalismo tem implicações profundas na criminalização da pobreza, exacerbando as desigualdades sociais e contribuindo para o crescimento do sistema carcerário no Brasil. Esse fenômeno decorre das políticas econômicas e sociais do neoliberalismo, que enfatizam o individualismo, a redução do Estado e a competição no mercado, gerando consequências que recaem desproporcionalmente sobre os estratos mais vulneráveis da sociedade. A criminalização da pobreza no contexto neoliberal ocorre de várias maneiras. Primeiramente, as políticas econômicas neoliberais frequentemente resultam em desemprego, precarização do trabalho e diminuição dos investimentos em programas de assistência social. Isso leva a um cenário em que muitos indivíduos são empurrados para situações de privação e desespero econômico. Em consequência, a necessidade de sobrevivência pode levar algumas pessoas a recorrer a atividades ilegais, como pequenos furtos ou tráfico de drogas, como meio de sustento. Além disso, a concentração de recursos e oportunidades em estratos mais altos da sociedade, incentivada pelo neoliberalismo, amplia as desigualdades e cria um ambiente em que a criminalidade é mais provável de ocorrer em comunidades marginalizadas. A falta de acesso à educação de qualidade, serviços de saúde e oportunidades de emprego, aliada à ausência de uma rede de segurança social robusta, aumenta as chances de indivíduos caírem na criminalidade como uma alternativa desesperada. O sistema carcerário brasileiro também reflete os impactos do neoliberalismo na criminalização da pobreza. O endurecimento das leis penais e a falta de investimento em alternativas à prisão têm levado a uma superlotação crítica nas prisões, em grande parte habitadas por pessoas de baixa renda e minorias étnicas. A lógica punitiva e retributiva do sistema penal muitas vezes prevalece sobre abordagens de reabilitação e ressocialização, resultando em um ciclo de reincidência (PIZA, 2022). Além disso, o neoliberalismo também abre espaço para a privatização do sistema carcerário, em que empresas privadas buscam lucrar com a administração de prisões. Esse cenário cria incentivos para manter altas taxas de ocupação, o que pode levar à prisão de pessoas por crimes menores ou à perpetuação de 16/04/2025, 13:45 wlldd_241_u3_que_soc_ser_soc https://www.colaboraread.com.br/integracaoAlgetec/index?usuarioEmail=junio2023oliveira%40gmail.com&usuarioNome=JUNIO+CESAR+DE+OLIVEIRA&disciplinaDescricao=&atividadeId=4379734&atividadeDesc… 7/24 penas mais longas, contribuindo ainda mais para a criminalização da pobreza (PIZA, 2022). Para lidar com esses problemas, é essencial adotar abordagens mais humanas e centradas na justiça social. Isso inclui investir em educação de qualidade, programas de capacitação profissional e assistência social que ofereçam alternativas à criminalidade para aqueles em situação de vulnerabilidade. Além disso, é crucial reformar o sistema carcerário, priorizando a reabilitação, a ressocialização e a redução da superlotação, em vez de simplesmente punir os indivíduos. Ao reconhecer e abordar as raízes sociais e econômicas da criminalização da pobreza, o Brasil pode avançar em direção a um sistema mais justo e equitativo. Ainda, cabe ao nosso país deixar de naturalizar as desigualdades sociais. A desigualdade no Brasil é sistêmica e deve ser resolvida por meio de políticas sociais, não de eliminação dos pobres, certamente não pela necropolítica (PIZA, 2022). TERCEIRO SETOR, ESFERA PÚBLICA E PRIVATIZAÇÕES O Terceiro Setor, a esfera pública e as privatizações representam elementos interligados e complexos na governança moderna, moldando a dinâmica entre governo, sociedade civil e setor privado. Esses componentes desempenham papéis distintos e, às vezes, convergentes na busca por serviços públicos eficientes e na promoção do bem-estar social (CALEGARE, 2009). O Terceiro Setor é composto por organizações não governamentais (ONGs), associações sem fins lucrativos e entidades filantrópicas que atuam parafins de interesse público. Ele desempenha um papel crucial na complementação das atividades do Estado e do setor privado. Ao focar em necessidades não atendidas pela esfera pública ou na criação de inovações sociais, o Terceiro Setor contribui para preencher lacunas nas políticas públicas. Por meio de programas de assistência, desenvolvimento comunitário e advocacia, ele desafia e complementa as ações do governo, trazendo à tona questões negligenciadas e pressionando por mudanças (CALEGARE, 2009). A esfera pública, por outro lado, abrange as instituições e os processos governamentais que refletem a vontade coletiva da sociedade. É responsável por formular políticas públicas, regulamentar atividades econômicas e garantir o bem-estar dos cidadãos. No entanto, a crescente complexidade dos desafios sociais e a limitação de recursos muitas vezes levaram ao surgimento de parcerias com o Terceiro Setor e à adoção de abordagens colaborativas. A participação ativa das organizações da sociedade civil na esfera pública pode ampliar a representatividade e a diversidade de perspectivas nas decisões governamentais, fortalecendo a governança democrática (CALEGARE, 2009). Entretanto, a questão das privatizações introduz um elemento adicional nessa equação. As privatizações ocorrem quando serviços ou ativos anteriormente administrados pelo Estado são transferidos para o setor privado. Isso pode envolver a venda de empresas estatais, concessões de serviços públicos ou parcerias público-privadas. As privatizações muitas vezes são justificadas pela busca de eficiência, redução do déficit público e atração de investimentos. No entanto, essa abordagem pode gerar controvérsias, especialmente quando se trata de setores essenciais, como saúde, educação e água, que afetam diretamente o bem-estar dos cidadãos (CALEGARE, 2009). 16/04/2025, 13:45 wlldd_241_u3_que_soc_ser_soc https://www.colaboraread.com.br/integracaoAlgetec/index?usuarioEmail=junio2023oliveira%40gmail.com&usuarioNome=JUNIO+CESAR+DE+OLIVEIRA&disciplinaDescricao=&atividadeId=4379734&atividadeDesc… 8/24 A relação entre o Terceiro Setor, a esfera pública e as privatizações é complexa e varia conforme o contexto e as políticas adotadas. Em alguns casos, organizações do Terceiro Setor podem preencher lacunas deixadas pelas privatizações, assegurando que as necessidades sociais sejam atendidas. No entanto, também existe o risco de que as privatizações reduzam a responsabilidade do Estado na prestação de serviços públicos, aumentando a dependência de soluções não governamentais (CALEGARE, 2009). Em última análise, equilibrar esses três elementos requer uma abordagem ponderada. A colaboração entre a esfera pública, o Terceiro Setor e o setor privado pode gerar sinergias que levam a soluções mais abrangentes e eficazes. No entanto, é fundamental manter os interesses públicos em foco, especialmente quando se considera a privatização de serviços essenciais. A transparência, a participação cidadã e a avaliação rigorosa dos impactos sociais são cruciais para garantir que as decisões tomadas beneficiem a sociedade como um todo (CALEGARE, 2009). VÍDEO RESUMO A ascensão do neoliberalismo redefiniu a questão social, deslocando o foco da intervenção estatal para a autonomia do mercado. Políticas de austeridade e desregulamentação resultaram em desigualdades crescentes e enfraquecimento das redes de segurança. O individualismo neoliberal muitas vezes obscureceu as estruturas sistêmicas subjacentes à pobreza, excluindo populações marginalizadas. Então, que tal estudar tudo isso comigo? Assista ao vídeo a seguir para saber mais. Saiba mais Para conhecer mais sobre a criminalização da pobreza, indicamos a leitura da matéria População carcerária volta a aumentar, mas déficit de vagas diminui, disponível na página Consultor Jurídico. INTRODUÇÃO Olá, estudante! Vamos começar mais uma aula? Aula 3 EXCLUSÃO SOCIAL E DIREITO À CIDADE Olá, estudante! Vamos começar mais uma aula? Estudante, nessa aula quero convidar você para pensar sobre segregação social. 16/04/2025, 13:45 wlldd_241_u3_que_soc_ser_soc https://www.colaboraread.com.br/integracaoAlgetec/index?usuarioEmail=junio2023oliveira%40gmail.com&usuarioNome=JUNIO+CESAR+DE+OLIVEIRA&disciplinaDescricao=&atividadeId=4379734&atividadeDesc… 9/24 https://www.conjur.com.br/2022-jul-10/populacao-carceraria-volta-aumentar-deficit-vagas-cai/ https://www.conjur.com.br/2022-jul-10/populacao-carceraria-volta-aumentar-deficit-vagas-cai/ Estudante, nessa aula quero convidar você para pensar sobre segregação social. Trata-se de um fenômeno complexo que delineia a fragmentação de uma sociedade em grupos distintos, frequentemente baseados em diferenças socioeconômicas, étnicas ou culturais. Essa separação pode ocorrer de várias maneiras, seja por meio da segregação residencial, que agrupa indivíduos em bairros de características similares, ou por meio da segregação educacional e ocupacional, que limita oportunidades com base nas origens das pessoas. A segregação social pode perpetuar desigualdades, minar a coesão social e dificultar a mobilidade ascendente, reforçando barreiras entre grupos e prejudicando o desenvolvimento equitativo de uma sociedade. E, então, vamos aprender mais sobre isso juntos? SEGREGAÇÃO E FAVELIZAÇÃO NO BRASIL Estudante, a urbanização, embora muitas vezes associada ao progresso e desenvolvimento, também traz consigo desafios significativos, como a exclusão social no contexto urbano. À medida que as cidades crescem, a concentração de população e recursos pode levar à formação de áreas segregadas e empobrecidas. Esses espaços urbanos marginais frequentemente sofrem com a falta de infraestrutura básica, serviços de qualidade e oportunidades econômicas, resultando em exclusão social. Paralelamente, a exclusão social também é uma realidade no contexto rural, onde a falta de acesso a serviços essenciais, terra e educação pode deixar comunidades isoladas e vulneráveis (BECCENERI; ALVES; VAZQUEZ, 2019).Nesse contexto surge a discussão sobre o direito à cidade. Esse é um conceito fundamental e propõe que todas as pessoas tenham o direito de participar ativamente na vida urbana, independentemente de sua origem ou condição socioeconômica. Isso envolve garantir o acesso equitativo a serviços públicos, infraestrutura, habitação adequada e oportunidades de emprego. Garantir o direito à cidade é uma maneira de combater a exclusão social, permitindo que todos os cidadãos participem plenamente da vida urbana, contribuindo para uma sociedade mais justa e inclusiva (BECCENERI; ALVES; VAZQUEZ, 2019). A favelização, um fenômeno frequentemente associado a áreas urbanas, ilustra vividamente a exclusão social. Ela emerge como resultado da rápida urbanização e da falta de políticas habitacionais adequadas, levando ao crescimento de assentamentos informais precários. Essas favelas muitas vezes carecem de acesso a serviços básicos, infraestrutura adequada e direitos de propriedade, perpetuando a exclusão social e criando ciclos de pobreza. Enfrentar a favelização exige abordagens que considerem tanto a melhoria das condições de vida nas favelas existentes quanto a implementação de políticas que previnam o crescimento desse tipo de assentamento (BECCENERI; ALVES; VAZQUEZ, 2019). As favelas no Brasil surgiram como uma resposta direta a um conjunto complexo de fatores históricos, sociais e econômicos. Sua origem está ligada a uma combinação de urbanização acelerada, migração interna e falta de políticas habitacionais eficazes. Durante o século XIX, o Brasil passou por um processo de urbanização acelerada devido à abolição da escravatura, à industrialização e ao êxodo rural. Com a migração de pessoas do campo para as cidades em busca de emprego e melhores condições de vida, a demanda por habitação urbana aumentou consideravelmente. 16/04/2025, 13:45 wlldd_241_u3_que_soc_ser_soc https://www.colaboraread.com.br/integracaoAlgetec/index?usuarioEmail=junio2023oliveira%40gmail.com&usuarioNome=JUNIO+CESAR+DE+OLIVEIRA&disciplinaDescricao=&atividadeId=4379734&atividadeDes…10/24 No entanto, as áreas urbanas não tinham capacidade para absorver rapidamente essa população migrante. A falta de planejamento urbano, a especulação imobiliária e a ausência de políticas habitacionais eficazes resultaram na criação de assentamentos informais nas margens das cidades. Essas áreas, muitas vezes ocupando terrenos inadequados, careciam de infraestrutura básica, como disponibilidade de água potável, saneamento e energia elétrica. Os primeiros assentamentos informais, que mais tarde seriam conhecidos como favelas, começaram a surgir no início do século XX, principalmente nas cidades maiores do Brasil, como Rio de Janeiro e São Paulo. O termo "favela" tem origens controversas, mas é frequentemente associado a um morro chamado Morro da Favela no Rio de Janeiro, onde soldados retornados da Guerra de Canudos construíram habitações improvisadas. O MST, A EXCLUSÃO NO CAMPO E O DIREITO À CIDADE O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) é uma das mais significativas expressões de luta pela reforma agrária e pela justiça social no Brasil. Ele surgiu na década de 1980 como resposta à exclusão histórica enfrentada pelos trabalhadores rurais, que muitas vezes viviam em condições precárias e sem acesso à terra, aos recursos e aos direitos básicos (PENA; ROSA, 2015). A exclusão no campo é um problema arraigado na história do Brasil. Durante séculos, a concentração de terras nas mãos de poucos proprietários resultou em desigualdades gritantes, deixando a maior parte da população rural em situações de vulnerabilidade. O MST emergiu como uma resposta a essa exclusão, buscando reivindicar o direito à terra para aqueles que historicamente foram marginalizados (PENA; ROSA, 2015). O MST não apenas busca a redistribuição de terras, mas também procura transformar as áreas rurais em lugares de dignidade e prosperidade para os trabalhadores. Por meio de ocupações pacíficas, mobilizações e pressão política, o movimento tem buscado criar condições para que os trabalhadores rurais possam produzir alimentos, gerar renda e viver com dignidade. Além disso, o MST tem promovido a educação, a saúde e a formação política, capacitando as pessoas a se tornarem agentes de transformação em suas comunidades (PENA; ROSA, 2015). No entanto, essa exclusão não se limita ao campo. A luta do MST também está relacionada ao direito à cidade, pois muitos trabalhadores rurais deslocados em busca de melhores condições de vida acabam nas periferias urbanas. Nesse contexto, o direito à cidade abrange a garantia de acesso a serviços públicos, habitação adequada, mobilidade e participação ativa na vida urbana. A urbanização acelerada muitas vezes resulta na marginalização desses indivíduos, que enfrentam condições semelhantes de exclusão e precariedade, agora em um ambiente urbano. A atuação do MST chama a atenção para a interconexão entre o campo e a cidade, enfatizando que a luta pela justiça social e pelo direito à terra está intimamente ligada ao direito à cidade. Ações como ocupações de terras urbanas abandonadas e a promoção de moradias populares nas cidades exemplificam a busca do MST por uma sociedade mais equitativa e inclusiva, que reconheça e respeite a dignidade de todos, independentemente de sua origem ou local de residência (PENA; ROSA, 2015). 16/04/2025, 13:45 wlldd_241_u3_que_soc_ser_soc https://www.colaboraread.com.br/integracaoAlgetec/index?usuarioEmail=junio2023oliveira%40gmail.com&usuarioNome=JUNIO+CESAR+DE+OLIVEIRA&disciplinaDescricao=&atividadeId=4379734&atividadeDes… 11/24 Estudante, é importante lembrar que a reforma agrária é um direito assegurado pela Constituição de 1988. Ela visa promover a redistribuição da terra de maneira justa e equitativa, buscando corrigir desigualdades históricas na posse da terra e proporcionar oportunidades de vida digna para os trabalhadores rurais e suas famílias. No contexto brasileiro, a reforma agrária é respaldada pela Constituição Federal de 1988, que reconhece a função social da propriedade e determina a possibilidade de desapropriação de terras que não estão cumprindo essa função. No Brasil, a Constituição estabelece que a propriedade da terra deve cumprir sua função social, ou seja, deve ser utilizada de forma produtiva e sustentável para beneficiar a coletividade. Quando uma propriedade rural não atende a essa função social, o Estado tem o poder de desapropriar a terra para fins de reforma agrária. Essa desapropriação é feita mediante indenização justa, e a terra é destinada à criação de assentamentos rurais, onde as famílias podem produzir alimentos, gerar renda e ter acesso a serviços básicos (PENA; ROSA, 2015). A CIDADE E A QUESTÃO SOCIAL A interconexão entre a questão social, o direito à cidade e o neoliberalismo desenha um cenário complexo nas dinâmicas urbanas contemporâneas. A questão social, abrangendo desigualdades, exclusão e precariedade, se acentua nas cidades à medida que fluxos migratórios e concentração populacional aumentam. O direito à cidade, um conceito que enfatiza o acesso democrático aos benefícios urbanos, como habitação, serviços públicos, cultura e lazer, é essencial para promover cidades inclusivas e justas. No entanto, o neoliberalismo, com sua ideologia de mercado livre e mínimo intervencionismo estatal, molda o modo como as cidades são planejadas e gerenciadas. A busca pela eficiência econômica muitas vezes leva a políticas de privatização, gentrificação e remoção de comunidades de baixa renda de áreas centrais, resultando em exclusão social. O mercado imobiliário, impulsionado pelo neoliberalismo, frequentemente prioriza o lucro em detrimento do acesso equitativo à moradia, intensificando a segregação urbana. O direito à cidade, proposto por Henri Lefebvre (2013), reflete a necessidade de uma cidade para todos, onde os cidadãos tenham acesso à totalidade das oportunidades urbanas. No entanto, o neoliberalismo frequentemente distorce esse direito, privilegiando grupos economicamente poderosos em detrimento dos menos favorecidos. O resultado é a fragmentação urbana, com espaços segregados destinados a diferentes estratos sociais. A gentrificação, um efeito direto do neoliberalismo, exemplifica como os mais vulneráveis são afetados. À medida que áreas urbanas são revitalizadas para atrair investimentos, os moradores de baixa renda muitas vezes são deslocados devido ao aumento dos preços de aluguel e propriedades. Esse fenômeno compromete a diversidade social das cidades e limita o acesso de grupos marginalizados aos benefícios urbanos. A compreensão dessas interações é vital para moldar políticas urbanas mais equitativas. Uma abordagem que respeite o direito à cidade requer políticas que considerem os aspectos sociais, econômicos e culturais das comunidades urbanas. O fortalecimento da participação cidadã no planejamento urbano, a promoção de habitação acessível e a valorização da cultura local são passos cruciais para contrabalançar os efeitos negativos do neoliberalismo nas cidades. 16/04/2025, 13:45 wlldd_241_u3_que_soc_ser_soc https://www.colaboraread.com.br/integracaoAlgetec/index?usuarioEmail=junio2023oliveira%40gmail.com&usuarioNome=JUNIO+CESAR+DE+OLIVEIRA&disciplinaDescricao=&atividadeId=4379734&atividadeDes… 12/24 Para Lefebvre (2013), o direito à cidade não é apenas uma demanda por acesso físico ao espaço urbano, mas também uma reivindicação por uma transformação radical nas relações sociais e na estrutura das cidades. Ele acreditava que as cidades deveriam ser espaços de troca, diversidade e interação, onde todos os cidadãos pudessem participar plenamente da vida urbana e moldar seu entorno de acordo com suas necessidades e seus desejos. O direito à cidade de Lefebvre (2013) transcende a noção convencional de moradia e infraestrutura, abrangendo questões de justiça social, participação política, cultura e qualidade de vida. Ele argumentou que o espaço urbano é uma construção social, um produto das relações sociais e do poder. Portanto,a luta pelo direito à cidade é também uma luta pelo poder de definir, criar e recriar o espaço urbano de maneira coletiva. Lefebvre (2013) viu o crescimento da urbanização como um fenômeno que poderia levar a relações alienadas entre os indivíduos e o espaço que habitam. Ele criticou a maneira como as cidades estavam sendo moldadas pelo capitalismo e pelo desenvolvimento desigual, onde espaços de exclusão, segregação e desigualdade estavam se tornando mais prevalentes. Para ele, a busca pelo direito à cidade deveria ser um esforço para criar cidades mais humanas, inclusivas e democráticas. VIDEO RESUMO Lefebvre (2013) enfatizou a importância da participação dos cidadãos no processo de planejamento e gestão urbana. Ele defendia que as decisões sobre o espaço urbano não deveriam ser tomadas exclusivamente por elites ou burocratas, mas sim ser resultado de um diálogo ativo e contínuo entre os cidadãos. Isso envolve capacitar as comunidades a moldar seus ambientes de acordo com suas próprias necessidades e visões. Vamos aprender mais sobre isso? Então veja o vídeo a seguir. Saiba mais Estudante, falar sobre o direito à cidade implica em discutir a questão da população em situação de rua. No artigo População em situação de rua supera 281,4 mil pessoas no Brasil, você pode ler sobre esse problema social e avaliar os dados. 16/04/2025, 13:45 wlldd_241_u3_que_soc_ser_soc https://www.colaboraread.com.br/integracaoAlgetec/index?usuarioEmail=junio2023oliveira%40gmail.com&usuarioNome=JUNIO+CESAR+DE+OLIVEIRA&disciplinaDescricao=&atividadeId=4379734&atividadeDes… 13/24 https://www.ipea.gov.br/portal/categorias/45-todas-as-noticias/noticias/13457-populacao-em-situacao-de-rua-supera-281-4-mil-pessoas-no-brasil INTRODUÇÃO Olá, estudante! Vamos começar mais uma aula? Estudante, nessa aula quero convidar você a pensar sobre Constituição Federal de 1988, que estabeleceu o combate à pobreza como um princípio fundamental do ordenamento jurídico brasileiro. Por meio de diversos dispositivos, a Carta Magna busca promover a justiça social e a equidade, com o objetivo de erradicar a pobreza e reduzir as desigualdades no país. Por meio da garantia de direitos fundamentais, políticas públicas e programas sociais, a Constituição estabelece as bases para a implementação de ações que visam melhorar as condições de vida das camadas mais vulneráveis da população, buscando assegurar dignidade, igualdade e oportunidades para todos os cidadãos brasileiros. E então, vamos aprender mais sobre isso juntos? COMBATE À DESIGUALDADE NA CF/88 Estudante, começo essa aula convidando você a ler esse artigo da Constituição de 1988: Conforme pode verificar no artigo, o combate à pobreza é um dos pilares centrais da Constituição de 1988, que reconhece a erradicação dessa condição como um objetivo primordial da sociedade brasileira. O artigo 3º que você leu estabelece como objetivo fundamental a construção de uma sociedade livre, justa e solidária, que promova o bem de todos sem qualquer forma de discriminação. Além disso, a Constituição prevê a implementação de políticas públicas destinadas a reduzir as desigualdades sociais e regionais, buscando assegurar a dignidade da pessoa humana e a melhoria das condições de vida da população. Art. 3º Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil: III - erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais. (BRASIL, 1988) Aula 4 POLÍTICAS DE COMBATE À POBREZA E CONTROLE SOCIAL Olá, estudante! Vamos começar mais uma aula? Estudante, nessa aula quero convidar você a pensar sobre Constituição Federal de 1988, que estabeleceu o combate à pobreza como um princípio fundamental do ordenamento jurídico brasileiro. 16/04/2025, 13:45 wlldd_241_u3_que_soc_ser_soc https://www.colaboraread.com.br/integracaoAlgetec/index?usuarioEmail=junio2023oliveira%40gmail.com&usuarioNome=JUNIO+CESAR+DE+OLIVEIRA&disciplinaDescricao=&atividadeId=4379734&atividadeDes… 14/24 A Constituição Federal de 1988 representa um marco fundamental na história do Brasil, consagrando princípios de democracia, cidadania e justiça social. Dentre suas várias disposições, encontram-se artigos voltados para o combate à pobreza e a promoção do controle social, refletindo o compromisso do Estado em garantir igualdade e bem-estar para todos os cidadãos. Dentre as medidas voltadas para o combate à pobreza, destaca-se o artigo 203, que trata da assistência social. Além das medidas diretas de assistência, a Constituição também promove o controle social como uma ferramenta fundamental para garantir a efetividade das políticas públicas e o combate à pobreza. O artigo 204 estabelece a participação da população na formulação das políticas e no controle das ações em todos os níveis. Isso implica que os cidadãos têm o direito e o dever de fiscalizar a implementação das políticas sociais e exigir transparência e eficácia por parte do Estado. Veja a seguir: Nesse contexto, a criação de conselhos e mecanismos de participação popular, como os Conselhos de Assistência Social e os Conselhos dos Direitos da Criança e do Adolescente, fortalece o controle social sobre as políticas públicas. Esses órgãos possibilitam a atuação direta da sociedade na avaliação das ações governamentais, na identificação de problemas e na proposição de soluções. No próximo bloco, vamos aprender com mais detalhes como esses conselhos funcionam, para garantir mais participação social. Art. 203. A assistência social será prestada a quem dela necessitar, independentemente de contribuição à seguridade social, e tem por objetivos: VI - a redução da vulnerabilidade socioeconômica de famílias em situação de pobreza ou de extrema pobreza. (BRASIL, 1988) Art. 204. As ações governamentais na área da assistência social serão realizadas com recursos do orçamento da seguridade social, previstos no art. 195, além de outras fontes, e organizadas com base nas seguintes diretrizes: II - participação da população, por meio de organizações representativas, na formulação das políticas e no controle das ações em todos os níveis. (BRASIL, 1988) 16/04/2025, 13:45 wlldd_241_u3_que_soc_ser_soc https://www.colaboraread.com.br/integracaoAlgetec/index?usuarioEmail=junio2023oliveira%40gmail.com&usuarioNome=JUNIO+CESAR+DE+OLIVEIRA&disciplinaDescricao=&atividadeId=4379734&atividadeDes… 15/24 CONSELHOS DE DIREITOS Os conselhos de direitos desempenham um papel crucial no cenário democrático ao assegurar a participação da sociedade civil na formulação, implementação e monitoramento de políticas públicas relacionadas a diferentes áreas, como saúde, educação, assistência social, meio ambiente, criança e adolescente, entre outras. Esses conselhos são instrumentos essenciais para fortalecer o controle social, garantindo que a população tenha voz ativa na tomada de decisões que impactam suas vidas (GURGEL; JUSTEN, 2013). O funcionamento dos conselhos de direitos é baseado em princípios de participação, representatividade e transparência. Geralmente, esses órgãos são compostos por representantes do governo e da sociedade civil, incluindo organizações não governamentais, movimentos sociais, associações de classe e cidadãos interessados na área em questão. Essa diversidade de participantes garante que diferentes perspectivas sejam consideradas nas discussões e deliberações. A atuação dos conselhos de direitos envolve várias etapas e funções importantes, conforme apontam Gurgel e Justen (2013): Formulação de políticas: os conselhos participam da elaboração de políticas públicas, contribuindo com ideias, sugestões e demandas da sociedade civil. A partir do diálogo entre governo e sociedade, são definidas estratégias e diretrizes para abordar questões específicas; Deliberação: os conselhos têm a responsabilidade de deliberar sobre temas relevantes, discutindo propostas, avaliando alternativas e tomando decisões que orientarão as ações governamentais; Monitoramento e avaliação: além deauxiliarem na formulação de políticas, os conselhos também monitoram a implementação das ações acordadas. Eles acompanham o progresso, avaliam os resultados e fazem ajustes quando necessário, assegurando a eficácia das políticas públicas; Controle social: os conselhos representam um mecanismo importante de controle social, permitindo que a sociedade exerça vigilância sobre as ações do governo. Eles contribuem para a transparência, a prestação de contas e a prevenção de práticas inadequadas; Participação ativa: a participação dos membros dos conselhos é ativa e engajada. Isso envolve a discussão de propostas, a análise de dados, a tomada de decisões e o compartilhamento de conhecimentos. A diversidade de perspectivas enriquece os debates e contribui para a construção de políticas mais abrangentes; Construção de consensos: Em um cenário com diferentes interesses e pontos de vista, os conselhos têm a responsabilidade de buscar consensos e tomar decisões que representem o melhor interesse coletivo. Isso requer habilidades de negociação e comprometimento por parte de todos os envolvidos. Os conselhos de direitos representam um elo essencial entre a população e o poder público, assegurando que as políticas públicas sejam informadas pelas necessidades e anseios reais da sociedade. Eles operam em um contexto de colaboração, diálogo e participação ativa, contribuindo para uma gestão mais democrática, 16/04/2025, 13:45 wlldd_241_u3_que_soc_ser_soc https://www.colaboraread.com.br/integracaoAlgetec/index?usuarioEmail=junio2023oliveira%40gmail.com&usuarioNome=JUNIO+CESAR+DE+OLIVEIRA&disciplinaDescricao=&atividadeId=4379734&atividadeDes… 16/24 transparente e eficaz. O fortalecimento dos conselhos é crucial para promover a cidadania ativa e para garantir que a voz dos cidadãos seja ouvida e considerada na construção de um país mais justo e igualitário (GURGEL; JUSTEN, 2013). DESAFIOS PARA A ERRADICAÇÃO DA POBREZA O neoliberalismo, como abordagem econômica e política, teve um impacto significativo nas políticas de combate à pobreza em diversas partes do mundo. Emergindo nas décadas finais do século XX, o neoliberalismo enfatiza a redução do papel do Estado na economia, a liberalização dos mercados, a privatização de empresas estatais e a promoção da livre concorrência. No entanto, seu impacto sobre as políticas de combate à pobreza tem sido objeto de debates e críticas intensas (SANTOS, 2019). Uma das principais implicações do neoliberalismo para as políticas de combate à pobreza é a ênfase na redução do gasto público e no enxugamento do Estado. A crença subjacente é que, ao permitir que os mercados operem com menos intervenção governamental, a eficiência econômica aumentaria, levando a um crescimento econômico sustentável que, por sua vez, beneficiaria a população como um todo, incluindo os mais pobres. No entanto, essa abordagem muitas vezes resultou na redução de investimentos em programas sociais, como educação, saúde e assistência social, que são essenciais para apoiar os mais vulneráveis (SANTOS, 2019). A privatização de serviços públicos, outra característica do neoliberalismo, também pode impactar as políticas de combate à pobreza. A ideia por trás da privatização é que a gestão privada seria mais eficiente e inovadora do que a gestão estatal. No entanto, isso nem sempre se traduz em melhores serviços para os mais pobres. A privatização de setores como saúde e educação pode resultar em custos mais elevados para os usuários, limitando o acesso aos serviços essenciais para aqueles que já estão em situação de vulnerabilidade (SANTOS, 2019). Estudante, o neoliberalismo não é uma política econômica neutra e prioriza a estabilidade macroeconômica e o controle da inflação em detrimento das políticas sociais. Isso pode levar a restrições fiscais que dificultam a alocação de recursos para programas de combate à pobreza (SANTOS, 2019). Ainda, é importante ressaltar que as consequências do neoliberalismo para as políticas de combate à pobreza variam dependendo do contexto e das políticas específicas implementadas em cada país. Enquanto alguns argumentam que a ênfase na liberalização dos mercados e na busca pelo crescimento econômico pode eventualmente levar à redução da pobreza, outros criticam essa abordagem por agravar as desigualdades e a exclusão social (SANTOS, 2019). Em muitos casos, os críticos do neoliberalismo apontam para a necessidade de um equilíbrio entre a busca do crescimento econômico e a implementação de políticas sociais eficazes. Eles argumentam que as políticas de combate à pobreza devem abordar tanto as questões econômicas quanto as sociais, incluindo investimentos em educação, saúde, segurança social e empregos dignos. Além disso, enfatizam a importância da participação ativa da sociedade civil na formulação e monitoramento das políticas, para garantir que os interesses dos mais pobres sejam levados em consideração (SANTOS, 2019). 16/04/2025, 13:45 wlldd_241_u3_que_soc_ser_soc https://www.colaboraread.com.br/integracaoAlgetec/index?usuarioEmail=junio2023oliveira%40gmail.com&usuarioNome=JUNIO+CESAR+DE+OLIVEIRA&disciplinaDescricao=&atividadeId=4379734&atividadeDes… 17/24 O impacto do neoliberalismo nas políticas de combate à pobreza é complexo e multifacetado. Embora a abordagem tenha alegado que a liberalização dos mercados e a redução do papel do Estado impulsionariam o desenvolvimento econômico e, consequentemente, a redução da pobreza, os críticos destacam os potenciais riscos de aprofundar as desigualdades e marginalizar ainda mais os grupos vulneráveis (SANTOS, 2019). VIDEO RESUMO A participação social na política é um pilar fundamental da democracia, garantindo que os cidadãos tenham a oportunidade de influenciar as decisões que afetam suas vidas e comunidades. A participação social não apenas fortalece a legitimidade das instituições governamentais, mas também fomenta a transparência, a responsabilidade e a pluralidade de perspectivas, enriquecendo o cenário político e contribuindo para a construção de uma sociedade mais justa e inclusiva. Nessa aula, quero convidar você a aprender mais sobre isso. Vamos lá? Saiba mais Você conhece o Conselho Nacional de Assistência Social? Nessa aula, quero convidar você a passear pelo endereço eletrônico do mesmo e conhecer as principais ações que realiza: QUESTÃO SOCIAL, DEMOCRACIA E NEOLIBERALISMO Essa foi uma unidade bastante conceitual e gostaria de revisar com você os principais conceitos estudados. A Constituição Federal de 1988, também conhecida como a "Constituição Cidadã", representa um marco na história do Brasil ao estabelecer as bases para um Estado democrático de direito, pautado pela justiça social e pela promoção dos direitos fundamentais. Ao mesmo tempo, a Carta Magna foi promulgada em um contexto de profundas desigualdades socioeconômicas e desafios relacionados à questão social no país. O embate entre os princípios constitucionais e as influências do neoliberalismo gerou debates cruciais sobre como lidar com as demandas da sociedade e os interesses econômicos (MONTAÑO, 2012). Aula 5 REVISÃO DA UNIDADE 16/04/2025, 13:45 wlldd_241_u3_que_soc_ser_soc https://www.colaboraread.com.br/integracaoAlgetec/index?usuarioEmail=junio2023oliveira%40gmail.com&usuarioNome=JUNIO+CESAR+DE+OLIVEIRA&disciplinaDescricao=&atividadeId=4379734&atividadeDes… 18/24 https://www.blogcnas.com/ A Constituição de 1988 teve como um de seus pilares a preocupação com a questão social. Em um país marcado por históricas desigualdades, a Carta Magna se propôs a construir um ordenamento jurídico que priorizasse a dignidade da pessoa humana e a igualdade. Vários dispositivos enfocam a área social, incluindo a garantia de direitos trabalhistas, a proteção ao meio ambiente, o acesso à educação e à saúde, a assistência social e a promoção da igualdade de gênero e racial. A Constituição buscou, assim, não apenas corrigir distorções do passado, mas também criar um ambiente propícioao desenvolvimento sustentável e à inclusão social (MONTAÑO, 2012). O momento da promulgação da CF/88 coincidiu com um contexto global de ascensão do neoliberalismo, que foi adotado no Brasil a partir da década de 1990. Essa doutrina econômica preconiza a minimização do papel do Estado na economia, promovendo a privatização, a liberalização dos mercados e a redução das regulações. O neoliberalismo acredita na eficiência do mercado para alocar recursos e gerar crescimento econômico, sustentando que esses resultados, eventualmente, beneficiarão toda a sociedade, inclusive os mais vulneráveis (MONTAÑO, 2012). Esse choque entre os princípios da Constituição de 1988 e a influência neoliberal criou um cenário complexo. Por um lado, a Constituição refletia uma aspiração de justiça social, enquanto o neoliberalismo valorizava a liberdade de mercado. Isso gerou tensões em relação a questões como a privatização de empresas estatais, a flexibilização das leis trabalhistas e a redução dos gastos públicos em áreas sociais (MONTAÑO, 2012). Nos anos seguintes, a implementação de políticas neoliberais no Brasil teve impactos na área social. A privatização de setores como energia, telecomunicações e infraestrutura resultou em mudanças na prestação de serviços essenciais, afetando muitas vezes negativamente os estratos mais vulneráveis da população. A busca por equilíbrio fiscal muitas vezes levou à redução de investimentos em áreas como saúde, educação e assistência social, comprometendo a qualidade desses serviços (MONTAÑO, 2012). A questão social, portanto, permaneceu como um desafio constante em meio à influência neoliberal. Enquanto a Constituição de 1988 buscava criar um sistema de proteção social abrangente, as políticas neoliberais favoreciam uma abordagem mais voltada para o mercado. O resultado foi uma constante tensão entre a promoção dos direitos sociais e as políticas de ajuste fiscal (MONTAÑO, 2012). Para você, futuro assistente social, é importante perceber que a Constituição Federal de 1988 estabeleceu um compromisso com a justiça social e os direitos fundamentais em um contexto de desigualdades profundas. No entanto, a crescente influência do neoliberalismo trouxe desafios para a efetivação desses princípios, gerando debates sobre a melhor maneira de conciliar o desenvolvimento econômico com a inclusão social. A interação entre a CF/88 e o neoliberalismo continua a moldar o cenário político e social do Brasil, destacando os efeitos dessa política econômica na questão social (MONTAÑO, 2012). REVISÃO DA UNIDADE Para essa aula, eu gostaria de conversar com você sobre a questão social e os desafios impostos pelo neoliberalismo. Como podem conviver, no mesmo ordenamento jurídico, uma Constituição Cidadã e políticas econômica neoliberais? Que tal fazermos essa discussão juntos e avaliar as contradições dessa lógica? Então assista ao vídeo a seguir. 16/04/2025, 13:45 wlldd_241_u3_que_soc_ser_soc https://www.colaboraread.com.br/integracaoAlgetec/index?usuarioEmail=junio2023oliveira%40gmail.com&usuarioNome=JUNIO+CESAR+DE+OLIVEIRA&disciplinaDescricao=&atividadeId=4379734&atividadeDes… 19/24 ESTUDO DE CASO Você é um assistente social dedicado e comprometido, trabalhando na prefeitura de uma cidade que enfrenta um crescente desafio de população em situação de rua. A cidade tem experimentado um aumento significativo no número de pessoas vivendo nas ruas, especialmente por conta da Pandemia de Covid-19. Muitas dessas pessoas estão enfrentando condições de extrema vulnerabilidade, incluindo falta de moradia adequada, acesso limitado a serviços básicos, problemas de saúde e exclusão social. Como assistente social, você reconhece a urgência de abordar essa questão de maneira abrangente e sustentável. A falta de moradia não apenas afeta a dignidade dessas pessoas, mas também tem ramificações sociais e econômicas para toda a comunidade. Portanto, você decidiu liderar a elaboração de uma política de moradias que possa enfrentar essa situação de maneira eficaz. Os desafios a serem enfrentados são: Escassez de recursos financeiros: a prefeitura enfrenta limitações orçamentárias, o que significa que a criação de moradias adequadas requer um planejamento cuidadoso e alocação eficiente de recursos para maximizar o impacto; Localização das moradias: encontrar locais apropriados para as novas moradias é um desafio. A disponibilidade de terrenos urbanos é limitada e pode haver resistência das comunidades locais em relação à proximidade de habitações para pessoas em situação de rua; Abordagem multidimensional: a questão das pessoas em situação de rua não envolve apenas moradia, mas também questões como saúde mental, empregabilidade, acesso a serviços sociais e reintegração na sociedade. Sua política de moradias deve ser integrada a outras políticas e aos serviços sociais; Participação da comunidade: é fundamental envolver a comunidade, incluindo moradores locais e organizações da sociedade civil, na concepção e implementação da política de moradias. Isso ajudará a criar um senso de propriedade e a superar possíveis resistências; Sustentabilidade a longo prazo: as moradias devem ser sustentáveis em termos econômicos, sociais e ambientais. A política precisa considerar a manutenção das moradias, a inclusão social das pessoas atendidas e o impacto ambiental. Sua tarefa é: Como assistente social encarregado dessa iniciativa, você enfrenta o desafio de elaborar uma política de moradias que aborde esses problemas de maneira holística e eficaz. Você deve buscar soluções criativas e práticas para garantir que as pessoas em situação de rua recebam moradias dignas e apoio para reconstruir suas vidas. Isso inclui a definição de critérios para a seleção de beneficiários, a colaboração com agências parceiras, a identificação de fontes de financiamento e a definição de metas realistas a curto e longo prazos. 16/04/2025, 13:45 wlldd_241_u3_que_soc_ser_soc https://www.colaboraread.com.br/integracaoAlgetec/index?usuarioEmail=junio2023oliveira%40gmail.com&usuarioNome=JUNIO+CESAR+DE+OLIVEIRA&disciplinaDescricao=&atividadeId=4379734&atividadeDes… 20/24 Reflita Políticas de moradia referem-se a um conjunto de estratégias, diretrizes e ações implementadas por governos, organizações e entidades, visando garantir o acesso adequado, seguro e digno à habitação para todos os membros da sociedade. Essas políticas podem abranger desde a criação de moradias de baixo custo, programas de aluguel social e financiamento habitacional acessível até iniciativas de reabilitação urbana e regularização de assentamentos informais. O objetivo principal das políticas de moradia é assegurar que a população tenha condições de viver em habitações que atendam a padrões mínimos de qualidade e conforto, contribuindo para a redução das desigualdades, a promoção do bem- estar social e o desenvolvimento sustentável das comunidades. Estudante, para a resolução desse estudo de caso, você deve considerar como integrar os esforços de várias partes interessadas, envolvendo comunidade, organizações não governamentais, agências governamentais e especialistas relevantes. Sua política de moradias deve refletir uma abordagem ética, sustentável e centrada no ser humano, abordando as necessidades individuais e coletivas das pessoas em situação de rua. Lidando com esses desafios, você tem a oportunidade de fazer uma diferença significativa na vida das pessoas e contribuir para a construção de uma cidade mais inclusiva, justa e solidária. RESOLUÇÃO DO ESTUDO DE CASO Diante do desafio complexo e urgente de lidar com a população em situação de rua em nossa cidade, proponho uma abordagem abrangente que englobe diversas dimensões e envolva múltiplos atores. A política de moradias que será desenvolvida busca não apenas oferecer abrigo, mas também promover a reintegração social e a dignidade das pessoas em situação de vulnerabilidade. As ações para resolver o estudo de caso consideram: Mapeamento eparcerias: iniciaremos com um mapeamento das áreas urbanas disponíveis para construção de moradias e estabeleceremos parcerias com organizações não governamentais, entidades acadêmicas e setor privado. Isso garantirá a colaboração de diversas partes interessadas na concepção e implementação da política; Habitação multifuncional: propomos a criação de habitações multifuncionais, que não se restrinjam apenas a abrigos, mas ofereçam espaços para capacitação, cuidados de saúde e serviços sociais. Isso permitirá às pessoas em situação de rua ter um ambiente seguro e a oportunidade de desenvolver habilidades para sua reinserção na sociedade; Participação comunitária: a comunidade local desempenha um papel crucial nesse processo. Realizaremos reuniões e fóruns para ouvir as preocupações e ideias dos moradores locais, esclarecendo o propósito e os benefícios da política de moradias. Isso ajudará a criar um ambiente de compreensão e apoio mútuo; 16/04/2025, 13:45 wlldd_241_u3_que_soc_ser_soc https://www.colaboraread.com.br/integracaoAlgetec/index?usuarioEmail=junio2023oliveira%40gmail.com&usuarioNome=JUNIO+CESAR+DE+OLIVEIRA&disciplinaDescricao=&atividadeId=4379734&atividadeDes… 21/24 Inclusão de serviços: as habitações serão projetadas para incorporar serviços básicos, como clínicas de saúde, salas de treinamento e assistência jurídica. Isso diminuirá as barreiras para acessar cuidados de saúde e programas de capacitação, tornando as moradias locais de apoio integral; Sustentabilidade financeira: buscaremos parcerias com investidores privados, assim como usaremos recursos governamentais e de agências internacionais, para garantir a viabilidade financeira da política a longo prazo. Isso nos permitirá expandir gradualmente a iniciativa e manter a qualidade dos serviços oferecidos; Acompanhamento e avaliação: implementaremos um sistema de monitoramento contínuo para avaliar a eficácia da política de moradias. Avaliações regulares permitirão ajustes conforme necessário, garantindo que a política permaneça alinhada às necessidades e aos objetivos da população; Educação e sensibilização: além disso, promoveremos campanhas de sensibilização pública para aumentar a compreensão e reduzir o estigma associado às pessoas em situação de rua. A educação será fundamental para criar uma cultura de respeito e solidariedade nesse contexto. Essa resolução busca enfrentar o desafio da população em situação de rua de maneira abrangente e humanitária. Ao envolver diversos atores e abordar as questões sociais e estruturais subjacentes, a política de moradias terá um impacto positivo duradouro, fornecendo não apenas um teto, mas também oportunidades para uma vida digna e integrada na sociedade. RESUMO VISUAL Figura 1 | Síntese dos conteúdos abordados durante os estudos 16/04/2025, 13:45 wlldd_241_u3_que_soc_ser_soc https://www.colaboraread.com.br/integracaoAlgetec/index?usuarioEmail=junio2023oliveira%40gmail.com&usuarioNome=JUNIO+CESAR+DE+OLIVEIRA&disciplinaDescricao=&atividadeId=4379734&atividadeDes… 22/24 Aula 1 ARREGUI, C. C. O debate sobre a produção de indicadores sociais alternativos: demandas por novas formas de quantificação. Serviço Social & Sociedade, n. 111, p. 529-554, jul. 2012. 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Aula 3 BECCENERI, L. B.; ALVES, H. P. F.; VAZQUEZ, D. A. Estratificação sócio-ocupacional e segregação espacial na metrópole de São Paulo nos anos 2000. Revista Brasileira de Estudos Urbanos e Regionais, v. 21, n. 1, p. 137, 2019. Disponível em: https://doi.org/10.22296/2317-1529.2019v21n1p137. Acesso em: 25 ago. 2023. DANTAS, J. G. T.; MICHELI, D. D. A favela onde moro: o território sob a perspectiva dos jovens. Ciência & Saúde Coletiva, v. 26, n. 7, p. 2769-2782, jul. 2021. Disponível em: https://www.scielo.br/j/csc/a/k9LtzBmFfsBYZ6LJn3qBSmF/#ModalHowcite. Acesso em: 25 ago. 2023. LEFEBVRE, H. O direito à cidade. São Paulo: Centauro, 2013. PENNA, C.; ROSA, M. C. Estado, movimentos e reforma agrária no Brasil: reflexões a partir do Incra*. Lua Nova: Revista de Cultura e Política, n. 95, p. 57-86, maio 2015. Disponível em: https://www.scielo.br/j/ln/a/8CWq6rS9tTqfFk9x4m7Hz3z/#ModalHowcite. Acesso em: 25 ago. 2023. Aula 4 BRASIL. Constituição de 1988. 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