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PMSUS D1 Iasmyn Balbi V. Miranda saturadas e estilo de vida sedentário; Fatores não modificáveis: idade, sexo masculino e história familiar de DCV; ANAMNESE É importante que, na avaliação, o profissional procure identificar os fatores de risco cardiovasculares que porventura existam; Na vigência de DCV estabelecida, como, por exemplo, infarto agudo do miocárdio (IAM), angina estável ou instável e AVC isquêmico (AVCi), o risco de um novo evento cardiovascular é elevado, havendo indicação de medidas específicas de prevenção secundária; Na ausência de tais condições, o profissional deve avaliar o RCV da pessoa, com a finalidade de definir quais são as medidas mais adequadas para reduzir a probabilidade de ocorrência de um evento cardiovascular; RISCO CARDIOVASCULAR GLOBAL O risco cardiovascular (RCV) deve ser avaliado de forma global, considerando todos os fatores de risco em conjunto, e não isoladamente. Embora alguns profissionais baseiem decisões apenas em exames laboratoriais, isso pode levar a erros, como superestimar o risco em casos leves ou o benefício de tratar um único fator. Por isso, é recomendável usar ferramentas específicas, como calculadoras de risco, para orientar decisões sobre iniciar medicações preventivas; Calculadoras de risco cardiovascular Há diversas calculadoras de risco cardiovascular (RCV), como Framingham, SCORE e QRISK3, criadas com base em populações estrangeiras, o que limita sua aplicabilidade a outras realidades, como a brasileira. Essas ferramentas não fornecem o risco individual exato, mas uma estimativa baseada em grupos com características semelhantes, normalmente para um período de 10 anos. A mais recomendada é o QRISK3, que considera fatores como doenças mentais, reumatológicas, uso de antipsicóticos e vulnerabilidade social. Seus resultados são apresentados de forma visual e comparativa, facilitando o entendimento do paciente. Esta calculadora é válida para estimar o risco apenas de pessoas que não OT 1Doenças cardiovasculares As DNC constituem o principal grupo de causa de morte em todo o mundo, sendo responsáveis por óbitos prematuros, perda de qualidade de vida, além de impactos econômicos e sociais adversos. As DNC são responsáveis por cerca de 70% das mortes globais, equivalendo a mais de 38 milhões de óbitos por ano, excedendo significativamente as mortes por causas externas e por doenças infecciosas; CLASSIFICAÇÃO DA PREVENÇÃO Os termos prevenção primária e prevenção secundária que mais utilizamos são segundo o modelo de Geoffrey Rose. Além disso, Rose também divide as estratégias preventivas entre estratégias populacionais e estratégias para indivíduos de alto risco; Estratégias preventivas populacionais: possui efeito maior do que as estratégias focadas em indivíduos de alto risco. Isso ocorre pois, com tais intervenções, a média de risco da população como um todo é reduzida. Apesar de mais efetiva de maneira coletiva, é difícil medir o efeito desse tipo de intervenção individualmente. Exemplos de estratégias preventivas populacionais são o incentivo à mudança cultural para adoção de um estilo de vida mais saudável, a redução de desigualdades sociais, a regulação da indústria alimentícia e a criação de locais como parques e praças onde as pessoas possam se exercitar; É importante para que o profissional tenha consciência crítica sobre o impacto potencial dos diferentes tipos de intervenções. Distorções ocorrem quando medidas originalmente focadas em indivíduos de alto risco são extrapoladas para aplicação populacional, e vice-versa; FATORES DE RISCO PARA DOENÇA CARDIOVASCULAR Fatores modificáveis: tabagismo, HAS, colesterol elevado, DM, obesidade, consumo elevado de álcool, vulnerabilidade social, alto consumo de gorduras IASMYN BALBI PMSUS contexto individual, pode-se sugerir que a pessoa tente adaptar sua dieta aos princípios de uma alimentação balanceada, focando em produtos integrais, vegetais, frutas e peixe e evitando alimentos que contenham gorduras saturadas, açúcares refinados e alimentos processados. Recomenda-se atividade física aeróbica moderada durante pelo menos 150 minutos por semana. Orientar cessação do tabagismo. Orientar manter o IMC adequado para sua faixa etária. É recomendado que a pessoa evite o consumo de álcool superior a 20 g por dia no caso dos homens, e de 10 g por dia no caso das mulheres; Medicação Prevenção primária - A medicação de escolha para prevenção primária de eventos cardiovasculares é a estatina. Quanto maior o RCV estimado, maior a chance de haver benefício com o uso da estatina. Não existe consenso a respeito do limiar a partir do qual deve ser discutida a prescrição de estatina, mas a maioria dos protocolos recomenda considerar para pessoas com risco de evento cardiovascular de 10% ou mais em 10 anos. O USPSTF sugere que isso seja feito caso, além do valor de RCV global, a pessoa apresente pelo menos um fator de risco cardiovascular. Para além de um número a partir do qual iniciar estatina, é mais importante conhecer os valores e opiniões da pessoa, dando tempo, se necessário, para a adequada tomada de decisão. Antes de iniciar o uso de estatinas, é importante incentivar mudanças no estilo de vida e otimizar o controle de outros fatores de risco cardiovascular. Caso essas medidas não sejam eficazes, pode-se iniciar tratamento, como com sinvastatina (10 a 40 mg à noite). Os efeitos adversos mais comuns incluem mialgia, elevação de transaminases hepáticas e glicemia. Eventos graves, como rabdomiólise e falência hepática, são raros. A mialgia pode afetar de 5 a 10% dos usuários e costuma melhorar com suspensão ou ajuste da medicação. Transaminases devem ser monitoradas conforme o quadro clínico, e a medicação só é suspensa se os níveis estiverem três vezes acima do normal. Embora haja leve aumento no risco de diabetes, os benefícios da estatina superam os riscos na maioria dos casos. A calculadora QRISK3 estima o risco até os 84 anos; após essa idade, o risco se eleva apenas pela idade, o que dificulta decisões para prevenção primária. Em pessoas acima dos 75 anos, a indicação deve ser avaliada individualmente, considerando riscos, benefícios e preferências do paciente. Quanto ao AAS, a FDA não recomenda seu uso para prevenção primária de eventos cardiovasculares por falta de evidências sólidas, o que também é reforçado por outras instituições, que não indicam seu uso rotineiro com essa finalidade. têm ou tiveram doença cardíaca estabelecida (infarto ou angina) nem AVC ou ataque isquêmico transitório (AIT); O U.S. Preventive Services Task Force (USPSTF) não encontrou evidências de que há benefício em se realizar esta avaliação em indivíduos saudáveis com idade entre 21 e 39 anos, e a European Society of Cardiology não recomenda a avaliação de RCV de forma sistemática em homens com menos de 40 anos ou mulheres com menos de 50 anos que não apresentem fatores de risco cardiovasculares conhecidos; EXAME FÍSICO O exame físico é capaz de fornecer dados relevantes para avaliar fatores de risco ou DCVs. Por exemplo: pressão arterial (pode ser fator de confusão devido a síndrome do jaleco branco), IMC e circunferência abdominal ( para a população geral masculina écardíaca (1,5%), AVC (1,3%), febre reumática (2,9%) e doença de Chagas (0,4%). A saúde cardiovascular ideal foi inferior a 1% da população, especialmente em homens, idosos e residentes do sul do país – um cenário semelhante ao de outros países do Cone Sul e dos EUA. Em 2019, cerca de 13 milhões de brasileiros tinham DCV, sendo 51% homens. A prevalência caiu entre idosos, mas subiu entre pessoas de 15 a 49 anos. Apesar da significativa redução da taxa de mortalidade por doenças cardiovasculares (DCV) no Brasil entre 1990 e 2021 (de 348,5 para 162,2 mortes por 100 mil habitantes, queda de 53,5%), o número absoluto de óbitos aumentou devido ao envelhecimento e crescimento populacional. A taxa de mortalidade foi consistentemente mais alta entre homens, com uma redução proporcional maior entre as mulheres. A pandemia de COVID-19 impactou esse cenário: em 2021, doenças infecciosas superaram as DCV como principal causa de morte no Brasil, com 486.667 óbitos (27% do total), enquanto as DCV causaram 382.507 mortes (21%). Além disso, o número de admissões hospitalares por DCV diminuiu nesse período devido a hipóteses como aumento do número de mortes cardiovasculares fora do hospital, redução da busca por assistência médica e admissão hospitalar com concomitância de DCV e COVID-19 registrada como diagnóstico primário; Houve grande variação regional nas taxas de mortalidade por DCV. Estados como Maranhão, Roraima e Amapá apresentaram as maiores taxas, enquanto estados como Amazonas, Rio Grande do Sul e Santa Catarina, as menores. Fatores como qualidade dos registros, acesso a cuidados de saúde e desenvolvimento socioeconômico explicam essas diferenças. Estudos mostram associação entre melhores condições socioeconômicas (maior IDH, renda, educação, acesso à saúde suplementar e cobertura do Programa Saúde da Família) e menores taxas de mortalidade por DCV. A desigualdade regional foi evidente: as regiões Sul e Sudeste apresentaram reduções acentuadas nas taxas, enquanto Norte e Nordeste tiveram aumentos ou reduções mais lentas. Por fim, fatores ambientais, como temperaturas extremas, também influenciaram a mortalidade cardiovascular, com maior risco de morte associado tanto ao frio intenso quanto ao calor extremo em diversas regiões do país. As DCV não apenas impactam a mortalidade populacional ou reduzem a expectativa de vida, mas também causam incapacidade, dessa forma alongando o período em que um indivíduo afetado se torna improdutivo ou dependente dos outros Prevenção secundária - são recomendadas orientações para mudanças de estilo de vida semelhantes às descritas, bem como terapia medicamentosa adjuvante para controle de outros fatores de risco; IAM - são indicadas medidas como o uso contínuo de AAS, dupla terapia antiplaquetária (associar AAS + clopidogrel, prasugrel ou ticagrelor por 12 meses em caso de colocação de stents), estatina, IECA ou BRA se houver intolerância (indicado para casos específicos como pacientes com IC, DDM, HAS e doença renal crônica) e Betabloqueador por 12 meses. AVC/AIT - há indicação de tratamento com estatina e terapia antiplaquetária. Para terapia antiplaquetária, clopidogrel ou a combinação de AAS com dipiridamol de liberação prolongada parecem ser melhores do que o uso isolado de AAS; QUANDO REFERENCIAR Pessoas após evento cardiovascular ou cerebrovascular recente podem se beneficiar de avaliação em serviços de média complexidade, especificamente para reabilitação cardíaca, quando indicado, e para reabilitação motora, em casos de AVC. Após o período de reabilitação, tais pessoas podem e devem retomar seu acompanhamento regular na APS, trazendo consigo contrarreferência acerca do plano estabelecido no outro nível de atenção; A longitudinalidade oferece a possibilidade de realizar atividades de promoção à saúde oportunisticamente durante a consulta para indivíduos de baixo RCV. No contexto de prática clínica, é pouco provável que o profissional médico isoladamente consiga realizar todas as orientações necessárias a respeito de medidas preventivas. Portanto, é importante que esta responsabilidade seja compartilhada com outros integrantes da equipe; EPIDEMIOLOGIA Para o GBD, a definição de DCV total engloba dez doenças: cardiopatia reumática, DAC, doença cerebrovascular, cardiopatia hipertensiva, cardiomiopatia, miocardite, fibrilação e flutter atrial, aneurisma aórtico, doença vascular periférica e endocardite; A prevalência de doenças cardiovasculares (DCV) aumenta com a idade, com diferenças entre os sexos ao longo da vida. Em crianças menores de 5 anos, há maior diferença entre meninos e meninas; dos 5 aos 44 anos, a prevalência é maior em mulheres, e após os 44 necessárias na série temporal; Devido à redução na tendência de queda da mortalidade por DCV padronizada por idade nos últimos 5 anos, novas estratégias para enfrentar a mortalidade por DCV devem ser estudadas. É fundamental que se compreendam os motivos para tal redução para que se implementem políticas efetivas, em particular ante o envelhecimento da população, o que vai aumentar o número de indivíduos com DCV no país; para realizar suas atividades cotidianas. Ademais, indivíduos podem perder sua capacidade de produção econômica; O SIM, implementado em 1975, é uma ferramenta essencial para monitorar as estatísticas de mortalidade no Brasil, pois o registro de todas as mortes é obrigatório nas UF. O índice de usabilidade da OMS para o SIM é alto, indicando que a informação proveniente do SIM é útil para análise, embora algumas correções de dados possam ser DOR TORÁCICA ISQUÊMICA É uma das manifestações mais comuns da DAC e tem algumas características clínicas importantes: uma dor ou desconforto em região retroesternal, tórax, epigástrio, mandíbula, ombro, dorso ou membros superiores. Normalmente se inicia ou piora com esforço físico e é atenuada com repouso ou uso de nitroglicerina e derivados. O Quadro 158.1 apresenta uma classificação simples e bastante utilizada da dor torácica e que se correlaciona com a probabilidade do paciente apresentar doença coronariana; Na prática, muitos pacientes usam termos geralmente não aceitos na descrição tradicional de angina. Em um estudo qualitativo, dois terços dos pacientes relataram dispneia aos esforços. Também eram utilizados termos vagos, eufemismos, e alguns pacientes simplesmente tinham dificuldade de descrever seus sintomas. Isso reforça a necessidade do médico de família escutar o que a pessoa fala e prestar atenção em equivalentes anginosos, como dispneia e sintomas digestivos; A dor torácica isquêmica pode ser classificada como: Angina estável. Dor com as características já mencionadas, que ocorre com esforços semelhantes. É importante classificar a gravidade da angina. Em geral, é utilizada a classificação da Sociedade de Cardiologia Canadense (CCS) OT 2Dor torácica, angina e iam DOR TORÁCICA Existem diversas causas para a dor torácica, sendo que essa queixa pode gerar ansiedade tanto no médico quanto na pessoa atendida, especialmente pela preocupação com alguma causa cardíaca para a dor; É papel do médico identificar as pessoas que possam ter causa mais grave de dor em meio a diversas possibilidades, sem, no entanto, incorrer em exames desnecessários e sem causar ansiedade indevida na pessoa. Para isso, deve considerar a prevalência das etiologias de dor torácica na sua população e levar em conta os dados demográficos e os achados durante a consulta (anamnese; fatores de risco do paciente; exame físico; exames complementares), para, então, utilizar um raciocínio bayesiano e estimar a probabilidade pós-teste do diagnóstico; IASMYN BALBI PMSUS com a atuação do médico e também se a dor está causando prejuízo na sua funcionalidade; Exame físico - Ele pode ser normal em pacientes com angina estável, porém pode ajudar no diagnóstico diferencial. Deve-se atentar para as causas mais comuns ou mais graves de dor torácica; portanto, é importante realizar palpação de musculatura e estruturas da parede torácica, principalmente propedêutica cardíacae pulmonar. A palpação da parede torácica identificando ponto doloroso que reproduz a dor do paciente é muito sugestiva de causa musculoesquelética para a dor; A ausculta pulmonar alterada, com estertores localizados e egofonia, além da presença de febre, apontam para uma pneumonia; A dor tipo pleurítica aponta contra causa cardíaca para dor, devendo-se pensar em causa pulmonar; A presença de hipotensão, galope de S3 na ausculta cardíaca e dor que irradia para os dois braços sugere IAM; Após exame físico e anamnese, o médico de família e comunidade deverá: Avaliar se a probabilidade pré-teste de DAC é baixa ( 90%); Classificar a dor torácica se esta for de origem isquêmica utilizando a classificação CCS; Exames complementares - O diagnóstico de angina é predominantemente clínico, porém exames complementares podem ajudar no diagnóstico, investigar diferenciais e também avaliar o prognóstico. Podem ser: ECG (um ECG normal não exclui a hipótese de DAC), radiografia torácica (principal finalidade de investigar diagnósticos diferenciais, como patologias), teste ergométrico, ecocardiograma, cintilografia de perfusão miocárdica e angiografia coronariana (CATE - é um exame invasivo quee deve ser considerado em casos especiais); TRATAMENTO Síndrome coronariana aguda - é principalmente hospitalar, porém o médico de família tem papel importante em iniciar o manejo adequado do caso. Para o paciente que se apresenta ao médico durante um episódio de dor com grande probabilidade de origem isquêmica, é importante: Angina instável (AI). Um quadro intermediário entre angina estável e infarto. A Tabela 158.6 apresenta três possíveis apresentações de AI. O reconhecimento de AI é importante, pois o manejo será semelhante ao manejo das síndromes coronarianas agudas (SCAs), e o paciente apresenta alto risco para um evento isquêmico mais grave; Infarto agudo do miocárdio (IAM). O que diferencia um IAM de um quadro de AI é a necrose miocárdica que ocorre no IAM, nem sempre sendo possível fazer a diferenciação clínica, embora a dor no IAM em geral seja mais intensa, às vezes associada à instabilidade hemodinâmica e com duração maior; SCAs. Utiliza-se este termo para designar diferentes estados isquêmicos: AI, infarto do miocárdio sem supradesnivelamento do segmento ST (IAMSSST) e infarto do miocárdio com supradesnivelamento do segmento ST (IAMCSST); É muito difícil distinguir clinicamente AI de IAMSSST, sendo necessário avaliar os marcadores de necrose miocárdica, como troponina e isoenzima MB da creatinocinase (CK-MB); O QUE FAZER Nos casos em que a pessoa se apresenta ao médico durante um episódio de dor torácica, é importante realizar uma avaliação rápida, procurando sinais de gravidade ou instabilidade hemodinâmica. Se o médico suspeitar de uma SCA, o paciente deverá ser levado à sala de emergência, ser monitorado e prontamente referenciado ao serviço de emergência; Nos demais casos, o médico deve estimar a probabilidade de a pessoa apresentar DAC com dados de anamnese e exame físico; Anamnese - É importante dedicar algum tempo para investigar a característica da dor (qualidade, localização, irradiação, duração, fatores desencadeantes, fatores de alívio e sintomas associados) e fatores de risco para doença cardiovascular (HAS, DM, tabagismo, histórico de DCV precoce na família e histórico pessoal prévio de DCV). Por fim, é importante, em várias consultas, abordar a experiência da pessoa com a doença, suas preocupações, o que ela acredita que possa ser a causa da dor, sua expectativa na consulta e ventricular, IC e/ou DM, betabloqueadores para pacientes com disfunção ventricular ou pós IAM e tratamento dos fatores de risco associados como HAS e DM; Tratamento invasivo - A escolha do tratamento invasivo é complexa e deve levar em conta os valores do paciente e a percepção dos riscos e benefícios terapêuticos, em conjunto com a equipe especializada neste tipo de terapia. A revascularização coronariana ou a intervenção coronariana percutânea (ICP) podem ser consideradas para alívio sintomático em pacientes cujos sintomas de angina não estão controlados, apesar de tratamento clínico otimizado. A ICP não oferece benefícios na prevenção de desfechos quando comparada com tratamento clínico otimizado. Alguns subgrupos de pacientes, com doença triarterial e do tronco de coronária esquerda, podem ter o benefício de sobrevivência com a revascularização direta; Dor torácica não cardíaca - deve ser manejada de acordo com a principal hipótese diagnóstica, que, muitas vezes, pode ser feita após anamnese e exame físico. Fazer o exame físico adequado pode apontar para causas frequentes de dor torácica, como causas musculoesqueléticas; QUANDO REFERENCIAR Suspeita ou diagnóstico de SCA (ao serviço de emergência); Paciente ainda sintomático, mesmo com tratamento clínico otimizado ou impossibilidade de uso das medicações por efeito colateral ou contraindicação; Necessidade de estratificação de risco após evento agudo (quando não foi realizado no serviço de urgência); Suspeita de cardiopatia isquêmica se houver impossibilidade de investigação com exames não invasivos; PROGNÓSTICO Com terapia medicamentosa e modificação de estilo de vida, é esperada uma redução importante dos sintomas de angina. Porém, estes pacientes continuam tendo um alto risco de novo evento cardiovascular, bem como maior risco de desenvolver IC devido aos fatores de risco associados à DAC ou a suas complicações, como IAM; EQUIPE MULTIPROFISSIONAL O enfermeiro tem o papel de cuidado ao paciente com angina, ajudando na adesão ao tratamento; no controle de fatores de risco e na orientação de MEV. Grupos de tabagismo presentes em unidades de saúde podem contribuir na cessação do tabagismo. Outros profissionais, como educador físico e fisioterapeuta, podem auxiliar o paciente com reabilitação cardíaca baseada em exercícios; Monitorar sinais vitais, como pressão arterial (PA), frequência cardíaca e saturação de oxigênio. Obter um ECG durante a dor, se possível. Oferecer 300 mg de ácido acetilsalicílico (AAS) o mais rápido possível, a não ser que existam evidências claras de que a pessoa é alérgica ao AAS. Angina estável - o tratamento tem dois objetivos, controlar os sintomas e prevenir novos eventos cardiovasculares. O tratamento otimizado consiste em uma ou duas medicações antianginosas, conforme necessário, associado a medidas para prevenção secundária de DCV. O tratamento não medicamentoso inclui cessação do tabagismo, perda de peso em indivíduos obesos, dieta saudável e cardioprotetora e exercício físico regular. O tratamento medicamentoso pode ser feito com betabloqueadores (propanolol, atenolol, metoprolol e carvedilol - são primeira escolha), BCC di-hidropiridínicos (amlodipina e nifedipina), BCC não di-hidropiridínicos (diltiazem e verapamil), IECA (enalapril e captopril), antiplaquuetários (AAS, clopidogrel e triclopidina), estatinas (sinvastatina, atorvastatina, pravastatina e rosuvastatina) e nitratos (dinitrato de isossorbida, mononitrato de isossorbida e dinitrato de isossorbida sublingual); Para reduzir sintomas de angina: nitratos de curta duração via sublingual ou spray, betabloqueadores, BCC como segunda opção associados ou não aos betabloqueadores, nitratos de longa duração caso o paciente mantenha os sintomas ou apresente contraindicações as outras terapias de primeira escolha. Existem alternativas não disponíveis no sistema público, como ivabradina, trimetazidina e ranozalina; Para prevenção secundária: antiagregantes plaquetários e estatinas, IECA são recomendados para pacientes com disfunção desfechos duros e mortalidade hospitalar nos estudos ACCEPT e BRACE; Algumas publicações, descritas em detalhe na versão 2021 da Estatística Cardiovascular - Brasil,4 relataram o sucesso de algumas estratégias, como incorporação de telemedicina, para melhorar a qualidade do cuidado na SCA (por exemplo, aumento na taxa de terapia de reperfusão e do uso de antiagregantes plaquetários e estatinas, alémde redução da mortalidade hospitalar); A implementação do SAMU, o serviço brasileiro de ambulância, reduziu levemente a taxa de mortalidade por IAM (OR = 0,967 [IC 95%, 0,936- 0,998]) e a mortalidade hospitalar por IAM (OR = 0,914 [IC 95%, 0,845-0,986]) de 2008 a 2016 em Minas Gerais. Indicadores de desempenho: uso precoce de ácido acetilsalicílico; ácido acetilsalicílico na alta; inibidor da enzima de conversão da angiotensina ou bloqueador do receptor de angiotensina na alta para pacientes com fração de ejeção ventricular esquerdafluxo sanguíneo que leva a sintomas neurológicos que persistem por 24 horas ou menos. É um sinal de que pode ocorrer um AVC no futuro, servindo, portanto, como sinal de alerta; Embora haja uma evolução no manejo clínico e cirúrgico da doença cerebrovascular, a prevenção ainda é a estratégia mais efetiva na redução da sua morbimortalidade. É papel fundamental do médico de família e comunidade conhecer todas as ferramentas disponíveis para seu manejo, em toda sua integralidade. Entre as ações preventivas, deve- se identificar precocemente e manejar os fatores de risco a essa condição, como hipertensão arterial sistêmica (HAS), dislipidemia, diabetes, doença coronariana, tabagismo e fibrilação atrial (FA); A doença cerebrovascular é uma das doenças neurológicas mais comumente vistas por médicos de atenção primária à saúde (APS) no mundo. Além de fazer a prevenção primária e acompanhar os casos crônicos, com prevenção secundária e manejo das complicações, o médico de APS costuma deparar-se com eventos cerebrovasculares agudos. O reconhecimento do AVC é de extrema importância, considerando que se trata de uma doença tempo- dependente. Cabe ao médico da APS fazer a hipótese diagnóstica, estabilizar e encaminhar o paciente para centros de tratamento habilitados no manejo da fase IASMYN BALBI PMSUS Na hemorragia subaracnoide (HSA), há sinais relacionados a uma disfunção cerebral mais difusa e à irritação das meninges. Costuma ocorrer cefaleia de forte intensidade e de início súbito; O instrumento FAST (face [rosto], arm [braço] and speech [fala] test) foi desenvolvido na Inglaterra com vistas a facilitar a identificação do AVC por paramédicos que trabalham em ambulâncias. Um estudo demonstrou que a simples adição da ataxia ou alterações visuais ao FAST aumentou a sensibilidade desse teste de 61% para cerca de 80% para o AVC de circulação posterior; No Brasil, a campanha “FAST” do mundo anglo-saxão vem sendo divulgada com o slogan “Sorria, Abrace, cante uma Música, Urgente: ligue SAMU 192”. Esse teste considera a simetria da face e a força nos membros superiores (MMSS), além da avaliação da fala. O comprometimento de ao menos 2 dos 3 itens avaliados confere sensibilidade de 88 a 89% para os AVCs da circulação anterior, e o paciente deve ser encaminhado com urgência para um Centro de Referência para o Atendimento do paciente com AVC mais próximo; EXAME FÍSICO O exame físico deve focar nos sistemas cardiovascular e neurológico, buscando sinais de doença cardíaca, vascular periférica ou alterações neurológicas (paresia, anestesia). Sinais vitais importantes: PA: geralmente elevada em hemorragia intraparenquimatosa. Temperatura: hipo ou hipertermia podem estar relacionadas a eventos como convulsões ou síncopes. FR: alterações sugerem lesão no centro respiratório. FC: pode revelar arritmias (como fibrilação atrial) ou bradicardia, ambas associadas a baixo fluxo cerebral. Avaliação cardíaca: Ausculta para detectar alterações do ritmo (ex: FA) ou sopros, que ajudam a identificar a causa do AVC. Avaliação das carótidas: Buscar sopros carotídeos, que podem indicar estenose, dilatação arterial ou fístulas arteriovenosas. Exame motor: Avaliar movimentos espontâneos e com resistência (força muscular). Verificar limitações de movimento e grau de comprometimento. Tônus muscular: Avaliado por inspeção, palpação e mobilização passiva. presença de comunicação interatrial; ANATOMIA CEREBROVASCULAR Cerca de 80% da irrigação cerebral provém do sistema carotídeo (circulação anterior), enquanto os 20% restantes são alimentados pelo sistema vertebrobasilar (circulação posterior). Essa também é a frequência aproximada da distribuição dos eventos cerebrovasculares agudos. Portanto, um trombo intracardíaco costuma alojar-se mais frequentemente nos ramos distais da circulação anterior, pelo maior aporte sanguíneo; DIAGNÓSTICO DO AVC E DO AIT Apenas cerca da metade dos casos de AVC agudo cursam com hemiparesia evidente (força ≤ grau III = não vence a força da gravidade), facilmente observada pelo paciente ou seu familiar. Outros 25% terão apenas leve a moderada paresia facial e/ou hemiparesia (força grau IV = vence a gravidade). O quarto restante dos pacientes não terá qualquer perda de força; ANAMNESE O AIT é caracterizado por uma instalação rápida de um déficit neurológico, com duração entre 2 a 15 minutos e não mais de 24 horas, tendo recuperação completa após esse período. O quadro clínico depende da área cerebral acometida, um sintoma frequente na apresentação clínica do AIT é a amaurose fugaz uniocular; No AVC, o quadro clínico persiste por um período maior de tempo e, na maioria das vezes, ocorre algum tipo de sequela neurológica. Os sinais e os sintomas são também dependentes de qual artéria cerebral sofreu lesão; Se a lesão ocorre no território carotídeo, os principais sinais e sintomas são disfasia, hemiparesia, dislexia, hemianopsia, distúrbio de consciência, distúrbio de comportamento ou de conduta e cefaleia. Quando a lesão atinge o território vertebrobasilar, aparecem ataxia, vertigem, distúrbio visual, disfagia, cefaleia, distúrbios respiratório e de consciência; Na hemorragia intraparenquimatosa, além das alterações neurológicas, há cefaleia, náuseas, vômitos, redução do nível de consciência e níveis pressóricos elevados; EXAMES COMPLEMENTARES O AVCi pode apresentar-se clinicamente igual ao AVCh. Para se iniciar um tratamento específico, é preciso solicitar exames complementares para conseguir fazer o diagnóstico diferencial; A tomografia computadorizada (TC) de crânio deve ser feita em todas as pessoas com suspeita de AVC. Esse exame é de fácil e de rápida realização e pode afastar outros possíveis diagnósticos, como neoplasias, diferenciando um evento hemorrágico de um isquêmico; A ressonância magnética (RM) de crânio não é indicada de rotina devido ao maior tempo para a sua realização e ao maior custo; O exame do líquido cerebrospinal (LCS) pode ser realizado na suspeita de HSA com TC de crânio normal; Alguns exames laboratoriais podem ser solicitados para exclusão de diagnósticos diferenciais, orientação terapêutica e identificação de fatores de risco para doença cerebrovascular, como hemograma (anemia, processos infecciosos), glicemia (diabetes melito [DM], hipoglicemia), ureia, creatinina (Cr), sódio, potássio (estados epilépticos por distúrbios hidreletrolíticos), fatores de coagulação (estados de hiper ou hipocoagulabilidade), níveis de álcool no sangue, gasometria (se suspeita de hipoxemia). Mais raramente, hipertireoidismo pode causar AVC cardioembólico por induzir arritmias, inclusive fibrilação atrial. Por esse motivo, a investigação deve incluir também o hormônio estimulante da tireoide (TSH, do inglês thyroid-stimulating hormone) sérico; Outros exames podem ser solicitados para auxiliar na investigação de provável mecanismo de ocorrência do AVC: o eco cardiograma Doppler transtorácico, o transesofágico e o eletrocardiograma (ECG) de 24 horas, que auxiliam na identificação de um fenômeno cardioembólico; A ultrassonografia Doppler de artérias carótidas e vertebrais, a angioressonância e a angiotomografia podem identificar alterações que levem à trombose em grandes vasos; A angiografia cerebral é realizada apenas em casos selecionados devido ao risco inerente ao procedimento. Pode ser realizada nos casos de AVCi; CLASSIFICAÇÃO ETIOLÓGICA DO AVC E DO AIT Cerca de 85% de todos os AVCs são isquêmicos, enquanto os outros 15% são hemorrágicos; AVC isquêmico A etiologia do AVCi é classificada pelos critérios TOAST em cardioembólico, aterotrombótico, Hemiplegia costuma causar espasticidade (hipertonia piramidal), com predomínio nos extensores dos membros inferiores e flexores dos superiores. Reflexos profundos: Como o aquileu e patelar, tendem a estar exacerbados (hiper-reflexia) após AVC, por lesão da via piramidal; No contexto da suspeita de AVC agudo, o benefício do tratamento de reperfusão é tempo-dependente, portanto o exame neurológico deve ser breve o suficiente apenas para pressuporesse diagnóstico, já que o paciente deve ser encaminhado imediatamente à emergência local capacitada para o atendimento; Buscando otimizar o tempo de atendimento, utilizam-se escalas para a avaliação de gravidade e acompanhamento da evolução clínica do AVC, sendo a mais aplicada a National Institutes of Health Stroke Scale (NIHSS). Essa escala foi desenvolvida para ser aplicada rapidamente, em 5 a 8 minutos, e sua pontuação pode variar de 0 a 42, consistindo em um exame neurológico abreviado. Baseia- se em 11 itens do exame neurológico que são frequentemente afetados pelo AVC: nível de consciência, desvio ocular, paresia facial, linguagem (capacidade de compreensão e expressão), articulação da fala (fala “enrolada” ou “arrastada”), extinção/desatenção, ataxia (provas do índex-nariz e calcanhar-joelho), função motora e sensitiva dos membros. Essa escala é comumente aplicada pelo médico neurologista no momento da chegada do paciente no hospital de referência, mas pela sua facilidade na execução pode ser realizada pelo médico da APS antes do encaminhamento para o hospital terciário, caso não atrase o processo de transferência; É importante repetir o exame neurológico nas consultas médicas para definir o grau de sequela e funcionalidade pós-AVC. Dentro disso, a escala de Rankin modificada é a mais utilizada, variando de 0 a 6. Quanto maior o grau, pior a funcionalidade; cerebral, vasculites, transformação hemorrágica do AVCi; DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL Os quadros clínicos como síncope, paralisia de toda a hemiface (Bell), vertigem e confusão mental quando se apresentam de forma isolada dificilmente serão uma manifestação de um evento cerebrovascular agudo. Quando esses sintomas estiverem presentes, deve-se testar força nos quatro membros e movimentação ocular e excluir ataxia. Persistindo a dúvida, sobretudo em pacientes de alto risco para AVC, deve-se encaminhar o paciente à emergência neurológica; CONDUTA A abordagem após um AVC/AIT deve ser multidisciplinar e integrada entre hospital, equipe de saúde da família, paciente e cuidadores. O planejamento da alta hospitalar deve ser antecipado para garantir uma transição segura e eficiente para o domicílio, reduzindo riscos de reinternação; No hospital, deve haver contato entre médicos e serviço social com a equipe de saúde da família, para compartilhar informações sobre o estado do paciente e organizar recursos como transporte e equipamentos de apoio (muletas, cadeiras de rodas); A equipe de saúde da família deve: Conhecer o histórico clínico e social do paciente e sua família; Avaliar a rede de apoio (familiar e técnica), condições do domicílio e barreiras arquitetônicas; Identificar necessidades socioeconômicas e garantir acesso aos serviços (fisioterapia, enfermagem, nutrição, fonoaudiologia etc.); A família/cuidador(es) deve receber orientação clara sobre o diagnóstico, prognóstico e cuidados, sendo ativa no processo de recuperação; Tratamento individual inclui ações preventivas e lacunar, outras etiologias e indeterminado; Cardioembólico, aterotrombótico e lacunar representam cerca de 30% cada. Outros/indeterminados: 10%; Aterotrombótico - é definido como estenose >50% de grandes vasos ou placas complexas na aorta. A doença carotídea é a causa mais comum. Estenoses graves (>70%) prejudicam a autorregulação cerebral. AVCs em território repetido e sintomas como amaurose sugerem doença carotídea. Circulação posterior: pode haver embolia de artéria basilar dolicoectásica; Cardioembólico - são decorrentes de oclusão de vaso cerebral por êmbolos provenientes do coração. As principais causas são Fibrilação atrial não valvar (50%), Trombo mural ventricular esquerdo (30%), Doença valvar cardíaca (20%). AVCs por FA são mais graves. Holter pode detectar FA intermitente se não evidente; Lacunar (pequenos vasos) - A doença de pequenos vasos é causada por lipo- hialinose (infiltração de gordura na camada média) de vasos com 0,3 a 3 mm de diâmetro, provocando lacunas que, por definição, são isquemias profundas (núcleos da base, tálamo, coroa radiada, cápsula interna e tronco encefálico) de até 1,5 cm de diâmetro. Associadas a leucoaraiose e declínio cognitivo (síndrome microvascular frontossubcortical geriátrica); Outras Etiologias e Indeterminado - investigação mais comum em pacientes jovens (fisioterapia e suporte psicossocial; Função urinária e intestinal: comuns as alterações como retenção (nesses casos, é necessário, muitas vezes, o uso de cateteres de alívio ou de sondas vesicais de demora), incontinência e constipação (o mais importante é uma oferta adequada de fibras e líquidos. Pode-se utilizar os amaciantes das fezes, como bisacodil/docusato sódico). Exigem manejo multidisciplinar; Trombose venosa profunda: risco aumentado no pós-AVC; meias elásticas não são recomendadas pelo risco aumentado de lesões de pele, com poucos, ou nenhum benefício na mortalidade; Úlceras de pressão: é necessário que a pessoa seja reposicionada a cada 2 horas e seja feita a manutenção da pele, mantendo-a sempre seca e limpa; Quedas: comuns após o AVC; prevenção com ajustes no ambiente e uso da escala de equilíbrio de Berg; Cognição: déficits devem ser avaliados com instrumentos específicos; estímulos cognitivos são recomendados, estimule leituras (se for o caso), jogos de memória, etc., ajudas externas (diários, listas, calendários etc.) e estratégias ambientais (p. ex., rotinas); Comunicação: alterações devem ser monitoradas e, se necessário, encaminhadas à fonoaudiologia; Nutrição: avaliação inicial e periódica; em casos de desnutrição, recomenda-se dieta hiperproteica/hipercalórica e estilo mediterrâneo; Deglutição: não há benefício em modificar a consistência da dieta, mas realizar exercícios de deglutição, acupuntura ou estratégias para proteções da via aérea, como a rotação da cabeça, pode melhorar a deglutição. O uso de sondas é indicado quando a pessoa não consegue manter uma adequada ingesta calórica oral ou de líquidos suficientes para suprir suas necessidades nutricionais; Visão: é necessária a avaliação da visão, aproximadamente 30% das pessoas Estudos observacionais e ensaios clínicos demonstram que uma dieta rica em verduras e frutas, como a dieta DASH, reduz o risco de AVC. Em grupos mais específicos, como negros, hipertensos e pessoas de meia-idade ou idosas, esse tipo de ingesta é recomendado, pois são mais sensíveis aos efeitos da redução do sal; Entre as pessoas com sobrepeso ou obesas, recomenda-se a redução do peso, como forma de reduzir o risco de AVC; Na prevenção secundária do AVC cuja etiologia é aterotrombótica, o uso de estatina é mandatório; Estratégias de rastreamento e de aconselhamento sobre a cessação ou a redução do consumo de álcool em consumidores pesados. Em pessoas que consomem moderadamente álcool, recomendam- se ≤ 2 doses/dia para os homens e ≤ 1 dose/dia para mulheres não grávidas; Referenciar aos locais especializados para o pronto tratamento do uso abusivo de drogas; Infecção e inflamação estão relacionadas a AVC porque infecções agudas (p. ex., influenza) podem induzir eventos cerebrovasculares, por meio de mecanismos que incluem indução de reagentes procoagulantes de fase aguda (p. ex., fibrinogênio) ou desestabilização de placas ateroescleróticas. Pessoas com doenças inflamatórias crônicas (p. ex., artrite reumatoide [AR] ou lúpus) devem ser consideradas de risco aumentado para AVC; Com base em metanálise, parece haver um benefício, mesmo que modesto, de doses baixas do AAS na prevenção primária de eventos cardiovasculares (incluindo AVC) em pessoas com risco aumentado. Para prevenção terciária em indivíduos após AVC não cardioembólico, o uso do AAS em monoterapia (1A), ou em combinação com dipiridamol, (1B) está indicado. Para prevenção terciária em indivíduos após AVC não cardioembólico, o uso do AAS com clopidogrel, iniciado nas primeiras 24 horas após o AVC e mantido por até 90 dias, pode ser considerado (2B). Para prevenção terciária em indivíduos após AVC não cardioembólico, o uso do clopidogrel em monoterapia (2B) está indicado naquelas pessoas com alguma contraindicação ao AAS, com ou sem dipiridamol; Em termos de prevenção secundária, o objetivo é reduzir tanto os eventos cardiovasculares como cerebrovasculares, uma vez que ambos compartilham dos mesmos fatores de risco; PROGNÓSTICO O prognóstico após um AVC depende da gravidade do déficit inicial. Após um AIT, há risco de 10,5% de AVC em 3 meses, especialmente na primeira semana. Cerca de 25% das pessoas com paralisia de membros inferiores não recuperam a função, e entre 20– 25% permanecem dependentes para locomoção. Após seis meses, 65% ainda não conseguem usar a mão afetada no dia a dia. Apenas 20% com incontinência urinária se recuperam nesse período, enquanto a incontinência fecal costuma melhorar em duas semanas. A persistência desses sintomas indica pior prognóstico. No entanto, mesmo após 12 meses, é possível melhorar a marcha com reabilitação adequada; ATIVIDADES PREVENTIVAS E DE EDUCAÇÃO A prevenção primária, no contexto da doença cerebrovascular, é realizada pelo controle dos fatores de risco cardiovasculares em pacientes sem história prévia de AVC. Os principais fatores de risco associados ao AVC são HAS, diabetes melito, tabagismo e fibrilação atrial; A HAS é o principal fator de risco modificável para o AVC. Seu tratamento é uma das medidas mais eficazes na redução do risco da doença cerebrovascular; Aumentar a atividade física é recomendado, pois essa prática está associada a uma redução no risco de AVC; O uso do tabaco é um fator de risco bem documentado para AVC, quase dobrando o risco, com o efeito dose-resposta (quanto mais cigarros fumados, maior o risco). Além disso, potencializa os efeitos de outros fatores de risco, como a HAS e o uso de anticoncepcionais orais (ACO). A exposição ao fumo passivo é risco para AVC. Cessar o tabagismo reduz o risco de AVC. São necessárias campanhas junto à comunidade, orientando sobre não iniciar o tabagismo, por meio de panfletos, grupos antitabaco, etc e orientações/oferecimento de tratamento para parar de fumar; O DM aumenta entre 1,8 a 6 vezes o risco de AVC. O tratamento adequado, com controle rígido da PA, reduz o número de episódios isquêmicos; A FA, mesmo na ausência de doença valvar, está associada a um aumento de 4 a 5 vezes no risco de AVC. A estimativa do risco de AVC nas pessoas com FA é essencial para avaliar riscos e benefícios de uma anticoagulação na prevenção primária. Existem diversas calculadoras online com esses escores, como, por exemplo: https://www.chadsvasc.org/. A avaliação cuidadosa e individualizada para cada paciente desses dois escores deve guiar a decisão da anticoagulação em pessoas com FA. LIMITAÇÃO FUNCIONAL Pacientes com AVC podem ser classificados em cinco grupos funcionais, de acordo com a escala de Rankin modificada A ocorrência de um AVC incapacitante (Rankin ≥ 4) conduz frequentemente a um círculo vicioso em que a perda da autonomia leva à inatividade física, a qual, por sua vez, leva a uma perda de condicionamento motor e cardiorrespiratório. A inatividade física também faz diminuir a massa muscular e aumentar a deposição de gordura central, o que eleva o risco cardiovascular do paciente; Os familiares que exercem o papel de cuidadores, em geral, lidam melhor com as limitações físicas dos pacientes do que com as limitações cognitivas e afetivas. Quando as necessidades psicossociais dos pacientes com AVC e suas famílias são adequadamente supridas pela equipe de saúde e pela rede de apoio social, observa-se diminuição na prevalência de estresse do cuidador, além de redução no risco de transtornos depressivo e de ansiedade nos pacientes. A reabilitação em nível domiciliar e comunitário tem a propriedade de amenizar o efeito da incapacidade sobre o cuidador principal e o restante da família; Serviços de reabilitação comunitários (reabilitação domiciliar ou em centro comunitário de reabilitação) oferecidos a pacientes com AVC recente reduziram a probabilidade de desfechos adversos como óbito, hospitalização ou institucionalização em 28%, melhorando a deambulação independente e a capacidade funcional, e reduzindo o risco de quedas e outros eventos adversos;