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15 centro universitário internacional - uninter CURSO DE BACHARELADo em serviço social BIANCA BENAION SOUZA RU 3583216 A ATUAÇÃO DO ASSISTENTE SOCIAL NO PAIF DENTRO DO CENTRO DE REFERÊNCIA DE ASSISTÊNCIA SOCIAL (CRAS) DE LARANJAL DO JARI - AP LARANJAL DO JARI – AP 2024 BIANCA BENAION SOUZA A ATUAÇÃO DO ASSISTENTE SOCIAL NO PAIF DENTRO DO CENTRO DE REFERÊNCIA DE ASSISTÊNCIA SOCIAL (CRAS) DE LARANJAL DO JARI - AP Trabalho de Conclusão de Curso de graduação, apresentado à disciplina e Orientação de Trabalho de Conclusão de Curso - OTCC, do curso de Bacharelado em Serviço Social do Centro Universitário Internacional UNINTER, como requisito parcial para a obtenção do título de Bacharel. Orientador: Assistente Social Me. Thais Rusczak. LARANJAL DO JARI – AP 2024 BIANCA BENAION SOUZA RU 3583216 A ATUAÇÃO DO ASSISTENTE SOCIAL NO PAIF DENTRO DO CENTRO DE REFERÊNCIA DE ASSISTÊNCIA SOCIAL (CRAS) DE LARANJAL DO JARI - AP Trabalho de Conclusão de Curso de Graduação, apresentado à disciplina de Orientação de Trabalho de Conclusão de Curso – OTCC Monografia, do curso de Bacharelado em Serviço Social do Centro Universitário Internacional UNINTER / Curitiba-PR, como requisito final para a obtenção do título de Bacharel. Aprovado em: ____ de ___________ de 20____. Dedico este trabalho a minha família e a Deus acima de tudo. agradecimentos Dedico este trabalho primeiramente a Deus porque sem ele nada seria possível. A minha mãe que deixou de viver a sua vida para que eu pudesse viver a minha, sem você eu não poderia ter chegado a onde eu cheguei. Ao meu pai que sempre sonhou em me ver graduada. Te amo pai Ao meu irmão Rodrigo Benaion pelo apoio incondicional em todos os momentos difíceis da minha trajetória acadêmica. Aos meus filhos - vocês são minha razão de viver, amo vocês. A você Bia Pombo Por toda a ajuda recebida, pelas oportunidades e valiosos conselhos, muito obrigada! As minhas fiéis amigas pela lealdade e a certeza de que estaremos sempre juntas não importas as circunstâncias. A você irmã Sebastiana a nossa amizade foi como um farol que me guiou nos momentos mais sombrios. Como é precioso o teu amor, ó Deus! De acordo com o Art. 1º da Lei nº 8.742, de 7 de Dezembro de 1993, “A assistência social, direito do cidadão e dever do Estado, é Política de Seguridade Social não contributiva, que provê os mínimos sociais, realizada através de um conjunto integrado de ações de iniciativa pública e da sociedade, para garantir o atendimento às necessidades básicas”. (BRASIL, 1993). Comment by Thais Rusczak: Esse é o número do artigo que fala da assistência ou é o Art1 da Loas que o ano é 1993? Comment by Jonathan Alan: Corrigido resumo Os Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) são unidades públicas estatais de referência de rede de social básica, sendo o PAIF o seu principal serviço. Seu público usuário são as famílias a ele referenciadas, em situação de vulnerabilidade e risco social, as quais são atendidas em demandas de capacitação profissional, além de acesso a serviços, programas e benefícios. Sendo o objetivo de a presente pesquisa investigar os impactos da atuação do Serviço Social, no âmbito do CRAS, da cidade de Laranjal do Jari - AP. Para tanto, foi adotada a coleta de dados e entrevista semiestruturada. Os resultados indicam que, na unidade investigada, existe um esforço para inclusão e acesso a planos de ação e a atendimentos que são desenvolvidos pela assistente social naquele equipamento. A materialização de tais iniciativas são abrangentes e incluem ações que são realizadas pelas famílias, em parceria com a instituição, de modo a promover a melhor abordagem da problemática identificada e estimular uma participação ativa dos indivíduos atendidos na busca de soluções. Palavras-chave: CRAS. PAIF. Atendimento familiar. ABSTRACT The Social Assistance Reference Centers (CRAS) are public state reference units for basic sociais networks, with PAIF being their main service. Its user audience is the families referred to it, in situations of vulnerability and social risk, Who are met with demands for Professional training, in addition to Access to services, programs and benefits. The objective of this research is to investigate the impacts of Social Service activities, within the scope of CRAS, in the city of Laranjal do Jari - AP. To this end, data collection and semi-structured interviews were adopted. The results indicate that, in the unit investigated, there is an effort for inclusion and Access to action plans and services that are developed by the social worker in that equipment. The materialization of such initiatives is comprehensive and includes actions that are carried out by families, in partnership with the institution, in order to promote the Best approach to the identified problem and encourage active participation of the individuals served in the search for solutions. Key-words: CRAS. PAIF. Family care. Lista de Ilustrações Figura 1 – Título da figura 0 Gráfico 1 – Título do gráfico 0 Quadro 1 – Título do quadro 0 Lista de Tabelas Tabela 1 – Título da tabela 0 Lista de abreviaturas e siglas Comment by Thais Rusczak: Deixe em ordem alfabética Comment by Jonathan Alan: Corrigido Comment by MARCOS ANTONIO KLAZURA: Para excluir ou acrescentar siglas: selecione a linha depois clique com o botaçao direito do mouse, depois vai em inserir ou exluir. Comment by Jonathan Alan: Comment by Jonathan Alan: ABNT Associação Brasileira de Normas Técnicas AP Amapá CF 88 Constituição Federal de 1988 CFESS Conselho Federal de Serviço Social CNAS Conselho Nacional de Assistência Social CRAS Centro de referência de Assistência Social LOAS Lei Orgânica de Assistência Social MDS Ministerio do Desenvolvimento Social NOB/SUAS Norma Operacional Básica do SUAS NOB-RH/SUAS Norma Operacional Básico de recursos do Humanos do SUAS PAIF. Programa de Atendimento Integral da Família PNAS Política Nacional de Assistência Social SUAS Sistema Unico de Assistência Social TCLE Termo de Consentimento Livre e Esclarecido SUMÁRIO Comment by MARCOS ANTONIO KLAZURA: O sumário já está organizado conforme as regras ABNT. Você poderá utilizá-lo, para isso no texto do exemplo dos capítulos, onde há os títulos tanto dos capítulos como dos subcapítulos você deverá apenas alterar o texto sem apagar a formatação. Se assim proceder, para atualizar o sumário basta apenas selecioná-lo, clicar no item Referências do word, atualizar sumário. Vale lembrar que cada objetivo específico do projeto deve se tornar um capítulo da monografia. 1 Introdução 15 2 OS DESAFIOS ENFRENTADOS NA POLÍTICA DE ASSISTÊNCIA SOCIAL E PROTEÇÃO SOCIAL 20 2.1 HISTÓRICO DA POLÍTICA NACIONAL DA ASSISTÊNCIA SOCIAL 20 2.2 MARCO NORMATIVO DA VIGILÂNCIA SOCIOASSISTENCIAL 23 2.3 FAMÍLIA E PROTEÇÃO SOCIAL 24 2.3.1 Conceituação de família 24 2.3.2 A proteção social no âmbito da família 26 2.3.3 Programa de Atenção Integral a Família - PAIF 28 2.3.4 TRABALHO SOCIOASSISTENCIAL COM FAMÍLIAS NO ÂMBITO DO PAIF 30 3 O Serviço Social no Brasil 33 3.1 HISTÓRICO DA PROFISSÃO DO ASSISTENTE SOCIAL NO BRASIL: DA GÊNESE À ATUALIDADE 33 3.2 PERFIL, COMPETÊNCIAS E ATRIBUIÇÕES DO PROFISSIONAL DO SERVIÇO SERVIÇO SOCIAL NA CONTEMPORANEIDADE. 43 4 INDICADORES SOCIAIS DO MUNICÍPIO: UM OLHAR SOBRE A REALIDADE a partir do paif 49 4.1 FormA DE INGRESSO DO USUARIO NO CRAS 50 4.2 fORMA DE iNGRESSO DO USUÁRIO NO PAIF 51 4.3 PRA QUEM O PAIF SE DESTINA 52 4.4 PERFIL DO MUNICÍPIO DE LARANJAL DO JARI - AP 54 4.5 PERFIL E CARACTERIZAÇÃO SOCIOECONÔMICA DAS FAMÍLIAS ATENDIDAS PELO PAIF DO CRAS DE Laranjal do JAri - AP 55 5 Coleta de Dados e Entrevista Semiestruturada DO CRAS DE Laranjal do jari 56 5.1 ENTREVISTA SEMIESTRUTURADA SOBRE AS PERCEPÇÕES DA PROFISSIONAL DE SERVIÇO SOCIAL SOBRE SUAS CONTRIBUIÇÕES E OS DESAFIOS ENFRENTADOS NO DESENVOLVIMENTO DO PAIF 57 5.3 AVALIAÇÃO DA ENTREVISTA COM ASSISTENTEpoder de exploração, isso devido às ideologias socialistas que estavam inseridas na época na América Latina e no nosso país. Anteriormente a esses acontecimentos, o serviço social proposto, não conseguia responder as questões complexas da sociedade, já que era um modelo importado de países subdesenvolvidos e não funcionava para a realidade posta no nosso país. O Serviço Social contemporâneo tem como objeto as expressões da questão social, o reconhecimento das demandas profissionais e dos campos de trabalho. O Projeto Ético Politico do Serviço Social foi pensado e construído na década de 1970 e 1980, como resultado dos ideais expostos durante e após o Congresso da Virada, ou seja, quando a sociedade brasileira passava por diversas modificações e o Serviço Social encontra na teoria marxista a resposta para muitas perguntas referente aos problemas sociais. E reafirma o CFESS: Assim, buscaram o aprimoramento intelectual como condição para apreender o real em sua concretude e complexidade. Neste processo, a interlocução com a tradição marxista e posteriormente com o pensamento marxiano forneceu o alicerce teórico-metodológico para apreender a realidade sob uma perspectiva de totalidade. (CFESS, 2009, p.2) Com isso, podemos notar que o Projeto Profissional do serviço social está interligado com as constantes alterações da sociedade. De acordo com Martinelli “o projeto ético-politico da profissão, de alguma forma relaciona-se com o projeto societário mais amplo”, portanto, devemos observar as mudanças e dinâmica da sociedade juntamente com o serviço social, não com algo particular e isolado. O Projeto Ético Politico tem o objetivo de nortear e dar a direção social da profissão; além de ser o ideário para os profissionais da área. De acordo com a publicação do CFESS Manifesta (2009): O projeto ético-político profissional não é único na profissão. Projetos profissionais disputam a direção social do Serviço Social brasileiro neste momento histórico. Neoconservadorismo, pragmatismo e formas despolitizadas de entender a questão social reaparecem no cenário profissional. Tempos sombrios! Por isso, mais do que nunca precisamos estar atentos e fortes, para não sucumbir à “confusão do espírito”, ao conformismo, ao “pensamento único”, às falsas polêmicas, aos “cantos da sereia” da pós-modernidade. (CFESS Manifesta, 2009, p.2) O projeto ético politico é composto pelos seguintes elementos Legais: Lei que Regulamenta a Profissão, Código de Ética Profissional e Diretrizes curriculares; Teóricos: Produção de conhecimentos; Organização da categoria: CFESS, CRESS, ABEPSS, ENESSO,etc.; Práxis Profissional (materialização da teoria). As atribuições privativas do assistente social no Brasil estão delineadas pela Lei nº 8.662/1993, que regulamenta a profissão. Essas atribuições refletem a complexidade do trabalho do assistente social, que envolve intervenções em diversas esferas da vida social. Dentre as principais funções, destaca-se a elaboração de diagnósticos sociais, que permite identificar e analisar a realidade dos indivíduos e grupos atendidos, contribuindo para a formulação de estratégias de intervenção (BRASIL, 1993). Outra atribuição essencial é a execução de políticas públicas, onde o assistente social atua como mediador entre a população e os serviços disponíveis, buscando garantir o acesso a direitos e a promoção de condições dignas de vida. O assistente social também deve realizar estudos e pesquisas que contribuam para o conhecimento e aprimoramento das práticas sociais, além de atuar em espaços de formação e capacitação, tanto de usuários quanto de outros profissionais (CFESS, 2020). Adicionalmente, o assistente social tem um papel crucial na defesa e promoção dos direitos humanos, trabalhando em contextos que exigem a articulação com diferentes setores da sociedade, como saúde, educação e assistência social. Essa atuação é pautada por uma perspectiva ética e de respeito à diversidade, buscando sempre a construção de uma sociedade mais justa e equitativa (BRASIL, 1993; CFESS, 2020). Dentre as atribuições privativas que constam em lei são: Art. 5º Constituem atribuições privativas do Assistente Social: I - coordenar, elaborar, executar, supervisionar e avaliar estudos, pesquisas, planos, programas e projetos na área de Serviço Social; II - planejar, organizar e administrar programas e projetos em Unidade de Serviço Social; III - assessoria e consultoria e órgãos da Administração Pública direta e indireta, empresas privadas e outras entidades, em matéria de Serviço Social; IV - realizar vistorias, perícias técnicas, laudos periciais, informações e pareceres sobre a matéria de Serviço Social; V - assumir, no magistério de Serviço Social tanto a nível de graduação como pós-graduação, disciplinas e funções que exijam conhecimentos próprios e adquiridos em curso de formação regular; VI - treinamento, avaliação e supervisão direta de estagiários de Serviço Social; VII - dirigir e coordenar Unidades de Ensino e Cursos de Serviço Social, de graduação e pós-graduação; VIII - dirigir e coordenar associações, núcleos, centros de estudo e de pesquisa em Serviço Social. IX - elaborar provas, presidir e compor bancas de exames e comissões julgadoras de concursos ou outras formas de seleção para Assistentes Sociais, ou onde sejam aferidos conhecimentos inerentes ao Serviço Social; X - coordenar seminários, encontros, congressos e eventos assemelhados sobre assuntos de Serviço Social; XI - fiscalizar o exercício profissional através dos Conselhos Federal e Regionais; XII - dirigir serviços técnicos de Serviço Social em entidades públicas ou privadas; XIII - ocupar cargos e funções de direção e fiscalização da gestão financeira em órgãos e entidades representativas da categoria profissional. (Lei 8662, 1993, pag.2) Os valores éticos que norteiam a atuação do assistente social são fundamentais para garantir uma prática profissional comprometida com a dignidade humana e a promoção da justiça social. O Código de Ética Profissional do Assistente Social, regulamentado pelo Conselho Federal de Serviço Social (CFESS), estabelece diretrizes que orientam a atuação dos profissionais, enfatizando o respeito aos direitos e à autonomia dos usuários (CFESS, 2020). Um dos principais valores éticos é o compromisso com a justiça social, que implica na defesa dos direitos humanos e na luta contra as desigualdades sociais. O assistente social deve atuar de forma crítica e reflexiva, reconhecendo as diferentes realidades sociais e buscando promover a inclusão e a equidade (BRASIL, 1993). Esse valor exige que o profissional não apenas identifique as demandas sociais, mas também se posicione ativamente na construção de soluções. Outro valor importante é a ética da responsabilidade. Os assistentes sociais devem atuar com transparência e compromisso, respeitando a confidencialidade das informações dos usuários e promovendo uma relação de confiança. Essa responsabilidade se estende à formação contínua e à atualização profissional, garantindo que a atuação esteja sempre fundamentada em conhecimentos teóricos e práticos adequados (CFESS, 2020). Além disso, a valorização da diversidade e o respeito às diferenças são princípios centrais na ética profissional do assistente social. Isso implica em reconhecer e respeitar as particularidades de cada indivíduo e grupo social, adotando uma postura inclusiva que valorize as identidades e experiências dos usuários (BRASIL, 1993). A ética da colaboração destaca a importância do trabalho em equipe e da articulação com outras áreas do conhecimento e serviços. O assistente social deve promover o diálogo interprofissional e a construção de redes de apoio, visando um atendimento mais integral e eficaz às demandas da população (CFESS, 2020). O Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) é uma unidade pública que integra o Sistema Único de Assistência Social (SUAS) e tem como objetivo promover a inclusãosocial e o acesso a direitos para as famílias em situação de vulnerabilidade. As atribuições do assistente social dentro do CRAS são cruciais para o funcionamento efetivo dessa unidade. Uma das principais funções do assistente social no CRAS é realizar o diagnóstico social das famílias atendidas. Esse diagnóstico envolve a coleta de informações sobre a situação socioeconômica, as relações familiares e as condições de vida, permitindo uma compreensão ampla das necessidades e demandas dos usuários (BRASIL, 2004). Com base nessas informações, o assistente social elabora planos de intervenção que visam promover a autonomia e o fortalecimento da convivência familiar e comunitária. Outra atribuição importante é a facilitação do acesso das famílias a serviços e benefícios socioassistenciais. O assistente social atua como mediador, orientando os usuários sobre seus direitos e encaminhando-os para outros serviços, como saúde e educação, além de articular a rede de proteção social (MDS, 2009). Essa articulação é fundamental para garantir que as famílias recebam um atendimento integral e intersetorial. Além disso, o assistente social promove atividades de convivência e fortalecimento de vínculos, como grupos de convivência e oficinas, que visam desenvolver habilidades e potencialidades dos indivíduos e famílias. Essas atividades são fundamentais para a promoção da socialização e da construção de uma rede de apoio entre os participantes (BRASIL, 2016). O assistente social no CRAS deve também participar da formação e capacitação de equipes e comunidade, promovendo reflexões sobre questões sociais e a importância da atuação conjunta na construção de um território mais inclusivo e justo (MDS, 2009). O PAIF (Programa de Atenção Integral à Família) é uma estratégia do Sistema Único de Assistência Social (SUAS) que visa fortalecer a função protetiva da família e promover o seu desenvolvimento. Dentro desse contexto, as atribuições do assistente social são fundamentais para a implementação das diretrizes do programa. Uma das principais funções do assistente social no PAIF é realizar o diagnóstico social, que envolve a coleta de informações sobre a dinâmica familiar e as condições de vida dos usuários. Esse diagnóstico é essencial para compreender as necessidades e potencialidades das famílias atendidas, permitindo a elaboração de planos de intervenção adequados (BRASIL, 2004). Além disso, o assistente social atua na mediação de conflitos e no fortalecimento de vínculos familiares, promovendo atividades que incentivem a participação da comunidade e a construção de redes de apoio. Isso inclui a promoção de grupos de convivência e o desenvolvimento de oficinas e atividades educativas que visem a autonomia e a capacitação das famílias (MDS, 2009). Outra atribuição relevante é a articulação com outros serviços e políticas públicas, facilitando o acesso a direitos sociais e promovendo a inclusão social. O assistente social deve trabalhar em parceria com diferentes setores, como saúde, educação e cultura, buscando uma abordagem integral que atenda às diversas demandas das famílias (MDS, 2009). Essas ações são orientadas por uma perspectiva ética e de respeito à diversidade, sempre visando a promoção da dignidade e a garantia de direitos sociais, conforme preconizado pela Política Nacional de Assistência Social (BRASIL, 2016). INDICADORES SOCIAIS DO MUNICÍPIO: UM OLHAR SOBRE A REALIDADE a partir do paif Comment by Thais Rusczak: Pode ser que você não goste dessa orientação, porém lá vai. Está irrelevante discutir tanto sobre a base do cadastro único sendo que seu trabalho é sobre as dificuldades no PAIF relacionada ao atendimento do assistente social. Trazer de forma tão extensa é irrelevante para seu trabalho. O que você pode fazer é apresentar os dados do município, vou te passar um local que aparece bem: https://aplicacoes.mds.gov.br/sagi/ri/relatorios/cidadania/?codigo=160027&aM=0 Aqui você pode trazer diretamente sobre o seu município e de forma resumida, sem se estender tanto. Os indicadores sociais são ferramentas fundamentais para entender a realidade de um município, pois permitem analisar as condições de vida da população, identificar vulnerabilidades e orientar a formulação de políticas públicas. Neste contexto, um olhar atento sobre os indicadores sociais de um município pode revelar tanto os avanços quanto os desafios enfrentados pela comunidade. Ao analisar os indicadores sociais, é possível traçar um perfil do município. Por exemplo, um município com alta taxa de analfabetismo e baixa renda per capita pode indicar a necessidade de investimentos em educação e geração de empregos. Por outro lado, melhorias nas condições de saúde e aumento na cobertura de serviços básicos podem apontar avanços na qualidade de vida da população. A análise dos indicadores sociais de um município é essencial para compreender sua realidade e identificar prioridades para a ação governamental. Com informações precisas e atualizadas, gestores e formuladores de políticas podem tomar decisões mais informadas e efetivas, promovendo o desenvolvimento social e econômico da comunidade. FormA DE INGRESSO DO USUARIO NO CRAS O Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) é uma unidade pública que oferece serviços e apoio à população em situação de vulnerabilidade social. O ingresso no CRAS ocorre de forma acessível e inclusiva, visando atender a todas as pessoas que necessitam de apoio (BRASIL, 2009). As formas de ingresso nessa unidade são o autoatendimento que é o principal canal de acesso ao CRAS. Qualquer pessoa pode se dirigir à uma unidade e manifestar seu interesse em receber serviços ali ofertados. É comum que o cidadão seja recebido por um assistente social, que fará uma triagem inicial para entender suas necessidades e fazer os encaminhamentos necessários. Os encaminhamentos acontecem por meio de encaminhamentos de outros serviços públicos, como escolas, hospitais e unidades de saúde. Essas instituições podem identificar a necessidade de assistência social e orientar o usuário a procurar o CRAS. Outra forma de ingresso no CRAS são os programas sociais, onde o CRAS também faz parte de diversas políticas públicas e programas sociais. Pessoas que já estão inseridas em programas como o Bolsa Família, por exemplo, podem ser direcionadas ao CRAS para receber um acompanhamento mais completo (BRASIL, 2009). Para o atendimento, é geralmente necessário apresentar documentos pessoais, como CPF, RG e comprovante de residência. Esses documentos ajudam na identificação do usuário e na elaboração de um plano de assistência mais eficaz. O CRAS adota uma abordagem de acolhimento, promovendo um ambiente de respeito e empatia. O objetivo é garantir que todos se sintam seguros para expor suas demandas. O atendimento pode incluir desde orientações sobre direitos sociais até o acesso a serviços como assistência jurídica, psicológica e programas de capacitação (MENDES, 2018). O ingresso no CRAS é um processo que busca facilitar o acesso a serviços essenciais para a população que se encontra em vulnerabilidade e risco social. A estrutura aberta e acolhedora do CRAS é fundamental para que mais pessoas possam conhecer e utilizar esses serviços, contribuindo para a melhoria da qualidade de vida e a promoção da cidadania. fORMA DE iNGRESSO DO USUÁRIO NO PAIF O PAIF (Serviço de Proteção e Atendimento Integral à Família) é um componente essencial da Política Nacional de Assistência Social no Brasil, voltado para o fortalecimento de vínculos familiares e comunitários, visando a promoção da cidadania e a prevenção de situações de vulnerabilidade social. O ingresso no PAIF se dá de maneira inclusiva e acessível, permitindo que diversas famílias recebam o apoio necessário (BRASIL, 2009). Dentre as formas de ingresso no PAIF estão a busca ativa onde as equipes de assistentes sociais e outros profissionais vão até as comunidades, bairros e localidades para identificar famílias que necessitam de apoio. Essa abordagem proativa visa alcançar populações em situaçãode risco e vulnerabilidade social que podem não ter conhecimento sobre os serviços disponíveis. Também há a busca espontânea pelo serviço onde qualquer família pode se dirigir ao Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) para solicitar o ingresso no PAIF. Ao chegar, as famílias passam por uma triagem, onde um profissional avalia suas necessidades e determina o tipo de atendimento mais adequado. Assim como no CRAS os usuários dessa política também podem ser encaminhados de outros serviços e políticas para acessarem estes serviços. Muitas famílias são encaminhadas para o PAIF por outras instituições, como escolas, unidades de saúde ou serviços de proteção. Esses encaminhamentos podem ocorrer quando um profissional identifica a necessidade de suporte adicional na vida da família (BRASIL, 2009). Para acessar o PAIF, geralmente é necessário apresentar documentos básicos, como CPF, RG e comprovante de residência, além de informações sobre a composição familiar e a situação socioeconômica. Essa documentação é importante para a elaboração de um plano de atendimento que atenda às especificidades de cada família (MENDES, 2018). O PAIF adota uma abordagem centrada na família, buscando promover o fortalecimento de vínculos e a autonomia familiar. As atividades incluem: · Atendimentos individuais e em grupo: Discussões sobre direitos, saúde, educação e acesso a serviços públicos. · Oficinas e cursos: Capacitação em habilidades que favoreçam a inclusão social e a geração de renda. · Ações de convivência: Promoção de eventos e atividades comunitárias que estimulem a participação e o fortalecimento dos laços sociais. O ingresso no PAIF é um processo que busca garantir que as famílias em situação de vulnerabilidade tenham acesso a serviços que promovam seu bem-estar e desenvolvimento. A estrutura de atendimento, junto com a abordagem centrada na família, é fundamental para a efetividade do serviço, contribuindo para a construção de uma sociedade mais justa e igualitária. PRA QUEM O PAIF SE DESTINA O público-alvo do PAIF são comumente famílias em situação de vulnerabilidade social sendo voltado principalmente para famílias que enfrentam condições adversas, como pobreza, desemprego, baixa escolaridade e ausência de acesso a serviços básicos. Essas famílias são atendidas com o objetivo de superar situações de fragilidade e promover sua autonomia (BRASIL, 2009). Famílias com Crianças e Adolescentes em situação de risco e vulnerabilidade social onde serviço busca atender especialmente famílias que têm crianças e adolescentes, garantindo que seus direitos sejam respeitados e que tenham acesso a educação, saúde e proteção contra situações de abuso e exploração. Tmabém famílias em situação de violência, com o PAIF também acolhendo famílias que vivenciam situações de violência doméstica ou comunitária, oferecendo suporte psicológico e orientação, além de encaminhamentos para serviços de proteção (BRASIL, 2009). Famílias com membros em situação de deficiência que se destina a famílias que têm membros com deficiência, promovendo a inclusão social e o acesso a direitos, serviços e benefícios e grupos específicos que além das categorias acima, o PAIF busca atender grupos vulneráveis, como idosos, população LGBTQIA+, migrantes e refugiados, reconhecendo suas necessidades específicas e promovendo políticas de inclusão (BRASIL, 2020). O PAIF utiliza uma abordagem centrada na família, visando o fortalecimento de vínculos e a promoção da convivência familiar e comunitária. As ações são desenvolvidas em grupos e atendimentos individuais, proporcionando um espaço seguro para a discussão de temas como direitos sociais, saúde, educação e desenvolvimento comunitário. O PAIF é uma ferramenta vital para a promoção da dignidade e cidadania das famílias em situação de vulnerabilidade no Brasil. Ao atender um público diversificado e em situações variadas de risco, o programa contribui para a construção de uma sociedade mais justa e igualitária. O Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico) é uma ferramenta essencial na identificação e caracterização dessas famílias de que se encontram em risco e vulnerabilidade social. Ele desempenha um papel crucial no acesso a diversos serviços sociais, incluindo o PAIF (Serviço de Proteção e Atendimento Integral à Família). A relação entre o CadÚnico e o ingresso no PAIF é fundamental para a efetividade das políticas de assistência social (MDS, 2009). O CadÚnico é um registro que reúne informações sobre as famílias de baixa renda, permitindo ao governo conhecer melhor a realidade socioeconômica dos cidadãos. Com esses dados, é possível identificar as necessidades e vulnerabilidades das famílias, facilitando a formulação de políticas públicas mais adequadas (BRASIL, 2009). Para ingressar no PAIF, as famílias devem, frequentemente, estar cadastradas no CadÚnico. A apresentação do Cadastro Único é uma das formas de comprovar a condição de vulnerabilidade social, o que agiliza o processo de atendimento no PAIF. Os profissionais do PAIF utilizam as informações do CadÚnico durante a triagem inicial. Isso permite uma melhor compreensão do contexto da família, ajudando na elaboração de um plano de atendimento que atenda às suas necessidades específicas. Informações como a composição familiar, renda e situação de moradia são essenciais para direcionar os serviços (BRASIL, 2020). O CadÚnico também possibilita a articulação entre diferentes serviços sociais. Através do cadastro, os profissionais do PAIF podem referenciar as famílias para outros programas e serviços, como o Bolsa Família, assistência à saúde e educação, promovendo um atendimento integrado. O CadÚnico fornece dados que são essenciais para o monitoramento e avaliação da eficácia das políticas sociais, incluindo o PAIF. Essa análise permite ajustes e melhorias nas estratégias de atendimento, garantindo que as ações estejam alinhadas com as reais necessidades da população (BRASIL, 2020). A relação entre o CadÚnico e o PAIF é uma via de mão dupla que fortalece a rede de proteção social no Brasil. O Cadastro Único não apenas facilita o ingresso no PAIF, mas também enriquece o processo de atendimento, garantindo que as famílias recebam o suporte necessário para superar a vulnerabilidade social. A integração dessas ferramentas é vital para a construção de políticas públicas mais justas e eficazes. PERFIL DO MUNICÍPIO DE LARANJAL DO JARI - AP O município de Laranjal pertence ao stado do Amapá, distante 320 km da capital. Foi criado pela Lei Federal Nº 7.639, de 6 de dezembro de 1987. Faz fronteira com o Estado do Pará, mais especificamente com Monte Dourado, distrito do município de Almerim (PA), situado na outra margem do Rio Jari. Em uma área de 31.170,3 km², tem uma população estimada em 45.712 habitantes. De acordo com o site do IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística o Município de Laranjal do Jari, considerando o censo de 2010, possui uma população de 35.114 pessoas, se posicionando em 932º de 5570º no ranking de cidades no âmbito nacional. As demais taxas são demonstradas a seguir (IBGE, 2010): Economicamente, Laranjal ficou conhecido por abrigar funcionários que trabalhavam na fabricação de celulose (matéria-prima do papel) do lado paraense da fronteira. Hoje, o setor entrou em declínio e a atividade industrial já não move a economia como em outras épocas. Em Laranjal do Jari também está localizada uma cooperativa que vende matéria-prima (óleo de castanha e breu branco) para uma grande indústria de cosméticos de São Paulo. A região é destaque no extrativismo vegetal. Turismo – Historicamente, a cachoeira de Santo Antônio virou um símbolo da região de Laranjal, mas hoje esse cartão postal foi “apagado” com a construção de uma barragem. A área de Laranjal do Jari também é bastante apreciada para o turismo de aventura, em especial aos adeptos de trilhas, além de oferecer diversas exuberantes paisagens naturais. PERFIL E CARACTERIZAÇÃO SOCIOECONÔMICA DAS FAMÍLIAS ATENDIDAS PELO PAIF DO CRAS DE Laranjal do JAri - AP O públicousuário do PAIF de Laranjal do Jari - AP são as famílias territorialmente referenciadas ao CRAS, população que vive em situação de vulnerabilidade social, em decorrência da pobreza, privação e/ou ausência de renda, acesso precário ou nulo aos serviços públicos dentre outros, fragilização de vínculos afetivos - relacionais ou de pertencimento social, discriminadas por questões de gênero, idade, etnia, por deficiências. Grande parte desse contingente vem dos seguintes bairros, onde existem maiores situações de vulnerabilidade social - na zona urbana são: Agreste, Castanheira, Beira, Nova Esperança, Cajari. Nestas localidades, as demandas identificadas são: falta de moradia e/ou moradias sem infraestrutura; moradias precárias (casebres); alcoolismo/drogas; prostituição infantil; violência sexual infanto-juvenil; desemprego; trabalho informal (reciclagem); trabalho infantil; violência doméstica; negligência com as crianças/adolescentes e com os idosos. O Cadastro Único reúne as informações socioeconômicas das famílias inscritas em Programas Sociais, constando os dados a seguir no tocante ao total de famílias inscritas em outubro de 2020: O total das famílias inscritas era de 12.559, dentre as quais, 4.358 encontravam- se em situação de extrema pobreza; 8.270 em situação de pobreza; enquanto 1.594 eram consideradas de baixa renda. Coleta de Dados e Entrevista Semiestruturada DO CRAS DE Laranjal do jari A entrevista semiestruturada no contexto do Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) é uma técnica utilizada para coletar informações qualitativas sobre a realidade das famílias atendidas. Esse tipo de entrevista combina perguntas abertas e fechadas, permitindo que o entrevistador explore a fundo as experiências e percepções dos entrevistados, ao mesmo tempo em que mantém uma estrutura que guia a conversa (MINAYO, 2017). Os passos da construção da entrevista passa pelo planejamento prévio onde são definidos os objetivos, nesse ponto é importante estabelecer claramente o que se busca entender com a entrevista, como as necessidades das famílias ou a eficácia dos serviços oferecidos. A elaboração do roteiro com um conjunto de perguntas preparado, abrangendo temas centrais, mas permitindo flexibilidade para que novos tópicos possam surgir durante a conversa. E a seleção dos participantes sendo os entrevistados geralmente os usuários do CRAS ou profissionais que atuam nessa unidade A entrevista deve ser realizada em um local que garanta conforto e privacidade, criando um ambiente seguro para o entrevistado. Deve possuir introdução onde o entrevistador apresenta o objetivo da entrevista, assegurando que a participação é voluntária e que as informações serão tratadas com confidencialidade. As perguntas que o entrevistador faz a partir do roteiro, mas também se permite desviar para tópicos relevantes que surgem durante a conversa, promovendo uma interação mais natural. O registro das respostas onde as respostas podem ser gravadas (com o consentimento do entrevistado) ou anotadas em tempo real. A gravação permite uma análise mais precisa posteriormente. A análise dos dados após a coleta, as informações são transcritas e analisadas qualitativamente. Isso envolve identificar padrões, temas recorrentes e insights relevantes sobre a realidade das famílias atendidas. A entrevista semiestruturada é uma ferramenta poderosa para compreender as necessidades e desafios enfrentados pelas famílias atendidas pelo CRAS. Ela permite uma coleta de dados mais rica e contextualizada, contribuindo para a formulação de políticas públicas e melhorias nos serviços oferecidos (MINAYO, 2017). Esse tipo de entrevista é essencial para a promoção da escuta ativa e do protagonismo das famílias, garantindo que suas vozes sejam consideradas nas ações de assistência social. A abordagem flexível permite um entendimento mais profundo das experiências e expectativas dos usuários do CRAS. 5.1 ENTREVISTA SEMIESTRUTURADA SOBRE AS PERCEPÇÕES DA PROFISSIONAL DE SERVIÇO SOCIAL SOBRE SUAS CONTRIBUIÇÕES E OS DESAFIOS ENFRENTADOS NO DESENVOLVIMENTO DO PAIF Para relatar a entrevista você pode dividir ela por temas, trazendo os autores que falam a temática e juntando com a respota da entrevista, não precisa trazer a enrevista toda. Em vez de transcrever toda a entrevista na íntegra, foque nos pontos mais importantes. As respostas podem ser resumidas e reorganizadas por temas, facilitando a leitura. Deixe as citações completas apenas para trechos realmente essenciais ou ilustrativos, quando for citar na integra faça de forma como citação direta longa, conforme a ABNT. Após cada seção da entrevista, o ideal é incluir uma análise crítica das informações fornecidas, relacionando as respostas com a teoria ou os objetivos da pesquisa. Ex: "A percepção da entrevistada sobre a falta de recursos no PAIF é corroborada por estudos que apontam...". A sua apresentação da entrevista não apresenta nenhuma análise, apenas um copia e cola do que foi conversado. Na entrevista semiestruturada iremos explorar aspectos da Percepção da Profissional de Serviço Social sobre o PAIF. O objetivo da entrevista é compreender as contribuições e os desafios enfrentados pela profissional de serviço social no desenvolvimento do Programa de Atenção Integral à Família (PAIF). 1. Sobre a capacitação para o atendimento eficaz dentro do PAIF A capacitação profissional em serviço social é crucial para o desenvolvimento de competências e habilidades que garantam um atendimento eficaz e humanizado às populações vulneráveis (Minayo, 2017), é de extrema importância, refletindo-se na qualidade do atendimento prestado e na eficácia das intervenções sociais. Em um contexto em que as demandas sociais são cada vez mais complexas, a atualização e o aprimoramento contínuo dos profissionais são fundamentais. Segundo a profissional entrevistada sua formação em serviço social lhe proporcionou uma base sólida em questões sociais e políticas, e esta busca constantemente se atualizar por meio de cursos e workshops. Essa dedicação à formação contínua é fundamental para que possa enfrentar os desafios contemporâneos da profissão. Através de uma atualização constante, o assistente social se mantém a par das novas teorias, metodologias e políticas públicas, garantindo um atendimento de qualidade e intervenções mais eficazes. Segundo seu depoimento a entrevistada (2024, pag.1), afirma que “Acredito que a prática profissional deve ser pautada na ética e na promoção dos direitos humanos, o que considero essencial para o trabalho no PAIF.”. Por fim, a capacitação fortalece a adaptabilidade do assistente social às mudanças sociais e políticas, o que é essencial para responder de forma eficaz às novas demandas e desafios que surgem no cenário atual. Segundo Costa (2018), essa resiliência e capacidade de adaptação são indispensáveis para a atuação profissional. Portanto, investir na formação contínua é uma prioridade para garantir a efetividade da assistência social. 2. Compreensão do equipamento PAIF Um dos itens fundamentais para se trabalhar em um equipamento é o profissional ter conhecimento de toda amplitude que este pode ter e das atividades que pode ou não realizar. O entendimento das normas e objetivos do PAIF permite ao assistente social planejar e implementar ações que visem ao fortalecimento de vínculos familiares e comunitários. Segundo Oliveira (2021), a compreensão das estratégias do PAIF possibilita uma intervenção mais efetiva, atendendo às necessidades específicas das famílias em situação de vulnerabilidade. Além disso, a familiaridade com o PAIF contribui para que os profissionais possam articular recursos e promover o acesso das famílias a serviços e benefícios, ampliando seu impacto social (Lima, 2020). Dentro desta temática foi perguntado a entrevistada como esta definia o PAIF em sua prática diária e quais são os principais objetivos desse programa em sua visão em em sua resposta a entrevistada (2024, pag.1), nos afirma que “, o PAIF é um programa fundamental que visa fortalecero vínculo familiar e promover a autonomia das famílias em situação de vulnerabilidade social. ”, e nos afirma também que “vejo o PAIF como uma estratégia de acolhimento e suporte, onde buscamos entender as necessidades e potencialidades de cada família.”. Esse entendimento que o profissional adquire é a teoria crítica onde vem sendo lapidado desde a formação acadêmica e durante seu fazer profissional e demais capacitações. É necessário que este conheça e se aproprie da visão crítica para ter ampla visão das necessidades e potencialidades dos usuários que buscam seu atendimento. 3. Uso das ferramentas no fazer profissional As ferramentas do assistente social são essenciais para a realização de intervenções eficazes e para a promoção do bem-estar social segundo a entrevistada (2024, pag.1), a “escuta ativa, orientação e articulação com outros serviços e profissionais”, estão presentes no seu cotidiano profissional. Dentre as ferramentas citadas, destacam-se a escuta ativa, o diagnóstico social e o encaminhamento. A escuta ativa permite que o profissional compreenda as necessidades e demandas dos usuários, promovendo um espaço de acolhimento e confiança (Ferreira, 2020). O diagnóstico social, por sua vez, possibilita uma análise aprofundada da situação da família ou indivíduo, orientando as ações a serem desenvolvidas (Silva, 2019). Segundo Oliveira (2020), o encaminhamento deve ser feito de maneira ética e responsável, considerando o contexto social e as especificidades de cada caso. Além disso, Ferreira (2021) destaca que um bom encaminhamento não se limita apenas ao direcionamento, mas também inclui o acompanhamento e a avaliação do processo, garantindo que os usuários tenham acesso efetivo aos serviços solicitados. Dessa forma, a utilização dessas ferramentas contribui para a efetividade da prática do assistente social e para a construção de um atendimento mais qualificado e humanizado. 4. Desafios Enfrentados Os principais desafios enfrentados no PAIF são multiplos e refletem a complexidade da realidade social. Um dos desafios mais significativos é a articulação entre os diferentes serviços e instituições que compõem a rede de proteção social, o que muitas vezes resulta em falta de coordenação e integração nas ações (Silva, 2020). Além disso, a capacitação contínua dos profissionais que atuam no PAIF é fundamental, mas muitas vezes negligenciada, impactando a qualidade do atendimento oferecido às famílias (Ferreira, 2021). Outro desafio importante é a dificuldade de identificação e engajamento das famílias em situação de vulnerabilidade, uma vez que muitas delas não buscam ou têm acesso aos serviços disponíveis (Oliveira, 2019). A escassez de recursos financeiros é um dos obstáculos também, dificultando a manutenção e a ampliação dos serviços oferecidos às famílias em situação de vulnerabilidade (Lima, 2021). Além disso, a alocação inadequada de verbas e a falta de um planejamento orçamentário eficiente comprometem a execução de programas e ações que poderiam beneficiar um maior número de pessoas (Ferreira, 2020). Segundo Santos (2019), essa limitação financeira também afeta a capacitação e a valorização dos profissionais que atuam no PAIF, resultando em uma equipe muitas vezes desmotivada e com menos recursos para realizar intervenções de qualidade. Afirmando ainda em depoimento a entrevistada (2024, pag.2), nos diz que “Esses desafios impactam minha atuação, pois, apesar de todo o esforço, há momentos em que me sinto limitada na minha capacidade de ajudar”. Assim, enfrentar esses desafios requer um esforço conjunto e a implementação de estratégias que visem fortalecer tanto a equipe de trabalho quanto a rede de serviços sociais. 5. Trabalho Multidisciplinar no PAIF O trabalho multidisciplinar no PAIF é fundamental para a efetividade das intervenções e a promoção do bem-estar social. A colaboração entre diferentes profissionais, como assistentes sociais, psicólogos, pedagogos e enfermeiros, enriquece a abordagem às necessidades das famílias atendidas, permitindo uma compreensão mais ampla dos desafios enfrentados por elas (Santos, 2020). Segundo Oliveira (2021), a integração de saberes e práticas diversas não apenas potencializa as intervenções, mas também promove um espaço de troca e aprendizado entre os profissionais, resultando em soluções mais criativas e eficazes. Além disso, Ferreira (2019) destaca que a articulação entre as diferentes áreas de conhecimento facilita o acesso das famílias a uma rede de serviços, ampliando as oportunidades de suporte e assistência. Assim, o trabalho multidisciplinar se revela como uma estratégia indispensável para a construção de um atendimento mais integral e humanizado no âmbito do PAIF. Quando perguntada como é a sua relação com a equipe multidisciplinar no contexto do PAIF a entrevistada nos afirma que sua “relação com a equipe multidisciplinar no contexto do PAIF é, em geral, bastante colaborativa”. Porém mesmo que haja colaboração há desafios que são percebidos pela profissional que decorrem da comunicação falha ou mesmo da falta dela que faz com que “Em algumas situações, pode haver falta de clareza nas responsabilidades de cada um ou na troca de informações sobre os casos. Isso pode levar a desencontros que impactam o atendimento às famílias”. A sobrecarga de trabalho no PAIF é um dos principais desafios enfrentados pelos profissionais e equipes da área, impactando a qualidade do atendimento prestado às famílias. Essa sobrecarga geralmente resulta de uma alta demanda de casos e da escassez de recursos humanos, o que leva os assistentes sociais a lidarem com mais casos do que conseguem atender de forma adequada (Ferreira, 2021). A entrevistada nos informa que: “a carga de trabalho e a falta de tempo podem dificultar a realização de reuniões regulares e o alinhamento de estratégias. Muitas vezes, estamos tão envolvidos nas demandas diárias que nos esquecemos da importância de discutir casos em conjunto e refletir sobre nossas práticas” (Entrevistada, 2024, pag.4). Além disso, a falta de apoio institucional e a insuficiência de estrutura também contribuem para esse cenário, fazendo com que os profissionais se sintam sobrecarregados e estressados (Lima, 2020). Segundo Oliveira (2019), essa situação não apenas compromete a qualidade das intervenções, mas também afeta a saúde mental e o bem-estar dos trabalhadores, gerando um ciclo de insatisfação e alta rotatividade na equipe. Em depoimento uma das soluções encontradas pela equipe multiprofissional do CRAS foi: Para superar essas dificuldades, temos buscado programar reuniões mais frequentes e espaços de troca, onde todos possam compartilhar suas experiências e desafios. Acredito que fortalecer essa comunicação e colaboração é fundamental para melhorar a efetividade do PAIF e, consequentemente, o atendimento às famílias. (Entrevistada, 2024, pag.4). Portanto, é fundamental implementar medidas que visem à redução da sobrecarga de trabalho, como a ampliação da equipe e a melhoria das condições de trabalho, para garantir a efetividade do PAIF. 1. Reflexões sobre a Efetividade do PAIF Para melhorar a efetividade do PAIF é essencial implementar estratégias que fortaleçam a articulação entre os serviços e a capacitação dos profissionais. A formação continuada é um dos pilares que pode aumentar a competência dos trabalhadores, permitindo que eles desenvolvam intervenções mais adequadas e eficazes (Oliveira, 2021). Além disso, a criação de redes de apoio e parcerias com instituições locais é fundamental para ampliar o acesso das famílias a recursos e serviços essenciais, conforme apontado por Santos (2020). Ferreira (2019) destaca que o acompanhamento e a avaliação sistemática das ações do PAIF também são cruciais para identificar pontos de melhoria e promover ajustes necessários, garantindo que as intervenções atendam às reais necessidades das famílias em situação de vulnerabilidade. Segundo a entrevistada (2024), “Essas ações poderiam ajudar a fortalecer o PAIF, tornando-o ainda mais eficaz napromoção da autonomia e na melhoria da qualidade de vida das famílias atendidas”. Dessa forma, um enfoque integrado e colaborativo pode fortalecer a atuação do PAIF, resultando em um atendimento mais eficaz e humanizado. 5.3 AVALIAÇÃO DA ENTREVISTA COM ASSISTENTE SOCIAL SOBRE O PAIF A entrevista realizada com o assistente social sobre o Programa de Atenção Integral à Família (PAIF) revelou uma série de percepções importantes sobre suas contribuições e desafios enfrentados na prática cotidiana. Abaixo, apresento uma avaliação baseada em aspectos centrais discutidos na conversa. 1. Contribuições do Assistente Social O profissional destacou diversas formas de contribuição no desenvolvimento do PAIF, incluindo: · Fortalecimento de Vínculos: O assistente social enfatizou a importância de estabelecer relações de confiança com as famílias, permitindo um espaço seguro para a discussão de questões pessoais e sociais. · Promoção da Autonomia: Ele mencionou iniciativas voltadas para capacitar as famílias a desenvolverem sua autonomia, o que é fundamental para a efetividade do PAIF. · Articulação de Redes: A capacidade de articular serviços e recursos disponíveis na comunidade foi um ponto forte, evidenciando a importância do trabalho em rede para o sucesso do programa. 2. Desafios Enfrentados O assistente social também trouxe à tona diversos desafios: · Falta de Recursos: A escassez de recursos financeiros e humanos foi citada como um impedimento significativo para a execução das atividades planejadas. · Resistência das Famílias: A dificuldade em engajar algumas famílias nos processos oferecidos pelo PAIF foi um desafio que impactou a eficácia do programa. · Burocracia: O excesso de burocracia na gestão do PAIF dificultou a agilidade nas intervenções e a adaptação às necessidades específicas das famílias atendidas. 3. Reflexão Crítica e Propostas de Melhoria A reflexão crítica do assistente social foi um ponto positivo da entrevista. Ele não apenas identificou problemas, mas também apresentou sugestões, como: · Capacitação Contínua: Propôs a necessidade de capacitação constante dos profissionais para lidar melhor com a diversidade das demandas sociais. · Melhoria na Gestão: Sugeriu uma reestruturação nos processos burocráticos, buscando maior agilidade nas decisões e na implementação das ações. 4. Implicações para a Prática do Serviço Social As percepções compartilhadas na entrevista ressaltam a importância do trabalho do assistente social na implementação do PAIF e oferecem insights valiosos para a prática profissional. A combinação de contribuições efetivas com uma análise dos desafios enfrentados permite um olhar mais crítico sobre a atuação no campo. A entrevista com o assistente social foi enriquecedora e trouxe à tona questões essenciais sobre o PAIF. Suas contribuições e reflexões são fundamentais para o aprimoramento da prática do serviço social e para a efetividade do programa. A identificação clara de desafios e a apresentação de propostas de melhoria mostram um profissional engajado e comprometido com a transformação social. Essa avaliação pode servir como base para futuras discussões e ações no campo do serviço social. Considerações Finais O advento da Política Nacional da Assistência Social, no ano de 2004, aproximou os seus equipamentos das pessoas usuárias dessa política, da mesma forma que trouxe um maior entendimento por parte dos profissionais da área acerca de situações encontradas no núcleo familiar e nos territórios que possam levar a situações de vulnerabilidades sociais. A entrevista com o assistente social foi enriquecedora e trouxe à tona questões essenciais sobre o PAIF. Suas contribuições e reflexões são fundamentais para o aprimoramento da prática do serviço social e para a efetividade do programa. A identificação clara de desafios e a apresentação de propostas de melhoria mostram um profissional engajado e comprometido com a transformação social. Essa avaliação pode servir como base para futuras discussões e ações no campo do serviço social. A entrevista realizada com o assistente social sobre o Programa de Atenção Integral à Família (PAIF) proporcionou uma compreensão aprofundada das dinâmicas e desafios enfrentados na prática cotidiana deste importante programa. Através das percepções do profissional, foi possível identificar não apenas as contribuições significativas que o assistente social oferece como também os obstáculos que dificultam a efetivação plena dos objetivos do PAIF. Os relatos evidenciaram a importância do fortalecimento de vínculos e da promoção da autonomia das famílias atendidas, destacando como o trabalho do assistente social pode impactar positivamente a realidade das comunidades. Contudo, os desafios como a falta de recursos, a resistência das famílias e a burocracia excessiva revelam a necessidade de uma gestão mais eficiente e de políticas públicas que ofereçam suporte adequado aos profissionais. As propostas de melhoria sugeridas pelo assistente social, como a capacitação contínua e a revisão dos processos burocráticos, são fundamentais para o aprimoramento da prática profissional e para o fortalecimento do PAIF. Esse diálogo entre teoria e prática não apenas enriquece a atuação do assistente social, mas também contribui para a construção de um serviço social mais efetivo e responsivo às necessidades das famílias. Em suma, a análise da entrevista não só reforça a relevância do PAIF na promoção da dignidade e bem-estar das famílias, mas também aponta caminhos para sua melhoria contínua. Assim, o presente trabalho contribui para a reflexão crítica sobre o papel do assistente social, sublinhando a importância de sua atuação em um contexto de desafios e possibilidades na promoção da justiça social. Referências BIROLI, F. Família: novos conceitos: A família moderna, Transformações na família. São Paulo: Fundação Perseu Abramo, 2014. BRANDÃO, R. de C. C. O serviço social no Brasil: a reinstrumentalização necessária. 166 f. tese (Doutorado em Serviço Social) – Universidade Estadual Paulista, Franca, 2006. Disponível em: http://livros01.livrosgratis.com.br/ cp026269.pdf Acesso em 21 de março de 2021. BRASIL. (2016). Política Nacional de Assistência Social. BRASIL. Lei nº 8.662, de 7 de junho de 1993. Dispõe sobre a profissão de assistente social e dá outras providências. Diário Oficial da União. BRASIL. Ministério da Cidadania. Serviço de Proteção e Atendimento Integral à Família (PAIF). Disponível em: . Acesso em: 21 Jun. 2024. BRASIL. 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Impactos da sobrecarga de trabalho na qualidade do atendimento no PAIF. Rio de Janeiro: Editora DEF. OLIVEIRA, R. (2021). Capacitação profissional no PAIF: caminhos para a efetividade. Curitiba: Editora ABC. OLIVEIRA, R. (2021). Integração de saberes no atendimento às famílias: o papel do PAIF. Curitiba: Editora ABC. OLIVEIRA, R. (2021). O PAIF e sua importância na proteção social. Curitiba: Editora 123. OLIVEIRA, V. C. de. Fundamentos históricos, teóricos e metodológicos do serviço social I. São Paulo: Person Education do Brasil, 2014 (Coleção bibliografia universitária Person). PEREIRA, R., OLIVEIRA, M., SANTOS, L. Desafios na implementação das políticas públicas: um estudo sobre os obstáculos enfrentados pelos CRAS em municípios brasileiros. Cadernos Gestão Pública & Cidadania, v. 24, n. 2, p. 123-140, 2019. RAICHELIS, Raquel. Intervenção profissional do assistente social e as condições de trabalho no SUAS. Serviço Social & Sociedade, p. 750-772, 2010. SANTOS, M. (2019). Valorização profissional e financiamento no PAIF: uma análise crítica. Rio de Janeiro: Editora DEF. SANTOS, M. (2020). Redes de apoio e articulação no PAIF: desafios e possibilidades. São Paulo: Editora XYZ. SANTOS, M. (2020). Trabalho multidisciplinar no PAIF: desafios e possibilidades. São Paulo: Editora XYZ. SILVA, J. (2019). Diagnóstico social: práticas e desafios. São Paulo: Editora XYZ. SILVA, J. (2020). Desafios na articulação da rede de proteção social: uma análise do PAIF. São Paulo: Editora XYZ. SILVA, J. P. A importância da atuação profissional no Sistema Único de Assistência Social: um estudo sobre o papel dos assistentes sociais nos CRAS. Revista Brasileira de Política Social, v. 29, n. 3, p. 45-62, 2020. SIMÕES, Carlos. Teoria & Crítica dos direitos sociais: o estado social e o estado democrático de direito. São Paulo: Cortez, 2013. SOUZA, A.L.M.. 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Todo seu projeto deverá migrar para a introdução da monografia. O objetivo da introdução é apresentar o trabalho, comunicar como foi trabalhado o objeto de pesquisa, os objetivos, a justificativa e a metodologia e demonstrar o resultado da sua pesquisa. O presente trabalho trás como refererências os autores das obras: cadernos de orientação técnica sobre o PAIF, volume 1 e 2; Sposati; SILVA, J. P.; RAICHELIS; Mioto, R. C. T.; Elizândia Vieira da Silva; LEITE, Adriana Caetano et al.; Iamamoto, M. V.; Oliveira, M., Pereira, A., & Costa, L.; DENZIN, Norman K.; LINCOLN, Yvonna S.; caderno técnico de Orientações Técnicas: Centro de Referência de Assistência Social – CRAS.; SOUZA, A.L.M.; PEREIRA, R., OLIVEIRA, M., SANTOS, L.; MALLMANN, L. J.; BALESTRIN, N. L.; SILVA, R. dos S. e SIMÕES. A proposta do presente Trabalho de Conclusão de Curso sobre a atuação do assistente social no PAIF dentro do centro de referência de assistência social (CRAS) de Laranjal do Jari – AP é analisar o impacto das ações do Serviço Social na realidade socioeconômica das famílias inseridas no Serviço de Proteção e Atendimento Integral à Família – PAIF, referenciadas ao CRAS de Laranjal do Jari- AP. O advento da publicação da Política Nacional da Assistência Social, no ano de 2004, possibilitou uma maior aproximação dos seus equipamentos com as pessoas usuárias dessa política, da mesma forma que trouxe um maior entendimento por parte dos profissionais da área acerca de situações encontradas no núcleo familiar e nos territórios que possam levar a situações de vulnerabilidades sociais. O público usuário do PAIF são as famílias territorialmente referenciadas ao CRAS, que se encontra em situação de vulnerabilidade social decorrente da pobreza, do precário ou nulo acesso aos serviços públicos, da fragilização de vínculos de pertencimento e sociabilidade e/ou qualquer outra situação de vulnerabilidade ou risco social. Diante das demandas, necessidades e vulnerabilidades trazidas pelas famílias e indivíduos, é lançada a pergunta: Qual a contribuição e os desafios do assistente social no desenvolvimento do PAIF no CRAS de Laranjal do Jari – AP? O Serviço de Proteção e Atendimento Integral à Família (PAIF) é um serviço essencial que visa prevenir situações de vulnerabilidade e risco social, fortalecendo a função protetiva das famílias. Segundo Silva e Santos (2021, p. 3). O assistente social no PAIF tem um papel fundamental na mediação de conflitos, realização de encaminhamentos, acolhimento e escuta qualificada. Segundo Ferreira et al (2018. p. 1). A articulação entre atividades administrativas e interventivas no trabalho do assistente social no CRAS permite uma abordagem mais integral e humanizada, que considera não apenas as necessidades imediatas das famílias, mas também as questões estruturais e soci’ais que estão na origem de sua vulnerabilidade. De acordo com Oliveira et al. (2020). Segundo o CFESS (2009) o profissional de serviço social possui um caráter interventivo na dimensão que engloba as abordagens individuais, familiares ou grupais na perspectiva de atendimento às necessidades básicas e acesso aos direitos, bens e equipamentos públicos. No entanto, essa atuação não está isenta de desafios. Entre eles está a falta de infraestrutura como destaca Pimentel, Pereira e Brun (2018). A atuação do assistente social no Programa de Atenção Integral à Família (PAIF) dentro do Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) de Laranjal do Jari – AP é uma temática que requer uma análise minuciosa das contribuições e desafios enfrentados por esses profissionais. A pergunta central desta pesquisa é: “Qual a contribuição e os desafios do assistente social no desenvolvimento do PAIF no CRAS de Laranjal do Jari – AP? ”. Para responder a essa pergunta, será necessário compreender tanto as práticas cotidianas dos assistentes sociais quanto as dificuldades estruturais e operacionais enfrentadas no contexto específico desse município. A atuação dos profissionais junto às famílias corresponde ao alicerce no qual o serviço PAIF se sustenta [..] (BRASIL, 2012. p. 6). Dessa forma, o papel do assistente social é fundamental na identificação das demandas sociais e na articulação dos recursos necessários para atender às necessidades das famílias. Além disso, Iamamoto (2018) destaca que a valorização profissional e a capacitação contínua são fundamentais para que os assistentes sociais possam realizar intervenções qualificadas. A falta dessas condições pode levar ao desgaste profissional e à precarização dos serviços ofertados pelo CRAS. Nesse sentido, Raichelis (2010) aponta que o que está em questão, portanto, é a ressignificação do trabalho na assistência social. “Com a ideia de incorporar mecanismos permanentes de democratização, qualificação e capacitação continuada. ” (RAICHELIS, 2010. p. 17). Portanto, ao buscar analisar as contribuições dos assistentes sociais no desenvolvimento do PAIF em Laranjal do Jari – AP, este estudo deverá considerar tanto os aspectos positivos quanto os obstáculos enfrentados pelos profissionais. É essencial reconhecer o valor das práticas desenvolvidas pelos assistentes sociais enquanto agentes transformadores da realidade socioeconômica local, ao mesmo tempo em que se propõem reflexões sobre possíveis melhorias nas condições estruturais e operacionais dos CRAS. O objetivo geral da presente pesquisa foi analisar contribuição e os desafios do assistente social no desenvolvimento do PAIF no CRAS de Laranjal do Jari – AP. Os objetivos específicos são: Estudar sobre o histórico da política social como direito social no Brasil; Identificar a atuação do assistente social na política da assistência social no âmbito do PAIF; Discutir os principais desafios enfrentados pelo assistente social no desenvolvimento do PAIF no CRAS de Laranjal do Jari - AP. A justificativa da presente pesquisa reside na importância de entender como os assistentes sociais contribuem para o desenvolvimento do PAIF e quais desafios enfrentam nesse processo. A atuação desses profissionais é crucial para garantir o acesso das famílias aos direitos socioassistenciais, promovendo a inclusão social e prevenindo situações de vulnerabilidade. Conforme aponta Leite ET AL (2023, p. 14) O assistente social atua como mediador entre as demandas dos usuários e as políticas públicas. Além disso, os desafios enfrentados pelos assistentes sociais no CRAS de Laranjal do Jari incluem limitações estruturais, recursos insuficientes e a complexidade das situações atendidas. Segundo Mioto (2017), “a precarização das condições de trabalho no serviço social compromete a qualidade dos serviços prestados e gera um desgaste significativo nos profissionais”. Como metodologia, foi adotada a pesquisa qualitativa, como destaca Denzin e Lincoln (2006, p.17), é caracterizada por sua abordagem interpretativa e naturalista, visando compreender os fenômenos em seus contextos específicos e fornecer uma análise detalhada das interações sociais e das narrativas dos sujeitos envolvidos. A coleta de dados será realizada por meio de entrevistas semiestruturadas com a assistente social de referência do PAIF. A entrevista semiestruturada permitirá explorar em profundidade as percepções da profissional sobre suas contribuições e os desafios enfrentados no desenvolvimento do PAIF. Segundo Minayo (2016), essa técnica é adequada para captar as subjetividades dos entrevistados, proporcionando um entendimento mais rico e detalhado das práticas sociais. Os dados coletados serão analisados por meio da técnica de análise de conteúdo, conforme descrito por Bardin (2011, p. 123).Comment by Thais Rusczak: Acredito que seja mais viável mater o anonimato da entrevistada. Não esqueça de trazer na próxima postagem o TCLE assinado por ela junto com a entrega final do trabalho. Caso tenha dúvidas acione a tutoria da disciplina. Essa técnica permite categorizar as informações em temas emergentes que respondam à pergunta central da pesquisa. A análise será conduzida em três etapas: pré-análise, exploração do material e interpretação dos resultados. Na fase de pré-análise, faremos uma leitura flutuante para nos familiarizar com o material; na exploração do material, procederemos à codificação dos dados; e na interpretação dos resultados, relacionaremos os achados aos objetivos da pesquisa e à literatura existente. Para garantir a ética na pesquisa, todos os participantes serão informados sobre os objetivos do estudo e assinarão um Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE). Além disso, será garantido o anonimato dos entrevistados para preservar sua identidade e confidencialidade das informações fornecidas (Resolução CNS n° 510/2016). O público-alvo desta pesquisa será a assistente social que atua no PAIF dentro do CRAS de Laranjal do Jari – AP. Comment by Thais Rusczak: Você trouxe o nome acima, como será anônimo? A atuação do assistente social dentro do centro de referência de assistência social (CRAS) de Laranjal do Jari - AP é um tema de grande relevância, especialmente considerando o papel crucial que esses profissionais desempenham na promoção da proteção social básica e no fortalecimento dos vínculos familiares e comunitários. A pesquisa está sistematizada em capítulos. O primeiro capítulo apresenta o cenário das políticas públicas em serviço social no Brasil, culminando com o surgimento dos CRAS e do PAIF, passando ainda pela Vigilância Socioassistencial, pela conceituação de Família e Proteção. O capítulo seguinte resgata o histórico do Serviço Social no Brasil, além de descrever, de forma breve, as normativas que orientam a função do assistente social no país, destacando o perfil do profissional, áreas de atuação e suas competências. No terceiro capítulo é conceituado o Cadastro Único, apontada a sua base de dados, instrumentos e indicadores sociais, apresentando ainda o perfil do município de Laranjal do Jari-Ap, bem como a caracterização socioeconômica das famílias atendidas pelo PAIF daquele município. No capítulo quatro, é retratado o trabalho socioassistencial com famílias no PAIF, com destaque para uma intervenção na superação das vulnerabilidades sociais referenciadas ao CRAS. As considerações finais apresentam as conclusões do estudo, bem como orientações para desdobramentos da pesquisa. OS DESAFIOS ENFRENTADOS NA POLÍTICA DE ASSISTÊNCIA SOCIAL E PROTEÇÃO SOCIAL Comment by Thais Rusczak: Melhore o alinhamento com os objetivos específicos, pois como o estudo vai abordar os desafios enfrentados pelo assistente social no desenvolvimento do PAIF, deve ter o referencial direcionado para isso também. Os desafios na política de assistência social e proteção social são multifacetados e complexos, englobando desde o subfinanciamento e a falta de articulação entre serviços até a estigmatização dos usuários. A escassez de recursos financeiros compromete a sustentabilidade das ações, enquanto a fragmentação dos serviços impede uma abordagem integrada capaz de atender às necessidades diversas da população. Além disso, barreiras culturais e sociais dificultam o acesso e a aceitação dos programas, e a falta de capacitação dos profissionais limita a qualidade do atendimento. Em um contexto de crises econômicas e políticas de austeridade, esses obstáculos se tornam ainda mais evidentes, exigindo um esforço colaborativo e um compromisso renovado para promover a inclusão e o bem-estar social de maneira eficaz. HISTÓRICO DA POLÍTICA NACIONAL DA ASSISTÊNCIA SOCIAL Para Mallmannm Balestrin e Silva (2017) por muitos anos, a questão social não era pauta das formulações de política no país. No entanto, ao lançar uma proposta de universalização dos direitos sociais, a Constituição Federal inaugurou um avanço significativo na temática da proteção social, lançando um olhar para a parcela da população em situação de pobreza, marginalizada e em situação de vulnerabilidade social. Comment by Thais Rusczak: Qual autor disse isso? Lembre de fundamentar com autores. Pois ao escrever deve apontar quem disse, e isso não está escrito na constituição de 1988. Reveja Sob a responsabilidade do Estado em todas as suas esferas federal, estadual e municipal, a proteção social passa a ser assegurada pelo artigo 6º da Carta Magna “são direitos sociais a educação, a saúde, o trabalho, o lazer, a segurança, a previdência, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados” (BRASIL, 1988). Na concepção de Mallmannm Balestrin e Silva (2017), a partir dessa responsabilidade conferida aos entes públicos, no sentido de amparar as pessoas em situação de risco e vulnerabilidade social, de forma especial os públicos idosos, crianças, adolescentes e as gestantes, houve a necessidade da criação de políticas públicas e de assistência social para que se efetivasse essa proteção e amparo a esses públicos vulneráveis. Antes de 1988, muitos direitos obtidos no campo social não estavam nítidos para todos, e davam abertura para que governantes em todas as esferas de poder estatais não executassem as políticas voltadas às necessidades sociais da população, principalmente às de seguridade social. Assim, a Constituição Federal de 1988 estabeleceu o tripé da seguridade social, destacando-se a política de assistência social, onde deve ser realizada por meio do governo federal, dos Estados, dos municípios e do Distrito Federal e mantida mesmo quando se alternassem os governantes (MALLMANN, BALESTRIN E SILVA, 2017, p. 149). A aprovação da Lei Orgânica da Assistência Social (Brasil, 1993), no ano de 1993, introduziu um segundo momento na construção da PNAS, o que possibilitou a materialização legal dos arts. 203 e 204 da CF de 1988, garantindo que a assistência social fosse um direito do cidadão e um dever do Estado, conforme vem definido no artigo 1º: A assistência social, direito do cidadão e dever do Estado, são Política de Seguridade Social não contributiva, que provê os mínimos sociais, realizada através de um conjunto integrado de ações de iniciativa pública e da sociedade, para garantir o atendimento às necessidades básicas (BRASIL, 1988, p. 12). Yazbek (1998, p. 55) afirma que a LOAS conferiu um novo significado à assistência social ao situar-se no campo do direito social, o que “expressa uma mudança fundamental na concepção da Assistência Social que se afirmar como direito, como uma das políticas estratégicas de combate à pobreza, à discriminação e à subalternidade em que vive grande parte da população brasileira.” A mesma autora destaca a característica inovadora das LOAS, ao conferir um caráter não contributivo para a assistência social: a LOAS inova ao afirmar para a assistência social seu caráter de direito não contributivo, (independentemente de contribuição à Seguridade e para além dos interesses do mercado), ao apontar a necessária integração entre o econômico e o social e ao apresentar novo desenho institucional para a assistência social. (YASBEK, 2008, p. 15). Nessa sequência de construção e materialização da assistência social, no ano de 2004, em atendimento às deliberações da IV Conferência Nacional, foi aprovado na Reunião Descentralizada e Ampliada do Conselho Nacional de Assistência Social – CNAS, o primeiro texto da Política Nacional da Assistência Social (PNAS), a qual “estabelece princípios e diretrizes para a implementação do Sistema Único de Assistência Social – SUAS e é resultado de amplos debates realizados em todos os estados e no Distrito Federal durante o ano de 2004 [...]” (MDS, 2012). A PNAS trouxe novas alterações, como a Norma Operacional Básica do SUAS (NOB/SUAS), aprovada pelo CNAS em 2005, que disciplina a operacionalização da gestão doSUAS; em seguida, em 2006, foi aprovado o texto da Norma Operacional Básica de Recursos Humanos do SUAS (NOB-RH/SUAS), instrumento responsável pela definição das responsabilidades na política de trabalho na área, norma que teve uma nova versão publicada em janeiro de 2013 – a NOB/SUAS 2012, representando um marco fundamental na estruturação do SUAS; além da Resolução 109/2009, que trata da tipificação dos serviços socioassistenciais, organizados por níveis de complexidade do SUAS. Paiva (2011) assim define o SUAS: Uma porta aberta na direção de uma proteção social distendida, sensível à pobreza e às amplas necessidades coletivas, que herdamos confinadas ao gueto da focalização extremada. Por esta razão, não se trata mais de acabar no debate sobre o SUAS – e sobre os desafios do trabalho social crítico e com qualidade – que o tema da pobreza e da desigualdade seja apartado de sua dimensão estrutural, permanecendo confinado como um problema de esfera de consumo e da estrutura familiar (PAIVA, 2011, p. 10). Assim, nesse contexto de evolução da política de assistência social, surge o Sistema Único de Assistência Social – SUAS, o qual foi criado a partir das deliberações da IV Conferência Nacional de Assistência Social, com previsão na Lei Orgânica da Assistência Social (LOAS), tendo suas bases de implantação consolidadas por meio da Norma Operacional Básica do SUAS (NOB/SUAS). Definido como “um sistema público contributivo, descentralizado e participativo, que tem por função a gestão do conteúdo específico da assistência social no campo da proteção social brasileira” (BRASIL, 2010, p. 42). MARCO NORMATIVO DA VIGILÂNCIA SOCIOASSISTENCIAL A Assistência Social apresenta três funções como política pública, a saber: a proteção social, a vigilância socioassistencial e a defesa dos direitos, as quais vêm a seguir conceituadas por Simões (2013, p. 165): A proteção social para a garantia da vida, redução de danos e prevenção de incidência de riscos [...]. A vigilância socioassistencial para analisar territorialmente a capacidade protetiva das pessoas e nela a ocorrência de vulnerabilidades, ameaças, vitimizações e danos. A defesa dos direitos para garantir o pleno acesso aos direitos, no conjunto das provisões socioassistenciais. Diante disso, pode-se afirmar que a vigilância socioassistencial se constitui como um dos objetivos estruturantes da política de assistência social brasileira, no mesmo patamar que as demais proteções, a proteção social e a defesa de direitos. Dessa forma, deve ser entendida como uma função da assistência social. Tal concepção encontra-se expressa tanto no texto da LOAS, com as alterações realizadas nessa normativa em 2011, quanto na PNAS e na Norma Operacional Básica do Sistema Único de Assistência Social (NOB-SUAS, 2012). Por sua vez, a Lei Orgânica da Assistência Social – LOAS, no seu artigo 2º (redação dada pela Lei nº 12.435/2011), integra a Assistência Socioassistencial entre os objetivos da Assistência Social, a qual “visa analisar territorialmente a capacidade protetiva das famílias e nela a ocorrência de vulnerabilidades, de ameaças, de vitimizações e danos” (BRASIL, 1993). Mais adiante, ao mencionar a proteção social básica e a proteção social especial como sendo os dois tipos de proteção previstos pela Assistência Social, a redação do § único da art. 6º-A da lei citada ressalta que a vigilância socioassistencial “é um dos instrumentos das proteções da assistência social que identifica e previne as situações de risco e vulnerabilidade social e seus agravos no território” (BRASIL, 1993). Nessa linha de raciocinio, a Política Nacional da Assistência Social vem a reiterar a caracterização da Vigilância Assistencial como uma das funções da Assistência Social: Os serviços socioassistenciais no SUAS são organizados segundo as seguintes referências: vigilância social, proteção social e defesa social e institucional: Vigilância Social: refere-se à produção, sistematização de informações, indicadores e índices territorializados das situações de vulnerabilidade e risco pessoal e social que incidem sobre famílias/pessoas nos diferentes ciclos da vida (crianças, adolescentes, jovens, adultos e idosos); pessoas com redução da capacidade pessoal, com deficiência ou em abandono; crianças e adultos vítimas de formas de exploração, de violência e de ameaças; vítimas de preconceito por etnia, gênero e crenças pessoais; vítimas de exclusão social que lhes impossibilite sua autonomia e integridade, fragilizando sua existência; vigilância sobre os padrões de serviços de assistência social em especial aqueles que operam na forma de albergues, abrigos, residências, semi-residências, moradias provisórias para os diversos segmentos etários. Os indicadores a serem construídos devem mensurar no território as situações de riscos sociais e violação de direitos (PNAS, 2004, p. 39). A mesma normativa, a seguir, aborda a vigilância socioassistencial, destacando o papel do órgão responsável por sua gestão, que consiste “no desenvolvimento da capacidade e de meios de gestão assumidos pelo órgão público gestor da Assistência Social para conhecer a presença das formas de vulnerabilidade social da população e do território pelo qual é responsável (PNAS, 2004, p. 93)”. FAMÍLIA E PROTEÇÃO SOCIAL Comment by Thais Rusczak: Incluir uma subseção só sobre o PAIF. Conceituação de família Segundo Biroli (2014) uma das mais importantes formas de organização social é a família, que vem definida sociologicamente como sendo a célula básica do conjunto da sociedade. Historicamente, a família é a instituição e o agrupamento mais antigo na sociedade, que predominou em todas as culturas. A vida das pessoas costuma girar em torno da relação com a sua família. Caso se lance a pergunta para diferentes pessoas sobre sua definição acerca da palavra família, não restam dúvidas de que aportariam respostas das mais diversas sobre a temática, considerando a visão particularizada de cada um. Comment by Thais Rusczak: Fonte? Nesse sentido, Biroli (2014, p. 7) dialoga: A noção de família pode estar profundamente ligada a afetos e sentimentos de diferentes tipos. As experiências que temos das relações familiares são singulares, íntimas e fundamentais para percepção de quem somos, isto é, para as nossas identidades. Ao se buscar a definição da palavra família no dicionário dicio de português online, basicamente segue uma definição histórica da mesma que seria um grupo de pessoas compostos de um pai, uma mãe e os filhos desta que nasceram a partir desse relacionamento. No entanto, ao acompanhar a evolução das ideologias de todo tipo, inclusive as ideologias que tem a finalidade de destruir a família tradicional, o dicionário Houaiss inova na sua definição de família, ao apresentá-la como sendo “Núcleo social de pessoas unidas por laços afetivos, que geralmente compartilham o mesmo espaço e mantêm entre si uma relação solidária”. Seu novo texto reflete as mudanças na sociedade ao longo dos tempos, impostas ou não, o qual foi escrito com a colaboração de milhares de pessoas que participaram da campanha “Todas as famílias”, criada por uma agência de publicidade. A campanha faz parte de uma parceria que envolve a Coordenadoria Especial da Diversidade Sexual do RJ, da Associação Brasileira de Famílias Homoafetivas e da Agência de Publicidade NBS, e que é lançada como resposta ao Estatuto da Família, aprovado na Câmara dos Deputados no ano de 2015. Mas palavras do Vice-presidente da NBS, André Paiva, “o mundo é diverso, abrangente e dinâmico. A atual definição é reducionista e anacrônica. ” Comment by Thais Rusczak: Mesmo que é o dicionário traga a fonte A partir desses grupos em especifíco, surge então o desejo de destruir a definição da palavra família que seria a família tradicional que existe desde os primórdios da civilização e contribuir para uma reflexão sobre quais seriam verdadeiros laços que unem as pessoas que fazem parte de um núcleo familiar. O art. 226 da Constituição Federal de 1988 consagra a família como base da sociedade,além de lhe garantir proteção especial. A partir desse evento, outras legislações passam a reafirmar o caráter: Lei Orgânica da Assistência Social, Estatuto da Criança e do Adolescente, Código Civil, Estatuto do Idoso, entre outras. Noronha; Parron (p. 7) destaca essas inovações na legislação brasileira: A partir de então, foram várias as inovações jurídicas; merecem destaque: a igualdade conferida aos homens e mulheres, tornando igualitária a proteção de ambos e se estendendo, também aos filhos, fossem provenientes, ou não, do casamento ou por adoção; o divórcio, como método de dissolver o casamento civil (nova redação dada ao §6º do art. 226 da CF) e, do mesmo modo, a equiparação, no que tange aos direitos garantidos à família formada através do casamento, assim como à constituída pela união estável e às monoparentais, figuras novas do ordenamento jurídico brasileiro. Nesse contexto, o PNAS (2004, p. 25) destaca o papel da matricialidade a importância da matricialidade sociofamiliar no âmbito da Política Nacional de Assistência Social: Esta ênfase está ancorada na premissa de que a centralidade da família e a superação da focalização, no âmbito da política de Assistência Social, repousam no pressuposto de que para a família prevenir, proteger, promover e incluir seus membros é necessário, em primeiro lugar, garantir condições de sustentabilidade para tal. Nesse sentido, a formulação da política de Assistência Social é pautada nas necessidades das famílias, seus membros e dos indivíduos. Quando as famílias são integradas em ações de assistência social, existe maior êxito na intervenção, tendo em vista que o acolhimento e o engajamento da família são maiores. 2.3.2 A proteção social no âmbito da família Conforme a PNAS (2004, p. 90), a proteção social no âmbito da Assistência Social “consiste no conjunto de ações, cuidados, atenções, benefícios e auxílios ofertados pelo SUAS para redução e prevenção do impacto das vicissitudes sociais e naturais ao ciclo da vida, à dignidade humana e à família”, tendo por princípios: “a matricialidade sociofamiliar; a territorialização; a proteção proativa; a integração à seguridade social; a integração às políticas sociais e econômicas. ” Importante mencionar as mudanças ocorridas na estrutura tradicional das famílias brasileiras, conforme citam Carvalho e Almeida (2003), tais como crescimento de domicílios formados por “não-famílias”; diminuição no seu tamanho; debilidade dos laços conjugais devido ao aumento dos divórcios dada a liberdade e facilidade do estado para essa situação; o aumento do número de casais sem filhos por não terem mais segurança que o casamento seja uma estrutura confiável entre outros motivos; multiplicação de arranjos familiares que diferem do modelo nuclear, principalmente quanto às famílias chefiadas por mulheres sem cônjuge. Nesse contexto de transformações na base da família, a PNAS atua na centralidade da família na função de uma de suas diretrizes para concepção e implementação dos benefícios, serviços, programas e projetos. A NOB/SUAS (2005) elenca as funções da Política Pública de Assistência Social: A proteção social de Assistência Social se ocupa das vitimizações, fragilidades, contingências, vulnerabilidades e riscos que o cidadão e suas famílias enfrentam na trajetória de seu ciclo de vida, por decorrência de imposições sociais, econômicas, calamidade pública, políticas e de ofensas à dignidade humana. […] em suas ações, produz aquisições materiais, sociais, socioeducativas ao cidadão e suas famílias para suprir suas eventuais ou recorrentes necessidades de ordem material, social, individual e familiar; desenvolver suas capacidades e talentos para a convivência social, protagonismo e autonomia (BRASIL, 2005, p. 89). A r edação da PNAS (2004, p. 90) afirma que para a proteção social de Assistência Social, o princípio de matricialidade sociofamiliar significa que: A família é o núcleo social básico de acolhida, convívio, autonomia, sustentabilidade e protagonismo social; a defesa do direito à convivência familiar, na proteção de Assistência Social, supera o conceito de família como unidade econômica, mera referência de cálculo de rendimento per capita e a entende como núcleo afetivo, vinculado por laços consanguíneos, de aliança ou afinidade, que circunscrevem obrigações recíprocas e mútuas, organizadas em torno de relações de geração e de gênero; a família deve ser apoiada e ter acesso a condições para responder ao seu papel no sustento, na guarda e na educação de suas crianças e adolescentes, bem como na proteção de seus idosos e portadores de deficiência; o fortalecimento de possibilidades de convívio, educação e proteção social, na própria família, não restringe as responsabilidades públicas de proteção social para com os indivíduos e a sociedade. 0. Programa de Atenção Integral a Família - PAIF O Serviço de Proteção e Atendimento Integral à Família (PAIF), juntamente com o Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos (SCFV) e o Serviço de Proteção Social Básica no Domicílio para pessoas com deficiência e idosos, são componentes da proteção social básica no contexto da Política de Assistência Social. O PAIF foi criado a partir da compreensão de que as vulnerabilidades e riscos sociais vão além da esfera econômica, o que exige uma intervenção para promover a função protetiva da família e garantir o direito à convivência familiar. Em 2009, com a publicação da Tipificação Nacional dos Serviços Socioassistenciais, o Programa de Atenção Integral à Família passou a ser oficialmente denominado Serviço de Proteção e Atendimento Integral à Família, mantendo, contudo, a sigla PAIF. Para compreender o PAIF, é importante saber que ele representa uma modalidade de trabalho social desenvolvido com famílias, no qual esse trabalho social é entendido como: Conjunto de procedimentos efetuados a partir de pressupostos éticos, conhecimento teórico-metodológico e técnico-operativo, com a finalidade de contribuir para a convivência, reconhecimento de direitos e possibilidades de intervenção na vida social de um conjunto de pessoas, unidas por laços consanguíneos, afetivos e/ou de solidariedade – que se constitui em um espaço privilegiado e insubstituível de proteção e socialização primárias, com o objetivo de proteger seus direitos, apoiá-las no desempenho da sua função de proteção e socialização de seus membros, bem como assegurar o convívio familiar e comunitário, a partir do reconhecimento do papel do Estado na proteção às famílias e aos seus membros mais vulneráveis. Tal objetivo materializa-se a partir do desenvolvimento de ações de caráter “preventivo, protetivo e proativo”, reconhecendo as famílias e seus membros como sujeitos de direitos e tendo por foco as potencialidades e vulnerabilidades presentes no seu território de vivência (BRASIL, 2012, p. 12). Essa definição é fundamental para entender que os serviços oferecidos não se baseiam no senso comum, mas sim em procedimentos qualificados, desenvolvidos por profissionais e com objetivos bem definidos. A conceituação deixa claro que o trabalho social no PAIF é pautado por abordagens científicas, de forma sistêmica e metódica, sendo realizado por meio da construção de conhecimentos e da análise da realidade e das relações sociais. Segundo o Caderno de Orientações Técnicas sobre o PAIF de 2012, desenvolvido pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, o trabalho social é baseado em práticas profissionais, apoiadas pelo saber científico e sua efetivação depende de aspectos como: consciência crítica e espírito pesquisador por parte dos profissionais do CRAS; o conhecimento do território de atuação e suas especificidades; a adoção dos procedimentos e abordagens adequados à prestação do serviço; planejamento e análise das ações executadas; promoção da participação dos usuários nos processos de planejamento e avaliação (BRASIL, 2012). As ações no âmbito do PAIF devem ser planejadas e avaliadas em conjunto com as famílias atendidas, assim como com as organizaçõese movimentos populares presentes no território. Isso garante que o serviço seja adaptado às necessidades locais, promovendo o protagonismo das famílias e ampliando seu acesso a espaços de participação e controle social. São objetivos do Serviço de Proteção e Atendimento Integral à Família: Fortalecer a função protetiva da família, contribuindo na melhoria da sua qualidade de vida; Prevenir a ruptura dos vínculos familiares e comunitários, Promover aquisições sociais e materiais às famílias, potencializando o protagonismo e a autonomia das famílias e comunidades; Promover acessos a benefícios, programas de transferência de renda e serviços socioassistenciais, contribuindo para a inserção das famílias na rede de proteção social de assistência social; Promover acesso aos demais serviços setoriais, contribuindo para o usufruto de direitos e; Apoiar famílias qu possuem, dentre seus membros, indivíduos que necessitam de cuidados, por meio da promoção de espaços coletivos de escuta e troca de vivências familiares (BRASIL, 2014, p. 13). O PAIF deve proporcionar aquisições aos seus usuários no contexto da segurança de acolhida, dentro do qual se espera que as famílias tenham suas demandas e interesses acolhidos, recebam orientações e encaminhamentos e tenha assegurada sua privacidade; da segurança de convívio familiar e comunitário, onde os usuários devem vivenciar experiências que auxiliem o fortalecimento de vínculos familiares e comunitários, e na superação de fragilidades e; segurança de desenvolvimento de autonomia, que proporcione experiências potencializadoras da participação cidadã, que contribuam para a construção de projetos individuais e coletivos, e que desenvolvam potencialidades. Espera-se como impacto social das ações a redução e prevenção de situações de vulnerabilidade social, maior acesso aos serviços socioassitenciais e setoriais, e a melhoria da qualidade de vida das famílias (BRASIL, 2014). 2.3.4 TRABALHO SOCIOASSISTENCIAL COM FAMÍLIAS NO ÂMBITO DO PAIF Ao apresentar o Serviço de Proteção e Atendimento Integral à Família (PAIF), o caderno de Orientações Técnicas sobre o PAIF – Vol. 1 (2012, p. 09) observa que este serviço foi introduzido no início da década de 2000, especificamente no ano de 2001, por meio de um projeto-piloto denominado Programa Núcleo de Apoio à Família - NAF. No ano de 2003, com uma visão de expansão e adequação, ocorreu o lançamento do Plano Nacional de Atendimento Integral à Família – PAIF. Comment by Thais Rusczak: Isso já deveria constar no inicio do trabalho, reveja e organize No ano seguinte, 2004, sofreu aprimoramentos e adequações às diretrizes da Política Nacional de Assistência Social – PNAS, com a instituição do Programa de Atenção Integral à Família, tornando-se referência principal ao usuário do Sistema Único de Assistência Social – SUAS. A partir do Decreto nº 5.085/2004, o PAIF passou ao patamar de “ação continuada da assistência social”, serviço que passou a ser ofertado de forma obrigatória nos Centros de Referências de Assistência Social – CRAS. Em 2009, diante da aprovação da Tipificação Nacional de Serviços Socioassistenciais, sua denominação passou a ser Serviço de Proteção e Atendimento Integral à Família - PAIF, corroborando com o que vem estabelecido na Lei Orgânica de Assistência Social - LOAS, no que se refere ao conceito de ação continuada. Concebido como o principal serviço de proteção social básica, que desenvolve o trabalho social com famílias, e integrando a rede de serviços de ação continuada da Assistência Social financiada pelo Governo Federal, esse serviço deve obrigatoriamente ser ofertado no CRAS, que é a estrutura física onde o serviço PAIF é executado e a unidade estatal de referência de rede de proteção social básica. Segundo o caderno de Orientações Técnicas sobre o PAIF – Vol. 2 (p. 09, 2012), o conceito de trabalho social com famílias, no âmbito do PAIF, é compreendido como: Conjunto de procedimentos efetuados a partir de pressupostos éticos, conhecimento teórico-metodológico e técnico-operativo, com a finalidade de contribuir para a convivência, reconhecimento de direitos e possibilidades de intervenção na vida social de um conjunto de pessoas, unidas por laços consanguíneos, afetivos e/ou de solidariedade – que se constitui em um espaço privilegiado e insubstituível de proteção e socialização primárias, com o objetivo de proteger seus direitos, apoiá-las no desempenho da sua função de proteção e socialização de seus membros, bem como assegurar o convívio familiar e comunitário, a partir do reconhecimento do papel do Estado na proteção às famílias e aos seus membros mais vulneráveis. E ainda conta com os seguintes objetivos: Tal objetivo materializa-se a partir do desenvolvimento de ações de caráter “preventivo, protetivo e proativo”, reconhecendo as famílias e seus membros como sujeitos de direitos e tendo por foco as potencialidades e vulnerabilidades presentes no seu território de vivência (BRASIL, 2012, p. 12). Vale ressaltar que a realidade que se apresenta dá uma série de formas para enfretar e fortalecer as fragilidades e vulnerabilidades enfrentadas pelas famílias onde a literatura nos norteia: A partir dessa leitura de realidade das famílias referenciadas, é possível buscar mecanismos de prevenção e enfrentamento de tais fragilidades, por meio de um trabalho baseado no reconhecimento da oferta de serviços e benefícios assistenciais como dever do Estado e direito das famílias e indivíduos. A materialização do trabalho social com famílias do PAIF ocorre por meio de ações planejadas e avaliadas, que incentivem a participação das famílias atendidas, “visando o aperfeiçoamento do Serviço, a partir de sua melhor adequação às necessidades locais, bem como o fortalecimento do protagonismo destas famílias, dos espaços de participação democrática e de instâncias de controle social” (BRASIL, 2012, p. 14). Em meio ao atual contexto de instabilidade econômica que desencadeia situações de ausência de renda e de trabalho, o acompanhamento do PAIF deve se dar no sentido de centrar esforços para que as famílias tenham acesso ágil a programas de transferência de rende e/ou a benefícios assistenciais a partir do estabelecimento de estratégias de acesso à renda, como orientações sobre benefícios e programas socioassistenciais. Os encaminhamentos direcionados ao “Cadastro Único e ao INSS para o recebimento do Benefício de Prestação Continuada constituem, na maioria das vezes, as principais demandas de encaminhamentos das famílias usuárias do PAIF” (BRASIL, 2012, p. 48), encaminhamentos esses que se fazem fundamentais para o acesso dessas famílias ao direito à renda. Nesse contexto de necessidade de centrar esforços para um acesso mais ágil aos programas e benefícios assistenciais, além do volume de demandas relacionadas ao BPC, foi concebida a idealização de um projeto de intervenção com grupos, direcionado aos idosos e às pessoas com deficiência, com fins de orientações, esclarecimentos e acesso ao benefício. O Serviço Social no Brasil Comment by Thais Rusczak: Faltam referências à atuação do assistente social especificamente no contexto do PAIF e no CRAS. É indispensável esse detalhamento melhor o papel do assistente social nesse ambiente, abordando suas funções práticas no atendimento à família, fortalecimento de vínculos e promoção da autonomia. Ampliar a análise sobre o perfil e atribuições do assistente social>> traga a lei que regulamenta a profissão em suas atribuições privativas, traga também o código de ética, principalmente em relação ao princípios da profissão, lincando assim, com o projeto ético político. Reforçar o papel do assistente social na superação dos desafios estruturais>> detalhar mais sobre a formação e capacitação contínua necessárias para lidar com os desafios identificados no PAIF. O Serviço Social no Brasil é uma profissão que se consolidou ao longo do século XX, caracterizada por seu compromisso com a promoção da justiça social e a defesa dos direitos humanos. A atuação dosassistentes sociais abrange diversas áreas, como saúde, educação, habitação e políticas públicas, sempre com o objetivo de compreender e intervir nas desigualdades sociais presentes na sociedade brasileira. Com base em uma formação teórica e prática, esses profissionais buscam articular conhecimentos das ciências sociais e da psicologia, utilizando uma abordagem crítica e reflexiva. O Serviço Social no Brasil também enfrenta desafios, como a necessidade de reconhecimento e valorização da profissão, além da luta constante por políticas que garantam melhores condições de vida para populações vulneráveis. HISTÓRICO DA PROFISSÃO DO ASSISTENTE SOCIAL NO BRASIL: DA GÊNESE À ATUALIDADE Dando início à introdução da trajetória do Serviço Social no Brasil, destaca-se que seu processo inicial foi na década de 1930, tendo como marco a criação da primeira Escola de Serviço Social de São Paulo, no ano de 1936, que seguiu a tradição católica e atualmente vinculada à Pontifícia Universidade Católica de São Paulo - PUC-SP. A partir de então, com a profissão de assistente social estabelecendo-se, surgiram as primeiras instituições assistenciais no país, onde passou a ser inserido o profissional do serviço social. Esse período histórico de criação das primeiras escolas de serviço social “coincidiu com o de mudanças sociais, as quais foram pensadas a priori somente para a manutenção do domínio e do poder de grupos específicos da sociedade” (ALBONETTE, 2017, p. 70). A ideologia dominante da Igreja Católica, à época, com o apoio do Estado, buscava apenas a conservação dos seus fiéis e a manutenção de ambos no poder. Apesar dessa primeira intenção, a autora destaca que, diante do agravamento oriundo das demandas das expressões da questão social, estas impuseram ao Estado e à Igreja buscas alternativa para a continuidade da exploração dos menos favorecidos. É nesse contexto que surge a profissão, com o propósito de auxiliar o Estado no enfrentamento da questão social, como estratégia de intervenção deste na administração das relações conflitantes entre a classe trabalhadora e a classe empresarial. Nesse sentido, Iamamoto e Carvalho, destacam o papel da questão social nesse cenário, afirmando que: O Serviço Social se gesta e se desenvolve como profissão reconhecida na divisão social do trabalho, tendo por pano de fundo o desenvolvimento capitalista industrial e a expansão urbana, processos esses aqui apreendidos sob o ângulo das novas classes sociais emergentes – a constituição e expansão do proletariado e da burguesia industrial – e das modificações verificadas na composição dos grupos e frações de classes que compartilham o poder de Estado em conjunturas históricas específicas. É nesse contexto, em que se afirma a hegemonia do capital industrial e financeiro, que emerge sob novas formas a chamada “questão social”, a qual se torna a base de justificação desse tipo de profissional especializado. A questão social não é senão as expressões do processo de formação desenvolvimento da classe operária e de seu ingresso no cenário político da sociedade, exigindo seu reconhecimento como classe por parte do empresariado e do Estado. (Iamamoto e Carvalho, 2006, p. 77) Comment by Thais Rusczak: Verifique a formatação correta Em alinhamento a essa mesma interpretação da realidade que se configurava à época do surgimento da profissão, na leitura de Freitas (2002, p. 17), a classe burguesa da época designou o termo Questão Social com o fim de denominar o movimento organizado e articulado pelos trabalhadores, movimento esse que já começava a ameaçar a ordem econômica. Diante das mudanças na dinâmica das relações sociais frente ao processo de avanço da industrialização promovida pelo capitalismo em expansão, um expressivo contingente humano migrou do campo para as cidades em busca de trabalho e oportunidades. No entanto, esses centros não contavam com uma estrutura correspondente para abrigar tamanha demanda o que culminou no inchaço das metrópoles e nas consequentes expressões da questão social, tais como pobreza, fome, doenças etc., problemas esses que desencadearam numa grande precariedade no estilo de vida da classe operária. Nesse mesmo direcionamento, Paulo Netto reforça que: O termo questão social, datado da terceira década do século XIX, surge para dar conta do fenômeno da pauperização massiva da população trabalhadora. Este era, então, um fenômeno novo, pois pela primeira vez o pauperismo crescia numa relação direta com a capacidade de produzir riquezas e, portanto, em um quadro tendente a reduzir a escassez: aparecia como nova (questão social), porque era produzida pelas mesmas razões, que propiciavam os supostos de sua redução e, no limite, de sua supressão. (Paulo Netto, 2005, p. 145) Submetido a condições deploráveis de trabalho impostas pelas indústrias, o proletariado, que formava um grande contingente de trabalhadores, se organiza em uma luta reivindicatória contra essa exploração de sua força de trabalho de forma exaustiva, o que vem a contrariar os interesses da burguesia. Iamamoto e Carvalho (2006, p. 128-129) descrevem as condições desumanas e precárias em que estava submersa a população operária no país, composta majoritariamente por imigrantes, que se aglomerava em bairros insalubres, nas proximidades das indústrias. Estas, na sua maioria, funcionavam em prédios adaptados, em condições de higiene e segurança mínimas, propícias a acidentes de trabalho. Desprovidos do básico para sua sobrevivência, sem acesso aos serviços de água, energia elétrica e saneamento básico. Mesmo diante de uma forçada jornada extenuante e desumana, que poderia chegar a 14 horas diárias, a remuneração recebida por seu trabalho era desproporcional a essa exploração de sua força de trabalho. Com renda insuficiente para a sobrevivência do grupo familiar, tal situação: (...) força a entrada no mercado de trabalho das mulheres e das crianças de ambos os sexos em idade extremamente prematura, o que funciona também como mecanismo de reforço ao rebaixamento salarial. É comum a observação sobre a existência de crianças operárias de até cinco anos e dos castigos corporais infligidos a aprendizes. Warren Deans calcula, já para 1920, que da força de trabalho industrial de São Paulo uma terça parte é constituída de mulheres, metade aproximadamente são operários e operárias menores de 18 anos, e 89 menores de 14 anos. A jornada normal de trabalho – apesar de diferir por ramos industriais – é, no início do século, de 14 horas. Em 1911 será em média de 11 horas e, por volta de 1920, de 10 horas. Até o início da década de 1920, no entanto, dependerá na maioria das vezes das necessidades das empresas. Mulheres e crianças estarão sujeitas à mesma jornada e ritmo de trabalho, inclusive noturno, com salários bastante inferiores. O operário contará para sobreviver apenas com a venda diária da força de trabalho, sua e de sua mulher e filhos. Não terá direitos a férias, descanso semanal remunerado, licença para tratamento de saúde ou qualquer espécie de seguro regulado por lei. […dsd]. Não possuirá também garantia empregatícia ou contrato coletivo, pois as relações no mercado de trabalho permanecem estritamente no campo privado, constituindo contrato particular entre patrão e empregado, regido pelo Código Civil (IAMAMOTO E CARVALHO, 2006, p. 129). Em razão da necessidade de enfrentamento das mazelas oriundas da questão social, fruto da desigualdade social das relações de produção capitalista, a luta reivindicatória em prol da vida, da liberdade, da sobrevivência, do trabalho, levava a classe proletária a avançar em seu movimento organizado, embate esse que era visto com muita apreensão pela burguesia. A união da classe dominante com o Estado e a Igreja, na condição de poderes organizados, traçava estratégias disciplinadoras e desmobilizadoras para contenção do movimento do proletariado, força essa que já não se fazia tão eficiente, ante a tensão que envolvia a dualidade de classes, com os trabalhadores reivindicando direitos trabalhistas e condições maisdignas de vida. Diante desse quadro de tensão ante a uma crescente organização do movimento do proletariado, o Estado, tomando uma posição de apaziguador social, utilizando-se de uma estratégia que diminuísse a tensão que reinava entre os trabalhadores, tomou para si a responsabilidade pela reprodução da sua força de trabalho. Para tanto, buscou o fortalecimento de suas alianças (MARTINELLI, 2000, p. 122). Brandão (2006) reforça essa união de forças ao chamar a atenção para a mobilização da Igreja em prol de seus interesses e privilégios corporativos: o surgimento do Serviço Social caminha com a mobilização da Igreja na busca do resgate de seus interesses e privilégios corporativos através de uma influência normativa. O reordenamento da Igreja foi concretizado a partir da constituição do chamado “Bloco Católico”, lança pessoas à época vinculadas à Igreja na militância tanto intelectual como política, adotando como premissas: uma doutrina social totalitária: um projeto de desenvolvimento harmônico para a sociedade; o capitalismo transfigurado e recristianizado aparecem como concorrente do socialismo, na luta pela conquista e o enquadramento das classes subalternas. Observamos que a identidade inicial do Serviço Social está caracterizada pelo conteúdo doutrinário e confessional da Igreja, sendo que sua emergência é ampliada a partir da criação das primeiras escolas, que visavam à profissionalização da assistência e seu tutelamento pelo aparato religioso. (Brandão, 2006, p. 33) Em um relato histórico que traz as protoformas do Serviço Social, Iamamoto (2006, p.166) pontua que “os grandes movimentos operários de 1917 a 1921 tornaram patente para a sociedade a existência da “questão social” e da necessidade de procurar soluções para resolvê-la, senão minorá-la.” Entre as instituições assistenciais surgidas no período, destacam-se a Associação das Senhoras Brasileiras – em 1920, no Rio de Janeiro, e a Liga das Senhoras Católicas – 1923, e São Paulo. Conforme a autora, ambas as instituições conseguiam envolver os nomes das famílias integrantes da alta burguesia paulista e carioca e, por vezes, a própria militância feminina. Além disso, acrescenta ela, o aporte de recursos e potencial de contatos possibilitava um planejamento de obras assistenciais com maior envergadura e eficiência técnica. Importante destacar a importância do trabalho da Associação das Senhoras Brasileiras, assim como o da Liga das Senhoras Católicas no reconhecimento do trabalho social, de modo que houvesse uma ampliação do serviço social a partir dos anos 1960, culminando no surgimento das primeiras escolas de serviço social (MALLMANN, BALESTRIN E SILVA, 2017, p. 112). Assim, a partir desse cenário de estreitamento de laços do Estado com a Igreja e com os setores mais influentes da burguesia, foi criado, no ano de 1932, o Centro de Estudos e Ação Social de São Paulo – CEAS, espaço onde foi realizado a primeira formação para o exercício da ação social no Brasil, ancorada nas bases da Ação Social Católica e da Ação Católica Brasileira. Com o status de organizadora da sociedade, a ação social promovia, à época, atividades, ações e obras de cunho caritativo e filantrópico, vinculadas às classes sociais dominantes. Tais intervenções objetivavam, além do controle da ordem e da propagação dos preceitos morais, conferir uma amplitude da visibilidade da Igreja, mediante intervenções dirigidas aos trabalhadores e aos cidadãos em situação de vulnerabilidade social. Norteava seu principal objetivo uma formação em consonância com a doutrina social da Igreja Católica, buscando formar alunas capazes de atuar frente aos problemas sociais. As ações da instituição pioneira fundamentavam-se na capacitação dos assistentes sociais por meio de uma formação técnica especializada, visando sua atuação no âmbito da ação social, bem como centravam-se na disfunção da doutrina social da igreja, que visava a uma doutrina moral dos cidadãos (ALBONETTE, 2017, p. 61). Ao destacar o CEAS como o precursor do serviço social no Brasil, Oliveira (2014) define-o como sendo: (...) um centro controlado pela hierarquia; ele surgiu com a intenção de enaltecer a eficácia das iniciativas em obras sociais promovidas pela classe dominante de São Paulo, que recebia o patrocínio da Igreja. Serviu também para aumentar o poder de alistamento do laicado. Um curso intensivo de formação social para moças inaugurou as atividades do Centro; ele foi organizado pelas cônegas de Santo Agostinho. Adèle Loneux, da Escola Católica de Serviço Social de Bruxelas, foi convidada para ministrar o curso. As alunas eram basicamente jovens de famílias da classe dominante que haviam estudado em instituições religiosas de ensino. (Oliveira, 2014, p.109) Em 1936, é fundada pelo CEAS a primeira Escola de Serviço Social de São Paulo, curso incorporado futuramente à PUC-SP, cuja base vem ancorada na formação doutrinária do apostolado social católico, além de atender dentre outras oriundas do Estado. A formação da maioria das alunas se dava por meio de bolsas de estudos, cujos patrocínios advinham de órgãos estatais e paraestatais. No decorrer do tempo, a instituição, que se configurou na história como a primeira escola de serviço social do país, sofreu certas adaptações na sua formação técnica especializada, mormente em razão das transformações da sociedade nas áreas da cultura, economia, social e política que se faziam operar (ALBONETTE, 2017, p. 64). Em importante contribuição para o conhecimento da formação dos alunos que compuseram as primeiras escolas de assistentes sociais, na sua dissertação de Mestrado em Serviço Social, Silva (2010, p. 46) relata que a primeira turma em Serviço Social pela Escola de São Paulo, no ano de 1938, foi, na sua totalidade, constituída por jovens do sexo feminino, com a menção de que recaiu à aluna Lucy Pestana da Silva a incumbência de oradora da turma na colação de grau. No mesmo ano, formou- se a primeira turma mista da Escola de Serviço Social, cujas vagas foram destinadas aos alunos do sexo masculino que preencheriam os cargos de pesquisadores sociais, criados pelo Departamento de Assistência Social. A primeira Escola de Serviço Social tem sua fundação em São Paulo em 1º de fevereiro de 1936, seguida depois pela criação da Escola de Serviço Social do Rio de Janeiro em 1937. As escolas são os espaços privilegiados para a formação de novos profissionais que podem trabalhar com os operários e sua organização. As fundadoras da Escola de Serviço Social em São Paulo foram Albertina Ferreira Ramos, Maria Kiehl e Odila Cintra Ferreira (SILVA, 2010, p. 46). Enquanto isso, no Rio de Janeiro, Albonette (2017, p. 65) relata que a implantação do seu curso de Serviço Social ocorreu em decorrência das consequências das tensões econômicas e políticas do período. Fundada no ano de 1937, a escola, que posteriormente foi vinculada à PUC-RJ, ergueu-se diante de um cenário que apresentava expressiva demanda de mão de obra, além de já manifestar as contradições advindas da relação capital-trabalho. No ano de 1945, a Escola de Serviço Social de Porto Alegre iniciou suas atividades, denominada atualmente como Faculdade de Serviço Social da PUCRS. Além desta, no decorrer das décadas seguintes, deu-se a continuidade na fundação de outras Escolas de Serviço Social (BULLA, 2003, p. 8). Segundo dados trazidos por Iamamoto e Carvalho (2006, p. 187), até o final da década de 40, a quantidade de Assistentes Sociais formados limitou-se a um pouco mais do que 300, os quais se concentraram nas cidades de São Paulo e no Distrito Federal, número esse majoritariamente constituído por mulheres. Observa-se que, desde a sua gênese, a profissão está intrinsicamente vinculada ao gênero feminino, com sua institucionalização profissional vinculada à ideia de profissão destinada a mulheres, conferindo uma posição de subalternidade, condição em que “a ruptura com o regime do voluntariado não equivaleu à ruptura com a subalternidade técnica (e social) à qual se destinava e alocava a força de trabalho feminina”(NETTO, 1992, p. 84). Em consonância com esse pensamento, na análise de Montaño (2007): (...) o Serviço Social é em geral identificado, em concordância com o papel que as sociedades “patriarcais” atribuem às mulheres, como uma profissão que executa as decisões dos outros (os “políticos”), que conhece a realidade social por meio dos olhares dos outros (os “cientistas sociais”) e que assiste às populações carentes, mas como auxiliar de outros profissionais (médicos, advogados etc.). E esta representação, esta imagem, existe não apenas entre outros profissionais, mas entre os usuários dos serviços sociais e até entre os próprios assistentes sociais. (Montaño, 2007, p. 101- 102) Ao apontar a função de um pai provedor e de uma mãe educadora, em que esta última deveria se dedicar à educação e ao cuidado do lar, Carlos (1993, p. 80) levanta o questionamento acerca da contradição existente entre o incentivo ao papel da mulher na condição de cuidadora do lar, enquanto que, ao mesmo tempo, havia mulheres atuando como assistentes sociais. Em meio a tal indagação, o autor mesmo responde que parecia não haver uma percepção nesse sentido, já que o profissional assistente social estava mais para um apostolado, a serviço da Igreja. Cabe registrar que os Assistentes Sociais, no início da consolidação da profissão, atuavam quase que em sua totalidade nas instituições da Igreja Católica, a qual estava fortemente ligada às origens da profissão. No entanto, ao longo do processo de desenvolvimento e amadurecimento da profissão, o profissional acabou sendo absorvido por instituições do Estado que se organizavam para o enfrentamento da questão social. Em 5 de novembro de 1941, por meio do Decreto-Lei nº 3.799, foi criado o Serviço Nacional de Assistência Social (SAM), vinculado ao Ministério da Justiça e aos Juizados de Menores. Cabia ao órgão definir os encaminhamentos concernentes a crianças e adolescentes que passassem pelo internamento. Muito embora ostentasse um discurso de proteção, este, em atuação conjunto com a Delegacia de Menores, criada em 1045, dispensava um tratamento repressivo às crianças e jovens, pautado pelo suposto grau de periculosidade que estes representavam. Frise-se que somente com o advento do ECA, em 1990, que àqueles tiveram garantidos seus direitos fundamentais (MEIRELLES, 2018, p. 71). Muito embora o Estado passasse a figurar como o principal empregador, o Assistente Social passou a ocupar outros espaços nas organizações e associações. Considerada como uma grande empregadora de profissionais da área, a primeira grande instituição brasileira de assistência social - a LBA (Legião Brasileira de Assistência) foi fundada em 1942, logo após o ingresso do Brasil na Segunda Guerra Mundial. A instituição vai promover uma mobilização da sociedade civil e do trabalho feminino. Albonette (2017) destaca outras instituições também responsáveis por essa etapa importante do Serviço Social e que passaram a empregar os profissionais do Serviço Social, dentre elas: o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial - Senai, criado em 1942, cujo objetivo principal era a organização e a gestão das escolas técnicas ofertadas à formação profissional dos trabalhadores da indústria; o Serviço Social da Indústria – Sesi, criado em 1946, que tinha a finalidade de promover o bem- estar e o objetivo de propiciar assistência social e melhoras nas condições nas áreas de habitação, nutrição e higiene dos trabalhadores, além de fomentar a solidariedade entre as classes de empregados e empregadores; a Fundação Leão XIII, criada em 1946, que contou com o apoio tanto do Estado como da Igreja Católica, configurou-se na condição de primeira instituição assistencial cujo objetivo era o levantamento de populações em situação de desigualdade social, para fins de atuação, principalmente nas favelas. Foi na década de 1960 que o conservadorismo da profissão provocou questionamentos a partir dos princípios das ciências sociais e humanas, manifestação que passou a ser reprimida no período do golpe militar de 1964, o qual originou a ditadura militar, fase essa em que o protagonismo social foi neutralizado, assim como foi abafado qualquer movimento social e profissional, sobretudo aqueles que ousassem com um tom questionador. Tal período foi marcado pela repressão a qualquer manifestação que confrontasse o governo (ALBONETTE, 2017, p. 94). Em aceno de rompimento com o conservadorismo, no Seminário de Araxá, no ano de 1967, a categoria promoveu uma discussão a fim de aproximar a teorização das ciências sociais à profissão. Nesse cenário, tal teorização do serviço social levou a um debate acerca da formação do assistente social. Mais tarde, em 1978, no Seminário e Sumaré, o debate voltou-se para a cientificidade da profissão, centrando- se nas teorias fenomenológica e dialética, o que culminou no Congresso da Virada, em 1979, com a categoria posicionando-se pela democracia e na defesa da classe trabalhadora, dos movimentos e direitos sociais, da mesma forma que buscava uma nova ordem societária, com embasamento na teoria social crítica e no marxismo (BRUN; SANTOS, 2019, p. 25). A década seguinte, 1980, é marcada por um Serviço Social que se reencontra, ao estabelecer novas bases que possam levar a uma compreensão do passado, da natureza da sua prática junto à sociedade, da sua relação com o Estado e do seu posicionamento diante das demandas sociais. Nesse sentido, há um distanciamento do conservadorismo e uma aproximação dos interesses da classe trabalhadora (TRINDADE, 2017, p. 15). Nos anos 1990, na leitura de Trindade (2017, p. 16), os acontecimentos de ordem socioeconômica, neoliberal e ideopolítica afetam diretamente a população trabalhadora, o que, inevitavelmente, rebate duplamente no Serviço Social. Nesse contexto, a partir de um amplo debate, foi aprovado o Código de Ética Profissional de 1993, remetendo à construção de um projeto profissional que se vincula a uma proposta de construção de sociedade essencialmente democrática, ao mesmo tempo em que se apresenta comprometida com a defesa dos interesses inerentes ao público trabalhador. Ao analisar o panorama atual em que estão inseridos os assistentes sociais, Behring e Boschetti (2009) ponderam que: Contrariando as forças que aceitam e/ou reforçam as investidas do capital especulativo, os assistentes sociais ousam permanecer na contracorrente e sustentam a defesa e a reafirmação de direitos e políticas sociais que, inseridos em um projeto societário mais amplo, são capazes de cimentar as condições econômicas, sociais e políticas que contribuem para construir as vias da igualdade, num processo que não se esgota na garantia da cidadania burguesa. (Behring e Boschetti, 2009, p. 82) No decorrer das últimas décadas, o trajeto trilhado pelo Serviço Social foi no sentido de engajamento diante das lutas das classes subalternas. Tanto a profissão como suas entidades representativas estiveram engajadas com as classes trabalhadoras em prol de suas lutas pelos direitos humanos e democráticos. Diante do cenário atual, impõe-se a reafirmação dos princípios que norteiam o projeto ético- político da profissão, no sentido de um reforço da sua perspectiva comprometida com o rompimento do conservadorismo. Desse modo, é imprescindível o enfrentamento das forças do capital, a fim de que a categoria prossiga na direção da defensa intransigente dos interesses da classe trabalhadora (TRINDADE, 2017, p.21). PERFIL, COMPETÊNCIAS E ATRIBUIÇÕES DO PROFISSIONAL DO SERVIÇO SERVIÇO SOCIAL NA CONTEMPORANEIDADE. Para se chegar ao Serviço Social contemporâneo, precisamos fazer um canal com o surgimento da profissão e com os principais movimentos que ocorreu na profissão e que nos proporciona gozarmos do Serviço Social atual. Além de buscar em seu passado o entendimento das transformações necessárias e requeridas pelas transformações da sociedade. O Serviço Social foi constituído como profissão no Brasil, através da necessidade do Estado em defender os interesses do capital, que já não encontravam no operário o livre