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Todo trabalho, em cada uma das etapas, será submetido às ferramentas de varredura para a detecção de plágio. Assim caso seja detectado percentual acima do tolerado, seu trabalho será invalidado em qualquer uma das atividades. Antes de começar o trabalho, leia o Manual do Aluno e Manual do Plágio para compreender todos itens obrigatórios e os critérios utilizados na correção. São Paulo 2018 CARLA PATRÍCIA DE OLIVEIRA A ATUAÇÃO DO ASSISTENTE SOCIAL NO SERVIÇO DE CONVIVÊNCIA E FORTALECIMENTO DE VÍNCULOS – SCFV COM CRIANÇAS E ADOLESCENTES Cidade Ano São Paulo 2018 A ATUAÇÃO DO ASSISTENTE SOCIAL NO SERVIÇO DE CONVIVÊNCIA E FORTALECIMENTO DE VÍNCULOS – SCFV COM CRIANÇAS E ADOLESCENTES Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à Faculdade Anhanguera, como requisito parcial para a obtenção do título de graduado em Serviço Social. Orientador: Evelyn Baradel CARLA PATRÍCIA DE OLIVEIRA CARLA PATRÍCIA DE OLIVEIRA A ATUAÇÃO DO ASSISTENTE SOCIAL NO SERVIÇO DE CONVIVÊNCIA E FORTALECIMENTO DE VÍNCULOS – SCFV COM CRIANÇAS E ADOLESCENTES Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à Faculdade Anhanguera, como requisito parcial para a obtenção do título de graduado em Serviço Social. BANCA EXAMINADORA Prof.ª(a). Titulação Nome do Professor(a) Prof.ª(a). Titulação Nome do Professor(a) Prof.ª(a). Titulação Nome do Professor(a) São Paulo, dia de dezembro de 2018 Dedico este trabalho ao meu grupo da faculdade e aos meus colegas de luta. AGRADECIMENTOS Agradeço ao Universo, aos seres e divindades celestiais que me fortaleceram a cada dia, agradeço ao meu grande mestre Nitiren Daishonim, pelos incentivos diários através dos Goshos. Gratidão as minhas colegas de curso maravilhosas e generosas Alessandra e Amélia, gratidão infinita a meus colegas de trabalho Andrea, Ricardo e Liliana que me supriram de informações para que eu pudesse realizar esta monografia. Gratidão a minha família pelo apoio nas horas difíceis. Gratidão, eterna a todos os envolvidos. OLIVEIRA, Carla Patrícia. A Atuação do Assistente Social no Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos – SCFV com crianças e adolescentes. 2018. 43f. Trabalho de Conclusão de Curso em Serviço Social – Faculdade Anhanguera, São Paulo, 2018. RESUMO O presente Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), visa o estudo da atuação do assistente social no Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos – SCFV com crianças e adolescentes, entendendo que o desenvolvimento de políticas de apoio sócio familiar são de caráter preventivo de proteção social. O objetivo geral foi o de compreender a atuação do profissional de Serviço Social na promoção de fortalecimento de vínculos familiares no SCFV com crianças e adolescentes. A metodologia utilizada foi a da pesquisa qualitativa bibliográfica em livros, artigos científicos e no ordenamento legal. A realização deste estudo possibilitou o aprofundamento da compreensão da importância da ação profissional do assistente social no serviço em questão, a partir das especificidades e dos saberes historicamente construídos por esta profissão e o quanto estes saberes colaboram para o fortalecimento de vínculos familiares e comunitários. CONSISTE EM TEXTO CONDENSADO DO TRABALHO DE FORMA CLARA E PRECISA, ENFATIZANDO OS PONTOS MAIS RELEVANTES COMO NATUREZA DO PROBLEMA ESTUDADO; OBJETIVO GERAL; METODOLOGIA UTILIZADA; RESULTADOS MAIS SIGNIFICATIVOS; PRINCIPAIS CONCLUSÕES, DE FORMA QUE O LEITOR TENHA IDEIA DE TODO O TRABALHO. Palavras-chave: Fortalecimento de Vínculos 1; Criança e Adolescente 2; Proteção Social 3; Serviço Social 4; OLIVEIRA, Carla Patricia. The work of the social worker in the service of coexistence and strengthening of bonds - SCFV with children and adolescents. 2018. 43f. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Serviço Social) – Faculdade Anhanguera, São Paulo, 2018 ABSTRACT The purpose of this study is to study the role of the social worker in the Service of Coexistence and Strengthening of Links (SCFV) with children and adolescents, understanding that the development of socio-family support policies are of preventive protection Social. The general objective was to understand the work of the Social Work professional in promoting the strengthening of family ties in the SCFV with children and adolescents. The methodology used was qualitative bibliographical research in books, scientific articles and in the legal order. The realization of this study made it possible to deepen the understanding of the importance of the professional action of the social worker in the service in question, based on the specificities and the knowledge historically built by this profession and how much these knowledge collaborate to strengthen family and community ties. Key-words: Strengthening of Links 1; Child and Adolescent 2; Social Protection 3; Social Work 4; LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS CCA- CNAS- CRAS – CREAS – ECA – LOAS – MDS- NOB – PAIF – PETI – PNAS – SCFV – SISPETI – SUAS – TCC – ABNT Associação Brasileira de Normas Técnicas NÃO REALIZOU SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO ................................................................................................... 13 2. A POLÍTICA DE ASSISTÊNCIA SOCIAL NO BRASIL ..................................... 17 2.1 SERVIÇO DE CONVIVÊNCIA E FORTALECIMENTO DE VÍNCULOS PARA CRIANÇAS E ADOLESCENTES .............................................................................. 22 3. A FAMÍLIA COMO CENTRALIDADE PARA A PROTEÇÃO SOCIAL E O TRABALHO DO ASSISTENTE SOCIAL COM A FAMÍLIA...................................... 25 3.1. A FAMÍLIA COMO CENTRALIDADE PARA A PROTEÇÃO SOCIAL.............. 25 3.2 O TRABALHO DO ASSISTENTE SOCIAL COM A FAMÍLIA ............................ 29 4. A ATUAÇÃO DO ASSISTENTE SOCIAL NO SERVIÇO DE FORTALECIMENTO DE VÍNCULOS - SFVC JUNTO À CRIANÇAS E ADOLESCENTES. ...................... 31 5. CONCLUSÃO .................................................................................................... 38 REFERÊNCIAS ......................................................................................................... 40 COLOCAR NAS NORMAS DA ABNT 13 1. INTRODUÇÃO O presente Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) tem como tema “A atuação do Assistente Social no Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos – SCFV com crianças e adolescentes”. O SCFV foi implementado, com o objetivo, de promover a autonomia das famílias, fortalecendo seus vínculos, tendo a matricialidade familiar e o território como pontos fundamentais para a intervenção profissional. A partir da Constituição Federal de 1988, seguida pela Lei Orgânica de Assistência Social (LOAS) de 1993, Política Nacional de Assistência Social (PNAS) 2004, Sistema Único de Assistência Social (SUAS) de 2005 e ainda, a aprovação pelo Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS), por meio da Resolução nº 109, de 11 de novembro de 2009, da Tipificação Nacional dos Serviços Socioassistenciais, corroboraram para o avanço do acesso aos direitos sociais da população. A aprovação da Tipificação Nacional de Serviços Socioassistenciais representou uma importante conquista para a Assistência Social, pois possibilitou a padronização em todo território nacional dos serviços, organizado por níveis de complexidade em que, a proteção social básica, evidencia o Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos – SCFV, ofertado necessariamente no Centro de Referência de Assistência SocialAcesso em: 10 de set. de 2018 COUTO, Berenice Rojas. O Direito e a Assistência Social na Sociedade Brasileira: uma equação possível? São Paulo: Cortez, 2004 http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-88392003000200012 41 COUTO, Berenice Rojas; YAZBEK, Maria Carmelita; RAICHELIS, Raquel. A Política Nacional de Assistência Social e o Suas: apresentando e problematizando fundamentos e conceitos. In: COUTO, Berenice Rojas et al. O Sistema Único de Assistência Social no Brasil: uma realidade em movimento. 2. ed. São Paulo: Cortez, 2011. p.32-65. COUTO, Berenice Rojas; YASBEK, Maria Carmelita; SILVA E SILVA, Maria Ozanira; RAICHELIS, Raquel (orgs.). O Sistema Único de Assistência Social no Brasil: uma realidade em movimento. 4. ed. São Paulo: Cortez, 2014. FONSECA, M. T. N. M. Famílias e Políticas Públicas: Subsídios para a Formulação e Gestão das Políticas com e para Famílias, São João Del Rei, 2006 FONSECA, Claudia. Concepções de família e práticas de intervenção: uma contribuição antropológica, Rio Grande do Sul, RS, 2005 MARTINS; Andréia. Família: Sociedade coloca conceito do fenômeno em disputa. UOL por : Novelo Comunicação em 03/02/2015. Disponível em: https://vestibular.uol.com.br/resumo-das-disciplinas/atualidades/familia-sociedade- coloca-conceito-do-fenomeno-em-disputa.htm. Acesso em 09 outubro de 2018. MIOTO, Regina Célia. Família, trabalho com famílias e Serviço Social. Palestra proferida na Universidade Estadual de Londrina (UEL). Serviço Social em Revista. 2010, 14p. Disponível em: file:///C:/Users/USER/Downloads/7584-28227-1-PB.pdf. Acesso em 09 outubro 2018. NETTO, José Paulo. Crise do capital e consequência societária. São Paulo: Cortez, 2012. PEREIRA, Potyara Amazoneida Pereira. Necessidades humanas: subsídios à crítica dos mínimos sociais. 2. ed. São Paulo: Cortez, 2002. BRASIL 2013 SÃO PAULO. Norma Técnica dos Serviços Socioassistenciais – Proteção Social Básica – Instrumentais. Prefeitura de São Paulo, 2012. Disponível em: https://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/upload/assistencia_social/arquivo s/norma_tecnica_instrumentais.pdf. Acesso em 07 de novembro de 2018. SÃO PAULO. Norma Técnica dos Serviços Socioassistenciais – Proteção Social Básica. Prefeitura de São Paulo, 2012a. Disponível em: https://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/upload/assistencia_social/arquivo s/norma_tecnica.pdf. Acesso em 07 de novembro de 2018. Ministério do Desenvolvimento Social. Orientações técnicas sobre o serviço de convivência e fortalecimento de vínculos para crianças e adolescentes de 6 a 15 anos: prioridade para crianças e adolescentes integrantes do Programa de Erradicação do Trabalho Infantil. Brasília, DF: MDS; Secretaria Nacional de Assistência Social, 2010. https://vestibular.uol.com.br/resumo-das-disciplinas/atualidades/familia-sociedade-coloca-conceito-do-fenomeno-em-disputa.htm https://vestibular.uol.com.br/resumo-das-disciplinas/atualidades/familia-sociedade-coloca-conceito-do-fenomeno-em-disputa.htm file:///C:/Users/USER/Downloads/7584-28227-1-PB.pdf https://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/upload/assistencia_social/arquivos/norma_tecnica_instrumentais.pdf https://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/upload/assistencia_social/arquivos/norma_tecnica_instrumentais.pdf https://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/upload/assistencia_social/arquivos/norma_tecnica.pdf https://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/upload/assistencia_social/arquivos/norma_tecnica.pdf 42 Larissa Marsolik Tissot. O Serviço Social e a prática Socioeducativa. 2012. http://www.cresspr.org.br/site/o-servico-social-e-a-pratica-socioeducativa/ http://www.cresspr.org.br/site/o-servico-social-e-a-pratica-socioeducativa/(CRAS) e mantendo articulação com o Serviço de Proteção e Atendimento Integral à Família - PAIF. Na Assistência Social, a convivência social tem estatuto de segurança social, o que exige do profissional de Serviço Social, o desenvolvimento de conhecimentos sobre situações de sofrimento, vivenciadas pelos sujeitos atendidos para toma-las como demanda, exige também, delimitar com maior precisão o campo de ação estatal, entendendo que não cabe aos indivíduos isoladamente ampliar sua rede de relações de convívio como uma rede de proteção. A família é o primeiro contato socializante com potencial afetivo e de proteção, sendo assim, o desenvolvimento de políticas de apoio sócio familiar são de caráter preventivo de proteção social, o trabalho deve ser voltado para o fortalecimento de vínculos sociais de maneira a alcançar o respeito e a concretização dos direitos humanos e sociais, assim a atenção às famílias e seus membros, a partir de seu território de vivência, é foco principal da Assistência Social, quando identificadas demandas de vulnerabilidade e risco social. 14 Portanto, os assistentes sociais através do seu instrumental de trabalho, devem atuar nestas relações de maneira crítica, respeitando a autonomia dos sujeitos envolvidos e para realizar as intervenções cabíveis, o profissional deve conhecer a situação de sofrimento e trabalhar estas demandas de maneira consolidada. O interesse pelo tema da prática profissional do assistente social, surgiu a partir do estágio desenvolvido em um Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos- SCFV, em que houve a oportunidade de verificar a importância do trabalho de fortalecimento de vínculos familiares e comunitários efetuado pelas assistentes sociais, trabalho este, que se mostrou essencial, para quebrar com o ciclo de desproteção social que muitas vezes acarretava na institucionalização de crianças e adolescentes. Neste sentido, a prática profissional é voltada para o trabalho de intervenção nas múltiplas expressões da questão social vivenciadas por crianças e adolescentes, e abordar sua atuação no SCFV é de grande relevância como pesquisa no meio acadêmico para o aprofundamento do estudo nesta temática, e assim buscar respostas que vão, desde do agir profissional diante da realidade e dos instrumentais utilizados, até os desafios encontrados por este profissional, neste espaço de atuação. O problema levado para este estudo é: Como se dá a atuação do assistente social, na promoção de fortalecimento de vínculos familiares no Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos – SCFV com crianças e adolescentes. Para tanto, tem-se como objetivo geral: Compreender a atuação do profissional de Serviço Social, na promoção de fortalecimento de vínculos familiares no SCFV com crianças e adolescentes, seguido dos objetivos específicos: - Conhecer a Política de Assistência Social a partir da Constituição Federal de 1988, para a efetivação do Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos - SCFV; - Entender a importância do fortalecimento de vínculos familiares como medida de proteção social. - Refletir sobre a importância da atuação do Assistente Social, na promoção de fortalecimento de vínculos, no Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos- SCFV com crianças e adolescentes. Este trabalho, trata-se de uma pesquisa científica na área social que permite a obtenção de novos conhecimentos no campo da realidade social, para tanto será adotado o método dialético, cuja formas gerais foi delineado por Hegel. A dialética, 15 “torna-se instrumento da realidade existente” (COTRIM; FERNANDES, 2010, p. 264), na medida que entende que os fatos não podem ser considerados de forma isolada, mas se manifestam dentro de um contexto social, em que cada etapa é vista não de forma estática e definitiva, mas como algo transitório, que pode ser transformado pela ação humana (COTRIM; FERNANDES, 2010). Segundo Oliveira (2011), a metodologia visa responder ao problema formulado de forma de se atingir os objetivos do estudo, sendo a utilização do método científico, fundamental para validar as pesquisas e seus resultados serem aceitos, e ainda, para que um estudo seja considerado conhecimento científico, é preciso a identificação das etapas para a sua verificação, determinando o método que possibilitou chegar ao conhecimento. Quanto à classificação da natureza da pesquisa, a escolha será pela pesquisa qualitativa que segundo Triviños (1987) citado por Oliveira (2011), “Trabalha os dados buscando seu significado, tendo como base a percepção do fenômeno dentro do seu contexto. O uso da descrição qualitativa procura captar não só a aparência do fenômeno como também suas essências, procurando explicar sua origem, relações e mudanças, e tentando intuir as consequências” (OLIVEIRA, 2011, p. 24) Já em relação à técnica utilizada para a coleta de dados, o método escolhido será o da pesquisa bibliográfica. A pesquisa bibliográfica “é desenvolvida com base em material já elaborado, constituído principalmente de livros e artigos científicos (GIL, 2002, p.44), priorizaremos autores e artigos acadêmicos da área do Serviço Social Sociologia, Filosofia, Antropologia e Psicologia e ainda pesquisas, no ordenamento legal da Política Nacional de Assistência Social, Lei de Tipificação Nacional de Serviços Socioassistenciais, Lei Orgânica de Assistência Social (Lei 8742/93, atualizada pela Lei 12.435/11) e no Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei 8.699/90). O período dos artigos pesquisados, serão a partir da década de 80, esta década se mostra representativa, pois é neste período em que, o Serviço Social tem o movimento de reconceituação e é elaborada a Constituição de 88, considerada constituição cidadã. Os descritores utilizados para busca serão: fortalecimento de vínculos, família, serviço de convivência e fortalecimento de vínculos e Serviço Social. No primeiro capítulo será abordado de maneira pontual o processo histórico da Política de Assistência Social no Brasil, a partir da Constituição Federativa do Brasil de 1988 para a consolidação do Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos 16 – SCFV, a bibliografia utilizada para este capítulo, será principalmente a própria Constituição Federal de 1988, Lei Orgânica da Assistência Social (LOAS), Política Nacional de Assistência Social (PNAS), Sistema único de Assistência Social (SUAS), abordaremos também neste capítulo um aprofundamento do conceito sobre Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos e para tanto as autoras escolhidas serão Couto, Yasbek e Raichelis, entre outros. A assistência social elege a família como eixo central para a ação social, o motivo é que não é possível combater muitos dos problemas relativos à infância e a adolescência, sem trabalhar o seu meio familiar, fortalecendo seus vínculos, neste contexto, no capítulo 2, será abordado a importância do fortalecimento de vínculos familiares como medida de proteção social. As autoras utilizadas serão principalmente, Mioto e Fonseca. O terceiro capitulo trará uma reflexão sobre possíveis contribuições do Assistente Social na promoção de fortalecimento de vínculos familiares, no Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos – SCFV com crianças e adolescentes, os autores escolhidos serão, Iamamoto, Yazbeck e Netto entre outros. 17 2. A POLÍTICA DE ASSISTÊNCIA SOCIAL NO BRASIL Neste capítulo será feito uma breve contextualização da Política de Assistência Social No Brasil, a partir da Constituição Federal de 1988, considerada a constituição cidadã, seguida pela Lei Orgânica de Assistência Social (LOAS) de 1993, Política Nacional de Assistência Social (PNAS) 2004, Sistema Único de Assistência Social (SUAS) de 2005 e ainda, a aprovação pelo Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS), por meio daResolução nº 109, de 11 de novembro de 2009, da Tipificação Nacional dos Serviços Socioassistenciais, que representaram um avanço para acesso da população aos direitos sociais (COUTO et al, 2014). Esta conquista, foi gestada no contexto de lutas travadas contra a ditadura militar entre 1964 a 1985 em que a sociedade civil organizada, em movimentos sociais, representou uma força antagônica ao sistema ditatorial. Nesta arena de conflitos de interesses, que a concepção de um sistema de Seguridade Social, “foi forjada, contemplando a assistência como seu principal eixo não contributivo” (COUTO et al, 2014, p. 15). Segundo Couto (2004), é possível notar o avanço no que se refere aos direitos sociais contidos na Constituição Federal de 1988, a partir do artigo três, que define: I – Construir uma sociedade livre, justa e solidária; II – Garantir o desenvolvimento nacional; III – Erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais; IV – Promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação (BRASIL, 1988) Ainda segundo a autora Couto (2004), antes de 1988 a Assistência Social era seletiva e assistencialista, e portanto não representava um direito social. Desta forma o artigo 194, que constitui o sistema de seguridade social integrando as políticas de saúde, previdência e assistência social, “é um marco no avanço do campo dos direitos sociais da população, e, na sua emancipação, reafirmar que essa população tem acesso a esses direitos na condição de cidadão” (COUTO, 2004, p.161). Apesar de representar um avanço, o direito a Assistência Social deve ir além da escrita, pois para assegurar a efetivação dos direitos sociais, requer de uma série de comprometimentos e ações governamentais que assegurem a proteção social (COUTO, 2004) 18 Outra inovação apontada por Couto (2004), é o que dispõe o artigo 224, que orienta para a descentralização político-administrativa entre Estados, municípios e Distrito Federal e a participação da população por meio de organizações representativas, na formulação das políticas e no controle das ações em todos os níveis, desta forma os artigos 203 e 204 representaram o início de um caminho para que regulamentasse a relação entre Estado e sociedade o que antes era uma relação inexistente. Entretanto, segundo Couto (2004), a Lei Orgânica de Assistência Social (LOAS) foi a última da seguridade social a ser regulada, esta lentidão está associada “a uma conjuntura adversa e paradoxal, na qual se evidencia a profunda incompatibilidade entre ajustes estruturais e investimentos sociais do Estado” (COUTO; YASBEK; RAICHELIS, 2011, p.34). Foi em 1990 que a lei sob n* 8.742 é aprovada, e sua regulação se deu em 1993, introduzindo um novo significado no campo da assistência social, como segue: Art. 1*A assistência social, direito do cidadão e dever do Estado, é Política de Seguridade Social não contributiva, que provê os mínimos sociais, realizada através de um conjunto integrado de ações de iniciativa pública e da sociedade, para garantir o atendimento às necessidades básicas (BRASIL, 2015, p. 9). A LOAS ainda dispõe no art. 5* as seguintes diretrizes: I – Descentralização político-administrativa para os estados, o Distrito Federal e os municípios, e comando único das ações em cada esfera do governo; II – Participação da população, por meio de organizações representativas, na formulação das políticas e no controle das ações em todos os níveis; III – primazia da responsabilidade do Estado na condução da política de assistência social em cada esfera do governo (BRASIL, 2015, p11) Quanto aos objetivos o LOAS determina: I – A proteção social, que visa à garantia da vida, à redução de danos e à prevenção da incidência de riscos, especialmente: a) a proteção à família, à maternidade, à infância, à adolescência e à velhice; b) o amparo às crianças e aos adolescentes carentes; c) a promoção da integração ao mercado de trabalho; d) a habilitação e reabilitação das pessoas com deficiência e a promoção de sua integração à vida comunitária; e e) a garantia de 1 (um) salário mínimo de benefício mensal à pessoa com deficiência e ao idoso que comprovem não possuir meios de prover a própria manutenção ou de tê-la provida por sua família; 19 II – A vigilância socioassistencial, que visa a analisar territorialmente a capacidade protetiva das famílias e nela a ocorrência de vulnerabilidades, de ameaças, de vitimização e danos; III – a defesa de direitos, que visa a garantir o pleno acesso aos direitos no conjunto das provisões socioassistenciais. Parágrafo único. Para o enfrentamento da pobreza, a assistência social realiza-se de forma integrada às políticas setoriais, garantindo mínimos sociais e provimento de condições para atender contingências sociais e promovendo a universalização dos direitos sociais (BRASIL, 2012). Couto (2004) aponta que de fato, a referida lei evidencia condições para a definição dos direitos sociais, porém a lei não traz uma definição clara sobre a provisão dos mínimos sociais, o que para Pereira (2002, p.26) “tem conotação de menor, de menos, em sua acepção mais ínfima, identificada como patamares de satisfação de necessidades que beiram a desproteção social”. Segundo Couto; Yasbek; Raichelis (2011), apenas após duas décadas de amplo debate, a Política Nacional de Assistência Social (PNAS) foi aprovada por meio da Resolução n*145 de 2004, assim a PNAS surge com as mesmas diretrizes da LOAS no que se refere à participação da população e a descentralização política- administrativa nas tres esferas de governo e ainda da necessidade do trabalho em conjunto com outras políticas públicas no enfrentamento da questão social, sendo portanto necessário a construção de redes municipais. A PNAS ainda reconhece as desigualdades pertinentes aos territórios como um meio para a viabilização e universalização de direitos sociais, desse modo: Junto ao processo de descentralização, a Política nacional de Assistência Social traz sua marca no reconhecimento de que para além das demandas setoriais e segmentadas, o chão onde se encontram e se movimentam setores e segmentos faz diferença no manejo da própria política, significado considerar as desigualdades socioterritorias na sua configuração (BRASIL, 2005, p.14) Em julho de 2005 foi aprovado pelo CNAS – Conselho nacional de Assistência Social o Sistema Único de Assistência Social - SUAS, que normatiza a PNAS, desta forma o SUAS: Está voltado à articulação em todo o território nacional das responsabilidades, vínculos e hierarquia, do sistema de serviços, benefícios e ações de assistência social, de caráter permanente ou eventual, executados e providos por pessoas jurídicas de direito público sob critério de universalidade e de ação em rede hierarquizada e em articulação com iniciativas da sociedade civil (COUTO, et al., 2014, p.61). 20 Segundo ainda Couto et al. (2014), a PNAS e a implantação do SUAS, tem a capacidade de ampliar os usuários da política, pois operam de forma a superar a fragmentação de usuários (como idosos, o adolescente, a população em situação de rua, entre outros), assim é concebida como uma política que tem capacidade de abarcar os sujeitos em condições de: Pobreza e vulnerabilidade associadas a um quadro de necessidades objetivas e subjetivas, onde se somam dificuldades materiais, relacionadas, culturais que interferem na reprodução social dos trabalhadores e de suas famílias. Trata-se de uma concepção multidimensional de pobreza, que não se reduz às privações materiais, alcançando diferentes planos e dimensões da vida do cidadão (COUTO et al., 2014, p.63). Em 2005, a Norma Operacional Básica (NOB/SUAS), é criada com a função de disciplinar as relações federativas, detalhando as competênciasde gestão e financiamento e também consolida a integração da rede de serviços e os instrumentos para sua articulação, materializando a política de assistência social no país (CAVALCANTE; RIBEIRO, 2012). Ainda sobre A NOB/SUAS os autores Cavalcante; Ribeiro (2012), destacam a efetivação da gestão descentralizada e participativa e ainda os mecanismos necessários para o monitoramento e avaliação das ações dos serviços assistenciais. Segundo a NOB/SUAS, sua gestão tem como eixos estruturantes: a) precedência da gestão pública da política; b) alcance de direitos socioassistenciais pelos usuários; c) matricialidade socio familiar; d) territorialização; e) descentralização política-administrativa; f) financiamento partilhado entre os entes federados; g) fortalecimento da relação democrática entre estado e sociedade civil; h) valorização da presença do controle social; i) participação popular/cidadão usuário; j) qualificação de recursos humanos; k) informação, monitoramento, avaliação e sistematização de resultados (BRASIL, 2005, p.86-87). Por fim, a estruturação dos serviços de assistência social, é apresentada em dois níveis de atenção: Proteção Social Básica e Proteção Social Especial - de média e alta complexidade (BRASIL, 2005). Segundo a PNAS a Proteção Social Básica, apresenta caráter preventivo, seu objetivo é o trabalho voltado para o fortalecimento de vínculos familiares e 21 comunitários, e se concretizam em ações ofertadas nos territórios dos Centros de Referência da Assistência Social -CRAS (BRASIL, 2005) Desse modo, a Tipificação de Serviços Socioassistenciais (2009), define e detalha os serviços por níveis de complexidade e determina os principais serviços ofertados em cada um dos níveis. Na proteção Social Básica, os serviços ofertados são: “Serviço de Proteção e Atendimento Integral à Família (PAIF); Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos- SCFV; Serviço de Proteção Básica no Domicílio para pessoas com Deficiência e Idosas” (BRASIL, 2009, p.5). O PAIF, tem como objetivo principal trabalhar o fortalecimento de vínculos, a fim de que se previna a sua ruptura, pode-se dizer que sua finalidade é a proteção das famílias, garantindo o acesso a seus direitos para a melhoria de sua qualidade de vida e à prevenção de situações que coloquem em risco este grupo social (BRASIL, 2009). O SCFV, é descrito pela tipificação de Serviços Socioassistenciais como: Serviço realizado em grupos, organizado a partir de percursos, de modo a garantir aquisições progressivas aos seus usuários, de acordo com seu ciclo de vida, a fim de comtemplar o trabalho social com famílias e prevenir a ocorrência de situações de risco social. Forma de intervenção social planejada que cria situações desafiadoras, estimula e orienta os usuários na construção e reconstrução de suas histórias e vivências individuais e coletivas, na família e no território. Organiza-se de modo a ampliar trocas culturais e de vivências, desenvolver o sentimento de pertencimento e de identidade, fortalecer vínculos familiares e incentivar a socialização e a convivência comunitária. Possui caráter preventivo e proativo, pautado na defesa e afirmação dos direitos e no desenvolvimento de capacidades e potencialidades, com vistas ao alcance de alternativas emancipatórias para o enfrentamento da vulnerabilidade social (BRASIL, 2009, p.9). O Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos é organizado por grupos: Crianças até 6 anos; de 6 a 15 anos; de 15 a 17 anos e idosos, com propostas diferenciadas de acordo com a faixa etária, destacando as necessidades de cada grupo (BRASIL, 2009). Os Serviços de Proteção Social Especial, voltam-se a indivíduos e grupos que se encontram em situação de alta vulnerabilidade pessoal e social, são situações de abandono, perda dos vínculos, exploração, violência, entre outras. Em linhas gerais este serviço é destinando aqueles cujos direitos tenham sido violados e; ou em situações nas quais já tenha ocorrido o rompimento dos laços familiares e 22 comunitários e se divide em proteção especial de média e alta complexidade (COUTO et al., 2014). Desta maneira, segundo a Tipificação: Integram a Proteção Social Especial de Média Complexidade, O Serviço de Proteção e Atendimento Especializado à Famílias e indivíduos (PAEFI); Serviço Especializado em Abordagem Social; Serviço de Proteção Social ao Adolescente em Cumprimento de Medida Socioeducativa de Liberdade Assistida (LA) e Prestação de Serviços à Comunidade (PSC); Serviços de Proteção Social Especial para Pessoas em Situação de Rua. Já a Proteção Social de Alta Complexidade, tem como objetivo, a proteção integral do indivíduo, ou seja, a garantia de moradia, alimentação, proteção, entre outros (BRASIL, 2009, p.15). Para finalizar, é necessário destacar a crítica realizada por Couto et al. (2014). De acordo com a LOAS, os usuários da assistência são definidos como “aqueles que dela necessitam”, ou seja, “todos aqueles que se encontram fora da proteção pública: trabalho, os serviços sociais públicos e as redes sociorrelacionais” (COUTO et al, 2014). Porém, no caso da realidade brasileira, em que o desemprego é estrutural e o avanço das ideias neoliberais minimizam a atuação do Estado, (especialmente no que tange as políticas sociais) hoje em dia, “aqueles que necessitam de proteção social”, incorpora novos contingentes populacionais nos serviços e benefícios públicos, visto que, a cada dia aumenta a população considerada “pobre e inapta para o trabalho, desempregados, subempregados e precarizados nos seus vínculos laborais (COUTO el al, 2014, p.69). 2.1 SERVIÇO DE CONVIVÊNCIA E FORTALECIMENTO DE VÍNCULOS PARA CRIANÇAS E ADOLESCENTES O Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos - SCFV para Crianças e Adolescentes é uma proposta de políticas públicas do Governo Federal, sobre a responsabilidade MDSCB (Ministério de Desenvolvimento Social e Combate à Fome), abrangendo todo o território nacional, sendo o CRAS (Centro de Referência da Assistência social), o executor prático desta política (BRASIL, 2005). Sua origem é a MP 238 de 2005 e as leis 11.129 de 2005, ratificado na lei 11.692 de 2008. Quando ainda recebia a designação de “Projovem adolescente” e atendia em exclusividades jovens entre 14 e 17 anos. No ano de 2013 o MDS identifica a necessidade de ampliação do serviço devido a situação de vulnerabilidade social decorrente da pobreza e, ou, fragilização de vínculos afetivos - relacionais e de pertencimento (BRASIL, 2005, p. 33). 23 Dessa forma em outubro de 2013, é oficialmente criado pelo governo federal o SCFV (Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos), que se propunha a beneficiar crianças e adolescentes de 6 a 17 anos, juntamente com seus familiares (BRASIL, 2013). A Unificação das regras para a oferta qualificada do SCFV, que visa equalizar/uniformizar a oferta, unificar a lógica de co financiamento federal, possibilitar o planejamento da oferta de acordo com a demanda local, garantir serviços continuados, potencializar a inclusão dos usuários identificados nas situações prioritárias e facilitar a execução do SCFV, otimizando os recursos humanos, materiais e financeiros (BRASIL, 2013, p.5) Nesta nova concepção, o SCFV (Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos) para crianças e adolescentes, baseou seu planejamento nas demandas do território a modo de prevenir vulnerabilidades e riscos sociais, priorizando o fortalecimento de vínculos familiares por meio do desenvolvimento das potencialidades e autonomia dos sujeitos atendidos através do Serviço CCA (Centro para Crianças e adolescentes) (BRASIL, 2013). O SCFV para crianças até 6 anos se utiliza de atividades lúdicas como mediadora para que esta se sinta acolhida e segura no fortalecimento de vínculos familiares (BRASIL, 2009). O Serviçopara Crianças e Adolescente de 6 a 15 anos, propõe aos seus participantes nos espaços de convivência atividades que tem o objetivo de desenvolver a autonomia de seus participantes, este espaços proporcionam experiências que são capazes de fortalecer o aprendizado, a sociabilidade com atividades que envolvem a cultura, a pratica esportiva e atividades lúdicas apropriadas para cada faixa etária (BRASIL, 2009). O caderno de orientações Técnicas sobre o Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos para a criança e adolescente descreve seus objetivos, como segue: − Complementar as ações da família e da comunidade na proteção e no desenvolvimento de crianças e adolescentes e no fortalecimento dos vínculos familiares e sociais; − Assegurar espaços de referência para o convívio grupal, comunitário e social e para o desenvolvimento de relações de afetividade, solidariedade e respeito mútuo; − Possibilitar a ampliação do universo informacional, artístico e cultural de crianças e adolescentes, bem como estimular o desenvolvimento de potencialidades, habilidades, talentos e proporcionar sua formação cidadã; 24 − Possibilitar a ampliação na vida pública do território e desenvolver competência para a compreensão crítica da realidade social e do mundo contemporâneo; − Contribuir para a inserção, reinserção e permanência no sistema educacional (BRASIL, 2010, p.43-44) Desta forma, espera-se que nestes espaços se desenvolva uma convivência promotora de autoconfiança nas relações e caracteriza-se pela certeza de reciprocidade de afetos e cuidados, que são manifestos mesmo na ausência das pessoas amadas, seja ela temporária ou mais alongada. Nessas circunstâncias é a certeza do retorno e de que há um mútuo desejo de estarem próximas, que torna as circunstâncias da distância toleráveis. Dessa forma, é a reciprocidade a principal propriedade das relações afetivas que tornam os sujeitos seguros e autoconfiantes. Essa certeza é chave para o desenvolvimento da identidade do indivíduo em todas as suas outras relações (BRASIL, 2003). Essa relação de reconhecimento prepara o caminho para uma espécie de autorrelação em que os sujeitos alcançam mutualmente uma confiança elementar em si mesmos, ela precede, tanto logica como geneticamente, toda outra forma de reconhecimento reciproco: aquela camada fundamental de uma segurança emotiva não apenas na experiência mais também nas manifestações das próprias carências e sentimentos, propiciada pela expêriencia intersubjetiva do amor, constitui o pressuposto psíquico do desenvolvimento de todas as outras atitudes de autorrespeito. (BRASIL, 2003, p.177) De acordo com o caderno “Orientações Técnicas do Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos para Crianças e Adolescentes de 6 a 15 anos” (BRASIL, 2012), o SCFV deve propor também ações com as famílias dos usuários, referenciando-os como coparticipantes no processo de proteção e desenvolvimento das crianças e adolescentes, além de responder às necessidades da população em situação de vulnerabilidade social, procurando desenvolver a compreensão crítica dos usuários no que se refere a realidade social que vivem. 25 3. A FAMÍLIA COMO CENTRALIDADE PARA A PROTEÇÃO SOCIAL E O TRABALHO DO ASSISTENTE SOCIAL COM A FAMÍLIA 3.1 A FAMÍLIA COMO CENTRALIDADE PARA A PROTEÇÃO SOCIAL Em primeiro lugar é fundamental fugir do senso comum da palavra “família”, e tentar fazer um recorte teórico acerca desta palavra. Segundo Fonseca (2005), é fundamental delimitar que esta palavra tem significados diferentes conforme a categoria social. Assim, quando o termo “família” é designado para a elite, esse carrega o símbolo social de heranças, patrimônio, é portanto, entre poucos membros: pai, mãe, filhos. Para as famílias mais pobres, entretanto, o conceito se desdobra para muitos membros, sendo possível citar primos, ex-sogros, cunhados, tios e muitos outros que demonstrem vínculo afetivo. Nas famílias pobres, por outro lado, parece que certas pessoas acabam sacrificando seus projetos individuais ou os de seu núcleo familiar para salvar indivíduos problemáticos da rede extensa de parentes. Assim, a relação indivíduo – família não pode ser pensada da mesma forma em todo lugar, pois a própria noção de família varia conforme a categoria social com qual estamos lidando.(FONSECA, 2005, p. 51) Dessa forma, a dimensão familiar normalmente se estende dos membros compartilhadores do mesmo sangue, para vizinhos, amigos e conhecidos, demonstrando que o conceito torna-se muito mais complexo do que uma associação de pessoas com o mesmo tipo sanguíneo e moradores da mesma casa (FONSECA (2005). Devemos lembrar que não há receita para definir os membros relevantes de uma rede familiar. Essa pode ou não incluir consanguíneos (ascendentes, descendentes,colaterais etc.), parentes por casamento (sogros, cunhados, concunhados, padrastos, enteados etc.), padrinhos e compadres (não devemos esquecer que existem padrinhos em casa, de igreja, na família de santo, etc.), e simplesmente amigos que, depois de ter compartilhado uma experiência particularmente intensa, acabam se sentindo membro da família. (FONSECA, 2005, p.53) Neste caso, os familiares não estão ligados, necessariamente, pela região onde moram ou lar que dividem, mas sim pela identificação como classe social, que, mesmo na situação de miséria e falta de recursos, ainda é capaz de compartilhar afeto e alimento (FONSECA, 2005). 26 No Brasil, o conceito de família se modificou, esta modificação pode ser observada através das diferentes constituições. Na Constituição Federal de 1967, o artigo 167 descrevia que a família era constituída pelo casamento. Com a promulgação da Constituição Federal de 1988, o conceito de família foi ampliado e passou a ser entendido como a comunidade formada por qualquer dos pais e seus descendentes (MARTINS, 2015). Pelo Novo Código Civil Brasileiro, instituído em 2003, a família deixou de ser aquela constituída unicamente através do casamento formal, neste código é reconhecido que a família “abrange as unidades familiares formadas pelo casamento civil ou religioso, união estável ou comunidade formada por qualquer dos pais ou descendentes ou mãe solteira. O conceito de família passou a ser baseado mais no afeto do que apenas em relações de sangue, parentesco ou casamento” (MARTINS, 2015, p. s/n). De acordo com Fonseca (2006), a partir de 1988 na Constituição Federal, a família passa a ser a base da sociedade e tem por garantia a proteção do Estado. Dessa forma, o texto constitucional aciona como órgãos de garantia protetiva o (ECA) Estatuto da criança e do adolescente e também o (LOAS) Lei Orgânica de Assistência Social. Estas garantem a valorização do papel social da família e do seu lugar na produção do bem-estar coletivo. O ECA propõe uma efetiva ruptura com a prática até então corrente da institucionalização de crianças e adolescentes, salvo como medida de proteção de abrigo, com caráter excepcional e transitório, para crianças e adolescentes em situação de violação de direitos, ou como a última medida sócio educativa, a de internação, aplicável pela autoridade judiciária competente a adolescentes (FONSECA, 2006, p. 9) Portanto, segundo Fonseca (2006), a LOAS qualifica a família como um dos objetivos na política de assistência social, regido pelos princípios de universalização dos direitos sociais, respeito à dignidade do cidadão, igualdade de direitos no acesso ao atendimento e a divulgação ampla dos benefícios, serviços e programas de projetos sociais. Além disso, segundo Fonseca (2006) o disposto no artigo 129, do Estatuto da Criança e do Adolescente, prevê as seguintes medidas aos pais e aos responsáveis que não estiverem seguindo os requisitos de cuidado das crianças: encaminhamento ou comunitário de proteçãoà família, inclusão em programa oficial ou comunitário de auxilio, encaminhamento de tratamento psicológico, encaminhamento a cursos ou 27 programas de educação, advertência, perda da guarda, destituição da tutela e suspensão ou destituição do pátrio poder. Segundo Mioto (2010), o ponto de partida para o profissional da área de serviço social consiste em identificar as demandas, ou seja, reflexos de carências do sistema capitalista, que requerem uma intervenção direta de agentes do Estado. Para tanto, é fundamental que o assistente social tenha formação e distinção crítica para identificar as necessidades de composição e as formas de intervir conforme as estruturas familiares. Assim, como ressalta Mioto (2010), o principal objetivo do servidor social é assegurar aos núcleos familiares o acesso à renda, bens e serviços de qualidade. Por isso, é fundamental inserir dentro da profissão o compromisso ético “com a transformação social” (MIOTO, 2010, p.3), que, hoje, se traduz na conquista de direitos para os cidadãos. A organização e a articulação de serviços é um aspecto fundamental para atender as necessidades das famílias e garantir eficazmente uma estrutura de cuidado e proteção. Isso só se torna possível quando a organização dos serviços é estruturada de forma a permitir e facilitar o acesso das famílias. Recobre um arco bastante grande de questões, que vai desde os horários de funcionamento dos serviços até os níveis de exigências direcionados às famílias. (MIOTO, 2010, p.3) Além disso, conforme Mioto (2010), as proposições de políticas públicas implicam em manter mecanismos de “sistematização” e “estudo de informação sobre as famílias”. Estas duas ferramentas devem-se basear em duas condições básicas. Primeiramente, vincula-se as necessidades das famílias. Em segundo lugar, sobre ferramentas que possam garantir a avaliação dos impactos das políticas públicas. A constituição e organização de políticas públicas é um aspecto fundamental para assegurar as necessidades das famílias e garantir o cuidado e proteção de seus integrantes. Estas ações públicas, segundo Miotto (2010), se organizam em três processos fundamentais: processos político organizativo, gestão e planejamento sócio assistenciais. A articulação nesses diferentes níveis requer o encaminhamento de diferentes ações profissionais que se estruturam em três grandes processos: processos político- organizativos, processos de gestão e planejamento e processos socioassistenciais (MIOTO, 2010, p.5). Em suma, o processo político-organizativo tem por objetivo a discussão da relação família e proteção social na vida pública, com a finalidade de conseguir garantias de direitos e ampliar os direitos sociais. Entretanto, a extensão destas 28 demandas não são restritas ao aspecto imediato, e sim possível de se estender a curtos, médios ou longos prazos. Logo, as ações necessitam de ações coletivas dos profissionais da área social, para poder assessorar as famílias (MIOTO, 2010). Os processos de planejamento e gestão, por sua vez, visam sobretudo o planejamento institucional como instrumento de gestão e organização de políticas públicas. Nesse sentido, é fundamental a interferência com a finalidade construir práticas efetivas de intersetorialidade, ou de gerir as relações interinstitucionais. Por fim, há ainda, os processos socioassistenciais, que são projetos desenvolvidos diretamente com as famílias, através da compensação de suas demandas e necessidades especiais, com o intuito de definir e configurar a autonomia para esses núcleos (MIOTO, 2010) Segundo Carvalho e Almeida (2003), o principal desafio encontrado por estas famílias é a “desestabilização da condição salarial, a multiplicação das situações de precariedade e um massivo crescimento do desemprego” (CARVALHO; ALMEIDA, 2003, p. 21). Os históricos de famílias que recorrem ao clássico Estado de Bem estar social tem um índice elevado entre os países latinos, aqui, os problemas e transformações na esfera do trabalho são muito mais elevados (CARVALHO; ALMEIDA, 2003). Ainda segundo Carvalho e Almeida (2003), na luta contra o regime autoritário, as reivindicações dos trabalhadores e as demandas da grande massa excluída dos benefícios da modernização alcançaram nova expressão e importância política, para isso, foram enfatizadas melhores distribuições de oportunidades e de riqueza, ampliação e universalização de direitos da cidadania. Assim, com o ajuste e reestruturação produtiva nos anos 90 estas prioridades foram alteradas e tratadas sob outra perspectiva. Despolitiza a questão social, dissociando-a da questão da injustiça e das desigualdades sociais e da própria esfera pública; subordina o desenvolvimento e as políticas sociais aos ditames absolutos da economia; - reduz a questão social à questão da pobreza, com outra compreensão desse fenômeno;- adota uma concepção residual que retira o caráter universal das políticas sociais, direcionando-as, fundamentalmente, aos contingentes excluídos do mercado e em situação de maior pobreza, com o objetivo de atenuar seus feitos mais perversos e seu potencial conflitivo e disruptivo; e promover uma reconfiguração do sistema de proteção e das políticas sociais, adaptando-as a essas novas orientações (CARVALHO, 2005, p. 118). Além disso, Segundo Carvalho e Almeida (2003), com os custos pouco disponíveis por conta da baixa de recursos e das pressões estatais para a sua 29 contenção, o Estado brasileiro tem tentado racionalizar os gastos conforme a adequação com o mercado e novas parcerias na sociedade. Reproduzindo uma concepção da vida social fragmentada, os “problemas sociais” passaram a ser enfrentados pela multiplicação de políticas e programas setoriais, emergenciais e isolados, sem um projeto que os articule e lhes imprima sentido político (CARVALHO; ALMEIDA, 2003, p.118). Através de formas “alternativas” que Carvalho e Almeida (2003) analisa a condição da pobreza, ou seja, identificar os segmentos da pobreza tidos como “ativo” ou “potenciais” e, a partir disso, “mobilizando e canalizando-os para resolver a um só tempo o problema material da pobreza, da participação e da integração social, por intermédio de ações restritas ao campo da ação da comunidade e de uma ênfase no empreendedorismo e na incorporação dos pobres no mercado de trabalho” (CARVALHO; ALMEIDA, 2003, p. 120). Por fim, como vimos, o desafio social esbarra primeiramente na seguinte questão: os desafios do Estado brasileiro frente as carências e necessidades básicas das famílias brasileiras. A partir disso, é possível constatar que o principal membro que recorre aos trabalhos do serviço social são os jovens, membros estes que pela sua condição vulnerável frente ao estado requer necessidades especiais de acolhimento (CARVALHO E ALMEIDA, 2003). 3.2 O TRABALHO DO ASSISTENTE SOCIAL COM A FAMÍLIA Diante das formas de atuação profissional, sabemos que é no cotidiano que surgem as formas de relação com o profissional e com o sujeito, ou seja, das relações humanas, deste modo, Netto (2012) nos traz uma especificidade da profissão: O Serviço Social é uma profissão que tem características singulares. Ela não atua sobre uma única necessidade humana (tal qual o dentista, o médico, o pedagogo...) nem tampouco se destina a todos os homens de uma sociedade, sem distinção de renda ou classe. Sua especificidade está no fato de atuar sobre todas as necessidades humanas de uma dada classe social, ou seja, aquela formada pelos grupos subalternos, pauperizados ou excluídos dos bens, serviços e riquezas dessa mesma sociedade (NETTO, 2012, p. 32) O Serviço Social tem papel na intervenção da relação família e Estado, sendo um profissional mediador e executor de políticas públicas, buscando meios para que 30 seja efetivada a proteção social se guiando pelo o Projeto Ético PolíticoProfissional. Podemos destacar que: A consciência geral de que a pobreza e a desigualdade castigam grande parcela da população está a exigir políticas públicas mais efetivas e comprometidas com sua superação (CARVALHO, 2005, p. 4) O profissional do Serviço Social atua no cotidiano por meio das dinâmicas das relações socais, sendo que a realidade é permeada por relações de poder. Uma práxis social é sempre movida por uma visão de homem-mundo: Uma visão de mundo é precisamente esse conjunto de aspirações de sentimentos e de ideias que reúne os membros de um grupo (mais frequentemente, de uma classe social) e os opõe aos outros grupos (NETTO, 2012, p.34) Porém não há um cenário real para a inclusão social dessas famílias desassistidas pelo Estado, necessitando da ação profissional do assistente social, em conjunto com outros profissionais, para que sejam efetivados seus direitos garantidos em lei, o que pode possibilitar à conquista da cidadania, da autonomia e do pertencimento ao contexto social a qual as famílias vivem. Para que as famílias consigam alcançar a efetivação de seus direitos o papel do assistente social neste contexto é de intervir, como mediador. Cabe a ele, portanto, manter uma visão crítica sobre as demandas apresentadas, considerando a família em sua diversidade e pluralidade, seus aspectos econômicos, sócio histórico e cultural e as diversas formas de expressão da questão social (NETTO, 2012) Com base em Netto (2012), a profissão surgiu para atender uma demanda social, como uma emergente resposta ao capitalismo, objetivando o controle de uma determinada classe, sendo ela, a classe trabalhadora. Pois, pelo processo de acumulação do capital, gerou-se a desigualdade. Para que seja executado um projeto de articulação com as demandas apresentadas, e que esse projeto alcance a efetivação do dever do Estado, é de fundamental importância desconsiderar o conceito de família estruturada/desestruturada, e considerar a família como instituição social em seus diversos arranjos, que possui seus direitos enquanto que tragam a elas a conquista de autonomia e inclusão no meio social (NETTO, 2012). 31 4. A ATUAÇÃO DO ASSISTENTE SOCIAL NO SERVIÇO DE FORTALECIMENTO DE VÍNCULOS - SFVC JUNTO À CRIANÇAS E ADOLESCENTES O trabalho do Assistente Social no Serviço de Fortalecimento de Vínculos junto à crianças e adolescentes se dá principalmente via o serviço Centro para Criança e Adolescente – CCA, destinado para o desenvolvimento de ações socioeducativas com crianças e adolescentes, que busca assegurar o fortalecimento dos vínculos familiares e o convívio grupal, comunitário e social, para tanto estes centros são organizados em duas modalidades: Centro para Crianças de 6 a 11 anos e 11 meses e Centro para Adolescentes de 12 a 14 anos e 11 anos e 11 meses (MDS, 2010) Segundo o Caderno de Orientações Técnicas sobre o Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos para crianças e adolescentes de 6 a 15 anos elaborado pelo Ministério do Desenvolvimento Social em 2010 (MDS, 2010), o serviço em questão destina-se a: Crianças e adolescentes em situação de trabalho; crianças e adolescentes reconduzidas ao convívio familiar, após medida protetiva de acolhimento; crianças e adolescentes com deficiência, beneficiários ou não do BPC; crianças e adolescentes oriundos de famílias beneficiárias de programas de transferência de renda e crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade e risco (MDS, 2010, p. 89) Ainda de acordo com o Caderno de Orientações do MDS (MDS, 2010), as ações propostas pelo serviço deve colaborar para que fortaleça os vínculos familiares desenvolvendo ações que estimulem o convívio entre os usuários e seus familiares, sempre referenciando-os como copartícipes no processo de formação integral das crianças e adolescentes possibilitando a corresponsabilidade na proteção e desenvolvimento destes. Os serviços são distribuídos de maneira territorializada, buscando a articulação de diversos setores e procurando desta forma responder às necessidades, interesses e peculiaridades da população de um determinado território. As atividades ainda devem propiciar a “participação cidadã e o desenvolvimento de competências para a compreensão crítica da realidade social e do mundo contemporâneo” (SÃO PAULO, 2012 a, p. 89) A divisão dos espaços em faixas etárias possibilita a organização destes, a partir dos interesses, demandas e potencialidades de cada faixa etária, reconhecendo desta maneira, a condição peculiar de desenvolvimento dos ciclos da vida, propondo 32 atividades diferenciadas, através de experiências lúdicas, culturais e esportivas, como formas de expressão, que visam o desenvolvimento de sociabilidade e a prevenção da situação de risco social (SÃO PAULO, 2012 a). O acesso ao serviço, se dá de maneira espontânea; encaminhamento da rede socioassistencial, de outras políticas públicas, por meio de órgãos do sistema de garantia de direitos e também via CRAS de abrangência territorial que prioriza a inclusão de crianças e adolescentes retirados da situação de trabalho infantil (SÃO PAULO, 2012 a). O espaço deve funcionar por 8 horas diárias de segunda a sexta feira, atendendo os usuários no contra turno escolar por um período de 4 horas, sendo que o horário de entrada e saída deve favorecer a frequência na escola e no CCA (SÃO PAULO, 2012 a). Uma série de instrumentais são utilizados no serviço e são organizados em prontuários para todas as crianças e adolescentes matriculados, o prontuário é uma ferramenta essencial e obrigatória para a identificação e acompanhamento sistemático e atualizado e de acordo com seu objetivo deve ser preenchido pelo profissional responsável pelo acompanhamento da criança/adolescente e de sua família e é composto dos seguintes instrumentais: - Ficha de inscrição/Matrícula/Desligamento; - Ficha de saúde: Preenchida no ato da matrícula com informações oferecidas pelo responsável sobre as condições de saúde da criança/adolescente; - Folha de Prosseguimento: relatório referente às demandas, orientações e encaminhamentos realizados; - Ficha de Visita Domiciliar: informações sobre a visita domiciliar, demanda da família, encaminhamentos e orientações; - Ficha de acompanhamento mensal e frequência do PETI - Programa de Erradicação do Trabalho Infantil: preenchida e encaminhada mensalmente ao técnico supervisor do serviço para fins de alimentação do SISPETI – Sistema de Controle e Acompanhamento da Frequência no Serviço Socioeducativo do PETI; - Plano de Desenvolvimento Familiar – PETI: deve ser desenvolvido juntamente com a família de acordo com suas expectativas com o intuito de desenvolver a autonomia dos sujeitos e a garantia de direitos; - Registro das atividades em Grupo: preenchido apenas para crianças/adolescentes do PETI (SÃO PAULO, 2012). 33 A equipe de referência para o CCA é constituída por profissionais de diferentes áreas, o que proporciona um enriquecimento mútuo de diversos saberes para que se cumpra os objetivos propostos, são eles prioritariamente em cada CCA: Gerente de Serviço; Assistente Técnico; Auxiliar Administrativo; Orientador Socioeducativo; Cozinheiro; Agente Operacional e Oficineiro, sendo que o número de profissionais de cada área varia de acordo com o número de usuários atendidos pelo serviço (SÃO PAULO, 2012 a) Segundo o caderno de Norma Técnica dos Serviços Socioassistenciais (SÃO PAULO, 2012 a), o Assistente Técnico, deve ter escolaridade de nível superior, preferencialmente com formação em Serviço Social, para o desenvolvimento do trabalho com as famílias e é responsável por uma série de atribuições, dentre elas, as que se refere ao cumprimento de políticas sociais, afinal, crianças e adolescentes são vistos como pessoas, em desenvolvimento razão pela qual se constitui dever do Estado e detoda a sociedade assegurar a proteção e preferência ao acesso às políticas públicas, serviços públicos, etc. Desta maneira o art.86 do ECA – Estatuto da Criança e do Adolescente, preconiza “A política de atendimento dos direitos da criança e do adolescente far-se-á através de um conjunto articulado de ações governamentais e não-governamentais, da união, dos estados, do distrito federal e dos municípios”. (BRASIL, 1990). Para tanto a presença do Assistente Social neste serviço é de fundamental importância, pois este, “tem sido historicamente um dos agentes profissionais que implementam políticas sociais, especialmente políticas públicas” (IAMAMOTO, 2008, p. 20), que são asseguradas pelo Estado, como forma de gerir e administrar o conflito de classes, passando a tratar a questão social “não só pela coerção, mas buscando o consenso na sociedade” (IAMAMOTO, 2008, p. 23). Ora, o público usuário deste serviço são crianças/adolescentes e suas famílias que estão em situação de vulnerabilidade e risco social; situação de trabalho infantil, entre outras expressões da questão social, e portanto este profissional se mostra de fundamental importância pois, tem na questão social “a base de sua fundação como especialização do trabalho” (IAMAMOTO, 2008, p. 27). Segundo Iamamoto (2008) o conceito de questão social se refere: Como o conjunto das expressões das desigualdades da sociedade capitalista madura, que tem uma raiz comum: a produção social é cada vez mais coletiva, o trabalho torna-se mais amplamente social, enquanto a apropriação 34 dos seus frutos mantem-se privada, monopolizada por parte da sociedade (IAMAMOTO, 2008, p. 27). A referida autora entende que um dos maiores desafios da profissão no presente é o de desenvolver a capacidade de “decifrar a realidade” (idem, p. 20), superando o que o autor Netto chama de profissional “executor terminal de políticas sociais” (NETTO, 1992; apud IAMAMOTO, 2008, p. 20) e assim não apenas realizar um trabalho de executor, “mas construir propostas criativas e capazes de preservar e efetivar direitos, a partir de demandas emergentes no cotidiano” (idem, p.20), colaborando também na formulação de políticas públicas e na gestão de políticas sociais. Para Yasbek (2009) a questão social pode ser entendida como uma “questão estrutural do capitalismo e circunscreve um terreno de disputas, pois diz respeito à desigualdade econômica, política e social entre as classes na sociedade capitalista, envolvendo a luta pelo usufruto de bens e serviços socialmente construídos, por direitos sociais e pela cidadania” (YASBEK, 2009, p. 110). A questão social assume novas expressões e configurações nos tempos atuais em que a agenda neoliberal impera, tempos esses em que as classes que vivem do trabalho, são excluídas da política, sendo os indivíduos confinados em seus espaços privados, gerando a falsa impressão de harmonia entre as classes, camuflando os conflitos, individualizando os problemas, com consequências claras para a democracia. Neste contexto a autora, compreende que a democracia e a luta pela construção de direitos é sempre uma questão de disputa. “É preciso ultrapassar uma análise minimalista ou apenas procedimentos formais da democracia para pensa-la em seu caráter subversivo, como disputa entre projetos no terreno de forças em correlação” (YASBEK, 2009, p. 111). Os assistentes sociais trabalham portanto, nesta tensão entre capital/trabalho e apesar do século XXI ser caracterizado pelo ideário neoliberal, historicamente as expressões da questão social para os que vivenciam as desigualdades, segundo IAMAMOTO (2008), é também rebeldia e a “ela resistem e se opõem” (IAMAMOTO, 2008, p.28). É a partir dessa demanda que o profissional de Serviço Social irá operar sua práxis pedagógica, voltada a um processo contínuo, de superação e enfrentamento das múltiplas expressões da questão social (YASBEK, 2009). É no processo 35 socioeducativo desenvolvido junto aos usuários e familiares do CCA que este profissional desenvolve ações capazes de desencadear a reflexão sobre os conflitos de classe, objetivando que o sujeito perceba-se como agente transformador de si mesmo e da sociedade, desta forma o assistente social tendo como referência o Código de Ética profissional de 1993 que tem como referência a defesa dos direitos humanos a partir de valores centrais, por exemplo, a liberdade, democracia e pluralismo, guia sua prática e sua práxis pedagógica (TISSOT, 2012). O Código de Ética é assim o reflexo do amadurecimento da profissão atrelada ao desenvolvimento da sociedade e das relações sociais e portanto norteador das ações profissionais do assistente social, além das três dimensões (ético-política, teórico-metodológica e técnico-operativa) que devem ser de domínio do assistente social e pressupõe que este seja um profissional qualificado para reconhecer a realidade social na qual vai atuar no contexto, político, econômico e cultural, permitindo decifrar a realidade social em essência, dinamicidade e possibilitando a transformação (GOMEZ; DINIZ, 2013). As dimensões ético-política, teórico-metodológica e técnico-operativa, vão direcionar o agir profissional construída pelo seu projeto ético-político. Além disto, faz-se necessário apreender o caráter investigativo da profissão, onde a pesquisa, a reflexão crítica, a conduta pautada na ética e nas leis que regulamentam as relações sociais (GOMEZ; DINIZ, 2013, p.6). Pelo exposto, o trabalho do assistente social como Assistente Técnico no Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos junto à crianças e adolescentes, devido a sua instituição, constituição da profissão; formação acadêmica; Código de Ética; Lei de Regulamentação da Profissão, entre outras, traz uma leitura particular da realidade, que contribui para o alcance dos objetivos propostos junto aos usuários do serviço e colabora para a construção de saberes junto aos demais profissionais no trabalho cotidiano (TISSOT, 2012). Entre suas atribuições no CCA, podemos citar: - Participar da elaboração semestral e mensal, levando em conta a legislação vigente e as necessidades dos usuários do serviço; -Registrar as atividades relacionadas à sua atuação; - Participar da elaboração do cronograma de realização de visitas domiciliares para a inclusão das crianças e adolescentes no serviço, para famílias beneficiárias do PBF que não estão cumprindo com as condicionalidades ou em outras situações que se fizerem necessárias; 36 -Encaminhar ao Técnico Supervisor do CRAS, até o segundo dia útil do mês, o relatório Mensal dos usuários de famílias beneficiárias do PBF em descumprimento de condicionalidades; -Realizar entrevista com famílias de crianças e adolescentes e avaliar a possibilidade da inclusão nos Programas de Transferência de Renda; - Realizar visita domiciliar, quando necessário; - Elaborar relatório, quando houver abandono ou afastamento do usuário do CCA; - Orientar e encaminhar para o CRAS, rede socioassistencial e demais serviços públicos as crianças, adolescentes e/ou seus familiares; - Informar e discutir com os usuários e suas famílias os direitos socioassistenciais e o Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA, sensibilizando-os para a identificação de situação de risco; - Realizar mensalmente reunião com os familiares das crianças/adolescentes para discussão de temas relevantes; - Orientar, encaminhar e auxiliar na obtenção de documentos quando necessário; - acolher, identificar, elaborar e encaminhar relatório para o CRAS/CREAS sobre situações de risco, suspeita de violência, abandono, maus-tratos, negligência, abuso sexual contra a criança/adolescente, consumo de drogas e gravidez; - Discutir em reuniões da equipe técnica os casos que necessitam providências; - Pesquisar e visitar os recursos socioassistenciais e demaispolíticas públicas do território; - Elaborar o controle de frequência diário e mensal dos usuários; - Elaborar controle diário e mensal das atividades sociais e grupais que desenvolve; - Responsabilizar-se pela referência e contrareferência no atendimento dos usuários; - Monitorar e avaliar as atividades/oficinas junto aos usuários e orientadores socioeducativos; - Participar de reuniões de avaliação das atividades (para a manutenção ou redicionamento das mesmas); - Substituir o gerente do serviço quando designado por este (SÃO PAULO, 2012 a, p. 95). A organização e o funcionamento do CCA, bem como as especificidades de cada profissional colaboram para que se efetive o fortalecimento de vínculos familiar e social, a gestão integrada com diversos setores, as atividades socioeducativas de 37 convívio, participação cidadã, o trabalho com famílias e com o território fazem parte de uma importante estratégia para o enfrentamento das vulnerabilidades sociais apresentadas pelas famílias se constituindo como um espaço de cuidado e de possível alcance de autonomia e de protagonismo social (TISSOT, 2012). A atuação do assistente social no Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos – SCFV, ao reforçar a democracia na vida social, afirma o compromisso com a cidadania, à medida que os direitos se realizam e dessa maneira, “alteram o modo como as relações entre os indivíduos sociais se estruturam, contribuindo na criação de novas formas de sociabilidade, em que o outro passa a ser reconhecido como sujeito de valores, de interesses, de demandas legítimas, passíveis de serem negociadas e acordadas” (IAMAMOTO, 2008, p. 78). 38 5. CONSIDERAÇÕES FINAIS Ao percorrer os objetivos específicos deste trabalho, foi possível o aprofundamento da compreensão da importância da ação profissional do assistente social no Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos – SCFV, a partir das especificidades e dos saberes historicamente construídos por esta profissão. Desta forma, o primeiro capítulo abordou de maneira pontual o processo histórico da Política de Assistência Social no Brasil, a partir da Constituição Federativa do Brasil de 1988 até chegar na Lei de Tipificação que consolida o SCFV, como política de Assistência Social de Proteção Básica, elegendo a família como eixo central para a ação social. No capítulo dois foi abordado a família como centralidade para a proteção social e para a Assistência Social, desta forma a assistência entende a família como o primeiro contato socializante, com potencial afetivo e de proteção, portanto políticas de apoio sócio familiar são de caráter preventivo de proteção social, assim as ações devem ser voltadas para o fortalecimento de vínculos sociais de maneira a alcançar a concretização dos direitos humanos e sociais com a família a partir de seu território de vivência quando identificadas demandas de vulnerabilidade e risco social. Já o terceiro capítulo, tratou mais especificamente do Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos – SCFV com crianças e adolescentes, como ele se materializa para este público usuário e a importância do assistente social no SCFV com crianças e adolescentes, ou seja, quais são as especificidades desta profissão que colabora para o alcance dos objetivos do serviço? Segundo Mioto (2010), o objetivo do servidor social, sobretudo do assistente social, é assegurar aos núcleos familiares o acesso à renda, bens e serviços de qualidade, conseguir garantias de direitos e ampliar os direitos sociais. Ora, não é possível pensar em fortalecimento de vínculos sem pensar em acesso à renda, bens e serviços de qualidade, cidadania e autonomia. Desta forma o profissional de Serviço Social traz características singulares para o SCFV, pois ele trabalha não apenas sobre uma necessidade humana, sua especificidade está no fato de atuar sobre todas as necessidades de uma dada classe social, ou seja, aquela formada por grupos subalternos ou excluídos dos bens, serviços e riquezas dessa sociedade (NETTO, 2012). Assim, a presença do assistente social no serviço em questão é de fundamental importância visto que historicamente uma das funções deste profissional é o de 39 executor de políticas sociais e mais ainda, por ter na questão social “a base para sua fundação como especialização do trabalho” (IAMAMOTO, 2008, p27), atuando de maneira a intervir na realidade posta, desenvolvendo propostas socioeducativa, tanto no campo da política, motivando os sujeitos que vivem do trabalho a se organizarem em favor de seus direitos, como com propostas interventivas para a reflexão da identidade dos usuários, tendo o Código de Ética profissional como norteador de suas ações. Desse modo, percebe-se que a assistente social lida com expressões complexas da questão social, sua atuação volta-se na busca pela efetivação dos direitos de crianças e adolescentes que constantemente se veem com seus direitos violados. Para uma atuação interventiva o profissional se apropria das políticas de assistência social, saúde e educação, para compor a integralidade de suas ações. Contudo, vale ressaltar a obrigatoriedade e responsabilidade das autoridades em proporcionar a qualidade dos serviços prestados, para que de fato essas crianças e adolescentes sejam incluídas na sociedade e não excluídas e o Fortalecimento de Vínculos seja realmente efetivado, através de políticas sociais que promovam a equidade e a efetivação da dignidade do ser humano. 40 REFERÊNCIAS BRASIL. Constituição Federal (1988). Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília: Senado Federal, 2012. BRASIL. Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. Tipificação Nacional de Serviços Socioassistenciais Texto da Resolução nº 109, de 11 de Novembro de 2009. Brasília: MDS, 2009. BRASIL. Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à fome. Orientações técnicas sobre o PAIF: Trabalho social com famílias do Serviço de Atendimento Integral à Família. Brasília: MDS, 2012. Disponível em: . Acesso em: 10 de set. de 2018. BRASIL. Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. Orientações técnicas sobre o Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos para Crianças e Adolescentes de 6 a 15 anos: prioridade para crianças e adolescentes integrantes do Programa de Erradicação do Trabalho Infantil, Brasília: Secretária Nacional de Assistência Social, 2010. BRASIL. Câmara dos Deputados. LEI Nº 8.742, de 7 de dezembro de 1993. Dispõe sobre a organização da Assistência Social e dá outras providências, e legislação correlata. 2. ed. Brasília: Planalto, 2015. Disponível em: http://www2.camara.leg.br/documentos-e- pesquisa/publicacoes/edicoes/arquivosmobi/loas-2a-edicao>. Acesso em 20 de ago. de 2018. CARVALHO, Maria do Carmo Brant. Famílias e políticas públicas. 5* ed. São Paulo: Cortez, 2005. CARVALHO, Inaiá Maria Moreira; ALAMEIDA, Paulo Henrique. Família e proteção social. Vol. 17 n. 2 São Paulo: Perspectiva, 2003. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-88392003000200012. Acesso em 09 outubro de 2018 CAVALCANTE, Pedro; RIBEIRO, Bernardez Beatriz. O Sistema Único de Assistência Social: resultados da implementação da Política nos municípios brasileiro. Revista Administração Pública. Rio de Janeiro, n. 6, p. 1460-1477, 2012. Disponível em: .