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<p>Copyright © Autoras e autores</p><p>Todos os direitos garantidos. Qualquer parte desta obra pode ser reproduzida, transmitida ou arquivada</p><p>desde que levados em conta os direitos das autoras e dos autores.</p><p>Thiago Agenor dos Santos de Lima (Organizador)</p><p>O trabalho social com famílias no CREAS e as contribuições do serviço social, psicologia e</p><p>direito. São Carlos: Pedro & João Editores, 2019. 65p.</p><p>ISBN 978-85-7993-736-1</p><p>1. Trabalho social. 2. Trabalho com famílias. 3. CREAS de Andradina. 4. Autores. I. Título.</p><p>CDD – 150</p><p>Capa: Andersen Bianchi</p><p>Editores: Pedro Amaro de Moura Brito & João Rodrigo de Moura Brito</p><p>Conselho Científi co da Pedro & João Editores:</p><p>Augusto Ponzio (Bari/Itália); João Wanderley Geraldi (Unicamp/ Brasil); Hélio Márcio Pajeú (UFPE/Brasil);</p><p>Maria Isabel de Moura (UFSCar/Brasil); Maria da Piedade Resende da Costa (UFSCar/Brasil); Valdemir</p><p>Miotello (UFSCar/Brasil).</p><p>Pedro & João Editores:</p><p>www.pedroejoaoeditores.com.br</p><p>13568-878 - São Carlos – SP</p><p>2019</p><p>ABERTURA</p><p>A presente publicação tem a finalidade de apresentar práticas profissionais desenvolvidas no âmbito</p><p>dos Centros de Referência Especializados de Assistência Social (CREAS), trata-se de equipamentos públicos</p><p>de proteção especial da política de assistência social instituídos com o Sistema Único da Assistência</p><p>Social (SUAS).</p><p>“É de extrema importância promover um espaço para que a família possa refletir sobre sua</p><p>história, seu presente momento e a situação de violência, que, muitas vezes, é a única maneira</p><p>encontrada para se relacionar.</p><p>Assim, é essencial desenvolver a autonomia, o protagonismo e o empoderamento através de</p><p>uma nova relação, na qual os papéis sociais são repensados e reconstruídos por meio de novos</p><p>projetos de vida.”</p><p>De acordo com a CF/88, todos os brasileiros têm direito à Proteção Social Básica, portanto, o</p><p>Governo Federal, Estadual e Municipal, procuram consolidar uma ampla rede de proteção e promoção</p><p>social. Até porque vai muito além dos benefícios de cestas básicas, transferência de renda, bem como, o</p><p>direito a vários serviços socioassistenciais.</p><p>Nos Centros de Referência da Assistência Social (CRAS), as famílias encontram serviços</p><p>diversos como cursos, atividades culturais, espor tivas e recreativas. Por tanto os CRAS e CREAS são</p><p>casas de por tas aber tas para as famílias que buscam assistência e orientação para exercerem seus</p><p>direitos sociais básicos.</p><p>O governo municipal tem apoiado a nova forma de organização das ações de Assistência</p><p>Social, e isso vem contribuindo para bons resultados e apesar de toda a dificuldade em conciliar</p><p>prioridades estão tentando romper a lógica de cada secretaria atuar separadamente. Na Assistência,</p><p>essa integração tem um impacto positivo imediato, sendo que a intersetorialidade não exige nenhuma</p><p>novidade, somente um planejamento diferente com estratégia de gestão buscando soluções integradas</p><p>para responder aos complexos fatores que podem tornar uma pessoa ou família vulnerável. Sabe-se</p><p>que é o grande desafio das políticas públicas e principalmente da Assistência Social, pois precisamos</p><p>dessa intersetorialidade, afinal, o nosso público é o da saúde, educação e precisamos, sempre que</p><p>necessário, ter parceria com essas áreas.</p><p>“Parabéns a todos os trabalhadores da Assistência pois a Assistência é um processo social. Não é</p><p>a preparação para a vida, é a própria vida”</p><p>Sandra Regina da Silva Pereira</p><p>Secretária Municipal de Assistência e Promoção Social</p><p>6</p><p>Tamiko Inoue</p><p>Prefeitura Municipal de Andradina</p><p>Sandra Regina da Silva Pereira</p><p>Secretaria Municipal de Promoção e Assistência Social</p><p>Thiago Agenor</p><p>Diretoria de Proteção Social Especial</p><p>Guilherme Rangel Cochi Inácio</p><p>Centro de Referência Especializado de Assistência Social</p><p>Supervisão</p><p>Thiago Agenor dos Santos de Lima</p><p>Elaboração e colaboração técnica</p><p>Angélica Yuriko Yamada</p><p>Ana Paula Barbosa de Oliveira</p><p>Camila Silvano Antunes</p><p>Joice Ellen Camilo da Silva Pereira</p><p>Ligia Cristina de Moraes</p><p>Luciana C. de Souza Cruz Piovesan</p><p>Marina Maria Ribeiro</p><p>Nathália Fernandes Capucho</p><p>Natalia Tartalioni G. Leal</p><p>Viviane Lima Lourenço</p><p>Thiago Agenor dos Santos de Lima</p><p>Andradina/SP, 24 de julho de 2019.</p><p>EXPEDIENTE</p><p>7</p><p>APRESENTAÇÃO</p><p>Esta construção do conhecimento sobre “O trabalho social com famílias e as contribui-</p><p>ções do serviço social, psicologia e direito no CREAS”, em tempos de retrocesso dos</p><p>direitos sociais e de violentas investidas contra o Sistema Único de Assistência Social</p><p>– SUAS, traz duas marcas importantes de resistência: 1) trazer como ponto de partida a</p><p>realidade concreta da cidade de Andradina/SP e 2) buscar, a partir do cotidiano vivenciado</p><p>pelos trabalhadores do CREAS junto a esta realidade, a construção do conhecimento mul-</p><p>tidisciplinar sobre o trabalho social a ser desenvolvido.</p><p>Os textos produzidos pelos trabalhadores-autores trazem estas marcas, e expressam</p><p>a complexa teia de questões que envolvemos serviços de proteção social, como é o caso</p><p>do Centro de Referência Especializado de Assistência Social – CREAS – que recebeu o</p><p>atributo de “proteção social de média complexidade” pela política de assistência social.</p><p>Sem dúvida, este atributo se concretiza na prática cotidiana dos trabalhadores do SUAS</p><p>que atuam neste serviço, revelando que o CREAS implica em múltiplas escalas: de despro-</p><p>teção social (individual, familiar, social, mundo privado, espaço público), de trabalho social</p><p>(psicossocial, sociojurídico, multi e transdisciplinar) e de abrangência territorial (local, re-</p><p>gional).Estas múltiplas escalas se apresentam nos três textos produzidos pelos trabalha-</p><p>dores assistentes sociais, psicólogos e advogados:</p><p>“O profissional ao se deparar no seu cotidiano com a imediaticidade recorrente e ca-</p><p>racterística iniciais como situações de violências, negligências, abandonos entre outros, é</p><p>preciso uma ultrapassagem das aparências dos fatos” (Assistentes Sociais).</p><p>“Dito de outro modo, o campo social ainda é um campo novo, porém, temos visto as</p><p>inúmeras contribuições da ciência psicológica para com o rompimento das expressões de</p><p>desigualdades vivenciadas pelos sujeitos”. (Psicólogos)</p><p>“Assim, pode-se dizer que, até o momento, não há regulamentação da atuação do advo-</p><p>gado no SUAS, e nem enquanto integrante da equipe de referência do CREAS. Urge, dessa</p><p>forma, que a Ordem dos Advogados do Brasil se mobilize a respeito e se atualize frente às</p><p>vicissitudes sociais que influenciam na atuação profissional e função social do advogado</p><p>que vão além da atuação convencional.” (Advogados)</p><p>As múltiplas escalas que marcam a atuação do CREAS trazem à tona a complexa sobrepo-</p><p>sição de desproteções sociais implicadas e, ao mesmo tempo, os desafios para as respostas</p><p>de proteção social deste serviço. Por isso, o depoimento da usuária do CREAS de Andradina,</p><p>e citado no texto de abertura, expressa o sentido que este serviço representa em sua realidade</p><p>cotidiana: “CREAS é um lugar que a gente pode contar”.</p><p>Nada melhor do que uma definição tão concreta e afirmativa revelada por quem usa o</p><p>serviço, demonstrando que apesar de todas as dificuldades e desafios enfrentados no coti-</p><p>diano de atuação dos trabalhadores do CREAS de Andradina, a proteção social se mantém</p><p>como perspectiva e resposta.</p><p>Dirce Koga</p><p>Assistente social, professora do Programa de Estudos Pós-Graduados da PUCSP</p><p>8</p><p>PREFÁCIO DA ÁREA DO SERVIÇO SOCIAL</p><p>Desde a gênese do Serviço Social no Brasil, as ações desenvolvidas pelos assistentes sociais ocorrem em programas, projetos e</p><p>serviços executados nas políticas públicas e sociais. A assistência social, em conjunto com a saúde, é política identificadas como</p><p>campo de trabalho dos assistentes sociais desde a década de 1930 do século passado.</p><p>O assistente social tem sido chamado a atuar com as consequências das expressões da “questão social”, cuja concreticidade se revela na com-</p><p>plexa trama dos fenômenos sociais, decorrentes das relações desiguais estabelecidas e constitutivas da sociedade capitalista. Atuando majoritaria-</p><p>mente com os trabalhadores, principalmente aqueles</p><p>física, capacidade mental, habilitações especifi-</p><p>cas, tipo de casa, tipo de emprego e entre outras questões da personalidade dos sujeitos, ao contrário toda a investigação social, descritas e em seguida</p><p>de análises devem adotar a direção aos direitos e a cidadania. Em síntese os estudos sociais “devem contemplar o conhecimento da situação em</p><p>que o sujeito demandante está implicado e de suas condições de vida. Devem reconstruir processos sociais geradores de tal situação tendo em</p><p>consideração o conjunto de relações e determinações sociais para permitir um conhecimento mais amplo e profundo e uma interpretação crítica</p><p>da situação”. (MIOTO, 2009, p. 488) (GRIFOS NOSSOS).</p><p>18</p><p>Importante ressaltar que as realizações dos estudos socioeconômicos nos espaços de trabalho proporcionam aos profissionais a possibilida-</p><p>de de demonstrar os conhecimentos / especialidade da profissão. Ou seja, a realização dos estudos socioeconômicos permite a compreensão</p><p>da totalidade, não pela aparência, como seria se fosse realizado por outro trabalhador.</p><p>Em se tratando de atuar com demanda vítima de violação de direitos nossa atuação é permeada “por extremos”, uma vez que a violência tem relação</p><p>direta com a exploração e a dominação no qual o capitalismo submete o ser humano, e isso reflete em altos índices de violências como expressão</p><p>das desigualdades sociais, exemplos esses são crianças sendo desprotegidas por seus familiares por esses estarem submetidos a longas jornadas</p><p>de trabalho e seus filhos ficando sob cuidados de terceiros ou até iniciando precocemente no mercado de trabalho. Temos atualmente demandas de</p><p>crianças que foram abusadas sexualmente pela exposição desses fatores citados; outro exemplo são as crianças vítimas de negligência ou abandono,</p><p>ou até submetidas a maus tratos no ambiente familiar.</p><p>O abandono social é a característica peculiar e intergeracional destacamos como fator preponderante e que origina toda forma de violação, pois não</p><p>é possível proteger se não se encontra protegido. Outra situação que merece destaque são as crianças e adolescentes que estão expostas a situações</p><p>de exploração sexual também se encontra em atendimento, estas, são oriundas de famílias com frequentes episódios de violências físicos, psicológica,</p><p>envolvimento com drogas, desemprego ou subemprego, condições precárias de moradia e saúde, ou seja, todas as formas de desproteções sociais,</p><p>diante de tal realidade os indivíduos são revitimizadas novamente agora intergeracionalmente sendo desprotegidas.</p><p>Observamos situações limites e extremas como dito inicialmente, contudo, por parte da esfera pública, ainda há ausência do suporte e da</p><p>aplicabilidade das leis e faz-se necessário a não responsabilização das famílias sem uma análise cuidadosa e não simplista trazendo caracte-</p><p>rísticas conjunturais que fazem parte do seu percurso histórico e culminam sua vivência atual.</p><p>Entretanto, nossa pratica necessita ir para além de requisições institucionais, uma vez que somos chamadas a atuar de forma punitiva.</p><p>Contudo faz-se necessário ir além de requisições, nossa leitura não é rasa, temos capacidades de propor respostas que contribua para o for-</p><p>talecimento do subjetivo e do objetivo e assim a atuação se dará através de propostas de políticas públicas e não de práticas culpabilizadoras</p><p>da classe trabalhadora tão refém de um sistema desigual e violento.</p><p>Em síntese, as principais ações realizadas pelos profissionais do Serviço Social são:</p><p>• Acolhida dos usuários encaminhados por outros órgãos e/ou demanda espontânea;</p><p>• Escuta dos usuários e suas famílias para orientação e encaminhamentos para outros setores quando necessário;</p><p>• Visitas domiciliares, para entender a dinâmica familiar e condições habitacionais;</p><p>• Construção de plano individual e/ou familiar, para que por meio deste o usuário consiga voltar a ter autonomia;</p><p>• Articulação interinstitucional com os demais órgãos de garantia de direitos, isso porque muitas vezes a necessidade do usuário ultrapassa</p><p>a nossa competência como profissional e quanto equipamento;</p><p>• Elaboração de relatórios diários, registro de atendimentos e dos prontuários;</p><p>• Discussão de caso com equipe, coordenação e quando necessário com a rede de proteção social do município</p><p>3. CONSIDERAÇÕES FINAIS</p><p>A tarefa dos/das assistentes sociais no âmbito do CREAS, com vista ao PEPP é denunciar, resistir e lutar contra as violações de direitos vivi-</p><p>dos/vivenciados pelos sujeitos, incorporando conjuntamente com o direito político, civil e humanos visando à universalidade da proteção social.</p><p>A compreensão das violações de direitos, defendida no âmbito do CREAS não é meramente o reconhecimento das relações entre os sujeitos,</p><p>sobretudo, é decorrente das contradições decorrentes do modo capitalista de ser, organizar e se reproduzir perante seus ideais e projetos.</p><p>O trabalho profissional no campo do CREAS, por reconhecer este espaço como um campo sócio jurídico, os trabalhadores devem tomar cuidado</p><p>para que as ações não sejam voltadas para a criminalização da pobreza, a desqualificação e desmobilização das instâncias dos direitos mascaradas</p><p>como proteção. Nesta mesma lógica as requisições institucionais podem ocorrer na individualização, moralização e psicologização das violações de</p><p>direitos, responsabilizando os indivíduos, grupos, famílias, comunidade, e trabalhadores pelas situações vivenciadas no cotidiano do trabalho. O desafio</p><p>profissional é romper com as amarras do cotidiano, com uma crítica ao caldo conservador em vista a justiça social e uma sociedade igualitária.</p><p>REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS</p><p>AGENOR, Thiago. Torres, Mabel Mascarenhas. Conservadorismo e serviço social: a necessária afirmação do projeto ético-político profissional.</p><p>In: Milani, Gisele Dayane. Agenor, Thiago (org.). Caleidoscópio de saberes: reflexões coletivas em serviço social. 1.ed. - Curitiba: Editora Prismas, 2018.</p><p>BRASIL. Política Nacional de Assistência Social. Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, novembro de 2004.</p><p>GUERRA, Yolanda. A instrumentalidade do Serviço Social. São Paulo: Cortez, 1995.</p><p>IAMAMOTO, Marilda Villela. & CARVALHO, Raul. Relações sociais e serviço social no Brasil. 36. ed. São Paulo: Cortez/Celats, 2012.</p><p>MARX, Karl. O capital: crítica da economia política. 19. ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2002. L. 2.</p><p>MIOTO, Regina Célia. Estudos socioeconômicos. In: CONSELHO FEDERAL DE SERVIÇO SOCIAL – CFESS, ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE ENSINO E</p><p>PESQUISA EM SERVIÇO SOCIAL – ABEPSS. Serviço Social: direitos sociais e competências profissionais. Brasília: CFESS/ABEPSS, 2009. p. 481-96</p><p>PONTES, Reinaldo Nobre. Mediação e Serviço Social. 2. ed. São Paulo: Cortez, 1997.</p><p>RAICHELIS, Raquel. O trabalho e os trabalhadores do suas: o enfrentamento necessário na assistência social. In: Brasil. Ministério do</p><p>Desenvolvimento Social e Combate à Fome. GESTÃO DO TRABALHO NO ÂMBITO DO SUAS: Uma contribuição Necessária. -- Brasília, DF: MDS;</p><p>Secretaria Nacional de Assistência Social, 2011.</p><p>SPOSATI, Aldaíza. O primeiro ano do Sistema Único de Assistência Social. In: Revista Serviço Social e Sociedade nº. 87. São Paulo: Cortez, 2006.</p><p>SOUSA, Charles Toniolo de.; OLIVEIRA, Bruno. José da Cruz. Criminalização dos pobres no contexto da crise do capital: reflexões sobre os</p><p>seus rebatimentos no Serviço Social. In: FORTI, Valéria & BRITES, Cristina. Direitos Humanos e Serviço Social: polêmicas, debates e embates.</p><p>Rio de Janeiro: Lúmen Juris, 2011.</p><p>19</p><p>CAPÍTULO III</p><p>AS CONTRIBUIÇÕES DA PSICOLOGIA PARA OS SERVIÇOS</p><p>SOCIOASSISTENCIAIS DO CREAS DE ANDRADINA</p><p>Luciana C. de Souza Cruz Piovesan– Psicóloga – CRP:6/102.061</p><p>Marina Maria Ribeiro – Psicóloga – CRP:06/5519</p><p>Nathália Fernandes Capucho – Psicóloga - CRP: 06/145.865</p><p>Natalia Tartalioni G. Leal – Psicóloga – CRP: 06/104.112</p><p>1. INTRODUÇÃO</p><p>O presente capítulo é fruto das experiências profissionais dos psicólogos inseridos nos serviços socioassistenciais do CREAS na cidade</p><p>de Andradina (interior do estado de</p><p>SP), a noroeste do estado de São Paulo. O objetivo principal é descrever as principais contribuições da</p><p>profissão do psicólogo no campo da proteção social especial de média complexidade, através de estudos, indagações e construções coletivas</p><p>realizadas no cotidiano, marcado pelas inúmeras situações de violações de direitos, nos quais, somos requisitadas para elaboração de respos-</p><p>tas a partir de nossos conhecimento e valores éticos da profissão, em vistas as seguranças sociais, conforme Agenor (2017, p. 6):</p><p>Essas seguranças vão ao encontro das necessidades sociais da população que necessita da proteção social ofertada pelo Estado. A proteção social não é apenas em</p><p>benefício financeiro, mas a necessidade de um espaço de acolhida (a ser desenvolvidas em todas as unidades socioassistenciais), que possibilite uma escuta qualificada, que</p><p>levante as vulnerabilidades e os riscos e ainda que proteja os indivíduos e suas respectivas famílias sobre as suas condições peculiares.</p><p>Por esta razão, a inserção da psicologia no CREAS, deve (ser) estar relacionada (partir d) as funções/seguranças sociais assumidas para a política</p><p>de assistência social (a partir) desde a (da) institucionalização do SUAS e as normatizações que ocorreram na área, principalmente as indicações de</p><p>profissionalização dos trabalhadores a partir da NOB/SUAS/RH (2006), reconhecendo as diversas contribuições da psicologia para área.</p><p>No caso específico, temos observado que a especificidade da profissão (possui) oferece inúmeras contribuições para o trabalho social executado</p><p>pelo CREAS, porém, apesar de existir todo o aparato jurídico é apenas em julho de 2010 que o psicólogo é inserido na equipe mínima, por meio de</p><p>processo seletivo, juntamente com (Assistente Social) Advogado e Educador Social. Importante registrar, que neste período o CREAS iniciava a es-</p><p>truturação dos seus serviços. O assistente social (já estava inserido e) acumulava as funções de coordenação e técnica do serviço PAEFI e a equipe</p><p>mínima responsável por toda a demanda que era quantitativamente dividida, a atuação não se dava por competência profissional, todos faziam tudo!</p><p>Em 2011, o Juiz responsável pela Vara da Infância e Juventude, proíbe os estagiários de acompanharem adolescentes em cumprimento de medida</p><p>socioeducativa, os casos então são redistribuídos entre os profissionais que compunham a equipe mínima. Nossa atuação foi muito guiada pelo bom</p><p>senso, uma vez que o método principal nos foi tirado, o clínico, e nossa formação não nos preparou e ainda não prepara para a compreensão da</p><p>interrelação entre o funcionamento social e a produção do sofrimento psíquico. Dito de outro modo, o campo social ainda é um campo novo, porém,</p><p>temos visto as inúmeras contribuições da ciência psicológica para com o rompimento das expressões de desigualdades vivenciadas pelos sujeitos.</p><p>No ano de 2011 acontece o primeiro concurso de psicólogos para a Assistência Social por meio da Secretaria da Saúde o que foi gerador</p><p>de muitas contradições e ainda o é, pois profissionais com a mesma formação foram lotados na Secretaria de Saúde, com adicional de 80%</p><p>sobre o salário e 6 horas de trabalho, enquanto os que foram para a Assistência Social trabalhavam 8 horas, houve a conquista do adicional</p><p>para todos e quanto ao desnível de horas, a conquista se dá por meio de ação trabalhista.</p><p>O ano de 2013 é marcado pela diversificação dos serviços dentro do CREAS inicia-se a formação de equipes de serviços que eram previstos</p><p>na tipificação, conforme descreve Agenor (2017, p. 8):</p><p>Os serviços socioassistenciais são parte preponderante do SUAS, com direção para a garantia dos direitos junto a assistência social sobre a primazia do Estado. Na execução</p><p>desses serviços estão presentes diversos profissionais especializados, que organizam diversas atividades e ações, respondendo as situações de vulnerabilidades e riscos. Materializar</p><p>o SUAS é um desafio constante desses diferentes profissionais envolvidos junto a Assistência Social. Mas isso só será possível se a compreensão não partir apenas das “criatividades</p><p>nomenclaturais” que muitos gestores tendem a buscar para a assistência social. Um exemplo disso é quando em determinados espaços, esses gestores tendem a criar “Termino-</p><p>logias” para referenciar os serviços dos equipamentos do SUAS. Tais como “Frente dos Idosos”, Programa do Deficiente; Casa da Mulher vítima de violência. Não conseguem com-</p><p>preender que com o desenvolvimento do SUAS trazidos pela PNAS/2004 e as outras regulamentações posteriores, o CNAS, através de um amplo movimento com a sociedade civil,</p><p>grupos de pesquisas e estudos, profissionais, estudantes e outros segmentos, aprovam a Tipificação Nacional dos Serviços Socioassistenciais.</p><p>Ora, esta situação também ocorreu na cidade de Andradina no âmbito do CREAS, no qual, o psicólogo foi então inserido em outras “frentes”</p><p>e que a partir de ampla mobilização foi materializado os serviços socioassistenciais com a seguinte configuração:</p><p>1) 2013: Serviço Especializado em atendimento aos adolescentes em cumprimento de medida socioeducativa em meio aberto;</p><p>2) 2013 – PAEFI: Serviço Especializado para atendimento da Violência contra mulheres, crianças e adolescentes;</p><p>3) 2014 - Serviço Especializado para atendimento de Idosos e Pessoas com Deficiência;</p><p>4) 2018 - o PAEFI é desmembrado e é criado o segmento para acompanhamento de adultos.</p><p>Atualmente a unidade do CREAS passa a contar com cinco serviços socioassistenciais e a participação de quatro psicólogos, apresentamos</p><p>então uma sintetização das principais contribuições da profissão.</p><p>2. COMPETÊNCIAS E ATRIBUIÇÕES DA PSICOLOGIA NOS SERVIÇOS SOCIOASSISTENCIAIS DO CREAS DE ANDRADINA</p><p>A atuação do psicólogo baseará o seu trabalho em princípios que colocam o respeito, a promoção da liberdade, da dignidade e da integridade</p><p>20</p><p>do ser humano, apoiado nos valores que embasam a Declaração Universal dos Direitos Humanos como fundamentais. Deve pautar sua ação</p><p>levando em conta três dimensões:</p><p>1. TEÓRICA: Utilizar conceitos e categorias da teoria que funcionem como uma lente para poder aprofundar os conhecimentos da realidade;</p><p>2. ÉTICO-POLÍTICA: Considerar aspectos éticos, princípios, visão de homem e de mundo que contribuem para a forma de atuar;</p><p>3. METODOLÓGICA: Possuir um conjunto de técnicas, de instrumentos, de estratégias que favoreçam a sua ação.</p><p>(Na) A articulação das dimensões acima caracteriza o trabalho da psicologia social realizado a partir das entrevistas, da observação, das</p><p>intervenções pontuais que objetivam ampliar a compreensão daquele indivíduo e do grupo familiar; o profissional vai construindo um perfil da</p><p>dinâmica familiar e do funcionamento do indivíduo o que lhe permite uma intervenção mais eficaz nos atendimentos individuais e/ou em grupos,</p><p>bem como uma contribuição fundamentada teoricamente nos estudos de caso.</p><p>A Escuta Qualificada, um dos instrumentos principais da psicologia concede ao indivíduo liberdade para se expressar sem que haja julgamen-</p><p>to, esse processo de escuta permite ao psicólogo acesso ao mundo subjetivo do indivíduo e à melhor compreensão de suas necessidades. O</p><p>papel do psicólogo então é:</p><p>• conhecer o indivíduo e/ou família, identificando demandas explícitas e implícitas, levando em conta seu contexto sociocultural;</p><p>• promover o fortalecimento de potenciais e autonomia;</p><p>• promover o fortalecimento da função protetiva da família;</p><p>• identificar fenômenos sociais que interferem na vida de indivíduos, famílias e grupos;</p><p>• identificar fragilidades e potencialidades do grupo familiar;</p><p>• considerar a heterogeneidade de riscos sociais e violações de direitos aos quais estão submetidos;</p><p>• participar das discussões de caso com participação de todos os profissionais implicados;</p><p>• viabilizar espaços criativos e geradores de alternativas individuais e coletivas, na perspectiva da superação das situações de violação,</p><p>fortalecimento de potencialidade e autonomia, tornando a família, seus membros e indivíduos, protagonistas de suas</p><p>histórias</p><p>A atuação do Psicólogo deve estar comprometida com a transformação social em direção a uma ética voltada para a emancipação humana,</p><p>toma como foco as necessidades, objetivos e experiências dos indivíduos e famílias; implica em facilitar a construção de um vínculo de con-</p><p>fiança com a família e para tal há que respeitar as singularidades de cada caso e participar das atividades relacionadas ao atendimento direto</p><p>e aos grupos de famílias, deve compreender o sofrimento produzido pela relação direta com a violência física, psíquica nas comunidades, e a</p><p>forma como essa vivência reflete na organização pessoal e familiar.</p><p>Importante afirmar que o atendimento psicossocial realizado no CREAS também tem um efeito terapêutico na medida em que busca a com-</p><p>preensão do sofrimento de sujeitos e suas famílias nas situações de violação de direito e visa à promoção de mudança, autonomia, superação.</p><p>Entretanto na política de assistência social, o vínculo estabelecido entre o profissional e o público do CREAS deve ser construído a partir do</p><p>reconhecimento de uma história de vida, imersa em um contexto social, sem uma perspectiva individualizante. Para isto, várias atividades com-</p><p>binadas são importantes para provocar reflexões e novos pertencimentos sociais, que podem produzir esse efeito terapêutico.</p><p>2.1 SERVIÇO DE PROTEÇÃO E ATENDIMENTO ESPECIALIZADO PARA CRIANÇAS E ADOLESCENTE E SUAS FAMÍLIAS (PAEFI)</p><p>Ainda há a ideia de um binômio (indivíduo/sociedade), uma dicotomia na psicologia entre sujeito e social, porém alguns estudiosos refutam</p><p>que “toda psicologia é social, pois se ocupa de um sujeito que é forjado na relação com o outro, com a sociedade e com a cultura”.</p><p>Porém toda formação psicológica é voltada para a singularidade do indivíduo, seu mundo subjetivo e assim, as práticas tradicionais foram</p><p>adaptadas para o trabalho realizado no CREAS, há de se romper com esse paradigma.</p><p>Dentro do contexto social tivemos que obter estratégias de construção de dispositivos alternativos ao setting clássico para que possa ser</p><p>realizado a escuta, com o propósito social, isso é, ter uma “visão complexa, capaz de articular a dimensão psíquica com o contexto social,</p><p>político e econômico” (KLAUTAU, 2017), porém ainda tendo a escuta com as técnicas de orientação psicanalítica.</p><p>Sendo assim, a psicanálise traz a escuta delicada para além da demanda manifesta, isso que, pode-se realizar a leitura para além do que é</p><p>somente dito, para que então possa encontrar outros instrumentos de referência de pertencimento.</p><p>A autora ainda relata que no 5º Congresso Internacional de psicanálise, Freud já apontou a necessidade de problematizar a atuação do</p><p>psicanalista com a população em situação de vulnerabilidade e enfatizou a necessidade de adequar a técnica às novas circunstâncias, porém</p><p>esse debate só começou recentemente, pela necessidade das políticas sociais desenvolver-se a partir também dos conhecimentos da ciência</p><p>psicológica, como ocorre no âmbito do CREAS/PAEFI.</p><p>Neste campo de intervenção, ocorre o trabalho da psicologia em conjunto com o/a Assistente Social, utilizando a acolhida do usuário/família,</p><p>e, construindo estratégias e intervenções a partir das habilidades específicas de cada área. Sem sombra de dúvidas este é o desafio posto nos</p><p>processos de trabalho multiprofissional, reconhecer a necessidade das profissões liberais no campo das políticas sociais e conseguir compre-</p><p>ender o campo/matéria e reconhecer o limite de cada área.</p><p>Uma advertência encontra-se nas Referências técnicas para a atuação do (a) psicólogo (a) no Centro de Referência Especializada da Assistência So-</p><p>cial (CREAS) que a ação dos psicólogos se confunde com as do assistente social, pois pelas orientações técnicas os papéis não estão bem definidos,</p><p>mas que a Psicologia tem muito a contribuir como foco a subjetividade e os processos psicossociais.</p><p>Sendo assim o papel do psicólogo na construção do PAEFI (Proteção e Atendimento Especializado a Famílias e Indivíduos), dispõe de três</p><p>ações que dão sustentação ao trabalho. Sendo os pilares para a elaboração a efetivação de intervenções psicossociais são: 1) o acolhimento;</p><p>2) o fortalecimento do convívio familiar e comunitário; 3) promoção da autonomia.</p><p>Nesse sentido, o objetivo do trabalho psicológico visa olhar a capacidade dos indivíduos/família na elaboração da violência e no auxílio para</p><p>a reconstrução subjetiva e também social para a modificação do contexto atual apresentado.</p><p>Enquanto psicólogos, ainda estamos fadados aos poucos instrumentais específicos de auxílio à interlocução junto à família, porém uma</p><p>21</p><p>estratégia será a elaboração de um Plano de Atendimento elaborado dentro da instituição, levando em conta da individualidade de cada sujeito</p><p>para poder haver sua real elaboração, faz com que norteie nosso espaço e auxilie no trabalho multiprofissional.</p><p>Um outro aspecto do trabalho é a atenção a crianças e adolescentes. Diferente da Ludoterapia, a intervenção com a criança ou adolescente</p><p>muda de enquadre, uma vez que a vinculação tem que ser feita com a família toda, e não somente com a criança ou adolescente, como na</p><p>situação clínica.</p><p>Porém a criança deve saber, ou devemos explanar, de uma forma que ela entenda, os motivos e necessidade de atendimento dentro do CRE-</p><p>AS/PAEFI, proporcionando através da escuta e a utilização de brinquedos e jogos a possibilidade de ampliar os aspectos do trabalho realizado</p><p>e uma escuta psicopedagógica.</p><p>As intervenções com as crianças não são de intuito psicoterapêutico, mas somente uma escuta qualificada da vivência dessa criança no</p><p>contexto familiar onde ela se encontra, tendo um entendimento pelo olhar dessa criança/adolescente da família, das relações e ainda, fazendo</p><p>uma breve avaliação, consegue-se identificar um sofrimento devido às violações sofridas, ou se há alguma sequela, podendo assim encaminhar</p><p>para um profissional especializado para que ele possa então fazer o tratamento necessário, no campo das políticas de saúde mental.</p><p>Mesmo assim, quando se trata de criança a abordagem deve ser lúdica, e aí a psicanálise, com embasamento na Melanie Klein, nos ajuda a</p><p>interpretar o que a criança/adolescente tem a nos contar, através do brincar.</p><p>O próprio CFP apontam nas Referências técnicas para a atuação do (a) psicólogo (a) no Centro de Referência Especializada da Assistência</p><p>Social (CREAS) que a ação dos psicólogos se confunde com as do assistente social, pois pelas orientações técnicas os papéis não estão bem</p><p>definidos, mas que a Psicologia tem muito a contribuir como foco a subjetividade e os processos psicossociais.</p><p>Os psicólogos que adentram a área social, acabam se perdendo no resgate da sua profissão. Isso porque os cursos profissionalizantes são todos</p><p>voltados para explicar a área social, perdendo aqui o caráter e a identidade do profissional da psicologia, há também a questão do dia a dia que aliena e</p><p>não nos permite refletir nossa prática. Devemos resgatar nossa identidade nos alimentando com cursos que vão além dos que nos falam sobre a área</p><p>social, isso porque eles nos farão criar a identidade dentro do aparato do SUAS, nos suspendendo da realidade e criando novas estratégias e novas</p><p>referências para a atuação, uma vez que essa área ainda é nova e está constantemente em mudança.</p><p>2.2 SERVIÇO DE PROTEÇÃO E ATENDIMENTO ESPECIALIZADO A PESSOAS ADULTAS E SUAS FAMÍLIAS</p><p>Primeiramente é preciso destacar que o Serviço de Proteção e Atendimento Especializado a pessoas adultas e suas famílias foi implantado</p><p>recentemente junto à unidade do CREAS, justificando a demanda pela necessidade de atender os indivíduos maiores de 18 anos de idade e que</p><p>vivenciam a situação de violação de direitos.</p><p>Esse serviço é descrito como um serviço de apoio, orientação e acompanhamento a famílias com um ou mais dos seus membros em si-</p><p>tuação de ameaça e/ou violação de direitos. Compreende atenções e orientações direcionadas para a promoção de direitos, a preservação e</p><p>o fortalecimento de vínculos familiares,</p><p>comunitários e sociais e para o fortalecimento da função protetiva das famílias diante do conjunto de</p><p>condições que as vulnerabilizem e/ou as submetam as situações de risco pessoal e social.</p><p>No campo do debate teórico, compreende-se a violência doméstica como um padrão de comportamento que envolve atos violentos ou outro</p><p>tipo de abuso por parte de uma pessoa contra outra num contexto doméstico, como no caso de um casamento ou união de fato, ou contra</p><p>crianças ou idosos. Quando é perpetrada por um cônjuge ou parceiro numa relação íntima contra o outro cônjuge ou parceiro denomina-se</p><p>violência conjugal, podendo ocorrer tanto entre relações heterossexuais como homossexuais, ou ainda entre antigos parceiros ou cônjuges. A</p><p>violência doméstica pode assumir diversos tipos, incluindo abusos físicos, verbais, emocionais, econômicos, religiosos, reprodutivos e sexu-</p><p>ais. Estes abusos podem assumir desde formas sutis e coercivas até violação conjugal e abusos físicos violentos.</p><p>Um outro ponto, a violência doméstica ocorre quando o abusador(a) acredita que o seu abuso é aceitável, justificado ou improvável de ser</p><p>reportado e pode dar origem a ciclos de abuso intergeracionais, criando a imagem que o abuso é aceitável. Poucas pessoas nesse contexto</p><p>são capazes de se reconhecer no papel de abusadores ou vítimas, uma vez que a violência é considerada uma disputa familiar que simples-</p><p>mente se descontrolou. Em relações afetivas abusivas, pode ocorrer um ciclo abusivo durante o qual aumenta a tensão e é cometido um ato</p><p>violento, seguido por um período de reconciliação e calma. As vítimas podem ser encurraladas para situações de violência doméstica através</p><p>de isolamento, poder, controle, aceitação cultural, falta de recursos financeiros, medo, vergonha ou para proteger os filhos. Na sequência dos</p><p>abusos, as vítimas podem desenvolver incapacidades físicas, problemas de saúde crônicos, doenças mentais, incapacidade de voltar a criar</p><p>relações afetivas saudáveis e incapacidade financeira. As vítimas podem ainda desenvolver problemas psicológicos, como perturbação de</p><p>stress pós-traumático. As crianças que vivem em lares violentos demonstram frequentemente problemas psicológicos desde muito novas,</p><p>como agressividade latente, o que em idade adulta pode contribuir para perpetuar o ciclo de violência.</p><p>Em todo o mundo, a esmagadora maioria das vítimas de violência doméstica são mulheres, sendo também as mulheres as vítimas das for-</p><p>mas mais agressivas de violência. Em alguns países, a violência doméstica é muitas vezes vista como justificável, especialmente em casos de</p><p>ocorrência ou suspeita de infidelidade por parte da mulher, em que é legalmente permitida. A violência doméstica é um dos crimes que menos</p><p>é declarado em todo o mundo, tanto no caso das mulheres como dos homens. Devido ao estigma social associado à vitimização masculina, há</p><p>maior probabilidade de as vítimas masculinas serem negligenciadas pelos serviços de saúde. No Brasil a Lei Maria da Penha – Lei 11.340, de</p><p>07 de agosto de 2006, cria mecanismos para coibir e prevenir a violência doméstica e familiar contra a mulher.</p><p>O acima exposto sobre a violência doméstica assevera os prejuízos físicos, psicológicos e sociais ocasionados a todos os membros de uma família</p><p>que vive sob opressão. A intervenção do psicólogo se torna fundamental em todas as fases do atendimento ao grupo familiar, inclusive do agressor</p><p>para possibilitar a quebra do ciclo da violência. O olhar do psicólogo deve buscar o potencial existente no grupo familiar e na comunidade para</p><p>que os efeitos da violência possam ser minimizados e/ou até rompidos.</p><p>O acompanhamento psicossocial permite criar espaços para um acolhimento humanizado, onde a escuta qualificada se faz de suma im-</p><p>22</p><p>portância para a construção de vínculo significativo o que permite ampliar a compreensão do indivíduo e do grupo familiar, da dialética entre a</p><p>objetividade e a subjetividade, de identificar os reflexos advindos da vivência violentadora, de criar espaços para a reflexão e intervir de forma</p><p>mais eficaz em busca de soluções.</p><p>A violência deixa marcas indeléveis, algumas mais profundas, nossa atuação precisa ir ao sentido de identificar e indicar formas de tornar os</p><p>prejuízos físico, psíquico e social menos danosos ao grupo familiar.</p><p>2.3 PSICÓLOGO E SUA ATUAÇÃO NO CUMPRIMENTO DE MEDIDA SOCIOEDUCATIVA EM MEIO ABERTO</p><p>- CENTRO DE REFERÊNCIA ESPECIALIZADO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL – CREAS - DE ANDRADINA/SP</p><p>Em 1990, foi instaurada a lei nº 8.069, Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA, com a finalidade de garantir os direitos de crianças</p><p>e adolescentes, reafirmando e preconizando a necessidade da proteção integral desta categoria. Com critérios para a definição dos marcos</p><p>regulatórios com o objetivo de garantir, por parte do Estado, um tratamento humanizado às crianças e aos adolescentes que se encontram em</p><p>conflito com a lei, devido à autoria de um ou mais atos infracionais.</p><p>No ano de 2012, foi publicada a lei n° 12.594, que estabelece o Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo (SINASE), com o intuito de</p><p>regulamentar o processo ético-legal da aplicação das medidas socioeducativas. Neste sistema, há a preocupação de proporcionar aos adoles-</p><p>centes e jovens os diversos serviços e ações socioassistenciais que oportunizem uma nova perspectiva de vida atual e futura, rompendo com</p><p>os ciclos de violência, pobreza, desigualdade social e outras situações.</p><p>A intenção do cumprimento das Medidas Socioeducativas (MSE) é, fundamentalmente, promover um conjunto de ações que proporcionem</p><p>aos adolescentes e jovens um processo de reflexão e de responsabilização, acerca de suas práticas infracionais cometidas, posteriormente</p><p>refletir sobre quais foram as suas motivações pessoais e sociais para cometê-las e, por fim, construir novas possibilidades de resignificações</p><p>que contribuam para o desenvolvimento e mudança de vida perante a si próprio e perante a sociedade.</p><p>O encaminhamento do (s) adolescente (s) para o CREAS é determinado pela autoridade competente, no caso do município de Andradina é</p><p>feito pelo poder judiciário através da 3° Vara da Infância e Juventude, após averiguação do ato e sentença proferida.</p><p>As atividades desenvolvidas pelo psicólogo, que compõem a equipe de execução das Medidas Socioeducativas (MSE) em Meio Aberto</p><p>transcorrem em acordo com o que é proposto pela legislação vigente, sempre prezando pela promoção da autonomia, responsabilização pelo</p><p>ato infracional cometido, resignificação do projeto de vida do adolescente e jovem, (re) estabelecimento do vínculo familiar, desenvolvimento e</p><p>reflexão sobre o importante papel desempenhado pela família no processo socioeducativo, foco nas especificidades do indivíduo nas fases de</p><p>vida, e por fim, a relevância de encaminhamento para possibilidade de prática laboral para o jovem.</p><p>No campo dos instrumentos e técnicas destacam: entrevista de acolhimento, avaliação psicológica, elaboração do projeto institucional,</p><p>realização de grupos para discutir temáticas importantes na etapa da adolescência, oficinas ligadas à formação profissional, atividades com a</p><p>comunidade com temáticas visando à inclusão social dos adolescentes que cumprem Medidas Socioeducativas (MSE) em Meio Aberto.</p><p>O acompanhamento ao adolescente é estabelecido de acordo com os prazos legais: no mínimo seis meses para a medida de Liberdade</p><p>Assistida e inferior a seis meses para a medida de Prestação de Serviços à Comunidade podendo ser prorrogado de acordo com a autoridade</p><p>judicial competente.</p><p>2.4 A ATUAÇÃO DO PSICÓLOGO NO SERVIÇO DE PROTEÇÃO SOCIAL ESPECIAL PARA PESSOAS</p><p>COM DEFICIÊNCIA, IDOSAS E SUAS FAMÍLIAS: PRÁTICAS PROFISSIONAIS E DESAFIOS COTIDIANOS</p><p>A importância de iniciar este tema com a explanação deste serviço é significativo, uma vez que é necessário compreender primordialmente a essên-</p><p>cia deste, para posteriormente adentrarmos em suas particularidades ou especificidades, assim dizendo. Desta forma, entendemos que o Serviço de</p><p>Proteção Social</p><p>Especial para Pessoas com Deficiência, Idosas e suas famílias é inteiramente destinado para tal público com algum grau de dependên-</p><p>cia e suas famílias, que tiveram suas limitações agravadas por violações de direitos e situações que comprometem o desenvolvimento da autonomia e</p><p>qualidade de vida. Porém, no município devido à cultura e os valores existentes a organização do serviço encontra-se em reordenamento.</p><p>Segundo a Tipificação Nacional de Serviços Socioassistenciais, os principais objetivos baseiam-se então na promoção de atividades que</p><p>garantem a autonomia, a inclusão social e a melhoria da qualidade de vida das pessoas, nesse sentido, visa à diminuição da exclusão social</p><p>tanto do dependente quanto do cuidador, da sobrecarga decorrente da situação de dependência/prestação de cuidados prolongados, bem como</p><p>a superação das violações de direitos que fragilizam o indivíduo e intensificam o grau de dependência da pessoa com deficiência ou idosa (o).</p><p>As ações devem possibilitar a ampliação da rede de pessoas com quem a família do dependente convive e compartilha cultura, troca vivên-</p><p>cias e experiências. A partir da identificação das necessidades, deverá ser viabilizado o acesso a benefícios, programas de transferência de</p><p>renda, serviços de políticas públicas setoriais, atividades culturais e de lazer, sempre priorizando o incentivo à autonomia da dupla “cuidador</p><p>e dependente”. Soma-se a isso o fato de que em meio ao acompanhamento realizado, sempre há a identificação de demandas do dependente</p><p>e/ou do cuidador e situações de violência e/ou violação de direitos para que nós então possamos acionar os mecanismos necessários para</p><p>resposta a tais condições, então neste ponto, iniciamos o olhar subjetivo do profissional da psicologia, com a parceria direta do assistente</p><p>social, na tentativa de contribuir para a ressignificação das situações violadoras, vulnerabilidades enfrentadas, descoberta de potencialidades</p><p>e alcance de novos rumos e possibilidades frente a novo paradigma onde a violência não mais, ou pelo menos temporariamente, não existirá.</p><p>Uma vez que este serviço de proteção social especial apresenta dois públicos distintos, mas que se assemelham na especificidade de</p><p>que, são de cer ta forma tidos como “especiais” -não somente ao que diz respeito pelo fato de serem acompanhados em si neste Centro</p><p>de Referência “Especializado”-, mas sim em relação às suas demandas ‘especiais’ e par ticularidades, desta forma, vale mencionar que</p><p>os princípios que orientam hoje o trabalho com tais populações par tem par ticularmente e justamente da tentativa de quebra desse pa-</p><p>23</p><p>radigma, o de tratá-los essencialmente como especiais, obviamente que não deixando de considerar a conquista prioritária das crianças</p><p>e idosos, mas que tal arquétipo seja superado, para tanto é necessário o contato, e não deve ser aquele de “salvação”, mas sim o de</p><p>pautar pela ideia de que nós profissionais vimos para escutá-los, tentar fazer da convivência com o meio em que estão inseridos, uma</p><p>convivência reflexiva sobre quais limitações que o mundo (e seus per tencentes) tem produzido para que tais pessoas não tenham direito</p><p>à vida digna (ANGELUCCI, 2018).</p><p>A fim de garantia da identidade de cada público atendido, é necessário neste momento separá-los e compreender suas trajetórias neste</p><p>Serviço.</p><p>Sabe-se que os idosos serão muito brevemente o público dominante da população brasileira, e infelizmente tal fato, o que inicialmente</p><p>seria de conquista à qualidade de vida e longevidade, hoje passa a ser uma preocupação frente às questões sociais dos idosos, o que traz</p><p>diversas implicações também de ordens subjetivas, e ao aplicar os conhecimentos teóricos e técnicos da Psicologia no âmbito da velhice</p><p>e do envelhecimento, o psicólogo precisa levar em conta a ar ticulação entre a subjetividade, situações sociais, políticas, econômicas,</p><p>históricas e culturais para atuar de forma adequada, levando sempre em consideração a necessidade e importância da superação das</p><p>situações violadoras, ponderando neste âmbito a capacidade funcional, cognitiva e emocional, os recursos internos, as demandas e os</p><p>interesses dos idosos, valorizando suas vivencias pessoais e respeitando as diferenças individuais. Basicamente em suma o psicólogo</p><p>inserido neste contexto executa sua função na dualidade de ar ticulação entre os processos de envelhecimento, políticas públicas volta-</p><p>das a estes indivíduos e ainda os mesmos inseridos em situações violadoras, o que de fato a intervenção deste último retoma todas as</p><p>pontuações apresentadas acima.</p><p>Há pouco tempo discorrer sobre a deficiência ainda era um tabu repleto de preconceitos e rejeições, no entanto atualmente diante do início da</p><p>implementação de políticas públicas destinadas a essa população, garantindo-lhes direitos básicos e inclusão a espaços onde possam assumir</p><p>suas cidadanias, entende-se a deficiência como “uma limitação, que alguns seres humanos adquirem não somente por herança biológica, mas</p><p>por adversidades sociais básicas não resolvidas, como acesso à educação, à saúde, à moradia, ao meio social em que convive, entre outros”</p><p>(GAIO, 2006). Por esta ótica, depreende-se que as pessoas com deficiência são mais vulneráveis a situações de risco, conforme enfatiza o</p><p>Programa Estadual de Prevenção e Combate a Violências contra Pessoas com Deficiência, enfatiza que ao lado da faixa etária, gênero e situação</p><p>socioeconômica, a deficiência está entre os diferentes fatores que podem aumentar a exposição da pessoa a atos de violência, sendo assim</p><p>é de suma importância que haja a constante reflexão de como a aceitação de tal condicionalidade foram enfrentadas pela família, quais os</p><p>mecanismos que estes utilizaram para a superação e quais para impulsionar ao oferecimento à qualidade de vida destes, a psicologia neste mo-</p><p>mento ganha espaço a tal análise e mais uma vez, o subjetivo entra em ação para que então consigamos identificar a falta de tais mecanismos,</p><p>a dificuldade dos familiares e cuidadores em proteger, compreender e garantir direitos, o que consequentemente culmina em vulnerabilidades</p><p>sociais e situações de risco, material substancial de intervenções neste serviço.</p><p>Na somatória dos dois públicos, concorda-se com Caldas (2002), pois “a família e os amigos são a primeira fonte de cuidado para com os idosos”,</p><p>arrisco a dizer que tal afirmação estende-se as pessoas com deficiência também, fator este que resulta inteiramente em recair primeiramente sobre a</p><p>família a total responsabilidade dos cuidados para com os dois públicos deste serviço, sendo que o papel da família é fundamental para que sintam-se</p><p>aparados, sendo que a perda desses laços frequentemente agrava a limitação da capacidade física, psicológica, piorando qualquer estado de saúde.</p><p>Então diante de tal explanação, incorpora-se o principal motivo do trabalho ofertado por este Serviço: as vulnerabilidades sociais e violações</p><p>de direitos contra pessoas com deficiência e idosos, que em sua grande maioria são perpetradas dentro do próprio domicílio dessas pessoas</p><p>(ou seja, pela sua família),a violência contra estes dois públicos é uma questão universal que pode ser percebida nas mais diversas classes</p><p>sociais, etnias e religiões, muitas vezes estas violências e maus tratos geralmente acontecem nos locais onde residem as vítimas, são mantidas</p><p>em sigilo, dificultando a investigação e punição dos culpados. Todavia, faz-se necessário avaliar de maneira crítica, mas sensata tais ações, que</p><p>a priori não haviam de ser justificáveis, porém acabam sendo de certa forma, isto é, é imprescindível apreender de que maneira tais familiares/</p><p>cuidadores informais encontram-se amparados e orientados nas atuais conjunturas societárias, para refletirem, buscarem e superarem as</p><p>situações de violências ocorridas em suas dinâmicas.</p><p>Ainda sobre o fato das violações de direitos acontecerem na maioria das vezes diretamente dentro do seio familiar, cabe ressaltar que este</p><p>responsável/cuidador frequentemente sofre constantes</p><p>pressões físicas e psicológicas, aliadas ao despreparo e sobrecarga de trabalho, o que</p><p>acaba favorecendo a prática de tais atos contra o idoso e pessoa com deficiência.</p><p>Neste sentido o olhar psicológico é primordial, a relevância de se fazer presente uma observação minuciosa e coerente de que as violações ocorrem</p><p>dentro do seio familiar, e que quem deveria proteger e garantir direitos são justamente quem os violam, porém não deixando de considerar que a vin-</p><p>culação se não é devidamente satisfatória, é parte contribuinte para tais ações, e falando especificamente em pessoas idosas, onde a fragilização dos</p><p>vínculos é algo difícil de ser reconstituído, conseguimos explicar os porquês de tantas violações, ai está a importância da qualidade do relacionamento</p><p>entre ambos, pois o tratamento inadequado em muitos casos sugere uma vingança inconsciente por parte das pessoas do seu convívio, relativas às</p><p>vivências anteriores, embora também possam ocorrer devido a não adaptação à família após dedicar toda sua vida ao mundo do trabalho, ao conflito</p><p>de gerações, às divergências de comportamento, à dependência química e/ou alcoólica por parte do ancião, às limitações financeiras e à escassez de</p><p>relacionamentos sociais, dentre outras possibilidades.</p><p>A responsabilização familiar é uma realidade, tanto é que é exigido da família o suporte aos cuidados e responsabilidades, vale então</p><p>ressaltar neste ponto a ação professional diante desse âmbito familiar no enfrentamento de tal violência, uma vez que muitas famílias</p><p>encontram-se sobrecarregadas nas suas funções visto a ausência do Estado em ampará-las na responsabilização conjunta, por tanto</p><p>é fundamental a sinalização de que deve ser compartilhado com a sociedade e o Estado tais papéis. A atuação, por assim dizer, do</p><p>Estado por meio das políticas sociais demanda a criação, desenvolvimento e implementação de políticas de serviços de apoio para os</p><p>indivíduos idosos e suas famílias, tais políticas também devem conciliar o trabalho com a responsabilidade familiar de cuidado (MOSER,</p><p>FERNANDES, MULLER, 2018).</p><p>Por fim, pessoas com deficiências, idosos e suas famílias não devem ser vistos e considerados apenas como estatísticas, mas deve de for-</p><p>24</p><p>ma inadiável abranger mudanças sociais implicando na composição e na dinâmica dos grupos familiares e também do Estado, cujas políticas</p><p>públicas devem contemplar cada vez mais possibilidades para esses dois segmentos populacionais.</p><p>3. CONSIDERAÇÕES FINAIS</p><p>Ao chegar no final deste capítulo, a Psicologia foi absorvida pelo SUAS quando há a aprovação da Resolução de nº 17 de vinte de junho de</p><p>2011 do Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS), que ratificou a resolução nº 269 de 2006, no qual aprovava a Norma Operacional</p><p>Básica de Recursos Humanos do SUAS (NOB-RH/SUAS), a atuação dos psicólogos como parte obrigatória integrante das equipes de serviços</p><p>socioassistenciais (COMPAS, 2016). Por isso que somente em 2011 o SUAS começou absorver tais profissionais, uma vez que em 2011 foi</p><p>legitimado a entrada do psicólogo, forçando a composição mínima para a equipe multidisciplinar</p><p>Desde a aprovação do psicólogo no SUAS não se tinha material teórico, normativas ou parâmetros de atuação como equipe multidisciplinar.</p><p>Com o passar dos anos os Sistemas de Conselhos foram tensionados pelos psicólogos que atuavam no SUAS, com isso iniciou-se ainda, de</p><p>forma insuficiente, a produção de materiais e guias orientadores, mas ainda há uma urgência na ampliação de referências teóricas, técnicas,</p><p>e metodológicas existentes, como menciona a Nota Técnica com Parâmetros para atuação das (os) profissionais de psicologia no âmbito do</p><p>sistema único de Assistência Social (SUAS) do COMPAS 2016</p><p>Vale ressaltar que conforme apontado por RODRIGUES (2016), somente em 15 de março de 2011 foi mudado as Diretrizes Curriculares</p><p>Nacionais para o curso de psicologia, aprovado pela resolução CNE/CNS nº 5. Desde então a formação do psicólogo não adentrava à essa área</p><p>social, assim os psicólogos que adentraram ao SUAS não tinham noções básicas sobre o serviço de proteção socioassistencial.</p><p>Mesmo com a as orientações técnicas existentes, há ainda uma reduzida orientação tática, sendo assim poucas orientações para a execução</p><p>do trabalho. Mesmo o documento citado acima do COMPAS “transcreve as definições do código de ética do psicólogo e as diretrizes curricu-</p><p>lares para a formação em psicologia” (RODRIGUES 2016).</p><p>Ao final, ressaltamos que, acima de tudo o psicólogo inserido neste contexto dos serviços socioassistenciais do CREAS que é capaz de</p><p>vislumbrar os usuários deste segmento como sujeitos de direitos que são, reconhecendo-os enquanto cidadãos que têm na política pública de</p><p>assistência social ofertada por este município, especialmente através deste serviço que é o que nos cabe, a possibilidade de impactar positi-</p><p>vamente a vida dessas pessoas através de ações psicossociais qualificadas, interferir positivamente transformando tragédias anunciadas em</p><p>possibilidades de retomada de vidas, reconstrução de laços, relações, retorno de convívio e, especialmente, retomada de condições dignas de</p><p>sobrevivência.</p><p>REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:</p><p>ANGELUCCI, Biancha. A Violação de Direitos das Pessoas com Deficiência está na Vulnerabilidade das Interações Sociais. Revista Psi,</p><p>São Paulo, n° 191, 2018.</p><p>AGENOR, Thiago. Assistência Social Brasileira e os Serviços Socioassistenciais. In: II Congresso Internacional de Política Social e Serviço</p><p>Social: 2017, Londrina-Pr. Universidade Estadual de Londrina-UEL, ANAIS, 01-12 . Disponível em: www.uel.br/grupopesquisa/gepal/anais_</p><p>vsimposio.html</p><p>BRASIL. Lei nº 8.069, de 13 de Julho de 1990. Estatuto da Criança e do Adolescente. Brasília, DF: BRASIL, 1990.</p><p>BRASIL, Ministério do Desenvolvimento Social, Conselho Nacional de Assistência Social. Tipificação Nacional de Serviços Socioassisten-</p><p>ciais. Brasília, 2009.</p><p>BRASIL. Lei nº 12.594, de 18 de Janeiro de 2012. Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo. Brasília, DF: BRASIL, 1990.</p><p>CALDAS, C. P., O idoso em processo demencial: o impacto na família. In: Antropologia, Saúde e Envelhecimento (M. C. S. Minayo & C.</p><p>Coimbra Jr.), 2002.</p><p>CENTRO DE REFERÊNCIA TÉCNICA EM PSICOLOGIA E POLÍTICAS PÚBLICAS (CREPOP). Referências Técnicas para a Práticas de Psi-</p><p>cólogas (os) no Centro de Referência Especializado da Assistência Social – CREAS. Brasília: Conselho Federal de Psicologia (CFP), 2013.</p><p>GAIO, Roberta. Para além do corpo deficiente: histórias de vida. Jundiaí: Editora Fontoura, 2006.</p><p>KLAUTAU , Perla. O método psicanalítico e suas extensões: escutando jovens em situação de vulnerabilidade social. Rev. Latinoamericano.</p><p>Psicopatia. Fund., São Paulo, 20(1), 113-127, mar. 2017. Disponível em: www.scielo.br/pdf/rlpf/v20n1/1415-4714-rlpf-20-1-0113.pdf.</p><p>MOSER, L.; FERNANDES, J. S. N.; MULLER, E. F. As mudanças nas famílias, a sobrecarga feminina no cuidado com os idosos e a deman-</p><p>da por políticas públicas. Disponível em www.enpess.com.br/br/portal/conteudo/trabalhos (Acesso em: 13. fev. 2019).</p><p>25</p><p>CAPÍTULO IV</p><p>AS CONTRIBUIÇÕES DO DIREITO PARA OS SERVIÇOS</p><p>SOCIOASSISTENCIAIS DO CREAS DE ANDRADINA</p><p>Joice Ellen C. da Silva Pereira, advogada, OAB/SP 302.768</p><p>4.1 DO EXERCÍCIO DA ADVOCACIA</p><p>O advogado é indispensável à administração da Justiça, sendo inviolável por seus atos e manifestações no exercício da profissão, nos limites da lei. (BRASIL, 1988, s/d)</p><p>Trata-se da definição trazida pela Constituição Federal de 1988, em relação à advocacia (art. 133). Importa destacar tamanha é a importância</p><p>do advogado, uma vez que a advocacia é a única profissão inserida na Constituição Federal de 1988 e descrita como sendo indispensável ao</p><p>funcionamento de um dos três poderes de Estado: o Poder Judiciário.</p><p>A partir do Estatuto da Advocacia e a OAB (Lei n.º 8.906/94), a advocacia ingressou num novo tempo em que assegurou instrumentos para</p><p>o efetivo exercício profissional e garantia de acesso à Justiça, uma vez que é atribuição do advogado demandar os anseios do</p><p>cidadão. Todavia,</p><p>o Estatuto da OAB limita-se a regular a atuação do profissional, não abrangendo a realidade fática e social que atualmente demanda a presença</p><p>deste profissional.</p><p>Em relação à formação, não basta apenas à formação no curso de Direito. Para que o bacharel em Direito seja inscrito na OAB, lhe é exigido,</p><p>dentre outros requisitos, a aprovação no Exame da Ordem e que preste devido compromisso perante o conselho da Ordem dos Advogados do</p><p>Brasil, qual seja:</p><p>Prometo exercer a advocacia com dignidade e independência, observar a ética, os deveres e prerrogativas profissionais e defender a Constituição, a ordem jurídica do Esta-</p><p>do Democrático, os direitos humanos, a justiça social, a boa aplicação das leis, a rápida administração da Justiça e o aperfeiçoamento da cultura e das instituições jurídicas.</p><p>Embora o compromisso prestado pelo advogado no momento solene em que recebe sua carteira funcional seja muitíssimo amplo e abran-</p><p>gente, quando se trata da regulamentação da profissão, o Estatuto da OAB trata de forma restritiva sua atuação.</p><p>Vejamos as disposições do Estatuto da Advocacia e da OAB quanto à atuação do advogado: “Art. 1º São atividades privativas de advocacia:</p><p>I - a postulação a órgão do Poder Judiciário e aos juizados especiais; II - as atividades de consultoria, assessoria e direção jurídicas”.</p><p>Note-se que, em se tratando da atuação do advogado no SUAS, mais especificamente no CREAS, a atuação desse profissional não se en-</p><p>caixa nas atividades privativas da advocacia descrita no Estatuto. Este profissional realiza atividades que transcende a atuação convencional da</p><p>advocacia (postulação em juízo, assessoria, consultoria e direção).</p><p>Assim, pode-se dizer que, até o momento, não há regulamentação da atuação do advogado no SUAS, e nem enquanto integrante da equipe</p><p>de referência do CREAS.</p><p>Urge, dessa forma, que a Ordem dos Advogados do Brasil se mobilize a respeito e se atualize frente às vicissitudes sociais que influenciam</p><p>na atuação profissional e função social do advogado que vão além da atuação convencional.</p><p>Outra consequência inescapável deve ser um posicionamento da OAB quanto à urgente necessidade de atualização do currículo dos cursos</p><p>de Direito, visando à inclusão de conteúdo na grade curricular referente à Política Pública de Assistência Social/SUAS, bem como o papel im-</p><p>prescindível do advogado na gestão do SUAS e/ou nas equipes de referências dos CREAS, bem como para a efetivação dessa política.</p><p>4.2 HISTÓRICO DA OBRIGATORIEDADE DO ADVOGADO NO CREAS</p><p>Importante destacar que somente em 1988 houve o reconhecimento da Assistência Social enquanto política pública. Desde então, o or-</p><p>denamento jurídico tem evoluído no sentido de tornar factível a implementação desta política. Rumo a esta implementação, em 2006, com a</p><p>aprovação da Norma Operacional Básica de Recursos Humanos do SUAS, é que o advogado passou a fazer parte da equipe de referência do</p><p>CREAS, mas somente a partir da Resolução n.º 17/2011 do CNAS é que o advogado passou OBRIGATORIAMENTE a compor as equipes de</p><p>referências da Proteção Social Especial de Média Complexidade.</p><p>Vejamos as principais evoluções normativas:</p><p>• 1988 – Constituição Federal</p><p>• 1993 – Lei n.º 8.742, de 07 de dezembro de 1993 – LOAS</p><p>• 1994 – Lei n.º 8.906/1994 – Estatuto da Advocacia e Ordem dos Advogados do Brasil.</p><p>• 2004 – PNAS</p><p>• 2004 - Resolução CNAS Nº 145/2004, que institui o Sistema Único da Assistência Social –SUAS</p><p>• 2006 – Norma Operacional Básica de Recursos Humanos do SUAS (NOB/RH/SUAS)</p><p>aprovada pela Resolução nº 269/2006 do CNAS</p><p>• 2011 – Resolução CNAS n.º 17/2011 alterou a Norma Operacional Básica do SUAS de 2006</p><p>• 2012 – Lei nº 12.435, de 6 de Julho de 2011, que altera a Lei no 8.742, de 7 de</p><p>dezembro de 1993, que dispõe sobre a organização da Assistência Social</p><p>26</p><p>4.3 DO ADVOGADO NO SUAS</p><p>Antes de falarmos especificamente do papel do advogado enquanto parte de uma equipe multiprofissional, importa destacar a importância</p><p>de sua inserção no SUAS.</p><p>Importa destacar que o SUAS (Sistema Único de Assistência Social) se organiza em dois tipos de proteção social: Proteção Social Básica e</p><p>Proteção Social Especial (de média e alta complexidade).</p><p>A PSE na qual o CREAS está inserida (média complexidade) destina-se a famílias e indivíduos que já estejam em situação de risco e que</p><p>tiveram seus direitos violados em razão de violências (em todas as suas formas), uso de drogas, abandono, maus tratos, abuso e exploração</p><p>sexual, negligência, situação de rua, dentre outras.</p><p>Após a NOB/SUAS/RH-2011, passaram a ser obrigatória a presença de advogado na PSE de média complexidade. A Resolução/CNAS nº 17,</p><p>de 20 de julho de 2011, e a NOB-RH SUAS de 2006, reconhecem outras categorias profissionais de nível superior para atender as especificida-</p><p>des dos serviços socioassistenciais e as funções essenciais de gestão do Sistema Único de Assistência Social – SUAS, além dos profissionais</p><p>da Psicologia e Serviço.</p><p>Compõem obrigatoriamente as equipes de referência:</p><p>I - da Proteção Social Básica: Assistente Social e Psicólogo, que atuam nos CRAS – Centro de Referência de Assistência Social (busca prevenir a ocorrência de situações</p><p>de risco);II - da Proteção Social Especial de Média Complexidade: Assistente Social, Psicólogo e Advogado que atuam nos CREAS – Centro de Proteção Social Especializada</p><p>(atende pessoas em situação de risco pessoal e social por violação de direitos).</p><p>Assim e que o trabalho do Advogado, atuando nos CREAS, em parceria com assistentes sociais e psicólogos e demais profissionais do</p><p>SUAS, proporciona a interação da assistência social com as demais políticas públicas setoriais (saúde, previdência, educação, Defensoria</p><p>Pública/OAB, segurança, habitação e outras), para acesso dos cidadãos aos seus direitos fundamentais.</p><p>4.4 DA EQUIPE TÉCNICA DO CREAS</p><p>Segundo a Lei Orgânica da Assistência Social, o CREAS é a unidade “destinada à prestação de serviços a indivíduos e famílias que se encon-</p><p>tram em situação de risco pessoal ou social, por violação de direitos ou contingência, que demandam intervenções especializadas da proteção</p><p>social especial” (BRASIL, 1993, s/p.).</p><p>A fim de melhor compreender essas intervenções especializadas, o Caderno de Orientações Técnicas do CREAS (BRASIL,/MDS, 2011, p.</p><p>99), ao definir o perfil e principais atribuições dos Técnicos de Nível Superior do CREAS, exige desses profissionais o seguinte:</p><p>• Escolaridade mínima de nível superior, com formação em Serviço Social, Psicologia, Direito;• Conhecimento da legislação referente à política de Assistência Social,</p><p>direitos socioassistenciais e legislações relacionadas a segmentos específicos (crianças e adolescentes, idosos, pessoas com deficiência, mulheres etc.);• Conhecimento da</p><p>rede socioassistencial, das políticas públicas e órgãos de defesa de direitos;• Conhecimentos teóricos, habilidades e domínio metodológico necessários ao desenvolvimento</p><p>de trabalho social com famílias e indivíduos em situação de risco pessoal e social, por violação de direitos (atendimento individual, familiar e em grupo);• Conhecimentos</p><p>e desejável experiência de trabalho em equipe interdisciplinar, trabalho em rede e atendimento a famílias e indivíduos em situação de risco pessoal e social, por violação de</p><p>direitos;• Conhecimentos e habilidade para escuta qualificada das famílias/indivíduos.</p><p>As orientações técnicas trazem como principais atribuições:</p><p>• Acolhida, escuta qualificada, acompanhamento especializado e oferta de informações e orientações;• Elaboração, junto com as famílias/indivíduos, do Plano de acom-</p><p>panhamento Individual e/ou Familiar, considerando as especificidades e particularidades de cada um;• Realização de acompanhamento especializado, por meio de atendi-</p><p>mentos familiar, individuais e em grupo;• Realização de visitas domiciliares às famílias acompanhadas pelo CREAS, quando necessário;• Realização de encaminhamentos</p><p>monitorados para a rede socioassistencial, demais políticas públicas setoriais e órgãos de defesa de direito;•</p><p>Trabalho em equipe interdisciplinar;</p><p>Destaque-se que o CREAS de Andradina-SP atualmente oferta cinco serviços com quatro equipes:</p><p>• Serviço de Proteção e Atendimento Especializado a Famílias e Indivíduos – PAEFI (crianças e adolescentes);</p><p>• Serviço de Proteção e Atendimento Especializado a Famílias e Indivíduos – PAEFI (violência doméstica e adultos);</p><p>• Serviço de Proteção Social a Adolescentes em cumprimento de Medida Socioeducativa de Liberdade Assistida e Prestação de Serviços à</p><p>Comunidade;</p><p>• Serviço de Proteção Social Especial para Pessoas com Deficiência, Idosos e suas Famílias;</p><p>• Serviço Especializado de Abordagem Social;</p><p>A partir das especialidades dos serviços socioassistenciais, a orientação jurídica-social no CREAS de Andradina compreende:</p><p>1) Alimentação de registros e sistemas de informação sobre das ações desenvolvidas;</p><p>2) Participação nas atividades de planejamento, monitoramento e avaliação dos processos de trabalho;</p><p>3) Participação das atividades de capacitação e formação continuada da equipe do CREAS, reuniões de equipe, estudos de casos, e demais</p><p>atividades correlatas;</p><p>4) Participação de reuniões para avaliação das ações e resultados atingidos e para planejamento das ações a serem desenvolvidas; para a definição de</p><p>fluxos; instituição de rotina de atendimento e acompanhamento dos usuários; organização dos encaminhamentos, fluxos de informações e procedimentos.</p><p>Neste sentido, indubitavelmente, o exercício da advocacia carrega em si uma importante função social. O advogado é o defensor de que as</p><p>liberdades individuais e coletivas sejam respeitadas na sociedade, assim, destaco que a atuação do advogado do CREAS é não convencional.</p><p>Esta atuação ainda carece de regulamentação, vez que não abordada pelo Estatuto da OAB e nem pelo Código de Ética da OAB. Note-se que</p><p>27</p><p>dentre todas as orientações técnicas do CREAS, a única indicação quanto às funções do advogado é apenas de realizar “orientação sóciojurí-</p><p>dica”, necessitando de empenho para ampliação do debate teórico-metodológico desse novo campo de atuação, pois trata-se, todavia, de uma</p><p>descrição muito reducionista, tendo em vista que o advogado atende os usuários dos serviços ofertados pelo equipamento, orientando e ainda</p><p>dando suporte para as equipes técnicas, respaldando e orientando os outros profissionais.</p><p>O advogado como profissional que compõe todas as equipes técnicas de cada serviço do CREAS tem o objetivo de enfrentamento das situações</p><p>de ameaça ou violação de direitos. Ele traz para a prática a aplicação do Direito no que tange as providências legais e encaminhamentos necessários</p><p>para a garantia de direitos dos usuários, no sentido de cessar a violação de direitos que vivenciam, a fim de que possam sair da atual situação de risco.</p><p>Embora não seja sua atribuição precípua, quando necessário para a garantia e defesa dos direitos do usuário, o advogado aciona os órgãos</p><p>do sistema de garantia de Direitos para a devida responsabilização do suposto agressor/violador.</p><p>Na prática cotidiana da nossa realidade local, os órgãos mais acionados são Conselho Tutelar, Ministério Público e Delegacia de Defesa da Mulher.</p><p>Em se tratando do fluxograma desenvolvido pelas equipes do CREAS de Andradina/SP, após o atendimento inicial do usuário (quando ele</p><p>procura espontaneamente o equipamento) ou quando recebemos encaminhamento do caso por outro órgão da Rede de Proteção, é agendado</p><p>um atendimento multiprofissional (psicólogo/assistente social/Advogado) com o usuário e/ou sua família.</p><p>A partir do esclarecimento da demanda, inicia-se o acompanhamento dessa família/indivíduo, seguido pela construção do PAF (plano de</p><p>atendimento familiar). Em seguida são realizados estudos sociais, psicológicos e pareceres jurídicos sobre o caso.</p><p>O advogado no CREAS esclarece o usuário quanto aos direitos violados, quanto aos que lhe são garantidos, quais as providências legais</p><p>cabíveis ao caso, quais os encaminhamentos necessários (OAB para ajuizamento de ações necessárias, Saúde para eventuais tratamentos,</p><p>Educação, DDM para registro da ocorrência etc).</p><p>Toda atuação é no sentido de retirar a vítima da situação de risco e violação em que se encontra, assim como assegurar sua proteção.</p><p>Grande parte da demanda atendida pelo CREAS de Andradina envolve situações de violência. Por esta razão, faz-se necessário que o advoga-</p><p>do social também tenha um olhar focado para a interrupção dos ciclos de violência existentes, sobretudo no que diz respeito à violência intrafa-</p><p>miliar. Por isso, há a necessidade da discussão sobre a importância do atendimento e orientação do agressor, além do atendimento da vítima.</p><p>O advogado do CREAS participa da interpretação da Medida Socioeducativa aplicada ao adolescente, informando a ele e sua família sobre a</p><p>natureza jurídica do ato infracional e das medidas socioeducativas (L.A. e PSC). O adolescente recebe orientações jurídicas pela advogada no</p><p>sentido de ter uma compreensão do procedimento de apuração do ato infracional e suas consequências, sua situação jurídica e procedimentos</p><p>técnicos e administrativos realizados até então, seu teor e prazo de duração, bem como quanto às consequências em caso de descumprimento</p><p>da medida socioeducativa imposta (internação sanção – art. 122, III e § 1.º do ECA).</p><p>A atuação do advogado no SUAS/CREAS trata-se de atuação não convencional. O profissional da advocacia no CREAS realiza orientação</p><p>jurídico-social a indivíduos e famílias em situação de risco pessoal ou social.</p><p>A advocacia social não tem função jurisdicional. Os usuários da política de Assistência Social não são “clientes” do advogado do CREAS,</p><p>não podendo este peticionar ou ajuizar eventuais ações judiciais em nome deles. As atribuições do advogado consistem em atendimento multi-</p><p>disciplinar, orientações sóciojurídicas, encaminhamentos necessários. Muitas vezes, este profissional realiza consulta e esclarece o andamento</p><p>de processos em andamento dos quais o usuário seja parte.</p><p>O advogado do CREAS, além de orientações jurídicas aos usuários, também oferece suporte à equipe técnica com esclarecimentos legais</p><p>das dúvidas suscitadas pelos demais profissionais.</p><p>Há, ainda, muitos momentos em que a atuação do advogado se dá em conjunto com demais profissionais, de forma multidisciplinar: estudo</p><p>de casos, elaboração e acompanhamento de PIAs e PAFs, escuta qualificada, reuniões de rede e acompanhamentos específicos.</p><p>Em se tratando de perfil do profissional de Direito para a atuação nessa área, exige-se, não apenas profundo conhecimento da Legislação sobre a</p><p>política de Assistência Social (que infelizmente não é objeto de estudo no curso de Direito), mas também perfil acolhedor, não revitimizador ou culpa-</p><p>bilizador dos usuários, até porque os profissionais do CREAS atenderão não apenas as vítimas de violações de direito, mas os agressores também.</p><p>Enquanto o olhar jurisdicional, sobretudo na persecução penal, atem-se ao “fato” praticado, o olhar sob as lentes do profissional do SUAS</p><p>atem-se sobre quais as circunstâncias que levaram o indivíduo à prática daquele ato, e o que faz-se necessário para minimizar os efeitos colate-</p><p>ral daquele fato e seu impacto violador. O advogado do CREAS orienta essa família sobre como cessar a situação de risco e violação de direitos</p><p>e a equipe multidisciplinar promove o atendimento social e psicológico dessa família, a fim de que tais violações não mais ocorram. Note-se</p><p>que a atuação do CREAS não é investigativa e nem tem a pretensão de produção de provas. Entretanto, urge ressaltar que se no processo de</p><p>proteção do usuário, a responsabilização do autor se fizer necessária, esta será uma consequência inescapável.</p><p>Apenas a título de ilustração, se o CREAS recebe uma demanda sobre suspeita de abuso sexual infantil, a equipe técnica tem o dever legal de</p><p>notificar o Conselho Tutelar (para aplicação das medidas de proteção), bem como de orientar e encaminhar o usuário/família para a Delegacia</p><p>de Defesa da Mulher(para registro da ocorrência e apuração). Paralelamente</p><p>a eventual processo de responsabilização, esta família segue</p><p>acompanhada pelo equipamento para ser fortalecida a sair da situação de risco. Essa é a proteção social especial.</p><p>Por fim, enquanto advogada do CREAS, incansavelmente devo frisar que o exercício da advocacia carrega em si uma responsabilidade social, uma</p><p>responsabilidade que transcende o mero labor. Trata-se de um ministério, o exercício de um sacerdócio e uma importante função social. O advogado é</p><p>o garantidor de que as liberdades individuais e coletivas sejam respeitadas na sociedade. É o profissional que ergue a voz em favor dos que não podem</p><p>defender-se, é quem tem a oportunidade de ser defensor dos desamparados, quem ergue a voz por justiça e defesa de direitos.</p><p>BIBLIOGRAFIA</p><p>BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília, 1988.</p><p>BRASIL. Lei n.º 8.742, de 07 de dezembro de 1993. Lei Orgânica da Assistência Social (LOAS). Brasília, 1993. Disponível em www.planalto.</p><p>gov.br/ccivil_03/LEIS/L8742compilado.htm</p><p>SARAIVA. VadeMecum Saraiva. 22ª ed. São Paulo: Saraiva, 2016.</p><p>28</p><p>POSFÁCIO</p><p>Aldaíza Sposati</p><p>Professora titular da PUC-SP, São Paulo, Brasil. Coordenadora do Núcleo de Estudos e Pesquisas</p><p>em Seguridade e Assistência Social — NEPSAS do Programa de Estudos Pós-graduados em Serviço Social.</p><p>E-mail: aldaiza@sposati.com.br</p><p>Um primeiro entendimento que aqui se faz de início, é quanto à natureza de um posfácio. É preciso entender que a concepção de posfácio se trata</p><p>de uma reflexão de alguém externo aos autores do conteúdo de um livro que é realizada após um livro pronto. Essa reflexão é de teor explicativo e de</p><p>advertência, isto é, se trata de um pensar do que se leu, mas que se manifesta, para além do conteúdo lido.</p><p>Portanto as considerações que aqui faço remetem ao conteúdo, mas ao mesmo tempo, prenuncia alguns elementos que alimentam novas reflexões.</p><p>É preciso de início, saudar a iniciativa de uma equipe em disseminar suas reflexões sobre a institucionalidade em que atuam como agentes</p><p>de Estado, isto é, uma unidade de serviço de atenção social pública. Uma característica a se destacar é que o pronunciamento desses trabalha-</p><p>dores se dá sob a mediação de sua formação profissional que antecede ao trabalho nesse serviço de atenção social.</p><p>Afirma o texto dos psicólogos: a Psicologia foi absorvida pelo SUAS quando há a aprovação da Resolução de nº 17 de vinte de junho de</p><p>2011 do Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS), que ratificou a resolução nº 269 de 2006, no qual aprovava a Norma Operacional</p><p>Básica de Recursos Humanos do SUAS (NOBRH/SUAS), a atuação dos psicólogos como parte obrigatória integrante das equipes de serviços</p><p>socioassistenciais. O alcance das diversas profissões no interior da dinâmica das atenções prestadas pelo SUAS foi de intenso debate e nele</p><p>a parceria assistente social- psicólogo é uma composição integrada no conceito de equipe básica do SUAS. A mesma resolução instituiu a</p><p>presença de advogado na ação interprofissional do CREAS.</p><p>De acordo com a regulação do SUAS, compõem obrigatoriamente as equipes de referência: da Proteção Social Básica: Assistente Social e</p><p>Psicólogo, que atuam nos CRAS – Centro de Referência de Assistência Social; da Proteção Social Especial de Média Complexidade: Assistente</p><p>Social, Psicólogo e Advogado que atuam nos CREAS – Centro de Proteção Social Especializada.</p><p>Esta observação nos abriu campo para destacar duas questões:</p><p>- até onde a formação na graduação prepara o profissional para atuar em um serviço de atenção social e;</p><p>– quais são os nexos e articulações estabelecidos a partir do trabalho multiprofissional em um serviço de atenção social.</p><p>Quanto à primeira questão foi significativa a manifestação dos quatro psicólogos ao afirmar: “... nossa atuação foi muito guiada pelo bom</p><p>senso...nossa formação não nos preparou, e ainda não prepara, para a compreensão da interrelação entre o funcionamento social e a produção</p><p>do sofrimento psíquico. Dito de outro modo, o campo social ainda é um campo novo, porém, temos visto as inúmeras contribuições da ciência</p><p>psicológica para com o rompimento das expressões de desigualdades vivenciadas pelos sujeitos.”</p><p>Percebe-se aqui, o quanto é ainda um novo campo de saber o do sofrimento daqueles que permanecem sobre desproteção social. A sociedade</p><p>parece expressar um sentimento preconceituoso sobre aqueles que vivem desproteções e tem fragilidades de várias ordens para superá-las sozinhos.</p><p>Para o pensamento neoliberal, e, portanto, individualista, demandar proteção social é símbolo de fraqueza do indivíduo, e a superação não</p><p>pode recair sob a responsabilidade e financiamento do Estado. Os agentes devem ser a família – derivando a ação no familismo - e a sociedade-</p><p>derivando a ação para organizações privadas da sociedade civil em geral de natureza religiosa. Mistura-se e nega-se assim, o passível direito</p><p>de proteção social distributiva subordinada à prática religiosa de compaixão e da caridade do indivíduo.</p><p>A formação de psicólogos ao trazer o significado e os sentimentos da noção de sofrimento da exclusão, da desproteção, do preconceito é</p><p>fundamental no sentido da prevalência da condição humana e cidadã dos usuários de serviços de atenção social.</p><p>Note-se, por exemplo, que dificilmente a cultura dos serviços ou de seus agentes/ profissionais usam da linguagem de gênero que distingue</p><p>o usuário pelos artigos o/a. Via de regra são considerados um conjunto homogêneo de “necessitados”. No mais das vezes referidos pelo quan-</p><p>titativo e esquecidos suas distinções qualitativas.</p><p>Nessa condição as mulheres, embora maioria dentre usuários, são quase sempre esquecidas de sua condição feminina nos serviços socio-</p><p>assistenciais, quase de imediato são no processo de atenção funcionalizadas na condição mãe, e não raro até chamadas por mãe, sem nome</p><p>próprio. Este é um hábito tradicional que retoma valores do patriarcado relativos à submissão da mulher a vida privada e não cidadã. Como ser</p><p>coerente com a busca de afirmação de direitos sociais se o trato prestado não é coerente com tal condição?</p><p>Os psicólogos afirmam que é preciso que a formação em psicologia avance embora indiquem que o CRP publicou uma cartilha sobre as</p><p>ações dos psicólogos nas atenções socioassistenciais prestadas. De fato, se trata de uma publicação bastante interessante que deve ser ana-</p><p>lisada por todos os profissionais.</p><p>Para aqueles formados em Direito há uma preocupação quanto ao acesso do usuário a seus direitos fundamentais e sociais, mas também, do seu</p><p>acesso à Justiça, sobretudo por meio da Defensoria Pública. Afirmam que “a atuação do advogado do CREAS é não convencional. Esta atuação ainda</p><p>carece de regulamentação, vez que não abordada pelo Estatuto da OAB e nem pelo Código de Ética da OAB”.</p><p>Consideram que “a atuação desse profissional não se encaixa nas atividades privativas da advocacia descrita no Estatuto”. Afirmam que</p><p>não há regulação da presença do advogado no SUAS, o que dirá em um dos serviços, ou no CREAS. “Urge, dessa forma, que a Ordem dos</p><p>Advogados do Brasil se mobilize a respeito e se atualize frente às vicissitudes sociais que influenciam na atuação profissional e função social</p><p>do advogado que vão além da atuação convencional.”</p><p>Consideram que pela regulação dos serviços jurídicos do CREAS há uma “única indicação quanto às funções do advogado que é apenas a de rea-</p><p>lizar’ orientação sóciojurídica’.” Apontam que é preciso ampliar o empenho na ampliação debate teórico-metodológico desse novo campo de atuação.</p><p>Consideram que a designação da regulação oficial é reducionista:” ... o advogado atende os usuários dos serviços ofertados pelo equipamento, orien-</p><p>tando e ainda dando suporte para as equipes técnicas, respaldando e orientando os outros profissionais”. Embora essa perspectiva de ampliação da</p><p>29</p><p>cobertura do profissional do direito é feita uma ressalva: “A advocacia social não tem função jurisdicional. Os usuários da política de Assistência Social</p><p>não são “clientes” do advogado do CREAS, não podendo</p><p>este peticionar ou ajuizar eventuais ações judiciais em nome deles”.</p><p>No que se refere a formação de graduação em Direito manifestam que:</p><p>” é inescapável um posicionamento da OAB quanto à urgente necessidade de atualização do currículo dos cursos de Direito, visando à inclu-</p><p>são de conteúdo na grade curricular referente à Política Pública de Assistência Social/SUAS, bem como o papel imprescindível do advogado na</p><p>gestão do SUAS e/ou nas equipes de referências dos CREAS, bem como para a efetivação dessa política.”</p><p>Os profissionais com graduação em Serviço Social não se pronunciam sobre sua formação se adequada ou não para o trabalho em um CREAS.</p><p>A visão que transmitem sobre a profissão implica corretamente em ser um exercício pautado em um conjunto de atitudes críticas com o</p><p>serviço, as políticas sociais, ao Estado, ao projeto de sociedade, todavia não se colocam face a face com os usuários. Mas reafirmam que con-</p><p>sideram que a função do profissional é a de defesa irrestrita dos direitos sociais dos usuários. Não fica claro, porém como isto impacta a ação.</p><p>É afirmado que a ação do profissional implica em atendimentos individualizados e familiares, visitas domiciliares, elaboração de relatórios,</p><p>estudo socioeconômico. Caso essa seja afirmação algo quer conste da regulação do CREAS não é realizada nenhuma crítica a ela, como por</p><p>exemplo se ouviu dos representantes do direito.</p><p>Um dos artigos faz uma leitura interpretativa do que cabe ao CREAS: oferta serviço de apoio, orientação e acompanhamento à família, com um ou</p><p>mais de seus membros, em situação de ameaça ou violação de direitos; atenções e orientações direcionadas para a promoção de direitos, a preser-</p><p>vação e o fortalecimento de vínculos familiares, comunitários e sociais para o fortalecimento da função protetiva das famílias diante do conjunto de</p><p>condições que as vulnerabilizam e/ou as submetam à situação de risco pessoal e social. Percebe-se aqui um avanço relacional perante o usuários e</p><p>as expressões de suas desproteções os sociais. Todavia esse conteúdo não é reproduzido deforma unanime entre os três grupos de profissionais.</p><p>Note-se que na perspectiva de direitos, sua isonomia e universalidade, é descabida a função de estudo socioeconômico, sobretudo indivi-</p><p>dual. A centralidade da atenção, e não de atendimento, é a manifestação de desproteção social como uma das expressões da questão social. A</p><p>condição de sentir-se protegido não depende só do indivíduo e de sua capacidade financeira de consumo. Estar protegido, foi citado no texto,</p><p>é contar com, isto é depende das condições objetivas de onde vive a pessoa, a família, o conjunto de uma população. Como mora, onde mora</p><p>com o que conta onde vive seu cotidiano. A proteção social é relacional e não individual.</p><p>Não se percebe nas funções citadas do profissional no CREAS, por exemplo, a dimensão relacional da visita domiciliar. Ocorrer a visita para o</p><p>profissional saber como a família vive, é muito distante de fazer uma escuta no próprio espaço cotidiano da reprodução social da família. Suas</p><p>relações, seus acessos, as condições concretas sobre onde permanecem os filhos enquanto mulheres e homens da família trabalham. Com</p><p>que serviços podem contar no bairro. Qual a qualidade desses serviços. Como se sentem como usuários desses serviços?</p><p>É importante também analisarmos até onde os relatórios são instrumentos de defesa de direitos dos usuários. A defesa irrestrita dos direitos dos</p><p>usuários exige que se tenha presente o papel de defesa daquilo que se escreve e registra. Os registros não podem ser tomados como atos burocráticos</p><p>e administrativos, mas como espaço possível de defesa de direitos. A perspectiva é a de construir um modo de registro que traduza a escuta das</p><p>desproteções dos usuários como violação de seus direitos.</p><p>Expressei aqui duas preocupações que gostaria de retomar. Uma diz respeito à linguagem que se adota nos registros, ou mesmo nas relações</p><p>com os usuários. Outra pelas nomenclaturas que tradicionalmente utilizamos no âmbito da política de assistência social.</p><p>A superação da linguagem policial em nominar o elemento, isto ou aquilo, é um bom início. Ele/ela é um morador, um cidadão, tem uma</p><p>posição relacional familiar. Superar a linguagem indistinta no trato é fundamental. Por certo que, em momentos coletivos, há de se tomar de</p><p>categorias que assemelhem a condição de classe, de trabalhador, de faixa etária, etc.</p><p>Um dos pontos que tenho insistido em minhas manifestações diz respeito à linguagem que se usa referida ao profissional e não, ao usuário.</p><p>Considero que a defesa irrestrita dos direitos dos usuários implica em usarmos, profissionalmente, nos serviços sociais de uma linguagem não</p><p>hierarquizada que subordina o sujeito de direitos, o usuário, ao técnico que o atende.</p><p>Ao nominar atendimento, aquilo que se relaciona com o sujeito de direitos, estamos falando do profissional e não da relação entre os dois,</p><p>usuário-profissional. Entendo que o correto é nominarmos como atenção ao usuário. A concepção de atenção não é fugaz como a de atendi-</p><p>mento. Este revela uma atitude de quem atende, mas como atende e o que envolve esse atendimento, pode ser desde um risco no papel, um</p><p>alô no telefone, e mais nada. Não há compromisso com o resultado dessa ação.</p><p>O sentido de atenção por ser ativo nos convoca para pensar no que e como, será feito e o que resultará.</p><p>Entre profissionais do SUAS há ainda traços da linguagem expressos em linguagem do patrimonialismo. O usuário é um necessitado. É assim</p><p>que se decodifica o usuário de serviço sócio assistencial. É desmanchado in limine a condição de cidadão. Esse linguajar desperta pena, com</p><p>paixão, mas não a relação de igualdade de direitos sociais.</p><p>A presença de traços s de hierarquização na relação profissional-usuário ainda é um campo pouco trabalhado e aqui, dei algumas pinceladas</p><p>para estimular a que a equipe possa desvendar novas aproximações. Aliás o texto já contém um ponto bastante pertinente para reflexão. A</p><p>concepção de centro especializado pode levar ao entendimento que ali estão os diferentes, os não iguais e ser motivo de preconceito. Há de</p><p>fato alguns pensadores do campo, que consideram que deveria haver somente os CRAS e não CRAS e CREAS. Consideram que a diferença</p><p>trata de um modo de organização do Estado que pode contaminar a ação e ser classificatória da população usuária.</p><p>As reflexões que apresento neste Posfácio sem dúvida tem uma intencionalidade: encontrar pontos comuns que possam traçar elementos</p><p>para compor uma proposta multiprofissional de equipe.</p><p>Afinal, o todo não é soma das partes e, sim, uma nova construção de totalidade. Entendo que a equipe está preparada para um debate inter-</p><p>profissional que enxergue os pontos de unidade e, não, de distinção.</p><p>Parabéns!</p><p>30</p><p>ANEXOS</p><p>PROTOCOLOS, INSTRUMENTOS E</p><p>PROPOSTA METODOLÓGICA</p><p>31</p><p>CONCEPÇÕES</p><p>TEÓRICO-PRÁTICAS</p><p>EXCLUSÃO</p><p>SOCIAL</p><p>RISCO PESSOAL</p><p>E SOCIAL</p><p>VULNERABILIDADE</p><p>SOCIAL</p><p>RUPTURA DE</p><p>VÍCULOS</p><p>CENTRO</p><p>POP</p><p>CRAS</p><p>SERVIÇOS</p><p>DE ALTA</p><p>COMPLEXIDADE</p><p>CREAS</p><p>CONCEPÇÕES TEÓRICO-PRÁTICAS</p><p>32</p><p>CREAS MEDIDA SOCIOEDUCATIVA:</p><p>PSC/LA</p><p>DEMANDA</p><p>PODER JUDICIÁRIO E FUNDAÇÃO CASA</p><p>APRESENTAÇÃO DO SERVIÇO</p><p>• INFORMAÇÕES SOBRE</p><p>O PROCESSO JUDICIAL</p><p>• DISPOSIÇÕES DO ECA</p><p>ENTREGA DE MATERIAIS</p><p>INFORMATIVOS</p><p>ACOLHIDA INICIAL</p><p>FASE INICIAL DE ELABORAÇÃO DO PLANO</p><p>INDIVIDUAL DE ATENDIMENTO - PIA</p><p>ENVIO PRELIMINAR DO PIA PARA</p><p>O PODER JUDICIÁRIO</p><p>ACOMPANHAMENTO</p><p>DE LIBERDADE ASSISTIDA - LA</p><p>E PRESTAÇÃO DE SERVIÇO A</p><p>COMUNIDADE - PSC</p><p>ATENDIMENTO</p><p>FAMILIAR DOS ADOLESCENTES</p><p>INSTITUCIONALIZADOS</p><p>ATENDIMENTO AOS</p><p>EGRESSOS</p><p>• ATENDIMENTO INDIVIDUAL</p><p>E FAMILIAR</p><p>• VISITA DOMICILIAR</p><p>• VISITA INSTITUCIONAL</p><p>• ORIENTAÇÃO SOCIOFAMILIAR</p><p>• REUNIÃO DE PACTUAÇÃO DO PIA</p><p>COM AS POLITICAS SETORIAIS E</p><p>SOCIOASSISTENCIAIS</p><p>• ENCAMINHAMENTOS</p><p>• ESTUDO DE CASO</p><p>• RELATÓRIO SOCIAL E PSICOLÓGICO</p><p>• RELATÓRIO DE ACOMPANHAMENTO</p><p>MENSAL</p><p>• REGISTRO DE ATENDIMENTO</p><p>• PARTICIPAÇÃO EM AUDIÊNCIAS</p><p>• REUNIÃO MENSAL COM FAMÍLIAS</p><p>• ARTICULAÇÃO ENTIDADES</p><p>SOCIOASSISTENCIAS</p><p>que se encontram nas funções com baixa remuneração ou mesmo excluídos do mercado de</p><p>trabalho, o assistente social é convocado a responder de forma analítica, política, ética e interventiva às necessidades apresentadas, identificando</p><p>as contradições constitutivas da sociedade capitalista, e, ao mesmo tempo, reconhecendo o usuário na sua condição de classe, de trabalhador.</p><p>Um dos desafios postos na Política de Assistência Social é a construção de ações cuja finalidade é contribuir para instituir nesta</p><p>política um sistema de proteção social, que abarque todos a quem dela necessitar. Este desafio se consolida a par tir da CF de 1988</p><p>do século passado, quando vislumbra a necessidade de se construir a assistência social como política pública de direitos. Ainda</p><p>nesta lógica, a proteção social se estabelecerá a par tir da aproximação dos trabalhadores do SUAS à população usuária, conhecendo</p><p>sua condição de vida e relações de per tencimento nos territórios onde vivem. Não é sem motivações históricas e políticas que a PAS</p><p>elege a família como elemento central do matriciamento, consolidando uma concepção de proteção social, “[...] como possibilidade</p><p>de reconhecimento público da legitimidade das demandas de seus usuários e espaço de ampliação de seu protagonismo”. (PNAS,</p><p>2004) O ordenamento determinado nesta política apresenta algumas características que a par ticularizam. Uma dela é a complexidade</p><p>das demandas vivenciadas pelos trabalhadores, reconhecidos como população usuária, que configurará a assistência social como</p><p>uma política transversal, que será efetivada por meio de ações intersetoriais.</p><p>Neste sentido, a política de assistência social, apresenta objetivos que não serão alcançados sem uma ação articulada com as de-</p><p>mais políticas, especialmente as constitutivas da seguridade social, acrescentando a educação e moradia. Outra característica refere-se</p><p>à descentralização político-administrativa tanto no planejamento como na execução da política, determinando a primazia do Estado no</p><p>investimento nesta política e, enfatizando as ações locais e a participação da população usuária nas instâncias de controle social. Outra</p><p>característica é a provisão de serviços vinculados a proteção básica e proteção especial, mapeando e confirmando a complexidade das</p><p>demandas de trabalho apresentadas pelos usuários nesta política.</p><p>Ainda está em curso nesta política um descompasso entre o que se estabelece como ordenamento e o que se efetiva na gestão dos</p><p>programas, projetos e serviços sócioassistenciais. Este descompasso se concretiza na focalização e individualização dos serviços; na</p><p>descaracterização do usuário, identificado como beneficiário destituído de sua condição de classe; a redução dos direitos sociais a bene-</p><p>fícios, portanto, passíveis de critérios de acesso que excluem e se distanciam da proteção social e, pode indicar que a gestão do trabalho</p><p>desenvolvido será direcionada a “gestão da pobreza” e a individualização dos problemas sociais.</p><p>Estas características e descompassos impactam diretamente no trabalho do assistente social, que tradicionalmente vem criando estraté-</p><p>gias para identificação das condições objetivas de vida desta população, e, estabelecendo ações de democratização de acesso aos direitos</p><p>humanos e sociais. Por estes caminhos os assistentes sociais planejam as ações executadas no CREAS.</p><p>O trabalho apresentado pelos assistentes sociais no CREAS em Andradina parte da sistematização das ações em curso, onde se evidenciam as</p><p>concepções norteadoras do trabalho; o exercício profissional; as demandas e os desafios enfrentados cotidianamente.</p><p>É nítido que a violência se constitui como o fenômeno social desencadeador do trabalho. Ao mesmo tempo, também, há por parte dos</p><p>assistentes sociais, uma clara preocupação em entender, de forma analítica e política, que a violência é multicausal, e, se constitui nesta</p><p>sociabilidade, não sendo, portanto, uma prerrogativa do sujeito usuário, ou ainda, não pode ser identificada de forma individualizada.</p><p>A organização do trabalho por meio da construção de ações e atividades também requer do assistente social a construção da análise da</p><p>sociabilidade burguesa, identificando os fenômenos sociais como decorrentes da relação desigual e subordinada entre as classes sociais.</p><p>Nesta estrutura histórica é nítida a ausência e a precariedade do acesso aos direitos, especialmente aqueles que responderão às necessi-</p><p>dades de subsistência: comer, morar, ter saúde, educação, trabalho e lazer.</p><p>A sistematização das ações indica a fragilidade do acesso aos direitos e o quanto isto impacta nas condições objetivas de vida dos traba-</p><p>lhadores. Outro aspecto importante é a clara identificação da necessidade de ampliação do investimento público na gestão dos programas,</p><p>projetos e serviços, de modo a garantir a qualidade e efetividades das ações desta política.</p><p>O trabalho direcionado ao público prioritário também merece destaque, pois é revelador do processo de pauperização da população e das pre-</p><p>cárias condições de vida desta população. Isto faz com que o assistente social tenha que expressar, por meio do exercício profissional cotidiano, o</p><p>modo como analisa a realidade social, planeja e executa as ações cotidianas, estabelece o direcionamento ético e político constitutivos das ações,</p><p>projeta os resultados do trabalho em meio a complexificação das condições de vida dos usuários e das condições de trabalho do profissional.</p><p>Sistematizar o trabalho possibilita ao assistente social identificar demandas e (re) construir cotidianamente competências, de modo a</p><p>qualificar as ações realizadas, colocando no horizonte das ações, os desafios a serem superados.</p><p>Outono ensolarado em Londrina, 2019.</p><p>Mabel Mascarenhas Torres,</p><p>Assistente Social, doutora em Serviço Social, professora associada do</p><p>Departamento de Serviço Social da Universidade Estadual de Londrina.</p><p>Vice coordenadora da RETAS – Rede de Estudos sobre o trabalho do assistente social</p><p>9</p><p>PREFÁCIO DA ÁREA DE PSICOLOGIA</p><p>O prefácio de um livro é sua apresentação, daí sua importância para a obra, para os autores e, principalmente aos leitores, que terão uma</p><p>visão da obra a partir de um olhar, do prefaciador. Mas, não há como deixar de abordar, a importância para quem escreve o prefácio:</p><p>uma honra e um grande desafio!</p><p>Este livro representa os desafios do SUAS (Sistema Único de Assistência Social): a ciência e cada especificidade profissional traduzida e</p><p>esmiuçada na práxis, que, por sua vez desafia o saber constituído até então que clama por avançar. Esta obra avança!</p><p>Com o objetivo principal de alcançar o usuário do serviço do CREAS, o trabalho multiprofissional do dia a dia traduz a ciência, a legislação,</p><p>a organização institucional e a formação de cada profissional, para inúmeras demandas. Porém, a iniciativa deste livro inverte esta ordem: traz</p><p>para a ciência os desafios do trabalho multiprofissional com esta população específica atendida pelo CREAS; e assim, o ciclo ciência - práxis</p><p>pode constituir um ciclo virtuoso.</p><p>O trabalho multiprofissional tem como característica provocar cada profissional envolvido, pois o saber de cada profissão é convidado a somar</p><p>à outra, em igualdade e respeito. Porém, nem tudo é harmonia, há também incompreensões mútuas, desafios diários de construção de trabalho</p><p>ainda considerado novo. A presente obra chama atenção por desvelar o caminho percorrido pelo CREAS do Município de Andradina /SP, sua</p><p>estruturação, consolidação e efetividade.</p><p>No Capítulo I, “A Política de Assistência Social e a oferta de Proteção Social de média complexidade: O município de Andradina em movimento”,</p><p>onde Lima apresenta seu olhar atento aos usuários do serviço do CREAS sem perder o foco da política da Assistência Social e sua consolidação no</p><p>Município de Andradina. A especificidade do atendimento ao usuário do CREAS é delineada, sustentada nas normativas e entendimento destas para</p><p>cada serviço preconizado pelo SUAS, em especial o do CREAS, entremeando a história local com as</p><p>PARA</p><p>CUMPRIMENTO DE PSC</p><p>• ACOMP. DESENVOVIMENTO</p><p>E FREQUÊNCIA DE PSC</p><p>• AVALIAR O TRABALHO DESENVOLVIDO</p><p>• ELABORAR DIAGNÓSTICO TRIMESTRAL E ANUAL</p><p>• PLANEJAMENTO DO EVENTO DE MSE</p><p>• CONFECÇÃO DE RELÁTORIOS DESCRITIVO DAS REUNIÕES</p><p>AÇÕES COMPLEMENTARES</p><p>• ATENDIMENTO FAMILIAR</p><p>• VISITA DOMICILIAR</p><p>• ORIENTAÇÃO SOCIOFAMILIAR</p><p>• CADASTRAMENTO</p><p>• ENCAMINHAMENTOS</p><p>• REGISTRO DE ATENDIMENTO</p><p>• ARTICULAÇÃO COM A REDE</p><p>SOCIOASSISTENCIAL E</p><p>INTERSETORIAL</p><p>• REUNIÃO MENSAL COM FAMÍLIAS</p><p>• INTERLOCUÇÃO COM AS</p><p>UNIDADES DA FUNDAÇÃO</p><p>• VIABILIZAR TRANSPORTE</p><p>PARA AS UNIDADES DA</p><p>FUNDAÇÃO CASA</p><p>• ATENDIMENTO</p><p>• ORIENTAÇÃO SOCIOFAMILIAR</p><p>• ENCAMINHAMENTOS</p><p>• REGISTRO DE ATENDIMENTO</p><p>• ARTICULAÇÃO COM A REDE</p><p>SOCIOASSISTENCIAL E</p><p>INTERSETORIAL</p><p>• INTERLOCUÇÃO COM AS</p><p>UNIDADES DA FUNDAÇÃO CASA</p><p>33</p><p>CREAS PAEFI</p><p>SERVIÇO DE APOIO, ORIENTAÇÃO E ACOMPANHAMENTO A FAMÍLIAS COM UM OU</p><p>MAIS DE SEUS MEMBROS EM SITUAÇÃO DE VIOLAÇÃO DE DIREITOS.</p><p>Acolhimento: Primeiro atendimento onde o caso é exposto à equipe e o usuário recebe orientações iniciais.</p><p>Acompanhamento no serviço e na</p><p>Rede Socioassistencial.</p><p>At. Individual:</p><p>Atendimento rea-</p><p>lizado pela equipe</p><p>psicossocial com</p><p>as vítimas e seus</p><p>familiares.</p><p>Plantão</p><p>Encaminhamentos para outros programas</p><p>e serviços da rede municipal</p><p>Atendimento</p><p>em Grupo:</p><p>Atendimento vol-</p><p>tado a crianças,</p><p>adolescentes e</p><p>familiares com</p><p>objetivo de for-</p><p>talecer vínculos</p><p>e proporcio-</p><p>nar ambiente</p><p>favorável ao</p><p>desenvolvimento</p><p>da autonomia,</p><p>autoestima, e</p><p>ressignificação</p><p>da situação de</p><p>violação viven-</p><p>ciada.</p><p>Visitas domici-</p><p>liares: Objetiva</p><p>conhecer melhor</p><p>o ambiente e a</p><p>dinâmica familiar</p><p>das pessoas</p><p>atendidas.</p><p>Articulação insti-</p><p>tucional Trabalho</p><p>de articulação</p><p>com os demais</p><p>serviços do</p><p>município.</p><p>Assessoria jurí-</p><p>dica: Orientação</p><p>de demandas</p><p>relacionadas a</p><p>questões legais.</p><p>Referenciar a fa-</p><p>mília na proteção</p><p>social básica.</p><p>Desligamento</p><p>Contra referenciar as famílias à PSB quando verificado a</p><p>superação da violação de direitos, a pedido da família ou</p><p>por não adesão ao acompanhamento.</p><p>PSB/CRAS</p><p>Rede socioassistencial</p><p>34</p><p>CREAS</p><p>SERVIÇO DE PROTEÇÃO SOCIAL ESPECIAL PARA PESSOAS</p><p>COM DEFICIÊNCIA, IDOSAS E SUAS FAMÍLIAS</p><p>Acolhimento: Primeiro atendimento onde a situação é exposta à equipe e o usuário recebe orientações iniciais,</p><p>como também, sobre o que é o serviço e o CREAS.</p><p>Acompanhamento no serviço</p><p>e na Rede Socioassistencial.</p><p>At. Individual: Atendi-</p><p>mento realizado pela</p><p>equipe com idosos/</p><p>PCD/familiares/cui-</p><p>dadores.</p><p>Plantão</p><p>Encaminhamentos para outros programas</p><p>e serviços da rede municipal.</p><p>Atendimento em</p><p>Grupo: Atendimento</p><p>socioeducativo vol-</p><p>tado aos cuidadores,</p><p>em parceria com</p><p>CRAS com objetivo</p><p>de fortalecimento de</p><p>vínculos familiares,</p><p>como também,</p><p>potencialização dos</p><p>cuidadores, preve-</p><p>nindo a sobrecarga e</p><p>desgaste de vínculos</p><p>provenientes da</p><p>relação de prestação/</p><p>demanda de cuida-</p><p>dos permanentes/</p><p>prolongados.</p><p>Visitas domiciliares:</p><p>Objetiva conhecer</p><p>melhor o ambiente e</p><p>a dinâmica familiar</p><p>das pessoas aten-</p><p>didas.</p><p>Articulação institu-</p><p>cional Trabalho de</p><p>articulação com os</p><p>demais serviços do</p><p>município.</p><p>Assessoria jurídica:</p><p>Orientação de de-</p><p>mandas relacionadas</p><p>a questões legais.</p><p>Desligamento</p><p>Contra referenciar as famílias à PSB quando verificado a</p><p>superação da violação de direitos, a pedido da família ou</p><p>por não adesão ao acompanhamento.</p><p>PSB/CRAS</p><p>Rede socioassistencial</p><p>35</p><p>FLUXO METODOLÓGICO DE ATENDIMENTO</p><p>INICIAL DO CREAS DE ANDRADINA</p><p>Delegacia de</p><p>Defesa da</p><p>Mulher</p><p>Anexo de</p><p>violência</p><p>Ministério</p><p>Público</p><p>Conselho de</p><p>Idosos</p><p>Ministério</p><p>Público</p><p>Ministério</p><p>Público</p><p>Conselho</p><p>Tutelar</p><p>Mulher vítima</p><p>de violência</p><p>Pessoa com</p><p>deficiência</p><p>Idoso</p><p>Criança e</p><p>adolescente</p><p>Encaminhar relatório</p><p>informativo aos orgãos</p><p>de direitos</p><p>Elaboração dos estudos</p><p>pela equipe e elaboração</p><p>do PAF - Plano de Acom-</p><p>panhamento</p><p>Aceitou o</p><p>acompanhamento</p><p>• Prencher o termo</p><p>Não aceitou o</p><p>acompanhamento</p><p>• Preencher o termo</p><p>Acolhida multiprofissional</p><p>• Assistente social</p><p>• Psicólogo</p><p>• Advogada</p><p>Recebimento de demanda inicial</p><p>36</p><p>INDICADORES DE TRABALHO SOCIAL NO CRAS E CREAS:</p><p>RELAÇÃO DE COMPLEMENTARIEDADE NÃO DE DISPUTA</p><p>CRAS</p><p>VULNERABILIDADE</p><p>ECONÔMICA</p><p>VULNERABILIDADE</p><p>RELACIONAL</p><p>CRAS</p><p>EMINÊNCIA DE RISCO – NOTIFICAÇÃO</p><p>DE VULNERABILIDADE E RISCO</p><p>CREAS</p><p>RISCO PESSOAL</p><p>E SOCIAL</p><p>VIOLAÇÃO</p><p>DE DIREITO</p><p>37</p><p>DESCRIÇÃO DE UMA PROPOSTA DA METODOLOGIA</p><p>PARA O TRABALHO SOCIAL DO CREAS (PROTOCOLO)</p><p>1) Acolhida Inicial: Atendimento em conjunto das áreas (Serviço Social, Direito e Psicologia). Destacar nesse atendimento o</p><p>trabalho do CREAS, o serviço, a equipe, a finalidade do atendimento e verificar se o usuário deseja receber os atendimentos,</p><p>caso o contrário, assinar o termo de recusa. Em seguida separa para os atendimentos individuais de cada equipe no mesmo</p><p>dia. Se o usuário não aceitar, deverão ser informados os órgãos competentes:</p><p>- Criança/Adolescente: Conselho Tutelar, Promotoria, Judiciário;</p><p>- Adulto: Anexo da Mulher, DDM,</p><p>- Idoso: Promotoria do Idoso, DDM,</p><p>- Pessoa com deficiente: Promotoria, DDM,</p><p>Lembretes:</p><p>1) Os anexos I e II deverão ser elaborados dentro do processo descrito acima, como também, dentro dos estudos;</p><p>2) Não encontrou o usuário/família para o início do trabalho, em 10 dias, tem que informar aos órgãos competentes,</p><p>destacando as atividades efetuadas para o início do trabalho (Justificativa);</p><p>3) Quando chegarem ofícios do MP e do Poder Judiciário com prazos inferiores a 30 dias, deveremos na coordenação</p><p>solicitar dilação dos prazos, principalmente em situações que não estão em acompanhamentos pelas equipes.</p><p>2) Prazo para elaborar dos estudos de cada área: (lembrando que nas pastas devem estar os estudos transformados em</p><p>relatórios, com cópia nas pastas) 30 dias;</p><p>3) Reunião de equipe multidisciplinar: em cinco dias, após a finalização dos estudos.</p><p>4) Elaboração do PAF (Planejamento das metas com a família): Cinco dias, após a reunião multidisciplinar;</p><p>5) Acompanhamento pelo mínimo estimado entre as equipes.</p><p>6) Monitoramento Mensal das ações;</p><p>7) Avaliação para o desligamento e encaminhamento para o CRAS de referência</p><p>38</p><p>FICHA INICIAL DE ATENDIMENTO 14</p><p>Data do primeiro atendimento multidisciplinar: ____ / _____ / __________ Data de Saída: ____ / _____ / __________</p><p>Nome___________________________________________________________________D/N: _____ / ______ / _______</p><p>Endereço: ________________________________________________________________nº. _______ Bairro: _________</p><p>Desproteções do perfil PAEFI: (De açodo com a Tipificação Nacional dos Serviços Socioassistenciais)</p><p>( ) - Violência física,;</p><p>( ) - Violência psicológica;</p><p>( ) - negligência;</p><p>( ) - Violência sexual: abuso;</p><p>( ) - Violência sexual: exploração sexual;</p><p>( ) - Afastamento do convívio familiar devido à aplicação de medida socioeducativa ou medida de proteção;</p><p>( ) - Tráfico de pessoas;</p><p>( ) - Situação de rua e mendicância;</p><p>( ) - Abandono;</p><p>( ) - Vivência de trabalho infantil;</p><p>( ) - Discriminação em decorrência da orientação sexual e/ou raça/etnia;</p><p>( ) - Outras formas de violação de direitos decorrentes de discriminações/submissões a situações que provocam danos</p><p>e agravos a sua condição de vida e os impedem de usufruir autonomia e bem-estar; _________________________________</p><p>Data da realização do Cadastro-único: ______/ _______ / ___________</p><p>Datas de encaminhamentos o CRAS: ______/ _______ / ___________</p><p>Datas de realização dos relatórios:</p><p>Datas dos atendimentos individuais:</p><p>Datas das visitas domiciliares:</p><p>Composição Familiar: (Origem, extensa e de vivência):</p><p>Nome Data de nascimento Parentesco Endereço Telefone</p><p>14 Toda vez que a família iniciar o acompanhamento, será realizado uma ficha inicial novamente. O instrumental foi elaborado a partir do FORMULÁRIO DE REGISTRO</p><p>MENSAL DE ATENDIMENTOS DO CREAS DO MDS.</p><p>39</p><p>TERMO DE ACEITE</p><p>Eu, _________________________________________, nascido(a)</p><p>em _________, portador(a) do RG n.º _____________________,</p><p>declaro que</p><p>aceito participar do atendimento e acompanhamento individual e/ou familiar pelo</p><p>Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS), através do Serviço</p><p>__________________________________________________________.</p><p>_____________________, ____ de ______________ de 20___.</p><p>Equipe técnica Responsável:</p><p>Familiares</p><p>40</p><p>TERMO DE RECUSA</p><p>Eu, _________________________________________, nascido(a)</p><p>em _________, portador(a) do RG n.º _____________________, declaro que</p><p>me recuso a participar do atendimento e acompanhamento individual e/ou familiar</p><p>pelo Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS), através</p><p>do Serviço de ________________________________</p><p>Justifica, ainda, que _____________________________________________</p><p>_____________________________________________________________</p><p>_____________________________________________________________</p><p>_____________________, ____ de ______________ de 20___.</p><p>Equipe técnica Responsável:</p><p>Familiares</p><p>41</p><p>ROTEIRO BÁSICO PARA O ESTUDO SOCIOECONÔMICO 15</p><p>I - IDENTIFICAÇÃO:</p><p>1.1 Identificação do Estudo:</p><p>1.1 Objetivo do Estudo:</p><p>1.2 Serviço Socioassistencial responsável:</p><p>1.3 Requerido:</p><p>1.4 Data de Nascimento:</p><p>1.5 Documentos pessoais:</p><p>1.6 Endereço:</p><p>1.7 Telefone:</p><p>1.8 Dados do território:</p><p>1.9 Dados do procedimento judiciais (caso houver)</p><p>1.10 Demanda Inicial: (Descrever a procedência)</p><p>II – PROCEDIMENTOS-METODOLÓGICOS:</p><p>III - COMPOSIÇÃO FAMILIAR: (Destacar todos os dados da família, incluindo de origem, extensa, comunitária e do próprio requerente)</p><p>N° NOME COMPLETO (COMEÇAR A</p><p>LISTA PELA PESSOA DE REFERÊNCIA</p><p>SEXO DATA DE</p><p>NASCIMENTO</p><p>IDADE PARENTESCO COM A</p><p>PESSOA DE REFERÊNCIA</p><p>ESCOLARI-</p><p>DADE</p><p>TELEFONE</p><p>1</p><p>2</p><p>3</p><p>4</p><p>5</p><p>6</p><p>7</p><p>IV - CONDIÇÕES SOCIOECONÔMICAS:</p><p>V - CONDIÇÕES DE SAÚDE:</p><p>• Lembrando que quando for relatada situação de saúde, necessária articulação com os setores de saúde para comprovação de tal feito.</p><p>• Incluir qual a doença / unidade que concedeu o laudo / faz uso de medicamentos /</p><p>VI – SITUAÇÃO EDUCACIONAL:</p><p>VII – CONDIÇÕES HABITACIONAIS:</p><p>VIII – HISTÓRICO FAMILIAR/RELATÓRIO:</p><p>IX –PARECER SOCIAL:</p><p>Andradina/SP, 19 de Junho de 20___</p><p>_________________________________________</p><p>Nome e assinatura do profissional</p><p>Registro no CRESS</p><p>15 De acordo com a Lei de Regulamentação e o Parecer Jurídico do CFESS, os estudos socioeconômicos é uma atribuição do assistente social no exercício de seu trabalho profissional.</p><p>42</p><p>RELATÓRIO INFORMATIVO</p><p>I – IDENTIFICAÇÃO:</p><p>Nome do responsável:</p><p>Data de Nascimento:</p><p>RG:</p><p>CPF:</p><p>Endereço:</p><p>Telefone:</p><p>Nome da Criança:</p><p>Data de Nascimento:</p><p>Objetivo da demanda:</p><p>II – RELATÓRIO:</p><p>Anotar apenas uma informação. Requisitar informações.</p><p>Andradina/SP, ___ de ______ de 20___</p><p>________________________________</p><p>NOME DO TÉCNICO</p><p>FUNÇÃO/CARGO</p><p>NÚMERO DO REGISTRO</p><p>43</p><p>MODELO DE PLANEJAMENTO PARA A OFICINA FECHADA</p><p>I – IDENTIFICAÇÃO:</p><p>II - OBJETIVO GERAL:</p><p>III - OBJETIVOS ESPECÍFICOS:</p><p>IV - Nº DE PARTICIPANTES PREVISTO:</p><p>VI – METODOLOGIA:</p><p>VII – RECURSOS:</p><p>VIII - CRONOGRAMA:</p><p>IX - AVALIAÇÃO:</p><p>Andradina/SP, ___ de ______ de 20___</p><p>________________________________</p><p>NOME DO TÉCNICO</p><p>FUNÇÃO/CARGO</p><p>NÚMERO DO REGISTRO</p><p>44</p><p>MODELO DE RELATÓRIO AVALIATIVO OFICINA FECHADA</p><p>I - IDENTIFICAÇÃO</p><p>TEMA:</p><p>DATA: HORÁRIO:</p><p>Nº DE CONVIDADOS: Nº DE PARTICIPANTES:</p><p>OBJETIVO:</p><p>TÉCNICOS RESPONSÁVEIS:</p><p>II - DESENVOLVIMENTO</p><p>III - AVALIAÇÃO</p><p>Andradina/SP, ___ de ______ de 20___</p><p>45</p><p>RELATÓRIO SOCIAL</p><p>I - IDENTIFICAÇÃO:</p><p>1.1 Identificação da Equipe do CREAS:</p><p>Serviço:</p><p>Técnica Responsável:</p><p>Endereço do CREAS:</p><p>Telefone do CREAS:</p><p>Data de entrada no serviço:</p><p>1.2 Identificação da família:</p><p>1.2.1 Responsável familiar:</p><p>Nome:</p><p>Data de Nascimento:</p><p>Filiação:</p><p>RG:</p><p>CPF:</p><p>CN:</p><p>Escolaridade:</p><p>Profissão:</p><p>Endereço:</p><p>Telefone:</p><p>1.2.2 Dados de outros membros familiares de origem:</p><p>Nome:</p><p>Data de Nascimento:</p><p>Filiação:</p><p>RG:</p><p>CPF:</p><p>CN:</p><p>Escolaridade:</p><p>Profissão:</p><p>1.2.3 Dados de outros membros familiares extensa:</p><p>Nome:</p><p>Data de Nascimento:</p><p>Filiação:</p><p>46</p><p>RG:</p><p>CPF:</p><p>CN:</p><p>Escolaridade:</p><p>Profissão:</p><p>Endereço:</p><p>Telefone:</p><p>II – PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS:</p><p>Descrever aqui quais foram as técnicas, instrumentos, métodos utilizados para elaboração do relatório.</p><p>Ex: Realização de visita domiciliar com o responsável familiar; Entrevista familiar com o responsável e o</p><p>adolescente; Encaminhamento para o CRAS afim de cadastramento no CAD/ÙNICO</p><p>III – RELATÓRIO:</p><p>Objetivo do relatório:</p><p>Síntese dos atendimentos:</p><p>Descrever as solicitações e os objetivos das mesmas.</p><p>Descrever como as informações serão utilizadas?</p><p>IV – PARECER SOCIAL:</p><p>Andradina/SP, ___ de ______ de 20___</p><p>________________________________</p><p>NOME DO TÉCNICO</p><p>FUNÇÃO/CARGO</p><p>NÚMERO DO REGISTRO</p><p>47</p><p>ITENS PARA UM RELATÓRIO TÉCNICO DE</p><p>ACOMPANHAMENTO (MULTIPROFISSIONAL)</p><p>I – IDENTIFICAÇÃO:</p><p>II- DESENVOLVIMENTO:</p><p>III - PARECER SOCIAL</p><p>IV – CONSIDERAÇÕES PSICOLÓGICAS:</p><p>V – PARECER JURÍDICO:</p><p>48</p><p>CARTA DE ORIENTAÇÕES E RECOMENDAÇÕES</p><p>(destinado para as famílias com sujeitos idosos e pessoa com deficiência)</p><p>SRs. e SR(as). _________________________________________________________</p><p>Em relação à situação da (o)_____________________________________ e seus filhos,</p><p>_______________________________________________________, este Centro de Re-</p><p>ferência Especializado de Assistência Social – CREAS, através da equipe técnica, ora assina-</p><p>do abaixo, _________________________________________________________,pro-</p><p>moveu intervenções ao núcleo mencionado.</p><p>Para a presente orientação e recomendação, foram realizados atendimentos psicossociais,</p><p>atendimento e orientação social e reunião familiar, a fim de discussão acerca de possibilida-</p><p>des de articulações/ações.</p><p>Desta forma, é de extrema importância relatar que ao longo das intervenções realizadas, foi</p><p>refletido sobre possíveis ações, tais como:______________________________</p><p>____________________________________________________________________</p><p>_____________________________________________________________________</p><p>_____________________________________________________________________</p><p>_____________________________________________________________________</p><p>_________________________</p><p>As informações acima servem de orientação e recomendação, no qual, vem assinado abai-</p><p>xo pela equipe, bem como pela família/usuário do serviço.</p><p>CIENTES:</p><p>49</p><p>RELATÓRIO DE ATIVIDADES MENSAL</p><p>DO SERVIÇO SOCIOASSISTENCIAL</p><p>MÊS: ___________________________</p><p>SERVIÇO: _______________________</p><p>ANDRADINA/SP</p><p>MÊS/ANO</p><p>RELATÓRIO DE ATIVIDADES</p><p>50</p><p>1. INDENTIFICAÇÃO</p><p>1.1 Identificação da Equipe:</p><p>NOME CARGO QUALIFICAÇÃO CARGA HORARIA R. DE TRABALHO</p><p>1.2 Identificação do Serviço:</p><p>SERVIÇO:</p><p>PÚBLICO-ALVO:</p><p>II- DADOS QUANTITATIVOS DO SERVIÇO E TRABALHALHO SOCIAL ESSENCIAL:</p><p>2.1 PAEFI:</p><p>PUBLICO ALVO CAPACIDADE DE ATENDIMENTO DEMANDA REPRIMIDA</p><p>ACOMPANHAMENTOS ATENDIDOS</p><p>Nº VIOLAÇÕES DE DIREITOS QUANTIDADE DE USUÁRIOS NO PERFIL</p><p>A Violência física, psicológica e negligência</p><p>B Violência psicológica</p><p>C Negligência</p><p>D Violência sexual: abuso ou exploração sexual</p><p>E Afastamento do convívio familiar devido à aplicação de medida socioeducativa ou medida de</p><p>proteção</p><p>F Tráfico de pessoas</p><p>G Situação de rua ou mendicância</p><p>H Abandono</p><p>I Violência de trabalho infantil</p><p>J Discriminação em decorrência da orientação sexual/raça ou etnia</p><p>K Outras formas de violação de direitos decorrentes de discriminação/submissões a situação</p><p>que provocam danos e agravos a suas condições de vida e os impedem de usufruir autono-</p><p>mia e bem-estar</p><p>L Descumprimento de condicionalidades do PBF e do PETI em decorrência de violação de</p><p>direitos</p><p>51</p><p>Nº INSTRUMENTOS E TECNICAS QUANTIDADE</p><p>01 Acolhida</p><p>02 Escuta: contato telefônico, A.D</p><p>03 Estudo social/psicológico e sócio jurídico</p><p>04 Diagnóstico socioeconômico</p><p>05 Monitoramento e avaliação do serviço / discussão de caso</p><p>06 Orientação e encaminhamento para rede de serviços locais</p><p>07 Construção de plano individual e/ou familiar de atendimento</p><p>08 Orientação sociofamiliar</p><p>09 Atendimento psicossocial</p><p>10 Orientação jurídico-social</p><p>11 Referência e contrareferência</p><p>12 Informação, comunicação e defesa de direitos</p><p>13 Apoio à família na sua função protetiva</p><p>14 Acesso à documentação pessoal</p><p>15 Mobilização, identificação da família extensa ou ampliada</p><p>16 Articulação de rede de serviços socioassistenciais</p><p>17 Articulação com os serviços de outros Políticas Públicas setoriais</p><p>18 Articulação interinstitucional com demais órgão do sistema de garantia de direitos</p><p>19 Mobilização para o exercício da cidadania</p><p>20 Trabalho interdisciplinar</p><p>21 Elaboração de relatórios e /ou prontuários</p><p>22 Estímulo ao convívio familiar,grupal e social</p><p>23 Mobilização e fortalecimento do convívio e de redes sociais de apoio</p><p>24 Visita domiciliar</p><p>25 Grupos/ reuniões /oficinas Socioeducativa</p><p>26 Produção de orientações técnicas e materiais informativos</p><p>27 Proteção social pró-ativa</p><p>28 Desenvolvimento de projetossociais</p><p>29 Encaminhamentos para o CRAS</p><p>30 Encaminhamento para o CCI</p><p>31 Encaminhamento para o CAPS ad</p><p>32 Encaminhamento para o CAPS I</p><p>52</p><p>III - DESENVOLVIMENTO DE TODAS AS AÇÕES:</p><p>3.1 Área do Serviço Social:</p><p>Aqui devem ser descritos: As principais ações desenvolvidas. A avaliação do</p><p>Serviço. O planejamento das ações para o próximo mês.</p><p>3.2 Área da Psicologia:</p><p>Aqui devem ser descritos: As principais ações desenvolvidas. A avaliação do</p><p>Serviço. O planejamento das ações para o próximo mês.</p><p>3.3 Área do Direito:</p><p>Aqui devem ser descritos: As principais ações desenvolvidas. A avaliação do</p><p>Serviço. O planejamento das ações para o próximo mês.</p><p>IV – DATA, NOME E ASSINATURAS:</p><p>Andradina/SP, ___ de ______ de 20___</p><p>53</p><p>PLANO DE ACOMPANHAMENTO FAMILIAR</p><p>PLANO DE ACOMPANHAMENTO FAMILIAR - PAF</p><p>DATA:____/____/____</p><p>1. DADOS DE IDENTIFICAÇÃO</p><p>NOME DO RESPONSÁVEL FAMILIAR: D.N:</p><p>NOME SOCIAL:</p><p>APELIDO:</p><p>RG: CPF:</p><p>ENDEREÇO: TELEFONE:</p><p>Nº: COMPLEMENTO: CEP:</p><p>MUNICÍPIO: ESTADO: CEP:</p><p>PONTO DE REFERÊNCIA:</p><p>Nos casos de famílias em Situação de Rua indicar endereço de referência.</p><p>54</p><p>2. COMPOSIÇÃO FAMILIAR</p><p>Nº NOME COMPLETO (COMEÇAR</p><p>A LISTA PELA PESSOA DE</p><p>REFERÊNCIA</p><p>SEXO DATA DE</p><p>NASCIMENTO</p><p>IDADE PARENTES-</p><p>CO COM A</p><p>PESSOA DE</p><p>REFERÊNCIA</p><p>ASSINALAR</p><p>EM CASO DE</p><p>PESSOA COM</p><p>DEFICIÊNCIA</p><p>RAÇA /</p><p>COR /</p><p>ETNIA</p><p>ASSINALE CASO SEJA NECESSÁRIO</p><p>PROVIDENCIAR DOCUMENTAÇÃO</p><p>CIVIL DA PESSOA</p><p>1 ( )M ( )F ___/___/___ ( )CN ( )RG ( )CTPS ( )CPF ( ) TE</p><p>2 ( )M ( )F ___/___/___ ( )CN ( )RG ( )CTPS ( )CPF ( ) TE</p><p>3 ( )M ( )F ___/___/___ ( )CN ( )RG ( )CTPS ( )CPF ( ) TE</p><p>4 ( )M ( )F ___/___/___ ( )CN ( )RG ( )CTPS ( )CPF ( ) TE</p><p>5 ( )M ( )F ___/___/___ ( )CN ( )RG ( )CTPS ( )CPF ( ) TE</p><p>6 ( )M ( )F ___/___/___ ( )CN ( )RG ( )CTPS ( )CPF ( ) TE</p><p>7 ( )M ( )F ___/___/___ ( )CN ( )RG ( )CTPS ( )CPF ( ) TE</p><p>8 ( )M ( )F ___/___/___ ( )CN ( )RG ( )CTPS ( )CPF ( ) TE</p><p>9 ( )M ( )F ___/___/___ ( )CN ( )RG ( )CTPS ( )CPF ( ) TE</p><p>10 ( )M ( )F ___/___/___ ( )CN ( )RG ( )CTPS ( )CPF ( ) TE</p><p>11 ( )M ( )F ___/___/___ ( )CN ( )RG ( )CTPS ( )CPF ( ) TE</p><p>12 ( )M ( )F ___/___/___ ( )CN ( )RG ( )CTPS ( )CPF ( ) TE</p><p>13 ( )M ( )F ___/___/___ ( )CN ( )RG ( )CTPS ( )CPF ( ) TE</p><p>2.1 PERFIL ETÁRIO DO GRUPO FAMILIAR</p><p>FAIXAS ETÁRIAS QTD. DE PESSOAS QTS. DE PESSOAS</p><p>(ATUALIZAÇÃO)</p><p>QTD. DE PESSOAS</p><p>(ATUALIZAÇÃO)</p><p>Pessoas de 0 a 6 anos</p><p>Pessoas de 7 a 14 anos</p><p>Pessoas de 15 a 17 anos</p><p>Pessoas de 18 a 29 anos</p><p>Pessoas de 30 a 59 anos</p><p>Pessoas de 60 a 64 anos</p><p>Pessoas de 65 a 69 anos</p><p>Pessoas com 70 anos ou mais</p><p>Total de pessoas na família</p><p>ESPECIFICIDADES SOCIAIS, ÉTNICAS OU CULTURAIS DA FAMÍLIA</p><p>( ) Família/pessoa em situação de rua</p><p>( ) Família quilombola</p><p>( ) Família ribeirinha</p><p>( ) Família cigana</p><p>( ) Família indígena residente e, aldeia/reserva</p><p>Especifique o povo/etnia: ________________________________________________</p><p>( ) Família indígena não residente em aldeia/reserva</p><p>Especifique o povo/etnia: ________________________________________________</p><p>( ) Outras: _____________________________________________________________</p><p>55</p><p>2.2 Em todas as CN constam o nome do genitor? ( )SIM ( )NÃO</p><p>2.3 Caso os pais não vivam juntos, o genitor/avós prestam auxílio financeiro? ( )SIM ( )NÃO</p><p>2.4 Em caso de idosos, os filhos prestam auxílio material? ( )SIM ( )NÃO</p><p>3. PROCEDÊNCIA DA FAMÍLIA</p><p>3.1. A família/pessoa chegou ao serviço por meio de:</p><p>( ) Busca Ativa ( ) Vara da infância e da juventude</p><p>( ) Procura espontânea ( ) CRAS 1</p><p>( ) Saúde ( ) CRAS 2</p><p>( ) Educação ( ) CRAS 3</p><p>( ) Conselho Tutelar ( ) Outras Políticas Públicas. Qual?</p><p>( ) Delegacia ( ) Outros. Indique:</p><p>( ) Conselhos de Direitos</p><p>3.2. Com os seguintes documentos encaminhados:</p><p>( ) Relatório do caso ( ) Termo de aplicação de medidas</p><p>( ) Guia de Acolhimento ( ) Plano Individual de Atendimento (PIA)</p><p>( ) Outros. Quais?</p><p>3.3. Motivo da Procura/Encaminhamento:</p><p>4. CADASTRO ÚNICO 16</p><p>4.1. A família está cadastrada no CADASTRO ÚNICO?</p><p>( ) NÃO ( ) SIM</p><p>NIS:</p><p>Data da última atualização:</p><p>16 PARA IDENTIFICAÇÃO E CARACTERIZAÇÃO DA FAMÍLIA, UTILIZAR O FORMULÁRIO DO CADÚNICO E ANEXAR A CÓPIA DO FORMULÁRIO PREENCHIDO. *CASO A FAMÍLIA JÁ</p><p>ESTEJA CADASTRADA NO CADÚNICO, ANEXAR CÓPIA DO FORMULÁRIO PREENCHIDO.</p><p>56</p><p>5. PROGRAMAS SOCIAIS</p><p>5.1. Participa de PROGRAMAS SOCIAIS e TRANSFERÊNCIA DE RENDA?</p><p>( ) SIM ( ) NÃO</p><p>Em caso positivo. Quais?</p><p>( ) Bolsa Família R$</p><p>( ) Renda Cidadã R$</p><p>( ) Ação Jovem R$</p><p>( ) Municipal R$</p><p>( ) PETI R$</p><p>( ) BPC R$</p><p>( ) Outros. Qual? R$</p><p>5.2. Recebe algum outro benefício assistencial e/ou eventual (cesta básica, luz, aluguel, leite, entre outros?</p><p>( ) Não ( ) Sim. Quais?</p><p>6. REDE DE SERVIÇOS SOCIOASSISTENCIAIS</p><p>6.1. Utiliza serviços?</p><p>( ) Não ( ) Sim. Quais?</p><p>6. REDE DE SERVIÇOS SOCIOASSISTENCIAIS</p><p>Nº PRIMEIRO NOME (LISTE AS</p><p>PESSOAS OBEDECENDO SEMPRE O</p><p>MESMO N° DE ORDEM</p><p>IDADE POSSUI CARTEIRA</p><p>DE TRABALHO?</p><p>CONDIÇÃO DE</p><p>OCUPAÇÃO</p><p>POSSUI QUALIFI-</p><p>CAÇÃO PROFISSION-</p><p>AL?</p><p>CASO</p><p>SIM,</p><p>QUAL?</p><p>RENDA MENSAL(R$)</p><p>AQUI NÃO DE VEM SER CONSIDER-</p><p>ADOS RECURSOS RECEBIDOS DE</p><p>PROGRAMAS SOCIAIS, TAIS COMO BPC</p><p>OU BOLSA FAMÍLIA</p><p>1 ( )SIM ( )NÃO ( )SIM ( )NÃO</p><p>2 ( )SIM ( )NÃO ( )SIM ( )NÃO</p><p>3 ( )SIM ( )NÃO ( )SIM ( )NÃO</p><p>4 ( )SIM ( )NÃO ( )SIM ( )NÃO</p><p>5 ( )SIM ( )NÃO ( )SIM ( )NÃO</p><p>6 ( )SIM ( )NÃO ( )SIM ( )NÃO</p><p>7 ( )SIM ( )NÃO ( )SIM ( )NÃO</p><p>8 ( )SIM ( )NÃO ( )SIM ( )NÃO</p><p>9 ( )SIM ( )NÃO ( )SIM ( )NÃO</p><p>10 ( )SIM ( )NÃO ( )SIM ( )NÃO</p><p>11 ( )SIM ( )NÃO ( )SIM ( )NÃO</p><p>12 ( )SIM ( )NÃO ( )SIM ( )NÃO</p><p>13 ( )SIM ( )NÃO ( )SIM ( )NÃO</p><p>14 ( )SIM ( )NÃO ( )SIM ( )NÃO</p><p>*Códigos da Condição de Ocupação:0- Não trabalha; 1- Trabalhador por conta própria(bico/autônomo); 2- Trabalhador temporário em área rural; 3- Empregado sem</p><p>carteira de trabalho assinada; 4- Empregado com carteira de trabalho assinada; 5- Trabalhador doméstico sem carteira de trabalho assinada; 6- Trabalhador doméstico com</p><p>carteira assinada; 7- Trabalhador não-remunerado; 8- Militar ou servidor público; 9- Empregador; 10- Estagiário; 11- Aprendiz (em condição legal)</p><p>57</p><p>Renda total da família: (Sem considerar a renda recebida de programas sociais)</p><p>R$__________ Atualizações: R$___________/R$_______________________</p><p>Renda familiar per capita (sem considerar a renda recebida de programas sociais)</p><p>R$___________ Atualizações: R$______________ /R$______________________</p><p>A família recebe dinheiro de algum Programa Social?</p><p>( )Não ( )Sim Atualizações ( )S ( )N / ( )N ( )S</p><p>Anote os valores recebidos pela família por meio de Programas Sociais</p><p>( ) Bolsa Família Valor:R$________ Atualizações: R$_______ R$_________</p><p>( ) BPC- Valor:R$________ Atualizações: R$_______ R$_________</p><p>( ) PETI- Valor:R$________ Atualizações:</p><p>R$_______ R$_________</p><p>( ) Outros Valor:R$________ Atualizações: R$_______ R$________</p><p>Para famílias que recebem o BPC, indique o número de ordem da(s) pessoa(s) beneficiária(s):</p><p>N° de Ordem da(s) pessoa(s):___________________________________________________</p><p>Algum membro da família é aposentado ou pensionista?</p><p>( )Não ( )Sim. Se sim, indique o n° de ordem da(s) pessoa(s):_________________________</p><p>Qual a renda total da família, incluindo o valor recebido de Programas Sociais?</p><p>R$________________Atualizações: R$_____________/R$______________________</p><p>Qual a renda familiar per capita, incluindo o valor recebido de Programas Sociais?</p><p>R$______________Atualizações: R$_________________/R$________________________</p><p>58</p><p>ATENÇÃO! Fique atento para identificar famílias potencialmente elegíveis aos programas de transferência de renda e que</p><p>ainda não recebem o benefício ao qual têm direito. Observe sempre as regras específicas de cada Programa/Benefício.</p><p>8. CONDIÇÕES EDUCACIONAIS DA FAMÍLIA</p><p>Nº PRIMEIRO NOME (LISTE AS PESSOAS</p><p>OBEDECENDO SEMPRE O MESMO N° DE ORDEM)</p><p>IDADE SABE LER E ESCREVER? FREQUENTA ESCOLA</p><p>ATUALMENTE?</p><p>ESCOLARIDADE ( ÚLTIMA SÉRIE</p><p>CONCLUÍDA COM APROVAÇÃO)</p><p>( )Sim ( )Não</p><p>( )Sim ( )Não</p><p>( )Sim ( )Não</p><p>( )Sim ( )Não</p><p>( )Sim ( )Não</p><p>( )Sim ( )Não</p><p>( )Sim ( )Não</p><p>( )Sim ( )Não</p><p>( )Sim ( )Não</p><p>( )Sim ( )Não</p><p>( )Sim ( )Não</p><p>( )Sim ( )Não</p><p>( )Sim ( )Não</p><p>( )Sim ( )Não</p><p>CÓDIGOS DE ESCOLARIDADE</p><p>IDENTIFICAÇÃO DE VULNERABILIDADE EDUCACIONAL</p><p>FAIXAS ETÁRIAS QTD. DE PESSOAS QTD. DE PESSOAS</p><p>(ATUALIZAÇÃO)</p><p>QTD. DE PESSOAS</p><p>(ATUALIZAÇÃO)</p><p>Qtd. De pessoas entre 0 e 3 anos que não estão frequentando educação infantil</p><p>Qtd. De pessoas entre 4 e 5 anos que não estão frequentando ensino infantil</p><p>Qtd. De pessoas entre 6 e 10 anos que não estão frequentando escola</p><p>Qtd. De pessoas entre 10 e 14 anos que não estão frequentando escola</p><p>Qtd. De pessoas entre 15 e 17 anos que não estão frequentando escola</p><p>Qtd. De pessoas entre 10 e 17 anos que não sabem ler e escrever</p><p>Qtd. De pessoas entre 18 e 59 anos que não sabem ler e escrever</p><p>Qtd. De pessoas com 60 anos ou mais que não sabem ler e escrever</p><p>00- Nunca frequentou</p><p>01-Creche</p><p>02-Educação Infantil</p><p>11-1° ano E. Fund.</p><p>12-2° ano E. Fund.</p><p>13-3° ano E. Fund.</p><p>14-4° ano E. Fund.</p><p>15-5° ano E. Fund.</p><p>16-6° ano E. Fund.</p><p>17-7° ano E. Fund.</p><p>18-8° ano E. Fund.</p><p>19-9° ano E. Fund.</p><p>21-1°ano E. Médio</p><p>22- 2° ano E. Médio</p><p>23- 3° ano E. Médio</p><p>30-Superior Incompleto</p><p>31-Superior Completo</p><p>40-EJA-Ens. Fund.</p><p>41-EJA-Ens. Médio</p><p>99- Outros</p><p>59</p><p>ANOTAÇÕES SOBRE O DESCUMPRIMENTO DE CONDICIONALIDADE DE EDUCAÇÃO NO PROGRAMA BOLSA FAMÍLIA</p><p>N° DE ORDEM DATA DA OCORRÊNCIA</p><p>(MÊS/ANO)</p><p>EFEITO*</p><p>(CÓDIGO)</p><p>SOLICITADA SUSPENSÃO DO</p><p>EFEITO?</p><p>*CÓDIGOS PARA OS EFEITOS GERADOS POR DESCUMPRIMENTO</p><p>DE CONDICIONALIDADES</p><p>___/___ ( ) SIM ( ) NÃO</p><p>1. Advertência</p><p>2. Bloqueio</p><p>3. Suspensão</p><p>4. Cancelamento</p><p>___/___ ( ) SIM ( ) NÃO</p><p>___/___ ( ) SIM ( ) NÃO</p><p>___/___ ( ) SIM ( ) NÃO</p><p>___/___ ( ) SIM ( ) NÃO</p><p>___/___ ( ) SIM ( ) NÃO</p><p>___/___ ( ) SIM ( ) NÃO</p><p>9. CONDIÇÕES DE SAÚDE DA FAMÍLIA</p><p>Caso haja presença de pessoa com deficiência na família, preencha o quadro abaixo:</p><p>N° DE ORDEM PRIMEIRO NOME *TIPO(S) DE</p><p>DEFICIÊNCIA(S)</p><p>NECESSITA DE CUIDADOS CON-</p><p>STANTES DE OUTRA PESSOA</p><p>QUEM É O RESPONSÁVEL PELO DEFICIENTE</p><p>( ) SIM ( ) NÃO</p><p>( ) SIM ( ) NÃO</p><p>( ) SIM ( ) NÃO</p><p>( ) SIM ( ) NÃO</p><p>( ) SIM ( ) NÃO</p><p>*TIPOS DE DEFICIÊNCIA:</p><p>1-Cegueira; 2-Baixa Visão; 3-Surdez severa/profunda; 4-Surdez leve/moderada; 5- Deficiência Física; 6-Deficiência Mental ou Intelectual; 7- Síndrome</p><p>de Down; 8- Transtorno/doença mental.</p><p>A família possui algum integrante que, devido ao envelhecimento ou à doença, necessite de cuidados constantes de outra realizar ativi-</p><p>dades básicas, tais como, tomar banho, alimentar-se, ficar só em casa, locomover-se dentro de casa, etc.?( )não ( ) sim</p><p>Caso sim, registre n° de ordem e/ou nome(s) da(s) pessoa(s):_______________________________________________________</p><p>______________________________________________________________________________________________________</p><p>Quem é responsável pelo cuidado: ____________________________________________________________________________</p><p>A família declara, ou fornece indícios, de que vivencia situação de insegurança alimentar devido a insuficiência de alimentos.</p><p>( )não ( )sim (data da anotação: _____/_____/_____ )</p><p>Algum membro da família é portador de alguma doença grave? ( )não ( )sim</p><p>Caso sim, registre n° de ordem e/ou nome(s) da(s) pessoa(s): ______________________________________________________</p><p>______________________________________________________________________________________________________</p><p>Algum membro da família faz uso de remédios controlados (tarja preta) para transtornos mentais? ( )não ( )sim</p><p>Caso sim, registre n° de ordem e/ou nome(s) da(s) pessoa(s): ______________________________________________________</p><p>______________________________________________________________________________________________________</p><p>Algum membro da família faz uso abusivo de álcool? (data da anotação:___/___/___): ( )não ( )sim</p><p>60</p><p>Caso sim, registre n° de ordem e/ou nome(s) da(s) pessoa(s) _______________________________________________________</p><p>______________________________________________________________________________________________________</p><p>Algum membro da família faz uso abusivo de crack ou outras drogas (cocaína, maconha, etc)? (data da anotação: ____/____/____ )</p><p>( )não ( )sim Caso sim, registre n° de ordem e/ou nome(s) da(s) pessoa(s) e o(s) tipo(s) de substância(s): _______________</p><p>______________________________________________________________________________________________________</p><p>REGISTRE A PRESENÇA DE GESTANTE(S) NA FAMÍLIA:</p><p>N° DE ORDEM PRIMEIRO NOME QTOS MESES DE GESTAÇÃO JÁ INICIOU PRÉ-NATAL DATA DA ANOTAÇÃO</p><p>( ) SIM ( ) NÃO ____/____/____</p><p>( ) SIM ( ) NÃO ____/____/____</p><p>( ) SIM ( ) NÃO ____/____/____</p><p>( ) SIM ( ) NÃO ____/____/____</p><p>( ) SIM ( ) NÃO ____/____/____</p><p>ANOTAÇÕES SOBRE DESCUMPRIMENTO DE CONDICIONALIDADES DE SAÚDE NO PROGRAMA BOLSA FAMÍLIA</p><p>ANOTAÇÕES SOBRE O DESCUMPRIMENTO DE CONDICIONALIDADE DE SAÚDE NO PROGRAMA BOLSA FAMÍLIA</p><p>N° DE ORDEM DATA DA OCORRÊNCIA</p><p>(MÊS/ANO)</p><p>EFEITO*</p><p>(CÓDIGO)</p><p>SOLICITADA SUSPENSÃO DO</p><p>EFEITO?</p><p>*CÓDIGOS PARA OS EFEITOS GERADOS POR</p><p>DESCUMPRIMENTO DE CONDICIONALIDADES</p><p>___/___ ( ) SIM ( ) NÃO</p><p>1. Advertência</p><p>2. Bloqueio</p><p>3. Suspensão</p><p>4. Cancelamento</p><p>___/___ ( ) SIM ( ) NÃO</p><p>___/___ ( ) SIM ( ) NÃO</p><p>___/___ ( ) SIM ( ) NÃO</p><p>___/___ ( ) SIM ( ) NÃO</p><p>___/___ ( ) SIM ( ) NÃO</p><p>___/___ ( ) SIM ( ) NÃO</p><p>1. Existem ou existiram familiares em privação de liberdade? ( )Não ( ) Sim</p><p>Descrever as situações:</p><p>2. Existem adolescentes em cumprimento de Medidas Socioeducativas?</p><p>( ) Não ( ) Sim ( ) Meio Aberto ( )Meio Fechado</p><p>Descrever dados importantes:</p><p>3. Algum membro da família encontra-se em acolhimento institucional? ( ) Sim ( ) Não</p><p>Descrever dados importantes:</p><p>__________________________________________________________________________________________________</p><p>Responsável Familiar Responsável Familiar Técnicos Responsáveis</p><p>61</p><p>DIAGNÓSTICO FAMILIAR (PARTE II)</p><p>DATA:____/____/____</p><p>1. ESTRUTURA E DINÂMICA FAMILIAR</p><p>1.1Como são os relacionamentos entre os membros de sua família? (Histórico)</p><p>1.2 Quem a família considera como suporte familiar (vínculos comunitários e família ampliada), qual é esse contato?</p><p>62</p><p>2. CONDIÇÕES DE SAÚDE DOS MEMBROS DA FAMÍLIA</p><p>2.1- Existe algum membro da família (quem) com alguma doença (qual) que interfira na dinâmica familiar? De que forma interfere?</p><p>_____________________________________________________________________________________________</p><p>_______________________________________________________________________________________________</p><p>_______________________________________________________________________________________________</p><p>_______________________________________________________________________________________________</p><p>_______________________________________________________________________________________________</p><p>_____________________________________________________________________________</p><p>2.2- Existe algum membro da família (quem) que faz uso de abusivo de cigarro, bebida alcoólica, drogas, jogos etc.? De que</p><p>forma interfere na vida cotidiana (relações sociais, familiares, trabalho, escola)?</p><p>_____________________________________________________________________________________________</p><p>_______________________________________________________________________________________________</p><p>_______________________________________________________________________________________________</p><p>_______________________________________________________________________________________________</p><p>_______________________________________________________________________________________________</p><p>________________________________________________________________________________</p><p>2.3- Existem dificuldades da família para realizar tratamento/acompanhamento de saúde? Quais?</p><p>_____________________________________________________________________________________________</p><p>_______________________________________________________________________________________________</p><p>_______________________________________________________________________________________________</p><p>_______________________________________________________________________________________________</p><p>_______________________________________________________________________________________________</p><p>________________________________________________________________________________</p><p>2.4- Em caso de necessidade de medicação, como se dá o acesso? A medicação é concedida por órgãos públicos?</p><p>_____________________________________________________________________________________________</p><p>_______________________________________________________________________________________________</p><p>_______________________________________________________________________________________________</p><p>_______________________________________________________________________________________________</p><p>_______________________________________________________________________________________________</p><p>________________________________________________________________________________</p><p>2.5- Existe algum membro da família que devido ao infância/ envelhecimento / doença mental / deficiência necessite de</p><p>cuidados constantes de outras pessoas? Como essa situação interfere na dinâmica da família?</p><p>_____________________________________________________________________________________________</p><p>_______________________________________________________________________________________________</p><p>_______________________________________________________________________________________________</p><p>_______________________________________________________________________________________________</p><p>_______________________________________________________________________________________________</p><p>________________________________________________________________________________</p><p>2.6- Existe algum membro da família com algum tipo de deficiência? Indique qual tipo de deficiência e como interfere na dinâmica familiar.</p><p>_____________________________________________________________________________________________</p><p>_______________________________________________________________________________________________</p><p>_______________________________________________________________________________________________</p><p>_______________________________________________________________________________________________</p><p>_______________________________________________________________________________________________</p><p>________________________________________________________________________________</p><p>63</p><p>2.7- Existem pessoas gestantes na família? Faz acompanhamento médico? Como essa situação interfere na dinâmica familiar?</p><p>_____________________________________________________________________________________________</p><p>_______________________________________________________________________________________________</p><p>_______________________________________________________________________________________________</p><p>_______________________________________________________________________________________________</p><p>_______________________________________________________________________________________________</p><p>________________________________________________________________________________</p><p>2.8- Relacione os equipamentos da saúde de referência da família. Quais as dificuldades encontradas no acesso à rede de</p><p>atendimento da saúde?</p><p>_____________________________________________________________________________________________</p><p>_______________________________________________________________________________________________</p><p>_______________________________________________________________________________________________</p><p>_______________________________________________________________________________________________</p><p>_______________________________________________________________________________________________</p><p>________________________________________________________________________________</p><p>3.DADOS RELATIVOS À EDUCAÇÃO</p><p>3.1- Como é a relação da família com a escola? Existe alguma dificuldade com relação à frequência, rendimento, abandono</p><p>(evasão escolar), expulsão (transferência compulsória) e outras?</p><p>_____________________________________________________________________________________________</p><p>_______________________________________________________________________________________________</p><p>_______________________________________________________________________________________________</p><p>_______________________________________________________________________________________________</p><p>_______________________________________________________________________________________________</p><p>________________________________________________________________________________</p><p>3.2- A família encontra dificuldade para realizar a inclusão de pessoas com deficiência e/ou adolescentes em medida socio-</p><p>educativa na rede regular de ensino? Especifique:</p><p>_____________________________________________________________________________________________</p><p>_______________________________________________________________________________________________</p><p>_______________________________________________________________________________________________</p><p>_______________________________________________________________________________________________</p><p>_______________________________________________________________________________________________</p><p>_______________________________________________________________________________________________</p><p>_______________________________________________________________________________________________</p><p>_____________________________________________________________________________________</p><p>4. SITUAÇÃO DE TRABALHO</p><p>4.1- Tem vinculação com o mercado de trabalho?</p><p>_____________________________________________________________________________________________</p><p>_______________________________________________________________________________________________</p><p>_______________________________________________________________________________________________</p><p>_______________________________________________________________________________________________</p><p>_______________________________________________________________________________________________</p><p>________________________________________________________________________________</p><p>4.2- Em caso de desemprego ou ausência de atividade remunerada:</p><p>_____________________________________________________________________________________________</p><p>_______________________________________________________________________________________________</p><p>_______________________________________________________________________________________________</p><p>_______________________________________________________________________________________________</p><p>_______________________________________________________________________________________________</p><p>________________________________________________________________________________</p><p>64</p><p>4.3-- Ao que a família atribui essa circunstância? E a mudança de situação.</p><p>_____________________________________________________________________________________________</p><p>_______________________________________________________________________________________________</p><p>_______________________________________________________________________________________________</p><p>_______________________________________________________________________________________________</p><p>_______________________________________________________________________________________________</p><p>________________________________________________________________________________</p><p>4.4-- A situação de trabalho e renda dos membros da família é suficiente para sua manutenção? Sim ou não? Por quê?</p><p>_____________________________________________________________________________________________</p><p>_______________________________________________________________________________________________</p><p>_______________________________________________________________________________________________</p><p>_______________________________________________________________________________________________</p><p>_______________________________________________________________________________________________</p><p>________________________________________________________________________________</p><p>4.5-- Alguém da família frequenta ou já frequentou algum curso profissionalizante? Tem interesse em fazer algum curso?</p><p>Identifique quem e em qual área.</p><p>_____________________________________________________________________________________________</p><p>_______________________________________________________________________________________________</p><p>_______________________________________________________________________________________________</p><p>_______________________________________________________________________________________________</p><p>_______________________________________________________________________________________________</p><p>________________________________________________________________________________</p><p>5. DESPROTEÇÕES SOCIAIS</p><p>(*) Tipos de violações de direitos e/ou violência(s) identificada(s) segundo tipificação nacional dos serviços socioassistenciais:</p><p>Violência Física</p><p>Violência sexual, abuso e/ou exploração sexual</p><p>Violência psicológica</p><p>Negligência</p><p>Afastamento do convívio familiar devido à aplicação de medida de proteção</p><p>Situação de rua e mendicância com manutenção dos vínculos familiares</p><p>Abandono</p><p>Discriminação em decorrência da orientação sexual e/ou raça/etnia</p><p>Descumprimento de condicionalidades do Bolsa Família e PETI em decorrência de situações de risco pessoal e social</p><p>Cumprimento de medidas socioeducativas em meio aberto de Liberdade Assistida e de Prestação de Serviços à Comunidade por</p><p>adolescentes</p><p>Trabalho infantil</p><p>Outras formas de violação de direitos decorrentes de : discriminações, submissões, situações que provocam danos e agravos à</p><p>sua condição de vida e os impedem de usufruir autonomia e bem estar</p><p>Tráfico de pessoas</p><p>65</p><p>(GERAL):</p><p>Violação de direitos confirmada pela família</p><p>Violência doméstica trasnsgeracional. Qual?</p><p>Transtorno mental diagnosticado? Qual? Quem?</p><p>Doença crônica ou deficiência diagnosticada? Qual? Quem?</p><p>Uso frequente, abusivo ou dependência de substâncias psicoativas pelos responsáveis. Qual?</p><p>Família não incluída ou com dificuldade de vinculação à rede institucional.</p><p>Família procedente de outro serviço da Proteção Social Especial? Qual?</p><p>Histórico de acolhimento familiar ou institucional.</p><p>Histórico de separação conjugal conflituosa.</p><p>Histórico de violência de gênero entre os responsáveis.</p><p>Existência de conflitos familiares intensos.</p><p>Família monoparental.</p><p>Convivência de vários familiares na mesma unidade habitacional, terreno ou vizinhança.</p><p>Renda familiar insuficiente para garantir a subsistência.</p><p>Envolvimento de familiar com o crime.</p><p>Desaparecimento de algum membro da família.</p><p>Morte e/ou perda significativa recente.</p><p>Presença de cicatrizes e/ou sequelas decorrentes da violência física e/ou sexual sofrida</p><p>Situação de confinamento</p><p>Violência fatal</p><p>Violência patrimonial</p><p>Exploração financeira</p><p>Tentativa de suicídio e/ou ideação suicida</p><p>Autonegligência</p><p>Isolamento</p><p>Dano social e/ou financeiro por uso abusivo de álcool e outras drogas (SPA)</p><p>ESPECÍFICO CRIANÇA/ADOLESCENTE:</p><p>Violência física severa contra criança/adolescente</p><p>Negligência com bebê ou crinaça/adolescente com deficiência e/ou doença crônica</p><p>Indicadores de exploração sexual de criança/adolescente</p><p>Tentativa de suicídio ou ideação suicida pela criança/adolescente</p><p>Violação de direitos confirmada pela(o) criança/adolescente</p><p>Criança/adolescente com exacerbação da sexualidade</p><p>Criança/adolescente com exacerbação da agressividade</p><p>Uso (atual ou pregresso) de substâncias psicoativas pela criança/adolescente</p><p>Não observância de regras/limites pela criança/adolescente no ambiente familiar</p><p>66</p><p>Criança/adolescente circula, habitualmente, pelas ruas sem supervisão de adulto</p><p>Criança/adolescente pernoita fora de casa, sem a autorização dos responsáveis</p><p>Histórico de fugas de casa pela criança/adolescente</p><p>Não observância de regras/limites pela criança/adolescente no ambiente escolar</p><p>Criança/adolescente com número excessivo de faltas na escola</p><p>Evasão escolar da criança/adolescente</p><p>Gravidez na adolescência</p><p>Criança/adolescente sem situação de mendicância</p><p>Adolescente autor de ato infracional. Cumpre medida?</p><p>( )sim ( )não Qual? ( )LA ( )PSC</p><p>Responsável em situação de mendicância</p><p>Histórico de adoção</p><p>Disputa pela guarda da criança/adolescente</p><p>Família de prole numerosa (a partir de 3 filhos)</p><p>Família constituída por filhos de diferentes relacionamentos dos genitores</p><p>Envolvimento de responsável com a prostituição</p><p>Responsável cumprindo pena ou egresso do sistema prisional</p><p>Histórico de mudança ou alternância de guarda da criança/adolescente</p><p>ESPECÍFICO VIOLÊNCIA DE GÊNERO</p><p>Histórico de repetidas separações e reconciliações entre o casal</p><p>Relatos frequentes de ameaça de morte</p><p>Presença de arma de fogo em casa</p><p>Passividade de mulher diante da situação de violência vivida (esperança de mudança do companheiro agressor)</p><p>Não reconhecimento da situação vivida como violência</p><p>Ausência de reação/postura de proteção em relação à família</p><p>ESPECÍFICO PARA PESSOA IDOSA E PESSOA COM DEFICIÊNCIA</p><p>Renda da pessoa idosa/PCD é a única da família</p><p>A pessoa reside sozinha</p><p>Sobrecarga física e/ou emocional do cuidador</p><p>Relação conflituosa com pessoa referência de cuidados</p><p>Falta de apoio familiar, social e financeiro</p><p>Dificuldade de acesso à pessoa idosa ou PCD</p><p>Ausência de referência familiar e/ou de rede social significativa para os cuidados com a pessoa idosa ou PCD</p><p>Curatela</p><p>( )Ausência ( )Disputa</p><p>67</p><p>ESPECÍFICO PARA PESSOA LGBT</p><p>Falta de apoio familiar e social</p><p>Dificuldade de inclusão e/ou vinculação à rede de proteção social</p><p>Dificuldade de inserção no mercado de trabalho</p><p>Não aceitação da Identidade de Gênero e/ou Orientação Sexual</p><p>( )pelo usuário ( )pela família</p><p>Dificuldade em ter o Nome Social respeitado</p><p>Vínculo Familiar rompido ou extremamente fragilizado</p><p>CONSIDERAÇÕES DO SERVIÇO SOCIAL</p><p>CONSIDERAÇÕES DA PSICOLOGIA</p><p>68</p><p>CONSIDERAÇÕES DO DIREITO</p><p>ANÁLISE TÉCNICA(PARTE III)</p><p>DATA:____/____/____</p><p>1. ESTRUTURA E DINÂMICA FAMILIAR</p><p>1.1 Com base nas informações obtidas, como o técnico caracteriza a família?</p><p>( ) Família Nuclear</p><p>( ) Família Unipessoal</p><p>( ) Família Monoparental Feminina</p><p>( ) Família Monoparental Masculina</p><p>( ) Família Reconstituída</p><p>( ) Família Homoafetiva</p><p>( ) Família Ampliada ou extensa</p><p>( ) Família Convivente</p><p>1.2 Com base nos dados de diagnóstico, sintetize as fragilidades</p><p>identificadas na família:</p><p>( ) Ausência de definição de papéis de proteção, cuidado e responsabilidade entre os membros.</p><p>Especificar: ____________________________________________________________________________</p><p>( ) Famílias com baixa afetividade e comunicação entre outros membros.</p><p>( ) Fragilidade ou ausência de vínculos comunitários e baixa capacidade de sociabilidade</p><p>( ) Fragilidade de vínculos em função de dificuldades financeiras</p><p>( ) Interferência na dinâmica familiar decorrente do uso de álcool/droga.</p><p>Especificar: ____________________________________________________________________________</p><p>( ) Fragilidade de vínculos decorrente de Acolhimento/Institucionalização/Internação.</p><p>Especificar:____________________________________________________________________________</p><p>( ) Outros – Especificar:</p><p>69</p><p>1.3- A convivência familiar/comunitária coloca em risco a integridade física ou psíquica de algum membro da família? Por quê?</p><p>_____________________________________________________________________________________________</p><p>_______________________________________________________________________________________________</p><p>_______________________________________________________________________________________________</p><p>_______________________________________________________________________________________________</p><p>1.4- Como se dá a resolução dos problemas que surgem na família?</p><p>_____________________________________________________________________________________________</p><p>_______________________________________________________________________________________________</p><p>_______________________________________________________________________________________________</p><p>_______________________________________________________________________________________________</p><p>1.5- Quais as potencialidades identificadas na dinâmica familiar?</p><p>_____________________________________________________________________________________________</p><p>_______________________________________________________________________________________________</p><p>_______________________________________________________________________________________________</p><p>_______________________________________________________________________________________________</p><p>1.6- Com base nos dados já obtidos e nas consultas aos serviços utilizados pela família, quais as principais questões obser-</p><p>vadas pelo técnico, que interferem na dinâmica familiar e que necessitem de encaminhamentos e/ou intervenção?</p><p>_____________________________________________________________________________________________</p><p>_______________________________________________________________________________________________</p><p>_______________________________________________________________________________________________</p><p>_______________________________________________________________________________________________</p><p>________________________________________________________________________</p><p>2. QUADRO SÍNTESE DAS POTENCIALIDADES DA FAMÍLIA</p><p>2.1- Situações observadas e/ou constatadas no núcleo familiar que se constituem potencialidades para a família:</p><p>Organização dos membros da família em função de algum objetivo coletivo.</p><p>Percepção do grupo familiar/indivíduo como pessoas com direitos e deveres.</p><p>Inserção e participação comunitária (vínculo de pertencimento).</p><p>Reconhecimento do grupo familiar/indivíduo com capaz de mudanças.</p><p>Reconhecimento de habilidades do grupo familiar/indivíduo para desenvolvimento de atividade produtiva.</p><p>Apoio da rede primária (parentes, amigos, vizinhos, colegas de trabalho) ao grupo familiar.</p><p>Manutenção dos vínculos de solidariedade no auxílio mútuo dos membros da comunidade.</p><p>Criança e adolescente fora da escola.</p><p>Outras. Especifique:</p><p>70</p><p>EIXOS PRAZO DE</p><p>EXECUÇÃO DAS</p><p>METAS (CURTO/</p><p>MÉDIO/LONGO)</p><p>AÇÃO OBJETIVO 1º MONITO-</p><p>RAMENTO</p><p>2º. MONITO-</p><p>RAMENTO</p><p>3º. MONITO-</p><p>RAMENTO</p><p>4º. MONIT-</p><p>ORAMENTO</p><p>5º. MONIT-</p><p>ORAMENTO</p><p>APONTA-</p><p>MENTOS</p><p>FINAIS</p><p>SAÚDE</p><p>EDUCAÇÃO</p><p>TRABALHO</p><p>SOCIOCULTURAL/</p><p>LAZER E ESPORTE</p><p>SERVIÇOS</p><p>SOCIOASSISTENCIAIS</p><p>DOCUMENTAÇÃO</p><p>ORIENTAÇÃO JURÍDICA</p><p>HABITAÇÃO</p><p>CONVIVÊNCIA FAMILIAR E</p><p>COMUNITÁRIA</p><p>PROGRAMAS E BENEFICIOS</p><p>ASSISTENCIAIS</p><p>3. PLANO DE METAS (POR EIXOS)</p><p>Declaração: De acordo com o plano descrito acima, tomo ciência das metas e das atividades a serem desenvolvidas.</p><p>_______________________________________________</p><p>RESPONSÁVEL FAMILIAR OUTROS FAMILIARES</p><p>_______________________________________________</p><p>ASSINATURAS DOS PROFISSIONAIS</p><p>normativas nacionais.</p><p>No Capítulo II, Antunes, Lima, Lourenço, Moraes & Oliveira, apresentam “As Contribuições do/a Assistente Social para os serviços socio-</p><p>assistenciais do CREAS de Andradina”. Propõem apresentar a sistematização do trabalho profissional dos/das assistentes sociais lotados</p><p>na unidade do CREAS de Andradina, cuja preocupação é como arcabouço teórico-metodológico, ético-político e técnico-operativo utilizado</p><p>no cotidiano institucional. Tratam a temática densa e complexa, sob os alicerces da profissão do Assistente Social, percorrendo a história</p><p>profissional e a política de assistência em nosso país, em particular, com foco no SUAS/CREAS. Voltam o olhar para o usuário do CREAS,</p><p>objetivando alinhavar o significado do acesso ao direito para usuários da proteção social especial de média complexidade. Assim, os autores</p><p>delineiam normativas, técnicas e metodologias voltadas a este público visando a promoção de direitos, a preservação e fortalecimento de</p><p>vínculos familiares e comunitários e função protetiva das famílias, e ainda, evitando-se a revitimização, culpabilização e processos de morali-</p><p>zação. Os autores debruçam-se ainda exaustivamente para a sistematização da prática do Assistente Social no CREAS.</p><p>No Capítulo III, Capucho, Leal, Piovesan e Ribeiro expõem “As Contribuições da Psicologia para os serviços socioassistenciais do CREAS de</p><p>Andradina”. Têm como objetivo principal, descrever as principais contribuições da profissão do psicólogo no campo da proteção social especial de</p><p>média complexidade. É a partir do resgate histórico do CREAS de Andradina que as autoras apresentam a inserção da psicologia como profissão</p><p>que compõe as equipes de atendimento no CREAS, trazendo à luz, considerações teóricas, focos de atendimento e prática profissional. O percurso</p><p>traçado pelas autoras viaja em cada tipo de serviço oferecido aos usuários e leva o leitor a se envolver com as peculiaridades de cada demanda, mé-</p><p>todos, técnicas e organização do trabalho. Discorrem sobre as competências e atribuições da psicologia nos serviços socioassistenciais do CREAS</p><p>de Andradina, esmiuçando cada demanda e suas especificidades: Serviço de Proteção e Atendimento Especializado para crianças e adolescente e</p><p>suas Famílias (PAEFI); Serviço de Proteção e Atendimento Especializado a pessoas adultas e suas famílias; Cumprimento de Medida Socioeducativa</p><p>em Meio Aberto; e Serviço de Proteção Social Especial para Pessoas com Deficiência, Idosas e suas Famílias.</p><p>No Capítulo IV, Pereira delineia “As Contribuições do Direito para os serviços socioassistenciais do CREAS de Andradina”. Apresenta o exercício</p><p>da advocacia, do ponto de vista constitucional, como sendo indispensável ao funcionamento do poder judiciário. No entanto, a autora, analisando</p><p>normativas e legislação, constata que não há no momento regulamentação da atuação do advogado no SUAS. Discorre ainda sobre o histórico da</p><p>obrigatoriedade do advogado no CREAS e de sua atuação no SUAS e composição da equipe técnica do CREAS, lembrando que a parceria multiprofis-</p><p>sional do advogado com os Assistentes Sociais e Psicólogos proporciona interação da assistência social com as demais políticas públicas setoriais.</p><p>Como psicóloga, gostaria ainda de discorrer sobre o percurso da Psicologia no SUAS, já que o Sistema Único de Assistência Social inaugurou para a psi-</p><p>cologia uma frente de trabalho única e institucionalizada, que até então não se havia estruturado. O compromisso social da psicologia se materializa no SUAS,</p><p>trazendo à práxis da psicologia de forma contextualizada com as normativas e teorias da psicologia, associada ao contexto multiprofissional.</p><p>Hoje a psicologia é a segunda profissão de nível superior no SUAS, atrás apenas do Serviço Social, e ainda, a psicologia no SUAS é a segunda ativi-</p><p>dade de inserção profissional dos psicólogos, atrás apenas da tradicional área clínica. Desta forma o campo social mostra a sua força para atuação do</p><p>psicólogo e demanda de criação e transformação para uma prática da psicologia ancorada em conceitos teóricos e pragmática ética associada.</p><p>Finalizando, analisa-se que a presente obra apresenta o caminho histórico de construção do CREAS de Andradina, o qual se confunde com</p><p>a edificação e implementação do SUAS no Brasil. Nitidamente é uma construção de um trabalho ancorado em bases teóricas/técnicas sólidas e</p><p>objetivos institucionais elencados desde a Constituição cidadã de 1988.</p><p>Parabéns aos autores e ao Município pela iniciativa!</p><p>Araçatuba/SP, Junho de 2019.</p><p>Cássia Regina de Souza Preto</p><p>Psicóloga do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo. Araçatuba/SP.</p><p>Mestranda em Psicologia e Saúde pela FAMERPQ/SP.</p><p>Psicóloga formada pela UEL/ PR.</p><p>10</p><p>SUMÁRIO</p><p>CAPÍTULO I</p><p>A Política de Assistência Social e a oferta de Proteção Social de média</p><p>complexidade: O município de Andradina em movimento</p><p>Thiago Agenor</p><p>[...] CREAS é um lugar que a gente pode contar. (Depoimento de usuária)1.</p><p>Iniciamos o presente capítulo com uma pequena parte do depoimento de uma usuária atendida pelo CREAS na cidade de Andradina, interior</p><p>de São Paulo. No trecho escolhido, observamos uma significativa expressão do CREAS em sua vida, bem como, a referência provocada pela</p><p>existência deste equipamento na vida da população usuária dos serviços ofertados. A expressão “pode contar” é fruto de um campo de prote-</p><p>ção social construído na política de assistência social2, principalmente após a instalação do SUAS – Sistema Único de Assistência Social, com</p><p>a promulgação da PNAS/2004 e as inúmeras legislações, normativas e orientações técnicas posteriormente publicadas, ao mesmo tempo que</p><p>alargaram-se o rol de proteção social afiançada pela assistência social, foi capaz de definir uma identidade para a assistência social brasileira,</p><p>que sempre foi um campo para filantropia, caridade, solidariedade para a classe trabalhadora pobre.</p><p>Nesse sentido, a expressão cunhada pela usuária protagoniza o eixo estruturador da política de assistência social que é a “proteção social”,</p><p>pois de acordo com Sposati:</p><p>Proteção social - o sentido de proteção (protectione do latim) supõe antes de mais nada tomar a defesa de algo, impedir sua destruição, sua alteração. Nesse sentido a</p><p>ideia de proteção contém um caráter preservacionista – não da precariedade, mas da vida – supõe apoio, guarda, socorro e amparo. Este sentido preservacionista é que exige</p><p>tanto as noções de segurança social como de direitos sociais. (2009, p. 21)</p><p>Ao concordarmos com tal afirmação, passamos a compreender a direção do campo objeto da assistência social, como sendo a responsabi-</p><p>lidade do Estado brasileiro, vem assumindo na oferta de seguranças sociais (rendimento, acolhida e convívio)3 a serem afianças pelos serviços,</p><p>programas, projetos e benefícios na operacionalidades das proteções sociais básica e especial (média e alta complexidade). O desafio colocado</p><p>nos últimos tempos é de que maneira a operacionalidade das seguranças sociais são traduzidas em ações pelas unidades socioassistenciais,</p><p>bem como, compreender como os profissionais inseridos nesses processos reconhecem a defesa da política de assistência social enquanto di-</p><p>reito, não mais como favor, sobretudo, materializar os seus saberes na oferta da proteção social básica e especial (média e alta complexidade).</p><p>A compreensão é de que o sistema através de proteção básica e especial disciplinou o campo de atendimento aos indivíduos e as suas famí-</p><p>lias, incluindo uma classificação entre os fatores de vulnerabilidade e risco social. Tal classificação não foi operada apenas como uma divisão,</p><p>mas a compreensão de que no campo da assistência social é preciso conhecimentos diferentes para a operacionalidade das ações, princi-</p><p>palmente nos CRAS – Centro de Referência de Assistência Social e nos CREAS – Centro de Referência Especializado de Assistência Social.</p><p>Tais equipamentos têm objetivos complementares (por essa razão, também são diversos), para tanto, ofertam serviços, programas, projetos</p><p>1. Depoimento de uma</p><p>usuária do CREAS, gravado pela equipe de comunicação da Prefeitura Municipal de Andradina em parceria com a equipe técnica, em dezembro de</p><p>2018, objetivando a avaliação do equipamento socioassistencial a partir das percepções dos usuários. Tal procedimento ocorreu após convite pela equipe as famílias</p><p>atendidas pelo CREAS e lavrado termo de consentimento. Todo o documentário pode ser acessado no site da prefeitura, acessando: www.andradina.sp.gov.br</p><p>2. Sposati (p. 28) nos ensina que: “A assistência social, por seu turno, foi delineada, pela CF/88, como uma política de benefícios e de serviços. Um mix que não s apresenta</p><p>na previdência ou na saúde. Essa dupla dimensão exige capacidade gerencial inédita, no âmbito dessa assistência social pública inaugurada pela CF/88 e também coloca</p><p>em questão as duas alternativas de proteção social, a monetária e a de cuidados por meio de serviços sociais, no âmbito de uma só política social”. Diante do exposto,</p><p>afirmo que no trabalho social do CREAS os profissionais colocam em movimento o acesso aos benefícios e serviços, visando afiançar as seguranças sociais instituídas</p><p>pela PNAS/2004, sendo assim, ao ser atendido, os sujeitos e suas famílias devem acessar os direitos socioassistenciais perante a unidade. Nesse mesmo sentido, de-</p><p>vemos reconhecer que não cabe a assistência social, em nenhuma de suas unidades ser “um balcão de encaminhamentos”, isto por sua vez, não implica a necessidade</p><p>de trabalho em rede.</p><p>3. A segurança de rendimentos não é uma compensação do valor do salário mínimo inadequado, mas a garantia de que todos tenham uma forma monetária de garantir</p><p>sua sobrevivência, independentemente de suas limitações para o trabalho ou do desemprego. É o caso de pessoas com deficiência, idosos, desempregados, famílias</p><p>numerosas, famílias desprovidas das condições básicas para sua reprodução social em padrão digno e cidadão. Por segurança da acolhida, entende-se como uma das</p><p>seguranças primordiais da política de assistência social. Ela opera com a provisão de necessidades humanas que começa com os direitos à alimentação, ao vestuário</p><p>e ao abrigo, próprios à vida humana em sociedade. A conquista da autonomia na provisão dessas necessidades básicas é a orientação desta segurança da assistência</p><p>social. É possível, todavia, que alguns indivíduos não conquistem por toda a sua vida, ou por um período dela, a autonomia destas provisões básicas, por exemplo, pela</p><p>idade – uma criança ou um idoso –, por alguma deficiência ou por uma restrição momentânea ou contínua da saúde física ou mental. Outra situação que pode demandar</p><p>acolhida, nos tempos atuais, é a necessidade de separação da família ou da parentela por múltiplas situações, como violência familiar ou social, drogadição, alcoolismo,</p><p>desemprego prolongado e criminalidade. Podem ocorrer também situações de desastre ou acidentes naturais, além da profunda destituição e abandono que demandam</p><p>tal provisão. A segurança da vivência familiar ou a segurança do convívio é uma das necessidades a ser preenchida pela política de assistência social. Isto supõe a não</p><p>aceitação de situações de reclusão, de situações de perda das relações. É próprio da natureza humana o comportamento gregário. É na relação que o ser cria sua iden-</p><p>tidade e reconhece a sua subjetividade. A dimensão societária da vida desenvolve potencialidades, subjetividades coletivas, construções culturais, políticas e, sobretudo,</p><p>os processos civilizatórios. As barreiras relacionais criadas por questões individuais, grupais, sociais por discriminação ou múltiplas inaceitações ou intolerâncias estão</p><p>no campo do convívio humano. A dimensão multicultural, intergeracional, interterritoriais, intersubjetivas, entre outras, devem ser ressaltadas na perspectiva do direito ao</p><p>convívio. (BRASIL/MDS/PNAS, 2004, p. 31-32). (GRIFOS MEUS).</p><p>11</p><p>e benefícios, bem como, são unidades que organizam, referenciam e são portas de entradas para as unidades territorialmente localizadas4.</p><p>Tendo em vista a atender os novos parâmetros para a organização do SUAS o município de Andradina passou inicialmente a implantar o</p><p>CRAS5 e frente ao processo de municipalização das medidas socioeducativas entre os períodos de 2007 e 2008, que anteriormente era efetu-</p><p>ado pelo Estado conveniado com uma unidade assistencial, passa a requisitar da gestão local uma atenção melhor para os adolescentes em</p><p>cumprimento de medida socioeducativa em meio aberto e suas famílias. No processo de municipalização6 os estagiários de Serviço Social</p><p>do 3º. Ano passaram a ser denominados como “educadores” e supervisionados por uma profissão realizavam os atendimentos individuais e</p><p>grupais aos adolescentes e suas famílias7.</p><p>Entretanto a situação necessariamente precisava de uma profissionalização, e em âmbito nacional existia uma mobilização perante as novas</p><p>configurações para o atendimento a proteção social especializada, frente às diversas situações de violações de direitos e seus riscos pessoais</p><p>e sociais:</p><p>O conceito de risco é utilizado em diversas áreas do conhecimento e tem aplicação distinta no âmbito de diversas políticas públicas, tais como, saúde, meio ambiente,</p><p>segurança etc. Via de regra, a operacionalização do conceito visa identificar a probabilidade ou a iminência de um evento acontecer e, consequentemente, está arti-</p><p>culado com a disposição ou capacidade de antecipar-se para preveni-lo, ou de organizar-se para minorar seus efeitos, quando não é possível evitar sua ocorrência.</p><p>Sendo assim, a aplicação do conceito de risco está necessariamente associada à pré-definição de um evento (ou de um certo conjunto de eventos), tendo em vista a</p><p>peculiaridade de cada área. A adoção desta perspectiva não exclui, obviamente, a necessidade de compreensão das dimensões culturais ou subjetivas por meio da qual os</p><p>indivíduos e a sociedade reconhecem, avaliam e valoram os riscos. [...]Para a Assistência Social, portanto, a operacionalização do conceito risco exige a definição do conjunto</p><p>de eventos em relação aos quais lhe compete diretamente desenvolver esforços de prevenção ou de enfrentamento para redução de seus agravos. [...] Em relação a tais</p><p>eventos é necessário desenvolver estudos que permitam algum tipo de mensuração e monitoramento da sua incidência ou da probabilidade de sua ocorrência. [...] Desta</p><p>maneira, com base na PNAS é possível definir que, no âmbito de atuação da Assistência Social, constituem situações de riscos a incidência, ou a probabilidade de ocorrência,</p><p>dos seguintes eventos que devem ser prevenidos ou enfrentados: (BRASIL/MDS, 2014, p. 11). (GRIFOS MEUS)</p><p>Nesse sentido, não são todas as situações de risco que são objeto da atenção pela assistência social, isto é, especificadamente são situa-</p><p>ções de violações de direitos tais como:</p><p>• situações de violência intrafamiliar; negligência; maus tratos; violência, abuso ou exploração sexual; trabalho infantil; discriminação por gênero, etnia ou qualquer outra condição</p><p>ou identidade; • situações que denotam a fragilização ou rompimento de vínculos familiares ou comunitários, tais como: vivência em situação de rua; afastamento de crianças e</p><p>adolescentes do convívio familiar em decorrência de medidas protetivas; atos infracionais de adolescentes com consequente aplicação de medidas socioeducativas; privação do con-</p><p>vívio familiar ou comunitário de idosos, crianças ou pessoas com deficiência em instituições de acolhimento; qualquer outra privação do convívio comunitário vivenciada por pessoas</p><p>dependentes (crianças, idosos, pessoas com deficiência), ainda que residindo com a própria família.(BRASIL/MDS, 2014, p.11).</p><p>Um marco no campo da proteção especializada ocorreu à implantação do programa sentinela em dezembro de 2001, através da portaria</p><p>nº. 878/2001, e sua implantação iniciada em 2002, soba responsabilidade da extinta SEAS – Secretaria de Estado de Assistência Social, do</p><p>Ministério da Previdência e Assistência Social, cujo objetivo estava em atender crianças e adolescentes vitimados pela violência, enfatizando</p><p>o</p><p>abuso e a exploração sexual, em centros especializados, porém apenas alguns municípios do país receberam a possibilidade de implantação do</p><p>referido programa, no qual a partir de 2006 foi incorporado ao CREAS, trazendo uma expansão para muitos municípios brasileiros, requisitando</p><p>uma tipificada ação com rumos ao trabalho social.</p><p>O município de Andradina, em junho de 2008, foi contemplado com o repasse do Piso Fixo de Média Complexidade para a implantação do</p><p>Centro de Referência Especializado de Assistência Social- CREAS, para atendimento de indivíduos e famílias que sofreram violações de direi-</p><p>tos8, onde os vínculos familiares não foram rompidos, sendo assim, a gestão local estabeleceu prioridades para a instalação do equipamento</p><p>na centralidade dos atendimentos e acompanhamentos.</p><p>O CREAS surgiu com o intuito de atender as demandas propostas pelo Ministério do Desenvolvimento Social – MDS em consonância com</p><p>4. Esse é um desafio posto no trabalho social das unidades dos CRAS e CREAS, tendo em vista, a não existência de fluxos e protocolos nos diversos municípios do país para</p><p>a realização de ações de referenciamento. Em uma observação empírica, observo inúmeras ações repetidas no âmbito das unidades. É preciso que os gestores incluam</p><p>em suas responsabilidades a organização de ações que estabeleçam as unidades de CRAS e CREAS como unidades de portas de entradas e saídas. Algumas experiências</p><p>exitosas compartilham com tal perspectiva, porém isso é apenas de decisão dos gestores/trabalhadores municipais. É necessário (e urgente) o compartilhamento de</p><p>decisão em nível nacional.</p><p>5. Ao longo dos anos foram implantadas três unidades de CRAS, denominados CRAS 1, CRAS2 e CRAS 3, subdivididos a partir de uma lógica territorial de bairros. Obser-</p><p>va-se que a divisão central ocorre pela linha férrea de trem, que perpassa pela cidade e simbolicamente marca a separação.</p><p>6. Importante ressaltar que o processo de municipalização ocorreu gradativamente, passando desde os códigos de menores ao estatuto da criança e adolescente por debates, emba-</p><p>tes e mobilizações dos movimentos sociais em prol a proteção de crianças e adolescentes. A contradição, gerada e mobilizada por conflitos é sempre necessária a ordem vigente.</p><p>7. Hoje reconhece-se tal prática é incorreta perante as legislações e normativas no campo do estágio e a partir de articulações juntamente com o Ministério Público e Poder</p><p>Judiciário ficou garantido uma equipe mínima formada por assistente social e psicólogo para a realização do trabalho social.</p><p>8. Para o desenvolvimento do trabalho profissional, as violações de direitos são tidas como expressões e manifestações da questão social, oriundas do processo de produ-</p><p>ção e reprodução do capitalismo. Por isto “[...] Cabe ressaltar que a própria natureza da “questão social”, cujas expressões e desdobramentos possuem aparência difusa</p><p>e polimórfica, traz para o Serviço Social (e para as demais profissões que com suas sequelas trabalham) segundo Netto, inúmeras dificuldades em reconhecê-las como</p><p>fazendo parte de uma totalidade. Cada caso parece ser um caso, que exige uma conduta e uma postura diferenciadas, geralmente devendo ser pautadas sobre modelos</p><p>preestabelecidos. São exatamente estes modelos que unidos a critérios, normas e protocolos de procedimentos parecem conferir homogeneidade a ação profissional”.</p><p>(ORTIZ, 2010, p. 131).</p><p>12</p><p>o Sistema Único da Assistência Social - SUAS, ofertando os seguintes serviços: Serviço de proteção e atendimento especializado à família e</p><p>indivíduos (PAEFI), Serviço especializado em abordagem social, Serviço de proteção social a adolescentes em cumprimento de medida so-</p><p>cioeducativa de Liberdade Assistida e Prestação de Serviço à Comunidade, Serviço de proteção social especial para pessoas com deficiência,</p><p>idosos e suas famílias e Serviço especializado para pessoas em situação de rua.</p><p>A atuação do CREAS compreende a oferta de serviço de apoio, orientação e acompanhamento à família com um ou mais de seus membros</p><p>em situação de ameaça ou violação de direitos. Compreende atenções e orientações direcionadas para a promoção de direitos, a preservação</p><p>e o fortalecimento de vínculos familiares, comunitários e sociais para o fortalecimento da função protetiva das famílias diante do conjunto de</p><p>condições que as vulnerabilizam e/ou as submetam à situação de risco pessoal e social.</p><p>A abrangência da Proteção Social Especial tem por base o território, de acordo com sua complexidade, respeitada a diversidade nacional,</p><p>estadual e local, diante disso no ano de 2017 iniciou-se na unidade CREAS - Andradina um processo de reordenamento institucional, passando</p><p>a ter a existência dos seguintes serviços socioassistenciais:</p><p>a) Serviço de Proteção e Atendimento Especializado a crianças e adolescentes e suas Famílias (PAEFI): Serviço de apoio, orientação e</p><p>acompanhamento sistematizado e especializado de crianças, adolescentes e suas respectivas famílias com um ou mais de seus membros em</p><p>situação de ameaça ou violação de direitos. (BRASIL/MDS, 2009).</p><p>b) Serviço de Proteção e Atendimento Especializado a pessoas adultas e suas Famílias (PAEFI): Serviço de apoio, orientação e acompanha-</p><p>mento sistematizado e especializado de pessoas adultas e suas respectivas famílias com um ou mais de seus membros em situação de ameaça</p><p>ou violação de direitos. (BRASIL/MDS, 2009).</p><p>c) Serviço Especializado em Abordagem Social:9 Serviço ofertado, de forma continuada e programada, com a finalidade de assegurar trabalho</p><p>social de abordagem e busca ativa que identifique, nos territórios, a incidência de trabalho infantil, exploração sexual de crianças e adolescentes,</p><p>situação de rua, dentre outras. Deverão ser consideradas praças, entroncamento de estradas, fronteiras, espaços públicos onde se realizam</p><p>atividades laborais, locais de intensa circulação de pessoas e existência de comércio, terminais de ônibus, trens, metrô e outros. (BRASIL/</p><p>MDS, 2009).</p><p>d) Serviço de proteção social a adolescentes em cumprimento de medida socioeducativa de Liberdade Assistida (LA) e de Prestação de</p><p>Serviços à Comunidade (PSC): O serviço tem por finalidade prover atenção socioassistencial e acompanhamento a adolescentes e jovens em</p><p>cumprimento de medidas socioeducativas em meio aberto, determinadas judicialmente. Deve contribuir para o acesso a direito e para a resigni-</p><p>ficação de valores na vida pessoal e social dos adolescentes e jovens. Este Serviço também prevê através de uma articulação com a “Fundação</p><p>Casa” o atendimento das famílias dos adolescentes em cumprimento de medida socioeducativa que estão em cumprimento de internação10.</p><p>(BRASIL/MDS, 2009).</p><p>e) Serviço de Proteção Social Especial para Pessoas com Deficiência, Idosas e suas Famílias11: Serviço para a oferta de atendimento especia-</p><p>lizado a famílias com pessoas com deficiência e idosos, que tiveram suas limitações agravadas por violações de direitos, tais como: exploração</p><p>da imagem, isolamento, confinamento, atitudes discriminatórias e preconceituosas no seio da família, falta de cuidados adequados por parte do</p><p>cuidador, alto grau de estresse do cuidador, desvalorização da potencialidade/capacidade da pessoa, dentre outras que agravam a dependência</p><p>e comprometem o desenvolvimento da autonomia. (BRASIL/MDS, 2009).</p><p>O processo de reordenamento do CREAS de Andradina possibilitou inúmeros avanços no qual destacam-se:</p><p>1) Criação de serviços especializados a partir da tipificação nacional dos serviços socioassistencias e a implementação da especialidade a</p><p>partir dos seguimentos criança e adolescente, jovens, adultos, idosos, pessoas com deficiência e mulheres.</p><p>2) A compreensão de que CREAS é uma unidade especializada e não um pronto-socorro assistencial. Particularmente se o SUAS é um espelho na</p><p>área de Saúde, tem-se necessariamente o CREAS é um AME-Ambulatório Médico de Especialidade, sobretudo, as famílias/indivíduos quando bus-</p><p>cam o trabalho na unidade pode contar com profissionais especialistas no campo das violências afetas</p><p>a assistência social.Importante ressaltar que</p><p>no trabalho multiprofissional no âmbito do CREAS não se intercruzam, ao contrário, somam-se frente às diversificadas situações de violências que</p><p>necessitam de atendimentos especializados, ocorrendo à somatória dos conhecimentos, saberes, habilidades e competências das profissões como</p><p>assistentes sociais, psicólogos, advogados, educadores sociais e outros12.</p><p>3) A ampliação de demanda ocorreu a necessidade de instalação do denominado “plantão”, no qual um profissional de nível superior fica</p><p>responsável no dia por atender demandas esporádicas e emergencial, enquanto as equipes dos serviços socioassistenciais encontram-se</p><p>realizando planejamento, atendimentos/acompanhamentos, reuniões/oficinas, relatório e outras ações. Esse desenho ocorreu porque inúmeras</p><p>vezes no processo de trabalho, como por exemplo, na elaboração de um relatório/parecer as equipes sempre estavam sendo interrompidas pela</p><p>equipe da recepção indagando um usuário necessitava de atendimento, fragilizando esse processo.</p><p>Este novo reordenamento provocou nas equipes uma necessidade de novas respostas profissionais através de um trabalho multiprofissional,</p><p>9. Na data da finalização desta produção, o serviço estava sendo reordenado perante as demandas existentes no município.</p><p>10. Este redesenho foi elaborado a partir da existência de um número ampliado de adolescentes em cumprimento de MSE de internação, oriundo de um caldo cultural de</p><p>“gangs de bairros”, fizeram com que as equipes técnicas do CREAS e Fundação Casa elaborarem uma metodologia de trabalho social com famílias direcionado aos</p><p>sujeitos familiares desse segmento. Este trabalho poderá ser mais bem detalhado assim que for divulgado o livro da psicóloga Marina Ribeiro (Nina Ribeiro) que tive o</p><p>prazer de elaborar o seu posfácio.</p><p>11. Para a realidade de Andradina, o objetivo do serviço foi reformulado, pois nem sempre o grau de dependência é o fundamental perante a questão da violação de direitos.</p><p>12. Nesse sentido, destaca-se uma tendência da despecialização no âmbito das políticas sociais. “Onde todo mundo faz tudo”, e a impressão empírica tem revelado que tanto</p><p>os profissionais quanto as famílias/indivíduos ficam perdidos nesse processo.</p><p>13</p><p>buscado pelas especializações no campo da divisão social e técnica do trabalho, com uma proposta de articulação e complementaridade dos</p><p>saberes e fazeres frente às diversas situações de violações de direitos, desvendando a complexidade da realidade social em vista a proteção</p><p>social afiançada pelo estado.</p><p>Nesse sentido, as normativas e legislações das políticas sociais trazem e suas orientações inúmeras requisições para os profissionais, cujo</p><p>objetivo é atingir seus ideais, não se pode confundir com as competências profissionais previstas em suas leis/normativas.</p><p>O trabalho social no SUAS oferta orientação para os usuários possam ser inseridos os serviços das diversas políticas sociais, destaca-se</p><p>que devido os transmites burocráticos, caminhar por eles muitas das vezes ampliam os valores de direito, pois “na prática”, tal desconheci-</p><p>mento tende a fazer com que se percam nas tramas dessa complexa rede e desistam de acessar os serviços de que necessitam. (CORDEIRO,</p><p>THOMAZ, CARVALHO, 2018, p. 199).</p><p>Importante registrar que no trabalho social não deve ser construído na perspectiva pragmática (receituário, modelo e outros), porém as</p><p>indicações ética-política permitem uma postura crítica frente às situações complexas do cotidiano13.</p><p>Exceto se nós, [...] quisermos nos deter, na condição de profissionais que “programam” (ou concorrem para tal) a cotidianidade, nos umbrais da faticidade que põe a</p><p>pseudoconcreticidade, a única alternativa para um tratamento consequente dela é exercitar uma análise que, em si mesma, plasma uma crítica da vida cotidiana. Para tanto,</p><p>é irremediável o apelo a uma postura teórico-metodológica e a um sistema categorial – aqueles que peculiarizam a obra marxiana – que, definitivamente, são alheios à nossa</p><p>tradição formativa e operativa. É tempo de subverter esta tradição. (NETTO, 2011, p. 90).</p><p>Nesse sentido, o exemplo pode ser observado nos encaminhamentos do profissional ao usuário, onde muitas vezes, os sujeitos não conse-</p><p>guem atendimentos nas políticas sociais ao apresentar tal “ficha”, mas quando há um contato ou até acompanhamento em conjunto do profis-</p><p>sional, existem uma “agilidade” nos atendimentos e fortalecem também na autonomia em relação às diferentes pessoas, grupos e instituições.</p><p>(CORDEIRO, THOMAZ, CARVALHO, 2018).</p><p>O trabalho social consiste no resgate da historicidade da vida dos sujeitos. A construção da história através da oralidade permite ao usuário</p><p>contar os resignificados de momentos de sua vida, e ao profissional analisar quais são as desproteções sociais presentes na história para</p><p>construir reflexões e debates para que os sujeitos consigam romper com ciclos geracionais de violências e tenham condições de compreender</p><p>os fenômenos sociais, culturais, econômicos e políticos para que ocorresse tal feito, que pode ser analisado por meio de alguns pontos.</p><p>O primeiro, a direção é expressão mais visível de uma tentativa de “emancipação” dos usuários, pois permitem entender, compreender e</p><p>refletir sobe quais circunstancias marcam as condições de suas vidas, para além das amarras do individualismo, e sim, para o processo de</p><p>reprodução social do capital. Por isto, o resgate da história social dos sujeitos atendidos é para além dos registros evolutivos de datas e acon-</p><p>tecimentos.</p><p>O segundo ponto é que os trabalhadores devem recusar à chamada neutralidade no trabalho social, tão debatida no uso do pensamento (neo)</p><p>positivista, já na utilização de uma perspectiva teoria crítica, pois a prática social tem embasamento numa dada visão de mundo que fornece ao</p><p>trabalhador um horizonte, direções estratégias para a efetivação.</p><p>Nesse sentido, o trabalho social deve ser desenvolvido por uma equipe multiprofissional, com formação universitária e ensino médio, aptos</p><p>a imprimir direção ético-política, comprometido com a prática democrática e a cultura de direitos, garantindo qualidade e escala aos serviços</p><p>socioassistenciais. (RAICHELIS e NERY, 2014).</p><p>No trabalho multiprofissional não se pode ter uma hierarquização dos saberes e fazeres, nem uma divergência no campo da proteção aos</p><p>sujeitos usuários. Existem diferenças que se explicam pela capacidade da formação de cada área/saber, devido a própria divisão social e técnica</p><p>do trabalho, imprimindo as profissões suas regulamentações, contendo suas competências e atribuições, tão necessárias para a consolidação</p><p>do SUAS.</p><p>Na ocorrência do trabalho social é requisitado pela complexidade dos fenômenos a serem atendidos pela política exigindo um conjunto de</p><p>saberes e práticas, que no processo de trabalho no SUAS visam respostas profissionais especializadas coletivamente, no caso do CREAS, onde</p><p>o foco é um atendimento às famílias e indivíduos em situações de risco pessoal e social, por violações de direitos, tais procedimentos precisam</p><p>levar em consideração as demandas dos sujeitos usuários, o campo de seguranças sociais da assistência social, a oportunidade dos serviços</p><p>complementares no território e as condições dadas para o acesso e permanência.</p><p>Uma advertência a sinalizar, corresponde a respeito do trabalho social interdisciplinar, uma vez, estão imersos nas demandas cotidianas e</p><p>requisições institucionais, utilizando-se referenciais teóricos tradicionais, em geral, voltados para aspectos operativos institucionais, desfavore-</p><p>cendo a superação da identidade atribuída institucionalmente e o fortalecimento da identidade a se construir.</p><p>Portanto é no compromisso para o fortalecimento da direção dada pelo SUAS e a defesa intransigentes dos direitos sociais dos sujeitos</p><p>atendidos pelo CREAS que o presente estudo aponta para pensarmos práticas profissionais que superem o instituído e projetem posturas pro-</p><p>fissionais com capacidade para o rompimento de alguns</p><p>dos círculos de violências aos quais convivem as famílias atendidas/acompanhadas</p><p>neste equipamento. Como bem nos ensina Fátima Grave Ortiz:</p><p>O que se espera do profissional, tanto por parte dos usuários, quanto das instituições empregadoras e demais profissionais, é que [...] mude a situação do demandante,</p><p>13. Alertamos que “A vida cotidiana é necessária à reprodução social dos indivíduos. Não existe vida social sem cotidianidade. Ela responde às diferentes exigências de manu-</p><p>tenção da vida do indivíduo, em sua dimensão singular: exigências da vida privada, do trabalho, do descanso e das atividades sociais sistemáticas de intercâmbio, como</p><p>as de lazer, as religiosas, entre outras. Por isso, ela é heterogênea, demandando respostas a diferentes atividades, e hierárquica, na medida em que impõe a priorização</p><p>de algumas, segundo as necessidades que atendem e sua valorização pelos indivíduos. (Série Preconceito do CFESS, 2016, p. 10).</p><p>14</p><p>ou do ponto de vista material ou espiritual. “Resolver” significa alterar as variáveis do ponto de vista imediato: conceder a cesta, informar o serviço, ouvir o desabafo. É como</p><p>Netto (1996, p. 93) afirma: “toda operação sua que não coroa com uma alteração de variáveis [...] é tomada como inconclusa, ainda que se valorizem seus passos prévios e</p><p>preparatórios”. Ou seja, “resolver” o problema significa manipular as variáveis empíricas do contexto, isto é, sua forma concreta de se expressar, pois superar sua essência</p><p>seria de fato incompatível com esta ordem societária. (ORTIZ, 2010, p. 131-132).</p><p>Por fim, o rompimento com amarras violadoras de direitos, através do trabalho social, apenas é possível quando os profissionais detêm um</p><p>rico arsenal instrumentalizador, tendo uma sólida formação e com claras convicções políticas, com princípios e valores claros e firmes, do que</p><p>depende de seu preparo teórico e político e as condições para assim realizarem-se. (GUERRA, 2014,).</p><p>REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS</p><p>BRASIL, Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil. Atualizada em 2008.</p><p>BRASIL, (2004). Ministério de desenvolvimento social e combate à fome. Política Nacional de Assistência Social (PNAS) - Brasília, secretaria</p><p>Nacional de Assistência Social.2004.</p><p>BRASIL. Diário Oficial da União. Tipificação Nacional de Serviços Socioassistenciais. Texto da Resolução CNAS nº 109, nov. 2009.</p><p>BRASIL. SUAS; SNAS; MDS. Orientações Técnicas da Vigilância Socioassistencial. Brasília: 2014.</p><p>CORDEIRO, Mariana Prioli, THOMAZ, Juliana e CARVALHO, Sthefânia. Proteção Social Especial: apresentação da Política e a efetivação do</p><p>trabalho em um Serviço de República Jovem. In: CORDEIRO, Mariana Prioli. SVARTMAN, Bernardo. SOUZA, Laura Vilela e. (Org.). Psicologia</p><p>na Assistência Social: um campo de saberes e práticas. São Paulo: Instituto de Psicologia, 2018.</p><p>GUERRA, Yolanda. A instrumentalidade do Serviço Social. – 10 ed. São Paulo: Cortez, 2014.</p><p>NETTO, José Paulo. Para a crítica da vida cotidiana. In: NETTO, José Paulo. CARVALHO, Maria do Carmo Brant (Org.). Cotidiano: conheci-</p><p>mento e crítica. São Paulo: Cortez, 2011.</p><p>Ortiz, Fátima Grave. O serviço social no Brasil: os fundamentos de sua imagem e da autoimagem de seus agentes. Rio de Janeiro: E-papers, 2010.</p><p>RAICHELIS, Raquel. NERY, Vânia. A inserção do Assistente Social e do psicólogo no SUAS. In: ROMAGNOLI, Roberta Carvalho. MOREIRA,</p><p>Maria Ignez Costa. (Org.). O Sistema Único de Assistência Social – SUAS: a articulação entre Psicologia e o Serviço Social no campo da Pro-</p><p>teção Social, seus desafios e perspectivas. Curitiba, Pr: CRV, 2014.</p><p>SPOSATI, Aldaíza. Modelo brasileiro de proteção social não contributiva: concepções fundantes. In: ______. Concepção e gestão da proteção social</p><p>não contributiva no Brasil. Brasília: MDS/Unesco, 2009.</p><p>SPOSATI, Aldaíza. Desafios do sistema de proteção social. In: STUCHI, Carolina Gabas. Paula, Renato Francisco dos Santos. PAZ, Rosângela</p><p>Dias Oliveira. Assistência Social e filantropia: cenários contemporâneos. São Paulo: Veras Editora, 2012.</p><p>15</p><p>CAPÍTULO II</p><p>AS CONTRIBUIÇÕES DO/A ASSISTENTE SOCIAL PARA OS</p><p>SERVIÇOS SOCIOASSISTENCIAIS DO CREAS DE ANDRADINA</p><p>Ana Paula Barbosa de Oliveira, Assistente Social, CRESS/SP nº. 32 441</p><p>Camila Silvano Antunes, Assistente Social, CRESS/SP nº. 42455</p><p>Ligia Cristina de Moraes, Assistente Social, CRESS/SP nº. 46871</p><p>Viviane Lima Lourenço, Assistente Social, CRESS / SP nº. 43.707</p><p>Thiago Agenor, Assistente Social, CRESS/SP nº.41.968</p><p>1. INTRODUÇÃO</p><p>Nos últimos anos, os agentes profissionais da assistência social deparam com inúmeros desafios, trazidos pelos SUAS, sinalizando novos rumos.</p><p>Ou seja, a qualificação especializada no trato com as diversas demandas dos usuários, mobilizados a partir de expertise profissional das áreas requi-</p><p>sitadas como equipes de referências no SUAS. No caso do CREAS, primeiramente, é preciso compreender os objetivos a serem alcançados por esse</p><p>equipamento e, podendo, só após destacar quais são os conhecimentos do Serviço Social, contribuir na realização do trabalho social com as famílias.</p><p>Nesse sentido, o presente trabalho tem como objetivo apresentar a sistematização do trabalho profissional dos/das assistentes sociais</p><p>lotados na unidade do CREAS – Centro de Referência de Assistência Social de Andradina – SP. O texto é dividido em duas partes. Na primeira,</p><p>fazemos um breve resgate ao significado do trabalho do/a assistente social no CREAS. Na segunda parte, buscamos articular algumas ideias</p><p>sobre as ações realizadas pelos profissionais no âmbito do trabalho profissional.</p><p>Na assistência social a principal mediação é a prestação de serviços dos diversos profissionais, o que por sua vez, requer um amplo conhecimento</p><p>e uma formação teórica, técnica, política, ética, embasados em suas competências e atribuições profissionais. (SPOSATI, 2006 e RAICHELIS, 2011).</p><p>2. O SIGNIFICADO SOCIAL NO TRABALHO DO/A ASSISTENTE SOCIAL NO CREAS</p><p>Os homens fazem sua própria história, mas não a</p><p>fazem sob circunstâncias de sua escolha, e sim sob</p><p>aquelas que se defrontam diretamente, legadas e</p><p>transmitidas pelo passado (Karl Marx, 2002).</p><p>O Serviço Social surgiu como uma profissão inserida na divisão social e técnica do trabalho, no contexto social, econômico e político do</p><p>Brasil, inicialmente sob um arranjo sincrético e doutrinário, tendo sua prática relacionada diretamente no campo das políticas sociais, em uma</p><p>relação da Igreja, Burguesia e Estado.</p><p>A profissionalização do Serviço Social, através de uma prática inicialmente elaborada em prol da manutenção de um projeto conservador</p><p>“marcado pelo compromisso profissional com os projetos das classes dominantes em garantir o controle e a reprodução, material e ideológica,</p><p>da classe trabalhadora e perpetuando assim a ordem burguesa”. (SOUSA e OLIVEIRA, 2011, p. 123), proporcionou aos profissionais um per-</p><p>curso alienado, alienante e alienador, fazendo com que o profissional se tornasse um executor terminal de políticas sociais.</p><p>Após o processo de renovação no campo do Serviço Social, a profissão influenciada por inúmeros acontecimentos no contexto latino ame-</p><p>ricano, passa a realizar uma crítica inspirado em teoria social revolucionária, rebatendo no seu campo formativo e na prática profissional, em</p><p>vista a uma ruptura com o conservadorismo, de acordo com Agenor e Torres (2018, p. 19-20):</p><p>[...] deve situar-se o conservadorismo, compreendido como a expressão dos valores historicamente preservados pela tradição e os costumes, através do racismo, pre-</p><p>conceito e o seu horror ao comunismo. Esse conservadorismo encontra-se em crescimento, principalmente nas crises cíclicas do capitalismo. [...] a noção de pensamento</p><p>conservador numa primeira aproximação está associada ao verbo “conservar”, que expressa o ato ou o efeito de preservar algo, manter, seja no campo dos valores, das</p><p>ideias, das concepções de mundo; vincula o cotidiano e o imaginário dos sujeitos.</p><p>Nesse sentido, como vivemos e vivenciamos as expressões conservadoras na sociedade brasileira, a</p><p>afirmação da identidade no trabalho</p><p>profissional dos/das assistentes sociais é necessário, no qual, a maneira que o profissional exerce a sua profissão, sua identidade vai sendo</p><p>construída, reconstruída sempre se modificando com a atual realidade. Podemos dizer que é um movimento contínuo de reflexão sobre a sua</p><p>própria prática profissional que às vezes é contraditória pelos desafios enfrentados no próprio ambiente em que se atua principalmente balizado</p><p>por um arcabouço teórico-jurídico construído democraticamente pelo conjunto da categoria, destacando-se: 1) Código de ética do Assistente</p><p>Social; 2) Lei de regulamentação da profissão; 3) Diretrizes curriculares para a Formação Profissional em Serviço Social; 4) Resoluções e publi-</p><p>cações do conjunto da categoria profissional (CFESS/CRESS, ABEPSS, ENESSO); 5) Referencial teórico-metodológico produzido pelo conjunto</p><p>dos/as assistentes sociais após movimento de renovação profissional.</p><p>Nos últimos anos o mercado de trabalho para os/as assistentes sociais ampliou-se exigindo um conhecimento a partir das dimensões: teó-</p><p>rico-metodológico, ético político e técnico-operativo, no caso em especifico o CREAS, tais dimensões permitem configurar-se para uma iden-</p><p>tidade profissional fortalecida e com capacidade para decifrar as violações de direitos relacionadas com as diversas “expressões da questão</p><p>social” que vivenciam os usuários em acompanhamento pelos serviços socioassistenciais.</p><p>O reconhecimento das expressões da “questão social”, como matéria do trabalho do/a assistente social tem permitido a compreensão da</p><p>ação profissional articulada com resultados, necessitando de um conhecimento especializado e sua explicitação a partir da qualificação (sa-</p><p>beres profissionais) para a concretização de respostas profissionais e respostas institucionais. Ao fazer a leitura das demandas/usuários, não</p><p>16</p><p>através de pulverização e fragmentação singulares dos indivíduos, mas sim “pela dimensão coletiva da “questão social”” (IAMAMOTO, 2012,</p><p>p. 49), tal passagem permite entender a responsabilidade pela situação das violações de direitos é fruto da sociedade de classes, politizando</p><p>a intervenção profissional.</p><p>Sendo assim, o desafio de decifrar a conjuntura atual através de uma leitura crítica Exige-se um profissional qualificado, que reforce e amplie</p><p>a sua competência crítica; não só executivo, mas que pensa, analisa, pesquisa e decifra a realidade.</p><p>Na atuação dos profissionais com pessoas (trabalhadores) em situação de violação e direitos, observar que a presença da violência que poda</p><p>o direito ao trabalho, sendo característica recorrente a esse público atendido na Política de Assistência Social que segundo Pontes (1997), é</p><p>através do trabalho que forma valor de uso, enquanto trabalho útil é condição de existência do homem, sendo que o trabalho é uma necessidade</p><p>natural eterna que tem a função de mediatizar o intercambio orgânico entre o homem e a natureza.</p><p>Faz-se necessário, então, a compreensão da exclusão do ser social do direito ao trabalho, pois o indivíduo passa a ser incluído no exército industrial</p><p>de reserva, apenas como estratégia para regulação de mercado. É notório que tal exclusão que o reduz a mercadoria e não com a compreensão de</p><p>violência fruto das relações sociais, onde o violador viola através da relação de poder e domínio, sendo que os direitos fundamentais da pessoa humana</p><p>não são respeitados. A instrumentalidade posta na relação dos homens com o objeto de trabalho, no ato da produção é transporte para a relação com</p><p>outros homens e “cria domínio daquele que não produz sobre a produção e o respectivo produto”. (GUERRA, 1995, p. 150.)</p><p>Portanto, compreender a violência no mundo contemporâneo significa, antes de qualquer coisa, inseri-la no movimento de produção e repro-</p><p>dução do capitalismo, pois fora dessa dinâmica teremos apenas uma aproximação fenomênica sobre o tema, portanto não conseguiremos cap-</p><p>tar sua essência e totalidade. Logo, a falta de políticas sociais que garantam condições mínimas de sobrevivência ou até estrategicamente como</p><p>forma de combate à desigualdade social, não propicia essa garantia mínima, condição de sobrevivência, qualidade de vida e protagonismo</p><p>social. Por outro lado, a violência decorrente da falta de acesso ao trabalho não propicia o ser social a transformação que decorre do processo</p><p>ontológico, sendo o “homem” transformado através do contato intencional de transformar para atender suas necessidades. Tal processo busca</p><p>reconstruir histórica e ontologicamente o ser social e assim se dá de forma natural a reprodução da vida individual e social.</p><p>Analisando o público atendido no CREAS de Andradina é nítido que tais violações ocorrem, uma vez que a condição de trabalhador incluído</p><p>no mercado de trabalho, na grande maioria tem como vínculo empregatício informal ou está em condição de desemprego. Tais dados constata</p><p>a violência cruel para a existência humana no contexto de reprodução da vida, pois são impedidos de viver de forma digna sendo protegidos e</p><p>sujeitos livres saindo da condição de subalternidade, como também são impedidos de ser transformado através do processo ontológico.</p><p>Como o desemprego a instabilidade no mercado de trabalho e a perda de direitos sociais geram sofrimento e situações de vulnerabilidade que</p><p>colocam essas famílias em situações de risco pela exclusão e condições de subalternidade levando assim, às situações de violências, tanto a</p><p>física, a psicológica, a sexual, a negligência, quanto ao abandono.</p><p>Uma situação exemplo atendida pela equipe foi de uma família que vivendo em extrema vulnerabilidade econômica e social, quando uma das jovens engravida, é abandona-</p><p>da pela genitora que não possui emprego e opta por mudar de cidade em busca de mais oportunidades de trabalho deixando a jovem sozinha. Esta por sua vez após o parto faz</p><p>a entrega voluntaria da criança avaliando que não ter condições financeiras para suprir com as necessidades sociais. Portanto, com este exemplo, ficará claro a falta de acesso</p><p>à renda e também a falha do estado na proteção social que leva a violências e o abandono. (RETRATOS DE ATENDIMENTOS DA EQUIPE DO PAEFI DO CREAS DE ANDRADINA).</p><p>Tais violências não são nada mais o reflexo da banalização do ser social pelo poder do capital, que reduz o homem a objeto de extração de mais valia.</p><p>Nesse contexto de violência e banalização do ser humano o papel do Estado na proteção social é fundamental, pois não há possibilidade de</p><p>cuidado uma vez que a família desprotegida, não dispõe de recursos para efetivar o desenvolvimento e a devida proteção aos seus membros,</p><p>que consequentemente expõe a situações de violências decorrentes a violações de direitos.</p><p>Para tanto o desvelamento das relações sociais possibilita ações pautadas na perspectiva histórico crítica, onde o compromisso com a ampliação</p><p>dos direitos e a justiça social são norteadores para o trabalho.</p><p>Nessa direção, deve-se compreender as manifestações da “questão social” a partir do singular, o universal e a particularidade entendendo</p><p>como campo de mediações, compreendendo as determinações sociais que levam a situações de violência. Isso faz com que o profissional</p><p>consiga sair do campo da imediaticidade, característica peculiar do cotidiano, deixa de focar no fato apresentado e parte através da categoria</p><p>mediação vislumbrar através da capacidade teleológica, assumindo novos horizontes e propor alternativas transformadoras, imprimindo o</p><p>direcionamento ao trabalho, o enfrentamento crítico das determinações históricas de exploração e exclusão e assim propor ações que venha</p><p>a atender à necessidade real da demanda e não só a aparência dos fatos. E a pergunta aqui mais pertinente é no chão no cotidiano onde se</p><p>materializa a prática profissional, quais as respostas a serem apresentadas e/ou construídas? O desafio é responder tais requisições a partir de</p><p>estratégias coletivas, fortalecendo os/as trabalhadores para uma reflexão sob as expressões da “questão social”.</p><p>Tendo em vista a argumentação</p><p>precedente, como todo profissional, o/a assistente social realiza sua prática através da rede de mediações,</p><p>que ontologicamente estrutura a trama social. Assim o saber profissional materializado no cotidiano permite dar respostas através do instru-</p><p>mental técnico operativo, e este utilizado de forma consciente do projeto ético político com ações críticas, sendo estas planejadas através de</p><p>uma direção social, fundamentada na emancipação humana, negando toda forma de exploração e violências ao ser social, traz com isso a</p><p>intencionalidade na utilização dos instrumentos e técnicas oferecendo ao profissional a possibilidade de propor e materializar alterações nessas</p><p>perversa realidade de violências na qual esse público está vivenciando.</p><p>2.2 ATRIBUIÇÕES, COMPETÊNCIAS E HABILIDADES NO TRABALHO DO/A ASSISTENTE SOCIAL NO CREAS</p><p>A política Nacional de Assistência Social (PNAS/2004) nos traz como algumas de suas funções a garantia de proteção social para: 1) Preve-</p><p>nir/ reduzir situações de risco social e pessoal; 2) Proteger pessoas e famílias em situações de risco social e pessoal considerando a multidi-</p><p>mensionalidadeda pobreza; 3) Criar medidas e possibilidades de socialização e inclusão social; e também assegurar direitos socioassistenciais.</p><p>A proteção social no âmbito da Assistência social deve assegurar as seguintes seguranças:</p><p>17</p><p>• Segurança de sobrevivência (de rendimento e de autonomia);</p><p>• Segurança de acolhida;</p><p>• Segurança de convívio e convivência familiar e comunitária.</p><p>Na gestão do SUAS a Proteção Social é organizada por níveis de proteção social tais como: Proteção Social Básica; Proteção social especial</p><p>de média complexidade e proteção social especial de alta complexidade. Estabelece também o que cada nível de proteção social irá trabalhar</p><p>com os usuários que necessitam acessar tais proteções.</p><p>A proteção social especial está organizada no âmbito do SUAS para ofertar serviços, programas e projetos de caráter especializado, destina-</p><p>do a famílias e indivíduos em situação de risco pessoal e social, por violações de direitos. Seu objetivo principal é contribuir para a prevenção</p><p>de agravamentos e potencialização de recursos para enfrentamento de situações que envolvam risco pessoal e social, todas as situações de</p><p>violências, bem como a fragilização e rompimento de vínculos familiares e comunitários ou sociais.</p><p>No âmbito da proteção social especial de média complexidade a oferta dos serviços especializados se dará através de acompanhamento</p><p>individualizado, continuado e articulado com a rede de serviços socioassistenciais, e também com os órgãos do sistema de garantia de direitos.</p><p>Para as famílias e indivíduos que necessitam deste atendimento especializado, e estão referenciados pela proteção social especial de média</p><p>complexidade, o serviço ofertado dentro dos equipamentos deve oferecer apoio, orientação e acompanhamento familiar direcionados para pro-</p><p>moção de direitos, a preservação e o fortalecimento de vínculos familiares e comunitários; bem como para o fortalecimento da função protetiva</p><p>das famílias. Tais atendimentos devem se realizar de forma que as famílias sejam respeitadas enquanto sujeitos de direitos, devendo-se evitar</p><p>processos de moralização, culpabilização e revitimização dos seus membros.</p><p>Pretende-se desta forma que esses atendimentos ou acompanhamentos proporcione as famílias reflexões e ações que contribuam para</p><p>compreensão do ciclo de violência por elas vivenciadas, e que possibilitem construir novas formas de convivência familiar, comunitária e social;</p><p>efetivando então uma das seguranças garantidas pela Política Nacional de Assistência Social.</p><p>Para os usuários desta política pública a proteção social é a garantia de direitos ofertados pelo estado aos cidadãos que em diferentes ciclos</p><p>da vida passam por situações de fragilidades e riscos emergenciais. Desta forma, amplia-se a possibilidade dos cuidados ao sistema de pro-</p><p>teção social pública, onde temos o conceito do direito a prevenção, cuidado, atenção e provisão social.</p><p>Neste sentido, para materializar tais princípios, diretrizes e objetivos da Política de Assistência Social na proteção social especial; um dos</p><p>trabalhadores requisitados para tais funções é o assistente social, tendo como horizonte a defesa intransigente dos direitos sociais. A atuação</p><p>deste profissional é de extrema importância dentro da Proteção social Especial, uma vez que irá atuar no enfrentamento das várias expressões</p><p>da “questão Social” advindas da relação antagônica entre capital e trabalho, onde a prática profissional tem como princípios a ampliação e</p><p>consolidação da cidadania e a defesa do aprofundamento da democracia, o fim de todas as formas de violência, preconceito e discriminação,</p><p>com horizonte na emancipação humana; visando ainda a integridade física, mental e social dos usuários da política pública. Esses profissionais</p><p>possuem um enorme desafio: operar as políticas sociais com postura crítica, comprometida com seus usuários, lutando a favor da equidade,</p><p>da justiça social e da universalização de acesso a bens e serviços de acordo com os princípios contidos em seu código de ética profissional.</p><p>Portanto, no desenvolvimento do trabalho, exige-se um profissional qualificado e competente, que amplie a sua competência crítica; não só</p><p>executiva, mas que pensa, analisa, pesquisa, decifra a realidade e propõe alternativas perante as diversificadas demandas.</p><p>Em seu cotidiano este profissional também irá se deparar com o desafio do atendimento a demanda que lhes chegam para atendimento, pois nem</p><p>sempre a demanda vai se apresentar de maneira clara ou imediata, exigindo assim que o profissional faça a leitura da realidade, identifique a demanda</p><p>inicial que levou este individuo a procurar por atendimento, chegando assim a sua demanda real. Para se chegar a análise dessa demanda é necessário</p><p>que esse profissional estabeleça vínculos com os usuários e suas famílias, proporcionando a construção de uma relação de confiança entre ambos.</p><p>2.3 SISTEMATIZAÇÕES DA PRÁTICA DO/DA ASSISTENTE SOCIAL NO CREAS</p><p>No CREAS de Andradina SP, ao nos depararmos no cotidiano profissional, depara-se muitas das vezes com a falta de políticas públicas que</p><p>garantam a proteção social que tanto carece os sujeitos em acompanhamento, vítima de violações de direitos, apresentamos assim nossas</p><p>analises das desproteções vivenciadas pelas demandas atendidas no CREAS através da nossa atuação profissional.</p><p>É nítido na nossa atuação verificar que à medida que o Estado restringe sua atuação para proteção ou até solução de demandas apresentadas</p><p>por determinados segmentos (crianças, adolescentes, idosos, mulheres dentre outros) essas pessoas passam a ser submetidas a situações</p><p>de violências cíclicas e extremas.</p><p>De forma geral, nosso trabalho consiste em atendimentos individualizados e familiares, visitas domiciliares, elaboração de relatórios, estudo</p><p>socioeconômico, dentre outros, até porque são justamente no fazer cotidiano do exercício profissional que são encontradas as condições para</p><p>“fazer melhor”, ou ainda, para “saber fazer” com qualidade e competência. Isto quer dizer que não existem modelos para fazer bem as ações,</p><p>não há magia, artefatos ou amuletos de qualquer ordem, existe, sim construção através do próprio trabalho, desde que consciente elaborado e</p><p>intencionalmente utilizado. (SANTOS. BACKX. GUERRA, 2017).</p><p>No campo da assistência social, a realização dos estudos socioeconômicos vincula-se para acesso de serviços e benefícios da população</p><p>usuária, incluindo um parecer social, como um instrumento de viabilização de direitos. Neste mesmo sentido, se é no campo do CREAS que o</p><p>profissional depara-se com as diversas situações de direitos, a realização do estudo socioeconômico permite a compreensão das necessidades</p><p>trazidas pelos sujeitos, como expressões do processo de desigualdade e não pela culpabilização dos sujeitos envolvidos.</p><p>Na realização do estudo socioeconômico o profissional não deve pautar sua descrição na aparência</p>

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