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Neurologia Cefaleias A cefaleia nada mais é do que a famosa “dor de cabeça”! Mas, você saberia dizer a diferença entre cefaleia e dor facial ou dor cervical? Veja: Cefaleia: acomete desde os olhos até o final da implantação dos cabelos; Dor facial: surge abaixo dos olhos; Dor cervical (ou nucal): surge abaixo da implantação dos cabelos. Além disso, podemos dividir as cefaleias em dois grandes grupos: (1) Cefaleias primarias: “surge porque surge” quando não existe uma doença específica gerando a dor; ou seja, a própria cefaleia é a doença primária. a. Recorrência e exame físico normal b. Diagnóstico clínico Quais são as principais? Cefaleia Tensional · É a mais comum de TODAS! · Discreto predomínio em mulheres · Quadro Clínico: · Dor opressiva, bilateral, leve-moderada e dura 30min a 7dias (o paciente não fica incapacitado) · Não é comum ter sintomas associados! (Pode apresentar fotofobia OU fonofobia) · Tratamento: · 1º: Abortivo – Analgésicos comuns e AINE · 2º: Profilático (> 15 crises/mês) – Antidepressivo tricíclico (amitriptilina) Enxaqueca (Migrânea) · É a 2ª mais comum · Mulheres jovens com história familiar positiva · Quadro clínico: Gatilho → Enxaqueca · Pródromo: sintomas premonitórios (60%) · Aura: sinais e sintomas neurológicos focais · Com aura: CLÁSSICA · Sem aura: COMUM · Dor: pulsátil, unilateral, forte, piora com movimento e dura 4-72h · Sintomas associados: náuseas / vômitos, fotofobia, fonofobia ... · Pósdromo: fase de exaustão · Tratamento: · 1º: Abortivo · Leves-Moderados: analgésicos comuns e AINE · Moderados-Graves: TRIPTANO (ex.: sumatriptano) · Outras opções: metoclopramida, clorpromazina, dexametasona (↓ recorrência), antagonistas CGRP (ex.: rimegepant, ubrogepant) · 2º: Profilático · Indicação: ≥ 3-4 crises/mês! · Opções: · Betabloqueador (atenolol, propranolol); · BCC de ação central (flunarizina); · Anticonvulsivantes (valproato, topiramato – que também é utilizado em tratamento da obesidade) · Antidepressivos (amitriptilina, venlafaxina) · Antagonista do CGRP (rimegepant) Cefaleia em Salvas · Homem meia-idade, em uso de bebida alcoólica · Quadro Clínico: · Dor em facada, unilateral (periorbitária), INSUPORTÁVEL · Dura 15-180 min e ocorre 1-2x/dia · Sintomas autonômicos associados! · NEUROIMAGEM no 1º episódio! · Tratamento: · 1º: Abortivo · O2: Máscara facial 7-10l/min · Triptano: sumatriptano SC/intranasal · 2º: Profilático · Verapamil (primeira escolha), valproato, prednisona (2) Cefaleias secundárias: Distúrbios orgânicos. Quando uma condição específica é responsável pela dor (ex.: AVE, meningite, tumor cerebral, dengue) a. Sinais de Alarme! i. Início após idade > 50 – 55 anos ii. Dor súbita e/ou progressiva iii. Dor que piora com decúbito, tosse, espirro, esforço ou levantando objetos pesados (manobra de Valsalva) iv. Cefaleia em pacientes com neoplasia, HIV ou gestante v. Presença de sinais sistêmicos (ex.: febre, rigidez de nuca) vi. Presença de sinais neurológicos focais, alteração da consciência ou convulsão vii. Cefaleia que atrapalha o sono viii. Papiledema ou vômitos em jato b. Na maior parte das vezes, é NEUROIMAGEM Enxaqueca (Migrânea) Tensional Cefaleia em Salvas (Cluster Headache) Prevalência 10% da população 40-70% da população Rara População 3:1 Início na adolescência, pico aos 30-50 anos 1,2:1 Pico aos 30-40 anos 1:3 Pico aos 20-30 anos História familiar SIM (em 60-80%) NÃO NÃO Fatores precipitantes Clima, estresse, alimentos, álcool, período pré-menstrual Estresse Álcool (em 70%) Dor Localização Frontotemporal unilateral Bilateral, holo craniana Periorbitária unilateral Característica Pulsátil Opressiva Em facadas Intensidade Moderada a grave 30 min – 7dias Insuportável Duração 4-72h Leve a moderada 15-180min Período Manhã ou final da tarde Final da tarde Noturno Apresentação do paciente Prefere repousar em ambiente calmo e com pouca luz A cefaleia não impede as atividades Muito agitado, por vezes bate a cabeça na parede e ameaça o suicídio Aura SIM (em 20%) NÃO NÃO Outros achados possíveis Náusea, vômito, fotofobia, fonofobia, osmofobia Hiperestasia e hipertonia da musculatura pericraniana Hiperemia conjuntival, lacrimejamento, congestão nasal, sudorese facial, miose, ptose/edema pa Tratamento abortivo Triptanos (escolha), outros vasoconstritores ou doses altas de analgéscicos comuns/AINE + metoclopramida se vômitos Analgésicos comuns ou AINE Triptanos + oxigênio Obs.: no primeiro episódio – RM ou TC para diagnóstico diferencial Tratamento profilático Betabloqueadores (escolha) Opções: antidepressivos, anticonvulsivantes, flunarizina Antidepr. triciclico Verapamil (escolha) Opções: ácido valproico, lítio Indicação de tratamento ≥ 3 a 4 crises/mês (vide texto) Cefaleia ≥ 15 dias/mês SEMPRE TUMORES CEREBRAIS Benignos · Meningioma: benigno mais comum! · Neurinoma do acústico: tumor do VIII par craniano. Surdez unilateral. · Craniofaringioma: crianças, suprasselar, hemianopsia bitemporal (comprimiu o quiasma óptico). Costuma ter muita calcificação! Malignos · Astrocitoma Pilocítico Juvenil: mais comum em crianças! Acomete cerebelo e não capta contraste. · Meduloblastoma: crianças, cerebelo, capta contraste · Glioblastoma multiforme: mais em idosos, pior prognóstico · Metástases: cérebro: pulmão / meninges: mama Epilepsia A epilepsia é uma patologia que se apresenta com crises epilépticas, desde que estas ocorram sem condições tóxicas, metabólicas ou febris. Conceito: epilepsia é uma predisposição duradoura a crises epiléticas. São descargas elétricas neuronais excessivas. · ≥ 2 crises não provocadas em intervalo > 24h; ou · Crise com alta chance de recorrência; ou · Síndrome epiléptica Classificação · Focal: está de um lado do cérebro. Não costuma chegar no Sistema Reticular Ativador Ascendente (SRAA), então o paciente não perde a consciência. · Perceptiva (parcial simples): mantém consciência · Disperceptiva (parcial complexa): perde a consciência · Focal para tônico-clônica bilateral: paciente consciente perde a consciência · Generalizada: afeta os dois lados do cérebro, podendo inclusive afetar o SRAA. Geralmente há perda de consciência. · Não-motora (ex.: ausência) · Motora (ex.: tônico clônica generalizada) Status epilepticus Crise que dura ≥ 30 minutos Para fins operacionais: →Crise por ≥ 5 minutos; ou →≥ 2 crises sem recuperação completa da consciência Abordagem 1. ABC (via aérea, respiração e circulação) 2. Tiamina EV e glicose 50% 3. Benzodiazepínico a. Diazepam EV ou via retal b. Midazolam IM ou intranasal c. REPETIR ATÉ 1X! 4. Anticonvulsivante a. Fenitonína 20 mg/kg b. Valproato, levetiracetam c. REPETIR ½ DOSE! 5. Anestesiar!! (EM PEDIATRIA, SE COLOCA FENOBARBITAL ANTES DE ANESTESIAR) a. Midazolam EV b. Propofol EV c. Pentobarbital / Tiopental EV Crise Febril CRISE MAIS COMUM NA INFÂNCIA! É uma criança (6 m – 5 anos) que apresenta quadro febril não relacionado ao SNC e que apresenta uma crise do tipo tônico-clônica generalizada. →Tônico-clônica generalizada →Duração 10-15 minutos →Período pós-ictal breve Os pais perguntam ... · Pode ter recorrência? Risco de 30 – 50%! ↑ Maior risco se: idadegeneralizada, principalmente tônico-clônica · Período pós-ictal breve marcado por alteração do nível de consciência Crises Atípicas · Duram mais de 15 min; · Crises do tipo focal; · Ocorrem repetidamente; · Permanecem déficit neurológicos focais no período pós-ictal Sinais de Alarme para o Desenvolvimento de Epilepsia no Futuro · Anormalidades do desenvolvimento neurológico; · Crise parcial disperceptiva; · História familiar de epilepsia; · Febre com duração 220 x 120 mmHg ou > 185 x 110 mmHg (se trombólise) · AAS e heparina profilática nas primeiras 48hs · Aguardar 24hs se trombólise Estratégias de reperfusão 1. Trombólise a. Alteplase (rtPA): 0,9 mg/kg (máx 90 mg) b. ∆T (Tempo transcorrido): 4,5h c. Atenção às contraindicações! 2. Trombectomia Mecânica a. Critérios (maior evidência): i. ∆T: ≤ 6h (16-24h) ii. Oclusão de grande artéria (circulação anterior) iii. Rankin pré-AVE 0-1 / NIHSS≥6 / ASPECTS ≥ 6 Escala de Rankin Modificada Grau Descrição 0 Sem sintomas 1 Nenhuma incapacidade significativa 2 Leve incapacidade 3 Incapacidade moderada 4 Incapacidade moderadamente severa 5 Deficiência grave 6 Óbito Escala de NIHSS (0 = ausência de déficit; 42 = pior déficit) 1. Nível de consciência, orientação (idade, mês do ano) e resposta a comandos simples; 2. Olhar conjugado; 3. Distúrbio visual; 4. Paralisia facial; 5. Força muscular do braço; 6. Força muscular da perna; 7. Ataxia cerebelar de membro; 8. Sensibilidade álgica com agulha; 9. Linguagem (afasias); 10. Articulação da palavra (disartria); 11. Heminegligência Escore de ASPECTS · Território da ACM → 10 regiões · Cada área de hipodensidade precoce na TC sem contexto = - 1 ponto · TC normal = ASPECTS 10 · Isquemia difusa = ASPECTS 0 E se o ∆T for indeterminado? Devo fazer a Ressonância Magnética na sequência FLAIR e depois pela DIFUSÃO (DWI). Isso é chamado de MISMATCK FLAIR-DWI Tratamento Crônico Depende da etiologia ... · Aterotrombótico · Controlar fatores de risco · Antiagregante plaquetário · Cardioembólico · Anticoagulação plena · Aguardar 14 dias se AVE isquêmico extenso Trombólise Critérios de Elegibilidade · Idade ≥ 18 anos; · Tempo desde o início dos sintomas (∆T) ≤ 4,5h; · Ausência de contraindicações Principais Contraindicações · Início dos sintomas acima de 3-4,5h; · Traumatismo Cranioencefálico (TCE) significativo, AVEi ou cirurgia intracraniana/intraespinhal nos últimos três meses; · História de hemorragia intracraniana, TC com hemorragia intracraniana aguda ou sinais e sintomas sugestivos de hemorragia subaracnoide; · Punção arterial em sítio não compressível nos últimos sete dias (incerto); · Neoplasia intracraniana intra-axial (na malformação arteriovenosa, o risco não é bem conhecido); · Dissecção aórtica conhecida ou suspeita. Coagulopatia, plaquetas 40s; INR > 1,7s ou TP > 15s; dose terapêutica de heparina de baixo peso molecular nas últimas 24h; uso 1/3 do território da ACM Critérios para Trombectomia · ∆T: até 8h ou até 24h a depender do volume do infarto (avaliado por difusão) AVE HEMORRÁGICO Hemorragia Subaracnoide Causa: aneurisma sacular (mais comum → comunicante anterior) · CEFALEIA → INTENSA E SÚBITA! · Síncope → rebaixamento do nível de consciência · RIGIDEZ DE NUCA → irritação química (após 12-24h) Diagnóstico: NEUROIMAGEM! · Normal? Punção Lombar (Xantocromia) · Onde? · AngioTC · AngioRM · Arteriografia Tratamento · Intervenção precoce (aberta ou endovascular) · Até o 3º dia ou após 14º dia · Controle da PA · PA sistólica 3 cm Morte Encefálica No Brasil, o diagnóstico de morte encefálica foi definido inicialmente pelaResolução CFM Nº 1.480/97 e pela Lei 9.434/97. Estas, mas recentemente, receberam algumas modificações pelo decreto presidencial 9.175/17 e a resolução CFM 2173/17. Protocolo de Morte Encefálica 1. Pré-requisitos: · Lesão conhecida · ∆T 6h (24h se hipóxico-isquêmica) · T > 35ºC; SaO2 > 94%; PAM ≥ 65 mmHg 2. Dois exames clínicos: coma + ausência de reflexos de tronco · Um médico precisa ser intensivista, emergencista ou “neuro” · ∆T entre exames de acordo com a idade: 7 dias a 2 meses (24h) / Menos de 2 anos (12h) / Mais de 2 anos (1h) Reflexos de Tronco →Quais? Fotomotor / Corneopalpebral / Oculocefálico / Vestibulocalórico / Tosse 3. Teste da apneia (só um) · PaCO2 > 55 mmHg + respiração ausente 4. Exame complementar mostrando ausência de: · Perfusão OU atividade elétrica OU atividade metabólica (angiografia cerebral, eletroencefalograma, doppler transcraniano, cintilografia, SPECT cerebral) O que fazer após? · Constatar o óbito no momento do diagnóstico da morte encefálica. Lembre-se de notificar! · Comunicar a família / responsáveis legais para definição acerca da doação de órgãos. · Se paciente doador, manter cuidados básicos: PA, ventilação, temperatura, glicemia, controle eletrolítico e ácido-básico, além do uso de antibióticos (se pertinente). Passo-a-passo da doação de órgãos: 1. Identificação e manutenção de potenciais doadores; 2. Comunicação da suspeita de ME à família do paciente; 3. Confirmação do diagnóstico de ME; 4. Notificação do potencial doador à Central de Notificação, Capacitação e Distribuição de Órgãos (CNCDO); 5. Obter consentimento da família para doação; 6. Distribuição dos órgãos e tecidos pela CNCDO. Protocolo de Morte Encefálica Pré-Requisitos →Presença de lesão encefálica de causa conhecida, irreversível e capaz de causar morte encefálica; →Ausência de fatores tratáveis que possam confundir o diagnóstico; →Tratamento e observação no hospital pelo período mínimo de seis horas (se a causa primária for encefalopatia hipóxico-isquêmica, a observação deve ser de 24h); →Temperatura corporal (esofagiana, vesical ou retal) superior a 35ºC; saturação arterial de oxigênio acima de 94% e PAs ≥ 100mmHg ou PAM ≥ 65mmHg para adultos. Exame Clínico →Objetivo: confirmar o coma não perceptivo (não abre os olhos, não consegue falar e não tem movimentos) e a ausência de função do tronco encefálico (ausência de reatividade supraespinhal manifestada pela ausência dos reflexos fotomotor, corneopalpebral, oculocefálico, vestibulocalórico e de tosse); →Os exames devem ser realizados por dois médicos não participantes das equipes de captação e transplante, em intervalos que dependem da idade. Ambos devem ser especificamente qualificados, sendo que um deles deve, obrigatoriamente, possuir uma das seguintes especialidades: medicina intensiva adulta ou pediátrica, neurologia adulta ou pediátrica, neurocirurgia ou medicina de emergência. O outro deve ter, no mínimo, um ano de experiência no atendimento a pacientes em coma, tenha acompanhado ou realizado pelo menos dez determinações de morte encefálica ou tenha realizado curso de capacitação. →Intervalos entre as avaliações: · 7 dias a 2 meses incompletos: 24h; · 2 meses a 2 anos incompletos: 12h; · Acima de 2 anos: 1h; Teste da Apneia Objetivo: comprovar ausência de movimentos respiratórios na presença de hipercapnia (PaCO2 > 55mmHg). Exames Complementares →Realizar um exame complementar que demonstre ausência de perfusão sanguínea encefálica OU ausência de atividade elétrica metabólica encefálica; →Os principais exames são: · Angiografia cerebral; · Eletroencefalograma; · Doppler transcraniano; · Cintilografia, SPECT cerebral Geriatria A geriatria é a especialidade médica que contempla as mudanças fisiológicas e patológicas que ocorrem na população idosa. Nela, são conhecidas cinco grandes síndromes que acometem com frequência os seus pacientes: Incapacidade cognitiva Incapacidade comunicativa Instabilidade postural Imobilidade Iatrogenia Incontinência Insuficiência familiar Avaliação Geriátrica Ampla ou Avaliação Multidimensional do Idoso 1. Cognição: mini-exame do estado mental (método de rastreio) a. Orientação temporal e espacial b. Repetir palavras e identificar objetos c. Fazer cálculos (100 – 7 – 7 – 7 – 7 – 7 ...) d. Soletrar MUNDO ... de trás pra frente! e. Memorização e linguagem Analfabetos: 19 pontos 1 – 3 anos de estudo: 23 pontos 4 – 7 anos de estudo: 24 pontos >7 anos de estudo: 28 pontos 2. Humor: Escala de depressão geriátrica (Yesavage) 3. Capacidade funcional: AVDs (Katz) e AIVDs (Lawton) a. Kats = AUTOCUIDADO (Banho, continência, vestir-se, comer ...) b. Lawton = INTERAÇÃO (Telefonar, fazer compras, cozinhar ...) 4. Outros: equilíbrio, marcha, continência, visão, audição ... Índice de Vulnerabilidade Clínico – Funcional – 20 1. Idade; 2. Autopercepção da saúde; 3. Incapacidades funcionais; 4. Cognição; 5. Humor; 6. Mobilidade; 7. Comunicação; 8. Comorbidades múltiplas. 0-6 pontos: ↓ risco de vulnerabilidade; 7-14 pontos: moderado risco de vulnerabilidade; ≥ 15 pontos: ↑ risco de vulnerabilidade clínico-funcional Síndromes Geriátricas “7I’s” Incapacidade cognitiva Incapacidade comunicativa Instabilidade postural Imobilidade Iatrogenia Incontinência Insuficiência familiar Instabilidade Postural → RISCO DE QUEDA Iatrogenia → Critérios de Beers · Benzodiazepínicos / Antivertiginosos · Polivitamínicos e Ginko Biloba · Digital / Diurético / Anticoagulantes Outras escalas que já apareceram em prova Escala Interpretação Escala de desempenho de Karnofsky É utilizada para avaliar a capacidade do paciente em realizar tarefas comuns. Escala de avaliação funcional de Barthel É utilizada para avaliação da independência funcional e mobilidade. Pertence ao campo de avaliação das atividades de vida diária. Escala de Zarit É utilizada para avaliar a sobrecarga dos cuidadores de idoso. Fatores de Risco para Quedas em Idosos Intrínsecos Extrínsecos >80 anos; Sexo feminino; Imobilidade; Quedas precedentes; Redução do equilíbrio; Marcha lenta e com passos curtos; Baixa aptidão física; Fraqueza muscular de MMII e MMSS; Alterações cognitivas; Parkinson; Polifarmácia; Uso de sedativos, hipnóticos e ansiolíticos. Relacionados aos comportamentos e atividades das pessoas idosas e ao meio ambiente; Ambientes inseguros e mal iluminados, mal planejados, mal construídos e com barreiras arquitetônicas representam os principais fatores de risco para quedas; Tapetes pequenos ou capachos em superfícies lisas, bordas de tapetes dobradas, fios no chão, móveis fora do lugar, degraus irregulares, uso de chinelos, sapatos desamarrados, solados escorregadios e animais em locais inapropriados são alguns exemplos de riscos domésticos para quedas. Medicamentos e suas consequências no idoso Medicamentos Possíveis Consequências Antidepressivos tricíclicos (amitriptilina) Efeitos anticolinérgicos, sedativos e hipotensão ortostática Antiagregantes plaquetários (dipiridamol, ticlopidina) Dipiridamol: efeitos adversos no SNC e hipotensão ortostática (e a eficácia das doses toleradas por idosos é duvidosa). Ticlopidina: agranulocitose Anti-histamínicos (prometazina, dexclorfeniramina) Propriedades anticolinérgicas potentes, sedação prolongada Anti-hipertensivos (metildopa, doxazosin, nifedipina de meia-vida curta, clonidina) Metildopa: exacerbação de quadros depressivos, bradicardia Doxasozin: hipotensão postural. Clonidina: hipotensão e sedação Nifedipina: hipotensão, constipação Inibidores seletivos da recaptação da serotonina (fluoxetina) Estimulação do SNC, agitação, distúrbios do sono Antiarrítmicos (amiodarona) Alterações do intervalo QT, arritmias graves (torsades de pointes) Anti-inflamatórios não hormonais (indometacina, fenilbutazona, cetocorolaco) Agranulocitose e eventos adversos no SNC. Outros AINE causam reações menos frequentes. Hipoglicemiantes orais (Clorpropamida) Hipoglicemia prolongada e SAD Benzodiazepínicos de meia-vida prolongada(Diazepam, flurazepam) Sedação, possibilidade de quedas e fraturas. Caso tenham de ser utilizados, deve-se dar preferência pelos de ação curta (lorazepam, alprazolam). Digoxina (em dose > 0,125 mg) Maior risco de toxicidade digitálica Barbitúricos Com exceção do fenobarbital para crises convulsivas, devem ser evitados. Relaxantes musculares / antiespasmódicos (ciclobenzaprina, carisoprodol, oxibutinina, hioscina) Efeitos anticolinérgicos pouco tolerados Meperidina Confusão mental e convulsão por metabólitos Laxativos (bisacodil) Podem exacerbar disfunção intestinal Nitrofurantoína Potencial para disfunção renal DEMÊNCIA Conceito: Perda gradual e progressiva das funções cognitivas do paciente, que obrigatoriamente, interferem nas atividades da vida diária. Abordagem Diagnóstica: 1. Caracterizar a perda cognitiva (Mini-mental, desenho do relógio, fluência verbal ...) 2. Afastar falseadores (“DS”: Droga, Delirium, Depressão) 3. Excluir causas reversíveis (Lab.: função renal e hepática, TSH, B12, Ca2+, VDRL, HIV / Imagem: RM ou TC de crânio) DOENÇA DE ALZHEIMER · É a principal causa de demência! · Fatores de risco: > 60 anos, HFAM, sedentarismo, ↓ atividade intelectual, fatores genéticos · Clínica: 1º Amnésia Anterógrada, após: · Afasia · Apraxia · Agnosia · Quadros avançados: desorientação, ↓ controle esfincteriano, imobilidade (isso que pode levar a óbito) · Diagnóstico: CLÍNICO + Exclusão · Tratamento: NÃO TEM CURA! · Anticolinesterásicos de ação central (Donepezil, rivastigmina, galantamina) · Outras opções: vitamina E, memantina, aducanumabe DEMÊNCIA VASCULAR · É a segunda causa mais comum! · Fatores de risco: HAS, DM, dislipidemia ... · Clínica: · Clássico → clínica “em degraus” · Infarto de pequenos vasos → quadro arrastado · Tratamento: · Controlar fatores de risco · Anticolinesterásico de ação central (teste terapêutico) Diagnósticos Diferenciais para você “passar o olho” Doença de Alzheimer Evolução insidiosa; amnésia anterógrada e desorientação → alteração do raciocínio e linguagem → alteração do equilíbrio, marcha e força Demência vascular Multi-infartos → Clínica “em degraus” Demência por corpúsculos de Lewy Alucinação visual, parkinsonismo e flutuação do nível de consciência Doença de Pick (frontotemporal) Alteração do comportamento Hidrocefalia normobárica (Hakim-Adams) Ataxia de marcha e incontinência urinária Paralisia supranuclear progressiva Desvio do olhar conjugado e parkinsonismo Doença de Creutzfeldt-Jakob Rápida progressão; movimentos mioclônicos. DOENÇA DE PARKINSON Idade > 50 anos e história familiar Síndrome parkinsoniana é uma síndrome extrapiramidal Clínica: TÉTRADE PARKINSONIANA 1. TREMOR (85%) → em repouso (“contar moedas”); unilateral; lento 2. RIGIDEZ PLÁSTICA → sinal da roda denteada 3. BRADICINESIA → movimentos lentificados 4. INSTABILIDADE POSTURAL → ↑ risco de quedas Sintomas não motores: Anosmia, depressão, demência, fadiga, insônia, disautonomia ... Diagnóstico: CLÍNICA + EXCLUSÃO Tratamento: · LEVODOPA · Não respondeu? NÃO É Parkinson! · Efeitos adversos no longo prazo! · Outras opções: · Benserazida, selegilina, pramipexol, amantadina · Refratário? Estimulação cerebral profunda Outros tipos de tremores (diagnóstico diferencial): · Tremor essencial: bilateral e rápido · Tremor cerebelar: piora com movimento Cuidados Paliativos Paliar = Dar alívio, conforto 1. Dor: Opioide Regular: · Codeína 30-60 mg de 4/4h; Morfina 5-10 mg de 4/4h (1-5 mg se “virgem”) Opioide de Resgate: · Dose deve corresponder a 20% do opioide regular Ajustes se Persistência após 24h: · Aumentar em 50% da dose (dor moderada) ou 100% (intensa) Dose Máxima = Alívio da Dor · Dependência ou depressão respiratória são improváveis em doenças terminais Efeitos Adversos são Previsíveis. Trate-os! · Antiemético profilático e manejo da constipação Adjuvantes são bem-vindos! · Analgésicos não opioides, gabapentina, corticoide ... 2. Dispneia Opioides ... de novo! · Reduzem a sensibilidade do centro respiratório e a “fome” do ar Benzodiazepínicos · Se houver componente de ansiedade ... Broncodilatadores e corticoides · Se DPOC ou asma ... Oxigênio? Controverso ... · Pode gerar ansiedade, mas também pode tranquilizar! 3. Náusea Não sei a causa · Haloperidol, clorpromazina, metoclopramida Redução de motilidade · Metoclopramida, mirtazapina, domperidona Associada a Quimioterapia · Antagonistas do receptor 5-HT3 (ondansetrona) O que mais pode aparecer na prova? Poliomielite Eliminada do Brasil desde 1994 → Vacinação: VIP e VOP (Sabin) Clínica: · Maioria ASSINTOMÁTICA! · Doença do 2º neurônio: atrofia, hiporreflexia ... · Fraqueza muscular assimétrica e proximal (MMII) · Febre, retenção urinária (acomete esfíncter) · Sensibilidade preservada Diagnóstico · Clínica + liquor + isolamento viral Tratamento · Suporte Por fim, vale a pena citar que os principais diagnósticos diferenciais da poliomielite são síndrome de Guillain-Barré e mielite transversa. Diagnóstico Diferencial de Poliomielite Especificação Poliomielite Síndrome de Guillain-Barré Mielite Transversa Instalação da paralisia 24 a 48 horas Desde horas até dez dias Desde horas até quatro dias Febre ao início Alta. Sempre presente no início da paralisia, desaparece no dia seguinte Não é frequente Raramente presente Paralisia Aguda, assimétrica, principalmente proximal Geralmente aguda. Simétrica e distal. Aguda, simétrica em membros inferiores Reflexos osteotendinosos profundos Diminuídos ou ausentes Globalmente ausentes Ausentes em membros inferiores Sinal de Babinski Ausente Ausente Presente Sensibilidade Grave mialgia Parestesia, disestesia Anestesia de MMII com nível sensitivo Sinais de irritação meníngea Geralmente presentes Geralmente ausentes Ausentes Comprometimento de nervos cranianos Somente nas formas bulbares Pode estar presente Ausente Insuficiência respiratória Somente nas formas bulbares Em casos graves, exacerbada por pneumonia bacteriana Em geral torácica, com nível sensorial Líquido cefalorraquidiano Inflamatório Dissociação proteinocitológica Células normais ou elevadas; aumento moderado ou acentuado de proteínas Disfunção vesical Presente, com retenção urinária As vezes transitória Presente Velocidade de condução nervosa Normal ou pode-se detectar apenas redução na amplitude do potencial da unidade motora Redução da velocidade de condução motora e sensitiva Dentro dos limites da normalidade Eletromiografia (EMG) Presença ou não de fibrilações. Potencial da unidade motora com longa duração e aumento da amplitude Presença ou não de fibrilações e pontas positivas. Potencial da unidade motora pode ser normal ou neurogênico Dentro dos limites da normalidade. Miopatia Induzida por Estatinas É um efeito adverso raro! RISCO MAIS ELEVADO SE: · Uso concomitante de medicações que inibem CYP3A4: ciclosporina, fibratos (genfibrozil), macrolídeos, itraconazol, inibidores de protease, amiodarona, fluoxetina ... · Estatinas com maior poder miotóxico: sinvastatina e lovastatina Clínica: Assintomático → Mialgia → Rabdomiólise Padrões de Sintomas Musculares SMRE 0: ↑CK assintomática SMRE 1: mialgia tolerável SMRE 2: mialgia intolerável SMRE 3: miopatia (fraqueza) moderada SMRE 4: miopatia grave SMRE 5: rabdmiólise SMRE 6: miopatia necrosante autoimune Monitorização: · Não precisa acompanhar níveis de CK! · Dosar antes de começar tratamento Tratamento: Grave = SUSPENDER! · Mialgia intolerável → suspender e reintroduzir após CK · Tolerável + CK↑ (> 3-7x Limite Superior da Normalidade) → ↓dose e acompanhar CK Opção: Trocar estatina → fluvastatina, pravastatina e pitavastatina Hipertensão Intracraniana Pode ocorrer um aumento de: · Parênquima: tumor, abscesso · Líquor: hidrocefalia, meningite · Sangue: AVE hemorrágico DEVO FAZER EXAME DE NEUROIMAGEM Clínica: · Cefaleia, rebaixamento de nível de consciência, papiledema, vômito em jato, estrabismo convergente ... · TRÍADE DE CUSHING: HAS + ↓FC + arritmiarespiratória Tratamento · Objetivo: PIC