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Universidade Federal Rural de Rio de Janeiro IC815 - Geometria Analítica O Plano 9 de outubro de 2023 Prof. Renan Teixeira 1. Equação do plano e suas relações Dados três pontos P0, P1 e P2 não colineares, existe um único plano π que contém estes três pontos, assim como apresentado na Figura 1. Seguindo, então, as mesmas ideias utilizadas no caso da reta, para determinar as equações de π utilizaremos um ponto inicial (por exemplo P0) e conjunto com vetores u⃗ = −−−−→ P0P1 , v⃗ = −−−−→ P0P2 determinados pelos pontos escolhidos. Figura 1: Descrição do plano que contém os pontos, não colineares, P0, P1 e P2. Tomando um ponto P qualquer deste plano π obtemos o vetor −−−→ P0P coplanar aos vetores u⃗ e v⃗. Assim, um ponto P (x,y,z) ∈ π se, e somente se, existem números reais h e t tais que: −−−→ P0P = hu⃗+ tv⃗ P − P0 = hu⃗+ tv⃗ P = P0 + hu⃗+ tv⃗. (1) De modo, que obtemos a equação vetorial do plano π (1). Dados P0(x0,y0,z0), u⃗ = (u1,u2,u3) e v⃗ = (v1,v2,v3) então para um ponto qualquer P(x,y,z) do plano e a equação vetorial (1) podemos escrever da seguinte forma (x,y,z) = (x0,y0,z0) + h(u1,u2,u3) + t(v1,v2,v3) ou x = x0 + hu1 + tv1 y = y0 + hu2 + tv2 z = z0 + hu3 + tv3 (2) descrita como equações paramétricas do plano π (2), onde os vetores u⃗ e v⃗ são chamados de vetores diretores do plano π. A Geometria Euclidiana nos dá uma outra forma de encontrarmos a equação de um plano. Para isso vamos primeiro lembrar que, dada uma reta e um ponto P1 podemos encontrar um único plano π que contenha o ponto P1 e que seja ortogonal a reta dada. 1 Prof. Renan Teixeira O Plano Figura 2: Descrição do plano com seu vetor normal n⃗. Observe que, como mostra a Figura 2, neste resultado, a reta serve apenas para determinar uma direção. Isso nos permite, portanto, substituir esta reta por um vetor paralelo a ela. Neste sentido, dado um plano π, dizemos que um vetor n⃗ não nulo é normal a π se n⃗ é ortogonal a todos os vetores paralelos a π. Portanto, sejam dois pontos A(x1,y1,z1) e P(x,y,z) no plano π. Como o vetor −−→ AP é perpendicular a n⃗= (a,b,c), n⃗ , 0, então temos n⃗ · −−→ AP = 0 n⃗ · (P −A) = 0 (a,b,c) · (x − x1,y − y1,z − z1) = 0 a(x − x1) + b(y − y1) + c(z − z1) = 0 ax+ by+ cz−ax1 − by1 − cz1︸ ︷︷ ︸ =d = 0 Daí, temos a equação geral do plano π dado pela equação (3) abaixo ax+ by+ cz+ d = 0 (3) Exercício 1. Encontre as equações geral, vetorial e paramétricas do plano passando pelos pon- tos A(2, 1,0), B(3, 3, 2) e C(1, 2, 4). Exercício 2. Encontre equações paramétricas para o plano cuja equação geral é 2x+3y+z = 1. Exercício 3. Encontre a equação geral do plano com equação vetorial P = (0,1,2)+(3,1,2)h+ (1,2,1)t. 1.1 Casos Particulares Considerando a equação geral do plano π, ax+ by+ cz+ d = 0, o que acontece quando um ou mais coeficientes são nulos? 1ª Situação Um coeficiente nulo: Quando d = 0, obtemos um plano paralelo ao plano π que passa pela origem O(0,0,0), pois este ponto satisfaz a equação ax + by + cz = 0. Por outro lado, se tivermos a = 0 ou b = 0 ou c = 0 obtemos um plano paralelo ao eixo cujo componente do vetor normal é zero, ou seja, se a= 0 temos um plano paralelo ao eixo Ox e assim por diante. 2 O Plano Prof. Renan Teixeira 2ª Situação Dois coeficientes nulos, sendo um deles o termo d: Neste caso, se tivermos a= d = 0 ou b = d = 0 ou c = d = 0, temos: - se a= d = 0→ obtemos um plano que contém o eixo Ox. - se b = d = 0→ obtemos um plano que contém o eixo Oy. - se c = d = 0→ obtemos um plano que contém o eixo Oz. 3ª Situação Dois coeficientes nulos, dentre a, b, c: Se tivermos a= b = 0 ou b = c = 0 ou a= c = 0 temos - se a= b = 0→ obtemos um plano paralelo ao plano xOy. - se b = c = 0→ obtemos um plano paralelo ao plano yOz. - se a= c = 0→ obtemos um plano paralelo ao plano xOz. 4ª Situação Três coeficientes nulos, sendo um deles o termo d: Neste caso, obtemos o plano coordenado cujos componentes do vetor normal são zero. Problemas Propostos Exercício 4. Determinar a equação geral do plano que passa pelo ponto A(1,−3,4) e é paralelo aos vetores u⃗ = (3,1,−2) e v⃗ = (1,−1,1). Exercício 5. Estabelecer a equação geral do plano determinado pelos pontos A(2, 1,-1), B(0, -1, 1) e C(1, 2, 1). Exercício 6. Estabelecer a equação cartesiana do plano que contém as retas r1 : x = −1+ 2t y = 4t z = 3− 6t e r2 : y = 2x+ 1 z = −3x − 2 . Exercício 7. Seja o plano π que passa pelo ponto A(2,2,-1) e é paralelo aos vetores u⃗ = (2,−3,1) e v⃗ = (−1,5,−3). Determine uma equação vetorial, um sistema de equações paramétricas e uma equação geral de π. Exercício 8. Dado o plano π determinado pelos pontos A(1, -1, 2), B(2, 1, -3) e C(-1, -2, 6), determine um sistema de equações paramétricas e uma equação geral de π. Exercício 9. Dado o plano π de equação 2x− y − z+ 4 = 0, determine um sistema de equações paramétricas para o plano π. 3 Prof. Renan Teixeira O Plano Exercício 10. Determine a equação geral do plano π que contém as retas r1 : x = 2t y = 3+ 2t z = 1− 6t e r2 : y = x+ 1 z = −3x − 2 . 4 O Plano Prof. Renan Teixeira 1.2 Ângulos entre dois planos Sejam os planos π1 e π2 com vetores normais n⃗1 e n⃗2, respectivamente, como apresentado na Figura 3. Figura 3: Ângulo θ entre os planos π1 e π2. Como podemos observar na Figura 3, o ângulo formado pelos planos é o mesmo que o ângulo entre os vetores normais aos planos. Logo, chama-se ângulo de dois planos o menor ângulo que um vetor normal a π1 forma com um vetor normal π2. Sendo θ este ângulo, temos cosθ = |n⃗1 · n⃗2|∥∥∥n⃗1 ∥∥∥∥∥∥n⃗2 ∥∥∥ , com 0 ≤ θ ≤ π 2 . Exercício 11. Determine o ângulo entre os planos π1 : 2x+ y − z+ 3 = 0 e π2 : x+ y − 4 = 0. 1.2.1 Paralelismo entre dois planos Sejam os planos π1 : a1x+b1y+c1z+d1 = 0 e π2 : a2x+b2y+c2z+d2 = 0, onde n⃗1 = (a1,b1,c2) e n⃗2 = (a2,b2,c2) com n⃗1 ⊥ π1 e n⃗2 ⊥ π2. Logo, para dois planos serem paralelos, basta que seus vetores normais sejam paralelos, então π1 ∥ π2 → n⃗1 ∥ n⃗2 → a1 a2 = b1 b2 = c1 c2 . Observação. Se além das igualdades anteriores tivermos a1 a2 = b1 b2 = c1 c2 = d1 d2 então os planos serão coincidentes. 1.2.2 Perpendicularidade de dois Planos Sejam os planos π1 : a1x+b1y+c1z+d1 = 0 e π2 : a2x+b2y+c2z+d2 = 0, onde n⃗1 = (a1,b1,c2) e n⃗2 = (a2,b2,c2) com n⃗1 ⊥ π1 e n⃗2 ⊥ π2. Logo, para dois planos serem paralelos, basta que seus vetores normais sejam paralelos, então π1 ⊥ π2 → n⃗1 ⊥ n⃗2 → n⃗1 · n⃗2 = 0 Exercício 12. Determine o ângulo entre os planos π1 : 2x−3y+5z−8 = 0 e π2 : 3x+2y+5z−4 = 0. 5 Prof. Renan Teixeira O Plano Exercício 13. Calcule os valores de m e n para que o plano π1 : (2m−1)x−2y+nz−3 = 0 seja paralelo ao plano π2 : 4x+ 4y − z = 0 Exercício 14. Verifique se os planos π1 e π2 são perpendiculares entre si. a) π1 : 3x+ y − 4z+ 2 = 0 e π2 : 2x+ 6y+ 3z = 0. b) π1 : x+ y − 4 = 0 e π2 : x = 2− h+ 2t y = h+ t z = t . 1.3 Ângulo entre reta e plano Seja uma reta r com direção do vetor v⃗ e um plano π, sendo n⃗ o vetor normal a π. Figura 4: Ângulo φ entre a reta r e o plano π. Como pode ser observado na Figura 4, o ângulo φ da reta r com o plano π é o complementar do ângulo θ que a reta r forma com uma reta normal ao plano. Tendo em vista que θ+φ = π/2, e portanto, cosθ = senφ, temos senφ = |v⃗ · n⃗|∥∥∥v⃗∥∥∥∥∥∥n⃗∥∥∥ , com 0 ≤ θ ≤ π 2 . 1.3.1 Paralelismo entre reta e plano Seja a reta r e o plano π, temos r ∥ π → v⃗ ⊥ n⃗ → v⃗ · n⃗= 0 onde v⃗ é o vetor diretor da reta r e n⃗ é o vetor normal ao plano π. 1.3.2 Perpendicularidade entre reta e plano Seja a reta r e o plano π, temos r ⊥ π → v⃗ ∥ n⃗ → v1 a = v2 b = v3 c onde v⃗ = (v1,v2,v3) é o vetor diretor da reta r e n⃗= (a,b,c) é o vetor normal ao plano π. 6 O Plano Prof. Renan Teixeira Exercício 15. Determine se a reta r : x = 1+ 2t y = −3t z = t é paralela ao plano π : 5x+2y −4z−1 = 0. Exercício 16. Determine o ângulo que a reta r : x = 1− 2t y = −t z = 3+ t forma com o plano π : x+y−5 = 0. Exercício 17. Verifique se a reta r : df racx − 23 = df racy+ 1−2 = df racz−1 é perpendicular ao plano π : 9x − 6y − 3z+ 5 = 0. 1.4 Reta contida no plano Uma reta r está contida em um plano π se: • Dois pontos A e B de r também pertencerem a π ou; • v⃗ · n⃗ = 0, onde v⃗ é um vetor diretor de r e n⃗ um vetor normal a π. E um ponto A ∈ π, sendo A ∈ r. Exercício 18. Determine os valores de m e n para que a reta r : x = 3+ t y = −1− t z = −2− t esteja contida no plano π : 2x+my+ nz − 5 = 0. 1.5 Interseção entre dois Plano A interseção de dois planos não-paralelos é uma reta r cujas equações se deseja determinar. Vamos apresentar duas formas de resolver: Caso 1) Como r está contida nos dois planos, as coordenadas de qualquer ponto (x,y,z) de r devem satisfazer simultaneamente as equações dos dois planos. Logo, os pontos de r constituem a solução do sistema formado pelas equações gerais dos planos. Caso 2) Outra maneira é determinar um de seus pontos e um vetor diretor. Seja o ponto A ∈ r que tem abcissa zero, então obtemos as outras coordenadas do ponto A ∈ r. Como o vetor diretor de r é simultaneamente ortogonal a n⃗1 e n⃗2, normais aos planos, o vetor diretor pode ser dado por v⃗ = n⃗1 × n⃗2. Observação. Interseção entre reta e plano: Se I(x,y,z) é um ponto de interseção de r e π, suas coordenadas devem satisfazer ambas equações, do plano e da reta. 7 Prof. Renan Teixeira O Plano Exercício 19. Determine as equações paramétricas e reduzidas obtidas da interseção dos pla- nos π1 : 5x − y+ z − 5 = 0 e π2 : x+ y+ 2z − 7 = 0. Exercício 20. Determine o ponto de interseção da reta r : y = 2x+ 3 z = 3x − 4 com o plano π : 3x+ 5y − 2z − 9 = 0. Exercício 21. Determine o ponto de interseção da reta r : x = −1+ 2t y = 5+ 3t z = 3− t com o plano π : 2x − y+ 3z − 4 = 0. 1.6 Distância de ponto e plano Dado um ponto P e um plano π, queremos calcular a distância d(P,π). Seja A um ponto qualquer de π e n⃗ um vetor normal a π. Como mostra a Figura 5, a distância d(P,π) é o módulo da projeção de −−→ AP na direção de n⃗. Figura 5: Distância entre ponto e plano. Logo, temos: d(P,π) = |projn⃗ −−→ AP |= ∥∥∥∥∥∥∥ −−→AP · n⃗∥∥∥n⃗∥∥∥ n⃗∥∥∥n⃗∥∥∥ ∥∥∥∥∥∥∥ d(P,π) = ∥∥∥∥∥∥∥−−→AP · n⃗∥∥∥n⃗∥∥∥ ∥∥∥∥∥∥∥ Considerando P(x0,y0,z0), π : ax+ by+ cz+ d = 0 e A(x1,y1,z1) ∈ π, temos: d(P,π) = ∥∥∥ax0 + by0 + cz0 + d ∥∥∥ √ a2 + b2 + c2 Exercício 22. Calcule a distância do ponto P0(4,2,−3) ao plano π : 2x+ 3y − 6z+ 3 = 0. 8 O Plano Prof. Renan Teixeira 1.7 Distância entre dois planos A distância entre dois planos é definida somente quando os planos forem paralelos. Logo, dados dois planos paralelos, a distância entre eles é determinado pela distância de um ponto qual- quer de um dos planos ao outro plano. Portanto, d(π1,π2) = d(P1,π2) = d(π1,P2) onde P1 ∈ π1 e P2 ∈ π2. 1.8 Distância entre reta e plano A distância entre reta e plano é definida somente quando a reta é paralela ao plano. Logo, dado uma reta r e um plano π, a distância entre eles é determinado pela distância de um ponto qualquer da reta ao plano. Portanto, d(r,π) = d(P0,π) onde P0 ∈ r. Exercício 23. Calcule a distância entre os planos π1 : 2x−2y+z−5 = 0 e π2 : 4x−4y+2z+14 = 0. Exercício 24. Determine a distância da reta r : x = 3 y = 4 : a) ao plano xOy; b) ao plano yOz; c) ao plano π : x+ y − 12 = 0. d) xOy 9 Equação do plano e suas relações Casos Particulares Ângulos entre dois planos Paralelismo entre dois planos Perpendicularidade de dois Planos Ângulo entre reta e plano Paralelismo entre reta e plano Perpendicularidade entre reta e plano Reta contida no plano Interseção entre dois Plano Distância de ponto e plano Distância entre dois planos Distância entre reta e plano