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PLANO DE ESTUDOS OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM • Apresentar a diferença entre Ciência Química e Engenharia Química. • Mostrar como a indústria se estrutura nas diversas ativida- des correlatas à Engenharia Química: Produtos, Alimentos Fármacos, Materiais, Petróleo. • Apresentar o conceito de operação unitária e como ele permite simplificar os projetos e processos. • Descrever a metodologia para prever e controlar o balanço de materiais em processos. • Apresentar processos simples, com aplicações industriais, de balanço de massas. Ciência e Engenharia Química e Indústria Balanço de materiais Exemplos de balanço de massas Operações unitárias Dr. José Roberto Castilho Piqueira Engenharia Química Ciência e Engenharia • A Química é a Ciência das transformações, e a Engenharia Química projeta e implementa as transformações em larga escala. • Lavoisier é considerado o iniciador da Quí- mica como Ciência e enunciou o princípio da conservação da massa em reações químicas. • A tabela periódica, além de agrupar os ele- mentos por propriedades físicas e químicas, permitiu a previsão da síntese de elementos não existentes na natureza. • O Engenheiro Químico atua em um grande número de setores da atividade humana, como a indústria farmacêutica e a agricultura. 151UNIDADE VI É um conhecimento quase lendário que diz que a Química tem origem na Alquimia, prática da Idade Média que consistia na busca da “pedra filosofal”, remédio de todos os males e que, a um simples toque, transformaria qualquer metal em ouro. A “pedra filosofal” nunca foi encontrada, mas a ideia de trans- formação de uma substância em outra, com novas propriedades é a base da Química que, acompanhando o movimento geral de desenvolvimento, passou a ser tratada com bases científicas durante o século XVIII. O francês Antoine-Laurent Lavoisier (Figura 1a) (1743-1794), ao enunciar a lei de conservação das massas em uma transformação, deu origem à Ciência Química, como é vista hoje, depois de passar por grande desenvolvimento. Apesar de todo seu brilho científico, Lavoisier foi guilhotinado pela Revolução Francesa, em 8 de maio de 1794. O grande matemá- tico Joseph-Louis de Lagrange (Figura 1b) (1736-1813), contem- porâneo de Lavoisier, disse: “Não bastará um século para produzir uma cabeça igual à que se fez cair num segundo”. A evolução da Química como ciência, nos séculos XIX e XX, desvendou a estrutura da matéria, permitindo a descoberta e a classificação dos elementos químicos. Além disso, permitiu o en- tendimento de como esses elementos podem se agregar, formando as moléculas e como elas podem reagir, formando as substâncias que nos dão a vida, mantendo-as pelos constantes ciclos naturais. Devemos a Dmitri Ivanovich Mendeleev (Figura 2) (1834-1907) a criação, em 1869, da tabela periódica, colocando os 63 elementos químicos então conhecidos na forma de uma tabela, agrupando- -os de acordo com as massas atômicas e as propriedades físicas e químicas. A tabela periódica dos elementos (Figura 3) foi uma ideia tão importante que permitiu, ao longo do tempo, ser completada con- tendo os 118 elementos químicos conhecidos atualmente, sendo 92 naturais e 26 artificiais. Figura 1a – Lavoisier Figura 1b – Lagrange Figura 2 – Dmitri Ivanochi Mendeleev 152 Engenharia química O bom uso da ciência Química e o entendimento dos mecanismos de ligações e reações levaram a verdadeiras maravilhas: síntese de fármacos, pro- cessamento de alimentos e melhoria da qualidade dos solos estão entre elas. Começa, então, o encon- tro da Ciência Química com a Engenharia Quí- mica: produzir em escala as descobertas e sínteses realizadas nos laboratórios, disponibilizando-as para a melhoria da vida. Essa é a essência da Engenharia Química: modificar a composição, conteúdo energético ou estado físico da matéria-prima, para que os produtos resultantes atendam determinado fim. Para efetuar essas modificações em larga escala, é necessário conceber um processo que deve ser composto de várias fases: síntese, projeto, teste, escalonamento, operação, controle, otimização. Assim, o Engenheiro Químico está na indústria de transformação, de uma maneira geral: borracha, celulose, tintas, corantes, inseticidas, derivados de petróleo, resinas, medicamentos e bebidas. Figura 3 – Tabela periódica dos elementos Fonte: Tabela Periódica (2016, on-line)1. Seus setores de atuação podem, de maneira simplificada, ser enumerados (CREMASCO, 2015): • Automobilístico: álcool, gasolina, óleo die- sel, lubrificantes; • Construção: borracha, tinta, cal, cimento; • Eletrônicos: silicone, fibras de carbono; • Energia: gás para aquecimento; • Farmacêutico: antissépticos, anestésicos, antitérmicos; • Bebidas: cervejas (fermentação); • Fibras sintéticas: roupas, cortinas, cober- tores; • Hortifrutigranjeiros: fertilizantes, fungici- das, inseticidas; • Limpeza: detergentes, desinfetantes, ceras, sabões; • Metais: manufatura de aço e zinco; • Plásticos: brinquedos, baldes, isolantes elé- tricos. Og oganessônio 118 [294] Cu cobre 29 63,546(3) Ni níquel 28 58,693 Co cobalto 27 58,933 Fe ferro 26 55,845(2) Mn manganês 25 54,938 Cr crômio 24 51,996 V vanádio 23 50,942 Ti titânio 22 47,867 Sc escândio 21 44,956 Ca cálcio 20 40,078(4) Mg magnésio 12 24,305 Be berílio 4 9,0122 K potássio 19 39,098 Na sódio 11 22,990 Li lítio 3 6,94 H hidrogênio 1 1,008 Kr criptônio 36 83,798(2) Br bromo 35 79,904 Se selênio 34 78,971(8) As arsênio 33 74,922 Ge germânio 32 72,630(8) Ga gálio 31 69,723 Al alumínio 13 26,982 Si silício 14 28,085 P fósforo 15 30,974 S enxofre 16 32,06 Cl cloro 17 35,45 Ar argônio 18 39,948 B boro 5 10,81 C carbono 6 12,011 N nitrogênio 7 14,007 O oxigênio 8 15,999 F flúor 9 18,998 Ne neônio 10 20,180 He hélio 2 4,0026 Zn zinco 30 65,38(2) Rb rubídio 37 85,468 Cs césio 55 132,91 Fr frâncio 87 [223] Sr estrôncio 38 87,62 Ba bário 56 137,33 Ra rádio 88 [226] Y ítrio 39 88,906 Zr zircônio 40 91,224(2) Hf háfnio 72 178,49(2) Ta tântalo 73 180,95 W tungstênio 74 183,84 Re rênio 75 186,21 Os ósmio 76 190,23(3) Ir irídio 77 192,22 Pt platina 78 195,08 Au ouro 79 196,97 Hg mercúrio 80 200,59 Tl tálio 81 204,38 Pb chumbo 82 207,2 Bi bismuto 83 208,98 Po polônio 84 [209] At astato 85 [210] Rn radônio 86 [222] Rf rutherfórdio 104 [267] Db dúbnio 105 [268] Sg seabórgio 106 [269] Bh bóhrio 107 [270] Hs hássio 108 [269] Mt meitnério 109 [278] Ds darmstádtio 110 [281] Rg roentgênio 111 [281] Cn copernício 112 [285] Nh nihônio 113 [286] Fl fleróvio 114 [289] Mc moscóvio 115 [288] Lv livermório 116 [293] Ts tenessino 117 [294] Nb nióbio 41 92,906 Mo molibdênio 42 95,95 Tc tecnécio 43 [98] Ru rutênio 44 101,07(2) Rh ródio 45 102,91 Pd paládio 46 106,42 Ag prata 47 107,87 Cd cádmio 48 112,41 In índio 49 114,82 Sn estanho 50 118,71 Sb antimônio 51 121,76 Te telúrio 52 127,60(3) I iodo 53 126,90 Xe xenônio 54 131,29 La lantânio 57 138,91 Ac actínio 89 [227] Ce cério 58 140,12 Th tório 90 232,04 Pr praseodímio 59 140,91 Pa protactínio 91 231,04 Nd neodímio 60 144,24 U urânio 92 238,03 Pm promécio 61 [145] Np netúnio 93 [237] Sm samário 62 150,36(2) Pu plutônio 94 [244] Eu európio 63 151,96 Am amerício 95 [243] Gd gadolínio 64 157,25(3) Cm cúrio 96 [247] Tb térbio 65 158,93 Bk berquélio 97 [247] Dy disprósio 66 162,50 Cf califórnio 98 [251] Ho hólmio 67 164,93 Es einstênio 99 [252] Er érbio 68 167,26 Fm férmio 100 [257] Tm túlio 69 168,93 Md mendelévio 101 [258] Yb itérbio 70 173,05 No nobélio 102 [259] Lu lutécio 71 174,97 Lr laurêncio 103 [262] Tabela periódica1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 www.tabelaperiodica.org Licença de uso Creative Commons By-NC-SA 4.0 - Usesomente para fins educacionais Caso encontre algum erro favor avisar pelo mail luisbrudna@gmail.com Versão IUPAC (pt-br) com 5 algarismos significativos, baseada em DOI:10.1515/pac-2015-0305 - Atualizada em 27 de março de 2017 57 a 71 89 a 103 Li lítio 3 [6,938 - 6,997] número atômico símbolo químico nome peso atômico (ou número de massa do isótopo mais estável) 153UNIDADE VI Linus Pauling (1901-1994) foi um importante Químico do século XX e a ele devemos, entre outras coisas, a distribuição dos elétrons em níveis de energia nos átomos e a explicação das ligações químicas. Para saber mais sobre Linus Pauling, consulte: . 154 Engenharia química Química e Indústria • Como o Engenheiro Químico trabalha proces- sos de transformação, em geral, sua formação deve ser multidisciplinar. • Engenheiros Químicos podem trabalhar em de- senvolvimento de produtos, segurança, gestão de projetos, gestão financeira e vendas. • As engenharias Ambiental, de Alimentos, de Metalurgia, de Materiais, de Minas e de Petró- leo podem ser consideradas da grande área Química. Conforme já dissemos anteriormente, o Enge- nheiro Químico trabalha ligado a processos de transformação de matéria-prima em produtos comerciais ou industriais. Por essa razão, sua pre- sença é sempre notável nas mais diversas áreas de atividade, demandando um conhecimento mul- tidisciplinar que, além das questões científicas e tecnológicas, envolve responsabilidade social. A atividade mais visível é a de engenharia de produto, que trata do planejamento do processo 155UNIDADE VI de transformação, da garantia da qualidade dos resultados, do aprimoramento e da otimização dos métodos de produção. Além disso, o enge- nheiro de produto deve manter um forte conhe- cimento do mercado, monitorando os processos de custos e precificação, decidindo continuidade ou desenvolvimento dos bens produzidos. Outra atividade vital da Engenharia Química é a engenharia de segurança, responsável pela qualida- de do trabalho dentro das fábricas, bem como pelo planejamento de uma interação sustentável e não poluidora entre as plantas industriais e seu entorno. Cada projeto a ser implantado para a produção de um bem na indústria requer gestão cuidado- sa, planejando a capacidade produtiva necessária para atendimento das expectativas de vendas, a estocagem da matéria-prima e os cronogramas de entrega de produtos. Essas atividades são, normal- mente, exercidas pelo Engenheiro Químico gestor de projeto. A gestão dos custos de produção é ati- vidade do Engenheiro Químico gestor financeiro que, além disso, se ocupa do controle monetário da atividade industrial. As Engenharias, de maneira geral, envolvem a geração de produtos cuja venda pode requerer conhecimento especializado do processo. É o que faz o Engenheiro Químico de Vendas, apresenta os produtos, explicando como cada um deles pode compor o sistema do cliente. Para exemplificar essas atividades, vamos con- siderar a indústria de refino de petróleo (Figura 4) e petroquímica. Tudo começa no projeto do pro- cesso e na definição da composição do produto a ser fabricado (engenharia de gestão de projeto). Figura 4 – Refinaria de petróleo 156 Engenharia química Uma vez implantada a unidade industrial e o que vai ser fabricado, cabe monitorar a operação da planta garantindo a qualidade de produtos, cata- lizadores e processos (engenharia de produto). Essa operação deve ser segura tanto do ponto de vista interno como externo, protegendo os tra- balhadores de eventuais acidentes e cuidando da não degradação do meio ambiente (engenharia de segurança). Os gestores (de projeto e financeiro) planejam a produção do petróleo e dos produtos associados, bem como seu armazenamento e distribuição. Engenheiros de venda pesquisam, desenvol- vem o mercado e são responsáveis por prover assistência técnica, quando necessário. Essa amplitude das atividades de um Enge- nheiro Químico proporciona uma grande super- posição com atividades de engenharia que rece- bem outras denominações e que, talvez, pudessem ser englobadas dentro de uma grande área. Por exemplo, o Engenhei- ro Ambiental (Figura 5) trabalha com tecnologias que permitem o desenvol- vimento dos diversos seto- res, sem degradar o meio ambiente. Cuida da água, do ar e do solo, recom- pondo e saneando regiões e aprimorando matrizes energéticas. O Engenheiro de Ali- mentos (Figura 6) cuida da fabricação, análise, conserva- ção e transporte de alimentos in- dustrializados e de bebidas. Estuda e acompanha o processamento de matérias-primas básicas como o leite, a carne, as verduras, as frutas e os legumes. Figura 5 – Engenharia Ambiental 157UNIDADE VI Assim, poderíamos também envolver as engenharias de Materiais, de Metalurgia, de Minas e de Petróleo, todas elas ligadas a impor- tantes transformações nas matérias-primas. Figura 6 – Engenharia de Alimentos A implantação de uma planta química é tarefa complexa e envolve conhecimentos de várias modalidades de engenharia. Para saber mais sobre esse assunto, consulte o excelente trabalho de formatura do site: . 158 Engenharia química Operações Unitárias • A sistematização do projeto dos processos em Engenharia Química se dá a partir do conceito de operações unitárias. • Existem três tipos de operações unitárias: me- cânicas, transferência de energia e transferên- cia de massa. A multidisciplinaridade e a diversidade de proces- sos em que a Engenharia Química está envolvida parece, em um primeiro momento, ser um ramo de estudos de difícil sistematização. Entretanto, em 1915, o Engenheiro Quími- co do Instituto de Tecnologia de Massachucetts Arthur Dehon Little (1863-1935) apresentou o conceito de “operações unitárias”, permitindo a divisão de um processo químico em etapas básicas de três tipos fundamentais: mecânicas, transferência de massa e transferência de energia (Figura 7). 159UNIDADE VI Figura 7 – Arthur Dehon Little Fonte: The new Atlantis ([2017], on-line)2. Assim, cada etapa de um processo químico na indústria recebe o nome de “operação unitária”. O conjunto de todas as etapas é chamado “processo unitário”. Consideram-se como operações unitá- rias mecânicas aquelas que envolvem transporte ou separação de fluidos e sistemas particulados. São exemplos desse tipo de operação unitária: • Filtração: separação de particulados por diferença de tamanho entre as partículas e os poros do elemento filtrante, encon- trados na fabricação de adesivos e fibras artificiais; • Flotação: separação de sólidos por meio da suspensão de matéria para a superfície de um líquido e sua posterior remoção, encontrado na fabricação de resinas e tra- tamento de água; • Sedimentação: separação de particulados por meio de deposição de material, encon- trado na fabricação de papel e tintas. As operações unitárias de transferência de energia envolvem a troca de calor entre as partes compo- nentes de um processo. São exemplos desse tipo de operação unitária: • Aquecimento: fornecimento de energia a um fluido ou sólido, presente na indústria de adesivos e fertilizantes; • Condensação: retirada de energia de um vapor para provocar sua mudança de es- tado, presente na indústria de inseticidas e derivados do petróleo; • Trocador de calor: processo simultâneo de aquecimento e resfriamento envolven- do correntes de fluídos, encontrado na in- dústria de açúcar, petróleo e bebidas. As operações unitárias de transferência de massa envolvem a troca de matéria entre as partes com- ponentes de um processo. São exemplos desse tipo de operação unitária: • Absorção: separação preferencial de molé- culas presentes em uma mistura gasosa por meio de sua retenção em um líquido, presente na indústria de ácido sulfúrico e fertilizantes; • Adsorção: separação preferencialde mo- léculas presentes em um gás ou líquido por meio de sua retenção em um sólido, presente na indústria de fármacos e resinas; • Destilação: separação de líquidos por aquecimento, baseado na diferença de seus pontos de ebulição, presente na indústria de derivados de petróleo e tintas. As operações unitárias são a base da Engenharia Química. Para entendê-las melhor, consulte as notas de aula do professor Armin Isenmann, disponíveis em: . 160 Engenharia química Balanço de Materiais • O conceito de operações unitárias permite decompor processos em etapas e analisá-las separadamente. • Definido um sistema e um intervalo de tempo, a equação de balanço de propriedades exten- sivas pode ser aplicada. O conceito de operações unitárias permite uma sistematização da metodologia de estudo de um processo por sua decomposição sucessiva em etapas, aplicando a cada uma delas o balanço de quantidades relativas às grandezas extensivas de cada etapa. Simplificadamente, entendemos por grandezas extensivas a massa, a energia, a carga elétrica e a quantidade de partículas. Assim, para enunciarmos a lei geral de balanço de grandezas extensivas, é necessário definir os seguintes pontos: 161UNIDADE VI • Qual a propriedade cuja quantidade (Q) será analisada; • Qual é a fronteira do sistema; • Qual o intervalo de tempo a ser considerado. Uma maneira pictórica de se enxergar a lei de balanço está mostrada na Figura 8, e estabelece- remos a seguinte notação: • Qentrada: quantidade da grandeza extensiva entrando no sistema; • Qsaída: quantidade da grandeza extensiva saindo do sistema; • Qgerada: quantidade da grandeza extensiva gerada no sistema; • Qconsumida: quantidade da grandeza extensi- va consumida no sistema; • Qinstantânea: quantidade da grandeza extensi- va existente no sistema. SISTEMA Qentrada Qsaída Fronteira Figura 8 – Balanço de propriedades extensivas Fonte: o autor. Examinando a Figura 8, observa-se que Qentrada e Qgerada contribuem positivamente para Qinstantânea, enquanto que Qsaída e Qconsumida contribuem negati- vamente. Logo, a equação de balanço de proprie- dades extensivas do sistema pode ser escrita para um dado intervalo de tempo, entre um instante inicial (ti) e um instante final (tf): Qinstantânea final - Qinstantânea inicial = (Qentrada+ Qgerada) – (Qsaída + Qconsumida). Exemplo: Vamos fazer um exemplo simples, mas que ilustra de maneira simples a equação de balanço: Ao levantar pela manhã, uma pessoa encontra uma garrafa de água contendo 500g do precioso líquido e consome 200g. Outra pessoa, ao acor- dar mais tarde e encontrar a garrafa resolve repor 400g de água. Apesar da trivialidade do exemplo, podemos estabelecer os seguintes pontos: • Propriedade extensiva: massa de água; • Sistema: garrafa; • Instante inicial: primeira pessoa acorda; • Instante final: segunda pessoa termina de adicionar líquido à garrafa. Com essas informações: Qinstantânea inicial = 500g; Qsaída= 200g; Qentrada= 400g; Qgerada=0; Qconsumida= 0 e, portanto: Qinstantânea final – 500 = (400+0) – (200+0), implicando Qinstantânea final = 700g. Entre os processos de transferência de massa, a difusão é de grande utilidade na prática. Para saber mais sobre esse assunto, assista ao vídeo disponível em: . 162 Engenharia química 1a Lei da Termodinâmica (Balanço Energético) A primeira lei da Termodinâmica é uma aplicação da equação de balanço de quantidades extensivas. Especificamente em relação a um sistema termodinâmico (Figura 9): Figura 9 – Sistema Termodinâmico Fonte: Carron e Piqueira (2017). • a quantidade de energia Q, na forma de calor, trocada pelo sistema com o meio externo; • o trabalho mecânico Ʈ trocado pelo siste- ma com o meio externo; • a variação de energia interna ∆U = Ufinal - Uinicial do sistema termodinâmico. Assim, se um sistema termodinâmico recebe calor do meio externo e realiza trabalho sobre ele, sua equação de balanço energético fica: Ufinal - Uinicial = Q – Ʈ. Usina termoelétrica: princípio de funcionamento Tenha sua dose extra de conhecimento assistindo ao vídeo. Para acessar, use seu leitor de QR Code. 163UNIDADE VI Exemplos de Balanço de Massas • Fluxo ou vazão em massa é a massa por unida- de de tempo que entra ou sai do componente de um sistema. • O balanço de massas é equivalente ao balanço de fluxos. Quando falamos de balanço de massa em um processo químico, partimos do pressuposto que as massas relativas a certos compostos e a certas partes do sistema variam ao longo do tempo. Assim, vamos estabelecer uma notação de- finindo taxa de variação da massa de um certo composto ou componente como: w = (∆m) / (∆t), dada em unidades de massa por unidade de tempo, por exemplo, em kg/h ou g/s. Exemplo: Uma companhia fabrica o produto P a partir de um reagente R, sob a seguinte equação es- tequiométrica: 164 Engenharia química R → P + W, com W representando o resíduo indesejado da reação. A Figura 10 esquematiza o processo, considerando-se que a reação ocorre na unidade 1, na unidade 2, o resíduo é removido e, na unidade 3, executa-se uma purificação. 1 2 3 AWR WP WW WR WP WW WR WP WW WR WP WW B D C WR WP WW WR WP WW E F Figura 10 – Processo de produção do produto P Fonte: o autor. Na Tabela 1, fornecemos as taxas relativas às massas de cada um dos participantes da reação, nos diversos pontos do processo. Fluxo wtotal (kg/h) wR (kg/h) wP (kg/h) ww (kg/h) A 200 ? 2 2 B ? ? ? ? C 10 ? ? 10 D ? ? ? ? E 150 30 120 0 F ? 28 12 0 Tabela 1 – Fluxos (Produção da substância P) Fonte: o autor. Na sequência, mostraremos como completar a tabela, resolvendo as interrogações. • O balanço de massas do fluxo em A pode ser escrito como: 200 = wR + 2 + 2 e, portanto, wR = 196 kg/h. • Como no reator não há perda de massa, para o fluxo em B, wtotal = 200 kg/h. 165UNIDADE VI • Fazendo o balanço de massas na unidade 3, para o fluxo em F, podemos escrever: wtotal = 28 + 12 + 0 e, portanto, wtotal = 40 kg/h. • Para os fluxos em C da unidade 2 é simples concluir que: wR = wp = 0. Para bem da clareza, vamos repetir a tabela, acrescentando os valores obtidos até aqui: Fluxo wtotal (kg/h) wR (kg/h) wP (kg/h) ww (kg/h) A 200 196 2 2 B 200 ? ? ? C 10 0 0 10 D ? ? ? ? E 150 30 120 0 F 40 28 12 0 Tabela 2 – Fluxos (Produção da substância P) Fonte: o autor. • Como na unidade 3, o fluxo em D deve ser a soma dos fluxos em E e F, temos: wR = 30 + 28 = 58 kg/h; wP = 120 + 12 = 132 kg/h e ww = 0, o que nos permite reescrever a tabela. Fluxo wtotal (kg/h) wR (kg/h) wP (kg/h) ww (kg/h) A 200 196 2 2 B 200 ? ? ? C 10 0 0 10 D 190 58 132 0 E 150 30 120 0 F 40 28 12 0 Tabela 3 – Fluxos (Produção da substância P) Fonte: o autor. 166 Engenharia química • Como na unidade 2, o fluxo B é igual à soma dos fluxos em C e D, escrevemos: wR = 0 + 58 = 58 kg/h; wP = 0 + 132 = 132 kg/h; wW = 10 + 0 = 10 kg/h e completamos a tabela. Fluxo wtotal (kg/h) wR (kg/h) wP (kg/h) ww (kg/h) A 200 196 2 2 B 200 58 132 10 C 10 0 0 10 D 190 58 132 0 E 150 30 120 0 F 40 28 12 0 Tabela 4 – Fluxos (Produção da substância P) Fonte: o autor. A primeira lei da termodinâmica pode ser entendida como uma equação de balanço de energia. Para saber mais sobre o assunto, assista ao vídeo: . Assim completamos esta unidade, entendendo que a Engenharia Química, com toda sua abrangência e amplitude de uso, pode ser estudada de maneira sistemática, pelas operações unitárias. 167 1. O cientista considerado o pai da Química foi: a) Proust. b) Dalton. c) Richter. d) Lavoisier. e) Mendeleev. 2. O idealizador da tabela periódica foi: a) Proust. b) Dalton. c) Richter. d) Lavoisier. e) Mendeleev. 3. Realizar projetosde processos de transformação de matéria-prima em larga escala é trabalho do: a) Engenheiro Civil. b) Engenheiro Químico. c) Engenheiro Eletricista. d) Engenheiro Mecânico. e) Engenheiro Ambiental. 4. As principais atividades da Engenharia Química são: a) Projeto, produto, segurança, gestão e vendas. b) Projeto, produto, simulação computacional, gestão e vendas. c) Projeto, ensino, segurança, gestão e vendas. d) Projeto, produto, segurança, gestão e seleção de pessoal. e) Projeto, produto, segurança, pagamento de fornecedores e vendas. Você pode utilizar seu diário de bordo para a resolução. 168 5. A Engenharia Ambiental pode ser considerada da grande área Química, pois: a) Trabalha com a previsão do tempo. b) Cuida dos processos de preservação da qualidade da água, do ar e do solo. c) Cuida das descargas elétricas na atmosfera. d) Trabalha com o aumento da eficiência da produção. e) Cuida da produção de materiais poliméricos. 6. A Engenharia de Alimentos pode ser considerada da grande área Química, pois: a) Estuda as frutas e verduras. b) Cuida dos processos saudáveis de alimentação. c) Projeta máquinas e fornos. d) Estuda a transformação de matéria-primas básicas, como leite, carne, verduras, frutas e legumes. e) Projeta biodigestores. 7. Existem três tipos de operações unitárias: a) Mecânicas, Hidráulicas e Elétricas. b) Mecânicas, Transferência de Energia e Transferência de Entalpia. c) Mecânicas, Elétricas e Transferência de Massa. d) Mecânicas, Transferência de Energia e Elétricas. e) Mecânicas, Transferência de Energia e Transferência de Massa. 8. Flotação é uma operação unitária: a) Mecânica. b) Transferência de massa. c) Transferência de Energia. d) Geração de Energia e) Transferência de Quantidade de Movimento. 9. Destilação é uma operação unitária: a) Mecânica. b) Transferência de massa. c) Transferência de Energia. d) Geração de Energia. e) Transferência de Quantidade de Movimento. 169 10. Um container não vedado contém 25 kg de acetona e, duas horas depois, 23 kg de acetona permanecem no container. A perda de massa foi de: a) 6 kg. b) 3 kg. c) 8 kg. d) Zero. e) 2 kg. 11. Depois de quanto tempo não restará acetona no container: a) 0,5 h. b) 1,5 h. c) 12 h. d) 25 h. e) 11 h. 12. Um gás ideal absorve 50cal de energia na forma de calor e se expande reali- zando um trabalho de 100J. Considerando 1cal = 4J, qual a variação da energia interna do gás? 170 Vale a pena estudar Engenharia Química Autor: Marco Aurélio Cremasco Editora: Blucher Sinopse: este livro procura mostrar a importância da Engenharia Química e como ela se faz presente no cotidiano das pessoas. A intenção é a de ser um livro introdutório em que se deixam fórmulas químicas e equações matemáticas para outra oportunidade, visando esclarecer aspectos sobre a formação do en- genheiro químico. Busca-se, portanto, entender a Engenharia Química por meio de áreas e campos de atuação do seu profissional, assim como dos produtos e serviços advindos de suas atividades. Além disso, existe a preocupação de contextualizar a profissão por meio da apresentação de um pouco da história mundial e nacional da Indústria Química e da Engenharia Química, assim como das responsabilidades e habilidades desejadas ao engenheiro químico, ressal- tando a importância da Ética como norteadora de suas ações. LIVRO 171 CREMASCO, M. A. Vale a Pena Estudar Engenharia Química. São Paulo: Blucher, 2015. GLOVER, C. J.; LUNSFORD, K. M.; FLEMING, J. A. Conservation Principles and the Structure of Engi- neering. USA: McGraw Hill Inc., 1996. REFERÊNCIAS ON-LINE 1Em: . Acesso em: 21 nov. 2017. 2Em: . Acesso em: 22 nov. 2017. 172 1. D 2. E 3. B 4. A 5. B 6. D 7. E 8. A 9. B 10. E 11. D 12. Q = 50.4 =200J; = 100J. Logo ∆U = 200-100 = 100J 173 174 Button 16: