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1 Reunion Curso TRATAMENTO DO CALDO Antonio Roberto P De Andrade Tercio Marques Dalla Vecchia Maio 2004 2 ReunionTRATAMENTO DO CALDO Conteúdo. 1. Terminologia e conceitos. 2. Objetivo e considerações. 3. Peneiramento e hidrociclones 4. Regeneração. 5. Sulfitação. 6. Queima e preparo do leite de cal. 7. Dosagem e adição de polieletrólito. 8. Aquecimento do caldo. 9. Flasheamento. 10. Decantação e peneiramento de caldo clarificado. 11. Filtração do lodo. 12. Captação de bagacilho. 13. Apêndices. 14. Referências. 3 ReunionALGUNS CONCEITOS Transmitância: T =I2/I1 , Onde I1 é a luz incidente e I 2 é a luz transmitida Transmitância relativa (Ts): Relação entre a transmitância da solução e a do solvente puro Absorbância: As= -log Ts Índice de Atenuação ou de absorbância: (-log Ts)/ (bxc) onde b é o comprimento da cubeta e c é a concentração em g/cm3 da solução Cor Icumsa: É o índice de atenuação multiplicado por 1000. É uma medida da luz absorvida pela solução, referida a luz incidida na solução. Utiliza-se solução filtrada para análise. Turbidez: É a medida da luz que se dispersa em uma solução. É calculada medindo-se o índice de atenuação antes e depois da filtração da amostra. Cor Total: É a soma da cor e da turbidez. Calculada medindo-se o índice de atenuação sem a filtração da amostra. 4 OBJETIVO E CONSIDERAÇÕES. Reunion OBTER UM CALDO CLARIFICADO LÍMPIDO, ISENTO DE MATÉRIA EM SUSPENSÃO, COM REAÇÃO APROXIMADAMENTE NEUTRA E COM COR ADEQUADA AO AÇÚCAR QUE SE PRETENDE PRODUZIR. O caldo obtido através da operação de extração é um líquido complexo contendo materiais em suspensão (impurezas minerais e vegetais, compostos coloidais e insolúveis) e materiais dissolvidos (sacarose, açúcares redutores e sais minerais). Impurezas minerais : areia e argila. Impurezas vegetais : bagacilho. O caldo também contém ar. A composição do caldo depende de uma série de fatores : - variedade da cana e estágio de maturação; - solo e adubação; - clima; - tempo entre queima, corte e moagem; - tipo de colheita; - conteúdo de pontas e palha 5 Reunion Faixas de variação para a composição química do caldo - água 75 a 88 % - sacarose 10 a 21 % - açúcares redutores 0,3 a 2,5 % - não açúcares (orgânicos) 0,5 a 1,5 % (proteínas, amido, ceras, corantes) - não açúcares (inorgânicos) 0,2 a 0,7 % (sais) - sólidos totais (Brix) 12 a 23 % - pH 4,7 a 5,6 ( canas sadias = pH maiores) 6 TRATAMENTO DE CALDO Reunion O tratamento do caldo misto consiste em submetê-lo a uma série de passos que envolverão ações físicas (peneiramento, aquecimento, flasheamento) e químicas (reações promovidas pela adição de produtos químicos), visando : - máxima eliminação de não açúcares; - máxima eliminação de colóides; - baixa turbidez; - mínima formação de cor; - máxima taxa de sedimentação; - mínimo volume de lodo; - mínimo conteúdo de cálcio no caldo; - pH do caldo adequado, evitando-se a inversão da sacarose ou a decomposição dos açúcares redutores. 7 Reunion TRATAMENTO DE CALDO QUASE PADRÃO PENEIRAMENTO PRIMEIRO AQUECIMENTO SULFITAÇÃO CALAGEM SEGUNDO AQUECIMENTO FLASH DECANTAÇÃO 8 Reunion COM ESTE TRATAMENTO PRETENDE-SE: Eliminar as impurezas grosseiras insolúveis Coagular e flocular as demais impurezas tornando-as passíveis de separação por decantação 9 REAÇÕES NA CLARIFICAÇÃO: Reunion Mudança de pH pela adição de leite de cal. Coagulação de colóides. Formação da sais insolúveis de cálcio. Remoção de compostos solúveis do caldo. A cal neutralizará os ácidos orgânicos e, após o aquecimento, formará um precipitado de composição complexa contendo : - sais insolúveis; - proteínas coagulada pelo calor; - ceras e gomas. Ácidos orgânicos presentes no caldo: aconítico, cítrico, oxálico, fórmico, etc. Sais inorgânicos presentes no caldo: Cátions: K, Ca, Fe, Al, Na, Mg, Mn, Cu, Co, Zn, Bo etc. Ânions: Fosfatos, cloretos, sulfatos, Nitratos, Silicatos etc. 10 REAÇÕES NA CLARIFICAÇÃO Reunion O principal precipitado formado é o fosfato de cálcio que, na decantação, arrastará consigo a matéria coloidal. Desta forma, é necessário um teor mínimo de fosfato no caldo - 250 a 350 ppm. Para a produção de açúcar cristal branco também é necessária a participação do (SO2), enxofre, pois o sulfito de cálcio formado agirá de forma semelhante ao fosfato de cálcio, arrastando consigo, na decantação, partículas em suspensão existentes no caldo. A FORMAÇÃO DA REDE DE PRECIPITADOS É QUE PERMITE A REMOÇÃO DOS COLÓIDES 11 REAÇÕES INDESEJÁVEIS Reunion Decomposição da Sacarose em meio ácido SACAROSE + ÁGUA ⇒ GLICOSE + FRUTOSE C12 H22 O11 + H2O ⇒ C6H12O6 + C6H12O6 Quanto mais baixo o pH maior a inversão Quanto mais alta a temperatura maior a inversão 12 REAÇÕES INDESEJÁVEIS Reunion DECOMPOSIÇÃO DO AÇÚCAR EM MEIO ALCALINO É MUITO MAIS BRANDA DO QUE EM MEIO ÁCIDO. APENAS ACIMA DE 80C A SACAROSE SE DECOMPÕE EM GLICOSE E FRUTOSE ACIMA DE PH 10 A SACAROSE SE DECOMPÕE EM DIVERSOS PRODUTOS FORMADORES DE COR 13 REAÇÕES INDESEJÁVEIS Reunion DECOMPOSIÇÃO TÉRMICA DA SACAROSE O aquecimento demorado até 140 C ou acima provoca a destruição intensa da sacarose, formando gás carbônico, ácido fórmico, água, trisacarídeos e pigmentos (caramelo). Quanto mais impura a solução de sacarose maior a formação de cor pela decomposição térmica. 14 REAÇÕES INDESEJÁVEIS Reunion DECOMPOSIÇÃO BIOQUÍMICA DA SACAROSE Principais reações bioquímicas Inversão da sacarose pela Invertase (30 a 40C) Produção de ácidos orgânicos por microrganismos, principalmente láctico (30 a 65C) Produção de dextrana por microrganismos (20-30 C) 15 REAÇÕES INDESEJÁVEIS Reunion REAÇÕES DOS AÇÚCARES REDUTORES Decomposição química: Sempre com grande formação de cor, principalmente altas temperaturas e pH Reação de Maillard: reação com aminoácidos formadores de cor intensa Decomposição bioquímica: formação de álcool, ácidos e outros produtos 16 Reunion CONCLUSÃO: HÁ DIVERSOS COMPROMISSOS ENTRE TEMPERATURA, PH E TEMPO DE TRATAMENTO PARA SE OBTER UMA BOA CLARIFICAÇÃO DO CALDO. 17 Reunion TRATAMENTO MECÂNICO PENEIRAS CUSH-CUSH DSM VIBRATÓRIAS ROTATIVAS ELIMINADORES DE AREIA HIDROCICLONES SEPARADORES DE AREIA 18 ReunionCUSH - CUSH Os sólidos presentes no caldo são retidos sobre as telas, sendo posteriormente removidos por raspas (taliscas com rodo de borracha). apresentam desempenho razoável, que melhorou muito com a adoção de telas do tipo Johnson (tela perfurada : 0,7 - 2,0 mm / barras : abertura : 0,7 mm); possui peças móveis - desgaste/manutenção; difícil limpeza - favorece o aparecimento de focos de microrganismos capacidade: 0,05 a 0,1 m2/tonelada de cana potência: 5 a 10 HP 19 ReunionCUSH - CUSH 20 Reunion DSM Sua tela é composta por barras de seção triangular, dispostas perpendicularmente em relação ao sentido do fluxo de caldo. O caldo flui pela superfície da tela, cujo perfil, associado à forma da seção transversal das barras, acelera o líquido tangencialmente em relação às partículas. Este fato permite a esta peneira remover partículas menores que sua própria abertura. pouca manutenção; fácil limpeza; capacidade varia com o espaçamento entre as barras; abertura : 0,7 - 0,5 - 0,35 e 0,2 mm; inclinação : 45 graus capacidade: 60t/h por m linear ( 0,7mm) 21 ReunionVIBRATÓRIAS Sua vibração permite o tratamento de grandes quantidades de caldo em pequenas áreas de peneiramento. vibração - rompimento de telas - manutenção; aberturas : 0,2 a 0,6 mm; inclinação : 15 a 35 graus; Frequência de vibração: 600 vpm Capacidade: 0,03 a 0,06 m2/tc Potência 2 a 5 HP 22 ReunionPENEIRAS ROTATIVAS Constam de uma estrutura cilíndrica formada pelo próprio elemento filtrante (telas de barras trapezoidais dispostas longitudinalmente). Esta estrutura cilíndrica, inclinada a 6 graus, em movimento rotativo recebe o caldo a ser peneirado tangencialmente, através de calha interna. -pequeno espaço para instalação (grandecapacidade) -facilidade de limpeza - automática (água 75 oC/2,0 kgf/cm2); -baixa rotação/baixo consumo de potência;(10 rpm, 1 a 3 HP) -aberturas : 0,5 mm. 23 ReunionPENEIRAS ROTATIVAS 24 ReunionPENEIRAS ROTATIVAS 25 Reunion SEPARADORES DE AREIA O caldo misto após ter sido peneirado pode ainda conter uma quantidade razoável de areia. Com a finalidade de remover esta areia foram empregados os separadores de areia. Dois modelos basicamente foram empregados : decantador circular, tipo Copersucar; retangular afunilado. Ambos se baseavam na decantação da areia, com remoção via taliscas, idênticas àquelas empregadas nos cush-cush’s. Estes equipamentos deixaram de ser utilizados devido à elevada ocorrência de infecções. 26 Reunion SEPARADORES DE AREIA 27 Reunion SEPARADORES DE AREIA 28 Reunion HIDROCICLONES A separação é feita através de ação centrífuga. O material é removido pelo fundo do ciclone e, devido a seu conteúdo em açúcar pode necessitar de diversas lavagens e ciclonagens. O caldo limpo é descarregado pelo centro, no topo do equipamento. A eficiência de separação dos ciclones é em grande parte determinada pelo tamanho da partícula que queremos separar e, caso quiséssemos separar todas as partículas contidas no caldo seria necessária a instalação de um banco de ciclones. Trata-se de equipamentos de custo relativamente elevado, pois apresentam soluções sofisticadas para suportar a agressividade do meio. 29 Reunion HIDROCICLONES COMENTÁRIOS A seleção deste equipamento é mais difícil, pois deve-se conhecer as características detalhadas dos sólidos; Quanto menor o diâmetro do hidrociclone maior separação de sólidos de menor tamanho, portanto maior eficiência; Diâmetros pequenos necessitam tratamento prévio para não entupir; Cuidado com destino do rejeito ( não para o cush-cush), melhor lavar e descartar. Não tolera grandes variações de vazão de alimentação, Isto implica em automação da carga, com recirculação de caldo ou parada parcial da bateria de hidrociclones 30 Reunion ASSEPSIA Toda instalação para peneiramento de caldo deve contar com infra-estrutura e expedientes de operação que procurem garantir uma boa condição de limpeza e assepsia, para se minimizar a propagação de microrganismos. Os microrganismos dão origem a produtos indesejáveis (ácidos orgânicos e polissacarídeos, como a dextrana) com efeitos negativos no processo, comprometendo performance e rendimento. Estes cuidados são extremamente facilitados nas instalações de peneiras rotativas, que permitem a sua automatização, mas que não dispensam a atenção do pessoal da operação. Antissépticos podem ser usados em tratamento contínuo ou dosagens de choque, mas água quente e escova podem fazer uma grande parte do trabalho. - escolha do produto; - definir pontos de dosagem; - acompanhamento microbiológico. 31 ReunionREGENERAÇÃO Consiste na recuperação da energia contida numa determinada corrente de caldo por pré-aquecimento da mesma, ou de outra corrente, com consequente economia de vapor. Exemplos : caldo clarificado para fermentação pré-aquecendo o caldo misto enviado para o tratamento de caldo da destilaria; caldo clarificado : resfriado de 95 oC para 50 oC; caldo misto : aquecido de 30 oC para 75 oC. vinhaça pré-aquecendo o caldo misto enviado para o tratamento de caldo para fabricação de açúcar. vinhaça : resfriada de 90 oC para 64 oC; caldo misto : aquecido de 35 oC para 50 oC. pode-se utilizar condensados ou qualquer corrente com temperaturas apropriadas 32 ReunionREGENERAÇÃO 33 ReunionREGENERAÇÃO REGENERAÇÃO POR CONTATO DIRETO 34 ReunionSULFITAÇÃO Utilizado para a produção de açúcar cristal branco direto. A sulfitação consiste em promover o contato do caldo com o gás sulfuroso (SO2), para sua absorção. A sulfitação tem por finalidade a : - redução do pH, auxiliando a precipitação e remoção de proteínas do caldo; - diminuição da viscosidade do caldo e consequentemente do xarope, massas cozidas e méis; - formação de complexos com os açúcares redutores, impedindo a sua decomposição e controlando a formação de compostos coloridos em alcalinidade alta; - preservação do caldo contra alguns microorganismos; - prevenção do amarelecimento do açúcar cristal branco, por algum tempo, durante o armazenamento. Dentre todas as funções da sulfitação, a mais importante fica por conta de sua ação inibidora da formação de cor. 35 ReunionGÁS SULFUROSO (SO2). O gás sulfuroso, ou dióxido de enxofre (SO2), é obtido pela combustão direta do enxofre sólido. S (enxofre) + O2 (ar) → SO2 Esta reação ocorre a 363 oC e libera 2217 kcal/kg de enxofre reagido. Como esta reação se processa com excesso de ar e sendo este ar úmido, pode ocorrer a reação complementar de formação de gás SO3, precursor da formação de ácido sulfúrico. O excesso de ar é tal que se consegue nos gases uma concentração de cerca de 12 a 14% de SO2. A reação complementar para SO3 se processa idealmente entre 400 e 500 oC, portanto, o resfriamento rápido do gás de combustão a valores abaixo de 200 oC, logo após a sua formação, minimiza a formação de SO3. 36 ReunionGÁS SULFUROSO (SO2). O SO3, além de permitir a formação de ácido sulfúrico (H2SO4) responsável por corrosão das partes metálicas dos equipamentos, permitirá, em reação com a cal, a formação do sulfato de cálcio (CaSO4), o qual é mais solúvel do que o sulfito de cálcio (CaSO3), sendo o primeiro e principal causador de incrustações nos evaporadores. A formação de SO3 acarreta : - aumento dos teores de sais no caldo; - consumo adicional de enxofre. O processo deve então ser conduzido no sentido do favorecimento da formação do SO2, que na reação com a cal formará sulfito de cálcio (CaSO3), muito menos solúvel que o sulfato de cálcio (CaSO4) e que, por isso, precipitará, sendo removido na decantação. 37 ReunionGÁS SULFUROSO (SO2). Investigações sobre solubilidade e precipitação do sulfito de cálcio (CaSO3) mostraram que a reação de cristalização atinge seu máximo a temperaturas entre 70 e 75 oC. A 70 oC a precipitação do CaSO3 é quase que instantânea. Deste fato nasceu a sulfitação a quente, que visa o aumento da velocidade da reações de cristalização do sulfito de cálcio, visando sua precipitação antes de sua passagem pelos tubos dos aquecedores e evaporadores, que certamente incrustariam de forma mais intensa. Atenção : a temperatura do caldo não deve ser elevada a valores maiores do que o estritamente necessário (70 - 72 oC), porque, valores acima aumentarão a taxa de inversão de sacarose e a velocidade de decomposição de açúcares redutores, com formação de cor. 38 ReunionSULFITAÇÃO Variações no processo de sulfitação. - sulfitação a frio : o caldo misto é sulfitado a pH = 3,8 a 4,2; segue-se dosagem com cal a pH = 7,0; aquecimento a 105 oC; flash; decantação. - sulfitação a quente : o caldo misto é aquecido a 70 - 72 oC sulfitado a pH = 3,8 a 4,2; segue-se dosagem com cal a pH = 7,0; aquecimento a 105 oC; flash; decantação. O processo a quente deve ser o preferido pelas razões acima expostas. 39 ReunionSULFITAÇÃO FORNO DE ENXOFRE A maioria das usinas utiliza fornos rotativos para a queima de enxofre sólido. A alimentação dos fornos rotativos deve ser a mais contínua possível. Antigamente a alimentação era manual e precária. Hoje, vários sistemas foram desenvolvidos para alimentação controlada, alguns disponíveis no mercado, inclusive com inversor de frequência (moega com rosca alimentadora). Atenção à qualidade do enxofre, que precisa ser granulado ou, no mínimo, peneirado. A capacidade dos fornos existentes se situa ao redor de 25 a 28 kg de S/m2.h. É interessante que a rotação do forno seja variável, para controle da queima. A eficiência de queima pode ser controlada pelo consumo de enxofre, por exemplo, em g/saco de açúcar. (Variação 100g a 300 g/saco) 40 ReunionSULFITAÇÃO Pode-se utilizar enxofre atomizado com ar comprimido aumentandoa eficiência da combustão Pode-se utilizar enxofre derretido e injetado em queimadores com ar comprimido como os de óleo combustível Pode-se utilizar so2 líquido. Extremamente limpo, simples mas caro. Nestes três casos elimina-se a coluna de absorção já que a absorção pode ocorrer sob pressão em um misturador em linha na tubulação. 41 ReunionSULFITAÇÃO FORNO DE ENXOFRE 42 ReunionSULFITAÇÃO QUEIMA DO ENXOFRE 43 ReunionSULFITAÇÃO Queimador com atomizador e ar comprimido 44 ReunionSULFITAÇÃO CÂMARA DE SUBLIMAÇÃO. O nome destas câmaras deveria ser câmara de combustão, pois nela se completa a combustão do enxofre. Seu volume deve permitir um tempo de residência (contato) suficiente para conclusão da reação entre o enxofre vaporizado e o ar. Por este fato o volume destas câmaras, geralmente, está aquém das reais necessidades. Para garantir a combustão completa do enxofre, estas câmaras devem ter um volume de cerca de : Volume da câmara = 1,7 m3/ t de enxofre queimado/dia A área de instalação do sistema de queima de enxofre deve, preferencialmente, ser abrigada por cobertura para proteção contra chuva. 45 ReunionSULFITAÇÃO Camisa de resfriamento e tubulações de gás. As camisas devem ser dimensionadas para permitir o controle da temperatura do gás entre 180 e 220 oC. Abaixo de 250 oC para diminuir a formação de SO3 e acima de 120 oC para evitar empedramento. As tubulações de gás devem dispor, em suas curvas, de portas de visita, para facilitar o acesso para limpeza e desobstrução. 46 ReunionSULFITAÇÃO 47 ReunionSULFITAÇÃO Sistemas para absorção do SO2 no caldo. a) Ejetores e Multijatos Menor investimento inicial. Tiragem via bombeamento. Necessitam pressão constante, portanto vazão constante. A recirculação é necessária - custo adicional de energia elétrica e de instalações de bombeamento. Custo adicional de manutenção devido a desgaste acentuado por processar caldos não tratados 48 ReunionSULFITAÇÃO ABSORÇÃO DE SO2 POR MULTIJATO 49 ReunionSULFITAÇÃO COLUNA DE SULFITAÇÃO Instalação muito simples e de fácil manutenção. Tiragem via ventoinha e Venturi, exaustor (resina) ou ejetor a vapor em seu fundo. Grande capacidade para absorver variações na vazão de caldo. Instalação pode trabalhar sem necessidade de supervisão constante 50 ReunionSULFITAÇÃO 51 Reunion PREPARO DO LEITE DE CAL. Com a queima da cal transformaremos a cal (CaO) em uma suspensão de hidróxido de cálcio [Ca(OH)2], chamada de “leite de cal”. CaO + H2O → Ca(OH)2 + 15,2 Kcal A cal virgem recebida pela usina deve ser imediatamente queimada, não se permitindo seu armazenamento ao ar livre. O ar contém umidade e gás carbônico (CO2) que promoverão a hidratação e a carbonatação da cal, diminuindo o teor de CaO útil. A queima pode ser feita em piscinas, tanques e equipamentos especialmente projetados para esta finalidade (hidratador Copersucar). A queima em piscinas produzirá uma pasta com cerca de 15 oBé, sendo posteriormente enviada aos tanques de diluição para correção da concentração a 4 a 6 oBé, constituindo-se no chamado leite de cal, adequado à adição direta ao caldo, via controle automático. 52 Reunion PREPARO DO LEITE DE CAL. TABELA Bé x Densidade de CaO no leite de cal Bé Densidade g de CaO/L % de CaO 1 1,007 7,5 0,75 2 1,014 16,5 1,64 3 1,022 26,0 2,54 4 1,029 36,0 3,50 5 1,037 46,0 4,43 6 1,045 56,0 5,36 7 1,052 65,0 6,18 8 1,060 75,0 7,08 9 1,067 84,0 7,87 10 1,075 94,0 8,74 11 1,083 104,0 9,60 12 1,091 115,0 10,54 13 1,100 126,0 11,45 14 1,108 137,0 12,35 15 1,116 148,0 13,26 53 Reunion PREPARO DO LEITE DE CAL. Com a disponibilidade no mercado da cal pelotizada e da micropulverizada a operação de queima ficou extremamente simplificada e eficiente. Uma instalação bem projetada, fazendo uso de moega, rosca e tanques agitados queima cal micropulverizada com 100 % de eficiência - sem perdas. Esta cal tem sido fornecida sem contaminantes do tipo : areia, pedregulhos, pregos, pedaços de madeira etc. A cal micropulverizada permite seu armazenamento em big-bag’s - depósito coberto e fechado lateralmente - com possibilidade de manutenção de uma área de queima organizada, limpa e sem desperdício. Para preparo de sacarato esta concentração pode ser mais alta - 10 oBé. 54 Reunion PREPARO DO LEITE DE CAL. Considerações práticas : - a instalação deve permitir e os operadores devem procurar produzir o leite de cal, ou sacarato, numa solução de concentração sempre o mais uniforme possível, o que se traduzirá em melhor desempenho dos sistemas de controle; - a água utilizada para queima deve ser limpa e isenta de impurezas solúveis; - água quente melhora a eficiência de queima; - a quantidade de água deve ser de 3,5 a 4,0 vezes o peso da cal; - a cal hidratada deverá permanecer em repouso por 4 horas após a queima; - partículas de dimensões menores facilitam a queima; - peneirar o leite de cal antes de seu envio ao processo - abertura 1,2 mm; - manter o leite de cal em recirculação para evitar sedimentação e entupimento das tubulações; 55 Reunion PREPARO DO LEITE DE CAL. 56 Reunion PREPARO DO LEITE DE CAL. Hidratador de Cal 57 Reunion PREPARO DO LEITE DE CAL. 58 ReunionUSO DE MgO O óxido de magnésio pode ser utilizado no lugar do óxido de cálcio com os mesmos efeitos. A cal dolomítica contém : •Oxido de calcio: 58% •Oxido de magnesio: 28 - 33% •Silicatos: 2% max. •Óxidos metálicos: 0.5% max. •Vantagens: menor incrustação •Desvantagens: custo + maior tempo de reação (+- 20 minutos) Qualidade do caldo é parecida. 59 ReunionDOSAGEM A dosagem, ou calagem, é a operação de adição do leite de cal, ou sacarato, ao caldo em tratamento, elevando seu pH até o valor desejado. Funções da dosagem : - neutralização da acidez do caldo; - corrigir o pH até o valor desejado : 7,0 a 7,2; - reação com os ácidos orgânicos presentes no caldo; - precipitação dos colóides presentes no caldo; - formação de Ca3(PO4)2 e de CaSO3, quando o caldo é sulfitado; - floculação e arraste de partículas em suspensão. 60 ReunionDOSAGEM DOSAGEM COM LEITE DE CAL. Dosagem a frio : - caldo misto (30 oC, pH=5,4) é dosado a pH=7,0 em tanque (tempo de residência de 15 minutos); - aquecido a 105 oC; - balão de flash; - decantação. Vantagem : - menor inversão pelo aquecimento a pH=7,0. Desvantagens : - aumenta a ocorrência de incrustações; - decompõe açúcares redutores. 61 ReunionDOSAGEM DOSAGEM COM LEITE DE CAL. Dosagem fracionada : Caldo misto (30 oC, pH=5,4) dosado a pH = 6,2 a 6,4; - aquecido a 105 oC; - balão de flash; - dosado a pH=7,0 no balão de flash; - decantação. Vantagens : - melhor controle de pH; - formação de incrustações é reduzida; - reduz corrosão dos equipamentos devido ao manuseio do caldo em reação menos ácida. Desvantagens : - duas adições de cal. 62 ReunionDOSAGEM DOSAGEM COM LEITE DE CAL. Dosagem a quente : - caldo misto (30 oC, pH=5,4) é aquecido a 105 oC; - balão de flash; - dosado a pH=7,0 no balão de flash; - decantação. Vantagens : - alta velocidade de reação (praticamente na temperatura. de ebulição); - não há tanques de dosagem (não há tempo de retenção, diminuindo os efeitos da ação bacteriana); - formação de incrustações é reduzida; - melhora a precipitação de colóides; - maior velocidade de sedimentação. Desvantagens : - aumenta a inversão da sacarose pelo aquecimento em meio ácido; - maior corrosão dos equipamentos devido ao manuseio do caldo em reação ácida. 63 ReunionDOSAGEM Dosagem com sacarato de cálcio : O sacarato de cálcioé obtido pela mistura 7 partes de sacarose para 1 parte de óxido de cálcio (CaO). Esta proporção, e a adição do leite de cal no xarope, com agitação violenta (200 rpm) por 5 minutos, garantem a obtenção do monossacarato de cálcio que é totalmente solúvel (o di e o trissacarato não são totalmente solúveis). A principal vantagem da dosagem com sacarato é o aumento da velocidade da reação de neutralização do caldo. No sacarato, o cálcio está na forma iônica, sendo instantânea sua reação com os ácidos do caldo. No leite de cal temos a maior parte do hidróxido de cálcio em suspensão e apenas uma pequena parte em solução, sendo que apenas este em solução reage com os ácidos do caldo. Portanto, o hidróxido em suspensão precisa primeiro se dissolver para depois reagir, conquanto que no sacarato é maior a disponibilidade do cálcio acelerando a reação. 64 ReunionDOSAGEM Dosagem com sacarato de cálcio : Considerações práticas : - identicamente ao comentário feito em relação ao leite de cal aqui também há que se cuidar pela manutenção de concentração uniforme no sacarato. Portanto, as concentrações do leite e do xarope não devem apresentar grandes variações para não haver o comprometimento na produção do sacarato; - o preparo do sacarato deve ser automatizado; - a utilização de sacarato resulta em caldos mais claros e limpos, no entanto gerando um lodo mais fino e volumoso - necessário filtração bem dimensionada. 65 ReunionDOSAGEM Sistema automático descontínuo para preparo de sacarato de cálcio. 66 ReunionDOSAGEM Controle do pH de dosagem. Independentemente do processo escolhido o controle automático do pH é de fundamental importância. Instalação e instrumentos confiáveis e bem manutenidos garantirão operação tranquila. Considerações práticas : - geralmente os problemas estão associados a deficiências das instalações e a problemas operacionais e não aos instrumentos e eletrodos utilizados; - a instalação deve permitir a substituição dos eletrodos para limpeza, sem prejuízo da operação, nem risco de danos aos eletrodos; - deve haver vários jogos de eletrodos disponíveis para substituição a cada 8 horas, ou menos, dependendo da intensidade de deposição de impurezas na membrana. Os jogos sobressalentes permanecerão em limpeza permanente no laboratório; 67 ReunionDOSAGEM Considerações práticas (cont.) - o comprimento das linhas de amostragem e a câmara do eletrodo devem ser projetadas para pequenos tempos de resposta (menores que 10 segundos); - pequenos tempos de resposta, concentração de leite de cal, ou sacarato, uniforme, com instalações e malhas de controle bem concebidas, significam controle eficaz de pH, garantindo floculação boa e uniforme, com bom desempenho da decantação; - a malha de controle de pH deve contemplar a instalação de um registrador para avaliação do comportamento da curva ao longo do dia. Sistemas supervisórios tornam esta tarefa muito fácil sem gerar papel. 68 PREPARO E ADIÇÃO DE POLIELETRÓLITO Reunion Os polieletrólitos são auxiliares de floculação empregados na decantação do caldo para promover : - a aglomeração dos flocos; - o aumento da velocidade de sedimentação; - a compactação e redução do volume de lodo; - a diminuição da turbidez do caldo clarificado. O polieletrólito, na forma como é recebido, precisa ter sua molécula distendida, por dissolução em água, para que então possa desempenhar bem sua função. A solubilização do polieletrólito em água deve ser feita levando-se em conta uma série de cuidados, a fim de garantir sua correta utilização. 69 PREPARO E ADIÇÃO DE POLIELETRÓLITO Reunion Os polieletrólitos são compostos de alto peso molecular, apresentando-se na forma de cadeias longas, sendo que sua atividade máxima coincide com a máxima linearização da cadeia. Por terem alto peso molecular e se apresentarem na forma de cadeias longas são mais frágeis, podendo sofrer rompimento em cadeias menores, perdendo atividade. Vários fatores concorrem para essa quebra da molécula : - agitação; - pH; - temperatura. A qualidade da água utilizada na dissolução do polieletrólito também desempenha papel importante, devendo ser pura e isenta de sais minerais e impurezas sólidas. 70 PREPARO E ADIÇÃO DE POLIELETRÓLITO Reunion 71 Reunion PREPARO E ADIÇÃO DE POLIELETRÓLITO 72 PREPARO E ADIÇÃO DE POLIELETRÓLITO Reunion Características dos polieletrólitos. O bom desempenho dos polieletrólitos depende dos seguintes fatores : a) grau de hidrólise: desempenho do polieletrólito deve ser determinado experimentalmente via testes de laboratório. No Brasil, valores de 25 a 40 % têm dado bons resultados. b) peso molecular (PM: quanto maior o PM maior será a velocidade de sedimentação. No Brasil se tem conseguido bons resultados com PM de 10 a 15 x 106 - para os decantadores tradicionais, com elevado tempo de retenção, para os decantadores sem bandeja necessitam de polímeros com PM de 20 a 25 x 106. c) carga elétrica: na indústria do açúcar geralmente se utilizam polieletrólitos aniônicos; d) dosagem empregada: geralmente entre 1 a 5 ppm em relação ao caldo a ser tratado, sendo que a melhor dosagem deve ser determinada através de testes em laboratório. CUIDADO:dosagens elevadas podem levar a efeitos opostos, ou seja, ao invés de ocorrer a aglomeração das partículas haverá a repulsão, estabilizando o colóide e dificultando a floculação. 73 PREPARO E ADIÇÃO DE POLIELETRÓLITO Reunion Cuidados no preparo. - os tanques devem ser construídos em aço carbono, mas revestidos com resina epóxy; - a agitação mecânica deve ser leve = 20 rpm; - diluição no preparo 0,1 a 0,5 % e na dosagem de 0,05 a 0,02 %; - evitar o contato entre partículas de floculante úmido; - o uso de um dosador vibratório para dispersão do pó em uma corrente de água gerada em um funil dá bons resultados; - após a dissolução a solução deverá descansar por uma hora; Água para dissolução. - deve ser isenta de sólidos em suspensão; - isenta de sais minerais ou baixa dureza (30 ppm em Ca e Mg); - pH entre 7,0 e 8,0 para tanques revestidos e entre 9,0 e 9,5 para tanques não revestidos - se necessário usar NaOH para a correção; - pode ser usada água condensada, porém com Tdo pré (VG1) aquecimento final : 70 a 105 oC; Vegetal da 1a caixa (VG2) 2o aquecimento : 55 a 72 oC; Vegetal da 2a caixa (VG3) 1o aquecimento : 35 a 55 oC; As tubulações de vapor que alimentam os aquecedores devem ser dotadas de termômetros e manômetros. 79 ReunionAQUECIMENTO CÁLCULO DE AQUECEDORES Q= S. λs= M . cp . (t2 - t1) S = Vazão mássica de vapor λs = Calor latente de vaporização do vapor M = Vazão mássica de caldo a aquecer cp = Calor específico do caldo t2 = Temperatura final do caldo t1 = Temperatura inicial do caldo Q = U.A.∆T Q = Quantidade de calor trocado U = Coeficiente Global de Troca Térmica A = Superfície de Troca Térmica ∆T= Diferença média de temperaturas entre o fluído quente e o frio ∆T= (t2 - t1)/(ln((Ts - t1)/(Ts - t2))) Ts = temperatura do vapor 80 ReunionAQUECIMENTO COEFICIENTE DE TROCA TÉRMICA (U) Aquecedores tubulares verticais: U = Ts . (5 + V) Onde U = Coeficente global de troca térmica ( kcal/h/m2/C) V = velocidade do caldo (m/s) Ts = Temperatura do vapor ( C) Normalmente varia de 600 kcal/h/m2/C a 1000 kcal/h/m2/C (700 a 1163 W/m2/C) Aquecedores tubulares horizontais: O coeficiente global é cerca de 20 % maior do que o do vertical Aquecedores a placas: Coeficiente global cerca de 3 a 5 vezes maior do que o tubular vertical 81 ReunionAQUECIMENTO PERDA DE CARGA ∆P = 0,0025 . V2 . N (L+1)/D onde ∆P = perda de carga em mca V = velocidade do caldo em m/s N = número de passes L = comprimento dos tubos D = diâmetro dos tubos Normalmente varia de 10 a 70 mca. 82 ReunionAQUECIMENTO Remoção de incondensáveis. O vapor de aquecimento contém ar e gases dissolvidos que precisam ser removidos das calandras dos aquecedores, pois seu acúmulo compromete o desempenho do equipamento. Retiradas : - superior utilizada na partida; - inferior utilização constante - deve ser regulada para evitar desperdício de vapor. Seu envio pode ser feito para a caixa de evaporação seguinte àquela de onde é retirado o vapor para o aquecedor. 83 ReunionAQUECIMENTO Remoção de condensados. O condensado deve ser removido continuamente, a fim de garantir exposição plena da superfície de aquecimento ao vapor. O acúmulo de condensado no aquecedor diminui a área disponível para aquecimento do caldo. A remoção é feita através de purgadores e sifões, dependendo da pressão do vapor de aquecimento empregado. Purgadores: necessitam programa de manutenção de rotina, principalmente limpeza de filtros. Sifões : quando bem dimensionados trabalham sem problemas e, praticamente, sem manutenção. 84 ReunionAQUECIMENTO Incrustações. São o depósito de impurezas nas superfícies internas dos tubos dos aquecedores.. Estas substâncias agem como isolantes, dificultando a transferência de calor e comprometendo o desempenho dos equipamentos, que não aquecerão o caldo até as temperaturas desejadas. A bateria de aquecedores deve contar com corpos de reserva para permitir o rodízio de operação para limpeza. É comum o uso de raspadores rotativos para remoção de incrustações, sendo necessário cuidado na definição do diâmetro da roseta e na conferência das peças recebidas, para garantia de que nem se agrida o tubo (φ maior), nem se deixe incrustação não removida (φ menor). 85 ReunionAQUECIMENTO Incrustações. Alternativas auxiliares para facilitar a limpeza : - circular caldo misto (pH=5,5) a quente (70 oC), promovendo-se, praticamente, uma limpeza ácida da tubulação; - circular vapor com o aquecedor aberto, para secagem da incrustação. Atenção : cuidado com o uso de água fria. - limpeza química Velocidades altas aumentam as taxas de transferência de calor e diminuem a formação de incrustações. O projeto e o arranjo dos aquecedores deve contemplar a definição de velocidades que minimizem os depósitos, sem comprometimento da perda de carga. 86 ReunionFLASHEAMENTO Ao aquecermos o caldo a 105 oC, contido na tubulação, sob pressão, estamos impedindo que ele entre em ebulição, pois, na pressão atmosférica, a cerca de 98oC, ele já ferveria. Tirando proveito deste fato é que foi concebida a operação de flasheamento, que consiste na expansão brusca do caldo de sua pressão na tubulação para a pressão atmosférica. Esta ebulição explosiva e violenta elimina o ar e os gases dissolvidos contidos no caldo, inclusive aquele adsorvido na superfície das partículas de bagacilho. Se a remoção destes gases não for efetuada a decantação, e a clarificação, ficarão seriamente comprometidas. 87 ReunionBALÃO DE FLASH Consiste de um vaso cilíndrico vertical, ou horizontal, construído em aço carbono, que deve oferecer superfície suficiente para a completa liberação do vapor de flash e dos gases. É importante o correto dimensionamento da área de flash para liberação de ar e gases, e da área de chaminé para minimizar o arraste. Problemas mais frequentes : - balão de flash subdimensionado; - balão de flash muito elevado em relação aos decantadores. Deve-se limitar a um máximo de 500 mm o desnível entre o fundo do balão e a entrada do decantador, para se evitar velocidades muito altas de alimentação. Deve-se evitar a sucção de ar pela saída de caldo do balão, através do uso de quebra- vórtices. O ideal seria manter um selo entre a saída do balão e o nível de caldo no decantador. Câmaras amortecedoras e sifões podem ajudar a minimizar estes problemas. 88 ReunionBALÃO DE FLASH 89 TANQUES DE DISTRIBUIÇÃO DE CALDO Reunion Quando uma usina opera vários decantadores, cuidados devem ser tomados para que o caldo seja distribuído em proporção às suas respectivas capacidades. Para tanto, pode ser utilizado um tanque intermediário com vertedores de largura regulável, que, em caso de variações no fluxo total de caldo, manterá as proporções inalteradas. 90 Reunion DECANTAÇÃO Depois do caldo ter sido submetido ao tratamento desejado, deve-se permitir a separação do caldo clarificado dos flocos formados. Esta separação é efetuada através da operação de decantação. Na decantação são utilizados equipamentos denominados “decantadores”, cuja finalidade é oferecer superfície para deposição e coleta dos flocos contidos no caldo, liberando o caldo limpo e livre de impurezas. 91 Reunion DECANTAÇÃO O sucesso do trabalho dos decantadores, além daqueles relativos às operações de preparação do caldo, depende de uma série de fatores, da qual podemos destacar os seguintes : - alimentação; - controle da floculação; - temperatura de alimentação; - pH do caldo de alimentação e queda de pH; - tempo de residência; - extração de gases; - vazão de retirada de caldo clarificado; - nível de lodo no decantador. 92 Reunion DECANTAÇÃO Alimentação. Para um bom desempenho dos decantadores a vazão de alimentação deve ser constante e uniforme, evitando-se as altas velocidades. Alta velocidade = turbulência = decantação deficiente. Câmaras amortecedoras e distribuidores de caldo podem garantir a diminuição da velocidade de alimentação, caso o desnível entre o balão e os decantadores seja muito grande. 93 CONTROLE DA FLOCULAÇÃO Reunion Na tubulação de alimentação, próximo ao costado de cada decantador deve ser instalada uma válvula para tomada de amostra do caldo a ser decantado. Através do uso de uma proveta pode-se observar o tamanho dos flocos, que devem ser grandes e bem formados, bem como sua velocidade de decantação, que deve ser alta. A observação do comportamento dos flocos no teste acima indicado, permite a aferição da dosagem de polieletrólito praticada - ver figura 10.1. 94 CONTROLE DA FLOCULAÇÃO Reunion Figura10.1. – Micrografia de Iodo (A) Sem polieletrólito; (B) Com 5 ppm de polieletrólito 95 TEMPERATURA DE ALIMENTAÇÃO Reunion No aquecimento final do caldo, sua temperatura foi elevada acima da temperatura de ebulição à pressão atmosférica para eliminação de gases dissolvidos e ar, inclusive ocluso nas partículas de bagacilho (105 (105 ooCC).). Após o flash, a temperatura do caldo deve estar ao redorde 98 oC, que é uma temperatura boa para alimentação dos decantadores. Temperaturas menores significarão uma decantação problemática, pela : - floculação incompleta; - flóculos com menor velocidade de decantação; - bagacilho e flóculos saindo com o caldo clarificado. 96 TEMPERATURA DE ALIMENTAÇÃO Reunion A queda de temperatura nos decantadores deve ser da ordem de 3 graus Celsius. Ou seja, para o caldo entrando a 98 oC, deveremos ter um caldo clarificado saindo a 95 oC. Caso esta queda seja muito acentuada verificar: - o tempo de retenção do decantador que apresenta queda elevada de temperatura. Ele pode estar sendo subalimentado. - se há muitos decantadores operando para uma determinada capacidade. Redução de moagem pode implicar na necessidade de retirada de decantadores de operação. - isolamento insuficiente. Neste caso, além da queda de temperatura, aparecerão no interior do decantador correntes de convecção que podem revolver o lodo em sedimentação, ou já sedimentado, sujando o caldo clarificado. 97 pH DO CALDO DE ALIMENTAÇÃO E QUEDA DE pH. Reunion Como citado no tópico “dosagem” o caldo a decantar deve apresentar um pH de cerca de 7,0 a 7,2 , que permite uma boa floculação sem destruição de açúcar. pH’s menores significarão : - floculação deficiente, com flóculos e bagacilho ( 7,6 - 7,8) - aumento da cor do caldo; - aumento de incrustações. Para acompanhamento da operação dos decantadores, é interessante o acompanhamento da diferença entre o pH do caldo entrando no decantador e o pH do caldo clarificado, ou seja, a queda de pH. 98 pH DO CALDO DE ALIMENTAÇÃO E QUEDA DE pH. Reunion A queda de pH se situa ao redor de 0,5. Valores maiores indicam ocorrência de problemas na operação dos decantadores e no tratamento do caldo, que podem ser decorrentes de : - nível alto de lodo no decantador; - decomposição de lodo; - aquecimento insuficiente; - pH de caldo muito alto ou muito baixo; - tempo de residência muito longo; - temperaturas muito altas. 99 ReunionTEMPO DE RESIDÊNCIA Para os decantadores acelerados (tipo SRI - sem bandejas) o tempo de residência é da ordem de 20 a 30 minutos - ver figura 10.2. Para os decantadores convencionais este tempo deve ser da ordem de 2,5 a 3,0 horas - ver figura 10.3. Tempos menores significarão decantação incompleta, com caldos turvos e comprometimento da qualidade do açúcar. Tempos muito longos significarão decomposição de açúcares e aumento de cor do caldo. 100 ReunionDECANTADOR ACELERADO Figura 10.2 Decantador SRI. A – alimentação, B – Poço de alimentação, C – Chapa defletora, D, E – Saída de caldo clarificado, F- sondas de Iodo, G – Raspas de Iodo, H – Tomadas para liquidificação, I – Raspas de areia 101 ReunionDECANTADOR SEM BANDEJAS 102 Reunion DECANTADOR CONVENCIONAL 103 Reunion DECANTADOR CONVENCIONAL 104 ReunionEXTRAÇÃO DE GASES Para bom funcionamento dos decantadores todos os seus compartimentos devem possuir saídas para o ar e gases que possam se acumular. Dependendo do diâmetro do decantador, devem ser instalados dois ou quatro sistemas para retirada de gases. O sistema de retirada de gases deve permitir sua limpeza com facilidade, devendo ser instalado externamente ao decantador para comprovação de seu funcionamento, mesmo em operação. 105 VAZÃO DE RETIRADA DO CALDO CLARIFICADO Reunion A vazão de retirada de caldo clarificado deve ser ajustada de forma que, praticamente, quantidades iguais de caldo sejam retiradas de cada compartimento. Desta forma minimizamos o aparecimento de correntes preferenciais no interior do decantador. O cuidado deve ser maior nos decantadores com saídas de caldo em lados opostos, para que a remoção de caldo num lado não seja maior que no outro. 106 NÍVEL DE LODO NO DECANTADOR Reunion O lodo ao decantar arrasta consigo uma grande carga bacteriana e é um meio perfeito para o desenvolvimento e a proliferação de microrganismos. Há bactérias termofílicas que suportam até 125 oC. Portanto, níveis elevados de lodo nos decantadores são prejudiciais pois, permitirão um desenvolvimento aumentado de microrganismos, que destruirão açúcares e gerarão gases que prejudicarão a decantação. Os decantadores devem dispor de provas de lodo no compartimento do fundo, que devem ser inspecionadas frequentemente para regulagem da retirada de lodo. 107 NÍVEL DE LODO NO DECANTADOR Reunion A retirada de lodo deve ser contínua e uniforme, controlando-se via fluxo e concentração. Não se deve retirar lodo de maneira intermitente, que é duplamente prejudicial : - mantendo o lodo no decantador o seu nível se eleva aumentando o volume disponível para o desenvolvimento de microrganismos; - quando se retira o lodo se desenvolvem correntes de fluxo no decantador que quebram a estabilidade operacional, alterando velocidades e prejudicando a decantação. 108 NÍVEL DE LODO NO DECANTADOR Reunion Uma das razões geralmente alegadas para retenção do lodo no decantador é a de que ele está fino. Deve-se então procurar os motivos do lodo fino e não retê-lo no decantador : - parâmetros de tratamento do caldo; - dosagem de polieletrólitos; - sistema de remoção de gases. Concentrações de 8,0 a 12,0 % de sólidos no lodo são boas referências. Há casos em que se retém lodo no decantador por subdimensionamento da seção de filtração. Deve-se então trabalhar pela readequação da seção de filtros, para se evitar a retenção de lodo nos decantadores. 109 CUIDADOS COM O DECANTADOR Reunion Coletores de caldo (serpentinas). As serpentinas devem permitir a retirada de caldo uniformemente distribuída ao longo da periferia do decantador. Serpentinas com várias tomadas, corretamente dimensionadas, distribuem a perda de carga e reduzem as correntes direcionais. As extremidades dos tubos coletores de caldo (tomadas) devem estar niveladas e locadas o mais alto possível, a cerca de 80 a 100 mm da bandeja superior. 110 CUIDADOS COM O DECANTADOR Reunion Raspas. As raspas devem remover todo o lodo decantado, não permitindo que haja material remanescente entre elas. As raspas devem ser instaladas a ângulos de 45o, de forma a direcionar o lodo no sentido do fosso central. Seus braços e articulações devem permitir movimento para cima e para baixo e de rotação em relação a seu próprio eixo, para que as ondulações das bandejas sejam varridas. É importante que se faça, periodicamente, a liquidação dos decantadores durante a safra, em chuvas ou, de maneira programada, a cada seis semanas. Nesta oportunidade, antes da limpeza enérgica que deve ser praticada, deve ser feita uma inspeção para constatação que o lodo esteja sendo removido por completo das bandejas. Geralmente um pouco de lodo sempre fica nas bandejas, indicando onde as correções deverão ser efetuadas. 111 CONSIDERAÇÕES PRÁTICAS Reunion Bagacilho no caldo clarificado. Geralmente se deve a um flash mal efetuado ou, eventualmente, a um balão de flash subdimensionado ou instalado a um nível muito elevado em relação aos decantadores. Verificar : - temperatura de flash; - floculação deficiente; - arraste de gases na saída do balão/tanque de distribuição. - tempo de decantação; 112 CONSIDERAÇÕES PRÁTICAS Reunion Caldo clarificado turvo. Geralmente se deve a floculação inadequada, consequência de fatores relacionados com o tratamento do caldo. Pode se dever a um problema localizado, caso se manifeste em um único equipamento ou em determinadas bandejas. Verificar : - temperatura de flash; - tempo de decantação; - dosagem de polieletrólito; - dosagem de fosfato; - nível de lodo; - estado dos braços e raspas. 113 CONSIDERAÇÕES PRÁTICAS Reunion Liquidação e perdas durante as paradas. Conservação do caldo durante as paradas. Manter o caldo estocado no decantador significa facilitar a ocorrência de perdas deaçúcar. Estas perdas dependem da temperatura, do pH e do tempo de armazenamento. Geralmente, para caldos sulfitados se admite o armazenamento no máximo por até 22 a 24 horas e, para caldos não sulfitados, no máximo 12 horas. Os gráficos a seguir (Hugot - 1, pg 437) mostram a influência da temperatura e do pH na queda de pureza. 114 CONSIDERAÇÕES PRÁTICAS Reunion Liquidação e perdas durante as paradas. Conservação do caldo durante as paradas. pH finalTemperatura Figura 10.4 – Queda de pureza em Figura 10.5 – Queda de pureza 40 h, em função da temperatura em 40 h, em função do pH final 115 CONSIDERAÇÕES PRÁTICAS Reunion Liquidação e perdas durante as paradas. Conservação do caldo durante as paradas. As seguintes providências podem ser tomadas por ocasião das paradas : - elevação do pH do caldo clarificado a 7,3 a 7,5, cerca de 3,0 horas antes da parada; - reduzir a temperatura do caldo aquecido para 85 oC, cerca de 3,0 horas antes parada; - remover a maior quantidade possível de lodo dos decantadores antes da parada. Spencer e Meade (1952) citam que caldo dosado a pH 7,6 a 8,3 pode ser mantido por 22 horas a 71 - 82 oC, sem aumento de acidez nem inversão. Cuidado : a temperatura não pode cair abaixo de 70 oC, o que aceleraria a atividade microbiana. 116 CONSIDERAÇÕES PRÁTICAS Reunion Liquidação e perdas durante as paradas. Conservação do caldo durante as paradas. Em Mauritius (ISSCT - 1965) se observou que um caldo mantido no decantador a uma temperatura média inicial de 94 oC e atingindo 83 oC após 24 horas apresentou uma queda de pureza de 2,6 pontos. Quando a temperatura inicial foi reduzida para 83 oC, e apresentando 74 oC após, também, 24 horas, a queda de pureza foi de 0,9 pontos. Hugot (1), pg 437, cita que a redução de temperatura para cerca de 80 oC é muito mais efetiva que a elevação do pH. Lembrando : - a elevação do pH aumenta-se a taxa de destruição de açúcares redutores, que darão formação a ácidos que reduzirão o pH. Estes ácidos reagirão com o cálcio formando sais. Se favorece a formação de cor. - a redução da temperatura do caldo dificultará a decantação tanto do precipitado como do bagacilho. 117 PENEIRAS PARA CALDO CLARIFICADO Reunion Mesmo com todos os cuidados tomados no tratamento do caldo, ou no caso de falha destes, pode haver o escape de bagacilho pelo caldo clarificado. Há variedades de cana que facilitam sobremaneira esta ocorrência, como a SP 70-1143. Como proteção contra este escape e com a finalidade de garantir a remoção da maior parte dos insolúveis presentes no caldo, que certamente comprometerão a qualidade do açúcar, são instaladas peneiras para peneiramento do caldo clarificado. As peneiras mais utilizadas são as peneiras estáticas, inclinadas a 15o, ou do tipo DSM. Para as peneiras estáticas são utilizadas telas de aço inoxidável ou nylon, com malha de 200 mesh. Para as peneiras DSM se utilizam telas com espaçamento 0,35 mm. 118 PENEIRAS PARA CALDO CLARIFICADO Reunion Considerações práticas : - a peneira é um equipamento auxiliar e não deve ser desculpa para descuidos nas operações de tratamento de caldo. O tratamento de caldo deve ser conduzido adequadamente sendo o responsável pela obtenção de um caldo clarificado livre de partículas; - as peneiras promoverão um certo resfriamento do caldo, portanto os cuidados com sua limpeza são importantes. O material retido precisa ser constantemente retirado. Seu acúmulo facilita o desenvolvimento de microrganismos; - deve haver capacidade suficiente em peneiras para que se possa promover sua manutenção sem interrupção do peneiramento de caldo. 119 ReunionTURBO FILTRO 120 ReunionFILTRAÇÃO DO LODO O processo de tratamento de caldo tem como produtos o caldo clarificado e o lodo. O caldo clarificado é enviado para a evaporação e o lodo para o sistema de filtração, para recuperação de parte de seu conteúdo de açúcar. Filtro rotativo a vácuo. O filtro mais utilizado nas usinas de açúcar é o de tambor rotativo a vácuo, do tipo Oliver. Como o próprio nome indica, trata-se de um tambor rotativo, isto é, um cilindro que gira na horizontal, suportado por seu próprio eixo, dispondo de um meio filtrante (telas perfuradas) em sua superfície externa. Este tambor é montado sobre um tanque que contém o lodo a ser filtrado. O tambor é dividido em seções que se conectam por tubulações a um cabeçote que controlará a aplicação de vácuo durante sua rotação. 121 ReunionFILTRAÇÃO DO LODO 122 FILTRO MAUSA 123 ReunionFILTRAÇÃO DO LODO Figura11.1. – Operação de um filtro rotativo a vácuo. 124 125 ReunionFILTRAÇÃO DO LODO 1. FORMAÇÃO DA TORTA, “PEGA” Nesta seção o vácuo aplicado é baixo, de 7 a 10 “Hg, para permitir uma boa formação da torta sem a passagem de grande quantidade de sólidos ao filtrado. De qualquer forma este caldo filtrado será bastante turvo, recebendo a denominação de filtrado escuro. É durante esta fase que o bagacilho auxiliará na formação de uma torta porosa e de boa filtrabilidade. O controle do vácuo é importante para garantia de uma boa formação da torta. 2. FILTRAÇÃO E LAVAGEM . Na sequência da rotação do tambor, a tubulação da seção que estava imersa atinge a região do cabeçote que permitirá um aumento do vácuo para 20 a 22 “Hg. Começa então a lavagem da torta. A água é pulverizada sobre a torta, passando pelos poros e carregando parte do açúcar ainda restante. O caldo filtrado agora obtido é chamado de filtrado claro. 3. SECAGEM E DESCARGA DA TORTA.A lavagem continuará até o tambor atingir o ponto superior, ou um pouco além, sendo que daí em diante cessa a aplicação de água, mas o vácuo será mantido para secagem da torta, até a linha central horizontal do lado de descarga. Ao ser ultrapassada esta linha o cabeçote cortará então o vácuo, liberando a torta para ser destacada pelos raspadores. 126 ReunionO CONTROLE DA OPERAÇÃO DE FILTRAÇÃO O objetivo da filtração do lodo é processar todo o lodo, obtendo uma torta com Pol menor que 1,0 %. Este é o melhor parâmetro para avaliação do desempenho da estação de filtração Para se atingir este objetivo, além da disponibilidade de área de filtração em quantidade suficiente (da ordem de 0,6 m2/tc), alguns cuidados são necessários : - a temperatura do lodo no filtro não deve ser menor que 80 oC, que diminui a viscosidade e impede a solidificação de gomas e ceras; - o pH do lodo deverá ser corrigido para valores entre 7,5 e 8,5, para facilitar a manutenção dos flocos e melhorar a filtrabilidade; - adição de polieletrólito : 4 a 5 ppm em relação ao lodo (1 ppm em relação à cana). Geralmente dispensável. Interessante em determinadas situações. Polieletrólitos de baixo PM e elevado grau de hidrólise são os mais recomendados. 127 O CONTROLE DA OPERAÇÃO DE FILTRAÇÃO Reunion - água para lavagem da torta : deve ser filtrada, para evitar o entupimento dos bicos, e quente, com temperatura superior a 80 oC. Geralmente se utiliza água na razão de 150 a 200% do peso de torta produzida, devendo esta quantidade ser suficiente para manter um leve excesso sobre a superfície da torta, sem escorrer. Bicos aspersores de cone cheio são ideais. - acompanhamento das pressões de operação: - baixo vácuo : 7 a 10 ”Hg - alto vácuo: 20 a 22 “Hg Os vacuômetros instalados nos filtros devem realmente funcionar, sendo calibrados e aferidos, permitindo a verificação das pressões aplicadas; - rotação do tambor : 10 a 15 rph. Velocidades mais baixas melhoram a eficiência de redução de pol da torta; - espessura da torta : 7 a 10 mm permitem resultados favoráveis. Está relacionada à velocidade de rotação do filtro. 128 O CONTROLE DA OPERAÇÃO DE FILTRAÇÃO Reunion - quantidade de bagacilho adicionada : 3,0 a 5,0 kg por tonelada de cana moída. Bagacilho em excesso eleva demais a espessura da torta, aumentando a pol da torta. A falta de bagacilho reduz a filtrabilidade, permite obstrução de telas e entupimento de tubulações devido à maior quantidadede sólidos do lodo passando com o caldo. Dentre todos os parâmetros acima mencionados a Pol%Torta e a rotação do filtro no instante da coleta devem ser registrados no boletim de controle químico. É interessante se avaliar periodicamente a retenção dos filtros, que deve se manter acima de 85%. Se a retenção se situar numa faixa muito baixa certamente sobrecarregará a decantação. Fatores que afetam a retenção : - concentração do lodo; - qualidade e quantidade do bagacilho adicionado; - faixa de vácuo durante a pega; - tempo de formação da torta; 129 O CONTROLE DA OPERAÇÃO DE FILTRAÇÃO- Instrumentação Reunion Os controles devem ser instalados no piso de operação da filtração para evitar que o operador precise de deslocar para chegar aos acionamentos para suprimento de bagacilho, velocidade do filtro e bombas de lodo, vácuo e caldo filtrado. A instrumentação mínima consta de : - vacuômetros : - nas linhas de vácuo; - nos cabeçotes dos filtros; - nos coletores de filtrado; - nas bombas de vácuo. - termômetros : - para a temperatura do lodo; - para a temperatura da água de lavagem da torta. - manômetro : - na linha de água de lavagem de torta. 130 O CIRCUITO DE LODO Reunion Existem vários esquemas adotados para o circuito de lodo, em função de particularidades de cada usina. No entanto alguns cuidados são válidos de maneira geral, trazendo bons resultados quando aplicados. Geralmente as instalações dispõe de : - tanque de lodo; - misturador de bagacilho; - bombas de lodo. 131 O CIRCUITO DE LODO Reunion Figura 11.2: Fluxograma do setor de filtração 132 O CIRCUITO DE LODO Reunion Legenda para a figura do slide anterior: Ponto Comentário 1, 2, 3 e 4 Indicam tubulações de lodo, que devem ser inclinadas no sentido do fluxo para evitar acúmulo e se auto-drenarem nas paradas. Diâmetros devem ser generosos para minimizar a quebra de flocos. 5, 9, 10 e 13 Indicam linhas sob vácuo, que devem ser dimensionadas para o fluxo de ar e vapor a densidades baixas. Devem ser solda- das para prevenção de vazamentos. Inclinar as linhas que conduzem também caldo, para garantir a auto-drenagem. 6, 7 e 14 Linhas que operam sob vácuo precisam garantir estanquei- dade - não podem vazar. 133 O CIRCUITO DE LODO Reunion Tanque de lodo. Sua capacidade deve absorver flutuações na vazão de lodo, mas sem significar um tempo de retenção exagerado. Se recomenda de a 6 a 15 minutos, no máximo. Este tanque deve dispor de agitador suave (baixa velocidade), para evitar a decantação, mas sem destruir os flocos. O tanque deverá ser isolado para manter a temperatura do lodo acima de 80 oC. Se for necessário o aquecimento do lodo no tanque, este deverá ser feito através de serpentina de vapor. O operador do filtro deve dispor da informação do nível de lodo no tanque. O controle automático do nível da caixa de lodo deve estar relacionado primeiramente com a capacidade de aumento da rotação dos filtros e em seguida com a diminuição da retirada de lodo dos decantadores, que nunca deve ser levada a zero, pelos motivos vistos em decantação. Se for necessária a operação de todos os filtros sempre na rotação máxima e, mesmo assim, o sistema solicitar que se pare de tirar lodo dos decantadores, com certeza o dimensionamento da seção de filtração precisará ser revisto. 134 O CIRCUITO DE LODO Reunion Misturador de bagacilho (quando não se usa o lodo para transporte do bagacilho). Este equipamento permite a mistura do bagacilho ao lodo sob condições controladas e, uma vez garantido o suprimento adequado de bagacilho, deve operar com um mínimo de atenção - ver figura 11.3. Há misturadores projetados para alimentação de dois e três filtros, no máximo. Misturadores maiores significarão ineficiência na mistura lodo/bagacilho. Figura 11.3: Misturador de bagacilho 135 O CIRCUITO DE LODO Reunion Bombas de lodo. A instalação ideal seria aquela que permitisse o envio do lodo por gravidade do decantador para o misturador de bagacilho e deste para o filtro, como medida para evitar a quebra de flocos. No entanto, a maioria das instalações requer, no mínimo, uma operação de bombeamento de lodo. Para o bombeamento do lodo devem ser utilizadas apenas bombas de deslocamento positivo do tipo mono, que preservam o floco durante o transporte. A capacidade dos filtros e a instalação de bombeamento (velocidade variável) devem permitir a operação com um mínimo de recirculação através de transbordamento pelo ladrão do tanque do filtro. 136 O CIRCUITO DE LODO Reunion Considerações Práticas - os raspadores de torta devem apresentar contato completo, não fazendo uso de pressão excessiva, que poderá provocar danos às telas; - os condensadores barométricos e os balões de caldo filtrado não devem apresentar vazamento. Toda a instalação sob vácuo precisa ser inspecionada quanto a vazamentos; - nas paradas programadas incluir a limpeza dos filtros. Sua operação com a água aberta e com água quente no tanque durante uma hora promoverá a limpeza de todos os componentes. 137 CAPTAÇÃO DO BAGACILHO Reunion O bagacilho, utilizado como auxiliar na filtração do lodo, é separado do bagaço de cana através de dispositivos especiais. Podem ser utilizadas : - peneiras vibratórias: equipamentos que apresentam partes móveis, sujeitos a manutenção, principalmente das telas. - chapas perfuradas: instaladas nos transportadores de bagaço, permitem boa coleta de bagacilho já na moega de alimentação do ventilador de transporte, situada sob a esteira; - existem chapas de furos cônicos e de furos oblongos, estas últimas trabalhando muito bem. Deve-se garantir um suprimento contínuo de bagacilho, mesmo durante paradas das moendas, portanto é interessante que as telas sejam instaladas no circuito de transporte de bagaço. 138 CAPTAÇÃO DO BAGACILHO Reunion SEPARADOR TIPO “LOUVRE” separa bagacilho de boa qualidade. Instalação requer grande”disponibilidade de altura entre transportadores, dificultando seu uso; 139 CAPTAÇÃO DO BAGACILHO Reunion Figura 11.5: Captador de bagacilho. – Tela não obstruível. Ventilador conectado diretamente na moega Sua instalação também requer grande disponibilidade de altura entre ransportadores 140 TRANSPORTE DE BAGACILHO Reunion Pneumático. O bagacilho é encaminhado das moegas de coleta aos misturadores via transporte pneumático, sendo separado da corrente de ar de transporte via ciclone. Os sistemas disponíveis são : - ventilador conectado diretamente na captação de bagacilho. (fig. 11.5) Como o bagacilho passa através do ventilador (e areia também) há o desgaste acelerado de suas palhetas. - ventilador insuflando ar em ejetor do tipo Venturi, que succiona o bagacilho. (fig. 11.6) Este sistema necessita de ventiladores de potência mais elevada devido à perda de carga no Venturi. Não há desgaste de palhetas. 141 TRANSPORTE DE BAGACILHO Reunion (continuaçãodos sistemas disponíveis) - válvula rotativa. O sistema é totalmente pressurizado e o bagacilho é adicionado à linha de transporte via válvula rotativa, que também deve garantir a selagem do sistema. Não apresenta as desvantagens dos sistemas anteriores, mas tem custo inicial ligeiramente mais elevado. Válvula rotativa requer manutenção sofisticada para garantir a selagem. 142 TRANSPORTE DE BAGACILHO Reunion Figura 11.6: Captação de bagacilho. – Ventilador com ejetor Venturi 143 TRANSPORTE DE BAGACILHO Reunion Via lodo. O bagacilho também pode ser transportado via lodo. Poderá existir seu transporte pneumático até o tanque de mistura com lodo. Este é um sistema utilizado em determinadas situações, mas que deve ser evitado, principalmente se o bombeamento de lodo mais bagacilho for efetuado através de bombas centrífugas, devido à destruição do floco - ver figura 11.7. A utilização de bombas mono minimizará a quebra de flocos numa instalação que precise adotar esta solução - ver figura 11.8. 144 Reunion Figura 11.7:Transporte de bagacilho via lodo TRANSPORTE DE BAGACILHO 145 TRANSPORTE DE BAGACILHO Reunion Figura 11.8: Transporte de bagacilho via lodo – com bombas mono 146 Reunion 147 ReunionPRENSA DESAGUADORA 148 PRENSA DESAGUADORA Reunion 149 Atenuação de cor ao longo do processo Reunion 150 Referências Bibliográficas Reunion 1 - Hugot, E. - Handbook of Cane Sugar Engineering - Elsevier Publishing Co. - 1986. 2 - Medeiros, Carlos Eduardo do Val - Tratamento do Caldo - Curso para Operadores. 3 - Perk, Charles G. M. - The Manufacture of Sugar From Sugarcane - Sugar Milling Research Institute - 1973. 4 - Baikow, V. E. - Manufacture and Refining of Raw Cane Sugar - Elsevier Publishing Co. - 1967. 5 - Copersucar - Processo de fabricação de açúcar - Parte I. 6 - Copersucar - V Seminário de Tecnologia Industrial - 1993. 7 - Copersucar - Clarificação - Reunião Técnica Sobre Clarificação - 1988. 151 Referências Bibliográficas Reunion 8 - Hale, D. J. e Whayman, E. - Developments in Clarifier Design - Proceedings ISSCT 14th Congress - 1971. 9 – Silva Jr., J. F. e Zarpelon, F – Color and Ash Levels in Process Streams at Three Factories Producing Raw, Sulfitation White and High Pol Raw Sugars – Proceedings ISSCT 16th Congress 1977. 152 HOMENAGENS Reunion CursoTRATAMENTO DO CALDOAntonio Roberto P De AndradeTercio Marques Dalla VecchiaMaio 2004 Conteúdo.1. Terminologia e conceitos.2. Objetivo e considerações.3. Peneiramento e hidrociclones4. Regeneração.5. Sulf Transmitância: T =I2/I1 , Onde I1 é a luz incidente e I 2 é a luz transmitidaTransmitância relativa (Ts): Relação entre a t OBTER UM CALDO CLARIFICADO LÍMPIDO, ISENTO DE MATÉRIA EM SUSPENSÃO, COM REAÇÃO APROXIMADAMENTE NEUTRA E COM COR ADEQUADA AO A Faixas de variação para a composição química do caldo - água75 a 88 %- sacarose10 a 21 %- açúcares redutores O tratamento do caldo misto consiste em submetê-lo a uma série de passos que envolverão ações físicas (peneiramento, aquecimen TRATAMENTO DE CALDOQUASE PADRÃOPENEIRAMENTOPRIMEIRO AQUECIMENTOSULFITAÇÃOCALAGEMSEGUNDO AQUECIMENTOFLASHDECANTAÇÃO COM ESTE TRATAMENTO PRETENDE-SE:Eliminar as impurezas grosseiras insolúveis Coagular e flocular as demais impurezas tornan Mudança de pH pela adição de leite de cal.Coagulação de colóides.Formação da sais insolúveis de cálcio.Remoção de compos O principal precipitado formado é o fosfato de cálcio que, na decantação, arrastará consigo a matéria coloidal. Desta forma Decomposição da Sacarose em meio ácidoSACAROSE + ÁGUA GLICOSE + FRUTOSEC12 H22 O11 + H2O C6H12O6 + C6H12 DECOMPOSIÇÃO DO AÇÚCAR EM MEIO ALCALINOÉ MUITO MAIS BRANDA DO QUE EM MEIO ÁCIDO. APENAS ACIMA DE 80C A SACAROSE SE DECOMPÕE DECOMPOSIÇÃO TÉRMICA DA SACAROSEO aquecimento demorado até 140 C ou acima provoca a destruição intensa da sacarose, formand DECOMPOSIÇÃO BIOQUÍMICA DA SACAROSEPrincipais reações bioquímicasInversão da sacarose pela Invertase (30 a 40C)Produção REAÇÕES DOS AÇÚCARES REDUTORESDecomposição química: Sempre com grande formação de cor, principalmente altas temperaturas e CONCLUSÃO: HÁ DIVERSOS COMPROMISSOS ENTRE TEMPERATURA, PH E TEMPO DE TRATAMENTO PARA SE OBTER UMA BOA CLARIFICAÇÃO DO CALDO. PENEIRAS CUSH-CUSHDSMVIBRATÓRIASROTATIVASELIMINADORES DE AREIAHIDROCICLONESSEPARADORES DE AREIA Os sólidos presentes no caldo são retidos sobre as telas, sendo posteriormente removidos por raspas (taliscas com rodo de bor