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Capítulo 16 Métodos contraceptivos: gerar com responsabilidade A decisão de ter um filho é algo que exige maturidade e responsabilidade. Atualmente, a mulher e o homem, cada vez mais conscientes do funcionamento do seu corpo, repensam não apenas no momento de se tornar pais, mas se realmente desejam seguir essa trajetória. Enquanto uns enxergam esse evento como a realização de um sonho, outros simplesmente abrem mão dessa opção ou decidem por aguardar o melhor momento. De qualquer forma, hoje há inúmeras formas de se evitar uma gravidez, se esta for a opção. É certo que nenhuma delas é totalmente confiável, mas algumas podem apresentar até 99% de segurança. Independentemente do método adotado, este deve ser feito sob a supervisão de um ginecologista - profissional da área médica que auxiliará na escolha do contraceptivo mais adequado em função do estado geral de saúde da paciente, da idade e de características da sua vivência sexual. Os métodos anticoncepcionais podem ser classificados em: hormonais, de barreira, intrauterinos, permanentes, naturais ou coito interrompido. Métodos hormonais Os métodos hormonais são aqueles que utilizam hormônios com função de impedir a ovulação e, consequentemente, a gravidez. São exemplos: Pílulas Também conhecidas como anticoncepcionais orais, as pílulas são comprimidos compostos por hormônios (estrogênio e progesterona) em diferentes concentrações. Para que a ovulação seja suspensa, é necessário ingerir a pílula por 21 dias seguidos, de preferência no mesmo horário, começando no primeiro dia do ciclo menstrual. Embora garantindo 99% de eficácia, esse método pode provocar mal-estar, dor nos seios e na cabeça, trombose e até câncer de colo do útero. de 97%, as minipílulas devem ser tomadas diariamente, sem interrupção. Ela inibe a menstruação, porém há casos em que acontece o que os médicos chamam de sangramentos de escape. São realmente as mais indicadas para lactantes, mulheres em período de amamentação, e podem ser utilizadas a partir da sexta semana pós-parto, sempre sob orientação do ginecologista e/ou obstetra. Como efeito colateral, algumas mulheres se queixam de diminuição da libi- do, ou seja, do desejo sexual. Anticoncepcional injetável Também conhecido como injeção anticoncepcional, esse método consiste em introduzir os hormônios inibidores de ovulação (estrogênio e progesterona) no corpo feminino por meio de injeção no braço ou no glúteo, a cada 30 ou 90 dias. Garantindo 99% de eficiência, esse método é muito utilizado por mulheres que não podem tomar pílula. Só as versões sem estrogênio (normalmente as trimestrais) podem ser tomadas por quem amamenta. A injeção pode inibir a menstruação, assim como acontece com o uso das minipílulas. Como desvantagem desse método, podemos dizer que a fertilidade pode demorar a voltar; logo o anticoncepcional injetável não é indicado para mulheres que pretendem engravidar dentro de um ano após a suspensão da injeção. Minipílulas À base de progesterona, e sem estrogênio, esse método pode ser utilizado por mulheres no período de amamentação. Menos eficaz que a pílula convencional, apresentando eficácia Com eficácia em torno de 97%, as minipílulas devem ser tomadas diariamente, sem interrupção. Elas inibem a menstruação, porém, há casos em que ocorrem os chamados sangramentos de escape. São especialmente indicadas para lactantes, mulheres em período de amamentação, e podem ser utilizadas a partir da sexta semana pós-parto, sempre sob orientação do ginecologista e/ou obstetra. Como efeito colateral, algumas mulheres se queixam de diminuição da libido, ou seja, do desejo sexual. Anticoncepcional injetável Também conhecido como injeção anticoncepcional, esse método consiste na aplicação de hormônios inibidores da ovulação (estrogênio e progesterona) no corpo feminino, por meio de injeção no braço ou no glúteo, a cada 30 ou 90 dias Garantindo 99% de eficiência método é muito utilizado por mulheres que não podem tomar pílulas só as versões sem estrogênio Normalmente as trimestrais podem ser tomadas por quem amamenta A injeção pode inibir a menstruação assim como acontece com o uso das minipílula Como desvantagem desse método pode mas dizer que a fertilidade pode demorar a voltar logo a anticoncepcional injetável não é indicado para mulheres que pretendem engravidar dentro de um ano após a suspensão da injeção Adesivos anticoncepcionais Também conhecido como patch, esse material adesivo pode ser colocado sobre a pele em várias partes do corpo, como o braço e a barriga. Nesses locais, ele libera hormônios que deverão ser absorvidos pela corrente sanguínea.O adesivo deve ser colado no primeiro dia da menstruação e deve ser trocado a cada semana, parando ao final da 3a semana para a chegada da menstruação. Como desvantagem, temos o alto preço quando comparado às pílulas anticoncepcionais tradicionais. Também não deve ser utilizado por mulheres em período de amamentação.Anel vaginal alternativa para o alívio de incômodos pré- -menstruais. Tem como vantagem o fato de não precisar lembrar diariamente do seu uso, já que não é como a pílula (por ingestão); entretanto, pode ser mais caro do que o comprimido anticoncepcional. Quando usado corretamente, possui eficácia entre 98% e 99%. Não deve ser usado no período de amamentação. Implante anticoncepcional Com a forma de um tubo de silicone de 40 mm de comprimento com tamanho aproximado ao de um palito de fósforo, deve ser introduzido sob a pele na região do braço. O implante anticoncepcional libera etonogestrel (progesterona sintética) por três anos. Esse método garante eficiência de 99% e, no caso de gestantes, só pode ser utilizado a partir de quatro semanas depois do parto. Assim como as minipílulas, alguns dos efeitos colaterais sinalizados pelas usuárias são a diminuição da libido e o aumento de peso. Além desses desconfortos, alterações na menstruação também são queixas de algumas mulheres que utilizam esse método. Por outro lado, ameniza as cólicas e os sintomas da Tensão Pré-Menstrual (TPM). Também é um método caro se comparado às pílulas anticoncepcionais tradicionais. De silicone transparente e apresentando a forma de um anel flexível, o anel vaginal contém baixa dosagem hormonal e deve ser Pílula do dia seguinte colocado no canal vaginal por três semanas. A partir de então, deve ser retirado para que aconteça a menstruação. Como libera hormônios gradativamente e sua dosagem é pequena, não circulando pelo organismo, o anel vaginal pode ser uma Não deve ser utilizada como método anticoncepcional de rotina. A pílula do dia seguinte é, antes de tudo, um método emer- gencial em situações de rompimento de pre- servativo ou violência sexual, por exemplo. Esse método é responsável pela inibição da Artinun/AdobeStock.com ovulação, além de impossibilitar a sobrevivência (semen) ao canal vaginal. A única contra indicação dos espermatozoides. O primeiro comprimido deve ser ingerido até 72 horas após a relação sexual, e o segundo comprimido, 12 horas após o primeiro - há, ainda, versões de comprimido de dose única. Quanto mais cedo for tomado menor será o índice de falha. A eficiência dessa pílula não é tão confiável quando comparada aos demais métodos. É para aqueles que apresentem alergia ao látex utilizado na fabricação do preservativo; para estes casos, já existe a opção hipoalergénica, Além disso, não precisa de receita médica para ser adquirida nas farmácias. A camisinha é um método vantajoso quando pensada com o propósito também de redução da possibilidade de contágio por Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs), além do baixo custo e do fácil acesso. O preservativo de látex pode ser encontrado nos postos de saúde de cada município, onde a distribuição é gratuita. Métodos de barreira Anticoncepcionais do tipo barreira são aqueles que criam um impedimento, de origem química ou física, capaz de impossibilitar o alcance do esperma ejaculado até a cavidade uterina.São eles: • Camisinha masculina Também conhecida como preservativo mas- culino, ou camisa de vênus, a camisinha é o método anticoncepcional mais conhecido no mundo e de maior eficácia (99%). Sua estrutura é composta por uma cobertura de látex (com ou sem espermicida) que é colocada no pênis, quando ereto. Ao ser colocada, antes da penetração, impede o acesso dos espermatozoides Camisinha feminina Semelhante ao preservativo masculino, a camisinha feminina também tem estrutura tubular, apresentando duas extremidades: uma fechada e a outra aberta. Deve ser introduzi- da no canal vaginal antes das relações sexuais, o que bloqueará o acesso do sêmen à cavi- dade uterina. Apesar de ser vantajosa por também reduzir o risco de contaminação por ISTs e ter alto índice de eficácia (95%), apresenta um custo mais alto que a camisinha masculina. É importante compreender que a camisinha feminina não deve ser usada em conjunto com a masculina. Kovel Mingg Andrey Popov/AdobeStock.com o/AdobeStock.com A camisinha feminina não costuma ser muito usada, mas a responsabilidade pela segurança sexual deve ser decidida conjuntamente pelos parceiros. • Diafragma De formato circular e à base de silicone, o diafragma é um método antigo originário da Alemanha no século XIX, surgido no Brasil apenas nos anos 1980, que funciona como uma espécie de tampa. Ele deve ser colocado no fundo da vagina antes do ato sexual, em média de 15 a 30 minutos, e só deve ser retirado 12 horas após o término. Associado a um espermicida, aumenta a sua eficácia, podendo alcançar os 90%. É necessá- rio que o diafragma seja recomendado por um ginecologista, pois precisa ser avaliado a partir do diâmetro do colo do útero da mulher. Apesar de o diafragma ser vantajoso por não utilizar hormônios na sua forma de ação, pode ser utilizado, inclusive, por lactantes e ainda ser reutilizável, ele não é capaz de proteger os parceiros das Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs). Além disso, se for mal higienizado, pode provocar outras doenças infecciosas. • Espermicidas Nas formas de gel, creme, espuma ou supositório, os espermicidas têm por objetivo paralisar e destruir os espermatozoides ao longo da relação sexual. Quando colocado na porção mais profunda da vagina, sem estar associado a algum outro método contraceptivo, pode oferecer uma eficácia em torno de 65%. • Dispositivo intrauterino, o DIU É um método eficiente e duradouro, mas que só pode ser utilizado com a aplicação feita por um ginecologista. O DIU pode ser encontrado em duas apresentações: DIU de cobre (sem hormônio) Com estrutura à base de cobre ou plástico e em forma de "T", seu método de ação se baseia na liberação do elemento químico cobre (Cu) no interior do útero, o que cria dificuldades para a implantação da célula-ovo, ou zigoto, no endométrio. Apesar do alto índice de eficácia nos seus resultados (99%) e de ser um dispositivo de longa duração, algumas mulheres se queixam de dor aparecimento de infecções uterinas. Manokay AdobeStock.com DIU com hormônio (SIU) No mesmo formato do DIU de cobre, funciona como se fosse uma mini pílula, pois libera progesterona em pequenas quantidades, mas com menos efeitos colaterais por agir localmente. A menstruação pode ser inibida ou ficar desregulada, e o contraceptivo pode durar até cinco anos. Método anticoncepcional permanente Como o próprio nome diz, o método anticoncepcional permanente é aquele que visa for nar infértil o homem ou a mulher por meio de esterilização cirúrgica. Por ser de difícil reversão, procedimentos assim devem ser a última opção de escolha para quem quer evitar filhos. Ligadura de trompas, ou laqueadura Essa técnica se baseia no corte ou amarração das tubas uterinas, interrompendo o acesso dos espermatozoides ao óvulo. Apesar de cirúrgica, a vantagem apresentada por esse método é a sua eficácia de 100%, além de não interferir no ciclo menstrual. Muitas mulheres, depois da quantidade de filhos desejada, insistem em fazer a laqueadura durante a cesárea. Mas é importante lembrar que o Ministério da Saúde determina que a ligadura das trompas não seja realizada durante o parto, a não ser em caso de necessidade comprovada. designua/AdobeStock.com A Lei Nacional de Planejamento Familiar permite que o Sistema Único de Saúde (SUS) realize a ligadura de trompas se a mulher obedecer aos seguintes critérios: Ter mais de 25 anos. Ter dois filhos vivos. Vasectomia Sem influenciar no desempenho sexual masculino, a vasectomia é um procedimento cirúrgico que interrompe os canais deferentes, evitando, assim, que espermatozoides produzidos nos testículos cheguem a entrar na composição do sêmen. Em outras palavras, o homem segue tendo ereção e ejaculando normalmente, mas o líquido deixa de conter espermatozoides. O Sistema Único de Saúde (SUS) também realiza a vasectomia se o homem obedecer aos seguintes critérios: Ter mais de 25 anos. • Ter pelo menos dois filhos vivos. Esperar dois meses entre o manifestar da vontade da esterilização e o ato cirúrgico. Métodos naturais (compor entals) Um método de contracepção é considerado natural quando ele envol- ve os parceiros na busca de mais informações sobre o funcionamento do corpo feminino e masculino. A desvantagem é que esses métodos podem não ser tão eficazes quanto os demais. Tabela O método da tabela se baseia no uso de um calendário no qual é registrado o primeiro dia da última menstruação e quantos dias, em média, dura o ciclo menstrual da mulher. Método de temperatura basal Esse método se baseia no acompanhamento das medições de temperatura basal do corpo com o objetivo de identificar o período fértil da mulher. Para identificá-las, basta que a mulher meça a sua temperatura diariamente, assim que acordar, sem levantar da cama ou realizar movimentos bruscos. Essa temperatura pode ser verificada por um termômetro posicionado na axila, na boca ou sob a língua. É importante realizar a verificação sempre com o mesmo termômetro para evitar alterações nas medições. Durante o ciclo ovariano, exatamente no período de ovulação, ocorre liberação de hormônios femininos (estrogênio e progesterona) que, por serem termogênicos, provocam alteração na temperatura corporal, e é exatamente essa elevação de temperatura que indica que a mulher está entrando no seu período fértil. Em geral, durante a primeira fase do ciclo, na qual ocorre o desenvolvimento do óvulo (fase folicular), as temperaturas normais do nosso corpo variam entre 36 °C e 37 °C. A elevação da temperatura deve ser percebida quando houver um aumento entre 0,3 °C e 0,5 °C, e isso se dá no momento da fase pós-ovulatória. Método do muco cervical (Método Billings) Baseando-se no conhecimento do ciclo menstrual e da simples auto- -observação, esse método pode ser realizado a partir da identificação do período fértil (período de ovulação). Ele é caracterizado por alterações na aparência do muco cervical (do colo do útero) ao longo do ciclo, que deve ser transparente como clara de ovo no período de ovulação e mais espessa depois da ovulação. Apesar de se tratar de um método natural, em que não é administrado qualquer tipo de substância química, não deve ser escolhido por mulheres que não apresentem ciclo menstrual regular. Além disso, não protege contra as Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST). Coito interrompido Não sendo um método dos mais aconselháveis, ele consiste na interrupção da relação sexual antes que ocorra a ejaculação, que acontece fora do corpo da parceira. Essa prática não é muito segu- ra, visto que o líquido que antecede a ejaculação pode conter espermatozoides ativos. Sendo assim, é um método de alto risco para uma possível gestação.