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Resumo Geral de Teoria Geral do Processo
(Unidade 2):
Competência:
O que devemos nos perguntar primeiro é: O que é a Jurisdição ? Sem saber o que é ela não há
como abordar a competência. Portanto, jurisdição é a autoridade do juiz em ditar a lei no caso
concreto para solucionar lides.
Conceito de Competência:
Conceito: Trata-se da delimitação da jurisdição, ou seja, o espaço em que cada jurisdição vai
ser aplicada. É o alcance do poder do juiz distribuído por lei.
Exemplo: Um juiz que atua na vara cível possui jurisdição, mas somente para julgar questões
cíveis. Não lhe é permitido julgar homicídios, pois é de competência criminal. (art. 42, CPC).
Quando é estabelecida ?
No momento da distribuição do processo. Será responsável por distribuir a lide para cada órgão
responsável de jurisdição, onde irá tramitar. Em regra, a competência não se modifica.
Há três princípios que se destacam:
Princípio da Tipicidade: toda competência está tipificada, ou seja, está prescrito em lei quais
são suas regras, qual órgão é competente e qual juiz irá julgar.
Esta regra serve basicamente para evitar o “vai e vem” dos processos por mudanças;
De fato (ex. domicílio) ou;
De direito (lei afirmando que quem rouba camisas azuis deve ser demandado no foro de seu
domicílio).
A regra serve também para “os engraçadinhos” que querem tirar vantagem com o processo,
atrasando a demanda do mesmo.
Princípio da Indisponibilidade: A Indisponibilidade vigora no Processo Penal, a maior parte
das causas são ações penais públicas incondicionadas, não dependem da vontade da parte, se
o crime ocorre, é função do Estado iniciar do processo, não depende da provocação da parte,
aqui você não é dono da causa. Nesta toada, ao juiz não lhe compete modificações nas regras
(acionar a jurisdição). Ele sendo o competente para julgar, não pode, por livre arbítrio, ser dono
da causa.
Exemplo: Você deu carona para o seu amigo e infelizmente aconteceu um acidente, seu amigo
quebrou a perna, você por sorte não se machucou tanto, você leva seu amigo para o hospital,
presta primeiros socorros, um belo dia você está em casa e recebe uma intimação por estar
sendo processado por crime de lesões corporais. O amigo não processou o outro, o hospital
informou ao ministério público e o Estado começou a agir, não importa a vontade sua ou do seu
amigo.
Princípio do Juiz Natural: é a determinação do juízo competente para a causa, deve ser feita
com base em critérios impessoais, objetivos e pré-estabelecidos.
Classificações da Competência:
Originária: é a competência inicial onde o processo é distribuído. Onde começa o processo é
onde se origina, onde se conhece a demanda primeiramente.
Derivada: é a remessa de um processo para outra competência.
Exemplo: um recurso segue para um Tribunal de instância superior, ou seja, da competência
originária (a primeira instância) seguiu para uma instância superior (competência derivada).
Foro: refere-se ao território, em que comarca certo processo deve ser julgado.
Juízo: refere-se à matéria (família, cível, consumidor, penal etc.).
Absoluta: É a competência insuscetível de sofrer modificação, seja pela vontade das partes,
seja pelos motivos legais de prorrogação ( Conexão ou Continência de causas).
Relativa: Ao contrário, é a competência passível de modificação por vontade das partes ou por
prorrogação, oriunda da conexão ou continência de causas.
Critérios que determinam a competência:
Territorial: Também denominada “competência de foro”, corresponde ao local (territorialmente
falando) no qual deve ser proposta a ação.
Em relação à Justiça Estadual, fala-se em comarca; em relação à Justiça Federal, fala-se em
seção e subseção.
Valor da causa: estabelece-se em relação ao valor atribuído à causa.
Exemplo: causas de até 40 salários mínimos, competência dos Juizados Especiais Cíveis, se
Justiça Estadual; e federal, até 60 salários mínimos – Juizados Especiais Federais.
Material: referente ao objeto da lide (família, cível, consumidor etc.)
Função ou Hierarquia: função ocupada pelo sujeito da lide, o qual gera a competência
originária, se quem julgará é o STJ, STF, Tribunal etc.
Prorrogação da Competência:
Juízo inicialmente incompetente, torna-se competente, seja em virtude de determinação legal,
seja por ato de vontade das partes. Assim, a competência relativa prorroga-se em virtude de:
Lei: quando se trata de conexão ou continência (art. 102 do CPC).
Assim, se duas ações são propostas em unidades territoriais distintas, uma unidade
competente para conhecer de uma ação, e outra unidade competente para conhecer da outra,
prorrogar-se-á a competência de ambas, sendo que será feita a reunião de ambos os
processos perante o juízo que primeiro promoveu a citação do réu (aplica-se o art. 219 do
CPC, não o art. 106).
A competência material e em relação à hierarquia são sempre absolutas, que não se
modificam.
A competência territorial e em valor da causa são relativas, podem ser modificadas.
Identificação da Competência:
Etapas a serem percorridas para se determinar a competência interna:
A) Competência de jurisdição: qual a Justiça competente?
B) Competência originária: dentro da Justiça competente, o conhecimento da causa cabe ao
órgão superior ou ao inferior?
C) Competência de foro: se a atribuição é do órgão do primeiro grau de jurisdição, qual a
comarca ou seção judiciária competente?
D) Competência de juízo: se há mais de um órgão de primeiro grau de jurisdição com as
mesmas atribuições jurisdicionais, qual a vara competente?
E) Competência interna: quando numa mesma Vara ou Tribunal servem vários juízes, qual ou
quais deles serão competentes?
F) Competência recursal: a competência para conhecer do recurso é do próprio órgão que
decidiu originariamente ou de um superior?
Exemplo: numa ação de herança que foi proposta em Rio Negro, os critérios determinantes de
identificação de competência são:
A Justiça competente é a Justiça Estadual (pois não refere-se a esfera Federal), sendo que
será o processo pertencente à justiça comum (pois não compete a Justiça Militar, do Trabalho e
nem Eleitoral);
Originariamente competente em primeira instância. O foro será na comarca de Rio Negro e na
Vara onde houver o juízo competente pertinente a sucessões.
Sujeitos do Processo: Parte e Procuradores:
A capacidade de ser parte é a aptidão para figurar como parte em um dos pólos da relação
processual. Pode ser parte todo aquele que tiver capacidade de direito (artigos 1º e 2º do
Código Civil).
Já a capacidade processual é a aptidão para agir em juízo. Toda pessoa que se acha no
exercício dos seus direitos tem capacidade para estar em juízo, conforme reza o artigo 7º do
Código de Processo Civil.
A capacidade de ser parte decorre do princípio constitucional do amplo acesso à justiça,
previsto no artigo 5º, inc. XXXV da Constituição Federal, o qual garante a todos o direito de
provocar o Poder jurisdicional do Estado. Por essa razão, abrange todas as pessoas físicas,
jurídicas e alguns entes despersonalizados. Se dessa norma resulta que todos podem acionar
o judiciário, logo todos têm capacidade de ser parte.
A capacidade processual (de estar em juízo) está relacionada à capacidade de exercício de
seus direitos e de sua representação no caso das pessoas incapazes, jurídicas e entes
despersonalizados. Está prevista no artigo 70 do Código de Processo Civil, o qual prevê que
"Toda pessoa que se encontre no exercício de seus direitos tem capacidade para estar em
juízo".
Perceba como são diferentes. A pessoa física nasce com a capacidade de ser parte, mas para
que tenha capacidade processual é necessário que seja maior e capaz. Na hipótese das
pessoas menores ou incapazes por qualquer causa resta à representação, ou, no caso dos
maiores de 16 e menores de 18, a assistência.
Assim, pode-se dizer que todos tem capacidade de ser parte, mas nem todos tem capacidade
processual.
Capacidade de ser parte:
De acordo com o Código Civil, todos que nascem com vida possuem personalidade civil, pois
estão aptosa contrair direitos e deveres. Inclui-se nesses direitos, a possibilidade de figurar
como parte em um processo judicial. Portanto, todos que têm personalidade civil (pessoa física
e jurídica), tem capacidade de ser parte em um processo.
Há ainda algumas situações que permitem que entes despersonalizados, como os órgãos
públicos, o condomínio e a massa falida também tenham capacidade de ser parte.
Capacidade de estar em juízo/Capacidade processual stricto sensu:
Para figurar como autor ou réu em um processo, não basta ter capacidade de ser parte, é
necessário ter capacidade de estar em juízo. Para isso, a pessoa deve estar em pleno
exercício de seus direitos. A capacidade de estar em juízo é a aptidão para praticar atos
processuais independentemente de assistência ou de representação.
Deveres das Partes e dos Procuradores:
Os objetivos gerais dos deveres impostos às partes mostram-se, muitas vezes, intuitivos e
naturais. Primeiramente, cumpre garantir que o processo transcorra normalmente, sem
procrastinações indevidas e sem desvios ocasionados por comportamento incorreto das partes.
Nesta linha de raciocínio, a formação da convicção do juiz também não pode ser abalada por
alegações de fatos inverídicos e levantamentos de questões de direito desarrazoadas ou
intencionalmente distorcidas.
A conduta incorreta das partes, por intermédio de seus procuradores, pode se apresentar de
duas formas:
1. aspecto material: quanto ao conteúdo das alegações;
2. aspecto formal: quanto à forma das alegações.
Como veremos a seguir, essas condutas são facilmente notadas ao analisarmos a lei e os
objetivos por ela traçados dentro de limites eticamente desejados.
Dever da Veracidade:
O primeiro dever imposto às partes no NCPC consiste em expor os fatos conforme a verdade.
Há uma discussão doutrinária a respeito do que seria essa verdade buscada pelo direito.
Haveria,
pois, a verdade formal e verdade material.
Atualmente, tem-se considerado que a verdade é uma só, e é esta que se deve buscar.
Partindo dessa lógica, a doutrina se divide em duas correntes:
Para os adeptos do Princípio Dispositivo, o autor da ação estaria autorizado a apresentar na
inicial os fatos da forma que lhe sejam mais favoráveis. Claro, não distorcendo a realidade de
forma a cometer calúnia.
Já, os adeptos do Princípio da Igualdade admitem que tal omissão também possa ser
cometida pelo réu em sua oportunidade de defesa, isto é, na ocasião de apresentar
contestação nos termos do art. 341 do NCPC.
Dessa forma, tanto ao réu quanto ao autor caberia o dever de veracidade, sendo permitida a
omissão de certos fatos como estratégias processuais.
Dever de Probidade:
Recai sobre as partes e sobre todos que participem do processo a exigência de
comportamento leal e de boa-fé na atuação processual conforme disposto nos artigos 5º e 77
do NCPC.
Assim, o dever de probidade apresenta-se de duas maneiras:
Dever de probidade positivo: reclama-se das partes obediência estrita às regras do
contraditório do processo respeitando as faculdades da parte adversária.
Nesse aspecto, a lei institui a fixação das provas documentais na inicial para o autor (art. 319,
NCPC) e na contestação para o réu (art. 434, NCPC) cabendo às partes, desde o início, “pôr as
cartas na mesa”. Caso se ocultem os documentos (produzindo-os posteriormente), incorrerá a
parte em deslealdade processual.
Dever de probidade negativo: consiste nas hipóteses em que as partes se comportam de
má-fé no processo. Apesar de inexistir definição explícita no Código do que seja boa-fé, as
hipóteses de má-fé elencadas no art. 80, do NCPC, permitem concluir, a contrario sensu,
que aquilo que não se enquadre nas hipóteses de má-fé, seja boa-fé. Aquilo que não se
proíbe está permitido.
3. Dever de seriedade:
As partes têm o dever de fundamentar suas pretensões conforme o direito. O acesso à justiça
exige seriedade das partes. O art. 77, inciso II, por exemplo, exige às partes o dever de não
formular pretensões ou apresentar defesas destituídas de fundamento.
Assim, litigar convencido de que não se tem direito significa movimentar a máquina judiciária
pormera rivalidade ou competição.
4. Dever de economia
A economia visa à obtenção do máximo de resultados com o mínimo de esforços. Nesta senda,
a economia processual visa a minimizar o tempo para o processo atingir suas próprias
finalidades.
Por essa razão, o artigo 77, inciso III, constrange as partes a não produzirem provas e não
praticar atos inúteis ou desnecessários à declaração ou defesa do direito.
Artigo do CPC
Art. 77. Além de outros previstos neste Código, são deveres das partes, de seus procuradores
e de todos aqueles que de qualquer forma participem do processo:
I-expor os fatos em juízo conforme a verdade;
II-não formular pretensão ou de apresentar defesa quando cientes de que são destituídas de
fundamento;
III- não produzir provas e não praticar atos inúteis ou desnecessários à declaração ou à defesa
do direito;
IV-cumprir com exatidão as decisões jurisdicionais, de natureza provisória ou final, e não criar
embaraços à sua efetivação;
V-declinar, no primeiro momento que lhes couber falar nos autos, o endereço residencial ou
profissional onde receberão intimações, atualizando essa informação sempre que ocorrer
qualquer modificação temporária ou definitiva;
VI- não praticar inovação ilegal no estado de fato de bem ou direito litigioso.
Substituição das Partes:
Como seu próprio nome diz, dá-se quando uma parte substitui a outra dentro de um processo.
Pode ocorrer intervivos, ou seja, entre vivos, e facultativamente ou por Causa mortis, que
ocorre quando uma das partes de um processo morre e seus direitos são passados aos
herdeiros.
Basicamente, para que ocorra a chamada Substituição da Parte, é necessário o consentimento
da parte contrária dentro do processo. Feito isso, a substituição é realizada.
No entanto, caso não haja o consentimento da parte contrária, temos a chamada Legitimação
Extraordinária passiva, porque a parte originária aliena um bem litigioso a um terceiro e este
terceiro passar a compor o processo como assistente litisconsorcial do alienante. Este bem em
litígio pode ser negociado na esfera civil pelas partes, gerando a hipótese do terceiro como
assistente, porque não seria adequado, com a demora que os processos possuem, que este
bem ficasse retido/parado.
Já na situação da Causa mortis, a continuidade do processo vai depender se a morte foi do
autor ou do réu e a obrigatoriedade dos herdeiros em continuar no processo.
Por exemplo, no caso da morte do réu, como ele é citado a fazer parte do processo, ou seja,
ele não escolhe estar no processo, seus herdeiros também serão citados e responsabilizados
na proporção de sua cota na herança. Já na situação de morte do autor, como é ele quem abre
o processo e, portanto, tem interesse em sua continuidade, seus herdeiros serão citados a dar
continuidade ao processo sendo que, caso não o façam, o processo será extinto.
Direitos e Deveres do Advogado:
Os advogados são profissionais, formados em direito e aprovados pela Ordem dos Advogados
do Brasil (OAB), cuja missão é defender os interesses de seus clientes com base no
ordenamento jurídico vigente.
Os advogados podem representar tanto pessoas físicas quanto pessoas jurídicas (empresas,
fundações, organizações, entes, entidades) e são de essencial importância para o bom
funcionamento da sociedade e para a existência, em si, do Estado Democrático de Direito.
Vamos trabalhar aqui as principais prerrogativas e direitos dos advogados. São elas:
1) Ausência de hierarquia;
2) Amplo exercício de defesa;
3) Liberdade no exercício profissional;
4) Inviolabilidade do advogado;
5) Imunidade profissional;
6) Sigilo profissional;
7) Comunicação com o cliente;
8) Acesso aos processos e autos de investigação;
9) Direitos da advogada grávida, lactante, adotante ou que dado à luz e do advogado pai;
10) Prerrogativas de atuação.
O Estatuto da Advocacia e da Ordem dos Advogados do Brasil traz em seu arcabouçodiversas
especificações a respeito da atividade, direitos e deveres dos advogados.
Quanto a estes últimos, o artigo 31 da referida norma, que faz parte do Capítulo VIII, “Da Ética
do Advogado”, especifica que as atitudes dos advogados devem ser de modo a contribuir para
o benefício da classe e da advocacia como um todo.
Além disso, nos parágrafos que se seguem, observa-se que este terá que se manter
independente e sem receio de impopularidade ou desagrado de autoridades para o exercício
de sua profissão.
O artigo 34, por sua vez, dos incisos I ao XXIX, especificam as infrações disciplinares,
abrangendo atos como sigilo profissional, captação de clientela, abandono de causa
injustificadamente.
Outros atos como prática reiterada de jogo de azar, incontinência pública e embriaguez habitual
são consideradas infrações para os advogados, com as penalidades disciplinares previstas no
artigo 35, incisos I a IV, que são a censura, a suspensão, a exclusão ou multa.
Desta forma, entendendo a diferenciação entre as infrações e os ônus de conduta, observa-se
que boa parte das disposições específicas sobre os deveres do advogado estão previstas no
Código de Ética e Disciplina da OAB, que será abordado no próximo tópico, conforme traz o
artigo 33 do Estatuto: “O advogado obriga-se a cumprir rigorosamente os deveres consignados
no Código de Ética e Disciplina.
Parágrafo único. O Código de Ética e Disciplina regula os deveres do advogado para com a
comunidade, o cliente, o outro profissional e, ainda, a publicidade, a recusa do patrocínio, o
dever de assistência jurídica, o dever geral de urbanidade e os respectivos procedimentos
disciplinares.”
Despesas, Honorários e Multas:
Honorários Advocatícios:
O Código de Processo Civil regulamenta, em seus arts. 85 a 87, a condenação em honorários
advocatícios decorrentes da sucumbência na ação. Importante apontar que esses honorários
não se confundem com contratos, que são estabelecidos por acordo de vontade entre o
advogado e seu cliente.
Os honorários advocatícios são determinados pelo juiz na ação e, como esclarece o próprio
nome, pertencem ao advogado, e não à parte.
O advogado que continuar atuando em nome da parte e que conseguir êxito no fim do
processo, quando chegar a fase executiva, poderá escolher entre promover a execução de
seus honorários em seu nome ou em nome da parte, junto com o principal.
Os honorários advocatícios assumem basicamente 03 (três) espécies:
Honorários contratuais: realizado por força do contrato de mandato, instrumento pelo qual
o mandante ajusta a remuneração que passará a dever ao advogado. A relação que vincula o
advogado ao cliente é da prestação de serviços;
Honorários objetos de arbitramento: a retribuição pecuniária do advogado, em não
sendo objeto de estipulação contratual, deverá ser objeto de arbitramento. Para tal, o juiz
poderá nomear outro advogado como perito para apuração dos honorários periciais devidos,
não podendo fixar honorários advocatícios inferiores aos estabelecidos na tabela da OAB
Honorários sucumbenciais: consolidando-se o Princípio da Sucumbência em que o
vencido deve ressarcir o devedor em juízo, no todo ou em parte, das respectivas despesas
processuais conforme já tratado anteriormente.
Os advogados são livres para estipular o valor dos seus serviços, encarregando-se o mercado
de sua regulação. A tabela da OAB não é obrigatória, mas serve de parâmetro e, muitas
vezes,serve de piso para o arbitramento previsto no art. 22,§2, da Lei 8.906/199.
Despesas Processuais:
O gênero despesas processuais comporta as seguintes espécies:
Despesas necessárias: existem despesas processuais indispensáveis à formação (tal
como o pagamento das custas iniciais e do distribuidor, ambas, essenciais para dar início
ao processo) e ao desenvolvimento do processo (tal como as custas de diligência do oficial
de justiça ou das despesas postais nos correios para citação).
Despesas úteis: são aquelas que se revelam úteis, sem se mostrarem supérfluas.
Exemplo: a remuneração do assistente técnico no processo.
Despesas voluntárias: sem prejudicar a atividade judiciária são despesas realizadas por
pura comodidade das partes.
Multas Processuais:
Multa processual pode ser definida como a sanção pecuniária imposta ao participante do
processo em virtude de infração de deveres processuais.
Quanto às espécies, as multas processuais se dividem em 03 (três) classes:
Multas sancionatórias: são aquelas que traduzem sanção a uma conduta processual
reprovável tal como a multa de até 20% (vinte por cento) sobre o valor da causa constante
no art. 77, §2º, NCPC.
Multas moratórias: aplicada nos casos de a parte ter pleiteado o parcelamento da dívida
(conforme art. 916, NCPC) concedido pelo juiz e, posteriormente, vir a descumprirem a
obrigação assumida conforme consta nos artigos 897 e 898 do CPC.
Multas compulsórias ou astreintes: aplicadas pelo juiz de ofício ou a requerimento do
interessado para constranger o executado à prática ou à abstenção de ato. As astreintes
possuem natureza coercitiva e sancionatória e atuam para o futuro, subdividindo-se em 03
(três) classes:
1) simples: quando incidem uma única vez;
2) múltiplas: quando incidem mais de uma vez, no caso da obrigação de não fazer
comportar mais de uma violação; e
3) periódicas: quando consistem no retardamento de cumprimento de obrigação de fazer,
de entregar coisa ou de desfazer mal feito. Essa espécie de multa consiste no principal
meio de coerção patrimonial da fase executória.
Substituição do Juízo:
A substituição processual é uma figura jurídica que permite que uma pessoa ou entidade litigue
em nome de outra, defendendo em juízo direito alheio em nome próprio. Difere da
representação processual porque, na substituição, o substituto processual atua em defesa de
direito alheio, mas em seu próprio nome.
A substituição processual é comumente vista em casos de relações jurídicas coletivas, como,
por exemplo, ações propostas por sindicatos em nome de seus associados. Também é comum
em situações em que a lei confere a determinados entes a legitimidade para defender direitos
de terceiros, como no caso do Ministério Público, que pode atuar em defesa de direitos
coletivos e individuais indisponíveis.
Quando ocorre a Substituição Processual?
A substituição processual ocorre quando a lei autoriza ou quando há uma relação jurídica que
justifica a substituição. Por exemplo, sindicatos podem substituir judicialmente seus associados
em determinadas situações, e o Ministério Público pode substituir indivíduos ou grupos ao
defender direitos coletivos e individuais indisponíveis.
Qual a diferença entre Representação e Substituição Processual?
Embora ambos os conceitos permitam que uma pessoa ou entidade atue em juízo em nome de
outra, existem diferenças fundamentais entre representação e substituição processual.
Na representação processual, o representante atua em nome do representado, defendendo um
direito deste último. O representante não é parte no processo, mas apenas age em nome da
parte.
Na substituição processual, por outro lado, o substituto processual é parte no processo,
defendendo direito alheio em nome próprio. O substituto processual tem interesse jurídico no
resultado do processo, ao contrário do representante processual.
Advocacia Pública e Defensoria Pública no Novo CPC:
A Defensoria Pública como garantia fundamental constitucional
O texto promulgado pelo constituinte originário de 1988 conferiu ao Estado o dever de prestar
assistência jurídica integral e gratuita a todas as pessoas que comprovem insuficiência de
recursos, nos termos do art. 5º, LXXIV. Tal dever foi erigido a direito fundamental e sua
efetividade somente foi possível após a criação das Defensorias Públicas, instituições
incumbidas de orientar e defender, em todos os graus, os necessitados (art. 134).
Instituição essencial à função jurisdicional
A Constituição Federal de 1988 conceituou a Defensoria Pública como a “instituição essencial à
função jurisdicional do Estado, incumbindo-lhea orientação jurídica e a defesa, em todos os
graus, dos necessitados, na forma do art. 5º, LXXIV”. A Lei Complementar nº. 80/64 (alterada
pela Lei Complementar nº. 32/2009):
“Instituição permanente, essencial à função jurisdicional do Estado, incumbindo-lhe, como
expressão e instrumento do regime democrático, fundamentalmente, a orientação jurídica, a
promoção dos direitos humanos e a defesa, em todos os graus, judicial e extrajudicial, dos
direitos individuais e coletivos, de forma integral e gratuita, aos necessitados, assim
considerados na forma do inciso LXXIV do art. 5º da Constituição Federal”.
Princípios institucionais:
São princípios institucionais da Defensoria Pública a unidade, a indivisibilidade e a
independência funcional (art. 3º, LC nº. 80/94).
A unidade consiste em compreender a Defensoria Pública como um todo orgânico, embora
haja a divisão em Defensoria Pública da União, dos Estados, e do Distrito Federal e Territórios.
vejamos as demais hipóteses de atuação da Defensoria Pública no novo CPC:
· A Defensoria Pública deve ser oficiada pelo juiz quando este se deparar com diversas
demandas individuais sobre a mesma questão de direito, a fim de que seja promovida a
propositura da ação coletiva respectiva (art. 139, X);
· O defensor público pode representar ao juiz contra o serventuário que, de forma injustificada,
exceder aos prazos previstos em lei (art. 233, § 2º);
· A Defensoria Pública pode representar ao corregedor do tribunal ou ao Conselho Nacional de
Justiça (CNJ) contra juiz ou relator que injustificadamente exceda os prazos previstos em lei,
regulamento ou regimento interno (art. 236);
· A distribuição dos processos pode ser fiscalizada pela Defensoria Pública (art. 289), mesmo
quando o defensor não atuar como procurador de uma das partes;
· Nas ações possessórias em que figure no polo passivo grande número de litigantes em
situação de hipossuficiência econômica, o juiz deverá determinar a intimação da Defensoria
Pública para acompanhar o feito (art. 554, § 1º).
· A Defensoria Pública pode requerer a instauração do incidente de resolução de demandas
repetitivas quando for verificada a possível multiplicação de ações fundadas na mesma tese
jurídica (art. 977, III).
Litisconsórcio:
Conceito:
Litisconsórcio é quando várias pessoas participam do mesmo processo, seja como autoras ou
rés, compartilhando o mesmo lado ou lados opostos.
Quais são as razões que justificam o litisconsórcio?
De acordo com o Código de Processo Civil, art. 113, as razões que justificam o litisconsórcio
são:
1) Existir comunhão de direitos ou obrigações relativamente à lide;
2) Conexão pelo pedido ou pela causa de pedir;
3) Ou ocorrer afinidade de questões por ponto comum de fato ou de direito.
Quando ocorre o litisconsórcio?
Primeiramente, o litisconsórcio surge pelo princípio da economia processual, na busca por um
máximo de resultado com um mínimo de esforço, com uma cumulação de ações pela só
variação do elemento subjetivo.
O cúmulo subjetivo, engendrado pelo litisconsórcio, pode gerar outro. O cúmulo objetivo, como
ocorre no litisconsórcio por afinidade de questões, hipótese em que cada um dos litisconsortes
deduz sua própria pretensão.
Classificação dos litisconsórcio?
Classificação dos Litisconsórcios:
O litisconsórcio pode ser classificado por diversos critérios distintos, sendo:
Quanto à Posição Processual:
Ativo: O litisconsórcio será ativo quando a pluralidade das partes estiver apenas no polo ativo
da demanda.
Passivo: Será passivo quando a pluralidade das partes estiver apenas no polo passivo da
demanda.
Misto: Poderá ser misto (também denominado litisconsórcio recíproco) quando a pluralidade
das partes estiver tanto no polo ativo quanto no polo passivo da demanda.
Quanto ao Tempo de sua Formação:
Inicial: O litisconsórcio pode ser inicial (ou originário) quando é formado já desde a propositura
da demanda, por um ato de vontade.
Superveniente: Pode ser posterior, formado durante o processo por conta de um
acontecimento processual superveniente.
Quanto à Obrigatoriedade:
Facultativo: O litisconsórcio será facultativo quando sua formação depender da opção do autor
ou do réu.
Necessário: Será necessário quando a formação não decorrer da vontade do autor ou do réu
e, sim, de disposição da lei, sendo obrigatória sua formação.
Quanto ao Regime de Tratamento:
O litisconsórcio pode ser unitário (uniforme) ou simples (comum).
Unitário: Será unitário quando a decisão sobre o mérito da causa tiver que ser
obrigatoriamente igual para todos os litisconsortes (art. 116 do CPC).
Simples: Nesse caso, há uma pluralidade de relações jurídicas materiais e o julgador poderá
decidir de forma diferente com relação a cada litisconsorte. Frise-se que basta a possibilidade
de ser decidido diferente, havendo também a de se decidir de forma igual.
Intervenção de Terceiros:
A Intervenção de Terceiros pode ser definida como oportunidade legalmente concedida à
pessoa não participante de determinada relação jurídica processual para nela atuar ou ser
convocado a atuar, na defesa de interesses jurídicos próprios.
Desse modo, cabe-nos distinguir entre o que é considerado parte e o que é terceiro.
Modalidades da Intervenção de Terceiros:
1) Assistência;
2) Denunciação da Lide;
3) Chamamento ao processo;
4) Incidente de desconsideração da personalidade jurídica;
5) Amicus curiae.
Assistência:
A assistência pode ser compreendida como a modalidade de Intervenção de Terceiros
Espontânea, cuja finalidade é que um terceiro estranho à relação processual auxilie a parte em
uma causa em que tenha interesse jurídico.
Esta modalidade poderá ser reconhecida em qualquer procedimento e em todos os graus de
jurisdição.
Realizado o pedido de assistência, as partes terão o prazo de 15 dias para impugná-lo, onde
havendo a impugnação, o juiz solucionará o incidente sem suspender o processo.
Assistência Simples:
A primeira forma de assistência prevista no Novo Código de Processo Civil de 2015, é a
assistência simples, orientada pelos artigos 121 ao 123.
Resumidamente, o assistente simples ingressa no feito com o objetivo de auxiliar uma das
partes, pretendendo ajudá-la para que seja vencedora ao final do processo.
O assistente simples atuará como legitimado extraordinário no processo, já que atua em nome
próprio em prol da defesa de direito de outras pessoas.
Assistência Litisconsorcial:
A segunda forma de assistência prevista no Novo Código de Processo Civil pátrio é a
assistência litisconsorcial, inscrita em seu Artigo 124.
A assistência litisconsorcial é definida como uma forma de litisconsórcio unitário facultativo que
costuma dar-se no polo ativo, ambiente propício a esta modalidade de terceiro.
Trata-se de modalidade de intervenção de terceiro espontânea, isto é, o terceiro se transforma
em litisconsórcio assistido, sendo seu tratamento deferido de forma igual ao assistido.
Denúncia da Lide:
A denunciação à lide ocorre quando o réu, ao contestar a ação movida contra si, alega que, se
for condenado, outro também deveria ser responsabilizado total ou parcialmente pelo objeto da
demanda. Dessa forma, o réu denuncia à lide esse terceiro, que passa a fazer parte do
processo como litisconsorte do denunciante.
A denunciação da lide é admissível, podendo ser promovida por qualquer uma das partes. Se
for indeferida, deixar de ser promovida ou não for permitida, não representa um problema, pois
é possível que se faça uma ação de regresso autônoma. São duas as hipóteses em que é
cabível a denunciação, previstas pelo artigo 125 do CPC:
1) Ao alienante imediato, para garantia do direito de evicção do denunciante (inciso I)
2) Direito regressivo de indenização (inciso II). Ex.: réu denunciar sua seguradora.
Chamamento ao Processo:
Chamamento ao processo é uma espécie de intervenção de terceiro na qual o réu, no prazo
para apresentar a contestação, chama para a ação outros indivíduos que também atuarão no
polo passivo da lide.
Assim, o caso passa a ter mais de um réu, sendo que todossão condenados na mesma
sentença, caso o pedido seja julgado procedente.
Desse modo, o réu chama para compor a ação os outros devedores. O devedor que quitar a
dívida poderá exigir dos demais a respectiva cota de cada um.
Sendo assim, é por meio do chamamento ao processo que o réu tem a possibilidade de indicar
os outros obrigados para participarem da lide na mesma posição que ele.
Quando é cabível o chamamento ao processo?
As hipóteses de admissibilidade dessa espécie de intervenção de terceiro estão previstas no
artigo 130 do Código de Processo Civil (CPC). Conforme demanda o artigo, o réu pode
requerer o chamamento ao processo em três possibilidades. Veja a letra da lei:
Art. 130. É admissível o chamamento ao processo, requerido pelo réu:
I – do afiançado, na ação em que o fiador for réu;
II – dos demais fiadores, na ação proposta contra um ou alguns deles;
III – dos demais devedores solidários, quando o credor exigir de um ou de alguns o pagamento
da dívida comum
Incidente de desconsideração da personalidade jurídica:
Trata-se de uma modalidade de intervenção de terceiros que permite, incidentalmente ao
processo, desconsiderar a personalidade jurídica e, desse modo, conseguir responsabilizar
pessoalmente o integrante da pessoa jurídica (sócio ou administrador) nos casos em que a lei
material o autoriza. É uma novidade trazida pela codificação atual e que não era encontrada no
diploma anterior (a Lei 5.869/1976).
O incidente de desconsideração da personalidade jurídica deve ser pensado da perspectiva
traçada pelo art. 1º do Código de Processo Civil ( CPC): “o processo civil será ordenado,
disciplinado e interpretado conforme os valores e as normas fundamentais estabelecidos na
Constituição da República Federativa do Brasil, observando-se as disposições deste Código”.
Amicus Curiae:
Sua função é trazer informações importantes para a solução da demanda, no entanto o “amicus
curiae” não tem as mesmas prerrogativas das partes no processo, ou seja, não pode fazer
pedidos ou apresentar recursos quanto ao mérito da questão.
Está previsto no artigo 138 do Código de Processo Civil, como uma modalidade de intervenção
de terceiros e consiste na participação de pessoa física ou jurídica, como órgãos, instituições
ou associações em processos cuja matéria seja muito relevante, o tema seja muito específico
ou tenha grande repercussão na sociedade.
Sua admissão no processo depende de decisão do magistrado competente, que deve limitar
seus poderes de atuação.
Juiz e Auxiliares de Justiça:
Poderes, Deveres e Responsabilidades:.
Os juízes exercem um poder. Onde há poder deve haver responsabilidade: em uma sociedade
organizada racionalmente, haverá uma relação diretamente proporcional entre poder e
responsabilidade.”
O primeiro requisito que se exige de um juiz é a sua imparcialidade ou neutralidade.
A decisão não será neutra. Será prolatada a partir da ideologia do julgador. A carga ideológica
é inerente à pessoa do juiz, sendo, portanto, elemento inafastável da decisão judicial.
O juiz já não deve ter a preocupação de “cumprir” a lei, e sim, de fazer justiça ao caso concreto.
Nesse sentido é válida a seguinte recomendação ao juiz ? “Teu dever é lutar pelo direito,
porém, quando encontrares o Direito em conflito com a justiça, luta pela justiça.”
O exercício da jurisdição evidentemente gera responsabilidade por danos causados aos
jurisdicionados. Há previsão de reparação em caso de erro judiciário (art. 5º, LXXV da CF), ou
ainda em caso de dolo, fraude, recusa, omissão ou retardamento de providência processual
(art. 133 do CPC).
A direção do processo é confiada ao juiz, como representante do Estado, que tem o dever de
prestar a tutela jurídica (art. 5º, XXXV da CF), sendo, em tese, o único interessado pela rápida
e justa solução do litígio.
As partes, diferentemente do juiz, defendem os seus interesses em juízo, tendo maior
preocupação na obtenção de uma sentença que as beneficie, em vez de uma sentença justa.
O juiz comanda o processo. Pode determinar ou indeferir prova, designar audiência, zelar pelo
contraditório, fazer prevalecer a economia processual e a efetividade da tutela jurisdicional, etc.
O juiz tem o dever de buscar a conciliação entre as partes, independente da fase em que se
encontre o processo, mesmo que já tenha sido proferida a sentença e o processo já esteja no
Tribunal pendente do julgamento de recurso. As conciliações em instâncias superiores, embora
sejam possíveis, são incomuns. Em regra, as conciliações são tentadas em primeira instância.
O juiz tem o dever (não apenas o poder) de determinar as provas necessárias para a instrução
do processo.
O inciso IV estabelece que o juiz poderá, mesmo de ofício, determinar todas as medidas
coercitivas ou sub-rogatórias necessárias para assegurar a efetivação da decisão judicial e a
obtenção da tutela do direito. É um dispositivo que confere força à decisão judicial em prol do
princípio da efetividade da jurisdição.
O Novo Código de Processo Civil de 2015 traz em seu livro II, título IV o papel juiz e dos
auxiliares para o desempenho da função jurisdicional. Serão funções desempenhadas pelo juiz:
assegurar às partes igualdade de tratamento, velar pela duração razoável do processo,
prevenir ou reprimir qualquer ato contrário à dignidade da justiça e indeferir postulações
meramente protelatórias. Determinar medidas indutivas, coercitivas, mandamentais ou
sub-rogatórias necessárias para assegurar o cumprimento de ordem judicial. Exercer poder de
polícia, saneamento de vícios processuais. Todas estas funções estão previstas no artigo 139
do CPC.
Após provocado, o poder judiciário trabalhará para a resolução do conflito em questão. O juiz
como figura detentora do poder de decisão, neste contexto, trabalha de forma imparcial, dentro
dos limites impostos pela lei, usando-se dos costumes e analogias quando o ordenamento for
omisso, conduzindo o processo através de suas decisões – de fazer ou não fazer – sendo ele o
incumbido de julgar. Assim fará de forma equânime e contará com auxiliares quando
necessário.
O artigo 149 deste mesmo código qualifica como sendo auxiliares da justiça “além de outros
cujas atribuições sejam determinadas pelas normas de organização judiciária, o escrivão, o
chefe de secretaria, o oficial de justiça, o perito, o depositário, o administrador, o intérprete, o
tradutor, o mediador, o conciliador judicial, o partidor, o distribuidor, o contabilista e o regulador
de avarias”.
O texto dos artigos 152 e 154 delatam as funções que o escrivão e o oficial de justiça (nesta
mesma ordem) estarão incumbidos. São exemplos de função do escrivão: efetivar ordens
judiciais, realizar citações e intimações, bem como praticar todos os demais atos que lhe forem
atribuídos pelas normas da organização judiciária. Ao oficial de justiça incorre fazer
pessoalmente citações, prisões, penhoras, arrestos e demais diligências próprias do seu ofício,
bem como executar as ordens do juiz a que estiver subordinado. Ambos possuem
responsabilidade pela prática de atos nulos dolosos e culposamente.
Garantias Constitucionais:
Conforme disposto no art. 95 da Constituição Federal, os magistrados gozam das seguintes
garantias: vitaliciedade, inamovibilidade e irredutibilidade de vencimentos:
Vitaliciedade:
Vitaliciedade quer dizer que o juiz, após transcorridos dois anos desde sua posse e exercício
da função, somente a perderá em decorrência de sentença judicial transitada em julgado, em
processo no qual lhe seja garantido o direito de se defender, respeitando devidamente o
contraditório. Importante ressaltar que o juiz de 2º grau adquire vitaliciedade no momento da
posse. Antes de transcorridos os 2 anos necessários à aquisição da vitaliciedade do
magistrado, mediante deliberação do tribunal e justificativa fundamentada, o juiz poderá perder
o cargo.
Inamovibilidade:
Inamovibilidade significa que o juiz não pode ser removido de sua sede de atividade para outra
sem a sua concordância, exceto nos casos de patente interesse público,e com voto de dois
terços do tribunal. Esse instituto inclui a possibilidade de recusar promoção.
Irredutibilidade de vencimentos:
Já a irredutibilidade de vencimentos, impossibilita a redução do salário do juiz, por ato
administrativo ou sentença.
Impedimentos e da Suspeição:
Em síntese, pode-se conceituar Impedimento no processo administrativo como uma situação
objetiva que gera uma presunção absoluta de parcialidade do membro da comissão. Já a
Suspeição é entendida como uma situação subjetiva que gera uma presunção relativa de
parcialidade.
No impedimento há presunção absoluta ( juris et de jure ) de parcialidade do juiz, enquanto na
suspeição há apenas presunção relativa ( juris tantum ). A imparcialidade do juiz é um do
pressupostos processuais subjetivos do processo. As causas de impedimento e suspeição são
elencadas respectivamente nos arts. 134 e 135 do CPC .
Auxiliares da Justiça:
O que é um auxiliar da justiça? Tratam-se de todos aqueles que participam do processo no
sentido de implementar a prestação jurisdicional. Suas atribuições são determinadas pelas
normas de organização judiciária.
São eles: o escrivão, o oficial de justiça, o perito, o depositário, o administrador e o intérprete, o
mediador, o conciliador ou árbitro, o escrevente, dentre outros.
Ministério Público:.
Princípios Institucionais:
Estão previstos no artigo 127, 1º, da Constituição Federal seus princípios institucionais que
são: a unidade, a indivisibilidade e a independência funcional.
Fala-se em unidade , pois o Ministério Público possui divisão meramente funcional. O
princípio da independência funcional , por sua vez, relaciona-se à autonomia de convicção,
pois promotores e procuradores podem agir da maneira que melhor entenderem, submetem-se
apenas em caráter administrativo ao Chefe da Instituição. Já o princípio da indivisibilidade
consubstancia-se na verdadeira relação de logicidade que deve haver entre os membros do
Ministério Público que agem em nome da Instituição e não por eles mesmos, por isso a
possibilidade de um membro substituir o outro, dentro da mesma função, sem que com isso
haja qualquer disparidade.
Garantias Constitucionais:
Vitaliciedade:
Prevista no art. 128, § 5º, Inciso I, Alínea a da Constituição Federal, a vitaliciedade, como
garantia constitucional do Ministério Público, estabelece que seus membros adquirem
estabilidade após um período de dois anos de efetivo exercício e dispõe também que os
membros não podem perder o cargo público senão por sentença judicial transitada em julgado.
Essa prerrogativa visa proteger a independência funcional dos promotores e procuradores,
garantindo-lhes segurança no desempenho de suas atribuições
Inamovibilidade:
Prevista no art. 128, § 5º, Inciso I, Alínea b da Constituição Federal, a inamovibilidade é uma
garantia fundamental que impede a remoção arbitrária dos membros do Ministério Público de
suas funções, salvo por motivo de interesse público, mediante decisão do órgão colegiado
competente do Ministério Público, pelo voto da maioria absoluta de seus membros, assegurada
ampla defesa, devidamente fundamentado. Essa salvaguarda visa proteger a independência e
imparcialidade dos membros do MP, garantindo-lhes liberdade para atuar na defesa dos
interesses da sociedade e no combate à corrupção e à impunidade.
Irredutibilidade de Subsídio:
Prevista no art. 128, § 5º, Inciso I, Alínea c da Constituição Federal, a irredutibilidade de
subsídio é uma garantia que protege os vencimentos dos membros do Ministério Público,
impedindo sua redução, exceto em situações de crise econômica grave, previstas na
Constituição. Essa prerrogativa visa garantir a dignidade e a independência financeira dos
membros do MP, assegurando-lhes condições adequadas para o exercício de suas funções. Ao
proteger os vencimentos dos membros do Ministério Público, a irredutibilidade de subsídio
fortalece a independência e a imparcialidade na atuação ministerial, preservando a integridade
do órgão e promovendo a efetividade da justiça.
Papel do Ministério Público no CPC:
Cabe ao Ministério Público a estrita observância das normas fundamentais do CPC em duas
frentes, isto é, em sua própria atuação e também zelando para que sejam obedecidas pelos
demais integrantes do processo.
O Ministério Público, como órgão do Estado, exerce junto ao Poder Judiciário, a tutela dos
interesses sociais e individuais indisponíveis (art. 127 CF). No tocante ao processo civil, exerce
o direito de ação, seja como parte principal, seja como substituto processual (art. 81 CPC).

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