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TRAUMATO 
ORTOPÉDICO 
FUNCIONAL I 
Gabriela Souza de Vasconcelos 
Complexo do cotovelo
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
  Definir a propedêutica do osso, do músculo, da cartilagem, da bursa, do 
líquido sinovial e dos nervos periféricos relacionados com o cotovelo.
  Diferenciar os tratamentos fisioterapêuticos das lesões musculoes-
queléticas de sobrecarga, traumáticas e compressivas relacionados 
com o cotovelo.
  Elaborar fluxos para os tratamentos fisioterapêuticos das lesões muscu-
loesqueléticas de sobrecarga, traumáticas e compressivas relacionados 
com o cotovelo. 
Introdução
O formato do cotovelo e o do antebraço aumentam a mobilidade da mão 
no espaço, encurtando e alongando a extremidade superior e girando 
o antebraço. Um complexo de cotovelo bastante móvel, porém forte e 
estável, é necessário para a função normal da extremidade superior. Os 
músculos, ligamentos e cápsula fornecem controle e estabilidade à região. 
Mesmo assim, o cotovelo está exposto a lesões por esforço repetitivo e 
lesões traumáticas nas estruturas laterais, pelo estresse em valgo ou varo.
Neste capítulo, você vai conhecer a propedêutica do osso, do músculo, 
da cartilagem, da bursa, do líquido sinovial e dos nervos periféricos, as 
lesões musculoesqueléticas e o tratamento fisioterapêutico relacionados 
ao complexo do cotovelo.
Aspectos morfofuncionais do complexo
do cotovelo
O complexo do cotovelo é essencial para o bom desempenho dos movimentos 
dos membros superiores. A partir dele, são possíveis movimentos funcionais, 
importantes para o dia a dia, como vestir, pentear o cabelo, levar o alimento 
a boca, alcançar objetos, entre outros. Esse complexo é uma articulação ine-
rentemente forte e estável por causa da relação interna de suas superfícies 
articulares e restrições ligamentares, nnas não permite ajustes compensatórios 
e predispõe a articulação a mais lesões (KISNER; COLBY, 2015). 
A compreensão da anatomia e da biomecânica desse complexo é fundamental 
tanto para a avaliação quanto para a escolha das condutas adequadas da inter-
venção fisioterapêutica (DUTTON, 2010; MAGEE, 2010; PRENTICE, 2012).
Anatomia e biomecânica do cotovelo
O complexo do cotovelo é formado por três ossos: úmero, rádio e ulna. Na ex-
tremidade distal do úmero, encontram-se o capítulo (côndilo lateral) e a tróclea 
(côndilo medial), que se articulam com o rádio e com a ulna, respectivamente. 
Três articulações compõem esse complexo, com dois graus de liberdade: a 
umeroulnar, umerorradial e radioulnar proximal (DUTTON, 2010; MAGEE, 
2010; PRENTICE, 2012). As articulações umeroulnar e umerroradial permitem 
os movimentos de fl exão e extensão, enquanto a articulação radioulnar proximal 
permite pronação e supinação (HOUGLUM; BERTOTI, 2014). 
A flexão e a extensão resultam da articulação da tróclea com a incisura 
troclear da ulna, enquanto a pronação e a supinação ocorrem porque a cabeça 
do rádio roda contra o capítulo sem restrições (DUTTON, 2010; MAGEE, 
2010; PRENTICE, 2012). Durante esses movimentos, algumas tensões em 
valgo (que resultam em cargas de tensão medial e compressão lateral), em 
varo (que resultam em carga de tensão lateral), em extensão ou combinações 
múltiplas dessas podem acontecer (DUTTON, 2010).
A flexão e a extensão de cotovelo ocorre em um eixo fixo de rotação, e a 
amplitude máxima de movimento passivo disponível no cotovelo é de 5° de 
hiperextensão até 145° de flexão. A flexão passiva pode ser limitada pelas 
estruturas ósseas (a cabeça do rádio contra a fossa radial e o processo coro-
noide contra a fossa coronoide), pela tensão do ligamento capsular posterior 
e pela aproximação do tecido mole e da tensão passiva no tríceps. A extensão 
passiva pode ser limitada pelo impacto do processo do olécrano sobre a fossa 
do olécrano e a tensão na derme, as fibras do ligamento colateral ulnar e a 
cápsula anterior (DUTTON, 2010). 
Para que a pronação e a supinação ocorram, é necessário o movimento 
articular simultâneo nas articulações radioulnar distal e proximal, que consiste 
em um giro da cabeça radial dentro do anel fibrósseo formado pelo ligamento 
anular e pela incisura radial da ulna. A limitação nesses movimentos pode ser 
por rigidez muscular e/ou tecidos conjuntivos (DUTTON, 2010).
Complexo do cotovelo2
Ângulo de carregamento
Como a tróclea se estende mais distalmente do que o capítulo, o eixo de fl exão 
e extensão do cotovelo não é totalmente perpendicular ao eixo do úmero; 
portanto, quando o cotovelo é estendido e o antebraço supinado, o antebraço 
se desvia lateralmente em relação ao úmero, que é responsável pelo ângulo 
de carregamento ou ângulo cubital (Figura 1). Esse ângulo varia um pouco 
nos indivíduos, geralmente sendo mais pronunciado nas mulheres do que nos 
homens (MAGEE, 2010; HOUGLUM; BERTOTI, 2014).
Figura 1. Ângulo de carregamento. 
Fonte: Prentice (2012, p. 623).
Estruturas de sustentação da articulação
A estabilidade da articulação do cotovelo se deve tanto à cápsula articular 
e aos ligamentos quanto à estrutura óssea da articulação. As estruturas de 
sustentação da articulação do cotovelo são a cápsula, os ligamentos colaterais 
lateral (radial) e medial (ulnar) e o ligamento anular. Além disso, os tendões 
que se inserem nessa articulação auxiliam na estabilização do cotovelo. A 
cápsula do cotovelo é fi na, envolta pelo músculo braquial anteriormente e pelo 
tríceps braquial posteriormente. O ligamento colateral lateral (radial) não está 
inserido no rádio, que fi ca livre para rodar. Já o ligamento colateral medial 
3Complexo do cotovelo
(ulnar) é formado por uma banda anterior forte, com bandas transversas e 
médias mais fracas. O ligamento anular estabiliza o rádio, está inserido nas 
margens anterior e posterior da fossa radial e circunda a cabeça e o colo do 
rádio (DUTTON, 2010; PRENTICE, 2012). 
Músculos
Os músculos responsáveis pelo movimento de fl exão do cotovelo são o bíceps 
braquial, o braquial e o braquiorradial; pelo movimento de extensão, são o 
tríceps e o ancôneo. O movimento de supinação é realizado pelos músculos 
bíceps braquial e supinador, e o de pronação, pelos músculos pronador redondo 
e pronador quadrado (PRENTICE, 2012; HOUGLUM; BERTOTI, 2014; 
KISNER; COLBY, 2015).
  Bíceps braquial: está localizado acima do cotovelo e se divide em dois 
(cabeça longa e cabeça curta). A origem da cabeça longa é presa por 
um longo tendão do tubérculo supraglenoide da escápula, e esse tendão 
percorre a cápsula da articulação glenoumeral e o sulco intertubercular 
do úmero. A cabeça curta é originada também por um longo tendão a 
partir do processo coracoide da escápula. As fibras musculares per-
tencentes à cabeça curta formam a porção medial do ventre muscular, 
enquanto as fibras da cabeça longa formam a porção lateral. A inserção 
das duas cabeças ocorre na tuberosidade do rádio e, em parte, espalha-
-se para formar a aponeurose bicipital (HOUGLUM; BERTOTI, 2014; 
KISNER; COLBY, 2015).
  Braquial: sua origem é na metade do eixo do úmero e sua inserção 
é no processo coronoide e em áreas adjacentes da ulna (HOUGLUM; 
BERTOTI, 2014; KISNER; COLBY, 2015). 
  Braquirradial: maior e mais proeminente músculo localizado no an-
tebraço, a sua origem é na crista no úmero acima do epicôndilo lateral 
e sua inserção é próxima ao processo estiloide do rádio (HOUGLUM; 
BERTOTI, 2014; KISNER; COLBY, 20157). 
  Tríceps braquial: compõe toda a massa muscular na face posterior 
do braço e é dividido em três porções (cabeça longa, cabeça medial e 
cabeça lateral). A origem da cabeça longa é no tubérculo infraglenoide 
da escápula por um tendão amplo que tem uma estreita relação com a 
Complexo do cotovelo4
cápsula da articulação do ombro; a da cabeça medial é na porção distal 
do úmero e tem uma origem carnosa; e a origem da cabeça lateral é no 
aspecto lateral do úmero, a uma curta distância abaixo da articulação 
glenoumeral. A inserção das três cabeças ocorrepela junção a um tendão 
largo e resistente no olecrano da ulna (HOUGLUM; BERTOTI, 2014; 
KISNER; COLBY, 2015).
  Ancôneo: sua origem é na região do epicôndilo lateral do úmero e a sua 
inserção é na ulna, em parte no processo de olecrano, em parte abaixo 
desse processo (HOUGLUM; BERTOTI, 2014; KISNER; COLBY, 
2015). 
  Supinador: é um músculo curto, triangular, plano e profundo loca-
lizado no lado dorsal da membrana interóssea entre os dois ossos do 
antebraço, coberto pelo ancôneo, o extensor radial do carpo longo e 
o braquiorradial. A origem desse músculo é no epicôndilo lateral do 
úmero e em áreas adjacentes da ulna, e a inserção é nas superfícies 
volares e laterais da parte proximal do rádio (HOUGLUM; BERTOTI, 
2014; KISNER; COLBY, 2015). 
  Pronador redondo: sua massa muscular está embaixo do cotovelo, sua 
origem é no epicôndilo medial do úmero e em uma porção menor do 
processo coronoide da ulna. As fibras musculares cruzam obliquamente 
de medial para lateral na face volar do antebraço para se inserirem na 
parte lateral do rádio, na metade do antebraço (HOUGLUM; BERTOTI, 
2014; KISNER; COLBY, 2015).
  Pronador quadrado: é profundo, cruza transversalmente sobre a ulna 
e o rádio na região distal do antebraço, próximo ao pulso, e é coberto 
pelos flexores do punho e dos dedos. Sua origem e inserção é no quarto 
distal da ulna e do rádio (HOUGLUM; BERTOTI, 2014; KISNER; 
COLBY, 2015).
Bursas e membrana sinovial
O complexo do cotovelo possui inúmeras bursas, e a bicipital e olecraniana 
são as mais importantes. A bicipital fi ca no aspecto anterior da tuberosidade 
do rádio e acolchoa o tendão bicipital quando o antebraço está pronado; a 
olecraniana fi ca entre o olécrano e pele, bem superfi cialmente (DUTTON, 
2010; MAGEE, 2010; PRENTICE, 2012).
5Complexo do cotovelo
Na região posterior do cotovelo, estão as bursas intratendínea profunda 
e subtendínea profunda, que estão presentes entre o tendão do tríceps e o 
olécrano. Nas regiões medial e lateral do cotovelo, estão a bolsa epicondilar 
medial subcutânea e a epicondilar lateral subcutânea (DUTTON, 2010).
Além dessas bursas, existe uma membrana sinovial comum que envolve o 
cotovelo e as articulações radioulnares superiores, lubrificando as estruturas 
mais profundas das duas articulações, e uma cápsula em formato de manga 
envolve toda a articulação do cotovelo (PRENTICE, 2012). 
Inervação
Os músculos que realizam os movimentos do complexo do cotovelo são 
inervados pelos nervos do plexo braquial (C4-T2), que se tornam os nervos 
musculocutâneo, ulnar, radial e mediano na fossa ulnar (DUTTON, 2010; 
MAGEE, 2010; PRENTICE, 2012).
A cápsula articular do complexo do cotovelo é fina, mas forte pelo reforço dos li-
gamentos medial e lateralmente. Além disso, ela não responde bem a lesões ou A 
imobilização prolongada e forma, muitas vezes, um tecido cicatricial espesso que 
pode resultar em contraturas que impedem ou restringem o movimento de flexão 
do cotovelo (DUTTON, 2010).
Lesões musculoesqueléticas do complexo
do cotovelo
O cotovelo é uma articulação muito forte e estável, mas, mesmo assim, está 
exposto a lesões por esforço repetitivo e lesões traumáticas nas estruturas 
laterais pelo estresse em valgo ou varo. Devido a sua formação óssea, o cotovelo 
não consegue realizar compensações, o que também favorece a ocorrência 
de lesões. 
Nos esportes, como tênis, golfe, beisebol, esgrima e outros com arremesso 
e/ou marcação, essa articulação está mais exposta a trauma mecânico e a 
esforço repetitivo.
Complexo do cotovelo6
Algumas das lesões que acometem o cotovelo com mais frequência são 
fraturas, luxações, lesão do ligamento colateral ulnar, epicondilite medial, 
epicondilite lateral, bursite olecraniana e síndrome do túnel ulnar.
Fraturas do cotovelo
O mecanismo de lesão da fratura de cotovelo se deve a queda sobre a mão 
estendida ou sobre o cotovelo fl exionado ou a um golpe direto ao cotovelo. Essa 
lesão acomete mais crianças e jovens do que adultos. Tanto o úmero quanto o 
rádio e a ulna podem ser fraturados por esses mecanismos. A fratura no úmero 
(condilar) pode causar deformidade em coronha e, nessa deformidade, quando 
o antebraço é estendido, cria um ângulo que se assemelha a uma coronha. 
Os sintomas associados com as fraturas de cotovelo são hemorragia, edema, 
espasmo muscular e, não necessariamente, deformidades ósseas visíveis 
(PRENTICE, 2012).
As fraturas de cotovelo podem ser instáveis ou estáveis, e o tratamento 
deve ser realizado para evitar deformidades e, consequentemente, limitações 
de amplitude de movimento (ADM). O tratamento recomendado para as 
fraturas instáveis é cirurgia, para estabilizar e alinhar o foco da fratura, 
seguida de reabilitação física por fisioterapia. Para as estáveis, o tratamento 
conservador pode ser utilizado por meio de imobilização por 6 a 8 semanas, 
seguida de reabilitação física pela fisioterapia (PRENTICE, 2012; KISNER; 
COLBY, 2015). 
Luxação do cotovelo
O mecanismo de lesão das luxações de cotovelo é queda sobre a mão estendida 
com o cotovelo em hiperextensão ou em uma torção grave com o cotovelo em 
posição de fl exão. Nessa lesão, o rádio e a ulna podem ser luxados posterior 
(mais comum), anterior ou lateralmente e, ainda, pode ocorrer fratura da 
cabeça do rádio. Os sintomas dessa lesão são dor, limitações de movimento, 
edema e hemorragia devido a laceração e ruptura dos tecidos ligamentares. As 
complicações das luxações podem envolver lesão neural (mediano e radial), 
de artérias e veias, além de miosite ossifi cante (PRENTICE, 2012; KISNER; 
COLBY, 2015). 
O tratamento da luxação consiste em redução, seguida de imobilização em 
flexão por três semanas e reabilitação física na fisioterapia, com o objetivo 
de melhorar os sintomas da lesão e prevenir recidivas no futuro (PRENTICE, 
2012; KISNER; COLBY, 2015). 
7Complexo do cotovelo
Lesão do ligamento colateral ulnar
Para que a lesão do ligamento ocorra, é preciso um trauma em valgo, que 
costuma ocorrer em esportes com lançamentos, na tacada do golfe e no fo-
rehand do tênis. Entretanto, o estresse repetitivo nessa região pode gerar 
infl amação do nervo ulnar ou dos tendões dos fl exores do punho. Os sintomas 
são sensibilidade a palpação no ligamento colateral ulnar e a dor, podendo 
ocorrer parestesia. No teste de estresse do cotovelo em valgo, o paciente refere 
exacerbação dos sintomas e é perceptível a frouxidão no fi nal do movimento 
(PRENTICE, 2012). 
Em função da instabilidade presente nessas lesões, o tratamento mais 
adequado é a reabilitação física na fisioterapia para melhorar a força muscular 
e a propriocepção do cotovelo. No caso de falha do tratamento conservador, 
a estabilização cirúrgica pode ser considerada (PRENTICE, 2012; KISNER; 
COLBY, 2015). 
Epicondilite lateral (cotovelo do tenista)
O mecanismo de lesão da epicondilite lateral é a repetição dos movimentos 
de extensão do punho, seja no trabalho (digitação) ou no esporte (tênis), que 
provocam microtraumas no tendão dos extensores do punho. Geralmente, 
afeta o tendão do músculo extensor radial curto do carpo e do extensor comum 
dos dedos ou do pronador redondo e do fl exor radial do carpo medialmente 
(PRENTICE, 2012; KISNER; COLBY, 2015).
As queixas do paciente serão de dor na região do epicôndilo, durante e após 
a atividade que causa estresse, fraqueza na mão e no punho, sensibilidade a 
palpação na região e dor na extensão do punho resistida e na extensão completa 
do cotovelo. A reabilitação física deverá incluir medidas que minimizem os 
sintomas, fortaleçam a musculatura, melhorem a propriocepção, recuperem a 
ADM, entre outros. A cirurgia não é indicada (PRENTICE, 2012; KISNER; 
COLBY, 2015).
Epicondilite medial
(cotovelo do golfista, do arremessador)
A epicondilite medial ocorre pelo estresse repetitivo dos movimentos de fl exão 
do punho e sobrecarga em valgo no cotovelo. Os tendões acometidos nessa 
lesão são o pronador redondo, o fl exor radial e ulnar do carpo e o palmar longo.Pela proximidade com o túnel do nervo ulnar, pode haver uma neuropatia 
Complexo do cotovelo8
associada, produzindo dor que irradia para a parte medial do antebraço e para 
os dedos (PRENTICE, 2012; KISNER; COLBY, 2015).
Os sintomas da epicondilite medial são muito semelhantes aos da lateral e 
incluem dor, sensibilidade a palpação, dor ao movimento de flexão do punho 
com resistência. Em relação ao tratamento, as condutas utilizadas para a epicon-
dilite lateral também se parecem com as da medial. A escolha pelo tratamento 
conservador é mais indicada (PRENTICE, 2012; KISNER; COLBY, 2015).
Bursite olecraniana
A bursite olecraniana se caracteriza pela infl amação, por estresse repetitivo ou 
golpe no olecrano, da bursa do olecrano, que, por sua localização superfi cial, 
fi ca mais exposta a lesões. Os sintomas da bursite são dor, edema e sensibilidade 
na região do olecrano. O tratamento é direcionado para resolver os sintomas 
da fase aguda e, depois, para resolver o que causa a sobrecarga na bursa, não 
sendo necessária correção cirúrgica (PRENTICE, 2012).
Síndrome do túnel ulnar
Os mecanismos que podem gerar a síndrome do túnel ulnar são tração por 
uma força em valgo, irregularidades dentro do túnel, subluxação do nervo 
ulnar por causa de um ligamento frouxo e compressão progressiva do nervo 
pelo ligamento (PRENTICE, 2012).
Os sintomas referidos pelo paciente são dor na face medial do cotovelo com 
irradiação, sensibilidade a palpação e parestesia (queimação e formigamento) 
referida para o quarto e para o quinto dedo. O tratamento inicial indicado é 
repouso e imobilização por duas semanas, pois o paciente deve evitar flexão 
do cotovelo e estresse em valgo. Caso os sintomas piorem, pode ser realizada 
uma descompressão ou transposição cirúrgica de um nervo ulnar subluxado 
(PRENTICE, 2012; KISNER; COLBY, 2015). 
Acesse o link a seguir para ler um artigo sobre a artroplastia de cotovelo.
https://qrgo.page.link/678V6
9Complexo do cotovelo
Tratamento fisioterapêutico para
as lesões musculoesqueléticas
da amplitude de movimento (ADM)
O complexo do cotovelo é muito importante para o desempenho das ativida-
des do dia a dia, e o seu formato anatômico permite que a mão tenha mais 
mobilidade no espaço, consiga alcançar objetos longe e que o antebraço 
gire para realizar todas as funções. Qualquer lesão que acometa o cotovelo, 
seja articular, muscular ou de tecidos moles, pode causar comprometimento 
da ADM e restringir a função física do paciente. Por exemplo, a perda da 
fl exão trará prejuízos para atividades como comer e beber (ato de levar o 
alimento a boca), e a perda da extensão impede que a pessoa se levante da 
cadeira ou alcance um objeto (DUTTON, 2010, PRENTICE, 2012; KISNER; 
COLBY, 2015).
A partir disso, o tratamento adequado dessas lesões deve ser realizado a 
fim de evitar essas deformidades e limitações, tão prejudiciais aos pacientes. 
Muitas das lesões do cotovelo se resolvem com fisioterapia, enquanto outras 
precisam do procedimento cirúrgico antes da reabilitação física (KISNER; 
COLBY, 2015).
Os objetivos da reabilitação física para as lesões do complexo do cotovelo 
são diminuir dor e edema, controlar processo inflamatório, reduzir o es-
pasmo muscular e contraturas, reestabelecer a ADM, melhorar força, controle 
neuromuscular e propriocepção do ombro, do cotovelo, do punho e da mão, 
permitir o retorno às atividades de vida diária e esportiva, enfim, melhorar a 
qualidade de vida e a função física do paciente (PRENTICE, 2012; KISNER; 
COLBY, 2015).
Na fase aguda (logo após a ocorrência da lesão até umas três semanas) 
ou no pós-operatório, a intenção da fisioterapia é controlar dor, edema e o 
processo inflamatório, diminuir os pontos de tensão dos músculos envolvidos e 
favorecer a cicatrização dos tecidos lesados. Inúmeras condutas da fisioterapia 
podem auxiliar nessa fase, como crioterapia, TENS (do inglês transcutaneous 
electrical nerve stimulation, estimulação elétrica transcutânea do nervo), laser, 
ultrassom, terapia manual, mobilizações articulares passivas, entre outros. 
Ainda nessa fase, a educação e orientação do paciente devem ser iniciadas. 
Complexo do cotovelo10
O objetivo é explicar o que é a lesão, os sintomas, causas, prognóstico e 
automanejo dos sintomas para realizar em casa, no trabalho e/ou durante a 
prática esportiva (DUTTON, 2010; KISNER; COLBY, 2015).
  Crioterapia: efetivo em controlar a dor, o edema e o processo infla-
matório. Ideal para a fase aguda, pode ser aplicado por até 20 minutos, 
a cada duas horas (TOMADON et al., 2014).
  TENS: essa corrente elétrica pode auxiliar na analgesia local e ser 
utilizada com frequência de 100 Hz, intensidade confortável e posicio-
namento dos eletrodos na forma bipolar por um tempo de 20 minutos 
(CARDOSO; BARRETO; PÉRES, 2013).
  Laser: pode favorecer o processo de cicatrização e reparo tecidual por 
meio de proliferação de fibroblastos, redução do processo inflamatório, 
aceleração na síntese de colágeno, facilitando a formação de fibrilas 
colágenas e o aumento na força tênsil final de tendões em processo 
de recuperação. Pode ser utilizado na forma de varredura ao longo do 
tendão, tempo e duração de pulso: 80 nseg, tempo de emissão: 0,0000008 
s, comprimento de onda de 904 nm, uma potência de 50 mW, uma 
densidade de energia de 2,9 mW/mm2 e dose de 3 J/cm2 (JUSTINO et 
al., 2014).
  Ultrassom: auxilia no controle do processo inflamatório, na cicatrização 
e no reparo tecidual; como consequência, diminui os sintomas álgicos. 
Pode ser aplicado por 8 minutos, com frequência de 3 MHz e potência de 
1,5 W/cm2 (SILVA et al., 2013; CARDOSO; BARRETO; PÉRES, 2013).
  Terapia manual: massagem, liberação miofascial, liberação de pontos 
gatilhos, drenagem, mobilização cicatricial, entre outros. Pode ajudar no 
alívio da dor, no controle do edema, na liberação de espasmos, contra-
turas e pontos de tensão muscular e para evitar aderências cicatriciais, 
no caso de pós-operatório (KISNER; COLBY, 2015).
  Mobilizações articulares passivas: movimentos passivos leves, dentro 
da tolerância de dor do paciente, com o objetivo de manter a ADM do 
cotovelo livre (movimentos de flexão e extensão do cotovelo, pronação 
e supinação do antebraço e flexão e extensão de punho) (KISNER; 
COLBY, 2015).
11Complexo do cotovelo
  Educação e automanejo dos sintomas: é fundamental ensinar o pa-
ciente sobre o que é a lesão, por que ela aconteceu e como será o prog-
nóstico a partir de então, explicar a importância do comprometimento 
do paciente com a reabilitação física em função das complicações 
que podem surgir e gerar limitações e restrições nessa articulação 
(PRENTICE, 2012; KISNER; COLBY, 2015). 
Se a articulação do ombro estiver sem sintomas associados com a lesão 
do cotovelo, é imprescindível realizar alongamentos, mobilizações ativas e 
exercícios para manutenção e ganho de força muscular. No caso da articulação 
do punho e dos dedos, pode ser difícil fazer isso na fase aguda pela relação 
dos tendões extensores e flexores de punho, que estão ancorados no cotovelo 
(KISNER; COLBY, 2015). 
A partir dessas condutas, alguns sintomas serão resolvidos e poderá ter 
início a segunda fase da reabilitação física, que tem o objetivo de reestabelecer 
função e desempenho físico. Esse objetivo será alcançado a partir de alonga-
mentos musculares, treino de força muscular, treino de atividades funcionais 
e treino proprioceptivo (KISNER; COLBY, 2015). 
  Alongamentos musculares: iniciar com alongamentos passivos leves 
e progredir para alongamentos ativos, que devem ser ensinados ao 
paciente. Os alongamentos devem ser direcionados aos músculos bíceps 
braquial, tríceps, pronadores, supinadores, flexores de punho e extenso-
res de punho, além dos músculos do ombro (KISNER; COLBY, 2015). 
  Treino de força muscular: iniciar com exercícios isométricos e progre-
dir para dinâmicos (concêntricos e excêntricos), dos músculos bíceps 
braquial, tríceps, pronadores, supinadores, flexoresde punho e extenso-
res de punho, além dos músculos do ombro (KISNER; COLBY, 2015). 
  Exercícios isométricos: realizar tanto para extensores quanto flexores 
do punho, manter a contração por 6 segundos e repetir algumas vezes 
(KISNER; COLBY, 2015).
Complexo do cotovelo12
  Exercícios concêntricos e excêntricos: iniciar com treino de resistência 
(3 a 5 séries de 15 a 25 repetições, com intervalo de 1 minuto entre as 
séries) e progredir para o treino para ganho de força muscular (3 séries 
de 8 a 12 repetições, com intervalo de 2 a 3 minutos entre as séries) 
(GARBER et al., 2011).
Para passar para a terceira fase e, consequentemente, para a alta da fisio-
terapia, o paciente deve estar sem sintomas álgicos, com ADM ativa completa 
e força muscular reestabelecida para realizar suas atividades. O foco é treinar 
as atividades funcionais, a propriocepção e a pliometria para garantir que o 
paciente esteja apto para retornar às suas atividades sem dor.
  Atividades esportivas e funcionais: tentar adaptar as atividades e 
gestos que o paciente executa normalmente e realizar na fisioterapia 
com carga, faixas elásticas, tornando as atividades mais desafiadores 
e próximas da realidade (DUTTON, 2010; KISNER; COLBY, 2015).
  Propriocepção e pliometria: atividades complexas que exijam que o 
paciente melhore o senso de posição articular e o equilíbrio, desafie 
com gestos em grandes amplitudes e alta velocidade (DUTTON, 2010; 
KISNER; COLBY, 2015). 
Nessa última fase, o fisioterapeuta deverá realizar adaptações ergonômicas 
ou reeducar gestos esportivos que tenham provocado a lesão para evitar a 
reincidência e/ou piora dos sintomas. A alta da fisioterapia será no momento 
em que todos esses objetivos forem alcançados e o paciente tiver retornado ao 
esporte, ao trabalho e a suas atividades sem nenhum prejuízo de movimento 
e/ou dor (KISNER; COLBY, 2015).
Veja, a seguir, na Figura 2, como é possível esquematizar um fluxo de 
tratamento de uma epicondilite lateral. O paciente, nesse caso, é um tenista 
de alto rendimento e os sintomas começaram sem um evento traumático.
13Complexo do cotovelo
Figura 2. Fluxo de tratamento de epicondilite lateral.
Complexo do cotovelo14
O complexo do cotovelo tem uma função muito importante na realização 
dos movimentos da extremidade superior, servindo de conexão entre a mão 
e os dedos e o ombro. A partir disso, é possível realizar movimentos funcio-
nais como comer, beber, escovar os dentes, lavar e pentear o cabelo, amarrar 
calçados e vestir roupas, além de alcançar e carregar objetos, entre outros. 
Inúmeras lesões podem acometer esse complexo e, entre as mais comuns, 
estão as fraturas e as luxações; entre as lesões por estresse repetitivo, estão 
a epicondilite lateral, a epicondilite medial e a bursite olecraniana. Essas 
lesões merecem atenção tanto na avaliação quanto no momento da escolha 
das condutas da intervenção fisioterapêutica, pois é comum que restem li-
mitações e restrições nessa articulação após lesões não tratadas ou tradadas 
inadequadamente.
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15Complexo do cotovelo
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Leitura recomendada
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