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UNIPAR Engenharia Civil - 5ª série Prof. Audrew J. Demozzi ajdemozzi@prof.unipar.br Estradas e Transportes M1B1–25 Direitos autorais reservados – Página 1 de 8 Data Conteúdos 10/02 Cálculos de Volumes, Apresentação da disciplina, Matriz de Transporte e Modais – Rodoviário, Aquaviário (Hidroviário e Marítimo), Ferroviário e Dutoviário e sua interação em multimodais. 10/02 17/02 Fases de serviços de Engenharia, Análise de viabilidade (Pré-estudo de topografia, geologia, traçado, fluxo de tráfego) e Projeto (fases do projeto). 17/02 24/02 Curvas horizontais Circulares. 24/02 03/03 Recesso de Carnaval 03/03 10/03 Curvas horizontais de transição. 10/03 17/03 Superlargura e Superelevação. 17/03 24/03 Curvas Verticais. 24/03 31/03 Definição da Geometria da Via, Projeto em planta de rodovias, Serviços de Terraplenagem e Impacto ambiental. 31/03 07/04 1ª prova oficial 07/04 1ª prova oficial Sistema de avaliação: Nota = Prova (9,0) + Trabalho (1,0 ponto) Apresentação da disciplina CONTEÚDO PROGRAMÁTICO UNIDADE 01 UNIDADE 02 ● Cálculos de Volumes. ● Matriz de Transporte e Modais – Rodoviário, Aquaviário (Hidroviário e Marítimo), Ferroviário e Dutoviário e sua interação em multimodais. ● Fases de serviços de Engenharia. ● Análise de viabilidade (Pré-estudo de topografia, geologia, traçado, fluxo de tráfego) ● Projeto (fases do projeto) ● Curvas horizontais Circulares. ● Curvas horizontais de transição. ● Superlargura. ● Superelevação. ● Curvas Verticais. ● Definição da Geometria da Via: ● Projeto em planta de rodovias ● Serviços de Terraplenagem. ● Impacto ambiental. ● Introdução à pavimentação. ● Classificação dos pavimentos e camadas que compõem os pavimentos. ● Estudos dos materiais asfálticos. ● Pavimentos Ecológicos. ● Estudos Geotécnicos para Pavimentação. ● Comportamento dos Materiais Empregados na Pavimentação. ● Estudos das Cargas Rodoviárias ● Dimensionamento dos Pavimentos ● Método de Dimensionamento DNER ● Bases e Sub-bases BIBLIOGRAFIA ANTAS, Paulo M.; et al. Estradas: projeto geométrico e de terraplanagem. Interciência. Rio de Janeiro. PIMENTA, Carlos R. T. Projeto Geométrico de Rodovias. RIMA. São Paulo. BORGES, Alberto C. Topografia aplicada à Engenharia Civil. Edgard Blücher. São Paulo: BRASIL. Instruções para os trabalhos de sinalização nas estradas de rodagem. Serviços de Publicação. Rio de Janeiro. ______, Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes – DNIT. Diretrizes Básicas Para Elaboração De Estudos e Projetos Rodoviários (Escopos Básicos/Instruções de Serviço). Brasília. ______, Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes – DNIT. Manual de Sinalização Rodoviária. Brasília. mailto:ajdemozzi@prof.unipar.br UNIPAR Engenharia Civil - 5ª série Prof. Audrew J. Demozzi ajdemozzi@prof.unipar.br Estradas e Transportes M1B1–25 Direitos autorais reservados – Página 2 de 8 Cálculo de volumes de movimentação de solo Partindo do exemplo a seguir pode-se notar uma planta baixa de um terreno com terreno dividido em retângulos com cotas altimétricas para os vértices. Determinação da altura média pelo Método dos Volumes Utilizando a fórmula do volume de um paralelepípedo, temos: 𝑉 = 𝐴𝑏 ∙ ℎ ⇒ ℎ = 𝑉 𝐴𝑏 Cálculo da área da base 𝐴𝑏 = 𝑏 ∙ ℎ𝑏 ⇒ Cálculo do volume O terreno é limitado por trapézios, logo pode-se fazer: Área do trapézio 𝐴 = (𝐵+𝑏)ℎ 2 , extrapolando para soma de 3 trapézio temos: 𝐴 = (𝑏1 + 𝑏2)ℎ 2 + (𝑏2 + 𝑏3)ℎ 2 + (𝑏3 + 𝑏4)ℎ 2 𝐴 = ℎ 2 (𝑏1 + 𝑏2 + 𝑏2 + 𝑏3 + 𝑏3 + 𝑏4) 𝐴 = ℎ 2 (𝑏1 + 2𝑏2 + 2𝑏3 + 𝑏4) Para diminuir o tamanho numérico do volume de solo estudado utiliza-se um recurso de fazer o uso de uma altura dife- rente da cota altimétrica dos vértices do terreno, para isso utiliza-se um múltiplo de 10 imediatamente abaixo da menor cota altimétrica e, sistematicamente, diminui-se este valor de cada uma das cotas, neste exemplo tem-se: mailto:ajdemozzi@prof.unipar.br UNIPAR Engenharia Civil - 5ª série Prof. Audrew J. Demozzi ajdemozzi@prof.unipar.br Estradas e Transportes M1B1–25 Direitos autorais reservados – Página 3 de 8 Aplicando esta fórmula para os três trapézios que temos: 𝐴1 = ℎ 2 (𝑏1 + 2𝑏2 + 2𝑏3 + 𝑏4) ⇒ 𝐴2 = ℎ 2 (𝑏1 + 2𝑏2 + 2𝑏3 + 𝑏4) ⇒ 𝐴3 = ℎ 2 (𝑏1 + 2𝑏2 + 2𝑏3 + 𝑏4) ⇒ Volume dos sólidos, utilizando a área média entre os trapézios. 𝑉1 = (𝐴1+𝐴2) 2 ∙ 𝑙 ⇒ 𝑉1 = 𝑉2 = (𝐴2+𝐴3) 2 ∙ 𝑙 ⇒ 𝑉2 = 𝑉 = 𝑉1 + 𝑉2 ⇒ 𝑉 = Cota altimétrica média do terreno ℎ = 𝑉 𝐴𝑏 ⇒ ℎ = Determinação da altura média pelo Método dos Pesos • Considere peso 1 para cotas altimétricas em vértices que estejam somente em 1 retângulo. • Considere peso 2 para cotas altimétricas em vértices que estejam somente em 2 retângulos. • Considere peso 4 para cotas altimétricas em vértices que estejam somente em 4 retângulos. A cota altimétrica média será calculada pela média ponderada ℎ = ∑ 𝐶𝑜𝑡𝑎𝑠 𝑃𝑜𝑛𝑑𝑒𝑟𝑎𝑑𝑎𝑠 ∑ 𝑄𝑢𝑎𝑛𝑡𝑖𝑑𝑎𝑑𝑒 𝑑𝑒 𝑣𝑎𝑙𝑜𝑟𝑒𝑠 Peso 1 = (____ + ____ + ____ + ____) ∙ 1 = Peso 2 = (____ + ____ + ____ + ____ + ____ + ____) ∙ 2 = Peso 3 = (____ + ____) ∙ 4 = ∑ 𝐶𝑜𝑡𝑎𝑠 𝑃𝑜𝑛𝑑𝑒𝑟𝑎𝑑𝑎𝑠 = ∑ 𝑄𝑢𝑎𝑛𝑡𝑖𝑑𝑎𝑑𝑒 𝑑𝑒 𝑣𝑎𝑙𝑜𝑟𝑒𝑠 = ____ ∙ 1 + ____ ∙ 2 + ____ ∙ 4 = ____ ℎ = ∑ 𝐶𝑜𝑡𝑎𝑠 𝑃𝑜𝑛𝑑𝑒𝑟𝑎𝑑𝑎𝑠 ∑ 𝑄𝑢𝑎𝑛𝑡𝑖𝑑𝑎𝑑𝑒 𝑑𝑒 𝑣𝑎𝑙𝑜𝑟𝑒𝑠 𝑝𝑜𝑛𝑑𝑒𝑟𝑎𝑑𝑜𝑠 ⇒ mailto:ajdemozzi@prof.unipar.br UNIPAR Engenharia Civil - 5ª série Prof. Audrew J. Demozzi ajdemozzi@prof.unipar.br Estradas e Transportes M1B1–25 Direitos autorais reservados – Página 4 de 8 Corte e Aterro Se a tarefa for a de nivelar o terreno ou deixa-lo numa determinada cota imposta por projeto, se faz necessário quantificar os volumes de corte e de aterro. Movimentações de solo são serviços de engenharia de custo elevado. Calcular as áreas das seções de corte e de aterro da porção do terreno para a cota ℎ = 658,95 𝑚. Área 1 Área 2 Área 3 mailto:ajdemozzi@prof.unipar.br UNIPAR Engenharia Civil - 5ª série Prof. Audrew J. Demozzi ajdemozzi@prof.unipar.br Estradas e Transportes M1B1–25 Direitos autorais reservados – Página 5 de 8 Calcular o volume de corte e de aterro entre as seções da porção do terreno. Faz-se a média das áreas das seções limites e multiplica-se pelo comprimento. Corte 𝑆𝐶1 = __________ 𝑚² 𝑆𝐶2 = __________ 𝑚2 𝑆𝐶3 = __________ 𝑚2 ⇒ 𝑆𝐶12 = ⇒ 𝑆𝐶23 = 𝑆𝐶1+𝑆𝐶2 2 𝑆𝐶2+𝑆𝐶3 2 Volume de corte 𝑉𝐶12 = 𝑆𝐶12 ∙ ℎ 𝑉𝐶23 = 𝑆𝐶23 ∙ ℎ 𝑉𝐶 = 𝑉𝐶12 + 𝑉𝐶23 Aterro 𝑆𝐴1 = __________ 𝑚2 𝑆𝐴2 = __________ 𝑚2 𝑆𝐴3 = __________ 𝑚² ⇒ 𝑆𝐴12 = ⇒ 𝑆𝐴23 = 𝑆𝐶1+𝑆𝐶2 2 𝑆𝐶2+𝑆𝐶3 2 Volume de aterro 𝑉𝐴12 = 𝑆𝐴12 ∙ 𝑙 𝑉𝐴23 = 𝑆𝐴23 ∙ 𝑙 𝑉𝐴 = 𝑉𝐴12 + 𝑉𝐴23 Empolamento Um fenômeno característico dos solos, importante na terraplenagem, é o empolamento ou expansão volumétrica. Quando se escava o terreno natural, a terra que se encontrava num certo estado de compactação, proveniente do seu próprio processo de formação, experimenta uma expansão volumétrica, que chega a ser considerável em certos casos. De modo geral, quanto maior a porcentagem de finos, argila e silte, maior deve ser essa expansão. Ao contrário, os solos arenosos, com pequenas porcentagens de finos, sofrem pequeno empolamento, veja a Tabela 1. Tabela 1 - Fatores de empolamento e expansão Tipo de solo 𝒇(%) 𝜽𝟏 Solos argilosos 40 0,71 Terra comum seca (solos argilo-siltosos com areia) 25 0,80 Terra comum úmida 25 0,80 Solo arenoso seco 12 0,89 Fonte: Brasil, 2010, p.243.1 𝑉𝑆 = 𝑉𝑛 𝜃1 Se for distribuído em caminhões de caçamba com volume útil de 8 m³, teremos ________ viagens. Trabalho nº 1 . Calcule a movimentaçãode solo, pela altura média, no terreno abaixo. Vocabulário Terrapleno – Terreno resultante de terraplenagem, a saber: Parte da faixa de domínio compreendida entre a crista do corte e pé do aterro. Terraplenagem – Conjunto de operações de escavação, carga, transporte, descarga e compactação dos solos, aplicadas na construção de aterros e cortes, dando à superfície do terreno a forma projetada para construção de rodovias.¹ 1 BRASIL, Manual de Implantação Básica de Rodovia.3ª ed. Rio de Janeiro, 2010. mailto:ajdemozzi@prof.unipar.br UNIPAR Engenharia Civil - 5ª série Prof. Audrew J. Demozzi ajdemozzi@prof.unipar.br Estradas e Transportes M1B1–25 Direitos autorais reservados – Página 6 de 8 MATRIZ DE TRANSPORTE E MODAIS 1. Matriz de Transporte 1.1. O Plano Nacional de Logística e Transportes Na matriz de transporte brasileira, o transporte rodoviário atualmente participa com 61,1% (CNT, 10/2017) da carga movimentada, o que demonstra que a economia brasileira ainda é bastante dependente desse modo de transporte. Tal situação foi afetada por uma grande quantidade de problemas setoriais, acumulados durante as últimas décadas, o que certamente repercutiu em todo o sistema de logística para o transporte regional de cargas e passageiros no país. Visando a alteração deste cenário, através da Secretaria de Política Nacional de Transportes do Ministério dos Transportes (SPNT- MT), para dotar o setor de transportes de uma visão estratégica de longo prazo. Deste modo, o PNLT – Plano Nacional de Logística e Transportes – representa o planejamento setorial estratégico, em caráter contínuo e dinâmico, destinado a orientar, com embasamento técnico e científico, a implantação das ações públicas e privadas no Setor de Transportes de forma a atender as demandas políticas de integração, desenvolvimento e superação de desigualdades. 1.2. A Matriz do Transporte Brasileiro O desenvolvimento de um país está intimamente ligado à disponibilidade de infraestrutura econômica, de tal forma que a infraestrutura de transportes tem um impacto decisivo para a sustentabilidade deste processo. A oferta de infraes- trutura de transportes, entretanto, deve estar disponível a custos razoáveis, de modo a viabilizar o atendimento da cres- cente demanda que é impulsionada pelo próprio desenvolvimento da economia nacional. Como normalmente os recursos disponíveis para expansão da oferta viária são escassos, deve-se atentar para a melhor alocação possível, para se alcan- çarem condizentes retornos sociais que possam, realmente, subsidiar uma transformação qualitativa da vida social que é, em suma, o objetivo primordial do desenvolvimento econômico. O que são modais de transporte?2 Chamamos de modais de transporte as categorias de transporte que existem, considerando o meio por onde esse deslocamento acontece, ou seja, se através de estradas, pela água, pelo ar, etc. Desse modo, os tipos de modais de trans- porte no Brasil hoje são: 1. Modal Rodoviário 2. Modal Ferroviário 3. Modal Hidroviário ou Aquaviário 4. Modal Aéreo ou Aeroviário 5. Modal Dutoviário 6. Modal Infoviário 1. Modal Rodoviário O modal rodoviário é o meio de transporte que utiliza rodovias, estradas e ruas. Os veículos mais comuns nesse modal são: caminhões, ônibus, motocicletas, caminhonetes e utilitários. Segundo o Denatran, existem mais de 100 milhões de veículos rodoviários registrados no Brasil. Esse é o modal mais utilizado no Brasil, seja para o transporte de cargas ou de pessoas. De acordo com o levantamento da Empresa de Planejamento e Logística – EPL, ligada ao Ministério da Infraes- trutura, existem mais de 80 000 Km de malha rodoviária cortando todo o país, e por ela escoa a maior parte de nossos produtos agropecuários, minerais, combustíveis e industriais. • Vantagens do modal rodoviário – Como a malha rodoviária brasileira é mais desenvolvida, comparada aos outros modais, a utilização das rodovias costuma ser a principal aposta para quem deseja flexibilidade nas movimentações de cargas ou pessoas. Através delas, é possível chegar a mais lugares, contando com uma boa infraestrutura de servi- ços, que inclui: boa oferta de transportadoras, postos de combustível, restaurantes, hospedagem para o descanso de motoristas, além de fiscalização para proporcionar mais segurança nas estradas. • Desvantagens do modal rodoviário – O modal rodoviário é o mais perigoso no Brasil. É através dele que acontecem 97% dos acidentes de tráfego, conforme levantamento da EPL. Além disso, segundo a CNT, foram mais de 18 mil roubos de cargas registrados em 2019. Nos estados do RJ e SP, aconteceu quase um roubo por hora nesse mesmo ano. Isso faz com que muitas transportadoras invistam em soluções como rastreamento, roteirização e seguros, que encarecem o preço do serviço. Outra desvantagem do modal é a baixa capacidade de carregamento dos veículos, fazendo com que grandes quantidades de carga sejam transportadas através de muitos veículos, ou em muitas via- gens, o que encarece a movimentação. 2 https://www.hivecloud.com.br/post/modais-de-transporte/ mailto:ajdemozzi@prof.unipar.br https://ontl.epl.gov.br/wp-content/uploads/2021/02/Anuario-2010-2019-Completo.pdf https://www.hivecloud.com.br/post/conheca-o-catalogo-nacional-de-transportadoras-hivecloud/ https://www.cnt.org.br/agencia-cnt/pais-registra-mais-de-18-mil-casos-de-roubos-de-cargas-em-rodovias https://www.hivecloud.com.br/post/sistemas-de-rastreamento-e-monitoramento-de-entregas/ https://www.hivecloud.com.br/post/seguro-de-carga-conheca-6-tipos-de-seguro-para-transportadoras/ https://www.hivecloud.com.br/post/modais-de-transporte/ UNIPAR Engenharia Civil - 5ª série Prof. Audrew J. Demozzi ajdemozzi@prof.unipar.br Estradas e Transportes M1B1–25 Direitos autorais reservados – Página 7 de 8 2. Modal Ferroviário O modal ferroviário é aquele que utiliza as ferrovias para transportar cargas ou pessoas. Para isso, são utilizadas loco- motivas, vagões e carros de passageiros. Segundo a EPL, o Brasil possui mais de 30 000 Km de malha ferroviária ativa, concedidas para empresas como FCA, RMS e FTL. Através dessa malha, percorrem cerca de 3 mil locomotivas. O modal ferroviário é o segundo dos modais de transporte que mais recebem investimentos no Brasil, ficando atrás apenas do rodoviário. Através dele, movimentamos mais de 900 mil passageiros anualmente e quase 500 milhões de toneladas úteis tracionadas – TU, de cargas como minério de ferro e graneis agrícolas. • Vantagens do modal ferroviário – Os vagões de trens ferroviários são capazes de transportar a carga de até 220 cami- nhões, o que faz desse modal mais interessante para o transporte de grandes quantidades de carga de uma só vez. Além disso, as locomotivas gastam menos com combustível e oferecem mais segurança na entrega, tendo uma média de apenas 700 acidentes por ano – 1% do número das estradas. Isso faz desse modal uma alternativa barata, eficiente e segura. • Desvantagens do modal ferroviário – Os pontos fracos do modal ferroviário se relacionam com sua baixa abrangência em nosso território nacional. Enquanto grandes países como EUA, China, Rússia e Canadá investiram em mais de 70 mil km de malha ferroviária cada, o Brasil possui apenas 30 mil – 58% menos. Nós temos quase 300 km² de território por quilômetro de ferrovia, enquanto a Índia, por exemplo, apresenta 51 km² de território / km de ferrovia, demons- trando que temos uma baixíssima cobertura de nossa área territorial. Por essa razão, o transporte via ferrovias pode ser mais demorado, exigindo frequentemente a intermodalidade para cobrir o trajeto de ponta a ponta. 3. Modal Hidroviário O modal aquaviário é aquele no qual o transporte se realiza através das águas, sejam rios, mares ou lagos. Ele pode utilizar navios, barcos, submarinos ou outras embarcações. O setor hidroviário movimenta cerca de 1,3 bilhões de tone- ladas de cargas no Brasil todos os anos, dentre asnavegações de longo curso, cabotagem e interior. As cargas mais co- muns neste modal são: petróleo, minério de ferro, bauxita, pasta de celulose e milho, dentre outras. • Vantagens do modal hidroviário – O transporte feito pelo modal hidroviário é bastante seguro e eficiente. O índice de acidentes de tráfego corresponde a 1% do total nas rodovias, além do roubo de cargas ser muito menor. Isso aumenta as chances da carga chegar em boas condições ao local de destino, diminuindo o índice de avarias e aumentando a eficiência da operação de transporte. Além disso, uma única barcaça pode transportar até 1.500 toneladas de cargas, o que corresponde a 60 carretas, ou a 20 vagões de trem. Desse modo, o modal se torna mais econômico que os demais, sendo capaz de levar muito mais cargas com menor consumo de combustível proporcional. • Desvantagens do modal hidroviário – Os transportadores que atuam no setor aquaviário reclamam da pouca atenção do governo nos últimos anos. O investimento público é o menor de todos os modais de transporte, correspondendo a menos de 1% do total. Além disso, o governo impõe uma grande burocracia ao setor ao equivaler o transporte interno ao externo, o que diminui a agilidade na autorização dos transportes por água. O modal ainda apresenta a maior de- pendência das condições climáticas, sendo mais suscetível a escassez, enchentes, tempestades e outros fenômenos naturais. Outra desvantagem é ser muito dependente das bacias hidrográficas já existentes, o que limita as opções de rotas. 4. Modal Aéreo O modal aéreo é aquele que utiliza o ar para realizar o transporte. Para isso, são utilizadas aeronaves, que podem ser privadas (TPP), experimentais (PET/PEX), para táxi aéreo (TPX), ou outras categorias. Nosso país movimenta cerca de 1,2 mil toneladas de cargas ao ano pelo modal aéreo, com destaque para frutas, reatores elétricos, produtos de origem ani- mal, farmacêuticos, dentre outros. • Vantagens do modal aéreo – O modal aéreo costuma apresentar o menor tempo de entrega de todos no transporte de cargas. Isso porque as aeronaves comerciais podem alcançar velocidades de até 900 km/h, além de sua rota poder ser planejada considerando a distância mais curta, sem bloqueios naturais como existem na terra e na água. Além disso, um avião cargueiro leva, em média, 50 toneladas de mercarias por viagem, o que corresponde a 10 caminhões pesados, em um tempo 10 vezes menor, o que torna esse modal bastante eficiente e ágil. • Desvantagens do modal aéreo – O modal aéreo possui um alto custo, quando comparado aos demais. Por essa razão, existem poucos operadores logísticos atuando na área, o que diminui a competitividade. Além disso, a quantidade de aeródromos e aeroportos pode ser considerada baixa no Brasil, beirando as 3 mil unidades. Dentre essas, algumas não são capazes de receber aviões de grande porte. Por isso, a roteirização do transporte de cargas no modal aeroviário pode ficar bastante restrita e inviabilizar sua utilização. mailto:ajdemozzi@prof.unipar.br https://www.hivecloud.com.br/post/transporte-intermodal-e-multimodal/ https://www.hivecloud.com.br/post/cabotagem-saiba-tudo-sobre-esse-transporte/ UNIPAR Engenharia Civil - 5ª série Prof. Audrew J. Demozzi ajdemozzi@prof.unipar.br Estradas e Transportes M1B1–25 Direitos autorais reservados – Página 8 de 8 5. Modal Dutoviário O modal dutoviário é aquele realiza o transporte por meio de dutos, sejam subterrâneos, submarinos ou aparentes. O Brasil possui hoje mais de 1 600 km de malha dutoviária, dentre eles: gasodutos, minerodutos e oleodutos. São movimen- tados cerca de 170 milhões de m³ de óleo e gás por ano, além de aproximadamente 9 toneladas de minério. As principais cargas transportadas pelo modal dutoviário são: ferro, rocha fosfática, sal-gema, óleo diesel, gasolina, nafta, óleo com- bustível, álcool e gás natural. • Vantagens do modal dutoviário – Este é um modal que oferece bastante segurança no transporte de cargas, consi- derando seu baixo índice de acidentes e roubos. Além disso, os dutos apresentam alta disponibilidade para o trans- porte, podendo fazê-lo praticamente sem intervalo. Isso confere ao transporte maior agilidade e a possibilidade de transportar muitas cargas de uma vez, apresentando velocidades próximas de 2 mil m³/h. • Desvantagens do modal dutoviário – As opções de dutos no Brasil são poucas. Seu trajeto limitado restringe às ope- rações nesse modal por aqui. Outra desvantagem é que a instalação de dutos é cara para construir e também para manter, o que encarece sua utilização. Além disso, quando existem acidentes, o dano ambiental é alto, proporcio- nando severas multas para as empresas envolvidas. 6. Modal Infoviário O modal infoviário, também chamado de digital ou virtual é aquele que utiliza a infraestrutura de telecomunicações para o transporte, mais comumente formada por fibra ótica e satélites. Através desse modal, são transportados dados e informações, como os serviços de telefonia, internet e televisão por assinatura. Segundo o SindiTelebrasil o setor privado de telecomunicações investiu mais de um trilhão de reais nos últimos 10 anos, proporcionando ao Brasil uma das maiores infraestruturas de telecomunicações do mundo. • Vantagens do modal infoviário – Com a popularização da internet, a atenção dos governos ao modal infoviário tem aumentado nos últimos anos. Muitos serviços públicos, inclusive, já estão ocorrendo de modo 100% digital, como a autorização de documentos fiscais, o cadastramento em órgãos públicos, dentre outros. Por isso, o setor apresenta grande potencial de crescimento. Outras vantagens são a velocidade e a segurança na transmissão de dados. Um ser- viço digital costuma apresentar alta disponibilidade com a infraestrutura que já possuímos hoje, e a perspectiva é de cada vez maior cobertura, velocidade e segurança no modal. • Desvantagens do modal infoviário – O Brasil impõe uma carga tributária sobre o modal infoviário considerada alta pelos players do setor. Além disso, é apontada uma alta burocracia para a operação, o que desestimula a competitivi- dade. Oferecer serviços de telecomunicações no Brasil também costuma ser caro, tanto para montar a rede, quanto para mantê-la, o que encarece os serviços oferecidos ao cliente final. Para informações dos modais de transporte no Brasil visite: https://anuariodotransporte.cnt.org.br/2022/File/PrincipaisDados.pdf Para obter os dados de veículos de Umuarama e do Paraná visite: https://www.detran.pr.gov.br/sites/default/arquivos_restritos/files/documento/2023-07/anuario_2022.pdf Referências: ANTAS, Paulo M. et al. Estradas: projeto geométrico e de terraplanagem. Interciência, 2010, Rio de Janeiro. BRASIL, Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes - DNIT. Diretrizes Básicas Para Elaboração De Estudos e Projetos Rodoviários (Escopos Básicos/Instruções de Serviço), 3ª ed., 2006, Rio de Janeiro. ______, MINISTÉRIO DOS TRANSPORTES, PORTOS E AVIAÇÃO CIVIL, Manual de Implantação Básica de Rodovias, 2010, disponível em , acessado em 10 fev 20. ______, MINISTÉRIO DOS TRANSPORTES, PORTOS E AVIAÇÃO CIVIL, Projeto de Reavaliação de Estimativas e Metas do PNLT – Relatório Final, 2012, disponível em , aces- sado em 26 fev 2018. ______, MINISTÉRIO DOS TRANSPORTES, PORTOS E AVIAÇÃO CIVIL, Plano Nacional de Logística e Transportes, Brasília, http://www.transportes.gov.br/images/2014/11/PNLT/2011.pdf, acesso em 04 mar 2016. INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA – IBGE, http://www.denatran.gov.br/index.php/estatistica/261- frota-2016, acesso em 17 Fev 2016. PIMENTA, Carlos R. T. Projeto Geométrico de Rodovias, RIMA, São Carlos, 2004. mailto:ajdemozzi@prof.unipar.br https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/economia/2020/06/24/internas_economia,866588/prestadoras-de-servicos-de-telecom-investiram-r-6-9-bi-no-1-trimestr.shtmlhttps://www.hivecloud.com.br/post/por-dentro-dos-documentos-fiscais/ https://anuariodotransporte.cnt.org.br/2022/File/PrincipaisDados.pdf https://www.detran.pr.gov.br/sites/default/arquivos_restritos/files/documento/2023-07/anuario_2022.pdf