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<p>AULA 6</p><p>ENGENHARIA DE TRÁFEGO</p><p>Profª Bruna Marceli Claudino Buher Kureke</p><p>2</p><p>INTRODUÇÃO</p><p>Você já parou para pensar por onde passam os produtos que consumimos</p><p>logo depois que saem das fábricas? Quanto tempo demora para que certa</p><p>mercadoria produzida no sul do país chegue até o norte? E por que será que foi</p><p>escolhido determinado modo de transporte para seu deslocamento? São esses</p><p>tipos de questões que vamos buscar resolver no decorrer desta aula, que trata de</p><p>sistemas de transporte.</p><p>Nosso objetivo é compreender a respeito de características, funções e</p><p>formas de operação das principais modalidades de transportes. Serão oferecidos</p><p>subsídios para que seja feita a diferenciação entre os modos de transporte a partir</p><p>das particularidades e dos atributos técnicos e econômicos de cada modal.</p><p>Primeiramente, o sistema de transportes pode ser entendido como um</p><p>elemento da logística cuja principal finalidade é a movimentação de cargas,</p><p>pessoas ou serviços. Como exemplo, podemos citar as rodovias, as ferrovias e</p><p>até mesmo as calçadas, por onde pessoas se deslocam diariamente.</p><p>Esse sistema é composto pelas vias (local por onde os veículos transitam),</p><p>pelos veículos (responsáveis pelo transporte de cargas) e pelos terminais (cuja</p><p>interação promove o deslocamento espacial de mercadorias, realizando carga,</p><p>descarga e armazenamento).</p><p>Quando falamos sobre o transporte de cargas, o planejamento deve vir em</p><p>primeiro lugar. Para isso, entender a importância e a função dos diversos sistemas</p><p>de transportes é necessário. Nesse contexto, devemos compreender</p><p>primeiramente quais são as vantagens e as desvantagens de cada modal a ser</p><p>utilizado para transportar determinada carga. Com tais informações, se torna mais</p><p>fácil analisar qual é o mais adequado para certos tipos de operações e de</p><p>produtos.</p><p>Serão tratados os seguintes tipos de transporte: rodoviário, ferroviário,</p><p>dutoviário, aquaviário e aeroviário. Dentro de cada um, serão elencadas as</p><p>principais características, assim como vantagens e desvantagens de acordo com</p><p>as restrições de tempo, custo, tipo de mercadoria e demais fatores que influenciam</p><p>a escolha do modal para o transporte de determinada carga.</p><p>3</p><p>TEMA 1 – TRANSPORTE RODOVIÁRIO</p><p>O modal rodoviário é o mais utilizado no transporte de mercadorias,</p><p>representando cerca de 61% da composição da matriz brasileira (CNT, 2013).</p><p>A Confederação Nacional dos Transportes (CNT) ainda destaca alguns</p><p>pontos importantes sobre o modal, a saber:</p><p>• Devido aos carregamentos excessivos, jornadas de trabalhos extensas e</p><p>baixa eficiência, o valor do frete acaba sendo baixo;</p><p>• A fiscalização e a burocracia são barreiras para esse modal;</p><p>• Há necessidade de adequação de terminais, manutenção de vias,</p><p>estabelecimento de base de dados eficiente e prevenção contra roubo de</p><p>cargas. (CNT, 2013)</p><p>Pelas rodovias são transportados praticamente todo tipo de carga. Por não</p><p>necessitar trajetos fixos, o modo rodoviário é flexível, diferentemente de outros.</p><p>Outro atrativo é a busca da carga do exportador, levando-a ao importador,</p><p>denominado assim como transporte porta-a-porta.</p><p>Em contrapartida, a pequena capacidade de carga, somada ao alto custo</p><p>de implementação e manutenção da infraestrutura, torna o modal relativamente</p><p>oneroso. Além disso, há os gastos causados por congestionamentos e má</p><p>conservação das rodovias, sem falar daqueles voltados à segurança do veículo e</p><p>da mercadoria.</p><p>A seguir, serão expostas as vantagens e as desvantagens do transporte</p><p>rodoviário.</p><p>1.1 Vantagens</p><p>• Maior frequência e disponibilidade de vias de acesso;</p><p>• Maior agilidade e flexibilidade na manipulação das cargas;</p><p>• Facilidade na substituição dos veículos, no caso de acidente ou quebra;</p><p>• Ideal para viagens curtas e médias.</p><p>1.2 Desvantagens</p><p>• Não competitivo para longas distâncias;</p><p>• Maior custo operacional;</p><p>• Menor capacidade de carga;</p><p>4</p><p>• Desgaste permanente da infraestrutura.</p><p>1.3 Nomenclatura das rodovias</p><p>Aqui, veremos alguns dos principais apontamentos registrados na Apostila</p><p>de Sistemas de Transportes (Pereira et al., 2013) a respeito da nomenclatura das</p><p>rodovias. De acordo com o Plano Nacional de Viação (PNV), a nomenclatura das</p><p>rodovias federais define-se a partir da sigla BR e três algarismos – o primeiro</p><p>indica a categoria da rodovia, e os dois outros, a definição da posição, a partir da</p><p>orientação geral dela relativamente à capital federal e aos limites do país (norte,</p><p>sul, leste e oeste) (DNIT, 2011)</p><p>Rodovia radial (BR- 0xx): as rodovias radiais são aquelas que se iniciam</p><p>na capital do país e vão em direção aos extremos do Brasil. O primeiro algarismo</p><p>é o 0, e os números restantes podem variar de 10 a 90, de 5 em 5, e no sentido</p><p>horário. A Figura 1 traz alguns exemplos, como BR-020, BR-040 e BR-070.</p><p>Figura 1 – Exemplos de rodovias radiais</p><p>Fonte: DNIT, 2009.</p><p>5</p><p>Rodovia longitudinal (BR-1xx): As rodovias longitudinais são aquelas que</p><p>cortam o país na direção norte-sul. Com relação aos algarismos da nomenclatura,</p><p>o primeiro é o número 1, e os restantes variam de 00, no extremo leste do país, a</p><p>50, na capital federal, e de 50 a 99, no extremo oeste. O número de uma rodovia</p><p>longitudinal é obtido a partir de interpolação entre 00 e 50, caso a rodovia esteja</p><p>a leste de Brasília, e entre 50 e 99, se estiver a oeste. Veja os exemplos da BR-</p><p>101, BR-153 e BR-174, esquematizadas na Figura 2.</p><p>Figura 2 – Exemplos de rodovias longitudinais</p><p>Fonte: DNIT, 2009.</p><p>Rodovia transversal (BR-2xx): As rodovias transversais são aquelas que</p><p>cortam o país na direção Leste-Oeste. O primeiro algarismo é o 2 e os números</p><p>restantes variam de 00, no extremo Norte do país, a 50, em Brasília, e de 50 a 99</p><p>no extremo Sul. O número de uma rodovia transversal é obtido por interpolação,</p><p>6</p><p>entre 00 e 50, se a rodovia estiver ao Norte de Brasília, e entre 50 e 99, se estiver</p><p>ao Sul. Como exemplo, temos: BR-230, BR -262 e BR-290, que são mostradas</p><p>na Figura 3.</p><p>Figura 3 – Exemplos de rodovias transversais</p><p>Fonte: DNIT, 2009.</p><p>Rodovia diagonal (BR-3xx): As rodovias diagonais, por sua vez, podem</p><p>apresentar dois modos de orientação: noroeste-sudeste ou nordeste-sudoeste. O</p><p>primeiro algarismo em ambos os casos é o número 3; os demais números</p><p>obedecem ao seguinte critério:</p><p>• Diagonais orientadas na direção geral NO-SE: nesse caso, a numeração</p><p>varia segundo números pares – de 00, no extremo nordeste do país, a 50,</p><p>em Brasília, e de 50 a 98, no extremo sudoeste. Obtém-se o número da</p><p>rodovia mediante interpolação entre os limites consignados, em relação à</p><p>7</p><p>distância da rodovia a uma linha com a direção noroeste-sudeste,</p><p>passando pela capital federal. Podemos citar, a título de exemplo, BR-304,</p><p>BR-324 e BR-364 (mostradas na Figura 4);</p><p>• Diagonais orientadas na direção geral NE-SO: aqui, a numeração varia</p><p>segundo números ímpares – de 01, no extremo noroeste do país, a 5, em</p><p>Brasília, e de 51 a 99, no extremo sudeste. Analogamente ao caso anterior,</p><p>obtém-se o número aproximado da rodovia por interpolação entre os limites</p><p>consignados, em função da distância da rodovia a uma linha com a direção</p><p>nordeste-sudoeste, passando pela capital federal. Entre os exemplos,</p><p>podemos citar BR-319, BR-365 e BR-381, conforme detalhado também na</p><p>Figura 4.</p><p>Figura 4 – Exemplos de rodovias diagonais</p><p>Fonte: DNIT, 2009.</p><p>8</p><p>Rodovia de ligação (BR-4xx): As rodovias de ligação apresentam-se em</p><p>qualquer direção, geralmente ligando rodovias federais (ou pelo menos uma</p><p>rodovia federal) a cidades ou pontos importantes ou ainda às fronteiras</p><p>internacionais. O primeiro algarismo é o 4, os demais variam entre 00 e 50, se a</p><p>rodovia estiver ao norte do paralelo da capital federal, e entre 50 e 99, se estiver</p><p>ao sul dessa referência. É o caso, por exemplo, da BR-401 e BR-487.</p><p>1.3.1 Nomenclatura das rodovias estaduais e municipais</p><p>As rodovias estaduais trazem em sua identificação a sigla dos estados,</p><p>seguida de um traço e de uma centena, semelhante às rodovias federais.</p><p>Entretanto, cada estado possui uma forma de classificar e estabelecer essa</p><p>centena, não há uma normatização comum a todos. As rodovias municipais,</p><p>igualmente, não possuem uma sistemática única de classificação e nomenclatura,</p><p>e cada cidade estabelece ao próprio modo.</p><p>1.3.2 Quilometragem das rodovias</p><p>Conforme o DNIT explana,</p><p>A quilometragem das rodovias não é cumulativa de uma Unidade da</p><p>Federação para a outra. Logo, toda vez que uma rodovia inicia dentro de</p><p>uma nova Unidade da Federação, sua quilometragem começa</p><p>novamente a ser contada a partir de zero. O sentido da quilometragem</p><p>segue sempre o sentido descrito na Divisão em Trechos do Plano</p><p>Nacional de Viação e, basicamente, pode ser resumido da forma abaixo:</p><p>Rodovias Radiais – o sentido de quilometragem vai do Anel Rodoviário</p><p>de Brasília em direção aos extremos do país, e tendo o quilômetro zero</p><p>de cada estado no ponto da rodovia mais próximo à capital federal.</p><p>Rodovias Longitudinais – o sentido de quilometragem vai do norte</p><p>para o sul. As únicas exceções deste caso são as BR-163 e BR-174, que</p><p>têm o sentido de quilometragem do sul para o norte.</p><p>Rodovias Transversais – o sentido de quilometragem vai do leste para</p><p>o oeste.</p><p>Rodovias Diagonais – a quilometragem se inicia no ponto mais ao norte</p><p>da rodovia indo em direção ao ponto mais ao sul. Como exceções,</p><p>podemos citar as BR-307, BR-364 e BR-392.</p><p>Rodovias de Ligação – geralmente a contagem da quilometragem</p><p>segue do ponto mais ao norte da rodovia para o ponto mais ao sul. No</p><p>caso de ligação entre duas rodovias federais, a quilometragem começa</p><p>na rodovia de maior importância. (DNIT, 2009)</p><p>Ainda, o DNIT ressalta, com relação à superposição de rodovias, a adoção</p><p>de numeração da rodovia com maior importância – com maior volume de tráfego.</p><p>É comum, ademais, a utilização da maior numeração entre as rodovias que se</p><p>superpõem em determinado trecho.</p><p>9</p><p>TEMA 2 – TRANSPORTE FERROVIÁRIO</p><p>Historicamente, com a implantação da Estrada de Ferro de Mauá – a partir</p><p>de 1845 –, com 14,5 km de extensão, iniciou -se no Brasil o transporte ferroviário.</p><p>Entre 1873 e 1930, as ferrovias ocuparam papel fundamental no escoamento de</p><p>produtos agrícolas, principalmente o café, por isso houve a necessidade de</p><p>expansão.</p><p>Entretanto, devido aos investimentos e operações privados e</p><p>independentes, a problemas como a falta de interligação entre a malha ferroviária</p><p>e a utilização de bitolas diferentes, a integração do sistema ferroviário não ocorreu.</p><p>Tal fato ocasionou a construção de rodovias sobre o leito de ferrovias, cenário</p><p>este lentamente alterado com as privatizações ocorridas em 1996, que tiveram</p><p>como principal ação a utilização de rodotrilhos para a transferência entre</p><p>diferentes bitolas.</p><p>Segundo a CNT (2013), o sistema ferroviário brasileiro possui 30.129 km</p><p>de extensão, composto por 12 malhas concessionadas, 2 industriais locais</p><p>privadas e uma malha operada pelo Estado do Amapá. Entre os principais</p><p>produtos transportados, há certo destaque para o minério de ferro, responsável</p><p>por 67% do volume total transportado por esse modal.</p><p>Embora a somatória dos custos para a construção de uma ferrovia seja</p><p>elevada, o custo de manutenção necessária é inferior, além de não haver</p><p>necessidade de restauração. Consequentemente, o frete é mais barato. O modal</p><p>ferroviário transporta grandes quantidades e variedades de carga com vários</p><p>vagões e é livre de congestionamentos.</p><p>Entretanto, o tempo de deslocamento dessas cargas é irregular, devido a</p><p>demoras na formação da composição e aos transbordos necessários. Também o</p><p>percurso é sujeito a traçados preestabelecidos pelas malhas ferroviárias,</p><p>ocasionando menor acessibilidade e flexibilidade. Em casos de transporte de</p><p>cargas em grandes quantidades e a longas distâncias, o modo ferroviário torna-</p><p>se vantajoso.</p><p>A seguir, serão expostas as vantagens e as desvantagens do transporte</p><p>ferroviário.</p><p>10</p><p>2.1 Vantagens</p><p>• Adequado para longas distâncias e grandes quantidades;</p><p>• Menor custo de seguro;</p><p>• Baixo consumo energético;</p><p>• Menor custo de frete.</p><p>2.2 Desvantagens</p><p>• Diferença na largura de bitolas;</p><p>• Menor flexibilidade no trajeto;</p><p>• Necessidade maior de transbordo;</p><p>• Menor velocidade que o rodoviário;</p><p>• Depende da disponibilidade de material rodante.</p><p>TEMA 3 – TRANSPORTE DUTOVIÁRIO E AEROVIÁRIO</p><p>O transporte dutoviário teve início na adução e distribuição de água e na</p><p>captação e deposição de esgotos domiciliares. Com a descoberta do petróleo,</p><p>passou a transportar também esse mineral. Em 1930, teve início o transporte de</p><p>produtos refinados.</p><p>A participação de dutovias no Brasil começou na década de 1950, evoluiu</p><p>gradativamente nos anos de 1960 e apresentou importante incremento na década</p><p>de 1970 e início da de 1980.</p><p>O modal dutoviário é seguro e econômico para o transporte de</p><p>determinados produtos, como petróleo e derivados, gás natural, água, minério e</p><p>resíduos sólidos; há necessidade de preenchimento total do duto com o produto</p><p>a ser transportado. Há grande confiabilidade no transporte, visto que o risco de</p><p>paralisações por alterações climáticas é inexistente.</p><p>Como o produto se desloca por gravidade, pressão ou arraste, a</p><p>necessidade de manuseio da carga é reduzida. Sua instalação supera obstáculos</p><p>de aclives de até 90º, tornando o trajeto entre os pontos de origem e destino o</p><p>mais direto possível.</p><p>Devido à reduzida mão de obra empregada, ao baixo consumo de energia</p><p>e à grande capacidade de transporte, esse modal possui baixo custo operacional.</p><p>No entanto, sua flexibilidade é reduzida, há restrição de condução de materiais,</p><p>11</p><p>bem como necessidade de grandes investimentos em dutos e sistemas de</p><p>bombeamento.</p><p>Já com relação ao transporte aeroviário, apesar de o valor do frete ser três</p><p>vezes maior do que o rodoviário e 14 vezes superior ao ferroviário, sua demanda</p><p>é crescente. É considerado ágil e recomendado para mercadorias de alto valor,</p><p>pequenos volumes e encomendas urgentes.</p><p>No transporte aéreo, é permitido transportar qualquer tipo de mercadoria,</p><p>porém esta não pode oferecer risco à aeronave, aos passageiros, aos operadores</p><p>e às cargas.</p><p>Entre as vantagens do modal aéreo, destacam-se a velocidade, a</p><p>confiabilidade e a eficiência. O fato de a movimentação ser altamente mecanizada</p><p>reduz o índice de avarias, além de possuir fácil acesso a regiões inatingíveis por</p><p>outros modais.</p><p>A seguir, serão expostas as vantagens e as desvantagens do transporte</p><p>dutoviário e aeroviário.</p><p>3.1 Vantagens</p><p>Dutoviário</p><p>• Transporte em distâncias variáveis;</p><p>• Adequado para transferência direta entre indústrias;</p><p>• Boa confiabilidade;</p><p>• Possui poucas interrupções que possam causar atrasos.</p><p>Aeroviário</p><p>• Velocidade, eficiência e confiabilidade;</p><p>• Frequência dos voos permite altos giros de estoques;</p><p>• Manuseios altamente mecanizados;</p><p>• Atingem regiões inacessíveis a outros modais.</p><p>3.2 Desvantagens</p><p>Dutoviário</p><p>• Média capacidade de transporte;</p><p>• Baixa velocidade;</p><p>• Baixa disponibilidade;</p><p>12</p><p>• Elevados investimentos em dutos e sistemas de bombeamento.</p><p>Aeroviário</p><p>• Menor capacidade em peso e em volume de cargas;</p><p>• Não atende aos granéis;</p><p>• Custo de capital e fretes elevados;</p><p>• Fortes restrições às cargas perigosas.</p><p>TEMA 4 – TRANSPORTE AQUAVIÁRIO</p><p>O transporte aquaviário é dividido em duas modalidades: marítimo e</p><p>hidroviário. O marítimo é realizado por navios de grande porte nos mares e</p><p>oceanos; o hidroviário, por sua vez, ocorre em rios, lagos ou lagoas navegáveis</p><p>que possuem condições adequadas para navegabilidade.</p><p>Conforme dados da CNT, o Brasil possui cerca de 8 mil quilômetros de</p><p>costas e mais de 40 mil quilômetros de vias potencialmente navegáveis. Mesmo</p><p>assim, o transporte aquaviário de</p><p>cargas corresponde a 13,6% de toda a carga</p><p>transportada no país. Entre os principais produtos movimentados nos portos</p><p>destacam-se a carga geral, os granéis sólidos, os granéis líquidos e a carga roll-</p><p>on/roll-off (veículos).</p><p>De todos os modais, o aquaviário tem o menor custo, é menos poluente,</p><p>possui maior capacidade de carga, além de ser seguro, ter manutenção mais</p><p>barata e por fim, maior vida útil.</p><p>A seguir, serão expostas as vantagens e as desvantagens do transporte</p><p>aquaviário.</p><p>4.1 Vantagens</p><p>Hidroviário</p><p>• Elevada capacidade de transporte;</p><p>• Fretes mais baratos do que os rodoviários e ferroviários;</p><p>• Disponibilidade ilimitada.</p><p>Marítimo</p><p>• Maior capacidade de carga;</p><p>• Alta eficiência energética;</p><p>• Transporta qualquer tipo de carga;</p><p>13</p><p>• Menor custo de transporte.</p><p>4.2 Desvantagens</p><p>Hidroviário</p><p>• Baixa velocidade;</p><p>• Capacidade de transporte variável em função do nível das águas;</p><p>• Rotas fixas;</p><p>• Necessidade de altos investimentos em regularização de leitos de alguns</p><p>trechos de rios.</p><p>Marítimo</p><p>• Necessidade de transbordo nos portos;</p><p>• Distância dos centros de produção;</p><p>• Maior exigência de embalagens;</p><p>• Menor flexibilidade nos serviços;</p><p>• Frequentes congestionamentos nos portos.</p><p>TEMA 5 – MULTIMODALIDADE NO TRANSPORTE DE CARGAS</p><p>Ao estudarmos a importância da multimodalidade para o transporte de</p><p>cargas, primeiramente devemos perceber a diferença entre intermodalidade e</p><p>multimodalidade, conforme propõem Pereira et al. (2013).</p><p>O primeiro conceito, também conhecido como transporte segmentado,</p><p>apresenta diferenciação com relação à multimodalidade pela característica</p><p>documental. Isso significa que, ao utilizar mais de um tipo de modo de</p><p>deslocamento, faz-se uso também de uma documentação diferente para cada</p><p>modal; cada um é responsável pelo próprio transporte e pelo frete relacionado ao</p><p>trajeto utilizado.</p><p>Já a multimodalidade possui relação com a impossibilidade de se utilizar</p><p>apenas um meio de deslocamento, e é necessário fazer o uso de mais de um</p><p>modal. O transporte multimodal pode ser efetuado internamente em território</p><p>nacional ou até mesmo internacionalmente, quando há necessidade de se</p><p>importarem ou exportarem produtos. Diferentemente da intermodalidade, aqui a</p><p>responsabilidade sobre a mercadoria transportada é de um único transportador</p><p>ou operador, o qual possui a obrigação de entrega dos bens em local e data</p><p>14</p><p>predeterminados, fazendo o uso de um documento de transporte único – contrato</p><p>único. Esse fato – a obrigação atrelada a um único transportador com documento</p><p>único – é vista no ramo da logística como uma vantagem.</p><p>15</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>CNT – Confederação Nacional do Transporte. Relatório Gerencial. Anuário do</p><p>Transporte. 2013 Brasília. Disponível em:</p><p><http://anuariodotransporte.cnt.org.br/2016/ www.cnt.gov.br>. Acesso em: 17 dez.</p><p>2019.</p><p>DNIT – Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes. Nomenclatura</p><p>das rodovias federais. 2009. Disponível em:</p><p><http://www.dnit.gov.br/rodovias/rodovias-federais/nomeclatura-das-rodovias-</p><p>federais>. Acesso em 17 dez. 2019.</p><p>______. Plano Nacional de Viação. 2011.</p><p>HAY, W. W. An Introduction to Transportation Engineering. New York: John</p><p>Wiley & Sons, 1961.</p><p>MANHEIM, M. L. FUNDAMENTALS OF TRANSPORTATION SYSTEMS</p><p>ANALYSIS. 2. edition. CAMBRIDGE, Massachussets: The MIT Press, 1979.</p><p>MORLOK, E. K. Introduction to Transportation Engineering and Planning.</p><p>New York: McGraw Hill Book Co., 1978.</p><p>PEREIRA, D. M. et al. Apostila de Sistemas de Transportes. Departamento de</p><p>Transportes. Curitiba: Universidade Federal do Paraná, 2013.</p><p>PORTO, T. G. Ferrovias. Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, São</p><p>Paulo, 2004.</p><p>RODRIGUES, P. R. A. Introdução aos sistemas de transporte no Brasil e à</p><p>logística internacional. 4. ed. São Paulo: Aduaneiras, 2007.</p><p>http://www.dnit.gov.br/rodovias/rodovias-federais/nomeclatura-das-rodovias-federais</p><p>http://www.dnit.gov.br/rodovias/rodovias-federais/nomeclatura-das-rodovias-federais</p>