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INTRODUÇÃO AO ESTUDO DE DIREITO 
 
FUNDAMENTOS DO DIREITO 
 
• Direito e Realidade 
 
Podemos considerar o Direito como um produto da vida em sociedade, 
cujo objetivo é a pacificação social. Para isto, é necessário considerar e 
distinguir a realidade de duas formas: natural e cultural. 
 
a. Realidade natural é tudo que nos foi dado. Tem sua existência 
independente de qualquer atividade humana. São leis sem valores, 
meramente indicativas, como as leis da física e da matemática. São, por 
tanto, regidas pelo princípio da causalidade nada ocorre por acaso na 
natureza, tudo possui uma causa determinante. 
 
b. Realidade cultural é tudo aquilo construído pelo homem com o passar 
do tempo. É aqui onde se situa o Direito: a análise da realidade 
humano-cultural-histórica. O homem é produtor de leis culturais, que 
ganham contornos imperativos: 
I) o homem deve ser honesto; II) Não se deve matar uma pessoa; 
III) filhos devem cuidar de seus pais e vice-versa; 
IV) o devedor deve pagar ao seu credor. 
 
CONCEITO DE DIREITO 
 
Direito pode ser conceituado em duas formas: 
a. Conjunto de normas/leis estabelecidas por um poder soberano, que 
disciplinam a vida social de um povo" (Dicionário Aurélio). Este conceito 
se alinha ao idealizado por Hans Kelsen, que considerava o direito como 
um conjunto de normas (direito posto positivado) escritas em 
determinado ordenamento. 
 
b) Um processo de adaptação social, onde se estabelecem regras de 
conduta. A incidência independe da adesão das pessoas interessadas 
(Pontes de Miranda). O Direito está, portanto, em função da sociedade: 
"Onde há homem, há sociedade; onde há sociedade, há direito; Logo, 
onde há homem, há direito. 
 
FINALIDADE DO DIREITO. 
Para Paulo Nader, " Direto está em função da vida social. A sua finalidade 
é as pessoas e os grupos sociais, que surgem das bênçãos do progresso 
da sociedade. O fim do Delta, manter a ordenação harness Individuais e 
coloribilitar uma coexistência harmônica, pack promissor. 
 
Sendo o direito um instrumento de pacificação social, seu objetivo é 
assegurar um amplo e pacífico relacionamento entre pessoas e grupos 
sociais, conservando a ordem e alinhando interesses individuais e 
coletivos. 
 
Assim, temos as seguintes acepções: 
● Direito justo: designa certo e errado; 
● Dogmática jurídica: interpreta sistematiza as normas Jurídicas de 
um país; 
● Direito positivo e natural: aquele previsto em normas e aquele que 
decorre da natureza 
 
Direito como instrumento de controle social: bem comum e paz 
social. 
Para compreender a aplicação do Direito enquanto ferramenta de controle 
social, é importante observar que Moral, Religião, Regras de Etiqueta e 
próprio Direito são processos que visam controlar a sociedade, cada qual 
à sua forma e maneira. Vejamos: 
 
a. Moral: construção de normas morais baseadas em valores de uma 
sociedade. Sugerem condutas de um determinado grupo. 
 
b. Religião: construção de normas religiosas baseadas em preceitos 
religiosos. Sugerem condutas alinhadas à 
 
c. Regras de Etiqueta: construção de normas de trato social que sugerem 
condutas como etiqueta, moda e convenções. 
 
d. Direito: construção de normas jurídicas de força coercitiva, ou seja, 
possuem força de coação e sanção: 
 
Antes de inaugurar a discussão acerca da dogmática e seus conceitos, é 
importante estabelecer a diferença entre dogmática e zetética. 
 
Dogmática: análise partindo de um pressuposto inegável, preocupando-se 
com seu curso de ação. É um dever-ser e quais decisões decorrem, 
portanto, deste ponto. E, assim, um mandamento de otimização da lei. 
Ex: Como interpretar uma lei? 
 
Zetética: um questionamento abstrato, não se extraem dúvidas não 
comprováveis. É um ser de algo, do que este algo é. Ex.: qual a utilidade 
de uma lei? 
 
Direito Natural (ou jusnaturalismo) 
 
Prevê a existência de um direito cujo conteúdo é estabelecido pela própria 
natureza, ou seja, válido em todo lugar. Não é escrito, não é criado pela 
sociedade ou pelo Estado: é um direito que decorre da própria 
natureza do homem, resultado da experiência e razão. Possui diversas 
origens: 
 
a. Para os helenistas, da natureza cósmica, 
b. Para teólogos medievais, de Deus 
c. Para racionalistas, da razão humana, 
d. Atualmente, a doutrina majoritária entende como aquele que decorre 
da natureza humana. 
 
Direito natural é aquele que se compõe de principios inerentes à própria 
essência humana e servem de fundamento ao Direito Positiva: "o bem 
deve ser feito", "não lesar a outrem", "dar a cada um o que é seu", 
"respeitar a personalidade do próximo", "as leis da natureza", etc. É 
legítimo, tem raízes e decorre da própria vida. É um pressuposto do que é 
correta justo, bom 
 
São universais, imutáveis e seu conhecimento decorre da razão do 
homem. 
 
 
Direito Positivo (ou juspositivismo): 
É um conjunto de normas juridicas escritas é não escritas, vigentes 
dentro de determinado território. Também há o direito positivo 
internacional, nas relações entre Estados. 
 
O direito positivo é um esquema de segurança jurídica que se consolida 
após o século XIX. É um conjunto de princípios e regras que regem a vida 
social do povo. É institucionalizado pelo Estado, são normas jurídicas de 
determinado país. 
 
O positivismo jurídico é um movimento que criou barreiras aos arbítrios 
de reis absolutistas, A lei, a partir da Constituição Francesa de 1971 e da 
Constituição do Estados Unidos de 1787 se consolida como única fonte a 
legitimar a limitação dos seus direitos. Somente a lei válida poderia impor 
obrigações aos cidadãos. 
 
No positivismo, a lei tem destaque total. A sociedade necessitava afastar 
a abertura do sistema jurídica aos valores jusnaturais, vez que muitas 
atrocidades eram legitimadas em nome do Direito Natural 
 
PÓS-POSITIVISMO 
 
O pós-positivismo leva em consideração princípios e valores para 
determinar a interpretação legal. 
 
O pós-positivismo não nega o positivismo, mas vai além, reconciliando 
Direito e moral. Vale lembrar ainda que os princípios ganham grande 
destaque, indo além de soluções para vácuo legal mas fazendo parte da 
própria legislação. 
 
Esta fase do Direito tem como principal a distinção entre regras e 
princípios, amplamente estudados por Ronald Dworkin e Robert Alexy, 
onde são desenvolvidas teorias para interpretação, aplicação e solução de 
conflitos entre regras e princípios. 
 
TEORIA DA NORMA E DO ORDENAMENTO JURÍDICO 
 
TEORIA TRIDIMENSIONAL 
 
Miguel Reale procurou conciliar as três principais escolas de interpretação 
do Direito: 
 
● a normativista, com enfoque no caráter normativo do direito; 
● a sociologista, com enfoque nos fatos e contextos; 
● e a moralista, com enfoque nos valores (axiologia) do direito. 
 
✓ Para Miguel Reale, as três visões estão corretas. O erro de sua 
aplicação repousa justamente em crer que há uma exclusividade de uma 
em relação à outra, na tentativa de excluir ou diminuir a importância das 
demais. 
 
✓A Teoria Tridimensional prega a interpretação do direito sob três óticas 
simultâneas e complementares a normativa, a fática e a axiológica. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
NORMAS: Regras e princípios são espécies de normas. Normas, conforme 
Humberto Ávila, são os sentidos construídos a partir da interpretação 
sistemática de textos normativos. 
 
● Princípios : são normas que ordenam a realização de algo na 
medida do possível, dentro das possibilidades jurídicas e reais 
existentes. Trata-se de um "mandado de otimização". Os princípios 
apresentam um grau de generalidade mais alto que as regras, ou 
seja, representam um "dever ser” 
 
● Regras: são normas que podem ou não ser cumpridas. Se uma 
regra é válida, logo deverá fazer exatamente o que ela diz. 
Utilizamos a técnica do tudo ou nada proposta por Ronald Dworkin. 
 
 FONTES 
Fontes do Direito: fonte do Direito é de onde provém o direito, a origem, 
nascente, motivação, a causa das várias manifestações do direito. 
 
Miguel Reale (2003): Fontes do Direito são "processos ou meiosem 
virtude dos quais as regras jurídicas se positivam com legítima força 
obrigatória". 
 
Hans Kelsen (2009): é "o fundamento de validade da norma jurídica, 
decorre de uma norma superior, válida." 
 
Fontes: 
• Histórica 
• Material 
• Formal 
 
Fontes Formais: 
Direta 
● Lei 
● Precedentes 
Indireta 
● Analogia 
● Costumes 
● Princípios Gerais 
● Doutrina 
● Jurisprudência 
● Equidade 
● Negócios jurídicos 
 
 
INTERPRETAÇÃO DAS NORMAS JURÍDICAS 
 
Interpretação, segundo Canfão (2015), "é examinar ou fixar o sentido de 
um texto escrito ou teor de um texto legal para que dele se tenha sua 
exata significação ou sentido." 
 
A hermenêutica pode ser entendida como o estudo da teoria ou da arte 
da interpretação. 
 
Métodos: 
● Gramatical 
● Sistemático 
● Histórico 
● Teleológico 
● Sociológico 
● Analogia 
● Costume 
 
TEORIA DAS RELAÇÕES JURÍDICAS 
 
Conceito: A relação Jurídica é uma relação social especial que estabelece 
uma correlatividade entre os direitos e poderes, obrigações e deveres. E 
ela é especial porque nasce de um fato jurídico garantido quanto aos seus 
efeitos que emanam do texto legal. 
 
Para Miguel Reale "Relação Jurídica seriam relações sociais postas por si 
mesmas, apenas reconhecidas pelo Estado, com a finalidade de 
protegê-las." 
 
Elementos da relação jurídica: 
● Sujeitos: poderão ser pessoas físicas, como também pessoas 
jurídicas. Chamam-se de sujeitos passivos aqueles que lhe é 
atribuído o dever ou obrigação e sujeitos ativos aqueles que 
atribuem o direito ou poder respectivamente. 
 
● Liame: "objeto" o qual somente se dá pela existência de uma 
finalidade. Seria um vínculo jurídico alicerçado a alguém, um objeto 
ou algo. 
 
● Fonte: fato jurídico em si. Nascer, morrer, vender, comprar, adquirir. 
 
TEMAS APROFUNDADOS EM RELAÇÕES JURÍDICAS 
 
A expressão "sujeito de direito" equivale à pessoa. O sujeito dos direitos e 
dos deveres jurídicos chama-se pessoa. "Pessoas são todos os seres 
capazes de adquirir direito e contrair obrigações", define o CC argentino 
 
O direito admite duas espécies fundamentais de pessoas: físicas e 
jurídicas. 
 
FATO JURÍDICO 
 
Fato jurídico: todo e qualquer fato, de ordem física ou social, inserido em 
uma estrutura normativa; 
 
Fato é a dimensão essencial do direito. O direito nasce do fato e ao fato 
se destina, obedecendo sempre a certas medidas de valor 
consubstanciado na norma; 
 
Fato jurídico é todo e qualquer fato que, na ida social, venha a 
corresponder ao modelo de comportamento ou de organização 
configurado por uma ou mais normas de direito; 
 
Fato pode constituir, extinguir ou modificar um fato jurídico. 
 
Segundo a definição de Savigny, fatos jurídicos são os acontecimentos em 
virtude do qual as relações de direito nascem, transformam-se e 
terminam. 
Nesse caso, fato jurídico abrange: 
• Fatos naturais 
• Atos jurídicos 
• Unilaterais 
• Bilaterais 
• Solenes 
• Não-solenes 
• Inter-vivos 
• Causa Mortis 
 
✓Ordinários 
● Morte 
● Nascimento 
 
✓Extraordinários (imprevisíveis) 
● Fortuito: Inevitável, estranho à vontade: terremoto, tempestade, 
naufrágio. 
 
● Força maior: Imprevisível e resulta de fato alheio que não se pode 
contrapor: guerra, falecimento de pessoa próxima, desapropriação. 
 
 
Continue estudando... 
 
Confira, abaixo, maneiras de se aprofundar nos assuntos da aula de hoje! 
 
https://www.unimep.br/phpg/mostraacademica/anais/4mostra/pdfs/145.
pdf 
 
https://www.ufsj.edu.br/portal2-repositorio/File/revistaestudosfilosoficos/
art14%20rev14.pdf 
 
https://www2.senado.leg.br/bdsf/bitstream/handle/id/242864/000910 
796.pdf

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