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Módulo 1: 9ª e 10ª Semanas
Prof. Luiz Teves
luizteves@souunisuam.com.br
ABR/2025
(3ªC)
PONTOS DAS AULAS
1. Mundo de Normas.
2. Funções do Direito.
3. Direito e Moral.
4. Ciência do Direito: Zetética e Dogmática.
5. Teoria da Norma.
UAs – 9ª SEMANA
1.Relação entre sociedade, Direito e Estado.
2.Ciência do direito.
3.Origens e funções do Direito.
4.Normas jurídicas e evolução social.
UAs – 10ª SEMANA
1.Atributos, classificações e dimensões
das normas jurídicas.
2.Norma jurídica.
3.Eficácia social e jurídica.
QUESTÕES FUNDAMENTAIS
O mundo normativo e o Direito:
entre o ser e o dever-ser.
Quais são as funções do Direito?
Direito e Moral.
Identificar os campos de estudo
sobre o Direito.
Ciência do Direito: entre as
Teorias Zetética e Dogmática.
MUNDO DE
NORMAS
MUNDO NORMATIVO
MUNDO DE NORMAS
• A vida como experiência normativa,
composta por diferentes normas de
conduta que se sobrepõem (religiosa,
moral, etiqueta etc.), sendo o direito a
parte mais visível e notável.
• Norberto Bobbio: “a nossa vida se
desenvolve em um mundo de normas.
acreditamos que somos livres, mas na
realidade, estamos envoltos em uma
rede muito espessa de regras de
conduta que, desde o nosso
nascimento até a morte, dirigem
nesta ou naquela direção as nossas
ações”.
• DESCRIÇÃO.
• Como são os comportamentos de
fato: o que acontece no mundo, as
condutas e os fenômenos.
• Nesse campo, a Sociologia e a
Antropologia se debruçam para
descrever o funcionamento
concreto da sociedade.
• Por exemplo, as condutas
concretas, como as pessoas
efetivamente agem.
• PRESCRIÇÃO.
• A realidade projetada pelas
normas.
• Aquilo que a norma projeta para o
futuro. O comportamento a ser
obedecido (constrange a
obediência pela sanção).
• Pode ser uma norma moral, uma
jurídica ou mesmo de etiqueta:
todas se projetam e dizem como
devemos nos comportar.
SER DEVER-SER
DOIS PONTOS DE VISTA DIFERENTES
• Como as pessoas agem
efetivamente em sociedade.
• Quando há uma ação social,
quando agimos perante
outras pessoas, acabamos
entrando no mundo das
normas, do dever-ser.
• De alguma forma, qualquer
conduta em sociedade é
moldada por uma norma.
• Influencia como as pessoas se
comportam (fato social).
• Religião: valorização dos
hábitos da vida religiosa,
sacerdócio etc.
• Moral: fazer o que é certo.
• Etiqueta: ser respeitoso à mesa.
• Moda: vestir-se da forma
socialmente aceita.
• Direito: mas, o que ele é?
SER DEVER-SER
DOIS PONTOS DE VISTA DIFERENTES
DIREITO E
SUAS FUNÇÕES
O QUE É O DIREITO?
SIGNIFICADOS POSSÍVEIS
1. Pode ser lei, como regra social
obrigatória.
2. Pode ser o justo: "fazer o que é direito".
3. Sistema jurídico: civil ou common law.
4. Pode ser o que o sujeito acredita ser sua
prerrogativa: “eu tenho direito a...”.
5. Pode ser o comportamento social
regrado: como obedecemos e o
Judiciário funciona.
6. Como norma jurídica ou ramo:
conjunto de atos que compõem o
sistema jurídico.
7. Pode ser abordado como ciência, como
uma área de estudos.
DIREITO COMO PRERROGATIVA:
CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR
Art. 18. Os fornecedores de produtos de consumo duráveis ou não duráveis
respondem solidariamente pelos vícios de qualidade ou quantidade que os tornem
impróprios ou inadequados ao consumo (...) ou lhes diminuam o valor, assim
como por aqueles decorrentes da disparidade, com a indicações constantes do
recipiente (...), podendo o consumidor exigir a substituição das partes viciadas.
§ 1° Não sendo o vício sanado no prazo máximo de trinta dias, pode o consumidor
exigir, alternativamente e à sua escolha:
I - a substituição do produto por outro da mesma espécie, em perfeitas condições
de uso;
II - a restituição imediata da quantia paga, monetariamente atualizada, sem
prejuízo de eventuais perdas e danos;
III - o abatimento proporcional do preço.
O QUE É O DIREITO?
COMO NORMA JURÍDICA
Direito como conjunto de normas
jurídicas derivadas de autoridades
competentes (Poder Executivo ou
Legislativo):
1. Constituição Federal e Estadual
2. Emenda constitucional
3. Lei federal, estadual, municipal
4. Lei orgânica
5. Lei complementar e ordinária
6. Medida provisória
7. Decreto e decreto-lei (LINDB)
8. Portaria
9. Resolução
O QUE É O DIREITO?
COMO RAMOS DO DIREITO
• Direito Público
1. Constitucional;
2. Administrativo;
3. Tributário;
4. Penal;
5. Previdenciário;
6. Internacional Público.
• Direito Privado
1. Civil;
2. Empresarial;
3. Trabalho;
4. Internacional Privado.
FUNÇÕES DO DIREITO
LIMITADOR
• ubi societas, ibi jus: onde está a
sociedade, está o Direito. O
Direito apenas surge da sociedade
e a sociedade precisa sempre de
um Direito.
• Norberto Bobbio acaba
reforçando o senso comum do
Direito como a limite: como
conjunto de regras que garante a
convivência social graças ao
estabelecimento de limites à ação
de cada um dos seus membros.
NORBERTO BOBBIO –
DIREITO COMO LIMITE
As barragens são as regras de conduta (dentre as
quais, as jurídicas) que detiveram a corrente das
paixões, dos interesses, dos instintos, dentro de
certos limites, e que permitiram a formação
daquelas sociedades estáveis, com as suas
instituições e com os seus ordenamentos, que
chamamos de “civilização”.
FUNÇÕES DO DIREITO
LIMITADOR
• Separação entre aqueles que
agem de acordo com o Direito,
sendo corretos, e quem não o faz,
os errados.
• Mas, o Direito não é apenas
comando que impõe limites,
como uma ferramenta apenas
para a paz.
• O Direito não pode ser visto como
apenas um Código Penal amplo,
um código que proíbe certas
condutas com alguma pena.
FUNÇÕES DO DIREITO
PROTETOR
• Pode ser percebido como uma
criação social de regras de convívio
que promovem um valor importante
para a sociedade.
• Exemplo: a promoção do equilíbrio
social, do bem-estar, saúde, do meio
ambiente, a moradia etc. De uma
forma geral, podemos pensar nos
Direito Sociais e de Fraternidade.
• Direito passa a ser um manto
protetor de organização do
comportamento social, que
qualifica o que é importante.
FUNÇÕES DO DIREITO
PROTETOR
• Escolhemos aquilo que queremos
tratar como jurídico (manto), na
medida em que é importante para a
sociedade, para limitar, mas
também para proteger e valorizar.
• Exemplo: o médico quando receita,
pratica um ato de ciência, mas
também um ato jurídico, pois
precisa ter a profissão e diploma
reconhecidos por lei.
• Exemplo: quem paga a passagem de
transporte, realiza um contrato, que
tem direitos e garantias (empresa).
DIREITO E MORAL
MORAL E ÉTICA
MORAL
• São regras de avaliação de
condutas, juízos que realizamos
sobre outras pessoas, com base
em um código ou conjunto de
valores.
• “Ele mentiu para você” e “ele é
uma pessoa ruim por mentir”. Os
dois dizem algo sobre outra
pessoa, mas um descreve um fato
e o outro faz um juízo de valor,
identificando o bom e o ruim, o
certo e o errado no outro.
MORAL E ÉTICA
MORAL
• Esses valores são aqueles
compartilhados pelos indivíduos,
servindo para organizar a
sociedade. Funcionam como um
critério regulador da nossa
conduta.
• A moral não pode ser confundida
com a regra de moda, pois se
relaciona com a identificação do
que a pessoa e a sociedade
consideram como um bem,
constituindo o que chamamos de
caráter (ser moral).
DIREITO E MORAL
DIFERENÇAS
• É apresentada a partir de dicotomias:
1) Interioridade X Exterioridade: diz
respeito ao modo de avaliação das
ações.
2) Autonomia X Heteronomia: questão da
fonte da determinação ou imposição
normativa.
3) Incoercibilidade X Coercibilidade:
questão do poder coercitivo, de fazer
uso da força para exigir o cumprimento
da regra.
4) Unilateralidade X Bilateralidade: diz
respeito à estrutura vinculativa (um
indivíduo ou uma relação).
CIÊNCIA DO
DIREITO
ESTUDOS NO DIREITO
1. Direito como fenômeno cultural: estuda
como resultado da complexidade do
convívio humano (Competência I).
2. Direito e linguagem: estuda o papel da
linguagemno campo (sua face prescritiva
e descritiva).
3. Direito e ética: destaca a interrelação
entre o campo da moral e a codificação
jurídica, se há contágio e em qual medida.
4. Direito e poder: recorta o papel do Estado
frente à sociedade, seu monopólio do uso
da força e as relações para dentro e para
fora.
5. Direito e política: a divisão dos poderes, os
sistemas de freios e contrapesos, a
superfície de contato entre sociedade e
Estado.
CIÊNCIA DO DIREITO
DOIS PONTOS DE VISTA
• Teoria Dogmática: desenvolver-se a
partir de dogmas, com certas
premissas sendo inquestionáveis.
• Inquestionáveis e irrefutáveis porque
dotadas de uma autoridade. A religião
tem dogmas porque envolve a crença
ou fé inquestionáveis em suas ideias
fundamentais: a de que Deus existe,
por exemplo.
• No caso do Direito, podemos estudar e
aplicar determinados conceitos e leis
como dogmas, tornando-os um objeto
de análise, mas sem qualquer
possibilidade de questionamento ou
modificação.
CIÊNCIA DO DIREITO
DOIS PONTOS DE VISTA
• Teoria Zetética: tem por finalidade
estudar o Direito sem considerar
qualquer dogma.
• Parte da necessidade de fundamentar
o conhecimento na evidência, na
pesquisa empírica ou teórica que se
organiza a partir de premissas sempre
questionáveis.
• Contato com outras áreas: filosofia,
economia, sociologia, história etc.
• Toda a pesquisa jurídica que não parta
da verdade do Direito e de suas leis,
pode ser identificada com uma
perspectiva zetética.
CIÊNCIA DO DIREITO
DOIS PONTOS DE VISTA
• 1º Exemplo: uma lei de condomínio
nova que proíbe animais domésticos.
• Zetética: qual a necessidade dessa lei?
Ela é justa em termos de liberdade das
pessoas? Podemos pesquisar aqueles
que pensam contra os animais,
entender o seu raciocínio etc.
• Dogmática: não adianta questionar a
lei, devemos pensar sua interpretação,
aplicação e possíveis lacunas: fere
outra norma, mesmo jurídica (Direito
Civil)? Trata-se de qualquer animal ou
apenas aqueles que perturbam
(peixes)? E aqueles que já possuíam
animais, o que fazer?
CIÊNCIA DO DIREITO
DOIS PONTOS DE VISTA
• 2º Exemplo: Constituição F. de 1988.
• Zetético: entender qual filosofia
revestiu seus princípios, qual a
dimensão do custo econômico de seus
direitos, quais movimentos sociais
deram origem aos seus direitos etc.
• Dogmático: parte do fato
inquestionável de que a Constituição é
aquela escrita e que as decisões
judiciais são realizadas com base nela
(princípio da legalidade).
• O conhecimento dogmático surge para
suprimir incertezas no funcionamento
do Direito. Mas, não há uma linha
divisória radical, as duas coexistem.
• Significa pesquisar ou perquirir.
• Dissolve todo ponto de partida,
para pesquisar a partir de
evidências: questões infinitas.
• Acentua a pergunta diante de um
problema: os elementos da questão
são analisados.
• Questiona o ser das coisas.
• Concentra na produção de
evidências sólidas para o
conhecimento (subtração de
dúvidas sucessivas).
• Significa ensinar ou doutrinar.
• Parte de verdades inquestionáveis,
dogmas, para construir uma
pesquisa.
• Acentua a resposta diante de um
problema: os elementos da questão
são inquestionáveis.
• Já parte do dever-ser disposto.
• Concentra em resolver as
incertezas para possibilitar uma
decisão ou orientar uma ação: trata
de questões finitas.
ZETÉTICA DOGMÁTICA
DUAS CIÊNCIAS DO DIREITO
HERMENÊUTICA
OU TEORIA DA
INTERPRETAÇÃO
DA DECISÃO OU TEORIA
DA ARGUMENTAÇÃO
JURÍDICA
ANALÍTICA OU
TEORIA DA NORMA
DOGMÁTICA
JURÍDICA
TEORIA DA
NORMA
ESTUDO DA NORMA
PERCURSO
• Podemos estudar a norma jurídica de
maneira isolada (célula do corpo).
Entender o que compreende, como
ela carrega uma sanção, como ela
possui como característica um
elemento hipotético etc.
• Também podemos estudar a norma
inserida em um conjunto de outras
normas (relação entre as células em
um corpo). Tal conjunto é chamado
no Direito de ordenamento jurídico
ou sistema jurídico.
• Estudaremos primeiro a norma
jurídica e suas três perspectivas.
Depois, o ordenamento jurídico.
SANÇÃO
DEFINIÇÃO
• Todas as regras são formuladas
para serem cumpridas, sejam
quais forem: religiosas, morais,
jurídicas, de etiqueta etc.
• Não existe regra que não implique
um desejo de ser obedecida, de que
o comportamento desejado (dever-
ser) seja efetivamente realizado.
• É o que as distinguem de meras
expectativas ou promessas.
• Sanção é, então, todo e qualquer
processo de garantia daquilo que
se determina em uma regra.
SANÇÃO
MORAL E DIREITO
• São tão variadas quanto os tipos de
regras possíveis. Por exemplo, a
sanção moral envolve:
A.Remorso ou exame de consciência
pesado (de foro íntimo);
B. Crítica, condenação, opinião
contrária (sanção externa).
• O Direito também possui as suas,
impondo algo penoso ou um prêmio
(desconto por pagamento antecipado):
A.Pecuniária ou financeira (civil);
B. Privativa de liberdade ou
restritiva de direito (limitação de
fim de semana, de dirigir, serviços
etc.).
SANÇÃO JURÍDICA
ESPÉCIE DA SANÇÃO GERAL
• O fenômeno jurídico representa uma
forma de organização da sanção.
• A sanção é o gênero do qual a sanção
jurídica é a espécie.
• O que a caracteriza é a sua
predeterminação e organização
(escrita e clara), contendo o monopólio
do uso da força pelo Estado (coerção).
• Exemplo: matar alguém é um ato que
fere tanto um mandamento religioso e
moral, como um dispositivo penal. A
diferença está em que, no plano
jurídico, a sociedade se organiza contra
o homicida, através do aparelho
judiciário e policial.
COERÇÃO
DEFINIÇÃO
Coação é um termo técnico
empregado pelos juristas com duas
acepções diferentes:
a) Aplicação da força organizada
para fins do direito: normas
jurídicas visam a preservar o
convívio, não podem ficar à mercê
da boa vontade. "Vale-se do
veneno da força para impedir que
ela triunfe".
b) Violência física ou psíquica feita
contra uma pessoa ou grupo que,
quando contrária ao direito, torna
anulável um ato jurídico ou
implica em um crime.
VIOLÊNCIA
CÓDIGO CIVIL
ART. 104. A validade do negócio jurídico
requer: I - agente capaz; II - objeto lícito,
possível, determinado ou determinável;
III - forma prescrita ou não defesa em lei.
ART. 151. A coação, para viciar a
declaração da vontade, há de ser tal que
incuta ao paciente fundado temor de
dano iminente e considerável à sua
pessoa, à sua família, ou aos seus bens.
CÓDIGO PENAL
Art. 22. Se o fato é cometido sob coação
irresistível ou em estrita obediência a
ordem, não manifestamente ilegal, de
superior hierárquico, só é punível o autor
da coação ou da ordem.
DIFERENÇA DO DIREITO
HETERONOMIA
• As normas jurídicas são postas pelo
legislador, juízes etc. Podemos criticá-las,
não concordar com elas, mas somos
obrigados a obedecê-las, pois valem
objetivamente e de forma transpessoal.
COERCIBILIDADE
• Como vimos, no mundo da moral há uma
dimensão de conduta espontânea, por mais
que haja uma sanção. Espera-se que a
pessoa seja boa. A moral é incoercível.
• Diferente é o direito: é coercível.
• Entretanto, se o que o distingue é a
coercibilidade, o direito é apenas força?
("Teoria da coação"). Qual a diferença do
Estado para um bando armado? Não há
consenso político no Direito?
NORMA JURÍDICA
A norma jurídica pode ser
reduzida a um juízo ou
proposição hipotética:
elenca-se um fato (F) ligado
a uma consequência (C).
Dispõe “Se F é, deve ser C”.
Ou seja, a regra do direito
tem uma previsão genérica
de um fato e, em caso de sua
ocorrência, uma
consequência. Trata-se da
formulação de um
enunciado normativo.
Então, temos o fato-tipo,
que é um fato passível de
ocorrer no futuro
(abstrato), que o direito
vem a recortar.
A previsão de uma consequência, que no direito
será chamada de sanção, indica o desejo social de
que aquele comportamento ou conduta humana
seja obedecido, seguidode fato em sociedade.
E, a esse fato, corresponde
uma consequência.
Atribui-se a esse fato um
efeito jurídico.
Todo fato recortado pelo
direito é jurídico, mas
nem todo acontecimento
do mundo é jurídico.
NORMA JURÍDICA
EXEMPLOS
O Código Penal é repleto de
normas jurídicas de condutas
abstratas e genéricas.
Artigo 121 (Homicídio simples)
Matar alguém:
Pena – reclusão, de seis a vinte
anos.
Artigo 129 (Lesão Corporal)
Ofender a integridade corporal
ou saúde de outrem:
Pena – detenção, de três meses
a um ano.
SUBSUNÇÃO
Um determinado evento
acontece no mundo
(situação fática) e entra
em conflito com a norma.
Exemplo: alguém matou
outra pessoa.
O papel do operador surge
nesse momento: a sanção
jurídica é sempre
mediada. A relação entre
a norma e a situação
conflitiva ou a conduta
proibida é estabelecida
por um procedimento.
Nessas normas de conduta, o procedimento é a
realização da aproximação do caso à norma, a
subsunção: incluir uma coisa em algo maior, o
caso exposto em uma fato-tipo abstrato. São
processos de ligações e diferenciações (lego).
NORMA OU
VALIDADE
VALOR OU
JUSTIÇA
FATO OU
EFICÁCIA
ÁREAS DA
NORMA JURÍDICA
ESTUDOS DA NJ
NORBERTO BOBBIO
• Podemos estudar a norma:
1. Pela sua justiça: se a norma é
justa ou injusta;
2. Pela sua validade: se a norma é
válida ou inválida;
3. Pela sua eficácia: se a norma é
eficaz ou ineficaz.
• Cada uma dessas perspectivas surgiu
em um determinado momento
histórico e implicou uma maneira de
perceber o fenômeno jurídico.
• O desenvolvimento da Teoria do
Direito passa por elas, com os seus
movimentos exclusivos (1ª análise) e,
depois, certas misturas (2ª análise).
NJ APENAS PELA JUSTIÇA
DIREITO NATURAL
• O Direito Natural ou jusnaturalismo
adquire força no momento da
formação do Estado Moderno.
• Era uma importante fonte de crítica
aos abusos cometidos por parte do
poder político (Estado Absolutista).
• Pergunta fundamental: como o Direito
deve ser?
• Definição geral: conjunto de leis de
ordem superior que supostamente
fundamenta a validade do Direito
Positivo.
• Origem: uma ordem divina (por
revelação: teológico) ou uma ordem
humana (pela razão: antropológico).
NJ APENAS PELA JUSTIÇA
DIREITO NATURAL
• Reduz-se, então, a existência da
norma jurídica a uma questão de
equivalência ao Direito Natural.
• Foi importante para se opor ao
ordenamento dos reis que não
reconheciam a primeira geração de
direitos, aqueles de Liberdade.
• Entretanto, depois de positivados, o
discurso sobre a necessidade de
reconhecer o Direito Natural se
transformou.
• Passou-se a desconsiderar a
necessidade do Direto Natural, uma
vez que as suas leis já constavam no
Direito Positivo (DDHC).
Gustav Radbruch
Quando uma lei nega conscientemente a vontade de justiça,
por exemplo concede arbitrariamente ou refuta os direitos
do homem, carece de validade (...) até mesmo os juristas
devem encontrar coragem para refutar-lhe o caráter
jurídico (...). Onde a justiça não é nem mesmo perseguida,
onde a igualdade, que constitui o núcleo da justiça, é
conscientemente negada em nome do direito positivo, a lei
não somente é direito injusto como carece em geral de
juridicidade.
SERÁ QUE NÃO HÁ UMA RELAÇÃO
ENTRE DIREITO E MORAL?
DEVEMOS OBEDIÊNCIA A UM
DIREITO IMORAL?
QUAL A RELAÇÃO ENTRE DIREITO
E JUSTIÇA?
LEIS DE JIM CROW
No fim da Guerra Civil nos
EUA (1865), foram
promulgadas Emendas à
Constituição dando fim à
escravatura no país.
Chamadas de leis de Jim Crow, eram leis que impunham
uma separação de corpos e de espaços na sociedade
americana. Os estabelecimentos eram diferenciados
entre aqueles para brancos e para “coloridos”. Quem
desrespeitasse não era atendido e poderia até ser
expulso do estabelecimento.
Em 1896, o caso chegou à Suprema Corte (Plessy
vs. Ferguson). Mas, tais leis foram mantidas pela
criação da doutrina legal "separados, mas iguais".
Apenas em 1960, um novo precedente surge e
outras leis são criadas (Civil Rights Act of 1964 e
Voting Rights Act of 1965).
Afirmou-se a igualdade na
cidadania e a proibição de
distinção no direito ao voto
pela cor da pele. Entretanto,
isso não evitou a criação de
leis raciais entre 1870 e 1960
em muitos estados do sul
dos EUA (tensão da guerra
que vai para o direito).
NJ APENAS PELA VALIDADE
POSITIVISMO JURÍDICO
• Entre o Estado Liberal e o Estado
Social (séculos XIX e XX), surgiu essa
nova Teoria do Direito.
• Ao invés de olhar como o Direito
deveria ser, algo que seus defensores
viam como subjetivo (vai de cada um),
propunham considerar Direito aquilo
que é emanado do Estado.
• Definição geral: é Direito apena o
ordenamento jurídico vigente em
certo Estado, que o dota de coerção.
• Então, aquilo que constitui o Direito é
a sua validade. Ela decorre do
ordenamento jurídico como um todo,
conforme veremos.
NJ APENAS PELA VALIDADE
VALIDADE
• Para que a norma exista, é necessário
ter validade: ser criada por um órgão
legítimo e competente, em respeito ao
procedimento legal previsto para sua
elaboração em uma norma superior.
• Órgão legítimo e competente + devido
processo = norma válida.
• Aquele que produziu a norma tinha
alguma autoridade conferida pelo
ordenamento? Ele tinha a capacidade
dada por uma lei ou pela Constituição
para promulgar tal matéria?
• Não obedecemos da mesma forma a
ordem de um fiscal e de um bandido
quando pedem dinheiro (validade).
Constituição Federal de 1988
Art. 22. Compete privativamente à União legislar sobre:
I - direito civil, comercial, penal, processual, eleitoral, agrário,
marítimo, aeronáutico, espacial e do trabalho;
IV - águas, energia, informática, telecomunicações e radiodifusão;
VI - sistema monetário e de medidas, títulos e garantias dos metais;
VII - política de crédito, câmbio, seguros e transferência de valores;
VIII - comércio exterior e interestadual;
IX - diretrizes da política nacional de transportes;
XI - trânsito e transporte;
XIII - nacionalidade, cidadania e naturalização;
Constituição Federal de 1988
Art. 48. Cabe ao Congresso Nacional, com a sanção do Presidente da
República, não exigida esta para o especificado nos arts. 49, 51 e 52,
dispor sobre todas as matérias de competência da União,
especialmente sobre:
I - sistema tributário, arrecadação e distribuição de rendas;
III - fixação e modificação do efetivo das Forças Armadas;
IV - planos e programas nacionais, regionais e setoriais de
desenvolvimento;
V - limites do território nacional, espaço aéreo e marítimo e bens do
domínio da União;
HANS KELSEN
TEORIA PURA DO DIREITO
• Teoria Pura do Direito era o nome da
sua principal obra. Kelsen foi um
importante pilar do movimento do
Positivismo Jurídico.
• O autor propôs uma forma de estudar o
Direito de forma “pura”, sem se guiar
pelo que o Direito deveria ser.
• Tal seria o papel da ciência do direito:
estudar as normas (objeto privilegiado)
de forma neutra (mesmo impulso da
formação da sociologia com Comte).
• Uma Teoria Pura destituída do estudo
da moral, da justiça (jusnaturalismo) e
da política: juízo de validade das
normas, não de valor.
HANS KELSEN
TEORIA PURA DO DIREITO
• Exemplo: as leis de nazistas. A conduta
prescrita não deve ser julgada pelo
cientista. Apenas será avaliado se a
norma integra corretamente o
Ordenamento do Estado.
• Faz-se um juízo (avaliação) de validade.
Não se olhar o conteúdo da norma.
Tudo pode ser jurídico, depende do
critério adotado por cada Estado.
• Pergunta fundamental: como podemos
identificar algo como jurídico se
existem tanto tipos de Direito?
• Assim, confere um enfoque ao aspecto
formal, extraindo os elementos
constantes na forma do Direito.
HANS KELSEN
ORDENAMENTO (NJ) + COERÇÃO
• Ao estudar a forma da norma, Kelsen
destaca a norma jurídica como norma
de conduta: fato-tipo + sanção. Mas, o
que a diferencia da moral?
• São dois os elementos fundamentais do
Direitopara Kelsen: se a norma tem
validade decorrente do Ordenamento
(autoridade dada por uma norma
superior) e se possui coercibilidade
(força do Estado para garantir a
obediência).
• Assim, para Kelsen e o positivismo,
podemos identificar o Direito quando
estamos diante de uma norma
integrada em um Ordenamento e que
possui coerção do Estado.
HANS KELSEN
Há mais de duas décadas que empreendi desenvolver uma teoria
jurídica pura, isto é, purificada de toda a ideologia política e de
todos os elementos de ciência natural, uma teoria jurídica
consciente da sua especificidade porque consciente da legalidade
específica do seu objeto. Logo, desde o começo foi meu intento
elevar o estudo do Direito (...) à altura de uma genuína ciência, de
uma ciência do espírito. Importava explicar (...) as suas tendências
exclusivamente dirigidas ao conhecimento do Direito, e aproximar
tanto quanto possível os seus resultados do ideal de toda a ciência:
objetividade e exatidão.
NJ PELA EFICÁCIA
REALISMO JURÍDICO
• Trata-se de uma Teoria do Direito que
surgiu ao longo do século XIX,
principalmente nos EUA, e que
criticava as duas outras Teorias.
• Para essa Teoria, o que importa não é
se o Direito é justo ou se ele é válido.
Tais posições focam no aspecto ideal
ou formal (ordenamento).
• O contraste entre o Jusnaturalismo e o
Juspositivismo é entre o direito justo e
o válido.
• Definição geral: para o Realismo, as
duas posições focam no direito que é
imposto, quando a questão seria focar
no direito efetivamente aplicado.
NJ PELA EFICÁCIA
REALISMO JURÍDICO
• O positivismo jurídico acaba por focar
demais na figura do legislador: quem
possui a competência para editar a lei.
• O Realismo focará no Judiciário, na
atuação de fato dos juízes. Não por
menos, será em um país de tradição da
common law (jurisprudência).
• Assim, não existe um Direito objetivo
do qual se realiza a subsunção. O
Direito é a contínua criação dos juízes
no ato de decidir um caso.
• O Direito de fato é aquele produzido
pelas sentenças, o juiz atualiza o tempo
todo o Direito diante do caso concreto
(juiz-sociólogo).
ESTUDOS RECENTES
TRÊS TEORIAS DO SÉCULO XX
• Após a 2ª Guerra Mundial,
questionamentos foram feitos
sobre a separação radical entre
Direito e Moral ou Justiça.
• Além disso, novas teorias
surgiram sobre o espaço da
eficácia das normas.
• Podemos citar três:
Neoconstitucionalismo;
Análise Econômica do Direito
(AED);
Teoria Tridimensional do
Direito.
ESTUDOS RECENTES
TRÊS TEORIAS DO SÉCULO XX
• Neoconstitucionalismo: por entre o
jusnaturalismo e o juspositivismo
nasceu o chamado pós-positivismo.
Tratava-se de reconhecer a presença e
eficácia dos valores já positivados no
Direito, principalmente na
Constituição (Direitos Fundamentais).
Surgiu toda uma nova Teoria da
Constituição e ferramentas para
interpretação de tais princípios
(ponderação e não mais subsunção).
• AED: usar das teorias
comportamentais econômicas para
pensar o Direito. Como pensar e
calcular o interesse na obediência de
fato das leis e o custo do Direito.
TEORIA TRIDIMENSIONAL
MIGUEL REALE
• Autor brasileiro, ele elaborou três
críticas ao positivismo jurídico de
Hans Kelsen:
1. Direito não tem apenas norma
de conduta (possui normas de
organização);
2. Direito não é apenas coerção
(bilateralidade atributiva);
3. Direito não é apenas norma,
também carrega fato e valor
(Tridimensional).
TIPOS DE NORMAS
NORMAS DE ORGANIZAÇÃO
• Mas será que existem apenas
normas prescritivas e coercitivas
relacionadas aos comportamentos?
• A restrição de Kelsen a essas
normas não dava conta das normas
que dispunham sobre a organização
dos poderes do Estado, as que
estruturam órgãos e distribuem
competências e atribuições.
• Reale então divide as normas em
duas espécies: as primárias, que são
as normas de conduta; secundárias,
as normas de organização do
próprio Estado.
Constituição Federal de 1988
Art. 18. A organização político-administrativa da República
Federativa do Brasil compreende a União, os Estados, o Distrito
Federal e os Municípios, todos autônomos, nos termos desta
Constituição.
Art. 21. Compete à União: I - manter relações com Estados
estrangeiros e participar de organizações internacionais; II -
declarar a guerra e celebrar a paz; III - assegurar a defesa
nacional; VII - emitir moeda; X - manter o serviço postal e o
correio aéreo nacional (...).
ALÉM DA COERÇÃO
BILATERALIDADE
• Antes de ser só coerção, Reale
ressalta a bilateralidade atributiva:
“quando duas ou mais pessoas se
relacionam segundo uma proporção
objetiva que as autoriza a pretender
ou a fazer garantidamente algo".
• É a dimensão intersubjetiva do
direito: direito apenas existe na
relação, que seja objetiva (não
redutível unilateralmente a um dos
polos) e que implica uma ação ou
pretensão garantida entre as duas
partes, podendo se estender a
terceiros. É o que impede o direito de
ser arbitrário (esmola x serviço).
TEORIA TRIDIMENSIONAL
1. FENÔMENO JURÍDICO
• Onde quer que haja um fenômeno jurídico, há,
sempre e necessariamente: um fato subjacente
(fato econômico, geográfico, demográfico, de
ordem técnica etc.); um valor, que confere
determinada significação a esse fato, inclinando
ou determinando a ação dos homens no sentido
de atingir ou preservar certa finalidade ou
objetivo; e, finalmente, uma norma, que
representa a relação ou medida que integra um
daqueles elementos ao outro, o fato ao valor.
3. CAMPOS DE ESTUDO
• O Direito, enquanto fato, é a realidade concreta,
os aspectos sociais e históricos que cercam o
mundo jurídico (Sociologia); o Direito, enquanto
valor, é a busca constante pelos seus
fundamentos, a ideia de Justiça (Filosofia); o
Direito, enquanto norma, é o Ordenamento
Jurídico, forma de controle social (Ciência).
2. COEXISTÊNCIA
• Tais elementos não existem separados
uns dos outros mas coexistem numa
unidade concreta. E, não só exigem
reciprocidade, mas atuam como elos de
um processo de tal modo que a vida do
direito resulta na interação dinâmica dos
três elementos que a integram.
FATO
VALOR NORMA
DIREITO
NOMOGÊNESE
Criação de uma norma: o direito
sempre se atualiza como fato, valor
e norma. Integra uma classe de
fatos a uma ordem de valores a
partir de uma estrutura normativa.
Acontecimento que pode ser social,
cultural etc. Esse fato gera
repercussão na sociedade, gera
valores novos sobre ele.
FATO
Cada sociedade possui os seus,
mudando com o tempo, novos
fatos implicam mudanças.
VALOR
Criada pelo Estado, sendo a mesma
para toda sociedade, se ela muda, o
fato também muda.
NORMA
EXPOSIÇÃO DE MOTIVOS -
LEI MARIA DA PENHA (2006)
O projeto delimita o atendimento às mulheres vítimas de violência
doméstica e familiar, por entender que a lógica da hierarquia de
poder em nossa sociedade não privilegia as mulheres. Assim,
busca atender aos princípios de ação afirmativa que têm por
objetivo implementar “ações direcionadas a segmentos sociais,
historicamente discriminados (...), dando a estes grupos um
tratamento diferenciado que possibilite compensar as
desvantagens sociais oriundas da situação de discriminação e
exclusão a que foram expostas”.
EXPOSIÇÃO DE MOTIVOS -
LEI MARIA DA PENHA (2006)
As iniciativas de ações afirmativas visam “corrigir a defasagem
entre o ideal igualitário predominante e/ou legitimado nas
sociedades democráticas modernas e um sistema de relações
sociais marcado pela desigualdade e hierarquia”. A necessidade de
se criar uma legislação que coíba a violência doméstica e familiar
contra a mulher, prevista tanto na Constituição como nos tratados
internacionais dos quais o Brasil é signatário, é reforçada pelos
dados que comprovam sua ocorrência no cotidiano da mulher
brasileira.
EXPOSIÇÃO DE MOTIVOS -
LEI DO FEMINICÍDIO (2015)
A importância de tipificar o feminicídio é reconhecer, na forma da
lei, que mulheres estão sendo mortaspela razão de serem
mulheres, expondo a fratura da desigualdade de gênero que
persiste em nossa sociedade, e é social, por combater a
impunidade, evitando que feminicidas sejam beneficiados por
intepretações jurídicas anacrônicas e moralmente inaceitáveis,
como o de terem cometido “crime passional”. Envia, outrossim,
mensagem positiva à sociedade de que o direito à vida é universal
e de que não haverá impunidade.
EXPOSIÇÃO DE MOTIVOS -
LEI HENRY BOREL (2022)
Caso da Lei: O menino Henry Borel, de quatro anos de idade, foi
assassinado em 2021 no Rio de Janeiro, por sua mãe e pelo
padrasto. O caso ocorreu depois de muitas outras mortes torpes de
crianças por seus responsáveis, como aquelas da Isabella Nardoni
(2008) e de Bernardo Boldrini (2014).
Exposição de Motivos: "Estabelece medidas protetivas específicas
para crianças e adolescentes vítimas de violência doméstica e
familiar e considera crime hediondo o assassinato de menores de
14 anos".
OAB 2024
A regra da igualdade não consiste senão em quinhoar desigualmente aos
desiguais, na medida em que se desigualam. [...] Tratar com desigualdade a iguais,
ou a desiguais com igualdade, seria desigualdade f lagrante, e não igualdade real.
Rui Barbosa. Oração aos moços.
É comum encontrar frases de Rui Barbosa reproduzidas em sentenças, petições,
sustentações orais ou mesmo estampadas em escritórios de advocacia ou gabinetes de
juízes. O trecho acima é uma das frases mais conhecidas de Rui Barbosa. A ideia central
contida no trecho citado tem clara inspiração em:
a) República, de Platão.
b) Ética a Nicômaco, de Aristóteles.
c) Crítica da Razão Prática, de Kant.
d) Teoria Pura do Direito, de Kelsen.
OAB 2024 - XLI
OAB 2024 - XLI
A obra de Hans Kelsen é de fundamental importância para o Direito e segue estudada e
discutida até os dias atuais. Acerca de sua Teoria Pura do Direito, assinale a afirmativa
correta.
a) O autor nega a inf luência e a conexão entre Sociologia, Ética e Política com o Direito, de
modo que apenas ignorando essas disciplinas seria possível construir uma teoria
verdadeiramente pura.
b) A pureza a que o autor alude possui sentido metodológico, diferenciando Direito da
Ciência do Direito, a fim de excluir de sua análise tudo aquilo que não pertença ao seu
objeto de estudo.
c) Em sua obra Teoria Pura do Direito, Kelsen trata de ciência jurídica e não política do
Direito, motivo pelo qual busca responder como deve ser o Direito e como ele deve ser feito.
d) A conexão entre o Direito e os elementos essenciais à sua compreensão, como a Teoria
Política, motivou Kelsen a incorporar esses elementos na elaboração da Teoria Pura do
Direito, pois indissociáveis.
OAB 2024 - XL
Uma norma jurídica não vale porque tem um determinado conteúdo... (Hans
Kelsen)
O que faz uma norma jurídica ser válida é tema central para a teoria e a Filosofia do
Direito. Segundo o Normativismo Jurídico de Hans Kelsen, conforme apresentado em
seu livro Teoria Pura do Direito, a validade da norma jurídica recai logicamente sobre
uma categoria que é o ponto de partida do processo de criação do direito positivo.
Assinale a opção que apresenta essa categoria:
a) O legislador democrático.
b) A soberania popular.
c) A norma fundamental pressuposta.
d) O direito das gentes.
OAB 2023 - XXXIX
O Código Civil de Napoleão, de 1804, representou um momento de grande expectativa e
confiança nos poderes da lei escrita. Nesse contexto, surge um importante movimento no
Direito, chamado “Escola da Exegese”. Assinale a opção que, segundo Miguel Reale em seu
livro Lições Preliminares do Direito, define este movimento:
a) A afirmação de que a lei é uma realidade histórica, que se situa na progressão do tempo e,
por isso, deve ser interpretada segundo as tradições e o próprio espírito do povo.
b) A crença de que a lei é importante, mas se não corresponder mais aos fatos
supervenientes, deve-se procurar a solução em outras fontes, como o costume, por exemplo.
c) A concepção segundo a qual cabe ao juiz julgar segundo os ditames da ciência e de sua
consciência, de forma a prevalecer um direito justo, seja na falta da lei, seja contra aquilo
que dispõe a lei.
d) A sustentação de que na lei positiva, e de maneira especial no Código Civil, já se encontra
a possibilidade de uma solução para todos os eventuais casos ou ocorrências da vida social.
OAB 2022 - XXXVI
“O problema da eficácia nos leva ao terreno da aplicação das normas jurídicas, que é o terreno
dos comportamentos efetivos dos homens que vivem em sociedade...” Norberto Bobbio
Norberto Bobbio, em seu livro Teoria da Norma Jurídica, ao tratar dos critérios de valoração da norma
jurídica, fala de três critérios possíveis: justiça, validade e eficácia. Com relação ao critério da eficácia
na obra em referência, assinale a afirmativa correta:
a) Relaciona-se ao problema da interdependência necessária entre os critérios, isto é, para que uma
regra seja eficaz, ela deve também ser válida e ser justa.
b) Diz respeito ao problema de uma norma ser ou não seguida pelas pessoas a quem é dirigida e, no caso
de violação, ser imposta por via coercitiva pela autoridade que a evocou.
c) Trata-se do problema da correspondência ou não da norma aos valores últimos ou finais que
inspiram um determinado ordenamento jurídico, expressos pelo legislador de maneira mais ou menos
explícita.
d) Refere-se ao problema da existência da regra enquanto tal e se resolve com um juízo de fato, isto é,
trata-se de constatar se uma regra assim determinada pertence ou não a um ordenamento jurídico.
OAB 2022 - XXXV
É possível que, diante de um caso concreto, seja aceitável a aplicação tanto de uma lei geral
quanto de uma lei especial. Isso, segundo Norberto Bobbio, em seu livro Teoria do
Ordenamento Jurídico, caracteriza uma situação de antinomia.
Assinale a opção que, segundo o autor na obra em referência, apresenta a solução que deve
ser adotada.
a) Deve ser feita uma ponderação de princípios entre a lei geral e a lei especial, de forma que
a lei que se revelar menos razoável seja revogada.
b) Deve prevalecer a lei especial sobre a lei geral, de forma que a lei geral seja derrogada,
isto é, caia parcialmente.
c) Deve ser verificada a data de edição de ambas as leis, pois, nesse tipo de conf lito entre lei
geral e lei especial, deve prevalecer aquela que for posterior.
d) Deve prevalecer a lei geral sobre a lei especial, pois essa prevalência da lei geral é um
momento ineliminável de desenvolvimento de um ordenamento jurídico.
OAB 2021 - XXXIII
Norberto Bobbio, em seu livro Teoria da Norma Jurídica, considera a sanção uma das mais
significativas características da norma jurídica. Ele diferencia a sanção jurídica da sanção
moral e da sanção social, pelo fato de a sanção jurídica ser institucionalizada. Assinale a opção
que, segundo Bobbio na obra em referência, expressa as características da sanção
institucionalizada.
a) A sanção que obriga a consciência dos destinatários da norma e que produz um sentimento de
culpa, que é a consequência negativa ou desagradável decorrente da eventual violação da norma.
b) A sanção que resulta dos costumes e da vida em sociedade em geral, e que possui como fim
tornar mais fácil ou menos difícil a convivência social.
c) A sanção que foi feita para os casos de violação de uma regra primária e que tem sua medida
estabelecida dentro de certos termos, para ser executada por pessoas previamente
determinadas.
d) A sanção instituída pelo direito natural e que decorre da natureza mesma das coisas, da
vontade de Deus e da razão humana.
OAB 2021 - XXXII
Miguel Reale, ao tratar do tema da validade da norma jurídica em seu livro Lições Preliminares de
Direito, fala de uma dimensão denominada por ele validade social ou, ainda, eficácia ou
efetividade. Segundo Reale, a eficácia seria a regra jurídica enquanto momento da conduta
humana. Com base no livro em referência, assinale a opção que apresenta a ideia de eficácia ou
efetividade danorma jurídica.
a) Executoriedade compulsória de uma regra de direito, por haver preenchido os requisitos
essenciais à sua feitura ou elaboração.
b) Obediência das normas jurídicas às determinações formais e materiais da Constituição Federal,
sem o que uma norma jurídica não teria capacidade de produzir efeitos.
c) O fundamento da norma jurídica, isto é, o valor ou o fim objetivado pela regra de direito; a razão
de ser da norma, pois é impossível conceber uma regra jurídica desvinculada de sua finalidade.
d) A norma em sua dimensão experimental, pois se refere ao cumprimento efetivo do direito por
parte de uma sociedade ou, ainda, aos efeitos sociais que uma regra suscita por meio de seu
cumprimento.
Módulo 1: 9ª e 10ª Semanas
PONTOS DAS AULAS
UAs – 9ª SEMANA
UAs – 10ª SEMANA
QUESTÕES FUNDAMENTAIS
MUNDO DE NORMAS
MUNDO NORMATIVO
SER
SER
DIREITO E �SUAS FUNÇÕES
O QUE É O DIREITO?
Número do slide 12
O QUE É O DIREITO?
O QUE É O DIREITO?
FUNÇÕES DO DIREITO
Número do slide 16
FUNÇÕES DO DIREITO
FUNÇÕES DO DIREITO
FUNÇÕES DO DIREITO
DIREITO E MORAL
MORAL E ÉTICA
MORAL E ÉTICA
DIREITO E MORAL
CIÊNCIA DO DIREITO
ESTUDOS NO DIREITO
CIÊNCIA DO DIREITO
CIÊNCIA DO DIREITO
CIÊNCIA DO DIREITO
CIÊNCIA DO DIREITO
ZETÉTICA
ANALÍTICA OU TEORIA DA NORMA
TEORIA DA NORMA
ESTUDO DA NORMA
SANÇÃO
SANÇÃO
SANÇÃO JURÍDICA
COERÇÃO
VIOLÊNCIA
DIFERENÇA DO DIREITO
Número do slide 40
Número do slide 41
Número do slide 42
Número do slide 43
FATO OU EFICÁCIA
ESTUDOS DA NJ
NJ APENAS PELA JUSTIÇA
NJ APENAS PELA JUSTIÇA
Número do slide 48
SERÁ QUE NÃO HÁ UMA RELAÇÃO ENTRE DIREITO E MORAL?��DEVEMOS OBEDIÊNCIA A UM DIREITO IMORAL?��QUAL A RELAÇÃO ENTRE DIREITO E JUSTIÇA?
Número do slide 50
NJ APENAS PELA VALIDADE
NJ APENAS PELA VALIDADE
Número do slide 53
Número do slide 54
HANS KELSEN
HANS KELSEN
HANS KELSEN
Número do slide 58
Número do slide 59
NJ PELA EFICÁCIA
NJ PELA EFICÁCIA
ESTUDOS RECENTES
ESTUDOS RECENTES
TEORIA TRIDIMENSIONAL
TIPOS DE NORMAS
Número do slide 66
ALÉM DA COERÇÃO
TEORIA TRIDIMENSIONAL
Número do slide 69
Número do slide 70
Número do slide 71
Número do slide 72
Número do slide 73
Número do slide 74
Número do slide 75
Número do slide 76
Número do slide 77
Número do slide 78
Número do slide 79
Número do slide 80
Número do slide 81
Número do slide 82