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QUADRO HISTÓRICO-
INSTITUCIONAL E PERSPECTIVAS
DO MODELO DIFUSIONISTA À AÇÃO 
CONSTRUTIVISTA DA EXTENSÃO 
RURAL
A trajetória da extensão rural no Brasil
 70 anos
 necessidade de compreender as transformações no enfoque adotado
pela extensão rural durante diferentes períodos
Extensão rural se divide em 4 grandes fases
1. Fase Pioneira; 
2. Difusionista--Produtivista; 
3. Crise da Extensão Rural; 
4. Ressurgimento.
A fase pioneira (1948-1964)
2 experiências pioneiras implantadas, em 1948
“Associação de Crédito e Assistência Rural” (ACAR) em MG
Nelson Rockefeller
“American International Association for 
Economic and Social Development” 
(AIA, 1946-1968) 
Criação do serviço de extensão 
rural no Brasil
A 1ª delas é o que se convencionou chamar “humanista-assistencialista”
4 grandes etapas ou fases
Ordem técnica (agronômica) e esfera doméstica
Agrônomos
Insumos modernos
extensionista mulheres (pedagogia, economia doméstica)
Aspectos ligados à puericultura (cuidado das crianças), melhoria
das condições dos lares (água, construção de fossa séptica,
etc.), proteção de nascentes e acesso à água potável, combate a
verminoses e doenças endêmicas.
Juscelino Kubitschek
Surgimento das diversas ACAR nos estados brasileiros.
Associação Sulina de Crédito e Assistência Rural-
ASCAR (RS,1955)
Associação de Crédito e Assistência Rural do Paraná -
ACARPA (1956)
Associação de Crédito e Assistência Rural do Estado de 
Santa Catarina – ACARESC (1956)
Associação Brasileira de Assistência Técnica e Extensão Rural-
ABCAR (1956)
Fonte: Acervo fotográfico EMATER/RS-ASCAR
“um extensionista, 
uma extensionista, um jipe” 
Jipes construídos nos 
EUA durante a II 
Guerra mundial
Associação Sulina de Crédito e Assistência Rural- ASCAR (RS,1955)
Associação de Crédito e Assistência Rural do Paraná -
ACARPA (1956)
Associação de Crédito e Assistência Rural do Estado de Santa 
Catarina – ACARESC (1956)
O que elas tem em comum?
A extensão rural converte-se numa agência responsável por trabalhar em 
favor do que se veio a chamar “crédito rural supervisionado”
A extensão rural enfrentava diversos problemas no começo dos anos 1960 
na operacionalização do crédito
Fraca capilaridade da rede bancária, a falta de estrutura administrativa
para operar, a baixa qualificação profissional dos bancários, a insuficiência
de recursos, a falta de documentação por parte dos produtores e a
excessiva burocracia para registro dos contratos nos cartórios
(SOUZA e CAUME, 2008: 5)
Que condições teriam os pequenos proprietários de acessar as novas
tecnologias e os recursos financeiros sem oferecer as garantias exigidas
pelos bancos?
Nascia no interior de Pernambuco um dos mais importantes movimentos 
sociais rurais do Brasil, o qual se espalha pelo nordeste do país.
Extinção dos cruéis sistemas de exploração da mão de obra rural, mas 
também pela reforma agrária
A fase Difusionista-Produtivista (1964-1989)
Segunda metade dos anos 1960 vive um período de grande efervescência 
política
25 de agosto de 1961, renuncia ao cargo de presidente da república. 
As forças conservadoras tentam 
impedir a posse do vice-presidente, 
João Goulart 
Liderança indiscutível do Partido Trabalhista Brasileiro, agremiação política
cuja atuação foi responsável pelas mais importantes conquistas dos
trabalhadores do país, incluindo a Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT).
Leonel de Moura Brizola, Governado do RS
comanda, de dentro do Palácio Piratini, a chamada
“Rede da Legalidade”, uma iniciativa que congregava
a população gaúcha e brasileira (estudantes, donas
de casa, professores, agricultores, etc.) para a
defesa da Constituição no sentido de assegurar o
direito a que o vice-presidente eleito pudesse
assumir suas funções, no estrito cumprimento da lei
e da vontade popular.
A mobilização por ele liderada, a partir do uso das rádios gaúchas (Guaíba,
Piratini) e do clamor popular, fez com que o III Exército, comandado à
época pelo General José Machado Lopes, declinasse.
1963, após a realização de um plebiscito, o
povo decide rechaçar esse regime,
escolhendo o presidencialismo.
Agências de desenvolvimento, organizações sociais e forças progressistas
defendiam a tese que o país só poderia se desenvolver caso realizasse as
chamadas “reformas de base”, ou seja, mudanças estruturais que
alterassem o quadro de desigualdade e de estagnação econômica.
No dia 13 de março de 1964, na Central do Brasil, centro do Rio de Janeiro, 
Jango realiza seu último encontro com as massas, proferindo um acalorado 
discurso para cerca de 300 mil pessoas.
Compromisso de realizar as reformas de base,
incluindo uma reforma agrária nas terras públicas
que margeavam as rodovias federais
Golpe militar no dia 31 
de março de 1964
1965, em pleno regime militar, através da Lei nº 4.829, é institucionalizado 
o Sistema Nacional de Crédito Rural (SNCR)
ponto de virada para uma nova fase da extensão rural
Fase Difusionista-produtivista
Auge da extensão rural no Brasil
expansão horizontal e vertical
instalação desse serviço 
nas diversas unidades da 
federação
Aporte substancial de recursos que a
extensão rural irá receber e da criação de
estruturas de governança em nível federa
1ª 2ª
Importância da extensão rural enquanto
instrumento de afirmação de um projeto
levado a cabo pelo Estado autoritário.
 1960
Um aumento impressionante da produção agropecuária nos países
capitalistas centrais (EUA e Europa)
Isso se deu a partir do uso de sementes melhoradas (sobretudo híbridas) e
da expansão no consumo dos insumos industriais (fertilizantes, agrotóxicos),
da mecanização intensiva e do aperfeiçoamento dos sistemas de drenagem
e irrigação.
É na década de 70, alcançam a
periferia do capitalismo, incluindo,
sobretudo, a América Latina, Ásia e
Oceania.
 Brasil
Nosso país vive os efeitos do que se conhece na literatura
nacional como a “modernização conservadora”, período
compreendido entre as décadas de 1960 e 1980.
Transição de um Brasil agrário e rural para um Brasil cada vez mais urbano e 
industrial
o Estado foi o grande indutor das mudanças operadas na agricultura brasileira
queremos aqui destacar o enorme peso do Governo na destinação de um volume
impressionante de recursos disponibilizados através do crédito agrícola subsidiado
ou subvencionado.
culturas destinadas à exportação (soja, algodão, cana de açúcar, etc.) ou
a outros cultivos considerados estratégicos (arroz, milho, trigo)
A ação da extensão rural é eminentemente voltada a difundir os
insumos modernos, ou seja, as tecnologias da revolução verde,
centradas no incremento da produtividade da terra e do trabalho
“Difusionista-produtivista” da extensão rural
As questões sociais e ligadas às formas de organização do que hoje
denominamos agricultores familiares eram totalmente negligenciadas em
nome do objetivo de difundir as novas tecnologias.
Impacto do modelo Difusionista-produtivista.
Arenização, assoreamento dos rios, destruição de nascentes e 
desaparecimento de muitas espécies nativas (flora e fauna)
 1970
1973
EMBRATER (1975)
Esforço de construção de um sistema 
unificado de pesquisa tecnológica
Construir um sistema centralizado e
unificado para operar a política de
extensão em todo o território nacional
ACAR se convertem em EMATER
o serviço de extensão rural
alcançava cerca de 80% dos
municípios brasileiros
Grandes escândalos financeiros
A crise da extensão rural (1989-1994)
Extinção EMBRATER
União transfere aos estados e municípios a
tarefa de financiar, os serviços de ATER.
eixo sul-sudeste, 
continua funcionando
maior parte dos estados do norte e 
nordeste tem-se o sucateamento dos 
serviços de ATER e o cessamento dessas 
atividades, trazendo enormes prejuízos 
para os agricultores familiares e para a 
economia regional.
O extesionismo brasileiro vive um processo de reflexão denominam de 
“repensar da extensão rural”. 
Transpareceo entendimento de que a extensão rural não 
trabalhou em favor das necessidades das pessoas, mas a 
serviço do capital, das grandes corporações nacionais e 
estrangeiras
A crise da extensão é, portanto, uma crise filosófica, conceitual.
Paulo Freire, o maior expoente da educação brasileira, 
que, em obra intitulada “Comunicação ou Extensão?”
A assistência técnica, na qual se pratica a capacitação, para ser
verdadeira, só pode realizar-se na práxis. Na ação e na reflexão. Na
compreensão crítica das implicações da própria técnica. A
capacitação técnica, que não é adestramento animal, jamais pode
estar dissociada das condições existenciais dos camponeses, de sua
visão cultural, de suas crenças. Deve partir do nível em que eles se
encontram, e não daquele em que o agrônomo julgue deveriam estar
(FREIRE, 1983: 62).
1990
surgimento da primeira iniciativa de política de crédito destinada ao setor familiar da
agricultura brasileira.
Itamar Franco
Programa de Valorização da Pequena Propriedade Rural-
PROVAP 
O ressurgimento de uma política estatal de Extensão Rural (1994-20??)
Apoio a agricultura familiar
 2004 é aprovada a Política Nacional de Assistência Técnica e 
Extensão Rural (PNATER)
Estabelece que a extensão rural esteja voltada
prioritariamente para agricultores familiares,
assentados, quilombolas, pescadores artesanais e
povos indígenas.
Orientar-se para a inclusão social da população rural mais pobre,
tendo por base o respeito à pluralidade e às diversidades sociais,
econômicas, étnicas, culturais e ambientais do país
DO MODELO DIFUSIONISTA À 
AÇÃO CONSTRUTIVISTA DA 
EXTENSÃO RURAL
INTRODUÇÃO
 Visou promover a melhoria da produção e produtividade
de médios e grandes agricultores, com base na adoção de
tecnologias modernas;
 Ação extensionista dirigida especialmente para a
elaboração e acompanhamento de projetos de crédito
relacionados a produtos específicos;
 Ênfase na mudança tecnológica, sem considerar as
estruturas econômicas e sociais; (RODRIGUES, 1997)
 Interação técnico – agricultor tratada como uma relação
sujeito – objeto (BRASIL, 2010).
Modelo Difusionista
Considera que o desenvolvimento rural ocorre quando se introduzem e são
difundidas entre os agricultores novas ideias, de maior eficiência produtiva, e
estes efetivamente as adotam.
Objetivos do difusionismo:
 Reduzir o tempo entre o lançamento de uma inovação pela pesquisa e a
sua adoção generalizada pelos agricultores;
 Busca desenvolver nos agricultores as qualidades de inovação, inclinação
para o risco e racionalidade técnica e econômica;
 A unidade de programação é o produto e a mensagem transmitida
enfatiza sempre uma tecnologia que permita aumentar a produção e a
produtividade deste produto.
PESQUISA 
BASICA
PESQUISA 
APLICADA
DIFUSÃO 
PLANEJADA
EXTESIONISTAS
RURAIS
INFORMAÇÕES
AGRICOLAS
ADOÇÃO PELOS 
AGRICULTORES 
INOVADORES
IMITAÇÃO POR 
OUTROS
Extensionista Inovadores Adotadores iniciais
Maioria inicialMaioria tardiaRetardatários
A maneira preconizada para atingir o maior número de produtores era:
 A utilização intensa dos líderes naturais;
 O trabalho com base em grupos instrumentais (Conselhos de
desenvolvimento agrícola, clube de mães, de jovens).
Modelo dos pacotes 
Na América latina estes fatores não estavam facilmente ao alcance da
grande maioria dos produtores, por isso o Modelo Difusionista não teria
sido bem sucedido.
Em função deste problema, o Modelo dos Pacotes, propõe que além de
difundir um pacote de técnicas, deveria ser colocado ao alcance do
produtor um pacote de serviços.
Sistema de produção*: é a combinação dos fatores
terra, capital, mão-de-obra, administração adequada e
tecnologia, em um estabelecimento agrícola.
Esta estratégia integrada combinava:
➢ o uso de meios de comunicação de massa;
➢ programas de crédito com recursos maciços;
➢ melhoria nas condições de comercialização;
➢ estabelecimento de preços mínimos;
➢ criação de agências de coordenação;
➢ e o envolvimento de lideranças políticas.
(BORDENAVE, 1985)
EXTENSÃO RURAL: CONCEITOS E CARACTERÍSTICAS ATUAIS 
Atualmente o termo extensão rural é utilizado para designar um conjunto
bastante diversificado de atividades que buscam prover informações, difundir
conhecimentos, disseminar técnicas ou tecnologias, viabilizar assistência ou
assessoria, desenvolver capacidades individuais ou coletivas e promover a
articulação entre agentes que buscam realizar objetivos de desenvolvimento
rural
objetivos da ação extensionista são muito amplos
A extensão rural se constitui atualmente como uma prática profissional que visa
proporcionar o estímulo inicial e o apoio contínuo (assistência ou assessoria) a
mudanças para o aprimoramento socioeconômico da atividade agropecuária.
Considerando este vínculo entre a extensão e as necessidades de mudança
social, é necessário considerar que a ação extensionista não é uma atividade
estritamente técnica e politicamente neutra.
Na prática, depende de decisões sobre o tipo de mudança que será
proposto, o tipo de agricultor que será envolvido na ação, o caráter desta
ação – se permitirá a participação efetiva ou terá um caráter centralizado e
coercitivo – o método que possibilitará o alcance dos resultados desejados
etc.
Exemplo: O Estado tem interesse em promover a pecuária leiteira a 
partir de uma noção de “qualidade do leite”
De que modo esta intenção é 
traduzida em um programa local 
ou em uma ação extensionista?
Transferência de tecnologias
por meio de persuasão e
incentivos?
Campanha publicitária?
Ações para capacitação de 
produtores? 
Uso de instrumentos para 
punição dos que não se
adequam às boas práticas?
Incentivos aos que alcançam 
índices de produtividade
(premiação; maior valor ao leite 
que alcançar maior qualidade)?
A extensão rural pode assumir significados e formatos muito diversos, a
depender das intenções do agente que a realiza e dos objetivos de
desenvolvimento que a orienta.
Responder a esta questão – a forma mais adequada 
para viabilizar uma mudança sociotécnica desejada 
Quais seriam as características essenciais da ação extensionista?
Estas características compõem o conjunto de conhecimentos, 
habilidades e competências que permitem a realização eficaz da 
atividade profissional.
O extensionista, em suas relações com os agricultores:
Se comunicar bem e ser capaz de aprender 
(elaborar diagnósticos e análises)
ensinar (viabilizar ambientes de aprendizado
que permitam a concretização das mudanças propostas).
Cada um destes
campos é acionado
pelos extensionistas
para planejar e
estabelecer relações
profissionais com os
agricultores e suas
organizações
A ação extensionista define-se:
Uma prática profissional baseada em campos de
conhecimentos aplicados que, uma vez utilizados,
possibilitam planejar a intervenção e direcionar a
interação com os agricultores para a realização de
objetivos de inovação e mudança social.
Objetivos básicos e inter-relacionados que atualmente compõem as atribuições 
de agentes e organizações que trabalham com extensão rural:
Transferir/difundir ou estabelecer comunicação dialógica acerca de
conhecimentos, técnicas e tecnologias agrícolas objetivando
estimular, favorecer decisões, orientar ou assessorar processos de
inovação sociotécnica;
Promover processos de ensino-aprendizagem junto a agricultores para o
desenvolvimento de capacidades individuais ou coletivas referentes à inovação
sociotécnica introduzida
Prestar serviços de assistência técnica, aconselhamento, consultoria
ou assessoramento aos agricultores, orientando-os tecnicamente e em
suas decisões relativas a mudanças ou inovações sociotécnicas;
Facilitar a articulação política entre atores sociais, intermediando
interesses diversos, negociando conflitos, possibilitando a construção
de consensos e fomentando capacidades de coordenação em ações
coletivas que visam promover desenvolvimentorural.
Sociedades complexas, diversas e conflituosas, as inovações
propostas dificilmente alcançam consenso, e raramente são
postas em prática sem que haja a constituição de redes de
interação, colaboração e suporte, nas quais são tomadas
decisões coletivas e efetiva-se um esforço de representação de
interesses, construção de consensos.
Os objetivos básicos da extensão rural rementem a novas capacidades a 
serem adquiridas pelos agricultores e suas organizações.
OBRIGADA

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