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SOCIOLOGIA E EXTENSÃO RURAL
GRUPO SER EDUCACIONAL 
SOCIOLOGIA E EXTENSÃO RURAL
SOCIOLOGIA E EXTENSÃO RURAL
Vânia de Lourdes Marques
Vânia de Lourdes Marques
Sociologia e 
Extensão Rural
Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida ou
transmitida de qualquer modo ou por qualquer outro meio, eletrônico ou mecânico, incluindo
fotocópia, gravação ou qualquer outro tipo de sistema de armazenamento e transmissão
de informação, sem prévia autorização, por escrito, do Grupo Ser Educacional.
Presidente do Conselho de Administração: Janguiê Diniz
Diretor-presidente: Jânyo Diniz
Diretor de Operações: Adriano Azevedo
Diretor de M&A: Décio Lima
Diretor de CSC: Joaldo Diniz
Diretor Financeiro: João Aguiar
Diretor de Relações com Investidores: Rodrigo Alves
Diretora Acadêmica: Simone Bérgamo
Diretor de Recursos Humanos: Wellington Maciel
Diretora de Marketing: Magaly Marinho
Diretor de EaD: Enzo Moreira
Gerente Acadêmica: Dayanna Ximenes
Gerente de Operações: Maurília Neves
Gerente de Disciplinas On-line: Rita Oliveira
Gerente de Designer Instrucional: Andréa César
Coordenadora de Material Didático de EaD: Manuela Martins
Edição (Design Instrucional): Paula Maria da Silva, Adriana Ferreira, Márcia Gouveia,
Mônica Oliveira e Carlos Mello
Preparação de Originais: Heloisa Brown
Revisão: Márcia Santos, Jacqueline Gutierrez e Ana Lúcia Liberato
Projeto gráfico e diagramação: Sérgio Ramos, Caio Moura, Bruna Amaral
Ilustração: João Henrique Martins
Marques, Vânia de Lourdes
Sociologia e Extensão Rural, Guia de Estudo: Recife: Grupo Ser Educacional, 2019. 
Sociologia e Extensão Rural
ISBN: 9788521636496
Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida ou
transmitida de qualquer modo ou por qualquer outro meio, eletrônico ou mecânico, incluindo
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Mônica Oliveira e Carlos Mello
Preparação de Originais: Heloisa Brown
Revisão: Márcia Santos, Jacqueline Gutierrez e Ana Lúcia Liberato
Projeto gráfico e diagramação: Sérgio Ramos, Caio Moura, Bruna Amaral
Ilustração: João Henrique Martins
Marques, Vânia de Lourdes
Sociologia e Extensão Rural, Guia de Estudo: Recife: Grupo Ser Educacional, 2019.
Sociologia e Extensão Rural
Apresentação do autor
Vânia de Lourdes Marques
D. Sc. Engenharia Civil (Universidade Federal Fluminense/UFF), foco em gestão de 
stakeholders; M. Sc. em Ciência Ambiental (UFF), foco em finanças sustentáveis; pós-
graduação em Gestão Empresarial (FDC) e Gestão de Negócios Sustentáveis (UFF); 
Veterinária (Universidade Federal de Minas Gerais/UFMG). Consultora em gestão para 
a sustentabilidade, relatórios de sustentabilidade e gestão com stakeholders. Professora 
convidada em programas de pós-graduação (especialização, mestrado e doutorado), 
pela UFF/Latec, e instrutora certificada pela Global Reporting Initiative (GRI) para 
relato da sustentabilidade. Desde 2005, é docente e consultora em programas de 
gestão responsável e elaboração de Relatórios de Sustentabilidade. Autora de diversas 
publicações técnicas, didáticas e científicas (livro, capítulo de livro, artigos, manuais etc.). 
Membro da Comissão da ABNT/CEE de Responsabilidade Social/Normas ISO 26000, NBR 
16001 e ISO 37001. Sócia da Vita Consultoria e Assessoria Ltda.
Sumário
Unidade 1 O papel da extensão rural no desenvolvimento 
1.1 Sociologia como base para a extensão rural 
1.2 Fundamentos da extensão rural
1.3 Do modelo difusionista à ação construtivista da extensão rural 
1.4 Quadro histórico-institucional e perspectivas
Unidade 2 Métodos e técnicas de extensão rural 
2.1 Introdução
2.2 Métodos e técnicas de extensão rural: objetivos, vantagens e limitações
2.3 Métodos de alcance individual, grupal e massal 
2.4 Métodos participativos
Unidade 3 Comunicação e organização no meio rural
3.1 Introdução
3.2 Comunicação no meio rural: diferentes universos culturais e suas linguagens
3.3 Organização rural: cooperativas, sindicatos, organizações formais e informais
Unidade 4 Planejamento e execução das atividades extensionistas
4.1 Introdução
4.2 Elaboração de projetos de extensão rural 
4.3 Planejamento, preparação e execução de atividades extensionistas
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Carta de boas-vindas ao estudante
Prezado(a) estudante,
Nesta disciplina, você irá conhecer campos do conhecimento bem diferentes do que está 
habituado(a). Afinal, sociologia e extensão rural são temas complexos e multidisciplinares, 
diferentes da lógica da maioria das disciplinas que você vem estudando, como clínica, 
cirurgia, nutrição animal etc.
Aqui, o desafio é ampliar a sua mente para temáticas que são a base da organização 
e do funcionamento da sociedade e que serão úteis para o seu trabalho, seja como 
extensionista rural, seja em qualquer outro campo profissional da veterinária. Afinal, em 
qualquer deles, você sempre terá que interagir com “gente” em um contexto grupal ou de 
comunidade.
Sendo assim, aproveite para conhecer as abordagens sociológicas da formação da 
sociedade brasileira, mergulhe na história da extensão rural, compreenda como esse 
serviço tão relevante para toda a sociedade está estruturado. E busque os fundamentos 
didáticos, pedagógicos e de comunicação dessa atuação, tão relevantes para qualquer 
trabalho que você venha a desenvolver. 
Não deixe de buscar os métodos e técnicas que poderá usar para construir sua 
metodologia de trabalho e, assim, poder elaborar e implementar projetos que certamente 
irão transformar a vida de tanta gente. Sem contar que, na verdade, o maior valor desse 
aprendizado será revertido para você mesmo, em qualquer atividade que venha a exercer. 
Entenda os conceitos, discuta-os com seus colegas, professores e demais pessoas de 
suas relações. Você irá ver quão rica será essa experiência! Mas também tenha um olhar 
pragmático, buscando, a partir de nossos exemplos e sugestões, formas de aplicação 
prática de todo esse conhecimento.
Pretendemos que, ao final da viagem por esses conteúdos, você seja um autêntico 
extensionista, preparado para atuar sob um novo paradigma, mais participativo e 
respeitoso da cultura e dos saberes dos públicos com os quais irá interagir.
Aproveite a disciplina! Veja o conteúdo que estamos trazendo como ponto de partida e 
avance, explorando as literaturas sugeridas. Busque conteúdos adicionais na internet 
e esteja sempre atento às novidades! Afinal, vivemos em um mundo mutante, e sociologia 
e extensão rural são temas em constante evolução, acompanhando as transformações 
sociais!
Bons estudos!
pragmático, buscando, a partir de nossos exemplos e sugestões, formas de aplicação 
prática de todo esse conhecimento.
Pretendemos que, ao final da viagem por esses conteúdos, você seja um autêntico 
extensionista, preparado para atuar sob um novo paradigma, mais participativo e 
respeitoso da cultura e dos saberes dos públicos com os quais irá interagir.
Aproveite a disciplina! Veja o conteúdo que estamos trazendo como ponto de partida e 
avance,religiosos e 
líderes políticos e sindicais, com a conivência da Justiça.
Segundo o Censo Agropecuário de 1985, 10% dos empreendimentos agropecuários con‑
centravam 80% das terras. Apenas 512 proprietários detinham 62 milhões de hectares, 
área superior a São Paulo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul juntos. Essa concentração 
foi vital para agravar a pobreza. Além de limitar a produção familiar de alimentos, intensi‑
ficou a violência. Mais de 1.200 lavradores foram mortos entre 1964 e 1987, em especial 
na região dos rios Araguaia e Tocantins (“Bico do Papagaio”) e em Minas Gerais e 
São Paulo (DE VITA, 1989).
Na prática
3120
Diante da realidade que vimos até aqui, vamos entender como os lavradores se orga‑
nizam atualmente. Isso será muito útil para o trabalho como extensionista!
l Parceiros – trabalham na terra alheia e entregam parte da produção em 
pagamento.
l Arrendatários – pagam aluguel pela terra que cultivam e lutam para nela se manter.
l Posseiros – lutam para não serem expulsos por grileiros.
l Pequenos proprietários – enfrentam juros altos dos bancos e preços baixos pagos 
pelos intermediários que vendem sua produção. Em geral, seus filhos se tornam 
assalariados ou “sem‑terra”.
l Trabalhadores assalariados – classe social mais numerosa, lutam para melhorar 
seus ganhos, ao mesmo tempo que capital não assegura mercados para sua ex‑
pansão.
l Trabalhadores rurais sem‑terra – a propriedade da terra só é legítima se a mesma 
for trabalhada. Demonstram grande capacidade de luta, com forte resistência dos 
donos de terra. Os primeiros grupos surgiram com o alagamento da barragem de 
Itaipu, cujas indenizações foram insuficientes para sua fixação na região. Expan‑
diram‑se após a década de 1970, apoiados pela CNBB e Comunidades Eclesiais 
de Base, tornando‑se uma força política importante a partir de 1984. Entre 1976 
e 1986, conseguiram assentamento definitivo de mais de 12 mil famílias. Surgiu, 
então, a União Democrática Ruralista (UDR), formada por donos de terra, que 
passou a exercer poder político contra os sem‑terra (DE VITA, 1989).
ção de lavouras de trigo e soja, e do Nordeste, em função da seca e da falta de oportu‑
nidades, agravaram a situação. Esses posseiros iam se deslocando e ocupando as terras 
indígenas e, em seguida, ambos eram expulsos por grileiros e grandes empresas. 
Até 1981, a Comissão Pastoral da Terra identificou 913 conflitos agrários, envolvendo 
1,5 milhão de pessoas, 560 deles na Região Amazônica, que passou a ser o maior palco 
desses acontecimentos. Entre as práticas violentas usadas pelas empresas, estão a con‑
tratação de jagunços para despejar posseiros e o assassinato de advogados, religiosos e 
líderes políticos e sindicais, com a conivência da Justiça.
Segundo o Censo Agropecuário de 1985, 10% dos empreendimentos agropecuários con‑
centravam 80% das terras. Apenas 512 proprietários detinham 62 milhões de hectares, 
área superior a São Paulo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul juntos. Essa concentração 
foi vital para agravar a pobreza. Além de limitar a produção familiar de alimentos, intensi‑
ficou a violência. Mais de 1.200 lavradores foram mortos entre 1964 e 1987, em especial 
na região dos rios Araguaia e Tocantins (“Bico do Papagaio”) e em Minas Gerais e 
São Paulo (DE VITA, 1989).
Na prática
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A ideia do Brasil como país de “vocação agrária”, mesmo com a industrialização cami‑
nhando a passos largos, é mais um mecanismo de dominação das oligarquias rurais. Ape‑
sar do embate entre a antiga aristocracia rural e os industriais descendentes de imigran‑
tes pela concorrência pela mão de obra, houve a efetiva transformação da economia, 
antes baseada na exportação agrícola, para uma sociedade urbano‑industrial.
Como você pode observar, a industrialização provocou mudanças profundas na formação 
e dinâmica das classes sociais, produzindo duas classes principais: burguesia industrial e 
classe operária. Como não havia mais demanda para 1,4 milhão de imigrantes que tra‑
balhavam nas plantações de café, estes passaram a compor mão de obra disponível para 
a indústria, além de mercado consumidor para os produtos. Parte do capital cafeeiro 
migrou para empreendimentos industriais, transformando São Paulo no maior centro 
industrial do País.
1.2 Fundamentos da extensão rural
1.2.1 Contexto socioeconômico do 
setor agropecuário
Embora tenha suas particularidades, a agricultura depende dos eventos econômicos 
globais. Temas como desenvolvimento tecnológico, alocação do capital, ação do Estado 
e políticas públicas permeiam as mudanças que ocorrem no setor, ao longo do tempo 
(NUNES, 2007).
A Revolução Verde, que teve início após a Segunda Guerra Mundial, impulsionou as 
principais transformações na agricultura mundial: globalização econômica, formação de 
grandes empresas, agroindústrias, entre outros (NUNES, 2007; DELGADO; BERGAMAS‑
CO, 2017). Sobretudo a partir dos anos 1990, foi possível observar grandes mudanças 
na agricultura global, em aspectos como: a produção mundial de alimentos, o processo 
de modernização da agricultura, a evolução da população rural e urbana, a importância 
econômica da agricultura para os países e sua proteção por meio de subsídios, as tarifas 
de importação, entre outros.
No Brasil, o processo de diversificação da agricultura teve início no século XX, conside‑
rando tanto os produtos ofertados como a expansão das terras cultivadas (Tabela 1), 
proporcionando maior aproveitamento das áreas para plantio e criação em larga escala.
Tabela 1 Área dos estabelecimentos agropecuários − Brasil (1970 a 2006)
Ano Área (1.000 ha)
1970 294.143
1975 323.894
1980 364.853
1985 374.925
1995‑1996 353.611
2006 333.680
Fonte: IBGE (2018).
3222
A produção agropecuária brasileira não parou de crescer. Considerando a colheita de 
grãos (BUAINAIN et al., 2014; DELGADO; BERGAMASCO, 2017):
 l Em 1975, foi de 45 milhões de toneladas
 l Em 1990, foi de 58 milhões
 l Em 2013, chegou a 287 milhões de toneladas
Atualmente, o País é um dos maiores exportadores de açúcar, soja, milho, suco de laranja, 
café, algodão, suínos, aves e bovinos (Tabela 2).
Tabela 2 Quantidade produzida (t) por produto agrícola – Brasil (2016)
Produção vegetal Quantidade (t)
Soja (em grão) 95.753.265
Milho (em grão) 63.350.487
Arroz (em casca) 10.583.585
Trigo (em grão) 6.719.519
Algodão herbáceo (em caroço) 3.373.585
Feijão (em grão) 2.571.665
Fonte: IBGE (2018).
Alguns fatores contribuem para o aumento da demanda por produtos agropecuários, 
 tanto em nível mundial como nacional. São eles (NUNES, 2007):
 l urbanização;
 l nível de utilização de produtos como a soja na alimentação humana e animal;
 l aumento da produção e do consumo de carnes;
 l políticas governamentais de apoio ao setor;
 l controle das grandes indústrias do setor alimentício;
 l disponibilidade de áreas agricultáveis.
Conforme você pode observar na Tabela 3, o setor agropecuário é um segmento de 
grande porte. A introdução de novas máquinas, equipamentos e insumos agrícolas 
contribuiu para a ampliação da produtividade do trabalho da terra, embora este 
crescimento de produção não tenha significado aumento da população ocupada 
(NUNES, 2007).
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A produção agropecuária brasileira não parou de crescer. Considerando a colheita de 
grãos (BUAINAIN et al., 2014; DELGADO; BERGAMASCO, 2017):
 l Em 1975, foi de 45 milhões de toneladas
 l Em 1990, foi de 58 milhões
 l Em 2013, chegou a 287 milhões de toneladas
Atualmente, o País é um dos maiores exportadores de açúcar, soja, milho, suco de laranja, 
café, algodão, suínos, aves e bovinos (Tabela 2).
Tabela 2 Quantidade produzida (t) por produto agrícola – Brasil (2016)
Produção vegetal Quantidade (t)
Soja (em grão) 95.753.265
Milho (em grão) 63.350.487
Arroz (em casca) 10.583.585
Trigo (em grão) 6.719.519
Algodão herbáceo (em caroço) 3.373.585
Feijão (em grão) 2.571.665
Fonte: IBGE (2018).
Alguns fatores contribuem para o aumento da demanda por produtos agropecuários, 
 tanto em nível mundialcomo nacional. São eles (NUNES, 2007):
 l urbanização;
 l nível de utilização de produtos como a soja na alimentação humana e animal;
 l aumento da produção e do consumo de carnes;
 l políticas governamentais de apoio ao setor;
 l controle das grandes indústrias do setor alimentício;
 l disponibilidade de áreas agricultáveis.
Conforme você pode observar na Tabela 3, o setor agropecuário é um segmento de 
grande porte. A introdução de novas máquinas, equipamentos e insumos agrícolas 
contribuiu para a ampliação da produtividade do trabalho da terra, embora este 
crescimento de produção não tenha significado aumento da população ocupada 
(NUNES, 2007).
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Tabela 3 Número de estabelecimentos por atividade econômica (em mil) 
– Brasil (2006)
Atividade econômica Estabelecimento
Pecuária e criação de outros animais 2.312.286
Produção de lavouras temporárias 1.881.325
Produção de lavouras permanentes 558.029
Horticultura e floricultura 197.094
Produção florestal − florestas nativas 125.738
Produção florestal − florestas plantadas 72.265
Pesca 14.858
Aquicultura 11.409
Produção de sementes, mudas e outros 2.632
Fonte: Adaptada pela autora a partir de IBGE (2018).
O modelo de agricultura no País apresenta duas vertentes: a agricultura convencional, 
chamada “agronegócio”, e a agricultura familiar. A agricultura convencional é a que 
produz em grande volume, em regime de monoculturas, visando à comercialização, 
sobretudo para exportação. Por outro lado, a forma familiar tem sua divisão de trabalho 
e estruturas próprias, e, em geral, se dedica a várias culturas, em regime de policultura 
(ARIEIRA; FUSCO, 2010).
Cadeia de valor
A cadeia produtiva do setor agropecuário é longa e expressiva. Representa em mé‑
dia 25% do PIB, além de apresentar crescimento constante. Por exemplo, em 2013, a 
agropecuária cresceu 7%, enquanto a indústria expandiu 1,3% e o setor de serviços 2% 
(BUAINAIN et al., 2014).
Mendes e Padilha Júnior (2007) argumentam que o agronegócio é o maior negócio da 
economia brasileira. Gera mais de um terço do PIB, é responsável por parcela significa‑
tiva do saldo positivo da balança comercial, além de empregar, em média, 40% da mão 
de obra formal (BUAINAIN et al., 2014; DELGADO; BERGAMASCO, 2017). Os segmentos 
industriais mais ligados ao agro foram os que tiveram melhor desempenho: caminhões, 
tratores, implementos, fertilizantes, defensivos e produtos veterinários.
Conforme podemos observar na Figura 6, na cadeia de valor da agropecuária não há 
contraposição entre agricultura e indústria, ao contrário. Boa parte da indústria trabalha 
em conjunto com a produção agropecuária, contribuindo ainda com grande dinamismo 
tecnológico (BUAINAIN et al., 2014).
3424
De acordo com Mendes e Padilha Júnior (2007), o agronegócio é um conceito bem 
abrangente, no qual a produção agropecuária é somente uma parcela. Também envolve 
a aquisição de insumos e equipamentos, o processamento e industrialização da produ‑
ção (agroindústria), além do transporte, armazenamento e distribuição (infraestrutura e 
logística) para os mercados. Isso representa a totalidade da visão da cadeia produtiva até 
chegar à mesa do consumidor (BUAINAIN et al., 2014; NUNES, 2007; MENDES; PADILHA 
JÚNIOR, 2007). Além de uma cadeia de valor complexa, a quantidade de atores que 
compõem o agronegócio também é abrangente.
Principais atores envolvidos no agronegócio
A estrutura do agronegócio é caracterizada por uma gama de agentes (ARIEIRA; FUSCO, 
2010):
l Cooperativas agroindustriais: cooperativas de produtores rurais atuantes nas regiões.
l Indústria de máquinas e equipamentos: produção de tratores e implementos agrope‑
cuários que operam diretamente ou por meio de revenda.
l Indústria de fertilizantes e adubos: produção e fornecimento de adubos e fertilizantes.
l Produtores de sementes: indústria de produtores de sementes comerciais.
l Indústria de defensivos agrícolas e produtos veterinários: desenvolvimento e produ‑
ção de defensivos agrícolas e produtos veterinários.
l Produtores rurais: produtos agropecuários destinados ao processamento de alimen‑
tos humanos e animais.
l Indústria de processamento: indústria intermediária que processa os produtos in na-
tura transformando‑os em produtos acabados para o consumo em grandes centros.
Figura 6 Fluxo da cadeia de valor da agropecuária.
Fonte: Adaptada pela autora a partir de Lopes (2018).
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De acordo com Mendes e Padilha Júnior (2007), o agronegócio é um conceito bem 
abrangente, no qual a produção agropecuária é somente uma parcela. Também envolve 
a aquisição de insumos e equipamentos, o processamento e industrialização da produ‑
ção (agroindústria), além do transporte, armazenamento e distribuição (infraestrutura e 
logística) para os mercados. Isso representa a totalidade da visão da cadeia produtiva até 
chegar à mesa do consumidor (BUAINAIN et al., 2014; NUNES, 2007; MENDES; PADILHA 
JÚNIOR, 2007). Além de uma cadeia de valor complexa, a quantidade de atores que 
compõem o agronegócio também é abrangente.
Principais atores envolvidos no agronegócio
A estrutura do agronegócio é caracterizada por uma gama de agentes (ARIEIRA; FUSCO, 
2010):
l Cooperativas agroindustriais: cooperativas de produtores rurais atuantes nas regiões.
l Indústria de máquinas e equipamentos: produção de tratores e implementos agrope‑
cuários que operam diretamente ou por meio de revenda.
l Indústria de fertilizantes e adubos: produção e fornecimento de adubos e fertilizantes.
l Produtores de sementes: indústria de produtores de sementes comerciais.
l Indústria de defensivos agrícolas e produtos veterinários: desenvolvimento e produ‑
ção de defensivos agrícolas e produtos veterinários.
l Produtores rurais: produtos agropecuários destinados ao processamento de alimen‑
tos humanos e animais.
l Indústria de processamento: indústria intermediária que processa os produtos in na-
tura transformando‑os em produtos acabados para o consumo em grandes centros.
Figura 6 Fluxo da cadeia de valor da agropecuária.
Fonte: Adaptada pela autora a partir de Lopes (2018).
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 l Atacadistas: agentes intermediários responsáveis pela aquisição de insumos (ataca‑
distas antes da porteira) ou produtos agropecuários (depois da porteira), facilitando a 
distribuição geográfica e o fluxo de produtos.
 l Varejistas: intermediários que distribuem os insumos agropecuários (diretamente aos 
produtores) ou produtos finais (diretamente ao consumidor).
 l Consumidor final: usuário final dos produtos gerados e processados pela cadeia do 
agronegócio.
 l Bancos comerciais: agentes financeiros (privados ou públicos) que fornecem crédito 
aos vários elos da cadeia.
 l Transportadoras: responsáveis pelo transporte de insumos e produtos na cadeia.
 l Seguradoras: agentes responsáveis por fazer a proteção de riscos dentro da cadeia.
 l Universidades: unidades de ensino superior que mantêm cursos para formação de 
profissionais para operar no agronegócio (agronomia, veterinária, zootecnia etc.).
 l Órgãos reguladores: agentes públicos que regulam e fiscalizam o setor agropecuário.
Regulação
O setor agropecuário é fundamental para o País, em virtude de movimentar alto volume 
de recursos, promover a inserção social, gerar empregos e fixar o homem ao campo. 
Isto demanda a ação governamental no sentido de regular e fiscalizar o setor visando à 
garantia de recursos, de políticas públicas e de preços justos para que possa se desenvol‑
ver (QUEIROZ, 2010).
Os órgãos reguladores são intermediadores entre o Estado e os prestadores de serviços 
das atividades econômicas. As instituições que atuam na regulação do setor são todas 
aquelas que colaboram para o seu pleno funcionamento e desenvolvimento (QUEIROZ, 
2010). São eles:
1. MAPA – Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento − órgão governamen‑
tal federal responsável, entre outros, por:
 ¡ política agrícola;
 ¡ produção e fomento agropecuário;
 ¡ comercialização e abastecimento, inclusive estoques reguladores/estratégicos;¡ informação agrícola;
 ¡ defesa sanitária animal e vegetal;
 ¡ fiscalização dos insumos agropecuários e prestação de serviços no setor;
 ¡ classificação e inspeção de produtos e derivados animais e vegetais, inclusive 
no que se refere ao comércio exterior, junto com o Ministério da Fazenda;
 ¡ proteção, conservação e manejo do solo;
 ¡ pesquisa tecnológica em agricultura e pecuária;
 ¡ meteorologia e climatologia;
3626
¡ cooperativismo e ao associativismo rural;
¡ energização rural, agroenergia, inclusive eletrificação rural;
¡ assistência técnica e extensão rural;
¡ planejamento e exercício da ação governamental para o setor agroindustrial 
canavieiro.
2. Embrapa – Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária: órgão federal de pesquisa 
agropecuária para o desenvolvimento de tecnologias para a produção no campo. É 
uma das maiores instituições de pesquisa do mundo tropical.
3. Conab – Companhia Nacional de Abastecimento: empresa pública, vinculada ao 
MAPA. Agência oficial do governo para a gestão das políticas agrícolas e de abasteci‑
mento, com foco no atendimento às necessidades básicas da sociedade e mecanis‑
mos de mercado.
4. Ceasa – Centrais de Abastecimento S.A.: empresa de economia mista, vinculada ao 
MAPA. Seu objetivo é oferecer infraestrutura de apoio ao sistema de abastecimento 
alimentar estadual e nacional, locando espaços para a comercialização, beneficia‑
mento, guarda e conservação de produtos agropecuários e derivados. Contribui 
para a política de segurança alimentar do governo.
5. Anvisa – Agência Nacional de Vigilância Sanitária: regula e fiscaliza as operações en‑
volvendo segurança e controle de qualidade ligados ao uso de produtos químicos, 
processamento e armazenamento dos produtos agropecuários.
6. Emater – Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural: empresas públicas esta‑
duais. São órgãos de extensão rural cuja atuação é o suporte técnico e gerencial aos 
produtores rurais das regiões.
7. SEABs – Secretarias Estaduais de Agricultura e Abastecimento: órgãos estaduais 
regulamentadores e fiscalizadores responsáveis pelo gerenciamento e coleta de 
informações sobre as operações agropecuárias nos estados da federação.
8. Ibama – Instituto Brasileiro do Meio Ambiente: órgão governamental federal res‑
ponsável pela fiscalização ambiental e aplicação de sanções a infratores.
A Revolução Verde representou um conjunto de inovações tecnológicas para a me‑
lhoria das práticas agrícolas, iniciada nos anos 1960. Consistiu no uso da tecnologia 
para melhorar a produção de alimentos no mesmo espaço de terra, para isto houve 
desenvolvimento de melhoramento genético em sementes de plantas que tinham 
melhor resistência a pragas e melhor resposta a fertilizantes. Além disso, os métodos 
de gerenciamento de fábricas no campo, a busca por equalizar os terrenos buscando 
soluções de irrigação e melhor desempenho de implementos agrícolas contribuíram 
para este movimento (BEZERRA, 2018).
Saiba mais
3726
¡ cooperativismo e ao associativismo rural;
¡ energização rural, agroenergia, inclusive eletrificação rural;
¡ assistência técnica e extensão rural;
¡ planejamento e exercício da ação governamental para o setor agroindustrial 
canavieiro.
2. Embrapa – Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária: órgão federal de pesquisa 
agropecuária para o desenvolvimento de tecnologias para a produção no campo. É 
uma das maiores instituições de pesquisa do mundo tropical.
3. Conab – Companhia Nacional de Abastecimento: empresa pública, vinculada ao 
MAPA. Agência oficial do governo para a gestão das políticas agrícolas e de abasteci‑
mento, com foco no atendimento às necessidades básicas da sociedade e mecanis‑
mos de mercado.
4. Ceasa – Centrais de Abastecimento S.A.: empresa de economia mista, vinculada ao 
MAPA. Seu objetivo é oferecer infraestrutura de apoio ao sistema de abastecimento 
alimentar estadual e nacional, locando espaços para a comercialização, beneficia‑
mento, guarda e conservação de produtos agropecuários e derivados. Contribui 
para a política de segurança alimentar do governo.
5. Anvisa – Agência Nacional de Vigilância Sanitária: regula e fiscaliza as operações en‑
volvendo segurança e controle de qualidade ligados ao uso de produtos químicos, 
processamento e armazenamento dos produtos agropecuários.
6. Emater – Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural: empresas públicas esta‑
duais. São órgãos de extensão rural cuja atuação é o suporte técnico e gerencial aos 
produtores rurais das regiões.
7. SEABs – Secretarias Estaduais de Agricultura e Abastecimento: órgãos estaduais 
regulamentadores e fiscalizadores responsáveis pelo gerenciamento e coleta de 
informações sobre as operações agropecuárias nos estados da federação.
8. Ibama – Instituto Brasileiro do Meio Ambiente: órgão governamental federal res‑
ponsável pela fiscalização ambiental e aplicação de sanções a infratores.
A Revolução Verde representou um conjunto de inovações tecnológicas para a me‑
lhoria das práticas agrícolas, iniciada nos anos 1960. Consistiu no uso da tecnologia 
para melhorar a produção de alimentos no mesmo espaço de terra, para isto houve 
desenvolvimento de melhoramento genético em sementes de plantas que tinham 
melhor resistência a pragas e melhor resposta a fertilizantes. Além disso, os métodos 
de gerenciamento de fábricas no campo, a busca por equalizar os terrenos buscando 
soluções de irrigação e melhor desempenho de implementos agrícolas contribuíram 
para este movimento (BEZERRA, 2018).
Saiba mais
27
1.2.2 Extensão rural
Imagine um cientista e sua equipe, que descobrem uma técnica de cultivo inovadora e 
sustentável, apesar de aparentemente simples, destinada a agricultores familiares. Eles 
estão muito empolgados e querem que todos os agricultores do País apliquem a técnica, 
mas não têm a menor ideia do que fazer! As distâncias, o jeito diferente de se comunicar 
e as tarefas do dia a dia na universidade complicam ainda mais as coisas. É preciso ter 
alguém preparado para fazer isso da forma mais simples, objetiva e eficaz possível. E esse 
alguém é o extensionista!
A extensão rural é o trabalho de assistência técnica rural exercido por esse profissional, 
que pode ser um agrônomo, veterinário, zootecnista, técnico agrícola, engenheiro flo‑
restal e outros. Seu trabalho envolve temas como pesquisa, crédito rural, associativismo, 
cooperativismo, capacitação, metodologias individuais e em grupo.
É papel do extensionista levar para a aplicação prática todo o conhecimento gerado por 
cientistas e técnicos, a partir do trabalho de pesquisa e da geração de inovações tecnoló‑
gicas. Envolve novas formas de produzir alimentos, sementes mais produtivas e resisten‑
tes a pragas e doenças, animais mais produtivos, máquinas agrícolas mais eficientes etc. 
Também cabe a ele interagir e dialogar com os agropecuaristas, incluindo os agricultores 
familiares, levando orientações e informações técnicas, visando à solução de problemas 
ligados à agropecuária.
Quando está atuando em uma propriedade específica, o extensionista deve buscar 
conhecer a realidade do empreendimento em detalhes, bem como as expectativas do 
agricultor em relação ao que pretende realizar, para facilitar o trabalho e torná‑lo mais 
efetivo (SILVA, 2014).
Histórico da Extensão Rural (ER) no Brasil
As inscrições de imagens de animais nas cavernas mostram que a transmissão e o com‑
partilhamento de conhecimentos nasceram com nossos antepassados. Ao longo dos sé‑
culos, e em paralelo com as transformações tecnológicas e sociais da civilização humana, 
essas interações foram mudando, intensificando‑se com as navegações, período em que 
a troca de informações e de hábitos culturais se acelerou (SILVA, 2014).
No Brasil, já em meados do século XIX, a legislação federal propunha ações de extensão 
rural, ainda que rudimentares, como a instituição, entre 1859 e 1860, de quatro 
institutos imperiais de agricultura, nos estados da Bahia, Pernambuco, Sergipe e Rio 
de Janeiro. Direcionadospara pesquisa e ensino agropecuário, também tratavam da 
difusão de informações. Ao longo do tempo, outras instituições foram surgindo, com 
destaque para os campos de demonstração e as “fazendas‑modelo”, entre 1912 e 1916. 
A Semana do Fazendeiro, primeira ação institucionalizada de ER no País, ocorreu pela 
primeira vez na Universidade de Viçosa (MG) em 1929 e perdura até os dias de hoje 
(PEIXOTO, 2008).
3828
Entretanto, foi apenas após a Segunda Guerra Mundial, por volta de 1948, que a expres‑
são “extensão rural” surge e começa a se disseminar no País. Até 1960, o extensionista 
era um técnico que conhecia as ciências agrárias e tinha como função buscar maior 
produtividade, promover o aumento da renda e reduzir a utilização da mão de obra no 
meio rural. Era comum atuar em conjunto com uma profissional de economia doméstica. 
Não costumava perguntar ao agricultor sua opinião sobre o que fazer e como ou quais 
eram seus objetivos. Apenas apresentava a ele as mudanças técnicas que julgava adequa‑
das, em uma visão imediatista e sem considerar o que era mais adequado para a região 
(SILVA, 2014).
Em um segundo momento, entre 1964 e 1980, entra em cena o modelo produtivista, por 
meio do crédito rural, fornecido pelo governo a juros baixos, com foco no aumento da 
produção agrícola. Para tanto, utilizava‑se um pacote tecnológico composto por insumos 
(sementes, fertilizantes e defensivos agropecuários) e máquinas e implementos variados 
(tratores, colheitadeiras, plantadeiras, pulverizadores etc.).
O foco da ação extensionista estava em estimular o homem do campo a obter grandes 
volumes de produção para consumo interno e, principalmente, para exportação, gerando 
superávits para a balança comercial. Tal objetivo foi atingido, porém ocasionou a perda 
de qualidade de produtos e o uso excessivo de hormônios, defensivos e outros produ‑
tos, que prejudicavam a saúde do consumidor e também do produtor. A necessidade 
de aumentar a produção e a produtividade levou a inovações, movidas também pela 
concorrência. Na esteira da desvalorização do legado de pai para filho na transmissão das 
técnicas agropecuárias, o extensionista assume um caráter de tutor.
Nesse contexto, surge a Empresa Brasileira de Assistência Técnica e Extensão Rural 
 (Embrater), que elevou a disponibilidade dos serviços de extensão no país de 10% para 
70%. Por estar associado ao crédito subsidiado, tal modelo deixava de atender a um 
grande contingente de agricultores que não tinham acesso ao crédito. Findo o crédito 
subsidiado, na década de 1980, surge a possibilidade de reflexão e de uma análise mais 
crítica da atuação do extensionista na transmissão dos conhecimentos, no aprendizado e 
na execução das atividades (SILVA, 2014).
Atualmente, a atuação extensionista não pode ignorar a cultura e os saberes tradicionais 
dos agropecuaristas, bem como a realidade do seu meio social. Ambos precisam intera‑
gir de forma dialógica durante a intervenção, visando introduzir novos conhecimentos 
e técnicas. Entretanto, não é incomum encontrar situações em que a extensão rural 
ocorre nos moldes antigos, em uma lógica difusionista. Criar condições para que a ER seja 
baseada em metodologias participativas tem sido um grande desafio para universidades, 
órgãos de pesquisa e movimentos sociais, em paralelo com organizações do campo da 
extensão (SILVA, 2014).
3928
Entretanto, foi apenas após a Segunda Guerra Mundial, por volta de 1948, que a expres‑
são “extensão rural” surge e começa a se disseminar no País. Até 1960, o extensionista 
era um técnico que conhecia as ciências agrárias e tinha como função buscar maior 
produtividade, promover o aumento da renda e reduzir a utilização da mão de obra no 
meio rural. Era comum atuar em conjunto com uma profissional de economia doméstica. 
Não costumava perguntar ao agricultor sua opinião sobre o que fazer e como ou quais 
eram seus objetivos. Apenas apresentava a ele as mudanças técnicas que julgava adequa‑
das, em uma visão imediatista e sem considerar o que era mais adequado para a região 
(SILVA, 2014).
Em um segundo momento, entre 1964 e 1980, entra em cena o modelo produtivista, por 
meio do crédito rural, fornecido pelo governo a juros baixos, com foco no aumento da 
produção agrícola. Para tanto, utilizava‑se um pacote tecnológico composto por insumos 
(sementes, fertilizantes e defensivos agropecuários) e máquinas e implementos variados 
(tratores, colheitadeiras, plantadeiras, pulverizadores etc.).
O foco da ação extensionista estava em estimular o homem do campo a obter grandes 
volumes de produção para consumo interno e, principalmente, para exportação, gerando 
superávits para a balança comercial. Tal objetivo foi atingido, porém ocasionou a perda 
de qualidade de produtos e o uso excessivo de hormônios, defensivos e outros produ‑
tos, que prejudicavam a saúde do consumidor e também do produtor. A necessidade 
de aumentar a produção e a produtividade levou a inovações, movidas também pela 
concorrência. Na esteira da desvalorização do legado de pai para filho na transmissão das 
técnicas agropecuárias, o extensionista assume um caráter de tutor.
Nesse contexto, surge a Empresa Brasileira de Assistência Técnica e Extensão Rural 
 (Embrater), que elevou a disponibilidade dos serviços de extensão no país de 10% para 
70%. Por estar associado ao crédito subsidiado, tal modelo deixava de atender a um 
grande contingente de agricultores que não tinham acesso ao crédito. Findo o crédito 
subsidiado, na década de 1980, surge a possibilidade de reflexão e de uma análise mais 
crítica da atuação do extensionista na transmissão dos conhecimentos, no aprendizado e 
na execução das atividades (SILVA, 2014).
Atualmente, a atuação extensionista não pode ignorar a cultura e os saberes tradicionais 
dos agropecuaristas, bem como a realidade do seu meio social. Ambos precisam intera‑
gir de forma dialógica durante a intervenção, visando introduzir novos conhecimentos 
e técnicas. Entretanto, não é incomum encontrar situações em que a extensão rural 
ocorre nos moldes antigos, em uma lógica difusionista. Criar condições para que a ER seja 
baseada em metodologias participativas tem sido um grande desafio para universidades, 
órgãos de pesquisa e movimentos sociais, em paralelo com organizações do campo da 
extensão (SILVA, 2014).
29
Política agrícola e política de assistência técnica e extensão rural
As políticas públicas são estratégias utilizadas para viabilizar a ação reguladora do 
Estado. A evolução da Extensão Rural (ER) foi influenciada pelas macrodefinições 
políticas dos planos de desenvolvimento no País, ao longo do tempo, ganhando maior 
ou menor importância em função das consequências das orientações de cada governo 
(RODRIGUES, 1997).
A Política Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (nova Pnater) foi criada pelo 
governo federal em 2003, em parceria com as organizações de Assistência Técnica e Ex‑
tensão Rural (Ater), nas diversas esferas, e a sociedade civil. Nessa mesma época, a partir 
de duas estruturas diferentes, o próprio sistema governamental explicitou dois diferentes 
focos, em termos do exercício de suas políticas públicas agrícolas:
Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA)
Foco na exportação de commodities
Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA)
Foco na agricultura familiar
A Pnater considera os princípios do desenvolvimento sustentável, incluindo a agricultura 
familiar, bem como elementos como gênero, geração e etnia, e o papel das organizações 
governamentais e não governamentais. O Programa Nacional de Assistência Técnica e 
Extensão Rural (Pronater) tem como função orientar a implementação da Pnater, fixando 
diretrizes e metas para os serviços públicos de Ater (DE VITA, 1989; BRASIL, 2018).
O Plano Brasil sem Miséria (PBSM) é uma iniciativa assistencial que visa incentivar a 
assistência técnica de forma contínua e individualizada aos agricultores (Ater). Alinhado 
à Política Nacional de Assistência Técnica e ExtensãoRural para a agricultura familiar e 
reforma agrária (Pnater), tem como público‑alvo as famílias em situação de vulnerabili‑
dade social (quilombolas, indígenas, ribeirinhos etc.) (SILVA, 2014).
Lançado em junho de 2011, visava às famílias com renda mensal inferior a R$ 70 
por pessoa. Um contingente de 22 milhões de pessoas foram retiradas da situação 
de extrema pobreza pelo PBSM. São três os pilares do programa: garantia de renda, 
para alívio da situação de extrema pobreza; acesso aos serviços públicos, com foco na 
melhoria da educação, saúde e cidadania das famílias; e inclusão produtiva, visando 
ampliar as capacidades e as oportunidades de trabalho e renda entre as famílias alvo 
do programa (BRASIL, 2018).
Saiba mais
4030
A Lei nº 12.188, de 11.01.2010, institui a Política Nacional de Assistência Técnica e 
Extensão Rural para a Agricultura Familiar e Reforma Agrária (Pnater) e o Programa 
Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural na Agricultura Familiar e na Reforma 
Agrária (Pronater). Além disso, altera a Lei nº 8.666, de 21.06.1993, direcionando os 
recursos financeiros da Pnater, prioritariamente, para as entidades e órgãos públicos 
oficiais de Assistência Técnica e Extensão Rural (Ater). Pela Pnater, a extensão rural deve 
(SILVA, 2014):
l ter alta qualidade e ser de fácil acesso;
l ter caráter gratuito e continuado;
l contemplar a gestão, a produção, o beneficiamento e a comercialização ligadas às 
atividades agropecuárias, extrativistas, florestais e artesanais;
l priorizar o desenvolvimento rural sustentável, harmonizando a utilização dos recursos 
naturais com a preservação ambiental;
l ser multidisciplinar, envolvendo diversas disciplinas nos métodos de trabalho;
l promover a cidadania e a democratização da gestão pública;
l temáticas que privilegiem a sustentabilidade, tendo a agroecologia como meta do 
ruralista e a atenção para as vocações regionais;
l além do aumento da produção e da produtividade, focar na qualidade dos produtos e 
serviços (agropecuários ou não) e no bem‑estar das famílias e comunidades;
l incentivar as cadeias produtivas, o uso adequado e a conservação e recuperação dos 
recursos naturais, dos agroecossistemas e da biodiversidade;
l apoiar o associativismo e o cooperativismo e propiciar a formação de agentes de Ater;
l aproximar a pesquisa e a produção agrícola, o meio rural e o conhecimento científico.
Segundo Silva (2014), são beneficiados por essa Lei:
l assentados da reforma agrária;
l povos indígenas;
l remanescentes de quilombos;
l demais povos e comunidades tradicionais;
O Pronater é elaborado, anualmente, para cada Plano de Safra da Agricultura Familiar. É 
um instrumento importante para o trabalho do extensionista!
De olho
4130
A Lei nº 12.188, de 11.01.2010, institui a Política Nacional de Assistência Técnica e 
Extensão Rural para a Agricultura Familiar e Reforma Agrária (Pnater) e o Programa 
Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural na Agricultura Familiar e na Reforma 
Agrária (Pronater). Além disso, altera a Lei nº 8.666, de 21.06.1993, direcionando os 
recursos financeiros da Pnater, prioritariamente, para as entidades e órgãos públicos 
oficiais de Assistência Técnica e Extensão Rural (Ater). Pela Pnater, a extensão rural deve 
(SILVA, 2014):
l ter alta qualidade e ser de fácil acesso;
l ter caráter gratuito e continuado;
l contemplar a gestão, a produção, o beneficiamento e a comercialização ligadas às 
atividades agropecuárias, extrativistas, florestais e artesanais;
l priorizar o desenvolvimento rural sustentável, harmonizando a utilização dos recursos 
naturais com a preservação ambiental;
l ser multidisciplinar, envolvendo diversas disciplinas nos métodos de trabalho;
l promover a cidadania e a democratização da gestão pública;
l temáticas que privilegiem a sustentabilidade, tendo a agroecologia como meta do 
ruralista e a atenção para as vocações regionais;
l além do aumento da produção e da produtividade, focar na qualidade dos produtos e 
serviços (agropecuários ou não) e no bem‑estar das famílias e comunidades;
l incentivar as cadeias produtivas, o uso adequado e a conservação e recuperação dos 
recursos naturais, dos agroecossistemas e da biodiversidade;
l apoiar o associativismo e o cooperativismo e propiciar a formação de agentes de Ater;
l aproximar a pesquisa e a produção agrícola, o meio rural e o conhecimento científico.
Segundo Silva (2014), são beneficiados por essa Lei:
l assentados da reforma agrária;
l povos indígenas;
l remanescentes de quilombos;
l demais povos e comunidades tradicionais;
O Pronater é elaborado, anualmente, para cada Plano de Safra da Agricultura Familiar. É 
um instrumento importante para o trabalho do extensionista!
De olho
31
 l agricultores familiares ou empreendimentos familiares rurais;
 l silvicultores extrativistas e pescadores;
 l participantes de programas de colonização e irrigação assistidos pelo governo federal.
O Capítulo 2 do Pronater traz como objetivos a organização e a execução dos serviços 
de Ater ao público‑alvo, em parceria com os Conselhos Estaduais de Desenvolvimento 
Sustentável e da Agricultura Familiar e órgãos similares. Para sua execução, a lei prevê o 
cadastramento de entidades públicas e privadas, com ou sem fins lucrativos, com base 
em critérios específicos (SILVA, 2014).
A chamada pública para a contratação dos serviços contém informações como:
 l descrição do objeto da contratação;
 l público beneficiário (quantidade e qualificação);
 l área geográfica onde serão prestados os serviços;
 l prazo de execução dos serviços;
 l valores previstos;
 l número de profissionais da equipe e qualificação técnico‑profissional demandada;
 l critérios para seleção da entidade que irá prestar os serviços.
A legislação de ER foca na qualidade de vida de produtores e trabalhadores rurais e na 
fixação do homem no campo. A preservação do meio ambiente é outra prioridade, em 
alinhamento com a legislação voltada para a preservação e recuperação de florestas, 
nascentes e cursos d’água. Como consequência, ao melhorar as condições gerais da 
produção agropecuária, também se obtém a melhoria da alimentação e das condições 
de vida no meio urbano e uma vida mais sustentável para todos (SILVA, 2014).
Modelo atual de extensão rural
Fundamental para levar inovação para a agropecuária brasileira, a ER contribui forte‑
mente para assegurar o protagonismo do País como grande player global no setor e para 
promover o desenvolvimento nacional. Entre os fatores que condicionam este trabalho, 
estão (SILVA, 2014):
 l as políticas governamentais;
 l a pesquisa;
 l o próprio profissional de extensão, a quem cabe transmitir os novos conhecimentos e 
tecnologias gerados pela pesquisa, funcionando como elo de conexão com o ruralista.
A extensão rural no Brasil passou por várias fases desde 1940, e sofreu diversas influên‑
cias, a exemplo das ideias e do modelo norte‑americano de extensão. A partir de 2003, 
novas políticas para promover o desenvolvimento da agricultura familiar passam a ser 
colocadas em prática, trazendo consigo o conceito de sustentabilidade (SILVA, 2014).
4232
Além de permitir a transmissão de conhecimentos e técnicas, por meio de diversos 
métodos e técnicas de comunicação individuais, grupais e massais, a ER também viabi‑
liza planos, programas e campanhas governamentais voltadas para o desenvolvimento 
agrícola. Um exemplo é o Plano Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica (Planapo) 
e da campanha de vacinação contra a febre aftosa. Como agente para a implantação de 
políticas públicas, promove estudos para identificar problemas e levar as estratégias e 
ações governamentais voltadas para inovações que vão permitir a atualização do setor 
agropecuário e viabilizar seu desenvolvimento (SILVA, 2014).
Um dos conceitos mais conhecidos de sustentabilidade foi difundido a partir do 
Relatório Brundtland, lançado, em 1987, como preparação para a Conferência Rio 92, 
da Organização dasNações Unidas (ONU), como produto da análise profunda dos pro‑
blemas ambientais consequentes do modelo de desenvolvimento: “O desenvolvimento 
sustentável é aquele que atende às necessidades do presente sem comprometer a pos‑
sibilidade de as gerações futuras atenderem às suas próprias necessidades” (CMMAD, 
1988, p. 46). Procure pesquisar versões desse contexto mais alinhadas com a realidade 
da extensão rural.
Saiba mais
Figura 7 Vacinação contra a febre aftosa.
Crédito: © luoman| iStockphoto.com.
4332
Além de permitir a transmissão de conhecimentos e técnicas, por meio de diversos 
métodos e técnicas de comunicação individuais, grupais e massais, a ER também viabi‑
liza planos, programas e campanhas governamentais voltadas para o desenvolvimento 
agrícola. Um exemplo é o Plano Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica (Planapo) 
e da campanha de vacinação contra a febre aftosa. Como agente para a implantação de 
políticas públicas, promove estudos para identificar problemas e levar as estratégias e 
ações governamentais voltadas para inovações que vão permitir a atualização do setor 
agropecuário e viabilizar seu desenvolvimento (SILVA, 2014).
Um dos conceitos mais conhecidos de sustentabilidade foi difundido a partir do 
Relatório Brundtland, lançado, em 1987, como preparação para a Conferência Rio 92, 
da Organização das Nações Unidas (ONU), como produto da análise profunda dos pro‑
blemas ambientais consequentes do modelo de desenvolvimento: “O desenvolvimento 
sustentável é aquele que atende às necessidades do presente sem comprometer a pos‑
sibilidade de as gerações futuras atenderem às suas próprias necessidades” (CMMAD, 
1988, p. 46). Procure pesquisar versões desse contexto mais alinhadas com a realidade 
da extensão rural.
Saiba mais
Figura 7 Vacinação contra a febre aftosa.
Crédito: © luoman| iStockphoto.com.
33
Cabe ao extensionista ter presente o contexto de sua atuação, bem como entender 
as possíveis consequências de uma atuação equivocada. Por isso, deverá estudar bem 
suas ações e novos projetos, planos e campanhas para assegurar o sucesso em sua 
implantação.
Durante o governo militar, o foco da ER consistia na busca pelo aumento da produção, 
porém por intermédio de tecnologias caras, viabilizadas pelo crédito agrícola a juros 
baixos. Não havia preocupações com a poluição do meio ambiente, o desemprego no 
meio rural, a concentração fundiária e sua consequência, o êxodo rural. Isso se refletia 
no trabalho de extensão rural.
A partir de 1980, com a abertura política, há uma mudança de postura do setor extensio‑
nista, além da diversificação dos serviços. Ampliam‑se os movimentos sociais e sindicais e 
surgem organizações não governamentais (ONGs), o que torna mais complexo o ambien‑
te de atuação e demanda uma revisão das funções desses profissionais.
Em um contexto histórico em que os pequenos produtores, desprestigiados, 
descapitalizados e sujeitos a perder sua propriedade nunca foram priorizados, a 
Embrater, responsável pelas estratégias e ações de ER até então, foi desativada em 
1990, no governo Collor. Com isso, os governos estaduais e municipais passam a ser os 
responsáveis pelos serviços de extensão. As ONGs entram em cena como fornecedoras 
desses serviços para os agricultores familiares, trazendo consigo metodologias mais 
participativas e inovadoras.
Diferentemente do modelo anterior, cujo único foco era a agricultura de grande porte 
e as monoculturas altamente tecnificadas, as ONGs, movimentos sindicais e associações 
e novas percepções dentro do próprio governo trazem luz à importância da inserção da 
agricultura familiar na cena da produção agrícola no País. Surge, então, a necessidade 
de rever a formação dos extensionistas para que atuem nesse novo modelo. 
(SILVA, 2014).
Entre as ONGs ligadas ao setor agropecuário atuantes no Brasil, podemos citar os 
seguintes exemplos: WWF Brasil; Rede Ambiente; Instituto Socioambiental; Rede Am‑
biente; Fundação Mata Atlântica. Procure conhecer o que elas fazem e como contri‑
buem para o desenvolvimento agrícola do País.
De olho
4434
1.3 Do modelo difusionista à ação construtivista
da extensão rural
Como vimos, a Extensão Rural compõe conhecimento científico transdisciplinar e está 
relacionada transversalmente com áreas como a pedagogia, comunicação, mobilização 
popular, ciência política, economia rural, desenvolvimento de comunidades, sociologia 
e antropologia rural. Fortemente ligada aos diversos ramos das ciências agrárias, tem a 
função de humanizá‑las, articulando conhecimentos visando à capacitação das popula‑
ções rurais.
1.3.1 Abordagens filosóficas da extensão rural
Rodrigues (1994, p. 232) aponta três momentos distintos quanto à orientação filosófica e 
ao modelo operacional predominantes no País. Alinhados com as formas de intervenção 
e com as diretrizes políticas dos planos de desenvolvimento de Estado, caracterizam a 
evolução da extensão rural no Brasil. São eles:
1.		 Humanismo	assistencialista (1948 a 1962) − voltado para a família rural, tinha 
como direcionamento pedagógico “ensinar a fazer fazendo” e o papel do extensio‑
nista era o de induzir mudança de comportamento. O foco do uso da tecnologia 
estava restrito à melhoria das condições de vida da família rural, a partir de investi‑
mentos no lar e na propriedade, de caráter produtivo ou não, usando‑se o crédito 
supervisionado. Apoiava‑se na formação de grupos de donas de casa, jovens e 
produtores rurais.
2.		 Difusionismo	produtivista (1963 a 1984) – de orientação pedagógica difusionista, 
era voltado para o produtor rural de grande ou médio porte, onde cabia ao profis‑
sional de ER elaborar os projetos de crédito rural. O papel da tecnologia era finalís‑
tico, com foco no aumento da produtividade da terra e do trabalho e na moderni‑
zação do processo produtivo, usando o crédito orientado para viabilizar tecnologias 
intensivas em capital.
3.		 Humanismo	crítico (1995 a 1991) – visando à família de produtores de pequeno e 
médio porte, adotava uma pedagogia dialógica e problematizadora em que o papel 
do extensionista era catalisar os processos sociais. A tecnologia, apesar de essencial, 
obedecia a padrões de equilíbrio ecológico, energético e social, visando viabilizar 
tecnologias “apropriadas”. Também estimulava a autonomia da comunidade rural 
quanto ao associativismo e à organização.
Essas categorias não são excludentes nem evoluíram de forma linear ou homogênea nas 
diversas regiões do País. Ao contrário, a heterogeneidade das linhas de ação é conhecida 
e permite identificar três “escolas”: a mineira, a nordestina e a sulista. Ainda assim, foi 
possível analisar esse contexto pelos seus traços comuns, permitindo a diferenciação aqui 
relatada.
4534
1.3 Do modelo difusionista à ação construtivista
da extensão rural
Como vimos, a Extensão Rural compõe conhecimento científico transdisciplinar e está 
relacionada transversalmente com áreas como a pedagogia, comunicação, mobilização 
popular, ciência política, economia rural, desenvolvimento de comunidades, sociologia 
e antropologia rural. Fortemente ligada aos diversos ramos das ciências agrárias, tem a 
função de humanizá‑las, articulando conhecimentos visando à capacitação das popula‑
ções rurais.
1.3.1 Abordagens filosóficas da extensão rural
Rodrigues (1994, p. 232) aponta três momentos distintos quanto à orientação filosófica e 
ao modelo operacional predominantes no País. Alinhados com as formas de intervenção 
e com as diretrizes políticas dos planos de desenvolvimento de Estado, caracterizam a 
evolução da extensão rural no Brasil. São eles:
1.		 Humanismo	assistencialista (1948 a 1962) − voltado para a família rural, tinha 
como direcionamento pedagógico “ensinar a fazer fazendo” e o papel do extensio‑
nista era o de induzir mudança de comportamento. O foco do uso da tecnologia 
estava restrito à melhoria das condições de vida da família rural, a partir de investi‑
mentos no lar e na propriedade, de caráter produtivo ou não,usando‑se o crédito 
supervisionado. Apoiava‑se na formação de grupos de donas de casa, jovens e 
produtores rurais.
2.		 Difusionismo	produtivista (1963 a 1984) – de orientação pedagógica difusionista, 
era voltado para o produtor rural de grande ou médio porte, onde cabia ao profis‑
sional de ER elaborar os projetos de crédito rural. O papel da tecnologia era finalís‑
tico, com foco no aumento da produtividade da terra e do trabalho e na moderni‑
zação do processo produtivo, usando o crédito orientado para viabilizar tecnologias 
intensivas em capital.
3.		 Humanismo	crítico (1995 a 1991) – visando à família de produtores de pequeno e 
médio porte, adotava uma pedagogia dialógica e problematizadora em que o papel 
do extensionista era catalisar os processos sociais. A tecnologia, apesar de essencial, 
obedecia a padrões de equilíbrio ecológico, energético e social, visando viabilizar 
tecnologias “apropriadas”. Também estimulava a autonomia da comunidade rural 
quanto ao associativismo e à organização.
Essas categorias não são excludentes nem evoluíram de forma linear ou homogênea nas 
diversas regiões do País. Ao contrário, a heterogeneidade das linhas de ação é conhecida 
e permite identificar três “escolas”: a mineira, a nordestina e a sulista. Ainda assim, foi 
possível analisar esse contexto pelos seus traços comuns, permitindo a diferenciação aqui 
relatada.
35
No humanismo assistencialista, os serviços de extensão se aproximavam do modelo 
norte‑americano e contribuíam para a legitimação da presença do Estado no meio rural. O 
projeto de desenvolvimento envolvia industrialização e penetração do capital internacio‑
nal. Com foco na melhoria do nível de vida dos assistidos, as equipes eram compostas por 
um extensionista e por uma técnica em economia doméstica. Essa etapa se encerra com o 
fim do crédito supervisionado, substituído pelo crédito orientado (GONÇALVES, 2016).
A abordagem difusionista conviveu com a chamada Modernização Conservadora (MC), 
gestada nos governos militares, e que ocorreu entre 1965 e 1979. Centrada na meca‑
nização e no uso intensivo de produtos químicos e de sementes melhoradas, mostrou 
que a modernização da agricultura poderia ocorrer prescindindo da reforma agrária. A 
produção agrícola atinge rápido crescimento, principalmente pela incorporação de novas 
áreas. O foco era na acumulação de capital, e não na melhoria das condições de vida do 
produtor rural ou a alteração da estrutura fundiária do país.
Os técnicos do sistema Abcar (Associação Brasileira de Crédito e Assistência Técnica) 
eram orientados a priorizar o atendimento aos grandes agricultores, integrados à política 
de crédito subsidiado e de tecnificação da produção. Alinhados com a abordagem difu‑
sionista produtivista, o técnico atuava como agente de mudança, muitas vezes tomando 
decisões em lugar do agricultor.
Em 1970, a Embrater vem substituir o sistema Abcar, assumindo de vez a orientação 
positivista. Com a crise na década de 1980, o projeto de tecnificação da agricultura com 
base no crédito subsidiado fracassou, e esgotou‑se o modelo produtivista da Embrater. 
A orientação humanista assistencialista retorna por curto período, porém é descartada 
diante de nova postura crítica interna, alimentada pelo contexto político que clamava por 
mudança (GONÇALVES, 2016).
O modelo difusionista predominou durante várias décadas e foi a base do desenvolvi‑
mento do setor agropecuário brasileiro, sob os auspícios da “Revolução Verde”. 
O problema é que, ainda hoje, muitos profissionais de extensão atuam dessa forma. 
Cuidado para não repetir esse modelo, claramente inadequado para a sociedade atual, 
bem mais complexa!
De olho
A estratégia humanista crítica foi delineada a partir do esgotamento desses antigos 
modelos e deveria prevalecer na Nova República. Fortemente direcionada para a pro‑
moção humana integral das populações rurais, adotava perspectiva libertadora, em que 
o paternalismo não se encaixava. Nela, o agricultor, proprietário ou não das terras onde 
trabalha, é sujeito de suas ações como cidadão, problematiza a sua realidade e decide. 
4636
Para dar um passo além na evolução na extensão rural, é preciso incluir nessa discus‑
são temas como agroecologia, tecnologia da informação, relações entre empresas de 
pesquisas, universidades e serviços de extensão e programas de formação continuada em 
extensão rural.
A extensão rural tem a missão de:
[...] promoção e animação de processos capazes de contribuir para a cons‑
trução e execução de estratégias de desenvolvimento rural sustentável, 
centrado na expansão e desenvolvimento da agricultura familiar e das suas 
organizações, por meio de metodologias educativas e participativas, inte‑
gradas às dinâmicas locais, com respeito ao meio ambiente, buscando via‑
bilizar as condições para o exercício da cidadania e a melhoria da qualidade 
de vida da sociedade (BRASIL, 2004, p. 9).
O ponto de partida para a atuação do extensionista deve ser o conhecimento e a análise 
de agroecossistemas e ecossistemas aquáticos, de forma holística e que proporcione a 
integração de estratégias de desenvolvimento. Essa abordagem sistêmica deve privilegiar 
a equidade e a inclusão social, com base em tecnologias que conectem os processos pro‑
dutivos com as dinâmicas ecológicas. Para o antigo MDA, o papel dos extensionistas deve 
Já o extensionista deixa de se colocar como “agente de mudança” e passa a ser o inter‑
locutor tecnicamente preparado, em um relacionamento dialógico entre pares. Com o 
retorno do foco da política agrícola para a obtenção de supersafras, a aplicação desse 
modelo fica apenas esboçada (RODRIGUES, 1994).
Historicamente, a importância da Extensão Rural foi negada pelo projeto difusionista‑
inovador, que reduziu a extensão a mero serviço, com o fim único de convencer os produ‑
tores a adotarem inovações tecnológicas nos processos de produtivos. Considerando 
a necessidade de superação do modelo difusionista, é hora de rediscutir e atualizar as 
conversas sobre os temas ligados à prática da Extensão Rural, considerando que a maioria 
dos extensionistas foram (e ainda são) formados sob tal modelo, pelo prisma produtivista 
(RODRIGUES, 2016).
O termo “modernização conservadora” (MC) foi elaborado por Barrington Moore 
Júnior (1975) para retratar o desenvolvimento capitalista da Alemanha e do Japão, que 
realizaram revoluções burguesas vindas de cima e excluíram o proletariado e os campo‑
neses do direito pleno à democracia e à cidadania.
Saiba mais
4736
Para dar um passo além na evolução na extensão rural, é preciso incluir nessa discus‑
são temas como agroecologia, tecnologia da informação, relações entre empresas de 
pesquisas, universidades e serviços de extensão e programas de formação continuada em 
extensão rural.
A extensão rural tem a missão de:
[...] promoção e animação de processos capazes de contribuir para a cons‑
trução e execução de estratégias de desenvolvimento rural sustentável, 
centrado na expansão e desenvolvimento da agricultura familiar e das suas 
organizações, por meio de metodologias educativas e participativas, inte‑
gradas às dinâmicas locais, com respeito ao meio ambiente, buscando via‑
bilizar as condições para o exercício da cidadania e a melhoria da qualidade 
de vida da sociedade (BRASIL, 2004, p. 9).
O ponto de partida para a atuação do extensionista deve ser o conhecimento e a análise 
de agroecossistemas e ecossistemas aquáticos, de forma holística e que proporcione a 
integração de estratégias de desenvolvimento. Essa abordagem sistêmica deve privilegiar 
a equidade e a inclusão social, com base em tecnologias que conectem os processos pro‑
dutivos com as dinâmicas ecológicas. Para o antigo MDA, o papel dos extensionistas deve 
Já o extensionista deixa de se colocar como “agente de mudança” e passa a ser o inter‑
locutor tecnicamente preparado, em um relacionamento dialógico entre pares. Com o 
retorno do foco da política agrícola para a obtenção de supersafras, a aplicaçãodesse 
modelo fica apenas esboçada (RODRIGUES, 1994).
Historicamente, a importância da Extensão Rural foi negada pelo projeto difusionista‑
inovador, que reduziu a extensão a mero serviço, com o fim único de convencer os produ‑
tores a adotarem inovações tecnológicas nos processos de produtivos. Considerando 
a necessidade de superação do modelo difusionista, é hora de rediscutir e atualizar as 
conversas sobre os temas ligados à prática da Extensão Rural, considerando que a maioria 
dos extensionistas foram (e ainda são) formados sob tal modelo, pelo prisma produtivista 
(RODRIGUES, 2016).
O termo “modernização conservadora” (MC) foi elaborado por Barrington Moore 
Júnior (1975) para retratar o desenvolvimento capitalista da Alemanha e do Japão, que 
realizaram revoluções burguesas vindas de cima e excluíram o proletariado e os campo‑
neses do direito pleno à democracia e à cidadania.
Saiba mais
37
ser educativo, favorecendo o potencial das comunidades, resgatando os conhecimentos 
dos agricultores e interagindo com eles, usando, para isso, metodologias participativas. 
De forma geral, isto não é o que predomina no seio das Ematers que sobreviveram à 
extinção da Embrater, em 1990, e ao desmonte que se seguiu, como veremos mais à 
frente (GONÇALVES, 2016).
Por meio do difusionismo produtivista, a Embrater atuou junto aos empresários ru‑
rais, beneficiários da política de crédito subsidiado que tinham condições de adotar os 
pacotes tecnológicos da Embrapa. É nesta etapa que a estrutura operacional do sistema 
de extensão rural apresenta maior expansão. Com a crise econômica iniciada na década 
de 1980, malogra o projeto de tecnificação acelerada da agricultura, levando também 
ao esgotamento a orientação difusionista. Entretanto, o produtivismo perdura ainda 
hoje, apesar de todos os esforços no sentido da adoção de um novo modelo, baseado no 
construtivismo.
Um dos princípios da Política Nacional de Assistência Técnica (Ater) prevê que os proces‑
sos educativos utilizados tenham “[...] um enfoque dialético, humanista e construtivista
(grifo nosso), visando à formação de competências, mudanças de atitudes e procedimen‑
tos dos atores sociais, que potencializem os objetivos de melhoria da qualidade de vida e 
de promoção do desenvolvimento rural sustentável” (BRASIL, 2018).
O que é construtivismo?
Construtivismo é o nome que designa uma linha pedagógica que vem ganhando impor‑
tância nas últimas décadas. Não é uma pedagogia ou método de ensino específico, mas 
um campo de estudo relativamente recente, porém já bastante adotado no campo da 
alfabetização.
Em linhas gerais, propõe que o “aluno” participe ativamente do próprio aprendizado. 
Para tanto, é necessário que o desenvolvimento do raciocínio, a experimentação e a 
exposição das dúvidas sejam valorizados e que sejam utilizados métodos de diálogo 
e de trabalhos em grupo, entre outros aspectos. Os conhecimentos não devem ser 
fornecidos prontos, como um prato feito, mas construídos com participação direta do 
estudante nesse processo de aquisição do conhecimento. Nesse contexto, o erro não é 
visto como um tropeço, mas, sim, como um trampolim no caminho da aprendizagem. 
O construtivismo condena a rigidez dos procedimentos de ensino, as avaliações padro‑
nizadas e o uso de material didático que não conte com elementos do universo pessoal 
Saiba mais
4838
Organização da comunidade
A organização comunitária é condição fundamental para o desenvolvimento e fortale‑
cimento da agricultura familiar. Deve envolver a conscientização, a união de forças, a 
criação de regime interno de funcionamento, o planejamento de ações e a mobilização 
da comunidade. Resulta no desenvolvimento humano, no desenvolvimento local e, em 
consequência, no desenvolvimento rural e na construção da cidadania no campo. Uma 
vez obtida essa organização, as comunidades se tornam autônomas o suficiente para 
se manter em movimento, motivadas pela determinação de conduzir o próprio destino 
e buscar um padrão de vida mais elevado (PRADO; RAMIREZ, 2011, apud GONÇALVES, 
2016).
O isolamento a que muitas vezes os agricultores familiares estão sujeitos, geralmente 
concentrados nos problemas locais, acaba limitando a busca de novos horizontes e de 
melhores oportunidades, inclusive junto aos mercados mais organizados. A integração 
entre comunidades e a formação de redes são formas de potencializar as ações comuni‑
tárias, agilizando o percurso rumo ao desenvolvimento sustentável.
A integração e a atuação em redes (associações de associações) são importantes tam‑
bém para as equipes de trabalho, cabendo à extensão rural essa tarefa. Assim, é possível 
influenciar a política local, bem como a Política Nacional de Extensão Rural, melhorando a 
capacidade da agricultura familiar de influenciar seu próprio desenvolvimento e organiza‑
ção (GONÇALVES, 2016).
Formação de conselhos
Os Conselhos Municipais de Desenvolvimento Rural Sustentável (CMDRS), órgão respon‑
sável pela Política Municipal de Desenvolvimento Rural Sustentável (PMDRS), estabele‑
cem a participação, na proporção de 50% + 1, de agricultores familiares. Entretanto, essa 
participação efetiva dificilmente ocorre.
do aluno. Os principais teóricos, pesquisadores e profissionais da área de educação que 
se debruçaram nos estudos e práticas ligadas ao construtivismo foram:
 l O psicólogo suíço Jean Piaget (1896‑1980), pioneiro nesse campo de estudos.
 l A psicóloga argentina Emilia Ferreiro, aluna e colaboradora de Piaget.
 l Outros pesquisadores que deram continuidade a esse processo.
Inicialmente ligadas ao universo do aprendizado infantil, a visão inovadora do construti‑
vismo foi extrapolada para outros universos, a exemplo do que ocorre na extensão rural 
(REVISTA NOVA ESCOLA, 1995).
4938
Organização da comunidade
A organização comunitária é condição fundamental para o desenvolvimento e fortale‑
cimento da agricultura familiar. Deve envolver a conscientização, a união de forças, a 
criação de regime interno de funcionamento, o planejamento de ações e a mobilização 
da comunidade. Resulta no desenvolvimento humano, no desenvolvimento local e, em 
consequência, no desenvolvimento rural e na construção da cidadania no campo. Uma 
vez obtida essa organização, as comunidades se tornam autônomas o suficiente para 
se manter em movimento, motivadas pela determinação de conduzir o próprio destino 
e buscar um padrão de vida mais elevado (PRADO; RAMIREZ, 2011, apud GONÇALVES, 
2016).
O isolamento a que muitas vezes os agricultores familiares estão sujeitos, geralmente 
concentrados nos problemas locais, acaba limitando a busca de novos horizontes e de 
melhores oportunidades, inclusive junto aos mercados mais organizados. A integração 
entre comunidades e a formação de redes são formas de potencializar as ações comuni‑
tárias, agilizando o percurso rumo ao desenvolvimento sustentável.
A integração e a atuação em redes (associações de associações) são importantes tam‑
bém para as equipes de trabalho, cabendo à extensão rural essa tarefa. Assim, é possível 
influenciar a política local, bem como a Política Nacional de Extensão Rural, melhorando a 
capacidade da agricultura familiar de influenciar seu próprio desenvolvimento e organiza‑
ção (GONÇALVES, 2016).
Formação de conselhos
Os Conselhos Municipais de Desenvolvimento Rural Sustentável (CMDRS), órgão respon‑
sável pela Política Municipal de Desenvolvimento Rural Sustentável (PMDRS), estabele‑
cem a participação, na proporção de 50% + 1, de agricultores familiares. Entretanto, essa 
participação efetiva dificilmente ocorre.
do aluno. Os principais teóricos, pesquisadores e profissionais da área de educação que 
se debruçaram nos estudos e práticas ligadas ao construtivismo foram:
 l O psicólogo suíço Jean Piaget (1896‑1980), pioneiro nesse campo de estudos.
 l A psicóloga argentina Emilia Ferreiro, aluna e colaboradora de Piaget.
 l Outros pesquisadores que deram continuidade a esse processo.
Inicialmente ligadas ao universodo aprendizado infantil, a visão inovadora do construti‑
vismo foi extrapolada para outros universos, a exemplo do que ocorre na extensão rural 
(REVISTA NOVA ESCOLA, 1995).
39
Os CMDRS inexistem em muitos municípios e, em outros, são manipulados por políticos 
locais, não deixando espaço para a voz dos agricultores familiares. Cabe à extensão rural 
atuar ativamente para orientar esses ruralistas, ajudando‑os a influenciar as PMDRS em 
seu benefício e de suas comunidades.
Maior organização e efetiva participação política do agricultor familiar seria um fator‑ 
chave para fortalecer a própria extensão rural, além de melhorar o status do agricultor 
familiar. Nesse sentido, é fundamental trabalhar a política de Ater/Ates.
Como participantes efetivos dos CMDRS, tais ruralistas passariam a ser delegados dos 
municípios para pensar o Plano Estadual de Desenvolvimento Rural Sustentável (PEDRS). 
Porém, poucos dentre eles têm condições de participar do Conselho Estadual de 
 Desenvolvimento Rural Sustentável (CEDRS), em razão da baixa escolaridade e do 
baixo desenvolvimento de suas comunidades. O ponto mais alto seria a participação 
no Conselho Nacional de Desenvolvimento Rural Sustentável (Condraf) para construir a 
política de desenvolvimento sustentável do País.
É longo o caminho a percorrer para melhorar a condição de pobreza da maioria dos 
agricultores familiares no Brasil, principalmente aqueles não integrados ao mercado: 
indígenas, quilombolas, comunidades tradicionais, ribeirinhos, extrativistas e pescadores 
artesanais, foco da extensão rural. Para que tal trabalho se firme, é fundamental eliminar 
o difusionismo das agências estaduais de ER e assegurar aos centros de ciências agrárias 
formação adequada para o desenvolvimento desse serviço nas bases humanistas cons‑
trutivistas propostas pela política de Ater (GONÇALVES, 2016).
1.4 Quadro histórico‑institucional e perspectivas
Após intensas transformações desde a época colonial, o Brasil chega ao século XXI com 
uma estrutura fundiária onde predominam os latifúndios e um setor agropecuário no 
qual convivem ilhas de excelência produtiva e sistemas arcaicos e pouco produtivos. 
Enquanto os produtores patronais, em geral, apresentam boas condições socioeconô‑
micas, os agricultores familiares convivem com a penúria, a baixa produtividade, nível 
tecnológico incipiente, a baixa capacidade de investir e a falta de acesso às tecnolo‑
gias da informação (TI). Em geral, estão alijados das benesses do desenvolvimento 
 (GONÇALVES, 2016).
Partindo de premissas extrativistas e foco na produção de bens primários para a 
metrópole, os recursos naturais eram usados de forma espoliativa e predatória, 
característica comum às colônias de exploração (PRADO, 1999, apud GONÇALVES, 
2016, p. 41).
Inicialmente, grandes extensões de terras – as capitanias hereditárias − foram doadas a 
pessoas escolhidas pela coroa segundo seus interesses. A doação das sesmarias, áreas 
menores, seguia a mesma lógica, criando estratos sociais de privilegiados e grande 
número de excluídos. Terra significava poder, mas era necessário ocupar o território 
descoberto.
5040
A princípio, surgiram as grandes plantações de cana‑de‑açúcar para exportação. Para as‑
segurar a mão de obra necessária, os portugueses tentaram escravizar os índios, mas sem 
sucesso. Passaram, então, ao tráfico internacional de escravos oriundos da África.
Convivendo com o sistema escravocrata e integrado às grandes propriedades, observa‑
va‑se outro sistema de menor importância composto por ex‑escravos, índios, mestiços e 
brancos pobres. Essas populações ocupavam a terra, mas poderiam ser desalojadas caso 
a área fosse doada a alguém como uma nova “sesmaria”, sendo indenizado apenas pelas 
benfeitorias realizadas. Percebe‑se, assim, que as bases do campesinato no Brasil são 
bastante frágeis (GONÇALVES, 2016).
Com o surgimento dos núcleos urbanos e a necessidade de produzir gêneros alimentícios 
para essa população, os posseiros foram legitimados no contexto socioeconômico, porém 
sem a legalização da posse da terra. Apesar de pobres, podiam produzir gêneros exportá‑
veis, como café, tabaco, aguardente etc., desde que direcionassem seus produtos para o 
beneficiamento nas grandes fazendas, mantendo a relação de dependência.
A coroa explorava os proprietários de terras e esses extorquiam os despossuídos, modelo 
que vingava em todo País, exceto na Região Sul. Diante da necessidade de evitar o avanço 
da coroa espanhola na região de fronteiras por volta do século XVIII, buscava‑se garantir a 
posse da terra. Além disso, o clima da região era inadequado para o cultivo dos produtos 
de exportação. Com isso, estabeleceu‑se uma estrutura fundiária de pequenas proprie‑
dades, ocupadas por pessoas originárias das classes médias e pobres, e dedicadas à 
pecuária e às culturas de subsistência.
Figura	8 Registro importante do início do século XIX no Brasil mostrando o papel 
significativo desempenhado pela escravidão na sociedade brasileira na época. 
Fonte: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:N%C3%A8gres_a_fond_de_Calle.jpg.
5140
A princípio, surgiram as grandes plantações de cana‑de‑açúcar para exportação. Para as‑
segurar a mão de obra necessária, os portugueses tentaram escravizar os índios, mas sem 
sucesso. Passaram, então, ao tráfico internacional de escravos oriundos da África.
Convivendo com o sistema escravocrata e integrado às grandes propriedades, observa‑
va‑se outro sistema de menor importância composto por ex‑escravos, índios, mestiços e 
brancos pobres. Essas populações ocupavam a terra, mas poderiam ser desalojadas caso 
a área fosse doada a alguém como uma nova “sesmaria”, sendo indenizado apenas pelas 
benfeitorias realizadas. Percebe‑se, assim, que as bases do campesinato no Brasil são 
bastante frágeis (GONÇALVES, 2016).
Com o surgimento dos núcleos urbanos e a necessidade de produzir gêneros alimentícios 
para essa população, os posseiros foram legitimados no contexto socioeconômico, porém 
sem a legalização da posse da terra. Apesar de pobres, podiam produzir gêneros exportá‑
veis, como café, tabaco, aguardente etc., desde que direcionassem seus produtos para o 
beneficiamento nas grandes fazendas, mantendo a relação de dependência.
A coroa explorava os proprietários de terras e esses extorquiam os despossuídos, modelo 
que vingava em todo País, exceto na Região Sul. Diante da necessidade de evitar o avanço 
da coroa espanhola na região de fronteiras por volta do século XVIII, buscava‑se garantir a 
posse da terra. Além disso, o clima da região era inadequado para o cultivo dos produtos 
de exportação. Com isso, estabeleceu‑se uma estrutura fundiária de pequenas proprie‑
dades, ocupadas por pessoas originárias das classes médias e pobres, e dedicadas à 
pecuária e às culturas de subsistência.
Figura	8 Registro importante do início do século XIX no Brasil mostrando o papel 
significativo desempenhado pela escravidão na sociedade brasileira na época. 
Fonte: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:N%C3%A8gres_a_fond_de_Calle.jpg.
41
A partir da segunda metade do século XVIII, a hegemonia do comércio na Europa trans‑
fere‑se de Portugal para a Inglaterra. O Brasil quebra o monopólio comercial e passa a se 
relacionar com outros países, mas as condições especiais com a Inglaterra são mantidas. 
A proibição do tráfico de escravos, em meados do século XIX, anuncia as grandes mudan‑
ças que viriam, contra os interesses dos fazendeiros e dos traficantes. A imigração surge 
como alternativa, envolvendo, desde o início, a intenção de evitar a todo custo que os 
“novos colonos” adquirissem terras.
A Lei de Terras, de 1850, foi a solução para manter o domínio dessas elites rurais, ao 
definir que a compra era a única forma de adquirir terras. Concebida pelos latifundiários, 
assegurava o monopólio e impedia o acesso de outros grupos à terra. Os colonos não 
tinham recursos para comprar a terra, que se tornava cada vez mais cara, em função da 
expansão das lavouras decafé e de seus altos preços. Por outro lado, o lucro dos fazen‑
deiros aumentava mais e mais e esses adquiriam mais terras, perpetuando o modelo 
(GONÇALVES, 2016).
Já na República, a estrutura fundiária se mantinha, porém pequenos proprietários e 
posseiros se multiplicaram, ocupando as terras esgotadas pela cultura do café. Com a 
crise econômica decorrente do crash da Bolsa de Nova York (1929), agravada pela manu‑
tenção de estoques excedentes, o setor cafeeiro entra em crise e os grandes fazendeiros 
começam a perder poder e prestígio. Surge, então, uma nova oligarquia da indústria de 
bens de transformação.
No governo de Getúlio Vargas, são instaladas novas indústrias, cujo foco seria o forneci‑
mento de alimento barato. Localizavam‑se, em geral, próximas às áreas rurais, onde se 
concentravam 85% da população, em 1930. Durante o Estado Novo, a evolução da agri‑
cultura e da ocupação de terras devolutas tiveram na instalação das colônias agrícolas 
um marco relevante, afetando os movimentos migratórios, embora sem continuidade. 
Esta ocupação do campesinato não foi acompanhada pela democratização do acesso à 
terra. Vargas não incluiu os trabalhadores rurais nos benefícios trabalhistas, possivelmen‑
te para evitar atritos com as elites agropecuárias.
Até a década de 1960, a agricultura brasileira ainda era voltada para a exportação e 
atrasada tecnicamente. Sua modernização só se inicia a partir de demandas geradas pelo 
parque industrial e pela necessidade de alinhar a produção ao propósito modernizante 
do País. Porém, o foco era a acumulação do capital, sem que as condições precárias de 
vida do produtor rural e a estrutura fundiária fossem alteradas (GONÇALVES, 2016).
A partir daí, começam a emergir os conflitos no campo e reivindicações pela reforma 
agrária, aumento dos salários e crescimento do mercado interno. As novas forças preten‑
diam derrotar as elites dominantes e enfrentar o pacto de poder histórico entre a agri‑
cultura e a industrialização do País. O golpe militar de 1964 foi a resposta, derrotando os 
movimentos sociais e mantendo o pacto político institucional, no qual as elites agrárias 
eram um forte elo.
Foi nesse contexto que se iniciou a Modernização Conservadora (MC), entre 1965 e 
1979. Buscava‑se transformar as unidades de exploração agrícola em capitalistas, porém 
mantendo uma estrutura fundiária semelhante ao período colonial, sem promover o 
5242
fracionamento desses latifúndios. A MC no Brasil foi uma política do governo militar e 
visou ao crescimento da produção agropecuária com base na renovação tecnológica, 
sem maiores alterações na estrutura agrária. Foi favorecida pelos altos preços agríco‑
las no mercado internacional pelo pacote tecnológico da Revolução Verde, pelo viés 
agro do parque industrial brasileiro e pelo crescimento das tensões sociais no campo 
 (GONÇALVES, 2016).
As ações governamentais mais importantes associadas à MC foram a disponibilização 
de crédito rural subsidiado, o fortalecimento da assistência técnica, a dinamização da 
pesquisa e o abandono da questão agrária. Com base nisso, obteve‑se o aumento da 
produção agropecuária sem que a estrutura fundiária fosse alterada e sem beneficiar os 
pequenos produtores ou a agricultura familiar. Esse período (1964‑1980) concretizou a 
exclusão desses produtores do processo.
Na base do modelo da MC estava a busca da superação do modelo tradicional de agricul‑
tura familiar, fundamentada na dinamização técnica da base produtiva. Era senso comum 
que a responsabilidade pelo atraso na agricultura brasileira estava na incapacidade de o 
pequeno produtor seguir tal modelo de produção. Além disso, os próprios agricultores 
familiares rejeitavam essa lógica, caracterizada pelo aumento da dependência tecnológi‑
ca, degradação ambiental e dependência financeira do agricultor (GONÇALVES, 2016).
O	crédito	rural	subsidiado, grande motor do desenvolvimento da agricultura, pouco 
chegou até o agricultor familiar. Já nas grandes propriedades, permitiu o aumento da 
produção e da produtividade, com o uso de corretivos e fertilizantes e da aquisição de 
máquinas e implementos modernos, sementes de boa qualidade etc.
O processo de concentração fundiária propiciado pela aplicação dos lucros na compra de 
mais terras se repetiu, agora ampliando as migrações campo‑cidade (êxodo rural), que 
chegou a 30 milhões de pessoas entre 1960 e 1980.
O fortalecimento	da	assistência	técnica	ocorreu a partir da criação da Associação de 
Crédito e Assistência Rural (Acar), em Minas Gerais. Encampada pelo governo federal, a 
iniciativa se expandiu para os demais estados, por intermédio do sistema da Associação 
Brasileira de Crédito e Assistência Técnica (Abcar), cuja função era a de fornecer assistên‑
cia técnica e facilitar o crédito rural. Posteriormente, transformou‑se no sistema Empresa 
Brasileira de Assistência Técnica e Extensão Rural (Embrater), prestando assistência téc‑
nica de base difusionista. Durante a MC, o agricultor familiar praticamente não recebeu 
assistência técnica, a qual era fornecida pelos técnicos do Sistema Brasileiro de Extensão 
Rural em bases produtivistas.
Com a criação da Embrapa, em 1973, a pesquisa agropecuária é sistematizada e passa a 
alavancar a MC, com base nos pacotes tecnológicos com variedades novas ou adaptadas, 
técnicas de semeadura, condução das culturas e de colheita, além do processamento de 
produtos agropecuários (GONÇALVES, 2016).
Embora, no final de 1964, o governo militar tenha instituído o Estatuto da Terra, favorável 
à mudança fundiária, a questão agrária foi praticamente abandonada durante a MC, pela 
falta de sustentação política. Com o Ato Institucional nº 5 (AI‑5), em 1968, os movimentos 
sociais foram silenciados. Abandonou‑se a intenção de mudança na estrutura agrária bra‑
5342
fracionamento desses latifúndios. A MC no Brasil foi uma política do governo militar e 
visou ao crescimento da produção agropecuária com base na renovação tecnológica, 
sem maiores alterações na estrutura agrária. Foi favorecida pelos altos preços agríco‑
las no mercado internacional pelo pacote tecnológico da Revolução Verde, pelo viés 
agro do parque industrial brasileiro e pelo crescimento das tensões sociais no campo 
 (GONÇALVES, 2016).
As ações governamentais mais importantes associadas à MC foram a disponibilização 
de crédito rural subsidiado, o fortalecimento da assistência técnica, a dinamização da 
pesquisa e o abandono da questão agrária. Com base nisso, obteve‑se o aumento da 
produção agropecuária sem que a estrutura fundiária fosse alterada e sem beneficiar os 
pequenos produtores ou a agricultura familiar. Esse período (1964‑1980) concretizou a 
exclusão desses produtores do processo.
Na base do modelo da MC estava a busca da superação do modelo tradicional de agricul‑
tura familiar, fundamentada na dinamização técnica da base produtiva. Era senso comum 
que a responsabilidade pelo atraso na agricultura brasileira estava na incapacidade de o 
pequeno produtor seguir tal modelo de produção. Além disso, os próprios agricultores 
familiares rejeitavam essa lógica, caracterizada pelo aumento da dependência tecnológi‑
ca, degradação ambiental e dependência financeira do agricultor (GONÇALVES, 2016).
O	crédito	rural	subsidiado, grande motor do desenvolvimento da agricultura, pouco 
chegou até o agricultor familiar. Já nas grandes propriedades, permitiu o aumento da 
produção e da produtividade, com o uso de corretivos e fertilizantes e da aquisição de 
máquinas e implementos modernos, sementes de boa qualidade etc.
O processo de concentração fundiária propiciado pela aplicação dos lucros na compra de 
mais terras se repetiu, agora ampliando as migrações campo‑cidade (êxodo rural), que 
chegou a 30 milhões de pessoas entre 1960 e 1980.
O fortalecimento	da	assistência	técnica	ocorreu a partir da criação da Associação de 
Crédito e Assistência Rural (Acar), em Minas Gerais. Encampada pelo governo federal, a 
iniciativa se expandiu para os demais estados, porexplorando as literaturas sugeridas. Busque conteúdos adicionais na internet 
e esteja sempre atento às novidades! Afinal, vivemos em um mundo mutante, e sociologia 
e extensão rural são temas em constante evolução, acompanhando as transformações 
sociais!
Bons estudos!
9
Objetivos gerais da disciplina
Ao final desta disciplina, esperamos que você seja capaz de:
 l Desenvolver capacidade de análise do contexto sociológico de sua atuação profissio-
nal, mediante a reflexão sobre conceitos e práticas ligadas à sociologia. 
 l Analisar e compreender a problemática da agropecuária brasileira, tanto aquela asso-
ciada ao agronegócio quanto à agricultura familiar.
 l Adquirir conhecimentos teóricos-práticos sobre extensão rural, suficientes para asse-
gurar desenvoltura em sua atuação profissional.
 l Atuar profissionalmente de maneira crítica e criativa no processo de mudança da 
sociedade.
10
11 1
Unidade 1
O Papel da Extensão Rural no 
Desenvolvimento
122
Unidade 1
Objetivos da Unidade
•	 Compreender	o	contexto	sociológico	em	que	se	inserem	atividades	
	extensionistas.
•	 Conhecer	as	bases	socioeconômicas,	institucionais	e	históricas	que	
fundamentam	o	exercício	profissional	da	extensão	rural.
•	 Entender	como	o	extensionista	pode	contribuir	para	o	desenvolvimento,		
com	base	nas	políticas,	diretrizes	e	abordagens	metodológicas	que	condicionam	
sua	atuação.
Contextualizando
Imagine que você começou a atuar em uma comunidade quilombola liderada por 
mulheres, que se dedica à criação de caprinos para subsistência da família e venda dos 
excedentes. Você identificou problemas nutricionais e sanitários diversos no rebanho e 
está aproveitando uma reunião de rotina da associação comunitária para tentar agendar 
uma reunião específica para tratar do assunto, de forma conjunta.
Para isso, propõe uma data e pede aos presentes que concordem com a proposta para 
levantar a mão. Silêncio total! Ninguém se mexe... Só então alguém próximo a você diz, 
baixinho, que entre eles só a líder tem a prerrogativa de tomar as decisões. Não existe 
esse tipo de votação.
132
Unidade 1
Objetivos da Unidade
•	 Compreender	o	contexto	sociológico	em	que	se	inserem	atividades	
	extensionistas.
•	 Conhecer	as	bases	socioeconômicas,	institucionais	e	históricas	que	
fundamentam	o	exercício	profissional	da	extensão	rural.
•	 Entender	como	o	extensionista	pode	contribuir	para	o	desenvolvimento,		
com	base	nas	políticas,	diretrizes	e	abordagens	metodológicas	que	condicionam	
sua	atuação.
Contextualizando
Imagine que você começou a atuar em uma comunidade quilombola liderada por 
mulheres, que se dedica à criação de caprinos para subsistência da família e venda dos 
excedentes. Você identificou problemas nutricionais e sanitários diversos no rebanho e 
está aproveitando uma reunião de rotina da associação comunitária para tentar agendar 
uma reunião específica para tratar do assunto, de forma conjunta.
Para isso, propõe uma data e pede aos presentes que concordem com a proposta para 
levantar a mão. Silêncio total! Ninguém se mexe... Só então alguém próximo a você diz, 
baixinho, que entre eles só a líder tem a prerrogativa de tomar as decisões. Não existe 
esse tipo de votação.
3
O que essa situação (que não é hipotética) nos ensina sobre a atuação em grupos sociais 
e comunitários? Quais as condicionantes sociais que fazem com que esse processo de 
decisão não seja aceito e ainda cause desconforto nas pessoas? O que fazer para atuar 
da melhor forma possível?
Vamos descobrir juntos?
Entendendo os conceitos
A questão fundamental da sociologia: o que é a sociedade? Partindo desta pergunta, 
vamos estudar os fundamentos que condicionam a forma como encaramos os fenôme‑
nos sociais.
À sociologia interessa a percepção objetiva dos fatos, orientada pela teoria. 
Entretanto nem tudo que apresenta interesse social é, por si só, sociológico. Todos 
nós somos “sociólogos” espontâneos, já que possuímos diversas explicações sobre o 
comportamento humano, o chamado senso	comum ou conhecimento vulgar. Sem 
isso, não poderíamos sobreviver. Embora, em geral, seja baseado em preconceitos ou 
pressupostos falsos, o senso comum traz informações úteis aos estudos sociológicos 
(VILA NOVA, 2000).
Figura	1 Criação de caprinos. 
Crédito: © borchee | iStockphoto.com.
144
A palavra “sociologia” foi inventada por Augusto Comte, no século XIX, embora o tema 
“sociedade” já fosse contemplado por Platão, Aristóteles e Maquiavel. A sociologia 
pretende explicar o que acontece na sociedade, a partir da observação sistemática 
dos fatos.
A sociologia é predominantemente indutiva, enquanto o senso comum é dedutivo. Tam‑
bém não atribui juízo de valor a uma dada situação social nem julga o que é bom ou mau 
para a sociedade, ou dita normas para as relações sociais.
Não é papel da sociologia propor como a sociedade deve ser, mas identificar a realidade 
social e explicá‑la. Para isso, precisa entender as partes que a compõem e a complexa 
rede de relações sociais que forma uma grande coletividade humana, como, por exem‑
plo, uma nação. Estudar a sociedade significa estudar as relações sociais que estão por 
trás das ações e do comportamento humano. Para tanto, é fundamental cuidar para que 
nossos valores morais não nos levem a uma interpretação distorcida da realidade social 
(VILA NOVA, 2000).
Além da observação, a compreensão das ações sociais pressupõe, sobretudo, a partici‑
pação do próprio pesquisador, porém sem abrir mão do princípio da objetividade, sem 
o que a sociologia perde seu caráter científico. A seguir, veja quais são as aplicações da 
sociologia e os usuários desse campo do conhecimento e reflita sobre as conexões dessa 
lista com sua realidade.
Aplicações da sociologia
l Planejamento social.
l Pesquisa.
l Orientação das relações sociais na empresa.
l Condução de programas de intervenção social.
Em geral, o senso comum busca justificar as dificuldades que as mulheres encontram 
para acessar posições de maior poder na sociedade, usando as supostas diferenças 
naturais ou biológicas entre os sexos. Para você, essas diferenças são reais ou 
representam a defesa de interesses de algum grupo social, conscientemente ou não?
Para refletir
154
A palavra “sociologia” foi inventada por Augusto Comte, no século XIX, embora o tema 
“sociedade” já fosse contemplado por Platão, Aristóteles e Maquiavel. A sociologia 
pretende explicar o que acontece na sociedade, a partir da observação sistemática 
dos fatos.
A sociologia é predominantemente indutiva, enquanto o senso comum é dedutivo. Tam‑
bém não atribui juízo de valor a uma dada situação social nem julga o que é bom ou mau 
para a sociedade, ou dita normas para as relações sociais.
Não é papel da sociologia propor como a sociedade deve ser, mas identificar a realidade 
social e explicá‑la. Para isso, precisa entender as partes que a compõem e a complexa 
rede de relações sociais que forma uma grande coletividade humana, como, por exem‑
plo, uma nação. Estudar a sociedade significa estudar as relações sociais que estão por 
trás das ações e do comportamento humano. Para tanto, é fundamental cuidar para que 
nossos valores morais não nos levem a uma interpretação distorcida da realidade social 
(VILA NOVA, 2000).
Além da observação, a compreensão das ações sociais pressupõe, sobretudo, a partici‑
pação do próprio pesquisador, porém sem abrir mão do princípio da objetividade, sem 
o que a sociologia perde seu caráter científico. A seguir, veja quais são as aplicações da 
sociologia e os usuários desse campo do conhecimento e reflita sobre as conexões dessa 
lista com sua realidade.
Aplicações da sociologia
l Planejamento social.
l Pesquisa.
l Orientação das relações sociais na empresa.
l Condução de programas de intervenção social.
Em geral, o senso comum busca justificar as dificuldades que as mulheres encontram 
para acessar posições de maior poder na sociedade, usando as supostas diferenças 
naturais ou biológicas entre osintermédio do sistema da Associação 
Brasileira de Crédito e Assistência Técnica (Abcar), cuja função era a de fornecer assistên‑
cia técnica e facilitar o crédito rural. Posteriormente, transformou‑se no sistema Empresa 
Brasileira de Assistência Técnica e Extensão Rural (Embrater), prestando assistência téc‑
nica de base difusionista. Durante a MC, o agricultor familiar praticamente não recebeu 
assistência técnica, a qual era fornecida pelos técnicos do Sistema Brasileiro de Extensão 
Rural em bases produtivistas.
Com a criação da Embrapa, em 1973, a pesquisa agropecuária é sistematizada e passa a 
alavancar a MC, com base nos pacotes tecnológicos com variedades novas ou adaptadas, 
técnicas de semeadura, condução das culturas e de colheita, além do processamento de 
produtos agropecuários (GONÇALVES, 2016).
Embora, no final de 1964, o governo militar tenha instituído o Estatuto da Terra, favorável 
à mudança fundiária, a questão agrária foi praticamente abandonada durante a MC, pela 
falta de sustentação política. Com o Ato Institucional nº 5 (AI‑5), em 1968, os movimentos 
sociais foram silenciados. Abandonou‑se a intenção de mudança na estrutura agrária bra‑
43
sileira e optou‑se por transformar o latifúndio em empresa capitalista. Foram favorecidos 
os agricultores de grande porte, empresas brasileiras e multinacionais, latifundiários e o 
sistema financeiro. Foram prejudicados os pequenos produtores e os assalariados rurais, 
em particular os boias‑frias e os sem‑terra.
Os movimentos sociais remanescentes pressionaram pela reforma agrária e, em 1975, 
foi formada a Comissão Pastoral da Terra. Chegou‑se à década de 1980 com maior 
concentração fundiária ainda, sem crédito ou assistência técnica para os agricultores 
familiares, condições piores do que em 1960 e inchamento das cidades provocado pelo 
êxodo rural.
No início da década de 1980, a crise da dívida externa e do próprio capitalismo provoca‑
ram consequências desfavoráveis que afetaram a agropecuária nacional. A incorporação 
de tecnologias foi reduzida, a área plantada e o efetivo dos rebanhos encolheram, a ex‑
pansão agrícola foi freada, o uso de recursos teve que ser racionalizado e houve aumento 
das pequenas áreas e de pequenos agricultores. O governo interveio com políticas de 
preços mínimos, desvalorizando o câmbio, direcionando crédito rural para culturas como 
cana‑de‑açúcar, laranja, soja e cacau. Contando com estrutura produtiva privilegiada, 
adotando medidas adequadas e com a entrada da soja no mercado global, no final da 
década de 1980, a grande produção se recupera, gerando supersafras. Enquanto isso, a 
agricultura familiar permanece estagnada.
Figura	9 Acampamento de trabalhadores sem‑terra, em Goiás, Brasil. 
Fonte: Marques (2017).
5444
O crescimento econômico torna‑se, assim, dependente do comportamento do mercado 
externo, enquanto o crescimento da agricultura supera o da indústria e o crescimento 
agrícola se viabilizava, mesmo em um ambiente macroeconômico interno e externo 
desfavorável. Com o aumento da rentabilidade das culturas domésticas perante as de 
exportação, entre 1980‑1985, aumenta pela primeira vez no País o número de proprieda‑
des de pequenos agricultores, a intensidade de migrações é reduzida e a estabilidade do 
emprego agrícola aumenta, provocando a redução no preço da terra.
A partir dos anos 1990, mesmo com restrições, inclusive externas, é satisfatório o desen‑
volvimento da agropecuária e os índices de modernização superam os da MC, com ado‑
ção crescente de novas tecnologias. Chega‑se a 2016 com a convivência entre extensas 
propriedades (agricultura patronal) e inúmeros estabelecimentos de agricultura familiar. 
De um lado, temos o agronegócio, ligado à produção de commodities, em ótima situa‑
ção e se modernizando de forma crescente, por meio da adoção de novas tecnologias, 
em especial ligadas às tecnologias de informação (TI). A agricultura passa a apresentar 
índices superiores aos da MC e o setor ganha crescente relevância na composição do PIB 
nacional (GONÇALVES, 2016).
Já o panorama da agricultura familiar, no final da MC, era de desequilíbrio, com sérios 
problemas sociais e ecológicos. Nos anos que seguiram à MC, entre 1980 e 2015, sua 
modernização foi pífia, causada pela falta de financiamentos adequados a esse tipo de 
produtor. O segmento demanda programas específicos com foco na emancipação do 
agricultor, a partir da educação formal ou informal, e considerando questões de gênero, 
geração, etnia e o respeito à agroecologia dos ecossistemas.
Para mantê‑los à margem do processo, as forças dominantes argumentavam que os 
agricultores familiares não podiam oferecer terra como garantia para tomar financia‑
mentos. A base de apoio do governo militar determinou quais seriam os grupos sociais 
favorecidos pela MC: agricultores capitalistas e empresas da indústria de transformação 
de produtos agrícolas (os complexos agroindustriais – CAIs), latifundiários e o sistema 
financeiro. O panorama, ao final dos anos 1970, era de concentração fundiária ainda 
maior e agravamento da situação dos agricultores familiares, sem crédito ou assistência 
técnica.
Mesmo com a crise global do capitalismo, na década de 1980, a agricultura brasileira 
atravessou bem esse período, exceto no tocante aos agricultores familiares. A partir de 
então, ainda que com a redução da ação do Estado pelo projeto neoliberal, a moderniza‑
ção da agricultura continuou se ampliando, em especial a partir de avanços tecnológicos, 
como aqueles ligados à tecnologia da informação (TI), situação que se mantém até os 
dias de hoje.
5544
O crescimento econômico torna‑se, assim, dependente do comportamento do mercado 
externo, enquanto o crescimento da agricultura supera o da indústria e o crescimento 
agrícola se viabilizava, mesmo em um ambiente macroeconômico interno e externo 
desfavorável. Com o aumento da rentabilidade das culturas domésticas perante as de 
exportação, entre 1980‑1985, aumenta pela primeira vez no País o número de proprieda‑
des de pequenos agricultores, a intensidade de migrações é reduzida e a estabilidade do 
emprego agrícola aumenta, provocando a redução no preço da terra.
A partir dos anos 1990, mesmo com restrições, inclusive externas, é satisfatório o desen‑
volvimento da agropecuária e os índices de modernização superam os da MC, com ado‑
ção crescente de novas tecnologias. Chega‑se a 2016 com a convivência entre extensas 
propriedades (agricultura patronal) e inúmeros estabelecimentos de agricultura familiar. 
De um lado, temos o agronegócio, ligado à produção de commodities, em ótima situa‑
ção e se modernizando de forma crescente, por meio da adoção de novas tecnologias, 
em especial ligadas às tecnologias de informação (TI). A agricultura passa a apresentar 
índices superiores aos da MC e o setor ganha crescente relevância na composição do PIB 
nacional (GONÇALVES, 2016).
Já o panorama da agricultura familiar, no final da MC, era de desequilíbrio, com sérios 
problemas sociais e ecológicos. Nos anos que seguiram à MC, entre 1980 e 2015, sua 
modernização foi pífia, causada pela falta de financiamentos adequados a esse tipo de 
produtor. O segmento demanda programas específicos com foco na emancipação do 
agricultor, a partir da educação formal ou informal, e considerando questões de gênero, 
geração, etnia e o respeito à agroecologia dos ecossistemas.
Para mantê‑los à margem do processo, as forças dominantes argumentavam que os 
agricultores familiares não podiam oferecer terra como garantia para tomar financia‑
mentos. A base de apoio do governo militar determinou quais seriam os grupos sociais 
favorecidos pela MC: agricultores capitalistas e empresas da indústria de transformação 
de produtos agrícolas (os complexos agroindustriais – CAIs), latifundiários e o sistema 
financeiro. O panorama, ao final dos anos 1970, era de concentração fundiária ainda 
maior e agravamento da situação dos agricultores familiares, sem crédito ou assistência 
técnica.
Mesmo coma crise global do capitalismo, na década de 1980, a agricultura brasileira 
atravessou bem esse período, exceto no tocante aos agricultores familiares. A partir de 
então, ainda que com a redução da ação do Estado pelo projeto neoliberal, a moderniza‑
ção da agricultura continuou se ampliando, em especial a partir de avanços tecnológicos, 
como aqueles ligados à tecnologia da informação (TI), situação que se mantém até os 
dias de hoje.
45
Você sabia que, já em meados do século XIX, existiam propostas de Extensão Rural por 
parte do governo federal? A seguir, breve resumo da evolução da ER no Brasil, desse 
período até meados do século XX (GONÇALVES, 2016).
Evento Comentários
Entre 1859 e 1860, foram criados quatro institutos im‑
periais de agricultura, voltados para pesquisa e ensino 
e difusão de informações.
Esses institutos promoviam exposições e concursos e 
publicavam periódicos com os resultados das pesqui‑
sas, métodos de extensão e comunicação utilizados 
até hoje.
O Decreto nº 1606, de 29.06.1906, editado no governo 
de Affonso Penna, cria atribuições para os Ministérios 
dos Negócios da Agricultura, Indústria e Comércio. 
Contempla o estudo e a decisão sobre temas ligados à 
agricultura e à “indústria” animal, tais como: comunica‑
ção de informações, propaganda, publicidade e divul‑
gação de temas de interesse da agricultura, indústria e 
comércio interno e externo.
Em 1916, a Lei nº 3089, de 08.01.1916, autorizava o 
presidente da República a usar recursos para comuni‑
cação e bibliografia de interesse agrícola.
Envolvia a elaboração de orientações práticas, 
aquisição e encadernação de livros, revistas e jornais 
científicos.
Realização da primeira Semana do Fazendeiro, em 
Viçosa (1929). 
Realizada pela então Escola Superior de Agricultura de 
Viçosa (atual UFV), envolvia cursos e palestras, como 
ocorre até hoje.
Na década de 1940, o Ministério da Agricultura promo‑
veu a criação de mais de 200 postos agropecuários.
Conhecidas como Fazendas Modelos, eram pequenas 
unidades demonstrativas de tecnologias agropecuárias.
Em 1945, Getulio Vargas lançou o Decreto‑Lei nº 7499, 
de 09.04.1945, tentando assegurar a tutela do Estado 
sobre a organização dos produtores rurais.
Configuração da estrutura: cada município criava 
uma associação rural, composta de proprietários 
de estabelecimentos rurais; estas eram reunidas em 
nível estadual, formando as sociedades rurais e estas 
compunham a União Rural Brasileira, órgão técnico e 
consultivo do governo federal.
As associações eram obrigadas a desenvolver ações de 
extensão, como:
l difusão de conhecimentos agropecuários;
l promoção da aprendizagem agropecuária;
l realização de exposições‑feiras.
Criação das ligas camponesas, associações de trabalha‑
dores rurais (1941‑1948).
A criação do Decreto‑Lei nº 7499 buscava se contrapor 
à sindicalização de produtores rurais, incentivado pela 
criação das ligas camponesas.
A partir daí, a perspectiva de florescimento do socialismo em vários países levou os Esta‑
dos Unidos a buscar garantir sua hegemonia sobre a América Latina, Ásia e África, por in‑
termédio de programas para o desenvolvimento dessas regiões. Nelson Rockefeller, com 
interesses comerciais na América Latina, negociou com o governo mineiro a constituição 
da Associação de Crédito e Assistência Rural de Minas Gerais (Acar‑MG). O modelo de 
assistência técnica implantado foi inspirado no modelo norte‑americano, mas os serviços 
eram prestados pelas associações, não por universidades, como ocorria naquele país.
Saiba mais
5646
A evolução histórica recente da extensão rural no Brasil pode ser assim resumida (GON‑
ÇALVES, 2016):
Evento Comentários
Início da extensão, com a criação da Associação 
de Crédito e Assistência Rural (Acar‑MG), em 
1948. 
Entidade civil, sem fins lucrativos, prestava serviços de extensão 
rural e de elaboração de projetos técnicos para crédito rural.
Criação da Associação Brasileira de Crédito e 
Extensão Rural (Abcar), em 1956.
Com a criação da Associação Nordestina de Crédito e Assistência 
Rural (Ancar), o modelo se disseminou por todo País e, em 1974, 
já estava presente em 23 estados.
Decreto nº 50.622, de 19.05.1961 – governo 
declara a Abcar e as Acars de cada estado como 
de utilidade pública.
Na mesma época, a Abcar e suas filiadas passam a coordenar o 
Sistema de Extensão e Crédito e recebem recursos governamen‑
tais para o Plano Quinquenal.
Transformação das Acars em Empresas de Assis‑
tência Técnica e Extensão Rural (Ematers).
Época áurea da extensão, com abundância de financiamentos.
Criada a Empresa Brasileira de Assistência Técnica 
e Extensão Rural (Embrater), em 1974.
Empresa pública vinculada ao Ministério da Agricultura, 
representou o início da estatização da ER no País. Resultou da 
transformação do sistema Abcar e continuou a trabalhar com o 
crédito rural subsidiado.
Criação da Embrapa, em 1973. A Embrapa se dedicou a produzir e adaptar pacotes tecnoló‑
gicos, que eram então difundidos pela extensão rural junto aos 
grandes produtores.
Extinção do sistema Embrater pelo governo Collor 
de Mello, em 1990.
Marca a extinção definitiva da ER do âmbito do governo federal. 
As estruturas estaduais das Ematers foram mantidas nos estados 
mais organizados e mais fortes economicamente. Parte delas 
sobreviveu, bancada por estados e municípios, porém sua 
atuação ficou comprometida em razão da defasagem salarial 
e da limitação de recursos para suas atividades normais. Parte 
tornou‑se empresas de pesquisas, outras foram extintas.
Criação da Política Nacional de Assistência Técnica 
e Extensão Rural (Pnater), em 2004.
Determina que a Assistência Técnica e Extensão Rural (Ater) 
pública deve ser destinada exclusivamente aos agricultores 
familiares. A criação desta política contou com a participação 
dos movimentos sociais e de grupos sociais preocupados com a 
situação de penúria vivida pelos agricultores familiares e com a 
agroecologia.
Redemocratização do País e as mudanças na política agrícola 
e de extensão rural
A Constituição de 1988 traz, em seu artigo 187, IV, que:
[...] a política agrícola seja planejada e executada na forma da lei, com a 
participação efetiva do setor de produção, envolvendo produtores e tra‑
balhadores rurais, bem como dos setores de comercialização, de arma‑
zenamento e de transportes [...], a assistência técnica e a extensão rural 
(BRASIL, 1988).
Esse novo direcionamento colide com as dificuldades advindas da extinção da Embrater. 
Tudo indica que, apesar das disposições constitucionais, não era intenção do governo 
federal atuar nesta área.
5746
A evolução histórica recente da extensão rural no Brasil pode ser assim resumida (GON‑
ÇALVES, 2016):
Evento Comentários
Início da extensão, com a criação da Associação 
de Crédito e Assistência Rural (Acar‑MG), em 
1948. 
Entidade civil, sem fins lucrativos, prestava serviços de extensão 
rural e de elaboração de projetos técnicos para crédito rural.
Criação da Associação Brasileira de Crédito e 
Extensão Rural (Abcar), em 1956.
Com a criação da Associação Nordestina de Crédito e Assistência 
Rural (Ancar), o modelo se disseminou por todo País e, em 1974, 
já estava presente em 23 estados.
Decreto nº 50.622, de 19.05.1961 – governo 
declara a Abcar e as Acars de cada estado como 
de utilidade pública.
Na mesma época, a Abcar e suas filiadas passam a coordenar o 
Sistema de Extensão e Crédito e recebem recursos governamen‑
tais para o Plano Quinquenal.
Transformação das Acars em Empresas de Assis‑
tência Técnica e Extensão Rural (Ematers).
Época áurea da extensão, com abundância de financiamentos.
Criada a Empresa Brasileira de Assistência Técnica 
e Extensão Rural (Embrater), em 1974.
Empresa pública vinculada ao Ministério da Agricultura, 
representou o início da estatização da ER no País. Resultou da 
transformação do sistema Abcar e continuou a trabalhar com o 
crédito rural subsidiado.
Criação da Embrapa, em 1973. A Embrapa se dedicou a produzir e adaptar pacotestecnoló‑
gicos, que eram então difundidos pela extensão rural junto aos 
grandes produtores.
Extinção do sistema Embrater pelo governo Collor 
de Mello, em 1990.
Marca a extinção definitiva da ER do âmbito do governo federal. 
As estruturas estaduais das Ematers foram mantidas nos estados 
mais organizados e mais fortes economicamente. Parte delas 
sobreviveu, bancada por estados e municípios, porém sua 
atuação ficou comprometida em razão da defasagem salarial 
e da limitação de recursos para suas atividades normais. Parte 
tornou‑se empresas de pesquisas, outras foram extintas.
Criação da Política Nacional de Assistência Técnica 
e Extensão Rural (Pnater), em 2004.
Determina que a Assistência Técnica e Extensão Rural (Ater) 
pública deve ser destinada exclusivamente aos agricultores 
familiares. A criação desta política contou com a participação 
dos movimentos sociais e de grupos sociais preocupados com a 
situação de penúria vivida pelos agricultores familiares e com a 
agroecologia.
Redemocratização do País e as mudanças na política agrícola 
e de extensão rural
A Constituição de 1988 traz, em seu artigo 187, IV, que:
[...] a política agrícola seja planejada e executada na forma da lei, com a 
participação efetiva do setor de produção, envolvendo produtores e tra‑
balhadores rurais, bem como dos setores de comercialização, de arma‑
zenamento e de transportes [...], a assistência técnica e a extensão rural 
(BRASIL, 1988).
Esse novo direcionamento colide com as dificuldades advindas da extinção da Embrater. 
Tudo indica que, apesar das disposições constitucionais, não era intenção do governo 
federal atuar nesta área.
47
Em meados da década de 1990, é incluído na discussão sobre a ER o chamado terceiro 
setor (organizações não governamentais – ONGs, sindicatos e associações), que entrava 
em crise tendo em vista o redirecionamento das prioridades da ajuda humanitária das 
agências internacionais para outras regiões do globo.
O conceito de agricultura familiar surgiu, legitimado politicamente pelas ações do 
Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST) e da Confederação Nacional dos 
Trabalhadores na Agricultura (Contag), que levaram os acadêmicos a proporem essa nova 
categoria de análise. O conceito influenciou as políticas públicas do final dos anos 1990, 
levando à ampliação das ações ligadas à reforma agrária e ao fortalecimento da categoria 
dos produtores rurais familiares.
Com isso, uma série de medidas e ações governamentais e da sociedade organizada deli‑
nearam o novo desenho da assistência técnica no País (GONÇALVES, 2016):
Evento Comentários
Criação do Ministério da Agricultura e do Abaste‑
cimento (1998).
Motivada pelas repercussões negativas e pressões políticas de‑
correntes de diversos conflitos por terra como os do Pontal do 
Paranapanema, Corumbiara (RO) e Eldorado dos Carajás (PA).
Criação do Programa Nacional do Fortalecimento 
da Agricultura Familiar (Pronaf ) (1996).
Programa de crédito para investimento e custeio, voltado para 
a agricultura familiar. A partir daí, começou a disputa entre a 
Ater e o terceiro setor pelos recursos. A Ater pública, gratuita e 
de qualidade passa a ser reivindicada pelos movimentos sociais.
Criada a Política Nacional de Assistência Técnica e 
Extensão Rural (Pnater) (2001).
Direciona a assistência técnica para a agricultura familiar, histori‑
camente desprovida desse serviço.
Criada uma nova Pnater, já por ação do Departa‑
mento de Assistência Técnica e Extensão Rural do 
Mapa (Dater) (2003).
Essa versão da Pnater foi elaborada com participação mais am‑
pla e democrática, articulando diversos setores do governo e da 
sociedade civil e definiu as diretrizes para o Programa Nacional 
de Assistência Técnica e Extensão Rural (Pronater). Em junho de 
2003, a competência sobre a Ater foi transferida para o então 
Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA).
A Pnater propõe que a nova Ater seja organizada como um sistema nacional descen‑
tralizado de ater pública, composto por entidades estatais e não estatais, com base em 
condições mínimas definidas por essa política.
O sistema descentralizado da Ater é, sem dúvida, a maior inovação nessa área. As empre‑
sas precisam ser habilitadas no Sistema Nacional Descentralizado de Assistência Técnica 
e Extensão Rural Pública (Sindater). Segundo Gonçalves (2016), podem se credenciar:
 l instituições públicas;
 l empresas vinculadas ou conveniadas;
 l estabelecimentos de ensino e ONGs;
 l casas familiares rurais e escolas de família agrícola (onde as crianças recebem educa‑
ção básica dentro da própria comunidade);
 l redes e consórcios envolvendo diferentes empresas.
5848
Até 27/05/2016, cabia ao Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), por meio da 
Secretaria de Agricultura Familiar (SAF) e do Dater, formular, coordenar e implemen‑
tar as políticas agrícola e de Ater; supervisionar e avaliar as ações de Ater; fomentar a 
inovação tecnológica; harmonizar programas de pesquisa/extensão. Encarregava‑se 
também da transferência de tecnologias para preservação ambiental, dos vínculos 
com entidades de pesquisa, da capacitação para extensionistas e do intercâmbio de 
conhecimentos e dos sistemas de avaliação. A gestão era compartilhada entre governos 
federal (MDA/SAF/Dater) e estaduais, entidades representativas da agricultura familiar 
e da sociedade civil. Os recursos financeiros para implementação da sistemática, via 
MDA, faziam parte do orçamento geral da união, favorecendo os estados mais pobres 
da federação (GONÇALVES, 2016).
Gestão e coordenação do sistema de Ater – deve ser compartilhada entre governos 
federal e estaduais, entidades representativas da agricultura familiar e da sociedade 
civil. Os recursos financeiros para implementação da sistemática devem fazer parte 
do orçamento geral da união, favorecendo os estados mais pobres da federação 
(GONÇALVES, 2016).
Durante o governo de Michel Temer, primeiramente, por meio do decreto nº 8.780, de 
27 de maio de 2016, ocorreram as seguintes alterações:
Todos devem trabalhar não o indivíduo, mas a comunidade, seguindo os princípios da 
política, em especial quanto à utilização de práticas educativas e democráticas, desen‑
volvimento de relações de corresponsabilidade, uso de pesquisa‑ação que influenciem 
a realidade comunitária, foco no compartilhamento de conhecimentos e na mobilização 
comunitária.
A nova política de extensão rural ainda encontra muitas dificuldades para ser implemen‑
tada. Dentre elas, estão: o escasso volume de recursos para as ações de Ater; número in‑
suficiente de extensionistas diante da demanda de Ater pública; os resquícios do difusio‑
nismo, que limitam uma extensão adequada ao agricultor familiar; e a extensão territorial 
do País, demandando diferentes tipos de treinamento dos extensionistas. Porém, o fator 
principal é a insensibilidade de governantes em nível municipal, estadual e federal, que 
não dão a devida importância aos agricultores familiares e não formulam políticas que 
favoreçam a inclusão dessa população.
Saiba mais
5948
Até 27/05/2016, cabia ao Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), por meio da 
Secretaria de Agricultura Familiar (SAF) e do Dater, formular, coordenar e implemen‑
tar as políticas agrícola e de Ater; supervisionar e avaliar as ações de Ater; fomentar a 
inovação tecnológica; harmonizar programas de pesquisa/extensão. Encarregava‑se 
também da transferência de tecnologias para preservação ambiental, dos vínculos 
com entidades de pesquisa, da capacitação para extensionistas e do intercâmbio de 
conhecimentos e dos sistemas de avaliação. A gestão era compartilhada entre governos 
federal (MDA/SAF/Dater) e estaduais, entidades representativas da agricultura familiar 
e da sociedade civil. Os recursos financeiros para implementação da sistemática, via 
MDA, faziam parte do orçamento geral da união, favorecendo os estados mais pobres 
da federação (GONÇALVES, 2016).
Gestão e coordenação do sistema de Ater – deveser compartilhada entre governos 
federal e estaduais, entidades representativas da agricultura familiar e da sociedade 
civil. Os recursos financeiros para implementação da sistemática devem fazer parte 
do orçamento geral da união, favorecendo os estados mais pobres da federação 
(GONÇALVES, 2016).
Durante o governo de Michel Temer, primeiramente, por meio do decreto nº 8.780, de 
27 de maio de 2016, ocorreram as seguintes alterações:
Todos devem trabalhar não o indivíduo, mas a comunidade, seguindo os princípios da 
política, em especial quanto à utilização de práticas educativas e democráticas, desen‑
volvimento de relações de corresponsabilidade, uso de pesquisa‑ação que influenciem 
a realidade comunitária, foco no compartilhamento de conhecimentos e na mobilização 
comunitária.
A nova política de extensão rural ainda encontra muitas dificuldades para ser implemen‑
tada. Dentre elas, estão: o escasso volume de recursos para as ações de Ater; número in‑
suficiente de extensionistas diante da demanda de Ater pública; os resquícios do difusio‑
nismo, que limitam uma extensão adequada ao agricultor familiar; e a extensão territorial 
do País, demandando diferentes tipos de treinamento dos extensionistas. Porém, o fator 
principal é a insensibilidade de governantes em nível municipal, estadual e federal, que 
não dão a devida importância aos agricultores familiares e não formulam políticas que 
favoreçam a inclusão dessa população.
Saiba mais
49
Art. 1º Ficam transferidas, do Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário para 
a Casa Civil da Presidência da República: 
I ‑ a Secretaria Especial de Agricultura Familiar e do Desenvolvimento Agrário;
II ‑ a Secretaria de Reordenamento Agrário;
III ‑ a Secretaria da Agricultura Familiar;
IV ‑ a Secretaria de Desenvolvimento Territorial; e
V ‑ a Secretaria Extraordinária de Regularização Fundiária na Amazônia Legal.
Art. 2º Ficam transferidas, do Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário para 
a Casa Civil da Presidência da República, as competências:
I ‑ de reforma agrária;
II ‑ de promoção do desenvolvimento sustentável do segmento rural constituído 
pelos agricultores familiares; e
III ‑ de delimitação das terras dos remanescentes das comunidades dos quilom‑
bos e determinação de suas demarcações, a serem homologadas por decreto 
(BRASIL, 2016).
Em seguida, ainda no governo Temer, o decreto 8.780 foi revogado e foi promulgado o 
decreto Nº 8.865, de 29 de setembro de 2016. Seu Artigo 3º transfere, do Ministério 
do Desenvolvimento Social e Agrário para a Casa Civil da Presidência da República, 
as seguintes competências:
I ‑ de reforma agrária;
II ‑ de promoção do desenvolvimento sustentável do segmento rural constituído 
pelos agricultores familiares; e
III ‑ de delimitação das terras dos remanescentes das comunidades dos quilom‑
bos e determinação de suas demarcações, a serem homologadas por decreto 
(BRASIL, 2016a).
Com o Governo de Jair Bolsonaro, por meio da Medida Provisória Nº 870, de 1º de 
Janeiro de 2019, que estabelece a organização básica dos órgãos da Presidência da 
República e dos Ministérios, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento 
assumiu, entre outras, as seguintes áreas:
6050
A nova Ater, com todas as dificuldades expostas, representa um grande avanço na 
tentativa de incluir agricultores familiares não integrados aos mercados, comunidades 
tradicionais, indígenas, quilombolas, pescadores artesanais, ribeirinhos e extrativistas 
no desenvolvimento do país. Assim, avança também na busca de garantir a eles o 
direito à saúde, à educação, à seguridade alimentar e nutricional, vivendo em condições 
sociais dignas, com sustentabilidade e de acordo com os princípios da agroecologia 
(GONÇALVES, 2016).
IX ‑ assistência técnica e extensão rural;
XII ‑ desenvolvimento rural sustentável;
XIII ‑ políticas e fomento da agricultura familiar;
XIV ‑ reforma agrária, regularização fundiária de áreas rurais, Amazônia Legal, 
terras indígenas e quilombolas.
Os desdobramentos dessas mudanças, como detalhamento de funções, políticas, etc., 
ainda não foram estabelecidos (BRASIL, 2019).
Entre as condições para credenciamento/atuação de entidades de prestação de Ater, 
estão (GONÇALVES, 2016):
l avaliar o público‑alvo da ação de extensão rural;
l a entidade não poderá terceirizar os serviços;
l devem ser apresentados indicadores;
l deve seguir o Pnater;
l precisa prestar conta dos recursos;
l deve apoiar e privilegiar projetos‑piloto.
Importante
6150
A nova Ater, com todas as dificuldades expostas, representa um grande avanço na 
tentativa de incluir agricultores familiares não integrados aos mercados, comunidades 
tradicionais, indígenas, quilombolas, pescadores artesanais, ribeirinhos e extrativistas 
no desenvolvimento do país. Assim, avança também na busca de garantir a eles o 
direito à saúde, à educação, à seguridade alimentar e nutricional, vivendo em condições 
sociais dignas, com sustentabilidade e de acordo com os princípios da agroecologia 
(GONÇALVES, 2016).
IX ‑ assistência técnica e extensão rural;
XII ‑ desenvolvimento rural sustentável;
XIII ‑ políticas e fomento da agricultura familiar;
XIV ‑ reforma agrária, regularização fundiária de áreas rurais, Amazônia Legal, 
terras indígenas e quilombolas.
Os desdobramentos dessas mudanças, como detalhamento de funções, políticas, etc., 
ainda não foram estabelecidos (BRASIL, 2019).
Entre as condições para credenciamento/atuação de entidades de prestação de Ater, 
estão (GONÇALVES, 2016):
l avaliar o público‑alvo da ação de extensão rural;
l a entidade não poderá terceirizar os serviços;
l devem ser apresentados indicadores;
l deve seguir o Pnater;
l precisa prestar conta dos recursos;
l deve apoiar e privilegiar projetos‑piloto.
Importante
51
Parágrafo de conclusão da Unidade
Você aprendeu, nesta unidade, como é importante entender o contexto sociológico das 
comunidades onde se pretende atuar e também as bases históricas da formação do 
nosso País, tanto em termos socioeconômicos como sociológicos. Conheceu, ainda, os 
fundamentos, a estrutura e o funcionamento da Extensão Rural (ER). Assim, está pronto 
para prosseguir na jornada para se tornar um excelente profissional de extensão rural. 
Vamos lá?
6252
Referências bibliográficas
ARIEIRA, J. O.; FUSCO, J. P. A. Cadeia produtiva do agronegócio: uma caracterização dos 
agentes atuantes na região noroeste do Paraná sob o enfoque das redes simultâneas. XXX 
Encontro Nacional de Engenharia de Produção. Anais	[...] São Carlos, São Paulo: Abepro, 
2010.
BALEM, T. A. et al. Da extensão rural difusionista à construtivista agroecológica: condicio‑
nantes para a transição. In: Congresso Brasileiro de Sociologia. Anais [...], Rio de Janeiro, 
2009.
BEZERRA, J. Revolução	Verde. Disponível em: . Acesso em: 17 nov. 2018.
BRASIL. Câmara dos Deputados. DECRETO	Nº	8.780,	DE	27	DE	MAIO	DE	2016 
‑ Disponível em: . 
Acesso em: 22 dez. 2018.
BRASIL. Câmara dos Deputados. DECRETO	Nº	8.865,	DE	29	DE	SETEMBRO	DE	2016a. 
Disponível em: Acesso em: 22 dez. 2018.
BRASIL. Ministério do Desenvolvimento Agrário. Política	nacional	de	assistência	técnica	
e	extensão	rural. 2004. Disponível em: . Acesso em: 15 nov. 2018.
BRASIL. Secretaria	Especial	de	Agricultura	Familiar	e	do	Desenvolvimento	Agrário. 
Disponível em: . 
Acesso em: 02 dez. 2018.
BRASIL. Secretaria	de	governo. 2018a. Disponível em: .Acesso em: 22 dez. 2018.
BRASIL. Constituição	1988. Brasília: Senado Federal, 1988.
BRASIL. Presidência da República. MEDIDA	PROVISÓRIA	Nº	870,	DE	1º	DE	JANEIRO	DE	
2019. Disponível em: . Acesso em: 22 jan. 2019.
6352
Referências bibliográficas
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53
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século	21: a formação de um novo padrão agrário e agrícola. Brasília: Embrapa, 2014.
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futuro	comum. Rio de Janeiro: FGV, 1988.
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safios, tentativas e escolhas para se estabelecer critérios mínimos rumo a conceituação 
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PEIXOTO, Marcus. Extensão	rural	no	Brasil: uma abordagem histórica da legislação. 
Brasília: Senado Federal, 2008.
QUEIROZ, J. E. L. Por uma agência reguladora do agronegócio. Meritum, 5(1), 
181‑231, 2010.
RODRIGUES, Cyro M. Estado	e	seletividade	de	políticas	públicas: uma abordagem 
teórica e evidências empíricas ao nível da política de extensão rural no Brasil. 
Tese (Doutorado) – Universidade de Brasília, Brasília, 1994.
SCHULTZ, G; WAQUIL, P. D. (Org.). Políticas	públicas	e	privadas	e	competitividade	das	
cadeias	agroindustriais. Porto Alegre: UFRGS, 2011.
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REVISTA NOVA ESCOLA. 50	questões	básicas	sobre	construtivismo. 1995. Disponível em: 
. Acesso em: 22 dez. 2018.
VILA NOVA, S. Introdução	à	sociologia. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2000.
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VILA NOVA, S. Introdução	à	sociologia. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2000.
66
67 1
Unidade 2
Métodos e Técnicas de 
Extensão Rural
682
Unidade 2
Objetivos da Unidade
•	 Compreender	o	que	o	profissional	de	extensão	rural	deve	levar	em	conta	antes	
de	iniciar	seu	trabalho	junto	aos	ruralistas	e	suas	famílias.
•	 Conhecer	os	métodos	e	técnicas	de	ensino	e	comunicação	aplicáveis	à	extensão	
rural,	seus	objetivos,	vantagens	e	limitações.
•	 Entender	o	que	são	métodos	participativos	e	aprender	a	usá‑los	em	sua	prática	
profissional.
Contextualizando
Como estudante, você certamente já observou que os professores utilizam formas dife-
rentes de ensinar. Uns chegam na sala de aula e discorrem sobre determinado assunto 
praticamente sem usar nenhum recurso a não ser a oratória. Outros solicitam a leitura de 
textos e a apresentação posterior pelos próprios alunos, utilizando recursos multimídia, 
como PowerPoint, vídeos etc., com posterior debate em plenária. Alguns levam os alunos 
para conhecer projetos e técnicas, por meio de excursões. Outros dão aulas práticas, e 
assim por diante.
Você já deve ter percebido, também, que muitos deles combinam esses e outros méto-
dos, estruturando um conjunto encadeado de métodos e técnicas para lecionar aquela 
disciplina, que denominamos metodologia. É sobre a escolha dos melhores métodos e 
sua organização estruturada para constituir a basedo nosso trabalho de extensão rural 
que vamos falar agora.
Afinal, o que são métodos e o que é metodologia? Quais as diferenças entre eles? Como 
faço para escolher os melhores métodos? E para estruturar a metodologia?
692
Unidade 2
Objetivos da Unidade
•	 Compreender	o	que	o	profissional	de	extensão	rural	deve	levar	em	conta	antes	
de	iniciar	seu	trabalho	junto	aos	ruralistas	e	suas	famílias.
•	 Conhecer	os	métodos	e	técnicas	de	ensino	e	comunicação	aplicáveis	à	extensão	
rural,	seus	objetivos,	vantagens	e	limitações.
•	 Entender	o	que	são	métodos	participativos	e	aprender	a	usá‑los	em	sua	prática	
profissional.
Contextualizando
Como estudante, você certamente já observou que os professores utilizam formas dife-
rentes de ensinar. Uns chegam na sala de aula e discorrem sobre determinado assunto 
praticamente sem usar nenhum recurso a não ser a oratória. Outros solicitam a leitura de 
textos e a apresentação posterior pelos próprios alunos, utilizando recursos multimídia, 
como PowerPoint, vídeos etc., com posterior debate em plenária. Alguns levam os alunos 
para conhecer projetos e técnicas, por meio de excursões. Outros dão aulas práticas, e 
assim por diante.
Você já deve ter percebido, também, que muitos deles combinam esses e outros méto-
dos, estruturando um conjunto encadeado de métodos e técnicas para lecionar aquela 
disciplina, que denominamos metodologia. É sobre a escolha dos melhores métodos e 
sua organização estruturada para constituir a base do nosso trabalho de extensão rural 
que vamos falar agora.
Afinal, o que são métodos e o que é metodologia? Quais as diferenças entre eles? Como 
faço para escolher os melhores métodos? E para estruturar a metodologia?
3
Entendendo os conceitos
Metodologia e método são termos relacionados, embora não possuam o mesmo signifi-
cado. Vamos, então, estabelecer uma distinção entre esses dois termos.
Metodologia é o estudo dos métodos, em especial aqueles ligados à ciência. Explica em 
detalhes e com rigor cada procedimento necessário para que os métodos escolhidos 
para a realização de determinada pesquisa ou trabalho possam ser utilizados e execu-
tados. Também promove a integração dos métodos, ou seja, ajuda a definir os métodos 
mais adequados à geração do conhecimento em determinada área ou ao atingimento de 
determinado objetivo.
O estudo, adaptação e sistematização dos métodos que podem ser utilizados no trabalho 
de extensão rural também são objeto da metodologia (LOPES, 2016).
Além de envolver a escolha dos melhores métodos e técnicas a utilizar para atingir 
determinado objetivo, bem como definir a respectiva base conceitual e filosófica, 
também contempla a forma concreta de desenhar o projeto, fixar seus objetivos e 
assegurar que os meios utilizados sejam adequados aos fins propostos (THIOLLENT, 2000, 
apud LOPES, 2016).
Figura	1 Tiro diversificada Formação acadêmica. 
Crédito: © Rawpixel| iStockphoto.com.
704
Método é a forma de proceder, a técnica ou o processo para se realizar algum projeto, 
pesquisa, ação etc., a partir de um planejamento prévio. A palavra método se origina do 
grego methodos (caminho para chegar a um fim).
A metodologia em extensão rural consiste no estudo e adaptação dos métodos de 
comunicação e ensino disponíveis para o trabalho do extensionista, envolvendo a 
sistematização dos métodos que se adaptam a esse trabalho.
Os métodos de extensão rural estão relacionados com a forma como construímos o 
conhecimento, o processo de ensino em si, tendo em conta a necessidade de adaptar 
ou desenvolver procedimentos, ferramentas e técnicas e de comunicação, de forma que 
atendam às necessidades da extensão rural, visando obter mudanças de atitudes e com-
portamentos. São os meios que podemos utilizar para viabilizar a obtenção dos objetivos 
planejados.
Técnica ou ferramenta – “É o conjunto de procedimentos que se utiliza como meio para 
se chegar a um ou mais objetivos, o jeito ou habilidade especial de executar ou fazer algo; 
é o como fazer” (IDAM, 2014).
Cabe ao extensionista (LOPES, 2016):
l elaborar um planejamento adequado dos métodos e meios de comunicação para os 
objetivos planejados;
l conhecer os principais métodos adequados para o uso na extensão rural;
l saber selecionar o método que mais se adéqua à situação em questão.
Exemplos de método: aula expositiva utilizando slides.
Exemplo de metodologia: curso utilizando aula expositiva, projeção e debate de vídeo, 
roda de diálogo e trabalho em grupo, incluindo a justificativa didática e pedagógica 
para sua escolha.
Na prática
714
Método é a forma de proceder, a técnica ou o processo para se realizar algum projeto, 
pesquisa, ação etc., a partir de um planejamento prévio. A palavra método se origina do 
grego methodos (caminho para chegar a um fim).
A metodologia em extensão rural consiste no estudo e adaptação dos métodos de 
comunicação e ensino disponíveis para o trabalho do extensionista, envolvendo a 
sistematização dos métodos que se adaptam a esse trabalho.
Os métodos de extensão rural estão relacionados com a forma como construímos o 
conhecimento, o processo de ensino em si, tendo em conta a necessidade de adaptar 
ou desenvolver procedimentos, ferramentas e técnicas e de comunicação, de forma que 
atendam às necessidades da extensão rural, visando obter mudanças de atitudes e com-
portamentos. São os meios que podemos utilizar para viabilizar a obtenção dos objetivos 
planejados.
Técnica ou ferramenta – “É o conjunto de procedimentos que se utiliza como meio para 
se chegar a um ou mais objetivos, o jeito ou habilidade especial de executar ou fazer algo; 
é o como fazer” (IDAM, 2014).
Cabe ao extensionista (LOPES, 2016):
l elaborar um planejamento adequado dos métodos e meios de comunicação para os 
objetivos planejados;
l conhecer os principais métodos adequados para o uso na extensão rural;
l saber selecionar o método que mais se adéqua à situação em questão.
Exemplos de método: aula expositiva utilizando slides.
Exemplo de metodologia: curso utilizando aula expositiva, projeção e debate de vídeo, 
roda de diálogo e trabalho em grupo, incluindo a justificativa didática e pedagógica 
para sua escolha.
Na prática
5
2.1 Introdução
Ambiente de atuação do extensionista
Para atuar na extensão rural é preciso entender que existem “dois Brasis”, onde convi-
vem setores modernos, industrializados e urbanos, e outros tradicionais e atrasados, de 
estilo de vida e cultura tipicamente rurais (LAMBERT, 1978, apud VILA NOVA, 2000). Com 
essa realidade, convivem segmentos de produção agropecuária altamente tecnificada, 
em que o contexto em que vive a população envolvida é semelhante ao dos modernos 
centros urbanos.
A evolução tecnológica é apenas um aspecto do desenvolvimento que, no caso da 
agricultura, deveria envolver a fixação do trabalhador rural no campo, seu ambiente 
sociológico de origem. Na agroindústria da cana‑de‑açúcar no Nordeste, por exemplo, a 
monocultura e a concentração fundiária têm sido os grandes obstáculos para atingir tal 
objetivo. Nem a industrialização nem a acumulação de capital asseguram o desenvolvi-
mento, na ausência de atitudes e motivações coletivas propícias. Até mesmo a educação 
pode ser usada para conservar o status quo.
A metodologia Mexpar (Carvalho, 2008) é um bom exemplo do que estamos falando! 
Apresenta diversos métodos encadeados dentro de uma lógica de trabalho específica 
da extensão rural e conectados por uma base filosófica e conceitual sólida e reconheci-
da. Você terá a oportunidade de conhecer essa metodologia ao final desta unidade.
Na prática
Entender em que contexto e com que tipo de população o trabalho de extensão rural 
será desenvolvido é fundamental para seu sucesso. Uma coisa é trabalhar com um 
produtor rural da agricultura ou pecuária de grande porte, voltada para a exportação. 
Outra, muito diferente, é atuar junto a produtores rurais familiares. Pense nisso!
Para refletir
726
Questão das minorias: as mulheres
Outra questãoimportante na prática da extensão rural é a compreensão dos contextos 
sociais específicos dos grupos minoritários. Para isso, vamos entender minorias como 
aqueles grupos que sofrem algum tipo de discriminação que os expõem a situações 
 vexatórias ou limitadoras de seu desenvolvimento integral como seres humanos 
(DA SILVEIRA; DE FREITAS, 2017). São exemplos as minorias étnicas, religiosas, etárias, 
de gênero etc. Podem ser numericamente inferiores, como as pessoas com deficiência, 
ou mesmo superiores, como as mulheres.
A reivindicação dos direitos das mulheres começou com as sufragistas, no início do século 
XX (direito de voto), fortalecendo‑se com o movimento feminista a partir dos anos 1960. 
Para compreender seu lugar na sociedade, é importante distinguir os conceitos de sexo e 
gênero:
 l Sexo tem a ver com as características biologicamente determinadas para a mulher e o 
homem (anatômicas, endocrinológicas e fisiológicas).
 l Gênero está associado às ideias de feminilidade (o que supostamente é próprio da 
mulher) e de masculinidade (próprio do homem), que variam de acordo com a cultura.
Tal distinção permite denunciar equívocos e preconceitos ligados à feminilidade, 
 baseados no reducionismo biologista. Qualquer mudança na condição da mulher 
 demanda transformações profundas dos padrões de comportamento e de pensamento. 
A questão da inferioridade social da mulher tende a ser mais grave nas classes sociais 
economicamente menos favorecidas e é um sério problema social global.
A luta das mulheres por uma participação mais justa na sociedade é uma batalha pela 
conquista de poder em relação aos homens, não apenas no sentido estritamente político, 
mas em todos os níveis. É característica das sociedades androcêntricas (machistas) a 
dupla moral: permissiva para os homens (por exemplo: poligamia) e restritiva para as 
mulheres. Para haver mudança, são importantes os movimentos sociais e as organizações 
dedicadas ao tratamento coletivo dessas questões.
Qualquer mudança que permita à mulher ocupar espaços de poder na sociedade só 
ocorrerá se o papel dos homens for igualmente transformado. Isso ocorre porque seus 
interesses e vantagens tradicionais serão questionados, gerando insatisfação e perplexi-
dade e provocando crises de identidade e reações agressivas decorrentes de sentimento 
de frustração. Apesar disso, essas mudanças vêm ocorrendo nas sociedades urbano‑in-
dustriais, em que as mulheres estão cada vez mais descoladas da chancela masculina 
para ampliar seu papel social.
O alto significado do movimento das mulheres por seus direitos e as conquistas que vêm 
obtendo são fatos irreversíveis, bem como suas consequências na sociedade contem-
porânea. Não podem ser ignorados por quem pretende compreender e atuar nessa 
sociedade. Sendo assim, a atuação extensionista precisa envolver o mapeamento dessa 
população nas comunidades e a compreensão das relações e das atividades desenvol‑
vidas (produtivas, artesanais, domésticas e outras) (DA SILVEIRA; DE FREITAS, 2017).
736
Questão das minorias: as mulheres
Outra questão importante na prática da extensão rural é a compreensão dos contextos 
sociais específicos dos grupos minoritários. Para isso, vamos entender minorias como 
aqueles grupos que sofrem algum tipo de discriminação que os expõem a situações 
 vexatórias ou limitadoras de seu desenvolvimento integral como seres humanos 
(DA SILVEIRA; DE FREITAS, 2017). São exemplos as minorias étnicas, religiosas, etárias, 
de gênero etc. Podem ser numericamente inferiores, como as pessoas com deficiência, 
ou mesmo superiores, como as mulheres.
A reivindicação dos direitos das mulheres começou com as sufragistas, no início do século 
XX (direito de voto), fortalecendo‑se com o movimento feminista a partir dos anos 1960. 
Para compreender seu lugar na sociedade, é importante distinguir os conceitos de sexo e 
gênero:
 l Sexo tem a ver com as características biologicamente determinadas para a mulher e o 
homem (anatômicas, endocrinológicas e fisiológicas).
 l Gênero está associado às ideias de feminilidade (o que supostamente é próprio da 
mulher) e de masculinidade (próprio do homem), que variam de acordo com a cultura.
Tal distinção permite denunciar equívocos e preconceitos ligados à feminilidade, 
 baseados no reducionismo biologista. Qualquer mudança na condição da mulher 
 demanda transformações profundas dos padrões de comportamento e de pensamento. 
A questão da inferioridade social da mulher tende a ser mais grave nas classes sociais 
economicamente menos favorecidas e é um sério problema social global.
A luta das mulheres por uma participação mais justa na sociedade é uma batalha pela 
conquista de poder em relação aos homens, não apenas no sentido estritamente político, 
mas em todos os níveis. É característica das sociedades androcêntricas (machistas) a 
dupla moral: permissiva para os homens (por exemplo: poligamia) e restritiva para as 
mulheres. Para haver mudança, são importantes os movimentos sociais e as organizações 
dedicadas ao tratamento coletivo dessas questões.
Qualquer mudança que permita à mulher ocupar espaços de poder na sociedade só 
ocorrerá se o papel dos homens for igualmente transformado. Isso ocorre porque seus 
interesses e vantagens tradicionais serão questionados, gerando insatisfação e perplexi-
dade e provocando crises de identidade e reações agressivas decorrentes de sentimento 
de frustração. Apesar disso, essas mudanças vêm ocorrendo nas sociedades urbano‑in-
dustriais, em que as mulheres estão cada vez mais descoladas da chancela masculina 
para ampliar seu papel social.
O alto significado do movimento das mulheres por seus direitos e as conquistas que vêm 
obtendo são fatos irreversíveis, bem como suas consequências na sociedade contem-
porânea. Não podem ser ignorados por quem pretende compreender e atuar nessa 
sociedade. Sendo assim, a atuação extensionista precisa envolver o mapeamento dessa 
população nas comunidades e a compreensão das relações e das atividades desenvol‑
vidas (produtivas, artesanais, domésticas e outras) (DA SILVEIRA; DE FREITAS, 2017).
7
Estratégias de transformação da realidade rural
A Política Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (Pnater), instituída em 2003, 
visou transformar o modelo vigente, oriundo do período de modernização da agricultura. 
Entretanto, embora tenha trazido um novo discurso, mais moderno e alinhado ao cons-
trutivismo, as dificuldades práticas da implementação desse viés pedagógico inovador 
têm sido muito grandes (BALEM, 2009).
Para entender como atuar de forma alinhada ao modelo construtivista de ER proposto 
pela Pnater, primeiramente precisamos entender a atuação extensionista no contexto de 
comunidades rurais. Para isso, é necessário entender a realidade na qual vivem os cam-
poneses, ou seja, as pessoas que compõem a comunidade rural (GONÇALVES, 2016).
Uma comunidade pode ser definida como “um conjunto de pessoas de mesma classe 
social (camponês), vivendo numa mesma área e compartilhando condições comuns 
de existência, interesses, objetivos e preocupações” (PRADO; RAMIREZ, 2011, apud 
 GONÇALVES, 2016, p. 137). Como contraponto, temos os grupos de vizinhança, 
os quais, apesar de viverem em áreas geográficas próximas, não adotam o mesmo código 
de conduta.
No meio rural, essas comunidades formam o campesinato, composto pelos camponeses 
que ali vivem, onde todos se conhecem e comungam a forma de funcionamento da vida 
dos membros. O compartilhamento do código de conduta entre agentes antagônicos é 
fator estruturante da vida em sociedade e condição para sua existência. Outros compo-
nentes dessa sociedade são, por exemplo, o líder religioso, o proprietário de terras e o 
comerciante.
Em geral, a comunidade se organiza tanto para promover festas ou outras manifestações 
culturais e esportivas ou atividades de apoio mútuo entre seus membros, como também 
para planejar e implementar ações visando ao atingimento de objetivos específicos, em 
prol da melhoriada qualidade de vida para todos.
Nesse contexto, comumente não há a plena implantação do modelo produtivista, ou 
seja, não há concorrência entre propriedades e a terra é mais que um simples fator de 
produção. Nessas comunidades são comuns relações de clientelismo, patronagem e de-
pendência pessoal. Os mecanismos de mercado presentes geralmente se alimentam da 
pobreza desse campesinato, em razão das estruturas imperfeitas ligadas à transformação 
de seus produtos em mercadorias, que reproduz essa situação. Por isso, em geral, esses 
agricultores não estão integrados totalmente aos mercados (ABRAMOVAY, 1992, apud 
GONÇALVES, 2016, p. 138).
748
2.2 Métodos e técnicas de extensão rural:
objetivos, vantagens e limitações
Como você já viu na Unidade I, cientistas e pesquisadores estão o tempo todo produzin-
do novos conhecimentos que geram novas tecnologias e até invenções. O passo seguinte 
é fazer chegar as informações e práticas às pessoas para quem esse conjunto de inova-
ções tenha utilidade. E é com esse objetivo que utilizamos os diversos métodos e técnicas 
de extensão rural.
No caso dos produtores rurais, o desafio para fazer com que todo esse esforço se trans-
forme em melhorias na produção e na produtividade é ainda maior. Temos o problema 
das distâncias e também o desafio de encontrar a melhor abordagem, considerando a 
cultura dos ruralistas, geralmente diferente daquela das pessoas da cidade. Sem contar 
que o número de extensionistas é pequeno para o universo de agricultores! Falar com 
cada um individualmente nem sempre é a melhor escolha, por isso temos que considerar 
métodos em grupo, ou mesmo de disseminação massiva da informação, ou seja, a gran-
des contingentes de produtores.
Novas tecnologias de comunicação, como a televisão, os celulares e a internet, vêm 
acelerando intensamente a velocidade das mudanças no setor. Fica cada vez mais fácil e 
rápido acessar resultados de pesquisas, inovações tecnológicas, cotações de produtos, 
condições meteorológicas etc. Assim, recursos como computadores e tablets passam a 
ser importantes para o trabalho do extensionista, permitindo acessar softwares, coletar 
dados, controlar máquinas e equipamentos agrícolas, acompanhar o posicionamento de 
rebanhos em determinada área etc. (SILVA, 2014).
É bom ter em mente que utilizamos determinado método como um caminho ordenado 
e regular para chegar a um objetivo ou finalidade (CHAUÍ, 1997). Sendo assim, a seleção 
do método de comunicação deverá ser feita de acordo com o objetivo a atingir, o público 
e demais condições, que deverão ser ponderadas pelo extensionista. Por exemplo, às 
vezes os componentes de um grupo de produtores rurais estão em um estágio inicial de 
conhecimento sobre um tema ou prática, enquanto outros já passaram por essa etapa 
e precisam de aprofundamento das informações. Sendo assim, é necessário identificar 
essas fases e usar métodos diferentes ou mesmo uma combinação de métodos para que 
os objetivos sejam alcançados.
A Comunicação Rural, através de veículos de informação ou simplesmente 
o conversacional entre sujeitos, sempre irá focalizar a relação/interação/
vínculo/associação comunicacional entre os públicos afetados pelos co-
nhecimentos (tradicionais e tecnológicos), de modo geral, mediadores do 
conhecimento, usuários das técnicas e estudiosos das inovações tecno-
lógicas e científicas nas diversas áreas do conhecimento. A presença do 
sistema mídia neste contexto serve para ampliar ou dar visibilidade aos 
discursos que já existem neste movimento conversacional relacional dos 
atores sociais, além de ampliar os conhecimentos já existentes (DUARTE; 
SOARES, 2011).
758
2.2 Métodos e técnicas de extensão rural:
objetivos, vantagens e limitações
Como você já viu na Unidade I, cientistas e pesquisadores estão o tempo todo produzin-
do novos conhecimentos que geram novas tecnologias e até invenções. O passo seguinte 
é fazer chegar as informações e práticas às pessoas para quem esse conjunto de inova-
ções tenha utilidade. E é com esse objetivo que utilizamos os diversos métodos e técnicas 
de extensão rural.
No caso dos produtores rurais, o desafio para fazer com que todo esse esforço se trans-
forme em melhorias na produção e na produtividade é ainda maior. Temos o problema 
das distâncias e também o desafio de encontrar a melhor abordagem, considerando a 
cultura dos ruralistas, geralmente diferente daquela das pessoas da cidade. Sem contar 
que o número de extensionistas é pequeno para o universo de agricultores! Falar com 
cada um individualmente nem sempre é a melhor escolha, por isso temos que considerar 
métodos em grupo, ou mesmo de disseminação massiva da informação, ou seja, a gran-
des contingentes de produtores.
Novas tecnologias de comunicação, como a televisão, os celulares e a internet, vêm 
acelerando intensamente a velocidade das mudanças no setor. Fica cada vez mais fácil e 
rápido acessar resultados de pesquisas, inovações tecnológicas, cotações de produtos, 
condições meteorológicas etc. Assim, recursos como computadores e tablets passam a 
ser importantes para o trabalho do extensionista, permitindo acessar softwares, coletar 
dados, controlar máquinas e equipamentos agrícolas, acompanhar o posicionamento de 
rebanhos em determinada área etc. (SILVA, 2014).
É bom ter em mente que utilizamos determinado método como um caminho ordenado 
e regular para chegar a um objetivo ou finalidade (CHAUÍ, 1997). Sendo assim, a seleção 
do método de comunicação deverá ser feita de acordo com o objetivo a atingir, o público 
e demais condições, que deverão ser ponderadas pelo extensionista. Por exemplo, às 
vezes os componentes de um grupo de produtores rurais estão em um estágio inicial de 
conhecimento sobre um tema ou prática, enquanto outros já passaram por essa etapa 
e precisam de aprofundamento das informações. Sendo assim, é necessário identificar 
essas fases e usar métodos diferentes ou mesmo uma combinação de métodos para que 
os objetivos sejam alcançados.
A Comunicação Rural, através de veículos de informação ou simplesmente 
o conversacional entre sujeitos, sempre irá focalizar a relação/interação/
vínculo/associação comunicacional entre os públicos afetados pelos co-
nhecimentos (tradicionais e tecnológicos), de modo geral, mediadores do 
conhecimento, usuários das técnicas e estudiosos das inovações tecno-
lógicas e científicas nas diversas áreas do conhecimento. A presença do 
sistema mídia neste contexto serve para ampliar ou dar visibilidade aos 
discursos que já existem neste movimento conversacional relacional dos 
atores sociais, além de ampliar os conhecimentos já existentes (DUARTE; 
SOARES, 2011).
9
Para Bordenave (1988, apud DUARTE; SOARES, 2011), embora a população rural seja 
um público diferenciado, em função de seus valores e cultura, atualmente também está 
 exposta à comunicação de massa e às mídias digitais, que vêm se expandindo forte‑
mente. Mesmo nas pequenas cidades rurais, informações e valores midiatizados são 
consumidos pelos jovens, introduzindo na cultura rural valores e costumes tradicionais 
da vida urbana e, a partir dessa hibridização, formando uma nova cultura.
A experiência midiatizada é fruto do aumento do fluxo das informações via 
tecnologias, que permitiu às pessoas a expansão do conhecimento sobre 
o mundo e aumento da participação nas discussões sobre os problemas 
do país, mesmo que sejam rasos esse conhecimento e essa participação. 
Duarte (2005) mostrou que mesmo em algumas regiões rurais do sertão 
do Nordeste (onde a cidadania só é vivida como forma de pensamento 
quando se migra para a cidade grande), as informações jornalísticas baliza-
ram ao longo das décadas a decisão e a ação de migrar dos jovens rurais do 
sertão de Pernambuco para São Paulo (DUARTE; SOARES, 2011).
Utilizamos os métodos de comunicação em Extensão Rural como processo de ensino, 
visando produzir conhecimento por meio de procedimentos, instrumentos e técnicas de 
comunicação adequadas e específicas paraa extensão rural, com o objetivo de promover 
mudanças de atitudes e comportamento (LOPES, 2016; PEREIRA et al., 2009).
Vários métodos de alcance individual, grupal e massal, cada um deles com seus objeti-
vos, prós e contras, estão disponíveis para uso do extensionista. Vamos, então, conhecer 
alguns deles.
2.3 Métodos de alcance individual,
grupal e massal
2.3.1 Métodos de alcance individual
Como o próprio nome indica, métodos individuais são aqueles em que a pessoa é atendi-
da individualmente pelo extensionista. Apesar de serem menos abrangentes, permitem 
maior proximidade, facilitando a geração de vínculos de confiança junto aos ruralistas, e, 
em consequência, o aprendizado. Também permitem obter informações mais detalhadas 
e aprofundadas sobre a realidade local e as condições de produção, pois a comunicação 
de mão dupla é facilitada.
Por outro lado, apresentam custos mais elevados, o que deve ser sempre considerado 
quando da escolha do método e da forma de abordagem, que deve primar pela objetivi-
dade. Entre os principais métodos individuais, podemos citar: visita; contato; entrevista; 
atendimento de escritório e; telefone (PEREIRA et al., 2009; LOPES, 2016).
7610
Visita
Figura	2 Equipe de veterinários examinando um cavalo em uma fazenda. 
Crédito: © andresr| iStockphoto.com.
Nesse método, o extensionista estabelece comunicação pessoal e presencial com o 
produtor rural e sua família, com privacidade e sem interrupções, por isso é eficaz na 
introdução de novos conhecimentos, práticas e técnicas. Pode ser combinada com outros 
métodos.
A visita deve ser uma ação planejada, com a definição prévia dos objetivos e do programa 
de trabalho de Ater a ser executado. Deve‑se ter o cuidado de não concentrar as visitas 
nas mesmas famílias.
Dependendo do objetivo, a visita poderá ser (LOPES, 2016):
 l visita técnica: transmissão de orientações e informações e troca de conhecimentos;
 l visita prática: repasse de determinada prática ao produtor rural;
 l visita de dinamização: foco no envolvimento, sensibilização e motivação do produtor 
para o uso de uma prática ou técnica; também pode envolver o planejamento, acom-
panhamento ou avaliação das ações.
7710
Visita
Figura	2 Equipe de veterinários examinando um cavalo em uma fazenda. 
Crédito: © andresr| iStockphoto.com.
Nesse método, o extensionista estabelece comunicação pessoal e presencial com o 
produtor rural e sua família, com privacidade e sem interrupções, por isso é eficaz na 
introdução de novos conhecimentos, práticas e técnicas. Pode ser combinada com outros 
métodos.
A visita deve ser uma ação planejada, com a definição prévia dos objetivos e do programa 
de trabalho de Ater a ser executado. Deve‑se ter o cuidado de não concentrar as visitas 
nas mesmas famílias.
Dependendo do objetivo, a visita poderá ser (LOPES, 2016):
 l visita técnica: transmissão de orientações e informações e troca de conhecimentos;
 l visita prática: repasse de determinada prática ao produtor rural;
 l visita de dinamização: foco no envolvimento, sensibilização e motivação do produtor 
para o uso de uma prática ou técnica; também pode envolver o planejamento, acom-
panhamento ou avaliação das ações.
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Contato
Diferentemente da visita, ocorre em situações não planejadas e em locais e formatos 
os mais diversos, abrangendo público diversificado. Representa uma oportunidade para 
troca de informações e para esclarecimento ao público atendido direta ou indiretamente 
pelo profissional de Ater. Também pode ser usado para motivar, promover relações 
públicas, convidar para eventos etc. Tem caráter mais informal, permite uma comuni‑
cação mais simples e direta, assim como abre espaço para o uso da influência pessoal do 
extensionista, em busca dos objetivos do trabalho.
Entrevista
Esse tipo de contato deve ser planejado cuidadosamente, podendo ocorrer no escritório, 
na sede ou no campo. Visa obter informações, identificar problemas e avaliar o trabalho 
de extensão.
Uma das modalidades é a entrevista semiestruturada, em que são feitas de dez a 15 per-
guntas elaboradas previamente, em geral envolvendo lideranças ou pessoas de prestígio 
na comunidade. Esse método permite um diálogo aberto em que o entrevistado pode se 
expressar livremente.
A seguir, exemplo de um plano de visita. Use‑o para se inspirar e preparar o seu plano.
Fonte: LOPES (2016, p. 9).
Na prática
7812
Atendimento de escritório
Geralmente ocorre a partir do interesse da pessoa que vai ao escritório por alguma infor-
mação ou recomendação que a equipe de extensionistas possa fornecer. Tem a vantagem 
de consumir menos tempo e ter menor custo. Apesar de ter alguma semelhança com 
a visita à propriedade, o visitante não está tão à vontade quanto estaria em sua própria 
casa. É importante registrar o atendimento, o qual será uma base para dar sequência à 
atividade de extensão.
Atendimento telefônico ou WhatsApp individual
De modo semelhante ao atendimento no escritório, tanto pode partir do agricultor como 
do próprio extensionista. Rápido e prático, esse tipo de contato facilita a troca de infor-
mações específicas, tal como orientações sobre o tratamento de uma doença conhecida, 
ou solicitação de publicações. As mensagens individuais via aplicativo WhatsApp também 
são bastante úteis para uma abordagem mais rápida e objetiva.
2.3.2 Métodos de alcance grupal
Voltados para grupos de pessoas, têm a vantagem de atingir maior contingente de ruralis-
tas e suas famílias com custo mais reduzido. Os métodos grupais permitem:
 l compartilhamento de ideias e experiências;
 l aprendizado conjunto;
Figura	3 Grupo de plantio no jardim comunitário. 
Crédito: © asiseeit| iStockphoto.com.
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Atendimento de escritório
Geralmente ocorre a partir do interesse da pessoa que vai ao escritório por alguma infor-
mação ou recomendação que a equipe de extensionistas possa fornecer. Tem a vantagem 
de consumir menos tempo e ter menor custo. Apesar de ter alguma semelhança com 
a visita à propriedade, o visitante não está tão à vontade quanto estaria em sua própria 
casa. É importante registrar o atendimento, o qual será uma base para dar sequência à 
atividade de extensão.
Atendimento telefônico ou WhatsApp individual
De modo semelhante ao atendimento no escritório, tanto pode partir do agricultor como 
do próprio extensionista. Rápido e prático, esse tipo de contato facilita a troca de infor-
mações específicas, tal como orientações sobre o tratamento de uma doença conhecida, 
ou solicitação de publicações. As mensagens individuais via aplicativo WhatsApp também 
são bastante úteis para uma abordagem mais rápida e objetiva.
2.3.2 Métodos de alcance grupal
Voltados para grupos de pessoas, têm a vantagem de atingir maior contingente de ruralis-
tas e suas famílias com custo mais reduzido. Os métodos grupais permitem:
 l compartilhamento de ideias e experiências;
 l aprendizado conjunto;
Figura	3 Grupo de plantio no jardim comunitário. 
Crédito: © asiseeit| iStockphoto.com.
13
 l surgimento de lideranças comunitárias;
 l cooperação e organização da comunidade.
Quando bem conduzidos, esses métodos permitem criar um campo propício ao surgi-
mento de ideias entre os membros do grupo que podem levar os participantes às mu-
danças em suas práticas. Por isso, são efetivos quando se busca avançar de um estágio 
inicial de interesse por uma nova tecnologia, para sua adoção efetiva por grande número 
de pessoas.
Exemplos de métodos grupais: reunião, curso, oficina, excursão, dia de campo, confe-
rência, convenção ou encontro, fórum, painel, palestra ou preleção, exposições e feiras 
agropecuárias, simpósio, seminário (PEREIRA et al., 2009; LOPES, 2016).
Reunião
Visando à prestação de informações técnicas ou práticas, destina‑se a um público com 
interesses comuns e demanda planejamento prévio. A reunião permite interação inter-
pessoal e grupal e pode envolver grande número de participantes, otimizando a relação 
entre os custos e os benefícios do evento. Pode sercombinada com outros métodos, 
como excursões, dias de campo etc. Pode durar entre duas até oito horas.
Principais tipos de reunião:
 l reunião técnica (RT): introdução de novas práticas, troca de experiências entre produ-
tores, troca de informações específicas;
 l reunião de dinamização (RD): desenvolvimento de lideranças, organização dos produ-
tores ou motivação do público;
 l reunião prática (RP): visa introduzir novas práticas ou aperfeiçoar práticas existentes 
e envolve demonstração técnica do tema em pauta, permitindo aos participantes 
aprender fazendo.
É uma ótima alternativa para praticar a habilidade de reflexão e expressão em grupo, 
 tanto do facilitador quanto dos participantes, e permite a emergência de ideias e lideran-
ças, a troca de ideias e experiências e a cooperação. Constrói um ambiente propício para 
que o extensionista conheça os problemas da comunidade e possa assessorar	na	busca	
de	soluções.
Em contrapartida, requer mais planejamento, tempo e habilidade do extensionista. 
Para ter êxito, é preciso assegurar o máximo envolvimento dos participantes, o que nem 
sempre é fácil. Também não cria muitas oportunidades para identificar e atender interes-
ses pessoais.
Entre os cuidados a se ter em uma reunião, incluem‑se: respeito à pontualidade; asse-
gurar que o ponto de vista e o direito de expressão de todos seja respeitado; buscar a 
participação de todos, em especial dos mais tímidos; conscientizar os presentes sobre 
seus direitos e deveres durante a reunião (PEREIRA et al., 2009; LOPES, 2016).
Afinal, o que é combinado não é caro!
8014
Roteiro para planejar uma reunião (LOPES, 2016):
ANTES
l planejar e selecionar o tipo de reunião;
l verificar o público e alinhar o tema com os interesses dos convidados;
l elaborar objetivo claro e cronograma do encontro;
l definir local, horários, recursos etc., considerando a conveniência dos 
participantes;
l definir como serão feitos os convites.
DURANTE
l quebrar o gelo, iniciando com assunto leve e diferente da pauta;
l abertura da reunião, cumprimentando os presentes e apresentando os objetivos 
do encontro;
l apresentar cada um dos presentes, utilizando ou não atividade específica para isso;
l escolher o coordenador da reunião e secretário (encarregado da ata), caso 
necessário;
l apresentar os assuntos a discutir e alinhar a pauta com os participantes, acolhendo 
eventuais sugestões e propostas de mudanças;
l discutir os assuntos, conforme o tempo previsto para cada um, permitindo a parti-
cipação de todos e fazendo um apanhado/resumo de cada tópico discutido;
l concluir a reunião – encerramento do evento pelo coordenador, após o fim das 
discussões;
l avaliar rapidamente a reunião, seus pontos fortes e pontos de melhoria;
l marcar a data da próxima reunião, se for o caso.
DEPOIS
Assegurar o acompanhamento das decisões tomadas e a divulgação dos resultados e 
conclusões para a comunidade em geral, monitorando o andamento das ações, além 
de planejar novos encontros.
Saiba mais
8114
Roteiro para planejar uma reunião (LOPES, 2016):
ANTES
l planejar e selecionar o tipo de reunião;
l verificar o público e alinhar o tema com os interesses dos convidados;
l elaborar objetivo claro e cronograma do encontro;
l definir local, horários, recursos etc., considerando a conveniência dos 
participantes;
l definir como serão feitos os convites.
DURANTE
l quebrar o gelo, iniciando com assunto leve e diferente da pauta;
l abertura da reunião, cumprimentando os presentes e apresentando os objetivos 
do encontro;
l apresentar cada um dos presentes, utilizando ou não atividade específica para isso;
l escolher o coordenador da reunião e secretário (encarregado da ata), caso 
necessário;
l apresentar os assuntos a discutir e alinhar a pauta com os participantes, acolhendo 
eventuais sugestões e propostas de mudanças;
l discutir os assuntos, conforme o tempo previsto para cada um, permitindo a parti-
cipação de todos e fazendo um apanhado/resumo de cada tópico discutido;
l concluir a reunião – encerramento do evento pelo coordenador, após o fim das 
discussões;
l avaliar rapidamente a reunião, seus pontos fortes e pontos de melhoria;
l marcar a data da próxima reunião, se for o caso.
DEPOIS
Assegurar o acompanhamento das decisões tomadas e a divulgação dos resultados e 
conclusões para a comunidade em geral, monitorando o andamento das ações, além 
de planejar novos encontros.
Saiba mais
15
Reunião de bairro ou comunitária
Busca reunir produtores de uma ou mais comunidades ou bairros próximos e suas 
famílias, com o objetivo de apresentar novas técnicas ou produtos que tragam benefícios 
para a localidade.
É preciso pesquisar antes quais são as lideranças e quem deverá ser convidado, ideal-
mente por meio de visita prévia à comunidade, quando também será possível conhecer 
hábitos e preferências das pessoas, entender os relacionamentos e influências, bem 
como identificar voluntários e colaboradores em geral.
Deve‑se assegurar a participação de toda a família: esposas, maridos, filhos, pais, irmãos 
etc. Geralmente, o melhor local é o salão comunitário ou igreja local, porém é preciso 
ter cuidado para escolher um lugar neutro, em que todos se sintam à vontade em 
comparecer.
Para definir a metodologia a adotar para a reunião, é preciso analisar a infraestrutura e 
os recursos disponíveis (SILVA, 2014).
Figura	4	População em comunidade rural da cidade de Paratinga (BA), em 2014. 
Crédito: © FernandoPodolski| iStockphoto.com.
Simpósio e seminário agrícola
Visam apresentar resultados de pesquisas científicas ou de experimentos a um público 
que tenha relação com os temas apresentados e possa influenciar os produtores de sua 
região. Sendo assim, os participantes poderão atuar na disseminação desses conhe-
cimentos (SILVA, 2014). Para Pereira et al. (2009), no seminário, um grupo de pessoas 
8216
pode aprender de forma ativa sobre determinado tema, sob a direção de um coordena-
dor, aprofundando seus conhecimentos e buscando soluções de forma objetiva para de-
terminado problema. O tema do simpósio ou seminário pode ser subdividido em partes 
ou subtemas.
Conferência, congresso
Trata‑se de encontro formal e planejado em que um conferencista apresenta determi‑
nado tema a um público interessado no assunto. Eventualmente, pode assumir o formato 
de um congresso, com várias sessões acontecendo em sequência ou simultaneamente.
Painel
No painel, quatro a oito especialistas renomados em um tema conversam de maneira 
informal sobre o assunto, à frente de um auditório. No evento, que deve ser moderado 
por um coordenador, há uma primeira etapa, de exposição do tema, primeiro pelo orador 
principal (cerca de 15 minutos), em seguida por parte de cada painelista (cerca de dez 
minutos de exposição), sem abertura para perguntas por parte da plateia.
Em um segundo momento, ocorre um debate entre os colegas de mesa, a partir de per-
guntas que cada um deles direciona aos demais, e, em seguida, abre‑se para as perguntas 
do público. Finalmente, a posição de cada painelista é resumida rapidamente e o orador 
principal apresenta sua opinião.
O painel pode ter um presidente, um coordenador e um moderador. Visa apresentar 
resultados de trabalhos sobre determinado tema e permite o compartilhamento de dife-
rentes pontos de vista e a complementação de ideias e conclusões.
Curso
Voltado para a qualificação das pessoas sobre um ou vários temas, conectados ou não, 
por intermédio da transmissão de técnicas, conhecimentos e práticas por instrutores 
capacitados. Pode ser usado tanto para levar novos conhecimentos, como para aperfei‑
çoamento, aprofundamento, nivelamento de conhecimentos e especialização.
Apresenta diversas vantagens, como facilitar a aprendizagem e o compartilhamento 
de informações, economizar tempo do técnico, atingir público mais amplo. Entretanto, 
 demanda local apropriado, gera custos e precisa de planejamento cuidadoso, 
entre outros aspectos. Pode ser combinado com campossexos. Para você, essas diferenças são reais ou 
representam a defesa de interesses de algum grupo social, conscientemente ou não?
Para refletir
5
Usuários dos resultados da teoria e da pesquisa sociológica
l Políticos ou planejadores.
l Assistente social ou planejador.
l Líder sindical ou comunitário.
l Outros, a exemplo do extensionista.
A sociologia estuda os fenômenos sociais, porém não se atém apenas aos problemas 
sociais e não se ocupa em resolvê‑los, mas tão somente em explicá‑los. Mas, afinal, 
qual a diferença entre “problema social” e “problema sociológico”?
Problemas sociológicos são aqueles que permitem uma explicação teórica do que 
acontece na vida em sociedade. Ao estudá‑los de forma científica, o sociólogo poderá 
gerar subsídios confiáveis para a solução de problemas sociais. Por exemplo: funciona‑
mento da família. Já um problema social tem origem ou consequências sociais. Para 
identificá‑lo, temos que apurar se um fato social pode gerar sentimento de indignação 
moral na população ou representar uma ameaça (material ou de valores) para a coletivi‑
dade. Por exemplo: desemprego (VILA NOVA, 2000).
Como extensionista, você fatalmente irá precisar entender o contexto sociológico, 
bem como identificar os problemas sociais relevantes de seu campo de atuação. 
Algumas categorias sociais poderão ter seus interesses afetados pela busca de solução 
dos problemas sociais. Nesse contexto, é preciso explicitar seus próprios valores, 
ideologia e viés político, que estão ligados à sua origem na cadeia social. Assim, poderá 
minimizar a interferência desses fatores na atuação extensionista e ter mais objeti‑
vidade no tratamento dos problemas e na busca de soluções.
Importante
Sociedades humanas e não humanas apresentam padrões de comportamento. 
Para abelhas ou formigas, por exemplo, tais padrões são biologicamente determinados. 
No caso do homem, são construídos artificialmente pelo próprio homem, variam no 
tempo e dependem do local onde a sociedade está. Isto ocorre porque, na transmissão e 
apreensão desses padrões, predomina a comunicação simbólica (VILA NOVA, 2000).
166
1.1 Sociologia como base para a extensão rural
1.1.1 Introdução à sociologia
O homem não nasce social. Só adquire as características sociais típicas da espécie por 
meio da socialização, fundamental para a continuidade dos sistemas sociais e caminho 
para que o indivíduo desenvolva sua personalidade e seja admitido na sociedade. As 
sociedades estão sempre em transformação, embora isso ocorra de forma mais lenta 
nas sociedades simples do que nas complexas. Para que o indivíduo se adapte a essas 
mudanças, é necessário assimilar os novos padrões de comportamento desenvolvidos em 
seu meio social.
Para a sociologia, “cultura” compreende tudo o que é criado pelo homem, desde ideias 
até artefatos, em um contexto que vai além de suas capacidades biológicas, mas que en‑
volve aquelas desenvolvidas no convívio social. A cultura é o que distingue as formas de 
organização social humanas das não humanas. Todas as sociedades possuem cultura, que 
é a expressão do seu modo de vida e fundamento da sociedade. A cultura das socieda‑
des simples, como algumas sociedades rurais tradicionais, tende a ser mais homogênea 
e integrada, com fundamentos, sentimentos e atitudes semelhantes e ritmo mais lento 
de transformação. Isso deve ser considerado no trabalho de extensão rural. Também 
precisamos compreender a cultura popular subjacente e a maior ou menor influência da 
cultura de massas.
Nunca é demais ter cuidado com os estereótipos, rotulações sociais concebidas a 
partir de imagens preestabelecidas de uma categoria social, como minorias étnicas ou 
populações de certas regiões (por exemplo, mineiros ou nordestinos). Nesse contexto, 
as generalizações e simplificações podem prejudicar as relações sociais e até o resultado 
do trabalho (VILA NOVA, 2000).
Ao fazer qualquer intervenção em determinada sociedade, temos que respeitar o con‑
texto cultural e compreender que não existem culturas superiores ou inferiores, apenas 
culturas diferentes. Ter maior conhecimento ou tecnologia não significa ser superior. 
Cada cultura só pode ser compreendida a partir de si mesma, ou seja, cada uma possui 
sua própria “lógica”. Fique atento!
De olho
176
1.1 Sociologia como base para a extensão rural
1.1.1 Introdução à sociologia
O homem não nasce social. Só adquire as características sociais típicas da espécie por 
meio da socialização, fundamental para a continuidade dos sistemas sociais e caminho 
para que o indivíduo desenvolva sua personalidade e seja admitido na sociedade. As 
sociedades estão sempre em transformação, embora isso ocorra de forma mais lenta 
nas sociedades simples do que nas complexas. Para que o indivíduo se adapte a essas 
mudanças, é necessário assimilar os novos padrões de comportamento desenvolvidos em 
seu meio social.
Para a sociologia, “cultura” compreende tudo o que é criado pelo homem, desde ideias 
até artefatos, em um contexto que vai além de suas capacidades biológicas, mas que en‑
volve aquelas desenvolvidas no convívio social. A cultura é o que distingue as formas de 
organização social humanas das não humanas. Todas as sociedades possuem cultura, que 
é a expressão do seu modo de vida e fundamento da sociedade. A cultura das socieda‑
des simples, como algumas sociedades rurais tradicionais, tende a ser mais homogênea 
e integrada, com fundamentos, sentimentos e atitudes semelhantes e ritmo mais lento 
de transformação. Isso deve ser considerado no trabalho de extensão rural. Também 
precisamos compreender a cultura popular subjacente e a maior ou menor influência da 
cultura de massas.
Nunca é demais ter cuidado com os estereótipos, rotulações sociais concebidas a 
partir de imagens preestabelecidas de uma categoria social, como minorias étnicas ou 
populações de certas regiões (por exemplo, mineiros ou nordestinos). Nesse contexto, 
as generalizações e simplificações podem prejudicar as relações sociais e até o resultado 
do trabalho (VILA NOVA, 2000).
Ao fazer qualquer intervenção em determinada sociedade, temos que respeitar o con‑
texto cultural e compreender que não existem culturas superiores ou inferiores, apenas 
culturas diferentes. Ter maior conhecimento ou tecnologia não significa ser superior. 
Cada cultura só pode ser compreendida a partir de si mesma, ou seja, cada uma possui 
sua própria “lógica”. Fique atento!
De olho
7
Não é possível observar diretamente as atitudes, mas apenas o comportamento humano, 
que nos permite inferir suas atitudes, em geral derivadas do sistema de crenças, valores, 
opiniões e sentimentos daquela sociedade. Assim, devemos cuidar para não nos deixar 
enganar pelo comportamento, pois as pessoas tendem a esconder seus verdadeiros 
sentimentos, interesses e objetivos, por conveniência social.
A seguir, vamos conhecer um pouco das contribuições dos primeiros teóricos da sociologia.
Quadro 1 Conceitos importantes em sociologia e seus autores
Quem Principais conceitos
Comte Referiu‑se pela primeira vez ao termo “sociologia”.
Durkheim Mais que a simples soma de indivíduos, a sociedade é um sistema formado pela associação de suas 
consciências individuais. Isso explica a vida em sociedade.
Consciência coletiva − a combinação de consciências individuais forma uma “individualidade 
psíquica”, que torna possível a organização social.
Fatos sociais – formas de agir, pensar e sentir impostas ao indivíduo pelo poder de coerção social, 
pois compõem valores ou comportamentos da sociedade. (Por exemplo: sou coagido a comer com 
garfo e faca, mesmo sem me dar conta.)
Norma social – regra ou lei socialmente aceita, como o suicídio altruísta no Japão. Já nas socieda‑
des judaico‑cristãs é um fato social proibido pela norma correspondente. Quanto maior o equilíbrio 
e a organização social, maior a probabilidade de coincidência entre fatos sociais e normas legais.
Weber O sociólogo deve compreender o sentido das ações sociais por intermédiode demonstração, excursões, 
propriedade demonstrativa etc. (LOPES, 2016).
Oficina
Método em que um grupo se reúne para tratar de tema de interesse comum, a partir de 
uma metodologia participativa que permita o compartilhamento de saberes. Pressupõe 
uma construção conjunta, ou seja, é necessário gerar um produto ou resultado a partir 
da interação entre os participantes. Muito usado para processos educativos que envol-
8316
pode aprender de forma ativa sobre determinado tema, sob a direção de um coordena-
dor, aprofundando seus conhecimentos e buscando soluções de forma objetiva para de-
terminado problema. O tema do simpósio ou seminário pode ser subdividido em partes 
ou subtemas.
Conferência, congresso
Trata‑se de encontro formal e planejado em que um conferencista apresenta determi‑
nado tema a um público interessado no assunto. Eventualmente, pode assumir o formato 
de um congresso, com várias sessões acontecendo em sequência ou simultaneamente.
Painel
No painel, quatro a oito especialistas renomados em um tema conversam de maneira 
informal sobre o assunto, à frente de um auditório. No evento, que deve ser moderado 
por um coordenador, há uma primeira etapa, de exposição do tema, primeiro pelo orador 
principal (cerca de 15 minutos), em seguida por parte de cada painelista (cerca de dez 
minutos de exposição), sem abertura para perguntas por parte da plateia.
Em um segundo momento, ocorre um debate entre os colegas de mesa, a partir de per-
guntas que cada um deles direciona aos demais, e, em seguida, abre‑se para as perguntas 
do público. Finalmente, a posição de cada painelista é resumida rapidamente e o orador 
principal apresenta sua opinião.
O painel pode ter um presidente, um coordenador e um moderador. Visa apresentar 
resultados de trabalhos sobre determinado tema e permite o compartilhamento de dife-
rentes pontos de vista e a complementação de ideias e conclusões.
Curso
Voltado para a qualificação das pessoas sobre um ou vários temas, conectados ou não, 
por intermédio da transmissão de técnicas, conhecimentos e práticas por instrutores 
capacitados. Pode ser usado tanto para levar novos conhecimentos, como para aperfei‑
çoamento, aprofundamento, nivelamento de conhecimentos e especialização.
Apresenta diversas vantagens, como facilitar a aprendizagem e o compartilhamento 
de informações, economizar tempo do técnico, atingir público mais amplo. Entretanto, 
 demanda local apropriado, gera custos e precisa de planejamento cuidadoso, 
entre outros aspectos. Pode ser combinado com campos de demonstração, excursões, 
propriedade demonstrativa etc. (LOPES, 2016).
Oficina
Método em que um grupo se reúne para tratar de tema de interesse comum, a partir de 
uma metodologia participativa que permita o compartilhamento de saberes. Pressupõe 
uma construção conjunta, ou seja, é necessário gerar um produto ou resultado a partir 
da interação entre os participantes. Muito usado para processos educativos que envol-
17
Se você fizer uma rápida busca na internet, vai observar que nem sempre há limites cla-
ros entre o que é um congresso, um fórum, uma reunião etc. Na realidade, a nomen-
clatura se confunde para designar diferentes eventos. Vale notar também que, muitas 
vezes, um mesmo evento contém várias modalidades de eventos menores. É como se 
fosse um guarda‑chuva, que abriga várias coisas debaixo dele. A figura a seguir mostra 
um exemplo. Preste atenção e verá quantas coisas diferentes aconteceram no Con-
gresso Zootecnia Brasil, como reuniões, fóruns, cursos, palestras etc. Pesquise o link do 
congresso (http://www.sbzzootec2018.com.br/_) e veja quais os eventos da programa-
ção você acha mais interessantes.
Figura 5 Exemplo de métodos grupais.
Fonte: Zootecnia Brasil (2018).
vam sensibilização, reflexão, análise, avaliação etc. Permite identificar e hierarquizar 
problemas e buscar soluções conjuntas. Demanda o uso de conhecimentos e técnicas 
apropriadas para trabalho com grupos, visando assegurar a participação de todos e ter a 
objetividade necessária para produzir os resultados previstos (LOPES, 2016).
Na prática
8418
Excursão
O técnico reúne um grupo homogêneo de produtores, deslocando‑se para outro local, 
visando conhecer e observar in loco técnicas e práticas de interesse. Permite aos produ-
tores, a partir da vivência em grupo, observarem soluções para condições análogas às 
suas, portanto, aplicáveis à sua própria realidade. A experiência proporciona o reconheci-
mento de problemas locais e gera motivação para a busca de soluções locais. Tem como 
limitadores os custos, a interferência de condições climáticas, a necessidade de planeja-
mento e execução cuidadosos e o fato de atingir poucos produtores (LOPES, 2016).
Dia de campo
Evento desenvolvido em uma propriedade ou estação experimental, com a duração de 
um dia, que visa:
l apresentar resultados práticos de alguma técnica ou experimento;
l demonstrar ao produtor o desempenho de alguma variedade vegetal;
l divulgar insumos como rações, defensivos, vacinas, medicamentos etc.;
l apresentar uma raça animal.
Tem caráter informativo, mas também motivacional, e, ao mostrar a aplicação e os resul-
tados do uso de determinada técnica, prática ou equipamento, permite também desen-
volver habilidades para sua implementação.
Atinge um público amplo, porém depende do clima e demanda recursos, planejamento e 
organização cuidadosos e local adequado para a demonstração das técnicas. Está estru-
turado em baterias ou estações, cada uma delas contendo mostras de práticas diversas, 
inter‑relacionadas ou não.
O que considerar no planejamento e realização de um dia de campo (LOPES, 2016):
l formar uma comissão de coordenação envolvendo também os produtores e 
parceiros;
l definir temática, objetivos, local, horários, atividades, requisitos para o bem‑estar 
dos convidados e colaboradores etc.;
l visitar o local previamente para checar a estrutura disponível e listar materiais e 
equipamentos necessários para o evento;
Saiba mais
8518
Excursão
O técnico reúne um grupo homogêneo de produtores, deslocando‑se para outro local, 
visando conhecer e observar in loco técnicas e práticas de interesse. Permite aos produ-
tores, a partir da vivência em grupo, observarem soluções para condições análogas às 
suas, portanto, aplicáveis à sua própria realidade. A experiência proporciona o reconheci-
mento de problemas locais e gera motivação para a busca de soluções locais. Tem como 
limitadores os custos, a interferência de condições climáticas, a necessidade de planeja-
mento e execução cuidadosos e o fato de atingir poucos produtores (LOPES, 2016).
Dia de campo
Evento desenvolvido em uma propriedade ou estação experimental, com a duração de 
um dia, que visa:
l apresentar resultados práticos de alguma técnica ou experimento;
l demonstrar ao produtor o desempenho de alguma variedade vegetal;
l divulgar insumos como rações, defensivos, vacinas, medicamentos etc.;
l apresentar uma raça animal.
Tem caráter informativo, mas também motivacional, e, ao mostrar a aplicação e os resul-
tados do uso de determinada técnica, prática ou equipamento, permite também desen-
volver habilidades para sua implementação.
Atinge um público amplo, porém depende do clima e demanda recursos, planejamento e 
organização cuidadosos e local adequado para a demonstração das técnicas. Está estru-
turado em baterias ou estações, cada uma delas contendo mostras de práticas diversas, 
inter‑relacionadas ou não.
O que considerar no planejamento e realização de um dia de campo (LOPES, 2016):
l formar uma comissão de coordenação envolvendo também os produtores e 
parceiros;
l definir temática, objetivos, local, horários, atividades, requisitos para o bem‑estar 
dos convidados e colaboradores etc.;
l visitar o local previamente para checar a estrutura disponível e listar materiais e 
equipamentos necessários para o evento;
Saiba mais
19
Em razão do caráter festivo e informal e à interação entre extensionista e participantes,incluindo autoridades e especialistas, cria um ambiente propício à troca, à experimenta-
ção e ao aprendizado (LOPES, 2016; SILVA, 2014).
l elaborar cronograma detalhado, definindo duração de cada atividade e incluindo 
atividades pós‑evento;
l definir as atividades de cada bateria ou estação, desde que sejam interligadas. 
Cada uma precisa ter um instrutor, por onde passarão os grupos de até 30 partici-
pantes, conduzidos por um guia. Cada grupo deve passar por todas as baterias.
l ao final, deve ser feita uma avaliação a partir de debates sobre as práticas mostra-
das e as conclusões a que o grupo chegou;
l devem ser previstas capas de chuva e outros materiais para proteção de celulares 
e materiais distribuídos.
O 1º Dia de Campo do Programa de Desenvolvimento da Bovinocultura de Corte 
reuniu quase 800 pecuaristas, técnicos de campo e sindicatos rurais de Santa Catarina 
para apresentar os resultados obtidos com o trabalho de Ater do Senar e para trocar
experiências.
Promovido pelo Sistema Faesc‑Senar, foi realizado na Fazenda Araucária, em Bom 
Retiro (SC). A fazenda é considerada unidade conceito, ou seja, é referência no tema 
como caso de sucesso. Segundo o coordenador do Faesc‑Senar, a oportunidade de 
troca de experiências e aprendizado conjunto vai permitir a melhoria das condições de 
produção e da rentabilidade, que ao final é o que interessa.
Os visitantes vão caminhando por toda a fazenda e param em cada uma das estações, 
onde recebem as informações e interagem com técnicos e colegas produtores. Ao ter a 
oportunidade de ver, ouvir e praticar, o aprendizado é potencializado.
Uma das práticas mais apreciadas pelos participantes foi o manejo de pastagens. 
No evento também foram utilizados outros métodos de comunicação, como palestras, 
Saiba mais
8620
Feira agropecuária
São eventos mais complexos, que demandam bastante planejamento e cuidados na 
execução, tendo, por isso, maior duração, geralmente cerca de uma semana. Exige local 
adequado, que permita oferecer espaços apropriados para guarda de materiais e alimen-
tos para os animais e descanso dos trabalhadores, locais para alimentação e lazer dos 
participantes, auditórios etc.
Também envolve diversas instituições ligadas ao comércio, indústria, mídia etc. Em geral, 
conta com a participação ativa do setor público, não só ligado ao setor produtivo em 
questão, como também a áreas como segurança pública, vigilância sanitária etc.
em que foram demonstrados os resultados positivos do trabalho de Ater. Um exemplo 
foi a evolução de indicadores, como a taxa de prenhez, que aumentou de 42% para 
69%, utilizando a inseminação por Inseminação Artificial em Tempo Fixo (IATF) com 
repasse de touros.
O Dia de Campo foi encerrado com um churrasco, desfecho bem apropriado para um 
evento de pecuária de corte!
Para assistir ao vídeo, consulte o link .
Figura	6	Gado de elite de zebu brasileiro em um parque de exposições. 
Crédito: © paulobaqueta| iStockphoto.com.
8720
Feira agropecuária
São eventos mais complexos, que demandam bastante planejamento e cuidados na 
execução, tendo, por isso, maior duração, geralmente cerca de uma semana. Exige local 
adequado, que permita oferecer espaços apropriados para guarda de materiais e alimen-
tos para os animais e descanso dos trabalhadores, locais para alimentação e lazer dos 
participantes, auditórios etc.
Também envolve diversas instituições ligadas ao comércio, indústria, mídia etc. Em geral, 
conta com a participação ativa do setor público, não só ligado ao setor produtivo em 
questão, como também a áreas como segurança pública, vigilância sanitária etc.
em que foram demonstrados os resultados positivos do trabalho de Ater. Um exemplo 
foi a evolução de indicadores, como a taxa de prenhez, que aumentou de 42% para 
69%, utilizando a inseminação por Inseminação Artificial em Tempo Fixo (IATF) com 
repasse de touros.
O Dia de Campo foi encerrado com um churrasco, desfecho bem apropriado para um 
evento de pecuária de corte!
Para assistir ao vídeo, consulte o link .
Figura	6	Gado de elite de zebu brasileiro em um parque de exposições. 
Crédito: © paulobaqueta| iStockphoto.com.
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Tudo que está relacionado com a temática da feira pode ser apresentado, como produtos 
agrícolas, insumos, produtos industrializados e artesanais associados ao tema, máquinas 
e implementos etc. Sua abrangência, importância e complexidade variam conforme seja 
uma feira local, regional, estadual, nacional ou internacional (SILVA, 2014).
2.3.3 Métodos de alcance massal
Os métodos de alcance massal normalmente utilizam meios de comunicação de massa, 
voltados para um público expressivo e, em geral, indeterminado. Estes são importantes 
ferramentas de apoio ao profissional de extensão, podendo ser:
 l Sonoros – telefone e rádio.
 l Escritos – jornais e revistas.
 l Audiovisual – televisão e cinema.
 l Uso múltiplo – multimídia e hipermídia.
Embora não permitam comunicação direta entre o extensionista e o público, tem um 
custo unitário baixo, uma vez que atingem um público bastante expressivo. Outros meios 
também podem ser usados para comunicação de massa.
Exemplos de meios para comunicação massal são: rádio, televisão, jornal, revista, filme, 
artigos especializados, ferramentas de chat, rede mundial de computadores, multimídia, 
hipermídia (vários meios em um único equipamento, como os websites), e‑mail, concur-
sos, campanhas, exposição (PEREIRA et al., 2009; LOPES, 2016).
Rádio
Permite ao extensionista transmitir informações, disseminar conhecimentos e divulgar 
trabalhos a um público amplo e indeterminado, utilizando para isso uma emissora de 
rádio. Dessa forma, o recurso ajuda a promover mudança de hábitos e atitudes, afetando 
positivamente a produção e a produtividade agropecuárias.
A velocidade na propagação da informação, o fato de ser um recurso bastante utilizado 
pelos ruralistas e a capacidade de atingir um público numeroso a um custo relativamen-
te baixo são suas principais vantagens. Entretanto, não é um método apropriado para 
ensinar.
Televisão
A TV também é um meio planejado e que atinge público amplo e indeterminado. Serve 
para transmitir conhecimentos, divulgar informações e motivar para a adoção de novos 
hábitos e atitudes. É um meio poderoso para atrair atenção, promover a difusão e 
incentivar o interesse sobre determinado tema ou situação. Entretanto, além de não ter 
caráter didático, é um método que exige muito em termos de tempo e recursos para a 
produção do conteúdo.
8822
Filmes de DVD
Podem atingir várias finalidades e públicos, dependendo do objetivo, servindo para 
motivar as pessoas ou complementar ou detalhar informações extensionistas que se quer 
divulgar.
Jornal e revista
Permite transmitir informações de forma planejada a um grupo indeterminado de 
pessoas, por meio da palavra impressa. Têm como vantagem a comunicação periódica 
com o público‑alvo, porém não são métodos adequados para ensinar. Em pequenas 
localidades, geralmente o jornal local tem grande importância e cada edição é esperada 
ansiosamente pela população.
Rede mundial de computadores
É a reunião de todos os sites públicos existentes, por intermédio de uma teia (web) 
na qual cada nó constitui um local virtual (website). Vários termos estão relacionados 
com a web, como web conferência e webcast.
Um website, site ou sítio é um conjunto de páginas organizadas em uma URL na qual se 
situa a página principal, hospedados em um servidor e que permite a interação com o 
usuário. Muito eficiente como instrumento de publicidade, serve de apoio a campanhas 
publicitárias em outros meios de comunicação. Pode acomodar inúmeros conteúdos, de 
diversos tipos, como vídeos, áudios, fotos, textos etc., em geral interligados.Quando faço 
uma apresentação usando slides e um vídeo, estou usando um recurso multimídia. Já um 
website que contém textos, vídeos, fotos, áudios, links para outros websites etc. é um 
recurso hipermídia (PEREIRA et al., 2009; LOPES, 2016).
Quer conhecer um portal bem interessante? Então, acesse o Portal da Agricultura 
Familiar, no link .
Veja na web
O grande desafio é levar a internet a todos os agricultores, seja porque ela não é conhe‑
cida pela maioria, seja porque nem sempre eles têm os equipamentos e sistemas 
(hardwares e softwares) e serviços de conexão adequados. Para incorporar a internet à 
realidade dos ruralistas, algumas medidas podem ajudar (LOPES, 2016):
l promover e documentar encontros, seminários, reuniões comunitárias etc.;
l documentar em vídeo e divulgar iniciativas da comunidade rural;
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Filmes de DVD
Podem atingir várias finalidades e públicos, dependendo do objetivo, servindo para 
motivar as pessoas ou complementar ou detalhar informações extensionistas que se quer 
divulgar.
Jornal e revista
Permite transmitir informações de forma planejada a um grupo indeterminado de 
pessoas, por meio da palavra impressa. Têm como vantagem a comunicação periódica 
com o público‑alvo, porém não são métodos adequados para ensinar. Em pequenas 
localidades, geralmente o jornal local tem grande importância e cada edição é esperada 
ansiosamente pela população.
Rede mundial de computadores
É a reunião de todos os sites públicos existentes, por intermédio de uma teia (web) 
na qual cada nó constitui um local virtual (website). Vários termos estão relacionados 
com a web, como web conferência e webcast.
Um website, site ou sítio é um conjunto de páginas organizadas em uma URL na qual se 
situa a página principal, hospedados em um servidor e que permite a interação com o 
usuário. Muito eficiente como instrumento de publicidade, serve de apoio a campanhas 
publicitárias em outros meios de comunicação. Pode acomodar inúmeros conteúdos, de 
diversos tipos, como vídeos, áudios, fotos, textos etc., em geral interligados. Quando faço 
uma apresentação usando slides e um vídeo, estou usando um recurso multimídia. Já um 
website que contém textos, vídeos, fotos, áudios, links para outros websites etc. é um 
recurso hipermídia (PEREIRA et al., 2009; LOPES, 2016).
Quer conhecer um portal bem interessante? Então, acesse o Portal da Agricultura 
Familiar, no link .
Veja na web
O grande desafio é levar a internet a todos os agricultores, seja porque ela não é conhe‑
cida pela maioria, seja porque nem sempre eles têm os equipamentos e sistemas 
(hardwares e softwares) e serviços de conexão adequados. Para incorporar a internet à 
realidade dos ruralistas, algumas medidas podem ajudar (LOPES, 2016):
l promover e documentar encontros, seminários, reuniões comunitárias etc.;
l documentar em vídeo e divulgar iniciativas da comunidade rural;
23
l criar serviços‑piloto de internet nas comunidades, incluindo instrutores capacitados;
l criar “unidades móveis” de internet para atendimento de áreas remotas;
l criar pacotes de internet incentivados (mais baratos) nessas regiões.
Comunicador instantâneo ou ferramentas de chat
Permite enviar e receber mensagens de texto em tempo real para contatos previamente 
cadastrados. Também possibilita conversar usando microfones e mostrar práticas em 
tempo real, comuns nas videoconferências.
Normalmente, estes programas (softwares) agregam diversos outros recursos, como en-
vio de figuras ou imagens animadas, compartilhamento de telas, envio online de textos, 
vídeos, áudios, imagens etc., gravação de reuniões, conversação em áudio, utilizando as 
caixas de som e microfone do sistema, videoconferências, que utilizam câmeras (web‑
cam) (PEREIRA et al., 2009).
Existem vários softwares livres ou de baixo custo que permitem realizar videoconferên-
cias de forma prática e rápida. Esses eventos são excelentes para demonstrações de 
técnicas de campo, por exemplo.
Pesquise e utilize esses recursos nos seus estudos e demais atividades do seu dia a dia.
De olho
Blog
Trata‑se de um site no qual se pode divulgar textos curtos de modo rápido e simples. Em 
geral, são organizados de forma cronológica, podendo conter imagens ou vídeos. Podem 
abordar uma temática definida ou funcionar como diários online (PEREIRA et al., 2009).
Concurso
Método complexo, que requer planejamento prévio e envolve uma competição de cará-
ter educativo e motivador para os participantes e o público. Tem como foco o estímulo 
ao aumento da produção, demonstrar o valor de alguma prática ou atividade ou uso de 
novas tecnologias. Concursos como produtividade leiteira ou de grãos, e qualidade de 
animais são bastante comuns.
9024
O concurso é bom para medir resultados do trabalho da família rural, de forma com-
parativa, e ajuda a despertar interesse e valorizar os esforços dos ruralistas. Tem efeito 
multiplicador, pois quando os resultados são mostrados a grande número de pessoas, 
isso motiva para a melhoria das práticas e obtenção de melhores resultados. Por outro 
lado, além de demandar tempo para sua organização, pode gerar desgastes em face da 
competição ou questionamento do resultado (LOPES, 2016).
Campanha
Método complexo, que demanda planejamento e pode durar de uma semana até um 
ano, podendo ser feito em etapas sequenciadas e inter‑relacionadas. Atinge um grande 
contingente de pessoas e pode envolver toda a comunidade.
É útil quando existe a necessidade de conscientizar a comunidade para um problema 
existente, e envolvê‑la na solução, e quando há uma meta possível de ser alcançada. 
É importante identificar o tema da campanha, que deve ser único.
As lideranças da comunidade devem estar envolvidas e haver coordenação efetiva e 
acompanhamento constante. Meios de comunicação, como rádio, TV, internet, reuniões 
e outros, devem estar envolvidos (LOPES, 2016).
2.4 Métodos participativos
A metodologia participativa é aquela em que o extensionista estimula o envolvimento e 
participação ativa das pessoas, que se tornam sujeitos do processo e dos desdobramen-
tos e decisões por ele gerados. Princípio básico e requisito da democracia, permite que as 
pessoas intervenham nos processos e decisões que influenciam suas vidas. Ao enfatizar 
os processos de mudança, em especial sob o aspecto comportamental, são importante 
ferramenta para o envolvimento e a participação das pessoas (IDAM, 2014).
Em princípio, todos os projetos são participativos, pois sempre existe alguma partici-
pação. A questão está exatamente nesse grau de participação, que pode ser maior ou 
menor, conforme demonstrado na Figura 7, a seguir.
A seguir, uma breve descrição de cada degrau da escada da participação, que propõe 
níveis crescentes de participação, começando da passividade até a autoajuda (VERDEJO, 
2006):
 l Passividade: os objetivos e as atividades do projeto são fixados por terceiros e 
não pela comunidade, que também não é consultada quando da geração das 
informações.
 l Fonte de informação: a equipe encarregada da pesquisa levanta as informações junto 
ao beneficiário do projeto, porém não lhe permite influir no tipo de perguntas a 
serem feitas nem sobre as atividades posteriores.
9124
O concurso é bom para medir resultados do trabalho da família rural, de forma com-
parativa, e ajuda a despertar interesse e valorizar os esforços dos ruralistas. Tem efeito 
multiplicador, pois quando os resultados são mostrados a grande número de pessoas, 
isso motiva para a melhoria das práticas e obtenção de melhores resultados. Por outro 
lado, além de demandar tempo para sua organização, pode gerar desgastes em face da 
competição ou questionamento do resultado (LOPES, 2016).
Campanha
Método complexo, que demanda planejamento e pode durar de uma semana até um 
ano, podendo ser feito em etapas sequenciadas e inter‑relacionadas. Atinge um grande 
contingente de pessoas e podeenvolver toda a comunidade.
É útil quando existe a necessidade de conscientizar a comunidade para um problema 
existente, e envolvê‑la na solução, e quando há uma meta possível de ser alcançada. 
É importante identificar o tema da campanha, que deve ser único.
As lideranças da comunidade devem estar envolvidas e haver coordenação efetiva e 
acompanhamento constante. Meios de comunicação, como rádio, TV, internet, reuniões 
e outros, devem estar envolvidos (LOPES, 2016).
2.4 Métodos participativos
A metodologia participativa é aquela em que o extensionista estimula o envolvimento e 
participação ativa das pessoas, que se tornam sujeitos do processo e dos desdobramen-
tos e decisões por ele gerados. Princípio básico e requisito da democracia, permite que as 
pessoas intervenham nos processos e decisões que influenciam suas vidas. Ao enfatizar 
os processos de mudança, em especial sob o aspecto comportamental, são importante 
ferramenta para o envolvimento e a participação das pessoas (IDAM, 2014).
Em princípio, todos os projetos são participativos, pois sempre existe alguma partici-
pação. A questão está exatamente nesse grau de participação, que pode ser maior ou 
menor, conforme demonstrado na Figura 7, a seguir.
A seguir, uma breve descrição de cada degrau da escada da participação, que propõe 
níveis crescentes de participação, começando da passividade até a autoajuda (VERDEJO, 
2006):
 l Passividade: os objetivos e as atividades do projeto são fixados por terceiros e 
não pela comunidade, que também não é consultada quando da geração das 
informações.
 l Fonte de informação: a equipe encarregada da pesquisa levanta as informações junto 
ao beneficiário do projeto, porém não lhe permite influir no tipo de perguntas a 
serem feitas nem sobre as atividades posteriores.
25
l Consulta: as opiniões dos beneficiários do projeto são levadas em conta e integradas 
ao enfoque da pesquisa, porém o grupo‑alvo não tem o poder de decidir.
l Participação à base de incentivos materiais: participação negociada mediante a troca 
por insumos de produção ou a cessão de terras para a exibição de determinada 
técnica ou prática (“unidade demonstrativa”), porém, a intervenção nas decisões é 
mínima.
l Participação funcional: são constituídos grupos de beneficiários, que buscam atingir 
objetivos definidos pelo projeto, participando da tomada de decisões na fase de 
execução e se tornando independente durante a implantação do projeto.
l Participação interativa: ocorre desde a fase de análise e definição do projeto, com 
participação plena do planejamento até a execução.
l Autoajuda: assume a iniciativa e age de forma independente de terceiros.
Para trabalhar com processos participativos, é preciso observar alguns princípios básicos, 
a exemplo dos seguintes (IDAM, 2014):
l o êxito do grupo é responsabilidade de todos;
l o moderador (também chamado facilitador) é o responsável pela condução do grupo;
l as ideias é que devem ser respeitadas, não a hierarquia;
Figura 7 Escada da participação.
Fonte: VERDEJO (2006, p. 16).
9226
 l a busca de soluções deve ser conjunta, com abertura e transparência;
 l os problemas e conflitos surgidos devem ser administrados;
 l os participantes devem falar quando for a sua vez, de forma breve e objetiva, respei-
tando a fala dos demais;
 l as decisões devem ser tomadas por consenso, o que não significa unanimidade, 
mas sim um compromisso para a ação;
 l o consenso permite aos componentes do grupo aprender a respeitar a opinião do 
outro, mesmo sendo diferente da sua e, ainda, trabalhar em conjunto para a busca de 
um objetivo comum;
 l o registro das discussões deve ser feito visualmente, com letra legível, apenas uma 
ideia em cada tarjeta.
Diagnóstico Rural Participativo (DRP)
“O objetivo principal do DRP é apoiar a autodeterminação da comunidade pela partici‑
pação e, assim, fomentar um desenvolvimento sustentável” (VERDEJO, 2006, p. 12).
O Diagnóstico Rural Participativo consiste em um conjunto de técnicas e ferramentas 
voltadas para a elaboração do diagnóstico da realidade das comunidades para que elas 
possam, a partir daí, elaborar seu planejamento e atuar na busca de seu desenvolvimen-
to. Utilizando o DRP, os membros da comunidade podem compartilhar experiências e co-
nhecimentos na análise de sua situação, aperfeiçoando suas habilidades de planejamento 
e ação. Concebido originalmente para as regiões rurais, suas técnicas podem também ser 
utilizadas no meio urbano.
Os processos de pesquisa são desenvolvidos com os recursos da comunidade e com 
base em sua realidade, utilizando seus próprios conceitos e critérios de análise. Por isso 
não partem de questionários com perguntas elaboradas previamente, pois a ideia não é 
 meramente colher dados dos participantes, mas levá‑los a um processo autorreflexivo 
em relação a seus problemas e à busca de possíveis soluções. Assim, terão a oportunida-
de de analisar a situação da comunidade e identificar as melhores opções para melho-
rá‑la. A equipe encarregada de intermediar o DRP deve interferir o mínimo possível no 
processo, idealmente limitando‑se a disponibilizar as ferramentas necessárias ao diagnós-
tico (VERDEJO, 2006, p. 12).
Historicamente, o DRP surgiu dentro de um contexto de mudança de enfoque da exten-
são rural, até as décadas de 1960 e 1970, focado na “transferência de tecnologia”. Nessa 
época, não havia a participação dos ruralistas, nem no planejamento nem na execução 
dos projetos de desenvolvimento e seus saberes sobre as condições locais e sua cultura 
não eram considerados. O fracasso dessa estratégia levou a uma mudança estratégi-
ca importante, adotando‑se métodos participativos, em geral baseados em teorias de 
 educação popular, como as de Paulo Freire.
Inicialmente, surgiu o “Diagnóstico Rural Rápido”, constituído por um levantamento de 
dados rápido com a participação dos próprios beneficiários, usado geralmente quando 
se pretende implantar um projeto novo ou para avaliar o andamento de um projeto em 
9326
 l a busca de soluções deve ser conjunta, com abertura e transparência;
 l os problemas e conflitos surgidos devem ser administrados;
 l os participantes devem falar quando for a sua vez, de forma breve e objetiva, respei-
tando a fala dos demais;
 l as decisões devem ser tomadas por consenso, o que não significa unanimidade, 
mas sim um compromisso para a ação;
 l o consenso permite aos componentes do grupo aprender a respeitar a opinião do 
outro, mesmo sendo diferente da sua e, ainda, trabalhar em conjunto para a busca de 
um objetivo comum;
 l o registro das discussões deve ser feito visualmente, com letra legível, apenas uma 
ideia em cada tarjeta.
Diagnóstico Rural Participativo (DRP)
“O objetivo principal do DRP é apoiar a autodeterminação da comunidade pela partici‑
pação e, assim, fomentar um desenvolvimento sustentável” (VERDEJO, 2006, p. 12).
O Diagnóstico Rural Participativo consiste em um conjunto de técnicas e ferramentas 
voltadas para a elaboração do diagnóstico da realidade das comunidades para que elas 
possam, a partir daí, elaborar seu planejamento e atuar na busca de seu desenvolvimen-
to. Utilizando o DRP, os membros da comunidade podem compartilhar experiências e co-
nhecimentos na análise de sua situação, aperfeiçoando suas habilidades de planejamento 
e ação. Concebido originalmente para as regiões rurais, suas técnicas podem também ser 
utilizadas no meio urbano.
Os processos de pesquisa são desenvolvidos com os recursos da comunidade e com 
base em sua realidade, utilizando seus próprios conceitos e critérios de análise. Por isso 
não partem de questionários com perguntas elaboradas previamente, pois a ideia não é 
 meramente colher dados dos participantes, mas levá‑los a um processo autorreflexivo 
em relação a seus problemas e à busca de possíveis soluções. Assim, terão a oportunida-
de de analisar a situação da comunidade e identificar as melhores opções para melho-
rá‑la. A equipe encarregada de intermediar o DRP deve interferiro mínimo possível no 
processo, idealmente limitando‑se a disponibilizar as ferramentas necessárias ao diagnós-
tico (VERDEJO, 2006, p. 12).
Historicamente, o DRP surgiu dentro de um contexto de mudança de enfoque da exten-
são rural, até as décadas de 1960 e 1970, focado na “transferência de tecnologia”. Nessa 
época, não havia a participação dos ruralistas, nem no planejamento nem na execução 
dos projetos de desenvolvimento e seus saberes sobre as condições locais e sua cultura 
não eram considerados. O fracasso dessa estratégia levou a uma mudança estratégi-
ca importante, adotando‑se métodos participativos, em geral baseados em teorias de 
 educação popular, como as de Paulo Freire.
Inicialmente, surgiu o “Diagnóstico Rural Rápido”, constituído por um levantamento de 
dados rápido com a participação dos próprios beneficiários, usado geralmente quando 
se pretende implantar um projeto novo ou para avaliar o andamento de um projeto em 
27
andamento. Logo se percebeu que a participação dos beneficiários apenas no levanta-
mento de dados não era suficiente, então partiu‑se para envolvê‑los também na execução 
de cada passo do projeto. Assim, foi criado o Diagnóstico Rural Participativo (DRP), tendo 
como base teórica o livro A pedagogia do oprimido, de Paulo Freire, de 1968.
Assim como atualmente existem processos de desenvolvimento pouco participativos, 
nas décadas de 1960 a 1980, também já existiam iniciativas com maior envolvimento e 
participação dos beneficiários. Entretanto, as discussões mais estruturadas ocorreram no 
contexto dos movimentos políticos e teórico‑intelectuais da década de 1980, que tiveram 
como pano de fundo a redemocratização do País (VERDEJO, 2006).
Imagine que você já é um veterinário formado e vai atender um pequeno criador de 
gado de leite que está com um problema sério e muito comum. Seus bezerros estão 
adoecendo e muitos morrem já nos primeiros dois meses de vida, enquanto os que 
sobrevivem se desenvolvem pouco e devagar. Com a produtividade baixa, houve uma 
queda significativa da renda da família.
A primeira coisa a fazer é um diagnóstico da situação, certo? Então, você terá que per-
guntar ao produtor: o que você observa em seus bezerros? Eles têm diarreia? Quando 
ocorre? Qual a consistência e a cor das fezes? Eles ficam prostrados, têm febre, param 
de mamar? Têm algum problema de pele ou outra alteração qualquer? E como é a 
alimentação do rebanho de forma geral e das vacas em particular? Existe o hábito de 
fornecer sal e minerais? De que tipo e como? Como é o manejo das vacas antes e de-
pois do parto? Elas são vacinadas? Contra quais doenças? E os bezerros, são vacinados?
Você terá que dar uma volta na propriedade para entender, na prática, como é a reali-
dade daquela situação. Em seguida, irá examinar cuidadosamente os bezerros doentes 
e, eventualmente, algumas vacas, para identificar eventuais problemas. Se for o caso, 
também irá colher material para análise.
Todo esse processo chama‑se diagnóstico, e, ao final, você, veterinário, saberá quais 
são os medicamentos e as recomendações de alimentação e manejo do rebanho para 
resolver o problema. No caso do DRP, os veterinários são os membros da comunidade 
e os agentes de Ater. Os homens e as mulheres da comunidade devem agir como o 
veterinário: analisar com cuidado cada elemento ou questão associada ao ambiente 
comunitário para identificar formas de resolver os problemas, definindo responsáveis 
locais para cuidar de cada questão e buscando apoio de instituições públicas e privadas.
Na prática
9428
O propósito do DRP consiste em promover a autoanálise e a autodeterminação de grupos 
de pessoas da comunidade e levantar dados primários ou de campo de forma direta, 
com a participação da própria comunidade em grupos que sejam representativos de seus 
membros.
O produto a ser obtido é o autodiagnóstico sobre o estado do meio ambiente, da econo-
mia e outros aspectos relevantes. Busca‑se avaliar os problemas e as possíveis oportu-
nidades para sua solução. Apesar de rápido e objetivo, o levantamento de dados não é 
incompleto nem superficial. A complementaridade de dados originários de diversas fontes 
e o cruzamento de informações é o que permite sua análise crítica precisa.
Vantagens do DRP, segundo Verdejo (2006):
 l aproxima os agentes de Ater e os membros da comunidade, que irão trabalhar juntos 
em prol de objetivos comuns;
 l facilita a troca e a verificação de informações, que se tornam acessíveis a todos os 
membros da comunidade;
 l incentiva a interdisciplinaridade e as conexões entre setores diversos, como florestas, 
educação, saúde, agricultura etc.;
 l usa ferramentas que permitem identificar questões específicas de gênero;
 l facilita a participação de homens e de mulheres, de forma igualitária, bem como das 
lideranças da comunidade.
Outros aspectos importantes do DRP são:
 l É um processo de mão dupla, que permite a mudança dos papeis tradicionais do 
pesquisador e dos pesquisados, já que ambos participam da definição dos dados a 
levantar e da forma como isso será feito.
 l Respeita a cultura local, com seus conhecimentos, normas, costumes, valores e visões 
e sua forma de conduzir o uso dos recursos da comunidade (naturais e de outras 
naturezas).
 l A função dos moderadores não é ensinar, mas escutar, atuando como observadores, 
interessados em aprender com a comunidade e obter dados e informações úteis para 
o trabalho comum.
 l As percepções dos pesquisadores, membros da comunidade e agentes de Ater 
envolvidos em um projeto são diferentes. Assim, é preciso que estes procurem evitar 
julgamentos prévios e busquem compreender o ponto de vista dos agricultores e 
demais membros da comunidade, aprendendo a se colocar em seu lugar. As diferen-
ças de percepção podem e devem ser usadas para enriquecer o trabalho, por meio de 
diferentes pontos de vista.
 l É preciso estar atento para dar voz aos segmentos menos favorecidos ou com menor 
capacidade de se expressar ou se posicionar, para que seus pontos de vista sejam 
considerados. Existem abordagens e técnicas específicas para isso, dependendo do 
motivo que dificulta a participação desse contingente de pessoas.
9528
O propósito do DRP consiste em promover a autoanálise e a autodeterminação de grupos 
de pessoas da comunidade e levantar dados primários ou de campo de forma direta, 
com a participação da própria comunidade em grupos que sejam representativos de seus 
membros.
O produto a ser obtido é o autodiagnóstico sobre o estado do meio ambiente, da econo-
mia e outros aspectos relevantes. Busca‑se avaliar os problemas e as possíveis oportu-
nidades para sua solução. Apesar de rápido e objetivo, o levantamento de dados não é 
incompleto nem superficial. A complementaridade de dados originários de diversas fontes 
e o cruzamento de informações é o que permite sua análise crítica precisa.
Vantagens do DRP, segundo Verdejo (2006):
 l aproxima os agentes de Ater e os membros da comunidade, que irão trabalhar juntos 
em prol de objetivos comuns;
 l facilita a troca e a verificação de informações, que se tornam acessíveis a todos os 
membros da comunidade;
 l incentiva a interdisciplinaridade e as conexões entre setores diversos, como florestas, 
educação, saúde, agricultura etc.;
 l usa ferramentas que permitem identificar questões específicas de gênero;
 l facilita a participação de homens e de mulheres, de forma igualitária, bem como das 
lideranças da comunidade.
Outros aspectos importantes do DRP são:
 l É um processo de mão dupla, que permite a mudança dos papeis tradicionais do 
pesquisador e dos pesquisados, já que ambos participam da definição dos dados a 
levantar e da forma como isso será feito.
 l Respeita a cultura local, com seus conhecimentos, normas, costumes, valores e visões 
e sua forma de conduzir o uso dos recursos da comunidade (naturais e de outras 
naturezas).
 l A função dos moderadores não é ensinar, mas escutar, atuando como observadores, 
interessados em aprender coma comunidade e obter dados e informações úteis para 
o trabalho comum.
 l As percepções dos pesquisadores, membros da comunidade e agentes de Ater 
envolvidos em um projeto são diferentes. Assim, é preciso que estes procurem evitar 
julgamentos prévios e busquem compreender o ponto de vista dos agricultores e 
demais membros da comunidade, aprendendo a se colocar em seu lugar. As diferen-
ças de percepção podem e devem ser usadas para enriquecer o trabalho, por meio de 
diferentes pontos de vista.
 l É preciso estar atento para dar voz aos segmentos menos favorecidos ou com menor 
capacidade de se expressar ou se posicionar, para que seus pontos de vista sejam 
considerados. Existem abordagens e técnicas específicas para isso, dependendo do 
motivo que dificulta a participação desse contingente de pessoas.
29
 l Meios que utilizem a linguagem visual no lugar da verbal ou escrita devem ser 
priorizados, a exemplo de mapas, diagramas ou modelos, preferentemente materiais 
locais. Ao serem trabalhados de forma compartilhada, cada um pode alterar o dese-
nho, enfatizando algum aspecto mais problemático.
 l Para que o processo tenha sucesso, a diversidade é fundamental, tanto em relação 
aos membros da comunidade (homens e mulheres, diferentes comunidades, 
grupos sociais e áreas geográficas etc.) como à equipe de facilitadores (diferentes 
disciplinas, com conhecimento da comunidade e outras sem conhecimento, homens 
e mulheres etc.).
 l Evitar o detalhamento excessivo dos dados (ignorância ótima), definindo‑se previa-
mente o tipo de informação demandado, o objetivo que se quer pesquisar e o grau 
de exatidão a ser obtido.
 l A realização do trabalho para o DRP ocorre no campo, o que inclui a realização das 
técnicas e das reuniões de equipe do DRP no local objeto do diagnóstico. O mesmo 
ocorre com a redação do relatório (ou, pelo menos, parte dele), concretizando, assim, 
forma um processo de aprendizagem passo a passo, permitindo a revisão, análise e 
redirecionamento ao longo do processo.
Preparação do DRP
Um fator que merece atenção da equipe de facilitadores é a elaboração da pesquisa de 
campo. Para isso, Verdejo (2006, p. 21 a 23) propõe sete passos:
1. Fixar o objetivo do diagnóstico.
2. Selecionar e preparar a equipe mediadora.
3. Identificar participantes potenciais.
4. Identificar as expectativas dos(as) participantes no DRP.
5. Discutir as necessidades de informação.
6. Selecionar as ferramentas de diagnóstico.
7. Desenhar o processo do diagnóstico.
Outros aspectos a considerar na preparação do DRP são:
 l a equipe de moderação;
 l a programação e convocatória;
 l a localização;
 l os materiais a utilizar;
 l cronograma do DRP.
9630
No trabalho de campo do DRP
Aqui estão os pontos‑chave:
 l A apresentação da equipe de facilitadores na comunidade – a apresentação da equipe 
a todos os membros da comunidade é fundamental para dar início ao trabalho, 
se possível incluindo algumas visitas pessoais.
 l A análise da situação atual com seus problemas, potencialidades e limitações – essa 
análise preliminar vai permitir uma análise dos temas de maior urgência ou interesse 
para os membros da comunidade.
 l O aprofundamento destes enfocando a busca de soluções viáveis – as limitações 
 identificadas são aprofundadas e parte‑se para a busca de soluções viáveis.
Ao longo do trabalho com DRP, foram sendo identificadas e aplicadas várias ferramentas 
que se mostram úteis para esse tipo de trabalho. A equipe de facilitadores deve se prepa-
rar para fazer a escolha da ferramenta certa para cada etapa do trabalho, considerando 
outros aspectos como a maturidade da equipe e da comunidade, o tipo de problema a 
ser trabalhado etc.
9730
No trabalho de campo do DRP
Aqui estão os pontos‑chave:
 l A apresentação da equipe de facilitadores na comunidade – a apresentação da equipe 
a todos os membros da comunidade é fundamental para dar início ao trabalho, 
se possível incluindo algumas visitas pessoais.
 l A análise da situação atual com seus problemas, potencialidades e limitações – essa 
análise preliminar vai permitir uma análise dos temas de maior urgência ou interesse 
para os membros da comunidade.
 l O aprofundamento destes enfocando a busca de soluções viáveis – as limitações 
 identificadas são aprofundadas e parte‑se para a busca de soluções viáveis.
Ao longo do trabalho com DRP, foram sendo identificadas e aplicadas várias ferramentas 
que se mostram úteis para esse tipo de trabalho. A equipe de facilitadores deve se prepa-
rar para fazer a escolha da ferramenta certa para cada etapa do trabalho, considerando 
outros aspectos como a maturidade da equipe e da comunidade, o tipo de problema a 
ser trabalhado etc.
31
Caixa de ferramentas do DRP
l observação participante;
l entrevistas semiestruturadas;
l mapas e maquetes (recursos naturais, social, comunidade, propriedade, fluxos 
econômicos, migração, futuro);
l travessia;
l calendários (agrícola, atividades, sazonal, histórico);
l diagramas (árvore de problemas, diagrama de Venn, fluxograma, comercialização, 
fluxograma de produção);
l matrizes (comercialização, camadas sociais, organização comunitária, priorização 
de problemas, hierarquização por casais, cenário de alternativas);
l análise de gênero (rotina diária, uso do tempo, distribuição de tarefas, tomada de 
decisões, controle e acesso, mapa de movimentos);
l outras ferramentas.
Fonte: Verdejo (2006, p. 27).
Saiba mais
Parágrafo de conclusão da Unidade
Com o estudo desta unidade, você acaba de ter acesso a um conjunto de métodos e 
técnicas que poderá usar para colocar em prática os conhecimentos que obteve na 
Unidade 1. Mas sabemos que você está preparado para enriquecer esses conhecimentos 
com outras ferramentas e também, é claro, com o seu jeito de aplicá‑los, sempre 
conectado com a realidade do seu público‑alvo. O conteúdo da Unidade 3 vai ajudá‑lo 
ainda mais nesse sentido. Aproveite.
9832
Referências bibliográficas
ABRAMOVAY, R. Paradigmas	do	capitalismo	agrário	em	questão. 2. ed. São Paulo: 
Edusp, 1992.
BALEM, T. A. et al. Da	extensão	rural	difusionista	à	construtivista	agroecológica: 
condicionantes para a transição. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE SOCIOLOGIA, 14, 
Rio de Janeiro. Anais [...], Rio de Janeiro, 2009.
BRASIL. Governo	do	Estado	Mato	Grosso	do	Sul. 
Disponível em: . 
Acesso em: 22 dez. 2018.
CARVALHO, M. A. T. Metodologia	participativa	de	extensão	rural	para	o	
desenvolvimento	sustentável	− Mexpar. Belo Horizonte: Emater‑MG, 2008. 
Disponível em: . Acesso em: jan. 2019.
CHAUÍ, Marilena. Convite	à	filosofia. São Paulo: Ática, 1997.
DA SILVEIRA, Rebeca Costa Gadelha; DE FREITAS, Raquel Coelho. Definindo minorias: 
desafios, tentativas e escolhas para se estabelecer critérios mínimos rumo a conceituação 
de grupos minoritários. Revista	de	Teorias	e	Filosofias	do	Estado, 3(2), 95‑116, 2017.
DUARTE, R.; SOARES, J. B. Extensão rural e comunicação rural no Brasil: notas históricas e 
desafios contemporâneos. Revista	de	Extensão	e	Estudos	Rurais, 1(2), 397‑426, 2011.
GONÇALVES, l. C.; RAMIREZ, M. A.; SANTOS, D. dos. Extensão	rural	e	conexões. Belo 
Horizonte: FEPE, 2016.
INSTITUTO DE DESENVOLVIMENTO AGROPECUÁRIO E FLORESTAL SUSTENTÁVEL 
DO ESTADO DO AMAZONAS (IDAM). Metodologia	participativa	de	extensão	
rural. Manaus: IDAM, 2014. Disponível em: . Acesso em: 10 dez. 2018.
LAMBERT, Jacques. Os	dois	Brasis. 10. ed. São Paulo: Nacional, 1978.
LOPES, E. B. Manual	de	metodologia. Curitiba: Emater, 2016. Disponível em: 
. Acesso em: 22dez. 2018.
9932
Referências bibliográficas
ABRAMOVAY, R. Paradigmas	do	capitalismo	agrário	em	questão. 2. ed. São Paulo: 
Edusp, 1992.
BALEM, T. A. et al. Da	extensão	rural	difusionista	à	construtivista	agroecológica: 
condicionantes para a transição. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE SOCIOLOGIA, 14, 
Rio de Janeiro. Anais [...], Rio de Janeiro, 2009.
BRASIL. Governo	do	Estado	Mato	Grosso	do	Sul. 
Disponível em: . 
Acesso em: 22 dez. 2018.
CARVALHO, M. A. T. Metodologia	participativa	de	extensão	rural	para	o	
desenvolvimento	sustentável	− Mexpar. Belo Horizonte: Emater‑MG, 2008. 
Disponível em: . Acesso em: jan. 2019.
CHAUÍ, Marilena. Convite	à	filosofia. São Paulo: Ática, 1997.
DA SILVEIRA, Rebeca Costa Gadelha; DE FREITAS, Raquel Coelho. Definindo minorias: 
desafios, tentativas e escolhas para se estabelecer critérios mínimos rumo a conceituação 
de grupos minoritários. Revista	de	Teorias	e	Filosofias	do	Estado, 3(2), 95‑116, 2017.
DUARTE, R.; SOARES, J. B. Extensão rural e comunicação rural no Brasil: notas históricas e 
desafios contemporâneos. Revista	de	Extensão	e	Estudos	Rurais, 1(2), 397‑426, 2011.
GONÇALVES, l. C.; RAMIREZ, M. A.; SANTOS, D. dos. Extensão	rural	e	conexões. Belo 
Horizonte: FEPE, 2016.
INSTITUTO DE DESENVOLVIMENTO AGROPECUÁRIO E FLORESTAL SUSTENTÁVEL 
DO ESTADO DO AMAZONAS (IDAM). Metodologia	participativa	de	extensão	
rural. Manaus: IDAM, 2014. Disponível em: . Acesso em: 10 dez. 2018.
LAMBERT, Jacques. Os	dois	Brasis. 10. ed. São Paulo: Nacional, 1978.
LOPES, E. B. Manual	de	metodologia. Curitiba: Emater, 2016. Disponível em: 
. Acesso em: 22 dez. 2018.
33
PEREIRA, M. N. et.al. Métodos	e	meios	de	comunicação	em	extensão	rural. Glossário. 
Versão Preliminar. Porto Alegre: Emater‑RS/Ascar, 2009.
PRADO, E.; RAMIREZ, A. M. Agricultura	familiar	e	extensão	rural	no	Brasil. 
Belo Horizonte: FEPE, 2011.
SILVA, R. C. da. Extensão	rural. 1 ed. São Paulo: Érica, 2014.
THIOLLENT, M. Metodologia	da	pesquisa‑ação. São Paulo: Cortez, 2000.
VERDEJO, M. E. Diagnóstico	rural	participativo: guia prático DRP. Revisão e adequação 
de Décio Cotrim e Ladjane Ramos. Brasília: MDA, 2006.
VILA NOVA, S. Introdução	à	sociologia. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2000.
100
101 1
Unidade 3
Comunicação e 
Organização no Meio Rural
1022
Unidade 3
Objetivos da Unidade
•	 Discutir	os	temas	ligados	à	comunicação	e	compreender	sua	importância	para	a	
atuação	em	extensão	rural.
•	 Reconhecer	os	diferentes	contextos	culturais	presentes	no	ambiente	rural.
•	 Identificar	as	abordagens	e	os	métodos	de	comunicação	rural	mais	adequados	
para	as	diferentes	realidades	socioeconômicas	e	culturais.
•	 Compreender	o	universo	das	organizações	rurais,	de	forma	a	utilizar	
adequadamente	abordagens	voltadas	para	a	cooperação,	em	sua	atuação	
profissional.
Contextualizando
Como você já sabe, o Brasil é um país continental, com uma diversidade enorme em 
termos geográficos, socioeconômicos, culturais etc. Vimos nas unidades já estudas que 
existem diferenças culturais significativas entre o meio rural e o meio urbano.
Para que você “entre no clima” desta Unidade 3, assista ao vídeo “Chico Bento – na roça é 
diferente”. É só acessar o link https://www.youtube.com/watch?v=jVDbhs1g‑us. Além de 
render boas risadas, o vídeo nos mostra diferenças importantes entre a vida no campo e na 
cidade, como a pouca disponibilidade de aparatos tecnológicos, as diferenças em relação à 
noção de tempo, a forma como as pessoas se relacionam, a simplicidade das casas etc.
Entretanto, essa é apenas uma das possíveis realidades. Certamente, ao longo de sua 
 trajetória profissional, você terá oportunidade de encontrar situações totalmente diver‑
sas, incluindo ambientes rurais altamente tecnificados, habitações muito confortáveis e 
até luxuosas, alto nível de instrução e renda e tudo mais.
É nessa diversidade cultural que você irá desenvolver seu trabalho e, para isso, vamos 
conhecer o que é importante saber, para fazê‑lo com excelência.
1032
Unidade 3
Objetivos da Unidade
•	 Discutir	os	temas	ligados	à	comunicação	e	compreender	sua	importância	para	a	
atuação	em	extensão	rural.
•	 Reconhecer	os	diferentes	contextos	culturais	presentes	no	ambiente	rural.
•	 Identificar	as	abordagens	e	os	métodos	de	comunicação	rural	mais	adequados	
para	as	diferentes	realidades	socioeconômicas	e	culturais.
•	 Compreender	o	universo	das	organizações	rurais,	de	forma	a	utilizar	
adequadamente	abordagens	voltadas	para	a	cooperação,	em	sua	atuação	
profissional.
Contextualizando
Como você já sabe, o Brasil é um país continental, com uma diversidade enorme em 
termos geográficos, socioeconômicos, culturais etc. Vimos nas unidades já estudas que 
existem diferenças culturais significativas entre o meio rural e o meio urbano.
Para que você “entre no clima” desta Unidade 3, assista ao vídeo “Chico Bento – na roça é 
diferente”. É só acessar o link https://www.youtube.com/watch?v=jVDbhs1g‑us. Além de 
render boas risadas, o vídeo nos mostra diferenças importantes entre a vida no campo e na 
cidade, como a pouca disponibilidade de aparatos tecnológicos, as diferenças em relação à 
noção de tempo, a forma como as pessoas se relacionam, a simplicidade das casas etc.
Entretanto, essa é apenas uma das possíveis realidades. Certamente, ao longo de sua 
 trajetória profissional, você terá oportunidade de encontrar situações totalmente diver‑
sas, incluindo ambientes rurais altamente tecnificados, habitações muito confortáveis e 
até luxuosas, alto nível de instrução e renda e tudo mais.
É nessa diversidade cultural que você irá desenvolver seu trabalho e, para isso, vamos 
conhecer o que é importante saber, para fazê‑lo com excelência.
3
Entendendo os conceitos
O que é comunicação
Comunicação − ato ou efeito de comunicar(‑se) 1. Ação de transmitir uma 
mensagem e, eventualmente, receber outra mensagem como resposta [...] 
1.1. Processo que envolve a transmissão e a recepção de mensagens entre 
uma fonte emissora e um destinatário receptor, no qual as informações 
transmitidas por intermédio de recursos físicos (fala, audição, visão etc.) 
ou de aparelhos e dispositivos técnicos são codificadas na fonte e decodifi‑
cadas no destino com o uso de sistemas convencionados de signos ou sím‑
bolos sonoros, escritos, iconográficos, gestuais etc. [...] 6. Ato de conversar, 
conversação, colóquio (HOUAISS, 2009, p. 508‑509).
Os conceitos aqui expressos são apenas parte do conjunto de significados do termo 
“comunicação”, que estão mais relacionados com os objetivos dos nossos estudos nesta 
Unidade 3. Em geral, comunicação envolve tanto a transmissão de mensagens como 
o retorno, ou seja, a recepção. Vimos, na definição, que comunicação também é con‑
versação ou colóquio. Pressupõe, portanto, o diálogo, e é nesse espírito que queremos 
entender a comunicação, no contexto desta disciplina.
A partir, portanto, dos diversos significados do termo citado é que iremos estudar 
o tema, procurando conectar esse universo conceitual ao trabalho da extensão em 
 comunidades rurais. Assim, é importante compreender a expressão “comunicação 
 social”, definida como “Aquela que se processa entre uma fonte organizada de infor‑
mação (empresa, organização governamental ou não governamental etc., gerida por 
intermédio de equipes especializadas) e a comunidade” (HOUAISS, 2009, p. 509).
Olhando agora para a comunicação rural, esse recorte específico está associado a um 
“[...] conjunto de fluxos de informação, de diálogo e de influência recíproca existentes 
entre os componentes do setorrural e entre eles e os demais setores da nação afetados 
pelo funcionamento da agricultura ou interessados no melhoramento da vida rural” 
(BORDENAVE, 1988, p. 7).
Esse caráter de reciprocidade, por si só, já pressupõe a necessidade de saber ouvir, 
 respeitar a cultura e o ponto de vista do outro, reconhecendo seus saberes e sua 
 potência para contribuir para a solução de seus próprios problemas. 
1044
Os fluxos de informações ocorrem a partir de meios e canais que podem ser de nature‑
za pessoal ou impessoal:
l Pessoal (formais ou informais) – visitas mútuas; reuniões; feiras e exposições; 
festas; velórios.
l Impessoal – jornal, rádio, revistas, cartazes, cinema, audiovisuais.
Esses fluxos também podem ser verticais e horizontais e unilaterais e multilaterais. 
Os protagonistas da comunicação rural são:
l População rural.
l Estado.
l Empresas ligadas à agricultura.
A comunicação é fator determinante para o desenvolvimento rural porque:
l os agricultores precisam da comunicação para decidir questões ligadas à produção 
ou à própria convivência;
l o Estado também necessita da comunicação para implementar sua política agríco‑
la, tanto em termos financeiros (crédito, subsídios, incentivos etc.) quanto técnicos 
(pesquisa, assistência técnica, fiscalização de insumos e produtos);
l as empresas, da mesma forma, pois usam as informações ligadas a insumos e equi‑
pamentos, bem como a disponibilidade de produtos para uso na agroindústria em 
seus processos de decisão (BORDENAVE, 1988).
Saiba mais
3.1 Introdução
A comunicação rural é “[...] um processo mais amplo do que a informação Agrícola ou a 
Extensão Rural, visto que a sociedade rural está composta de grupos, associações, em‑
presas e famílias, entre as quais existem numerosos e dinâmicos fluxos de comunicação” 
(BORDENAVE, 1998, p. 8).
São esses fluxos que permitem a identificação e a articulação dos problemas comuns, 
muitas vezes solucionados pela população rural sem depender de outros atores, como 
o governo. São os canais formais e informais de comunicação no meio rural que vão 
propiciar o desenvolvimento rural, por meio de fenômenos como a difusão de inovações, 
o surgimento de novas lideranças, os movimentos de caráter cooperativista, a defesa do 
meio ambiente e os movimentos participativos (BORDENAVE, 1988).
1054
Os fluxos de informações ocorrem a partir de meios e canais que podem ser de nature‑
za pessoal ou impessoal:
l Pessoal (formais ou informais) – visitas mútuas; reuniões; feiras e exposições; 
festas; velórios.
l Impessoal – jornal, rádio, revistas, cartazes, cinema, audiovisuais.
Esses fluxos também podem ser verticais e horizontais e unilaterais e multilaterais. 
Os protagonistas da comunicação rural são:
l População rural.
l Estado.
l Empresas ligadas à agricultura.
A comunicação é fator determinante para o desenvolvimento rural porque:
l os agricultores precisam da comunicação para decidir questões ligadas à produção 
ou à própria convivência;
l o Estado também necessita da comunicação para implementar sua política agríco‑
la, tanto em termos financeiros (crédito, subsídios, incentivos etc.) quanto técnicos 
(pesquisa, assistência técnica, fiscalização de insumos e produtos);
l as empresas, da mesma forma, pois usam as informações ligadas a insumos e equi‑
pamentos, bem como a disponibilidade de produtos para uso na agroindústria em 
seus processos de decisão (BORDENAVE, 1988).
Saiba mais
3.1 Introdução
A comunicação rural é “[...] um processo mais amplo do que a informação Agrícola ou a 
Extensão Rural, visto que a sociedade rural está composta de grupos, associações, em‑
presas e famílias, entre as quais existem numerosos e dinâmicos fluxos de comunicação” 
(BORDENAVE, 1998, p. 8).
São esses fluxos que permitem a identificação e a articulação dos problemas comuns, 
muitas vezes solucionados pela população rural sem depender de outros atores, como 
o governo. São os canais formais e informais de comunicação no meio rural que vão 
propiciar o desenvolvimento rural, por meio de fenômenos como a difusão de inovações, 
o surgimento de novas lideranças, os movimentos de caráter cooperativista, a defesa do 
meio ambiente e os movimentos participativos (BORDENAVE, 1988).
5
No meio rural, a comunicação tem o papel de conscientizar a população para a partici‑
pação nos processos de mudança social, o que permitirá a construção de uma sociedade 
mais justa e participativa (SOUZA et al., 2015). Esse processo é amplo, indo muito além 
da informação agrícola e da extensão rural, considerando que a sociedade rural possui 
diversos atores sociais, com inúmeros fluxos de informação (LIMA et al., 2014).
As práticas da extensão se ligam com a comunicação no meio rural como fruto da 
conexão entre o conhecimento e a realidade dos problemas nos ambientes rurais. É um 
desafio histórico a formulação de interlocuções que sejam adequadas ao universo dos 
produtores rurais, ou seja, que permitam a compreensão dos receptores de primeira 
ordem (extensionistas) e os receptores finais, que são os produtores rurais. Outro fator a 
ser considerado é a importância de se desenvolver experiências de conversação e comu‑
nicação midiatizada adequadas a esse público para chegar a soluções para os problemas 
sociais, econômicos e ambientais (DUARTE; SOARES, 2011).
LIMA et al. (2014) estudaram um grupo de agricultores familiares em Santa Cruz da 
Baixa Verde, no Sertão de Pernambuco (PE), ligados às atividades de Ater do Instituto 
Agronômico de Pernambuco (IPA), envolvendo extensão rural, comunicação e mobiliza‑
ção social.
Constataram que cada atividade de Ater requer estratégicas específicas, em função das 
caraterísticas próprias e dos objetivos únicos de cada uma. Viram que a diversidade de 
públicos, como jovens, mulheres etc., também demanda diferentes métodos e técnicas 
de comunicação. Ficou claro que as estratégias de comunicação podem se tornar meios 
importantes para a mobilização social no meio rural, em especial aquelas que visavam 
mobilizar maior número de ruralistas para realizar ações coletivas, resultando na parti‑
cipação mais intensa e eficaz dos agricultores.
Um aprendizado importante gerado foi a percepção da importância de utilizar 
estratégias de comunicação distintas, considerando a heterogeneidade dos públicos 
envolvidos.
Saiba mais
A criação dos serviços de Extensão Rural levou ao surgimento de um segmento da 
comunicação próprio para a formação e a informação da população rural, que ganhou o 
nome de comunicação rural. As metodologias de extensão, na verdade, nada mais são 
do que métodos e estratégias de comunicação, em última análise, os responsáveis pela 
1066
expansão da ER. Concebidos pelos estudos e pesquisas realizados sob a lógica do modelo 
teórico de comunicação denominado difusionismo, teve como principal teórico Everett 
M. Rogers, da Stanford University, a partir da análise de como um grupo de agricultores 
lidava e reagia às alterações inseridas em seu meio (LIMA et al., 2014).
O acadêmico esteve várias vezes no Brasil, onde estudou de perto a metodologia e 
suas práticas. Gerou grande quantidade de conhecimento, mas também forte reação 
a esse viés tipicamente norte‑americano de desenvolvimento, ou “modelo imperialis‑
ta”, conforme expressão crítica usada na década de 1970. Intelectuais, artistas, igreja 
etc. reagiram fortemente a esse modelo e propuseram outro, mais respeitoso com os 
povos envolvidos e alinhado com sua cultura e com as singularidades regionais, visando 
 construir uma sociedade mais justa. Pregava‑se, por exemplo, a “libertação”, propos‑
ta pela Igreja Católica, envolvendo a devolução da palavra e da ação aos movimentos 
 populares, acuados pela repressão do Estado (BRANDÃO, 2007). 
As propostas de ícones como Juan Diaz Bordenave e Paulo Freire surgem como contra‑
ponto a esse modelo difusionista de comunicação rural, trazendo luz à comunicação 
participativa. Paulo Freire, em um único livro, que traz os princípios da “pedagogia do 
oprimido”,marcou de forma indelével esse movimento de crítica à extensão rural tradi‑
cional (BRANDÃO, 2007).
Da mesma forma, Bordenave trouxe à tona as particularidades nos códigos de comunica‑
ção próprios das comunidades rurais, bem como a influência das características de deter‑
minadas regiões do País e de sua população nos processos de comunicação, trazendo a 
noção de uma comunicação mais regionalizada para as populações rurais, ponderada sua 
diversidade cultural, de costumes e de hábitos.
Ambos os autores tiveram papel fundamental nessa corrente de pensamento que se 
contrapôs aos modelos prontos, em prol de maior compreensão da cultura e o contex‑
to de vida das populações rurais. Muitos outros aderiram a essa linha de pensamento, 
 encorajando maior participação popular no processo de desenvolvimento, o que pode 
ser considerada a base do trabalho atualmente realizado pelos movimentos sociais 
 populares (BRANDÃO, 2007). 
Os princípios de Freire e Bordenave, atualíssimos, foram renovados no campo da 
 Comunicação Pública que trabalha com a comunicação popular, com o aprofundamento 
dos estudos e pesquisas no campo das ciências sociais e humanas sob esse novo prisma, 
tornando‑se paradigmas científicos para o ativismo político. Paralelamente ao estímulo 
aos estudos que denunciavam a atuação dos meios de comunicação como instrumen‑
tos de dominação ideológica e manutenção do status quo, buscava‑se uma prática 
 comunicacional que pretendia “dar voz” a parcelas marginalizadas da sociedade.
Papel destacado nessa discussão teve a Organização das Nações Unidas para a Educação, 
a Ciência e a Cultura (Unesco), que, apesar de ter sustentado, eventualmente, ambas as 
posições, propiciou um reforço na luta pela democratização dos meios de comunicação, 
ao viabilizar o debate dos princípios que criaram a Nova Ordem Mundial de Informação e 
Comunicação (Nomic). A Nomic defendia a criação de sistemas de comunicação que não 
funcionassem em um sentido único e que dessem oportunidade aos povos dos países 
em desenvolvimento para participar desse fluxo de informação por meio da produção e 
disseminação de suas próprias informações e análises (BRANDÃO, 2007).
1076
expansão da ER. Concebidos pelos estudos e pesquisas realizados sob a lógica do modelo 
teórico de comunicação denominado difusionismo, teve como principal teórico Everett 
M. Rogers, da Stanford University, a partir da análise de como um grupo de agricultores 
lidava e reagia às alterações inseridas em seu meio (LIMA et al., 2014).
O acadêmico esteve várias vezes no Brasil, onde estudou de perto a metodologia e 
suas práticas. Gerou grande quantidade de conhecimento, mas também forte reação 
a esse viés tipicamente norte‑americano de desenvolvimento, ou “modelo imperialis‑
ta”, conforme expressão crítica usada na década de 1970. Intelectuais, artistas, igreja 
etc. reagiram fortemente a esse modelo e propuseram outro, mais respeitoso com os 
povos envolvidos e alinhado com sua cultura e com as singularidades regionais, visando 
 construir uma sociedade mais justa. Pregava‑se, por exemplo, a “libertação”, propos‑
ta pela Igreja Católica, envolvendo a devolução da palavra e da ação aos movimentos 
 populares, acuados pela repressão do Estado (BRANDÃO, 2007). 
As propostas de ícones como Juan Diaz Bordenave e Paulo Freire surgem como contra‑
ponto a esse modelo difusionista de comunicação rural, trazendo luz à comunicação 
participativa. Paulo Freire, em um único livro, que traz os princípios da “pedagogia do 
oprimido”, marcou de forma indelével esse movimento de crítica à extensão rural tradi‑
cional (BRANDÃO, 2007).
Da mesma forma, Bordenave trouxe à tona as particularidades nos códigos de comunica‑
ção próprios das comunidades rurais, bem como a influência das características de deter‑
minadas regiões do País e de sua população nos processos de comunicação, trazendo a 
noção de uma comunicação mais regionalizada para as populações rurais, ponderada sua 
diversidade cultural, de costumes e de hábitos.
Ambos os autores tiveram papel fundamental nessa corrente de pensamento que se 
contrapôs aos modelos prontos, em prol de maior compreensão da cultura e o contex‑
to de vida das populações rurais. Muitos outros aderiram a essa linha de pensamento, 
 encorajando maior participação popular no processo de desenvolvimento, o que pode 
ser considerada a base do trabalho atualmente realizado pelos movimentos sociais 
 populares (BRANDÃO, 2007). 
Os princípios de Freire e Bordenave, atualíssimos, foram renovados no campo da 
 Comunicação Pública que trabalha com a comunicação popular, com o aprofundamento 
dos estudos e pesquisas no campo das ciências sociais e humanas sob esse novo prisma, 
tornando‑se paradigmas científicos para o ativismo político. Paralelamente ao estímulo 
aos estudos que denunciavam a atuação dos meios de comunicação como instrumen‑
tos de dominação ideológica e manutenção do status quo, buscava‑se uma prática 
 comunicacional que pretendia “dar voz” a parcelas marginalizadas da sociedade.
Papel destacado nessa discussão teve a Organização das Nações Unidas para a Educação, 
a Ciência e a Cultura (Unesco), que, apesar de ter sustentado, eventualmente, ambas as 
posições, propiciou um reforço na luta pela democratização dos meios de comunicação, 
ao viabilizar o debate dos princípios que criaram a Nova Ordem Mundial de Informação e 
Comunicação (Nomic). A Nomic defendia a criação de sistemas de comunicação que não 
funcionassem em um sentido único e que dessem oportunidade aos povos dos países 
em desenvolvimento para participar desse fluxo de informação por meio da produção e 
disseminação de suas próprias informações e análises (BRANDÃO, 2007).
7
Comunicação e extensão rural, sob o ponto de vista pedagógico
Freire (1985), ao tratar da extensão rural, destaca seu papel educativo e insere a 
 comunicação como questão‑chave. Afirma que, considerando uma ordem sistemática e 
programada, a relação entre extensionistas e agricultores não pode deixar de ser reali‑
zada em uma situação dialógica e comunicativa. Caso contrário, levando‑se em conta a 
tendência do extensionismo a utilizar o modelo difusionista, a ação extensiva de levar ao 
sujeito o conhecimento, em detrimento do diálogo comunicativo, resulta na utilização de 
técnicas de propaganda e de uma abordagem de persuasão, característicos da comu‑
nicação de massa.
Para o pedagogo, os espaços geográficos ocupados pelo homem são entendidos a partir 
de dois tipos de estrutura: vertical e horizontal. A estrutura vertical representa o mundo 
cultural, caracterizado pela intersubjetividade ou intercomunicação, o qual só existe por‑
que é sustentado por um mundo de comunicabilidade, responsável pelo conhecimento 
humano. Quando tais características se reproduzem ao longo do tempo, entre épocas 
distintas, temos a estrutura horizontal. Esses conceitos permitem compreender que o 
homem vive em um contexto de continuidade histórica, onde o presente, o passado e o 
futuro estão relacionados.
O mundo humano é um mundo de comunicação, pois “todo ato de pensar exige um 
sujeito que pensa, um objeto pensado, que mediatiza o primeiro sujeito do segundo, 
e a comunicação entre ambos, que se dá através de signos linguísticos” (FREIRE, 1985, 
p. 44). É na intersubjetividade que se estabelece a comunicação entre sujeitos a respeito 
de um objeto.
Em outras palavras, a comunicação é diálogo, assim como o diálogo é comunicativo. 
Neste sentido, os sujeitos interlocutores interagem por meio de um mesmo sistema 
linguístico em uma relação dialógica‑comunicativa, buscando o acordo entre os sujeitos, 
que caracteriza o ato comunicativo como eficiente, ou seja, “a expressão verbal de um 
dos sujeitos tem que ser percebida dentro de um quadro significativo comum ao outro 
sujeito” (FREIRE, 1985, p. 45).
Comunicação eficiente é aquela em que os signos linguísticos por meio dos quais os 
interlocutores se expressam pertencem ao universo comum de ambos, pois isto permi‑
te a ambos a compreensão,de maneira semelhante, do objeto da comunicação. Nesta 
comunicação, mediada pelas palavras, “[...] não pode ser rompida a relação pensamento‑
linguagem‑contexto ou realidade” (FREIRE, 1985, p. 47).
Freire (1985) nos ensina ainda que o pensamento está referido à realidade, e a lingua‑
gem que o exprime está impregnada dessas marcas. Assim, o objetivo da extensão, 
que é estender o conhecimento técnico às populações rurais, deve, pela comunicação 
eficiente, levar o agricultor a compreender, conjuntamente com os agrônomos, 
o fato concreto ao qual se refira o conhecimento. “Só assim se dá a comunicação eficaz 
e somente através dela pode o agrônomo exercer com êxito o seu trabalho, que será 
coparticipado pelos camponeses” (FREIRE, 1985, p. 48). Aqui, podemos estender esse 
entendimento para os demais profissionais que atuam na extensão rural, além dos 
agrônomos.
1088
A relação comunicativa só é possível se há uma compreensão da significação do signo 
por parte dos interlocutores. Caso esta compreensão não se estabeleça, a comunicação 
se inviabiliza. Dentro do processo de comunicação há signos que apontam para algo, ou 
seja, são indicadores ou anúncios de algo. Tais signos ou indicadores podem ter caráter 
natural (independem do homem para existir) ou sociocultural (são processos de comuni‑
cação). É essencial que o educador possa identificá‑los ao trabalhar com as populações 
rurais. Isso pode resultar em relações de causa e efeito que nem sempre são as mesmas 
para extensionistas e agricultores. Deve‑se cuidar para que a comunicação entre ambos 
não se rompa se o extensionista assumir posições negativas, considerando os limites de 
cada signo ou indicador (FREIRE, 1985).
Freire (1985, apud GONÇALVES, 2016) afirma que é preciso investir no desenvolvimen‑
to do ser humano como agente de sua própria mudança, para que se torne capaz de 
influenciar seu autodesenvolvimento. Nessa nova extensão, a comunicação está presente 
em todos os aspectos, incluindo a interconexão entre fonte e aceptor. Assim, é funda‑
mental fazer a análise cuidadosa dos métodos e meios de comunicação para identificar 
os mais adequados, bem como conhecer “[...] a história do aceptor, suas crenças, suas 
habilidades, sua cultura e considerar também aspectos relativos a gênero, geração, etnia 
territorialidade, bem como os aspectos da agroecologia” (GONÇALVES, 2016, p. 61).
Tal visão é bem diversa da transmitida pela formação que a maioria dos técnicos de 
 extensão rural (agrônomos, veterinários, zootecnistas, técnicos agrícolas etc.) vem rece‑
bendo da maioria das universidades brasileiras, que ainda utilizam a lógica produtivista, 
mais ligada à Revolução Verde e à Modernização Conservadora, cujo foco é a agricultura 
de exportação.
Diante disso, a abordagem da nova extensão rural deveria ser de caráter educacional e 
foco no acesso à terra e às condições de produção (mercado, crédito, transporte, 
respeito ao meio ambiente) e às políticas voltadas para resolução de problemas sociais 
(GONÇALVES, 2016).
Alves Sobrinho e Fagnani (2009) abordam os fundamentos da Extensão Rural (ER) como 
processo educativo e participativo, que pode contribuir para a manutenção ou a supe‑
ração dos limites de ação do Estado. O trabalho contempla a realidade de comunidades 
de assentamento rural, visando à viabilização das estratégias de desenvolvimento rural 
sustentável, a partir das práticas de extensão rural.
Os autores criticam o estabelecimento de estratégias de Ater pelo Estado sem a base 
pedagógica das ações educativas, bem como os limites impostos à ação dos profissio‑
nais de ER. Destacam que as opções pedagógicas eventualmente adotadas refletem as 
ideologias e objetivos das políticas promovidas pelo Estado em determinado contexto. 
Entendem que o principal interesse pode ser os efeitos da pedagogia escolhida e não as 
bases epistemológicas de sua aplicação, ou seja, sua origem, estrutura, aspectos filo‑
sóficos, validade etc.
Apresentam o ensino‑aprendizagem como base educativa da Ater e três alternativas 
 pedagógicas: a pedagogia de transmissão, a pedagogia do condicionamento e a peda‑
gogia da problematização (ALVES SOBRINHO; FAGNANI, 2009).
1098
A relação comunicativa só é possível se há uma compreensão da significação do signo 
por parte dos interlocutores. Caso esta compreensão não se estabeleça, a comunicação 
se inviabiliza. Dentro do processo de comunicação há signos que apontam para algo, ou 
seja, são indicadores ou anúncios de algo. Tais signos ou indicadores podem ter caráter 
natural (independem do homem para existir) ou sociocultural (são processos de comuni‑
cação). É essencial que o educador possa identificá‑los ao trabalhar com as populações 
rurais. Isso pode resultar em relações de causa e efeito que nem sempre são as mesmas 
para extensionistas e agricultores. Deve‑se cuidar para que a comunicação entre ambos 
não se rompa se o extensionista assumir posições negativas, considerando os limites de 
cada signo ou indicador (FREIRE, 1985).
Freire (1985, apud GONÇALVES, 2016) afirma que é preciso investir no desenvolvimen‑
to do ser humano como agente de sua própria mudança, para que se torne capaz de 
influenciar seu autodesenvolvimento. Nessa nova extensão, a comunicação está presente 
em todos os aspectos, incluindo a interconexão entre fonte e aceptor. Assim, é funda‑
mental fazer a análise cuidadosa dos métodos e meios de comunicação para identificar 
os mais adequados, bem como conhecer “[...] a história do aceptor, suas crenças, suas 
habilidades, sua cultura e considerar também aspectos relativos a gênero, geração, etnia 
territorialidade, bem como os aspectos da agroecologia” (GONÇALVES, 2016, p. 61).
Tal visão é bem diversa da transmitida pela formação que a maioria dos técnicos de 
 extensão rural (agrônomos, veterinários, zootecnistas, técnicos agrícolas etc.) vem rece‑
bendo da maioria das universidades brasileiras, que ainda utilizam a lógica produtivista, 
mais ligada à Revolução Verde e à Modernização Conservadora, cujo foco é a agricultura 
de exportação.
Diante disso, a abordagem da nova extensão rural deveria ser de caráter educacional e 
foco no acesso à terra e às condições de produção (mercado, crédito, transporte, 
respeito ao meio ambiente) e às políticas voltadas para resolução de problemas sociais 
(GONÇALVES, 2016).
Alves Sobrinho e Fagnani (2009) abordam os fundamentos da Extensão Rural (ER) como 
processo educativo e participativo, que pode contribuir para a manutenção ou a supe‑
ração dos limites de ação do Estado. O trabalho contempla a realidade de comunidades 
de assentamento rural, visando à viabilização das estratégias de desenvolvimento rural 
sustentável, a partir das práticas de extensão rural.
Os autores criticam o estabelecimento de estratégias de Ater pelo Estado sem a base 
pedagógica das ações educativas, bem como os limites impostos à ação dos profissio‑
nais de ER. Destacam que as opções pedagógicas eventualmente adotadas refletem as 
ideologias e objetivos das políticas promovidas pelo Estado em determinado contexto. 
Entendem que o principal interesse pode ser os efeitos da pedagogia escolhida e não as 
bases epistemológicas de sua aplicação, ou seja, sua origem, estrutura, aspectos filo‑
sóficos, validade etc.
Apresentam o ensino‑aprendizagem como base educativa da Ater e três alternativas 
 pedagógicas: a pedagogia de transmissão, a pedagogia do condicionamento e a peda‑
gogia da problematização (ALVES SOBRINHO; FAGNANI, 2009).
9
a)		 Pedagogia	da	transmissão
 l Entende que ideias e conhecimentos são os aspectos mais importantes da educação.
 l Aluno (agricultor) é “página em branco”, onde é “impresso” o que o extensionista e 
os livros oferecem.
 l Caráter de treinamento, estilo autoritário e vertical, entrega de conhecimentos sem 
considerar habilidades intelectuais de observação, análise, compreensão etc.
 l Consequências: alta absorção de informações, memorização, passividade, postura 
acrítica, desconexão teoria/prática, ausênciada identificação e da 
interpretação de suas relações de causa e efeito.
Ação social − só existe quando há comunicação entre indivíduos. Por exemplo: o simples choque 
entre dois ciclistas não é uma ação social, mas se eles conversam ou discutem após o choque, 
passa a ser.
Poder − capacidade de uma pessoa ou grupo fazer valer sua vontade em uma ação comunal, 
mesmo contra a vontade de outros. Perpassa todos os extratos sociais e não se limita ao sentido 
político ou econômico. A sociedade é um sistema de poder, e a organização social depende de sua 
distribuição desigual. Alguns grupos podem impor sua vontade a grandes contingentes de pessoas 
com base em riqueza, nome ou outro fator.
Autoridade – quando as manifestações de poder são aceitas como legítimas pela parcela da 
sociedade envolvida. (Por exemplo: autoridade para recomendar alguma técnica.) 
Marx e Engels Conceituam a organização social com base nas relações de produção. Esse modo de produção 
da vida material domina a vida social, política e intelectual, em geral. A organização social é um 
sistema em equilíbrio precário, a depender da dinâmica das relações de classes com interesses 
diferentes ou conflitantes.
Escola de 
Chicago
Movimento sociológico na The University of Chicago (anos 1920), com ênfase na pesquisa de cam‑
po em grandes metrópoles. Baseia‑se em três ideias:
a) Indivíduos e sociedade são indissociáveis (conflita com Durkheim).
b) A sociedade é um sistema complexo baseado nos sistemas culturais (predominantes), mas 
também nos sistemas naturais (conflita com Durkheim).
c) A organização das relações sociais se reflete na ocupação humana do espaço geográfico, à 
semelhança do que ocorre na Ecologia Vegetal.
Centrado no conceito de “processo social” (interação, contato, cooperação, acomodação, assimi‑
lação, competição e conflito). Criou o conceito revolucionário de interacionismo simbólico, que 
entende a sociedade como realidade intermental ou intersubjetiva, e não meramente física.
Critica o conceito de “fato social”, de Durkheim, afirmando que toda sociedade é uma realidade 
inevitavelmente histórica.
Nega o positivismo, afirmando que a apreensão objetiva dos fenômenos sociais depende da com‑
preensão dos fatos de quem os expressa (sociólogo), função de sua participação como ser social.
Afirma ser impossível identificar fronteiras nítidas entre o indivíduo e a sociedade, como prega o 
positivismo, pois, diferentemente do que ocorre na natureza, não é possível entender a vida em 
sociedade sem o compartilhamento de ideias e sentimentos, de forma intersubjetiva.
O todo social não deve prevalecer em detrimento do indivíduo nem a importância da subjetividade 
da vida social deve ser subestimada.
Nota: o princípio básico do positivismo é que existe um limite delimitado com clareza entre o 
observador e os fatos observados.
Fonte:	Vila	Nova	(2000).
188
Para a sociologia, grupos sociais são um conjunto de pessoas cujos objetivos e interesses 
compartilhados produzem relações estáveis e geram uma identidade grupal, por meio 
do contato contínuo. Além disso, possuem relações interpessoais estáveis e sentimentos 
partilhados de pertencimento a uma mesma unidade social. Por exemplo: uma turma de 
um curso, que, mesmo quando os colegas estão longe, sentem que pertencem àquele 
grupo social distinto e isso contribui para a continuidade do grupo. Para desenvolver com 
sucesso o trabalho de extensão, é importante compreender os conceitos e o funciona‑
mento dos grupos.
Os conceitos de status social, estratificação social e classe social também são importan‑
tes para a atuação na extensão rural. Vamos a eles!
A sociedade é formada por um sistema de status, que representa o local ocupado pelo 
indivíduo na hierarquia social, com base na forma como a riqueza, o prestígio e o poder 
são distribuídos. Ocupar um status não significa ser superior ou inferior, ou seja, todas 
as pessoas têm status. É comum ocupar diferentes status ao mesmo tempo. O prestígio 
atribuído ao status (médico, por exemplo) é diferente de estima, que é conferida pelo 
reconhecimento dado pela sociedade a quem ocupa aquele status. Já o poder, o prestígio 
ou a riqueza de quem ocupa determinado status pertencem ao status e não a quem o 
ocupa (VILA NOVA, 2000).
O que leva as pessoas a se comportarem de forma aprovada socialmente é o controle 
social. Além da aceitação social, estímulos como recompensas e punições também fazem 
parte do controle social. Normas explícitas e formais, a exemplo das leis de trânsito, no 
Brasil, muitas vezes são menos obedecidas do que as implícitas, consagradas pela comu‑
nidade, como o “direito” do homem de trair, atitude não permitida à mulher.
A sociologia estuda o homem não como pessoa, mas como ator social, que desempe‑
nha diferentes papéis na sociedade. Na atuação extensionista, podemos nos defrontar 
com conflitos de papel, em que o ator social precisa ponderar as consequências de suas 
escolhas.
Os papéis sociais estão inter‑relacionados, como ocorre no papel de professor, que está 
ligado ao papel de aluno e vice‑versa. Uma mesma pessoa pode desempenhar vários 
papéis. Esse mesmo professor pode ser pai, marido, líder religioso etc. E o aluno pode 
ser atleta do time de vôlei, líder da banda de rock mais bacana da cidade, e por aí vai!
Saiba mais
198
Para a sociologia, grupos sociais são um conjunto de pessoas cujos objetivos e interesses 
compartilhados produzem relações estáveis e geram uma identidade grupal, por meio 
do contato contínuo. Além disso, possuem relações interpessoais estáveis e sentimentos 
partilhados de pertencimento a uma mesma unidade social. Por exemplo: uma turma de 
um curso, que, mesmo quando os colegas estão longe, sentem que pertencem àquele 
grupo social distinto e isso contribui para a continuidade do grupo. Para desenvolver com 
sucesso o trabalho de extensão, é importante compreender os conceitos e o funciona‑
mento dos grupos.
Os conceitos de status social, estratificação social e classe social também são importan‑
tes para a atuação na extensão rural. Vamos a eles!
A sociedade é formada por um sistema de status, que representa o local ocupado pelo 
indivíduo na hierarquia social, com base na forma como a riqueza, o prestígio e o poder 
são distribuídos. Ocupar um status não significa ser superior ou inferior, ou seja, todas 
as pessoas têm status. É comum ocupar diferentes status ao mesmo tempo. O prestígio 
atribuído ao status (médico, por exemplo) é diferente de estima, que é conferida pelo 
reconhecimento dado pela sociedade a quem ocupa aquele status. Já o poder, o prestígio 
ou a riqueza de quem ocupa determinado status pertencem ao status e não a quem o 
ocupa (VILA NOVA, 2000).
O que leva as pessoas a se comportarem de forma aprovada socialmente é o controle 
social. Além da aceitação social, estímulos como recompensas e punições também fazem 
parte do controle social. Normas explícitas e formais, a exemplo das leis de trânsito, no 
Brasil, muitas vezes são menos obedecidas do que as implícitas, consagradas pela comu‑
nidade, como o “direito” do homem de trair, atitude não permitida à mulher.
A sociologia estuda o homem não como pessoa, mas como ator social, que desempe‑
nha diferentes papéis na sociedade. Na atuação extensionista, podemos nos defrontar 
com conflitos de papel, em que o ator social precisa ponderar as consequências de suas 
escolhas.
Os papéis sociais estão inter‑relacionados, como ocorre no papel de professor, que está 
ligado ao papel de aluno e vice‑versa. Uma mesma pessoa pode desempenhar vários 
papéis. Esse mesmo professor pode ser pai, marido, líder religioso etc. E o aluno pode 
ser atleta do time de vôlei, líder da banda de rock mais bacana da cidade, e por aí vai!
Saiba mais
9
A estratificação social reflete a posição hierárquica das pessoas em setores sociais rela‑
tivamente homogêneos quanto ao estilo de vida, interesses e oportunidades, tendo em 
conta a distribuição de recompensas valorizada socialmente. Exemplos: classesde “problematização” da realidade etc.
 l Produz “domesticação” e facilita o controle do Estado, limitando o crescimento 
 pessoal.
 l Na comunidade, limita a cooperação, produz conformismo, individualismo, baixa 
 participação e aceitação do status quo; bloqueia o desenvolvimento e permite o 
controle do Estado.
 l Associada ao modelo “difusionista” de ER.
b)		 Pedagogia	do	condicionamento
 l Ênfase nos resultados ligados ao comportamento e não às ideias ou conhecimentos.
 l Foco no modelo de conduta em que estímulos e recompensas condicionam o agricul‑
tor a responder conforme expectativas do professor.
 l Usa a associação “estímulo‑resposta‑esforço” para condicionar o aluno a responder 
conforme o esperado, sem demandar esforço contínuo.
 l Resultados para o indivíduo: eficácia no aprendizado de dados e processos; falta de 
capacidade crítica quanto aos objetivos e métodos; não participação na escolha do 
método; incapacidade de problematizar e fazer análise crítica da realidade; falta de 
criticidade quanto ao conteúdo/mensagens das políticas; tendência à postura indivi‑
dualista e competitiva; renúncia à originalidade.
 l No contexto social: ênfase na produtividade; dependência de recursos, equipamen‑
tos e métodos de origem externa; predisposição à manipulação de caráter ideológico 
ou tecnológico; inclinação para o conformismo e o utilitarismo.
 l Pedagogia utilizável apenas após o desenvolvimento de consciência crítica entre os 
alunos, que lhes permita problematizar sua realidade.
 l Agrega fundamentos do difusionismo, com enfoque produtivista.
c)		 Pedagogia	da	problematização
 l Em um mundo mutante, importa que o agricultor tenha ideias, ganhe conhecimentos 
e adote comportamentos “padrão”, mas também que atue ativamente com foco na 
mudança social, identificando os problemas e buscando soluções originais e criativas.
 l É importante criar capacidade de fazer perguntas, compreendê‑las e resolvê‑las.
 l Capacidade de observação da realidade nos níveis local, global etc., identificando 
os recursos e limitações para sua utilização e as tecnologias adequadas à solução de 
11010
seus problemas, entre aquelas disponíveis ou inventando novas tecnologias alinhadas 
às necessidades da organização e ação coletiva da comunidade.
l Sem separar a mudança individual da transformação social associada às situações 
grupais, esta pedagogia está expressa no diagrama de Maguerez (1970), que o autor 
chama de “método do arco” (veja a Figura 1).
l O maior mérito dessa pedagogia é o uso da realidade como fonte de aprendizado, 
enquanto o aluno também se prepara para transformá‑la.
l Em consequência, o aluno torna‑se ativo, fazendo perguntas e emitindo opiniões e 
percepções; ganha motivação ao perceber os problemas reais significativos, enquan‑
to reforça o aprendizado a partir da busca de solução; desenvolve habilidades para 
observar, analisar, avaliar, compreender e extrapolar; exercita a troca e a cooperação 
com o grupo; aprende a lidar com os conflitos; nivela seu status com o extensionista.
l Para a sociedade: identifica métodos adequados à realidade rural; promove a coope‑
ração para a solução dos problemas; aprofunda o conhecimento da realidade e cria 
resistência à invasão cultural; amplia o desenvolvimento intelectual da população, a 
partir dos desafios gerados; e propicia a concepção ou adequação de tecnologias às 
viáveis condições culturais da comunidade.
Figura 1 Método do arco de Maguerez.
Fonte: Adaptado de Maguerez (1970, apud Alves Sobrinho; Fagnani, 2009).
Alves Sobrinho e Fagnani (2009) propõem, então, que a pedagogia da problematização 
seja utilizada de forma preferencial no trabalho de Ater junto aos assentamentos rurais 
como forma de superar limites e remover obstáculos visando ao desenvolvimento rural 
sustentável. Destacam possíveis situações que demandem apenas a transmissão de 
informações ou a execução de rotinas operacionais, de forma rígida e condicionada. 
Entretanto, ressaltam que o principal objetivo da ação educativa junto ao produtor rural 
deve ser seu desenvolvimento integral, a ampliação de sua capacidade de pensamento 
e raciocínio, aperfeiçoamento de valores, hábitos e responsabilidade, a cooperação e a 
sociabilidade do grupo.
11110
seus problemas, entre aquelas disponíveis ou inventando novas tecnologias alinhadas 
às necessidades da organização e ação coletiva da comunidade.
l Sem separar a mudança individual da transformação social associada às situações 
grupais, esta pedagogia está expressa no diagrama de Maguerez (1970), que o autor 
chama de “método do arco” (veja a Figura 1).
l O maior mérito dessa pedagogia é o uso da realidade como fonte de aprendizado, 
enquanto o aluno também se prepara para transformá‑la.
l Em consequência, o aluno torna‑se ativo, fazendo perguntas e emitindo opiniões e 
percepções; ganha motivação ao perceber os problemas reais significativos, enquan‑
to reforça o aprendizado a partir da busca de solução; desenvolve habilidades para 
observar, analisar, avaliar, compreender e extrapolar; exercita a troca e a cooperação 
com o grupo; aprende a lidar com os conflitos; nivela seu status com o extensionista.
l Para a sociedade: identifica métodos adequados à realidade rural; promove a coope‑
ração para a solução dos problemas; aprofunda o conhecimento da realidade e cria 
resistência à invasão cultural; amplia o desenvolvimento intelectual da população, a 
partir dos desafios gerados; e propicia a concepção ou adequação de tecnologias às 
viáveis condições culturais da comunidade.
Figura 1 Método do arco de Maguerez.
Fonte: Adaptado de Maguerez (1970, apud Alves Sobrinho; Fagnani, 2009).
Alves Sobrinho e Fagnani (2009) propõem, então, que a pedagogia da problematização 
seja utilizada de forma preferencial no trabalho de Ater junto aos assentamentos rurais 
como forma de superar limites e remover obstáculos visando ao desenvolvimento rural 
sustentável. Destacam possíveis situações que demandem apenas a transmissão de 
informações ou a execução de rotinas operacionais, de forma rígida e condicionada. 
Entretanto, ressaltam que o principal objetivo da ação educativa junto ao produtor rural 
deve ser seu desenvolvimento integral, a ampliação de sua capacidade de pensamento 
e raciocínio, aperfeiçoamento de valores, hábitos e responsabilidade, a cooperação e a 
sociabilidade do grupo.
11
3.2 Comunicação no meio rural:
diferentes universos culturais e suas linguagens
Todos os processos sociais constituem alguma forma de interação, que é considerada 
o processo social mais importante, por influenciar de forma recíproca ou unilateral os 
agentes sociais, estando ou não presentes na situação, e quer estejam claramente identi‑
ficados ou não (atores sociais difusos) (VILA NOVA, 2018).
A influência é recíproca quando existe proximidade física ou quando os agentes podem 
interagir entre si (por exemplo: conversa pessoal ou por telefone). É unilateral, no caso 
da presença de um deles ser indireta, impedindo que seja influenciado pelo outro, mes‑
mo que possa influenciá‑lo.
Entendemos que podemos aplicar os pressupostos aqui explicitados em outras realida‑
des da atuação junto aos indivíduos e grupos que compõem a agricultura familiar. 
Não podemos esquecer que, para realizar esse importante trabalho educativo, 
precisamos conhecer, compreender e aplicar adequadamente as habilidades de 
comunicação. Vamos, então nos aprofundar nessa temática!
Na Unidade 2, estudamos os métodos e técnicas de comunicação mais adequados ao 
universo da extensão rural. Se necessário, volte ao texto e procure relembrar conceitos, 
agora aplicados às necessidades de comunicação, que iremos abordar aqui.
De olho
Quando lemos um livro podemos ser influenciados pelo autor, mas não temos como 
influenciá‑lo, seja porque ele está longe ou por já ter morrido. O mesmo ocorre 
quando vemos um filme ou assistimos à TV. A interação por intermédio dos meios 
de comunicação de massa é uma forma muito eficiente de transmitir crenças e,em consequência, formar opiniões e atitudes e um mecanismo potencialmente peri‑
goso para manipular e dominar.
Na prática
11212
Vimos, na Unidade 1, que símbolos e normas fazem parte da cultura, sendo muito impor‑
tantes para a organização social. Um dos principais é a palavra, símbolo por excelência 
da comunicação verbal. Porém, esta pode ser enriquecida com símbolos de outra ordem. 
Esta dimensão simbólica das relações sociais envolve também gestos, cores, vestuário, 
habitação etc. e seu significado está socialmente condicionado, como, por exemplo, o uso 
da cor preta em situações de luto, na sociedade ocidental.
Existem formas simbólicas e não simbólicas de interação. Essas últimas ocorrem sem que 
os envolvidos se deem conta, como tom de voz, olhar, odores etc. É importante compre‑
ender que
[...] o fato fundamental para a compreensão da vida social entre os seres 
humanos é a existência de indivíduos e grupos em interação orientada por 
significados, sobretudo os derivados da cultura, de acordo com interesses 
e objetivos específicos para diferentes situações sociais (VILA NOVA, 2018, 
p. 188).
Enquanto a interação é o processo social geral, o contato é o processo social primário, 
pois apenas a partir dele é possível haver interação. Para que o contato aconteça, 
é necessário haver a comunicação, lembrando que não é preciso haver proximidade física 
para que isto ocorra. Na sociologia, contato e comunicação são conceitos tão próximos 
que podem se confundir.
Duas pessoas próximas fisicamente (por exemplo: viajando no mesmo ônibus) podem 
se comunicar por palavras ou não o fazer de nenhuma forma. Podem, também, não se 
comunicar intencionalmente, mas fazê‑lo a partir do vestuário, do olhar, da postura etc. 
Dessa forma, poderão ter seu comportamento influenciado, ainda que de maneira não 
consciente ou intencional (VILA NOVA, 2018).
A comunicação não verbal é muito importante no trabalho de extensão rural. Podemos 
pôr tudo a perder se não prestarmos atenção na forma como conversamos, no nosso 
tom de voz, gestos, roupas e tudo mais, sempre conectados com o contexto cultural da 
comunidade na qual iremos atuar. Saber ouvir também é uma forma importantíssima 
de comunicação. Fique atento!
De olho
11312
Vimos, na Unidade 1, que símbolos e normas fazem parte da cultura, sendo muito impor‑
tantes para a organização social. Um dos principais é a palavra, símbolo por excelência 
da comunicação verbal. Porém, esta pode ser enriquecida com símbolos de outra ordem. 
Esta dimensão simbólica das relações sociais envolve também gestos, cores, vestuário, 
habitação etc. e seu significado está socialmente condicionado, como, por exemplo, o uso 
da cor preta em situações de luto, na sociedade ocidental.
Existem formas simbólicas e não simbólicas de interação. Essas últimas ocorrem sem que 
os envolvidos se deem conta, como tom de voz, olhar, odores etc. É importante compre‑
ender que
[...] o fato fundamental para a compreensão da vida social entre os seres 
humanos é a existência de indivíduos e grupos em interação orientada por 
significados, sobretudo os derivados da cultura, de acordo com interesses 
e objetivos específicos para diferentes situações sociais (VILA NOVA, 2018, 
p. 188).
Enquanto a interação é o processo social geral, o contato é o processo social primário, 
pois apenas a partir dele é possível haver interação. Para que o contato aconteça, 
é necessário haver a comunicação, lembrando que não é preciso haver proximidade física 
para que isto ocorra. Na sociologia, contato e comunicação são conceitos tão próximos 
que podem se confundir.
Duas pessoas próximas fisicamente (por exemplo: viajando no mesmo ônibus) podem 
se comunicar por palavras ou não o fazer de nenhuma forma. Podem, também, não se 
comunicar intencionalmente, mas fazê‑lo a partir do vestuário, do olhar, da postura etc. 
Dessa forma, poderão ter seu comportamento influenciado, ainda que de maneira não 
consciente ou intencional (VILA NOVA, 2018).
A comunicação não verbal é muito importante no trabalho de extensão rural. Podemos 
pôr tudo a perder se não prestarmos atenção na forma como conversamos, no nosso 
tom de voz, gestos, roupas e tudo mais, sempre conectados com o contexto cultural da 
comunidade na qual iremos atuar. Saber ouvir também é uma forma importantíssima 
de comunicação. Fique atento!
De olho
13
A comunicação voltada para o meio rural utiliza os mesmos princípios da comunicação 
em geral e os meios disponíveis tanto atingem o público urbano quanto o rural. Nisso, a 
comunicação para esses dois públicos distintos é semelhante. Ainda assim, a comunica‑
ção rural apresenta diferenças importantes (BORDENAVE, 1988): 
 l o contexto específico e a complexidade da atividade agrícola;
 l o jeito de pensar, de agir e de se comunicar das pessoas do meio rural é diferente;
 l os modelos de desenvolvimento – tipicamente rurais – acabam condicionando as 
formas de usar a comunicação, em geral, diferentes do que ocorre na cidade.
O autor menciona várias situações que são típicas do meio rural:
 l A in‑comunicação, problema de comunicação típico de comunidades rurais que vai 
além do isolamento geográfico ou da precariedade das estradas. É determinado so‑
cialmente, seja pelo nível insuficiente de instrução, seja pelo cansaço decorrente da 
dura jornada de trabalho, que limita a socialização com os vizinhos. Envolve também 
a in‑comunicação causada pelas diferenças de status (patrões‑trabalhadores) ou 
pelas querelas entre famílias e clãs, disputas políticas etc.
 l O mutirão, muito mais comum do que na cidade, oportunidade de cooperação, mas 
também de comunicação.
 l A feira, encontro semanal típico das áreas rurais, onde a população se encontra nos 
finais de semana para vender seus produtos e comprar o que precisam, mas princi‑
palmente para saber das novidades. No Nordeste, as feiras agregam ainda importante 
dimensão cultural, com a presença de violeiros e cordelistas.
Essa in‑comunicação deixa os agricultores em desvantagem no tocante ao alinhamento 
da política agrária às suas necessidades, pois têm maior dificuldade de identificar e ver‑
balizar seus problemas e necessidades e de se reunir para buscar soluções. É ainda mais 
forte entre os agricultores e os técnicos cuja formação como indivíduos e como profissio‑
nais ocorreu integralmente no meio urbano.
Vila Nova (2018) menciona as situações de isolamento sociocultural, comuns quando 
as populações rurais migram para os centros urbanos e vão viver em uma mesma área 
geográfica, com seus valores e cultura próprios, de forma apartada ao restante da popu‑
lação. Podemos ter, por exemplo, pessoas de origem rural que não têm como interpretar 
adequadamente conteúdos de TV muito diferentes de seu universo, em que subcultura 
rural se contrapõe à urbana.
A ocupação, a renda e a escolaridade também são fontes importantes de isolamento 
social, como ocorre nas periferias dos grandes centros urbanos brasileiros. A estrutura 
física dessas áreas tende a reproduzir a configuração das relações de classe, sendo 
uma clara consequência da marginalização socioeconômica. A baixa escolaridade, 
ao limitar a integração dessas pessoas ao sistema de produção, bem como ao universo 
 simbólico das diversas subculturas do meio social, é causa importante de isolamento 
social (VILA NOVA, 2018).
11414
Como ocorre em vários países latino‑americanos, a atividade agropecuária é muito 
importante para o Brasil. Baseada no uso da capacidade da terra para produzir plantas e 
criar animais, a agricultura é um sistema “bioeconômico” complexo que envolve 
insumos, produtos e processos controlados pelo homem e onde aspectos pessoais, 
ecológicos e institucionais se combinam. Estão presentes nesse ambiente fatores como 
clima, topografia, flora e fauna, mas também política agrícola, crédito, impostos etc. 
(BORDENAVE, 1988).
Apresenta riscos e incertezas, já que o agricultor não consegue controlar a maioria desses 
fatores. Situações que apresentamrisco são, por exemplo, além de fatores ecológicos 
(seca, pragas e doenças), fatores institucionais (queda de preços, plantio tardio por mo‑
tivo de atrasos na entrega de insumos). Soma‑se a isso a incerteza de não poder deter‑
minar as consequências da ocorrência desses riscos, principalmente nos lucros de sua 
atividade.
Os fatores que compõem o sistema de produção agrícola são a terra, o capital, o trabalho 
e a administração ou tecnologia, que são combinados à sua maneira por cada agricultor. 
Sendo assim, cada um tem um sistema de produção específico, o que faz com que as 
decisões sobre que culturas e criações implantar, venda de produtos, uso de tecnologia 
etc. não sigam um único padrão. Além disso, decisões tomadas por governos, mercados 
etc. também afetam suas atividades (BORDENAVE, 1988).
A informação é o antídoto para a incerteza enfrentada pelos agricultores, minimizando o 
caráter aleatório de sua atividade. Pode vir de várias fontes:
 l consulta a familiares, vizinhos, lideranças, amigos, autoridades etc.;
 l assistência técnica fornecida por vendedores de insumos e de máquinas/equipamen‑
tos, bancos, instituições de pesquisa e assistência técnica;
 l associações de classe, como sindicatos rurais e cooperativas, associações de 
 criadores, clube de mães etc.
Quando extrapolamos do agricultor individual para um grupo de agricultores, fica mais 
fácil entender por que a informação se tornou tão importante para o desenvolvimento 
rural.
Vestígios das primeiras iniciativas públicas de comunicação para o público rural foram 
identificadas em 1899, no estado de São Paulo e, em 1900, foi publicado o Boletim da 
Agricultura. Em 1907, haviam 36 publicações (folhetos, periódicos e outros) e, em 1917, 
já haviam sido distribuídas mais de 400 mil publicações, mostrando o interesse que essas 
informações tinham para os agricultores.
As primeiras ações de comunicação agrícola do governo federal só ocorreram quase 
40 anos mais tarde, em 1938, antes da Segunda Guerra Mundial, quando foi criado o 
 Serviço de Publicidade Agrícola do Ministério da Agricultura. Porém, o apogeu da infor‑
mação agrícola ocorreu com a formação do Serviço de Informação Agrícola (SIA), atuante 
nos anos 1940 e 1950, com a distribuição de noticiário diário via imprensa e rádio. 
A partir de 1958, o SAI passou a ter sua própria emissora, a Rádio Rural, e chegou a 
 produzir mais de 350 filmes.
11514
Como ocorre em vários países latino‑americanos, a atividade agropecuária é muito 
importante para o Brasil. Baseada no uso da capacidade da terra para produzir plantas e 
criar animais, a agricultura é um sistema “bioeconômico” complexo que envolve 
insumos, produtos e processos controlados pelo homem e onde aspectos pessoais, 
ecológicos e institucionais se combinam. Estão presentes nesse ambiente fatores como 
clima, topografia, flora e fauna, mas também política agrícola, crédito, impostos etc. 
(BORDENAVE, 1988).
Apresenta riscos e incertezas, já que o agricultor não consegue controlar a maioria desses 
fatores. Situações que apresentam risco são, por exemplo, além de fatores ecológicos 
(seca, pragas e doenças), fatores institucionais (queda de preços, plantio tardio por mo‑
tivo de atrasos na entrega de insumos). Soma‑se a isso a incerteza de não poder deter‑
minar as consequências da ocorrência desses riscos, principalmente nos lucros de sua 
atividade.
Os fatores que compõem o sistema de produção agrícola são a terra, o capital, o trabalho 
e a administração ou tecnologia, que são combinados à sua maneira por cada agricultor. 
Sendo assim, cada um tem um sistema de produção específico, o que faz com que as 
decisões sobre que culturas e criações implantar, venda de produtos, uso de tecnologia 
etc. não sigam um único padrão. Além disso, decisões tomadas por governos, mercados 
etc. também afetam suas atividades (BORDENAVE, 1988).
A informação é o antídoto para a incerteza enfrentada pelos agricultores, minimizando o 
caráter aleatório de sua atividade. Pode vir de várias fontes:
 l consulta a familiares, vizinhos, lideranças, amigos, autoridades etc.;
 l assistência técnica fornecida por vendedores de insumos e de máquinas/equipamen‑
tos, bancos, instituições de pesquisa e assistência técnica;
 l associações de classe, como sindicatos rurais e cooperativas, associações de 
 criadores, clube de mães etc.
Quando extrapolamos do agricultor individual para um grupo de agricultores, fica mais 
fácil entender por que a informação se tornou tão importante para o desenvolvimento 
rural.
Vestígios das primeiras iniciativas públicas de comunicação para o público rural foram 
identificadas em 1899, no estado de São Paulo e, em 1900, foi publicado o Boletim da 
Agricultura. Em 1907, haviam 36 publicações (folhetos, periódicos e outros) e, em 1917, 
já haviam sido distribuídas mais de 400 mil publicações, mostrando o interesse que essas 
informações tinham para os agricultores.
As primeiras ações de comunicação agrícola do governo federal só ocorreram quase 
40 anos mais tarde, em 1938, antes da Segunda Guerra Mundial, quando foi criado o 
 Serviço de Publicidade Agrícola do Ministério da Agricultura. Porém, o apogeu da infor‑
mação agrícola ocorreu com a formação do Serviço de Informação Agrícola (SIA), atuante 
nos anos 1940 e 1950, com a distribuição de noticiário diário via imprensa e rádio. 
A partir de 1958, o SAI passou a ter sua própria emissora, a Rádio Rural, e chegou a 
 produzir mais de 350 filmes.
15
No final dos anos 1950, essa estratégia de comunicação, focada na radiodifusão, passou 
a ser substituída gradativamente pela comunicação persuasiva dos agentes de extensão 
rural, trocando a comunicação de massa pelo contato pessoal. Como já vimos, nessa 
época foi adotado o modelo norte‑americano de extensão rural, quando as funções de 
orientação e capacitação rural da SIA foram substituídas pela atuação da Associação 
Brasileira de Crédito e Assistência Rural (Abcar). Esta contava com o apoio de serviços 
especializados para elaborar materiais informativos para uso dos “extensionistas”.
A substituição da Abcar pela Empresa Brasileira de Assistência Técnica e Extensão Rural 
(Emater) ocasionou alterações na filosofia da instituição que trouxeram impactos na 
comunicação, que passou a ser denominada comunicação rural. A extensão rural, agora, 
assume caráter educativo onde o extensionista não determina o que o produtor rural e 
suas famílias devem fazer, mas tem papel de coparticipante de um processo em que 
cabe às famílias rurais e suas comunidades assumirem as rédeas de seu destino. 
Nesse contexto, a comunicação rural assume o caráter de diálogo participativo.
O desenvolvimento rural resulta de diversas mudanças quantitativas e qualitativas 
junto à população rural, cujos efeitos somados levam ao aumento do nível de vida e a 
uma melhoria do gênero de vida. Ou seja, envolve o progresso técnico e econômico, 
mas também o progresso na vida das pessoas e de suas comunidades, das regiões e 
das nações. Partindo dos fatores de produção disponíveis, para que o desenvolvimento 
rural ocorra é preciso contar com novas técnicas e investimentos para implementá‑las, 
assim como com políticas adequadas para apoiar todo o sistema.
A forma de a comunicação rural atuar em determinada região (e o modelo adotado) irá 
depender, portanto, do modelo de desenvolvimento adotado (BORDENAVE, 1988).
Importante
Modelos de comunicação rural
Já vimos nas unidades anteriores que existem diversos modelos de extensão rural, a qual, 
como também já estudamos, nada mais é do que um processo de educação e comuni‑
cação. Vamos agora rever esse conteúdo, sistematizado e com alguns elementos novos, 
conforme nos ensina Bordenave (1988).
11616
Modelo difusionista
Centrado na difusão dos resultados de pesquisa, utiliza a comunicação em suas diversas 
modalidades, em especial a de caráter pessoal, para induzir o produtor rural a adotar 
as novas tecnologias geradas. A ênfase na comunicação envolve tantoas mensagens de 
caráter técnico, como aquelas de natureza persuasiva e motivadora, visando à introdução 
das mudanças no sistema de produção, sem maiores preocupações com a realidade asso‑
ciada com o modo de vida ou com o ponto de vista do público‑alvo. Os agricultores con‑
siderados “inovadores” são aqueles que adquirem características de empreendedores, 
como apetite ao risco, racionalidade técnica e econômica e abertura para a inovação.
Figura 2 Difusionismo – cadeia de “transferência de tecnologia”. 
Fonte: Adaptado de BORDENAVE (1988).
Como estratégia, o difusionismo utiliza os “líderes naturais” e os “grupos instrumentais” 
(comitês locais, conselhos de desenvolvimento agrícola, clubes de mães, clubes agrícolas 
juvenis 4‑S etc.) (BORDENAVE, 1988, p. 33). Técnicas de marketing, como as campanhas, 
são as mais utilizadas, assim como truques de publicidade como slogans, ameaças etc., 
visando à adoção, por uma comunidade de uma região específica, de um comporta‑
mento desejado.
Modelo de pacotes
Sua origem está na constatação de que o difusionismo, embora tivesse obtido sucesso 
nos Estados Unidos, fracassou no Brasil e na América Latina. Com efeito, para que funcio‑
nasse, além da geração de pesquisas e tecnologia para uso dos agricultores, era preciso 
haver insumos (sementes, adubos, defensivos etc.) e demais fatores de produção disponí‑
veis a uma distância e a preços razoáveis, crédito rural e demais políticas que apoiassem a 
produção e a comercialização, o que não ocorreu.
O modelo de pacotes propõe, além do “pacote de técnicas” do difusionismo, um “pacote 
de serviços” (pesquisa, extensão, comercialização, crédito etc.), que chegou a ser testado 
no México e nas Filipinas, para as culturas de milho e arroz, respectivamente.
O papel da comunicação, nesse modelo, além do caráter de difusão de inovações, assu‑
me novo e importante desafio: conectar as instituições envolvidas nesse programa de 
pacotes. Um exemplo disso é o Programa de Desenvolvimento Rural Integrado (PDRI) do 
Banco Mundial, em que a comunicação ocorre também de baixo para cima, ou seja, do 
produtor rural para as instituições participantes do programa.
11716
Modelo difusionista
Centrado na difusão dos resultados de pesquisa, utiliza a comunicação em suas diversas 
modalidades, em especial a de caráter pessoal, para induzir o produtor rural a adotar 
as novas tecnologias geradas. A ênfase na comunicação envolve tanto as mensagens de 
caráter técnico, como aquelas de natureza persuasiva e motivadora, visando à introdução 
das mudanças no sistema de produção, sem maiores preocupações com a realidade asso‑
ciada com o modo de vida ou com o ponto de vista do público‑alvo. Os agricultores con‑
siderados “inovadores” são aqueles que adquirem características de empreendedores, 
como apetite ao risco, racionalidade técnica e econômica e abertura para a inovação.
Figura 2 Difusionismo – cadeia de “transferência de tecnologia”. 
Fonte: Adaptado de BORDENAVE (1988).
Como estratégia, o difusionismo utiliza os “líderes naturais” e os “grupos instrumentais” 
(comitês locais, conselhos de desenvolvimento agrícola, clubes de mães, clubes agrícolas 
juvenis 4‑S etc.) (BORDENAVE, 1988, p. 33). Técnicas de marketing, como as campanhas, 
são as mais utilizadas, assim como truques de publicidade como slogans, ameaças etc., 
visando à adoção, por uma comunidade de uma região específica, de um comporta‑
mento desejado.
Modelo de pacotes
Sua origem está na constatação de que o difusionismo, embora tivesse obtido sucesso 
nos Estados Unidos, fracassou no Brasil e na América Latina. Com efeito, para que funcio‑
nasse, além da geração de pesquisas e tecnologia para uso dos agricultores, era preciso 
haver insumos (sementes, adubos, defensivos etc.) e demais fatores de produção disponí‑
veis a uma distância e a preços razoáveis, crédito rural e demais políticas que apoiassem a 
produção e a comercialização, o que não ocorreu.
O modelo de pacotes propõe, além do “pacote de técnicas” do difusionismo, um “pacote 
de serviços” (pesquisa, extensão, comercialização, crédito etc.), que chegou a ser testado 
no México e nas Filipinas, para as culturas de milho e arroz, respectivamente.
O papel da comunicação, nesse modelo, além do caráter de difusão de inovações, assu‑
me novo e importante desafio: conectar as instituições envolvidas nesse programa de 
pacotes. Um exemplo disso é o Programa de Desenvolvimento Rural Integrado (PDRI) do 
Banco Mundial, em que a comunicação ocorre também de baixo para cima, ou seja, do 
produtor rural para as instituições participantes do programa.
17
Modelo de inovação induzida pelo mercado
Aqui, são os mecanismos de mercado que vão direcionar a direção das inovações 
agrícolas. Para isso, os preços terão que refletir eficientemente as mudanças na oferta e 
demanda dos produtos agrícolas e deve haver integração eficiente entre os produtores e 
instituições públicas de pesquisa e empresas de venda de insumos. 
O modelo explica algumas questões importantes do desenvolvimento da agricultura 
latino‑americana, como, por exemplo, a escassez de pesquisa tecnológica para a agri‑
cultura familiar. Como são os grandes produtores rurais que dominam o mercado, eles 
acabam “indicando” aos centros de pesquisa a direção que a geração de conhecimentos 
e inovações deve tomar.
Os reflexos disso na comunicação rural apontam para a necessidade de maior eficiência 
do governo em modernizar os sistemas de comercialização e comunicação de maneira 
que os mecanismos de mercado funcionem com eficiência também para os pequenos 
produtores. Ademais, mesmo que tais mecanismos sejam eficientes, eles só estariam a 
serviço dos pequenos agricultores caso fossem baseados em estratégias de participação 
organizada efetiva desse público na definição das políticas de produção e difusão de 
conhecimentos e tecnologias. 
Modelo de organização/participação
Parte da constatação de diversos efeitos nefastos das políticas de desenvolvimento dos 
países latino‑americanos, como êxodo rural e suas consequências: criação de “megalópo‑
les”; domínio das multinacionais também no setor agrícola; substituição de unidades de 
produção familiares por monocultura; e destruição do meio ambiente.
As correntes que defendem esse modelo apresentam propostas as mais variadas. Uma 
delas propõe o alinhamento das estratégias de desenvolvimento nacional com o desen‑
volvimento rural, que deve ser o eixo em torno do qual devem girar todas as políticas 
(transferência de tecnologia; urbanização; industrialização etc.). Estratégias mais modera‑
das se limitam a defender as funções das organizações rurais. Assim, alguns países têm 
buscado reforçar a organização e a participação dos produtores.
Foi essa inversão do fluxo de informação – partindo do produtor rural – que deu origem 
ao que hoje chamamos de comunicação rural (BORDENAVE, 1988).
Importante
11818
Esse modelo traz impactos relevantes na comunicação rural, com os produtores apren‑
dendo a usar não só seu direito de fala, como também os meios de comunicação grupais 
e de massas. As críticas ao modelo focam a incapacidade de mudar a realidade de uma 
sociedade capitalista em que as oligarquias continuam usando seu poder para dominar e 
oprimir.
Modelo de transformação estrutural
Diferentemente dos demais, que não questionam a estrutura básica da sociedade, 
este modelo traz uma nova abordagem para o desenvolvimento rural, não apenas 
como um processo técnico‑econômico, mas também político‑social. A partir de movi‑
mentos latino‑americanos que “[...] questionam a viabilidade de um desenvolvimento 
rural que não implique uma mudança drástica das estruturas de poder, das relações 
de produção, do regime de propriedade e nos mecanismos de participação social [...]” 
(BORDENAVE, 1988, p. 42), com o objetivo de substituir as classes dominantes pelo 
poder popular.
Nesse contexto, todos os processos envolvidos no desenvolvimento rural (comunicação, 
tecnificação, educação etc.) precisam estar unificadosem um processo de mudança 
estrutural no qual a conscientização e a politização precisam estar presentes.
Comunicação na extensão rural para divulgação 
da produção científica
Segundo Garcia (2016), na extensão rural, a comunicação precisa contar com um aparato 
que possibilite ao produtor rural ter acesso à produção científica, passando antes pelo 
extensionista. A divulgação da produção científica é, portanto, uma das funções da exten‑
são rural.
De forma geral, esse conhecimento, normalmente armazenado sob a forma de artigos 
científicos e/ou patentes, chega até a sociedade, desde o momento em que é gerado até 
sua utilização, conforme a seguir (GONÇALVES, 2016).
A Figura 3 mostra que a divulgação da produção científica ocorre por meio de diversas 
modalidades de comunicação. Mas, antes de estar pronto para ser divulgado, o conhe‑
cimento e a inovação percorrem um longo caminho, que pode durar anos. Começa com 
a formação dos profissionais de pesquisa, passando pela elaboração, formalização e 
implementação dos projetos de pesquisa, incluindo obtenção de recursos, experimenta‑
ção e análise de dados, até a produção e aprovação, pelas revistas científicas, de artigos e 
inovações/patentes.
Esse processo depende fortemente da comunicação, em todas as suas etapas, e está 
 altamente sujeito a limitações de recursos e ingerências políticas, em países cujos 
 recursos para financiamento de pesquisa são de origem pública, como ocorre no Brasil. 
Nas unidades anteriores, em especial a Unidade 1, procuramos estudar e compreender 
como a implantação da extensão rural ocorreu no país e conhecer as transformações 
11918
Esse modelo traz impactos relevantes na comunicação rural, com os produtores apren‑
dendo a usar não só seu direito de fala, como também os meios de comunicação grupais 
e de massas. As críticas ao modelo focam a incapacidade de mudar a realidade de uma 
sociedade capitalista em que as oligarquias continuam usando seu poder para dominar e 
oprimir.
Modelo de transformação estrutural
Diferentemente dos demais, que não questionam a estrutura básica da sociedade, 
este modelo traz uma nova abordagem para o desenvolvimento rural, não apenas 
como um processo técnico‑econômico, mas também político‑social. A partir de movi‑
mentos latino‑americanos que “[...] questionam a viabilidade de um desenvolvimento 
rural que não implique uma mudança drástica das estruturas de poder, das relações 
de produção, do regime de propriedade e nos mecanismos de participação social [...]” 
(BORDENAVE, 1988, p. 42), com o objetivo de substituir as classes dominantes pelo 
poder popular.
Nesse contexto, todos os processos envolvidos no desenvolvimento rural (comunicação, 
tecnificação, educação etc.) precisam estar unificados em um processo de mudança 
estrutural no qual a conscientização e a politização precisam estar presentes.
Comunicação na extensão rural para divulgação 
da produção científica
Segundo Garcia (2016), na extensão rural, a comunicação precisa contar com um aparato 
que possibilite ao produtor rural ter acesso à produção científica, passando antes pelo 
extensionista. A divulgação da produção científica é, portanto, uma das funções da exten‑
são rural.
De forma geral, esse conhecimento, normalmente armazenado sob a forma de artigos 
científicos e/ou patentes, chega até a sociedade, desde o momento em que é gerado até 
sua utilização, conforme a seguir (GONÇALVES, 2016).
A Figura 3 mostra que a divulgação da produção científica ocorre por meio de diversas 
modalidades de comunicação. Mas, antes de estar pronto para ser divulgado, o conhe‑
cimento e a inovação percorrem um longo caminho, que pode durar anos. Começa com 
a formação dos profissionais de pesquisa, passando pela elaboração, formalização e 
implementação dos projetos de pesquisa, incluindo obtenção de recursos, experimenta‑
ção e análise de dados, até a produção e aprovação, pelas revistas científicas, de artigos e 
inovações/patentes.
Esse processo depende fortemente da comunicação, em todas as suas etapas, e está 
 altamente sujeito a limitações de recursos e ingerências políticas, em países cujos 
 recursos para financiamento de pesquisa são de origem pública, como ocorre no Brasil. 
Nas unidades anteriores, em especial a Unidade 1, procuramos estudar e compreender 
como a implantação da extensão rural ocorreu no país e conhecer as transformações 
19
pelas quais passou para chegar à situação atual. Vimos que todo esse contexto histórico, 
no qual a ER tem importante papel, gerou dois tipos distintos de produtores rurais:
l agricultores patronais, que operam em grandes empreendimentos agrícolas;
l agricultores familiares, que envolvem:
¡ agricultores familiares integrados ao mercado (Afim);
¡ agricultores familiares parcialmente integrados ao mercado (Afnim);
¡ quilombolas, pescadores artesanais, comunidades tradicionais, extrativistas e 
indígenas.
Figura 3 Fluxo do conhecimento, de sua origem até o consumidor final. 
Fonte: Adaptado de GONÇALVES (2016).
Considerando, então, essas duas categorias básicas de agricultores – os patronais e os 
agricultores familiares –, pode‑se levantar questionamentos em relação à sequência
dos processos de comunicação na extensão rural.
1. Qual é a função da comunicação na ER e como ela se insere no processo de TT 
(transferência de tecnologias‑conhecimentos‑produção científica)?
2. Quais são os principais métodos para exercitar esta comunicação na ER?
3. Os métodos devem ser basicamente os mesmos? Como cada grupo de agriculto‑
res produz feedback para desenvolver novas pesquisas e a transferência de tecno‑
logias? (GONÇALVES 2016, p. 61)
Como você responderia essas questões no dia a dia do trabalho em extensão?
Para refletir
12020
Procure, portanto, superar essas dificuldades, estabelecendo uma boa comunicação com 
as instituições dedicadas à pesquisa e inovação, para não interromper essa cadeia do 
conhecimento, além de utilizar uma linguagem mais acessível para divulgar os resultados, 
como forma de viabilizar a aplicação dos conhecimentos gerados pelos agricultores.
Além dos artigos científicos, contamos com os artigos de divulgação para disseminar o 
conhecimento científico gerado. Diferentemente dos artigos científicos, direcionados 
para um público especializado e relativamente restrito, esses se destinam a um público 
mais amplo e heterogêneo. Também chamados de artigos especializados, constituem 
o conteúdo do artigo científico reprocessado pelo pesquisador e/ou o extensionista em 
uma linguagem mais acessível.
O baixo nível educacional dos produtores, em especial dos grupos que compõem a 
agricultura familiar, pode ser um fator limitante para essa divulgação. Mesmo assim, 
esse material é muito útil para os extensionistas, que podem utilizá‑los para divulgar e 
apresentar uma nova ideia ou tecnologia ou promover uma prática que queiram disse‑
minar. Esse tipo de comunicação de massa ajuda os extensionistas a despertar o interes‑
se dos agricultores para novas práticas, conhecimentos ou tecnologias, facilitando sua 
adoção (GONÇALVES, 2016).
Segundo Gonçalves (2016), os extensionistas também podem unir os métodos aqui 
citados e combinar com outros métodos complexos, demonstrativos e de formação, 
instrumentos que auxiliam nos processos de comunicação com o objetivo de divulgar 
a produção científica. Os métodos que mais se ajustam à transmissão de tecnologia, 
podendo ser usados como facilitadores da comunicação na extensão rural, são:
Sabemos que nem sempre os conhecimentos e inovações chegam aos produtores, 
muitas vezes por limitações dos próprios extensionistas, como ocorre com os artigos 
científicos, por exemplo, embora sejam a garantia do status e a excelência dos cursos 
de pós‑graduação. A escassa frequência de comunicação pesquisador/extensionista e a 
falta do domínio de idiomas por grande parte dos extensionistas são limitadores nesse 
sentido, em especial o inglês, o mais usado para a publicação de artigos científicos 
(GONÇALVES, 2016).Como vimos na Unidade 2, existem vários métodos de comunicação, individuais, 
grupais e massais. Procure se lembrar do que aprendeu e visualizar quais os mais 
adequados para diferentes situações e como poderiam ser aplicados.
De olho
12120
Procure, portanto, superar essas dificuldades, estabelecendo uma boa comunicação com 
as instituições dedicadas à pesquisa e inovação, para não interromper essa cadeia do 
conhecimento, além de utilizar uma linguagem mais acessível para divulgar os resultados, 
como forma de viabilizar a aplicação dos conhecimentos gerados pelos agricultores.
Além dos artigos científicos, contamos com os artigos de divulgação para disseminar o 
conhecimento científico gerado. Diferentemente dos artigos científicos, direcionados 
para um público especializado e relativamente restrito, esses se destinam a um público 
mais amplo e heterogêneo. Também chamados de artigos especializados, constituem 
o conteúdo do artigo científico reprocessado pelo pesquisador e/ou o extensionista em 
uma linguagem mais acessível.
O baixo nível educacional dos produtores, em especial dos grupos que compõem a 
agricultura familiar, pode ser um fator limitante para essa divulgação. Mesmo assim, 
esse material é muito útil para os extensionistas, que podem utilizá‑los para divulgar e 
apresentar uma nova ideia ou tecnologia ou promover uma prática que queiram disse‑
minar. Esse tipo de comunicação de massa ajuda os extensionistas a despertar o interes‑
se dos agricultores para novas práticas, conhecimentos ou tecnologias, facilitando sua 
adoção (GONÇALVES, 2016).
Segundo Gonçalves (2016), os extensionistas também podem unir os métodos aqui 
citados e combinar com outros métodos complexos, demonstrativos e de formação, 
instrumentos que auxiliam nos processos de comunicação com o objetivo de divulgar 
a produção científica. Os métodos que mais se ajustam à transmissão de tecnologia, 
podendo ser usados como facilitadores da comunicação na extensão rural, são:
Sabemos que nem sempre os conhecimentos e inovações chegam aos produtores, 
muitas vezes por limitações dos próprios extensionistas, como ocorre com os artigos 
científicos, por exemplo, embora sejam a garantia do status e a excelência dos cursos 
de pós‑graduação. A escassa frequência de comunicação pesquisador/extensionista e a 
falta do domínio de idiomas por grande parte dos extensionistas são limitadores nesse 
sentido, em especial o inglês, o mais usado para a publicação de artigos científicos 
(GONÇALVES, 2016).
Como vimos na Unidade 2, existem vários métodos de comunicação, individuais, 
grupais e massais. Procure se lembrar do que aprendeu e visualizar quais os mais 
adequados para diferentes situações e como poderiam ser aplicados.
De olho
21
l unidades demonstrativas (UD);
l demonstração de resultados (DR);
l propriedades demonstrativas;
l centros de treinamento de produtores.
A construção do processo de comunicação entre técnicos extensionistas e agricultores 
deve envolver a definição do que é importante na relação de troca, ou seja, necessida‑
des dos produtores e análise do contexto (social, cultural, econômico etc.), no intuito de 
promover o desenvolvimento rural (MARÇOLLA‑MOREIRA; ARAÚJO, 2018).
A participação organizada da população rural é um instrumento valioso para desenvolver 
a consciência crítica e obter poder, ampliando gradativamente a autonomia e fortalecen‑
do a sua capacidade de influir nos destinos do Estado. Dessa forma, este passa a se colo‑
car a serviço de toda a população e não apenas das classes dominantes. Nesse contexto, 
a comunicação rural assume sua expressão máxima, em uma perspectiva de diálogo 
transformador, refletindo e respeitando a cultura dessa população. Assim, meios típicos 
da cultura popular, além dos meios tradicionais, passam a fazer parte do repertório de 
comunicação (BORDENAVE, 1988).
O modelo de desenvolvimento adotado influencia o funcionamento da comunicação 
rural e vice‑versa! Sendo assim, modelos de desenvolvimento também podem ser 
alterados e até substituídos pela comunicação (BORENAVE, 1988).
De olho
Comunicação e transferência de tecnologia
Como a introdução de práticas agrícolas eficazes e inovadoras é fundamental para o 
desenvolvimento da agricultura, a difusão de novos conhecimentos e tecnologias é 
importante nesse sentido. Nesse contexto, inovação “é toda prática nova que o agricultor 
pode adotar, quer para aumentar a produção, quer para defender as plantas ou o solo, 
quer para aumentar seu conforto quando trabalha” (BORDENAVE, 1988, p. 46).
Tecnologia agrícola está associada, portanto, não a uma semente melhorada ou a deter‑
minado fertilizante, mas ao conhecimento produzido na utilização desses elementos. 
A transferência de tecnologia seria, então, a “comunicação de conhecimentos”, mais bem 
traduzida por “ensino‑aprendizado de tecnologia”, que introduz a assimilação por parte 
do agricultor, além do papel do técnico como instrutor.
12222
Para decidir pela adoção de determinada prática, geralmente o mais importante para o 
agricultor é se ela é melhor do que a antiga, embora características culturais e eventuais 
experiências com práticas similares também sejam importantes.
Muitas vezes, temos que levar a inovação em partes, para que o agricultor vá ganhando 
segurança em relação à mudança. A comunicabilidade da prática também é importante, 
ou seja, até que ponto o produtor rural pode perceber a diferença entre uma coisa e 
outra (resultados da prática), além de sua simplicidade e visibilidade. Bordenave (1988) 
propõe uma sequência de atividades para permitir o aprendizado.
Entretanto, a estrutura de aprendizagem de cada tecnologia é única, pois algumas são 
mais simples (como a pulverização de plantações, por exemplo), outras mais complexas e 
delicadas (como a inseminação artificial).
O uso de inseminação artificial, acompanhado do manejo e acompanhamento do 
rebanho em lugar da inseminação natural utilizando touros, é um bom exemplo de 
tecnologia. Além dos elementos técnicos, como uso de sêmen congelado, técnicas de 
inseminação, entre outros, envolve diversos outros elementos e aprendizados, incluin‑
do os de caráter cultural, comportamental etc.
Na prática
Figura 4 Processo de aprendizagem para adoção de tecnologia. 
Fonte: Adaptado de BORDENAVE (1988).
12322
Para decidir pela adoção de determinada prática, geralmente o mais importante para o 
agricultor é se ela é melhor do que a antiga, embora características culturais e eventuais 
experiências com práticas similares também sejam importantes.
Muitas vezes, temos que levar a inovação em partes, para que o agricultor vá ganhando 
segurança em relação à mudança. A comunicabilidade da prática também é importante, 
ou seja, até que ponto o produtor rural pode perceber a diferença entre uma coisa e 
outra (resultados da prática), além de sua simplicidade e visibilidade. Bordenave (1988) 
propõe uma sequência de atividades para permitir o aprendizado.
Entretanto, a estrutura de aprendizagem de cada tecnologia é única, pois algumas são 
mais simples (como a pulverização de plantações, por exemplo), outras mais complexas e 
delicadas (como a inseminação artificial).
O uso de inseminação artificial, acompanhado do manejo e acompanhamento do 
rebanho em lugar da inseminação natural utilizando touros, é um bom exemplo de 
tecnologia. Além dos elementos técnicos, como uso de sêmen congelado, técnicas de 
inseminação, entre outros, envolve diversos outros elementos e aprendizados, incluin‑
do os de caráter cultural, comportamental etc.
Na prática
Figura 4 Processo de aprendizagem para adoção de tecnologia. 
Fonte: Adaptado de BORDENAVE (1988).
23
Pedagogia da comunicação rural
A aprendizagem em tecnologia é um problema de comunicação, mas também uma 
questão pedagógica ou de ensino‑aprendizagem. Não basta falar sobre, usando palavras 
e imagens, mas também dominar o problema na prática, transformando‑a em hábito, 
se necessário, automatizado, como, por exemplo, omanejo de um pulverizador agrícola. 
O Quadro 3.1, a seguir, apresenta algumas opções pedagógicas e suas características.
Quadro 1 Opções pedagógicas na comunicação rural
Opção Características
Transmissão ou transferência A pessoa que (supostamente) sabe transmite para outra que (supostamente) não 
sabe. É a opção mais comum.
Modelagem de comporta-
mento
O comportamento do aprendiz é modelado com instruções, estímulos e recom-
pensas até atingir o comportamento desejado, sem entrar no mérito dos princípios 
ou permitir a identificação de possíveis alternativas mais adequadas. Também é 
bastante utilizada.
Trabalho dialético com o 
aprendiz
O problema é apresentado ao aprendiz, em seguida sua estrutura e possíveis 
causas e consequências são discutidas em conjunto. Entendidos os princípios do 
problema, os envolvidos buscam a solução que melhor se ajusta à realidade em 
questão que, ao final, é testada pelo aprendiz. 
Fonte: BORDENAVE (1988, p. 53‑54).
Os dois primeiros métodos são mais rápidos, mas impedem a compreensão, 
em profundidade, dos princípios envolvidos na aplicação daquela inovação, além de 
poder criar dependência em relação ao técnico ou a outros atores. Por isso, o ideal é que 
o extensionista estude pedagogia ou ciência da educação, para bem desempenhar seu 
trabalho.
O extensionista deve evitar passar direto do problema para a receita, sem antes 
assegurar‑se de que o produtor rural compreendeu os princípios envolvidos, a exemplo 
da transmissão de doenças por micróbios. Ou seja, entender não apenas os “como”, 
mas também os “por quês” de fazer ou não fazer alguma coisa!
Sem isso, estará apenas “robotizando‑o” e limitando seu crescimento intelectual 
(BORDENAVE, 1988).
Importante
12424
Também é importante ter em mente o estágio tecnológico em que determinada popula‑
ção rural se encontra, antes de formular programas educativos ou de mudança. A evolu‑
ção tecnológica tem que considerar o nível educacional, a cultura etc., atuando de forma 
orgânica, em níveis, para chegar aos objetivos, sem impor pacotes tecnológicos muitas 
vezes totalmente fora das reais condições de implementação. Assim como um médico 
precisa pensar muito bem antes de receitar um remédio caríssimo para pessoas muito 
pobres, um extensionista precisa ter sensibilidade para adequar seu trabalho à condição 
de vida de seu público‑alvo. Ainda que sem abrir mão de trabalhar para a melhoria das 
condições de vida desse público.
Meios e mensagens da comunicação rural
O extensionista conta com um conjunto amplo e diversificado de meios de comunicação 
próprios do meio rural, tais como “feiras, exposições, líderes naturais, párocos e pastores, 
motoristas de caminhão [...]” (BORDENAVE, 1988, p. 57). Além disso, pode lançar mão de 
meios modernos como rádio, TV, publicações, internet, vídeos etc. Entretanto, não basta 
ter os meios adequados, mas é preciso que as mensagens sejam elaboradas de forma 
tal que respeite as singularidades da população do campo, sem o que não irão atingir os 
objetivos.
No caso da comunicação escrita, os meios mais comuns são o jornal, o jornal mural, 
folhetos, boletins etc. Atualmente, os websites, blogs, as redes sociais, o WhatsApp etc. 
também assumem grande importância como meios de veiculação de mensagens escritas.
Figura	5	Redes sociais na internet. 
Crédito: © rvlsoft| iStockphoto.com.
12524
Também é importante ter em mente o estágio tecnológico em que determinada popula‑
ção rural se encontra, antes de formular programas educativos ou de mudança. A evolu‑
ção tecnológica tem que considerar o nível educacional, a cultura etc., atuando de forma 
orgânica, em níveis, para chegar aos objetivos, sem impor pacotes tecnológicos muitas 
vezes totalmente fora das reais condições de implementação. Assim como um médico 
precisa pensar muito bem antes de receitar um remédio caríssimo para pessoas muito 
pobres, um extensionista precisa ter sensibilidade para adequar seu trabalho à condição 
de vida de seu público‑alvo. Ainda que sem abrir mão de trabalhar para a melhoria das 
condições de vida desse público.
Meios e mensagens da comunicação rural
O extensionista conta com um conjunto amplo e diversificado de meios de comunicação 
próprios do meio rural, tais como “feiras, exposições, líderes naturais, párocos e pastores, 
motoristas de caminhão [...]” (BORDENAVE, 1988, p. 57). Além disso, pode lançar mão de 
meios modernos como rádio, TV, publicações, internet, vídeos etc. Entretanto, não basta 
ter os meios adequados, mas é preciso que as mensagens sejam elaboradas de forma 
tal que respeite as singularidades da população do campo, sem o que não irão atingir os 
objetivos.
No caso da comunicação escrita, os meios mais comuns são o jornal, o jornal mural, 
folhetos, boletins etc. Atualmente, os websites, blogs, as redes sociais, o WhatsApp etc. 
também assumem grande importância como meios de veiculação de mensagens escritas.
Figura	5	Redes sociais na internet. 
Crédito: © rvlsoft| iStockphoto.com.
25
Para a elaboração dessas mensagens, veja as dicas a seguir:
 l Substituir palavras difíceis por sinônimos mais fáceis. 
Exemplo: adquirir por comprar; comercialização por venda.
 l Usar nome popular de plantas e animais no lugar do termo técnico ou científico.
Exemplo: ofídio por cobra; micose por fungo.
 l Utilizar frases curtas em vez das longas e eliminar palavras desnecessárias.
 l Evitar siglas, abreviaturas etc., que o público rural não conhece.
Exemplo: adv./advogado; ha/hectare).
 l Procurar fazer com que cada frase passe a mensagem completa, sem que a mesma 
continue na próxima linha (estilo narrativo‑descritivo).
“Companheiros.
Eu me chamo Valdir.
Sou lavrador aqui, nesta região.
Eu e meus companheiros temos nossas casas na região da Amazônia.
Nosso transporte é a canoa ou o barco.
Assim nossos filhos vão de canoa para a escola.
Levam às vezes mais de uma hora, remando, para chegar.”
(BORDENAVE, 1988, p. 65.)
A população rural é heterogênea, ou seja, podemos ter públicos analfabetos ou semia‑
nalfabetos e outros de nível universitário, então temos sempre que compatibilizar o 
conteúdo, a forma e os meios com o público‑alvo. As considerações a seguir valem mais 
para os públicos rurais tradicionais e menos para o produtor rural ligado ao agronegócio, 
de nível de instrução mais elevado e maior acesso à tecnologia de informação.
 l O uso da voz passiva não é comum no meio rural, portanto, a melhor alternativa é a 
comunicação direta.
 Exemplo: em vez de “Esse remédio foi receitado pelo veterinário para o problema do 
meu cavalo”, é melhor dizer “O veterinário receitou esse remédio para o problema do 
meu cavalo”.
 l O uso da segunda pessoa também não é bem aceito em algumas áreas rurais e peri‑
ferias urbanas, sendo preferível formas mais impessoais, na terceira pessoa.
 Exemplo: em vez de “Você deverá ler a pergunta do exercício e depois conversar 
sobre o assunto com as pessoas do grupo”, algo como “Por favor, leiam a pergunta do 
exercício e depois conversem sobre o assunto com as pessoas do grupo”.
 l Diante de índices elevados de analfabetismo/analfabetismo funcional, do escasso 
 hábito de leitura e da dispersão geográfica da população, os meios visuais e audio‑
visuais devem ser priorizados em detrimento das publicações. Meios como cartazes, 
slides, vídeos, filmes, teatro (vivo e de fantoches), televisão, rádio, jogos didáticos, 
internet etc., se bem estruturados e utilizados, podem ser mais eficazes.
12626
 l Todo cuidado e sensibilidade devem ser aplicados na escolha e no uso de mensa‑
gens visuais, questão que precisa estar no radar do extensionista e dos profissionais 
de comunicação. Em geral, símbolos ligados à natureza fazem mais sentido do que 
os mais comuns aos habitantes da cidade: formas das nuvens, pegadas de animais, 
barulho do vento/água etc.
 l A falta ou excesso de detalhes dos desenhos e imagens também influenciam na apre‑
ensão da mensagem pelo público rural.
 l A familiaridade ou não com o símboloou imagem são determinantes para a eficácia 
da mensagem. Quanto mais próximo da realidade daquele público, melhor o resulta‑
do da comunicação.
 Exemplo: a imagem de um trator pode não ser bem compreendida para uma comuni‑
dade quilombola que não utiliza essa tecnologia.
 l Em geral, o público rural de baixa instrução faz uma leitura literal da mensagem, 
por isso rejeita figuras retratadas de forma “criativa”.
 Exemplo: porco de óculos sentado na poltrona, como se fosse gente.
 l Também tende a entender como se aquele fosse o tamanho real quando um inseto, 
por exemplo, é representado como maior do que realmente é (magnificação).
Figura	6	Mamulengo. 
Crédito: © Paula Montenegro| iStockphoto.com.
12726
 l Todo cuidado e sensibilidade devem ser aplicados na escolha e no uso de mensa‑
gens visuais, questão que precisa estar no radar do extensionista e dos profissionais 
de comunicação. Em geral, símbolos ligados à natureza fazem mais sentido do que 
os mais comuns aos habitantes da cidade: formas das nuvens, pegadas de animais, 
barulho do vento/água etc.
 l A falta ou excesso de detalhes dos desenhos e imagens também influenciam na apre‑
ensão da mensagem pelo público rural.
 l A familiaridade ou não com o símbolo ou imagem são determinantes para a eficácia 
da mensagem. Quanto mais próximo da realidade daquele público, melhor o resulta‑
do da comunicação.
 Exemplo: a imagem de um trator pode não ser bem compreendida para uma comuni‑
dade quilombola que não utiliza essa tecnologia.
 l Em geral, o público rural de baixa instrução faz uma leitura literal da mensagem, 
por isso rejeita figuras retratadas de forma “criativa”.
 Exemplo: porco de óculos sentado na poltrona, como se fosse gente.
 l Também tende a entender como se aquele fosse o tamanho real quando um inseto, 
por exemplo, é representado como maior do que realmente é (magnificação).
Figura	6	Mamulengo. 
Crédito: © Paula Montenegro| iStockphoto.com.
27
A comunicação rural atual adotou um novo padrão, em que o diálogo participativo pro‑
blematizador assumiu o lugar da comunicação vertical, em uma ampla e complexa rede 
de atores sociais. Além dos seus principais componentes, como a população rural, os 
agricultores, parceiros, jovens rurais, escolares, boias‑frias, posseiros, donas de casa etc., 
destacam‑se diversos outros grupos, pessoas e instituições que compõem esse ambien‑
te, conforme já mencionamos. Nesse contexto, a comunicação apresenta novas funções, 
que são (BORDENAVE, 1998):
l facilitar o diagnóstico da realidade e a apresentação dramática de seus resultados, 
usando o conhecimento dos agricultores sobre sua própria realidade;
l promover a participação da comunidade na reflexão e na ação sobre seus problemas, 
utilizando os meios de comunicação como “espelhos” para visualizar seus próprios 
problemas;
l facilitar o diálogo intra e intercomunitário, assim como também o diálogo com 
as autoridades, fazendo com que a comunidade se expresse de seu jeito próprio, 
incluindo línguas e dialetos específicos (como na língua quechua, no Peru);
l manter os habitantes das cidades interessados e informados sobre o setor rural – 
usar a TV e outros meios de comunicação para mostrar os acontecimentos e progres‑
sos do meio rural e formar uma opinião pública favorável;
l capacitar a população rural na autoexpressão e no uso dos meios de comunicação 
modernos, fortalecendo sua capacidade de exercer pressão reivindicatória;
l contribuir para a educação de crianças e adultos nas próprias condições e locais em 
que vivem.
Em resumo, a comunicação rural conscientiza a população para participar ativamente 
nos processos de mudança social e de construção de uma sociedade democrática e 
participativa.
Além do que apresentamos, existem diversos outros aspectos a considerar na comuni‑
cação com o público rural. Cabe a você, como extensionista, interagir com os profissio‑
nais de comunicação, como desenhistas, cineastas, jornalistas etc., para assegurar que 
a realidade do público rural seja considerada adequadamente quando da produção dos 
materiais de comunicação ligados ao trabalho de ER.
Mas de nada adianta se você e os profissionais envolvidos não estiverem dispostos a 
observar e aprender com eles qual é a melhor forma de estabelecer a comunicação!
De olho
12828
Surgimento da comunicação rural no Brasil
Já entendemos que a comunicação e a extensão rural estão intimamente ligadas, agora 
é importante compreender que a implantação desses processos seguiu determinados 
modelos. O início se deu com o modelo “clássico” de extensão, baseado nas vivências 
norte‑americanas, em que o principal objetivo era transmitir o conhecimento, a partir 
dos centros de pesquisa, para as populações rurais (LIMA et al., 2014). Era importante 
que os agricultores entendessem e se informassem sobre a necessidade de adotar novas 
práticas agrícolas para aumentar a produção. Para isto, a comunicação seria o meio para 
divulgar as novas tecnologias, o que poderia ocasionar uma mudança tecnológica perma‑
nente na vida das populações rurais.
O modelo difusionista, baseado na inovação técnica e na comunicação interpessoal, 
é o mais adotado pelos países em desenvolvimento da Ásia e da América Latina. 
 Pressupunha que o desenvolvimento deveria se dar conforme as inovações e a cultura 
da técnica se espalhassem nesses países (DUARTE; SOARES; 2011), de forma vertical e 
homogênea, tendo como pano de fundo a comunicação. Assim, se pretendia melhorar a 
produção, a renda e, consequentemente, a vida das populações rurais. 
Conforme já abordamos, o difusionismo confunde‑se com os primórdios das vivências da 
extensão rural no Brasil, na década de 1930. Sobre isto, Duarte e Soares (2011, p. 405) 
afirmam que “o rural, a modernização, a comunicação e o desenvolvimento se imbricam”. 
O apoio ao extensionismo rural teve como escopo a utilização da comunicação pelos pro‑
fissionais de ER visando ao desenvolvimento crescente do meio rural e das populações a 
ele pertencentes.
A difusão de inovações está ligada ao modelo difusionista, que representa o proces‑
so de comunicação de inovações para membros de um sistema social, com o objetivo 
de aumentar a eficiência da adoção de inovações ligadas a novas ideias (MARÇOLLA‑ 
MOREIRA; ARAÚJO, 2018). Seu foco consiste em promover mensagens motivadoras para 
alavancar uma atitude inovadora, por meio da comunicação, visando abreviar o tempo 
entre o lançamento da inovação pelos centros de pesquisas agropecuárias e sua adoção 
prática pelos agricultores.
Para Marçolla‑Moreira e Araújo (2018, p. 2), “as pesquisas em difusão vieram contribuir 
para melhorar o entendimento do processo de comunicação, indispensável à mudança 
social”. O conceito‑chave do modelo difusionista, também chamado de difusionista‑ 
inovador, está relacionado com a capacidade individual para inovar, a qual seria um 
processo mental que se inicia quando o indivíduo recebe uma notícia sobre inovação e 
termina com a decisão de adotá‑la ou não. Este modelo foi bastante utilizado por gover‑
nos de regiões consideradas em desenvolvimento, conjuntamente com convênios com 
agências norte‑americanas, para, implicitamente, adotar técnicas modernas de produção 
e melhoria da vida das comunidades rurais envolvidas, além de levar a lógica do mercado 
para o mundo rural (LIMA et al., 2014).
A comunicação rural surgiu como mudança de paradigma, da simples transferência de 
informações para a troca de saberes, trazendo uma nova visão para os velhos problemas. 
Várias são as expressões usadas nesse sentido (DUARTE; SOARES, 2011):
 l comunicação comunitária;
 l comunicação participativa e desenvolvimento local, integrado e sustentável;
12928
Surgimento da comunicação rural no Brasil
Já entendemos que a comunicação e a extensão rural estão intimamente ligadas, agora 
é importante compreender que a implantação desses processos seguiu determinados 
modelos. O início se deu com o modelo “clássico” de extensão, baseado nas vivências 
norte‑americanas,em que o principal objetivo era transmitir o conhecimento, a partir 
dos centros de pesquisa, para as populações rurais (LIMA et al., 2014). Era importante 
que os agricultores entendessem e se informassem sobre a necessidade de adotar novas 
práticas agrícolas para aumentar a produção. Para isto, a comunicação seria o meio para 
divulgar as novas tecnologias, o que poderia ocasionar uma mudança tecnológica perma‑
nente na vida das populações rurais.
O modelo difusionista, baseado na inovação técnica e na comunicação interpessoal, 
é o mais adotado pelos países em desenvolvimento da Ásia e da América Latina. 
 Pressupunha que o desenvolvimento deveria se dar conforme as inovações e a cultura 
da técnica se espalhassem nesses países (DUARTE; SOARES; 2011), de forma vertical e 
homogênea, tendo como pano de fundo a comunicação. Assim, se pretendia melhorar a 
produção, a renda e, consequentemente, a vida das populações rurais. 
Conforme já abordamos, o difusionismo confunde‑se com os primórdios das vivências da 
extensão rural no Brasil, na década de 1930. Sobre isto, Duarte e Soares (2011, p. 405) 
afirmam que “o rural, a modernização, a comunicação e o desenvolvimento se imbricam”. 
O apoio ao extensionismo rural teve como escopo a utilização da comunicação pelos pro‑
fissionais de ER visando ao desenvolvimento crescente do meio rural e das populações a 
ele pertencentes.
A difusão de inovações está ligada ao modelo difusionista, que representa o proces‑
so de comunicação de inovações para membros de um sistema social, com o objetivo 
de aumentar a eficiência da adoção de inovações ligadas a novas ideias (MARÇOLLA‑ 
MOREIRA; ARAÚJO, 2018). Seu foco consiste em promover mensagens motivadoras para 
alavancar uma atitude inovadora, por meio da comunicação, visando abreviar o tempo 
entre o lançamento da inovação pelos centros de pesquisas agropecuárias e sua adoção 
prática pelos agricultores.
Para Marçolla‑Moreira e Araújo (2018, p. 2), “as pesquisas em difusão vieram contribuir 
para melhorar o entendimento do processo de comunicação, indispensável à mudança 
social”. O conceito‑chave do modelo difusionista, também chamado de difusionista‑ 
inovador, está relacionado com a capacidade individual para inovar, a qual seria um 
processo mental que se inicia quando o indivíduo recebe uma notícia sobre inovação e 
termina com a decisão de adotá‑la ou não. Este modelo foi bastante utilizado por gover‑
nos de regiões consideradas em desenvolvimento, conjuntamente com convênios com 
agências norte‑americanas, para, implicitamente, adotar técnicas modernas de produção 
e melhoria da vida das comunidades rurais envolvidas, além de levar a lógica do mercado 
para o mundo rural (LIMA et al., 2014).
A comunicação rural surgiu como mudança de paradigma, da simples transferência de 
informações para a troca de saberes, trazendo uma nova visão para os velhos problemas. 
Várias são as expressões usadas nesse sentido (DUARTE; SOARES, 2011):
 l comunicação comunitária;
 l comunicação participativa e desenvolvimento local, integrado e sustentável;
29
 l comunicação e redes solidárias;
 l comunicação e ecologia do campo;
 l educação ambiental;
 l comunicação nas organizações rurais.
A necessidade de fomentar o diálogo entre as populações rurais e os centros de pesquisa 
agropecuários se mostrou fundamental para o desenvolvimento do mundo rural. 
 Atualmente, os modelos de comunicação dialógicos e participativos representam a base 
da extensão rural, no intuito de promover a participação dos atores sociais no processo 
de desenvolvimento rural (LIMA et al., 2014). Esse processo vem ganhando destaque nos 
últimos anos, em razão da busca pela participação e interação maior do produtor rural 
e sua família nas tomadas de decisão que envolvem sua unidade produtiva, e para que 
estes possam entender a dinâmica organizacional, ampliando a troca de experiências 
entre os atores.
O modelo participativo, conforme informa Duarte e Soares (2011, p. 406), “tem seu mar‑
co com Luis Ramiro Beltrán que, sob influência do livro do educador Paulo Freire ‘Comu‑
nicação ou Extensão? (1969)’, defende sua tese de doutorado em 1972”. A perspectiva 
participativa estaria vinculada à educação popular e às pesquisas sobre comunicação po‑
pular, visando superar a falta de educação formal, as dificuldades de obtenção de crédito 
e os baixos níveis de renda, além de desenvolver formas de convívio com situações como 
a seca (DUARTE; SOARES, 2011).
Considerando que a mobilização social dos atores pode fortalecer vínculos entre partici‑
pantes e promotores dos projetos de desenvolvimento rural, a comunicação pode ser um 
instrumento importante, pois, por meio de suas metodologias de trabalho, permite uma 
melhor compreensão das atividades desenvolvidas no meio rural (LIMA et al., 2014). 
Essa comunicação na relação técnico/agricultor é essencial para essa troca.
Aprendizagem e ação participativa
Como vimos até aqui, a prática da extensão rural é, basicamente, uma ação de comuni‑
cação que estimula o agricultor a refletir sobre seu viver e construir um futuro comum 
para si, sua família e sua comunidade. Para que sua intervenção seja transformadora, 
é fundamental adotar processos de comunicação que conduzam à tomada de decisão, 
tornando comum às duas partes uma experiência que antes era individual (IDAM, 2014). 
Apenas quando o conteúdo da mensagem é interpretado pelo receptor e gera uma res‑
posta, ocorre efetivamente um processo de comunicação.
13030
Ao ocorrer a retroalimentação ou feedback, a informação de retorno é enviada de volta 
pelo receptor ao emissor, momento em que a comunicação ocorre. Esse feedback é 
importante para permitir esclarecer dúvidas, já que o processo de comunicação é com‑
plexo. Oportunidade de conhecer o efeito que provocamos no receptor, e como nosso 
comportamento o afeta, demanda, porém, que o emissor queira recebê‑lo, se dispondo a 
encará‑lo como uma oportunidade de ser visto aos olhos do outro.
Sendo assim, o processo de comunicação é algo dialógico e não mero repasse de men‑
sagens que possam ser entendidas pelos receptores. É preciso assegurar‑se se o diálogo 
ocorre efetivamente, se a escuta está presente em ambas as partes e se cada uma tem 
a oportunidade de apresentar seus pontos de vista. “Desta forma a realidade do campo 
deve ser entendida como um processo de comunicação no qual estão contemplados inte‑
ração e diálogo, constituindo‑se numa troca de saberes e conhecimentos” (IDAM, 2014).
O processo de comunicação apresenta algumas características importantes:
l valor estratégico;
l impossibilidade de não comunicar nada, já que mesmo o silêncio apresenta 
significados;
l na comunicação eficaz inexistem dúvidas sobre o conteúdo da mensagem.
A percepção sobre uma mesma mensagem pode ser diferente, dependendo da pes‑
soa. Ao ouvirmos uma informação, só 20% do conteúdo fica em nossa memória ativa, 
aumentando com o uso do olhar; olhar e ouvir, ouvir e discutir alcança em torno de 90% 
de retenção da informação, porque nosso envolvimento aumenta fortemente.
Em termos individuais, a retenção da informação depende também do canal de comu‑
nicação mais desenvolvido. Para a maioria, é o canal visual, o que leva à recomendação 
do uso de elementos visuais no trabalho participativo, facilitando a participação ativa e a 
integração do grupo e melhorando a comunicação.
Figura 7 O processo de comunicação.
Fonte: Adaptado de IDAM (2014).
13130
Ao ocorrer a retroalimentação ou feedback, a informação de retorno é enviada de volta 
pelo receptor ao emissor, momento em que a comunicação ocorre. Esse feedback é 
importante para permitir esclarecer dúvidas, já que o processo de comunicação é com‑
plexo. Oportunidade de conhecer o efeito que provocamos no receptor, e como nosso 
comportamento o afeta, demanda, porém, que o emissor queira recebê‑lo, se dispondo a 
encará‑lo como uma oportunidade de ser visto aos olhos do outro.
Sendo assim, o processo de comunicação é algo dialógico e não merorepasse de men‑
sagens que possam ser entendidas pelos receptores. É preciso assegurar‑se se o diálogo 
ocorre efetivamente, se a escuta está presente em ambas as partes e se cada uma tem 
a oportunidade de apresentar seus pontos de vista. “Desta forma a realidade do campo 
deve ser entendida como um processo de comunicação no qual estão contemplados inte‑
ração e diálogo, constituindo‑se numa troca de saberes e conhecimentos” (IDAM, 2014).
O processo de comunicação apresenta algumas características importantes:
l valor estratégico;
l impossibilidade de não comunicar nada, já que mesmo o silêncio apresenta 
significados;
l na comunicação eficaz inexistem dúvidas sobre o conteúdo da mensagem.
A percepção sobre uma mesma mensagem pode ser diferente, dependendo da pes‑
soa. Ao ouvirmos uma informação, só 20% do conteúdo fica em nossa memória ativa, 
aumentando com o uso do olhar; olhar e ouvir, ouvir e discutir alcança em torno de 90% 
de retenção da informação, porque nosso envolvimento aumenta fortemente.
Em termos individuais, a retenção da informação depende também do canal de comu‑
nicação mais desenvolvido. Para a maioria, é o canal visual, o que leva à recomendação 
do uso de elementos visuais no trabalho participativo, facilitando a participação ativa e a 
integração do grupo e melhorando a comunicação.
Figura 7 O processo de comunicação.
Fonte: Adaptado de IDAM (2014).
31
3.3 organização rural: cooperativas, sindicatos,
organizações formais e informais
Cooperativas
O cooperativismo tem como base ações cooperativas no uso coletivo do solo ou até mes‑
mo no exercício de profissões. Um exemplo são as corporações de ofício, “que procura‑
vam assegurar posição privilegiada no mercado para seus componentes, defendendo‑os 
contra a concorrência externa” (COSTA; AMORIM JÚNIOR; SILVA, 2015, p. 110), embora 
os cooperados não tivessem autonomia sobre seu trabalho, pois deveriam seguir as 
determinações das corporações.
No modelo cooperativista moderno, a liberdade e a independência são fatores primor‑
diais para que o cooperado se mantenha na cooperativa. Desde que este tipo de relação 
teve início, no século XIX, na Inglaterra, foi norteada por alguns princípios que seguem 
direcionando as cooperativas desde então:
a) um homem, um voto. Independente do valor do capital investido; 
b) quanto à entrada de novos sócios, a cooperativa seria aberta; c) a co‑
operativa remuneraria o capital integralizado de forma fixa (10% a.a.); 
d) as sobras seriam rateadas proporcionalmente às transações realizadas 
entre os cooperados e a cooperativa; e) as vendas realizadas pela coope‑
rativa seriam sempre à vista, alternativa encontrada para evitar a inadim‑
plência dos cooperados; f) os produtos comercializados pela cooperativa 
seriam puros, haja visto que produtos adulterados eram comuns na Ingla‑
terra; g) a educação cooperativista seria uma bandeira e h) a cooperativa 
procuraria manter‑se neutra em questões políticas e religiosas (COSTA; 
AMORIM JÚNIOR, SILVA, 2015, p. 111‑112).
A sociedade cooperativa é complexa e possui uma multiplicidade de ramos, alguns com 
maior destaque: consumo, produção, crédito e trabalho. De acordo com Costa, Amorim 
Júnior e Silva (2015), no Brasil tem‑se aproximadamente 13 ramos de cooperativas: 
agropecuário, transporte, crédito, trabalho, saúde, educacional, produção, habitacional, 
infraestrutura, consumo, mineração, turismo e lazer e especial.
Nas cooperativas, o capital integralizado cria expectativas de que a cooperativa pres‑
te serviços ao cooperado. É o critério de identidade que gera o empoderamento de 
 manifestar seus interesses na realização de serviços e nos rumos da instituição (COSTA; 
AMORIM JÚNIOR; SILVA, 2015). A cooperativa é uma sociedade de pessoas, diferente‑
mente das empresas, que são sociedades de capital.
De acordo com Costa, Amorim Júnior e Silva (2015, p. 113):
As operações que as cooperativas estabelecem com seus cooperados são 
compreendidas como transferência de mercadorias/recursos e não como 
atividades mercantis. O objetivo destas operações não é trazer benefícios 
13232
para as cooperativas em detrimento ao trabalho dos cooperados e, sim, 
buscar atender aos interesses e necessidades de seus cooperados transfe‑
rindo‑lhes as sobras obtidas (ou dando‑lhes a oportunidade de decidir em 
assembleia o que será feito das mesmas). Estas operações são denomina‑
das atos cooperativos, previstas na Lei nº 5.764/71.
No Brasil, o cooperativismo agropecuário é uma possibilidade visualizada pelo governo 
para conter os problemas gerados pela crise do café. O incentivo para a constituição de 
cooperativas visava escoar a produção da pequena propriedade, além da tentativa de 
resolver problemas de abastecimento dos centros urbanos (COSTA; AMORIM JÚNIOR; 
SILVA, 2015).
O cooperativismo no Brasil se desenvolveu de duas maneiras distintas: uma, como forma 
de abastecimento de centros urbanos, e a outra, como modelo baseado na produção 
de commodities. Neste sentido, têm‑se cooperativas agropecuárias ligadas à agricultura 
familiar e cooperativas consolidadas na produção de commodities para exportação de 
produtos de maior valor agregado (COSTA; AMORIM JÚNIOR; SILVA, 2015).
As sociedades cooperativas estão reguladas pela Lei no 5.764, de 16 de dezembro de 
1971, que definiu a Política Nacional de Cooperativismo e instituiu o regime jurídico das 
Cooperativas.
Assim, cooperativa é uma associação de pessoas com interesses comuns, economi‑
camente organizada de forma democrática, isto é, contando com a participação livre 
de todos e respeitando direitos e deveres de cada um de seus cooperados, aos quais 
presta serviços, sem fins lucrativos.
A sociedade cooperativa apresenta os seguintes traços característicos:
1. É uma sociedade de pessoas.
2. O objetivo principal é a prestação de serviços.
3. Pode ter um número ilimitado de cooperados.
4. O controle é democrático: uma pessoa = um voto.
5. Nas assembleias, o quorum é baseado no número de cooperados.
6. Não é permitida a transferência das quotas‑parte a terceiros, estranhos à socie‑
dade, ainda que por herança.
7. Retorno proporcional ao valor das operações.
Saiba mais
13332
para as cooperativas em detrimento ao trabalho dos cooperados e, sim, 
buscar atender aos interesses e necessidades de seus cooperados transfe‑
rindo‑lhes as sobras obtidas (ou dando‑lhes a oportunidade de decidir em 
assembleia o que será feito das mesmas). Estas operações são denomina‑
das atos cooperativos, previstas na Lei nº 5.764/71.
No Brasil, o cooperativismo agropecuário é uma possibilidade visualizada pelo governo 
para conter os problemas gerados pela crise do café. O incentivo para a constituição de 
cooperativas visava escoar a produção da pequena propriedade, além da tentativa de 
resolver problemas de abastecimento dos centros urbanos (COSTA; AMORIM JÚNIOR; 
SILVA, 2015).
O cooperativismo no Brasil se desenvolveu de duas maneiras distintas: uma, como forma 
de abastecimento de centros urbanos, e a outra, como modelo baseado na produção 
de commodities. Neste sentido, têm‑se cooperativas agropecuárias ligadas à agricultura 
familiar e cooperativas consolidadas na produção de commodities para exportação de 
produtos de maior valor agregado (COSTA; AMORIM JÚNIOR; SILVA, 2015).
As sociedades cooperativas estão reguladas pela Lei no 5.764, de 16 de dezembro de 
1971, que definiu a Política Nacional de Cooperativismo e instituiu o regime jurídico das 
Cooperativas.
Assim, cooperativa é uma associação de pessoas com interesses comuns, economi‑
camente organizada de forma democrática, isto é, contando com a participação livre 
de todos e respeitando direitos e deveres de cada um de seus cooperados, aos quais 
presta serviços, sem fins lucrativos.
A sociedade cooperativa apresenta os seguintes traços característicos:
1. É uma sociedade de pessoas.
2. O objetivo principal é a prestação de serviços.
3. Pode ter um número ilimitado de cooperados.
4. O controle é democrático: uma pessoa =sociais, 
na sociedade ocidental contemporânea e castas, na Índia tradicional.
Classe social é um conjunto de indivíduos com características semelhantes em relação ao 
nível de renda familiar, profissão, nível cultural, capacidade e tipo de consumo etc. Cada 
classe social possui certo número de status sociais e várias categorias ou ocupações pro‑
fissionais, além de conter pessoas com diferentes faixas de renda e níveis de escolaridade 
e de instrução. Segundo Weber, o que diferencia as classes sociais são as oportunidades 
de vida (acesso à moradia, lazer etc.) e o estilo de vida (padrões de comportamento, cren‑
ças, valores, atitudes, aspirações). Nas sociedades tribais, como a posse da riqueza tem 
menor importância para a desigualdade, as oportunidades de vida são semelhantes para 
todos, há maior homogeneidade cultural e não há diferenças marcantes no estilo de vida.
Algumas décadas atrás, nas cidades do interior, as autoridades locais eram o prefeito, o 
padre e o gerente do Banco do Brasil. Isso refletia o status elevado dos funcionários do 
BB perante a comunidade. Ao se aposentarem, os funcionários perdiam esse status e, 
por isso, muitas vezes se sentiam perdidos e desvalorizados. Reflita sobre a importância 
do status das pessoas das comunidades onde poderá vir a atuar, como poderá reconhe‑
cê‑lo e como poderá lidar com essa realidade.
Na prática
Figura 2 Grupo nativo tocando flauta de madeira brasileira.
Crédito: © filipefrazao| iStockphoto.com.
2010
Com base no que acabamos de estudar, podemos dizer que:
l Um professor universitário catedrático, mesmo não ganhando muito, pode ser 
detentor de status social elevado, que o coloca em posição de destaque na socie‑
dade, embora pertencendo a uma classe social mediana. Ainda que esta não seja 
exatamente a realidade no Brasil, onde os professores em geral vêm sofrendo cres‑
cente desvalorização, é uma situação comum em diversos países.
l Um comerciante de subúrbio pode ser rico, mas não ter status social correspon‑
dente.
l Um indivíduo pobre ganha na loteria, mas não é aceito na nova classe social, em 
razão de seu estilo de vida: muda a classe social, mas não muda o status.
A mobilidade social pode se dar de forma horizontal, com a mudança de status dentro 
da mesma classe social, ou vertical, quando há mudança de classe social. O principal 
obstáculo à ascensão vertical é a oposição dos que estão no topo da pirâmide social. 
Mobilidade social e espacial tendem a estar relacionadas e a mobilidade entre gerações é 
importante indicador de mobilidade social.
A estratificação social em classes é típica das sociedades urbano‑industriais contemporâ‑
neas. Baseia‑se no direito de todos usufruírem das vantagens econômicas e sociais, com 
base nos méritos de cada indivíduo, e não de seu nascimento ou condição social. As clas‑
ses sociais são legalmente abertas, mas, de fato, são semifechadas, pois as possibilidades 
reais de ascensão não são as mesmas para todos. A classe é uma situação de mercado, 
ligada aos bens, condições exteriores de vida e experiências pessoais. Já a distribuição 
social do prestígio (status) está relacionada com o estilo de vida. Tanto as classes sociais 
quanto os partidos são fenômenos associados à distribuição do poder em uma socieda‑
de. Assim, o bem social básico, que orienta a distribuição da riqueza e do prestígio, é o 
poder. Nas sociedades complexas atuais, nem sempre a localização na hierarquia social 
definida pela riqueza e aquela pautada pelo prestígio correspondem (VILA NOVA, 2000).
Na prática
Os processos sociais dizem respeito às ações entre dois ou mais agentes sociais (indiví‑
duos, grupos etc.), que contribuem para aproximá‑los ou afastá‑los. Pressupõem que a 
interação entre indivíduos e grupos humanos orientada por significados, em especial os 
de natureza cultural, é o fato fundamental para a compreensão da vida social.
A cooperação é processo social imprescindível à organização social e para a existência de 
sistemas sociais. Existe quando a troca de interesses e objetivos é satisfatória para ambas 
as partes. Para alguns teóricos da sociologia, a ação coletiva é o fundamento da orga‑
nização social e a sociologia seria “o estudo das formas de ação coletiva” (VILA NOVA, 
2110
Com base no que acabamos de estudar, podemos dizer que:
l Um professor universitário catedrático, mesmo não ganhando muito, pode ser 
detentor de status social elevado, que o coloca em posição de destaque na socie‑
dade, embora pertencendo a uma classe social mediana. Ainda que esta não seja 
exatamente a realidade no Brasil, onde os professores em geral vêm sofrendo cres‑
cente desvalorização, é uma situação comum em diversos países.
l Um comerciante de subúrbio pode ser rico, mas não ter status social correspon‑
dente.
l Um indivíduo pobre ganha na loteria, mas não é aceito na nova classe social, em 
razão de seu estilo de vida: muda a classe social, mas não muda o status.
A mobilidade social pode se dar de forma horizontal, com a mudança de status dentro 
da mesma classe social, ou vertical, quando há mudança de classe social. O principal 
obstáculo à ascensão vertical é a oposição dos que estão no topo da pirâmide social. 
Mobilidade social e espacial tendem a estar relacionadas e a mobilidade entre gerações é 
importante indicador de mobilidade social.
A estratificação social em classes é típica das sociedades urbano‑industriais contemporâ‑
neas. Baseia‑se no direito de todos usufruírem das vantagens econômicas e sociais, com 
base nos méritos de cada indivíduo, e não de seu nascimento ou condição social. As clas‑
ses sociais são legalmente abertas, mas, de fato, são semifechadas, pois as possibilidades 
reais de ascensão não são as mesmas para todos. A classe é uma situação de mercado, 
ligada aos bens, condições exteriores de vida e experiências pessoais. Já a distribuição 
social do prestígio (status) está relacionada com o estilo de vida. Tanto as classes sociais 
quanto os partidos são fenômenos associados à distribuição do poder em uma socieda‑
de. Assim, o bem social básico, que orienta a distribuição da riqueza e do prestígio, é o 
poder. Nas sociedades complexas atuais, nem sempre a localização na hierarquia social 
definida pela riqueza e aquela pautada pelo prestígio correspondem (VILA NOVA, 2000).
Na prática
Os processos sociais dizem respeito às ações entre dois ou mais agentes sociais (indiví‑
duos, grupos etc.), que contribuem para aproximá‑los ou afastá‑los. Pressupõem que a 
interação entre indivíduos e grupos humanos orientada por significados, em especial os 
de natureza cultural, é o fato fundamental para a compreensão da vida social.
A cooperação é processo social imprescindível à organização social e para a existência de 
sistemas sociais. Existe quando a troca de interesses e objetivos é satisfatória para ambas 
as partes. Para alguns teóricos da sociologia, a ação coletiva é o fundamento da orga‑
nização social e a sociologia seria “o estudo das formas de ação coletiva” (VILA NOVA, 
11
As sociedades estão sempre em transformação, embora em ritmos diferentes. Exemplo 
disso é a alteração do estilo de vida, de rural para o urbano, nas migrações campo/cidade.
Segundo Vila Nova (2010), as causas das mudanças sociais podem ser:
l Fatores geográficos, tais como mudanças climáticas ou alterações na disponibilidade 
de recursos naturais, como ocorre na exploração de petróleo, ouro e outros minerais 
preciosos e no cultivo do café e da cana‑de‑açúcar.
l Liderança de pessoas carismáticas, como Lutero ou Gandhi, embora caiba considerar 
as influências da sociedade da qual se originam na personalidade desses líderes.
l Fenômenos demográficos, como migrações e aumentos ou reduções da população.
l Fatores ideológicos, a exemplo da influência da ética do calvinismo.
Os fatores mais importantes de mudança social são: a descoberta, a invenção e a difusão 
pelo contato sociocultural. Tais fatores compõem o dia a dia do extensionista. Vamos 
conhecê‑los?
A descoberta ocorre quandoum voto.
5. Nas assembleias, o quorum é baseado no número de cooperados.
6. Não é permitida a transferência das quotas‑parte a terceiros, estranhos à socie‑
dade, ainda que por herança.
7. Retorno proporcional ao valor das operações.
Saiba mais
33
Sindicatos
Os sindicatos são representações políticas e sociais de categorias profissionais ou 
 econômicas, que se constituíram para representar o mundo do trabalho (no caso, o rural) 
como um bloco homogêneo de proteção de direitos (GUERRA, 1999).
Dentro dessa perspectiva, no Brasil, considerando o mundo rural, temos dois tipos de 
sindicatos representando interesses distintos: os sindicatos de trabalhadores rurais 
e os sindicatos de produtores rurais (GUERRA, 1999).
Os sindicatos de trabalhadores rurais agregam camponeses, lavradores, agricultores, 
produtores rurais, rurícolas, os quais são adjetivados como pequenos miniprodutores 
que utilizam mão de obra familiar, com produção em pequena escala.
Já nos sindicatos de produtores rurais, estão os agricultores e criadores cujas ativida‑
des estão centradas na produção empresarial voltada para o comércio, a indústria e a 
exportação. São atividades caracterizadas como de larga escala e que têm como base o 
trabalho assalariado de terceiros. A lucratividade e a eficiência são o foco desta catego‑
ria, que abarca os proprietários de grandes extensões de terra (GUERRA, 1999).
O que se vê com essa distinção é a contradição entre empresa familiar e empresa 
 capitalista, onde, para reforçarem suas representações, os sindicatos de trabalhadores e 
de produtores disputam pecuaristas e agricultores entre a produção familiar e a empresa 
agropecuária capitalista (GUERRA, 1999).
8. Não está sujeita à falência.
9. Constitui‑se por intermédio da assembleia dos fundadores ou por instrumento 
público, e seus atos constitutivos devem ser arquivados na Junta Comercial e 
publicados.
10. Deve ostentar a expressão “cooperativa” em sua denominação, sendo vedado o 
uso da expressão “banco”.
11. Neutralidade política e não discriminação religiosa, social e racial.
12. Indivisibilidade do fundo de reserva entre os sócios, ainda que em caso de disso‑
lução da sociedade.
Saliente‑se que a cooperativa existe com o intuito de prestar serviços a seus associados, 
de tal forma que possibilite o exercício de uma atividade comum econômica, sem que 
tenha ela fito de lucro.
13434
Organizações formais
A existência de organizações rurais com padrões produtivos elevados e com medidas 
de desempenho e competitividade passou por processos de modernização e 
inovações que buscaram estimular o crescimento da produção. Ainda convivem, no 
Brasil, empreendimentos rurais modernos e ligados ao agronegócio e os voltados à 
subsistência familiar.
A modernização da agricultura teve o amparo do Estado, cujo objetivo foi evitar crises 
de abastecimento de alimentos, incentivando a expansão e modernização da produção, 
tanto de grãos como de bens e semoventes. Esse modelo intensificou o desenvolvimento 
capitalista no campo e proporcionou o surgimento de grandes unidades produtivas (em‑
presas capitalistas rurais). Essas unidades são diferentes das fazendas tradicionais, nelas 
predominando a modernização e o investimento em equipamentos visando à obtenção 
do lucro (BRISOLA, 2010).
A partir dos anos 1980, o setor agropecuário se modernizou, com a intensificação da 
mecanização no campo e o desenvolvimento da biotecnologia, o que tem contribuído 
para a eficiência profissional nas propriedades rurais. O cenário atual, que tem como 
pano de fundo a globalização, demanda que os empreendimentos rurais capitalistas 
sejam mais competitivos, busquem retornos econômicos, além de reduzir custos e au‑
mentar a produção em escala, o que representa meios de atingir uma alta produtividade 
(BRISOLA, 2010).
Neste sentido, as organizações rurais formais têm as características das organizações 
com visão mais empresarial e estratégica voltadas para a obtenção do lucro, o que impõe 
práticas administrativas modernas e inovações tecnológicas.
Para Brisola (2010), é importante que os empresários rurais adotem práticas de gestão de 
pessoal que promovam a satisfação e atendimento de expectativas tanto dos trabalha‑
dores como da empresa, para que, com maior comprometimento e lealdade, a eficiência 
organizacional seja alcançada.
Organizações informais
As organizações informais estão ligadas à união de pequenos produtores assentados 
com seus parentes ou vizinhos mais próximos para se organizarem de maneira que 
 possam garantir a permanência e a produção da terra, possibilitando o escoamento dessa 
 produção e a reorganização do espaço geográfico (SOUZA; BERGAMASCO, 2009).
Esses grupos ou associações informais visam à melhoria da qualidade de vida das comu‑
nidades rurais e ao fortalecimento e estímulo ao espírito de coletividade e solidariedade. 
A transformação da realidade rural local está nas mãos desses atores participantes, os 
quais podem criar condições cooperativas de desencadear o processo de transformação 
e de melhoria de vida no campo. A melhoria, seja ela de caráter econômico (acesso ao 
crédito), cultural (educação) ou social (fortalecimento das relações e do simbólico), 
13534
Organizações formais
A existência de organizações rurais com padrões produtivos elevados e com medidas 
de desempenho e competitividade passou por processos de modernização e 
inovações que buscaram estimular o crescimento da produção. Ainda convivem, no 
Brasil, empreendimentos rurais modernos e ligados ao agronegócio e os voltados à 
subsistência familiar.
A modernização da agricultura teve o amparo do Estado, cujo objetivo foi evitar crises 
de abastecimento de alimentos, incentivando a expansão e modernização da produção, 
tanto de grãos como de bens e semoventes. Esse modelo intensificou o desenvolvimento 
capitalista no campo e proporcionou o surgimento de grandes unidades produtivas (em‑
presas capitalistas rurais). Essas unidades são diferentes das fazendas tradicionais, nelas 
predominando a modernização e o investimento em equipamentos visando à obtenção 
do lucro (BRISOLA, 2010).
A partir dos anos 1980, o setor agropecuário se modernizou, com a intensificação da 
mecanização no campo e o desenvolvimento da biotecnologia, o que tem contribuído 
para a eficiência profissional nas propriedades rurais. O cenário atual, que tem como 
pano de fundo a globalização, demanda que os empreendimentos rurais capitalistas 
sejam mais competitivos, busquem retornos econômicos, além de reduzir custos e au‑
mentar a produção em escala, o que representa meios de atingir uma alta produtividade 
(BRISOLA, 2010).
Neste sentido, as organizações rurais formais têm as características das organizações 
com visão mais empresarial e estratégica voltadas para a obtenção do lucro, o que impõe 
práticas administrativas modernas e inovações tecnológicas.
Para Brisola (2010), é importante que os empresários rurais adotem práticas de gestão de 
pessoal que promovam a satisfação e atendimento de expectativas tanto dos trabalha‑
dores como da empresa, para que, com maior comprometimento e lealdade, a eficiência 
organizacional seja alcançada.
Organizações informais
As organizações informais estão ligadas à união de pequenos produtores assentados 
com seus parentes ou vizinhos mais próximos para se organizarem de maneira que 
 possam garantir a permanência e a produção da terra, possibilitando o escoamento dessa 
 produção e a reorganização do espaço geográfico (SOUZA; BERGAMASCO, 2009).
Esses grupos ou associações informais visam à melhoria da qualidade de vida das comu‑
nidades rurais e ao fortalecimento e estímulo ao espírito de coletividade e solidariedade. 
A transformação da realidade rural local está nas mãos desses atores participantes, os 
quais podem criar condições cooperativas de desencadear o processo de transformação 
e de melhoria de vida no campo. A melhoria, seja ela de caráter econômico (acesso ao 
crédito), cultural (educação) ouum conhecimento é acrescentado ao conjunto de informa‑
ções e explicações existentes na sociedade e a invenção é a aplicação desse conhecimen‑
to. As descobertas só ocasionam a mudança social quando se transformam em invenções.
2000). Pode resultar de interesses comuns ou conflitantes. Os trabalhadores vendem aos 
empresários sua força de trabalho para obter meios de sobrevivência, em uma relação 
que tanto pode ser de cooperação como de dominação (VILA NOVA, 2000).
Além da cooperação, outros processos sociais podem condicionar o trabalho de ER:
l Acomodação − quando indivíduos, grupos ou categorias, mesmo não comparti‑
lhando objetivos, valores e atitudes, convivem pacificamente e escondem suas 
reais predisposições para serem aceitos. É comum em indivíduos inseridos em um 
meio social diferente daquele em que foram socializados.
l Competição – processo pacífico em que muitos indivíduos buscam objetivos alcan‑
çáveis por todos ou pela maioria, em geral, de forma não consciente.
l Conflito – comum quando muitos indivíduos buscam objetivos acessíveis a 
poucos, ou quando os objetivos de cada indivíduo ou grupo são incompatíveis. 
A dominação das categorias detentoras da maior fatia da riqueza e do poder inibe 
o conflito potencial, mesmo quando o grau de satisfação das categorias dominadas 
é muito baixo, o que pode gerar comportamento agressivo (VILA NOVA, 2010).
Saiba mais
2212
As invenções podem envolver também novos padrões de organização social, a exemplo 
de bancos, voto secreto, organização sindical, criação de nações.
Quanto à difusão, para alguns cientistas sociais, o principal fator de mudança cultural é 
o contato entre sociedades. Nas cidades, as descobertas e invenções são difundidas com 
maior facilidade. Já as sociedades agrárias tendem a ser menos receptivas à absorção de 
novos padrões culturais. Isso é um bom desafio para os extensionistas!
O ritmo de mudança é mais acelerado nas instituições econômicas do que na família, o 
que é chamado de defasagem cultural. As áreas onde se encontram os valores e as nor‑
mas sociais mais sagradas são as mais difíceis de mudar (por exemplo: família e religião).
Conhecimentos da Física → geração de tecnologia → surgimento da máquina a 
vapor → grandes transformações na organização social ocidental no século XVIII.
Importante
Agora que você já estudou vários conceitos importantes, vamos formular os dois con‑
ceitos que resumem tudo o que tratamos aqui e que são para sua atuação na extensão 
rural e, por que não, também como membro da sociedade.
l Sociologia: “[...] estudo científico das interações de indivíduos e grupos, orienta‑
das por significados intermentais [...] principalmente aqueles significados deriva‑
dos da cultura, em função de objetivos e interesses específicos para cada situação 
social” (VILA NOVA, 2010, p. 217).
l Sociedade humana: “[...] teia complexa de indivíduos e grupos interagindo de acor‑
do com o significado por eles atribuído a suas ações, principalmente os significados 
derivados da cultura, em função de interesses e objetivos interpessoais.” Ou seja, 
“um sistema intermental de símbolos, valores e normas” (VILA NOVA, 2010, p. 221).
Importante
Para ter uma visão geral de tudo o que estudamos até aqui, podemos pensar na organiza‑
ção da sociedade, conforme a Figura 3, a seguir.
2312
As invenções podem envolver também novos padrões de organização social, a exemplo 
de bancos, voto secreto, organização sindical, criação de nações.
Quanto à difusão, para alguns cientistas sociais, o principal fator de mudança cultural é 
o contato entre sociedades. Nas cidades, as descobertas e invenções são difundidas com 
maior facilidade. Já as sociedades agrárias tendem a ser menos receptivas à absorção de 
novos padrões culturais. Isso é um bom desafio para os extensionistas!
O ritmo de mudança é mais acelerado nas instituições econômicas do que na família, o 
que é chamado de defasagem cultural. As áreas onde se encontram os valores e as nor‑
mas sociais mais sagradas são as mais difíceis de mudar (por exemplo: família e religião).
Conhecimentos da Física → geração de tecnologia → surgimento da máquina a 
vapor → grandes transformações na organização social ocidental no século XVIII.
Importante
Agora que você já estudou vários conceitos importantes, vamos formular os dois con‑
ceitos que resumem tudo o que tratamos aqui e que são para sua atuação na extensão 
rural e, por que não, também como membro da sociedade.
l Sociologia: “[...] estudo científico das interações de indivíduos e grupos, orienta‑
das por significados intermentais [...] principalmente aqueles significados deriva‑
dos da cultura, em função de objetivos e interesses específicos para cada situação 
social” (VILA NOVA, 2010, p. 217).
l Sociedade humana: “[...] teia complexa de indivíduos e grupos interagindo de acor‑
do com o significado por eles atribuído a suas ações, principalmente os significados 
derivados da cultura, em função de interesses e objetivos interpessoais.” Ou seja, 
“um sistema intermental de símbolos, valores e normas” (VILA NOVA, 2010, p. 221).
Importante
Para ter uma visão geral de tudo o que estudamos até aqui, podemos pensar na organiza‑
ção da sociedade, conforme a Figura 3, a seguir.
13
1.1.2 Sociologia da sociedade brasileira
Para se compreender a sociedade brasileira, é preciso considerar um passado colonial e 
escravista, bem como as relações de dependência às economias dominantes no mundo 
atual. Essa herança condicionou fortemente a formação, o desenvolvimento e o pensa‑
mento dos grupos e classes sociais, limitando transformações sociais mais profundas 
(DE VITA, 1989).
Foi a partir do comércio − que passou a predominar na Europa Ocidental após o regime 
feudal e deu origem ao capitalismo −, que a sociedade e a economia brasileiras emer‑
giram. Uma classe burguesa dominante passou a controlar o comércio de produtos 
coloniais com a Europa e de escravos para a colônia. A sociedade brasileira foi organizada 
em torno da geração de produtos tropicais para abastecer tal mercado.
Por que a escravidão dos negros foi introduzida no Brasil?
l Alta lucratividade do tráfico de escravos.
l Grande quantidade de terras disponíveis, atraindo os potenciais trabalhadores 
para ocupá‑las e não para trabalhar para outras pessoas.
l As condições do comércio colonial exigiam produção em massa e a baixo custo.
l Baixa tecnologia de cultivo, demandando cada vez mais terras e mão de obra para 
aumentar a produção (DE VITA, 1989).
De olho
Figura 3 Componentes básicos e níveis da sociedade.
Fonte: Elaborada pela autora a partir de Vila Nova (2010, p. 220).
2414
A vida social se articulou em torno da fazenda, unidade primordial da agricultura mercantil. 
Lá, o senhor de terras era figura dominante, comandando grande contingente de escravos, 
com poderes ilimitados sobre seus domínios. Havia também um grupo menor de homens 
livres pobres, em geral mestiços, que não detinham a propriedade da terra, exclusiva dos 
homens brancos. Realizavam tarefas como: desmatamento; comércio de animais de carga; 
transporte de mercadorias etc. Cultivavam alimentos para consumo próprio e da família 
(agricultura de subsistência) nas áreas não aproveitadas, como “morador de favor”. Viviam 
na miséria e podiam ser expulsos a qualquer tempo, mantendo relação de dependência 
com o senhor das terras, sem direitos políticos nem acesso à justiça (DE VITA, 1989).
O processo histórico se desenhou em torno dessa convivência entre um setor que pro‑
duzia itens para exportação e outro para produção de subsistência, e das tensões entre 
eles. Somente a partir de meados do século XIX, mudanças sociais relevantes começaram 
a ocorrer, com a substituição do trabalho escravo pelo trabalho livre nas fazendas de café 
de São Paulo.
A decadência da escravidão foi baseada em pressões externas. A implantação definitiva 
do capitalismo, após a Revolução Francesa de 1789 e a Revolução Industrial, no final do 
século XVIII, passou a exigir que as antigascolônias fornecessem matérias‑primas para a 
indústria e que também consumissem os produtos. Surgiu, então, o neocolonialismo, no 
qual a dominação era indireta, de natureza econômica. Como a escravidão era obstáculo 
à criação de uma sociedade consumidora, a Inglaterra pressionou pelo fim do tráfico 
(Lei Eusébio de Queiroz, em 1850) e da escravidão (Lei Áurea, 1888). Assim, iniciou‑se o 
desenvolvimento do capitalismo no Brasil.
Em uma sociedade capitalista, segundo Karl Marx (1818‑1883), a forma de explorar os re‑
cursos e as relações entre os homens é governada pela produção e troca de mercadorias 
e pela busca sistemática do lucro. Porém, existem formas não capitalistas de organizar a 
vida social, como na agricultura de subsistência. Já no capitalismo, o foco não é satisfazer 
necessidades humanas, mas obter lucros crescentes e aumentar continuamente a produ‑
ção (DE VITA, 1989).
A relação típica do capitalismo é o trabalho assalariado (troca de trabalho por salário), 
onde o trabalho é uma mercadoria. Para o capitalista, o valor da força de trabalho deve 
ser o mínimo necessário para a sobrevivência e a reprodução do trabalhador.
Figura	4 Alguns personagens do mundo capitalista. 
Fonte: Elaborada pela autora a partir de De Vita (1989).
2514
A vida social se articulou em torno da fazenda, unidade primordial da agricultura mercantil. 
Lá, o senhor de terras era figura dominante, comandando grande contingente de escravos, 
com poderes ilimitados sobre seus domínios. Havia também um grupo menor de homens 
livres pobres, em geral mestiços, que não detinham a propriedade da terra, exclusiva dos 
homens brancos. Realizavam tarefas como: desmatamento; comércio de animais de carga; 
transporte de mercadorias etc. Cultivavam alimentos para consumo próprio e da família 
(agricultura de subsistência) nas áreas não aproveitadas, como “morador de favor”. Viviam 
na miséria e podiam ser expulsos a qualquer tempo, mantendo relação de dependência 
com o senhor das terras, sem direitos políticos nem acesso à justiça (DE VITA, 1989).
O processo histórico se desenhou em torno dessa convivência entre um setor que pro‑
duzia itens para exportação e outro para produção de subsistência, e das tensões entre 
eles. Somente a partir de meados do século XIX, mudanças sociais relevantes começaram 
a ocorrer, com a substituição do trabalho escravo pelo trabalho livre nas fazendas de café 
de São Paulo.
A decadência da escravidão foi baseada em pressões externas. A implantação definitiva 
do capitalismo, após a Revolução Francesa de 1789 e a Revolução Industrial, no final do 
século XVIII, passou a exigir que as antigas colônias fornecessem matérias‑primas para a 
indústria e que também consumissem os produtos. Surgiu, então, o neocolonialismo, no 
qual a dominação era indireta, de natureza econômica. Como a escravidão era obstáculo 
à criação de uma sociedade consumidora, a Inglaterra pressionou pelo fim do tráfico 
(Lei Eusébio de Queiroz, em 1850) e da escravidão (Lei Áurea, 1888). Assim, iniciou‑se o 
desenvolvimento do capitalismo no Brasil.
Em uma sociedade capitalista, segundo Karl Marx (1818‑1883), a forma de explorar os re‑
cursos e as relações entre os homens é governada pela produção e troca de mercadorias 
e pela busca sistemática do lucro. Porém, existem formas não capitalistas de organizar a 
vida social, como na agricultura de subsistência. Já no capitalismo, o foco não é satisfazer 
necessidades humanas, mas obter lucros crescentes e aumentar continuamente a produ‑
ção (DE VITA, 1989).
A relação típica do capitalismo é o trabalho assalariado (troca de trabalho por salário), 
onde o trabalho é uma mercadoria. Para o capitalista, o valor da força de trabalho deve 
ser o mínimo necessário para a sobrevivência e a reprodução do trabalhador.
Figura	4 Alguns personagens do mundo capitalista. 
Fonte: Elaborada pela autora a partir de De Vita (1989).
15
Quando o valor gerado pela força de trabalho é superior à remuneração que o trabalha‑
dor recebe, este excedente é utilizado pelo capitalista para aumentar seus lucros. 
É a “mais‑valia”, em última análise, trabalho humano acumulado e não pago. Em torno 
dela se dá a luta de classes: os trabalhadores lutam para aumentar sua parcela desse 
 excedente e o capitalista tenta reduzi‑la. Nessa sociedade dividida, o conflito social é 
a regra e o embate se mantém. O capitalismo pressupõe a existência de uma classe 
trabalhadora livre, mas que detenha apenas sua força de trabalho e não os meios de 
produção.
No Brasil a sociedade capitalista se formou no final do século XIX, mediante a introdução 
do trabalho de imigrantes europeus em sistema de colonato, que perdurou até a década 
de 1950 do século XX. Entretanto, formas de trabalho não capitalista persistiram, como a 
agricultura de subsistência.
A expansão da cultura cafeeira pelo oeste paulista foi fundamental para a formação da 
sociedade contemporânea. Seu avanço, no século XIX, provocou a substituição do traba‑
lho escravo pelo trabalho livre e o surgimento de outras atividades econômicas, como 
estradas de ferro, fábricas de máquinas agrícolas, bancos etc. Com o comércio do café, 
cidades como São Paulo e Rio de Janeiro ganhavam importância e dinamismo, redire‑
cionando o desenvolvimento para a Região Sudeste. Entre 1830 e 1880, a cafeicultura 
predominou no Vale do Paraíba e, a partir daí, deslocou‑se para os “oestes” paulistas. O 
ocaso da atividade teve na crise do trabalho escravo sua questão decisiva, em especial no 
Vale do Paraíba.
Para assegurar mão de obra abundante dos imigrantes europeus, foi instituída a Lei das 
Terras, que vedava a ocupação de terras devolutas, a não ser por meio de sua aquisição. 
Os preços da terra se tornaram inacessíveis aos colonos, que não podiam comprá‑la 
apenas com o fruto do seu trabalho. Empresas imobiliárias e grileiros, capitalizados pelo 
comércio de escravos, transformavam essas terras em propriedade particular, subornan‑
do autoridades, forjando documentos e promovendo a violência contra posseiros (DE 
VITA, 1989).
Inicialmente, os imigrantes trabalharam a terra em regime de parceria, no qual o parcei‑
ro entra com seu trabalho e o fazendeiro com a terra, compartilhando a produção. Tal 
modalidade fracassou porque os colonos se endividavam junto aos fazendeiros para as 
despesas de viagem e instalação, em condições abusivas. Teve início, assim, um regime 
de escravidão camuflada (escravidão por dívidas, que ocorre até hoje).
Entre 1880 e 1930, centenas de milhares de imigrantes entraram no País. A partir da 
Proclamação da República, em 1889, pressionado pelos cafeicultores, o governo fede‑
ral passou a subvencionar a imigração. Assim, a expansão da cafeicultura não se deu 
por espírito empreendedor ou “capitalista”, mas com base na transformação de terras 
devolutas e férteis em propriedade privada e no financiamento da imigração pelo Estado. 
Obrigados a implantar novas lavouras para importar imigrantes, os cafeicultores expandi‑
ram as plantações e intensificaram a expulsão de agricultores pobres (DE VITA, 1989).
Embora a cafeicultura tenha sido o motor do desenvolvimento do capitalismo no Brasil, 
as riquezas geradas foram baseadas em relações de trabalho não capitalistas, como a 
empreitada, o colonato e a agricultura de subsistência.
2616
Os imigrantes adotavam a ideologia da valorização do trabalho, vista como forma de 
obter a independência: trabalhar duro na lavoura de café para vir a ser dono de terras. 
Dessa forma, contribuíam para manter essa relação social desigual, que interessava aos 
fazendeiros.
Essa ideologia se chocava com a ordem escravocrata, pois, para os escravos, trabalho 
era sinônimo de escravidão. Tal deformação ocorreu em toda a sociedade da época, 
dificultando a utilização dos antigos escravos no trabalho livre. Muitos segmentos sociais 
passaram a ver como defeito da raça atributos como preguiça, malandragem etc. 
Os negros se viram, então, presos ao preconceito racial e à inferiorização social. A pecha 
de“vadio” foi estendida ao homem livre pobre, o sertanejo, que preferiu manter sua 
lavoura de subsistência a trabalhar para outros.
Mesmo com o desenvolvimento do capitalismo agrário, a substituição do trabalho 
escravo pelo assalariado só ocorreu a partir de 1950, quando os colonos foram expul‑
sos das terras e substituídos por trabalhadores temporários (boias‑frias). Embora nos 
 grandes empreendimentos rurais capitalistas predominem os assalariados, o campesina‑
to, formado por pequenos proprietários e arrendatários, posseiros e parceiros, persiste. 
A maioria deles luta para assegurar a posse da terra ou para ter acesso à ela, como os 
“sem‑terra”. Enfrentam, para isso, o poder de latifundiários, grandes empresas e do 
próprio Estado.
Para compreender a realidade atual do campesinato, precisamos entender fenômenos 
como a dominação pessoal, o coronelismo e o domínio oligárquico (DE VITA, 1989).
Figura	5 Antiga fazenda de café restaurada e aberta à visitação – região de Valença 
(Vale do Café), estado do Rio de Janeiro. 
Fonte:	Marques (2017).
2716
Os imigrantes adotavam a ideologia da valorização do trabalho, vista como forma de 
obter a independência: trabalhar duro na lavoura de café para vir a ser dono de terras. 
Dessa forma, contribuíam para manter essa relação social desigual, que interessava aos 
fazendeiros.
Essa ideologia se chocava com a ordem escravocrata, pois, para os escravos, trabalho 
era sinônimo de escravidão. Tal deformação ocorreu em toda a sociedade da época, 
dificultando a utilização dos antigos escravos no trabalho livre. Muitos segmentos sociais 
passaram a ver como defeito da raça atributos como preguiça, malandragem etc. 
Os negros se viram, então, presos ao preconceito racial e à inferiorização social. A pecha 
de “vadio” foi estendida ao homem livre pobre, o sertanejo, que preferiu manter sua 
lavoura de subsistência a trabalhar para outros.
Mesmo com o desenvolvimento do capitalismo agrário, a substituição do trabalho 
escravo pelo assalariado só ocorreu a partir de 1950, quando os colonos foram expul‑
sos das terras e substituídos por trabalhadores temporários (boias‑frias). Embora nos 
 grandes empreendimentos rurais capitalistas predominem os assalariados, o campesina‑
to, formado por pequenos proprietários e arrendatários, posseiros e parceiros, persiste. 
A maioria deles luta para assegurar a posse da terra ou para ter acesso à ela, como os 
“sem‑terra”. Enfrentam, para isso, o poder de latifundiários, grandes empresas e do 
próprio Estado.
Para compreender a realidade atual do campesinato, precisamos entender fenômenos 
como a dominação pessoal, o coronelismo e o domínio oligárquico (DE VITA, 1989).
Figura	5 Antiga fazenda de café restaurada e aberta à visitação – região de Valença 
(Vale do Café), estado do Rio de Janeiro. 
Fonte:	Marques (2017).
17
Poder pessoal – Alguma vez você ouviu algo como “Você sabe com quem está falando?” 
O autoritarismo é algo arraigado na sociedade brasileira, manifestando‑se no mundo do 
trabalho, na escola, na família etc. e começou no fazendeiro, com seus poderes ilimita‑
dos. A violência tanto ocorria junto aos escravos, de forma mais explícita, quanto aos 
homens pobres livres, em que era mais complexa. A expulsão do caboclo das terras não 
era o mais comum, mas sua permanência como agregado nas terras “legalizadas”. 
Essa população de agregados, obrigada a viver da benevolência do fazendeiro, 
deu origem ao campesinato brasileiro.
Eram características dessas relações o compadrio, o apadrinhamento e o filhotismo, 
levando à disseminação da prática do favor na administração pública, na política e 
na sociedade. A permanência na terra era um favor concedido pelo fazendeiro, a ser 
retribuída com trabalho mal remunerado, voto em seus candidatos, defesa armada etc. 
Envolvia lealdade e obediência, em que o dominado via essa dependência como legíti‑
ma, em uma relação totalmente diferente do assalariamento. O que estava em jogo, para 
além da sobrevivência, é que nenhuma parte era escrava. Com isso, mesmo a parte mais 
humilde se reconhecia como livre pessoa e transformava a prestação e retribuição em 
rituais de superioridade social.
Compadrio ou parentesco espiritual − O homem pobre buscava no batismo uma forma 
de obter proteção de um homem rico e influente, enquanto o afilhado ficava obriga‑
do à mesma prestação de favores de seus ancestrais. O padrinho garantia o futuro do 
afilhado, obtendo para ele um cargo público, onde lhe cabia atender aos interesses do 
padrinho. Assim, o apadrinhamento e o clientelismo foram incorporados à vida pública 
brasileira. Era comum o rompimento dessa relação e a expulsão dos agregados das ter‑
ras, gerando conflitos entre camponeses e seus antigos senhores.
O coronelismo surgiu na República Velha (1889‑1930), com os “coronéis” da política assu‑
mindo o antigo poder dos fazendeiros. Para isso, usavam o chamado voto de cabresto, que 
obrigava os que dependiam dos fazendeiros a votar em seus candidatos. Era o caso dos 
camponeses, que recebiam transporte, alimentação, roupas etc. para que fossem votar.
Mesmo com o voto secreto, após 1932, tal quadro não se alterou de forma significativa. 
Aos coronéis interessava o controle do voto para alinhar‑se às oligarquias familiares, em 
geral de proprietários rurais (política do café com leite, em São Paulo e Minas Gerais). 
Com isso, mantinham seus poderes locais, distribuindo benesses na administração 
pública e direcionando o uso de verbas públicas. Posteriormente, as oligarquias foram 
fortalecendo seus interesses junto a empresas, grupos internacionais etc., e o poder dos 
coronéis se reduzindo.
Ouça a música “Saga de Severinin”, de Vital Farias. Reflita até que ponto a letra reflete 
uma realidade ainda presente no Brasil e por que o processo de mudança é tão lento e 
difícil.
O link é: . Acesso em: jan. 2019.
Veja na web
2818
Conflitos sociais no campo
O mundo rural brasileiro tem sido marcado por um constante estado de lutas e violência. 
No final do século XIX e primeira metade do século XX, predominaram os movimentos 
messiânicos, no Nordeste (Canudos) e no Sul (Contestado), bem como o Cangaço, típico 
do Nordeste. Após a década de 1950, surgiram os movimentos sociais camponeses e de 
trabalhadores rurais, especialmente as Ligas Camponesas e os Sindicatos de Trabalhado‑
res Rurais. Além das transformações sociais que se seguiram à abolição da escravatura, o 
pano de fundo desses conflitos foi a propriedade da terra, a crise nos vínculos de depen‑
dência entre camponeses e latifundiários e a crise do próprio campesinato.
Os movimentos messiânicos ocorreram em decorrência da intensa e constante explo‑
ração dos camponeses durante séculos, com base, principalmente, na posse da terra. 
A Guerra de Canudos ocorreu entre 1896 e 1897, no sertão da Bahia. A cidade santa 
de Belo Monte, criada pelos rebeldes, chegou a ter 30 mil pessoas. Apesar do caráter 
religioso, os seguidores de Antônio Conselheiro tinham ódio das forças oligárquicas, 
que dominavam a população rural, mantendo‑os em permanente estado de miséria.
A Guerra do Contestado ocorreu entre 1912 e 1916, nos sertões de Santa Catarina e 
Paraná, e reuniu 20 mil sertanejos em uma região equivalente à do estado de Alago‑
as. Tendo como pano de fundo a religião, a crise foi desencadeada pela decadência 
do coronelismo e a emergência das oligarquias e tinha na luta pela terra sua principal 
motivação.
Embora sem caráter messiânico ou religioso, o cangaço foi outro movimento importan‑
te envolvendo populações rurais, cuja origem estava no empobrecimento em razão da 
decadência da produção açucareira e redução drástica das oportunidades de trabalho. 
Acostumados a defender os interesses dos coronéis, os antigos agregados passaram a 
agir sozinhos, adotando o cangaço como modo de vida. Durou entre o início do século 
XX até 1940 (DE VITA, 1989).
Saiba mais
Esses movimentos, bem como as relações de dominaçãoentre senhores e escravos e en‑
tre fazendeiros e agregados, mostram que o mito da não violência na sociedade brasileira 
não se sustenta. Ao contrário, assassinatos em defesa da honra ou nas disputas por terra 
eram tidos como normais (DE VITA, 1989).
2918
Conflitos sociais no campo
O mundo rural brasileiro tem sido marcado por um constante estado de lutas e violência. 
No final do século XIX e primeira metade do século XX, predominaram os movimentos 
messiânicos, no Nordeste (Canudos) e no Sul (Contestado), bem como o Cangaço, típico 
do Nordeste. Após a década de 1950, surgiram os movimentos sociais camponeses e de 
trabalhadores rurais, especialmente as Ligas Camponesas e os Sindicatos de Trabalhado‑
res Rurais. Além das transformações sociais que se seguiram à abolição da escravatura, o 
pano de fundo desses conflitos foi a propriedade da terra, a crise nos vínculos de depen‑
dência entre camponeses e latifundiários e a crise do próprio campesinato.
Os movimentos messiânicos ocorreram em decorrência da intensa e constante explo‑
ração dos camponeses durante séculos, com base, principalmente, na posse da terra. 
A Guerra de Canudos ocorreu entre 1896 e 1897, no sertão da Bahia. A cidade santa 
de Belo Monte, criada pelos rebeldes, chegou a ter 30 mil pessoas. Apesar do caráter 
religioso, os seguidores de Antônio Conselheiro tinham ódio das forças oligárquicas, 
que dominavam a população rural, mantendo‑os em permanente estado de miséria.
A Guerra do Contestado ocorreu entre 1912 e 1916, nos sertões de Santa Catarina e 
Paraná, e reuniu 20 mil sertanejos em uma região equivalente à do estado de Alago‑
as. Tendo como pano de fundo a religião, a crise foi desencadeada pela decadência 
do coronelismo e a emergência das oligarquias e tinha na luta pela terra sua principal 
motivação.
Embora sem caráter messiânico ou religioso, o cangaço foi outro movimento importan‑
te envolvendo populações rurais, cuja origem estava no empobrecimento em razão da 
decadência da produção açucareira e redução drástica das oportunidades de trabalho. 
Acostumados a defender os interesses dos coronéis, os antigos agregados passaram a 
agir sozinhos, adotando o cangaço como modo de vida. Durou entre o início do século 
XX até 1940 (DE VITA, 1989).
Saiba mais
Esses movimentos, bem como as relações de dominação entre senhores e escravos e en‑
tre fazendeiros e agregados, mostram que o mito da não violência na sociedade brasileira 
não se sustenta. Ao contrário, assassinatos em defesa da honra ou nas disputas por terra 
eram tidos como normais (DE VITA, 1989).
19
Com o enfraquecimento do poder dos coronéis, no século XX, esse domínio passou a 
conviver com o poder das modernas empresas capitalistas, submetendo a população 
a regimes extenuantes de trabalho e expropriando‑a de suas terras. Essa capacidade de 
conciliar interesses só ocorre entre as camadas mais altas da sociedade. É a “conciliação 
pelo alto”, compromisso entre antigas e novas classes dominantes visando manter as 
classes trabalhadoras fora do processo de participação e decisão política efetiva 
(DE VITA, 1989).
No caso dos trabalhadores rurais, esse processo tem sido ainda mais perverso, tanto em 
governos militares quanto nos ditos democráticos, em que o liberalismo econômico limi‑
ta a defesa de direitos. A partir dos anos 1950, os camponeses começaram a encontrar 
formas de se organizar politicamente e lutar por seus interesses. Posteriormente, o golpe 
militar de 1964 contribuiu para enterrar de vez as ilusões de reforma agrária no Brasil.
Com a decadência do café e o fim do colonato, a partir da crise de 1929/1930, vieram 
as pastagens e culturas como laranja, algodão e cana‑de‑açúcar, e regiões como Minas 
Gerais e Paraná ganharam importância. Surge um proletariado agrícola assalariado que 
passou a ocupar as periferias das grandes cidades. Para fugir dos encargos trabalhistas, 
os empresários da indústria açucareira utilizavam os boias‑frias recrutados pelos “gatos”. 
Os camponeses ficam, assim, alijados da fazenda e de seu universo, enquanto pioram 
suas condições de vida.
As Ligas Camponesas, surgidas principalmente nas regiões canavieiras do Nordeste, 
 representaram um movimento de efetiva organização dos camponeses para resistir ao 
domínio das oligarquias e empresas e exigir uma reforma agrária radical. Com o Estatuto 
do Trabalhador Rural, em 1963, os sindicatos rurais vieram substituí‑las, o que, juntamen‑
te com o foco no trabalhador e não no pequeno produtor, motivaram sua decadência.
A questão agrária durante o regime militar envolveu a violenta repressão das lutas pela 
posse da terra, por meio da neutralização das lideranças políticas e sindicais envolvidas 
nas reivindicações dos trabalhadores rurais via cassação, prisões, expulsões do País e ter‑
rorismo policial. Em 1964, foi criado o Estatuto da Terra, sem a participação dos lavrado‑
res. Com o objetivo declarado de viabilizar a reforma agrária, na prática visava moderni‑
zar o latifúndio, permitindo a penetração de empresas capitalistas no campo, 
o que intensificou a concentração de terras, durante os 20 anos do governo militar 
(DE VITA, 1989).
A expansão do capitalismo na Amazônia, no período militar, ocorreu por intermédio 
de subsídios governamentais a grupos industriais e financeiros ligados à exploração de 
pecuária, madeira e mineração, em paralelo à expulsão violenta de posseiros e índios e 
à devastação de extensas áreas de mata. Além das poucas oportunidades de trabalho, 
a exploração do trabalhador ficava evidente a partir da denúncia de “escravização por 
dívida” de peões, praticada, inclusive, por empresas capitalistas ditas modernas, e que 
ocorre até hoje.
Em decorrência da política agrícola do regime militar, intensificaram‑se os conflitos e a 
violência pela posse da terra, com a reprodução da estrutura em grandes latifúndios, 
agora controlados por empresas. Os fluxos migratórios do Sul, decorrentes da implanta‑
3020
Diante da realidade que vimos até aqui, vamos entender como os lavradores se orga‑
nizam atualmente. Isso será muito útil para o trabalho como extensionista!
l Parceiros – trabalham na terra alheia e entregam parte da produção em 
pagamento.
l Arrendatários – pagam aluguel pela terra que cultivam e lutam para nela se manter.
l Posseiros – lutam para não serem expulsos por grileiros.
l Pequenos proprietários – enfrentam juros altos dos bancos e preços baixos pagos 
pelos intermediários que vendem sua produção. Em geral, seus filhos se tornam 
assalariados ou “sem‑terra”.
l Trabalhadores assalariados – classe social mais numerosa, lutam para melhorar 
seus ganhos, ao mesmo tempo que capital não assegura mercados para sua ex‑
pansão.
l Trabalhadores rurais sem‑terra – a propriedade da terra só é legítima se a mesma 
for trabalhada. Demonstram grande capacidade de luta, com forte resistência dos 
donos de terra. Os primeiros grupos surgiram com o alagamento da barragem de 
Itaipu, cujas indenizações foram insuficientes para sua fixação na região. Expan‑
diram‑se após a década de 1970, apoiados pela CNBB e Comunidades Eclesiais 
de Base, tornando‑se uma força política importante a partir de 1984. Entre 1976 
e 1986, conseguiram assentamento definitivo de mais de 12 mil famílias. Surgiu, 
então, a União Democrática Ruralista (UDR), formada por donos de terra, que 
passou a exercer poder político contra os sem‑terra (DE VITA, 1989).
ção de lavouras de trigo e soja, e do Nordeste, em função da seca e da falta de oportu‑
nidades, agravaram a situação. Esses posseiros iam se deslocando e ocupando as terras 
indígenas e, em seguida, ambos eram expulsos por grileiros e grandes empresas. 
Até 1981, a Comissão Pastoral da Terra identificou 913 conflitos agrários, envolvendo 
1,5 milhão de pessoas, 560 deles na Região Amazônica, que passou a ser o maior palco 
desses acontecimentos. Entre as práticas violentas usadas pelas empresas, estão a con‑
tratação de jagunços para despejar posseiros e o assassinato de advogados,

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