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Artigo Original Consumo alimentar e estado nutricional de pacientes com gastrite, em Abadia dos Dourados - MG Food consumption and gastritis patient's nutritional status, in Abadia dos Dourados MG Carina Alves Luana Padua Unitermos: RESUMO Gastrite. Consumo alimentar. Estado nutricional. Introdução: Agastrite consiste na inflamação da mucosa gástrica. Ela aparece de repente, tem curta duração e desaparece. O ponto central é 0 desequilíbrio entre os fatores que agridem a Key words: mucosa e os que a protegem, esse desequilíbrio resulta em lesão da mucosa. Uma vez adqui- Gastritis. Food consumption. Nutritional status. rida, a infecção persiste, na maior parte dos indivíduos, por anos, décadas, ou, possivelmente, Endereço para correspondência por toda a vida, se não Na maioria das vezes, a infecção é assintomática ou o paciente Carina Alves Batista apresenta apenas manifestações clínicas discretas. Objetivo: Avaliar o consumo alimentar Av. Benedito Teodoro da Silva, 355 Centro - Abadia e 0 estado nutricional de pacientes com gastrite, em Abadia dos Dourados, MG. Método: A dos Dourados, MG, Brasil CEP: 38540-000 E-mail: carinanut@yahoo.com.br amostra foi composta por 30 pacientes de um hospital público. O questionário continha variáveis pessoais, de consumo alimentar, de saúde e Para a classificação do estado Submissão nutricional, foi considerado Índice de Massa Corporal (IMC) conforme critério da Organi- 28 de agosto de 2008 zação Mundial de Saúde. Resultados: Observou-se que 60% dos pacientes encontravam-se eutróficos, 16,67% apresentaram sobrepeso, 13,33% apresentaram obesidade grau 1, 6,67% Aceito para publicação apresentaram obesidade grau 2 e 3,33% desnutrição leve. Após 0 aparecimento da gastrite, 19 de maio de 2009 53,33% dos pacientes mantiveram peso, 30% ganharam peso e 16,67% perderam peso. De acordo com os sintomas, 100% apresentam dor em queimação no abdome, 80% azia, 66,67% náuseas, 60% perda do apetite e 16,67% apresentam sangramento nas fezes. Um mesmo alimento causa desconforto a alguns pacientes e já em outros não. Os alimentos que mais causam desconforto são frituras (60%), alimentos gordurosos (66,7%), comida muito condimentada (73,3%), frutas ácidas (76,7%), pimenta (80%) e chocolate (83,3%). Conclusão: Observa-se a importância de um tratamento individualizado e da atuação do nutricionista ABSTRACT Background: The gastritis consists in a gastric mucous inflammation. It appears suddenly, have a short duration and disappear. The central point is an imbalance between factors that hurt and protect the mucous, resulting in its injury. Once acquire, the infection persists, in most of indivi- duals, for years, decades, perhaps the whole life if wont be attended. Most of time, the infection is asymptomatic or the patient presents some discreet clinical manifestations. Objective: The objective of this work was to assess the food consumption and gastritis patient's nutritional status, in Abadia dos Dourados, MG. Methods: The sample was composed by 30 patients of a public hospital. The questionnaire contained personals variables, of food consumption, health and anthropometrics. To nutritional status classification, was considered the body mass index (BMI) according the World Health Organization. Results: 60% of the patients were found eutrophics, 16.67% had overweight, had Grade Obesity, 6.67% Grade II Obesity and 3,33% mild malnutrition. After the appearance of the gastritis, of the patients kept the weight, 30% gained weight and loose weight. According the symptoms, 100% had pain 1. em Nutrição Clínica, pelo Centro Universitário do Triângulo Unitri, Uberlândia, and stomach burning, 80% heartburn, 66.67% nausea, 60% loose the appetite and 16.67 had MG. bleeding feces. A same food causes uncomfortable and some patients and nothing in others. The 2. Mestre em Saúde Pública pela Fundação Oswaldo foods that causes more uncomfortable are frying foods (60%) fat food (66.7%) lot of seasoned Cruz e docente do Curso de Nutrição e da Pós- Graduação em Nutrição Clínica, Centro Universi- food (73.3%), acid fruits (76.7%), pepper (80%) and chocolate (83.3%). Conclusion: There tário do Triângulo Unitri, Uberlândia, MG. is observed the importance of an individualized treatment and the acting of the nutritionist. Rev Bras Nutr Clin 2010; 25 (1): 18-22 18Consumo alimentar e estado nutricional de pacientes com gastrite INTRODUÇÃO irritante gastrintestinal); a pimenta preta também é irritante, porém A gastrite é a lesão que mais frequentemente afeta o estômago a substância ainda não foi identificada; mostarda em grão, chili e e é definida como uma inflamação da mucosa O chocolate são irritantes. As frutas ácidas devem ser consumidas sintoma destacado é dor abdominal, sensação de distensão, com de acordo com a tolerância do paciente. O pH do estômago (por perda de apetite e volta de 2) é mais ácido que qualquer fruta (por exemplo, o pH A gastrite aguda se iguala à esofagite nas suas manifestações do suco de laranja é em torno de 3), por isso não seria necessário (por exemplo, náuseas, vômito, indisposição, anorexia, dor de evitá-las. No entanto, alguns pacientes relatam dispepsia após cabeça, hemorragia e dor). Os ataques podem ser iniciados por ingerir alimentos cítricos. O ambiente durante a alimentação deve empanturrar-se, consumir alimentos aos quais o indivíduo é ser tranquilo, comendo devagar e mastigando bem os sensível, uso em excesso de álcool ou tabaco, ou doses crônicas Apesar das recomendações gerais, os pacientes apre- ou excessivas de aspirina ou agentes antiinflamatórios não sentam diferentes tolerâncias aos alimentos. A prescrição de tratamento individualizado baseado nos alimentos e situações Na gastrite crônica, as lesões vão desde processo inflamatório determinadas que causam desconforto é o mais importante4. superficial até a atrofia do epitélio, que é evidenciada pela perda Sendo assim, o objetivo deste estudo foi avaliar o consumo significativa de estruturas glandulares e mostra-se, algumas alimentar e o estado nutricional de pacientes com gastrite em vezes, associada à metaplasia intestinal. Aproximadamente Abadia dos Dourados, MG. 10% dos pacientes com atrofia gástrica desenvolvem carcinoma em período de 15 sendo, por isso, considerada lesão pré- MÉTODO Embora possam ocorrer dor (especialmente depois de A pesquisa foi realizada no município de Abadia dos Dourados, se alimentar) e sintomas associados à indigestão, a maioria dos MG, com pacientes atendidos no consultório de um hospital público. pacientes permanece A coleta de dados foi realizada no período de abril a junho de 2008. Atualmente, a infecção pela bactéria Helicobacter pylori é Foi realizado um estudo observacional, de corte transversal, considerada o mais importante agente etiológico de gastrite em com pacientes de ambos os sexos, com idades entre 20 e 70 anos, seres humanos, um fator essencial na gênese da úlcera péptica e diagnóstico de gastrite. A amostra foi composta por 30 pacientes, e um fator de risco para o desenvolvimento de câncer escolhidos de forma aleatória. A infecção por Helicobacter pylori está presente em, aproxi- Para o início da coleta de dados foi solicitado à direção do madamente, metade da população A gastrite induzida hospital o acesso às fichas de pacientes com diagnóstico de gastrite pelo Helicobacter pylori é uma das infecções mais comuns na e seus respectivos endereços, para posterior visita da pesquisadora espécie humana. responsável. Os pacientes foram visitados em suas próprias casas Embora metade da população mundial esteja infectada com ou local de trabalho, onde foram esclarecidos sobre os objetivos e este microrganismo, 80% desses indivíduos permanecem sem critérios da pesquisa. Após assinatura do Termo de Consentimento nenhuma evidência clínica de doença. Portanto, vários fatores, Livre e Esclarecido, foram submetidos à avaliação antropométrica inclusive a aquisição na infância, o tipo de cepa da bactéria, a e responderam a um questionário. predisposição genética do hospedeiro e o meio-ambiente, parecem Foram incluídas no questionário as seguintes variáveis: estar relacionados a sua variáveis pessoais (sexo, idade, estado civil, A associação de gastrites e úlceras com o Helicobacter pylori número de pessoas na família, renda, escolaridade); variáveis levou a várias liberações na dieta. Alguns autores até que de saúde (doenças, uso de medicamentos, prática de atividade não há necessidade de nenhum tipo de recomendação dietética, física, tabagismo); variáveis de consumo alimentar (número bastando apenas a erradicação da de refeições, horário de maior apetite, frequência de consumo De um modo as recomendações dietéticas para gastrite são: alimentar, restrição alimentar); variáveis antropométricas (peso, distribuição calórica normal (carboidratos: 50 a 60%, proteínas: altura e estado nutricional na primeira consulta). 10 a 15%, lipídios: 25 a 30%) com valor energético total suficiente O peso foi determinado em balança digital (Plena, com para manter ou recuperar o estado nutricional; a consistência deve carga máxima de 150 kg) com o paciente situado no ser geral ou adaptada às condições da cavidade oral; o fraciona- centro da plataforma, usando apenas roupas leves. A altura foi mento deve ser de 4 a 5 refeições/dia (evitar longos períodos em determinada por meio de fita métrica, presa à uma superfície lisa, jejum). Os alimentos com efeito positivo são aqueles ricos em numa parede sem rodapé, começando a 50 cm do solo, estando o fibras alimentares (vegetais em geral). A fibra apresenta efeitos paciente com o peso distribuído uniformemente entre benéficos age como tampão, reduz a concentração de ácidos os membros e os pés o mais unidos possíveis. A aferição da altura biliares no estômago e diminui o tempo de trânsito intestinal, o foi realizada com auxílio de um esquadro, firmemente apoiado que leva a menor distensão. Os alimentos a serem evitados são sobre a cabeça, assegurando-se que o paciente encontrava-se na bebidas alcoólicas (o álcool é um potente irritante da mucosa posição correta para proceder-se à leitura. A idade foi calculada em gastrintestinal); café (mesmo que seja do tipo descafeinado, anos completos, mediante a diferença entre a data de nascimento leva ao aumento da produção de ácido gástrico, resultando em e a data da entrevista. irritação da mucosa); refrigerantes (à base de cola são relacio- Para a avaliação do estado nutricional foi calculado o Índice nados ao aumento da produção ácida, além disso, por serem de Massa Corporal (IMC) que é o peso (em quilogramas) divi- gasosos, provocam distensão gástrica e podem relacionar-se dido pela estatura elevada ao quadrado (em metros quadrados). a dispepsia); pimenta vermelha (possui capsaicina, substância diagnóstico foi feito de acordo com os critérios propostos pela Rev Bras Nutr Clin 2010; 25 (1): 18-22 19Batista CA & Soares LP Organização Mundial de Saúde (OMS): IMC desnu- pacientes deixaram de ingerir algum tipo de alimento após o trição grave; IMC 16,0 16,99 desnutrição moderada; diagnóstico da gastrite, sendo este eliminado da dieta pelo médico IMC 17,0 18,49 desnutrição leve; IMC 18,5 24,9 kg/ ou pelo próprio paciente, que percebeu sentir algum desconforto m²: eutrofia; IMC 25 IMC 30 34,91 ao obesidade grau I; IMC 35 39,9 obesidade grau II; De acordo com os dados antropométricos (peso e altura), IMC > obesidade grau III. foi calculado o IMC e diagnosticado o estado nutricional dos Após a avaliação dos questionários, os dados foram organi- pacientes, como apresentado na Figura 1. zados e submetidos a uma análise estatística simplificada (cálculo De acordo com a Figura 1, a maioria dos pacientes apresenta de frequências). eutrofia. Observou-se ainda que 16,7% dos pacientes perderam peso desde o aparecimento da gastrite, a maioria dos pacientes RESULTADOS manteve o peso (53,3%) e 30% ganharam peso. Foram entrevistados 30 pacientes com diagnóstico de Na Figura 2, pode-se perceber os alimentos que causam gastrite, com idades de 20 a 70 anos, sendo 76,7% do sexo desconforto aos pacientes com gastrite e, no entanto, estes feminino e 23,3% do sexo masculino. A maioria apresentava 1° grau incompleto (36,7%) e renda familiar de até 2 salários mínimos (46,7%) ou de 2 a 5 salários mínimos (43,3%). De acordo com o tempo de aparecimento da doença, 63,3% 7% 3% Obesidade Grau dos pacientes descobriram a gastrite entre 1 a 5 anos anteriores à Desnutrição Leve entrevista, sendo que 60% apresentavam antecedentes familiares. Considerando o tratamento a maioria dos pacientes (83,3%) usa ou já usou algum tipo de medicamento 13% para gastrite (Omeprazol, Motilium, Gastrogel, Cimetidina), Obesidade sendo que 16,7% dos pacientes ingerem o medicamento em Grau I qualquer horário do dia, "quando sentem dor, queimação". A maioria dos pacientes não pratica atividade física (73,3%), 17% 60% não fuma (90%) e não ingere bebida alcoólica (76,7%). Sobrepeso Eutrofia Considerando os hábitos alimentares, 40% afirmaram ter um apetite ótimo ou bom, 16,7% um apetite regular e apenas 3,3% disseram ter o apetite ruim. Apenas 10% afirmaram ingerir algum alimento de 2 em 2 horas e 16,7% de 3 em 3 horas. Observou-se que 53,3% reali- zavam refeições de 4 em 4 horas e 20% com intervalos maiores do que 4 horas. Além disso, a maioria (63,3%) referiu sentir mais fome no horário da manhã. Figura 1 Estado nutricional de pacientes com gastrite, Abadia dos Dourados, Ainda considerando os hábitos alimentares, 66,7% dos MG, março de 2008. Leite 20,0% Maionese 26,7% Alimentos enlatados e em conservas 33,3% Doces 36,7% Café 40,0% Refrigerante 53,3% Frituras 60,0% Alimentos gordurosos 66,7% Comida muito condimentada 73,3% Frutas ácidas 76,7% Pimenta 80,0% Chocolate 83,3% 0% 20% 40% 60% 80% 100% Figura 2 Alimentos que causam desconforto aos pacientes com gastrite, Abadia dos Dourados, MG, março de 2008. Rev Bras Nutr Clin 2010 25 (1): 18-22 20Consumo alimentar e estado nutricional de pacientes com gastrite continuam a consumi-los no dia-a-dia. Um mesmo alimento Segundo a literatura, a taxa de infecção populacional pelo H. causa desconforto a alguns pacientes e já em outros não, portanto, pylori apresenta uniformidade relacionada ao grau de desenvol- não há necessidade de eliminar os alimentos de forma igual vimento dos países: nos desenvolvidos, a taxa varia entre 25% a aos pacientes. Os alimentos que mais causam desconforto são 50%, enquanto naqueles em desenvolvimento está em torno de frituras (60%), alimentos gordurosos (66,7%), comida muito 70%-90%. Em Belo Horizonte-MG, Coelho et al. descreveram condimentada (73,3%), frutas ácidas (76,7%), pimenta (80%) e que, em 51 pacientes sintomáticos, a prevalência da infecção pelo chocolate (83,3%). H. pylori foi de Sabe-se que a prevalência de H. pylori é Considerando os sintomas, 100% dos pacientes sentiam significativamente maior em países em desenvolvimento, em dor em queimação no abdome, 80% azia, 66,7% náuseas, 60% decorrência de fatores ligados, provavelmente, às más condições apresentavam perda de apetite e 16,7% sangramento nas fezes. de vida, como aglomerados familiares, higiene precária e má Os pacientes são conscientes de que ao ingerir certos alimentos irão apresentar os sintomas citados. estudo nos mostrou que a maioria dos pacientes com gastrite Quando questionados sobre o funcionamento intestinal, apresentava antecedentes familiares. 66,7% relataram normalidade, enquanto 30% afirmaram apre- Vários estudos conduzidos em parentes de primeiro grau de sentar constipação intestinal e 3,3% diarréia. pacientes com câncer gástrico têm destacado associação positiva De acordo com o tratamento nutricional, 93,3% dos pacientes entre história familial e risco para câncer gástrico. Indivíduos não procuraram nutricionista para orientações na dieta. infectados pelo H. pylori e com história de câncer gástrico familial podem apresentar risco até 16 vezes maior de desenvolvimento de DISCUSSÃO câncer gástrico do que indivíduos não-infectados e sem história O diagnóstico dos pacientes com gastrite, considerando seu familial. Provavelmente, tais indivíduos estão infectados pelas estado nutricional, mostrou predomínio de eutrofia, seguida mesmas cepas de H. pylori e apresentam resposta inflamatória de sobrepeso, obesidade do grau I, obesidade do grau III e similar. O aumento do risco para câncer gástrico pode estar desnutrição leve. A maioria dos pacientes apresentou estado relacionado a diferenças na expressão de produtos bacterianos nutricional normal e manteve o peso desde o aparecimento da específicos, a diferentes respostas do hospedeiro ou a diferentes interações entre a bactéria e o hospedeiro6. gastrite. Sendo assim, não podemos afirmar que a gastrite está De acordo com o estudo, a maioria dos pacientes usa ou já usou relacionada com obesidade nem desnutrição. Pode-se observar algum tipo de medicamento para gastrite, e, mesmo sendo uma também que a obesidade está prevalecendo sobre a desnutrição, minoria, ainda existem pacientes que usam o medicamento de forma relacionando aqui o número de pacientes com ganho de peso após errada (não seguem horário, antes ou após as refeições) ou usam o o diagnóstico de gastrite, sendo superior (30%) aos pacientes que medicamento apenas quando sentem alguns dos sintomas da gastrite. perderam peso (16,7%). Muitos pacientes relataram que: "não há tanta necessidade O estudo foi aplicado em pacientes com faixa etária de de restrições na dieta para gastrite, já que fazem uso de medica- 20 a 70 anos, mas de acordo com a literatura há um número mentos e estes ajudam a eliminar os desconfortos (dores)", ou cada vez maior de crianças e adolescentes apresentando seja, muitos pacientes ainda são mal informados quanto ao diag- diagnóstico de gastrite. nóstico de gastrite e da dieta adequada, o que poderia em muitos Helicobacter pylori é o principal agente causal de gastrite casos ser controlada com uma alimentação adequada, sem uso A infecção pelo H. pylori, em países desenvolvidos, de medicamentos, levando uma vida saudável. ocorre após os três ou cinco anos de idade; já em países em Omeprazol, Motilium, Gastrogel, Cimetidina e Mylanta desenvolvimento, crianças com menos de um ano podem estar plus foram os medicamentos citados pelos pacientes do estudo. contaminadas. Em estudo realizado em Belo Horizonte, com Todo medicamento não sendo ingerido no horário correto não indivíduos entre sete meses e 16 anos, observou-se que o indi- apresentará resultado satisfatório. víduo mais jovem infectado tinha 3 anos e que a positividade de Segundo a literatura, o fármaco Omeprazol, por exemplo, infecção pela bactéria aumentava com a idade, atingindo 82% deve ser tomado 30-60 minutos antes de uma refeição, deve ser dos indivíduos maiores de 12 anos. Estes dados são similares aos engolido inteiro (não macerar, mastigar ou dividir). Com relação encontrados por Coelho et al. em adultos sintomáticos na mesma à dieta, pode diminuir absorção de ferro e vitamina B12. Já o cidade. A grande maioria dos pacientes, nos dois estudos, era de fármaco Cimetidina pode ser tomado sem considerar horários da baixo nível alimentação, recomenda-se uma dieta branda, e o ferro pode ser Estudos brasileiros encontraram as seguintes prevalências: suplementado, já que ocorre baixa absorção de ferro e vitamina 59,5% no Rio de Janeiro (RJ); 76,3% em São Paulo (SP); 83% B12, a cafeína deve ser Portanto, um acompanhamento em Santa Maria (RS); 84,7% em Nossa Senhora do Livramento nutricional é de grande importância a estes pacientes. (MT); 85,18% em Botucatu (SP); 87% em (MG); 89,6% A maioria dos pacientes apresentou intervalo de quatro em em Campinas (SP) e 96% em São Luís (MA)6. quatro horas entre uma refeição e outra, sendo o correto alimentar- O presente estudo apresentou, também, um número maior se no máximo de 3 em 3 horas, evitando assim longos períodos de indivíduos com escolaridade incompleta e renda familiar até em jejum e dores abdominais. dois salários mínimos, corroborando com estudos já realizados, Segundo o estudo, a maioria dos pacientes deixou de ingerir nos quais a maioria dos pacientes com gastrite também apresenta algum tipo de alimento ou diminuiu a frequência de consumo esta escolaridade e renda similar. após o diagnóstico de gastrite. Rev Bras Nutr Clin 2010; 25 (1): 18-22 21Batista CA & Soares LP Em relação ao consumo de alimentos, foram identificadas outros profissionais da saúde: gastrite. ed. São Paulo:Roca;2003. tolerâncias diferentes, indicando que um alimento pode causar 3. Aguiar DCF, Corvelo TCO, Araújo M, Cruz EM, Daibes desconforto a certos pacientes e, em outros, não. Mesmo sentindo S, Assumpção MB. Expressão dos antígenos ABH e Lewis desconforto ao ingerir alguns desses alimentos, os pacientes não na gastrite crônica e alterações pré-neoplásicas da mucosa deixam de consumi-los. gástrica. Arq Gastroenterol. 2002;39(4):222-32. Disponível Geralmente quando se fala em gastrite logo vem o pensamento em: www.bireme.org Acesso em setembro/2007. de que o alimento que deve ser evitado são os alimentos ácidos; 4. Sousa MB, Luz LP, Moreira DM, Bacha OM, Chultz RM, este estudo nos mostra que o chocolate foi o alimento dentre Edelweiss MI. Prevalência de infecção por Helicobacter pi- os citados no estudo que mais causa desconforto aos pacientes, lory em crianças avaliadas no Hospital de Clínicas de Porto ficando as frutas ácidas no terceiro lugar, com 76,7%. Os enla- Alegre, RS. Arq Gastroenterol. 2001;38(2). Disponível em tados, frituras, alimentos gordurosos, comida muito condimentada www.bireme.org Acesso em agosto/2007. e pimenta causam desconfortos em mais da metade dos pacientes. 5. Ashour AAR, Gusmão VR, Magalhães PP, Collares GB, De acordo com os sintomas, todos os pacientes sentem dor Mendes EM, Queiroz DMM, et al. Associação entre cagA e em queimação no abdome e mais da metade sente azia, perda alelos do vacA de Helicobacter pylori e úlcera duodenal em de apetite ou Esses sintomas podem estar relacionados crianças no Brasil. J Bras Patol Med Lab. 2002;38(2):79-85. com hábitos alimentares inadequados, já que os pacientes Disponível em www.bireme.org Acesso em agosto/2007. consomem alimentos que causam desconforto. 6. Ladeira MSP, Salvadori DMF, Rodrigues MAM. Bio- Dentre os entrevistados, uma minoria (6,7%) procurou patologia do Helicobacter pylori. J Bras Patol Med Lab. nutricionista para orientações nutricionais. De acordo com os 2003;39(4):335-42. Disponível em: www.bireme.org Acesso pacientes que não procuraram nutricionista (93,3%), os motivos em agosto/2007. citados foram: não sabiam da necessidade; o próprio médico fez 7. Kamiji MM, Oliveira RB. Efeito da administração de vitamina as orientações; não dispunham de condições financeiras para tal C sobre a colonização do estômago por Helicobacter pilory. tratamento; falta de tempo (trabalham o dia todo). Arq Gastroenterol. 2005;42(3). Disponível em www.bireme. org Acesso em setembro/2007. CONCLUSÕES 8. Touger-Decker R. Nutrição na saúde oral e dental. In: Mahan Diante dos resultados encontrados, notamos o predomínio LK, Stump-Escott S, eds. Krause: alimentos, nutrição e die- de eutróficos na população estudada, com maioria também de toterapia. ed. São Paulo:Roca;2002. pacientes que mantiveram seu peso após o diagnóstico de gastrite, 9. Caruso L. Distúrbios do trato digestório. In: Bottoni A, Ba- mas o número de pacientes com ganho de peso foi superior xmann A, Colucci ACA, Bottoni A, Sachs A, Villar BS, et àqueles que perderam peso, podendo relacionar que a maioria dos al. Guia de nutrição: nutrição clínica no adulto. ed. São pacientes consome todos os alimentos, mesmo sabendo que estes Paulo:Manole;2005. causam desconforto ao organismo em decorrência da gastrite. 10. Álvares MMD, Marino M, Oliveira CA, Mendes CC, Costa O estudo nos mostrou que os pacientes apresentam graus ACF, Guerra J, et al. Características da gastrite crônica asso- diferentes de tolerância aos alimentos, um mesmo alimento pode ciada a Helicobacter pylori: aspectos topográficos doenças causar desconforto a certo paciente com diagnóstico de gastrite, associadas e correlação com o status cogA. J Bras Patol Med e ser indiferente a outro paciente. Por isso, as orientações aos Lab. 2006;42(1). Disponível em www.bireme.org Acesso pacientes devem ser individualizadas. em agosto/2008. Mesmo apresentando gastrite e não apresentando uma alimen- 11. Portorreal A, Kawakami E. Avaliação do método imunoen- tação adequada a esta doença, a maioria dos pacientes apresentou zimático (ELISA) para diagnóstico da infecção por Helico- estado nutricional adequado. bacter pylori em crianças e adolescentes. Arq Gastroenterol. Por fim, observa-se que, mesmo sendo a gastrite uma doença 2002;39(3). Disponível em www.bireme.org Acesso em que está aumentando e acometendo grande parte da população, agosto/2008. ainda há muita falta de informação aos pacientes. 12. Ferreira LEVVC, Meirelles GSP, Vieira RLR, Bragagnolo MA, Chebli JMF, Souza AFM. Alterações no teste ultra-rápido REFERÊNCIAS da urease e no exame anatomopatológico para Helicobacter 1. César ACG, SilvaA Tajara EH. Fatores genéticos e ambien- pylori induzidas por drogas anti-secretoras. Arq Gastroenterol. tais envolvidos na carcinogênese gástrica. Arq Gastroenterol. 2001;38(1). Disponível em www.bireme.org Acesso em 2002;39(4):253-9. Disponível em: www.bireme.org Acesso agosto/2008 em agosto/2007 13. Martins C, Moreira SM, Pierosan SR. Interações droga nu- 2. Keane M. Enciclopédia & dicionário médico para enfermeiros & triente. ed. Curitiba:Nutroclínica;2003 Local de realização do trabalho: Centro Universitário do Triângulo Unitri, Uberlândia, MG. Rev Bras Nutr Clin 2010; 25 (1): 18-22 22